<?xml version="1.0"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xml:lang="pt-BR">
	<id>https://pib.socioambiental.org/pt/api.php?action=feedcontributions&amp;feedformat=atom&amp;user=Mario</id>
	<title>Povos Indígenas no Brasil - Contribuições do(a) usuário(a) [pt-br]</title>
	<link rel="self" type="application/atom+xml" href="https://pib.socioambiental.org/pt/api.php?action=feedcontributions&amp;feedformat=atom&amp;user=Mario"/>
	<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/Especial:Contribui%C3%A7%C3%B5es/Mario"/>
	<updated>2026-04-04T06:45:27Z</updated>
	<subtitle>Contribuições do(a) usuário(a)</subtitle>
	<generator>MediaWiki 1.35.5</generator>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Demarca%C3%A7%C3%B5es&amp;diff=2185</id>
		<title>Demarcações</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Demarca%C3%A7%C3%B5es&amp;diff=2185"/>
		<updated>2017-09-29T20:19:24Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Sistemáticas anteriores */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Demarcações&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{#slideshow: slide&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/833785-2/tkbraz114_edit.jpg&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/833782-2/IMG_1118_20130418_edit.JPG&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/833778-2/100_5691_edit.JPG&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/797525-1/desmatamento_RO.jpg&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: xx-small; text-align: right; &amp;quot;&amp;gt;Foto: diversos autores, veja &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/v/publico/institucional/slideshows/povos_indigenas/&amp;quot;&amp;gt;aqui&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A demarcação de uma [[O que são Terras Indígenas%3F | Terra Indígena]] tem por objetivo garantir o [[Constituição#Direito_.C3.A0_terra | direito indígena à terra]]. Ela deve estabelecer a real extensão da posse indígena, assegurando a proteção dos limites demarcados e impedindo a ocupação por terceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde a aprovação do [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio]], em 1973, esse reconhecimento formal passou a obedecer a um procedimento administrativo, previsto no artigo 19 daquela lei. Tal procedimento, que estipula as etapas do longo  processo de demarcação, é regulado por decreto do Executivo e, no decorrer dos anos, sofreu seguidas modificações. A última modificação importante ocorreu com o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D1775.htm&amp;quot;&amp;gt;decreto 1.775, de janeiro de 1996&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Como é feita a demarcação hoje? ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;g2image_centered&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/797525-1/desmatamento_RO.jpg&amp;quot; alt=&amp;quot;desmatamento_RO&amp;quot; title=&amp;quot;Vista de satélite das Terras Indígenas (linha laranja) em Rondônia, 2013&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(1) Estudos de identificação===&lt;br /&gt;
Primeiramente, a [[Órgão_Indigenista_Oficial#A_Funda.C3.A7.C3.A3o_Nacional_do_.C3.8Dndio_.28Funai.29 | Funai]] nomeia um antropólogo com qualificação reconhecida para elaborar estudo antropológico de identificação da TI em questão, em prazo determinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O estudo do antropólogo fundamenta o trabalho do grupo técnico especializado, que realizará estudos complementares de natureza etnohistórica, sociológica, jurídica, cartográfica e ambiental, além do levantamento fundiário, com vistas à delimitação da TI. O grupo deverá ser coordenado por um antropólogo e composto preferencialmente por técnicos do quadro funcional do [[Órgão Indigenista Oficial | órgão indigenista]]. Ao final, o Grupo apresentará relatório circunstanciado à Funai, do qual deverão constar elementos e dados específicos listados na Portaria nº 14, de 09/01/96, bem como a caracterização da TI a ser demarcada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(2) Aprovação da Funai===&lt;br /&gt;
O relatório tem que ser aprovado pelo Presidente da Funai, que, no prazo de 15 dias, fará com que seja publicado o seu resumo no DOU (Diário Oficial da União) e no Diário Oficial da unidade federada correspondente. A publicação deve ainda ser afixada na sede da Prefeitura local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(3) Contestações===&lt;br /&gt;
A contar do início do procedimento até 90 dias após a publicação do relatório no DOU, todo interessado, inclusive estados e municípios, poderá manifestar-se, apresentando ao órgão indigenista suas razões, acompanhadas de todas as provas pertinentes, com o fim de pleitear indenização ou demonstrar vícios existentes no relatório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Funai tem, então, 60 dias, após os 90 mencionados no parágrafo anterior, para elaborar pareceres sobre as razões de todos os interessados e encaminhar o procedimento ao Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(4) Declarações dos limites da TI===&lt;br /&gt;
O Ministro da Justiça terá 30 dias para: '''(a) '''expedir portaria, declarando os limites da área e determinando a sua demarcação física; ou''' (b)''' prescrever diligências a serem cumpridas em mais 90 dias; ou ainda, '''(c)''' desaprovar a identificação, publicando decisão fundamentada no parágrafo 1º. do artigo 231 da Constituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(5) Demarcação física===&lt;br /&gt;
Declarados os limites da área, a Funai promove a sua demarcação física, enquanto o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em caráter prioritário, procederá ao reassentamento de eventuais ocupantes não-índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(6) Homologação===&lt;br /&gt;
O procedimento de demarcação deve, por fim, ser submetido ao Presidente da República para homologação por decreto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(7) Registro===&lt;br /&gt;
A terra demarcada e homologada será registrada, em até 30 dias após a homologação, no cartório de imóveis da comarca correspondente e na SPU (Secretaria de Patrimônio da União).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
====Contato direto====&lt;br /&gt;
* '''Pagina Oficial da Funai''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* '''Diário Oficial da União - Portal da Imprensa Nacional''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://portal.in.gov.br/page_leitura_jornais&amp;quot;&amp;gt;http://portal.in.gov.br/page_leitura_jornais&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* '''Ministério da Justiça''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://portal.mj.gov.br/&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mj.gov.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt; * ''' Secretaria de Patrimônio da União''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://patrimoniodetodos.gov.br/&amp;quot;&amp;gt;http://patrimoniodetodos.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sistemáticas anteriores ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sistemática de demarcação das Terras Indígenas no Brasil tem sofrido várias modificações ao longo dos últimos anos. Veja abaixo o resumo de sistemáticas de demarcação desde 1976 até janeiro de 1996, quando a atual foi instituída pelo &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D1775.htm&amp;quot;&amp;gt;decreto 1.775&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 76.999, de 08/01/1976&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O presidente da Funai nomeava um antropólogo e um engenheiro ou agrimensor, que faziam relatório contendo a identificação prévia dos limites da área. O relatório era aprovado pelo presidente da Funai – embora a legislação não especifique, este ato se consubstanciava numa portaria. Com base nele, promovia-se a demarcação física da área em questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de demarcada, o processo era submetido ao presidente da República para homologação. As terras eram então levadas a registro em cartório e no SPU (Serviço de Patrimônio da União).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 88.118 de 23/02/1983&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A equipe técnica da Funai fazia a identificação preliminar da área, que resultava numa proposta do órgão indigenista para um Grupo de Trabalho (GT), composto por ministérios e outros órgãos federais ou estaduais, quando conveniente. O GT emitia parecer conclusivo, encaminhando o assunto à decisão dos ministros do Interior e Extraordinário para Assuntos Fundiários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se aprovado pelos ministros, o processo era levado ao presidente da República, acompanhado de minuta de decreto, que homologaria o procedimento e descreveria os limites da área indígena reconhecida. A demarcação física seria então feita com base no decreto e, depois disso, levada a registro em cartório e no SPU.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na prática, no entanto, havia dois decretos presidenciais: no primeiro deles, o presidente apenas delimitava a área a ser demarcada. Depois da demarcação física, o processo retornava às suas mãos para homologação por meio de um novo decreto. Ao final, promovia-se o registro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 94.945 de 23/09/1987&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia aqui participação de representantes dos órgãos fundiários federal e estadual, bem como de outros órgãos que a Funai julgasse conveniente, na equipe técnica do órgão indigenista, que promovia a identificação preliminar dos limites das terras. Se as terras estivessem localizadas em faixa de fronteira, haveria participação obrigatória de um representante da Secretaria-Geral do Conselho de Segurança Nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com base nos trabalhos da equipe técnica, a Funai apresentava uma proposta de demarcação a um GT Interministerial, que dava parecer conclusivo sobre a mesma, submetendo-a aos ministros do Interior, da Reforma e do Desenvolvimento Agrário e ao secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional, quando se tratasse de área de fronteira. Na prática, porém, o secretário do Conselho de Segurança passou a decidir sobre todos os casos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ministros, em aprovando o parecer, baixavam portaria interministerial declarando a área como de ocupação indígena e descrevendo os seus limites. A demarcação física era realizada pela FUNAI e, em seguida, o processo era submetido à homologação do presidente da República. Por fim, providenciava-se o registro das terras em cartório e no SPU.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 22, de 04/02/1991&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A FUNAI criava um GT de técnicos, coordenado por antropólogo, para proceder ao levantamento preliminar dos limites da TI em questão – facultada a participação do povo indígena interessado – e elaborar relatório caracterizando a área a ser demarcada. Uma vez aprovado pelo presidente da Funai e publicado no Diário Oficial da União (DOU), o processo era encaminhado ao ministro da Justiça, o qual poderia solicitar informações adicionais a órgãos públicos. Uma vez aprovado, o ministro declarava a terra em questão como de posse indígena permanente, através de portaria publicada no DOU. Caso não aprovasse, o ministro deveria reexaminar o caso em 30 dias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na seqüência, a Funai, com base nos limites declarados na portaria do ministro, poderia proceder a demarcação física da terra e, nos casos necessários, o Incra deveria reassentar ocupantes não-indígenas. Concluída a demarcação, o processo era submetido à homologação do presidente da República, através de decreto publicado no DOU, seguindo-se os registros nos cartórios imobiliários das comarcas correspondentes e no SPU.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Situação jurídica das TIs no Brasil hoje ==&lt;br /&gt;
Veja abaixo o quadro-resumo da situação jurídica das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (TIs) no Brasil e, mais abaixo, um recorte específico para a situação das TIs na Amazônia Legal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para facilitar a compreensão dividimos em quatro as várias &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/como-e-feita-a-demarcacao-hoje&amp;quot;&amp;gt;etapas do processo de reconhecimento oficial das TIs&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Cada linha corresponde a uma situação nesse processo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Última atualização em {{#$smarty.now|date_format:'%d/%m/%Y':}}.'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Situação das TIs no Brasil  &amp;lt;span class=&amp;quot;Apple-style-span&amp;quot; style=&amp;quot;font-size: 10px;&amp;quot;&amp;gt;(clique na situação jurídica para ver todas as TIs nessa situação)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#computo:}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Situação das TIs na Amazônia Legal &amp;lt;span class=&amp;quot;Apple-style-span&amp;quot; style=&amp;quot;font-size: 10px;&amp;quot;&amp;gt;(clique na situação jurídica para ver todas as TIs nessa situação)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#computo am=1:}}&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Terras Identificadas, aprovadas pelo presidente da Funai  sujeitas a contestações (última atualização em 05/04/2017)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nº&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nome da Terra&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Povo&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (há)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Data (DOU)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tremembé de Almofala&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tremembé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;CE&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4900&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/07/1993&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Barra Velha do Monte Pascoal&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52748&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29/02/2008&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;3.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá de Olivença&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;47376&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20/04/2009&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tumbalalá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tumbalalá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;44978&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;02/06/2009&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Votouro Kandoia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;RS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5977&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;08/12/2009&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paukalirajausu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Nambikwara-Sararé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8400&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;05/10/2010&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;7.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Apiaká do Pontal&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Apiaká e Munduruku&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;982324&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20/04/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Maró&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Arapiuns e Borari&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;42373&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10/10/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Panambi-Lagoa Rica&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaiowá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12196&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/12/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;´Wedezé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xavante&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;145881&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26/12/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;11.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tuwa Apekuokawera&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Aikewara (Surui)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;11764&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/01/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Menku (área ampliada da Myky)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Menku&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;146398&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Wassu Cocal&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Wassu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AL&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9098&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13/07/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Vista Alegre&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mura&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13206&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;01/08/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;15.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kanela/Memortumré&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;KanelaRamkokamekra,&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;100221&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29/08/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;16.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Jauary&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mura&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24831&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10/10/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Iguatemipeguá I&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Kaiowá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;41571&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;08/01/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;18.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxixó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxixó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MG&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5411&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26/03/20013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Boa Vista do Sertão Pro-Mirim&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5420&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23/04/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá de Belmonte&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9521&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23/04/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;21.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;CE&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5838&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/08/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xetá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2686&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;01/072014&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xakriabá (ampliação)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xakriabá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MG&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;43357&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;06/10/2014&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Comexatiba&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28077&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/07/2015&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Cobra Grande&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Arapiuns, Jaraqui e Tapajó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8906&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29/09/2015&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxuyana-Tunayana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxuyana, Tunayana etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM/PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2184120&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20/10/2015&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Jurubaxi-Téa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Baré,Tukano, Baniwa etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1208155&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Sawré/Muybu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Munduruku&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;178173&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Sambaqui&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2795&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;30.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ypoi-Triunfo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Ñandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19756&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;31.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mato Castelhano-FÁg TY KA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;RS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;3567&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;11/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;32.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pakurity&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5750&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peguaoty&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani MByá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;34.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Cerco Grande&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1390&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dourados Amambaipeguá I&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Kayowá e Ñandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;55600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;36.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Djaiko-aty&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;G.Mbyá e Nandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1216&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/08/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;37.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ka´aguy Mirim&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1190&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/08/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ambá Porã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;7204&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/08/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;39.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pindoty/Araçá-Mirim&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1030&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/01/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;40.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tekohá Jevy&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbya e Nandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2370&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;41.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pipipã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pipipã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PE&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;63322&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;42.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guaviraty&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1248&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;43.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tapy'i/Rio Branquinho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1154&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;44.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ka´aguy Hovy&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Demarcações nos últimos sete governos ==&lt;br /&gt;
Abaixo, tabela com o reconhecimento de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (TI) no Brasil, nos governos dos presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[Última atualização em 11 de Setembro de 2017. Desde então não houve novos decretos e portarias.]&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Brasil&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas*&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a set 2017]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.213.449&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;932.665&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.243.549&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.096.007&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;51&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.008.845&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.726.053&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;30&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10.282.816&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;66&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.059.713&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;60&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.033.678&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.699.936&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.922.172&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;114&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31.526.966&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Itamar Franco [out 92 | dez 94]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.241.711&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;16&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5.432.437&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.794.263&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;112&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.405.219&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.786.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;67&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;14.370.486&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Amazônia legal&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a set 2017]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.208.155&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;878.462&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.240.776&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;964.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.821.205&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;13&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.690.239&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;20&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.917.596&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;52&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10.988.935&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;47&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;15.767.121&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;18&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.642.668&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;32&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;17.138.447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;81&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;30.709.327&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Itamar Franco [out 92 | dez 94]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;6.518.162&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5.499.776&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;23.390.618&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;74&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.795.019&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;34&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.009.449&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.452.807&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''*''' Inclui nove (9) terras Reservadas por decreto: um (1) no governo Sarney, três (3) no governo Collor , um (1) no primeiro Mandato de Lula e dois (2) no segundo mandato de Lula.&lt;br /&gt;
'''**''' As colunas &amp;quot;Número de terras&amp;quot; e &amp;quot;Extensão&amp;quot; não devem ser somadas, pois várias terras indígenas homologadas em um governo foram redefinidas e novamente homologadas. &lt;br /&gt;
(Por exemplo, a TI Baú que já havia sido declarada no governo FHC com 1.850.000 hectares, e no governo Lula foi reduzida para 1.543.460 hectares. Também a TI Raposa Serra do Sol, que já tinha sido declarada em 1998 no gov. FHC , foi posteriormente declarada por Lula, com a mesma extensão. Nesses casos a extensão foi contabilizada duas vezes, o que impede a simples somatória dos campos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e extensão das TIs ==&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;terras indígenas (TIs)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; somam {{#total_area_ti total=1:}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti extensao=1 ha=1:}} hectares (  {{#total_area_ti extensao=1 km=1:}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti perc=1:}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;g2image_centered&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; rel=&amp;quot;lightbox[g2image]&amp;quot; title=&amp;quot;Terras Indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental, 2015.&amp;quot; href=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/922082-1/mapa_TI_brasil_2015_A4_2.jpg&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; width=&amp;quot;700&amp;quot; height=&amp;quot;700&amp;quot; alt=&amp;quot;mapa_TI_brasil_2015_A4_2&amp;quot; title=&amp;quot;Terras Indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental, 2015.&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/922083-4/mapa_TI_brasil_2015_A4_2.jpg?g2_GALLERYSID=TMP_SESSION_ID_DI_NOISSES_PMT&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa situação de flagrante contraste pode ser explicada pelo fato de a colonização do Brasil ter sido iniciada pelo litoral, o que levou a embates diretos contra as populações indígenas que aí viviam, causando enorme depopulação e desocupação das terras, que hoje estão em mãos da propriedade privada. Aos índios restaram terras diminutas, conquistadas a duras penas. Por exemplo, em São Paulo, a terra Guarani Aldeia Jaraguá tem apenas dois hectares de extensão, o que impossibilita que vivam da terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há vozes dissonantes em relação ao tamanho das TIs na Amazônia, alegando que haveria &amp;quot;muita terra para poucos índios&amp;quot;. Esses críticos se esquecem de que os índios têm que tirar todo seu sustento da terra. Muitas vezes, as TIs têm grandes partes não agricultáveis, e sofrem ou sofreram diversos tipos de impactos&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box-right&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Veja também&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/0/1/2/situacao-juridica-das-tis-hoje&amp;quot;&amp;gt;Situação Jurídica das TIs Hoje&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org&amp;quot;&amp;gt;De Olho nas Terras Indígenas no Brasil&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - mapas, dados, notícias e mais&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;/files/file/PIB_institucional/dgallois-1.pdf&amp;quot;&amp;gt;''Terras ocupadas? Territórios? Territorialidades?''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, por Dominique Tilkin Gallois,  antropóloga, docente do Departamento de Antropologia Social da FFLCH-USP e coordenadora do NHII-USP (Núcleo de História Indígena e do Indigenismo)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;tablesorter&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Terras Indígenas por Estado na Amazônia Legal*&lt;br /&gt;
    (em 22/10/ 2014)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;thead&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;área da UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;Terra indígena&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;% sobre a UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;/thead&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Acre&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;16.491.871&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.459.834&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14,92%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Amapá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14.781.700&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.191.343&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8,06%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Amazonas&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;158.478.203&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;45.232.159&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28,54%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Maranhão**&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26.468.894&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.285.329&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8,63%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mato Grosso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;90.677.065&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;15.022.842&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;16,57%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;125.328.651&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28.687.362&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22,89%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Rondônia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23.855.693&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5.022.789&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;21,05%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Roraima&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22.445.068&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10.370.676&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;46,20%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tocantins&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27.842.280&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.597.580&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9,33%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Total&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;506.369.425&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;112.869.914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22,29%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota: * áreas calculadas pelo SIG/ISA, utilizando os limites das TIs lançados sobre a base 1:250.000 e os limites de Estado do IBGE/Sivam na escala 1:250.000&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Demarcações}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-08}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Demarca%C3%A7%C3%B5es&amp;diff=2184</id>
		<title>Demarcações</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Demarca%C3%A7%C3%B5es&amp;diff=2184"/>
		<updated>2017-09-29T20:18:20Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Como é feita a demarcação hoje? */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Demarcações&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{#slideshow: slide&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/833785-2/tkbraz114_edit.jpg&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/833782-2/IMG_1118_20130418_edit.JPG&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/833778-2/100_5691_edit.JPG&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/797525-1/desmatamento_RO.jpg&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: xx-small; text-align: right; &amp;quot;&amp;gt;Foto: diversos autores, veja &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/v/publico/institucional/slideshows/povos_indigenas/&amp;quot;&amp;gt;aqui&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A demarcação de uma [[O que são Terras Indígenas%3F | Terra Indígena]] tem por objetivo garantir o [[Constituição#Direito_.C3.A0_terra | direito indígena à terra]]. Ela deve estabelecer a real extensão da posse indígena, assegurando a proteção dos limites demarcados e impedindo a ocupação por terceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde a aprovação do [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio]], em 1973, esse reconhecimento formal passou a obedecer a um procedimento administrativo, previsto no artigo 19 daquela lei. Tal procedimento, que estipula as etapas do longo  processo de demarcação, é regulado por decreto do Executivo e, no decorrer dos anos, sofreu seguidas modificações. A última modificação importante ocorreu com o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D1775.htm&amp;quot;&amp;gt;decreto 1.775, de janeiro de 1996&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Como é feita a demarcação hoje? ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;g2image_centered&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/797525-1/desmatamento_RO.jpg&amp;quot; alt=&amp;quot;desmatamento_RO&amp;quot; title=&amp;quot;Vista de satélite das Terras Indígenas (linha laranja) em Rondônia, 2013&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(1) Estudos de identificação===&lt;br /&gt;
Primeiramente, a [[Órgão_Indigenista_Oficial#A_Funda.C3.A7.C3.A3o_Nacional_do_.C3.8Dndio_.28Funai.29 | Funai]] nomeia um antropólogo com qualificação reconhecida para elaborar estudo antropológico de identificação da TI em questão, em prazo determinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O estudo do antropólogo fundamenta o trabalho do grupo técnico especializado, que realizará estudos complementares de natureza etnohistórica, sociológica, jurídica, cartográfica e ambiental, além do levantamento fundiário, com vistas à delimitação da TI. O grupo deverá ser coordenado por um antropólogo e composto preferencialmente por técnicos do quadro funcional do [[Órgão Indigenista Oficial | órgão indigenista]]. Ao final, o Grupo apresentará relatório circunstanciado à Funai, do qual deverão constar elementos e dados específicos listados na Portaria nº 14, de 09/01/96, bem como a caracterização da TI a ser demarcada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(2) Aprovação da Funai===&lt;br /&gt;
O relatório tem que ser aprovado pelo Presidente da Funai, que, no prazo de 15 dias, fará com que seja publicado o seu resumo no DOU (Diário Oficial da União) e no Diário Oficial da unidade federada correspondente. A publicação deve ainda ser afixada na sede da Prefeitura local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(3) Contestações===&lt;br /&gt;
A contar do início do procedimento até 90 dias após a publicação do relatório no DOU, todo interessado, inclusive estados e municípios, poderá manifestar-se, apresentando ao órgão indigenista suas razões, acompanhadas de todas as provas pertinentes, com o fim de pleitear indenização ou demonstrar vícios existentes no relatório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Funai tem, então, 60 dias, após os 90 mencionados no parágrafo anterior, para elaborar pareceres sobre as razões de todos os interessados e encaminhar o procedimento ao Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(4) Declarações dos limites da TI===&lt;br /&gt;
