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	<title>Povos Indígenas no Brasil - Contribuições do(a) usuário(a) [pt-br]</title>
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	<subtitle>Contribuições do(a) usuário(a)</subtitle>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6674</id>
		<title>Perguntas frequentes</title>
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		<updated>2020-02-07T20:51:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: atualização formulario /* Posso reproduzir informações do site? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Perguntas frequentes}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre o site ==&lt;br /&gt;
=== Posso reproduzir informações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Imagens:''' A reprodução de fotos e ilustrações não é permitida. &lt;br /&gt;
O Instituto Socioambiental (ISA) não libera as imagens de seu acervo por se tratar de imagens cedidas por diferentes fotógrafos para o uso da instituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Textos:''' É permitida a reprodução de trechos de textos. Para isso, entrar em contato através &lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://docs.google.com/forms/d/1T7UYFIfSOuylU7qVh96gxJ_TmJEdKkKXWxOp9WY5QL8/viewform?edit_requested=true&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;deste formulário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/small&amp;gt;. Para reprodução de trechos de textos é necessário citar o autor (quando houver) e o nome do Instituto Socioambiental (ISA). Para reprodução em sites, dar o crédito e o link da seção do site Povos Indígenas no Brasil da qual foi retirado o texto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como devo fazer referência a citações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sugerimos o seguinte formato: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;Autor do Verbete (se houver), Fonte: Instituto Socioambiental | Povos Indígenas no Brasil , &amp;lt;http: link-da-página-utilizada=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;, Acessado em: dd/mm/aaaa.&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como conseguir autorização para utilizar imagens do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É necessário entrar em contato diretamente com os autores das imagens sobre as quais se tem interesse, identificados junto às mesmas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre os povos indígenas ==&lt;br /&gt;
=== Quais e quantos são os povos indígenas no Brasil? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os {{#total_povos:}} povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.&lt;br /&gt;
Veja o [[Quadro_Geral_dos_Povos | Quadro Geral dos Povos]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Quanto do território brasileiro está reservado aos índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As [[O que são Terras Indígenas? | terras indígenas]] (TIs) somam {{#total_area_ti: total}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti: area | ha}} hectares ({{#total_area_ti: area | km}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti: porcentagem}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Qual a diferença entre &amp;quot;indígena&amp;quot;, &amp;quot;índio&amp;quot;, &amp;quot;ameríndio&amp;quot;, &amp;quot;silvícola&amp;quot;, &amp;quot;aborígine&amp;quot;...? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expressão genérica &amp;quot;povos indígenas&amp;quot; refere-se a grupos humanos espalhados por todo o mundo, e que são bastante diferentes entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas o uso corrente da linguagem que faz com que, em nosso e em outros países, fale-se em povos indígenas, ao passo que, na Austrália, por exemplo, a forma genérica para designá-los seja aborígines. Indígena ou aborígine, como ensina o dicionário, quer dizer &amp;quot;originário de determinado país, região ou localidade; nativo&amp;quot;. Aliás, nativos e autóctones são outras expressões usadas, ao redor do mundo, para denominar esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Genericamente, os povos indígenas que vivem não apenas em nosso país, mas em todo o continente americano, também são chamados de índios. Essa palavra é fruto do equívoco histórico dos primeiros colonizadores que, tendo chegado às Américas, julgaram estar na Índia. Apesar do erro, o uso continuado, até mesmo por parte dos próprios índios, faz da palavra, no Brasil de hoje, um sinônimo de indivíduo, pessoa indígena. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como há certas semelhanças que unem os índios das Américas do Norte, Central e do Sul, há quem prefira chamá-los, todos, de ameríndios. Os índios ou ameríndios são os povos indígenas das Américas. Em décadas passadas, outra palavra era bastante usada no Brasil para designar os índios em geral: silvícolas (&amp;quot;quem nasce ou vive nas selvas&amp;quot;). O termo é totalmente inadequado, porque o que faz de alguém indígena não é a característica do lugar onde se nasce ou vive (a &amp;quot;selva&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode tirar carteira de identidade? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, índio pode e deve fazer carteira de identidade, que é um registro geral dos cidadãos brasileiros. A lei brasileira, no entanto, não permite, a identificação étnica neste documento. Por outro lado, o índio tem direito também a um registro na comunidade onde nasceu, configurando, assim, uma identificação étnica documentada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode votar ou ser votado? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo cidadão brasileiro pode votar, desde que possua registro eleitoral. Como o voto no Brasil é obrigatório, os índios são obrigados a votar se tiverem mais de 16 anos (??) e forem alfabetizados em língua portuguesa. Porém, se viverem na aldeia e, segundo seus usos e tradições, o povo, coletivamente, decide não votar, esta decisão prevalece sobre a obrigatoriedade da lei brasileira. Isso porque os povos indígenas têm o direito constitucional de viver segundo seus usos, tradições e costumes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O índio pode sim ser candidato, pois é um cidadão com todos os direitos. Para ser candidato, entretanto, há algumas restrições, como o conhecimento da língua para alguns cargos. Exemplo disso é a eleição da advogada indígena Joênia Wapichana para o cargo de deputada federal, em 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pode o índio vender os produtos de sua terra com o intuito de lucro? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os bens da comunidade pertencem à comunidade como um todo, portanto, são bens coletivos. Assim, se no comércio você compra para vender e na indústria e na agricultura você produz para vender com o preço maior do que o investimento, o índio pode, individualmente, comprar um bem e vender esse bem mais caro. Não há nenhuma restrição, desde que a origem daquele dinheiro seja dele. Ele pode ter dinheiro pessoal, pode ter bens individuais e usá-los como achar melhor. No entanto, não pode fazer isso com os bens da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A língua dos índios é &amp;quot;o tupi”? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 160 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como [[Línguas | Língua Geral ou Nheengatu]]. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando [[Línguas | famílias lingüísticas]], que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os [[Línguas | troncos lingüísticos]]. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como [[Línguas | multilingüismo]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 línguas têm acima de cinco mil falantes: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]], [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], Guarani [[[Povo:Guarani Ñandeva | Guarani Ñandeva]] / [[Povo:Guarani Kaiowá | Guarani Kaiowá]] / [[Povo:Guarani Mbya | Guarani Mbya]]], [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Sateré Mawé | Sateré-Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]], [[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os [[O trabalho dos linguistas | lingüistas]], assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de [[Escola, escrita e valorização das línguas | educação escolar indígena]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Se um índio dirige carro, vê televisão, ele deixa de ser índio? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do contato com a nossa sociedade, uma série de mudanças ocorreu no modo de viver dos povos indígenas. Em relação a esse assunto, é preciso ter em mente dois aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, que as culturas indígenas não são estáticas. Como quaisquer outras, elas mudam ao longo do tempo, mesmo que não seja por influência estrangeira. Por outro lado, é inegável que as mudanças decorrentes do contato com a nossa sociedade podem, muitas vezes, alcançar escalas preocupantes. Esse é o caso, por exemplo, de povos que perderam suas línguas maternas e, hoje, só falam o português. Nosso papel, como aliados dos índios, deve ser defender que tenham condições sociais, econômicas e políticas de absorver as novidades que vêm do contato, da forma como lhes parecer mais adequada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, por trás das mudanças, com ritmo e naturezas diferentes em cada caso, há um fato fundamental: mesmo travando relações com os não-índios, os povos indígenas mantêm suas identidades e se afirmam como grupos étnicos diferenciados, portadores de tradições próprias. A identidade étnica, ou seja, a consciência de pertencimento a um determinado povo, resulta de um jogo complexo entre o &amp;quot;tradicional&amp;quot; e o &amp;quot;novo&amp;quot;, o &amp;quot;próprio&amp;quot; e o &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, que acontece sempre que populações diferentes vivem em contato. É importante lembrar disso antes de dizer que alguém &amp;quot;já não é mais índio&amp;quot; porque usa roupas, reza missa, assiste televisão, opera computadores, joga futebol ou dirige um carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Existem índios vivendo longe dos &amp;quot;brancos&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil de hoje há pelo menos 114 referências de &amp;quot;índios isolados&amp;quot;. Assim são chamados aqueles que recusam contato com o órgão indigenista oficial - Fundação Nacional do Índio (Funai). Não se sabe ao certo quem são, onde estão, quantos são e que línguas falam. O pouco que se sabe é que 28 dessas referências já foram confirmadas e encontram-se em Terras Indígenas já demarcadas ou com algum grau de reconhecimento pelos órgãos federais. Existem pelo menos outras 86 referências de índios isolados, que precisam ter suas existências confirmadas pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ideia de que há índios que permaneceram isolados desde a chegada dos portugueses ou de que há sociedades mantidas à margem de todas as transformações ocorridas na face da terra, é enganadora. Os grupos considerados isolados travam, muitas vezes, relações de longa data com segmentos da sociedade nacional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O isolamento representa, em muitos casos, uma opção do grupo, que pode estar pautada por suas relações com outros grupos, pela história das frentes de atração na região e também pelos condicionantes geográficos que propiciam essa situação.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 1987, a Funai conta com uma unidade destinada a tratar da localização e da proteção a esses índios:  a Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC). Sua atuação se dá por meio de equipes denominadas &amp;quot;Frentes de Proteção Etno-ambiental&amp;quot;. São elas: Awá (MA), Envira (Acre), Guaporé (RO), Madeira-Purus, (AM), Madeirinha/Juruena (MT), Médio Xingu (PA), Uru-eu-wau-wau (RO), Vale do Javari (AM), Yanomami e Ye´kwana (RR) e Waimiri-Atroari (RR/AM) e uma coordenação em Brasília.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, quatro grupos já contatados continuam conhecidos pela Funai como &amp;quot;isolados&amp;quot;, recebendo dela assistência diferenciada. São eles os Kanoê e os Akuntsu, de Rondônia; os Zo'é, do Pará, e um pequeno grupo Korubo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os povos indígenas ajudam a preservar a natureza? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de não serem &amp;quot;naturalmente ecologistas&amp;quot;, os índios têm consciência da sua dependência – não apenas física, mas, sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente. Em função disso, desenvolvem formas de manejo dos recursos naturais que têm sido fundamentais para a preservação da cobertura florestal no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de um fato visível nas regiões onde o desmatamento tem avançado com maior rapidez, como nos estados do Mato Grosso, Rondônia e sul do Pará. Em levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), por exemplo, as Terras Indígenas aparecem como verdadeiros oásis de florestas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É fato que muitos povos indígenas, como os Suruí, Cinta-Larga e os Kayapó, tenham se atrelado ativamente a formas predatórias de exploração dos recursos naturais, hoje em vigor na Amazônia, fazendo alianças principalmente com empresas madeireiras. Todavia, é preciso reconhecer que eles as fizeram por terem passado por pressões concretas, contínuas, ilegais e como sócios menores desses negócios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem já pensou nos índios como homens &amp;quot;naturais&amp;quot;, defensores inatos da natureza, &amp;quot;naturalistas&amp;quot; está a um passo de vê-los como mera extensão do meio ambiente: deveriam, portanto, ser &amp;quot;conservados&amp;quot; e mantidos à distância do mundo &amp;quot;civilizado&amp;quot;. Essa visão deriva, no entanto, de uma concepção da natureza que é própria ao mundo ocidental: natureza como algo que deve permanecer intocado, alheio à ação humana. Mas o que os próprios povos indígenas têm a dizer sobre o assunto é bem diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As concepções da natureza certamente variam bastante conforme o povo indígena que consideremos. Porém, se algo parece comum a todos eles, é o fato de que a natureza está sempre em interação com a ação humana, não sendo jamais intocada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Devo escrever &amp;quot;os Yanomami&amp;quot; ou &amp;quot;os ianomâmis&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por serem ágrafos (ou seja, não possuírem escrita) nos tempos da &amp;quot;atração e pacificação&amp;quot;, os povos indígenas foram (e continuam sendo) &amp;quot;batizados&amp;quot; por escrito por &amp;quot;brancos&amp;quot;, num processo que deu (e ainda dá) margem a muitas confusões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma grande variabilidade na maneira de grafar os nomes dos povos indígenas. Convivem padrões diferentes, às vezes criados por funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), outras por antropólogos e, mais recentemente, até mesmo por Manuais de Redação de grandes órgãos da imprensa brasileira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como as línguas indígenas têm sons que não encontram representação direta nas letras do alfabeto brasileiro, os antropólogos são obrigados a recorrer a outras letras e combinações de letras. Buscam, então, usar letras cuja interpretação sonora se aproxime do alfabeto fonético internacional, usado pelos lingüistas de todo o mundo, e não do alfabeto brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As discordâncias ortográficas sobre os nomes de povos indígenas costumam opor antropólogos a Manuais de Redação de grandes jornais. Mas, nesse assunto, não há consenso nem mesmo entre os próprios antropólogos. As maiores polêmicas dizem respeito ao uso (ou não) de maiúsculas iniciais e da forma plural para os nomes das etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos, quando a denominação de um povo aparece com função de adjetivo, não haveria porque não escrevê-la com minúscula (língua guarani, por exemplo). Já quando aparece como substantivo gentílico, seria mais adequado mantê-la com maiúscula, porque, se é verdade que essas etnias não têm países (como os franceses, a França), também é certo que seus nomes são designativos de uma coletividade única, de uma sociedade, de um povo, e não apenas de uma somatória de pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqueles que defendem a não-flexão do plural ancoram-se na justificativa de que, na maioria dos casos, sendo os nomes palavras em língua indígena, acrescentar um s resultaria em hibridismo. Além do mais, há a possibilidade de as palavras já estarem no plural, ou, ainda, de que a própria forma plural não exista nas línguas indígenas correspondentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Manuais de Redação, por outro lado, têm imposto um aportuguesamento da grafia dos nomes das tribos, proibindo o uso de letras como w, y, k (!) e certos grupos de letras não existentes em português, como sh. Esse critério não tem consistência, assim como grafar os nomes sempre em minúsculas ou flexionar o número (singular/ plural) mas não o gênero (masculino/ feminino). Por exemplo, se krahô se deve escrever craô, então Kubitscheck deveria ser escrito Cubicheque, Geisel, Gáisel. Por que o mesmo manual que recomenda grafar ianomâmi e os ianomâmis, veta a flexão por gênero, quando a palavra tem função de adjetivo (&amp;quot;mulheres ianomâmis&amp;quot; e não &amp;quot;mulheres ianomamas&amp;quot;), resultando num aportuguesamento pela metade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como faço para entrar em contato com os índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A melhor maneira de entrar em contato com os povos indígenas é acessar seus sites e falar diretamente com seus representantes. Na seção Iniciativas Indígenas, apresentamos uma lista com [[Web indígena | sites de povos indígenas situados no Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Perguntas frequentes}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-09-10}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Patr%C3%ADcia_de_Mendon%C3%A7a_Rodrigues&amp;diff=6653</id>
		<title>Patrícia de Mendonça Rodrigues</title>
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		<updated>2020-02-05T19:10:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: criação página autora Patrícia de Mendonça Rodrigues&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;* Currículo: [[Currículo::Antropóloga]] [[Email::dituhe@hotmail.com]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Patrícia de Mendonça Rodrigues}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
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	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Situa%C3%A7%C3%A3o_jur%C3%ADdica_das_TIs_no_Brasil_hoje&amp;diff=6644</id>
		<title>Situação jurídica das TIs no Brasil hoje</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Situa%C3%A7%C3%A3o_jur%C3%ADdica_das_TIs_no_Brasil_hoje&amp;diff=6644"/>
		<updated>2019-12-04T17:52:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: Inclusão governo Bolsonaro/* Demarcações nos últimos sete governos */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |Situação jurídica das TIs no Brasil hoje}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja abaixo o quadro-resumo da situação jurídica das [[O que são Terras Indígenas? | Terras Indígenas]] (TIs) no Brasil e, mais abaixo, um recorte específico para a situação das TIs na Amazônia Legal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para facilitar a compreensão dividimos em quatro as várias [[Demarcações | etapas do processo de reconhecimento oficial das TIs]]. Cada linha corresponde a uma situação nesse processo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Última atualização em {{#agora:}}.&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Situação das TIs no Brasil==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;(clique na situação jurídica para ver todas as TIs nessa situação)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{#computo:}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Situação das TIs na Amazônia Legal==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Situação das TIs na Amazônia Legal&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th &amp;gt;Situação&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th &amp;gt;N&amp;lt;sup&amp;gt;o&amp;lt;/sup&amp;gt; TIs&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th &amp;gt;Extensão (hectares)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Em Identificação&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;43&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;3.100&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Com restrição de uso a não índios&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;1.080.740&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Identificada&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;11 (2,59%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;1.662.477 (1,44%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Declarada&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;32 (7,55%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;6.982.470 (6,05%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Reservada/Homologada&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;332 (78,67%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;105.615.658 (91,57%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Total Geral&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;424 (100%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;115.344.445 (100%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
__FORCETOC__&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Demarcações nos últimos oito governos==&lt;br /&gt;
Abaixo, tabela com o reconhecimento de [[O que são Terras Indígenas? | Terras Indígenas]] (TI) no Brasil, nos governos dos presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[Última atualização em 20 de Setembro de 2018. Desde então não houve novos decretos e portarias.]&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Brasil&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas*&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Jair Bolsonaro [jan 2019- presente]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a abr 2018]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.397.569&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;19.216&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;932.665&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.243.549&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.096.007&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;51&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.008.845&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.726.053&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;30&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10.282.816&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;66&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.059.713&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;60&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.033.678&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.699.936&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.922.172&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;114&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31.526.966&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Itamar Franco [out 92 | dez 94]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.241.711&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;16&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5.432.437&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.794.263&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;112&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.405.219&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.786.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;67&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;14.370.486&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Amazônia legal&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a abr 2018]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.392.275&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;19.216&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.240.776&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;964.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.821.205&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;13&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.690.239&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;20&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.917.596&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;52&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10.988.935&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;47&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;15.767.121&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;18&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.642.668&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;32&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Itamar Franco [out 92 | dez 94]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;6.518.162&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5.499.776&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;23.390.618&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;74&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.795.019&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;34&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.009.449&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.452.807&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''*''' Inclui nove (9) terras Reservadas por decreto: um (1) no governo Sarney, três (3) no governo Collor , um (1) no primeiro Mandato de Lula e dois (2) no segundo mandato de Lula.&lt;br /&gt;
'''**''' As colunas &amp;quot;Número de terras&amp;quot; e &amp;quot;Extensão&amp;quot; não devem ser somadas, pois várias terras indígenas homologadas em um governo foram redefinidas e novamente homologadas. &lt;br /&gt;
(Por exemplo, a TI Baú que já havia sido declarada no governo FHC com 1.850.000 hectares, e no governo Lula foi reduzida para 1.543.460 hectares. Também a TI Raposa Serra do Sol, que já tinha sido declarada em 1998 no gov. FHC , foi posteriormente declarada por Lula, com a mesma extensão. Nesses casos a extensão foi contabilizada duas vezes, o que impede a simples somatória dos campos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Terras Indígenas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Web_ind%C3%ADgena&amp;diff=6643</id>
		<title>Web indígena</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Web_ind%C3%ADgena&amp;diff=6643"/>
		<updated>2019-11-29T20:21:20Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: atualização site apib /* Sites de organizações indígenas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |Web indígena}}&lt;br /&gt;
O aprendizado e a incorporação, por parte dos povos indígenas, das ferramentas da informática e da Internet como meios de divulgação de suas culturas e de seus direitos têm ganho maior destaque a cada dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group list-group-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Button-link&lt;br /&gt;
|[[O que dizem (e pensam) os índios sobre as políticas de inclusão digital?]]&lt;br /&gt;
|por '''Tatiane Klein''' e '''Nicodème de Renesse'''&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir, indicamos alguns dos sites produzidos e geridos por organizações indígenas que representam boa parte dos povos indígenas situados em território nacional*, bem como sites de indivíduos indígenas ligados a diversos temas, nos quais podem ser encontradas inúmeras informações elaboradas por eles mesmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: x-small&amp;quot;&amp;gt;* Note-se que, em alguns casos, um mesmo povo possui dois ou mais sites. Isso ocorre por vários motivos, entre eles, porque existem povos que se encontram distribuídos por mais de uma terra, por exemplo. Além disso, da mesma maneira que os não-índios, cada povo indígena pode estar organizado socialmente através de diversos grupos de parentesco e políticos – morando, inclusive, em aldeias distintas na mesma terra indígena. Assim, cada grupo busca desenvolver seus próprios projetos, sem que isso altere suas condições de membros do mesmo povo e, mais do que isso, que contribua para a divulgação conjunta da causa indígena.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Sites de organizações indígenas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: x-small; text-align: right; &amp;quot;&amp;gt;Você acha que seu site deveria estar listado aqui? [[Especial:Contatar | Fale conosco]]&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Sites de organizações indígenas&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Site&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;URL&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Povo&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Estado&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Organização dos Povos Indígenas Xavante (OPIX) - Aldeia Sangradouro&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://aldeiasangradouro.blogspot.com.br/&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Xavante&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://apoinme.org.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;(NE), MG, ES&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.arpinsul.org.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kaingang, Xokleng, Guarani e Xetá da Região Sul&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;(SU)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://apib.info/&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação Artístico Cultural Nhandeva (RJ)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.nhandeva.org&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;RJ&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação Ashaninka do Rio Amônia (APIWTXA, AC)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.apiwtxa.blogspot.com&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ashaninka&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;AC&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação das Comunidades dos Índios Tapebas (CE)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://tapeba.com.br/wordpress&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;CE&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação dos Povos Indígenas do Oiapoque (Apio, AP)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.povosindigenasdooiapoque.com.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Galibi do Oiapoque, Palikur, Karipuna do Amapá e Galibi-Marworno&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;AP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação Floresta Protegida (Kayapó, PA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.florestaprotegida.org.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação Guarani Nhe’ê Porã (SP)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.culturaguarani.org.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Guarani&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu(Aikax, MT)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://associacaoindigenakuikuro.blogspot.com&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kuikuro&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação Indígena Moygu Comunidade Ikpeng (AIMCI)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.ikpeng.org&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ikpeng&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí (RO)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.surui.org&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Surui Paiter&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;RO&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação Xavante Warã (MT)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://wara.nativeweb.org&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Xavante&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Associação União das Aldeias Apinajé -PEMPXÀ&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://uniaodasaldeiasapinaje.blogspot.com.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;TO&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Aty Guasu (Grande Assembléia) Guarani Kaiowá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://atyguasu.blogspot.com.br/ http://www.facebook.com/aty.guasu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Centro Indígena de Estudos e Pesquisa (CINEP, DF)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.cinep.org.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;DF&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Conselho das Aldeias Wajãpi (Apina, AP)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.apina.org.br/&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Wajãpi&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;AP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Conselho do Povo Cinta Larga (CPCL, RO)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.povocintalarga.blogspot.com&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Cinta Larga&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;RO&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Conselho Indígena de Roraima (CIR, RR)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.cir.org.br/&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makuxi, Wapixana, Taurepang&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;RR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Conselho Indígena do Vale do Javari (Civaja, AM)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.feis.unesp.br/grupos-associacoes/civaja/index.html&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Marubo, Matis, Matsés, Kulina Pano e Kanamari&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita, PA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://citastm.blogspot.com&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tupaiú, Apiaká, Arapium, Arara Vermelha, Borari, Cara-Preta, Cumaruara, Munduruku, Maytapú, Jaraqui, Tapajó, Tupinambá e Tapuia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab, AM)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.coiab.com.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn, AM)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.foirn.org.br/ http://foirn.wordpress.com&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Etnias do Rio Uaupés, Etnias do Rio Içana, Etnias Maku, Etnias do Rio Xié&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Hutukara Associação Yanomami (HAY, RR)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.hutukara.org&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yanomami&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;RR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Instituto Indígena Maiwu de Estudos e Pesquisas de Mato Grosso (Maiwu)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://institutomaiwu.blogspot.com&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Apiaká, Arara do Rio Branco, Bororo, Chiquitano, Cinta Larga, Guató, Ikpeng, Karajá, Kayabi, Rikbaktsa, Tapayuna, Tapirapé, Umutina, Xavante, Zoró&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Instituto Indigena para Propriedade Intelectual (Inbrapi)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.inbrapi.org.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Instituto Kabu (Kayapó, PA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.kabu.org.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kayapó Mẽkrãgnõtire&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Instituto Raoni (MT)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.institutoraoni.org&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngues (OGPTB, AM)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.ogptb.org.br&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ticuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Portal dos Filhos do Waraná&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;http://www.nusoken.com/&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sateré-Mawé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
==Outros sites==&lt;br /&gt;
Abaixo apresentamos outros sites indígenas, não necessariamente ligados a organizações de um povo.&lt;br /&gt;
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&amp;lt;caption&amp;gt;Outros sites&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;'''Ação dos Jovens Indígenas de Dourados (AJI-MS)'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.jovensindigenas.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.jovensindigenas.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Guarani Kaiowá]]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;'''Blog de Agbaniwa'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://agbaniwa.wordpress.com&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://agbaniwa.wordpress.com&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; [[Povo:Baniwa | Baniwa]]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;'''Blog de Ailton Krenak'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ailtonkrenak.blogspot.com&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://ailtonkrenak.blogspot.com&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt; '''Arte Baniwa'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt; [[Povo:Baniwa | Baniwa]]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;''' Ação de Jovens Indígenas'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;'''Blogue do Anápuáka'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://baniwaonline.wordpress.com&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://baniwaonline.wordpress.com&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;'''Blog de Dourado Tapeba'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;''' Literatura Indígena - Um Pensamento Brasileiro (Eliane Potiguara)'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;''' Jóias de Sementes: Apurinã'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.amazonlink.org/apurina/port/index.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.amazonlink.org/apurina/port/index.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;'''Maxakali - Livros da floresta&lt;br /&gt;
            '''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://livrosdafloresta.letras.ufmg.br/home.php&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://livrosdafloresta.letras.ufmg.br/home.php&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;'''Rede GRUMIN de Mulheres Indígenas'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
[[Categoria:Iniciativas indígenas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Web indígena}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2013-02-22}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Quantos_s%C3%A3o%3F&amp;diff=6642</id>
		<title>Quantos são?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Quantos_s%C3%A3o%3F&amp;diff=6642"/>
		<updated>2019-11-18T18:28:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: atualização nº povos IBGE&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |Quantos são?}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#slideshow: slide&lt;br /&gt;
| https://img.socioambiental.org/d/766703-4/TCF0045_edit.jpg&lt;br /&gt;
| https://img.socioambiental.org/d/766697-6/DSC00580_1_edit.jpg&lt;br /&gt;
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| https://img.socioambiental.org/d/766706-5/200918dez_casa_de_reza_guyra_roka_0029_edit.jpg&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Foto: diversos autores, veja &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/v/publico/institucional/slideshows/populacaoindigena/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;aqui&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estima-se que existam hoje no mundo pelo menos 5 mil povos indígenas, somando mais de 370 milhões de pessoas (IWGIA, 2015). No Brasil, até meados dos anos 70, acreditava-se que o desaparecimento dos povos indígenas seria algo inevitável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos anos 80, verificou-se uma tendência de reversão da curva demográfica e, desde então, a população indígena no país tem crescido de forma constante, indicando uma retomada demográfica por parte da maioria desses povos, embora povos específicos tenham diminuído demograficamente e alguns estejam até ameaçados de extinção. Na listagem de povos indígenas no Brasil elaborada pelo ISA, sete deles têm populações entre 5 e 40 indivíduos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dos {{#total_povos:}} povos listados pelo ISA, 48 têm parte de sua população residindo em outro(s) país(es). Quando há informações demográficas a respeito, essas parcelas são contabilizadas e apresentadas separadamente, segundo a fonte da informação, e não contam na estimativa global para o Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o Censo IBGE 2010, os mais de 305 povos indígenas somam 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja a lista de povos e respectivas populações no [[Quadro Geral dos Povos]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
* [[Quantos eram? Quantos serão?]]&lt;br /&gt;
* [[O Censo 2010 e os Povos Indígenas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ligações externas ==&lt;br /&gt;
Especiais do IBGE sobre população indígena:&lt;br /&gt;
* [http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2194&amp;amp;amp;id;_pagina=1 Características Gerais dos Indígenas: Resultados do Universo] (análise)&lt;br /&gt;
* &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/caracteristicas_gerais_indigenas/default_caracteristicas_gerais_indigenas.shtm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Características Gerais dos Indígenas: Resultados do Universo&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (dados)&lt;br /&gt;
* &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.censo2010.ibge.gov.br/terrasindigenas/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Hotsite sobre população indígena (mapa interativo)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Demografia]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Quantos são?}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Lista_de_organiza%C3%A7%C3%B5es_de_apoio_aos_povos_ind%C3%ADgenas&amp;diff=6641</id>
		<title>Lista de organizações de apoio aos povos indígenas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Lista_de_organiza%C3%A7%C3%B5es_de_apoio_aos_povos_ind%C3%ADgenas&amp;diff=6641"/>
		<updated>2019-11-11T17:54:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: mudança de email para contato&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |Lista de organizações de apoio aos povos indígenas}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead |Segue uma lista de entidade de apoio aos povos indígenas, com um breve resumo de suas atividades e seus respectivos links.}}&lt;br /&gt;
Às entidades que não estiverem na lista, por favor enviem um breve resumo das suas ações e seu link para o e-mail: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;mailto:pib@socioambiental.org?subject=%20&amp;amp;amp;body=%20&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;pib@socioambiental.org&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
;ANAI – Associação Nacional de Ação Indigenista&lt;br /&gt;
:A ANAI faz indigenismo aplicado na região Nordeste-Leste, a mesma área compreendida pelos estados &amp;quot;representados&amp;quot; pela organização indígena  Apoinme – Articulação dos Povos Indígenas no Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo. Seus ativistas intervêm em políticas públicas direcionadas para os povos indígenas da região nas áreas fundiária, de educação, saúde, sustentabilidade etc. Assessoram a Apoinme e organizações indígenas de caráter local na região, em especial na Bahia, em ações de formação política, de direitos indígenas e outros temas. Possui uma rede de disseminação de notícias sobre povos indígenas denominada ANAIND. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.anai.org.br &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;www.anai.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;CEstA - Centro de Estudos Ameríndios&lt;br /&gt;
:O Centro de Estudos Ameríndios (CEstA) é um Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP), vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Tem como objetivo produzir, aprofundar, sistematizar e divulgar conhecimentos sobre os povos indígenas das Américas. Sua equipe é composta por pesquisadores de diferentes áreas, contando com especialistas reconhecidos no Brasil e no exterior, vinculados à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (Departamentos de Antropologia e História), Museu de Arqueologia e Etnologia, Instituto de Estudos Brasileiros e Instituto de Matemática e Estatística (Departamento de Ciência da Computação).&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.usp.br/cesta/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.usp.br/cesta/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;CIMI – Conselho Indigenista Missionário&lt;br /&gt;
:O Cimi é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas. Impulsionados(as) por nossa fé no Evangelho da vida, justiça e  solidariedade e frente às agressões do modelo neoliberal, decidimos intensificar a presença e apoio junto às comunidades, povos e organizações indígenas e intervir na sociedade brasileira como aliados (as) dos povos indígenas, fortalecendo o processo de autonomia desses povos na construção de um projeto alternativos, pluriétnico, popular e democrático.” &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cimi.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;www.cimi.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;COMIN – Conselho de Missão entre Povos Indígenas&lt;br /&gt;
:O Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN) é um órgão que assessora e coordena trabalhos junto aos povos indígenas. Criado em 1982, tem como compromisso apoiar as prioridades colocadas pelos povos e comunidades indígenas, respeitando seu jeito de ser e sua cultura, trabalhando com eles e não por eles. Para isso, atua criando parcerias e dando apoio nas áreas de educação, saúde, terra, organização, sustentabilidade e defesa de direitos. O COMIN é vinculado à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e, atualmente, é um dos programas da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), a partir da sua incorporação, em 2018. Os trabalhos do COMIN são realizados por uma equipe interdisciplinar dividida em quatro campos de trabalho: Acre e sul do Amazonas, Rondônia, leste e norte de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O órgão atua também através do PROFORDI, o Programa de Formação e Diálogo Intercultural e Inter-religioso, que tem o objetivo de mostrar a realidade dos povos indígenas aos não indígenas para que possam respeitá-la e valorizá-la. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.comin.org.br &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.comin.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;CPI-AC (Comissão Pró-Índio do Acre)&lt;br /&gt;
:A Comissão Pró-Índio do Acre (CPI – AC) é uma organização não-governamental, indigenista, criada em 19 de fevereiro de 1979. Presente em 11 municípios, conta com três coordenações: educação, saúde, meio ambiente/agricultura.  Desenvolve cursos de formação, assessora as aldeias, providencia documentação e publicação didática para 9 etnias, em 20 terras indígenas (Ashaninka, Kaxinawá, Arara, Manchineri, Apurinã, Jaminawa, Yawanawá, Kulina e Katukina). Além dessas atividades, realizadas no Acre, a CPI assessora programas voltados para as populações indígenas de outros estados. &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cpiacre.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cpiacre.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;CPI-SP (Comissão Pró-Índio de São Paulo)&lt;br /&gt;
:A organização não-governamental Comissão Pró-Índio de São Paulo foi fundada em 1978 por um grupo de antropólogos, advogados, médicos, jornalistas e estudantes para defender os direitos dos povos indígenas frente às crescentes ameaças do regime ditatorial vigente naquela época. Nos seus 30 anos de existência, Comissão Pró-Índio de São Paulo tem atuado junto com índios e quilombolas para garantir seus direitos territoriais, culturais e políticos, procurando contribuir com o fortalecimento da democracia e o reconhecimento dos direitos das minorias étnicas. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cpisp.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cpisp.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;CTI  (Centro de Trabalho Indigenista)&lt;br /&gt;
:Fundado em 1979, o Centro de Trabalho Indigenista por meio dos programas atua diretamente com as comunidades indígenas – Guarani, Timbira, Terena, Vale do javari -, repassando recursos e assessoria técnica. Cada programa foi elaborado a partir de demandas locais identificadas em conjunto com os índios. O objetivo do trabalho é que as comunidades reduzam a dependência em relação ao Estado e a outras agências assistenciais, assumindo o controle de toda e quaisquer intervenções em seus territórios. Os programas significam ações continuadas e perfazem uma ou mais linhas temáticas, organizadas e viabilizadas por meio de projetos inter-complementares. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br/default.asp&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br/default.asp&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;Greenpeace&lt;br /&gt;
:O Greenpeace é &amp;quot;uma organização global cuja missão é proteger o meio ambiente, promover a paz e inspirar mudanças de atitudes que garantam um futuro mais verde e limpo para esta e para as futuras gerações.&amp;quot;&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;IEB - Instituto Internacional de Educação do Brasil&lt;br /&gt;
:O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) é uma instituição brasileira do terceiro setor dedicada a formar e capacitar pessoas, bem como fortalecer organizações nas áreas de manejo dos recursos naturais, gestão ambiental e territorial e outros temas relacionados à sustentabilidade. O IEB atua em rede, busca parcerias e promove situações de interação e intercâmbio entre organizações da sociedade civil, associações comunitárias, instâncias de governo e do setor privado. Como uma organização de ações educativas, incorpora os saberes de parceiros, as diferentes culturas e as técnicas populares.&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.iieb.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.iieb.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
;Iepé (Instituto de Formação e Pesquisa em Educação Indígena)&lt;br /&gt;
:O objetivo central do Iepé é contribuir para o fortalecimento cultural e político e para o desenvolvimento sustentável das comunidades indígenas que vivem no Amapá e norte do Pará, proporcionando-lhes assessoria especializada e capacitação técnica diversificada para que se organizem e possam enfrentar de forma articulada os desafios crescentes que se colocam hoje às suas comunidades e organizações, para a defesa de seus interesses. Partimos do pressuposto de que a consolidação de um movimento de articulação entre os grupos indígenas da região, em torno de questões de interesse coletivo, é também a melhor maneira de fortalecer suas organizações representativas frente aos seus interlocutores externos.  &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.institutoiepe.org.br/iepe.html   &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.institutoiepe.org.br/iepe.html &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;Índio é Nós&lt;br /&gt;
:Neste portal estão disponíveis as atividades da campanha Índio é nós, bem como textos e vídeos sobre as questões indígenas no Brasil, manifestações artísticas, material para baixar da campanha e ligações para outros sítios relevantes na internet.&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.indio-eh-nos.eco.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.indio-eh-nos.eco.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;INESC - O Instituto de Estudos Socioeconômicos&lt;br /&gt;
:É uma organização não governamental, sem fins lucrativos, não partidária e com finalidade pública. Tem por missão: &amp;quot;Contribuir para o aprimoramento da democracia representativa e participativa visando à garantia dos direitos humanos, mediante a articulação e o fortalecimento da sociedade civil para influenciar os espaços de governança nacional e internacional&amp;quot;. Criado em 1979, o Inesc atua, em todos os seus projetos, com duas principais linhas de ação: o fortalecimento da sociedade civil e a ampliação da participação social em espaços de deliberação de políticas públicas. Um de seus públicos-alvo são as populações indígenas situadas no Brasil.  &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.inesc.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.inesc.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Fundado em 22 de abril de 1994, o ISA incorporou o patrimônio material e imaterial de 15 anos de experiência do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (PIB/CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI) de Brasília. Ambas organizações de atuação reconhecida nas questões dos direitos indígenas no Brasil. O Atualmente  o ISA possui quatro programas envolvidos diretamente com a defesa e a garantia dos povos indígenas situados no Brasil, bem como em projetos de formação e intervenção social em diversas áreas. Veja a seguir o resumo de cada um deles.   Para maiores informações e detalhes de cada programa, entre nos links indicados.  &lt;br /&gt;
:'''Programa Monitoramento de Áreas Protegidas''' - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/monitoramento-de-areas-protegidas&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/monitoramento-de-areas-protegidas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
:'''Programa Política e Direito Socioambiental''' - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/politica-e-direito-socioambiental&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/politica-e-direito-socioambiental&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
:'''Programa Rio Negro''' - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/rio-negro&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/rio-negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
:'''Programa Parque Indígena do Xingu''' - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/xingu&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/xingu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;KANINDÉ (Associação de Defesa Etnoambiental)&lt;br /&gt;
:A Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP, sem fins lucrativos, fundada em 15 de novembro de 1992, por um grupo de pessoas que trabalhavam com o povo indígena Uru-eu-wau-wau e na defesa do meio ambiente, em Rondônia. Entre as principais atividades desenvolvidas, desde a sua criação, destaca-se as ações de vigilância e fiscalização da Terra Indígena Uru-eu-wau-wau e do Parque Nacional de Pacaás Novos, a assessoria às organizações indígenas, laudos de impacto ambiental, Diagnóstico Etnoambiental Participativo em Terras Indígenas, avaliações ecológicas rápidas, educação ambiental, elaboração de projetos e acompanhamento de políticas públicas. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.kaninde.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.kaninde.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;OPAN (Operação Amazônia Nativa)&lt;br /&gt;
:O apoio da ONG Operação Amazônia Nativa (Opan) aos Enawenê-Nawê tem como objetivo promover ações indigenistas nas áreas de saúde, educação, economia e controle do território. Em 1995, teve início um processo de alfabetização na língua nativa, que tem como marca diferencial não ser acompanhado da criação de um espaço escolar definido. Mais recentemente, por solicitação expressa dos Enawenê-Nawê e levando-se em conta o processo de intensificação do contato, foi iniciado o ensino da língua portuguesa e de aritmética, além do trabalho sistemático de discussão sobre aspectos políticos, econômicos e epidemiológicos da região e do País. Para a defesa de suas terras, a Opan desenvolve, junto com os Enawenê-Nawê, um programa de fiscalização dos limites do território e o monitoramento do entorno. No campo da economia, buscou-se ampliar a produção interna por meio do plantio de castanheiras e da introdução de outros cultivares. Em parceria com o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e sob a direção da antropóloga Virgínia Valadão, a Opan viabilizou a realização do vídeo Yãkwa, o banquete dos espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;PORTAL KAINGANG&lt;br /&gt;
:É um espaço de divulgação da cultura e dos direitos do povo Kaingang que se encontram espalhados em todos os estados da região sul e sudeste no Brasil. Foi criado e é mantido pelos indigenistas e pesquisadores  Juracilda Veiga e Wilmar da Rocha D'Angelis.   &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.portalkaingang.org/index_quem.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.portalkaingang.org/index_quem.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;Projeto Vídeo nas Aldeias&lt;br /&gt;
:O Projeto Vídeo nas Aldeias promove, há 14 anos, o encontro do índio com sua imagem. A proposta é tornar o vídeo um instrumento de expressão das identidades indígenas, refletindo suas visões sobre si mesmos e sobre o mundo.  Ao equipar as comunidades indígenas com aparelhos de vídeo, o projeto estimulou o intercâmbio de imagens e informações entre os povos. A formação de documentaristas  indígenas foi feita, inicialmente, de aldeia em aldeia, produzindo registros para uso interno. Hoje, através de oficinas nacionais e regionais, eles aprendem e discutem juntos como falar de sua realidade para o seu povo e para o mundo. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.videonasaldeias.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.videonasaldeias.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;Uma Gota no Oceano&lt;br /&gt;
:Organização que busca 'fornecer conteúdo consistente, independente e envolvente para engajar a  sociedade nas questões essenciais para a construção de um futuro  sustentável.&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://umagotanooceano.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://umagotanooceano.org&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Outro sites ligados a temática indígena==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;BAY – Universidade Indígena&lt;br /&gt;
:&amp;quot;Desde 1996, a Universidade Federal de Minas Gerais tem sido parceira das comunidades indígenas na criação de espaços que propiciem a elaboração e a transformação de seus saberes tradicionais em prol de suas escolas e aldeias.  Como um espaço de experimentação artístico-literárias, a BAY acolhe e divulga as textualidades indígenas.” &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.letras.ufmg.br/bay/?etnia=9&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.letras.ufmg.br/bay/?etnia=9&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;LACED – Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento&lt;br /&gt;
:Órgão de pesquisa vinculado ao Setor de Etnologia e Etnografia do Departamento de Antropologia do Museu Nacional/UFRJ, o LACED é um laboratório interdisciplinar de pesquisas e intervenção que reúne pesquisadores trabalhando em contextos urbanos e rurais, junto a grupos sociais e dispositivos de Estado variados – desde povos indígenas e populações ribeirinhas, grupos étnicos de origem imigrante e quilombolas, até as políticas públicas e reflexões intelectuais a eles referidas – enfatizando o papel político-cultural das construções de identidade e as relações sociais que as sustentam. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;MUSEU DO ÍNDIO&lt;br /&gt;
:Site do Museu do Índio, órgão vinculado a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e localizado no estado do Rio de Janeiro. Ali se encontram inúmeras informações sobre os povos indígenas brasileiros.&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.museudoindio.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.museudoindio.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;NÚCLEO DE HISTÓRIA INDÍGENA E DO INDIGENISMO - NHII/USP&lt;br /&gt;
:O NHII é um centro de pesquisa e de assessoria especializado, dedicado à investigação de temas ligados à história dos índios no Brasil, bem como às relações dos diversos povos indígenas brasileiros entre si e com a chamada sociedade envolvente, do período colonial até o presente. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.usp.br/nhii/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.usp.br/nhii/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;PÁGINA DO MELLATI&lt;br /&gt;
:Site do Professor de Antropologia Social da Universidade de Brasília, Julio César Mellati, na qual podem ser encontradas inúmeras informações sobre os povos indígenas situados no Brasil (língua, costumes, localizações geográficas etc).      &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.juliomelatti.pro.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.juliomelatti.pro.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;PROJETO TRILHAS DE CONHECIMENTOS: ENSINO SUPERIOR INDÍGENA&lt;br /&gt;
:O Projeto Trilhas de Conhecimentos - o ensino superior de indígenas no Brasil, teve início em fevereiro de 2004 e visa dar suporte ao etnodesenvolvimento dos povos indígenas no Brasil, através de sua formação no ensino superior.   &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trilhasdeconhecimentos.etc.br/projeto/index.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trilhasdeconhecimentos.etc.br/projeto/index.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;PROGRAMA PARAKANÃ - PROPKN&lt;br /&gt;
:É uma ação indigenista junto aos índios Parakanã – Awaete (autodenominação) desenvolvida através de um convênio firmado entre a ELETRONORTE e FUNAI como forma mitigadora dos impactos ambientais e sociais provocados pela instalação da Usina Hidrelétrica de Tucuruí pertencente a CENTRAIS ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S/A – ELETRONORTE. Com a formação do lago, devido a construção da barragem, parte da Terra Indígena Parakanã ficou submersa. O PROPKN foi elaborado por uma equipe multidisciplinar, com participação da FUNAI e ELETRONORTE, com os objetivos abaixo descritos e com previsão de duração por 25 anos a partir de 1988. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.parakana.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.parakana.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;PROGRAMA WAIMIRI-ATROARI&lt;br /&gt;
:Sob a denominação de Programa Waimiri Atroari iniciou-se, em 1988, uma ação indigenista junto à comunidade indígena conhecida como Waimiri Atroari - habitante ao norte do Amazonas e sul de Roraima -, com o objetivo de oferecer-lhes condições de melhor enfrentar as dificuldades do relacionamento com a sociedade brasileira e atenuar os impactos dos empreendimentos econômicos que atingem o seu território tradicional. Coube à Eletronorte propor esta ação indigenista, como forma de atenuar os impactos provocados pela interferência do reservatório da UHE Balbina nas terras dos Waimiri Atroari, e que objetiva mitigar grande parte dos problemas provocados pela ação do Estado e de empresas privadas na vida dos Waimiri Atroari. &lt;br /&gt;
Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.waimiriatroari.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.waimiriatroari.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Blogs&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://altino.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://altino.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.sitesindigenas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.sitesindigenas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Listas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6640</id>
		<title>Perguntas frequentes</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6640"/>
		<updated>2019-10-28T20:15:39Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: /* Como faço para entrar em contato com os índios? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Perguntas frequentes}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre o site ==&lt;br /&gt;
=== Posso reproduzir informações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Imagens:''' A reprodução de fotos e ilustrações não é permitida. &lt;br /&gt;
O Instituto Socioambiental (ISA) não libera as imagens de seu acervo por se tratar de imagens cedidas por diferentes fotógrafos para o uso da instituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Textos:''' É permitida a reprodução de trechos de textos. Para isso, entrar em contato através &lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdJRcBTG6oJyY8EmrCbrWBEcm7rzE3YXrk6cLnwSaLPH7BNYA/viewform&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;deste formulário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/small&amp;gt;. Para reprodução de trechos de textos é necessário citar o autor (quando houver) e o nome do Instituto Socioambiental (ISA). Para reprodução em sites, dar o crédito e o link da seção do site Povos Indígenas no Brasil da qual foi retirado o texto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como devo fazer referência a citações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sugerimos o seguinte formato: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;Autor do Verbete (se houver), Fonte: Instituto Socioambiental | Povos Indígenas no Brasil , &amp;lt;http: link-da-página-utilizada=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;, Acessado em: dd/mm/aaaa.&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como conseguir autorização para utilizar imagens do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É necessário entrar em contato diretamente com os autores das imagens sobre as quais se tem interesse, identificados junto às mesmas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre os povos indígenas ==&lt;br /&gt;
=== Quais e quantos são os povos indígenas no Brasil? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os {{#total_povos:}} povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.&lt;br /&gt;
Veja o [[Quadro_Geral_dos_Povos | Quadro Geral dos Povos]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Quanto do território brasileiro está reservado aos índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As [[O que são Terras Indígenas? | terras indígenas]] (TIs) somam {{#total_area_ti: total}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti: area | ha}} hectares ({{#total_area_ti: area | km}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti: porcentagem}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Qual a diferença entre &amp;quot;indígena&amp;quot;, &amp;quot;índio&amp;quot;, &amp;quot;ameríndio&amp;quot;, &amp;quot;silvícola&amp;quot;, &amp;quot;aborígine&amp;quot;...? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expressão genérica &amp;quot;povos indígenas&amp;quot; refere-se a grupos humanos espalhados por todo o mundo, e que são bastante diferentes entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas o uso corrente da linguagem que faz com que, em nosso e em outros países, fale-se em povos indígenas, ao passo que, na Austrália, por exemplo, a forma genérica para designá-los seja aborígines. Indígena ou aborígine, como ensina o dicionário, quer dizer &amp;quot;originário de determinado país, região ou localidade; nativo&amp;quot;. Aliás, nativos e autóctones são outras expressões usadas, ao redor do mundo, para denominar esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Genericamente, os povos indígenas que vivem não apenas em nosso país, mas em todo o continente americano, também são chamados de índios. Essa palavra é fruto do equívoco histórico dos primeiros colonizadores que, tendo chegado às Américas, julgaram estar na Índia. Apesar do erro, o uso continuado, até mesmo por parte dos próprios índios, faz da palavra, no Brasil de hoje, um sinônimo de indivíduo, pessoa indígena. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como há certas semelhanças que unem os índios das Américas do Norte, Central e do Sul, há quem prefira chamá-los, todos, de ameríndios. Os índios ou ameríndios são os povos indígenas das Américas. Em décadas passadas, outra palavra era bastante usada no Brasil para designar os índios em geral: silvícolas (&amp;quot;quem nasce ou vive nas selvas&amp;quot;). O termo é totalmente inadequado, porque o que faz de alguém indígena não é a característica do lugar onde se nasce ou vive (a &amp;quot;selva&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode tirar carteira de identidade? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, índio pode e deve fazer carteira de identidade, que é um registro geral dos cidadãos brasileiros. A lei brasileira, no entanto, não permite, a identificação étnica neste documento. Por outro lado, o índio tem direito também a um registro na comunidade onde nasceu, configurando, assim, uma identificação étnica documentada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode votar ou ser votado? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo cidadão brasileiro pode votar, desde que possua registro eleitoral. Como o voto no Brasil é obrigatório, os índios são obrigados a votar se tiverem mais de 16 anos (??) e forem alfabetizados em língua portuguesa. Porém, se viverem na aldeia e, segundo seus usos e tradições, o povo, coletivamente, decide não votar, esta decisão prevalece sobre a obrigatoriedade da lei brasileira. Isso porque os povos indígenas têm o direito constitucional de viver segundo seus usos, tradições e costumes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O índio pode sim ser candidato, pois é um cidadão com todos os direitos. Para ser candidato, entretanto, há algumas restrições, como o conhecimento da língua para alguns cargos. Exemplo disso é a eleição da advogada indígena Joênia Wapichana para o cargo de deputada federal, em 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pode o índio vender os produtos de sua terra com o intuito de lucro? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os bens da comunidade pertencem à comunidade como um todo, portanto, são bens coletivos. Assim, se no comércio você compra para vender e na indústria e na agricultura você produz para vender com o preço maior do que o investimento, o índio pode, individualmente, comprar um bem e vender esse bem mais caro. Não há nenhuma restrição, desde que a origem daquele dinheiro seja dele. Ele pode ter dinheiro pessoal, pode ter bens individuais e usá-los como achar melhor. No entanto, não pode fazer isso com os bens da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A língua dos índios é &amp;quot;o tupi”? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 160 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como [[Línguas | Língua Geral ou Nheengatu]]. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando [[Línguas | famílias lingüísticas]], que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os [[Línguas | troncos lingüísticos]]. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como [[Línguas | multilingüismo]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 línguas têm acima de cinco mil falantes: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]], [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], Guarani [[[Povo:Guarani Ñandeva | Guarani Ñandeva]] / [[Povo:Guarani Kaiowá | Guarani Kaiowá]] / [[Povo:Guarani Mbya | Guarani Mbya]]], [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Sateré Mawé | Sateré-Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]], [[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os [[O trabalho dos linguistas | lingüistas]], assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de [[Escola, escrita e valorização das línguas | educação escolar indígena]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Se um índio dirige carro, vê televisão, ele deixa de ser índio? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do contato com a nossa sociedade, uma série de mudanças ocorreu no modo de viver dos povos indígenas. Em relação a esse assunto, é preciso ter em mente dois aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, que as culturas indígenas não são estáticas. Como quaisquer outras, elas mudam ao longo do tempo, mesmo que não seja por influência estrangeira. Por outro lado, é inegável que as mudanças decorrentes do contato com a nossa sociedade podem, muitas vezes, alcançar escalas preocupantes. Esse é o caso, por exemplo, de povos que perderam suas línguas maternas e, hoje, só falam o português. Nosso papel, como aliados dos índios, deve ser defender que tenham condições sociais, econômicas e políticas de absorver as novidades que vêm do contato, da forma como lhes parecer mais adequada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, por trás das mudanças, com ritmo e naturezas diferentes em cada caso, há um fato fundamental: mesmo travando relações com os não-índios, os povos indígenas mantêm suas identidades e se afirmam como grupos étnicos diferenciados, portadores de tradições próprias. A identidade étnica, ou seja, a consciência de pertencimento a um determinado povo, resulta de um jogo complexo entre o &amp;quot;tradicional&amp;quot; e o &amp;quot;novo&amp;quot;, o &amp;quot;próprio&amp;quot; e o &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, que acontece sempre que populações diferentes vivem em contato. É importante lembrar disso antes de dizer que alguém &amp;quot;já não é mais índio&amp;quot; porque usa roupas, reza missa, assiste televisão, opera computadores, joga futebol ou dirige um carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Existem índios vivendo longe dos &amp;quot;brancos&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil de hoje há pelo menos 114 referências de &amp;quot;índios isolados&amp;quot;. Assim são chamados aqueles que recusam contato com o órgão indigenista oficial - Fundação Nacional do Índio (Funai). Não se sabe ao certo quem são, onde estão, quantos são e que línguas falam. O pouco que se sabe é que 28 dessas referências já foram confirmadas e encontram-se em Terras Indígenas já demarcadas ou com algum grau de reconhecimento pelos órgãos federais. Existem pelo menos outras 86 referências de índios isolados, que precisam ter suas existências confirmadas pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ideia de que há índios que permaneceram isolados desde a chegada dos portugueses ou de que há sociedades mantidas à margem de todas as transformações ocorridas na face da terra, é enganadora. Os grupos considerados isolados travam, muitas vezes, relações de longa data com segmentos da sociedade nacional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O isolamento representa, em muitos casos, uma opção do grupo, que pode estar pautada por suas relações com outros grupos, pela história das frentes de atração na região e também pelos condicionantes geográficos que propiciam essa situação.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 1987, a Funai conta com uma unidade destinada a tratar da localização e da proteção a esses índios:  a Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC). Sua atuação se dá por meio de equipes denominadas &amp;quot;Frentes de Proteção Etno-ambiental&amp;quot;. São elas: Awá (MA), Envira (Acre), Guaporé (RO), Madeira-Purus, (AM), Madeirinha/Juruena (MT), Médio Xingu (PA), Uru-eu-wau-wau (RO), Vale do Javari (AM), Yanomami e Ye´kwana (RR) e Waimiri-Atroari (RR/AM) e uma coordenação em Brasília.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, quatro grupos já contatados continuam conhecidos pela Funai como &amp;quot;isolados&amp;quot;, recebendo dela assistência diferenciada. São eles os Kanoê e os Akuntsu, de Rondônia; os Zo'é, do Pará, e um pequeno grupo Korubo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os povos indígenas ajudam a preservar a natureza? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de não serem &amp;quot;naturalmente ecologistas&amp;quot;, os índios têm consciência da sua dependência – não apenas física, mas, sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente. Em função disso, desenvolvem formas de manejo dos recursos naturais que têm sido fundamentais para a preservação da cobertura florestal no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de um fato visível nas regiões onde o desmatamento tem avançado com maior rapidez, como nos estados do Mato Grosso, Rondônia e sul do Pará. Em levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), por exemplo, as Terras Indígenas aparecem como verdadeiros oásis de florestas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É fato que muitos povos indígenas, como os Suruí, Cinta-Larga e os Kayapó, tenham se atrelado ativamente a formas predatórias de exploração dos recursos naturais, hoje em vigor na Amazônia, fazendo alianças principalmente com empresas madeireiras. Todavia, é preciso reconhecer que eles as fizeram por terem passado por pressões concretas, contínuas, ilegais e como sócios menores desses negócios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem já pensou nos índios como homens &amp;quot;naturais&amp;quot;, defensores inatos da natureza, &amp;quot;naturalistas&amp;quot; está a um passo de vê-los como mera extensão do meio ambiente: deveriam, portanto, ser &amp;quot;conservados&amp;quot; e mantidos à distância do mundo &amp;quot;civilizado&amp;quot;. Essa visão deriva, no entanto, de uma concepção da natureza que é própria ao mundo ocidental: natureza como algo que deve permanecer intocado, alheio à ação humana. Mas o que os próprios povos indígenas têm a dizer sobre o assunto é bem diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As concepções da natureza certamente variam bastante conforme o povo indígena que consideremos. Porém, se algo parece comum a todos eles, é o fato de que a natureza está sempre em interação com a ação humana, não sendo jamais intocada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Devo escrever &amp;quot;os Yanomami&amp;quot; ou &amp;quot;os ianomâmis&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por serem ágrafos (ou seja, não possuírem escrita) nos tempos da &amp;quot;atração e pacificação&amp;quot;, os povos indígenas foram (e continuam sendo) &amp;quot;batizados&amp;quot; por escrito por &amp;quot;brancos&amp;quot;, num processo que deu (e ainda dá) margem a muitas confusões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma grande variabilidade na maneira de grafar os nomes dos povos indígenas. Convivem padrões diferentes, às vezes criados por funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), outras por antropólogos e, mais recentemente, até mesmo por Manuais de Redação de grandes órgãos da imprensa brasileira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como as línguas indígenas têm sons que não encontram representação direta nas letras do alfabeto brasileiro, os antropólogos são obrigados a recorrer a outras letras e combinações de letras. Buscam, então, usar letras cuja interpretação sonora se aproxime do alfabeto fonético internacional, usado pelos lingüistas de todo o mundo, e não do alfabeto brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As discordâncias ortográficas sobre os nomes de povos indígenas costumam opor antropólogos a Manuais de Redação de grandes jornais. Mas, nesse assunto, não há consenso nem mesmo entre os próprios antropólogos. As maiores polêmicas dizem respeito ao uso (ou não) de maiúsculas iniciais e da forma plural para os nomes das etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos, quando a denominação de um povo aparece com função de adjetivo, não haveria porque não escrevê-la com minúscula (língua guarani, por exemplo). Já quando aparece como substantivo gentílico, seria mais adequado mantê-la com maiúscula, porque, se é verdade que essas etnias não têm países (como os franceses, a França), também é certo que seus nomes são designativos de uma coletividade única, de uma sociedade, de um povo, e não apenas de uma somatória de pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqueles que defendem a não-flexão do plural ancoram-se na justificativa de que, na maioria dos casos, sendo os nomes palavras em língua indígena, acrescentar um s resultaria em hibridismo. Além do mais, há a possibilidade de as palavras já estarem no plural, ou, ainda, de que a própria forma plural não exista nas línguas indígenas correspondentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Manuais de Redação, por outro lado, têm imposto um aportuguesamento da grafia dos nomes das tribos, proibindo o uso de letras como w, y, k (!) e certos grupos de letras não existentes em português, como sh. Esse critério não tem consistência, assim como grafar os nomes sempre em minúsculas ou flexionar o número (singular/ plural) mas não o gênero (masculino/ feminino). Por exemplo, se krahô se deve escrever craô, então Kubitscheck deveria ser escrito Cubicheque, Geisel, Gáisel. Por que o mesmo manual que recomenda grafar ianomâmi e os ianomâmis, veta a flexão por gênero, quando a palavra tem função de adjetivo (&amp;quot;mulheres ianomâmis&amp;quot; e não &amp;quot;mulheres ianomamas&amp;quot;), resultando num aportuguesamento pela metade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como faço para entrar em contato com os índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A melhor maneira de entrar em contato com os povos indígenas é acessar seus sites e falar diretamente com seus representantes. Na seção Iniciativas Indígenas, apresentamos uma lista com [[Web indígena | sites de povos indígenas situados no Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Perguntas frequentes}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-09-10}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6639</id>
		<title>Perguntas frequentes</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6639"/>
		<updated>2019-10-28T20:13:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: /* Existem índios vivendo longe dos &amp;quot;brancos&amp;quot;? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Perguntas frequentes}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre o site ==&lt;br /&gt;
=== Posso reproduzir informações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Imagens:''' A reprodução de fotos e ilustrações não é permitida. &lt;br /&gt;
O Instituto Socioambiental (ISA) não libera as imagens de seu acervo por se tratar de imagens cedidas por diferentes fotógrafos para o uso da instituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Textos:''' É permitida a reprodução de trechos de textos. Para isso, entrar em contato através &lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdJRcBTG6oJyY8EmrCbrWBEcm7rzE3YXrk6cLnwSaLPH7BNYA/viewform&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;deste formulário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/small&amp;gt;. Para reprodução de trechos de textos é necessário citar o autor (quando houver) e o nome do Instituto Socioambiental (ISA). Para reprodução em sites, dar o crédito e o link da seção do site Povos Indígenas no Brasil da qual foi retirado o texto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como devo fazer referência a citações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sugerimos o seguinte formato: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;Autor do Verbete (se houver), Fonte: Instituto Socioambiental | Povos Indígenas no Brasil , &amp;lt;http: link-da-página-utilizada=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;, Acessado em: dd/mm/aaaa.&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como conseguir autorização para utilizar imagens do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É necessário entrar em contato diretamente com os autores das imagens sobre as quais se tem interesse, identificados junto às mesmas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre os povos indígenas ==&lt;br /&gt;
=== Quais e quantos são os povos indígenas no Brasil? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os {{#total_povos:}} povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.&lt;br /&gt;
Veja o [[Quadro_Geral_dos_Povos | Quadro Geral dos Povos]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Quanto do território brasileiro está reservado aos índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As [[O que são Terras Indígenas? | terras indígenas]] (TIs) somam {{#total_area_ti: total}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti: area | ha}} hectares ({{#total_area_ti: area | km}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti: porcentagem}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Qual a diferença entre &amp;quot;indígena&amp;quot;, &amp;quot;índio&amp;quot;, &amp;quot;ameríndio&amp;quot;, &amp;quot;silvícola&amp;quot;, &amp;quot;aborígine&amp;quot;...? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expressão genérica &amp;quot;povos indígenas&amp;quot; refere-se a grupos humanos espalhados por todo o mundo, e que são bastante diferentes entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas o uso corrente da linguagem que faz com que, em nosso e em outros países, fale-se em povos indígenas, ao passo que, na Austrália, por exemplo, a forma genérica para designá-los seja aborígines. Indígena ou aborígine, como ensina o dicionário, quer dizer &amp;quot;originário de determinado país, região ou localidade; nativo&amp;quot;. Aliás, nativos e autóctones são outras expressões usadas, ao redor do mundo, para denominar esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Genericamente, os povos indígenas que vivem não apenas em nosso país, mas em todo o continente americano, também são chamados de índios. Essa palavra é fruto do equívoco histórico dos primeiros colonizadores que, tendo chegado às Américas, julgaram estar na Índia. Apesar do erro, o uso continuado, até mesmo por parte dos próprios índios, faz da palavra, no Brasil de hoje, um sinônimo de indivíduo, pessoa indígena. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como há certas semelhanças que unem os índios das Américas do Norte, Central e do Sul, há quem prefira chamá-los, todos, de ameríndios. Os índios ou ameríndios são os povos indígenas das Américas. Em décadas passadas, outra palavra era bastante usada no Brasil para designar os índios em geral: silvícolas (&amp;quot;quem nasce ou vive nas selvas&amp;quot;). O termo é totalmente inadequado, porque o que faz de alguém indígena não é a característica do lugar onde se nasce ou vive (a &amp;quot;selva&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode tirar carteira de identidade? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, índio pode e deve fazer carteira de identidade, que é um registro geral dos cidadãos brasileiros. A lei brasileira, no entanto, não permite, a identificação étnica neste documento. Por outro lado, o índio tem direito também a um registro na comunidade onde nasceu, configurando, assim, uma identificação étnica documentada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode votar ou ser votado? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo cidadão brasileiro pode votar, desde que possua registro eleitoral. Como o voto no Brasil é obrigatório, os índios são obrigados a votar se tiverem mais de 16 anos (??) e forem alfabetizados em língua portuguesa. Porém, se viverem na aldeia e, segundo seus usos e tradições, o povo, coletivamente, decide não votar, esta decisão prevalece sobre a obrigatoriedade da lei brasileira. Isso porque os povos indígenas têm o direito constitucional de viver segundo seus usos, tradições e costumes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O índio pode sim ser candidato, pois é um cidadão com todos os direitos. Para ser candidato, entretanto, há algumas restrições, como o conhecimento da língua para alguns cargos. Exemplo disso é a eleição da advogada indígena Joênia Wapichana para o cargo de deputada federal, em 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pode o índio vender os produtos de sua terra com o intuito de lucro? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os bens da comunidade pertencem à comunidade como um todo, portanto, são bens coletivos. Assim, se no comércio você compra para vender e na indústria e na agricultura você produz para vender com o preço maior do que o investimento, o índio pode, individualmente, comprar um bem e vender esse bem mais caro. Não há nenhuma restrição, desde que a origem daquele dinheiro seja dele. Ele pode ter dinheiro pessoal, pode ter bens individuais e usá-los como achar melhor. No entanto, não pode fazer isso com os bens da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A língua dos índios é &amp;quot;o tupi”? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 160 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como [[Línguas | Língua Geral ou Nheengatu]]. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando [[Línguas | famílias lingüísticas]], que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os [[Línguas | troncos lingüísticos]]. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como [[Línguas | multilingüismo]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 línguas têm acima de cinco mil falantes: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]], [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], Guarani [[[Povo:Guarani Ñandeva | Guarani Ñandeva]] / [[Povo:Guarani Kaiowá | Guarani Kaiowá]] / [[Povo:Guarani Mbya | Guarani Mbya]]], [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Sateré Mawé | Sateré-Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]], [[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os [[O trabalho dos linguistas | lingüistas]], assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de [[Escola, escrita e valorização das línguas | educação escolar indígena]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Se um índio dirige carro, vê televisão, ele deixa de ser índio? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do contato com a nossa sociedade, uma série de mudanças ocorreu no modo de viver dos povos indígenas. Em relação a esse assunto, é preciso ter em mente dois aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, que as culturas indígenas não são estáticas. Como quaisquer outras, elas mudam ao longo do tempo, mesmo que não seja por influência estrangeira. Por outro lado, é inegável que as mudanças decorrentes do contato com a nossa sociedade podem, muitas vezes, alcançar escalas preocupantes. Esse é o caso, por exemplo, de povos que perderam suas línguas maternas e, hoje, só falam o português. Nosso papel, como aliados dos índios, deve ser defender que tenham condições sociais, econômicas e políticas de absorver as novidades que vêm do contato, da forma como lhes parecer mais adequada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, por trás das mudanças, com ritmo e naturezas diferentes em cada caso, há um fato fundamental: mesmo travando relações com os não-índios, os povos indígenas mantêm suas identidades e se afirmam como grupos étnicos diferenciados, portadores de tradições próprias. A identidade étnica, ou seja, a consciência de pertencimento a um determinado povo, resulta de um jogo complexo entre o &amp;quot;tradicional&amp;quot; e o &amp;quot;novo&amp;quot;, o &amp;quot;próprio&amp;quot; e o &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, que acontece sempre que populações diferentes vivem em contato. É importante lembrar disso antes de dizer que alguém &amp;quot;já não é mais índio&amp;quot; porque usa roupas, reza missa, assiste televisão, opera computadores, joga futebol ou dirige um carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Existem índios vivendo longe dos &amp;quot;brancos&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil de hoje há pelo menos 114 referências de &amp;quot;índios isolados&amp;quot;. Assim são chamados aqueles que recusam contato com o órgão indigenista oficial - Fundação Nacional do Índio (Funai). Não se sabe ao certo quem são, onde estão, quantos são e que línguas falam. O pouco que se sabe é que 28 dessas referências já foram confirmadas e encontram-se em Terras Indígenas já demarcadas ou com algum grau de reconhecimento pelos órgãos federais. Existem pelo menos outras 86 referências de índios isolados, que precisam ter suas existências confirmadas pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ideia de que há índios que permaneceram isolados desde a chegada dos portugueses ou de que há sociedades mantidas à margem de todas as transformações ocorridas na face da terra, é enganadora. Os grupos considerados isolados travam, muitas vezes, relações de longa data com segmentos da sociedade nacional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O isolamento representa, em muitos casos, uma opção do grupo, que pode estar pautada por suas relações com outros grupos, pela história das frentes de atração na região e também pelos condicionantes geográficos que propiciam essa situação.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 1987, a Funai conta com uma unidade destinada a tratar da localização e da proteção a esses índios:  a Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC). Sua atuação se dá por meio de equipes denominadas &amp;quot;Frentes de Proteção Etno-ambiental&amp;quot;. São elas: Awá (MA), Envira (Acre), Guaporé (RO), Madeira-Purus, (AM), Madeirinha/Juruena (MT), Médio Xingu (PA), Uru-eu-wau-wau (RO), Vale do Javari (AM), Yanomami e Ye´kwana (RR) e Waimiri-Atroari (RR/AM) e uma coordenação em Brasília.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, quatro grupos já contatados continuam conhecidos pela Funai como &amp;quot;isolados&amp;quot;, recebendo dela assistência diferenciada. São eles os Kanoê e os Akuntsu, de Rondônia; os Zo'é, do Pará, e um pequeno grupo Korubo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os povos indígenas ajudam a preservar a natureza? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de não serem &amp;quot;naturalmente ecologistas&amp;quot;, os índios têm consciência da sua dependência – não apenas física, mas, sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente. Em função disso, desenvolvem formas de manejo dos recursos naturais que têm sido fundamentais para a preservação da cobertura florestal no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de um fato visível nas regiões onde o desmatamento tem avançado com maior rapidez, como nos estados do Mato Grosso, Rondônia e sul do Pará. Em levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), por exemplo, as Terras Indígenas aparecem como verdadeiros oásis de florestas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É fato que muitos povos indígenas, como os Suruí, Cinta-Larga e os Kayapó, tenham se atrelado ativamente a formas predatórias de exploração dos recursos naturais, hoje em vigor na Amazônia, fazendo alianças principalmente com empresas madeireiras. Todavia, é preciso reconhecer que eles as fizeram por terem passado por pressões concretas, contínuas, ilegais e como sócios menores desses negócios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem já pensou nos índios como homens &amp;quot;naturais&amp;quot;, defensores inatos da natureza, &amp;quot;naturalistas&amp;quot; está a um passo de vê-los como mera extensão do meio ambiente: deveriam, portanto, ser &amp;quot;conservados&amp;quot; e mantidos à distância do mundo &amp;quot;civilizado&amp;quot;. Essa visão deriva, no entanto, de uma concepção da natureza que é própria ao mundo ocidental: natureza como algo que deve permanecer intocado, alheio à ação humana. Mas o que os próprios povos indígenas têm a dizer sobre o assunto é bem diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As concepções da natureza certamente variam bastante conforme o povo indígena que consideremos. Porém, se algo parece comum a todos eles, é o fato de que a natureza está sempre em interação com a ação humana, não sendo jamais intocada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Devo escrever &amp;quot;os Yanomami&amp;quot; ou &amp;quot;os ianomâmis&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por serem ágrafos (ou seja, não possuírem escrita) nos tempos da &amp;quot;atração e pacificação&amp;quot;, os povos indígenas foram (e continuam sendo) &amp;quot;batizados&amp;quot; por escrito por &amp;quot;brancos&amp;quot;, num processo que deu (e ainda dá) margem a muitas confusões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma grande variabilidade na maneira de grafar os nomes dos povos indígenas. Convivem padrões diferentes, às vezes criados por funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), outras por antropólogos e, mais recentemente, até mesmo por Manuais de Redação de grandes órgãos da imprensa brasileira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como as línguas indígenas têm sons que não encontram representação direta nas letras do alfabeto brasileiro, os antropólogos são obrigados a recorrer a outras letras e combinações de letras. Buscam, então, usar letras cuja interpretação sonora se aproxime do alfabeto fonético internacional, usado pelos lingüistas de todo o mundo, e não do alfabeto brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As discordâncias ortográficas sobre os nomes de povos indígenas costumam opor antropólogos a Manuais de Redação de grandes jornais. Mas, nesse assunto, não há consenso nem mesmo entre os próprios antropólogos. As maiores polêmicas dizem respeito ao uso (ou não) de maiúsculas iniciais e da forma plural para os nomes das etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos, quando a denominação de um povo aparece com função de adjetivo, não haveria porque não escrevê-la com minúscula (língua guarani, por exemplo). Já quando aparece como substantivo gentílico, seria mais adequado mantê-la com maiúscula, porque, se é verdade que essas etnias não têm países (como os franceses, a França), também é certo que seus nomes são designativos de uma coletividade única, de uma sociedade, de um povo, e não apenas de uma somatória de pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqueles que defendem a não-flexão do plural ancoram-se na justificativa de que, na maioria dos casos, sendo os nomes palavras em língua indígena, acrescentar um s resultaria em hibridismo. Além do mais, há a possibilidade de as palavras já estarem no plural, ou, ainda, de que a própria forma plural não exista nas línguas indígenas correspondentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Manuais de Redação, por outro lado, têm imposto um aportuguesamento da grafia dos nomes das tribos, proibindo o uso de letras como w, y, k (!) e certos grupos de letras não existentes em português, como sh. Esse critério não tem consistência, assim como grafar os nomes sempre em minúsculas ou flexionar o número (singular/ plural) mas não o gênero (masculino/ feminino). Por exemplo, se krahô se deve escrever craô, então Kubitscheck deveria ser escrito Cubicheque, Geisel, Gáisel. Por que o mesmo manual que recomenda grafar ianomâmi e os ianomâmis, veta a flexão por gênero, quando a palavra tem função de adjetivo (&amp;quot;mulheres ianomâmis&amp;quot; e não &amp;quot;mulheres ianomamas&amp;quot;), resultando num aportuguesamento pela metade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como faço para entrar em contato com os índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A melhor maneira de entrar em contato com os povos indígenas é acessar seus sites e falar diretamente com seus representantes. Na seção Iniciativas Indígenas, apresentamos uma lista com [[Web indígena | sites de povos indígenas situados no Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Perguntas frequentes}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-09-10}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&amp;lt;/http:&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6638</id>
