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Fases da Piscicultura
Como
em qualquer outra atividade zootécnica, a maneira de tratar os
animais em piscicultura é realizada considerando a biologia
das espécies criadas (hábitos reprodutivo, alimentar,
fases de vida, etc.), bem como o sistema de produção
possível de ser praticado no local, conforme as
características mercadológicas de cada região.
A
região do Alto Rio Negro é praticamente desprovida de
mercado fornecedor de insumos, tais como rações
específicas, fertilizantes químicos,etc. os quais,
quando encontrados na cidade de São Gabriel da Cachoeira
custam extremamente caros, inviabilizando a atividade na medida em
que esta se torna vitalmente dependente desses tipos de produtos. Por
outro lado a distância das Estações de
piscicultura do projeto em relação ao mercado
consumidor de S. Gabriel, em média cerca de 200 km de rio,
também inviabiliza o comércio dos produtos oriundos da
piscicultura (alevinos, peixes abatidos) praticada nos locais de
base. Portanto o sistema de criação (manejo) adotado
pelo projeto pode ser chamado de sistema semi-intensivo de
piscicultura familiar, o qual deve aproveitar ao máximo os
produtos que podem ser obtidos localmente.
FASES
DA PISCICULTURA
As
fases de vida dos peixes podem ser divididas basicamente assim: ovo,
larva, pós-larva, alevino, juvenil, matriz ou reprodutor. Como
a diferença de tamanho e comportamento entre tais fases é
bastante grande, torna-se necessário adequar o trato, bem como
as unidades de produção, instrumentos e utensílios,
naquilo que chamamos fases da piscicultura. Por exemplo, no Alto Rio
Negro, podemos separar as fases da piscicultura em quatro: 1 - fase
de reprodução: manejo de matrizes e reprodutores
nos viveiros externos, em tanques-redes temporários no rio ou
nos tanques de reprodução do laboratório; 2 -
fase de incubação: manejo de ovos e larvas em
incubadoras especiais; 3 - fase de alevinagem: formação
de alevinos (até cerca de 5 cm) em tanques internos,
viveiros-berçários externos ou viveiros-barragens; 4-
fase de engorda: produção de peixes juvenis para
o abate (até cerca de 25 cm) em viveiros-barragens familiares.
1
- Fase de reprodução:
De
acordo com sua biologia de reprodução, os peixes de
águas interiores podem ser classificados em basicamente dois
grupos: peixes lóticos e peixes lênticos.
Sempre
ligados às águas correntes, os peixes lóticos
são identificados como aqueles que necessitam realizar
migrações durante a época da reprodução,
geralmente subindo os rios em cardumes uma vez por ano, na época
das chuvas de verão, desovando em diferentes “turmas”,
em dias diferentes durante as primeiras enchentes, de janeiro a maio
na região. No Alto Rio Negro, os principais “peixes de
piracema”, são os aracus. Cada fêmea desova sempre
apenas uma vez por ano. Os casais nao constroem ninhos e não
cuidam dos filhotes. Para compensar as perdas pela predação,
devido à falta de proteção, liberam enormes
quantidades de ovos muito pequenos na correnteza, a qual se encarrega
de incubar e transportar larvas e pós-larvas para as zonas de
alimentação (lagos, igapós, etc).
Mais
relacionados às águas paradas, os peixes lênticos
não precisam realizar migrações longas para
desovar. No Alto Rio Negro, os principais representantes dessa
categoria de peixes são os acarás, as traíras e
os tucunarés. Algumas dessas espécies podem desovar
mais de uma vez por ano, mas sempre pequenas quantidades de ovos.
Apesar de poucos, os ovos são maiores e mais resistentes. Não
costumam ocorrer grandes perdas por predação, já
que os casais constroem ninhos e protegem ferozmente tanto os ovos
quanto os alevinos.
Essas
informações são importantes no momento de
escolher os métodos de reprodução a serem
aplicados às espécies escolhidas para serem criadas em
cativeiro. Nesse sentido, são os peixes lênticos os
melhor adaptados ao ambiente de criação, pois são
capazes de se reproduzir naturalmente nos viveiros de água
parada. Já as espécies lóticas, mantidas no
ambiente fechado dos viveiros, não podem receber estímulos
ambientais suficientes para fechar completamente o ciclo de maturação
sexual por que são impedidas de realizar a migração,
implicando na necessidade de intervenções hormonais
diretamente na corrente sanguínea para estimular a maturação
final e ovulação em laboratório.
Métodos
de reprodução de peixes utilizados no Alto Rio Negro.
Desova
natural em viveiros.