O Ministro da Justiça terá 30 dias para: '''(a) '''expedir portaria, declarando os limites da área e determinando a sua demarcação física; ou''' (b)''' prescrever diligências a serem cumpridas em mais 90 dias; ou ainda, '''(c)''' desaprovar a identificação, publicando decisão fundamentada no parágrafo 1º. do artigo 231 da Constituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(5) Demarcação física===&lt;br /&gt;
Declarados os limites da área, a Funai promove a sua demarcação física, enquanto o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em caráter prioritário, procederá ao reassentamento de eventuais ocupantes não-índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(6) Homologação===&lt;br /&gt;
O procedimento de demarcação deve, por fim, ser submetido ao Presidente da República para homologação por decreto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(7) Registro===&lt;br /&gt;
A terra demarcada e homologada será registrada, em até 30 dias após a homologação, no cartório de imóveis da comarca correspondente e na SPU (Secretaria de Patrimônio da União).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
====Contato direto====&lt;br /&gt;
* '''Pagina Oficial da Funai''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* '''Diário Oficial da União - Portal da Imprensa Nacional''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://portal.in.gov.br/page_leitura_jornais&amp;quot;&amp;gt;http://portal.in.gov.br/page_leitura_jornais&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* '''Ministério da Justiça''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://portal.mj.gov.br/&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mj.gov.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt; * ''' Secretaria de Patrimônio da União''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://patrimoniodetodos.gov.br/&amp;quot;&amp;gt;http://patrimoniodetodos.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sistemáticas anteriores ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sistemática de demarcação das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil tem sofrido várias modificações ao longo dos últimos anos. Veja abaixo o resumo de sistemáticas de demarcação desde 1976 até janeiro de 1996, quando a atual foi instituída pelo &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D1775.htm&amp;quot;&amp;gt;decreto 1.775&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (saiba mais em &amp;quot;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/como-e-feita-a-demarcacao-hoje&amp;quot;&amp;gt;Como é feita a demarcação hoje?&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 76.999, de 08/01/1976&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O presidente da Funai nomeava um antropólogo e um engenheiro ou agrimensor, que faziam relatório contendo a identificação prévia dos limites da área. O relatório era aprovado pelo presidente da Funai – embora a legislação não especifique, este ato se consubstanciava numa portaria. Com base nele, promovia-se a demarcação física da área em questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de demarcada, o processo era submetido ao presidente da República para homologação. As terras eram então levadas a registro em cartório e no SPU (Serviço de Patrimônio da União).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 88.118 de 23/02/1983&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A equipe técnica da Funai fazia a identificação preliminar da área, que resultava numa proposta do órgão indigenista para um Grupo de Trabalho (GT), composto por ministérios e outros órgãos federais ou estaduais, quando conveniente. O GT emitia parecer conclusivo, encaminhando o assunto à decisão dos ministros do Interior e Extraordinário para Assuntos Fundiários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se aprovado pelos ministros, o processo era levado ao presidente da República, acompanhado de minuta de decreto, que homologaria o procedimento e descreveria os limites da área indígena reconhecida. A demarcação física seria então feita com base no decreto e, depois disso, levada a registro em cartório e no SPU.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na prática, no entanto, havia dois decretos presidenciais: no primeiro deles, o presidente apenas delimitava a área a ser demarcada. Depois da demarcação física, o processo retornava às suas mãos para homologação por meio de um novo decreto. Ao final, promovia-se o registro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 94.945 de 23/09/1987&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia aqui participação de representantes dos órgãos fundiários federal e estadual, bem como de outros órgãos que a Funai julgasse conveniente, na equipe técnica do órgão indigenista, que promovia a identificação preliminar dos limites das terras. Se as terras estivessem localizadas em faixa de fronteira, haveria participação obrigatória de um representante da Secretaria-Geral do Conselho de Segurança Nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com base nos trabalhos da equipe técnica, a Funai apresentava uma proposta de demarcação a um GT Interministerial, que dava parecer conclusivo sobre a mesma, submetendo-a aos ministros do Interior, da Reforma e do Desenvolvimento Agrário e ao secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional, quando se tratasse de área de fronteira. Na prática, porém, o secretário do Conselho de Segurança passou a decidir sobre todos os casos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ministros, em aprovando o parecer, baixavam portaria interministerial declarando a área como de ocupação indígena e descrevendo os seus limites. A demarcação física era realizada pela FUNAI e, em seguida, o processo era submetido à homologação do presidente da República. Por fim, providenciava-se o registro das terras em cartório e no SPU.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 22, de 04/02/1991&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A FUNAI criava um GT de técnicos, coordenado por antropólogo, para proceder ao levantamento preliminar dos limites da TI em questão – facultada a participação do povo indígena interessado – e elaborar relatório caracterizando a área a ser demarcada. Uma vez aprovado pelo presidente da Funai e publicado no Diário Oficial da União (DOU), o processo era encaminhado ao ministro da Justiça, o qual poderia solicitar informações adicionais a órgãos públicos. Uma vez aprovado, o ministro declarava a terra em questão como de posse indígena permanente, através de portaria publicada no DOU. Caso não aprovasse, o ministro deveria reexaminar o caso em 30 dias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na seqüência, a Funai, com base nos limites declarados na portaria do ministro, poderia proceder a demarcação física da terra e, nos casos necessários, o Incra deveria reassentar ocupantes não-indígenas. Concluída a demarcação, o processo era submetido à homologação do presidente da República, através de decreto publicado no DOU, seguindo-se os registros nos cartórios imobiliários das comarcas correspondentes e no SPU.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Situação jurídica das TIs no Brasil hoje ==&lt;br /&gt;
Veja abaixo o quadro-resumo da situação jurídica das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (TIs) no Brasil e, mais abaixo, um recorte específico para a situação das TIs na Amazônia Legal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para facilitar a compreensão dividimos em quatro as várias &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/como-e-feita-a-demarcacao-hoje&amp;quot;&amp;gt;etapas do processo de reconhecimento oficial das TIs&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Cada linha corresponde a uma situação nesse processo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Última atualização em {{#$smarty.now|date_format:'%d/%m/%Y':}}.'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Situação das TIs no Brasil  &amp;lt;span class=&amp;quot;Apple-style-span&amp;quot; style=&amp;quot;font-size: 10px;&amp;quot;&amp;gt;(clique na situação jurídica para ver todas as TIs nessa situação)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#computo:}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Situação das TIs na Amazônia Legal &amp;lt;span class=&amp;quot;Apple-style-span&amp;quot; style=&amp;quot;font-size: 10px;&amp;quot;&amp;gt;(clique na situação jurídica para ver todas as TIs nessa situação)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#computo am=1:}}&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Terras Identificadas, aprovadas pelo presidente da Funai  sujeitas a contestações (última atualização em 05/04/2017)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nº&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nome da Terra&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Povo&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (há)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Data (DOU)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tremembé de Almofala&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tremembé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;CE&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4900&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/07/1993&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Barra Velha do Monte Pascoal&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52748&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29/02/2008&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;3.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá de Olivença&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;47376&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20/04/2009&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tumbalalá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tumbalalá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;44978&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;02/06/2009&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Votouro Kandoia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;RS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5977&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;08/12/2009&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paukalirajausu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Nambikwara-Sararé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8400&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;05/10/2010&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;7.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Apiaká do Pontal&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Apiaká e Munduruku&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;982324&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20/04/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Maró&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Arapiuns e Borari&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;42373&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10/10/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Panambi-Lagoa Rica&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaiowá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12196&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/12/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;´Wedezé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xavante&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;145881&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26/12/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;11.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tuwa Apekuokawera&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Aikewara (Surui)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;11764&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/01/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Menku (área ampliada da Myky)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Menku&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;146398&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Wassu Cocal&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Wassu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AL&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9098&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13/07/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Vista Alegre&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mura&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13206&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;01/08/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;15.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kanela/Memortumré&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;KanelaRamkokamekra,&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;100221&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29/08/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;16.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Jauary&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mura&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24831&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10/10/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Iguatemipeguá I&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Kaiowá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;41571&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;08/01/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;18.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxixó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxixó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MG&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5411&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26/03/20013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Boa Vista do Sertão Pro-Mirim&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5420&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23/04/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá de Belmonte&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9521&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23/04/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;21.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;CE&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5838&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/08/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xetá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2686&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;01/072014&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xakriabá (ampliação)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xakriabá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MG&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;43357&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;06/10/2014&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Comexatiba&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28077&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/07/2015&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Cobra Grande&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Arapiuns, Jaraqui e Tapajó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8906&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29/09/2015&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxuyana-Tunayana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxuyana, Tunayana etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM/PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2184120&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20/10/2015&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Jurubaxi-Téa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Baré,Tukano, Baniwa etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1208155&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Sawré/Muybu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Munduruku&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;178173&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Sambaqui&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2795&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;30.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ypoi-Triunfo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Ñandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19756&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;31.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mato Castelhano-FÁg TY KA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;RS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;3567&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;11/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;32.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pakurity&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5750&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peguaoty&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani MByá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;34.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Cerco Grande&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1390&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dourados Amambaipeguá I&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Kayowá e Ñandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;55600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;36.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Djaiko-aty&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;G.Mbyá e Nandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1216&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/08/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;37.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ka´aguy Mirim&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1190&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/08/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ambá Porã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;7204&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/08/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;39.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pindoty/Araçá-Mirim&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1030&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/01/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;40.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tekohá Jevy&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbya e Nandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2370&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;41.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pipipã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pipipã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PE&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;63322&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;42.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guaviraty&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1248&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;43.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tapy'i/Rio Branquinho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1154&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;44.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ka´aguy Hovy&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Demarcações nos últimos sete governos ==&lt;br /&gt;
Abaixo, tabela com o reconhecimento de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (TI) no Brasil, nos governos dos presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[Última atualização em 11 de Setembro de 2017. Desde então não houve novos decretos e portarias.]&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Brasil&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas*&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a set 2017]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.213.449&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;932.665&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.243.549&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.096.007&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;51&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.008.845&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.726.053&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;30&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10.282.816&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;66&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.059.713&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;60&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.033.678&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.699.936&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.922.172&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;114&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31.526.966&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Itamar Franco [out 92 | dez 94]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.241.711&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;16&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5.432.437&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.794.263&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;112&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.405.219&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.786.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;67&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;14.370.486&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Amazônia legal&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a set 2017]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.208.155&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;878.462&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.240.776&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;964.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.821.205&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;13&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.690.239&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;20&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.917.596&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;52&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10.988.935&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;47&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;15.767.121&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;18&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.642.668&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;32&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;17.138.447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;81&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;30.709.327&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Itamar Franco [out 92 | dez 94]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;6.518.162&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5.499.776&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;23.390.618&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;74&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.795.019&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;34&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.009.449&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.452.807&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''*''' Inclui nove (9) terras Reservadas por decreto: um (1) no governo Sarney, três (3) no governo Collor , um (1) no primeiro Mandato de Lula e dois (2) no segundo mandato de Lula.&lt;br /&gt;
'''**''' As colunas &amp;quot;Número de terras&amp;quot; e &amp;quot;Extensão&amp;quot; não devem ser somadas, pois várias terras indígenas homologadas em um governo foram redefinidas e novamente homologadas. &lt;br /&gt;
(Por exemplo, a TI Baú que já havia sido declarada no governo FHC com 1.850.000 hectares, e no governo Lula foi reduzida para 1.543.460 hectares. Também a TI Raposa Serra do Sol, que já tinha sido declarada em 1998 no gov. FHC , foi posteriormente declarada por Lula, com a mesma extensão. Nesses casos a extensão foi contabilizada duas vezes, o que impede a simples somatória dos campos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e extensão das TIs ==&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;terras indígenas (TIs)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; somam {{#total_area_ti total=1:}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti extensao=1 ha=1:}} hectares (  {{#total_area_ti extensao=1 km=1:}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti perc=1:}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;g2image_centered&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; rel=&amp;quot;lightbox[g2image]&amp;quot; title=&amp;quot;Terras Indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental, 2015.&amp;quot; href=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/922082-1/mapa_TI_brasil_2015_A4_2.jpg&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; width=&amp;quot;700&amp;quot; height=&amp;quot;700&amp;quot; alt=&amp;quot;mapa_TI_brasil_2015_A4_2&amp;quot; title=&amp;quot;Terras Indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental, 2015.&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/922083-4/mapa_TI_brasil_2015_A4_2.jpg?g2_GALLERYSID=TMP_SESSION_ID_DI_NOISSES_PMT&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa situação de flagrante contraste pode ser explicada pelo fato de a colonização do Brasil ter sido iniciada pelo litoral, o que levou a embates diretos contra as populações indígenas que aí viviam, causando enorme depopulação e desocupação das terras, que hoje estão em mãos da propriedade privada. Aos índios restaram terras diminutas, conquistadas a duras penas. Por exemplo, em São Paulo, a terra Guarani Aldeia Jaraguá tem apenas dois hectares de extensão, o que impossibilita que vivam da terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há vozes dissonantes em relação ao tamanho das TIs na Amazônia, alegando que haveria &amp;quot;muita terra para poucos índios&amp;quot;. Esses críticos se esquecem de que os índios têm que tirar todo seu sustento da terra. Muitas vezes, as TIs têm grandes partes não agricultáveis, e sofrem ou sofreram diversos tipos de impactos&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box-right&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Veja também&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/0/1/2/situacao-juridica-das-tis-hoje&amp;quot;&amp;gt;Situação Jurídica das TIs Hoje&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org&amp;quot;&amp;gt;De Olho nas Terras Indígenas no Brasil&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - mapas, dados, notícias e mais&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;/files/file/PIB_institucional/dgallois-1.pdf&amp;quot;&amp;gt;''Terras ocupadas? Territórios? Territorialidades?''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, por Dominique Tilkin Gallois,  antropóloga, docente do Departamento de Antropologia Social da FFLCH-USP e coordenadora do NHII-USP (Núcleo de História Indígena e do Indigenismo)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;tablesorter&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Terras Indígenas por Estado na Amazônia Legal*&lt;br /&gt;
    (em 22/10/ 2014)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;thead&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;área da UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;Terra indígena&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;% sobre a UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;/thead&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Acre&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;16.491.871&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.459.834&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14,92%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Amapá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14.781.700&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.191.343&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8,06%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Amazonas&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;158.478.203&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;45.232.159&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28,54%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Maranhão**&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26.468.894&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.285.329&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8,63%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mato Grosso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;90.677.065&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;15.022.842&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;16,57%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;125.328.651&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28.687.362&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22,89%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Rondônia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23.855.693&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5.022.789&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;21,05%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Roraima&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22.445.068&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10.370.676&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;46,20%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tocantins&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27.842.280&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.597.580&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9,33%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Total&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;506.369.425&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;112.869.914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22,29%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota: * áreas calculadas pelo SIG/ISA, utilizando os limites das TIs lançados sobre a base 1:250.000 e os limites de Estado do IBGE/Sivam na escala 1:250.000&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Demarcações}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-08}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Demarca%C3%A7%C3%B5es&amp;diff=2181</id>
		<title>Demarcações</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Demarca%C3%A7%C3%B5es&amp;diff=2181"/>
		<updated>2017-09-29T20:15:06Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Demarcações&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{#slideshow: slide&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/833785-2/tkbraz114_edit.jpg&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/833782-2/IMG_1118_20130418_edit.JPG&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/833778-2/100_5691_edit.JPG&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/797525-1/desmatamento_RO.jpg&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: xx-small; text-align: right; &amp;quot;&amp;gt;Foto: diversos autores, veja &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/v/publico/institucional/slideshows/povos_indigenas/&amp;quot;&amp;gt;aqui&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
A demarcação de uma [[O que são Terras Indígenas%3F | Terra Indígena]] tem por objetivo garantir o [[Constituição#Direito_.C3.A0_terra | direito indígena à terra]]. Ela deve estabelecer a real extensão da posse indígena, assegurando a proteção dos limites demarcados e impedindo a ocupação por terceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde a aprovação do [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio]], em 1973, esse reconhecimento formal passou a obedecer a um procedimento administrativo, previsto no artigo 19 daquela lei. Tal procedimento, que estipula as etapas do longo  processo de demarcação, é regulado por decreto do Executivo e, no decorrer dos anos, sofreu seguidas modificações. A última modificação importante ocorreu com o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D1775.htm&amp;quot;&amp;gt;decreto 1.775, de janeiro de 1996&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Como é feita a demarcação hoje? ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;g2image_centered&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/797525-1/desmatamento_RO.jpg&amp;quot; alt=&amp;quot;desmatamento_RO&amp;quot; title=&amp;quot;Vista de satélite das Terras Indígenas (linha laranja) em Rondônia, 2013&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja a seguir as etapas envolvidas no longo processo de demarcação das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (TIs), conforme o disposto no &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D1775.htm&amp;quot;&amp;gt;Decreto 1.775/96&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(1) Estudos de identificação===&lt;br /&gt;
Primeiramente, a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot;&amp;gt;Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt; nomeia um antropólogo com qualificação reconhecida para elaborar estudo antropológico de identificação da TI em questão, em prazo determinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O estudo do antropólogo fundamenta o trabalho do grupo técnico especializado, que realizará estudos complementares de natureza etnohistórica, sociológica, jurídica, cartográfica e ambiental, além do levantamento fundiário, com vistas à delimitação da TI. O grupo deverá ser coordenado por um antropólogo e composto preferencialmente por técnicos do quadro funcional do &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/introducao&amp;quot;&amp;gt;órgão indigenista&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Ao final, o Grupo apresentará relatório circunstanciado à Funai, do qual deverão constar elementos e dados específicos listados na Portaria nº 14, de 09/01/96, bem como a caracterização da TI a ser demarcada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(2) Aprovação da Funai===&lt;br /&gt;
O relatório tem que ser aprovado pelo Presidente da Funai, que, no prazo de 15 dias, fará com que seja publicado o seu resumo no DOU (Diário Oficial da União) e no Diário Oficial da unidade federada correspondente. A publicação deve ainda ser afixada na sede da Prefeitura local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(3) Contestações===&lt;br /&gt;
A contar do início do procedimento até 90 dias após a publicação do relatório no DOU, todo interessado, inclusive estados e municípios, poderá manifestar-se, apresentando ao órgão indigenista suas razões, acompanhadas de todas as provas pertinentes, com o fim de pleitear indenização ou demonstrar vícios existentes no relatório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Funai tem, então, 60 dias, após os 90 mencionados no parágrafo anterior, para elaborar pareceres sobre as razões de todos os interessados e encaminhar o procedimento ao Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(4) Declarações dos limites da TI===&lt;br /&gt;
O Ministro da Justiça terá 30 dias para: '''(a) '''expedir portaria, declarando os limites da área e determinando a sua demarcação física; ou''' (b)''' prescrever diligências a serem cumpridas em mais 90 dias; ou ainda, '''(c)''' desaprovar a identificação, publicando decisão fundamentada no parágrafo 1º. do artigo 231 da Constituição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(5) Demarcação física===&lt;br /&gt;
Declarados os limites da área, a Funai promove a sua demarcação física, enquanto o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em caráter prioritário, procederá ao reassentamento de eventuais ocupantes não-índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(6) Homologação===&lt;br /&gt;
O procedimento de demarcação deve, por fim, ser submetido ao Presidente da República para homologação por decreto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===(7) Registro===&lt;br /&gt;
A terra demarcada e homologada será registrada, em até 30 dias após a homologação, no cartório de imóveis da comarca correspondente e na SPU (Secretaria de Patrimônio da União).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
====Contato direto====&lt;br /&gt;
* '''Pagina Oficial da Funai''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* '''Diário Oficial da União - Portal da Imprensa Nacional''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://portal.in.gov.br/page_leitura_jornais&amp;quot;&amp;gt;http://portal.in.gov.br/page_leitura_jornais&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* '''Ministério da Justiça''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://portal.mj.gov.br/&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mj.gov.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt; * ''' Secretaria de Patrimônio da União''' &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://patrimoniodetodos.gov.br/&amp;quot;&amp;gt;http://patrimoniodetodos.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sistemáticas anteriores ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sistemática de demarcação das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil tem sofrido várias modificações ao longo dos últimos anos. Veja abaixo o resumo de sistemáticas de demarcação desde 1976 até janeiro de 1996, quando a atual foi instituída pelo &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D1775.htm&amp;quot;&amp;gt;decreto 1.775&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (saiba mais em &amp;quot;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/como-e-feita-a-demarcacao-hoje&amp;quot;&amp;gt;Como é feita a demarcação hoje?&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 76.999, de 08/01/1976&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O presidente da Funai nomeava um antropólogo e um engenheiro ou agrimensor, que faziam relatório contendo a identificação prévia dos limites da área. O relatório era aprovado pelo presidente da Funai – embora a legislação não especifique, este ato se consubstanciava numa portaria. Com base nele, promovia-se a demarcação física da área em questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de demarcada, o processo era submetido ao presidente da República para homologação. As terras eram então levadas a registro em cartório e no SPU (Serviço de Patrimônio da União).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 88.118 de 23/02/1983&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A equipe técnica da Funai fazia a identificação preliminar da área, que resultava numa proposta do órgão indigenista para um Grupo de Trabalho (GT), composto por ministérios e outros órgãos federais ou estaduais, quando conveniente. O GT emitia parecer conclusivo, encaminhando o assunto à decisão dos ministros do Interior e Extraordinário para Assuntos Fundiários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se aprovado pelos ministros, o processo era levado ao presidente da República, acompanhado de minuta de decreto, que homologaria o procedimento e descreveria os limites da área indígena reconhecida. A demarcação física seria então feita com base no decreto e, depois disso, levada a registro em cartório e no SPU.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na prática, no entanto, havia dois decretos presidenciais: no primeiro deles, o presidente apenas delimitava a área a ser demarcada. Depois da demarcação física, o processo retornava às suas mãos para homologação por meio de um novo decreto. Ao final, promovia-se o registro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 94.945 de 23/09/1987&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia aqui participação de representantes dos órgãos fundiários federal e estadual, bem como de outros órgãos que a Funai julgasse conveniente, na equipe técnica do órgão indigenista, que promovia a identificação preliminar dos limites das terras. Se as terras estivessem localizadas em faixa de fronteira, haveria participação obrigatória de um representante da Secretaria-Geral do Conselho de Segurança Nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com base nos trabalhos da equipe técnica, a Funai apresentava uma proposta de demarcação a um GT Interministerial, que dava parecer conclusivo sobre a mesma, submetendo-a aos ministros do Interior, da Reforma e do Desenvolvimento Agrário e ao secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional, quando se tratasse de área de fronteira. Na prática, porém, o secretário do Conselho de Segurança passou a decidir sobre todos os casos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ministros, em aprovando o parecer, baixavam portaria interministerial declarando a área como de ocupação indígena e descrevendo os seus limites. A demarcação física era realizada pela FUNAI e, em seguida, o processo era submetido à homologação do presidente da República. Por fim, providenciava-se o registro das terras em cartório e no SPU.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Decreto 22, de 04/02/1991&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A FUNAI criava um GT de técnicos, coordenado por antropólogo, para proceder ao levantamento preliminar dos limites da TI em questão – facultada a participação do povo indígena interessado – e elaborar relatório caracterizando a área a ser demarcada. Uma vez aprovado pelo presidente da Funai e publicado no Diário Oficial da União (DOU), o processo era encaminhado ao ministro da Justiça, o qual poderia solicitar informações adicionais a órgãos públicos. Uma vez aprovado, o ministro declarava a terra em questão como de posse indígena permanente, através de portaria publicada no DOU. Caso não aprovasse, o ministro deveria reexaminar o caso em 30 dias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na seqüência, a Funai, com base nos limites declarados na portaria do ministro, poderia proceder a demarcação física da terra e, nos casos necessários, o Incra deveria reassentar ocupantes não-indígenas. Concluída a demarcação, o processo era submetido à homologação do presidente da República, através de decreto publicado no DOU, seguindo-se os registros nos cartórios imobiliários das comarcas correspondentes e no SPU.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Situação jurídica das TIs no Brasil hoje ==&lt;br /&gt;