		<title>Perguntas frequentes</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6638"/>
		<updated>2019-10-28T20:12:52Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: novas CGIIRC e dados sobre isolados /* Existem índios vivendo longe dos &amp;quot;brancos&amp;quot;? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Perguntas frequentes}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre o site ==&lt;br /&gt;
=== Posso reproduzir informações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Imagens:''' A reprodução de fotos e ilustrações não é permitida. &lt;br /&gt;
O Instituto Socioambiental (ISA) não libera as imagens de seu acervo por se tratar de imagens cedidas por diferentes fotógrafos para o uso da instituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Textos:''' É permitida a reprodução de trechos de textos. Para isso, entrar em contato através &lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdJRcBTG6oJyY8EmrCbrWBEcm7rzE3YXrk6cLnwSaLPH7BNYA/viewform&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;deste formulário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/small&amp;gt;. Para reprodução de trechos de textos é necessário citar o autor (quando houver) e o nome do Instituto Socioambiental (ISA). Para reprodução em sites, dar o crédito e o link da seção do site Povos Indígenas no Brasil da qual foi retirado o texto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como devo fazer referência a citações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sugerimos o seguinte formato: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;Autor do Verbete (se houver), Fonte: Instituto Socioambiental | Povos Indígenas no Brasil , &amp;lt;http: link-da-página-utilizada=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;, Acessado em: dd/mm/aaaa.&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como conseguir autorização para utilizar imagens do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É necessário entrar em contato diretamente com os autores das imagens sobre as quais se tem interesse, identificados junto às mesmas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre os povos indígenas ==&lt;br /&gt;
=== Quais e quantos são os povos indígenas no Brasil? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os {{#total_povos:}} povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.&lt;br /&gt;
Veja o [[Quadro_Geral_dos_Povos | Quadro Geral dos Povos]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Quanto do território brasileiro está reservado aos índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As [[O que são Terras Indígenas? | terras indígenas]] (TIs) somam {{#total_area_ti: total}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti: area | ha}} hectares ({{#total_area_ti: area | km}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti: porcentagem}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Qual a diferença entre &amp;quot;indígena&amp;quot;, &amp;quot;índio&amp;quot;, &amp;quot;ameríndio&amp;quot;, &amp;quot;silvícola&amp;quot;, &amp;quot;aborígine&amp;quot;...? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expressão genérica &amp;quot;povos indígenas&amp;quot; refere-se a grupos humanos espalhados por todo o mundo, e que são bastante diferentes entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas o uso corrente da linguagem que faz com que, em nosso e em outros países, fale-se em povos indígenas, ao passo que, na Austrália, por exemplo, a forma genérica para designá-los seja aborígines. Indígena ou aborígine, como ensina o dicionário, quer dizer &amp;quot;originário de determinado país, região ou localidade; nativo&amp;quot;. Aliás, nativos e autóctones são outras expressões usadas, ao redor do mundo, para denominar esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Genericamente, os povos indígenas que vivem não apenas em nosso país, mas em todo o continente americano, também são chamados de índios. Essa palavra é fruto do equívoco histórico dos primeiros colonizadores que, tendo chegado às Américas, julgaram estar na Índia. Apesar do erro, o uso continuado, até mesmo por parte dos próprios índios, faz da palavra, no Brasil de hoje, um sinônimo de indivíduo, pessoa indígena. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como há certas semelhanças que unem os índios das Américas do Norte, Central e do Sul, há quem prefira chamá-los, todos, de ameríndios. Os índios ou ameríndios são os povos indígenas das Américas. Em décadas passadas, outra palavra era bastante usada no Brasil para designar os índios em geral: silvícolas (&amp;quot;quem nasce ou vive nas selvas&amp;quot;). O termo é totalmente inadequado, porque o que faz de alguém indígena não é a característica do lugar onde se nasce ou vive (a &amp;quot;selva&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode tirar carteira de identidade? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, índio pode e deve fazer carteira de identidade, que é um registro geral dos cidadãos brasileiros. A lei brasileira, no entanto, não permite, a identificação étnica neste documento. Por outro lado, o índio tem direito também a um registro na comunidade onde nasceu, configurando, assim, uma identificação étnica documentada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode votar ou ser votado? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo cidadão brasileiro pode votar, desde que possua registro eleitoral. Como o voto no Brasil é obrigatório, os índios são obrigados a votar se tiverem mais de 16 anos (??) e forem alfabetizados em língua portuguesa. Porém, se viverem na aldeia e, segundo seus usos e tradições, o povo, coletivamente, decide não votar, esta decisão prevalece sobre a obrigatoriedade da lei brasileira. Isso porque os povos indígenas têm o direito constitucional de viver segundo seus usos, tradições e costumes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O índio pode sim ser candidato, pois é um cidadão com todos os direitos. Para ser candidato, entretanto, há algumas restrições, como o conhecimento da língua para alguns cargos. Exemplo disso é a eleição da advogada indígena Joênia Wapichana para o cargo de deputada federal, em 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pode o índio vender os produtos de sua terra com o intuito de lucro? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os bens da comunidade pertencem à comunidade como um todo, portanto, são bens coletivos. Assim, se no comércio você compra para vender e na indústria e na agricultura você produz para vender com o preço maior do que o investimento, o índio pode, individualmente, comprar um bem e vender esse bem mais caro. Não há nenhuma restrição, desde que a origem daquele dinheiro seja dele. Ele pode ter dinheiro pessoal, pode ter bens individuais e usá-los como achar melhor. No entanto, não pode fazer isso com os bens da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A língua dos índios é &amp;quot;o tupi”? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 160 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como [[Línguas | Língua Geral ou Nheengatu]]. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando [[Línguas | famílias lingüísticas]], que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os [[Línguas | troncos lingüísticos]]. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como [[Línguas | multilingüismo]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 línguas têm acima de cinco mil falantes: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]], [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], Guarani [[[Povo:Guarani Ñandeva | Guarani Ñandeva]] / [[Povo:Guarani Kaiowá | Guarani Kaiowá]] / [[Povo:Guarani Mbya | Guarani Mbya]]], [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Sateré Mawé | Sateré-Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]], [[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os [[O trabalho dos linguistas | lingüistas]], assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de [[Escola, escrita e valorização das línguas | educação escolar indígena]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Se um índio dirige carro, vê televisão, ele deixa de ser índio? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do contato com a nossa sociedade, uma série de mudanças ocorreu no modo de viver dos povos indígenas. Em relação a esse assunto, é preciso ter em mente dois aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, que as culturas indígenas não são estáticas. Como quaisquer outras, elas mudam ao longo do tempo, mesmo que não seja por influência estrangeira. Por outro lado, é inegável que as mudanças decorrentes do contato com a nossa sociedade podem, muitas vezes, alcançar escalas preocupantes. Esse é o caso, por exemplo, de povos que perderam suas línguas maternas e, hoje, só falam o português. Nosso papel, como aliados dos índios, deve ser defender que tenham condições sociais, econômicas e políticas de absorver as novidades que vêm do contato, da forma como lhes parecer mais adequada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, por trás das mudanças, com ritmo e naturezas diferentes em cada caso, há um fato fundamental: mesmo travando relações com os não-índios, os povos indígenas mantêm suas identidades e se afirmam como grupos étnicos diferenciados, portadores de tradições próprias. A identidade étnica, ou seja, a consciência de pertencimento a um determinado povo, resulta de um jogo complexo entre o &amp;quot;tradicional&amp;quot; e o &amp;quot;novo&amp;quot;, o &amp;quot;próprio&amp;quot; e o &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, que acontece sempre que populações diferentes vivem em contato. É importante lembrar disso antes de dizer que alguém &amp;quot;já não é mais índio&amp;quot; porque usa roupas, reza missa, assiste televisão, opera computadores, joga futebol ou dirige um carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Existem índios vivendo longe dos &amp;quot;brancos&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil de hoje há pelo menos 114 referências de &amp;quot;índios isolados&amp;quot;. Assim são chamados aqueles que recusam contato com o órgão indigenista oficial - Fundação Nacional do Índio (Funai). Não se sabe ao certo quem são, onde estão, quantos são e que línguas falam. O pouco que se sabe é que 28 dessas referências já foram confirmadas e encontram-se em Terras Indígenas já demarcadas ou com algum grau de reconhecimento pelos órgãos federais. Existem pelo menos outras 86 referências de índios isolados, que precisam ter suas existências confirmadas pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ideia de que há índios que permaneceram isolados desde a chegada dos portugueses ou de que há sociedades mantidas à margem de todas as transformações ocorridas na face da terra, é enganadora. Os grupos considerados isolados travam, muitas vezes, relações de longa data com segmentos da sociedade nacional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O isolamento representa, em muitos casos, uma opção do grupo, que pode estar pautada por suas relações com outros grupos, pela história das frentes de atração na região e também pelos condicionantes geográficos que propiciam essa situação.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 1987, a Funai conta com uma unidade destinada a tratar da localização e da proteção a esses índios  a Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC). Sua atuação se dá por meio de equipes denominadas &amp;quot;Frentes de Proteção Etno-ambiental&amp;quot;. São elas: Awá (MA), Envira (Acre), Guaporé (RO), Madeira-Purus, (AM), Madeirinha/Juruena (MT), Médio Xingu (PA), Uru-eu-wau-wau (RO), Vale do Javari (AM), Yanomami e Ye´kwana (RR) e Waimiri-Atroari (RR/AM) e uma coordenação em Brasília.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, quatro grupos já contatados continuam conhecidos pela Funai como &amp;quot;isolados&amp;quot;, recebendo dela assistência diferenciada. São eles os Kanoê e os Akuntsu, de Rondônia; os Zo'é, do Pará, e um pequeno grupo Korubo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os povos indígenas ajudam a preservar a natureza? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de não serem &amp;quot;naturalmente ecologistas&amp;quot;, os índios têm consciência da sua dependência – não apenas física, mas, sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente. Em função disso, desenvolvem formas de manejo dos recursos naturais que têm sido fundamentais para a preservação da cobertura florestal no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de um fato visível nas regiões onde o desmatamento tem avançado com maior rapidez, como nos estados do Mato Grosso, Rondônia e sul do Pará. Em levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), por exemplo, as Terras Indígenas aparecem como verdadeiros oásis de florestas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É fato que muitos povos indígenas, como os Suruí, Cinta-Larga e os Kayapó, tenham se atrelado ativamente a formas predatórias de exploração dos recursos naturais, hoje em vigor na Amazônia, fazendo alianças principalmente com empresas madeireiras. Todavia, é preciso reconhecer que eles as fizeram por terem passado por pressões concretas, contínuas, ilegais e como sócios menores desses negócios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem já pensou nos índios como homens &amp;quot;naturais&amp;quot;, defensores inatos da natureza, &amp;quot;naturalistas&amp;quot; está a um passo de vê-los como mera extensão do meio ambiente: deveriam, portanto, ser &amp;quot;conservados&amp;quot; e mantidos à distância do mundo &amp;quot;civilizado&amp;quot;. Essa visão deriva, no entanto, de uma concepção da natureza que é própria ao mundo ocidental: natureza como algo que deve permanecer intocado, alheio à ação humana. Mas o que os próprios povos indígenas têm a dizer sobre o assunto é bem diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As concepções da natureza certamente variam bastante conforme o povo indígena que consideremos. Porém, se algo parece comum a todos eles, é o fato de que a natureza está sempre em interação com a ação humana, não sendo jamais intocada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Devo escrever &amp;quot;os Yanomami&amp;quot; ou &amp;quot;os ianomâmis&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por serem ágrafos (ou seja, não possuírem escrita) nos tempos da &amp;quot;atração e pacificação&amp;quot;, os povos indígenas foram (e continuam sendo) &amp;quot;batizados&amp;quot; por escrito por &amp;quot;brancos&amp;quot;, num processo que deu (e ainda dá) margem a muitas confusões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma grande variabilidade na maneira de grafar os nomes dos povos indígenas. Convivem padrões diferentes, às vezes criados por funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), outras por antropólogos e, mais recentemente, até mesmo por Manuais de Redação de grandes órgãos da imprensa brasileira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como as línguas indígenas têm sons que não encontram representação direta nas letras do alfabeto brasileiro, os antropólogos são obrigados a recorrer a outras letras e combinações de letras. Buscam, então, usar letras cuja interpretação sonora se aproxime do alfabeto fonético internacional, usado pelos lingüistas de todo o mundo, e não do alfabeto brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As discordâncias ortográficas sobre os nomes de povos indígenas costumam opor antropólogos a Manuais de Redação de grandes jornais. Mas, nesse assunto, não há consenso nem mesmo entre os próprios antropólogos. As maiores polêmicas dizem respeito ao uso (ou não) de maiúsculas iniciais e da forma plural para os nomes das etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos, quando a denominação de um povo aparece com função de adjetivo, não haveria porque não escrevê-la com minúscula (língua guarani, por exemplo). Já quando aparece como substantivo gentílico, seria mais adequado mantê-la com maiúscula, porque, se é verdade que essas etnias não têm países (como os franceses, a França), também é certo que seus nomes são designativos de uma coletividade única, de uma sociedade, de um povo, e não apenas de uma somatória de pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqueles que defendem a não-flexão do plural ancoram-se na justificativa de que, na maioria dos casos, sendo os nomes palavras em língua indígena, acrescentar um s resultaria em hibridismo. Além do mais, há a possibilidade de as palavras já estarem no plural, ou, ainda, de que a própria forma plural não exista nas línguas indígenas correspondentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Manuais de Redação, por outro lado, têm imposto um aportuguesamento da grafia dos nomes das tribos, proibindo o uso de letras como w, y, k (!) e certos grupos de letras não existentes em português, como sh. Esse critério não tem consistência, assim como grafar os nomes sempre em minúsculas ou flexionar o número (singular/ plural) mas não o gênero (masculino/ feminino). Por exemplo, se krahô se deve escrever craô, então Kubitscheck deveria ser escrito Cubicheque, Geisel, Gáisel. Por que o mesmo manual que recomenda grafar ianomâmi e os ianomâmis, veta a flexão por gênero, quando a palavra tem função de adjetivo (&amp;quot;mulheres ianomâmis&amp;quot; e não &amp;quot;mulheres ianomamas&amp;quot;), resultando num aportuguesamento pela metade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como faço para entrar em contato com os índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A melhor maneira de entrar em contato com os povos indígenas é acessar seus sites e falar diretamente com seus representantes. Na seção Iniciativas Indígenas, apresentamos uma lista com [[Web indígena | sites de povos indígenas situados no Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Perguntas frequentes}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-09-10}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&amp;lt;/http:&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6637</id>
		<title>Perguntas frequentes</title>
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		<updated>2019-10-28T20:09:52Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: de 150 para 160 línguas indígenas /* A língua dos índios é &amp;quot;o tupi”? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Perguntas frequentes}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre o site ==&lt;br /&gt;
=== Posso reproduzir informações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Imagens:''' A reprodução de fotos e ilustrações não é permitida. &lt;br /&gt;
O Instituto Socioambiental (ISA) não libera as imagens de seu acervo por se tratar de imagens cedidas por diferentes fotógrafos para o uso da instituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Textos:''' É permitida a reprodução de trechos de textos. Para isso, entrar em contato através &lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdJRcBTG6oJyY8EmrCbrWBEcm7rzE3YXrk6cLnwSaLPH7BNYA/viewform&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;deste formulário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/small&amp;gt;. Para reprodução de trechos de textos é necessário citar o autor (quando houver) e o nome do Instituto Socioambiental (ISA). Para reprodução em sites, dar o crédito e o link da seção do site Povos Indígenas no Brasil da qual foi retirado o texto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como devo fazer referência a citações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sugerimos o seguinte formato: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;Autor do Verbete (se houver), Fonte: Instituto Socioambiental | Povos Indígenas no Brasil , &amp;lt;http: link-da-página-utilizada=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;, Acessado em: dd/mm/aaaa.&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como conseguir autorização para utilizar imagens do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É necessário entrar em contato diretamente com os autores das imagens sobre as quais se tem interesse, identificados junto às mesmas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre os povos indígenas ==&lt;br /&gt;
=== Quais e quantos são os povos indígenas no Brasil? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os {{#total_povos:}} povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.&lt;br /&gt;
Veja o [[Quadro_Geral_dos_Povos | Quadro Geral dos Povos]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Quanto do território brasileiro está reservado aos índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As [[O que são Terras Indígenas? | terras indígenas]] (TIs) somam {{#total_area_ti: total}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti: area | ha}} hectares ({{#total_area_ti: area | km}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti: porcentagem}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Qual a diferença entre &amp;quot;indígena&amp;quot;, &amp;quot;índio&amp;quot;, &amp;quot;ameríndio&amp;quot;, &amp;quot;silvícola&amp;quot;, &amp;quot;aborígine&amp;quot;...? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expressão genérica &amp;quot;povos indígenas&amp;quot; refere-se a grupos humanos espalhados por todo o mundo, e que são bastante diferentes entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas o uso corrente da linguagem que faz com que, em nosso e em outros países, fale-se em povos indígenas, ao passo que, na Austrália, por exemplo, a forma genérica para designá-los seja aborígines. Indígena ou aborígine, como ensina o dicionário, quer dizer &amp;quot;originário de determinado país, região ou localidade; nativo&amp;quot;. Aliás, nativos e autóctones são outras expressões usadas, ao redor do mundo, para denominar esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Genericamente, os povos indígenas que vivem não apenas em nosso país, mas em todo o continente americano, também são chamados de índios. Essa palavra é fruto do equívoco histórico dos primeiros colonizadores que, tendo chegado às Américas, julgaram estar na Índia. Apesar do erro, o uso continuado, até mesmo por parte dos próprios índios, faz da palavra, no Brasil de hoje, um sinônimo de indivíduo, pessoa indígena. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como há certas semelhanças que unem os índios das Américas do Norte, Central e do Sul, há quem prefira chamá-los, todos, de ameríndios. Os índios ou ameríndios são os povos indígenas das Américas. Em décadas passadas, outra palavra era bastante usada no Brasil para designar os índios em geral: silvícolas (&amp;quot;quem nasce ou vive nas selvas&amp;quot;). O termo é totalmente inadequado, porque o que faz de alguém indígena não é a característica do lugar onde se nasce ou vive (a &amp;quot;selva&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode tirar carteira de identidade? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, índio pode e deve fazer carteira de identidade, que é um registro geral dos cidadãos brasileiros. A lei brasileira, no entanto, não permite, a identificação étnica neste documento. Por outro lado, o índio tem direito também a um registro na comunidade onde nasceu, configurando, assim, uma identificação étnica documentada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode votar ou ser votado? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo cidadão brasileiro pode votar, desde que possua registro eleitoral. Como o voto no Brasil é obrigatório, os índios são obrigados a votar se tiverem mais de 16 anos (??) e forem alfabetizados em língua portuguesa. Porém, se viverem na aldeia e, segundo seus usos e tradições, o povo, coletivamente, decide não votar, esta decisão prevalece sobre a obrigatoriedade da lei brasileira. Isso porque os povos indígenas têm o direito constitucional de viver segundo seus usos, tradições e costumes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O índio pode sim ser candidato, pois é um cidadão com todos os direitos. Para ser candidato, entretanto, há algumas restrições, como o conhecimento da língua para alguns cargos. Exemplo disso é a eleição da advogada indígena Joênia Wapichana para o cargo de deputada federal, em 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pode o índio vender os produtos de sua terra com o intuito de lucro? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os bens da comunidade pertencem à comunidade como um todo, portanto, são bens coletivos. Assim, se no comércio você compra para vender e na indústria e na agricultura você produz para vender com o preço maior do que o investimento, o índio pode, individualmente, comprar um bem e vender esse bem mais caro. Não há nenhuma restrição, desde que a origem daquele dinheiro seja dele. Ele pode ter dinheiro pessoal, pode ter bens individuais e usá-los como achar melhor. No entanto, não pode fazer isso com os bens da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A língua dos índios é &amp;quot;o tupi”? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 160 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como [[Línguas | Língua Geral ou Nheengatu]]. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando [[Línguas | famílias lingüísticas]], que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os [[Línguas | troncos lingüísticos]]. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como [[Línguas | multilingüismo]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 línguas têm acima de cinco mil falantes: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]], [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], Guarani [[[Povo:Guarani Ñandeva | Guarani Ñandeva]] / [[Povo:Guarani Kaiowá | Guarani Kaiowá]] / [[Povo:Guarani Mbya | Guarani Mbya]]], [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Sateré Mawé | Sateré-Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]], [[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os [[O trabalho dos linguistas | lingüistas]], assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de [[Escola, escrita e valorização das línguas | educação escolar indígena]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Se um índio dirige carro, vê televisão, ele deixa de ser índio? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do contato com a nossa sociedade, uma série de mudanças ocorreu no modo de viver dos povos indígenas. Em relação a esse assunto, é preciso ter em mente dois aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, que as culturas indígenas não são estáticas. Como quaisquer outras, elas mudam ao longo do tempo, mesmo que não seja por influência estrangeira. Por outro lado, é inegável que as mudanças decorrentes do contato com a nossa sociedade podem, muitas vezes, alcançar escalas preocupantes. Esse é o caso, por exemplo, de povos que perderam suas línguas maternas e, hoje, só falam o português. Nosso papel, como aliados dos índios, deve ser defender que tenham condições sociais, econômicas e políticas de absorver as novidades que vêm do contato, da forma como lhes parecer mais adequada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, por trás das mudanças, com ritmo e naturezas diferentes em cada caso, há um fato fundamental: mesmo travando relações com os não-índios, os povos indígenas mantêm suas identidades e se afirmam como grupos étnicos diferenciados, portadores de tradições próprias. A identidade étnica, ou seja, a consciência de pertencimento a um determinado povo, resulta de um jogo complexo entre o &amp;quot;tradicional&amp;quot; e o &amp;quot;novo&amp;quot;, o &amp;quot;próprio&amp;quot; e o &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, que acontece sempre que populações diferentes vivem em contato. É importante lembrar disso antes de dizer que alguém &amp;quot;já não é mais índio&amp;quot; porque usa roupas, reza missa, assiste televisão, opera computadores, joga futebol ou dirige um carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Existem índios vivendo longe dos &amp;quot;brancos&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil de hoje, há pelo menos 46 referências de &amp;quot;índios isolados&amp;quot;. Assim são chamados aqueles cujo contato com o órgão indigenista oficial (Fundação Nacional do Índio – Funai) não foi estabelecido. Não se sabe ao certo quem são, onde estão, quantos são e que línguas falam. O pouco que se sabe é que cerca de 26 dessas referências encontram-se em Terras Indígenas já demarcadas ou com algum grau de reconhecimento pelos órgãos federais. E, do total das 46, 12 já foram confirmadas pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A idéia de que há índios que permaneceram isolados desde a chegada dos portugueses ou de que há sociedades mantidas à margem de todas as transformações ocorridas na face da terra, é enganadora. Os grupos considerados isolados travam, muitas vezes, relações de longa data com segmentos da sociedade nacional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O isolamento representa, em muitos casos, uma opção do grupo, que pode estar pautada por suas relações com outros grupos, pela história das frentes de atração na região e também pelos condicionantes geográficos que propiciam essa situação.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 1987, a Funai conta com uma unidade destinada a tratar da localização e da proteção a esses índios – o Departamento de Índios Isolados. Recentemente, sua atuação se dá por meio de equipes denominadas &amp;quot;frentes de proteção etno-ambiental&amp;quot;. São elas: Cuminapanema (PA), Envira (AC), Rio Guaporé (RO), Madeirinha (RO/ MT), Vale do Javari e Purus(AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, quatro grupos já contatados continuam conhecidos pela Funai como &amp;quot;isolados&amp;quot;, recebendo dela assistência diferenciada. São eles os Kanoê e os Akuntsu, de Rondônia; os Zo'é, do Pará, e um pequeno grupo Korubo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os povos indígenas ajudam a preservar a natureza? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de não serem &amp;quot;naturalmente ecologistas&amp;quot;, os índios têm consciência da sua dependência – não apenas física, mas, sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente. Em função disso, desenvolvem formas de manejo dos recursos naturais que têm sido fundamentais para a preservação da cobertura florestal no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de um fato visível nas regiões onde o desmatamento tem avançado com maior rapidez, como nos estados do Mato Grosso, Rondônia e sul do Pará. Em levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), por exemplo, as Terras Indígenas aparecem como verdadeiros oásis de florestas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É fato que muitos povos indígenas, como os Suruí, Cinta-Larga e os Kayapó, tenham se atrelado ativamente a formas predatórias de exploração dos recursos naturais, hoje em vigor na Amazônia, fazendo alianças principalmente com empresas madeireiras. Todavia, é preciso reconhecer que eles as fizeram por terem passado por pressões concretas, contínuas, ilegais e como sócios menores desses negócios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem já pensou nos índios como homens &amp;quot;naturais&amp;quot;, defensores inatos da natureza, &amp;quot;naturalistas&amp;quot; está a um passo de vê-los como mera extensão do meio ambiente: deveriam, portanto, ser &amp;quot;conservados&amp;quot; e mantidos à distância do mundo &amp;quot;civilizado&amp;quot;. Essa visão deriva, no entanto, de uma concepção da natureza que é própria ao mundo ocidental: natureza como algo que deve permanecer intocado, alheio à ação humana. Mas o que os próprios povos indígenas têm a dizer sobre o assunto é bem diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As concepções da natureza certamente variam bastante conforme o povo indígena que consideremos. Porém, se algo parece comum a todos eles, é o fato de que a natureza está sempre em interação com a ação humana, não sendo jamais intocada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Devo escrever &amp;quot;os Yanomami&amp;quot; ou &amp;quot;os ianomâmis&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por serem ágrafos (ou seja, não possuírem escrita) nos tempos da &amp;quot;atração e pacificação&amp;quot;, os povos indígenas foram (e continuam sendo) &amp;quot;batizados&amp;quot; por escrito por &amp;quot;brancos&amp;quot;, num processo que deu (e ainda dá) margem a muitas confusões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma grande variabilidade na maneira de grafar os nomes dos povos indígenas. Convivem padrões diferentes, às vezes criados por funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), outras por antropólogos e, mais recentemente, até mesmo por Manuais de Redação de grandes órgãos da imprensa brasileira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como as línguas indígenas têm sons que não encontram representação direta nas letras do alfabeto brasileiro, os antropólogos são obrigados a recorrer a outras letras e combinações de letras. Buscam, então, usar letras cuja interpretação sonora se aproxime do alfabeto fonético internacional, usado pelos lingüistas de todo o mundo, e não do alfabeto brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As discordâncias ortográficas sobre os nomes de povos indígenas costumam opor antropólogos a Manuais de Redação de grandes jornais. Mas, nesse assunto, não há consenso nem mesmo entre os próprios antropólogos. As maiores polêmicas dizem respeito ao uso (ou não) de maiúsculas iniciais e da forma plural para os nomes das etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos, quando a denominação de um povo aparece com função de adjetivo, não haveria porque não escrevê-la com minúscula (língua guarani, por exemplo). Já quando aparece como substantivo gentílico, seria mais adequado mantê-la com maiúscula, porque, se é verdade que essas etnias não têm países (como os franceses, a França), também é certo que seus nomes são designativos de uma coletividade única, de uma sociedade, de um povo, e não apenas de uma somatória de pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqueles que defendem a não-flexão do plural ancoram-se na justificativa de que, na maioria dos casos, sendo os nomes palavras em língua indígena, acrescentar um s resultaria em hibridismo. Além do mais, há a possibilidade de as palavras já estarem no plural, ou, ainda, de que a própria forma plural não exista nas línguas indígenas correspondentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Manuais de Redação, por outro lado, têm imposto um aportuguesamento da grafia dos nomes das tribos, proibindo o uso de letras como w, y, k (!) e certos grupos de letras não existentes em português, como sh. Esse critério não tem consistência, assim como grafar os nomes sempre em minúsculas ou flexionar o número (singular/ plural) mas não o gênero (masculino/ feminino). Por exemplo, se krahô se deve escrever craô, então Kubitscheck deveria ser escrito Cubicheque, Geisel, Gáisel. Por que o mesmo manual que recomenda grafar ianomâmi e os ianomâmis, veta a flexão por gênero, quando a palavra tem função de adjetivo (&amp;quot;mulheres ianomâmis&amp;quot; e não &amp;quot;mulheres ianomamas&amp;quot;), resultando num aportuguesamento pela metade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
A melhor maneira de entrar em contato com os povos indígenas é acessar seus sites e falar diretamente com seus representantes. Na seção Iniciativas Indígenas, apresentamos uma lista com [[Web indígena | sites de povos indígenas situados no Brasil]].&lt;br /&gt;
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		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6636</id>
		<title>Perguntas frequentes</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6636"/>
		<updated>2019-10-28T20:09:14Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: /* Índio pode votar ou ser votado? */&lt;/p&gt;
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== Sobre o site ==&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
Sugerimos o seguinte formato: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;Autor do Verbete (se houver), Fonte: Instituto Socioambiental | Povos Indígenas no Brasil , &amp;lt;http: link-da-página-utilizada=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;, Acessado em: dd/mm/aaaa.&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como conseguir autorização para utilizar imagens do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É necessário entrar em contato diretamente com os autores das imagens sobre as quais se tem interesse, identificados junto às mesmas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre os povos indígenas ==&lt;br /&gt;
=== Quais e quantos são os povos indígenas no Brasil? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os {{#total_povos:}} povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.&lt;br /&gt;
Veja o [[Quadro_Geral_dos_Povos | Quadro Geral dos Povos]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Quanto do território brasileiro está reservado aos índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As [[O que são Terras Indígenas? | terras indígenas]] (TIs) somam {{#total_area_ti: total}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti: area | ha}} hectares ({{#total_area_ti: area | km}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti: porcentagem}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Qual a diferença entre &amp;quot;indígena&amp;quot;, &amp;quot;índio&amp;quot;, &amp;quot;ameríndio&amp;quot;, &amp;quot;silvícola&amp;quot;, &amp;quot;aborígine&amp;quot;...? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expressão genérica &amp;quot;povos indígenas&amp;quot; refere-se a grupos humanos espalhados por todo o mundo, e que são bastante diferentes entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas o uso corrente da linguagem que faz com que, em nosso e em outros países, fale-se em povos indígenas, ao passo que, na Austrália, por exemplo, a forma genérica para designá-los seja aborígines. Indígena ou aborígine, como ensina o dicionário, quer dizer &amp;quot;originário de determinado país, região ou localidade; nativo&amp;quot;. Aliás, nativos e autóctones são outras expressões usadas, ao redor do mundo, para denominar esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Genericamente, os povos indígenas que vivem não apenas em nosso país, mas em todo o continente americano, também são chamados de índios. Essa palavra é fruto do equívoco histórico dos primeiros colonizadores que, tendo chegado às Américas, julgaram estar na Índia. Apesar do erro, o uso continuado, até mesmo por parte dos próprios índios, faz da palavra, no Brasil de hoje, um sinônimo de indivíduo, pessoa indígena. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como há certas semelhanças que unem os índios das Américas do Norte, Central e do Sul, há quem prefira chamá-los, todos, de ameríndios. Os índios ou ameríndios são os povos indígenas das Américas. Em décadas passadas, outra palavra era bastante usada no Brasil para designar os índios em geral: silvícolas (&amp;quot;quem nasce ou vive nas selvas&amp;quot;). O termo é totalmente inadequado, porque o que faz de alguém indígena não é a característica do lugar onde se nasce ou vive (a &amp;quot;selva&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode tirar carteira de identidade? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, índio pode e deve fazer carteira de identidade, que é um registro geral dos cidadãos brasileiros. A lei brasileira, no entanto, não permite, a identificação étnica neste documento. Por outro lado, o índio tem direito também a um registro na comunidade onde nasceu, configurando, assim, uma identificação étnica documentada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode votar ou ser votado? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo cidadão brasileiro pode votar, desde que possua registro eleitoral. Como o voto no Brasil é obrigatório, os índios são obrigados a votar se tiverem mais de 16 anos (??) e forem alfabetizados em língua portuguesa. Porém, se viverem na aldeia e, segundo seus usos e tradições, o povo, coletivamente, decide não votar, esta decisão prevalece sobre a obrigatoriedade da lei brasileira. Isso porque os povos indígenas têm o direito constitucional de viver segundo seus usos, tradições e costumes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O índio pode sim ser candidato, pois é um cidadão com todos os direitos. Para ser candidato, entretanto, há algumas restrições, como o conhecimento da língua para alguns cargos. Exemplo disso é a eleição da advogada indígena Joênia Wapichana para o cargo de deputada federal, em 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pode o índio vender os produtos de sua terra com o intuito de lucro? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os bens da comunidade pertencem à comunidade como um todo, portanto, são bens coletivos. Assim, se no comércio você compra para vender e na indústria e na agricultura você produz para vender com o preço maior do que o investimento, o índio pode, individualmente, comprar um bem e vender esse bem mais caro. Não há nenhuma restrição, desde que a origem daquele dinheiro seja dele. Ele pode ter dinheiro pessoal, pode ter bens individuais e usá-los como achar melhor. No entanto, não pode fazer isso com os bens da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A língua dos índios é &amp;quot;o tupi”? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como [[Línguas | Língua Geral ou Nheengatu]]. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando [[Línguas | famílias lingüísticas]], que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os [[Línguas | troncos lingüísticos]]. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como [[Línguas | multilingüismo]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 línguas têm acima de cinco mil falantes: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]], [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], Guarani [[[Povo:Guarani Ñandeva | Guarani Ñandeva]] / [[Povo:Guarani Kaiowá | Guarani Kaiowá]] / [[Povo:Guarani Mbya | Guarani Mbya]]], [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Sateré Mawé | Sateré-Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]], [[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os [[O trabalho dos linguistas | lingüistas]], assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de [[Escola, escrita e valorização das línguas | educação escolar indígena]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Se um índio dirige carro, vê televisão, ele deixa de ser índio? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do contato com a nossa sociedade, uma série de mudanças ocorreu no modo de viver dos povos indígenas. Em relação a esse assunto, é preciso ter em mente dois aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, que as culturas indígenas não são estáticas. Como quaisquer outras, elas mudam ao longo do tempo, mesmo que não seja por influência estrangeira. Por outro lado, é inegável que as mudanças decorrentes do contato com a nossa sociedade podem, muitas vezes, alcançar escalas preocupantes. Esse é o caso, por exemplo, de povos que perderam suas línguas maternas e, hoje, só falam o português. Nosso papel, como aliados dos índios, deve ser defender que tenham condições sociais, econômicas e políticas de absorver as novidades que vêm do contato, da forma como lhes parecer mais adequada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, por trás das mudanças, com ritmo e naturezas diferentes em cada caso, há um fato fundamental: mesmo travando relações com os não-índios, os povos indígenas mantêm suas identidades e se afirmam como grupos étnicos diferenciados, portadores de tradições próprias. A identidade étnica, ou seja, a consciência de pertencimento a um determinado povo, resulta de um jogo complexo entre o &amp;quot;tradicional&amp;quot; e o &amp;quot;novo&amp;quot;, o &amp;quot;próprio&amp;quot; e o &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, que acontece sempre que populações diferentes vivem em contato. É importante lembrar disso antes de dizer que alguém &amp;quot;já não é mais índio&amp;quot; porque usa roupas, reza missa, assiste televisão, opera computadores, joga futebol ou dirige um carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Existem índios vivendo longe dos &amp;quot;brancos&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil de hoje, há pelo menos 46 referências de &amp;quot;índios isolados&amp;quot;. Assim são chamados aqueles cujo contato com o órgão indigenista oficial (Fundação Nacional do Índio – Funai) não foi estabelecido. Não se sabe ao certo quem são, onde estão, quantos são e que línguas falam. O pouco que se sabe é que cerca de 26 dessas referências encontram-se em Terras Indígenas já demarcadas ou com algum grau de reconhecimento pelos órgãos federais. E, do total das 46, 12 já foram confirmadas pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A idéia de que há índios que permaneceram isolados desde a chegada dos portugueses ou de que há sociedades mantidas à margem de todas as transformações ocorridas na face da terra, é enganadora. Os grupos considerados isolados travam, muitas vezes, relações de longa data com segmentos da sociedade nacional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O isolamento representa, em muitos casos, uma opção do grupo, que pode estar pautada por suas relações com outros grupos, pela história das frentes de atração na região e também pelos condicionantes geográficos que propiciam essa situação.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 1987, a Funai conta com uma unidade destinada a tratar da localização e da proteção a esses índios – o Departamento de Índios Isolados. Recentemente, sua atuação se dá por meio de equipes denominadas &amp;quot;frentes de proteção etno-ambiental&amp;quot;. São elas: Cuminapanema (PA), Envira (AC), Rio Guaporé (RO), Madeirinha (RO/ MT), Vale do Javari e Purus(AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, quatro grupos já contatados continuam conhecidos pela Funai como &amp;quot;isolados&amp;quot;, recebendo dela assistência diferenciada. São eles os Kanoê e os Akuntsu, de Rondônia; os Zo'é, do Pará, e um pequeno grupo Korubo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os povos indígenas ajudam a preservar a natureza? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de não serem &amp;quot;naturalmente ecologistas&amp;quot;, os índios têm consciência da sua dependência – não apenas física, mas, sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente. Em função disso, desenvolvem formas de manejo dos recursos naturais que têm sido fundamentais para a preservação da cobertura florestal no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de um fato visível nas regiões onde o desmatamento tem avançado com maior rapidez, como nos estados do Mato Grosso, Rondônia e sul do Pará. Em levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), por exemplo, as Terras Indígenas aparecem como verdadeiros oásis de florestas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É fato que muitos povos indígenas, como os Suruí, Cinta-Larga e os Kayapó, tenham se atrelado ativamente a formas predatórias de exploração dos recursos naturais, hoje em vigor na Amazônia, fazendo alianças principalmente com empresas madeireiras. Todavia, é preciso reconhecer que eles as fizeram por terem passado por pressões concretas, contínuas, ilegais e como sócios menores desses negócios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem já pensou nos índios como homens &amp;quot;naturais&amp;quot;, defensores inatos da natureza, &amp;quot;naturalistas&amp;quot; está a um passo de vê-los como mera extensão do meio ambiente: deveriam, portanto, ser &amp;quot;conservados&amp;quot; e mantidos à distância do mundo &amp;quot;civilizado&amp;quot;. Essa visão deriva, no entanto, de uma concepção da natureza que é própria ao mundo ocidental: natureza como algo que deve permanecer intocado, alheio à ação humana. Mas o que os próprios povos indígenas têm a dizer sobre o assunto é bem diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As concepções da natureza certamente variam bastante conforme o povo indígena que consideremos. Porém, se algo parece comum a todos eles, é o fato de que a natureza está sempre em interação com a ação humana, não sendo jamais intocada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Devo escrever &amp;quot;os Yanomami&amp;quot; ou &amp;quot;os ianomâmis&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por serem ágrafos (ou seja, não possuírem escrita) nos tempos da &amp;quot;atração e pacificação&amp;quot;, os povos indígenas foram (e continuam sendo) &amp;quot;batizados&amp;quot; por escrito por &amp;quot;brancos&amp;quot;, num processo que deu (e ainda dá) margem a muitas confusões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma grande variabilidade na maneira de grafar os nomes dos povos indígenas. Convivem padrões diferentes, às vezes criados por funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), outras por antropólogos e, mais recentemente, até mesmo por Manuais de Redação de grandes órgãos da imprensa brasileira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como as línguas indígenas têm sons que não encontram representação direta nas letras do alfabeto brasileiro, os antropólogos são obrigados a recorrer a outras letras e combinações de letras. Buscam, então, usar letras cuja interpretação sonora se aproxime do alfabeto fonético internacional, usado pelos lingüistas de todo o mundo, e não do alfabeto brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As discordâncias ortográficas sobre os nomes de povos indígenas costumam opor antropólogos a Manuais de Redação de grandes jornais. Mas, nesse assunto, não há consenso nem mesmo entre os próprios antropólogos. As maiores polêmicas dizem respeito ao uso (ou não) de maiúsculas iniciais e da forma plural para os nomes das etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos, quando a denominação de um povo aparece com função de adjetivo, não haveria porque não escrevê-la com minúscula (língua guarani, por exemplo). Já quando aparece como substantivo gentílico, seria mais adequado mantê-la com maiúscula, porque, se é verdade que essas etnias não têm países (como os franceses, a França), também é certo que seus nomes são designativos de uma coletividade única, de uma sociedade, de um povo, e não apenas de uma somatória de pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqueles que defendem a não-flexão do plural ancoram-se na justificativa de que, na maioria dos casos, sendo os nomes palavras em língua indígena, acrescentar um s resultaria em hibridismo. Além do mais, há a possibilidade de as palavras já estarem no plural, ou, ainda, de que a própria forma plural não exista nas línguas indígenas correspondentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Manuais de Redação, por outro lado, têm imposto um aportuguesamento da grafia dos nomes das tribos, proibindo o uso de letras como w, y, k (!) e certos grupos de letras não existentes em português, como sh. Esse critério não tem consistência, assim como grafar os nomes sempre em minúsculas ou flexionar o número (singular/ plural) mas não o gênero (masculino/ feminino). Por exemplo, se krahô se deve escrever craô, então Kubitscheck deveria ser escrito Cubicheque, Geisel, Gáisel. Por que o mesmo manual que recomenda grafar ianomâmi e os ianomâmis, veta a flexão por gênero, quando a palavra tem função de adjetivo (&amp;quot;mulheres ianomâmis&amp;quot; e não &amp;quot;mulheres ianomamas&amp;quot;), resultando num aportuguesamento pela metade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como faço para entrar em contato com os índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A melhor maneira de entrar em contato com os povos indígenas é acessar seus sites e falar diretamente com seus representantes. Na seção Iniciativas Indígenas, apresentamos uma lista com [[Web indígena | sites de povos indígenas situados no Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Perguntas frequentes}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-09-10}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&amp;lt;/http:&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6635</id>
		<title>Perguntas frequentes</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6635"/>
		<updated>2019-10-28T20:08:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: Joênia Wapichana foi eleita deputada federal /* Índio pode votar ou ser votado? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Perguntas frequentes}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre o site ==&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
'''Imagens:''' A reprodução de fotos e ilustrações não é permitida. &lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
=== Como devo fazer referência a citações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sugerimos o seguinte formato: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;Autor do Verbete (se houver), Fonte: Instituto Socioambiental | Povos Indígenas no Brasil , &amp;lt;http: link-da-página-utilizada=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;, Acessado em: dd/mm/aaaa.&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como conseguir autorização para utilizar imagens do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É necessário entrar em contato diretamente com os autores das imagens sobre as quais se tem interesse, identificados junto às mesmas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre os povos indígenas ==&lt;br /&gt;
=== Quais e quantos são os povos indígenas no Brasil? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os {{#total_povos:}} povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.&lt;br /&gt;
Veja o [[Quadro_Geral_dos_Povos | Quadro Geral dos Povos]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Quanto do território brasileiro está reservado aos índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As [[O que são Terras Indígenas? | terras indígenas]] (TIs) somam {{#total_area_ti: total}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti: area | ha}} hectares ({{#total_area_ti: area | km}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti: porcentagem}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Qual a diferença entre &amp;quot;indígena&amp;quot;, &amp;quot;índio&amp;quot;, &amp;quot;ameríndio&amp;quot;, &amp;quot;silvícola&amp;quot;, &amp;quot;aborígine&amp;quot;...? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expressão genérica &amp;quot;povos indígenas&amp;quot; refere-se a grupos humanos espalhados por todo o mundo, e que são bastante diferentes entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas o uso corrente da linguagem que faz com que, em nosso e em outros países, fale-se em povos indígenas, ao passo que, na Austrália, por exemplo, a forma genérica para designá-los seja aborígines. Indígena ou aborígine, como ensina o dicionário, quer dizer &amp;quot;originário de determinado país, região ou localidade; nativo&amp;quot;. Aliás, nativos e autóctones são outras expressões usadas, ao redor do mundo, para denominar esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Genericamente, os povos indígenas que vivem não apenas em nosso país, mas em todo o continente americano, também são chamados de índios. Essa palavra é fruto do equívoco histórico dos primeiros colonizadores que, tendo chegado às Américas, julgaram estar na Índia. Apesar do erro, o uso continuado, até mesmo por parte dos próprios índios, faz da palavra, no Brasil de hoje, um sinônimo de indivíduo, pessoa indígena. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como há certas semelhanças que unem os índios das Américas do Norte, Central e do Sul, há quem prefira chamá-los, todos, de ameríndios. Os índios ou ameríndios são os povos indígenas das Américas. Em décadas passadas, outra palavra era bastante usada no Brasil para designar os índios em geral: silvícolas (&amp;quot;quem nasce ou vive nas selvas&amp;quot;). O termo é totalmente inadequado, porque o que faz de alguém indígena não é a característica do lugar onde se nasce ou vive (a &amp;quot;selva&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode tirar carteira de identidade? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, índio pode e deve fazer carteira de identidade, que é um registro geral dos cidadãos brasileiros. A lei brasileira, no entanto, não permite, a identificação étnica neste documento. Por outro lado, o índio tem direito também a um registro na comunidade onde nasceu, configurando, assim, uma identificação étnica documentada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode votar ou ser votado? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo cidadão brasileiro pode votar, desde que possua registro eleitoral. Como o voto no Brasil é obrigatório, os índios são obrigados a votar se tiverem mais de 16 anos (??) e forem alfabetizados em língua portuguesa. Porém, se viverem na aldeia e, segundo seus usos e tradições, o povo, coletivamente, decide não votar, esta decisão prevalece sobre a obrigatoriedade da lei brasileira. Isso porque os povos indígenas têm o direito constitucional de viver segundo seus usos, tradições e costumes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O índio pode sim ser candidato, pois é um cidadão com todos os direitos. Para ser candidato, entretanto, há algumas restrições, como o conhecimento da língua para alguns cargos. Exemplo disso é a eleição da advogada indígena Joênia Wapichana para o cargo deputada federal, em 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pode o índio vender os produtos de sua terra com o intuito de lucro? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os bens da comunidade pertencem à comunidade como um todo, portanto, são bens coletivos. Assim, se no comércio você compra para vender e na indústria e na agricultura você produz para vender com o preço maior do que o investimento, o índio pode, individualmente, comprar um bem e vender esse bem mais caro. Não há nenhuma restrição, desde que a origem daquele dinheiro seja dele. Ele pode ter dinheiro pessoal, pode ter bens individuais e usá-los como achar melhor. No entanto, não pode fazer isso com os bens da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A língua dos índios é &amp;quot;o tupi”? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como [[Línguas | Língua Geral ou Nheengatu]]. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando [[Línguas | famílias lingüísticas]], que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os [[Línguas | troncos lingüísticos]]. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como [[Línguas | multilingüismo]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 línguas têm acima de cinco mil falantes: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]], [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], Guarani [[[Povo:Guarani Ñandeva | Guarani Ñandeva]] / [[Povo:Guarani Kaiowá | Guarani Kaiowá]] / [[Povo:Guarani Mbya | Guarani Mbya]]], [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Sateré Mawé | Sateré-Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]], [[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os [[O trabalho dos linguistas | lingüistas]], assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de [[Escola, escrita e valorização das línguas | educação escolar indígena]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Se um índio dirige carro, vê televisão, ele deixa de ser índio? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do contato com a nossa sociedade, uma série de mudanças ocorreu no modo de viver dos povos indígenas. Em relação a esse assunto, é preciso ter em mente dois aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, que as culturas indígenas não são estáticas. Como quaisquer outras, elas mudam ao longo do tempo, mesmo que não seja por influência estrangeira. Por outro lado, é inegável que as mudanças decorrentes do contato com a nossa sociedade podem, muitas vezes, alcançar escalas preocupantes. Esse é o caso, por exemplo, de povos que perderam suas línguas maternas e, hoje, só falam o português. Nosso papel, como aliados dos índios, deve ser defender que tenham condições sociais, econômicas e políticas de absorver as novidades que vêm do contato, da forma como lhes parecer mais adequada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, por trás das mudanças, com ritmo e naturezas diferentes em cada caso, há um fato fundamental: mesmo travando relações com os não-índios, os povos indígenas mantêm suas identidades e se afirmam como grupos étnicos diferenciados, portadores de tradições próprias. A identidade étnica, ou seja, a consciência de pertencimento a um determinado povo, resulta de um jogo complexo entre o &amp;quot;tradicional&amp;quot; e o &amp;quot;novo&amp;quot;, o &amp;quot;próprio&amp;quot; e o &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, que acontece sempre que populações diferentes vivem em contato. É importante lembrar disso antes de dizer que alguém &amp;quot;já não é mais índio&amp;quot; porque usa roupas, reza missa, assiste televisão, opera computadores, joga futebol ou dirige um carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Existem índios vivendo longe dos &amp;quot;brancos&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil de hoje, há pelo menos 46 referências de &amp;quot;índios isolados&amp;quot;. Assim são chamados aqueles cujo contato com o órgão indigenista oficial (Fundação Nacional do Índio – Funai) não foi estabelecido. Não se sabe ao certo quem são, onde estão, quantos são e que línguas falam. O pouco que se sabe é que cerca de 26 dessas referências encontram-se em Terras Indígenas já demarcadas ou com algum grau de reconhecimento pelos órgãos federais. E, do total das 46, 12 já foram confirmadas pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A idéia de que há índios que permaneceram isolados desde a chegada dos portugueses ou de que há sociedades mantidas à margem de todas as transformações ocorridas na face da terra, é enganadora. Os grupos considerados isolados travam, muitas vezes, relações de longa data com segmentos da sociedade nacional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O isolamento representa, em muitos casos, uma opção do grupo, que pode estar pautada por suas relações com outros grupos, pela história das frentes de atração na região e também pelos condicionantes geográficos que propiciam essa situação.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 1987, a Funai conta com uma unidade destinada a tratar da localização e da proteção a esses índios – o Departamento de Índios Isolados. Recentemente, sua atuação se dá por meio de equipes denominadas &amp;quot;frentes de proteção etno-ambiental&amp;quot;. São elas: Cuminapanema (PA), Envira (AC), Rio Guaporé (RO), Madeirinha (RO/ MT), Vale do Javari e Purus(AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, quatro grupos já contatados continuam conhecidos pela Funai como &amp;quot;isolados&amp;quot;, recebendo dela assistência diferenciada. São eles os Kanoê e os Akuntsu, de Rondônia; os Zo'é, do Pará, e um pequeno grupo Korubo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os povos indígenas ajudam a preservar a natureza? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de não serem &amp;quot;naturalmente ecologistas&amp;quot;, os índios têm consciência da sua dependência – não apenas física, mas, sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente. Em função disso, desenvolvem formas de manejo dos recursos naturais que têm sido fundamentais para a preservação da cobertura florestal no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de um fato visível nas regiões onde o desmatamento tem avançado com maior rapidez, como nos estados do Mato Grosso, Rondônia e sul do Pará. Em levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), por exemplo, as Terras Indígenas aparecem como verdadeiros oásis de florestas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É fato que muitos povos indígenas, como os Suruí, Cinta-Larga e os Kayapó, tenham se atrelado ativamente a formas predatórias de exploração dos recursos naturais, hoje em vigor na Amazônia, fazendo alianças principalmente com empresas madeireiras. Todavia, é preciso reconhecer que eles as fizeram por terem passado por pressões concretas, contínuas, ilegais e como sócios menores desses negócios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem já pensou nos índios como homens &amp;quot;naturais&amp;quot;, defensores inatos da natureza, &amp;quot;naturalistas&amp;quot; está a um passo de vê-los como mera extensão do meio ambiente: deveriam, portanto, ser &amp;quot;conservados&amp;quot; e mantidos à distância do mundo &amp;quot;civilizado&amp;quot;. Essa visão deriva, no entanto, de uma concepção da natureza que é própria ao mundo ocidental: natureza como algo que deve permanecer intocado, alheio à ação humana. Mas o que os próprios povos indígenas têm a dizer sobre o assunto é bem diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As concepções da natureza certamente variam bastante conforme o povo indígena que consideremos. Porém, se algo parece comum a todos eles, é o fato de que a natureza está sempre em interação com a ação humana, não sendo jamais intocada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Devo escrever &amp;quot;os Yanomami&amp;quot; ou &amp;quot;os ianomâmis&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por serem ágrafos (ou seja, não possuírem escrita) nos tempos da &amp;quot;atração e pacificação&amp;quot;, os povos indígenas foram (e continuam sendo) &amp;quot;batizados&amp;quot; por escrito por &amp;quot;brancos&amp;quot;, num processo que deu (e ainda dá) margem a muitas confusões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma grande variabilidade na maneira de grafar os nomes dos povos indígenas. Convivem padrões diferentes, às vezes criados por funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), outras por antropólogos e, mais recentemente, até mesmo por Manuais de Redação de grandes órgãos da imprensa brasileira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como as línguas indígenas têm sons que não encontram representação direta nas letras do alfabeto brasileiro, os antropólogos são obrigados a recorrer a outras letras e combinações de letras. Buscam, então, usar letras cuja interpretação sonora se aproxime do alfabeto fonético internacional, usado pelos lingüistas de todo o mundo, e não do alfabeto brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As discordâncias ortográficas sobre os nomes de povos indígenas costumam opor antropólogos a Manuais de Redação de grandes jornais. Mas, nesse assunto, não há consenso nem mesmo entre os próprios antropólogos. As maiores polêmicas dizem respeito ao uso (ou não) de maiúsculas iniciais e da forma plural para os nomes das etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos, quando a denominação de um povo aparece com função de adjetivo, não haveria porque não escrevê-la com minúscula (língua guarani, por exemplo). Já quando aparece como substantivo gentílico, seria mais adequado mantê-la com maiúscula, porque, se é verdade que essas etnias não têm países (como os franceses, a França), também é certo que seus nomes são designativos de uma coletividade única, de uma sociedade, de um povo, e não apenas de uma somatória de pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqueles que defendem a não-flexão do plural ancoram-se na justificativa de que, na maioria dos casos, sendo os nomes palavras em língua indígena, acrescentar um s resultaria em hibridismo. Além do mais, há a possibilidade de as palavras já estarem no plural, ou, ainda, de que a própria forma plural não exista nas línguas indígenas correspondentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Manuais de Redação, por outro lado, têm imposto um aportuguesamento da grafia dos nomes das tribos, proibindo o uso de letras como w, y, k (!) e certos grupos de letras não existentes em português, como sh. Esse critério não tem consistência, assim como grafar os nomes sempre em minúsculas ou flexionar o número (singular/ plural) mas não o gênero (masculino/ feminino). Por exemplo, se krahô se deve escrever craô, então Kubitscheck deveria ser escrito Cubicheque, Geisel, Gáisel. Por que o mesmo manual que recomenda grafar ianomâmi e os ianomâmis, veta a flexão por gênero, quando a palavra tem função de adjetivo (&amp;quot;mulheres ianomâmis&amp;quot; e não &amp;quot;mulheres ianomamas&amp;quot;), resultando num aportuguesamento pela metade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como faço para entrar em contato com os índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A melhor maneira de entrar em contato com os povos indígenas é acessar seus sites e falar diretamente com seus representantes. Na seção Iniciativas Indígenas, apresentamos uma lista com [[Web indígena | sites de povos indígenas situados no Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Perguntas frequentes}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-09-10}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&amp;lt;/http:&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6634</id>
		<title>Perguntas frequentes</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Perguntas_frequentes&amp;diff=6634"/>
		<updated>2019-10-28T20:05:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: inclusão do link do formulário online de solicitações/* Posso reproduzir informações do site? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Perguntas frequentes}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre o site ==&lt;br /&gt;
=== Posso reproduzir informações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Imagens:''' A reprodução de fotos e ilustrações não é permitida. &lt;br /&gt;
O Instituto Socioambiental (ISA) não libera as imagens de seu acervo por se tratar de imagens cedidas por diferentes fotógrafos para o uso da instituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Textos:''' É permitida a reprodução de trechos de textos. Para isso, entrar em contato através &lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdJRcBTG6oJyY8EmrCbrWBEcm7rzE3YXrk6cLnwSaLPH7BNYA/viewform&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;deste formulário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/small&amp;gt;. Para reprodução de trechos de textos é necessário citar o autor (quando houver) e o nome do Instituto Socioambiental (ISA). Para reprodução em sites, dar o crédito e o link da seção do site Povos Indígenas no Brasil da qual foi retirado o texto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como devo fazer referência a citações do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sugerimos o seguinte formato: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;pre&amp;gt;Autor do Verbete (se houver), Fonte: Instituto Socioambiental | Povos Indígenas no Brasil , &amp;lt;http: link-da-página-utilizada=&amp;quot;&amp;quot;&amp;gt;, Acessado em: dd/mm/aaaa.&amp;lt;/pre&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como conseguir autorização para utilizar imagens do site? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É necessário entrar em contato diretamente com os autores das imagens sobre as quais se tem interesse, identificados junto às mesmas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre os povos indígenas ==&lt;br /&gt;
=== Quais e quantos são os povos indígenas no Brasil? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os {{#total_povos:}} povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.&lt;br /&gt;
Veja o [[Quadro_Geral_dos_Povos | Quadro Geral dos Povos]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Quanto do território brasileiro está reservado aos índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As [[O que são Terras Indígenas? | terras indígenas]] (TIs) somam {{#total_area_ti: total}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti: area | ha}} hectares ({{#total_area_ti: area | km}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti: porcentagem}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Qual a diferença entre &amp;quot;indígena&amp;quot;, &amp;quot;índio&amp;quot;, &amp;quot;ameríndio&amp;quot;, &amp;quot;silvícola&amp;quot;, &amp;quot;aborígine&amp;quot;...? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expressão genérica &amp;quot;povos indígenas&amp;quot; refere-se a grupos humanos espalhados por todo o mundo, e que são bastante diferentes entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas o uso corrente da linguagem que faz com que, em nosso e em outros países, fale-se em povos indígenas, ao passo que, na Austrália, por exemplo, a forma genérica para designá-los seja aborígines. Indígena ou aborígine, como ensina o dicionário, quer dizer &amp;quot;originário de determinado país, região ou localidade; nativo&amp;quot;. Aliás, nativos e autóctones são outras expressões usadas, ao redor do mundo, para denominar esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Genericamente, os povos indígenas que vivem não apenas em nosso país, mas em todo o continente americano, também são chamados de índios. Essa palavra é fruto do equívoco histórico dos primeiros colonizadores que, tendo chegado às Américas, julgaram estar na Índia. Apesar do erro, o uso continuado, até mesmo por parte dos próprios índios, faz da palavra, no Brasil de hoje, um sinônimo de indivíduo, pessoa indígena. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como há certas semelhanças que unem os índios das Américas do Norte, Central e do Sul, há quem prefira chamá-los, todos, de ameríndios. Os índios ou ameríndios são os povos indígenas das Américas. Em décadas passadas, outra palavra era bastante usada no Brasil para designar os índios em geral: silvícolas (&amp;quot;quem nasce ou vive nas selvas&amp;quot;). O termo é totalmente inadequado, porque o que faz de alguém indígena não é a característica do lugar onde se nasce ou vive (a &amp;quot;selva&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode tirar carteira de identidade? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, índio pode e deve fazer carteira de identidade, que é um registro geral dos cidadãos brasileiros. A lei brasileira, no entanto, não permite, a identificação étnica neste documento. Por outro lado, o índio tem direito também a um registro na comunidade onde nasceu, configurando, assim, uma identificação étnica documentada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Índio pode votar ou ser votado? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo cidadão brasileiro pode votar, desde que possua registro eleitoral. Como o voto no Brasil é obrigatório, os índios são obrigados a votar se tiverem mais de 16 anos (??) e forem alfabetizados em língua portuguesa. Porém, se viverem na aldeia e, segundo seus usos e tradições, o povo, coletivamente, decide não votar, esta decisão prevalece sobre a obrigatoriedade da lei brasileira. Isso porque os povos indígenas têm o direito constitucional de viver segundo seus usos, tradições e costumes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O índio pode sim ser candidato, pois é um cidadão com todos os direitos. Para ser candidato, entretanto, há algumas restrições, como o conhecimento da língua para alguns cargos. [[ | Conheça aqui]] os índios eleitos em 2008&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pode o índio vender os produtos de sua terra com o intuito de lucro? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os bens da comunidade pertencem à comunidade como um todo, portanto, são bens coletivos. Assim, se no comércio você compra para vender e na indústria e na agricultura você produz para vender com o preço maior do que o investimento, o índio pode, individualmente, comprar um bem e vender esse bem mais caro. Não há nenhuma restrição, desde que a origem daquele dinheiro seja dele. Ele pode ter dinheiro pessoal, pode ter bens individuais e usá-los como achar melhor. No entanto, não pode fazer isso com os bens da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A língua dos índios é &amp;quot;o tupi”? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como [[Línguas | Língua Geral ou Nheengatu]]. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando [[Línguas | famílias lingüísticas]], que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os [[Línguas | troncos lingüísticos]]. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como [[Línguas | multilingüismo]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 línguas têm acima de cinco mil falantes: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]], [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], Guarani [[[Povo:Guarani Ñandeva | Guarani Ñandeva]] / [[Povo:Guarani Kaiowá | Guarani Kaiowá]] / [[Povo:Guarani Mbya | Guarani Mbya]]], [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Sateré Mawé | Sateré-Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]], [[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os [[O trabalho dos linguistas | lingüistas]], assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de [[Escola, escrita e valorização das línguas | educação escolar indígena]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Se um índio dirige carro, vê televisão, ele deixa de ser índio? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do contato com a nossa sociedade, uma série de mudanças ocorreu no modo de viver dos povos indígenas. Em relação a esse assunto, é preciso ter em mente dois aspectos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiro, que as culturas indígenas não são estáticas. Como quaisquer outras, elas mudam ao longo do tempo, mesmo que não seja por influência estrangeira. Por outro lado, é inegável que as mudanças decorrentes do contato com a nossa sociedade podem, muitas vezes, alcançar escalas preocupantes. Esse é o caso, por exemplo, de povos que perderam suas línguas maternas e, hoje, só falam o português. Nosso papel, como aliados dos índios, deve ser defender que tenham condições sociais, econômicas e políticas de absorver as novidades que vêm do contato, da forma como lhes parecer mais adequada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em segundo lugar, por trás das mudanças, com ritmo e naturezas diferentes em cada caso, há um fato fundamental: mesmo travando relações com os não-índios, os povos indígenas mantêm suas identidades e se afirmam como grupos étnicos diferenciados, portadores de tradições próprias. A identidade étnica, ou seja, a consciência de pertencimento a um determinado povo, resulta de um jogo complexo entre o &amp;quot;tradicional&amp;quot; e o &amp;quot;novo&amp;quot;, o &amp;quot;próprio&amp;quot; e o &amp;quot;estrangeiro&amp;quot;, que acontece sempre que populações diferentes vivem em contato. É importante lembrar disso antes de dizer que alguém &amp;quot;já não é mais índio&amp;quot; porque usa roupas, reza missa, assiste televisão, opera computadores, joga futebol ou dirige um carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Existem índios vivendo longe dos &amp;quot;brancos&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil de hoje, há pelo menos 46 referências de &amp;quot;índios isolados&amp;quot;. Assim são chamados aqueles cujo contato com o órgão indigenista oficial (Fundação Nacional do Índio – Funai) não foi estabelecido. Não se sabe ao certo quem são, onde estão, quantos são e que línguas falam. O pouco que se sabe é que cerca de 26 dessas referências encontram-se em Terras Indígenas já demarcadas ou com algum grau de reconhecimento pelos órgãos federais. E, do total das 46, 12 já foram confirmadas pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A idéia de que há índios que permaneceram isolados desde a chegada dos portugueses ou de que há sociedades mantidas à margem de todas as transformações ocorridas na face da terra, é enganadora. Os grupos considerados isolados travam, muitas vezes, relações de longa data com segmentos da sociedade nacional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O isolamento representa, em muitos casos, uma opção do grupo, que pode estar pautada por suas relações com outros grupos, pela história das frentes de atração na região e também pelos condicionantes geográficos que propiciam essa situação.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 1987, a Funai conta com uma unidade destinada a tratar da localização e da proteção a esses índios – o Departamento de Índios Isolados. Recentemente, sua atuação se dá por meio de equipes denominadas &amp;quot;frentes de proteção etno-ambiental&amp;quot;. São elas: Cuminapanema (PA), Envira (AC), Rio Guaporé (RO), Madeirinha (RO/ MT), Vale do Javari e Purus(AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, quatro grupos já contatados continuam conhecidos pela Funai como &amp;quot;isolados&amp;quot;, recebendo dela assistência diferenciada. São eles os Kanoê e os Akuntsu, de Rondônia; os Zo'é, do Pará, e um pequeno grupo Korubo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os povos indígenas ajudam a preservar a natureza? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de não serem &amp;quot;naturalmente ecologistas&amp;quot;, os índios têm consciência da sua dependência – não apenas física, mas, sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente. Em função disso, desenvolvem formas de manejo dos recursos naturais que têm sido fundamentais para a preservação da cobertura florestal no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de um fato visível nas regiões onde o desmatamento tem avançado com maior rapidez, como nos estados do Mato Grosso, Rondônia e sul do Pará. Em levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), por exemplo, as Terras Indígenas aparecem como verdadeiros oásis de florestas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É fato que muitos povos indígenas, como os Suruí, Cinta-Larga e os Kayapó, tenham se atrelado ativamente a formas predatórias de exploração dos recursos naturais, hoje em vigor na Amazônia, fazendo alianças principalmente com empresas madeireiras. Todavia, é preciso reconhecer que eles as fizeram por terem passado por pressões concretas, contínuas, ilegais e como sócios menores desses negócios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem já pensou nos índios como homens &amp;quot;naturais&amp;quot;, defensores inatos da natureza, &amp;quot;naturalistas&amp;quot; está a um passo de vê-los como mera extensão do meio ambiente: deveriam, portanto, ser &amp;quot;conservados&amp;quot; e mantidos à distância do mundo &amp;quot;civilizado&amp;quot;. Essa visão deriva, no entanto, de uma concepção da natureza que é própria ao mundo ocidental: natureza como algo que deve permanecer intocado, alheio à ação humana. Mas o que os próprios povos indígenas têm a dizer sobre o assunto é bem diferente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As concepções da natureza certamente variam bastante conforme o povo indígena que consideremos. Porém, se algo parece comum a todos eles, é o fato de que a natureza está sempre em interação com a ação humana, não sendo jamais intocada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Devo escrever &amp;quot;os Yanomami&amp;quot; ou &amp;quot;os ianomâmis&amp;quot;? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por serem ágrafos (ou seja, não possuírem escrita) nos tempos da &amp;quot;atração e pacificação&amp;quot;, os povos indígenas foram (e continuam sendo) &amp;quot;batizados&amp;quot; por escrito por &amp;quot;brancos&amp;quot;, num processo que deu (e ainda dá) margem a muitas confusões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma grande variabilidade na maneira de grafar os nomes dos povos indígenas. Convivem padrões diferentes, às vezes criados por funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), outras por antropólogos e, mais recentemente, até mesmo por Manuais de Redação de grandes órgãos da imprensa brasileira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como as línguas indígenas têm sons que não encontram representação direta nas letras do alfabeto brasileiro, os antropólogos são obrigados a recorrer a outras letras e combinações de letras. Buscam, então, usar letras cuja interpretação sonora se aproxime do alfabeto fonético internacional, usado pelos lingüistas de todo o mundo, e não do alfabeto brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As discordâncias ortográficas sobre os nomes de povos indígenas costumam opor antropólogos a Manuais de Redação de grandes jornais. Mas, nesse assunto, não há consenso nem mesmo entre os próprios antropólogos. As maiores polêmicas dizem respeito ao uso (ou não) de maiúsculas iniciais e da forma plural para os nomes das etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para muitos, quando a denominação de um povo aparece com função de adjetivo, não haveria porque não escrevê-la com minúscula (língua guarani, por exemplo). Já quando aparece como substantivo gentílico, seria mais adequado mantê-la com maiúscula, porque, se é verdade que essas etnias não têm países (como os franceses, a França), também é certo que seus nomes são designativos de uma coletividade única, de uma sociedade, de um povo, e não apenas de uma somatória de pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqueles que defendem a não-flexão do plural ancoram-se na justificativa de que, na maioria dos casos, sendo os nomes palavras em língua indígena, acrescentar um s resultaria em hibridismo. Além do mais, há a possibilidade de as palavras já estarem no plural, ou, ainda, de que a própria forma plural não exista nas línguas indígenas correspondentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Manuais de Redação, por outro lado, têm imposto um aportuguesamento da grafia dos nomes das tribos, proibindo o uso de letras como w, y, k (!) e certos grupos de letras não existentes em português, como sh. Esse critério não tem consistência, assim como grafar os nomes sempre em minúsculas ou flexionar o número (singular/ plural) mas não o gênero (masculino/ feminino). Por exemplo, se krahô se deve escrever craô, então Kubitscheck deveria ser escrito Cubicheque, Geisel, Gáisel. Por que o mesmo manual que recomenda grafar ianomâmi e os ianomâmis, veta a flexão por gênero, quando a palavra tem função de adjetivo (&amp;quot;mulheres ianomâmis&amp;quot; e não &amp;quot;mulheres ianomamas&amp;quot;), resultando num aportuguesamento pela metade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como faço para entrar em contato com os índios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A melhor maneira de entrar em contato com os povos indígenas é acessar seus sites e falar diretamente com seus representantes. Na seção Iniciativas Indígenas, apresentamos uma lista com [[Web indígena | sites de povos indígenas situados no Brasil]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Perguntas frequentes}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-09-10}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&amp;lt;/http:&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Quem_somos&amp;diff=6633</id>
