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	<title>Povos Indígenas no Brasil - Contribuições do(a) usuário(a) [pt-br]</title>
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	<updated>2026-04-04T06:56:30Z</updated>
	<subtitle>Contribuições do(a) usuário(a)</subtitle>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Xakriab%C3%A1&amp;diff=6371</id>
		<title>Povo:Xakriabá</title>
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		<updated>2018-08-20T19:56:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Um dos poucos grupos indígenas que habitam o estado de Minas Gerais, os Xakriabá sobreviveram ao intenso contato com os bandeirantes e depois com as frentes pecuaristas e garimpeiras. Tiveram seu território ocupado por fazendeiros e hoje lutam para ampliar suas terras demarcadas e recuperar parte dele. Também estão vivendo um processo de valorização cultural, buscando identificar e registrar itens e aspectos de sua cultura de modo a proteger esse patrimônio&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e ambiente ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Aldeia do Mata Fome. São João das Missões, MG. Foto: Clésio da Gama, 2012.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/770546-1/xakriaba4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As Terras Indígenas Xakriabá e Xakriabá Rancharia localizam-se no município de São João das Missões, no norte de Minas Gerais. A Terra Indígena Xakriabá foi homologada em 1987, e posteriormente, em 2003, foi acrescentada em área contínua a TI Xakriabá Rancharia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O território localiza-se às margens do rio Itacarambi, onde existem pequenos rios temporários e alguns permanentes. O clima é quente durante todo o ano. A estação chuvosa compreende os meses de outubro a março. Porém, nos últimos anos, o índice de chuvas têm diminuído.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O solo é cheio de contrastes em toda a extensão do território. Em diversas áreas mais altas encontram-se maciços de calcário com cavernas. A vegetação predominante é o cerrado, com árvores de pequi, aroeira, juá, jurema, braúna, pau-d'arco, entre outras. A maior parte da vegetação é nativa, constituída por mata seca e a vereda. Tais áreas são usadas para caçadas e coleta de frutos, tais como cagaita, cabeça de negro, jabuticaba, maracujá, melão de São Caetano e xixá. Entre os animais, os mais comuns são veados, cutia, tatu, onça, coelho, raposa, tamanduá, gambá e seriema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns desses animais encontram-se em extinção dentro das TIs, devido à caça sem controle e fora de época. E, devido à agricultura e ao aumento da criação de gado, o desmatamento no território xakriabá também vem aumentando de modo preocupante.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto: Curt Nimuendaju, 1937&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/237206-2/xakriaba_1.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período pré-colonial, havia, possivelmente, outros povos na região de São João das Missões, às margens do rio São Francisco, onde nós, Xakriabá, estamos localizados hoje. Naquela época, nosso povo não tinha território definido e ocupava várias regiões no vale do Tocantins, Goiás e às margens do rio São Francisco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XVIII, o maior responsável pela morte de índios Xakriabá foi o bandeirante Matias Cardoso de Almeida. Posteriormente, chegaram os missionários, que começaram a aldear para poder catequizar e assim ter domínio sobre nós.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Naquela época, um índio encontrou uma imagem de santo, que recebeu o nome de São João dos Índios. Os missionários jesuítas ficaram sabendo da imagem e resolveram levá-la para a igreja de Matias Cardoso, a qual os índios foram obrigados a construir. No dia seguinte, a imagem estava, novamente, no mesmo lugar onde foi encontrada, e assim ocorreu vários vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os missionários jesuítas, vendo que o santo não ficava na igreja de Matias Cardoso, acharam que era milagre e resolveram fazer uma capela na mesma localidade onde a imagem foi encontrada. Esse local é hoje uma igreja e a imagem continua no mesmo lugar em que foi encontrada naquela época. Hoje, a imagem possui o nome de São João, padroeiro da cidade cuja festa é comemorada no dia 25 de Junho. O local, posteriormente, foi denominado São João das Missões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes da catequização dos índios, essa região era dividida em capitanias: Pernambuco, à margem esquerda do rio São Francisco, e à margem direita, a capitania da Bahia. Na época, os Xakriabá estavam localizados na capitania de Pernambuco, que acabou fazendo parte da missão jesuítica. Os Xakriabá foram aldeados para começar o processo de colonização, sendo obrigados a falar o português e a seguir a religião, costumes e crenças dos europeus.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Mulheres Xakriabá, aldeia Sapé, 1985&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/237209-1/xakriaba_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Januário Cardoso de Almeida, filho de Matias Cardoso, doou um pedaço de terra para os Xakriabá, para que estes não se espalhassem e ficassem só trabalhando para ele. Os Xakriabá então registraram a terra em dois cartórios: o de Januária e o de Ouro Preto. Mas em 1850 foi criada a Lei de Terras, pela qual a terra Xakriabá se tornou devoluta, pertencendo ao governo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1927, ocorreu o primeiro grande conflito na região de Rancharia. Os fazendeiros fizeram uma cerca em torno do território Xakriabá, sendo que alguns índios foram obrigados a ajudar na construção dessa cerca: &amp;quot;Nós Xakriabá, revoltados com essa atitude, fizemos um mutirão e colocamos fogo na cerca, e alguns índios morreram nesse episódio. Demos o nome a essa cerca de 'curral de vara' &amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1940, criou-se uma nova lei, pela qual o proprietário precisava ter registro de compra da terra. Os Xakriabá não possuíam esse documento devido ao fato de a terra ter sido doada. Então, a terra passou a ser devoluta novamente. Ao se organizar e correr atrás de providências para ter a posse da terra legalmente, a comunidade contribuiu com dinheiro para que as lideranças pudessem viajar para o Rio de Janeiro em busca de apoio, ajuda e informações que nos defendessem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lideranças importantes se destacaram, como Rosalino e Rodrigo, que denunciaram invasões no território Xakriabá. Em 1978, a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt; criou o Grupo Técnico (GT) para identificar a terra Xakriabá. Só depois de nove anos a Funai começou o processo de homologação do território. Nesse período, três lideranças indígenas foram assassinadas, entre elas Rosalino, por grileiros comandados por um fazendeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Depois disso, tivemos nossa terra demarcada, mas Rancharia ficou de fora e nosso povo não desistiu de lutar. A TI Xakriabá de Rancharia só foi demarcada em 2000, com muita luta e esforço dos mais velhos. Enfrentamos a revolta dos fazendeiros e conseguimos a demarcação da nossa terra. Mas a nossa luta não acaba aqui! Nosso território de direito não foi todo demarcado, temos uma grande parte que ainda está nas mãos dos não-índios.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua e sociedade ==&lt;br /&gt;
Identificados pelo ''Handbook of South American Indians'' como Jê, subdivisão Akwe, os Xakriabá também foram identificados pelo lingüista Aryon Dall'Igna Rodrigues como pertencentes ao tronco lingüístico Macro-Jê, família Jê, e a língua Xakriabá como um dialeto de falantes da língua akwen.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como os demais Akwen – [[Povo:Xavante | Xavante]] e [[Povo:Xerente | Xerente]] –, os Xakriabá vivem em região de campo e tinham uma organização social complexa, articulada pela presença de metades clânicas. A posição destes clãs no ordenamento espacial da aldeia era calcada no quadrante solar. &lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Aldeia do Mata Fome. São João das Missões, MG. Foto: Clésio da Gama, 2012.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/770540-1/xakriaba1.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Xakriabá, grupo originalmente caçador e coletor, viram tornar-se inoperante o seu sistema produtivo com a fixação das frentes pecuárias no seu território. Ao serem aldeados, o primeiro efeito concreto foi a redução da extensão do seu antigo território, o que diminui as oportunidades de obtenção de alimentos e de outros produtos necessários à confecção de artefatos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença de membros da sociedade nacional, alterando o ecossistema e competindo por alimentos, tornou impossível a sobrevivência do grupo nos moldes tradicionais de sua organização social e política. A necessidade de obtenção de formas alternativas de subsistência e a pressão da sociedade envolvente levaram o grupo a adotar a agricultura segundo o modelo regional como forma predominante de atividade econômica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, os Xakriabá desconhecem o conceito de propriedade privada no que tange à posse da terra. Os critérios que adotam para definir o acesso à posse baseiam-se na maturidade do indivíduo, geralmente identificados a partir da efetiva constituição de uma família. O novo chefe de núcleo familiar tem o direito de optar por qualquer parte da terra para instalar sua roça e construir sua casa. Porém, parece haver uma tendência à matrilocalidade do novo casal, instalando-se, em geral, na aldeia dos pais da noiva e próximo à roça destes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os vínculos de solidariedade manifestam-se de forma mais clara entre os membros da família extensa e membros da mesma aldeia e, de forma mais esporádica, entre todos os Xakriabá. As formas mais comuns de trabalho coletivo na agricultura são a “união”, “ajuntamento”, mutirão e “adjutório”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A “união” é hoje a forma predominante de trabalho coletivo. Consiste na preparação de roças comunais, geralmente pertencentes a membros de uma mesma família extensa ou da mesma aldeia. A separação entre as parcelas de roça, próprias de cada família nuclear, é uma pequena e simbólica cerca de feijão-andu. Os excedentes de cada parcela de roça familiar são trocados, internamente, entre os participantes da família ou aldeia. A coordenação do serviço é feita pelo chefe da família ou pelo líder da aldeia. Não há qualquer forma de remuneração pelo trabalho realizado, mesmo para os membros da família que não recebem lotes de terra, ou porque não casaram, ou porque têm roça noutro ponto da TI.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “ajuntamento” é uma forma de obtenção de mão-de-obra necessária para o aceleramento das atividades produtivas, em momentos cruciais: coivara, limpeza da terra, plantação e colheita. Nessa modalidade de cooperação também estão envolvidos membros da família extensa ou da aldeia. Constitui-se na troca de dias de trabalho entre os diversos membros do grupo, e seu ciclo se encerra quando todos os participantes receberem o seu dia de trabalho comum. Há vários ciclos de ajuntamento, ate que todas as necessidades de trabalho intensivo sejam completadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “mutirão” é, hoje, pouco usado pela comunidade e, quando ocorre, é de forma simplificada, nem sempre seguida de festa, com sanfoneiros e violeiros, ou mesmo de um grande almoço, embora sempre haja cantos e comida para todos. Nesta forma de cooperação não há compromisso de ressarcimento do dia de trabalho ou qualquer outra forma de pagamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O “adjutório”, por sua vez, consiste na troca de trabalho entre parentes para as pequenas tarefas que não exigem uma participação massiva da comunidade para sua concretização. A divisão do trabalho agrícola se faz por sexo e idade. Há exclusão do trabalho feminino na derrubada da roça. Nas demais etapas, a participação feminina se faz presente. O modelo de atividade agrícola dominante é a roça-de-toco, que consiste na derrubada das árvores de maior porte, na queima após a abertura dos aceiramentos, e na limpeza parcial do terreno. A permanência dos galhos e tocos, além da vegetação rasteira para a queima, é justificada pelos índios como forma de garantir a riqueza do solo. As árvores, por exemplo, são cortadas na altura de 60 cm do solo, advindo daí a denominação de roça-de-toco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas roças feitas nos lugares secos planta-se, geralmente, o feijão-andu e outras modalidades do mesmo tipo, além da mandioca, da batata-doce e do gergelim. A agricultura desenvolvida nos baixios é diferente quanto ao método de plantio e aos produtos cultivados. Por ser uma área muito fértil e irrigada, a intensidade da exploração é maior. Lá são plantados feijão das águas, arroz, banana, cana-de-açúcar, milho, cará, mamão, fumo, mamona, alho e cebola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cana-de-açúcar é transformada em rapadura em engenhos comunitários, aos quais todos que plantam cana têm acesso. Esse produto é de grande importância como forma de acesso ao mercado regional, garantindo ao grupo a obtenção de bens não produzidos pelos Xakriabá: café, roupas, cigarros, sal, fósforos, etc. Há ainda pequeno criatório de gado por várias famílias. E quase todos têm cavalos, elemento fundamental para a circulação das pessoas na TI.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Descendência e casamento ===&lt;br /&gt;
A lembrança dos nomes dos ancestrais costuma ocorrer até a quarta geração anterior. Ao ocorrer a ausência do nome, os Xakriabá chamam o seu ancestral pela designação que atribuem ao ser mítico protetor da comunidade, Yayá, a onça-cabocla, que se transforma na figura da índia Yndaiá, que se confunde com &amp;quot;a índia braba apanhada a dente de cachorro pelos brancos&amp;quot;. [sobre esse assunto, ver item Mitologia e rituais]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os casamentos preferenciais entre os Xakriabá ocorriam entre primos, mas essa prática foi fortemente desestimulada por representantes da Igreja Católica, os quais cobravam multas para os primos que pretendiam se casar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Xakriabá casam muito cedo, em torno de 14 a 16 anos de idade. Os noivos, após o casamento, geralmente vivem por um ano na casa dos pais da noiva, a não ser que os pais do noivo tenham melhor condição. Este período de um ano é o tempo necessário para a construção da casa e a abertura da roça para o novo casal. Podem, então, instalar-se por conta própria, geralmente na aldeia dos pais. Isso porque as alianças se estabelecem, preferencialmente, entre membros de um mesma aldeia e/ou de uma mesma família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra forma de parentesco bastante respeitada e valorizada pelos Xakriabá é o compadrio. Porém, a identificação do compadre não se faz pelos padrões regionais. O compadre é aquele companheiro de ritual que, como o seu par, pode falar com a onça Yayá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Organização política ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Aldeia do Mata Fome. São João das Missões, MG. Foto: Clésio da Gama, 2012.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/770551-1/xakriaba6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização política entre os grupos das terras baixas da América do Sul não se calca em estruturas rígidas de poder, cristalizadas na figura de um chefe. Baseia-se em facções, com as quais compõe alianças nem sempre estáveis. A permanência no cargo de chefia depende, fundamentalmente, da capacidade e habilidade na construção de alianças com os representantes das várias facções, que, no caso em questão, se fazem presentes através dos líderes de aldeias, que formam o Conselho de Representantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os representantes das aldeias são escolhidos pelos membros de sua comunidade e atendem ao princípio de que a unidade política maior é a aldeia Xakriabá, que se subdivide em aldeias menores, e estas nas famílias que as compõem. O cacique, que representa a comunidade como um todo, é responsável pela sua representação externa, pela solução de questões interétnicas e é o principal articulador de soluções internas que evitem o conflito. Cada aldeia tem o seu representante, com as mesmas funções do cacique quanto às questões internas da aldeia. Cada aldeia também tem o seu conselho, que é composto pelos chefes das famílias daquela comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conselho, qualquer que seja o seu nível de representação, goza de prestígio e de poder efetivo. Quando há discordâncias quanto as soluções propostas pelo cacique, ao nível da comunidade global, ou as propostas pelo representante, ao nível da aldeia, são necessários longos diálogos em busca do consenso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos mito-cosmológicos ==&lt;br /&gt;
Duas versões do mito da onça-cabocla foram recolhidas pelo antropólogo Romeu Sabará no ano de 1976. A primeira versão foi ouvida do cacique Manoel Gomes de Oliveira Rodrigues e a outra transmitida pelo ex-delegado da Funai, João Geraldo Itatuitim Ruas, que por sua vez a havia recolhido de um informante chamado Pino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 1ª versão ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A mãe e a filha estavam passeando. A mãe disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Estou com fome e com vontade de comer carne.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A filha respondeu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Eu vou lá. Vou matar uma vaca. Quando eu voltar correndo com a boca aberta, coloque esse ramo na minha boca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A moça sumiu e logo depois uma onça pulou em cima de uma novilha e a matou. Voltou correndo com a boca aberta para a mulher. A mulher teve medo e correu. A onça era a moça e nunca mais voltou a ser moça. Ela se escondia de dia, e de noite saía e ia aos currais dos fazendeiros e matava a vaca. Os fazendeiros um dia entregaram o ferro de marcar o gado e a onça cabocla não comia mais o seu gado.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2ª versão ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Era uma vez uma índia que sentia tristeza de ver seus familiares perseguidos por tanta gente que invadia as suas terras. Pediu a seus companheiros que invocassem o espírito para que ela ficasse encantada. Durante a noite, transformada em onça, ela caçava os animais pertencentes aos fazendeiros. Matava, mas queria que a carne fosse distribuída entre os caboclos. Ao amanhecer o dia, vinha correndo e pedia a sua mãe que colocasse o ramo em sua boca para que voltasse à forma humana. Num desses dias, a mãe não encontrou o ramo necessário. Nunca mais foi feito o desencanto da índia. Passaram os fazendeiros a persegui-la até em caravana para matar a onça cabocla. Ela se refugiava numa das grutas, naquela em que existe o trono em que se sentavam os chefes. Ali os índios executavam as danças à meia-noite e a onça cabocla era desencantada e se transformava na bela índia Yndaiá, com as cantorias e batidas. Os índios comiam pedaços de carne e louvavam ao ver a onça ao seu lado.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mito está associado de modo evidente a aspectos da história do contacto entre os Xakriabá e os criadores de gado que ocuparam o seu território, entre os quais destacam-se:&lt;br /&gt;
* a pecuária, ao transformar o campo em pastagens, introduz modificações no habitat indígena, eliminando ou reduzindo drasticamente as possibilidades do exercício da caça e coleta, levando a fome às populações indígenas;&lt;br /&gt;
* a saída encontrada em momentos de grande fome era o abate do gado dos fazendeiros, que passava a substituir a antiga fonte de proteína animal de que dispunham - os animais do mato, que antes eram abatidos em suas caçadas;&lt;br /&gt;
* a reação dos fazendeiros era violenta e conhecida pelos índios. Daí a necessidade de fazer a &amp;quot;caçada&amp;quot; à noite, quando a guarda aos currais era inexistente e, de preferência, de forma que não permitisse aos fazendeiros identificar os autores do roubo; - a criação extensiva do gado não permitia o controle do número de cabeças. A introdução do ferro de marcar indica a adoção de medidas de controle sobre o rebanho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se fizermos uma análise dos mitos procurando identificar as oposições entre o mundo indígena e o da sociedade nacional, encontramos as seguintes oposições: &lt;br /&gt;
* índio e civilizado&lt;br /&gt;
* ramo e ferro de marcar&lt;br /&gt;
* onça e vaca - gruta e curral&lt;br /&gt;
* noite e dia&lt;br /&gt;
* floresta e pastagem&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há outras narrativas que contam que no período em que os posseiros se encontravam na área Xakriabá Yayá refugiou-se no Rio de Janeiro. Só esporadicamente aparecia na grande gruta, Olho d'Água, e dava sinais da sua presença assobiando &amp;quot;a mais linda toada&amp;quot;, e nos redemoinhos de vento que se levantavam na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yayá, como &amp;quot;dona da terra&amp;quot;, não aceita a presença de estrangeiros na região. Quando isto ocorre, ou ela se retira, ou ataca o estranho, e dá claros sinais indicativos de sua fúria: ao invés de cantar, assobia de forma que todos possam ouvi-la e saberem do seu descontentamento. Outra forma de mostra-lo é &amp;quot;armando confusão nas capoeiras&amp;quot; e batendo nas portas durante a noite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestas ocasiões só o Pajé, como conhecedor da língua de Yayá (a língua ritual que apresenta resquícios do antigo idioma) é capaz de acalmá-la. Para todos os membros da comunidade, o ultimo grande Pajé foi Estevão Gomes de Oliveira, a quem até mesmo os fazendeiros recorriam, nos momentos em que os ataques de Yayá se intensificavam. O local mais fácil de entrar em contacto com Yayá é nas grutas, seu local predileto de refúgio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ataques ao gado podiam ser identificados quando da autoria da onça-cabocla: as reses, sem uma gota de sangue, ficavam com o corpo intacto e as cabeças sempre ordenadas, uma de frente para a outra. Caso os fazendeiros ameaçassem caçá-la, o ataque ao gado se intensificava e só a intervenção do Pajé solucionaria a problema. Por isto mesmo o Pajé é visto como uma autoridade, cujo poder advêm de sua capacidade de comunicação com Yayá. Suas palavras, na verdade, são da onça-cabocla.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A decisão de mostrar-se como onça ou como mulher é dela. Nenhuma decisão importante pode ser tomada sem que a onça seja ouvida. O seu discurso pode referir-se ao passado, ao presente ou ao futuro, e tanto pode tratar de questões de interesse pessoal como comunitário. Nenhum líder viaja sem ouvir as previsões de Yayá sobre sua segurança ou possibilidade de sucesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por viver nas grutas, a onça torna-as sagradas. Ao não permitir que sejam visitadas, o grupo preserva as suas únicas fontes perenes de água. Ao definir que Yayá só gosta de gente cujo sangue combine com o dela, e que a única forma de garantir sangue de Yayá é nos casamentos entre primos, esta se faz presente na formulação das regras de casamentos preferenciais e no controle de casamentos interétnicos. Ao se recusar a comparecer à sua dança no terreiro na presença de pessoas que não do seu sangue, Yayá estabelece critérios de inclusão e exclusão de membros da comunidade, ainda que vivam na reserva, como os migrantes não índios incorporados após a demarcação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros seres encantados de menor porte convivem com Yayá no território Xakriabá. Dentre eles, destaca-se, pela sua função na preservação dos olhos d'água, a &amp;quot;Dona&amp;quot;, que possui uma enorme mão, com a qual agarra e afoga todos aqueles que sujam, desmatam, lavam roupa ou levam animais para beber na sua morada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros &amp;quot;encantados&amp;quot; são o &amp;quot;bicho-homem&amp;quot;, que vive nas matas e tem o corpo coberto de pêlos, e o &amp;quot;homem-pé-de-garrafa&amp;quot;, que deixa seu rastro de um único pé, em forma de garrafa, nos caminhos da aldeia. &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vida cerimonial ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Aldeia do Mata Fome. São João das Missões, MG. Foto: Clésio da Gama, 2012.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/770544-1/xakriaba3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido ao processo de contato a que foram submetidos, os Xakriabá adotaram a crença católica como dominante, além de algumas conversões mais recentes ao protestantismo. Mas, enquanto há conciliação entre o catolicismo e a crença em Yayá, o mesmo não ocorre com o protestantismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No catolicismo, há uma figura extremamente forte nas crenças Xakriabá: São João dos Índios. Orago da capela, hoje igreja, construída sobre o antigo cemitério Xakriabá, ponto de difusão de missionamento entre os índios, São João é o santo mais homenageado, festejado e solicitado. Crêem os índios que a imagem, que teria sido encontrada numa roça, quando trabalhavam, foge da capela e vem &amp;quot;brincar&amp;quot; com eles. [a esse respeito, ver o relato dos Xakriabá no item História]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São também manifestações religiosas comuns as novenas com peregrinações para obtenção da graças (muitas vezes clamando por chuva). Outra prática é a feitura das &amp;quot;lapinhas&amp;quot;, espécie de pequeno presépio ornado com flores de papel ou plantas verdes e que é muito usado pelas moças em busca de marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outras pessoas envolvidas em formas rituais são os rezadores, os raizeiros e os curandeiros. A doença é, muitas vezes, vista como resultado de feitiço e só o curandeiro é capaz de vencê-la. Usa para isso fumigações e rezas, na língua &amp;quot;dos antigos&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Toré ===&lt;br /&gt;
O Toré é dançado no terreno, que fica no meio do mato. O terreiro é precedido de uma área onde fica a árvore sagrada, que define quem deve ou não ter acesso ao local. A árvore é um coqueiro de três galhas, visível somente àqueles que Yayá considera aptos a visitarem o terreiro. O chão do terreiro é batido e limpo de toda vegetação, tem forma retangular e fica próximo às grutas, morada de Yayá. Numa de suas extremidades há um monte de pedras, onde se guardam os objetos do ritual, inclusive os restos da bebida sagrada com propriedades alucinógenas, jurema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O acesso ao ritual é permitido a todos os membros da comunidade a partir dos sete anos de idade. Porém, algumas regras de exclusão se fazem presentes no momento da participação: só aqueles que realmente são reconhecidos como membros do grupo da &amp;quot;ciência&amp;quot; são aceitos. Assim, os migrantes não-índios que se casaram com membros da comunidade, ali vivendo e sendo incorporados em vários níveis da vida social e política do grupo, não são aceitos no ritual. Também se excluem os que, embora reconhecidos como índios, são casados com esses estrangeiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As pessoas, ao chegarem ao terreiro, são recebidas pela madrinha, que as orienta quanto à posição que devem ocupar. Os participantes devem estar vestidos de branco e descalços. Sem o atendimento dessas exigências, ninguém pode pisar no chão consagrado a Yayá.&lt;br /&gt;
Antes de se iniciarem as &amp;quot;danças para a onça-cabocla&amp;quot;, prepara-se, previamente, a bebida jurema. Após alguns momentos de danças, ritmadas ao som de cantos, em português e no assim chamado idioma Xakriabá (somente usado durante o ritual), o bastão sagrado inicia o seu trabalho. O bastão foi descrito pelo cacique e pelo pajé como sendo de madeira, de &amp;quot;tamanho médio&amp;quot; e que só pode ser tocado pelo pajé. Outra pessoa qualquer, caso o toque, morrerá imediatamente. É o pajé que o retira das pedras onde fica guardado e o coloca num canto do terreiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Num determinado momento do ritual, o bastão inicia a sua dança sem que ninguém o toque e emitindo fumaça pelas extremidades. Termina sua dança sobre a tigela grande, onde faz uma cruz de fumaça. Apenas aqueles que Yayá escolhe para conversar, naquele dia, são capazes de ver a cruz com perfeição. Após este ato, inicia-se a distribuição da jurema em pequenas tigelas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O encontro com Yayá é o momento em que ela assume o seu caráter de oráculo. A cada um responde, avisa sobre perigos, orienta e repreende quando seu comportamento não é compatível com as necessida¬des da comunidade. Os temas centrais referem-se à segurança da comunidade: como governá-la; as ameaças de invasão e orientação de como agir; como administrar as crises internas e como orientar as relações interétnicas. Daí ser essencial &amp;quot;saber da ciência&amp;quot; e participar do ritual para ter reconhecida a sua liderança e o cargo de chefia.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
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* MATTOS, Izabel Missagia de &amp;amp;amp; Outros. Povos Indígenas de Minas Gerais. Belo Horizonte : Assembléia Legislativa de Minas Gerais, 2000b.&lt;br /&gt;
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* Tikmu'un (nós, humanos). Vídeo cor, VHS-NTSC, 60 min., 1999. Prod.: Crystal Vídeo Comunicação Ltda&lt;br /&gt;
* XAKRIABÁ, Professores indígenas. Valorizando o patrimônio cultural Xakriabá. Documentar para preservar. Belo Horizonte : Governo do Estado de Minas Gerais, 2005.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas em Minas Gerais]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Pankararu&amp;diff=6370</id>
		<title>Povo:Pankararu</title>
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		<updated>2018-08-20T19:56:27Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A exemplo de quase todos os grupos indígenas do Nordeste brasileiro, a história Pankararu remete a políticas públicas e ação missionária implementadas desde o início da colonização portuguesa, que incluíam deslocamentos e aldeamentos forçados, impondo a convivência e a posterior indiferenciação de etnias diversas na região. Seus direitos fundiários não foram respeitados no reconhecimento oficial da Terra Indígena Pankararu. Apenas em 1999, depois de anos de reivindicação, o processo de ampliação dessa terra foi iniciado, mas ainda não está concluído. Assim como os outros povos do Nordeste, o principal emblema da cultura Pankararu consiste no sistema ritual do Toré e no culto aos Encantados a ele associado.&lt;br /&gt;
=== Contato direto ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acompanhe a produção dos Pankararu e de outros grupos na web em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://indiosonline.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://indiosonline.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e histórico da TI ==&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3787&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Pankararu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, homologada em 1987, está localizada entre os atuais municípios de Petrolândia, Itaparica e Tacaratu, no sertão pernambucano, próximo ao rio São Francisco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua forma é a de um quadrado perfeito e corresponde à memória que os Pankararu mantêm da doação imperial de uma sesmaria à missão religiosa que aldeou seus antepassados durante os séculos XVIII e XIX. A única notícia oficial da presença de um aldeamento religioso no local, do qual não há o registro de fundação, diz respeito à sua extinção, em 1878.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde os primeiros registros do &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/o-servico-de-protecao-aos-indios-(spi)&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Serviço de Proteção ao Índio (SPI)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, na década de 1930, as terras reivindicadas pelos Pankararu correspondem a &amp;quot;uma légua em quadra&amp;quot;, delimitada em 14.290 hectares. Quando da primeira intervenção local do órgão indigenista, em 1940, no entanto, os limites da terra reivindicada não foram respeitados. No trabalho de demarcação, o funcionário responsável reduziu aquele quadrado em meia légua nos seus eixos leste e norte, transformando os mais de 14.000 hectares iniciais nos 8.100 hectares oficialmente reconhecidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Pankararu intensificaram então os conflitos fundiários com posseiros não-indígenas que habitavam a porção sudoeste da área reconhecida. Ambos passam a reivindicar a decisão da justiça no reconhecimento de seus direitos e a situação permanece nessa dualidade, pontuada por conflitos, até 1984, quando é organizado um Grupo de Trabalho (GT) da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt; para realizar uma revisão da área Pankararu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O relatório resultante do GT de 1984 propõe ao órgão corrigir a diminuição realizada na área pretendida em 1940, abarcando todo o quadrado maior, com exceção de um pequeno trecho na sua face leste, na qual foi feito um corte para deixar de fora a cidade de Tacaratu, elevando o tamanho para 14.294 hectares. Com relação à área em litígio no vértice sudoeste, o GT realiza o levantamento fundiário das posses, com fim à desapropriação dos &amp;quot;invasores&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa proposta, no entanto, é recusada no Ministério da Agricultura e, num acordo com as lideranças indígenas (cacique, pajé, presidente da associação comunitária), troca-se o acréscimo da área ao norte e ao leste pela promessa de imediato &amp;quot;desintrusamento&amp;quot; do antigo trecho em litígio. Em 1987, a mesma área demarcada pelo SPI é então homologada, agora pela Funai, sem que a promessa de &amp;quot;desintrusamento&amp;quot; fosse cumprida. Apenas em 1993, por força de uma ação civil pública movida pela Procuradoria da República contra a União, Funai e Incra, a Justiça decide-se pela retirada de doze famílias de posseiros, identificados como suas principais lideranças, na tentativa de viabilizar as demais retiradas. Esses posseiros, no entanto, recorrem e ganham a suspensão da decisão, voltando a situação à mesma indefinição anterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Complexificando esse quadro, lideranças do grupo de posseiros argumentam existirem famílias descendentes de seus ancestrais casadas com indivíduos Pankararu e hoje consideradas indígenas, da mesma forma que existiriam muitas famílias de posseiros descendentes de índios, mais frequentemente de índias, casadas com não-índios e transferidas para fora do que hoje são os limites da área indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1999, a área restante à extensão homologada foi submetida a um novo processo de identificação sob o nome de Terra Indígena Entre Serras e em 2007 foi homologada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ambiente e economia ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Formação geográfica designada pelos Pankararu como&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226148-1/pankararu_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um pequeno brejo, formado pela vaga aberta em meio aos últimos contrafortes da Serra de Tacaratu (mais conhecida pela população local como Serra Grande), ganha a forma de um anfiteatro, com sua cabeceira à leste abrindo-se no sentido oeste em direção às margens do São Francisco. Este pequeno &amp;quot;oásis verdejante&amp;quot;, que serviu para a localização do aldeamento de Brejo dos Padres, é um ponto avançado do agreste em plena área sertaneja, contrastante com a paisagem em torno, marcada por uma pecuária ultra-extensiva e articulada, até meados do século XX, a uma agricultura de subsistência em geral pouco expressiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mudanças de infra-estrutura decorrentes da instalação das UHE de Paulo Afonso e Itaparica na década de 1980 e mesmo antes, quando das frustradas tentativas de irrigação das margens do São Francisco pelo DNOCS na década de 1930, atenuam o contraste entre o Brejo e seus arredores, onde se sucedem cidades e áreas de irrigação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na seção central da Terra Indígena encontramos uma terra bastante úmida e escura, alimentada por quatro fontes d'água que nascem na cabeceira dos contrafortes e que, antes das obras de canalização realizadas ao longo da década de 1990, formavam um pequeno rio que escorria até a estreita saída desse anfiteatro, procurando desembocar, quando a seca permitia, no São Francisco. Uma região rica em fruteiras, em especial as mangueiras, goiabeiras e pinhas, que podem complementar a renda familiar de seus moradores em épocas menos secas. Como a qualidade do solo permite plantar de tudo, desde o milho e os diferentes tipos de feijão até a cana, introduzida ali em inícios do século XIX, e que por muito tempo alimentou pequenos engenhos de índios, não-índios e do &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/o-servico-de-protecao-aos-indios-(spi)&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;SPI&amp;lt;/htmltag&amp;gt; na fabricação de &amp;quot;mel&amp;quot;, garapa e rapadura.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia pankararu segurando pote de barro de fabricação local destinado ao transporte de água. Foto: José Maurício Arruti, 1994.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226157-1/pankararu_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ultrapassando esses contrafortes, a paisagem muda bastante. Não existe mais a proteção natural que permite a concentração e precipitação das poucas nuvens que chegam do litoral, e a secura quase permanente torna a terra branca, arenosa, quando não dura e pedregosa. Na seção sul, a encosta da serra desce de uma única vez, em curvas de nível largas que formam pastos naturais. Duas fontes d'água hidratam um estreito trecho dessa seção, umedecendo a pequena depressão que depois volta a elevar-se, seguindo três ou quatro quilômetros secos até as bordas da área. Nesta parte regada, cerca de um terço de toda a seção, planta-se feijão e milho, ficando os dois terços de encostas restantes dedicados à mandioca. Sua importância para os Pankararu está no papel que essa região desempenha, pois além de reserva de madeira, é também onde floresce o umbu, fruta natural da região, quase um símbolo étnico, central na mitologia de suas festas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do lado externo à área homologada, ao norte dos contrafortes, a serra não desce de uma única vez, mas desenha degraus e muitas valas que chegando ao seu ponto mais baixo voltam a subir, formando uma espécie de estreita &amp;quot;barriga&amp;quot; antes de dar continuidade ao contraforte. A forma acidentada dessa seção dificulta muito a agricultura, tornando-a plenamente utilizável apenas para a mandioca, ainda que seus moradores nunca percam a oportunidade de plantar os tradicionais feijão e milho. Por outro lado, torna-a rica em estreitas e altas formações rochosas, às vezes de aspecto imponente, conhecidas como &amp;quot;serrotes&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta seção não há nenhuma fonte d'água natural, o que faz com que seus moradores dependam quase exclusivamente das chuvas, que são complementadas, com dificuldade, por caminhões-pipa que eles mesmos pagam ou que, próximo às eleições, são fornecidos pelo poder público. Na ausência desses dois recursos, o cotidiano é feito das &amp;quot;carradas&amp;quot; de potes d'água entre a serra e o Brejo, no lombo do jegue ou na cabeça de mulheres e crianças, que assim começam os seus serviços matinais às 4:00 e os terminam às 7:00, depois de duas viagens. Tendo em conta o desenho jurídico, essa seção da terra Pankararu fica em grande parte fora da área homologada em 1987 e dentro da identificada em 1984.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== As aldeias e as cidades ===&lt;br /&gt;
Cortando essas aldeias e ligando todas entre si, desce o pequeno riacho que nasce na cabeceira do Brejo e o percorre até a cidade de Itaparica, enquanto paralelo a ele sobe a estrada que vem de Itaparica, “cidade livre” e Petrolândia, e que termina no centro quase exato da área indígena. Por ser cortada pela maior e mais movimentada via de acesso à área, é nessa seção que se concentram as residências em forma de arruamento, com pouco espaço para plantio constante e apenas o suficiente para pequenas hortas e para as antigas áreas de pomar, onde floresce grande número de fruteiras que no verão complementam a renda das famílias. Associado a essa falta de terrenos de plantio, é nessa seção que mora a grande maioria dos índios que trabalham nas cidades próximas ou como &amp;quot;meeiros&amp;quot;, diaristas ou rendeiros de outros índios, dos posseiros, ou de proprietários vizinhos à área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na seção sul, as terras são usadas na maior parte para pasto, mas existem trechos, em especial os que ficam próximos à concentração das fontes nascentes (e onde estão os mais repartidos e povoados: Tapera, Brejinho dos Correias e Carrapateira) que têm se mostrado bons para o plantio, atraindo índios das outras seções. Essa região tem uma ocupação recente, que remete no máximo à década de 1940, servindo hoje como área de expansão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seção norte é composta por um caótico roteiro das curvas de nível de um trecho encravado num estreito vale, mas também e ainda que com uma área equivalente às outras duas, possui quase o dobro de repartições, mas uma densidade menor que a seção central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A instalação do posto indígena em 1940 deu-se na seção central e ecologicamente privilegiada, o Brejo, acrescentando aos seus atributos ecológicos o de sede do órgão tutelar e, progressivamente, o de sede política, até então inexistente. Isso, por sua vez, tornou-a a seção privilegiada na ordem de surgimento e concentração dos prédios públicos, basicamente escolas e farmácias, assim como da assistência mais próxima e constante da ação tutelar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As outras seções também vieram a ser atendidas com prédios públicos e serviço de assistência, mas ficaram sempre em segundo plano na ordem das implantações e no número de estabelecimentos e de funcionários. Essa desigualdade de recursos nas diferentes seções, até mesmo em função da diferença de concentração populacional, durante muito tempo não ofendeu a paridade relativa entre as aldeias distribuídas por todo o &amp;quot;círculo&amp;quot;. No entanto, na década de 1980, uma série de mudanças regionais afetaram esse equilíbrio local, acentuando as diferenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Novos recursos ===&lt;br /&gt;
Nos anos 1980, uma série de recursos e financiamentos especiais passaram a afluir à região pela iniciativa governamental, interessada em minimizar a oposição à construção da barragem da UHE Itaparica, em especial através da atuação da EMATER. Foram realizados relatórios de avaliação do impacto social das barragens que deram maior visibilidade aos Pankararu e a outros grupos indígenas próximos, em especial os Tuxá. Além disso, a imprensa regional dirigia a atenção para o local, marcado pelas paralisações nas obras da barragem realizadas pelos sindicatos. Tudo isso fez com que a região ganhasse interesse também para a ação de órgãos assistencialistas, como a LBA e diferentes tipos de agências não-governamentais, que iam do Lions Club ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa mudança de conjuntura possibilitou à &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt; propor uma série de projetos econômicos e culturais que então eram canalizados para os postos indígenas da região e que tinham na origem de seus recursos programas governamentais mais amplos, como o Programa de Integração Nacional (PIN), o Programa de Apoio ao Pequeno Produtor (PAPP), o Polonoroeste etc. Somam-se a essas ainda as mudanças que atingiram o campo indigenista no Brasil na década de 1990 e conferiram à região Nordeste uma nova visibilidade, atestada pela atenção das antigas agências ou pela criação de novas, na própria região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em todos esses casos, no entanto, o ponto de referência para a atuação dentro da área indígena Pankararu é sempre o Brejo dos Padres, local de maior concentração populacional e onde se encontra localizado o posto indígena. Transporte fácil, água encanada e distribuída por caixas d'água públicas, luz gratuita e recursos sociais variados, como creche, casa de farinha coletiva, centro de produção artesanal, clube e um pequeno caminhão, todos surgidos ao longo da década de 1980, marcam hoje uma diferença grande entre o &amp;quot;Brejo&amp;quot; e as outras duas seções, em especial no que diz respeito à seção norte, onde a falta desses recursos se soma às desvantagens de suas geografias jurídica e ecológica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Boa parte desses recursos surgidos na década de 90 não têm origem nem são mediados pela Funai, mas são alcançados diretamente pelas lideranças indígenas, em mais uma das variações do que chamamos de “busca dos direitos”. Com a ampliação do número de agências governamentais e não-governamentais na região foi possível ampliar ainda mais a noção de “direitos” e o campo de atuação das “lideranças peregrinas” [ver item “História”]. As viagens que passam a ser feitas, então, apesar de estarem sempre vinculadas ao conflito fundiário, não buscam mais exclusivamente soluções fundiárias, nem apenas os empregos na Funai, mas também o apoio de outras agências na forma de projetos de desenvolvimento comunitário, ou de auxílio a &amp;quot;pequenos produtores&amp;quot;. Um número relativamente grande de lideranças passa a participar das viagens em busca dos novos “direitos”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas mudanças se impuseram com o trânsito entre essas novas agências de assistência. Uma delas, e talvez uma das mais importantes, foi o surgimento das “associações comunitárias”, que passaram a ser a interface legal nas transações de transferência de verbas e de realização de convênios entre agências de apoio e grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Igreja de Nossa Senhora da Saúde, no centro geográfico e político do Brejo dos Padres. Foto: José Maurício Arruti, 1994.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226160-1/pankararu_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde o início da década de 1920, os Pankararu, por meio de suas relações com os [[Povo:Fulni-ô | Fulni-ô]], haviam estabelecido contatos com o Padre Alfredo Dâmaso – que passaria a apoiá-los em reivindicações fundiárias desde os primeiros contatos, recomendando-os a autoridades militares de Paulo Afonso (BA), que, nessa época, era a principal cidade das redondezas, onde os Pankararu freqüentavam a feira semanal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas foi na cidade de Águas Belas, em 1935, que o pesquisador Carlos Estevão de Oliveira toma contato com um Pankararu e em seguida faz sua primeira viagem ao Brejo dos Padres. Dois anos depois, profere palestras divulgando a existência do grupo. Então, o Ministério da Guerra, ao qual o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/o-servico-de-protecao-aos-indios-(spi)&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;SPI&amp;lt;/htmltag&amp;gt; estava subordinado, envia ao local um funcionário para uma primeira avaliação. Os trabalhos não teriam continuidade até que, três anos mais tarde, depois transferência do SPI para o MAIC (Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio), o órgão instalasse um posto indígena no Brejo dos Padres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época, já existia um circuito de trocas entre comunidades hoje reconhecidas como indígenas que poderíamos descrever segundo dois modelos, as'' viagens rituais'' e de fuga, que parecem ser desdobramentos de um padrão de mobilidade ainda anterior. As viagens rituais consistiam no trânsito temporário de pessoas e famílias entre as comunidades, marcado por eventos religiosos, que podem corresponder ou não a um calendário anual. As ''viagens de fuga'' eram migrações de grupos familiares em função das perseguições, dos faccionalismos, das secas ou da escassez de terras de trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Pankararu, a cidade de Rodelas, e “os rodelas”, atuais Tuxá, eram uma referência permanente de suas viagens, antes da construção das usinas hidroelétricas que bloquearam o canal desse fluxo de pessoas. Os Pankararu mantinham contatos também com outros grupos, de outros pontos do São Francisco, como os Fulni-ô e, menos freqüentemente, os Kambiwá. Sua relação com os Pankararé e com os Jeripancó era ainda mais estreita, no caso dos primeiros, em função da memória de uma origem comum, no caso dos segundos, porque estes seriam uma parte desgarrada do Brejo dos Padres, fruto destas ''viagens de fuga'', justamente no momento de maior expropriação das terras do antigo aldeamento de Brejo dos Padres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, as viagens ligavam grupos, de origens diferentes ou não, por laços de afinidade e parentesco na produção de uma ''comunidade ritual'' mais abrangente e em expansão, levando à constituição de circuitos abertos de trocas de homens, informação e cultura. Tais circuitos entre os índios do Nordeste também formaram uma comunidade de problemas (o'' gado sobre as roças surge em todos os relatos e a expropriação das terras de antigos aldeamentos em quase todos'') e memórias comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais circuitos rituais e de fugas encontram correspondência em viagens historicamente anteriores, que marcaram a situação histórica dos aldeamentos indígenas ao longo do São Francisco. Os grupos da região sempre mantiveram forte resistência ao assentamento em um único local, de forma que lhe fosse tolhida a perambulação por entre aldeias e grupos vizinhos e o empreendimento colonizador levou muito tempo para reduzir esta mobilidade. O fato de terem sido reunidos em aldeamentos comuns, adaptados à cultura agrícola e introduzidos numa estrutura de poder fixa, não significou o imediato rompimento com essa forma de viagens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À diferença dos aldeamentos construídos pelos próprios sesmeiros da região, como forma de ocupar largos trechos de terras e livrar seu gado do assédio de grupos indígenas &amp;quot;brabos&amp;quot;, as Missões tendiam a ser organizadas de uma forma mais regulada. O padrão de mobilidade daquelas populações étnicas pode, portanto, ser buscado em formas culturais nômades anteriores aos aldeamentos, mas também corresponde a um dos efeitos específicos da dinâmica de territorialização dos próprios aldeamentos, quando estes, a fim de maximizar sua administração, juntavam e repartiam grupos de diferentes origens, criando, com isso, laços entre aquilo que os missionários e outros administradores concebiam como unidades administrativas estanques.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Lideranças peregrinas ===&lt;br /&gt;
Um outro gênero de ''viagens'' característico da história Pankararu são as viagens de lideranças dessas comunidades à capital de Pernambuco e até mesmo ao Rio de Janeiro, em ''busca dos direitos'', que têm origem como resposta ao último momento das políticas de expropriação territorial, que levou também à extensão oficial dos aldeamentos. Essas viagens passam a ser uma marca da luta indígena do período compreendido entre o último quarto do século XIX e o primeiro do séc. XX, servindo também como modelo a partir do qual se conformarão as alterações nos arranjos de autoridades internos àqueles grupos depois do advento do SPI na região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XIX parece assistir à passagem dos pedidos de missionários em favor dos índios, para pedidos dos índios em seu próprio nome, por meio de petições ao Imperador ou de viagens que realizavam a fim de vê-lo pessoalmente. As comunidades indígenas passam a ver nas viagens aos centros de autoridade, capazes de as conectar aos poderes extralocais, o único recurso para a conquista ou garantia de seus domínios territoriais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não é no vazio, portanto, que surgem, desde o início do século XX, as viagens de representantes da comunidade de Brejo dos Padres às cidades vizinhas, na busca de proteção contra o gado dos fazendeiros que invadia suas roças. A década de 1930, aparentemente sob o impacto dos programas do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), amplia a presença de poderes extralocais na região, produzindo novos centros de autoridade. Mas é na cidade de Bom Conselho que, apesar de não apresentar qualquer papel regional destacado, a presença do Pe. Alfredo Dâmaso e o seu apoio às demandas de grupos de remanescentes criaram um centro de autoridade que passa a substituir outros possíveis centros, até então ineficientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse circuito, a importância que passa a ter a cidade de Bom Conselho deriva do seu papel de ponto de convergência de dois circuitos rituais, pois seu pároco tinha no seu roteiro de serviços espirituais a cidade vizinha de Águas Belas, onde se localizam os Fulni-ô, mais um dos pontos do circuito de trocas rituais dos Pankararu, [[Povo:Xukuru | Xukuru]], Xukuru-Kariri, Tuxá, Kambiwá e outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As demandas dos caboclos do Brejo dirigidas ao Pe. Dâmaso inicialmente não falavam na criação de qualquer área de exclusividade que distinguisse entre aqueles que eram ou não eram índios. A memória de uma ancestralidade indígena servia como fiadora dos direitos que sabiam ter sobre as terras, mas não implicava desde o início na pretensão de uma delimitação formal, subordinada a uma unidade identitária e política. A referência não era um território, mas posses de uso familiar. Não existia um perímetro circundando um território abstrato de uso coletivo (ainda que se conhecessem os marcos do antigo aldeamento), mas a terra sobre a qual se investia um trabalho social, de base familiar e sobre a qual havia um domínio não legal, mas hereditário. Era desse domínio que sabiam estar sendo expropriados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas depois da entrada do SPI em Águas Belas e do reconhecimento dos Fulni-ô como remanescentes indígenas com direitos a um território, que essa visão do domínio da terra mudará de natureza, potencializando a memória de uma posse coletiva ancestral. Aqueles que viajavam em busca de apoio na defesa de suas posses passam então a viajar em busca do direito a seus territórios como “remanescentes”. Isso repercute sobre todos os aspectos da vida da comunidade, desde sua relação com a memória, até o seu arranjo interno de autoridades, em que passam a ocupar um lugar diferencial justamente aqueles que eram responsáveis pela busca dos direitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O toré como emblema de indianidade ===&lt;br /&gt;
O quadro ideológico e estratégico do SPI foi formulado com vistas a sua atuação junto a grupos indígenas ainda não integrados, muitas vezes arredios, beligerantes, que era preciso localizar e seduzir através de tradutores e de presentes, em operações “heróicas” representadas pela máxima formulada por Rondon: “morrer se preciso for, matar nunca”. Esses não eram procedimentos que se adequassem ao contato com índios do Nordeste. O SPI antes de procurar, estava sendo procurado, antes de convencer, tinha que ser convencido, antes de utilizar mediadores era alcançados por eles, que serviam de “porta-vozes” dos “remanescentes”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O inspetor regional do SPI, Raimundo Dantas Carneiro, frente ao avanço indígena e acompanhando a sugestão presente nos textos de Carlos Estevão de Oliveira, institui a performance do Toré como critério básico do reconhecimento da remanescência indígena, tornado então, expressão obrigatória da indianidade no Nordeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A instituição do Toré como expressão obrigatória da indianidade cria um nexo de outra natureza entre os dois circuitos de viagens de que já tratamos. De agora em diante um circuito levará ao outro, não eventual ou acidentalmente, mas necessariamente, já que a troca ritual é transformada em pressuposto da conquista de direitos. É também a conexão entre esses circuitos que permitirá às lideranças peregrinas assumirem um papel político ainda mais largo do que aquele que já desempenhavam como representantes de sua comunidade. Além de realizarem o trânsito de informações sobre os direitos entre os centros de autoridade e seu grupo, passam a atuar como os agentes que disseminarão as regras da expressão obrigatória da indianidade. Agregam à comunidade ritual prévia uma comunidade da busca por direitos, que estará ligada ao isolamento, descontextualização e padronização de um dos seus rituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os posseiros e as “linhas” ===&lt;br /&gt;
Os Pankararu descrevem como um golpe dado pelos poderes locais a repartição das melhores terras, isto é, as terras do &amp;quot;Brejo&amp;quot;, em linhas de lotes distribuídos entre não-índios, que por isso passaram a ser conhecidos como &amp;quot;linheiros&amp;quot;. Parte dos índios teria fugido imediatamente para outros locais e parte teria se refugiado nas serras. Deste segundo grupo, uma parcela teria começado a descer das serras e retomar as terras expropriadas através de alianças com o invasor, na forma de casamentos, relações de trabalho ou da pura submissão, enquanto uma segunda metade, irredutível, trocava as facilidades ecológicas do Brejo por uma irredutibilidade étnica e moral. Por isso, para muitos Pankararu, as famílias expulsas do centro seriam as mais “puras” e as do Brejo, as mais “misturadas”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando em 1987 a Funai vai rever as dimensões da área, com base nos trabalhos de identificação realizados em 1984 [ver item Localização e histórico da TI], é com esse grupo de lideranças do Brejo que são realizadas as negociações. O trabalho do Grupo Interministerial de 1984 tinha evidenciado o erro na demarcação de 1940 e propunha a correção da área para os 14.290 ha reivindicados historicamente pelo grupo, mas ao negociar uma solução para a rápida homologação da área, que estava sendo exigida pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o órgão propõe, numa reunião em que se encontravam apenas as lideranças do Brejo, manter a área original em troca da promessa de acelerar a retirada dos posseiros da fronteira oeste da seção central. Foi o fechamento deste acordo, que as lideranças da seção norte da TI só ficaram sabendo mais tarde, através de uma notícia de jornal onde aparecia a foto das lideranças ao lado dos funcionários da Funai, que deu uma natureza sísmica ao já existente faccionalismo ritual e mítico entre os grupos Pakararu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os Pankararu na Funai ===&lt;br /&gt;
Na década de 1990, inaugurou-se uma nova fase no relacionamento dos índios da região com a Funai, quando cargos de chefia passaram a ser ocupados por “filhos da aldeia”. Se, a princípio, esses chefes filhos da aldeia poderiam significar um ganho político dos grupos indígenas na conquista da plena gestão de seus próprios negócios, o que se observa é o discurso e a prática desses jovens, presos às dualidades, por um lado, da relação tutelar e, por outro, do faccionalismo interno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um chefe de posto indígena é, em parte, tutor e em parte tutelado, sem que uma dessas posições elimine a outra, como poderia sugerir o significado mais elementar do termo. No seu discurso, o “índio” aparece alternadamente na terceira e na primeira pessoa e a sua relação com o cargo é tanto de poder, quando exerce sobre a população uma autoridade e um governo cuja origem está fora dela, quanto de dependência, já que se vê obrigado por essa posição a maximizar as ações do órgão em favor do grupo, sem que isso esteja, na maioria das vezes, ao seu alcance. Por outro lado, se é a figura capacitada a fornecer a maior representatividade ao grupo, está definitivamente preso às relações de autoridade familiares, a que deve obediência, sendo antes de tudo e, em parte à sua revelia, instrumento da luta faccional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Pankararu em São Paulo ==&lt;br /&gt;
Os Pankararu de Real Parque, na zonal sul da cidade de São Paulo, formam um grupo estimado em torno de 1.500 pessoas, que ocupa parte da favela de mesmo nome no bairro do Morumbi, no município de São Paulo. Esse grupo tem origem na intensificação do fluxo de deslocamentos de trabalhadores do Nordeste para as grandes cidades do Sudeste a partir da década de 1940. O trabalho, na maioria dos casos, era nas equipes de desmatamento da Cia. de Luz do Estado e, inicialmente era agenciado por “gatos” que iam buscá-los na própria aldeia, para entregá-los, em lotes, aos “empreiteiros” das obras. A sucessiva elevação de um desses trabalhadores ao papel de “gato” e mais tarde de empreiteiro da obras de desmatamento da Cia. de Luz, acabou acarretando um fluxo direto e constante entre o Brejo dos Padres e São Paulo nas décadas de 1950 e 1960. Em pouco tempo São Paulo tornou-se uma referência para todo o grupo, que tem lá filhos e irmãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente era um fluxo apenas de homens, que saíam da área indígena para trabalhar curtos períodos em São Paulo, como forma de reequilíbrio do orçamento doméstico em ano de seca ou em situações emergenciais. Sem se integrarem à cidade, voltavam sempre que as necessidades imediatas já tivessem sido cobertas ou quando se anunciasse um bom inverno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda geração de Pankararu trabalhadores em São Paulo, no entanto, que coincidiu aproximadamente com a idade adulta das primeiras gerações de crianças alfabetizadas pelo posto indígena, as mulheres intensificam suas viagens e aparentemente passaram a servir de base para permanências mais estáveis. A cada núcleo familiar instalado lá, tornava-se mais fácil e provável que novos jovens percorressem o mesmo caminho, fazendo com que essas viagens assumissem um caráter sistemático e familiar. O fato de construírem uma base espacial relativamente homogênea, logrando reproduzir uma organização política e ritual, diminuiu os custos materiais e afetivos dessas migrações, permitindo uma efetiva reterritorialização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 26 de julho de 1994, o jornal Notícias Populares de São Paulo abria a primeira página do caderno &amp;quot;Plantão NP&amp;quot; com a manchete “Índio eliminado na favela - Fugiu da tribo para morrer em São Paulo”. Ao lado da manchete, era estampada a foto do corpo ensangüentado de um índio de 20 anos. O texto explicava que, apesar de estarem ali porque os grandes fazendeiros haviam invadido suas terras em Pernambuco, os índios continuavam realizando seus rituais e conversando “em sua língua nativa, o Iatê”. Duas semanas depois, o jornal Folha de São Paulo dedicava uma página inteira para comentar a inusitada existência de uma tribo indígena em pleno Morumbi, que tinha criado uma &amp;quot;rede de solidariedade&amp;quot; na favela e que se reunia todas as semanas, sob o comando do pajé da favela, para rituais de Toré, que era comparado ao candomblé. Uma semana depois, o assunto teria uma página inteira do jornal Diário de Pernambuco, sob o título “Pankararus que trabalham em São Paulo estão sendo dizimados pela violência urbana”, em que também se registrava que o assassinato teria sido matéria do telejornal Aqui Agora, do SBT.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a visibilidade que adquire então a presença indígena na favela Real Parque, suas lideranças passam a emancipar-se do discurso das lideranças do Brejo e a reivindicar a criação de sua própria aldeia em São Paulo. A idéia, entretanto, não foi bem recebida nem pelas lideranças do grupo em Pernambuco, nem pela Funai. Estava em jogo, entre outras coisas, o estatuto das viagens a São Paulo. As reivindicações fundiárias e os projetos de desenvolvimento do Brejo dos Padres freqüentemente contabilizaram a população de São Paulo como parte dos beneficiados, caracterizando sua saída como uma diáspora. Aquela nova postura, no entanto, convertia a diáspora em mais um enxame, o exílio econômico em reterritorialização étnica, dando continuidade ao movimento de fragmentação e expansão da identidade Pankararu que, nesse caso, contrariava a estratégia política do Brejo dos Padres.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Chapéu de palha ritual (&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226163-1/pankararu_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como o Toré é o centro do complexo ritual Pankararu, os Encantados são as figuras centrais de sua cosmologia. “Semente” é a forma material pela qual os Encantados se manifestam pela primeira vez aos Pankararu. Os Encantados são “índios vivos que se encantaram”, voluntária ou involuntariamente e, por isso, o culto a eles, como insistem os Pankararu, não pode ser confundido com o culto aos mortos. A forma desse “encantamento” só pode ser parcialmente narrada, seja porque constitui um mistério para os próprios Pankararu, ou um segredo que não pode ser revelado a estranhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo os Pankararu, o segredo do encantamento é o núcleo da própria identidade da aldeia. Cada povo indígena tem seu panteão de Encantados, mas como cada tronco é marcado por uma determinada forma de “encantamento”, esses Encantados podem ser partilhados durante um determinado tempo por grupos ligados entre si como “pontas de rama” de um mesmo tronco velho. Atualmente os Encantados Pankararu habitam apenas as serras e os serrotes que demarcam o entorno do Brejo dos Padres. Praticamente para cada uma dessas formações ou maciços rochosos, esteticamente muito impressionantes, corresponde um Encantado. O contato entre os Pankararu e eles restringe-se, atualmente, aos “sonhos”, durante os quais alguns Pankararu podem viajar até os castelos existentes dentro daquelas serras e serrotes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os “encantamentos” de “índios vivos” que geraram os atuais Encantados, no entanto, envolviam as extintas cachoeiras de Paulo Afonso e de Itaparica. Algumas narrativas contam que o surgimento dos Encantados e dos próprios Pankararu deve-se ao encantamento de toda uma população de índios, uma “tropa”, que teriam se jogado na cachoeira de Paulo Afonso. Eram esses Encantados, que passaram a habitar a cachoeira e que tinham origem em todas as “nações” antigas, que se comunicavam por meio do estrondo das águas, prevendo desgraças, mortes ou mesmo novos encantamentos. Depois desse encantamento coletivo, que dá origem à própria aldeia, pensada enquanto unidade espiritual, outros índios, depois de serem anunciados e de passarem pela devida preparação, podiam continuar se encantando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As “sementes” são o transporte dos Encantados. Depois de escolherem uma determinada pessoa que deverá zelar por eles, os Encantados surgem em sonho para essa pessoa e anunciam que ela receberá sua semente. Em pouco tempo essa pessoa se depara com a “semente” anunciada, que tem, de fato, a forma de uma semente vegetal, mas onde pode-se ver a imagem do Encantado. Essa semente deve ser guardada em um pote, que deve ser enterrado sob o solo da casa do zelador escolhido, em um lugar que apenas ele pode conhecer. Trata-se de um outro segredo, nesse caso, doméstico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas sementes, no entanto, não correspondem a apenas um Encantado. Por meio delas podem se manifestar até 25 Encantados para um mesmo zelador. Depois de manifestados, os Encantados passam a ser objeto de culto “particular”, isto é, cerimônias domésticas, em que se fuma, toma-se garapa e canta-se o “toante” do Encantado, mas nas quais não se dança. O toante é a música própria de cada Encantado e só é revelada progressivamente, por meio do exercício ritual do “particular”. É apenas depois que o próprio Encantado pede para ser “levantado”, que ele pode ser cultuado também no Toré, que é a versão pública e coletiva dos “particulares”, em que os vários Encantados da aldeia podem se encontrar em festa. Depois desse pedido, então, o zelador deve tecer o Praiá, que é a “farda” do Encantado, isto é, a saia e a máscara de fibras de croá ou ouricuri que corresponderá a apenas ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelador dos Praiás tem, por tudo isso, uma grande responsabilidade religiosa frente à aldeia, acumulando com isso também autoridade política. Não é qualquer pessoa que é reconhecida como apta a receber uma “semente”, estando esse lugar marcado por uma certa avaliação coletiva acerca de sua reputação. De outro lado, assim que uma pessoa recebe uma “semente”, ela passa a concentrar à sua volta e à volta de sua casa uma órbita ritual mais ou menos extensa e intensa. Primeiro, ela passa a concentrar os “particulares” de seu próprio núcleo familiar ou da sua família extensa, dependendo da existência de outros zeladores na mesma família ou em núcleos colaterais. Em seguida, depois de ter “levantado” um ou mais Praiás para os seus Encantados, ela passa a ter também um “terreiro” para que esses Praiás dancem e que, por isso, passa a concentrar também parte dos eventos festivos que se realizam na aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada terreiro de pai de Praiá é um ponto de realização de Torés, seja por iniciativa própria, ou em função das visitas que os Praiás fazem a todo o circuito de terreiros em cada festa realizada. Além disso, cada Praiá deve ser vestido por um homem, em geral afiliado ao Encantado correspondente à farda, que deve exercer esse papel em segredo. Nesse caso também não é qualquer pessoa que pode vestir o Praiá e o zelador deve escolher essa pessoa, dentro ou fora de sua família, de acordo também com sua reputação moral. Isso estende a autoridade do zelador, como alguém que também é um avaliador do comportamento moral de outros homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O dilema mais dramático, do ponto de vista da identidade étnica para os Pankararu, é o fato de todo esse sistema estar ameaçado em sua reprodução. Depois de terem assistido a sua morada nas cachoeiras de Paulo Afonso serem destruídas pela construção das barragens, os Encantados migraram para a cachoeira de Itaparica, mas recentemente teriam assistido novamente a uma nova destruição de sua morada, por meio da construção de novas barragens. Extintas as cachoeiras, os Pankararu estão limitados ao panteão de Encantados já existente e àquele universo dos que ainda podem vir a se manifestar. Isso, no entanto, é considerado insuficiente para continuar contemplando a sua expansão demográfica. Hoje os Pankararu estão no trabalho de descobrirem um novo “segredo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;A cachoeira era um lugar sagrado onde nós ouvíamos gritos de índio, cantoria de índio, berros, gritos. O encanto acabou porque o governo quer assim, né... [...] Olha, essa cachoeira, quando ela zoava, estava perto dela chover ou de um índio viajar. E a cachoeira não zoou mais, chove quando quer... Acabou-se o encanto dela. Então esse era todo o lugar sagrado que agente pediu pra preservar, mas... É a força maior combatendo a menor... Era uma grande cachoeira, de um grande rio, que a gente ouvia os cantos, das tribos indígenas, vários cantos de tribos indígenas cantando junto que nem numa festa. Mas hoje em dia não se vê mais nada... Aquele encanto acabou&amp;quot; (João de Páscoa).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O sistema ritual do Toré ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Apresentação do Toré em frente ao grupo escolar do Brejo dos Padres, no dia do encerramento do curso de qualificação de professoras indígenas, organizado pelo Centro de Cultura Luis Freire. Foto: José Maurício Arruti, 2000.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226166-1/pankararu_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os elementos constituintes do sistema ritual do Toré Pankararu estão divididos entre: A) personagens: os Encantados, os Praiá, os pais de Praiá e os dançadores; B) situações rituais: o particular e o Toré público, que podem assumir o caráter de simples demonstrações teatrais, como expressão folclórica, ou serem dedicados ao culto dos Encantados, ligados ou não ao pagamento de promessas; e C) locais: as cachoeiras, serrotes, casas e terreiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como apontado no item anterior [Aspectos Cosmológicos], uma vez recebida a semente, o escolhido tem que levantar o Praiá, num período de tempo indeterminado, mas não muito longo, sob pena de sofrer represálias, ou transferir essa responsabilidade para um zelador já respeitado, ao terreiro do qual passa a dever lealdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Levantar é tecer”. Isto é, para levantar um Praiá, o zelador do encantado, que passará a ser também um “pai de Praiá”, deve confeccionar ou contratar a confecção, por um dos poucos artesãos especializados na aldeia, da roupa e da máscara de palha de ouricuri que servem para encobrir a personalidade do dançador e que é, quando vestida sob determinadas prescrições, a materialização do próprio Encantado. O Praiá é a conjunção em ato, do Encantado, do dançador e da roupa e máscara de ouricuri ou croá, devidamente consagrada pelo zelador. Os zeladores não são as mesmas pessoas que ocupam o lugar de dançadores. Aos primeiros cabe um papel mais religioso, de orientação e guarda da tradição, através do cuidado com as sementes que lhes foram transmitidas, com as roupas dos Praiás e com o contato permanente com os Encantados, funções que normalmente se associam às qualidades de rezador e pai de família. Os segundos são normalmente homens jovens, casados ou não, capazes de “segurar a brincadeira” do Toré, já que ela geralmente implica em muitas horas seguidas de dança dentro de pesadas roupas de palha de ouricuri, ou fibras de croá, e nos rituais do Menino do Rancho e da festa do Umbú, em disputas corporais que exigem grande vitalidade física.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dançadores são escolhidos pelo zelador da semente do Encantado dentro de seu círculo familiar ou de afinidade. Mesmo sendo comum a população local conhecer e reconhecer, através de suas características corporais ou de suas performances, a identidade dos dançadores, esta não pode ser revelada, fazendo parte sempre respeitada dos segredos que compõem o ritual, sob o risco, para aquele que a pronuncia, de sanções que podem levar da doença à morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha e o chamado dos dançadores pelo zelador, para a realização de um Toré, envolve uma antecedência que pode ir de quinze até dois ou três dias, dependendo do rigor do zelador, da importância da situação ou mesmo da freqüência com que o Toré é realizado. Essa antecedência está relacionada às prescrições de purificação física e espiritual que o ritual envolve, tanto para os dançadores quanto para os zeladores: durante aqueles dias lhes é proibido qualquer contato sexual, qualquer bebida e qualquer “sentimento ruim no coração”.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Geografia ritual.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226175-1/pankararu_10.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No modelo ideal do sistema do Toré Pankararu, toda vida ritual se concentra num único ou num pequeno número de terreiros mais importantes que servem também à dança dos Praiás dos zeladores menores. Da mesma forma, não se aceita facilmente que dois Torés se realizem simultaneamente em dois lugares diferentes, ou que os Praiás mais próximos, ou dos terreiros mais importantes, não sejam chamados para cada Toré realizado. Assim, quanto menor o número de terreiros, melhor, porque a concentração ritual realiza no plano simbólico a união social e política do grupo. A autoridade moral e religiosa, portanto, está intimamente relacionada à capacidade de criar lealdades, não só através da criação de um grande batalhão de Praiás, mas também pela capacidade de agregar, ao redor de um mesmo terreiro, grande número de dançadores e de outros “pais de Praiá”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A dança do Toré é regida por uma música fortemente compassada, o Toante, cantado por apenas um “cantador” ou “cantadora” e que encontra respostas periódicas nos gritos uníssonos e ritmados do grupo de bailarinos. É possível que o que passou a ser conhecido por Toré, originalmente não constituísse um ritual autônomo, sendo apenas uma parte recorrente em outros rituais e, com certeza, ele não era idêntico em todos os grupos que o possuíam. Mas foi essa realidade mais imediatamente identificável, isolável e rotulável que assumiu o lugar de marca identificadora, primeiro para o indigenismo, depois, para os próprios grupos indígenas, tornando-se assim, símbolo de indianidade.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Avó e neta na sala de casa durante a produção de vassouras de palha de buriti. Foto: José Maurício Arruti, 1994.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226178-1/pankararu_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Pankararu se distribuem basicamente segundo duas classificações, os troncos e as aldeias, ambas relacionadas à organização das famílias, histórica no caso da primeira e espacial no caso da segunda. A classificação dos grupos de famílias em status diferentes, através da sua ligação a &amp;quot;troncos&amp;quot; familiares que se dividem entre os &amp;quot;antigos&amp;quot; e os &amp;quot;recentes&amp;quot;, não corresponde a qualquer produção de segmentações, classes ou linhagens, já que ela opera uma dicotomia básica entre aqueles que descendem de índios &amp;quot;puros&amp;quot; e aqueles que descendem de índios &amp;quot;misturados&amp;quot; ou &amp;quot;braiados&amp;quot;, em referência a uma forma de organização que é mais histórica do que estrutural. Por isso, essa distinção não chega nem a pôr em risco a identidade indígena dessas famílias de troncos mais novos, já que participam plenamente da repartição da terra, dos rituais e da organização política, nem a criar uma forma de organização da sociedade que tenha repercussão sobre as relações cotidianas ou de parentesco, ficando seu uso relacionado à (des)classificação de alguém ou de algum grupo familiar em ocasiões de oposição especialmente acirrada. A própria distinção entre as famílias de cada tronco não é muito clara e surge como mais um objeto de disputas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abaixo dos &amp;quot;troncos&amp;quot; está a família, que é a classificação social que funciona cotidianamente, definindo aqueles a quem se pede ajuda, a quem se acompanha nas definições políticas, com quem se planta, perto de quem se mora, e com quem se compartilha a comida e o trabalho da &amp;quot;farinhada&amp;quot;. Sua organização está diretamente ligada à disposição espacial das casas, que se distribuem segundo dois tipos: ou agrupadas lado a lado, em linha reta ao longo das principais vias de acesso internas à área, ou em grupos de casas de uma mesma família, cuja disposição tende à forma circular, com o foco gravitacional na casa do patriarca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os agrupamentos do primeiro tipo estão bem delimitados geograficamente: localizam-se ao longo da estrada que vai da entrada da área indígena até o sopé da serra, onde se dividem, indo por um lado para o posto indígena e por outro para o &amp;quot;terreiro do nascente&amp;quot;, passando por todo o conjunto de prédios públicos do Brejo, como o &amp;quot;centro de produção artesanal&amp;quot;, a igreja e o cemitério, a casa de farinha coletiva, o clube, as pequenas &amp;quot;biroscas&amp;quot;, as duas escolas, a farmácia, a merendeira e as caixas d'água.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Aspecto de grupo residencial (constituído pela casa de patriarca, cercada pelas casas de filhos casados),&lt;br /&gt;
com avô e netos na calçada. Foto: José Maurício Arrutti, 1994.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226181-1/pankararu_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os agrupamentos do segundo tipo distribuem-se por toda a área indígena, inclusive pelos terrenos que se seguem imediatamente a essas primeiras fileiras de casas em forma de arruamentos, subindo todo o sopé da serra, ocupando-a e se estendendo até os limites da área, e mesmo depois, principalmente no sentido norte, onde se confundem com os agrupamentos de não-índios. Tal organização das residências reúne famílias extensas ligadas por laços de descendência e voltadas para um espaço comum, capitaneado por uma casa principal. Essa casa, de um patriarca ou de uma matriarca, a princípio, está na origem do agrupamento, tendo-se seguido a ela as casas dos filhos, netos e mesmo de irmãos e sobrinhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao formarem uma unidade mais ou menos definida, tais agrupamentos desenham círculos em que o espaço interno, para onde normalmente estão voltados, pode assumir o lugar de convergência das atividades de lazer e ritual daquele agrupamento familiar (figura 8). Como algumas vezes esses patriarcas são também &amp;quot;pais de Praiá&amp;quot;, esses espaços internos servem como terreiros onde se realizam os Torés [ver item sobre O sistema ritual do Toré]. Neste caso, então, ultrapassam as funções de lazer familiares, tornando-se referência religiosa para um círculo de vizinhos de extensão variável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para esses Terreiros podem convergir as lealdades mais próximas, dependendo da capacidade do patriarca principal de conseguir manter ao redor daquele núcleo o maior número de &amp;quot;pais de Praiá&amp;quot;, ou mesmo de concentrar no seu próprio terreiro um grande número de Praiás, que comporiam um mesmo &amp;quot;batalhão&amp;quot;, tão mais factível quanto maior o número de parentes que permanecem ligados ao núcleo original. Além disso, tais famílias, ao manterem laços mais extensos e constantes sob a influência de uma casa principal, mantêm também uma interação cotidiana mais intensa, com a possibilidade de compartilhar da distribuição de gêneros e insumos agrícolas, da disciplina dos jovens e das crianças etc., passando a servir como referência para a administração do posto indígena, onde o &amp;quot;pai&amp;quot; da casa principal serve de interlocutor privilegiado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse modelo de distribuição espacial das famílias em núcleos residenciais não difere muito daquele que é corrente entre a população regional, mas ao ser aplicado ao contexto Pankararu, produz efeitos particulares em termos de organização política e ritual que estão na origem do formato aldeia: unidades político-administrativas de uso mais comum tanto pela população quanto pelo posto indígena, sendo também a base de referência dos censos feitos na área, além de ser, teoricamente, a unidade básica de onde saem as &amp;quot;lideranças&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As unidades que hoje são designadas como aldeias não se distinguem tanto em função de fronteiras territoriais quanto a partir de uma série de laços de respeito e lealdades, a princípio bastante discretos, que as aproximam mais da imagem de áreas de gravidade de núcleos relativamente móveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As famílias e grupos de residência reunidos nos arruamentos ao longo da estrada que leva à igreja do Brejo e dela ao Posto Indígena e à “fonte da nascente” tendem à (ou manifestam a) fragmentação de uma urbanização seminal e à individualização das famílias nucleares, voltadas mais para um espaço público que para um espaço familial e ritual. Nesses casos, há uma divisão sócio-espacial das atividades, onde a morada, a roça e o círculo ritual não mais se sobrepõem no espaço. É nesta região que se encontram os “índios sem terras” que trabalham nas terras de outros índios, de posseiros ou fora da área, como rendeiros, “meeiros” ou diaristas. É aí que estão concentrados também aqueles que largaram ou complementam o trabalho na roça com trabalhos nas cidades próximas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De outro lado, o formato do arruamento não facilita que um núcleo familiar se desenvolva como núcleo residencial e é comum que os filhos dessas famílias se desloquem com relação à casa dos pais, avançando junto com o avanço das ruas, sendo absorvidos em núcleos residenciais fora do Brejo por meio do casamento ou ainda saindo da área indígena, em suas buscas de emprego nas cidades próximas, em São Paulo [ver item A grande árvore e os Pankararu em São Paulo) ou em outras áreas indígenas, às quais têm acesso via parentesco ou via empregos na Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Organização política ===&lt;br /&gt;
A primeira e mais evidente conseqüência desta mudança na organização espacial das residências e na sua concentração no Brejo é a mudança que traz com relação aos arranjos de autoridade anteriores. Deixa de existir o tipo de autoridade que atua sobre uma família extensa reunida no mesmo núcleo residencial, ou sobre um círculo mais ou menos largo de respeito ligado ao exercício do Toré, e a autoridade do chefe de posto emerge como centralizadora da regulação moral. Isso cria forte dependência com relação à intervenção direta do chefe de posto na resolução de conflitos entre vizinhos, na mediação com agentes externos ou na distribuição de gêneros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A proximidade, mas também essa diferença de organização social faz com que a maior parte do tempo de serviço do chefe de posto seja dedicada à tentativa de resolução desses pequenos conflitos gerados dentro do próprio Brejo, envolvendo disputas de quintal, bebida, ofensas etc., ao contrário do que ocorre com as outras seções, onde disputas menores são mediadas pelas autoridades formais ou informais de base familiar ou ritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há vestígios de que a organização social e política dos Pankararu apresentasse, no momento em que se dá o contato com o SPI, uma chefia centralizada que englobasse seus diferentes núcleos familiares. As unidades familiares, que tenderam a constituir grupos de residência, ou grupos vicinais, parecem ter tendido a respeitar um tipo de autoridade que emergia da figura de patriarcas dotados de qualidades especiais, geralmente associadas a uma combinação variável de poder mágico, valor moral e outras variáveis, como a capacidade de criação de lealdades rituais, da agregação do maior número de pessoas através de laços familiares e, ou, de trabalho e de crédito, tão importantes nos períodos de seca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, porém, registro de uma designação especial que indicaria o desempenho de um papel de autoridade destacado dos demais. No passado, o sarapó representava a autoridade moral de base religiosa, mas não parece ter exercido outros poderes que os de influência moral e religiosa interna à comunidade. Sua função precípua era a de zelar pelo principal Encantado da aldeia, o Índio Xupunhum, ou, como também é conhecido, o Índio Mestre Guia. Este é o único Encantado a ter uma festa especial em sua homenagem, realizada em seqüência à festa do umbú, que marca o início do calendário agrícola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acompanhando essa função de destaque, o sarapó concentrava também a guarda do maior “batalhão de Praiás” da aldeia, concentrando com isso, na sua casa e no seu terreiro, o principal da vida ritual local. Mas mesmo o sarapó, que parece fornecer um lugar estruturalmente diferenciado nesse arranjo de autoridades Pankararu, não parece ter exercido qualquer papel de poder repressivo, de decisão ou governativo sobre o conjunto das outras autoridades estruturalmente indiferenciadas. A primeira novidade neste arranjo, de que temos notícia, foi o surgimento dos mediadores entre a comunidade e as autoridades extralocais que temos chamado de lideranças peregrinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As lideranças peregrinas passaram a realizar, desde a década anterior à chegada do SPI, viagens para os lugares de poder, em busca dos “direitos”. Elas se transformarão em referências políticas para a população Pankararu e serão também a via de entrada e de controle das novas formas de autoridade estatutárias, moldadas segundo a repartição de poderes estatal. [ver item História]&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ACIOLI, Moab Duarte. O processo de alcoolização entre os Pankararu : um estudo em etnoepidemiologia. Campinas : Unicamp, 2002. 341 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARRUTI, José Maurício de Paiva Andion. O reencantamento do mundo : trama histórica e arranjos territoriais Pankararu. Rio de Janeiro : Museu Nacional-UFRJ, 1996. (Dissertação de Mestrado), 249p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Morte e vida do Nordeste indígena : a emergência étnica como fenômeno histórico regional”. Estudos Históricos n.15, janeiro/junho. Rio de Janeiro : CPDOC/FGV, 1995, p.57-94.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. “A emergência dos remanescentes: notas para o diálogo entre indígenas e quilombolas”. Mana - estudos de antropologia social, n.3/2, outubro, 1997, p.7-38.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CUNHA, Maximiliano Carneiro da. A música encantada Pankararu. Recife : UFPE, 1999. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FONTBONNE, Annick et al. Fatores de risco para poliparasitismo intestinal em uma comunidade indígena de Pernambuco, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Fiocruz, v. 17, n. 2, p. 367-74, mar./abr. 2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MARTINS, Sílvia Aguiar Carneiro. Os Pankararu. Recife : UFPE, 1983. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA FILHO, João Pacheco de (Org.). A viagem de volta : etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. Rio de Janeiro : Contra Capa, 1999. 350 p. (Territórios Sociais, 2)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PREZIA, Benedito Antônio Genofre. Indígenas em São Paulo, ontem e hoje : subsídios didáticos para o ensino fundamental. São Paulo : Paulinas, 2001. 47 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIBEIRO, Rosemary Machado. O mundo encantado Pankararu. Recife : UFPE, 1992. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVEIRA, Maria Luiza dos Santos. Identidade em mulheres índias : um processo sobre processos de transformação. São Paulo : USP-IP, 2001. 377 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOUZA, Fernando J. Carneiro de. Os Pankararu : aspectos culturais e lingüísticos. Terra Indígena, Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, v. 10, n. 66, p. 20-32, jan./mar. 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;huzzazWrapper&amp;quot; style=&amp;quot;width:100%; height: 1700px; margin: 0 auto;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; allowtransparency=&amp;quot;true&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;100%&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://huzzaz.com/embed/pankararu?vpp=12&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;100%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Pankararu}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:José Maurício Arrutti}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=1555008322487cea518ad51.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=52504}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=José Maurício Arruti, 1998}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2005-07-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=223}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em São Paulo]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Pernambuco]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Minas Gerais]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Mukurin&amp;diff=6369</id>
		<title>Povo:Mukurin</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Mukurin&amp;diff=6369"/>
		<updated>2018-08-20T19:56:17Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Sem verbete}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
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Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Mukurin}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
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{{#set:Povo Id=464}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Minas Gerais]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Tikmu%27un_(Maxakali)&amp;diff=6368</id>
		<title>Povo:Tikmu'un (Maxakali)</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Tikmu%27un_(Maxakali)&amp;diff=6368"/>
		<updated>2018-08-20T19:56:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Maxakalí, enfrentam hoje o grande desafio de superarem as dificuldades decorrentes de sucessivas administrações autoritárias, o que se tem refletido nos graves problemas de embriaguês, desajustes sociais e marginalização econômica. A forma de luta adotada pelo grupo tem sido a de opor resistência sistemática a casamentos interétnicos e a mudanças na organização social e no seu universo cultural, optando pela entropia e isolamento como ordenadores das suas relações interétnicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o etnólogo Nimuendajú (1958), os remanescentes Maxakalí do vale do Mucuri em Minas Gerais se autodenominam Monacó bm. Entretanto, de acordo com o antigo chefe de posto e grande conhecedor da língua, da organização social e da história dos Maxakalí, Joaquim S. de Souza, eles se identificam como Kumanaxú. Por sua vez, Popovich (1992), profunda conhecedora da língua falada por eles, registra Tikmu'ún como o termo que adotam para si mesmos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maxakalí - palavra em língua desconhecida, aplicada pela primeira vez na área do rio Jequitinhonha - não podem ser identificados como um único grupo, mas como um conjunto de vários. A denominação decorre desses grupos se articularem politicamente como aliados e terem se aldeado conjuntamente, sobretudo após 1808, quando ocorreu a invasão sistemática de seus territórios e se ampliaram os conflitos com outros grupos, particularmente com os denominados Botocudos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa confederação, também chamada de Naknenuk, era composta pelos Pataxó ou &amp;quot;Papagaio&amp;quot;; Monoxó ou &amp;quot;os Ancestrais&amp;quot; ou Amixokori, &amp;quot;Aqueles que Vão e Voltam&amp;quot;; Kumanoxó, denominação genérica das heroínas tribais do panteão religioso dos Maxakalí; Kutatói ou &amp;quot;Tatu&amp;quot;; Malalí ou &amp;quot;Jacaré Pequeno&amp;quot;; Makoní ou &amp;quot;Veado Pequeno&amp;quot;; Kopoxó, Kutaxó ou &amp;quot;Abelha&amp;quot;; e Pañâme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas denominações identificavam, inicialmente, os grupos rituais que, no caso dos Maxakalí, confundem-se com as unidades mais abrangentes em termos de organização política - pequenas aldeias nas quais vivem uma família extensa em torno do seu líder, que acumula funções políticas e religiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas aldeias, em decorrência do avanço da sociedade dominante, terminaram por ser isoladas em termos geográficos, e os vários grupos rituais passaram a ser identificados nos documentos oficias e particulares como tribos distintas. Essa identificação diferenciada se manteve até o final do século passado ainda que os observadores ressaltassem que a língua e a organização social eram as mesmas e que esses grupos sempre se aldeavam em conjunto, formavam confederações defensivas e usavam a mesma tática de estabelecerem alianças com os colonos para poderem enfrentar os inimigos tradicionais. A pertinência a um mesmo grupo étnico também era afirmada pelos próprios índios, como se observa no depoimento dos Malali a Auguste de Saint-Hilaire, em 1817, em Minas Gerais, ao analisarem suas relações com os vários grupos indígenas da região entre os rios Jequitinhonha e Doce.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os assim chamados Maxakalí pertencem ao tronco lingüístico Macro-Jê. O português é falado com relativa fluidez em Água Boa, onde vivem os grupos de contato mais antigo, embora, entre si, se comuniquem na língua tribal. Já no Pradinho, apenas os homens dominam o português com relativa dificuldade. As mulheres e crianças falam unicamente palavras esparsas em português, sendo a comunicação entre eles totalmente em seu idioma.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/maxakali/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Maxakali @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Geralda Soares, 1985&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/225683-1/maxacali_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os vários grupos Maxakalí ocupavam uma área compreendida entre os rios Pardo e o Doce, correspondente ao sudeste da Bahia, o nordeste de Minas Gerais e o norte do Espírito Santo. Os remanescentes desses grupos, conhecidos por Maxakalí nos dias atuais, vivem em duas áreas indígenas - Água Boa e Pradinho - hoje unificadas na Terra Indígena Maxakalí, no município de Bertópolis, cabeceiras do rio Umburanas, vale do Mucuri, no nordeste de Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== População ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não se disponha de dados demográficos precisos, as informações esparsas indicam que desde a ocupação da região do Umburanas pelos pecuaristas, houve decréscimo populacional dos Maxakalí devido à redução de sua qualidade de vida e aos conflitos com os fazendeiros da região, o que pode ser identificado pela baixa longevidade dos membros desse grupo e pela alta taxa de mortalidade infantil, particularmente em decorrência da desidratação, disenteria, infecções e anemia. No caso dos adultos, pode-se acrescer a esses fatores a violência e o número elevado de assassinatos decorrentes dos conflitos externos e internos agravados pelas condições impostas pela sociedade nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1997 somavam 802 índios, sendo 415 em Água Boa e 387 em Pradinho.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Curt Nimuendajú, 1939&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/225693-1/maxacali_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As primeiras notícias referentes a um subgrupo Maxakalí datam do século XVI, referidos como Amixokori pelos Tupi do litoral. Até o século XIX muitos grupos foram aldeados pelos capitães-mores nas povoações litorâneas, como Prado, Canavieiras, Caravelas, Alcobaça, Itanhém, Poxim, Corumuxatiba, Belmonte, Trancoso, Mucuri, na Bahia, e Itaúnas, Conceição da Barra e Santana, no Espírito Santo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do fim do século XVIII, com a interiorização do processo de conquista e, mais particularmente, após a política oficial ter estabelecido como prioridade a conquista da zona entre o litoral e a da mineração, em Minas Gerais, os vários grupos indígenas dessa região foram pressionados pelo avanço da sociedade dominante. Até então, entre 1721 e 1808, esta zona estivera proibida pela Coroa portuguesa à penetração, como forma de evitar o acesso às zonas de mineração por pessoas não autorizadas pelas autoridades locais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os deslocamentos das tribos indígenas passaram a ser constantes na tentativa de fugirem ao contacto e à dominação, tornando a disputa por territórios uma dura realidade que as levou a estabelecerem estratégias distintas. Os Kamakã-Mongoió e os Maxakalí, já conhecidos por essa denominação, ao avaliarem a impossibilidade de continuarem a enfrentar, simultaneamente, os colonos e os grupos Botocudos que avançavam em direção ao sul, optaram por aceitar o aldeamento compulsório e o engajamento como trabalhadores e soldados sob a direção de diretores de aldeias civis e militares e comandantes de divisões militares, criadas para promoverem a guerra justa defensiva e ofensiva aos Botocudos decretada pelas Cartas Régias de 1808.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de então, multiplicaram-se os aldeamentos dos grupos Maxakalí, nessa época também conhecidos por Naknenuk, uma palavra da língua dos Botocudos e que passou a ser usada como sinônimo de &amp;quot;índios mansos, aliados e aldeados&amp;quot;. O único subgrupo apontado como resistente a essa política de aliança foi o dos Pataxó, sempre considerados como arredios e resistentes ao avanço da sociedade dominante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o SPI, em 1911, optou por buscar uma solução para os constantes conflitos entre os índios e os construtores da Estrada de Ferro Bahia-Minas no trecho compreendido entre as cidades de Teófilo Ottoni, no vale do Mucuri, e São Miguel do Jequitinhonha, restavam nessa região dois aldeamentos dos Maxakalí no vale do Jequitinhonha - um no rio Rubim e outro no Kran - e sete pequenas aldeias entre os rios Umburanas, Dois de Abril, Itanhém, Jucuruçu e Jequitinhonha, motivo de constantes reclamações dos moradores daquelas localidades. Eram, ao que tudo indica, foragidos do aldeamento de Itambacuri, fundado em 1873 por missionários capuchinhos para atender e aldear os índios da margem esquerda do rio Doce e vale do Mucuri e um ou dois grupos ainda não aldeados até então.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da abertura da estrada em 1914, os Maxakalí do rio Umburanas, como passaram a ser conhecidos nesse período, estabeleceram relações de troca com os moradores da localidade de Machacalis, apesar do receio que sua presença provocava. Ainda assim, o SPI não adotou qualquer medida para garantir o atendimento a essa população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pressão e os conflitos com os aldeados no Jequitinhonha fez com que, a partir de 1917, os Maxakalí do aldeamento de Kran e do Rubim terminassem por se deslocar para Umburanas, reunindo-se aos demais ali refugiados, conforme se deduz das informações prestadas a Rubinger e a Nascimento acerca da presença de &amp;quot;um amansador de índios&amp;quot; de nome Fagundes, famoso por sua atuação no meado do século XIX nas proximidades de Itambacuri.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido aos constantes conflitos entre índios e moradores nacionais, em 1920 o governo de Minas Gerais cedeu à União 2.000 hectares de terras sob seu domínio, para a instalação de Postos Indígenas no rio Umburanas, visando resolver a questão dos chamados &amp;quot;índios bravios&amp;quot; dos rios Doce, São Mateus e Mucuri. Afirmam os índios que Fagundes, nessa ocasião, teria vendido parcela das terras cedidas ao SPI como forma de ser indenizado pelos serviços prestados, e os levara para território baiano. Após várias epidemias e muita insatisfação, os Maxakalí optaram por retornar ao Umburanas e por reunir-se ao grupo que se recusara a abandonar o local, apesar de não receberem qualquer tipo de assistência ou proteção por parte do SPI. Só vinte anos depois, em 1940, foi demarcada a área do Posto Indígena de Água Boa, deixando ao desamparo aldeias localizadas na área hoje conhecida por Posto Indígena Pradinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A insatisfação dos índios e os conflitos com os fazendeiros fizeram com que se reiniciassem, em 1951, as negociações entre o SPI e o governo mineiro para a criação e demarcação do PI Pradinho. A decisão final só foi tomada em 1956 quando do assassinato do líder indígena Antônio Cascorado. Porém, a demarcação criou um fato inusitado: os dois Postos ficaram isolados por um corredor de fazendas, inviabilizando o contacto e os deslocamentos dos índios entre as duas áreas e agravando os conflitos com os fazendeiros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A guarda rural indígena ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse mesmo ano, os fazendeiros instalados no corredor e em áreas de antigas aldeias iniciaram sua campanha para legitimarem seus títulos junto ao governo do estado, encontrando irrestrito apoio dos políticos locais e da Assembléia Legislativa. Para conter a insatisfação dos índios, foi nomeado em 1966 o Capitão Manoel Pinheiro para a administração do SPI em Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Capitão, ligado ao Serviço Nacional de Informações (SNI) e ao Serviço Reservado da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, criou na área Maxakalí a Guarda Rural Indígena (GRIN), que passou a se responsabilizar por manter a ordem interna nas aldeias, coibir os deslocamentos dos índios, impor trabalhos e denunciar os infratores ao Destacamento da Polícia Militar ali instalado. As infrações leves eram punidas com prisão na própria área, e as consideradas como graves, com exílio no Reformatório Agrícola Indígena, também conhecido por Centro de Reeducação Indígena Krenak, localizado na área demarcada para os índios Krenák, no vale do rio Doce, em Minas Gerais. Essa instituição corretiva foi criada por Pinheiro para acolher os indígenas que opunham resistência aos ditames dos administradores de suas aldeias ou eram considerados como desajustados socialmente. Dessa forma, Pinheiro conseguiu desarticular a resistência e oposição dos Maxakalí ao esbulho de suas terras e recebeu, como compensação, uma fazenda no corredor que, durante muitos anos, dividiu as duas áreas indígenas, de Água Boa e Pradinho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resultado da atuação da GRIN foi manter os &amp;quot;contratos criminosos de exploração das terras indígenas&amp;quot; (FIGUEIREDO, 27/08/1967), corromper as lideranças, alimentar o faccionalismo interno, instalar um clima de constante revolta entre os índios; beneficiar os posseiros e invasores das terras indígenas e transformar os índios em marginais e meros espectadores do desenvolvimento implantado em suas terras pelos fazendeiros (TORRES, 06/08/1968). Só com a substituição de Pinheiro na direção da Ajudância Minas-Bahia, em 1974, desarticulou-se esse sistema repressivo, vindo à tona a exacerbação do faccionalismo interno; a embriaguez constante; a recusa dos membros da agora extinta GRIN a trabalhar, embora exigissem a continuidade do pagamento do salário, e o fato dos índios terem se viciado ao paternalismo de presentes distribuídos de forma irresponsável, tendo abandonado o trabalho nas roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 1975 a nova administração da FUNAI retomou a questão da regularização fundiária dos Maxakalí, sendo que em 1992 o problema ainda não estava resolvido, motivando a elaboração de Laudo Pericial e ampla movimentação de ONGs a nível nacional e internacional para que fosse promovida a reunificação das áreas dos Maxakalí. Isso ocorreu em 1993, com a demarcação administrativa da área unificada e finalmente homologada em 1996. Os fazendeiros solicitaram e ganharam o direito a serem indenizados pelas benfeitorias, sendo os recursos repassados em 1997 à Administração Regional da FUNAI. Como os cálculos de indenização não foram aceitos pelos fazendeiros, está em curso um novo processo destinado a desentrusar o corredor entre as áreas dos Postos Indígenas Pradinho e Água Boa à revelia dos fazendeiros.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Nakpie/Rio Doce Village. Foto: Curt Nimuendajú/Arquivo Museu Nacional, 1939&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/225697-1/maxacali_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os registros históricos dos vários momentos de seu contacto com os colonizadores apontam os Maxakalí como semi-nômades, vivendo predominantemente de atividades de caça e coleta e praticantes de agricultura incipiente, características sociais que ainda podem ser observadas entre os índios do Pradinho de contacto mais recente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Suas famílias extensas matrilocais se articulam em outras três grandes unidades básicas. Uma é a própria unidade definida pela identidade: inclui todas as pessoas conhecidas por Maxakalí e que compartilham a língua, mitos, símbolos rituais e história. Entretanto, o reconhecimento dessa unicidade não implica no exercício, como tal, de qualquer atividade ou posicionamento político de caráter coletivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra é o grupo doméstico, composto pelos moradores de duas a cinco casas habitadas por famílias extensas, com direito a acesso mútuo. É a unidade básica de integração social, pois a relação é estabelecida entre parentes consangüíneos ou afins, cabendo a liderança ao homem mais velho do grupo ou, excepcionalmente, a uma viúva. É um grupo não perene, que pode desagregar-se em momentos de crise, morte ou desacordo, sem prolongar os conflitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terceira é o bando, uma unidade de consenso, de articulação social mais complexa. Inclui todos os parentes, englobando vários grupos domésticos. É a unidade de maior integração social estabelecida em torno de um líder e de um centro cerimonial (Kukex) em atividade, o que a caracteriza como unidade política e religiosa com denominação própria. Exige um número ideal de participantes para funcionar. Caso esse decresça, interrompe-se o cerimonial e extingue-se o bando, ou xop, como é chamado na língua Maxakali.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maxakalí classificam as pessoas em duas grandes categorias: os Xape (parentes ou aliados do grupo familiar e dos quais se espera solidariedade, bondade, consideração e respeito à propriedade) e Pukñog (o estranho ou inimigo, alguém de quem não se pode esperar bondade ou consideração, mesmo que seja parente de gerações mais afastadas ou afins em potencial). Os casamentos preferenciais ocorrem com os Pukñog e os Xape-Hãptox Hã, os parentes distantes e colaterais, o que permite a redução das tensões e conflitos entre as várias unidades sociais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O alto grau de dispersão faz com que os agrupamentos dos Maxakalí sejam fluidos e mutáveis e que as dissidências, quando internas ao grupo doméstico, redundem na reformulação da composição das &amp;quot;aldeias&amp;quot; e a distância se interponha entre os antigos membros, desarticulando os bandos. Essa tendência à dispersão é interrompida em momentos de crise, quando os bandos voltam a se reunir em busca de soluções para os problemas enfrentados. A propensão ao fracionamento constante é acentuada pela forma como ocorre a liderança entre esses grupos, marcadamente difusa, fluida e restrita à aldeia onde o líder vive com seus familiares consangüíneos e afins. Esses líderes, devido à superposição das funções políticas e religiosas, devem garantir aos seus liderados vantagens materiais, espirituais e manter o equilíbrio entre os mundos visível e invisível. Entretanto, as constantes crises internas e externas, as insatisfações e a dificuldade de promover a articulação entre os interesses nem sempre concordantes de seu grupo familiar e do bando, exigem um trabalho de busca do consenso nem sempre bem sucedido. O resultado é a dispersão dos grupos familiares e o surgimento de novos bandos reordenados e reagrupados de acordo com as alianças e posturas políticas adotadas pelos vários grupos familiares frente à razão da crise e aos responsáveis por ela. Dessa forma pode-se explicar o constante surgimento de novas aldeias, que se aproximam ou distanciam física e politicamente das demais a depender do momento político.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar dessa fluidez, os bandos são as unidades sociais mais complexas, pressupondo o nível mais amplo de integração possível com atividades coletivas, em termos econômicos, sociais, políticos e religiosos. Constituem-se, portanto, em unidades autônomas, inclusive quanto à possibilidade de reprodução física de acordo com as regras de casamento, com cerimonial particular, denominação própria e limite específico de atuação de cada liderança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em função dessas características sociais marcadamente dispersivas em termos de articulação política e de a consciência de pertinência étnica entre os Maxakalí não resultar em atividades coletivas, solidariedade ou mesmo idéia de unidade ordenadora dos bandos, pode-se entender a questão da constituição das novas unidades sociais autônomas e auto-suficientes constatadas no período anterior a 1920. Caso esse processo social tivesse ocorrido sem interferências externas - os conflitos com colonizadores e com outros grupos indígenas deslocados dos seus territórios, a imposição externa de aldeamento compulsório e a opção dos vários subgrupos dessa etnia de fazê-lo em conjunto - pode-se levantar a hipótese de, num determinado período de tempo, ter ocorrido o surgimento de novas identidades étnicas, como ocorreu com outros grupos Macro-Jê.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Inserção no sistema produtivo regional ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Wilson Avelar, 1982 (website)&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/225699-1/maxacali_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maxakalí de Umburanas desenvolvem uma agricultura incipiente e considerada por eles como uma atividade pouco atrativa, assim como a criação de animais de grande e pequeno porte. Numa atitude que deve ser compreendida não apenas como opção econômica calcada em padrões sociais tradicionais mas também como um ato político, os Maxakalí passaram a caçar, pescar e coletar nas fazendasvizinhas e a vagar por cidades mineiras e baianas em busca de bens que não podem adquirir, porém, sempre retornando a suas aldeias, onde retomam sua vida e atividades cotidianas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua inserção na estrutura social e econômica em Umburanas é condicionada tanto pelo conjunto de opções dos Maxakalí como pelo fato dessa região ser das mais pobres de Minas Gerais, onde predominam a pequena e média propriedade rural. No topo da hierarquia social situam-se os proprietários rurais. Os índios são classificados abaixo da categoria dos trabalhadores rurais, embora trabalhem eventualmente como assalariados para os fazendeiros, vendam produtos silvestres, parte de sua pequena produção agrícola, artesanato e sementes de capim nas feiras de Batinga e Santa Helena, e sejam até considerados como proprietários das terras da reserva. Apesar de sua participação no sistema produtivo regional, os índios são descritos como preguiçosos, sujos, ladrões e bêbados, e excluídos socialmente da estrutura regional em que, a partir do contato, estão inseridos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua participação no sistema produtivo é limitada por um conjunto de vários fatores: a deterioração do ecossistema dos postos indígenas, a redução dos espaços disponíveis para a prática das atividades econômicas, a desestruturação da organização social e econômica do grupo, a introdução de novas necessidades de consumo que só podem ser satisfeitas através do sistema de troca, o que vem acarretando, para os Maxakalí, uma dependência crescente. Para satisfazer essas novas necessidades, teriam que ampliar a produção e o tempo que dedicam ao trabalho assalariado. Porém, para alcançarem essa meta, teriam que abandonar um conjunto de atividades de grande importância para a reprodução social e simbólica do grupo: socialização das crianças, confecção de objetos artesanais e realização de rituais. Entretanto, só aparentemente isto significaria uma participação mais igualitária no mercado devido à grande competitividade, pois todos os agricultores locais produzem basicamente o mesmo, e também a outros fatores, como a dificuldade de os índios conduzirem seus produtos aos vilarejos, a discriminação que sofrem e as dificuldades de entenderem e dominarem as regras de concorrência e estabelecimento do valor monetário real dos produtos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à ampliação do tempo dedicado ao trabalho nas fazendas vizinhas, as implicações sociais são mais visíveis, já que implicaria num engajamento continuo e no abandono das práticas sociais mais valorizadas, como os rituais. Sua resistência em adotar essa via de solução, faz com que os Maxakalí sejam constantemente acusados de preguiçosos e pouco valorizados como trabalhadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa situação cria um quadro de contradições de difícil superação: para disporem dos bens desejados precisam assalariar-se enquanto aguardam a colheita de suas roças. Mas, como só são contratados nos momentos de plantio, limpa e colheita, caso estejam a serviço dos fazendeiros, deixam de fazê-lo nas suas próprias roças, o que lhes acarreta prejuízos futuros, por não terem produtos de suas roças para colocarem no mercado no momento da colheita. Daí a solução mais adotada ser ainda a &amp;quot;caça e coleta&amp;quot; nas fazendas vizinhas e a mendicância, mecanismos de sobrevivência que lhes permitem manter o regime descontínuo e irregular do tempo dedicado às atividades econômicas, preservando o que consideram necessário para a reprodução social e simbólica do grupo. Talvez assim se possa compreender o insucesso dos esforços de funcionários do SPI e da Funai em transformá-los em sedentários, agricultores e criadores e a opção dos Maxakalí em adaptarem suas práticas econômicas tradicionais à nova realidade de convivência, acirrando os preconceitos e a marginalização social e empurrando-os para a mendicância, a frustração e a embriaguez por se sentirem incapazes de satisfazer suas aspirações de consumo e de reconhecimento social.&lt;br /&gt;
Apesar de todas as compulsões sociais, políticas e econômicas e dos desarranjos sociais que vivenciam, os Maxakalí caracterizam-se pela extraordinária capacidade de preservar os traços mais marcantes de sua organização social e expressões culturais. Destacamos, além das acima referidas, a manutenção das regras de casamento e o ordenamento social calcado em relações de aliança e de oposição entre as várias aldeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como um reflexo da manutenção dessas estruturas sociais, o ordenamento espacial das aldeais se mantém o mesmo descrito desde o século XIX por viajantes, administradores e militares: casas inacabadas, distribuídas em torno de uma praça, onde estão fincados os mastros cerimoniais através dos quais descem os espíritos dos mortos - os yãmiy -, dispostas em forma de uma ferradura fechada numa de suas extremidades pela &amp;quot;Casa da Religião&amp;quot; (Kukex) e, na outra pela do líder.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Suas casas tradicionais eram feitas de galhos finos de árvores e estacas enfiadas no solo, encurvadas na parte superior e amarrados e recobertas com folhas de coqueiro ou patioba, num formato hemisférico. Eram muito baixas e nas proximidades havia uma espécie de fogão feito com quatro forquilhas fincadas no chão, sobre as quais descansavam quatro varetas cruzadas por outras e colocadas muito juntas, permitindo assar ou cozer os alimentos. Essa forma tradicional de cocção de alimentos foi adaptada para o uso de panelas de alumínio, cada vez mais comuns no uso cotidiano do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos de cultura material, a diversidade dos objetos dos Maxakalí sempre foi descrita como de grande simplicidade. Suas armas tradicionais são o arco e a flecha. O arco, feito de pau d'arco ou do lenho da palmeira airi, apresenta um profundo sulco longitudinal na parte dianteira, o que lhes permite ali guardar uma flecha reserva enquanto disparam outra. Suas flechas, feitas de taquaraçu ou de ubá, apresentam três formas: a primeira, destinada à guerra e à caça de animais de grande porte, feita de taquaruçu tostado, entalhado e raspado com a ponta em forma lanceolada, cortante e afiada; a segunda, com ponta farpada, feita de palmeira airi ou pau d'arco, com dez ou doze entalhes dirigidos para trás; e a terceira, destinada à caça de animais pequenos, feita a partir de galhos retos com um nó, de modo a obter a forma de roseta. Tanto os arcos como as flechas são confeccionados pelos homens assim como vassouras, cestos de maior dimensão, peneiras, chocalhos, bodoques, destinados ao uso cotidiano e colocação no mercado regional, e vestimentas para rituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres pescam, coletam e realizam a colheita das roças. Confeccionam vasos cerâmicos de vários tamanhos, redes, colares, cestos de carga com tiras de sustentação que passam pela testa, redes de pescar, sacos e sacolas feitos com fios de tucum, algodão e envira. Responsabilizam-se também pelo transporte dos pertences familiares e das crianças durante os deslocamentos do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No passado, os Maxakalí andavam nus, perfuravam o lábio inferior onde introduziam pequenas lascas de bambu e os homens amarravam o prepúcio ao ventre com um pequeno cipó. Hoje os remanescentes adotaram as roupas de seus vizinhos nacionais, porém, mantêm um gosto especial pela decoração do corpo com tintas multicoloridas, inclusive com o uso de papel carbono retirado dos escritórios da Funai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Toda a vida social dos Maxakalí é pontuada por ritos, não se observando, no entanto, os referentes à identificação da maturidade da moça. A dos rapazes, no entanto, é marcada por iniciações rituais secretas, indicando que a sociedade Maxakalí estabelece claras distinções entre os papéis masculinos e femininos. Desde pequenos, os meninos dispõem de um pequeno rancho, onde, além de aprenderem as atividades próprias do seu sexo, inclusive as rituais, mantêm relações mais próximas com os homens do seu grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais de cura destinam-se às crianças, jovens e adultos. Os recém-nascidos, por ainda não lhes ter sido atribuído um nome, não existem socialmente e, portanto, não são objeto de preocupação quanto à necessidade de intervenção em caso de doença. Quanto aos velhos também serem excluídos, explicam que, pela idade avançada, necessitariam descansar após tantos trabalhos e dificuldades vividos, sendo respeitado o seu direito de morrer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doença é motivo de grandes traumas entre os Maxakalí, pois é interpretada como resultado de uma intervenção voluntária ou provocada dos espíritos que capturam as almas das pessoas, fazendo-as ficar doentes. Conseqüentemente, os rituais de cura visam restaurar o equilíbrio, agradando aos espíritos malignos, dos quais as mulheres são as presas mais fáceis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ritual é comandado pelo líder do grupo, que, acompanhado dos parentes, canta, dança e pergunta em voz baixa ao doente qual o espírito que o atormenta e a este quais os seus desejos que precisam ser satisfeitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cumprida essa etapa, os homens retiram-se para a Casa da Religião para adotarem as medidas necessárias para dar continuidade aos trabalhos. Tendo obtido todo o necessário, retornam junto ao jirau do doente, promovendo nova sessão de cânticos e rezas e lançando grandes baforadas de fumo sobre o paciente. Os espíritos são instados a se retirarem. Quando o cão da casa gane, é considerado que foi estabelecido o contacto com o espírito iniciando-se um nova etapa do processo de cura: a casa é deixada no escuro e usam-se os zunidores até novos ganidos do animal. Este é o sinal indicativo da saída do espírito. Os responsáveis pelos rituais se retiram da casa, onde as lamparinas voltam a ser acesas e a comida ofertada aos espíritos desaparece, sendo o consumo atribuído aos homenageados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A morte e suas possíveis conseqüências também são encaradas como responsáveis pelo desequilíbrio social, pois o espírito do morto - yãmiy - tanto pode provocar doenças em outros, como transformar-se em onça preta e atacar o grupo. Os Maxakalí tomam como sinais mais preocupantes dessa possibilidade o movimento do corpo já considerado morto pelo grupo, e, após o sepultamento, o encontro da cova revolvida e do cadáver exposto. Espetar os corpos dos mortos com uma vara ou flecha é a medida para evitar a transmigração e transmutação da alma e para forçar sua permanência na morada eterna. Para observar se o objetivo foi alcançado e evitar maiores problemas, os Maxakalí visitam diariamente a sepultura e, caso ocorra de o corpo ficar descoberto, é desenterrado e queimado, sendo feito, posteriormente, o enterro secundário. Outras medidas podem ser adotadas variando conforme a gravidade da situação: abandono e queima da casa do morto, da aldeia e até da Casa da Religião, morte dos animais, destruição dos pertences do morto e abandono do local da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O controle das entidades malignas pressupõe, por parte do líder religioso, força e grande conhecimento dos mitos e dos ensinamentos dos ancestrais e é visto como um ato de grande dimensão social. Tanto assim que os rituais de cura são executados por mais de uma pessoa com o apoio dos espíritos considerados como amigos e benfazejos. A prática isolada de rituais por apenas um dos membros da comunidade, além de ser considerada um ato anti-social, é interpretada como prática de feitiçaria, o que, normalmente, resulta na morte do acusado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além desses rituais de cura, os Maxakalí realizam outros também de data imprevisível e que visam solucionar eventuais crises sociais ou políticas ou agradecer aos entes sobrenaturais a solução de questões que ameaçam a sobrevivência da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há outros, de caráter propiciatório, por estarem vinculados aos períodos de plantio e colheita, que ocorrem no mês de janeiro e no período compreendido entre maio e outubro. A população masculina acima de dezenove anos é ordenada em dez grupos rituais compostos de dois a sete indivíduos cada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessas ocasiões, os participantes retiram-se para as matas onde confeccionam suas vestes cerimoniais e se pintam. Então retornam em fila indiana para a aldeia, carregando o mastro cerimonial que é fincado no pátio em frente à Casa da Religião. Os homens recolhem-se à essa Casa dando continuidade às cerimônias secretas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres, excluídas dessa etapa das atividades, permanecem em suas casas preparando os alimentos que serão consumidos durante o ritual. O animal destinado ao sacrifício é abatido a flechadas, servindo de elemento de troca com os produtos das roças e da coleta trazidos pelas mulheres. Estas resumem-se a participar das danças no pátio, sendo-lhes vedado, no entanto, o uso dos instrumentos musicais cerimoniais: chocalho de cabaça, apito feito de taquara, zunidores e flechas rituais. Após as danças e a troca de alimentos com os homens, o que solidifica as relações de solidariedade e interdependência social, todos encerram o ritual com um banho no rio mais próximo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais, tanto de propiciação como de cura, continuam a ser executados, ainda que com pequenas adaptações, como o consumo de café, bolachas, e a compra ou obtenção por doação do animal a ser sacrificado, que é solto e &amp;quot;caçado&amp;quot; pelos participantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas essas intrincadas crenças estão intimamente associadas com o universo religioso dos Maxakalí. O mito de criação tem como figura central Topa, que vivia entre os homens, mas, tendo se aborrecido, retirou-se e enviou-lhes um grande dilúvio, havendo variantes quanto ao número de sobreviventes - um homem ou um casal - que deram origem ao povo Maxakalí.&lt;br /&gt;
Além dessa entidade, seu universo religioso é composto de grande quantidade de entidades ordenadas em dez grandes grupos, subdivididos em duzentos subgrupos - os yãmiyxop. Esse ordenamento baseia-se numa hierarquização complexa, que inclui os espíritos dos Maxakalí, dos outros índios, dos não índios e, finalmente, dos animais. No topo dessa hierarquia encontra-se Hãmgãyãgñag, a alma finada individual, soberana das forças do bem e do mal e responsável pela morte dos doentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os vários seres sobrenaturais têm personalidades e exigências, inclusive alimentares, bastante diferenciadas, o que exige não só sua identificação durante os rituais, como também o conhecimento de como agradá-los para evitar que venham a fazer mal à comunidade. Daí porque, ao retornarem das matas, e sacrificarem ritualmente o animal designado pelo espírito a ser propiciado, os homens recolhem-se à Casa da Religião para ouvir os espíritos amigos que os ajudam a identificar o ser sobrenatural com que estão lidando e suas exigências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando visitam a terra, esses espíritos podem ocupar vários locais: o coração dos vivos, o oco das árvores, os picos mais elevados da área que ocupam, o topo das árvores, mas preferem os postes cerimoniais localizados no pátio onde são executadas as danças cerimoniais em frente à Casa da Religião - Kukex.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As primeiras referências datam do século XVI, quando eram conhecidos por Amixokori. A partir de então, passaram a ser chamados pelas várias designações dos subgrupos. Só a partir de 1808 é que a denominação Maxakalí passa a ser comum, referindo-se sempre a aldeamentos onde vários subgrupos conviviam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há farta documentação tanto do período que antecede a 1808, destacando-se os trabalhos de Wilhem Christian Gotthele von Feldner e de José da Silva Brandão, como a partir de então, tanto de caráter administrativo - capitães-mores, diretores de aldeias, padres, missionários, professores, comandantes de quartéis, de destacamentos e de Divisões Militares - como de observadores como os viajantes naturalistas que circularam entre os rios Pardo e o Doce, nos atuais estados da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo na primeira metade do século XIX. Dentre estes, destacam-se Augusto de Saint-Hilaire, Maximiliano Wied-Neuwied, Johann E. Pohl e de J. B. von Spix e C. F. P von Martius.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na segunda metade do mesmo século, os documentos mais importantes são produzidos pela Companhia do Vale do Mucuri, administrada por Teófilo Benedito Ottoni, particularmente seus relatórios de atividades dos anos de 1853, 1856 e 1857, por frades capuchinhos responsáveis pela administração dos aldeamentos, Diretores Gerais dos Índios das três Províncias e pelos Diretores Parciais de aldeamentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a instalação de uma diretoria do Serviço de Proteção aos Índios no Espírito Santo, também responsável pela questão indígena em Minas Gerais, os relatórios de Alberto Portela e de Estigarribia são da maior relevância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos de trabalhos acadêmicos, destacam-se o livro de Marcos Rubinger, as dissertações de mestrado em Antropologia Social de Nelí Nascimento e de Míriam Alvares Martins e a tese de Doutoramento em História Social de Maria Hilda Baqueiro Paraiso, assim como um artigo de cunho histórico dessa mesma autora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à língua Maxakali, referência especial deve ser feita aos trabalhos do casal Harold e Francis Popovich, ambos pesquisadores vinculados ao Summer Institute of Linguistics. Também o primeiro autor citado é responsável por importante trabalho inédito acerca da mitologia Maxakalí. Há dois vídeos sobre os Maxakalí. Um deles, Maxakali, o Povo do Canto, é dirigido por Marcelo Brum; o outro, Índios, os Primeiros Habitantes, por Joana d'Arc Matias.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
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* -------- (Org.). Campanha internacional pela regularização do território Maxakali. Belo Horizonte : Cimi-LE ; Cedefes, 1995. 51 p.&lt;br /&gt;
* -------- (Org.). O livro que conta histórias de antigamente. Belo Horizonte : SEE-MG, 1998. 112 p.&lt;br /&gt;
* --------. Yãmiy, os espíritos do canto : a construção da pessoa na sociedade Maxakali. Campinas : Unicamp, 1992. 227 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
* ALVES, M. A. Indiens Maxakali. Revue de la Ceramique et du Verre, Vendin-Le-Viel : s.ed., v. 68, s.n., p. 38, jan. 1993.&lt;br /&gt;
* ANTUNES, Marisa Aparecida Domingos. Pequeno dicionário indígena Maxakali-Português/Português-Maxakali. Juiz de Fora : s.ed., 1999. 56 p.&lt;br /&gt;
* ARAÚJO, Gabriel Antunes. Fonologia e morfologia da língua Maxakali. Campinas : Unicamp, 2000. 144 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
* BECHER, Hans. Observações de Wilhem Christian Gotthele von Feldner entre os Maxakali na primeira metade do século XIX. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 9, n. 1/2, p. 61-88, jun./dez. 1961.&lt;br /&gt;
* BRANDÃO, José da Silva. Observações sobre os Índios estabelecidos em Lorena dos Tocoiós pelo Tenente José da Silva Brandão por ordens do Imo. e Exmo. Sr. Bernardo José de Lorena, Governador e Cap. General da Capitania de Minas Gerais aos 21 de fevereiro de 1799. RAPM, Belo Horizonte : s.ed., v. 18, p. 431-5, 1912.&lt;br /&gt;
* CEDEFES. A luta dos índios pela terra : contribuição à história indígena de Minas Gerais. Contagem : Cedefes, 1987. 120 p.&lt;br /&gt;
* CUNHA MATTOS, Raimundo J. Corografia histórica da Província de Minas Gerais. v. 2. Belo Horizonte : Itatiaia ; São Paulo : Edusp, 1981.&lt;br /&gt;
* DENIS, Ferdinand. Os Maxacalis. São Paulo : Conselho Estadual de Cultura, 1979. 294 p.&lt;br /&gt;
* DUTRA, Mara Vanessa et al. Krenak, Maxacali, Pataxó e Xakriaba : a formação de professores indígenas em Minas Gerais. Em Aberto, Brasília : Inep/MEC, v. 20, n. 76, p. 74-88, fev.2003.&lt;br /&gt;
* MÉTRAUX, Alfred, NIMUENDAJÚ, Curt. The Mashakali, Patashó, and Malalí linguistic families. In: STEWARD, Julian H. (Ed.). Handbook of South American indians. v. 1. New York : Cooper Square Publishers, 1963. p. 541-6.&lt;br /&gt;
* MOURA, José Pereira Freire de. Notícias e observações sobre os Índios Botocudos que freqüentam as margens do rio Jequitinhonha e se chamam Âmbares ou Aimorés. RAPM, Belo Horizonte : s.ed., v. 2, p. 28-31, 1897.&lt;br /&gt;
* NASCIMENTO, Neli Ferreira do. A Luta pela sobrevivência de uma sociedade tribal do nordeste mineiro. São Paulo : USP, 1984. ( Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
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* OILIAN, José. Indígenas de Minas Gerais : aspectos sociais, políticos e etnológicos. Belo Horizonte : Imprensa Oficial, 1965.&lt;br /&gt;
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* URBAN, Greg. A história da cultura brasileira segundo as línguas nativas. In: CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo : Cia. das Letras/Fapesp/SMC, 1992. p. 87-102.&lt;br /&gt;
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* Índios, os primeiros habitantes. Dir.: Joana d'Arc Matias, Vídeo cor. Prod.: TV Minas.&lt;br /&gt;
* Maxakali. Dir.: Marcelo Brum. Vídeo cor, VHS, 1995. Prod.: Intervalo Cinema e Vídeo; Cimi; Cedefes; Solidariedad.&lt;br /&gt;
* Tikmu'un (nós, humanos). Vídeo cor, VHS-NTSC, 60 min., 1999. Prod.: Crystal Vídeo Comunicação Ltda&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas em Minas Gerais]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Krenak&amp;diff=6367</id>
		<title>Povo:Krenak</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Krenak&amp;diff=6367"/>