Veja abaixo o quadro-resumo da situação jurídica das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (TIs) no Brasil e, mais abaixo, um recorte específico para a situação das TIs na Amazônia Legal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para facilitar a compreensão dividimos em quatro as várias &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/como-e-feita-a-demarcacao-hoje&amp;quot;&amp;gt;etapas do processo de reconhecimento oficial das TIs&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Cada linha corresponde a uma situação nesse processo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Última atualização em {{#$smarty.now|date_format:'%d/%m/%Y':}}.'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Situação das TIs no Brasil  &amp;lt;span class=&amp;quot;Apple-style-span&amp;quot; style=&amp;quot;font-size: 10px;&amp;quot;&amp;gt;(clique na situação jurídica para ver todas as TIs nessa situação)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#computo:}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Situação das TIs na Amazônia Legal &amp;lt;span class=&amp;quot;Apple-style-span&amp;quot; style=&amp;quot;font-size: 10px;&amp;quot;&amp;gt;(clique na situação jurídica para ver todas as TIs nessa situação)&amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#computo am=1:}}&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Terras Identificadas, aprovadas pelo presidente da Funai  sujeitas a contestações (última atualização em 05/04/2017)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nº&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nome da Terra&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Povo&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (há)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Data (DOU)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tremembé de Almofala&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tremembé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;CE&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4900&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/07/1993&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Barra Velha do Monte Pascoal&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52748&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29/02/2008&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;3.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá de Olivença&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;47376&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20/04/2009&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tumbalalá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tumbalalá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;44978&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;02/06/2009&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Votouro Kandoia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;RS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5977&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;08/12/2009&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paukalirajausu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Nambikwara-Sararé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8400&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;05/10/2010&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;7.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Apiaká do Pontal&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Apiaká e Munduruku&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;982324&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20/04/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Maró&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Arapiuns e Borari&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;42373&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10/10/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Panambi-Lagoa Rica&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaiowá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12196&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/12/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;´Wedezé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xavante&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;145881&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26/12/2011&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;11.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tuwa Apekuokawera&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Aikewara (Surui)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;11764&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/01/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Menku (área ampliada da Myky)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Menku&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MT&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;146398&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Wassu Cocal&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Wassu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AL&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9098&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13/07/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Vista Alegre&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mura&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13206&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;01/08/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;15.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kanela/Memortumré&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;KanelaRamkokamekra,&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;100221&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29/08/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;16.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Jauary&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mura&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24831&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10/10/2012&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Iguatemipeguá I&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Kaiowá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;41571&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;08/01/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;18.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxixó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxixó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MG&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5411&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26/03/20013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Boa Vista do Sertão Pro-Mirim&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5420&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23/04/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá de Belmonte&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tupinambá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9521&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23/04/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;21.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;CE&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5838&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/08/2013&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xetá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2686&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;01/072014&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xakriabá (ampliação)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Xakriabá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MG&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;43357&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;06/10/2014&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Comexatiba&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;BA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28077&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/07/2015&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Cobra Grande&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Arapiuns, Jaraqui e Tapajó&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8906&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29/09/2015&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxuyana-Tunayana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaxuyana, Tunayana etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM/PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2184120&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;20/10/2015&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Jurubaxi-Téa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Baré,Tukano, Baniwa etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;AM&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1208155&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Sawré/Muybu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Munduruku&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;178173&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;29.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Sambaqui&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2795&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;30.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ypoi-Triunfo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Ñandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19756&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;19/04/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;31.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mato Castelhano-FÁg TY KA&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;RS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;3567&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;11/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;32.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pakurity&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5750&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peguaoty&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani MByá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;34.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Cerco Grande&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PR&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1390&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dourados Amambaipeguá I&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Kayowá e Ñandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;MS&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;55600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;13/05/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;36.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Djaiko-aty&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;G.Mbyá e Nandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1216&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/08/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;37.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ka´aguy Mirim&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1190&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/08/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ambá Porã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;7204&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/08/2016&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;39.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pindoty/Araçá-Mirim&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1030&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27/01/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;40.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tekohá Jevy&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbya e Nandeva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2370&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;24/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;41.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pipipã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pipipã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;PE&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;63322&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;42.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guaviraty&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1248&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;43.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tapy'i/Rio Branquinho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1154&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;44.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Ka´aguy Hovy&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;SP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;25/04/2017&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Demarcações nos últimos sete governos ==&lt;br /&gt;
Abaixo, tabela com o reconhecimento de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (TI) no Brasil, nos governos dos presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[Última atualização em 11 de Setembro de 2017. Desde então não houve novos decretos e portarias.]&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Brasil&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas*&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a set 2017]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.213.449&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;932.665&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.243.549&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.096.007&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;51&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.008.845&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.726.053&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;30&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10.282.816&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;66&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.059.713&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;60&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.033.678&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.699.936&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.922.172&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;114&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31.526.966&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Itamar Franco [out 92 | dez 94]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.241.711&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;16&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5.432.437&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.794.263&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;112&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.405.219&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.786.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;67&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;14.370.486&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Amazônia legal&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a set 2017]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.208.155&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;878.462&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.240.776&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;964.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.821.205&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;13&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.690.239&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;20&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.917.596&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;52&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10.988.935&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;47&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;15.767.121&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;18&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.642.668&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;32&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;17.138.447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;81&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;30.709.327&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Itamar Franco [out 92 | dez 94]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;6.518.162&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5.499.776&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;23.390.618&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;74&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.795.019&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;34&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.009.449&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.452.807&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''*''' Inclui nove (9) terras Reservadas por decreto: um (1) no governo Sarney, três (3) no governo Collor , um (1) no primeiro Mandato de Lula e dois (2) no segundo mandato de Lula.&lt;br /&gt;
'''**''' As colunas &amp;quot;Número de terras&amp;quot; e &amp;quot;Extensão&amp;quot; não devem ser somadas, pois várias terras indígenas homologadas em um governo foram redefinidas e novamente homologadas. &lt;br /&gt;
(Por exemplo, a TI Baú que já havia sido declarada no governo FHC com 1.850.000 hectares, e no governo Lula foi reduzida para 1.543.460 hectares. Também a TI Raposa Serra do Sol, que já tinha sido declarada em 1998 no gov. FHC , foi posteriormente declarada por Lula, com a mesma extensão. Nesses casos a extensão foi contabilizada duas vezes, o que impede a simples somatória dos campos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e extensão das TIs ==&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot;&amp;gt;terras indígenas (TIs)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; somam {{#total_area_ti total=1:}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti extensao=1 ha=1:}} hectares (  {{#total_area_ti extensao=1 km=1:}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti perc=1:}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 419 áreas, 115.342.101 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.33% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.67% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;g2image_centered&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; rel=&amp;quot;lightbox[g2image]&amp;quot; title=&amp;quot;Terras Indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental, 2015.&amp;quot; href=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/922082-1/mapa_TI_brasil_2015_A4_2.jpg&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; width=&amp;quot;700&amp;quot; height=&amp;quot;700&amp;quot; alt=&amp;quot;mapa_TI_brasil_2015_A4_2&amp;quot; title=&amp;quot;Terras Indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental, 2015.&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/922083-4/mapa_TI_brasil_2015_A4_2.jpg?g2_GALLERYSID=TMP_SESSION_ID_DI_NOISSES_PMT&amp;quot; /&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa situação de flagrante contraste pode ser explicada pelo fato de a colonização do Brasil ter sido iniciada pelo litoral, o que levou a embates diretos contra as populações indígenas que aí viviam, causando enorme depopulação e desocupação das terras, que hoje estão em mãos da propriedade privada. Aos índios restaram terras diminutas, conquistadas a duras penas. Por exemplo, em São Paulo, a terra Guarani Aldeia Jaraguá tem apenas dois hectares de extensão, o que impossibilita que vivam da terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há vozes dissonantes em relação ao tamanho das TIs na Amazônia, alegando que haveria &amp;quot;muita terra para poucos índios&amp;quot;. Esses críticos se esquecem de que os índios têm que tirar todo seu sustento da terra. Muitas vezes, as TIs têm grandes partes não agricultáveis, e sofrem ou sofreram diversos tipos de impactos&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box-right&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Veja também&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/0/1/2/situacao-juridica-das-tis-hoje&amp;quot;&amp;gt;Situação Jurídica das TIs Hoje&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org&amp;quot;&amp;gt;De Olho nas Terras Indígenas no Brasil&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - mapas, dados, notícias e mais&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;/files/file/PIB_institucional/dgallois-1.pdf&amp;quot;&amp;gt;''Terras ocupadas? Territórios? Territorialidades?''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, por Dominique Tilkin Gallois,  antropóloga, docente do Departamento de Antropologia Social da FFLCH-USP e coordenadora do NHII-USP (Núcleo de História Indígena e do Indigenismo)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;tablesorter&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Terras Indígenas por Estado na Amazônia Legal*&lt;br /&gt;
    (em 22/10/ 2014)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;thead&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;área da UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;Terra indígena&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;% sobre a UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;/thead&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Acre&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;16.491.871&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.459.834&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14,92%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Amapá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14.781.700&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.191.343&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8,06%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Amazonas&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;158.478.203&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;45.232.159&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28,54%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Maranhão**&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;26.468.894&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.285.329&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;8,63%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Mato Grosso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;90.677.065&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;15.022.842&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;16,57%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Pará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;125.328.651&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;28.687.362&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22,89%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Rondônia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;23.855.693&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5.022.789&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;21,05%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Roraima&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22.445.068&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10.370.676&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;46,20%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Tocantins&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;27.842.280&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.597.580&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;9,33%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Total&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;506.369.425&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;112.869.914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;22,29%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota: * áreas calculadas pelo SIG/ISA, utilizando os limites das TIs lançados sobre a base 1:250.000 e os limites de Estado do IBGE/Sivam na escala 1:250.000&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Demarcações}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-08}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=O_que_s%C3%A3o_Terras_Ind%C3%ADgenas%3F&amp;diff=2177</id>
		<title>O que são Terras Indígenas?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=O_que_s%C3%A3o_Terras_Ind%C3%ADgenas%3F&amp;diff=2177"/>
		<updated>2017-09-29T19:54:23Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | O que são Terras Indígenas?}}&lt;br /&gt;
No Brasil, quando se fala em Terras Indígenas, há que se ter em mente, em primeiro lugar, a definição e alguns conceitos jurídicos materializados na [[Constituição | Constituição Federal de 1988]] e também na legislação específica, em especial no chamado [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (Lei 6.001/73)]], que está sendo revisto pelo Congresso Nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Constituição de 1988 consagrou o princípio de que os índios são os primeiros e naturais senhores da terra. Esta é a fonte primária de seu direito, que é anterior a qualquer outro. Conseqüentemente, o direito dos índios a uma terra determinada independe de reconhecimento formal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição de terras tradicionalmente ocupadas pelos índios encontra-se no parágrafo primeiro do artigo 231 da Constituição Federal: são aquelas &amp;quot;por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seu usos, costumes e tradições&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No artigo 20 está estabelecido que essas terras são bens da União, sendo reconhecidos aos índios a posse permanente e o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante, também por força da Constituição, o Poder Público está obrigado a promover tal reconhecimento. Sempre que uma comunidade indígena ocupar determinada área nos moldes do artigo 231, o Estado terá que delimitá-la e realizar a demarcação física dos seus limites. A própria Constituição estabeleceu um prazo para a demarcação de todas as Terras Indígenas (TIs): 5 de outubro de 1993. Contudo, isso não ocorreu, e as TIs no Brasil encontram-se em diferentes situações jurídicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte das Terras Indígenas no Brasil sofre invasões de mineradores, pescadores, caçadores, madeireiras e posseiros. Outras são cortadas por estradas, ferrovias, linhas de transmissão ou têm porções inundadas por usinas hidrelétricas. Freqüentemente, os índios colhem resultados perversos do que acontece mesmo fora de suas terras, nas regiões que as cercam: poluição de rios por agrotóxicos, desmatamentos etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box-right&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Veja também&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas no Brasil&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Mapas, Informações Jurídicas, Notícias, Ambiente, Ameaças e mais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;/files/file/PIB_institucional/dgallois-1.pdf&amp;quot;&amp;gt;''Terras ocupadas? Territórios? Territorialidades?''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, por Dominique Tilkin Gallois,  antropóloga, docente do Departamento de Antropologia Social da FFLCH-USP e coordenadora do NHII-USP (Núcleo de História Indígena e do Indigenismo)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:O que são Terras Indígenas?}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-08}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=O_que_s%C3%A3o_Terras_Ind%C3%ADgenas%3F&amp;diff=2176</id>
		<title>O que são Terras Indígenas?</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=O_que_s%C3%A3o_Terras_Ind%C3%ADgenas%3F&amp;diff=2176"/>
		<updated>2017-09-29T19:51:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | O que são Terras Indígenas?}}&lt;br /&gt;
No Brasil, quando se fala em Terras Indígenas, há que se ter em mente, em primeiro lugar, a definição e alguns conceitos jurídicos materializados na &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Constituição Federal de 1988&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e também na legislação específica, em especial no chamado [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (Lei 6.001/73)]], que está sendo revisto pelo Congresso Nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Constituição de 1988 consagrou o princípio de que os índios são os primeiros e naturais senhores da terra. Esta é a fonte primária de seu direito, que é anterior a qualquer outro. Conseqüentemente, o direito dos índios a uma terra determinada independe de reconhecimento formal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição de terras tradicionalmente ocupadas pelos índios encontra-se no parágrafo primeiro do artigo 231 da Constituição Federal: são aquelas &amp;quot;por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seu usos, costumes e tradições&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No artigo 20 está estabelecido que essas terras são bens da União, sendo reconhecidos aos índios a posse permanente e o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante, também por força da Constituição, o Poder Público está obrigado a promover tal reconhecimento. Sempre que uma comunidade indígena ocupar determinada área nos moldes do artigo 231, o Estado terá que delimitá-la e realizar a demarcação física dos seus limites. A própria Constituição estabeleceu um prazo para a demarcação de todas as Terras Indígenas (TIs): 5 de outubro de 1993. Contudo, isso não ocorreu, e as TIs no Brasil encontram-se em diferentes situações jurídicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte das Terras Indígenas no Brasil sofre invasões de mineradores, pescadores, caçadores, madeireiras e posseiros. Outras são cortadas por estradas, ferrovias, linhas de transmissão ou têm porções inundadas por usinas hidrelétricas. Freqüentemente, os índios colhem resultados perversos do que acontece mesmo fora de suas terras, nas regiões que as cercam: poluição de rios por agrotóxicos, desmatamentos etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box-right&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Veja também&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas no Brasil&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Mapas, Informações Jurídicas, Notícias, Ambiente, Ameaças e mais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;/files/file/PIB_institucional/dgallois-1.pdf&amp;quot;&amp;gt;''Terras ocupadas? Territórios? Territorialidades?''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, por Dominique Tilkin Gallois,  antropóloga, docente do Departamento de Antropologia Social da FFLCH-USP e coordenadora do NHII-USP (Núcleo de História Indígena e do Indigenismo)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:O que são Terras Indígenas?}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-08}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=O_que_%C3%A9_pol%C3%ADtica_indigenista&amp;diff=2175</id>
		<title>O que é política indigenista</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=O_que_%C3%A9_pol%C3%ADtica_indigenista&amp;diff=2175"/>
		<updated>2017-09-29T19:41:24Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;O que é política indigenista?&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
A expressão &amp;quot;política indigenista&amp;quot; foi utilizada por muito tempo como sinônimo de toda e qualquer ação política governamental que tivesse as populações indígenas como objeto. As diversas mudanças assistidas no campo do indigenismo no últimos anos, no entanto, exigem que estabeleçamos uma definição mais precisa e menos ambígua do que seja a política indigenista.  Para dar conta desta tarefa, é importante distinguir os diversos agentes que interagem diretamente com os [[Quem são | povos indígenas]] situados em território nacional.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiramente temos como agentes principais os próprios povos indígenas, seus [[Organizações indígenas | representantes e organizações]]. O amadurecimento progressivo do movimento indígena desde a década de 1970 e o conseqüente crescimento no número e diversidade de organizações nativas, dirigidas pelos próprios índios, nos sugere assim uma primeira distinção no campo indigenista: a &amp;quot;política indígena&amp;quot;, aquela protagonizada pelos próprios índios, não se confunde com a política indigenista e nem a ela está submetida. Entretanto, como pode ser visto na seção “Iniciativas Indígenas”, boa parte das organizações e lideranças indígenas vem aumentando sua participação na formulação e execução das políticas para os povos indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Numa segunda distinção, encontramos outros segmentos que interagem com os povos indígenas e que também como eles, têm aumentado sua participação na formulação e execução de políticas indigenistas, antes atribuídas exclusivamente ao Estado brasileiro. Nesse conjunto encontramos principalmente as [[A sociedade civil | organizações não-governamentais (ONGs)]].  Soma-se a este universo de agentes não-indígenas as [[Igrejas e Missões religiosas | organizações religiosas]] católicas e protestantes que se relacionam com os povos indígenas há muito tempo em diversos campos de atuação e com objetivos bastante diferentes (mobilização política dos índios em prol de seus direitos; assistência à [[Saúde Indígena | saúde]] e [[Educação Escolar Indígena | educação]]; evangelização e tradução da bíblia para [[Línguas | línguas indígenas]], etc).       &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contemporaneamente, portanto, temos um quadro bastante complexo no qual a política indigenista oficial (formulada e executada pelo Estado), em muitos dos seus aspectos tem sido formulada e implementada a partir de parcerias formais estabelecidas entre setores governamentais, organizações indígenas, organização não-governamentais e missões religiosas.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:O que é política indigenista}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=O_papel_do_Judici%C3%A1rio&amp;diff=2174</id>
		<title>O papel do Judiciário</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=O_papel_do_Judici%C3%A1rio&amp;diff=2174"/>
		<updated>2017-09-29T19:29:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* O papel do Judiciário */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== O papel do Judiciário ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight: bold;&amp;quot;&amp;gt;p&amp;lt;/span&amp;gt;'''or Deborah Duprat, subprocuradora-geral da República e coordenadora da 6ª Câmera de Coordenação e Revisão do MInistério Público Federal'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O direito anterior à Constituição de 1988, na linha do pensamento ilustrado e moderno que o informava, resolveu o tema da justiça com a doutrina das “esferas de liberdade” de cada indivíduo. Frases como “minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro” desenhavam apropriações territoriais sob o signo da ubiqüidade. O termo ubiqüidade, na física, é sinônimo de exclusão: dois corpos físicos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Levado para o campo do direito, estava a significar que todo homem desloca os demais homens de seu campo de ação. A propriedade privada é o arquétipo dessa geografia de figuras geométricas, fronteiriças e excludentes entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Constituição de 1988 reconfigura, em larga medida, a noção de indivíduo, ao recuperar, para o direito, os espaços de pertencimento. É constitutivo do ser humano viver em horizontes qualificados, dentro dos quais ele se torna capaz de tomar posições, de se orientar acerca do que é bom ou ruim, do que vale ou não a pena fazer. A identidade do indivíduo é definida pelos compromissos e identificações que estabelece no seio dessa comunidade, porque ali são vividas as relações definitórias mais importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os territórios indígenas, no tratamento que lhes foi dado pelo novo texto constitucional, são concebidos como espaços indispensáveis ao exercício de direitos identitários desses grupos étnicos. As noções de etnia/cultura/território são, em larga medida, indissociáveis. Resulta inequívoca, portanto, a diferença substancial entre a propriedade privada – espaço excludente e marcado pela nota da individualidade – e o território indígena – espaço de acolhimento, em que o indivíduo encontra-se referido aos que o cercam. A prática judiciária, no entanto, tende a equiparar ambos os institutos, conferindo-lhes, de resto, tratamento processual idêntico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação mais recorrente é o manejo de ações possessórias em face de territórios indígenas. Citem-se, como exemplos mais recentes, as inúmeras liminares concedidas a favor de particulares em território tradicional dos Pataxó Hã-hã-hãe, na Bahia, na área indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, e em diversas áreas indígenas no Mato Grosso do Sul.&lt;br /&gt;
