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É hora de colocar a preocupação ambiental no centro do projeto de país, diz Sonia Guajajara
23/07/2024
Fonte: Valor Econômico - https://valor.globo.com/
É hora de colocar a preocupação ambiental no centro do projeto de país, diz Sonia Guajajara
No "Brasil rumo à COP 30", a ministra dos Povos Indígenas destacou que as tragédias relacionadas a eventos climáticos estão custando caro e absorvendo recursos muito mais altos do que ações de mitigação
Rafael Vazquez
23/07/2024
Em apresentação no evento "Brasil rumo à COP 30", organizado pela Editora Globo em parceria com o grupo CCR, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, abriu sua fala a empresários lamentando a falta de avanços significativos na mitigação aos efeitos das mudanças climáticas.
Na sua visão, o debate sobre o compromisso de tomar providência para não permitir que a temperatura média global aumente mais 1,5o é feito há décadas, mas, até hoje, se vê poucos resultados.
"Não é querer ser apocalíptica, é trazer os alertas. E nós, povos indígenas, estamos alertando há tempos", disse Guajajara.
Ela destacou ainda que as tragédias relacionadas à eventos climáticos extremos estão custando caro e absorvendo recursos muito mais altos do que ações de mitigação e adaptação contra as mudanças climáticas custariam.
"No Pantanal ou na Amazônia, nós já sofremos os impactos das mudanças climáticas", disse. "A natureza reage buscando reequilíbrio a décadas de ataque. E os prejuízos serão maiores a qualquer recurso gasto em adaptação e mitigação. Os impactos podem levar a sociedades ainda mais desestruturadas. É hora de colocar a preocupação ambiental no centro do projeto de país", pediu.
A ministra comentou que é fundamental contar com empresas privadas para o fortalecimento de uma economia verde no Brasil, aproveitando o potencial de produtos advindos de uma bioeconomia no país. Mas reforçou os apelos para que os povos indígenas deixem de ser atacados em territórios onde iniciativas ilegais executam atividades predatórias para a natureza e para as comunidades locais.
"Há muito setores no Brasil ainda pautados pelo atraso", declarou Guajajara. "Não podemos aceitar mais o roubo de madeira e a mineração ilegal que destroem territórios homologados", adicionou. "Por isso, as grandes empresas podem assumir protagonismo na construção de um novo modelo de desenvolvimento social, econômico e ambiental."
Em seguida, a ministra criticou o marco temporal. "Legislações como essa trazem insegurança e fortalecem a violência nos territórios indígenas. Neste momento mesmo, estamo vendo aumento de conflitos em ao menos três Estados, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará. A violência contra povos indígenas ainda é uma realidade muito cruel."
Para Guajajara, existe no Brasil, em alguns setores, uma cegueira que faz pessoas observarem os indígenas equivocamente como ameaças à produção econômica. "É possível avançar na produção agrícola sem desmatar e sem violentar os povos indígenas", disse. "A natureza preservada é um ativo do futuro e do presente."
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2024/07/23/e-hora-de-colocar-a-preocupacao-ambiental-no-centro-do-projeto-de-pais-diz-sonia-guajajara.ghtml
No "Brasil rumo à COP 30", a ministra dos Povos Indígenas destacou que as tragédias relacionadas a eventos climáticos estão custando caro e absorvendo recursos muito mais altos do que ações de mitigação
Rafael Vazquez
23/07/2024
Em apresentação no evento "Brasil rumo à COP 30", organizado pela Editora Globo em parceria com o grupo CCR, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, abriu sua fala a empresários lamentando a falta de avanços significativos na mitigação aos efeitos das mudanças climáticas.
Na sua visão, o debate sobre o compromisso de tomar providência para não permitir que a temperatura média global aumente mais 1,5o é feito há décadas, mas, até hoje, se vê poucos resultados.
"Não é querer ser apocalíptica, é trazer os alertas. E nós, povos indígenas, estamos alertando há tempos", disse Guajajara.
Ela destacou ainda que as tragédias relacionadas à eventos climáticos extremos estão custando caro e absorvendo recursos muito mais altos do que ações de mitigação e adaptação contra as mudanças climáticas custariam.
"No Pantanal ou na Amazônia, nós já sofremos os impactos das mudanças climáticas", disse. "A natureza reage buscando reequilíbrio a décadas de ataque. E os prejuízos serão maiores a qualquer recurso gasto em adaptação e mitigação. Os impactos podem levar a sociedades ainda mais desestruturadas. É hora de colocar a preocupação ambiental no centro do projeto de país", pediu.
A ministra comentou que é fundamental contar com empresas privadas para o fortalecimento de uma economia verde no Brasil, aproveitando o potencial de produtos advindos de uma bioeconomia no país. Mas reforçou os apelos para que os povos indígenas deixem de ser atacados em territórios onde iniciativas ilegais executam atividades predatórias para a natureza e para as comunidades locais.
"Há muito setores no Brasil ainda pautados pelo atraso", declarou Guajajara. "Não podemos aceitar mais o roubo de madeira e a mineração ilegal que destroem territórios homologados", adicionou. "Por isso, as grandes empresas podem assumir protagonismo na construção de um novo modelo de desenvolvimento social, econômico e ambiental."
Em seguida, a ministra criticou o marco temporal. "Legislações como essa trazem insegurança e fortalecem a violência nos territórios indígenas. Neste momento mesmo, estamo vendo aumento de conflitos em ao menos três Estados, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará. A violência contra povos indígenas ainda é uma realidade muito cruel."
Para Guajajara, existe no Brasil, em alguns setores, uma cegueira que faz pessoas observarem os indígenas equivocamente como ameaças à produção econômica. "É possível avançar na produção agrícola sem desmatar e sem violentar os povos indígenas", disse. "A natureza preservada é um ativo do futuro e do presente."
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2024/07/23/e-hora-de-colocar-a-preocupacao-ambiental-no-centro-do-projeto-de-pais-diz-sonia-guajajara.ghtml
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