		<title>Quem somos</title>
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		<updated>2019-10-28T19:54:38Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: Atualização de colaboradores e equipe&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Quem somos?}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O '''programa Povos Indígenas no Brasil''' é a herança mais sólida que o ISA recebeu do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação). A conformação desse trabalho remonta ao início dos anos 70. No auge da ditadura militar, o lançamento do Plano de Integração Nacional pelo governo brasileiro implicou a implantação de projetos econômicos e estradas na Amazônia, assolando territórios de povos indígenas ainda isolados da sociedade nacional. Naquela época, a situação dos índios era desconhecida por parte da opinião pública, do Estado implementador de políticas públicas e da própria antropologia, cujos especialistas dispunham de informações desatualizadas, parciais e desiguais sobre um arco reduzido de povos indígenas da Amazônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse contexto que começou a se consolidar uma extensa rede de colaboradores, voluntários, não só para “colocar os índios no mapa do Brasil”, mas também para apoiá-los em seus projetos. São pesquisadores, indigenistas, missionários, índios, médicos, jornalistas, fotógrafos, entre outros, que seguem apoiando o ISA nas atividades para dar visibilidade aos povos indígenas por meio de informações qualificadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1997 elaboramos e disponibilizamos o site Povos Indígenas no Brasil - parte do portal do Instituto Socioambiental (ISA) - com informações sobre os povos e a temática indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criado com o propósito de reunir verbetes com informações e análises de todos os povos indígenas que habitam o território nacional, além de textos, tabelas, gráficos, mapas, listas, fotografias e notícias sobre a realidade desses povos e seus territórios, este site vem sendo, no decorrer destes anos, repensado e aprimorado por diferentes parceiros e colaboradores do programa Povos Indígenas no Brasil. Com apoio da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.noruega.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Embaixada da Noruega&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cafod.org.uk&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;CAFOD&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, este site foi desenvolvido e é mantido por:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Equipe atual==&lt;br /&gt;
; Editora responsável&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
: Mariana Spagnuolo Furtado&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Silvio Carlos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Equipe (histórico) ==&lt;br /&gt;
; Editora responsável&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Ana Cecilia Venci Bueno&lt;br /&gt;
: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Carlos Alberto (Beto) Ricardo&lt;br /&gt;
: Fernando Fedola L. B. Vianna&lt;br /&gt;
: Julia Trujillo Miras Costa&lt;br /&gt;
: Júlio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
: Marta Amoroso&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Valéria Macedo&lt;br /&gt;
: Leandro Mahalem de Lima&lt;br /&gt;
: Luis Roberto de Paula&lt;br /&gt;
: Luisa Setton&lt;br /&gt;
: Majoí Fávero Gongora&lt;br /&gt;
: Marcos Pereira Rufino&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Rogério do Pateo &lt;br /&gt;
: Victoria Franco Martins Barreira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Alex Piaz&lt;br /&gt;
: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Eduardo Ultima&lt;br /&gt;
: Gabriella Contoli [produção e edição web]&lt;br /&gt;
: João Ricardo Rampinelli Alves&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autores e colaboradores dos verbetes ==&lt;br /&gt;
:Adelino de Lucena Mendes&lt;br /&gt;
:Aisanain Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Alexandre Herbetta&lt;br /&gt;
:Aloisio Cabalzar&lt;br /&gt;
:Ana Vilacy Galucio&lt;br /&gt;
:Ananda Conde&lt;br /&gt;
:André Ramos&lt;br /&gt;
:André Toral&lt;br /&gt;
:André Villas-Bôas&lt;br /&gt;
:Anthony Seeger&lt;br /&gt;
:Antonio Brito&lt;br /&gt;
:Aparecida Villaça&lt;br /&gt;
:Aristóteles Barcelos Neto&lt;br /&gt;
:Artionka Capiberibe&lt;br /&gt;
:Beatriz de Almeida Matos&lt;br /&gt;
:Benedito Maciel&lt;br /&gt;
:Beth Conklin&lt;br /&gt;
:Betty Mindlin&lt;br /&gt;
:Bruce Albert&lt;br /&gt;
:Bruna Franchetto&lt;br /&gt;
:Carlos Alberto dos Santos Dutra&lt;br /&gt;
:Carlos Augusto da Rocha Freire&lt;br /&gt;
:Carlos Fausto&lt;br /&gt;
:Carlos Guilherme do Valle&lt;br /&gt;
:Carmen Junqueira&lt;br /&gt;
:Carmen Lucia da Silva&lt;br /&gt;
:Caroline Mendonça&lt;br /&gt;
:Cesar Gordon&lt;br /&gt;
:Cloude de Souza Correia&lt;br /&gt;
:Cácio Silva&lt;br /&gt;
:Debra S. Picchi&lt;br /&gt;
:Denise Fajardo Grupioni&lt;br /&gt;
:Domingos Bueno da Silva&lt;br /&gt;
:Dominique T. Gallois&lt;br /&gt;
:Edilene Coffaci de Lima&lt;br /&gt;
:Edir Pina de Barros&lt;br /&gt;
:Edmundo Antonio Peggion&lt;br /&gt;
:Eduardo Viveiros de Castro&lt;br /&gt;
:Elaine Moreira-Lauriola&lt;br /&gt;
:Elisabeth Forseth&lt;br /&gt;
:Ellen Basso&lt;br /&gt;
:Elsje Maria Lagrou&lt;br /&gt;
:Ely Souza Estrela&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Eric Macedo&lt;br /&gt;
:Evelyn Schuler Zea&lt;br /&gt;
:Fabiana Maizza&lt;br /&gt;
:Fabio Mura&lt;br /&gt;
:Fabíola Andréa Silva&lt;br /&gt;
:Felipe Ferreira Vander Velden&lt;br /&gt;
:Flavio Braune Wiik&lt;br /&gt;
:Gabriel Coutinho Barbosa&lt;br /&gt;
:Gabriel Sanchez&lt;br /&gt;
:Geraldo Andrello&lt;br /&gt;
:Gilberto Azanha&lt;br /&gt;
:Gilton Mendes dos Santos&lt;br /&gt;
:Giovana Acácia Tempesta&lt;br /&gt;
:Giovani José da Silva&lt;br /&gt;
:Gustaaf Verswijver&lt;br /&gt;
:Hein van der Voort&lt;br /&gt;
:Henyo Trindade Barretto Filho&lt;br /&gt;
:Hilton Nascimento&lt;br /&gt;
:Iara Ferraz&lt;br /&gt;
:Ione Vasconcelos&lt;br /&gt;
:Isabelle Vidal Giannini&lt;br /&gt;
:Jeremy Deturche&lt;br /&gt;
:Joana Aparecida Fernandes Silva&lt;br /&gt;
:Joana Miller&lt;br /&gt;
:Joceny de Deus Pinheiro&lt;br /&gt;
:Jorge Eremites de Oliveira&lt;br /&gt;
:Jorge Hernández Díaz&lt;br /&gt;
:Jorge Pozzobon (1955-2001)&lt;br /&gt;
:Joshua Birchall&lt;br /&gt;
:José Eduardo Moreira da Costa&lt;br /&gt;
:José Glebson Vieira&lt;br /&gt;
:José Luiz de Souza&lt;br /&gt;
:José Maurício Arrutti&lt;br /&gt;
:José Pimenta&lt;br /&gt;
:João Dal Poz&lt;br /&gt;
:Juliana Schiel&lt;br /&gt;
:Julio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
:Jurema Machado de Andrade Souza&lt;br /&gt;
:Kanawayuri Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental&lt;br /&gt;
:Karin Maria Véras&lt;br /&gt;
:Kimiye Tommasino&lt;br /&gt;
:Klinton Senra&lt;br /&gt;
:Kênia Gonçalves Itacaramby&lt;br /&gt;
:Lars Lovold&lt;br /&gt;
:Laura Graham&lt;br /&gt;
:Laura Pérez Gil&lt;br /&gt;
:Laércio Nora Bacelar&lt;br /&gt;
:Louis Carlos Forline&lt;br /&gt;
:Luciana Storto&lt;br /&gt;
:Luciene Pohl&lt;br /&gt;
:Luiz Costa&lt;br /&gt;
:Lux Vidal&lt;br /&gt;
:Luís Roberto de Paula&lt;br /&gt;
:Lúcia Andrade&lt;br /&gt;
:Manuel Ferreira Lima Filho&lt;br /&gt;
:Marcela Coelho de Souza&lt;br /&gt;
:Marcelo Simão Mercante&lt;br /&gt;
:Marco Antonio Gonçalves&lt;br /&gt;
:Maria Auxiliadora Cruz De Sá Leão&lt;br /&gt;
:Maria Carmen R. Do Vale&lt;br /&gt;
:Maria Cristina Troncarelli&lt;br /&gt;
:Maria Elisa Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Hilda Baqueiro Paraiso&lt;br /&gt;
:Maria Inês Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Odileiz Sousa Cruz&lt;br /&gt;
:Maria Rosário Carvalho&lt;br /&gt;
:Maria Sylvia Porto Alegre&lt;br /&gt;
:Mariana Ciavatta Pantoja&lt;br /&gt;
:Marilene da Silva Ribeiro&lt;br /&gt;
:Marlinda Melo Patrício&lt;br /&gt;
:Marta Amoroso&lt;br /&gt;
:Marília Facó Soares&lt;br /&gt;
:Miguel Carid Naveira&lt;br /&gt;
:Márcio Meira&lt;br /&gt;
:Márnio Teixeira-Pinto&lt;br /&gt;
:Mônica Thereza Soares Pechincha&lt;br /&gt;
:Nicole Soares Pinto&lt;br /&gt;
:Nilson Gabas Jr.&lt;br /&gt;
:Oiara Bonilla&lt;br /&gt;
:Organização Metareilá do Povo Indígena Paiter&lt;br /&gt;
:Oscar Calavia Sáez&lt;br /&gt;
:Patrick Menget&lt;br /&gt;
:Patrícia de Mendonça Rodrigues&lt;br /&gt;
:Paula Morgado&lt;br /&gt;
:Paulo Santilli&lt;br /&gt;
:Paulo Serpa&lt;br /&gt;
:Pedro Lolli&lt;br /&gt;
:Peter Schröder&lt;br /&gt;
:Priscila Faulhaber&lt;br /&gt;
:Raquel Guirardello&lt;br /&gt;
:Regina Polo Müller&lt;br /&gt;
:Ricardo Burg Mlynarz&lt;br /&gt;
:Ricardo Cid Fernandes&lt;br /&gt;
:Rinaldo S.V. Arruda&lt;br /&gt;
:Rita Heloísa de Almeida&lt;br /&gt;
:Rita de Cássia M. Neves&lt;br /&gt;
:Robin Wright&lt;br /&gt;
:Rodrigo Padua Rodrigues Chaves&lt;br /&gt;
:Rodrigo de Azeredo Grünewald&lt;br /&gt;
:Roque de Barros Laraia&lt;br /&gt;
:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida&lt;br /&gt;
:Ruben Caixeta de Queiroz&lt;br /&gt;
:Samuel Cruz&lt;br /&gt;
:Sarah Miranda&lt;br /&gt;
:Sebastian Drude&lt;br /&gt;
:Sheila Brasileiro&lt;br /&gt;
:Stela Azevedo de Abreu&lt;br /&gt;
:Stephen Hugh-Jones&lt;br /&gt;
:Susana de Matos Viegas&lt;br /&gt;
:Sônia da Silva Lorenz&lt;br /&gt;
:Tarsila dos Reis Menezes&lt;br /&gt;
:Thomas Gregor&lt;br /&gt;
:Tânia Stolze Lima&lt;br /&gt;
:Ugo Maia Andrade&lt;br /&gt;
:Vanessa Caldeira&lt;br /&gt;
:Vera Lúcia Calheiros Mata&lt;br /&gt;
:Virgínia Valadão (1952-1998)&lt;br /&gt;
:Vânia Fialho&lt;br /&gt;
:Wallace de Deus Barbosa&lt;br /&gt;
:Waud Kracke&lt;br /&gt;
:William Balée&lt;br /&gt;
:William H. Crocker&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Quem somos}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-10-06}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Av%C3%A1-Canoeiro&amp;diff=6632</id>
		<title>Povo:Avá-Canoeiro</title>
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		<updated>2019-10-23T19:00:02Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: correção de autoria e data das fotos, à pedido de André Toral&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Somente a partir da década de 1970 parte dos Avá-Canoeiro passaram a ter contato permanente com a sociedade envolvente. Alguns grupos, porém, continuam isolados. O quadro atual desse povo é bastante crítico, devido ao pequeno número de pessoas e à precariedade das condições de vida a que estão sujeitas. Sua capacidade de adaptação tem sido sua maior arma na sobrevivência, já que, desde o início do século XIX, a ocupação de seu território tradicional por fazendas, garimpos, vilas e cidades obrigaram os Avá-Canoeiro a deslocamentos contínuos por diversos ecossistemas e contextos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome, língua e localização ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São também chamados de &amp;quot;Cara-Preta&amp;quot;. Do século XVIII até 1960 eram designados como &amp;quot;Canoeiro&amp;quot;, simplesmente. No século XIX, tinham ainda denominação &amp;quot;Carijó&amp;quot;. O nome Avá-Canoeiro surgiu no início da década de 1970, durante os trabalhos de contato com o grupo que habita a região do rio Araguaia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Avá-Canoeiro falam uma língua da família Tupi-Guarani, do tronco Tupi. Existem diferenças dialetais entre os grupos da região do rio Araguaia e do rio Tocantins.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem atualmente dois grupos Avá-Canoeiro vivendo em contato permanente com a sociedade nacional. Em Goiás, localizam-se na Terra Indígena Avá-Canoeiro, nos municípios de Minaçu e Colinas do Sul. Na região da bacia do Araguaia, moram na aldeia Boto Velho ou Inãwebohona, na TI de mesmo nome; no Posto Indígena Canoanã e na TI Parque do Araguaia, nos municípios de Formoso do Araguaia, Lagoa da Confusão, Sandolândia e Pium.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além desses grupos do rio Tocantins e do rio Araguaia, existem outros dois ainda não contatados pela Funai. Um deles provavelmente se desloca pela região serrana dos formadores do alto rio Tocantins (GO) e o segundo deve habitar o norte da Ilha do Bananal (TO), no interior da TI Parque do Araguaia. &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Foto: Mario Chimanovitch, 1973|http://img.socioambiental.org/d/209756-1/ava_canoeiro_2.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os estudos lingüísticos e históricos feitos por Nimuendajú em 1914 (apud Baldus,1970:71) e por Rivet (1924:172) afirmam que os Avá-Canoeiro são descendentes dos Carijó de São Paulo, que teriam sido trazidos para Goiás em 1724 ou 1726. A bandeira de Bartolomeu Bueno, filho do Anhanguera, trouxe-os para auxiliarem na defesa contra os índios habitantes do território e trabalharem na mineração. Com o colapso da bandeira, os Avá-Canoeiro teriam recuperado sua existência como grupo autônomo, mas permaneceram no território goiano. No entanto, estudoslingüísticos mais recentes, feitos por Aryon D'Alligna Dall'Igna Rodrigues, afirmam que a língua dos Avá-Canoeiro tem mais ligação com dialetos da família Tupi-Guarani do norte do país, o que contraria a explicação da origem meridional do grupo e que põe em dúvida também a adequação da denominação &amp;quot;carijó&amp;quot;, que era o nome dos Guarani do litoral sul aprisionados pelos paulistas e levados para o interior nas expedições bandeirantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os primeiros registros do contato ocorreram no início do século XIX, quando a localização dos &amp;quot;Canoeiro&amp;quot; era dada em função de sua distribuição ao longo do rio Tocantins e seus afluentes. Os cronistas fazem referência a conflitos do grupo com habitantes regionais, como fazendeiros e garimpeiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 1820, os Canoeiro passam a ser encontrados não apenas nos rios, mas também nas altas montanhas que ficam entre o rio Maranhão e os povoados de Santa Tereza e Amaro Leite; além de algumas aldeias no rio Canabrava e outros lugares. Os Canoeiro continuaram suas relações hostis com a população regional, fazendo com que diversos governos da Província dirigissem contra o grupo inúmeras expedições oficiais. Sua localização era crucial na incipiente ocupação do território goiano nesse período, já que situavam-se em plena área de expansão da pecuária e em meio à rota de contato (o rio Tocantins) que ligava os dois mais importantes pólos de desenvolvimento regionais (a capital da província e Porto Real, hoje Porto Nacional).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação aos conflitos cada vez mais violentos, alguns grupos Canoeiro iniciaram, entre 1844 e 1865, um processo de deslocamento em direção ao Araguaia (Rivet,1924:175). Até o término do século, já tinham atingido as proximidades da Ilha do Bananal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Foto: André Toral, 1980|http://img.socioambiental.org/d/209758-1/ava_canoeiro_3.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Parte do grupo, no entanto, permaneceu na região goiana, perambulando entre as montanhas escarpadas e de difícil acesso da região. Dessa maneira, no início do século XX os Canoeiro distribuíam-se em uma extensa área desde os sopés da serra Dourada até o interior e leste da Ilha do Bananal. Separados, os grupos do Araguaia e do Tocantins passam a ter histórias diferenciadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos do alto Tocantins permaneceram, entre 1940 e 1998, nos municípios de Santa Tereza, Cavalcante e Campinaçu. Nesse período, prosseguiram os conflitos armados com fazendeiros e demais ocupantes da região. A primeira frente de atração oficial para esses grupos iniciou seus trabalhos por volta de 1946, com a fundação, pelo CNPI (Conselho Nacional de Proteção ao Índio), do Posto Canoeiro na serra das Trombas, na região do rio Canabrava. Segundo seus participantes, nessa época os índios teriam suas aldeias na região de Dueré, Natividade e Peixe. A frente construiu estradas, alegou manter contatos visuais com índios, iniciou a entrega supostamente bem sucedida de brindes; mas não conseguiu estabelecer nenhum contato mais concreto com os Avá-Canoeiro. É provável que os serviços dessa primeira frente tenham sido desativados em 1950.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trabalhos de atração só seriam reiniciados em 1969, depois que fazendeiros dos municípios de Cavalcante e Niquelândia reclamaram providências à Funai pelo abate de gado praticado pelos Avá-Canoeiro. Segundo os fazendeiros, os índios usavam lanças com pontas de ferro e eram chamados de &amp;quot;quilombos&amp;quot; na região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As frentes de atração da Funai permaneceram operando durante a década de 70, sem conseguir nenhum contato com os índios e cercadas de denúncias de corrupção e envolvimento de funcionários na compra e venda irregular de terras então ocupadas pelos Avá-Canoeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a Funai prosseguia sua ineficiente atuação, diversos fazendeiros pagavam ou mantinham grupos de jagunços armados para &amp;quot;limpar&amp;quot; a área. Data dessa época o abandono das aldeias que o grupo mantinha próximas aos córregos Jacira, Descobertas, Limeira, Boa Nova e Abaixo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De todos os ataques recebidos, um que se deu por volta de 1966 foi especialmente violento. Fazendeiros e moradores conseguiram surpreender uma aldeia inteira, matando cerca de 15 pessoas, a maioria de seus componentes, e dispersando os sobreviventes. Os corpos das vítimas foram postos numa das habitações, que foi incendiada. Estranhamente, nenhuma notícia foi veiculada pela frente de&lt;br /&gt;
atração para a delegacia da Funai ou para a Imprensa. Devido a esses ataques, a maior parte dos Avá-Canoeiro da Mata do Café se dirigiu para o leste, cruzando o rio Maranhão e buscando refúgio nas serras do município de Cavalcante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trabalhos da frente de atração da Funai no alto Tocantins prolongaram-se inutilmente até a década de 1980. Em outubro de 1983, um grupo Avá-Canoeiro, remanescente da aldeia da Mata do Café, formado por duas mulheres, uma menina e um menino, resolveram fazer contato com regionais. Em abril de 1985, o antropólogo André Toral, autor deste verbete e então chefe da Frente de Atração, e o delegado da Ajudância de Araguaína, conseguiram a interdição da Área Indígena Avá-Canoeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, os Avá-Canoeiro do alto Tocantins encontram-se divididos em dois grupos. O que foi contatado em 1983 vive próximo ao Posto de Atração. O outro grupo, arredio, perambula pela AI Avá-Canoeiro e pelo interflúvio dos rios Preto e Bagagem, nas serras próximas ao rio Maranhão. O ponto de dispersão deste grupo parece ser o mesmo dos outros arredios e contatados do alto Tocantins: a Mata do Café e as serras do municípios de Niquelândia, Cavalcante e Minaçu, ao longo do alto rio Tocantins, de onde teriam saído no final da década de 1970.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação aos grupos do Araguaia, as primeiras tentativas de se estabelecer contato se deram por volta de 1940, quando o bispo D. Sebastião Tomaz, da Prelazia de Conceição do Araguaia, fez uma tentativa frustada de aproximação pacífica com os Avá-Canoeiro da Ilha do Bananal, tendo estes lhe atirado algumas flechas, reafirmando seu desejo de se manterem isolados. As tentativas só seriam retomadas 30 anos depois pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No primeiro semestre de 1974, oito Avá-Canoeiro foram contatados e transferidos para o Posto Indígena Canoanã. Carentes de recursos, os funcionários do Posto não puderam evitar a morte de três índios por gripes e outras moléstias nesse mesmo ano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em l988, esse grupo foi transferido para a área interditada Avá-Canoeiro, no alto rio Tocantins (GO). A experiência de reunião dos grupos não deu certo e, pouco tempo depois, o grupo do Araguaia já havia retornado ao Posto Indígena Canoanã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Foto: André Toral, 1980|http://img.socioambiental.org/d/209760-1/ava_canoeiro_4.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos anos, os Avá-Canoeiro do Tocantins têm sofrido o impacto da hidrelétrica de Serra da Mesa, operada por Furnas Centrais Elétricas S.A., subsidiária da Eletrobrás. A hidrelétrica é vizinha e contígua à TI Avá-Canoeiro. Por meio de um convênio celebrado com a Funai, Furnas deve creditar mensalmente o equivalente a 2% do valor a ser distribuído à título de royalties aos municípios inundados pelo reservatório da hidrelétrica. Os recursos são administrados pela Funai, com a interveniência do Ministério Público Federal, até que a comunidade indígena seja considerada em condições de administrá-los diretamente. Além da área inundada de parte da Terra Indígena, esta ainda é cortada por estradas, linhas de alta tensão e outras obras da hidrelétrica Serra da Mesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Avá-Canoeiro do Araguaia que permaneceram arredios continuam se deslocando na região. As notícias mais recentes localizam-nos no interior da Ilha do Bananal, na parte norte da Mata do Mamão. A inexistência de iniciativas oficiais de efetivamente encontrá-los deixa-os expostos à ação de criminosos, sem que a Funai ou a sociedade nacional tomem conhecimento.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Situação atual da terra ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Avá-Canoeiro do Araguaia contatados encontram-se vivendo no Posto Indígena Canoanã, no interior da TI Parque do Araguaia, localizado às margens do rio Javaés, na Ilha do Bananal, sudeste do estado de Tocantins. O Parque é vinculado ao Ibama e preenche, aproximadamente, o terço norte da Ilha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Avá-Canoeiro ainda sem contato permanente encontram-se vivendo no norte da Ilha do Bananal, nas áreas do Parque Indígena e do Parque Nacional do Araguaia. Em 1991, a Funai iniciou o processo de desinstrusão do Parque Indígena do Araguaia, totalmente ocupado por retireiros (que ordenham gado) e pequenos criadores. Dos cerca de 900 ocupantes e invasores, restam aproximadamente 208, na maioria reunidos na parte sul da Ilha do Bananal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de regularização das terras dos Avá-Canoeiro do Tocantins teve início por meio da portaria assinada pelo presidente da Funai em 8 de abril de 1985, que interditou, para fins de atração, uma área localizada nos municípios de Cavalcante e Minaçu (GO). A portaria destinava-se a preservar as áreas de perambulação dos Avá-Canoeiro ainda arredios e a área então ocupada pelo grupo que fez o contato em 1983. Posteriormente, por meio de uma portaria assinada pelo ministro da Justiça em 2 de outubro de 1996, a área denominada Terra Indígena Avá-Canoeiro foi declarada como de posse permanente dos índios. A área encontra-se, no entanto, invadida por um grande número de ocupantes, que esperam a indenização para se retirarem [dados de 1998].&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== População ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1998 havia 15 indivíduos Avá-Canoeiro contatados e estimava-se que houvessem 25 pessoas ainda sem contato permanente com a população brasileira. Entre os já contatados, o grupo do Araguaia possuia 9 membros com as seguintes características:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;População Avá-Canoeiro no Araguaia&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;'''Nome'''&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;'''Idade aproximada'''&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;'''Sexo'''&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tutau&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;65&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;M&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tatxía&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;65&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;F&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makakira Kaokama&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;40&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;F&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Agademi&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;30&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;M&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Txiele&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;20&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;F&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Davi&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;22&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;M&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sirlene&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;menos de 15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;F&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Diogo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;menos de 15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;M&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Brena&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;menos de 15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;F&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
O grupo do Tocantins, com 6 pessoas, possuia o seguinte perfil:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;População Avá-Canoeiro no Tocantins&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;'''Nome'''&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;'''Idade aproximada'''&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;'''Sexo'''&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mátxa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;55&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;F&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nakwátxa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;55&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;F&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tuie&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;26&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;F&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Iawi&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;30&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;M&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Trumak&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;menos de 15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;M&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Putitxawa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;menos de 15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;F&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os sem contato com a Funai, a estimativa era que o grupo do alto Tocantins tivesse dez pessoas e o do Araguaia quinze membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De uma maneira geral, a população Avá-Canoeiro, que ao todo provavelmente nunca ultrapassou 300 pessoas, sofreu a maior queda no seu número entre l960 e l970, quando foi encurralada pelo processo de ocupação dos estados de Goiás e Tocantins.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o pequeno número atual de remanescentes, no entanto, vai conseguir sobreviver como grupo indígena e como comunidade autônoma é uma questão ainda sem resposta. Historicamente, os bandos Avá-Canoeiro conseguiram sobreviver isoladamente mesmo com contingente populacionais menores. Os mais jovens, no entanto, ressentem- se muito do isolamento da região onde vivem atualmente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modo de vida e uso dos recursos naturais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferente do que se poderia supor, o regime de intenso nomadismo é uma contingência histórica que atingiu os grupos Avá-Canoeiro em épocas diversas e com resultados também diferentes. Nada indica que seja um grupo com uma cultura plenamente adaptada a esse regime. Ao contrário, tudo leva a crer que se trate de um grupo com formas de subsistência - como agricultura combinada com caça, coleta e abates de caça - que indicam um nomadismo sazonal, muito distante do regime de contínuos deslocamentos a que vem sendo forçados nos últimos cem anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos do alto Tocantins, obrigados a deslocamentos há pelo menos quatro décadas, suspendem a prática de atividades como agricultura e cerâmica, reiniciando-as quando se lhe oferecem condições. Já os descendentes dos grupos que saíram em direção ao Araguaia por volta de 1840-60 não cultivam nenhuma espécie vegetal, vivendo exclusivamente de caça, coleta e da pilhagem das roças e rebanhos regionais. Atividades não compatíveis com a vida nômade foram esquecidas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao contrário dos grupos do Tocantins, os do Araguaia abandonaram atividades de cerâmica, música com flautas, fabrico de cachimbos e o tabagismo. Comparando os dois grupos‚ conclui-se que os Avá-Canoeiro há mais tempo em deslocamento contínuo, como os do Araguaia, perderam e/ou deixaram temporariamente de fazer uma série de itens de sua cultura material. Deve-se destacar, no entanto, a grande capacidade de adaptação desse povo, já que a variedade de ecossistemas e contextos que habitaram é muito grande.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua cultura material restringe-se a algumas poucas dezenas de itens, dos quais os únicos que não possuem função eminentemente prática são os instrumentos musicais e cachimbos. A pintura corporal e a plumária praticamente desapareceram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, os Avá-Canoeiro incorporaram uma série de elementos de proveniência brasileira à sua cultura material, principalmente alimentos e artigos de metal. Provavelmente tal incorporação tenha ocorrido antes de sua introdução em território goiano e de caracterizarem-se como grupo isolado. Quando apartados do convívio com a sociedade colonial, a aquisição de tais produtos passou a ser problemática. Recorriam com freqüência a roubos, assaltos e mesmo pilhagens. Atualmente, limitam-se a furtos ou aproveitamento dos restos de produtos de metal que a população abandona, como carcaças de carro, latas e outros produtos de metal que encontram em depósitos de lixo na periferia de cidades, fazendas e povoações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A utilização de instrumentos e ferramentas de metal é tradicional no grupo. Desenvolveram técnicas de trabalhar o metal à frio, dando-lhe a forma apropriada para a função a que se destina. Assim, feixes velhos de molas de carros abandonados transformam-se em lâminas de facões rústicos, tambores de gasolina em pontas de flechas, pregos de cerca em furadores, anzóis etc. As flechas com ponta de metal talvez sejam o mais característico produto da manufatura Avá-Canoeiro, conhecidas e registradas por diversos autores desde o início do século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros artefatos de sua cultura material revelam a proximidade com materiais advindos da cultura regional. O abate de gado e de eqüinos era tão freqüente que deu origem a toda uma série de artigos feitos de couro, chifre, cascos, crinas, cordas velhas, pedaços de tecido, sal (que encontram em mangedouras nos pastos), fios de nylon, sacos, instrumentos e produtos agrícolas que encontram em abrigos dos regionais nas roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por sua estreita ligação com todos esses produtos e pela importância da criação e das roças regionais nas sua alimentação, chega-se a duvidar que os deslocamentos Avá-Canoeiro tenham como objetivo o isolamento total em relação à população regional. Parece mais provável que seu objetivo fosse o de encontrar uma região onde pudessem manter uma posição intermediária em relação à sociedade nacional: nem totalmente isolados, nem totalmente próximos. Seu habitat, num passado recente, deveria conjugar essas duas premissas aparentemente contraditórias: perto dos brancos para disporem de seus recursos, mas numa zona de ocupação rarefeita, de maneira que pudessem encontrar refúgio em caso de perseguição. Sob a ótica Avá-Canoeiro, a região ideal também deveria oferecer-lhes uma oferta permanente de caça e coleta.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social e território ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Foto: André Toral, 1980|http://img.socioambiental.org/d/209762-1/ava_canoeiro_5.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como estratégia de sobrevivência, os Avá-Canoeiro vivem em pequenos grupos com alta mobilidade que se deslocam sobre grandes extensões do centro-oeste brasileiro, nos estados de Tocantins e Goiás. Nesse sentido, não se distinguem de outros grupos Tupi, como os Guajá do Maranhão e outros, forçados por contingências históricas a um eterno deslocamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Avá-Canoeiro oscilam entre dois tipos de regimes de subsistência. Nenhum dos dois pressupõe, no entanto, independência e isolamento total dos recursos da sociedade regional. O primeiro aponta para um isolamento maior, combinado com certo grau de fixação a uma região definida. O segundo grupo pressupõe rigoroso nomadismo e maior dependência dos recursos da população regional, de suas roças e rebanhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro tipo de regime de subsistência era praticado na área do alto rio Tocantins, em épocas anteriores à década de 1970, quando foram deslocados das férteis matas da região. Praticavam a agricultura em terras de mata alta combinadas com a caça e a coleta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos do Araguaia, ao contrário dos grupos do Tocantins, abandonaram por completo a atividade agrícola, adotando um intenso nomadismo, com abates constantes de gado e eqüinos. Depois do contato em 1973, os Avá-Canoeiro instalados no Posto indígena Canoanã não desenvolveram nenhuma atividade agrícola. Ao contrário, até o final da década de 1980, quando tinham fome era comum que os mais velhos voltassem às suas práticas costumeiras, abatendo gado das fazendas vizinhas, a julgar pelas reclamações dos proprietários e dos funcionários da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grupo do alto Tocantins tem uma atitude diferente em relação às atividades agrícolas. O local onde foram instalados logo após o contato em 1983, no córrego do Macaco, por exemplo, foi escolhido por eles mesmos, em grande parte por ser local de antigos roçados, como o provam os muitos claros preexistentes nas matas, antes da derrubada promovidas pelo funcionários da Funai. De maneira independente, fizeram também grandes derrubadas numa ravina a uns 800 metros do Posto, separada das roças da Funai, dedicadas ao plantio de milho, arroz e feijão. Embora de maneira irregular, cumpriam todas as tarefas do calendário agrícola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a atitude do grupo do Araguaia em relação aos trabalhos agrícolas parece ser a de pessoas de tal modo adaptados à vida nômade, que jamais, em toda sua existência em isolamento, praticaram qualquer tipo de agricultura. Descendentes dos que saíram há mais de um século da região do alto Tocantins, eles são provavelmente a quinta ou sexta geração de homens e mulheres a viverem em intensa movimentação, não praticando atividades, como a agricultura e cerâmica, incompatíveis com o tipo de nomadismo exercido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O abate de animais, embora se intensifique quando os grupos se encontram em contínua movimentação, nem por isso cessa quando essa movimentação diminui o suficiente para o estabelecimento de pequenos roçados. O minúsculo grupo formado por três mulheres e um rapaz, não obstante sua fragilidade frente aos numerosos moradores da região do alto Tocantins, até pouco tempo antes do contato perseguia a criação regional, dando cabo de numerosos porcos e galinhas e pilhando diversas roças ao longo do tempo da peculiar coexistência com a população regional. O grupo do Araguaia, imediatamente após o contato em 1973, abatiam e comiam um boi a cada três dias do rebanho da fazenda Canuanã S.A. (OESP, 24.01.1974), o que certamente era uma média anormal favorecida pela excepcionalidade do contato recente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do contato, via de regra, não contam mais com a clandestinidade que lhes permitia o abate de animais e a pilhagem de roças. A permanência junto ao Posto impossibilita os índios de conseguirem alimentação conforme faziam no passado, o que os coloca na dependência dos funcionários governamentais. Do ponto de vista Avá-Canoeiro parece haver, conseqüentemente, uma expectativa clara de serem alimentados por esses funcionários, que procuram impedir que consigam sua alimentação da maneira tradicional. A lógica do pensamento dos Avá-Canoeiro recém-contatados parece ser: &amp;quot;se vocês (funcionários da Funai) procuram nos impedir de procurarmos nossa alimentação tal como vínhamos fazendo, então cuidem para que não passemos fome&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, as iniciativas dos funcionários da Funai de não alimentá-los e de insistir para que mantivessem suas roças e para que caçassem por conta própria não eram entendidas pelos Avá-Canoeiro como forma de dar-lhes mais autonomia e respeitar suas particularidades culturais. Eram, antes, entendidas como mesquinhez, que não raro geravam ressentimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo sua subsistência baseada na caça, coleta e abate da criação regional, os Avá-Canoeiro do Araguaia, depois de sua atração em 1973, passaram a sofrer penúria alimentar regular. Sua sedentarização impedia a prática da caça e coleta tal como faziam. A perda da clandestinidade também dificultava os abates dos rebanhos regionais. O regime de subsistência dos Avá-Canoeiro de Canoanã, portanto, se dividia em dois períodos: o da falta de comida, quando fixados no Posto, e os períodos de fartura, mais raros, que aconteciam após as caçadas quando tinham carne e produtos de origem vegetal. Obtinham esses últimos através das trocas de carne de caça com produtos agrícolas dos Javaé.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ecossistemas explorados ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Foto: André Toral, 1980|http://img.socioambiental.org/d/209764-1/ava_canoeiro_6.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Avá-Canoeiro do Araguaia vivem no interior da Ilha do Bananal, uma depressão no Brasil central que possui ampla rede de drenagem formada por rios de médio a grande porte, riachos, nascentes, ipucas (trecho onde a água, após a enchente do rio, fica por um tempo estagnada) e vários lagos. Os solos são geralmente ácidos, de baixa fertilidade natural. Na parte oriental mais elevada da Ilha do Bananal,&lt;br /&gt;
que corresponderia ao território Javaé, onde vivem os Avá-Canoeiro já contatados e arredios, também existem solos profundos, com vegetação típica de floresta e cerrado. A vegetação se compõe de cerrados, cerradão, mata seca e inundada, extensos campos inundados e vegetação de encostas secas e de bancos de areia (Ministério da Agricultura/ IBDF 1981:27).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ilha do Bananal pode ser descrita, em termos ambientais, como uma área de transição entre a província do cerrado e o domínio amazônico. Para um grupo indígena que pode ser descrito como caçador e coletor, como os Avá-Canoeiro do Araguaia, a área é excepcionalmente propícia, uma vez que lhes oferece os recursos de caça e coleta, assim como oferece refúgio natural para escapar de seus perseguidores regionais e grupos indígenas, como os Karajá e Javaé, hostis até um passado recente. Zonas de floresta, como a mata do Mamão, na parte norte da Ilha, e os campos cerrados abundantes na região oferecem-lhes a proteína animal e as espécies vegetais que compõem a base de sua alimentação.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Foto: André Toral, 1982|http://img.socioambiental.org/d/209753-1/ava_canoeiro_1.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;AVÁ-CANOEIRO : finalmente o contato. Boletim Informativo Funai, Brasília : Funai, n.8, 1973.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BALÉE, William L. People of the fallow : a historical ecology of foraging in lowland South America. In: REDFORD, Kent H.; PADOCH, Christine J. (Eds.). Conservation of neotropical forests. Nova York : Columbia University Press, 1992. p. 35-57.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BALDUS, Hebert. Tapirapé : tribo Tupi no Brasil Central. São Paulo : Companhia Editora Nacional ; Ed. da USP, 1970.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Referência Geral citada pelo autor do verbete&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BORGES, Mônica Veloso. O estudo do Ava : relato e reflexões sobre a análise de uma língua ameaçada de extinção. Rev. Liames, Campinas : Unicamp, n. 2, p. 85-104, 2002.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MALDI MEIRELES, Denise. Breve notícia sobre os Avá-Canoeiro. Boletim Informativo Funai, Brasília : Funai, v.3, n.8, 1973.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MATTOS, Raymundo José de Cunha. Chorographia histórica da província de Goyás. I parte. Rev. do IHGEB, Rio de Janeiro : IHGEB, v.37, p.213-398, 1874.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Referência Geral citada pelo autor do verbete&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Chorographia histórica da província de Goyás. II Parte. Rev. do IHGEB, Rio de Janeiro : IHGEB, v.38, p.5-150, 1875.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Referência Geral citada pelo autor do verbete&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PEDROSO, Dulce Madalena Rios. Ava-Canoeiro : a história do povo invisível - séculos XVII e XIX. Goiânia : UFGO, 1992. 348 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
    --------. O povo invisível : a história dos Ava-Canoeiros nos séculos XVIII e XX. Goiânia : UCG, 1994. 127 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIVET, Paul. Les indiens Canoeiro. Journal de la Société des Américanistes, Paris : Société des Américanistes, v. 16, 1924.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TOSTA, Lena Tatiana Dias. Homi matou papai meu : uma situação histórica dos Ava-Canoeiro. Brasília : UnB, 1997. (Monografia de Graduação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ZARUR, George de Cerqueira Leite. Breve notícia sobre os índios Avá-Canoeiro. Informativo Funai, Brasília : Funai, n.1, 1971.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Os índios Ava-Canoeiro - Serra da Mesa. Dir.: Eliane Granado. Vídeo cor, VHS, 8 min., 1993. Prod.: PCQI/Furnas&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Goiás]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Tocantins]]&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Avá-Canoeiro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:André Toral}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{#set:Capa=3187043584877cb41e1b5b.jpg}}&lt;br /&gt;
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{{#set:Data verbete=1998-09-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=13}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Av%C3%A1-Canoeiro&amp;diff=6631</id>
		<title>Povo:Avá-Canoeiro</title>
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		<updated>2019-10-23T18:39:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: retirada das seções &amp;quot;saúde e educação&amp;quot; e &amp;quot;perspectivas&amp;quot; à pedido de uma indígena - conteúdo estava desatualizadíssimo&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Somente a partir da década de 1970 parte dos Avá-Canoeiro passaram a ter contato permanente com a sociedade envolvente. Alguns grupos, porém, continuam isolados. O quadro atual desse povo é bastante crítico, devido ao pequeno número de pessoas e à precariedade das condições de vida a que estão sujeitas. Sua capacidade de adaptação tem sido sua maior arma na sobrevivência, já que, desde o início do século XIX, a ocupação de seu território tradicional por fazendas, garimpos, vilas e cidades obrigaram os Avá-Canoeiro a deslocamentos contínuos por diversos ecossistemas e contextos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome, língua e localização ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São também chamados de &amp;quot;Cara-Preta&amp;quot;. Do século XVIII até 1960 eram designados como &amp;quot;Canoeiro&amp;quot;, simplesmente. No século XIX, tinham ainda denominação &amp;quot;Carijó&amp;quot;. O nome Avá-Canoeiro surgiu no início da década de 1970, durante os trabalhos de contato com o grupo que habita a região do rio Araguaia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Avá-Canoeiro falam uma língua da família Tupi-Guarani, do tronco Tupi. Existem diferenças dialetais entre os grupos da região do rio Araguaia e do rio Tocantins.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem atualmente dois grupos Avá-Canoeiro vivendo em contato permanente com a sociedade nacional. Em Goiás, localizam-se na Terra Indígena Avá-Canoeiro, nos municípios de Minaçu e Colinas do Sul. Na região da bacia do Araguaia, moram na aldeia Boto Velho ou Inãwebohona, na TI de mesmo nome; no Posto Indígena Canoanã e na TI Parque do Araguaia, nos municípios de Formoso do Araguaia, Lagoa da Confusão, Sandolândia e Pium.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além desses grupos do rio Tocantins e do rio Araguaia, existem outros dois ainda não contatados pela Funai. Um deles provavelmente se desloca pela região serrana dos formadores do alto rio Tocantins (GO) e o segundo deve habitar o norte da Ilha do Bananal (TO), no interior da TI Parque do Araguaia. &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Foto: Mario Chimanovitch, 1973|http://img.socioambiental.org/d/209756-1/ava_canoeiro_2.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os estudos lingüísticos e históricos feitos por Nimuendajú em 1914 (apud Baldus,1970:71) e por Rivet (1924:172) afirmam que os Avá-Canoeiro são descendentes dos Carijó de São Paulo, que teriam sido trazidos para Goiás em 1724 ou 1726. A bandeira de Bartolomeu Bueno, filho do Anhanguera, trouxe-os para auxiliarem na defesa contra os índios habitantes do território e trabalharem na mineração. Com o colapso da bandeira, os Avá-Canoeiro teriam recuperado sua existência como grupo autônomo, mas permaneceram no território goiano. No entanto, estudoslingüísticos mais recentes, feitos por Aryon D'Alligna Dall'Igna Rodrigues, afirmam que a língua dos Avá-Canoeiro tem mais ligação com dialetos da família Tupi-Guarani do norte do país, o que contraria a explicação da origem meridional do grupo e que põe em dúvida também a adequação da denominação &amp;quot;carijó&amp;quot;, que era o nome dos Guarani do litoral sul aprisionados pelos paulistas e levados para o interior nas expedições bandeirantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os primeiros registros do contato ocorreram no início do século XIX, quando a localização dos &amp;quot;Canoeiro&amp;quot; era dada em função de sua distribuição ao longo do rio Tocantins e seus afluentes. Os cronistas fazem referência a conflitos do grupo com habitantes regionais, como fazendeiros e garimpeiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 1820, os Canoeiro passam a ser encontrados não apenas nos rios, mas também nas altas montanhas que ficam entre o rio Maranhão e os povoados de Santa Tereza e Amaro Leite; além de algumas aldeias no rio Canabrava e outros lugares. Os Canoeiro continuaram suas relações hostis com a população regional, fazendo com que diversos governos da Província dirigissem contra o grupo inúmeras expedições oficiais. Sua localização era crucial na incipiente ocupação do território goiano nesse período, já que situavam-se em plena área de expansão da pecuária e em meio à rota de contato (o rio Tocantins) que ligava os dois mais importantes pólos de desenvolvimento regionais (a capital da província e Porto Real, hoje Porto Nacional).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação aos conflitos cada vez mais violentos, alguns grupos Canoeiro iniciaram, entre 1844 e 1865, um processo de deslocamento em direção ao Araguaia (Rivet,1924:175). Até o término do século, já tinham atingido as proximidades da Ilha do Bananal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Foto: Mario Chimanovitch, 1974|http://img.socioambiental.org/d/209758-1/ava_canoeiro_3.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Parte do grupo, no entanto, permaneceu na região goiana, perambulando entre as montanhas escarpadas e de difícil acesso da região. Dessa maneira, no início do século XX os Canoeiro distribuíam-se em uma extensa área desde os sopés da serra Dourada até o interior e leste da Ilha do Bananal. Separados, os grupos do Araguaia e do Tocantins passam a ter histórias diferenciadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos do alto Tocantins permaneceram, entre 1940 e 1998, nos municípios de Santa Tereza, Cavalcante e Campinaçu. Nesse período, prosseguiram os conflitos armados com fazendeiros e demais ocupantes da região. A primeira frente de atração oficial para esses grupos iniciou seus trabalhos por volta de 1946, com a fundação, pelo CNPI (Conselho Nacional de Proteção ao Índio), do Posto Canoeiro na serra das Trombas, na região do rio Canabrava. Segundo seus participantes, nessa época os índios teriam suas aldeias na região de Dueré, Natividade e Peixe. A frente construiu estradas, alegou manter contatos visuais com índios, iniciou a entrega supostamente bem sucedida de brindes; mas não conseguiu estabelecer nenhum contato mais concreto com os Avá-Canoeiro. É provável que os serviços dessa primeira frente tenham sido desativados em 1950.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trabalhos de atração só seriam reiniciados em 1969, depois que fazendeiros dos municípios de Cavalcante e Niquelândia reclamaram providências à Funai pelo abate de gado praticado pelos Avá-Canoeiro. Segundo os fazendeiros, os índios usavam lanças com pontas de ferro e eram chamados de &amp;quot;quilombos&amp;quot; na região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As frentes de atração da Funai permaneceram operando durante a década de 70, sem conseguir nenhum contato com os índios e cercadas de denúncias de corrupção e envolvimento de funcionários na compra e venda irregular de terras então ocupadas pelos Avá-Canoeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto a Funai prosseguia sua ineficiente atuação, diversos fazendeiros pagavam ou mantinham grupos de jagunços armados para &amp;quot;limpar&amp;quot; a área. Data dessa época o abandono das aldeias que o grupo mantinha próximas aos córregos Jacira, Descobertas, Limeira, Boa Nova e Abaixo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De todos os ataques recebidos, um que se deu por volta de 1966 foi especialmente violento. Fazendeiros e moradores conseguiram surpreender uma aldeia inteira, matando cerca de 15 pessoas, a maioria de seus componentes, e dispersando os sobreviventes. Os corpos das vítimas foram postos numa das habitações, que foi incendiada. Estranhamente, nenhuma notícia foi veiculada pela frente de&lt;br /&gt;
atração para a delegacia da Funai ou para a Imprensa. Devido a esses ataques, a maior parte dos Avá-Canoeiro da Mata do Café se dirigiu para o leste, cruzando o rio Maranhão e buscando refúgio nas serras do município de Cavalcante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os trabalhos da frente de atração da Funai no alto Tocantins prolongaram-se inutilmente até a década de 1980. Em outubro de 1983, um grupo Avá-Canoeiro, remanescente da aldeia da Mata do Café, formado por duas mulheres, uma menina e um menino, resolveram fazer contato com regionais. Em abril de 1985, o antropólogo André Toral, autor deste verbete e então chefe da Frente de Atração, e o delegado da Ajudância de Araguaína, conseguiram a interdição da Área Indígena Avá-Canoeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, os Avá-Canoeiro do alto Tocantins encontram-se divididos em dois grupos. O que foi contatado em 1983 vive próximo ao Posto de Atração. O outro grupo, arredio, perambula pela AI Avá-Canoeiro e pelo interflúvio dos rios Preto e Bagagem, nas serras próximas ao rio Maranhão. O ponto de dispersão deste grupo parece ser o mesmo dos outros arredios e contatados do alto Tocantins: a Mata do Café e as serras do municípios de Niquelândia, Cavalcante e Minaçu, ao longo do alto rio Tocantins, de onde teriam saído no final da década de 1970.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação aos grupos do Araguaia, as primeiras tentativas de se estabelecer contato se deram por volta de 1940, quando o bispo D. Sebastião Tomaz, da Prelazia de Conceição do Araguaia, fez uma tentativa frustada de aproximação pacífica com os Avá-Canoeiro da Ilha do Bananal, tendo estes lhe atirado algumas flechas, reafirmando seu desejo de se manterem isolados. As tentativas só seriam retomadas 30 anos depois pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No primeiro semestre de 1974, oito Avá-Canoeiro foram contatados e transferidos para o Posto Indígena Canoanã. Carentes de recursos, os funcionários do Posto não puderam evitar a morte de três índios por gripes e outras moléstias nesse mesmo ano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em l988, esse grupo foi transferido para a área interditada Avá-Canoeiro, no alto rio Tocantins (GO). A experiência de reunião dos grupos não deu certo e, pouco tempo depois, o grupo do Araguaia já havia retornado ao Posto Indígena Canoanã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Foto: Mario Chimanovitch, 1974|http://img.socioambiental.org/d/209760-1/ava_canoeiro_4.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos anos, os Avá-Canoeiro do Tocantins têm sofrido o impacto da hidrelétrica de Serra da Mesa, operada por Furnas Centrais Elétricas S.A., subsidiária da Eletrobrás. A hidrelétrica é vizinha e contígua à TI Avá-Canoeiro. Por meio de um convênio celebrado com a Funai, Furnas deve creditar mensalmente o equivalente a 2% do valor a ser distribuído à título de royalties aos municípios inundados pelo reservatório da hidrelétrica. Os recursos são administrados pela Funai, com a interveniência do Ministério Público Federal, até que a comunidade indígena seja considerada em condições de administrá-los diretamente. Além da área inundada de parte da Terra Indígena, esta ainda é cortada por estradas, linhas de alta tensão e outras obras da hidrelétrica Serra da Mesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Avá-Canoeiro do Araguaia que permaneceram arredios continuam se deslocando na região. As notícias mais recentes localizam-nos no interior da Ilha do Bananal, na parte norte da Mata do Mamão. A inexistência de iniciativas oficiais de efetivamente encontrá-los deixa-os expostos à ação de criminosos, sem que a Funai ou a sociedade nacional tomem conhecimento.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Situação atual da terra ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Avá-Canoeiro do Araguaia contatados encontram-se vivendo no Posto Indígena Canoanã, no interior da TI Parque do Araguaia, localizado às margens do rio Javaés, na Ilha do Bananal, sudeste do estado de Tocantins. O Parque é vinculado ao Ibama e preenche, aproximadamente, o terço norte da Ilha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Avá-Canoeiro ainda sem contato permanente encontram-se vivendo no norte da Ilha do Bananal, nas áreas do Parque Indígena e do Parque Nacional do Araguaia. Em 1991, a Funai iniciou o processo de desinstrusão do Parque Indígena do Araguaia, totalmente ocupado por retireiros (que ordenham gado) e pequenos criadores. Dos cerca de 900 ocupantes e invasores, restam aproximadamente 208, na maioria reunidos na parte sul da Ilha do Bananal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de regularização das terras dos Avá-Canoeiro do Tocantins teve início por meio da portaria assinada pelo presidente da Funai em 8 de abril de 1985, que interditou, para fins de atração, uma área localizada nos municípios de Cavalcante e Minaçu (GO). A portaria destinava-se a preservar as áreas de perambulação dos Avá-Canoeiro ainda arredios e a área então ocupada pelo grupo que fez o contato em 1983. Posteriormente, por meio de uma portaria assinada pelo ministro da Justiça em 2 de outubro de 1996, a área denominada Terra Indígena Avá-Canoeiro foi declarada como de posse permanente dos índios. A área encontra-se, no entanto, invadida por um grande número de ocupantes, que esperam a indenização para se retirarem [dados de 1998].&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== População ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1998 havia 15 indivíduos Avá-Canoeiro contatados e estimava-se que houvessem 25 pessoas ainda sem contato permanente com a população brasileira. Entre os já contatados, o grupo do Araguaia possuia 9 membros com as seguintes características:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
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O grupo do Tocantins, com 6 pessoas, possuia o seguinte perfil:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;caption&amp;gt;População Avá-Canoeiro no Tocantins&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;th&amp;gt;'''Idade aproximada'''&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Nakwátxa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Trumak&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Putitxawa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
Entre os sem contato com a Funai, a estimativa era que o grupo do alto Tocantins tivesse dez pessoas e o do Araguaia quinze membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De uma maneira geral, a população Avá-Canoeiro, que ao todo provavelmente nunca ultrapassou 300 pessoas, sofreu a maior queda no seu número entre l960 e l970, quando foi encurralada pelo processo de ocupação dos estados de Goiás e Tocantins.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o pequeno número atual de remanescentes, no entanto, vai conseguir sobreviver como grupo indígena e como comunidade autônoma é uma questão ainda sem resposta. Historicamente, os bandos Avá-Canoeiro conseguiram sobreviver isoladamente mesmo com contingente populacionais menores. Os mais jovens, no entanto, ressentem- se muito do isolamento da região onde vivem atualmente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Modo de vida e uso dos recursos naturais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diferente do que se poderia supor, o regime de intenso nomadismo é uma contingência histórica que atingiu os grupos Avá-Canoeiro em épocas diversas e com resultados também diferentes. Nada indica que seja um grupo com uma cultura plenamente adaptada a esse regime. Ao contrário, tudo leva a crer que se trate de um grupo com formas de subsistência - como agricultura combinada com caça, coleta e abates de caça - que indicam um nomadismo sazonal, muito distante do regime de contínuos deslocamentos a que vem sendo forçados nos últimos cem anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos do alto Tocantins, obrigados a deslocamentos há pelo menos quatro décadas, suspendem a prática de atividades como agricultura e cerâmica, reiniciando-as quando se lhe oferecem condições. Já os descendentes dos grupos que saíram em direção ao Araguaia por volta de 1840-60 não cultivam nenhuma espécie vegetal, vivendo exclusivamente de caça, coleta e da pilhagem das roças e rebanhos regionais. Atividades não compatíveis com a vida nômade foram esquecidas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao contrário dos grupos do Tocantins, os do Araguaia abandonaram atividades de cerâmica, música com flautas, fabrico de cachimbos e o tabagismo. Comparando os dois grupos‚ conclui-se que os Avá-Canoeiro há mais tempo em deslocamento contínuo, como os do Araguaia, perderam e/ou deixaram temporariamente de fazer uma série de itens de sua cultura material. Deve-se destacar, no entanto, a grande capacidade de adaptação desse povo, já que a variedade de ecossistemas e contextos que habitaram é muito grande.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua cultura material restringe-se a algumas poucas dezenas de itens, dos quais os únicos que não possuem função eminentemente prática são os instrumentos musicais e cachimbos. A pintura corporal e a plumária praticamente desapareceram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, os Avá-Canoeiro incorporaram uma série de elementos de proveniência brasileira à sua cultura material, principalmente alimentos e artigos de metal. Provavelmente tal incorporação tenha ocorrido antes de sua introdução em território goiano e de caracterizarem-se como grupo isolado. Quando apartados do convívio com a sociedade colonial, a aquisição de tais produtos passou a ser problemática. Recorriam com freqüência a roubos, assaltos e mesmo pilhagens. Atualmente, limitam-se a furtos ou aproveitamento dos restos de produtos de metal que a população abandona, como carcaças de carro, latas e outros produtos de metal que encontram em depósitos de lixo na periferia de cidades, fazendas e povoações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A utilização de instrumentos e ferramentas de metal é tradicional no grupo. Desenvolveram técnicas de trabalhar o metal à frio, dando-lhe a forma apropriada para a função a que se destina. Assim, feixes velhos de molas de carros abandonados transformam-se em lâminas de facões rústicos, tambores de gasolina em pontas de flechas, pregos de cerca em furadores, anzóis etc. As flechas com ponta de metal talvez sejam o mais característico produto da manufatura Avá-Canoeiro, conhecidas e registradas por diversos autores desde o início do século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros artefatos de sua cultura material revelam a proximidade com materiais advindos da cultura regional. O abate de gado e de eqüinos era tão freqüente que deu origem a toda uma série de artigos feitos de couro, chifre, cascos, crinas, cordas velhas, pedaços de tecido, sal (que encontram em mangedouras nos pastos), fios de nylon, sacos, instrumentos e produtos agrícolas que encontram em abrigos dos regionais nas roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por sua estreita ligação com todos esses produtos e pela importância da criação e das roças regionais nas sua alimentação, chega-se a duvidar que os deslocamentos Avá-Canoeiro tenham como objetivo o isolamento total em relação à população regional. Parece mais provável que seu objetivo fosse o de encontrar uma região onde pudessem manter uma posição intermediária em relação à sociedade nacional: nem totalmente isolados, nem totalmente próximos. Seu habitat, num passado recente, deveria conjugar essas duas premissas aparentemente contraditórias: perto dos brancos para disporem de seus recursos, mas numa zona de ocupação rarefeita, de maneira que pudessem encontrar refúgio em caso de perseguição. Sob a ótica Avá-Canoeiro, a região ideal também deveria oferecer-lhes uma oferta permanente de caça e coleta.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social e território ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Foto: Mario Chimanovitch, 1974|http://img.socioambiental.org/d/209762-1/ava_canoeiro_5.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como estratégia de sobrevivência, os Avá-Canoeiro vivem em pequenos grupos com alta mobilidade que se deslocam sobre grandes extensões do centro-oeste brasileiro, nos estados de Tocantins e Goiás. Nesse sentido, não se distinguem de outros grupos Tupi, como os Guajá do Maranhão e outros, forçados por contingências históricas a um eterno deslocamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Avá-Canoeiro oscilam entre dois tipos de regimes de subsistência. Nenhum dos dois pressupõe, no entanto, independência e isolamento total dos recursos da sociedade regional. O primeiro aponta para um isolamento maior, combinado com certo grau de fixação a uma região definida. O segundo grupo pressupõe rigoroso nomadismo e maior dependência dos recursos da população regional, de suas roças e rebanhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro tipo de regime de subsistência era praticado na área do alto rio Tocantins, em épocas anteriores à década de 1970, quando foram deslocados das férteis matas da região. Praticavam a agricultura em terras de mata alta combinadas com a caça e a coleta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos do Araguaia, ao contrário dos grupos do Tocantins, abandonaram por completo a atividade agrícola, adotando um intenso nomadismo, com abates constantes de gado e eqüinos. Depois do contato em 1973, os Avá-Canoeiro instalados no Posto indígena Canoanã não desenvolveram nenhuma atividade agrícola. Ao contrário, até o final da década de 1980, quando tinham fome era comum que os mais velhos voltassem às suas práticas costumeiras, abatendo gado das fazendas vizinhas, a julgar pelas reclamações dos proprietários e dos funcionários da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grupo do alto Tocantins tem uma atitude diferente em relação às atividades agrícolas. O local onde foram instalados logo após o contato em 1983, no córrego do Macaco, por exemplo, foi escolhido por eles mesmos, em grande parte por ser local de antigos roçados, como o provam os muitos claros preexistentes nas matas, antes da derrubada promovidas pelo funcionários da Funai. De maneira independente, fizeram também grandes derrubadas numa ravina a uns 800 metros do Posto, separada das roças da Funai, dedicadas ao plantio de milho, arroz e feijão. Embora de maneira irregular, cumpriam todas as tarefas do calendário agrícola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a atitude do grupo do Araguaia em relação aos trabalhos agrícolas parece ser a de pessoas de tal modo adaptados à vida nômade, que jamais, em toda sua existência em isolamento, praticaram qualquer tipo de agricultura. Descendentes dos que saíram há mais de um século da região do alto Tocantins, eles são provavelmente a quinta ou sexta geração de homens e mulheres a viverem em intensa movimentação, não praticando atividades, como a agricultura e cerâmica, incompatíveis com o tipo de nomadismo exercido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O abate de animais, embora se intensifique quando os grupos se encontram em contínua movimentação, nem por isso cessa quando essa movimentação diminui o suficiente para o estabelecimento de pequenos roçados. O minúsculo grupo formado por três mulheres e um rapaz, não obstante sua fragilidade frente aos numerosos moradores da região do alto Tocantins, até pouco tempo antes do contato perseguia a criação regional, dando cabo de numerosos porcos e galinhas e pilhando diversas roças ao longo do tempo da peculiar coexistência com a população regional. O grupo do Araguaia, imediatamente após o contato em 1973, abatiam e comiam um boi a cada três dias do rebanho da fazenda Canuanã S.A. (OESP, 24.01.1974), o que certamente era uma média anormal favorecida pela excepcionalidade do contato recente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do contato, via de regra, não contam mais com a clandestinidade que lhes permitia o abate de animais e a pilhagem de roças. A permanência junto ao Posto impossibilita os índios de conseguirem alimentação conforme faziam no passado, o que os coloca na dependência dos funcionários governamentais. Do ponto de vista Avá-Canoeiro parece haver, conseqüentemente, uma expectativa clara de serem alimentados por esses funcionários, que procuram impedir que consigam sua alimentação da maneira tradicional. A lógica do pensamento dos Avá-Canoeiro recém-contatados parece ser: &amp;quot;se vocês (funcionários da Funai) procuram nos impedir de procurarmos nossa alimentação tal como vínhamos fazendo, então cuidem para que não passemos fome&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, as iniciativas dos funcionários da Funai de não alimentá-los e de insistir para que mantivessem suas roças e para que caçassem por conta própria não eram entendidas pelos Avá-Canoeiro como forma de dar-lhes mais autonomia e respeitar suas particularidades culturais. Eram, antes, entendidas como mesquinhez, que não raro geravam ressentimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo sua subsistência baseada na caça, coleta e abate da criação regional, os Avá-Canoeiro do Araguaia, depois de sua atração em 1973, passaram a sofrer penúria alimentar regular. Sua sedentarização impedia a prática da caça e coleta tal como faziam. A perda da clandestinidade também dificultava os abates dos rebanhos regionais. O regime de subsistência dos Avá-Canoeiro de Canoanã, portanto, se dividia em dois períodos: o da falta de comida, quando fixados no Posto, e os períodos de fartura, mais raros, que aconteciam após as caçadas quando tinham carne e produtos de origem vegetal. Obtinham esses últimos através das trocas de carne de caça com produtos agrícolas dos Javaé.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ecossistemas explorados ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Foto: Mario Chimanovitch, 1974|http://img.socioambiental.org/d/209764-1/ava_canoeiro_6.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Avá-Canoeiro do Araguaia vivem no interior da Ilha do Bananal, uma depressão no Brasil central que possui ampla rede de drenagem formada por rios de médio a grande porte, riachos, nascentes, ipucas (trecho onde a água, após a enchente do rio, fica por um tempo estagnada) e vários lagos. Os solos são geralmente ácidos, de baixa fertilidade natural. Na parte oriental mais elevada da Ilha do Bananal,&lt;br /&gt;
que corresponderia ao território Javaé, onde vivem os Avá-Canoeiro já contatados e arredios, também existem solos profundos, com vegetação típica de floresta e cerrado. A vegetação se compõe de cerrados, cerradão, mata seca e inundada, extensos campos inundados e vegetação de encostas secas e de bancos de areia (Ministério da Agricultura/ IBDF 1981:27).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ilha do Bananal pode ser descrita, em termos ambientais, como uma área de transição entre a província do cerrado e o domínio amazônico. Para um grupo indígena que pode ser descrito como caçador e coletor, como os Avá-Canoeiro do Araguaia, a área é excepcionalmente propícia, uma vez que lhes oferece os recursos de caça e coleta, assim como oferece refúgio natural para escapar de seus perseguidores regionais e grupos indígenas, como os Karajá e Javaé, hostis até um passado recente. Zonas de floresta, como a mata do Mamão, na parte norte da Ilha, e os campos cerrados abundantes na região oferecem-lhes a proteína animal e as espécies vegetais que compõem a base de sua alimentação.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Foto: André Toral, 1982|http://img.socioambiental.org/d/209753-1/ava_canoeiro_1.jpg}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;AVÁ-CANOEIRO : finalmente o contato. Boletim Informativo Funai, Brasília : Funai, n.8, 1973.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BALÉE, William L. People of the fallow : a historical ecology of foraging in lowland South America. In: REDFORD, Kent H.; PADOCH, Christine J. (Eds.). Conservation of neotropical forests. Nova York : Columbia University Press, 1992. p. 35-57.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BALDUS, Hebert. Tapirapé : tribo Tupi no Brasil Central. São Paulo : Companhia Editora Nacional ; Ed. da USP, 1970.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Referência Geral citada pelo autor do verbete&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BORGES, Mônica Veloso. O estudo do Ava : relato e reflexões sobre a análise de uma língua ameaçada de extinção. Rev. Liames, Campinas : Unicamp, n. 2, p. 85-104, 2002.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MALDI MEIRELES, Denise. Breve notícia sobre os Avá-Canoeiro. Boletim Informativo Funai, Brasília : Funai, v.3, n.8, 1973.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MATTOS, Raymundo José de Cunha. Chorographia histórica da província de Goyás. I parte. Rev. do IHGEB, Rio de Janeiro : IHGEB, v.37, p.213-398, 1874.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Referência Geral citada pelo autor do verbete&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Chorographia histórica da província de Goyás. II Parte. Rev. do IHGEB, Rio de Janeiro : IHGEB, v.38, p.5-150, 1875.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Referência Geral citada pelo autor do verbete&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PEDROSO, Dulce Madalena Rios. Ava-Canoeiro : a história do povo invisível - séculos XVII e XIX. Goiânia : UFGO, 1992. 348 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
    --------. O povo invisível : a história dos Ava-Canoeiros nos séculos XVIII e XX. Goiânia : UCG, 1994. 127 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIVET, Paul. Les indiens Canoeiro. Journal de la Société des Américanistes, Paris : Société des Américanistes, v. 16, 1924.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TOSTA, Lena Tatiana Dias. Homi matou papai meu : uma situação histórica dos Ava-Canoeiro. Brasília : UnB, 1997. (Monografia de Graduação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ZARUR, George de Cerqueira Leite. Breve notícia sobre os índios Avá-Canoeiro. Informativo Funai, Brasília : Funai, n.1, 1971.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Os índios Ava-Canoeiro - Serra da Mesa. Dir.: Eliane Granado. Vídeo cor, VHS, 8 min., 1993. Prod.: PCQI/Furnas&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:André Toral|André Toral]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Goiás]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Tocantins]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Avá-Canoeiro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:André Toral}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=3187043584877cb41e1b5b.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=84930}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=André Toral, 1980}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=1998-09-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=13}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=6630</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=6630"/>
		<updated>2019-10-18T20:20:38Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: alteração, a pedido da Fany, de 150 para mais de 160 línguas indígenas&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Línguas}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 160 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 160 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;br/&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif|Famílias linguísticas do tronco Tupi.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;br style=&amp;quot;clear: both;&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif|Famílias linguísticas do tronco Macro-Jê&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;br style=&amp;quot;clear: both;&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg|Outras famílias linguísticas&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;br style=&amp;quot;clear: both;&amp;quot;/&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Comparando palavras diferentes===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; pedra &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;th&amp;gt;Palikur&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;th&amp;gt;Waurá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt; Texto adaptado de '''Aryon Dall´Igna Rodrigues''' – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986 &amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os [[Povo:Baré | Baré]], os [[Povo:Arapaso | Arapaço]] e outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver também ==&lt;br /&gt;
[[Escola, escrita e valorização das línguas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Línguas silenciadas, novas línguas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[O trabalho dos linguistas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências externas ==&lt;br /&gt;
* &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria: Línguas]]&lt;br /&gt;
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{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Panar%C3%A1&amp;diff=6628</id>
		<title>Povo:Panará</title>
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		<updated>2019-10-07T18:49:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: Correção de crédito da 3ª foto (onde estão saindo do avião), de Orlando Brito para Edson Ellito/* Histórico do contato */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Panará, também conhecidos como Krenakore, foram oficialmente contatados em 1973, quando a estrada Cuiabá-Santarém estava em construção e cortava seu território tradicional na região do Rio Peixoto Azevedo. A violência do contato ocasionou morte de 2/3 de sua população, em razão de doenças e massacres. À beira do extermínio, em 1975 foram transferidos pela Funai para o [[Povo:Xingu | Parque Indígena do Xingu]]. Depois de 20 anos exilados, os Panará reconquistaram o que ainda havia de preservado em seu antigo território, onde construíram uma nova aldeia. Além dessa vitória, alcançaram um feito inédito na história dos povos indígenas e do indigenismo brasileiro, quando em 2000 ganharam nos tribunais, contra a União e a Funai, uma ação indenizatória pelos danos materiais e morais causados pelo contato. Tal vitória, se não lhes apaga as tristes marcas de sua história, projetam-lhes para um futuro mais digno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e Língua ==&lt;br /&gt;
A distinção mais geral utilizada pelos Panará é entre Panará, que significa “gente”, “seres humanos”, e ''hĩ’pen'', o “outro”, sendo este termo também é utilizado para referirem-se aos Kayapó. Falam uma língua da família lingüística Jê, da subfamília Jê Setentrional, que inclui os Kayapó, os Suyá, os Apinayé e as línguas timbira.&lt;br /&gt;
=== &amp;quot;Índios Gigantes&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Ailton Costa, 1994&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226045-1/panara_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da década de 1970, quando ocorrem os primeiros contatos oficiais com os Panará, ninguém sabia como eles próprios se chamavam. Eram &amp;quot;índios gigantes&amp;quot; ou Krenacore, Kreen-Akrore, Kreen-Akarore, Krenhakore ou Krenacarore – variantes do nome kayapó kran iakarare, que significa &amp;quot;cabeça cortada redonda&amp;quot;, uma referência ao corte tradicional de cabelo que identifica os Panará. Nos fartos relatos dessa época há uma preocupação constante de explicar sua origem desconhecida. Chamá-los de “gigantes”, “índios brancos” ou “índios negros” era uma forma de identificá-los e retirá-los do perturbador estado de alteridade absoluta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Várias foram as causas da fama de “gigantes”, que o contato com os irmãos Villas-Bôas mostrou ser improcedente. A maior parte dos Panará tinham estatura mais ou menos igual à de outros grupos indígenas, como os Kayapó e os Xavante. Contudo, seus enormes arcos e tacapes, que chegavam a medir 1,80 m, impressionavam e induziam a supor que só pudessem ser manejados por homens enormes. Os Kayapó, tradicionais inimigos dos Panará, espalharam a fama dos “índios gigantes” também para valorizar suas vitórias em guerras contra eles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma outra razão evidente, pública e notória, chamava-se Mengrire e tinha 2,06 metros de altura. Era um índio Panará seqüestrado de sua aldeia ainda criança e criado pelos Kayapó Metuktire. Foi levado, depois, para o Parque Indígena do Xingu, onde morreu, ou foi morto, no final da década de 60, aos 38 anos de idade. Mengrire, realmente, era um &amp;quot;gigante&amp;quot;, mas foi o único encontrado e reconhecido como tal por médicos e pesquisadores. Além desse único caso, Orlando Villas-Bôas conta que, na época do contato, existiam pelo menos outros oito Panará bastante altos. Mas morreram com as doenças dos brancos. Os adultos panará de hoje, que viveram no Peixoto de Azevedo antes de 1973, são enfáticos sobre a existência de parentes muito altos no passado.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Pedro Martinelli, 1973&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226054-1/panara_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dados lingüísticos e etno-históricos recentes mostram que os Panará do Peixoto Azevedo/cabeceiras do Iriri são os últimos descendentes de um grupo bem maior e mais conhecido pelos cronistas como “Cayapó do Sul”. Esse grupo habitava, no século XVIII, uma vasta área no Brasil central, desde o norte de São Paulo, Triângulo Mineiro e sul de Goiás ao leste do Mato Grosso e leste e sudeste do Mato Grosso do Sul. A intensificação da exploração mineral, que aumentou o fluxo comercial entre São Paulo e Goiás, incidindo em suas terras, induziu os governos das duas províncias a contratar sertanistas para afastá-los da rota de viajantes e mineradores. Com a descoberta de ouro na região do rio Vermelho, em Goiás, por Bartolomeu Bueno da Silva, em 1722, os Cayapó do Sul passaram a sofrer ataques constantes com as frentes de expansão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram muitos e sangrentos os conflitos entre os Cayapó do Sul e os colonizadores portugueses nos caminhos de Goiás e de Cuiabá. Nos primeiros choques, segundo um cronista da época, mil Cayapó foram capturados numa só campanha de três meses e oito mil foram escravizados nas primeiras guerras. Depois da segunda metade do século XVIII, as bandeiras organizadas contra os Cayapó abandonaram o intuito de &amp;quot;descer&amp;quot;, ou seja, escravizar os índios, limitando-se a matar todos os homens que pudessem pegar em armas. A guerra contra os Cayapó provocou mortandade e aldeamento compulsório.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Orlando Brito, 1974&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226057-1/panara_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XIX, a ocupação das terras no sudoeste de Goiás recrudesceu os conflitos com os índios e levou a população dos Cayapó do Sul praticamente ao desaparecimento, restando apenas alguns grupos na região do Triângulo Mineiro, e foram tidos como extintos nas primeiras décadas do século 20. Os que não aceitaram o aldeamento e a assimilação no século XVIII e XIX se retiraram para o oeste e para o norte, rumo as matas mais fechadas do norte do Mato Grosso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos, por meio da etno-história, é que os atuais Panará ocuparam a bacia do Peixoto de Azevedo, afluente da margem direita do rio Teles Pires, formador do rio Tapajós, até o início do século. A riqueza natural da região contribuiu para que ali se fixassem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tradição oral panará conta que eles vieram do Leste, de uma região de campos cerrados, habitada por brancos extremamente selvagens e bravios, que tinham armas de fogo e mataram muitos antepassados dos Panará. Segundo o chefe Akè Panará, &amp;quot;os velhos disseram para nós que, antigamente, os brancos mataram muitos Panará, de espingarda. Chegavam em nossas aldeias e matavam muitos. Se eles vierem para cá – diziam – matem eles de borduna, que eles são bravos&amp;quot;.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Edson Elito/EPM, 1975&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226060-1/panara_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contato entre os Panará e os Kayapó também é antigo. Provavelmente o primeiro encontro foi numa das freqüentes expedições no sentido norte da (antiga) aldeia Sonkànasan, para pescar e colher concha de moluscos utilizada para fazer enfeites. Gustaf Verswijver, antropólogo que produziu um detalhado estudo etno-histórico sobre os Kayapó, relata que os Panará atacaram os Kayapó Mekragnoti em 1923, numa aldeia entre o Rio Jarina e o Iriri Novo, perto do Rio Xingu. Os Mekragnoti fugiram para o rio Curuá, uns 200 Km para noroeste, onde os Panará os atacaram novamente. Também conforme esse autor, em 1943, os Mekragnoti descobriram um tapiri dos Panará numa de suas antigas aldeias entre o Rio Jarina e o Iriri Novo, ou seja, na atual área Indígena do Capoto, dos Kayapó Metuktire.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O contato oficial ===&lt;br /&gt;
Em 1968 os sertanistas Orlando e Cláudio Villas-Bôas, sobrevoaram as terras dos Panará, para contatá-los antes que a construção da BR-163 abrisse as matas da região do rio Peixoto de Azevedo. Foram necessários mais cinco anos para que os irmãos Villas-Bôas finalmente conseguissem se aproximar dos arredios Panará, no dia 4 de fevereiro de 1973, pois os índios montavam e desmontavam aldeias e fugiam sempre. Mas antes desse encontro histórico, o contato esporádico com os vírus dos brancos da frente de obras da estrada já havia atingido a população Panará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De 1973 a 75, foram tantas as mortes em razão de gripe e diarréia que o grupo quase desapareceu: &amp;quot;Nós estávamos na aldeia – lembra-se o chefe Akè Panará – e começou a morrer todo mundo. Os outros foram embora pelo mato, e aí morreram mais. Nós estávamos doentes e fracos e, então, não conseguimos enterrar os mortos. Ficaram apodrecendo no chão. Os urubus comeram tudo&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== No Xingu ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Pedro Martinelli, 1996&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226065-1/panara_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por causa da tragédia, em 1975 um avião da Força Aérea Brasileira removeu os sobreviventes em uma ponte aérea do Peixoto de Azevedo para o Parque Indígena do Xingu, a 250 Km a oeste. Os Panará chegaram famintos, sem nenhuma grávida, todos portando malária, muito anêmicos e infestados de parasitas. O planejamento para recebê-los no Xingu consistiu na plantação de uma roça de milho e construção de uma casa na aldeia dos Kayabi. Chegaram no posto Diauarum, foram examinados pela equipe médica da Escola Paulista de medicina e subiram para a aldeia Kayabi. Segundo Heelas, antropólogo que trabalhara na época com o grupo, em 1975 “quase todos estavam sofrendo ou de malária, ou gripe, ou pneumonia ou de vários desses... durante os primeiros dois meses na aldeia nova, morreram cinco, deixando um total de 74 pessoas”. Em março de 1975 as autoridades do Parque resolveram transferir os Panará para a aldeia Kretire, dos seus antigos inimigos, os Kayapó. Embora houvesse mais comida nessa aldeia, a situação era extremamente opressiva. A condição de saúde continuou precária e várias mulheres se casaram com Kayapó. Após uma difícil negociação, em outubro de 1975, os Panará foram retirados dali, embora deixando várias mulheres e crianças com os Kayapó. Até então, tinham morrido mais cinco pessoas, ficando 69 Panará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passaram um mês no posto Diauarum, fazendo tratamento médico, e foram para aldeia Suyá, no Rio Suyá-Missu. Ali sua saúde melhorou, plantaram roça própria e, em um clima social marcadamente menos opressivo, passaram a retomar suas iniciativas próprias. Surgiram lideranças novas, estimulando a prática de danças, canções e ritos tradicionais. Na estação seca de 1976, identificaram o sítio para construção de uma aldeia própria numa antiga aldeia dos Kayabi, entre os rios Suyá-Missu e Xingu. No final do ano, mudaram-se para lá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fundação da primeira aldeia própria dos Panará no Xingu foi evidentemente um ponto chave na trajetória do grupo. A partir daí, iniciou-se um processo de crescimento populacional, reconstrução cultural e social, e adaptação ativa às novas circunstâncias econômicas, ecológicas e sociais com as quais se depararam no Xingu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Panará cresceram significativamente na nova aldeia. Em setembro de 1980, havia 84 pessoas (contando-se os Panará residentes com outros grupos) e até dezembro de 1982 somavam 95 indivíduos. Em agosto de 1992, a população total havia atingido cerca de 135 pessoas. Mesmo assim, eram considerados pelos outros habitantes do Parque como politicamente menos importante do que outras etnias maiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As condições ambientais também trouxeram grande insatisfação aos Panará nessa transferência forçada. Praticavam uma agricultura diversificada, muito mais do que a dos povos do Xingu. Tradicionalmente, plantavam quatro variedades de batata, cinco de cará, seis de mandioca, além de mangarito, abóbora, cabaça, urucum e algodão. Na sua classificação, só a “terra preta” (''kupa kyan'') é apta para cultivar as plantas mais exigentes. No Xingu, a agricultura Panará fora reconstruída vagarosamente, já que saíram do Peixoto sem nenhuma muda, semente ou raiz. Pelo menos dois tipos de batata doce e dois tipos de cará não foram recuperados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A volta ao território ===&lt;br /&gt;
Essa disposição e as limitações impostas pelo Parque Indígena do Xingu levou os Panará a reivindicarem o retorno ao seu território tradicional. Em outubro de 1991, seis Panará e seis brancos tomaram um ônibus para uma histórica viagem rumo ao Peixoto de Azevedo. Foi a primeira vez que os Panará voltaram à sua região desde a transferência, em 1975, embora já falassem de sua vontade de visitar o lugar desde 1983. O grupo chegou na cidade de Matupá, na BR-163, extremo-norte do Mato Grosso, e começou a fazer o reconhecimento do território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vale do Peixoto de Azevedo mostrava um aspecto desolador. Os garimpos e as fazendas haviam derrubado a mata, poluído e assoreado os rios, especialmente o Braço Norte. Muitas calhas tinham virado lamaçais. Vastos trechos do paradisíaco Peixoto de Azevedo eram lodo puro. Os índios constataram os efeitos do desmatamento desordenado, da pecuária e de 20 anos de garimpagem. Ali mesmo, manifestaram o desejo de se encontrar imediatamente com as autoridades responsáveis pela construção da estrada que induziu à ocupação da região e pedirem satisfações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda nesta viagem, os Panará sobrevoaram a área, constatando que, das oito aldeias existentes em 1968, seis tinham sido destruídas pelos garimpos e projetos de colonização e pecuária. Surgiu aí a idéia de reivindicar uma indenização pela ocupação e destruição das terras. Nesse mesmo sobrevôo, identificaram um trecho de território, próximo à Serra do Cachimbo, chegando às cabeceiras do rio Iriri, ainda coberto com matas e rios conservados, uma parte da terra que ainda não tinha sido ocupada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir daí, os Panará discutiram longa e repetidamente entre eles, na sua aldeia, sobre o que tinham visto, identificando a área tradicional que ainda não estava ocupada e chegando a um consenso sobre a área pretendida. Decidiram abrir mão de grande parte do território tradicional, ao qual por Lei teriam direito, para evitar confronto com os brancos, e reivindicaram a área sem ocupação efetiva de aproximadamente 500 mil hectares nas cabeceiras dos rios Iriri e Ipiranga, na fronteira entre Pará e Mato Grosso, incluindo a gleba de propriedade do Incra, no Mato Grosso. Em março de 1993, os Panará solicitaram, formalmente, a demarcação das terras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Brasília, os Panará, representados pelo Núcleo de Direitos Indígenas (uma das organizações que posteriormente se uniria ao Cedi – Centro Ecumênico de Documentação e Informação – para, em 1994, criar o Instituto Socioambiental), apresentaram na 8ª Vara da Justiça Federal uma Ação Declaratória contra a União Federal, a Funai e o Incra. Pediam a posse permanente da área Panará tradicional e seu usufruto exclusivo. Afinal, recuperaram suas terras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Novos tempos ===&lt;br /&gt;