Uma ação vocacionada à tutela de direito de cunho nitidamente civilista neutraliza a disciplina constitucional dos territórios indígenas, porque a luta processual se desenvolve sob controle das normas constitutivas daquele campo e valendo-se apenas das armas nele autorizadas. Assim, elementos tais como posse velha, ocupação física, passam a ser acriticamente definitórios de direitos possessórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro dado, bastante eloqüente em ações desse tipo, é a própria definição de posse. Não cuida o julgador de examinar que as partes contrapostas pertencem a comunidades lingüisticas distintas. Há um estreito vínculo entre identidade e interlocução, reconhecido pela própria Constituição (art. 216,  I e II: formas de expressão e modos de criar, fazer e viver). É nesses espaços comuns de vida que se estabelece o acordo de significados. Ou, talvez melhor dito, o uso da linguagem é que ativa esse espaço comum. Daí a expressão de Wittgenstein, de que o acordo de significados envolve o acordo de juízos. Só por meio da experiência comum posso avaliar e definir o que são a raiva, o amor, a lua, a terra, e... a posse. Cada um desses elementos é significado de forma própria em cada comunidade de falantes, a partir de sua experiência de vida, quotidianamente renovada. No entanto, no debate processual, apenas a definição oficial de posse é levada em consideração. Desconhece-se, por exemplo, que, para os Guarani, o tekoha é uma instituição divina criada por Ñande Ru (Melià et Alii, 1976:218). Deles desalojados com a chegada do homem branco, procuram ali permanecer, inclusive trabalhando para este nos ervais e em roças.2 Consideram-se, dessa forma, de posse de seu território tradicional. A visão naturalizada da posse civil, apresentada como evidente, estabelecida de uma vez por todas, fora de discussão, escamoteia o fato de que toda e qualquer definição oficial importa em adoção de um determinado ponto-de-vista e o descarte de visões concorrentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se no regime constitucional anterior, cabia ao Estado, com exclusividade, homologar determinadas representações sociais e inscrevê-las, pelo direito, como universais, a prática não se sustenta sob uma Constituição que apresenta esse mesmo Estado como etnicamente plural. E, se o processo se desenvolve sem que se confrontem visões concorrentes de mundo e a respectiva tradução na linguagem de cada uma das partes, nega-se o postulado constitucional da pluralidade étnica e reinstala-se, na prática judiciária, a marca etnocêntrica do regime anterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Decisões que causam perplexidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight: bold;&amp;quot;&amp;gt;p&amp;lt;/span&amp;gt;'''or Deborah Duprat, subprocuradora-geral da República e coordenadora da 6ª Câmera de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não bastasse a situação de desequilíbrio entre as partes que a ação possessória enseja, há decisões que causam enorme perplexidade. Em diversas ações, são concedidas medidas cautelares para assegurar a presença de supostos proprietários na área, a despeito de já concluído o processo administrativo de demarcação da terra indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Mandado de Segurança 25.463, o Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu medida desse naipe em relação à área indígena Ñande Ru Marangatu, dos Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul, cuja demarcação fora homologada pelo Decreto s/n de 28 de março de 2005. O fundamento da decisão foi a existência de uma ação judicial, anterior ao decreto presidencial, onde se discute o domínio das terras e a nulidade do processo administrativo. Todavia, não havia, na ação em curso na justiça federal, decisão liminar que impedisse o regular desenvolvimento do procedimento demarcatório, tanto que esse chegou ao seu termo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A prevalecer esse entendimento para outras situações, estaria inviabilizada a atividade da administração pública: bastaria a existência de uma ação judicial na qual fosse discutida a constitucionalidade de um tributo para impedir a sua arrecadação. Ou, em hipótese mais próxima, o ajuizamento de uma ação tendente a provar a produtividade de determinado imóvel rural, a impedir o desenrolar do processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Marque-se, mais uma vez, que não se está a falar de obstáculo à atividade administrativa por força de decisão judicial, mas sim da mera existência de uma ação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma outra justificativa na decisão liminar que merece registro: o perigo da demora consubstanciado na possibilidade dos índios começarem a ocupar as terras objeto do Decreto. Ao que sugere o texto, constitui um risco índios ocuparem suas terras tradicionais, inclusive aquelas que foram assim consideradas, em definitivo, pelo Estado. Assim, afora os equívocos jurídicos, há, aparentemente, na decisão, certa dose de preconceito e discriminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Curiosamente, em mandado de segurança com idêntico objeto, relativo aos Potiguara de Jacaré de São Domingos (MS 21.986), o presidente do STF, em 05/10/2005, votou pela denegação da ordem, exatamente sob o fundamento de que a mera existência de uma ação judicial não era de molde a inviabilizar os efeitos próprios do decreto homologatório.3&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também no RE 416.144, o STF determinou, por unanimidade, o retorno dos Xavante à TI Marãiwatsede, sob a consideração de ser fato incontroverso a declaração das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios pela Portaria 363/93, do Ministro de Estado da Justiça, homologada por Decreto do Presidente da República, contra o qual fora proposta ação de nulidade do processo de demarcação, cujos efeitos persistem, uma vez que até o momento não houve decisão judicial que os suspendessem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O julgamento desse recurso extraordinário deu-se em 10/8/2004, o que significa que, desde a portaria declaratória – ato este também dotado da presunção de legitimidade – se passaram onze anos até que se desse o retorno dos índios ao seu território tradicional – mesmo assim, parcialmente, porque ainda permanecem na área não-índios, mediante autorização judicial. Tal dado não passou despercebido ao Ministro Gilmar Mendes, que, por ocasião do seu voto, afirmou que o judiciário pensa que o tempo da sociedade é eterno. Rigorosamente, para além da eternidade é o tempo que o judiciário concede aos índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tramita desde 1983, no STF, a ação cível originária 312, em que se pretende a nulidade dos títulos incidentes sobre o território tradicional dos Pataxó Hã-hã-hãe, do sul da Bahia. Por todo esse longo período de tempo, superior a vinte anos, os índios vêm sendo impedidos de ocupar integralmente o seu território, sob o pretexto, recorrentemente invocado por juízes e tribunais, de que o Supremo ainda não definiu os exatos limites de suas terras. Questão esta, aliás, que sequer era objeto da ação, mas que passou a sê-lo por compreensão do atual Relator.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após os índios da Raposa Serra do Sol esperarem por mais de vinte anos o decreto de homologação de sua área, e o STF ter afirmado a sua competência para conhecer de ação popular contra a portaria declaratória e demais ações correlatas, a justiça federal em Roraima continua a conceder medidas liminares, em ações possessórias, a favor de não-índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse quadro de indefinições, de decisões contraditórias no âmbito de um mesmo tribunal, às vezes de um mesmo julgador, gera, nesses povos, sentimento de discriminação perfeitamente compreensível. Pior ainda, subtrai-lhes a eleição do seu próprio destino: estão condenados a viver num tempo orientado pelos outros.&lt;br /&gt;
Mas há mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma ação possessória que se iniciou na justiça federal de Alagoas, o juiz considerou provada a posse mansa e pacífica do autor e a existência de esbulho violento pelos índios Xucuru-Kariri, uma vez que aquela se encontrava lastreada em títulos aquisitivos legalmente constituídos. A sentença e o acórdão que a confirmaram consignavam, todavia, a existência de laudo da Funai, indicando os limites da área indígena, onde também se situava a suposta posse do autor. Concluíam, ainda, não ser cabível perícia antropológica, porque a posse indígena já estava evidenciada por meio daquele estudo.  Contrariando assim expressa disposição constitucional (art. 231, § 6º), foi conferida validade a títulos incidentes sobre área indígena, cujo laudo produzido pela Funai não foi contestado. Esse caso é de especial gravidade, porque passa ao largo de um dos postulados mais evidentes do texto constitucional, no trato dessa matéria, e da jurisprudência que foi consolidada ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra oportunidade, e para não fugir à linha de incoerências que permeiam a atuação judicial nessas questões, o mesmo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, analisando recursos interpostos pela comunidade indígena Tremembé, pela Funai e pela União, declarou nula sentença que afirmara a validade de títulos de propriedade apresentados pela Ducoco Agrícola S/A. Naquela ocasião, disse o Tribunal que prevalecia o ato administrativo de reconhecimento da área indígena, por sua presunção de legitimidade, e que a sua desconstituição estava a depender de perícia antropológica, a ser suportada por quem o impugnava.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas essas decisões judiciais estão inspiradas, de uma forma ou de outra, no mito da propriedade privada, reputado direito fundamental, tal qual o é o direito à identidade. Ambos são ponderados como se princípios fossem, e a prevalência de um ou outro fica a depender das peculiaridades do caso sob exame.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Direitos fundamentais e direitos patrimoniais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span style=&amp;quot;font-weight: bold;&amp;quot;&amp;gt;p&amp;lt;/span&amp;gt;'''or Deborah Duprat, subprocuradora-geral da República e coordenadora da 6ª Câmera de Coordenação e Revisão do MInistério Público Federal'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira diferença entre os direitos fundamentais e os direitos patrimoniais consistiria no fato de que os direitos fundamentais – nos quais se inclui tanto os direitos à liberdade, à identidade e à vida, como o direito a adquirir e dispor dos bens objeto de propriedade – são direitos universais, no sentido lógico da quantificação universal da classe dos sujeitos que são seus titulares; já os direitos patrimoniais são direitos singulares, no sentido, também lógico, de que para cada um deles existe um titular determinado, com exclusão de todos os demais. Assim, os primeiros são reconhecidos a seus titulares em igual forma e medida, enquanto os segundos pertencem a cada um de maneira diversa, tanto pela qualidade quanto pela quantidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda diferença é que os direitos fundamentais são indisponíveis, inalienáveis, invioláveis, intransigíveis, personalíssimos. Ao contrário, os direitos patrimoniais são disponíveis por natureza, negociáveis e alienáveis. Esses se acumulam; aqueles permanecem invariáveis. Não é possível, juridicamente, ser mais livre, mais eu, ter direito a mais vida. No entanto, a ordem jurídica consente em que alguém seja mais rico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira diferença está em que os direitos patrimoniais, exatamente por que disponíveis, estão sujeitos a vicissitudes, ou seja, destinados a ser constituídos, modificados ou extintos por atos jurídicos. Já os direitos fundamentais têm seu título imediatamente na lei. Assim, enquanto os direitos fundamentais são normas, os direitos patrimoniais são predispostos por normas. Aqueles decorrem direta e imediatamente de regras gerais de nível habitualmente constitucional, enquanto estes dependem da intermediação de um ato. De modo que esses direitos, a par de não serem equivalentes, têm, entre si, relação óbvia de hierarquia, homologada pelo próprio texto constitucional. &lt;br /&gt;
O que constituições de países capitalistas inscrevem como direito fundamental é o direito de todos a serem proprietários. Nesse sentido, não há como se recusar o caráter universal e indisponível de tal direito. Diferentemente, contudo, é o direito de propriedade em si, que, por sua própria natureza, não pode ser concebido, logicamente, como fundamental e, portanto, universal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inversão nessa ordem de hierarquias conduz ao estágio em que nos encontramos na atualidade. Aos índios, se recusa a ocupação dos seus espaços definitórios, subtraindo-lhes a possibilidade de exercício amplo de seus direitos identitários, em nome de supostos direitos de propriedade.&lt;br /&gt;
Situação bastante emblemática dessa inversão é aquela que diz com a figura dos embargos de retenção. A Constituição, em seu art. 231, § 6º, ao estabelecer a nulidade dos títulos incidentes sobre Terras Indígenas, assegura aos seus titulares indenização pelas benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé. No entanto, é bastante comum, na prática judiciária, assegurar a essas pessoas permanência em território indígena enquanto não se paga a indenização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não bastasse a disputa que se estabelece entre direitos indígenas e direitos de propriedade, há forte incompreensão no que diz respeito ao que sejam terras tradicionalmente ocupadas. Vez por outra o conceito resvala para a imemorialidade, e o juiz exige a produção de um laudo arqueológico que evidencie que a presença indígena no local remonta a tempos pré-colombianos. Tal requisito vem impedindo que os Terena de Mato Grosso e os Krahô-kanela de Tocantins tenham acesso a um território, ao argumento de que as áreas pretendidas não correspondem às suas terras ancestrais.&lt;br /&gt;
O requisito da imemorialidade, no entanto, de há muito foi abandonado. A uma, por sua impossibilidade lógica. O processo dito colonizador avançou sobre esses territórios, descaracterizando-os. É um truísmo dizer-se que não há como recuperar Copacabana para os índios. A duas, porque esse mesmo processo promoveu deslocamentos constantes, e a territorialização desses povos teve que ser constantemente redefinida. E, a três, porque estamos a tratar de populações que existem no presente, com perspectivas de vida atuais e futuras, e que não podem ser condenadas a um imobilismo do passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De outro giro, muito embora não imobilizadas espacialmente e não definidas necessariamente pela profundidade temporal, a definição de terras tradicionalmente ocupadas requer uma compreensão narrativa das vidas desses povos. A tradição que emerge dessa narrativa não é mera repetição de algo passado, não é mera remissão ao contexto da existência que a originou, mas a experiência histórica de sua reafirmação e transformação. Daí por que a definição do que sejam terras tradicionalmente ocupadas, por cada grupo, passa por um estudo antropológico que, para além da história, revele a tradição que é permanentemente reatualizada e que dessa forma se faz presente na memória coletiva. Importante ressaltar, quanto ao estudo antropológico, que esse não tem e nem poderia ter, uma posição neutra em relação à sua pesquisa, no sentido de objetificar, de definir determinado domínio a partir de normas ou padrões externos ao grupo, pois tal importaria em privá-lo de sua força normativa. Assim, o estudo antropológico tendente à  identificação de um território tradicional pressupõe compreensão e tradução das formas como o grupo se vê ao longo de sua trajetória existencial, como vê e conhece o mundo, como nele se organiza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, não deixam de ser curiosas as decisões que negam validade à perícia antropológica por suspeição do pesquisador, porque esse tem intimidade com o grupo.4 No entanto, para toda e qualquer perícia, requer-se, do profissional, conhecimento técnico e científico (art. 424, I, CPC). E, no caso da antropologia, apenas está habilitado a produzir essa prova aquele que conhece o grupo, que pode revelar a sua existência quotidiana. Por outro lado, a definição de um território tradicional não pode passar ao largo do estudo antropológico, salvo se pretendermos reinstaurar o viés etnocêntrico que orientava o direito anterior, em que o juiz atribui aos agentes a sua própria visão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfim, sem a pretensão de exaurir todas as dificuldades com que nos defrontamos nas lides diárias, o que se revela, nesse breve esboço, é um judiciário ainda marcadamente civilista, seja na interpretação do direito, seja na ritualística processual. Mesmo as decisões que vêm ao encontro das aspirações dos povos indígenas dificilmente conseguem fugir desse viés. É pouca a reflexão sobre direitos coletivos, e quase nenhuma sobre direito étnico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tarefa que se impõe a todos nós é a luta por um judiciário mais curioso e atento à novidade do que nostálgico de suas certezas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Março de 2006'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Bibliografia ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bourdieu, P. Meditações pascalianas, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carpintero, F. Derecho y ontología jurídica, Madrid: Actas, 1993&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ferrajoli, L. Derechos y garantías – la ley del más débil. Madrid: Trotta, 2001&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gadamer, H.G. El giro hermenéutico, Madrid: Cátedra, 1998&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Habermas, J. La lógica de las ciencias sociales, Madrid : Tecnos, 1996&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meliá, B., Grünberg, F. &amp;amp; G. “Los Paî-Tavyterã: Etnografia guarani del Paraguai contemporaneo”, in: Suplemento Antropológico de la Revista del Ateneo Paraguayo, Vol XI nº 1-2, 1976&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Taylor, C. As fontes do self – a construção da identidade moderna, São Paulo: Loyola, 1997&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Não obstante o Supremo Tribunal Federal, já em 1993, afirmasse que não descaracteriza o animus possidendi dos silvícolas o fato de terem sido forçados a se retirarem de suas terras (ACO 323, Relator Ministro Francisco Rezek, julgamento em 14-10-93, DJ 16-9-94).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Laudo pericial para a AI Potrero Guassu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) O julgamento, até o momento, não foi concluído, em face do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes. Por ora, concedem em parte a segurança, para sustar os efeitos do decreto homologatório, os Ministros Carlos Velloso e Cesar Peluso; e a denegam os Ministros Joaquim Barbosa, Eros Grau, Carlos Britto, Nelson Jobim e Sepúlveda Pertence.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Como exemplo, processo 2004.36.00.002130-5, da 3ª Vara Federal de Mato Grosso. Há outras tantas decisões similares da justiça federal em Dourados-MS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
== O marco temporal e a reinvenção das formas de violação dos direitos indígenas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
por '''Juliana de Paula Batista''' e '''Maurício Guetta''', advogados do &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org&amp;gt;&amp;quot;Instituto Socioambiental (ISA)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://loja.socioambiental.org/livros/povos-indigenas-no-brasil-2011-2016.html&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''A teoria do &amp;quot;marco temporal&amp;quot;, que vem sendo aplicada para anular demarcações de TIs no Judiciário, mantém o histórico processo de violência e negação dos direitos territoriais indígenas – agora por meio de uma interpretação restritiva da Constituição, que legitima essas mesmas violências''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em entrevista publicada na edição 2001-2006 do livro ''Povos indígenas no Brasil'', o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro escrevia sobre “tornar-se índio: um problema para o Judiciário”. Na época, ele mencionava as declarações do então presidente da Fundação Nacional do índio (Funai), Mércio Gomes, para quem o Supremo Tribunal Federal (STF) teria que definir “um ‘limite’ para as reivindicações cada vez mais ‘excessivas’ por novas Terras Indígenas”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para Viveiros de Castro, “o Mércio está dizendo a mesma coisa dos governos da ditadura. Em essência, ele está dizendo que tem índio demais”. Castro, então, ironiza: “Sejamos liberais: não é preciso matar ninguém; os índios que temos são bons; são mesmo necessários. Mas, sobretudo, eles são suficientes. Vamos fechar a porteira. Vamos fazer uma escala. (...) Onde vai parar o corte? Na cara de quem vai se fechar a porteira?”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A resposta a essas indagações veio no julgamento, em março de 2009, do paradigmático caso sobre a demarcação da Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol (RR), pelo STF&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt;. A decisão estabeleceu 19 “condicionantes” ou “salvaguardas”. Nenhuma delas, contudo, refere-se ao “marco temporal de ocupação indígena”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante, foi nesse julgamento que o STF aplicou a teoria do “marco temporal de ocupação”, segundo a qual exige-se a presença dos índios na área objeto da demarcação no dia 5 de outubro de 1988 para que sejam reconhecidos seus direitos originários. Noutros termos, o STF interpretou o artigo 231 da Constituição, enunciando que a expressão “terra que tradicionalmente ocupam” deveria ser lida como “terras que tradicionalmente ocupam na data de 5 de outubro de 1988”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito embora a decisão não tenha efeitos vinculantes, ou seja, não obrigue juízes e tribunais a aplicar o mesmo entendimento a outros processos relativos a TIs, a tese do “marco temporal de ocupação” passou a orientar a hermenêutica do artigo 231 da Constituição Federal e constitui precedente judicial que, nessa condição, está a influenciar decisões em todas as instâncias do Poder Judiciário. Os resultados têm sido a anulação de processos de demarcação&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;, aumento dos conflitos no campo, insegurança jurídica e incertezas sobre os direitos territoriais indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tese do “marco temporal de ocupação”, no entanto, é juridicamente questionável sobre diversos aspectos. Primeiramente, porque sempre que as Constituições Federais&amp;lt;sup&amp;gt;3&amp;lt;/sup&amp;gt;, desde 1934 até a de 1988, quiseram trabalhar com “data certa” elas o fizeram de forma expressa: jamais deixaram ao arbítrio do julgador estabelecer quais seriam os “marcos temporais” de sua aplicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre o assunto, o constitucionalista José Afonso da Silva bem anotou: “Onde está isso na Constituição? Como pode ela ter trabalhado com essa data se ela nada diz a esse respeito, nem explícita, nem implicitamente? Nenhuma cláusula, nenhuma palavra do art. 231 sobre os direitos dos índios autoriza essa conclusão. Ao contrário se se ler com a devida atenção o ''caput'' do art. 231, ver-se-á que dele se extrai coisa muito diversa”. E completa: “Deslocar esse marco para ela [a Constituição de 1988] é fazer um corte na continuidade da proteção constitucional dos direitos indígenas, deixando ao desamparo milhares de índios e suas comunidades, o que, no fundo, é um desrespeito às próprias regras e princípios constitucionais que dão proteção aos direitos indígenas. Vale dizer: é contrariar o próprio sistema constitucional, que deu essa proteção continuadamente”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Condicionar as demarcações à presença dos índios nas terras em data certa também nega a histórica vulnerabilidade dos indígenas ante as violências que permearam o processo pós-colonial, a abertura das frentes de expansão pelo Brasil e as violações de direitos durante o período da ditadura militar, conforme denunciou, recentemente, o relatório da Comissão Nacional da Verdade&amp;lt;sup&amp;gt;4&amp;lt;/sup&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, o “marco temporal” também desconsidera as especificidades culturais de cada etnia, em contrariedade ao que estabeleceu o constituinte originário: “são reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições”. A genealogia desse reconhecimento precisa considerar os princípios hermenêuticos garantidores da força normativa da Constituição e da máxima efetividade das normas constitucionais, no sentido de respeitar as cosmovisões indígenas garantidas pela Constituição, bem como extirpar imposições culturais etnocêntricas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para tanto, a análise do que é uma “terra tradicionalmente ocupada” requer que não se tente definir “o que é habitação permanente, modo de utilização, atividade produtiva, ou qualquer das condições ou termos que as compõem, segundo a visão civilizada, a visão do modo de produção capitalista ou socialista, a visão do bem-estar do nosso gosto, mas segundo o modo de ser deles, da cultura deles”&amp;lt;sup&amp;gt;5&amp;lt;/sup&amp;gt;, como remarca José Afonso da Silva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não bastasse tudo isso, o debate em questão ainda impõe outra reflexão. Se a sobrevivência física e cultural dos indígenas depende necessariamente de estarem na posse de suas terras tradicionais, tal como estabelece a própria Constituição, anular processos de demarcação com base no “marco temporal”, além de se mostrar juridicamente questionável, tem como efeito direto e inexorável condenar os indígenas ao relento da assimilação forçada, paradigma que, este sim, a Constituição quis deliberadamente estancar. Em última instância, é, ainda, negar o direito fundamental à identidade étnica, pois sem terras não há índios ou coletividades indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O renitente esbulho ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “marco temporal”, de acordo com o STF, só não seria aplicável naqueles casos em que se comprove a ocorrência de “renitente esbulho”&amp;lt;sup&amp;gt;6&amp;lt;/sup&amp;gt;, ou seja, em que se demonstre que os indígenas foram retirados à força de suas terras e, por isso, não detinham a posse permanente da área em 5 de outubro de 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todavia, no julgamento que anulou a demarcação da TI Limão Verde&amp;lt;sup&amp;gt;7&amp;lt;/sup&amp;gt;, ao aplicar o “marco temporal”, a Segunda Turma do STF criou concepção altamente restritiva sobre como deveria ocorrer a prova do “renitente esbulho”. De acordo com esse julgado, a comprovação do “renitente esbulho” pode se dar pela demonstração de duas hipóteses: a primeira, por conflito que tenha perdurado até a promulgação da Constituição Federal de 1988, materializado por “circunstâncias de fato”; a segunda, pela existência de ação judicial possessória.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No tocante à primeira, vincular o direito dos indígenas à manutenção de um conflito até 5 de outubro de 1988 não é nada crível, pois é latente tanto o grau de violência que subjaz estes conflitos quanto a extrema vulnerabilidade das comunidades indígenas. Quem, em pleno gozo de suas faculdades mentais, manter-se-ia em conflito com fazendeiros fortemente armados ou resistiria ao aparato repressivo do Estado?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, exigir a existência de um conflito deforma por completo os fundamentos que justificam a própria existência do Estado, a essência dos princípios republicanos, bem como a base ontológica das garantias fundamentais: exigir conflito é reinstaurar a “guerra de todos contra todos”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Demais disso, é importante destacar um dos pontos levantados por Deborah Duprat em um artigo que problematiza a ideia de “renitente esbulho” aplicada ao caso da TI Limão Verde, recuperando a obra do antropólogo James Scott. Ela lembra que, conforme o autor, grupos historicamente subordinados costumam travar “pequenas guerrilhas silenciosas”, com impacto maior do que rebeliões, revoltas e levantes: “Ele tem em mente armas comuns, tais como corpo mole, a dissimulação, a submissão falsa, as sabotagens, os saques, os incêndios premeditados, a ignorância fingida, a fofoca. Se nós pegarmos os laudos de todas as áreas indígenas, todos eles relatam vários episódios de quebrar a cerca, do furto do gado, do colocar fogo na área, daquelas pequenas sabotagens cotidianas. Essa é a forma de resistência possível a esses grupos. Então, como considerar que não houve resistência ao esbulho? E só por uma visão hegemônica, por uma visão que referenda uma concepção de posse que é particularidade de um determinado segmento da sociedade. Não faz jus mais ao pluralismo, não faz jus sequer ao direito civil - lembrando que o estatuto da questão indígena é constitucional, não civil”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à segunda hipótese, qual seja, a existência de controvérsia possessória judicializada, vale lembrar que os indígenas eram impedidos de figurar como partes em juízo até o advento da Constituição Federal de 1988, quando foram liberados do regime tutelar e tiveram reconhecida sua capacidade processual pelo artigo 232. Aliás, muitas comunidades nem mesmo dispunham de relações com a sociedade nacional ou detinham conhecimento suficiente da legislação para formalizar denúncias ou mover ações judiciais - de modo que não é razoável destituir os índios dos seus direitos em decorrência de eventual omissão da União no exercício da tutela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o Ministério Público sequer tinha atribuição para propor, sem a provocação da União, “as medidas judiciais adequadas à proteção da posse dos silvícolas sobre as terras que habitem” (artigo 36, da Lei n° 6.001/1973), já que a sua estruturação para a defesa dos direitos e interesses coletivos dos indígenas consolidou-se apenas com o advento da Constituição Federal de 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De mais a mais, o Estado, o Serviço de Proteção ao índios (SPI) e sua sucessora, a Funai, muito embora tutelassem os indígenas, eram os principais responsáveis pelas ações ou omissões de violação de seus direitos, de forma que não ajuizaram “demandas possessórias” para resguardar os índios e proteger as TIs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A decisão restringe, ainda, a amplitude probatória estabelecida pela legislação processual, dado que existem muitas outras formas legítimas de se comprovar a ocorrência do renitente esbulho - documentos, registros históricos, jornalísticos, cartas das comunidades aos órgãos públicos competentes, entre outros documentos, a ser considerados conforme as peculiaridades de cada caso concreto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A valer a conclusão da Segunda Turma para o caso da TI Limão Verde, as provas disponíveis e a forma encontrada por cada comunidade para documentar as violências das quais foram vítimas não serão consideradas pela mais alta corte do país. Temos que lembrar que a tradição jurídica que privilegia a escrita, a documentação e a judicialização dos conflitos é “natural” para a nossa “metafísica dos costumes”, entretanto, pouco familiar para os povos indígenas, minorias étnicas de tradição eminentemente oral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, ao requerer prova que sequer era exigível ao tempo da ocorrência dos esbulhos, a Segunda Turma se vale da “flecha lançada” e da “oportunidade perdida” para engendrar um alto requinte burocrático na comprovação de violências, transferindo para os violentados o ônus da prova.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do reconhecimento da “organização social, costumes, línguas, crenças e tradições” dos índios, a maneira plausível de se garantir direitos territoriais indígenas seria a partir de um exercício hermenêutico e intercultural que buscasse analisar os esbulhos segundo a lógica própria de cada povo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para isso, há de se verificar o histórico de remoção dos índios de suas terras, por que e em que condição saíram delas, os meios dos quais dispunham para denunciar ou resistir aos esbulhos, dentre outras perspectivas, exercício que coloca em diálogo intercultural as sensibilidades jurídicas envolvidas no processo. Senão, ao fim e ao cabo, fecha-se a porteira e legitimam-se no tempo e nos direitos as antigas, e agora reinventadas, formas de exclusão dos direitos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===E agora, José?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Anuladas as demarcações de TIs com fundamento no “marco temporal” ou na desconsideração da ocorrência do “renitente esbulho”, para onde irão os indígenas?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A teoria do “marco temporal”, tal como está posta, mantém o histórico e secular processo de violência e negação dos direitos territoriais indígenas, agora, por intermédio de uma interpretação constitucional restritiva e que legitima essas mesmas violências. Nesse sentido, é preciso indagar muito seriamente: o que os Poderes da República, diante dos direitos fundamentais garantidos à pessoa humana e aos índios em particular, farão com os índios e seus direitos?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afinal, a aceitar a teoria do “marco temporal”, então é fundamental que se investigue: se não estavam os índios nas terras que hoje reivindicam, onde estariam em 5 de outubro de 1988?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E por que não estavam a exercer seu direito territorial e a ocupar suas terras tradicionais? As decisões judiciais que consideram o “marco temporal” determinarão providências específicas ao Poder Executivo, tal como a abertura de novos processos de demarcação de terras, para que se possa aferir onde estavam os índios em 5 de outubro de 1988, e, assim, proceder a demarcação? Farão perícias para identificar esses lugares? Assegurarão que os indígenas continuem em suas terras até que se encontre uma alternativa ou solução para os graves conflitos fundiários que envolvem a demarcação? Ou continuarão apenas a condenar os indígenas ao degredo de sua condição étnica e à manutenção, ''ad eternum'', de direitos válidos e jamais eficazes?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso seja sedimentada a teoria do “marco temporal” para todas as TIs, a desconsiderar que os índios constituem coletividades reais, vulneráveis, portadoras de identidade étnica minoritária e que dependem de segurança territorial para continuar existindo, estaria a se validar a assimilação forçada que a Constituição Federal quis estancar e, também, todas as violações de direitos fundamentais, notadamente de direitos territoriais, perpetradas historicamente contra os índios no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreendemos que todo o conjunto de princípios que rege a tradição republicana e democrática, (re)inaugurada a partir de 5 de outubro de 1988, aponta na direção de uma justiça de transição efetiva, que contemple os povos indígenas no âmbito da reparação e da efetividade de seus direitos civis, econômicos, sociais, culturais, tão atrozmente violentados antes e durante a ditadura militar. A prosperar a “linha de corte” imposta pelo “marco temporal”, o direito fundamental de ocupar uma terra segundo usos, costumes e tradições indígenas, reconhecido pela Constituição Federal de 1988, terá tido validade por apenas um dia, não traduzindo garantia permanente de direitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, espera-se que nos próximos anos o STF pondere as graves consequências e violações de direitos fundamentais que vêm sendo legitimadas pela teoria do “marco temporal de ocupação” e adote técnica de decisão que possa melhor traduzir o real sentido dos direitos fundamentais garantidos aos índios pelo constituinte originário de 1988.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h4&amp;gt;Notas&amp;lt;/h4&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;1&amp;lt;/sup&amp;gt; Supremo Tribunal Federal. Tribunal Pleno. Petição n.° 3.388/RR. Relator: Ministro Carlos Ayres Britto. DJe 01.07.2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt; Com fundamento na tese do “marco temporal de ocupação”, o Supremo Tribunal Federal anulou a demarcação da Terra Indígena Guyraroká, no Mato Grosso do Sul. Para maiores informações, vide: Supremo Tribunal Federal. Segunda Turma. RMS n° 29087/DF. Relator para Acórdão Ministro Gilmar Ferreira Mendes. DJe 14/10/2014.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;3&amp;lt;/sup&amp;gt; Nesse sentido, vide o artigo 119, § 6o e 133, da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil de 1934; o artigo 242, da Constituição Federal de 1988; os artigos Io, 19, 21, 29, § 3o, 43, 58 e 69, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;4&amp;lt;/sup&amp;gt; KEHL, Maria Rita. Violações de Direitos Humanos dos Povos Indígenas. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://200.144.182.130/cesta/images/stories/CAPITULO_INDIGENA_ Pages_from_Relatorio_Final_CNV_Volume_II.pdf&amp;quot;&amp;gt;Disponível online&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;5&amp;lt;/sup&amp;gt; SILVA José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 38a ed. São Paulo: Malheiros, 2015, p. 874-875.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;6&amp;lt;/sup&amp;gt; Supremo Tribunal Federal. Tribunal Pleno. Pet. n° 3.388/RR. Relator: Ministro Carlos Ayres Britto. DJe: 01/07/2010.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;sup&amp;gt;7&amp;lt;/sup&amp;gt; Supremo Tribunal Federal. Segunda Turma. ARE n° 803.462-AgR/MS. Relator: Ministro Teori Zawascki. Dje: 12/02/2015.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Judiciário}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-08-22}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Estatuto_do_%C3%8Dndio&amp;diff=2173</id>
		<title>Estatuto do Índio</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Estatuto_do_%C3%8Dndio&amp;diff=2173"/>