Este
é o método mais simples e barato, bastando apenas
preparar os viveiros (secagem, limpeza, enchimento, etc) e selecionar
os casais, que podem ser pescados no rio. Dependendo do caso podem
ser fornecidos materiais necessários para os peixes
construírem os ninhos, tais como: folhas e galhos secos,
pedras, seixos, etc.
Fecundação
artificial em local e horário de desova na natureza.
Esse
também é um método “simples e barato”,
que é aplicado somente no caso das espécies lóticas,
bastando estar presente com os devidos instrumentos, na hora certa e
no lugar certo. Para isso o conhecimento indígena tradicional
é indispensável. Os índios são precisos
em avaliar as mudanças ecológicas que anunciam a
chegada da hora em determinados locais. Por exemplo, no Alto Tiquié
os sinais da natureza a serem observados podem ser muitos:
-
Conforme a astrologia indígena local, a “constelação
da jararaca” primeiro precisa se aproximar da linha do
horizonte, anunciando a chegada do ciclo de cheias do calendário
pesqueiro. Começa então a chover. O nível do rio
sobe um pouco e depois seca novamente. Chegam os gaviões
formigueiros. Ocorrem então intensas revoadas de rainhas de
cupins, formigas e efemerópteros, todos repletos de ovos.
Chove forte a noite inteira e o nível do rio permanece subindo
até as 16:00/17:00 horas do dia seguinte. Os peixes se reúnem.
A “festa” dos peixes (desova) em local próximo à
foz do Onça-igarapé está na prestes a acontecer.
A equipe de técnicos indígenas da Estação
Caruru é avisada via radiofonia e se dirige ao local, onde com
total apoio da comunidade pescam as matrizes e realizam a fecundação
artificial por extrusão. Os ovos são levados ao
pavilhão de incubação da Estação
Caruru, onde permanecerão durante a próxima fase.
Nessas operações tem sido possível obter até
700.000 óvulos de Aracu-riscado. A taxa de fecundação
é perfeita: geralmente mais de 650.000 óvulos se
transformam em ovos. Cabe ressaltar que locais, dias, horários
e artes de pesca variam conforme a espécie de aracu e a região
(Alto Tiquié, Alto Uaupés ou Alto Içana) em que
se está.
Esse
método vem sendo desenvolvido exclusivamente pelas equipes
técnicas do Projeto, sendo que sua grande vantagem está
justamente na facilidade de obtenção de grandes
quantidades de ovos de elevada qualidade sem muitos gastos. A
desvantagem é que se trata de um método muito
dependente da natureza, mais imprevisível a cada ano.
Método
de ovulação induzida
Também
utilizado somente na reprodução artificial de espécies
lóticas, trata-se de um método menos simples e menos
barato, sendo baseado na aplicação de injeções
de hormônios sexuais naturais nos peixes. O sucesso desse
método depende de treinamento técnico intenso e
experimentação, já que não existem
trabalhos publicados na área de reprodução
induzida das espécies da região.
Os
casais são capturados no rio. Podem ser enviados às
estações de piscicultura onde devem passar por períodos
de adaptação e preparação, ou podem ser
injetados no próprio local de captura por meio da sua
acomodação em pequenos tanques-redes temporários.
Os
hormônios naturais são obtidos a partir de peixes
doadores, através da extração e dessecação
de glândulas chamadas hipófises. As hipófises dos
aracus são muito pequenas, pesando em média 0,75 mg. Em
geral são necessárias cerca de dez glândulas para
induzir um casal. Em períodos próximos das piracemas
essas glândulas, localizadas na cabeça em uma cavidade
logo abaixo do cérebro, ficam cheias de hormônios
gonadotrópicos (sexuais). Se os peixes estiverem livres na
natureza, mediante a influência de estímulos ambientais,
no momento certo esses hormônios são liberados na
corrente sanguínea e vão agir nas gônadas
(ovários e testículos) , viabilizando sua maturação
final e ovulação (desova).
Quando
os peixes lóticos ficam confinados, suas hipófises não
liberam os hormônios, sendo então necessário
induzir a ovulação através de injeções.
As injeções de hormônios só fazem o efeito
desejado (maturação final e ovulação)
quando as fêmeas já se encontram em avançado
estágio de desenvolvimento ovocitário. Por isso, as
aplicações praticadas em tanques-redes temporários,
com peixes recém-capturados, só podem ser feitas em
tempos já bem próximos das desovas naturais no rio.