Em novembro de 1994, os Panará convocaram os líderes dos povos do Parque do Xingu para uma reunião na aldeia do rio Arraias, para apresentar e discutir o plano de retorno para o território original. Foi uma reunião histórica, que durou três dias. Muitos co-personagens da saga estavam presentes – como o chefe kayapó txukarramãe Raoni; seu sobrinho e na época diretor do Parque, Megaron; o líder Kayabi Mairawe, chefe do Posto Diauarum da Funai; e os chefes kayabi Prepuri e Cuiabano. Cláudio e Orlando Villas-Bôas foram convidados, mas não puderam comparecer. Pela primeira vez toda a liderança xinguana reuniu-se na aldeia panará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quatro chefes panará, Akè, Teseya, Kôkriti e Krekõ, os quatro homens mais velhos, declararam pública e energicamente a intenção de retornar para a terra de seus pais e avós, no Peixoto de Azevedo. Enfatizaram que o Xingu não é terra panará e que sua verdadeira terra é fértil, com caça e pesca abundante. Nove panará, homens e mulheres, discursaram defendendo a volta. Um jovem panará discursou contra o retorno. A grande maioria dos líderes convidados que falaram apoiaram a iniciativa e muitos, como os líderes dos Txikão, Suyá e Kayabi, falaram com saudade das terras deixadas para trás, quando vieram morar no Parque. Olympio Serra, que sucedeu os irmãos Villas-Bôas na direção do Parque, lembrou que a idéia original da criação do Parque contemplava um território muito maior, que, se tivesse sido criado, teria protegido as terras originais dos Panará, Txikão e Kayabi, tornando desnecessária a atração e transferência desses grupos para o interior das fronteiras atuais do Parque. A conferência dos chefes xinguanos na aldeia do rio Arraias sacramentou o retorno dos Panará ao Peixoto de Azevedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em dezembro de 1994, a Funai concluiu o processo de identificação e delimitação da Terra Indígena Panará. Ao longo de 1995 e 1996, gradualmente, os Panará foram se mudando para uma nova aldeia, aberta pouco a pouco, a qual batizaram de Nãs’potiti, nome panará para o rio Iriri. Em setembro de 1996 já havia nessa aldeia nova 75 pessoas, onze casas, um posto da Funai e uma pista de aterrissagem razoável. Os que ficaram no Xingu só pensavam na mudança, mas tinham que esperar que as roças plantadas no Iriri vingassem, para garantir a sustentação de 183 pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 1° de novembro de 1996, o ministro da Justiça declarou de &amp;quot;posse permanente&amp;quot; dos índios a Terra Indígena Panará, com 494.017 hectares, nos municípios de Guarantã (MT) e Altamira (PA). O mesmo ato encarregou a Funai de providenciar a demarcação física do território, fixando marcos no local. O governo reconheceu, politicamente, os direitos dos Panará e os limites de suas terras. O Presidente da República assinou um decreto homologando a demarcação da Terra Indígena Panará, que foi registrada nos cartórios de imóveis de Guarantã e Altamira, e registrada no Serviço do Patrimônio da União, em Brasília.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em agosto de 2003, os Panará foram protagonistas de um fato inédito na história do país: pela primeira vez, o Poder Judiciário reconheceu a um povo indígena o direito de indenização por danos morais decorrentes das ações do Estado. A indenização recebida pelos Panará foi o desfecho de um longo processo jurídico, iniciado em 1994. Naquele ano, os índios entraram com uma Ação Ordinária de Reparação de Danos Materiais e Morais na 7ª Vara da Justiça Federal, no Distrito Federal contra a União Federal e a Funai, pedindo reparação de danos e indenização &amp;quot;a ser apurada em liquidação de sentença”. Esta ação foi viabilizada com o apoio de antropólogos e advogados do Cedi e do NDI, que hoje formam o ISA. A indenização, que soma mais de 1,2 milhões de reais, diz respeito aos danos sofridos pelos Panará em razão do contato e da transferência forçada de suas terras tradicionais por causa da construção da BR-163 Cuiabá-Santarém.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Pedro Martinelli, 1972-73&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226076-1/panara_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres adultas não usam mais o corte tradicional de cabelos curtos, com duas linhas paralelas raspadas em cima da cabeça, que foi substituído pelos cabelos compridos com franjas, no estilo feminino suyá. A pintura corporal, a arte plumária e a música assimilaram elementos da cultura xinguana, principalmente dos Kayapó, seus vizinhos mais próximos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Panará dividem suas aldeias de acordo com os clãs que compõem a sua sociedade, mantendo uma relação direta entre espacialidade e organização social. Quatro são os clãs que relacionam-se exogamicamente, cada Panará pertencendo a um deles, de acordo com a descendência materna. Como acontece nos clãs Bororo, os clãs Panará possuem uma localização fixa no círculo aldeão. São dispostos literalmente a partir do eixo leste-oeste, determinado a partir do caminho do sol durante o dia.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Antonio Costa, 1997.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226074-1/panara_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Panará vivem numa aldeia circular, com residências situadas na periferia do círculo. No centro fica a Casa dos Homens, como em outras aldeias dos grupos de família lingüística Jê. No círculo da aldeia estão fixados os lugares dos quatro clãs existentes .Os nomes dos clãs sugerem um mapeamento, no espaço, dos processos temporais de crescimento e mudança. Eles se chamam: ''kwakyatantera'' (“os da raiz do buriti”), ''keatsôtantera'' (“os das folhas do buriti”), ''kukrenôantera'' (“os sem casa”) e ''kwôtsitantera'' (“os da costela”). Esses nomes também indicam os pontos cardeais, ou os pontos cardeais, por assim dizer, são determinados por esses nomes, muda-se apenas o sufixo. Antera, que determina o coletivo humano, é substituído por -pên, sufixo que designa lugar: ''kwakyatpên'' (“lugar das raízes do buriti”) ou ''kwatsopên'' (“lugar das folhas de buriti”). Para sabermos qual o clã a que determinada pessoa pertence devemos perguntar “De onde você vêm?” ''(yu pên kya''- interrogativa/ adj. lugar/ possessivo).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um sentido geral o termo Panará indica o pertencimento a uma rede de parentesco mais ampla, ou seja, todo o grupo, tendo a partir daí suas subcategorias determinadas pelos clãs. O pertencimento ao clã e a localização das casas do pai ou da mãe, respectivamente, no círculo da aldeia, são as referências para se explicar as relações e posições na sociedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Parentesco ===&lt;br /&gt;
Cada indivíduo pertence a dois clãs, o clã materno e o clã paterno, e a família nuclear (esposa, marido e filhos) é a unidade social mais simples, cada uma possuindo o seu fogo. A mulher trabalha na roça plantando e processando alimentos para a família, enquanto o homem caça e pesca com o mesmo objetivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os clãs são exogâmicos, de modo que as pessoas de um mesmo clã não casam entre si, e a residência é uxorilical, o marido deve morar na casa da família de sua esposa. Isto quer dizer que os homens nascem em suas casas e casam fora dela, enquanto as mulheres permanecem na casa onde nasceram por toda a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da família nuclear, a unidade mais inclusiva da sociedade Panará é a família extensa, representada pelo grupo familiar da mulher, composto pelo grupo de irmãs, suas filhas, netas, homens solteiros e jovens meninos. Um clã, por sua vez, é formado por uma ou algumas dessas unidades, localizado em seu local apropriado do círculo da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Nominação ===&lt;br /&gt;
Os nomes panará são transmitidos pelos homens. É o pai que dá nome ao filho e é a irmã do pai, ou algum outro parente feminino do clã do pai, que dá o nome à filha. Os homens dão para seus filhos seus próprios nomes, ou os nomes dos seus irmãos ou outros parentes. Todo mundo tem pelo menos dois nomes, alguns até uma dúzia. Todo nome corresponde ao nome de algum antepassado e foram os antepassados míticos que deram os nomes aos Panará, bem como aos animais, aos pássaros e aos peixes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora existam mecanismos para a invenção de nomes, via de regra o sistema não admite tal coisa; nome verdadeiro é nome dos antepassados, os suankyara, os &amp;quot;de antes&amp;quot;. O leque dos nomes panará sugere nada menos do que uma lista de todas as coisas do mundo. Assim, ''Tekyã é'' &amp;quot;canela curta&amp;quot;, ''Kokoti'', &amp;quot;inchado&amp;quot;, ''Kyùti'', &amp;quot;anta&amp;quot;, ''Pè'su,'' &amp;quot;castanha-do-pará&amp;quot;, ''Nansô'', &amp;quot;rato&amp;quot;, ''Sampuyaka'', &amp;quot;Matrinchã&amp;quot; (literalmente, &amp;quot;rabo branco&amp;quot;), ''Sôkriti'', &amp;quot;folha falsa&amp;quot; ou &amp;quot;coisa que parece folha&amp;quot;. O sistema dos nomes afirma a adequação do saber dos antepassados à tudo que existe, pondo em circulação perpétua, ao longo das gerações, os nomes do tempo mítico dos primeiros velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São essas as relações básicas que organizam os eventos da vida da aldeia. Tradicionalmente, os meninos até 12 ou 13 anos moram com seus pais, na casa da mãe, atingindo essa idade, vão dormir na Casa dos Homens, conforme sua metade cerimonial. Depois de alguns anos de residência na Casa dos Homens, o menino estabelece relações mais estáveis com uma menina e, paulatinamente, vai se incorporando à casa da futura esposa, assim a relação do menino com a sua família de origem é cortada pela residência na Casa dos Homens e, a partir daí, ele começa a sua família incorporado à casa de seus sogros onde terá filhos. O casamento consolida-se com o nascimento de filhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres não apenas sinalizam o pertencimento aos clãs como são, efetivamente, as donas das casas, nas quais vivem com o marido, com as filhas e os maridos delas e os filhos até a maturidade desses. Se o casamento monogâmico acaba - e pode acabar várias vezes na vida adulta - o homem é que sai de casa. É comum desfazerem-se uniões e casar-se novamente quatro ou cinco vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como nos outros grupos Jê, com seus sistemas de classes de idade, ser plenamente adulto entre os Panará é expresso pelos termos ''taputun'', velho, e ''twatun'', velha, o que significa ter filhos já casados, ser avô ou avó. Os genros devem trabalhar para os sogros fazendo roça para a mulher e para a família dela, trazendo caça e peixe para sua própria casa bem como para a de sua mãe, além de manifestar respeito, uma atitude formal de deferência para com a classe de idade dos velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os jovens (''piàntui'', mulher nova, e ''piôntui'', rapaz novo) tratam do trabalho produtivo: a roça, a caça, a pesca e a preparação de comida. Os velhos cuidam da organização e reprodução das atividades produtivas por meio de discursos na praça ou na Casa dos Homens, além da organização dos ritos. Nessas coisas, os homens têm um papel preponderante, tendo um espaço privilegiado nas atividades rituais e nos discursos formais. Isso se deve, em parte, à mediação dos homens nas relações com o mundo fora da sociedade panará, o que, tradicionalmente, ocorria por meio da guerra. A influência das mulheres velhas, por sua vez, é efetiva em qualquer decisão que afete a aldeia como um todo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia ritual ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Agda Detogni, 1991.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226079-1/panara_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A corrida de toras é a atividade cerimonial mais importante, feita em vários momentos: na festa da puberdade feminina; após expedições guerreiras; ou por si só. É a maior demonstração pública da força e energia masculina. Recomeçar a prática da corrida de toras dentro do Parque do Xingu teve um significado crucial no processo da reconstrução social. Durante muitos anos, os Panará não fizeram a Casa dos Homens no Parque Indígena do Xingu, sob alegação de que não havia meninos. De fato, só após sua última mudança dentro do Parque, quando se instalaram na aldeia no rio Arraias, fizeram uma. Não é por acaso que no mesmo momento em que se sentiram capazes de fazer a Casa dos Homens também começaram a ensaiar a retomada das suas terras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos rituais são realizados cada qual de acordo com a ocasião. Desde cedo as crianças têm suas orelhas furadas e, dos meninos, além das orelhas, furam-se os lábios. Além dos furos são feitas escarificações, todos permeados pelo respectivo ritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na ordem cosmológica panará, a floresta, os rios, os igarapés e os lagos são fontes não só de recursos materiais, mas a base da ordem social. Os antepassados míticos, que deram seus nomes aos Panará e ao mundo, foram seres &amp;quot;consorciados&amp;quot;, formados a partir da combinação de animais e gente panará. Os mortos, na aldeia dos mortos, embaixo da terra, criavam muitos animais que ofertavam aos vivos, para criar e matar, em ritos de sacrifício destinados a ordenar as relações de troca entre clãs.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot; style=&amp;quot;min-height: 280px;&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;side-left&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/937604-3/VO_189313_1024p.jpg&amp;quot; tagname=&amp;quot;img&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exposição virtual - Cultura material Panará ===&lt;br /&gt;
O Weltmuseum Wien é guardião de trinta e um objetos Panará, que foram recolhidos pelo bohêmio Johann Baptist Emanuel Pohl (1872-1834). Nesta exposição virtual mostramos alguns deles.&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/v/publico/institucional/acervos-weltmuseum-wien/acervo-panara/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Acesse a exposição&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Pedro Martinelli, 1973.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226084-1/panara_12.jpg }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A economia tradicional dos Panará, antes da transferência para o Xingu, baseava-se numa exploração extensa, porém ecologicamente equilibrada, dos recursos naturais. O sistema cerimonial ordenava longas expedições de caça, com grupos de homens andando por semanas na floresta caçando e moqueando carne para trazer para a aldeia. Era comum na estação seca, a dispersão das aldeias em grupos menores que iam pescar, caçar ou buscar frutas, acampando na floresta. A coleta de taquara para fabricar flechas também era feita por grupos grandes, que caminhavam muitos dias que além das taquaras, iam atrás da safra de castanha Transferidos do Peixoto Azevedo para o Parque Indígena do Xingu, os Panará continuaram caçando, pescando, plantando e realizando a coleta de frutos, mas as condições ecológicas do Xingu, por serem bem diferentes da encontrada em suas florestas originais reduziu em muito a variedade de seus alimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Panará plantam milho, batata, cará, várias espécies de banana, mandioca, abóbora e amendoim. Nas terra férteis do Peixoto e do Iriri as mesmas bananeiras dão frutos durante anos a fio, enquanto no Xingu requeriam pés novos a cada ano. A dificuldade do trabalho sem ferramentas de aço foi suplantada com a aquisição de facas, facões e machados. O fascínio por esses instrumentos levou os Panará a atacarem o inglês Richard Mason, em 1961, a procurarem a Base Aérea do Cachimbo, em 1967, e a aceitarem o contato com Cláudio Villas Bôas, em 1973. Facas e miçangas eram os únicos despojos levados dos inimigos mortos nas guerras com os Kayapó. No contato com os brancos, no primeiro momento em que ganharam muitos machados de aço, os Panará jogaram seus machados de pedra no rio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesca ocorre tanto no período de cheia ou de seca, já que as técnicas de captura dos peixes variam de acordo com o nível da água: timbó na estação de águas baixas e arco e flecha nas águas cheias. A caça é a atividade masculina mais prestigiada. Anta, macaco-prego, macaco-aranha, paca, jacu, mutum e outros galináceos são abatidos com arco, flecha e borduna. Sobretudo o conhecimento dos animais e do ecossistema, mais do que força ou tecnologia, garante os resultados das empreitadas. Como coletores, os Panará valorizam muito as diversas qualidades de mel que recolhem, comendo-o puro, misturado com açaí, ou diluído n'água. Apreciam também mamão bravo, cupuaçu, cacau selvagem, caju, buriti, tucum, macaúba, inajá, mangaba, pequi e a importante castanha-do-pará, coletada entre novembro e fevereiro, justamente no período em que as roças já foram plantadas mas não começaram a produzir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Panará todo o processo de produção de subsistência é organizado pelas relações sociais. O trabalho diário de cada família nuclear - a mulher colhendo mandioca ou outras plantas da roça, o homem indo caçar ou pescar - dá conteúdo a um ciclo ritual transcendente, através do qual toda a força do trabalho coletivo é mobilizada por complexos pedidos e prestações mútuas de serviços entre clãs, culminando na preparação coletiva de uma grande quantidade de mandioca ou milho, que tem como complemento o resultado de uma caçada coletiva que dura até semanas. No desfecho da cerimônia, todos preparam um imenso paparuto (massa de mandioca ou milho recheada com carne, embrulhada em folhas de bananeira e assada em forno de chão), aquilo que se come todo dia, para divisão entre os clãs e conseqüente consumo. Não ter caça significa, a longo prazo, que não há como manter a arquitetura social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma, a roça é não só um espaço altamente socializado como também um campo de trabalho material e social fundamental. Parte daí a explicação da forma geométrica das roças que tanto deixaram perplexos os integrantes das frentes de atração. O desenho circular da roça, com certas plantas na periferia, e suas linhas, às vezes cruzadas, de bananeiras ou milho cortando o centro, é uma reprodução (parcial) do espaço da aldeia, com oposição entre centro e periferia, usando os mesmos conceitos de espaço que orientam a pintura corporal e o corte de cabelos, sempre em ressonância com o sistema social. O crescimento do milho e do amendoim são referências temporais para os ritos de perfuração das orelhas, do lábio inferior dos homens e de escarificação das coxas, que, por sua vez, articulam-se com o ciclo de trocas entre os clãs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A questão dos recursos naturais é crucial para se compreender porque era um problema viver no Xingu. Sob o ponto de vista deles, não só estavam em terra alheia como em terra pobre. No Parque Indígena há menos caça do que no Peixoto de Azevedo, várias frutas que eram objetos importantes da coleta - inclusive a castanha - não existem, a terra é menos fértil e a roça rende menos e esgota-se mais rápido. Enquanto viviam no Xingu, os Panará não cansavam de repetir que sua sociedade era um simulacro, uma versão reduzida, inferior e empobrecida da sociedade como fora outrora no Peixoto de Azevedo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
O Verbete Panará, elaborado pela equipe da Enciclopédia dos Povos Indígenas do ISA, em grande parte foi baseado na tese do Antropólogo Stephan Schwartzman , “The Panará of The Xingu National Park: the transformation of a society”, defendida em 1988 pela Universidade de Chicago. Essa tese traz um minucioso quadro sobre a vida e transformação social ocorrida com os Panará desde antes de sua transferência até o estabelecimento no Parque Indígena do Xingu. O antropólogo trabalha junto aos Panará desde 1980 e produziu, além da tese, artigos, relatórios e diagnósticos sobre o povo Panará (ver fontes de informação).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra fonte de informação utilizada nesse verbete foi o livro “Panará: a volta dos índios gigantes”, dos jornalistas Ricardo Azambuja Arnt, Lúcio Flávio Pinto e Raimundo José Pinto , com ensaio fotográfico e relato de Pedro Martinelli.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARAÚJO LEITÃO, Ana Valéria Nascimento (Org.). A defesa dos direitos indígenas no judiciário : ações propostas pelo Núcleo de Direitos Indígenas. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1995. 544 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARNT, Ricardo. Índios gigantes : uma história com um grande final feliz. Super Interessante, São Paulo : Abril, v. 10, n. 12, p. 36-45, dez. 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; PINTO, Lúcio Flávio; PINTO, Raimundo; MARTINELLI, Pedro. Panará : a volta dos índios gigantes. São Paulo : ISA, 1998. 166 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ASSOCIACAO IPREN-RE DE DEFESA DO POVO MEBENGOKRE. Currículo do Curso de Formação de Professores Mbengokre, Panará e Tapayuna Gorona. s.l. : Associação Ipren-Re, 2001. 92 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BARUZZI, Roberto Geraldo. et al. The Kren-Akorore : a recently contacted indigenous tribe. In: HUGH-JONES, Philip (ed.). Health and disease in tribal societies. Amsterdam : Ciba Foundation, 1977. p. 179-200. (Ciba Foundation Symposium, 49, Excerpta Medica).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; RODRIGUES, Douglas et al. Saúde e doença em índios Panará (Kreen-Akarore) após vinte e cinco anos de contato com o nosso mundo, com ênfase na ocorrência de tuberculose (Brasil Central). Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Fiocruz, v. 17, n. 2, p. 407-12, mar./abr. 2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COHEN, Marleine. O caminho de volta : a saga dos gigantes Panará. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 601-9.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COWELL, Adrian. The tribe that hides from man. London : Pimlico, 1995. 312 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DOURADO, Luciana Gonçalves. The advancement of obliques in Panará. Santa Barbara Papers in Linguistics, Santa Barbara : UCSB, v. 10, , 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Aspectos morfossintáticos da língua Panará (Jê). Campinas : Unicamp, 2001. 240 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Estudo preliminar da fonêmica Panará. Brasília : UnB, 1990. 61 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Fenômenos morfofonêmicos em panará : uma proposta de análise. Boletim do MPEG, Série Antropologia, Belém : MPEG, v. 9, n. 2, p. 199-208, 1995.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;EWART, Elizabeth J. Living with each other : selves and alters amongst the Panará of Central Brazil. Londres : Univ. of London, 2000. 364 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GIRALDIN, Odair. Cayapó e Panará : luta e sobrevivência de um povo. Campinas : Unicamp, 1994. 208 p. (Dissertação de Mestrado)Publicado pela Ed. da Unicamp na Série Pesquisas em 1997 com o mesmo título.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GUEDES, Marymarcia. Siwiá Mekaperera-Suyá : a língua da gente - um estudo fonológico e gramatical. Campinas : Unicamp, 1993. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HEELAS, Richard Hosie. The social organisation of the Panara, a Ge tribe of Central Brazil. Oxford : Univ. of Oxford, 1979. 405 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LEA, Vanessa R. Laudo histórico-antropológico relativo ao Processo 00.0003594-7 - Ação Originaria de Reivindicação Indenizatória na 3ª Vara da Justiça Federal do Mato Grosso. São Paulo : s.ed., 1994. 130 p. (AI: Parque Indígena do Xingu)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LOFREDO, Sônia Maria; RODRIGUES, Douglas et al. Investigação e controle de epidemia de escabiose : uma experiência educativa em aldeia indígena. Saúde e Sociedade, São Paulo : Faculdade de Saúde Publica, v. 10, n. 1, p. 65-86, jan./jul. 2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MÜLLER, Cristina; LIMA, Luiz Octávio; RABINOVICI, Moisés (Orgs.). O Xingu dos Villas Bôas. São Paulo : Agência Estado, 2002. 208 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NUNES, Maria Angélica de Lima. Estudo da resposta humoral a antígenos de plasmódios em índios Panará. São Paulo : USP/ICB, 1999. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCHMIDT, Marcus Vinicius Chamon (Coord.). O conhecimento dos recursos naturais pelos antigos Panará : levantamento de recursos naturais estratégicos da Terra Indígena Panará. São Paulo : ISA, 2002. 58 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCHWARTZMAN, Stephan. Laudo etno-histórico sobre &amp;quot;Os Panará do Peixoto de Azevedo e cabeceiras do Iriri : história, contato e transferência ao Parque do Xingu&amp;quot;. s.l. : s.ed., 1992. 44 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Panará : a saga dos índios gigantes. Ciência Hoje, Rio de Janeiro : SBPC, v. 20, n. 119, p. 26-35, abr. 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. The Panara of the Xingu National Park : the transformation of a society. Chicago : Univ. of Chicago, 1987. 436 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VERSWIJVER, Gustaff. Considerations of Menkrangoti Warfare. Rijks University, Gent: 1895.(Tese de doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VILLAS BÔAS, Cláudio; VILLAS BÔAS, Orlando. A marcha para o oeste : a epopéia da expedição Roncador-Xingu. São Paulo : Globo, 1994. 615 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VITÓRIA dos índios gigantes : concedida indenização aos índios Panará. Rev. do TRF-1a. Região, Brasília : TRF, v. 12, n. 2, p. 54-64, dez. 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;WURKER, Estela; WERNECK, Adriana (Orgs.). Priara jo kowkjya. São Paulo : ISA, 2002. 82 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;O Brasil grande e os índios gigantes. Dir.: Aurélio Michiles. Vídeo Cor, VHS, 47 min., 1994. Prod.: Elaine César; Instituto Socioambiental.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;huzzazWrapper&amp;quot; style=&amp;quot;width:100%; height: 1700px; margin: 0 auto;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; allowtransparency=&amp;quot;true&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;100%&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://huzzaz.com/embed/panar?vpp=12&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;100%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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{{#set:Crédito capa=Pedro Martinelli, 1973.}}&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Pará]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Mato Grosso]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kujubim&amp;diff=6627</id>
		<title>Povo:Kujubim</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kujubim&amp;diff=6627"/>
		<updated>2019-09-10T18:22:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Kujubim vivem no sudoeste amazônico, no estado de Rondônia, fronteira com a Bolívia. São um dos muitos povos indígenas que se encontram na área denominada “Grande Rondônia”, ainda pouquíssimo estudados ou mesmo conhecidos. Sua língua, kuyubi ou kaw tawo, pertence à família linguística txapakura. Apesar de terem sido considerados extintos pelo Estado brasileiro nos anos 1980, na perspectiva kujubim e de outros povos na região, eles nunca deixaram de existir e resistir. Desde a década de 2000, os Kujubim vêm retomando seu protagonismo no cenário regional e nacional, principalmente a respeito da demarcação de seu território tradicional e da reivindicação dos direitos constitucionais indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e população==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Crianças Kujubim na pescaria no Rio Guaporé. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_3.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Kujubim” é o nome pelo qual todos os indivíduos do grupo —  e mesmo os que não fazem parte dele — identificam a etnia. Segundo as matriarcas, já falecidas, que viveram diretamente no território tradicional deste povo, o nome “Kujubim” foi dado por integrantes da comitiva de Marechal Rondon que passaram pelo território indígena por volta de 1920, e atribuíram esse nome aos índios por morarem em um igarapé em que o pássaro cujubim (Pipile cujubi) era abundante.&lt;br /&gt;
A autodenominação do grupo no “tempo da maloca” (o período antes do contato), era Towa Panka que, segundo a matriarca Suzana, significa, na língua nativa, “cabeça branca”. O termo sugere uma relação simbólica já existente entre esse povo indígena e o pássaro cujubim, que tem o corpo todo preto e possui, apenas em sua cabeça, penas brancas. A explicação nativa para essa relação aparece em uma narrativa mítica, segundo a qual é o pássaro cujubim que traz as almas dos humanos para seus corpos quando nascem e as leva embora quando morrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os atuais Kujubim antes se separavam em três grupos distintos: Kumaná, Matawá e Kujona. Embora apresentassem diferenças entre si, os não índios da época os chamavam, indistintamente, de “Cautários”. A denominação deriva, muito provavelmente, da interpretação de um termo que ouviram dos Moré, grupo de relações históricas com o Kujubim, que atribuíam a esses últimos o nome “kaw tayo” — “comedores de peixe-cachorro”, na língua nativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right| Meninas coletando batatas. Foto: Gabriel Sanchez, 2018|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_7.jpg?m=1566935075}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O censo da Sesai registrou, em 2014, 140 indivíduos kujubim, o que representa um crescimento de cerca de 2% ao ano desde o levantamento realizado pela Funasa em 2010, que contabilizou 129 pessoas. Para efeito de comparação, a taxa de crescimento anual média do período no Brasil foi aproximadamente 0,9%, segundo o Banco Mundial. A população kujubim vem aumentando ano a ano, principalmente por conta de casamentos interétnicos com outros povos indígenas que vivem na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, com quilombolas da região de Santo Antônio, em Costa Marques (RO), e com não índios. Os descendentes desses casamentos não deixam de ser identificados como Kujubim. Esse cenário de aumento populacional é muito importante e significativo para o povo, principalmente pelo fato de que, nos anos 80, os Kujubim haviam sido considerados extintos pelas fontes oficiais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_19.jpg?m=1567458844}} &lt;br /&gt;
A língua kujubim pertence à família linguística txapakura e foi classificada por Duran (2000) como “kuyubi” ou “kaw tayo”. As únicas falantes da língua kuyubi das quais se teve notícias — e com quem  foi possível realizar estudos linguísticos — foram as três matriarcas, Suzana, Rosa e Francisca, já falecidas. Nos dias atuais, a comunicação oral na língua se reduz a palavras de uso cotidiano, como “tok ta” (chicha, uma bebida fermentada de mandioca), e aos nomes de animais presentes em seu dia a dia, como imin (anta), myak (queixada) e kinam (onça), sendo o português a língua predominantemente falada no território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2017, projeto “Documentação e Salvaguarda da Língua Moré-Kujubim” teve início, almejando a retomada do uso escrito e oral da língua nativa nas aldeias. Coordenada por Joshua Birchall (do Museu Paraense Emílio Goeldi), que produz atividades e oficinas com os Kujubim e demais etnias na região, a ação recupera o repertório de palavras kujubim falado atualmente. Por meio de estudos linguísticos, realizados a partir de gravações, trabalhos científicos e anotações de viajantes, foi possível registrar cerca de 800 palavras da língua kuyubi em uso hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal língua era compartilhada pelos grupos matawá, kumaná e kujona, que se fundiram nos atuais Kujubim durante o século XX. Dados de um dialeto chamado kumaná, coletados pelo etnólogo alemão Emil Snethlage nos anos 1930, mostram uma semelhança notável com a língua kujubim, o que reafirma a possibilidade de se tratarem do mesmo grupo no passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_18.jpg?m=1567457995}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um estudo sobre o proto-txapakura, Angenot-de Lima (1997) havia considerado que o “kuyubi”, dialeto falado pelas três matriarcas, seria uma “nova” língua, muito próxima daquela falada pelos Moré, o povo indígena de relações históricas com os Kujubim que mora na margem esquerda do rio Guaporé, no lado boliviano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho de Duran (2000), que melhor investiga a língua, indica que o kuyubi e o moré possuem apenas algumas variações dialetais no uso de consoantes, mas em geral são quase idêntico entre si,  considerando que foram raríssimos os lexemas não reconhecidos como existentes em ambas as línguas. Além disso, em relação ao sistema gramatical kuyubi, não foi identificada nenhuma construção sintática nem morfológica que não exista também no moré.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um estudo recente, Birchall et al (2016) propõem uma divisão em subgrupos da família txapakura, a partir de uma releitura de classificações anteriores, colocando a língua kujubim num ramo designado “moreico”, juntamente com outras línguas, como o moré e o torá, que se diferenciam, por exemplo, do ramo “warico”, constituído pelas línguas wari’, oro win, wanyam, jarú e urupá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Homem Kujubim regressando do trabalho. Em suas costas, o paneiro, cesta comumente utilizada para carregar cultivos da roça. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180327_173956363.jpg?m=1567457792}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kujubim estão distribuídos por toda a extensão de Rondônia, com maior concentração de indivíduos no sudoeste e sul do estado, na divisa com a Bolívia. Eles residem, especialmente, em duas aldeias: Baía das Onças e Posto Indígena Ricardo Franco, na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, no município de Guajará-Mirim. O território, habitado por dez etnias,  foi demarcado em 1976 e homologado vinte anos depois. Muitas famílias kujubim também se encontram dispersas em áreas urbanas das cidades de Guajará-Mirim, Costa Marques, Porto Velho, Seringueiras e São Francisco do Guaporé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 2002, os Kujubim reivindicam, em assembleias e manifestações, a demarcação de suas terras tradicionais no alto e médio rio Cautário, entre os municípios de Guajará-Mirim e Costa Marques. O processo de demarcação  de seu território, a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/en/terras-indigenas/5366&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Cautário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, se iniciou em 2013 e, em 2019, ainda se encontra em seu primeiro estágio: a fase de identificação.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Kujubim em canoa na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|&lt;br /&gt;
http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180417_093249414.jpg?m=1567457792}} &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há indícios documentais — em mapas, relatórios e diários — de que os atuais Kujubim antes se separavam em três grupos distintos, chamados Kumaná, Matawá e Kujona. Todos falavam a mesma língua, apresentando apenas algumas variações dialetais, e trocavam cônjuges, alimentos e artefatos entre si. Esse dado também é amparado por informações de uma matriarca kujubim capturada por seringueiros na década de 1940. Embora os três grupos apresentassem algumas diferenças, os não índios da época não faziam distinções e os chamavam simplesmente de “Cautários”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contato desses grupos com os não índios se deu por volta do século XVIII. Segundo Denise Maldi, nesse período o rio Guaporé e seus tributários foram uma barreira “natural” na fronteira entre duas coroas ibéricas na América colonial. Isso conferiu à região um tipo de ocupação fortemente comprometida com a defesa e a posse de territórios de dois reinos tradicionalmente rivais, considerando, por exemplo, a construção do monumental Forte Príncipe da Beira, vizinho das terras tradicionalmente ocupadas pelos Kujubim (Métraux, 1948). A política indigenista do período colonial, que insistia na ocupação fronteiriça, expressava o interesse de manter os índios em suas terras para, dessa forma, garantir a segurança do território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do século XVIII, quando os movimentos de libertação nas Américas começaram a tomar corpo e os limites territoriais das colônias já não funcionavam muito bem, a região passou a ser esvaziada rapidamente. Contudo, o contato entre os Kujubim e os não índios nesse período foi o suficiente para ocasionar o quase desaparecimento desse povo, que se reduziu a algumas dezenas de indivíduos, principalmente por conta das doenças infecciosas trazidas pelos não indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no século XIX, o engenheiro Ricardo Franco registrou que o contato com os índios “Cautários” estava sendo retomado aos poucos. A partir do início do século XX, a região voltou a ser invadida em razão da demanda global por borracha, intensificando a chegada de figuras como madeireiros e seringueiros, e fazendo com que os povos indígenas remanescentes do primeiro contato fossem rapidamente incorporados à mão de obra local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por volta dos anos 1930, a área passou a ser ocupada com a instalação de inúmeros estabelecimentos para exploração de borracha e caucho, fazendo com que os povos que viviam tanto na margem esquerda quanto na direita (caso dos Kujubim) do rio Guaporé tivessem suas aldeias invadidas, sofressem com as epidemias e fossem obrigados a abandonar seus territórios tradicionais, instalando-se em barracões no entorno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Suzana, uma das matriarcas kujubim, afirmou que, antes mesmo do aparecimento dos seringueiros, uma comitiva do Marechal Rondon passara por sua terra, por volta dos anos 1920. Nessa mesma época, alguns anos depois, outros brancos foram chegando e espalhando doenças, principalmente gripe e sarampo, que quase acabaram com o povo. Suzana recordou que seus parentes se jogavam na água porque queimavam de febre. Contou, também, que seu povo era extremamente “bravo”, mas aos poucos foi se “amansando”, e começou a fazer trocas de objetos manufaturados com os não índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns Kujubim que sobreviveram a esses contatos iniciais conseguiram fugir para outras regiões, mas outros, que não morreram por conta das doenças, foram capturados por seringueiros e levados para os barracões de seringa de diferentes lugares, principalmente em Canindé, Esperança, Marçal, Ouro Fino e Santa Lurdes. Dessa forma teve início a dispersão dos Kujubim por Rondônia, assim como aconteceu com vários grupos nativos do vale do Guaporé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Cacique Valdino Kujubim (ao centro) e Sérgio Wajuru confeccionando uma flecha para pescaria. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_16.jpg?m=1567457970}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Juntamente com a invasão de seringalistas, missionários também começaram a contatar os Kujubim. Em algumas páginas de seu diário, o primeiro bispo de Guajará-Mirim e missionário, Dom Francisco Rey, dedicou alguns devaneios sobre a “visita à maloca dos índios do rio Cautário”: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
O primeiro rapaz que amansou os ‘Kumaná’ penetrando e ficando uma vez na maloca deles, chamou-se Francisco Bento (ajudante do Rivoredo em Paaca Nova). Acertou tão bem que o fizeram Tucháu na Maloca, festejando ele e querendo guardá-lo até o ponto que teve que fugir para escapar deles.  &amp;lt;small&amp;gt;(Diário de Dom Rey, “Visita à maloca dos índios do rio Cautário”, 07/08/1932, página 7)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Emil-Heinrich Snethlage, importante etnólogo alemão que dedicou anos à pesquisa com os povos que viviam (e vivem) ao longo de todo o rio Guaporé, também contatou os ancestrais dos Kujubim.&lt;br /&gt;
No início de 1934, Snethlage subiu o rio Cautário para visitar os Kumaná e registrou, nesse ano, que “restaram somente uns vinte e tantos desta tribo, inclusive dos que tinham ido para Canindé, centro dos seringueiros no Cautário”. Ao voltar, no final do ano, constatou: “[os Kunamá foram] reduzidos a 13 e a famada baia das Onças a onde não achei índios nenhuns”. Por esses motivos, Snethlage registrou que não foi possível recolher muitas informações sobre esse povo — uma vez que estavam beirando a morte, por conta das doenças —, mas que conseguiu coletar alguns artefatos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar dos anos, pouco se ouviu falar dos Kumaná, Matawa ou Kujona, os ancestrais dos atuais Kujubim. Aqueles que conseguiram sobreviver foram aos poucos se casando com indivíduos de outras etnias ou com não índios, e se espalhando ao longo de todo o território do rio Guaporé e seus afluentes, estabelecendo-se também em cidades banhadas pelo rio. Este cenário de esquecimento forçado da etnia resultou na falsa constatação, lançada pelos órgãos estatais de tutela aos índios, de que os Kujubim haviam sido extintos no território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história recente desse povo, da qual se tem registro, começou quando as três matriarcas proporcionaram, com a ajuda do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) em Rondônia, um encontro fundamental na “I Assembleia do povo Kujubim”, em 2002. Reuniram-se nessa data  para começar a luta pela identificação e demarcação de seu território tradicional e contar, para netos, filhos e bisnetos, um pouco da esquecida história kujubim e dar início, então, à retomada dos aspectos históricos e territoriais da sua existência.&lt;br /&gt;
A maioria dos indivíduos deste grupo possui histórias muito diferentes e não teve a oportunidade de dividir um espaço compartilhado. Embora essa configuração de dispersão espacial tenha afetado a estrutura social do grupo, os Kujubim seguiram resistindo e se organizando política e socialmente em torno de um resgate de seus modos de vida tradicionais. Os Kujubim que moram nos municípios próximos aos rios Guaporé e Cautário reclamam constantemente da falta de agilidade para a demarcação da terra. Eles se recusam a ir para outras terras indígenas, como fizeram outros Kujubim, pois reconhecem somente o Cautário como sua terra tradicional. Nas cidades, os grupos indígenas não podem caçar e raras são as vezes em que a pesca é permitida, principalmente a de quelônios muito apreciados pelo grupo, como o tracajá. Reclamam e denunciam que, enquanto não é demarcada sua terra, da qual poderiam estar cuidando e fazendo um uso responsável, como todos seus “parentes” fazem de seus territórios, invasores não indígenas — como pescadores e madeireiros – a ocupam para extrair recursos de modo ilegal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para encaminhar assuntos dessa natureza, os índios criaram duas associações que têm por objetivo facilitar a garantia de seus direitos constitucionais: a AKIKÕ (Associação dos Povos Indígenas Kanoé e Kujubim), formada em fevereiro de 2001 em Ricardo Franco, e a AIPOK (Associação Indígena do Povo Kujubim), de 2013. A partir de então, os Kujubim começaram a fazer constantes assembleias e reuniões, juntamente com outros povos indígenas na região, em busca de seus direitos. Nessas assembleias, se discutem, junto ao Ministério Público Federal, possíveis melhorias nas áreas da educação, saúde e, principalmente, o andamento da demarcação da Terra Indigena.&lt;br /&gt;
Em 2016, os Kujubim chegaram a construir roçados dentro do território do Cautário, para começar uma ocupação em ritmo lento. Iniciaram a estruturação de uma moradia estilo chapéu de palha (construção regional típica, feita de palha de aricuri), mas não se sentiram seguros para a continuação do empreendimento, já que os seringueiros do entorno ameaçavam matá-los. Alguns dias depois, a casa foi, de fato, queimada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etno-história e território ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |As três matriarcas. Da esquerda para direita: Suzana, Rosa e Francisca. Foto: Cimi-RO, 2002.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_2.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Kujubim, existem pelo menos três histórias de seu povo, no plural. A primeira versão diz respeito ao período antes do contato (o “tempo da maloca”) e foi passada de geração em geração pelas matriarcas, permanecendo viva na memória coletiva do grupo até os dias atuais; outra coincide com o período do contato direto com seringalistas e definiu os rumos dos Kujubim antigos e atuais; e, por fim, a história recente, que se define pela retomada do território tradicional, iniciada pelas três matriarcas remanescentes do último período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas três mulheres, Suzana (Moao), Francisca (Sa’at ou Rite) e Rosa, são fundamentais para a história e a organização social e política dos Kujubim até hoje. Os relatos dessas mulheres são muito importantes para compreender quem são os Kujubim, uma vez que foram elas as únicas pessoas conhecidas que, até onde se sabe, viveram diretamente no tempo da maloca. Suzana era a mais velha e seu nome na língua nativa era Moao, que significa “cuia”, muito provavelmente pelo formato de sua cabeça. Suzana era filha de mãe kumaná e seu pai, Huaat, era matawá. Ela contava para seus familiares que, após a chegada dos brancos no rio Cautário, restaram apenas cerca de dez indivíduos de seu grupo e que todos eles, inclusive ela, foram levados para o barracão Canindé, de extração de seringa. O barracão era gerenciado por um capanga de João Rivoredo, seringalista de enorme protagonismo regional, responsável pela extração da borracha no rio Guaporé e também por escravizar e maltratar os indígenas no local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |A matriarca Suzana Kujubim. Foto: CIMI- RO, 2002.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_1.jpg?m=1566935006}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi no Canindé que Suzana teve que cuidar de Francisca (outra matriarca que apresentaremos mais adiante), que era muito pequena na época e perdera sua mãe e seu pai, Timikó, pajé e cacique dos Matawá. Alguns anos depois, elas conseguiram fugir de volta para a aldeia em que viveram alguns meses, até serem capturadas novamente por um seringalista chamado Alexandre Laia. Foi Alexandre que batizou Moao como Suzana e Sa’at como Francisca. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tempos depois, Suzana se casou com Antônio Laia, que também foi um índio batizado e capturado por Alexandre Laia perto do rio Cautário. Depois de seu casamento, Suzana teve que abandonar Francisca e passou a viver junto das comitivas de seringalistas, deslocando-se de barracão em barracão e passando por diversas colocações de corte de seringa, como, por exemplo, Porto Acre, município no nordeste acreano. Por volta dos anos 1970, Suzana passou a viver no município de Costa Marques (RO), em uma terra que beira a Serra Grande, e cerca de trinta anos depois faleceu em Guajará-Mirim. Atualmente, duas das filhas de Susana vivem em Costa Marques e uma delas em Guajará Mirim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Francisca, a segunda matriarca citada, possuía dois nomes na língua originária: Sa’at (“Gaivota”) e Rite (“Banana”). Viveu simultaneamente com Suzana em algumas colocações até se casar com Sebastião, nome de batismo de um índio da etnia [[Povo:Chiquitano|Chiquitano]]. Francisca e Sebastião desceram o rio Guaporé e se instalaram em um igarapé que faz divisa com a Baía das Onças, onde viveram por anos trabalhando para uma família de seringueiros chamada Canuto. Depois que a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; foi demarcada, por volta de 1976, Francisca e Sebastião, juntamente com seus cinco filhos, atravessaram o igarapé e foram viver junto de uma família [[Povo:Makurap|Makurap]], no território que hoje é a Baía das Onças, ocupado predominantemente pelos [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]]. Deste modo, a matriarca e seu marido passaram a viver na TI Rio Guaporé juntamente com outras etnias e por lá se estabeleceram. Os filhos de Francisca vivem todos na Terra Indígena, exceto um, que vive em Costa Marques. A matriarca faleceu em 2012, na Aldeia Ricardo Franco, e foi enterrada no próprio cemitério da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de Rosa, a terceira matriarca, ainda carece de investigação. O que se sabe é que ela sempre viveu na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3853&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Sagarana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, também em Rondônia, vizinha da TI Guaporé, onde se casou com um índio [[Povo:Kanoê|Kanoê]] e teve seis filhos. &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização política ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A assembleia kujubim promovida em 2002 impulsionou a luta deste povo pelo seu reconhecimento perante o Estado e o resgate de seu território tradicional. O encontro repercutiu nos mais de 140 indivíduos que vivem suas histórias separadamente, mas com o desejo comum de pôr em prática seus costumes e modos de vida tradicionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, há uma dificuldade maior para os Kujubim que vivem na cidade nesse processo: sem a terra, sem o espaço tradicional, eles não podem reproduzir seus modos de vida e suas práticas materiais e simbólicas. Os Kujubim que vivem na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; conseguem fazê-lo, devido à convivência e às trocas culturais com outras etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a principal dificuldade de continuidade no processo de demarcação se deve ao fato de que o território é muito cobiçado por diversos grupos não indígenas da região, que envolvem serrarias clandestinas, fazendeiros e também a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://uc.socioambiental.org/arp/1322&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Reserva Extrativista (Resex) do Rio Cautário&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (de responsabilidade do ICMBio). Os Kujubim acreditam que, com a conclusão da demarcação, terão condições melhores de vida e conseguirão os direitos necessários para poder criar seus filhos dentro da aldeia, com a instalação de uma escola e de um posto de saúde. Além do mais, eles dizem que não iriam só os Kujubim para aquela terra, também iriam outras etnias que se apoiam, como os [[Povo:Kanoê|Kanoê]], [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]] e [[Povo:Wajuru|Wajuru]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização política dos Kujubim se faz por meio das lideranças, tanto nas cidades como nas aldeias. Aquele que é cacique ou liderança sempre deve exercer protagonismo político em prol do grupo, mas há uma diferença qualitativa substancial entre ambos os papéis. Lideranças são responsáveis por questões que concernem a totalidade do grupo, como alavancar o movimento de retomada do território ou mobilizar os Kujubim de todo o estado para tratar assuntos diretamente com os brancos e suas instituições, como a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) e a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (SEDUC). Os caciques, por sua vez,  são líderes de âmbito local, mais ligados à solução de pequenos conflitos, realização de oficinas, liderança nos trabalhos coletivos, entre outras práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, há uma diferença de alcance político de quem exerce a função de cacique ou de liderança. Pode acontecer, também, de as relações políticas serem complexificadas. Na aldeia Ricardo Franco, por exemplo, existe uma liderança geral e dez caciques representando as dez etnias diferentes que ocupam o território.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material e atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Fabricação da esteira iwi em uma oficina realizada na Aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_4.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; possui seis aldeias, não muito distantes umas das outras, e é conhecida por sua complexa diversidade multiétnica e multilinguística, definida por Denise Maldi como “Complexo Cultural do Marico”. Atualmente, dez etnias vivem no território, divididas em seis famílias linguísticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse complexo cenário é explicado etnograficamente pelo trabalho do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que, dos anos 1930 até 1970, retirava os povos de suas malocas tradicionais e os redirecionava para dentro do local que é hoje conhecido como Posto Indígena Ricardo Franco. Mais do que tentar reduzir culturas, histórias e cosmologias diversas a algo único, o SPI encurtava seu dever de garantir um território contínuo, obrigando pessoas de etnias diferentes a se casarem umas com as outras e a viverem juntas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a partir dessa nova organização e das novas relações sociais que se estabeleceu uma intensa rede de trocas de cônjuges, substâncias, elementos da cultura material, histórias e mitos entre os povos indígenas na região, até os dias de hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as etnias que vivem nas proximidades compartilham da mesma forma de construir casas, feitas de esteio de intaúba e cobertas com as palhas do aricuri. São nessas construções que se realizam festas coletivas, e que se guardam arcos e flechas, artesanato e uma série de artefatos da vida material, como o “marico” — bolsa feita de linha de tucum para carregar objetos e produtos da roça (Maldi, 1991). É interessante notar que também existem peculiaridades de cada etnia: os Kujubim, por exemplo, trançam a esteira de palha do aricuri ligando apenas um ponto da trança, enquanto os [[Povo:Wajuru|Wajuru]] e [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]], por sua vez, fazem dois pontos de costura. As flechas e arcos são um padrão que se mantém hoje em dia na TI Guaporé, sendo as primeiras feitas com chichiu, com a ponta de pupunha ou prego, e os arcos seguem um padrão regional de pupunha lapidada do tamanho do homem que irá utilizar a arma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma série de práticas e saberes que foram se tornando, também, um certo padrão regional, e o principal se refere à chicha, bebida fermentada produzida a partir da macaxeira (mandioca “mansa”) e cujo consumo configura os grandes momentos de sociabilidade dentro do sistema regional. Os Kujubim bebiam, no tempo da maloca, chicha de milho e de pupunha. A partir do convívio com outras etnias e da edificação desse sistema regional, todos os grupos passaram a fazer a chicha de macaxeira mansa e a consideram como a bebida de todos os povos dali, muito ligada à identidade e à sociabilidade locais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atividades produtivas ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Casal coletando gongo do aricuri em sua roça na Baía das Onças, TI Guaporé. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_10.jpg?m=1566935731}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto no tempo da maloca como no presente, os Kujubim produziam e produzem sua subsistência por meio da caça, da coleta de frutos e sementes silvestres, da pesca e da agricultura de coivara. Isso também se estende para os indígenas deste povo que vivem na cidade, onde fazem a coleta de açaí e castanha e plantam milho e macaxeira, sendo que a farinha que fazem para consumo desta última também é dedicada à venda em pontos comerciais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não se tenha uma divisão de gênero seguida à risca em relação aos trabalhos, há um consenso de que a pesca e a caça são práticas predominantemente masculinas, assim como os cuidados com a roça e com o âmbito doméstico sejam preferencialmente femininos. Há, também, trabalhos que podem ser realizados igualmente por ambos os gêneros, como mutirões para a abertura de roçados. Nas roças, eles plantam macaxeira, mamão caiana, milho, cará, batata, banana, melancia, jerimum, abacaxi, feijão, arroz, entre outros alimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Homem Kujubim confeccionando farinha d’água na Aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180613_120441770.jpg?m=1567457791}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As caçadas, assim como as pescarias, são realizadas por pequenos grupos de homens, entre dois e quatro indivíduos. Eles costumam sair logo cedo da aldeia e retornar no fim da tarde, quando os resultados são aguardados por grupos familiares nucleares, mas que, a depender da quantidade de carne obtida, podem ser distribuídos para toda a aldeia. Eles caçam mamíferos como macacos, antas, queixadas, caititus, pacas e cotias; aves como o mutum, jacu, jacamim e pato do mato; e répteis, tais como os quelônios, são muito apreciados e pescados, assim como uma grande quantidade de espécies de peixes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Parentesco e nominação ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Casa na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_20.jpg?m=1567458896}}&lt;br /&gt;
Os Kujubim, contaram as três matriarcas, possuíam lógicas matriarcais de nomeação e moradia e, neste sentido, a transmissão de nomes era feita por via materna. Quando havia casamentos, os homens tinham que abandonar suas casas e morar juntamente com a família da moça. Isto é, a residência pós-marital era uxorilocal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois que o SPI começou a juntar as etnias e forçar o casamento entre elas, passou-se a uma lógica de transmissão de nomes por via paterna, principalmente pelo sobrenome. Deste modo, há mais ou menos vinte anos atrás, se uma mulher kujubim se casasse com um kanoé, o filho receberia apenas o sobrenome kanoé. Nos dias de hoje, entretanto, todas as crianças e alguns adolescentes já recebem a dupla filiação, e todos têm dois sobrenomes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como nesse caso da uxorilocalidade, alguns aspectos do tempo da maloca estão sendo retomados atualmente. Antigamente, um indivíduo kujubim poderia ter até cinco nomes, sendo eles tecnônimos ou necrônimos, e também nomes que se referem a seres não humanos. Contudo, o que é fortemente marcado no caso kujubim diz respeito à nomeação de acordo com as características humanas que se refletem em objetos, animais e vegetais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, é muito difícil ouvir, na rotina da aldeia, os nomes das pessoas, porque estas são conhecidas e chamadas por seus apelidos. Como no caso do tempo da maloca, os apelidos também se referem a características humanas correlacionadas com aquelas de seres não humanos: Lebrão (pernas longas), Uru (pássaro conhecido por ser sovino no mito, cujo nome apelida um homem com essas características) e Lontra (dorme na sujeira, já que as casas das lontras só têm espinha de peixe e as dos humanos, quando sujas, também) são exemplos disso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia e mitologia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cosmos, para os Kujubim e os demais povos da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, é dividido em estratos concebidos como planos ou domínios. A terra é um domínio, assim como o vento, o céu, o ar, o rio e a água, as aldeias celestes, as aldeias nas copas das árvores, os sonhos e muitos lugares que servem, sobretudo, para operar uma divisão no universo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São nessas divisões de um amplo cosmos que os Kujubim se relacionam com diferentes seres — animais, plantas, espíritos, fenômenos meteorológicos e também seres monstruosos, como o Mapinguari e o Pai da Mata. Trabalhar nas roças, caçar, pescar, e mesmo viver na aldeia, faz com que eles estejam sujeitos, a todo momento, a encontros com esses seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A socialidade, para os índios, extrapola as relações humanas, porque todos os seres são dotados de espírito — ou alma. Comer carne de tartaruga quando se tem um filho pequeno faz com que o corpo da criança fique vulnerável para que o espírito da tartaruga o ataque, lançando doenças. Se caçarem animais demais, os donos desses animais ficarão furiosos, criando um motivo para que o caçador fique panema, lançando também flechas em formato de doença. Além disso, os donos retiram seus animais de determinada região, tornando mais difícil encontrá-los pelas redondezas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autodenominação “Towa Panka”, como já mencionado, remete à relação simbólica entre os Kujubim humanos e o pássaro cujubim. Uma das histórias narradas por um velho kujubim revela: “o sol baixava três vezes do dia e nesse tempo o Deus aparecia para entregar o espírito de quem nasceu e levar embora o de quem morreu”. Cujubins são deuses para os Kujubim, pois eles possuem um papel fundamental: levar os espíritos para seus corpos quando nascem, e também em levá-los de volta para o paraíso celeste, quando morrem. Neste sentido, os cujubins são seres especiais que extrapolam os planos cósmicos, indo da vida até a morte, passando pelas aldeias celestes e também vivendo juntamente com os humanos nas aldeias terrestres. Ele, claramente, jamais poderia ser comido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual e xamanismo ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Pintura com jenipapo na aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_11.jpg?m=1566935749}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como se configura no padrão regional, os pajés Kujubim do tempo da maloca utilizavam as sementes do angico como substância psicoativa para permitir o acesso a outros planos cósmicos. As sementes do angico são maceradas e misturadas com cascas de árvores e fumo, sendo, então, aspiradas através de um graveto denominado taboquinha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os pajés aspiravam a substância a fim de subir às aldeias celestes, lançando flechas umas sobre as outras para formar correntes, até chegarem ao céu. Também batalhavam com seres celestes como a grande cobra arco-íris e o ser que atacava as mulheres nas roças engravidando-as, chamado Tupiran.&lt;br /&gt;
Hoje, a pajelança ainda é utilizada nas aldeias da TI Rio Guaporé, mas não é praticada por nenhum Kujubim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Rituais de iniciação ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Criança Kujubim aprendendo a trançar a esteira (iwi) com palha. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_17.jpg?m=1567457986}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre os rituais de iniciação, esses são os mesmos dos tempos da maloca para os Kujubim. As mulheres iniciam a vida adulta marcadamente após a primeira menstruação. Elas devem ficar de resguardo dentro de casa por uma semana até que seu ciclo acabe. Se isso não acontece, ficam sujeitas aos espíritos malignos e correm o risco de se tornarem preguiçosas e irritadiças. Também não podem ser vistas pelo arco-íris, já que a jiboia que vive nele (ou, ao mesmo tempo, que é o próprio arco-íris) pode jogar uma flecha na mulher, fazendo com que ela fique doente e o seu futuro ciclo reprodutivo fique ameaçado e sob controle do espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já os homens, aos seis anos, idade em que começam a frequentar a escola, também iniciam o aprendizado de fabricar flechas e flechar. Aos doze anos, eles são iniciados pelo pajé com sumo de jenipapo para que sua voz não engrosse muito e, ao mesmo tempo, não fique fina. Enquanto tomam o jenipapo, devem imitar diversos animais, entre eles a anta, queixada, caititu, e nambu para, depois, praticarem sua primeira caçada. A primeira presa deve ser compartilhada com todas as pessoas e o caçador não deve comer nem um pedaço sequer; se o fizer, ficará panema para o resto da vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O casamento é também visto como um ritual de passagem. No tempo da maloca, os casamentos kujubim eram marcados pela furação das bochechas e nariz. Usava-se espinhos de coco do mato como adorno, um de baixo da boca e dois nas bochechas. Isso basicamente fazia parte da construção do corpo, principalmente no que se refere a certos avanços da vida marcados pelos rituais de passagem. Quando ia se casar, o homem tinha que lutar com o pai da moça com uma espada feita de pupunha; se vencesse, tinha que estar pronto para passar duas semanas caçando e trabalhando na roça, sem que voltasse à aldeia, para acumular produtos para a realização de uma grande festa.&lt;br /&gt;
Sobre pinturas corporais, uma das matriarcas dizia que, para se proteger dos espíritos que lançavam doenças,  devia se pintar com jenipapo e passar óleo de tucumã no cabelo. Nos dias de hoje, as pinturas são realizadas apenas em dias festivos e são reservadas especialmente às mulheres e crianças. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas “originais” dos Kujubim ainda são recordadas. Eles contam que, nos dias de festas, pintavam os braços, as pernas e o rosto com jenipapo e urucum. A pintura do braço se baseava em um padrão intercalando linhas retas, sendo uma linha maior na vertical e cruzada por várias linhas na horizontal, bem menores. A pintura da perna se tratava de duas linhas retas paralelas na vertical, sendo que, em suas extremidades do lado de fora, vinham traços que formavam triângulos seguidos uns dos outros. Apintura facial, por sua vez, consistia em quatro linhas paralelas. No meio delas, traçadas na horizontal, haviam pontos em sequência. Os indígenas também destacam as cores das pinturas: quando estavam em paz e festa, faziam pinturas em vermelho (urucum) e preto (jenipapo); mas quando iam caçar ou guerrear, pintavam somente de vermelho. Os Kujubim se pintavam, também, fazendo riscos em torno do nariz, que incorporavam o espírito do maracajá, um gato selvagem e pintado como as onças (kinam).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ritos fúnebres ===&lt;br /&gt;
No tempo da maloca, quando morria um parente, o corpo era colocado em uma urna funerária de barro vermelho, em posição fetal. Enterravam a urna dentro da maloca e em seguida queimavam a casa. O cujubim vinha resgatar o espírito para levá-lo até a aldeia celeste. Em seguida, uma nova casa era construída para a família que acabara de perder um parente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, ainda, outro aspecto fúnebre que chama atenção, e que muito tem a ver com os costumes ligados à morte nas culturas de língua txapacura: os mortos eram comidos. No caso dos Kujubim, e também dos Moré (Metraux 1948), eram comidas as cinzas dos parentes misturadas junto ao alimento, mas atualmente eles não sabem explicar o motivo para isso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Jovens pescando com arco e flecha na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_21.jpg?m=1567458896}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabe dizer que, até o momento, não se encontram estudos e pesquisas, do ponto de vista antropológico, sobre a história e a cultura do povo kujubim. Aliás, essa é uma situação muito comum a diversos povos que vivem hoje, ou já viveram, na área que o antropólogo Felipe Vander Velden classificou como “Grande Rondônia”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, sim, alguns relatos históricos sobre os Kujubim, mas a partir de outros nomes, como explicado na seção “Nome” deste verbete, cujos dados aparecem de maneira muito sucinta. É o caso, por exemplo, de um relato disponível em um diário do Bispo Dom Rey, que pode ser consultado na diocese de Guajará-Mirim/RO, e nos escritos do engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra, que datam de 1857. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à língua kujubim, podemos encontrar uma primeira aparição de dados a partir de estudos comparativos feitos por Cestmir Loukotka, publicados em 1963. Depois, a dissertação produzida por Angenot-De Lima sobre o tronco linguístico proto-txapakura em 1997. Mas é apenas Irís Rodrigues Duran (2000), em sua dissertação de mestrado, que apresenta dados mais desenvolvidos sobre a língua kuyubi, além de algumas poucas informações etnográficas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2017, Joshua Birchall (do Museu Paraense Emílio Goeldi) começou a coordenar um projeto com os Kujubim intitulado “Documentação e Salvaguarda da Língua Moré-Kujubim”, em que realiza oficinas para que o grupo possa resgatar e aprender sua língua. Juntamente a Michael Dunn e Simon Greenhill (2016), Birchall desenvolveu um artigo sobre a família linguística txapakura, designando à língua kujubim uma nova posição no interior do tronco linguístico. Ruth Monserrat trabalha a língua ao menos desde 2005 e, há pouco tempo, publicou um artigo (2018) a respeito da situação atual dos Kujubim em termos linguísticos, trazendo boas notícias sobre o acervo de palavras que eles possuem para começar a prática de sua língua, coletados não só por ela, mas também por outros linguistas, como Iris Duran e Hein van der Voort.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não cite diretamente os Kujubim, mas sim os Kumaná e os Kujona, a etno-historiadora Denise Maldi Meireles (1991) fez um precioso trabalho sobre os povos que habitaram e habitam o vale do Guaporé. No material, é possível ter ideia de como se deu a ocupação colonial no território e como os povos indígenas da região sofreram diretamente o impacto do contato, fazendo com que alguns desaparecessem, fossem extintos e mesmo provocando grandes deslocamentos de seus territórios tradicionais. Neste texto, a autora descreve a história do ponto de vista de diversas etnias indígenas e como elas fazem parte do que veio a ser chamado de “Complexo Cultural do Marico”. É possível dizer que, nos dias atuais, os Kujubim fazem parte desse complexo, mas é necessário que sejam atualizadas algumas informações a seu respeito, tendo em vista que muitas mudanças já ocorreram desde que foi pensado pela historiadora, como, por exemplo, a ausência de plantações de mandioca brava. Rápidas menções sobre os Kujubim como parte da TI do Rio Guaporé foram feitas por Nicole Soares Pinto (2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora na introdução do artigo Tribes of Eastern Bolivia and the Madeira headwaters, publicado em 1948 por Alfred Métraux, o autor prometa trazer dados etnográficos sobre os Kumaná, ao longo do texto só aparecem apenas alguns dados de forma espaçada e que se perdem em meio à diversas informações e dados sobre os Moré e os Huanyam, povos também txapakura. &lt;br /&gt;
Em um trabalho de Luis Leigue Castedo (1957), é possível ler um mito de origem moré que faz alusões históricas aos povos que viviam no rio Cautário e que podemos dizer se tratarem dos Kujubim. O autor, por meio do mito, comenta algumas relações que havia entre esses povos, que, ora eram de festejos regados à chicha e com abundância de comida, ora eram de inimizade, provocadas, principalmente, pela prática do canibalismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diário de Emil-Heinrich Snethlage, à época da escrita deste verbete, ainda não foi traduzido para o português, mas é possível encontrar alguns trechos no artigo Emil-Heinrich Snethlage (1897-1939): nota biográfica, expedições e legado de uma carreira interrompida de Gleice Mere (2013), em que há informações sobre os Kumaná. O etnólogo alemão também escreveu alguns diários que foram recém-publicados em alemão (2016) sobre sua viagem ao rio Guaporé, na qual é possível coletar algumas informações etnográficas sobre os Kumaná, Matawa e Kujona, relativas à onomástica, à língua e a certos aspectos cosmológicos. Com certeza essa obra apresenta um conjunto de dados riquíssimos para os povos do rio Guaporé, que, assim como os Kujubim, carecem de informações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessas fontes, é possível buscar, também, algumas informações contidas na coletânea de dados dos povos indígenas de Rondônia, organizada e publicada pelo Conselho Indigenista Missionário de Rondônia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, cabe dizer que um primeiro esforço antropológico, histórico e cultural, vem sendo feito e os resultados dele aparecem com a maioria dos dados contidos neste verbete. São informações primárias, de um recente trabalho de campo feito por Gabriel Sanchez, que investiga as relações entre os Kujubim e os seres que nossa biologia ocidental classifica como aves, e que estão sendo mais trabalhados e desenvolvidos para uma dissertação de mestrado em andamento, a ser apresentada na Universidade Federal de São Carlos, e provavelmente divulgada em novembro de 2019. Esses dados foram coletados a partir de um trabalho de observação participante, conversas informais e convivência diária junto aos Kujubim de Guajará-Mirim, Costa Marques, Aldeia Ricardo Franco e Aldeia Baía das Onças, que lutam pela demarcação de seu território tradicional, além de serem recolhidos preciosas informações das ainda vivas memórias das matriarcas Kujubim que permanecem sob as práticas e discursos de seus descendentes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ALMEIDA SERRA, Ricardo Franco de. Diario do Rio Madeira: Viagem que a expedição destinada a demarcação de limites fez do Rio Negro até Villa Bella, capital do Governo do Matto-Grosso. Revista do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro 20: 397-432. 1857.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* ANGENOT-DE LIMA, Geralda. Fonotática e fonologia do lexema protochapakura. Dissertação de mestrado apresentada ao curso de pós-graduação em linguística da Universidade Federal de Rondônia. 1997.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* BIRCHALL, Joshua; DUNN, Michael &amp;amp; GREENHILL, Simon. A combined comparative and phylogenetic analysis of the chapacuran language family. IJAL, vol. 82, nº 3. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* CIMI – RO. Panewa Especial. Porto Velho: CIMI – RO, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* DOM REY. “Visita à maloca dos índios do rio Cautário”. Diário pessoal. Diocese de Guajará-Mirim. 1932.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* DURAN, Iris Rodrigues. Descrição fonológica e lexal do dialeto kaw tayo (Kujubi) da língua Moré. Dissertação de Mestrado apresentada ao curso de pós-graduação em linguística da Universidade Federal de Rondônia. 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* LEIGUE CASTEDO, Luis. El Itenez Salvaje. La Paz: Ministério de la Educación. 1957.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* LOUKOTKA, Cestmir. Documents et vocabulaires inédits de langues et de dialectes sud-américains. Jounal de la Société des Américanistes 52:7-60. 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MALDI MEIRELES, Denise. O complexo cultural do marico: Sociedades indígenas dos rios Branco, Colorado e Mequens, afluentes do médio Guaporé. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Série Antropologia, 7: 209-69. 1991.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MERE, Gleice. Emil-Heinrich Snethlage (1897-1939): nota biográfica, expedições e legado de uma carreira interrompida. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciências humanas, vol. 8, nº3, pp 773-804. 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MÉTRAUX, Alfred. Tribes of Eastern Bolivia and the Madeira headwaters. Handbook of South América Indians, vol. 3, ed. Julian H. Steward, pp 381-454. Washington, D.C: Smithsonian Institution. 1948.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MONSERRAT, Ruh Maria Fonini. Memória das atividades realizadas junto aos povos Puruborá e Kujubim, Rondônia, constantes em dois relatórios de viagem do regional do CIMI/RO, de 2015 e 2017. Revista Brasileira de Linguística Antropológica. Vol, 10. Nº 1. 2018. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* SNETHLAGE, Emil-Heinrich. Die Guaporé – Expedition (1933 – 1935) Ein Forschungstagebuch. Rotger Snethlage, Alhard-Mauritz Snethlage &amp;amp; Gleice Mere (org.). Vienna: Bohlau Verlag. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* SOARES-PINTO, Nicole. Entre as teias do marico: parentes e pajés djeorometxi. Tese de doutorado defendida no programa de pós-graduação em Antropologia Social da UnB. 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* VANDER VELDEN, Felipe Ferreira. Os Tupí em Rondônia: diversidade, estado do conhecimento e proposta de investigação. Revista Brasileira de Linguistica Antropologica. Vol.2, nº 1. 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas em Rondônia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kujubim&amp;diff=6626</id>
		<title>Povo:Kujubim</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kujubim&amp;diff=6626"/>
		<updated>2019-09-10T18:20:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Kujubim vivem no sudoeste amazônico, no estado de Rondônia, fronteira com a Bolívia. São um dos muitos povos indígenas que se encontram na área denominada “Grande Rondônia”, ainda pouquíssimo estudados ou mesmo conhecidos. Sua língua, kuyubi ou kaw tawo, pertence à família linguística txapakura. Apesar de terem sido considerados extintos pelo Estado brasileiro nos anos 1980, na perspectiva kujubim e de outros povos na região, eles nunca deixaram de existir e resistir. Desde a década de 2000, os Kujubim vêm retomando seu protagonismo no cenário regional e nacional, principalmente a respeito da demarcação de seu território tradicional e da reivindicação dos direitos constitucionais indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e população==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Crianças Kujubim na pescaria no Rio Guaporé. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_3.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Kujubim” é o nome pelo qual todos os indivíduos do grupo —  e mesmo os que não fazem parte dele — identificam a etnia. Segundo as matriarcas, já falecidas, que viveram diretamente no território tradicional deste povo, o nome “Kujubim” foi dado por integrantes da comitiva de Marechal Rondon que passaram pelo território indígena por volta de 1920, e atribuíram esse nome aos índios por morarem em um igarapé em que o pássaro cujubim (Pipile cujubi) era abundante.&lt;br /&gt;
A autodenominação do grupo no “tempo da maloca” (o período antes do contato), era Towa Panka que, segundo a matriarca Suzana, significa, na língua nativa, “cabeça branca”. O termo sugere uma relação simbólica já existente entre esse povo indígena e o pássaro cujubim, que tem o corpo todo preto e possui, apenas em sua cabeça, penas brancas. A explicação nativa para essa relação aparece em uma narrativa mítica, segundo a qual é o pássaro cujubim que traz as almas dos humanos para seus corpos quando nascem e as leva embora quando morrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os atuais Kujubim antes se separavam em três grupos distintos: Kumaná, Matawá e Kujona. Embora apresentassem diferenças entre si, os não índios da época os chamavam, indistintamente, de “Cautários”. A denominação deriva, muito provavelmente, da interpretação de um termo que ouviram dos Moré, grupo de relações históricas com o Kujubim, que atribuíam a esses últimos o nome “kaw tayo” — “comedores de peixe-cachorro”, na língua nativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right| Meninas coletando batatas. Foto: Gabriel Sanchez, 2018|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_7.jpg?m=1566935075}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O censo da Sesai registrou, em 2014, 140 indivíduos kujubim, o que representa um crescimento de cerca de 2% ao ano desde o levantamento realizado pela Funasa em 2010, que contabilizou 129 pessoas. Para efeito de comparação, a taxa de crescimento anual média do período no Brasil foi aproximadamente 0,9%, segundo o Banco Mundial. A população kujubim vem aumentando ano a ano, principalmente por conta de casamentos interétnicos com outros povos indígenas que vivem na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, com quilombolas da região de Santo Antônio, em Costa Marques (RO), e com não índios. Os descendentes desses casamentos não deixam de ser identificados como Kujubim. Esse cenário de aumento populacional é muito importante e significativo para o povo, principalmente pelo fato de que, nos anos 80, os Kujubim haviam sido considerados extintos pelas fontes oficiais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_19.jpg?m=1567458844}} &lt;br /&gt;
A língua kujubim pertence à família linguística txapakura e foi classificada por Duran (2000) como “kuyubi” ou “kaw tayo”. As únicas falantes da língua kuyubi das quais se teve notícias — e com quem  foi possível realizar estudos linguísticos — foram as três matriarcas, Suzana, Rosa e Francisca, já falecidas. Nos dias atuais, a comunicação oral na língua se reduz a palavras de uso cotidiano, como “tok ta” (chicha, uma bebida fermentada de mandioca), e aos nomes de animais presentes em seu dia a dia, como imin (anta), myak (queixada) e kinam (onça), sendo o português a língua predominantemente falada no território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2017, projeto “Documentação e Salvaguarda da Língua Moré-Kujubim” teve início, almejando a retomada do uso escrito e oral da língua nativa nas aldeias. Coordenada por Joshua Birchall (do Museu Paraense Emílio Goeldi), que produz atividades e oficinas com os Kujubim e demais etnias na região, a ação recupera o repertório de palavras kujubim falado atualmente. Por meio de estudos linguísticos, realizados a partir de gravações, trabalhos científicos e anotações de viajantes, foi possível registrar cerca de 800 palavras da língua kuyubi em uso hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal língua era compartilhada pelos grupos matawá, kumaná e kujona, que se fundiram nos atuais Kujubim durante o século XX. Dados de um dialeto chamado kumaná, coletados pelo etnólogo alemão Emil Snethlage nos anos 1930, mostram uma semelhança notável com a língua kujubim, o que reafirma a possibilidade de se tratarem do mesmo grupo no passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_18.jpg?m=1567457995}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um estudo sobre o proto-txapakura, Angenot-de Lima (1997) havia considerado que o “kuyubi”, dialeto falado pelas três matriarcas, seria uma “nova” língua, muito próxima daquela falada pelos Moré, o povo indígena de relações históricas com os Kujubim que mora na margem esquerda do rio Guaporé, no lado boliviano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho de Duran (2000), que melhor investiga a língua, indica que o kuyubi e o moré possuem apenas algumas variações dialetais no uso de consoantes, mas em geral são quase idêntico entre si,  considerando que foram raríssimos os lexemas não reconhecidos como existentes em ambas as línguas. Além disso, em relação ao sistema gramatical kuyubi, não foi identificada nenhuma construção sintática nem morfológica que não exista também no moré.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um estudo recente, Birchall et al (2016) propõem uma divisão em subgrupos da família txapakura, a partir de uma releitura de classificações anteriores, colocando a língua kujubim num ramo designado “moreico”, juntamente com outras línguas, como o moré e o torá, que se diferenciam, por exemplo, do ramo “warico”, constituído pelas línguas wari’, oro win, wanyam, jarú e urupá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Homem Kujubim regressando do trabalho. Em suas costas, o paneiro, cesta comumente utilizada para carregar cultivos da roça. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180327_173956363.jpg?m=1567457792}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kujubim estão distribuídos por toda a extensão de Rondônia, com maior concentração de indivíduos no sudoeste e sul do estado, na divisa com a Bolívia. Eles residem, especialmente, em duas aldeias: Baía das Onças e Posto Indígena Ricardo Franco, na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, no município de Guajará-Mirim. O território, habitado por dez etnias,  foi demarcado em 1976 e homologado vinte anos depois. Muitas famílias kujubim também se encontram dispersas em áreas urbanas das cidades de Guajará-Mirim, Costa Marques, Porto Velho, Seringueiras e São Francisco do Guaporé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 2002, os Kujubim reivindicam, em assembleias e manifestações, a demarcação de suas terras tradicionais no alto e médio rio Cautário, entre os municípios de Guajará-Mirim e Costa Marques. O processo de demarcação  de seu território, a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/en/terras-indigenas/5366&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Cautário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, se iniciou em 2013 e, em 2019, ainda se encontra em seu primeiro estágio: a fase de identificação.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Kujubim em canoa na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|&lt;br /&gt;
http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180417_093249414.jpg?m=1567457792}} &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há indícios documentais — em mapas, relatórios e diários — de que os atuais Kujubim antes se separavam em três grupos distintos, chamados Kumaná, Matawá e Kujona. Todos falavam a mesma língua, apresentando apenas algumas variações dialetais, e trocavam cônjuges, alimentos e artefatos entre si. Esse dado também é amparado por informações de uma matriarca kujubim capturada por seringueiros na década de 1940. Embora os três grupos apresentassem algumas diferenças, os não índios da época não faziam distinções e os chamavam simplesmente de “Cautários”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contato desses grupos com os não índios se deu por volta do século XVIII. Segundo Denise Maldi, nesse período o rio Guaporé e seus tributários foram uma barreira “natural” na fronteira entre duas coroas ibéricas na América colonial. Isso conferiu à região um tipo de ocupação fortemente comprometida com a defesa e a posse de territórios de dois reinos tradicionalmente rivais, considerando, por exemplo, a construção do monumental Forte Príncipe da Beira, vizinho das terras tradicionalmente ocupadas pelos Kujubim (Métraux, 1948). A política indigenista do período colonial, que insistia na ocupação fronteiriça, expressava o interesse de manter os índios em suas terras para, dessa forma, garantir a segurança do território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do século XVIII, quando os movimentos de libertação nas Américas começaram a tomar corpo e os limites territoriais das colônias já não funcionavam muito bem, a região passou a ser esvaziada rapidamente. Contudo, o contato entre os Kujubim e os não índios nesse período foi o suficiente para ocasionar o quase desaparecimento desse povo, que se reduziu a algumas dezenas de indivíduos, principalmente por conta das doenças infecciosas trazidas pelos não indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no século XIX, o engenheiro Ricardo Franco registrou que o contato com os índios “Cautários” estava sendo retomado aos poucos. A partir do início do século XX, a região voltou a ser invadida em razão da demanda global por borracha, intensificando a chegada de figuras como madeireiros e seringueiros, e fazendo com que os povos indígenas remanescentes do primeiro contato fossem rapidamente incorporados à mão de obra local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por volta dos anos 1930, a área passou a ser ocupada com a instalação de inúmeros estabelecimentos para exploração de borracha e caucho, fazendo com que os povos que viviam tanto na margem esquerda quanto na direita (caso dos Kujubim) do rio Guaporé tivessem suas aldeias invadidas, sofressem com as epidemias e fossem obrigados a abandonar seus territórios tradicionais, instalando-se em barracões no entorno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Suzana, uma das matriarcas kujubim, afirmou que, antes mesmo do aparecimento dos seringueiros, uma comitiva do Marechal Rondon passara por sua terra, por volta dos anos 1920. Nessa mesma época, alguns anos depois, outros brancos foram chegando e espalhando doenças, principalmente gripe e sarampo, que quase acabaram com o povo. Suzana recordou que seus parentes se jogavam na água porque queimavam de febre. Contou, também, que seu povo era extremamente “bravo”, mas aos poucos foi se “amansando”, e começou a fazer trocas de objetos manufaturados com os não índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns Kujubim que sobreviveram a esses contatos iniciais conseguiram fugir para outras regiões, mas outros, que não morreram por conta das doenças, foram capturados por seringueiros e levados para os barracões de seringa de diferentes lugares, principalmente em Canindé, Esperança, Marçal, Ouro Fino e Santa Lurdes. Dessa forma teve início a dispersão dos Kujubim por Rondônia, assim como aconteceu com vários grupos nativos do vale do Guaporé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Cacique Valdino Kujubim (ao centro) e Sérgio Wajuru confeccionando uma flecha para pescaria. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_16.jpg?m=1567457970}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Juntamente com a invasão de seringalistas, missionários também começaram a contatar os Kujubim. Em algumas páginas de seu diário, o primeiro bispo de Guajará-Mirim e missionário, Dom Francisco Rey, dedicou alguns devaneios sobre a “visita à maloca dos índios do rio Cautário”: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
O primeiro rapaz que amansou os ‘Kumaná’ penetrando e ficando uma vez na maloca deles, chamou-se Francisco Bento (ajudante do Rivoredo em Paaca Nova). Acertou tão bem que o fizeram Tucháu na Maloca, festejando ele e querendo guardá-lo até o ponto que teve que fugir para escapar deles.  &amp;lt;small&amp;gt;(Diário de Dom Rey, “Visita à maloca dos índios do rio Cautário”, 07/08/1932, página 7)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Emil-Heinrich Snethlage, importante etnólogo alemão que dedicou anos à pesquisa com os povos que viviam (e vivem) ao longo de todo o rio Guaporé, também contatou os ancestrais dos Kujubim.&lt;br /&gt;
No início de 1934, Snethlage subiu o rio Cautário para visitar os Kumaná e registrou, nesse ano, que “restaram somente uns vinte e tantos desta tribo, inclusive dos que tinham ido para Canindé, centro dos seringueiros no Cautário”. Ao voltar, no final do ano, constatou: “[os Kunamá foram] reduzidos a 13 e a famada baia das Onças a onde não achei índios nenhuns”. Por esses motivos, Snethlage registrou que não foi possível recolher muitas informações sobre esse povo — uma vez que estavam beirando a morte, por conta das doenças —, mas que conseguiu coletar alguns artefatos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar dos anos, pouco se ouviu falar dos Kumaná, Matawa ou Kujona, os ancestrais dos atuais Kujubim. Aqueles que conseguiram sobreviver foram aos poucos se casando com indivíduos de outras etnias ou com não índios, e se espalhando ao longo de todo o território do rio Guaporé e seus afluentes, estabelecendo-se também em cidades banhadas pelo rio. Este cenário de esquecimento forçado da etnia resultou na falsa constatação, lançada pelos órgãos estatais de tutela aos índios, de que os Kujubim haviam sido extintos no território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história recente desse povo, da qual se tem registro, começou quando as três matriarcas proporcionaram, com a ajuda do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) em Rondônia, um encontro fundamental na “I Assembleia do povo Kujubim”, em 2002. Reuniram-se nessa data  para começar a luta pela identificação e demarcação de seu território tradicional e contar, para netos, filhos e bisnetos, um pouco da esquecida história kujubim e dar início, então, à retomada dos aspectos históricos e territoriais da sua existência.&lt;br /&gt;
A maioria dos indivíduos deste grupo possui histórias muito diferentes e não teve a oportunidade de dividir um espaço compartilhado. Embora essa configuração de dispersão espacial tenha afetado a estrutura social do grupo, os Kujubim seguiram resistindo e se organizando política e socialmente em torno de um resgate de seus modos de vida tradicionais. Os Kujubim que moram nos municípios próximos aos rios Guaporé e Cautário reclamam constantemente da falta de agilidade para a demarcação da terra. Eles se recusam a ir para outras terras indígenas, como fizeram outros Kujubim, pois reconhecem somente o Cautário como sua terra tradicional. Nas cidades, os grupos indígenas não podem caçar e raras são as vezes em que a pesca é permitida, principalmente a de quelônios muito apreciados pelo grupo, como o tracajá. Reclamam e denunciam que, enquanto não é demarcada sua terra, da qual poderiam estar cuidando e fazendo um uso responsável, como todos seus “parentes” fazem de seus territórios, invasores não indígenas — como pescadores e madeireiros – a ocupam para extrair recursos de modo ilegal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para encaminhar assuntos dessa natureza, os índios criaram duas associações que têm por objetivo facilitar a garantia de seus direitos constitucionais: a AKIKÕ (Associação dos Povos Indígenas Kanoé e Kujubim), formada em fevereiro de 2001 em Ricardo Franco, e a AIPOK (Associação Indígena do Povo Kujubim), de 2013. A partir de então, os Kujubim começaram a fazer constantes assembleias e reuniões, juntamente com outros povos indígenas na região, em busca de seus direitos. Nessas assembleias, se discutem, junto ao Ministério Público Federal, possíveis melhorias nas áreas da educação, saúde e, principalmente, o andamento da demarcação da Terra Indigena.&lt;br /&gt;