		<updated>2017-09-29T19:21:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Estatuto do índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Estatuto do Índio&amp;quot; é o nome como ficou conhecida a lei 6.001. Promulgada em 1973, ela dispõe sobre as relações do Estado e da sociedade brasileira com os índios. Em linhas gerais, o Estatuto seguiu um princípio estabelecido pelo velho Código Civil brasileiro (de 1916): de que os índios, sendo &amp;quot;relativamente incapazes&amp;quot;, deveriam ser tutelados por um [[Órgão Indigenista Oficial | órgão indigenista estatal]] (de 1910 a 1967, o Serviço de Proteção ao Índio - SPI; atualmente, a Fundação Nacional do Índio - Funai) até que eles estivessem “integrados à comunhão nacional”, ou seja, à sociedade brasileira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm&amp;quot;&amp;gt;Constituição  de 1988&amp;lt;/htmltag&amp;gt; rompe esta tradição secular ao reconhecer aos índios o [[Constituição | direito de manter a sua própria cultura]]. Há o  abandono da perspectiva assimilacionista, que entendia os índios como categoria social transitória, a serem incorporados à comunhão nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Constituição não fala em tutela ou em órgão indigenista, mas mantém a responsabilidade da União de proteger e fazer respeitar  os direitos indígenas. Apesar de não tratar de maneira expressa  da  capacidade civil, a Constituição  reconheceu no seu Artigo 232, a capacidade processual  ao dizer que &amp;quot;os índios, suas comunidades e organizações, são partes legítimas para ingressar em juízo, em defesa dos seus direitos e interesses&amp;quot;. Significa que os índios podem, inclusive, entrar em juízo contra o próprio Estado, o seu suposto tutor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Novo Código Civil (2002), em consequência, retira os índios da categoria de relativamente incapazes e dispõe que a capacidade dos índios será regulada por legislação especial. Desde a promulgação da Constituição surgiram propostas em tramitação no Congresso para rever a legislação ordinária relativa aos direitos dos índios. A partir de 1991, projetos de lei foram apresentados pelo Executivo e por deputados para regulamentar dispositivos constitucionais e para adequar a velha legislação aos termos da nova Carta. Em 1994, uma proposta de Estatuto das Sociedades Indígenas foi aprovada por uma comissão especial da Câmara dos Deputados, mas encontra-se paralisada em sua tramitação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Veja também===&lt;br /&gt;
*[[Constituição | Direitos constitucionais dos índios]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras leituras===&lt;br /&gt;
Para explicar às comunidades indígenas o que significa a expressão &amp;quot;relativamente incapazes&amp;quot;, como está no Estatuto, o ISA produziu, em 2000, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;/files/file/PIB_institucional/Os_indios_nao_sao_incapazes.pdf&amp;quot;&amp;gt;um texto dirigido a elas.&amp;lt;/htmltag&amp;gt; As questões apresentadas e discutidas a partir deste texto ainda hoje estão em discussão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Estatuto do Índio}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Constitui%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=2172</id>
		<title>Constituição</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Constitui%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=2172"/>
		<updated>2017-09-29T19:12:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Direitos constitucionais dos índios&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os direitos constitucionais dos índios estão expressos num capítulo específico da Carta de 1988 (título VIII, &amp;quot;Da Ordem Social&amp;quot;, capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;), além de outros dispositivos dispersos ao longo de seu texto e de um artigo do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de direitos marcados por pelo menos duas inovações conceituais importantes em relação a Constituições anteriores e ao chamado [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio]]. A primeira inovação é o abandono de uma perspectiva assimilacionista, que entendia os índios como categoria social transitória, fadada ao desaparecimento. A segunda é que os direitos dos índios sobre suas terras são definidos enquanto direitos originários, isto é, anterior à criação do próprio Estado. Isto decorre do reconhecimento do fato histórico de que os índios foram os primeiros ocupantes do Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nova Constituição estabelece, desta forma, novos marcos para as relações entre o Estado, a sociedade brasileira e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Direito à diferença==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
| Índio Matis. Igarapé Boeiro, rio Ituí, Terra Indígena Vale do Javari. Amazonas, 1985. Foto: Isaac Amorim Filho&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/225665-21/matis_16.jpg?g2_GALLERYSID=TMP_SESSION_ID_DI_NOISSES_PMT&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
Com os novos preceitos constitucionais, assegurou-se aos povos indígenas o respeito à sua organização social, [[Modos de vida | costumes]], [[Línguas | línguas]], crenças e tradições. Pela primeira vez, reconhece-se aos índios no Brasil o direito à diferença; isto é: de serem índios e de permanecerem como tal indefinidamente. É o que reza o caput do artigo 231 da Constituição:&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.&amp;quot;&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Note-se que o direito à diferença não implica menos direito nem privilégios. Daí porque a Carta de 88 tenha assegurado aos povos indígenas a utilização das suas línguas e processos próprios de aprendizagem no ensino básico (artigo 210, § 2º), inaugurando, assim, um novo tempo para as ações relativas à [[Educação Escolar Indígena | educação escolar indígena]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, a Constituição permitiu que os índios, suas comunidades e organizações, como qualquer pessoa física ou jurídica no Brasil, tenham legitimidade para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Direito à terra==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
| Davi Yanomami (a esquerda), presidente da Hutukara Associação Yanomami e funcionário da Funai na manifestação para retirada dos fazendeiros da região do Ajarani, Terra Indígena Yanomami, Roraima. 2013. Foto: Romário Cavalcante&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/857244-2/IMG_1118_20130418_resize.JPG?g2_GALLERYSID=TMP_SESSION_ID_DI_NOISSES_PMT&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nova Constituição inovou em todos os sentidos, estabelecendo, sobretudo, que os direitos dos índios sobre as terras que tradicionalmente ocupam são de natureza originária. Isso significa que são anteriores à formação do próprio Estado, existindo independentemente de qualquer reconhecimento oficial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O texto em vigor eleva também à categoria constitucional o próprio conceito de [[O que são Terras Indígenas%3F | Terras Indígenas]], que assim se define, no parágrafo 1º. de seu artigo 231:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.&amp;quot;&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São determinados elementos, portanto, que definem uma sorte de terra como indígena. Presentes esses elementos, a serem apurados conforme os usos, costumes e tradições indígenas, o direito à terra por parte da sociedade que a ocupa existe e se legitima independentemente de qualquer ato constitutivo. Nesse sentido, a [[Demarcações | demarcação]] de uma Terra Indígena, fruto do reconhecimento feito pelo Estado, é ato meramente declaratório, cujo objetivo é simplesmente precisar a real extensão da posse para assegurar a plena eficácia do dispositivo constitucional. E a obrigação de proteger as Terras Indígenas cabe à União.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que se refere às Terras Indígenas, a Constituição de 88 ainda estabelece que:&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;incluem-se dentre os bens da União (art. 20, XI);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;são destinadas à posse permanente por parte dos índios (art. 231, § 2);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;são nulos e extintos todos os atos jurídicos que afetem essa posse, salvo relevante interesse público da União (art. 231, § 6);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;apenas os índios podem usufruir das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes (art. 231, § 2);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;o aproveitamento dos seus recursos hídricos, aí incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais, só pode ser efetivado com a autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada a participação nos resultados da lavra (art. 231, § 3, art. 49, XVI);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;é necessária lei ordinária que fixe as condições específicas para exploração mineral e de recursos hídricos nas Terras Indígenas (art. 176, § 1);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;as Terras Indígenas são inalienáveis e indisponíveis, e o direito sobre elas é imprescritível (art. 231, § 4);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;é vedado remover os índios de suas terras, salvo casos excepcionais e temporários (art. 231, § 5).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas Disposições Constitucionais Transitórias, fixou-se em cinco anos o prazo para que todas as Terras Indígenas no Brasil fossem demarcadas. O prazo não se cumpriu, e as demarcações ainda são um assunto pendente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Outros dispositivos==&lt;br /&gt;
 Dispersos pelos texto constitucional, outros dispositivos referem-se aos índios:&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;a responsabilidade de defender judicialmente os direitos indígenas inclui-se dentre as atribuições do Ministério Público Federal (art. 129, V)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;legislar sobre populações indígenas é assunto de competência exclusiva da União (art. 22. XIV)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;processar e julgar a disputa sobre direitos indígenas é competência dos juízes federais (art. 109. XI)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;o Estado deve proteger as manifestações das culturas populares, inclusive indígenas (art. 215, § 1)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;respeito a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem (art. 210, § 2)&lt;br /&gt;
     &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Veja também&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm&amp;quot;&amp;gt;Texto completo da '''Constituição da República Federativa do Brasil de 1988'''&amp;lt;/htmltag&amp;gt; disponível no &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www2.planalto.gov.br/&amp;quot;&amp;gt;Portal do Planalto&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Na prática ==&lt;br /&gt;
A Constituição de 88 criou a necessidade de revisão da legislação ordinária e inclusão de novos temas no debate jurídico relativo aos índios. A partir de 1991, projetos de lei foram apresentados pelo Executivo e por deputados, a fim de regulamentar dispositivos constitucionais e adequar uma velha legislação, pautada pelos princípios da integração dos índios à &amp;quot;comunhão nacional&amp;quot; e da tutela, aos termos da nova Carta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, a base legal das reivindicações mais fundamentais dos índios no Brasil foi construída pela nova Constituição e vem sendo presentemente ampliada e rearranjada. Porém, a realidade brasileira demonstra que cabe aos índios e seus aliados a difícil tarefa de, fazendo cumprir as leis, garantir o respeito aos direitos indígenas na prática, diante dos mais diversos interesses econômicos que teimam em ignorar-lhes a própria existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assegurar plena efetividade ao texto constitucional é o desafio que está posto. Cabe aos índios, mas também às suas organizações, entidades de apoio, universidades, Ministério Público e outros mais. Sabe-se que se trata de um processo lento, que está inclusive condicionado à tarefa de conscientização da própria sociedade. O êxito dependerá necessariamente do grau de comprometimento diário nessa direção por parte de todos os que atuam na questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Constituições anteriores ==&lt;br /&gt;
Todas as Constituições de nossa era republicana, ressalvada a omissão da Constituição de 1891, reconheceram aos índios direitos sobre os territórios por eles habitados:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1934 : &amp;quot;Art. 129 – Será respeitada a posse de terras de silvícolas que nelas se achem permanentemente localizados, sendo-lhes, no entanto, vedado aliená-las.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1937 : &amp;quot;Art. 154 – Será respeitada aos silvícolas a posse das terras em que se achem localizados em caráter permanente, sendo-lhes, no entanto, vedado aliená-las&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1946 : &amp;quot;Art. 216 – Será respeitada aos silvícolas a posse das terras onde se achem permanentemente localizados, com a condição de não a transferirem.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1967 : &amp;quot;Art. 186 – É assegurada aos silvícolas a posse permanente das terras que habitam e reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo dos recursos naturais e de todas as utilidades nelas existentes&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Emenda Constitucional número 1/ 1969 : &amp;quot;Art. 198 – As terras habitadas pelos silvícolas são inalienáveis nos termos em que a lei federal determinar, a eles cabendo a sua posse permanente e ficando reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo das riquezas e de todas as utilidades nelas existentes&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Constituição}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Constitui%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=2171</id>
		<title>Constituição</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Constitui%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=2171"/>
		<updated>2017-09-29T19:03:03Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Direitos constitucionais dos índios&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os direitos constitucionais dos índios estão expressos num capítulo específico da Carta de 1988 (título VIII, &amp;quot;Da Ordem Social&amp;quot;, capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;), além de outros dispositivos dispersos ao longo de seu texto e de um artigo do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de direitos marcados por pelo menos duas inovações conceituais importantes em relação a Constituições anteriores e ao chamado [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio]]. A primeira inovação é o abandono de uma perspectiva assimilacionista, que entendia os índios como categoria social transitória, fadada ao desaparecimento. A segunda é que os direitos dos índios sobre suas terras são definidos enquanto direitos originários, isto é, anterior à criação do próprio Estado. Isto decorre do reconhecimento do fato histórico de que os índios foram os primeiros ocupantes do Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nova Constituição estabelece, desta forma, novos marcos para as relações entre o Estado, a sociedade brasileira e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Direito à diferença==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
| Índio Matis. Igarapé Boeiro, rio Ituí, Terra Indígena Vale do Javari. Amazonas, 1985. Foto: Isaac Amorim Filho&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/225665-21/matis_16.jpg?g2_GALLERYSID=TMP_SESSION_ID_DI_NOISSES_PMT&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
Com os novos preceitos constitucionais, assegurou-se aos povos indígenas o respeito à sua organização social, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;costumes&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, crenças e tradições. Pela primeira vez, reconhece-se aos índios no Brasil o direito à diferença; isto é: de serem índios e de permanecerem como tal indefinidamente. É o que reza o caput do artigo 231 da Constituição:&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.&amp;quot;&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Note-se que o direito à diferença não implica menos direito nem privilégios. Daí porque a Carta de 88 tenha assegurado aos povos indígenas a utilização das suas línguas e processos próprios de aprendizagem no ensino básico (artigo 210, § 2º), inaugurando, assim, um novo tempo para as ações relativas à &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/educacao-escolar-indigena/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;educação escolar indígena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, a Constituição permitiu que os índios, suas comunidades e organizações, como qualquer pessoa física ou jurídica no Brasil, tenham legitimidade para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Direito à terra==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
| Davi Yanomami (a esquerda), presidente da Hutukara Associação Yanomami e funcionário da Funai na manifestação para retirada dos fazendeiros da região do Ajarani, Terra Indígena Yanomami, Roraima. 2013. Foto: Romário Cavalcante&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/857244-2/IMG_1118_20130418_resize.JPG?g2_GALLERYSID=TMP_SESSION_ID_DI_NOISSES_PMT&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nova Constituição inovou em todos os sentidos, estabelecendo, sobretudo, que os direitos dos índios sobre as terras que tradicionalmente ocupam são de natureza originária. Isso significa que são anteriores à formação do próprio Estado, existindo independentemente de qualquer reconhecimento oficial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O texto em vigor eleva também à categoria constitucional o próprio conceito de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que assim se define, no parágrafo 1º. de seu artigo 231:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.&amp;quot;&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São determinados elementos, portanto, que definem uma sorte de terra como indígena. Presentes esses elementos, a serem apurados conforme os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;usos, costumes e tradições indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, o direito à terra por parte da sociedade que a ocupa existe e se legitima independentemente de qualquer ato constitutivo. Nesse sentido, a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;demarcação&amp;lt;/htmltag&amp;gt; de uma Terra Indígena, fruto do reconhecimento feito pelo Estado, é ato meramente declaratório, cujo objetivo é simplesmente precisar a real extensão da posse para assegurar a plena eficácia do dispositivo constitucional. E a obrigação de proteger as Terras Indígenas cabe à União.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que se refere às Terras Indígenas, a Constituição de 88 ainda estabelece que:&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;incluem-se dentre os bens da União (art. 20, XI);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;são destinadas à posse permanente por parte dos índios (art. 231, § 2);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;são nulos e extintos todos os atos jurídicos que afetem essa posse, salvo relevante interesse público da União (art. 231, § 6);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;apenas os índios podem usufruir das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes (art. 231, § 2);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;o aproveitamento dos seus recursos hídricos, aí incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais, só pode ser efetivado com a autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada a participação nos resultados da lavra (art. 231, § 3, art. 49, XVI);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;é necessária lei ordinária que fixe as condições específicas para exploração mineral e de recursos hídricos nas Terras Indígenas (art. 176, § 1);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;as Terras Indígenas são inalienáveis e indisponíveis, e o direito sobre elas é imprescritível (art. 231, § 4);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;é vedado remover os índios de suas terras, salvo casos excepcionais e temporários (art. 231, § 5).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas Disposições Constitucionais Transitórias, fixou-se em cinco anos o prazo para que todas as Terras Indígenas no Brasil fossem demarcadas. O prazo não se cumpriu, e as demarcações ainda são um assunto pendente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Outros dispositivos==&lt;br /&gt;
 Dispersos pelos texto constitucional, outros dispositivos referem-se aos índios:&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;a responsabilidade de defender judicialmente os direitos indígenas inclui-se dentre as atribuições do Ministério Público Federal (art. 129, V)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;legislar sobre populações indígenas é assunto de competência exclusiva da União (art. 22. XIV)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;processar e julgar a disputa sobre direitos indígenas é competência dos juízes federais (art. 109. XI)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;o Estado deve proteger as manifestações das culturas populares, inclusive indígenas (art. 215, § 1)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;respeito a utilização de suas &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maternas e processos próprios de aprendizagem (art. 210, § 2)&lt;br /&gt;
     &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Veja também&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm&amp;quot;&amp;gt;Texto completo da '''Constituição da República Federativa do Brasil de 1988'''&amp;lt;/htmltag&amp;gt; disponível no &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www2.planalto.gov.br/&amp;quot;&amp;gt;Portal do Planalto&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Na prática ==&lt;br /&gt;
A Constituição de 88 criou a necessidade de revisão da legislação ordinária e inclusão de novos temas no debate jurídico relativo aos índios. A partir de 1991, projetos de lei foram apresentados pelo Executivo e por deputados, a fim de regulamentar dispositivos constitucionais e adequar uma velha legislação, pautada pelos princípios da integração dos índios à &amp;quot;comunhão nacional&amp;quot; e da tutela, aos termos da nova Carta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, a base legal das reivindicações mais fundamentais dos índios no Brasil foi construída pela nova Constituição e vem sendo presentemente ampliada e rearranjada. Porém, a realidade brasileira demonstra que cabe aos índios e seus aliados a difícil tarefa de, fazendo cumprir as leis, garantir o respeito aos direitos indígenas na prática, diante dos mais diversos interesses econômicos que teimam em ignorar-lhes a própria existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assegurar plena efetividade ao texto constitucional é o desafio que está posto. Cabe aos índios, mas também às suas organizações, entidades de apoio, universidades, Ministério Público e outros mais. Sabe-se que se trata de um processo lento, que está inclusive condicionado à tarefa de conscientização da própria sociedade. O êxito dependerá necessariamente do grau de comprometimento diário nessa direção por parte de todos os que atuam na questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Constituições anteriores ==&lt;br /&gt;
Todas as Constituições de nossa era republicana, ressalvada a omissão da Constituição de 1891, reconheceram aos índios direitos sobre os territórios por eles habitados:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1934 : &amp;quot;Art. 129 – Será respeitada a posse de terras de silvícolas que nelas se achem permanentemente localizados, sendo-lhes, no entanto, vedado aliená-las.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1937 : &amp;quot;Art. 154 – Será respeitada aos silvícolas a posse das terras em que se achem localizados em caráter permanente, sendo-lhes, no entanto, vedado aliená-las&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1946 : &amp;quot;Art. 216 – Será respeitada aos silvícolas a posse das terras onde se achem permanentemente localizados, com a condição de não a transferirem.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1967 : &amp;quot;Art. 186 – É assegurada aos silvícolas a posse permanente das terras que habitam e reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo dos recursos naturais e de todas as utilidades nelas existentes&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Emenda Constitucional número 1/ 1969 : &amp;quot;Art. 198 – As terras habitadas pelos silvícolas são inalienáveis nos termos em que a lei federal determinar, a eles cabendo a sua posse permanente e ficando reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo das riquezas e de todas as utilidades nelas existentes&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Constituição}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Constitui%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=2170</id>
		<title>Constituição</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Constitui%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=2170"/>
		<updated>2017-09-29T18:59:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Direito à terra */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Direitos constitucionais dos índios&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os direitos constitucionais dos índios estão expressos num capítulo específico da Carta de 1988 (título VIII, &amp;quot;Da Ordem Social&amp;quot;, capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;), além de outros dispositivos dispersos ao longo de seu texto e de um artigo do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de direitos marcados por pelo menos duas inovações conceituais importantes em relação a Constituições anteriores e ao chamado &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/estatuto-do-Indio/introducao&amp;quot;&amp;gt;Estatuto do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. A primeira inovação é o abandono de uma perspectiva assimilacionista, que entendia os índios como categoria social transitória, fadada ao desaparecimento. A segunda é que os direitos dos índios sobre suas terras são definidos enquanto direitos originários, isto é, anterior à criação do próprio Estado. Isto decorre do reconhecimento do fato histórico de que os índios foram os primeiros ocupantes do Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nova Constituição estabelece, desta forma, novos marcos para as relações entre o Estado, a sociedade brasileira e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Direito à diferença==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
| Índio Matis. Igarapé Boeiro, rio Ituí, Terra Indígena Vale do Javari. Amazonas, 1985. Foto: Isaac Amorim Filho&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/225665-21/matis_16.jpg?g2_GALLERYSID=TMP_SESSION_ID_DI_NOISSES_PMT&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
Com os novos preceitos constitucionais, assegurou-se aos povos indígenas o respeito à sua organização social, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;costumes&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, crenças e tradições. Pela primeira vez, reconhece-se aos índios no Brasil o direito à diferença; isto é: de serem índios e de permanecerem como tal indefinidamente. É o que reza o caput do artigo 231 da Constituição:&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.&amp;quot;&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Note-se que o direito à diferença não implica menos direito nem privilégios. Daí porque a Carta de 88 tenha assegurado aos povos indígenas a utilização das suas línguas e processos próprios de aprendizagem no ensino básico (artigo 210, § 2º), inaugurando, assim, um novo tempo para as ações relativas à &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/educacao-escolar-indigena/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;educação escolar indígena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, a Constituição permitiu que os índios, suas comunidades e organizações, como qualquer pessoa física ou jurídica no Brasil, tenham legitimidade para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Direito à terra==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
| Davi Yanomami (a esquerda), presidente da Hutukara Associação Yanomami e funcionário da Funai na manifestação para retirada dos fazendeiros da região do Ajarani, Terra Indígena Yanomami, Roraima. 2013. Foto: Romário Cavalcante&lt;br /&gt;
| http://img.socioambiental.org/d/857244-2/IMG_1118_20130418_resize.JPG?g2_GALLERYSID=TMP_SESSION_ID_DI_NOISSES_PMT&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nova Constituição inovou em todos os sentidos, estabelecendo, sobretudo, que os direitos dos índios sobre as terras que tradicionalmente ocupam são de natureza originária. Isso significa que são anteriores à formação do próprio Estado, existindo independentemente de qualquer reconhecimento oficial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O texto em vigor eleva também à categoria constitucional o próprio conceito de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que assim se define, no parágrafo 1º. de seu artigo 231:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.&amp;quot;&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São determinados elementos, portanto, que definem uma sorte de terra como indígena. Presentes esses elementos, a serem apurados conforme os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;usos, costumes e tradições indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, o direito à terra por parte da sociedade que a ocupa existe e se legitima independentemente de qualquer ato constitutivo. Nesse sentido, a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;demarcação&amp;lt;/htmltag&amp;gt; de uma Terra Indígena, fruto do reconhecimento feito pelo Estado, é ato meramente declaratório, cujo objetivo é simplesmente precisar a real extensão da posse para assegurar a plena eficácia do dispositivo constitucional. E a obrigação de proteger as Terras Indígenas cabe à União.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que se refere às Terras Indígenas, a Constituição de 88 ainda estabelece que:&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;incluem-se dentre os bens da União (art. 20, XI);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;são destinadas à posse permanente por parte dos índios (art. 231, § 2);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;são nulos e extintos todos os atos jurídicos que afetem essa posse, salvo relevante interesse público da União (art. 231, § 6);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;apenas os índios podem usufruir das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes (art. 231, § 2);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;o aproveitamento dos seus recursos hídricos, aí incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais, só pode ser efetivado com a autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada a participação nos resultados da lavra (art. 231, § 3, art. 49, XVI);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;é necessária lei ordinária que fixe as condições específicas para exploração mineral e de recursos hídricos nas Terras Indígenas (art. 176, § 1);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;as Terras Indígenas são inalienáveis e indisponíveis, e o direito sobre elas é imprescritível (art. 231, § 4);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;é vedado remover os índios de suas terras, salvo casos excepcionais e temporários (art. 231, § 5).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas Disposições Constitucionais Transitórias, fixou-se em cinco anos o prazo para que todas as Terras Indígenas no Brasil fossem demarcadas. O prazo não se cumpriu, e as demarcações ainda são um assunto pendente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Outros dispositivos==&lt;br /&gt;
 Dispersos pelos texto constitucional, outros dispositivos referem-se aos índios:&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;a responsabilidade de defender judicialmente os direitos indígenas inclui-se dentre as atribuições do Ministério Público Federal (art. 129, V)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;legislar sobre populações indígenas é assunto de competência exclusiva da União (art. 22. XIV)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;processar e julgar a disputa sobre direitos indígenas é competência dos juízes federais (art. 109. XI)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;o Estado deve proteger as manifestações das culturas populares, inclusive indígenas (art. 215, § 1)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;respeito a utilização de suas &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maternas e processos próprios de aprendizagem (art. 210, § 2)&lt;br /&gt;
     &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Veja também&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm&amp;quot;&amp;gt;Texto completo da '''Constituição da República Federativa do Brasil de 1988'''&amp;lt;/htmltag&amp;gt; disponível no &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www2.planalto.gov.br/&amp;quot;&amp;gt;Portal do Planalto&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Na prática ==&lt;br /&gt;
A Constituição de 88 criou a necessidade de revisão da legislação ordinária e inclusão de novos temas no debate jurídico relativo aos índios. A partir de 1991, projetos de lei foram apresentados pelo Executivo e por deputados, a fim de regulamentar dispositivos constitucionais e adequar uma velha legislação, pautada pelos princípios da integração dos índios à &amp;quot;comunhão nacional&amp;quot; e da tutela, aos termos da nova Carta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, a base legal das reivindicações mais fundamentais dos índios no Brasil foi construída pela nova Constituição e vem sendo presentemente ampliada e rearranjada. Porém, a realidade brasileira demonstra que cabe aos índios e seus aliados a difícil tarefa de, fazendo cumprir as leis, garantir o respeito aos direitos indígenas na prática, diante dos mais diversos interesses econômicos que teimam em ignorar-lhes a própria existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assegurar plena efetividade ao texto constitucional é o desafio que está posto. Cabe aos índios, mas também às suas organizações, entidades de apoio, universidades, Ministério Público e outros mais. Sabe-se que se trata de um processo lento, que está inclusive condicionado à tarefa de conscientização da própria sociedade. O êxito dependerá necessariamente do grau de comprometimento diário nessa direção por parte de todos os que atuam na questão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Constituições anteriores ==&lt;br /&gt;
Todas as Constituições de nossa era republicana, ressalvada a omissão da Constituição de 1891, reconheceram aos índios direitos sobre os territórios por eles habitados:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1934 : &amp;quot;Art. 129 – Será respeitada a posse de terras de silvícolas que nelas se achem permanentemente localizados, sendo-lhes, no entanto, vedado aliená-las.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1937 : &amp;quot;Art. 154 – Será respeitada aos silvícolas a posse das terras em que se achem localizados em caráter permanente, sendo-lhes, no entanto, vedado aliená-las&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1946 : &amp;quot;Art. 216 – Será respeitada aos silvícolas a posse das terras onde se achem permanentemente localizados, com a condição de não a transferirem.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Constituição de 1967 : &amp;quot;Art. 186 – É assegurada aos silvícolas a posse permanente das terras que habitam e reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo dos recursos naturais e de todas as utilidades nelas existentes&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Emenda Constitucional número 1/ 1969 : &amp;quot;Art. 198 – As terras habitadas pelos silvícolas são inalienáveis nos termos em que a lei federal determinar, a eles cabendo a sua posse permanente e ficando reconhecido o seu direito ao usufruto exclusivo das riquezas e de todas as utilidades nelas existentes&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Constituição}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2169</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2169"/>
		<updated>2017-09-29T18:52:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Comparando palavras diferentes */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot;/&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt; Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986 &amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As línguas indígenas eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Jê (Tronco Macro-Jê)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2168</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2168"/>
		<updated>2017-09-29T18:43:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot;/&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt; Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986 &amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As línguas indígenas eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Jê (Tronco Macro-Jê)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2167</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2167"/>
		<updated>2017-09-29T18:41:55Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot;/&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt; Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986 &amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As línguas indígenas eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Jê (Tronco Macro-Jê)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2166</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2166"/>
		<updated>2017-09-29T18:15:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot;/&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt; Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986 &amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As línguas indígenas eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Jê (Tronco Macro-Jê)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2165</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2165"/>
		<updated>2017-09-29T18:07:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot;/&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt; Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986 &amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As línguas indígenas eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2164</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2164"/>
		<updated>2017-09-29T17:35:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Troncos e famílias */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot;/&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt; Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986 &amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2163</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2163"/>
		<updated>2017-09-29T17:30:02Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Multilinguismo */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: left;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt; Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986 &amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2043</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2043"/>
		<updated>2017-09-18T20:13:13Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Multilinguismo */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: left;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2042</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2042"/>