		<updated>2018-08-20T19:55:57Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Krenak são os últimos Botocudos do Leste, vítimas de constantes massacres decretados como &amp;quot;guerras justas&amp;quot; pelo governo colonial. Hoje, vivem numa área reduzida reconquistada com grandes dificuldades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Acervo Plinio Ayrosa /USP&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/216091-1/krenak_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Krenák ou Borun constituem-se nos últimos Botocudos do Leste, nome atribuído pelos portugueses no final do século XVIII aos grupos que usavam botoques auriculares e labiais. São conhecidos também por Aimorés, nominação dada pelos Tupí, e por Grén ou Krén, sua auto-denominação. O nome Krenák é o do líder do grupo que comandou a cisão dos Gutkrák do rio Pancas, no Espírito Santo, no início do século XX. Localizaram-se, naquele momento, na margem esquerda do rio Doce, em Minas Gerais, entre as cidades de Resplendor e Conselheiro Pena, onde estão até hoje, numa reserva de quatro mil hectares criada pelo SPI, que ali concentrou, no fim da década de 20, outros grupos Botocudos do rio Doce: os Pojixá, Nakre-ehé, Miñajirum, Jiporók e Gutkrák, sendo este o grupo do qual os Krenák haviam se separado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Krenák pertencem ao grupo lingüístico Macro-Jê, falando uma língua denominada Borun. Apenas as mulheres com mais de quarenta anos são bilíngües, enquanto os homens, jovens e crianças de ambos os sexos são falantes do português. Nos últimos três anos vêm envidando esforços para que as crianças voltem a falar o Borun.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Religião ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eram, à época do contacto, em 1910, predominantemente caçadores e coletores seminômades, com organização social caracterizada pelo constante fracionamento do grupo, pela divisão do trabalho por sexo e idade e um sistema religioso centrado na figura dos Marét e dos espíritos encantados de seus mortos, os Nanitiong, responsáveis pela fecundação das mulheres humanas e por emitir avisos de morte. Os Marét, habitantes das esferas superiores, eram os grandes ordenadores dos fenômenos da natureza e, dentre eles, se destacava o Marét-khamaknian, herói criador dos homens e do mundo, benevolente e civilizador da humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outras entidades do panteão religioso dos Botocudos eram os espíritos da natureza - os tokón -, responsáveis pela eleição dos seus intermediários na terra, os xamãs, com os quais mantinham contacto durante os rituais e que, quase sempre, acumulavam o cargo de líderes políticos. Havia, ainda, as almas, espíritos que viviam nos corpos dos humanos, adquiridos a partir dos quatro anos de idade, quando eram implantados os primeiros botoques labiais e auriculares. A alma principal abandonava o corpo durante o sono e, quando se perdia, ocorria a doença. Antes de a pessoa morrer, sua alma principal morria dentro de seu corpo. As outras seis almas que habitavam o corpo acompanhavam o cadáver até seu túmulo, sobre o qual voavam, chorando. Eram invisíveis para os membros da comunidade presentes à cerimônia. Caso suas necessidades de alimento e luz não fossem atendidas, essas almas complementares poderiam transformar-se em onças e ameaçar a aldeia, pois, não se alimentando, morreriam de fome. Passados alguns anos, espíritos bondosos da esfera superior vinham buscá-las para seu espaço, de onde não mais voltavam. Dos ossos dos cadáveres, surgiam espíritos que passavam a morar no mundo subterrâneo, no qual o sol brilhava durante a noite terrestre. Eram espíritos grandes, maus e negros que vagavam pela aldeia atacando os vivos, principalmente as mulheres, desenterravam os mortos, batiam no chão, assustando a todos, matando animais por espancamento. As vítimas se defendiam tentando surrá-los e evitando saírem de seus abrigos durante a noite.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Acervo Plinio Ayrosa /USP&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/216094-1/krenak_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O território original dos Botocudos era a Mata Atlântica no Baixo Recôncavo Baiano, tendo sido expulsos do litoral pelos Tupi, quando passaram a ocupar a faixa de floresta paralela, conhecida por Floresta Latifoliada Tropical Úmida da Encosta ou Mata Pluvial Tropical, localizada entre a Mata Atlântica e o rebordo do Planalto. Depois do século XIX deslocaram-se para o sul, atingindo o rio Doce em Minas Gerais e Espírito Santo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde os primeiros contactos, ainda no século XVI, foram acusados de antropofagia, o que não se confirma na documentação. Entretanto, este sempre foi o grande argumento para justificar as constantes decretações de Guerra Justa e convencer os grupos indígenas com que viviam em conflito - Tupi, Malalí, Makoní, Pataxó, Maxakalí, Pañâme, Kopoxó e Kamakã-Mongoió - a se aldearem com promessas de proteção e acesso aos bens da sociedade dominante, como armas de fogo. Apesar da resistência tenaz, os grupos Botocudos foram aldeados por militares, diretores leigos e missionários em vários pontos dos atuais estados da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo a partir da decretação da Guerra Justa autorizada pelo governo português através das Cartas Régias de 13 de maio, 24 de agosto e 2 de dezembro de 1808 assinadas no Rio de Janeiro pelo Príncipe Regente D. João.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira Carta Régia determinava a guerra ofensiva aos Botocudos de Minas Gerais por considerar que os mesmos eram irredutíveis à civilização e que a guerra de caráter defensivo não surtia os efeitos desejados no tocante a garantir a expansão da conquista naquela capitania. A segunda autorizava o Governador e Capitão General da mesma capitania a criar uma tropa especializada no combate a índios para viabilizar a guerra ofensiva determinada na Carta Régia anterior. Finalmente, a terceira estabelecia planos acerca de como promover a educação religiosa dos índios e seu efetivo controle como forma de viabilizar a navegação dos rios e o cultivos dos terrenos ocupados pelos Botocudos. No contexto desse plano, o Príncipe autorizava o confisco das terras ocupadas por esses grupos, que passavam a ser consideradas como devolutas e deveriam ser distribuídas como sesmarias, particularmente entre os que se destacassem na guerra ofensiva. A esses novos proprietários também era garantido o livre acesso ao trabalho dos indígenas que fossem capturados em atitude aguerrida por um período que variava entre doze e vinte anos, a depender do grau de rusticidade e dificuldade dos aprisionados em apreenderem as novas formas de trabalho. Também era prevista a criação de aldeamentos administrados por particulares para educar os índios que se submetessem e se apresentassem &amp;quot;com interesse e boa disposição&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora as três Cartas Régias se referissem especificamente à capitania de Minas Gerais, as suas deliberações foram estendidas às capitanias da Bahia e Espírito Santo no mesmo ano para atender às solicitações de seus governadores. Hoje o contingente demográfico dos Botocudos do Leste está reduzido a cento e oitenta pessoas, sendo, na sua maioria, composto de crianças e jovens descendentes de relações interétnicas entre os Krenák com outros grupos indígenas, como os Guarani e os Kaingang, e com a população regional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As principais razões dessa predominância de mestiços foram a invasão por moradores da região e o arrendamento pelo SPI das terras do Posto Indígena Krenák, o processo de diáspora sofrida ao longo da administração do SPI e da Funai - em 1953 para o Posto Indígena Maxakalí, de onde retornaram a pé em 1959, e em 1973 para a Fazenda Guarani -, e a convivência com os chamados &amp;quot;índios infratores&amp;quot; deslocados pela Funai de vários pontos do país, a partir de 1968, para o Reformatório Agrícola Indígena ou Centro de Reeducação Indígena Krenák.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Centro de Reeducação Indígena Krenak ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Ligia Simonian, 1987&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/216097-1/krenak_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Reformatório foi implantando sob a administração do Capitão Manoel Pinheiro, da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, e para lá eram enviados os indígenas que opunham resistência aos ditames dos administradores de suas aldeias ou eram considerados como desajustados socialmente. No Presídio eram mantidos em regime de cárcere, sofrendo repressões, como o confinamento em solitária e castigos físicos em casos de insubordinação. Eram-lhes impostas atividades na agricultura durante o dia, sob forte vigilância de soldados da Polícia Militar de Minas Gerais e dos índios agregados à Guarda Rural Indígena (GRIN), também fundada pelo Capitão Pinheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Guarda era composta por índios que Pinheiro definia como de &amp;quot;excepcional comportamento&amp;quot;, devidamente treinados e fardados, e encarregados de manter a ordem interna nas aldeias, coibir os deslocamentos não autorizados, impor trabalhos e denunciar os infratores ao Destacamento da Polícia Militar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ante a pressão dos fazendeiros e políticos para a extinção definitiva do PI Krenák e a liberação definitiva da área para a emissão dos títulos de propriedade aos arrendatários, apesar dos Krenák haverem ganho em 21/03/1971 a ação de reintegração de posse dos 4.000 hectares e o juiz ter determinado o prazo de quinze dias para os arrendatários serem retirados da área indígena, Manuel Pinheiro fez um novo acordo com o governo de Minas Gerais em dezembro daquele mesmo ano. Negociou uma permuta entre a área Krenák e a Fazenda Guarani, no município de Carmésia, pertencente à Polícia Militar de Minas Gerais, para onde os Krenák e os prisioneiros indígenas foram transferidos, ao invés da retirada dos arrendatários como a Justiça determinara. É interessante observar que também a Fazenda Guarani, antiga sede de tortura de presos políticos usada pela Polícia Militar de Minas Gerais, estava ocupada por grande quantidade de rendeiros e posseiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de o acordo ter estabelecido que a Funai só deveria receber a Fazenda Guarani livre dos ocupantes, Pinheiro sequer esperou essa cláusula ser cumprida, merecendo, por isso, até mesmo uma repreensão por escrito da Presidência do órgão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante da resistência dos Krenák em serem, mais uma vez, transferidos, Pinheiro determinou que os índios que persistiam na recusa a abandonar a área fossem algemados e levados à força para Governador Valadares, sede da Ajudância Minas-Bahia, da Funai. Dali, todos os Krenák, os presos do Reformatório e um grupo de índios Guarani, que ali haviam se instalado em 1969 vindos de Parati, no Rio de Janeiro, seus poucos pertences e os alimentos foram colocados em caminhões e enviados para a Fazenda Guarani. Os índios também não aceitaram nela permanecer e sua reação aumentou após a chegada de um grupo de índios Pataxó do Posto Indígena Barra Velha, na Bahia, que permanecem até os dias atuais na Fazenda Guarani.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Queixando-se das péssimas condições de vida, de não haver rio de grande porte que lhes permitisse pescar - a mais valorizada forma de obter alimento -, do clima muito frio, de perderem o que plantavam por estar o solo esgotado, da convivência forçada com os Pataxó, com os Guarani e com os presos do Reformatório, além da falta de argila para fazerem cerâmica, algumas famílias Krenák optaram por se dirigir para o Posto Indígena Vanuíre (SP), para a cidade de Colatina (ES) e para Conselheiro Pena (MG).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Retorno à terra ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Márcio Ferreira, 1989&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/216099-1/krenak_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1980 os demais optaram por retornar à área do PI Krenák. Contudo, o retorno desejado não era tão fácil. Toda a área indígena estava em mãos dos antigos arrendatários, inclusive a antiga sede administrativa do Posto Indígena, que a RURALMINAS, órgão estadual responsável pelaadministração das questões de terras em Minas Gerais, repassara ao Patronato São Vicente de Paula da cidade de Resplendor, que ali instalou um orfanato. Para completar o quadro de dificuldades, o estado de Minas Gerais havia distribuído títulos de propriedade aos arrendatários, alterando seu status e seus direitos e fortalecendo sua luta pelo afastamento definitivo dos índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfrentando todo esse quadro adverso, 26 dos 49 Krenák que haviam sido levados para a Fazenda Guarani retornaram, em 1980, às terras do rio Doce, instalando-se por conta própria, em pequena parcela da área, nas ruínas da antiga sede abandonada pelo Patronato São Vicente de Paula e no antigo Reformatório, perfazendo um total de 68,25 hectares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceram nessa área exígua até 1997, quando, após longo período de citação judicial dos ocupantes da área, os quatro mil hectares lhes foram restituídos por decisão judicial do Supremo Tribunal Federal relativo ao processo de número 891782-0 de outubro de 1989 que solicitava a anulação dos títulos de propriedade emitidos ilegalmente pelo governo mineiro. A partir dessa data foi reconstituída a área originalmente doada pelo governo mineiro, através do Decreto 4462 de 10/12/1920, após um demorado processo de demarcação iniciado em 1918 e concluído em 1920.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Chefia e faccionalismo ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Acervo Cedes-Cimi, 1982&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/216107-1/krenak_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes da retomada da totalidade da área reservada, ao se chegar à aldeia dos Krenák, podia-se observar o grupo liderado por Laurita Félix à esquerda, uma faixa intermediária de terras não ocupadas e a outra facção política liderada pelo cacique Hin (José Alfredo de Oliveira, também conhecido por Nego, que é tradução do seu apelido em Borun) à direita do ribeirão do Eme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, o grupo de Laurita instalou-se nas fazendas localizadas na área de influência do rio Doce, enquanto o grupo de Hin passou a ocupar as que se localizam &amp;quot;atrás ou no fundo&amp;quot; da Reserva, após a grande serra do Cuparaque, que divide a área no sentido Leste-Oeste. O fato de um dos grupos ser liderado por uma mulher - Laurita Félix - é perfeitamente coerente com a tradição Botocudo, no que se refere ao fato de as mulheres deterem o poder de decisão sobre grandes questões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos de representatividade externa, porém, é o cacique que tem voz ativa. Coerentemente com os antigos padrões de ordenamento político, Laurita está preparando seu filho, Rondon Krenák, para assumir as funções de cacique, através do qual, ela poderá exercer de forma mais efetiva o poder sobre o grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A oposição entre as duas metades sociais organizadas em facções políticas é amenizada pelas regras exogâmicas de casamento entre as famílias extensas - Isidoro, Félix, Damasceno e Souza -, pois, ao estabelecer alianças matrimoniais, o grupo consegue amenizar os conflitos e, assim, define-se um convívio relativamente amistoso entre as famílias e os dois grupos. A prole resultante dessas uniões recebe o sobrenome do pai e é identificada como membro da metade à qual este pertence. A exceção ocorre em situações de casamentos interétnicos nos quais a mãe seja Krenák, quando, apesar do sobrenome ser o paterno, a pertinência é definida pela metade à qual a mãe pertence.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso dos Krenák, um dos fatores de oposição decorre, também, do fato de o grupo liderado por Laurita Félix ser Nakre-ehé e Miñajirum, oriundos do aldeamento do Pancas, o que fez com que nunca se integrassem totalmente aos Krenák, originalmente estabelecidos no ribeirão do Eme, representados pelo cacique Hin. Nessa posição de disputa pela liderança, Laurita busca seus fundamentos argumentando o poder tradicional das mulheres e o fato de as mesmas deterem o conhecimento histórico da trajetória do grupo, da língua e dos rituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de Laurita, há outras figuras femininas representativas: sua filha, Marilza, a xamã dos Krenák, Sônia e Paula, aliadas da família Félix, todas envolvidas nos esforços de reviver a língua Borun, os cantos, os rituais e a tradição de socializar as crianças pelos métodos tradicionais. Nesse processo revivalista, o papel de Marilza Félix é extremamente importante. Na qualidade de única xamã e dizendo-se porta voz do seu antecessor Krembá, afirma ser deste a determinação de serem realizados os trabalhos de reorganizar o grupo, voltar a &amp;quot;dançar&amp;quot; seus rituais, fazer arcos e flechas, curar suas doenças pela forma tradicional, falar sua antiga língua e recuperar o mastro sagrado, levado da aldeia na década de 30 por Curt Nimuendajú. Apesar dos esforços dos índios e de consultas realizadas, não foi possível até o momento localizar o referido mastro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse novo contexto, observa-se, portanto, que os Marét perderam importância no novo panteão Botocudo, embora o medo aos Nanitiong e aos espíritos dos mortos, que não receberam alimentos e cuidados rituais, continue presente. Atualmente, os Tokón assumiram o papel central do universo religioso Krenák, estando profundamente associados à disputa política entre as duas metades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grande desafio vivido, hoje, pelos Krenák é o de se ajustarem ao novo/antigo espaço de quatro mil hectares, viabilizarem sua exploração econômica, apesar da baixa densidade demográfica e da falta de recursos para investirem de modo a terem acesso ao mercado regional. Aliás, essa pretensão encontra outra grande barreira na oposição, preconceito e má vontade dos moradores das cidades vizinhas, cujas autoridades consideram como um grave prejuízo para a comunidade de produtores rurais, cooperativas e prefeituras locais as terras terem retornado ao domínio dos índios.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As primeiras referências aos Botocudos datam ainda do século XVI quando eram referidos por cronistas e jesuítas pela denominação de Aimorés. Como Botocudos há farta documentação de caráter administrativo e elaborada por viajante naturalistas a partir do início do século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como Krenák, as primeiras notícias datam do início do século XX e estão associadas à construção da Estrada de Ferro ligando Vitória, no Espírito Santo, à atual cidade de Governador Valadares, em Minas Gerais. Essas notícias foram produzidas tanto pelos construtores da Estrada de Ferro, destacando-se a obra de Ceciliano Abel de Almeida, como pelos funcionários do SPI encarregados de aldear os Krenák, merecendo destaque os relatórios de Antônio Estigarribia, e do governo mineiro designados para realizar os estudos necessários à demarcação da área destinada à criação do aldeamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só a partir da década de 20 é que alguns estudiosos que se dedicam a descrever a sociedade Krenák, destacando-se os trabalhos dos mineiros Nelson de Senna e Simoens da Silva. A partir de então, alguns geógrafos como Walter Egler e William Steains, preocupados com o processo de ocupação do rio Doce, passaram a se referir aos Krenák.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também lingüistas, como Charlotte Emmerich, Ruth Monserrat e Lucy Seki realizaram estudos acerca da língua Borun.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, ainda, trabalhos realizados por estudantes da Universidade Federal de Juiz de Fora e da Universidade Federal da Bahia e as pesquisas de Maria Hilda Baqueiro Paraiso, inclusive um dos temas tratados em sua tese de doutorado e que se encontra em fase de negociação para publicação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Está sendo realizado o vídeo Erré Krenak, cujo público alvo são crianças em idade escolar que, assim, poderão ter acesso à história do povo Krenák como tentativa de eliminar o preconceito e a discriminação. Produção Independente, dirigido por Nívea Dias e Alessandro Carvalho, com roteiro de Rita Espeschit e direção de arte de Cristiane Zago. Realização do Conselho Indigenista Missionário Leste e Centro de Documentação Elói Ferreira da Silva com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais. O vídeo terá a duração de 20 minutos e deverá ser lançado no início de 1999.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALMEIDA, Ceciliano A. de. O desbravamento das selvas do rio Doce : memórias. Rio de Janeiro : José Olímpio Ed., 1978.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALMEIDA, Maria Inês de (Coord.). Conne Pãnda - Ríthioc Krenak : coisa tudo na língua krenak. Belo Horizonte : SEE-MG ; Brasília : MEC/Unesco, 1997. 68 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALVIM, Marília C. de M. Diversidade morfológica entre os índios botocudos e o “Homem da Lagoa Santa”. Rio de Janeiro : Univer. Estadual da Guanabara, 1963. (Tese de Livre Docência em Antropologia Física)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARAÚJO, Benedita Aparecida Chavedar. Análise do Wörterbuch der Botokudensprache. Campinas : Unicamp, 1992. 114 p. (Dissertação de Mestrado )&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARAÚJO LEITÃO, Ana Valéria Nascimento. Por unanimidade, a reconquista da terra Krenak. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 695-6.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CORREA, José Gabriel Silveira. A ordem a se preservar : a gestão dos índios e o reformatório agrícola indígena Krenak. Rio de Janeiro : UFRJ, 2000. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DUTRA, Mara Vanessa et al. Krenak, Maxacali, Pataxó e Xakriaba : a formação de professores indígenas em Minas Gerais. Em Aberto, Brasília : Inep/MEC, v. 20, n. 76, p. 74-88, fev. 2003.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;EGLER, W. A. A zona pioneira do norte do rio Doce. Boletim Geográfico do IBGE, Rio de Janeiro : IBGE, n. 167, p. 147-80, 1962.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;EMMERICH, C.; MONSERRAT, R. Sobre os Aimorés, Gren e Botocudos : notas lingüísticas. Boletim do Museu do Índio, Rio de Janeiro : Museu do Índio, n. 3, 45 p., 1975.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;KRENAK, Ailton. Recuperação física e ambiental da terra Krenak. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 697-9.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MANIZER, Henri. Los botocudos. Arquivos do Museu Nacional, Rio de Janeiro : Imprensa Nacional, n. 22, p. 243-73, sep., 1919.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MATTOS, Izabel Missagia. Borum, bugre, krai : constituição social da identidade e memória étnica Krenak. Belo Horizonte : UFMG, 1996. 196 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. &amp;quot;Civilização&amp;quot; e &amp;quot;Revolta&amp;quot; : povos botocudo e indigenismo missionário na província de Minas. Campinas : Unicamp, 2002. 577 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MOREIRA, G.; NORONHA, P. Sujeição e dominação : a dramática experiência dos Krenak. Juiz de Fora : s.ed., 1984. (Datilografado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PARAÍSO, Maria Hilda Baqueiro. Os botocudos e sua trajetória histórica. In: CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo : Companhia das Letras/SMCSP, 1992. p. 413-30.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Os Krenak do rio doce, a pacificação, o aldeamento e a luta pela terra. Rev. de Filosofia e Ciências Humanas, Salvador : UFBA, v. 2, s.n., p. 12-23, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Laudo antropológico pericial relativo a carta de ordem n. 89.1782-0 oriunda do STF e relativo à Área Krenak. Salvador : UFBA, 1989. 115 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Repensando a política indigenista para os Botocudos no século XIX. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 35, p. 75-90, 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RICCIARDI, Mirella. Vanishing Amazon. Londres : Weidenfeld and Nicolson, 1991. 240 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SEKI, Lucy. Notas para a história dos botocudo (Borum). Boletim do Museu do Índio, Rio de Janeiro : Museu do Índio, n. 4, 22 p., jun. 1992. (Apresentado na IX Reunião da Anpocs, Curitiba, em 1986).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SENNA, Nelson de. Indígenas de Minas Gerais : aspectos sociais, políticos e etnológicos. Belo Horizonte : Imprensa Oficial, 1965. 186 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Nomenclatura das principais tribos do Brasil quer das extintas quer das ainda existentes. Rev. do Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte : Arquivo Público Mineiro, n. 16, p. 313-21, 1910.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. A terra mineira, corografia do estado de Minas Gerais. Belo Horizonte : IOF, 1927.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Simoens da. A tribo dos índios Krenak (botocudos do rio Doce). In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE AMERICANISTAS (200). Annaes. v. 1. Rio de Janeiro : Imprensa Nacional, 1924. p. 65-84.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Thaís Cristofaro Alves da. Descrição fonética e análise de alguns processos fonológicos da língua Krenak. Belo Horizonte : UFMG, 1986. 111 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOARES, Geralda Chaves. Os Borun do Watu : os índios do rio Doce. Contagem : Cedefes, 1992. 198 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;STEAINS, William John. A exploração do rio Doce e seus afluentes da margem esquerda. Rihges, s.l. : s.ed., n. 35, p. 103-27, 1984.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VIEIRA FILHO, João Paulo Botelho. Cetoacidose diabética em índio Krenak. Rev. da Ass. Med. Brasil., s.l. : Ass. Med. Brasil., v. 38, n. 1, p. 28-30, jan./mar. 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Erré Krenak. Dir.: Nivea Dias; Alessandro Carvalho; Cristiane Zago. Vídeo cor, NTSC, 20 min., 1998. Prod.: Cimi Leste; Centro de Documentação Elói Ferreira da Silva.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Tikmu’un (nós, humanos). Vídeo cor, VHS-NTSC, 60 min., 1999. Prod.: Crystal Vídeo Comunicação Ltda&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso|Maria Hilda Baqueiro Paraiso]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Krenak}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Maria Hilda Baqueiro Paraiso}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=677206673487cac29b9cf1.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=77019}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Márcio Ferreira, 1989}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=1998-12-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=137}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em São Paulo]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Mato Grosso]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Minas Gerais]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kaxix%C3%B3&amp;diff=6366</id>
		<title>Povo:Kaxixó</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kaxix%C3%B3&amp;diff=6366"/>
		<updated>2018-08-20T19:55:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Kaxixó significa pedra, que é a Nossa Senhora da Lapa. Na lei branca de vocês, chama caverna (Zezinho Kaxixó)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de séculos no anonimato, sufocados pela perseguição e posteriormente pela discriminação, os Kaxixó estão demonstrando desejo de viver a sua indianidade, trazendo à tona costumes e valores que estiveram camuflados, mas nunca perdidos. Mesmo quando não expressavam publicamente sua identidade, os Kaxixó preservaram viva a consciência de serem indígenas, transmitindo seus segredos e tradições de pais para filhos. Reconhecidos oficialmente pela Funai como grupo indígena em dezembro de 2001, depois de quinze anos de luta por tal reconhecimento, sua grande luta agora é pela posse das terras tradicionais e o fortalecimento cultural tão desejado pelo grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas duas últimas décadas do século 20 um novo fenômeno marca a história dos indígenas de Minas Gerais. Grupos originariamente mineiros, mas dispersos por várias partes do Estado e do país durante o processo da colonização e expansão territorial, começam a se reorganizar em comunidades e reivindicar seus direitos indígenas. Grupos que perderam em grande parte sua cultura tradicional, língua e estilo de vida tribal, mas que preservaram sua identidade étnica na convicção de jamais terem deixado de ser indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As primeiras expedições de bandeirantes paulistas nas imediações dos rios Pará, São Francisco e Rio das Velhas, região dos Kaxixó, tiveram início ainda no século 17, na esperança de localizarem a famosa Sabarabussu, uma mina rica em ouro, que hoje é a cidade de Sabará. Como nas demais regiões do Estado, os quartéis e aldeamentos dizimaram, deslocaram ou dispersaram os indígenas da região pelas várias fazendas e povoados que surgiram, onde foram se tornando trabalhadores braçais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A “lenda da resplandecente Sabarabussu” e o preamento (aprisionamento para escravização) de índios motivaram as primeiras expedições de bandeirantes paulistas nas imediações do Rio Pará, ainda no século 17, havendo referências de expedições de apresamento nas cabeceiras do São Francisco e entre este e o Rio das Velhas a partir de 1640. Teria sido com estas bandeiras que os Kaxixó tiveram os primeiros conflitos, resistindo à fixação desses invasores no seu território. No século 18, surge então a lendária figura do Capitão Inácio de Oliveira Campos e sua esposa Dona Joaquina de Pompeu, contra os quais a resistência Kaxixó foi inútil. Este Capitão Inácio, que os Kaxixó chamam de “governo”, teria chegado na região com “mil negros” e um grande contigente de “índios Carijó” (escravos), subjugando os Kaxixó, se apossando de suas terras e os reduzindo a jagunços. Capitão Inácio fornecia alimentos e carne para a Corte, nos tempos de D. João VI, sendo o trabalho feito por escravos e os índios utilizados como jagunços para controlar negros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este momento de contato e dominação constitui o marco inicial da história de formação étnica do grupo Kaxixó atual. Um dos filhos deste casal teve um relacionamento com uma índia Kaxixó, chamada posteriormente de Tia Vovó. Deste relacionamento nasceu Fabrício ou Fabrisco, como é lembrado pelo grupo. Aí começa o principal tronco Kaxixó.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para complicar a formação étnica dos atuais Kaxixó, entraram em cena mais dois segmentos: os “Carijó” do século 18, procedentes de São Paulo, e os negros, descendentes dos escravos africanos que trabalhavam na fazenda. Foi ainda a família de Fabrisco que selou uma dessas uniões, pois um de seus filhos casou com uma índia Carijó. Assim, ao contrário do que ocorre no Nordeste, onde a maioria dos grupos é descendente de antigas populações que viviam nos aldeamentos missionários, os Kaxixó são remanescentes de grupos que viviam nas fazendas da região do baixo rio Pará, como agregados e jagunços.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por muito tempo, os Kaxixó foram conhecidos como “Índios Caboclos da Vargem do Galinheiro”, hoje um bairro da cidade de Pompéu, antes conhecida como “Buriti da Estrada”, local de passagem obrigatória para os tropeiros, que lá se abasteciam com as galinhas criadas pelos “índios caboclos”. Os atuais Kaxixó são assim fruto da miscigenação de indígenas até então vivendo em liberdade com escravos de vários etnias, escravos negros e brancos da família da Dona Joaquina. Por isto, no grupo atual encontra-se pessoas de pele vermelha amorenada, cabelos pretos e lisos, como o ex-vice-cacique Jerry; pessoas negras, como o atual vice-cacique Zezinho; e pessoas brancas de olhos claros, como o cacique Djalma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1986, envolvidos num conflito de terras com fazendeiros, pediram ajuda ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pompéu, revelando a estes a sua identidade. Na impossibilidade de oferecer ajuda efetiva, o Sindicato entrou em contato com o Cedefes (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva), entidade que têm atuado na questão indígena do Estado. Desta forma, têm-se início a luta dos Kaxixó pelo seu reconhecimento étnico oficial, sendo realizado neste mesmo ano um levantamento histórico sobre o grupo pela indigenista Geralda Soares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1992, a liderança Kaxixó participou da II Assembléia Geral da Apoinme (Associação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo), recebendo apoio dos 24 povos indígenas ali representados. Enfrentando oposição de fazendeiros vizinhos desde o início, em 1993 surge a primeira resistência oficial por parte de governantes. O prefeito do município de Martinho Campos emite nota à imprensa repudiando a luta dos Kaxixó.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano seguinte, um laudo antropológico é realizado a pedido da Funai dando parecer contrário ao reconhecimento étnico do grupo. Os Kaxixó superam a frustração inicial e retornam à luta em 1995, quando participam da IV Assembléia Geral da Apoinme, onde são fortemente encorajados a continuar e logo recebem apoio da ABA (Associação Brasileira de Antropologia). Assim, em 1996 se fazem presentes na abertura do Programa de Formação de Professores Indígenas de Minas Gerais, e em 1998 iniciam sua participação na programação da Semana dos Povos Indígenas de Minas Gerais, organizada pelo Cimi e Cedefes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1997 solicitaram ao Cedefes a realização de um estudo sobre a história do grupo. Por meio de denúncias sobre a destruição de sítios arqueológicos na área por eles ocupada, tiveram acesso também à Procuradoria Geral da República, a qual instaurou um processo de investigação, incluindo um estudo sobre a identidade étnica do grupo, o qual teve parecer favorável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frente a tal parecer, a Funai solicitou, em 2000, uma nova análise antropológica, desta vez por um antropólogo indicado pela ABA. Em julho do mesmo ano saiu o resultado com parecer favorável e em dezembro o órgão indigenista nacional concluiu o caso, os reconhecendo oficialmente. Resta agora a restituição e regularização do seu território tradicional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Cácio Silva|Cácio Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Casa para realização de rituais. Foto: Cácio Silva, 2003.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/213572-1/kaxixo_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Capão do Zezinho, principal concentração do grupo, se localiza no município de Martinho Campos, na margem esquerda do Rio Pará, região centro-oeste de Minas Gerais, a 15 km do povoado de Ibitira, que por sua vez dista 180 km de Belo Horizonte. Capão do Zezinho é um pequeno vilarejo, com muitas árvores frutíferas e casas de alvenaria, água encanada e energia elétrica. Ao centro há um templo católico, ao lado da casa de ritual e do rancho de festas, ambos cobertos de capim e sem paredes. O primeiro é destinado às suas danças tradicionais e missas, enquanto o segundo é destinado aos festejos e comemorações. Neste vilarejo têm ainda um edifício onde funciona uma escola. Nas proximidades do Capão do Zezinho há outros três lugarejos de posse dos Kaxixó, que é a Fazenda Criciúma, Pindaíba e Fundinhos, estes dois últimos na Fazenda São José.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kaxixó foram oficialmente reconhecidos como grupo étnico. Sua principal luta é pela conquista de suas terras tradicionais, sob posse de vários fazendeiros. Reivindicam uma área de 27.150 ha, enquanto atualmente ocupam insuficientes 35,28 hectares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após algumas denúncias por parte dos Kaxixó de fazendeiros destruindo sítios arqueológicos do seu território tradicional, foram iniciados levantamentos nos municípios de Martinho Campos e Pompéu, na região da Bacia do Baixo Rio Pará. Quinze sítios arqueológicos foram encontrados, sendo sete pré-coloniais e oito históricos, compostos por grandes fragmentos cerâmicos e estruturas de fornos, além de instrumentos líticos polidos, tais como machadinhas, batedores, mão-de-pilão e quebra-cocos. A identificação e comprovação destes sítios arqueológicos no território tradicional dos Kaxixó foi como uma injeção de ânimo na sua luta pelo reconhecimento étnico oficial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dezesseis famílias, num total de 63 indivíduos, se envolveram efetivamente na luta pelo reconhecimento étnico oficial. Entretanto, o senhor Djalma, cacique Kaxixó, em 2002 afirmou que todo o grupo espalhado na região então somava 356 pessoas. A maior concentração está no Capão do Zezinho, mas há outros três lugarejos não muito distantes. Segundo levantamento da Funasa de 2006, havia 256 membros deste povo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Cácio Silva|Cácio Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos e rituais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte do grupo se identifica como católico. Segundo o senhor Djalma, desde a época do lendário Capitão Inácio a religião tradicional foi proibida, assim como a língua e até o próprio nome da tribo. Entretanto, continuaram fazendo seus rituais às escondidas. Na década de 1980, ele e seu irmão Zezinho foram levados a fazer o curso de formação para Ministro de Eucaristia e Dirigentes de Culto, da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil). Durante três anos eles foram mensalmente a Divinópolis para fazer os módulos do curso, quando também tiveram acesso a leituras sobre a história do Brasil, entre outros temas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um terreiro no Capão do Zezinho, chamado Cruzeiro [mesmo nome do local de culto aos Encantados no Toré entre populações indígenas no Nordeste], onde os Kaxixó, durante o mês de maio, vão todas as noites rezar. Levam a imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma vela e, ao iniciar a reza, estouram fogos, acendendo uma fogueira. Cada noite um deles é o responsável pela leitura do evangelho. E pedem proteção e saúde para cada família Kaxixó (Caldeira 1999:44).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal festa do grupo acontece em 4 de outrubro, dia de São Francisco de Assis, quando pessoas de toda a região e parentes de cidades distantes se reúnem. Além das rezas, há comes e bebes com fartura, barraquinhas e muito forró, que é o estilo musical mais popular da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A alguns quilômetros do Capão do Zezinho, está a Gruta da Nossa Senhora da Lapa, muito venerada por todo o grupo e pela população regional. De grande extensão, foram ali depositadas imagens de santos católicos, sendo comum a realização de missas e rezas no local. Ao longo de sua história, essa gruta sempre foi um lugar sagrado e de rezas para os Kaxixó.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O outro local é o Rancho ou Casa de Ritual, construída no centro do vilarejo do Capão do Zezinho. Trata-se de um rancho com aproximadamente quatro metros de comprimento por dois e meio de largura, com três troncos de cada lado e três ao centro, sem paredes, coberto de capim. Este foi construído em contrapartida à intenção da Igreja Católica de construir ali um templo em 1995: “Vamos fazer de nosso jeito a Casa de Ritual. De chão, barro batido, sapé e madeira, toda amarrada de cipó” (in Soares, 1995). De todo modo, a Igreja Católica construiu um templo de alvenaria ao lado daquele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um Kaxixó que vive no povoado de Ibitira é considerado por todos o pajé do grupo, por possuir “força e poder de cura”. E há algumas famílias que praticam a invocação de espíritos em rituais que chamam de “lei do índio” ou “língua de Angüera”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na cosmovisão kaxixó, duas entidades são centrais. Uma delas é Jacy, a quem atribuem as qualidades de Deus. A este, faz oposição o terrível Angüera, associado ao Diabo. Tanto Jacy como Angüera são designações recorrentes em povos Tupi, sendo Jacy o nome dado à Lua (divindade geralmente vinculada ao irmão gêmeo Sol), e Angüera um espírito usualmente vinculado aos mortos e à animalidade, representando perigo aos vivos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas há ainda uma terceira classe de entidades presentes na cosmologia Kaxixó, que são os lendários Caboclos d’Água. Sobre estes Caldeira (1999:34) comenta: “Seres fantásticos, os caboclos d’Água representam a total rejeição ao contato com os “brancos”. Refugiando-se nas águas do rio Pará, eles são descritos como homens de estatura muito baixa, corpo coberto de pêlos e braços muito fortes. Habitando algumas tocas às margens do rio, eles teriam aprendido a sobreviver tanto na terra quanto embaixo d’água (...). Descritos como homens que nadam como peixes, surgindo apenas para algumas pessoas, eles seriam possuidores de uma fala ou língua específica. Todavia, isto não teria impedido a comunicação entre eles e seus parentes Kaxixó, pois são capazes de se fazer entender ou de serem entendidos”. Os Kaxixó se consideram descendentes destes seres, com quem teriam se comunicado nas águas do Rio Pará. Estes seres balançam as canoas das pessoas, no intuito de brincar com elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal dança dos Kaxixó é a chamada Dança do Jacaré, em que duas fileiras de mesmo número de pessoas se formam de um lado e de outro, como descreve o senhor Djalma: “Então eles ficam de longe, só que num é igual Xavante, que fica de lado. Aí, eles cantam o Jacaré e quando fala, cá, ‘jacaré’, e eles falam, ‘a lagoa secou e você teve que voltar’, aí os de lá vêm e se encontram no meio, e eles dão uma volta e os de cá passam pra lá, e os de lá passam pra cá. A dança do Jacaré é a nossa dança antes do 1500. Eles num estão cantando porque nós estamos deixando demarcar a terra pra voltar esses 356 pra cá, pra aí nós dançarmos Jacaré”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por sua vez, pinturas corporais têm sido cada vez mais usadas, principalmente em datas ou locais especiais, como em congressos ou comemorações fora do seu território. Geralmente fazem riscos de cores diversas no rosto e os homens também no tórax. Como enfeites usam principalmente colares e pulseiras de madeira ou sementes, e cada líder possui um belo cocar.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Cácio Silva|Cácio Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sociedade e economia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eleito democraticamente, o cacique tem a responsabilidade de representar o povo nos contatos externos, bem como liderar reuniões e tomadas de decisão. É uma função recente, pois somente depois que iniciaram a luta pelo reconhecimento e se reorganizaram em tribo foi possível e tornou-se necessário uma liderança constituída. O vice-cacique tem a responsabilidade de responder pelo cacique na ausência do mesmo, bem como auxiliá-lo em todas as suas atividades. Como na maioria dos grupos indígenas do Estado, além do cacique e vice-cacique há um Conselho, formado pelos anciãos do grupo, tanto homens como mulheres, ao qual cabe pesar as decisões a serem tomadas, principalmente articulações políticas internas ou externas do. Esse conselho é chamado de “Liderança”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como o território atual é pequeno e descontínuo, sendo insuficiente para o abastecimento de todo o grupo, a maior parte dos Kaxixó são empregados de fazendas vizinhas, principalmente como vaqueiros e roceiros. Entretanto, mesmo com a insuficiência territorial, alguns praticam a agricultura familiar de subsistência, cultivando principalmente feijão, arroz, milho, algodão, mandioca, cará e amendoim. Criam também animais de pequeno porte, como porcos e galinhas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas famílias praticam a pesca no Rio Pará como principal fonte de subsistência, mas dipõem de pouquíssimos equipamentos, principalmente geladeiras, o que dificulta a venda de peixes no mercado regional. Há famílias que se valem da aposentadoria dos mais idosos. Outra fonte de sustento tem sido o artesanato. Neste aspecto desenvolvem algo que não se verifica em outros grupos indígenas de Minas, que é a fabricação de peças de barro, como pequenos potes, geralmente enfeitadas com penas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Cácio Silva|Cácio Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CALDEIRA, Vanessa &amp;amp;amp; Outros. Kaxixó – Quem é esse Povo? Belo Horizonte : Cedefes/Anai, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. “Povo Kaxixó”. In: Revista Informativa da Qualificação Profissional. Belo Horizonte : SETASCAD, nov 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PARAISO, Maria Hilda Baqueiro. Laudo Antropológico Sobre a Comunidade Denominada Kaxixó. Salvador : UFBA, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIBEIRO, Eduardo Magalhães (org). Lembranças da Terra – Histórias do Mucuri e Jequitinhonha. Contagem : CEDEFES, s.d.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOARES, Geralda Chaves. Relatório da Viagem aos Kaxixó. Belo Horizonte : Cedefes, 1995b.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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{{DISPLAYTITLE:Kaxixó}}&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas em Minas Gerais]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Aran%C3%A3&amp;diff=6365</id>
		<title>Povo:Aranã</title>
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		<updated>2018-08-20T19:55:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O povo Aranã é identificado na região do Vale do Jequitinhonha pelas denominações genéricas &amp;quot;índio&amp;quot; e &amp;quot;caboclo&amp;quot;, que constituem o sobrenome e o apelido, respectivamente, das duas famílias que compõem o grupo. A inserção dos Aranã no movimento indígena e sua busca pela identificação étnica é recente, datando do final da década de 1990.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
O índio tem três vezes parte do Brasil. A primeira parte é essa que eles são nacionais daqui. Quando os brancos chegaram aqui já achou os índios. A segunda parte foi essa que eles queriam expulsar os índios daqui (...); mataram, bateram, espancaram... mas eles não tinham para onde ir, conseguiram ficar desse mesmo jeito, não é? A terceira parte foi a mistura, e que deu a maior confusão no Brasil, porque os brancos pegaram as mulheres índias e estupravam. Nascia um índio cruzado com branco, um louro, igual essa menina ali. Ela é índia, mas é loira. Então, de onde vem essa loura, se índio não é loiro?... Então, assim continua a história e os brancos estupravam as moças, as mulheres, nascia diferente e as mães aconselhavam os filhos, não é? Então, 'vê se mistura aí' e tal... Até hoje tem muitas pessoas que são índias, mas é branco&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Palavras de Antonio Aranã, Fazenda Campo, 15/07/2001&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Aranã se apresentam dispersos em várias áreas rurais e urbanas dos estados de Minas Gerais e São Paulo. Contudo, o grupo possui maior concentração familiar nas áreas urbanas e rurais dos municípios de Araçuaí e Coronel Murta, no Vale do Jequitinhonha (MG).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fazendas Campo, Alagadiço, Lorena, Cristal e Vereda são as principais localidades rurais ocupadas pelos Aranã, sendo que na Fazenda Alagadiço há maior concentração de famílias em função da Diocese de Araçuaí ter doado glebas de terra para alguns posseiros na década de 1980. As cidades de Araçuaí, Coronel Murta, Pará de Minas, Juatuba, Betim, Belo Horizonte e São Paulo são as principais áreas urbanas ocupadas pelos Aranã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com base em levantamento preliminar realizado em 2000, pelo Conselho Indígena Aranã Pedro Sangê (CIAPS), o povo Aranã ultrapassa o número de 30 famílias.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vanessa Caldeira|Vanessa Caldeira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História e etnogênese ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A inserção dos Aranã no movimento indígena e sua busca pela identificação étnica é recente, datando do final da década de 1990, após um grupo familiar da etnia [[Povo:Pankararu|Pankararu]], originário de Pernambuco, ter migrado para a Fazenda Alagadiço, município de Coronel Murta, ocupando terra doada pela Diocese de Araçuaí, onde moram algumas famílias aranã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até antes da chegada dos Pankararu, o grupo indígena era conhecido pelas denominações Índio e Caboclo do Jequitinhonha. O convívio com os indígenas de Pernambuco, que participavam do movimento e da luta pelos direitos indígenas, estimularam o desejo antigo do grupo de investigação sobre sua origem étnica. Particularmente, o convívio com os Pankararu foi despertando nessas famílias indígenas a reflexão sobre sua condição social e histórica. Num processo crescente de revalorização de sua identidade étnica, esse grupo indígena buscou o apoio da organização não governamental CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva) para desvelar sua origem e lutar por seus direitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com Dona Rosa Índia, presidente do CIAPS (Conselho Indígena Aranã Pedro Sangê), o desejo de saber a qual povo étnico pertencia sua família sempre existiu. Entretanto, com a presença dos Pankararu e com o apoio da indigenista Geralda Soares e da antropóloga Izabel Mattos seu povo conseguiu o apoio necessário para investigar e descobrir sua origem étnica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O etnônimo Aranã ===&lt;br /&gt;
A historiografia oficial aponta para a extinção do povo Aranã ainda no século XIX. Contudo, o grupo Aranã contemporâneo remonta sua história a partir de um ancestral -Manoel Índio (também referido como Manoel Caboclo), que foi, segundo a memória oral de seus descendentes, um dos indígenas aldeados em Itambacuri, região do Vale do Rio Mucuri, Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em pesquisa nos arquivos do aldeamento capuchinho de Nossa Senhora da Conceição de Itambacuri, a antropóloga Izabel Missagia Mattos localizou registro de Manoel Índio de Souza, identificado como índio Aranã, subgrupo dos famosos Botucudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com a pesquisa documental realizada por Mattos, consta no Livro de Matrícula das Alunas do Colégio Santa Clara, aldeamento de Itambacuri, ano 1918, o registro da aluna Idalina Índia dos Santos, filha de Manoel Índio de Souza, falecido (Livro ano 1908/1927, p. 29). Ainda no mesmo livro de matrícula, todavia em documento datado de 1923, o registro de Idalina Índia dos Santos sofre o acréscimo da sua identificação étnica: Aranã. Estes dados sugerem a possibilidade de o citado Manoel Índio de Souza ser o mesmo Manoel presente na memória oral do grupo familiar Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mattos (2002a), que compulsou sistematicamente a documentação referente aos aldeados de Itambacuri, informa não ter encontrado o sobrenome Índio associado a quaisquer outras designações étnicas que não Aranã. A relação entre o patronímico Índio e o etnônimo Aranã é reforçada por outra pesquisa documental, realizada pelo professor e historiador José Carlos Machado, na Paróquia de Capelinha. Consta no Livro de Casamento nº 1 da referida Paróquia, registro nº140, p. 203, que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aos vinte e um de outubro de mil oitocentos e oitenta e seis, dispensados por mim das três denunciações canônicas, servi de poderes delegados pelo Revmº Sr. Bispo Diocesano, na Capela de Santo Antônio do Surubim, em minha presença e das testemunhas Santos Alves dos Santos e Lucas Pereira de Souza, se receberam em matrimônio Manoel Miguel e Claudiana, índios, ele filho de Miguel Índio, e natural das matas do Surubim, tribo dos Aranã, e ela filha de Joaquim Gomes, índio, e de Luzia, índia, e natural das matas do Bonito. Dei-lhes as bênçãos nupciais. Os nubentes reconheceram como seus filhos Salvina e Delfina, os quais declarei legitimados pelo matrimônio subseqüente. Para constar, faço este assento. O Vigário João Antônio Pimenta.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar dos documentos acima citados apontarem para a possível origem social do grupo em questão, não há necessariamente uma &amp;quot;continuidade histórica&amp;quot; direta entre os Aranã de Itambacuri e os Aranã do Vale do Jequitinhonha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Índio e Caboclo do Jequitinhonha ou Aranã atuais, em [[Quem são#Índios emergentes|processo de emergência étnica]], constituíram-se através de um longo processo de aliança e hibridação entre duas principais famílias de origem indígena, na qual apenas uma delas remonta seu passado ao aldeamento missionário de Itambacuri.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, a forte referência ao aldeamento de Itambacuri e os dados de pesquisa sobre a possível vinculação do sobrenome Índio com o etnônimo Aranã fez com que o grupo, como um todo, num processo dinâmico de busca de sua origem étnica, se identificasse com a história &amp;quot;oficial&amp;quot; do povo Aranã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao remeterem a origem do grupo ao aldeamento de Itambacuri e à ocupação indígena na região do Vale do Jequitinhonha, a história de constituição dos Aranã caracteriza-se pela união entre grupos com origem indígena que foram levados para cidades e fazendas da região e que, ao longo do século XX, constituíram-se como comunidade que traz consigo a consciência da origem indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, mais do que uma identificação genérica, as denominações &amp;quot;índio&amp;quot; e &amp;quot;caboclo&amp;quot; configuram-se, no caso aranã, como patronímico (sobrenome oficial), no caso da família Índio, e como &amp;quot;patromínico apelido&amp;quot; (Mattos, 2002b), no caso da família Caboclo. Para as famílias aranã que possuem o sobrenome Índio, este simboliza, para elas, a &amp;quot;prova&amp;quot; da identidade indígena, a marca da diferença. Já a denominação Caboclo, que não se configura propriamente como patronímico, está, entretanto, tão fortemente presente na identificação intra e extra grupal que podemos entendê-la como um &amp;quot;patronímico apelido&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os patriarcas ===&lt;br /&gt;
De acordo com sua memória oral, o principal ancestral dos Aranã contemporâneos, Manoel Índio ou Manoel Caboclo, teria sido &amp;quot;adquirido&amp;quot; por um grande fazendeiro da região do médio Jequitinhonha e residido na pequena cidade de Virgem da Lapa, onde ficou conhecido por exercer a atividade de tropeiro. Para os Aranã, Manoel estabelece o elo de ligação histórica entre a &amp;quot;vida no mato&amp;quot; e a &amp;quot;vida nas cidades&amp;quot; do seu povo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o Senhor Jumá Índio, neto de Manoel, seu avô foi &amp;quot;pego no mato&amp;quot;, na região de Itambacuri, já adulto. A imagem de Manoel Índio é associada, pelos Aranã, à imagem de &amp;quot;índio bravo&amp;quot;, &amp;quot;índio do mato&amp;quot;. Todavia, capturado e levado para o aldeamento de Itambacuri e depois para trabalhar para a família Murta, Manoel teria vivido grande parte de sua vida distante de seu povo e sob regime de trabalho escravo, na região da cidade de Virgem da Lapa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vítima de um processo de desenraizamento imposto, Manoel teria se casado com Isabel, que, segundo a memória oral aranã, seria também indígena de Itambacuri. Segundo o Senhor Jumá, Manoel e Isabel teriam tido três filhos, sendo o caçula, Pedro Inácio Figueiredo, o patriarca dos atuais Aranã do Vale do Jequitinhonha. Jumá diz não ter conhecido os irmãos de seu pai, apesar de saber que eles viveram em Virgem da Lapa, tornando-se conhecidos na região pelo apelido de &amp;quot;Boquinha&amp;quot; ou &amp;quot;Boquim&amp;quot;, expressão advinda provavelmente da palavra caboclo, e pela qual era conhecido inclusive Manoel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo informações dos Aranã e breve pesquisa documental realizada pela equipe do CEDEFES, ANAI (Associação Nacional de Ação Indigenista) e PRMG (Procuradoria da República em Minas Gerais) em Virgem da Lapa, o patronímico Índio não se faz presente no registro oficial dos descendentes de Manoel Índio, que, ao que tudo indica, recebeu em seus registros oficiais o sobrenome do patrão, prática muito comum à época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O herói cultural Pedro Sangê ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pedro Inácio Figueiredo, Pedro Inácio Izidoro ou Pedro Sangê, como ficou conhecido na região, provavelmente nasceu no ano de 1883, na Fazenda Alagadiço, tendo falecido no final da década de 1960. Pedro Sangê viveu a maior parte de sua vida trabalhando para a tradicional família Figueiredo Murta, que lhe possibilitou o acesso à educação formal. Segundo seus descendentes, Pedro nunca se dedicou ao trabalho agrícola ou à pecuária. Casou-se duas vezes e teve 13 filhos, todos com o sobrenome Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A admiração por Pedro Sangê é grande entre os Aranã. Seus filhos não conseguem findar a lista de qualidades e apelidos do pai reconhecidos pela população local. Segundo sua filha caçula, Rosa, seu pai possuía grande espiritualidade e religiosidade, o que foi responsável por vários de seus apelidos, inclusive o de Pedro Conselheiro. Referência também para a arte de cozinhar e para confeccionar artesanato em couro, ele era chamado por vários fazendeiros para prestar serviços temporários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fato de ter sido alfabetizado e de desenvolver atividades artesanais certamente fez com que Pedro Sangê se destacasse no contexto da população trabalhadora regional; bem como o seu forte vínculo com a Igreja Católica e sua proximidade com os padres. Estas características, somadas às suas outras habilidades e à sua aparente negação à realização de trabalhos agrícolas, parecem lhe ter proporcionado, em sua juventude, uma vida independente e errante pelas fazendas da região. Contudo, após seu segundo casamento, os nascimentos dos seus filhos, com limitações advindas de problemas de saúde e idade, entre outros, Pedro se fixou na Fazenda Campo. Lá ocupava, provavelmente, uma função de administrador. Contudo, uma de suas principais tarefas era a de ler diariamente livros de literatura e jornais para seu patrão, Senhor Miguel Izidoro Murta, que perdera a visão aos 25 anos de idade. Atividade pouco comum, essa responsabilidade Pedro Sangê só deixou de exercer quando também perdeu a visão. Sob diferentes alegações, os descendentes de Pedro Sangê associam sua deficiência visual à de seu patriarca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, vale salientar que, apesar da deficiência visual, Pedro Sangê continuou trabalhando na fazenda e exercendo seu papel de líder, permanecendo como uma referência para a vida de sua comunidade. Capaz de agregar seus descendentes, ele se transformou numa figura heróica para os Aranã por sua personalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da identidade indígena do grupo se apresentar fortemente relacionada com o sobrenome Índio, os Aranã ressaltam que seu povo não se restringe à história do grupo familiar Índio. Os Aranã atuais constituíram-se através de um processo de aliança entre as famílias Índio e Caboclo, como ressalta Tião Caboclo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Tem muitas famílias aqui (...). Fora isso, tem a família Caboclo e a família Sangê, mas o povo é um só.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É... O nome Aranã eu acho que pode ser o povo Aranã; a família é diferente. A família pode ser família Cabocla, família Sangê... igual tem família Sangê... Agora o povo é Aranã. &amp;lt;small&amp;gt;(Fazenda Taquaral, reunião com os Aranã, 31/03/2001)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o Senhor Jumá e Dona Terezinha, filhos de Pedro Sangê, a união entre as famílias Caboclo e Índio teve início quando do casamento de seus pais, Pedro Sangê e Maria Rosa das Neves. Maria teria nascido na Fazenda Alagadiço, no ano de 1910, conforme sua certidão de casamento com Pedro Sangê, pertencendo ao grupo familiar Caboclo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, teria sido na Fazenda Campo, local onde nasceram todos os filhos do casamento de Pedro Sangê e Maria Rosa, que o processo de aliança entre as famílias Caboclo e Índio intensificou-se, ainda no início do século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família Caboclo remete seu passado indígena à região de Coronel Murta. Segundo o octogenário Senhor Hildebrando Freire Figueiredo Murta, quando a cidade foi fundada por sua família, era de conhecimento de todos a presença indígena na região. Os índios eram identificados pelas denominações genéricas de Tapuia e/ou Tocoiós, sendo esta última designação relativa ao aldeamento existente na região no século XVIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com Dona Luzia Cabocla, principal guardiã da memória oral do grupo familiar, a história de sua família remonta ao processo de miscigenação entre índios, negros e brancos trabalhadores da região de Coronel Murta. As fazendas Vereda, Cristal e Alagadiço, próximas ao aldeamento de Lorena de Tocoiós, configuram-se como principais locais de referência da presença dos Caboclo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Caboclo, a origem indígena remete a um passado mais distante que aquele reportado pela família Índio, algo em torno de quatro gerações passadas. A família Caboclo traz consigo, de forma mais acentuada, a idéia de miscigenação. Todavia, refere à origem e identidade indígenas como bases para a ligação e a afinidade com a família Índio. Também para eles, a consciência de um passado comum proporciona um sentimento de pertença de inequívoco apelo étnico.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vanessa Caldeira|Vanessa Caldeira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Aranã sustentam sua unidade enquanto grupo étnico através de uma regra de descendência que parece privilegiar sempre a inclusão: os filhos de casamentos entre Aranã e não índios parecem ser sempre considerados Aranã. A origem indígena sempre prevalece na identidade dos filhos, independentemente do vínculo étnico apresentar-se ligado à mãe ou ao pai. Este padrão ocorre também nos casamentos entre as famílias Índio e Caboclo: quando um membro da família Caboclo casa-se com um membro da família Índio, os filhos são sempre identificados como Índio; novamente o gênero dos genitores não sendo determinante. Além disto, foi possível perceber que algumas mulheres da família Caboclo ou não índias, ao se unirem a um membro da família Índio, identificam-se, elas próprias, como tais. Torna-se assim compreensível o crescimento populacional recente da comunidade aranã concomitante ao próprio processo de emergência, afirmação e valorização da identidade étnica do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pedro Sangê, &amp;quot;índio&amp;quot; sem vínculo societário indígena definido, através do seu olhar para o passado, constituiu as bases de uma comunidade indígena pensada, vivida e sonhada, com uma história própria e com regras específicas de inserção de seus membros. É desta forma que os Aranã se apresentam, enquanto grupo étnico, e que lutam para ser ouvidos e respeitados.&lt;br /&gt;
=== Relação com a terra e com os fazendeiros ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de transferência de famílias indígenas para fazendas é fato antigo na história brasileira, definindo de modo preponderante fluxos migratórios e processos de destribalização de inúmeros povos. No caso aranã, sendo a biografia de seus patriarcas, Manoel e Pedro Sangê, diretamente marcada por processos de 'desenraizamento' de suas famílias de origem, e de estabelecimento de vínculos meramente pessoais de dependência com famílias de fazendeiros, seria improvável de se conceber, em tais circunstâncias, o horizonte possível de uma vida em comunidade para os seus descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, o povo Aranã se concebe enquanto tal a partir de sua permanência na Fazenda Campo, município de Araçuaí, no início do século XX. O casamento de Pedro Sangê com Maria Rosa das Neves foi uma das principais razões da fixação da família em uma terra e marcou também o início da união entre as famílias Índio e Caboclo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Fazenda Campo, os Aranã prestavam serviços para o proprietário Senhor Miguel Figueiredo Murta. Apesar de habitarem também a Fazenda Alagadiço e lá ainda prestarem serviços para a família Murta, foi na Fazenda Campo que os Aranã consolidaram uma vida em comunidade mediada pela figura marcante de Pedro Sangê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação com o fazendeiro, velho Miguel, como é lembrado pelos descendentes de Sangê, é descrita como amigável, boa. Segundo eles, enquanto velho Miguel estava vivo, havia alegria e fartura na fazenda. Entretanto, após sua morte, os Aranã relatam as dificuldades vividas na fazenda. Além das condições de assistência à saúde, também o clima e as relações de trabalho foram se deteriorando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo os Aranã, quando velho Miguel morreu os herdeiros da Fazenda Campo não investiram na propriedade, dividindo-a e vendendo-a para outros fazendeiros da região. A intensificação da seca no Vale do Jequitinhonha, somada à grande distância da fazenda para os centros urbanos para tratamento médico e acesso à educação formal, são identificados nesse momento como os principais fatores que dificultaram a permanência do grupo na área, razões estas que culminaram com a migração de algumas famílias para centros urbanos e fazendas mais próximas das cidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O progressivo desencantamento das relações sociais vividas na Fazenda Campo posteriormente às mortes de velho Miguel e de Sangê parece ter resgatado, na memória dos Aranã, a percepção da relação com os fazendeiros como de cativeiro e como fator maior da sua desagregação - características estas que podem remontar a própria história, fundante e emblemática para eles, de Manoel Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Fazenda Campo situa-se ao lado esquerdo do rio Jequitinhonha, a 15 km do mesmo, em local de difícil acesso, nas microbacias dos rios Santana e Areia. A arqueóloga, Alenice Baeta, em visita ao sítio onde se localizava a sede da fazenda, observou ainda algumas estruturas remanescentes da mesma, tais como: um antigo cemitério, um cruzeiro com alicerce de alvenaria de pedra, fornos, fornalhas, engenho, oficina de farinha e alicerce da sede, dentro outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como a Fazenda Campo, a Fazenda Alagadiço também foi de propriedade da família Murta até metade do século XX, quando Dona Mariquinha Murta doou a fazenda para a Diocese de Araçuaí, em 1942. Quando do primeiro casamento de Sangê, no início do século XX, e quando do êxodo da Fazenda Campo, a presença aranã na Fazenda Alagadiço ocorreu de forma preponderante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Diocese recebeu a posse da fazenda Alagadiço, mas parece ter desde sempre manifestado dificuldades para gerenciá-la. No início da década de 1980, a Diocese realizou algumas tentativas de transferir glebas de terras para seus agregados, a fim de minimizar os custos. Esse processo envolveu algumas famílias aranã, que apesar da gratidão à Diocese pela doação de terras, manifestam a insuficiência da terra para garantir sua subsistência. São pequenas glebas, em faixas estreitas de terra, onde o acesso à água exige projeto de canalização.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vanessa Caldeira|Vanessa Caldeira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O almejado território ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação histórica de subordinação aos fazendeiros, a constante migração pelas fazendas e a memória de uma vida em comum, mas repleta de dificuldades na fazenda Campo, faz com que os Aranã possuam uma relação muito específica com a terra. Desde o primeiro contato com a equipe do CEDEFES, os Aranã afirmam que sua luta é para adquirir uma terra para que possam viver coletivamente. Os Aranã que moram em Araçuaí dizem, pelo depoimento de Dona Rosa Aranã, (07/07/2002)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
O problema é que a gente não tem terra. A gente está na cidade obrigado. Viver junto é outra coisa. A terra para gente é bem melhor; mais importante que o reconhecimento étnico oficial. Mas tudo volta para o reconhecimento, não é?&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O acesso à assistência do poder público, demandada, sobretudo, enquanto assistência aos direitos dos povos indígenas, apresenta-se, para eles, como vinculada ao reconhecimento étnico oficial. Não se percebem, enquanto comunidade, como algo diverso de índios. É o próprio sentimento de indianidade que parece explicar, para si próprios, uma tão premente demanda por uma vida em comum.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A comunidade imaginada pelos Aranã do Jequitinhonha necessita da posse de uma área para estabelecer novo vínculo com a terra. Nessa luta para agregar o seu povo, pouco importa para os Aranã se as famílias moram nas cidades ou nas fazendas. Isto não se constitui como elemento definidor de sua identidade. Para o grupo, laços de parentesco, memória e envolvimento com a luta pela terra são os principais elementos de identificação. No caso aranã, a dimensão utópica da comunidade imaginada define a luta de um povo pelos seus direitos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nós somos índios em qualquer lugar. Não importa onde estamos; não importa se somos reconhecidos... A gente se sente diferente dos outros. A maneira de ser da gente é diferente. Não sei, não sei se é... mas a gente sente assim. A gente precisa é estar junto. &amp;lt;small&amp;gt;Dona Rosa Aranã, 07/07/01&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 25 de janeiro de 2000, os Aranã enviaram para a Diretoria de Assuntos Fundiários da [[Órgão Indigenista Oficial#Fundação Nacional do Índio (Funai)|Funai]] documento comunicando sua situação e solicitando uma solução para a questão da terra. Neste, os Aranã solicitaram a compra de uma terra para o grupo, mas não obtiveram resposta formal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cientes da ausência de referências mínimas de identificação étnica do grupo por parte da Funai, da morosidade dos processos de regularização de [[O que são Terras Indígenas?|Terras Indígenas]] no Brasil e rejeitando a perspectiva de retorno para a área anteriormente ocupada pelo grupo na Fazenda Campo, os Aranã tentaram buscar alternativas para luta pela terra, iniciando um processo de contato com a Diocese de Araçuaí. Em 2000, perguntaram sobre a possibilidade da diocese doar uma parcela de terra para seu grupo se fixar e poder viver em comunidade na área onde alguns de seus parentes e um grupo [[Povo:Pankararu|Pankararu]] já possuíam terras. Mas o pedido não foi aceito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período de levantamento da história oral aranã, em 2001, o desejo de permanecer na região de Coronel Murta e Araçuaí se configurava como um marco de consenso do grupo. Apesar do intenso e histórico fluxo emigratório, e do fato do grupo ter se constituído enquanto tal em terras compreendidas como grandes fazendas, os Aranã entendiam, naquele período, que foi nessa região que estabeleceram raízes, laços de parentesco, amizades e conhecimentos da terra e da medicina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, com a premência de equacionarem o problema de acesso a terra, os Aranã têm também se mobilizado na busca de soluções alternativas que perpassam, inclusive, pela fixação do grupo em outras localidades da região e pelo recurso a instituições governamentais que não atuam especificamente no campo indigenista, como ITER (Instituto de Terras - poder público estadual) e o poder público municipal de Capelinha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns Aranã já possuem a posse de pequena gleba de terra na Fazenda Alagadiço e afirmaram, durante o período do trabalho do CEDEFES/ANAI/PRMG, não se imaginarem saindo dessa localidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação dos Aranã com a sociedade regional é relatada, tanto por parte dos indígenas como dos não índios, como uma relação de amizade. Todavia, depois de deflagrada a luta pela terra, conseqüentemente pelo reconhecimento étnico oficial, os Aranã, principalmente os seus mais velhos, afirmam que a reação da população não foi muito boa. Questionamentos, dúvidas e discriminação teriam marcado a reação da maioria das pessoas, fatos que parecem ter surpreendido negativamente os Aranã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para Rosa Aranã, a reação negativa de moradores da região para com seu povo caracteriza-se como um sinal de preocupação dos fazendeiros para com a situação fundiária. Pelo fato de a questão da identidade étnica perpassar pelo direito a terra, a população regional dissemina a dúvida e o descaso quanto à autenticidade da identidade indígena do grupo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vanessa Caldeira|Vanessa Caldeira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Religião e costumes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Católicos, os Aranã falam com muito orgulho da função de sacristão que Pedro Sangê exerceu na Fazenda Campo. Em regime de mutirão, eles construíram uma capela naquela fazenda, onde até hoje seus filhos e netos realizam cultos para os poucos moradores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dona Terezinha, benzedeira que lidera a vida espiritual aranã, se identifica como católica. Responsável pela abertura de todas as reuniões de seu povo, ela benze seus parentes, canta e reza, e seus sonhos são entendidos como sinais divinos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antônio e seu filho Raimundo, conhecido como Mundinho, são os principais responsáveis pelas celebrações católicas dos Aranã. Ao acompanhar o grupo, pode-se perceber a grande importância que tem o calendário litúrgico da igreja católica para a organização de suas cerimônias. De forma intensa, reelabora-se, no contexto da vida religiosa dos aranã, significados próprios de práticas católicas de modo a atender a especificidades da identidade indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dispersas, as famílias aranã têm nos cultos católicos os principais momentos de sociabilidade do grupo. Referem, ainda, os forrós e os jogos de baralho como suas principais fontes de entretenimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O chamego, bebida fermentada obtida de um fruto chamado Quiabinho, é tida como específica dos Aranã e um dos seus marcos de identificação étnica, constituindo-se, deste modo, em um importante elemento de integração na vida festiva do grupo. Incorporada e associada aos encontros indígenas, o chamego envolve atividades comunitárias desde o seu preparo, ao qual todos se dedicam. Conversas e brincadeiras muito próprias da convivência aranã permeiam os processos sociais de confecção e de consumo do chamego.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vanessa Caldeira|Vanessa Caldeira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Reconhecimento étnico e participação no movimento indígena ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao se inserirem no movimento indígena, com apoio do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), do GTME (Grupo de Trabalho Missionário Evangélico) e do CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva), os Aranã deram início ao processo de investigação de sua própria história, ampliando seus conhecimentos acerca da realidade indígena no Brasil contemporâneo. Participando das semanas dos Povos Indígenas em Belo Horizonte, das reuniões do Conselho dos Povos Indígenas de Minas Gerais, da Comissão das Mulheres Indígenas do Leste, da Marcha 500 Anos Brasil, entre outros eventos, os Aranã conquistaram seu espaço político e reforçaram a luta dos ''povos resistentes'' no país. Histórias foram reacendidas, direitos foram descobertos, projetos de futuro foram redimensionados. O sonho da vida em comunidade ganhou, enfim, perspectivas. Engajados no movimento indígena, os Aranã se organizaram para pesquisar sua história, sua origem étnica e para conquistar seus direitos, sendo o primeiro deles a terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 19 de outubro de 2000, juntamente com o povo [[Povo:Kaxixó|Caxixó]], enviaram à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) documento solicitando sua inclusão no Programa de Atenção à Saúde do Índio, participação nos encontros de saúde promovidos pelo Distrito Especial de Saúde do Índio, participação nos cursos de formação para agentes indígenas de saúde, valorização de sua medicina tradicional e cumprimento das diretrizes nacionais para o atendimento à saúde indígena. Sem resposta formal da Funasa e cientes de que a não inserção dos Aranã nas políticas públicas referentes aos povos indígenas apoiar-se-ia em alegações quanto à ausência de &amp;quot;reconhecimento étnico oficial&amp;quot; do grupo, os Aranã encaminharam, a 25 de outubro de 2000, novo documento à Procuradoria da República, solicitando parecer da instituição sobre sua &amp;quot;identidade étnica&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste mesmo ano, os Aranã solicitaram ao CEDEFES, que possuía um projeto de apoio ao grupo, que seu trabalho pudesse constituir também de uma peça técnica para suporte à inserção aranã nas políticas públicas indigenistas. Em janeiro de 2001, o CEDEFES iniciou os trabalhos referentes ao projeto e, no decorrer do primeiro semestre, em diálogo com a Procuradoria, foi acordada uma parceria entre as duas instituições a fim de produzir um relatório que subsidiasse o poder público de informações sobre a história e a identidade étnica do povo Aranã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em março de 2001, com o objetivo de conquistar maior legitimidade e autonomia política, os Aranã criaram o CIAPS (Conselho Indígena Aranã Pedro Sangê).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em julho de 2001, com a intenção de manter os contatos com o órgão indigenista oficial e de otimizar o processo de &amp;quot;oficialização&amp;quot; do reconhecimento de sua identidade indígena, os Aranã enviaram documento à Administração Executiva Regional da [[Órgão Indigenista Oficial#Fundação Nacional do Índio (Funai)|Funai]] em Governador Valadares, informando sobre sua atual situação e solicitando sua inserção nos programas governamentais destinados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 01 de outubro de 2001, ainda sem resposta da Funai, os Aranã solicitaram uma reunião com a Procuradoria da República para expor sua situação e a ausência de respostas dos organismos governamentais às suas demandas, bem como solicitar à instituição apoio para encaminhamentos do caso. Em resposta, no dia 08 de outubro, Doutor Álvaro Ricardo de Souza Cruz, Procurador, encaminhou ao coordenador regional da Fundação Nacional de Saúde uma recomendação (nº8/2001) ''&amp;quot;objetivando a inclusão do Povo Indígena Aranã, em fase de estudos sobre o seu reconhecimento, para fins de assistência à saúde, incluindo-o no conjunto de população alvo da política de atenção à saúde indígena no Estado de Minas Gerais&amp;quot;.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, a partir do ano de 2002, os Aranã passaram a ser atendidos pelo Programa de Saúde do Índio no estado, consolidando a primeira vitória do grupo na luta pela inserção e acesso às políticas públicas indigenistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o cadastramento prévio da Funasa, realizado com base em levantamento preliminar do CIAPS em 2000, cerca de 30 famílias aranã na região de Coronel Murta e Araçuaí são assistidas pelo Programa de Saúde dos Povos Indígenas. A base econômica das famílias que residem nas áreas rurais advém de serviços prestados nas fazendas dos municípios de Coronel Murta e Araçuaí, da agricultura de subsistência - principalmente de milho, mandioca, feijão, melancia, abóbora e de hortas - e de aposentadorias. As famílias que residem nas áreas urbanas têm nas aposentadorias a sua principal fonte de renda, enquanto que os mais jovens exercem atividades diversas: professores da rede municipal de ensino, vigilantes de prédios, auxiliares de escritório e serviços em geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em processo de [[Quem são#Índios emergentes|emergência étnica]], os Aranã são questionados sobre seu modo de ser, sobre a semelhança deste com o cotidiano de vida dos trabalhadores rurais da região e seu esteriótipo. Quanto a isso, eles comentam (Reunião com os Aranã, Fazenda Taquaral, 31/03/2001):&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Paulinho Aranã (Jibóia)''': Na questão indígena (...) o que conta muito é a aparência. Se o cara não tiver a aparência de índio, os caras falam: 'você não é índio! Você está é aproveitando!' Eles falam mesmo! (...) Lá no encontro que teve lá [em Cuiabá, curso para formação de lideranças indígenas, organizado pelo GTME] (...), na hora de começar o encontro, a menina, quando pediu pra cada um fazer uma mensagem na própria língua, foi um aperto... Aí, um fala na língua dele, outro fala, aí vai rolando... Aí chegou perto de mim, assim... aí o rapaz disse que não sabia falar a língua dele e passou... Aí, só eu e mais uns dois que não falaram nada... uma mensagem na língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Manuel: '''Fui criado com fazendeiro, trabalhei com fazendeiro; como que eu posso saber?...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Paulinho:''' Pois é... Nós marcamos bobeira danada. Nós podíamos ter falado: 'bom dia para vocês todos aí.' Mas no momento que fala da língua tradicional, aí a gente não pensa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Outro Aranã: '''Aí, se perguntar, você fala: 'eu aprendi foi assim´.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Manuel Aranã:''' Com tanto massacre que a gente teve... sofrimento que foi..&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Mulher Aranã:''' Eu não aprendi outra língua; eu aprendi foi essa..&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Aranã, a diferença entre seu povo e a sociedade envolvente não está na forma de sobrevivência, na língua, na &amp;quot;aparência&amp;quot;. Para eles, a diferença passa por outras categorias, como ocorre para outros povos indígenas inseridos em contextos regionais com séculos de colonização européia. Para o grupo, ser Aranã é possuir uma história comum, uma origem indígena comum, que une através de laços de parentesco um grupo restrito de pessoas. É através desse sentimento que os Aranã se organizam, que obtêm apoio de índios e não índios e que reivindicam hoje o direito de viver em comunidade, o direito de ter uma terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Aranã foram reconhecidos oficialmente pelo governo brasileiro em maio de 2003. Dois fatores foram considerados preponderantes para essa conquista: o envio do relatório &amp;quot;Aranã: a luta de um povo no Vale do Jequitinhonha&amp;quot;, de autoria do CEDEFES/ANAI/PRMG, e que subsidia o órgão indigenista oficial de informações acerca da história do grupo étnico; e o fato político do Brasil ter se tornado signatário da Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que trata da auto-declaração como critério único para o reconhecimento étnico oficial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, os Aranã aguardam o órgão indigenista oficial (Funai) iniciar o trabalho de identificação da Terra Indígena. De acordo com técnico do DAF (Departamento de Assuntos Fundiários da Funai), uma equipe técnica do órgão deve ir à região do Vale do Jequitinhonha em 2004 para iniciar o trabalho de levantamento fundiário e diálogo com o povo indígena Aranã.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vanessa Caldeira|Vanessa Caldeira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Notas sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história dos Aranã atuais encontra-se mais ricamente descrita no relatório de 2003, elaborado sob a coordenação de Vanessa Caldeira , fruto do convênio entre CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva) e PRMG (Procuradoria da República em Minas Gerais), em parceria com ANAI (Associação Nacional de Ação Indigenista). O documento apresenta VI seções, resultado de um trabalho de campo e pesquisa bibliográfica de 12 meses. A equipe interdisciplinar, formada por antropólogos (Vanessa Caldeira, José Augusto Sampaio e Izabel Mattos), historiadores (César Moreno e Alenice Baeta) e arqueóloga (Alenice Baeta), proporcionou ao relatório riqueza de fontes e análises.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O verbete Aranã desta Enciclopédia é um resumo da seção III deste relatório, que trata do trabalho etnográfico realizado no período de 2001/2002.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para um resumo (01 lauda) sobre os Aranã, ver Caldeira (2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre os registros históricos do povo Aranã ver Izabel Missagia Mattos (2002a). Em sua tese de dourado em Antropologia Social, Mattos realiza uma ampla pesquisa acerca do Aldeamento Nossa Senhora da Conceição de Itambacuri, local de referência na memória oral aranã para constituição de sua história.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma análise mais profunda sobre a discussão teórica do patronímico Índio e do &amp;quot;patronímico apelido&amp;quot; Caboclo, ver Mattos (2002 b). Neste trabalho, a autora, que participou do relatório de 2003, apresenta um estudo &amp;quot;sobre processo identitário de um grupo familiar a partir da utilização da onomástica na interpretação do seu patronímico étnico, em suas dimensões histórica, social e simbólica&amp;quot;. (2002 b: 02)&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Outras leituras ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para melhor compreensão da presença histórica aranã na região do município de Capelinha, Minas Gerais, ver ''Senhora da Graça da Capelinha'', de José Carlos Machado (2000). Para uma discussão teórica acerca do processo de &amp;quot;emergência&amp;quot; étnica, ver ''A viagem de volta: reelaboração cultural e Horizonte político dos povos indígenas no nordeste'', de João Pacheco de Oliveira (1993).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vanessa Caldeira|Vanessa Caldeira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  CALDEIRA, Vanessa. O povo Aranã ressurge na história do Vale do Jequitinhonha. Revista Expresso Notícias, Capelinha : s.ed., p. 19, 2001.&lt;br /&gt;
*  -------- et al. Aranã: a luta de um povo no Vale do Jequitinhonha - Relatório. Belo Horizonte : Cedefes/Anaí/PR-MG, 2003.&lt;br /&gt;
*  MACHADO, José Carlos. Senhora da Graça da Capelinha. Capelinha, 2000.&lt;br /&gt;
*  MATTOS, Izabel Missagia. “Civilização&amp;quot; e &amp;quot;revolta&amp;quot; : povos Botocudo e indigenismo missionário na Província de Minas. Campinas : Unicamp, 2002. 577 p. (Tese de Doutorado).&lt;br /&gt;
*  --------. O nome &amp;quot;índio&amp;quot; : patronímico étnico como suporte simbólico de memória e emergência indígena no Médio Jequitinhonha - Minas Gerais. Cadernos de Campo, São Paulo : USP, n. 10, p. 29-44, 2002.&lt;br /&gt;
*  OLIVEIRA FILHO, João Pacheco de. A viagem da Volta : reelaboração cultural e Horizonte político dos povos indígenas no nordeste. In: MUSEU NACIONAL. Peti. Atlas das Terras Indígenas do Nordeste : Alagoas, Bahia (exceto sul), Ceará, praíba, Pernambuco, Sergipe. Rio de Janeiro : PETI/Museu Nacional, 1993. p.V-VIII.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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		<author><name>RoboManutenção</name></author>
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		<title>Povo:Tuyuka</title>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Tuyuka são gente da transformação, pois se originam da Cobra da Transformação. Única no início da viagem ancestral, a cobra, depois de alcançar o alto curso do rio de Leite (o Negro), se reproduz em várias outras, que tomam rumos distintos, seguindo pelos afluentes dos rios Negro e Uaupés. Os Tuyuka são os Filhos da Cobra de Pedra. No decorrer da viagem ancestral, esses povos e suas línguas se diferenciaram, alguns permaneceram como parentes entre si, enquanto outros se tornaram aliados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tuyuka são um dos povos da família linguística Tukano Oriental do Noroeste Amazônico, habitando a fronteira entre o Brasil e Colômbia. &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Outras leituras ===&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nomes ==&lt;br /&gt;
Os Tuyuka autodenominam-se ''Ʉtapinopona'' ou “Filhos da Cobra de Pedra”. Este nome é usado em momentos cerimoniais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro que é empregado coloquialmente: ''Dokapuara'', cujo significado literal é “aqueles que socam e tingüijam” [este último verbo faz referência à utilização do timbó, veneno de pesca].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os [[Povo:Tukano | Tukano]] os chamam de ''Diikana'' ou ''Diikara'' (“gente argila”), de onde deriva a designação em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (língua geral amazônica): Tuyuka.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
=== Língua tuyuka ===&lt;br /&gt;
O tuyuka é a lingua dominante nas comunidades desse grupo do alto rio Tiquié e alto rio Papuri, usada nas reuniões comunitárias pelos homens e jovens, língua padrão para transmissão dos conhecimentos do grupo, o que restringe aos homens o acesso a certos conhecimentos e a certas formas de comunicação, próprias do seu grupo linguístico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o grupo local é também lugar de uma pluralidade de línguas faladas pelas mulheres que se casam com os homens tuyuka. No âmbito doméstico, a criança tuyuka fala pelo menos duas línguas, a do pai (tuyuka) e a da mãe (tukano, bará, dentre outras), tendo mais intimidade, inicialmente, com a língua da mãe.  Esse fato garante a persistência do &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;multilinguismo&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Na socialização da criança deve-se levá-la a compreender que há mais de uma subcomunidade lingüística no seu campo social. E a, progressivamente, substituir a língua da mãe, pela do pai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Multilinguismo na região do alto Tiquié ===&lt;br /&gt;
O &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro/1524&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;multilinguismo característico do Alto Rio Negro e Uaupés&amp;lt;/htmltag&amp;gt; combina, na região do alto rio Tiquié, falantes sobretudo das línguas tuyuka, tukano, bara, yebamasa, além do português e espanhol, conforme o grupo local se situe do lado brasileiro ou colombiano da fronteira, e do hupda (população Maku ou Nadahup). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No censo lingüístico realizado no ano 2000 no alto rio Tiquié observou-se comunidades onde são faladas cinco línguas, até comunidades onde são faladas doze línguas diferentes, resultado principalmente da exogamia linguística (regra que exige que os cônjuges sejam de diferentes grupos de descendência e, portanto, linguístico).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tendências de tukanização e política linguística entre os tuyuka do alto Tiquié ===&lt;br /&gt;
Enquanto existe, na região do Uaupes como um todo, cerca de 20 mil falantes da língua tukano, as outras línguas desta família – tukano oriental - são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas, como é o caso da língua tuyuka.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em algumas comunidades ou grupos locais tuyuka localizados em território de ocupação tukano, crianças tuyuka começaram a deixar de falar sua própria língua, usando mais o tukano.  Os Tuyuka do igarapé Onça, assim como os do Cabari, estavam abandonando o uso da própria língua, substituída pelo Tukano. No caso do igarapé Onça, o processo começou a ser revertido com a participação dos moradores da comunidade na Escola Tuyuka, onde foram matriculados crianças e jovens. Já os Tuyuka dos igarapés Cunuri e do Pirá (na Colômbia) sempre mantiveram sua língua, embora habitando em áreas de predomínio da língua makuna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nas comunidades tuyuka mais centrais, devido à proximidade e influência da língua tukano, os jovens vinham usando mais a língua tukano entre eles. Quando alunos tuyuka frequentavam a escola de Pari-Cachoeira para cursar a segunda parte do ensino fundamental ou o ensino médio, antes oferecido apenas naquele local, voltavam para casa com essa forte preferência de usar o tukano entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante algumas oficinas de política linguística no início na Escola Tuyuka (que surgiu no final dos anos 1990) os Tuyuka observaram outros aspectos que revelavam a diferença de poder entre as línguas tuyuka e tukano. No encontro entre três crianças tuyuka com uma tukano, as tuyuka tendiam falar tukano. Observaram claramente também como o plurilinguismo é muito mais comum nas gerações mais velhas do que nas mais jovens.  O que pode ter relação com a tendência de tukanização e também com a influência forte do português em comunidades mais próximas dos centros missionários ou urbanos. É importante notar que processos de deslocamento lingüístico são bastante comuns na região, e já haviam relatos similares antes da atuação mais intensiva das missões e da escolarização (ver, por exemplo, Koch-Grünberg, [1909] 1967).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso as tendências de tukanização continuassem muito fortes, poderiam levar ao desaparecimento do tuyuka, como já aconteceu com muitas línguas indígenas no mundo. E também já aconteceu em alguns grupos locais tuyuka que se afastaram dos territórios de seus avós.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos dez anos, os tuyuka do alto rio Tiquié estão conduzindo um processo de planificação lingüística, com diagnósticos comunitários freqüentes da situação da língua tuyuka em relação às demais línguas Tukano Orientais e ao português, e ordenando ações no campo da oralidade e da escrita, fora e dentro das escolas. Assumiram, no âmbito das comunidades do alto Tiquié e da escola Tuyuka, a política de estimular novamente a língua (em casa, na comunidade, em escolas etc.).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
Os Tuyuka consideram a região da cachoeira Yurupari (localizada no alto rio Uaupés, na Colômbia) o seu  território tradicional, pois foi ali que se deu a sua transformação primordial. Ainda hoje, em suas cerimônias, referem-se a essa área como fonte de vida e poder, como sua casa, de onde trazem os nomes para seus filhos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A região ocupada hoje pelos Tuyuka compreende um trecho do alto rio Tiquié, uma área de interflúvio dos rios Tiquié e Papuri, que é drenada pelos igarapés Abiu (afluente do Tiquié) e Inambu (afluente do Papuri), e uma outra área de interflúvio do Tiquié com o igarapé Machado (''Komeya'' em Tuyuka). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rios Tiquié e Papuri, por sua vez, são afluentes do Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro. A foz do Uaupés fica a montante da cidade de São Gabriel da Cachoeira, principal centro urbano da bacia do rio Negro depois de Manaus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ocuparem um território geograficamente contínuo, os Tuyuka dividem-se em dois subgrupos principais, separados por razões histórico-sociais específicas, entre os quais se verifica pouca proximidade social: o grupo do igarapé Inambu e o grupo do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Dados populacionais ==&lt;br /&gt;
Em revisão feita em 2008 (Cabalzar, 2009), considerando as fontes mais confiáveis, os Tuyuka estavam distribuídos em 19 grupos locais, cuja população variava entre 7 e 149 pessoas. A população total de dezoito desses subgrupos somava 988 pessoas, mas o número seguramente ultrapassava 1.200 pessoas, considerando os Tuyuka de Vila Nova (baixo Tiquié) e de povoados de outros grupos de descendência, onde há Tuyuka como aliados, em moradias mais ou menos permanentes (como Bela Vista, Pari-Cachoeira, São Paulo do Tiquié e San José del Timiya), sem contar aqueles que vivem em cidades - em São Gabriel, segundo levantamento (Lasmar et al., 2005), há 71 tuyuka.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente (2014), com programas do governo federal que desfavorecem a permanência das famílias indígenas em suas comunidades, como é o caso do Programa Bolsa Família (que exige que as mesmas façam deslocamentos de vários dias para acessar os recursos da bolsa), é possível que essa população esteja mais dispersa e a população tuyuka em seus próprios territórios tenha decrescido, principalmente no lado brasileiro. Esse levantamento está por ser feito. O que é certo é que há uma maior mobilidade das famílias entre suas comunidades, por mais distantes que sejam, e a cidade de São Gabriel da Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto regional ==&lt;br /&gt;
Os povos Tukano Orientais estão representados, além dos Tuyuka, por &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro/1524&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;dezoito grupos linguísticos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A [[Povo:Etnias do Rio Negro | região do Noroeste Amazônico]], como um todo, assume o aspecto de um vasto sistema social formado por vários grupos lingüísticos inter-relacionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tuyuka mantêm relações diversas com os outros povos Tukano: com alguns, estabelecem intensas trocas matrimoniais (principalmente com os [[Povo:Tukano | Tukano]], [[Povo:Bará | Bará]] e [[Povo:Makuna | Yebamasa]]); com outros, esse tipo de união é vetado, pois são concebidos como irmãos que se separaram geograficamente no passado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, os Tuyuka habitam uma região distante de onde estão os povos Aruak, como os [[Povo:Baniwa | Baniwa]] do Içana e os [[Povo:Baré | Baré]] do rio Negro. Relações diretas com os Baniwa e &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/coripaco&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Kuripako&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ocorreram no passado, quando os Tuyuka moravam no alto Uaupés. Guerras entre esses grupos, que também envolviam os [[Povo:Kubeo | Kubeo]], determinaram o afastamento geográfico, com os Tuyuka retirando-se mais para o sul. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, as relações ocorrem tanto nos encontros na cidade de São Gabriel da Cachoeira, centro político-comercial e regional comum de serviços, quanto no âmbito do movimento indígena, ou seja, nos intercâmbios entre as escolas indígenas, nas reuniões e assembleias da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.foirn.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; etc.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
=== Os ''sibs'' tuyuka ===&lt;br /&gt;
Os Tuyuka, assim como todos os outros grupos indígenas da região do alto rio Negro (incluindo os Maku e os Aruak da bacia do rio Içana-Ayari e do rio Xié) e do rio Pirá-paraná, são constituídos por grupos de descendência patrilinear nomeados e hierarquizados (os ''sibs'' ou clãs). O que mantém a estrutura é a noção de uma ancestralidade comum. Partindo do âmbito do grupo linguístico para seu interior, essa noção é permanentemente atualizada por meio de procedimentos rituais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Organização social dos grupos Tukano ===&lt;br /&gt;
{{Lead | por '''Stephen Hugh-Jones''', King´s College - Universidade de Cambridge. 2003.}}&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs [N.E: também chamados ''sibs''] hierarquicamente ordenados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido. Hoje, no lado brasileiro, as malocas geralmente não são usadas mais como residência, mas como casa de festa, de encontros e refeições comunitárias e cerimonial.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tuyuka distribuem-se atualmente em quinze sibs. Alguns, não mencionados no quadro abaixo, ainda são lembrados por seu nome e por suas relações com outros sibs, mas estão provavelmente extintos. À pergunta “''mʉ yabu wame''?” (“qual é o nome de seu ''sib''?”), os Tuyuka respondem, de fato, o nome do correspondente ''sib''; o termo ''yabu'' é o que melhor se aproxima, em tuyuka, da noção de ''sib''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Habitações de ontem e de hoje ===&lt;br /&gt;
Os grupos locais tuyuka de hoje não se inscrevem mais nas fronteiras de uma maloca. Até 1970, ainda era comum no lado brasileiro (caso de São Pedro, Puniya e Ilha, acima de Cachoeira Comprida) a construção da maloca, usada tanto como residência por parte do grupo - geralmente de seu chefe e a respectiva família, com os filhos casados e alguns agregados - quanto como centro da vida local (em certos casos, supralocal) e em torno da qual orbitavam eventuais casas e sítios menores. Durante as cerimônias mais importantes do ciclo ritual anual, a maloca recebia pessoas de vários lugares, entre parentes da mesma língua e aliados. Para obter mais informações sobre essas cerimônias, ver Ritual (na seção Etnias do Rio Uaupés).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos atribuir as mudanças que se processaram entre os vários povos da região, em certa medida, à intervenção contundente dos missionários salesianos, por exemplo na insistência dos padres no abandono da maloca. Entretanto, essa interferência não se deu por igual. Nos povoados tuyuka localizados na Colômbia, as malocas continuaram a ser construídas, uma vez que a presença de salesianos era ínfima e a atuação dos missionários javerianos foi tardia e branda, iniciada na década de 1970. Mas mesmo lá se verificou o advento do “povoado”, isto é, a ruptura da maloca como moradia comum a todo o grupo de parentes (patridescendentes) co-residentes e sua dispersão em casas familiares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As malocas foram e continuam sendo construídas por trabalho comunitário e nelas se realizam os rituais e cerimônias do grupo local (caxiris, dabucuris etc.). Entre os Tuyuka que vivem no Brasil, a ausência da maloca gerou dificuldades, uma vez que as práticas rituais, que nela tinham seu espaço por excelência, continuaram sendo realizadas. Foi preciso construir outros tipos de casa, que preservassem algumas estruturas necessárias para a prática das danças rituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passado o período mais intenso da atuação missionária, as malocas voltaram a ser construídas, agora como centro de rituais e de convivência do grupo local, com a realização de refeições comunitárias, reuniões e assembléias das associações, encontros e hospedagem, além das festas tradicionais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1995, foi feita uma maloca em Cachoeira Comprida, que passou a ser o centro ritual dos Tuyuka por vários anos. Em São Pedro antigo, ''Pikõroaburo'', havia uma palhoça que depois foi adaptada para maloca. Uma outra foi construída posteriormente, em ''Mõpoea'' ou São Pedro novo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje no Tiquié, em ambos os lados das fronteiras nacionais, os grupos locais são formados por vilas de casas, com uma casa comunitária e algumas outras benfeitorias, como prédio da escola, posto de saúde e capela. No alto Tiquié, as malocas estão presentes em todos eles, sendo algumas habitadas no lado colombiano, mas junto com outras casas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Subgrupos e grupos locais ==&lt;br /&gt;
Os Tuyuka vivem hoje em quatro subgrupos/territórios. Separados por razões histórico-sociais específicas, cada subgrupo ocupa hoje um território ou trecho de rio diferente. Entre esses diferentes subgrupos não existem relações permanentes ou estreitas, porque estão afastados geograficamente. Internamente a cada um destes subgrupos prevalecem os parentes tuyuka, com intercâmbios rituais e predomínio da própria língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 1. Subgrupo do igarapé Inambu, rio Papuri ===&lt;br /&gt;
Nessa área localizam-se os sibs tuyuka de mais alto nível hierárquico (ver item abaixo sibs tuyuka). Ao longo do processo migratório tuyuka, eles permaneceram na região do alto rio Papuri, enquanto outros se deslocaram para o rio Tiquié. (Ver narrativa mitohistorica)  São oito povoados, sendo que seis deles estão no Inambu (igarapé da margem direita do alto Papuri), um povoado no rio Papuri propriamente dito, e o último no Tiquié (atual missão de Trinidad na Colombia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome regional&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome tuyuka&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Localização&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Los Angeles&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Umuyapito&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Papuri (Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Acima de Santa Rita&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;?&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (alto, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Abaixo de Santa Rita&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yepupuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (alto, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Belém&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Apʉratʉdi&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (alto, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;-&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sʉperotʉdi&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (médio, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;-&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ñariñápito&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (médio, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;-&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Numuña&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (médio, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Santa Cruz&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ñokõatʉdi&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (baixo, Brasil)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Trinidad&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Miñoburo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Alto Tiquié&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2.  Subgrupo do alto rio Tiquié, entre Caruru Cachoeira e o igarapé Abiu ===&lt;br /&gt;
O subgrupo que hoje habita o curso principal do Tiquié se distribui nos povoados entre a cachoeira de Caruru e o povoado de Pupunha, já em território colombiano, e um povoado no igarapé Abiu, afluente da margem esquerda do alto rio Tiquié. Todos esses grupos locais são liderados por homens de segmentos do sib Opaya, o de mais alta hierarquia do Tiquié (à exceção do sib de Trinidad) e o mais numeroso entre os sibs tuyuka. Distribuem-se em cinco povoados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome regional&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome tuyuka&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Localização&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População (2006)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;São Pedro&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mopoea&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rio Tiquié (Br)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;115&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Cachoeira Comprida&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yoariwa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rio Tiquié (Br)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fronteira&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kairataro&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rio Tiquié (Br)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;22&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pupunha&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ʉnekumuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rio Tiquié (Col)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;62&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bellavista&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Buepesariburo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Igarapé Abiu (Col)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;149&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. Subgrupo do Cabari ===&lt;br /&gt;
Fazem parte de um conjunto de quatro sibs, sendo um deles o líder ver item complementaridade entre os sibs. Eles chegaram no rio Tiquié por outro caminho. Enquanto os grupos locais do alto rio Tiquié vieram pelos igarapés Inambu e Abiu liderados pelo sib tuyuka Opaya, o pessoal do Cabari veio diretamente do Papuri, sem passar pelo igarapé Abiu. Vieram com seus afins tukano do sib Bosoapora e habitaram primeiro o igarapé Umari-Norte. Mais tarde desceram até a foz deste igarapé, ocupando localidades do próprio rio Tiquié entre a foz deste afluente e a cachoeira Caruru. Justamente esse trecho, que foi abandonado posteriormente pelo pessoal do Cabari, é hoje ocupado pelos Opaya do subgrupo do alto Tiquié, especialmente pela comunidade de São Pedro ou Mõpoea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. Subgrupo da área entre o Onça, o alto Castanha e o Komeya ===&lt;br /&gt;
Todos os Tuyuka que habitam os igarapés Onça, Castanha e Cunuri (afluente do Komeya, ou igarapé Machado) e a foz do próprio Komeya, são do sib tuyuka Dasia, da mais baixa hierarquia e o mais disperso geograficamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome regional&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome tuyuka&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Localização&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População (2006)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assunção&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yaiñiriya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;55&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Guadalupe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Watĩyʉde&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Castanha&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;25&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Morro de Acutivaia, Maloca de Domingos&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bosoburo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Cunuri&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;22&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Maloca de Hugo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Cunuri&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;12&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;San Luis&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Komeyapito&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pirá-paraná&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;40&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Total&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;154&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além dessas áreas, existem grupos locais tuyuka em outras regiões: no baixo Tiquié (especialmente na comunidade de Vila Nova); em outros povoados não tuyuka; ou que migraram para centros urbanos regionais, como São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Manaus, no Brasil, ou Mitú e San Jose de Guaviare, na Colômbia.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Atividades produtivas e a divisão do trabalho ==&lt;br /&gt;
A mandioca brava é o principal cultivo, ocupando entre 80 e 90% da área das roças. Nas roças feitas em mata virgem tem mais espaço o plantio de frutas e palmeiras, como cucura, pupunha, umari, banana, pimentas, abiu e vários outros tipos de tubérculos e batatas, inclusive mandioca macaxera. Nos roçados de capoeira, a mandioca engorda mais rápido e as frutas não crescem tão bem, por isso são menos cultivadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada família tem entre três e cinco roças, algumas de capoeira e outras de mata virgem, abertas e plantadas em anos subseqüentes, conforme as diferentes fases de crescimento e manejo. Por isso, no trabalho diário, a mulher pode planejar extrair mandioca de uma das roças, preparar mudas em outra, e colher abacaxi ou outra fruta madura em uma terceira. Isso é possível quando as roças estão próximas umas das outras, ou ocupam uma mesma área, caminho ou rota pelo rio. Áreas que já foram muito usadas são deixadas para descansar por mais tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A indústria da mandioca é muito desenvolvida entre os povos Tukano, sendo a base de uma dieta muito calórica e que se mantém regular durante todo o ano, já que o tubérculo tem produção contínua e fica armazenado no próprio solo. A venda de farinha é comum na região, sobretudo para o povoado-missão de Pari-Cachoeira, comerciantes que aí chegam e, cada vez mais, levada até a cidade de São Gabriel da Cachoeira, onde tem encontrado preços ascendentes nos últimos anos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A farinha utilizada é feita com mandioca-puba (deixada amolecer dentro d’água por um período de três a cinco dias). Em geral, uma grande produção de farinha só é possível quando há cooperação entre as mulheres do grupo doméstico. Coloca-se para pubar uma grande quantidade de mandioca (entre 50 e 100 quilos), que é carregada com ajuda do marido e, se possível, das filhas jovens. Depois de a mandioca ser ralada e espremida no tipiti, adicionam uma parte de massa de mandioca espremida no cumatá [instrumento circular trançado de arumã fechado para lavar a massa de mandioca] e torram no forno. Hoje são comuns os fornos de ferro, com diâmetro de aproximadamente 120 centímetros, mas antigamente usavam-se os de argila, ainda bastante comuns na Colômbia. O mesmo forno é usado para fazer beiju e torrar folhas de coca para o ipadu (um pó feito da mistura das folhas queimadas da coca e da embaúba). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A produção de tapioca em grande quantidade é quase diária, pois garante a produção do beiju de tapioca (''sidariro'') todos os dias. Esse trabalho é das mulheres e toma boa parte de seu tempo, uma vez que também demanda ir buscar água e lenha, esta usada tanto para assar o beiju no forno quanto para o preparo da manicuera, bebida adocicada que resulta do longo cozimento do tucupi. O longo tempo reservado ao processamento da mandioca, para a produção de tapioca, ingrediente principal do beiju e da manicuera, é o diferencial da indústria da mandioca na região do alto rio Negro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres também são responsáveis por produzir caxiri, trabalho bastante dispendioso. Há batatas cultivadas com a finalidade principal de servir de tempero ao caxiri, que é feito com beiju queimado e dissolvido com manicuera. Ao caxiri, acrescentam a batata mastigada e deixam o caldo fermentar dentro de um cocho de madeira escavada ou camoti (pote de cerâmica para fermetação de caxiri), que é tampado com folhas de bananeira ou com um pedaço de plástico ou lona. Na véspera do consumo, durante a madrugada, as mulheres coam o caldo. Quando se deseja um teor alcoólico mais elevado, adiciona-se caldo de cana ou, mais recentemente, de açúcar. Os homens ajudam a carregar e rachar a lenha e a espremer a cana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Rezende (2007), “os Tuyuka dão muita atenção para a especificação de atividades do homem e da mulher”, havendo uma clara divisão do trabalho. Os homens muito raramente, só por necessidade, sabem desempenhar as atividades femininas. A grande maioria não sabe fazer mingau ou beiju, por exemplo, tampouco todas as etapas prévias de produção desses alimentos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As atividades rotineiras dos homens são pesca, caça, coleta de frutos na floresta, fabricação de utensílios domésticos (com exceção da cerâmica) e ferramentas de trabalho, construção e manutenção das edificações, além de preparar (roçar e derrubar) novas áreas para roça. Alguns vão quase todos os dias às roças com sua mulher, ajudando no manejo e no transporte de mandioca e lenha para casa. Outros são mais dedicados às pescarias e caçadas, saindo com frequência à noite ou em viagens mais longas, de alguns dias, em direção a lugares menos frequentados, como o alto curso dos igarapés maiores ou os bebedouros de anta. Nessas ocasiões, levam os filhos maiores ou vão em dupla com outro homem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma forma de caçar paca muito praticada na região é fachear à beira do rio, à noite, com lanterna a pilha; quando focalizada, a paca fica estática, e é alvejada com espingarda de cartucho. Esse tipo de caçada só dá resultado com o rio mais baixo e a paca precisa chegar a ele para beber água. Usam lanterna também para fachear peixes, fisgados com zagaia. A pesca requer um bom conhecimento do rio, dos hábitos dos peixes e das técnicas de pescaria. No alto Tiquié, onde é maior a escassez de pescado, é fundamental um bom domínio desses conhecimentos e técnicas, caso contrário pouca coisa se consegue. Há muitos instrumentos de pesca disponíveis, empregados de acordo com o horário do dia ou o nível do rio (Cabalzar (org.), 2005). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para obter outras informações sobre os modos de vida dos povos do alto rio Negro, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro/1534&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;ver Cotidiano dos índios do rio, na seção Noroeste Amazônico&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Calendário anual ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Calendário anual tuyuka&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/875378-1/calendarioanual_e.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O calendário tuyuka é baseado na observação astronômica, da passagem das diversas constelações, como descritas e nomeadas pelos tuyuka. A este ciclo anual está associado o regime de chuvas e estiagens e a variação do nível das águas dos rios. As alternâncias neste regime são denominadas de acordo com a posição das constelações. Os Tuyuka assinalam a existência de treze enchentes e oito estiagens. A designação da maior parte delas combina o nome e a palavra “verão” (''k¡ma'') ou “inverno” (''pue''). A duração de cada uma delas é variável, sendo que uma ou outra pode mesmo deixar de ocorrer em determinado ano, conforme o verão seja mais forte ou as chuvas mais prolongadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente os Tuyuka usam tanto o seu calendário astronômico quanto o ocidental e católico para organizar suas atividades anuais, buscando correspondências. No final de junho, por exemplo, foi adotado o “verão de São João”, chamado em tuyuka ''sã ñu k¡ma''. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na narrativa do ciclo anual feita pelos conhecedores indígenas, os eventos e as atividades de subsistência destacados são os períodos de floração e frutificação das palmeiras e outras árvores frutíferas; os períodos de revoadas de diferentes espécies de formigas e cupins; o período das piracemas de aracu, jandiá e piabas e de desova de traíra, do aparecimento das rãs grandes e das pequenas; as melhores épocas para derrubar a mata e a capoeira e para fazer a queima e plantar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A região que os Tuyuka habitam no alto Tiquié está situada a montante de algumas cachoeiras grande, que impedem a subida das espécies maiores de peixe. Nessa altura o rio já é de menor porte e, portanto, mais restrito em pescados. Seu nível varia mais com as chuvas e estiagens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano é definido pelo ciclo da constelação ''Ñokõatero'' (Plêides). Quando ela aponta no nascente pela madrugada é sinal de novo ano. Neste período é comum as madrugadas aparecerem com um nevoeiro frio (''¡s¡aré''), é quando faziam a iniciação masculina (coincide aproximadamente com os meses de maio e junho, tempo da iniciação).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando ''Ñokõatero'' aparece ao anoitecer, mais no centro do céu, é tempo para fazer roçado. Neste tempo fazem festa para ''y¡k¡'' masa (“gente das árvores” ou “espírito das árvores”), para amansá-los e não causarem doenças (''diarige upioro b¡reko'', “dia de proteção contra doenças”). Coincide aproximadamente aos meses entre dezembro e fevereiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os verões mais fortes ocorrem quando, ao anoitecer, ''Ñokõatero'' está na posição da três horas da tarde (do sol) no céu. Quando, ao anoitecer, aparece em posição das quatro horas (do sol), já começa a chover mais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fazem uma festa para queimar bem e cantam ''Yuabasá''; neste ritual lembram-se dos ''karayaíwa'', um sib tuyuka já extinto há muito, servo de todos os outros, mas que tinha os pajés mais fortes. Eles começaram a confeccionar os adornos de cabeça (''mapoari'') e precisavam secá-los bem, por isso pediram verão forte nesta época. Foi assim que também fez Yarigebo (o personagem mítico que dá origem às roças e cultivos) quando foi queimar a roça para suas duas esposas, filhas de Wariro. Ele se enfeitou bem para queimar tudo, por isso falou com as mulheres para não irem lá enquanto queimava. No passado, os rezadores, para queimar bem, incorporavam todos os ornamentos na roça a ser queimada; hoje não fazem mais porque as mulheres não poderiam ir menstruadas na roça, prática proibida antigamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O inverno, período das chuvas, é genericamente chamado puriro. Começa com outra festa, para pedir aos ''wai masa'' (literalmente “gente peixe”, mas que designa um conjunto mais amplo de seres “espirituais”, mal traduzindo) para dar mais fartura na piracema (''waitunire''). ''Wai masãre sañunire añuro tuniarõ'' (que façam boa piracema). Neste ritual eles preparam os coxos deles, limpam a casa, oferecem caxiri, ipadu, para que os peixes façam um bom dabucuri. Dançam ''wai basa''. Corresponde ao período de final de março, começo de abril. A reza é como se fosse um ''dabucuri'' de ''wai masa'': e no rito eles preparam caxiri, caapi, etc para as próprias famílias. &lt;br /&gt;
''(texto produzido a partir de conhecimentos de Guilherme e Higino Tenório)''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
=== O benzedor e o mestre-de-cerimônias ===&lt;br /&gt;
Alguns homens desempenham atividades especializadas, como a de benzedor (''kumu'') e mestre-de-cerimônias (''baya''). Os primeiros são homens mais velhos, procurados para fazer os benzimentos que acompanham o ciclo de vida de uma pessoa (nascimento, primeira menstruação etc.) ou que atuam em casos de doenças. Os ''bayaroa'' [plural de ''baya''] são aqueles que cantam e dançam nos grande rituais, vestidos com os ornamentos cerimoniais.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, as grandes cerimônias do ciclo anual são menos frequentes, sobretudo aquelas com participação intercomunitária. Os Tuyuka vivem em posição intermediária, entre os Tukano, rio abaixo, que abandonaram as práticas rituais tradicionais, e os Bará do alto Tiquié e os grupos do Pirá-paraná, entre os quais esses ciclos ainda se realizam. Os ''bayaroa'' tuyuka estão mais concentrados no lado colombiano, algumas vezes são convidados para dançar nos povoados tuyuka do lado brasileiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Especialistas religiosos nas etnias do Rio Uaupés ===&lt;br /&gt;
{{Lead | por '''Stephen Hugh-Jones''', King´s College - Universidade de Cambridge. 2003.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ciclo ritual ==&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Ciclo ritual tuyuka&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/875381-1/ciclo+ritual.png&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Escola Indígena Tuyuka-Utapinopona ==&lt;br /&gt;
Sob a atuação dos salesianos, que buscavam as crianças em seus povoados e as levavam para as missões, os Tukano incorporaram a educação escolar. A partir dos anos 1980, a educação básica (da 1ª à 4ª série) passou a ser oferecida pela rede municipal de escolas rurais, espalhadas por um bom número de povoados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As freiras Filhas de Maria Auxiliadora, no entanto, continuaram, até os anos 1990, orientando os professores indígenas da região, que tinham em geral o primeiro grau completo. Não havia nenhuma especificidade no material didático e a ênfase no ensino religioso se mantinha. Ao concluir a 4ª série, a maioria das crianças, especialmente os meninos, era encaminhada ao colégio mais próximo (correspondendo aos antigos internatos dos missionários salesianos) para continuar os estudos até a 8ª série. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como consequência de tal rotina, sobrevinha certo esvaziamento dos povoados durante o período letivo. Alguns grupos domésticos deslocavam-se inteiros para o centro missionário, onde mantinham uma casa. Nem todos, porém, constituíam roças aí, continuando a voltar ao povoado de origem para fazer farinha e buscar outros alimentos. Em alguns casos, uma família cuidava de meninos de diferentes famílias. A estada dos jovens nesses povoados/missões prolongava-se além do período de estudo, já que preferiam ficar ali com os companheiros da mesma faixa etária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Tiquié e no Pirá-paraná colombiano, o processo de escolarização em poucos centros - também construídos por padres católicos, mas de outras congregações - foi mais tardio, com início na década de 1970. Também nessa região há o esquema de afastar as crianças cada vez mais de seus povoados, à medida que avançam no estudo, até chegar a Mitú, capital do departamento de Vaupés. No país vizinho, ainda hoje existem internatos, a maioria são laicos. No Brasil, o fim do internato foi visto com insatisfação pelos índios, porque não haveria mais uma instituição para cuidar da alimentação e de outras necessidades dos jovens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 1998, um projeto de escola indígena deflagrou importantes mudanças nas comunidades tuyuka do alto Tiquié, sobretudo no lado brasileiro. O contexto era o da crise entre os missionários católicos gerada pelo impasse quanto ao seu modelo de educação, à desestabilização socioeconômica resultante da corrida ao ouro da serra do Traíra, ao rápido esgotamento desse recurso e à emergência das organizações indígenas (em paralelo, à recente demarcação das terras do alto e médio rio Negro). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em parceria com a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://www.foirn.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;FOIRN&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e com o ISA (Instituto Socioambiental), apoiados pela Rainforest Foundation da Noruega (RFN), quatro comunidades tuyuka do Brasil (São Pedro, Cachoeira Comprida, Igarapé Onça e Fronteira), com participação de comunidades colombianas vizinhas, juntaram-se e assumiram a tarefa de criar uma escola indígena autônoma e condizente com os projetos e decisões das comunidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Escola Utapinopona-Tuyuka adotou a própria língua na alfabetização, e como língua de instrução nos diversos ciclos. A partir de 2001, estenderam o ensino para além da 4ª série (até então o ensino fundamental completo só estava disponível em Pari-Cachoeira). Em consequência do intenso movimento político liderado liderado a partir da comunidade de São Pedro, quase todas as famílias que mantinham os filhos em Pari-Cachoeira retornaram e aderiram à Escola Tuyuka. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim teve início um período de relações mais ativas e constantes entre os povoados tuyuka, com frequentes encontros, reuniões, oficinas temáticas e assembleias relacionadas com a escola, contatos diários através de radiofonias recém-instaladas, maior facilidade de transporte com os motores e a gasolina do projeto. Participaram ativamente os moradores do igarapé Onça, que até então mantinham poucos contatos com os Tuyuka de Caruru acima. Esse grupo passava por um processo de tukanização lingüística (i. e. usam mais a língua Tukano que a própria língua), já que, há três gerações, habitava uma área de predomínio tukano próxima de Pari-Cachoeira e São Domingos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em boa medida, a Escola Tuyuka inverteu os princípios da escola missionária. Isso se deu a partir do momento em que fez uma série de escolhas: adotou a língua indígena; para incentivar a transmissão das tradições, aproximou crianças e jovens dos mais velhos, em contraposição ao afastamento, geográfico mesmo, entre as diferentes gerações; e passou a tratar de assuntos e temas locais, de interesse das diversas comunidades, em contraste com o currículo missionário completamente exótico aos índios do Tiquié. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oito anos após o seu início, o movimento político dos Tuyuka vai além da escola. Um dos efeitos da Escola foi conferir visibilidade aos Tuyuka no âmbito regional (alto rio Negro). São Pedro, a principal comunidade tuyuka do lado brasileiro, passou a sediar importantes encontros, com a participação de pessoas de regiões como Içana, Pirá-paraná e São Gabriel. Os Tuyuka também começaram a viajar mais e a participar de reuniões e encontros em outras localidades. Enfim, vivenciaram uma abertura maior para o exterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente a Escola passa por novas mudanças, a região é agitadas por outros movimentos, há maior mobilidade das famílias, outras transformações... &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Cabalzar, Aloisio (2009) Filhos da Cobra de Pedra. Organização e Trajetórias Tuyuka no Rio Tiquié. São Paulo: Editora da Unesp/ISA/Nutti.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Dias Cabalzar, Flora (2011) Até Manaus, até Bogotá. Os Tuyuka vestem seus nomes como ornamentos. São Paulo: Tese de doutorado, PPGAS/USP.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Dutra, Israel Fontes (2010) Xamanismo Utãpinõponã-Tuyuka. Princípios dos rituais de pajelança e do ser pajé Tuyuka. São Paulo: Dissertação Mestrado, PUC-SP.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Rezende, Justino Sarmento (2005) Escola indígena municipal Utãpinopona – Tuyuka e a construção da identidade tuyuka. Campo Grande: Dissertação Mestrado, Universidade Católica Dom Bosco. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Rezende, Justino Sarmento (2010) Educação na visão de um Tuyuka. Manaus: Faculdade Salesiana Dom Bosco.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;huzzazWrapper&amp;quot; style=&amp;quot;width:100%; height: 1700px; margin: 0 auto;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; allowtransparency=&amp;quot;true&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;100%&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://huzzaz.com/embed/tuyuka?vpp=12&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;100%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Tuyuka}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Aloisio Cabalzar}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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{{#set:Counter=65658}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Juan Soler/ISA, 2011.}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2014-10-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=264}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Tukano&amp;diff=6322</id>
		<title>Povo:Tukano</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Tukano&amp;diff=6322"/>