Em 2016, os Kujubim chegaram a construir roçados dentro do território do Cautário, para começar uma ocupação em ritmo lento. Iniciaram a estruturação de uma moradia estilo chapéu de palha (construção regional típica, feita de palha de aricuri), mas não se sentiram seguros para a continuação do empreendimento, já que os seringueiros do entorno ameaçavam matá-los. Alguns dias depois, a casa foi, de fato, queimada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etno-história e território ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |As três matriarcas. Da esquerda para direita: Suzana, Rosa e Francisca. Foto: Cimi-RO, 2002.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_2.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Kujubim, existem pelo menos três histórias de seu povo, no plural. A primeira versão diz respeito ao período antes do contato (o “tempo da maloca”) e foi passada de geração em geração pelas matriarcas, permanecendo viva na memória coletiva do grupo até os dias atuais; outra coincide com o período do contato direto com seringalistas e definiu os rumos dos Kujubim antigos e atuais; e, por fim, a história recente, que se define pela retomada do território tradicional, iniciada pelas três matriarcas remanescentes do último período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas três mulheres, Suzana (Moao), Francisca (Sa’at ou Rite) e Rosa, são fundamentais para a história e a organização social e política dos Kujubim até hoje. Os relatos dessas mulheres são muito importantes para compreender quem são os Kujubim, uma vez que foram elas as únicas pessoas conhecidas que, até onde se sabe, viveram diretamente no tempo da maloca. Suzana era a mais velha e seu nome na língua nativa era Moao, que significa “cuia”, muito provavelmente pelo formato de sua cabeça. Suzana era filha de mãe kumaná e seu pai, Huaat, era matawá. Ela contava para seus familiares que, após a chegada dos brancos no rio Cautário, restaram apenas cerca de dez indivíduos de seu grupo e que todos eles, inclusive ela, foram levados para o barracão Canindé, de extração de seringa. O barracão era gerenciado por um capanga de João Rivoredo, seringalista de enorme protagonismo regional, responsável pela extração da borracha no rio Guaporé e também por escravizar e maltratar os indígenas no local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |A matriarca Suzana Kujubim. Foto: CIMI- RO, 2002.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_1.jpg?m=1566935006}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi no Canindé que Suzana teve que cuidar de Francisca (outra matriarca que apresentaremos mais adiante), que era muito pequena na época e perdera sua mãe e seu pai, Timikó, pajé e cacique dos Matawá. Alguns anos depois, elas conseguiram fugir de volta para a aldeia em que viveram alguns meses, até serem capturadas novamente por um seringalista chamado Alexandre Laia. Foi Alexandre que batizou Moao como Suzana e Sa’at como Francisca. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tempos depois, Suzana se casou com Antônio Laia, que também foi um índio batizado e capturado por Alexandre Laia perto do rio Cautário. Depois de seu casamento, Suzana teve que abandonar Francisca e passou a viver junto das comitivas de seringalistas, deslocando-se de barracão em barracão e passando por diversas colocações de corte de seringa, como, por exemplo, Porto Acre, município no nordeste acreano. Por volta dos anos 1970, Suzana passou a viver no município de Costa Marques (RO), em uma terra que beira a Serra Grande, e cerca de trinta anos depois faleceu em Guajará-Mirim. Atualmente, duas das filhas de Susana vivem em Costa Marques e uma delas em Guajará Mirim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Francisca, a segunda matriarca citada, possuía dois nomes na língua originária: Sa’at (“Gaivota”) e Rite (“Banana”). Viveu simultaneamente com Suzana em algumas colocações até se casar com Sebastião, nome de batismo de um índio da etnia [[Povo:Chiquitano|Chiquitano]]. Francisca e Sebastião desceram o rio Guaporé e se instalaram em um igarapé que faz divisa com a Baía das Onças, onde viveram por anos trabalhando para uma família de seringueiros chamada Canuto. Depois que a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; foi demarcada, por volta de 1976, Francisca e Sebastião, juntamente com seus cinco filhos, atravessaram o igarapé e foram viver junto de uma família [[Povo:Makurap|Makurap]], no território que hoje é a Baía das Onças, ocupado predominantemente pelos [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]]. Deste modo, a matriarca e seu marido passaram a viver na TI Rio Guaporé juntamente com outras etnias e por lá se estabeleceram. Os filhos de Francisca vivem todos na Terra Indígena, exceto um, que vive em Costa Marques. A matriarca faleceu em 2012, na Aldeia Ricardo Franco, e foi enterrada no próprio cemitério da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de Rosa, a terceira matriarca, ainda carece de investigação. O que se sabe é que ela sempre viveu na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3853&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Sagarana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, também em Rondônia, vizinha da TI Guaporé, onde se casou com um índio [[Povo:Kanoê|Kanoê]] e teve seis filhos. &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização política ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A assembleia kujubim promovida em 2002 impulsionou a luta deste povo pelo seu reconhecimento perante o Estado e o resgate de seu território tradicional. O encontro repercutiu nos mais de 140 indivíduos que vivem suas histórias separadamente, mas com o desejo comum de pôr em prática seus costumes e modos de vida tradicionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, há uma dificuldade maior para os Kujubim que vivem na cidade nesse processo: sem a terra, sem o espaço tradicional, eles não podem reproduzir seus modos de vida e suas práticas materiais e simbólicas. Os Kujubim que vivem na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; conseguem fazê-lo, devido à convivência e às trocas culturais com outras etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a principal dificuldade de continuidade no processo de demarcação se deve ao fato de que o território é muito cobiçado por diversos grupos não indígenas da região, que envolvem serrarias clandestinas, fazendeiros e também a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://uc.socioambiental.org/arp/1322&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Reserva Extrativista (Resex) do Rio Cautário&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (de responsabilidade do ICMBio). Os Kujubim acreditam que, com a conclusão da demarcação, terão condições melhores de vida e conseguirão os direitos necessários para poder criar seus filhos dentro da aldeia, com a instalação de uma escola e de um posto de saúde. Além do mais, eles dizem que não iriam só os Kujubim para aquela terra, também iriam outras etnias que se apoiam, como os [[Povo:Kanoê|Kanoê]], [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]] e [[Povo:Wajuru|Wajuru]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização política dos Kujubim se faz por meio das lideranças, tanto nas cidades como nas aldeias. Aquele que é cacique ou liderança sempre deve exercer protagonismo político em prol do grupo, mas há uma diferença qualitativa substancial entre ambos os papéis. Lideranças são responsáveis por questões que concernem a totalidade do grupo, como alavancar o movimento de retomada do território ou mobilizar os Kujubim de todo o estado para tratar assuntos diretamente com os brancos e suas instituições, como a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) e a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (SEDUC). Os caciques, por sua vez,  são líderes de âmbito local, mais ligados à solução de pequenos conflitos, realização de oficinas, liderança nos trabalhos coletivos, entre outras práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, há uma diferença de alcance político de quem exerce a função de cacique ou de liderança. Pode acontecer, também, de as relações políticas serem complexificadas. Na aldeia Ricardo Franco, por exemplo, existe uma liderança geral e dez caciques representando as dez etnias diferentes que ocupam o território.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material e atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Fabricação da esteira iwi em uma oficina realizada na Aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_4.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; possui seis aldeias, não muito distantes umas das outras, e é conhecida por sua complexa diversidade multiétnica e multilinguística, definida por Denise Maldi como “Complexo Cultural do Marico”. Atualmente, dez etnias vivem no território, divididas em seis famílias linguísticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse complexo cenário é explicado etnograficamente pelo trabalho do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que, dos anos 1930 até 1970, retirava os povos de suas malocas tradicionais e os redirecionava para dentro do local que é hoje conhecido como Posto Indígena Ricardo Franco. Mais do que tentar reduzir culturas, histórias e cosmologias diversas a algo único, o SPI encurtava seu dever de garantir um território contínuo, obrigando pessoas de etnias diferentes a se casarem umas com as outras e a viverem juntas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a partir dessa nova organização e das novas relações sociais que se estabeleceu uma intensa rede de trocas de cônjuges, substâncias, elementos da cultura material, histórias e mitos entre os povos indígenas na região, até os dias de hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as etnias que vivem nas proximidades compartilham da mesma forma de construir casas, feitas de esteio de intaúba e cobertas com as palhas do aricuri. São nessas construções que se realizam festas coletivas, e que se guardam arcos e flechas, artesanato e uma série de artefatos da vida material, como o “marico” — bolsa feita de linha de tucum para carregar objetos e produtos da roça (Maldi, 1991). É interessante notar que também existem peculiaridades de cada etnia: os Kujubim, por exemplo, trançam a esteira de palha do aricuri ligando apenas um ponto da trança, enquanto os [[Povo:Wajuru|Wajuru]] e [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]], por sua vez, fazem dois pontos de costura. As flechas e arcos são um padrão que se mantém hoje em dia na TI Guaporé, sendo as primeiras feitas com chichiu, com a ponta de pupunha ou prego, e os arcos seguem um padrão regional de pupunha lapidada do tamanho do homem que irá utilizar a arma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma série de práticas e saberes que foram se tornando, também, um certo padrão regional, e o principal se refere à chicha, bebida fermentada produzida a partir da macaxeira (mandioca “mansa”) e cujo consumo configura os grandes momentos de sociabilidade dentro do sistema regional. Os Kujubim bebiam, no tempo da maloca, chicha de milho e de pupunha. A partir do convívio com outras etnias e da edificação desse sistema regional, todos os grupos passaram a fazer a chicha de macaxeira mansa e a consideram como a bebida de todos os povos dali, muito ligada à identidade e à sociabilidade locais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atividades produtivas ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Casal coletando gongo do aricuri em sua roça na Baía das Onças, TI Guaporé. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_10.jpg?m=1566935731}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto no tempo da maloca como no presente, os Kujubim produziam e produzem sua subsistência por meio da caça, da coleta de frutos e sementes silvestres, da pesca e da agricultura de coivara. Isso também se estende para os indígenas deste povo que vivem na cidade, onde fazem a coleta de açaí e castanha e plantam milho e macaxeira, sendo que a farinha que fazem para consumo desta última também é dedicada à venda em pontos comerciais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não se tenha uma divisão de gênero seguida à risca em relação aos trabalhos, há um consenso de que a pesca e a caça são práticas predominantemente masculinas, assim como os cuidados com a roça e com o âmbito doméstico sejam preferencialmente femininos. Há, também, trabalhos que podem ser realizados igualmente por ambos os gêneros, como mutirões para a abertura de roçados. Nas roças, eles plantam macaxeira, mamão caiana, milho, cará, batata, banana, melancia, jerimum, abacaxi, feijão, arroz, entre outros alimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Homem Kujubim confeccionando farinha d’água na Aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180613_120441770.jpg?m=1567457791}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As caçadas, assim como as pescarias, são realizadas por pequenos grupos de homens, entre dois e quatro indivíduos. Eles costumam sair logo cedo da aldeia e retornar no fim da tarde, quando os resultados são aguardados por grupos familiares nucleares, mas que, a depender da quantidade de carne obtida, podem ser distribuídos para toda a aldeia. Eles caçam mamíferos como macacos, antas, queixadas, caititus, pacas e cotias; aves como o mutum, jacu, jacamim e pato do mato; e répteis, tais como os quelônios, são muito apreciados e pescados, assim como uma grande quantidade de espécies de peixes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Parentesco e nominação ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Casa na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_20.jpg?m=1567458896}}&lt;br /&gt;
Os Kujubim, contaram as três matriarcas, possuíam lógicas matriarcais de nomeação e moradia e, neste sentido, a transmissão de nomes era feita por via materna. Quando havia casamentos, os homens tinham que abandonar suas casas e morar juntamente com a família da moça. Isto é, a residência pós-marital era uxorilocal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois que o SPI começou a juntar as etnias e forçar o casamento entre elas, passou-se a uma lógica de transmissão de nomes por via paterna, principalmente pelo sobrenome. Deste modo, há mais ou menos vinte anos atrás, se uma mulher kujubim se casasse com um kanoé, o filho receberia apenas o sobrenome kanoé. Nos dias de hoje, entretanto, todas as crianças e alguns adolescentes já recebem a dupla filiação, e todos têm dois sobrenomes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como nesse caso da uxorilocalidade, alguns aspectos do tempo da maloca estão sendo retomados atualmente. Antigamente, um indivíduo kujubim poderia ter até cinco nomes, sendo eles tecnônimos ou necrônimos, e também nomes que se referem a seres não humanos. Contudo, o que é fortemente marcado no caso kujubim diz respeito à nomeação de acordo com as características humanas que se refletem em objetos, animais e vegetais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, é muito difícil ouvir, na rotina da aldeia, os nomes das pessoas, porque estas são conhecidas e chamadas por seus apelidos. Como no caso do tempo da maloca, os apelidos também se referem a características humanas correlacionadas com aquelas de seres não humanos: Lebrão (pernas longas), Uru (pássaro conhecido por ser sovino no mito, cujo nome apelida um homem com essas características) e Lontra (dorme na sujeira, já que as casas das lontras só têm espinha de peixe e as dos humanos, quando sujas, também) são exemplos disso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia e mitologia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cosmos, para os Kujubim e os demais povos da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, é dividido em estratos concebidos como planos ou domínios. A terra é um domínio, assim como o vento, o céu, o ar, o rio e a água, as aldeias celestes, as aldeias nas copas das árvores, os sonhos e muitos lugares que servem, sobretudo, para operar uma divisão no universo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São nessas divisões de um amplo cosmos que os Kujubim se relacionam com diferentes seres — animais, plantas, espíritos, fenômenos meteorológicos e também seres monstruosos, como o Mapinguari e o Pai da Mata. Trabalhar nas roças, caçar, pescar, e mesmo viver na aldeia, faz com que eles estejam sujeitos, a todo momento, a encontros com esses seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A socialidade, para os índios, extrapola as relações humanas, porque todos os seres são dotados de espírito — ou alma. Comer carne de tartaruga quando se tem um filho pequeno faz com que o corpo da criança fique vulnerável para que o espírito da tartaruga o ataque, lançando doenças. Se caçarem animais demais, os donos desses animais ficarão furiosos, criando um motivo para que o caçador fique panema, lançando também flechas em formato de doença. Além disso, os donos retiram seus animais de determinada região, tornando mais difícil encontrá-los pelas redondezas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autodenominação “Towa Panka”, como já mencionado, remete à relação simbólica entre os Kujubim humanos e o pássaro cujubim. Uma das histórias narradas por um velho kujubim revela: “o sol baixava três vezes do dia e nesse tempo o Deus aparecia para entregar o espírito de quem nasceu e levar embora o de quem morreu”. Cujubins são deuses para os Kujubim, pois eles possuem um papel fundamental: levar os espíritos para seus corpos quando nascem, e também em levá-los de volta para o paraíso celeste, quando morrem. Neste sentido, os cujubins são seres especiais que extrapolam os planos cósmicos, indo da vida até a morte, passando pelas aldeias celestes e também vivendo juntamente com os humanos nas aldeias terrestres. Ele, claramente, jamais poderia ser comido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual e xamanismo ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Pintura com jenipapo na aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_11.jpg?m=1566935749}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como se configura no padrão regional, os pajés Kujubim do tempo da maloca utilizavam as sementes do angico como substância psicoativa para permitir o acesso a outros planos cósmicos. As sementes do angico são maceradas e misturadas com cascas de árvores e fumo, sendo, então, aspiradas através de um graveto denominado taboquinha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os pajés aspiravam a substância a fim de subir às aldeias celestes, lançando flechas umas sobre as outras para formar correntes, até chegarem ao céu. Também batalhavam com seres celestes como a grande cobra arco-íris e o ser que atacava as mulheres nas roças engravidando-as, chamado Tupiran.&lt;br /&gt;
Hoje, a pajelança ainda é utilizada nas aldeias da TI Rio Guaporé, mas não é praticada por nenhum Kujubim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Rituais de iniciação ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Criança Kujubim aprendendo a trançar a esteira (iwi) com palha. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_17.jpg?m=1567457986}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre os rituais de iniciação, esses são os mesmos dos tempos da maloca para os Kujubim. As mulheres iniciam a vida adulta marcadamente após a primeira menstruação. Elas devem ficar de resguardo dentro de casa por uma semana até que seu ciclo acabe. Se isso não acontece, ficam sujeitas aos espíritos malignos e correm o risco de se tornarem preguiçosas e irritadiças. Também não podem ser vistas pelo arco-íris, já que a jiboia que vive nele (ou, ao mesmo tempo, que é o próprio arco-íris) pode jogar uma flecha na mulher, fazendo com que ela fique doente e o seu futuro ciclo reprodutivo fique ameaçado e sob controle do espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já os homens, aos seis anos, idade em que começam a frequentar a escola, também iniciam o aprendizado de fabricar flechas e flechar. Aos doze anos, eles são iniciados pelo pajé com sumo de jenipapo para que sua voz não engrosse muito e, ao mesmo tempo, não fique fina. Enquanto tomam o jenipapo, devem imitar diversos animais, entre eles a anta, queixada, caititu, e nambu para, depois, praticarem sua primeira caçada. A primeira presa deve ser compartilhada com todas as pessoas e o caçador não deve comer nem um pedaço sequer; se o fizer, ficará panema para o resto da vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O casamento é também visto como um ritual de passagem. No tempo da maloca, os casamentos kujubim eram marcados pela furação das bochechas e nariz. Usava-se espinhos de coco do mato como adorno, um de baixo da boca e dois nas bochechas. Isso basicamente fazia parte da construção do corpo, principalmente no que se refere a certos avanços da vida marcados pelos rituais de passagem. Quando ia se casar, o homem tinha que lutar com o pai da moça com uma espada feita de pupunha; se vencesse, tinha que estar pronto para passar duas semanas caçando e trabalhando na roça, sem que voltasse à aldeia, para acumular produtos para a realização de uma grande festa.&lt;br /&gt;
Sobre pinturas corporais, uma das matriarcas dizia que, para se proteger dos espíritos que lançavam doenças,  devia se pintar com jenipapo e passar óleo de tucumã no cabelo. Nos dias de hoje, as pinturas são realizadas apenas em dias festivos e são reservadas especialmente às mulheres e crianças. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas “originais” dos Kujubim ainda são recordadas. Eles contam que, nos dias de festas, pintavam os braços, as pernas e o rosto com jenipapo e urucum. A pintura do braço se baseava em um padrão intercalando linhas retas, sendo uma linha maior na vertical e cruzada por várias linhas na horizontal, bem menores. A pintura da perna se tratava de duas linhas retas paralelas na vertical, sendo que, em suas extremidades do lado de fora, vinham traços que formavam triângulos seguidos uns dos outros. Apintura facial, por sua vez, consistia em quatro linhas paralelas. No meio delas, traçadas na horizontal, haviam pontos em sequência. Os indígenas também destacam as cores das pinturas: quando estavam em paz e festa, faziam pinturas em vermelho (urucum) e preto (jenipapo); mas quando iam caçar ou guerrear, pintavam somente de vermelho. Os Kujubim se pintavam, também, fazendo riscos em torno do nariz, que incorporavam o espírito do maracajá, um gato selvagem e pintado como as onças (kinam).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ritos fúnebres ===&lt;br /&gt;
No tempo da maloca, quando morria um parente, o corpo era colocado em uma urna funerária de barro vermelho, em posição fetal. Enterravam a urna dentro da maloca e em seguida queimavam a casa. O cujubim vinha resgatar o espírito para levá-lo até a aldeia celeste. Em seguida, uma nova casa era construída para a família que acabara de perder um parente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, ainda, outro aspecto fúnebre que chama atenção, e que muito tem a ver com os costumes ligados à morte nas culturas de língua txapacura: os mortos eram comidos. No caso dos Kujubim, e também dos Moré (Metraux 1948), eram comidas as cinzas dos parentes misturadas junto ao alimento, mas atualmente eles não sabem explicar o motivo para isso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Jovens pescando com arco e flecha na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_21.jpg?m=1567458896}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabe dizer que, até o momento, não se encontram estudos e pesquisas, do ponto de vista antropológico, sobre a história e a cultura do povo kujubim. Aliás, essa é uma situação muito comum a diversos povos que vivem hoje, ou já viveram, na área que o antropólogo Felipe Vander Velden classificou como “Grande Rondônia”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, sim, alguns relatos históricos sobre os Kujubim, mas a partir de outros nomes, como explicado na seção “Nome” deste verbete, cujos dados aparecem de maneira muito sucinta. É o caso, por exemplo, de um relato disponível em um diário do Bispo Dom Rey, que pode ser consultado na diocese de Guajará-Mirim/RO, e nos escritos do engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra, que datam de 1857. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à língua kujubim, podemos encontrar uma primeira aparição de dados a partir de estudos comparativos feitos por Cestmir Loukotka, publicados em 1963. Depois, a dissertação produzida por Angenot-De Lima sobre o tronco linguístico proto-txapakura em 1997. Mas é apenas Irís Rodrigues Duran (2000), em sua dissertação de mestrado, que apresenta dados mais desenvolvidos sobre a língua kuyubi, além de algumas poucas informações etnográficas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2017, Joshua Birchall (do Museu Paraense Emílio Goeldi) começou a coordenar um projeto com os Kujubim intitulado “Documentação e Salvaguarda da Língua Moré-Kujubim”, em que realiza oficinas para que o grupo possa resgatar e aprender sua língua. Juntamente a Michael Dunn e Simon Greenhill (2016), Birchall desenvolveu um artigo sobre a família linguística txapakura, designando à língua kujubim uma nova posição no interior do tronco linguístico. Ruth Monserrat trabalha a língua ao menos desde 2005 e, há pouco tempo, publicou um artigo (2018) a respeito da situação atual dos Kujubim em termos linguísticos, trazendo boas notícias sobre o acervo de palavras que eles possuem para começar a prática de sua língua, coletados não só por ela, mas também por outros linguistas, como Iris Duran e Hein van der Voort.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não cite diretamente os Kujubim, mas sim os Kumaná e os Kujona, a etno-historiadora Denise Maldi Meireles (1991) fez um precioso trabalho sobre os povos que habitaram e habitam o vale do Guaporé. No material, é possível ter ideia de como se deu a ocupação colonial no território e como os povos indígenas da região sofreram diretamente o impacto do contato, fazendo com que alguns desaparecessem, fossem extintos e mesmo provocando grandes deslocamentos de seus territórios tradicionais. Neste texto, a autora descreve a história do ponto de vista de diversas etnias indígenas e como elas fazem parte do que veio a ser chamado de “Complexo Cultural do Marico”. É possível dizer que, nos dias atuais, os Kujubim fazem parte desse complexo, mas é necessário que sejam atualizadas algumas informações a seu respeito, tendo em vista que muitas mudanças já ocorreram desde que foi pensado pela historiadora, como, por exemplo, a ausência de plantações de mandioca brava. Rápidas menções sobre os Kujubim como parte da TI do Rio Guaporé foram feitas por Nicole Soares Pinto (2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora na introdução do artigo Tribes of Eastern Bolivia and the Madeira headwaters, publicado em 1948 por Alfred Métraux, o autor prometa trazer dados etnográficos sobre os Kumaná, ao longo do texto só aparecem apenas alguns dados de forma espaçada e que se perdem em meio à diversas informações e dados sobre os Moré e os Huanyam, povos também txapakura. &lt;br /&gt;
Em um trabalho de Luis Leigue Castedo (1957), é possível ler um mito de origem moré que faz alusões históricas aos povos que viviam no rio Cautário e que podemos dizer se tratarem dos Kujubim. O autor, por meio do mito, comenta algumas relações que havia entre esses povos, que, ora eram de festejos regados à chicha e com abundância de comida, ora eram de inimizade, provocadas, principalmente, pela prática do canibalismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diário de Emil-Heinrich Snethlage, à época da escrita deste verbete, ainda não foi traduzido para o português, mas é possível encontrar alguns trechos no artigo Emil-Heinrich Snethlage (1897-1939): nota biográfica, expedições e legado de uma carreira interrompida de Gleice Mere (2013), em que há informações sobre os Kumaná. O etnólogo alemão também escreveu alguns diários que foram recém-publicados em alemão (2016) sobre sua viagem ao rio Guaporé, na qual é possível coletar algumas informações etnográficas sobre os Kumaná, Matawa e Kujona, relativas à onomástica, à língua e a certos aspectos cosmológicos. Com certeza essa obra apresenta um conjunto de dados riquíssimos para os povos do rio Guaporé, que, assim como os Kujubim, carecem de informações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessas fontes, é possível buscar, também, algumas informações contidas na coletânea de dados dos povos indígenas de Rondônia, organizada e publicada pelo Conselho Indigenista Missionário de Rondônia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, cabe dizer que um primeiro esforço antropológico, histórico e cultural, vem sendo feito e os resultados dele aparecem com a maioria dos dados contidos neste verbete. São informações primárias, de um recente trabalho de campo feito por Gabriel Sanchez, que investiga as relações entre os Kujubim e os seres que nossa biologia ocidental classifica como aves, e que estão sendo mais trabalhados e desenvolvidos para uma dissertação de mestrado em andamento, a ser apresentada na Universidade Federal de São Carlos, e provavelmente divulgada em novembro de 2019. Esses dados foram coletados a partir de um trabalho de observação participante, conversas informais e convivência diária junto aos Kujubim de Guajará-Mirim, Costa Marques, Aldeia Ricardo Franco e Aldeia Baía das Onças, que lutam pela demarcação de seu território tradicional, além de serem recolhidos preciosas informações das ainda vivas memórias das matriarcas Kujubim que permanecem sob as práticas e discursos de seus descendentes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ALMEIDA SERRA, Ricardo Franco de. Diario do Rio Madeira: Viagem que a expedição destinada a demarcação de limites fez do Rio Negro até Villa Bella, capital do Governo do Matto-Grosso. Revista do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro 20: 397-432. 1857.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* ANGENOT-DE LIMA, Geralda. Fonotática e fonologia do lexema protochapakura. Dissertação de mestrado apresentada ao curso de pós-graduação em linguística da Universidade Federal de Rondônia. 1997.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* BIRCHALL, Joshua; DUNN, Michael &amp;amp; GREENHILL, Simon. A combined comparative and phylogenetic analysis of the chapacuran language family. IJAL, vol. 82, nº 3. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* CIMI – RO. Panewa Especial. Porto Velho: CIMI – RO, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* DOM REY. “Visita à maloca dos índios do rio Cautário”. Diário pessoal. Diocese de Guajará-Mirim. 1932.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* DURAN, Iris Rodrigues. Descrição fonológica e lexal do dialeto kaw tayo (Kujubi) da língua Moré. Dissertação de Mestrado apresentada ao curso de pós-graduação em linguística da Universidade Federal de Rondônia. 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* LEIGUE CASTEDO, Luis. El Itenez Salvaje. La Paz: Ministério de la Educación. 1957.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* LOUKOTKA, Cestmir. Documents et vocabulaires inédits de langues et de dialectes sud-américains. Jounal de la Société des Américanistes 52:7-60. 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MALDI MEIRELES, Denise. O complexo cultural do marico: Sociedades indígenas dos rios Branco, Colorado e Mequens, afluentes do médio Guaporé. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Série Antropologia, 7: 209-69. 1991.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MERE, Gleice. Emil-Heinrich Snethlage (1897-1939): nota biográfica, expedições e legado de uma carreira interrompida. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciências humanas, vol. 8, nº3, pp 773-804. 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MÉTRAUX, Alfred. Tribes of Eastern Bolivia and the Madeira headwaters. Handbook of South América Indians, vol. 3, ed. Julian H. Steward, pp 381-454. Washington, D.C: Smithsonian Institution. 1948.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MONSERRAT, Ruh Maria Fonini. Memória das atividades realizadas junto aos povos Puruborá e Kujubim, Rondônia, constantes em dois relatórios de viagem do regional do CIMI/RO, de 2015 e 2017. Revista Brasileira de Linguística Antropológica. Vol, 10. Nº 1. 2018. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* SNETHLAGE, Emil-Heinrich. Die Guaporé – Expedition (1933 – 1935) Ein Forschungstagebuch. Rotger Snethlage, Alhard-Mauritz Snethlage &amp;amp; Gleice Mere (org.). Vienna: Bohlau Verlag. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* SOARES-PINTO, Nicole. Entre as teias do marico: parentes e pajés djeorometxi. Tese de doutorado defendida no programa de pós-graduação em Antropologia Social da UnB. 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* VANDER VELDEN, Felipe Ferreira. Os Tupí em Rondônia: diversidade, estado do conhecimento e proposta de investigação. Revista Brasileira de Linguistica Antropologica. Vol.2, nº 1. 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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		<author><name>Marianafurtado</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: criação página autor Gabriel Sanchez&lt;/p&gt;
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: criação página usuario Gabriel Sanchez&lt;/p&gt;
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		<title>Povo:Kujubim</title>
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		<updated>2019-09-10T18:02:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: inclusão nome do autor&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Kujubim vivem no sudoeste amazônico, no estado de Rondônia, fronteira com a Bolívia. São um dos muitos povos indígenas que se encontram na área denominada “Grande Rondônia”, ainda pouquíssimo estudados ou mesmo conhecidos. Sua língua, kuyubi ou kaw tawo, pertence à família linguística txapakura. Apesar de terem sido considerados extintos pelo Estado brasileiro nos anos 1980, na perspectiva kujubim e de outros povos na região, eles nunca deixaram de existir e resistir. Desde a década de 2000, os Kujubim vêm retomando seu protagonismo no cenário regional e nacional, principalmente a respeito da demarcação de seu território tradicional e da reivindicação dos direitos constitucionais indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e população==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Crianças Kujubim na pescaria no Rio Guaporé. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_3.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Kujubim” é o nome pelo qual todos os indivíduos do grupo —  e mesmo os que não fazem parte dele — identificam a etnia. Segundo as matriarcas, já falecidas, que viveram diretamente no território tradicional deste povo, o nome “Kujubim” foi dado por integrantes da comitiva de Marechal Rondon que passaram pelo território indígena por volta de 1920, e atribuíram esse nome aos índios por morarem em um igarapé em que o pássaro cujubim (Pipile cujubi) era abundante.&lt;br /&gt;
A autodenominação do grupo no “tempo da maloca” (o período antes do contato), era Towa Panka que, segundo a matriarca Suzana, significa, na língua nativa, “cabeça branca”. O termo sugere uma relação simbólica já existente entre esse povo indígena e o pássaro cujubim, que tem o corpo todo preto e possui, apenas em sua cabeça, penas brancas. A explicação nativa para essa relação aparece em uma narrativa mítica, segundo a qual é o pássaro cujubim que traz as almas dos humanos para seus corpos quando nascem e as leva embora quando morrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os atuais Kujubim antes se separavam em três grupos distintos: Kumaná, Matawá e Kujona. Embora apresentassem diferenças entre si, os não índios da época os chamavam, indistintamente, de “Cautários”. A denominação deriva, muito provavelmente, da interpretação de um termo que ouviram dos Moré, grupo de relações históricas com o Kujubim, que atribuíam a esses últimos o nome “kaw tayo” — “comedores de peixe-cachorro”, na língua nativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right| Meninas coletando batatas. Foto: Gabriel Sanchez, 2018|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_7.jpg?m=1566935075}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O censo da Sesai registrou, em 2014, 140 indivíduos kujubim, o que representa um crescimento de cerca de 2% ao ano desde o levantamento realizado pela Funasa em 2010, que contabilizou 129 pessoas. Para efeito de comparação, a taxa de crescimento anual média do período no Brasil foi aproximadamente 0,9%, segundo o Banco Mundial. A população kujubim vem aumentando ano a ano, principalmente por conta de casamentos interétnicos com outros povos indígenas que vivem na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, com quilombolas da região de Santo Antônio, em Costa Marques (RO), e com não índios. Os descendentes desses casamentos não deixam de ser identificados como Kujubim. Esse cenário de aumento populacional é muito importante e significativo para o povo, principalmente pelo fato de que, nos anos 80, os Kujubim haviam sido considerados extintos pelas fontes oficiais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_19.jpg?m=1567458844}} &lt;br /&gt;
A língua kujubim pertence à família linguística txapakura e foi classificada por Duran (2000) como “kuyubi” ou “kaw tayo”. As únicas falantes da língua kuyubi das quais se teve notícias — e com quem  foi possível realizar estudos linguísticos — foram as três matriarcas, Suzana, Rosa e Francisca, já falecidas. Nos dias atuais, a comunicação oral na língua se reduz a palavras de uso cotidiano, como “tok ta” (chicha, uma bebida fermentada de mandioca), e aos nomes de animais presentes em seu dia a dia, como imin (anta), myak (queixada) e kinam (onça), sendo o português a língua predominantemente falada no território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2017, projeto “Documentação e Salvaguarda da Língua Moré-Kujubim” teve início, almejando a retomada do uso escrito e oral da língua nativa nas aldeias. Coordenada por Joshua Birchall (do Museu Paraense Emílio Goeldi), que produz atividades e oficinas com os Kujubim e demais etnias na região, a ação recupera o repertório de palavras kujubim falado atualmente. Por meio de estudos linguísticos, realizados a partir de gravações, trabalhos científicos e anotações de viajantes, foi possível registrar cerca de 800 palavras da língua kuyubi em uso hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal língua era compartilhada pelos grupos matawá, kumaná e kujona, que se fundiram nos atuais Kujubim durante o século XX. Dados de um dialeto chamado kumaná, coletados pelo etnólogo alemão Emil Snethlage nos anos 1930, mostram uma semelhança notável com a língua kujubim, o que reafirma a possibilidade de se tratarem do mesmo grupo no passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_18.jpg?m=1567457995}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um estudo sobre o proto-txapakura, Angenot-de Lima (1997) havia considerado que o “kuyubi”, dialeto falado pelas três matriarcas, seria uma “nova” língua, muito próxima daquela falada pelos Moré, o povo indígena de relações históricas com os Kujubim que mora na margem esquerda do rio Guaporé, no lado boliviano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho de Duran (2000), que melhor investiga a língua, indica que o kuyubi e o moré possuem apenas algumas variações dialetais no uso de consoantes, mas em geral são quase idêntico entre si,  considerando que foram raríssimos os lexemas não reconhecidos como existentes em ambas as línguas. Além disso, em relação ao sistema gramatical kuyubi, não foi identificada nenhuma construção sintática nem morfológica que não exista também no moré.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um estudo recente, Birchall et al (2016) propõem uma divisão em subgrupos da família txapakura, a partir de uma releitura de classificações anteriores, colocando a língua kujubim num ramo designado “moreico”, juntamente com outras línguas, como o moré e o torá, que se diferenciam, por exemplo, do ramo “warico”, constituído pelas línguas wari’, oro win, wanyam, jarú e urupá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Homem Kujubim regressando do trabalho. Em suas costas, o paneiro, cesta comumente utilizada para carregar cultivos da roça. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180327_173956363.jpg?m=1567457792}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kujubim estão distribuídos por toda a extensão de Rondônia, com maior concentração de indivíduos no sudoeste e sul do estado, na divisa com a Bolívia. Eles residem, especialmente, em duas aldeias: Baía das Onças e Posto Indígena Ricardo Franco, na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, no município de Guajará-Mirim. O território, habitado por dez etnias,  foi demarcado em 1976 e homologado vinte anos depois. Muitas famílias kujubim também se encontram dispersas em áreas urbanas das cidades de Guajará-Mirim, Costa Marques, Porto Velho, Seringueiras e São Francisco do Guaporé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 2002, os Kujubim reivindicam, em assembleias e manifestações, a demarcação de suas terras tradicionais no alto e médio rio Cautário, entre os municípios de Guajará-Mirim e Costa Marques. O processo de demarcação  de seu território, a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/en/terras-indigenas/5366&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Cautário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, se iniciou em 2013 e, em 2019, ainda se encontra em seu primeiro estágio: a fase de identificação.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Kujubim em canoa na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|&lt;br /&gt;
http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180417_093249414.jpg?m=1567457792}} &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há indícios documentais — em mapas, relatórios e diários — de que os atuais Kujubim antes se separavam em três grupos distintos, chamados Kumaná, Matawá e Kujona. Todos falavam a mesma língua, apresentando apenas algumas variações dialetais, e trocavam cônjuges, alimentos e artefatos entre si. Esse dado também é amparado por informações de uma matriarca kujubim capturada por seringueiros na década de 1940. Embora os três grupos apresentassem algumas diferenças, os não índios da época não faziam distinções e os chamavam simplesmente de “Cautários”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contato desses grupos com os não índios se deu por volta do século XVIII. Segundo Denise Maldi, nesse período o rio Guaporé e seus tributários foram uma barreira “natural” na fronteira entre duas coroas ibéricas na América colonial. Isso conferiu à região um tipo de ocupação fortemente comprometida com a defesa e a posse de territórios de dois reinos tradicionalmente rivais, considerando, por exemplo, a construção do monumental Forte Príncipe da Beira, vizinho das terras tradicionalmente ocupadas pelos Kujubim (Métraux, 1948). A política indigenista do período colonial, que insistia na ocupação fronteiriça, expressava o interesse de manter os índios em suas terras para, dessa forma, garantir a segurança do território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do século XVIII, quando os movimentos de libertação nas Américas começaram a tomar corpo e os limites territoriais das colônias já não funcionavam muito bem, a região passou a ser esvaziada rapidamente. Contudo, o contato entre os Kujubim e os não índios nesse período foi o suficiente para ocasionar o quase desaparecimento desse povo, que se reduziu a algumas dezenas de indivíduos, principalmente por conta das doenças infecciosas trazidas pelos não indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no século XIX, o engenheiro Ricardo Franco registrou que o contato com os índios “Cautários” estava sendo retomado aos poucos. A partir do início do século XX, a região voltou a ser invadida em razão da demanda global por borracha, intensificando a chegada de figuras como madeireiros e seringueiros, e fazendo com que os povos indígenas remanescentes do primeiro contato fossem rapidamente incorporados à mão de obra local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por volta dos anos 1930, a área passou a ser ocupada com a instalação de inúmeros estabelecimentos para exploração de borracha e caucho, fazendo com que os povos que viviam tanto na margem esquerda quanto na direita (caso dos Kujubim) do rio Guaporé tivessem suas aldeias invadidas, sofressem com as epidemias e fossem obrigados a abandonar seus territórios tradicionais, instalando-se em barracões no entorno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Suzana, uma das matriarcas kujubim, afirmou que, antes mesmo do aparecimento dos seringueiros, uma comitiva do Marechal Rondon passara por sua terra, por volta dos anos 1920. Nessa mesma época, alguns anos depois, outros brancos foram chegando e espalhando doenças, principalmente gripe e sarampo, que quase acabaram com o povo. Suzana recordou que seus parentes se jogavam na água porque queimavam de febre. Contou, também, que seu povo era extremamente “bravo”, mas aos poucos foi se “amansando”, e começou a fazer trocas de objetos manufaturados com os não índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns Kujubim que sobreviveram a esses contatos iniciais conseguiram fugir para outras regiões, mas outros, que não morreram por conta das doenças, foram capturados por seringueiros e levados para os barracões de seringa de diferentes lugares, principalmente em Canindé, Esperança, Marçal, Ouro Fino e Santa Lurdes. Dessa forma teve início a dispersão dos Kujubim por Rondônia, assim como aconteceu com vários grupos nativos do vale do Guaporé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Cacique Valdino Kujubim (ao centro) e Sérgio Wajuru confeccionando uma flecha para pescaria. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_16.jpg?m=1567457970}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Juntamente com a invasão de seringalistas, missionários também começaram a contatar os Kujubim. Em algumas páginas de seu diário, o primeiro bispo de Guajará-Mirim e missionário, Dom Francisco Rey, dedicou alguns devaneios sobre a “visita à maloca dos índios do rio Cautário”: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
O primeiro rapaz que amansou os ‘Kumaná’ penetrando e ficando uma vez na maloca deles, chamou-se Francisco Bento (ajudante do Rivoredo em Paaca Nova). Acertou tão bem que o fizeram Tucháu na Maloca, festejando ele e querendo guardá-lo até o ponto que teve que fugir para escapar deles.  &amp;lt;small&amp;gt;(Diário de Dom Rey, “Visita à maloca dos índios do rio Cautário”, 07/08/1932, página 7)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Emil-Heinrich Snethlage, importante etnólogo alemão que dedicou anos à pesquisa com os povos que viviam (e vivem) ao longo de todo o rio Guaporé, também contatou os ancestrais dos Kujubim.&lt;br /&gt;
No início de 1934, Snethlage subiu o rio Cautário para visitar os Kumaná e registrou, nesse ano, que “restaram somente uns vinte e tantos desta tribo, inclusive dos que tinham ido para Canindé, centro dos seringueiros no Cautário”. Ao voltar, no final do ano, constatou: “[os Kunamá foram] reduzidos a 13 e a famada baia das Onças a onde não achei índios nenhuns”. Por esses motivos, Snethlage registrou que não foi possível recolher muitas informações sobre esse povo — uma vez que estavam beirando a morte, por conta das doenças —, mas que conseguiu coletar alguns artefatos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar dos anos, pouco se ouviu falar dos Kumaná, Matawa ou Kujona, os ancestrais dos atuais Kujubim. Aqueles que conseguiram sobreviver foram aos poucos se casando com indivíduos de outras etnias ou com não índios, e se espalhando ao longo de todo o território do rio Guaporé e seus afluentes, estabelecendo-se também em cidades banhadas pelo rio. Este cenário de esquecimento forçado da etnia resultou na falsa constatação, lançada pelos órgãos estatais de tutela aos índios, de que os Kujubim haviam sido extintos no território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história recente desse povo, da qual se tem registro, começou quando as três matriarcas proporcionaram, com a ajuda do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) em Rondônia, um encontro fundamental na “I Assembleia do povo Kujubim”, em 2002. Reuniram-se nessa data  para começar a luta pela identificação e demarcação de seu território tradicional e contar, para netos, filhos e bisnetos, um pouco da esquecida história kujubim e dar início, então, à retomada dos aspectos históricos e territoriais da sua existência.&lt;br /&gt;
A maioria dos indivíduos deste grupo possui histórias muito diferentes e não teve a oportunidade de dividir um espaço compartilhado. Embora essa configuração de dispersão espacial tenha afetado a estrutura social do grupo, os Kujubim seguiram resistindo e se organizando política e socialmente em torno de um resgate de seus modos de vida tradicionais. Os Kujubim que moram nos municípios próximos aos rios Guaporé e Cautário reclamam constantemente da falta de agilidade para a demarcação da terra. Eles se recusam a ir para outras terras indígenas, como fizeram outros Kujubim, pois reconhecem somente o Cautário como sua terra tradicional. Nas cidades, os grupos indígenas não podem caçar e raras são as vezes em que a pesca é permitida, principalmente a de quelônios muito apreciados pelo grupo, como o tracajá. Reclamam e denunciam que, enquanto não é demarcada sua terra, da qual poderiam estar cuidando e fazendo um uso responsável, como todos seus “parentes” fazem de seus territórios, invasores não indígenas — como pescadores e madeireiros – a ocupam para extrair recursos de modo ilegal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para encaminhar assuntos dessa natureza, os índios criaram duas associações que têm por objetivo facilitar a garantia de seus direitos constitucionais: a AKIKÕ (Associação dos Povos Indígenas Kanoé e Kujubim), formada em fevereiro de 2001 em Ricardo Franco, e a AIPOK (Associação Indígena do Povo Kujubim), de 2013. A partir de então, os Kujubim começaram a fazer constantes assembleias e reuniões, juntamente com outros povos indígenas na região, em busca de seus direitos. Nessas assembleias, se discutem, junto ao Ministério Público Federal, possíveis melhorias nas áreas da educação, saúde e, principalmente, o andamento da demarcação da Terra Indigena.&lt;br /&gt;
Em 2016, os Kujubim chegaram a construir roçados dentro do território do Cautário, para começar uma ocupação em ritmo lento. Iniciaram a estruturação de uma moradia estilo chapéu de palha (construção regional típica, feita de palha de aricuri), mas não se sentiram seguros para a continuação do empreendimento, já que os seringueiros do entorno ameaçavam matá-los. Alguns dias depois, a casa foi, de fato, queimada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etno-história e território ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |As três matriarcas. Da esquerda para direita: Suzana, Rosa e Francisca. Foto: Cimi-RO, 2002.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_2.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Kujubim, existem pelo menos três histórias de seu povo, no plural. A primeira versão diz respeito ao período antes do contato (o “tempo da maloca”) e foi passada de geração em geração pelas matriarcas, permanecendo viva na memória coletiva do grupo até os dias atuais; outra coincide com o período do contato direto com seringalistas e definiu os rumos dos Kujubim antigos e atuais; e, por fim, a história recente, que se define pela retomada do território tradicional, iniciada pelas três matriarcas remanescentes do último período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas três mulheres, Suzana (Moao), Francisca (Sa’at ou Rite) e Rosa, são fundamentais para a história e a organização social e política dos Kujubim até hoje. Os relatos dessas mulheres são muito importantes para compreender quem são os Kujubim, uma vez que foram elas as únicas pessoas conhecidas que, até onde se sabe, viveram diretamente no tempo da maloca. Suzana era a mais velha e seu nome na língua nativa era Moao, que significa “cuia”, muito provavelmente pelo formato de sua cabeça. Suzana era filha de mãe kumaná e seu pai, Huaat, era matawá. Ela contava para seus familiares que, após a chegada dos brancos no rio Cautário, restaram apenas cerca de dez indivíduos de seu grupo e que todos eles, inclusive ela, foram levados para o barracão Canindé, de extração de seringa. O barracão era gerenciado por um capanga de João Rivoredo, seringalista de enorme protagonismo regional, responsável pela extração da borracha no rio Guaporé e também por escravizar e maltratar os indígenas no local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |A matriarca Suzana Kujubim. Foto: CIMI- RO, 2002.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_1.jpg?m=1566935006}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi no Canindé que Suzana teve que cuidar de Francisca (outra matriarca que apresentaremos mais adiante), que era muito pequena na época e perdera sua mãe e seu pai, Timikó, pajé e cacique dos Matawá. Alguns anos depois, elas conseguiram fugir de volta para a aldeia em que viveram alguns meses, até serem capturadas novamente por um seringalista chamado Alexandre Laia. Foi Alexandre que batizou Moao como Suzana e Sa’at como Francisca. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tempos depois, Suzana se casou com Antônio Laia, que também foi um índio batizado e capturado por Alexandre Laia perto do rio Cautário. Depois de seu casamento, Suzana teve que abandonar Francisca e passou a viver junto das comitivas de seringalistas, deslocando-se de barracão em barracão e passando por diversas colocações de corte de seringa, como, por exemplo, Porto Acre, município no nordeste acreano. Por volta dos anos 1970, Suzana passou a viver no município de Costa Marques (RO), em uma terra que beira a Serra Grande, e cerca de trinta anos depois faleceu em Guajará-Mirim. Atualmente, duas das filhas de Susana vivem em Costa Marques e uma delas em Guajará Mirim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Francisca, a segunda matriarca citada, possuía dois nomes na língua originária: Sa’at (“Gaivota”) e Rite (“Banana”). Viveu simultaneamente com Suzana em algumas colocações até se casar com Sebastião, nome de batismo de um índio da etnia [[Povo:Chiquitano|Chiquitano]]. Francisca e Sebastião desceram o rio Guaporé e se instalaram em um igarapé que faz divisa com a Baía das Onças, onde viveram por anos trabalhando para uma família de seringueiros chamada Canuto. Depois que a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; foi demarcada, por volta de 1976, Francisca e Sebastião, juntamente com seus cinco filhos, atravessaram o igarapé e foram viver junto de uma família [[Povo:Makurap|Makurap]], no território que hoje é a Baía das Onças, ocupado predominantemente pelos [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]]. Deste modo, a matriarca e seu marido passaram a viver na TI Rio Guaporé juntamente com outras etnias e por lá se estabeleceram. Os filhos de Francisca vivem todos na Terra Indígena, exceto um, que vive em Costa Marques. A matriarca faleceu em 2012, na Aldeia Ricardo Franco, e foi enterrada no próprio cemitério da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de Rosa, a terceira matriarca, ainda carece de investigação. O que se sabe é que ela sempre viveu na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3853&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Sagarana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, também em Rondônia, vizinha da TI Guaporé, onde se casou com um índio [[Povo:Kanoê|Kanoê]] e teve seis filhos. &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização política ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A assembleia kujubim promovida em 2002 impulsionou a luta deste povo pelo seu reconhecimento perante o Estado e o resgate de seu território tradicional. O encontro repercutiu nos mais de 140 indivíduos que vivem suas histórias separadamente, mas com o desejo comum de pôr em prática seus costumes e modos de vida tradicionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, há uma dificuldade maior para os Kujubim que vivem na cidade nesse processo: sem a terra, sem o espaço tradicional, eles não podem reproduzir seus modos de vida e suas práticas materiais e simbólicas. Os Kujubim que vivem na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; conseguem fazê-lo, devido à convivência e às trocas culturais com outras etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a principal dificuldade de continuidade no processo de demarcação se deve ao fato de que o território é muito cobiçado por diversos grupos não indígenas da região, que envolvem serrarias clandestinas, fazendeiros e também a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://uc.socioambiental.org/arp/1322&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Reserva Extrativista (Resex) do Rio Cautário&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (de responsabilidade do ICMBio). Os Kujubim acreditam que, com a conclusão da demarcação, terão condições melhores de vida e conseguirão os direitos necessários para poder criar seus filhos dentro da aldeia, com a instalação de uma escola e de um posto de saúde. Além do mais, eles dizem que não iriam só os Kujubim para aquela terra, também iriam outras etnias que se apoiam, como os [[Povo:Kanoê|Kanoê]], [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]] e [[Povo:Wajuru|Wajuru]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização política dos Kujubim se faz por meio das lideranças, tanto nas cidades como nas aldeias. Aquele que é cacique ou liderança sempre deve exercer protagonismo político em prol do grupo, mas há uma diferença qualitativa substancial entre ambos os papéis. Lideranças são responsáveis por questões que concernem a totalidade do grupo, como alavancar o movimento de retomada do território ou mobilizar os Kujubim de todo o estado para tratar assuntos diretamente com os brancos e suas instituições, como a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) e a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (SEDUC). Os caciques, por sua vez,  são líderes de âmbito local, mais ligados à solução de pequenos conflitos, realização de oficinas, liderança nos trabalhos coletivos, entre outras práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, há uma diferença de alcance político de quem exerce a função de cacique ou de liderança. Pode acontecer, também, de as relações políticas serem complexificadas. Na aldeia Ricardo Franco, por exemplo, existe uma liderança geral e dez caciques representando as dez etnias diferentes que ocupam o território.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material e atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Fabricação da esteira iwi em uma oficina realizada na Aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_4.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; possui seis aldeias, não muito distantes umas das outras, e é conhecida por sua complexa diversidade multiétnica e multilinguística, definida por Denise Maldi como “Complexo Cultural do Marico”. Atualmente, dez etnias vivem no território, divididas em seis famílias linguísticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse complexo cenário é explicado etnograficamente pelo trabalho do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que, dos anos 1930 até 1970, retirava os povos de suas malocas tradicionais e os redirecionava para dentro do local que é hoje conhecido como Posto Indígena Ricardo Franco. Mais do que tentar reduzir culturas, histórias e cosmologias diversas a algo único, o SPI encurtava seu dever de garantir um território contínuo, obrigando pessoas de etnias diferentes a se casarem umas com as outras e a viverem juntas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a partir dessa nova organização e das novas relações sociais que se estabeleceu uma intensa rede de trocas de cônjuges, substâncias, elementos da cultura material, histórias e mitos entre os povos indígenas na região, até os dias de hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as etnias que vivem nas proximidades compartilham da mesma forma de construir casas, feitas de esteio de intaúba e cobertas com as palhas do aricuri. São nessas construções que se realizam festas coletivas, e que se guardam arcos e flechas, artesanato e uma série de artefatos da vida material, como o “marico” — bolsa feita de linha de tucum para carregar objetos e produtos da roça (Maldi, 1991). É interessante notar que também existem peculiaridades de cada etnia: os Kujubim, por exemplo, trançam a esteira de palha do aricuri ligando apenas um ponto da trança, enquanto os [[Povo:Wajuru|Wajuru]] e [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]], por sua vez, fazem dois pontos de costura. As flechas e arcos são um padrão que se mantém hoje em dia na TI Guaporé, sendo as primeiras feitas com chichiu, com a ponta de pupunha ou prego, e os arcos seguem um padrão regional de pupunha lapidada do tamanho do homem que irá utilizar a arma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma série de práticas e saberes que foram se tornando, também, um certo padrão regional, e o principal se refere à chicha, bebida fermentada produzida a partir da macaxeira (mandioca “mansa”) e cujo consumo configura os grandes momentos de sociabilidade dentro do sistema regional. Os Kujubim bebiam, no tempo da maloca, chicha de milho e de pupunha. A partir do convívio com outras etnias e da edificação desse sistema regional, todos os grupos passaram a fazer a chicha de macaxeira mansa e a consideram como a bebida de todos os povos dali, muito ligada à identidade e à sociabilidade locais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atividades produtivas ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Casal coletando gongo do aricuri em sua roça na Baía das Onças, TI Guaporé. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_10.jpg?m=1566935731}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto no tempo da maloca como no presente, os Kujubim produziam e produzem sua subsistência por meio da caça, da coleta de frutos e sementes silvestres, da pesca e da agricultura de coivara. Isso também se estende para os indígenas deste povo que vivem na cidade, onde fazem a coleta de açaí e castanha e plantam milho e macaxeira, sendo que a farinha que fazem para consumo desta última também é dedicada à venda em pontos comerciais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não se tenha uma divisão de gênero seguida à risca em relação aos trabalhos, há um consenso de que a pesca e a caça são práticas predominantemente masculinas, assim como os cuidados com a roça e com o âmbito doméstico sejam preferencialmente femininos. Há, também, trabalhos que podem ser realizados igualmente por ambos os gêneros, como mutirões para a abertura de roçados. Nas roças, eles plantam macaxeira, mamão caiana, milho, cará, batata, banana, melancia, jerimum, abacaxi, feijão, arroz, entre outros alimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Homem Kujubim confeccionando farinha d’água na Aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180613_120441770.jpg?m=1567457791}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As caçadas, assim como as pescarias, são realizadas por pequenos grupos de homens, entre dois e quatro indivíduos. Eles costumam sair logo cedo da aldeia e retornar no fim da tarde, quando os resultados são aguardados por grupos familiares nucleares, mas que, a depender da quantidade de carne obtida, podem ser distribuídos para toda a aldeia. Eles caçam mamíferos como macacos, antas, queixadas, caititus, pacas e cotias; aves como o mutum, jacu, jacamim e pato do mato; e répteis, tais como os quelônios, são muito apreciados e pescados, assim como uma grande quantidade de espécies de peixes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Parentesco e nominação ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Casa na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_20.jpg?m=1567458896}}&lt;br /&gt;
Os Kujubim, contaram as três matriarcas, possuíam lógicas matriarcais de nomeação e moradia e, neste sentido, a transmissão de nomes era feita por via materna. Quando havia casamentos, os homens tinham que abandonar suas casas e morar juntamente com a família da moça. Isto é, a residência pós-marital era uxorilocal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois que o SPI começou a juntar as etnias e forçar o casamento entre elas, passou-se a uma lógica de transmissão de nomes por via paterna, principalmente pelo sobrenome. Deste modo, há mais ou menos vinte anos atrás, se uma mulher kujubim se casasse com um kanoé, o filho receberia apenas o sobrenome kanoé. Nos dias de hoje, entretanto, todas as crianças e alguns adolescentes já recebem a dupla filiação, e todos têm dois sobrenomes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como nesse caso da uxorilocalidade, alguns aspectos do tempo da maloca estão sendo retomados atualmente. Antigamente, um indivíduo kujubim poderia ter até cinco nomes, sendo eles tecnônimos ou necrônimos, e também nomes que se referem a seres não humanos. Contudo, o que é fortemente marcado no caso kujubim diz respeito à nomeação de acordo com as características humanas que se refletem em objetos, animais e vegetais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, é muito difícil ouvir, na rotina da aldeia, os nomes das pessoas, porque estas são conhecidas e chamadas por seus apelidos. Como no caso do tempo da maloca, os apelidos também se referem a características humanas correlacionadas com aquelas de seres não humanos: Lebrão (pernas longas), Uru (pássaro conhecido por ser sovino no mito, cujo nome apelida um homem com essas características) e Lontra (dorme na sujeira, já que as casas das lontras só têm espinha de peixe e as dos humanos, quando sujas, também) são exemplos disso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia e mitologia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cosmos, para os Kujubim e os demais povos da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, é dividido em estratos concebidos como planos ou domínios. A terra é um domínio, assim como o vento, o céu, o ar, o rio e a água, as aldeias celestes, as aldeias nas copas das árvores, os sonhos e muitos lugares que servem, sobretudo, para operar uma divisão no universo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São nessas divisões de um amplo cosmos que os Kujubim se relacionam com diferentes seres — animais, plantas, espíritos, fenômenos meteorológicos e também seres monstruosos, como o Mapinguari e o Pai da Mata. Trabalhar nas roças, caçar, pescar, e mesmo viver na aldeia, faz com que eles estejam sujeitos, a todo momento, a encontros com esses seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A socialidade, para os índios, extrapola as relações humanas, porque todos os seres são dotados de espírito — ou alma. Comer carne de tartaruga quando se tem um filho pequeno faz com que o corpo da criança fique vulnerável para que o espírito da tartaruga o ataque, lançando doenças. Se caçarem animais demais, os donos desses animais ficarão furiosos, criando um motivo para que o caçador fique panema, lançando também flechas em formato de doença. Além disso, os donos retiram seus animais de determinada região, tornando mais difícil encontrá-los pelas redondezas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autodenominação “Towa Panka”, como já mencionado, remete à relação simbólica entre os Kujubim humanos e o pássaro cujubim. Uma das histórias narradas por um velho kujubim revela: “o sol baixava três vezes do dia e nesse tempo o Deus aparecia para entregar o espírito de quem nasceu e levar embora o de quem morreu”. Cujubins são deuses para os Kujubim, pois eles possuem um papel fundamental: levar os espíritos para seus corpos quando nascem, e também em levá-los de volta para o paraíso celeste, quando morrem. Neste sentido, os cujubins são seres especiais que extrapolam os planos cósmicos, indo da vida até a morte, passando pelas aldeias celestes e também vivendo juntamente com os humanos nas aldeias terrestres. Ele, claramente, jamais poderia ser comido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual e xamanismo ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Pintura com jenipapo na aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_11.jpg?m=1566935749}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como se configura no padrão regional, os pajés Kujubim do tempo da maloca utilizavam as sementes do angico como substância psicoativa para permitir o acesso a outros planos cósmicos. As sementes do angico são maceradas e misturadas com cascas de árvores e fumo, sendo, então, aspiradas através de um graveto denominado taboquinha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os pajés aspiravam a substância a fim de subir às aldeias celestes, lançando flechas umas sobre as outras para formar correntes, até chegarem ao céu. Também batalhavam com seres celestes como a grande cobra arco-íris e o ser que atacava as mulheres nas roças engravidando-as, chamado Tupiran.&lt;br /&gt;
Hoje, a pajelança ainda é utilizada nas aldeias da TI Rio Guaporé, mas não é praticada por nenhum Kujubim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Rituais de iniciação ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Criança Kujubim aprendendo a trançar a esteira (iwi) com palha. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_17.jpg?m=1567457986}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre os rituais de iniciação, esses são os mesmos dos tempos da maloca para os Kujubim. As mulheres iniciam a vida adulta marcadamente após a primeira menstruação. Elas devem ficar de resguardo dentro de casa por uma semana até que seu ciclo acabe. Se isso não acontece, ficam sujeitas aos espíritos malignos e correm o risco de se tornarem preguiçosas e irritadiças. Também não podem ser vistas pelo arco-íris, já que a jiboia que vive nele (ou, ao mesmo tempo, que é o próprio arco-íris) pode jogar uma flecha na mulher, fazendo com que ela fique doente e o seu futuro ciclo reprodutivo fique ameaçado e sob controle do espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já os homens, aos seis anos, idade em que começam a frequentar a escola, também iniciam o aprendizado de fabricar flechas e flechar. Aos doze anos, eles são iniciados pelo pajé com sumo de jenipapo para que sua voz não engrosse muito e, ao mesmo tempo, não fique fina. Enquanto tomam o jenipapo, devem imitar diversos animais, entre eles a anta, queixada, caititu, e nambu para, depois, praticarem sua primeira caçada. A primeira presa deve ser compartilhada com todas as pessoas e o caçador não deve comer nem um pedaço sequer; se o fizer, ficará panema para o resto da vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O casamento é também visto como um ritual de passagem. No tempo da maloca, os casamentos kujubim eram marcados pela furação das bochechas e nariz. Usava-se espinhos de coco do mato como adorno, um de baixo da boca e dois nas bochechas. Isso basicamente fazia parte da construção do corpo, principalmente no que se refere a certos avanços da vida marcados pelos rituais de passagem. Quando ia se casar, o homem tinha que lutar com o pai da moça com uma espada feita de pupunha; se vencesse, tinha que estar pronto para passar duas semanas caçando e trabalhando na roça, sem que voltasse à aldeia, para acumular produtos para a realização de uma grande festa.&lt;br /&gt;
Sobre pinturas corporais, uma das matriarcas dizia que, para se proteger dos espíritos que lançavam doenças,  devia se pintar com jenipapo e passar óleo de tucumã no cabelo. Nos dias de hoje, as pinturas são realizadas apenas em dias festivos e são reservadas especialmente às mulheres e crianças. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas “originais” dos Kujubim ainda são recordadas. Eles contam que, nos dias de festas, pintavam os braços, as pernas e o rosto com jenipapo e urucum. A pintura do braço se baseava em um padrão intercalando linhas retas, sendo uma linha maior na vertical e cruzada por várias linhas na horizontal, bem menores. A pintura da perna se tratava de duas linhas retas paralelas na vertical, sendo que, em suas extremidades do lado de fora, vinham traços que formavam triângulos seguidos uns dos outros. Apintura facial, por sua vez, consistia em quatro linhas paralelas. No meio delas, traçadas na horizontal, haviam pontos em sequência. Os indígenas também destacam as cores das pinturas: quando estavam em paz e festa, faziam pinturas em vermelho (urucum) e preto (jenipapo); mas quando iam caçar ou guerrear, pintavam somente de vermelho. Os Kujubim se pintavam, também, fazendo riscos em torno do nariz, que incorporavam o espírito do maracajá, um gato selvagem e pintado como as onças (kinam).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ritos fúnebres ===&lt;br /&gt;
No tempo da maloca, quando morria um parente, o corpo era colocado em uma urna funerária de barro vermelho, em posição fetal. Enterravam a urna dentro da maloca e em seguida queimavam a casa. O cujubim vinha resgatar o espírito para levá-lo até a aldeia celeste. Em seguida, uma nova casa era construída para a família que acabara de perder um parente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, ainda, outro aspecto fúnebre que chama atenção, e que muito tem a ver com os costumes ligados à morte nas culturas de língua txapacura: os mortos eram comidos. No caso dos Kujubim, e também dos Moré (Metraux 1948), eram comidas as cinzas dos parentes misturadas junto ao alimento, mas atualmente eles não sabem explicar o motivo para isso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Jovens pescando com arco e flecha na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_21.jpg?m=1567458896}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabe dizer que, até o momento, não se encontram estudos e pesquisas, do ponto de vista antropológico, sobre a história e a cultura do povo kujubim. Aliás, essa é uma situação muito comum a diversos povos que vivem hoje, ou já viveram, na área que o antropólogo Felipe Vander Velden classificou como “Grande Rondônia”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, sim, alguns relatos históricos sobre os Kujubim, mas a partir de outros nomes, como explicado na seção “Nome” deste verbete, cujos dados aparecem de maneira muito sucinta. É o caso, por exemplo, de um relato disponível em um diário do Bispo Dom Rey, que pode ser consultado na diocese de Guajará-Mirim/RO, e nos escritos do engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra, que datam de 1857. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à língua kujubim, podemos encontrar uma primeira aparição de dados a partir de estudos comparativos feitos por Cestmir Loukotka, publicados em 1963. Depois, a dissertação produzida por Angenot-De Lima sobre o tronco linguístico proto-txapakura em 1997. Mas é apenas Irís Rodrigues Duran (2000), em sua dissertação de mestrado, que apresenta dados mais desenvolvidos sobre a língua kuyubi, além de algumas poucas informações etnográficas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2017, Joshua Birchall (do Museu Paraense Emílio Goeldi) começou a coordenar um projeto com os Kujubim intitulado “Documentação e Salvaguarda da Língua Moré-Kujubim”, em que realiza oficinas para que o grupo possa resgatar e aprender sua língua. Juntamente a Michael Dunn e Simon Greenhill (2016), Birchall desenvolveu um artigo sobre a família linguística txapakura, designando à língua kujubim uma nova posição no interior do tronco linguístico. Ruth Monserrat trabalha a língua ao menos desde 2005 e, há pouco tempo, publicou um artigo (2018) a respeito da situação atual dos Kujubim em termos linguísticos, trazendo boas notícias sobre o acervo de palavras que eles possuem para começar a prática de sua língua, coletados não só por ela, mas também por outros linguistas, como Iris Duran e Hein van der Voort.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não cite diretamente os Kujubim, mas sim os Kumaná e os Kujona, a etno-historiadora Denise Maldi Meireles (1991) fez um precioso trabalho sobre os povos que habitaram e habitam o vale do Guaporé. No material, é possível ter ideia de como se deu a ocupação colonial no território e como os povos indígenas da região sofreram diretamente o impacto do contato, fazendo com que alguns desaparecessem, fossem extintos e mesmo provocando grandes deslocamentos de seus territórios tradicionais. Neste texto, a autora descreve a história do ponto de vista de diversas etnias indígenas e como elas fazem parte do que veio a ser chamado de “Complexo Cultural do Marico”. É possível dizer que, nos dias atuais, os Kujubim fazem parte desse complexo, mas é necessário que sejam atualizadas algumas informações a seu respeito, tendo em vista que muitas mudanças já ocorreram desde que foi pensado pela historiadora, como, por exemplo, a ausência de plantações de mandioca brava. Rápidas menções sobre os Kujubim como parte da TI do Rio Guaporé foram feitas por Nicole Soares Pinto (2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora na introdução do artigo Tribes of Eastern Bolivia and the Madeira headwaters, publicado em 1948 por Alfred Métraux, o autor prometa trazer dados etnográficos sobre os Kumaná, ao longo do texto só aparecem apenas alguns dados de forma espaçada e que se perdem em meio à diversas informações e dados sobre os Moré e os Huanyam, povos também txapakura. &lt;br /&gt;
Em um trabalho de Luis Leigue Castedo (1957), é possível ler um mito de origem moré que faz alusões históricas aos povos que viviam no rio Cautário e que podemos dizer se tratarem dos Kujubim. O autor, por meio do mito, comenta algumas relações que havia entre esses povos, que, ora eram de festejos regados à chicha e com abundância de comida, ora eram de inimizade, provocadas, principalmente, pela prática do canibalismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diário de Emil-Heinrich Snethlage, à época da escrita deste verbete, ainda não foi traduzido para o português, mas é possível encontrar alguns trechos no artigo Emil-Heinrich Snethlage (1897-1939): nota biográfica, expedições e legado de uma carreira interrompida de Gleice Mere (2013), em que há informações sobre os Kumaná. O etnólogo alemão também escreveu alguns diários que foram recém-publicados em alemão (2016) sobre sua viagem ao rio Guaporé, na qual é possível coletar algumas informações etnográficas sobre os Kumaná, Matawa e Kujona, relativas à onomástica, à língua e a certos aspectos cosmológicos. Com certeza essa obra apresenta um conjunto de dados riquíssimos para os povos do rio Guaporé, que, assim como os Kujubim, carecem de informações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessas fontes, é possível buscar, também, algumas informações contidas na coletânea de dados dos povos indígenas de Rondônia, organizada e publicada pelo Conselho Indigenista Missionário de Rondônia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, cabe dizer que um primeiro esforço antropológico, histórico e cultural, vem sendo feito e os resultados dele aparecem com a maioria dos dados contidos neste verbete. São informações primárias, de um recente trabalho de campo feito por Gabriel Sanchez, que investiga as relações entre os Kujubim e os seres que nossa biologia ocidental classifica como aves, e que estão sendo mais trabalhados e desenvolvidos para uma dissertação de mestrado em andamento, a ser apresentada na Universidade Federal de São Carlos, e provavelmente divulgada em novembro de 2019. Esses dados foram coletados a partir de um trabalho de observação participante, conversas informais e convivência diária junto aos Kujubim de Guajará-Mirim, Costa Marques, Aldeia Ricardo Franco e Aldeia Baía das Onças, que lutam pela demarcação de seu território tradicional, além de serem recolhidos preciosas informações das ainda vivas memórias das matriarcas Kujubim que permanecem sob as práticas e discursos de seus descendentes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas em Rondônia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kujubim&amp;diff=6621</id>
		<title>Povo:Kujubim</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kujubim&amp;diff=6621"/>
		<updated>2019-09-10T17:57:02Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: Foto e crédito capa do verbete&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Kujubim vivem no sudoeste amazônico, no estado de Rondônia, fronteira com a Bolívia. São um dos muitos povos indígenas que se encontram na área denominada “Grande Rondônia”, ainda pouquíssimo estudados ou mesmo conhecidos. Sua língua, kuyubi ou kaw tawo, pertence à família linguística txapakura. Apesar de terem sido considerados extintos pelo Estado brasileiro nos anos 1980, na perspectiva kujubim e de outros povos na região, eles nunca deixaram de existir e resistir. Desde a década de 2000, os Kujubim vêm retomando seu protagonismo no cenário regional e nacional, principalmente a respeito da demarcação de seu território tradicional e da reivindicação dos direitos constitucionais indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e população==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Crianças Kujubim na pescaria no Rio Guaporé. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_3.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Kujubim” é o nome pelo qual todos os indivíduos do grupo —  e mesmo os que não fazem parte dele — identificam a etnia. Segundo as matriarcas, já falecidas, que viveram diretamente no território tradicional deste povo, o nome “Kujubim” foi dado por integrantes da comitiva de Marechal Rondon que passaram pelo território indígena por volta de 1920, e atribuíram esse nome aos índios por morarem em um igarapé em que o pássaro cujubim (Pipile cujubi) era abundante.&lt;br /&gt;
A autodenominação do grupo no “tempo da maloca” (o período antes do contato), era Towa Panka que, segundo a matriarca Suzana, significa, na língua nativa, “cabeça branca”. O termo sugere uma relação simbólica já existente entre esse povo indígena e o pássaro cujubim, que tem o corpo todo preto e possui, apenas em sua cabeça, penas brancas. A explicação nativa para essa relação aparece em uma narrativa mítica, segundo a qual é o pássaro cujubim que traz as almas dos humanos para seus corpos quando nascem e as leva embora quando morrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os atuais Kujubim antes se separavam em três grupos distintos: Kumaná, Matawá e Kujona. Embora apresentassem diferenças entre si, os não índios da época os chamavam, indistintamente, de “Cautários”. A denominação deriva, muito provavelmente, da interpretação de um termo que ouviram dos Moré, grupo de relações históricas com o Kujubim, que atribuíam a esses últimos o nome “kaw tayo” — “comedores de peixe-cachorro”, na língua nativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right| Meninas coletando batatas. Foto: Gabriel Sanchez, 2018|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_7.jpg?m=1566935075}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O censo da Sesai registrou, em 2014, 140 indivíduos kujubim, o que representa um crescimento de cerca de 2% ao ano desde o levantamento realizado pela Funasa em 2010, que contabilizou 129 pessoas. Para efeito de comparação, a taxa de crescimento anual média do período no Brasil foi aproximadamente 0,9%, segundo o Banco Mundial. A população kujubim vem aumentando ano a ano, principalmente por conta de casamentos interétnicos com outros povos indígenas que vivem na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, com quilombolas da região de Santo Antônio, em Costa Marques (RO), e com não índios. Os descendentes desses casamentos não deixam de ser identificados como Kujubim. Esse cenário de aumento populacional é muito importante e significativo para o povo, principalmente pelo fato de que, nos anos 80, os Kujubim haviam sido considerados extintos pelas fontes oficiais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_19.jpg?m=1567458844}} &lt;br /&gt;
A língua kujubim pertence à família linguística txapakura e foi classificada por Duran (2000) como “kuyubi” ou “kaw tayo”. As únicas falantes da língua kuyubi das quais se teve notícias — e com quem  foi possível realizar estudos linguísticos — foram as três matriarcas, Suzana, Rosa e Francisca, já falecidas. Nos dias atuais, a comunicação oral na língua se reduz a palavras de uso cotidiano, como “tok ta” (chicha, uma bebida fermentada de mandioca), e aos nomes de animais presentes em seu dia a dia, como imin (anta), myak (queixada) e kinam (onça), sendo o português a língua predominantemente falada no território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2017, projeto “Documentação e Salvaguarda da Língua Moré-Kujubim” teve início, almejando a retomada do uso escrito e oral da língua nativa nas aldeias. Coordenada por Joshua Birchall (do Museu Paraense Emílio Goeldi), que produz atividades e oficinas com os Kujubim e demais etnias na região, a ação recupera o repertório de palavras kujubim falado atualmente. Por meio de estudos linguísticos, realizados a partir de gravações, trabalhos científicos e anotações de viajantes, foi possível registrar cerca de 800 palavras da língua kuyubi em uso hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal língua era compartilhada pelos grupos matawá, kumaná e kujona, que se fundiram nos atuais Kujubim durante o século XX. Dados de um dialeto chamado kumaná, coletados pelo etnólogo alemão Emil Snethlage nos anos 1930, mostram uma semelhança notável com a língua kujubim, o que reafirma a possibilidade de se tratarem do mesmo grupo no passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_18.jpg?m=1567457995}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um estudo sobre o proto-txapakura, Angenot-de Lima (1997) havia considerado que o “kuyubi”, dialeto falado pelas três matriarcas, seria uma “nova” língua, muito próxima daquela falada pelos Moré, o povo indígena de relações históricas com os Kujubim que mora na margem esquerda do rio Guaporé, no lado boliviano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho de Duran (2000), que melhor investiga a língua, indica que o kuyubi e o moré possuem apenas algumas variações dialetais no uso de consoantes, mas em geral são quase idêntico entre si,  considerando que foram raríssimos os lexemas não reconhecidos como existentes em ambas as línguas. Além disso, em relação ao sistema gramatical kuyubi, não foi identificada nenhuma construção sintática nem morfológica que não exista também no moré.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um estudo recente, Birchall et al (2016) propõem uma divisão em subgrupos da família txapakura, a partir de uma releitura de classificações anteriores, colocando a língua kujubim num ramo designado “moreico”, juntamente com outras línguas, como o moré e o torá, que se diferenciam, por exemplo, do ramo “warico”, constituído pelas línguas wari’, oro win, wanyam, jarú e urupá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Homem Kujubim regressando do trabalho. Em suas costas, o paneiro, cesta comumente utilizada para carregar cultivos da roça. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180327_173956363.jpg?m=1567457792}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kujubim estão distribuídos por toda a extensão de Rondônia, com maior concentração de indivíduos no sudoeste e sul do estado, na divisa com a Bolívia. Eles residem, especialmente, em duas aldeias: Baía das Onças e Posto Indígena Ricardo Franco, na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, no município de Guajará-Mirim. O território, habitado por dez etnias,  foi demarcado em 1976 e homologado vinte anos depois. Muitas famílias kujubim também se encontram dispersas em áreas urbanas das cidades de Guajará-Mirim, Costa Marques, Porto Velho, Seringueiras e São Francisco do Guaporé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 2002, os Kujubim reivindicam, em assembleias e manifestações, a demarcação de suas terras tradicionais no alto e médio rio Cautário, entre os municípios de Guajará-Mirim e Costa Marques. O processo de demarcação  de seu território, a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/en/terras-indigenas/5366&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Cautário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, se iniciou em 2013 e, em 2019, ainda se encontra em seu primeiro estágio: a fase de identificação.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Kujubim em canoa na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|&lt;br /&gt;
http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180417_093249414.jpg?m=1567457792}} &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há indícios documentais — em mapas, relatórios e diários — de que os atuais Kujubim antes se separavam em três grupos distintos, chamados Kumaná, Matawá e Kujona. Todos falavam a mesma língua, apresentando apenas algumas variações dialetais, e trocavam cônjuges, alimentos e artefatos entre si. Esse dado também é amparado por informações de uma matriarca kujubim capturada por seringueiros na década de 1940. Embora os três grupos apresentassem algumas diferenças, os não índios da época não faziam distinções e os chamavam simplesmente de “Cautários”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contato desses grupos com os não índios se deu por volta do século XVIII. Segundo Denise Maldi, nesse período o rio Guaporé e seus tributários foram uma barreira “natural” na fronteira entre duas coroas ibéricas na América colonial. Isso conferiu à região um tipo de ocupação fortemente comprometida com a defesa e a posse de territórios de dois reinos tradicionalmente rivais, considerando, por exemplo, a construção do monumental Forte Príncipe da Beira, vizinho das terras tradicionalmente ocupadas pelos Kujubim (Métraux, 1948). A política indigenista do período colonial, que insistia na ocupação fronteiriça, expressava o interesse de manter os índios em suas terras para, dessa forma, garantir a segurança do território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do século XVIII, quando os movimentos de libertação nas Américas começaram a tomar corpo e os limites territoriais das colônias já não funcionavam muito bem, a região passou a ser esvaziada rapidamente. Contudo, o contato entre os Kujubim e os não índios nesse período foi o suficiente para ocasionar o quase desaparecimento desse povo, que se reduziu a algumas dezenas de indivíduos, principalmente por conta das doenças infecciosas trazidas pelos não indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no século XIX, o engenheiro Ricardo Franco registrou que o contato com os índios “Cautários” estava sendo retomado aos poucos. A partir do início do século XX, a região voltou a ser invadida em razão da demanda global por borracha, intensificando a chegada de figuras como madeireiros e seringueiros, e fazendo com que os povos indígenas remanescentes do primeiro contato fossem rapidamente incorporados à mão de obra local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por volta dos anos 1930, a área passou a ser ocupada com a instalação de inúmeros estabelecimentos para exploração de borracha e caucho, fazendo com que os povos que viviam tanto na margem esquerda quanto na direita (caso dos Kujubim) do rio Guaporé tivessem suas aldeias invadidas, sofressem com as epidemias e fossem obrigados a abandonar seus territórios tradicionais, instalando-se em barracões no entorno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Suzana, uma das matriarcas kujubim, afirmou que, antes mesmo do aparecimento dos seringueiros, uma comitiva do Marechal Rondon passara por sua terra, por volta dos anos 1920. Nessa mesma época, alguns anos depois, outros brancos foram chegando e espalhando doenças, principalmente gripe e sarampo, que quase acabaram com o povo. Suzana recordou que seus parentes se jogavam na água porque queimavam de febre. Contou, também, que seu povo era extremamente “bravo”, mas aos poucos foi se “amansando”, e começou a fazer trocas de objetos manufaturados com os não índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns Kujubim que sobreviveram a esses contatos iniciais conseguiram fugir para outras regiões, mas outros, que não morreram por conta das doenças, foram capturados por seringueiros e levados para os barracões de seringa de diferentes lugares, principalmente em Canindé, Esperança, Marçal, Ouro Fino e Santa Lurdes. Dessa forma teve início a dispersão dos Kujubim por Rondônia, assim como aconteceu com vários grupos nativos do vale do Guaporé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Cacique Valdino Kujubim (ao centro) e Sérgio Wajuru confeccionando uma flecha para pescaria. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_16.jpg?m=1567457970}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Juntamente com a invasão de seringalistas, missionários também começaram a contatar os Kujubim. Em algumas páginas de seu diário, o primeiro bispo de Guajará-Mirim e missionário, Dom Francisco Rey, dedicou alguns devaneios sobre a “visita à maloca dos índios do rio Cautário”: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
O primeiro rapaz que amansou os ‘Kumaná’ penetrando e ficando uma vez na maloca deles, chamou-se Francisco Bento (ajudante do Rivoredo em Paaca Nova). Acertou tão bem que o fizeram Tucháu na Maloca, festejando ele e querendo guardá-lo até o ponto que teve que fugir para escapar deles.  &amp;lt;small&amp;gt;(Diário de Dom Rey, “Visita à maloca dos índios do rio Cautário”, 07/08/1932, página 7)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Emil-Heinrich Snethlage, importante etnólogo alemão que dedicou anos à pesquisa com os povos que viviam (e vivem) ao longo de todo o rio Guaporé, também contatou os ancestrais dos Kujubim.&lt;br /&gt;