		<updated>2017-09-18T20:12:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Multilinguismo */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: left;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2040</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2040"/>
		<updated>2017-09-18T20:11:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Multilinguismo */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: left;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt; Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986. &amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado. Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da família lingüística Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses [[Povo:Etnias do Rio Negro | povos habitantes do rio Negro]], os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos [[Povo:Tukano | Tukano]] são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em língua geral ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o Nheengatu, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2038</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2038"/>
		<updated>2017-09-18T20:05:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: left;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;gt; Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986. &amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado.Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;família lingüística&amp;lt;/htmltag&amp;gt; Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;povos habitantes do rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt; são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;língua geral&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2037</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2037"/>
		<updated>2017-09-18T20:03:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado.Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;família lingüística&amp;lt;/htmltag&amp;gt; Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;povos habitantes do rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt; são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;língua geral&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2034</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2034"/>
		<updated>2017-09-18T20:00:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os linguistas, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de educação escolar indígena.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left | http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado.Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;família lingüística&amp;lt;/htmltag&amp;gt; Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;povos habitantes do rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt; são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;língua geral&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2030</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2030"/>
		<updated>2017-09-18T19:54:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Introdução */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], e [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/o-trabalho-dos-linguistas&amp;quot;&amp;gt;linguistas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot;&amp;gt;educação escolar indígena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado.Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;família lingüística&amp;lt;/htmltag&amp;gt; Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;povos habitantes do rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt; são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;língua geral&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2029</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2029"/>
		<updated>2017-09-18T19:53:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Introdução */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]],[[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]],[[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/o-trabalho-dos-linguistas&amp;quot;&amp;gt;linguistas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot;&amp;gt;educação escolar indígena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado.Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;família lingüística&amp;lt;/htmltag&amp;gt; Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;povos habitantes do rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt; são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;língua geral&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2028</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=2028"/>
		<updated>2017-09-18T19:52:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Introdução */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;h1&amp;quot;&amp;gt;Línguas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Huni Kuin (Kaxinawá) | Huni Kuin]],  [[Povo:Kubeo | Kubeo]], [[Povo:Kulina | Kulina]], [[Povo:Kaingang | Kaingang]], [[Povo:Mebêngôkre (Kayapó) | Mebêngôkre]][[Povo:Macuxi |  Macuxi]], [[Povo:Munduruku | Munduruku]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]], [[Povo:Taurepang | Taurepang]][[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Timbira | Timbira]], [[Povo:Tukano | Tukano]],[[Povo:Wapichana | Wapichana]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], [[Povo:Ye'kwana | Ye'kwana]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/o-trabalho-dos-linguistas&amp;quot;&amp;gt;linguistas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot;&amp;gt;educação escolar indígena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Troncos e famílias==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
===Tronco Tupi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
===Tronco Macro-jê===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Outras famílias===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado.Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;família lingüística&amp;lt;/htmltag&amp;gt; Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;povos habitantes do rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt; são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;língua geral&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, língua geral amazônica, quando conversam entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas gerais==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral paulista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Língua geral amazônica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Um pouco de história===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas indígenas na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A língua portuguesa na escola===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A introdução da escrita===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Línguas silenciadas, novas línguas==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Quantas línguas indígenas?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Documentação, patrimonialização===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Educação para a diversidade?===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O trabalho dos lingüistas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Introdução===&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Línguas na América do Sul===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;País&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de línguas nativas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Número de falantes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, 1991.(5)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
===No Brasil===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os primeiros dados==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Evangelização e pesquisa===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Notas===&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A escola e a preservação lingüística==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p class=&amp;quot;lead&amp;quot;&amp;gt;por Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
* Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&lt;br /&gt;
* 35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&lt;br /&gt;
* 114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A escola e a preservação lingüística===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Comparando palavras diferentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;caption&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Awetí &amp;lt;small&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Munduruku &amp;lt;small&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Karitiana &amp;lt;small&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tupari &amp;lt;small&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Gavião &amp;lt;small&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;/small&amp;gt;&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/caption&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Palavras&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Guarani Mbyá&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Tapirapé&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Parintintin&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Waiampí&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;th&amp;gt;Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=1638</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=1638"/>
		<updated>2017-09-12T14:31:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Introdução */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), [[Povo:Galibi do Oiapoque | Galibi do Oiapoque]], [[Povo:Ingarikó | Ingarikó]], [[Povo:Kaxinawá |  &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kubeo&amp;quot;&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kulina&amp;quot;&amp;gt;Kulina&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaingang&amp;quot;&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku&amp;quot;&amp;gt;Munduruku&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/satere-mawe&amp;quot;&amp;gt;Sateré-Mawé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/taurepang&amp;quot;&amp;gt;Taurepang&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/terena&amp;quot;&amp;gt;Terena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ticuna&amp;quot;&amp;gt;Ticuna&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/timbira&amp;quot;&amp;gt;Timbira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/xavante&amp;quot;&amp;gt;Xavante&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami&amp;quot;&amp;gt;Yanomami&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/o-trabalho-dos-linguistas&amp;quot;&amp;gt;linguistas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot;&amp;gt;educação escolar indígena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;== Troncos e famílias ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Tronco Tupi&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Tronco Macro-jê&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt; &amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Outras famílias&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;== Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado.Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;família lingüística&amp;lt;/htmltag&amp;gt; Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;povos habitantes do rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt; são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;língua geral&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, língua geral amazônica, quando conversam entre si.== Línguas gerais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Língua geral paulista&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Língua geral amazônica&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Um pouco de história&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Línguas indígenas na escola&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A língua portuguesa na escola&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A introdução da escrita&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.== Línguas silenciadas, novas línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Quantas línguas indígenas?&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Documentação, patrimonialização&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Educação para a diversidade?&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''== &amp;lt;b&amp;gt;O trabalho dos lingüistas&amp;lt;/b&amp;gt; ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Introdução&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Línguas na América do Sul&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; border=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 518px; height: 323px;&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''País'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''Número de línguas nativas'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''Número de falantes'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h5&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered &lt;br /&gt;
Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, &lt;br /&gt;
1991.(5)&amp;lt;/h5&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;No Brasil&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''== Os primeiros dados ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto de Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Evangelização e pesquisa&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''==  A escola e a preservação lingüística ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto de Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A escola e a preservação lingüística&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''== Comparando palavras diferentes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Awetí &amp;lt;/b&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Munduruku &amp;lt;/b&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karitiana &amp;lt;/b&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Tupari &amp;lt;/b&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Gavião &amp;lt;/b&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palavras &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Guarani Mbyá &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Tapirapé &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Parintintin &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Waiampí &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
            &amp;lt;u&amp;gt;              &amp;lt;/u&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Jê (Tronco Macro-Jê)&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=1637</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=1637"/>
		<updated>2017-09-12T14:21:21Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Introdução */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Baré | Baré]] , [[Povo:Chiquitano | Chiquitano]], [[Povo:Guajajara | Guajajara]], [[Povo:Guarani | Guarani]]([[Povo:Guarani Ñandeva | Ñandeva]], [[Povo:Guarani Kaiowá | Kaiowá]], [[Povo:Guarani Mbya | Mbya]]), &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/galibi-do-oiapoque&amp;quot;&amp;gt;Galibi do Oiapoque&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ingariko&amp;quot;&amp;gt;Ingarikó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kubeo&amp;quot;&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kulina&amp;quot;&amp;gt;Kulina&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaingang&amp;quot;&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku&amp;quot;&amp;gt;Munduruku&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/satere-mawe&amp;quot;&amp;gt;Sateré-Mawé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/taurepang&amp;quot;&amp;gt;Taurepang&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/terena&amp;quot;&amp;gt;Terena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ticuna&amp;quot;&amp;gt;Ticuna&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/timbira&amp;quot;&amp;gt;Timbira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/xavante&amp;quot;&amp;gt;Xavante&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami&amp;quot;&amp;gt;Yanomami&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/o-trabalho-dos-linguistas&amp;quot;&amp;gt;linguistas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot;&amp;gt;educação escolar indígena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;== Troncos e famílias ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Tronco Tupi&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Tronco Macro-jê&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt; &amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Outras famílias&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;== Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado.Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;família lingüística&amp;lt;/htmltag&amp;gt; Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;povos habitantes do rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt; são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;língua geral&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, língua geral amazônica, quando conversam entre si.== Línguas gerais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Língua geral paulista&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Língua geral amazônica&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Um pouco de história&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Línguas indígenas na escola&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A língua portuguesa na escola&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A introdução da escrita&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.== Línguas silenciadas, novas línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Quantas línguas indígenas?&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Documentação, patrimonialização&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Educação para a diversidade?&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''== &amp;lt;b&amp;gt;O trabalho dos lingüistas&amp;lt;/b&amp;gt; ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Introdução&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Línguas na América do Sul&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; border=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 518px; height: 323px;&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''País'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''Número de línguas nativas'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''Número de falantes'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h5&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered &lt;br /&gt;
Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, &lt;br /&gt;
1991.(5)&amp;lt;/h5&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;No Brasil&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''== Os primeiros dados ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto de Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Evangelização e pesquisa&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''==  A escola e a preservação lingüística ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto de Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A escola e a preservação lingüística&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''== Comparando palavras diferentes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Awetí &amp;lt;/b&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Munduruku &amp;lt;/b&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karitiana &amp;lt;/b&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Tupari &amp;lt;/b&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Gavião &amp;lt;/b&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palavras &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Guarani Mbyá &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Tapirapé &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Parintintin &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Waiampí &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
            &amp;lt;u&amp;gt;              &amp;lt;/u&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Jê (Tronco Macro-Jê)&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=1636</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=1636"/>
		<updated>2017-09-12T14:14:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: /* Introdução */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: [[Povo:Apurinã | Apurinã]], [[Povo:Ashaninka | Ashaninka]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/chiquitano&amp;quot;&amp;gt;Chiquitano&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/guajajara&amp;quot;&amp;gt;Guajajara&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Guarani [&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/guarani-nandeva&amp;quot;&amp;gt;Guarani Ñandeva&amp;lt;/htmltag&amp;gt; / &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/guarani-kaiowa&amp;quot;&amp;gt;Guarani Kaiowá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; / &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/guarani-mbya&amp;quot;&amp;gt;Guarani Mbya&amp;lt;/htmltag&amp;gt;], &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/galibi-do-oiapoque&amp;quot;&amp;gt;Galibi do Oiapoque&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ingariko&amp;quot;&amp;gt;Ingarikó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kubeo&amp;quot;&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kulina&amp;quot;&amp;gt;Kulina&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaingang&amp;quot;&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku&amp;quot;&amp;gt;Munduruku&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/satere-mawe&amp;quot;&amp;gt;Sateré-Mawé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/taurepang&amp;quot;&amp;gt;Taurepang&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/terena&amp;quot;&amp;gt;Terena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ticuna&amp;quot;&amp;gt;Ticuna&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/timbira&amp;quot;&amp;gt;Timbira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/xavante&amp;quot;&amp;gt;Xavante&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami&amp;quot;&amp;gt;Yanomami&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/o-trabalho-dos-linguistas&amp;quot;&amp;gt;linguistas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot;&amp;gt;educação escolar indígena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;== Troncos e famílias ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Tronco Tupi&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Tronco Macro-jê&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt; &amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Outras famílias&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;== Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado.Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;família lingüística&amp;lt;/htmltag&amp;gt; Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;povos habitantes do rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt; são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;língua geral&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, língua geral amazônica, quando conversam entre si.== Línguas gerais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Língua geral paulista&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Língua geral amazônica&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Um pouco de história&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Línguas indígenas na escola&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A língua portuguesa na escola&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A introdução da escrita&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.== Línguas silenciadas, novas línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Quantas línguas indígenas?&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Documentação, patrimonialização&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Educação para a diversidade?&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''== &amp;lt;b&amp;gt;O trabalho dos lingüistas&amp;lt;/b&amp;gt; ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Introdução&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Línguas na América do Sul&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; border=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 518px; height: 323px;&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''País'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''Número de línguas nativas'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''Número de falantes'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h5&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered &lt;br /&gt;
Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, &lt;br /&gt;
1991.(5)&amp;lt;/h5&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;No Brasil&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''== Os primeiros dados ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto de Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Evangelização e pesquisa&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''==  A escola e a preservação lingüística ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto de Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A escola e a preservação lingüística&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''== Comparando palavras diferentes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Awetí &amp;lt;/b&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Munduruku &amp;lt;/b&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karitiana &amp;lt;/b&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Tupari &amp;lt;/b&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Gavião &amp;lt;/b&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palavras &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Guarani Mbyá &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Tapirapé &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Parintintin &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Waiampí &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
            &amp;lt;u&amp;gt;              &amp;lt;/u&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Jê (Tronco Macro-Jê)&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=1635</id>
		<title>Línguas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=L%C3%ADnguas&amp;diff=1635"/>
		<updated>2017-09-12T14:11:23Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Mario: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Introdução ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, mais de 150 línguas e dialetos são falados pelos povos indígenas no Brasil. Elas integram o acervo de quase sete mil línguas faladas no mundo contemporâneo (SIL International, 2009). Antes da chegada dos portugueses, contudo, só no Brasil esse número devia ser próximo de mil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No processo de colonização, a língua Tupinambá, por ser a mais falada ao longo da costa atlântica, foi incorporada por grande parte dos colonos e missionários, sendo ensinada aos índios nas missões e reconhecida como Língua Geral ou Nheengatu. Até hoje, muitas palavras de origem Tupi fazem parte do vocabulário dos brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Da mesma forma que o Tupi influenciou o português falado no Brasil, o contato entre povos faz com que suas línguas estejam em constante modificação. Além de influências mútuas, as línguas guardam entre si origens comuns, integrando famílias linguísticas, que, por sua vez, podem fazer parte de divisões mais englobantes - os troncos linguísticos. Se as línguas não são isoladas, seus falantes tampouco. Há muitos povos e indivíduos indígenas que falam e/ou entendem mais de uma língua; e, não raro, dentro de uma mesma aldeia fala-se várias línguas - fenômeno conhecido como multilinguismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meio a essa diversidade, apenas 25 povos têm mais de cinco mil falantes de línguas indígenas: &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/apurina&amp;quot;&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ashaninka&amp;quot;&amp;gt;Ashaninka&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/baniwa&amp;quot;&amp;gt;Baniwa&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/chiquitano&amp;quot;&amp;gt;Chiquitano&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/guajajara&amp;quot;&amp;gt;Guajajara&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Guarani [&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/guarani-nandeva&amp;quot;&amp;gt;Guarani Ñandeva&amp;lt;/htmltag&amp;gt; / &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/guarani-kaiowa&amp;quot;&amp;gt;Guarani Kaiowá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; / &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/guarani-mbya&amp;quot;&amp;gt;Guarani Mbya&amp;lt;/htmltag&amp;gt;], &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/galibi-do-oiapoque&amp;quot;&amp;gt;Galibi do Oiapoque&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ingariko&amp;quot;&amp;gt;Ingarikó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa&amp;quot;&amp;gt;Kaxinawá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kubeo&amp;quot;&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kulina&amp;quot;&amp;gt;Kulina&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaingang&amp;quot;&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kayapo&amp;quot;&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuxi&amp;quot;&amp;gt;Makuxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku&amp;quot;&amp;gt;Munduruku&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/satere-mawe&amp;quot;&amp;gt;Sateré-Mawé&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/taurepang&amp;quot;&amp;gt;Taurepang&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/terena&amp;quot;&amp;gt;Terena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ticuna&amp;quot;&amp;gt;Ticuna&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/timbira&amp;quot;&amp;gt;Timbira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapixana&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/xavante&amp;quot;&amp;gt;Xavante&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami&amp;quot;&amp;gt;Yanomami&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecer esse extenso repertório tem sido um desafio para os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/o-trabalho-dos-linguistas&amp;quot;&amp;gt;linguistas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, assim como mantê-lo vivo e atuante tem sido o objetivo de muitos projetos de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot;&amp;gt;educação escolar indígena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Saiba mais&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Projeto de Documentação de Línguas Indígenas - Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://saturno.museu-goeldi.br/lingmpeg/portal/?page_id=205&amp;quot;&amp;gt;Línguas Indígenas | Portal da Linguística - Museu Paraense Emílio Goeldi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;== Troncos e famílias ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentre as cerca de 150 línguas indígenas que existem hoje no Brasil, umas são mais semelhantes entre si do que outras, revelando origens comuns e processos de diversificação ocorridos ao longo do tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os especialistas no conhecimento das línguas (lingüistas) expressam as semelhanças e as diferenças entre elas através da idéia de troncos e famílias lingüísticas. Quando se fala em tronco, têm-se em mente línguas cuja origem comum está situada há milhares de anos, as semelhanças entre elas sendo muito sutis. Entre línguas de uma mesma família, as semelhanças são maiores, resultado de separações ocorridas há menos tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja o exemplo do português:&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282521-2/portugues.jpg&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, por sua vez, há dois grandes troncos - Tupi e Macro-Jê - e 19 famílias lingüísticas que não apresentam graus de semelhanças suficientes para que possam ser agrupadas em troncos. Há, também, famílias de apenas uma língua, às vezes denominadas “línguas isoladas”, por não se revelarem parecidas com nenhuma outra língua conhecida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante lembrar que poucas línguas indígenas no Brasil foram estudadas em profundidade. Portanto, o conhecimento sobre elas está permanentemente em revisão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conheça as línguas indígenas brasileiras, agrupadas em famílias e troncos, de acordo com a classificação do professor Ayron Dall’Igna Rodrigues. Trata-se de uma revisão especial para o ISA (setembro/1997) das informações que constam de seu livro ''Línguas brasileiras – para o conhecimento das línguas indígenas'' (São Paulo, Edições Loyola, 1986, 134 p.).&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Tronco Tupi&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282528-3/tronco-tupi.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Tronco Macro-jê&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/282531-3/tronco_macro-je.gif&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt; &amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Outras famílias&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; alt=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/296893-1/outras-familias.jpg&amp;quot; /&amp;gt;== Multilinguismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto adaptado de Aryon Dall´Igna Rodrigues – ''Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas''.  Edições Loyola, São Paulo, 1986.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas sempre conviveram com situações de multilingüismo. Isso quer dizer que o número de línguas usadas por um indivíduo pode ser bastante variado.Há aqueles que falam e entendem mais de uma língua ou que entendem muitas línguas, mas só falam uma ou algumas delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, não é raro encontrar sociedades ou indivíduos indígenas em situação de bilingüismo, trilingüismo ou mesmo multilingüismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível nos depararmos, numa mesma aldeia, com indivíduos que só falam a língua indígena, com outros que só falam a língua portuguesa e outros ainda que são bilíngües ou multilíngües. A diferença lingüística não é, geralmente, impedimento para que os povos indígenas se relacionem e casem entre si, troquem coisas, façam festas ou tenham aulas juntos. Um bom exemplo disso se encontra entre os índios da &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;família lingüística&amp;lt;/htmltag&amp;gt; Tukano, localizados em grande parte ao longo do rio Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro, numa extensão que vai da Colômbia ao Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre esses &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;povos habitantes do rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os homens costumam falar de três a cinco línguas, ou mesmo mais, havendo poliglotas que dominam de oito a dez idiomas. Além disso, as línguas representam, para eles, elementos para a constituição da identidade pessoal. Um homem, por exemplo, deve falar a mesma língua que seu pai, ou seja, partilhar com ele o mesmo “grupo lingüístico”. No entanto, deve se casar com uma mulher que fale uma língua diferente, ou seja, que pertença a um outro “grupo lingüístico”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tukano&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Tukano&amp;lt;/htmltag&amp;gt; são, assim, tipicamente multilíngües. Eles demonstram como o ser humano tem capacidade para aprender em diferentes idades e dominar com perfeição numerosas línguas, independente do grau de diferença entre elas, e mantê-las conscientemente bem distintas, apenas com uma boa motivação social para fazê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O multilingüismo dos índios do Uaupés não inclui somente línguas da família Tukano. Envolve também, em muitos casos, idiomas das famílias Aruak e Maku, assim como a Língua Geral Amazônica ou Nheengatu, o Português e o Espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes, nesses contextos, uma das línguas torna-se o meio de comunicação mais usado (o que os especialistas chamam de língua-franca), passando a ser utilizada por todos, quando estão juntos, para superar as barreiras da compreensão. Por exemplo, a língua Tukano, que pertence à família Tukano, tem uma posição social privilegiada entre as demais línguas orientais dessa família, visto que se converteu em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;língua geral&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou língua franca da área do Uaupés, servindo de veículo de comunicação entre falantes de línguas diferentes. Ela suplantou algumas outras línguas (completamente, no caso Arapaço, ou quase completamente, no caso Tariana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há casos em que é o Português que funciona como língua franca. Em algumas regiões da Amazônia, por exemplo, há situações em que diferentes povos indígenas e a população ribeirinha falam o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, língua geral amazônica, quando conversam entre si.== Línguas gerais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada em uma enorme extensão ao longo da costa atlântica. Já no século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte dos colonos vinha da Europa sem mulheres e acabavam tendo filhos com índias, de modo que a Língua Brasílica era a língua materna dos seus filhos. Além disso, as missões jesuítas incorporaram essa língua como instrumento de catequização indígena. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda metade do século XVII, essa língua, já bastante modificada pelo uso corrente de índios missionados e não-índios, passou a ser conhecida pelo nome Língua Geral. Mas é preciso distinguir duas Línguas Gerais no Brasil-Colônia: a paulista e a amazônica. Foi a primeira delas que deixou fortes marcas no vocabulário popular brasileiro ainda hoje usado (nomes de coisas, lugares, animais, alimentos etc.) e que leva muita gente a imaginar que &amp;quot;a língua dos índios é (apenas) o Tupi&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Língua geral paulista&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Língua Geral paulista teve sua origem na língua dos índios Tupi de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da dos Tupinambá. No século XVII, era falada pelos exploradores dos sertões conhecidos como bandeirantes. Por intermédio deles, a Língua Geral paulista penetrou em áreas jamais alcançadas pelos índios tupi-guarani, influenciando a linguagem corriqueira de brasileiros. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Língua geral amazônica&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa segunda Língua Geral desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos XVII e XVIII. Até o século XIX, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e luso-brasileira. Desde o final do século XIX, a Língua Geral amazônica passou a ser conhecida, também, pelo nome Nheengatu (ie’engatú = “língua boa”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatu continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/bare&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Baré&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, os &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Arapaço&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e outros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Outras leituras&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;quot;&amp;gt;http://www.unb.br/il/lablind/lingerais.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1047&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;A LÍNGUA QUE SOMOS, por José Ribamar Bessa Freire, 25/08/2013 - Diário do Amazonas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;== Escola, escrita e valorização das línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto condensado e adaptado do documento ''Referencial curricular nacional para as escolas indígenas'', Brasília: MEC, 1998'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes do contato sistemático com os não-índios, os povos indígenas não dispunham de formas de registrar suas línguas através da escrita. Com o desenvolvimento de projetos de educação escolar voltados para o público indígena, a situação mudou. Essa é uma longa história, e coloca algumas questões que merecem ser pensadas e discutidas. &lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Um pouco de história&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história da educação escolar indígena revela que, de um modo geral, a escola sempre teve por objetivo integrar as populações indígenas à sociedade envolvente. As &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; eram vistas como o grande obstáculo para que isso pudesse acontecer. Daí que a função da escola era ensinar os alunos indígenas a falar e a ler e escrever em português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente há pouco tempo, começou-se a utilizar as línguas indígenas na alfabetização, ao se perceber as dificuldades de alfabetizar alunos em uma língua que não dominavam – o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nesses casos, no entanto, assim que os alunos aprendiam a ler e a escrever, a língua indígena deixava de ser ensinada em sala de aula, já que a aquisição da língua portuguesa continuava a ser a grande meta. É claro que, tendo sido essa a situação, a escola contribuiu muito para o enfraquecimento, desprestígio e, conseqüentemente, desaparecimento de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Línguas indígenas na escola&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola também pode, por outro lado, ser mais um elemento que incentiva e favorece a manutenção ou revitalização de línguas indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inclusão de uma língua indígena no currículo escolar tem a função de lhe atribuir o status de língua plena e de colocá-la, pelo menos no cenário escolar, em pé de igualdade com a língua portuguesa, um direito previsto pela &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/direitos/constituicoes/direito-a-diferenca&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Constituição Brasileira&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante ficar claro que os esforços escolares de manutenção e revitalização lingüísticas têm suas limitações, porque nenhuma instituição, sozinha, pode definir os destinos de uma língua. Assim como a escola não foi a única responsável pelo enfraquecimento ou pela perda das línguas indígenas, ela também não tem o poder de, sozinha, mantê-las fortes e vivas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que isso aconteça, é preciso que a comunidade indígena como um todo – e não somente os professores – deseje manter sua língua tradicional em uso. A escola é, portanto,  um instrumento importante, mas limitado: ela pode apenas contribuir para que essas línguas sobrevivam ou desapareçam.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A língua portuguesa na escola&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprender e saber usar a língua portuguesa na escola é um dos meios de que as sociedades indígenas dispõem para interpretar e compreender as bases legais que orientam a vida no país, sobretudo, aquelas que dizem respeito aos direitos dos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os documentos que regulam a vida da sociedade brasileira são escritos em português: as leis, principalmente a Constituição, os regulamentos, os documentos pessoais, os contratos, os títulos, os registros e os estatutos. Os alunos indígenas são cidadãos brasileiros e, como tais, têm o direito de conhecer esses documentos para poderem intervir, sempre que necessitarem, em qualquer esfera da vida social e política do país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os povos indígenas que vivem no Brasil, a língua portuguesa pode ser um instrumento de defesa de seus direitos legais, econômicos e políticos; um meio de ampliar o seu conhecimento e o da humanidade; um recurso para serem reconhecidos e respeitados, nacional e internacionalmente em sua diversidade; e um canal importante para se relacionarem entre si e para firmarem posições políticas comuns.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A introdução da escrita&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a linguagem oral, em suas várias manifestações, faz parte do dia-a-dia de quase todas as sociedades humanas, o mesmo não se pode dizer da linguagem escrita, pois as atividades de leitura e escrita podem, normalmente, ser exercidas apenas pelas pessoas que freqüentam a escola e nela encontram condições favoráveis para perceber as importantes funções sociais dessas práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lutar pela criação de escolas indígenas significa, entre outras coisas, lutar pelo direito de exercerem atividades de leitura e escrita na língua portuguesa, de modo a interagirem em condições de igualdade com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escrita tem muitos usos: as pessoas, no seu dia-a-dia, elaboram listas para fazer trocas comerciais, correspondem-se por cartas etc. A escrita, em geral, serve também para registrar a história, a literatura, as crenças religiosas, o conhecimento de um povo. Ela é, além disso, um espaço importante de discussão e de debate de assuntos polêmicos. No Brasil de hoje, por exemplo, são muitos os textos escritos que discutem temas como a ecologia, o direito à terra, o papel social da mulher, os direitos das minorias, a qualidade do ensino oferecido aos cidadãos, e assim por diante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não basta a escola ter como objetivos alfabetizar os alunos: ela tem o dever de criar condições para que eles aprendam a escrever textos adequados às suas intenções e aos contextos em que serão lidos e utilizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aprendizado da escrita em português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: defesa e possibilidade de exercerem sua cidadania, e acesso a conhecimentos de outras sociedades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a escrita das línguas indígenas é uma questão complexa, e precisa ser pensada com cuidado, discutindo-se muito bem as suas implicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As funções da escrita em língua indígena nem sempre são tão transparentes e há sociedades indígenas que não querem fazer uso escrito de suas línguas tradicionais. Geralmente, essa atitude surge no início dos processos de educação escolar indígena: a urgência e a necessidade de aprender a ler e a escrever em português é claramente percebida, ao passo que a escrita em língua indígena não é vista como necessária. As experiências em andamento têm demonstrado que, com o passar do tempo, a situação pode se modificar e assim escrever em língua indígena passa a fazer sentido e a ser desejável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um argumento contrário ao uso escrito das línguas indígenas consiste no fato de que a introdução dessa prática pode resultar em uma imposição do modo de vida ocidental, acarretando desinteresse pela tradição oral e impelindo à criação de desigualdades no interior da sociedade, por exemplo, entre indivíduos letrados e não-letrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um forte argumento a favor da introdução do uso escrito das línguas indígenas é que limitar essas línguas a usos exclusivamente orais significa mantê-las em posições de pouco prestígio e de baixa funcionalidade, diminuindo suas chances de sobrevivência em situações contemporâneas. Utilizá-las por escrito, por outro lado, significa que essas línguas estarão fazendo frente às invasões da língua portuguesa. Estarão, elas mesmas, invadindo um domínio da língua majoritária e conquistando um de seus mais importantes territórios.== Línguas silenciadas, novas línguas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
por '''Bruna Franchetto''', Linguista, Museu Nacional (UFRJ). Publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://Publicado originalmente no livro Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Povos Indígenas no Brasil 2011/2016&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;img&amp;quot; src=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/1088976-2/DSC01719+_2_.JPG&amp;quot; title=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; alt=&amp;quot;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&amp;quot; /&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;font-size: smaller; text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;Eufrásia Ferreira, indígena Guató, na cozinha de sua casa, escuta registro da língua de seu povo, município de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Foto: Gustavo Godoy, 2016.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de 160 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot;&amp;gt;línguas ameríndias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobrevivem no brasil, mesmo silenciadas pelo estado, pelas missões, meios de comunicação e escolas. mas iniciativas indígenas de revitalização têm povoado essa paisagem de perda e subtração com novas línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século passado, a previsão era de que, das cerca de 5000/6000 línguas existentes no mundo, 90% estariam em risco de extinção neste século. Os críticos do catastrofismo linguístico dizem que línguas sempre morrem ou se transformam, no passado e hoje, e que novas línguas surgem do encontro entre povos, mas é inegável que uma perda vertiginosa da diversidade linguística, nada natural, caracteriza a era da conquista europeia dos novos e velhos mundos, sobretudo nos últimos 500 anos e, ainda mais, nos últimos 200 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil é, ainda, multilíngue: além das línguas trazidas por imigrantes, das variedades regionais do português brasileiro e dos falares afrodescendentes, estima-se que no Brasil ainda sobrevivem, em graus variados de vitalidade, em torno de 160 línguas ameríndias, distribuídas em 40 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, duas macrofamílias (&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;) e uma dezena de línguas isoladas. Esta diversidade linguística continua sendo silenciada, com estratégias variadas, pelo Estado, por missões, meios de comunicação, escolas, em todos os níveis do chamado &amp;quot;sistema educacional&amp;quot;. A soberania de uma única língua, a dos conquistadores que conformaram a 'nação', é mantida de todas as maneiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo como base o último Censo (2010) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 37,4% dos 896.917 que se declararam “indígenas” falam sua língua nativa, a dos seus pais ou avós, e somente 17,5% desconhecem o português. O censo também revelou que 42,3% dos “indígenas” já não vivem em áreas indígenas e que 36% se estabeleceram em cidades, sendo esta porcentagem em rápido crescimento. Dos que não estão mais em &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, apenas 12,7% falavam a(s) língua(s) dos seus pais ou avós. O português era falado por 605,2 mil indivíduos (76,9% dos “indígenas”) e por praticamente todos os que vivem fora de suas terras (96,5%). A proporção entre 5 e 14 anos que falava uma língua indígena era de 45,9%, 59,1% dentro de Terras Indígenas e 16,2% fora delas. Nas Terras Indígenas, boa parte dos falantes de língua indígena não falavam português, sendo o maior percentual o dos indivíduos com mais de 50 anos (97,3%), enquanto que, fora das terras, nessa mesma faixa etária, o Censo revelou um percentual bem menor (40,7% de falantes somente de língua indígena). O quadro é claro: a transmissão esperada entre gerações é interrompida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo estimativas, já desatualizadas, o panorama não é animador: a média é de 250 falantes por língua; muitas línguas são usadas apenas em domínios restritos ou podem ser consideradas &amp;quot;inativas&amp;quot;; outras definham para o status de &amp;quot;línguas adormecidas&amp;quot;, um eufemismo politicamente correto, já que se supõe que elas sempre possam ser &amp;quot;acordadas&amp;quot;. Algumas línguas contam com menos de 10 falantes, outras com semifalantes sem comunicação entre si, outras ainda manifestam sinais de declínio, como o abandono de artes verbais, de partes do léxico culturalmente cruciais, o uso do português como língua-franca, o crescente bilinguismo (língua(s) indígena(s)/português). As línguas &amp;quot;ameaçadas&amp;quot; são a maioria absoluta, muito mais do que as oficialmente declaradas como tais, se adotarmos o critério internacional que define como &amp;quot;línguas em perigo&amp;quot; as que têm menos de mil falantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabemos ainda pouco sobre essas línguas, apesar dos avanços importantes e crescentes dos estudos e pesquisas nos últimos vinte anos. Os recursos humanos formados ou em formação para a investigação de línguas ameríndias – e seus campos de aplicação – continuam muito aquém do necessário, incluindo em destaque, aqui, a formação de pesquisadores indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Quantas línguas indígenas?&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, não há nenhum levantamento atualizado e os números são aproximativos (150? 160?); muito menos sabemos sobre a diversidade dialetal interna a cada língua. Uma língua sem diversidade interna é uma ficção: qualquer língua varia no tempo e no espaço (geográfico e social) e de uma situação comunicativa para outra. Não temos com relação às línguas indígenas a mesma atenção destinada à variedade interna do português; elas são quase sempre apresentadas como &amp;quot;objetos&amp;quot; homogêneos. Destaca-se e faz pensar o número de línguas indígenas que consta do Censo de 2010: 274.&lt;br /&gt;
Nessa dança dos números de objetos (línguas) supostamente contáveis, cabe uma pergunta: afinal, o que é uma língua? Trata-se de um construto ideológico, que resultou, no Brasil, por exemplo, na perpetuação torturante da distinção entre, de um lado, língua nacional (uma nação, uma só língua) e línguas de civilização com suas literaturas (as que têm assento nos departamentos universitários) e, do outro lado, aquelas que até hoje custam a ser chamadas de &amp;quot;línguas&amp;quot;, talvez &amp;quot;idiomas&amp;quot;, ou dialetos e &amp;quot;gírias&amp;quot;, sendo estes dois últimos termos claramente estigmatizantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de 274 línguas indígenas que consta do Censo gerou alarme entre os linguistas por colidir com as suas estimativas, mesmo as mais generosas. O &amp;quot;equívoco&amp;quot; do Censo deve ser interpretado e leva a conclusões instigantes, já que ele não expressa tanto um número por si só, mas traduções, apropriações, representações – com força e valor políticos – por parte dos alvos da operação censitária. Diante das opções &amp;quot;raciais&amp;quot;, os que se autodeclararam &amp;quot;indígenas&amp;quot; acessavam perguntas a respeito de seu &amp;quot;idioma&amp;quot; ou &amp;quot;língua&amp;quot;, uma inovação introduzida com o propósito de avaliar quantitativamente e qualitativamente a existência e vitalidade das línguas indígenas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Censo produziu dados extremamente valiosos a esse respeito, mas o número fatídico tanto &amp;quot;escandalizou&amp;quot; linguistas quanto deixou perplexo ou excitado o público em geral. Foram realizados seminários e discussões abertos em torno dos resultados do Censo, mas, que eu saiba, não sobre a questão das &amp;quot;línguas indígenas&amp;quot;, o que revela as dificuldades de compreender o que é &amp;quot;língua&amp;quot;, chegar a uma definição que convença falantes, supostos não falantes que se definem decididamente falantes de línguas consideradas &amp;quot;extintas&amp;quot; ou &amp;quot;adormecidas&amp;quot;, linguistas e não linguistas, agentes do Estado responsáveis por &amp;quot;patrimonializar línguas&amp;quot; etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitas vezes, os que se autodeclararam para o Censo como falantes de uma língua considerada &amp;quot;extinta&amp;quot; pertencem a grupos que conseguiram ressurgir da invisibilidade e do silêncio. Em sua luta para o reconhecimento de sua existência e resistência, bem como de seus direitos territoriais, se declarar falantes de uma &amp;quot;língua&amp;quot; é um corolário lógico e uma urgência política. Algumas dessas comunidades não ficam apenas na retórica política, mas estão, no momento, empenhados em se apropriar de uma língua, seja junto a vizinhos falantes de variedade ou &amp;quot;língua&amp;quot; aparentada (geneticamente e/ou historicamente), seja através de uma recriação por meio da mesma engenharia sociolinguística, genial, que está gerando, por exemplo, o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo/2302&amp;quot;&amp;gt;''Patxohã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a “língua dos guerreiros” &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/pataxo&amp;quot;&amp;gt;Pataxó&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Novas vidas e novas línguas voltam a povoar uma paisagem de perda e subtração, em iniciativas espontâneas de revitalização, sacudindo a omissão e à revelia das tímidas e fragmentadas políticas linguísticas do Estado. Em suma, é a noção de &amp;quot;língua&amp;quot; como construto político que interessa daqui em diante: &amp;quot;língua&amp;quot; declarada para existir, resistir, reagir.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Documentação, patrimonialização&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É uma estratégia desastrosa esperar até que os falares ameríndios se tornem tão frágeis e raros, antes de começar a pensar em investir na sua sobrevivência ou no seu resgate. Não há no Brasil nenhuma política linguística clara e, muito menos, consolidada que inclua o respeito ativo das línguas minoritárias, sobretudo as dos povos originários. Diferentes comunidades formulam demandas de apoio a processos de revitalização, alguns dos quais já iniciados por vontade política própria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se desconsiderarmos os espaços da academia e da pesquisa – onde se mantém, ou até cresce, aquém do necessário, o que se faz com ou para as línguas minoritárias, em particular indígenas –, a tímida e incipiente política brasileira de defesa dos direitos linguísticos das minorias tem tomado alguma forma em três frentes: (i) a transformação de falares de tradição oral em línguas escritas no contexto da escolarização, num primeiro momento nas mãos de instituições missionárias evangelizadoras, em seguida, através de uma passagem quase imperceptível que não representou uma ruptura, nas mãos do estado e de seu sistema educacional (público); (ii) a implementação de programas de documentação; (iii) a patrimonialização de imateriais sonoros, “línguas”, como bens de um capital simbólico que agrega valor a boas ações oficiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação das chamadas &amp;quot;línguas ameaçadas&amp;quot; se tornou um considerável mercado de financiamentos, por programas internacionais, para projeto destinados à construção de amplos ''corpora'' multimídia digitais, através do registro, em campo, de todos os dados e eventos de fala passíveis de registro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os projetos de documentação realizados no Brasil, assim como em outros países da América Latina, têm sido caracterizados por uma concepção e práticas fortemente colaborativas, com formação de pesquisadores indígenas que queiram dominar as novas tecnologias da documentação e, assim, realizar &amp;quot;autonomamente&amp;quot; seus projetos. Amadureceu, também, uma demanda qualificada vinda dos próprios índios: ter de volta materiais de pesquisa, compartilhar resultados, mobilizar uma assessoria que compense as falhas da formação oficial de professores e de outros agentes e mediadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2009, foi instituído por decreto presidencial o &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Brasileiro de Documentação de Línguas Indígenas (ProDoclin)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; junto ao Museu do Índio (Funai, RJ). O razoável sucesso dos treze projetos do ProDoclin motivou a criação de programas de documentação de &amp;quot;musicalidades indígenas&amp;quot; (ProDocsom) e de gramáticas pedagógicas, baseadas, estas, em teorias e metodologias do bilinguismo e do ensino-aprendizagem de línguas de herança como segunda língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foram alcançados mais de trinta grupos indígenas, com o envolvimento de cerca de cinquenta pesquisadores indígenas aos quais foram destinados equipamentos para a condução autônoma de suas próprias iniciativas. Além disso, quase todos os projetos de documentação têm possibilitado finalizar teses e dissertações. Foram produzidos acervos digitais, dicionários, gramáticas descritivas básicas e treze livros monolíngues (em língua indígena) ou bilíngues baseados na documentação de narrativas, cantos e rituais ou destinados ao letramento. À experiência do ProDoclin se acompanha a dos linguistas do Museu Paraense Emílio Goeldi: é estreita a colaboração entre as duas iniciativas, com seus arquivos digitais estruturados em paralelo e mutuamente accessíveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda mais recente é a implementação, no Brasil, de uma política governamental de patrimonialização de línguas. Seu alcance e seus resultados têm sido, até o momento, limitados; o problema maior está no equívoco e no impasse insuperável da própria noção de &amp;quot;língua(s) como patrimônio&amp;quot;. O Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) é um órgão interministerial, criado e implementado em 2010 e gerido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura. Através de uma espécie de censo nacional, acompanhado por diagnósticos sociolinguísticos e documentação, o INDL pretende identificar as línguas minoritárias tendo em vista o seu “reconhecimento como referências culturais brasileiras”. Decretado tal “reconhecimento” – algo muito distinto de uma qualquer &amp;quot;oficialização&amp;quot; – seriam postas as condições suficientes para propostas de salvaguarda e revitalização. O INDL se encontra, no momento, num impasse financeiro, político e de gestão cuja superação é ainda imprevisível.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Educação para a diversidade?&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não são muitas as escolas indígenas que contam com programas de educação bilíngue ou que oferecem o ensino de língua indígena como segunda língua, de acordo com a realidade sociolinguística de cada grupo. Pouco sabemos das situações de bilinguismo ou de multilinguismo no Brasil indígena, dos processos de transformação e de obsolescência linguísticas. Há uma imensa ignorância a este respeito; a pesquisa sociolinguística é titubeante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A definição da &amp;quot;educação escolar indígena&amp;quot; como bilíngue, intercultural, diferenciada e específica esconde um fracasso institucional, didático e pedagógico por trás da retórica oficial, que reverbera, vazia e insidiosa, de alto a baixo, dos ministérios, às secretarias estaduais e municipais de educação, às escolas indígenas. A atuação das ONGs e de iniciativas para-acadêmicas, nesse campo, com raras exceções, não é menos falha. Professores, pesquisadores e jovens indígenas despertam do tédio dos cursos de formação do qual são alvos (e vítimas) quando se deparam com a riqueza das formas e estruturas de suas línguas, um exercício altamente intelectual, que repercute de imediato e positivamente sobre atitudes e valores, mas muito pouco realizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;lei 11.645, de 10 de março 2008&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que “estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática &amp;quot;História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena&amp;quot;”, significativamente não menciona &amp;quot;línguas&amp;quot;, que, supõe-se, estariam subsumidas por &amp;quot;culturas&amp;quot; e que continuam silenciadas. As universidades abriram brechas para incluir num só sentido, sem ousar se abrir para experimentar transformações ao serem adentradas por alunos indígenas. As línguas que não são de &amp;quot;civilização&amp;quot; não são toleradas para escrever monografias ou teses ou além de sua fossilização escrita para estudos e gramáticas, nem induziram serviços de tradução qualificada nos raríssimos casos de cooficialização em nível municipal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil de muitas línguas está cada vez mais ameaçado por uma escolarização medíocre, pela mídia monolíngue, pelo imorredouro fantasma da &amp;quot;segurança nacional&amp;quot; que mantém a falta crônica de qualquer política linguística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro lado, todavia, sempre. A língua oficial nacional (no caso, o português) domina as línguas nativas através da escrita, da escolarização, das mídias, e se insinua em cada uma com palavras, morfemas gramaticais, marcadores discursivos, expressões inteiras, dando origem às línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot; faladas pelos mais jovens. Línguas morrem e novas línguas surgem dos interstícios, nas fronteiras, num constante processo de criatividade expressiva, em novas variedades tanto orais como escritas. Por exemplo, o &amp;quot;internetês misturado&amp;quot;, português/língua indígena, usado nas comunicações via e-mail, Facebook, Twitter, etc. Línguas morrem e são enterradas em funerais apressados (que lástima! Não foi possível salvá-las...); línguas sobrevivem em variedades inesperadas, fenômeno ignorado, pelo menos no Brasil. Jovens indígenas pulam capítulos inteiros da história da escrita alfabética ocidental, passando de uma forma de oralidade (a &amp;quot;tradicional&amp;quot;) para outra (vídeos, televisão, filmes, música, desenho etc.), inventando incessantemente novas poéticas, novos &amp;quot;textos&amp;quot;, novas ironias, novas metáforas, novos xingamentos, em suas línguas &amp;quot;misturadas&amp;quot;... estamos em pleno &amp;quot;glocal&amp;quot;, a explosão do local no coração do global. &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot;&amp;gt;Os índios sempre foram bilíngues e multilíngues&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, mesmo antes dos brancos chegarem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O veto da presidência da República ao &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=585014&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;PL 5954/2013&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que inseria na LDB a possibilidade de critérios diferenciados de avaliação para escolas indígenas e ampliava o uso de línguas indígenas para os Ensinos Médio, Profissionalizante e Superior, revelou a real política linguística oficial. A diversidade linguística é considerada um obstáculo e não uma riqueza a ser defendida, preservada, promovida. Nisso, os governos não se diferenciam entre si: são todos assimilacionistas, colonialistas e estupidamente desenvolvimentistas. Foi uma agressão aos direitos linguísticos de toda e qualquer minoria, sobretudo das populações indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada vez mais, jovens indígenas têm acesso aos níveis de ensino além do básico; para muitos deles o português é a segunda ou terceira ou quarta língua. Os índios são, desde sempre, bilíngues, trilíngues, multilíngues. Sabemos que o monolinguismo é empobrecedor, cognitivamente e culturalmente. E todas as línguas têm o mesmo valor e a mesma natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas, todas ameaçadas, enfraquecidas, devem ter seu lugar, sua voz, em todos os níveis de ensino, não somente para garantir os direitos dos já muitos alunos indígenas além do ensino básico, mas também para abrir as cabeças dos alunos não indígenas de escolas e universidades, cuja formação é sabidamente limitada e medíocre no Brasil. O que aconteceria se as línguas indígenas invadissem as escolas não indígenas, as cidades, as universidades, a mídia, os congressos, os seminários, a literatura, o cinema, com boas traduções (nas duas direções)? Cantos são poemas, narrativas contam outras histórias, as oitivas de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;https://www.socioambiental.org/pt-br/tags/belo-monte&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Belo Monte&amp;lt;/htmltag&amp;gt; não teriam sido pantomimas de fachada para &amp;quot;escutar os índios&amp;quot; sem entender o que dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''(agosto, 2016)''== &amp;lt;b&amp;gt;O trabalho dos lingüistas&amp;lt;/b&amp;gt; ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um longo caminho a ser percorrido em direção a um conhecimento mais amplo das &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/introducao&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;línguas indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no Brasil. São cerca de 150 línguas distintas, das quais muito poucas foram objeto de estudos amplos e aprofundados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;Apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;114 foram objeto de estudos parciais, de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintaxe;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;35 línguas, pelo menos, permanecem amplamente ignoradas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante do preocupante quadro de ameaça à sobrevivência dessas línguas, os lingüistas nelas especializados têm um importante papel a desempenhar, inclusive quando atuam como assessores de projetos de educação escolar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''A seguir Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ) escreve sobre o assunto. '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Introdução&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Números e porcentagens podem falar de modo mais contundente mesmo quando se trata de línguas indígenas no Brasil, um país, ainda, multilíngüe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No contexto sul-americano, o Brasil é o país com a maior diversidade e densidade lingüísticas e, também, com uma das mais baixas concentrações de falantes por língua (200/250 falantes). Como previsível, a maioria dessas línguas está na região amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há coincidência entre número de etnias e número de línguas, já que há vários povos indígenas que já não falam mais as suas línguas nativas, sobretudo se considerarmos aqueles que sofreram o primeiro e mais violento impacto da conquista e da colonização. Este impacto, no que concerne a precária sobrevivência das línguas nativas, ainda está presente e atuante, apesar do crescimento demográfico. Menciona-se com freqüência a existência atual de cerca de 180 línguas, em graus variados de vitalidade ou de enfraquecimento. No levantamento mais recente, realizado por Moore (2008), o cálculo é de 150 línguas, considerando distinções entre línguas versus distinções entre variantes dialetais de uma mesma língua, tarefa difícil, dada a escassez de informações atualizadas e confiáveis. Além disso, o valor atribuído à categoria ‘dialeto’ é geralmente inferior ao valor atribuído a uma ‘língua’. Aqui, projeções políticas e ideológicas interferem de maneira complexa com os critérios usados pelos lingüistas. Falantes de dialetos distintos devem se entender e se comunicar com facilidade, enquanto não há inteligibilidade mútua entre falantes de línguas distintas. Os critérios que demarcam as relações entre dialetos e entre línguas não são sempre fácieis de se averiguar numa aproximação superficial. O número total de línguas, com suas variantes, poderá se alterar com o aumento de descrições de novas línguas ou de línguas ainda parcialmente documentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas indígenas no Brasil se distribuem em 2 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;troncos&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Tupi e Macro-Jê), 4 &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/troncos-e-familias&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;famílias&amp;lt;/htmltag&amp;gt; maiores (Aruak, Karib, Pano e Tukano), 6 famílias de tamanho médio (Arara, Katukina, Makú, Nambikwara, Txapakura e Yanomami), 3 famílas menores (Bora, Guaikuru, Mura) e 7 línguas isoladas (Moore, 2008). Se olharmos os números relativos à população de cada etnia, seguindo a lista que consta do site do ISA, eles não podem ser confundidos com o efetivo número de falantes, que varia de um máximo de 20 mil/10 mil (como é o caso do Guarani, Tikuna, Terena, Macuxi, Kaingang) aos dedos de uma mão, quando não resta um único e último falante. Cerca de 40 línguas, pelo menos, estão, hoje, em iminente perigo de desaparecimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro se torna ainda mais complexo e assustador se considerarmos a questão dos chamados ‘&amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/quem-sao/Indios-isolados&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;grupos isolados&amp;lt;/htmltag&amp;gt;’. Nos anos 80, pesquisadores do Museu Goeldi encontraram os dois últimos falantes de Puruborá e redescobriram o Kujubim; em 1987, o Zo'e ingressou na família Tupi-Guarani; em 1995, foi identificado um grupo arredio como sendo falante do até então desconhecido Canoê. Levantamento realizado por Brackelaire e Azanha (1) lista 20 povos isolados confirmados, 28 cuja localização e existência está esperando confirmação, 4 já atendidos pela FUNAI. Suas línguas podem revelar novos agrupamentos genéticos ou novos acréscimos a famílias ou troncos já estabelecidos(2).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As classificações lingüísticas sofrem constantes modificações à medida que cresce o número de descrições; de reexames de descrições ou de dados já disponíveis; do trabalho de comparação, o que permite rever hipóteses sobre a pré-história e a história indígenas. Números e classificações poderão ainda sofrer modificações à medida que se esclareçam diferenças entre dialetos e línguas, tarefa nada simples, como já foi dito, dadas as dificuldades de estabelecer fronteiras claras; nesse campo, entram em jogo, além de nossa ignorância propriamente lingüística, fatores ideológicos e políticos, internos e externos aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Michael Krauss lançou uma alerta para o mundo quando afirmou, com base em rigoroso levantamento, que, no século XXI, três mil das seis mil línguas existentes no mundo desaparecerão e 2.400 estarão perto da extinção (3). Apenas 600, ou seja, 10%, se encontram seguras, a salvo; no próximo século, diz Ken Hale, a categoria &amp;quot;língua&amp;quot; incluirá, somente, aquelas faladas por, no mínimo, cem mil pessoas (4). Isso significa que 90% das línguas do planeta está em perigo; pelo menos 20% - ou talvez 50% - das línguas já estão agonizando. Uma língua agonizante ou &amp;quot;em perigo&amp;quot; é, tipicamente, uma língua local, minoritária, e em situação de ruptura geracional, na qual, se os pais ainda falam com seus próprios pais suas línguas maternas, já não o fazem mais com seus próprios filhos, que abandonam definitivamente o uso da língua nativa, destinada ao desaparecimento dentro de um século, a menos que algo aconteça para a sua revitalização. Entre os fatores principais dessa crise está a pressão das línguas nacionais, dominantes, do domínio socioeconômico, da assimilação, através de meios e canais quais a &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/a-escola-e-a-escrita&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;escolarização&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a mídia (rádio, televisão etc.), a sedimentação de atitudes valorativas positivas para a língua do colonizador e negativas para a língua dos colonizados. Krauss calcula que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Línguas na América do Sul&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pesquisador Willem Adelaar apresentou, em 1991, o seguinte quadro para a América do Sul:&lt;br /&gt;
&amp;lt;table cellspacing=&amp;quot;1&amp;quot; cellpadding=&amp;quot;1&amp;quot; border=&amp;quot;1&amp;quot; style=&amp;quot;width: 518px; height: 323px;&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''País'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''Número de línguas nativas'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;'''Número de falantes'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Argentina&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;169.432 a 190.732&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Bolívia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;2.786.512 a 4.848.607&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;170-180&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;155.000 a 270.000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Chile&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;220.053 a 420.055&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;60-78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;194.589 a 235.960&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Equador&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;12-23&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;642.109 a 2.275.552&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana Francesa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;1.650 a 2.600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Guiana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;17.000 a 27.840&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;14-19&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;33.170 a 49.796&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Peru&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;50-84&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.724.307 a 4.831.220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Suriname&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;4.600 - 4.950&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;Venezuela&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;38&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;52.050 a 145.230&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h5&amp;gt;Fonte: Adelaar, Willem - “The endangered problem: South America”. In: Endangered &lt;br /&gt;