Por
outro lado, quando as matrizes e reprodutores se tornam adaptados aos
viveiros, as diferenças ambientais do sistema fechado podem
provocar assincronismo no processo de maturação sexual,
com a possibilidade de se poder selecionar peixes sexualmente maduros
em praticamente todo tempo na região. Esta é a maior
vantagem desse método, que por não depender tanto assim
da natureza, pode propiciar uma produção mais constante
de alevinos ao longo do ano.
Fase
de Incubação
É
a fase mais fácil de todo processo, pois os pequenos (ovos e
larvas) ficam protegidos e ainda não precisam se alimentar.
Independentemente do método de reprodução
artificial utilizado, os ovos das espécies lóticas (que
não protegem os filhotes), são levados às
incubadoras, onde se desenvolverão até passarem a fase
larval, que vai da eclosão (nascimento) até
avançada formação dos órgãos e
membros. Durante esse período, de cerca de uma semana, os
milimétricos peixinhos não necessitam se alimentar
porque ainda possuem reservas alimentícias na barriga. Por
serem muito pequenos e sensíveis ainda têm que
permanecer protegidos nas incubadoras até aprenderem a nadar,
passando a ter necessidade de alimentação externa e de
mais espaço. Nesse momento, passam a se chamar pós-larvas,
quando então devem ser contados e distribuídos aos
viveiros externos ou tanques de alevinagem intensiva.
Fase
de alevinagem
O
sucesso na obtenção do primeiro alimento externo é
um dos fatores mais críticos e decisivos que os peixes
enfrentam ao longo de suas vidas. Devido ao seu pequeno tamanho,
poucos são os organismos que eles conseguem comer, embora
sejam muitos os animais que podem devorá-los. Portanto, esse é
justamente o momento em que eles representam muito mais o papel de
presa que de predador na cadeia alimentar do ecossistema do qual
fazem parte, seja ele natural ou artificial. Em viveiros de produção
de alevinos os predadores mais perigosos são os insetos
aquáticos (baratas e besouros d’água, larvas e
ninfas de libélulas), as espécies indesejadas de
outros peixes (lambaris, traíras, acarás, etc) que
podem invadir o viveiro, cobras d’água, aves aquáticas,
etc. Também existem competidores tais como os girinos e outros
pequenos peixinhos que embora não predem diretamente, agem
como “ladrões” da comida dos alevinos, impedindo
seu crescimento e fortalecimento, o que acaba favorecendo a ação
dos predadores.
A
maioria das pós-larvas e alevinos precisam obrigatoriamente se
alimentar de microorganismos aquáticos. Esses organismos
basicamente se classificam em plâncton (microorganismos que
habitam a coluna d’água) e bentos (microorganismos que
habitam o fundo). A dependência por estes animais microscópicos
se estende até as pós-larvas e micro-alevinos
aprenderem a se alimentar de outras fontes. Daí a necessidade
de se criar e fornecer tais organismos na quantidade adequada.
Por
isso a fase de alevinagem é a fase mais sensível de
todo processo. A taxa de sobrevivência pode ser zero, caso não
haja um bom preparo de viveiros ou um bom manejo alimentar, controle
de predadores e competidores, necessitando treinamento,
experimentação e sobretudo grande atenção
para com os “milimétricos bebês”.
Cabe
ressaltar a importância de uma estocagem correta de pós-larvas,
a qual vai depender da espécie criada, da qualidade da unidade
de produção (viveiro) utilizada e do tipo de trato
possível de ser praticado na região, conforme a
disponibilidade de insumos. Percebe-se como tudo passa a ser
extremamente relativo nessa fase, em apelo ao bom senso dos técnicos
envolvidos, cujo trabalho pode se tornar estritamente experimental.
Devido
a essa necessidade constante de experimentação, os
sistemas de alevinagem utilizados no Alto Rio Negro variam podendo
ser basicamente de três tipos: sistema semi-extensivo,
semi-intensivo e intensivo.
Alevinagem
semi-intensiva: É o sistema mais praticado em
pisciculturas de outras regiões do Brasil e do mundo. É
um método dependente de um minucioso preparo e manutenção
de viveiros-berçários, os quais devem possuir
dispositivos hidráulicos para o controle total da vazão,
possibilitando um manejo mais efetivo e adequado: secagem total,
retirada de lama, erradicação de predadores, calagem
(correção da acidez da água com aplicação
regular de calcário agrícola), fertilização
(aplicação regular de fertilizantes químicos)
para estimular produção de fitoplâncton (plâncton
de origem vegetal ou micro-algas) e adubação (aplicação
regular de adubos orgânicos) para estimular a produção
de zooplâncton (plâncton de origem animal).
Devido
à necessidade da aplicação de todos esses
insumos, freqüentemente inexistentes na região, é
necessário ainda realizar monitoramento regular da qualidade
da água, feito através de análises físicas
e químicas.