No início de 1934, Snethlage subiu o rio Cautário para visitar os Kumaná e registrou, nesse ano, que “restaram somente uns vinte e tantos desta tribo, inclusive dos que tinham ido para Canindé, centro dos seringueiros no Cautário”. Ao voltar, no final do ano, constatou: “[os Kunamá foram] reduzidos a 13 e a famada baia das Onças a onde não achei índios nenhuns”. Por esses motivos, Snethlage registrou que não foi possível recolher muitas informações sobre esse povo — uma vez que estavam beirando a morte, por conta das doenças —, mas que conseguiu coletar alguns artefatos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar dos anos, pouco se ouviu falar dos Kumaná, Matawa ou Kujona, os ancestrais dos atuais Kujubim. Aqueles que conseguiram sobreviver foram aos poucos se casando com indivíduos de outras etnias ou com não índios, e se espalhando ao longo de todo o território do rio Guaporé e seus afluentes, estabelecendo-se também em cidades banhadas pelo rio. Este cenário de esquecimento forçado da etnia resultou na falsa constatação, lançada pelos órgãos estatais de tutela aos índios, de que os Kujubim haviam sido extintos no território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história recente desse povo, da qual se tem registro, começou quando as três matriarcas proporcionaram, com a ajuda do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) em Rondônia, um encontro fundamental na “I Assembleia do povo Kujubim”, em 2002. Reuniram-se nessa data  para começar a luta pela identificação e demarcação de seu território tradicional e contar, para netos, filhos e bisnetos, um pouco da esquecida história kujubim e dar início, então, à retomada dos aspectos históricos e territoriais da sua existência.&lt;br /&gt;
A maioria dos indivíduos deste grupo possui histórias muito diferentes e não teve a oportunidade de dividir um espaço compartilhado. Embora essa configuração de dispersão espacial tenha afetado a estrutura social do grupo, os Kujubim seguiram resistindo e se organizando política e socialmente em torno de um resgate de seus modos de vida tradicionais. Os Kujubim que moram nos municípios próximos aos rios Guaporé e Cautário reclamam constantemente da falta de agilidade para a demarcação da terra. Eles se recusam a ir para outras terras indígenas, como fizeram outros Kujubim, pois reconhecem somente o Cautário como sua terra tradicional. Nas cidades, os grupos indígenas não podem caçar e raras são as vezes em que a pesca é permitida, principalmente a de quelônios muito apreciados pelo grupo, como o tracajá. Reclamam e denunciam que, enquanto não é demarcada sua terra, da qual poderiam estar cuidando e fazendo um uso responsável, como todos seus “parentes” fazem de seus territórios, invasores não indígenas — como pescadores e madeireiros – a ocupam para extrair recursos de modo ilegal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para encaminhar assuntos dessa natureza, os índios criaram duas associações que têm por objetivo facilitar a garantia de seus direitos constitucionais: a AKIKÕ (Associação dos Povos Indígenas Kanoé e Kujubim), formada em fevereiro de 2001 em Ricardo Franco, e a AIPOK (Associação Indígena do Povo Kujubim), de 2013. A partir de então, os Kujubim começaram a fazer constantes assembleias e reuniões, juntamente com outros povos indígenas na região, em busca de seus direitos. Nessas assembleias, se discutem, junto ao Ministério Público Federal, possíveis melhorias nas áreas da educação, saúde e, principalmente, o andamento da demarcação da Terra Indigena.&lt;br /&gt;
Em 2016, os Kujubim chegaram a construir roçados dentro do território do Cautário, para começar uma ocupação em ritmo lento. Iniciaram a estruturação de uma moradia estilo chapéu de palha (construção regional típica, feita de palha de aricuri), mas não se sentiram seguros para a continuação do empreendimento, já que os seringueiros do entorno ameaçavam matá-los. Alguns dias depois, a casa foi, de fato, queimada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etno-história e território ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |As três matriarcas. Da esquerda para direita: Suzana, Rosa e Francisca. Foto: Cimi-RO, 2002.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_2.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Kujubim, existem pelo menos três histórias de seu povo, no plural. A primeira versão diz respeito ao período antes do contato (o “tempo da maloca”) e foi passada de geração em geração pelas matriarcas, permanecendo viva na memória coletiva do grupo até os dias atuais; outra coincide com o período do contato direto com seringalistas e definiu os rumos dos Kujubim antigos e atuais; e, por fim, a história recente, que se define pela retomada do território tradicional, iniciada pelas três matriarcas remanescentes do último período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas três mulheres, Suzana (Moao), Francisca (Sa’at ou Rite) e Rosa, são fundamentais para a história e a organização social e política dos Kujubim até hoje. Os relatos dessas mulheres são muito importantes para compreender quem são os Kujubim, uma vez que foram elas as únicas pessoas conhecidas que, até onde se sabe, viveram diretamente no tempo da maloca. Suzana era a mais velha e seu nome na língua nativa era Moao, que significa “cuia”, muito provavelmente pelo formato de sua cabeça. Suzana era filha de mãe kumaná e seu pai, Huaat, era matawá. Ela contava para seus familiares que, após a chegada dos brancos no rio Cautário, restaram apenas cerca de dez indivíduos de seu grupo e que todos eles, inclusive ela, foram levados para o barracão Canindé, de extração de seringa. O barracão era gerenciado por um capanga de João Rivoredo, seringalista de enorme protagonismo regional, responsável pela extração da borracha no rio Guaporé e também por escravizar e maltratar os indígenas no local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |A matriarca Suzana Kujubim. Foto: CIMI- RO, 2002.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_1.jpg?m=1566935006}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi no Canindé que Suzana teve que cuidar de Francisca (outra matriarca que apresentaremos mais adiante), que era muito pequena na época e perdera sua mãe e seu pai, Timikó, pajé e cacique dos Matawá. Alguns anos depois, elas conseguiram fugir de volta para a aldeia em que viveram alguns meses, até serem capturadas novamente por um seringalista chamado Alexandre Laia. Foi Alexandre que batizou Moao como Suzana e Sa’at como Francisca. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tempos depois, Suzana se casou com Antônio Laia, que também foi um índio batizado e capturado por Alexandre Laia perto do rio Cautário. Depois de seu casamento, Suzana teve que abandonar Francisca e passou a viver junto das comitivas de seringalistas, deslocando-se de barracão em barracão e passando por diversas colocações de corte de seringa, como, por exemplo, Porto Acre, município no nordeste acreano. Por volta dos anos 1970, Suzana passou a viver no município de Costa Marques (RO), em uma terra que beira a Serra Grande, e cerca de trinta anos depois faleceu em Guajará-Mirim. Atualmente, duas das filhas de Susana vivem em Costa Marques e uma delas em Guajará Mirim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Francisca, a segunda matriarca citada, possuía dois nomes na língua originária: Sa’at (“Gaivota”) e Rite (“Banana”). Viveu simultaneamente com Suzana em algumas colocações até se casar com Sebastião, nome de batismo de um índio da etnia [[Povo:Chiquitano|Chiquitano]]. Francisca e Sebastião desceram o rio Guaporé e se instalaram em um igarapé que faz divisa com a Baía das Onças, onde viveram por anos trabalhando para uma família de seringueiros chamada Canuto. Depois que a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; foi demarcada, por volta de 1976, Francisca e Sebastião, juntamente com seus cinco filhos, atravessaram o igarapé e foram viver junto de uma família [[Povo:Makurap|Makurap]], no território que hoje é a Baía das Onças, ocupado predominantemente pelos [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]]. Deste modo, a matriarca e seu marido passaram a viver na TI Rio Guaporé juntamente com outras etnias e por lá se estabeleceram. Os filhos de Francisca vivem todos na Terra Indígena, exceto um, que vive em Costa Marques. A matriarca faleceu em 2012, na Aldeia Ricardo Franco, e foi enterrada no próprio cemitério da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de Rosa, a terceira matriarca, ainda carece de investigação. O que se sabe é que ela sempre viveu na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3853&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Sagarana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, também em Rondônia, vizinha da TI Guaporé, onde se casou com um índio [[Povo:Kanoê|Kanoê]] e teve seis filhos. &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização política ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A assembleia kujubim promovida em 2002 impulsionou a luta deste povo pelo seu reconhecimento perante o Estado e o resgate de seu território tradicional. O encontro repercutiu nos mais de 140 indivíduos que vivem suas histórias separadamente, mas com o desejo comum de pôr em prática seus costumes e modos de vida tradicionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, há uma dificuldade maior para os Kujubim que vivem na cidade nesse processo: sem a terra, sem o espaço tradicional, eles não podem reproduzir seus modos de vida e suas práticas materiais e simbólicas. Os Kujubim que vivem na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; conseguem fazê-lo, devido à convivência e às trocas culturais com outras etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a principal dificuldade de continuidade no processo de demarcação se deve ao fato de que o território é muito cobiçado por diversos grupos não indígenas da região, que envolvem serrarias clandestinas, fazendeiros e também a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://uc.socioambiental.org/arp/1322&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Reserva Extrativista (Resex) do Rio Cautário&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (de responsabilidade do ICMBio). Os Kujubim acreditam que, com a conclusão da demarcação, terão condições melhores de vida e conseguirão os direitos necessários para poder criar seus filhos dentro da aldeia, com a instalação de uma escola e de um posto de saúde. Além do mais, eles dizem que não iriam só os Kujubim para aquela terra, também iriam outras etnias que se apoiam, como os [[Povo:Kanoê|Kanoê]], [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]] e [[Povo:Wajuru|Wajuru]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização política dos Kujubim se faz por meio das lideranças, tanto nas cidades como nas aldeias. Aquele que é cacique ou liderança sempre deve exercer protagonismo político em prol do grupo, mas há uma diferença qualitativa substancial entre ambos os papéis. Lideranças são responsáveis por questões que concernem a totalidade do grupo, como alavancar o movimento de retomada do território ou mobilizar os Kujubim de todo o estado para tratar assuntos diretamente com os brancos e suas instituições, como a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) e a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (SEDUC). Os caciques, por sua vez,  são líderes de âmbito local, mais ligados à solução de pequenos conflitos, realização de oficinas, liderança nos trabalhos coletivos, entre outras práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, há uma diferença de alcance político de quem exerce a função de cacique ou de liderança. Pode acontecer, também, de as relações políticas serem complexificadas. Na aldeia Ricardo Franco, por exemplo, existe uma liderança geral e dez caciques representando as dez etnias diferentes que ocupam o território.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material e atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Fabricação da esteira iwi em uma oficina realizada na Aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_4.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; possui seis aldeias, não muito distantes umas das outras, e é conhecida por sua complexa diversidade multiétnica e multilinguística, definida por Denise Maldi como “Complexo Cultural do Marico”. Atualmente, dez etnias vivem no território, divididas em seis famílias linguísticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse complexo cenário é explicado etnograficamente pelo trabalho do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que, dos anos 1930 até 1970, retirava os povos de suas malocas tradicionais e os redirecionava para dentro do local que é hoje conhecido como Posto Indígena Ricardo Franco. Mais do que tentar reduzir culturas, histórias e cosmologias diversas a algo único, o SPI encurtava seu dever de garantir um território contínuo, obrigando pessoas de etnias diferentes a se casarem umas com as outras e a viverem juntas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a partir dessa nova organização e das novas relações sociais que se estabeleceu uma intensa rede de trocas de cônjuges, substâncias, elementos da cultura material, histórias e mitos entre os povos indígenas na região, até os dias de hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as etnias que vivem nas proximidades compartilham da mesma forma de construir casas, feitas de esteio de intaúba e cobertas com as palhas do aricuri. São nessas construções que se realizam festas coletivas, e que se guardam arcos e flechas, artesanato e uma série de artefatos da vida material, como o “marico” — bolsa feita de linha de tucum para carregar objetos e produtos da roça (Maldi, 1991). É interessante notar que também existem peculiaridades de cada etnia: os Kujubim, por exemplo, trançam a esteira de palha do aricuri ligando apenas um ponto da trança, enquanto os [[Povo:Wajuru|Wajuru]] e [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]], por sua vez, fazem dois pontos de costura. As flechas e arcos são um padrão que se mantém hoje em dia na TI Guaporé, sendo as primeiras feitas com chichiu, com a ponta de pupunha ou prego, e os arcos seguem um padrão regional de pupunha lapidada do tamanho do homem que irá utilizar a arma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma série de práticas e saberes que foram se tornando, também, um certo padrão regional, e o principal se refere à chicha, bebida fermentada produzida a partir da macaxeira (mandioca “mansa”) e cujo consumo configura os grandes momentos de sociabilidade dentro do sistema regional. Os Kujubim bebiam, no tempo da maloca, chicha de milho e de pupunha. A partir do convívio com outras etnias e da edificação desse sistema regional, todos os grupos passaram a fazer a chicha de macaxeira mansa e a consideram como a bebida de todos os povos dali, muito ligada à identidade e à sociabilidade locais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atividades produtivas ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Casal coletando gongo do aricuri em sua roça na Baía das Onças, TI Guaporé. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_10.jpg?m=1566935731}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto no tempo da maloca como no presente, os Kujubim produziam e produzem sua subsistência por meio da caça, da coleta de frutos e sementes silvestres, da pesca e da agricultura de coivara. Isso também se estende para os indígenas deste povo que vivem na cidade, onde fazem a coleta de açaí e castanha e plantam milho e macaxeira, sendo que a farinha que fazem para consumo desta última também é dedicada à venda em pontos comerciais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não se tenha uma divisão de gênero seguida à risca em relação aos trabalhos, há um consenso de que a pesca e a caça são práticas predominantemente masculinas, assim como os cuidados com a roça e com o âmbito doméstico sejam preferencialmente femininos. Há, também, trabalhos que podem ser realizados igualmente por ambos os gêneros, como mutirões para a abertura de roçados. Nas roças, eles plantam macaxeira, mamão caiana, milho, cará, batata, banana, melancia, jerimum, abacaxi, feijão, arroz, entre outros alimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Homem Kujubim confeccionando farinha d’água na Aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180613_120441770.jpg?m=1567457791}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As caçadas, assim como as pescarias, são realizadas por pequenos grupos de homens, entre dois e quatro indivíduos. Eles costumam sair logo cedo da aldeia e retornar no fim da tarde, quando os resultados são aguardados por grupos familiares nucleares, mas que, a depender da quantidade de carne obtida, podem ser distribuídos para toda a aldeia. Eles caçam mamíferos como macacos, antas, queixadas, caititus, pacas e cotias; aves como o mutum, jacu, jacamim e pato do mato; e répteis, tais como os quelônios, são muito apreciados e pescados, assim como uma grande quantidade de espécies de peixes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Parentesco e nominação ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Casa na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_20.jpg?m=1567458896}}&lt;br /&gt;
Os Kujubim, contaram as três matriarcas, possuíam lógicas matriarcais de nomeação e moradia e, neste sentido, a transmissão de nomes era feita por via materna. Quando havia casamentos, os homens tinham que abandonar suas casas e morar juntamente com a família da moça. Isto é, a residência pós-marital era uxorilocal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois que o SPI começou a juntar as etnias e forçar o casamento entre elas, passou-se a uma lógica de transmissão de nomes por via paterna, principalmente pelo sobrenome. Deste modo, há mais ou menos vinte anos atrás, se uma mulher kujubim se casasse com um kanoé, o filho receberia apenas o sobrenome kanoé. Nos dias de hoje, entretanto, todas as crianças e alguns adolescentes já recebem a dupla filiação, e todos têm dois sobrenomes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como nesse caso da uxorilocalidade, alguns aspectos do tempo da maloca estão sendo retomados atualmente. Antigamente, um indivíduo kujubim poderia ter até cinco nomes, sendo eles tecnônimos ou necrônimos, e também nomes que se referem a seres não humanos. Contudo, o que é fortemente marcado no caso kujubim diz respeito à nomeação de acordo com as características humanas que se refletem em objetos, animais e vegetais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, é muito difícil ouvir, na rotina da aldeia, os nomes das pessoas, porque estas são conhecidas e chamadas por seus apelidos. Como no caso do tempo da maloca, os apelidos também se referem a características humanas correlacionadas com aquelas de seres não humanos: Lebrão (pernas longas), Uru (pássaro conhecido por ser sovino no mito, cujo nome apelida um homem com essas características) e Lontra (dorme na sujeira, já que as casas das lontras só têm espinha de peixe e as dos humanos, quando sujas, também) são exemplos disso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia e mitologia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cosmos, para os Kujubim e os demais povos da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, é dividido em estratos concebidos como planos ou domínios. A terra é um domínio, assim como o vento, o céu, o ar, o rio e a água, as aldeias celestes, as aldeias nas copas das árvores, os sonhos e muitos lugares que servem, sobretudo, para operar uma divisão no universo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São nessas divisões de um amplo cosmos que os Kujubim se relacionam com diferentes seres — animais, plantas, espíritos, fenômenos meteorológicos e também seres monstruosos, como o Mapinguari e o Pai da Mata. Trabalhar nas roças, caçar, pescar, e mesmo viver na aldeia, faz com que eles estejam sujeitos, a todo momento, a encontros com esses seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A socialidade, para os índios, extrapola as relações humanas, porque todos os seres são dotados de espírito — ou alma. Comer carne de tartaruga quando se tem um filho pequeno faz com que o corpo da criança fique vulnerável para que o espírito da tartaruga o ataque, lançando doenças. Se caçarem animais demais, os donos desses animais ficarão furiosos, criando um motivo para que o caçador fique panema, lançando também flechas em formato de doença. Além disso, os donos retiram seus animais de determinada região, tornando mais difícil encontrá-los pelas redondezas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autodenominação “Towa Panka”, como já mencionado, remete à relação simbólica entre os Kujubim humanos e o pássaro cujubim. Uma das histórias narradas por um velho kujubim revela: “o sol baixava três vezes do dia e nesse tempo o Deus aparecia para entregar o espírito de quem nasceu e levar embora o de quem morreu”. Cujubins são deuses para os Kujubim, pois eles possuem um papel fundamental: levar os espíritos para seus corpos quando nascem, e também em levá-los de volta para o paraíso celeste, quando morrem. Neste sentido, os cujubins são seres especiais que extrapolam os planos cósmicos, indo da vida até a morte, passando pelas aldeias celestes e também vivendo juntamente com os humanos nas aldeias terrestres. Ele, claramente, jamais poderia ser comido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual e xamanismo ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Pintura com jenipapo na aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_11.jpg?m=1566935749}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como se configura no padrão regional, os pajés Kujubim do tempo da maloca utilizavam as sementes do angico como substância psicoativa para permitir o acesso a outros planos cósmicos. As sementes do angico são maceradas e misturadas com cascas de árvores e fumo, sendo, então, aspiradas através de um graveto denominado taboquinha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os pajés aspiravam a substância a fim de subir às aldeias celestes, lançando flechas umas sobre as outras para formar correntes, até chegarem ao céu. Também batalhavam com seres celestes como a grande cobra arco-íris e o ser que atacava as mulheres nas roças engravidando-as, chamado Tupiran.&lt;br /&gt;
Hoje, a pajelança ainda é utilizada nas aldeias da TI Rio Guaporé, mas não é praticada por nenhum Kujubim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Rituais de iniciação ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Criança Kujubim aprendendo a trançar a esteira (iwi) com palha. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_17.jpg?m=1567457986}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre os rituais de iniciação, esses são os mesmos dos tempos da maloca para os Kujubim. As mulheres iniciam a vida adulta marcadamente após a primeira menstruação. Elas devem ficar de resguardo dentro de casa por uma semana até que seu ciclo acabe. Se isso não acontece, ficam sujeitas aos espíritos malignos e correm o risco de se tornarem preguiçosas e irritadiças. Também não podem ser vistas pelo arco-íris, já que a jiboia que vive nele (ou, ao mesmo tempo, que é o próprio arco-íris) pode jogar uma flecha na mulher, fazendo com que ela fique doente e o seu futuro ciclo reprodutivo fique ameaçado e sob controle do espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já os homens, aos seis anos, idade em que começam a frequentar a escola, também iniciam o aprendizado de fabricar flechas e flechar. Aos doze anos, eles são iniciados pelo pajé com sumo de jenipapo para que sua voz não engrosse muito e, ao mesmo tempo, não fique fina. Enquanto tomam o jenipapo, devem imitar diversos animais, entre eles a anta, queixada, caititu, e nambu para, depois, praticarem sua primeira caçada. A primeira presa deve ser compartilhada com todas as pessoas e o caçador não deve comer nem um pedaço sequer; se o fizer, ficará panema para o resto da vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O casamento é também visto como um ritual de passagem. No tempo da maloca, os casamentos kujubim eram marcados pela furação das bochechas e nariz. Usava-se espinhos de coco do mato como adorno, um de baixo da boca e dois nas bochechas. Isso basicamente fazia parte da construção do corpo, principalmente no que se refere a certos avanços da vida marcados pelos rituais de passagem. Quando ia se casar, o homem tinha que lutar com o pai da moça com uma espada feita de pupunha; se vencesse, tinha que estar pronto para passar duas semanas caçando e trabalhando na roça, sem que voltasse à aldeia, para acumular produtos para a realização de uma grande festa.&lt;br /&gt;
Sobre pinturas corporais, uma das matriarcas dizia que, para se proteger dos espíritos que lançavam doenças,  devia se pintar com jenipapo e passar óleo de tucumã no cabelo. Nos dias de hoje, as pinturas são realizadas apenas em dias festivos e são reservadas especialmente às mulheres e crianças. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas “originais” dos Kujubim ainda são recordadas. Eles contam que, nos dias de festas, pintavam os braços, as pernas e o rosto com jenipapo e urucum. A pintura do braço se baseava em um padrão intercalando linhas retas, sendo uma linha maior na vertical e cruzada por várias linhas na horizontal, bem menores. A pintura da perna se tratava de duas linhas retas paralelas na vertical, sendo que, em suas extremidades do lado de fora, vinham traços que formavam triângulos seguidos uns dos outros. Apintura facial, por sua vez, consistia em quatro linhas paralelas. No meio delas, traçadas na horizontal, haviam pontos em sequência. Os indígenas também destacam as cores das pinturas: quando estavam em paz e festa, faziam pinturas em vermelho (urucum) e preto (jenipapo); mas quando iam caçar ou guerrear, pintavam somente de vermelho. Os Kujubim se pintavam, também, fazendo riscos em torno do nariz, que incorporavam o espírito do maracajá, um gato selvagem e pintado como as onças (kinam).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ritos fúnebres ===&lt;br /&gt;
No tempo da maloca, quando morria um parente, o corpo era colocado em uma urna funerária de barro vermelho, em posição fetal. Enterravam a urna dentro da maloca e em seguida queimavam a casa. O cujubim vinha resgatar o espírito para levá-lo até a aldeia celeste. Em seguida, uma nova casa era construída para a família que acabara de perder um parente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, ainda, outro aspecto fúnebre que chama atenção, e que muito tem a ver com os costumes ligados à morte nas culturas de língua txapacura: os mortos eram comidos. No caso dos Kujubim, e também dos Moré (Metraux 1948), eram comidas as cinzas dos parentes misturadas junto ao alimento, mas atualmente eles não sabem explicar o motivo para isso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Jovens pescando com arco e flecha na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_21.jpg?m=1567458896}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabe dizer que, até o momento, não se encontram estudos e pesquisas, do ponto de vista antropológico, sobre a história e a cultura do povo kujubim. Aliás, essa é uma situação muito comum a diversos povos que vivem hoje, ou já viveram, na área que o antropólogo Felipe Vander Velden classificou como “Grande Rondônia”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, sim, alguns relatos históricos sobre os Kujubim, mas a partir de outros nomes, como explicado na seção “Nome” deste verbete, cujos dados aparecem de maneira muito sucinta. É o caso, por exemplo, de um relato disponível em um diário do Bispo Dom Rey, que pode ser consultado na diocese de Guajará-Mirim/RO, e nos escritos do engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra, que datam de 1857. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à língua kujubim, podemos encontrar uma primeira aparição de dados a partir de estudos comparativos feitos por Cestmir Loukotka, publicados em 1963. Depois, a dissertação produzida por Angenot-De Lima sobre o tronco linguístico proto-txapakura em 1997. Mas é apenas Irís Rodrigues Duran (2000), em sua dissertação de mestrado, que apresenta dados mais desenvolvidos sobre a língua kuyubi, além de algumas poucas informações etnográficas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2017, Joshua Birchall (do Museu Paraense Emílio Goeldi) começou a coordenar um projeto com os Kujubim intitulado “Documentação e Salvaguarda da Língua Moré-Kujubim”, em que realiza oficinas para que o grupo possa resgatar e aprender sua língua. Juntamente a Michael Dunn e Simon Greenhill (2016), Birchall desenvolveu um artigo sobre a família linguística txapakura, designando à língua kujubim uma nova posição no interior do tronco linguístico. Ruth Monserrat trabalha a língua ao menos desde 2005 e, há pouco tempo, publicou um artigo (2018) a respeito da situação atual dos Kujubim em termos linguísticos, trazendo boas notícias sobre o acervo de palavras que eles possuem para começar a prática de sua língua, coletados não só por ela, mas também por outros linguistas, como Iris Duran e Hein van der Voort.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não cite diretamente os Kujubim, mas sim os Kumaná e os Kujona, a etno-historiadora Denise Maldi Meireles (1991) fez um precioso trabalho sobre os povos que habitaram e habitam o vale do Guaporé. No material, é possível ter ideia de como se deu a ocupação colonial no território e como os povos indígenas da região sofreram diretamente o impacto do contato, fazendo com que alguns desaparecessem, fossem extintos e mesmo provocando grandes deslocamentos de seus territórios tradicionais. Neste texto, a autora descreve a história do ponto de vista de diversas etnias indígenas e como elas fazem parte do que veio a ser chamado de “Complexo Cultural do Marico”. É possível dizer que, nos dias atuais, os Kujubim fazem parte desse complexo, mas é necessário que sejam atualizadas algumas informações a seu respeito, tendo em vista que muitas mudanças já ocorreram desde que foi pensado pela historiadora, como, por exemplo, a ausência de plantações de mandioca brava. Rápidas menções sobre os Kujubim como parte da TI do Rio Guaporé foram feitas por Nicole Soares Pinto (2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora na introdução do artigo Tribes of Eastern Bolivia and the Madeira headwaters, publicado em 1948 por Alfred Métraux, o autor prometa trazer dados etnográficos sobre os Kumaná, ao longo do texto só aparecem apenas alguns dados de forma espaçada e que se perdem em meio à diversas informações e dados sobre os Moré e os Huanyam, povos também txapakura. &lt;br /&gt;
Em um trabalho de Luis Leigue Castedo (1957), é possível ler um mito de origem moré que faz alusões históricas aos povos que viviam no rio Cautário e que podemos dizer se tratarem dos Kujubim. O autor, por meio do mito, comenta algumas relações que havia entre esses povos, que, ora eram de festejos regados à chicha e com abundância de comida, ora eram de inimizade, provocadas, principalmente, pela prática do canibalismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diário de Emil-Heinrich Snethlage, à época da escrita deste verbete, ainda não foi traduzido para o português, mas é possível encontrar alguns trechos no artigo Emil-Heinrich Snethlage (1897-1939): nota biográfica, expedições e legado de uma carreira interrompida de Gleice Mere (2013), em que há informações sobre os Kumaná. O etnólogo alemão também escreveu alguns diários que foram recém-publicados em alemão (2016) sobre sua viagem ao rio Guaporé, na qual é possível coletar algumas informações etnográficas sobre os Kumaná, Matawa e Kujona, relativas à onomástica, à língua e a certos aspectos cosmológicos. Com certeza essa obra apresenta um conjunto de dados riquíssimos para os povos do rio Guaporé, que, assim como os Kujubim, carecem de informações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessas fontes, é possível buscar, também, algumas informações contidas na coletânea de dados dos povos indígenas de Rondônia, organizada e publicada pelo Conselho Indigenista Missionário de Rondônia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, cabe dizer que um primeiro esforço antropológico, histórico e cultural, vem sendo feito e os resultados dele aparecem com a maioria dos dados contidos neste verbete. São informações primárias, de um recente trabalho de campo feito por Gabriel Sanchez, que investiga as relações entre os Kujubim e os seres que nossa biologia ocidental classifica como aves, e que estão sendo mais trabalhados e desenvolvidos para uma dissertação de mestrado em andamento, a ser apresentada na Universidade Federal de São Carlos, e provavelmente divulgada em novembro de 2019. Esses dados foram coletados a partir de um trabalho de observação participante, conversas informais e convivência diária junto aos Kujubim de Guajará-Mirim, Costa Marques, Aldeia Ricardo Franco e Aldeia Baía das Onças, que lutam pela demarcação de seu território tradicional, além de serem recolhidos preciosas informações das ainda vivas memórias das matriarcas Kujubim que permanecem sob as práticas e discursos de seus descendentes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
* ANGENOT-DE LIMA, Geralda. Fonotática e fonologia do lexema protochapakura. Dissertação de mestrado apresentada ao curso de pós-graduação em linguística da Universidade Federal de Rondônia. 1997.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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* VANDER VELDEN, Felipe Ferreira. Os Tupí em Rondônia: diversidade, estado do conhecimento e proposta de investigação. Revista Brasileira de Linguistica Antropologica. Vol.2, nº 1. 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas em Rondônia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kujubim&amp;diff=6620</id>
		<title>Povo:Kujubim</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kujubim&amp;diff=6620"/>
		<updated>2019-09-10T17:52:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: Inclusão de novo verbete - Kujubim&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Kujubim vivem no sudoeste amazônico, no estado de Rondônia, fronteira com a Bolívia. São um dos muitos povos indígenas que se encontram na área denominada “Grande Rondônia”, ainda pouquíssimo estudados ou mesmo conhecidos. Sua língua, kuyubi ou kaw tawo, pertence à família linguística txapakura. Apesar de terem sido considerados extintos pelo Estado brasileiro nos anos 1980, na perspectiva kujubim e de outros povos na região, eles nunca deixaram de existir e resistir. Desde a década de 2000, os Kujubim vêm retomando seu protagonismo no cenário regional e nacional, principalmente a respeito da demarcação de seu território tradicional e da reivindicação dos direitos constitucionais indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e população==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Crianças Kujubim na pescaria no Rio Guaporé. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_3.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Kujubim” é o nome pelo qual todos os indivíduos do grupo —  e mesmo os que não fazem parte dele — identificam a etnia. Segundo as matriarcas, já falecidas, que viveram diretamente no território tradicional deste povo, o nome “Kujubim” foi dado por integrantes da comitiva de Marechal Rondon que passaram pelo território indígena por volta de 1920, e atribuíram esse nome aos índios por morarem em um igarapé em que o pássaro cujubim (Pipile cujubi) era abundante.&lt;br /&gt;
A autodenominação do grupo no “tempo da maloca” (o período antes do contato), era Towa Panka que, segundo a matriarca Suzana, significa, na língua nativa, “cabeça branca”. O termo sugere uma relação simbólica já existente entre esse povo indígena e o pássaro cujubim, que tem o corpo todo preto e possui, apenas em sua cabeça, penas brancas. A explicação nativa para essa relação aparece em uma narrativa mítica, segundo a qual é o pássaro cujubim que traz as almas dos humanos para seus corpos quando nascem e as leva embora quando morrem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os atuais Kujubim antes se separavam em três grupos distintos: Kumaná, Matawá e Kujona. Embora apresentassem diferenças entre si, os não índios da época os chamavam, indistintamente, de “Cautários”. A denominação deriva, muito provavelmente, da interpretação de um termo que ouviram dos Moré, grupo de relações históricas com o Kujubim, que atribuíam a esses últimos o nome “kaw tayo” — “comedores de peixe-cachorro”, na língua nativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right| Meninas coletando batatas. Foto: Gabriel Sanchez, 2018|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_7.jpg?m=1566935075}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O censo da Sesai registrou, em 2014, 140 indivíduos kujubim, o que representa um crescimento de cerca de 2% ao ano desde o levantamento realizado pela Funasa em 2010, que contabilizou 129 pessoas. Para efeito de comparação, a taxa de crescimento anual média do período no Brasil foi aproximadamente 0,9%, segundo o Banco Mundial. A população kujubim vem aumentando ano a ano, principalmente por conta de casamentos interétnicos com outros povos indígenas que vivem na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, com quilombolas da região de Santo Antônio, em Costa Marques (RO), e com não índios. Os descendentes desses casamentos não deixam de ser identificados como Kujubim. Esse cenário de aumento populacional é muito importante e significativo para o povo, principalmente pelo fato de que, nos anos 80, os Kujubim haviam sido considerados extintos pelas fontes oficiais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_19.jpg?m=1567458844}} &lt;br /&gt;
A língua kujubim pertence à família linguística txapakura e foi classificada por Duran (2000) como “kuyubi” ou “kaw tayo”. As únicas falantes da língua kuyubi das quais se teve notícias — e com quem  foi possível realizar estudos linguísticos — foram as três matriarcas, Suzana, Rosa e Francisca, já falecidas. Nos dias atuais, a comunicação oral na língua se reduz a palavras de uso cotidiano, como “tok ta” (chicha, uma bebida fermentada de mandioca), e aos nomes de animais presentes em seu dia a dia, como imin (anta), myak (queixada) e kinam (onça), sendo o português a língua predominantemente falada no território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2017, projeto “Documentação e Salvaguarda da Língua Moré-Kujubim” teve início, almejando a retomada do uso escrito e oral da língua nativa nas aldeias. Coordenada por Joshua Birchall (do Museu Paraense Emílio Goeldi), que produz atividades e oficinas com os Kujubim e demais etnias na região, a ação recupera o repertório de palavras kujubim falado atualmente. Por meio de estudos linguísticos, realizados a partir de gravações, trabalhos científicos e anotações de viajantes, foi possível registrar cerca de 800 palavras da língua kuyubi em uso hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal língua era compartilhada pelos grupos matawá, kumaná e kujona, que se fundiram nos atuais Kujubim durante o século XX. Dados de um dialeto chamado kumaná, coletados pelo etnólogo alemão Emil Snethlage nos anos 1930, mostram uma semelhança notável com a língua kujubim, o que reafirma a possibilidade de se tratarem do mesmo grupo no passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_18.jpg?m=1567457995}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um estudo sobre o proto-txapakura, Angenot-de Lima (1997) havia considerado que o “kuyubi”, dialeto falado pelas três matriarcas, seria uma “nova” língua, muito próxima daquela falada pelos Moré, o povo indígena de relações históricas com os Kujubim que mora na margem esquerda do rio Guaporé, no lado boliviano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho de Duran (2000), que melhor investiga a língua, indica que o kuyubi e o moré possuem apenas algumas variações dialetais no uso de consoantes, mas em geral são quase idêntico entre si,  considerando que foram raríssimos os lexemas não reconhecidos como existentes em ambas as línguas. Além disso, em relação ao sistema gramatical kuyubi, não foi identificada nenhuma construção sintática nem morfológica que não exista também no moré.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um estudo recente, Birchall et al (2016) propõem uma divisão em subgrupos da família txapakura, a partir de uma releitura de classificações anteriores, colocando a língua kujubim num ramo designado “moreico”, juntamente com outras línguas, como o moré e o torá, que se diferenciam, por exemplo, do ramo “warico”, constituído pelas línguas wari’, oro win, wanyam, jarú e urupá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Homem Kujubim regressando do trabalho. Em suas costas, o paneiro, cesta comumente utilizada para carregar cultivos da roça. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180327_173956363.jpg?m=1567457792}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kujubim estão distribuídos por toda a extensão de Rondônia, com maior concentração de indivíduos no sudoeste e sul do estado, na divisa com a Bolívia. Eles residem, especialmente, em duas aldeias: Baía das Onças e Posto Indígena Ricardo Franco, na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, no município de Guajará-Mirim. O território, habitado por dez etnias,  foi demarcado em 1976 e homologado vinte anos depois. Muitas famílias kujubim também se encontram dispersas em áreas urbanas das cidades de Guajará-Mirim, Costa Marques, Porto Velho, Seringueiras e São Francisco do Guaporé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 2002, os Kujubim reivindicam, em assembleias e manifestações, a demarcação de suas terras tradicionais no alto e médio rio Cautário, entre os municípios de Guajará-Mirim e Costa Marques. O processo de demarcação  de seu território, a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/en/terras-indigenas/5366&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Cautário&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, se iniciou em 2013 e, em 2019, ainda se encontra em seu primeiro estágio: a fase de identificação.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Kujubim em canoa na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|&lt;br /&gt;
http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180417_093249414.jpg?m=1567457792}} &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há indícios documentais — em mapas, relatórios e diários — de que os atuais Kujubim antes se separavam em três grupos distintos, chamados Kumaná, Matawá e Kujona. Todos falavam a mesma língua, apresentando apenas algumas variações dialetais, e trocavam cônjuges, alimentos e artefatos entre si. Esse dado também é amparado por informações de uma matriarca kujubim capturada por seringueiros na década de 1940. Embora os três grupos apresentassem algumas diferenças, os não índios da época não faziam distinções e os chamavam simplesmente de “Cautários”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contato desses grupos com os não índios se deu por volta do século XVIII. Segundo Denise Maldi, nesse período o rio Guaporé e seus tributários foram uma barreira “natural” na fronteira entre duas coroas ibéricas na América colonial. Isso conferiu à região um tipo de ocupação fortemente comprometida com a defesa e a posse de territórios de dois reinos tradicionalmente rivais, considerando, por exemplo, a construção do monumental Forte Príncipe da Beira, vizinho das terras tradicionalmente ocupadas pelos Kujubim (Métraux, 1948). A política indigenista do período colonial, que insistia na ocupação fronteiriça, expressava o interesse de manter os índios em suas terras para, dessa forma, garantir a segurança do território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do século XVIII, quando os movimentos de libertação nas Américas começaram a tomar corpo e os limites territoriais das colônias já não funcionavam muito bem, a região passou a ser esvaziada rapidamente. Contudo, o contato entre os Kujubim e os não índios nesse período foi o suficiente para ocasionar o quase desaparecimento desse povo, que se reduziu a algumas dezenas de indivíduos, principalmente por conta das doenças infecciosas trazidas pelos não indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda no século XIX, o engenheiro Ricardo Franco registrou que o contato com os índios “Cautários” estava sendo retomado aos poucos. A partir do início do século XX, a região voltou a ser invadida em razão da demanda global por borracha, intensificando a chegada de figuras como madeireiros e seringueiros, e fazendo com que os povos indígenas remanescentes do primeiro contato fossem rapidamente incorporados à mão de obra local. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por volta dos anos 1930, a área passou a ser ocupada com a instalação de inúmeros estabelecimentos para exploração de borracha e caucho, fazendo com que os povos que viviam tanto na margem esquerda quanto na direita (caso dos Kujubim) do rio Guaporé tivessem suas aldeias invadidas, sofressem com as epidemias e fossem obrigados a abandonar seus territórios tradicionais, instalando-se em barracões no entorno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Suzana, uma das matriarcas kujubim, afirmou que, antes mesmo do aparecimento dos seringueiros, uma comitiva do Marechal Rondon passara por sua terra, por volta dos anos 1920. Nessa mesma época, alguns anos depois, outros brancos foram chegando e espalhando doenças, principalmente gripe e sarampo, que quase acabaram com o povo. Suzana recordou que seus parentes se jogavam na água porque queimavam de febre. Contou, também, que seu povo era extremamente “bravo”, mas aos poucos foi se “amansando”, e começou a fazer trocas de objetos manufaturados com os não índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns Kujubim que sobreviveram a esses contatos iniciais conseguiram fugir para outras regiões, mas outros, que não morreram por conta das doenças, foram capturados por seringueiros e levados para os barracões de seringa de diferentes lugares, principalmente em Canindé, Esperança, Marçal, Ouro Fino e Santa Lurdes. Dessa forma teve início a dispersão dos Kujubim por Rondônia, assim como aconteceu com vários grupos nativos do vale do Guaporé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Cacique Valdino Kujubim (ao centro) e Sérgio Wajuru confeccionando uma flecha para pescaria. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_16.jpg?m=1567457970}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Juntamente com a invasão de seringalistas, missionários também começaram a contatar os Kujubim. Em algumas páginas de seu diário, o primeiro bispo de Guajará-Mirim e missionário, Dom Francisco Rey, dedicou alguns devaneios sobre a “visita à maloca dos índios do rio Cautário”: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
O primeiro rapaz que amansou os ‘Kumaná’ penetrando e ficando uma vez na maloca deles, chamou-se Francisco Bento (ajudante do Rivoredo em Paaca Nova). Acertou tão bem que o fizeram Tucháu na Maloca, festejando ele e querendo guardá-lo até o ponto que teve que fugir para escapar deles.  &amp;lt;small&amp;gt;(Diário de Dom Rey, “Visita à maloca dos índios do rio Cautário”, 07/08/1932, página 7)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Emil-Heinrich Snethlage, importante etnólogo alemão que dedicou anos à pesquisa com os povos que viviam (e vivem) ao longo de todo o rio Guaporé, também contatou os ancestrais dos Kujubim.&lt;br /&gt;
No início de 1934, Snethlage subiu o rio Cautário para visitar os Kumaná e registrou, nesse ano, que “restaram somente uns vinte e tantos desta tribo, inclusive dos que tinham ido para Canindé, centro dos seringueiros no Cautário”. Ao voltar, no final do ano, constatou: “[os Kunamá foram] reduzidos a 13 e a famada baia das Onças a onde não achei índios nenhuns”. Por esses motivos, Snethlage registrou que não foi possível recolher muitas informações sobre esse povo — uma vez que estavam beirando a morte, por conta das doenças —, mas que conseguiu coletar alguns artefatos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o passar dos anos, pouco se ouviu falar dos Kumaná, Matawa ou Kujona, os ancestrais dos atuais Kujubim. Aqueles que conseguiram sobreviver foram aos poucos se casando com indivíduos de outras etnias ou com não índios, e se espalhando ao longo de todo o território do rio Guaporé e seus afluentes, estabelecendo-se também em cidades banhadas pelo rio. Este cenário de esquecimento forçado da etnia resultou na falsa constatação, lançada pelos órgãos estatais de tutela aos índios, de que os Kujubim haviam sido extintos no território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história recente desse povo, da qual se tem registro, começou quando as três matriarcas proporcionaram, com a ajuda do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) em Rondônia, um encontro fundamental na “I Assembleia do povo Kujubim”, em 2002. Reuniram-se nessa data  para começar a luta pela identificação e demarcação de seu território tradicional e contar, para netos, filhos e bisnetos, um pouco da esquecida história kujubim e dar início, então, à retomada dos aspectos históricos e territoriais da sua existência.&lt;br /&gt;
A maioria dos indivíduos deste grupo possui histórias muito diferentes e não teve a oportunidade de dividir um espaço compartilhado. Embora essa configuração de dispersão espacial tenha afetado a estrutura social do grupo, os Kujubim seguiram resistindo e se organizando política e socialmente em torno de um resgate de seus modos de vida tradicionais. Os Kujubim que moram nos municípios próximos aos rios Guaporé e Cautário reclamam constantemente da falta de agilidade para a demarcação da terra. Eles se recusam a ir para outras terras indígenas, como fizeram outros Kujubim, pois reconhecem somente o Cautário como sua terra tradicional. Nas cidades, os grupos indígenas não podem caçar e raras são as vezes em que a pesca é permitida, principalmente a de quelônios muito apreciados pelo grupo, como o tracajá. Reclamam e denunciam que, enquanto não é demarcada sua terra, da qual poderiam estar cuidando e fazendo um uso responsável, como todos seus “parentes” fazem de seus territórios, invasores não indígenas — como pescadores e madeireiros – a ocupam para extrair recursos de modo ilegal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para encaminhar assuntos dessa natureza, os índios criaram duas associações que têm por objetivo facilitar a garantia de seus direitos constitucionais: a AKIKÕ (Associação dos Povos Indígenas Kanoé e Kujubim), formada em fevereiro de 2001 em Ricardo Franco, e a AIPOK (Associação Indígena do Povo Kujubim), de 2013. A partir de então, os Kujubim começaram a fazer constantes assembleias e reuniões, juntamente com outros povos indígenas na região, em busca de seus direitos. Nessas assembleias, se discutem, junto ao Ministério Público Federal, possíveis melhorias nas áreas da educação, saúde e, principalmente, o andamento da demarcação da Terra Indigena.&lt;br /&gt;
Em 2016, os Kujubim chegaram a construir roçados dentro do território do Cautário, para começar uma ocupação em ritmo lento. Iniciaram a estruturação de uma moradia estilo chapéu de palha (construção regional típica, feita de palha de aricuri), mas não se sentiram seguros para a continuação do empreendimento, já que os seringueiros do entorno ameaçavam matá-los. Alguns dias depois, a casa foi, de fato, queimada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etno-história e território ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |As três matriarcas. Da esquerda para direita: Suzana, Rosa e Francisca. Foto: Cimi-RO, 2002.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_2.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Kujubim, existem pelo menos três histórias de seu povo, no plural. A primeira versão diz respeito ao período antes do contato (o “tempo da maloca”) e foi passada de geração em geração pelas matriarcas, permanecendo viva na memória coletiva do grupo até os dias atuais; outra coincide com o período do contato direto com seringalistas e definiu os rumos dos Kujubim antigos e atuais; e, por fim, a história recente, que se define pela retomada do território tradicional, iniciada pelas três matriarcas remanescentes do último período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas três mulheres, Suzana (Moao), Francisca (Sa’at ou Rite) e Rosa, são fundamentais para a história e a organização social e política dos Kujubim até hoje. Os relatos dessas mulheres são muito importantes para compreender quem são os Kujubim, uma vez que foram elas as únicas pessoas conhecidas que, até onde se sabe, viveram diretamente no tempo da maloca. Suzana era a mais velha e seu nome na língua nativa era Moao, que significa “cuia”, muito provavelmente pelo formato de sua cabeça. Suzana era filha de mãe kumaná e seu pai, Huaat, era matawá. Ela contava para seus familiares que, após a chegada dos brancos no rio Cautário, restaram apenas cerca de dez indivíduos de seu grupo e que todos eles, inclusive ela, foram levados para o barracão Canindé, de extração de seringa. O barracão era gerenciado por um capanga de João Rivoredo, seringalista de enorme protagonismo regional, responsável pela extração da borracha no rio Guaporé e também por escravizar e maltratar os indígenas no local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |A matriarca Suzana Kujubim. Foto: CIMI- RO, 2002.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_1.jpg?m=1566935006}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi no Canindé que Suzana teve que cuidar de Francisca (outra matriarca que apresentaremos mais adiante), que era muito pequena na época e perdera sua mãe e seu pai, Timikó, pajé e cacique dos Matawá. Alguns anos depois, elas conseguiram fugir de volta para a aldeia em que viveram alguns meses, até serem capturadas novamente por um seringalista chamado Alexandre Laia. Foi Alexandre que batizou Moao como Suzana e Sa’at como Francisca. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tempos depois, Suzana se casou com Antônio Laia, que também foi um índio batizado e capturado por Alexandre Laia perto do rio Cautário. Depois de seu casamento, Suzana teve que abandonar Francisca e passou a viver junto das comitivas de seringalistas, deslocando-se de barracão em barracão e passando por diversas colocações de corte de seringa, como, por exemplo, Porto Acre, município no nordeste acreano. Por volta dos anos 1970, Suzana passou a viver no município de Costa Marques (RO), em uma terra que beira a Serra Grande, e cerca de trinta anos depois faleceu em Guajará-Mirim. Atualmente, duas das filhas de Susana vivem em Costa Marques e uma delas em Guajará Mirim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Francisca, a segunda matriarca citada, possuía dois nomes na língua originária: Sa’at (“Gaivota”) e Rite (“Banana”). Viveu simultaneamente com Suzana em algumas colocações até se casar com Sebastião, nome de batismo de um índio da etnia [[Povo:Chiquitano|Chiquitano]]. Francisca e Sebastião desceram o rio Guaporé e se instalaram em um igarapé que faz divisa com a Baía das Onças, onde viveram por anos trabalhando para uma família de seringueiros chamada Canuto. Depois que a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; foi demarcada, por volta de 1976, Francisca e Sebastião, juntamente com seus cinco filhos, atravessaram o igarapé e foram viver junto de uma família [[Povo:Makurap|Makurap]], no território que hoje é a Baía das Onças, ocupado predominantemente pelos [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]]. Deste modo, a matriarca e seu marido passaram a viver na TI Rio Guaporé juntamente com outras etnias e por lá se estabeleceram. Os filhos de Francisca vivem todos na Terra Indígena, exceto um, que vive em Costa Marques. A matriarca faleceu em 2012, na Aldeia Ricardo Franco, e foi enterrada no próprio cemitério da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de Rosa, a terceira matriarca, ainda carece de investigação. O que se sabe é que ela sempre viveu na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3853&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Sagarana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, também em Rondônia, vizinha da TI Guaporé, onde se casou com um índio [[Povo:Kanoê|Kanoê]] e teve seis filhos. &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização política ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A assembleia kujubim promovida em 2002 impulsionou a luta deste povo pelo seu reconhecimento perante o Estado e o resgate de seu território tradicional. O encontro repercutiu nos mais de 140 indivíduos que vivem suas histórias separadamente, mas com o desejo comum de pôr em prática seus costumes e modos de vida tradicionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, há uma dificuldade maior para os Kujubim que vivem na cidade nesse processo: sem a terra, sem o espaço tradicional, eles não podem reproduzir seus modos de vida e suas práticas materiais e simbólicas. Os Kujubim que vivem na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; conseguem fazê-lo, devido à convivência e às trocas culturais com outras etnias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a principal dificuldade de continuidade no processo de demarcação se deve ao fato de que o território é muito cobiçado por diversos grupos não indígenas da região, que envolvem serrarias clandestinas, fazendeiros e também a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://uc.socioambiental.org/arp/1322&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Reserva Extrativista (Resex) do Rio Cautário&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (de responsabilidade do ICMBio). Os Kujubim acreditam que, com a conclusão da demarcação, terão condições melhores de vida e conseguirão os direitos necessários para poder criar seus filhos dentro da aldeia, com a instalação de uma escola e de um posto de saúde. Além do mais, eles dizem que não iriam só os Kujubim para aquela terra, também iriam outras etnias que se apoiam, como os [[Povo:Kanoê|Kanoê]], [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]] e [[Povo:Wajuru|Wajuru]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização política dos Kujubim se faz por meio das lideranças, tanto nas cidades como nas aldeias. Aquele que é cacique ou liderança sempre deve exercer protagonismo político em prol do grupo, mas há uma diferença qualitativa substancial entre ambos os papéis. Lideranças são responsáveis por questões que concernem a totalidade do grupo, como alavancar o movimento de retomada do território ou mobilizar os Kujubim de todo o estado para tratar assuntos diretamente com os brancos e suas instituições, como a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) e a Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (SEDUC). Os caciques, por sua vez,  são líderes de âmbito local, mais ligados à solução de pequenos conflitos, realização de oficinas, liderança nos trabalhos coletivos, entre outras práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste sentido, há uma diferença de alcance político de quem exerce a função de cacique ou de liderança. Pode acontecer, também, de as relações políticas serem complexificadas. Na aldeia Ricardo Franco, por exemplo, existe uma liderança geral e dez caciques representando as dez etnias diferentes que ocupam o território.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material e atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Fabricação da esteira iwi em uma oficina realizada na Aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_4.jpg?m=1566935071}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt; possui seis aldeias, não muito distantes umas das outras, e é conhecida por sua complexa diversidade multiétnica e multilinguística, definida por Denise Maldi como “Complexo Cultural do Marico”. Atualmente, dez etnias vivem no território, divididas em seis famílias linguísticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse complexo cenário é explicado etnograficamente pelo trabalho do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que, dos anos 1930 até 1970, retirava os povos de suas malocas tradicionais e os redirecionava para dentro do local que é hoje conhecido como Posto Indígena Ricardo Franco. Mais do que tentar reduzir culturas, histórias e cosmologias diversas a algo único, o SPI encurtava seu dever de garantir um território contínuo, obrigando pessoas de etnias diferentes a se casarem umas com as outras e a viverem juntas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a partir dessa nova organização e das novas relações sociais que se estabeleceu uma intensa rede de trocas de cônjuges, substâncias, elementos da cultura material, histórias e mitos entre os povos indígenas na região, até os dias de hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as etnias que vivem nas proximidades compartilham da mesma forma de construir casas, feitas de esteio de intaúba e cobertas com as palhas do aricuri. São nessas construções que se realizam festas coletivas, e que se guardam arcos e flechas, artesanato e uma série de artefatos da vida material, como o “marico” — bolsa feita de linha de tucum para carregar objetos e produtos da roça (Maldi, 1991). É interessante notar que também existem peculiaridades de cada etnia: os Kujubim, por exemplo, trançam a esteira de palha do aricuri ligando apenas um ponto da trança, enquanto os [[Povo:Wajuru|Wajuru]] e [[Povo:Djeoromitxí|Djeoromitxí]], por sua vez, fazem dois pontos de costura. As flechas e arcos são um padrão que se mantém hoje em dia na TI Guaporé, sendo as primeiras feitas com chichiu, com a ponta de pupunha ou prego, e os arcos seguem um padrão regional de pupunha lapidada do tamanho do homem que irá utilizar a arma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma série de práticas e saberes que foram se tornando, também, um certo padrão regional, e o principal se refere à chicha, bebida fermentada produzida a partir da macaxeira (mandioca “mansa”) e cujo consumo configura os grandes momentos de sociabilidade dentro do sistema regional. Os Kujubim bebiam, no tempo da maloca, chicha de milho e de pupunha. A partir do convívio com outras etnias e da edificação desse sistema regional, todos os grupos passaram a fazer a chicha de macaxeira mansa e a consideram como a bebida de todos os povos dali, muito ligada à identidade e à sociabilidade locais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Atividades produtivas ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Casal coletando gongo do aricuri em sua roça na Baía das Onças, TI Guaporé. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_10.jpg?m=1566935731}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto no tempo da maloca como no presente, os Kujubim produziam e produzem sua subsistência por meio da caça, da coleta de frutos e sementes silvestres, da pesca e da agricultura de coivara. Isso também se estende para os indígenas deste povo que vivem na cidade, onde fazem a coleta de açaí e castanha e plantam milho e macaxeira, sendo que a farinha que fazem para consumo desta última também é dedicada à venda em pontos comerciais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não se tenha uma divisão de gênero seguida à risca em relação aos trabalhos, há um consenso de que a pesca e a caça são práticas predominantemente masculinas, assim como os cuidados com a roça e com o âmbito doméstico sejam preferencialmente femininos. Há, também, trabalhos que podem ser realizados igualmente por ambos os gêneros, como mutirões para a abertura de roçados. Nas roças, eles plantam macaxeira, mamão caiana, milho, cará, batata, banana, melancia, jerimum, abacaxi, feijão, arroz, entre outros alimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right |Homem Kujubim confeccionando farinha d’água na Aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/IMG_20180613_120441770.jpg?m=1567457791}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As caçadas, assim como as pescarias, são realizadas por pequenos grupos de homens, entre dois e quatro indivíduos. Eles costumam sair logo cedo da aldeia e retornar no fim da tarde, quando os resultados são aguardados por grupos familiares nucleares, mas que, a depender da quantidade de carne obtida, podem ser distribuídos para toda a aldeia. Eles caçam mamíferos como macacos, antas, queixadas, caititus, pacas e cotias; aves como o mutum, jacu, jacamim e pato do mato; e répteis, tais como os quelônios, são muito apreciados e pescados, assim como uma grande quantidade de espécies de peixes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Parentesco e nominação ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Casa na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_20.jpg?m=1567458896}}&lt;br /&gt;
Os Kujubim, contaram as três matriarcas, possuíam lógicas matriarcais de nomeação e moradia e, neste sentido, a transmissão de nomes era feita por via materna. Quando havia casamentos, os homens tinham que abandonar suas casas e morar juntamente com a família da moça. Isto é, a residência pós-marital era uxorilocal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois que o SPI começou a juntar as etnias e forçar o casamento entre elas, passou-se a uma lógica de transmissão de nomes por via paterna, principalmente pelo sobrenome. Deste modo, há mais ou menos vinte anos atrás, se uma mulher kujubim se casasse com um kanoé, o filho receberia apenas o sobrenome kanoé. Nos dias de hoje, entretanto, todas as crianças e alguns adolescentes já recebem a dupla filiação, e todos têm dois sobrenomes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como nesse caso da uxorilocalidade, alguns aspectos do tempo da maloca estão sendo retomados atualmente. Antigamente, um indivíduo kujubim poderia ter até cinco nomes, sendo eles tecnônimos ou necrônimos, e também nomes que se referem a seres não humanos. Contudo, o que é fortemente marcado no caso kujubim diz respeito à nomeação de acordo com as características humanas que se refletem em objetos, animais e vegetais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, é muito difícil ouvir, na rotina da aldeia, os nomes das pessoas, porque estas são conhecidas e chamadas por seus apelidos. Como no caso do tempo da maloca, os apelidos também se referem a características humanas correlacionadas com aquelas de seres não humanos: Lebrão (pernas longas), Uru (pássaro conhecido por ser sovino no mito, cujo nome apelida um homem com essas características) e Lontra (dorme na sujeira, já que as casas das lontras só têm espinha de peixe e as dos humanos, quando sujas, também) são exemplos disso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia e mitologia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cosmos, para os Kujubim e os demais povos da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3847&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Rio Guaporé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, é dividido em estratos concebidos como planos ou domínios. A terra é um domínio, assim como o vento, o céu, o ar, o rio e a água, as aldeias celestes, as aldeias nas copas das árvores, os sonhos e muitos lugares que servem, sobretudo, para operar uma divisão no universo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São nessas divisões de um amplo cosmos que os Kujubim se relacionam com diferentes seres — animais, plantas, espíritos, fenômenos meteorológicos e também seres monstruosos, como o Mapinguari e o Pai da Mata. Trabalhar nas roças, caçar, pescar, e mesmo viver na aldeia, faz com que eles estejam sujeitos, a todo momento, a encontros com esses seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A socialidade, para os índios, extrapola as relações humanas, porque todos os seres são dotados de espírito — ou alma. Comer carne de tartaruga quando se tem um filho pequeno faz com que o corpo da criança fique vulnerável para que o espírito da tartaruga o ataque, lançando doenças. Se caçarem animais demais, os donos desses animais ficarão furiosos, criando um motivo para que o caçador fique panema, lançando também flechas em formato de doença. Além disso, os donos retiram seus animais de determinada região, tornando mais difícil encontrá-los pelas redondezas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autodenominação “Towa Panka”, como já mencionado, remete à relação simbólica entre os Kujubim humanos e o pássaro cujubim. Uma das histórias narradas por um velho kujubim revela: “o sol baixava três vezes do dia e nesse tempo o Deus aparecia para entregar o espírito de quem nasceu e levar embora o de quem morreu”. Cujubins são deuses para os Kujubim, pois eles possuem um papel fundamental: levar os espíritos para seus corpos quando nascem, e também em levá-los de volta para o paraíso celeste, quando morrem. Neste sentido, os cujubins são seres especiais que extrapolam os planos cósmicos, indo da vida até a morte, passando pelas aldeias celestes e também vivendo juntamente com os humanos nas aldeias terrestres. Ele, claramente, jamais poderia ser comido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual e xamanismo ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Pintura com jenipapo na aldeia Ricardo Franco. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_11.jpg?m=1566935749}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como se configura no padrão regional, os pajés Kujubim do tempo da maloca utilizavam as sementes do angico como substância psicoativa para permitir o acesso a outros planos cósmicos. As sementes do angico são maceradas e misturadas com cascas de árvores e fumo, sendo, então, aspiradas através de um graveto denominado taboquinha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os pajés aspiravam a substância a fim de subir às aldeias celestes, lançando flechas umas sobre as outras para formar correntes, até chegarem ao céu. Também batalhavam com seres celestes como a grande cobra arco-íris e o ser que atacava as mulheres nas roças engravidando-as, chamado Tupiran.&lt;br /&gt;
Hoje, a pajelança ainda é utilizada nas aldeias da TI Rio Guaporé, mas não é praticada por nenhum Kujubim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Rituais de iniciação ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | Criança Kujubim aprendendo a trançar a esteira (iwi) com palha. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_17.jpg?m=1567457986}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre os rituais de iniciação, esses são os mesmos dos tempos da maloca para os Kujubim. As mulheres iniciam a vida adulta marcadamente após a primeira menstruação. Elas devem ficar de resguardo dentro de casa por uma semana até que seu ciclo acabe. Se isso não acontece, ficam sujeitas aos espíritos malignos e correm o risco de se tornarem preguiçosas e irritadiças. Também não podem ser vistas pelo arco-íris, já que a jiboia que vive nele (ou, ao mesmo tempo, que é o próprio arco-íris) pode jogar uma flecha na mulher, fazendo com que ela fique doente e o seu futuro ciclo reprodutivo fique ameaçado e sob controle do espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já os homens, aos seis anos, idade em que começam a frequentar a escola, também iniciam o aprendizado de fabricar flechas e flechar. Aos doze anos, eles são iniciados pelo pajé com sumo de jenipapo para que sua voz não engrosse muito e, ao mesmo tempo, não fique fina. Enquanto tomam o jenipapo, devem imitar diversos animais, entre eles a anta, queixada, caititu, e nambu para, depois, praticarem sua primeira caçada. A primeira presa deve ser compartilhada com todas as pessoas e o caçador não deve comer nem um pedaço sequer; se o fizer, ficará panema para o resto da vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O casamento é também visto como um ritual de passagem. No tempo da maloca, os casamentos kujubim eram marcados pela furação das bochechas e nariz. Usava-se espinhos de coco do mato como adorno, um de baixo da boca e dois nas bochechas. Isso basicamente fazia parte da construção do corpo, principalmente no que se refere a certos avanços da vida marcados pelos rituais de passagem. Quando ia se casar, o homem tinha que lutar com o pai da moça com uma espada feita de pupunha; se vencesse, tinha que estar pronto para passar duas semanas caçando e trabalhando na roça, sem que voltasse à aldeia, para acumular produtos para a realização de uma grande festa.&lt;br /&gt;
Sobre pinturas corporais, uma das matriarcas dizia que, para se proteger dos espíritos que lançavam doenças,  devia se pintar com jenipapo e passar óleo de tucumã no cabelo. Nos dias de hoje, as pinturas são realizadas apenas em dias festivos e são reservadas especialmente às mulheres e crianças. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pinturas “originais” dos Kujubim ainda são recordadas. Eles contam que, nos dias de festas, pintavam os braços, as pernas e o rosto com jenipapo e urucum. A pintura do braço se baseava em um padrão intercalando linhas retas, sendo uma linha maior na vertical e cruzada por várias linhas na horizontal, bem menores. A pintura da perna se tratava de duas linhas retas paralelas na vertical, sendo que, em suas extremidades do lado de fora, vinham traços que formavam triângulos seguidos uns dos outros. Apintura facial, por sua vez, consistia em quatro linhas paralelas. No meio delas, traçadas na horizontal, haviam pontos em sequência. Os indígenas também destacam as cores das pinturas: quando estavam em paz e festa, faziam pinturas em vermelho (urucum) e preto (jenipapo); mas quando iam caçar ou guerrear, pintavam somente de vermelho. Os Kujubim se pintavam, também, fazendo riscos em torno do nariz, que incorporavam o espírito do maracajá, um gato selvagem e pintado como as onças (kinam).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ritos fúnebres ===&lt;br /&gt;
No tempo da maloca, quando morria um parente, o corpo era colocado em uma urna funerária de barro vermelho, em posição fetal. Enterravam a urna dentro da maloca e em seguida queimavam a casa. O cujubim vinha resgatar o espírito para levá-lo até a aldeia celeste. Em seguida, uma nova casa era construída para a família que acabara de perder um parente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, ainda, outro aspecto fúnebre que chama atenção, e que muito tem a ver com os costumes ligados à morte nas culturas de língua txapacura: os mortos eram comidos. No caso dos Kujubim, e também dos Moré (Metraux 1948), eram comidas as cinzas dos parentes misturadas junto ao alimento, mas atualmente eles não sabem explicar o motivo para isso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left |Jovens pescando com arco e flecha na Baía das Onças. Foto: Gabriel Sanchez, 2018.|http://imagens.socioambiental.org/var/resizes/pib/Kujubim/kujubim_21.jpg?m=1567458896}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabe dizer que, até o momento, não se encontram estudos e pesquisas, do ponto de vista antropológico, sobre a história e a cultura do povo kujubim. Aliás, essa é uma situação muito comum a diversos povos que vivem hoje, ou já viveram, na área que o antropólogo Felipe Vander Velden classificou como “Grande Rondônia”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, sim, alguns relatos históricos sobre os Kujubim, mas a partir de outros nomes, como explicado na seção “Nome” deste verbete, cujos dados aparecem de maneira muito sucinta. É o caso, por exemplo, de um relato disponível em um diário do Bispo Dom Rey, que pode ser consultado na diocese de Guajará-Mirim/RO, e nos escritos do engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra, que datam de 1857. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à língua kujubim, podemos encontrar uma primeira aparição de dados a partir de estudos comparativos feitos por Cestmir Loukotka, publicados em 1963. Depois, a dissertação produzida por Angenot-De Lima sobre o tronco linguístico proto-txapakura em 1997. Mas é apenas Irís Rodrigues Duran (2000), em sua dissertação de mestrado, que apresenta dados mais desenvolvidos sobre a língua kuyubi, além de algumas poucas informações etnográficas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2017, Joshua Birchall (do Museu Paraense Emílio Goeldi) começou a coordenar um projeto com os Kujubim intitulado “Documentação e Salvaguarda da Língua Moré-Kujubim”, em que realiza oficinas para que o grupo possa resgatar e aprender sua língua. Juntamente a Michael Dunn e Simon Greenhill (2016), Birchall desenvolveu um artigo sobre a família linguística txapakura, designando à língua kujubim uma nova posição no interior do tronco linguístico. Ruth Monserrat trabalha a língua ao menos desde 2005 e, há pouco tempo, publicou um artigo (2018) a respeito da situação atual dos Kujubim em termos linguísticos, trazendo boas notícias sobre o acervo de palavras que eles possuem para começar a prática de sua língua, coletados não só por ela, mas também por outros linguistas, como Iris Duran e Hein van der Voort.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não cite diretamente os Kujubim, mas sim os Kumaná e os Kujona, a etno-historiadora Denise Maldi Meireles (1991) fez um precioso trabalho sobre os povos que habitaram e habitam o vale do Guaporé. No material, é possível ter ideia de como se deu a ocupação colonial no território e como os povos indígenas da região sofreram diretamente o impacto do contato, fazendo com que alguns desaparecessem, fossem extintos e mesmo provocando grandes deslocamentos de seus territórios tradicionais. Neste texto, a autora descreve a história do ponto de vista de diversas etnias indígenas e como elas fazem parte do que veio a ser chamado de “Complexo Cultural do Marico”. É possível dizer que, nos dias atuais, os Kujubim fazem parte desse complexo, mas é necessário que sejam atualizadas algumas informações a seu respeito, tendo em vista que muitas mudanças já ocorreram desde que foi pensado pela historiadora, como, por exemplo, a ausência de plantações de mandioca brava. Rápidas menções sobre os Kujubim como parte da TI do Rio Guaporé foram feitas por Nicole Soares Pinto (2014).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora na introdução do artigo Tribes of Eastern Bolivia and the Madeira headwaters, publicado em 1948 por Alfred Métraux, o autor prometa trazer dados etnográficos sobre os Kumaná, ao longo do texto só aparecem apenas alguns dados de forma espaçada e que se perdem em meio à diversas informações e dados sobre os Moré e os Huanyam, povos também txapakura. &lt;br /&gt;
Em um trabalho de Luis Leigue Castedo (1957), é possível ler um mito de origem moré que faz alusões históricas aos povos que viviam no rio Cautário e que podemos dizer se tratarem dos Kujubim. O autor, por meio do mito, comenta algumas relações que havia entre esses povos, que, ora eram de festejos regados à chicha e com abundância de comida, ora eram de inimizade, provocadas, principalmente, pela prática do canibalismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O diário de Emil-Heinrich Snethlage, à época da escrita deste verbete, ainda não foi traduzido para o português, mas é possível encontrar alguns trechos no artigo Emil-Heinrich Snethlage (1897-1939): nota biográfica, expedições e legado de uma carreira interrompida de Gleice Mere (2013), em que há informações sobre os Kumaná. O etnólogo alemão também escreveu alguns diários que foram recém-publicados em alemão (2016) sobre sua viagem ao rio Guaporé, na qual é possível coletar algumas informações etnográficas sobre os Kumaná, Matawa e Kujona, relativas à onomástica, à língua e a certos aspectos cosmológicos. Com certeza essa obra apresenta um conjunto de dados riquíssimos para os povos do rio Guaporé, que, assim como os Kujubim, carecem de informações. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessas fontes, é possível buscar, também, algumas informações contidas na coletânea de dados dos povos indígenas de Rondônia, organizada e publicada pelo Conselho Indigenista Missionário de Rondônia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por fim, cabe dizer que um primeiro esforço antropológico, histórico e cultural, vem sendo feito e os resultados dele aparecem com a maioria dos dados contidos neste verbete. São informações primárias, de um recente trabalho de campo feito por Gabriel Sanchez, que investiga as relações entre os Kujubim e os seres que nossa biologia ocidental classifica como aves, e que estão sendo mais trabalhados e desenvolvidos para uma dissertação de mestrado em andamento, a ser apresentada na Universidade Federal de São Carlos, e provavelmente divulgada em novembro de 2019. Esses dados foram coletados a partir de um trabalho de observação participante, conversas informais e convivência diária junto aos Kujubim de Guajará-Mirim, Costa Marques, Aldeia Ricardo Franco e Aldeia Baía das Onças, que lutam pela demarcação de seu território tradicional, além de serem recolhidos preciosas informações das ainda vivas memórias das matriarcas Kujubim que permanecem sob as práticas e discursos de seus descendentes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ALMEIDA SERRA, Ricardo Franco de. Diario do Rio Madeira: Viagem que a expedição destinada a demarcação de limites fez do Rio Negro até Villa Bella, capital do Governo do Matto-Grosso. Revista do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro 20: 397-432. 1857.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* ANGENOT-DE LIMA, Geralda. Fonotática e fonologia do lexema protochapakura. Dissertação de mestrado apresentada ao curso de pós-graduação em linguística da Universidade Federal de Rondônia. 1997.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* BIRCHALL, Joshua; DUNN, Michael &amp;amp; GREENHILL, Simon. A combined comparative and phylogenetic analysis of the chapacuran language family. IJAL, vol. 82, nº 3. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* CIMI – RO. Panewa Especial. Porto Velho: CIMI – RO, 2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* DOM REY. “Visita à maloca dos índios do rio Cautário”. Diário pessoal. Diocese de Guajará-Mirim. 1932.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* DURAN, Iris Rodrigues. Descrição fonológica e lexal do dialeto kaw tayo (Kujubi) da língua Moré. Dissertação de Mestrado apresentada ao curso de pós-graduação em linguística da Universidade Federal de Rondônia. 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* LEIGUE CASTEDO, Luis. El Itenez Salvaje. La Paz: Ministério de la Educación. 1957.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* LOUKOTKA, Cestmir. Documents et vocabulaires inédits de langues et de dialectes sud-américains. Jounal de la Société des Américanistes 52:7-60. 1963.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MALDI MEIRELES, Denise. O complexo cultural do marico: Sociedades indígenas dos rios Branco, Colorado e Mequens, afluentes do médio Guaporé. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Série Antropologia, 7: 209-69. 1991.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MERE, Gleice. Emil-Heinrich Snethlage (1897-1939): nota biográfica, expedições e legado de uma carreira interrompida. Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciências humanas, vol. 8, nº3, pp 773-804. 2013.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MÉTRAUX, Alfred. Tribes of Eastern Bolivia and the Madeira headwaters. Handbook of South América Indians, vol. 3, ed. Julian H. Steward, pp 381-454. Washington, D.C: Smithsonian Institution. 1948.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* MONSERRAT, Ruh Maria Fonini. Memória das atividades realizadas junto aos povos Puruborá e Kujubim, Rondônia, constantes em dois relatórios de viagem do regional do CIMI/RO, de 2015 e 2017. Revista Brasileira de Linguística Antropológica. Vol, 10. Nº 1. 2018. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* SNETHLAGE, Emil-Heinrich. Die Guaporé – Expedition (1933 – 1935) Ein Forschungstagebuch. Rotger Snethlage, Alhard-Mauritz Snethlage &amp;amp; Gleice Mere (org.). Vienna: Bohlau Verlag. 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* SOARES-PINTO, Nicole. Entre as teias do marico: parentes e pajés djeorometxi. Tese de doutorado defendida no programa de pós-graduação em Antropologia Social da UnB. 2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* VANDER VELDEN, Felipe Ferreira. Os Tupí em Rondônia: diversidade, estado do conhecimento e proposta de investigação. Revista Brasileira de Linguistica Antropologica. Vol.2, nº 1. 2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Gabriel Sanchez|Gabriel Sanchez]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas em Rondônia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Isolados:_hist%C3%B3rico&amp;diff=6614</id>
		<title>Isolados: histórico</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Isolados:_hist%C3%B3rico&amp;diff=6614"/>
		<updated>2019-08-01T20:06:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: /* 1987 &amp;amp;gt; Sertanistas da Funai se reúnem e criam a Coordenadoria de Índios Isolados */ Retirei o nome da Coordenadoria do CGIIRC porque desatualiza muito rápido e Fany optou por não colocar mais.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;noinclude&amp;gt;{{Título | Isolados: histórico}}&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;includeonly&amp;gt;==Isolados: histórico==&amp;lt;/includeonly&amp;gt;&lt;br /&gt;
==1986 &amp;amp;gt; ONGs discutem a situação dos isolados==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A preocupação com a situação de risco desses grupos fez com que, em outubro de 1986, fosse organizado pelo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cimi.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Conselho Indigenista Missionário - CIMI&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e pela Operação Anchieta - Opan (hoje Operação Amazônia Nativa), um encontro sobre Índios Isolados e de contato recente. Participaram também várias ONGs, entre elas a UNI, o Cedi, o CTI, a CPI-SP e outras, além da Funai, num total de 23 participantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O comunicado final divulgado no fim do encontro dizia que &amp;quot;a gravidade da situação motivou um encontro de indigenistas, antropólogos, missionários, advogados e representantes da União das Nações Indígenas (UNI) na tentativa de estabelecer formas de atuação na defesa da sobrevivência física e cultural desses povos ameaçados&amp;quot;. O documento fala ainda da abertura das estradas a partir de 1970, e de outros projetos de infra-estrutura, alem da mineração e exploração mineral, fatores que levaram esses grupos ao sofrimento e à depopulação decorrente do contato com essas frentes de expansão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vários povos com a população reduzida drasticamente por doenças foram transferidos de suas terras, como os [[Povo:Tapayuna | Tapayuna]], levados do rio Arinos para o rio Xingu e os [[Povo:Panará | Panará]] do rio Peixoto Azevedo, contatados em 1973 para permitir a construção da BR-163. Os remanescentes desses últimos – 87, de uma população de 400 – foram levados para o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/caracterizacao.php?id_arp=3908&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Parque Indígena do Xingu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Os [[Povo:Cinta larga | Cinta-Larga]], no Mato Grosso e Rondônia, eram cerca de 5 mil ainda nos anos 60, mas na época do Encontro não passavam de mil indivíduos. Os [[Povo:Waimiri Atroari | Waimiri Atroari]], forçados ao contato com a abertura da BR-174, que cortava suas terras, tiveram uma redução de cerca de 3 mil para apenas 500 indivíduos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O comunicado criticava também a atitude da Funai, pelo abandono desses índios: &amp;quot;não é de se estranhar, portanto, que a Funai esteja anunciando seu Plano Especial para atração dos últimos grupos indígenas isolados, o que nos parece ser o objetivo de facilitar a implantação dos novos planos governamentais (PDA, Calha Norte etc). Manifestamos, por isso, nossa legítima preocupação pelo destino dos povos indígenas que ainda resistem bravamente na Amazônia&amp;quot;. Nesse encontro, foi feito o mapeamento dos grupos isolados no Brasil e elaborada uma pauta com as conclusões do Encontro para ser veiculada entre as entidades indigenistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Índios isolados]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==1987 &amp;amp;gt; Sertanistas da Funai se reúnem e criam a Coordenadoria de Índios Isolados==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1987, ocorreu o Primeiro Encontro Nacional de Sertanistas, promovido pela Funai e organizado pelo sertanista Sidney Possuelo, para discutir a questão dos índios isolados. Os participantes debateram e avaliaram a difícil situação dos povos contatados e decidiram que a nova política da Funai seria de contatá-los apenas se estivessem em risco e não mais para liberar a área para projetos de infra-estrutura, como ocorria até então.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para desenvolver essa política, foi criado um órgão específico dentro da Funai: a Coordenadoria de Índios Isolados (CII), ou Coordenadoria Geral de Índios Isolados (CGII) com Sydney Possuelo à frente, liderando a mudança de política de contato. Em vez das antigas frentes de atração, que contatavam os índios para liberar a área para passagem de estradas, hidrelétricas etc., a CII foi organizada por frentes de proteção etnoambiental, cujo objetivo era proteger o entorno da região habitada pelos isolados e monitorar os acontecimentos e ameaças, além de viabilizar os estudos de identificação e demarcação dessas terras para esses índios, realizados pela Diretoria Fundiária da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final da década de 1990, a CGII/Funai assinou um convênio com a ONG Centro de Trabalho Indigenista (CTI) para trabalharem em conjunto na política de proteção aos isolados do Vale do Javari, com recursos da União Européia, que viabilizou a continuidade das atividades na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/caracterizacao.php?id_arp=3895&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Vale do Javari&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, área que sofre muita pressão de madeireiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse órgão da Funai foi dirigido por Sydney Possuelo, com alguns intervalos, até o início de 2006, quando Possuelo foi demitido do cargo pelo presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta coordenação atende também, desde dezembro de 2009, os povos recém contatatos e por isso é denominada hoje de Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém Contatados (CGIIRC). A CGIIRC conta com doze Frentes de Proteção Etnoambiental:  Vale do Javari (AM), Purus (AM), Juruena (AM, PA, MT),  Envira (AC), Yanomami (RR), Madeira (AM, RO), Guaporé (RO),  Uru-Eu-Wau-Wau (RO), Cuminapanema (PA, AP), Médio Xingu (PA), Madeirinha (MT) e Awa-Guajá (MA).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Marianafurtado</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%C3%93rg%C3%A3o_Indigenista_Oficial&amp;diff=6613</id>
		<title>Órgão Indigenista Oficial</title>
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		<updated>2019-07-22T18:28:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: /* Galeria dos presidentes da Funai */ Pequena correção do layout do nome do presidente da Funai Artur Nobre Mendes, para padronizar com os demais&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Órgão indigenista oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2010 o indigenismo oficial no Brasil completou cem anos. Apesar da longa e dramática história da colônia e do império, apenas em 1910, vinte anos após a promulgação da República, foram criados mecanismos jurídicos e administrativos específicos, em âmbito federal, para conduzir as relações junto aos [[Quem são | povos indígenas]]. Antes disso, como destacou a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha (1992), houve um verdadeiro ‘vazio legislativo’. Os índios sequer foram mencionados nas Constituições de 1824 e 1889. A ausência, entretanto, tinha justificativas: cada província poderia legislar e atuar livremente para promover a “catequese e civilização dos índios”, o que acabou por trazer trágicas consequências para os mais diversos povos. As políticas iniciadas em 1910 abriram um novo período, a partir do qual a União passou a se responsabilizar e a se envolver diretamente com a questão indígena, retirando das províncias e líderes locais suas prerrogativas anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano do centenário diversos novos desafios se apresentam ao indigenismo de Estado. Um novo [[Estatuto do Índio | Estatuto dos Povos Indígenas]], que pretende substituir o de 1973, aguarda votação no Congresso. Em dezembro de 2009, o governo iniciou um amplo projeto de reestruturação da [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio (Funai)]], que promete modernizar, aparelhar e aproximar dos índios o atual órgão indigenista oficial, tido por muitos como um dos mais sucateados e ineficazes da Nação. Neste contexto, apresentamos aqui um breve panorama destes cem anos, com o objetivo de situar e refletir sobre o momento atual. O foco é observar o processo, seus avanços e impasses, de modo a que as tragédias do passado não continuem a se repetir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Fundação Nacional do Índio (Funai)==&lt;br /&gt;