Languages (editado por Robert Robons e Eugene Uhlenbeck), New York: St. Marin 's Press, &lt;br /&gt;
1991.(5)&amp;lt;/h5&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colette Grinevald calcula o número total de línguas na América do Sul em mais de 400, maior do que todo o resto das Américas, com uma surpreendente variedade genética e número de línguas isoladas. A variedade genética sul-americana (118 famílias) é comparável à da Nova Guiné (6).&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;No Brasil&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito às línguas indígenas no Brasil, Aryon Rodrigues, em trabalho já citado, estima que, às vésperas da conquista, eram faladas 1.273 línguas; em 500 anos, uma perda de cerca de 85%. É só contemplar o mapa etno-histórico no qual Curt Nimuendajú, nos anos 40, procurou oferecer um panorama do povoamento do Brasil indígena utilizando somente as fontes documentais históricas disponíveis produzidas pelos colonizadores: um território coberto em toda sua extensão por faixas e pontos coloridos para dar conta dos troncos, famílias, agrupamentos lingüísticos, línguas isoladas, falados por inúmeros povos; vazios brancos indicam áreas, sobretudo ao longo dos baixos cursos dos rios principais, despovoadas já nos primeiros tempos da colonização(7).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luciana Storto relata a grave e significativa situação do Estado de Rondônia: 65% das línguas estão seriamente em perigo pelo fato de não estarem sendo mais usadas pelas crianças e por ter um pequeno número de falantes; 52% não estão sendo faladas pelas crianças; 35% são momentaneamente seguras(8). Muitos lingüistas dedicados ao estudo dessas línguas são testemunhas de processos de perda, menos ou mais gritantes. No Alto Xingu, por exemplo, um sistema intertribal onde são faladas línguas geneticamente distintas, há línguas ainda plenamente vivas e íntegras e línguas na beira da extinção. Há apenas 50 falantes de Trumai (língua isolada) e o Yawalapiti (aruak) sobrevive em menos de uma dezena de falantes numa aldeia multilíngüe onde dominam o Kuikuro (karib) e o Kamayurá (tupi-guarani)(9). As outras línguas alto-xinguanas, ainda saudáveis, dão, contudo, sinais preocupantes: a escola é considerada o tempo/espaço onde tem que se aprender a língua do branco; os jovens, fascinados com tudo o que provém do mundo das cidades, procuram falar cada vez mais o português e ao mesmo tempo se afastam das tradições orais. É como se a avalanche e a sede de novos conhecimentos aniquilassem tudo aquilo que se torna associado aos velhos, à vida aldeã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É a grande diversidade que torna a perda irreversível. Para os lingüistas, essa perda significa não conseguir reconstruir a pré-história lingüística e determinar a natureza, o leque e os limites das possibilidades lingüísticas humanas, tanto em termos de estrutura como em termos de comportamento comunicativo ou de expressão e criatividade poética. Mais graves e mais complexas são as conseqüências da perda lingüística para as populações indígenas, minoritárias e sitiadas. Se é complexa a relação entre identidade lingüística e identidade étnica, cultural e política - não sendo elas redutíveis uma à outra, como mostram os povos indígenas do Nordeste -, não há dúvida quanto às consequências da agonia e desaparecimento de uma língua com relação à perda da saúde intelectual do seu povo, das tradições orais, de &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/artes&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;formas artísticas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (poética, cantos, oratória), de conhecimentos, de perspectivas ontológicas e &amp;lt;htmltag tagname=&amp;quot;a&amp;quot; href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modos-de-vida/mitos-e-cosmologia&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;cosmológicas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Certamente, diversidade lingüística e diversidade cultural podem ser equacionadas e, nesse sentido, a perda lingüística é uma catástrofe local e para toda a humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que sabemos e como chegamos a saber dessas línguas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Brakelaire, Pierre e Azanha, Gilberto. “Últimos pueblos indígenas aislados em América Latina: reto a la supervivencia”. In: ''Lenguas y tradiciones orales de la Amazonía: Diversidade en peligro?''. UNESCO/Casa de las Americas, 2006, p. 315-368.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Grenand, Pierre e Grenand, Françoise. “Amérique Equatoriale: Grande Amazonie”. In: ''Situation des populations indigènes des forêts denses et humides ''(editado por Serge Bahuchet), Luxemburg: Office des publications officielles des communautés européennes, 1993.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Krauss, Michael. “The world 's languages in crisis”. In: ''Language'', 68, 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Hale, Ken. “On endangered languages and the importance of linguistic diversity”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(5) Os dados de Adelaar também podem ser conferidos em ''As línguas amazônicas hoje'' (organizado por Francisco Queixalós e Odile Renault-Lescure), São Paulo: IRD/ ISA/ MPEG, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(6) Grinevald, Colette. “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response'' (editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(7) Mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju (Rio de Janeiro: IBGE, 1981).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(8) Storto, Luciana. “A Report on language endangerment in Brazil”. In: ''Papers on Language Endangerment and the Maintenance of Linguistic Diveristy'' (editado por Jonathan D. Bobaljik, Rob Pensalfini e Luciana Storto), The MIT Working Papers in Linguistics, Vol. 28, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(9) Franchetto, Bruna. “Línguas e História no Alto Xingu”. In: ''Os povos do Alto Xingu - História e Cultura ''(organizado por Bruna Franchetto e Michael Heckenberger), Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(agosto de 2008)'''== Os primeiros dados ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto de Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XVI viu a Europa se expandir para além de suas fronteiras. As conquistas fizeram os sábios europeus, encabeçados por muitos missionários e alguns viajantes, mergulharem na diversidade. Ampliaram-se os horizontes lingüísticos, começaram a se acumular conhecimentos registrados em listas de palavras, esboços gramaticais, escritas de falas e discursos. Nos novos mundos, se iniciavam investigações que alimentavam teorias e tipologias, inspiradas ora nos esquemas evolucionistas que vigoraram até o final do século XIX, ora no universalismo dos gramáticos filósofos racionalistas que floresceram sobretudo no século XVII. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os espanhóis registravam quase que obsessivamente as línguas encontradas nos territórios que iam conquistando em trajetórias de penetração do litoral para o interior, os portugueses se concentraram nas línguas da costa, onde dominava o Tupi-Guarani. Os documentos dos primeiros três séculos da colonização do Brasil que a nós chegaram, são gramáticas e catecismos de três línguas indígenas que desapareceram no mesmo período: Tupinambá, Kariri e Manau. O Tupi Antigo disfarçava-se nas Línguas Gerais – Paulista e Amazônica –, das quais se conservou uma considerável memória escrita e, também, missionária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As gramáticas jesuíticas tupi até hoje são objeto de admiração e repulsa. De um lado, admira-se clareza e detalhamento das observações que nos permitem apreciar ainda os sistemas e processos fonológicos e morfossintáticos do Tupinambá e do Tupi Antigo. Do outro lado, e ao mesmo tempo, critica-se a roupagem expositiva que traduz e classifica os fatos registrados através das categorias da tradição gramatical greco-latina. A língua indígena, de qualquer maneira, era consumida e transfigurada, enfim, conquistada, pelo empreendimento missionário, na escrita, nos catecismos, nos autos e peças teatrais pedagógicas, onde o combate cristão bilíngüe (tupi/português) entre o bem e o mal deveria engajar índios e brancos, pecadores das aldeias e das vilas, na luta contra o demônio do paganismo e na elevação para o reino divino pregado pelos conquistadores. Mais tarde, o romantismo tupi na construção da nacionalidade brasileira apresentaria a face profana dessa tradição missionária, erguendo-se com seus lirismos sobre morte, massacre, sacrifício de povos inteiros. E é uma língua tupi transfigurada (e desfigurada) pela literatura que foi traduzindo para o imaginário nacional brasileiro um índio genérico que continua povoando o senso comum, a história escolar, filmes e novelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As descobertas nos novos mundos pavimentaram o caminho da lingüística que se apresentaria como ciência na segunda metade do século XIX, comparando e classificando as línguas conhecidas das terras conhecidas, reconstruindo suas histórias. O território brasileiro começou a se povoar, aos poucos, por dezenas de povos e línguas nos mapas desenhados pelas frentes de colonização penetrando o interior. Ao missionário sucedia, ou melhor, se acrescentava, o estudioso viajante, que acompanhava, direta ou indiretamente, as novas expedições de conquista: Koch-Grünberg, Steinen, Capistrano de Abreu, Curt Nimuendajú, para mencionar os mais importantes. As observações gramaticais, mais ou menos sistemáticas, eram acompanhadas ou ilustradas por coletâneas de textos, transcrições alfabéticas de peças das tradições orais de diversos povos indígenas. Começava a se constituir um corpus, na sua maioria composto de narrativas, que seriam transfiguradas, novamente, para alimentar um folclore nacional com suas personagens emblemáticas, como Macunaíma, o herói trickster dos povos karib do norte amazônico.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Evangelização e pesquisa&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelo evangelizador tem sido, de qualquer maneira, a base do interesse lingüístico missionário; continua sendo ainda hoje, para o trabalho lingüístico de muitas missões de fé, encabeçadas pela norte-americana Summer Institute of Linguistics, hoje Sociedade Internacional de Lingüística (SIL), como a Novas Tribos, a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), a JOCUM (Jovens com Uma Missão), a ALEM (Associação Lingüística Evangélica Missionária). Essas missões e seus lingüistas, portadores de um trágico binômio &amp;quot;aniquilar culturas, salvar línguas&amp;quot;, após demorado trabalho de estudo, esvaziam palavras e enunciados de línguas indígenas para torná-los recipientes de outros conteúdos, bíblias e evangelhos, novas semânticas para povos subjugados e passivizados sob o rolo compressor da conversão civilizatória. O SIL, dublê de missão militantemente evangelizadora e instituição de pesquisa, foi personagem importante na implementação da pesquisa em lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; no Brasil entre o final dos anos 50 e o dos anos 70, bem como teve, até não muito tempo atrás, primazia na cena da lingüística internacional (tendo recursos próprios para publicar e publicando em inglês).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A lingüística laica, não obstante, foi se desvencilhando, mesmo que penosamente, do marco missionário, procurando documentar o que resta dessa diversidade, desdobrando-se entre o desenvolvimento de seus modelos descritivos e explicativos e a aplicação de seus saberes em prol de projetos políticos que possibilitem a sobrevida digna das línguas indígenas diante do fascínio e poder da língua dos brancos na mídia, nos papéis, nas máquinas, nas escolas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento feito por Storto e Moore em 1991 mostrava que de 80 a 100 línguas tinham recebido algum tipo de descrição; quase metade estava sem nenhuma documentação. Os autores consideravam que 10% das línguas contavam com uma descrição gramatical satisfatória. Havia somente 12 doutores no Brasil dedicando-se ao estudo dessas línguas, somente oito universidades com a presença das línguas indígenas em programas de pós-graduação. O SIL trabalhava com 40 línguas, não tendo contribuído à formação de nenhum pesquisador brasileiro. Cinqüenta e nove estavam sendo investigadas por lingüistas não-missionários; entre 1985(1) e 1991, um aumento de 36%; entre 1987 e 1991, o Programa de Pesquisas Científica das Línguas Indígenas Brasileiras (PPCLIB) do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) deu apoio a bolsas, pesquisas de campo e cursos intensivos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Os resultados de levantamento por mim realizado em 1995 mostravam a existência de cerca de 120 pesquisadores (80% ativos; uma dezena de pesquisadores missionários com vínculos acadêmicos em instituições brasileiras). Observava-se o aumento da participação de graduandos e pós-graduandos; as atividades do SIL pareciam estacionárias. O número de pesquisadores estrangeiros representava cerca de 10% desse total: norte-americanos, franceses, holandeses, alemães, sem contar os ligados às missões evangélicas, onde os norte-americanos são a maioria. Entre 1991 e 1995, houve aparentemente um aumento de cerca de 40% em termos do número de línguas estudadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquele momento, eu observava que pouco mais de 30 delas tinham uma documentação ou descrição satisfatória (algo como uma gramática de referência com textos e, possivelmente, um léxico), 114 tendo algum tipo de descrição sobre aspectos da fonologia e/ou da sintaxe, o restante continuando no limbo do desconhecido. Nesse cálculo, aproximado e provisório, incluía os frutos visíveis, ou seja, em poder de instituições brasileiras ou publicados, da atuação do SIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma classificação tripartida em línguas sem nenhuma documentação, com pouca (ou alguma documentação), bem documentadas, é obviamente simplificadora. Nos levantamentos da produção de conhecimentos na área da chamada &amp;quot;lingüística indígena&amp;quot;, geralmente não está em jogo a qualidade, nem absoluta nem relativa, dos trabalhos ou das análises, mas a sua mera existência. A qualidade da documentação ou da descrição lingüística é questão que só recentemente começou a ser discutida com seriedade, inclusive graças ao acúmulo de novos conhecimentos e novos dados, a uma maior atenção às teorias que estão na base de modelos descritivos, ao aumento de pesquisadores envolvidos, a uma maior circulação e divulgação das pesquisas e ao desenvolvimento de metodologias e tecnologias para o armazenamento e processamento de dados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
(1) Rodrigues, Aryon D. - ''Línguas Brasileiras'', São Paulo: Edições Loyola, 1986.&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''==  A escola e a preservação lingüística ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Texto de Bruna Franchetto (antropóloga e lingüista do Museu Nacional/ UFRJ)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois da hegemonia do estruturalismo distribucionalista norte-americano importado pelo SIL, nos anos 90, assistimos, então, decididamente, a um desenvolvimento gradual e progressivo da área, com uma interessante diversificação de linhas teóricas; convivem (e competem) diferentes paradigmas, num saudável pluralismo científico; amadurece a discussão entre pesquisa descritiva e pesquisa teórica, cujo objetivo é a de inserir os dados de línguas indígenas nos debates e embates da teoria lingüística atual. Foi retomada a investigação histórica e comparativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, por exemplo, começam a ser divulgados os resultados importantes do projeto &amp;quot;Tupi Comparativo&amp;quot; em andamento no Museu Goeldi, dos encontros de lingüistas especialistas em línguas Tupi-Guarani, das pesquisas sobre línguas da família Pano (UNICAMP, Setor de Lingüística do Museu Nacional/UFRJ), dos estudos de línguas arawak, das línguas karib meridionais (UNICAMP e Museu Nacional-UFRJ), do noroeste e do nordeste amazônicos (Museu Goeldi, Museu Nacional/UFRJ). O diálogo entre etnologia, arqueologia e lingüística está se reconstituindo com base em hipóteses, teorias e metodologias modernas e pesquisas empíricas. Fortalecem-se centros de pesquisa tradicionais e outros despontam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relatório de Lucy Seki(1), em 1998 subia para cerca de 80 o número de línguas objeto de algum tipo de estudo por parte de não-missionários. Percebia-se um leve declínio das atividades do SIL (30 línguas em estudo e oito projetos considerados concluídos).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É interessante observar o aumento do número de línguas já investigadas por missionários e retomadas por lingüistas brasileiros. Graças ao levantamento feito por Seki de dissertações, teses, publicações e inéditos, podemos avaliar, pelo menos quantitativamente, o incremento da produção por parte de pesquisadores brasileiros. Uma série de extensas e cuidadosas gramáticas de referência chegou ao público, como as gramáticas Kamayurá(2) e ainda Tiriyó, Trumai, Karo, Apurinã, Kadiweu, Karitiana, Wanano, Bororo, entre outras. Outras estão prestes a serem divulgadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O quadro institucional, infelizmente, não melhorou como se esperava. Ainda segundo Seki, no final dos anos 90, dos 66 programas de pós-graduação em Letras e Lingüística, apenas 12 desenvolviam pesquisas sobre línguas indígenas. Não obstante, aumentou, sem dúvida, a presença de trabalhos sobre línguas indígenas em eventos científicos nacionais e, nos internacionais. Os missionários/lingüistas não dominavam mais a cena. Inaugurou-se ou cresceu a participação de brasileiros nos universos eletrônicos especializados, como listas de discussões, como a Etnolinguistica. A isso acrescentamos que, pela primeira vez, informações ricas e razoavelmente fidedignas começaram a aparecer em sites oficiais e não-oficiais e em veículos governamentais e de divulgação científica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação no final desta primeira década do século XXI mostra um quadro mais promissor, mas ainda aquém do desejado. Quanto aos conhecimentos produzidos sobre as línguas indígenas,  o trabalho de Moore(3) nos permite constatar que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;apenas 15 línguas têm uma descrição ou documentação satisfatória (uma gramática descritiva, dicionário, coletâneas de textos);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;35 línguas, pelomenos, permanecem amplamente ignoradas;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &amp;lt;li&amp;gt;114 foram objeto de algum tipo de descrição de aspectos da fonológica e/ou da sintáxe. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se um claro desenvolvimento de grupos de pesquisa (Museu Goeldi, UNICAMP, Museu Nacional/UFRJ, USP, apenas para mencionar os mais organizados e produtivos). Novidade digna de destaque é o desenvolvimento de projetos de documentação nos últimos dez anos e com o apoio de programas internacionais (DOBES, ELDP, principalmente). Estes projetos incluem, até o momento, 20 línguas. Programas dessa natureza estão agora em fase de implementação no Brasil e com financiamento brasileiro. A moderna documentação visa não apenas a produção de gramáticas, dicionários e coletâneas de ‘textos’, mas a isso acrescenta uma tarefa fundamental, a construção de acervos digitais, usando métodos e tecnologias de ponta, que possam preservar amostras, as mais exaustivas possíveis, de eventos e gêneros de fala, artes verbais, conhecimentos e tradições orais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, muito está sendo feito no Brasil fora da redoma missionária, se pensarmos na penúria de uns 20 anos atrás. Há, ainda, muito mais a ser feito. Há um excedente de trabalhos descritivos parciais e escassez de gramáticas de referência. Nos domínios dos gêneros de discurso, da arte verbal, da coleta de tradições orais, da elaboração de dicionários, as lacunas são imensas, como nos estudos sociolingüísticos, estes últimos indispensáveis quando se trata de entender as muitas e complexas situações de bilingüismo, multilingüismo e perda lingüística.&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;A escola e a preservação lingüística&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo das línguas indígenas, o lingüista é uma figura de identidade dupla: é pesquisador e assessor de programas educacionais, fonólogo e fazedor-de-escritas-de-línguas-de-tradição-oral, professor e redator de material didático em língua indígena. Recebe demandas de organizações não-governamentais, do Estado e dos índios. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento em projetos de educação (escolar) não significa apenas um exercício de aplicação de conhecimentos científicos, mas deve, hoje, se basear numa capacidade de revisão crítica do modelo dominante da chamada &amp;quot;educação bilíngüe&amp;quot;, ainda, em muitos casos, atrelado, apesar de suas diversas versões, a uma matriz missionária ideologicamente civilizadora e integracionista (de novo, o legado do SIL, que monopolizou, até uns 20 anos atrás, a chamada educação bilíngüe também no Brasil). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, já há grupos indígenas que percebem &amp;quot;o perigo&amp;quot; que suas línguas correm e, por conseqüência, estão interessados em sua revitalização; em situações desse tipo, são os índios que procuram interagir com lingüistas que possam dedicar-se à documentação de sua língua. Diante de uma tarefa desse tipo – documentar uma língua num projeto conjunto com os índios e propor um trabalho de preservação ou resgate –, começamos somente agora a desenvolver e consolidar instrumentos conceituais e políticos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Grinevald (4) este lingüista de campo é como uma orquestra de um homem só: deve dominar todos os campos da lingüística descritiva, conhecer as principais teorias que podem guiar suas interpretações e explicações, saber o bastante de uma específica lingüística aplicada para se enveredar em projetos de alfabetização ou de revitalização lingüística sem cair na armadilha de achar que os problemas se resolvem na escola, conseguir fazer pesquisa sobre a língua com os índios, ser sensível e esperto, saber que fazer lingüística numa aldeia não é um passeio de algumas semanas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os índios certamente agradeceriam todos os esforços e iniciativas que facilitassem o aparecimento desse novo pesquisador; a lingüística &amp;quot;indígena&amp;quot; deixaria para trás, definitivamente, amadorismo e subalternidade; a sociedade em geral aprenderia mais sobre um assunto que diz respeito diretamente à salvaguarda de uma riqueza que está em seu seio e que, ou desconhece, ou sepulta, no senso comum dos estereótipos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;box&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h3&amp;gt;Notas&amp;lt;/h3&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1) Seki, Lucy - ''A Lingüística Indígena no Brasil'', dissertação de mestrado, Unicamp, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(2) Seki, Lucy - ''Gramática Kamayurá'', Campinas: Editora da Unicamp, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(3) Moore, Denny. ''Línguas Indígenas''. 2008. ms&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(4) Grinevald, Colette – “Language endangerment in South America: a programmatic approach”. In: ''Endangered Languages - Language loss and community response ''(editado por Lenore A. Grenoble e J. Whaley Lindsay), Cambridge: Cambridge University Press, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Agosto de 2008'''== Comparando palavras diferentes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja exemplos de como os lingüistas descobrem línguas &amp;quot;aparentadas&amp;quot;:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas do tronco Tupi&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Awetí &amp;lt;/b&amp;gt;(família Awetí)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Munduruku &amp;lt;/b&amp;gt;(família Munduruku)&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karitiana &amp;lt;/b&amp;gt;(família Arikém)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Tupari &amp;lt;/b&amp;gt;(família Tupari)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Gavião &amp;lt;/b&amp;gt;(família Mondé)&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mão&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;by &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;po &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pabe &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pé&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;py &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;i &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;caminho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;me &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;e &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pa &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ape &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;be &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;eu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atit, ito &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;yn &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;on &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;õot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;você&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;en &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;eet &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;mãe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;pesado&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potyi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;poxi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyti &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;potsi &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;patii &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;marido&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itop &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mana &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;men &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;met &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta'wat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wida &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omaky &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ameko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;neko &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;árvore&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'yp&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ep &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kyp &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'iip &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;cair&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'at &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ot &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kat &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'al- &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi)&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palavras &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Guarani Mbyá &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Tapirapé &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Parintintin &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Waiampí &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; Língua Geral do Alto Rio Negro&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
            &amp;lt;u&amp;gt;              &amp;lt;/u&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pedra &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itã &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;takúru &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;itá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; fogo &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tãtã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;táta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tatá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; jacaré &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãkãré &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakáre&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iakaré&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; pássaro &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wyrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;gwyrá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wýra&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wirá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; onça &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djagwareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;txãwãrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;dja´gwára&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iáwa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iawareté&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; ele morreu &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;amãnõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;omanõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ománo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;umanú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;quot;mão dele&amp;quot; &amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipá&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipó&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ípo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipú&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Jê (Tronco Macro-Jê)&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;12%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Canela&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apinayé&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kayapó&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xavante&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Xerente&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Kaingang&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pé&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;13%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;par&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;paara&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;14%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pra&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;17%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;pen&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td width=&amp;quot;16%&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
perna&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;te&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zda&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
olho&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kane&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;taa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;na&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ta&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;myt&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bââdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;bdâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cabeça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khrã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'rã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;krã&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kri&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;khèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kèèn&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'eene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kne&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pò&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
asa, pena&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;haaraa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'ara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djèèrè&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;sdarbi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fer&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
semente&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hyy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;'y&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;djâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;zâ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;fy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
esposa&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;mrõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;prõ&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Karib&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Galibí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apalaí&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Wayâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Hixkaryâna&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Taulipáng&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;lua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nunuy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nuno&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapyi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;sol&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;xixi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamymy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wéi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
água&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna, paru&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
chuva&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;konopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kopo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tuna&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kono'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
céu&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kahe&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ka'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;topu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tepu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tohu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ty'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
flecha&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrywa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyróu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyréu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;waiwy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;pyrýu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
cobra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóiu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;âkóia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýia&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;okóie&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ykýi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
peixe&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wuoto&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kana&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;moro'&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
onça&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaituxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamara&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kaikuse&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Línguas da Família Aruak&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table align=&amp;quot;center&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Palavras&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Karutana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Warekena&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Tariana&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Baré&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Palikur&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;Apurinã&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Waurá&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;&amp;lt;b&amp;gt;Yawalapití&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&amp;lt;/b&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;língua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;inene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;enene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nenuba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;nei&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;niati&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt; água &amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;one&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;uni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;wene&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;weni&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;une&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;u&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
sol&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamui&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamuhu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamoo&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;atukatxi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kamy&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kame&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
mão&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kabi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;iwakti&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kae&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;piu&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kapi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
pedra&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hipada&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tiba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tipa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;keba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kai&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;typa&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teba&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
anta&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &lt;br /&gt;
&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;ema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;hema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;aludpikli&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kudoi&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;kema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;teme&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
            &amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;i&amp;gt;tsema&amp;lt;/i&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
        &amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Línguas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Mario</name></author>
	</entry>
</feed>