No
Alto Rio Negro a aplicação desse método tem
gerado resultados incertos, mostrando-se muitas vezes inviável,
por conta, principalmente, das dificuldades de logística,
impossibilidade de integração com outras atividades
zootécnicas, capacitação teórica dos
agentes locais, etc.
Alevinagem
intensiva: É um sistema mais moderno que vem sendo muito
experimentado atualmente em toda parte, estando sua tecnologia em
processo de desenvolvimento na maioria das pisciculturas do Brasil e
do mundo. É baseado no fechamento quase que completo do
sistema, na tentativa de impedir totalmente a entrada de predadores.
Por isso só pode ser realizado em laboratório através
do confinamento de uma grande quantidade de pós-larvas e
micro-alevinos em espaço e volume de água filtrada
reduzidos, onde os peixinhos são alimentados com uma dieta
nutricionalmente mais completa quanto for possível. Podem ser
fornecidos zooplâncton nativo, filtrado dos viveiros externos,
ou zooplâncton de origem marinha (Artemia salina) criado
intensivamente em laboratório, além de ração
artificial vitaminada e de elevado teor de proteínas, possível
de ser produzida artesanalmente em pequenas quantidades. As vantagens
desse sistema estão relacionadas com a obtenção
de altas taxas de sobrevivência, sendo uma maneira real de se
aumentar a produção de alevinos sem depender da
necessidade de aumentar a área alagada com a construção
nem sempre possível de novos viveiros nas estações
de piscicultura. A desvantagem está no alto grau de
intervenção humana (dá muito trabalho) e também
na necessidade de insumos provenientes de fora (plâncton de
origem marinha, ingredientes especiais de ração etc).
Alevinagem
semi-extensiva: Este é um sistema que vem sendo
exclusivamente experimentado e aperfeiçoado pelas equipes
técnicas do Projeto. Os viveiros familiares ou comunitários
recebem não alevinos (mudas) e sim pós-larvas
(sementes). Para isso eles são preparados apenas com o
objetivo de controlar a população de predadores antes e
durante o processo. Para que haja um máximo aproveitamento da
produtividade natural em alimentos, os peixamentos são feitos
de modo crescente e sucessivo, conforme as possibilidades. Essas
estocagens sucessivas variam, havendo como base teórica a
sucessão bentônica e planctônica, bem como as
possibilidades de canibalismo em relação à
dinâmica de crescimento e mudanças de hábito
alimentar das pós-larvas, micro-alevinos, alevinos e juvenis
que dessa forma co-habitam um mesmo viveiro.
Por
exemplo, no viveiro comunitário de Caruru-Cachoeira (Alto
Tiquié) a estocagem tem sido praticada da seguinte maneira: 25
pós-larvas por metro quadrado no primeiro peixamento, 50
pós-larvas por metro quadrado no segundo, mais 100 pós-larvas
por metro quadrado no terceiro, sendo o intervalo entre os
peixamentos de cerca de 15 a 20 dias. Dessa forma, pós-larvas
pequenas se alimentam de plânctons e bentos pequenos,
micro-alevinos se alimentam de plânctons e bentos grandes,
alevinos já se alimentam de ração normal,
farináceos e insetos. Percebe-se como as diferentes turmas não
competem por alimentos. Alevinos grandes podem comer pós-larvas,
mas por outro lado competem positivamente com outros tipos de
predadores. Além disso, por já se alimentarem de ração
comum, contribuem para uma espécie de adubação
natural do viveiro, aumentando sua capacidade de suporte. O aumento
crescente na estocagem serve para compensar eventuais perdas por
canibalismo dos grandes sobre os pequenos, estando baseado na
possibilidade de haver sobras crescentes de organismos menores, numa
sucessão promovida pela própria seletividade alimentar
daqueles que já haviam sido estocados anteriormente.
Esse
sistema de produção de alevinos tem sido o mais
interessante para a região do Alto Rio Negro, apresentando
várias vantagens: a primeira refere-se à facilidade de
transporte das pós-larvas, pois estas necessitam de um volume
de água bem menor que os alevinos; em segundo lugar, não
ocorre demanda de insumos provenientes de fora para o preparo dos
viveiros; a terceira vantagem está na qualidade genética
dos alevinos produzidos, sempre de grande tamanho, devido a própria
seletividade natural do ecossistema formado, onde somente os mais
fortes sobreviverão.
