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Funai promove oficina de manejo comunitário de quelônios no Amazonas

28/08/2025

Fonte: Funai - https://www.gov.br



Em mais uma iniciativa para garantir a conservação da biodiversidade e a soberania alimentar dos povos indígenas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) realizou, entre os dias 15 e 18 de agosto, uma oficina de manejo comunitário de quelônios no território indígena Baixo Marmelos, localizado nos municípios de Humaitá e Manicoré, no Amazonas. A ação reuniu indígenas dos povos Torá, Munduruku, Mura, Parintintim e Tenharim, das aldeias Baixo Grande, São José, Vista Alegre, Pau Queimado e São Raimundo, além de pesquisadores especialistas no tema.

O manejo de quelônios amazônicos - popularmente conhecidos como "bichos de casco" - tem grande relevância para as comunidades indígenas da região. A Funai contribui para o fortalecimento dessas práticas em Terras Indígenas (TIs), estimulando a mobilização comunitária e promovendo a troca de experiências entre os conhecimentos tradicionais e o científico.

A oficina foi organizada pela Coordenação-Geral de Gestão Ambiental (CGGAM) da Funai, por meio da Coordenação de Conservação e Recuperação Ambiental (Coram), em parceria com a Coordenação Regional (CR) de Madeira, e a Coordenação Técnica Local (CTL) Humaitá III, ambas unidades da Funai. Desde 2020, a autarquia indigenista apoia anualmente a iniciativa de manejo reprodutivo de quelônios realizada pelas comunidades indígenas no Baixo Rio Marmelos e do Rio Juqui, consolidando uma estratégia de conservação.

Para Rubemar Torá, chefe da CTL de Humaitá III, o projeto tem significado especial para os povos indígenas da região. "Esse diálogo fortalece nossa autonomia, valoriza nossa cultura e mostra que nós, povos indígenas, temos um papel fundamental na conservação da Amazônia. Ele representa a continuidade da relação ancestral com o rio e com a floresta, garantindo alimentos, cultura e vida para a nossa futura geração. Desde sempre aprendemos com os nossos mais velhos a cuidar dos tracajás e de outros quelônios, porque eles fazem parte da nossa alimentação tradicional, da nossa história e do equilíbrio da natureza", destaca.

A oficina contou também com a participação de pesquisadores com experiência em manejo comunitário de quelônios aquáticos, entre eles Luis Eduardo de Sousa Ribeiro e Daniely Félix-Silva. Eles contribuíram com orientações técnicas e compartilharam metodologias de registro e análise de dados.

"Os recursos naturais vêm sendo manejados por populações humanas há séculos, e o fortalecimento dessas iniciativas tem se mostrado uma estratégia eficaz de conservação. As ações locais de manejo de quelônios, presentes em diferentes regiões da bacia Amazônica, precisam integrar o profundo conhecimento tradicional sobre a história natural desses animais ao apoio técnico e logístico de parceiros do governo e da sociedade civil", explica a pesquisadora Daniely Félix-Silva.

Segundo ela, esse esforço conjunto pode se consolidar como uma ferramenta de gestão capaz de assegurar a soberania alimentar, preservar práticas culturais dos povos amazônicos e contribuir para a conservação de espécies essenciais ao equilíbrio da região.

A visão dos participantes também reforça a relevância da iniciativa. Raimundo Parente da Silva, do povo Munduruku da aldeia Pau Queimado, destacou que "o projeto vem trazendo para a região e para os indígenas um interesse maior em se preocupar com a preservação e vem incentivando as gerações futuras a compreender a importância da preservação dos quelônios. Isso é fundamental para o aumento da quantidade deles nos rios".

As atividades incluíram diagnóstico participativo sobre o manejo realizado nas aldeias, treinamento de agentes indígenas de praia para o uso de fichas de campo, além de visita a um tabuleiro de desova manejado, com identificação de ninhos e exercícios práticos de registro. O encontro terminou com o planejamento conjunto das ações para o período reprodutivo de 2025.

https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2025/funai-promove-oficina-de-manejo-comunitario-de-quelonios-no-amazonas
 

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