		<updated>2018-08-20T19:21:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209266-1/uaupes_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família lingüística Tukano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tukano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tukano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tukano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguns contextos, o Tukano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua tukano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tukano. Já as línguas classificadas como tukano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tukano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/desano/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Desana @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Fonte: Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209269-1/uaupes_3.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel. Iaraueté, além de ser um centro de ocupação tradicional dos Tariana, abriga também uma grande missão dos salesianos e um pelotão de fronteira do exército. Existem ainda outras duas missões salesianas na bacia do Uaupés, uma em Taracuá (na confluência desse rio com o Tiquié) e outra no Alto Tiquié, chamada Pari-Cachoeira. Também há um destacamento do Exército na confluência do Querari com o Uaupés e outro em Pari-Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etnias e demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas etnias também estão presentes nas cidades da região, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. As etnias presentes na bacia do Uaupés são as seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) [[Povo:Arapaso | Arapaso]]: Etnia de origem tukano oriental que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2 ) [[Povo:Bará | Bará]]: Autodenominam-se Waípinõmakã. Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié, acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia; o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri) e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná). Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes de um ancestral comum que não podem casar entre si). São especialistas no preparo do aturá de turi, muito usado onde não são disponíveis os aturás de cipó maku. Também fabricam o carajuru. São hábeis ainda na confecção de canoas. Atualmente são os principais especialistas na fabricação dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3) [[Povo: Barasana | Barasana]]: Autodenominam-se Hanera. Vivem nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná, em território colombiano. Também encontram-se dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se 36 subdivisões nomeadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) [[Povo:Desana | Desana]]: Autodenominam-se Umukomasã. Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu; além de trechos do Rio Uaupés e Negro (inclusive cidades da região). Existem aproximadamente 30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas em certos tipos de cestos trançados, como apás grandes (balaios com aros internos de cipó) e cumatás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5) [[Povo:Karapanã | Karapanã]]: Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí (afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6) [[Povo:Kubeo | Kubeo]]: Autodenominam-se Kubéwa ou Pamíwa. Possuem uma língua bem particular da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande maioria, se encontram residindo em território colombiano, na região do Alto Uaupés, incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón. No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés e estão em pequeno número no Alto Aiari. Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados. Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três fratrias não nomeadas que funcionam como unidades para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma língua. São especializados na fabricação das máscaras de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) [[Povo: Makuna | Makuna]]: Autodenominam-se Yeba-masã. Vivem principalmente no território vizinho da Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya, afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes, os igarapés Castanha e Onça. Estão divididos em cerca de 12 sibs. São especializados em zarabatanas e curare, são também hábeis fabricantes de canoas, além de fornecerem remos leves e muito bem acabados aos índios do Alto Tiquié.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8) [[Povo: Miriti-tapuya | Miriti-tapuya ou Buia-tapuya]]: Atualmente falam apenas a língua tukano. São habitantes tradicionais do Baixo e Médio Tiquié, destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé, Vila Nova e Micura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9) [[Povo: Pira-tapuya | Pira-tapuya]]: Autodenominam-se Waíkana. Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem também em localidades do Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10) [[Povo: Siriano | Siriano]]: Autodenominam-se Siria-masã. Moram no Caño Paca e Caño Viña, afluentes do Alto Papuri, em território colombiano. No Brasil são encontrados dispersos em rios da bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações referentes a 27 sibs siriano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11) Taiwano, Eduria ou Erulia: Autodenominam-se Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu, afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari, afluente do Apapóris. Todas estas áreas estão situadas em território colombiano. Há informações que dão conta de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12) [[Povo: Tariana | Tariana]]: Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam outrora uma língua pertencente à família Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras de Iauareté e Periquito. São especializados em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13) [[Povo: Tatuyo]]: Autodenominam-se Umerekopinõ. Habitam uma área situada na Colômbia: o Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño Japu. No Brasil, são representados sobretudo por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem cerca de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14) [[Povo: Tukano | Tukano]]: Autodenominam-se Ye’pâ-masa ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família lingüística Tukano Oriental. Concentram-se principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés; mas também estão morando no Rio Negro, a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade de São Gabriel. É possível que existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano, cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões ocorridas nos últimos séculos, as posições hierárquicas são razão de polêmicas e versões variadas. Os Tukano são fabricantes tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva) e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos semelhantes àqueles dos trançados. É um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores) e bayá (chefes de cerimônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15) [[Povo: Tuyuka | Tuyuka]]: Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná. Estão concentrados principalmente no Alto Rio Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes também no trecho do Rio Papuri próximo à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São exímios construtores de canoas e, antigamente, eram especialistas na confecção de redes feitas de fibras de buriti. Também são especializados na confecção do cesto urupema, trançado de finíssimas talas de arumã, usado para coar sumo de frutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16) [[Povo: Kotiria | Kotiria]]: Autodenominam-se Kótiria. Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá (do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos; acima daí, convivem em território onde a maioria é Kubeo. Há informações de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua especialidade no âmbito das relações de troca interétnica é o preparo do carajuru, um pó corante feito com as folhas de um cipó, muito usado na confecção de artefatos rituais e na pintura do banco tukano, bem como para a pintura corporal. Também são hábeis cesteiros e produtores de objetos de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17) [[Povo: Yuruti | Yuruti]]: Autodenominam-se Yutabopinõ. Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde estes igarapés desaguam (em território colombiano). Há informações que possuem nove sibs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir, é apresentada uma tabela com a estimativa populacional de cada etnia:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Etnia&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População no Brasil&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Arapaso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;328&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Barasana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 61&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Desana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.531&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Karapanã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;42&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kotiria&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;287&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;168&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mirity-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;95&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pira-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Siriano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identidade e diferença ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209272-1/uaupes_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto com seus vizinhos aruak, os Tukano - que serão tratados nesta seção como povos tukano, de modo que o grupo Tukano será diferenciado com letra inicial maiúscula- compõem um sistema sócio-político flexível, cuja integração se dá através de redes de intercâmbio recíproco envolvendo visitas, trocas, casamentos e rituais. A dinâmica desse sistema regional implica a articulação entre semelhança e diferença, entre um repertório comum que confere aos grupos que o compõem alguma medida de identidade e aquilo que os diferenciam uns dos outros, possibilitando a interdependência entre eles. Comecemos com as semelhanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209275-1/uaupes_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano compartilham uma área geográfica contínua e um mesmo modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a &amp;quot;mandioca brava&amp;quot; o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta. Falam línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Também compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas. Esses povos têm ainda estilos de ornamentação corporal semelhantes e, embora as palavras e melodias possam ser diferentes, usam os mesmos instrumentos musicais e a sua música, danças e cantos têm uma base comum. Tais convenções relativas ao modo-de-vida, organização espacial, língua, fala, adornos, música e dança integram o sistema comum de comunicação verbal e não-verbal dos povos do Uaupés, que se expressa mais plenamente nos rituais inter-comunitários.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209278-1/uaupes_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem as suas próprias histórias, mas também compartilham um ''corpus'' mitológico comum. Os mitos explicam as origens do cosmos, descrevendo um mundo perigoso e indiferenciado, sem limites precisos de tempo e espaço, sem diferença entre gente e animal. As narrativas míticas explicam como os feitos dos primeiros seres geraram as feições da paisagem e como o mundo se tornou paulatinamente seguro para a emergência dos verdadeiros seres humanos. Há um mito de origem chave nesse repertório que explica como uma Anaconda-ancestral penetrou o universo/casa através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no leste e subiu os rios Negro e Uaupés com os ancestrais de toda humanidade dentro de seu corpo. Inicialmente, esses ancestrais-espíritos tiveram a forma de ornamentos de pena, mas foram transformados em seres humanos no curso da sua viagem. Quando alcançaram a cachoeira de Ipanoré, o centro do universo, eles emergiram de um buraco nas rochas e se deslocaram para os seus respectivos territórios. Essas narrativas compartilhadas entre os povos do Uaupés expressam uma compreensão comum do cosmos, do lugar dos seres humanos nele e das relações que deveriam existir entre diferentes povos, bem como entre eles e outros seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, cada grupo tem uma identidade singular e um lugar específico dentro do sistema. A população divide-se em aproximadamente 17 grupos exogâmicos, cada qual com direitos sobre um território específico ou trecho de rio com características e potenciais diferentes. Somado a esses fatores ecológicos de diferenciação, cada grupo é tradicionalmente associado à produção de artefatos específicos; assim, os Tukano fabricam banquinhos, os Desana cestos, os Tuyuka canoas etc. Essa produção especializada constitui um aspecto da identidade grupal e mobiliza os cerimoniais de troca (ou ''dabukuris'') que são um dos principais componentes das atividades rituais características da região. Em tais festas, os diferentes grupos se reúnem para dançar, beber caxiri, exibir os seus ornamentos de penas, recitar as linhagens de seus antepassados e trocar os seus produtos (banquinhos por canoas, peixe por carne de caça etc.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem a sua própria língua, o seu conjunto particular de nomes pessoais, os seus específicos cantos de dança e as suas próprias genealogias e narrativas de origem. Cada um tem um ancestral originário da Anaconda que trouxe o povo para o seu território particular. O corpo dessa Anaconda é replicado no trecho do rio onde esse grupo mora, nas malocas em que habitam e na composição dos grupos. A língua, os nomes próprios, os cantos, as histórias e outras formas de discurso operam como emblemas de identidade, afirmam direitos territoriais e privilégios rituais, assim como manifestam aspectos da vida, alma e espírito do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo também possui um ou mais conjuntos de ''Yurupari ''- flautas e trombetes sagrados feitos do tronco da palmeira paxiúba -, que são os ossos de seu ancestral e que incorporam o seu sopro e canto. Junto com as festas e trocas cerimoniais, os rituais envolvendo esses instrumentos musicais - símbolos condensados da identidade, espírito e poder grupal - formam o outro grande componente da vida ritual dos Tukano. Enquanto a troca cerimonial enfatiza a equivalência e interdependência mútua entre grupos diferentes, os rituais de ''Yurupari ''realçam a identidade singular de cada um.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[fevereiro de 2003] '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas. Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs hierarquicamente ordenados. Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios. A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simbolicamente, a maloca reproduz em miniatura o universo e seus habitantes constituem tanto uma réplica quanto um precursor do ideal de organização clânica acima descrita. Assim, o pai da comunidade que habita a maloca seria o ancestral-Anaconda do grupo inteiro e seus filhos seriam os ancestrais dos clãs que dela se originaram. Seguindo essa lógica, o filho mais velho e irmão maior é geralmente o chefe da maloca, e não raro os seus irmãos menores são dançarinos, cantadores ou xamãs, cujos papéis costumam corresponder à ordem de nascimento. Mas poder e posição social dependem de energia e iniciativas pessoais, que não se baseiam apenas em organização formal, parentesco ou ordem de nascimento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Confecção de banco tukano. Foto: Rosa Gauditano, 2002&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209287-1/uaupes_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos rituais e da vida religiosa tukano está centrada em objetos (como ornamentos plumários e as flautas ''Yurupari'') e substâncias sagradas - como a pintura vermelha carayuru, cera de abelha, cera de breu (resina vegetal), epadu (feito com variedades de coca), tabaco e ayahuasca -, assim como em bens menos tangíveis, na forma de nomes, cerimoniais, encantações e cantos. Tais itens são propriedade do grupo e constituem expressões de seus poderes espirituais. Em um nível coletivo e estrutural, os rituais que envolvem tais itens podem ser vistos como expressões formais da identidade do grupo e das relações inter-grupais. Ao mesmo tempo, esses rituais constituem expressões das relações políticas em dada conjuntura. Assim, malocas vizinhas são interligadas por intermédio de líderes carismáticos, que comandam a organização de festas e coordenam o trabalho coletivo para a construção de casas maiores que funcionam como centros cerimoniais. Esses líderes são indivíduos que possuem um grande conhecimento esotérico e se mobilizam para manter e aumentar os bens sagrados de sua maloca, podendo disponibilizar os recursos necessários para patrocinar os rituais. Tais capacidades rituais prestam-se a fortalecer sua posição política.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Tukano e os Maku ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos das famílias lingüísticas Tukano Oriental e Maku convivem mais intensamente na região de interflúvio entre os rios Tiquié e Papuri e, em menor escala, entre o Papuri e o Médio Uaupés (trecho entre Iauareté e a foz do Querari). Nesta área, desenvolveram uma estratégia de complementaridade, uma vez que tradicionalmente ocupam espaços distintos e adotam práticas de manejo do meio ambiente específicas. Distintamente dos Tukano, que vivem nos rios maiores, os Maku preferem os igarapés menores, mais no centro da floresta. São bons caçadores, coletores de frutas silvestres e conhecem muito bem os caminhos na mata. Os Tukano, por sua vez, são agricultores dedicados e pescadores; mesmo quando caçam, preferem fazê-lo de canoa, surpreendendo pacas e antas que vão até a beira do rio beber água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista dos Tukano, os Maku formam uma categoria sui generis, na medida em que se diferenciam tanto dos afins quanto dos parentes de mesma descendência, pois não são casáveis e não são assimilados a eles através da terminologia de parentesco. Os Maku representam uma referência central no sistema conceitual tukano, estando associados às categorias hierárquicas mais baixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku mantêm com os Tukano relações de troca e colaboração intermitentes. Em geral, grupos domésticos maku tomam a iniciativa de se associar a grupos domésticos tukano, sendo também eles que decidem quando devem ir embora para seus sítios ou mudar de &amp;quot;patrão&amp;quot; tukano. Eles podem permanecer apenas uma semana ou vários meses com os Tukano, mas existem casos em que a relação é mais estável e certos Maku se acostumam a prestar serviços para grupos domésticos tukano específicos, mantendo a colaboração através de gerações. Mesmo nestes casos, a convivência é interrompida quando os Maku resolvem cuidar de suas próprias casas e roças ou viajar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku procuram trabalho quando estão passando por momentos de maior privação (suas roças são em geral insuficientes e há períodos pouco propícios para a caça). Nestas situações, oferecem seus serviços aos Tukano: as mulheres trabalham nas roças e no processamento da mandioca e os homens caçam, fazem ipadu ou pegam alguma empreitada (troca da cobertura de uma casa, derrubada da mata para roça etc.). Em troca, os Tukano pagam com parte da produção da cozinha (farinha, beiju etc.), os homens recebem ipadu e fumo e ainda roupas usadas, ferramentas, redes, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a família maku é muito grande e o custo, em termos de exploração da roça, é alto para a grupo doméstico tukano que os recebeu, este pode expulsá-los. Mais freqüente, porém, é que os próprios Maku se sintam fartos e desfavorecidos, retirando-se para seu assentamento por conta própria e levando consigo um suprimento de farinha e tapioca. Nesses casos, os Tukano reclamam de que eles saem sem dizer nada, de uma hora para outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que mais marca a relação entre estes dois grupos é a grande autonomia dos Maku, que os Tukano não podem violar. Os Maku procuram os Tukano visando suprir necessidades imediatas de alimentos; os Tukano aceitam os Maku e lhes encarregam de vários serviços. Algumas vezes os Maku também participam dos multirões para derrubar ou plantar roça promovidos pelos Tukano, quando é oferecido caxiri. Mas nessas ocasiões as relações são distantes e frias, não envolvendo intimidade. De modo geral, os Maku quase nunca comem junto com os Tukano ou se sentam próximos, a não ser nas manhãs em que há refeição comunitária e alguns Maku estão presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A distância social é marcada pelas atitudes. Quando um Tukano conversa com um Maku, este se posiciona a certa distância, olhando para outro lado. Em outro exemplo, ao devolver um cigarro que um Tukano pediu para “rezar” (para cortar alguma dor que um filho ou a própria pessoa está sentido), o homem Maku, ao invés de entregá-lo na mão, agacha-se próximo e joga o cigarro no chão, perto daquele que o solicitou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre os Tukano e os Maku é celebrada em grandes dabucuris (rituais de oferecimento), realizados na época de coleta de certas frutas do mato (como ingá, cunuri, buriti e açaí silvestre). Nestas ocasiões, os Tukano preparam muito caxiri e ipadu para receber os Maku, que chegam ainda de madrugada, antes do alvorecer, tocando trompetes, pequenos tambores e fazendo muito barulho. Trazem grandes quantidades de frutas que, inicialmente, deixam na beira do rio, para depois conduzi-las para dentro da casa de festa, no momento propício do ritual (quando há um diálogo cerimonial entre um par de homens Tukano e outro Maku). Conjuntos de tocadores de flautas pã maku se revezam ao longo da festa com conjuntos formados por homens e rapazes tukano. Eles formam pares de dança com as mulheres, sejam elas tukano ou maku, indistintamente. A mesma cerimônia também pode ser feita com o oferecimento de carne de caça moqueada; os papéis também podem ser invertidos, passando os Tukano a oferecer beiju e farinha aos Maku. Em geral a festa ocorre no povoado tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;nunca se acomodam em um lugar, estando sempre indo e vindo, inquietos;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são agricultores displicentes e, além disto, não sabem manejar o cultivo, não esperam o tempo mais produtivo da mandioca, arrancando logo tudo para fazer caxiri; os homens fazem o mesmo com os pés de coca, desfolham sem controle e acabam tendo que apelar para os Tukano para conseguir ipadu (que é uma necessidade diária);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são vistos com desconfiança, não raro acusados de saquearem as roças tukano e ainda disfarçarem o roubo fincando a haste da maniva no solo depois de arrancar o tubérculo; também lhes são atribuídos o sumiço de ferramentas, roupas e outros;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;a endogamia local e a constante transformação na constituição dos grupos locais são mau vistos pelos Tukano, que ainda enfatizam certos casamentos incestuosos, como se não houvesse regras definidas de casamento;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;os Tukano também dizem que eles não têm higiene, não se limpam nem penteiam o cabelo e andam maltrapilhos, com roupas velhas e encardidas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta visão dos Maku tem alguns desdobramentos práticos, por exemplo, o casamento com eles é expressamente proibido e uma pessoa que tenha alguma ascendência maku (seja por parte do pai ou da mãe) é estigmatizada. Contudo, o casamento de um homem tukano com uma mulher maku é mais aceitável do que o casamento de um homem maku com uma tukano, que é impraticável. Com o contato, representado pela intensificação do comércio, da catequização e da educação escolar, ocorreram mudanças na relação entre esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano passaram a intermediar a entrada e troca de mercadorias industrializadas. Ao passo que os Tukano aderiram à prática, hoje muito valorizada e difundida, de mandar seus filhos para a escola até o final do ensino fundamental e, menos freqüentemente, para o ensino médio na cidade, os Maku jamais se adaptaram ao sistema escolar e as tentativas promovidas pelos missionários foram todas fracassadas. Mesmo as escolas criadas nos povoados Maku, com professores tukano, raramente dão bons resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, a intensa migração dos Tukano para os centros missionários ou urbanos, como as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, tem levado a um processo de esvaziamento de algumas áreas. Isto tem propiciado o estabelecimento de povoados maku no curso principal dos rios, como é o caso do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Márcio Meira, 1990.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209289-1/uaupes_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como princípio básico, a cosmologia tukano combina perspectiva móvel, replicação da organização social em diferentes escalas da existência - corpo, communidade, casa e cosmos, e organização análoga entre níveis diferentes da experiência. O universo é feito de três camadas básicas: céu, terra e &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. Cada camada é um mundo em si, com seus seres específicos e podendo ser entendidos tanto em termos abstratos como concretos. Em contextos diferentes, o &amp;quot;céu&amp;quot; pode ser o mundo do sol, da lua e das estrelas, ou o mundo dos pássaros que voam alto, ou os topos achatados dos tepuis (topos achatados das montanhas) dos quais descem as águas ou o mundo dos topos das árvores da floresta, ou mesmo uma cabeça enfeitada com um cocar de penas vermelhas e amarelas de arara, que são as cores do sol. Do mesmo modo, o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; pode ser o Rio dos Mortos debaixo da terra, o barro amarelo debaixo da camada do solo onde enterram-se os mortos, ou o mundo aquático dos rios subterrâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De toda forma, o que define o &amp;quot;céu&amp;quot; ou o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma &amp;quot;camada&amp;quot; são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou &amp;quot;Terra&amp;quot;, o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos simbólicos, a maloca é o universo e o universo é uma maloca. O teto de palha é o céu, os esteios de suporte são as montanhas, as paredes são as cadeias de serras que parecem cercar a paisagem visível na beira do mundo, e sob o chão corre o Rio dos Mortos. A maloca tem duas portas: uma no leste que é a dos homens, ou a &amp;quot;porta da água&amp;quot;; outra das mulheres a oeste, com uma longa cumeeira que corre ao longo do teto da casa entre as duas portas, que é &amp;quot;o caminho do Sol&amp;quot;. Nessa região equatorial, os rios subterrâneos correm do oeste para o leste, ou da porta das mulheres para a porta dos homens; completando um circuito fechado da água, o Rio dos Mortos corre do leste para o oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maloca tanto é o universo, como também é um corpo, ao mesmo tempo o &amp;quot;corpo canoa&amp;quot; do ancestral-Anaconda e os corpos de seus filhos nele contidos. Esses filhos são os habitantes da casa, réplicas do ancestral original, receptáculos de futuras gerações e, eles mesmos, futuros ancestrais. Mas, se a maloca é um corpo humano, sua feição também é uma questão de perspectiva. Do ponto de vista masculino, a frente pintada da maloca é um rosto de homem, a &amp;quot;porta dos homens&amp;quot; é sua boca, a viga mestra e as laterais são a sua coluna e costelas, o centro da casa é seu coração, e a porta das mulheres o seu ânus. Do ponto de vista das mulheres, a coluna, as costelas e o coração permanecem os mesmos, mas o resto do corpo é invertido: a porta das mulheres é a sua boca, a porta dos homens a sua vagina e o interior da casa o seu ventre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são &amp;quot;rios&amp;quot;; e, ainda, que os vermes parasitas são &amp;quot;anacondas&amp;quot;. Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;amp;q&amp;amp;amp;f=false&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O ciclo da vida ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia Tuyuka com seu filho em um evento cultural em São Paulo. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209292-1/uaupes_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo em mente os princípios cosmológicos sintetizados no item anterior, podemos começar a perceber como alguns processos vitais são elaborados em termos cosmológicos e como se relacionam a práticas rituais associadas ao ciclo de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A digestão, evacuação, decomposição e morte envolvem um fluxo passivo do alto para o baixo, de rio acima para rio abaixo, do Oeste para o Leste. A vida em si é um movimento, às vezes uma luta, de acordo com esse fluxo: as plantas crescem em direção ao sol e as pessoas devem crescer para cima enquanto amadurecem. O Sol, ou ''Yeba Hakü'' (na língua barasana), o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, fonte de luz e da vida, move-se constantemente contra a corrente, subindo os rios da terra do Leste para o Oeste durante o dia e subindo o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; durante a noite, para aparecer de novo no Leste. O ancestral-Anaconda que trouxe a humanidade para o mundo também viajou como o Sol, no sentido Leste para o Oeste, parando quando alcançou o meio do universo. Esse mesmo movimento de Leste a Oeste foi também uma ascensão da água para a terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ancestal-Anaconda, um ser aquático, é o próprio rio no qual ele viajou, e os seres em seu interior somente assumiram a forma humana quando emergiram na terra firme; antes disso, eram &amp;quot;gente peixe&amp;quot;, espíritos na forma de ornamentos de penas. Os animais são chamados ''wai-bükürã'', &amp;quot;peixes maduros&amp;quot;; e, logicamente, entre eles estão os seres humanos, seres que estão a meio-caminho entre os &amp;quot;peixes-espíritos&amp;quot; que eram antes e os &amp;quot;espíritos-pássaros&amp;quot; que se tornarão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do ancestral-Anaconda é uma narrativa sagrada sobre os primórdios e, provavelmente, uma versão das migrações históricas dos povos Tukano. Também pode ser entendida como uma história sobre a ecologia, sobre as migrações anuais rio acima de peixes amazônicos que vêm desovar nas cabeceiras; e uma história sobre a reprodução humana, que também envolve uma penetração ascendente, no sentido &amp;quot;Leste-Oeste&amp;quot;, rumo a uma &amp;quot;porta da água&amp;quot;, num fluxo ascendente de sêmen, e uma passagem do mundo aquático do ventre para o mundo seco da existência humana na terra. Não é de se admirar então que &amp;quot;nascer&amp;quot; é ''hoe-hea'' (em barasana), que significa &amp;quot;atravessar rumo a um nível mais alto&amp;quot;. Mas o nascimento também envolve um movimento de descida pelo canal do corpo feminino - cosmologicamente um movimento do Oeste para o Leste e, em termos sociais, um movimento da mãe para o pai ou das mulheres para os homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para entender esses movimentos, porém, é preciso começar pela morte. Alguns índios do Uaupés, os Kubeo em particular, encenam rituais elaborados de luto em que dançarinos com máscaras pintadas e feitas de casca de árvore se tornam peixes, animais, e outros seres da floresta para dar boas-vindas à alma do morto no mundo dos espíritos. Mas o enterro tukano em si é um evento simples: a cova é o chão da maloca e o caixão uma canoa cortada ao meio. Esse sepultamento simples é o prelúdio para um futuro nascimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tukano compartilham uma noção de reencarnação segundo a qual, quando uma pessoa morre, um aspecto de sua alma volta para a &amp;quot;casa de transformação&amp;quot;, local de origem do grupo. Depois, a alma volta ao mundo dos vivos encarnada em um recém-nascido que recebe o seu nome. As pessoas recebem o nome de um parente recentemente falecido do lado paterno, o avô paterno para um menino ou a avó paterna para uma menina. Cada grupo possui um conjunto limitado de nomes pessoais que vão sendo retransmitidos a cada geração. O aspecto visível dessas &amp;quot;almas-nomes&amp;quot; são os cocares de penas usados pelos dançarinos, que também são enterrados com os mortos. O rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; é descrito como repleto de ornamentos, assim como na história de origem os espíritos dentro da canoa-Anaconda tiveram a forma de ornamentos de dança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sepultadas em canoas, as almas dos mortos caem para o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. De lá, são levadas pela correnteza do rio subterrâneo para o Oeste e às regiões rio acima deste mundo. As mulheres não dão à luz na maloca, mas numa roça no interior da floresta, rio acima e atrás da casa - também ao Oeste. O recém-nascido é primeiramente lavado no rio e depois levado para dentro da maloca pela porta traseira, a &amp;quot;porta das mulheres&amp;quot;. Confinado dentro da casa por cerca de uma semana com seu pai e mãe, ele é então banhado de novo no rio e recebe um nome. Assim, em termos cosmológicos, os bebês de fato vêm das mulheres, da água, do Oeste.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Pessoas, animais e objetos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209294-1/uaupes_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Masa'' (em barasana), a palavra para &amp;quot;gente&amp;quot;, é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são &amp;quot;gente&amp;quot; - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como &amp;quot;bicho de pau&amp;quot;); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu &amp;quot;ar&amp;quot;, é impressionante que os humanos não saibam respirar &amp;quot;debaixo da água&amp;quot;. Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o denominador comum de todas essas &amp;quot;gentes&amp;quot; é a sua subjetividade e para elas, na condição de sujeitos, seu próprio modo de vida é aquele da cultura humana, as diferenças entre tais &amp;quot;gentes&amp;quot; repousam em seus diferentes corpos: em sua forma, cor, sons, hábitos corporais e dieta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas diferenças estão culturalmente representadas em diferentes gêneros alimentícios de uso ritual, tais como coca, tabaco e a ayahuasca, bem como tintas corporais distintas, ornamentos e roupas, ou como diferentes armas e equipamento ritual. Os índios se referem a todos esses itens como ''küni-oka'', &amp;quot;armas ou escudos&amp;quot;, idéia que faz lembrar os uniformes de exército com seus brasões - ao mesmo tempo identidade, vestimenta e arma de defesa. Nessa lógica, as diferenças entre os grupos humanos são representadas como naturais e inerentes. Conceitualmente, os vários grupos tukano constituem tantas &amp;quot;espécies&amp;quot; diferentes quanto as múltiplas espécies animais são &amp;quot;povos&amp;quot; diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na vida cotidiana, as pessoas enfatizam sua diferença dos animais, mas no mundo dos espíritos, ao qual se tem acesso pelos rituais, pelo xamanismo, pelos sonhos e pelas visões de ayahuasca, as perspectivas se fundem, as diferenças são abolidas, o passado é presente, e pessoas e animais voltam a ser um. Isto tem importantes repercussões práticas, pois, onde os animais são pessoas, caçá-los e ingerir sua carne é equivalente à guerra e canibalismo. Muitas doenças são assim diagnosticadas como a vingança dos animais que os humanos matam e comem. O risco advindo dos animais é proporcional a seu tamanho e habitat: as antas são mais perigosas do que os macacos, os animais terrestres são mais perigosos do que os peixes, e peixes grandes mais perigosos do que os pequenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perigo também está relacionado ao contato com o domínio metafísico. Um nascimento neste mundo provoca ressentimento entre os espíritos-animais - para eles, representa uma morte. Os bebês humanos, recém-migrantes do mundo dos espíritos, não estão ainda firmemente ancorados a seus corpos e, portanto, precisam ser protegidos das antas ciumentas que ameaçam ingeri-los através de seus ânus - um nascimento ao avesso. Enquanto visitantes do mundo dos espíritos, as mulheres menstruadas e os homens que tomam parte nos rituais ganham temporariamente ''status ''de criança e devem restringir sua dieta, evitando alimentos perigosos. Para cozinhar o peixe ou a carne com segurança, um xamã deve primeiro soprar encantações para remover os seus &amp;quot;escudos de proteção&amp;quot; ou &amp;quot;armas&amp;quot; (tintas, peles, dentes, espinhos, escamas e outros atributos corporais identificados aos animais ou peixes) que podem comprometer a identidade especificamente humana do consumidor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As qualidades de personificação, subjetividade e intencionalidade que os índios aplicam aos animais e os peixes também se estendem ao cosmos como um todo. Os mitos dos povos do Uaupés também são mitos sobre a paisagem, cujos traços distintivos - as serras e montanhas, os rios, as rochas e cachoeiras -, têm nomes que evocam as histórias de sua criação ancestral. Viajar por terra ou canoa é seguir essas histórias e compartilhar os atos de criação descritos por elas. Muitas histórias contam sobre as antigas migrações, atribuindo à paisagem uma dupla dimensão - a dos atos primordiais de criação e a dos atos mais recentes, como a construção de casas e abertura de roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poderes de criação ancestral incutidos na paisagem se estendem às plantas, peixes, animais e seres humanos que a habitam e também aos objetos confeccionados a partir dos materiais que dela provêm. Nos mitos, os objetos cotidianos tais como canoas, bancos, cestos e potes, emergem como seres animados e autônomos - como visto, do mesmo modo que os animais podem ser gente, as malocas podem ser os corpos dos ancestrais ou daqueles que as construíram. Os objetos confeccionados condensam dois tipos de potência: os poderes de sua matéria-prima e as habilidades e intenções de seus fabricantes. Conseqüentemente, o processo de fabricação dos objetos tem uma importante dimensão religiosa. Durante os ritos de iniciação, os homens e mulheres jovens são sistematicamente treinados na confecção de artesanato, um treinamento que é a um só tempo intelectual, espiritual e técnico. Fazer artesanato é concomitantemente confeccionar a si mesmo e o mundo, numa forma de meditação que traz à tona as interconexões entre objetos, corpos, casas, e o universo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Missionários, colonos e a modernidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de contato dos povos do Uaupés com os não indígenas é muita antiga, bem anterior ao grande auge da borracha na virada do século XX, remetendo às incursões maciças dos portugueses em busca de escravos na primeira metade do século XVIII. Embora o impacto desses raptores e o contato traumático e duradouro com os seringalistas, esses comerciantes estavam mais interessados nos corpos dos índios do que nas suas almas; em termos religiosos, e talvez em termos sociais também, foram os missionários que provocaram as maiores transformações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A penetração efetiva dos missionários começou ao final do século XIX, com a chegada dos Franciscanos. Estes, e os Salesianos que os seguiram, viram a cultura dos povos do Uaupés através das lentes de suas próprias categorias religiosas: as malocas dos índios eram consideradas &amp;quot;antros licenciosos e promíscuos&amp;quot;, as suas festas de dança ocasiões de &amp;quot;indecência e embriaguez&amp;quot;, os pajés eram &amp;quot;charlatões&amp;quot; que aliciavam o povo, e o culto de ''Yurupari ''nada mais era do que o &amp;quot;culto ao Diabo&amp;quot; em pessoa. Sem conhecer e sem a mínima intenção de saber o quê essas coisas realmente significavam, os missionários começaram a destruir uma civilização em nome de outra, queimando as malocas dos índios, destruindo os seus ornamentos de penas, quebrando seus recipientes de caxiri, perseguindo os pajés e expondo os ''Yurupari ''às mulheres e crianças reunidas na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os padres atacavam os fundamentos da cultura indígena, transformaram as suas sociedades, encurralando as pessoas em vilas com casas rigidamente ordenadas, uma para cada família, e removendo à força seus filhos para serem educados nas escolas ou internatos. Sob o regime estrito dos internatos, as crianças foram ensinadas a rejeitar os valores e os modos de vida dos seus pais, incentivadas a casar-se dentro de seus próprios grupos, e proibidas de falar as línguas que lhes conferiam identidades múltiplas e interligadas. Para os missionários, somente uma identidade importava, a identidade indígena genérica, que impedia o progresso da &amp;quot;civilização&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação inicial contra a exploração pelos comerciantes, as pressões dos missionários e as epidemias que dizimaram a população indígena, irrompeu uma série de movimentos milenaristas na região do Uaupés durante a segunda metade do século XIX. Vestindo-se de padres e identificando-se com Cristo e os santos, os pajés-profetas conduziram o povo na &amp;quot;Dança da Cruz&amp;quot;, uma fusão dos rituais de caxiri e dabukuri tradicionais com elementos do catolicismo, que prometiam a libertação da opressão dos brancos e o alívio dos &amp;quot;pecados&amp;quot; que acreditavam ser a causa das epidemias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os missionários foram rechaçados por seus ataques contra a cultura indígena, também foram bem recebidos como fonte de bens manufaturados, como defensores dos índios contra os piores abusos dos seringalistas e como provedores da educação que as crianças indígenas precisariam para se sair bem nas novas circunstâncias. Dos anos 1920 em diante, os Salesianos estabeleceram uma cadeia de missões pela região no lado brasileiro da fronteira, alcançando o alto Tiquié no começo dos anos 40 e destruindo a última maloca nos anos 60. Hoje, a despeito do número crescente de evangélicos, a maioria dos índios do Uaupés se considera católico. Enquanto aumenta cada vez mais o número de pessoas que estão deixando suas aldeias para ir a São Gabriel em busca de educação e emprego, a vida nas malocas e a rica diversidade ritual que a acompanhava persiste agora somente na memória dos mais velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos povoados, um centro comunitário substituiu a maloca como foco de atividades coletivas. O centro serve ao mesmo tempo para as orações matutinas conduzidas por um Capitão e catequista, e para as refeições comunitárias, caxiris e dabukuris que marcam eventos importantes nas vidas dos aldeões: expedições de pesca, trabalho coletivo em projetos comunitários, os dias de santo do calendário católico, formaturas escolares, eventos esportivos, reuniões políticas etc. Transformações das antigas festas, esses caxiris e dabukuris de hoje em dia ainda incluem danças e bebidas - mas as danças não são mais acompanhadas pela música nativa e as flautas de pã, mas sim pelo forró e, ao invés da relativa moderação do passado, a cachaça é livremente consumida e seu freqüentemente consumo leva a discussões e brigas. Com níveis crescentes de alcoolismo, a embriaguez que os missionários imaginavam ver nas festas tradicionais hoje tem se tornado uma realidade cruel da civilização que os missionários trouxeram consigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado colombiano, sob o regime dos Monfortianos, o policiamento e a inserção dos missionários foram muito parecidos às dos Salesianos mas, no final dos anos 50, os Monfortianos foram substituídos pelos mais liberais Javerianos. Estes eram identificados com a nova Teologia da Libertação, que pregava a tolerância com a cultura indígena e acomodação com seus valores e crenças; isto, junto com o isolamento da região, explica porque os habitantes do Pira-Paraná ainda conseguem conservar boa parte da sua religião tradicional e do seu modo de vida. No lado brasileiro, a mudança foi mais lenta, mas, depois que a os Salesianos foram denunciados no Tribunal Russell em 1980 pelo crime de etnocídio, eles finalmente começaram a adotar uma linha mais liberal e progressista.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
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Gain Panan : e a origem da pupunheira. Dir.: Luiz Fernando Perazzo. Filme Cor , 35 mm, 9 min. e 36 seg., 1995. Prod.: Laboratório de Animação/CPM da Escola de Comunicação da UFRJ.&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Ticuna&amp;diff=6321</id>
		<title>Povo:Ticuna</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Ticuna&amp;diff=6321"/>
		<updated>2018-08-20T19:21:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Ticuna configuram o mais numeroso povo indígena na Amazônia brasileira. Com uma história marcada pela entrada violenta de seringueiros, pescadores e madeireiros na região do rio Solimões, foi somente nos anos 1990 que os Ticuna lograram o reconhecimento oficial da maioria de suas terras. Hoje enfrentam o desafio de garantir sua sustentabilidade econômica e ambiental, bem como qualificar as relações com a sociedade envolvente mantendo viva sua riquíssima cultura. Não por acaso, as máscaras, desenhos e pinturas desse povo ganharam repercussão internacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autodenominação ==&lt;br /&gt;
=== ''Magüta'' ===&lt;br /&gt;
Segundo os registros da tradição oral, foi ''Yo´i'' [um dos principais heróis culturais] que pescou os primeiros Ticuna das águas vermelhas do igarapé ''Eware ''(próximo às nascentes do igarapé São Jerônimo). Estes eram os ''Magüta ''(literalmente, “conjunto de pessoas pescadas com vara”; do verbo magü, “pescar com vara”, e do indicativo de coletivo ''-ta''), que passaram a habitar nas cercanias da casa de ''Yo´i,'' na montanha chamada ''Taiwegine''. Mesmo hoje em dia, este é para os Ticuna um local sagrado, onde residem alguns dos imortais e onde estão os vestígios materiais de suas crenças (como os restos da casa ou a vara de pescar usada por ''Yo´i'').&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Habitação ticuna no Igarapé Belém. Foto: Acervo Museu do Índio, 1930&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235045-1/ticuna_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“De acordo com seus mitos, os Ticuna são originários do igarapé Eware, situado nas nascentes do igarapé São Jerônimo (''Tonatü''), tributário da margem esquerda do rio Solimões, no trecho entre Tabatinga e São Paulo de Olivença. Ainda hoje é essa a área de mais forte concentração de Ticuna, onde estão localizadas 42 das 59 aldeias existentes” (Oliveira, 2002: 280).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse povo vivia no alto dos igarapés afluentes da margem esquerda do rio Solimões, no trecho em que este entra em terras brasileiras até o rio Içá/Putumayo. Houve um intenso processo de deslocamento em direção ao Solimões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início, mantiveram sua tradicional distribuição espacial em malocas clânicas e, na década de 1970, havia mais de cem aldeias. Hoje, essa distribuição das aldeias ticuna se modificou substancialmente. Sabe-se ainda que alguns índios desceram o rio até Tefé e outros municípios do médio Solimões, outros se fixaram no município de Beruri, no baixo curso do Solimões, bastante próximo à cidade de Manaus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No alto Solimões, contudo, os Ticuna são encontrados em todos os seis municípios da região, a saber: Tabatinga, Benjamim Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins. Sua população está distribuída em mais de 20 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
A língua Ticuna é amplamente falada em uma área extensa por numerosos falantes (acima de 30.000) cujas comunidades se distribuem por três países: Brasil, Peru e Colômbia. No lado brasileiro, o número de comunidades ascende a um alto número de aldeias (cerca de 100) contidas em diversas áreas localizadas em vários municípios do estado do Amazonas (entre os quais estão Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antonio do Içá, Jutaí, Fonte Boa, Tonantins, Beruri). A maior parte das aldeias encontra-se ao longo/ nas proximidades do rio Solimões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas aldeias que se encontram do lado brasileiro, o uso intensivo da língua Ticuna não chega a ser ameaçado pela proximidade de cidades (quando é o caso) ou mesmo pela convivência com falantes de outras línguas no interior da própria área Ticuna: nas aldeias, esses outros falantes são minoritários e acabam por se submeter à realidade Ticuna, razão pela qual, talvez, não representem uma ameaça do ponto de vista lingüístico. Exemplificam essa situação os Kaixana (ou Caixana), os Kokama (ou Cocama) e os Kanamari - os dois primeiros presentes em várias aldeias Ticuna e os últimos com presença reportada em um número muito pequeno dessas aldeias. Os Kaixana são falantes de português. Os Kokama que, no lado brasileiro, vivem entre os Ticuna não têm mais o Kokama como sua língua materna, papel majoritariamente desempenhado pelo português; alguns poucos Kokama lembram-se de palavras, seqüências ou frases na língua Kokama, sendo que a maioria tem como meta readquiri-la de algum modo - o que vem sendo feito no âmbito da educação escolar indígena. Com relação aos Kanamari que vivem entre os Ticuna no Brasil, não se tem notícia de que tenham deixado de falar sua própria língua - o Kanamari, pertencente à família Katukina -, nem que essa língua se sobreponha à realidade lingüística Ticuna no interior da própria área Ticuna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cidades de municípios do estado do Amazonas nos quais são encontradas aldeias Ticuna, escuta-se a língua Ticuna sempre que seus falantes, transitando por essas cidades, se dirigem a outros Ticuna igualmente em trânsito ou aí fixados. Com relação ao uso da língua pelos filhos daqueles que, falantes de Ticuna, se fixaram em cidades, é possível observar que esse uso tem, entre suas variáveis mais fortes, a atitude dos pais em relação à própria língua: quando tal atitude é norteada pela valorização da língua Ticuna e pelo que é próprio do universo Ticuna, a língua usada pelos pais com seus filhos é o Ticuna (''casos freqüentes''); quando não, a língua Ticuna deixa de ser usada e cede lugar ao português (''casos raros'').&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com relação aos Ticuna que, por razões diversas, se deslocaram para a capital do estado do Amazonas, Manaus, esses vivem mais dramaticamente a imposição da língua dominante (o português) e de seus veículos - razão pela qual reúnem-se por meio de projetos que têm por meta, entre outras coisas, manter viva sua língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Ticuna é uma língua tonal. Considerada como geneticamente isolada, é uma língua que apresenta complexidades em sua fonologia e em sua sintaxe.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Outras leituras ===&lt;br /&gt;
 &amp;lt;span style=&amp;quot;text-decoration: underline;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_verbetes/ticuna/lingua_ticuna(1).pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Língua Ticuna (ou Tikuna)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;,&amp;lt;/span&amp;gt; texto da linguista Marília Facó Soares&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Marília Facó Soares|Marília Facó Soares]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
A primeira referência aos Ticuna remonta aos meados do século XVII e se encontra no livro ''Novo Descobrimento do Rio Amazonas'', de Cristobal de Acuña. A referência, abaixo transcrita, está no capítulo LI:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;Mantêm estas tribos, por uma e por outra margem do rio, contínuas guerras com os povos vizinhos que, pelo lado do sul, são, entre outros, os Curina tão numerosos, que não apenas se defendem, pelo lado do rio, da grande quantidade dos Água, como também sustentam armas, ao mesmo tempo, contra as demais nações que por via terrestre os atacam constantemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelo lado norte os Água têm como inimigos os Tecuna que, de acordo com boas informações, não são inferiores aos Curina nem em número nem em brio, já que também sustentam guerras com os inimigos que têm terra adentro&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também segundo Curt Nimuendajú, o etnólogo alemão que, em 1929, fez sua primeira viagem ao alto Solimões, os Ticuna são citados pela primeira vez como os inimigos dos Omágua, moradores da margem esquerda do rio Solimões. Os Ticuna, que já fugiam das agressões deste povo, refugiando-se nos altos dos igarapés e afluentes da margem esquerda do Solimões, fazem o mesmo com a chegada dos espanhóis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
“Os primeiros contatos com os brancos datam do final do século XVII, quando jesuítas espanhóis, vindos do Peru e liderados pelo Padre Samuel Fritz, criaram diversos aldeamentos missionários às margens do rio Solimões. Essa foi a origem das futuras vilas e cidades da região, como São Paulo de Olivença, Amaturá, Fonte Boa e Tefé. Tais missões foram dirigidas principalmente para os Omágua, que dominavam as margens e as ilhas do Solimões, impressionando fortemente os viajantes e cronistas coloniais pelo seu volume demográfico, potencial militar e pujança econômica. Os registros da época falam em muitos outros povos (como os Miranha ou os Içá, Xumana, Passe, Júri, entre outros, dados como extintos já na primeira metade do século XIX pelos naturalistas viajantes), que foram aldeados juntamente com os Omágua e os Ticuna, dando lugar a uma população ribeirinha mestiça”&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;(Oliveira, 2002: 280).&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde a instalação da missão jesuíta espanhola até a consolidação da posse desta região por Portugal, no século XVIII (com a construção de uma fortaleza em Tabatinga), os espanhóis e os portugueses vinham disputando a hegemonia no alto Solimões. Os temidos Omágua (também conhecidos como &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/backend/pt/povo/kambeba&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Cambeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), de tradição guerreira, quase foram exterminados neste processo, seja por contraírem doenças ou por sua participação na querela entre os dois Estados coloniais. Com o tempo, os europeus não quiseram ou não conseguiram povoar a região antes habitada pelos Omágua, e os Ticuna passam a ocupar esse espaço, descendo dos altos igarapés, onde conseguiram se esquivar do contato mais intenso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas duas últimas décadas do século XIX, com a exploração da borracha, a Amazônia se tornou palco de uma intensa exploração do trabalho seringueiro. O alto Solimões, apesar de não contar com seringais tão produtivos quanto os do Acre, por exemplo, também não ficou de fora da corrida pelo “ouro branco”, como era chamada a borracha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através da instituição do sistema de barracão, o “patrão” tinha exclusividade no comércio com índios, já que seu armazém era o intermediário comercial obrigatório. A legitimidade dessa empresa era dada por títulos de propriedade conseguidos por poucas famílias, vindas em sua maioria do Nordeste, que incidiam sobre a terra dos Ticuna, os quais passavam a dever obediência aos recém-chegados. Os patrões instalaram-se na boca dos principais igarapés, controlando assim os moradores dali. Para reforçar esse controle, o patrão ainda nomeava um tuxaua que exerceria a liderança entre os índios, cuidando dos seus interesses. Esta liderança nem sempre se baseava em relações tradicionais, mas na subserviência do tuxaua aos patrões seringalistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua habitação tradicional, a maloca, em que viviam juntos membros de um mesmo clã, foi ainda encontrada por Curt Nimuendajú quando de sua primeira viagem ao alto Solimões. Nesse momento, contudo, ela já estava em vias de desaparecimento, devido à atuação dos “patrões da borracha” no sentido de forçar fragmentação das malocas para atender aos objetivos da empresa seringalista. É que a dispersão dos índios ao longo dos igarapés atendia melhor aos interesses da exploração da borracha, visto que a baixa produtividade dos seringais do alto Solimões era otimizada com a dispersão demográfica ao longo da floresta, onde estavam as diversas estradas de seringa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1910, ainda segundo Nimuendajú, uma nova agência de contato se faz presente no alto Solimões. Nessa época, capuchinhos vindos da província da Úmbria, na Itália, instalam a Prefeitura Apostólica do alto Solimões. A presença do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) nessa situação de domínio dos seringalistas era meramente formal, ou seja, restrita a relatórios de um delegado desta repartição a partir de 1917. É somente em 1942 que este órgão da administração federal vai criar um posto na região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A dominação do órgão tutor seria mais facilmente exercida com a centralização do poder entre os Ticuna. Assim sendo, os funcionários do SPI atuaram de modo a criar uma liderança única dentro da aldeia, já que esta inexistia dentro da tradição ticuna. Havia, contudo, ao nível dos grupos vicinais, lideranças reconhecidas (os ''toeru''), que dentro de um limitado grupo de parentes e vizinhos dispunham de autoridade para convocações para trabalhos coletivos, resolução de pequenas disputas etc. Essa liderança, por seu caráter bastante fragmentado, não satisfazia os interesses da administração regional do órgão tutor. A solução encontrada foi a indicação pelo chefe de posto de um ''capitão'' (Oliveira, 1988:237-8).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma nova situação histórica começa a se delinear em meados da década de 1960: a Amazônia e sua faixa de fronteira vão sendo transformadas em área de segurança nacional para o exército brasileiro. A antiga guarnição militar de Tabatinga cresce em tamanho e importância, transformando-se no Comando de Fronteira do Solimões (CFSOL), com mais autoridade para intervir localmente. Isso faz com que a relação entre patrões e índios seja profundamente alterada. Sem a possibilidade da coerção por castigos físicos, coibida pelo exército, os patrões descobriram outros modos de fazer valer seu controle sobre a população indígena (Oliveira, 1988: 211-3).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A atuação da Igreja Católica - por meio da província apostólica do alto Solimões, inaugurada pelos capuchinhos em 1910 - gerou uma infra-estrutura de saúde e educação pouco desprezível, visto que Belém do Solimões é hoje uma das maiores aldeias ticuna. Durante a década de 1960, também missionários batistas americanos chegam ao alto Solimões com o objetivo de catequizar os índios. Em uma época em que os “patrões” ainda dispunham de autoridade, principalmente por serem considerados os donos da terra onde moravam os Ticuna, utilizaram como uma das estratégias de mobilização da população indígena da região a compra de terras, que disponibilizaram para os que quisessem viver junto, compartilhando os ensinamentos de sua religião. Desta forma, surgiram ainda outros aglomerados que hoje constituem algumas das aldeias Ticuna de maior expressão populacional, como Campo Alegre e Betânia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número dos que passaram a viver em aldeias, no entanto, só vai sofrer alterações realmente significativas a partir do aparecimento do movimento messiânico da Irmandade da Santa Cruz. Em um contexto de progressiva perda de autoridade sobre os índios, já no princípio da década de 1970, os antigos “patrões” deram apoio à penetração das idéias de um homem chamado José Francisco da Cruz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com alguma correspondência com a tradição ticuna, já que esta admitia a possibilidade de punição divina em momentos de intensa desagregação sócio-cultural, e com o apoio das principais lideranças políticas da região, as idéias de José da Cruz vingaram com extrema facilidade e o movimento religioso por ele fundado se tornou hegemônico em pouco tempo. Converteu, deste modo, índios e não-índios por todo o alto Solimões, e assim as posições de liderança na hierarquia da Irmandade foram sendo rapidamente conquistadas pelos antigos “patrões”. Estes conseguiram contornar a crise de autoridade pela qual passavam, ao instituir uma nova legitimidade moral/religiosa para o controle que exerciam (Oliveira, 1978).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os funcionários da Funai, que nessa época já substituíra o antigo SPI, também perceberam logo a utilidade do movimento da Santa Cruz como catalisador de seu projeto de integração do indígena e passam a apoiar explicitamente aquelas lideranças ligadas ao movimento, incentivando, inclusive, o faccionalismo religioso que até hoje divide aldeias como Umariaçú e Belém do Solimões (Oliveira, 1987).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final de 1981, as principais lideranças ticuna convocaram uma reunião na aldeia de Campo Alegre, onde foi discutida a proposta de demarcação de suas terras, encaminhada à Funai. Nesta reunião foi escolhida também uma comissão para ir até Brasília apresentar ao Presidente a proposta ali debatida. Como resultado dessa pressão dos Ticuna, a Funai mandou, em 1982, um grupo de trabalho com o fim de identificar as áreas ticuna nos municípios de Fonte Boa, Japurá, Maraã, Jutaí, Juruá, Santo Antônio do Içá e São Paulo de Olivença.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também em 1982, os Ticuna criam o Conselho Geral da Tribo Ticuna (CGTT), com a figura do coordenador geral, eleito em assembléias quadrianuais entre todos os capitães de aldeia e com poderes semelhantes aos de um ministro das relações exteriores. Posteriormente, outras organizações indígenas foram criadas: a Organização dos Professores Ticuna Bilíngües (OGPTB), foi fundada em 1986 no intuito de realizar cursos de reciclagem e formação dos professores; a Organização dos Monitores de Saúde do Povo Ticuna (OMSPT); e a Organização de Saúde do Povo Ticuna do Alto Solimões (OSPTAS), em 1990, cuja atuação teve como marco o combate à cólera vinda da Colômbia e do Peru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1986, foi criado o Centro Magüta - Centro de Documentação e Pesquisa do Alto Solimões, voltado principalmente para as populações ticuna e com o auxílio de pesquisadores que já trabalhavam ali havia pelo menos uma década. Sua principal conquista foi o desenvolvimento do processo de reconhecimento fundiário que culminou com a demarcação, em 1993, de cerca de um milhão de hectares de terras naquela região. O Centro Magüta realizou ainda trabalhos nas áreas de saúde e desenvolvimento. Entre 1996 e 1997, devido a dificuldades com o financiamento de suas ações após o processo de demarcação das principais terras ticuna, o Centro deixou de existir e na sua sede passou a funcionar o CGTT.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Movimentos messiânicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |José da Cruz, líder religioso Ticuna, Amazonas. Foto: Wolf Gauer , 1980&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235054-1/ticuna_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Curt Nimuendaju e Maurício Vinhas de Queiroz foram os primeiros pesquisadores a observar a existência de traços de movimentos messiânicos entre os Ticuna. Segundo eles, houve sete manifestações deste tipo entre estes índios do princípio do século XX até 1961.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro movimento que se aproxima a um movimento messiânico, ocorreu em território peruano, no princípio do século XX, quando uma jovem ticuna começou a ter visões e a profetizar, atraindo em torno de si Ticuna tanto do Peru quanto do Brasil. Como a afluência de índios aumentava sempre mais, Nimuendaju conta que os “civilizados” intervieram, atacando o grupo com armas de fogo, ocasião em que alguns ticuna morreram, outros foram maltratados e a jovem profetisa teve um destino desconhecido (Nimuendaju, 1952: 138).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo movimento ocorreu entre 1930 e 1935 quando um jovem ticuna do lago Cujaru, no rio Jacurapá, chamado Aureliano, começou a ter visões. Os índios lhe construíram uma casa à parte para que recebesse mais facilmente as revelações. Como sua reputação aumentava, reunindo cada vez mais outros índios em torno de si, os “civilizados intervieram novamente e prenderam Aureliano sob o pretexto de que não pagava imposto de uma espécie de violão que fabricava” (Nimuendaju, 1952: 138).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão da precariedade dos dados apresentados por Nimuendaju, não é possível saber detalhes sobre o conteúdo das profecias da jovem ticuna e de Aureliano, nem sobre a real situação dos que os seguiram; igualmente, não se sabe ao certo qual era a identidade dos não-índios que acabaram com os ajuntamentos ticuna, mas, sabendo-se que esses movimentos ocorreram numa época em que o regime do barracão já estava implantado na região é lícito supor que tais ataques foram desfechados por ordem dos proprietários regionais que, como se sabe, usavam de todos os expedientes para impedir a evasão da mão-de-obra dos seringais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra manifestação messiânica teve lugar no Auati-Paraná, em torno de 1932. Segundo informações obtidas por Vinhas de Queiroz junto aos não-índios da região, um certo número de Ticuna se reuniu no Auati onde aguardavam a aparição de deus. O movimento acabou em razão de uma epidemia que se propagou na região dizimando a maioria dos seus membros (Queiroz, 1963: 46).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um quarto evento aconteceu entre os anos 1938 e 1939, no igarapé São Jerônimo. Espalhou-se, naquela época, a notícia de que um jaguar teria dito a uma criança ticuna que uma grande enchente inundaria tudo, inclusive a sede do seringal. Diante dessa nova, os índios que habitavam próximos da desembocadura do referido igarapé se reuniram na sua parte superior onde construíram uma grande maloca de estilo tradicional e fizeram grandes plantações. Como a catástrofe anunciada não se produzia, os índios acabaram por retornar para as suas habitações e levaram uma vida normal (idem: 49).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Irmandade da Santa Cruz ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Transferência da igreja para outro local da aldeia, Porto Cordeirinho, Terra Indígena Tikuna de Santo Antônio, Município de Benjamin Constant, Amazonas. Foto: Jussara Gruber , 1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235068-1/ticuna_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo indica que os antigos movimentos messiânicos ticuna obtiveram êxito durante um certo momento, isto é, durante o seu período de efervescência. Mas é verdade que seus projetos, suas aspirações e seus desejos não se concretizaram, na maioria dos casos, como vimos, em razão da violência perpetrada pelos “patrões”. Contudo, a esperança continuou a se manifestar e as freqüentes recaídas não desembocaram numa consciência de fracasso. Ao invés de desistirem de encontrar saídas para sua situação pela via messiânica, isto é, por intermédio dos seus heróis e imortais, os Ticuna vão reforçá-la, considerando-se uma população predestinada a receber um Messias que lhes mostrará o caminho da salvação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É por isso que nos últimos meses de 1971, quando chegou ao alto Solimões a notícia de que um Padre Santo, fazedor de milagres, estava descendo o Solimões vindo do Peru, a população ticuna se pôs repentinamente de alerta: os índios mais próximos das cidades da fronteira se encarregaram de espalhar a novidade nos povoados ticuna mais distanciados e mesmo naqueles situados no meio da floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À medida que o tempo passava e que a mensagem circulava de grupo em grupo, o seu conteúdo inicial também era ampliado e começava mais um momento de efervescência social. Mesmo se neste momento os sentimentos eram mal definidos e incertos, estavam persuadidos de que acontecia mais uma manifestação dos imortais em suas vidas. Em certas áreas ticuna chegou-se mesmo a comentar que o esperado era o próprio Yo´i (um dos heróis criadores). O grau de excitação aumentava sempre mais e quando souberam da chegada do referido personagem em Rondinha, no Peru, e depois em Marco e em Atalaia do Norte, muitos índios que habitavam nos igarapés, abandonaram suas habitações e se dirigiram aos povoados ticuna situados às margens do Solimões para assistir a sua chegada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nem todos os Ticuna aderiram ao movimento fundado pelo Irmão José, o José Francisco da Cruz. Estes eram principalmente os habitantes das comunidades protestantes batistas, sobretudo de Campo Alegre e de Betânia, totalizando cerca de quatro mil indivíduos, e outro tanto de católicos, um certo número deles de Belém do Solimões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria das pessoas que aderiram à Irmandade da Santa Cruz ficou impressionada com os prodígios atribuídos ao Padre Santo que ouviram falar antes mesmo da sua chegada ao alto Solimões. Eis alguns exemplos: como os habitantes de um povoado o tinham expulso e ridicularizado, o Irmão José anunciou um castigo do céu; logo uma forte tempestade varreu as casas e as plantações provocando a morte de pessoas e de animais. Animais e pessoas também morreram em outro povoado por causa de uma seca anunciada pelo Irmão José visto que seus habitantes haviam-lhe negado água para beber. Numa outra ocasião, ele recusou uma galinha que alguém lhe oferecia, dizendo: “devolva a galinha pro dono, tu robô ela”. Isso foi confirmado, acrescentam os informantes. Conta-se também que ele disse a uma senhora: “não se aproxime de mim, tu ta me queimando”. “A mulher tinha matado o filho”, acrescentam os membros da Irmandade. Além disso, comentava-se que o Padre Santo possuía estigmas, que ele não se alimentava e que não precisava dormir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fora os prodígios atribuídos ao fundador no começo da sua missão naquela região do Brasil, é preciso acrescentar que o cenário formado pela caravana messiânica, por ocasião da sua peregrinação na região, também contribui fortemente para o reconhecimento da sua graça carismática. Com efeito, o espetáculo fluvial que teve lugar a partir de maio de 1972 foi triunfal: quase mil pessoas, contando os brasileiros, peruanos, índios e não-índios, sobre canoas e barcos, cantavam e rezavam em voz alta. Eles acompanhavam um homem magro, de barba longa, vestido com batina, que carregava uma Bíblia e uma cruz; o cortejo formava uma verdadeira procissão fluvial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O caráter grandioso do espetáculo, associado à semelhança do Irmão José que viam e escutavam com a imagem que possuíam de Cristo causou um profundo impacto psicológico nos habitantes da região, principalmente entre os Ticuna. A pregação de José da Cruz, fortemente escatológica, também os impressionou que em razão de sua tradição messiânica eram sensíveis a esse tema. O Irmão José anunciava a proximidade do fim dos tempos, convidava todos a despertarem do sono espiritual enquanto houver tempo, e a viverem em comunidades, em torno das cruzes, onde então encontrariam a salvação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim o fundador da Irmandade da Santa Cruz, depois de partir de sua cidade natal (Cristina, Minas Gerais) em 1962 e peregrinar em várias cidades brasileiras e em vários países sul-americanos, alcança em 1972 a calha do rio Solimões. Após um ano de peregrinação nas vilas e povoadas desta região – nas quais sempre erigia uma cruz de mais ou menos cinco metros de altura, celebrava cultos e recebia os doentes – ele atingiu o rio Içá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Instalou-se no meio da floresta, na margem do igarapé Juí, pequeno afluente do rio Içá, num lugar que denominou de Lago Cruzador, distante aproximadamente 250 quilômetros da maioria dos povoados de seus seguidores. Nunca mais deixou esse lugar. Pensava edificar ali a sede espiritual de sua Irmandade e dali comandava os seus fiéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse local que ele faleceu, no dia 23 de junho de 1982, com a idade de 69 anos. Antes de falecer, teve o cuidado de legitimar o seu sucessor, um descendente de índios Cambeba, denominado Valter Neves. Ao assumir a sua função, este nomeou uma nova diretoria administrativa da Irmandade e levou em frente o projeto do fundador de construir a Vila Espiritual da Irmandade de Santa Cruz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As cruzes bentas e/ou erguidas pelo fundador da Irmandade - ou seus emissários - deram origem seja a uma nova dinâmica social nos povoados já existentes, seja a novos povoados, onde os seus habitantes procuram viver de acordo com a doutrina desse movimento religioso. A mais importante de todas as comunidades é, sem dúvida, aquela em que o Irmão José viveu e começou a edificar a sede da Irmandade, e onde o sucessor, seus discípulos e fiéis continuaram a sua construção: a Vila Alterosa de Jesus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda hoje existem adeptos desse movimento religioso entre os Ticuna.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{Ajustes pendentes}}&lt;br /&gt;
A sociedade ticuna está dividida em metades exogâmicas (só se pode casar com um membro da outra metade) não-nominadas, cada qual composta por clãs. Estes grupos clânicos patrilineares [isto é, o pertencimento ao clã é transmitido de pai para filho] são reconhecidos por um nome que é geral a todos, ''kï''''´a''. Em português, os índios traduziram por nação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conjunto de clãs ou nações identificadas por nomes de aves forma uma metade, enquanto as demais, identificadas por nomes de plantas, formam a outra. Mesmo os clãs Onça e Saúva (ver quadro a seguir), um mamífero e um inseto, são associados à metade “Planta” por razões descritas na mitologia ticuna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A condição de membro de um clã confere a um indivíduo uma posição social, sem a qual não seria reconhecido como Ticuna. Cada clã ticuna é constituído por outras unidades, os subclãs. Nesse sistema social, cada indivíduo pertence simultânea e necessariamente a várias unidades sociais (metade exogâmica, clã e subclã), uma vez que elas estão contidas umas nas outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os quadros abaixo ilustram exatamente isso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Metade plantas&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Clãs&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Subclãs&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;3&amp;quot;&amp;gt;Auaí&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´a-ru: (auaí grande)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;´t&amp;lt;/sup&amp;gt;s´everu: (auaí pequeno)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´ai&amp;lt;sup&amp;gt;t&amp;lt;/sup&amp;gt;s´anari (jenipapo do igapó)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;Buriti&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´tema (buriti)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ny´eni (n) &amp;lt;sup&amp;gt;t&amp;lt;/sup&amp;gt;si (buriti fino)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;3&amp;quot;&amp;gt;Saúva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´vaira (açaí)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´nai (n) yëë (saúva)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;tëku: (saúva)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;5&amp;quot;&amp;gt;Onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ts´i´va (seringarana) &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´na?nï (n) (pau mulato)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;t&amp;lt;/sup&amp;gt;s´e´e (acapu)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´ts´u: (n) a (caranã)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´keture (maracajá)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Metade aves&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Clã&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Subclãs&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;5&amp;quot;&amp;gt;Arara&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;t&amp;lt;/sup&amp;gt;s´a´ra (canindé)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ño´ï (vermelha)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;moru: (maracanã)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;vo´o (maracanã grande)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´a?ta (maracanã pequeno)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;Mutum&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ñu?në (n) (mutum cavalo)&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ai´veru: (urumutum)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;Japu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ba´rï (japu)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;kau:re (japihim)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tucano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´tau: (tucano)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;3&amp;quot;&amp;gt;Manguari&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´ñau: (n) a (manguari)&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;dyavï´ru: (jaburu)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;tuyo:y´u (tuyuyu)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Galinha&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;o´ta (galinha)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Urubu Rei&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´e?ts´a (urubu-rei)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Gavião Real&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´da-vï (gavião real)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É notável que as designações em Ticuna se referem aos subclãs, guardando para os clãs nomes regionais (alguns neologismos). Como já foi dito, as metades exogâmicas não são nomeadas, mas aqui neste quadro foram indicadas pelos termos &amp;quot;Plantas&amp;quot; e &amp;quot;Aves&amp;quot;, fazendo alusão a um modo de classificar os clãs a partir de classes botânicas e zoológicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro desse sistema, há um mecanismo de nominação por meio do qual é possível identificar o pertencimento social de cada indivíduo. O nome de um homem, kvai´tats´inï(n)-kï, por exemplo, que significa &amp;quot;arara batendo asas sentada&amp;quot; e que se refere a uma das qualidades da arara (que dá nome ao clã), mais especificamente da arara vermelha (que dá nome ao subclã), faz parte do repertório de nomes próprios que cada grupo clânico dispõe para seus membros. Assim, a simples enunciação de um nome permite classificar seu possuidor como membro de um certo clã e subclã e de uma das metades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível notar que por trás do sistema clânico ticuna há o seguinte encadeamento de classes: nome-qualidade do epônimo [o que dá nome ao clã, por exemplo, a arara] ---subclã --- clã --- metade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os epônimos clânicos transformados em signos fornecem uma espécie de código, um plano de referência importante para o comportamento social. Desse modo, ao dizer o nome kvai´tats´inï(n)-kï, como no exemplo dado acima, afirma-se o pertencimento do indivíduo a um certo clã, o que lhe impede de casar-se não só com pessoas do seu próprio clã, mas também com aquelas de sua metade. Em contrapartida, aqueles indivíduos que são classificados como membros da metade oposta passam a ser cônjuges potenciais, daí a exogamia de metades característica dos Ticuna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos introduzir um comentário elucidativo a respeito dos fundamentos míticos do dualismo ticuna. Nos referimos aqui ao papel de Yo´i como criador da organização clânica. Um dos mitos coletados por Nimuendajú relata que Yo´i e Ipi, os heróis culturais, depois de apanharem um grande número de pessoas no rio (os Ticuna recém-criados), não conseguiam distinguí-las por falta de classificação. &amp;quot;Mas Yo´i separou-as, colocando as suas a leste e as de Ipi a oeste. Então ele ordenou que cozinhassem um jacururu e obrigou todo mundo a provar o caldo. E assim cada um ficou sabendo a que clã pertencia, e Yo´i ordenou aos membros dos dois grupos que se casassem entre si&amp;quot; (Nimuendajú, 1952: 129-30). Como se vê, o mito sublinha a exogamia de metades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''*A grafia aqui reproduzida está de acordo com aquela utilizada pelo autor, no entanto deve-se ressaltar que, hoje em dia, a grafia adotada pelos Ticuna nas escolas é outra'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização política ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Antigos papéis políticos: ''tó-ü'' e ''yuücü'' ===&lt;br /&gt;
Nos relatos sobre o passado a guerra e a rivalidade parecem constituir fatos essenciais da existência dos Ticuna. Ainda hoje os índios falam extensamente das guerras entre as diferentes nações, dizendo que eram freqüentes as investidas de um grupo sobre o outro, com muitas mortes de ambos os lados. Os mais velhos procuram mostrar o seu desagrado face àquelas características do passado, confrontando a convivência tranqüila de hoje em dia nas aldeias com o medo e a belicosidade do tempo de seus avós. Cardoso de Oliveira também indica haver ouvido notícia de tais conflitos e guerras entre as nações [grupos clânicos patrilineares] (1970: 59).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Utilizando os relatos atuais, seria possível dizer que dentro de uma maloca todos se subordinavam a um mesmo código de autoridade que estabelecia a existência de somente dois papéis especializados, o ''tó-ü'' e o ''yuücü''. O ''tó-ü'' não era alguém cuja chefia fosse exercida genericamente em muitos contextos. A melhor tradução seria a de um chefe para a guerra. Cada nação tinha um só chefe, que comandava a todos quando se tratava de defender ou atacar a outra nação. O fundamento para o reconhecimento dele - a sua condição de chefe - decorria do fato de que &amp;quot;era ele que defendia os povoados, que defendia dos inimigos&amp;quot;. A esse personagem poderia também ser aplicado o termo daru, além do chamamento usual de ''tó-ü.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à sua função especializada e à sua força excessiva, o ''tó-ü ''não podia trabalhar na roça ou pescar: &amp;quot;não podia gastar a força dele assim à toa, com o que qualquer um podia fazer (...) os outros que faziam tudo para ele&amp;quot;. Tão grande era a sua força, que nenhuma atividade comum dava certo: &amp;quot;pegava um terçado para cortar um mato e batia com tanta força que quebrava o terçado&amp;quot;. A própria palavra'' tó-ü'' usada para designar esse chefe militar, é utilizada para referir-se ao macaco caiarara, animal muito admirado pelos Ticuna devido à sua grande agilidade, sendo muito difícil de se deixar apanhar ou surpreender por outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os informantes distinguem também o'' tó-ü,'' como um elemento de sua própria tradição, de outros títulos que o branco utiliza para estabelecer chefes entre quaisquer índios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;O ''tó-ü'' era o chefe de Ticuna mesmo, verdadeiro... O ''tuxaua'' não era próprio dos Ticuna. Era um chefe dos índios, assim como Mayoruna ou outros também têm&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras descrições a caracterização do ''tó-ü'' como o protetor das pessoas de sua nação se sobressai fortemente, evidenciando que a sua função não se exerce apenas na guerra, mas também no cotidiano de malocas isoladas na floresta, mantendo rivalidades com outras nações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por sua atuação em momentos cruciais à defesa ou afirmação do grupo, o'' tó-ü ''deveria ser bastante identificado com a sua nação, sendo um símbolo e um fator importante dessa unidade. Já o ''yuücü'' (atualmente os termos empregados são ''yuücü'' para o feiticeiro e ngetacü para o xamã) exercia funções estritamente privadas e pessoais, não se identificando ao grupo com a mesma intensidade que o ''tó-ü''. Além disso podia haver mais de um xamã ou feiticeiro por cada nação, cada um dispondo de um prestígio diferente e lhe sendo atribuído graus diversos de eficiência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De qualquer modo os pajés também participavam dessas guerras e conflitos. Geralmente a transferência de um grupo de um local para outro é explicada pela busca de &amp;quot;um lugar bonito para viver&amp;quot;, estando associada ao medo de doenças enviadas pelo ''yuücü'', bem como pela necessidade de fugir de epidemias e inundações. Nimuendajú conta que um bom xamã pode afastar de seu grupo, através de um tratamento mágico, as epidemias, anunciadas por meio de uma auréola esverdeada no sol (1952: 105).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não havia igualmente uma correlação estabelecida de modo rígido entre uma dada nação e um certo território. Os terrenos de caça, pesca e coleta eram mantidos sempre com oscilações, dependendo das pressões exercidas por outros clãs sobre essas mesmas áreas. Existem, no entanto, alguns locais que não eram ocupados ou reivindicados por qualquer uma das nações, embora fossem (e sejam) reconhecidos unanimemente como ponto de origem de todos os Ticuna. É esse o caso da montanha do Taiwegüne e do igarapé do Eware, ambos situados no alto do igarapé São Jerônimo. Usualmente, no entanto, os direitos de uma nação a um certo território eram sempre vinculados à existência de uma ocupação real (e mutável), derivando de uma necessidade de utilização efetiva, bem como do empenho e da capacidade militar em manter tais limites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== No tempo dos patrões ===&lt;br /&gt;
Com a dissolução das malocas clânicas (desde as décadas de 1910 e 1920) e o fim das guerras entre as nações, o papel do chefe militar, o ''tó-ü'', perdeu toda significação e não foi mais preenchido. Os patrões [seringalistas] criaram um novo papel político, o de ''tuxaua'' ou tuxawa, cuja definição nada tinha a ver com os limites da tradição tribal, pretendendo se constituir em um instrumento de reforço e favorecimento da dominação sobre os índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A caracterização mais freqüente usada pelos informantes deixa claro que o tuxawa era visto pelos índios como um representante do patrão: &amp;quot;o tuxawa era assim como um capataz, um chefe. Ele dizia para todo pessoal as ordens do patrão... quando tinha que fazer algum trabalho, ele chamava, convidava... era como um comandante&amp;quot;. O termo capataz foi usado diversas vezes por informantes para definir o ''tuxaua'', indicando dessa forma que o cargo e a sua investidura eram de responsabilidade exclusiva do patrão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As diferenças entre o ''tó-ü'' e o ''tuxaua'' eram grandes demais para que um elemento que ocupasse o primeiro cargo pudesse ser utilizado no segundo. Em geral, os que foram escolhidos pelos patrões como ''tuxaua'' eram índios que dispunham de uma certa liderança sobre alguns grupos familiares, e que embora tivessem influência sobre os outros, não possuíam qualquer título, nome ou mandato específico que não decorresse de sua vinculação com os brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A área de atuação do ''tuxaua'' era usualmente um rio ou igarapé, mas podia ser mais ampla para englobar toda a propriedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os suportes para o ''tuxaua'' eram externos à tradição tribal e os seus limites eram desconhecidos (incompreensíveis e ilegítimos) para os próprios índios. A força efetiva que possuía, a capacidade de coerção e retaliação de que dispunha, era apenas parte do poder real do seringalista, de seu potencial de intimidação. O tuxaua servia como um veículo direto dessa dominação e o seu procedimento refletia essa condição de submissão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Novos papéis políticos - o líder do grupo vicinal e o capitão ===&lt;br /&gt;
Os grupos vicinais não são unidades estruturais,no sentido de decorrerem da aplicação direta de princípios organizativos gerais (como seria o caso das nações que decorrem do princípio de patrilinearidade). São, ao contrário, unidades circunstanciais e políticas, que resultam de escolhas individuais praticadas por seus integrantes. A constituição e a continuidade de um grupo vicinal não podem ser deduzidas da operação automática de regras preferenciais de casamento, de residência, ou de descendência. Em certo sentido correspondem a criações independentes de alguns indivíduos que, por capacidades reconhecidas, conseguem polarizar em torno de si os seus parentes mais próximos, para isso manipulando com as regras de residência e incentivando certas escolhas matrimoniais. A formação de um grupo vicinal exige o encontro dessas habilidades e interesses por parte de um (ou mais) líder(es), com a sua aceitação pelos demais. Implica ainda na cristalização de uma preferência dos seus membros pela vida em grupo e com atividades de cooperativas, por contraste à condição de uma família isolada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em princípio qualquer chefe de família dentro de um grupo vicinal pode abandoná-lo no momento que quiser, indo estabelecer-se com os seus em outra localidade ou mudando-se para outro lugar dentro da mesma área. A sua permanência é, de fato, um ato de escolha, que implica uma avaliação positiva da cooperação nas atividades de subsistência, de estratégias econômicas acionadas, de um relacionamento harmonioso, da partilha de costumes, predileções e crenças. O sustentáculo dessa unidade é dado pela existência de um líder que consegue elaborar fins comuns, mobilizar os meios adequados, e dar um certo nível de satisfação aos componentes do grupo, evitando o surgimento de antagonismos insuperáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grupo vicinal não possui uma marca específica que o visualize, nem foi encontrada na língua Ticuna uma expressão que caracterize especificamente essas unidades sociais, não tendo notícia igualmente de algum título usado por esse chefe de grupo vicinal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A função do líder do grupo vicinal é tanto a de comunicar-se com estranhos e civilizados (não-índios), representando os membros de seu grupo perante qualquer autoridade (capitão, chefe de posto, militares, comerciantes, professores, missionários, etc), quanto a de organizar a cooperação entre os vários grupos domésticos que habitam próximos uns dos outros. Isso se manifesta, por exemplo, nas atividades econômicas, religiosas e em algumas tarefas comunitárias, como nos ajuri.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fonte de autoridade do líder de grupo vicinal é o fato de agir de acordo com o consenso do grupo, de pôr em execução medidas e decisões que os outros julguem acertadas. Agindo sem o apoio do grupo, porém, ele não dispõe de poder algum para coagir qualquer indivíduo, exceto suas qualidades pessoais. Dentro do grupo, e mesmo contanto com o seu apoio, ele não possui um poder coercitivo singular e especializado. Se um indivíduo do grupo apresenta conduta desviante e reputada como errônea, o máximo que o líder do grupo local pode fazer por si só é procurar aconselhá-lo e demovê-lo de manter suas atitudes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante perceber que a existência de um líder para o grupo vicinal não implica na negação da autoridade por parte do chefe de cada segmento familiar. Dentro de cada casa e nas questões relativas aos membros de sua família, esse chefe de família tem reconhecida uma enorme autonomia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O papel do capitão tem seus precursores, como já anotava Nimuendaju (1952:65), no ''tuxaua'' no Brasil e no curaca no Peru. Hoje em dia esse último termo é quase inteiramente desconhecido no Brasil. Os poucos que o utilizam, o fazem com uma tradução bastante ambígua para o português algumas vezes como capitão, outras como capataz. Nos últimos anos também o termo ''tuxaua'' caiu em desuso, o significado mais freqüente que lhe é dado é o de capataz e está sempre associado à idéia de um preposto do patrão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ponto de distinção entre ''tuxaua'' e capitão parece estar ligado ao seguinte aspecto: o primeiro representa diretamente o patrão seringalista, enquanto o segundo recebe um reconhecimento por parte do governo brasileiro. O uso da farda nesse sentido é um fator básico de separação, marcando a conexão do capitão com um outro poder, diferente daquele diretamente emanado dos seringalistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para tentar uma compreensão do papel de capitão é necessário fazer referência a um outro papel também presente nos esquemas administrativos de atuação do órgão tutelar: o de inspetor, encarregado ou chefe de Posto. O capitão é um instrumento de comunicação e controle acionado pelos funcionários do antigo SPI (Serviço de Proteção aos Índios).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fonte última do poder do capitão é sempre o representante local do órgão, que reitera ou retira o seu apoio ao capitão, de acordo com a avaliação que tem de seu desempenho no cargo. Quem escolhe o capitão é de fato o chefe do Posto e assim esse indivíduo fica geralmente encarregado de transmitir aos índios as exigências, proibições ou propostas emanadas dos civilizados que o empossaram e titularam. Uma de suas funções é assim se constituir em fator da comunicação regular entre civilizados e índios: ele procede como um tradutor e mensageiro, ouvindo o discurso dos primeiros, traduzindo-o para o universos dos costumes e da língua nativa, divulgando-o entre os índios. Para os índios (e para o próprio capitão) a mensagem do capitão expressa necessariamente o ponto de vista da administração, concorde ou não a mensagem com as idéias pessoais do capitão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O capitão, porém, não somente transmite a mensagem, mas também procura executar as determinações nela contidas; para isso atua normalmente na aldeia como árbitro para os conflitos, estabelecendo punições e prêmios, alocando responsabilidades entre seus liderados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade para a ótica dos índios uma mensagem impositiva, perante a qual não existe possibilidade de rejeição ou de reformulação, é identificada através do meio pelo qual ela é expressa, anunciada formalmente pelo capitão e proveniente dos civilizados. Toda mensagem que satisfaça a essa praxe é classificada e dita como uma ordem, sendo tomado como implícito que o capitão não está somente comunicando algo, mas ainda compelindo a aceitar algo.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
Os Ticuna praticavam o cultivo de espécies nativas como a macaxeira, o cará, uma espécie de cana-de-açúcar e outros tubérculos. Antigamente, com uma alimentação baseada na carne de caça, a pesca tinha uma importância mínima e era praticada com uma tecnologia de cercados e envenenamento dos peixes com o sumo do timbó (Oliveira, 1988). Essa situação, no entanto, se inverteu a partir da ocupação das várzeas do Solimões. Hoje, a pesca é uma das atividades produtivas mais importantes para os Ticuna.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |A caminho da roça. Foto: Jussara Gruber, 1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235100-1/ticuna_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada família ticuna possui sua roça e a considera de sua propriedade. Mas não se trata de propriedade da terra, nem mesmo de propriedade coletiva. Nas roças da família trabalham, em geral, o pai, sua esposa e os filhos mais velhos que ainda não são casados. No entanto, os filhos homens, maiores e solteiros, poderão ter uma roça própria quando casarem. Os mais idosos têm também roças independentes de seus filhos e genros, mesmo quando moram na mesma casa. Quando mais de uma família vivem em uma mesma casa, elas costumam trabalhar separadas, cada uma em sua respectiva roça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da mão-de-obra familiar, os Ticuna contam com uma outra ajuda na agricultura por parte de parentes e amigos. São os ajuri, estruturados sobre os grupos vicinais, que são realizados com freqüência em todas as aldeias. Em um ajuri, o dono da roça é responsável pela comida e bebida dos seus convidados. Ele prepara o pajuaru, bebida fermentada feita de mandioca ou macaxeira, e providencia peixe e farinha para todos os participantes. Ao terminar o serviço, os participantes vão à casa do dono do ajuri, onde passam a noite em cantos e danças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ajuri pode ser realizado em qualquer etapa da produção, bastando que o dono da roça necessite da ajuda dos integrantes de seu grupo vicinal. Existem, portanto, o ajuri da derrubada, o da colheita, o da palha (em que os convidados levam a palha e a trançam para a cobertura da casa do dono do ajuri), o da canoa etc. O trabalho que aquela família demoraria vários dias para fazer é terminado em uma manhã de trabalho conjunto dos parentes e vizinhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos agrícolas utilizados pelos Ticuna são basicamente o terçado, o machado, a enxada e o forno de torrar farinha. Os instrumentos de trabalho utilizados no seu cotidiano são comprados por meio dos regatões ou nas cidades vizinhas, principalmente em Letícia, na Colômbia. Alguns machados e fornos de farinha foram ganhos da Funai. Pequenos comércios, instalados na própria aldeia por moradores com mais recursos, e que vão mais vezes à cidade, também fornecem os instrumentos necessários à produção, principalmente o terçado, que é aquele de maior demanda.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índia Ticuna preparando alimento, Belém do Solimões, Terra Indígena Évare I, Amazonas. Foto: Jussara Gruber, 1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235104-1/ticuna_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As técnicas agrícolas dos Ticuna não são diferentes daquelas utilizadas em todo o Vale Amazônico, que incluem a derrubada seguida da queima e coivara. As roças de terra firme estão no centro, como eles costumam dizer. Já aquelas da várzea são geralmente cultivadas nas ilhas e florestas alagáveis principalmente pelo Solimões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os produtos mais plantados, em ordem decrescente de importância, são: a macaxeira e a mandioca, a banana, o abacaxi, a cana e o cará, além do milho e da melancia, no período da seca (verão), quando estas roças que são de várzea estão sendo trabalhadas. Alguns desses produtos têm seu excedente comercializado. Além destes, podemos ainda citar algumas frutas como a pupunha, o mapati, o açaí, o abiu e o cupuaçu, que não são, senão raramente, plantadas. Estas frutas estão comumente localizadas nas capoeiras, antigas roças deixadas em pousio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pescaria é um trabalho dos homens. A pesca conjunta é muito rara, mesmo entre moradores da mesma casa. A grande maioria dos Ticuna costuma pescar de caniço e flecha, e os melhores locais para a pesca são geralmente os numerosos lagos que margeiam o rio Solimões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a caça não é praticada por muitos, apesar de tradicionalmente estar bastante ligada aos Ticuna. Utilizavam uma zarabatana que lançava projéteis envenenados, mas hoje se valem da espingarda. As presas citadas com mais freqüência são: o macaco guariba, o macaco prego, a cutia, o veado, a queixada, o caititu, a anta, o mutum, o jacu, a arara, o macaco parauacu, o macaco barrigudo, a preguiça real, o macaco caiarara e o pinhuri.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação de animais entre os Ticuna não costuma ser muito expressiva. A maioria das famílias possui poucas galinhas, mas estas são criadas soltas e apenas para a venda aos regatões e nas cidades, não sendo consumidas, assim como seus subprodutos. Além da galinha, há ainda uma pequena criação de patos, porcos e carneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coleta de frutas é realizada por todos da família. As frutas mais comuns nas aldeias ticuna são: mapati (''tchinhã''), umari (''te'tchi''), ingá (''pama''), abiu (''tao''), castanha (''nhoí''), pupunha (''itu''), cupuaçu (''cupu''), sapota (''otere'') e açaí (''waira''). As capoeiras onde os índios vão colher as frutas são, em geral, localizadas nas suas antigas roças, que deixaram em repouso, preservando as árvores frutíferas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Dieta alimentar ===&lt;br /&gt;
A dieta alimentar é composta basicamente de peixe com farinha de mandioca. O preparo do peixe, quase diário, é feito principalmente de duas formas. Os diferentes tipos de peixe são cozidos (o seu caldo é bastante apreciado por todos). Depois de comer o peixe cozido com muita farinha de mandioca, os Ticuna costumam tomar vários pratos do caldo, como se fosse uma sopa. Também é muito comum fazer o peixe assado (moqueado) e comê-lo acompanhado de um pratinho de sal colocado ao lado, onde todos molham o dedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A farinha de mandioca é consumida torrada e muitas vezes misturada ao que eles chamam de vinho de açaí, um suco feito desta fruta. Outro importante componente da alimentação ticuna é a banana. O mingau de banana é bebido como um suco bastante grosso. A banana assada na brasa é também muito utilizada, assim como frita. Devido à pequena expressão da caça na dieta desse povo, não há descrições do preparo de todas as carnes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A carne de queixada, assim como a da anta e a do caititu, costuma ser cozida. A carne de jacaré, também apetitosa, costuma ser preparada do mesmo modo que os peixes. Há ainda dois modos diferentes de se preparar os peixes, não tão comuns quanto aqueles já descritos. São eles a pupeca (uma espécie de trouxinha preparada com a folha de bananeira onde é assado o peixe) e a mujica ou massamoura (uma massa de banana amassada e apimentada com pedaços de peixe desfiados).O artesanato é, em geral, responsabilidade da esposa de uma família ticuna. Quase a totalidade das mulheres sabe fazer o tipiti (instrumento utilizado para espremer a massa de mandioca), o pacará (cesto com tampa), o aturá (cesto cargueiro), a maqueira, a peneira, colares e alguns outros tipos de artesanato. A maioria desses artefatos, entretanto, não é feita para a venda, mas para uso doméstico. As famílias que vendem algum tipo de artesanato o fazem aos regatões ou nas cidades mais próximas, mas isso não ocorre com muita freqüência. Semelhante ao que ocorre com a venda de frutas nas aldeias mais próximas à cidade, a venda de artesanato é mais intensa.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Ticuna não costumam comprar muita variedade de produtos. Algumas famílias chegam a comprar café, bolacha, arroz, feijão, óleo (tudo em pequenas quantidades), e algumas vezes macarrão, cebola etc. A maioria, entretanto, costuma comprar apenas fósforo, sabão, sal, açúcar e algum querosene para suas lamparinas. Muitos não compram nem mesmo o açúcar, e mesmo os que o fazem compram muito pouco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos esses produtos são, em geral, trazidos pelos regatões que passam pelas localidades. Esta transação é feita normalmente a partir da troca da farinha que produzem e das galinhas que criam. Algumas vezes, tais produtos são comprados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As famílias com mais recursos fazem suas compras nas cidades mais próximas. Algumas compram em grandes quantidades para revender mais tarde na aldeia, formando assim casas &amp;quot;armarinhos&amp;quot;, com produtos como pilhas ou linha de costura.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Artes ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índios Ticuna durante ritual, Belém do Solimões, Terra Indígena Évare I, Amazonas. Foto: Jussara Gruber , 1978&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235106-1/ticuna_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A variedade e riqueza da produção artística dos Ticuna expressam uma inegável capacidade de resistência e afirmação de sua identidade. São as máscaras cerimoniais, os bastões de dança esculpidos, a pintura em entrecascas de árvores, as estatuetas zoomorfas, a cestaria, a cerâmica, a tecelagem, os colares com pequenas figuras esculpidas em tucumã, além da música e das tantas histórias que compõem seu acervo literário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um aspecto que merece atenção é o acervo de tintas e corantes. Cerca de quinze espécies de plantas tintórias são empregadas no tingimento de fios para tecer bolsas e redes ou pintar entrecascas, esculturas, cestos, peneiras, instrumentos musicais, remos, cuias e o próprio corpo. Há ainda os pigmentos de origem mineral, que servem para decorar a cerâmica e a “cabeça” de determinadas máscaras cerimoniais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo dos quase quatrocentos anos de contato com a sociedade nacional, os Ticuna mantêm uma arte que os singulariza etnicamente, e as transformações constatadas em alguns itens de sua produção material raramente acontecem em detrimento da qualidade estética ou técnica das peças. Em certos casos, ao contrário, as inovações vieram beneficiar a aparência dos artefatos – especialmente aqueles destinados ao comércio artesanal – tornando-os mais vistosos e com melhor acabamento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Rapazes ticuna pintando tururi. Foto: Jussara Gruber, 1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235108-1/ticuna_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Ticuna, a raiz matü designa todo o tipo de decoração ou “enfeite” aplicado na superfície dos objetos ou do corpo, bem como as manchas, malhas ou desenhos encontrados na pele ou couro de certos animais. Além de ser adotado para nomear os motivos que resultam do cruzamento de fios ou talas ou os desenhos pintados sobre as entrecascas, papel e outros suportes, esse termo é também usado para designar a escrita introduzida com a escolarização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como suportes de decoração há, no âmbito do trançado, os cestos com tampa, as peneiras e os tipitis, cuja manufatura cabe às mulheres. Outro conjunto de motivos encontra-se nas redes, tanto nos exemplares fabricados para venda como nos de uso doméstico. São motivos que resultam de uma técnica complexa que exige da tecelã grande conhecimento, experiência e atenção, adquiridos após um longo período de aprendizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tecelagem está intimamente ligada à mulher. A fabricação de fios é uma das primeiras tarefas desenvolvidas pelas meninas e na adolescência a importância dessa atividade ganha uma expressão ritual. Durante o período de reclusão a menina moça, worecü, dedica-se a trabalhos em tucum, especialmente à torção de fios, que são enrolados em forma de “flor”, de modo diferente dos novelos circulares vistos usualmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;responsive-embed&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; class=&amp;quot;pull-left margem-right&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;280&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://player.vimeo.com/video/68870830&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;373&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A confecção da cerâmica é tarefa preferencialmente feminina, mas os homens também costumam exercê-la. Outro suporte que possibilita o prazer de desenhar e colorir são os painéis feitos de entrecasca de certas espécies de Ficus ou tururi, como é denominado regionalmente. O tururi, nome dado a esse tipo de painel, é uma invenção recente e surgiu do reaproveitamento de técnicas e matérias- primas tradicionalmente empregadas na manufatura de máscaras. Os tururis são pintados exclusivamente para fins comerciais. Os especialistas reconhecidos na arte de pintar o tururi são os homens, em sua maioria jovens ou de meia-idade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O elenco de figuras desenhadas é infinito. Há uma marcada preferência pela representação de animais (onça, jabuti, cobra, borboleta, anta, jacaré e várias espécies de aves e peixes), que em alguns casos vêm combinados com elementos da flora ou com figuras antropomorfas.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Índio Ticuna durante ritual, Belém do Solimões,&lt;br /&gt;
Terra Indígena Évare I, Amazonas. Foto: Frei Arsênio Sampalmieri, 1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235111-1/ticuna_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na esfera ritual, os suportes mais representativos da arte gráfica são as máscaras, os escudos, as paredes externas do compartimento de reclusão da moça-nova e o corpo. Na confecção das máscaras, os Ticuna utilizam como matéria-prima básica entrecascas de determinadas árvores e os motivos ornamentais podem estar distribuídos pela vestimenta inteira. Na parte superior ou “cabeça”, a decoração serve para salientar as feições da entidade sobrenatural, mas é nas entrecascas com as quais cobrem o corpo que se observa um maior número de desenhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A confecção e o uso das máscaras são de domínio dos homens, que também se encarregam da feitura de grande parte dos objetos rituais, como alguns adereços da worecü, os instrumentos musicais, o recinto de reclusão, os bastões esculpidos etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pintura da face, por sua vez, pode ser realizada por ambos os sexos e é empregada hoje em dia apenas durante os rituais, por todos os participantes, inclusive crianças. Essa pintura, feita com jenipapo, já no primeiro dia da festa, tem a função social de identificar o clã ou nação, como dizem os Ticuna, de cada pessoa. É possível detectar em alguns ornamentos faciais uma certa similaridade com a natureza, ou seja, com os animais e as plantas que dão nome aos clãs. Além da função social de especificação do clã, pintar-se na festa é um ato obrigatório. A decoração corporal das jovens e crianças iniciadas, por sua vez, é realizada segundo normas rigidamente estabelecidas.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Ilustração: João do Carmo Ticuna&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235117-1/ticuna_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aptidão e a sensibilidade ticuna para a arte relevam-se agora em novos materiais e formas de expressão plástica e estética, como as pinturas em papel produzidas por um grupo de artistas que formam hoje o Grupo Etüena. Segundo a mitologia ticuna “Etüena é a pintora dos peixes. Ela sentava na beira do rio esperando a piracema passar. Ela então pegava cada peixe e pintava, dando uma cor que ficava para sempre”. Esse grupo nasceu no contexto dos cursos de formação ministrados pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües (OGPTB), em que a arte teve um espaço privilegiado no programa curricular.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Educação ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Primeira reunião geral de professores Ticuna, Santa Inês, Amazonas. Foto: Jussara Gruber, 1983&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235128-1/ticuna_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües (OGPTB), criada em dezembro de 1986 e constituída juridicamente em 1994, atua numa extensa área formada pelos municípios de Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins, na região do alto rio Solimões (AM). Ao longo de quase 20 anos, a OGPTB tem sido uma importante referência para os professores ticuna e, mais recentemente, também para os professores de outras etnias que habitam a região, como os Cocama e os Caixana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua importância está relacionada ao desenvolvimento de projetos e programas de educação bilíngüe (Português e Ticuna), com destaque para a titulação de professores no nível médio e a oferta de cursos de especialização em educação indígena, iniciativas que vêm suprindo a falta de ações públicas de formação específica por parte dos órgãos governamentais em todos os níveis. Os cursos são desenvolvidos no Centro de Formação de Professores Ticuna-Torü Nguepataü, na aldeia de Filadélfia (Benjamin Constant), com 481 professores indígenas matriculados nas diferentes modalidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa capacitação tem contribuído para a criação de novos níveis de ensino nas escolas indígenas localizadas na área de atuação da OGPTB e um substancial crescimento do número de alunos, revertendo o quadro de exclusão escolar observado em décadas passadas, reduzindo a necessidade de deslocamento de jovens para as escolas da cidade ou mesmo a interrupção dos estudos. Se tomarmos como referência as escolas ticuna situadas nos cinco primeiros municípios citados, constatamos que, em 1998, havia 7.458 alunos, com apenas 841 nas classes de 5ª a 8ª série, ao passo que em 2005 o censo escolar apresentava um total de 16.100 alunos, dos quais 4.580 encontravam-se nas classes finais do Ensino Fundamental e nos cursos de Ensino Médio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro aspecto importante foi a substituição gradativa dos docentes não-índios por professores ticuna, os quais assumiram todas as classes de 1ª a 4ª séries, atuando também nas séries finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, onde compõem cerca de 50% do quadro docente. As escolas municipais são dirigidas por professores ticuna, que também desempenham em alguns municípios atividades de supervisão e coordenação de pólos. Existem 118 escolas municipais e duas estaduais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2002, as iniciativas da OGPTB começaram a ter a participação dos demais grupos étnicos do alto Solimões, principalmente pela inserção dos professores cocama, caixana e cambeba nos cursos de formação e nos encontros que objetivam discutir as políticas educacionais na região. Tendo como referência a mobilização dos Ticuna por uma educação escolar adequada a seus interesses e realidades, esses professores, com apoio de suas respectivas organizações, vêm lutando para implementar uma nova escola em suas comunidades e, ao mesmo tempo, obter o reconhecimento das prefeituras municipais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Ticuna, assim como para outras etnias, há uma expressiva demanda pelo ensino superior. Existe, de um lado, a necessidade de atender às exigências legais para a formação dos professores e, de outro, a necessidade de atendimento da demanda escolar que se amplia da 5ª a 8ª série e ensino médio. Dessa maneira, a formação específica de nível médio já não era suficiente, o que levou a OGPTB a criar o projeto do curso de licenciatura a partir de um longo processo de discussões com professores e lideranças indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para realização do Curso de Licenciatura para Professores Indígenas do Alto Solimões, a OGPTB buscou a parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e apresentou a primeira versão do projeto em abril de 2004. O projeto foi aprovado no âmbito da UEA em 2005, e em julho de 2006 foi iniciada a primeira etapa. O curso destina-se a 230 professores ticuna, dispondo de 20 vagas para professores cocama, caixana e cambeba.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já foram desenvolvidas quatro das dez etapas previstas no projeto, e as aulas são ministradas no Centro de Formação de Professores Ticunas durante as férias escolares.A atuação da OGPTB tem contribuído para uma maior autonomia dos professores e comunidades na condução do processo educacional em suas escolas e no entendimento da escola como espaço de produção de saberes, de reflexão e ação política, de proteção do território e defesa dos direitos sociais, de promoção da saúde, de valorização da língua materna e do patrimônio cultural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como outras organizações indígenas do país, a OGPTB luta pelo reconhecimento e cumprimento da legislação de educação escolar indígena na região do alto Solimões. Embora enfrente dificuldades de toda ordem - reiterada falta de reconhecimento, descaso, discriminação -, a persistência e a incansável mobilização dos membros dessa organização têm permitido superar inúmeros obstáculos e desafios para fazer valer os direitos dos povos indígenas de atuarem com autonomia na condução de seus projetos, de suas escolas e de seus propósitos por melhores condições de vida.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALMEIDA, Fabio Vaz R. de. “Desenvolvimento sustentado entre os Ticuna: as escolhas e os rumos de um projeto”. In: Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi, ser. Cienc. Hum. abr. 2005, vol.1, no.1, p.45-110.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. “Tatchiüàné: ‘nossa terra de muito tempo’”. Amazônia em cadernos, n. 6. Manaus : Editora da Universidade do Amazonas, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. “Agências de contato e desenvolvimento sustentável entre os Ticuna”. Amazônia em cadernos, n. 5. Manaus, Editora da Universidade do Amazonas, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Desenvolvimento sustentado entre os Ticuna: as escolhas e os rumos de um projeto. Rio de Janeiro: CPDA/UFRRJ, 1996. (Dissertação de mestrado).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Economia Ticuna e monitoramento ambiental. In: SANTOS, Antônio Carlos Magalhães Lourenço (Org.). Sociedades indígenas e transformações ambientais. Belém : UFPA-Numa, 1993. p. 79-112. (Universidade e Meio Ambiente, 6).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------; BRASIL, Deusimar Freire. Desenvolvimento econômico : uma nova preocupação dos Ticuna. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 310-2.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------; ERTHAL, Regina M. Carvalho de. “Os Ticuna diante da Degradação Ambiental” In: RICARDO, Beto (ed.) Povos Indígenas do Brasil (1996-2000). São Paulo : Instituto Socioambiental, 2000, p. 403-407.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALVIANO, Fr. F. “Notas etnográficas sobre os Ticuna do Alto Solimões&amp;quot;. In: Revista Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 1943, vol. 180-181, pp. 6-33&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARAÚJO, Ubiratã Antônio Moreira de. Máscaras inteiriças Tukuna: possibilidades de estudo de artefatos de museu para o conhecimento do universo indígena. São Paulo: ESP, 1986. (Tese de Láurea)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARAÚJO LEITÃO, Ana Valéria Nascimento (Org.). A defesa dos direitos indígenas no judiciário : ações propostas pelo Núcleo de Direitos Indígenas. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1995. 544 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CAMACHO, H. “Rito y cosmogonia entre los Tikuna del Trapecio Amazônico”. In: Letícia, pré-print, 2003, 21 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Historias de los Abuelos de Muruap. Bogotá, Imprenta National de Colômbia, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Nuestras caras de fiesta. Bogotá, Colcoltura, 1996.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Magüta, la gente pescada por Yoi. Bogotá, Colcoltura, 1995.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto. Viagem ao território Tükúna. In: Os diários e suas margens: viagem aos territórios Terêna e Tükúna. Brasília : Editora Universidade de Brasília; Fundação Biblioteca Nacional, 2002. pp. 271-338.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
-------. O índio e o mundo dos brancos. Campinas : Ed. da Unicamp, 1996 [1ª ed. 1964].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-------. Aliança inter-clânica no sociedade Tükúna. In: --------. Enigmas e soluções : exercícios de etnologia e de crítica. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; Fortaleza: UFCE, 1983. p. 54-75. (Biblioteca Tempo Universitário, 68)&lt;br /&gt;
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-------. &amp;quot;Possibilidades de uma Antropologia da Ação&amp;quot;. In: Sociologia do Brasil Indígena. Rio de Janeiro : Tempo Brasileiro, 1978 (2ª ed.). p.197-221.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Totemismo Tükúna? In: -------- (org.). Mito e linguagem social. Ensaios de antropologia social. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1970, pp. 52-64.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ERTHAL, Regina Maria de Carvalho. O suicídio Ticuna no Alto Solimões : uma expressão de conflitos. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Fiocruz, v. 17, n. 2, p. 299-312, mar./abr. 2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. O suicídio Ticuna na região do Alto Solimões-AM. Rio de Janeiro : ENSP/Fiocruz, 1998. 310 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----------. “Un objeto ritual: el chine o escudo de baile de los Ticuna”. In: MYERS, T. &amp;amp;amp; CIPOLLETTI, M. S (orgs.). BAS Bonner Americanistsche Studien, Bonn, Bonn Universtität, 2002, n. 36, pp. 47-62.&lt;br /&gt;
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--------. Les genres du corps: conceptions de la personne chez les Ticuna de la haute Amazonie. Paris : EHESS, 1998. 556 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. La parole voilée ou les beaux-frères inévitables chez les Ticuna. Bulletin de la Soc. Suisse des Américanistes, Genebra : Soc. Suisse des Américanistes, n. 57-58, p. 139-46, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Les Ticuna n'ont pas de loi ou le motif de la &amp;quot;tete coupee&amp;quot;. Journal de la Société des Américanistes, Paris : Société des Américanistes, v. 78, n. 2 , p. 11-24, 1992.&lt;br /&gt;
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    --------. As extensões do olhar : a arte na formação de professores Ticuna. Em Aberto, Brasília : Inep, v. 14, n. 63, p. 122-36, jul./set. 1994.&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
    --------. Museu Magüta. Piracema, Brasília : Funarte ; Ibac ; Minc, v. 2, n. 2, p. 84-94, 1994.&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
    -------. “A arte gráfica Ticuna”. In: VIDAL, L. (org.), Grafismo indígena: estudos de antropologia estética. São Paulo : Studio Nobel/Fapesp/Edusp, 1992.&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
    -------- (Org.). Ngi'A tanautchicunaagu : um manual da escrita. Benjamin Constant : Magüta ; Brasília : MEC, 1992. 108 p.&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
    -------.et al. “20 anos de Resistência e Conquista”. In: Povos Indígenas no Brasil: 2001-2005. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2006, pp. 418-422.&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
    -------. &amp;amp;amp; DEHEINZELIN, Monique. “Ticunas, os professores que vieram de longe”. Pátio – Revista Pedagógica, Ano V, No. 18, Porto Alegre : Artmed, 2001. pp.40-44.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GUIMARÃES, Francisco Alfredo Morais. Vai-Yata-In (União de todos) : uma proposta alternativa no ensino da temática indígena na sala de aula. Salvador : UFBA, 1996. 256 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LEITE, Arlindo Gilberto de Oliveira. Educação indígena Ticuna : livro didático e identidade étnica. Cuiabá : UFMT, 1994. 295 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LOPEZ GARCES, Cláudia Leonor. Ticunas brasileiros, colombianos y peruanos: etnicidad y nacionalidad en las region de fronteras del Alto Amazonas/Solimões. Brasília : UnB, 2000. 324 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MACEDO, Guilherme Martins. Negociando a identidade com os brancos : política e religião em um núcleo urbano Ticuna. Rio de Janeiro : Museu Nacional-UFRJ, 1996. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MASQUERADES and demons: Tukuna bark-cloth printing. Urbana: Board of Trustees of the University of Illinois, 1992. 71 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MENDONÇA, João Martinho de. Os movimentos da imagem da etnografia e reflexão antropológica: experimentos a partir do acervo fotográfico do professor Roberto Cardoso de Oliveira. Campinas: Unicamp, 2000. 228 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NIMUENDAJÚ, Curt. Os índios Tukuna (1929) In: --------. Textos indigenistas. São Paulo: Loyola, 1982. p. 192-208.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
-------. The Tükuna. Berkeley and Los Angeles: University of California Press, 1952 [1a. ed. 1929). 209p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, João Pacheco de. Ação indigenista e utopia milenarista: as múltiplas faces de um processo de territorialização entre os Ticuna. In: ALBERT, Bruce; RAMOS, Alcida Rita (Orgs.). Pacificando o branco: cosmologias do contato no Norte-Amazônico. São Paulo: Unesp, 2002. p. 277-310.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Ensaios em antropologia histórica. Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ, 1999. 269 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-------- (Coord.). Atlas das terras Ticuna. Rio de Janeiro: Museu Nacional; Brasilia: Finep/PP-G6; Benjamin Constant: CGTT, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. &amp;quot;O Nosso Governo&amp;quot; : os Ticuna e o regime tutelar. São Paulo : Marco Zero, 1988. 316 p.—&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-----. “Elementos para uma Sociologia dos Viajantes e O Projeto Tükuna: uma experiência de ação indigenista”. In: -------. (org.). Sociedades Indígenas &amp;amp;amp; Indigenismo no Brasil. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1987, pp. 84-148.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. O projeto Tükuna : uma experiência de ação indigenista. In: -------- (Org.). Sociedades indígenas e indigenismo no Brasil. Rio de Janeiro : Marco Zero ; UFRJ, 1987. p. 31-42.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. &amp;quot;O Nosso Governo&amp;quot;: os Ticuna e o regime tutelar. Rio de Janeiro : UFRJ-Museu Nacional, 1986. 514 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-------. “A difícil etnografia de uma tribo em mudança”. In: CARDOSO DE OLIVEIRA, R. Anuário Antropológico. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1981, n. 79.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. As facções e a ordem política em uma reserva Ticuna. Brasília : UnB, 1977. 298 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-------. &amp;quot;Os Índios Tucuna&amp;quot;. Boletim do Museu do Índio. nº 7. Rio de Janeiro, Dezembro, 1977.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-------. et al. Comunicado de Viagem a aldeamentos Tikuna. Relatório apresentado ao Departamento Geral de Planejamento Comunitário. Brasília: FUNAI, 1974. 40p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------; IORIS, Edwiges Marta. A expansão do cólera nas áreas Ticuna. Resenha &amp;amp;amp; Debate, Rio de Janeiro : Museu Nacional-Peti, n. 5, p. 18-24, set. 1991.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------; LIMA, Antônio Carlos de Souza. O massacre de São Leopoldo : mais uma investida contra os Ticuna. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo: Cedi, 1991. p. 240-2. (Aconteceu Especial, 18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
ORGANIZAÇÃO GERAL DOS PROFESSORES TICUNA BILINGÜES. Ngiã nüna tadaugü i torü naãne - Vamos cuidar da nossa terra. LIMA, Deborah (Org.), OGPTB/ProVárzea-Ibama-MMA, 2006. 216 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Cururugu tchiga. Benjamin Constant: OGPTB, 2002. 63 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Livro de saúde bucal. Benjamin Constant: 2002. 64 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Werigu arü ae. Benjamin Constant : OGPTB, 2002. 48 p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ORO, Ari Pedro. “Messianisme eglise et etat en Amazonie bresilienne”. In: Cahiers du Brésil Contemporain. Paris, 1990, v. 11, pp. 95-120.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Na Amazônia um messias de índios e brancos: para uma antropologia do messianismo. Petrópolis: Vozes; Porto Alegre: EdiPUCRS, 1989. 208 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Tükúna: vida ou morte. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia; Caxias do Sul: Univers. de Caxias do Sul, 1977. 130 p.PEREIRA, Edmundo Marcelo Mendes. Reorganização social no Noroeste do Amazonas: elementos sobre os casos Huitoto, Bora e Ticuna. Rio de Janeiro : Museu Nacional, 1999. 110 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;QUEIROZ, Maurício Vinhas de. “Cargo Cult na Amazônia – observações sobre o milenarismo Tukuna”. In: Revista América Latina. Rio de Janeiro, 1963, ano VI, n. 4, pp. 43-61.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RODRÍGUEZ, Maria Emilia Montes. Tonología de la lengua Ticuna (Amacayacu). Bogotá: CCELA/Uniandes, 1995. 200 p. (Descripciones,9)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROSSI, Sanna Barlow. God's city in the jungle. Huntington Beach: Wycliffe Bible Translators, 1975. 158 p.SANTOS, Lenize Maria Wanderley. STRs autossômicos e ligados aos cromossomos y em indígenas brasileiros. Ribeirão Preto: FMRP, 2002. 131 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Orlando Sampaio. Máscaras de dança Tukuna. Rev. do Museu de Arqueol. e Etnol., São Paulo: MAE, n. 10, p. 271-90, 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Notas sobre algunos pueblos indígenas de la frontera amazónica de Brasil en otros paises de sudamerica. In: JORNA, P.; MALAVER, L.; OOSTRA, M. (Coords.). Etnohistoria del Amazonas. Quito: Abya-Yala; Roma: MLAL, 1991. p. 117-32. (Colección 500 Años, 36)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOARES, Marília Lopes da Costa Facó. Regulação rítmica e atuação do OCP em Ticuna. Letras de Hoje, Porto Alegre : PUCRS, v. 31, n. 2, p. 7-26, 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------.Ordem de palavra: primeiros passos para uma relação entre som, forma e estrutura em Ticuna. Amerindia, Paris: A.E.A., n. 17, 1992.&lt;br /&gt;
--------. O suprassegmental em Ticuna e a teoria fonológica. Campinas: Unicamp, 1992. 648 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SULLIVAN, James Lain. The impact of education on Ticuna indian culture, and historical and ethnographic field study. Denton: North Texas States Univ., 1970. 254 p. (Ph.D. Dissertation)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TICUNA, Índios. Torü Duü’ügü – Nosso Povo. Rio de Janeiro: Museu Nacional-UFRJ, Memórias Futuras Edições; Brasília: SEC/MEC/SEPS/FNDE, 1985. 96 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;UNIVERSIDADE DO AMAZONAS. Os Ticuna hoje. Manaus: Universidade do Amazonas, 1999. 292 p. (Amazônia em Cadernos, 5)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Rádio Amazonas: a dream come true. Dir.: Odilon Tetu. Vídeo cor, 25 min., 1994. Prod.: Telenews.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Tariana&amp;diff=6320</id>
		<title>Povo:Tariana</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Tariana&amp;diff=6320"/>
		<updated>2018-08-20T19:21:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Tariana se reconhecem e são reconhecidos entre as etnias do Uaupés como “filhos do sangue do trovão”, ''bipó diroá masí''. De origem Aruak, hoje a imensa maioria dos Tariana fala a língua Tukano e vive no povoado de Iauaretê ou em comunidades próximas, às margens do Uaupés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 {{#miniatura: right &lt;br /&gt;
 |Preparação da maloca Tariano para a festa. © Vincent Carelli/Vídeo nas Aldeias, 2005.&lt;br /&gt;
 |http://img.socioambiental.org/d/1088800-3/preparacao+da+maloca_lzn.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Concomitante ao processo de adensamento urbano em curso em Iarauetê, os Tariana têm buscado articular bens e costumes dos “brancos” – tais como mercadorias, dinheiro, papéis... – com a riqueza herdada dos ancestrais – entre as quais, nomes, enfeites cerimoniais, mitos...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestas páginas encontram-se informações específicas sobre este grupo. Dados gerais sobre a história, o modo de vida e a visão de mundo em grande medida compartilhados pelos mais de 20 grupos que habitam a região do alto Rio Negro estão no verbete [[Povo:Etnias do Rio Negro | Etnias do Rio Negro]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
 {{#miniatura: left &lt;br /&gt;
 |Maloca Tariano em Iauaretê, cena do vídeo Iauaretê, Cachoeira das Onças, 2006. 48 min. © Vincent Carelli/Vídeo nas Aldeias, 2005.&lt;br /&gt;
 |http://img.socioambiental.org/d/1088797-3/00211_lzn.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As comunidades Tariana estão distribuídas ao longo do médio e alto curso do rio Uaupés, em três distintos núcleos de concentração. O primeiro e mais importante deles é formado pelas comunidades situadas no povoado de Iauaretê e em suas imediações. Quatro dessas comunidades correspondem aos bairros mais antigos do povoado (São Miguel, Dom Bosco, Santa Maria e São Pedro), ao passo que outras seis estão localizadas a pouquíssima distância (Japurá, Aracapá e Sabiá, à margem direita do rio Papuri muito próximas à sua foz, e Campo Alto, Itaiaçu e Miriti, localizadas às margens do rio Uaupés, a primeira abaixo de Iauaretê e as duas últimas acima).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os outros dois núcleos Tariana estão separados do primeiro por comunidades [[Povo:Tukano | Tukano]], [[Povo:Arapaso | Arapaso]] e [[Povo:Pira-tapuya | Pira-Tapuia]], estando um localizado no alto Uaupés e outro no médio curso desse rio. Ou seja, há um núcleo situado a montante do núcleo central de Iauaretê, formado por duas comunidades (Santa Rosa e Periquito), e outro a jusante, formado por quatro comunidades (Ipanoré, Urubuquara, Piu-Pinu e Nova Esperança).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A população dos Tariana no Distrito de Iauaretê foi estimada, em 2004, em cerca de 1.300 indivíduos. Há ainda um número desconhecido de famílias Tariana que hoje vivem na cidade de São Gabriel da Cachoeira e em outras comunidades ou centros urbanos do Rio Negro, como Santa Isabel e Barcelos.  Em termos populacionais, o povoado de Iauaretê concentra a grande maioria da população Tariana.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
Hoje a língua Tariana, da família Aruak, é falada apenas por indivíduos pertencentes a ''sibs'' de posição hierárquica inferior. A explicação que dão para isso está relacionada ao fato de que, uma vez vivendo no Uaupés, os homens da maior parte dos ''sibs'' passou a se casar com mulheres Wanano e [[Povo:Tukano | Tukano]], de modo que as crianças nascidas dessas uniões foram se habituando às línguas maternas. Seguindo a regra da exogamia lingüística característica da região, homens Tariana não se casam com mulheres de sua própria etnia. Hoje praticamente todos são falantes do Tukano, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/pira-tapuya/1462&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;que funciona como língua franca no Uaupés&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Sua língua original é muito próxima à dos [[Povo:Baniwa | Baniwa]], grupo aruak que ocupa praticamente toda a extensão do rio Içana.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
É consenso entre os Tariana e seus vizinhos que os Tariana não são originariamente do rio Uaupés, tendo ali chegado em tempos passados, e se estabelecido pelas imediações de Iauaretê muito antes da chegada dos brancos. Mais precisamente, seu lugar de origem é a cachoeira de Uapuí, localizada no alto curso do rio Aiari. Em termos de distância geográfica, este afluente do rio Içana é muito próximo ao curso do alto Uaupés, para o qual teriam atravessado por caminho terrestre. Este deslocamento em direção sul é um evento que a narrativa mítica tariana situa logo após seu surgimento como “gente” (masa). Ou seja, embora sua origem tenha se dado ao lado daquela de outros grupos de língua Aruak que ainda hoje habitam a bacia do Içana, o processo de crescimento e dispersão dos Tariana como grupo ocorre à medida que se deslocam da bacia do Içana para a do Uaupés. Em algumas versões de sua origem mítica, há alusões a respeito de conflitos com os [[Povo:Baniwa | Baniwa]], que os teriam levado a empreender a migração rumo sul.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo do percurso em direção à região de Iauaretê, há alguns sítios de parada mais ou menos prolongada, nos quais é estabelecida uma ordem hierárquica entre os ancestrais tariana que surgiram no rio Aiari. Outros ancestrais dos Tariana vêm também a aparecer nesses locais, sendo incorporados ao final da escala hierárquica. Essas personagens míticas são os ancestrais dos diversos ''sibs'' patrilineares que compõem aquilo que hoje se designa como a “etnia Tariana”, um grupo exogâmico distinto no contexto do rio Uaupés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Presença missionária ===&lt;br /&gt;
 {{#miniatura: right &lt;br /&gt;
 |Grupos de alunos separados por etnia. Internato da Missão Salesiana. Iauaretê. © Arquivo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira&lt;br /&gt;
 |http://img.socioambiental.org/d/1088808-3/F08_0015_lzn.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde seu início, com as primeiras explorações a mando da coroa portuguesa no século XVII, a história da colonização do rio Negro só veio a ter uma mudança significativa com o fim do ciclo da borracha (1870-1920) e, de modo geral, a decadência da economia extrativista do Amazonas. A partir de então, as missões salesianas irão assumir papel preponderante, valendo-se de vultuosas subvenções do Governo Federal e concentrando suas ações em um amplo projeto de catequese dos povos indígenas da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século XIX, os salesianos foram precedidos por missionários franciscanos que procuraram estabelecer aldeamentos no rio Uaupés, chegando a obter grandes concentrações de índios Tariana na localidade de Ipanoré, bem como de índios [[Povo:Tukano | Tukano]] em Taracuá. O projeto missionário franciscano do Uaupés foi, porém, interrompido com a expulsão de três missionários pelos Tariana de Ipanoré, em 1883, motivada por haverem exibido do púlpito da igreja da missão uma máscara de ''Jurupari'', utilizada nos rituais de iniciação masculina e expressamente proibida à contemplação das mulheres (Koch-Grunberg, [1909/10]1995:15-6; Stradelli, [1889]1990:281).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas primeiras décadas do século XX, a implantação das Missões Salesianas no Uaupés abre uma nova fase na história regional, uma vez que irão por várias décadas desempenhar um papel de autoridade local, fazendo às vezes do próprio Estado Nacional na fronteira com a Colômbia. Seu projeto de “catequese e civilização dos índios” viria, assim, contar com generoso respaldo de verbas oficiais, o que praticamente lhes permitiria assumir o monopólio das relações com os povos indígenas do Uaupés. Nesse sentido, viriam a se responsabilizar por coibir os excessos até então praticados por comerciantes brasileiros e colombianos que freqüentavam este rio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período, por ocasião da visita de Curt Nimuendaju ao Uaupés no ano de 1927, Iauaretê já constituía o centro da principal área de ocupação dos Tariana nesse rio. De acordo com o etnólogo, que então realizava uma viagem de reconhecimento pelo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/o-servico-de-protecao-aos-indios-(spi)&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Serviço de Proteção aos Índios (SPI)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, “na volta grande que o rio Uaupés descreve abaixo de Umari-Cachoeira começa o território da tribu Tariána, a zona mais populosa de todo o Uaupés. 14 estabelecimentos desta tribu (inclusive um no baixo Papuri) com 479 habitantes encontram-se num trecho do rio que em linha reta não tem mais que 2 kilometros. Somente um sítio, Anayá-rúa com 12 pessoas está situado em território colombiano” (Nimuendaju [1927]1982:156).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na relação das quatorze aldeias fornecida por Nimuendaju, Iauaretê situa-se entre as maiores, com 51 pessoas. Em território colombiano, a muito pouca distância, havia um posto aduaneiro, na confluência dos rios Papuri e Uaupés, motivo pelo qual Nimuendaju lamentava a ausência absoluta de uma autoridade brasileira. Segundo ele, esta situação facilitava os abusos então praticados por balateiros colombianos contra a população indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, os missionários salesianos, que em 1920 haviam implantado uma missão no baixo Uaupés, já haveriam àquela altura percebido a importância do lugar, e planejavam a instalação de uma nova missão de Iauaretê. A intolerância dos missionários para com a cultura tradicional dos índios era anotada por Nimuendaju como um dos vários males que pesavam sobre o bem estar das populações indígenas do alto rio Negro, que, então, recomendava a implantação de um estabelecimento do SPI em Iauaretê que “lhes tomasse a dianteira” e fizesse cessar os abusos dos colombianos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O SPI; os salesianos; a FAB ===&lt;br /&gt;
Nos anos seguintes, o SPI e a Missão Salesiana do Rio Negro iniciam paralelamente suas atividades no lugar. Para o ano de 1932, há uma relação nominal de índios morando em torno do posto do SPI que totaliza 163 pessoas, sendo 142 Tariana, 15 [[Povo:Pira-tapuya | Pira-Tapuia]], quatro Tukano e dois [[Povo:Kubeo | Kubeo]]. Essa população habitava duas grandes malocas e outras 24 casas menores localizadas a seu redor (SPI - Posto Indígena do Uaupés, 1932; SPI – Relatório da Primeira Inspetoria, 1930-31). O Posto Indígena e a Missão vieram a se implantar nas margens direita e esquerda do Uaupés, respectivamente, logo abaixo da grande curva do Uaupés mencionada por Nimuendaju, onde este rio recebe as águas do rio Papuri. É ali que se encontra a cachoeira da onça, ''Yaiwa-poewa'' em tukano e, na língua geral, ''Iauaretê''.&lt;br /&gt;
 {{#miniatura: left &lt;br /&gt;