Desde 1967, a Fundação Nacional do Índio (Funai) é o órgão indigenista oficial responsável pela promoção e proteção aos direitos dos povos indígenas de todo o território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A criação da Funai no contexto da ditadura militar===&lt;br /&gt;
Embora projetada pelos intelectuais do CNPI para superar os antigos impasses do [[Serviço de Proteção aos Índios (SPI)]], a Funai acabou por reproduzi-los. Sua criação foi inserida no plano mais abrangente da ditadura militar (1964-1985), que pretendia reformar a estrutura administrativa do Estado e promover a expansão político-econômica para o interior do País, sobretudo para a região amazônica. As [[O que é política indigenista | políticas indigenistas]] foram integralmente subordinadas aos planos de defesa nacional, construção de estradas e hidrelétricas, expansão de fazendas e extração de minérios. Sua atuação foi mantida em plena afinidade com os aparelhos responsáveis por implementar essas políticas: Conselho de Segurança Nacional (CSN), Plano de Integração Nacional (PIN), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ação da Funai durante a ditadura foi fortemente marcada pela perspectiva assimilacionista. O Estatuto do Índio (Lei nº 6.001) aprovado em 1973, e ainda vigente, reafirmou as premissas de integração que permearam a história do SPI. Por um lado, pretendia-se agregar os índios em torno de pontos de atração, como batalhões de fronteira, aeroportos, colônias, postos indígenas e [[Igrejas e Missões religiosas | missões religiosas]]. Por outro, o foco era isolá-los e afastá-los das áreas de interesse estratégico. Para realizar este projeto, os militares aprofundaram o monopólio tutelar: centralizaram os projetos de assistência, [[Saúde Indígena | saúde]], [[A educação escolar indígena no Brasil | educação]], alimentação e habitação; cooptaram lideranças e facções indígenas para obter consentimento; e limitaram o acesso de pesquisadores, organizações de apoio e setores da Igreja às áreas indígenas (M. Santilli, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A estrutura do órgão===&lt;br /&gt;
O órgão foi concebido em bases semelhantes às do SPI. Até 1991 se manteve vinculado ao extinto Ministério do Interior, que sempre exerceu grande ingerência sobre suas ações. Os presidentes nomeados entre as décadas de 1970 e 1980 eram, em grande maioria, militares ou políticos de carreira pouco ou nada comprometidos, e até mesmo contrários aos interesses indígenas. A administração foi centralizada em Brasília. Os postos indígenas foram mantidos e as inspetorias transformadas em delegacias regionais. Outras instâncias – ajudâncias, superintendências, administrações executivas, núcleos locais de apoio – foram criadas e extintas ao longo do tempo. A despeito destas modificações, a Funai se estruturou aos moldes do SPI, de modo mais ou menos centralizado, com grande rigidez burocrática, em três níveis espaciais: nacional, regional e local (Souza Lima, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das irregularidades que levaram à extinção do SPI, seu quadro funcional foi transferido para a Funai. Com recursos escassos e mal contabilizados, a Funai continuou a operar, assim como o SPI, com profissionais pouco qualificados. Não se concretizou a proposta de se realizar planejamentos antropologicamente orientados, conduzidos por profissionais de formação sólida, bem pagos e comprometidos com o futuro dos povos indígenas. O órgão foi permeado, em todos os níveis, por redes de relações pessoais, clientelistas e corporativas, que remetem ao paternalismo e ao voluntarismo que dominaram o velho SPI. A criação da Funai foi marcada pela ineficiência, desinteresse e dificuldade de operação, o que levou o órgão a limitar sua intervenção a favor dos índios a situações altamente críticas, conflituosas e emergenciais, consequentes dos planos de colonização e exploração econômica que chegavam aos extremos do país (Oliveira, 2006; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A emergência da questão indígena no cenário nacional===&lt;br /&gt;
Neste contexto desfavorável, a questão indígena começou a emergir no cenário político nacional. A maior parte das organizações de apoio aos índios se estruturou na década de 1970. Entre elas destaca-se: as comissões pró-índio (CPIs), as associações nacionais de apoio ao índio (ANAIs), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI). Estas duas últimas se juntaram para fundar o atual &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Instituto Socioambiental (ISA)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Criadas por intelectuais e clérigos envolvidos com a questão indígena, estas entidades passaram a realizar importantes trabalhos como: o questionamento fundamentado às políticas oficiais, a interlocução entre índios e Funai, bem como a formulação de alternativas concretas para o indigenismo brasileiro (M. Santilli, 1991; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1980, diversas manifestações indígenas passaram a ganhar visibilidade nacional. Também neste período começaram a se estruturar suas primeiras organizações formais de base comunitária ou regional. Em âmbito nacional foi criada a União das Nações Indígenas (UNI), que já não existe mais. [[Organizações indígenas | Conheça as organizações indígenas]] compiladas pelo ISA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os povos indígenas e o marco jurídico atual===&lt;br /&gt;
Com as mobilizações indígenas e das organizações de apoio, a [[Constituição | Constituição de 1988]] acabou por conferir um tratamento inédito aos povos indígenas. Pela primeira vez foi reconhecido seu [[Constituição | direito à diferença (Art. 231)]], rompendo com a tradição assimilacionista que prevaleceu até então. Foi garantido o [[Constituição | usufruto exclusivo de seus territórios]] tradicionalmente ocupados, definidos a partir de seus usos, costumes e tradições (Art. 231). A União foi instituída definitivamente como instância privilegiada das relações entre os índios e a sociedade nacional. Através do artigo 232, os indígenas e suas organizações foram reconhecidos como partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos, o que incentivou a expansão e a consolidação de suas associações. Para isso, foram definidos canais diretos de comunicação entre os índios, o Ministério Público e o Congresso Nacional. Com estas medidas, o conceito de “capacidade relativa dos silvícolas” (Código Civil, 1917), e a consequente necessidade do “poder de tutela” perderam validade e atualidade. Estas vitórias constitucionais precisariam, entretanto, ser regulamentadas e consolidadas politicamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1991, uma Comissão Especial foi instaurada para rever o [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (1973)]] a partir do enfoque inovador da Carta de 1988. Foram abordados temas como: a situação jurídica dos índios e as responsabilidades assistenciais da Funai; os direitos de autoria e a propriedade intelectual; a proteção ambiental e a regulamentação do uso e exploração de recursos naturais; os procedimentos de demarcação de terras indígenas. A tramitação do projeto, entretanto, foi paralisada em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A descentralização do indigenismo oficial===&lt;br /&gt;
No início da década de 1990, houve amplos debates acerca do papel do órgão indigenista oficial a partir do novo marco jurídico. O Ministério do Interior foi extinto e a Funai  foi transferida ao Ministério da Justiça. Blocos parlamentares anti-indígenas propunham fechá-la, sem substituí-la por nada novo, o que provocaria um grande vazio administrativo. Mobilizações indígenas e organizações de apoio defendiam que a reestruturação do órgão fosse feita concomitantemente à aprovação do texto do Estatuto. Em 1991, o governo Collor realizou, por meio de decretos, uma ampla reforma das atribuições da Funai. As responsabilidades sobre saúde, educação, desenvolvimento rural e meio ambiente foram descentralizadas, e passaram a ser exercidas pelos Ministérios da Saúde, Educação, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente. As ações extra-Funai decretadas por Collor tomaram rumos distintos e impactaram de modos diferenciados os povos indígenas do Brasil. Durante os anos FHC estas políticas passaram a adquirir contornos administrativos mais precisos. Algumas ONGs e associações indígenas passaram a participar ativamente do processo de implementação das políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os decretos de 1991, a Funai, esvaziada em suas atribuições, passou a se concentrar nas políticas de regularização fundiária. Em 1996, o governo FHC modificou as regras para a [[O que são Terras Indígenas? | demarcação de Terras Indígenas]] visando destacar a necessidade da participação indígena e o direito a contestação das partes afetadas (Decreto 1775/96, Portaria 14/96).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desenvolvimento dos projetos participativos===&lt;br /&gt;
Também em 1996 passou a operar o Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL), resultado da parceria entre a Funai e o Programa Piloto para a Conservação das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7. Embora direcionado à demarcação de terras, o PPTAL se propôs a criar alternativas concretas e de longo prazo ao modelo tutelar. Sua proposta se baseou no estímulo ao controle social e à atuação indígena qualificada na estrutura da Funai e do Estado de modo mais abrangente. Em seu âmbito, a partir da experiência dos [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]] do Amapá, foi criado o modelo de “demarcação participativa”, que tem como premissa básica a parceria e a co-responsabilidade dos povos indígenas na formulação das políticas que lhes afetam diretamente. Neste modelo, a própria demarcação é tomada como apenas uma das etapa do processo mais abrangente de gestão sustentável das Terras Indígenas. Trata-se de uma proposta baseada no diálogo intercultural, que apenas se realiza enquanto política pública com o pleno envolvimento e concordância dos povos interessados (Mendes, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A experiência inovadora do PPTAL estimulou a criação em 2001 do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI), desenvolvido no âmbito do Ministério do Meio Ambiente em parceria com o PP-G7. Este projeto é voltado ao financiamento de iniciativas de valorização cultural e desenvolvimento sustentável elaborados e geridos pelas populações indígenas e seus parceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A Funai e as novas demandas por reconhecimento indígena===&lt;br /&gt;
Em 2002, a ratificação pelo governo brasileiro da [[Convenção OIT sobre Povos Indígenas e Tribais em países independentes nº. 169 | Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre “Sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes” (1989)]] aprofundou a sustentação jurídica às demandas de povos antes tomados por aculturados e integrados, que atualmente reivindicam, em diversas regiões do Brasil, seus direitos indígenas diferenciados. Cada vez mais numerosas, estas reivindicações trazem novos desafios à atuação da Funai, responsável pela demarcação das Terras Indígenas no país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A valorização dos conhecimentos tradicionais===&lt;br /&gt;
Na virada do milênio, [[Conhecimentos tradicionais: &amp;quot;Novos rumos e alternativas de proteção&amp;quot; | os conhecimentos indígenas e tradicionais]] passaram a ganhar destaque na agenda nacional e internacional. As discussões se concentram na criação e aprimoramento de mecanismos legais que impeçam que estas populações sejam expropriadas de seu rico patrimônio intelectual, produzido ao longo de gerações. O problema é evidente no caso dos conhecimentos associados à biodiversidade que têm sido alvo de inúmeros casos de biopirataria. Embora acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Biológica e a Agenda 21, criadas no contexto da Eco-92, tenham destacado a urgência do problema, apenas em 2002 o Brasil iniciou, através de decreto presidencial (nº 4.339, de 22 de agosto de 2002), uma política nacional de biodiversidade, que, entretanto, precisa ser aprimorada em diversos aspectos (J. Santilli, 2000, 2002).  Também neste âmbito e neste período, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vinculado ao Ministério da Cultura, passou a realizar ações de proteção, valorização e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial de povos indígenas e tradicionais. Estas ações decorrem do esforço de regulamentação da Constituição de 88, que em seus artigos 215 e 216 formaliza o valor imaterial dos bens culturais. No ano 2000 o decreto 3.551 instituiu os mecanismos oficiais de valorização e proteção do patrimônio cultural no Brasil. Estes instrumentos, entretanto, se encontram em fase inicial de consolidação e são alvo de pesquisas e debates entre especialistas. Até mesmo no campo internacional as propostas neste sentido são recentes. Data de 2003 a Convenção da UNESCO para a “Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desafio da consolidação do paradigma participativo===&lt;br /&gt;
Desde a Constituição de 1988 o indigenismo oficial passou por diversas e significativas mudanças, voltadas, de modo geral, ao reconhecimento e à valorização da diferença cultural. As políticas públicas direcionadas aos povos indígenas têm se tornado cada vez mais descentralizadas e realizadas no âmbito de diversos ministérios que atuam em parceria com agências de cooperação internacional e organizações não-governamentais. A premissa elementar do conjunto das ações é o estímulo à participação e à co-responsabilidade indígena na gestão das políticas destinadas a eles. Entretanto, o sucesso destas políticas depende de sua plena consolidação jurídica e institucional em todos níveis, do local ao governo central. Afinal, o poder tutelar, o assistencialismo e o assimilacionismo ainda são uma realidade fortemente enraizada em diversas práticas do relacionamento entre o Estado e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à consolidação jurídica deste novo momento, é notável que o Estatuto do Índio de 1973, de bases integracionistas, ainda esteja vigente. Entre 1991 e 1994, foi apresentada uma proposta de substituição ao texto que jamais foi votada pelo congresso. Em março de 2006, o governo federal criou a Comissão Nacional de Política Indígenista (CNPI). Em sua agenda, foi estabelecida a prioridade da atualização do Estatuto, com vistas a apresentar uma regulamentação integrada dos diversos temas da agenda dos povos indígenas: o patrimônio e os conhecimentos tradicionais, a proteção e a gestão territorial e ambiental, as atividades sustentáveis e o uso de recursos renováveis, o aproveitamento de recursos minerais e hídricos, a assistência social, a educação escolar e o atendimento à saúde diferenciados. Em julho de 2009, a proposta - construída com a participação de representantes indígenas – foi apresentada ao Congresso Nacional e aguarda votação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto, o atual CNPI e a Funai tem a tarefa de articular e integrar o conjunto das ações estatais de defesa dos direitos indígenas, com vistas a promover o paradigma participativo e superar definitivamente seu papel tutelar. Com este objetivo, o órgão indigenista oficial têm realizado esforços para atualizar suas práticas e modos de funcionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Reestruturação da Funai===&lt;br /&gt;
Em fins de 2009, o governo Lula anunciou, por meio de decreto presidencial (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7056.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nº 7.056, 28/12&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), um amplo plano de reestruturação da Funai, que pretende oferecer maior capacidade de atuação onde vivem os povos indígenas. As Administrações Executivas Regionais (AERs) e Postos Indígenas (PIs) foram substituídos por Coordenações Técnicas Locais e Regionais, formadas por técnicos qualificados, que passarão a desenvolver ações participativas junto aos povos indígenas envolvidos. Nesta estrutura, está planejada a criação de Conselhos Consultivos, nos quais os indígenas e as organizações parceiras participam diretamente na formulação, implantação e gestão das políticas públicas a eles destinadas. Além disso, está prevista a criação de 3,1 mil cargos a serem preenchidos até 2012. Esta nova estrutura pretende, conforme sua direção, superar os impasses históricos do órgão indigenista oficial. Apreensivos, diversos povos se posicionaram contra as mudanças e reclamaram de falta de consulta prévia prevista na Convenção nº 169 da OIT.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria dos presidentes da Funai ==&lt;br /&gt;
A história do controvertido órgão indigenista oficial, a [[Órgão Indigenista Oficial | Funai (Fundação Nacional do Índio)]], pode ser contada através da sucessão de seus 41 presidentes ao longo de 52 anos, de 1967 a 2019.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Presidentes da Funai (1967-2018)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidentes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Quem é | O que fez&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marcelo Augusto Xavier da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O delegado da Polícia Federal Marcelo Augusto Xavier da Silva foi nomeado,  no dia 19 de julho, presidente da Funai. Ele assume após a saída do general da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas, exonerado por pressão da bancada ruralista, em junho. Durante um mês a Funai teve como presidente substituto Fernando Maurício Duarte Melo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Silva atuou na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-isa/editorial-do-isa-o-fim-da-cpi-da-funai-e-o-desespero-ruralista&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, em 2016, como assessor da mesma frente parlamentar. A CPI foi criada para apurar supostas irregularidades cometidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pela Funai em processos de titulação de quilombos e de demarcação de Terras Indígenas, respectivamente. O relatório final propôs a revisão de demarcações - uma bandeira do governo Bolsonaro. Afinal, o objetivo da comissão acabou sendo tentar criminalizar lideranças e organizações indígenas, organizações das sociedade civil aliadas dos povos indígenas, antropólogos e servidores públicos - os mesmos setores considerados inimigos pela atual administração federal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O delegado federal já passou pela Funai. Trabalhou na ouvidoria do órgão. Nessa época, chegou a solicitar que policiais investigassem supostas &amp;quot;invasões&amp;quot; de indígenas em áreas por eles reivindicadas no Mato Grosso do Sul. As denúncias mostraram-se sem fundamento. Pouco depois, em abril de 2018, Silva acabou demitido. Na sequência, foi nomeado como assessor para assuntos fundiários do braço-direito de Michel Temer, o então ministro da Secretaria de Governo da Presidência, deputado Carlos Marun (MDB-MS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 24 de janeiro deste ano, já no governo Bolsonaro, o policial ganhou mais um cargo em Brasília: o de assessor especial de Nabhan Garcia, presidente licenciado da União Democrática Ruralista (UDR) e atual secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura. Nabhan é o maior inimigo das demarcações de Terras Indígenas dentro do governo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nomeação do delegado na Presidência da Funai faz parte do plano de Bolsonaro de dar o controle total do órgão indigenista aos ruralistas e, assim, cumprir seu compromisso de campanha de paralisar de vez e rever as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan.2019 - jun.2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O militar da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas retornou à Presidência da Funai após a exoneração de Wallace Moreira Bastos, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de janeiro de 2019. O presidente, na verdade, foi o antecessor de Wallace, entre maio de 2017 e abril de 2018. No período, aprovou os estudos da Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha (PE).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de pouco mais de 10 meses no cargo, Franklimberg foi exonerado e sua gestão não agradou a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O general, nomeado durante o governo Bolsonaro, foi formalmente reapresentado à Presidência no mesmo dia da saída de Wallace Moreira Bastos do cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prestes a completar 5 meses em sua segunda passagem pelo cargo, Franklimberg foi demitido pelo mesmo motivo de sua gestão anterior: os ruralistas não concordaram com sua atuação a favor dos direitos indígenas, que aliás é a obrigação do presidente da Funai. O que pensar então? Que o próximo presidente do órgão tem que ser contrário aos direitos indígenas e favorável aos ruralistas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Wallace Moreira Bastos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2018 - jan. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Wallace Moreira Bastos foi nomeado para exercer o cargo de Presidente da Funai no mesmo Diário Oficial da União, de 24 de abril, em que foi publicado o pedido de demissão de Franklinberg, que alegou estar sofrendo forte pressão dos ruralistas para deixar o cargo. No dia 16 de janeiro de 2019, foi publicado o pedido de exoneração de Wallace Moreira Bastos da presidência da Funai, após nove meses de ocupação no cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em nota da Funai, Wallace disse que conseguiu trazer para a Fundação mais 203 servidores concursados, que já estão atuando em todas as regiões do país. E que conseguiu, junto ao Governo Federal, que o orçamento da Funai passasse de R$ 109 milhões para R$ 175 milhões, o que permitirá ao órgão avançar ainda mais no que diz respeito às demandas das comunidades indígenas. Mas no período em que esteve na presidência da Funai não aprovou nenhum estudo de identificação de Terra Indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa indicação não foi vista com bons olhos no meio indígena e indigenista porque Wallace não tem, em seu currículo, nenhuma experiência relacionada aos povos indígenas. Foi sócio-proprietário e gestor, entre 2002 e 2008, das empresas Giraffas, Casa do Pão De Queijo, Montana Grill e Café Cancun e, antes, analista de Vendas da Ambev. Concursado na ANAC, é membro do Conselho de Administração da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) e antes da indicação para a Funai ocupava o cargo de subsecretário do Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil. É a terceira indicação do PSC para a Fundação em pouco mais de um ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 2017 - abr. 2018]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O general do exército Franklimberg Ribeiro de Freitas assumiu interinamente a presidência da Funai após a exoneração de Antônio Costa. Em julho de 2017, foi plenamente empossado. Franklimberg é militar da reserva, tendo ingressado nas Forças Armadas em 1976, e antes de ser nomeado para a Funai exercia o cargo de assessor de relações institucionais do CMA (Comando Militar da Amazônia), sediado em Manaus (AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assume a presidência da Funai poucos dias após um massacre realizado contra índios Gamela, no Maranhão e em meio à uma intensa crise política desencadeada por investigações de corrupção no governo Temer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua gestão não agradou à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), composta por 252 parlamentares, entre deputados e senadores, que esperavam ações que atendessem os interesses dos ruralistas. A FPA enviou um ofício ao presidente Temer com a assinatura de mais de 170 lideranças indígenas que não queriam a permanência de Franklimberg, e pediram sua demissão. Permaneceu no cargo por pouco mais de 10 meses.&lt;br /&gt;
Ele é o segundo presidente que o PSC indica (o anterior, Antonio Fernandes Toninho Costa, também fora indicação do partido) e é demitido por não atender interesses contrários aos direitos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franklimberg, antes de deixar o cargo, aprovou os estudos da TI Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Antonio Fernandes Toninho Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan. de 2017 a mai. de 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dentista e pastor evangélico de Luiziânia (GO), já atuou como assessor parlamentar. Interessante notar o contexto da decisão de sua nomeação como novo presidente da Funai. Segundo a reportagem da Globo News, o presidente da República, Michel Temer, em reunião com ministros sobre obras de infraestrutura, foi informado sobre impasses e conflitos com índios, que estariam impedindo a continuidade das obras, e que a Funai estava com um presidente interino. Ele então solicitou ao ministro da Justiça que resolvesse a questão – provavelmente com a expectativa de conseguir a aprovação da Funai para as obras paralisadas. Dentro da lógica de loteamento à base aliada, Temer aceitou a indicação do Partido Social Cristão (PSC), cujo presidente é o Pastor Everaldo e que é integrado por Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano. Costa já trabalhou com povos indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e na Missão Evangélica Caiuá – antiga missão que prestava assistência aos Guarani em Mato Grosso do Sul e hoje atua em diversos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (DSEIs) através de convênio com a Sesai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Agostinho do Nascimento Netto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 2016 a jan. 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assessor especial do Ministério da Justiça desde junho de 2016, desconhecido do movimento indígena e indigenista, foi nomeado Presidente substituto da Funai em setembro do mesmo ano. Durante sua curta gestão, ele aprovou a TI Pindoty/Araça-Mirim, no Vale do Ribeira (SP), no dia 29 de dezembro de 2016, com 1.030 hectares.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2016 a set. 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes assumiu a presidência dó órgão em substituição a João Pedro Gonçalves, exonerado pelo governo interino de Michel Temer. Artur Nobre Mendes já fora presidente da Funai entre 2002 e 2003 e no momento ocupava o cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. (Veja mais abaixo informações sobre o seu primeiro mandato)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2016, permaneceu no cargo de presidente substituto por aproximadamente 4 meses. Em sua curta interinidade, Artur publicou, em agosto de 2016, a identificação de três TIs Guarani no estado de São Paulo: Djaiko-aty com 1,216 ha, Ka'aguy Mirim com 1.190, e a Ambá Porã com 7.204 ha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi exonerado em Setembro, poucos dias após a Funai criticar a organização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 por terem afirmado, na apresentação da menina Igani Suruwaha, que a menina e a mãe tiveram que deixar a comunidade onde viviam para “evitar o infanticídio indígena”. Em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/3932-nota-jogos-paralimpicos&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota de repúdio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a Funai disse que a informação do Comitê Organizador dos Jogos promove “''ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil, referindo-se ao 'infanticídio ou homicídio, abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulneráveis e violência doméstica' como 'práticas tradicionais' indígenas. A Funai entende que tal posicionamento revela uma total incompreensão sobre a realidade indígena no país, refletindo uma visão preconceituosa e discriminatória sobre esses povos, suas culturas e seus modos de vida.''”&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Pedro Gonçalves da Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2015 a jun. de 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi deputado estadual, vereador e senador suplente do estado do Amazonas. Também trabalhou como superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária no Amazonas Assumiu a presidência da Funai no lugar de Flavio Chiarelli Vicenti de Azevedo, que foi presidente interino durante 8 meses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://acritica.uol.com.br/blogs/blog_do_sim_-_nao/funai_7_1375732414.html&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota d'A Crítica&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (14/06/15), sua indicação ''&amp;quot;foi uma costura de parlamentares petistas do Norte com o argumento de que o Governo Dilma precisa dar mais espaços a políticos da Amazônia assim como Lula fez quando pôs Marcus Barros no Ibama, e Marina Silva, no Ministério do Meio Ambiente.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu mandato coincidiu com os últimos meses antes de a Presidente Dilma Roussef ser afastada do cargo e nesse curto período buscaram reverter a paralisia de demarcações que até então marcara esse governo. Durante seu mandato foram aprovados pela Funai os estudos das terras: Cobra Grande (PA) dos povos Arapiuns, Jaraqui e Tapajó; Kaxuyana-Tunayana (AM/PA), dos Kaxuyana, Tunayana e outros; Jurubaxi-Téa (AM), dos Baré, Tukano, Baniwa e outros; Sawré/Muybu (PA), dos Munduruku; Sambaqui (PR), Pakurity (MS), Peguaoty (MS) e Cerco Grande (PR), dos Guarani Mbya; Ypoi-Triunfo (MS), dos Guarani Ñandeva; Dourados Amambaipeguá I, dos Kaiowáa e Ñandeva; e Mato Castelhano-FÁg TY KA (RS), dos Kaingang.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 2014 a jun. de 2015]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi chefe da Procuradoria Federal Especializada da Funai. Assumiu a Presidência interinamente, em substituição à também interina Maria Augusta Assirati.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu os 8 meses de sua gestão como presidente interino. Nesse período apesar das determinações do governo de paralisar o reconhecimento das Terras Indígenas (TIs) - conseguiu aprovar e publicar no DOU em janeiro de 2015, os estudos de identificação e delimitação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4056&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Riozinho&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, dos índios [[Povo:Ticuna | Ticuna]] e [[Povo:Kokama | Kokama]] com 362.495 hectares, nos municípios de Juruá e Jutai no Amazonas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criou três Grupos Tecnicos (GTs) para estudos de novas TIs: uma para os Ticuna, em Fonte Nova/Amazonas, outra em Paraty no Rio de Janeiro para os [[Povo:Guarani | Guarani]], e a pela primeira vez a Funai criou um GT para reconhecer uma TI no no Rio Grande do Norte, no município de Baía Formosa: a Sagi/Trabanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 2015, com a nomeação do novo presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, Flávio Chiarelli foi nomeado assessor especial do Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Segundo ele, o governo tem um olhar não-indígena para os povos tradicionais, 'achando que eles são os causadores de problemas. Quando, na verdade, a gente deveria parar para olhar o lado deles e enfrentar a real causa do problema&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Governo-nomeia-novo-presidente-da-Funai/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Greenpeace&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Jun/15&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Maria Augusta Boulitreau Assirati'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2013 a out. de 2014]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Advogada, dirigiu o Departamento de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai e assumiu a Presidência interinamente, com a exoneração de Marta Maria Azevedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo mantida em interinidade durante um ano e quatro meses, em um governo que primou pela paralisia das demarcações de Terras Indígenas, ela conseguiu aprovar e publicar três estudos de identificação das TIs: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3864&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 5.838 hectares, no Ceará; da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4142&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 2.686 hectares, no Paraná; e a ampliação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/5399&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Xakriabá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 43.357 em Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Augusta pediu demissão por conta de um curso de doutorado em Portugal, mas segundo o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://oglobo.globo.com/brasil/presidente-da-funai-deixa-cargo-em-meio-disputa-do-orgao-com-ministerio-da-justica-14050662#ixzz3ENbCfygi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;jornal O Globo, de 25 de setembro de 2014&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, alguns dos motivos principais seriam as divergências envolvendo a construção de hidrelétricas e a disputa enfrentada pela própria Funai, no interior do governo, para realizar sua tarefa primordial: a demarcação de terras indígenas. A interferência política do governo sobre a atuação da Funai foi apontada pela ex-presidente em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://apublica.org/2015/01/a-funai-esta-sendo-desvalorizada-e-sua-autonomia-totalmente-desconsiderada-diz-ex-presidente/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;entrevista na Agência Pública, de janeiro de 2015&amp;lt;/htmltag&amp;gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A orientação é no sentido de que nenhum processo de demarcação em nenhum estágio, delimitação, declaração, ou homologação, tramite sem a avaliação do Ministério da Justiça e da Casa Civil. Isso é, nada mais, nesse momento, “depende apenas da Funai”.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;APública, Jan/2015&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marta Maria Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2012 a jun. de 2013]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marta Maria do Amaral Azevedo é antropóloga, demógrafa, e autora de um dos primeiros trabalhos de pesquisa sobre demografia dos povos indígena. Nascida em São Paulo, formou-se em Ciências Sociais em 1978 pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1980 integrou o grupo de Educação Indígena da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) e atuou como colaboradora do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Também foi colaboradora do ISA, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo – onde ajudou a fundar o Grupo Mari de Educação Indígena – e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), no início da década de 1990. Participou da equipe de demógrafos que, em conjunto com o IBGE, Funai e especialistas de várias e diferentes instituições, aprimorou a coleta das informações sobre os povos indígenas para o censo brasileiro de 2010. Suas investigações envolvem temas como educação indígena, segurança alimentar e saúde das mulheres indígenas, os quais contam com o comprometimento de Marta em sua gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um ano e dois meses no cargo, Marta aprovou os estudos de identificação de 14 Terras Indígenas. Destacamos algumas: a TI Iguatemipeguá I com mais de 41 mil hectares, para os Kaiowá, localizada em região de intensos conflitos com fazendeiros, no Mato Grosso Sul; também aprovou os reestudos de duas terras guarani em S.Paulo, a Jaraguá (com 532 ha, na capital) e a Boa Vista do Sertão Pró-Mirim (no município de Ubatuba com 5.520 ha); seis terras mura tiveram seus estudos de identificação aprovados nos municípios de Borba, Autazes, Carreiro da Várzea, Manaquiri e Careiro, todos no estado do Amazonas, somando 72.631 ha. A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, exonerou, a pedido, Marta Maria do Amaral Azevedo da presidência da Funai em Junho de 2013.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Meira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. 2007 a abr. 2012]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Formado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com mestrado em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), o atual Presidente da Funai pesquisou os povos Warekena, da região do rio Xié, um dos afluentes do rio Negro, no Amazonas, no início dos anos 1990. É o autor da tese &amp;quot;No tempo dos Patrões&amp;quot;, sobre o regime de aviamento que ainda vigora nas relações entre extrativistas e comerciantes no interior da Amazônia. Sua atuação com os povos indígenas, porém, é anterior e data desde sua participação na luta pelos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. Foi também responsável pelo GT da Funai de identificação das Terras Indígenas do Médio Rio Negro, localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. Meira foi um dos interlocutores das organizações indígenas na equipe de transição do governo Lula, em 2002. Sua gestão foi responsável pelo processo de reestruturação da Funai, que renovou o quadro funcional (com 425 novas contratações) e a estrutura administrativa do órgão. Também foi resposável pela inauguração do Centro de Formação em Política Indigenista em Sobradinho/DF. Apesar de ter priorizado a participação do movimento indígena e de ter implantado a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), ao final da gestão Meira ocorreu um rompimento da bancada indigenista com a comissão, no qual entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a CNPI. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Mércio Pereira Gomes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. 2003 a março de 2007]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dirigiu o IPARJ (Instituto de Pesquisas Antropológicas do Rio de Janeiro) e participou da política carioca quando do governo de Leonel Brizola (1991-95), na condição de subsecretário de Cultura e Projetos Especiais. Foi também assessor de projetos especiais da cidade de Petrópolis. Depois de Roque Laraia e Artur Nobre Mendes, Mércio Gomes é o terceiro antropólogo a assumir a presidência da Funai. Foi professor de antropologia na Unicamp, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Macalestes (EUA) e na UFF (Universidade Federal Fluminense). Membro efetivo do Diretório Estadual do PPS, partido da base aliada do governo Lula, Mércio Gomes já era cotado para a presidência da Funai na campanha eleitoral de 2002 em um eventual governo Ciro Gomes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Eduardo Aguiar de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. de 2003 a ago. de 2003]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Primeiro presidente da Funai do governo Lula, Eduardo Aguiar de Almeida ficou apenas seis meses no cargo, tendo sido exonerado em 15 de agosto de 2003, por meio de portaria da Casa Civil. O ministro da justiça declarou-se insatisfeito com o seu trabalho à frente da Funai em mais de uma ocasião, em que observava a &amp;quot;falta de sintonia&amp;quot; de Almeida com os interesses do Ministério. Os rumores sobre a sua substituição começaram a circular há pelos menos 2 meses desde que ele assumiu a pasta. Em entrevista à imprensa, Almeida atribuiu sua demissão à forte pressões oriundas dos setores anti-indígenas da política nacional, citando diretamente os nomes dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Romero Jucá (PMDB-PR) e dos governadores Blairo Maggi (PPS-MT), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Almeida tomou posse oficialmente no cargo mais de um mês após o início da nova gestão do governo brasileiro, em 03/02/2003. É natural do Rio de Janeiro, jornalista e membro fundador da Sociedade Brasileira de Indigenistas (SBI). Já trabalhou na Funai como assessor da presidência entre janeiro e agosto de 2000. Desde janeiro de 2002, atuava como consultor do Ministério do Meio Ambiente. Em sua gestão, Almeida concentrou parte de seus esforços na preparação da Conferência Nacional de Política Indigenista, um dos ítens mais relevantes na pauta petista para a questão indígena – já expresso no documento de campanha de Lula à presidência, intitulado Compromisso com os Povos Indígenas – e cujo objetivo é o de criar uma instância de articulação entre os setores governamentais que têm responsabilidades para com as demandas indígenas, representantes dos índios e outros setores da sociedade civil. No âmbito das reivindicações territoriais, Almeida criou Grupos de Trabalho (Gts) para identificar 17 novas Terras Indígenas e reestudar os limites de outras dez. Uma decisão inovadora da gestão de Eduardo Aguiar de Almeida foi a determinação do critério da &amp;quot;auto-identificação&amp;quot; como instrumento fundamental para que se reconheça como indígenas os grupos que reivindiquem esta condição, adequando as ações do Estado brasileiro à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 2002 a jan. de 2003]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes foi o nono presidente do órgão indigenista em oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Na Funai desde 1983, Mendes sempre havia atuado na área fundiária. Foi chefe do Departamento de Identificação e Delimitação (Deid), coordenador de Projetos Especiais e coordenador técnico do Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal - o PPTAL, que, ligado ao Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicias do Brasil (PPG7), tem por objetivo demarcar 160 terras indígenas. No momento em que assumiu a presidência da casa, ocupava a diretoria do Departamento de Assuntos Fundiários (DAF), posto em que estava desde a gestão de Glênio da Costa Alvarez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artur Nobre Mendes foi formalmente apresentado no novo cargo em 31/07/2002, juntamente com a equipe recém-constituída por Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, o oitavo ministro da Justiça a assumir a pasta ao longo das duas gestões FHC. Mendes permaneceu à frente da Funai até janeiro de 2003, quando, já então no primeiro mês do governo de Luís Inácio Lula da Silva, pediu demissão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otacílio Antunes Reis Filho'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. a jul. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
A saída de Glênio Alvarez levou à presidência da Funai Otacílio Antunes Reis Filho, antigo funcionário do órgão, então no cargo de diretor de Artesanato. Reis Filho, que já havia sido diretor de Planejamento na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, dirigiu a Fundação por 46 dias, entre junho e julho de 2002.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Glênio Alvarez'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. 2000 a jun. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O geólogo Glênio Alvarez, funcionário da Funai há 14 anos, é o 27º presidente do orgão indigenista oficial desde sua fundação, em 1967. Foi administrador regional do órgão em Boa Vista (RR), em 1994, período de demarcação da TI Yanomami.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha de Alvarez, gaúcho de Santa Maria, encerrou a interinidade do antropólogo Roque de Barros Laraia, que ocupou o cargo desde a saída de Carlos Frederico Marés. Alvarez assumiu dizendo pretender implantar programas conjuntos com governos estaduais. Seu principal desafio seria contornar a falta de verbas para desenvolver os programas previstos para 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início de junho de 2002, a publicação no Diário Oficial da União da exoneração de Glênio Alvarez pegou a todos de surpresa. Ele, inclusive, que não quis se manifestar logo após o ocorrido. Por meio de seu assessor de imprensa, declarou que &amp;quot;havia feito seu trabalho corretamente a favor dos índios no Brasil&amp;quot;. A queda de Alvarez aconteceu dois dias depois que o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, deputado Pinheiro Landim, retirou de pauta o Projeto de Lei da Mineração em Terras Indígenas. A Funai havia se manifestado contrária à aprovação do projeto, de autoria do senador Romero Jucá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Roque de Barros Laraia'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a mai. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com a demissão de Marés, o então presidente substituto, o antropólogo Roque de Barros Laraia, assumiu a presidência da Funai em regime interino. Foram 29 dias até que Glênio Alvarez fosse nomeado presidente pelo ministro José Gregori.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laraia é formado em história, mas optou pela antropologia. Foi parte do corpo docente do Museu Nacional (UFRJ) e, a partir de 1968, da UnB. É integrante do Conselho Indigenista desde que foi criado, em 1967. À época, esse conselho representava o poder máximo no órgão. O antropólogo tem experiência de pesquisa com os Terena e os Suruí do Pará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a gestão de Marés, Roque Laraia foi o responsável pela Diretoria de Assuntos Fundiários. Em entrevista exclusiva ao Isa, confessou que os maiores problemas por ele enfrentados em sua curta gestão na presidência, foram o esvaziamento dos quadros profissionais, a escassez de recursos e a pressão constante de grupos indígenas, como os Xavante e os Fulniô. Segundo ele, &amp;quot;não é possível administrar a Funai com os Xavante do jeito que estão&amp;quot;. Para ele, a maioria dos índios continua desassistida, ao passo que uma etnia acaba consumindo o tempo da administração e tomando a maioria dos recursos parcamente disponíveis.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Carlos Frederico Marés'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1999 a abr. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nascido em União da Vitória (PR), Carlos Frederico Marés de Souza Filho é professor de Direito Agrário e Ambiental da PUC-PR. Foi procurador do estado do Paraná entre 1991 e 1994, e secretário da Cultura do município de Curitiba, entre 1983 e 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaborou, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), na formulação do Capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;, e foi um dos coordenadores da campanha &amp;quot;Povos Indígenas na Constituinte&amp;quot;. Em 1989, fundou o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI), e, em 1994, o Instituto Socioambiental, do qual foi presidente e conselheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés é também autor de seis livros, o último deles - &amp;quot;O renascer dos povos indígenas para o Direito&amp;quot; - é resultado de sua dissertação de doutoramento apresentada, em 1988, à UFPR.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés foi indicado para a presidência da Funai pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, que advogou em seu favor, providenciando a regularização de sua situação no Brasil, quando de seu retorno depois de nove anos de exílio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de assumir o cargo, Marés apresentou 13 propostas para o ministro como condição para poder assumir a presidência da Funai (ver artigo Descascando o &amp;quot;abacaxi&amp;quot;, nos &amp;quot;500 anos&amp;quot; do Brasil). Entre elas, estava a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O curto período em que Marés esteve na Funai foi marcado por atos polêmicos. Logo no início de 2000, declarou publicamente que não haveria o que comemorar no dia 22 de abril, aniversário de 500 anos do &amp;quot;descobrimento&amp;quot; do Brasil. &amp;quot;É uma festa da chegada das caravelas, festa dos brancos. A maior parte dos índios brasileiros tem contato com a civilização branca há bem menos de 500 anos&amp;quot;, disse ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Marés foi marcada pela negociação em torno da apresentação da nova proposta para o &amp;quot;Estatuto do Índio&amp;quot;. Em 17 de abril de 2000, Marés apresentou a proposta do governo &amp;quot;Estatuto do índio e das comunidades indígenas&amp;quot; às lideranças indígenas que se reuniam em Monte Pascoal, em ocasião da marcha de protesto contra as comemorações dos 500 anos. Isso se deu antes mesmo da proposta ser submetida ao Legislativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 22 de abril, após presenciar uma ação da polícia contra a marcha dos índios que iam de Coroa Vermelha a Porto Seguro para protestar contra as comemorações dos 500 anos, Marés anunciou que pediria demissão. &amp;quot;Não posso permanecer num governo que faz agressão física ao movimento indígena organizado&amp;quot;, afirmou após ter decidido, em caráter irrevogável, apresentar sua demissão ao ministro da Justiça José Gregori.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Lacerda'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. a nov. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
José Márcio Panoff de Lacerda tomou posse na Presidência da Funai em 22 de fevereiro de 1999. Foi deputado, senador e vice-governador do Mato Grosso. Em seu discurso de posse, prometeu investir na aprovação de um novo Estatuto do Índio, &amp;quot;que reflita uma política realista, voltada para proporcionar às sociedades indígenas o legítimo direito de explorar em bases racionais os recursos naturais existentes em suas terras&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua atuação foi marcada pela defesa de parcerias entre o estado e os municípios para melhorar os atendimentos às sociedades indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 31 de maio, Lacerda foi retirado à força do prédio da Funai por 51 guerreiros xavante, que se revoltaram devido ao afastamento do diretor da AER de Nova Xavantina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Lacerda teve de enfrentar, a partir de maio de 1999, os inquéritos por ocasião da CPI da Funai, promovida por parlamentares que visavam investigar o relacionamento do órgão federal com ONGs, admissão de antropólogos e aplicação de recursos. Nesse período, tornou-se cada vez mais público o caos orçamentário da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro, por pressões dos índios, de várias instituições e de ONGs, colocou o cargo à disposição. Na ocasião, ele admitiu que enfrentou conflitos internos, principalmente com o médico Oswaldo Cid Nunes da Cunha, exonerado da chefia do Departamento de Saúde na Funai em Brasília, que classificou Lacerda de &amp;quot;incompetente&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lacerda acusou o médico de deslealdade ao condenar publicamente a decisão do governo de transferir a área de saúde indígena para a Fundação Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sulivan Silvestr'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1997 a fev. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sulivan Silvestre, paranaense, funcionário do Ministério Público de Goiás, tomou posse em 22 de agosto de 1997. Formado em Direito pela PUC de Goiás, Silvestre era especialista em meio ambiente. Desconhecido entre índios e indigenistas, seu nome surpreendeu, já que estavam cotados para ocupar o cargo antropólogos e funcionários da Funai conhecidos pela comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua nomeação comprovou o poder de fogo do ministro Íris Rezende, que conseguiu colocar no comando um apadrinhado político sem nenhuma experiência com a política indigenista. A indicação política desagradou o funcionalismo da Funai, que torcia pela nomeação de um técnico dos quadros da Fundação e algumas organizações não-governamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu discurso de posse, Silvestre afirmou ser a demarcação de terras a prioridade de sua gestão. Além disso, enfatizou a necessidade de uma aproximação entre a Funai, os índios e as demais entidades de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Procurou estruturar o Conselho Deliberativo e Participativo das Lideranças Indígenas, promovendo o diálogo entre a Funai, os representantes indígenas, as ONGs, o Cimi e o Capoib, sempre em defesa da descentralização do órgão indigenista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1 de fevereiro de 1999, Silvestre morreu em um acidente de avião. O bimotor Sêneca, que o levaria de Brasília até uma reunião com os índios Fulni-ô e Pankararu, caiu a poucos minutos da pista do aeroporto de Goiânia. O acidente ocorreu por volta das 21h30. Pouco depois da queda, o aparelho foi consumido pelo fogo. Renan Calheiros, ministro da Justiça na época, afirmou que iria acompanhar as investigações sobre o acidente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Júlio Gaiger'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1996 a jul. de 1997]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O advogado gaúcho Júlio Gaiger foi nomeado presidente da Funai em 12 de março de 1996, ocupando o lugar de Márcio Santilli. Ligado à questão indígena desde 1977, quando dirigiu a Associação Nacional de Apoio ao Índio em Porto Alegre, Gaiger foi assessor jurídico do Cimi até 1991 e trabalhou como assessor na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi indicado pelo ministro Nelson Jobim, com quem trabalhava desde meados de 1995 na formulação do polêmico Decreto 1775, que prevê a revisão de áreas indígenas ainda não registradas. Essa indicação causou imediatos protestos de organizações indígenas e de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1997, apesar dos apelos dos Xavante pela saída imediata de Gaiger, o novo ministro da Justiça, Íris Rezende, bancou a sua permanência. Mas, em 17 de julho, Gaiger entregou o cargo, alegando que o governo não teria se empenhado na implementação da política indigenista e que lhe teria faltado apoio político para levar adiante a reformulação administrativa do órgão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Ressinto-me, na Funai, da ausência de decisões estratégicas que escapam do nosso alcance&amp;quot;, escreveu em sua carta de demissão. Em entrevista, disse que vinha sofrendo pressões dos Xavante, de funcionários da Funai e de grupos políticos vinculados aos índios e aos servidores que, na sua opinião, tencionavam desestabilizá-lo para que não reformulasse o órgão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio José Brando Santilli'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1995 a mar. de 1996]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Indicado por FHC, um dia depois de uma reunião ocorrida no palácio da alvorada em 03/08/95 entre o presidente, o ministro da justiça e um grupo de antropólogos, Santilli não era o preferido de Jobim. Então secretário executivo do Instituto Socioambiental em Brasília, Santilli demorou um mês para aceitar a indicação, período em que indicou outros nomes ao ministro Jobim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consultou previamente várias ONGs do campo indigenista sobre a oportunidade de encarar o desafio de administrar uma Funai sucateada e enfrentar um novo decreto sobre demarcação de terras indígenas, medida já decidida pelo presidente FHC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formado em filosofia, Santilli foi deputado pelo PMDB de SP (1982-86) e integrante do grupo político do atual presidente FHC. Durante seu mandato parlamentar, foi membro da Comissão de Relações Exteriores e da Comissão do índio, na Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1987 e 88, foi pessoa-chave na ligação entre a Coordenação Nacional dos Povos lndígenas na Constituinte - que reunia índios e organizações civis de apoio - e o Congresso Nacional. Em 1989, juntamente com um grupo de índios, antropólogos e juristas, fundou e dirigiu o NDI, uma ONG com sede em Brasília, que teve destacado papel na aplicação prática dos direitos coletivos dos índios, através de demandas judiciais paradigmáticas. Em 1994, foi um dos fundadores do Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Cimi considerou a sua nomeação como &amp;quot;uma tentativa do governo para criar condições políticas favoráveis para mudar o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas&amp;quot;. Além da Igreja Católica, Santilli ganhou muitos inimigos internos com a demissão de funcionários corruptos das Áreas Kayapó e Xavante, o corte de diárias de caciques xavante em Brasília, o fechamento de Administrações Regionais, e o anúncio de uma grande reforma administrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfrentou várias rebeliões regionais e seqüestros de funcionários por índios articulados com segmentos de máfias funcionais e o seu próprio gabinete em Brasília foi invadido por um grupo de Xavante, acompanhado da Rede Globo de TV. Santilli pediu demissão alegando falta de apoio do Ministério da Justiça, que não buscava ampliar as verbas da Funai e retinha os recursos que ele conseguira diretamente do Tesouro Nacional, além de não garantir a investigação policial a respeito das máfias funcionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Dinarte Nobre Madeiro'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1993 a set. de 1995]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dinarte assumiu interinamente a presidência da Funai, no dia 03/09/93, e acabou permanecendo dois anos à frente do órgão. Há 23 anos funcionário da Funai, ao assumir o cargo era assessor da Presidência do órgão para a região Norte e Nordeste, e estava em Boa Vista coordenando a retirada dos garimpeiros da AI Yanomami. Defendeu a necessidade do órgão retomar o poder de polícia para ter mais autonomia e mobilidade no combate aos garimpeiros que invadem terras indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Madeiro foi mantido no cargo com a mudança de governo e, no conjunto, teve uma gestão discreta, sem denúncias de improbidades administrativas. Apesar disso, Dinarte foi publicamente desprestigiado pelo ministro da Justiça Nélson Jobim e pelo próprio presidente FHC. Chegou a pedir demissão alegando suas divergências com o secretário-executivo do Ministério, Milton Selligman, na questão das demarcações das terras indígenas, principalmente sobre a área dos Xavante, a Suiá-Missu. O ministro não aceitou a demissão. Afastado das deliberações sobre os rumos da política indigenista oficial, colocou seu cargo à disposição mais de uma vez e manifestou sucessivamente seu apoio à manutenção dos procedimentos administrativos constantes no Decreto 22/91.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Cláudio dos Santos Romero'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Claudio Romero ocupava o cargo de Diretor Geral de Assistência da Funai, quando foi nomeado para presidir o órgão em 20/05/93. Funcionário de carreira do órgão,desde meados da década de setenta, coordenou o Projeto Xavante que tinha como principal objetivo a demarcação do território xavante ocupado pela frente colonizadora, além de projetos de educação e desenvolvimento comunitário. Foi diretor do Parque Indígena do Xingu, quando entre outras coisas apoiou os Kayapó Metuktire na demarcação da AI Capoto/Jarina. Tomou posse do cargo de presidente do órgão prometendo que não haveria qualquer ruptura na continuidade dos trabalhos da gestão de Sidney Possuelo. Nos quase quatro meses que esteve à frente da Funai, Romero teve uma gestão controvertida. Disse que o presidente Itamar Franco não tinha vontade política para cumprir o prazo constitucional de 05/10 para regularizar a demarcação das terras indígenas no país e foi obrigado a reparar o comentário, publicamente. Em agosto de 93, foi acusado, por um dossiê interno, de ter delatado em 83 à Assessoria de Segurança e Informação -o SNI da Funai -uma conspiração de funcionários contra o então presidente do órgão, coronel Paulo Leal. Ele admitiu que escreveu um relatório denunciando servidores do órgão, mas negou ser &amp;quot;araponga&amp;quot; do regime militar. Romero diz que os servidores denunciados planejavam invadir a sede da Funai, articulados pelo então deputado Mário Juruna e pelo então vice-governador do Rio, Darcy Ribeiro. Na época, diretor do Parque Indígena do Xingu, Romero disse que estava interessado em obter da direção da Funai a demarcação das terras indígenas na região e, por isso, foi contra o movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi demitido no dia 03/09/93, em meio a informações contraditórias sobre a chamada chacina dos Yanomami em Haximu, sobre a qual divulgou números sucessivamente desmentidos pela imprensa. Discutiu com parlamentares em Roraima ameaçando proibi-los de entrar na AI Yanomami, ao mesmo tempo autorizou a visita de diplomatas estrangeiros sem consultar o Itamaraty, além de ter criado um confronto ao declarar que não se subordinaria às orientações do novo ministro extraordinário para a Amazônia, Rubens Ricúpero.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sidney Ferreira Possuelo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1991 a mai. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O sertanista Sidney Ferreira Possuelo chefiava a Coordenadoria de Índios Isolados da Funai quando foi nomeado no dia 28/06/91 pelo presidente Collor, em substituição a Cantídio Guimrães, demitido no dia 21/06. Possuelo recebeu carta branca para fazer alterações administrativas e afirmou como prioridades o caso Yanomami e a demarcação de 266 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, chefe da Frente de Atração dos Arara(PA), na década de 80, Possuelo reivindicou permanentemente ao presidente Collor a revogação dos Decretos 23, 24, 25 e 26 (de 04/02/91), que tiraram da Funai as responsabilidades pela educação, saúde, projetos produtivos e meio ambiente em áreas indígenas, transferindo-as a outros ministérios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizou uma reforma administrativa, iniciada em 20/01/92, quando exonerou seu superintendente geral, Edívio Batistelli. Desapareceram do organograma não só esse cargo, mas todas as Superintendências Regionais. Todas as atividades, desde o planejamento geral da Funai até o atendimento aos mais remotos Postos Indígenas passaram a se vincular diretamente à Presidência do órgão. As Superintendências passaram à categoria de Administrações Regionais -que somam 46, sem autonomia administrativa ou orçamentária, ligados à Diretoria Geral de Assistência, em Brasília. Foram criadas também as Diretorias Fundiária e de Administração. Em sua gestão, Possuelo distendeu a relação do Órgão com entidades não-governamentais. Ao criar o CDDI, convocou representantes de ONGs para compô-lo e assinou quatro convênios de parceria com essas entidades no âmbito da demarcação de terras indígenas (ver mais detalhes no capítulo Terras indígenas) .Sofreu forte oposição interna por isso. O principal feito da sua gestão foi a demarcação física da terra Yanomami de forma contínua, facilitada pela disposição política do presidente Collor para encaminhar processos de reconhecimento oficial dos direitos territoriais indígenas, com vistas à ECO-92 ( ver Cronologia de um Genocídio Documentado, no capítulo Roraima Mata).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Possuelo acabou demitido no dia 19/05/93, pelo ministro da Justiça Maurício Corrêa, por ordem do presidente Itamar Franco. Na versão do próprio Possuelo, sua cabeça rolou devido a três motivos: conflito aberto com o ministro Henrique Hargreaves, do Gabinete Civil- que fizera indicações para postos de chefia da Funai no Acre e em Goiânia; pressão de militares inconformados com as demarcações de terras na fronteira; e pressão de segmentos econômicos contrariados, como as mineradoras.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sargento Cantídio Guerreiro Guimarães'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1990 a jul. de 1991]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sub-oficial da reserva da Aeronáutica (onde serviu como Sargento do quadro de manutenção e reparo de aeronaves), amigo pessoal do ex-presidente Romero Jucá, foi superintendente regional da Funai em Cuiabá de 86 a 87. Corre contra os dois um processo no Supremo Tribunal de Justiça por autorização de extração ilegal de madeira na AI Uru-Eu-Wau-Wau. Era assessor do ex-presidente Íris Pedro de Oliveira e foi Chefe de Gabinete do Consultor Geral da República, Clóvis Ferro Costa. Nesta função fez um parecer - aprovado por Ferro - que autorizava o uso da rodovia de 38 km dentro da AI Waimiri-Atroari. Antes de ser nomeado presidente da Funai, era funcionário da representação do estado do Amapá em Brasília.Foi afastado do cargo em meio a acusações dos índios do Xingu -e tornadas públicas pela imprensa - de estar fotografando índias nuas e &amp;quot;molestar moças e adolescentes&amp;quot; do Parque do Xingu (MT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Coronel Airton Alcântara'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a ago. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Entrou na Funai para substituir o Coronel Carneiro, do CSN, que havia sido nomeado Superintendente Geral da Funai na gestão Íris Pedro, mas acabou morrendo no dia da posse.Alcântara tornou-se presidente, respondendo pelo cargo na fase de transição imposta pelo novo presidente da República Fernando Collor de Mello, recém empossado e que, dentre outras medidas, incorporou a Funai ao Ministério da Justiça depois de liquidar o Ministério do Interior. Para se firmar no cargo e tentar sua permanência no órgão, teve alguns gestos simpáticos aos indigenistas e antropólogos, assinando decretos de reintegração das áreas Uru-Eu-Wau-Wau e Kaiabi Gleba Sul. Por outro lado, elaborou uma lista de 880 servidores a serem colocados em disponibilidade, aproveitando o argumento do enxugarnento administrativo para proceder a uma nova &amp;quot;caça às bruxas&amp;quot;, incluindo antropólogos e indigenistas entre os &amp;quot;disponíveis&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Íris Pedro de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1988 a mar. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, entre 1980 e 1983 foi presidente do Grupo de Terras do Araguaia/ Tocantins (Getat), visto como um órgão de repressão e policiamento. Pragmático, apregoava soluções técnicas e operacionais para caracterizar os territórios indígenas: estabelecer áreas a partir de limites naturais, transferir grupos indígenas para &amp;quot;evitar conflitos&amp;quot; com colonos etc. Em 1980, grileiros aceleravam a invasão de terras indígenas dos Xikrirn do Cateté, em Marabá; em 82, o Getat, a Eletronorte e a Funai optaram pela recomposição da área indígena dos Parakanã, &amp;quot;para evitar contatos indiscriminados&amp;quot; entre as famílias que seriam atingidas direta ou indiretamente pelas águas da UHE e estavam sendo reassentadas na variante da Transamazônica&amp;quot;. Sua nomeação confirmaria a vinculação da Funai aos desígnios do CSN. Denúncias da própria Funai indicam que utilizava-se das aeronaves do órgão para visitar uma fazenda de sua propriedade em Imperatriz (MA), onde há uma administração regional da Funai; esta, tomou-se recordista em receber visitas de um presidente do órgão no período do mandato do presidente Íris. Renovou o convênio com o Instituto Lingüístico de Verão (SIL) para atuarem em todo território nacional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Romero Jucá Fº.'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 1986 a set. de 1988]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista, pernambucano, indicado pelo ministro Marco Maciel, seu conterrâneo e chefe da Casa Civil, dirigia o Projeto Rondon.Implantou a descentralização da FUNAI e retirou os índios de Brasília. Tecnocrata modernizador, assinou inúmeros convênios técnicos e de assistência com outros Ministérios. Promulgou um novo regimento interno no órgão. Nos cinco primeiros meses de sua gestão, o quadro de funcionários havia passado de 3.300 funcionários para 4.200. Somente em Recife, sua terra natal, o escritório da FUNAI chegou a ter 400 funcionários vinculados.Tentou tirar a crise do órgão das páginas de jornais, mas acabou sofrendo intervenção do TCU devido às irregularidades financeiras do órgão. Defendia a linha “pragmática” de exploração dos recursos naturais das terras indígenas, e foi acusado de promover inúmeros contratos com madeireiras.Manifestava-se contra a presença de garimpeiros nas áreas indígenas e assinou, em 1987, o convênio Funai/DNPM para exploração mineral empresarial em área indígena. Em maio de 88, assinou portaria criando um GT para avaliar o grau de aculturação dos índios. Saiu da FUNAI para ser governador nomeado de Roraima, carregando consigo um processo no Supremo Tribunal de Justiça por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena. Já fora da FUNAI, como governador de Roraima, passou a defender a permanência dos garimpeiros invasores do território Yanomami.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Apoena Meirelles'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1985 a mai. de 1986]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sertanista, nasceu numa aldeia Xavante em Pimentel Barbosa, filho do também sertanista Francisco Meirelles (funcionário do antigo SPI), desde cedo acompanhava o pai nas frentes de atração e trabalho nas aldeias.Autor de um projeto de descentralização da FUNAI, ocupou a presidência com o apoio do Ministro do Interior, Costa Couto, para implantá-lo e esvaziar a crise do órgão.Em maio de 1986, veio o decreto alterando o Estatuto da FUNAI, criando seis superintendências regionais.Apoena despachou durante boa parte do mandato fora de seu gabinete na FUNAI - preferindo uma sala no Ministério ou as delegacias regionais -, evitando assim o confronto com o movimento dos índios em Brasília, que continuava intenso.Distribuiu muitos recursos para contentar o lobby Xavante e reprimiu os índios hospedados em Brasília , cancelando o contrato de hospedagem com os hotéis das cidades satélites.Apoena saiu da presidência do órgão alegando não concordar com a ingerência do Ministro do Interior na indicação de nomes para a superintendência de terras e dos 6 superintendentes regionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Álvaro Villas Boas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. a nov. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Indigenista, irmão de Cláudio e Orlando Villas Boas, trabalhou durante anos como delegado da funai em Bauru (SP).Sua indicação teve grande repercussão (negativa) entre os índios que se encontravam em Brasília (mais de 300). Mas Raoni, por exemplo, liderança Kayapó, reuniu um grupo de índios para apóiá-lo.A delegacia de Londrina, fechada por ele, foi ocupada por 120 índios que exigiam sua demissão. Fechou a delegacia de Salvador, que fora ocupada por índios que queriam ver suas terras demarcadas.Demitiu, logo ao início de sua gestão, os indigenistas empossados em cargos de confiança por Jurandy M. da Fonseca.Em seu curto mandato, reuniu contra si os funcionários demitidos que tinham influência sobre algumas lideranças indígenas e sua atitude de não negociar sob pressão com os índios levou-o a ser demitido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Gerson da Silva Alves'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a set. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assumiu interinamente a presidência da FUNAI e, em meados de maio, foi empossado oficialmente no cargo, apoiado pelos Xavante e pelo deputado Mario Juruna em meio à “enchente indígena” em Brasília.Sargento reformado do exército, contador, trabalhava na FUNAI havia 14 anos, em funções burocráticas. Como delegado regional do órgão em Campo Grande e Cuiabá, e diretor do DGO, na sede, em Brasília, acumulou relações de clientela com os Xavantes, que contribuíram para sua indicação ao cargo, em meio à crise sucessória que marcou o período.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ayrton Carneiro de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Aquele que foi sem nunca ter sido. Ex-diretor do INCRA, foi indicado para presidir interinamente a FUNAI pelo Ministro Costa Couto, mas impedido de tomar posse por um conjunto de índios e funcionários que fizeram uma barreira na entrada do prédio.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Nelson Marabuto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1984 a abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Policial de carreira, antes de assumir a presidência da FUNAI havia sido chefe da assessoria de segurança e informação do órgão e também o superintendente da Polícia Federal em São Paulo.Permaneceu no cargo durante o período de transição do governo Figueiredo para o governo Sarney, prolongado pela agonia de Tancredo Neves, no qual houve uma intensa disputa pelo cargo entre varias facções do indigenismo, cada qual mobilizando índios em Brasília.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Jurandy Marcos da Fonseca'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, foi chefe de gabinete da FUNAI nas gestões Bandeira Mello e Ismarth Araújo de Oliveira. O “release” de sua posse informava que havia nascido numa aldeia indígena e que seu pai participara da Comissão Rondon e trabalhara no SPI.Na sua gestão, inaugura a nomeação de índios para cargos de chefia na Funai: Marcos Terena para chefe de gabinete e Megaron (Kayapó) para diretor do Parque do Xingu. Readmitiu muitos dos indigenistas e antropólogos, excluídos por Nobre da Veiga, alguns deles como seus assessores diretos e em cargos de direção.Em julho de 84, demite o sertanista Álvaro Villas Boas, delegado da 12a. DR, causando grande tumulto entre os índios do interior de São Paulo e Paraná, que exigiam sua readmissão invadindo e ocupando por duas semanas a delegacia de Bauru, com grande repercussão na imprensa. Vários artigos em jornais comentavam que era o fim da velha política indigenistas, que começava uma nova mentalidade, uma maneira nova de agir e tratar os problemas indígenas e, principalmente, que se percebia que os índios já não eram mais os mesmos, o que exigia formas diferentes de relacionamento com eles. Era o “sopro de esperança na FUNAI”.Jurandy foi demitido em setembro de 1984. Declarou: ”fui demitido porque não assinei a portaria para regulamentar o decreto 88.985” (autorizando a mineração em terras indígenas). Saiu como herói – mas, uma semana depois, foi acusado pelo Procurador Geral da FUNAI, Irineu de Oliveira, de ter beneficiado 85 fazendeiros no Mato Grosso do Sul, com contratos de arrendamento das terras dos Kadiweu, e embolsado os Cr$ 150 milhões referentes aos contratos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otávio Ferreira Lima'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1983 a abr. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista funcionário do MInistério do Interior, logo que assumiu a presidência da FUNAI convocou as Polícias Militar e Federal para impedir o acesso de lideranças indígenas ao seu gabinete, e suspendeu as entrevistas à imprensa. Demitiu quatro coronéis em cargos de direção (entre eles, o Cel. Hausen).Na sua gestão, foi promulgado o polêmico decreto 88.985, de novembro de 1983, autorizando a entrada de empresas de mineração em terras indígenas.Em dezembro do mesmo ano, assinou um convênio (No. 028/83) com o SIL (Summer Institute of Linguistics), para um período de dois anos, sujeito a prorrogação.Durante uma crise na parte norte do Parque do Xingu - quando os Txucarramãe interditaram a BR-080 e fizerem alguns funcionários como reféns para obtenção de uma faixa de terra adicional -, Ferreira é demitido pelo seu desempenho desastroso como negociador.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Paulo Moreira Leal'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 1981 a jul. de 1983]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da Aeronáutica, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional (CSN). Assumiu a presidência da FUNAI falando em reestruturação administrativa; solicitou ao Ministério do Interior a contratação de 4 mil novos funcionários e afirmou que sua grande aspiração era ver o maior número possível de índios ocupando cargos de direção da Fundação.Demitiu alguns militares assessores do órgão sob pressão dos Xavantes.Assinou um convênio com o Projeto Rondon, para atendimento nas áreas de saúde educação e com a Petrobrás, estabelecendo normas gerais a serem observadas nos trabalhos de pesquisa e lavra mineral em terras indígenas.Encomendou estudos a funcionários do órgão, visando emancipação dos Guarani (da região sul do País) e Tembé (PA/ MA), com base em “critérios de indianidade”.No final de sua gestão, um decreto interministerial (No. 88.118, de 23.02.83) criou o chamado “Grupão”, para a regularização das terras indígenas, retirando tal atribuição do âmbito decisório da FUNAI e alçando-a formalmente ao nível ministerial e do CSN.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Carlos Nobre da Veiga'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1979 a out. de 1981]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da reserva, assume o cargo falando em “disciplina” e demitindo 39 indigenistas e antropólogos, porque haviam encaminhado carta ao Ministro do Interior com criticas à política da FUNAI. Incrementa o projeto de emancipação compulsória, criando os famosos “critérios de indianidade” e declarando que “o índio estará emancipado em cinco gerações”; mas recua e não encaminha o processo ao Ministério do Interior (MINTER).Reestrutura a FUNAI para fortalecer as unidades regionais. Numa reunião da SUDAM, afirma que ”há reservas demais”. A 15/12/1980, sai uma Portaria Interministerial (MINTER/ Min. das Minas e Energia) facilitando a exploração mineral em terras indígenas por empresas estatais. Com base no parecer do Conselho Indigenista da FUNAI, o Ministro do Interior, Mario Andreazza, proíbe Mário Juruna, liderança indígena do povo Xavante, de participar do Tribunal Russel, na Holanda.Juruna lidera 40 índios que, na sede da FUNAI em Brasília, exigem a demissão do Presidente da FUNAI e mais dois coronéis da direção: Ivan Zanoni Hausen (DGPC) e Jose Rodriges Godinho (DGO).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Adhemar Ribeiro da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a nov. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Engenheiro de profissão, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), na sua curta gestão extinguiu a COAMA (Coordenação da Amazônia) e concedeu alvarás de pesquisa mineral na AI Waimiri-Atroari (AM).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ismarth Araújo de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1974 a mar. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, antes de ser nomeado presidente havia sido superintendente da FUNAI. Na sua posse, o Ministro do Interior, Rangel Reis, anunciou “a política de integração em ritmo acelerado”, o que viria a desembocar no projeto de emancipação dos índios, contra o qual ele se opôs publicamente. Mas incrementa os chamados “projetos de desenvolvimento comunitário”, dentro de uma política de “espíritos desarmados” com antropólogos, indigenistas e missionários. Na sua gestão, aumentam substancialmente as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Oscar Jeronymo Bandeira de Mello'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 1970 a mar. de 1974]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, ex-chefe da Divisão de Segurança e informação da FUNAI e ex-agente do SNI, participou do inquérito que extinguiu o SPI. Na sua gestão, consolidou-se a política da FUNAI atrelada ao binômio “segurança e desenvolvimento”, que marcou o período mais duro do regime autoritário - o governo Médici. Seu lema era: “Integrar os índios rapidamente”, sobretudo para que não obstaculizassem a ocupação e colonização da Amazônia, em consonância com o Ministro do Interior, Costa Cavalcante, que anunciou o “boi como grande bandeirante da década”. No bojo do Plano de Integração Nacional, lançado em 1970, estabeleceu um convenio com a SUDAM “para pacificar 30 grupos arredios” ao longo da Transamazônica. Participou de um churrasco com fazendeiros na abertura da BR-080, rodovia que cortou o norte do Parque do Xingu e excluiu boa parte do território dos índios Txukarramãe (sub-grupo Kayapó).Durante sua gestão, foi promulgado o Estatuto do Índio, aprovado pelo Congresso Nacional, e criada, na FUNAI, a Divisão de Desenvolvimento Comunitário (subordinada à Coordenação de Programas de Desenvolvimento de Comunidades, do Ministério do Interior). Relacionada a essa divisão desenvolvimentista e integracionista das populações indígenas, reintroduziu a chamada “renda indígena”, conceito chave para viabilizar o projeto de “emancipação econômica” dos grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''José de Queiroz Campos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[dez. de 1967 a jun. de 1970]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coordenou a implantação do órgão, tendo que se defrontar – juntamente com o Ministro do Interior, Gal. Albuquerque Lima – com a avalanche de denúncias de genocídio contra o governo no exterior, sobretudo a partir da divulgação do Relatório Jader Figueiredo (março de 1968), que trazia os resultados de uma devassa no SPI (Serviço de Proteção aos Índios, órgão governamental antecessor à FUNAI).Na sua gestão, foram ampliada a área do Parque do Xingu e criados outros três parques indígenas. Criou a GRIN, Guarda Rural Indígena, transformando índios em policiais nas suas próprias aldeias. Assinou convênio com o SIL (Summer Institute of Linguistics) em 1969 e, no mesmo ano, realizou o 1o. Simpósio FUNAI - Missões Religiosas.Jornalista de profissão, escreveu livros a respeito de fatos ocorridos na sua gestão (como a famosa expedição do Pe. Calleri, chacinada durante as tentativas de contatar os Waimiri–Atroari, no Amazonas), mas que nunca chegou a publicar, por recomendação dos órgãos de segurança.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ações ministeriais==&lt;br /&gt;
O início da década de 1990 marcou decididamente uma mudança radical na [[Órgão Indigenista Oficial | política indigenista oficial brasileira]]: até então, todas as ações relativas aos povos indígenas estavam sob a gestão exclusiva do Ministério da Justiça, via a [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio]]. A partir de 4 decretos presidenciais promulgados no ano de 1991 - conforme tabela abaixo -  a maioria das ações da Funai foi absorvida total ou parcialmente por outros ministérios e órgãos federais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Decreto | Data&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Objeto do decreto&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;No 23 - 4/02/1991 (saúde)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as condições para a prestação de assistência à '''saúde das populações indígenas: '''Art. 5º '''A Fundação Serviços de Saúde Pública - FSESP''', enquanto não for instituída a Fundação Nacional de Saúde, de que trata o artigo 11 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, encarregar-se-á da coordenação dos projetos, tanto na fase de elaboração, quanto na de execução. &amp;lt;br/&amp;gt;OBS. Em 16 de abril de 1991, o Decreto Presidencial nº 100 instituiu a '''Fundação Nacional de Saúde (FNS)''' que incorporou a Fundação Serviços de Saúde Pública e, por seu turno, o atendimento à saúde das populações indígenas.   &lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 24 – 4/02/1991 (meio ambiente)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as ações visando à proteção do '''meio ambiente em terras indígenas'''.  Art. 4º A coordenação dos projetos mencionados no art 2º caberá à Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, e sua elaboração e execução serão realizadas pelo '''Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis''' e pelo órgão federal de assistência ao índio&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 25 – 4/02/1991 (auto-sutentação econômica)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre programas e projetos para assegurar '''a auto-sustentação dos povos indígenas'''. Art. 5º Compete ao '''Ministério da Agricultura e Reforma Agrária''', por intermédio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRAPA, e ao '''Ministério da Justiça''', por intermédio do órgão federal de assistência ao índio, a coordenação das ações decorrentes deste Decreto&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 26 – 4/02/1991 (educação)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre a '''Educação Indígena no Brasil.''' Art. 1º Fica atribuída ao '''Ministério da Educação''' a competência para coordenar as ações referentes à Educação Indígena, em todos os níveis e modalidades de ensino, ouvida a FUNAI&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais medidas de cunho legal, retirando da Funai grande parte de suas principais atribuições, produziram uma situação na qual as políticas públicas para os povos indígenas  até os dias de hoje vêm sendo conduzidas e executadas de maneira: a) fragmentada: já que pulverizadas em diversos órgãos de distintos ministérios federais e, portanto, sem a falta de uma coordenação geral; b) sobreposta: pois mesmo com essa pulverização, a Funai continua tanto a executar parte de algumas das ações previstas para outros ministérios ([[A educação escolar indígena no Brasil | educação indígena]] e atividades econômicas), como , em muitos casos, a não cumprir com suas atribuições de suporte e parceria junto aos mesmos ministérios, exigidas em todos os decretos citados;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer desse período – 1991 aos dias atuais -, foram diversas as ações desencadeadas pelos diversos ministérios que passaram a cuidar da política indigenista oficial, para além daquelas que continuaram a ser promovidas pela Fundação Nacional do Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma descrição mais pormenorizada sobre os tema da saúde (Ministério da Saúde) e da educação (Ministério da Educação), ver as subseções específicas que compõem este site.  &lt;br /&gt;
Quanto às ações desencadeadas pelos demais ministérios, não há espaço aqui para apresentá-las em sua totalidade e com o nível de detalhamento requerido. Assim, apresentamos abaixo apenas algumas destas iniciativas ministeriais para que se possa ter uma idéia geral do atual quadro da política indigenista oficial atual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ministérios&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ações&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Meio Ambiente (MMA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI)&lt;br /&gt;
* Gestão Ambiental em Terras Indígenas&lt;br /&gt;
* Conservação e Recuperação da Biodiversidade em T.I.s&lt;br /&gt;
* Ação de fomento à Gestão Ambiental em T.I.s&lt;br /&gt;
* Fortalecimento social e econômico via Coordenadoria do Agroextrativismo  &lt;br /&gt;
* “Carteira Indígena”: Segurança Alimentar associada à Recuperação de Degradação Ambiental&lt;br /&gt;
* PNGATI - Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ATER Indígena: Valorização da Agroecologia&lt;br /&gt;
* PRONAF: financiamento de projetos de capacitação de lideranças indígenas comunitárias; de etnodesenvolvimento etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Social  (MDS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Doação de recursos financeiros para o projeto “Carteira Indígena”, sob gestão do MMA&lt;br /&gt;
* Bolsa-Família para os povos indígenas&lt;br /&gt;
* “Fome Zero Indígena” &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Cultura (MinC)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Prêmio Culturas Indígenas&lt;br /&gt;
* Pontos de Cultura para povos indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Saúde (MS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada em outubro de 2010.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Veja também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências externas ==&lt;br /&gt;
===Sites===&lt;br /&gt;
====Funai====&lt;br /&gt;
* Página oficial da Funai- &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Blog da FUNAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Técnica Local Nova Xavantina - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Madeira - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://crmadeira.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://crmadeira.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Litoral Sul - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional do Sul da Bahia - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Macéio - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Fortaleza - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Cacoal - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaiceara.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaiceara.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura=24&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura;=24&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  MEC. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=290&amp;amp;amp;Itemid=815&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view;=article&amp;amp;amp;id;=290&amp;amp;amp;Itemid;=815&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (MN/UFRJ) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Centro de Trabalho Indigenista - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====Ministérios====&lt;br /&gt;
* Ministério do Meio Ambiente - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mds.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mds.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Agrário - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Cultura - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Saúde - SESAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Bibliografia===&lt;br /&gt;
* ARRUTI, José Maurício. 2006. “Etnogêneses Indígenas”. In: RICARDO, Beto; RICARDO, Fany (Editores). Povos Indígenas no Brasil: 2001-2005. São Paulo: Instituto Socioambiental.  &lt;br /&gt;
* CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (Org.). 1987. Os Direitos do Índio: ensaios e documentos. São Paulo: Editora Brasiliense. &lt;br /&gt;
* * __________. 1992. Legislação Indigenista no século XIX: uma compilação, 1808-1889. São Paulo: Edusp; CPI-SP.&lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, João Pacheco (Org.). 1998. Indigenismo e Territorialização: poderes, rotinas e saberes coloniais no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Contra Capa. &lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, João Pacheco &amp;amp;amp; Rocha Freire, Carlos Augusto da. 2006. A Presença Indígena na Formação do Brasil. Brasília: SECAD/MEC; UNESCO; LACED/UFRJ. Disponível online: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* RIBEIRO, Darcy. 1979 [1977]. Os Índios e a Civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno. Petrópolis: Vozes. &lt;br /&gt;
* SANTILLI, Juliana. 2000. “Biodiversidade e Conhecimentos Tradicionais: formas jurídicas de proteção”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 95-98. &lt;br /&gt;
* SANTILLI, Márcio. 1991. “Os direitos indígenas na Constituição brasileira”. In: Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI. Pp: 11-14.&lt;br /&gt;
* __________. 1996. “O Estatuto das Sociedades Indígenas”. In: RICARDO, Beto (Editor). Povos Indígenas no Brasil: 1991-1995. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp.: 2-5. &lt;br /&gt;
* __________. 2000. “Estatuto da Alforria”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 93-94. &lt;br /&gt;
* Equipe de Redação do Aconteceu CEDI. 1991. “Campanha difamatória procura implodir direitos indígenas na Constituição” .In: Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI. Pp: 48-50. &lt;br /&gt;
* __________. 2000. “Propostas para uma Nova Política Indigenista”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 118-121. &lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de. 1987. &amp;quot;Sobre indigenismo, autoritarismo e nacionalidade: considerações sobre a constituição do discurso e da prática da proteção fraternal no Brasil&amp;quot;. In: Oliveira, J. P. (Org.). Sociedades indígenas e indigenismo no Brasil . 1a ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: UFRJ/Marco Zero. Pp: 149-214. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
* __________. 1989. &amp;quot;Os museus de história natural e a construção do indigenismo no Brasil: notas para uma sociologia das relações entre campo intelectual e campo político no Brasil&amp;quot;. Comunicações do PPGAS , v. 13. Pp: 1-85. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
* __________. 1991. &amp;quot;O Santo Soldado&amp;quot;. Comunicações do PPGAS , v. 21, p. 1-80. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* __________. 1992. “O governo dos índios sob a gestão do SPI”. In: CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras: SMC/SP: FAPESP. Pp: 155-172.&lt;br /&gt;
* __________. 1995. Um grande cerco de paz: poder tutelar, indianidade e formação do Estado no Brasil. Petrópolis: Vozes. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* __________. 2001. “Fundação Nacional do Índio (FUNAI)”. In: A breu, Alzira Alves de (coord.). Dicionário histórico-biográfico brasileiro: pós-30. Rio de Janeiro: FGV. Pp: 2426-2432.&lt;br /&gt;
* __________. 2002. &amp;quot;Diversidade Cultural e Política Indigenista&amp;quot;. Tellus (UCDB), Campo Grande - MT, v. 3. Pp: 11-31. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antônio Carlos de; BARROSO-HOFFMANN, Maria (Orgs.). 2002. Etnodesenvolvimento e políticas públicas: bases para uma nova política indigenista. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