Porém,
esse é um sistema que apresenta certas limitações:
teoricamente só é possível ser praticado com
pós-larvas de espécies de boca pequena, como é o
caso dos aracus. Além disso, dependendo das características
físicas, químicas e biológicas diferentes de
cada unidade de produção não tem sido possível
praticar esse sistema em todos os viveiros, devido à presença
de predadores e dificuldades relacionadas à sua erradicação,
o que é um fato bastante comum para viveiros onde não é
possível controlar a vazão.
Fase
de engorda:
No
alto rio Negro a fase de engorda começa quando os peixes
apresentam tamanho à partir de 5 cm. Com esse porte já
têm melhor eficiência em ingerir partículas
maiores, farináceos (restos de cozinha tradicional, folhas
secas e piladas de mandioca), pequenos insetos, etc, sendo inclusive
fisicamente mais bem preparados para escaparem dos predadores.
Esta
fase, que tem por objetivo tornar os peixes consumíveis,
aumentando seu tamanho até cerca de 20 cm, é
caracterizada pela necessidade de quantidades maiores de alimento e
também por uma mudança nas espécies de
predadores que passam a agir no ecossistema: jacarés, morcegos
pescadores, lontras e até ladrões de peixes. Daí
a necessidade de se adequar o trato através do fornecimento
diário de alimentos e monitoramento regular da produção.
Devido
ao alto custo das rações comerciais, o sistema de
criação praticado que apresenta maiores vantagens na
região também pode ser tecnicamente chamado de
policultivo semi-extensivo com fornecimento de alimento suplementar
variado. É baseado na criação de várias
espécies em pequenos viveiros-barragens familiares ou
comunitários, onde os peixes são alimentados com o que
é encontrado localmente: sub-produtos da mandioca e da
pupunha, folhas, frutos, restos de cozinha tradicional, insetos etc.
A freqüência da alimentação depende da
disponibilidade da mão-de-obra familiar e também da
distância da localização dos viveiros em relação
às casas.
Para
a viabilização desse sistema a integração
da piscicultura com atividades específicas de manejo
agroflorestal é indispensável. Essas atividades
referem-se principalmente à implantação de
S.A.Fs (sistemas agro-florestais) em locais próximos aos
viveiros de piscicultura associada ao controle de pragas (cupins e
formigas cortadeiras) que são muito abundantes na região.
No
caso dos S.A.Fs, são plantadas frutíferas de igapó
conhecidamente utilizadas como alimento pelos peixes no ambiente
natural, sendo que para isso também é indispensável
o aproveitamento dos conhecimentos tradicionais dos indígenas.
Essas plantas são provenientes de viveiros
de mudas
que são implantados tanto junto às estações
de piscicultura quanto nas comunidades. Os insetos são
capturados em armadilhas e fornecidos regularmente aos peixes como
complemento protéico da sua alimentação.
Resultados obtidos
até o momento:
Dados
de produção de espécies lóticas das
estações
|
Produção
média anual de óvulos
|
700.000
|
|
Produção
média anual de ovos
|
450.000
|
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Produção
média anual de larvas
|
300.000
|
|
Produção
média anual de juvenis
|
10.000
|
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Índice de acertos
na desova induzida
|
50%
|
|
Fecundação
média na desova induzida
|
50%
|
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Fecundação
média durante as piracemas
|
90%
|
|
Sobrevivência
máxima na alevinagem semi-extensiva
|
6%
|
|
Sobrevivência
máxima na alevinagem semi-intensiva
|
9,5%
|
| Sobrevivência
média na alevinagem semi-intensiva |
5 % |
| Sobrevivência
média na alevinagem intensiva do jundiá |
70% |
Dados
de produção da fase de engorda em viveiros familiares
e comunitários
|
Produtividade máxima
(ração comercial 27% PB)
|
3.000 kg/há/ano
(em dois ciclos)
|
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Produtividade máxima
em viveiros familiares (alimento Suplementar variado)
|
2.225 kg/há/ano
(em dois ciclos)
|
|
Produtividade média em viveiros. Comunitários:
|
500 kg/ha/ano (em dois
ciclos)
|
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Área alagada
total aproximada
|
30.000 m2
|
| Quantidade de viveiros de engorda em funcionamento em 2000 |
15 |
| Quantidade de viveiros de engorda em funcionamento em 2004 |
82 |
| Área alagada total atual |
|
Fase de reprodução dos ovos
de peixes matrizes a ovos |
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Fase de incubação
de ovos a pós-larvas
(4 a 6 dias)
|
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Fase de larvicultura e alevinagem
de pós-larvas a alevinos
(40 dias)
|
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Fase de engorda
de alevinos (5cm) a peixes para consumo (20cm)
(6 meses)
|
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