 |Missão Salesiana, Iauareté. (1) Colégio dos meninos, (2) igreja, (3) antigo colégio das meninas, (4) santa casa, (5) novo colégio das meninas, Iauaretê - Cachoeira (rio Uaupés). © Arquivo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira &lt;br /&gt;
 |http://img.socioambiental.org/d/1088809-3/F11_0021_lzn.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro internato começou a funcionar em maio de 1930, abrigando os primeiros quinze alunos indígenas, com três missionários que passaram a ali residir permanentemente. A partir daí, tem início a construção de aterros e prédios – a casa dos salesianos com internato para meninos, a casa das irmãs com internato para meninas, a futura igreja, o hospital e diversos barracões para hospedagem, serraria e olaria – cujo andamento dependeria largamente da mão-de-obra dos índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final da década de 30, o quadro de missionários em atuação em Iauaretê é bem maior, e a missão já possui uma infra-estrutura suficiente para abrigar anualmente, e de maneira regular, cerca de 250 alunos indígenas em seus internatos para meninos e meninas. Pelas estatísticas disponíveis nos relatórios anuais da Missão, nota-se um aumento progressivo de plantações e campo de criação de animais, mas há também indicações de que o sustento dos internatos dependia em grande medida das contribuições em farinha que os pais dos alunos internos eram persuadidos a entregar aos padres – um paneiro, cerca de 25 kilos, por aluno interno por ocasião da matrícula anual. Em 1950, a missão contava com 40 empregados, sendo a maior parte ex-alunos dos internatos, e Iauaretê já se consolidava como a maior casa missionária que os salesianos mantinham em toda a região do rio Negro.&lt;br /&gt;
 {{#miniatura: left &lt;br /&gt;
 |Costura, tecelagem e fiação no internato da missão Salesiana (D. Leopoldina à direita), Iauaretê - Cachoeira (rio Uaupés). © Arquivo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira &lt;br /&gt;
 |http://img.socioambiental.org/d/1088810-3/F05_0019_lzn.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal expectativa dos missionários era a de que, ao retornar a suas comunidades de origem, os ex-alunos servissem como disseminadores de seu programa, atuando como catequistas e intermediários no processo de abandono das malocas em favor da constituição de comunidades compostas por casas barreadas e alinhadas em torno de uma capela. Os padres ainda exigiam o abandono dos rituais com as flautas sagradas e a entrega dos instrumentos e adornos cerimoniais. Em suma, em troca da “civilização”, eles exigiram a própria riqueza dos índios. E inúmeros foram os expedientes de que lançaram mão para obtê-la: negar sacramentos, proibir a entrada nas missas ou recusar trocas de artesanato ou farinha pelas mercadorias da despensa. Os rituais, o conhecimento e os objetos dos brancos só poderiam, assim, ser obtidos a um custo muito alto. Pois aquilo que os índios deviam entregar possuía um valor equivalente ao da “civilização”: como dizia um dos homens Koivathe hoje empenhados no fortalecimento de sua própria cultura, “os antigos já tinham muita civilização, só que os padres não entenderam...”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda que os índios da região tenham efetivamente trocado as malocas pelas comunidades – a última caiu em 1961 entre os [[Povo:Tuyuka | Tuyuka]] do alto rio Papuri –, já naqueles anos os missionários lamentavam uma certa inconstância de seus ex-alunos quanto a adesão à moralidade e novos hábitos cristãos. Mas não duvidavam de sua conversão, dada a avidez que em muitas comunidades constatavam por sacramentos, capelas e imagens de santos. E, assim, imputavam a comerciantes e balateiros colombianos certos estragos à sua obra catequética. Com efeito, nos relatos das viagens de itinerância realizadas pelos missionários de Iauaretê pelo Papuri e alto Uaupés entre as décadas de 40 e 60 constam inúmeros registros de comunidades esvaziadas ou desertas, casos em que todos ou boa parte dos moradores haviam sido “enganchados” por colombianos. Trabalhando nos seringais daquele país, muito do que se aprendera na missão era esquecido, em troca, na visão dos salesianos, da aquisição dos “piores vícios”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sugundo alguns depoimentos, o domínio do português e outros conhecimentos adquiridos nos anos de internato era o que encorajava um ex-aluno a deixar os afazeres na comunidade para arriscar uma estadia no seringal, contrariando as recomendações dos próprios missionários. Nem tudo se esquecia, portanto, como imaginaram os missionários. Os números que aprendiam com os padres puderam ser usados por muitos de seus ex-alunos para o cálculo de dívidas e de saldos. Assim, muitos deles podiam saber quando era a hora de voltar para casa, e argumentar com seus patrões em bases matemáticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante, para o ano de 1951 os salesianos registram com destaque a existência de 350 ex-alunos nas comunidades localizados no raio de influência da missão, ressalvando que “o único grande problema de conservar bons estes ex-alunos é o problema do trabalho”. Se permanecessem na missão, como carpinteiros, alfaiates, pedreiros, tudo ia bem, mas partindo para a Colômbia “em pouco tempo se perdem”. Ainda que buscassem pelos meios disponíveis mantê-los em sua órbita, os salesianos já percebiam que “não se poderá continuar sempre assim”. A persistência da procura de mão-de-obra indígena na região do alto Uaupés mesmo após o fim do ciclo da borracha devia-se à demanda pelo produto que ressurgiu na Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial. Naqueles anos, quando a borracha proveniente das plantações asiáticas deixou de ser exportada, companhias norte-americanas instalam-se em pequenas cidades existentes no noroeste amazônico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto ao Posto do SPI, há indicações de que deixara de funcionar a partir 1932, tendo sido reaberto em 1943 com a instalação de uma estação telegráfica. Não tardou, porém, a ser novamente fechado, o que ocorreu em 1952 em meio a uma discussão quanto à destinação de verbas federais aos índios do Uaupés e à criação de uma outra unidade administrativa do órgão na cidade de São Gabriel da Cachoeira. Atritos entre funcionários do SPI e missionários parecem ter ocorrido em muitas ocasiões. Do lado do SPI, alguns dos funcionários que passaram pelo posto de Iauaretê registram queixas quanto às precárias condições de trabalho e falta de verbas que enfrentavam, enquanto assistiam o crescimento progressivo da infra-estrutura salesiana do outro lado do rio (SPI – Relatório da Primeira Inspetoria, 1930-31). Os missionários, por sua vez, comentam em muitos de seus relatórios os “comportamentos imorais” de alguns dos servidores do órgão indigenista, referindo-se à sua participação nas festas e caxiris indígenas, que na sua visão consistiam em intoleráveis orgias a serem abolidas o mais rápido possível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse cenário, a Missão Salesiana parecia se incumbir do papel de autoridade da fronteira, o que fica atestado pela extensa troca de ofícios entre o Padre-Diretor de Iauaretê e diversas autoridades colombianas nas décadas de 40 e 50. O principal assunto tratado nesses documentos dizia respeito ao agenciamento do trabalho indígena nos seringais, uma questão que os salesianos buscavam intervir por meio de gestões junto a juízes, corregidores de indígenas e outras autoridades da Comissária de Mitú, capital do Uaupés colombiano. Há também várias indicações de negócios fechados entre a Missão e comerciantes colombianos ligados às companhias americanas acima mencionadas, bem como com a ''Caja de Credito Agrícola'', banco que financiava o negócio do caucho na Colômbia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A autoridade que a Missão vinha exercendo na fronteira viria, a partir de 1958, ser ainda legitimada pelo apoio permanente que a Força Aérea Brasileira passaria a lhe prestar. Ao longo de nove anos antes dessa data, os salesianos de Iauaretê mobilizaram uma enorme quantidade de índios para a construção de uma pista de pouso em um terreno adjacente à Missão. A evolução desse enorme trabalho é pontuada nos relatórios anuais, que envolveria os alunos dos internatos e os moradores permanentes de Iauaretê para o desmatamento e aterro do local da pista. A decisão de construir um campo de pouso para aviões se devia ao fato de que as corredeiras do Uaupés à altura de Iauaretê não permitiam o pouso do hidroavião Catalina, que começou a atender as missões ao final dos anos 40.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema do aliciamento da mão-de-obra indígena pelos colombianos viria a diminuir progressivamente até o final da década de 60. Em questão de mais alguns anos, os seringais do Uaupés colombiano seriam finalmente fechados. O apoio da FAB e o fim da saída de gente para a Colômbia são elementos que parecem abrir uma nova fase de crescimento de Iauaretê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Desdobramentos do Plano de Integração Nacional ===&lt;br /&gt;
Ao início da década de 70, não havia, em termos demográficos, grandes diferenças entre o povoado de Iauaretê e a própria sede municipal, São Gabriel da Cachoeira. O primeiro contava com 431 moradores permanentes, o segundo com 668 (Radambrasil, 1976:364-6). Estatísticas da Prelazia do Rio Negro para os anos de 1968 e 1969 mostram, inclusive, que as atividades missionárias nesse momento eram significativamente mais intensas em Iauaretê, onde os números de alunos, população e comunidades atendidos eram maiores do que em São Gabriel (Prelazia do Rio Negro, 1969 e 1970).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Era o tempo do Plano de Integração Nacional (PIN), que havia sido anunciado pelo Governo Federal em 1970 prometendo obras de infra-estrutura e colonização na Amazônia. Foi então que a cidade de São Gabriel começou a se transformar, ainda que para a região do alto rio Negro tenham sido desaconselhados programas de colonização agrícola como os que viriam a ocorrer às margens das grandes rodovias na Amazônia. Mesmo os moradores de Iauaretê, distantes cerca de duas semanas a remo pelos rios Negro e Uaupés, puderam acompanhar as mudanças que começaram a se processar nessa cidade. Alguns vieram inclusive a trabalhar no Batalhão de Engenharia e Construção do Exército (BEC) e em firmas de construção e topografia que se instalaram em São Gabriel entre 1972 e 1973 para a construção da estrada que ligaria esta cidade até Cucuí (povoado de origem militar situado na fronteira Brasil/Venezuela) e de um trecho da Perimetral Norte, que acabou sendo abandonado alguns anos depois. A cidade se inchou com a chegada de soldados e outros forasteiros, o comércio cresceu e as ruas começaram a ser pavimentadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse momento, apesar de Iauaretê já possuir o status de Distrito Administrativo do município de São Gabriel da Cachoeira, não havia atuação visível da Administração Municipal. A Missão Salesiana, por outro lado, já mantinha em funcionamento, além do colégio e internatos, hospital, serraria, olaria, marcenaria e uma fábrica de vassouras, controlando toda a atividade comercial existente. Para o ano de 1975, aponta-se uma produção de 13 toneladas de cipó titica e uma pequena quantidade de sorva e breu, toda ela comercializada pelos religiosos diretamente com compradores de Manaus. Embora decadente, o controle da atividade extrativista seguia assim sendo monopolizado pela Igreja. Em termos de infra-estrutura, Iauaretê já contava com energia elétrica fornecida por um gerador da Celetramazon (companhia energética do Estado do Amazonas) e era abastecida por um avião de carga da FAB a cada 15 dias (Radambrasil, 1976:364-6).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, enquanto São Gabriel crescia e assistia à chegada de novas instituições públicas, em Iauaretê o Estado continuava a se fazer presente por intermédio da Missão, na forma de significativos repasses de recursos que a Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) fazia à Prelazia para a manutenção dos internatos (Prelazia do Rio Negro, 1969 e 1970) e do apoio aéreo prestado pela FAB. Mas ali também, embora em ritmo mais lento, surgiriam novidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Mudanças no sistema escolar ===&lt;br /&gt;
Ao final dos anos 60, o sistema escolar implantado pelos salesianos começa a passar por transformações, com a abertura das primeiras escolinhas nas comunidades da área de influência da Missão a partir de 1965 e com a criação de um Grupo Escolar misto em Iauaretê em 1968. Iniciava-se uma reorganização na estrutura educacional dos internatos, que envolvia o aparecimento dos primeiros professores indígenas. Em 1968, havia nas escolinhas das comunidades e no Grupo Escolar da Missão 23 professores no Distrito, sendo cinco missionários e 18 indígenas (Prelazia do Rio Negro, 1969); no ano seguinte o número de professores passa para 27, sendo quatro missionários e 23 indígenas. Na Missão e nas escolinhas, o número de alunos alcançava a marca dos 460 (Prelazia do Rio Negro, 1970).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 70 houve a abolição definitiva do ensino de ofícios (marcenaria, alfaiataria etc.) e o início da implantação de classes ginasiais, com a incorporação de um currículo comum a todas as escolas públicas do país. Um novo colégio com estruturas metálicas e alvenaria viria a ser construído, envolvendo mais uma vez o trabalho de muitos alunos internos, cujo pagamento era feito em materiais escolares. É nessa nova instituição, Colégio São Miguel Arcanjo, que, em 1975, se oficializa a nova grade curricular de quinta a oitava série. Isto é, a oferta de educação escolar seguia aumentando, e uma primeira turma de professores indígenas, depois de já ter concluído os estudos médios em São Gabriel da Cachoeira, seguiria nos anos seguintes para Belém, aonde, em cursos de férias, viriam a obter uma licenciatura universitária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do Colégio São Miguel, havia então mais de 30 escolinhas nas comunidades e mais de 40 professores indígenas em todo o Distrito. O número de alunos atingia a casa dos 1.200, sendo pouco mais de 400 na missão e o restante nas comunidades (Oliveira, 1981). Esse é o quadro do final dos anos 70, no qual a população indígena local vai assistir ao início do processo de fechamento dos internatos, que é concluído em 1988, depois de cerca de 50 anos de vigência em Iauaretê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Alternativas e impasses econômicos ===&lt;br /&gt;
Em 1976, outro órgão federal veio a se instalar no povoado de Iauaretê, o Funrural, responsável pelo início do pagamento de aposentadorias rurais para pessoas com mais de 65 anos. Em 1979, havia 157 pensionistas que recebiam esse benefício no Distrito (Oliveira, 1981: 132). O Plano de Integração Nacional do Governo Federal também repercutiria em Iauaretê na forma da reabertura do antigo posto indígena que o SPI mantivera até os anos 50. Agora através da Funai, o posto voltava a funcionar no âmbito do “Plano Alto Rio Negro”. Este plano recomendava ações principalmente nos campos da saúde e agricultura, assinalando ainda uma grave falta de alternativas nas comunidades quanto à comercialização de produtos e a extrema dependência da Missão para a obtenção de mercadorias a essa altura indispensáveis (Silverwood-Cope, 1975; 1976). Ainda que não tenha saído efetivamente do papel, o conceito de desenvolvimento comunitário proposto no Plano Alto Rio Negro, baseado na diversificação agrícola e formação de cooperativas indígenas, viria a ser incorporado pelo discurso missionário, resultando em algumas ações práticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse sentido, uma cooperativa indígena para comercialização de artesanato, apoiada pela Funai, Missão e políticos regionais, passou a funcionar em 1978. Chamada Lidi (Lideranças Indígenas de Iauaretê), essa instância não chegou a se instituir como pessoa jurídica. Com filiais no Papuri e alto Uaupés, a implantação de uma cooperativa era coerente com outras palavras de ordem que aparecem nos textos salesianos desse período, como “promoção humana e social” e “comunidades de base”, entre as quais novos cargos – por ex., catequistas, professores, animadores – eram instituídos e novas práticas econômicas estimuladas – por ex., roças comunitárias e plantio de pastos para criação de gado (Prelazia do Rio Negro, 1970).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interesse gerado pela cooperativa foi grande, mas depois de pouco tempo veio o fracasso, em geral justificado pela inaptidão administrativa de seus dirigentes. Mesmo assim, as relações comerciais continuaram se adensando, e é a partir de então que o engajamento de alguns índios na atividade comercial autônoma passa a ocorrer. Segundo Ana Gita de Oliveira (1981), todas essas mudanças começaram a atrair novos moradores para Iauaretê, muitos deles valendo-se de suas relações e parentesco por afinidade com os Tariana dali para fixar moradia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início dos anos 80, outro impulso, em direção diversa, levou muitos homens de Iauaretê para garimpos na serra do Traíra e na serra dos Porcos. Há histórias de longas temporadas passadas nesses locais distantes, de perdas e de pequenos ganhos. Muitos perceberam logo que uma fonte mais segura de renda, e talvez menos sacrificada, seria levar mercadorias para vender a outros garimpeiros ao invés de garimpar. Mas nesses casos foram muitas as perdas, fracassos e dívidas, resultantes de calotes e fechamento da área pela Paranapanema, empresa de mineração que em 1985 obteve licenças do governo federal para iniciar operações na serra do Traíra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O refluxo do garimpo levou à busca de uma outra opção que surgiu também no início da década, mas que durou igualmente muito pouco tempo: o trabalho para os narcotraficantes na Colômbia. “A gente fazia de tudo por lá, colhendo folhas, limpando o terreno...”. E, nesse trabalho, novamente longas estadias fora de casa. O rendimento do negócio levou a que alguns pensassem em começar a plantar a coca em seus próprios sítios, mas a Polícia Federal (PF) não o permitiria. Várias plantações foram queimadas no rio Papuri em operações que mobilizaram muitos agentes da PF em meados dos anos 80.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, nesse período também se inicia a distribuição de material agrícola pela Prefeitura Municipal e pela Funai, assim como a assistência técnica em agropecuária nas comunidades por índios recém-formados nessa especialidade. Surgem novos cursos para capacitar e/ou reciclar professores indígenas, e, com isso, a introdução do ensino de nível médio na Escola São Miguel. Paralelamente, os internatos são fechados definitivamente (1988) e, supostamente em conseqüência disso, é apontado o “êxodo rural”. Iauaretê começa então realmente a se parecer com uma pequena cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com efeito, a década de 80 vai assistir a uma intensificação das relações entre os índios do Uaupés e outros atores. Se até então suas referências externas principais eram missionários ou funcionários da Funai, nessa nova fase militares, mineradoras, políticos e outros agentes vão entrar em cena, abrindo novos canais de conversação para os índios, assim como agregando novas dimensões de complexidade ao cenário local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Organizações Indígenas e o Projeto Calha Norte ===&lt;br /&gt;
O crescimento acelerado do povoado a partir do final dos anos 80, a instalação do 1º. Pelotão Especial de Fronteira da região em Iauaretê e a constituição das primeiras organizações indígenas no bojo de uma acalorada discussão sobre a definição das Terras Indígenas são os principais temas do enredo que se vai assistir na década seguinte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iauaretê vai entrar nos anos 90 como uma localidade significativamente diferenciada no contexto regional. Já possui algumas características que tornam este centro missionário algo distinto dos outros mantidos pelos salesianos na região, como Taracuá, Assunção do Içana e Pari-Cachoeira. Sua posição geográfica, na confluência de duas zonas densamente povoadas – rio Papuri e alto Uaupés –, responde em grande parte por isso. Sua localização na linha da fronteira vai garantir que os processos deflagrados nos anos 70 ganhem novos contornos na década seguinte, quando a região do alto rio Negro como um todo passará a ser tratada pelo Estado sob o viés geopolítico da segurança nacional. O futuro que alguns de seus moradores já lhe haviam desenhado vai ecoar nas negociações com autoridades de órgãos do Governo Federal que terão lugar nos anos seguintes, e, em um contexto de militarização, “explosão demográfica” e reconhecimento de territórios indígenas, projetos contraditórios irão ensejar conflitos entre os grupos indígenas locais que até então não se conhecia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apontam 1980 como a data de fundação da primeira organização indígena, a Ucidi (União das Comunidades Indígenas do Distrito de Iauaretê), que, na verdade, baseou-se na experiência de constituição da proto-organização Lidi na década anterior (acima mencionada). Em 1988 surge a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.foirn.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e uma nova organização indígena em Iauaretê a ela ligada, a Unidi (União das Nações Indígenas do Distrito de Iauaretê). Ao mesmo tempo, de 88 para 89, é instalado o Primeiro Pelotão Especial de Fronteira (1o PEF) em Iauaretê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com efeito, a chegada dos militares e o surgimento de um movimento indígena no alto rio Negro, baseado na formação quase instantânea de uma federação de organizações indígenas, são duas faces da mesma moeda, uma moeda que passou a circular na região à medida que um órgão militar do Governo Federal, o Conselho de Segurança Militar (CSM), passou, em meados da década, a comandar um programa governamental de colonização da fronteira norte amazônica, o polêmico Projeto Calha Norte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi então que apareceu uma certa “comissão de autoridades” visitando Iauaretê com a finalidade de discutir com os índios a possibilidade de criação de uma “Colônia Indígena” ali. Tratava-se de uma proposta de demarcação da área, e que vinha acompanhada de muitas promessas. Anos antes, em 1983, o Governador do Amazonas descartara a idéia de um município em Iauaretê, mas os militares dessa comissão já chegavam prometendo o progresso, com muitas mercadorias, zinco para cobrir as casas e máquinas de costura. As autoridades vinham ciceroneadas por lideranças tukano de Pari-Cachoeira, o centro missionário salesiano do alto rio Tiquié. Com efeito, nessa região, ao sul de Iauaretê, o Projeto Calha Norte já era uma realidade, como também um acordo entre Paranapanema e os índios de lá que havia garantido a essa empresa a prerrogativa da exploração mineral na serra do Traíra. A comissão que chegava vinha para tratar com os índios a implementação dos novos planos que os militares estavam idealizando para a região. Era o Projeto Calha Norte que chegava a Iauaretê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante as reservas quanto à implantação do Projeto Calha Norte na região do alto rio Negro – expressas em duas assembléias gerais que reuniram índios de toda a região no ano de 1987 e que resultaram a fundação da Foirn –, lideranças indígenas de Pari-Cachoeira já mantinham, por intermédio da Superintendência da Funai em Manaus, interlocução constante com os militares do Conselho de Segurança Nacional no sentido de implementar o modelo de ordenamento territorial preconizado pelo Calha Norte. Em Pari-Cachoeira, tal modelo foi posto em prática entre 87 e 88 e implicou na criação oficial de um mosaico formado por “Colônias Indígenas” e “Florestas Nacionais”: reduzia-se a área destinada aos índios e em seu entorno eram criadas outras unidades territoriais, cujo caráter de proteção ambiental não consistia, entretanto, num obstáculo à exploração empresarial de seus recursos naturais e minerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Paralelamente, naquele final dos anos 80 vinha ocorrendo uma reciclagem na pastoral indigenista das missões salesianas. Após terem sido denunciados em 1980 por crime de etnocídio no Tribunal Russel em Amsterdã, os salesianos começaram paulatinamente a se alinhar com o discurso indigenista do Cimi (Conselho Indigenista Missionário, órgão da linha progressista da CNBB), ao mesmo em tempo que assistiam à montagem de estrutura paralela de poder na região pelo Calha Norte. O desencontro que se configurou entre a igreja local e o Projeto Calha Norte veio a favorecer a aproximação de algumas lideranças indígenas da Foirn ao indigenismo não-governamental católico – essa foi uma mudança e tanto, porque, como vimos, os militares brasileiros aplaudiram por muitos anos a obra catequética de caráter nacionalista no rio Negro. E assim formou-se um quadro de referências divergentes, que de certa forma disponibilizou códigos contraditórios que alimentaram uma polarização das posições assumidas pelos índios do alto rio Negro entre 1988 e 1990.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As Colônias Indígenas foram apresentadas em uma reunião realizada em Taracuá em junho de 1988 como o verdadeiro caminho do progresso para os índios do Uaupés e Tiquié. Para obter serviços de saúde, educação e projetos econômicos a serem proporcionados pelo Governo Federal, seria preciso que admitissem os termos vigentes em um decreto presidencial de 1987, o qual havia feito a distinção entre índios aculturados e não-aculturados. Bastaria que os índios do Uaupés se reconhecessem como habitantes da primeira categoria e a eles destinar-se-ia uma colônia e seus benefícios. Diziam os militares que os índios do rio Negro não poderiam ser considerados isolados ou arredios, mas sim índios já integrados e interessados em receber benefícios do governo. Os Tariana de Iauaretê já haviam pensado até em converter a cidade em município; agora, através da sua Ucidi, como poderiam hesitar em aderir a tal proposta? Não faltou coerência nessa decisão, portanto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, outras comunidades tariana de rio abaixo parecem ter se mostrado mais sensíveis aos questionamentos que eram levantados com relação a tal modelo. Colônia, como o próprio nome já diz, significava “colonização”, de modo que, caso fosse aceita, os índios passariam a trabalhar para mineradoras e madeireiras que viriam para a região. Com a criação de uma nova associação no Distrito em 1988, a Unidi, essas comunidades passaram a buscar apoio externo junto à Foirn e ao Cimi. Criou-se então uma séria divisão na área. Chegou-se a sugerir uma separação: caso Iauaretê se tornasse uma colônia, então que se demarcasse um perímetro, um “quadrado”, onde poderia até ser “posta uma prefeitura”. No caso das comunidades abaixo, prefeririam “ser livres”. Trabalhar para os brancos é outra coisa que se conhece muito bem no Uaupés, desde muito tempo atrás. E sabe-se muito bem o grau de exploração que pode vir embutido na formação dessas relações. Ou seja, a essa decisão também não faltou coerência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ucidi e Unidi puseram-se assim em disputa, recorrendo a recursos e conexões externas para legitimar suas respectivas e coerentes posições. É de se notar que a posição da Unidi ganhava respaldo legal com a nova Constituição Federal. Mas em seu primeiro ano de existência, a nova Carta não produziu efeitos imediatos sobre o processo que se desenrolava no alto rio Negro, e no início de 89 um conjunto de portarias interministeriais criou várias Colônias Indígenas e Florestas Nacionais na região. Porém, as promessas que haviam sido feitas pelos militares não se cumpriram. Em Iauaretê, um hospital construído pelo Calha Norte permaneceu fechado por mais de dez anos, e a construção da nova pista de pouso e do pelotão do Exército apenas serviu para desalojar várias famílias do bairro de São Domigos Sávio, que tiveram que se deslocar para outras áreas e abrir espaço para as novas instalações militares. Projetos econômicos nunca se viram. Esses acontecimentos levaram à desmoralização da Ucidi, que teve sua diretoria trocada em 1990.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns anos mais tarde, a sigla Ucidi deixaria de existir e em seu lugar apareceria a Oici (Organização Indígena do Centro Iauaretê). Isso ocorre em um contexto de crescimento da Foirn, multiplicação acelerada de organizações indígenas pelo distrito e criação de uma coordenação geral para fazer a ligação com a Federação. No processo de transformação do siglário local (seqüência Lidi, Ucidi, Oici), ocasionado por diferentes conjunturas que se apresentaram aos índios de Iauaretê, houve pelo menos uma constante, pois ser presidente dessas organizações significa ainda hoje ocupar o cargo de “líder geral” de Iauaretê, uma posição criada bem antes do surgimento de organizações indígenas. A incorporação dessa figura no jogo das disputas entre associações indígenas parece ter possibilitado que hoje em dia homens Tariana de sibs inferiores tenham acesso a essa posição, coisa que não ocorria nos seus primeiros anos de existência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Unidi, por sua vez, desde sua fundação até hoje continua com a mesma sigla, possui a mesma abrangência e teve sempre uma diretoria baseada na aliança entre um sib Tariana do médio Uaupés e seus cunhados Pira-Tapuia e Arapasso residentes nesse mesmo trecho do rio. Seus membros moram há muito tempo em uma comunidade hoje chamada Nova Esperança, antigamente conhecida por “Cigarro”, Uti-kayá em tukano, e casam-se com mulheres Pira-Tapuia, da comunidade de São Francisco, e Arapasso, da comunidade de Loiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que importa ressaltar é que o antagonismo que se estabeleceu entre Unidi e Ucidi não produziu propriamente novas linhas de fissão em unidades sociais anteriormente homogêneas, mas veio a se configurar em um espaço político que já separava, social e geograficamente, unidades pré-existentes do esquema hierárquico local. Se para fazer sua política os grupos Tariana de Iauaretê reivindicavam, como o fazem até hoje, a importante posição de “chefes” – ''masá ma’mi-simia kurua'', “grupo dos primogênitos maiores”, como se diz em tukano –, os Tariana de rio abaixo certamente se valiam de suas relações estratégicas com os Pira-Tapuia e Arapasso – ''basúki’'', “cunhados”, como se diz em tukano. Tratam-se ambas de relações conceitualizadas no registro mítico, o qual, para todos os grupos do Uaupés, define o campo do parentesco, estabelecendo uma ordem hierárquica entre agnatas – no interior de uma mesma etnia – e prefigurando as relações possíveis de afinidade – entre diferentes grupos etnias. Tais relações correspondem respectivamente aos princípios da descendência e da aliança, dois idiomas que operam simultânea ou alternadamente na atualização local – “Uaupés abaixo” ou “centro Iauaretê”, por exemplo – de uma mesma matriz relacional geral, ou seja, de uma socialidade uaupesiana. Assim, não seria absurdo pensar que aquelas siglas, Unidi e Ucidi, podem ter sido apenas um novo código através do qual diferenças mais profundas vieram a se expressar. Embora ninguém duvide que as colônias indígenas tenham sido um mecanismo usado por militares para restringir os direitos indígenas, elas foram, também, o primeiro sinal que pôde ser percebido pelos índios de Iauaretê de um interesse mais efetivo por parte de autoridades federais pelas suas vidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No mais, em Iauaretê não surgiram empresas interessadas em explorar minérios. Além disso, na região como um todo a terra não é apropriada para planos mirabolantes de colonização agrícola, e todos sabem muito bem disso. De todo modo, se na virada dos 80 para os 90 o impasse entre a demarcação de colônias ou áreas indígenas foi a tônica, em questão de cinco anos tudo se resolveu com o reconhecimento integral pelo governo federal dos mais de onze milhões de hectares das Terras Indígenas da região.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
No cenário multiétnico do alto rio Negro, os Tariana constituem um dos mais de 20 grupos exogâmicos patrilineares discretos e articulados entre si por trocas matrimoniais, rituais e econômicas. A exogamia é, com efeito, uma das marcas características dessas sociedades, em grande parte dos casos constituindo-se como exogamia lingüística. Assim, principalmente entre os grupos da família lingüística Tukano Ocidental do rio Uaupés, um homem deve tomar como esposa uma mulher pertencente a um grupo diferente do seu, e que tendencialmente fala outra língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, além de não se aplicar entre os grupos Aruak, entre os quais a diversidade lingüística ocorre em menor grau, a exogamia de língua vem progressivamente deixando de ocorrer, pois o tukano está se tornando a língua franca no Uaupés, adotada pelos [[Povo:Arapaso | Arapasso]], Tariana e grande parte dos [[Povo:Pira-tapuya | Pira-Tapuia]], cujas mulheres casam-se freqüentemente com homens [[Povo:Tukano | Tukano]]. A exogamia, no entanto, continua vigorando, aplicando-se, além disso, a dois outros níveis de organização social: a fratria e o sib.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Uaupés especificamente, a fratria é, na maioria dos casos, uma unidade que engloba vários grupos exogâmicos que não devem trocar cônjuges. As fratrias não possuem nomes próprios e os grupos que engloba não são necessariamente vizinhos. Nesse sentido, constitui-se como uma unidade com alto grau de abrangência e com fraca estruturação interna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sib, em vários casos referido como clã, é geralmente considerado a unidade básica do sistema social, sendo a este nível que as trocas matrimoniais são efetuadas. Assim, um sib de um determinado nível hierárquico deverá manter troca de cônjuges com sibs de status equivalente pertencentes a outros grupos exogâmicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A hierarquia entre os sibs é outra característica marcante no Uaupés, onde aparece sempre associada à origem mítica de seus ancestrais, trazidos ao Uaupés no ventre de uma cobra-canoa. Os que primeiro saíram para a terra através do grande buraco existente em uma laje da cachoeira de Ipanoré são considerados mais velhos, e os que vieram em seguida os mais novos. Os ancestrais dos sibs que formam um grupo exogâmico são, assim, concebidos como uma série de irmãos, cuja seqüência, do mais velho ao mais novo, corresponde a uma escala hierárquica: o primogênito sendo considerado chefe dos demais, ao passo que os irmãos mais novos são considerados seus servidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, de fato, cinco papéis rituais diferenciados hierarquicamente, pois além de chefes e servidores, que ocupam as pontas da escala, há três outras posições intermediárias ocupadas por sibs específicos, como as de cantores, guerreiros e xamãs. Esta seqüência hierárquica formal foi proposta por Christine Hugh-Jones (1979), que sugere, além disso, uma caracterização dos grupos exogâmicos do Uaupés como “simples” ou “compostos”. Os primeiros seriam formados por apenas uma série de sibs hierarquizados desempenhando suas respectivas funções, já entre os segundos haveria duas ou mais dessas séries.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito à territorialidade, um grupo exogâmico ocuparia um mesmo trecho de rio. Os sibs formam grupos locais, com seus membros residindo em uma ou duas casas comunais multi-familiares vizinhas, as chamadas malocas. Os sibs hierarquicamente superiores situar-se-íam a jusante nas calhas dos rios, e aqueles hierarquicamente inferiores a montante. Uma unidade residencial poderia dessa maneira abrigar todos os membros de um sib ou de um segmento de sib. Mas as malocas persistiram no lado brasileiro do Uaupés somente até o início dos anos 1960, tendo sido definitivamente abandonadas nesse período por pressão dos missionários salesianos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A influência missionária levou à formação de povoados compostos por um conjunto de pequenas casas familiares em torno de capelas, levando à concentração dos membros de um grupo local em uma mesma comunidade. Em função da regra de residência patrilocal, um grupo local seria formado por um conjunto de homens do mesmo sib agnático e suas esposas, obtidas junto a um grupo exogâmico distinto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo C. Hugh-Jones (1979:25), a concentração geográfica de um grupo exogâmico em um mesmo trecho de rio corresponderia mais a um ideal, pois na prática a sobreposição de diferentes grupos seria muito freqüente. Da mesma maneira, a associação dos sibs hierarquicamente superiores com as partes jusantes dos rios, e, inversamente, dos inferiores com as partes montantes, não poderia ser tomada ao pé da letra, havendo muito casos em que esta associação não se confirma. A autora menciona que relatos indígenas referentes à história de diversos grupos apontam que um sib poderá retornar ao território do grupo exogâmico a que pertence após um período longo de exílio, mas que via de regra isso não ocorreria. Assim, passa-se que a ideologia de descendência patrilinear é a principal base para a manutenção de laços entre muitos grupos atualmente dispersos geograficamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de seu caráter ideal, as séries de sibs com papéis especializados constituem um modelo que dificulta a incorporação de outros sibs ao grupo bem como sua fissão, mas, na medida em que tal modelo é submetido a migrações e flutuações de população, sua coerência seria comprometida. Ainda assim, a distância entre o ideal e o pragmático não impede que a linguagem dos sibs hierarquizados e com papéis específicos seja, sempre que possível, utilizada e ajustada para conceitualizar situações concretas, e, sobretudo, para reiterar noções de ordem e interdependência entre os grupos indígenas do Uaupés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A maloca como réplica do cosmos ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Maloca Tariano inaugurada em novembro 2005. © Vincent Carelli/Vídeo nas Aldeias, 2005.&lt;br /&gt;
 |http://img.socioambiental.org/d/1088799-3/maloca+Tariano+inaugurada+em+novembro+2005_lzn.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos rituais de troca, grupos exogâmicos que partilham o mesmo território constituem um nível abrangente, replicando ritualmente a atmosfera de consangüinidade que prevalece no interior das malocas, e, em menor escala, em seus compartimentos familiares internos. Nos rituais de iniciação masculina, o grupo exogâmico e o sib, concebidos como uma série de irmãos, são replicados pelo grupo de co-residentes masculinos da maloca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A replicação do princípio hierárquico que ordena os grupos exogâmicos seria, além disso, o idioma privilegiado da descendência no Uaupés, pois ali não haveria genealogias profundas a definir um sistema de segmentação. Ainda que o conhecimento genealógico apresente certa relevância contextual, e seja usado em certos casos para articular narrativas históricas, são os papéis rituais hierarquizados ocupados por uma série de irmãos descendentes de um ancestral comum que, nos diferentes níveis do sistema, prestam-se a operar a conexão entre o presente e o passado ancestral. Ou seja, todos os níveis – o grupo agnático que reside em uma maloca, o sib e o grupo exogâmico – estruturam-se a partir de um mesmo modelo, estabelecido no mito de origem dos grupos indígenas do Uaupés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No sistema de segmentação dos Tariana, como marca de sua posição hierárquica, os sibs possuem nomes, cantos, histórias e, no passado, objetos e adornos cerimoniais específicos, que constituíam um patrimônio distintivo. Cada um deles afirma-se detentor de um corpo de conhecimentos particulares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns sibs tariana “menores”, ou mais novos, com posição hierárquica inferior, ficaram ao longo do caminho em direção a Iauaretê, outros foram enviados pelos sibs “maiores” para outras partes do Uaupés, descendo até as proximidades das cachoeiras de Ipanoré e Urubuquara. Outros, ainda, se dirigiram a localidades do baixo rio Papuri. Os sibs maiores concentraram-se em Iauaretê, onde até hoje vivem seus descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A implantação da missão salesiana em Iauaretê viria certamente determinar transformações profundas na organização socioespacial dos grupos Tariana estabelecidos em suas imediações. Alguns anos antes da chegada dos salesianos, Nimuendaju ([1927]1982:156) dá conta da existência ali de 14 grupos locais Tariana, em um trecho do Uaupés que, de acordo com o etnólogo, não ultrapassaria dois quilômetros em linha reta. Com a chegada da missão, em pouco tempo as malocas mais próximas transformam-se em comunidades, às quais outros grupos foram estimulados a fixar moradia. Na outra margem, as duas malocas Koivathe então existentes transformam-se assim em uma única comunidade, que décadas mais tarde se dividiria em duas, reestabelecendo a antiga separação do sib em distintas malocas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sistema hierárquico do Uaupés logra alcançar certa estabilidade somente em condições específicas. Em primeiro lugar, podemos dizer que, entre os Tariana, as relações de hierarquia que ligam os sibs Koivathe e Kayaroa, chefes e servidores, revestiram-se de maior efetividade no passado. E, em segundo, que mesmo no passado nem todos os sibs pertencentes a essas duas séries estiveram concretamente envolvidos no desempenho de papéis e tarefas estipulados pelos chefes. Aos Mamialikune, por exemplo, situados na última posição hierárquica não recai, de acordo com o relato dos Koivathe, qualquer tipo de atribuição específica. E até hoje parecem gozar de uma autonomia praticamente absoluta. Por serem o único sib ainda falante da língua Tariana, sentem-se perfeitamente à vontade para empreender um projeto próprio de recuperação lingüística, para o que contam com variados apoios externos, de pesquisadores e ONGs. O processo histórico de crescimento e dispersão dos sibs viria então a ensejar, no nível sociológico, o enfraquecimento progressivo das prerrogativas Koivathe, ainda que, ao nível ideológico, a história que ainda contam represente um recurso indispensável para reafirmar sua posição hierárquica no presente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Mitologia ==&lt;br /&gt;
Os homens Tariana mais velhos, e em particular àqueles pertencentes às principais linhas de descendência dos sibs maiores, contam porque os Tariana se designam como “filhos do sangue do trovão”, o que remonta a um longo período de gestação da atual humanidade, anterior à sua organização social em grupos exogâmicos compostos por sibs hierarquizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os primeiros demiurgos, na mitologia tariana destaca-se Ennu, o Trovão, assim como o casal de irmãos Kui e Nanaio, Okomi e os irmãos Diroá, que serão os responsáveis, mais tarde, pelo aparecimento dos ancestrais Tariana no rio Aiari. A história desses demiurgos se passa em um mundo em formação. Nesse tempo, Iauaretê já era o cenário onde os Diroá se rivalizaram com uma “gente-onça”, ''yaí-masa'', um grupo canibal que ali vivia e representava um empecilho para o povoamento do rio Uaupés. A palavra Iauaretê é a tradução na língua geral para a expressão tariana ''Yawi-pani'', precisamente, “cachoeira da onça”, um topônimo que faz alusão a esses primeiros moradores do lugar. É a partir da narrativa desse mito que os Tariana fundamentam suas reivindicações como “moradores verdadeiros” de Iauaretê, muito embora seja no rio Aiari que os demiurgos os façam surgir, emergindo da cachoeira de Uapui, considerada o centro do universo por todos os povos Aruak dos rios Negro, Guainia, Içana e Cuiari. Vejamos alguns dos motivos centrais desse mito:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
No início, quando não existia nada, só existia um ser [masa bahutígi, pessoa que não aparece], o Trovão, Ennu [''Hipéweri Hekoapi'']. Em seu corpo ele tinha vários enfeites, a ''acângatara'', o ''itaboho'' [cilindro de quartzo usado como pingente de colar], o ''betâpa’'' [enfeite de cotovelo feito de pele de macaco], o ''yaigi'' [bastão de comando], o escudo, o ''kitió'' [chocalho de tornozelo]; também levava seu cigarro encaixado na forquilha, sua cuia de epadu e sua cuia de bebidas doces. Ele vivia só em sua casa, no alto, e começou a pensar sobre a possibilidade de criar novas pessoas. Mas inicialmente apenas pensou neles. E pensou em um homem e em uma mulher, Kui e Nanaio. Mas ele não sabia ainda como faria. Passou então a preparar os meios [bahuresehe, coisas de propiciar surgimento] para conseguir isto. Ele pegou um cigarro, e pensou num par de pari [esteira de talas] de quartzo transparente, num par de bancos de quartzo transparente, em duas cuias de quartzo transparente com seus dois suportes, em um par de ''Yaigi'' de quartzo, em dois cigarros encaixados em suas forquilhas e em duas cuias de ''epadu''. Pensou também em um par de escudos e também em um par de ''maha poari'' [acângataras de penas de arara] e em dois pares de brincos de ouro. Pensou ainda em um par de ''itaboho'' e em dois pares de ''kitió''. Também pelo seu pensamento, enchia as cuias com bebidas doces: suco de buiuiu, suco de abiu, suco de wéry, caldo de cana, suco de ingá, mel de abelhas e suco de cucura. Eram várias espécies dessas frutas. Depois disso, ele fumou seu cigarro e soprou a fumaça no chão e todas as coisas que havia em seu pensamento apareceram ali. Kui e Nanaio apareceram também, e sentaram-se nos bancos de quartzo, que estavam sobre os paris. Eles não eram pessoas como nós, pois seu corpo não era ainda como o nosso. Chamamo-os de ''î’ta-masa'', literalmente “gente pedra”, [em tariana, ''hipada-nauiki''] não porque fossem feitos de pedra, mas porque a duração de sua vida é indeterminada.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após o surgimento de Kui e Nanayo, o Trovão dirigiu-se a um lugar chamado ''diâ-pa’sâro-wi’í'' na língua tukano (sendo ''diâ'', “rio”, ''pa’sâro'', sem tradução, e ''wi’í'', “casa”). Lá, sentado sobre o que veio a ser uma serra, o Trovão fez surgir os rios e a terra, através de sua saliva e das cinzas de seu cigarro, respectivamente. Mas ainda pressentia que algo estava faltando: assim, jogando seus brincos e uma pena e um osso de macaco de sua acângatara, fez surgir os peixes, as aves e os animais. Os peixes tiveram a forma de seus brincos. O Trovão jogou ainda o ipadu que mascava e uma das castanhas de seu chocalho de tornozelo, que vieram, respectivamente, a dar origem a todas as árvores frutíferas e a todos os outros î’ta-masa que viveram naquele tempo do começo. Até aqui, tudo que surge corresponde aos adornos ou objetos e substâncias cerimoniais do Trovão. Através de seu cigarro, essas coisas que existiram inicialmente em seu pensamento se materializam. Com elas, surgiu o primeiro casal de irmãos, porém ainda não humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-se que esses ''î’ta-masa'' do começo eram muitos, incluindo vários tipos de gente (''masa''). Eles se distribuíram ao longo dos rios e vieram a formar muitos dos acidentes geográficos, sendo uns bons, outros maus. Eles vivem até hoje nas pedras das cachoeiras e nas serras, que, na verdade, são suas casas. O mito tariana apresenta uma lista extensa deles, alguns associados a animais como a onça, a anta, o tatu o macaco zoguê-zoguê, a borboleta; outros possuindo apenas nomes sem tradução e com atributos muito distintos, como o Boraró e Okômi. Boraró é uma espécie de espírito da mata, a quem se atribui a responsabilidade por roubar pessoas para lhes sugar os miolos através de um buraco na cabeça. Dizem ser grande, peludo e fazer uma zoada forte. Já Okômi é aquele através do qual os Tariana deveriam ter se originado. Os ''î’ta-masa'' mencionados no mito Tariana moram nas imediações de Iauaretê, em pedras, paranás e ilhas que existem na acidentada região do povoado – com corredeiras, pedrais e a encachoeirada foz do rio Papuri. Okômi morava em uma parte elevada do povoado, conhecida hoje como o “morro do Cruzeiro” (onde está o bairro do Cruzeiro).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na grande cachoeira de Iauaretê, vivia a gente-onça, ''Yaí-masa'', referidos mais especificamente como ''Yaípiri-pakâna-masa'', “gente onça de dente grande”. Umas das filhas da gente onça veio a se casar com Yetoĩ, o “caba grande”, que vivia na foz do Papuri. Por serem xamãs poderosos, os ''Yaí-masa'' sabiam que Okômi iria ser o chefe de um grande e muito poderoso grupo. Por isso, eles o torturaram até a morte. Depois disso, os ''Yaí-masa'' convidaram todos as outros ''î’ta-masa'' para o banquete em que Okômi seria devorado, pois nenhuma parte de seu corpo deveria restar. O cunhado Yetoĩ foi também convidado, e foi o responsável por impedir a devoração absoluta de Okômi, tendo, disfarçadamente, atirado para o alto três pequenos ossos de um de seus dedos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais tarde, esses ossos caíram no Uaupés com uma trovoada e se transformaram em peixes. Foram recolhidos por Yetoĩ e sua esposa e levados para casa. Foram postos em um ''matapi'' (trançado em forma tubular para captura de peixes) de defumar pimenta, onde se transformaram em grilos e começaram a crescer. Mas os grilos começaram a importunar a mulher, que é referida como sua avó. Mais tarde, ela os coloca dentro de um pilão usado para socar ipadu, e, vedando com breu, o atirou ao rio. O pilão boiou Uaupés abaixo, encostando-se à outra margem. Foi então que os irmãos Diroá apareceram pela primeira vez com a aparência humana, e já se chamando Kuenaka, Kali, e Kui, os principais nomes cerimoniais até hoje usados pelos Tariana do sib Koivathe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Diroá são chamados “filhos do sangue do Trovão”, pois foi nessa forma que os ossos de Okômi caíram da casa do Trovão. A palavra Diroá pertence à língua tukano e é traduzida por ”coágulo de sangue”. O aparecimento dos Diroá resulta, portanto, de um longo processo transformativo, em que, inicialmente, pequenos ossos de um demiurgo devorado convertem-se em sangue. O sangue transforma-se em peixes e grilos sucessivamente, até alcançar a forma humana. Os dois últimos estágios se dão por intermédio de artefatos tubulares, o matapi e o pilão, que são recipientes de substâncias de uso ritual, como a pimenta e o ipadu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo não é ainda a origem dos humanos, mas de sua forma, que vem marcada com os nomes então adquiridos pelos Diroá. Os nomes, assim, prefiguram a humanidade. O mito segue narrando os feitos dos Diroá para obter poderes xamânicos e os vários estratagemas que planejam para matar os filhos da gente onça. Eles mantêm com estes uma relação de afinidade, pois, por sua ligação com Yetoĩ, comportam-se como seus cunhados. Vários episódios se sucedem, nos quais os Diroá são chamados a colaborar com os cunhados na abertura de seus roçados ou lhes oferecem dabucuris, os rituais de troca de alimentos entre afins. A gente onça já os odeia e tenta devorá-los sem sucesso. Ao final, ao roubarem o raio da mão direita do Trovão (um osso), os Diroá terminam por aniquilar a gente onça com uma trovoada, em uma ocasião em que faziam festa em sua maloca. Mas matam também o avô Yetoĩ e a sua esposa, que lá também se encontravam. Não há como salvá-los, pois trazê-los novamente à vida faria reviver igualmente os Yaí-masa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As diferentes versões desse mito tratam da trajetória subseqüente dos Diroá de distintas maneiras. Há versões que articulam o destino dos irmãos Diroá ao mito de origem dos povos [[Povo:Tukano | Tukano]], apontando que, após a morte da gente onça, eles haveriam embarcado na cobra-canoa dos ancestrais Tukano que já descia o Uaupés em retorno ao Lago de Leite. Expulsos da cobra-canoa, voltam à casa do Trovão para cair do oceano e adentrar pelos rios Amazonas, Negro e Içana, onde já surgem os Tariana. Outra versão afirma, de modo importante, que, ao matar a gente onça, os Diroá dirigem-se ao Lago de Leite para avisar os Tukano que já podem iniciar sua viagem em direção ao Uaupés, pois o lugar já se encontra livre de gente canibal. Com efeito, alguns Tariana afirmam que o único grupo canibal que existiu no Uaupés foram os ''Yaí-masa'' de Iauaretê, e que, ao serem exterminados, os grupos atuais puderam ali se estabelecer sem perigos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A versão fornecida pelos Koivathe fala, após o fim da gente onça, da subida dos Diroá à casa do Trovão, onde sua vida irá passar a um cigarro cuja fumaça, ao ser soprada no lago do Trovão, vai dar origem aos Tariana. Desse lago, eles passam a Uapui-cachoeira, no rio Aiari, através de uma zarabatana de quartzo, e iniciam sua jornada em direção ao Uaupés. Nanayo, a primeira mulher criada pelo Trovão, é quem efetua a operação de transportar a vida dos Diroá. Ela o faz ao colocar seu próprio leite no cigarro. O leite da primeira mulher, uma vez associado ao tabaco, é o que propicia que a essência vital dos Diroá venha a dar origem aos Tariana. É essa substância imaterial que, dizem os Tariana, continua a ser transmitida através das gerações junto com os nomes Kuenaka, Kali e Kui.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Mito e história ===&lt;br /&gt;
Há uma passagem da mitologia tariana que conecta, por assim dizer, o mito e a história, isto é, o mundo da gente-pedra ao mundo dos humanos de hoje. Ela trata, precisamente, dos episódios que tiveram lugar ao longo de sua trajetória do Aiari ao Uaupés, até alcançar Iauaretê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após seu aparecimento no rio Aiari, os Tariana haveriam crescido e se dividido em vários grupos. Há locais a meio caminho entre os rios Aiari e Uaupés nos quais sua transformação em seres humanos se completa. Já no Uaupés, novos grupos aparecem e as posições de chefia são assumidas por alguns, entre eles os Koivathe. E é em uma “casa de transformação” situada no alto Uaupés – ''Mawadali'', a casa do arumã – que todos os grupos Tariana participaram da cerimônia em que pela primeira vez as flautas do Jurupari foram usadas, evento mítico que marca sua transformação definitiva em seres humanos. Ao chegar a Iauaretê, fixaram-se na Serra do Jurupari. Ali construíram sua grande maloca fortificada, a partir de onde fizeram as guerras com os Wanano e os Arara. Assim segue a narrativa Koivathe:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi em ''Mawadali'', a casa do Arumã, aonde os Tariana chegaram sob o comando de Koivathe, que aconteceu a divisão dos grupos Tariana. Ennu, Kui e Nanaio estavam ali e os Tariana chegaram já com a forma humana. Houve então a primeira dança com as flautas do Jurupari, feita pelo Samida [sib subordinado aos Koivathe]. Depois disso, os Tariana saíram da maloca de ''Mawadali'' e se dirigiram para a maloca do Ira, situada mais abaixo no Uaupés. Neste local foi preparado o primeiro dabucuri. Eles foram tirar bacaba e prepararam o jurupari. Prepararam a festa a fim de que Samida apresentasse os seus cantos e suas danças de dabucuri [''po´oli basa'']. Depois dessa festa, eles foram até Paricatuba [''parica-uka''], já no rio Negro. De lá, subiram pelos rios Negro e Uaupés, passando pelas mesmas casas de transformação que os Tukano haviam parado anteriormente. Só que os Tukano viajavam em sua cobra-canoa, e os Tariana iam de uma casa a outra através de uma zarabatana de quartzo. Em Taracuá, eles entraram na maloca de lá, e continuaram a viagem até Iauaretê, onde encontraram-se com Wa´ûro [chefe dos Tukano], no lado colombiano. Na foz do Papuri, em lado brasileiro, encontraram com Yaí o´a-masa, o avô dos Tukano, aquele que tomava conta dos irmãos maiores. Wa´ûro entregou essa terra porque ele sabia que os donos verdadeiros eram os Tariana, que são os descendentes de Okomi, uma pessoa que muito tempo antes já tinha morado em Iauaretê. Então se dirigiram os Tariana do segundo grupo para a serra do Jurupari.”&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este trecho, ao mesmo tempo em que trata do estágio final da transformação mítica dos Tariana, aproxima o surgimento dos Tariana ao dos Tukano. A zarabatana de quartzo, antes usada pelos Diroá para descer da casa do Trovão ao rio Aiari, é agora o meio através do qual os Tariana percorrem o mesmo caminho que os Tukano perfazem através de uma cobra-canoa. Um caminho que levaria a ambos até Iauaretê, um lugar desde então marcado pelo cruzamento das trajetórias Tariana e Tukano. Para os Tariana em particular, é o lugar onde se inicia uma história de feitos humanos propriamente ditos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rituais ==&lt;br /&gt;
Ao relembrar a origem de seus nomes, os Tariana costumam fazer alusões aos rituais que tinham lugar nas antigas malocas, abandonadas há várias décadas em Iauaretê. A nominação era parte de um ciclo maior, que envolvia a proteção que a criança recebia ao nascer e, na puberdade, a iniciação. Após o nascimento, homens mais velhos da maloca, parentes agnáticos em geral da segunda geração ascendente, “benziam” a criança usando um cigarro e o suco da fruta abiú. Essas encantações eram proferidas de maneira silenciosa, à medida que se soprava o cigarro em suas extremidades. Frases eram retiradas da própria narrativa mítica, assim como outras eram acrescentadas no momento em que as baforadas eram dirigidas à criança. Com essa primeira cerimônia, o recém-nascido tinha o seu coração fortalecido, sendo este igualmente considerado uma alma, o ''ehêripo’rã'', “filho da respiração”. Dizem os Tariana que ainda não se tratava da nominação, mas de uma proteção então administrada à criança - ''wetiró'', “capa” ou “envoltório”, concebidos na forma de ''paris'' (esteiras de talo) invisíveis -, que ao mesmo tempo já a preparava para aquilo que seria futuramente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 {{#miniatura: left &lt;br /&gt;
 |Coroação do rei, durante a festa na maloca Tariano. © Vincent Carelli/Vídeo nas Aldeias, 2005.&lt;br /&gt;
 |http://img.socioambiental.org/d/1088798-3/coroacao+do+rei_lzn.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para que a criança viesse a adquirir capacidades específicas, como as de cantor, xamã, pescador e assim por diante, uma porção de urucu, devidamente preparado com encantações, era posto em seu umbigo. Ao atingir seus sete ou oito anos de idade, a criança recebia finalmente o nome, em uma nova cerimônia que repetia os mesmos procedimentos. Desta vez, porém, uma encantação específica de nominação era empregada. A ''ehêripo’rã'' “era reforçada”, como se diz, o que indica claramente que o nome (''wame'') constituía um aspecto metafísico da pessoa que vinha incidir diretamente sobre sua alma, aumentando sua “força de vida”, ''katiró''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas operações rituais reencenam o episódio mítico no qual Nanayo, ao passar de seu leite em um cigarro, o investe do princípio vital dos Diroá. Poderíamos dizer que a mesma fumaça, então soprada sobre o Lago do Trovão, é soprada sobre as crianças a serem nominadas. No mito, surgem os Tariana; com a nominação, uma nova pessoa. Lá, é Nanayo que se incumbe da operação; aqui, são os ''kumu'' (xamãs) do grupo agnático. Lá, o seu leite; aqui, o suco de abiú. Em ambos os casos, a mesma vida que anima os Tariana. Os nomes, veiculados através das encantações, conectam, assim, o presente ao passado ancestral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como os nomes são poucos, várias pessoas recebem o mesmo nome, ainda que se afirme que os nomes devem circular em gerações alternadas. Nesse caso, uma pessoa recebe idealmente o nome do avô. Mas é preciso sublinhar que não se trata de reencarnação, pois ao receber um nome uma criança não se torna o antepassado que antes recebera o mesmo nome. Aparentemente, a relação entre indivíduos de gerações alternadas que levam o mesmo nome seria de “substituição”, como certas frases da encantação de nominação parecem indicar. Além disso, é muito comum que vários indivíduos portem um mesmo nome simultaneamente, sem que haja entre eles uma ligação particular. Antes de tudo, o nome diz respeito à vitalidade que vai permitir o desenvolvimento de certas capacidades ao longo da vida. Assim, há nomes apropriados a xamãs, cantores ou chefes, o que define sua distribuição entre filhos primogênitos e caçulas. Ainda que a aplicação desta regra não seja rigorosa, a associação dos nomes a capacidades específicas é freqüentemente sublinhada pelas pessoas ainda hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Adornos e nomes ===&lt;br /&gt;
No passado, havia expedientes que permitiam a obtenção de adornos cerimoniais pertencentes a outros grupos. Os objetos podiam ser obtidos por meio de ataques a malocas de grupos inimigos ou permutados em modalidades muito específicas de troca entre grupos aliados. Como o mito de origem tariana deixa claro, os enfeites cerimoniais foram os meios pelos quais o Trovão fez surgir os ancestrais e a nova humanidade. Tal como os nomes, esses objetos são transmitidos dentro do sib através das gerações. Roubá-los de outros grupos significava se apoderar de poderes transformativos alheios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas também os nomes de outros grupos podiam ser, por assim dizer, usurpados. Para tanto, os grupos agnáticos tinham que se valer de outro de seus meios, igualmente obtidos fora: as mulheres. Uma mulher que tivesse um filho de outro homem que não o marido, buscaria preferencialmente os chefes, os ''bayá'' (cantores) ou os ''kumu'' (xamãs). Uma vez nascida, a criança poderia assim receber dois nomes, sendo benzida pelo pai verdadeiro e pelo adotivo. Através desse mecanismo, um sib poderia vir a obter parte do poder e do conhecimento de outro, embora fosse coisa que poderia acontecer também dentro de uma mesma maloca. O nome que vinha de fora era então traduzido para a língua do grupo do pai adotivo. Com o novo nome, a criança, como novo membro do grupo do pai adotivo, lhe agregava algo da vitalidade do grupo do pai verdadeiro. Evidencia-se assim uma associação entre o nome, a essência ou princípio vital e o próprio sêmen dos homens de um sib. Mas fica igualmente evidente que esse aspecto imaterial do patrimônio de um sib pode ser suplementado pela aquisição de qualidades do mesmo tipo entre outros grupos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como apontado por Stephen Hugh-Jones (1979), entre os grupos do Uaupés a nominação passa pela contribuição respectiva dos sexos à concepção do feto – carne e ossos, formados pelo sangue materno e pelo sêmen paterno, correspondendo respectivamente a uma vitalidade exterior e um espírito interior –, operando fundamentalmente a partir da transmissão de essências dentro do grupo agnático, mas depende, por outro lado, das esposas que vêm de fora para a produção dos corpos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Dabucuris ===&lt;br /&gt;
Os dabucuris são os rituais de trocas que envolvem, geralmente, sibs que mantêm alianças matrimoniais. Mas não se restringem apenas a grupos afins, podendo envolver também sibs pertencentes a um mesmo grupo exogâmico. Vários moradores de Iauaretê ainda descrevem os requintes que envolviam a preparação dos dabucuris no tempo de seus avós. Eram grandes festas, nas quais as caixas de ornamentos rituais eram abertas e instrumentos musicais e cantos específicos eram apresentados de acordo com o que estivesse sendo oferecido: peixe, caça, frutos do mato ou artefatos (bancos ou cestarias). Era também uma ocasião em que o alucinógeno caapi (''Banisteriops caapi'') era consumido pelos mais velhos, que lhes permitia enxergar e entrar em contato com o mundo mítico invisível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dabucuris eram tratados com antecedência, e o grupo que tomava a iniciativa marcava o dia em que iria visitar a comunidade de seus parentes, já informando aquilo que iriam oferecer aos anfitriões. Estes já se preparavam para receber os visitantes, de maneira que, no dia marcado, havia bebida e comida preparadas em quantidade suficiente para que a festa durasse até dois dias seguidos. Os dabucuris são amplamente realizados hoje nos bairros de Iauaretê, apesar de despidos de uma preparação mais elaborada, e da falta de adornos e instrumentos cerimoniais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Feiras e dabucuris ===&lt;br /&gt;
Através do livro de atas da comunidade do bairro de D. Pedro Massa, verificamos algumas estratégias para a obtenção de dinheiro, tais como a venda de artesanato feminino produzido nos dias de trabalho coletivo ou a venda de “comida regional”, de pipoca e caxiri nas casas ou em feiras organizadas na comunidade. Como reza o estatuto do bairro, não se tratam propriamente de atividades que visam o lucro individual, pois seu propósito é o de obter a “necessidade básica”, e que, ao lado de coisas como a eleição de um “padrinho” para tomar conta da juventude ou da reiteração permanente por parte dos líderes comunitários para que se evite fofocas e maledicências, concorrem para que se alcance o “bem estar da comunidade”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com efeito, nos últimos anos, a venda do caxiri (cerveja fermentada de mandioca) passou a ser uma prática adotada por um grande número de famílias. Alguns dizem que o consumo do caxiri é até mesmo mais alto hoje do que o consumo de bebidas alcoólicas antes da proibição de 1999. Nesse ano, “feiras” passaram a ser promovidas para a venda de beijus, frutas, comida pronta e caxiri. A idéia foi posta em prática em primeiro lugar no bairro do Cruzeiro nas manhãs de domingo. Para isso, foram improvisadas algumas barracas na praça dessa comunidade, que servia tanto aos moradores do Cruzeiro como aos moradores dos outros bairros na venda de seus produtos. Aparentemente, a adesão das mulheres ao negócio foi de tal maneira entusiasmada que em pouco tempo as feiras começaram a surgir também nos outros bairros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em princípio, as pessoas que idealizaram a feira pensaram que os produtos que viriam a ser comercializados em maior quantidade seriam frutas e farinha. Era uma tentativa de proporcionar uma ocasião para que aquelas pessoas que tentavam vender seus produtos para os comerciantes locais com pouco sucesso pudessem oferecê-los diretamente aos consumidores. Muita gente, com efeito, reclama de que os comerciantes locais dificilmente aceitam comprar ou trocar por mercadorias aquilo que é produzido na região. Os comerciantes, por sua vez, dizem que as pessoas costumam dar preços a seus produtos tomando por base os próprios preços das mercadorias, o que tornaria inviável sua comercialização sem prejuízos. A feira foi a solução encontrada para o problema, permitindo que aqueles que desejassem vender pudessem chegar à suas próprias conclusões quanto aos preços adequados dos produtos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, as feiras vieram a ser não apenas uma solução para o problema econômico. Tornaram-se também eventos, dir-se-ia, recreativos. E nesse ambiente, o que prosperou foi a venda de comida pronta e grandes quantidades de caxiri. Com isso, as ocasiões de beber caxiri multiplicaram-se surpreendentemente, pois não há um final de semana sequer em que não são promovidas entre duas a quatro feiras em diferentes bairros. As mulheres do bairro de Santa Maria, que se localiza na margem oposta ao lado mais densamente povoado, começaram a solicitar o uso do centro comunitário do Cruzeiro para promover suas próprias feiras onde os consumidores têm maior facilidade de acesso. Paralelamente, algumas casas também começaram com a venda de caxiri, dando uma opção noturna àqueles que não saciaram totalmente sua sede nas feiras matutinas e vespertinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas de caxiri continuam sendo realizadas aparentemente no mesmo ritmo de antes, com as famílias das comunidades se reunindo para fazer dabucuris e festejar aniversários e outras datas comemorativas, como dia dos pais e das mães. E agora, quando não há um motivo especial para realizar uma dessas festas, as feiras oferecem uma opção para as pessoas saírem de suas casas. Muito embora o caxiri seja agora vendido, o ambiente em que a feira é realizada é o mesmo centro comunitário dos bairros onde são feitas as festas. E as mulheres, ao invés de rodarem o salão em fila servindo todos os presentes, dispõem-se em mesas centrais com suas grandes panelas, vendendo cuias, jarras e copos da bebida. E pelo que se observa nessas ocasiões, boa parte do caxiri acaba sendo oferecido gratuitamente entre parentes mais próximos e amigos. Assim, essas feiras podem também ser qualificadas como eventos da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, os dabucuris internos aos bairros de Iauaretê respondem tanto à necessidade de criação de uma identidade comensal entre os grupos co-residentes como à de retribuir, e assim estimular, pessoas que estão em posição de aumentar a circulação interna de dinheiro. Neste último caso, a comunidade afirma-se como tal, evidenciando que mesmo pessoas assalariadas são parte de um conjunto maior de relações, ou seja, que aquilo que pode demonstrar a cada mês com seus recursos financeiros não é mais do que aquilo que a comunidade pode promover quando age como um sujeito coletivo. Um detalhe que merece destaque é que feiras e dabucuris podem perfeitamente ser combinados em prol dos fins comunitários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas há que se mencionar que as feiras e o aumento do consumo de caxiri vêm gerando, de acordo com comentários correntes, dificuldades adicionais para “controlar a juventude”, que, em pequenas turmas, hoje vaga pelos bairros movida pelo som dos aparelhos eletrônicos que animam as festas e pelo cheiro do caxiri. As brigas entre as turmas de bairros diferentes estão se tornando um tema do cotidiano do povoado, e o problema passou a ser um dos assuntos de destaque em reuniões de lideranças e assembléias.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Comércio ==&lt;br /&gt;
O uso do dinheiro em transações de mercadorias e produtos entre brancos e índios no Uaupés já remonta a algumas décadas. A partir dos anos 80, a concentração demográfica e o crescimento dos trabalhos remunerados em Iauaretê induziu o surgimento da atividade comercial aos moldes daquela que se via na cidade. No bairro de São Miguel, houve parentes com certa experiência no ramo comercial em São Gabriel que foram instados a voltar para Iauaretê e abrir um negócio para abastecer a comunidade. Por outro lado, a decadência do extrativismo no Amazonas levava a que antigos regatões que no passado subiam os rios para negociar com as comunidades indígenas passassem a se fixar em São Gabriel permanentemente, abrindo novos estabelecimentos comerciais que viriam a florescer a partir do aumento do número de funcionários públicos, e, mais tarde, dos contingentes militares transferidos para a região. Esses novos varejistas de São Gabriel viriam a ser os novos “patrões” dos índios de Iauaretê que decidiram se embrenhar na vida comercial, junto aos quais passariam a buscar crédito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, a atual dinâmica de circulação de mercadorias no rio Uaupés possui parentesco próximo à economia da dívida que, até os anos 70, foi central na região como um todo: continua-se adiantando mercadorias a crédito aos índios, porém o pagamento das dívidas já não se faz com breu, balata, seringa e outras resinas ou produtos, ou mesmo com o trabalho, mas com o próprio dinheiro que passou a chegar às mãos indígenas naquela década.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas são as circunstâncias históricas que irão favorecer o surgimento de um comércio indígena no rio Uaupés, concentrado especificamente no povoado de Iauaretê. À primeira vista, os comerciantes indígenas parecem ocupar a posição de intermediários, que se encarregam de transportar a Iauaretê as mercadorias disponíveis no comércio da cidade de São Gabriel da Cachoeira. Os já altos preços dos itens obtidos na cidade, todos eles importados de Manaus, praticamente duplicam ao serem oferecidos no comércio local. As enormes dificuldades com transporte e as perdas ocasionadas ao longo da viagem de cerca de quatro dias de barco entre São Gabriel e Iauaretê, assim como a existência de corredeiras intransponíveis no médio Uaupés, que obrigam a uma penosa operação de descarga e transporte terrestre a um outro barco que aguarda no porto de cima, são as justificativas apontadas para o alto custo das mercadorias em Iauaretê. Os preços das mercadorias no comércio local são, assim, absolutamente desproporcionais ao padrão de renda que vem se estabelecendo. Nesse contexto, as dívidas com os comerciantes, “a venda por fiado”, constituem um fato corriqueiro do cotidiano do povoado e as relações entre os comerciantes indígenas e seus fregueses torna-se objeto de grandes cuidados por parte dos primeiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se pode dizer, portanto, que, apesar do acesso crescente dos índios à moeda, a situação de exploração típica das relações de patronagem que a região conheceu historicamente tenha se diluído, pois a entrada de mercadorias na região permanece sob o controle dos comerciantes brancos de São Gabriel, em sua quase totalidade oriundos da região Nordeste. É o sistema da dívida que parece se reciclar apesar do aumento da circulação de dinheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== As múltiplas formas da riqueza ===&lt;br /&gt;
Como se diz em Iauaretê, brancos e índios possuem seus respectivos “instrumentos”, ''o’mo''. Os instrumentos dos brancos são, sem dúvida alguma, os signos da civilização, valores que circulam na produção da vida comunitária em Iauaretê. Assim, pode-se supor que, tal como enfeites trocados ou roubados, as mercadorias vieram a veicular capacidades que se prestaram a incrementar aquelas que os homens recebem através dos ancestrais de seus sibs. Os ''apeka'' indígenas constituíam objetificações da força de vida introjetada na pessoa através da nominação. E os ''apeka'' dos brancos, as mercadorias, foram igualmente tomados por objetificações de uma capacidade que podia ser manipulada através de um meio xamânico muito particular, os papéra, o dinheiro. Talvez por isso, as mercadorias e o dinheiro puderam ser incorporados como novos recursos para viabilizar a produção da comunidade. Nesse caso, as demandas por empregos, dinheiro e mercadoria em Iauaretê não devem ser interpretadas apenas como “reificação” das coisas dos brancos em sua materialidade ou utilidade técnica. Roupas e dinheiro são, com frequência, referidos como uma “arma” do homem branco, isto é, sua ''we’tîro'', “capa”, ou “proteção”; às vezes se diz até que os brancos já nascem de roupa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível deduzir que, do ponto de vista indígena, o dinheiro foi inicialmente tomado como algo que para os brancos possuía uma importância equivalente àquela que os instrumentos de transformação e os adornos cerimoniais possuem para os índios: são meios e capacidades imprescindíveis na vida de hoje, e que como tais existem em um plano da realidade onde esse presente não é distinto do passado narrado nos mitos. Uma anedota que se ouve freqüentemente em Iauaretê é a seguinte: “os brancos fabricam muitas coisas, já os índios só fabricam gente”. E parece que para continuar “fabricando gente” nos grandes bairros de Iauaretê é imprescindível hoje lançar mão das coisas fabricadas pelos brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A comunidade indígena, como já indicava o estatuto de D. Pedro Massa, não tem realmente “fins lucrativos”, seu propósito é a constituição de pessoas. Mas hoje em Iauaretê, há pessoas e grupos que já intentam novas formas de fusão das capacidades dos índios e dos brancos. Refiro-me a grupos de alta hierarquia que vêm esforçando-se para inscrever suas falas ancestrais nos papéra dos brancos, investindo grande parte de seu tempo na produção de livros de mitologia. Portanto, pode-se concluir que hoje, no Uaupés, os índios estão a afirmar, ao mesmo tempo, uma continuidade e uma descontinuidade com relação a seus antepassados. Se há uma descontinuidade quanto ao “modo de vida”, há uma continuidade paradoxalmente expressa na frase, “a vida do branco é diferente”. Acontece que essa não é uma frase tão simples como parece. Aqui não se está falando de modo de vida, ou o modo como hoje se leva à vida, mas daquela propriedade metafísica embutida nos corpos indígenas na concepção e reforçada através da nominação, o ''katisehé''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Iauaretê, nada disso é contraditório à incorporação progressiva das coisas dos brancos. Isto é, a aquisição progressiva das capacidades dos brancos pode ter transformado o modo de se viver, mas não chegou a corromper a substância imaterial que sustenta a vida dos índios. Ao contrário, elas vieram a suplementar essa capacidade que se herda dos antepassados. E se hoje há bairros que fundamentam sua vida comunitária sobre a obtenção cada vez mais intensa dos itens da civilização, há outras comunidades que, como vimos, começam a rever essa orientação, em especial aquelas onde vivem grupos que, do ponto de vista da chamada “cultura dos antigos”, situam-se em posições elevadas da hierarquia tradicional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;BRANDHUBER, Gabriele. Why Tukanoans migrate? Some remarks on conflict on the Upper Rio Negro (Brazil). Journal de la Société des Américanistes, Paris : Société des Américanistes, v. 85, p. 261-80, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BRITO, Cândido et al. Dicionário Tariana-Portugues - Taria Yarupene Panumape karalitekaphe. Camberra : s.ed., 1999. 338 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BUCHILLET, Dominique. Contas de vidro, enfeites de branco e &amp;quot;potes de malária&amp;quot;. Brasília : UnB, 1995. 24 p. (Série Antropologia, 187)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Interpretação da doença e simbolismo ecológico entre os índios Desana. Boletim do MPEG: Série Antropologia, Belém : MPEG, v.4, n.1, p.27-42, jul. 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Maladie et memoire des origines chez les Desana du Uaupes (Bresil). Paris : Univ. de Paris X, 1983. 264 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Nobody is there to hear : Desana therapeutic incantations. In: LANGDON, J. M.; BAER, L. (Eds.). Portals of power : shamanism in South America. Albuquerque : Univers. of New Mexico Press, 1992. p.211-30.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Pari Cachoeira : o laboratório Tukano do projeto Calha Norte. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 107-15. (Aconteceu Especial, 18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Perles de verre, parures de blancs et 'pots de paludisme' : epidemiologie et representations Desana des maladies infectueuses (Haut Rio Negro, Bresil). Journal de la Sociétè des Américanistes, Paris : Sociétè des Américanistes, n. 81, p. 181-206, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Los poderes del hablar : terapia y agresión chamánica entre los índios Desana del Vaupes brasileiro. In: BASSO, Ellen B.; SHERZER, Joel (Coords.). Las culturas nativas latinoamericanas a traves de su discurso. Quito : Abya-Yala ; Roma : MLAL, 1990. p. 319-54. (Colección 500 Años, 24).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------; GALLOIS, Dominique Tilkin; CABALZAR FILHO, Aloisio; LOPES, Paula Morgado Dias. Epidemies et medecines traditionnelles en Amazonie bresilienne. Orstom Actualites, Paris : Orstom, n. 50, p. 2-8, 1996.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CABALZAR FILHO, Aloísio. Descendência e aliança no espaço Tuyuka : a noção de nexo regional no noroeste amazônico. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 43, n. 1, p. 61-88, 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Organização social Tuyuka. São Paulo : USP, 1995. 234 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O templo profanado : missionários Salesianos e a transformação da maloca Tuyuka. In: WRIGHT, Robin (Org.). Transformando os Deuses : os múltiplos sentidos da conversão entre os povos indígenas no Brasil. Campinas : Unicamp, 1999. p. 363-98.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CABALZAR, Flora Dias (Org.). Nossa Terra - Conhecimento para o manejo - mariya dita - Inanunuse masire. Brasília : MEC ; São Paulo : ISA ; São Gabriel da Cachoeira : Foirn, 2002. 131 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CABRERA BECERRA, Gabriel. La iglesia en la frontera : misiones católicas en el Vaupés - 1850-1950. Bogotá : Universidad Nacional de Colômbia, 2002. 252 p. (Originalmente Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Indios, misiones y fronteras : una história de las misiones católicas en el Vaupés 1850-1950. Bogotá : Universidad Nacional de Colombia, 2001. 260 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CARVALHO, Silvia Maria S. de. Jurupari : estudos de mitologia brasileira. São Paulo : Ática, 1979. 388 p. (Ensaios, 62)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CHERNELA, Janet Marion. Os cultivares de mandioca na área do Uaupés (Tukâno). In: RIBEIRO, Berta G. (Coord.). Etnobiologia. Petrópolis : Vozes, 1986. p. 151-8. (Suma Etnológica Brasileira, 1)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Hierarchy and economy of the Uanano (Botiria) speaking peoples of the middle Uapes Basin. New York : Columbia University, 1983. 180 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. The &amp;quot;ideal speech moment&amp;quot; : women and narrative performance in the Brazilian Amazon. Feminist Studies, s.l. : s.ed., n. 1, p. 73-96, 1997.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Indigenous fishing in the neotropics : the tukanoan uanano of the blackwater Uaupes river basin in Brazil and Colombia. Interciencia, s.l. : s.ed., v.10, n.2, p.78-86, mar./abr. 1985.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Pesca e hierarquização tribal no alto Uaupés. In: RIBEIRO, Berta G. (Coord.). Etnobiologia. Petrópolis : Vozes, 1986. p. 235-50. (Suma Etnológica Brasileira, 1).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Tukanoan fishing. Nat. Geogr. Research &amp;amp;amp; Exploration, s.l. : s.ed., v. 10, n. 4, p. 440-57, 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. The Wanano indians of the Brazilian Amazon : a sense of space. Austin : Univ. of Texas Press, 1993. 185 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------; LEED, Eric J. As perdas da história : identidade e violência num mito Arapaço do Alto Rio Negro. In: ALBERT, Bruce; RAMOS, Alcida Rita (Orgs.). Pacificando o branco : cosmologias do contato no Norte-Amazônico. São Paulo : Unesp ; Imprensa Oficial do Estado, 2002. p. 469-86.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Shamanistic journeys and anthropological travels. Anthropological Quarterly, Washington : The Catholic Univers. fo America, v.69, n.3, p.129-33, jul. 1996.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CIPOLLETTI, Maria Susana. La creación del cosmos y sus protagonistas : los Secoya (Tucano) de la Amazonía ecuatoriana. Bulletin de la Soc. Suisse des Américanistes, Genebra : Soc. Suisse des Américanistes, n. 55/56, p. 11-21, 1991/1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Un manuscrito tucano del siglo XVIII : ejemplos de continuidad y cambio en una cultura amazónica, 1753/1990. Rev. de Indias, Madrid : Instituto Gonzalo Fernandes de Oviedo, v. 52, n. 194, p. 181-94, jan./abr. 1992.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CLOPATOFSKY, Carlos Alberto Uribe. Etnografia Karapana : un estudio socio-económico de la comunidad. Bogotá : Univ. de los Andes, 1972. 205 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COHÃCJU Yere Yahuducuri Tju : o Novo Testamento na língua Piratapuya. s.l. : Sociedade Bíblica Internacional, 1990. 892 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COLOMBIA. Gobernación del Vaupés. Nueva generación : la imagen del nuevo siglo - 1998-2000. Bogotá : Gobernación del Vaupés, 1999. 143 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CORREA RUBIO, François. Características socio-lingüísticas en la región del Vaupés colombiano. Rev. Colombiana de Lingüística, Bogotá : s.ed., v.2, n. 2/3, p.174-86, 1984.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Por el camino de la Anaconda Remedio : dinámica de la organización social entre los taiwano del Vaupés. Bogotá : Universidad Nacional de Colombia ; Colciencias, 1996. 422 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-------- (Ed.).. La selva humanizada : ecología alternativa en el trópico húmedo colombiano. Bogotá : Ican, 1993. 259 p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DUFOUR, Darna Lee. The use of bitter cassaba in Northwestern Amazon. Cassava Newsletter, s.l. : s.ed., v. 8, n. 2, p. 6-7, 12, 1984.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Uso de la selva tropical por los indígenas Tukano del Vaupés. In: CORREA RUBIO, François. La selva humanizada : ecologia alternativa en el tropico húmedo colombiano. Bogotá : Ican/Fondo FEN Colombia/Cerec, 1993. p. 47-62.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta tese foi publicada no final de 1995 pelo MPEG de Belém dentro da Coleção Eduardo Galvão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERNANDES, Américo Castro; FERNANDES, Dorvalino Moura. A mitologia sagrada dos antigos Desana do grupo Wari Dihputiro Põrã. Igarapé Cucura : Unirt ; São Gabriel da Cachoeira : Foirn, 1996. 196 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERREIRA, Geraldo Veloso. A função e a importância do Xamã no rito de parto Ye'pa-Masa em Iauarete-AM. Manaus : UFAM, 2001. 76 p. (Monografia)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FIRESTONE, Homer Leon. A description and classification of Siriano, a Tupi-Guarani language. New Mexico : Univ. of New Mexico, 1962. 97 p. (Ph. D. Dissertation)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GENTIL, Gabriel dos Santos. Mito Tukano, quatro tempos de antigüidades : histórias proibidas do começo do mundo e dos primeiros seres. v. 1. Frauenfeld : Verlag Im Waldgut, 2000. 216 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GIACONE, Antonio. Gramática, dicionários e fraseologia da língua dahceié ou tucano. Belém : Univ. do Pará, 1965. 208 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GOEHNER, Marie; WEST, Birdie; MERRIFIELD, William R. Tucano (Tucanoan) kinship terminology. In: MERRIFIELD, William R. (Ed.). South American kinship : eight kinship systems from Brazil and Colombia. Dallas : The International Museum of Cultures, 1985. p. 55-70.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GOLDMAN, Irving. The Cubeo : indians of the Northwest Amazon. Urbana : Univ. of Illinois Press, 1979. 316 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GOMEZ-IMBERT, Elsa; BUCHILLET, Dominique. Proposta para uma grafia Tukano normalizada. Amerindia, Paris : A.E.A., n.11, supl., 44 p., out./dez. 1986.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HUGH-JONES, Christine. La fibre et la pulpe. L’Ethnographie, Paris : Société d’Ethnographie, v.75, n.80, p.21-46, 1979.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HUGH-JONES, Christine; HUGH-JONES, Stephen. The storage of manioc products and its symbolic importance among the Tukanoans. In: HLADIK, M. et al (Eds.). Food and nutrition in the tropical forest : biocultural interactions. Paris : Unesco, 1994. p. 589-94. (Man in the Biosphere Series, 5)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HUGH-JONES, Stephen. Clear descent or ambiguous houses? A re-examination of Tukanoan social organization. L'Homme, Paris : École des Hautes Études en Sciences Soc., v. 33, n. 126/128, p. 95-120, abr./dez. 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Coca, beer, cigars and yage : meals and anti-meals in an amerindian community. In: GOODMAN, D.; LOVEJOY, P. (Eds.). Consuming habits : drugs in history and anthropology. Londres : Routledge, 1995. 47-66 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Historia del Vaupés. Maguare, Bogotá : Univers. Nacional de Colombia, n.1, p.29-51, jun. 1981.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. The palm and the pleiades : initiation and cosmology in Northwest Amazonia. Cambridge : Cambridge Univ. Press, 1979. 332 p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;JACKSON, Jean Elizabeth. Hostile encounters between Nukak and Tukanoans : changing ethnic identity in the Vaupés, Colombia. The Journal of Ethnic Studies, s.l. : s.ed., v. 19, n. 2, p. 17-39, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Rituales Tukano de violencia sexual. Rev. Colombiana de Antropologia, Bogotá : Inst. Colombiano de Antropologia, v. 28, p. 25-52, 1990/1991.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;JIMENO, Myriam. Unificación nacional y educación en territorios nacionales, el caso de Vaupés. Rev Colombiana de Antropología, Bogotá : Instituto Colombiano de Antropología, n.22, p. 59-84, 1979.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;JUREMA, Jefferson. O universo mítico-ritual do povo Tukano. Manaus : Valer, 2001. 196 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;KAPFHAMMER, Wolfgang. Der Yurupari-Komplex in Nordwest-Amazonien. Munique : Anacon, 1992. 333 p. (Munchener Amerikanistik Beitrage, 28)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;KNOBLOCH, Francis J. The tukano indians and advancing “civilisation”. The Mankind Quarterly, Edingurgh : R. Gayre of Gayre, v.17, n.2, p.130-9, out./dez. 1976.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;KRAUS, Michael. Comienzos del arte en la selva : reflexiones etnológicas sobre el arte indigena a principios del siglo XX. Bulletin de la Soc. Suisse des Américanistes, Geneve : Soc. Suisse des Américanistes, n. 64-65, p. 183-94, 2000/2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LABORDE, Alfonso Torres. Mito y cultura entre los Barasana : un grupo indígena Tukano del Vaupés. Bogotá : Univ. de los Andes, 1969. 182 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LAGÓRIO, Eduardo (Coord.). Cem kixti (estórias) Tukano. Brasília : Funai, 1983. 162 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LAMUS, Luis Raul Rodriguez. La arquitectura de los Tukano. Rev. Colombiana de Antropología, Bogotá : Inst. Colombiano de Antropologia, v.7, n.17, p.251-69, 1958.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LOPES, Pedro Alvim Leite. As metamorfoses do corpo : os xamanismos Araweté, Bororo e Tukano a luz do perspectivismo. Rio de Janeiro : UFRJ-Museu Nacional, 2001. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MEIRA, Márcio. Laudo antropológico Área Indígena Baixo Rio Negro. Belém : MPEG, 1991. 183 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. O tempo dos patrões : extrativismo da piaçava entre os índios do rio Xié (Alto Rio Negro). Campinas : Unicamp, 1993. 128 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MORALES F., Luz Angela. Integración economia y transfiguración cultural en el Vaupés. Bogotá : Universidad de los Andes, 1977. 408 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MOREIRA, Ismael Pedrosa; MOREIRA, Ângelo Barra. Mitologia Tariana. Manaus : IBPC, 1994. 104 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MORSE, Nancy L. Cubeo kinship. In: MERRIFIELD, William R. (Ed.). South American kinship : eight kinship systems from Brazil and Colombia. Dallas : The International Museum of Cultures, 1985. p. 79-92.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Ana Gita de. Índios e brancos no Alto Rio Negro : um estudo da situação de contato dos Tariana. Brasília : UNB, 1981. 162 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. O mundo transformado : um estudo da &amp;quot;cultura de fronteira&amp;quot; no Alto Rio Negro. Brasília : UnB-ICH, 1992. 286 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLSCHEWSKI, Luisa Elvira Belaunde. Gender, commensality and community among the Airo-Pai of west Amazônia (Secoya, Western-Tukanoan speaking). Londres : Univ. of London, 1992. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OVERING, Joana. A estética da produção : o senso de comunidade entre os Cubeo e os Piaroa. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 34, p. 7-34, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PÃRÕKUMU, Umúsin Panlõn; KENHÍRI, Tõrãmu. Antes o mundo não existia : a mitologia heróica dos índios Desana. São Paulo : Livraria Cultura, 1980. 240 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Antes o mundo não existia : mitologia dos antigos Desana-Kehiripora. 2ª ed. São João Batista do Rio Tiquié : Unirt ; São Gabriel da Cachoeira : Foirn, 1995. 264 p. (Narradores Indígenas do Rio Negro, 1)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PIEDADE, Acácio Tadeu de Camargo. Música Ye'pa-Masa : por uma antropologia da música no Alto Rio Negro. Florianópolis : UFSC, 1997. 211 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PINZÓN SÁNCHEZ, Alberto. La disolución de la comunidad indígena del Vaupés. Bogotá : Universidad Nacional, 1978. 187 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;POZZOBON, Jorge. &amp;quot;You white people have no soul&amp;quot; : the anthropologist as a patient in a healing process by a Tukano shaman. Zeitschrift des Leipziger Museums für Volkerkunde, Leipzig : Museums für Volkerkunde, n. 47, p. 59-67, 1997.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RAMIREZ, Henri. A escrita tukano dos ye'pa-masa. Manaus : Inspetoria Salesiana da Amazônia/Cedem, 1997. 84 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. A fala tukano dos ye'pa-masa. v. 1. Manaus : Inspetoria Salesiana da Amazônia/Cedem, 1997. 396 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------; FONTES, Alfredo Miguel. Ye'pa-Masa Yee Niisehetisehe : a vida dos Ye'pa-Masa - textos de leitura bilíngue. Manaus : Universidade do Amazonas, 2001. 240 p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;REICHEL-DOLMATOFF, Gerardo. Algunos conceptos de geografia chamanistica de los índios Desana de Colombia. In: HARTMANN, Tekla; COELHO, Vera Penteado (Orgs.). Contribuições a antropologia em homenagem ao professor Egon Schaden. São Paulo : Museu Paulista, 1981. p. 255-70.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Algunos conceptos de los índios Desana del Vaupes sobre el manejo ecologico. In: CORREA RUBIO, François. La selva humanizada : ecologia alternativa en el tropico húmedo colombiano. Bogotá : Ican/Fondo FEN Colombia/Cerec, 1993. p. 39-45.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Amazonian cosmos : the secual and religious symbolism of the Tukano indians. Chicago : Univ. of Chicago Press, 1971. 314 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Basketry as metaphor : arts and crafts of the Desana indians of the Northwest Amazon. Los Angeles : Univers. of California, 1985. 100 p. (Occasional Papers of the Museum of Cultural History, 5)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Chamanes de la selva pluvial : ensayos sobre los índios Tukano del Noroeste Amazónico. Devon : Themis Books, 1997. 350 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. The forest within : the world-view of the Tukano Amazonian indians. Themis Books, 1996. 238 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Shamanism and art of the eastern Tukanoan indians : Colombian Northwest Amazon. Leiden : E.J. Brill, 1987. 78 p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIBEIRO, Berta G. A civilização da palha : a arte do trançado dos índios do Brasil. São Paulo : USP, 1980. 590 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Die bildliche mythologie der Desâna. In: MÜNZEL, Mark (Org.). Die mythen sehen : bilder und zeichen vom Amazonas. Frankfurt : Museum für Volkerfunde, 1988. p. 243-77.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Os índios das águas pretas : modo de produção e equipamento produtivo. São Paulo : Companhia das Letras/Edusp, 1995. 270 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Literatura oral indígena : o exemplo Desana. Ciência Hoje, Rio de Janeiro : SBPC, v. 12, n. 72, p. 28-37, abr./mai. 1991.&lt;br /&gt;
Publicado também no n. esp. de dez. 1991 da mesma revista, p. 32-41.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------; KENHÍRI, Tolamãn. Chuvas e constelações : calendário econômico dos índios Desana. Ciência Hoje, Rio de Janeiro : SBPC, v. 12, n. esp., p. 14-23, dez. 1991.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIVIÈRE, Peter. AAE na Amazônia. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 38, n. 1, p. 191-203, 1995.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS, Antônio Maria de Souza. Etnia e urbanização no Alto Rio Negro : São Gabriel da Cachoeira-AM. Porto Alegre : UFRS, 1983. 154 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCHADEN, Egon. Relato sobre la creacion de los Tariano. Rev. Colombiana de Antropologia, Bogotá : Inst. Colombiano de Antropologia, v. 28, p. 193-228, 1990/1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SEPULVEDA, Marco Aurelio Zambrano. Los Cubeo : algunos aspectos de su cultura. Bogotá : Univ. de los Andes, 1975. 246 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Alcionílio Brüzzi Alves da. A civilização indígena do Uaupés. São Paulo : Missão Salesiana do Rio Negro, 1962. 496 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Crenças e lendas do Uaupes. Quito : Abya-Yala ; Manaus : Inspectoria Salesiana Missionária da Amazônia, 1994. 368 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. As tribos do Uaupés e a civilização brasileira. O método civilizador salesiano : o índio tem o direito de ser índio ou de ser civilizado? Belém : s.ed., mai. 1978. 55 p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SMOTHERMON, Jeffrey R.; SMOTHERMON, Josephine H.; FRANK, Paul S. Bosquejo del Macuna : aspectos de la cultura material de los Macunas - Fonologia, gramática. Bogotá : ILV, 1995. 91 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TELBAN, Blaz. Grupos etnicos de Colombia : etnografía y bibliografía. Quito : Abya-Yala ; Roma : MLAL, 1988. 526 p. (Colección 500 Años, 3).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TORRES, Patrícia Espinosa. La presencia misionera como factor de deculturación indígena dentro de la Comisaria del Vaupes. Bogotá : Univ. de los Andes, 1976. 263 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TRUPP, Fritz. The Tukano. In: --------. The last indians : South America's cultural heritage. Wörgl (Áustria) : Perlinger, 1981. p. 85-112.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TUKANO, Enrique Castro. &amp;quot;Os colonos são vocês&amp;quot;, disse o coronel : entrevista. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 116-7. (Aconteceu Especial, 18)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VELTHEM, Lúcia Hussak van. Plumária Tukano. Boletim do MPEG: Série Antropologia, Belém : MPEG, n.57, 42 p., fev. 1975.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VINCENT, William Murray. Daxsea Mahsa : cosmology and material culture among the Tukano indians of Brazil. Illinois : Univ. os Chicago, 1985. 438 p. (Ph.D. Dissertation)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;WRAY, Natalia; PENA, Oscar. Estrategias economicas : los Letuama, Macuna y Yucuna en el Caqueta Colombia. In: SMITH, Richard Chase; WRAY, Natalia (Eds.). Amazonia : economia indígena y mercado - Los desafios del desarrollo. Quito : Coica ; Lima : Oxfam América, 1995. p. 105-27.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;WRIGHT, Robin. Uma conspiração contra os civilizados : história, política e ideologias dos movimentos milenaristas dos Arawak e Tukano do Noroeste da Amazônia. Anuário Antropológico, Rio de Janeiro : Tempo Brasileiro, n. 89, p. 191-234, 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
Gain Panan : e a origem da pupunheira. Dir.: Luiz Fernando Perazzo. Filme Cor , 35 mm, 9 min. e 36 seg., 1995. Prod.: Laboratório de Animação/CPM da Escola de Comunicação da UFRJ.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;huzzazWrapper&amp;quot; style=&amp;quot;width:100%; height: 1700px; margin: 0 auto;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; allowtransparency=&amp;quot;true&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;100%&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://huzzaz.com/embed/tariano?vpp=12&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;100%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Tariana}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil}}&lt;br /&gt;
{{#set:Sobre=Baseado na tese &amp;quot;Iauaretê: transformações sociais e cotidiano no rio Uaupés &amp;quot;, do antropólogo Geraldo Andrello (UFSCar).}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=10958584657ae26bff175e.jpg}}&lt;br /&gt;
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{{#set:Crédito capa=Vincent Carelli}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2016-07-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=escuro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=274}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Siriano&amp;diff=6319</id>
		<title>Povo:Siriano</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Siriano&amp;diff=6319"/>
		<updated>2018-08-20T19:20:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209266-1/uaupes_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família lingüística Tukano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tukano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tukano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tukano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguns contextos, o Tukano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua tukano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tukano. Já as línguas classificadas como tukano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tukano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/desano/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Desana @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Fonte: Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209269-1/uaupes_3.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel. Iaraueté, além de ser um centro de ocupação tradicional dos Tariana, abriga também uma grande missão dos salesianos e um pelotão de fronteira do exército. Existem ainda outras duas missões salesianas na bacia do Uaupés, uma em Taracuá (na confluência desse rio com o Tiquié) e outra no Alto Tiquié, chamada Pari-Cachoeira. Também há um destacamento do Exército na confluência do Querari com o Uaupés e outro em Pari-Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etnias e demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas etnias também estão presentes nas cidades da região, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. As etnias presentes na bacia do Uaupés são as seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) [[Povo:Arapaso | Arapaso]]: Etnia de origem tukano oriental que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2 ) [[Povo:Bará | Bará]]: Autodenominam-se Waípinõmakã. Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié, acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia; o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri) e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná). Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes de um ancestral comum que não podem casar entre si). São especialistas no preparo do aturá de turi, muito usado onde não são disponíveis os aturás de cipó maku. Também fabricam o carajuru. São hábeis ainda na confecção de canoas. Atualmente são os principais especialistas na fabricação dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3) [[Povo: Barasana | Barasana]]: Autodenominam-se Hanera. Vivem nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná, em território colombiano. Também encontram-se dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se 36 subdivisões nomeadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) [[Povo:Desana | Desana]]: Autodenominam-se Umukomasã. Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu; além de trechos do Rio Uaupés e Negro (inclusive cidades da região). Existem aproximadamente 30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas em certos tipos de cestos trançados, como apás grandes (balaios com aros internos de cipó) e cumatás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5) [[Povo:Karapanã | Karapanã]]: Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí (afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6) [[Povo:Kubeo | Kubeo]]: Autodenominam-se Kubéwa ou Pamíwa. Possuem uma língua bem particular da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande maioria, se encontram residindo em território colombiano, na região do Alto Uaupés, incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón. No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés e estão em pequeno número no Alto Aiari. Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados. Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três fratrias não nomeadas que funcionam como unidades para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma língua. São especializados na fabricação das máscaras de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) [[Povo: Makuna | Makuna]]: Autodenominam-se Yeba-masã. Vivem principalmente no território vizinho da Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya, afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes, os igarapés Castanha e Onça. Estão divididos em cerca de 12 sibs. São especializados em zarabatanas e curare, são também hábeis fabricantes de canoas, além de fornecerem remos leves e muito bem acabados aos índios do Alto Tiquié.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8) [[Povo: Miriti-tapuya | Miriti-tapuya ou Buia-tapuya]]: Atualmente falam apenas a língua tukano. São habitantes tradicionais do Baixo e Médio Tiquié, destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé, Vila Nova e Micura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9) [[Povo: Pira-tapuya | Pira-tapuya]]: Autodenominam-se Waíkana. Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem também em localidades do Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10) [[Povo: Siriano | Siriano]]: Autodenominam-se Siria-masã. Moram no Caño Paca e Caño Viña, afluentes do Alto Papuri, em território colombiano. No Brasil são encontrados dispersos em rios da bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações referentes a 27 sibs siriano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11) Taiwano, Eduria ou Erulia: Autodenominam-se Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu, afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari, afluente do Apapóris. Todas estas áreas estão situadas em território colombiano. Há informações que dão conta de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12) [[Povo: Tariana | Tariana]]: Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam outrora uma língua pertencente à família Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras de Iauareté e Periquito. São especializados em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13) [[Povo: Tatuyo]]: Autodenominam-se Umerekopinõ. Habitam uma área situada na Colômbia: o Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño Japu. No Brasil, são representados sobretudo por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem cerca de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14) [[Povo: Tukano | Tukano]]: Autodenominam-se Ye’pâ-masa ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família lingüística Tukano Oriental. Concentram-se principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés; mas também estão morando no Rio Negro, a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade de São Gabriel. É possível que existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano, cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões ocorridas nos últimos séculos, as posições hierárquicas são razão de polêmicas e versões variadas. Os Tukano são fabricantes tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva) e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos semelhantes àqueles dos trançados. É um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores) e bayá (chefes de cerimônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15) [[Povo: Tuyuka | Tuyuka]]: Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná. Estão concentrados principalmente no Alto Rio Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes também no trecho do Rio Papuri próximo à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São exímios construtores de canoas e, antigamente, eram especialistas na confecção de redes feitas de fibras de buriti. Também são especializados na confecção do cesto urupema, trançado de finíssimas talas de arumã, usado para coar sumo de frutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16) [[Povo: Kotiria | Kotiria]]: Autodenominam-se Kótiria. Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá (do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos; acima daí, convivem em território onde a maioria é Kubeo. Há informações de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua especialidade no âmbito das relações de troca interétnica é o preparo do carajuru, um pó corante feito com as folhas de um cipó, muito usado na confecção de artefatos rituais e na pintura do banco tukano, bem como para a pintura corporal. Também são hábeis cesteiros e produtores de objetos de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17) [[Povo: Yuruti | Yuruti]]: Autodenominam-se Yutabopinõ. Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde estes igarapés desaguam (em território colombiano). Há informações que possuem nove sibs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir, é apresentada uma tabela com a estimativa populacional de cada etnia:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Etnia&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População no Brasil&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Arapaso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;328&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Barasana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 61&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Desana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.531&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Karapanã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;42&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kotiria&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;287&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;168&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mirity-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;95&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pira-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.004&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Siriano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;17&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Taiwano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tariana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tatuyo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tukano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;4.604&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tuyuca&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;593&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yuruti&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;TOTAL&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;11.130&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identidade e diferença ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209272-1/uaupes_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto com seus vizinhos aruak, os Tukano - que serão tratados nesta seção como povos tukano, de modo que o grupo Tukano será diferenciado com letra inicial maiúscula- compõem um sistema sócio-político flexível, cuja integração se dá através de redes de intercâmbio recíproco envolvendo visitas, trocas, casamentos e rituais. A dinâmica desse sistema regional implica a articulação entre semelhança e diferença, entre um repertório comum que confere aos grupos que o compõem alguma medida de identidade e aquilo que os diferenciam uns dos outros, possibilitando a interdependência entre eles. Comecemos com as semelhanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209275-1/uaupes_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano compartilham uma área geográfica contínua e um mesmo modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a &amp;quot;mandioca brava&amp;quot; o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta. Falam línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Também compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas. Esses povos têm ainda estilos de ornamentação corporal semelhantes e, embora as palavras e melodias possam ser diferentes, usam os mesmos instrumentos musicais e a sua música, danças e cantos têm uma base comum. Tais convenções relativas ao modo-de-vida, organização espacial, língua, fala, adornos, música e dança integram o sistema comum de comunicação verbal e não-verbal dos povos do Uaupés, que se expressa mais plenamente nos rituais inter-comunitários.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209278-1/uaupes_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem as suas próprias histórias, mas também compartilham um ''corpus'' mitológico comum. Os mitos explicam as origens do cosmos, descrevendo um mundo perigoso e indiferenciado, sem limites precisos de tempo e espaço, sem diferença entre gente e animal. As narrativas míticas explicam como os feitos dos primeiros seres geraram as feições da paisagem e como o mundo se tornou paulatinamente seguro para a emergência dos verdadeiros seres humanos. Há um mito de origem chave nesse repertório que explica como uma Anaconda-ancestral penetrou o universo/casa através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no leste e subiu os rios Negro e Uaupés com os ancestrais de toda humanidade dentro de seu corpo. Inicialmente, esses ancestrais-espíritos tiveram a forma de ornamentos de pena, mas foram transformados em seres humanos no curso da sua viagem. Quando alcançaram a cachoeira de Ipanoré, o centro do universo, eles emergiram de um buraco nas rochas e se deslocaram para os seus respectivos territórios. Essas narrativas compartilhadas entre os povos do Uaupés expressam uma compreensão comum do cosmos, do lugar dos seres humanos nele e das relações que deveriam existir entre diferentes povos, bem como entre eles e outros seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, cada grupo tem uma identidade singular e um lugar específico dentro do sistema. A população divide-se em aproximadamente 17 grupos exogâmicos, cada qual com direitos sobre um território específico ou trecho de rio com características e potenciais diferentes. Somado a esses fatores ecológicos de diferenciação, cada grupo é tradicionalmente associado à produção de artefatos específicos; assim, os Tukano fabricam banquinhos, os Desana cestos, os Tuyuka canoas etc. Essa produção especializada constitui um aspecto da identidade grupal e mobiliza os cerimoniais de troca (ou ''dabukuris'') que são um dos principais componentes das atividades rituais características da região. Em tais festas, os diferentes grupos se reúnem para dançar, beber caxiri, exibir os seus ornamentos de penas, recitar as linhagens de seus antepassados e trocar os seus produtos (banquinhos por canoas, peixe por carne de caça etc.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem a sua própria língua, o seu conjunto particular de nomes pessoais, os seus específicos cantos de dança e as suas próprias genealogias e narrativas de origem. Cada um tem um ancestral originário da Anaconda que trouxe o povo para o seu território particular. O corpo dessa Anaconda é replicado no trecho do rio onde esse grupo mora, nas malocas em que habitam e na composição dos grupos. A língua, os nomes próprios, os cantos, as histórias e outras formas de discurso operam como emblemas de identidade, afirmam direitos territoriais e privilégios rituais, assim como manifestam aspectos da vida, alma e espírito do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo também possui um ou mais conjuntos de ''Yurupari ''- flautas e trombetes sagrados feitos do tronco da palmeira paxiúba -, que são os ossos de seu ancestral e que incorporam o seu sopro e canto. Junto com as festas e trocas cerimoniais, os rituais envolvendo esses instrumentos musicais - símbolos condensados da identidade, espírito e poder grupal - formam o outro grande componente da vida ritual dos Tukano. Enquanto a troca cerimonial enfatiza a equivalência e interdependência mútua entre grupos diferentes, os rituais de ''Yurupari ''realçam a identidade singular de cada um.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[fevereiro de 2003] '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas. Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs hierarquicamente ordenados. Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios. A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simbolicamente, a maloca reproduz em miniatura o universo e seus habitantes constituem tanto uma réplica quanto um precursor do ideal de organização clânica acima descrita. Assim, o pai da comunidade que habita a maloca seria o ancestral-Anaconda do grupo inteiro e seus filhos seriam os ancestrais dos clãs que dela se originaram. Seguindo essa lógica, o filho mais velho e irmão maior é geralmente o chefe da maloca, e não raro os seus irmãos menores são dançarinos, cantadores ou xamãs, cujos papéis costumam corresponder à ordem de nascimento. Mas poder e posição social dependem de energia e iniciativas pessoais, que não se baseiam apenas em organização formal, parentesco ou ordem de nascimento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Confecção de banco tukano. Foto: Rosa Gauditano, 2002&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209287-1/uaupes_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos rituais e da vida religiosa tukano está centrada em objetos (como ornamentos plumários e as flautas ''Yurupari'') e substâncias sagradas - como a pintura vermelha carayuru, cera de abelha, cera de breu (resina vegetal), epadu (feito com variedades de coca), tabaco e ayahuasca -, assim como em bens menos tangíveis, na forma de nomes, cerimoniais, encantações e cantos. Tais itens são propriedade do grupo e constituem expressões de seus poderes espirituais. Em um nível coletivo e estrutural, os rituais que envolvem tais itens podem ser vistos como expressões formais da identidade do grupo e das relações inter-grupais. Ao mesmo tempo, esses rituais constituem expressões das relações políticas em dada conjuntura. Assim, malocas vizinhas são interligadas por intermédio de líderes carismáticos, que comandam a organização de festas e coordenam o trabalho coletivo para a construção de casas maiores que funcionam como centros cerimoniais. Esses líderes são indivíduos que possuem um grande conhecimento esotérico e se mobilizam para manter e aumentar os bens sagrados de sua maloca, podendo disponibilizar os recursos necessários para patrocinar os rituais. Tais capacidades rituais prestam-se a fortalecer sua posição política.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Tukano e os Maku ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos das famílias lingüísticas Tukano Oriental e Maku convivem mais intensamente na região de interflúvio entre os rios Tiquié e Papuri e, em menor escala, entre o Papuri e o Médio Uaupés (trecho entre Iauareté e a foz do Querari). Nesta área, desenvolveram uma estratégia de complementaridade, uma vez que tradicionalmente ocupam espaços distintos e adotam práticas de manejo do meio ambiente específicas. Distintamente dos Tukano, que vivem nos rios maiores, os Maku preferem os igarapés menores, mais no centro da floresta. São bons caçadores, coletores de frutas silvestres e conhecem muito bem os caminhos na mata. Os Tukano, por sua vez, são agricultores dedicados e pescadores; mesmo quando caçam, preferem fazê-lo de canoa, surpreendendo pacas e antas que vão até a beira do rio beber água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista dos Tukano, os Maku formam uma categoria sui generis, na medida em que se diferenciam tanto dos afins quanto dos parentes de mesma descendência, pois não são casáveis e não são assimilados a eles através da terminologia de parentesco. Os Maku representam uma referência central no sistema conceitual tukano, estando associados às categorias hierárquicas mais baixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku mantêm com os Tukano relações de troca e colaboração intermitentes. Em geral, grupos domésticos maku tomam a iniciativa de se associar a grupos domésticos tukano, sendo também eles que decidem quando devem ir embora para seus sítios ou mudar de &amp;quot;patrão&amp;quot; tukano. Eles podem permanecer apenas uma semana ou vários meses com os Tukano, mas existem casos em que a relação é mais estável e certos Maku se acostumam a prestar serviços para grupos domésticos tukano específicos, mantendo a colaboração através de gerações. Mesmo nestes casos, a convivência é interrompida quando os Maku resolvem cuidar de suas próprias casas e roças ou viajar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku procuram trabalho quando estão passando por momentos de maior privação (suas roças são em geral insuficientes e há períodos pouco propícios para a caça). Nestas situações, oferecem seus serviços aos Tukano: as mulheres trabalham nas roças e no processamento da mandioca e os homens caçam, fazem ipadu ou pegam alguma empreitada (troca da cobertura de uma casa, derrubada da mata para roça etc.). Em troca, os Tukano pagam com parte da produção da cozinha (farinha, beiju etc.), os homens recebem ipadu e fumo e ainda roupas usadas, ferramentas, redes, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a família maku é muito grande e o custo, em termos de exploração da roça, é alto para a grupo doméstico tukano que os recebeu, este pode expulsá-los. Mais freqüente, porém, é que os próprios Maku se sintam fartos e desfavorecidos, retirando-se para seu assentamento por conta própria e levando consigo um suprimento de farinha e tapioca. Nesses casos, os Tukano reclamam de que eles saem sem dizer nada, de uma hora para outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que mais marca a relação entre estes dois grupos é a grande autonomia dos Maku, que os Tukano não podem violar. Os Maku procuram os Tukano visando suprir necessidades imediatas de alimentos; os Tukano aceitam os Maku e lhes encarregam de vários serviços. Algumas vezes os Maku também participam dos multirões para derrubar ou plantar roça promovidos pelos Tukano, quando é oferecido caxiri. Mas nessas ocasiões as relações são distantes e frias, não envolvendo intimidade. De modo geral, os Maku quase nunca comem junto com os Tukano ou se sentam próximos, a não ser nas manhãs em que há refeição comunitária e alguns Maku estão presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A distância social é marcada pelas atitudes. Quando um Tukano conversa com um Maku, este se posiciona a certa distância, olhando para outro lado. Em outro exemplo, ao devolver um cigarro que um Tukano pediu para “rezar” (para cortar alguma dor que um filho ou a própria pessoa está sentido), o homem Maku, ao invés de entregá-lo na mão, agacha-se próximo e joga o cigarro no chão, perto daquele que o solicitou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre os Tukano e os Maku é celebrada em grandes dabucuris (rituais de oferecimento), realizados na época de coleta de certas frutas do mato (como ingá, cunuri, buriti e açaí silvestre). Nestas ocasiões, os Tukano preparam muito caxiri e ipadu para receber os Maku, que chegam ainda de madrugada, antes do alvorecer, tocando trompetes, pequenos tambores e fazendo muito barulho. Trazem grandes quantidades de frutas que, inicialmente, deixam na beira do rio, para depois conduzi-las para dentro da casa de festa, no momento propício do ritual (quando há um diálogo cerimonial entre um par de homens Tukano e outro Maku). Conjuntos de tocadores de flautas pã maku se revezam ao longo da festa com conjuntos formados por homens e rapazes tukano. Eles formam pares de dança com as mulheres, sejam elas tukano ou maku, indistintamente. A mesma cerimônia também pode ser feita com o oferecimento de carne de caça moqueada; os papéis também podem ser invertidos, passando os Tukano a oferecer beiju e farinha aos Maku. Em geral a festa ocorre no povoado tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;nunca se acomodam em um lugar, estando sempre indo e vindo, inquietos;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são agricultores displicentes e, além disto, não sabem manejar o cultivo, não esperam o tempo mais produtivo da mandioca, arrancando logo tudo para fazer caxiri; os homens fazem o mesmo com os pés de coca, desfolham sem controle e acabam tendo que apelar para os Tukano para conseguir ipadu (que é uma necessidade diária);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são vistos com desconfiança, não raro acusados de saquearem as roças tukano e ainda disfarçarem o roubo fincando a haste da maniva no solo depois de arrancar o tubérculo; também lhes são atribuídos o sumiço de ferramentas, roupas e outros;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;a endogamia local e a constante transformação na constituição dos grupos locais são mau vistos pelos Tukano, que ainda enfatizam certos casamentos incestuosos, como se não houvesse regras definidas de casamento;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;os Tukano também dizem que eles não têm higiene, não se limpam nem penteiam o cabelo e andam maltrapilhos, com roupas velhas e encardidas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Esta visão dos Maku tem alguns desdobramentos práticos, por exemplo, o casamento com eles é expressamente proibido e uma pessoa que tenha alguma ascendência maku (seja por parte do pai ou da mãe) é estigmatizada. Contudo, o casamento de um homem tukano com uma mulher maku é mais aceitável do que o casamento de um homem maku com uma tukano, que é impraticável. Com o contato, representado pela intensificação do comércio, da catequização e da educação escolar, ocorreram mudanças na relação entre esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano passaram a intermediar a entrada e troca de mercadorias industrializadas. Ao passo que os Tukano aderiram à prática, hoje muito valorizada e difundida, de mandar seus filhos para a escola até o final do ensino fundamental e, menos freqüentemente, para o ensino médio na cidade, os Maku jamais se adaptaram ao sistema escolar e as tentativas promovidas pelos missionários foram todas fracassadas. Mesmo as escolas criadas nos povoados Maku, com professores tukano, raramente dão bons resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, a intensa migração dos Tukano para os centros missionários ou urbanos, como as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, tem levado a um processo de esvaziamento de algumas áreas. Isto tem propiciado o estabelecimento de povoados maku no curso principal dos rios, como é o caso do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Márcio Meira, 1990.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209289-1/uaupes_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como princípio básico, a cosmologia tukano combina perspectiva móvel, replicação da organização social em diferentes escalas da existência - corpo, communidade, casa e cosmos, e organização análoga entre níveis diferentes da experiência. O universo é feito de três camadas básicas: céu, terra e &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. Cada camada é um mundo em si, com seus seres específicos e podendo ser entendidos tanto em termos abstratos como concretos. Em contextos diferentes, o &amp;quot;céu&amp;quot; pode ser o mundo do sol, da lua e das estrelas, ou o mundo dos pássaros que voam alto, ou os topos achatados dos tepuis (topos achatados das montanhas) dos quais descem as águas ou o mundo dos topos das árvores da floresta, ou mesmo uma cabeça enfeitada com um cocar de penas vermelhas e amarelas de arara, que são as cores do sol. Do mesmo modo, o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; pode ser o Rio dos Mortos debaixo da terra, o barro amarelo debaixo da camada do solo onde enterram-se os mortos, ou o mundo aquático dos rios subterrâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De toda forma, o que define o &amp;quot;céu&amp;quot; ou o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma &amp;quot;camada&amp;quot; são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou &amp;quot;Terra&amp;quot;, o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos simbólicos, a maloca é o universo e o universo é uma maloca. O teto de palha é o céu, os esteios de suporte são as montanhas, as paredes são as cadeias de serras que parecem cercar a paisagem visível na beira do mundo, e sob o chão corre o Rio dos Mortos. A maloca tem duas portas: uma no leste que é a dos homens, ou a &amp;quot;porta da água&amp;quot;; outra das mulheres a oeste, com uma longa cumeeira que corre ao longo do teto da casa entre as duas portas, que é &amp;quot;o caminho do Sol&amp;quot;. Nessa região equatorial, os rios subterrâneos correm do oeste para o leste, ou da porta das mulheres para a porta dos homens; completando um circuito fechado da água, o Rio dos Mortos corre do leste para o oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maloca tanto é o universo, como também é um corpo, ao mesmo tempo o &amp;quot;corpo canoa&amp;quot; do ancestral-Anaconda e os corpos de seus filhos nele contidos. Esses filhos são os habitantes da casa, réplicas do ancestral original, receptáculos de futuras gerações e, eles mesmos, futuros ancestrais. Mas, se a maloca é um corpo humano, sua feição também é uma questão de perspectiva. Do ponto de vista masculino, a frente pintada da maloca é um rosto de homem, a &amp;quot;porta dos homens&amp;quot; é sua boca, a viga mestra e as laterais são a sua coluna e costelas, o centro da casa é seu coração, e a porta das mulheres o seu ânus. Do ponto de vista das mulheres, a coluna, as costelas e o coração permanecem os mesmos, mas o resto do corpo é invertido: a porta das mulheres é a sua boca, a porta dos homens a sua vagina e o interior da casa o seu ventre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são &amp;quot;rios&amp;quot;; e, ainda, que os vermes parasitas são &amp;quot;anacondas&amp;quot;. Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;amp;q&amp;amp;amp;f=false&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O ciclo da vida ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia Tuyuka com seu filho em um evento cultural em São Paulo. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209292-1/uaupes_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo em mente os princípios cosmológicos sintetizados no item anterior, podemos começar a perceber como alguns processos vitais são elaborados em termos cosmológicos e como se relacionam a práticas rituais associadas ao ciclo de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A digestão, evacuação, decomposição e morte envolvem um fluxo passivo do alto para o baixo, de rio acima para rio abaixo, do Oeste para o Leste. A vida em si é um movimento, às vezes uma luta, de acordo com esse fluxo: as plantas crescem em direção ao sol e as pessoas devem crescer para cima enquanto amadurecem. O Sol, ou ''Yeba Hakü'' (na língua barasana), o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, fonte de luz e da vida, move-se constantemente contra a corrente, subindo os rios da terra do Leste para o Oeste durante o dia e subindo o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; durante a noite, para aparecer de novo no Leste. O ancestral-Anaconda que trouxe a humanidade para o mundo também viajou como o Sol, no sentido Leste para o Oeste, parando quando alcançou o meio do universo. Esse mesmo movimento de Leste a Oeste foi também uma ascensão da água para a terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ancestal-Anaconda, um ser aquático, é o próprio rio no qual ele viajou, e os seres em seu interior somente assumiram a forma humana quando emergiram na terra firme; antes disso, eram &amp;quot;gente peixe&amp;quot;, espíritos na forma de ornamentos de penas. Os animais são chamados ''wai-bükürã'', &amp;quot;peixes maduros&amp;quot;; e, logicamente, entre eles estão os seres humanos, seres que estão a meio-caminho entre os &amp;quot;peixes-espíritos&amp;quot; que eram antes e os &amp;quot;espíritos-pássaros&amp;quot; que se tornarão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do ancestral-Anaconda é uma narrativa sagrada sobre os primórdios e, provavelmente, uma versão das migrações históricas dos povos Tukano. Também pode ser entendida como uma história sobre a ecologia, sobre as migrações anuais rio acima de peixes amazônicos que vêm desovar nas cabeceiras; e uma história sobre a reprodução humana, que também envolve uma penetração ascendente, no sentido &amp;quot;Leste-Oeste&amp;quot;, rumo a uma &amp;quot;porta da água&amp;quot;, num fluxo ascendente de sêmen, e uma passagem do mundo aquático do ventre para o mundo seco da existência humana na terra. Não é de se admirar então que &amp;quot;nascer&amp;quot; é ''hoe-hea'' (em barasana), que significa &amp;quot;atravessar rumo a um nível mais alto&amp;quot;. Mas o nascimento também envolve um movimento de descida pelo canal do corpo feminino - cosmologicamente um movimento do Oeste para o Leste e, em termos sociais, um movimento da mãe para o pai ou das mulheres para os homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para entender esses movimentos, porém, é preciso começar pela morte. Alguns índios do Uaupés, os Kubeo em particular, encenam rituais elaborados de luto em que dançarinos com máscaras pintadas e feitas de casca de árvore se tornam peixes, animais, e outros seres da floresta para dar boas-vindas à alma do morto no mundo dos espíritos. Mas o enterro tukano em si é um evento simples: a cova é o chão da maloca e o caixão uma canoa cortada ao meio. Esse sepultamento simples é o prelúdio para um futuro nascimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tukano compartilham uma noção de reencarnação segundo a qual, quando uma pessoa morre, um aspecto de sua alma volta para a &amp;quot;casa de transformação&amp;quot;, local de origem do grupo. Depois, a alma volta ao mundo dos vivos encarnada em um recém-nascido que recebe o seu nome. As pessoas recebem o nome de um parente recentemente falecido do lado paterno, o avô paterno para um menino ou a avó paterna para uma menina. Cada grupo possui um conjunto limitado de nomes pessoais que vão sendo retransmitidos a cada geração. O aspecto visível dessas &amp;quot;almas-nomes&amp;quot; são os cocares de penas usados pelos dançarinos, que também são enterrados com os mortos. O rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; é descrito como repleto de ornamentos, assim como na história de origem os espíritos dentro da canoa-Anaconda tiveram a forma de ornamentos de dança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sepultadas em canoas, as almas dos mortos caem para o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. De lá, são levadas pela correnteza do rio subterrâneo para o Oeste e às regiões rio acima deste mundo. As mulheres não dão à luz na maloca, mas numa roça no interior da floresta, rio acima e atrás da casa - também ao Oeste. O recém-nascido é primeiramente lavado no rio e depois levado para dentro da maloca pela porta traseira, a &amp;quot;porta das mulheres&amp;quot;. Confinado dentro da casa por cerca de uma semana com seu pai e mãe, ele é então banhado de novo no rio e recebe um nome. Assim, em termos cosmológicos, os bebês de fato vêm das mulheres, da água, do Oeste.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Pessoas, animais e objetos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209294-1/uaupes_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Masa'' (em barasana), a palavra para &amp;quot;gente&amp;quot;, é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são &amp;quot;gente&amp;quot; - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como &amp;quot;bicho de pau&amp;quot;); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu &amp;quot;ar&amp;quot;, é impressionante que os humanos não saibam respirar &amp;quot;debaixo da água&amp;quot;. Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o denominador comum de todas essas &amp;quot;gentes&amp;quot; é a sua subjetividade e para elas, na condição de sujeitos, seu próprio modo de vida é aquele da cultura humana, as diferenças entre tais &amp;quot;gentes&amp;quot; repousam em seus diferentes corpos: em sua forma, cor, sons, hábitos corporais e dieta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas diferenças estão culturalmente representadas em diferentes gêneros alimentícios de uso ritual, tais como coca, tabaco e a ayahuasca, bem como tintas corporais distintas, ornamentos e roupas, ou como diferentes armas e equipamento ritual. Os índios se referem a todos esses itens como ''küni-oka'', &amp;quot;armas ou escudos&amp;quot;, idéia que faz lembrar os uniformes de exército com seus brasões - ao mesmo tempo identidade, vestimenta e arma de defesa. Nessa lógica, as diferenças entre os grupos humanos são representadas como naturais e inerentes. Conceitualmente, os vários grupos tukano constituem tantas &amp;quot;espécies&amp;quot; diferentes quanto as múltiplas espécies animais são &amp;quot;povos&amp;quot; diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na vida cotidiana, as pessoas enfatizam sua diferença dos animais, mas no mundo dos espíritos, ao qual se tem acesso pelos rituais, pelo xamanismo, pelos sonhos e pelas visões de ayahuasca, as perspectivas se fundem, as diferenças são abolidas, o passado é presente, e pessoas e animais voltam a ser um. Isto tem importantes repercussões práticas, pois, onde os animais são pessoas, caçá-los e ingerir sua carne é equivalente à guerra e canibalismo. Muitas doenças são assim diagnosticadas como a vingança dos animais que os humanos matam e comem. O risco advindo dos animais é proporcional a seu tamanho e habitat: as antas são mais perigosas do que os macacos, os animais terrestres são mais perigosos do que os peixes, e peixes grandes mais perigosos do que os pequenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perigo também está relacionado ao contato com o domínio metafísico. Um nascimento neste mundo provoca ressentimento entre os espíritos-animais - para eles, representa uma morte. Os bebês humanos, recém-migrantes do mundo dos espíritos, não estão ainda firmemente ancorados a seus corpos e, portanto, precisam ser protegidos das antas ciumentas que ameaçam ingeri-los através de seus ânus - um nascimento ao avesso. Enquanto visitantes do mundo dos espíritos, as mulheres menstruadas e os homens que tomam parte nos rituais ganham temporariamente ''status ''de criança e devem restringir sua dieta, evitando alimentos perigosos. Para cozinhar o peixe ou a carne com segurança, um xamã deve primeiro soprar encantações para remover os seus &amp;quot;escudos de proteção&amp;quot; ou &amp;quot;armas&amp;quot; (tintas, peles, dentes, espinhos, escamas e outros atributos corporais identificados aos animais ou peixes) que podem comprometer a identidade especificamente humana do consumidor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As qualidades de personificação, subjetividade e intencionalidade que os índios aplicam aos animais e os peixes também se estendem ao cosmos como um todo. Os mitos dos povos do Uaupés também são mitos sobre a paisagem, cujos traços distintivos - as serras e montanhas, os rios, as rochas e cachoeiras -, têm nomes que evocam as histórias de sua criação ancestral. Viajar por terra ou canoa é seguir essas histórias e compartilhar os atos de criação descritos por elas. Muitas histórias contam sobre as antigas migrações, atribuindo à paisagem uma dupla dimensão - a dos atos primordiais de criação e a dos atos mais recentes, como a construção de casas e abertura de roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poderes de criação ancestral incutidos na paisagem se estendem às plantas, peixes, animais e seres humanos que a habitam e também aos objetos confeccionados a partir dos materiais que dela provêm. Nos mitos, os objetos cotidianos tais como canoas, bancos, cestos e potes, emergem como seres animados e autônomos - como visto, do mesmo modo que os animais podem ser gente, as malocas podem ser os corpos dos ancestrais ou daqueles que as construíram. Os objetos confeccionados condensam dois tipos de potência: os poderes de sua matéria-prima e as habilidades e intenções de seus fabricantes. Conseqüentemente, o processo de fabricação dos objetos tem uma importante dimensão religiosa. Durante os ritos de iniciação, os homens e mulheres jovens são sistematicamente treinados na confecção de artesanato, um treinamento que é a um só tempo intelectual, espiritual e técnico. Fazer artesanato é concomitantemente confeccionar a si mesmo e o mundo, numa forma de meditação que traz à tona as interconexões entre objetos, corpos, casas, e o universo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Missionários, colonos e a modernidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de contato dos povos do Uaupés com os não indígenas é muita antiga, bem anterior ao grande auge da borracha na virada do século XX, remetendo às incursões maciças dos portugueses em busca de escravos na primeira metade do século XVIII. Embora o impacto desses raptores e o contato traumático e duradouro com os seringalistas, esses comerciantes estavam mais interessados nos corpos dos índios do que nas suas almas; em termos religiosos, e talvez em termos sociais também, foram os missionários que provocaram as maiores transformações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A penetração efetiva dos missionários começou ao final do século XIX, com a chegada dos Franciscanos. Estes, e os Salesianos que os seguiram, viram a cultura dos povos do Uaupés através das lentes de suas próprias categorias religiosas: as malocas dos índios eram consideradas &amp;quot;antros licenciosos e promíscuos&amp;quot;, as suas festas de dança ocasiões de &amp;quot;indecência e embriaguez&amp;quot;, os pajés eram &amp;quot;charlatões&amp;quot; que aliciavam o povo, e o culto de ''Yurupari ''nada mais era do que o &amp;quot;culto ao Diabo&amp;quot; em pessoa. Sem conhecer e sem a mínima intenção de saber o quê essas coisas realmente significavam, os missionários começaram a destruir uma civilização em nome de outra, queimando as malocas dos índios, destruindo os seus ornamentos de penas, quebrando seus recipientes de caxiri, perseguindo os pajés e expondo os ''Yurupari ''às mulheres e crianças reunidas na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os padres atacavam os fundamentos da cultura indígena, transformaram as suas sociedades, encurralando as pessoas em vilas com casas rigidamente ordenadas, uma para cada família, e removendo à força seus filhos para serem educados nas escolas ou internatos. Sob o regime estrito dos internatos, as crianças foram ensinadas a rejeitar os valores e os modos de vida dos seus pais, incentivadas a casar-se dentro de seus próprios grupos, e proibidas de falar as línguas que lhes conferiam identidades múltiplas e interligadas. Para os missionários, somente uma identidade importava, a identidade indígena genérica, que impedia o progresso da &amp;quot;civilização&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação inicial contra a exploração pelos comerciantes, as pressões dos missionários e as epidemias que dizimaram a população indígena, irrompeu uma série de movimentos milenaristas na região do Uaupés durante a segunda metade do século XIX. Vestindo-se de padres e identificando-se com Cristo e os santos, os pajés-profetas conduziram o povo na &amp;quot;Dança da Cruz&amp;quot;, uma fusão dos rituais de caxiri e dabukuri tradicionais com elementos do catolicismo, que prometiam a libertação da opressão dos brancos e o alívio dos &amp;quot;pecados&amp;quot; que acreditavam ser a causa das epidemias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os missionários foram rechaçados por seus ataques contra a cultura indígena, também foram bem recebidos como fonte de bens manufaturados, como defensores dos índios contra os piores abusos dos seringalistas e como provedores da educação que as crianças indígenas precisariam para se sair bem nas novas circunstâncias. Dos anos 1920 em diante, os Salesianos estabeleceram uma cadeia de missões pela região no lado brasileiro da fronteira, alcançando o alto Tiquié no começo dos anos 40 e destruindo a última maloca nos anos 60. Hoje, a despeito do número crescente de evangélicos, a maioria dos índios do Uaupés se considera católico. Enquanto aumenta cada vez mais o número de pessoas que estão deixando suas aldeias para ir a São Gabriel em busca de educação e emprego, a vida nas malocas e a rica diversidade ritual que a acompanhava persiste agora somente na memória dos mais velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos povoados, um centro comunitário substituiu a maloca como foco de atividades coletivas. O centro serve ao mesmo tempo para as orações matutinas conduzidas por um Capitão e catequista, e para as refeições comunitárias, caxiris e dabukuris que marcam eventos importantes nas vidas dos aldeões: expedições de pesca, trabalho coletivo em projetos comunitários, os dias de santo do calendário católico, formaturas escolares, eventos esportivos, reuniões políticas etc. Transformações das antigas festas, esses caxiris e dabukuris de hoje em dia ainda incluem danças e bebidas - mas as danças não são mais acompanhadas pela música nativa e as flautas de pã, mas sim pelo forró e, ao invés da relativa moderação do passado, a cachaça é livremente consumida e seu freqüentemente consumo leva a discussões e brigas. Com níveis crescentes de alcoolismo, a embriaguez que os missionários imaginavam ver nas festas tradicionais hoje tem se tornado uma realidade cruel da civilização que os missionários trouxeram consigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado colombiano, sob o regime dos Monfortianos, o policiamento e a inserção dos missionários foram muito parecidos às dos Salesianos mas, no final dos anos 50, os Monfortianos foram substituídos pelos mais liberais Javerianos. Estes eram identificados com a nova Teologia da Libertação, que pregava a tolerância com a cultura indígena e acomodação com seus valores e crenças; isto, junto com o isolamento da região, explica porque os habitantes do Pira-Paraná ainda conseguem conservar boa parte da sua religião tradicional e do seu modo de vida. No lado brasileiro, a mudança foi mais lenta, mas, depois que a os Salesianos foram denunciados no Tribunal Russell em 1980 pelo crime de etnocídio, eles finalmente começaram a adotar uma linha mais liberal e progressista.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Gain Panan : e a origem da pupunheira. Dir.: Luiz Fernando Perazzo. Filme Cor , 35 mm, 9 min. e 36 seg., 1995. Prod.: Laboratório de Animação/CPM da Escola de Comunicação da UFRJ.&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Pira-tapuya&amp;diff=6318</id>