* __________. (Orgs.). 2002b. Estado e povos indígenas: bases para uma nova política indigenista II. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
* __________. (Orgs). 2002c. Além da Tutela: bases para uma nova política indigenista III. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED.  &lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de; BARROSO-HOFFMAN, M.; IGLESIAS, Marcelo M. P.; GARNELO, Luiza; PACHECO DE OLIVEIRA, J. 2004. “A administração pública e os povos indígenas”. In: INESC. (Org.). A era FHC e o Governo Lula: transição? . 1 ed. Brasília: Instituto de Estudos Socioeconômicos. Pp: 293-326. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{DISPLAYTITLE:Órgão Indigenista Oficial}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
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		<author><name>Marianafurtado</name></author>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%C3%93rg%C3%A3o_Indigenista_Oficial&amp;diff=6612</id>
		<title>Órgão Indigenista Oficial</title>
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		<updated>2019-07-22T18:23:32Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Marianafurtado: /* Galeria dos presidentes da Funai */ Atualização da lista de presidentes da Funai após nomeação de Marcelo Augusto Xavier da Silva em julho de 2019&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Órgão indigenista oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2010 o indigenismo oficial no Brasil completou cem anos. Apesar da longa e dramática história da colônia e do império, apenas em 1910, vinte anos após a promulgação da República, foram criados mecanismos jurídicos e administrativos específicos, em âmbito federal, para conduzir as relações junto aos [[Quem são | povos indígenas]]. Antes disso, como destacou a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha (1992), houve um verdadeiro ‘vazio legislativo’. Os índios sequer foram mencionados nas Constituições de 1824 e 1889. A ausência, entretanto, tinha justificativas: cada província poderia legislar e atuar livremente para promover a “catequese e civilização dos índios”, o que acabou por trazer trágicas consequências para os mais diversos povos. As políticas iniciadas em 1910 abriram um novo período, a partir do qual a União passou a se responsabilizar e a se envolver diretamente com a questão indígena, retirando das províncias e líderes locais suas prerrogativas anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano do centenário diversos novos desafios se apresentam ao indigenismo de Estado. Um novo [[Estatuto do Índio | Estatuto dos Povos Indígenas]], que pretende substituir o de 1973, aguarda votação no Congresso. Em dezembro de 2009, o governo iniciou um amplo projeto de reestruturação da [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio (Funai)]], que promete modernizar, aparelhar e aproximar dos índios o atual órgão indigenista oficial, tido por muitos como um dos mais sucateados e ineficazes da Nação. Neste contexto, apresentamos aqui um breve panorama destes cem anos, com o objetivo de situar e refletir sobre o momento atual. O foco é observar o processo, seus avanços e impasses, de modo a que as tragédias do passado não continuem a se repetir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Fundação Nacional do Índio (Funai)==&lt;br /&gt;
Desde 1967, a Fundação Nacional do Índio (Funai) é o órgão indigenista oficial responsável pela promoção e proteção aos direitos dos povos indígenas de todo o território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A criação da Funai no contexto da ditadura militar===&lt;br /&gt;
Embora projetada pelos intelectuais do CNPI para superar os antigos impasses do [[Serviço de Proteção aos Índios (SPI)]], a Funai acabou por reproduzi-los. Sua criação foi inserida no plano mais abrangente da ditadura militar (1964-1985), que pretendia reformar a estrutura administrativa do Estado e promover a expansão político-econômica para o interior do País, sobretudo para a região amazônica. As [[O que é política indigenista | políticas indigenistas]] foram integralmente subordinadas aos planos de defesa nacional, construção de estradas e hidrelétricas, expansão de fazendas e extração de minérios. Sua atuação foi mantida em plena afinidade com os aparelhos responsáveis por implementar essas políticas: Conselho de Segurança Nacional (CSN), Plano de Integração Nacional (PIN), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ação da Funai durante a ditadura foi fortemente marcada pela perspectiva assimilacionista. O Estatuto do Índio (Lei nº 6.001) aprovado em 1973, e ainda vigente, reafirmou as premissas de integração que permearam a história do SPI. Por um lado, pretendia-se agregar os índios em torno de pontos de atração, como batalhões de fronteira, aeroportos, colônias, postos indígenas e [[Igrejas e Missões religiosas | missões religiosas]]. Por outro, o foco era isolá-los e afastá-los das áreas de interesse estratégico. Para realizar este projeto, os militares aprofundaram o monopólio tutelar: centralizaram os projetos de assistência, [[Saúde Indígena | saúde]], [[A educação escolar indígena no Brasil | educação]], alimentação e habitação; cooptaram lideranças e facções indígenas para obter consentimento; e limitaram o acesso de pesquisadores, organizações de apoio e setores da Igreja às áreas indígenas (M. Santilli, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A estrutura do órgão===&lt;br /&gt;
O órgão foi concebido em bases semelhantes às do SPI. Até 1991 se manteve vinculado ao extinto Ministério do Interior, que sempre exerceu grande ingerência sobre suas ações. Os presidentes nomeados entre as décadas de 1970 e 1980 eram, em grande maioria, militares ou políticos de carreira pouco ou nada comprometidos, e até mesmo contrários aos interesses indígenas. A administração foi centralizada em Brasília. Os postos indígenas foram mantidos e as inspetorias transformadas em delegacias regionais. Outras instâncias – ajudâncias, superintendências, administrações executivas, núcleos locais de apoio – foram criadas e extintas ao longo do tempo. A despeito destas modificações, a Funai se estruturou aos moldes do SPI, de modo mais ou menos centralizado, com grande rigidez burocrática, em três níveis espaciais: nacional, regional e local (Souza Lima, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das irregularidades que levaram à extinção do SPI, seu quadro funcional foi transferido para a Funai. Com recursos escassos e mal contabilizados, a Funai continuou a operar, assim como o SPI, com profissionais pouco qualificados. Não se concretizou a proposta de se realizar planejamentos antropologicamente orientados, conduzidos por profissionais de formação sólida, bem pagos e comprometidos com o futuro dos povos indígenas. O órgão foi permeado, em todos os níveis, por redes de relações pessoais, clientelistas e corporativas, que remetem ao paternalismo e ao voluntarismo que dominaram o velho SPI. A criação da Funai foi marcada pela ineficiência, desinteresse e dificuldade de operação, o que levou o órgão a limitar sua intervenção a favor dos índios a situações altamente críticas, conflituosas e emergenciais, consequentes dos planos de colonização e exploração econômica que chegavam aos extremos do país (Oliveira, 2006; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A emergência da questão indígena no cenário nacional===&lt;br /&gt;
Neste contexto desfavorável, a questão indígena começou a emergir no cenário político nacional. A maior parte das organizações de apoio aos índios se estruturou na década de 1970. Entre elas destaca-se: as comissões pró-índio (CPIs), as associações nacionais de apoio ao índio (ANAIs), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI). Estas duas últimas se juntaram para fundar o atual &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Instituto Socioambiental (ISA)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Criadas por intelectuais e clérigos envolvidos com a questão indígena, estas entidades passaram a realizar importantes trabalhos como: o questionamento fundamentado às políticas oficiais, a interlocução entre índios e Funai, bem como a formulação de alternativas concretas para o indigenismo brasileiro (M. Santilli, 1991; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1980, diversas manifestações indígenas passaram a ganhar visibilidade nacional. Também neste período começaram a se estruturar suas primeiras organizações formais de base comunitária ou regional. Em âmbito nacional foi criada a União das Nações Indígenas (UNI), que já não existe mais. [[Organizações indígenas | Conheça as organizações indígenas]] compiladas pelo ISA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os povos indígenas e o marco jurídico atual===&lt;br /&gt;
Com as mobilizações indígenas e das organizações de apoio, a [[Constituição | Constituição de 1988]] acabou por conferir um tratamento inédito aos povos indígenas. Pela primeira vez foi reconhecido seu [[Constituição | direito à diferença (Art. 231)]], rompendo com a tradição assimilacionista que prevaleceu até então. Foi garantido o [[Constituição | usufruto exclusivo de seus territórios]] tradicionalmente ocupados, definidos a partir de seus usos, costumes e tradições (Art. 231). A União foi instituída definitivamente como instância privilegiada das relações entre os índios e a sociedade nacional. Através do artigo 232, os indígenas e suas organizações foram reconhecidos como partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos, o que incentivou a expansão e a consolidação de suas associações. Para isso, foram definidos canais diretos de comunicação entre os índios, o Ministério Público e o Congresso Nacional. Com estas medidas, o conceito de “capacidade relativa dos silvícolas” (Código Civil, 1917), e a consequente necessidade do “poder de tutela” perderam validade e atualidade. Estas vitórias constitucionais precisariam, entretanto, ser regulamentadas e consolidadas politicamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1991, uma Comissão Especial foi instaurada para rever o [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (1973)]] a partir do enfoque inovador da Carta de 1988. Foram abordados temas como: a situação jurídica dos índios e as responsabilidades assistenciais da Funai; os direitos de autoria e a propriedade intelectual; a proteção ambiental e a regulamentação do uso e exploração de recursos naturais; os procedimentos de demarcação de terras indígenas. A tramitação do projeto, entretanto, foi paralisada em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A descentralização do indigenismo oficial===&lt;br /&gt;
No início da década de 1990, houve amplos debates acerca do papel do órgão indigenista oficial a partir do novo marco jurídico. O Ministério do Interior foi extinto e a Funai  foi transferida ao Ministério da Justiça. Blocos parlamentares anti-indígenas propunham fechá-la, sem substituí-la por nada novo, o que provocaria um grande vazio administrativo. Mobilizações indígenas e organizações de apoio defendiam que a reestruturação do órgão fosse feita concomitantemente à aprovação do texto do Estatuto. Em 1991, o governo Collor realizou, por meio de decretos, uma ampla reforma das atribuições da Funai. As responsabilidades sobre saúde, educação, desenvolvimento rural e meio ambiente foram descentralizadas, e passaram a ser exercidas pelos Ministérios da Saúde, Educação, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente. As ações extra-Funai decretadas por Collor tomaram rumos distintos e impactaram de modos diferenciados os povos indígenas do Brasil. Durante os anos FHC estas políticas passaram a adquirir contornos administrativos mais precisos. Algumas ONGs e associações indígenas passaram a participar ativamente do processo de implementação das políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os decretos de 1991, a Funai, esvaziada em suas atribuições, passou a se concentrar nas políticas de regularização fundiária. Em 1996, o governo FHC modificou as regras para a [[O que são Terras Indígenas? | demarcação de Terras Indígenas]] visando destacar a necessidade da participação indígena e o direito a contestação das partes afetadas (Decreto 1775/96, Portaria 14/96).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desenvolvimento dos projetos participativos===&lt;br /&gt;
Também em 1996 passou a operar o Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL), resultado da parceria entre a Funai e o Programa Piloto para a Conservação das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7. Embora direcionado à demarcação de terras, o PPTAL se propôs a criar alternativas concretas e de longo prazo ao modelo tutelar. Sua proposta se baseou no estímulo ao controle social e à atuação indígena qualificada na estrutura da Funai e do Estado de modo mais abrangente. Em seu âmbito, a partir da experiência dos [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]] do Amapá, foi criado o modelo de “demarcação participativa”, que tem como premissa básica a parceria e a co-responsabilidade dos povos indígenas na formulação das políticas que lhes afetam diretamente. Neste modelo, a própria demarcação é tomada como apenas uma das etapa do processo mais abrangente de gestão sustentável das Terras Indígenas. Trata-se de uma proposta baseada no diálogo intercultural, que apenas se realiza enquanto política pública com o pleno envolvimento e concordância dos povos interessados (Mendes, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A experiência inovadora do PPTAL estimulou a criação em 2001 do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI), desenvolvido no âmbito do Ministério do Meio Ambiente em parceria com o PP-G7. Este projeto é voltado ao financiamento de iniciativas de valorização cultural e desenvolvimento sustentável elaborados e geridos pelas populações indígenas e seus parceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A Funai e as novas demandas por reconhecimento indígena===&lt;br /&gt;
Em 2002, a ratificação pelo governo brasileiro da [[Convenção OIT sobre Povos Indígenas e Tribais em países independentes nº. 169 | Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre “Sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes” (1989)]] aprofundou a sustentação jurídica às demandas de povos antes tomados por aculturados e integrados, que atualmente reivindicam, em diversas regiões do Brasil, seus direitos indígenas diferenciados. Cada vez mais numerosas, estas reivindicações trazem novos desafios à atuação da Funai, responsável pela demarcação das Terras Indígenas no país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A valorização dos conhecimentos tradicionais===&lt;br /&gt;
Na virada do milênio, [[Conhecimentos tradicionais: &amp;quot;Novos rumos e alternativas de proteção&amp;quot; | os conhecimentos indígenas e tradicionais]] passaram a ganhar destaque na agenda nacional e internacional. As discussões se concentram na criação e aprimoramento de mecanismos legais que impeçam que estas populações sejam expropriadas de seu rico patrimônio intelectual, produzido ao longo de gerações. O problema é evidente no caso dos conhecimentos associados à biodiversidade que têm sido alvo de inúmeros casos de biopirataria. Embora acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Biológica e a Agenda 21, criadas no contexto da Eco-92, tenham destacado a urgência do problema, apenas em 2002 o Brasil iniciou, através de decreto presidencial (nº 4.339, de 22 de agosto de 2002), uma política nacional de biodiversidade, que, entretanto, precisa ser aprimorada em diversos aspectos (J. Santilli, 2000, 2002).  Também neste âmbito e neste período, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vinculado ao Ministério da Cultura, passou a realizar ações de proteção, valorização e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial de povos indígenas e tradicionais. Estas ações decorrem do esforço de regulamentação da Constituição de 88, que em seus artigos 215 e 216 formaliza o valor imaterial dos bens culturais. No ano 2000 o decreto 3.551 instituiu os mecanismos oficiais de valorização e proteção do patrimônio cultural no Brasil. Estes instrumentos, entretanto, se encontram em fase inicial de consolidação e são alvo de pesquisas e debates entre especialistas. Até mesmo no campo internacional as propostas neste sentido são recentes. Data de 2003 a Convenção da UNESCO para a “Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desafio da consolidação do paradigma participativo===&lt;br /&gt;
Desde a Constituição de 1988 o indigenismo oficial passou por diversas e significativas mudanças, voltadas, de modo geral, ao reconhecimento e à valorização da diferença cultural. As políticas públicas direcionadas aos povos indígenas têm se tornado cada vez mais descentralizadas e realizadas no âmbito de diversos ministérios que atuam em parceria com agências de cooperação internacional e organizações não-governamentais. A premissa elementar do conjunto das ações é o estímulo à participação e à co-responsabilidade indígena na gestão das políticas destinadas a eles. Entretanto, o sucesso destas políticas depende de sua plena consolidação jurídica e institucional em todos níveis, do local ao governo central. Afinal, o poder tutelar, o assistencialismo e o assimilacionismo ainda são uma realidade fortemente enraizada em diversas práticas do relacionamento entre o Estado e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à consolidação jurídica deste novo momento, é notável que o Estatuto do Índio de 1973, de bases integracionistas, ainda esteja vigente. Entre 1991 e 1994, foi apresentada uma proposta de substituição ao texto que jamais foi votada pelo congresso. Em março de 2006, o governo federal criou a Comissão Nacional de Política Indígenista (CNPI). Em sua agenda, foi estabelecida a prioridade da atualização do Estatuto, com vistas a apresentar uma regulamentação integrada dos diversos temas da agenda dos povos indígenas: o patrimônio e os conhecimentos tradicionais, a proteção e a gestão territorial e ambiental, as atividades sustentáveis e o uso de recursos renováveis, o aproveitamento de recursos minerais e hídricos, a assistência social, a educação escolar e o atendimento à saúde diferenciados. Em julho de 2009, a proposta - construída com a participação de representantes indígenas – foi apresentada ao Congresso Nacional e aguarda votação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto, o atual CNPI e a Funai tem a tarefa de articular e integrar o conjunto das ações estatais de defesa dos direitos indígenas, com vistas a promover o paradigma participativo e superar definitivamente seu papel tutelar. Com este objetivo, o órgão indigenista oficial têm realizado esforços para atualizar suas práticas e modos de funcionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Reestruturação da Funai===&lt;br /&gt;
Em fins de 2009, o governo Lula anunciou, por meio de decreto presidencial (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7056.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nº 7.056, 28/12&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), um amplo plano de reestruturação da Funai, que pretende oferecer maior capacidade de atuação onde vivem os povos indígenas. As Administrações Executivas Regionais (AERs) e Postos Indígenas (PIs) foram substituídos por Coordenações Técnicas Locais e Regionais, formadas por técnicos qualificados, que passarão a desenvolver ações participativas junto aos povos indígenas envolvidos. Nesta estrutura, está planejada a criação de Conselhos Consultivos, nos quais os indígenas e as organizações parceiras participam diretamente na formulação, implantação e gestão das políticas públicas a eles destinadas. Além disso, está prevista a criação de 3,1 mil cargos a serem preenchidos até 2012. Esta nova estrutura pretende, conforme sua direção, superar os impasses históricos do órgão indigenista oficial. Apreensivos, diversos povos se posicionaram contra as mudanças e reclamaram de falta de consulta prévia prevista na Convenção nº 169 da OIT.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria dos presidentes da Funai ==&lt;br /&gt;
A história do controvertido órgão indigenista oficial, a [[Órgão Indigenista Oficial | Funai (Fundação Nacional do Índio)]], pode ser contada através da sucessão de seus 41 presidentes ao longo de 52 anos, de 1967 a 2019.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Presidentes da Funai (1967-2018)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidentes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Quem é | O que fez&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marcelo Augusto Xavier da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O delegado da Polícia Federal Marcelo Augusto Xavier da Silva foi nomeado,  no dia 19 de julho, presidente da Funai. Ele assume após a saída do general da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas, exonerado por pressão da bancada ruralista, em junho. Durante um mês a Funai teve como presidente substituto Fernando Maurício Duarte Melo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Silva atuou na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/blog/blog-do-isa/editorial-do-isa-o-fim-da-cpi-da-funai-e-o-desespero-ruralista&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, em 2016, como assessor da mesma frente parlamentar. A CPI foi criada para apurar supostas irregularidades cometidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e pela Funai em processos de titulação de quilombos e de demarcação de Terras Indígenas, respectivamente. O relatório final propôs a revisão de demarcações - uma bandeira do governo Bolsonaro. Afinal, o objetivo da comissão acabou sendo tentar criminalizar lideranças e organizações indígenas, organizações das sociedade civil aliadas dos povos indígenas, antropólogos e servidores públicos - os mesmos setores considerados inimigos pela atual administração federal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O delegado federal já passou pela Funai. Trabalhou na ouvidoria do órgão. Nessa época, chegou a solicitar que policiais investigassem supostas &amp;quot;invasões&amp;quot; de indígenas em áreas por eles reivindicadas no Mato Grosso do Sul. As denúncias mostraram-se sem fundamento. Pouco depois, em abril de 2018, Silva acabou demitido. Na sequência, foi nomeado como assessor para assuntos fundiários do braço-direito de Michel Temer, o então ministro da Secretaria de Governo da Presidência, deputado Carlos Marun (MDB-MS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 24 de janeiro deste ano, já no governo Bolsonaro, o policial ganhou mais um cargo em Brasília: o de assessor especial de Nabhan Garcia, presidente licenciado da União Democrática Ruralista (UDR) e atual secretário especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura. Nabhan é o maior inimigo das demarcações de Terras Indígenas dentro do governo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nomeação do delegado na Presidência da Funai faz parte do plano de Bolsonaro de dar o controle total do órgão indigenista aos ruralistas e, assim, cumprir seu compromisso de campanha de paralisar de vez e rever as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan.2019 - jun.2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O militar da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas retornou à Presidência da Funai após a exoneração de Wallace Moreira Bastos, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de janeiro de 2019. O presidente, na verdade, foi o antecessor de Wallace, entre maio de 2017 e abril de 2018. No período, aprovou os estudos da Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha (PE).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de pouco mais de 10 meses no cargo, Franklimberg foi exonerado e sua gestão não agradou a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O general, nomeado durante o governo Bolsonaro, foi formalmente reapresentado à Presidência no mesmo dia da saída de Wallace Moreira Bastos do cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prestes a completar 5 meses em sua segunda passagem pelo cargo, Franklimberg foi demitido pelo mesmo motivo de sua gestão anterior: os ruralistas não concordaram com sua atuação a favor dos direitos indígenas, que aliás é a obrigação do presidente da Funai. O que pensar então? Que o próximo presidente do órgão tem que ser contrário aos direitos indígenas e favorável aos ruralistas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Wallace Moreira Bastos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2018 - jan. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Wallace Moreira Bastos foi nomeado para exercer o cargo de Presidente da Funai no mesmo Diário Oficial da União, de 24 de abril, em que foi publicado o pedido de demissão de Franklinberg, que alegou estar sofrendo forte pressão dos ruralistas para deixar o cargo. No dia 16 de janeiro de 2019, foi publicado o pedido de exoneração de Wallace Moreira Bastos da presidência da Funai, após nove meses de ocupação no cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em nota da Funai, Wallace disse que conseguiu trazer para a Fundação mais 203 servidores concursados, que já estão atuando em todas as regiões do país. E que conseguiu, junto ao Governo Federal, que o orçamento da Funai passasse de R$ 109 milhões para R$ 175 milhões, o que permitirá ao órgão avançar ainda mais no que diz respeito às demandas das comunidades indígenas. Mas no período em que esteve na presidência da Funai não aprovou nenhum estudo de identificação de Terra Indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa indicação não foi vista com bons olhos no meio indígena e indigenista porque Wallace não tem, em seu currículo, nenhuma experiência relacionada aos povos indígenas. Foi sócio-proprietário e gestor, entre 2002 e 2008, das empresas Giraffas, Casa do Pão De Queijo, Montana Grill e Café Cancun e, antes, analista de Vendas da Ambev. Concursado na ANAC, é membro do Conselho de Administração da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) e antes da indicação para a Funai ocupava o cargo de subsecretário do Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil. É a terceira indicação do PSC para a Fundação em pouco mais de um ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 2017 - abr. 2018]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O general do exército Franklimberg Ribeiro de Freitas assumiu interinamente a presidência da Funai após a exoneração de Antônio Costa. Em julho de 2017, foi plenamente empossado. Franklimberg é militar da reserva, tendo ingressado nas Forças Armadas em 1976, e antes de ser nomeado para a Funai exercia o cargo de assessor de relações institucionais do CMA (Comando Militar da Amazônia), sediado em Manaus (AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assume a presidência da Funai poucos dias após um massacre realizado contra índios Gamela, no Maranhão e em meio à uma intensa crise política desencadeada por investigações de corrupção no governo Temer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua gestão não agradou à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), composta por 252 parlamentares, entre deputados e senadores, que esperavam ações que atendessem os interesses dos ruralistas. A FPA enviou um ofício ao presidente Temer com a assinatura de mais de 170 lideranças indígenas que não queriam a permanência de Franklimberg, e pediram sua demissão. Permaneceu no cargo por pouco mais de 10 meses.&lt;br /&gt;
Ele é o segundo presidente que o PSC indica (o anterior, Antonio Fernandes Toninho Costa, também fora indicação do partido) e é demitido por não atender interesses contrários aos direitos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franklimberg, antes de deixar o cargo, aprovou os estudos da TI Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Antonio Fernandes Toninho Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan. de 2017 a mai. de 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dentista e pastor evangélico de Luiziânia (GO), já atuou como assessor parlamentar. Interessante notar o contexto da decisão de sua nomeação como novo presidente da Funai. Segundo a reportagem da Globo News, o presidente da República, Michel Temer, em reunião com ministros sobre obras de infraestrutura, foi informado sobre impasses e conflitos com índios, que estariam impedindo a continuidade das obras, e que a Funai estava com um presidente interino. Ele então solicitou ao ministro da Justiça que resolvesse a questão – provavelmente com a expectativa de conseguir a aprovação da Funai para as obras paralisadas. Dentro da lógica de loteamento à base aliada, Temer aceitou a indicação do Partido Social Cristão (PSC), cujo presidente é o Pastor Everaldo e que é integrado por Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano. Costa já trabalhou com povos indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e na Missão Evangélica Caiuá – antiga missão que prestava assistência aos Guarani em Mato Grosso do Sul e hoje atua em diversos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (DSEIs) através de convênio com a Sesai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Agostinho do Nascimento Netto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 2016 a jan. 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assessor especial do Ministério da Justiça desde junho de 2016, desconhecido do movimento indígena e indigenista, foi nomeado Presidente substituto da Funai em setembro do mesmo ano. Durante sua curta gestão, ele aprovou a TI Pindoty/Araça-Mirim, no Vale do Ribeira (SP), no dia 29 de dezembro de 2016, com 1.030 hectares.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2016 a set. 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes assumiu a presidência dó órgão em substituição a João Pedro Gonçalves, exonerado pelo governo interino de Michel Temer. Artur Nobre Mendes já fora presidente da Funai entre 2002 e 2003 e no momento ocupava o cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. (Veja mais abaixo informações sobre o seu primeiro mandato)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2016, permaneceu no cargo de presidente substituto por aproximadamente 4 meses. Em sua curta interinidade, Artur publicou, em agosto de 2016, a identificação de três TIs Guarani no estado de São Paulo: Djaiko-aty com 1,216 ha, Ka'aguy Mirim com 1.190, e a Ambá Porã com 7.204 ha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi exonerado em Setembro, poucos dias após a Funai criticar a organização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 por terem afirmado, na apresentação da menina Igani Suruwaha, que a menina e a mãe tiveram que deixar a comunidade onde viviam para “evitar o infanticídio indígena”. Em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/3932-nota-jogos-paralimpicos&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota de repúdio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a Funai disse que a informação do Comitê Organizador dos Jogos promove “''ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil, referindo-se ao 'infanticídio ou homicídio, abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulneráveis e violência doméstica' como 'práticas tradicionais' indígenas. A Funai entende que tal posicionamento revela uma total incompreensão sobre a realidade indígena no país, refletindo uma visão preconceituosa e discriminatória sobre esses povos, suas culturas e seus modos de vida.''”&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Pedro Gonçalves da Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2015 a jun. de 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi deputado estadual, vereador e senador suplente do estado do Amazonas. Também trabalhou como superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária no Amazonas Assumiu a presidência da Funai no lugar de Flavio Chiarelli Vicenti de Azevedo, que foi presidente interino durante 8 meses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://acritica.uol.com.br/blogs/blog_do_sim_-_nao/funai_7_1375732414.html&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota d'A Crítica&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (14/06/15), sua indicação ''&amp;quot;foi uma costura de parlamentares petistas do Norte com o argumento de que o Governo Dilma precisa dar mais espaços a políticos da Amazônia assim como Lula fez quando pôs Marcus Barros no Ibama, e Marina Silva, no Ministério do Meio Ambiente.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu mandato coincidiu com os últimos meses antes de a Presidente Dilma Roussef ser afastada do cargo e nesse curto período buscaram reverter a paralisia de demarcações que até então marcara esse governo. Durante seu mandato foram aprovados pela Funai os estudos das terras: Cobra Grande (PA) dos povos Arapiuns, Jaraqui e Tapajó; Kaxuyana-Tunayana (AM/PA), dos Kaxuyana, Tunayana e outros; Jurubaxi-Téa (AM), dos Baré, Tukano, Baniwa e outros; Sawré/Muybu (PA), dos Munduruku; Sambaqui (PR), Pakurity (MS), Peguaoty (MS) e Cerco Grande (PR), dos Guarani Mbya; Ypoi-Triunfo (MS), dos Guarani Ñandeva; Dourados Amambaipeguá I, dos Kaiowáa e Ñandeva; e Mato Castelhano-FÁg TY KA (RS), dos Kaingang.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 2014 a jun. de 2015]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi chefe da Procuradoria Federal Especializada da Funai. Assumiu a Presidência interinamente, em substituição à também interina Maria Augusta Assirati.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu os 8 meses de sua gestão como presidente interino. Nesse período apesar das determinações do governo de paralisar o reconhecimento das Terras Indígenas (TIs) - conseguiu aprovar e publicar no DOU em janeiro de 2015, os estudos de identificação e delimitação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4056&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Riozinho&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, dos índios [[Povo:Ticuna | Ticuna]] e [[Povo:Kokama | Kokama]] com 362.495 hectares, nos municípios de Juruá e Jutai no Amazonas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criou três Grupos Tecnicos (GTs) para estudos de novas TIs: uma para os Ticuna, em Fonte Nova/Amazonas, outra em Paraty no Rio de Janeiro para os [[Povo:Guarani | Guarani]], e a pela primeira vez a Funai criou um GT para reconhecer uma TI no no Rio Grande do Norte, no município de Baía Formosa: a Sagi/Trabanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 2015, com a nomeação do novo presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, Flávio Chiarelli foi nomeado assessor especial do Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Segundo ele, o governo tem um olhar não-indígena para os povos tradicionais, 'achando que eles são os causadores de problemas. Quando, na verdade, a gente deveria parar para olhar o lado deles e enfrentar a real causa do problema&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Governo-nomeia-novo-presidente-da-Funai/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Greenpeace&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Jun/15&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Maria Augusta Boulitreau Assirati'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2013 a out. de 2014]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Advogada, dirigiu o Departamento de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai e assumiu a Presidência interinamente, com a exoneração de Marta Maria Azevedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo mantida em interinidade durante um ano e quatro meses, em um governo que primou pela paralisia das demarcações de Terras Indígenas, ela conseguiu aprovar e publicar três estudos de identificação das TIs: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3864&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 5.838 hectares, no Ceará; da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4142&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 2.686 hectares, no Paraná; e a ampliação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/5399&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Xakriabá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 43.357 em Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Augusta pediu demissão por conta de um curso de doutorado em Portugal, mas segundo o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://oglobo.globo.com/brasil/presidente-da-funai-deixa-cargo-em-meio-disputa-do-orgao-com-ministerio-da-justica-14050662#ixzz3ENbCfygi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;jornal O Globo, de 25 de setembro de 2014&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, alguns dos motivos principais seriam as divergências envolvendo a construção de hidrelétricas e a disputa enfrentada pela própria Funai, no interior do governo, para realizar sua tarefa primordial: a demarcação de terras indígenas. A interferência política do governo sobre a atuação da Funai foi apontada pela ex-presidente em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://apublica.org/2015/01/a-funai-esta-sendo-desvalorizada-e-sua-autonomia-totalmente-desconsiderada-diz-ex-presidente/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;entrevista na Agência Pública, de janeiro de 2015&amp;lt;/htmltag&amp;gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A orientação é no sentido de que nenhum processo de demarcação em nenhum estágio, delimitação, declaração, ou homologação, tramite sem a avaliação do Ministério da Justiça e da Casa Civil. Isso é, nada mais, nesse momento, “depende apenas da Funai”.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;APública, Jan/2015&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marta Maria Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2012 a jun. de 2013]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marta Maria do Amaral Azevedo é antropóloga, demógrafa, e autora de um dos primeiros trabalhos de pesquisa sobre demografia dos povos indígena. Nascida em São Paulo, formou-se em Ciências Sociais em 1978 pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1980 integrou o grupo de Educação Indígena da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) e atuou como colaboradora do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Também foi colaboradora do ISA, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo – onde ajudou a fundar o Grupo Mari de Educação Indígena – e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), no início da década de 1990. Participou da equipe de demógrafos que, em conjunto com o IBGE, Funai e especialistas de várias e diferentes instituições, aprimorou a coleta das informações sobre os povos indígenas para o censo brasileiro de 2010. Suas investigações envolvem temas como educação indígena, segurança alimentar e saúde das mulheres indígenas, os quais contam com o comprometimento de Marta em sua gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um ano e dois meses no cargo, Marta aprovou os estudos de identificação de 14 Terras Indígenas. Destacamos algumas: a TI Iguatemipeguá I com mais de 41 mil hectares, para os Kaiowá, localizada em região de intensos conflitos com fazendeiros, no Mato Grosso Sul; também aprovou os reestudos de duas terras guarani em S.Paulo, a Jaraguá (com 532 ha, na capital) e a Boa Vista do Sertão Pró-Mirim (no município de Ubatuba com 5.520 ha); seis terras mura tiveram seus estudos de identificação aprovados nos municípios de Borba, Autazes, Carreiro da Várzea, Manaquiri e Careiro, todos no estado do Amazonas, somando 72.631 ha. A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, exonerou, a pedido, Marta Maria do Amaral Azevedo da presidência da Funai em Junho de 2013.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Meira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. 2007 a abr. 2012]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Formado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com mestrado em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), o atual Presidente da Funai pesquisou os povos Warekena, da região do rio Xié, um dos afluentes do rio Negro, no Amazonas, no início dos anos 1990. É o autor da tese &amp;quot;No tempo dos Patrões&amp;quot;, sobre o regime de aviamento que ainda vigora nas relações entre extrativistas e comerciantes no interior da Amazônia. Sua atuação com os povos indígenas, porém, é anterior e data desde sua participação na luta pelos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. Foi também responsável pelo GT da Funai de identificação das Terras Indígenas do Médio Rio Negro, localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. Meira foi um dos interlocutores das organizações indígenas na equipe de transição do governo Lula, em 2002. Sua gestão foi responsável pelo processo de reestruturação da Funai, que renovou o quadro funcional (com 425 novas contratações) e a estrutura administrativa do órgão. Também foi resposável pela inauguração do Centro de Formação em Política Indigenista em Sobradinho/DF. Apesar de ter priorizado a participação do movimento indígena e de ter implantado a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), ao final da gestão Meira ocorreu um rompimento da bancada indigenista com a comissão, no qual entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a CNPI. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Mércio Pereira Gomes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. 2003 a março de 2007]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dirigiu o IPARJ (Instituto de Pesquisas Antropológicas do Rio de Janeiro) e participou da política carioca quando do governo de Leonel Brizola (1991-95), na condição de subsecretário de Cultura e Projetos Especiais. Foi também assessor de projetos especiais da cidade de Petrópolis. Depois de Roque Laraia e Artur Nobre Mendes, Mércio Gomes é o terceiro antropólogo a assumir a presidência da Funai. Foi professor de antropologia na Unicamp, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Macalestes (EUA) e na UFF (Universidade Federal Fluminense). Membro efetivo do Diretório Estadual do PPS, partido da base aliada do governo Lula, Mércio Gomes já era cotado para a presidência da Funai na campanha eleitoral de 2002 em um eventual governo Ciro Gomes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Eduardo Aguiar de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. de 2003 a ago. de 2003]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Primeiro presidente da Funai do governo Lula, Eduardo Aguiar de Almeida ficou apenas seis meses no cargo, tendo sido exonerado em 15 de agosto de 2003, por meio de portaria da Casa Civil. O ministro da justiça declarou-se insatisfeito com o seu trabalho à frente da Funai em mais de uma ocasião, em que observava a &amp;quot;falta de sintonia&amp;quot; de Almeida com os interesses do Ministério. Os rumores sobre a sua substituição começaram a circular há pelos menos 2 meses desde que ele assumiu a pasta. Em entrevista à imprensa, Almeida atribuiu sua demissão à forte pressões oriundas dos setores anti-indígenas da política nacional, citando diretamente os nomes dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Romero Jucá (PMDB-PR) e dos governadores Blairo Maggi (PPS-MT), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Almeida tomou posse oficialmente no cargo mais de um mês após o início da nova gestão do governo brasileiro, em 03/02/2003. É natural do Rio de Janeiro, jornalista e membro fundador da Sociedade Brasileira de Indigenistas (SBI). Já trabalhou na Funai como assessor da presidência entre janeiro e agosto de 2000. Desde janeiro de 2002, atuava como consultor do Ministério do Meio Ambiente. Em sua gestão, Almeida concentrou parte de seus esforços na preparação da Conferência Nacional de Política Indigenista, um dos ítens mais relevantes na pauta petista para a questão indígena – já expresso no documento de campanha de Lula à presidência, intitulado Compromisso com os Povos Indígenas – e cujo objetivo é o de criar uma instância de articulação entre os setores governamentais que têm responsabilidades para com as demandas indígenas, representantes dos índios e outros setores da sociedade civil. No âmbito das reivindicações territoriais, Almeida criou Grupos de Trabalho (Gts) para identificar 17 novas Terras Indígenas e reestudar os limites de outras dez. Uma decisão inovadora da gestão de Eduardo Aguiar de Almeida foi a determinação do critério da &amp;quot;auto-identificação&amp;quot; como instrumento fundamental para que se reconheça como indígenas os grupos que reivindiquem esta condição, adequando as ações do Estado brasileiro à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 2002 a jan. de 2003]''''''&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes foi o nono presidente do órgão indigenista em oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Na Funai desde 1983, Mendes sempre havia atuado na área fundiária. Foi chefe do Departamento de Identificação e Delimitação (Deid), coordenador de Projetos Especiais e coordenador técnico do Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal - o PPTAL, que, ligado ao Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicias do Brasil (PPG7), tem por objetivo demarcar 160 terras indígenas. No momento em que assumiu a presidência da casa, ocupava a diretoria do Departamento de Assuntos Fundiários (DAF), posto em que estava desde a gestão de Glênio da Costa Alvarez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artur Nobre Mendes foi formalmente apresentado no novo cargo em 31/07/2002, juntamente com a equipe recém-constituída por Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, o oitavo ministro da Justiça a assumir a pasta ao longo das duas gestões FHC. Mendes permaneceu à frente da Funai até janeiro de 2003, quando, já então no primeiro mês do governo de Luís Inácio Lula da Silva, pediu demissão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otacílio Antunes Reis Filho'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. a jul. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
A saída de Glênio Alvarez levou à presidência da Funai Otacílio Antunes Reis Filho, antigo funcionário do órgão, então no cargo de diretor de Artesanato. Reis Filho, que já havia sido diretor de Planejamento na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, dirigiu a Fundação por 46 dias, entre junho e julho de 2002.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Glênio Alvarez'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. 2000 a jun. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O geólogo Glênio Alvarez, funcionário da Funai há 14 anos, é o 27º presidente do orgão indigenista oficial desde sua fundação, em 1967. Foi administrador regional do órgão em Boa Vista (RR), em 1994, período de demarcação da TI Yanomami.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha de Alvarez, gaúcho de Santa Maria, encerrou a interinidade do antropólogo Roque de Barros Laraia, que ocupou o cargo desde a saída de Carlos Frederico Marés. Alvarez assumiu dizendo pretender implantar programas conjuntos com governos estaduais. Seu principal desafio seria contornar a falta de verbas para desenvolver os programas previstos para 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início de junho de 2002, a publicação no Diário Oficial da União da exoneração de Glênio Alvarez pegou a todos de surpresa. Ele, inclusive, que não quis se manifestar logo após o ocorrido. Por meio de seu assessor de imprensa, declarou que &amp;quot;havia feito seu trabalho corretamente a favor dos índios no Brasil&amp;quot;. A queda de Alvarez aconteceu dois dias depois que o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, deputado Pinheiro Landim, retirou de pauta o Projeto de Lei da Mineração em Terras Indígenas. A Funai havia se manifestado contrária à aprovação do projeto, de autoria do senador Romero Jucá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Roque de Barros Laraia'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a mai. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com a demissão de Marés, o então presidente substituto, o antropólogo Roque de Barros Laraia, assumiu a presidência da Funai em regime interino. Foram 29 dias até que Glênio Alvarez fosse nomeado presidente pelo ministro José Gregori.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laraia é formado em história, mas optou pela antropologia. Foi parte do corpo docente do Museu Nacional (UFRJ) e, a partir de 1968, da UnB. É integrante do Conselho Indigenista desde que foi criado, em 1967. À época, esse conselho representava o poder máximo no órgão. O antropólogo tem experiência de pesquisa com os Terena e os Suruí do Pará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a gestão de Marés, Roque Laraia foi o responsável pela Diretoria de Assuntos Fundiários. Em entrevista exclusiva ao Isa, confessou que os maiores problemas por ele enfrentados em sua curta gestão na presidência, foram o esvaziamento dos quadros profissionais, a escassez de recursos e a pressão constante de grupos indígenas, como os Xavante e os Fulniô. Segundo ele, &amp;quot;não é possível administrar a Funai com os Xavante do jeito que estão&amp;quot;. Para ele, a maioria dos índios continua desassistida, ao passo que uma etnia acaba consumindo o tempo da administração e tomando a maioria dos recursos parcamente disponíveis.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Carlos Frederico Marés'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1999 a abr. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nascido em União da Vitória (PR), Carlos Frederico Marés de Souza Filho é professor de Direito Agrário e Ambiental da PUC-PR. Foi procurador do estado do Paraná entre 1991 e 1994, e secretário da Cultura do município de Curitiba, entre 1983 e 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaborou, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), na formulação do Capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;, e foi um dos coordenadores da campanha &amp;quot;Povos Indígenas na Constituinte&amp;quot;. Em 1989, fundou o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI), e, em 1994, o Instituto Socioambiental, do qual foi presidente e conselheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés é também autor de seis livros, o último deles - &amp;quot;O renascer dos povos indígenas para o Direito&amp;quot; - é resultado de sua dissertação de doutoramento apresentada, em 1988, à UFPR.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés foi indicado para a presidência da Funai pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, que advogou em seu favor, providenciando a regularização de sua situação no Brasil, quando de seu retorno depois de nove anos de exílio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de assumir o cargo, Marés apresentou 13 propostas para o ministro como condição para poder assumir a presidência da Funai (ver artigo Descascando o &amp;quot;abacaxi&amp;quot;, nos &amp;quot;500 anos&amp;quot; do Brasil). Entre elas, estava a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O curto período em que Marés esteve na Funai foi marcado por atos polêmicos. Logo no início de 2000, declarou publicamente que não haveria o que comemorar no dia 22 de abril, aniversário de 500 anos do &amp;quot;descobrimento&amp;quot; do Brasil. &amp;quot;É uma festa da chegada das caravelas, festa dos brancos. A maior parte dos índios brasileiros tem contato com a civilização branca há bem menos de 500 anos&amp;quot;, disse ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Marés foi marcada pela negociação em torno da apresentação da nova proposta para o &amp;quot;Estatuto do Índio&amp;quot;. Em 17 de abril de 2000, Marés apresentou a proposta do governo &amp;quot;Estatuto do índio e das comunidades indígenas&amp;quot; às lideranças indígenas que se reuniam em Monte Pascoal, em ocasião da marcha de protesto contra as comemorações dos 500 anos. Isso se deu antes mesmo da proposta ser submetida ao Legislativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 22 de abril, após presenciar uma ação da polícia contra a marcha dos índios que iam de Coroa Vermelha a Porto Seguro para protestar contra as comemorações dos 500 anos, Marés anunciou que pediria demissão. &amp;quot;Não posso permanecer num governo que faz agressão física ao movimento indígena organizado&amp;quot;, afirmou após ter decidido, em caráter irrevogável, apresentar sua demissão ao ministro da Justiça José Gregori.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Lacerda'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. a nov. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
José Márcio Panoff de Lacerda tomou posse na Presidência da Funai em 22 de fevereiro de 1999. Foi deputado, senador e vice-governador do Mato Grosso. Em seu discurso de posse, prometeu investir na aprovação de um novo Estatuto do Índio, &amp;quot;que reflita uma política realista, voltada para proporcionar às sociedades indígenas o legítimo direito de explorar em bases racionais os recursos naturais existentes em suas terras&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua atuação foi marcada pela defesa de parcerias entre o estado e os municípios para melhorar os atendimentos às sociedades indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 31 de maio, Lacerda foi retirado à força do prédio da Funai por 51 guerreiros xavante, que se revoltaram devido ao afastamento do diretor da AER de Nova Xavantina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Lacerda teve de enfrentar, a partir de maio de 1999, os inquéritos por ocasião da CPI da Funai, promovida por parlamentares que visavam investigar o relacionamento do órgão federal com ONGs, admissão de antropólogos e aplicação de recursos. Nesse período, tornou-se cada vez mais público o caos orçamentário da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro, por pressões dos índios, de várias instituições e de ONGs, colocou o cargo à disposição. Na ocasião, ele admitiu que enfrentou conflitos internos, principalmente com o médico Oswaldo Cid Nunes da Cunha, exonerado da chefia do Departamento de Saúde na Funai em Brasília, que classificou Lacerda de &amp;quot;incompetente&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lacerda acusou o médico de deslealdade ao condenar publicamente a decisão do governo de transferir a área de saúde indígena para a Fundação Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sulivan Silvestr'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1997 a fev. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sulivan Silvestre, paranaense, funcionário do Ministério Público de Goiás, tomou posse em 22 de agosto de 1997. Formado em Direito pela PUC de Goiás, Silvestre era especialista em meio ambiente. Desconhecido entre índios e indigenistas, seu nome surpreendeu, já que estavam cotados para ocupar o cargo antropólogos e funcionários da Funai conhecidos pela comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua nomeação comprovou o poder de fogo do ministro Íris Rezende, que conseguiu colocar no comando um apadrinhado político sem nenhuma experiência com a política indigenista. A indicação política desagradou o funcionalismo da Funai, que torcia pela nomeação de um técnico dos quadros da Fundação e algumas organizações não-governamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu discurso de posse, Silvestre afirmou ser a demarcação de terras a prioridade de sua gestão. Além disso, enfatizou a necessidade de uma aproximação entre a Funai, os índios e as demais entidades de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Procurou estruturar o Conselho Deliberativo e Participativo das Lideranças Indígenas, promovendo o diálogo entre a Funai, os representantes indígenas, as ONGs, o Cimi e o Capoib, sempre em defesa da descentralização do órgão indigenista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1 de fevereiro de 1999, Silvestre morreu em um acidente de avião. O bimotor Sêneca, que o levaria de Brasília até uma reunião com os índios Fulni-ô e Pankararu, caiu a poucos minutos da pista do aeroporto de Goiânia. O acidente ocorreu por volta das 21h30. Pouco depois da queda, o aparelho foi consumido pelo fogo. Renan Calheiros, ministro da Justiça na época, afirmou que iria acompanhar as investigações sobre o acidente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Júlio Gaiger'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1996 a jul. de 1997]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O advogado gaúcho Júlio Gaiger foi nomeado presidente da Funai em 12 de março de 1996, ocupando o lugar de Márcio Santilli. Ligado à questão indígena desde 1977, quando dirigiu a Associação Nacional de Apoio ao Índio em Porto Alegre, Gaiger foi assessor jurídico do Cimi até 1991 e trabalhou como assessor na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi indicado pelo ministro Nelson Jobim, com quem trabalhava desde meados de 1995 na formulação do polêmico Decreto 1775, que prevê a revisão de áreas indígenas ainda não registradas. Essa indicação causou imediatos protestos de organizações indígenas e de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1997, apesar dos apelos dos Xavante pela saída imediata de Gaiger, o novo ministro da Justiça, Íris Rezende, bancou a sua permanência. Mas, em 17 de julho, Gaiger entregou o cargo, alegando que o governo não teria se empenhado na implementação da política indigenista e que lhe teria faltado apoio político para levar adiante a reformulação administrativa do órgão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Ressinto-me, na Funai, da ausência de decisões estratégicas que escapam do nosso alcance&amp;quot;, escreveu em sua carta de demissão. Em entrevista, disse que vinha sofrendo pressões dos Xavante, de funcionários da Funai e de grupos políticos vinculados aos índios e aos servidores que, na sua opinião, tencionavam desestabilizá-lo para que não reformulasse o órgão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio José Brando Santilli'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1995 a mar. de 1996]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Indicado por FHC, um dia depois de uma reunião ocorrida no palácio da alvorada em 03/08/95 entre o presidente, o ministro da justiça e um grupo de antropólogos, Santilli não era o preferido de Jobim. Então secretário executivo do Instituto Socioambiental em Brasília, Santilli demorou um mês para aceitar a indicação, período em que indicou outros nomes ao ministro Jobim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consultou previamente várias ONGs do campo indigenista sobre a oportunidade de encarar o desafio de administrar uma Funai sucateada e enfrentar um novo decreto sobre demarcação de terras indígenas, medida já decidida pelo presidente FHC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formado em filosofia, Santilli foi deputado pelo PMDB de SP (1982-86) e integrante do grupo político do atual presidente FHC. Durante seu mandato parlamentar, foi membro da Comissão de Relações Exteriores e da Comissão do índio, na Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1987 e 88, foi pessoa-chave na ligação entre a Coordenação Nacional dos Povos lndígenas na Constituinte - que reunia índios e organizações civis de apoio - e o Congresso Nacional. Em 1989, juntamente com um grupo de índios, antropólogos e juristas, fundou e dirigiu o NDI, uma ONG com sede em Brasília, que teve destacado papel na aplicação prática dos direitos coletivos dos índios, através de demandas judiciais paradigmáticas. Em 1994, foi um dos fundadores do Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Cimi considerou a sua nomeação como &amp;quot;uma tentativa do governo para criar condições políticas favoráveis para mudar o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas&amp;quot;. Além da Igreja Católica, Santilli ganhou muitos inimigos internos com a demissão de funcionários corruptos das Áreas Kayapó e Xavante, o corte de diárias de caciques xavante em Brasília, o fechamento de Administrações Regionais, e o anúncio de uma grande reforma administrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfrentou várias rebeliões regionais e seqüestros de funcionários por índios articulados com segmentos de máfias funcionais e o seu próprio gabinete em Brasília foi invadido por um grupo de Xavante, acompanhado da Rede Globo de TV. Santilli pediu demissão alegando falta de apoio do Ministério da Justiça, que não buscava ampliar as verbas da Funai e retinha os recursos que ele conseguira diretamente do Tesouro Nacional, além de não garantir a investigação policial a respeito das máfias funcionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Dinarte Nobre Madeiro'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1993 a set. de 1995]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dinarte assumiu interinamente a presidência da Funai, no dia 03/09/93, e acabou permanecendo dois anos à frente do órgão. Há 23 anos funcionário da Funai, ao assumir o cargo era assessor da Presidência do órgão para a região Norte e Nordeste, e estava em Boa Vista coordenando a retirada dos garimpeiros da AI Yanomami. Defendeu a necessidade do órgão retomar o poder de polícia para ter mais autonomia e mobilidade no combate aos garimpeiros que invadem terras indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Madeiro foi mantido no cargo com a mudança de governo e, no conjunto, teve uma gestão discreta, sem denúncias de improbidades administrativas. Apesar disso, Dinarte foi publicamente desprestigiado pelo ministro da Justiça Nélson Jobim e pelo próprio presidente FHC. Chegou a pedir demissão alegando suas divergências com o secretário-executivo do Ministério, Milton Selligman, na questão das demarcações das terras indígenas, principalmente sobre a área dos Xavante, a Suiá-Missu. O ministro não aceitou a demissão. Afastado das deliberações sobre os rumos da política indigenista oficial, colocou seu cargo à disposição mais de uma vez e manifestou sucessivamente seu apoio à manutenção dos procedimentos administrativos constantes no Decreto 22/91.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Cláudio dos Santos Romero'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Claudio Romero ocupava o cargo de Diretor Geral de Assistência da Funai, quando foi nomeado para presidir o órgão em 20/05/93. Funcionário de carreira do órgão,desde meados da década de setenta, coordenou o Projeto Xavante que tinha como principal objetivo a demarcação do território xavante ocupado pela frente colonizadora, além de projetos de educação e desenvolvimento comunitário. Foi diretor do Parque Indígena do Xingu, quando entre outras coisas apoiou os Kayapó Metuktire na demarcação da AI Capoto/Jarina. Tomou posse do cargo de presidente do órgão prometendo que não haveria qualquer ruptura na continuidade dos trabalhos da gestão de Sidney Possuelo. Nos quase quatro meses que esteve à frente da Funai, Romero teve uma gestão controvertida. Disse que o presidente Itamar Franco não tinha vontade política para cumprir o prazo constitucional de 05/10 para regularizar a demarcação das terras indígenas no país e foi obrigado a reparar o comentário, publicamente. Em agosto de 93, foi acusado, por um dossiê interno, de ter delatado em 83 à Assessoria de Segurança e Informação -o SNI da Funai -uma conspiração de funcionários contra o então presidente do órgão, coronel Paulo Leal. Ele admitiu que escreveu um relatório denunciando servidores do órgão, mas negou ser &amp;quot;araponga&amp;quot; do regime militar. Romero diz que os servidores denunciados planejavam invadir a sede da Funai, articulados pelo então deputado Mário Juruna e pelo então vice-governador do Rio, Darcy Ribeiro. Na época, diretor do Parque Indígena do Xingu, Romero disse que estava interessado em obter da direção da Funai a demarcação das terras indígenas na região e, por isso, foi contra o movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi demitido no dia 03/09/93, em meio a informações contraditórias sobre a chamada chacina dos Yanomami em Haximu, sobre a qual divulgou números sucessivamente desmentidos pela imprensa. Discutiu com parlamentares em Roraima ameaçando proibi-los de entrar na AI Yanomami, ao mesmo tempo autorizou a visita de diplomatas estrangeiros sem consultar o Itamaraty, além de ter criado um confronto ao declarar que não se subordinaria às orientações do novo ministro extraordinário para a Amazônia, Rubens Ricúpero.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sidney Ferreira Possuelo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1991 a mai. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O sertanista Sidney Ferreira Possuelo chefiava a Coordenadoria de Índios Isolados da Funai quando foi nomeado no dia 28/06/91 pelo presidente Collor, em substituição a Cantídio Guimrães, demitido no dia 21/06. Possuelo recebeu carta branca para fazer alterações administrativas e afirmou como prioridades o caso Yanomami e a demarcação de 266 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, chefe da Frente de Atração dos Arara(PA), na década de 80, Possuelo reivindicou permanentemente ao presidente Collor a revogação dos Decretos 23, 24, 25 e 26 (de 04/02/91), que tiraram da Funai as responsabilidades pela educação, saúde, projetos produtivos e meio ambiente em áreas indígenas, transferindo-as a outros ministérios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizou uma reforma administrativa, iniciada em 20/01/92, quando exonerou seu superintendente geral, Edívio Batistelli. Desapareceram do organograma não só esse cargo, mas todas as Superintendências Regionais. Todas as atividades, desde o planejamento geral da Funai até o atendimento aos mais remotos Postos Indígenas passaram a se vincular diretamente à Presidência do órgão. As Superintendências passaram à categoria de Administrações Regionais -que somam 46, sem autonomia administrativa ou orçamentária, ligados à Diretoria Geral de Assistência, em Brasília. Foram criadas também as Diretorias Fundiária e de Administração. Em sua gestão, Possuelo distendeu a relação do Órgão com entidades não-governamentais. Ao criar o CDDI, convocou representantes de ONGs para compô-lo e assinou quatro convênios de parceria com essas entidades no âmbito da demarcação de terras indígenas (ver mais detalhes no capítulo Terras indígenas) .Sofreu forte oposição interna por isso. O principal feito da sua gestão foi a demarcação física da terra Yanomami de forma contínua, facilitada pela disposição política do presidente Collor para encaminhar processos de reconhecimento oficial dos direitos territoriais indígenas, com vistas à ECO-92 ( ver Cronologia de um Genocídio Documentado, no capítulo Roraima Mata).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Possuelo acabou demitido no dia 19/05/93, pelo ministro da Justiça Maurício Corrêa, por ordem do presidente Itamar Franco. Na versão do próprio Possuelo, sua cabeça rolou devido a três motivos: conflito aberto com o ministro Henrique Hargreaves, do Gabinete Civil- que fizera indicações para postos de chefia da Funai no Acre e em Goiânia; pressão de militares inconformados com as demarcações de terras na fronteira; e pressão de segmentos econômicos contrariados, como as mineradoras.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sargento Cantídio Guerreiro Guimarães'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1990 a jul. de 1991]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sub-oficial da reserva da Aeronáutica (onde serviu como Sargento do quadro de manutenção e reparo de aeronaves), amigo pessoal do ex-presidente Romero Jucá, foi superintendente regional da Funai em Cuiabá de 86 a 87. Corre contra os dois um processo no Supremo Tribunal de Justiça por autorização de extração ilegal de madeira na AI Uru-Eu-Wau-Wau. Era assessor do ex-presidente Íris Pedro de Oliveira e foi Chefe de Gabinete do Consultor Geral da República, Clóvis Ferro Costa. Nesta função fez um parecer - aprovado por Ferro - que autorizava o uso da rodovia de 38 km dentro da AI Waimiri-Atroari. Antes de ser nomeado presidente da Funai, era funcionário da representação do estado do Amapá em Brasília.Foi afastado do cargo em meio a acusações dos índios do Xingu -e tornadas públicas pela imprensa - de estar fotografando índias nuas e &amp;quot;molestar moças e adolescentes&amp;quot; do Parque do Xingu (MT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Coronel Airton Alcântara'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a ago. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Entrou na Funai para substituir o Coronel Carneiro, do CSN, que havia sido nomeado Superintendente Geral da Funai na gestão Íris Pedro, mas acabou morrendo no dia da posse.Alcântara tornou-se presidente, respondendo pelo cargo na fase de transição imposta pelo novo presidente da República Fernando Collor de Mello, recém empossado e que, dentre outras medidas, incorporou a Funai ao Ministério da Justiça depois de liquidar o Ministério do Interior. Para se firmar no cargo e tentar sua permanência no órgão, teve alguns gestos simpáticos aos indigenistas e antropólogos, assinando decretos de reintegração das áreas Uru-Eu-Wau-Wau e Kaiabi Gleba Sul. Por outro lado, elaborou uma lista de 880 servidores a serem colocados em disponibilidade, aproveitando o argumento do enxugarnento administrativo para proceder a uma nova &amp;quot;caça às bruxas&amp;quot;, incluindo antropólogos e indigenistas entre os &amp;quot;disponíveis&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Íris Pedro de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1988 a mar. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, entre 1980 e 1983 foi presidente do Grupo de Terras do Araguaia/ Tocantins (Getat), visto como um órgão de repressão e policiamento. Pragmático, apregoava soluções técnicas e operacionais para caracterizar os territórios indígenas: estabelecer áreas a partir de limites naturais, transferir grupos indígenas para &amp;quot;evitar conflitos&amp;quot; com colonos etc. Em 1980, grileiros aceleravam a invasão de terras indígenas dos Xikrirn do Cateté, em Marabá; em 82, o Getat, a Eletronorte e a Funai optaram pela recomposição da área indígena dos Parakanã, &amp;quot;para evitar contatos indiscriminados&amp;quot; entre as famílias que seriam atingidas direta ou indiretamente pelas águas da UHE e estavam sendo reassentadas na variante da Transamazônica&amp;quot;. Sua nomeação confirmaria a vinculação da Funai aos desígnios do CSN. Denúncias da própria Funai indicam que utilizava-se das aeronaves do órgão para visitar uma fazenda de sua propriedade em Imperatriz (MA), onde há uma administração regional da Funai; esta, tomou-se recordista em receber visitas de um presidente do órgão no período do mandato do presidente Íris. Renovou o convênio com o Instituto Lingüístico de Verão (SIL) para atuarem em todo território nacional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Romero Jucá Fº.'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 1986 a set. de 1988]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista, pernambucano, indicado pelo ministro Marco Maciel, seu conterrâneo e chefe da Casa Civil, dirigia o Projeto Rondon.Implantou a descentralização da FUNAI e retirou os índios de Brasília. Tecnocrata modernizador, assinou inúmeros convênios técnicos e de assistência com outros Ministérios. Promulgou um novo regimento interno no órgão. Nos cinco primeiros meses de sua gestão, o quadro de funcionários havia passado de 3.300 funcionários para 4.200. Somente em Recife, sua terra natal, o escritório da FUNAI chegou a ter 400 funcionários vinculados.Tentou tirar a crise do órgão das páginas de jornais, mas acabou sofrendo intervenção do TCU devido às irregularidades financeiras do órgão. Defendia a linha “pragmática” de exploração dos recursos naturais das terras indígenas, e foi acusado de promover inúmeros contratos com madeireiras.Manifestava-se contra a presença de garimpeiros nas áreas indígenas e assinou, em 1987, o convênio Funai/DNPM para exploração mineral empresarial em área indígena. Em maio de 88, assinou portaria criando um GT para avaliar o grau de aculturação dos índios. Saiu da FUNAI para ser governador nomeado de Roraima, carregando consigo um processo no Supremo Tribunal de Justiça por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena. Já fora da FUNAI, como governador de Roraima, passou a defender a permanência dos garimpeiros invasores do território Yanomami.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Apoena Meirelles'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1985 a mai. de 1986]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sertanista, nasceu numa aldeia Xavante em Pimentel Barbosa, filho do também sertanista Francisco Meirelles (funcionário do antigo SPI), desde cedo acompanhava o pai nas frentes de atração e trabalho nas aldeias.Autor de um projeto de descentralização da FUNAI, ocupou a presidência com o apoio do Ministro do Interior, Costa Couto, para implantá-lo e esvaziar a crise do órgão.Em maio de 1986, veio o decreto alterando o Estatuto da FUNAI, criando seis superintendências regionais.Apoena despachou durante boa parte do mandato fora de seu gabinete na FUNAI - preferindo uma sala no Ministério ou as delegacias regionais -, evitando assim o confronto com o movimento dos índios em Brasília, que continuava intenso.Distribuiu muitos recursos para contentar o lobby Xavante e reprimiu os índios hospedados em Brasília , cancelando o contrato de hospedagem com os hotéis das cidades satélites.Apoena saiu da presidência do órgão alegando não concordar com a ingerência do Ministro do Interior na indicação de nomes para a superintendência de terras e dos 6 superintendentes regionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Álvaro Villas Boas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. a nov. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Indigenista, irmão de Cláudio e Orlando Villas Boas, trabalhou durante anos como delegado da funai em Bauru (SP).Sua indicação teve grande repercussão (negativa) entre os índios que se encontravam em Brasília (mais de 300). Mas Raoni, por exemplo, liderança Kayapó, reuniu um grupo de índios para apóiá-lo.A delegacia de Londrina, fechada por ele, foi ocupada por 120 índios que exigiam sua demissão. Fechou a delegacia de Salvador, que fora ocupada por índios que queriam ver suas terras demarcadas.Demitiu, logo ao início de sua gestão, os indigenistas empossados em cargos de confiança por Jurandy M. da Fonseca.Em seu curto mandato, reuniu contra si os funcionários demitidos que tinham influência sobre algumas lideranças indígenas e sua atitude de não negociar sob pressão com os índios levou-o a ser demitido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Gerson da Silva Alves'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a set. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assumiu interinamente a presidência da FUNAI e, em meados de maio, foi empossado oficialmente no cargo, apoiado pelos Xavante e pelo deputado Mario Juruna em meio à “enchente indígena” em Brasília.Sargento reformado do exército, contador, trabalhava na FUNAI havia 14 anos, em funções burocráticas. Como delegado regional do órgão em Campo Grande e Cuiabá, e diretor do DGO, na sede, em Brasília, acumulou relações de clientela com os Xavantes, que contribuíram para sua indicação ao cargo, em meio à crise sucessória que marcou o período.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ayrton Carneiro de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Aquele que foi sem nunca ter sido. Ex-diretor do INCRA, foi indicado para presidir interinamente a FUNAI pelo Ministro Costa Couto, mas impedido de tomar posse por um conjunto de índios e funcionários que fizeram uma barreira na entrada do prédio.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Nelson Marabuto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1984 a abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Policial de carreira, antes de assumir a presidência da FUNAI havia sido chefe da assessoria de segurança e informação do órgão e também o superintendente da Polícia Federal em São Paulo.Permaneceu no cargo durante o período de transição do governo Figueiredo para o governo Sarney, prolongado pela agonia de Tancredo Neves, no qual houve uma intensa disputa pelo cargo entre varias facções do indigenismo, cada qual mobilizando índios em Brasília.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Jurandy Marcos da Fonseca'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, foi chefe de gabinete da FUNAI nas gestões Bandeira Mello e Ismarth Araújo de Oliveira. O “release” de sua posse informava que havia nascido numa aldeia indígena e que seu pai participara da Comissão Rondon e trabalhara no SPI.Na sua gestão, inaugura a nomeação de índios para cargos de chefia na Funai: Marcos Terena para chefe de gabinete e Megaron (Kayapó) para diretor do Parque do Xingu. Readmitiu muitos dos indigenistas e antropólogos, excluídos por Nobre da Veiga, alguns deles como seus assessores diretos e em cargos de direção.Em julho de 84, demite o sertanista Álvaro Villas Boas, delegado da 12a. DR, causando grande tumulto entre os índios do interior de São Paulo e Paraná, que exigiam sua readmissão invadindo e ocupando por duas semanas a delegacia de Bauru, com grande repercussão na imprensa. Vários artigos em jornais comentavam que era o fim da velha política indigenistas, que começava uma nova mentalidade, uma maneira nova de agir e tratar os problemas indígenas e, principalmente, que se percebia que os índios já não eram mais os mesmos, o que exigia formas diferentes de relacionamento com eles. Era o “sopro de esperança na FUNAI”.Jurandy foi demitido em setembro de 1984. Declarou: ”fui demitido porque não assinei a portaria para regulamentar o decreto 88.985” (autorizando a mineração em terras indígenas). Saiu como herói – mas, uma semana depois, foi acusado pelo Procurador Geral da FUNAI, Irineu de Oliveira, de ter beneficiado 85 fazendeiros no Mato Grosso do Sul, com contratos de arrendamento das terras dos Kadiweu, e embolsado os Cr$ 150 milhões referentes aos contratos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otávio Ferreira Lima'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1983 a abr. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista funcionário do MInistério do Interior, logo que assumiu a presidência da FUNAI convocou as Polícias Militar e Federal para impedir o acesso de lideranças indígenas ao seu gabinete, e suspendeu as entrevistas à imprensa. Demitiu quatro coronéis em cargos de direção (entre eles, o Cel. Hausen).Na sua gestão, foi promulgado o polêmico decreto 88.985, de novembro de 1983, autorizando a entrada de empresas de mineração em terras indígenas.Em dezembro do mesmo ano, assinou um convênio (No. 028/83) com o SIL (Summer Institute of Linguistics), para um período de dois anos, sujeito a prorrogação.Durante uma crise na parte norte do Parque do Xingu - quando os Txucarramãe interditaram a BR-080 e fizerem alguns funcionários como reféns para obtenção de uma faixa de terra adicional -, Ferreira é demitido pelo seu desempenho desastroso como negociador.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Paulo Moreira Leal'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 1981 a jul. de 1983]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da Aeronáutica, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional (CSN). Assumiu a presidência da FUNAI falando em reestruturação administrativa; solicitou ao Ministério do Interior a contratação de 4 mil novos funcionários e afirmou que sua grande aspiração era ver o maior número possível de índios ocupando cargos de direção da Fundação.Demitiu alguns militares assessores do órgão sob pressão dos Xavantes.Assinou um convênio com o Projeto Rondon, para atendimento nas áreas de saúde educação e com a Petrobrás, estabelecendo normas gerais a serem observadas nos trabalhos de pesquisa e lavra mineral em terras indígenas.Encomendou estudos a funcionários do órgão, visando emancipação dos Guarani (da região sul do País) e Tembé (PA/ MA), com base em “critérios de indianidade”.No final de sua gestão, um decreto interministerial (No. 88.118, de 23.02.83) criou o chamado “Grupão”, para a regularização das terras indígenas, retirando tal atribuição do âmbito decisório da FUNAI e alçando-a formalmente ao nível ministerial e do CSN.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Carlos Nobre da Veiga'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1979 a out. de 1981]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da reserva, assume o cargo falando em “disciplina” e demitindo 39 indigenistas e antropólogos, porque haviam encaminhado carta ao Ministro do Interior com criticas à política da FUNAI. Incrementa o projeto de emancipação compulsória, criando os famosos “critérios de indianidade” e declarando que “o índio estará emancipado em cinco gerações”; mas recua e não encaminha o processo ao Ministério do Interior (MINTER).Reestrutura a FUNAI para fortalecer as unidades regionais. Numa reunião da SUDAM, afirma que ”há reservas demais”. A 15/12/1980, sai uma Portaria Interministerial (MINTER/ Min. das Minas e Energia) facilitando a exploração mineral em terras indígenas por empresas estatais. Com base no parecer do Conselho Indigenista da FUNAI, o Ministro do Interior, Mario Andreazza, proíbe Mário Juruna, liderança indígena do povo Xavante, de participar do Tribunal Russel, na Holanda.Juruna lidera 40 índios que, na sede da FUNAI em Brasília, exigem a demissão do Presidente da FUNAI e mais dois coronéis da direção: Ivan Zanoni Hausen (DGPC) e Jose Rodriges Godinho (DGO).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Adhemar Ribeiro da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a nov. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Engenheiro de profissão, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), na sua curta gestão extinguiu a COAMA (Coordenação da Amazônia) e concedeu alvarás de pesquisa mineral na AI Waimiri-Atroari (AM).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ismarth Araújo de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1974 a mar. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, antes de ser nomeado presidente havia sido superintendente da FUNAI. Na sua posse, o Ministro do Interior, Rangel Reis, anunciou “a política de integração em ritmo acelerado”, o que viria a desembocar no projeto de emancipação dos índios, contra o qual ele se opôs publicamente. Mas incrementa os chamados “projetos de desenvolvimento comunitário”, dentro de uma política de “espíritos desarmados” com antropólogos, indigenistas e missionários. Na sua gestão, aumentam substancialmente as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Oscar Jeronymo Bandeira de Mello'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 1970 a mar. de 1974]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, ex-chefe da Divisão de Segurança e informação da FUNAI e ex-agente do SNI, participou do inquérito que extinguiu o SPI. Na sua gestão, consolidou-se a política da FUNAI atrelada ao binômio “segurança e desenvolvimento”, que marcou o período mais duro do regime autoritário - o governo Médici. Seu lema era: “Integrar os índios rapidamente”, sobretudo para que não obstaculizassem a ocupação e colonização da Amazônia, em consonância com o Ministro do Interior, Costa Cavalcante, que anunciou o “boi como grande bandeirante da década”. No bojo do Plano de Integração Nacional, lançado em 1970, estabeleceu um convenio com a SUDAM “para pacificar 30 grupos arredios” ao longo da Transamazônica. Participou de um churrasco com fazendeiros na abertura da BR-080, rodovia que cortou o norte do Parque do Xingu e excluiu boa parte do território dos índios Txukarramãe (sub-grupo Kayapó).Durante sua gestão, foi promulgado o Estatuto do Índio, aprovado pelo Congresso Nacional, e criada, na FUNAI, a Divisão de Desenvolvimento Comunitário (subordinada à Coordenação de Programas de Desenvolvimento de Comunidades, do Ministério do Interior). Relacionada a essa divisão desenvolvimentista e integracionista das populações indígenas, reintroduziu a chamada “renda indígena”, conceito chave para viabilizar o projeto de “emancipação econômica” dos grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''José de Queiroz Campos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[dez. de 1967 a jun. de 1970]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coordenou a implantação do órgão, tendo que se defrontar – juntamente com o Ministro do Interior, Gal. Albuquerque Lima – com a avalanche de denúncias de genocídio contra o governo no exterior, sobretudo a partir da divulgação do Relatório Jader Figueiredo (março de 1968), que trazia os resultados de uma devassa no SPI (Serviço de Proteção aos Índios, órgão governamental antecessor à FUNAI).Na sua gestão, foram ampliada a área do Parque do Xingu e criados outros três parques indígenas. Criou a GRIN, Guarda Rural Indígena, transformando índios em policiais nas suas próprias aldeias. Assinou convênio com o SIL (Summer Institute of Linguistics) em 1969 e, no mesmo ano, realizou o 1o. Simpósio FUNAI - Missões Religiosas.Jornalista de profissão, escreveu livros a respeito de fatos ocorridos na sua gestão (como a famosa expedição do Pe. Calleri, chacinada durante as tentativas de contatar os Waimiri–Atroari, no Amazonas), mas que nunca chegou a publicar, por recomendação dos órgãos de segurança.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ações ministeriais==&lt;br /&gt;
O início da década de 1990 marcou decididamente uma mudança radical na [[Órgão Indigenista Oficial | política indigenista oficial brasileira]]: até então, todas as ações relativas aos povos indígenas estavam sob a gestão exclusiva do Ministério da Justiça, via a [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio]]. A partir de 4 decretos presidenciais promulgados no ano de 1991 - conforme tabela abaixo -  a maioria das ações da Funai foi absorvida total ou parcialmente por outros ministérios e órgãos federais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Decreto | Data&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Objeto do decreto&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;No 23 - 4/02/1991 (saúde)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as condições para a prestação de assistência à '''saúde das populações indígenas: '''Art. 5º '''A Fundação Serviços de Saúde Pública - FSESP''', enquanto não for instituída a Fundação Nacional de Saúde, de que trata o artigo 11 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, encarregar-se-á da coordenação dos projetos, tanto na fase de elaboração, quanto na de execução. &amp;lt;br/&amp;gt;OBS. Em 16 de abril de 1991, o Decreto Presidencial nº 100 instituiu a '''Fundação Nacional de Saúde (FNS)''' que incorporou a Fundação Serviços de Saúde Pública e, por seu turno, o atendimento à saúde das populações indígenas.   &lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 24 – 4/02/1991 (meio ambiente)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as ações visando à proteção do '''meio ambiente em terras indígenas'''.  Art. 4º A coordenação dos projetos mencionados no art 2º caberá à Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, e sua elaboração e execução serão realizadas pelo '''Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis''' e pelo órgão federal de assistência ao índio&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 25 – 4/02/1991 (auto-sutentação econômica)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre programas e projetos para assegurar '''a auto-sustentação dos povos indígenas'''. Art. 5º Compete ao '''Ministério da Agricultura e Reforma Agrária''', por intermédio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRAPA, e ao '''Ministério da Justiça''', por intermédio do órgão federal de assistência ao índio, a coordenação das ações decorrentes deste Decreto&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 26 – 4/02/1991 (educação)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre a '''Educação Indígena no Brasil.''' Art. 1º Fica atribuída ao '''Ministério da Educação''' a competência para coordenar as ações referentes à Educação Indígena, em todos os níveis e modalidades de ensino, ouvida a FUNAI&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais medidas de cunho legal, retirando da Funai grande parte de suas principais atribuições, produziram uma situação na qual as políticas públicas para os povos indígenas  até os dias de hoje vêm sendo conduzidas e executadas de maneira: a) fragmentada: já que pulverizadas em diversos órgãos de distintos ministérios federais e, portanto, sem a falta de uma coordenação geral; b) sobreposta: pois mesmo com essa pulverização, a Funai continua tanto a executar parte de algumas das ações previstas para outros ministérios ([[A educação escolar indígena no Brasil | educação indígena]] e atividades econômicas), como , em muitos casos, a não cumprir com suas atribuições de suporte e parceria junto aos mesmos ministérios, exigidas em todos os decretos citados;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer desse período – 1991 aos dias atuais -, foram diversas as ações desencadeadas pelos diversos ministérios que passaram a cuidar da política indigenista oficial, para além daquelas que continuaram a ser promovidas pela Fundação Nacional do Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma descrição mais pormenorizada sobre os tema da saúde (Ministério da Saúde) e da educação (Ministério da Educação), ver as subseções específicas que compõem este site.  &lt;br /&gt;
Quanto às ações desencadeadas pelos demais ministérios, não há espaço aqui para apresentá-las em sua totalidade e com o nível de detalhamento requerido. Assim, apresentamos abaixo apenas algumas destas iniciativas ministeriais para que se possa ter uma idéia geral do atual quadro da política indigenista oficial atual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ministérios&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ações&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Meio Ambiente (MMA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI)&lt;br /&gt;
* Gestão Ambiental em Terras Indígenas&lt;br /&gt;
* Conservação e Recuperação da Biodiversidade em T.I.s&lt;br /&gt;
* Ação de fomento à Gestão Ambiental em T.I.s&lt;br /&gt;
* Fortalecimento social e econômico via Coordenadoria do Agroextrativismo  &lt;br /&gt;
* “Carteira Indígena”: Segurança Alimentar associada à Recuperação de Degradação Ambiental&lt;br /&gt;
* PNGATI - Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ATER Indígena: Valorização da Agroecologia&lt;br /&gt;
* PRONAF: financiamento de projetos de capacitação de lideranças indígenas comunitárias; de etnodesenvolvimento etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Social  (MDS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Doação de recursos financeiros para o projeto “Carteira Indígena”, sob gestão do MMA&lt;br /&gt;
* Bolsa-Família para os povos indígenas&lt;br /&gt;
* “Fome Zero Indígena” &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Cultura (MinC)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Prêmio Culturas Indígenas&lt;br /&gt;
* Pontos de Cultura para povos indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Saúde (MS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada em outubro de 2010.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
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== Veja também ==&lt;br /&gt;
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== Referências externas ==&lt;br /&gt;
===Sites===&lt;br /&gt;
====Funai====&lt;br /&gt;
* Página oficial da Funai- &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Blog da FUNAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Técnica Local Nova Xavantina - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Madeira - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://crmadeira.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://crmadeira.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Litoral Sul - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional do Sul da Bahia - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Macéio - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Fortaleza - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Cacoal - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaiceara.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaiceara.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura=24&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura;=24&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  MEC. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=290&amp;amp;amp;Itemid=815&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view;=article&amp;amp;amp;id;=290&amp;amp;amp;Itemid;=815&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (MN/UFRJ) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Centro de Trabalho Indigenista - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====Ministérios====&lt;br /&gt;
* Ministério do Meio Ambiente - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mds.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mds.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Agrário - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Cultura - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Saúde - SESAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
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		<author><name>Marianafurtado</name></author>
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