		<title>Povo:Pira-tapuya</title>
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		<updated>2018-08-20T19:20:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209266-1/uaupes_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família lingüística Tukano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tukano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tukano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tukano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguns contextos, o Tukano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua tukano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tukano. Já as línguas classificadas como tukano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tukano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/desano/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Desana @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Fonte: Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209269-1/uaupes_3.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel. Iaraueté, além de ser um centro de ocupação tradicional dos Tariana, abriga também uma grande missão dos salesianos e um pelotão de fronteira do exército. Existem ainda outras duas missões salesianas na bacia do Uaupés, uma em Taracuá (na confluência desse rio com o Tiquié) e outra no Alto Tiquié, chamada Pari-Cachoeira. Também há um destacamento do Exército na confluência do Querari com o Uaupés e outro em Pari-Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etnias e demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas etnias também estão presentes nas cidades da região, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. As etnias presentes na bacia do Uaupés são as seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) [[Povo:Arapaso | Arapaso]]: Etnia de origem tukano oriental que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2 ) [[Povo:Bará | Bará]]: Autodenominam-se Waípinõmakã. Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié, acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia; o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri) e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná). Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes de um ancestral comum que não podem casar entre si). São especialistas no preparo do aturá de turi, muito usado onde não são disponíveis os aturás de cipó maku. Também fabricam o carajuru. São hábeis ainda na confecção de canoas. Atualmente são os principais especialistas na fabricação dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3) [[Povo: Barasana | Barasana]]: Autodenominam-se Hanera. Vivem nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná, em território colombiano. Também encontram-se dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se 36 subdivisões nomeadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) [[Povo:Desana | Desana]]: Autodenominam-se Umukomasã. Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu; além de trechos do Rio Uaupés e Negro (inclusive cidades da região). Existem aproximadamente 30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas em certos tipos de cestos trançados, como apás grandes (balaios com aros internos de cipó) e cumatás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5) [[Povo:Karapanã | Karapanã]]: Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí (afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6) [[Povo:Kubeo | Kubeo]]: Autodenominam-se Kubéwa ou Pamíwa. Possuem uma língua bem particular da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande maioria, se encontram residindo em território colombiano, na região do Alto Uaupés, incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón. No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés e estão em pequeno número no Alto Aiari. Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados. Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três fratrias não nomeadas que funcionam como unidades para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma língua. São especializados na fabricação das máscaras de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) [[Povo: Makuna | Makuna]]: Autodenominam-se Yeba-masã. Vivem principalmente no território vizinho da Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya, afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes, os igarapés Castanha e Onça. Estão divididos em cerca de 12 sibs. São especializados em zarabatanas e curare, são também hábeis fabricantes de canoas, além de fornecerem remos leves e muito bem acabados aos índios do Alto Tiquié.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8) [[Povo: Miriti-tapuya | Miriti-tapuya ou Buia-tapuya]]: Atualmente falam apenas a língua tukano. São habitantes tradicionais do Baixo e Médio Tiquié, destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé, Vila Nova e Micura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9) [[Povo: Pira-tapuya | Pira-tapuya]]: Autodenominam-se Waíkana. Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem também em localidades do Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10) [[Povo: Siriano | Siriano]]: Autodenominam-se Siria-masã. Moram no Caño Paca e Caño Viña, afluentes do Alto Papuri, em território colombiano. No Brasil são encontrados dispersos em rios da bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações referentes a 27 sibs siriano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11) Taiwano, Eduria ou Erulia: Autodenominam-se Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu, afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari, afluente do Apapóris. Todas estas áreas estão situadas em território colombiano. Há informações que dão conta de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12) [[Povo: Tariana | Tariana]]: Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam outrora uma língua pertencente à família Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras de Iauareté e Periquito. São especializados em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13) [[Povo: Tatuyo]]: Autodenominam-se Umerekopinõ. Habitam uma área situada na Colômbia: o Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño Japu. No Brasil, são representados sobretudo por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem cerca de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14) [[Povo: Tukano | Tukano]]: Autodenominam-se Ye’pâ-masa ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família lingüística Tukano Oriental. Concentram-se principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés; mas também estão morando no Rio Negro, a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade de São Gabriel. É possível que existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano, cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões ocorridas nos últimos séculos, as posições hierárquicas são razão de polêmicas e versões variadas. Os Tukano são fabricantes tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva) e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos semelhantes àqueles dos trançados. É um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores) e bayá (chefes de cerimônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15) [[Povo: Tuyuka | Tuyuka]]: Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná. Estão concentrados principalmente no Alto Rio Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes também no trecho do Rio Papuri próximo à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São exímios construtores de canoas e, antigamente, eram especialistas na confecção de redes feitas de fibras de buriti. Também são especializados na confecção do cesto urupema, trançado de finíssimas talas de arumã, usado para coar sumo de frutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16) [[Povo: Kotiria | Kotiria]]: Autodenominam-se Kótiria. Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá (do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos; acima daí, convivem em território onde a maioria é Kubeo. Há informações de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua especialidade no âmbito das relações de troca interétnica é o preparo do carajuru, um pó corante feito com as folhas de um cipó, muito usado na confecção de artefatos rituais e na pintura do banco tukano, bem como para a pintura corporal. Também são hábeis cesteiros e produtores de objetos de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17) [[Povo: Yuruti | Yuruti]]: Autodenominam-se Yutabopinõ. Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde estes igarapés desaguam (em território colombiano). Há informações que possuem nove sibs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir, é apresentada uma tabela com a estimativa populacional de cada etnia:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Etnia&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População no Brasil&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Arapaso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;328&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Barasana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 61&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Desana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.531&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Karapanã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;42&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kotiria&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;287&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;168&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mirity-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;95&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pira-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.004&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Siriano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;17&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Taiwano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tariana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tatuyo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tukano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;4.604&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tuyuca&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;593&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yuruti&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;TOTAL&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;11.130&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identidade e diferença ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209272-1/uaupes_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto com seus vizinhos aruak, os Tukano - que serão tratados nesta seção como povos tukano, de modo que o grupo Tukano será diferenciado com letra inicial maiúscula- compõem um sistema sócio-político flexível, cuja integração se dá através de redes de intercâmbio recíproco envolvendo visitas, trocas, casamentos e rituais. A dinâmica desse sistema regional implica a articulação entre semelhança e diferença, entre um repertório comum que confere aos grupos que o compõem alguma medida de identidade e aquilo que os diferenciam uns dos outros, possibilitando a interdependência entre eles. Comecemos com as semelhanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209275-1/uaupes_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano compartilham uma área geográfica contínua e um mesmo modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a &amp;quot;mandioca brava&amp;quot; o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta. Falam línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Também compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas. Esses povos têm ainda estilos de ornamentação corporal semelhantes e, embora as palavras e melodias possam ser diferentes, usam os mesmos instrumentos musicais e a sua música, danças e cantos têm uma base comum. Tais convenções relativas ao modo-de-vida, organização espacial, língua, fala, adornos, música e dança integram o sistema comum de comunicação verbal e não-verbal dos povos do Uaupés, que se expressa mais plenamente nos rituais inter-comunitários.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209278-1/uaupes_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem as suas próprias histórias, mas também compartilham um ''corpus'' mitológico comum. Os mitos explicam as origens do cosmos, descrevendo um mundo perigoso e indiferenciado, sem limites precisos de tempo e espaço, sem diferença entre gente e animal. As narrativas míticas explicam como os feitos dos primeiros seres geraram as feições da paisagem e como o mundo se tornou paulatinamente seguro para a emergência dos verdadeiros seres humanos. Há um mito de origem chave nesse repertório que explica como uma Anaconda-ancestral penetrou o universo/casa através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no leste e subiu os rios Negro e Uaupés com os ancestrais de toda humanidade dentro de seu corpo. Inicialmente, esses ancestrais-espíritos tiveram a forma de ornamentos de pena, mas foram transformados em seres humanos no curso da sua viagem. Quando alcançaram a cachoeira de Ipanoré, o centro do universo, eles emergiram de um buraco nas rochas e se deslocaram para os seus respectivos territórios. Essas narrativas compartilhadas entre os povos do Uaupés expressam uma compreensão comum do cosmos, do lugar dos seres humanos nele e das relações que deveriam existir entre diferentes povos, bem como entre eles e outros seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, cada grupo tem uma identidade singular e um lugar específico dentro do sistema. A população divide-se em aproximadamente 17 grupos exogâmicos, cada qual com direitos sobre um território específico ou trecho de rio com características e potenciais diferentes. Somado a esses fatores ecológicos de diferenciação, cada grupo é tradicionalmente associado à produção de artefatos específicos; assim, os Tukano fabricam banquinhos, os Desana cestos, os Tuyuka canoas etc. Essa produção especializada constitui um aspecto da identidade grupal e mobiliza os cerimoniais de troca (ou ''dabukuris'') que são um dos principais componentes das atividades rituais características da região. Em tais festas, os diferentes grupos se reúnem para dançar, beber caxiri, exibir os seus ornamentos de penas, recitar as linhagens de seus antepassados e trocar os seus produtos (banquinhos por canoas, peixe por carne de caça etc.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem a sua própria língua, o seu conjunto particular de nomes pessoais, os seus específicos cantos de dança e as suas próprias genealogias e narrativas de origem. Cada um tem um ancestral originário da Anaconda que trouxe o povo para o seu território particular. O corpo dessa Anaconda é replicado no trecho do rio onde esse grupo mora, nas malocas em que habitam e na composição dos grupos. A língua, os nomes próprios, os cantos, as histórias e outras formas de discurso operam como emblemas de identidade, afirmam direitos territoriais e privilégios rituais, assim como manifestam aspectos da vida, alma e espírito do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo também possui um ou mais conjuntos de ''Yurupari ''- flautas e trombetes sagrados feitos do tronco da palmeira paxiúba -, que são os ossos de seu ancestral e que incorporam o seu sopro e canto. Junto com as festas e trocas cerimoniais, os rituais envolvendo esses instrumentos musicais - símbolos condensados da identidade, espírito e poder grupal - formam o outro grande componente da vida ritual dos Tukano. Enquanto a troca cerimonial enfatiza a equivalência e interdependência mútua entre grupos diferentes, os rituais de ''Yurupari ''realçam a identidade singular de cada um.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[fevereiro de 2003] '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas. Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs hierarquicamente ordenados. Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios. A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simbolicamente, a maloca reproduz em miniatura o universo e seus habitantes constituem tanto uma réplica quanto um precursor do ideal de organização clânica acima descrita. Assim, o pai da comunidade que habita a maloca seria o ancestral-Anaconda do grupo inteiro e seus filhos seriam os ancestrais dos clãs que dela se originaram. Seguindo essa lógica, o filho mais velho e irmão maior é geralmente o chefe da maloca, e não raro os seus irmãos menores são dançarinos, cantadores ou xamãs, cujos papéis costumam corresponder à ordem de nascimento. Mas poder e posição social dependem de energia e iniciativas pessoais, que não se baseiam apenas em organização formal, parentesco ou ordem de nascimento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Confecção de banco tukano. Foto: Rosa Gauditano, 2002&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209287-1/uaupes_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos rituais e da vida religiosa tukano está centrada em objetos (como ornamentos plumários e as flautas ''Yurupari'') e substâncias sagradas - como a pintura vermelha carayuru, cera de abelha, cera de breu (resina vegetal), epadu (feito com variedades de coca), tabaco e ayahuasca -, assim como em bens menos tangíveis, na forma de nomes, cerimoniais, encantações e cantos. Tais itens são propriedade do grupo e constituem expressões de seus poderes espirituais. Em um nível coletivo e estrutural, os rituais que envolvem tais itens podem ser vistos como expressões formais da identidade do grupo e das relações inter-grupais. Ao mesmo tempo, esses rituais constituem expressões das relações políticas em dada conjuntura. Assim, malocas vizinhas são interligadas por intermédio de líderes carismáticos, que comandam a organização de festas e coordenam o trabalho coletivo para a construção de casas maiores que funcionam como centros cerimoniais. Esses líderes são indivíduos que possuem um grande conhecimento esotérico e se mobilizam para manter e aumentar os bens sagrados de sua maloca, podendo disponibilizar os recursos necessários para patrocinar os rituais. Tais capacidades rituais prestam-se a fortalecer sua posição política.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Tukano e os Maku ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos das famílias lingüísticas Tukano Oriental e Maku convivem mais intensamente na região de interflúvio entre os rios Tiquié e Papuri e, em menor escala, entre o Papuri e o Médio Uaupés (trecho entre Iauareté e a foz do Querari). Nesta área, desenvolveram uma estratégia de complementaridade, uma vez que tradicionalmente ocupam espaços distintos e adotam práticas de manejo do meio ambiente específicas. Distintamente dos Tukano, que vivem nos rios maiores, os Maku preferem os igarapés menores, mais no centro da floresta. São bons caçadores, coletores de frutas silvestres e conhecem muito bem os caminhos na mata. Os Tukano, por sua vez, são agricultores dedicados e pescadores; mesmo quando caçam, preferem fazê-lo de canoa, surpreendendo pacas e antas que vão até a beira do rio beber água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista dos Tukano, os Maku formam uma categoria sui generis, na medida em que se diferenciam tanto dos afins quanto dos parentes de mesma descendência, pois não são casáveis e não são assimilados a eles através da terminologia de parentesco. Os Maku representam uma referência central no sistema conceitual tukano, estando associados às categorias hierárquicas mais baixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku mantêm com os Tukano relações de troca e colaboração intermitentes. Em geral, grupos domésticos maku tomam a iniciativa de se associar a grupos domésticos tukano, sendo também eles que decidem quando devem ir embora para seus sítios ou mudar de &amp;quot;patrão&amp;quot; tukano. Eles podem permanecer apenas uma semana ou vários meses com os Tukano, mas existem casos em que a relação é mais estável e certos Maku se acostumam a prestar serviços para grupos domésticos tukano específicos, mantendo a colaboração através de gerações. Mesmo nestes casos, a convivência é interrompida quando os Maku resolvem cuidar de suas próprias casas e roças ou viajar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku procuram trabalho quando estão passando por momentos de maior privação (suas roças são em geral insuficientes e há períodos pouco propícios para a caça). Nestas situações, oferecem seus serviços aos Tukano: as mulheres trabalham nas roças e no processamento da mandioca e os homens caçam, fazem ipadu ou pegam alguma empreitada (troca da cobertura de uma casa, derrubada da mata para roça etc.). Em troca, os Tukano pagam com parte da produção da cozinha (farinha, beiju etc.), os homens recebem ipadu e fumo e ainda roupas usadas, ferramentas, redes, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a família maku é muito grande e o custo, em termos de exploração da roça, é alto para a grupo doméstico tukano que os recebeu, este pode expulsá-los. Mais freqüente, porém, é que os próprios Maku se sintam fartos e desfavorecidos, retirando-se para seu assentamento por conta própria e levando consigo um suprimento de farinha e tapioca. Nesses casos, os Tukano reclamam de que eles saem sem dizer nada, de uma hora para outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que mais marca a relação entre estes dois grupos é a grande autonomia dos Maku, que os Tukano não podem violar. Os Maku procuram os Tukano visando suprir necessidades imediatas de alimentos; os Tukano aceitam os Maku e lhes encarregam de vários serviços. Algumas vezes os Maku também participam dos multirões para derrubar ou plantar roça promovidos pelos Tukano, quando é oferecido caxiri. Mas nessas ocasiões as relações são distantes e frias, não envolvendo intimidade. De modo geral, os Maku quase nunca comem junto com os Tukano ou se sentam próximos, a não ser nas manhãs em que há refeição comunitária e alguns Maku estão presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A distância social é marcada pelas atitudes. Quando um Tukano conversa com um Maku, este se posiciona a certa distância, olhando para outro lado. Em outro exemplo, ao devolver um cigarro que um Tukano pediu para “rezar” (para cortar alguma dor que um filho ou a própria pessoa está sentido), o homem Maku, ao invés de entregá-lo na mão, agacha-se próximo e joga o cigarro no chão, perto daquele que o solicitou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre os Tukano e os Maku é celebrada em grandes dabucuris (rituais de oferecimento), realizados na época de coleta de certas frutas do mato (como ingá, cunuri, buriti e açaí silvestre). Nestas ocasiões, os Tukano preparam muito caxiri e ipadu para receber os Maku, que chegam ainda de madrugada, antes do alvorecer, tocando trompetes, pequenos tambores e fazendo muito barulho. Trazem grandes quantidades de frutas que, inicialmente, deixam na beira do rio, para depois conduzi-las para dentro da casa de festa, no momento propício do ritual (quando há um diálogo cerimonial entre um par de homens Tukano e outro Maku). Conjuntos de tocadores de flautas pã maku se revezam ao longo da festa com conjuntos formados por homens e rapazes tukano. Eles formam pares de dança com as mulheres, sejam elas tukano ou maku, indistintamente. A mesma cerimônia também pode ser feita com o oferecimento de carne de caça moqueada; os papéis também podem ser invertidos, passando os Tukano a oferecer beiju e farinha aos Maku. Em geral a festa ocorre no povoado tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;nunca se acomodam em um lugar, estando sempre indo e vindo, inquietos;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são agricultores displicentes e, além disto, não sabem manejar o cultivo, não esperam o tempo mais produtivo da mandioca, arrancando logo tudo para fazer caxiri; os homens fazem o mesmo com os pés de coca, desfolham sem controle e acabam tendo que apelar para os Tukano para conseguir ipadu (que é uma necessidade diária);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são vistos com desconfiança, não raro acusados de saquearem as roças tukano e ainda disfarçarem o roubo fincando a haste da maniva no solo depois de arrancar o tubérculo; também lhes são atribuídos o sumiço de ferramentas, roupas e outros;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;a endogamia local e a constante transformação na constituição dos grupos locais são mau vistos pelos Tukano, que ainda enfatizam certos casamentos incestuosos, como se não houvesse regras definidas de casamento;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;os Tukano também dizem que eles não têm higiene, não se limpam nem penteiam o cabelo e andam maltrapilhos, com roupas velhas e encardidas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Esta visão dos Maku tem alguns desdobramentos práticos, por exemplo, o casamento com eles é expressamente proibido e uma pessoa que tenha alguma ascendência maku (seja por parte do pai ou da mãe) é estigmatizada. Contudo, o casamento de um homem tukano com uma mulher maku é mais aceitável do que o casamento de um homem maku com uma tukano, que é impraticável. Com o contato, representado pela intensificação do comércio, da catequização e da educação escolar, ocorreram mudanças na relação entre esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano passaram a intermediar a entrada e troca de mercadorias industrializadas. Ao passo que os Tukano aderiram à prática, hoje muito valorizada e difundida, de mandar seus filhos para a escola até o final do ensino fundamental e, menos freqüentemente, para o ensino médio na cidade, os Maku jamais se adaptaram ao sistema escolar e as tentativas promovidas pelos missionários foram todas fracassadas. Mesmo as escolas criadas nos povoados Maku, com professores tukano, raramente dão bons resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, a intensa migração dos Tukano para os centros missionários ou urbanos, como as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, tem levado a um processo de esvaziamento de algumas áreas. Isto tem propiciado o estabelecimento de povoados maku no curso principal dos rios, como é o caso do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Márcio Meira, 1990.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209289-1/uaupes_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como princípio básico, a cosmologia tukano combina perspectiva móvel, replicação da organização social em diferentes escalas da existência - corpo, communidade, casa e cosmos, e organização análoga entre níveis diferentes da experiência. O universo é feito de três camadas básicas: céu, terra e &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. Cada camada é um mundo em si, com seus seres específicos e podendo ser entendidos tanto em termos abstratos como concretos. Em contextos diferentes, o &amp;quot;céu&amp;quot; pode ser o mundo do sol, da lua e das estrelas, ou o mundo dos pássaros que voam alto, ou os topos achatados dos tepuis (topos achatados das montanhas) dos quais descem as águas ou o mundo dos topos das árvores da floresta, ou mesmo uma cabeça enfeitada com um cocar de penas vermelhas e amarelas de arara, que são as cores do sol. Do mesmo modo, o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; pode ser o Rio dos Mortos debaixo da terra, o barro amarelo debaixo da camada do solo onde enterram-se os mortos, ou o mundo aquático dos rios subterrâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De toda forma, o que define o &amp;quot;céu&amp;quot; ou o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma &amp;quot;camada&amp;quot; são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou &amp;quot;Terra&amp;quot;, o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos simbólicos, a maloca é o universo e o universo é uma maloca. O teto de palha é o céu, os esteios de suporte são as montanhas, as paredes são as cadeias de serras que parecem cercar a paisagem visível na beira do mundo, e sob o chão corre o Rio dos Mortos. A maloca tem duas portas: uma no leste que é a dos homens, ou a &amp;quot;porta da água&amp;quot;; outra das mulheres a oeste, com uma longa cumeeira que corre ao longo do teto da casa entre as duas portas, que é &amp;quot;o caminho do Sol&amp;quot;. Nessa região equatorial, os rios subterrâneos correm do oeste para o leste, ou da porta das mulheres para a porta dos homens; completando um circuito fechado da água, o Rio dos Mortos corre do leste para o oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maloca tanto é o universo, como também é um corpo, ao mesmo tempo o &amp;quot;corpo canoa&amp;quot; do ancestral-Anaconda e os corpos de seus filhos nele contidos. Esses filhos são os habitantes da casa, réplicas do ancestral original, receptáculos de futuras gerações e, eles mesmos, futuros ancestrais. Mas, se a maloca é um corpo humano, sua feição também é uma questão de perspectiva. Do ponto de vista masculino, a frente pintada da maloca é um rosto de homem, a &amp;quot;porta dos homens&amp;quot; é sua boca, a viga mestra e as laterais são a sua coluna e costelas, o centro da casa é seu coração, e a porta das mulheres o seu ânus. Do ponto de vista das mulheres, a coluna, as costelas e o coração permanecem os mesmos, mas o resto do corpo é invertido: a porta das mulheres é a sua boca, a porta dos homens a sua vagina e o interior da casa o seu ventre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são &amp;quot;rios&amp;quot;; e, ainda, que os vermes parasitas são &amp;quot;anacondas&amp;quot;. Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;amp;q&amp;amp;amp;f=false&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O ciclo da vida ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia Tuyuka com seu filho em um evento cultural em São Paulo. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209292-1/uaupes_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo em mente os princípios cosmológicos sintetizados no item anterior, podemos começar a perceber como alguns processos vitais são elaborados em termos cosmológicos e como se relacionam a práticas rituais associadas ao ciclo de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A digestão, evacuação, decomposição e morte envolvem um fluxo passivo do alto para o baixo, de rio acima para rio abaixo, do Oeste para o Leste. A vida em si é um movimento, às vezes uma luta, de acordo com esse fluxo: as plantas crescem em direção ao sol e as pessoas devem crescer para cima enquanto amadurecem. O Sol, ou ''Yeba Hakü'' (na língua barasana), o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, fonte de luz e da vida, move-se constantemente contra a corrente, subindo os rios da terra do Leste para o Oeste durante o dia e subindo o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; durante a noite, para aparecer de novo no Leste. O ancestral-Anaconda que trouxe a humanidade para o mundo também viajou como o Sol, no sentido Leste para o Oeste, parando quando alcançou o meio do universo. Esse mesmo movimento de Leste a Oeste foi também uma ascensão da água para a terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ancestal-Anaconda, um ser aquático, é o próprio rio no qual ele viajou, e os seres em seu interior somente assumiram a forma humana quando emergiram na terra firme; antes disso, eram &amp;quot;gente peixe&amp;quot;, espíritos na forma de ornamentos de penas. Os animais são chamados ''wai-bükürã'', &amp;quot;peixes maduros&amp;quot;; e, logicamente, entre eles estão os seres humanos, seres que estão a meio-caminho entre os &amp;quot;peixes-espíritos&amp;quot; que eram antes e os &amp;quot;espíritos-pássaros&amp;quot; que se tornarão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do ancestral-Anaconda é uma narrativa sagrada sobre os primórdios e, provavelmente, uma versão das migrações históricas dos povos Tukano. Também pode ser entendida como uma história sobre a ecologia, sobre as migrações anuais rio acima de peixes amazônicos que vêm desovar nas cabeceiras; e uma história sobre a reprodução humana, que também envolve uma penetração ascendente, no sentido &amp;quot;Leste-Oeste&amp;quot;, rumo a uma &amp;quot;porta da água&amp;quot;, num fluxo ascendente de sêmen, e uma passagem do mundo aquático do ventre para o mundo seco da existência humana na terra. Não é de se admirar então que &amp;quot;nascer&amp;quot; é ''hoe-hea'' (em barasana), que significa &amp;quot;atravessar rumo a um nível mais alto&amp;quot;. Mas o nascimento também envolve um movimento de descida pelo canal do corpo feminino - cosmologicamente um movimento do Oeste para o Leste e, em termos sociais, um movimento da mãe para o pai ou das mulheres para os homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para entender esses movimentos, porém, é preciso começar pela morte. Alguns índios do Uaupés, os Kubeo em particular, encenam rituais elaborados de luto em que dançarinos com máscaras pintadas e feitas de casca de árvore se tornam peixes, animais, e outros seres da floresta para dar boas-vindas à alma do morto no mundo dos espíritos. Mas o enterro tukano em si é um evento simples: a cova é o chão da maloca e o caixão uma canoa cortada ao meio. Esse sepultamento simples é o prelúdio para um futuro nascimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tukano compartilham uma noção de reencarnação segundo a qual, quando uma pessoa morre, um aspecto de sua alma volta para a &amp;quot;casa de transformação&amp;quot;, local de origem do grupo. Depois, a alma volta ao mundo dos vivos encarnada em um recém-nascido que recebe o seu nome. As pessoas recebem o nome de um parente recentemente falecido do lado paterno, o avô paterno para um menino ou a avó paterna para uma menina. Cada grupo possui um conjunto limitado de nomes pessoais que vão sendo retransmitidos a cada geração. O aspecto visível dessas &amp;quot;almas-nomes&amp;quot; são os cocares de penas usados pelos dançarinos, que também são enterrados com os mortos. O rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; é descrito como repleto de ornamentos, assim como na história de origem os espíritos dentro da canoa-Anaconda tiveram a forma de ornamentos de dança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sepultadas em canoas, as almas dos mortos caem para o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. De lá, são levadas pela correnteza do rio subterrâneo para o Oeste e às regiões rio acima deste mundo. As mulheres não dão à luz na maloca, mas numa roça no interior da floresta, rio acima e atrás da casa - também ao Oeste. O recém-nascido é primeiramente lavado no rio e depois levado para dentro da maloca pela porta traseira, a &amp;quot;porta das mulheres&amp;quot;. Confinado dentro da casa por cerca de uma semana com seu pai e mãe, ele é então banhado de novo no rio e recebe um nome. Assim, em termos cosmológicos, os bebês de fato vêm das mulheres, da água, do Oeste.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Pessoas, animais e objetos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209294-1/uaupes_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Masa'' (em barasana), a palavra para &amp;quot;gente&amp;quot;, é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são &amp;quot;gente&amp;quot; - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como &amp;quot;bicho de pau&amp;quot;); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu &amp;quot;ar&amp;quot;, é impressionante que os humanos não saibam respirar &amp;quot;debaixo da água&amp;quot;. Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o denominador comum de todas essas &amp;quot;gentes&amp;quot; é a sua subjetividade e para elas, na condição de sujeitos, seu próprio modo de vida é aquele da cultura humana, as diferenças entre tais &amp;quot;gentes&amp;quot; repousam em seus diferentes corpos: em sua forma, cor, sons, hábitos corporais e dieta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas diferenças estão culturalmente representadas em diferentes gêneros alimentícios de uso ritual, tais como coca, tabaco e a ayahuasca, bem como tintas corporais distintas, ornamentos e roupas, ou como diferentes armas e equipamento ritual. Os índios se referem a todos esses itens como ''küni-oka'', &amp;quot;armas ou escudos&amp;quot;, idéia que faz lembrar os uniformes de exército com seus brasões - ao mesmo tempo identidade, vestimenta e arma de defesa. Nessa lógica, as diferenças entre os grupos humanos são representadas como naturais e inerentes. Conceitualmente, os vários grupos tukano constituem tantas &amp;quot;espécies&amp;quot; diferentes quanto as múltiplas espécies animais são &amp;quot;povos&amp;quot; diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na vida cotidiana, as pessoas enfatizam sua diferença dos animais, mas no mundo dos espíritos, ao qual se tem acesso pelos rituais, pelo xamanismo, pelos sonhos e pelas visões de ayahuasca, as perspectivas se fundem, as diferenças são abolidas, o passado é presente, e pessoas e animais voltam a ser um. Isto tem importantes repercussões práticas, pois, onde os animais são pessoas, caçá-los e ingerir sua carne é equivalente à guerra e canibalismo. Muitas doenças são assim diagnosticadas como a vingança dos animais que os humanos matam e comem. O risco advindo dos animais é proporcional a seu tamanho e habitat: as antas são mais perigosas do que os macacos, os animais terrestres são mais perigosos do que os peixes, e peixes grandes mais perigosos do que os pequenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perigo também está relacionado ao contato com o domínio metafísico. Um nascimento neste mundo provoca ressentimento entre os espíritos-animais - para eles, representa uma morte. Os bebês humanos, recém-migrantes do mundo dos espíritos, não estão ainda firmemente ancorados a seus corpos e, portanto, precisam ser protegidos das antas ciumentas que ameaçam ingeri-los através de seus ânus - um nascimento ao avesso. Enquanto visitantes do mundo dos espíritos, as mulheres menstruadas e os homens que tomam parte nos rituais ganham temporariamente ''status ''de criança e devem restringir sua dieta, evitando alimentos perigosos. Para cozinhar o peixe ou a carne com segurança, um xamã deve primeiro soprar encantações para remover os seus &amp;quot;escudos de proteção&amp;quot; ou &amp;quot;armas&amp;quot; (tintas, peles, dentes, espinhos, escamas e outros atributos corporais identificados aos animais ou peixes) que podem comprometer a identidade especificamente humana do consumidor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As qualidades de personificação, subjetividade e intencionalidade que os índios aplicam aos animais e os peixes também se estendem ao cosmos como um todo. Os mitos dos povos do Uaupés também são mitos sobre a paisagem, cujos traços distintivos - as serras e montanhas, os rios, as rochas e cachoeiras -, têm nomes que evocam as histórias de sua criação ancestral. Viajar por terra ou canoa é seguir essas histórias e compartilhar os atos de criação descritos por elas. Muitas histórias contam sobre as antigas migrações, atribuindo à paisagem uma dupla dimensão - a dos atos primordiais de criação e a dos atos mais recentes, como a construção de casas e abertura de roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poderes de criação ancestral incutidos na paisagem se estendem às plantas, peixes, animais e seres humanos que a habitam e também aos objetos confeccionados a partir dos materiais que dela provêm. Nos mitos, os objetos cotidianos tais como canoas, bancos, cestos e potes, emergem como seres animados e autônomos - como visto, do mesmo modo que os animais podem ser gente, as malocas podem ser os corpos dos ancestrais ou daqueles que as construíram. Os objetos confeccionados condensam dois tipos de potência: os poderes de sua matéria-prima e as habilidades e intenções de seus fabricantes. Conseqüentemente, o processo de fabricação dos objetos tem uma importante dimensão religiosa. Durante os ritos de iniciação, os homens e mulheres jovens são sistematicamente treinados na confecção de artesanato, um treinamento que é a um só tempo intelectual, espiritual e técnico. Fazer artesanato é concomitantemente confeccionar a si mesmo e o mundo, numa forma de meditação que traz à tona as interconexões entre objetos, corpos, casas, e o universo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Missionários, colonos e a modernidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de contato dos povos do Uaupés com os não indígenas é muita antiga, bem anterior ao grande auge da borracha na virada do século XX, remetendo às incursões maciças dos portugueses em busca de escravos na primeira metade do século XVIII. Embora o impacto desses raptores e o contato traumático e duradouro com os seringalistas, esses comerciantes estavam mais interessados nos corpos dos índios do que nas suas almas; em termos religiosos, e talvez em termos sociais também, foram os missionários que provocaram as maiores transformações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A penetração efetiva dos missionários começou ao final do século XIX, com a chegada dos Franciscanos. Estes, e os Salesianos que os seguiram, viram a cultura dos povos do Uaupés através das lentes de suas próprias categorias religiosas: as malocas dos índios eram consideradas &amp;quot;antros licenciosos e promíscuos&amp;quot;, as suas festas de dança ocasiões de &amp;quot;indecência e embriaguez&amp;quot;, os pajés eram &amp;quot;charlatões&amp;quot; que aliciavam o povo, e o culto de ''Yurupari ''nada mais era do que o &amp;quot;culto ao Diabo&amp;quot; em pessoa. Sem conhecer e sem a mínima intenção de saber o quê essas coisas realmente significavam, os missionários começaram a destruir uma civilização em nome de outra, queimando as malocas dos índios, destruindo os seus ornamentos de penas, quebrando seus recipientes de caxiri, perseguindo os pajés e expondo os ''Yurupari ''às mulheres e crianças reunidas na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os padres atacavam os fundamentos da cultura indígena, transformaram as suas sociedades, encurralando as pessoas em vilas com casas rigidamente ordenadas, uma para cada família, e removendo à força seus filhos para serem educados nas escolas ou internatos. Sob o regime estrito dos internatos, as crianças foram ensinadas a rejeitar os valores e os modos de vida dos seus pais, incentivadas a casar-se dentro de seus próprios grupos, e proibidas de falar as línguas que lhes conferiam identidades múltiplas e interligadas. Para os missionários, somente uma identidade importava, a identidade indígena genérica, que impedia o progresso da &amp;quot;civilização&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação inicial contra a exploração pelos comerciantes, as pressões dos missionários e as epidemias que dizimaram a população indígena, irrompeu uma série de movimentos milenaristas na região do Uaupés durante a segunda metade do século XIX. Vestindo-se de padres e identificando-se com Cristo e os santos, os pajés-profetas conduziram o povo na &amp;quot;Dança da Cruz&amp;quot;, uma fusão dos rituais de caxiri e dabukuri tradicionais com elementos do catolicismo, que prometiam a libertação da opressão dos brancos e o alívio dos &amp;quot;pecados&amp;quot; que acreditavam ser a causa das epidemias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os missionários foram rechaçados por seus ataques contra a cultura indígena, também foram bem recebidos como fonte de bens manufaturados, como defensores dos índios contra os piores abusos dos seringalistas e como provedores da educação que as crianças indígenas precisariam para se sair bem nas novas circunstâncias. Dos anos 1920 em diante, os Salesianos estabeleceram uma cadeia de missões pela região no lado brasileiro da fronteira, alcançando o alto Tiquié no começo dos anos 40 e destruindo a última maloca nos anos 60. Hoje, a despeito do número crescente de evangélicos, a maioria dos índios do Uaupés se considera católico. Enquanto aumenta cada vez mais o número de pessoas que estão deixando suas aldeias para ir a São Gabriel em busca de educação e emprego, a vida nas malocas e a rica diversidade ritual que a acompanhava persiste agora somente na memória dos mais velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos povoados, um centro comunitário substituiu a maloca como foco de atividades coletivas. O centro serve ao mesmo tempo para as orações matutinas conduzidas por um Capitão e catequista, e para as refeições comunitárias, caxiris e dabukuris que marcam eventos importantes nas vidas dos aldeões: expedições de pesca, trabalho coletivo em projetos comunitários, os dias de santo do calendário católico, formaturas escolares, eventos esportivos, reuniões políticas etc. Transformações das antigas festas, esses caxiris e dabukuris de hoje em dia ainda incluem danças e bebidas - mas as danças não são mais acompanhadas pela música nativa e as flautas de pã, mas sim pelo forró e, ao invés da relativa moderação do passado, a cachaça é livremente consumida e seu freqüentemente consumo leva a discussões e brigas. Com níveis crescentes de alcoolismo, a embriaguez que os missionários imaginavam ver nas festas tradicionais hoje tem se tornado uma realidade cruel da civilização que os missionários trouxeram consigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado colombiano, sob o regime dos Monfortianos, o policiamento e a inserção dos missionários foram muito parecidos às dos Salesianos mas, no final dos anos 50, os Monfortianos foram substituídos pelos mais liberais Javerianos. Estes eram identificados com a nova Teologia da Libertação, que pregava a tolerância com a cultura indígena e acomodação com seus valores e crenças; isto, junto com o isolamento da região, explica porque os habitantes do Pira-Paraná ainda conseguem conservar boa parte da sua religião tradicional e do seu modo de vida. No lado brasileiro, a mudança foi mais lenta, mas, depois que a os Salesianos foram denunciados no Tribunal Russell em 1980 pelo crime de etnocídio, eles finalmente começaram a adotar uma linha mais liberal e progressista.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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Gain Panan : e a origem da pupunheira. Dir.: Luiz Fernando Perazzo. Filme Cor , 35 mm, 9 min. e 36 seg., 1995. Prod.: Laboratório de Animação/CPM da Escola de Comunicação da UFRJ.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Miranha&amp;diff=6317</id>
		<title>Povo:Miranha</title>
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		<updated>2018-08-20T19:20:38Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O povo Miranha aparece, na história indígena, como uma espécie de anti-herói. Considerados como &amp;quot;bárbaros&amp;quot; e &amp;quot;antropófagos&amp;quot; pelos naturalistas, seus chefes ficaram conhecidos por vender aos brancos prisioneiros inimigos, membros de hordas rivais, ou mesmo seus próprios(as) filhos(as). O impacto das frentes dos Estados nacionais do século XX, no entanto, submeteu seus descendentes enquanto grupos etnicamente estigmatizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Porto dos Miranhas, rio Japurá. Imagem: Spix e Martius, século XIX.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/225774-1/miranha_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O termo Miranha foi empregado na sociedade colonial como um classificador genérico, que englobaria tribos inimigas, cuja linguagem não seria mutuamente comprensível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua Miranha é considerada uma variante muito próxima da língua Bora, que faz parte de um conjunto de línguas estreitamente aparentadas entre si, o qual, por sua vez, integra-se à família à qual pertence a língua Uitoto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua Miranha não é utilizada de modo corrente entre os Miranha brasileiros, cuja comunicação é estabelecida em português, ainda que se encontrem no Brasil antigos falantes desta língua e seus descendentes. Eles sabem que existem, na Colômbia, grupos Miranha que mantêm a comunicação em língua nativa. No Brasil, alimentam um antigo interesse de intercâmbio com os Miranha colombianos, afirmando que desejariam &amp;quot;trazer de lá um professor que pudesse ensinar a língua Miranha&amp;quot; na escola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, como os conflitos fronteiriços são constitutivos das nacionalidades de &amp;quot;brasileiro&amp;quot; e &amp;quot;colombiano&amp;quot; em âmbito local, acentua-se o caráter contrastivo das identidades de &amp;quot;Miranha brasileiro&amp;quot; e &amp;quot;Miranha colombiano&amp;quot;, criando dificuldades para que este tipo de intercâmbio, que não é bem visto pela FUNAI e outros atores locais, venha a se concretizar.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Priscila Faulhaber|Priscila Faulhaber]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
A existência de territórios indígenas Miranha foi reconhecida pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) no médio Solimões e Japurá desde as primeiras décadas do século XX. A TI Méria (município de Alvarães, no médio Solimões, AM) foi demarcada em 1929, por aquele órgão e foi homologada apenas em 1993. A TI Miratu (município de Uarini, no médio Solimões, AM) foi demarcada em 1982, pela FUNAI, e homologada em 1991. A delimitação da TI Cuiú-Cuiú (município de Maraã, no Japurá, AM) foi oficialmente reconhecida em 1998 e homologada em 2003, sendo sobreposta à Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, contígua à RDS Mamirauá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A existência deste povo preexiste às fronteiras nacionais, e, nos dias de hoje, seus representantes vivem não só no Brasil, mas também na Colômbia, onde se registravam em 1988 cerca de 600 Miranha, 600 Bora e 1.900 Witoto. No Peru, vivem cerca de 2.000 índios Bora e 1.000 Witoto. Embora os Miranha do Brasil e Colômbia não estejam em contato direto, a sua proveniência comum os leva a se considerar como um mesmo povo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Priscila Faulhaber|Priscila Faulhaber]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== População ==&lt;br /&gt;
As unidades populacionais Miranha não são fechadas, mas redes sociais móveis, dentro de um processo dinâmico de interações. A demarcação de terras não significou para este povo a fixação em territórios isolados: eles estão inseridos no circuito rural-urbano tanto em termos de seus &amp;quot;negócios&amp;quot; (venda de farinha de mandioca, castanha, frutas e peixe), quanto na busca de serviços - sobretudo saúde e educação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Verifica-se na TI Miratu uma oscilação de população desde os registros da década de 1980. Em 1982, a TI Miratu registrava 282 residentes. Em 1985, ano da demarcação, ali viviam 350 pessoas, tendo este número se retraído, em 1989, para 262 pessoas. Em fevereiro de 99 foram computados pela UNI-Tefé 290 pessoas no Miratu. A TI Méria contava em 1982 com 77 pessoas, tendo este número decrescido, segundo dados da UNI-Tefé para a atual população de 26 pessoas. Em parte, este decréscimo ocorreu por conflitos internos que implicaram cisões. Quanto à TI Cuiú-Cuiú, verificou-se o inverso. Em 1989, apenas três de seus moradores identificavam-se como Miranha. Em 1998, a UNI-Tefé contou 150 pessoas, em em 1999, 297 pessoas. Este crescimento não pode ser entendido em termos de crescimento vegetativo ou por imigração, mas pelo fato de um número significativo de moradores terem assumido a identidade Miranha, mobilizando-se organizadamente pela demarcação das terras do Cuiú-Cuiú e valorizando positivamente esta identidade étnica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo levantamento da UNI-TEFÉ, em fevereiro de 1999 os Miranha somavam uma população total de 613 pessoas. Este número subiu para 836 em 2006 segundo a Funasa.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Priscila Faulhaber|Priscila Faulhaber]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Imagem: Spix e Martius, século XIX.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/225787-1/miranha_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A presença Miranha passou a ser mais sistematicamente observada a partir dos viajantes naturalistas. Nos relatos desses viajantes, os tuxauas (chefes ou &amp;quot;principais&amp;quot;) Miranha ficaram conhecidos por vender aos comerciantes de Tefé escravos de &amp;quot;tribos&amp;quot; inimigas e também os seus próprios filhos. Os escravos eram adquiridos para servir como mão-de-obra às famílias de Tefé, e as mulheres, em geral, eram transformadas em concubinas. Os Miranha participavam, assim, das relações mercantis da sociedade colonial, inclusive da &amp;quot;venda de escravos&amp;quot;, freqüentemente trocados por ferramentas de trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eles, porém, mantinham seu território tradicional, visto como &amp;quot;terra de ninguém&amp;quot; disputada pelos Estados coloniais, como notou Martius no relato de sua viagem de 1820 até a cachoeira de Araraquara, no alto rio Japurá, ou Caquetá, no atual território colombiano. Os Miranha que Martius ali encontrou viviam no que parecia ser seu hábitat tradicional fazia muito tempo. Aos olhos do naturalista, as tribos próximas viviam em constante estado de guerra, e marcavam-se com traços distintivos, pelos quais se reconheciam, ao encontrar-se a sós ou em bandos, em suas caçadas. Segundo Martius, os Miranha desfiguravam o rosto furando as narinas e nela enfiando cilindros de pau ou conchas. Como resultado teriam como traço distintivo o alargamento das narinas. O &amp;quot;trocano&amp;quot;, grande tambor talhado em um só tronco de madeira, era utilizado como instrumento de comunicação à distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O naturalista destacou o seu costume de comer os inimigos mortos em guerra. Mas começavam a dar preferência a vender os prisioneiros, como lhe revelou um chefe conhecido e temido, não só entre os Miranha, mas em toda área, por sua coragem de escravizar inimigos tanto dentro de sua própria tribo quanto nas vizinhas e pela capacidade de negociá-los com os brancos. Sua supremacia teria sido conquistada neste comércio com os brancos, que ele controlava em nome de todos, e fazia valer entre os companheiros de sua tribo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Impactos da borracha ===&lt;br /&gt;
Sobreviventes da expansão comercial, a exploração da borracha atingiu duramente os Miranha. Koch-Grünberg, no início do século XX, quando visitou o Japurá e o Apaporis, descreveu aldeias abandonadas por medo dos colombianos, nas quais se noticiava que muitos Miranha tinham sido mortos no seu território tradicional, o rio Cahuinari, no divisor de águas entre o Caquetá e o Putumayo; região disputada então entre Colômbia e Peru. A violência e o terror se difundiram pela Amazônia. Muitos Miranha foram transportados pelo Japurá, para rios como Purus, Juruá, Jutaí, para trabalhar na extração da borracha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O genocídio cometido pela Casa Arana, companhia gomífera peruana cujos principais acionistas viviam na Inglaterra, foi largamente denunciado na imprensa da época, e documentado pela etnologia. Foram registrados, todavia, atos de resistência Miranha, os quais podem ser cotejados com a sua memória social. O percurso Miranha pelo Japurá é lembrado, em depoimentos de testemunhas indígenas e seus descendentes, como uma fuga dos &amp;quot;colombianos matadores de índios&amp;quot;. Segundo estudos colombianos atuais, a rede dos exploradores da mão de obra indígena perpassava todo o campo político colombiano, tendo sido o próprio presidente da Colômbia, Rafael Reyes (1904-1909), acusado de &amp;quot;traição à Pátria&amp;quot; em um processo criminal contra caucheiros colombianos, que com ele travavam ligações e que teriam &amp;quot;arrendado&amp;quot; território considerado colombiano à companhia peruana. Operações mercantis também envolveram o Brasil, conforme registrou-se em documentos consulares depositados no Arquivo Histórico do Itamaraty, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pairava sobre o governo brasileiro a acusação de que era conivente com o &amp;quot;tráfico&amp;quot;, ou transporte clandestino, de índios Miranha para o trabalho escravo nos seringais brasileiros. Apesar de denúncias, na Colômbia, de participação do governo brasileiro em negócios escusos, as relações diplomáticas do Peru e da Colômbia com o Brasil eram amistosas, sobretudo pelo acesso ao Atlântico através do rio Amazonas, aberto à navegação internacional desde 1873.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Primeiras demarcações ===&lt;br /&gt;
Em 1929, o SPI reconheceu as terras indígenas Méria e Miratu, e demarcou a primeira. Este ato constituía um contra-discurso face às denúncias de que comerciantes &amp;quot;traficavam&amp;quot; escravos Miranha, e à demanda, por parte de colombianos, de seu &amp;quot;repatriamento&amp;quot;. Os marcos da fronteira Brasil-Colômbia foram firmados em 1936, menos de uma década depois do reconhecimento dos territórios Miranha. O Estado brasileiro demonstrava reconhecer os direitos de cidadania daqueles que haviam sido transportados para o território brasileiro. No rio Japurá, citado freqüentemente como passagem para negócios não regularizados, o estado do Amazonas limitava-se a subvencionar uma linha regular de navegação a vapor até o porto do Jubará, que era o ponto final do comércio legalizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Últimas festas ===&lt;br /&gt;
As festas do passado, que supostamente duravam dias e noites consecutivos, foram descritas pelos naturalistas com tintas horripilantes. Do ponto de vista da &amp;quot;civilização&amp;quot;, considerada como grau máximo a ser conquistado, eram depreciados os hábitos &amp;quot;selvagens&amp;quot;, as &amp;quot;brincadeiras&amp;quot; temperadas pelo gozo desmedido da sensualidade, as demonstrações de força guerreira e de desafio por parte do chefe e do grupo, transformado em um só corpo pela dança, as cantigas desfilando nomes de animais ferozes. Também foram registrados, pelos que conheceram os &amp;quot;antigos&amp;quot;, o hábito das reuniões periódicas para discutir guerra, caça e negócios, bem como o uso do &amp;quot;trocano&amp;quot; e do &amp;quot;lambe-tabaco&amp;quot;, uma pasta preparada com tabaco que circulava entre os homens reunidos, que a lambiam para selar uma aliança ou uma decisão. Hoje, os mais velhos lembram as danças e as festas com saudade, como um tempo em que viviam sem o medo ou a vergonha do estigma associado a seu nome. Vêem os antepassados como &amp;quot;outros&amp;quot;, e dão suas razões por terem atenuado os antigos costumes, que no entanto são mantidos vivos na memória e transmitidos dos mais velhos para os mais novos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como de modo geral o índio era considerado inferior e constantemente ludibriado, os Miranha mandavam seus filhos aprender a &amp;quot;língua do branco&amp;quot;, porque acreditavam que assim não seriam mais enganados. Com o passar do tempo, as sucessivas gerações foram esquecendo a língua indígena e deixando de praticar as antigas festas. Hoje guardam viva a lembrança dos conflitos, mantendo com orgulho o que foi por eles conquistado. Atualmente, o fato de serem cidadãos brasileiros não os impede de avivar as fronteiras étnico-territoriais, que lhes garantem o acesso à terra e o direito a serem reconhecidos como diferentes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Priscila Faulhaber|Priscila Faulhaber]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A formação das terras Miranha ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Priscila Faulhaber, 1982&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/225790-1/miranha_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As terras indígenas Miranha estão localizadas às margens de lagos de águas escuras, cuja vegetação, o araparizal, coberto durante as inundações, protege seus domínios da entrada de intrusos indesejados. As atuais &amp;quot;aldeias&amp;quot; Miranha consistem em conjuntos de agrupamentos residenciais à &amp;quot;beira&amp;quot; dos lagos e igarapés, que não diferem muito de outros agrupamentos vizinhos não reconhecidamente indígenas. Como estes, os Miranha vivem em palafitas, conforme costume regional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmam os Miranha do Solimões que suas terras foram formadas, desde o início, em áreas em que viviam índios de distintas &amp;quot;nações&amp;quot; indígenas. Receberam o nome de Miranha, mas ali viviam indivíduos de diferentes procedências étnicas, que fugiam do &amp;quot;trabalho forçado&amp;quot; das cidades, destacando-se, entre outros, os Issé e os Maku.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um segundo momento, as terras Miranha foram procuradas por fugitivos da exploração caucheira, forçados a deixar seu território tradicional na busca de melhores condições de vida. Não eram unicamente Miranha, mas também Uitoto, Carapanã e outros. Apesar disso, passaram a receber nome Miranha, tanto por ser característico da etnia historicamente preponderante, quanto por seus principais chefes assim serem denominados, entre os quais Trovão, Manoel Alfredo, Mariano e Gregório Monteiro. Gregório Monteiro era chamado de &amp;quot;Paisano&amp;quot; por ter sido retirado quando criança de seu solo tradicional e do convívio dos parentes imediatos, e criado no trabalho do caucho entre os peruanos. Deslocando-se para o Japurá, viveu inicialmente no Cuiú-Cuiú, e posteriormente no Miratu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na localidade Jubará, no rio Japurá, ainda existe um antigo barracão, que foi residência dos patrões e sede de uma &amp;quot;feitoria&amp;quot;, no qual os intermediários Miranha negociavam. O território Miranha, a atual TI Cuiú-Cuiú, formou-se na área contígua, onde viviam estes intermediários e seus familiares, protegidos e dependentes. Nos dias de hoje, não existem relações de exploração entre os brancos do Jubará e os Miranha do Cuiú-Cuiú, pois tanto uns quanto outros dependem dos regatões que os integram à rede de exploração e mercantilização dos produtos extrativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os mais velhos contam que existem varadouros, ou seja, caminhos terrestres no meio da mata, entre o Miratu e a Méria, percorridos a pé desde os primeiros tempos das formação destas terras indígenas. Os Miranha do Solimões deslocavam-se por estes varadouros para participar de reuniões, festas e disputas contra agentes externos, pela defesa e garantia de seus territórios, cujos vizinhos foram forçados a respeitar. Embora os Miranha estabelecessem relações com os comerciantes brancos, intermediadas pelos representantes do SPI e dos próprios índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É muito comum, todavia, entre eles a aspiração de ter uma casa nos núcleos urbanos vizinhos: Tefé, Alvarães ou Uarini. A tendência à urbanização dos índios, porém, não resulta necessariamente na ruptura com os territórios indígenas. Apesar da casa na cidade, continuam a fazer roças na terra indígena e desenvolvem relações de troca com os parentes e afins que lá vivem, hospedando as crianças que atingem o segundo grau e precisam estudar na cidade. Em Tefé, encontram-se facilmente indivíduos que se reconhecem como Miranha com parentes no Miratu, Méria, e outras comunidades não reconhecidamente indígenas, como a &amp;quot;comunidade&amp;quot; Perseverança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Miranha que moram nas cidades freqüentemente se referem a Miratu e Méria como &amp;quot;minha aldeia&amp;quot;, pois comerciam com os Miranha que ali habitam, e &amp;quot;minha propriedade&amp;quot;, alegando direitos sobre roças e capoeiras que dizem ainda possuir naquelas áreas. Dizem também que têm plantações em outras áreas rurais próximas a Tefé, o que gera conflitos quando aparecem outros que também se dizem &amp;quot;donos&amp;quot;. Na mesma rede de relações, indivíduos que se reconhecem como aparentados dos Miranha afirmam ser descendentes de Maku, Uitoto e Mura, dizendo que preferiram a vida na cidade a enfrentar os conflitos e o trabalho penoso na lavoura.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Priscila Faulhaber|Priscila Faulhaber]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização indígena ==&lt;br /&gt;
A organização social das terras Miranha, nos dias de hoje, foi estruturada em termos de uma chefia que vem atuando na mediação entre os interesses do grupo e os interesses exógenos, como os comerciantes locais e extra-locais e representantes da sociedade nacional. O chefe, conhecido como &amp;quot;tuxaua&amp;quot; (terminologia da sociedade regional) ou &amp;quot;capitão&amp;quot; (terminologia da atual política indigenista), é eleito pelos membros do grupo e exerce poder, sendo-lhe atribuídos papéis de dominação, como &amp;quot;mandão&amp;quot; e &amp;quot;patrão&amp;quot;. Sua margem de atuação como mandatário de agências externas é limitada pela participação política interna ao grupo, que o destitui caso não satisfaça os interesses dos seus membros. Têm, assim, certa autonomia diante da FUNAI, da Pastoral Indigenista e da própria União das Nações Indígenas, organismo que representa os povos indígenas da região polarizada pela cidade de Tefé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A chefia atua no sentido da constituição de formas de organização comunitária que se distinguem de outras associações comunitárias não-indígenas locais. A figura da &amp;quot;comunidade indígena&amp;quot;, prescrita na Constituição de 88 como sujeito de ação jurídica, confere-lhe uma virtualidade político-organizacional da qual as outras associações locais parecem desprovidas. Esta virtualidade, no entanto, está sujeita às circunstâncias e motivação particulares que levam ou não à mobilização étnica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O movimento indígena em Tefé foi revigorado inicialmente com a organização de assembléias indígenas. Assim, o I Encontro de Tuxauas do Médio Solimões foi realizado no Miratu durante a Semana do Índio de 1979, com o apoio da Pastoral Indigenista da Prelazia de Tefé e a participação, além dos Miranha do Solimões, dos Mayorúna, Cambeba, Caixana, Ticuna, Canamari, Kulina e outros. A partir de então, começou a se fazer notar a mobilização Miranha. Um de seus principais líderes, Lino Pereira Cordeiro, tinha trânsito no meio sindical em Manaus, e tornou-se publicamente conhecido após um pronunciamento sobre alianças entre índios e não-índios sindicalizados, dirigido ao Papa em sua visita a Manaus em 1980. Neste mesmo ano, foi eleito tuxaua do Miratu e participou de encontros nacionais de lideranças indígenas. Foi escolhido como secretário-geral da União das Nações Indígenas, em 1981, em São Paulo, em uma reunião que contou com 73 participantes de 32 povos. Chefes tradicionais, em uma assembléia indígena realizada em Aquidauana, MS, colocaram em questão a representatividade desta reunião. A diretoria eleita em São Paulo promoveu, em 1982, com o apoio de entidades indigenistas, o I Encontro dos Povos Indígenas do Brasil, realizado em Brasília entre 7 e 9 de junho de 1982, no qual foi constituída uma comissão representativa dos povos indígenas do Brasil, na qual o Miranha Lino Cordeiro continuava desempenhando o papel de secretário geral. Como suas freqüentes estadas em Brasília, sua representatividade passou a ser questionada no Miratu. Retornando à área, deixou de ser chefe e distanciou-se das organizações indígenas de nível nacional e regional. Passados mais de vinte anos, ainda é requisitado pelos Miranha do Miratu para resolver problemas de esfera local, embora não exerça mais o papel de chefe. Atualmente, atua em uma associação de produtores rurais do município de Uarini.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os Miranha foram durante muito tempo - ao menos nos séculos XIX e XX - os índios mais conhecidos do médio Solimões, atualmente sua importância vem sendo relativizada com a mobilização de representantes de outras etnias que se têm organizado politicamente e cujos direitos territoriais foram reconhecidos pela FUNAI e por outros representantes da sociedade brasileira e do movimento indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de não integrarem atualmente a diretoria da UNI-Tefé, os Miranha participam também, através de representantes eleitos, de outras organizações que extrapolam a escala regional, como a AMINS (Associação das Mulheres Indígenas do Médio Solimões), a COPIAR (Comissão de Professores Indígenas do Amazonas, Roraima e Acre), a CAPOIB (Comissão de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil) e a COIAB (Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos indígenas representados na UNI-Tefé realizam viagens de articulação bimensais, assembléias bi-anuais pelo Médio Solimões e Japurá, e assembléias gerais bi-anuais. Parecem, contudo, não pretender circunscrever sua territorialidade aos circuitos rurais do interior, onde são subordinados mediante relações desiguais de sujeição dominação, mas sim optar pela busca de canais políticos e institucionais de participação, atuando na política sindical e na Câmara de Vereadores de Alvarães, tendo seus representantes participado da elaboração da Lei Orgânica dos Municípios de Tefé e Alvarães.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Miranha do baixo Japurá, que até então mantinham contato com os Miranha, Cambeba e Mayorúna do Solimões, mas não declaravam sua identidade, passaram a integrar, a partir de 1991, juntamente com os Canamari, a Comissão Indígena do Japurá, articulada à UNI-Tefé, enquanto entidade autônoma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com suas crises de representatividade, os Miranha, que já haviam tomado em outros momentos a dianteira no movimento indígena no médio Solimões, após a demarcação de suas terras, distanciaram-se, contudo, das discussões em torno da constituição da organização indígena. Sua história não pode deixar de ser vista, entrentanto, como um significativo exemplo de luta pelos direitos de cidadania por um povo marcado pelo estigma da alteridade, apesar do reconhecimento de sua nacionalidade brasileira e do discurso de construção nacional materializado em práticas locais da política indigenista oficial. Assim foi instituído seu lugar social. Porém, o reconhecimento de sua singularidade e a garantia de seus direitos básicos estão longe de ser concretizados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Priscila Faulhaber|Priscila Faulhaber]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
Este povo se tornou conhecido na história da etnologia do Amazonas primeiramente nos relatos dos naturalistas viajantes, como Martius e Bates, e do etnólogo Koch-Grünberg (1910). O registro histórico de sua desterritorialização pela Casa Arana, no Putumayo (documentado por Casement e Hardenburg, em 1912) e posterior reterritorialização nos países fronteiriços, como o Brasil, está em fontes depositadas no Arquivo Histórico do Itamaraty. O genocídio e o clima de terror implantados no Putumayo no auge do período da borracha são temas recentemente retomados nos trabalhos de Michael Taussig. Os Miranha são freqüentemente citados nos textos do missionário e etnólogo Tastevin, que explorou a região no início do século XX. Recentemente, a importância dos Miranha para a história indígena no Brasil foi destacada por Arnaud (1974) e, no Caquetá, estudada por americanistas europeus (destacando-se Guyot) e colombianos (Pineda Camacho). Desde 1981, Priscila Faulhaber vem se dedicando ao estudo de problemas relacionados a este povo, tema de sua dissertação de mestrado e um dos focos de sua tese de doutorado, ambas publicadas (1987 e 1998), elaborando trabalhos antropológicos tanto de caráter teórico como destinados a uma divulgação mais ampla.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Priscila Faulhaber|Priscila Faulhaber]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARNAUD, Expedito. Os índios Mirânia e a expansão luso-brasileira (Médio Solimões - Japurá, Amazonas). In: --------. O índio e a expansão nacional. Belém : Cejup, 1989. p. 263-314. Publicado originalmente no Boletim do MPEG, Antropologia, Belém, n.s., n. 81, jul. 1981.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BATES, H. W. Um naturalista no rio Amazonas. São Paulo : CEN, 1944.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CASEMENT, Roger. The Putumayo indians. The Contemporary Rewiew, Londes : s.ed., n. 102, p. 317-28, 1912.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CORREA RUBIO, François. Politicas de reordenamiento interno del espacio amazonico colombiano : colonización, medio ambiente y protección de territorios indígenas (1960-1990). Rev. Colombiana de Antropologia, Bogotá : Colcultura, v. 28, p. 8-23, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DOMINGUEZ, Camilo A. National expansion and development policies in the Colombian Amazon. In: SCHMINK, M.; WOOD, C. (Eds.). Frontier expansion in Amazonia. Gainesville : Univer. Press of Florida, 1984. p. 405-18.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FAULHABER BARBOSA, Priscila. Y el barco se hizo libro : encanto y desencanto en el mundo imaginario indígena en Tefé. In: JORNA, P.; MALAVER, M. Oostra (Coords.). Etnohistoria del Amazonas. Quito : Abya-Yala/Mlal, 1991. p. 103-16. (Colección 500 Años, 36)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Entrosando : questões indígenas em Tefé. Belém : MPEG, 1987.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Índios civilizados : etnia e alianças em Tefé. Brasília : UnB, 1983. 248 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. El itinerario del padre Constant Tastevin : entre la religión y la etnología. In: LANDABURU, Jon (Comp.). Documentos sobre lenguas aborígenes de Colombia del archivo de Paul Rivet. (v. 1: Lenguas de la Amazonía colombiana). Bogotá : Colcultura/Uniandes, 1996. p. 95-104.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. O lago dos espelhos : etnografia do saber sobre a fronteira. Belém : MPEG, 1998. 215 p. (Coleção Eduardo Galvão)&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;MELLO, A. E. Relatório à administração da província do Amazonas. In: RELATÓRIOS da Província do Amazonas, 1863-1870. v. 3. Rio de Janeiro : s.ed., 1866. p. 288-360.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;PINEDA, A. E. La casa Arana (1902-1932) : un enfoque etno-historico del proceso extractivo del caucho en el Amazonas colombiano. Bogotá : Universidad Nacional de Colombia, 1994. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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--------. A formação de uma aldeia do Solimões (Nogueira). Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, v. 14, p. 635-49, 1926.&lt;br /&gt;
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--------. La légende du Grand Serpent en Amazonie. Société Française d’Ethnographie, Paris : Librairie Emile Larose, s.n., p. 172-206, 1925.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. La maison cabocle. Anthropos, Viena : s.ed., v. 10/11, n. 3/4, p. 553-61, mai./ago. 1916.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Le merveilleux développement de l’agriculture toujous &amp;quot;précolombienne&amp;quot; des indiens insoumis de l’Amazonie brésilienne. Revue Anthropologique, Paris : Institut International d’Anthropologie, v. 1, n. 1, p. 169-77, jun. 1955.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. The Midle Amazon : its people and geography. Washington : Office for Emergency Management, 1943.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TAUSSIG, Michael. Xamanismo, colonialismo e o homem selvagem : um estudo sobre o terror e a cura. São Paulo : Paz e Terra, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VARGAS, Hector Llanos; CAMACHO, Roberto Pineda. Etnohistoria del Gran Caqueta (siglos XVI-XIX). Bogotá : Fundación de Investigaciones Arqueológicas Nacionales, 1982. 126 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;WHIFFEN, Thomas. The North-West Amazons : notes of some months spent among cannibal tribes. Londres : Constable and Company, 1915.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Priscila Faulhaber|Priscila Faulhaber]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Makuna&amp;diff=6316</id>
		<title>Povo:Makuna</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Makuna&amp;diff=6316"/>
		<updated>2018-08-20T19:20:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209266-1/uaupes_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família lingüística Tukano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tukano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tukano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tukano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguns contextos, o Tukano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua tukano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tukano. Já as línguas classificadas como tukano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tukano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/desano/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Desana @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Fonte: Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209269-1/uaupes_3.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel. Iaraueté, além de ser um centro de ocupação tradicional dos Tariana, abriga também uma grande missão dos salesianos e um pelotão de fronteira do exército. Existem ainda outras duas missões salesianas na bacia do Uaupés, uma em Taracuá (na confluência desse rio com o Tiquié) e outra no Alto Tiquié, chamada Pari-Cachoeira. Também há um destacamento do Exército na confluência do Querari com o Uaupés e outro em Pari-Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etnias e demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas etnias também estão presentes nas cidades da região, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. As etnias presentes na bacia do Uaupés são as seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) [[Povo:Arapaso | Arapaso]]: Etnia de origem tukano oriental que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2 ) [[Povo:Bará | Bará]]: Autodenominam-se Waípinõmakã. Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié, acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia; o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri) e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná). Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes de um ancestral comum que não podem casar entre si). São especialistas no preparo do aturá de turi, muito usado onde não são disponíveis os aturás de cipó maku. Também fabricam o carajuru. São hábeis ainda na confecção de canoas. Atualmente são os principais especialistas na fabricação dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3) [[Povo: Barasana | Barasana]]: Autodenominam-se Hanera. Vivem nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná, em território colombiano. Também encontram-se dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se 36 subdivisões nomeadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) [[Povo:Desana | Desana]]: Autodenominam-se Umukomasã. Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu; além de trechos do Rio Uaupés e Negro (inclusive cidades da região). Existem aproximadamente 30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas em certos tipos de cestos trançados, como apás grandes (balaios com aros internos de cipó) e cumatás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5) [[Povo:Karapanã | Karapanã]]: Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí (afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6) [[Povo:Kubeo | Kubeo]]: Autodenominam-se Kubéwa ou Pamíwa. Possuem uma língua bem particular da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande maioria, se encontram residindo em território colombiano, na região do Alto Uaupés, incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón. No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés e estão em pequeno número no Alto Aiari. Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados. Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três fratrias não nomeadas que funcionam como unidades para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma língua. São especializados na fabricação das máscaras de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) [[Povo: Makuna | Makuna]]: Autodenominam-se Yeba-masã. Vivem principalmente no território vizinho da Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya, afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes, os igarapés Castanha e Onça. Estão divididos em cerca de 12 sibs. São especializados em zarabatanas e curare, são também hábeis fabricantes de canoas, além de fornecerem remos leves e muito bem acabados aos índios do Alto Tiquié.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8) [[Povo: Miriti-tapuya | Miriti-tapuya ou Buia-tapuya]]: Atualmente falam apenas a língua tukano. São habitantes tradicionais do Baixo e Médio Tiquié, destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé, Vila Nova e Micura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9) [[Povo: Pira-tapuya | Pira-tapuya]]: Autodenominam-se Waíkana. Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem também em localidades do Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10) [[Povo: Siriano | Siriano]]: Autodenominam-se Siria-masã. Moram no Caño Paca e Caño Viña, afluentes do Alto Papuri, em território colombiano. No Brasil são encontrados dispersos em rios da bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações referentes a 27 sibs siriano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11) Taiwano, Eduria ou Erulia: Autodenominam-se Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu, afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari, afluente do Apapóris. Todas estas áreas estão situadas em território colombiano. Há informações que dão conta de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12) [[Povo: Tariana | Tariana]]: Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam outrora uma língua pertencente à família Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras de Iauareté e Periquito. São especializados em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13) [[Povo: Tatuyo]]: Autodenominam-se Umerekopinõ. Habitam uma área situada na Colômbia: o Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño Japu. No Brasil, são representados sobretudo por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem cerca de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14) [[Povo: Tukano | Tukano]]: Autodenominam-se Ye’pâ-masa ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família lingüística Tukano Oriental. Concentram-se principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés; mas também estão morando no Rio Negro, a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade de São Gabriel. É possível que existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano, cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões ocorridas nos últimos séculos, as posições hierárquicas são razão de polêmicas e versões variadas. Os Tukano são fabricantes tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva) e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos semelhantes àqueles dos trançados. É um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores) e bayá (chefes de cerimônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15) [[Povo: Tuyuka | Tuyuka]]: Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná. Estão concentrados principalmente no Alto Rio Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes também no trecho do Rio Papuri próximo à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São exímios construtores de canoas e, antigamente, eram especialistas na confecção de redes feitas de fibras de buriti. Também são especializados na confecção do cesto urupema, trançado de finíssimas talas de arumã, usado para coar sumo de frutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16) [[Povo: Kotiria | Kotiria]]: Autodenominam-se Kótiria. Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá (do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos; acima daí, convivem em território onde a maioria é Kubeo. Há informações de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua especialidade no âmbito das relações de troca interétnica é o preparo do carajuru, um pó corante feito com as folhas de um cipó, muito usado na confecção de artefatos rituais e na pintura do banco tukano, bem como para a pintura corporal. Também são hábeis cesteiros e produtores de objetos de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17) [[Povo: Yuruti | Yuruti]]: Autodenominam-se Yutabopinõ. Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde estes igarapés desaguam (em território colombiano). Há informações que possuem nove sibs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir, é apresentada uma tabela com a estimativa populacional de cada etnia:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Etnia&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População no Brasil&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Arapaso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;328&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Barasana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 61&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Desana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.531&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Karapanã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;42&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kotiria&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;287&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;168&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mirity-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;95&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pira-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.004&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Siriano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;17&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Taiwano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tariana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tatuyo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tukano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;4.604&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tuyuca&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;593&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yuruti&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;TOTAL&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;11.130&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identidade e diferença ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209272-1/uaupes_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto com seus vizinhos aruak, os Tukano - que serão tratados nesta seção como povos tukano, de modo que o grupo Tukano será diferenciado com letra inicial maiúscula- compõem um sistema sócio-político flexível, cuja integração se dá através de redes de intercâmbio recíproco envolvendo visitas, trocas, casamentos e rituais. A dinâmica desse sistema regional implica a articulação entre semelhança e diferença, entre um repertório comum que confere aos grupos que o compõem alguma medida de identidade e aquilo que os diferenciam uns dos outros, possibilitando a interdependência entre eles. Comecemos com as semelhanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209275-1/uaupes_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano compartilham uma área geográfica contínua e um mesmo modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a &amp;quot;mandioca brava&amp;quot; o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta. Falam línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Também compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas. Esses povos têm ainda estilos de ornamentação corporal semelhantes e, embora as palavras e melodias possam ser diferentes, usam os mesmos instrumentos musicais e a sua música, danças e cantos têm uma base comum. Tais convenções relativas ao modo-de-vida, organização espacial, língua, fala, adornos, música e dança integram o sistema comum de comunicação verbal e não-verbal dos povos do Uaupés, que se expressa mais plenamente nos rituais inter-comunitários.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209278-1/uaupes_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem as suas próprias histórias, mas também compartilham um ''corpus'' mitológico comum. Os mitos explicam as origens do cosmos, descrevendo um mundo perigoso e indiferenciado, sem limites precisos de tempo e espaço, sem diferença entre gente e animal. As narrativas míticas explicam como os feitos dos primeiros seres geraram as feições da paisagem e como o mundo se tornou paulatinamente seguro para a emergência dos verdadeiros seres humanos. Há um mito de origem chave nesse repertório que explica como uma Anaconda-ancestral penetrou o universo/casa através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no leste e subiu os rios Negro e Uaupés com os ancestrais de toda humanidade dentro de seu corpo. Inicialmente, esses ancestrais-espíritos tiveram a forma de ornamentos de pena, mas foram transformados em seres humanos no curso da sua viagem. Quando alcançaram a cachoeira de Ipanoré, o centro do universo, eles emergiram de um buraco nas rochas e se deslocaram para os seus respectivos territórios. Essas narrativas compartilhadas entre os povos do Uaupés expressam uma compreensão comum do cosmos, do lugar dos seres humanos nele e das relações que deveriam existir entre diferentes povos, bem como entre eles e outros seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, cada grupo tem uma identidade singular e um lugar específico dentro do sistema. A população divide-se em aproximadamente 17 grupos exogâmicos, cada qual com direitos sobre um território específico ou trecho de rio com características e potenciais diferentes. Somado a esses fatores ecológicos de diferenciação, cada grupo é tradicionalmente associado à produção de artefatos específicos; assim, os Tukano fabricam banquinhos, os Desana cestos, os Tuyuka canoas etc. Essa produção especializada constitui um aspecto da identidade grupal e mobiliza os cerimoniais de troca (ou ''dabukuris'') que são um dos principais componentes das atividades rituais características da região. Em tais festas, os diferentes grupos se reúnem para dançar, beber caxiri, exibir os seus ornamentos de penas, recitar as linhagens de seus antepassados e trocar os seus produtos (banquinhos por canoas, peixe por carne de caça etc.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem a sua própria língua, o seu conjunto particular de nomes pessoais, os seus específicos cantos de dança e as suas próprias genealogias e narrativas de origem. Cada um tem um ancestral originário da Anaconda que trouxe o povo para o seu território particular. O corpo dessa Anaconda é replicado no trecho do rio onde esse grupo mora, nas malocas em que habitam e na composição dos grupos. A língua, os nomes próprios, os cantos, as histórias e outras formas de discurso operam como emblemas de identidade, afirmam direitos territoriais e privilégios rituais, assim como manifestam aspectos da vida, alma e espírito do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo também possui um ou mais conjuntos de ''Yurupari ''- flautas e trombetes sagrados feitos do tronco da palmeira paxiúba -, que são os ossos de seu ancestral e que incorporam o seu sopro e canto. Junto com as festas e trocas cerimoniais, os rituais envolvendo esses instrumentos musicais - símbolos condensados da identidade, espírito e poder grupal - formam o outro grande componente da vida ritual dos Tukano. Enquanto a troca cerimonial enfatiza a equivalência e interdependência mútua entre grupos diferentes, os rituais de ''Yurupari ''realçam a identidade singular de cada um.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[fevereiro de 2003] '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas. Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs hierarquicamente ordenados. Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios. A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simbolicamente, a maloca reproduz em miniatura o universo e seus habitantes constituem tanto uma réplica quanto um precursor do ideal de organização clânica acima descrita. Assim, o pai da comunidade que habita a maloca seria o ancestral-Anaconda do grupo inteiro e seus filhos seriam os ancestrais dos clãs que dela se originaram. Seguindo essa lógica, o filho mais velho e irmão maior é geralmente o chefe da maloca, e não raro os seus irmãos menores são dançarinos, cantadores ou xamãs, cujos papéis costumam corresponder à ordem de nascimento. Mas poder e posição social dependem de energia e iniciativas pessoais, que não se baseiam apenas em organização formal, parentesco ou ordem de nascimento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Confecção de banco tukano. Foto: Rosa Gauditano, 2002&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209287-1/uaupes_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos rituais e da vida religiosa tukano está centrada em objetos (como ornamentos plumários e as flautas ''Yurupari'') e substâncias sagradas - como a pintura vermelha carayuru, cera de abelha, cera de breu (resina vegetal), epadu (feito com variedades de coca), tabaco e ayahuasca -, assim como em bens menos tangíveis, na forma de nomes, cerimoniais, encantações e cantos. Tais itens são propriedade do grupo e constituem expressões de seus poderes espirituais. Em um nível coletivo e estrutural, os rituais que envolvem tais itens podem ser vistos como expressões formais da identidade do grupo e das relações inter-grupais. Ao mesmo tempo, esses rituais constituem expressões das relações políticas em dada conjuntura. Assim, malocas vizinhas são interligadas por intermédio de líderes carismáticos, que comandam a organização de festas e coordenam o trabalho coletivo para a construção de casas maiores que funcionam como centros cerimoniais. Esses líderes são indivíduos que possuem um grande conhecimento esotérico e se mobilizam para manter e aumentar os bens sagrados de sua maloca, podendo disponibilizar os recursos necessários para patrocinar os rituais. Tais capacidades rituais prestam-se a fortalecer sua posição política.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Tukano e os Maku ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos das famílias lingüísticas Tukano Oriental e Maku convivem mais intensamente na região de interflúvio entre os rios Tiquié e Papuri e, em menor escala, entre o Papuri e o Médio Uaupés (trecho entre Iauareté e a foz do Querari). Nesta área, desenvolveram uma estratégia de complementaridade, uma vez que tradicionalmente ocupam espaços distintos e adotam práticas de manejo do meio ambiente específicas. Distintamente dos Tukano, que vivem nos rios maiores, os Maku preferem os igarapés menores, mais no centro da floresta. São bons caçadores, coletores de frutas silvestres e conhecem muito bem os caminhos na mata. Os Tukano, por sua vez, são agricultores dedicados e pescadores; mesmo quando caçam, preferem fazê-lo de canoa, surpreendendo pacas e antas que vão até a beira do rio beber água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista dos Tukano, os Maku formam uma categoria sui generis, na medida em que se diferenciam tanto dos afins quanto dos parentes de mesma descendência, pois não são casáveis e não são assimilados a eles através da terminologia de parentesco. Os Maku representam uma referência central no sistema conceitual tukano, estando associados às categorias hierárquicas mais baixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku mantêm com os Tukano relações de troca e colaboração intermitentes. Em geral, grupos domésticos maku tomam a iniciativa de se associar a grupos domésticos tukano, sendo também eles que decidem quando devem ir embora para seus sítios ou mudar de &amp;quot;patrão&amp;quot; tukano. Eles podem permanecer apenas uma semana ou vários meses com os Tukano, mas existem casos em que a relação é mais estável e certos Maku se acostumam a prestar serviços para grupos domésticos tukano específicos, mantendo a colaboração através de gerações. Mesmo nestes casos, a convivência é interrompida quando os Maku resolvem cuidar de suas próprias casas e roças ou viajar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku procuram trabalho quando estão passando por momentos de maior privação (suas roças são em geral insuficientes e há períodos pouco propícios para a caça). Nestas situações, oferecem seus serviços aos Tukano: as mulheres trabalham nas roças e no processamento da mandioca e os homens caçam, fazem ipadu ou pegam alguma empreitada (troca da cobertura de uma casa, derrubada da mata para roça etc.). Em troca, os Tukano pagam com parte da produção da cozinha (farinha, beiju etc.), os homens recebem ipadu e fumo e ainda roupas usadas, ferramentas, redes, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a família maku é muito grande e o custo, em termos de exploração da roça, é alto para a grupo doméstico tukano que os recebeu, este pode expulsá-los. Mais freqüente, porém, é que os próprios Maku se sintam fartos e desfavorecidos, retirando-se para seu assentamento por conta própria e levando consigo um suprimento de farinha e tapioca. Nesses casos, os Tukano reclamam de que eles saem sem dizer nada, de uma hora para outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que mais marca a relação entre estes dois grupos é a grande autonomia dos Maku, que os Tukano não podem violar. Os Maku procuram os Tukano visando suprir necessidades imediatas de alimentos; os Tukano aceitam os Maku e lhes encarregam de vários serviços. Algumas vezes os Maku também participam dos multirões para derrubar ou plantar roça promovidos pelos Tukano, quando é oferecido caxiri. Mas nessas ocasiões as relações são distantes e frias, não envolvendo intimidade. De modo geral, os Maku quase nunca comem junto com os Tukano ou se sentam próximos, a não ser nas manhãs em que há refeição comunitária e alguns Maku estão presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A distância social é marcada pelas atitudes. Quando um Tukano conversa com um Maku, este se posiciona a certa distância, olhando para outro lado. Em outro exemplo, ao devolver um cigarro que um Tukano pediu para “rezar” (para cortar alguma dor que um filho ou a própria pessoa está sentido), o homem Maku, ao invés de entregá-lo na mão, agacha-se próximo e joga o cigarro no chão, perto daquele que o solicitou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre os Tukano e os Maku é celebrada em grandes dabucuris (rituais de oferecimento), realizados na época de coleta de certas frutas do mato (como ingá, cunuri, buriti e açaí silvestre). Nestas ocasiões, os Tukano preparam muito caxiri e ipadu para receber os Maku, que chegam ainda de madrugada, antes do alvorecer, tocando trompetes, pequenos tambores e fazendo muito barulho. Trazem grandes quantidades de frutas que, inicialmente, deixam na beira do rio, para depois conduzi-las para dentro da casa de festa, no momento propício do ritual (quando há um diálogo cerimonial entre um par de homens Tukano e outro Maku). Conjuntos de tocadores de flautas pã maku se revezam ao longo da festa com conjuntos formados por homens e rapazes tukano. Eles formam pares de dança com as mulheres, sejam elas tukano ou maku, indistintamente. A mesma cerimônia também pode ser feita com o oferecimento de carne de caça moqueada; os papéis também podem ser invertidos, passando os Tukano a oferecer beiju e farinha aos Maku. Em geral a festa ocorre no povoado tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;nunca se acomodam em um lugar, estando sempre indo e vindo, inquietos;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são agricultores displicentes e, além disto, não sabem manejar o cultivo, não esperam o tempo mais produtivo da mandioca, arrancando logo tudo para fazer caxiri; os homens fazem o mesmo com os pés de coca, desfolham sem controle e acabam tendo que apelar para os Tukano para conseguir ipadu (que é uma necessidade diária);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são vistos com desconfiança, não raro acusados de saquearem as roças tukano e ainda disfarçarem o roubo fincando a haste da maniva no solo depois de arrancar o tubérculo; também lhes são atribuídos o sumiço de ferramentas, roupas e outros;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;a endogamia local e a constante transformação na constituição dos grupos locais são mau vistos pelos Tukano, que ainda enfatizam certos casamentos incestuosos, como se não houvesse regras definidas de casamento;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;os Tukano também dizem que eles não têm higiene, não se limpam nem penteiam o cabelo e andam maltrapilhos, com roupas velhas e encardidas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Esta visão dos Maku tem alguns desdobramentos práticos, por exemplo, o casamento com eles é expressamente proibido e uma pessoa que tenha alguma ascendência maku (seja por parte do pai ou da mãe) é estigmatizada. Contudo, o casamento de um homem tukano com uma mulher maku é mais aceitável do que o casamento de um homem maku com uma tukano, que é impraticável. Com o contato, representado pela intensificação do comércio, da catequização e da educação escolar, ocorreram mudanças na relação entre esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano passaram a intermediar a entrada e troca de mercadorias industrializadas. Ao passo que os Tukano aderiram à prática, hoje muito valorizada e difundida, de mandar seus filhos para a escola até o final do ensino fundamental e, menos freqüentemente, para o ensino médio na cidade, os Maku jamais se adaptaram ao sistema escolar e as tentativas promovidas pelos missionários foram todas fracassadas. Mesmo as escolas criadas nos povoados Maku, com professores tukano, raramente dão bons resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, a intensa migração dos Tukano para os centros missionários ou urbanos, como as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, tem levado a um processo de esvaziamento de algumas áreas. Isto tem propiciado o estabelecimento de povoados maku no curso principal dos rios, como é o caso do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Márcio Meira, 1990.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209289-1/uaupes_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como princípio básico, a cosmologia tukano combina perspectiva móvel, replicação da organização social em diferentes escalas da existência - corpo, communidade, casa e cosmos, e organização análoga entre níveis diferentes da experiência. O universo é feito de três camadas básicas: céu, terra e &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. Cada camada é um mundo em si, com seus seres específicos e podendo ser entendidos tanto em termos abstratos como concretos. Em contextos diferentes, o &amp;quot;céu&amp;quot; pode ser o mundo do sol, da lua e das estrelas, ou o mundo dos pássaros que voam alto, ou os topos achatados dos tepuis (topos achatados das montanhas) dos quais descem as águas ou o mundo dos topos das árvores da floresta, ou mesmo uma cabeça enfeitada com um cocar de penas vermelhas e amarelas de arara, que são as cores do sol. Do mesmo modo, o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; pode ser o Rio dos Mortos debaixo da terra, o barro amarelo debaixo da camada do solo onde enterram-se os mortos, ou o mundo aquático dos rios subterrâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De toda forma, o que define o &amp;quot;céu&amp;quot; ou o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma &amp;quot;camada&amp;quot; são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou &amp;quot;Terra&amp;quot;, o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos simbólicos, a maloca é o universo e o universo é uma maloca. O teto de palha é o céu, os esteios de suporte são as montanhas, as paredes são as cadeias de serras que parecem cercar a paisagem visível na beira do mundo, e sob o chão corre o Rio dos Mortos. A maloca tem duas portas: uma no leste que é a dos homens, ou a &amp;quot;porta da água&amp;quot;; outra das mulheres a oeste, com uma longa cumeeira que corre ao longo do teto da casa entre as duas portas, que é &amp;quot;o caminho do Sol&amp;quot;. Nessa região equatorial, os rios subterrâneos correm do oeste para o leste, ou da porta das mulheres para a porta dos homens; completando um circuito fechado da água, o Rio dos Mortos corre do leste para o oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maloca tanto é o universo, como também é um corpo, ao mesmo tempo o &amp;quot;corpo canoa&amp;quot; do ancestral-Anaconda e os corpos de seus filhos nele contidos. Esses filhos são os habitantes da casa, réplicas do ancestral original, receptáculos de futuras gerações e, eles mesmos, futuros ancestrais. Mas, se a maloca é um corpo humano, sua feição também é uma questão de perspectiva. Do ponto de vista masculino, a frente pintada da maloca é um rosto de homem, a &amp;quot;porta dos homens&amp;quot; é sua boca, a viga mestra e as laterais são a sua coluna e costelas, o centro da casa é seu coração, e a porta das mulheres o seu ânus. Do ponto de vista das mulheres, a coluna, as costelas e o coração permanecem os mesmos, mas o resto do corpo é invertido: a porta das mulheres é a sua boca, a porta dos homens a sua vagina e o interior da casa o seu ventre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são &amp;quot;rios&amp;quot;; e, ainda, que os vermes parasitas são &amp;quot;anacondas&amp;quot;. Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;amp;q&amp;amp;amp;f=false&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O ciclo da vida ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia Tuyuka com seu filho em um evento cultural em São Paulo. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209292-1/uaupes_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo em mente os princípios cosmológicos sintetizados no item anterior, podemos começar a perceber como alguns processos vitais são elaborados em termos cosmológicos e como se relacionam a práticas rituais associadas ao ciclo de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A digestão, evacuação, decomposição e morte envolvem um fluxo passivo do alto para o baixo, de rio acima para rio abaixo, do Oeste para o Leste. A vida em si é um movimento, às vezes uma luta, de acordo com esse fluxo: as plantas crescem em direção ao sol e as pessoas devem crescer para cima enquanto amadurecem. O Sol, ou ''Yeba Hakü'' (na língua barasana), o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, fonte de luz e da vida, move-se constantemente contra a corrente, subindo os rios da terra do Leste para o Oeste durante o dia e subindo o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; durante a noite, para aparecer de novo no Leste. O ancestral-Anaconda que trouxe a humanidade para o mundo também viajou como o Sol, no sentido Leste para o Oeste, parando quando alcançou o meio do universo. Esse mesmo movimento de Leste a Oeste foi também uma ascensão da água para a terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ancestal-Anaconda, um ser aquático, é o próprio rio no qual ele viajou, e os seres em seu interior somente assumiram a forma humana quando emergiram na terra firme; antes disso, eram &amp;quot;gente peixe&amp;quot;, espíritos na forma de ornamentos de penas. Os animais são chamados ''wai-bükürã'', &amp;quot;peixes maduros&amp;quot;; e, logicamente, entre eles estão os seres humanos, seres que estão a meio-caminho entre os &amp;quot;peixes-espíritos&amp;quot; que eram antes e os &amp;quot;espíritos-pássaros&amp;quot; que se tornarão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do ancestral-Anaconda é uma narrativa sagrada sobre os primórdios e, provavelmente, uma versão das migrações históricas dos povos Tukano. Também pode ser entendida como uma história sobre a ecologia, sobre as migrações anuais rio acima de peixes amazônicos que vêm desovar nas cabeceiras; e uma história sobre a reprodução humana, que também envolve uma penetração ascendente, no sentido &amp;quot;Leste-Oeste&amp;quot;, rumo a uma &amp;quot;porta da água&amp;quot;, num fluxo ascendente de sêmen, e uma passagem do mundo aquático do ventre para o mundo seco da existência humana na terra. Não é de se admirar então que &amp;quot;nascer&amp;quot; é ''hoe-hea'' (em barasana), que significa &amp;quot;atravessar rumo a um nível mais alto&amp;quot;. Mas o nascimento também envolve um movimento de descida pelo canal do corpo feminino - cosmologicamente um movimento do Oeste para o Leste e, em termos sociais, um movimento da mãe para o pai ou das mulheres para os homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para entender esses movimentos, porém, é preciso começar pela morte. Alguns índios do Uaupés, os Kubeo em particular, encenam rituais elaborados de luto em que dançarinos com máscaras pintadas e feitas de casca de árvore se tornam peixes, animais, e outros seres da floresta para dar boas-vindas à alma do morto no mundo dos espíritos. Mas o enterro tukano em si é um evento simples: a cova é o chão da maloca e o caixão uma canoa cortada ao meio. Esse sepultamento simples é o prelúdio para um futuro nascimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tukano compartilham uma noção de reencarnação segundo a qual, quando uma pessoa morre, um aspecto de sua alma volta para a &amp;quot;casa de transformação&amp;quot;, local de origem do grupo. Depois, a alma volta ao mundo dos vivos encarnada em um recém-nascido que recebe o seu nome. As pessoas recebem o nome de um parente recentemente falecido do lado paterno, o avô paterno para um menino ou a avó paterna para uma menina. Cada grupo possui um conjunto limitado de nomes pessoais que vão sendo retransmitidos a cada geração. O aspecto visível dessas &amp;quot;almas-nomes&amp;quot; são os cocares de penas usados pelos dançarinos, que também são enterrados com os mortos. O rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; é descrito como repleto de ornamentos, assim como na história de origem os espíritos dentro da canoa-Anaconda tiveram a forma de ornamentos de dança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sepultadas em canoas, as almas dos mortos caem para o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. De lá, são levadas pela correnteza do rio subterrâneo para o Oeste e às regiões rio acima deste mundo. As mulheres não dão à luz na maloca, mas numa roça no interior da floresta, rio acima e atrás da casa - também ao Oeste. O recém-nascido é primeiramente lavado no rio e depois levado para dentro da maloca pela porta traseira, a &amp;quot;porta das mulheres&amp;quot;. Confinado dentro da casa por cerca de uma semana com seu pai e mãe, ele é então banhado de novo no rio e recebe um nome. Assim, em termos cosmológicos, os bebês de fato vêm das mulheres, da água, do Oeste.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Pessoas, animais e objetos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209294-1/uaupes_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Masa'' (em barasana), a palavra para &amp;quot;gente&amp;quot;, é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são &amp;quot;gente&amp;quot; - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como &amp;quot;bicho de pau&amp;quot;); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu &amp;quot;ar&amp;quot;, é impressionante que os humanos não saibam respirar &amp;quot;debaixo da água&amp;quot;. Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o denominador comum de todas essas &amp;quot;gentes&amp;quot; é a sua subjetividade e para elas, na condição de sujeitos, seu próprio modo de vida é aquele da cultura humana, as diferenças entre tais &amp;quot;gentes&amp;quot; repousam em seus diferentes corpos: em sua forma, cor, sons, hábitos corporais e dieta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas diferenças estão culturalmente representadas em diferentes gêneros alimentícios de uso ritual, tais como coca, tabaco e a ayahuasca, bem como tintas corporais distintas, ornamentos e roupas, ou como diferentes armas e equipamento ritual. Os índios se referem a todos esses itens como ''küni-oka'', &amp;quot;armas ou escudos&amp;quot;, idéia que faz lembrar os uniformes de exército com seus brasões - ao mesmo tempo identidade, vestimenta e arma de defesa. Nessa lógica, as diferenças entre os grupos humanos são representadas como naturais e inerentes. Conceitualmente, os vários grupos tukano constituem tantas &amp;quot;espécies&amp;quot; diferentes quanto as múltiplas espécies animais são &amp;quot;povos&amp;quot; diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na vida cotidiana, as pessoas enfatizam sua diferença dos animais, mas no mundo dos espíritos, ao qual se tem acesso pelos rituais, pelo xamanismo, pelos sonhos e pelas visões de ayahuasca, as perspectivas se fundem, as diferenças são abolidas, o passado é presente, e pessoas e animais voltam a ser um. Isto tem importantes repercussões práticas, pois, onde os animais são pessoas, caçá-los e ingerir sua carne é equivalente à guerra e canibalismo. Muitas doenças são assim diagnosticadas como a vingança dos animais que os humanos matam e comem. O risco advindo dos animais é proporcional a seu tamanho e habitat: as antas são mais perigosas do que os macacos, os animais terrestres são mais perigosos do que os peixes, e peixes grandes mais perigosos do que os pequenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perigo também está relacionado ao contato com o domínio metafísico. Um nascimento neste mundo provoca ressentimento entre os espíritos-animais - para eles, representa uma morte. Os bebês humanos, recém-migrantes do mundo dos espíritos, não estão ainda firmemente ancorados a seus corpos e, portanto, precisam ser protegidos das antas ciumentas que ameaçam ingeri-los através de seus ânus - um nascimento ao avesso. Enquanto visitantes do mundo dos espíritos, as mulheres menstruadas e os homens que tomam parte nos rituais ganham temporariamente ''status ''de criança e devem restringir sua dieta, evitando alimentos perigosos. Para cozinhar o peixe ou a carne com segurança, um xamã deve primeiro soprar encantações para remover os seus &amp;quot;escudos de proteção&amp;quot; ou &amp;quot;armas&amp;quot; (tintas, peles, dentes, espinhos, escamas e outros atributos corporais identificados aos animais ou peixes) que podem comprometer a identidade especificamente humana do consumidor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As qualidades de personificação, subjetividade e intencionalidade que os índios aplicam aos animais e os peixes também se estendem ao cosmos como um todo. Os mitos dos povos do Uaupés também são mitos sobre a paisagem, cujos traços distintivos - as serras e montanhas, os rios, as rochas e cachoeiras -, têm nomes que evocam as histórias de sua criação ancestral. Viajar por terra ou canoa é seguir essas histórias e compartilhar os atos de criação descritos por elas. Muitas histórias contam sobre as antigas migrações, atribuindo à paisagem uma dupla dimensão - a dos atos primordiais de criação e a dos atos mais recentes, como a construção de casas e abertura de roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poderes de criação ancestral incutidos na paisagem se estendem às plantas, peixes, animais e seres humanos que a habitam e também aos objetos confeccionados a partir dos materiais que dela provêm. Nos mitos, os objetos cotidianos tais como canoas, bancos, cestos e potes, emergem como seres animados e autônomos - como visto, do mesmo modo que os animais podem ser gente, as malocas podem ser os corpos dos ancestrais ou daqueles que as construíram. Os objetos confeccionados condensam dois tipos de potência: os poderes de sua matéria-prima e as habilidades e intenções de seus fabricantes. Conseqüentemente, o processo de fabricação dos objetos tem uma importante dimensão religiosa. Durante os ritos de iniciação, os homens e mulheres jovens são sistematicamente treinados na confecção de artesanato, um treinamento que é a um só tempo intelectual, espiritual e técnico. Fazer artesanato é concomitantemente confeccionar a si mesmo e o mundo, numa forma de meditação que traz à tona as interconexões entre objetos, corpos, casas, e o universo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Missionários, colonos e a modernidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de contato dos povos do Uaupés com os não indígenas é muita antiga, bem anterior ao grande auge da borracha na virada do século XX, remetendo às incursões maciças dos portugueses em busca de escravos na primeira metade do século XVIII. Embora o impacto desses raptores e o contato traumático e duradouro com os seringalistas, esses comerciantes estavam mais interessados nos corpos dos índios do que nas suas almas; em termos religiosos, e talvez em termos sociais também, foram os missionários que provocaram as maiores transformações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A penetração efetiva dos missionários começou ao final do século XIX, com a chegada dos Franciscanos. Estes, e os Salesianos que os seguiram, viram a cultura dos povos do Uaupés através das lentes de suas próprias categorias religiosas: as malocas dos índios eram consideradas &amp;quot;antros licenciosos e promíscuos&amp;quot;, as suas festas de dança ocasiões de &amp;quot;indecência e embriaguez&amp;quot;, os pajés eram &amp;quot;charlatões&amp;quot; que aliciavam o povo, e o culto de ''Yurupari ''nada mais era do que o &amp;quot;culto ao Diabo&amp;quot; em pessoa. Sem conhecer e sem a mínima intenção de saber o quê essas coisas realmente significavam, os missionários começaram a destruir uma civilização em nome de outra, queimando as malocas dos índios, destruindo os seus ornamentos de penas, quebrando seus recipientes de caxiri, perseguindo os pajés e expondo os ''Yurupari ''às mulheres e crianças reunidas na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os padres atacavam os fundamentos da cultura indígena, transformaram as suas sociedades, encurralando as pessoas em vilas com casas rigidamente ordenadas, uma para cada família, e removendo à força seus filhos para serem educados nas escolas ou internatos. Sob o regime estrito dos internatos, as crianças foram ensinadas a rejeitar os valores e os modos de vida dos seus pais, incentivadas a casar-se dentro de seus próprios grupos, e proibidas de falar as línguas que lhes conferiam identidades múltiplas e interligadas. Para os missionários, somente uma identidade importava, a identidade indígena genérica, que impedia o progresso da &amp;quot;civilização&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação inicial contra a exploração pelos comerciantes, as pressões dos missionários e as epidemias que dizimaram a população indígena, irrompeu uma série de movimentos milenaristas na região do Uaupés durante a segunda metade do século XIX. Vestindo-se de padres e identificando-se com Cristo e os santos, os pajés-profetas conduziram o povo na &amp;quot;Dança da Cruz&amp;quot;, uma fusão dos rituais de caxiri e dabukuri tradicionais com elementos do catolicismo, que prometiam a libertação da opressão dos brancos e o alívio dos &amp;quot;pecados&amp;quot; que acreditavam ser a causa das epidemias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os missionários foram rechaçados por seus ataques contra a cultura indígena, também foram bem recebidos como fonte de bens manufaturados, como defensores dos índios contra os piores abusos dos seringalistas e como provedores da educação que as crianças indígenas precisariam para se sair bem nas novas circunstâncias. Dos anos 1920 em diante, os Salesianos estabeleceram uma cadeia de missões pela região no lado brasileiro da fronteira, alcançando o alto Tiquié no começo dos anos 40 e destruindo a última maloca nos anos 60. Hoje, a despeito do número crescente de evangélicos, a maioria dos índios do Uaupés se considera católico. Enquanto aumenta cada vez mais o número de pessoas que estão deixando suas aldeias para ir a São Gabriel em busca de educação e emprego, a vida nas malocas e a rica diversidade ritual que a acompanhava persiste agora somente na memória dos mais velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos povoados, um centro comunitário substituiu a maloca como foco de atividades coletivas. O centro serve ao mesmo tempo para as orações matutinas conduzidas por um Capitão e catequista, e para as refeições comunitárias, caxiris e dabukuris que marcam eventos importantes nas vidas dos aldeões: expedições de pesca, trabalho coletivo em projetos comunitários, os dias de santo do calendário católico, formaturas escolares, eventos esportivos, reuniões políticas etc. Transformações das antigas festas, esses caxiris e dabukuris de hoje em dia ainda incluem danças e bebidas - mas as danças não são mais acompanhadas pela música nativa e as flautas de pã, mas sim pelo forró e, ao invés da relativa moderação do passado, a cachaça é livremente consumida e seu freqüentemente consumo leva a discussões e brigas. Com níveis crescentes de alcoolismo, a embriaguez que os missionários imaginavam ver nas festas tradicionais hoje tem se tornado uma realidade cruel da civilização que os missionários trouxeram consigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado colombiano, sob o regime dos Monfortianos, o policiamento e a inserção dos missionários foram muito parecidos às dos Salesianos mas, no final dos anos 50, os Monfortianos foram substituídos pelos mais liberais Javerianos. Estes eram identificados com a nova Teologia da Libertação, que pregava a tolerância com a cultura indígena e acomodação com seus valores e crenças; isto, junto com o isolamento da região, explica porque os habitantes do Pira-Paraná ainda conseguem conservar boa parte da sua religião tradicional e do seu modo de vida. No lado brasileiro, a mudança foi mais lenta, mas, depois que a os Salesianos foram denunciados no Tribunal Russell em 1980 pelo crime de etnocídio, eles finalmente começaram a adotar uma linha mais liberal e progressista.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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		<author><name>RoboManutenção</name></author>
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		<title>Povo:Kubeo</title>
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		<updated>2018-08-20T19:20:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209266-1/uaupes_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família lingüística Tukano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tukano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tukano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tukano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguns contextos, o Tukano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua tukano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tukano. Já as línguas classificadas como tukano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tukano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/desano/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Desana @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Fonte: Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209269-1/uaupes_3.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel. Iaraueté, além de ser um centro de ocupação tradicional dos Tariana, abriga também uma grande missão dos salesianos e um pelotão de fronteira do exército. Existem ainda outras duas missões salesianas na bacia do Uaupés, uma em Taracuá (na confluência desse rio com o Tiquié) e outra no Alto Tiquié, chamada Pari-Cachoeira. Também há um destacamento do Exército na confluência do Querari com o Uaupés e outro em Pari-Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etnias e demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas etnias também estão presentes nas cidades da região, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. As etnias presentes na bacia do Uaupés são as seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) [[Povo:Arapaso | Arapaso]]: Etnia de origem tukano oriental que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2 ) [[Povo:Bará | Bará]]: Autodenominam-se Waípinõmakã. Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié, acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia; o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri) e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná). Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes de um ancestral comum que não podem casar entre si). São especialistas no preparo do aturá de turi, muito usado onde não são disponíveis os aturás de cipó maku. Também fabricam o carajuru. São hábeis ainda na confecção de canoas. Atualmente são os principais especialistas na fabricação dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3) [[Povo: Barasana | Barasana]]: Autodenominam-se Hanera. Vivem nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná, em território colombiano. Também encontram-se dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se 36 subdivisões nomeadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) [[Povo:Desana | Desana]]: Autodenominam-se Umukomasã. Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu; além de trechos do Rio Uaupés e Negro (inclusive cidades da região). Existem aproximadamente 30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas em certos tipos de cestos trançados, como apás grandes (balaios com aros internos de cipó) e cumatás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5) [[Povo:Karapanã | Karapanã]]: Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí (afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6) [[Povo:Kubeo | Kubeo]]: Autodenominam-se Kubéwa ou Pamíwa. Possuem uma língua bem particular da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande maioria, se encontram residindo em território colombiano, na região do Alto Uaupés, incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón. No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés e estão em pequeno número no Alto Aiari. Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados. Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três fratrias não nomeadas que funcionam como unidades para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma língua. São especializados na fabricação das máscaras de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) [[Povo: Makuna | Makuna]]: Autodenominam-se Yeba-masã. Vivem principalmente no território vizinho da Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya, afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes, os igarapés Castanha e Onça. Estão divididos em cerca de 12 sibs. São especializados em zarabatanas e curare, são também hábeis fabricantes de canoas, além de fornecerem remos leves e muito bem acabados aos índios do Alto Tiquié.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8) [[Povo: Miriti-tapuya | Miriti-tapuya ou Buia-tapuya]]: Atualmente falam apenas a língua tukano. São habitantes tradicionais do Baixo e Médio Tiquié, destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé, Vila Nova e Micura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9) [[Povo: Pira-tapuya | Pira-tapuya]]: Autodenominam-se Waíkana. Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem também em localidades do Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10) [[Povo: Siriano | Siriano]]: Autodenominam-se Siria-masã. Moram no Caño Paca e Caño Viña, afluentes do Alto Papuri, em território colombiano. No Brasil são encontrados dispersos em rios da bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações referentes a 27 sibs siriano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11) Taiwano, Eduria ou Erulia: Autodenominam-se Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu, afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari, afluente do Apapóris. Todas estas áreas estão situadas em território colombiano. Há informações que dão conta de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12) [[Povo: Tariana | Tariana]]: Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam outrora uma língua pertencente à família Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras de Iauareté e Periquito. São especializados em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13) [[Povo: Tatuyo]]: Autodenominam-se Umerekopinõ. Habitam uma área situada na Colômbia: o Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño Japu. No Brasil, são representados sobretudo por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem cerca de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14) [[Povo: Tukano | Tukano]]: Autodenominam-se Ye’pâ-masa ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família lingüística Tukano Oriental. Concentram-se principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés; mas também estão morando no Rio Negro, a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade de São Gabriel. É possível que existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano, cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões ocorridas nos últimos séculos, as posições hierárquicas são razão de polêmicas e versões variadas. Os Tukano são fabricantes tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva) e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos semelhantes àqueles dos trançados. É um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores) e bayá (chefes de cerimônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15) [[Povo: Tuyuka | Tuyuka]]: Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná. Estão concentrados principalmente no Alto Rio Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes também no trecho do Rio Papuri próximo à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São exímios construtores de canoas e, antigamente, eram especialistas na confecção de redes feitas de fibras de buriti. Também são especializados na confecção do cesto urupema, trançado de finíssimas talas de arumã, usado para coar sumo de frutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16) [[Povo: Kotiria | Kotiria]]: Autodenominam-se Kótiria. Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá (do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos; acima daí, convivem em território onde a maioria é Kubeo. Há informações de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua especialidade no âmbito das relações de troca interétnica é o preparo do carajuru, um pó corante feito com as folhas de um cipó, muito usado na confecção de artefatos rituais e na pintura do banco tukano, bem como para a pintura corporal. Também são hábeis cesteiros e produtores de objetos de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17) [[Povo: Yuruti | Yuruti]]: Autodenominam-se Yutabopinõ. Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde estes igarapés desaguam (em território colombiano). Há informações que possuem nove sibs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir, é apresentada uma tabela com a estimativa populacional de cada etnia:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Etnia&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População no Brasil&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Arapaso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;328&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Barasana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 61&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Desana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.531&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Karapanã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;42&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kotiria&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;287&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;168&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mirity-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pira-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.004&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Siriano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;17&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Taiwano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tariana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tatuyo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tukano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;4.604&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tuyuca&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;593&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yuruti&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;TOTAL&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;11.130&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identidade e diferença ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209272-1/uaupes_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto com seus vizinhos aruak, os Tukano - que serão tratados nesta seção como povos tukano, de modo que o grupo Tukano será diferenciado com letra inicial maiúscula- compõem um sistema sócio-político flexível, cuja integração se dá através de redes de intercâmbio recíproco envolvendo visitas, trocas, casamentos e rituais. A dinâmica desse sistema regional implica a articulação entre semelhança e diferença, entre um repertório comum que confere aos grupos que o compõem alguma medida de identidade e aquilo que os diferenciam uns dos outros, possibilitando a interdependência entre eles. Comecemos com as semelhanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209275-1/uaupes_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano compartilham uma área geográfica contínua e um mesmo modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a &amp;quot;mandioca brava&amp;quot; o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta. Falam línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Também compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas. Esses povos têm ainda estilos de ornamentação corporal semelhantes e, embora as palavras e melodias possam ser diferentes, usam os mesmos instrumentos musicais e a sua música, danças e cantos têm uma base comum. Tais convenções relativas ao modo-de-vida, organização espacial, língua, fala, adornos, música e dança integram o sistema comum de comunicação verbal e não-verbal dos povos do Uaupés, que se expressa mais plenamente nos rituais inter-comunitários.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209278-1/uaupes_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem as suas próprias histórias, mas também compartilham um ''corpus'' mitológico comum. Os mitos explicam as origens do cosmos, descrevendo um mundo perigoso e indiferenciado, sem limites precisos de tempo e espaço, sem diferença entre gente e animal. As narrativas míticas explicam como os feitos dos primeiros seres geraram as feições da paisagem e como o mundo se tornou paulatinamente seguro para a emergência dos verdadeiros seres humanos. Há um mito de origem chave nesse repertório que explica como uma Anaconda-ancestral penetrou o universo/casa através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no leste e subiu os rios Negro e Uaupés com os ancestrais de toda humanidade dentro de seu corpo. Inicialmente, esses ancestrais-espíritos tiveram a forma de ornamentos de pena, mas foram transformados em seres humanos no curso da sua viagem. Quando alcançaram a cachoeira de Ipanoré, o centro do universo, eles emergiram de um buraco nas rochas e se deslocaram para os seus respectivos territórios. Essas narrativas compartilhadas entre os povos do Uaupés expressam uma compreensão comum do cosmos, do lugar dos seres humanos nele e das relações que deveriam existir entre diferentes povos, bem como entre eles e outros seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, cada grupo tem uma identidade singular e um lugar específico dentro do sistema. A população divide-se em aproximadamente 17 grupos exogâmicos, cada qual com direitos sobre um território específico ou trecho de rio com características e potenciais diferentes. Somado a esses fatores ecológicos de diferenciação, cada grupo é tradicionalmente associado à produção de artefatos específicos; assim, os Tukano fabricam banquinhos, os Desana cestos, os Tuyuka canoas etc. Essa produção especializada constitui um aspecto da identidade grupal e mobiliza os cerimoniais de troca (ou ''dabukuris'') que são um dos principais componentes das atividades rituais características da região. Em tais festas, os diferentes grupos se reúnem para dançar, beber caxiri, exibir os seus ornamentos de penas, recitar as linhagens de seus antepassados e trocar os seus produtos (banquinhos por canoas, peixe por carne de caça etc.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem a sua própria língua, o seu conjunto particular de nomes pessoais, os seus específicos cantos de dança e as suas próprias genealogias e narrativas de origem. Cada um tem um ancestral originário da Anaconda que trouxe o povo para o seu território particular. O corpo dessa Anaconda é replicado no trecho do rio onde esse grupo mora, nas malocas em que habitam e na composição dos grupos. A língua, os nomes próprios, os cantos, as histórias e outras formas de discurso operam como emblemas de identidade, afirmam direitos territoriais e privilégios rituais, assim como manifestam aspectos da vida, alma e espírito do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo também possui um ou mais conjuntos de ''Yurupari ''- flautas e trombetes sagrados feitos do tronco da palmeira paxiúba -, que são os ossos de seu ancestral e que incorporam o seu sopro e canto. Junto com as festas e trocas cerimoniais, os rituais envolvendo esses instrumentos musicais - símbolos condensados da identidade, espírito e poder grupal - formam o outro grande componente da vida ritual dos Tukano. Enquanto a troca cerimonial enfatiza a equivalência e interdependência mútua entre grupos diferentes, os rituais de ''Yurupari ''realçam a identidade singular de cada um.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[fevereiro de 2003] '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas. Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs hierarquicamente ordenados. Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios. A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simbolicamente, a maloca reproduz em miniatura o universo e seus habitantes constituem tanto uma réplica quanto um precursor do ideal de organização clânica acima descrita. Assim, o pai da comunidade que habita a maloca seria o ancestral-Anaconda do grupo inteiro e seus filhos seriam os ancestrais dos clãs que dela se originaram. Seguindo essa lógica, o filho mais velho e irmão maior é geralmente o chefe da maloca, e não raro os seus irmãos menores são dançarinos, cantadores ou xamãs, cujos papéis costumam corresponder à ordem de nascimento. Mas poder e posição social dependem de energia e iniciativas pessoais, que não se baseiam apenas em organização formal, parentesco ou ordem de nascimento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Confecção de banco tukano. Foto: Rosa Gauditano, 2002&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209287-1/uaupes_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos rituais e da vida religiosa tukano está centrada em objetos (como ornamentos plumários e as flautas ''Yurupari'') e substâncias sagradas - como a pintura vermelha carayuru, cera de abelha, cera de breu (resina vegetal), epadu (feito com variedades de coca), tabaco e ayahuasca -, assim como em bens menos tangíveis, na forma de nomes, cerimoniais, encantações e cantos. Tais itens são propriedade do grupo e constituem expressões de seus poderes espirituais. Em um nível coletivo e estrutural, os rituais que envolvem tais itens podem ser vistos como expressões formais da identidade do grupo e das relações inter-grupais. Ao mesmo tempo, esses rituais constituem expressões das relações políticas em dada conjuntura. Assim, malocas vizinhas são interligadas por intermédio de líderes carismáticos, que comandam a organização de festas e coordenam o trabalho coletivo para a construção de casas maiores que funcionam como centros cerimoniais. Esses líderes são indivíduos que possuem um grande conhecimento esotérico e se mobilizam para manter e aumentar os bens sagrados de sua maloca, podendo disponibilizar os recursos necessários para patrocinar os rituais. Tais capacidades rituais prestam-se a fortalecer sua posição política.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Tukano e os Maku ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos das famílias lingüísticas Tukano Oriental e Maku convivem mais intensamente na região de interflúvio entre os rios Tiquié e Papuri e, em menor escala, entre o Papuri e o Médio Uaupés (trecho entre Iauareté e a foz do Querari). Nesta área, desenvolveram uma estratégia de complementaridade, uma vez que tradicionalmente ocupam espaços distintos e adotam práticas de manejo do meio ambiente específicas. Distintamente dos Tukano, que vivem nos rios maiores, os Maku preferem os igarapés menores, mais no centro da floresta. São bons caçadores, coletores de frutas silvestres e conhecem muito bem os caminhos na mata. Os Tukano, por sua vez, são agricultores dedicados e pescadores; mesmo quando caçam, preferem fazê-lo de canoa, surpreendendo pacas e antas que vão até a beira do rio beber água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista dos Tukano, os Maku formam uma categoria sui generis, na medida em que se diferenciam tanto dos afins quanto dos parentes de mesma descendência, pois não são casáveis e não são assimilados a eles através da terminologia de parentesco. Os Maku representam uma referência central no sistema conceitual tukano, estando associados às categorias hierárquicas mais baixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku mantêm com os Tukano relações de troca e colaboração intermitentes. Em geral, grupos domésticos maku tomam a iniciativa de se associar a grupos domésticos tukano, sendo também eles que decidem quando devem ir embora para seus sítios ou mudar de &amp;quot;patrão&amp;quot; tukano. Eles podem permanecer apenas uma semana ou vários meses com os Tukano, mas existem casos em que a relação é mais estável e certos Maku se acostumam a prestar serviços para grupos domésticos tukano específicos, mantendo a colaboração através de gerações. Mesmo nestes casos, a convivência é interrompida quando os Maku resolvem cuidar de suas próprias casas e roças ou viajar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku procuram trabalho quando estão passando por momentos de maior privação (suas roças são em geral insuficientes e há períodos pouco propícios para a caça). Nestas situações, oferecem seus serviços aos Tukano: as mulheres trabalham nas roças e no processamento da mandioca e os homens caçam, fazem ipadu ou pegam alguma empreitada (troca da cobertura de uma casa, derrubada da mata para roça etc.). Em troca, os Tukano pagam com parte da produção da cozinha (farinha, beiju etc.), os homens recebem ipadu e fumo e ainda roupas usadas, ferramentas, redes, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a família maku é muito grande e o custo, em termos de exploração da roça, é alto para a grupo doméstico tukano que os recebeu, este pode expulsá-los. Mais freqüente, porém, é que os próprios Maku se sintam fartos e desfavorecidos, retirando-se para seu assentamento por conta própria e levando consigo um suprimento de farinha e tapioca. Nesses casos, os Tukano reclamam de que eles saem sem dizer nada, de uma hora para outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que mais marca a relação entre estes dois grupos é a grande autonomia dos Maku, que os Tukano não podem violar. Os Maku procuram os Tukano visando suprir necessidades imediatas de alimentos; os Tukano aceitam os Maku e lhes encarregam de vários serviços. Algumas vezes os Maku também participam dos multirões para derrubar ou plantar roça promovidos pelos Tukano, quando é oferecido caxiri. Mas nessas ocasiões as relações são distantes e frias, não envolvendo intimidade. De modo geral, os Maku quase nunca comem junto com os Tukano ou se sentam próximos, a não ser nas manhãs em que há refeição comunitária e alguns Maku estão presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A distância social é marcada pelas atitudes. Quando um Tukano conversa com um Maku, este se posiciona a certa distância, olhando para outro lado. Em outro exemplo, ao devolver um cigarro que um Tukano pediu para “rezar” (para cortar alguma dor que um filho ou a própria pessoa está sentido), o homem Maku, ao invés de entregá-lo na mão, agacha-se próximo e joga o cigarro no chão, perto daquele que o solicitou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre os Tukano e os Maku é celebrada em grandes dabucuris (rituais de oferecimento), realizados na época de coleta de certas frutas do mato (como ingá, cunuri, buriti e açaí silvestre). Nestas ocasiões, os Tukano preparam muito caxiri e ipadu para receber os Maku, que chegam ainda de madrugada, antes do alvorecer, tocando trompetes, pequenos tambores e fazendo muito barulho. Trazem grandes quantidades de frutas que, inicialmente, deixam na beira do rio, para depois conduzi-las para dentro da casa de festa, no momento propício do ritual (quando há um diálogo cerimonial entre um par de homens Tukano e outro Maku). Conjuntos de tocadores de flautas pã maku se revezam ao longo da festa com conjuntos formados por homens e rapazes tukano. Eles formam pares de dança com as mulheres, sejam elas tukano ou maku, indistintamente. A mesma cerimônia também pode ser feita com o oferecimento de carne de caça moqueada; os papéis também podem ser invertidos, passando os Tukano a oferecer beiju e farinha aos Maku. Em geral a festa ocorre no povoado tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;nunca se acomodam em um lugar, estando sempre indo e vindo, inquietos;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são agricultores displicentes e, além disto, não sabem manejar o cultivo, não esperam o tempo mais produtivo da mandioca, arrancando logo tudo para fazer caxiri; os homens fazem o mesmo com os pés de coca, desfolham sem controle e acabam tendo que apelar para os Tukano para conseguir ipadu (que é uma necessidade diária);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são vistos com desconfiança, não raro acusados de saquearem as roças tukano e ainda disfarçarem o roubo fincando a haste da maniva no solo depois de arrancar o tubérculo; também lhes são atribuídos o sumiço de ferramentas, roupas e outros;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;a endogamia local e a constante transformação na constituição dos grupos locais são mau vistos pelos Tukano, que ainda enfatizam certos casamentos incestuosos, como se não houvesse regras definidas de casamento;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;os Tukano também dizem que eles não têm higiene, não se limpam nem penteiam o cabelo e andam maltrapilhos, com roupas velhas e encardidas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Esta visão dos Maku tem alguns desdobramentos práticos, por exemplo, o casamento com eles é expressamente proibido e uma pessoa que tenha alguma ascendência maku (seja por parte do pai ou da mãe) é estigmatizada. Contudo, o casamento de um homem tukano com uma mulher maku é mais aceitável do que o casamento de um homem maku com uma tukano, que é impraticável. Com o contato, representado pela intensificação do comércio, da catequização e da educação escolar, ocorreram mudanças na relação entre esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano passaram a intermediar a entrada e troca de mercadorias industrializadas. Ao passo que os Tukano aderiram à prática, hoje muito valorizada e difundida, de mandar seus filhos para a escola até o final do ensino fundamental e, menos freqüentemente, para o ensino médio na cidade, os Maku jamais se adaptaram ao sistema escolar e as tentativas promovidas pelos missionários foram todas fracassadas. Mesmo as escolas criadas nos povoados Maku, com professores tukano, raramente dão bons resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, a intensa migração dos Tukano para os centros missionários ou urbanos, como as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, tem levado a um processo de esvaziamento de algumas áreas. Isto tem propiciado o estabelecimento de povoados maku no curso principal dos rios, como é o caso do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Márcio Meira, 1990.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209289-1/uaupes_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como princípio básico, a cosmologia tukano combina perspectiva móvel, replicação da organização social em diferentes escalas da existência - corpo, communidade, casa e cosmos, e organização análoga entre níveis diferentes da experiência. O universo é feito de três camadas básicas: céu, terra e &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. Cada camada é um mundo em si, com seus seres específicos e podendo ser entendidos tanto em termos abstratos como concretos. Em contextos diferentes, o &amp;quot;céu&amp;quot; pode ser o mundo do sol, da lua e das estrelas, ou o mundo dos pássaros que voam alto, ou os topos achatados dos tepuis (topos achatados das montanhas) dos quais descem as águas ou o mundo dos topos das árvores da floresta, ou mesmo uma cabeça enfeitada com um cocar de penas vermelhas e amarelas de arara, que são as cores do sol. Do mesmo modo, o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; pode ser o Rio dos Mortos debaixo da terra, o barro amarelo debaixo da camada do solo onde enterram-se os mortos, ou o mundo aquático dos rios subterrâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De toda forma, o que define o &amp;quot;céu&amp;quot; ou o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma &amp;quot;camada&amp;quot; são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou &amp;quot;Terra&amp;quot;, o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos simbólicos, a maloca é o universo e o universo é uma maloca. O teto de palha é o céu, os esteios de suporte são as montanhas, as paredes são as cadeias de serras que parecem cercar a paisagem visível na beira do mundo, e sob o chão corre o Rio dos Mortos. A maloca tem duas portas: uma no leste que é a dos homens, ou a &amp;quot;porta da água&amp;quot;; outra das mulheres a oeste, com uma longa cumeeira que corre ao longo do teto da casa entre as duas portas, que é &amp;quot;o caminho do Sol&amp;quot;. Nessa região equatorial, os rios subterrâneos correm do oeste para o leste, ou da porta das mulheres para a porta dos homens; completando um circuito fechado da água, o Rio dos Mortos corre do leste para o oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maloca tanto é o universo, como também é um corpo, ao mesmo tempo o &amp;quot;corpo canoa&amp;quot; do ancestral-Anaconda e os corpos de seus filhos nele contidos. Esses filhos são os habitantes da casa, réplicas do ancestral original, receptáculos de futuras gerações e, eles mesmos, futuros ancestrais. Mas, se a maloca é um corpo humano, sua feição também é uma questão de perspectiva. Do ponto de vista masculino, a frente pintada da maloca é um rosto de homem, a &amp;quot;porta dos homens&amp;quot; é sua boca, a viga mestra e as laterais são a sua coluna e costelas, o centro da casa é seu coração, e a porta das mulheres o seu ânus. Do ponto de vista das mulheres, a coluna, as costelas e o coração permanecem os mesmos, mas o resto do corpo é invertido: a porta das mulheres é a sua boca, a porta dos homens a sua vagina e o interior da casa o seu ventre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são &amp;quot;rios&amp;quot;; e, ainda, que os vermes parasitas são &amp;quot;anacondas&amp;quot;. Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;amp;q&amp;amp;amp;f=false&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O ciclo da vida ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia Tuyuka com seu filho em um evento cultural em São Paulo. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209292-1/uaupes_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo em mente os princípios cosmológicos sintetizados no item anterior, podemos começar a perceber como alguns processos vitais são elaborados em termos cosmológicos e como se relacionam a práticas rituais associadas ao ciclo de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A digestão, evacuação, decomposição e morte envolvem um fluxo passivo do alto para o baixo, de rio acima para rio abaixo, do Oeste para o Leste. A vida em si é um movimento, às vezes uma luta, de acordo com esse fluxo: as plantas crescem em direção ao sol e as pessoas devem crescer para cima enquanto amadurecem. O Sol, ou ''Yeba Hakü'' (na língua barasana), o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, fonte de luz e da vida, move-se constantemente contra a corrente, subindo os rios da terra do Leste para o Oeste durante o dia e subindo o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; durante a noite, para aparecer de novo no Leste. O ancestral-Anaconda que trouxe a humanidade para o mundo também viajou como o Sol, no sentido Leste para o Oeste, parando quando alcançou o meio do universo. Esse mesmo movimento de Leste a Oeste foi também uma ascensão da água para a terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ancestal-Anaconda, um ser aquático, é o próprio rio no qual ele viajou, e os seres em seu interior somente assumiram a forma humana quando emergiram na terra firme; antes disso, eram &amp;quot;gente peixe&amp;quot;, espíritos na forma de ornamentos de penas. Os animais são chamados ''wai-bükürã'', &amp;quot;peixes maduros&amp;quot;; e, logicamente, entre eles estão os seres humanos, seres que estão a meio-caminho entre os &amp;quot;peixes-espíritos&amp;quot; que eram antes e os &amp;quot;espíritos-pássaros&amp;quot; que se tornarão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do ancestral-Anaconda é uma narrativa sagrada sobre os primórdios e, provavelmente, uma versão das migrações históricas dos povos Tukano. Também pode ser entendida como uma história sobre a ecologia, sobre as migrações anuais rio acima de peixes amazônicos que vêm desovar nas cabeceiras; e uma história sobre a reprodução humana, que também envolve uma penetração ascendente, no sentido &amp;quot;Leste-Oeste&amp;quot;, rumo a uma &amp;quot;porta da água&amp;quot;, num fluxo ascendente de sêmen, e uma passagem do mundo aquático do ventre para o mundo seco da existência humana na terra. Não é de se admirar então que &amp;quot;nascer&amp;quot; é ''hoe-hea'' (em barasana), que significa &amp;quot;atravessar rumo a um nível mais alto&amp;quot;. Mas o nascimento também envolve um movimento de descida pelo canal do corpo feminino - cosmologicamente um movimento do Oeste para o Leste e, em termos sociais, um movimento da mãe para o pai ou das mulheres para os homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para entender esses movimentos, porém, é preciso começar pela morte. Alguns índios do Uaupés, os Kubeo em particular, encenam rituais elaborados de luto em que dançarinos com máscaras pintadas e feitas de casca de árvore se tornam peixes, animais, e outros seres da floresta para dar boas-vindas à alma do morto no mundo dos espíritos. Mas o enterro tukano em si é um evento simples: a cova é o chão da maloca e o caixão uma canoa cortada ao meio. Esse sepultamento simples é o prelúdio para um futuro nascimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tukano compartilham uma noção de reencarnação segundo a qual, quando uma pessoa morre, um aspecto de sua alma volta para a &amp;quot;casa de transformação&amp;quot;, local de origem do grupo. Depois, a alma volta ao mundo dos vivos encarnada em um recém-nascido que recebe o seu nome. As pessoas recebem o nome de um parente recentemente falecido do lado paterno, o avô paterno para um menino ou a avó paterna para uma menina. Cada grupo possui um conjunto limitado de nomes pessoais que vão sendo retransmitidos a cada geração. O aspecto visível dessas &amp;quot;almas-nomes&amp;quot; são os cocares de penas usados pelos dançarinos, que também são enterrados com os mortos. O rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; é descrito como repleto de ornamentos, assim como na história de origem os espíritos dentro da canoa-Anaconda tiveram a forma de ornamentos de dança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sepultadas em canoas, as almas dos mortos caem para o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. De lá, são levadas pela correnteza do rio subterrâneo para o Oeste e às regiões rio acima deste mundo. As mulheres não dão à luz na maloca, mas numa roça no interior da floresta, rio acima e atrás da casa - também ao Oeste. O recém-nascido é primeiramente lavado no rio e depois levado para dentro da maloca pela porta traseira, a &amp;quot;porta das mulheres&amp;quot;. Confinado dentro da casa por cerca de uma semana com seu pai e mãe, ele é então banhado de novo no rio e recebe um nome. Assim, em termos cosmológicos, os bebês de fato vêm das mulheres, da água, do Oeste.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Pessoas, animais e objetos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209294-1/uaupes_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Masa'' (em barasana), a palavra para &amp;quot;gente&amp;quot;, é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são &amp;quot;gente&amp;quot; - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como &amp;quot;bicho de pau&amp;quot;); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu &amp;quot;ar&amp;quot;, é impressionante que os humanos não saibam respirar &amp;quot;debaixo da água&amp;quot;. Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o denominador comum de todas essas &amp;quot;gentes&amp;quot; é a sua subjetividade e para elas, na condição de sujeitos, seu próprio modo de vida é aquele da cultura humana, as diferenças entre tais &amp;quot;gentes&amp;quot; repousam em seus diferentes corpos: em sua forma, cor, sons, hábitos corporais e dieta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas diferenças estão culturalmente representadas em diferentes gêneros alimentícios de uso ritual, tais como coca, tabaco e a ayahuasca, bem como tintas corporais distintas, ornamentos e roupas, ou como diferentes armas e equipamento ritual. Os índios se referem a todos esses itens como ''küni-oka'', &amp;quot;armas ou escudos&amp;quot;, idéia que faz lembrar os uniformes de exército com seus brasões - ao mesmo tempo identidade, vestimenta e arma de defesa. Nessa lógica, as diferenças entre os grupos humanos são representadas como naturais e inerentes. Conceitualmente, os vários grupos tukano constituem tantas &amp;quot;espécies&amp;quot; diferentes quanto as múltiplas espécies animais são &amp;quot;povos&amp;quot; diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na vida cotidiana, as pessoas enfatizam sua diferença dos animais, mas no mundo dos espíritos, ao qual se tem acesso pelos rituais, pelo xamanismo, pelos sonhos e pelas visões de ayahuasca, as perspectivas se fundem, as diferenças são abolidas, o passado é presente, e pessoas e animais voltam a ser um. Isto tem importantes repercussões práticas, pois, onde os animais são pessoas, caçá-los e ingerir sua carne é equivalente à guerra e canibalismo. Muitas doenças são assim diagnosticadas como a vingança dos animais que os humanos matam e comem. O risco advindo dos animais é proporcional a seu tamanho e habitat: as antas são mais perigosas do que os macacos, os animais terrestres são mais perigosos do que os peixes, e peixes grandes mais perigosos do que os pequenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perigo também está relacionado ao contato com o domínio metafísico. Um nascimento neste mundo provoca ressentimento entre os espíritos-animais - para eles, representa uma morte. Os bebês humanos, recém-migrantes do mundo dos espíritos, não estão ainda firmemente ancorados a seus corpos e, portanto, precisam ser protegidos das antas ciumentas que ameaçam ingeri-los através de seus ânus - um nascimento ao avesso. Enquanto visitantes do mundo dos espíritos, as mulheres menstruadas e os homens que tomam parte nos rituais ganham temporariamente ''status ''de criança e devem restringir sua dieta, evitando alimentos perigosos. Para cozinhar o peixe ou a carne com segurança, um xamã deve primeiro soprar encantações para remover os seus &amp;quot;escudos de proteção&amp;quot; ou &amp;quot;armas&amp;quot; (tintas, peles, dentes, espinhos, escamas e outros atributos corporais identificados aos animais ou peixes) que podem comprometer a identidade especificamente humana do consumidor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As qualidades de personificação, subjetividade e intencionalidade que os índios aplicam aos animais e os peixes também se estendem ao cosmos como um todo. Os mitos dos povos do Uaupés também são mitos sobre a paisagem, cujos traços distintivos - as serras e montanhas, os rios, as rochas e cachoeiras -, têm nomes que evocam as histórias de sua criação ancestral. Viajar por terra ou canoa é seguir essas histórias e compartilhar os atos de criação descritos por elas. Muitas histórias contam sobre as antigas migrações, atribuindo à paisagem uma dupla dimensão - a dos atos primordiais de criação e a dos atos mais recentes, como a construção de casas e abertura de roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poderes de criação ancestral incutidos na paisagem se estendem às plantas, peixes, animais e seres humanos que a habitam e também aos objetos confeccionados a partir dos materiais que dela provêm. Nos mitos, os objetos cotidianos tais como canoas, bancos, cestos e potes, emergem como seres animados e autônomos - como visto, do mesmo modo que os animais podem ser gente, as malocas podem ser os corpos dos ancestrais ou daqueles que as construíram. Os objetos confeccionados condensam dois tipos de potência: os poderes de sua matéria-prima e as habilidades e intenções de seus fabricantes. Conseqüentemente, o processo de fabricação dos objetos tem uma importante dimensão religiosa. Durante os ritos de iniciação, os homens e mulheres jovens são sistematicamente treinados na confecção de artesanato, um treinamento que é a um só tempo intelectual, espiritual e técnico. Fazer artesanato é concomitantemente confeccionar a si mesmo e o mundo, numa forma de meditação que traz à tona as interconexões entre objetos, corpos, casas, e o universo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Missionários, colonos e a modernidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de contato dos povos do Uaupés com os não indígenas é muita antiga, bem anterior ao grande auge da borracha na virada do século XX, remetendo às incursões maciças dos portugueses em busca de escravos na primeira metade do século XVIII. Embora o impacto desses raptores e o contato traumático e duradouro com os seringalistas, esses comerciantes estavam mais interessados nos corpos dos índios do que nas suas almas; em termos religiosos, e talvez em termos sociais também, foram os missionários que provocaram as maiores transformações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A penetração efetiva dos missionários começou ao final do século XIX, com a chegada dos Franciscanos. Estes, e os Salesianos que os seguiram, viram a cultura dos povos do Uaupés através das lentes de suas próprias categorias religiosas: as malocas dos índios eram consideradas &amp;quot;antros licenciosos e promíscuos&amp;quot;, as suas festas de dança ocasiões de &amp;quot;indecência e embriaguez&amp;quot;, os pajés eram &amp;quot;charlatões&amp;quot; que aliciavam o povo, e o culto de ''Yurupari ''nada mais era do que o &amp;quot;culto ao Diabo&amp;quot; em pessoa. Sem conhecer e sem a mínima intenção de saber o quê essas coisas realmente significavam, os missionários começaram a destruir uma civilização em nome de outra, queimando as malocas dos índios, destruindo os seus ornamentos de penas, quebrando seus recipientes de caxiri, perseguindo os pajés e expondo os ''Yurupari ''às mulheres e crianças reunidas na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os padres atacavam os fundamentos da cultura indígena, transformaram as suas sociedades, encurralando as pessoas em vilas com casas rigidamente ordenadas, uma para cada família, e removendo à força seus filhos para serem educados nas escolas ou internatos. Sob o regime estrito dos internatos, as crianças foram ensinadas a rejeitar os valores e os modos de vida dos seus pais, incentivadas a casar-se dentro de seus próprios grupos, e proibidas de falar as línguas que lhes conferiam identidades múltiplas e interligadas. Para os missionários, somente uma identidade importava, a identidade indígena genérica, que impedia o progresso da &amp;quot;civilização&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação inicial contra a exploração pelos comerciantes, as pressões dos missionários e as epidemias que dizimaram a população indígena, irrompeu uma série de movimentos milenaristas na região do Uaupés durante a segunda metade do século XIX. Vestindo-se de padres e identificando-se com Cristo e os santos, os pajés-profetas conduziram o povo na &amp;quot;Dança da Cruz&amp;quot;, uma fusão dos rituais de caxiri e dabukuri tradicionais com elementos do catolicismo, que prometiam a libertação da opressão dos brancos e o alívio dos &amp;quot;pecados&amp;quot; que acreditavam ser a causa das epidemias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os missionários foram rechaçados por seus ataques contra a cultura indígena, também foram bem recebidos como fonte de bens manufaturados, como defensores dos índios contra os piores abusos dos seringalistas e como provedores da educação que as crianças indígenas precisariam para se sair bem nas novas circunstâncias. Dos anos 1920 em diante, os Salesianos estabeleceram uma cadeia de missões pela região no lado brasileiro da fronteira, alcançando o alto Tiquié no começo dos anos 40 e destruindo a última maloca nos anos 60. Hoje, a despeito do número crescente de evangélicos, a maioria dos índios do Uaupés se considera católico. Enquanto aumenta cada vez mais o número de pessoas que estão deixando suas aldeias para ir a São Gabriel em busca de educação e emprego, a vida nas malocas e a rica diversidade ritual que a acompanhava persiste agora somente na memória dos mais velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos povoados, um centro comunitário substituiu a maloca como foco de atividades coletivas. O centro serve ao mesmo tempo para as orações matutinas conduzidas por um Capitão e catequista, e para as refeições comunitárias, caxiris e dabukuris que marcam eventos importantes nas vidas dos aldeões: expedições de pesca, trabalho coletivo em projetos comunitários, os dias de santo do calendário católico, formaturas escolares, eventos esportivos, reuniões políticas etc. Transformações das antigas festas, esses caxiris e dabukuris de hoje em dia ainda incluem danças e bebidas - mas as danças não são mais acompanhadas pela música nativa e as flautas de pã, mas sim pelo forró e, ao invés da relativa moderação do passado, a cachaça é livremente consumida e seu freqüentemente consumo leva a discussões e brigas. Com níveis crescentes de alcoolismo, a embriaguez que os missionários imaginavam ver nas festas tradicionais hoje tem se tornado uma realidade cruel da civilização que os missionários trouxeram consigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado colombiano, sob o regime dos Monfortianos, o policiamento e a inserção dos missionários foram muito parecidos às dos Salesianos mas, no final dos anos 50, os Monfortianos foram substituídos pelos mais liberais Javerianos. Estes eram identificados com a nova Teologia da Libertação, que pregava a tolerância com a cultura indígena e acomodação com seus valores e crenças; isto, junto com o isolamento da região, explica porque os habitantes do Pira-Paraná ainda conseguem conservar boa parte da sua religião tradicional e do seu modo de vida. No lado brasileiro, a mudança foi mais lenta, mas, depois que a os Salesianos foram denunciados no Tribunal Russell em 1980 pelo crime de etnocídio, eles finalmente começaram a adotar uma linha mais liberal e progressista.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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Gain Panan : e a origem da pupunheira. Dir.: Luiz Fernando Perazzo. Filme Cor , 35 mm, 9 min. e 36 seg., 1995. Prod.: Laboratório de Animação/CPM da Escola de Comunicação da UFRJ.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kotiria&amp;diff=6314</id>
		<title>Povo:Kotiria</title>
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		<updated>2018-08-20T19:20:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209266-1/uaupes_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família lingüística Tukano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tukano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tukano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tukano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguns contextos, o Tukano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua tukano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tukano. Já as línguas classificadas como tukano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tukano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/desano/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Desana @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Fonte: Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209269-1/uaupes_3.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel. Iaraueté, além de ser um centro de ocupação tradicional dos Tariana, abriga também uma grande missão dos salesianos e um pelotão de fronteira do exército. Existem ainda outras duas missões salesianas na bacia do Uaupés, uma em Taracuá (na confluência desse rio com o Tiquié) e outra no Alto Tiquié, chamada Pari-Cachoeira. Também há um destacamento do Exército na confluência do Querari com o Uaupés e outro em Pari-Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etnias e demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas etnias também estão presentes nas cidades da região, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. As etnias presentes na bacia do Uaupés são as seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) [[Povo:Arapaso | Arapaso]]: Etnia de origem tukano oriental que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2 ) [[Povo:Bará | Bará]]: Autodenominam-se Waípinõmakã. Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié, acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia; o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri) e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná). Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes de um ancestral comum que não podem casar entre si). São especialistas no preparo do aturá de turi, muito usado onde não são disponíveis os aturás de cipó maku. Também fabricam o carajuru. São hábeis ainda na confecção de canoas. Atualmente são os principais especialistas na fabricação dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3) [[Povo: Barasana | Barasana]]: Autodenominam-se Hanera. Vivem nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná, em território colombiano. Também encontram-se dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se 36 subdivisões nomeadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) [[Povo:Desana | Desana]]: Autodenominam-se Umukomasã. Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu; além de trechos do Rio Uaupés e Negro (inclusive cidades da região). Existem aproximadamente 30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas em certos tipos de cestos trançados, como apás grandes (balaios com aros internos de cipó) e cumatás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5) [[Povo:Karapanã | Karapanã]]: Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí (afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6) [[Povo:Kubeo | Kubeo]]: Autodenominam-se Kubéwa ou Pamíwa. Possuem uma língua bem particular da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande maioria, se encontram residindo em território colombiano, na região do Alto Uaupés, incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón. No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés e estão em pequeno número no Alto Aiari. Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados. Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três fratrias não nomeadas que funcionam como unidades para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma língua. São especializados na fabricação das máscaras de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) [[Povo: Makuna | Makuna]]: Autodenominam-se Yeba-masã. Vivem principalmente no território vizinho da Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya, afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes, os igarapés Castanha e Onça. Estão divididos em cerca de 12 sibs. São especializados em zarabatanas e curare, são também hábeis fabricantes de canoas, além de fornecerem remos leves e muito bem acabados aos índios do Alto Tiquié.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8) [[Povo: Miriti-tapuya | Miriti-tapuya ou Buia-tapuya]]: Atualmente falam apenas a língua tukano. São habitantes tradicionais do Baixo e Médio Tiquié, destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé, Vila Nova e Micura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9) [[Povo: Pira-tapuya | Pira-tapuya]]: Autodenominam-se Waíkana. Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem também em localidades do Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10) [[Povo: Siriano | Siriano]]: Autodenominam-se Siria-masã. Moram no Caño Paca e Caño Viña, afluentes do Alto Papuri, em território colombiano. No Brasil são encontrados dispersos em rios da bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações referentes a 27 sibs siriano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11) Taiwano, Eduria ou Erulia: Autodenominam-se Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu, afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari, afluente do Apapóris. Todas estas áreas estão situadas em território colombiano. Há informações que dão conta de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12) [[Povo: Tariana | Tariana]]: Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam outrora uma língua pertencente à família Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras de Iauareté e Periquito. São especializados em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13) [[Povo: Tatuyo]]: Autodenominam-se Umerekopinõ. Habitam uma área situada na Colômbia: o Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño Japu. No Brasil, são representados sobretudo por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem cerca de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14) [[Povo: Tukano | Tukano]]: Autodenominam-se Ye’pâ-masa ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família lingüística Tukano Oriental. Concentram-se principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés; mas também estão morando no Rio Negro, a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade de São Gabriel. É possível que existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano, cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões ocorridas nos últimos séculos, as posições hierárquicas são razão de polêmicas e versões variadas. Os Tukano são fabricantes tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva) e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos semelhantes àqueles dos trançados. É um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores) e bayá (chefes de cerimônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15) [[Povo: Tuyuka | Tuyuka]]: Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná. Estão concentrados principalmente no Alto Rio Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes também no trecho do Rio Papuri próximo à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São exímios construtores de canoas e, antigamente, eram especialistas na confecção de redes feitas de fibras de buriti. Também são especializados na confecção do cesto urupema, trançado de finíssimas talas de arumã, usado para coar sumo de frutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16) [[Povo: Kotiria | Kotiria]]: Autodenominam-se Kótiria. Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá (do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos; acima daí, convivem em território onde a maioria é Kubeo. Há informações de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua especialidade no âmbito das relações de troca interétnica é o preparo do carajuru, um pó corante feito com as folhas de um cipó, muito usado na confecção de artefatos rituais e na pintura do banco tukano, bem como para a pintura corporal. Também são hábeis cesteiros e produtores de objetos de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17) [[Povo: Yuruti | Yuruti]]: Autodenominam-se Yutabopinõ. Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde estes igarapés desaguam (em território colombiano). Há informações que possuem nove sibs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir, é apresentada uma tabela com a estimativa populacional de cada etnia:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Etnia&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População no Brasil&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Arapaso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;328&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Barasana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 61&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Desana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.531&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Karapanã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;42&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kotiria&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;287&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;168&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mirity-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;95&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pira-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.004&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Siriano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;17&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Taiwano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Tuyuca&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Yuruti&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identidade e diferença ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209272-1/uaupes_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto com seus vizinhos aruak, os Tukano - que serão tratados nesta seção como povos tukano, de modo que o grupo Tukano será diferenciado com letra inicial maiúscula- compõem um sistema sócio-político flexível, cuja integração se dá através de redes de intercâmbio recíproco envolvendo visitas, trocas, casamentos e rituais. A dinâmica desse sistema regional implica a articulação entre semelhança e diferença, entre um repertório comum que confere aos grupos que o compõem alguma medida de identidade e aquilo que os diferenciam uns dos outros, possibilitando a interdependência entre eles. Comecemos com as semelhanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209275-1/uaupes_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano compartilham uma área geográfica contínua e um mesmo modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a &amp;quot;mandioca brava&amp;quot; o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta. Falam línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Também compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas. Esses povos têm ainda estilos de ornamentação corporal semelhantes e, embora as palavras e melodias possam ser diferentes, usam os mesmos instrumentos musicais e a sua música, danças e cantos têm uma base comum. Tais convenções relativas ao modo-de-vida, organização espacial, língua, fala, adornos, música e dança integram o sistema comum de comunicação verbal e não-verbal dos povos do Uaupés, que se expressa mais plenamente nos rituais inter-comunitários.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209278-1/uaupes_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem as suas próprias histórias, mas também compartilham um ''corpus'' mitológico comum. Os mitos explicam as origens do cosmos, descrevendo um mundo perigoso e indiferenciado, sem limites precisos de tempo e espaço, sem diferença entre gente e animal. As narrativas míticas explicam como os feitos dos primeiros seres geraram as feições da paisagem e como o mundo se tornou paulatinamente seguro para a emergência dos verdadeiros seres humanos. Há um mito de origem chave nesse repertório que explica como uma Anaconda-ancestral penetrou o universo/casa através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no leste e subiu os rios Negro e Uaupés com os ancestrais de toda humanidade dentro de seu corpo. Inicialmente, esses ancestrais-espíritos tiveram a forma de ornamentos de pena, mas foram transformados em seres humanos no curso da sua viagem. Quando alcançaram a cachoeira de Ipanoré, o centro do universo, eles emergiram de um buraco nas rochas e se deslocaram para os seus respectivos territórios. Essas narrativas compartilhadas entre os povos do Uaupés expressam uma compreensão comum do cosmos, do lugar dos seres humanos nele e das relações que deveriam existir entre diferentes povos, bem como entre eles e outros seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, cada grupo tem uma identidade singular e um lugar específico dentro do sistema. A população divide-se em aproximadamente 17 grupos exogâmicos, cada qual com direitos sobre um território específico ou trecho de rio com características e potenciais diferentes. Somado a esses fatores ecológicos de diferenciação, cada grupo é tradicionalmente associado à produção de artefatos específicos; assim, os Tukano fabricam banquinhos, os Desana cestos, os Tuyuka canoas etc. Essa produção especializada constitui um aspecto da identidade grupal e mobiliza os cerimoniais de troca (ou ''dabukuris'') que são um dos principais componentes das atividades rituais características da região. Em tais festas, os diferentes grupos se reúnem para dançar, beber caxiri, exibir os seus ornamentos de penas, recitar as linhagens de seus antepassados e trocar os seus produtos (banquinhos por canoas, peixe por carne de caça etc.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem a sua própria língua, o seu conjunto particular de nomes pessoais, os seus específicos cantos de dança e as suas próprias genealogias e narrativas de origem. Cada um tem um ancestral originário da Anaconda que trouxe o povo para o seu território particular. O corpo dessa Anaconda é replicado no trecho do rio onde esse grupo mora, nas malocas em que habitam e na composição dos grupos. A língua, os nomes próprios, os cantos, as histórias e outras formas de discurso operam como emblemas de identidade, afirmam direitos territoriais e privilégios rituais, assim como manifestam aspectos da vida, alma e espírito do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo também possui um ou mais conjuntos de ''Yurupari ''- flautas e trombetes sagrados feitos do tronco da palmeira paxiúba -, que são os ossos de seu ancestral e que incorporam o seu sopro e canto. Junto com as festas e trocas cerimoniais, os rituais envolvendo esses instrumentos musicais - símbolos condensados da identidade, espírito e poder grupal - formam o outro grande componente da vida ritual dos Tukano. Enquanto a troca cerimonial enfatiza a equivalência e interdependência mútua entre grupos diferentes, os rituais de ''Yurupari ''realçam a identidade singular de cada um.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[fevereiro de 2003] '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas. Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs hierarquicamente ordenados. Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios. A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simbolicamente, a maloca reproduz em miniatura o universo e seus habitantes constituem tanto uma réplica quanto um precursor do ideal de organização clânica acima descrita. Assim, o pai da comunidade que habita a maloca seria o ancestral-Anaconda do grupo inteiro e seus filhos seriam os ancestrais dos clãs que dela se originaram. Seguindo essa lógica, o filho mais velho e irmão maior é geralmente o chefe da maloca, e não raro os seus irmãos menores são dançarinos, cantadores ou xamãs, cujos papéis costumam corresponder à ordem de nascimento. Mas poder e posição social dependem de energia e iniciativas pessoais, que não se baseiam apenas em organização formal, parentesco ou ordem de nascimento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Confecção de banco tukano. Foto: Rosa Gauditano, 2002&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209287-1/uaupes_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos rituais e da vida religiosa tukano está centrada em objetos (como ornamentos plumários e as flautas ''Yurupari'') e substâncias sagradas - como a pintura vermelha carayuru, cera de abelha, cera de breu (resina vegetal), epadu (feito com variedades de coca), tabaco e ayahuasca -, assim como em bens menos tangíveis, na forma de nomes, cerimoniais, encantações e cantos. Tais itens são propriedade do grupo e constituem expressões de seus poderes espirituais. Em um nível coletivo e estrutural, os rituais que envolvem tais itens podem ser vistos como expressões formais da identidade do grupo e das relações inter-grupais. Ao mesmo tempo, esses rituais constituem expressões das relações políticas em dada conjuntura. Assim, malocas vizinhas são interligadas por intermédio de líderes carismáticos, que comandam a organização de festas e coordenam o trabalho coletivo para a construção de casas maiores que funcionam como centros cerimoniais. Esses líderes são indivíduos que possuem um grande conhecimento esotérico e se mobilizam para manter e aumentar os bens sagrados de sua maloca, podendo disponibilizar os recursos necessários para patrocinar os rituais. Tais capacidades rituais prestam-se a fortalecer sua posição política.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Tukano e os Maku ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos das famílias lingüísticas Tukano Oriental e Maku convivem mais intensamente na região de interflúvio entre os rios Tiquié e Papuri e, em menor escala, entre o Papuri e o Médio Uaupés (trecho entre Iauareté e a foz do Querari). Nesta área, desenvolveram uma estratégia de complementaridade, uma vez que tradicionalmente ocupam espaços distintos e adotam práticas de manejo do meio ambiente específicas. Distintamente dos Tukano, que vivem nos rios maiores, os Maku preferem os igarapés menores, mais no centro da floresta. São bons caçadores, coletores de frutas silvestres e conhecem muito bem os caminhos na mata. Os Tukano, por sua vez, são agricultores dedicados e pescadores; mesmo quando caçam, preferem fazê-lo de canoa, surpreendendo pacas e antas que vão até a beira do rio beber água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista dos Tukano, os Maku formam uma categoria sui generis, na medida em que se diferenciam tanto dos afins quanto dos parentes de mesma descendência, pois não são casáveis e não são assimilados a eles através da terminologia de parentesco. Os Maku representam uma referência central no sistema conceitual tukano, estando associados às categorias hierárquicas mais baixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku mantêm com os Tukano relações de troca e colaboração intermitentes. Em geral, grupos domésticos maku tomam a iniciativa de se associar a grupos domésticos tukano, sendo também eles que decidem quando devem ir embora para seus sítios ou mudar de &amp;quot;patrão&amp;quot; tukano. Eles podem permanecer apenas uma semana ou vários meses com os Tukano, mas existem casos em que a relação é mais estável e certos Maku se acostumam a prestar serviços para grupos domésticos tukano específicos, mantendo a colaboração através de gerações. Mesmo nestes casos, a convivência é interrompida quando os Maku resolvem cuidar de suas próprias casas e roças ou viajar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku procuram trabalho quando estão passando por momentos de maior privação (suas roças são em geral insuficientes e há períodos pouco propícios para a caça). Nestas situações, oferecem seus serviços aos Tukano: as mulheres trabalham nas roças e no processamento da mandioca e os homens caçam, fazem ipadu ou pegam alguma empreitada (troca da cobertura de uma casa, derrubada da mata para roça etc.). Em troca, os Tukano pagam com parte da produção da cozinha (farinha, beiju etc.), os homens recebem ipadu e fumo e ainda roupas usadas, ferramentas, redes, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a família maku é muito grande e o custo, em termos de exploração da roça, é alto para a grupo doméstico tukano que os recebeu, este pode expulsá-los. Mais freqüente, porém, é que os próprios Maku se sintam fartos e desfavorecidos, retirando-se para seu assentamento por conta própria e levando consigo um suprimento de farinha e tapioca. Nesses casos, os Tukano reclamam de que eles saem sem dizer nada, de uma hora para outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que mais marca a relação entre estes dois grupos é a grande autonomia dos Maku, que os Tukano não podem violar. Os Maku procuram os Tukano visando suprir necessidades imediatas de alimentos; os Tukano aceitam os Maku e lhes encarregam de vários serviços. Algumas vezes os Maku também participam dos multirões para derrubar ou plantar roça promovidos pelos Tukano, quando é oferecido caxiri. Mas nessas ocasiões as relações são distantes e frias, não envolvendo intimidade. De modo geral, os Maku quase nunca comem junto com os Tukano ou se sentam próximos, a não ser nas manhãs em que há refeição comunitária e alguns Maku estão presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A distância social é marcada pelas atitudes. Quando um Tukano conversa com um Maku, este se posiciona a certa distância, olhando para outro lado. Em outro exemplo, ao devolver um cigarro que um Tukano pediu para “rezar” (para cortar alguma dor que um filho ou a própria pessoa está sentido), o homem Maku, ao invés de entregá-lo na mão, agacha-se próximo e joga o cigarro no chão, perto daquele que o solicitou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre os Tukano e os Maku é celebrada em grandes dabucuris (rituais de oferecimento), realizados na época de coleta de certas frutas do mato (como ingá, cunuri, buriti e açaí silvestre). Nestas ocasiões, os Tukano preparam muito caxiri e ipadu para receber os Maku, que chegam ainda de madrugada, antes do alvorecer, tocando trompetes, pequenos tambores e fazendo muito barulho. Trazem grandes quantidades de frutas que, inicialmente, deixam na beira do rio, para depois conduzi-las para dentro da casa de festa, no momento propício do ritual (quando há um diálogo cerimonial entre um par de homens Tukano e outro Maku). Conjuntos de tocadores de flautas pã maku se revezam ao longo da festa com conjuntos formados por homens e rapazes tukano. Eles formam pares de dança com as mulheres, sejam elas tukano ou maku, indistintamente. A mesma cerimônia também pode ser feita com o oferecimento de carne de caça moqueada; os papéis também podem ser invertidos, passando os Tukano a oferecer beiju e farinha aos Maku. Em geral a festa ocorre no povoado tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;nunca se acomodam em um lugar, estando sempre indo e vindo, inquietos;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são agricultores displicentes e, além disto, não sabem manejar o cultivo, não esperam o tempo mais produtivo da mandioca, arrancando logo tudo para fazer caxiri; os homens fazem o mesmo com os pés de coca, desfolham sem controle e acabam tendo que apelar para os Tukano para conseguir ipadu (que é uma necessidade diária);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são vistos com desconfiança, não raro acusados de saquearem as roças tukano e ainda disfarçarem o roubo fincando a haste da maniva no solo depois de arrancar o tubérculo; também lhes são atribuídos o sumiço de ferramentas, roupas e outros;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;a endogamia local e a constante transformação na constituição dos grupos locais são mau vistos pelos Tukano, que ainda enfatizam certos casamentos incestuosos, como se não houvesse regras definidas de casamento;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;os Tukano também dizem que eles não têm higiene, não se limpam nem penteiam o cabelo e andam maltrapilhos, com roupas velhas e encardidas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Esta visão dos Maku tem alguns desdobramentos práticos, por exemplo, o casamento com eles é expressamente proibido e uma pessoa que tenha alguma ascendência maku (seja por parte do pai ou da mãe) é estigmatizada. Contudo, o casamento de um homem tukano com uma mulher maku é mais aceitável do que o casamento de um homem maku com uma tukano, que é impraticável. Com o contato, representado pela intensificação do comércio, da catequização e da educação escolar, ocorreram mudanças na relação entre esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano passaram a intermediar a entrada e troca de mercadorias industrializadas. Ao passo que os Tukano aderiram à prática, hoje muito valorizada e difundida, de mandar seus filhos para a escola até o final do ensino fundamental e, menos freqüentemente, para o ensino médio na cidade, os Maku jamais se adaptaram ao sistema escolar e as tentativas promovidas pelos missionários foram todas fracassadas. Mesmo as escolas criadas nos povoados Maku, com professores tukano, raramente dão bons resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, a intensa migração dos Tukano para os centros missionários ou urbanos, como as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, tem levado a um processo de esvaziamento de algumas áreas. Isto tem propiciado o estabelecimento de povoados maku no curso principal dos rios, como é o caso do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Márcio Meira, 1990.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209289-1/uaupes_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como princípio básico, a cosmologia tukano combina perspectiva móvel, replicação da organização social em diferentes escalas da existência - corpo, communidade, casa e cosmos, e organização análoga entre níveis diferentes da experiência. O universo é feito de três camadas básicas: céu, terra e &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. Cada camada é um mundo em si, com seus seres específicos e podendo ser entendidos tanto em termos abstratos como concretos. Em contextos diferentes, o &amp;quot;céu&amp;quot; pode ser o mundo do sol, da lua e das estrelas, ou o mundo dos pássaros que voam alto, ou os topos achatados dos tepuis (topos achatados das montanhas) dos quais descem as águas ou o mundo dos topos das árvores da floresta, ou mesmo uma cabeça enfeitada com um cocar de penas vermelhas e amarelas de arara, que são as cores do sol. Do mesmo modo, o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; pode ser o Rio dos Mortos debaixo da terra, o barro amarelo debaixo da camada do solo onde enterram-se os mortos, ou o mundo aquático dos rios subterrâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De toda forma, o que define o &amp;quot;céu&amp;quot; ou o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma &amp;quot;camada&amp;quot; são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou &amp;quot;Terra&amp;quot;, o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos simbólicos, a maloca é o universo e o universo é uma maloca. O teto de palha é o céu, os esteios de suporte são as montanhas, as paredes são as cadeias de serras que parecem cercar a paisagem visível na beira do mundo, e sob o chão corre o Rio dos Mortos. A maloca tem duas portas: uma no leste que é a dos homens, ou a &amp;quot;porta da água&amp;quot;; outra das mulheres a oeste, com uma longa cumeeira que corre ao longo do teto da casa entre as duas portas, que é &amp;quot;o caminho do Sol&amp;quot;. Nessa região equatorial, os rios subterrâneos correm do oeste para o leste, ou da porta das mulheres para a porta dos homens; completando um circuito fechado da água, o Rio dos Mortos corre do leste para o oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maloca tanto é o universo, como também é um corpo, ao mesmo tempo o &amp;quot;corpo canoa&amp;quot; do ancestral-Anaconda e os corpos de seus filhos nele contidos. Esses filhos são os habitantes da casa, réplicas do ancestral original, receptáculos de futuras gerações e, eles mesmos, futuros ancestrais. Mas, se a maloca é um corpo humano, sua feição também é uma questão de perspectiva. Do ponto de vista masculino, a frente pintada da maloca é um rosto de homem, a &amp;quot;porta dos homens&amp;quot; é sua boca, a viga mestra e as laterais são a sua coluna e costelas, o centro da casa é seu coração, e a porta das mulheres o seu ânus. Do ponto de vista das mulheres, a coluna, as costelas e o coração permanecem os mesmos, mas o resto do corpo é invertido: a porta das mulheres é a sua boca, a porta dos homens a sua vagina e o interior da casa o seu ventre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são &amp;quot;rios&amp;quot;; e, ainda, que os vermes parasitas são &amp;quot;anacondas&amp;quot;. Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;amp;q&amp;amp;amp;f=false&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O ciclo da vida ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia Tuyuka com seu filho em um evento cultural em São Paulo. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209292-1/uaupes_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo em mente os princípios cosmológicos sintetizados no item anterior, podemos começar a perceber como alguns processos vitais são elaborados em termos cosmológicos e como se relacionam a práticas rituais associadas ao ciclo de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A digestão, evacuação, decomposição e morte envolvem um fluxo passivo do alto para o baixo, de rio acima para rio abaixo, do Oeste para o Leste. A vida em si é um movimento, às vezes uma luta, de acordo com esse fluxo: as plantas crescem em direção ao sol e as pessoas devem crescer para cima enquanto amadurecem. O Sol, ou ''Yeba Hakü'' (na língua barasana), o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, fonte de luz e da vida, move-se constantemente contra a corrente, subindo os rios da terra do Leste para o Oeste durante o dia e subindo o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; durante a noite, para aparecer de novo no Leste. O ancestral-Anaconda que trouxe a humanidade para o mundo também viajou como o Sol, no sentido Leste para o Oeste, parando quando alcançou o meio do universo. Esse mesmo movimento de Leste a Oeste foi também uma ascensão da água para a terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ancestal-Anaconda, um ser aquático, é o próprio rio no qual ele viajou, e os seres em seu interior somente assumiram a forma humana quando emergiram na terra firme; antes disso, eram &amp;quot;gente peixe&amp;quot;, espíritos na forma de ornamentos de penas. Os animais são chamados ''wai-bükürã'', &amp;quot;peixes maduros&amp;quot;; e, logicamente, entre eles estão os seres humanos, seres que estão a meio-caminho entre os &amp;quot;peixes-espíritos&amp;quot; que eram antes e os &amp;quot;espíritos-pássaros&amp;quot; que se tornarão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do ancestral-Anaconda é uma narrativa sagrada sobre os primórdios e, provavelmente, uma versão das migrações históricas dos povos Tukano. Também pode ser entendida como uma história sobre a ecologia, sobre as migrações anuais rio acima de peixes amazônicos que vêm desovar nas cabeceiras; e uma história sobre a reprodução humana, que também envolve uma penetração ascendente, no sentido &amp;quot;Leste-Oeste&amp;quot;, rumo a uma &amp;quot;porta da água&amp;quot;, num fluxo ascendente de sêmen, e uma passagem do mundo aquático do ventre para o mundo seco da existência humana na terra. Não é de se admirar então que &amp;quot;nascer&amp;quot; é ''hoe-hea'' (em barasana), que significa &amp;quot;atravessar rumo a um nível mais alto&amp;quot;. Mas o nascimento também envolve um movimento de descida pelo canal do corpo feminino - cosmologicamente um movimento do Oeste para o Leste e, em termos sociais, um movimento da mãe para o pai ou das mulheres para os homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para entender esses movimentos, porém, é preciso começar pela morte. Alguns índios do Uaupés, os Kubeo em particular, encenam rituais elaborados de luto em que dançarinos com máscaras pintadas e feitas de casca de árvore se tornam peixes, animais, e outros seres da floresta para dar boas-vindas à alma do morto no mundo dos espíritos. Mas o enterro tukano em si é um evento simples: a cova é o chão da maloca e o caixão uma canoa cortada ao meio. Esse sepultamento simples é o prelúdio para um futuro nascimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tukano compartilham uma noção de reencarnação segundo a qual, quando uma pessoa morre, um aspecto de sua alma volta para a &amp;quot;casa de transformação&amp;quot;, local de origem do grupo. Depois, a alma volta ao mundo dos vivos encarnada em um recém-nascido que recebe o seu nome. As pessoas recebem o nome de um parente recentemente falecido do lado paterno, o avô paterno para um menino ou a avó paterna para uma menina. Cada grupo possui um conjunto limitado de nomes pessoais que vão sendo retransmitidos a cada geração. O aspecto visível dessas &amp;quot;almas-nomes&amp;quot; são os cocares de penas usados pelos dançarinos, que também são enterrados com os mortos. O rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; é descrito como repleto de ornamentos, assim como na história de origem os espíritos dentro da canoa-Anaconda tiveram a forma de ornamentos de dança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sepultadas em canoas, as almas dos mortos caem para o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. De lá, são levadas pela correnteza do rio subterrâneo para o Oeste e às regiões rio acima deste mundo. As mulheres não dão à luz na maloca, mas numa roça no interior da floresta, rio acima e atrás da casa - também ao Oeste. O recém-nascido é primeiramente lavado no rio e depois levado para dentro da maloca pela porta traseira, a &amp;quot;porta das mulheres&amp;quot;. Confinado dentro da casa por cerca de uma semana com seu pai e mãe, ele é então banhado de novo no rio e recebe um nome. Assim, em termos cosmológicos, os bebês de fato vêm das mulheres, da água, do Oeste.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Pessoas, animais e objetos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209294-1/uaupes_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Masa'' (em barasana), a palavra para &amp;quot;gente&amp;quot;, é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são &amp;quot;gente&amp;quot; - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como &amp;quot;bicho de pau&amp;quot;); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu &amp;quot;ar&amp;quot;, é impressionante que os humanos não saibam respirar &amp;quot;debaixo da água&amp;quot;. Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o denominador comum de todas essas &amp;quot;gentes&amp;quot; é a sua subjetividade e para elas, na condição de sujeitos, seu próprio modo de vida é aquele da cultura humana, as diferenças entre tais &amp;quot;gentes&amp;quot; repousam em seus diferentes corpos: em sua forma, cor, sons, hábitos corporais e dieta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas diferenças estão culturalmente representadas em diferentes gêneros alimentícios de uso ritual, tais como coca, tabaco e a ayahuasca, bem como tintas corporais distintas, ornamentos e roupas, ou como diferentes armas e equipamento ritual. Os índios se referem a todos esses itens como ''küni-oka'', &amp;quot;armas ou escudos&amp;quot;, idéia que faz lembrar os uniformes de exército com seus brasões - ao mesmo tempo identidade, vestimenta e arma de defesa. Nessa lógica, as diferenças entre os grupos humanos são representadas como naturais e inerentes. Conceitualmente, os vários grupos tukano constituem tantas &amp;quot;espécies&amp;quot; diferentes quanto as múltiplas espécies animais são &amp;quot;povos&amp;quot; diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na vida cotidiana, as pessoas enfatizam sua diferença dos animais, mas no mundo dos espíritos, ao qual se tem acesso pelos rituais, pelo xamanismo, pelos sonhos e pelas visões de ayahuasca, as perspectivas se fundem, as diferenças são abolidas, o passado é presente, e pessoas e animais voltam a ser um. Isto tem importantes repercussões práticas, pois, onde os animais são pessoas, caçá-los e ingerir sua carne é equivalente à guerra e canibalismo. Muitas doenças são assim diagnosticadas como a vingança dos animais que os humanos matam e comem. O risco advindo dos animais é proporcional a seu tamanho e habitat: as antas são mais perigosas do que os macacos, os animais terrestres são mais perigosos do que os peixes, e peixes grandes mais perigosos do que os pequenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perigo também está relacionado ao contato com o domínio metafísico. Um nascimento neste mundo provoca ressentimento entre os espíritos-animais - para eles, representa uma morte. Os bebês humanos, recém-migrantes do mundo dos espíritos, não estão ainda firmemente ancorados a seus corpos e, portanto, precisam ser protegidos das antas ciumentas que ameaçam ingeri-los através de seus ânus - um nascimento ao avesso. Enquanto visitantes do mundo dos espíritos, as mulheres menstruadas e os homens que tomam parte nos rituais ganham temporariamente ''status ''de criança e devem restringir sua dieta, evitando alimentos perigosos. Para cozinhar o peixe ou a carne com segurança, um xamã deve primeiro soprar encantações para remover os seus &amp;quot;escudos de proteção&amp;quot; ou &amp;quot;armas&amp;quot; (tintas, peles, dentes, espinhos, escamas e outros atributos corporais identificados aos animais ou peixes) que podem comprometer a identidade especificamente humana do consumidor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As qualidades de personificação, subjetividade e intencionalidade que os índios aplicam aos animais e os peixes também se estendem ao cosmos como um todo. Os mitos dos povos do Uaupés também são mitos sobre a paisagem, cujos traços distintivos - as serras e montanhas, os rios, as rochas e cachoeiras -, têm nomes que evocam as histórias de sua criação ancestral. Viajar por terra ou canoa é seguir essas histórias e compartilhar os atos de criação descritos por elas. Muitas histórias contam sobre as antigas migrações, atribuindo à paisagem uma dupla dimensão - a dos atos primordiais de criação e a dos atos mais recentes, como a construção de casas e abertura de roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poderes de criação ancestral incutidos na paisagem se estendem às plantas, peixes, animais e seres humanos que a habitam e também aos objetos confeccionados a partir dos materiais que dela provêm. Nos mitos, os objetos cotidianos tais como canoas, bancos, cestos e potes, emergem como seres animados e autônomos - como visto, do mesmo modo que os animais podem ser gente, as malocas podem ser os corpos dos ancestrais ou daqueles que as construíram. Os objetos confeccionados condensam dois tipos de potência: os poderes de sua matéria-prima e as habilidades e intenções de seus fabricantes. Conseqüentemente, o processo de fabricação dos objetos tem uma importante dimensão religiosa. Durante os ritos de iniciação, os homens e mulheres jovens são sistematicamente treinados na confecção de artesanato, um treinamento que é a um só tempo intelectual, espiritual e técnico. Fazer artesanato é concomitantemente confeccionar a si mesmo e o mundo, numa forma de meditação que traz à tona as interconexões entre objetos, corpos, casas, e o universo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Missionários, colonos e a modernidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de contato dos povos do Uaupés com os não indígenas é muita antiga, bem anterior ao grande auge da borracha na virada do século XX, remetendo às incursões maciças dos portugueses em busca de escravos na primeira metade do século XVIII. Embora o impacto desses raptores e o contato traumático e duradouro com os seringalistas, esses comerciantes estavam mais interessados nos corpos dos índios do que nas suas almas; em termos religiosos, e talvez em termos sociais também, foram os missionários que provocaram as maiores transformações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A penetração efetiva dos missionários começou ao final do século XIX, com a chegada dos Franciscanos. Estes, e os Salesianos que os seguiram, viram a cultura dos povos do Uaupés através das lentes de suas próprias categorias religiosas: as malocas dos índios eram consideradas &amp;quot;antros licenciosos e promíscuos&amp;quot;, as suas festas de dança ocasiões de &amp;quot;indecência e embriaguez&amp;quot;, os pajés eram &amp;quot;charlatões&amp;quot; que aliciavam o povo, e o culto de ''Yurupari ''nada mais era do que o &amp;quot;culto ao Diabo&amp;quot; em pessoa. Sem conhecer e sem a mínima intenção de saber o quê essas coisas realmente significavam, os missionários começaram a destruir uma civilização em nome de outra, queimando as malocas dos índios, destruindo os seus ornamentos de penas, quebrando seus recipientes de caxiri, perseguindo os pajés e expondo os ''Yurupari ''às mulheres e crianças reunidas na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os padres atacavam os fundamentos da cultura indígena, transformaram as suas sociedades, encurralando as pessoas em vilas com casas rigidamente ordenadas, uma para cada família, e removendo à força seus filhos para serem educados nas escolas ou internatos. Sob o regime estrito dos internatos, as crianças foram ensinadas a rejeitar os valores e os modos de vida dos seus pais, incentivadas a casar-se dentro de seus próprios grupos, e proibidas de falar as línguas que lhes conferiam identidades múltiplas e interligadas. Para os missionários, somente uma identidade importava, a identidade indígena genérica, que impedia o progresso da &amp;quot;civilização&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação inicial contra a exploração pelos comerciantes, as pressões dos missionários e as epidemias que dizimaram a população indígena, irrompeu uma série de movimentos milenaristas na região do Uaupés durante a segunda metade do século XIX. Vestindo-se de padres e identificando-se com Cristo e os santos, os pajés-profetas conduziram o povo na &amp;quot;Dança da Cruz&amp;quot;, uma fusão dos rituais de caxiri e dabukuri tradicionais com elementos do catolicismo, que prometiam a libertação da opressão dos brancos e o alívio dos &amp;quot;pecados&amp;quot; que acreditavam ser a causa das epidemias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os missionários foram rechaçados por seus ataques contra a cultura indígena, também foram bem recebidos como fonte de bens manufaturados, como defensores dos índios contra os piores abusos dos seringalistas e como provedores da educação que as crianças indígenas precisariam para se sair bem nas novas circunstâncias. Dos anos 1920 em diante, os Salesianos estabeleceram uma cadeia de missões pela região no lado brasileiro da fronteira, alcançando o alto Tiquié no começo dos anos 40 e destruindo a última maloca nos anos 60. Hoje, a despeito do número crescente de evangélicos, a maioria dos índios do Uaupés se considera católico. Enquanto aumenta cada vez mais o número de pessoas que estão deixando suas aldeias para ir a São Gabriel em busca de educação e emprego, a vida nas malocas e a rica diversidade ritual que a acompanhava persiste agora somente na memória dos mais velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos povoados, um centro comunitário substituiu a maloca como foco de atividades coletivas. O centro serve ao mesmo tempo para as orações matutinas conduzidas por um Capitão e catequista, e para as refeições comunitárias, caxiris e dabukuris que marcam eventos importantes nas vidas dos aldeões: expedições de pesca, trabalho coletivo em projetos comunitários, os dias de santo do calendário católico, formaturas escolares, eventos esportivos, reuniões políticas etc. Transformações das antigas festas, esses caxiris e dabukuris de hoje em dia ainda incluem danças e bebidas - mas as danças não são mais acompanhadas pela música nativa e as flautas de pã, mas sim pelo forró e, ao invés da relativa moderação do passado, a cachaça é livremente consumida e seu freqüentemente consumo leva a discussões e brigas. Com níveis crescentes de alcoolismo, a embriaguez que os missionários imaginavam ver nas festas tradicionais hoje tem se tornado uma realidade cruel da civilização que os missionários trouxeram consigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado colombiano, sob o regime dos Monfortianos, o policiamento e a inserção dos missionários foram muito parecidos às dos Salesianos mas, no final dos anos 50, os Monfortianos foram substituídos pelos mais liberais Javerianos. Estes eram identificados com a nova Teologia da Libertação, que pregava a tolerância com a cultura indígena e acomodação com seus valores e crenças; isto, junto com o isolamento da região, explica porque os habitantes do Pira-Paraná ainda conseguem conservar boa parte da sua religião tradicional e do seu modo de vida. No lado brasileiro, a mudança foi mais lenta, mas, depois que a os Salesianos foram denunciados no Tribunal Russell em 1980 pelo crime de etnocídio, eles finalmente começaram a adotar uma linha mais liberal e progressista.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
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Gain Panan : e a origem da pupunheira. Dir.: Luiz Fernando Perazzo. Filme Cor , 35 mm, 9 min. e 36 seg., 1995. Prod.: Laboratório de Animação/CPM da Escola de Comunicação da UFRJ.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Koripako&amp;diff=6313</id>
		<title>Povo:Koripako</title>
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		<updated>2018-08-20T19:19:58Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Koripako, que falam um dialeto da língua baniwa, vivem na Colômbia e no Alto Içana (Brasil). Já os Baniwa vivem na fronteira do Brasil com a Colômbia e Venezuela, em aldeias localizadas às margens do Rio Içana e seus afluentes Cuiari, Aiairi e Cubate, além de comunidades no Alto Rio Negro/Guainía e nos centros urbanos de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos (AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ambas etnias aparentadas são exímias na confecção de cestaria de arumã, cuja arte milenar lhes foi ensinada pelos heróis criadores e que hoje vem sendo comercializada com o mercado brasileiro. Recentemente, têm ainda se destacado pela participação ativa no movimento indígena da região. Esta corresponde a um complexo cultural de 22 etnias indígenas diferentes, mas articuladas em uma rede de trocas e em grande medida identificadas no que diz respeito à organização social, cultura material e visão de mundo. Informações abrangentes sobre essa área cultural estão na página Noroeste Amazônico.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Contato direto ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pamaali.wordpress.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Blog Escola Pamaali&amp;lt;/htmltag&amp;gt;: organizado e mantido pelos índios Baniwa e Koripako do Alto Rio Negro&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Outras leituras ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nomes e línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Escortiçando o arumã. Foto: Pedro Martinelli, 2000.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278646-1/icana_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde os tempos coloniais, o nome Baniwa é usado para todos os povos que falam línguas da família Aruak ao longo do Rio Içana e seus afluentes. Deve-se enfatizar, porém, que não se trata de uma auto-designação. É um nome genérico usado por esses índios quando se fazem representar em contextos multiétnicos ou diante do mundo não-indígena. Walimanai significa &amp;quot;os outros novos que vão nascer&amp;quot; e é uma auto-designação usada em contraste com os antepassados, Waferinaipe, os heróis culturais e divindades que criaram e prepararam o mundo para os vivos, os seus descendentes, os Walimanai de hoje. Essas comunidades indígenas mais freqüentemente usam como auto-designações os nomes das suas fratrias como Hohodene, Walipere-dakenai ou Dzauinai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Coripaco, que vivem na Colômbia e no Alto Içana (Brasil), são aparentados dos baniwa e falam um dialeto da língua baniwa, mas não se identificam como subgrupo baniwa. Os Coripaco moram em comunidades ao longo do Rio Guainía (nome do Rio Negro fora do Brasil, acima da conexão com o canal de Casiquiare) e de seus afluentes e no Alto Içana. Na Venezuela, são chamados de Wakuenai, auto-designação que significa &amp;quot;os da nossa língua&amp;quot;, e moram em comunidades ao longo do Rio Guainía e de seus afluentes. Há um outro grupo de língua aruak distinta, chamado Baniva, que mora na vila de Marôa, no Guainía.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Escortiçando o arumã. Foto: Pedro Martinelli, 2000.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278643-1/icana_1.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A despeito de terem uma identidade específica, a etnia Coripaco é muito próxima da Baniwa, de modo que as informações relativas aos Baniwa nos demais itens desta seção podem, em grande medida, ser estendidas aos Coripaco.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Geraldo Andrello|Geraldo Andrello]] e [[Usuário:Robin Wright|Robin Wright]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico da ocupação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como seus vizinhos do Rio Uaupés, os Baniwa vivem atualmente às margens dos rios principais, mas contam que seus antepassados não viviam tão próximos aos rios e construíam suas malocas em geral nas cabeceiras dos principais igarapés. Até os dias de hoje, os Baniwa apontam antigos lugares de moradia atualmente desabitados. Muitos dos velhos dizem que ainda chegaram a ver esteios em pé em alguns desses lugares, restos das velhas malocas dos antigos. Na região do Alto Içana, uma antiga e importante maloca localizava-se na cabeceira do igarapé Pamari, uma área ocupada desde antigamente pela fratria Walipere-dakenai (ou Siuci em língua geral), que significa &amp;quot;netos das cinco estrelas&amp;quot; (a constelação das Plêiades). Dizem os Walipere-dakenai que ali foi a moradia de seu primeiro líder, Vetutali (ou Wetsudali), um poderoso guerreiro antepassado de todos os Walipere-dakenai atuais. Conta-se que, no tempo da escravidão, Vetutali e muitos outros Baniwa foram levados como escravos pelos portugueses. Quando o navio que o levava prisioneiro já baixava pelo Rio Negro, Vetutali e um companheiro Hohodene atiraram-se na água e conseguiram escapar, retornando então para o Içana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como os Walipere-dakenai, os Hohodene falam de um líder antepassado chamado Keruaminali, que também fora levado pelos brancos, tendo permanecido por algum tempo em Barcelos até conseguir fugir e retornar ao Içana. Como Vetutali, Keruaminali, ao regressar à sua terra, foi morar nas cabeceiras de um igarapé, o Uaraná, afluente do Rio Aiari. Os Walipere-dakenai passaram então a ocupar uma grande extensão de terras, delimitada ao sul pelo Rio Içana, entre a boca do Pamari até as imediações da atual aldeia de Tamanduá. Ao norte, os limites deste território alcançam o Rio Cuiari, já na Colômbia. Os Hohodene se estabeleceram na região interfluvial Içana/Aiari, mais precisamente nas cabeceiras dos igarapés Quiari, Uirauassu e Uaraná. Alguns Walipere-dakenai foram morar próximo aos Hohodene e desde então há muitos casamentos entre os dois grupos. De acordo com os Hohodene e os Walipere-dakenai, a fuga e o retorno desses dois líderes marcam um momento importante de sua história, pois é quando o Içana volta a ser repovoado após um esvaziamento quase absoluto, resultante do tempo da escravidão e descimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o tempo e a influência de missionários, militares, e comerciantes brancos, os Baniwa foram progressivamente se transferindo de suas antigas malocas, no interior da mata, para as margens do Içana. A população baniwa cresceu muito e os Walipere-dakenai, por exemplo, se espalharam por todo rio. Os Hohodene desceram o Quiari e ocuparam toda a extensão do Rio Aiari. Há comunidades baniwa que se estabeleceram em tempos mais recentes até no Rio Negro, abaixo de São Gabriel da Cachoeira. Alguns Walipere-dakenai e Hohodene estão morando nas proximidades de Barcelos. Mesmo assim, a área acima descrita continua a ser seu território por excelência, reconhecido pelo conjunto dos grupos baniwa.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Geraldo Andrello|Geraldo Andrello]] e [[Usuário:Robin Wright|Robin Wright]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Fonte: Instituto Socioambiental&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278649-1/icana_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A bacia hidrográfica do Rio Içana tem suas nascentes na Colômbia, mas logo em seguida passa a delimitar a fronteira com o Brasil, adentrando o território brasileiro na direção sudoeste depois de um pequeno trecho. A extensão do Içana é de cerca de 696 Km. Das cabeceiras até o limite Colômbia/Brasil são 76 Km. Serve de fronteira com a Colômbia por mais 110 Km e daí até a foz, no Rio Negro, são mais 510 Km. No Brasil, apresenta 19 cachoeiras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suas nascentes, o Içana é um rio de água branca e vai mudando sua cor para avermelhada e preta após receber as águas do igarapé Iauareté (ou Iauaiali, como chamam os Baniwa e Coripaco) e outros. Os maiores afluentes do Içana são os rios Aiari, Cuiari, Piraiauara e Cubate, todos eles rios de água preta. O Içana deságua no Rio Negro acima da foz do Rio Uaupés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Baniwa estão distribuídos em 93 povoados, entre comunidades e sítios, perfazendo, no ano de 2000, um total aproximado de 15 mil indivíduos, estando cerca de 4.026 no Brasil. Em solo brasileiro, os povoados estão localizados no Baixo e Médio Içana e nos rios Cubate, Cuiari e Aiari. Os Baniwa também estão presentes em comunidades do Alto Rio Negro, nas cidades de São Gabriel, Santa Isabel e Barcelos. Os Coripaco estão apenas no Alto Içana e somavam, no Brasil eem 2000, aproximadamente 1.115 pessoas.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Comunidade de Tucumã-Rupitã. Foto: Beto Ricardo, 2000&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278662-1/icana_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existe uma missão salesiana em Assunção do Içana desde 1952. Há outras quatro bases missionárias ao longo do Rio Içana, todas elas mantidas pela Missão Novas Tribos do Brasil: Boa Vista, localizada na foz, Tunuí, no médio curso, São Joaquim e Jerusalém, na parte alta do Içana (entre os Coripaco). Em São Joaquim, há também um Pelotão de Fronteira do Exército.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Geraldo Andrello|Geraldo Andrello]] e [[Usuário:Robin Wright|Robin Wright]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira referência documental conhecida sobre os Baniwa menciona sua aliança com os Caverre (um grupo Piapoco do Rio Guaviare), no início do século XVIII, contra expedições guerreiras karib envolvidas na obtenção de escravos para os espanhóis. Os Baniwa também são mencionados em fontes portuguesas da mesma época como tendo sido trazidos como escravos, provavelmente pelos Manao do Médio Rio Negro, do Alto Rio Negro ao Fortaleza da Barra. Há registros no Arquivo Público de Belém do Pará de que os Baniwa foram capturados em grande número entre os anos de 1740 e 1755, e enviados para Belém. É possível também que tenham absorvido refugiados de outros povos indígenas durante as guerras de captura de escravos na primeira metade do século XVIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a intensificação da colonização no Rio Negro, na segunda metade do século XVIII, doenças introduzidas pelos brancos começaram a espalhar a morte entre os Baniwa. Apesar da impossibilidade de se fazer estimativas, os registros mencionam várias epidemias graves de sarampo e varíola nas décadas de 1740 e 1780. O seu efeito, aliado à deterioração geral das condições de vida e ao abastecimento garantido de mercadorias pelos &amp;quot;brancos&amp;quot;, convenceu muitos Baniwa a deixarem suas terras e irem para as cidades coloniais recém-fundadas no Baixo Rio Negro. Ali trabalhariam para os brancos na agricultura, no Serviço Real e na coleta de produtos da floresta. Quando não era possível persuadir os que ficaram em suas terras, os militares portugueses - às vezes aliados a outros povos aruak, como os Baré - recorriam à força. Há vários casos registrados de &amp;quot;descimentos&amp;quot; na década de 1780 com ataques armados a aldeias baniwa, aos quais os índios resistiam, o que lhes valeu a reputação de &amp;quot;belicosos&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A permanência dos índios nas cidades coloniais era, em geral, temporária, pois as vilas coloniais do final do século XVIII eram constantemente assoladas por doenças, sofriam grandes perdas demográficas e freqüentes deserções por parte dos índios descidos das regiões dos altos rios. Os Baniwa estavam entre os que constantemente desertavam. Os que permaneceram nas vilas coloniais foram assimilados à população branca ou cabocla.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do século XVIII, as colônias portuguesas e espanholas atravessaram um período de desorganização que permitiu aos povos nativos recuperar-se parcialmente das perdas sofridas e se reorganizar. Dentre eles, estavam os Baniwa que retornaram às suas terras nesse momento e procuraram reconstruir sua sociedade. Mas não tiveram trégua: por volta de 1830, os comerciantes brancos voltaram ao Alto Rio Negro. Muitos eram caboclos que viveram durante longos períodos nas aldeias indígenas e eram aliados úteis dos militares dos fortes de São Gabriel e Marabitanas, no Alto Rio Negro, na arregimentação de mão-de-obra indígena para o Serviço Real, indústria e extração de produtos da floresta ou serviços domésticos nas casas das famílias da elite de Manaus. O que os militares precisassem os comerciantes faziam em troca da proteção ao seu negócio. Houve também vários casos registrados de militares que tinham seu próprio comércio ou se tornaram comerciantes ao deixar o Exército. O naturalista Alfred Russell Wallace, que visitou a região na metade do século, menciona casos de ex-soldados que se tornaram comerciantes no Içana e continuaram recebendo auxílio e proteção do comandante de Marabitanas em troca de forçar índios Baniwa a trabalhar para eles na coleta de salsaparilha. Os Baniwa foram muito prejudicados por esse sistema, embora sempre que possível se mantivessem longe dos brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A crescente resistência à dominação branca entre os índios do Alto Rio Negro culminou numa série de movimentos messiânicos entre os Baniwa, Tukano e Warekena, desencadeados a partir de 1857. Surgiram as figuras dos profetas baniwa, que instituíram uma nova forma de organização religiosa chamada &amp;quot;o canto da cruz&amp;quot;, ou &amp;quot;a religião da cruz&amp;quot;, que perdurou até o início do século XX e cuja memória ainda se mantém viva em certas partes da região. O sistema simbólico acionado neste e em outros movimentos posteriores consistiram em um entrelaçamento intencional de determinados símbolos cristãos com os temas e preocupações subjacentes da religião baniwa: a cruz e o açoite como símbolos de sofrimento ritual; as festas dos dias-de-santo e as danças sagradas do herói cultural, Kuwai, como símbolos de purificação; e as figuras de Cristo Salvador e Nhiãperikuli/Kuwai/pajé poderoso como símbolos de salvação e imortalidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro movimento messiânico foi liderado por Venancio Anizetto Kamiko, um Baniwa da fratria Dzauinai, do alto Guainía, o mais famoso entre todos os profetas desde meados do século XIX até sua morte em 1903. Segundo as fontes escritas, ele realizava grandes cerimônias entre as comunidades do Içana em que ele pregava, na presença de uma cruz. Sofria de catalepsia e, durante os ataques da doença, dizia que ele morria, viajava ao céu, onde comunicava com Deus, que lhe deu ordens de perdoar as dívidas dos índios aos comerciantes brancos. Atraiu um grande contingente de seguidores que acreditava em seus poderes e que ele era emissário de Deus. Logo, chegou a um momento em que ele profetizava a destruição do mundo por um grande incêndio do qual seriam salvos somente os Baniwa do Içana que dançavam em rodas, dia e noite, cantando a música dos ritos de iniciação. Segundo as fontes orais que os Baniwa e outros povos do Alto Rio Negro contam até hoje, Kamiko pregava a observância rigorosa do jejum, rezas cerimoniais e a total evitação de relações sociais e econômicas com os brancos (militares), como meios de se obter a salvação no paraíso prometido. As narrativas contam que ele pregava também contra a bruxaria e feitiçaria nas comunidades Baniwa, pois ele procurava instalar uma nova ordem moral entre os seus seguidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros líderes proféticos, discípulos do Kamiko - como Alexandre, que atuava mais no rio Uaupés -, pregavam a inversão da ordem sócio-econômica existente, após a qual os brancos serviriam aos índios em compensação para o tempo em que os índios ficavam dominados pelos brancos. Todas as narrativas orais relativas a esse tempo deixam claro que os messias colocavam seu poder e conhecimento contra a repressão dos brancos e que a chave para a sua sobrevivência estava na autonomia em relação à influência devastadora do contato. Mas com a repressão militar a esses movimentos, os messias e seus seguidores não tiveram outra escolha senão refugiar-se em áreas inacessíveis. Em seguida, muitos Baniwa se recusaram a obedecer às ordens dos militares para retornar aos assentamentos ribeirinhos; embora outros obedeceram com relutância. Os messias continuaram, no entanto, gozando de grande influência por toda a segunda metade do século XIX e durante as primeiras décadas do XX, fazendo suas curas e aconselhando os índios que vinham visitá-los de todos os cantos da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1870, o boom da borracha havia atingido o Alto Rio Negro. Os patrões locais que trabalhavam para grandes empresas de exportação de borracha, tais como J.G. Araújo de Manaus, tomaram o controle de terras e recursos naturais de vastas áreas da região, explorando-as com seus exércitos de seringueiros. O Içana e seus afluentes ficaram sob o controle de um comerciante espanhol, Dom Germano Garrido y Otero, seus irmãos e seus filhos, que controlaram a região por mais de 50 anos. Garrido instalou uma espécie de sistema feudal, aparentemente com centenas de Baniwa a seu serviço. Colocou seus filhos e colaboradores como &amp;quot;Delegados dos Índios&amp;quot; em aldeias estratégicas, manipulou relações sociais de compadrio e casamento com os índios, manteve um abastecimento regular de mercadorias, controlou o comércio no Içana e submeteu ao endividamento um número de índios suficiente para servir de exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Baniwa se lembram de Garrido como o patrão mais poderoso de seu tempo, e também do terror e da perseguição dos militares do Forte de Cucuí que, na virada do século, caçavam os índios do Içana e Uaupés para servir de armadores, invadiam malocas, roubavam produtos comerciais dos índios, enganavam trabalhadores indígenas e também faziam contrabando. À semelhança dos seringueiros colombianos no Uaupés dessa época, os militares eram temidos, como comprovam os registros de aldeias inteiras buscando refúgio em áreas inacessíveis ou fugindo logo que viam surgir um branco. Embora a criação de missões salesianas, a partir de 1914, e de postos do SPI (Serviço de Proteção aos Índios), a partir de 1919, tenha ajudado a controlar a situação, parece ter tido efeitos mínimos no Içana, pelo menos, no início. O regime extrativista continuava em operação, intensificando-se durante a Segunda Guerra Mundial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As narrativas baniwa sobre essa época são repletas da violência, fugas e terror que marcavam as suas vidas. No entanto, nos anos 20 e 30, surgiu um outro profeta chamado Uétsu do sib Adzanene, no Alto Guaínia, filho de Kamiko, que novamente fizera campanha contra a bruxaria entre as comunidades Baniwa para restabelecer a ordem moral e a felicidade. Conta a história que Uétsu teve poderes iguais ao pai, liderando um grande movimento, realizando festas e consolidando um grupo de discípulos que o considerava como &amp;quot;rei&amp;quot;. Comunicava-se com as almas dos mortos e com Deus, que lhe avisou de eventos que iam acontecer. Foi morto pelos seus inimigos; no entanto, os descendentes dos seus discípulos continuam até hoje visitando o seu túmulo para lhe pedir proteção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo após a morte de Uétsu, apareceu entre os Baniwa, no final da década de 1940, Sophie Müller, uma missionária fundamentalista norte-americana da Missão Novas Tribos, pregando o protestantismo evangélico e, desse modo, reativando as esperanças milenárias entre os índios. Ela iniciou a sua evangelização entre os Kuripako na Colômbia, estendendo esse trabalho entre os Baniwa do Içana em 1949 e 1950. Pelo menos no início, a conversão dos Baniwa ao evangelismo tinha todos os sinais de uma continuação do movimento iniciado por Uétsu. Muitos Baniwa consideravam Müller como um messias, vinham de todos os lados para ouvir a sua pregação e se converter à nova fé. Em alguns aspectos, a sua missão lidava com o mesmo problema interno que lidavam os profetas: o da bruxaria, que ela identificou em inúmeros lugares. A solução que ela pregava, porém, era o abandono total da pajelança, das festas de caxiri e toda a sabedoria dos antepassados para adotar o novo modo de vida de &amp;quot;crente&amp;quot;. A maior parte da população acreditava em sua mensagem milenarista, e que ela era uma emissária de Deus que vinha para anunciar &amp;quot;o fim do mundo&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na mesma época em que Müller andava no Içana, padres salesianos começaram a abrir uma missão no baixo Içana, num confronto direto com o avanço do evangelismo protestante na região, criando uma situação de conflito aberto entre os seguidores da Sophie e os dos Padres. Müller foi forçada pelo SPI (Serviço de Proteção ao Índio) a sair do país em 1953; no entanto, ela manteve contato com os Baniwa do Içana, através de seus pastores e outros missionários da Missão Novas Tribos, até a sua morte no início dos anos 90. Num total, ela trabalhou mais de 40 anos entre os Kuripako do Guaínia, foi responsável pela tradução do Novo Testamento em três dialetos Baniwa, pela formação de dezenas de pastores, assim como a construção de inúmeras igrejas nas comunidades Kuripako e Baniwa. Até hoje, a população Baniwa mantém a divisão entre crentes e católicos, que corresponde aproximadamente às comunidades Walipere-dakenai e seus cunhados dos rios Içana, Cuiary e Aiary (os crentes); e os Hohodene e Dzauinai no Aiary e Baixo Içana (os católicos). Porém, a afiliação a essas duas religiões, ou a nenhuma delas, é fluida em muitas comunidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante as duas últimas décadas, os Baniwa enfrentaram uma nova onda de penetração &amp;quot;branca&amp;quot;, a serviço da política de segurança nacional do Estado ou dos interesses de companhias mineradoras. A partir dos anos 1970, quando foi anunciada a construção da rodovia Perimetral Norte que atravessaria suas terras, seguida pela construção de pistas de pouso e, desde 1986, da implantação do Projeto Calha Norte, a área recebeu freqüentes visitas de comissões do alto escalão do governo federal. Agravando a situação, desde o início da década de 1980, garimpeiros e, em seguida, companhias mineradoras, protegidos pela Polícia Federal, invadiram o território baniwa, trazendo a destruição ambiental e vários casos de violência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante dessas invasões, os Baniwa inicialmente reafirmaram sua postura histórica de autonomia com relação aos brancos. Os capitães das comunidades baniwa reivindicaram o controle sobre seus recursos minerais e se colocaram contra a presença de mineradores brancos em suas terras. A pressão constante exercida pelas empresas, apoiadas pela repressão da Polícia Federal, acabou gerando graves divisões internas: algumas comunidades ficaram a favor da entrada das empresas, outras não. Ao mesmo tempo, o Projeto Calha Norte ameaçou diminuir drasticamente o território não só dos Baniwa mas de todos os índios do Alto Rio Negro. Nessas circunstâncias, vários líderes surgiram para organizar melhor a resistência. A participação ativa desses líderes na Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), fundada em 1987, e na política partidária, e a criação de diversas associações locais de comunidades baniwa - tais como a Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI), a Organização das Comunidades Indígenas do Rio Aiary (ACIRA), entre outras - representam uma nova configuração de articulações políticas que vêm definindo as demandas concretas e específicas destas comunidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber a respeito do processo de demarcação das TIs e da criação da Foirn, ver o item '''Terras e organizações indígenas''' do verbete [[Povo:Etnias do Rio Negro | Etnias do Rio Negro]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Geraldo Andrello|Geraldo Andrello]] e [[Usuário:Robin Wright|Robin Wright]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social e política ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Homens fazendo cestaria de arrumã, atividade tradicionalmente masculina. Foto: Beto Ricardo, 2000.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278685-1/icana_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sociedade baniwa hoje se subdivide em várias fratrias ou conjuntos de sibs - como os Hohodene, os Walipere-dakenai e os Dzauinai - tradicionalmente localizadas em determinados trechos dos rios da região. As fratrias são exogâmicas (ou seja, seus membros não podem casar-se entre si) e, no passado, há evidência de que foram organizadas em grupos lingüísticos correspondendo a dialetos da língua baniwa - tais como os coripaco, karom e outros -, semelhante ao que ocorre em algumas áreas dos povos tukanoanos. Mas hoje, devido a deslocamentos e migrações históricas, provavelmente os únicos grupos lingüísticos que continuam a manter a sua identidade são os Coripaco da Colômbia, cujo nome se refere a um dialeto (Kuri- = negativo; -pako = eles falam) e os Wakuenai (Waku- = nossa fala; -enai = coletivo; ou &amp;quot;Os da Nossa Língua&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo a tradição da fratria dos Hohodene, eles são o sib de maior rank de um agrupamento de cinco sibs - os Maulieni, os Mulé dakenai, os Hohodene, os Adzanene, e os &amp;quot;irmãos menores dos Adzanene&amp;quot; (Alidali dakenai), cujos ancestrais '&amp;quot;nasceram&amp;quot; ao mesmo tempo na época da criação. É marcante nessa fratria seu sentimento de identidade baseada em lugares de emergência mítica e território comum. Há evidência, no mito de criação dessa fratria, de que existe uma relação hierárquica associada a papéis cerimoniais entre os sibs: o primeiro sib a &amp;quot;nascer&amp;quot; foram os Maulieni, os avós dos Hohodene, que são o sib &amp;quot;maaku&amp;quot;, ou servos, que limpavam o terreno onde iam nascer os outros sibs; o segundo sib a nascer foram os Mulé-dakenai, os irmãos maiores dos Hohodene e o sib de chefes, que arrumavam os banquinhos para todo mundo sentar na sala cerimonial; o terceiro grupo a nascer quando o sol estava a pino, foi os Hohodene, os &amp;quot;filhos do Sol&amp;quot;, grupo guerreiro, e o grupo mais alto na hierarquia pois nasceram no meio; depois, os Adzanene e seus irmãos menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada fratria consiste de pelo menos quatro ou cinco patri-sibs ordenados conforme a emergência dum grupo de irmãos ancestrais míticos, de mais velho a mais novo. Em alguns casos, o nome da fratria é o mesmo do sib considerado mais alto na hierarquia de irmãos. Por exemplo, os sibs Tuke-dakenai, Kutherueni, e outros pertencem à fratria dos Walipere-dakenai, o sib-irmão mais velho na hierarquia; e os Kathapolitana são um sib-irmão mais novo que pertencem à fratria dos Dzauinai, o sib-irmão mais velho na hierarquia.&lt;br /&gt;
Os Baniwa traçam descendência pela linha paterna. O núcleo das comunidades locais consiste no grupo de irmãos descendentes da família fundadora, com as suas famílias. Os laços entre irmãos, tal como nos níveis das fratrias e sibs, formam a base dum sistema de ordem hierárquica de acordo com a idade relativa. O significado da ordem, porém, está sujeito a variações locais na prática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As regras de casamento entre os Baniwa prescrevem a exogamia frátrica e expressam uma preferência para casamento com os primos cruzados patrilaterais. A troca direta de irmãs freqüentemente ocorre entre linhagens e sibs de afins preferidos e, em alguns casos, mostra-se uma preferência para casamentos entre pessoas de sibs pertencentes a fratrias diferentes mas da mesma posição na hierarquia. Os casamentos geralmente são monógamos (embora existam casos de poligamia) e arranjados pelos pais do noivo e noiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A virilocalidade é o padrão de residência predominante; porém, a regra de serviço do noivo freqüentemente produz situações de uxorilocalidade temporária ou permanente. As comunidades, portanto, podem incluir afins e até evoluir em comunidades multi-frátricas ou multi-sibs, ou ainda, em casos de antigos parceiros de troca, em metades. A intolerância dos missionários evangélicos tem modificado consideravelmente os padrões de residência e o casamento entre primos cruzados, contribuindo assim à uxorilocalidade permanente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tradicionalmente, o grupo de irmãos descendentes da família fundadora constitui o nível político mais importante da comunidade. O chefe de uma comunidade local era o irmão mais velho do grupo de irmãos da família fundadora. No entanto, há tantas exceções a esta regra atualmente que não está claro se ela ainda permanece. As histórias orais indicam a existência de grandes líderes de guerra no passado, mas a guerra foi abandonada pela maioria das fratrias no final do século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os líderes das comunidades, ou capitães, variam em seu exercício de autoridade, mas todos devem ter a aprovação da comunidade - principalmente o grupo dos velhos - em qualquer decisão, e a expectativa é que os capitães ajam como intermediários em assuntos internos e como interlocutores em relações com estranhos. Além disso, eles organizam trabalhos conjuntos, presidem reuniões e atividades religiosas, distribuem a produção comunitária, e reforçam os padrões de comportamento comunitário. Caso um capitão não cumpra as suas obrigações, os velhos da comunidade decidem por consenso a sua substituição. Nas comunidades evangélicas, a estrutura de autoridade religiosa se sobrepõe à hierarquia tradicional dos velhos, podendo até reforçá-la. Com a criação de novas associações políticas desde a década de 1990, tem surgido vários jovens líderes vinculados ao movimento indígena regional. Estes jovens líderes, porém, permanecem sob o controle e a censura da autoridade política tradicional de suas comunidades.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Geraldo Andrello|Geraldo Andrello]] e [[Usuário:Robin Wright|Robin Wright]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ecologia e subsistência ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Lago próximo à Juvitera, no Rio Içana. Foto: Beto Ricardo, 1997.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278688-1/icana_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As duas atividades básicas de subsistência dos Baniwa são a agricultura e a pesca, que são de importância econômica e cultural complementar e igual. A intimidade dos Baniwa com as matas é grande. Todo homem saberá dizer onde se encontram as melhores terras para a colocação de roças, onde procurar frutas e onde buscar a caça. Na área dos Walipere-dakenai há muitas porções de terra firme e por isso não lhes falta espaço para abertura de novas roças. No entanto, não possuem igapós em suas terras, ao contrário de seus cunhados Dzauinai que vivem Içana abaixo, numa região com muitos lagos. Os Dzauinai da comunidade de Juivitera, por outro lado, não tinham terra firme para plantar e atualmente dispõem apenas de uma pequena ilha situada bem no meio do grande igapó existente no médio Içana. Contam que esta ilha foi &amp;quot;feita&amp;quot; pelos Walipere-dakenai, que lhes trouxeram terra em muitas viagens de canoa. Nessa época, as mulheres Walipere-dakenai que se casavam com os Dzauinai padeciam por não terem mandioca para fazer beiju suficiente, e foi por este motivo que eles resolveram fazer um lugar para que seus cunhados pudessem colocar melhores roçados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Próximos aos antigos locais de moradia, os Baniwa apontam também a existência de manchas de terra preta que, quando possível, são aproveitadas para roças por sua boa produção. Há também as velhas capoeiras, de onde se retira uma grande quantidade de remédios. Além das grandes divisões ecológicas - terra firme (não inundável), campinarana (floresta arbustiva com folhas duras e rijas, em solos arenosos) e igapó (floresta inundada durante a maior parte do ano) - os Baniwa demonstram um conhecimento mais fino e detalhado das diferenças nas matas de sua área. Isto está patente, por exemplo, nas narrativas de origem dos vários grupos baniwa. Numa versão dessas histórias, conta-se que quando o criador Nhiãperikuli foi retirando o casal ancestral de cada um dos grupos (Walipere-dakenai, Hohodene, Dzauinai, Adzanene etc.) do buraco da cachoeira de Uapui, no rio Aiari, cada um deles foi viver em um local determinado, no centro do mato, onde há patauazal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, as formas como os Baniwa percebem seu ambiente não só contêm as macrodivisões apontadas acima com base em estudos de ecologia, como também promovem um refinamento no interior dessas categorias. Estas unidades &amp;quot;científicas&amp;quot; recebem nomes específicos na língua baniwa: hamariene (campinarana), édzaua (terra firme) e arapê (igapó), embora não designem especificamente o tipo de vegetação ou o tipo de solo, pois se referem mais precisamente a uma paisagem, com um tipo de vegetação e um tipo de solo associados. Por exemplo, o termo hamariene designa um ambiente &amp;quot;claro&amp;quot;, uma característica marcante das formações de campinarana, pois a mata é mais aberta se comparada à terra firme.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Foto: Pedro Martinelli, 2000&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278691-1/icana_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, há termos na língua baniwa para designar tipos de vegetação específicos, que se referem a uma gama enorme de variações identificadas do interior das categorias acima apontadas. Trata-se de um sistema de classificação baseado na percepção da dominância de diferentes espécies em porções específicas da mata. Por exemplo: o termo punamarimã é decomposto em punama (= patauá) e rimã (= concentração), podendo ser traduzido por &amp;quot;área de patauá&amp;quot;, ou mesmo &amp;quot;patauazal&amp;quot;. Segundo os Baniwa, o punamarimã consiste em um tipo de vegetação específico que ocorre no interior da mata de campinarana, ou seja, a presença de uma espécie dominante indica, nesse sistema, uma sub-unidade tipológica específica. Este recurso classificatório é empregado de modo generalizado, de maneira que todas as diferentes porções de suas matas, na terra firme, na campinarana ou no igapó, recebem nomes específicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Baniwa consideram os solos da floresta de terra firme conforme um gradiente de cores que varia de amarelo a preto. A terra preta ocorre em vários pontos de seu território, como é o caso do tipo mukulirimã, que é uma das melhores terras, propícia inclusive para cultivos de milho. Consideram justamente a coloração escura e a textura grossa para a escolha do local onde abrir um roçado. Um outro critério empregado por seus antepassados seria o de degustar a terra: quanto mais azeda mais imprópria à roça, quanto mais saborosa (comparando com o sabor de castanha) mais apropriada. Quanto à campinarana, apontam que em geral o solo é arenoso, à exceção dos tipos uaparimada, mapuruti e kuiaperimã que são sensivelmente mais escuros, prestando-se à abertura de pequenos roçados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora a pesca seja uma atividade realizada o ano inteiro, é na estação seca do verão que acontecem as grandes expedições de pesca nas lagoas do Médio Içana. Os Baniwa conhecem muitas técnicas de pesca incluindo o uso de armadilhas e redes, iscas, arcos e flechas, facões e lanças e o timbó. Tanto a pesca quanto a agricultura são atividades sincronizadas com uma variedade de indicadores ambientais e calendários míticos e, antigamente, eram vinculadas a uma série de rituais importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente são as atividades comerciais e extrativas que mais têm contribuído a modificar os seus padrões de subsistência. Desde cedo na história de contato, os Baniwa têm participado numa série de atividades extrativas tais como a piaçava, borracha, sorva, castanha, minerais. Já que a distribuição desses recursos é desigual, a migração sazonal de mão-de-obra se tornou um padrão comum. As atividades comerciais incluem a produção de artesanato (cestos, raladores de mandioca, redes, acangataras) e mandioca para vender aos comerciantes, ou nos mercados urbanos. Os Baniwa são excelentes artesãos. São os únicos fabricantes dos raladores de mandioca feitos de madeira e pontas de quartzo, que são distribuídos em toda a região, por meio das trocas interétnicas e dos comerciantes. Atualmente, são os principais produtores de urutus e balaios para venda, tecendo as peças nos mais diferentes tamanhos, tipos de desenho e coloração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para conhecer mais a respeito dessa atividade, acesse o site &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://artebaniwa.org.br/tipos1a.html&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Arte Baniwa&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Geraldo Andrello|Geraldo Andrello]] e [[Usuário:Robin Wright|Robin Wright]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia ==&lt;br /&gt;
Na cosmologia baniwa, o universo é composto por múltiplas camadas, associadas a várias divindades, espíritos, e &amp;quot;outra gente&amp;quot;. De acordo com o desenho de um pajé Hohodene (ver figura ao lado), o cosmos é basicamente composto por quatro níveis: ''Wapinakwa ''(&amp;quot;o lugar de nossos ossos&amp;quot;), ''Hekwapi'' (&amp;quot;este mundo&amp;quot;), ''Apakwa Hekwapi'' (&amp;quot;o outro mundo&amp;quot;) e ''Apakwa Eenu ''(&amp;quot;o outro céu&amp;quot;).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278694-1/icana_14.jpg|Cosmos segundo os xamãs Baniwa.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um outro pajé elaborou um esquema mais complexo ainda, consistindo de 25 camadas: 12 de baixo da terra, e 12 acima. Cada uma das camadas debaixo da terra é habitada por &amp;quot;gente&amp;quot; com características distintas (gente pintada todo de vermelho, gente com boca larga etc.). Acima da camada do nosso mundo são os lugares de diversos espíritos e divindades relacionados aos pajés: espíritos-pássaros que ajudam o pajé em sua procura de almas perdidas; o Senhor das Doenças, Kuwai, que o pajé procura para curar as doenças mais graves; os pajés primordiais e Dzulíferi, o Senhor de pariká e tabaco; e finalmente, o lugar do Criador e Transformador Nhiãperikuli, ou 'Dio' que é um paraíso, a fonte de todos os remédios, onde mora também o gavião real, Kamathawa, o querido de Nhiáperikuli.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cosmogonia baniwa (isto é, o tempo do começo do mundo) é composta por um conjunto complexo de mais de 20 mitos protagonizados por Nhiãperikuli, iniciando com o seu aparecimento no mundo primordial e terminando com sua criação dos primeiros antepassados das fratrias baniwa e seu afastamento do mundo. Mais do que qualquer outra figura do panteão baniwa, Nhiãperikuli foi responsável pela forma e essência do mundo, razão pela qual pode ser considerado o Ser Supremo da religião baniwa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O nome de Nhiãperikuli significa &amp;quot;Ele dentro do osso&amp;quot;, referindo-se à sua origem. Resumindo a história, no começo do mundo, tribos de animais selvagens andavam devorando pessoas. Um dia o chefe dos animais pegou um osso do dedo de uma dessas pessoas devoradas e o jogou rio abaixo. Uma velha estava chorando pela perda de seus parentes; então o chefe mandou-lhe buscar o osso no rio. Tinha três pequenos camarões dentro, que ela catou e levou para casa. Lá eles se transformaram em grilos. Ela deu-lhes comida e eles começaram a cantar e crescer. Depois ela os levou para a roça e deu-lhes novamente comida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eles continuaram se transformando, crescendo e cantando, até que apareceram como gente: três irmãos chamados Nhiãperikunai (&amp;quot;Eles dentro do osso&amp;quot;). A velhinha os advertiu para que ficassem quietos, mas eles começaram a transformar tudo e assim eles fizeram o mundo. Quando terminaram, voltaram para se vingar dos animais que mataram seus parentes. A história conta então uma série de atos de vingança em que os heróis acabaram restabelecendo a ordem no mundo. Entretanto, depois de um tempo, o chefe dos animais - querendo matar os três irmãos - fez uma roça nova e chamou os irmãos para queimá-la. Enquanto eles iam para o centro da roça, o chefe tocou fogo nas bordas. Mas os irmãos fizeram um pequeno buraco numa árvore de ambaúba, entraram e o tamparam. Quando o fogo (descrito no mito como uma conflagração que queimou o mundo inteiro) se aproximou, a ambaúba estourou e os três irmãos saíram voando, salvos das chamas e imortais. Desceram no rio, sopraram sobre o chefe dos animais, e lá tomaram banho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste resumo, percebe-se que a situação do começo é de caos e catástrofe e, na mitologia baniwa, há outras situações semelhantemente catastróficas, que também representam um prelúdio para uma nova ordem, quando as forças caóticas seriam dominadas. Aqui, o osso é o veículo simbólico dos seres que recriaram a ordem neste novo mundo. Porém, a destruição catastrófica do mundo ainda permanece como possibilidade efetiva. Quando o mundo estiver infestado por um mal insuportável - como é representado nos mitos - as condições serão então suficientes para a destruição e a renovação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo grande ciclo na história do cosmos diz respeito aos mitos de Kuwai, que têm importância central na cultura baniwa, explicando pelo menos quatro questões maiores sobre a natureza do mundo: como a ordem e os modos de vida dos antepassados são reproduzidos para todas as gerações futuras; como as crianças devem ser instruídas sobre a natureza do mundo; como as doenças e o infortúnio entraram no mundo; e qual a natureza da relação entre seres humanos, espíritos e animais, que é a herança do mundo primordial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mito contra a vida de Kuwai, a criança de Nhiãperikuli e Amaru, a primeira mulher e tia de Nhiãperikuli. Kuwai é um ser extraordinário, cujo corpo é cheio de buracos, consiste de todos os elementos do mundo, e cujos zumbidos e cantos produziram todas as espécies animais. O seu nascimento coloca em movimento um processo rápido de crescimento, em que o mundo em miniatura e caótico de Nhiãperikuli se abre até o tamanho do mundo na vida real.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kuwai ensina à humanidade os primeiros ritos de iniciação. Durante o período de reclusão dos meninos, porém, ele transforma em monstro e devora três iniciandos que havia quebrado o jejum, comendo nozes de uacú assado. No final do ritual, porém, Nhiãperikuli mata Kuwai, empurrando-o dentro de um enorme fogaréu, um inferno que queima a terra, reduzindo o mundo novamente em seu tamanho miniatura. Das cinzas de Kuwai nascem os materiais vegetais com os quais Nhiãperikuli fez as primeiras flautas e trombetas sagradas que seriam tocadas nos ritos de iniciação e cerimônias sagradas por todos os Walimanai. Amaru e as mulheres, então, roubam esses instrumentos do Nhiãperikuli, provocando uma longa caçada em que o mundo se abre pela segunda vez, enquanto as mulheres, fugindo do Nhiãperikuli, tocam os instrumentos pelo mundo inteiro. Após uma guerra contra as mulheres, os homens recuperam os instrumentos e, com eles, Nhiãperikuli procura os primeiros antepassados da humanidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa maneira, o mito de Kuwai marca a transição entre o mundo primordial de Nhiãperikuli e um passado humano mais recente, que é trazido diretamente para a experiência das pessoas vivas nos rituais. Por isso, os pajés dizem que Kuwai é tanto deste mundo atual quanto do antigo, e que ele vive no &amp;quot;centro do mundo&amp;quot;. Para os pajés, ele é o &amp;quot;Senhor das Doenças&amp;quot; e é quem mais procuram em suas curas, pois seu corpo consiste em todas as doenças - inclusive veneno, que é a 'causa' mais freqüente da morte das pessoas até hoje - cujas formas materiais ele deixou nesse mundo na grande conflagração que marcou sua &amp;quot;morte&amp;quot; e afastamento. Dizem os pajés que Kuwai tem cabelo no seu corpo inteiro como a preguiça preta wamu. Kuwai enreda a alma dos doentes, abraçando-as (como a preguiça), e sufocando-as caso nenhuma ação seja tomada; mas ele também permite que o pajé recupere e devolva as almas aos seus donos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma decorrência fundamental da cosmogonia baniwa é que o mundo está permanentemente manchado pelo mal, pela doença e pelo infortúnio. Os pajés o chamam de maatchíkwe, lugar do mal; kaiwikwe, lugar de dor; ekúkwe lugar podre devido a tantos mortos apodrecendo debaixo da terra. Em contraste, os outros mundos do cosmos - principalmente o de Nhiãperikuli - são considerados lugares belos, sem doença, sem maldade, eternamente novo. Mas, como uma pessoa doente, este mundo de humanos precisa constantemente ser livrado do mal, da bruxaria e feitiçaria que as pessoas praticam e que levam a morte e sofrimento. Esse é o papel do pajé que são os &amp;quot;guardiões do Cosmos&amp;quot;, e os rezadores que benzem o mundo nos rituais de iniciação, fazendo-o seguro para as novas gerações.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Robin Wright|Robin Wright]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vida religiosa ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Cada aldeia representada na Conferência leva sua bandeira.&lt;br /&gt;
Foto: Sully Sampaio, 1999.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278707-1/icana_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida religiosa baseia-se tradicionalmente nos grandes ciclos mitológicos e rituais relacionados aos primeiros ancestrais e simbolizados pelas flautas e trombetas sagradas, na importância central do xamanismo (pajés e rezadores, ou donos-de-canto) e em uma rica variedade de rituais de dança, chamados pudali, associados aos ciclos sazonais e ao amadurecimento de frutas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais de iniciação tradicionalmente são celebrados na época das primeiras chuvas e amadurecimento de certas frutas, quando se tem uma turma de meninos de dez a treze anos, prontos para receber os ensinamentos sobre a natureza do mundo. É absolutamente proibido para as mulheres e os não-iniciados verem as flautas e trombetas sagradas, sob pena de morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ritual tem três fases: na primeira, chamada wakapethakan, ou &amp;quot;nós açoitamos&amp;quot;, o dono do ritual (o responsável pela organização de todo o trabalho e o dono da casa onde o ritual é realizado) manda os homens buscarem frutas no mato e as mulheres fazerem caxiri. Quando tudo esá pronto, no dia marcado, os homens descem para o porto onde estão escondidos as flautas e trombetas sagradas, se pintam de preto e se preparavam para a chamada. Um velho, o benzedor do ritual, fica junto com os meninos, com os olhos tapados, na porta da casa do ritual e, com um bastão na mão, chama os antepassados do sib três vezes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|No último dia de Conferência é realizada a chamada Santa Ceia. A pessoa que aparece na foto é um Ancião kuripako. Ancião não é necessariamente uma pessoa idosa, mas o que é responsável pelo aconselhamento da aldeia e por mantê-los sempre firmes na palavra&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278709-1/icana_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na terceira vez, os homens com os instrumentos de Kuwai sobem do porto e fazem uma procissão na praça, parando em frente da casa, onde deixam os instrumentos no chão. O velho tira o pano que tapa os olhos dos meninos e os mostra os instrumentos, explicando o seu significado, as proibições de falar sobre eles, e como eles vão ficar em reclusão por um mês (hoje, umas duas semanas), até estarem prontos para sair da casa do ritual. A partir daí, os meninos ficam em reclusão, jejuando com frutas do mato, aprendendo as histórias sagradas, e - o mais importante - fazendo todo tipo de cesto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do período, o dono do ritual convoca o velho e dois companheiros a realizar o ritual mais importante - o benzimento da pimenta, chamado Kalidzamai. Por uma noite inteira, os velhos entoam um cântico, enquanto os homens tocam os instrumentos e tomam caxiri, recriando - no seu pensamento - as viagens de Amaru pelo mundo inteiro com os instrumentos enquanto Nhiãperikuli e os homens a perseguiam. Nesse cântico, os velhos benzem a pimenta e o sal, que depois são servidos para os iniciandos com um pedaço de beijú. Terminado o benzimento, ao raiar o sol, os velhos entregam a pimenta benzida para o dono do ritual e ele convoca os meninos a ficar, um por um, em frente dos velhos benzedores para ouvir os conselhos deles de como viver no mundo depois de terminada a sua iniciação. Depois de dar os conselhos, o velho levanta o açoite e surra três vezes o peito do iniciando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Nos cultos realizados na Conferência, a disposição dos assentos está organizada segundo alguns critérios, sendo um deles a separação por sexo. Na foto aparece o lado das mulheres. Foto: Sully Sampaio, 1999.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278712-1/icana_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Terminado a fase de reclusão, começa a etapa de saída da casa, wamathuitakaruina, ou seja, a fase de reintegração na vida como adultos. Os iniciandos são pintados pelas suas mães de vermelho, e ornamentados com cocares e penas de garça. Com as peneiras de mandioca que eles fizeram durante a reclusão nas mãos, eles fazem uma fila e, ao sinal, saem da casa enquanto os homens cantam. Saem e entram três vezes e, na última vez, cada um apresenta a sua peneira para uma menina, escolhida para o ritual de saída, chamada kamarara, &amp;quot;como se fosse uma esposa&amp;quot;. Nesse momento o ritual termina, em meio a muita alegria e festa, com a nova geração de adultos que a sociedade produziu.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Último grande momento da Conferência, quando as pessoas que receberam os convidados agradecem a presença de todos, mandam lembranças para os parentes, repassam para outra comunidade a responsabilidade de organizar a próxima Conferência e distribuem a fari&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278714-1/icana_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais de iniciação para meninas, por sua vez, acontecem logo após a sua primeira menstruação. A organização do ritual é parecida com a dos meninos; as meninas, porém, geralmente são iniciadas individualmente, quando seus cabelos são cortados bem curtos - &amp;quot;como meninos&amp;quot; -, e não lhe são mostrados os instrumentos sagrados. Durante o período da reclusão, a moça aprende a fazer os ralos de mandioca (isto é, de fixar os pedaços de quartzo em desenhos geométricos na tábua já cortada pelos homens), vários tipos de cerâmica (pratos pintados especialmente), os instrumentos de fazer beiju (espanadores); alem de tudo sobre como cuidar as roças, cozinhar etc. No final do benzimento da pimenta, a moça - ornamentada e pintada como os meninos - é instruída a ficar em pé dentro de um balaio de beiju, enquanto um outro balaio ornamentado com penas de garça é colocado invertido sobre sua cabeça, simbolizando o seu status de fazedora de beiju, o pão do dia-a-dia da comunidade. Ela recebe a pimenta benzida, em seguida recebe da sua tia ou avô e do velho benzedor as instruções específicas para meninas, e depois leva surra três vezes como os meninos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro importante ritual praticado tradicionalmente pelos índios da região é o pudali (dabukuri em língua geral), celebrados principalmente em épocas de amadurecimento de frutas, mas também em outras ocasiões como a piracema, a época de desova dos peixes que subiram os rios em grandes quantidades. São ocasiões em que parentes e cunhados se juntam para beber caxiri (ou de mandioca ou de frutas como pupunha) e dançar. Nessas ocasiões alegres, quaisquer conflitos que existam entre cunhados, por exemplo, podem ser contornados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existe uma grande variedade de pudali: Mawakuápan, a dança com apitos mawaku, feitos de pedaços de cana de açucar; Wethiriápan, celebradas na época da fruta ingá; Heemápana, quando os participantes tomam caapi (Banisteriopsis sp) e dançam com maracás; Aaliapan, dança dos jaburus; Kapetheápan, dança com açoites, que é a festa de Kuwai, também chamada Kuwaiápan celebradas no início das chuvas; e Kuliriápan, a dança dos surubi- talvez a mais famosa dos pudali Baniwa, quando são fabricadas as flautas surubí em grande quantidade. As flautas são feitas de paxiúba, com cestaria em formato do peixe surubí, pintadas de marrom e branco, e ornamentadas com penas de garça. Ainda hoje, algumas comunidades do alto Aiary fazem essa flauta e realizam a dança. É a flauta e dança que mais distinguem os Baniwa de outros povos da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dessas danças, os Baniwa - pelo menos os do Aiary até o início do século XX - dançam com máscaras, chamadas hiwidaropathi, que representam diversos espíritos e animais. Koch-Grünberg fotografou essas danças entre as comunidades do alto Aiary no início do século, além de vários instrumentos (flautas) e ornamentos (acangataras, braceleiros, tornozeleiros), os quais já não se vê mais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Embarque para a viagem de volta à comunidade de origem.&lt;br /&gt;
Foto: Sully Sampaio, 1999.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278716-1/icana_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação ao xamanismo, há duas categorias principais de xamãs: os donos-de-canto (malikai-iminali) e os pajés (maliiri). Os pajés podem ser cantadores e vice-versa, mas há diferenças na formação, curas e saberes que cada um domina. Os pajés &amp;quot;chupam&amp;quot; (extraem por sucção objetos patogênicos de seus pacientes), enquanto os donos-de-canto &amp;quot;sopram&amp;quot;, ou, como eles dizem, &amp;quot;rezam&amp;quot; (cantam ou recitam fórmulas com tabaco sobre ervas e plantas medicinais a serem consumidas pelos pacientes). Somente os pajés usam maracás em seus cantos e danças e o pó sagrado pariká nas suas curas, o qual os leva a um estado de transe. Para os donos-de-cantos, o tabaco e uma cuia d´água são os instrumentos principais. Tanto os pajés como os donos-de-canto têm um extenso conhecimento das plantas medicinais utilizadas nas curas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte do poder dos pajés fundamenta-se em seu conhecimento extenso e na compreensão da mitologia e cosmologia, assim como o conhecimento detalhado e sistemático das fontes múltiplas de doenças e suas curas. Através de seu papel de mediador entre os aflitos e os espíritos e divindades do panteão baniwa, os pajés curam, aconselham e orientam o povo, desempenhando assim um dos serviços mais vitais para a saúde e bem-estar contínuo da comunidade. Acredita-se que os pajés 'de verdade' podem se transformar em vários animais poderosos, notadamente o jaguar, e nas próprias divindades. Normalmente, os pajés realizam suas curas em grupos de três ou quatro, com um líder guiando os cantos e ações rituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já os donos-de-canto se valem principalmente de cantos, acompanhados por sopros de tabaco sobre matéria médica (como plantas medicinais). Os velhos, principalmente, são os que cantam ou recitam essas fórmulas para várias tarefas: proteção contra doenças, cura e alívio da dor, ou então para chamar os animais de caça e peixe, para fazer as roças crescerem, entre outras atividades. Os velhos mais instruídos sabem também os cânticos especiais, chamados Kalidzamai, entoados durante os ritos de passagem (nascimento, iniciação e morte). Esses cânticos representam um saber altamente especializado e esotérico das dimensões horizontais e verticais do cosmos e das classes do ser. Essa é a atividade mais sagrada e poderosa de todas as conhecidas pelos donos-de cantos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas décadas de 1950 e 60, graves conflitos religiosos eclodiram nas comunidades baniwa como resultado da evangelização dos protestantes e católicos, introduzindo uma dimensão de tensão antes inexistente entre os especialistas religiosos. As comunidades protestantes, sobretudo, praticamente perderam todos os seus pajés, junto com o culto de flautas e rezadores Kalidzamai. Somente os donos-de-canto menos importantes conseguiram continuar sua prática e conhecimentos sem perseguição. A intolerância dos protestantes provocou uma crise espiritual entre os donos-de-cantos, muitos dos quais alegaram que uma &amp;quot;doença&amp;quot; fez com que eles esquecessem sua arte. Alguns pastores mais radicais, aliás, fizeram campanha contra os pajés do Rio Aiary, o único lugar na área Baniwa onde a pajelança ainda é praticada. Hoje, a instituição está em franco declínio, com apenas meia-dúzia de pajés em todo o território Baniwa no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a conversão ao evangelismo, todos os pudali foram proibidos pelos missionários e seus seguidores. Portanto, há toda uma geração hoje que nunca viu nem ouviu a música dos pudali. O grande transtorno provocado pela perda desses rituais é evidenciado pelos inúmeros conflitos entre os &amp;quot;crentes&amp;quot; e os &amp;quot;tradicionais&amp;quot; sobre a maneira em que os instrumentos ou foram queimados ou jogados no rio. Otabaco e caxiri, também proibidos, são duas coisas que, segundo os Baniwa, traziam alegria para a alma. Com a sua interdição, naturalmente os conflitos internos também aumentaram. Em seu lugar, os crentes introduziram as leituras do Evangelho, as cerimônias de Santa Ceia (mensal) e as Conferências (cada dois ou três meses), as quais, uma vez consolidadas, substituíram os pudali. Dessa maneira, hoje em dia, entre as comunidades crentes, essas cerimônias fornecem ocasiões de alegria e felicidade, quando - além dos ensinamentos da Biblia - há uma fartura de comida e jogos para todos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Robin Wright|Robin Wright]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Cestaria de arumã baniwa. Foto: Beto Ricardo, 2000.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/278718-1/icana_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sociedade e a cultura baniwa permaneceram pouco conhecidas pelos pesquisadores até a virada do século XX, quando o etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg passou vários meses no Içana e no Aiari e deixou os primeiros registros etnográficos confiáveis até então. Antes disso, vários viajantes científicos, como Alexandre Rodrigues Ferreira nos anos de 1780, Johann Natterer na década de 1820, e Alfred Russell Wallace em 1852-3, deixaram as suas poucas anotações sobre os Baniwa, como também fizeram diversos clérigos e militares. A documentação extensa sobre os movimentos messiânicos da segunda metade do século XIX (encontrada no Arquivo Histórico Nacional no Rio de Janeiro, e no Instituto Histórico e Geográphico Brasileiro em Manaus), deixada por oficiais do governo, militares e padres é extremamente útil para a história e, até certo ponto, pode ser aproveitada por seu conteúdo etnográfico. Por outro lado, o valor dessa documentação é limitado pelos interesses de seus autores em controlar &amp;quot;distúrbios&amp;quot; nas fronteiras. Além disso, várias comissões oficiais, tais como a Primeira Comissão Demarcadora dos Limites, deixaram informações valiosas acerca da população (Auquivo em Belém). A etnografia informativa e sensível escrita pelo prefeito da vila venezuelana de Maroa, Martín Matos Arvelo (1912) se refere a uma outra etnia de nome Baniwa, distinta da tratada neste verbete.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi o trabalho pioneiro de Koch-Grünberg que iniciou a etnografia Baniwa. Desde então, em intervalos de quase 25 anos, etnógrafos têm trabalhado no Içana e em seus afluentes, produzindo os registros essenciais para o conhecimento da história recente dos Baniwa: Curt Nimuendajú em 1927, Eduardo Galvão em 1954, Adélia de Oliveira em 1971, Berta Ribeiro em 1977. Robin Wright tem se dedicado ao estudo dos Baniwa desde 1976, produzindo artigos e um livro sobre a religião, história, mitologia, guerra, xamanismo, movimentos proféticos e a conversão ao evangelismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A produção de Jonathan Hill sobre os Wakuenai da Venezuela inclui artigos sobre o intercâmbio social, a organização social, a religião, o intercâmbio cerimonial e um livro sobre os especialistas cantadores. Do lado colombiano, a tese de doutorado, publicada em 1994, e um artigo de Nicolas Journet oferecem análises da organização política, social e econômica, da guerra, e do intercâmbio cerimonial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente temos um livro dos próprios indígenas, A Sabedoria dos Nossos Antepassados, que contém as histórias gravadas, pelo antropólogo Robin Wright, o qual trabalhou em 1976-77 entre os Hohodene e Walipere dakenai, duas fratrias baniwa que moram no rio Aiari. Nesta, o antropólogo fez a primeira versão baseada nas suas gravações; depois a discutiu detalhadamente com os narradores, esclarecendo pontos escuros, e elaborou a segunda versão, a qual foi revisada por diversas pessoas até chegar à versão final. Em 1996, a Associação das Comunidades Indígenas do Rio Aiari (Acira) aprovou a produção do volume.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de elencar fontes de informações sobre a área cultural do Noroeste Amazônico, também apresentamos referências bibliográficas específicas sobre os seguintes povos da região, Baniwa e Kuripako&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Robin Wright|Robin Wright]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Coripaco ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CASTELLANOS, Juan M. (Ed.). Fepaite, nuestro territorio : Atlas Curripaco. Bogotá : Papawiya, Ñewiam, 1992. 60 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CHIAPPINO, Jean; ALES, Catherine (Eds.). Del microscopio a la maraca. Caracas : Ex Libris, 1997. 402 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERNANDES, Carlos. O direito de crer. Eclesia, São Paulo : s.ed., v. 5, n. 54, p. 18-30, mai. 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HILL, Jonathan D. “Músicalizando” o Outro : ironia ritual e resistência étnica Wakuénai. In: ALBERT, Bruce; RAMOS, Alcida Rita (Orgs.). Pacificando o branco : cosmologias do contato no Norte-Amazônico. São Paulo : Unesp, 2002. p. 347-74. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;JOURNET, Nicolas. Hommes et femmes dans la terminologie de parenté curripaco. Amerindia, Paris : A.E.A., n. 18, p. 40-74, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Les jardins de paix : Etude des structures sociales chez les Curripaco du Haut Rio Negro. Paris : École des Hautes Études en Sciences Sociales, 1988. 473p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. La paix des jardins : structures sociales des indiens curripaco du haut Rio Negro. Paris : Institut d’Ethnologie, 1995.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ORTIZ, Francisco (Ed.). Waaku Idana : cartilha para leer y escribir en Curripaco - Aja. Bogotá : Fundación Etnollano, 1993. 64 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PROFESSORES BANIWA E CORIPACO. Baniwa Coripako Iemakaa. São Paulo : ISA, 2002. 66 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROJAS SABANA, Filintro Antônio. Ciencias naturales en la mitologia Curripaco. Bogotá : Fundación Etnollano, 1997. 266 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROMERO, Manuel. La territorialidad para los Curripaco. Informes Antropológicos, Bogotá : Inst. Colombiano de Antropología, n. 6, p. 5-32, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Geraldo Andrello|Geraldo Andrello]] e [[Usuário:Robin Wright|Robin Wright]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;huzzazWrapper&amp;quot; style=&amp;quot;width:100%; height: 1700px; margin: 0 auto;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; allowtransparency=&amp;quot;true&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;100%&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://huzzaz.com/embed/coripaco?vpp=12&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;100%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Koripako}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Geraldo Andrello}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Robin Wright}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=1807105948492d708cc6ffa.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=53401}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Beto Ricardo (ISA)}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2002-09-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=escuro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=236}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kokama&amp;diff=6312</id>
		<title>Povo:Kokama</title>
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		<updated>2018-08-20T19:19:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Habitantes do Solimões, o contato dos Kokama com a sociedade não-indígena remonta às primeiras décadas da colonização. Os aldeamentos e deslocamentos forçados, impostos primeiramente pelas missões e depois pelas frentes extrativistas, acabaram criando um contexto tão adverso de reprodução física e cultural desses grupos, que lhes suscitou a negação da identidade indígena por muitas décadas. Desde os anos de 1980, porém, a identidade Kokama vem sendo cada vez mais valorizada no contexto de suas lutas políticas – que incluem outros povos indígenas do Solimões – por terras e acesso a programas diferenciados de saúde, educação e alternativas econômicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2005, a população Kokama conhecida no Brasil era de 786 pessoas (Cimi, 2005), distribuída por comunidades localizadas no alto e médio rio Solimões, no estado do Amazonas, principalmente nos municípios de Tabatinga, São Paulo de Olivença, Benjamim Constant, Amaturá, Santo Antonio do Içá, Tonantins, Fonte Boa, Tefé e Jutaí. Por outro lado o CGTT – Conselho Geral da Tribo Ticuna, que foi conveniado com a Funasa – Fundação Nacional de Saúde, no tratamento da saúde indígena na região do Alto Solimões, diz que os Kokama somam 9.000 índios, dados de 2003.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Peru, o montante desse povo é muito maior, somando cerca de 19 mil em 2003 (Cf. Ramos). Já na Colômbia somam 792 (Unesco, 2004).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja no menu à direita as &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/introducao/o-que-sao-terras-indigenas&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (TIs) habitadas pelos Kokama em território brasileiro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua Kokama foi classificada como parte da família Tupi-Guarani, tronco Tupi. É muito semelhante à língua dos [[Povo:Kambeba | Omágua]] (Kambeba). Estudos posteriores indicaram que sua origem estaria ligada às várias migrações de grupos Tupi do Brasil para regiões peruanas em tempos pré-contato. Supõe-se que seja uma língua produto da interação de alguns grupos indígenas na região do alto Marañón, nas proximidades dos rios Huallaga, Napo e Ucayali, sendo que a língua Tupinambá teria sido a principal fonte lingüística do idioma Kokama, com aproximadamente 60% do vocabulário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Peru, cerca de 2,5% de uma população de 19 mil Kokama se expressam na língua nativa. No Brasil, são poucos os que possuem fluência e não há casos narrados de comunidades que usem o Kokama, ainda que como segunda língua (Ramos, 2003).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 As primeiras referências aos Kokama, fornecidas por exploradores e missionários nos séculos XVI e XVII, situam os seus principais assentamentos no médio e baixo rio Ucayali, afluente meridional do Amazonas peruano. No início do século XVI, os Kokama que viviam nessa região mantêm contato com Juan de Salinaso, primeiro europeu a alcançá-los. A expedição de Ursua e Aguirre ao Amazonas no período 1560-1, narrada pelo capitão Altamirano, informa o encontro com esses índios na foz do Ucayali. Na região próxima ao alto rio Amazonas, incluindo o Marañón, baixos Huallaga e Ucayali e o rio Napo, a conquista missionária já havia atingido os [[Povo:Kambeba | Omágua]] (Kambeba) e Kokama desde 1547.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A frente missionária jesuítica estabelece-se na Amazônia de forma mais contundente, através da atuação dos padres Samuel Fritz e Richler, que deram início aos trabalhos de catequese junto aos Omágua, Assuare, Ibanoma, Taumã, Xebeco e Kokama. Em território brasileiro a missão de San Joaquin de Omágua, coordenada por Fritz, estabeleceu-se no Putamayo (Içá) e 27 outras foram fundadas durante as décadas seguintes. Por largo espaço de tempo os jesuítas detiveram uma posição privilegiada na formulação e execução da política indígena nos territórios da América, assim como foram os principais responsáveis, nesse momento, pela concentração dos diferentes grupos étnicos nos aldeamentos missionários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins do século XVII e início do XVIII, os portugueses avançam rumo ao rio Amazonas. Com a transmissão de poder das missões jesuítas espanholas para os carmelitas portugueses, em 1710 inicia-se o período das chamadas “Tropas de Resgate” portuguesas que, por meio de incursões devastadoras, penetram na zona das missões, provocando o seu abandono e a retirada dos sobreviventes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XIX, a legislação imperial permanece anti-indígena, estabelecendo proibições formais, incentivos oficiais para a escravização dos índios e a organização de ações armadas destinadas ao alargamento da colonização nas áreas por eles ocupadas. No período de 1750-1850, todas as informações disponíveis sobre a situação das povoações do alto Amazonas são concordantes em relatarem a instabilidade dos núcleos indígenas, que sofreriam bruscas variações populacionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de extração da borracha introduziu na região novos interesses, técnicas e modos de ser. A situação posterior a 1870 implica novas formas de pressão sobre os grupos indígenas do alto Amazonas. Seringueiros e castanheiros, nesse momento, ocupavam áreas cada vez mais extensas, chegando às regiões onde viviam grupos indígenas que até então viviam de acordo com sua economia tradicional, baseada na agricultura, caça e pesca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo extrativo necessitava da incorporação de novas áreas de terra e do alargamento da mão-de-obra disponível, já bastante escassa após a abolição da escravatura em 1888, e a região próxima ao rio Solimões constituía-se em um razoável reservatório natural de seringa. No entanto, com a queda dos preços internacionais da borracha no início do século XX, os patrões da borracha passam a utilizar a mão-de-obra indígena na extração de madeira, na agricultura, na produção de farinha, na caça de animais com peles de valor comercial e na pesca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No princípio do século XX, a população Kokama que habitava o Amazonas peruano, nas proximidades da cidade de Caballocha, começa um movimento continuado de migração rumo ao alto Solimões, no Brasil. Mas a maior parte do grupo, certamente, ainda permaneceu no território de origem, sendo citados em 1936 aldeamentos kokama localizados no Ucayali entre as cidades de Iquitos e Contamana, bem como no baixo curso do rio Tapiche. Segundo documento de 1943, aqueles que haviam imigrado para o território brasileiro ao longo do Solimões fixavam-se, entre outros locais, nos paranás de Tauaré, das Panelas e da Floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, fatores externos, como a inserção nas missões, em um primeiro momento da história do contato, aliada às frentes extrativistas que se instalaram na região do alto Amazonas alguns séculos depois, desencadearam o deslocamento de muitos grupos indígenas de suas áreas tradicionais. É também em decorrência das realidades sociais impostas que, em fins do XIX, parte dos Kokama desloca-se do Peru e Colômbia ao Brasil, inserindo-se no esquema de exploração da seringa.&lt;br /&gt;
== A Irmandade da Santa Cruz ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra importante motivação para posteriores migrações kokama rumo ao Brasil foi o movimento messiânico que ficou conhecido como Irmandade da Santa Cruz. Entre 1971 e 1987 numerosas famílias Kokama emigraram da cidade de Nauta, no Peru, e de diversas habitações às margens do rio Marañón (próximo à sua confluência com o Ucayali) até o interior da floresta. Chamavam us aos outros de “irmãos” e passaram a formar novas comunidades, enquanto esperavam o iminente fim do mundo. Então empreenderam uma marcha até uma cidade santa no rio Juí, afluente do Iça (continuação do Putumayo), em território brasileiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O líder do movimento era um profeta brasileiro, provavelmente mestiço, conhecido como Francisco da Cruz. Ele visitou comunidades dos principais rios da Amazônia peruana (Ucayali, Amazonas, Marañón), onde foi pregando sua doutrina sobre a última reforma do cristianismo e o fim do mundo. Contam que curava enfermos, ensinava técnicas agrícolas, plantava cruzes e fundava novas comunidades religiosas, assim como ditava as normas da vida para aqueles que seriam seus seguidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguido de uma multidão de adeptos – em sua maioria indígenas –, o irmão Francisco chega então às cidades peruanas de Pucallpa, Nauta e Iquitos, onde procura contatar as autoridades civis e católicas com a intenção de ser reconhecido oficialmente como o último reformador do cristianismo. Finalmente, desce o rio Amazonas com a intenção de entrar na Colômbia, mas é detido na fronteira, acusado de “comunista” e preso pelas autoridades brasileiras. Ao cabo de alguns dias é libertado devido à pressão de seus seguidores, mas firma o compromisso de ficar restrito ao interior da floresta. O irmão Francisco decide, então, subir novamente o rio Iça (Putumayo) e funda ali, em um de seus afluentes, o Juí, sua residência definitiva e sede central do movimento. Ali ficou com seus adeptos até 1982, quando morre e deixa como sucessor um índio de origem tupinambá que posteriormente tomará o nome de Francisco Neves da Cruz (Agüero, 1994: 7).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social e cultura material ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 As relações de parentesco são o fundamento principal da organização interna dos Kokama e há uma relação estreita entre proximidade física e genealógica na disposição das casas. Uma comunidade é formada essencialmente por grupos de parentes e entre eles há fortes vínculos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as aldeias estão organizadas segundo os mesmos critérios de disposição espacial das casas: enfileiradas e próximas entre si, com as suas frentes voltadas para os cursos d’água e seus fundos para as áreas de mata. Há partes cultivadas nos fundos e nas laterais das casas. Estas são construídas sobre estacas, de tal forma que nas cheias somente seus pilares ficam submersos (Ramos, 2003). Antigamente, suas casas eram baixas e com teto de “duas águas” (de modo que o teto chegava quase até o solo), apoiado em pilares e cobertos de folhas de palmeira assentadas sobre varas (Agüero, 1994).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito à organização social Kocama em período anterior ao contato mais intenso com os não-indígenas, esta não foi muito documentada. Mas alguns dados indicam que viviam em malocas agrupados em famílias extensas (um pai com seus filhos e genros). A regra de residência pós marital era, provavelmente, patrilocal, assim como a descendência era patrilinear (Aguero, 1994:44).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização política Kocama é tradicionalmente acéfala e descentralizada. Os chefes circunscreviam sua autoridade ao grupo doméstico ou família extensa, a qual só poderia vir a se expandir no caso de guerra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tradicionalmente, os homens se ocupavam da pesca e da caça, a fabricação de instrumentos como os arcos, flechas, anzóis etc. As mulheres se ocupavam da preparação da comida e bebida, mas também ajudavam os maridos sobretudo no cultivo da roça e o transporte de frutos até a casa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à cultura material, tradicionalmente os homens Kocama se vestiam – como os [[Povo:Kambeba | Omágua]] – com uma ''cushma'', espécie de camisa que lhes chegava até os joelhos com desenhos geométricos de cor roxa, azul, amarela, entre outras. As mulheres usavam uma espécie de túnica de algodão amarrada à cintura e que as cobria até o joelho, acompanhada de um xale sobre os ombros. Os kokama usavam também enfeites de plumas, cinturões de algodão, pulseiras, braceletes e tornozeleiras. Tradicionalmente ainda faziam, e nos dias de hoje continuam fazendo, cestas cilíndricas com desenhos exagonais e peneiras confeccionadas com folhas e cascas de árvore (Agüero, 1994:41).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro aspecto cultural contemporâneo a ser destacado é o ''ajuri'', que consiste no trabalho coletivo de diversos grupos familiares seguido de uma refeição conjunta, e o consumo de sua bebida tradicional, o ''pajuaru'', feita a partir da fermentação da mandioca. Tal hábito é compartilhado com outros grupos indígenas do Solimões, como os Kambeba e os [[Povo:Ticuna | Tikuna]].&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia e xamanismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até o momento em que passaram a conviver intensamente com a sociedade não-indígena, os Kokama constituíam um povo de tradição guerreira. Segundo fontes históricas, saíam em expedições de 40, 60 ou mais canoas, ao encontro de seus inimigos. Tinham o hábito, comum em outros grupos amazônicos, de cortar as cabeças dos inimigos e com elas promover grandes festins (Figueroa, 1904 apud Agüero, 1994:43).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tradicionalmente, a vida após a morte era concebida pelos Kocama como um estado desprovido de limitações e sofrimentos, em que se goza sem medida de todos os bens corporais que são difíceis ou perigosos na vida na terra. Nessa outra vida reencontram seus parentes e podem viver o ideal de comer, beber, cantar e dançar com as cabeças de seus inimigos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em vida, os xamãs são aqueles que têm acesso a esses outros patamares do cosmos. O relato de um missionário (Figueroa, 1904 apud Aguerro, 1994: 48) indica quatro classes de xamãs entre os Kocama: os sopradores, que eram aqueles que curavam através de sopros no ar, em suas próprias mãos e na parte infectada do corpo do paciente. Também sopravam a comida e a bebida, que em seguida era dada como remédio ao doente. O tratamento se completava dando ao enfermo uma bebida composta por tabaco, por vezes misturado a outras ervas. Todos esses gestos eram acompanhados de invocações aos espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra modalidade era dos cantadores, que ficavam em um local próximo ao enfermo entoando cânticos para chamar espíritos encarnados em aves ou em outros animais e rogar para que a alma do enfermo não o abandonasse.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro tipo de xamã era o chupador, que curava pela sucção da parte afetada do enfermo com o objetivo de tirar o feitiço. Finalmente, havia o jejuador, o qual se valia de jejuns rigorosos, aos quais também deviam se submeter o enfermo e seus parentes mais próximos, com o fim de descobrir a origem do mal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os xamãs mais célebres, havia aqueles que se separavam da comunidade e se retiravam em uma choça, onde jejuavam e invocavam os espíritos durante alguns dias, ao cabo dos quais voltavam com a mensagem que haviam recebido dos espíritos sobre a causa dos danos. A outra classe, que é mais conhecida até o presente, fazia uso de plantas alucinógenas, em particular a ayahuasca, também chamada soga. Os rituais de consumo da ayahuasca duravam toda a noite e envolviam muitos participantes (Agüero, 1994: 49).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo que começava a beber ayahuasca, o xamã invocava em voz alta e se debatia com o espírito para que o escutasse. Em um segundo momento, caía desvanecido e o espírito se apossava de seu corpo. Finalmente, sua alma realizava um vôo e o espírito falava por sua boca. Em outros casos, a alma do xamã realizava o vôo, abandonando o corpo, e em seu regresso contava por onde havia passado e com quem havia interagido. Este xamã é hoje conhecido entre os Kocama peruanos como “banco”, porque os espíritos se sentam sobre ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, os Kokama conservam a denominação ''Sume'' para o xamã, que se comunica com o mundo sobrenatural através da ayahuasca. O deus Ini Jará, depois de criar a Terra e os homens, subiu ao céu, de onde cuida dos homens. O ''Sume'' é seu representante na terra (: 50)&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Economia e ambiente ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Os Kokama são fundamentalmente pescadores e agricultores. Praticam uma economia de subsistência em que a unidade produtiva é o grupo doméstico, que corresponde, na maioria das vezes, à família nuclear, composta por pai, mãe e filhos solteiros. Entretanto, o grupo doméstico pode estar temporariamente composto pela família extensa ou parentela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mandioca é o produto agrícola mais consumido e produzido. A farinha, além de ter importante papel na dieta diária, figura como um dos principais instrumentos de trocas internas e de comercialização. Regionalmente, além da farinha, os produtos que possuem valor de mercado são madeira, mel de jandaíra, castanha, banana, peixes, galinhas e porcos, além de frutas cultivadas ou coletadas. Outras fontes de renda são as aposentadorias que alguns idosos possuem, os salários pagos pelos respectivos municípios aos professores e agentes de saúde indígenas e a parceria com regionais na criação de gado (Ramos, 2003).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos Kokama habitam áreas com predominância do ecossistema de várzea, podendo ser em “várzea alta” e ou “várzea baixa”. A primeira classe de várzea é inundada esporadicamente, quando ocorrem grandes enchentes. Nela, os índios plantam culturas perenes e semi-perenes, como cacaueiro, goiabeira, coqueiro, açaizeiro, limoeiro, bananeira etc., cuja produção destina-se à subsistência das famílias da aldeia. Ao passo que na área de várzea baixa, que é submersa periodicamente com a subida das águas do rio Solimões, os índios plantam culturas de ciclo curto, como melancia, milho, feijão e abóbora, cuja produção é comumente destinada ao consumo interno e o excedente à comercialização no mercado regional. É importante enfatizar a importância das culturas tuberosas (macaxeira, mandioca, cará e batata doce), as quais são plantadas nos dois tipos de várzeas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em média, os Kokama utilizam menos de ½ ha para a abertura de novas roças. O sistema de trabalho para a preparação do solo e o plantio das culturas é divido em duas etapas: na primeira, as famílias indígenas aglutinam-se de forma coletiva no ''ajuri'' (trabalho coletivo seguido de refeição conjunta) para a limpeza do terreno. Na etapa seguinte, os trabalhos agrícolas são realizados pelos componentes de cada unidade familiar, procedendo-se então o plantio, tratos culturais, colheita e “beneficiamento” (como a produção de farinha).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesca é a atividade econômica fundamental para a obtenção de proteínas, sendo parte indissociável dos hábitos alimentares. É também uma relevante fonte de renda monetária através da venda do pescado no mercado regional. Os instrumentos usados para pescar são o espinhel, flecha e curico, sendo utilizado como o timbó. Essa atividade é exclusivamente masculina. As espécies mais apreciadas e consumidas são o pirarucu, o tambaqui, o curimatã, o pacu, o matrinchã, pirapitinga, a sardinha, a piranha, o surubim, o carauaçu e o tucunaré.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A caça apresenta uma fonte suplementar de proteínas para os Kokama, principalmente no período das enchentes, quando o peixe se torna escasso. Caçam aves como o mutum, nambu, maguari e mergulhão, e animais como o jacaré e os macacos preto, prego e de cheiro. Atualmente, a obtenção desses animais é realizada predominantemente com armas de fogo (espingardas). Além disso, os Kokama também costumam criar animais domésticos como patos, galinhas e porcos para consumo, e ainda cachorros que auxiliam na busca da caça quando necessário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coleta é também uma atividade assiduamente praticada pelo grupo, principalmente nas proximidades da aldeia. Os recursos mais utilizados são frutas e raízes, além de madeiras, palhas, cipó-titica e imbé, utilizados na construção de casas e outros artefatos. Os frutos silvestres que os Kokama apreciam são açaí, bacaba, bacuri, ingá, camucamu, urucum e buruti, entre outros.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;AGÜERO, Oscar Alfredo. El milenio en la Amazonía Peruana : mitologia tupi-cocama o la subversión del ordem simbolico. Lima : CAAAP ; Quito : Abya-Yala, 1994. 259 p. (Biblioteca Abya-Yala, 9)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Social change and symbolic expression : a case of religious ethnodynamism among the Tupi-Cocama of the Peruvian Amazonia. Uppsala : Uppsala University, 1971. 135 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CABRAL, Ana Suelly. Contacta-induced language change in the Western Amazon : the non-genetic origin of the Kokama language. Pittsburg : Univer. of Pittsburg, 1995. 415 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FAULHABER BARBOSA, Priscila. O lago dos espelhos : etnografia do saber sobre a fronteira Tefe/Amazonas. Belém : MPEG, 1998. 215 p. (Coleção Eduardo Galvão).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FIGUEROA, Francisco. Relación de las misiones de la Companhia de Jesús em el país de los Maynas. Madrid : Libreria General de Victoriano Suárez, 1904.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FREITAS, Antonio Braga &amp;amp;amp; COUTINHO Jr., Walter. Relatório de identificação e delimitação da Terra Indígena Acapuri de Cima. Brasília : Funai, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GOW, Peter. &amp;quot;Ex-Cocama&amp;quot; : identidades em transformação na Amazônia Peruana. Mana, Rio de Janeiro : Museu Nacional/PPGAS, v. 9, n. 1, p. 57-79, 2003.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PEREIRA, Henrique dos Santos. Castanha ou farinha : balanço energético comparativo das atividades agrícola e extrativista dos Kokamas. In: EMPERAIRE, Laure (Ed.). A floresta em jogo : o extrativismo na Amazônia central. São Paulo : Unesp, 2000. p. 69-78.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Castanha ou farinha : bilan énergétique comparé des activites extractiviste et agricole chez les Kokama. In: EMPERAIRE, Laure (Ed.). La forêt en jeu : l’extractivisme en Amazonie centrale. Paris : Orstom/Unesco, 1996. p. 63-72. (Latitudes, 23)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RAMOS, Luciana Maria de Moura. Relatório circunstanciado de identificação e delimitação da Terra Indígena São Domingos do Jacapari e Estação. Brasília : Funai, 2003.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIVAS, Roxani. La mujer cocama del bajo Ucayali : matrimonio, embarazo, parto y salud. Amazonía Peruana, Lima : CAAAP, v. 12, n. 24, p. 227-42, jun. 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOARES, Marília Lopes da Costa Facó. A perda da nasalidade e outras mutações vocálicas em Kokama, Asurini e Guajajara. Rio de Janeiro : UFRJ, 1979. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VICTER, Rogério Santos. Carisma e rotina na sucessão de uma liderança religiosa : a participação dos índios Cocama na renovação da Irmandade de Santa Cruz. Rio de Janeiro : UFRJ, 1992. 176 p. (Dissertação de Mestrado).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;p style=&amp;quot;text-align: center;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;360&amp;quot; src=&amp;quot;//www.youtube.com/embed/JxovOS7ueP0&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; width=&amp;quot;640&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
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{{#set:Crédito capa=Priscila Matta, 2003}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2006-02-01}}&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Karapan%C3%A3&amp;diff=6311</id>
		<title>Povo:Karapanã</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Karapan%C3%A3&amp;diff=6311"/>
		<updated>2018-08-20T19:19:38Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209266-1/uaupes_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família lingüística Tukano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tukano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tukano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tukano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguns contextos, o Tukano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua tukano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tukano. Já as línguas classificadas como tukano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tukano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/desano/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Desana @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Fonte: Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209269-1/uaupes_3.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel. Iaraueté, além de ser um centro de ocupação tradicional dos Tariana, abriga também uma grande missão dos salesianos e um pelotão de fronteira do exército. Existem ainda outras duas missões salesianas na bacia do Uaupés, uma em Taracuá (na confluência desse rio com o Tiquié) e outra no Alto Tiquié, chamada Pari-Cachoeira. Também há um destacamento do Exército na confluência do Querari com o Uaupés e outro em Pari-Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etnias e demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas etnias também estão presentes nas cidades da região, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. As etnias presentes na bacia do Uaupés são as seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) [[Povo:Arapaso | Arapaso]]: Etnia de origem tukano oriental que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2 ) [[Povo:Bará | Bará]]: Autodenominam-se Waípinõmakã. Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié, acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia; o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri) e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná). Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes de um ancestral comum que não podem casar entre si). São especialistas no preparo do aturá de turi, muito usado onde não são disponíveis os aturás de cipó maku. Também fabricam o carajuru. São hábeis ainda na confecção de canoas. Atualmente são os principais especialistas na fabricação dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3) [[Povo: Barasana | Barasana]]: Autodenominam-se Hanera. Vivem nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná, em território colombiano. Também encontram-se dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se 36 subdivisões nomeadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) [[Povo:Desana | Desana]]: Autodenominam-se Umukomasã. Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu; além de trechos do Rio Uaupés e Negro (inclusive cidades da região). Existem aproximadamente 30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas em certos tipos de cestos trançados, como apás grandes (balaios com aros internos de cipó) e cumatás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5) [[Povo:Karapanã | Karapanã]]: Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí (afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6) [[Povo:Kubeo | Kubeo]]: Autodenominam-se Kubéwa ou Pamíwa. Possuem uma língua bem particular da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande maioria, se encontram residindo em território colombiano, na região do Alto Uaupés, incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón. No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés e estão em pequeno número no Alto Aiari. Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados. Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três fratrias não nomeadas que funcionam como unidades para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma língua. São especializados na fabricação das máscaras de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) [[Povo: Makuna | Makuna]]: Autodenominam-se Yeba-masã. Vivem principalmente no território vizinho da Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya, afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes, os igarapés Castanha e Onça. Estão divididos em cerca de 12 sibs. São especializados em zarabatanas e curare, são também hábeis fabricantes de canoas, além de fornecerem remos leves e muito bem acabados aos índios do Alto Tiquié.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8) [[Povo: Miriti-tapuya | Miriti-tapuya ou Buia-tapuya]]: Atualmente falam apenas a língua tukano. São habitantes tradicionais do Baixo e Médio Tiquié, destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé, Vila Nova e Micura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9) [[Povo: Pira-tapuya | Pira-tapuya]]: Autodenominam-se Waíkana. Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem também em localidades do Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10) [[Povo: Siriano | Siriano]]: Autodenominam-se Siria-masã. Moram no Caño Paca e Caño Viña, afluentes do Alto Papuri, em território colombiano. No Brasil são encontrados dispersos em rios da bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações referentes a 27 sibs siriano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11) Taiwano, Eduria ou Erulia: Autodenominam-se Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu, afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari, afluente do Apapóris. Todas estas áreas estão situadas em território colombiano. Há informações que dão conta de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12) [[Povo: Tariana | Tariana]]: Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam outrora uma língua pertencente à família Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras de Iauareté e Periquito. São especializados em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13) [[Povo: Tatuyo]]: Autodenominam-se Umerekopinõ. Habitam uma área situada na Colômbia: o Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño Japu. No Brasil, são representados sobretudo por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem cerca de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14) [[Povo: Tukano | Tukano]]: Autodenominam-se Ye’pâ-masa ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família lingüística Tukano Oriental. Concentram-se principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés; mas também estão morando no Rio Negro, a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade de São Gabriel. É possível que existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano, cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões ocorridas nos últimos séculos, as posições hierárquicas são razão de polêmicas e versões variadas. Os Tukano são fabricantes tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva) e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos semelhantes àqueles dos trançados. É um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores) e bayá (chefes de cerimônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15) [[Povo: Tuyuka | Tuyuka]]: Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná. Estão concentrados principalmente no Alto Rio Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes também no trecho do Rio Papuri próximo à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São exímios construtores de canoas e, antigamente, eram especialistas na confecção de redes feitas de fibras de buriti. Também são especializados na confecção do cesto urupema, trançado de finíssimas talas de arumã, usado para coar sumo de frutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16) [[Povo: Kotiria | Kotiria]]: Autodenominam-se Kótiria. Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá (do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos; acima daí, convivem em território onde a maioria é Kubeo. Há informações de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua especialidade no âmbito das relações de troca interétnica é o preparo do carajuru, um pó corante feito com as folhas de um cipó, muito usado na confecção de artefatos rituais e na pintura do banco tukano, bem como para a pintura corporal. Também são hábeis cesteiros e produtores de objetos de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17) [[Povo: Yuruti | Yuruti]]: Autodenominam-se Yutabopinõ. Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde estes igarapés desaguam (em território colombiano). Há informações que possuem nove sibs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir, é apresentada uma tabela com a estimativa populacional de cada etnia:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Etnia&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População no Brasil&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Arapaso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;328&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Barasana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 61&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Desana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.531&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Karapanã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;42&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kotiria&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;287&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;168&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mirity-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;95&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pira-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.004&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Siriano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;17&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Taiwano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tariana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tatuyo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tukano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;4.604&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tuyuca&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;593&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yuruti&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;TOTAL&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;11.130&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identidade e diferença ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209272-1/uaupes_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto com seus vizinhos aruak, os Tukano - que serão tratados nesta seção como povos tukano, de modo que o grupo Tukano será diferenciado com letra inicial maiúscula- compõem um sistema sócio-político flexível, cuja integração se dá através de redes de intercâmbio recíproco envolvendo visitas, trocas, casamentos e rituais. A dinâmica desse sistema regional implica a articulação entre semelhança e diferença, entre um repertório comum que confere aos grupos que o compõem alguma medida de identidade e aquilo que os diferenciam uns dos outros, possibilitando a interdependência entre eles. Comecemos com as semelhanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209275-1/uaupes_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano compartilham uma área geográfica contínua e um mesmo modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a &amp;quot;mandioca brava&amp;quot; o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta. Falam línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Também compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas. Esses povos têm ainda estilos de ornamentação corporal semelhantes e, embora as palavras e melodias possam ser diferentes, usam os mesmos instrumentos musicais e a sua música, danças e cantos têm uma base comum. Tais convenções relativas ao modo-de-vida, organização espacial, língua, fala, adornos, música e dança integram o sistema comum de comunicação verbal e não-verbal dos povos do Uaupés, que se expressa mais plenamente nos rituais inter-comunitários.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209278-1/uaupes_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem as suas próprias histórias, mas também compartilham um ''corpus'' mitológico comum. Os mitos explicam as origens do cosmos, descrevendo um mundo perigoso e indiferenciado, sem limites precisos de tempo e espaço, sem diferença entre gente e animal. As narrativas míticas explicam como os feitos dos primeiros seres geraram as feições da paisagem e como o mundo se tornou paulatinamente seguro para a emergência dos verdadeiros seres humanos. Há um mito de origem chave nesse repertório que explica como uma Anaconda-ancestral penetrou o universo/casa através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no leste e subiu os rios Negro e Uaupés com os ancestrais de toda humanidade dentro de seu corpo. Inicialmente, esses ancestrais-espíritos tiveram a forma de ornamentos de pena, mas foram transformados em seres humanos no curso da sua viagem. Quando alcançaram a cachoeira de Ipanoré, o centro do universo, eles emergiram de um buraco nas rochas e se deslocaram para os seus respectivos territórios. Essas narrativas compartilhadas entre os povos do Uaupés expressam uma compreensão comum do cosmos, do lugar dos seres humanos nele e das relações que deveriam existir entre diferentes povos, bem como entre eles e outros seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, cada grupo tem uma identidade singular e um lugar específico dentro do sistema. A população divide-se em aproximadamente 17 grupos exogâmicos, cada qual com direitos sobre um território específico ou trecho de rio com características e potenciais diferentes. Somado a esses fatores ecológicos de diferenciação, cada grupo é tradicionalmente associado à produção de artefatos específicos; assim, os Tukano fabricam banquinhos, os Desana cestos, os Tuyuka canoas etc. Essa produção especializada constitui um aspecto da identidade grupal e mobiliza os cerimoniais de troca (ou ''dabukuris'') que são um dos principais componentes das atividades rituais características da região. Em tais festas, os diferentes grupos se reúnem para dançar, beber caxiri, exibir os seus ornamentos de penas, recitar as linhagens de seus antepassados e trocar os seus produtos (banquinhos por canoas, peixe por carne de caça etc.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem a sua própria língua, o seu conjunto particular de nomes pessoais, os seus específicos cantos de dança e as suas próprias genealogias e narrativas de origem. Cada um tem um ancestral originário da Anaconda que trouxe o povo para o seu território particular. O corpo dessa Anaconda é replicado no trecho do rio onde esse grupo mora, nas malocas em que habitam e na composição dos grupos. A língua, os nomes próprios, os cantos, as histórias e outras formas de discurso operam como emblemas de identidade, afirmam direitos territoriais e privilégios rituais, assim como manifestam aspectos da vida, alma e espírito do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo também possui um ou mais conjuntos de ''Yurupari ''- flautas e trombetes sagrados feitos do tronco da palmeira paxiúba -, que são os ossos de seu ancestral e que incorporam o seu sopro e canto. Junto com as festas e trocas cerimoniais, os rituais envolvendo esses instrumentos musicais - símbolos condensados da identidade, espírito e poder grupal - formam o outro grande componente da vida ritual dos Tukano. Enquanto a troca cerimonial enfatiza a equivalência e interdependência mútua entre grupos diferentes, os rituais de ''Yurupari ''realçam a identidade singular de cada um.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[fevereiro de 2003] '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas. Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs hierarquicamente ordenados. Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios. A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simbolicamente, a maloca reproduz em miniatura o universo e seus habitantes constituem tanto uma réplica quanto um precursor do ideal de organização clânica acima descrita. Assim, o pai da comunidade que habita a maloca seria o ancestral-Anaconda do grupo inteiro e seus filhos seriam os ancestrais dos clãs que dela se originaram. Seguindo essa lógica, o filho mais velho e irmão maior é geralmente o chefe da maloca, e não raro os seus irmãos menores são dançarinos, cantadores ou xamãs, cujos papéis costumam corresponder à ordem de nascimento. Mas poder e posição social dependem de energia e iniciativas pessoais, que não se baseiam apenas em organização formal, parentesco ou ordem de nascimento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Confecção de banco tukano. Foto: Rosa Gauditano, 2002&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209287-1/uaupes_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos rituais e da vida religiosa tukano está centrada em objetos (como ornamentos plumários e as flautas ''Yurupari'') e substâncias sagradas - como a pintura vermelha carayuru, cera de abelha, cera de breu (resina vegetal), epadu (feito com variedades de coca), tabaco e ayahuasca -, assim como em bens menos tangíveis, na forma de nomes, cerimoniais, encantações e cantos. Tais itens são propriedade do grupo e constituem expressões de seus poderes espirituais. Em um nível coletivo e estrutural, os rituais que envolvem tais itens podem ser vistos como expressões formais da identidade do grupo e das relações inter-grupais. Ao mesmo tempo, esses rituais constituem expressões das relações políticas em dada conjuntura. Assim, malocas vizinhas são interligadas por intermédio de líderes carismáticos, que comandam a organização de festas e coordenam o trabalho coletivo para a construção de casas maiores que funcionam como centros cerimoniais. Esses líderes são indivíduos que possuem um grande conhecimento esotérico e se mobilizam para manter e aumentar os bens sagrados de sua maloca, podendo disponibilizar os recursos necessários para patrocinar os rituais. Tais capacidades rituais prestam-se a fortalecer sua posição política.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Tukano e os Maku ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos das famílias lingüísticas Tukano Oriental e Maku convivem mais intensamente na região de interflúvio entre os rios Tiquié e Papuri e, em menor escala, entre o Papuri e o Médio Uaupés (trecho entre Iauareté e a foz do Querari). Nesta área, desenvolveram uma estratégia de complementaridade, uma vez que tradicionalmente ocupam espaços distintos e adotam práticas de manejo do meio ambiente específicas. Distintamente dos Tukano, que vivem nos rios maiores, os Maku preferem os igarapés menores, mais no centro da floresta. São bons caçadores, coletores de frutas silvestres e conhecem muito bem os caminhos na mata. Os Tukano, por sua vez, são agricultores dedicados e pescadores; mesmo quando caçam, preferem fazê-lo de canoa, surpreendendo pacas e antas que vão até a beira do rio beber água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista dos Tukano, os Maku formam uma categoria sui generis, na medida em que se diferenciam tanto dos afins quanto dos parentes de mesma descendência, pois não são casáveis e não são assimilados a eles através da terminologia de parentesco. Os Maku representam uma referência central no sistema conceitual tukano, estando associados às categorias hierárquicas mais baixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku mantêm com os Tukano relações de troca e colaboração intermitentes. Em geral, grupos domésticos maku tomam a iniciativa de se associar a grupos domésticos tukano, sendo também eles que decidem quando devem ir embora para seus sítios ou mudar de &amp;quot;patrão&amp;quot; tukano. Eles podem permanecer apenas uma semana ou vários meses com os Tukano, mas existem casos em que a relação é mais estável e certos Maku se acostumam a prestar serviços para grupos domésticos tukano específicos, mantendo a colaboração através de gerações. Mesmo nestes casos, a convivência é interrompida quando os Maku resolvem cuidar de suas próprias casas e roças ou viajar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku procuram trabalho quando estão passando por momentos de maior privação (suas roças são em geral insuficientes e há períodos pouco propícios para a caça). Nestas situações, oferecem seus serviços aos Tukano: as mulheres trabalham nas roças e no processamento da mandioca e os homens caçam, fazem ipadu ou pegam alguma empreitada (troca da cobertura de uma casa, derrubada da mata para roça etc.). Em troca, os Tukano pagam com parte da produção da cozinha (farinha, beiju etc.), os homens recebem ipadu e fumo e ainda roupas usadas, ferramentas, redes, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a família maku é muito grande e o custo, em termos de exploração da roça, é alto para a grupo doméstico tukano que os recebeu, este pode expulsá-los. Mais freqüente, porém, é que os próprios Maku se sintam fartos e desfavorecidos, retirando-se para seu assentamento por conta própria e levando consigo um suprimento de farinha e tapioca. Nesses casos, os Tukano reclamam de que eles saem sem dizer nada, de uma hora para outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que mais marca a relação entre estes dois grupos é a grande autonomia dos Maku, que os Tukano não podem violar. Os Maku procuram os Tukano visando suprir necessidades imediatas de alimentos; os Tukano aceitam os Maku e lhes encarregam de vários serviços. Algumas vezes os Maku também participam dos multirões para derrubar ou plantar roça promovidos pelos Tukano, quando é oferecido caxiri. Mas nessas ocasiões as relações são distantes e frias, não envolvendo intimidade. De modo geral, os Maku quase nunca comem junto com os Tukano ou se sentam próximos, a não ser nas manhãs em que há refeição comunitária e alguns Maku estão presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A distância social é marcada pelas atitudes. Quando um Tukano conversa com um Maku, este se posiciona a certa distância, olhando para outro lado. Em outro exemplo, ao devolver um cigarro que um Tukano pediu para “rezar” (para cortar alguma dor que um filho ou a própria pessoa está sentido), o homem Maku, ao invés de entregá-lo na mão, agacha-se próximo e joga o cigarro no chão, perto daquele que o solicitou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre os Tukano e os Maku é celebrada em grandes dabucuris (rituais de oferecimento), realizados na época de coleta de certas frutas do mato (como ingá, cunuri, buriti e açaí silvestre). Nestas ocasiões, os Tukano preparam muito caxiri e ipadu para receber os Maku, que chegam ainda de madrugada, antes do alvorecer, tocando trompetes, pequenos tambores e fazendo muito barulho. Trazem grandes quantidades de frutas que, inicialmente, deixam na beira do rio, para depois conduzi-las para dentro da casa de festa, no momento propício do ritual (quando há um diálogo cerimonial entre um par de homens Tukano e outro Maku). Conjuntos de tocadores de flautas pã maku se revezam ao longo da festa com conjuntos formados por homens e rapazes tukano. Eles formam pares de dança com as mulheres, sejam elas tukano ou maku, indistintamente. A mesma cerimônia também pode ser feita com o oferecimento de carne de caça moqueada; os papéis também podem ser invertidos, passando os Tukano a oferecer beiju e farinha aos Maku. Em geral a festa ocorre no povoado tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;nunca se acomodam em um lugar, estando sempre indo e vindo, inquietos;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são agricultores displicentes e, além disto, não sabem manejar o cultivo, não esperam o tempo mais produtivo da mandioca, arrancando logo tudo para fazer caxiri; os homens fazem o mesmo com os pés de coca, desfolham sem controle e acabam tendo que apelar para os Tukano para conseguir ipadu (que é uma necessidade diária);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são vistos com desconfiança, não raro acusados de saquearem as roças tukano e ainda disfarçarem o roubo fincando a haste da maniva no solo depois de arrancar o tubérculo; também lhes são atribuídos o sumiço de ferramentas, roupas e outros;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;a endogamia local e a constante transformação na constituição dos grupos locais são mau vistos pelos Tukano, que ainda enfatizam certos casamentos incestuosos, como se não houvesse regras definidas de casamento;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;os Tukano também dizem que eles não têm higiene, não se limpam nem penteiam o cabelo e andam maltrapilhos, com roupas velhas e encardidas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Esta visão dos Maku tem alguns desdobramentos práticos, por exemplo, o casamento com eles é expressamente proibido e uma pessoa que tenha alguma ascendência maku (seja por parte do pai ou da mãe) é estigmatizada. Contudo, o casamento de um homem tukano com uma mulher maku é mais aceitável do que o casamento de um homem maku com uma tukano, que é impraticável. Com o contato, representado pela intensificação do comércio, da catequização e da educação escolar, ocorreram mudanças na relação entre esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano passaram a intermediar a entrada e troca de mercadorias industrializadas. Ao passo que os Tukano aderiram à prática, hoje muito valorizada e difundida, de mandar seus filhos para a escola até o final do ensino fundamental e, menos freqüentemente, para o ensino médio na cidade, os Maku jamais se adaptaram ao sistema escolar e as tentativas promovidas pelos missionários foram todas fracassadas. Mesmo as escolas criadas nos povoados Maku, com professores tukano, raramente dão bons resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, a intensa migração dos Tukano para os centros missionários ou urbanos, como as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, tem levado a um processo de esvaziamento de algumas áreas. Isto tem propiciado o estabelecimento de povoados maku no curso principal dos rios, como é o caso do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Márcio Meira, 1990.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209289-1/uaupes_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como princípio básico, a cosmologia tukano combina perspectiva móvel, replicação da organização social em diferentes escalas da existência - corpo, communidade, casa e cosmos, e organização análoga entre níveis diferentes da experiência. O universo é feito de três camadas básicas: céu, terra e &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. Cada camada é um mundo em si, com seus seres específicos e podendo ser entendidos tanto em termos abstratos como concretos. Em contextos diferentes, o &amp;quot;céu&amp;quot; pode ser o mundo do sol, da lua e das estrelas, ou o mundo dos pássaros que voam alto, ou os topos achatados dos tepuis (topos achatados das montanhas) dos quais descem as águas ou o mundo dos topos das árvores da floresta, ou mesmo uma cabeça enfeitada com um cocar de penas vermelhas e amarelas de arara, que são as cores do sol. Do mesmo modo, o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; pode ser o Rio dos Mortos debaixo da terra, o barro amarelo debaixo da camada do solo onde enterram-se os mortos, ou o mundo aquático dos rios subterrâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De toda forma, o que define o &amp;quot;céu&amp;quot; ou o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma &amp;quot;camada&amp;quot; são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou &amp;quot;Terra&amp;quot;, o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos simbólicos, a maloca é o universo e o universo é uma maloca. O teto de palha é o céu, os esteios de suporte são as montanhas, as paredes são as cadeias de serras que parecem cercar a paisagem visível na beira do mundo, e sob o chão corre o Rio dos Mortos. A maloca tem duas portas: uma no leste que é a dos homens, ou a &amp;quot;porta da água&amp;quot;; outra das mulheres a oeste, com uma longa cumeeira que corre ao longo do teto da casa entre as duas portas, que é &amp;quot;o caminho do Sol&amp;quot;. Nessa região equatorial, os rios subterrâneos correm do oeste para o leste, ou da porta das mulheres para a porta dos homens; completando um circuito fechado da água, o Rio dos Mortos corre do leste para o oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maloca tanto é o universo, como também é um corpo, ao mesmo tempo o &amp;quot;corpo canoa&amp;quot; do ancestral-Anaconda e os corpos de seus filhos nele contidos. Esses filhos são os habitantes da casa, réplicas do ancestral original, receptáculos de futuras gerações e, eles mesmos, futuros ancestrais. Mas, se a maloca é um corpo humano, sua feição também é uma questão de perspectiva. Do ponto de vista masculino, a frente pintada da maloca é um rosto de homem, a &amp;quot;porta dos homens&amp;quot; é sua boca, a viga mestra e as laterais são a sua coluna e costelas, o centro da casa é seu coração, e a porta das mulheres o seu ânus. Do ponto de vista das mulheres, a coluna, as costelas e o coração permanecem os mesmos, mas o resto do corpo é invertido: a porta das mulheres é a sua boca, a porta dos homens a sua vagina e o interior da casa o seu ventre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são &amp;quot;rios&amp;quot;; e, ainda, que os vermes parasitas são &amp;quot;anacondas&amp;quot;. Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;amp;q&amp;amp;amp;f=false&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O ciclo da vida ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia Tuyuka com seu filho em um evento cultural em São Paulo. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209292-1/uaupes_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo em mente os princípios cosmológicos sintetizados no item anterior, podemos começar a perceber como alguns processos vitais são elaborados em termos cosmológicos e como se relacionam a práticas rituais associadas ao ciclo de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A digestão, evacuação, decomposição e morte envolvem um fluxo passivo do alto para o baixo, de rio acima para rio abaixo, do Oeste para o Leste. A vida em si é um movimento, às vezes uma luta, de acordo com esse fluxo: as plantas crescem em direção ao sol e as pessoas devem crescer para cima enquanto amadurecem. O Sol, ou ''Yeba Hakü'' (na língua barasana), o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, fonte de luz e da vida, move-se constantemente contra a corrente, subindo os rios da terra do Leste para o Oeste durante o dia e subindo o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; durante a noite, para aparecer de novo no Leste. O ancestral-Anaconda que trouxe a humanidade para o mundo também viajou como o Sol, no sentido Leste para o Oeste, parando quando alcançou o meio do universo. Esse mesmo movimento de Leste a Oeste foi também uma ascensão da água para a terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ancestal-Anaconda, um ser aquático, é o próprio rio no qual ele viajou, e os seres em seu interior somente assumiram a forma humana quando emergiram na terra firme; antes disso, eram &amp;quot;gente peixe&amp;quot;, espíritos na forma de ornamentos de penas. Os animais são chamados ''wai-bükürã'', &amp;quot;peixes maduros&amp;quot;; e, logicamente, entre eles estão os seres humanos, seres que estão a meio-caminho entre os &amp;quot;peixes-espíritos&amp;quot; que eram antes e os &amp;quot;espíritos-pássaros&amp;quot; que se tornarão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do ancestral-Anaconda é uma narrativa sagrada sobre os primórdios e, provavelmente, uma versão das migrações históricas dos povos Tukano. Também pode ser entendida como uma história sobre a ecologia, sobre as migrações anuais rio acima de peixes amazônicos que vêm desovar nas cabeceiras; e uma história sobre a reprodução humana, que também envolve uma penetração ascendente, no sentido &amp;quot;Leste-Oeste&amp;quot;, rumo a uma &amp;quot;porta da água&amp;quot;, num fluxo ascendente de sêmen, e uma passagem do mundo aquático do ventre para o mundo seco da existência humana na terra. Não é de se admirar então que &amp;quot;nascer&amp;quot; é ''hoe-hea'' (em barasana), que significa &amp;quot;atravessar rumo a um nível mais alto&amp;quot;. Mas o nascimento também envolve um movimento de descida pelo canal do corpo feminino - cosmologicamente um movimento do Oeste para o Leste e, em termos sociais, um movimento da mãe para o pai ou das mulheres para os homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para entender esses movimentos, porém, é preciso começar pela morte. Alguns índios do Uaupés, os Kubeo em particular, encenam rituais elaborados de luto em que dançarinos com máscaras pintadas e feitas de casca de árvore se tornam peixes, animais, e outros seres da floresta para dar boas-vindas à alma do morto no mundo dos espíritos. Mas o enterro tukano em si é um evento simples: a cova é o chão da maloca e o caixão uma canoa cortada ao meio. Esse sepultamento simples é o prelúdio para um futuro nascimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tukano compartilham uma noção de reencarnação segundo a qual, quando uma pessoa morre, um aspecto de sua alma volta para a &amp;quot;casa de transformação&amp;quot;, local de origem do grupo. Depois, a alma volta ao mundo dos vivos encarnada em um recém-nascido que recebe o seu nome. As pessoas recebem o nome de um parente recentemente falecido do lado paterno, o avô paterno para um menino ou a avó paterna para uma menina. Cada grupo possui um conjunto limitado de nomes pessoais que vão sendo retransmitidos a cada geração. O aspecto visível dessas &amp;quot;almas-nomes&amp;quot; são os cocares de penas usados pelos dançarinos, que também são enterrados com os mortos. O rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; é descrito como repleto de ornamentos, assim como na história de origem os espíritos dentro da canoa-Anaconda tiveram a forma de ornamentos de dança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sepultadas em canoas, as almas dos mortos caem para o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. De lá, são levadas pela correnteza do rio subterrâneo para o Oeste e às regiões rio acima deste mundo. As mulheres não dão à luz na maloca, mas numa roça no interior da floresta, rio acima e atrás da casa - também ao Oeste. O recém-nascido é primeiramente lavado no rio e depois levado para dentro da maloca pela porta traseira, a &amp;quot;porta das mulheres&amp;quot;. Confinado dentro da casa por cerca de uma semana com seu pai e mãe, ele é então banhado de novo no rio e recebe um nome. Assim, em termos cosmológicos, os bebês de fato vêm das mulheres, da água, do Oeste.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Pessoas, animais e objetos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209294-1/uaupes_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Masa'' (em barasana), a palavra para &amp;quot;gente&amp;quot;, é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são &amp;quot;gente&amp;quot; - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como &amp;quot;bicho de pau&amp;quot;); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu &amp;quot;ar&amp;quot;, é impressionante que os humanos não saibam respirar &amp;quot;debaixo da água&amp;quot;. Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o denominador comum de todas essas &amp;quot;gentes&amp;quot; é a sua subjetividade e para elas, na condição de sujeitos, seu próprio modo de vida é aquele da cultura humana, as diferenças entre tais &amp;quot;gentes&amp;quot; repousam em seus diferentes corpos: em sua forma, cor, sons, hábitos corporais e dieta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas diferenças estão culturalmente representadas em diferentes gêneros alimentícios de uso ritual, tais como coca, tabaco e a ayahuasca, bem como tintas corporais distintas, ornamentos e roupas, ou como diferentes armas e equipamento ritual. Os índios se referem a todos esses itens como ''küni-oka'', &amp;quot;armas ou escudos&amp;quot;, idéia que faz lembrar os uniformes de exército com seus brasões - ao mesmo tempo identidade, vestimenta e arma de defesa. Nessa lógica, as diferenças entre os grupos humanos são representadas como naturais e inerentes. Conceitualmente, os vários grupos tukano constituem tantas &amp;quot;espécies&amp;quot; diferentes quanto as múltiplas espécies animais são &amp;quot;povos&amp;quot; diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na vida cotidiana, as pessoas enfatizam sua diferença dos animais, mas no mundo dos espíritos, ao qual se tem acesso pelos rituais, pelo xamanismo, pelos sonhos e pelas visões de ayahuasca, as perspectivas se fundem, as diferenças são abolidas, o passado é presente, e pessoas e animais voltam a ser um. Isto tem importantes repercussões práticas, pois, onde os animais são pessoas, caçá-los e ingerir sua carne é equivalente à guerra e canibalismo. Muitas doenças são assim diagnosticadas como a vingança dos animais que os humanos matam e comem. O risco advindo dos animais é proporcional a seu tamanho e habitat: as antas são mais perigosas do que os macacos, os animais terrestres são mais perigosos do que os peixes, e peixes grandes mais perigosos do que os pequenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perigo também está relacionado ao contato com o domínio metafísico. Um nascimento neste mundo provoca ressentimento entre os espíritos-animais - para eles, representa uma morte. Os bebês humanos, recém-migrantes do mundo dos espíritos, não estão ainda firmemente ancorados a seus corpos e, portanto, precisam ser protegidos das antas ciumentas que ameaçam ingeri-los através de seus ânus - um nascimento ao avesso. Enquanto visitantes do mundo dos espíritos, as mulheres menstruadas e os homens que tomam parte nos rituais ganham temporariamente ''status ''de criança e devem restringir sua dieta, evitando alimentos perigosos. Para cozinhar o peixe ou a carne com segurança, um xamã deve primeiro soprar encantações para remover os seus &amp;quot;escudos de proteção&amp;quot; ou &amp;quot;armas&amp;quot; (tintas, peles, dentes, espinhos, escamas e outros atributos corporais identificados aos animais ou peixes) que podem comprometer a identidade especificamente humana do consumidor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As qualidades de personificação, subjetividade e intencionalidade que os índios aplicam aos animais e os peixes também se estendem ao cosmos como um todo. Os mitos dos povos do Uaupés também são mitos sobre a paisagem, cujos traços distintivos - as serras e montanhas, os rios, as rochas e cachoeiras -, têm nomes que evocam as histórias de sua criação ancestral. Viajar por terra ou canoa é seguir essas histórias e compartilhar os atos de criação descritos por elas. Muitas histórias contam sobre as antigas migrações, atribuindo à paisagem uma dupla dimensão - a dos atos primordiais de criação e a dos atos mais recentes, como a construção de casas e abertura de roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poderes de criação ancestral incutidos na paisagem se estendem às plantas, peixes, animais e seres humanos que a habitam e também aos objetos confeccionados a partir dos materiais que dela provêm. Nos mitos, os objetos cotidianos tais como canoas, bancos, cestos e potes, emergem como seres animados e autônomos - como visto, do mesmo modo que os animais podem ser gente, as malocas podem ser os corpos dos ancestrais ou daqueles que as construíram. Os objetos confeccionados condensam dois tipos de potência: os poderes de sua matéria-prima e as habilidades e intenções de seus fabricantes. Conseqüentemente, o processo de fabricação dos objetos tem uma importante dimensão religiosa. Durante os ritos de iniciação, os homens e mulheres jovens são sistematicamente treinados na confecção de artesanato, um treinamento que é a um só tempo intelectual, espiritual e técnico. Fazer artesanato é concomitantemente confeccionar a si mesmo e o mundo, numa forma de meditação que traz à tona as interconexões entre objetos, corpos, casas, e o universo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Missionários, colonos e a modernidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de contato dos povos do Uaupés com os não indígenas é muita antiga, bem anterior ao grande auge da borracha na virada do século XX, remetendo às incursões maciças dos portugueses em busca de escravos na primeira metade do século XVIII. Embora o impacto desses raptores e o contato traumático e duradouro com os seringalistas, esses comerciantes estavam mais interessados nos corpos dos índios do que nas suas almas; em termos religiosos, e talvez em termos sociais também, foram os missionários que provocaram as maiores transformações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A penetração efetiva dos missionários começou ao final do século XIX, com a chegada dos Franciscanos. Estes, e os Salesianos que os seguiram, viram a cultura dos povos do Uaupés através das lentes de suas próprias categorias religiosas: as malocas dos índios eram consideradas &amp;quot;antros licenciosos e promíscuos&amp;quot;, as suas festas de dança ocasiões de &amp;quot;indecência e embriaguez&amp;quot;, os pajés eram &amp;quot;charlatões&amp;quot; que aliciavam o povo, e o culto de ''Yurupari ''nada mais era do que o &amp;quot;culto ao Diabo&amp;quot; em pessoa. Sem conhecer e sem a mínima intenção de saber o quê essas coisas realmente significavam, os missionários começaram a destruir uma civilização em nome de outra, queimando as malocas dos índios, destruindo os seus ornamentos de penas, quebrando seus recipientes de caxiri, perseguindo os pajés e expondo os ''Yurupari ''às mulheres e crianças reunidas na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os padres atacavam os fundamentos da cultura indígena, transformaram as suas sociedades, encurralando as pessoas em vilas com casas rigidamente ordenadas, uma para cada família, e removendo à força seus filhos para serem educados nas escolas ou internatos. Sob o regime estrito dos internatos, as crianças foram ensinadas a rejeitar os valores e os modos de vida dos seus pais, incentivadas a casar-se dentro de seus próprios grupos, e proibidas de falar as línguas que lhes conferiam identidades múltiplas e interligadas. Para os missionários, somente uma identidade importava, a identidade indígena genérica, que impedia o progresso da &amp;quot;civilização&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação inicial contra a exploração pelos comerciantes, as pressões dos missionários e as epidemias que dizimaram a população indígena, irrompeu uma série de movimentos milenaristas na região do Uaupés durante a segunda metade do século XIX. Vestindo-se de padres e identificando-se com Cristo e os santos, os pajés-profetas conduziram o povo na &amp;quot;Dança da Cruz&amp;quot;, uma fusão dos rituais de caxiri e dabukuri tradicionais com elementos do catolicismo, que prometiam a libertação da opressão dos brancos e o alívio dos &amp;quot;pecados&amp;quot; que acreditavam ser a causa das epidemias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os missionários foram rechaçados por seus ataques contra a cultura indígena, também foram bem recebidos como fonte de bens manufaturados, como defensores dos índios contra os piores abusos dos seringalistas e como provedores da educação que as crianças indígenas precisariam para se sair bem nas novas circunstâncias. Dos anos 1920 em diante, os Salesianos estabeleceram uma cadeia de missões pela região no lado brasileiro da fronteira, alcançando o alto Tiquié no começo dos anos 40 e destruindo a última maloca nos anos 60. Hoje, a despeito do número crescente de evangélicos, a maioria dos índios do Uaupés se considera católico. Enquanto aumenta cada vez mais o número de pessoas que estão deixando suas aldeias para ir a São Gabriel em busca de educação e emprego, a vida nas malocas e a rica diversidade ritual que a acompanhava persiste agora somente na memória dos mais velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos povoados, um centro comunitário substituiu a maloca como foco de atividades coletivas. O centro serve ao mesmo tempo para as orações matutinas conduzidas por um Capitão e catequista, e para as refeições comunitárias, caxiris e dabukuris que marcam eventos importantes nas vidas dos aldeões: expedições de pesca, trabalho coletivo em projetos comunitários, os dias de santo do calendário católico, formaturas escolares, eventos esportivos, reuniões políticas etc. Transformações das antigas festas, esses caxiris e dabukuris de hoje em dia ainda incluem danças e bebidas - mas as danças não são mais acompanhadas pela música nativa e as flautas de pã, mas sim pelo forró e, ao invés da relativa moderação do passado, a cachaça é livremente consumida e seu freqüentemente consumo leva a discussões e brigas. Com níveis crescentes de alcoolismo, a embriaguez que os missionários imaginavam ver nas festas tradicionais hoje tem se tornado uma realidade cruel da civilização que os missionários trouxeram consigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado colombiano, sob o regime dos Monfortianos, o policiamento e a inserção dos missionários foram muito parecidos às dos Salesianos mas, no final dos anos 50, os Monfortianos foram substituídos pelos mais liberais Javerianos. Estes eram identificados com a nova Teologia da Libertação, que pregava a tolerância com a cultura indígena e acomodação com seus valores e crenças; isto, junto com o isolamento da região, explica porque os habitantes do Pira-Paraná ainda conseguem conservar boa parte da sua religião tradicional e do seu modo de vida. No lado brasileiro, a mudança foi mais lenta, mas, depois que a os Salesianos foram denunciados no Tribunal Russell em 1980 pelo crime de etnocídio, eles finalmente começaram a adotar uma linha mais liberal e progressista.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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* WRIGHT, Robin. Uma conspiração contra os civilizados : história, política e ideologias dos movimentos milenaristas dos Arawak e Tukano do Noroeste da Amazônia. Anuário Antropológico, Rio de Janeiro : Tempo Brasileiro, n. 89, p. 191-234, 1992.&lt;br /&gt;
Gain Panan : e a origem da pupunheira. Dir.: Luiz Fernando Perazzo. Filme Cor , 35 mm, 9 min. e 36 seg., 1995. Prod.: Laboratório de Animação/CPM da Escola de Comunicação da UFRJ.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Hupd%27%C3%A4h&amp;diff=6310</id>
		<title>Povo:Hupd'äh</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Hupd%27%C3%A4h&amp;diff=6310"/>
		<updated>2018-08-20T19:19:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Já se tornou moeda corrente entre os regionais e na literatura etnográfica sobre o Noroeste Amazônico a distinção entre os chamados &amp;quot;índios do rio&amp;quot;, de fala Tukano e Arawak, e os &amp;quot;índios do mato&amp;quot;, de fala Maku.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os primeiros são agricultores que fixam suas aldeias nas margens dos rios navegáveis, os Maku vagam nos divisores de água, estabelecendo-se temporariamente onde encontram condições ecológicas favoráveis à caça e adequadas ao modo como eles costumam resolver seus conflitos internos: &amp;quot;quando a gente se desentende, a gente se espalha no mato e fica lá até a raiva passar.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Outras leituras ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mai acesse o verbete especial sobre a região [[Povo:Etnias do Rio Negro | Etnias do Rio Negro]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há uma autodenominação adotada pelo conjunto dos Maku. Na verdade, eles se dividem em seis grupos distintos, cada qual com seu próprio território, língua e autodenominação:&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Autodenominação'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Outros nomes'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Localização''' [leia-se &amp;quot;entre os rios...&amp;quot;]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nukak&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Maku&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Guaviare e Inírida, na Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Bara''', Kakwa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Maku, Pohsá, Boroa, Wirapoyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Uaupés e Papuri, na Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Hupda&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Maku, Pohsá, Peoná, Wirapoyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Papuri e Tiquiê, no Brasil e Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yuhupde&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Maku, Pohsá, Peoná, Wirapoyá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tiquiê e Traíra, no Brasil e Colômbia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dow&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Maku, Kamã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Curicuriari e Negro, no Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Nadöb''', Kabori&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Maku, Guariba Tapuya, Xiruai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Negro e Japurá, no Brasil&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h5&amp;gt; &amp;lt;span class=&amp;quot;creditos_fotos&amp;quot;&amp;gt;'''N.B'''.: Dentre as autodenominações alternativas, preferimos as que estão em negrito. &amp;lt;/span&amp;gt;&amp;lt;/h5&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com exceção dos Bara, que usam mais o termo ''bara ''(&amp;quot;irara&amp;quot;) do que o termo ''kakwa ''(&amp;quot;gente&amp;quot;) como autodenominação, e também dos Kabori, um subgrupo Nadub que se autodenomina ''kabori'' (&amp;quot;meninos&amp;quot;), todos os outros Maku usam o termo &amp;quot;gente&amp;quot; nas respectivas línguas como autodenominação. O termo ''maku'', de origem Arawak, significa ora &amp;quot;servo&amp;quot;, ora &amp;quot;selvagem&amp;quot;, sendo rejeitado pelo conjunto dos Maku em conseqüência da óbvia conotação pejorativa. Mantemos aqui o termo maku porque se consagrou na literatura etnográfica e porque não há outro que designe o conjunto desses índios. Quanto aos outros nomes, boroa e pohsá significam &amp;quot;servos&amp;quot; nas línguas Dahséa e Cubeo, respectivamente, ambas da família Tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Marcos Santilli/Editora Abril, 1976&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/281921-1/maku_1.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O termo peoná, também de origem Tukano, significa &amp;quot;donos dos caminhos&amp;quot;, alusão ao fato de que os Maku não viajam de canoa, como todos os outros índios da região, mas a pé, pelos caminhos. O termo ''wirapoyá'', empregado pelos Desana (sub-grupo Tukano) para designar os Maku de sua vizinhança, significa &amp;quot;Desana estragado&amp;quot;. Ignoramos a origem do termo ''kamã'', cuja conotação também é pejorativa. O termo ''guariba ''é aplicado pelos regionais aos Nadub, em alusão à crença de que eles teriam parentesco com o macaco homônimo. O termo ''xiruai'', &amp;quot;cunhado&amp;quot; em nheengatu, é a forma amistosa pela qual os mesmos regionais se referem aos Nadub. Devido à influência do movimento indígena na região do rio Negro a partir de meados dos anos 1980, os nomes pejorativos (''boroa'', ''pohsá'', ''wirapoyá'', ''kamã, guariba'' e mesmo ''maku'') estão caindo em desuso, mas até agora não surgiu um nome genérico e neutro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As seis línguas Maku são aparentadas entre si, formando o que se pode chamar de família lingüística Maku. Até onde se sabe, essa família nada tem a ver com as famílias Tukano ou Aruak, se excetuarmos alguns evidentes e poucos empréstimos.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Rio Japurá. Foto: Michel Pellanders, 1987&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/281924-1/maku_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Praticamente todos os Maku são falantes de suas línguas. Devido à proximidade dos Tukano, os Maku da área do Uaupés (Bara, Hupda e Yuhupde) falam línguas Tukano, dando curso ao multi-lingüismo característico da região. Por outro lado, os Tukano têm sido uma espécie de barreira aculturativa para os Maku do Uaupés, pois atuam como intermediários no contato com os brancos, de modo que apenas cerca de 20% desses Maku sabem se expressar em português ou espanhol. Os Nukak, de contato muito recente (1988), pouco falam o espanhol ou qualquer outra língua que não a deles. Quanto aos Dow e Nadöb, de contato antigo (século XVIII) e sem a &amp;quot;barreira Tukano&amp;quot; na vizinhança, a grande maioria se expressa bem em português e nheengatu (língua geral ou tupi amazônico, falado majoritariamente pela população ribeirinha do médio e baixo Rio Negro, descendente dos Baré, que vem se proclamando índia à medida em que avança na região o movimento indígena).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As línguas Maku têm sido estudadas em graus diversos. Bara (Kakwa), Hupda, Yuhupde e Nadöb mereceram estudos preliminares efetuados por missionários do SIL, assim como o Dow, por parte dos missionários da ALEM. No entanto, nenhum desses estudos resultou em instrumentos eficazes para o desenvolvimento da educação bilíngüe, uma demanda cada vez mais colocada pelos Maku, em justa reação à hegemonia da língua Dahséa (Tukano) nas escolas locais, mantidas pelo município e coordenadas pelos missionários católicos salesianos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku se distribuem numa área limitada a noroeste pelo rio Guaviare (um dos afluentes colombianos do Orinoco), ao norte pelo rio Negro, ao sul pelo rio Japurá e a sudeste pelo rio Uneiuxi (um dos afluentes brasileiros do Negro). Este losango soma um total aproximativo de 20 milhões de hectares. Evidentemente, nem todo ele é ocupado pelos índios. A alta dispersão espacial dos seis grupos lingüísticos Maku dentro desse vasto perímetro se deve à dominância de enormes áreas de caatinga ou campinarana, um tipo de floresta não ribeirinha, de solo extremamente pobre, pouca variabilidade vegetal e baixa concentração de animais de caça. Os Maku ocupam justamente as &amp;quot;manchas&amp;quot; de floresta de terra firme, onde a caça é mais abundante e a vegetação mais rica em espécies utilizáveis na alimentação ou na confecção de artefatos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ocupação humana da área em tempos pré-colombianos se deu provavelmente em duas vagas: primeiro, os Maku se estabeleceram nas zonas interfluviais, nas &amp;quot;manchas&amp;quot; de terra firme; a seguir vieram os Arawak e os Tukano, estabelecendo-se nas barrancas altas dos rios, em meio ao igapó (terreno ribeirinho baixo, periodicamente inundável durante as cheias, de abril a setembro). O contato já bastante antigo entre esses povos de origem e línguas diversas, cada qual ocupando faixas ecologicamente distintas, resultou num complexo sistema de trocas comerciais e simbólicas, de que trataremos adiante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado brasileiro, recentemente foram homologadas cinco terras indígenas: Alto Rio Negro, Médio Rio Negro I, Médio Rio Negro II, Rio Téa e Rio Apapóris, somando um total 10,6 milhões de hectares de terras contínuas e contíguas. Os grupos Maku brasileiros, isto é, os Hupda, Yuhupde, Dow e Nadöb, distribuem-se nos terrenos interfluviais de todas essas áreas, com exceção do Médio Rio Negro II. As descrições que se seguem dizem respeito sobretudo aos Maku do Uaupés (Bara, Hupda e Yuhupde) e se baseiam nas etnografias de Silverwood-Cope (1990), Reid (1979) e Pozzobon (1984, 1992). Sobre os Maku do Uneiuxi e do Paraná Boá-Boá, veja-se Schultz (1959), Münzel (1969) e Pozzobon (1998).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os cerca de três mil Maku se distribuem num vasto território binacional, de modo que é bastante difícil estimar os parâmetros demográficos da população como um todo. Devido ao caráter interfluvial de seu habitat, pouco acessível às frentes pioneiras, aos missionários ou aos pesquisadores, as estimativas anteriores, que variam de 2 a 2,5 mil, são muito precárias e pouco confiáveis, de modo que não servem para se estimar a dinâmica populacional. Os estudos ainda em curso das variáveis demográficas em um determinado grupo Maku, os Hupdu, permitem afirmar provisoriamente que se trata de uma população estável, que não tem aumentado nem diminuído significativamente nos últimos decênios (Pozzobon, 1998). Por outro lado, eventuais trocas matrimoniais com grupos circunvizinhos são numericamente inexpressivas, devido ao baixo status dos Maku no sistema intertribal da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Autodenominação'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''População'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ano'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Fonte'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nukak&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;378&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1995&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Franky et al. (1995)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bara, Kakwa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;300&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1969&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Silverwood-Cope (1990)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Hupda&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1500&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1997&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pozzobon (1997b)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yuhupde&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;370&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1997&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pozzobon (1997c)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dow&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1994&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Oliveira, Meira and Pozzobon (1994)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nadöb, Kabori&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;cerca de 600&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1995&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ISA (1996)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Total'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''cerca de 3226'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pobreza da campinarana dominante, somada ao caráter encachoeirado dos rios, foi um dos obstáculos à expansão das frentes pioneiras portuguesas e espanholas, que disputavam a região já no século XVII, estabelecendo destacamentos militares em alguns pontos do rio Negro, de onde os nativos apresados eram &amp;quot;descidos&amp;quot; para os centros urbanos emergentes (Barcelos, Manaus e Belém).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do século XVIII, intensificam-se os &amp;quot;descimentos&amp;quot;, de modo que mesmo os Maku, em seus recônditos territórios interfluviais, tiveram alguns de seus efetivos apresados como escravos. Mas a análise dos documentos coloniais permite afirmar que dentre os indígenas da região eles foram os menos atingidos pelos &amp;quot;descimentos&amp;quot; ou pelas violências decorrentes do ciclo da borracha, ao final do século seguinte. O ciclo da borracha, aliás, foi possivelmente um dos motivos da adoção de práticas agrícolas pelos Maku: refugiando-se nos terrenos interfluviais para escapar ao apresamento praticado pelos seringueiros, os Tukano passaram a conviver mais intensamente com os Maku, ensinando-lhes a agricultura da mandioca, bem como uma série de itens da cultura material e espiritual de que trataremos adiante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1914, em pleno período de estagnação econômica decorrente da débacle da borracha, entram em cena os missionários salesianos, uma ordem católica voltada para a educação. Eles obtiveram a adesão de todos os índios ribeirinhos do lado brasileiro, porém encontraram muita resistência por parte dos Maku, que se recusavam a enviar suas crianças aos internatos nos centros missionários. Nos anos 1970, os salesianos tentaram algumas experiências de povoados-missão exclusivamente Maku (ver adiante). O garimpo aurífero - que se desenvolveu na região entre meados da década de 1980 e o início dos anos 1990, época em que o movimento indígena conseguiu expulsar os invasores com o apoio do Ministério Público e a força da Polícia Federal - pouco afetou os Maku, pois era praticado no mais das vezes em terreno ribeirinho. O único garimpo de terra firme, no extremo sul da TI Alto Rio Negro, foi abandonado já em 1986 pela empresa mineradora Paranapanema, em função da baixa produtividade; com a intensificação do movimento indígena no início dos anos 1990, o ouro passou a ser explorado exclusivamente pelos índios.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Aldeia Pidu Bu (Cabaris, no Rio Tiquié). Foto: Jorge Pozzobon, 1997&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/281927-1/maku_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As aldeias Maku tradicionais variam entre 25 e 30 habitantes - cerca de seis grupos domésticos. O grupo doméstico Maku se compõe de marido, esposa ou esposas, filhos solteiros e eventuais agregados, que podem ser parentes próximos, viúvos ou solteiros, do marido ou da esposa ou esposas. Em geral, cada grupo doméstico possui sua própria fogueira, em torno da qual seus membros se reúnem para dormir e comer. Quanto às casas, resumem-se a tapiris sem paredes, podendo abrigar de um a quatro grupos domésticos (fogueiras), ligados por laços próximos de parentesco, que podem ser tanto patri quanto matrilaterais. Uma aldeia de 25 habitantes costuma ter cerca de três casas. Estas se situam numa clareira, no cimo de uma colina, perto de algum igarapé não navegável. As roças se distribuem em torno das casas ou em clareiras próximas (de 5 a 60 minutos de caminhada), que vêm a ser antigos locais de aldeia. Cada grupo doméstico possui em média duas roças de 50 x 50 m, sempre em clareiras comunais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um aglomerado de aldeias próximas, distando entre si de uma hora a um dia de caminhada, forma um grupo regional. Via de regra, os grupos regionais falam cada qual um dialeto distinto da mesma língua. Assim, cada grupo lingüístico Maku se divide no mínimo em dois grupos regionais/dialetais. Os Hupdu, por exemplo, possuem três grupos regionais (três dialetos), separados entre si por cursos de água navegáveis, cujas margens são ocupadas por &amp;quot;índios do rio&amp;quot;. Os membros adultos do mesmo grupo regional/dialetal se conhecem todos pelo nome, assim como pelas relações de parentesco que os unem. Já o conhecimento que possuem dos falantes de dialetos vizinhos, com quem não têm relações genealógicas demonstráveis, é bastante precário. Em outras palavras, o grupo regional/dialetal é um nexo fortemente endogâmico. A taxa média de casamentos endogâmicos - entre pessoas nascidas no mesmo grupo regional - é de 80%. O tamanho médio do grupo regional na área do Uaupés brasileiro é de 260 pessoas - cerca de 10 aldeias vizinhas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O território do grupo regional/dialetal resulta da justaposição de vários territórios contíguos de caça, cada qual em torno de uma aldeia. Com efeito, os homens de uma aldeia de 25 a 30 habitantes costumam caçar num raio de 7 a 10 km em torno da aldeia. A partir dela, irradia-se uma série de caminhos, alguns ligando aldeias Maku entre si, outros conduzindo a aldeias ribeirinhas, outros ainda levando aos acampamentos de caça. Cada aldeia possui em média 8 acampamentos de caça no raio de 7 a 10 km de seu entorno. Quando a aldeia ultrapassa a marca dos 30 ou 40 habitantes, ela se cinde em duas ou mais aldeias, pois numa aldeia grande, os caçadores são obrigados a se afastar mais que 10 km para encontrar caça suficiente. A longa permanência de uma aldeia num determinado lugar (cerca de cinco anos) é também motivo de mudança, para deslocar o raio de atuação dos caçadores, explorando, assim, novos territórios de caça.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cotidiano de uma aldeia Maku ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Preparando ipadu. Foto: Jorge Pozzobon, 1997&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/281929-1/maku_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres se levantam quando começa a clarear o dia, tomam banho e preparam o dejejum comunal dos homens, que ocorre no mais das vezes na casa do líder da aldeia. Após a refeição, os homens partem solitários, aos pares ou em grupos maiores, dependendo dos rastros vistos no dia anterior (porcos do mato, por exemplo, são boas presas para caçadas coletivas). Depois deles partirem, as mulheres comem junto com as crianças e logo vão às roças, colher mandioca e replantar. Elas voltam perto do meio dia e preparam farinha, mingaus e beijus. Por volta das três da tarde, os homens retornam com suas presas e as entregam às esposas. Cada uma cozinha em sua própria fogueira, mas a refeição que se segue é comunal, na casa do líder, os homens comendo primeiro, sendo logo seguidos pelas mulheres e crianças. Depois disto, as três ou quatro refeições que se seguem até a hora de dormir (cerca das 21 horas) assumem um caráter cada vez mais doméstico e individual. No cotidiano, as atividades masculinas têm um ritmo frouxo, interrompido várias vezes por longos períodos de espreguiçamento nas redes, enquanto as mulheres trabalham duro nas roças, no preparo das refeições e na coleta de lenha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres, porém, não deixam de reclamar da preguiça dos homens. Estes, por seu turno, às vezes brigam entre si, acusando-se mutuamente de avareza, por não distribuírem generosamente os magros resultados das caçadas cotidianas. Quando a situação atinge o paroxismo, os grupos domésticos se separam em vários acampamentos de caça, cuja ocupação varia de dois ou três dias até um mês (somando-se todas as estadias de um grupo doméstico nos acampamentos durante o ano, têm-se uma média de quatro meses por grupo doméstico por ano). Aí invertem-se os papéis: enquanto os homens passam até doze horas caçando ininterruptamente, as mulheres se espreguiçam nas redes. E todos comem juntos, caçadores, esposas e filhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em poucos dias nos acampamentos, os homens terão caçado muito mais do que seus grupos domésticos são capazes de consumir. Sendo assim, eles podem decidir voltar à aldeia de origem, para uma festa, que ameniza antigas rusgas ou provoca novas. Ou podem decidir trocar o excedente em caça por farinha de mandioca, ipadu (folha de coca macerada) ou beijus, fornecidos pelos índios ribeirinhos. Neste caso, alguns grupos domésticos podem decidir ficar algum tempo (de alguns dias a um mês) na aldeia ribeirinha, trabalhando nas roças e na feitura de novas casas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre os Maku do Uaupés e seus vizinhos ribeirinhos, de fala Tukano, é bastante hierarquizada: os primeiros são tidos como &amp;quot;escravos&amp;quot; dos últimos. Porém, isto é muito mais uma ideologia étnica do que uma prática social efetiva. Os Maku são livres para ir e vir, estabelecendo (ou rompendo) relações de &amp;quot;escravidão&amp;quot; com várias aldeias ribeirinhas ao mesmo tempo. Por outro lado, as roças Maku, em geral 80% menos produtivas que as roças ribeirinhas e incapazes de satisfazer a demanda dos próprios Maku, são poupadas. Na verdade, os Maku aceitam ser &amp;quot;escravos&amp;quot; devido às evidentes vantagens que isso lhes traz: eles têm acesso aos produtos cultivados sem terem de arcar com as conseqüências da sedentarização necessária a uma produtividade agrícola semelhante à dos Tukano (cerca de dez toneladas de tubérculos por grupo doméstico por ano, ao passo que a dos Maku não chega a três toneladas).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização política ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mobilidade é muito importante para os Maku, dado que seu meio habitual de resolver conflitos é a dispersão no espaço. Não há líderes ou conselhos &amp;quot;tribais&amp;quot; que arbitrem os desentendimentos, aliás freqüentes, entre os habitantes de uma aldeia. O líder da aldeia não passa de um anfitrião e de um coordenador das caçadas coletivas. Trata-se em geral de um homem de meia idade, ainda forte para caçar e com muita experiência no assunto, em torno do qual se reúnem cinco ou seis grupos domésticos cujos cabeças são seus filhos ou seus genros. Ele não tem autoridade para julgar quem está certo e quem está errado numa briga. O líder que tenta fazê-lo não está livre de apanhar durante a briga ou de assistir à deserção irrevogável de expressiva parte de seus filhos ou genros. Assim, a dispersão espacial temporária é a única forma de evitar a fissão definitiva da aldeia por ocasião de algum conflito. Mas, dependendo da gravidade, a fissão pode ser inevitável: alguns grupos domésticos não voltam mais para a aldeia de origem, estabelecendo-se em aldeias vizinhas, onde têm parentes próximos, ou fundando nova aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos locais (aldeias) Maku mostram uma composição bilateral: moram juntos tanto os filhos quanto os genros do líder. O fundamento básico da amizade masculina é a relação entre cunhados, isto é, homens que trocaram irmãs. Porém, o termo &amp;quot;irmãs&amp;quot; deve ser entendido em sentido amplo. O vocabulário de parentesco é de tipo dravidiano: funda-se sobre a bipartição dos primos em proibidos para o casamento (primos paralelos, isto é, filhos de irmãos de mesmo sexo), e preferenciais para o casamento (primos cruzados, isto é, filhos de irmãos de sexos opostos). Entre os Maku, o vocabulário dravidiano está associado a um sistema de clãs patrilineares exogâmicos. Há consistência entre o vocabulário e a classificação dos clãs: assim como os primos são bipartidos em &amp;quot;irmãos&amp;quot; (os paralelos) e &amp;quot;cunhados&amp;quot; (os cruzados), os clãs são classificados em clãs &amp;quot;irmãos&amp;quot; e clãs &amp;quot;cunhados&amp;quot;, de modo que o universo dos parentes é bipartido, tanto do ponto de vista do vocabulário quanto do ponto de vista do sistema de clãs. Destarte, são amigos (co-residentes, companheiros de caçada) os homens que trocaram irmãs reais ou classificatórias entre si. Os grupos locais (aldeias) mais estáveis são os que mostram esta composição: um grupo composto de cunhados reunidos em torno de um homem de meia idade, sogro de alguns e pai de outros. Isto significa reunir no mesmo grupo local no mínimo dois clãs afins.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há facções, grupos etários corporativos ou conselhos de anciãos entre os Maku. Eles classificam as pessoas conforme três faixas etárias principais (em língua Hupd&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;): os ''dowd&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;'' (verdes = crianças), os ''wudnd&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;'' (maduros = adultos) e os ''w&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;h&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;dnd&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;'' (secos = velhos). Os líderes de aldeia estão numa sub-classe intermediária entre os ''wudnd&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;'' e os ''w&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;h&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;dnd&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;''. Estes últimos, além de desempenharem quase que invariavelmente a função de xamãs, são também os nominadores. Para nominar uma criança, o velho empreende uma &amp;quot;viagem&amp;quot; (por meio de um alucinógeno do gênero ''banisteriopsis'') até o mundo dos ancestrais. Lá chegando, ele consulta os mesmos sobre o nome da criança. Cada clã possui um repertório de nomes, de modo que o nome próprio já dá a identidade clânica da pessoa, assim como seu status matrimonial (se &amp;quot;irmão&amp;quot; ou se &amp;quot;cunhado&amp;quot;) em relação aos demais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Arte, cultura material e jogos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em comparação com os vizinhos Tukano e Aruak, os Maku possuem uma cultura material rudimentar na origem: canoas, bancos rituais, potes de cerâmica, pintura corporal e flautas sagradas de iniciação masculina, entre outros, são itens copiados dos vizinhos. Os itens de origem Maku parecem ser o aturá (um cesto cargueiro bastante resistente) e a zarabatana. Esta, aliás, é instrumento de concorridos torneios de tiro ao alvo, principalmente entre os Nadöb. Outros jogos apreciados pelos Maku são a piorra assoviadora, feita de coquinho e haste de paxiúba, a caça ao pombo a pedradas e certas traquinagens com animais: um homem, espreguiçando-se na rede, mata tempo oferecendo um pedaço de beiju simultaneamente ao seu tucano de estimação e ao seu cão de caça, para ver a ave desferir dolorosas bicadas no focinho do rival; crianças se divertem amarrando tições flamejantes ao rabo de cachorros vadios, para vê-los em espavorida disparada, enquanto a aldeia inteira se dobra de rir. Acrescente-se a simples galhofa, inclusive comparações de pênis e vulvas, com abundantes metáforas desabonadoras, além dos comentários debochados, em coletiva voz de falsete, sobre antigos namoros alheios.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia e mitologia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O universo Maku tem a forma de um ovo em pé, com três andares ou &amp;quot;mundos&amp;quot;: (1) o &amp;quot;mundo das sombras&amp;quot;, subterrâneo de onde vêm todos os &amp;quot;monstros&amp;quot;, tais como os escorpiões, as onças, as cobras venenosas, os índios do rio e os brancos; (2) o &amp;quot;nosso mundo&amp;quot;, isto é, a floresta e (3) o &amp;quot;mundo da luz&amp;quot;, acima do céu, onde vivem os ancestrais e o criador - o Filho do Osso (possível alusão ao pênis, também chamado de osso). Luz e sombra são as duas substâncias básicas de que se compõem todos os seres, em proporções diversas. Luz é fonte de vida. Sombra é fonte de morte. No &amp;quot;nosso mundo&amp;quot;, as folhas e as frutas são os seres que mais concentram luz, ao passo que os carnívoros são os que mais concentram sombra. Por isso, é melhor não comer carnívoros, mas tão somente herbívoros. No mundo da luz, após a morte, as pessoas se alimentam de deliciosos sucos de frutas e se tornam eternos adolescentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O principal ciclo mitológico dos Maku relata a epopéia do Filho do Osso - ''Idn Kamni ''em Bara, ''Kegn Teh'' em Hupda, ''K&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt; Teh'' em Yuhupde. Trata-se do sobrevivente de um incêndio que pôs fim à criação anterior, cujas tentativas de recriar o mundo resultam numa série de trapalhadas: por causa delas, existem as brigas, as doenças e a morte. Após ter sua mulher raptada pelo irmão caçula, o Filho do Osso se retira definitivamente deste mundo, indo morar no mundo da luz, acima do céu e dos trovões, que às vezes emite em expressão de desagravo. Coincidência ou não, na vida real os irmãos costumam brigar entre si, em disputa pelas mesmas mulheres, suas afins, conforme o sistema de clãs.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual e xamanismo ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Aldeia do Pidu Bu. Fazendo fogo com pedras lascadas. Foto: Jorge Pozzobon, 1997&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/281931-1/maku_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afora a nominação, dois outros rituais Maku utilizam alucinógenos do gênero banisteriopsis. Um deles é o ritual do jurupari, de origem ribeirinha, em que os meninos são iniciados na idade adulta. Neste rito, que consiste em representar teatralmente a chegada da anaconda ancestral aos trechos de rio atualmente ocupados pelos Tukano, os homens tocam as flautas sagradas, que não podem ser vistas pelas mulheres. O outro rito é a dança e o cântico do kaapi wayá, também de origem ribeirinha, em que o caminho serpenteante da anaconda é encenado, porém sem as flautas sagradas. Além destes, há o dabocuri, igualmente vindo dos índios do rio. É uma festa profana, divertida e alcoolizada. Entre os Maku, muitas vezes termina em verdadeiras batalhas campais, com safanões, pauladas e gritarias madrugadoras, cuja conseqüência, além de uma porção de hematomas, costuma ser a dispersão dos co-residentes em vários acampamentos de caça ou uma estratégica mudança de aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação ao xamanismo, de modo geral, pode-se dizer que todos os velhos Maku são xamãs. Estes, porém, são de dois tipos:(''bidid&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;'') e os homens-onça (''nyaam hupd&amp;lt;strike&amp;gt;u&amp;lt;/strike&amp;gt;''). Os primeiros curam através de reza. Os últimos, através da extração do mal por meio de sucção. Freqüentemente, o mesmo indivíduo desempenha ambas as funções. Em qualquer dos casos, não inspira muito temor entre seus pares, sendo, antes, um dos alvos prediletos dos deboches. Mas por vezes pode ser acusado de malefícios e doenças, ocasião em que as pessoas que se julgam atingidas mudam de aldeia ou &amp;quot;ficam no mato até a raiva passar&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O etnólogo Peter Silverwood-Cope foi quem inaugurou a pesquisa de campo intensiva sobre os Maku, mais especificamente sobre os Bara, permanecendo entre eles de 1968 a 1970. Sua tese de doutorado, recentemente publicada em português (Silverwood-Cope, 1990) aborda aspectos diversos da cultura Maku, tais como sua base ecológico-econômica, a organização sociopolítica, bem como as concepções mitológicas e cosmológicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década seguinte, Howard Reid (1979) enfocou a mobilidade, o ciclo de desenvolvimento do indivíduo e a mudança cultural entre os Hupda - sem no entanto descuidar dos aspectos etnográficos mais tradicionais, como a etnografia da caça e coleta, a estrutura de parentesco, os rituais e a mitologia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir dos anos 1980, Pozzobon (1984, 1992) se dedicou ao estudo da organização social dos Maku, estabelecendo um modelo socioestrutural generalizável para os Bara, Hupda e Yuhupde, baseado nas relações entre a identidade étnica, a endogamia regional/dialetal e a demografia das unidades sociais significativas. Deve-se mencionar ainda os estudos de Athias (1995, 1998) sobre os Hupda sedentarizados em povoados-missão, enfocando diversos aspectos da ecologia, economia, organização social e cosmologia, sobretudo concepções ligadas à saúde e à doença.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre os Nukak, veja-se os trabalhos de Franky Calvo, Cabrera Becerra e Mahecha (1995, 1999), bem como o de Politis (1996), dedicados a aspectos lingüísticos, à mobilidade espacial e à etnografia geral deste povo. Finalmente, sobre os Nadöb há os trabalhos de Schultz (1959), Münzel (1969) e Pozzobon (1998), que, embora não resultem de etnografias intensivas, fornecem informações importantes sobre essa fração pouco conhecida do povo Maku.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ASSIS, Elias C. Patrões e fregueses no Alto Rio Negro : as relações de dominação no discurso do povo Daw. São Gabriel da Cachoeira : Universidade do Amazonas, 2001. (Monografia)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ASSIS, Lenita de Paula Souza. Do caxiri a cachaça : mudanças nos hábitos de beber do povo Daw no Alto Rio Negro. São Gabriel da Cachoeira : UFAM, 2001. 86 p. (Monografia)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ATHIAS, Renato. Doenças e cura : sistema médico e representação entre os Hupde-Maku da região do Rio Negro, Amazonas. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre : UFRGS, v. 4, n. 9, 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Hupdë-Maku et Tukano : relations inégales entre deux sociétés du Uaupés, amazonien (Brésil). Paris : Univ. de Paris X, 1995. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Doença e cura : sistema médico e representação entre os Hupdë-Maku da região do Rio Negro, Amazonas. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre : UFRGS, v. 4, n. 9, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BAMONTE, Gerardo. I Macu dell'alto Rio Negro : delimitazione delle aree di distribuzione e breve inchiesta etnografica su alcuni insediamenti del Tiquie. Roma : Univ. Degli Studi di Roma, 1973. 318 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CABRERA BECERRA, Gabriel. Gentes con cerbatana, canasto y sin canoa. Nomadas, s.l. : s.ed., n. 10, p. 144-55, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CABRERA BECERRA, Gabriel; FRANKY CALVO, Carlos Eduardo; MAHECHA RUBIO, Dany. Algunos aspectos fonetico-fonologicos del idioma Nukak. In: GONZALES DI PEREZ, Mário S. (Ed.). Lenguas indígenas de Colombia. Bogotá : Instituto Caro y Cuervo, 2000. p. 547-60.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Aportes a la etnografia de los Nukak y su lengua : aspectos sobre fonologia segmental. Santafé de Bogotá : Univ. Nacional de Colombia, 1994. 584 p. (Trabajo de Grado en Antropologia)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Demografia y movilidad socio-espacial de los Nukak. Bogotá : Fundación Gaia, 1995. 63 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Los nukak : nómadas de la amazonía colombiana. Bogotá : Universidad Nacional de Colombia, 1999. 405 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Los Nukak, demografia, contato y enfermedad. In: GOMES, A. J. et al (Eds.). Amazonía Colombiana : enfermedades y endemias. Bogotá : Ministério de Cultura, 2000. p. 319-60.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Nukak, Kakua, Juhup y Hupdu (Maku) : cazadores nomades de la Amazonía Colombiana. In: CORREA RUBIO, François (Ed.). Geografia humana de Colombia : Amazonía-caqueta. Tomo VII, v. II. Bogotá : Univ. Nacional de Colombia, 2000. p. 130-211.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FARIA, Ivani Ferreira de. Território e territorialidades indígenas do Alto Rio Negro. Manaus : EdUA, 2003. 168 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LUZ, Pedro Fernandes Leite da. Estudo comparativo dos complexos ritual e simbólico associados a Banisteriopsis Caapi e espécies congêneres em tribo da língua pano, arawak, tucano e maku. Rio de Janeiro : Museu Nacional/UFRJ, 1996. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MACIEL, Iraguacema. Alguns aspectos fonológicos e morfológicos da língua maku. Brasília : UnB, 1991. 76 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MARQUEZ, Juan Carlos Pena. A escola no tempo e no território Hupdah : mudanças no Nordeste Amazônico. Manaus : UFAM, 2003. 125 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MARTINS, Silvana de Andrade. Análise da morfossintaxe da língua daw (maku-kama) e sua classificação tipológica. Florianópolis : UFSC, 1994. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MARTINS, Valteir. Análise prosódica da língua daw (maku-kama) numa perspectiva não linear. Florianópolis : UFSC, 1994. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MEIRA, Márcio. Laudo antropológico Área Indígena Baixo Rio Negro. Belém : MPEG, 1991. 183 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MUÑOZ R., Maria I.; ZAMBRANO, Carlos V. Los Nukak : encuentro etnográfico en las selvas. In: BARTOLOME, Miguel A. (Coord.). Ya no hay lugar para cazadores : processo de extincción y transfiguración étnica en America Latina. Quito : Abya-Ayala, 1995. p. 145-72 p. (Biblioteca Abya-Yala, 23)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MÜNZEL, Mark. Notas preliminares sobre os Kaborí (Makú entre o Rio Negro e o Japurá). Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, v. 17/20, p. 137-81, 1969-1972.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Ana Gita de. Índios e brancos no Alto Rio Negro : um estudo da situação de contato dos Tariana. Brasília : UNB, 1981. 162 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. O mundo transformado : um estudo da &amp;quot;cultura de fronteira&amp;quot; no Alto Rio Negro. Brasília : UnB-ICH, 1992. 286 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------; MEIRA, Márcio; POZZOBON, Jorge. Relatório antropológico, Áreas Indígenas Médio Rio Negro, Rio Téa e Rio Apapóris. Brasília : Funai, 1994. 192 p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;POLITIS, Gustavo G. Nukak. Bogotá : Instituto Amazónico de Investigaciones Científicas, 1996. 426 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;POZZOBON, Jorge. Identidade e endogamia : observações sobre a organização social dos índios Maku. Porto Alegre : UFRGS, 1984.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Isolamento e endogamia : observações sobre a organização social dos índios Maku. Porto Alegre : UFRS, 1983. 387 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Langue, société et numération chez les Indiens Maku (haut Rio Negro, Brésil). Journal de la Société des Américanistes, Paris : Société des Américanistes, n. 83, p. 159-72, 1997.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Os Maku : esquecidos e discriminados. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 141-2. (Aconteceu Especial, 18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Parente et demographie chez les indiens Maku. Paris : Univ. Paris VII, 1991. 257 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;POZZOBON, Jorge. O sistema numérico dos índios Maku. In: FERREIRA, Mariana Kawall Leal (Org.). Idéias matemáticas de povos culturalmente distintos. São Paulo : Global ; Mari/USP, 2002. p. 166-84. (Antropologia e Educação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Vocês, brancos, não têm alma : histórias de fronteiras. Belém : UFPA ; MPEG, 2002. 140 p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RAMOS, Alcida Rita. Patrões e clientes : relações intertribais no Alto Rio Negro. In: --------. Hierarquia e simbiose : relações intertribais no Brasil. São Paulo : Hucitec, 1980. p. 135-82.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;REID, Howard. Some aspects of movement, growth and change among the Hupdu Maku indians of Brazil. Cambridge : Univ. of Cambridge, 1979. 405 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SALAMAND-KUAN, Catherine. Representations de la hierarchie dans le nord-ouest amazonien : le cas des indiens Maku. Paris : École des Hautes Études en Sciences Sociales, 1992. 82 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS, Antônio Maria de Souza. Etnia e urbanização no Alto Rio Negro : São Gabriel da Cachoeira-AM. Porto Alegre : UFRS, 1983. 154 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCHULTZ, Harald. Ligeiras notas sobre os Makú do Paraná Boá-Boá. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, v. 11, n.s., p. 109-32, 1959.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVERWOOD-COPE, Peter L. Os Makú : povo caçador do Noroeste da Amazônia. Brasília : UnB, 1990. 206 p. (Coleção Pensamento Antropológico). Apresentado originalmente como Tese de Doutorado. 1973, Cambridge University.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TORRES C., William. Nukak : aspectos etnográficos. Rev. Colombiana de Antropologia, Bogotá : Inst. Colombiano de Antropologia, n. 31, p. 195-36, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;WEIR, Evelyn Maria Helen. A negação e outros tópicos de gramática Nadeb. Campinas : Unicamp, 1984. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Nadëb. In: KAHREL, Peter; BERG, Rene van den (Eds.). Typological studies in negation. Amsterdan : John Benjamins, 1994. p. 291-323. (Typological Studies in Language, 29)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ZAMBRANO, Carlos Vladimir. El contacto con los nukak del Guaviare. Rev. Colombiana de Antropologia, Bogotá : Inst. Colombiano de Cultura, n. 31, p. 177-94, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Pozzobon (1955-2001)|Jorge Pozzobon (1955-2001)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Desana&amp;diff=6309</id>
		<title>Povo:Desana</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Desana&amp;diff=6309"/>
		<updated>2018-08-20T19:19:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209266-1/uaupes_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família lingüística Tukano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tukano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tukano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tukano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguns contextos, o Tukano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua tukano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tukano. Já as línguas classificadas como tukano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tukano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/desano/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Desana @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Fonte: Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209269-1/uaupes_3.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel. Iaraueté, além de ser um centro de ocupação tradicional dos Tariana, abriga também uma grande missão dos salesianos e um pelotão de fronteira do exército. Existem ainda outras duas missões salesianas na bacia do Uaupés, uma em Taracuá (na confluência desse rio com o Tiquié) e outra no Alto Tiquié, chamada Pari-Cachoeira. Também há um destacamento do Exército na confluência do Querari com o Uaupés e outro em Pari-Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etnias e demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas etnias também estão presentes nas cidades da região, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. As etnias presentes na bacia do Uaupés são as seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) [[Povo:Arapaso | Arapaso]]: Etnia de origem tukano oriental que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2 ) [[Povo:Bará | Bará]]: Autodenominam-se Waípinõmakã. Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié, acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia; o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri) e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná). Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes de um ancestral comum que não podem casar entre si). São especialistas no preparo do aturá de turi, muito usado onde não são disponíveis os aturás de cipó maku. Também fabricam o carajuru. São hábeis ainda na confecção de canoas. Atualmente são os principais especialistas na fabricação dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3) [[Povo: Barasana | Barasana]]: Autodenominam-se Hanera. Vivem nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná, em território colombiano. Também encontram-se dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se 36 subdivisões nomeadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) [[Povo:Desana | Desana]]: Autodenominam-se Umukomasã. Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu; além de trechos do Rio Uaupés e Negro (inclusive cidades da região). Existem aproximadamente 30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas em certos tipos de cestos trançados, como apás grandes (balaios com aros internos de cipó) e cumatás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5) [[Povo:Karapanã | Karapanã]]: Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí (afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6) [[Povo:Kubeo | Kubeo]]: Autodenominam-se Kubéwa ou Pamíwa. Possuem uma língua bem particular da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande maioria, se encontram residindo em território colombiano, na região do Alto Uaupés, incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón. No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés e estão em pequeno número no Alto Aiari. Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados. Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três fratrias não nomeadas que funcionam como unidades para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma língua. São especializados na fabricação das máscaras de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) [[Povo: Makuna | Makuna]]: Autodenominam-se Yeba-masã. Vivem principalmente no território vizinho da Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya, afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes, os igarapés Castanha e Onça. Estão divididos em cerca de 12 sibs. São especializados em zarabatanas e curare, são também hábeis fabricantes de canoas, além de fornecerem remos leves e muito bem acabados aos índios do Alto Tiquié.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8) [[Povo: Miriti-tapuya | Miriti-tapuya ou Buia-tapuya]]: Atualmente falam apenas a língua tukano. São habitantes tradicionais do Baixo e Médio Tiquié, destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé, Vila Nova e Micura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9) [[Povo: Pira-tapuya | Pira-tapuya]]: Autodenominam-se Waíkana. Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem também em localidades do Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10) [[Povo: Siriano | Siriano]]: Autodenominam-se Siria-masã. Moram no Caño Paca e Caño Viña, afluentes do Alto Papuri, em território colombiano. No Brasil são encontrados dispersos em rios da bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações referentes a 27 sibs siriano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11) Taiwano, Eduria ou Erulia: Autodenominam-se Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu, afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari, afluente do Apapóris. Todas estas áreas estão situadas em território colombiano. Há informações que dão conta de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12) [[Povo: Tariana | Tariana]]: Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam outrora uma língua pertencente à família Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras de Iauareté e Periquito. São especializados em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13) [[Povo: Tatuyo]]: Autodenominam-se Umerekopinõ. Habitam uma área situada na Colômbia: o Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño Japu. No Brasil, são representados sobretudo por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem cerca de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14) [[Povo: Tukano | Tukano]]: Autodenominam-se Ye’pâ-masa ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família lingüística Tukano Oriental. Concentram-se principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés; mas também estão morando no Rio Negro, a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade de São Gabriel. É possível que existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano, cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões ocorridas nos últimos séculos, as posições hierárquicas são razão de polêmicas e versões variadas. Os Tukano são fabricantes tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva) e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos semelhantes àqueles dos trançados. É um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores) e bayá (chefes de cerimônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15) [[Povo: Tuyuka | Tuyuka]]: Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná. Estão concentrados principalmente no Alto Rio Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes também no trecho do Rio Papuri próximo à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São exímios construtores de canoas e, antigamente, eram especialistas na confecção de redes feitas de fibras de buriti. Também são especializados na confecção do cesto urupema, trançado de finíssimas talas de arumã, usado para coar sumo de frutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16) [[Povo: Kotiria | Kotiria]]: Autodenominam-se Kótiria. Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá (do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos; acima daí, convivem em território onde a maioria é Kubeo. Há informações de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua especialidade no âmbito das relações de troca interétnica é o preparo do carajuru, um pó corante feito com as folhas de um cipó, muito usado na confecção de artefatos rituais e na pintura do banco tukano, bem como para a pintura corporal. Também são hábeis cesteiros e produtores de objetos de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17) [[Povo: Yuruti | Yuruti]]: Autodenominam-se Yutabopinõ. Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde estes igarapés desaguam (em território colombiano). Há informações que possuem nove sibs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir, é apresentada uma tabela com a estimativa populacional de cada etnia:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Etnia&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População no Brasil&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Arapaso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;328&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Barasana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 61&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Desana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.531&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Karapanã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;42&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kotiria&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;287&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;168&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mirity-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;95&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pira-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.004&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Siriano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;17&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Taiwano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tariana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tatuyo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tukano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;4.604&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tuyuca&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;593&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yuruti&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;TOTAL&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;11.130&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identidade e diferença ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209272-1/uaupes_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto com seus vizinhos aruak, os Tukano - que serão tratados nesta seção como povos tukano, de modo que o grupo Tukano será diferenciado com letra inicial maiúscula- compõem um sistema sócio-político flexível, cuja integração se dá através de redes de intercâmbio recíproco envolvendo visitas, trocas, casamentos e rituais. A dinâmica desse sistema regional implica a articulação entre semelhança e diferença, entre um repertório comum que confere aos grupos que o compõem alguma medida de identidade e aquilo que os diferenciam uns dos outros, possibilitando a interdependência entre eles. Comecemos com as semelhanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209275-1/uaupes_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano compartilham uma área geográfica contínua e um mesmo modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a &amp;quot;mandioca brava&amp;quot; o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta. Falam línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Também compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas. Esses povos têm ainda estilos de ornamentação corporal semelhantes e, embora as palavras e melodias possam ser diferentes, usam os mesmos instrumentos musicais e a sua música, danças e cantos têm uma base comum. Tais convenções relativas ao modo-de-vida, organização espacial, língua, fala, adornos, música e dança integram o sistema comum de comunicação verbal e não-verbal dos povos do Uaupés, que se expressa mais plenamente nos rituais inter-comunitários.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209278-1/uaupes_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem as suas próprias histórias, mas também compartilham um ''corpus'' mitológico comum. Os mitos explicam as origens do cosmos, descrevendo um mundo perigoso e indiferenciado, sem limites precisos de tempo e espaço, sem diferença entre gente e animal. As narrativas míticas explicam como os feitos dos primeiros seres geraram as feições da paisagem e como o mundo se tornou paulatinamente seguro para a emergência dos verdadeiros seres humanos. Há um mito de origem chave nesse repertório que explica como uma Anaconda-ancestral penetrou o universo/casa através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no leste e subiu os rios Negro e Uaupés com os ancestrais de toda humanidade dentro de seu corpo. Inicialmente, esses ancestrais-espíritos tiveram a forma de ornamentos de pena, mas foram transformados em seres humanos no curso da sua viagem. Quando alcançaram a cachoeira de Ipanoré, o centro do universo, eles emergiram de um buraco nas rochas e se deslocaram para os seus respectivos territórios. Essas narrativas compartilhadas entre os povos do Uaupés expressam uma compreensão comum do cosmos, do lugar dos seres humanos nele e das relações que deveriam existir entre diferentes povos, bem como entre eles e outros seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, cada grupo tem uma identidade singular e um lugar específico dentro do sistema. A população divide-se em aproximadamente 17 grupos exogâmicos, cada qual com direitos sobre um território específico ou trecho de rio com características e potenciais diferentes. Somado a esses fatores ecológicos de diferenciação, cada grupo é tradicionalmente associado à produção de artefatos específicos; assim, os Tukano fabricam banquinhos, os Desana cestos, os Tuyuka canoas etc. Essa produção especializada constitui um aspecto da identidade grupal e mobiliza os cerimoniais de troca (ou ''dabukuris'') que são um dos principais componentes das atividades rituais características da região. Em tais festas, os diferentes grupos se reúnem para dançar, beber caxiri, exibir os seus ornamentos de penas, recitar as linhagens de seus antepassados e trocar os seus produtos (banquinhos por canoas, peixe por carne de caça etc.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem a sua própria língua, o seu conjunto particular de nomes pessoais, os seus específicos cantos de dança e as suas próprias genealogias e narrativas de origem. Cada um tem um ancestral originário da Anaconda que trouxe o povo para o seu território particular. O corpo dessa Anaconda é replicado no trecho do rio onde esse grupo mora, nas malocas em que habitam e na composição dos grupos. A língua, os nomes próprios, os cantos, as histórias e outras formas de discurso operam como emblemas de identidade, afirmam direitos territoriais e privilégios rituais, assim como manifestam aspectos da vida, alma e espírito do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo também possui um ou mais conjuntos de ''Yurupari ''- flautas e trombetes sagrados feitos do tronco da palmeira paxiúba -, que são os ossos de seu ancestral e que incorporam o seu sopro e canto. Junto com as festas e trocas cerimoniais, os rituais envolvendo esses instrumentos musicais - símbolos condensados da identidade, espírito e poder grupal - formam o outro grande componente da vida ritual dos Tukano. Enquanto a troca cerimonial enfatiza a equivalência e interdependência mútua entre grupos diferentes, os rituais de ''Yurupari ''realçam a identidade singular de cada um.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[fevereiro de 2003] '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas. Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs hierarquicamente ordenados. Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios. A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simbolicamente, a maloca reproduz em miniatura o universo e seus habitantes constituem tanto uma réplica quanto um precursor do ideal de organização clânica acima descrita. Assim, o pai da comunidade que habita a maloca seria o ancestral-Anaconda do grupo inteiro e seus filhos seriam os ancestrais dos clãs que dela se originaram. Seguindo essa lógica, o filho mais velho e irmão maior é geralmente o chefe da maloca, e não raro os seus irmãos menores são dançarinos, cantadores ou xamãs, cujos papéis costumam corresponder à ordem de nascimento. Mas poder e posição social dependem de energia e iniciativas pessoais, que não se baseiam apenas em organização formal, parentesco ou ordem de nascimento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Confecção de banco tukano. Foto: Rosa Gauditano, 2002&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209287-1/uaupes_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos rituais e da vida religiosa tukano está centrada em objetos (como ornamentos plumários e as flautas ''Yurupari'') e substâncias sagradas - como a pintura vermelha carayuru, cera de abelha, cera de breu (resina vegetal), epadu (feito com variedades de coca), tabaco e ayahuasca -, assim como em bens menos tangíveis, na forma de nomes, cerimoniais, encantações e cantos. Tais itens são propriedade do grupo e constituem expressões de seus poderes espirituais. Em um nível coletivo e estrutural, os rituais que envolvem tais itens podem ser vistos como expressões formais da identidade do grupo e das relações inter-grupais. Ao mesmo tempo, esses rituais constituem expressões das relações políticas em dada conjuntura. Assim, malocas vizinhas são interligadas por intermédio de líderes carismáticos, que comandam a organização de festas e coordenam o trabalho coletivo para a construção de casas maiores que funcionam como centros cerimoniais. Esses líderes são indivíduos que possuem um grande conhecimento esotérico e se mobilizam para manter e aumentar os bens sagrados de sua maloca, podendo disponibilizar os recursos necessários para patrocinar os rituais. Tais capacidades rituais prestam-se a fortalecer sua posição política.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Tukano e os Maku ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos das famílias lingüísticas Tukano Oriental e Maku convivem mais intensamente na região de interflúvio entre os rios Tiquié e Papuri e, em menor escala, entre o Papuri e o Médio Uaupés (trecho entre Iauareté e a foz do Querari). Nesta área, desenvolveram uma estratégia de complementaridade, uma vez que tradicionalmente ocupam espaços distintos e adotam práticas de manejo do meio ambiente específicas. Distintamente dos Tukano, que vivem nos rios maiores, os Maku preferem os igarapés menores, mais no centro da floresta. São bons caçadores, coletores de frutas silvestres e conhecem muito bem os caminhos na mata. Os Tukano, por sua vez, são agricultores dedicados e pescadores; mesmo quando caçam, preferem fazê-lo de canoa, surpreendendo pacas e antas que vão até a beira do rio beber água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista dos Tukano, os Maku formam uma categoria sui generis, na medida em que se diferenciam tanto dos afins quanto dos parentes de mesma descendência, pois não são casáveis e não são assimilados a eles através da terminologia de parentesco. Os Maku representam uma referência central no sistema conceitual tukano, estando associados às categorias hierárquicas mais baixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku mantêm com os Tukano relações de troca e colaboração intermitentes. Em geral, grupos domésticos maku tomam a iniciativa de se associar a grupos domésticos tukano, sendo também eles que decidem quando devem ir embora para seus sítios ou mudar de &amp;quot;patrão&amp;quot; tukano. Eles podem permanecer apenas uma semana ou vários meses com os Tukano, mas existem casos em que a relação é mais estável e certos Maku se acostumam a prestar serviços para grupos domésticos tukano específicos, mantendo a colaboração através de gerações. Mesmo nestes casos, a convivência é interrompida quando os Maku resolvem cuidar de suas próprias casas e roças ou viajar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku procuram trabalho quando estão passando por momentos de maior privação (suas roças são em geral insuficientes e há períodos pouco propícios para a caça). Nestas situações, oferecem seus serviços aos Tukano: as mulheres trabalham nas roças e no processamento da mandioca e os homens caçam, fazem ipadu ou pegam alguma empreitada (troca da cobertura de uma casa, derrubada da mata para roça etc.). Em troca, os Tukano pagam com parte da produção da cozinha (farinha, beiju etc.), os homens recebem ipadu e fumo e ainda roupas usadas, ferramentas, redes, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a família maku é muito grande e o custo, em termos de exploração da roça, é alto para a grupo doméstico tukano que os recebeu, este pode expulsá-los. Mais freqüente, porém, é que os próprios Maku se sintam fartos e desfavorecidos, retirando-se para seu assentamento por conta própria e levando consigo um suprimento de farinha e tapioca. Nesses casos, os Tukano reclamam de que eles saem sem dizer nada, de uma hora para outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que mais marca a relação entre estes dois grupos é a grande autonomia dos Maku, que os Tukano não podem violar. Os Maku procuram os Tukano visando suprir necessidades imediatas de alimentos; os Tukano aceitam os Maku e lhes encarregam de vários serviços. Algumas vezes os Maku também participam dos multirões para derrubar ou plantar roça promovidos pelos Tukano, quando é oferecido caxiri. Mas nessas ocasiões as relações são distantes e frias, não envolvendo intimidade. De modo geral, os Maku quase nunca comem junto com os Tukano ou se sentam próximos, a não ser nas manhãs em que há refeição comunitária e alguns Maku estão presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A distância social é marcada pelas atitudes. Quando um Tukano conversa com um Maku, este se posiciona a certa distância, olhando para outro lado. Em outro exemplo, ao devolver um cigarro que um Tukano pediu para “rezar” (para cortar alguma dor que um filho ou a própria pessoa está sentido), o homem Maku, ao invés de entregá-lo na mão, agacha-se próximo e joga o cigarro no chão, perto daquele que o solicitou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre os Tukano e os Maku é celebrada em grandes dabucuris (rituais de oferecimento), realizados na época de coleta de certas frutas do mato (como ingá, cunuri, buriti e açaí silvestre). Nestas ocasiões, os Tukano preparam muito caxiri e ipadu para receber os Maku, que chegam ainda de madrugada, antes do alvorecer, tocando trompetes, pequenos tambores e fazendo muito barulho. Trazem grandes quantidades de frutas que, inicialmente, deixam na beira do rio, para depois conduzi-las para dentro da casa de festa, no momento propício do ritual (quando há um diálogo cerimonial entre um par de homens Tukano e outro Maku). Conjuntos de tocadores de flautas pã maku se revezam ao longo da festa com conjuntos formados por homens e rapazes tukano. Eles formam pares de dança com as mulheres, sejam elas tukano ou maku, indistintamente. A mesma cerimônia também pode ser feita com o oferecimento de carne de caça moqueada; os papéis também podem ser invertidos, passando os Tukano a oferecer beiju e farinha aos Maku. Em geral a festa ocorre no povoado tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;nunca se acomodam em um lugar, estando sempre indo e vindo, inquietos;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são agricultores displicentes e, além disto, não sabem manejar o cultivo, não esperam o tempo mais produtivo da mandioca, arrancando logo tudo para fazer caxiri; os homens fazem o mesmo com os pés de coca, desfolham sem controle e acabam tendo que apelar para os Tukano para conseguir ipadu (que é uma necessidade diária);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são vistos com desconfiança, não raro acusados de saquearem as roças tukano e ainda disfarçarem o roubo fincando a haste da maniva no solo depois de arrancar o tubérculo; também lhes são atribuídos o sumiço de ferramentas, roupas e outros;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;a endogamia local e a constante transformação na constituição dos grupos locais são mau vistos pelos Tukano, que ainda enfatizam certos casamentos incestuosos, como se não houvesse regras definidas de casamento;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;os Tukano também dizem que eles não têm higiene, não se limpam nem penteiam o cabelo e andam maltrapilhos, com roupas velhas e encardidas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 Esta visão dos Maku tem alguns desdobramentos práticos, por exemplo, o casamento com eles é expressamente proibido e uma pessoa que tenha alguma ascendência maku (seja por parte do pai ou da mãe) é estigmatizada. Contudo, o casamento de um homem tukano com uma mulher maku é mais aceitável do que o casamento de um homem maku com uma tukano, que é impraticável. Com o contato, representado pela intensificação do comércio, da catequização e da educação escolar, ocorreram mudanças na relação entre esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano passaram a intermediar a entrada e troca de mercadorias industrializadas. Ao passo que os Tukano aderiram à prática, hoje muito valorizada e difundida, de mandar seus filhos para a escola até o final do ensino fundamental e, menos freqüentemente, para o ensino médio na cidade, os Maku jamais se adaptaram ao sistema escolar e as tentativas promovidas pelos missionários foram todas fracassadas. Mesmo as escolas criadas nos povoados Maku, com professores tukano, raramente dão bons resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, a intensa migração dos Tukano para os centros missionários ou urbanos, como as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, tem levado a um processo de esvaziamento de algumas áreas. Isto tem propiciado o estabelecimento de povoados maku no curso principal dos rios, como é o caso do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Márcio Meira, 1990.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209289-1/uaupes_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como princípio básico, a cosmologia tukano combina perspectiva móvel, replicação da organização social em diferentes escalas da existência - corpo, communidade, casa e cosmos, e organização análoga entre níveis diferentes da experiência. O universo é feito de três camadas básicas: céu, terra e &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. Cada camada é um mundo em si, com seus seres específicos e podendo ser entendidos tanto em termos abstratos como concretos. Em contextos diferentes, o &amp;quot;céu&amp;quot; pode ser o mundo do sol, da lua e das estrelas, ou o mundo dos pássaros que voam alto, ou os topos achatados dos tepuis (topos achatados das montanhas) dos quais descem as águas ou o mundo dos topos das árvores da floresta, ou mesmo uma cabeça enfeitada com um cocar de penas vermelhas e amarelas de arara, que são as cores do sol. Do mesmo modo, o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; pode ser o Rio dos Mortos debaixo da terra, o barro amarelo debaixo da camada do solo onde enterram-se os mortos, ou o mundo aquático dos rios subterrâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De toda forma, o que define o &amp;quot;céu&amp;quot; ou o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma &amp;quot;camada&amp;quot; são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou &amp;quot;Terra&amp;quot;, o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos simbólicos, a maloca é o universo e o universo é uma maloca. O teto de palha é o céu, os esteios de suporte são as montanhas, as paredes são as cadeias de serras que parecem cercar a paisagem visível na beira do mundo, e sob o chão corre o Rio dos Mortos. A maloca tem duas portas: uma no leste que é a dos homens, ou a &amp;quot;porta da água&amp;quot;; outra das mulheres a oeste, com uma longa cumeeira que corre ao longo do teto da casa entre as duas portas, que é &amp;quot;o caminho do Sol&amp;quot;. Nessa região equatorial, os rios subterrâneos correm do oeste para o leste, ou da porta das mulheres para a porta dos homens; completando um circuito fechado da água, o Rio dos Mortos corre do leste para o oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maloca tanto é o universo, como também é um corpo, ao mesmo tempo o &amp;quot;corpo canoa&amp;quot; do ancestral-Anaconda e os corpos de seus filhos nele contidos. Esses filhos são os habitantes da casa, réplicas do ancestral original, receptáculos de futuras gerações e, eles mesmos, futuros ancestrais. Mas, se a maloca é um corpo humano, sua feição também é uma questão de perspectiva. Do ponto de vista masculino, a frente pintada da maloca é um rosto de homem, a &amp;quot;porta dos homens&amp;quot; é sua boca, a viga mestra e as laterais são a sua coluna e costelas, o centro da casa é seu coração, e a porta das mulheres o seu ânus. Do ponto de vista das mulheres, a coluna, as costelas e o coração permanecem os mesmos, mas o resto do corpo é invertido: a porta das mulheres é a sua boca, a porta dos homens a sua vagina e o interior da casa o seu ventre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são &amp;quot;rios&amp;quot;; e, ainda, que os vermes parasitas são &amp;quot;anacondas&amp;quot;. Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;amp;q&amp;amp;amp;f=false&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O ciclo da vida ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia Tuyuka com seu filho em um evento cultural em São Paulo. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209292-1/uaupes_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo em mente os princípios cosmológicos sintetizados no item anterior, podemos começar a perceber como alguns processos vitais são elaborados em termos cosmológicos e como se relacionam a práticas rituais associadas ao ciclo de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A digestão, evacuação, decomposição e morte envolvem um fluxo passivo do alto para o baixo, de rio acima para rio abaixo, do Oeste para o Leste. A vida em si é um movimento, às vezes uma luta, de acordo com esse fluxo: as plantas crescem em direção ao sol e as pessoas devem crescer para cima enquanto amadurecem. O Sol, ou ''Yeba Hakü'' (na língua barasana), o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, fonte de luz e da vida, move-se constantemente contra a corrente, subindo os rios da terra do Leste para o Oeste durante o dia e subindo o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; durante a noite, para aparecer de novo no Leste. O ancestral-Anaconda que trouxe a humanidade para o mundo também viajou como o Sol, no sentido Leste para o Oeste, parando quando alcançou o meio do universo. Esse mesmo movimento de Leste a Oeste foi também uma ascensão da água para a terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ancestal-Anaconda, um ser aquático, é o próprio rio no qual ele viajou, e os seres em seu interior somente assumiram a forma humana quando emergiram na terra firme; antes disso, eram &amp;quot;gente peixe&amp;quot;, espíritos na forma de ornamentos de penas. Os animais são chamados ''wai-bükürã'', &amp;quot;peixes maduros&amp;quot;; e, logicamente, entre eles estão os seres humanos, seres que estão a meio-caminho entre os &amp;quot;peixes-espíritos&amp;quot; que eram antes e os &amp;quot;espíritos-pássaros&amp;quot; que se tornarão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do ancestral-Anaconda é uma narrativa sagrada sobre os primórdios e, provavelmente, uma versão das migrações históricas dos povos Tukano. Também pode ser entendida como uma história sobre a ecologia, sobre as migrações anuais rio acima de peixes amazônicos que vêm desovar nas cabeceiras; e uma história sobre a reprodução humana, que também envolve uma penetração ascendente, no sentido &amp;quot;Leste-Oeste&amp;quot;, rumo a uma &amp;quot;porta da água&amp;quot;, num fluxo ascendente de sêmen, e uma passagem do mundo aquático do ventre para o mundo seco da existência humana na terra. Não é de se admirar então que &amp;quot;nascer&amp;quot; é ''hoe-hea'' (em barasana), que significa &amp;quot;atravessar rumo a um nível mais alto&amp;quot;. Mas o nascimento também envolve um movimento de descida pelo canal do corpo feminino - cosmologicamente um movimento do Oeste para o Leste e, em termos sociais, um movimento da mãe para o pai ou das mulheres para os homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para entender esses movimentos, porém, é preciso começar pela morte. Alguns índios do Uaupés, os Kubeo em particular, encenam rituais elaborados de luto em que dançarinos com máscaras pintadas e feitas de casca de árvore se tornam peixes, animais, e outros seres da floresta para dar boas-vindas à alma do morto no mundo dos espíritos. Mas o enterro tukano em si é um evento simples: a cova é o chão da maloca e o caixão uma canoa cortada ao meio. Esse sepultamento simples é o prelúdio para um futuro nascimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tukano compartilham uma noção de reencarnação segundo a qual, quando uma pessoa morre, um aspecto de sua alma volta para a &amp;quot;casa de transformação&amp;quot;, local de origem do grupo. Depois, a alma volta ao mundo dos vivos encarnada em um recém-nascido que recebe o seu nome. As pessoas recebem o nome de um parente recentemente falecido do lado paterno, o avô paterno para um menino ou a avó paterna para uma menina. Cada grupo possui um conjunto limitado de nomes pessoais que vão sendo retransmitidos a cada geração. O aspecto visível dessas &amp;quot;almas-nomes&amp;quot; são os cocares de penas usados pelos dançarinos, que também são enterrados com os mortos. O rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; é descrito como repleto de ornamentos, assim como na história de origem os espíritos dentro da canoa-Anaconda tiveram a forma de ornamentos de dança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sepultadas em canoas, as almas dos mortos caem para o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. De lá, são levadas pela correnteza do rio subterrâneo para o Oeste e às regiões rio acima deste mundo. As mulheres não dão à luz na maloca, mas numa roça no interior da floresta, rio acima e atrás da casa - também ao Oeste. O recém-nascido é primeiramente lavado no rio e depois levado para dentro da maloca pela porta traseira, a &amp;quot;porta das mulheres&amp;quot;. Confinado dentro da casa por cerca de uma semana com seu pai e mãe, ele é então banhado de novo no rio e recebe um nome. Assim, em termos cosmológicos, os bebês de fato vêm das mulheres, da água, do Oeste.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Pessoas, animais e objetos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209294-1/uaupes_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Masa'' (em barasana), a palavra para &amp;quot;gente&amp;quot;, é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são &amp;quot;gente&amp;quot; - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como &amp;quot;bicho de pau&amp;quot;); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu &amp;quot;ar&amp;quot;, é impressionante que os humanos não saibam respirar &amp;quot;debaixo da água&amp;quot;. Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o denominador comum de todas essas &amp;quot;gentes&amp;quot; é a sua subjetividade e para elas, na condição de sujeitos, seu próprio modo de vida é aquele da cultura humana, as diferenças entre tais &amp;quot;gentes&amp;quot; repousam em seus diferentes corpos: em sua forma, cor, sons, hábitos corporais e dieta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas diferenças estão culturalmente representadas em diferentes gêneros alimentícios de uso ritual, tais como coca, tabaco e a ayahuasca, bem como tintas corporais distintas, ornamentos e roupas, ou como diferentes armas e equipamento ritual. Os índios se referem a todos esses itens como ''küni-oka'', &amp;quot;armas ou escudos&amp;quot;, idéia que faz lembrar os uniformes de exército com seus brasões - ao mesmo tempo identidade, vestimenta e arma de defesa. Nessa lógica, as diferenças entre os grupos humanos são representadas como naturais e inerentes. Conceitualmente, os vários grupos tukano constituem tantas &amp;quot;espécies&amp;quot; diferentes quanto as múltiplas espécies animais são &amp;quot;povos&amp;quot; diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na vida cotidiana, as pessoas enfatizam sua diferença dos animais, mas no mundo dos espíritos, ao qual se tem acesso pelos rituais, pelo xamanismo, pelos sonhos e pelas visões de ayahuasca, as perspectivas se fundem, as diferenças são abolidas, o passado é presente, e pessoas e animais voltam a ser um. Isto tem importantes repercussões práticas, pois, onde os animais são pessoas, caçá-los e ingerir sua carne é equivalente à guerra e canibalismo. Muitas doenças são assim diagnosticadas como a vingança dos animais que os humanos matam e comem. O risco advindo dos animais é proporcional a seu tamanho e habitat: as antas são mais perigosas do que os macacos, os animais terrestres são mais perigosos do que os peixes, e peixes grandes mais perigosos do que os pequenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perigo também está relacionado ao contato com o domínio metafísico. Um nascimento neste mundo provoca ressentimento entre os espíritos-animais - para eles, representa uma morte. Os bebês humanos, recém-migrantes do mundo dos espíritos, não estão ainda firmemente ancorados a seus corpos e, portanto, precisam ser protegidos das antas ciumentas que ameaçam ingeri-los através de seus ânus - um nascimento ao avesso. Enquanto visitantes do mundo dos espíritos, as mulheres menstruadas e os homens que tomam parte nos rituais ganham temporariamente ''status ''de criança e devem restringir sua dieta, evitando alimentos perigosos. Para cozinhar o peixe ou a carne com segurança, um xamã deve primeiro soprar encantações para remover os seus &amp;quot;escudos de proteção&amp;quot; ou &amp;quot;armas&amp;quot; (tintas, peles, dentes, espinhos, escamas e outros atributos corporais identificados aos animais ou peixes) que podem comprometer a identidade especificamente humana do consumidor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As qualidades de personificação, subjetividade e intencionalidade que os índios aplicam aos animais e os peixes também se estendem ao cosmos como um todo. Os mitos dos povos do Uaupés também são mitos sobre a paisagem, cujos traços distintivos - as serras e montanhas, os rios, as rochas e cachoeiras -, têm nomes que evocam as histórias de sua criação ancestral. Viajar por terra ou canoa é seguir essas histórias e compartilhar os atos de criação descritos por elas. Muitas histórias contam sobre as antigas migrações, atribuindo à paisagem uma dupla dimensão - a dos atos primordiais de criação e a dos atos mais recentes, como a construção de casas e abertura de roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poderes de criação ancestral incutidos na paisagem se estendem às plantas, peixes, animais e seres humanos que a habitam e também aos objetos confeccionados a partir dos materiais que dela provêm. Nos mitos, os objetos cotidianos tais como canoas, bancos, cestos e potes, emergem como seres animados e autônomos - como visto, do mesmo modo que os animais podem ser gente, as malocas podem ser os corpos dos ancestrais ou daqueles que as construíram. Os objetos confeccionados condensam dois tipos de potência: os poderes de sua matéria-prima e as habilidades e intenções de seus fabricantes. Conseqüentemente, o processo de fabricação dos objetos tem uma importante dimensão religiosa. Durante os ritos de iniciação, os homens e mulheres jovens são sistematicamente treinados na confecção de artesanato, um treinamento que é a um só tempo intelectual, espiritual e técnico. Fazer artesanato é concomitantemente confeccionar a si mesmo e o mundo, numa forma de meditação que traz à tona as interconexões entre objetos, corpos, casas, e o universo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Missionários, colonos e a modernidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de contato dos povos do Uaupés com os não indígenas é muita antiga, bem anterior ao grande auge da borracha na virada do século XX, remetendo às incursões maciças dos portugueses em busca de escravos na primeira metade do século XVIII. Embora o impacto desses raptores e o contato traumático e duradouro com os seringalistas, esses comerciantes estavam mais interessados nos corpos dos índios do que nas suas almas; em termos religiosos, e talvez em termos sociais também, foram os missionários que provocaram as maiores transformações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A penetração efetiva dos missionários começou ao final do século XIX, com a chegada dos Franciscanos. Estes, e os Salesianos que os seguiram, viram a cultura dos povos do Uaupés através das lentes de suas próprias categorias religiosas: as malocas dos índios eram consideradas &amp;quot;antros licenciosos e promíscuos&amp;quot;, as suas festas de dança ocasiões de &amp;quot;indecência e embriaguez&amp;quot;, os pajés eram &amp;quot;charlatões&amp;quot; que aliciavam o povo, e o culto de ''Yurupari ''nada mais era do que o &amp;quot;culto ao Diabo&amp;quot; em pessoa. Sem conhecer e sem a mínima intenção de saber o quê essas coisas realmente significavam, os missionários começaram a destruir uma civilização em nome de outra, queimando as malocas dos índios, destruindo os seus ornamentos de penas, quebrando seus recipientes de caxiri, perseguindo os pajés e expondo os ''Yurupari ''às mulheres e crianças reunidas na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os padres atacavam os fundamentos da cultura indígena, transformaram as suas sociedades, encurralando as pessoas em vilas com casas rigidamente ordenadas, uma para cada família, e removendo à força seus filhos para serem educados nas escolas ou internatos. Sob o regime estrito dos internatos, as crianças foram ensinadas a rejeitar os valores e os modos de vida dos seus pais, incentivadas a casar-se dentro de seus próprios grupos, e proibidas de falar as línguas que lhes conferiam identidades múltiplas e interligadas. Para os missionários, somente uma identidade importava, a identidade indígena genérica, que impedia o progresso da &amp;quot;civilização&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação inicial contra a exploração pelos comerciantes, as pressões dos missionários e as epidemias que dizimaram a população indígena, irrompeu uma série de movimentos milenaristas na região do Uaupés durante a segunda metade do século XIX. Vestindo-se de padres e identificando-se com Cristo e os santos, os pajés-profetas conduziram o povo na &amp;quot;Dança da Cruz&amp;quot;, uma fusão dos rituais de caxiri e dabukuri tradicionais com elementos do catolicismo, que prometiam a libertação da opressão dos brancos e o alívio dos &amp;quot;pecados&amp;quot; que acreditavam ser a causa das epidemias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os missionários foram rechaçados por seus ataques contra a cultura indígena, também foram bem recebidos como fonte de bens manufaturados, como defensores dos índios contra os piores abusos dos seringalistas e como provedores da educação que as crianças indígenas precisariam para se sair bem nas novas circunstâncias. Dos anos 1920 em diante, os Salesianos estabeleceram uma cadeia de missões pela região no lado brasileiro da fronteira, alcançando o alto Tiquié no começo dos anos 40 e destruindo a última maloca nos anos 60. Hoje, a despeito do número crescente de evangélicos, a maioria dos índios do Uaupés se considera católico. Enquanto aumenta cada vez mais o número de pessoas que estão deixando suas aldeias para ir a São Gabriel em busca de educação e emprego, a vida nas malocas e a rica diversidade ritual que a acompanhava persiste agora somente na memória dos mais velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos povoados, um centro comunitário substituiu a maloca como foco de atividades coletivas. O centro serve ao mesmo tempo para as orações matutinas conduzidas por um Capitão e catequista, e para as refeições comunitárias, caxiris e dabukuris que marcam eventos importantes nas vidas dos aldeões: expedições de pesca, trabalho coletivo em projetos comunitários, os dias de santo do calendário católico, formaturas escolares, eventos esportivos, reuniões políticas etc. Transformações das antigas festas, esses caxiris e dabukuris de hoje em dia ainda incluem danças e bebidas - mas as danças não são mais acompanhadas pela música nativa e as flautas de pã, mas sim pelo forró e, ao invés da relativa moderação do passado, a cachaça é livremente consumida e seu freqüentemente consumo leva a discussões e brigas. Com níveis crescentes de alcoolismo, a embriaguez que os missionários imaginavam ver nas festas tradicionais hoje tem se tornado uma realidade cruel da civilização que os missionários trouxeram consigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado colombiano, sob o regime dos Monfortianos, o policiamento e a inserção dos missionários foram muito parecidos às dos Salesianos mas, no final dos anos 50, os Monfortianos foram substituídos pelos mais liberais Javerianos. Estes eram identificados com a nova Teologia da Libertação, que pregava a tolerância com a cultura indígena e acomodação com seus valores e crenças; isto, junto com o isolamento da região, explica porque os habitantes do Pira-Paraná ainda conseguem conservar boa parte da sua religião tradicional e do seu modo de vida. No lado brasileiro, a mudança foi mais lenta, mas, depois que a os Salesianos foram denunciados no Tribunal Russell em 1980 pelo crime de etnocídio, eles finalmente começaram a adotar uma linha mais liberal e progressista.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Gain Panan : e a origem da pupunheira. Dir.: Luiz Fernando Perazzo. Filme Cor , 35 mm, 9 min. e 36 seg., 1995. Prod.: Laboratório de Animação/CPM da Escola de Comunicação da UFRJ.&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos transfronteiriços: Brasil-Colômbia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Xukuru&amp;diff=6289</id>
		<title>Povo:Xukuru</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Xukuru&amp;diff=6289"/>
		<updated>2018-08-10T21:05:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Xukuru habitam um conjunto de montanhas, conhecido como Serra do Ororubá, no estado de Pernambuco. Os registros sobre esses índios datam do século XVI e desde então indicavam que a sua ocupação nessa região já sofria transformações devido aos violentos processos de expropriação de suas terras. Documentos relativos ao período colonial atestam essa invasão por parte dos portugueses e registram que a antiga Vila de Cimbres, hoje uma aldeia xukuru, foi palco de conflitos entre os Xukuru e os colonizadores. Muitas aldeias foram extintas e as terras logo registradas em nome de fazendeiros.   &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde muito tempo conflitos entre os Xukuru e os fazendeiros e políticos locais são constantes, mas sua intensificação se deu especialmente com o início do processo demarcatório de suas terras em 1989. O assassinato de um importante líder xukuru, de outros dois índios e de um procurador, no fim da década de 1990, foram tentativas de inibir o andamento do processo de regularização da Terra Xukuru, assim como os inúmeros processos jurídicos e administrativos que surgiram no caminho. A Terra Indígena somente foi homologada em 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A crença na natureza sagrada é outra característica importante desse povo. É nos terreiros distribuídos nesse território que os rituais religiosos são realizados e constituem o espaço de contato com os caboclos e encantados. O toré se destaca nesse contexto como a principal manifestação do sistema cosmológico xukuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== População e Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Xukuru, Pernambuco. Foto: Leo Martins, sem data&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/380616-3/xukuru_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Xukuru falam apenas o português, no entanto conhecem cerca de 800 palavras de um léxico que remete a uma língua indígena antiga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contavam em 2007 com uma população estimada em 10.536 (Funasa/Siasi).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente vivem em um território localizado na Serra do Ororubá em Pernambuco. Ali estão distribuídos em mais de 20 aldeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Serra do Ororubá é composta por uma cadeia de montanhas com uma altitude aproximada de 1.125 metros. É uma região que dispõe de uma hidrografia privilegiada com a presença de um grande açude e rios, como Ipanema e Ipojuca que cortam a Terra Indígena. Essa conjugação hidrográfica é responsável pela fertilidade de parte das terras dos Xukuru, abastecendo também, em época de seca, a cidade de Pesqueira, ao pé da serra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da Serra do Ororubá, os Xukuru também moram em alguns bairros da cidade de Pesqueira. Durante décadas, esses índios habitaram principalmente, os bairros denominados “Xucurus” e “Caixa d’água”, localizados na área fronteiriça entre a serra do Ororubá e a cidade. Hoje, encontram-se espalhados também por outros bairros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Xukuru estão situados na mesorregião do agreste pernambucano que tem características propícias à agricultura, considerando a existência de água e de um clima ameno. A região também possui uma área semi-árida, localizada entre o Agreste e o Sertão. Limita-se ao norte com o município de Poção e com o estado da Paraíba; ao sul com Mimoso; ao Leste com a cidade de Pesqueira e a Oeste com Arcoverde. Isso faz com que a Terra Indígena esteja incrustada numa região com solo e clima variáveis, possuindo, desde áreas úmidas a áreas extremamente secas e dependentes da chuva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos econômicos ==&lt;br /&gt;
A maior parte da população vive hoje da agricultura, com plantações principalmente de banana, feijão, mandioca, milho e hortaliças, além da criação de gado leiteiro e cabras. Os alimentos produzidos são vendidos na feira da cidade de Pesqueira, que reserva o sábado para a venda dos produtos comercializados pelos Xukuru e a quarta-feira para produtos comercializados de forma conjunta com não-índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos anos, com a reapropriação do seu território tradicional, os Xukuru têm se organizado para fortalecer as atividades agropecuárias e firmar sua importância na economia local. Como passaram a participar ativamente do abastecimento do município com hortaliças, inclusive orgânicas, frutas e leite, a tensão vivida com a população local, no período inicial da demarcação do seu território, tem sido amenizada, pois demonstram não constituir ameaças para o desenvolvimento do município.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na atualidade, a vida econômico-social do grupo é bem diversificada. Na mesma Terra Indígena podemos encontrar realidades distintas, que vão desde pessoas que trabalham “de alugado” para outros Xukuru, ganhando dinheiro pela diária na plantação do empregador, passando por esses mesmos “empregadores índios”, com áreas maiores de plantio, até aqueles que destinam sua força de trabalho à agricultura familiar, sendo esses últimos a grande maioria. Há ainda pessoas que trabalham na prestação de serviços públicos, seja na educação, como professores e secretários, seja contratados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), como agentes de saúde indígena e agentes sanitários.  A produção da renda denominada de “renascença” é uma outra atividade econômica importante para os Xukuru. Sua prática é majoritariamente feminina e está presente em todas as aldeias; a comercialização das peças é feita na feira das cidades de Pesqueira e Poção.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Rita de Cássia M. Neves|Rita de Cássia M. Neves]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
Referências históricas sobre os Xukuru podem ser encontradas desde o século XVI. No entanto, a maior parte da documentação disponível foi produzida por administradores coloniais, autoridades locais, e são fundadas em referenciais da invasão das terras dos Xukuru. Além desses documentos, temos alguns relatos de viajantes e referências de etnólogos - como Nimuendaju, que os apresenta em seu tradicional ''Mapa Etnográfico'', e Hohenthal, em artigo publicado em 1958 sobre os Xukuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 25 de junho de 1654, D. João IV, rei de Portugal, assinou alvará de concessão de terras ao fidalgo João Fernandes Vieira:&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
“Da sesmaria de dez léguas de terra em redondo, a contar do último morador que se achasse para as partes de Santo Antão, em Pernambuco”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;cite&amp;gt;(Barbalho, 1977).&amp;lt;/cite&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse foi o primeiro momento em que apareceu oficialmente o expurgo das terras dos índios no sertão do Ararobá, em Pernambuco. Ararobá, segundo Maciel (1980), foi a designação de uma das tribos primitivas da cordilheira ororobaense. Além disso, Ararobá também foi a denominação de uma sesmaria de vinte léguas, a partir de Garanhuns. Os indígenas chamavam de Urubá ao aldeamento que se estabeleceu no alto dessa serra. Ainda de acordo com Maciel - citando Alfredo de Carvalho – urubá é corruptela de uru-ibá (gênero de aves galináceas que existiam na serra). Urubá se transformou em Ararobá e depois em Ororubá. Oficialmente o aldeamento que ali se estabeleceu foi chamado de Monte Alegre e, em seguida, passou a ser chamado de Cimbres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente a serra onde habitam os Xukuru é chamada de Serra do Ororubá. Os Xukuru são citados em grafias antigas como Sukuru, Xucuru, Shucuru ou ainda Xacururu, sendo que, de acordo com Hohental (1958), a menção mais antiga é de aproximadamente 1599, na versão Xakurru. Estevão Pinto (1935-1938), ao classificar os indígenas no Brasil, afirmou que os Sucurús pertencem ao grupo lingüístico Cariri.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Vista parcial da Vila de Cimbres (a partir da Igreja de Nossa Senhora das Montanhas). Foto: Vânia Fialho, 2001&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/380291-3/xukuru_1.png&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através de um processo lento e contínuo, as terras do Ororubá, pertencentes aos Xukuru, foram sendo tomadas e repassadas para fidalgos portugueses. As inúmeras documentações da colonização atestam essa invasão, tendo a Vila de Cimbres, hoje Aldeia Cimbres, como importante local onde mais fortemente ocorreram embates entre os Xukuru e os colonizadores. Como conseqüência da política indigenista adotada no diretório pombalino e objetivando uma maior ocupação do território indígena, se incentivou o estabelecimento de moradores colonos através de casamentos mistos. Aos poucos se dificultou o reconhecimento da identidade indígena xukuru, em razão da influência proporcionada pelas novas relações de parentesco estabelecidas, através do casamento entre os Xukuru e outros agrupamentos humanos que ali se estabeleceram: índios de outras etnias, negros e brancos colonizadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As terras habitadas pelos Xukuru, segundo a tradição oral do grupo e das diversas fontes históricas existentes, abrangiam a Serra do Felipe, Serra da Aldeia Velha, Serra do Aió, Serra do Mají (Pedra Furada), Poço do Mulungu, Serra Isabel Dias, Serra da Gangorra, Serra da Ventania ou do Vento e atrás da Serra do Felipe, em perímetro de aproximadamente 40 léguas. Em termos atuais, este território compreenderia, no sentido leste-oeste, do Brejo da Madre de Deus (PE) à proximidade de Arcoverde (PE), e no sentido norte-sul, da região limítrofe aos estados da Paraíba e Pernambuco até a Pedra Serrana no município de Pedra/PE (Atlas, 1993). Outras informações encontram-se nas referências sobre a Congregação do Oratório da Madre de Deus que, em terras doadas pelo governo, era responsável pela catequese dos índios na Missão Ararobá. Documentos oficiais do Governo de Pernambuco, em meados do século XVIII, apontavam que a colonização da região onde se localizam os Xukuru se iniciou a partir da Vila de Cimbres, local anteriormente denominado aldeia Ararobá, a qual serviu como ponto de catequese de vários grupos indígenas locais por aproximadamente dois séculos. Em 1836, a sede da Vila de Cimbres foi transferida para a povoação de Pesqueira que, segundo história oral xukuru, tratava-se de local tradicional de pescaria daqueles índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aldeia do Ararobá, que deu origem à Vila de Cimbres, também conhecida como Nossa Senhora das Montanhas, foi fundada em 1669. Segundo Valle (1992), este aldeamento também é posteriormente habitado por moradores estranhos. Devido ao seu clima favorável e a abundância d'água, tornou-se próspero e foi elevado à paróquia em 1692 pelo bispo D. Matias de Figueiredo e Melo. A igreja de Nossa Senhora das Montanhas foi ali instalada em 1692 e tornou-se a primeira matriz do agreste de Pernambuco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aldeia do Ararobá também teve um nome dado pelos jesuítas, Monte Alegre, mas, ao ser criada a vila em 1761, recebeu o nome de Cimbres, o qual ainda permanece, segundo uns, recordando uma povoação de nome idêntico em Portugal, segundo outros, significando na língua indígena &amp;quot;lugar de ensino&amp;quot; (Maciel, 1977). Na realidade, Cimbres foi um lugar de ensino ministrado pelos brancos aos índios, por mais ou menos dois séculos. No início, era a catequese dos índios pela Congregação de S. Felipe Néri ou do Oratório da Madre de Deus; no século XIX, havia ali um projeto de instalação de um estabelecimento de ensino profissional, o &amp;quot;Colégio dos índios de Urubá&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1813 há referência da existência de 245 índios &amp;quot;Shucurú&amp;quot; naquele local. Este documento representa uma petição do governo provincial de Pernambuco, declarando que a Vila de Cimbres era muito pobre para alimentar os índios supracitados e requeria que a tutela governamental dos aborígenes fosse encerrada porque eram capazes de viver por si próprios (Hohental, 1958).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 13 de maio de 1836, a lei provincial número 20, mudou a sede desta vila para a Povoação de Pesqueira, que passou à categoria de vila e cabeça do termo, dando outro rumo à história daquela região. Segundo a tradição oral dos Xukuru, o próprio nome &amp;quot;Pesqueira&amp;quot; é oriundo do local de pescaria dos índios, este, situado nas proximidades de onde estava localizada a Fábrica Rosa, no centro da cidade de Pesqueira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos outros documentos informam sobre a administração do aldeamento de Cimbres. Um deles, datado de 1879, trata da denúncia feita pela representação daqueles índios, de que o diretor local estava arrendando terras da aldeia quando eles haviam se retirado do local em conseqüência da seca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a promulgação da Lei 601 de 1850, que procurava regulamentar a administração das terras devolutas do Império, aumentava vultosamente os casos conflituosos devido à ocupação das terras indígenas. O objetivo primordial desta lei “era o de modernizar a agricultura e promover a ocupação das terras ainda incultas”. Porém, a exigência de demarcação e titulação de terras, para reconhecimento do direito de propriedade, tornava vulneráveis aquelas ocupadas pelos grupos indígenas, pois tais medidas não eram compatíveis com os seus parâmetros conceituais de territorialidade.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A extinção de inúmeras aldeias se deu pelo desrespeito do Governo Provincial em relação aos direitos dos índios. Estes, sem atentar para a necessidade de recorrer às medidas legais exigidas e sem condições de pressionar para a garantia de seus direitos, viram suas terras registradas em nome de fazendeiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1873, dos sete aldeamentos em Pernambuco estudados pela Comissão constituída pelo Presidente da Província de Pernambuco, apenas o de Cimbres e o de Assunção não foram considerados extintos. Nesta ocasião, foi cogitada, inclusive, a possibilidade de transferência de índios de aldeamentos extintos, para ali se fixarem. No entanto, foi efêmero o propósito governamental de conservar os dois aldeamentos, pois em 25 janeiro de 1879, foi declarada a extinção de Cimbres e suas terras foram entregues à Câmara de Regência de Cimbres, para redistribuição a título de venda ou cessão à pessoas estranhas; só que isto não implicava que os Xukuru perderiam seu direito à terra. Porém, a população não-indígena de Cimbres e Pesqueira assim interpretou, aguçando o esbulho das terras indígenas. Na realidade, a extinção das aldeias significava apenas que deixava de existir a figura jurídica do “aldeamento” e que a tutela governamental dos índios tinha acabado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da extinção do Aldeamento de Cimbres pela Província só ter se efetuado em 1879, o conflito existente entre os índios do Ararobá e a sociedade envolvente já havia provocado a Câmara Municipal da Vila de Cimbres a extinguir o aldeamento em 1822 e todas as terras dos índios reverteram para o patrimônio da Câmara. Como se isso não bastasse, em 1824 é formada uma força autorizada pelo governo, oriunda de uma guerrilha da Vila e uma companhia de ordenanças de Moxotó, para abater os índios, alegando roubos e assassinatos por parte dos nativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A demarcação das terras do aldeamento era constantemente requisitada pelos índios, na oportunidade das denúncias de posseiros e arrendamento da área. Porém, a demarcação do território xukuru não foi realizada, até que na década de 80 do século XX, estes índios voltassem a se mobilizar para sua efetivação.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Rita de Cássia M. Neves|Rita de Cássia M. Neves]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Territorialização ==&lt;br /&gt;
No século XX, um novo campo indigenista é estruturado a partir da dissolução do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e a imediata criação da Fundação Nacional do Índio (Funai), em 1967. Os Xukuru estiveram presentes em todo esse processo histórico de transformação das instituições. Na década de 1980, tiveram ampla participação na campanha da Constituinte, ocasião em que as populações indígenas pressionaram o parlamento pela garantia dos direitos constitucionais. Um importante ator, nesse processo da Constituinte e na nova configuração social xukuru, foi Francisco de Assis Araújo, conhecido como Cacique Xicão.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Aldeia São José do povo Xukuru, município de Pesqueira, Pernambuco. Foto: Aderbal Brandão Gomes de Sá, 1980&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/380622-3/xukuru_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações mais recentes entre os índios e sua vizinhança estão também marcadas pela disputa pela posse da terra, agora de maneira mais explícita, pelo fato de o território indígena ter sido objeto, desde 1989, do processo jurídico-administrativo para o seu reconhecimento formal como “terra indígena”, desde quando se estabelece com nitidez o conflito com os fazendeiros e políticos locais. Tais embates passaram a ter acompanhamento sistemático da imprensa, enquanto os recursos administrativos e jurídicos também apontavam para os iminentes conflitos na região e as ameaças feitas aos índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mobilização pela garantia dos direitos indígenas e, em especial, os embates jurídicos e administrativos travados pela garantia de seu território projetaram regional e nacionalmente o cacique Xicão, Francisco de Assis Araújo. O processo de regularização fundiária da Terra Xukuru tem enfrentado os mais variados obstáculos: desde procedimentos dentro da própria Funai que impediram a tramitação do processo com agilidade, até o assassinato de três índios – um deles o próprio cacique Xicão – e do procurador Geraldo Rolim, este último também empenhado na regularização do território xukuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de regularização fundiária, portanto, foi iniciado pela Funai em 1989, com a etapa da Identificação e Delimitação. Em 1992 foi declarada de posse permanente dos índios Xukuru, mediante Portaria Ministerial; em 1995, teve sua demarcação física realizada com dimensão de 27.555 hectares e, finalmente, teve publicado o seu decreto de homologação em 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A desocupação da Terra Indígena Xukuru vem acontecendo de forma gradual; em parte por conta das revisões e atualizações do levantamento dos imóveis incidentes na área para atender as normas vigentes e, em parte, pelas contestações apresentadas pelos ocupantes não-índios.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Rita de Cássia M. Neves|Rita de Cássia M. Neves]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social e movimento político ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Festa de São João - Vila de Cimbres. Xicão, em destaque, na procissão de São João. Foto: Vânia Fialho, 1990&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/380614-2/xukuru_3.png&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde 1988, quando Francisco de Assis Araújo, o Xicão, assumiu a liderança do grupo, foi constituído um Conselho de representantes das aldeias, composto por 24 indivíduos, convocados pelo cacique e por outras lideranças, como o pajé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo com a organização desse Conselho de Representantes, os Xukuru ainda sentiam dificuldades para tomar algumas decisões mais urgentes. Por esse motivo, quase como conseqüência da complexidade e do tamanho da Terra Indígena, Xicão criou, em 1992, a Comissão Interna, composta de treze lideranças escolhidas por ele e pelo pajé no Conselho de Representantes. A Comissão Interna possui autonomia para discutir e resolver os problemas mais urgentes, sem esperar pela reunião mensal do Conselho de Representantes facilitando a tomada de decisões e permitindo acompanhar os trabalhos com mais regularidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As “retomadas” das terras ocupadas por não-índios foram de grande importância para mobilizar e organizar a comunidade e chamar a atenção de entidades que passam a dar apoio aos índios; tais retomadas são tentativas de travar um diálogo entre os índios e o Estado, entre os índios e a sociedade envolvente, não mais através de um tutor, mas com autonomia até mesmo para ingressar em juízo. Paralelamente a essa mobilização, surgem ainda alguns tipos de organização social que compõem o movimento xukuru de maneira mais ampla: a Associação do Povo Indígena Xukuru, criada em 1991 que, diferentemente de outros grupos indígenas, ainda é a única existente entre eles para representá-los; a Comissão de Professores Indígenas Xukuru (Copixo) que acompanha o processo de estruturação da escola com um currículo diferenciado; o Conselho Indígena de Saúde Xukuru do Ororubá (Cisxo), responsável por fiscalizar e acompanhar ações ligadas à saúde diferenciada; e o Jupago (nome de instrumento utilizado na dança do toré, cujas batidas no chão marcam o ritmo dos passos e dos toantes), denominação dada à organização xukuru voltada para as ações de assistência técnica e extensão rural.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Jovens da Cia de Teatro Mandaru do povo Xukuru do Ororubá, localizado no município de Pesqueira (PE), encenando a peça teatral Mandaru no Reino de Ororubá, no Instituto Cajamar, Cajamar, São Paulo. Foto: Moreno Saraiva Martins, 2007&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/380612-3/xukuru_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os impactos desses movimentos são visíveis nas diferentes esferas de decisão. Outras estratégias começam a ser utilizadas pelos Xukuru para reforçar o poder de sua articulação. Uma delas é a “retomada” das fazendas ainda ocupadas por não-índios; outra é a mobilização dos professores indígenas junto à Secretaria Municipal e Estadual de Educação para efetivar a educação diferenciada indígena. Todas essas medidas implicam num confronto direto com a população não-indígena e com o poder público nos níveis municipais, estaduais e federais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outras ações vêm sendo articuladas pelos Xukuru no campo da arte, envolvendo os jovens indígenas. Esse é o caso do grupo de áudio-visual e de teatro que vêm se destacando com a elaboração de vídeos e peças teatrais que objetivam dar visibilidade ao grupo étnico.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Rita de Cássia M. Neves|Rita de Cássia M. Neves]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Práticas rituais e festas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Antero, velho cacique, mostrando como é a farda usada nos rituais e festejos dos Xukuru. A roupa é feita de palha de milho e o chapéu é feito de palha de ouricuri e fibra de coroá, aldeia  Cana Brava, município de Pesqueira, Pernambuco. Foto: Aderbal Bran&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/380618-4/xukuru_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização política e social dos Xukuru é resultado não apenas das relações que são estabelecidas entre eles e a rede de pessoas com as quais conviveram ao longo de sua história, mas também do seu universo simbólico. Um dos aspectos mais importantes da cosmologia xukuru refere-se à forma como se relacionam com o sagrado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A crença na natureza sagrada faz com que os Xukuru realizem rituais - chamados de pajelança - nas matas, nos lajedos e nos olhos d’água, por considerarem esses locais o espaço onde os caboclos e encantados estão naturalmente presentes. A pajelança pode ser feita por vários motivos, desde a cura de alguma enfermidade até a confirmação, pelas próprias forças da natureza, de alguma liderança política. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os lajedos também são importantes para os Xukuru. Estes são grandes pedras lisas onde se realizam rituais. Além desses lajedos, os Xukuru consideram importantes algumas pedras especiais que são locais de presença dos espíritos encantados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pedra do Dinheiro ===&lt;br /&gt;
A Pedra do Dinheiro se localiza na aldeia Cajueiro, área próxima à aldeia Guarda, em cima de um morro. Possui aproximadamente seis metros de altura e olhando de baixo, dá a impressão de que está solta em cima de três pedrinhas minúsculas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu formato original era o de um cálice. Conta-se que algumas pessoas tentaram dinamitá-la para ver se deslizava, mas nunca conseguiram movê-la, por isso dizem estar ali segura por espíritos da mata. Ainda hoje se vê, em suas proximidades, as lascas de parte da pedra dinamitada. Ela, no entanto, permanece em pé.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Laje do Conselho ===&lt;br /&gt;
Também é chamada de Pedra do Conselho. O seu formato é liso e achatado. Durante a madrugada da festa de São João, é nela que acontece um dos momentos mais importantes em que os Xukuru fazem seus rituais sagrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Laje do Patreká ===&lt;br /&gt;
Considerada sagrada, nela também se realizavam rituais. Atualmente, no entanto, com a expansão da aldeia Cimbres, uma parte dessa laje foi tomada pelas casas, caindo em desuso. Segundo os Xukuru, antigamente essa era a primeira laje que abrigava os rituais da noite de São João. Depois que os Xukuru dançavam Toré, na porta da Igreja, ao redor da vila e em frente à casa paroquial, se dirigiam para a laje do Patreká e, a partir daí, seguiam para as outras lajes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Laje do Crajéu ===&lt;br /&gt;
Esse lajedo se encontra na entrada da aldeia Cimbres. Conta-se que, antigamente, quando os Xukuru subiam a serra para as festas da vila, antes de entrar em Cimbres, eles paravam nessa laje para descansar e iniciar o ritual do Toré. Além de servir como marco inicial das performances nas festas, essa laje também era o momento de parada e descanso, quando os Xukuru traziam algum morto para ser enterrado no cemitério de Cimbres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pedra do Rei ===&lt;br /&gt;
Também chamada de Pedra do Reino. É uma pedra gigantesca que se ergue majestosamente, no alto da serra do Ororubá, na aldeia Pedra D’água. É um dos símbolos sagrados mais importantes e, segundo afirma o livro dos professores xukuru, “na mata, tudo é movido por aquela pedra. (...) Porque aquela pedra é a dona dos sete povos indígenas de Pernambuco. Chama-se Pedra do Rei do Ororubá ou Pedra D’água” (1997). É também, na Pedra do Rei, o local onde o cacique Xicão foi enterrado e onde os Xukuru realizam os rituais da festa de Reis, no dia 06 de janeiro. Hoje em dia, se tornou uma obrigação visitar o túmulo de Xicão. Após a sua morte, outros índios também foram enterrados nesse local. É um espaço sagrado destinado aos guerreiros xukuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
== Reis, Encantados e Divindades ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eh, eh, eh, Orubá&lt;br /&gt;
Tem um Reinado Encantado &lt;br /&gt;
Oi Pisa, pisa, quero ver pisar&lt;br /&gt;
Terreiro dos índios do Ororubá&lt;br /&gt;
(Toré xukuru)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da importante relação com as pedras há na crença xukuru a centralidade da natureza sagrada. Esta se manifesta por meio de um conjunto de divindades que são recordadas em canções entoadas durante as festividades. Reis encantados como Orubá, Canaã e Jericó são evocados nessas ocasiões, assim como são feitas louvações ao Pai Tupã, à Mãe Tamain e ao Senhor São João.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desse grupo de divindades é preciso dar destaque à Mãe Tamain - chamada pelos não índios de Nossa Senhora das Montanhas – uma imagem pequena de Nossa Senhora que se encontra no altar central da Igreja de Cimbres. De acordo com o mito de origem da santa, Tamain foi encontrada na mata pelos Xukuru e, portanto, pertence a eles, não podendo ser manuseada por mais ninguém. Para os Xukuru, Mãe Tamain pertence à própria natureza.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Toré dos Xukuru ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Toré Vila de Cimbres. Foto: Laércio Assis, 1998&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/382762-2/tore.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Toré é um elemento fundamental no sistema cosmológico xukuru. Enquanto manifestação comum entre os índios da região nordeste do Brasil, o Toré possui várias classificações e significados. Entre os Xukuru, não podemos precisar exatamente a época em que se iniciou o Toré, enquanto performance. O que podemos identificar é que os viajantes e pesquisadores que estiveram na Vila de Cimbres, desde o início do século XX, fazem referência à “dança do Toré” que é executada por descendentes indígenas, durante as festividades nessa Vila. O significado do Toré para os Xukuru é polissêmico, ou seja, em alguns momentos, o Toré é um ritual; em outros, uma brincadeira, ou ainda uma dança que integra o ritual.&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/382762-2/tore.jpg&amp;quot; rel=&amp;quot;lightbox[g2image]&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; title=&amp;quot;Toré Vila de Cimbres. Foto: Vânia Fialho, 1998&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do momento em que começou a desintrusão da terra indígena, os Xukuru construíram terreiros sagrados para as performances do Toré. O terreiro é uma clareira aberta na mata. Normalmente, algumas árvores altas e de tronco fino compõem o cenário. No centro dessa área é construída uma espécie de cabana de orações, feita de palha de coqueiro, ou uma gruta, feita de pedras, chamadas de Peji ou trapiche pelos Xukuru. Nelas se colocam panelas de barro com uma bebida, denominada jurema, feita da árvore de mesmo nome, algumas velas acesas e muitas flores que enfeitam o local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação com o sagrado, evidenciada no Toré, se consolida principalmente na figura do pajé, conhecido na literatura antropológica como xamã, mediador entre o mundo dos homens e o mundo dos espíritos. O pajé é o principal mediador no sistema cosmológico Xukuru. Ele responde não apenas pelo aspecto sagrado, mas também participa das decisões políticas, da organização social e principalmente da cura. O pajé detém um poder que se estende, além dos domínios físicos, mas que atua primordialmente na esfera humana; um poder que precede inclusive ao poder do próprio cacique. Nenhuma decisão é tomada sem o consentimento das forças da natureza que se expressam através do pajé. Há cerca de quarenta anos, Seu Zequinha (Pedro Rodrigues Bispo) exerce esse papel entre os Xukuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Calendário anual e o ciclo das festas ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Jovem da Cia de Teatro Mandaru do povo Xukuru do Ororubá, localizado no município de Pesqueira (PE), encenando a peça teatral Mandaru no Reino de Ororubá, no Instituto Cajamar, Cajamar, São Paulo. Foto: Moreno Saraiva Martins, 2007&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/380620-3/xukuru_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Xukuru elaboraram um calendário dos eventos considerados mais importantes. As datas, em sua maioria, referem-se à festas, retomadas de terras e homenagens às principais lideranças. O calendário demonstra também que esses três itens estão intimamente ligados. Festa, luta política e a memória das lideranças assassinadas se entrelaçam no universo simbólico xukuru.  As aldeias possuem festas próprias, como é o caso, por exemplo, da festa de São Miguel (na aldeia Cimbres), porém, no calendário construído pelos Xukuru, apenas três festas são ressaltadas: a festa de Reis, a festa de São João e a festa de Mãe Tamain. São as maiores festas, pois nelas participam os Xukuru de todas as aldeias.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Notas sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
A bibliografia sobre os Xukuru é farta, embora eles só tenham sido estudados com profundidade, no início dos anos noventa do século vinte. O primeiro trabalho teoricamente consistente sobre esses índios foi realizado por Vânia Fialho de Paiva e Souza, em 1992, em dissertação de mestrado de antropologia (UFPE). Vânia Souza fez um trabalho minucioso que, posteriormente, foi publicado em livro: As Fronteiras do ser Xukuru. A partir de sua experiência como antropóloga do Grupo de Trabalho (GT) de identificação e delimitação do território ocupado pelo grupo indígena Xukuru, Vânia Fialho estabeleceu como objetivo de sua dissertação analisar o processo administrativo de identificação da Terra Indígena Xukuru, com seus reflexos no domínio das identidades e da definição de fronteiras étnicas (1998).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1994, Francisco Siqueira produziu uma monografia de especialização sobre associativismo indígena xukuru. Esse trabalho foi apresentado no departamento de Educação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e nele o autor procura demonstrar o modo de organização social Xukuru, através do associativismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outras dissertações foram produzidas sobre os índios Xukuru, na Universidade Federal de Pernambuco. O primeiro trabalho dessa nova geração foi a dissertação de mestrado em Antropologia (1999) de Rita Neves, que versou sobre as festas na Vila de Cimbres (hoje aldeia Cimbres), tanto as indígenas quanto aquelas protagonizadas por não-índios. É um trabalho que procura estabelecer a relação entre os diversos segmentos que viviam na Vila de Cimbres - índios e não-índios - a partir de seu universo mítico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2000, Eliene Almeida produziu uma dissertação de mestrado sobre os Xukuru, no departamento de Educação da UFPE. Seu trabalho discute a educação escolar indígena e a prática pedagógica dos Xukuru na construção de uma política educacional diferenciada. Em 2004, mantendo o mesmo tema da educação, porém com um enfoque sociológico, Heloisa Cavalcanti defendeu dissertação sobre o papel da escola no projeto de sociedade dos Xukuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda na UFPE, em 2003, Vânia Fialho, em tese de doutorado no departamento de sociologia, com o tema do associativismo indígena, analisa sob essa ótica três etnias diferentes: Xukuru, Kambiwá e Pipipã. Em 2004, mais uma dissertação sobre os Xukuru é defendida no departamento de Antropologia. Liliane Souza analisou o modelo etiológico xukuru, a partir de seus especialistas de cura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), duas monografias de término de curso foram apresentadas no departamento de Ciências Sociais (Palitot, 2003) e no departamento de Jornalismo (Oliveira, 2001), respectivamente. A monografia de Estevão Palitot tratou da morte do cacique Xicão e a reconstrução da identidade xukuru. Kelly Oliveira, por sua vez, retomou, em forma de reportagem e a partir de documentos, a vida do cacique Xicão. Oliveira também defendeu dissertação de mestrado (2005) em que discute a organização política dos Xukuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Cláudia Moreira da Silva desenvolveu trabalho de conclusão de Curso em Serviço Social (2004) sobre a participação política dos jovens xukuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais recentemente, em 2005, Rita Neves defendeu tese de doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina sobre performance política dos Xukuru. Edson Silva, em 2008, também defendeu tese na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sobre a história e memória xukuru entre os anos de 1950-1988. Por fim, Hosana Oliveira, em 2009, defendeu dissertação de mestrado na UFPE sobre a organização social xukuru nos espaços de retomada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além desses trabalhos acadêmicos sobre os Xukuru, vários artigos foram publicados por esses e outros autores. Silva (2000, 2002) publicou textos sobre os Xukuru na área de história; o Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF) produziu cartilhas sobre os Xukuru (1997) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), através de seu jornal Porantim, também publicou vários artigos sobre os conflitos desde a morte de Xicão. Os Xukuru também escreveram dois trabalhos importantes sobre sua organização social e religiosa: Xukuru: filhos da mãe natureza, em 1997, e Cadernos do tempo, em 2002. Por fim, vários relatórios técnicos e pareceres elaborados para a Funai e para o Ministério Público contribuíram para compreensão de todo o contexto político que envolve os Xukuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em campos e áreas diferentes, a maioria desses trabalhos seguiu o viés de uma literatura etnológica produzida a partir de trabalhos orientados pelo professor João Pacheco de Oliveira, do Museu Nacional (RJ). São trabalhos sobre os chamados “índios misturados”, revendo posições sobre a problemática do “contato interétnico” e das chamadas “fronteiras étnicas”.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Rita de Cássia M. Neves|Rita de Cássia M. Neves]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de Informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALMEIDA, Eliene Amorim. A Política de Educação Escolar Indígena: limites e possibilidades da escola indígena. (Dissertação de mestrado).  CE/UFPE, Recife, 2001.  &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ATLAS das Terras Indígenas do Nordeste. PETI / PPGAS / Museu Nacional. UFRJ, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BARBALHO, Nelson. Caboclos do Urubá. Biblioteca Pernambucana de História Municipal, v.2. Recife, 1977, 261p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CAVALCANTE, Heloisa Eneida. Reunindo as forças do Ororubá: a escola no projeto de sociedade do povo Xukuru. (Dissertação de Mestrado em Sociologia). Recife: UFPE, 2004.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FIALHO, Vânia. As Fronteiras do ser Xukuru. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana. 1998, 152p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HOHENTHAL, W. (1958). Notes on the Shucurú Indians of Serra de ARAROBÁ, Pernambuco, Brazil. Revista do Museu Paulista. N. S. São Paulo, V. 8. pp. 93 - 166.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MACIEL, José de Almeida. Pesqueira e o antigo termo de Cimbres. Obras completas. Vol. I. Biblioteca Pernambucana de História Municipal, n. 9. Centro de Estudos de História Municipal. Recife, 1980.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NEVES, Rita de Cássia Maria. Festas e Mitos: Identidades na Vila de Cimbres – PE. (Dissertação de Mestrado em Antropologia). Recife: UFPE, 1999.&lt;br /&gt;
    _____. Dramas e Performances: o processo de reelaboração étnica Xukuru nos rituais, festas e conflitos. 2005. (Tese de Doutorado em Antropologia). Florianópolis: UFSC, 2005.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Kelly E. de. Mandaru: Uma Grande Reportagem sobre a História de Vida do cacique Xicão Xukuru (PE). Monografia. (Bacharel em Comunicação).  João Pessoa: UFPB, 2001.&lt;br /&gt;
    _____. Guerreiros do Ororubá: o processo de organização política e elaboração simbólica do povo indígena Xukuru. (Dissertação de Mestrado em Ciências Sociais). João Pessoa: UFPB, 2005.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PALITOT, Estevão. Tamain chamou nosso cacique: a morte do cacique Xicão e a (re) construção da identidade entre os Xukuru do Ororubá. Monografia (Bacharelado em Ciências Sociais). João Pessoa: UFPB, 2003.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PINTO, Estevão. Os Indígenas do Nordeste. São Paulo: Companhia Editora Nacional. 2 vol., 1935-1938.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PROFESSORES XUKURU. Xucuru Filhos da Mãe Natureza: uma história de resistência e luta. ALMEIDA, Eliene Amorim de. [org.]. Olinda: Centro de Cultura Luiz Freire / OXFAM. 1997. 76p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PROFESSORES E PROFESSORAS INDÍGENAS EM PERNAMBUCO. Caderno do Tempo. MENDONÇA, C.L.; BECHARA, C.; ALMEIDA, E. A. e outros (orgs.). Centro de Cultura Luiz Freire: Projeto Escolas de Índio. Olinda, 2002, 63p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS, Hosana Celi Oliveira e. Dinâmicas Sociais e Estratégias Territoriais: a organização social xukuru no processo de retomada. (Dissertação de Mestrado em Antropologia). Recife: UFPE, 2009.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Cláudia Maria Moreira da. Juventude, sociabilidades e participação política: os jovens indígenas Xukuru do Ororubá. Monografia (Graduação em Serviço Social). Natal: UFRN, 2004.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Edson H. Xukuru: memória e história dos índios da Serra do Ororubá (Pesqueira/PE), 1950-1988. (Tese de doutorado em História). IFCH/Unicamp, 2008.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SIQUEIRA, Francisco de Assis. Associativismo Indígena: o povo Xukuru na Serra do Ororubá e suas várias formas organizacionais. Monografia (Especialização em Associativismo), Departamento de Educação. Recife: UFRPE. 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOUZA, Liliane Cunha de. “Doença que rezador cura” e “doença que médico cura”: Modelo etiológico Xukuru a partir de seus especialistas de cura. (Dissertação de Mestrado em Antropologia). Recife: UFPE, 2004.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOUZA, Vânia Rocha Fialho de Paiva e. As Fronteiras de Ser Xukuru: Estratégias e Conflitos de um Grupo Indígena no Nordeste. (Dissertação de Mestrado em Antropologia) Recife: UFPE, 1992.&lt;br /&gt;
    _____. As Fronteiras do ser Xukuru. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana. 1998. 152p.&lt;br /&gt;
    &lt;br /&gt;
    _____. Desenvolvimento e Associativismo indígena no Nordeste brasileiro: mobilizações e negociações na configuração de uma sociedade plural. (Tese de Doutorado em Sociologia). Recife: UFPE, 2003.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VALLE, Sarah Maranhão. A perpetuação da conquista: a destruição das aldeias indígenas em Pernambuco no século XIX. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal de Pernambuco. Recife, 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Filmes'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;XUKURU. Auçuba, 1992. Direção: Verônica Barreto; Roteiro e edição: Ricardo Paiva, Câmera: Gustavo Silva, Argumento: Vânia Fialho. 17min.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;XICÃO XUKURU. TV Viva. 1999. Direção Nilton Pereira. 20min.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;POVO XUKURU: perseguições e resistência. 2007.  Produção Antônio Carrilho. 21min.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;XICÃO XUKURU. 2007. Cabra Quente Produções&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;XUKURU ORORUBÁ. Produção Marcília Barros, BA, digital, P&amp;amp;amp;B;, 15min, 2008&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Rita de Cássia M. Neves|Rita de Cássia M. Neves]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Xukuru}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Vânia Fialho}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Rita de Cássia M. Neves}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=1833891014af96a18538db.JPG}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=41058}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Moreno Saraiva Martins, 2007}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2009-11-01}}&lt;br /&gt;
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{{#set:Povo Id=315}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Pernambuco]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Pipip%C3%A3&amp;diff=6287</id>
		<title>Povo:Pipipã</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Pipip%C3%A3&amp;diff=6287"/>
		<updated>2018-08-10T21:05:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Constituem uma das etnias historicamente habitantes da Serra Negra, vizinhos dos [[Povo:Kambiwá | Kambiwá]], que também tem a Serra Negra como território tradicional e sagrado. O território Pipipã está situado no município de Floresta, Pernambuco, e em 2005 tiveram início os estudos para identificação e demarcação da Terra Indígena Pipipã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Para o povo Pipipã a Serra Negra é um lugar de destaque na cosmologia do povo e é constituída a partir de vários espaços sagrados, entre eles: o Pau Oco da Serra, o Pau Ferro Grande, o Pé de Coité, a Pedra da Espia, o Pau d’Alho, a Mata do Ventador (ARCANJO, 2003). Por ser este bem simbólico e material a Serra Negra é referência da territorialidade tanto do povo Pipipã, como do povo Kambiwá, uma área historicamente pleiteada por estes dois povos.&amp;quot; (Fortes &amp;amp;amp; Arcanjo)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h5&amp;gt;Esse verbete é um esboço. Você pode contribuir com informações, imagens ou outros materiais &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/fale-conosco&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;falando conosco!&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/h5&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
Segundo Patrícia Fortes e Jozelito Arcanjo, &amp;quot;para os Pipipã, o Pajé é a principal liderança sem carecer necessariamente do cacique. Apesar disso, a organização social dos Pipipã, segue o modelo imposto pela Agência oficial do Estado, desde a década de 1920, estruturada a partir das funções que são desempenhadas pelos indígenas no interior de sua comunidade, assim classificadas: o cacique que tem uma função político-administrativa junto ao povo; o Pajé, profundo conhecedor dos costumes do povo, atua nos processos de mobilização, articulação, organização e das expressões da tradição, da cura e dos rituais dos Pipipã, através dos poderes políticos e do poder da tradição de que é investido. Junto às estas duas lideranças atua o Conselho Tribal, formado por representantes das aldeias; um Conselho de Saúde e a Associação comunitária: Pau Ferro Grande dos Índios (Arcanjo, 2003). O Conselho Tribal, como na maioria dos povos indígenas no Nordeste, é composto por lideranças eleitas de cada aldeia.&amp;quot; (Fortes, sem data)&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Festas e rituais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''Extraído de ARCANJO, Joselito. TORÉ E IDENTIDADE ÉTNICA: OS PIPIPÃ DE KAMBIXURU (Índios da Serra Negra), 2003.'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Limpeza do terreiro ===&lt;br /&gt;
É um ritual de proteção que antecede a abertura do Aricuri, realizada pelo Pajé e por um grupo de iniciados. Consiste na coleta de folhas/palhas de ouricuri para serem cravadas nas extremidades do terreiro; faz parte do trabalho de Limpeza do terreiro para o início do Aricuri.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
=== Aricuri ===&lt;br /&gt;
Ritual que acontece uma vez por ano, muitos Pipipã a ele se referem como “nossa festa”. Inicia-se no dia 10 de outubro e se estende até o dia 20 do mesmo mês. O Pajé é o seu principal articulador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Aricuri é vivido pelos Pipipã como uma expressão maior de sua religiosidade. Consiste no afastamento das ações do cotidiano de dentro da aldeia para um isolamento dentro da mata na Serra Negra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na maioria das casas, durante o período ritual, há poucas pessoas para cuidar dos animais domésticos, e elas se revezam com as que estão na Serra.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
=== O Encruzamento das crianças ===&lt;br /&gt;
É uma espécie de “batismo” no Aricuri, portanto, um ritual de iniciação. A partir dele, o Pajé busca, pela ciência, identificar seus iniciandos.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
=== O Dia das Crianças ===&lt;br /&gt;
É uma celebração realizada durante o período do Aricuri, no dia 12 de outubro, pela manhã. Consiste na realização de uma Dança do Toré em que participam somente as crianças. Toda comunidade ritual assiste e em seguida é servida a comida ritual, as crianças são servidas em primeiro lugar.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
=== O “Panteão de Encantados” ===&lt;br /&gt;
Os Encantados são “espíritos de índios que não morreram, mas abandonaram voluntariamente o mundo por “encantamento”, passando a compor o panteão virtualmente indeterminado de espíritos protetores de cada grupo” (Arruti,1999:255), os quais, através dos rituais, dos sonhos e da Dança do Toré, remetem o povo ao contato com os seus antepassados.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FORTES, Patrícia. &amp;amp;amp; ARCANJO, Jozelito. ''Verbete Pipipã''. Núcleo de Estudos e Pesquisa Sobre Etnicidade/ NEPE. &amp;amp;lt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.ufpe.br/remdipe/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=376&amp;amp;amp;Itemid=266&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.ufpe.br/remdipe/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view;=article&amp;amp;amp;id;=376&amp;amp;amp;Itemid;=266&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;amp;gt; Acessado em 14/11/2013.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Pipipã}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=19876488565294e475afe85.png}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=9474}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2013-11-18}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=escuro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=334}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Pernambuco]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Pankararu&amp;diff=6286</id>
		<title>Povo:Pankararu</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Pankararu&amp;diff=6286"/>
		<updated>2018-08-10T21:04:57Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A exemplo de quase todos os grupos indígenas do Nordeste brasileiro, a história Pankararu remete a políticas públicas e ação missionária implementadas desde o início da colonização portuguesa, que incluíam deslocamentos e aldeamentos forçados, impondo a convivência e a posterior indiferenciação de etnias diversas na região. Seus direitos fundiários não foram respeitados no reconhecimento oficial da Terra Indígena Pankararu. Apenas em 1999, depois de anos de reivindicação, o processo de ampliação dessa terra foi iniciado, mas ainda não está concluído. Assim como os outros povos do Nordeste, o principal emblema da cultura Pankararu consiste no sistema ritual do Toré e no culto aos Encantados a ele associado.&lt;br /&gt;
=== Contato direto ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acompanhe a produção dos Pankararu e de outros grupos na web em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://indiosonline.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://indiosonline.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e histórico da TI ==&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3787&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Pankararu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, homologada em 1987, está localizada entre os atuais municípios de Petrolândia, Itaparica e Tacaratu, no sertão pernambucano, próximo ao rio São Francisco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua forma é a de um quadrado perfeito e corresponde à memória que os Pankararu mantêm da doação imperial de uma sesmaria à missão religiosa que aldeou seus antepassados durante os séculos XVIII e XIX. A única notícia oficial da presença de um aldeamento religioso no local, do qual não há o registro de fundação, diz respeito à sua extinção, em 1878.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde os primeiros registros do &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/o-servico-de-protecao-aos-indios-(spi)&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Serviço de Proteção ao Índio (SPI)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, na década de 1930, as terras reivindicadas pelos Pankararu correspondem a &amp;quot;uma légua em quadra&amp;quot;, delimitada em 14.290 hectares. Quando da primeira intervenção local do órgão indigenista, em 1940, no entanto, os limites da terra reivindicada não foram respeitados. No trabalho de demarcação, o funcionário responsável reduziu aquele quadrado em meia légua nos seus eixos leste e norte, transformando os mais de 14.000 hectares iniciais nos 8.100 hectares oficialmente reconhecidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Pankararu intensificaram então os conflitos fundiários com posseiros não-indígenas que habitavam a porção sudoeste da área reconhecida. Ambos passam a reivindicar a decisão da justiça no reconhecimento de seus direitos e a situação permanece nessa dualidade, pontuada por conflitos, até 1984, quando é organizado um Grupo de Trabalho (GT) da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt; para realizar uma revisão da área Pankararu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O relatório resultante do GT de 1984 propõe ao órgão corrigir a diminuição realizada na área pretendida em 1940, abarcando todo o quadrado maior, com exceção de um pequeno trecho na sua face leste, na qual foi feito um corte para deixar de fora a cidade de Tacaratu, elevando o tamanho para 14.294 hectares. Com relação à área em litígio no vértice sudoeste, o GT realiza o levantamento fundiário das posses, com fim à desapropriação dos &amp;quot;invasores&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa proposta, no entanto, é recusada no Ministério da Agricultura e, num acordo com as lideranças indígenas (cacique, pajé, presidente da associação comunitária), troca-se o acréscimo da área ao norte e ao leste pela promessa de imediato &amp;quot;desintrusamento&amp;quot; do antigo trecho em litígio. Em 1987, a mesma área demarcada pelo SPI é então homologada, agora pela Funai, sem que a promessa de &amp;quot;desintrusamento&amp;quot; fosse cumprida. Apenas em 1993, por força de uma ação civil pública movida pela Procuradoria da República contra a União, Funai e Incra, a Justiça decide-se pela retirada de doze famílias de posseiros, identificados como suas principais lideranças, na tentativa de viabilizar as demais retiradas. Esses posseiros, no entanto, recorrem e ganham a suspensão da decisão, voltando a situação à mesma indefinição anterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Complexificando esse quadro, lideranças do grupo de posseiros argumentam existirem famílias descendentes de seus ancestrais casadas com indivíduos Pankararu e hoje consideradas indígenas, da mesma forma que existiriam muitas famílias de posseiros descendentes de índios, mais frequentemente de índias, casadas com não-índios e transferidas para fora do que hoje são os limites da área indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1999, a área restante à extensão homologada foi submetida a um novo processo de identificação sob o nome de Terra Indígena Entre Serras e em 2007 foi homologada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ambiente e economia ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Formação geográfica designada pelos Pankararu como&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226148-1/pankararu_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um pequeno brejo, formado pela vaga aberta em meio aos últimos contrafortes da Serra de Tacaratu (mais conhecida pela população local como Serra Grande), ganha a forma de um anfiteatro, com sua cabeceira à leste abrindo-se no sentido oeste em direção às margens do São Francisco. Este pequeno &amp;quot;oásis verdejante&amp;quot;, que serviu para a localização do aldeamento de Brejo dos Padres, é um ponto avançado do agreste em plena área sertaneja, contrastante com a paisagem em torno, marcada por uma pecuária ultra-extensiva e articulada, até meados do século XX, a uma agricultura de subsistência em geral pouco expressiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mudanças de infra-estrutura decorrentes da instalação das UHE de Paulo Afonso e Itaparica na década de 1980 e mesmo antes, quando das frustradas tentativas de irrigação das margens do São Francisco pelo DNOCS na década de 1930, atenuam o contraste entre o Brejo e seus arredores, onde se sucedem cidades e áreas de irrigação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na seção central da Terra Indígena encontramos uma terra bastante úmida e escura, alimentada por quatro fontes d'água que nascem na cabeceira dos contrafortes e que, antes das obras de canalização realizadas ao longo da década de 1990, formavam um pequeno rio que escorria até a estreita saída desse anfiteatro, procurando desembocar, quando a seca permitia, no São Francisco. Uma região rica em fruteiras, em especial as mangueiras, goiabeiras e pinhas, que podem complementar a renda familiar de seus moradores em épocas menos secas. Como a qualidade do solo permite plantar de tudo, desde o milho e os diferentes tipos de feijão até a cana, introduzida ali em inícios do século XIX, e que por muito tempo alimentou pequenos engenhos de índios, não-índios e do &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/o-servico-de-protecao-aos-indios-(spi)&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;SPI&amp;lt;/htmltag&amp;gt; na fabricação de &amp;quot;mel&amp;quot;, garapa e rapadura.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia pankararu segurando pote de barro de fabricação local destinado ao transporte de água. Foto: José Maurício Arruti, 1994.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226157-1/pankararu_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ultrapassando esses contrafortes, a paisagem muda bastante. Não existe mais a proteção natural que permite a concentração e precipitação das poucas nuvens que chegam do litoral, e a secura quase permanente torna a terra branca, arenosa, quando não dura e pedregosa. Na seção sul, a encosta da serra desce de uma única vez, em curvas de nível largas que formam pastos naturais. Duas fontes d'água hidratam um estreito trecho dessa seção, umedecendo a pequena depressão que depois volta a elevar-se, seguindo três ou quatro quilômetros secos até as bordas da área. Nesta parte regada, cerca de um terço de toda a seção, planta-se feijão e milho, ficando os dois terços de encostas restantes dedicados à mandioca. Sua importância para os Pankararu está no papel que essa região desempenha, pois além de reserva de madeira, é também onde floresce o umbu, fruta natural da região, quase um símbolo étnico, central na mitologia de suas festas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do lado externo à área homologada, ao norte dos contrafortes, a serra não desce de uma única vez, mas desenha degraus e muitas valas que chegando ao seu ponto mais baixo voltam a subir, formando uma espécie de estreita &amp;quot;barriga&amp;quot; antes de dar continuidade ao contraforte. A forma acidentada dessa seção dificulta muito a agricultura, tornando-a plenamente utilizável apenas para a mandioca, ainda que seus moradores nunca percam a oportunidade de plantar os tradicionais feijão e milho. Por outro lado, torna-a rica em estreitas e altas formações rochosas, às vezes de aspecto imponente, conhecidas como &amp;quot;serrotes&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta seção não há nenhuma fonte d'água natural, o que faz com que seus moradores dependam quase exclusivamente das chuvas, que são complementadas, com dificuldade, por caminhões-pipa que eles mesmos pagam ou que, próximo às eleições, são fornecidos pelo poder público. Na ausência desses dois recursos, o cotidiano é feito das &amp;quot;carradas&amp;quot; de potes d'água entre a serra e o Brejo, no lombo do jegue ou na cabeça de mulheres e crianças, que assim começam os seus serviços matinais às 4:00 e os terminam às 7:00, depois de duas viagens. Tendo em conta o desenho jurídico, essa seção da terra Pankararu fica em grande parte fora da área homologada em 1987 e dentro da identificada em 1984.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== As aldeias e as cidades ===&lt;br /&gt;
Cortando essas aldeias e ligando todas entre si, desce o pequeno riacho que nasce na cabeceira do Brejo e o percorre até a cidade de Itaparica, enquanto paralelo a ele sobe a estrada que vem de Itaparica, “cidade livre” e Petrolândia, e que termina no centro quase exato da área indígena. Por ser cortada pela maior e mais movimentada via de acesso à área, é nessa seção que se concentram as residências em forma de arruamento, com pouco espaço para plantio constante e apenas o suficiente para pequenas hortas e para as antigas áreas de pomar, onde floresce grande número de fruteiras que no verão complementam a renda das famílias. Associado a essa falta de terrenos de plantio, é nessa seção que mora a grande maioria dos índios que trabalham nas cidades próximas ou como &amp;quot;meeiros&amp;quot;, diaristas ou rendeiros de outros índios, dos posseiros, ou de proprietários vizinhos à área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na seção sul, as terras são usadas na maior parte para pasto, mas existem trechos, em especial os que ficam próximos à concentração das fontes nascentes (e onde estão os mais repartidos e povoados: Tapera, Brejinho dos Correias e Carrapateira) que têm se mostrado bons para o plantio, atraindo índios das outras seções. Essa região tem uma ocupação recente, que remete no máximo à década de 1940, servindo hoje como área de expansão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seção norte é composta por um caótico roteiro das curvas de nível de um trecho encravado num estreito vale, mas também e ainda que com uma área equivalente às outras duas, possui quase o dobro de repartições, mas uma densidade menor que a seção central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A instalação do posto indígena em 1940 deu-se na seção central e ecologicamente privilegiada, o Brejo, acrescentando aos seus atributos ecológicos o de sede do órgão tutelar e, progressivamente, o de sede política, até então inexistente. Isso, por sua vez, tornou-a a seção privilegiada na ordem de surgimento e concentração dos prédios públicos, basicamente escolas e farmácias, assim como da assistência mais próxima e constante da ação tutelar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As outras seções também vieram a ser atendidas com prédios públicos e serviço de assistência, mas ficaram sempre em segundo plano na ordem das implantações e no número de estabelecimentos e de funcionários. Essa desigualdade de recursos nas diferentes seções, até mesmo em função da diferença de concentração populacional, durante muito tempo não ofendeu a paridade relativa entre as aldeias distribuídas por todo o &amp;quot;círculo&amp;quot;. No entanto, na década de 1980, uma série de mudanças regionais afetaram esse equilíbrio local, acentuando as diferenças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Novos recursos ===&lt;br /&gt;
Nos anos 1980, uma série de recursos e financiamentos especiais passaram a afluir à região pela iniciativa governamental, interessada em minimizar a oposição à construção da barragem da UHE Itaparica, em especial através da atuação da EMATER. Foram realizados relatórios de avaliação do impacto social das barragens que deram maior visibilidade aos Pankararu e a outros grupos indígenas próximos, em especial os Tuxá. Além disso, a imprensa regional dirigia a atenção para o local, marcado pelas paralisações nas obras da barragem realizadas pelos sindicatos. Tudo isso fez com que a região ganhasse interesse também para a ação de órgãos assistencialistas, como a LBA e diferentes tipos de agências não-governamentais, que iam do Lions Club ao Cimi (Conselho Indigenista Missionário).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa mudança de conjuntura possibilitou à &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt; propor uma série de projetos econômicos e culturais que então eram canalizados para os postos indígenas da região e que tinham na origem de seus recursos programas governamentais mais amplos, como o Programa de Integração Nacional (PIN), o Programa de Apoio ao Pequeno Produtor (PAPP), o Polonoroeste etc. Somam-se a essas ainda as mudanças que atingiram o campo indigenista no Brasil na década de 1990 e conferiram à região Nordeste uma nova visibilidade, atestada pela atenção das antigas agências ou pela criação de novas, na própria região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em todos esses casos, no entanto, o ponto de referência para a atuação dentro da área indígena Pankararu é sempre o Brejo dos Padres, local de maior concentração populacional e onde se encontra localizado o posto indígena. Transporte fácil, água encanada e distribuída por caixas d'água públicas, luz gratuita e recursos sociais variados, como creche, casa de farinha coletiva, centro de produção artesanal, clube e um pequeno caminhão, todos surgidos ao longo da década de 1980, marcam hoje uma diferença grande entre o &amp;quot;Brejo&amp;quot; e as outras duas seções, em especial no que diz respeito à seção norte, onde a falta desses recursos se soma às desvantagens de suas geografias jurídica e ecológica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Boa parte desses recursos surgidos na década de 90 não têm origem nem são mediados pela Funai, mas são alcançados diretamente pelas lideranças indígenas, em mais uma das variações do que chamamos de “busca dos direitos”. Com a ampliação do número de agências governamentais e não-governamentais na região foi possível ampliar ainda mais a noção de “direitos” e o campo de atuação das “lideranças peregrinas” [ver item “História”]. As viagens que passam a ser feitas, então, apesar de estarem sempre vinculadas ao conflito fundiário, não buscam mais exclusivamente soluções fundiárias, nem apenas os empregos na Funai, mas também o apoio de outras agências na forma de projetos de desenvolvimento comunitário, ou de auxílio a &amp;quot;pequenos produtores&amp;quot;. Um número relativamente grande de lideranças passa a participar das viagens em busca dos novos “direitos”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas mudanças se impuseram com o trânsito entre essas novas agências de assistência. Uma delas, e talvez uma das mais importantes, foi o surgimento das “associações comunitárias”, que passaram a ser a interface legal nas transações de transferência de verbas e de realização de convênios entre agências de apoio e grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Igreja de Nossa Senhora da Saúde, no centro geográfico e político do Brejo dos Padres. Foto: José Maurício Arruti, 1994.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226160-1/pankararu_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde o início da década de 1920, os Pankararu, por meio de suas relações com os [[Povo:Fulni-ô | Fulni-ô]], haviam estabelecido contatos com o Padre Alfredo Dâmaso – que passaria a apoiá-los em reivindicações fundiárias desde os primeiros contatos, recomendando-os a autoridades militares de Paulo Afonso (BA), que, nessa época, era a principal cidade das redondezas, onde os Pankararu freqüentavam a feira semanal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas foi na cidade de Águas Belas, em 1935, que o pesquisador Carlos Estevão de Oliveira toma contato com um Pankararu e em seguida faz sua primeira viagem ao Brejo dos Padres. Dois anos depois, profere palestras divulgando a existência do grupo. Então, o Ministério da Guerra, ao qual o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/o-servico-de-protecao-aos-indios-(spi)&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;SPI&amp;lt;/htmltag&amp;gt; estava subordinado, envia ao local um funcionário para uma primeira avaliação. Os trabalhos não teriam continuidade até que, três anos mais tarde, depois transferência do SPI para o MAIC (Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio), o órgão instalasse um posto indígena no Brejo dos Padres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época, já existia um circuito de trocas entre comunidades hoje reconhecidas como indígenas que poderíamos descrever segundo dois modelos, as'' viagens rituais'' e de fuga, que parecem ser desdobramentos de um padrão de mobilidade ainda anterior. As viagens rituais consistiam no trânsito temporário de pessoas e famílias entre as comunidades, marcado por eventos religiosos, que podem corresponder ou não a um calendário anual. As ''viagens de fuga'' eram migrações de grupos familiares em função das perseguições, dos faccionalismos, das secas ou da escassez de terras de trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Pankararu, a cidade de Rodelas, e “os rodelas”, atuais Tuxá, eram uma referência permanente de suas viagens, antes da construção das usinas hidroelétricas que bloquearam o canal desse fluxo de pessoas. Os Pankararu mantinham contatos também com outros grupos, de outros pontos do São Francisco, como os Fulni-ô e, menos freqüentemente, os Kambiwá. Sua relação com os Pankararé e com os Jeripancó era ainda mais estreita, no caso dos primeiros, em função da memória de uma origem comum, no caso dos segundos, porque estes seriam uma parte desgarrada do Brejo dos Padres, fruto destas ''viagens de fuga'', justamente no momento de maior expropriação das terras do antigo aldeamento de Brejo dos Padres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dessa forma, as viagens ligavam grupos, de origens diferentes ou não, por laços de afinidade e parentesco na produção de uma ''comunidade ritual'' mais abrangente e em expansão, levando à constituição de circuitos abertos de trocas de homens, informação e cultura. Tais circuitos entre os índios do Nordeste também formaram uma comunidade de problemas (o'' gado sobre as roças surge em todos os relatos e a expropriação das terras de antigos aldeamentos em quase todos'') e memórias comuns.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais circuitos rituais e de fugas encontram correspondência em viagens historicamente anteriores, que marcaram a situação histórica dos aldeamentos indígenas ao longo do São Francisco. Os grupos da região sempre mantiveram forte resistência ao assentamento em um único local, de forma que lhe fosse tolhida a perambulação por entre aldeias e grupos vizinhos e o empreendimento colonizador levou muito tempo para reduzir esta mobilidade. O fato de terem sido reunidos em aldeamentos comuns, adaptados à cultura agrícola e introduzidos numa estrutura de poder fixa, não significou o imediato rompimento com essa forma de viagens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À diferença dos aldeamentos construídos pelos próprios sesmeiros da região, como forma de ocupar largos trechos de terras e livrar seu gado do assédio de grupos indígenas &amp;quot;brabos&amp;quot;, as Missões tendiam a ser organizadas de uma forma mais regulada. O padrão de mobilidade daquelas populações étnicas pode, portanto, ser buscado em formas culturais nômades anteriores aos aldeamentos, mas também corresponde a um dos efeitos específicos da dinâmica de territorialização dos próprios aldeamentos, quando estes, a fim de maximizar sua administração, juntavam e repartiam grupos de diferentes origens, criando, com isso, laços entre aquilo que os missionários e outros administradores concebiam como unidades administrativas estanques.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Lideranças peregrinas ===&lt;br /&gt;
Um outro gênero de ''viagens'' característico da história Pankararu são as viagens de lideranças dessas comunidades à capital de Pernambuco e até mesmo ao Rio de Janeiro, em ''busca dos direitos'', que têm origem como resposta ao último momento das políticas de expropriação territorial, que levou também à extensão oficial dos aldeamentos. Essas viagens passam a ser uma marca da luta indígena do período compreendido entre o último quarto do século XIX e o primeiro do séc. XX, servindo também como modelo a partir do qual se conformarão as alterações nos arranjos de autoridades internos àqueles grupos depois do advento do SPI na região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século XIX parece assistir à passagem dos pedidos de missionários em favor dos índios, para pedidos dos índios em seu próprio nome, por meio de petições ao Imperador ou de viagens que realizavam a fim de vê-lo pessoalmente. As comunidades indígenas passam a ver nas viagens aos centros de autoridade, capazes de as conectar aos poderes extralocais, o único recurso para a conquista ou garantia de seus domínios territoriais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não é no vazio, portanto, que surgem, desde o início do século XX, as viagens de representantes da comunidade de Brejo dos Padres às cidades vizinhas, na busca de proteção contra o gado dos fazendeiros que invadia suas roças. A década de 1930, aparentemente sob o impacto dos programas do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), amplia a presença de poderes extralocais na região, produzindo novos centros de autoridade. Mas é na cidade de Bom Conselho que, apesar de não apresentar qualquer papel regional destacado, a presença do Pe. Alfredo Dâmaso e o seu apoio às demandas de grupos de remanescentes criaram um centro de autoridade que passa a substituir outros possíveis centros, até então ineficientes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse circuito, a importância que passa a ter a cidade de Bom Conselho deriva do seu papel de ponto de convergência de dois circuitos rituais, pois seu pároco tinha no seu roteiro de serviços espirituais a cidade vizinha de Águas Belas, onde se localizam os Fulni-ô, mais um dos pontos do circuito de trocas rituais dos Pankararu, [[Povo:Xukuru | Xukuru]], Xukuru-Kariri, Tuxá, Kambiwá e outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As demandas dos caboclos do Brejo dirigidas ao Pe. Dâmaso inicialmente não falavam na criação de qualquer área de exclusividade que distinguisse entre aqueles que eram ou não eram índios. A memória de uma ancestralidade indígena servia como fiadora dos direitos que sabiam ter sobre as terras, mas não implicava desde o início na pretensão de uma delimitação formal, subordinada a uma unidade identitária e política. A referência não era um território, mas posses de uso familiar. Não existia um perímetro circundando um território abstrato de uso coletivo (ainda que se conhecessem os marcos do antigo aldeamento), mas a terra sobre a qual se investia um trabalho social, de base familiar e sobre a qual havia um domínio não legal, mas hereditário. Era desse domínio que sabiam estar sendo expropriados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É apenas depois da entrada do SPI em Águas Belas e do reconhecimento dos Fulni-ô como remanescentes indígenas com direitos a um território, que essa visão do domínio da terra mudará de natureza, potencializando a memória de uma posse coletiva ancestral. Aqueles que viajavam em busca de apoio na defesa de suas posses passam então a viajar em busca do direito a seus territórios como “remanescentes”. Isso repercute sobre todos os aspectos da vida da comunidade, desde sua relação com a memória, até o seu arranjo interno de autoridades, em que passam a ocupar um lugar diferencial justamente aqueles que eram responsáveis pela busca dos direitos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O toré como emblema de indianidade ===&lt;br /&gt;
O quadro ideológico e estratégico do SPI foi formulado com vistas a sua atuação junto a grupos indígenas ainda não integrados, muitas vezes arredios, beligerantes, que era preciso localizar e seduzir através de tradutores e de presentes, em operações “heróicas” representadas pela máxima formulada por Rondon: “morrer se preciso for, matar nunca”. Esses não eram procedimentos que se adequassem ao contato com índios do Nordeste. O SPI antes de procurar, estava sendo procurado, antes de convencer, tinha que ser convencido, antes de utilizar mediadores era alcançados por eles, que serviam de “porta-vozes” dos “remanescentes”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O inspetor regional do SPI, Raimundo Dantas Carneiro, frente ao avanço indígena e acompanhando a sugestão presente nos textos de Carlos Estevão de Oliveira, institui a performance do Toré como critério básico do reconhecimento da remanescência indígena, tornado então, expressão obrigatória da indianidade no Nordeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A instituição do Toré como expressão obrigatória da indianidade cria um nexo de outra natureza entre os dois circuitos de viagens de que já tratamos. De agora em diante um circuito levará ao outro, não eventual ou acidentalmente, mas necessariamente, já que a troca ritual é transformada em pressuposto da conquista de direitos. É também a conexão entre esses circuitos que permitirá às lideranças peregrinas assumirem um papel político ainda mais largo do que aquele que já desempenhavam como representantes de sua comunidade. Além de realizarem o trânsito de informações sobre os direitos entre os centros de autoridade e seu grupo, passam a atuar como os agentes que disseminarão as regras da expressão obrigatória da indianidade. Agregam à comunidade ritual prévia uma comunidade da busca por direitos, que estará ligada ao isolamento, descontextualização e padronização de um dos seus rituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os posseiros e as “linhas” ===&lt;br /&gt;
Os Pankararu descrevem como um golpe dado pelos poderes locais a repartição das melhores terras, isto é, as terras do &amp;quot;Brejo&amp;quot;, em linhas de lotes distribuídos entre não-índios, que por isso passaram a ser conhecidos como &amp;quot;linheiros&amp;quot;. Parte dos índios teria fugido imediatamente para outros locais e parte teria se refugiado nas serras. Deste segundo grupo, uma parcela teria começado a descer das serras e retomar as terras expropriadas através de alianças com o invasor, na forma de casamentos, relações de trabalho ou da pura submissão, enquanto uma segunda metade, irredutível, trocava as facilidades ecológicas do Brejo por uma irredutibilidade étnica e moral. Por isso, para muitos Pankararu, as famílias expulsas do centro seriam as mais “puras” e as do Brejo, as mais “misturadas”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando em 1987 a Funai vai rever as dimensões da área, com base nos trabalhos de identificação realizados em 1984 [ver item Localização e histórico da TI], é com esse grupo de lideranças do Brejo que são realizadas as negociações. O trabalho do Grupo Interministerial de 1984 tinha evidenciado o erro na demarcação de 1940 e propunha a correção da área para os 14.290 ha reivindicados historicamente pelo grupo, mas ao negociar uma solução para a rápida homologação da área, que estava sendo exigida pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o órgão propõe, numa reunião em que se encontravam apenas as lideranças do Brejo, manter a área original em troca da promessa de acelerar a retirada dos posseiros da fronteira oeste da seção central. Foi o fechamento deste acordo, que as lideranças da seção norte da TI só ficaram sabendo mais tarde, através de uma notícia de jornal onde aparecia a foto das lideranças ao lado dos funcionários da Funai, que deu uma natureza sísmica ao já existente faccionalismo ritual e mítico entre os grupos Pakararu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os Pankararu na Funai ===&lt;br /&gt;
Na década de 1990, inaugurou-se uma nova fase no relacionamento dos índios da região com a Funai, quando cargos de chefia passaram a ser ocupados por “filhos da aldeia”. Se, a princípio, esses chefes filhos da aldeia poderiam significar um ganho político dos grupos indígenas na conquista da plena gestão de seus próprios negócios, o que se observa é o discurso e a prática desses jovens, presos às dualidades, por um lado, da relação tutelar e, por outro, do faccionalismo interno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um chefe de posto indígena é, em parte, tutor e em parte tutelado, sem que uma dessas posições elimine a outra, como poderia sugerir o significado mais elementar do termo. No seu discurso, o “índio” aparece alternadamente na terceira e na primeira pessoa e a sua relação com o cargo é tanto de poder, quando exerce sobre a população uma autoridade e um governo cuja origem está fora dela, quanto de dependência, já que se vê obrigado por essa posição a maximizar as ações do órgão em favor do grupo, sem que isso esteja, na maioria das vezes, ao seu alcance. Por outro lado, se é a figura capacitada a fornecer a maior representatividade ao grupo, está definitivamente preso às relações de autoridade familiares, a que deve obediência, sendo antes de tudo e, em parte à sua revelia, instrumento da luta faccional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Pankararu em São Paulo ==&lt;br /&gt;
Os Pankararu de Real Parque, na zonal sul da cidade de São Paulo, formam um grupo estimado em torno de 1.500 pessoas, que ocupa parte da favela de mesmo nome no bairro do Morumbi, no município de São Paulo. Esse grupo tem origem na intensificação do fluxo de deslocamentos de trabalhadores do Nordeste para as grandes cidades do Sudeste a partir da década de 1940. O trabalho, na maioria dos casos, era nas equipes de desmatamento da Cia. de Luz do Estado e, inicialmente era agenciado por “gatos” que iam buscá-los na própria aldeia, para entregá-los, em lotes, aos “empreiteiros” das obras. A sucessiva elevação de um desses trabalhadores ao papel de “gato” e mais tarde de empreiteiro da obras de desmatamento da Cia. de Luz, acabou acarretando um fluxo direto e constante entre o Brejo dos Padres e São Paulo nas décadas de 1950 e 1960. Em pouco tempo São Paulo tornou-se uma referência para todo o grupo, que tem lá filhos e irmãos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inicialmente era um fluxo apenas de homens, que saíam da área indígena para trabalhar curtos períodos em São Paulo, como forma de reequilíbrio do orçamento doméstico em ano de seca ou em situações emergenciais. Sem se integrarem à cidade, voltavam sempre que as necessidades imediatas já tivessem sido cobertas ou quando se anunciasse um bom inverno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da segunda geração de Pankararu trabalhadores em São Paulo, no entanto, que coincidiu aproximadamente com a idade adulta das primeiras gerações de crianças alfabetizadas pelo posto indígena, as mulheres intensificam suas viagens e aparentemente passaram a servir de base para permanências mais estáveis. A cada núcleo familiar instalado lá, tornava-se mais fácil e provável que novos jovens percorressem o mesmo caminho, fazendo com que essas viagens assumissem um caráter sistemático e familiar. O fato de construírem uma base espacial relativamente homogênea, logrando reproduzir uma organização política e ritual, diminuiu os custos materiais e afetivos dessas migrações, permitindo uma efetiva reterritorialização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 26 de julho de 1994, o jornal Notícias Populares de São Paulo abria a primeira página do caderno &amp;quot;Plantão NP&amp;quot; com a manchete “Índio eliminado na favela - Fugiu da tribo para morrer em São Paulo”. Ao lado da manchete, era estampada a foto do corpo ensangüentado de um índio de 20 anos. O texto explicava que, apesar de estarem ali porque os grandes fazendeiros haviam invadido suas terras em Pernambuco, os índios continuavam realizando seus rituais e conversando “em sua língua nativa, o Iatê”. Duas semanas depois, o jornal Folha de São Paulo dedicava uma página inteira para comentar a inusitada existência de uma tribo indígena em pleno Morumbi, que tinha criado uma &amp;quot;rede de solidariedade&amp;quot; na favela e que se reunia todas as semanas, sob o comando do pajé da favela, para rituais de Toré, que era comparado ao candomblé. Uma semana depois, o assunto teria uma página inteira do jornal Diário de Pernambuco, sob o título “Pankararus que trabalham em São Paulo estão sendo dizimados pela violência urbana”, em que também se registrava que o assassinato teria sido matéria do telejornal Aqui Agora, do SBT.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a visibilidade que adquire então a presença indígena na favela Real Parque, suas lideranças passam a emancipar-se do discurso das lideranças do Brejo e a reivindicar a criação de sua própria aldeia em São Paulo. A idéia, entretanto, não foi bem recebida nem pelas lideranças do grupo em Pernambuco, nem pela Funai. Estava em jogo, entre outras coisas, o estatuto das viagens a São Paulo. As reivindicações fundiárias e os projetos de desenvolvimento do Brejo dos Padres freqüentemente contabilizaram a população de São Paulo como parte dos beneficiados, caracterizando sua saída como uma diáspora. Aquela nova postura, no entanto, convertia a diáspora em mais um enxame, o exílio econômico em reterritorialização étnica, dando continuidade ao movimento de fragmentação e expansão da identidade Pankararu que, nesse caso, contrariava a estratégia política do Brejo dos Padres.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Chapéu de palha ritual (&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226163-1/pankararu_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como o Toré é o centro do complexo ritual Pankararu, os Encantados são as figuras centrais de sua cosmologia. “Semente” é a forma material pela qual os Encantados se manifestam pela primeira vez aos Pankararu. Os Encantados são “índios vivos que se encantaram”, voluntária ou involuntariamente e, por isso, o culto a eles, como insistem os Pankararu, não pode ser confundido com o culto aos mortos. A forma desse “encantamento” só pode ser parcialmente narrada, seja porque constitui um mistério para os próprios Pankararu, ou um segredo que não pode ser revelado a estranhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo os Pankararu, o segredo do encantamento é o núcleo da própria identidade da aldeia. Cada povo indígena tem seu panteão de Encantados, mas como cada tronco é marcado por uma determinada forma de “encantamento”, esses Encantados podem ser partilhados durante um determinado tempo por grupos ligados entre si como “pontas de rama” de um mesmo tronco velho. Atualmente os Encantados Pankararu habitam apenas as serras e os serrotes que demarcam o entorno do Brejo dos Padres. Praticamente para cada uma dessas formações ou maciços rochosos, esteticamente muito impressionantes, corresponde um Encantado. O contato entre os Pankararu e eles restringe-se, atualmente, aos “sonhos”, durante os quais alguns Pankararu podem viajar até os castelos existentes dentro daquelas serras e serrotes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os “encantamentos” de “índios vivos” que geraram os atuais Encantados, no entanto, envolviam as extintas cachoeiras de Paulo Afonso e de Itaparica. Algumas narrativas contam que o surgimento dos Encantados e dos próprios Pankararu deve-se ao encantamento de toda uma população de índios, uma “tropa”, que teriam se jogado na cachoeira de Paulo Afonso. Eram esses Encantados, que passaram a habitar a cachoeira e que tinham origem em todas as “nações” antigas, que se comunicavam por meio do estrondo das águas, prevendo desgraças, mortes ou mesmo novos encantamentos. Depois desse encantamento coletivo, que dá origem à própria aldeia, pensada enquanto unidade espiritual, outros índios, depois de serem anunciados e de passarem pela devida preparação, podiam continuar se encantando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As “sementes” são o transporte dos Encantados. Depois de escolherem uma determinada pessoa que deverá zelar por eles, os Encantados surgem em sonho para essa pessoa e anunciam que ela receberá sua semente. Em pouco tempo essa pessoa se depara com a “semente” anunciada, que tem, de fato, a forma de uma semente vegetal, mas onde pode-se ver a imagem do Encantado. Essa semente deve ser guardada em um pote, que deve ser enterrado sob o solo da casa do zelador escolhido, em um lugar que apenas ele pode conhecer. Trata-se de um outro segredo, nesse caso, doméstico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas sementes, no entanto, não correspondem a apenas um Encantado. Por meio delas podem se manifestar até 25 Encantados para um mesmo zelador. Depois de manifestados, os Encantados passam a ser objeto de culto “particular”, isto é, cerimônias domésticas, em que se fuma, toma-se garapa e canta-se o “toante” do Encantado, mas nas quais não se dança. O toante é a música própria de cada Encantado e só é revelada progressivamente, por meio do exercício ritual do “particular”. É apenas depois que o próprio Encantado pede para ser “levantado”, que ele pode ser cultuado também no Toré, que é a versão pública e coletiva dos “particulares”, em que os vários Encantados da aldeia podem se encontrar em festa. Depois desse pedido, então, o zelador deve tecer o Praiá, que é a “farda” do Encantado, isto é, a saia e a máscara de fibras de croá ou ouricuri que corresponderá a apenas ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O zelador dos Praiás tem, por tudo isso, uma grande responsabilidade religiosa frente à aldeia, acumulando com isso também autoridade política. Não é qualquer pessoa que é reconhecida como apta a receber uma “semente”, estando esse lugar marcado por uma certa avaliação coletiva acerca de sua reputação. De outro lado, assim que uma pessoa recebe uma “semente”, ela passa a concentrar à sua volta e à volta de sua casa uma órbita ritual mais ou menos extensa e intensa. Primeiro, ela passa a concentrar os “particulares” de seu próprio núcleo familiar ou da sua família extensa, dependendo da existência de outros zeladores na mesma família ou em núcleos colaterais. Em seguida, depois de ter “levantado” um ou mais Praiás para os seus Encantados, ela passa a ter também um “terreiro” para que esses Praiás dancem e que, por isso, passa a concentrar também parte dos eventos festivos que se realizam na aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada terreiro de pai de Praiá é um ponto de realização de Torés, seja por iniciativa própria, ou em função das visitas que os Praiás fazem a todo o circuito de terreiros em cada festa realizada. Além disso, cada Praiá deve ser vestido por um homem, em geral afiliado ao Encantado correspondente à farda, que deve exercer esse papel em segredo. Nesse caso também não é qualquer pessoa que pode vestir o Praiá e o zelador deve escolher essa pessoa, dentro ou fora de sua família, de acordo também com sua reputação moral. Isso estende a autoridade do zelador, como alguém que também é um avaliador do comportamento moral de outros homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O dilema mais dramático, do ponto de vista da identidade étnica para os Pankararu, é o fato de todo esse sistema estar ameaçado em sua reprodução. Depois de terem assistido a sua morada nas cachoeiras de Paulo Afonso serem destruídas pela construção das barragens, os Encantados migraram para a cachoeira de Itaparica, mas recentemente teriam assistido novamente a uma nova destruição de sua morada, por meio da construção de novas barragens. Extintas as cachoeiras, os Pankararu estão limitados ao panteão de Encantados já existente e àquele universo dos que ainda podem vir a se manifestar. Isso, no entanto, é considerado insuficiente para continuar contemplando a sua expansão demográfica. Hoje os Pankararu estão no trabalho de descobrirem um novo “segredo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;A cachoeira era um lugar sagrado onde nós ouvíamos gritos de índio, cantoria de índio, berros, gritos. O encanto acabou porque o governo quer assim, né... [...] Olha, essa cachoeira, quando ela zoava, estava perto dela chover ou de um índio viajar. E a cachoeira não zoou mais, chove quando quer... Acabou-se o encanto dela. Então esse era todo o lugar sagrado que agente pediu pra preservar, mas... É a força maior combatendo a menor... Era uma grande cachoeira, de um grande rio, que a gente ouvia os cantos, das tribos indígenas, vários cantos de tribos indígenas cantando junto que nem numa festa. Mas hoje em dia não se vê mais nada... Aquele encanto acabou&amp;quot; (João de Páscoa).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O sistema ritual do Toré ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Apresentação do Toré em frente ao grupo escolar do Brejo dos Padres, no dia do encerramento do curso de qualificação de professoras indígenas, organizado pelo Centro de Cultura Luis Freire. Foto: José Maurício Arruti, 2000.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226166-1/pankararu_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os elementos constituintes do sistema ritual do Toré Pankararu estão divididos entre: A) personagens: os Encantados, os Praiá, os pais de Praiá e os dançadores; B) situações rituais: o particular e o Toré público, que podem assumir o caráter de simples demonstrações teatrais, como expressão folclórica, ou serem dedicados ao culto dos Encantados, ligados ou não ao pagamento de promessas; e C) locais: as cachoeiras, serrotes, casas e terreiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como apontado no item anterior [Aspectos Cosmológicos], uma vez recebida a semente, o escolhido tem que levantar o Praiá, num período de tempo indeterminado, mas não muito longo, sob pena de sofrer represálias, ou transferir essa responsabilidade para um zelador já respeitado, ao terreiro do qual passa a dever lealdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Levantar é tecer”. Isto é, para levantar um Praiá, o zelador do encantado, que passará a ser também um “pai de Praiá”, deve confeccionar ou contratar a confecção, por um dos poucos artesãos especializados na aldeia, da roupa e da máscara de palha de ouricuri que servem para encobrir a personalidade do dançador e que é, quando vestida sob determinadas prescrições, a materialização do próprio Encantado. O Praiá é a conjunção em ato, do Encantado, do dançador e da roupa e máscara de ouricuri ou croá, devidamente consagrada pelo zelador. Os zeladores não são as mesmas pessoas que ocupam o lugar de dançadores. Aos primeiros cabe um papel mais religioso, de orientação e guarda da tradição, através do cuidado com as sementes que lhes foram transmitidas, com as roupas dos Praiás e com o contato permanente com os Encantados, funções que normalmente se associam às qualidades de rezador e pai de família. Os segundos são normalmente homens jovens, casados ou não, capazes de “segurar a brincadeira” do Toré, já que ela geralmente implica em muitas horas seguidas de dança dentro de pesadas roupas de palha de ouricuri, ou fibras de croá, e nos rituais do Menino do Rancho e da festa do Umbú, em disputas corporais que exigem grande vitalidade física.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dançadores são escolhidos pelo zelador da semente do Encantado dentro de seu círculo familiar ou de afinidade. Mesmo sendo comum a população local conhecer e reconhecer, através de suas características corporais ou de suas performances, a identidade dos dançadores, esta não pode ser revelada, fazendo parte sempre respeitada dos segredos que compõem o ritual, sob o risco, para aquele que a pronuncia, de sanções que podem levar da doença à morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha e o chamado dos dançadores pelo zelador, para a realização de um Toré, envolve uma antecedência que pode ir de quinze até dois ou três dias, dependendo do rigor do zelador, da importância da situação ou mesmo da freqüência com que o Toré é realizado. Essa antecedência está relacionada às prescrições de purificação física e espiritual que o ritual envolve, tanto para os dançadores quanto para os zeladores: durante aqueles dias lhes é proibido qualquer contato sexual, qualquer bebida e qualquer “sentimento ruim no coração”.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Geografia ritual.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226175-1/pankararu_10.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No modelo ideal do sistema do Toré Pankararu, toda vida ritual se concentra num único ou num pequeno número de terreiros mais importantes que servem também à dança dos Praiás dos zeladores menores. Da mesma forma, não se aceita facilmente que dois Torés se realizem simultaneamente em dois lugares diferentes, ou que os Praiás mais próximos, ou dos terreiros mais importantes, não sejam chamados para cada Toré realizado. Assim, quanto menor o número de terreiros, melhor, porque a concentração ritual realiza no plano simbólico a união social e política do grupo. A autoridade moral e religiosa, portanto, está intimamente relacionada à capacidade de criar lealdades, não só através da criação de um grande batalhão de Praiás, mas também pela capacidade de agregar, ao redor de um mesmo terreiro, grande número de dançadores e de outros “pais de Praiá”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A dança do Toré é regida por uma música fortemente compassada, o Toante, cantado por apenas um “cantador” ou “cantadora” e que encontra respostas periódicas nos gritos uníssonos e ritmados do grupo de bailarinos. É possível que o que passou a ser conhecido por Toré, originalmente não constituísse um ritual autônomo, sendo apenas uma parte recorrente em outros rituais e, com certeza, ele não era idêntico em todos os grupos que o possuíam. Mas foi essa realidade mais imediatamente identificável, isolável e rotulável que assumiu o lugar de marca identificadora, primeiro para o indigenismo, depois, para os próprios grupos indígenas, tornando-se assim, símbolo de indianidade.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Avó e neta na sala de casa durante a produção de vassouras de palha de buriti. Foto: José Maurício Arruti, 1994.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226178-1/pankararu_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Pankararu se distribuem basicamente segundo duas classificações, os troncos e as aldeias, ambas relacionadas à organização das famílias, histórica no caso da primeira e espacial no caso da segunda. A classificação dos grupos de famílias em status diferentes, através da sua ligação a &amp;quot;troncos&amp;quot; familiares que se dividem entre os &amp;quot;antigos&amp;quot; e os &amp;quot;recentes&amp;quot;, não corresponde a qualquer produção de segmentações, classes ou linhagens, já que ela opera uma dicotomia básica entre aqueles que descendem de índios &amp;quot;puros&amp;quot; e aqueles que descendem de índios &amp;quot;misturados&amp;quot; ou &amp;quot;braiados&amp;quot;, em referência a uma forma de organização que é mais histórica do que estrutural. Por isso, essa distinção não chega nem a pôr em risco a identidade indígena dessas famílias de troncos mais novos, já que participam plenamente da repartição da terra, dos rituais e da organização política, nem a criar uma forma de organização da sociedade que tenha repercussão sobre as relações cotidianas ou de parentesco, ficando seu uso relacionado à (des)classificação de alguém ou de algum grupo familiar em ocasiões de oposição especialmente acirrada. A própria distinção entre as famílias de cada tronco não é muito clara e surge como mais um objeto de disputas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abaixo dos &amp;quot;troncos&amp;quot; está a família, que é a classificação social que funciona cotidianamente, definindo aqueles a quem se pede ajuda, a quem se acompanha nas definições políticas, com quem se planta, perto de quem se mora, e com quem se compartilha a comida e o trabalho da &amp;quot;farinhada&amp;quot;. Sua organização está diretamente ligada à disposição espacial das casas, que se distribuem segundo dois tipos: ou agrupadas lado a lado, em linha reta ao longo das principais vias de acesso internas à área, ou em grupos de casas de uma mesma família, cuja disposição tende à forma circular, com o foco gravitacional na casa do patriarca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os agrupamentos do primeiro tipo estão bem delimitados geograficamente: localizam-se ao longo da estrada que vai da entrada da área indígena até o sopé da serra, onde se dividem, indo por um lado para o posto indígena e por outro para o &amp;quot;terreiro do nascente&amp;quot;, passando por todo o conjunto de prédios públicos do Brejo, como o &amp;quot;centro de produção artesanal&amp;quot;, a igreja e o cemitério, a casa de farinha coletiva, o clube, as pequenas &amp;quot;biroscas&amp;quot;, as duas escolas, a farmácia, a merendeira e as caixas d'água.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Aspecto de grupo residencial (constituído pela casa de patriarca, cercada pelas casas de filhos casados),&lt;br /&gt;
com avô e netos na calçada. Foto: José Maurício Arrutti, 1994.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226181-1/pankararu_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os agrupamentos do segundo tipo distribuem-se por toda a área indígena, inclusive pelos terrenos que se seguem imediatamente a essas primeiras fileiras de casas em forma de arruamentos, subindo todo o sopé da serra, ocupando-a e se estendendo até os limites da área, e mesmo depois, principalmente no sentido norte, onde se confundem com os agrupamentos de não-índios. Tal organização das residências reúne famílias extensas ligadas por laços de descendência e voltadas para um espaço comum, capitaneado por uma casa principal. Essa casa, de um patriarca ou de uma matriarca, a princípio, está na origem do agrupamento, tendo-se seguido a ela as casas dos filhos, netos e mesmo de irmãos e sobrinhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao formarem uma unidade mais ou menos definida, tais agrupamentos desenham círculos em que o espaço interno, para onde normalmente estão voltados, pode assumir o lugar de convergência das atividades de lazer e ritual daquele agrupamento familiar (figura 8). Como algumas vezes esses patriarcas são também &amp;quot;pais de Praiá&amp;quot;, esses espaços internos servem como terreiros onde se realizam os Torés [ver item sobre O sistema ritual do Toré]. Neste caso, então, ultrapassam as funções de lazer familiares, tornando-se referência religiosa para um círculo de vizinhos de extensão variável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para esses Terreiros podem convergir as lealdades mais próximas, dependendo da capacidade do patriarca principal de conseguir manter ao redor daquele núcleo o maior número de &amp;quot;pais de Praiá&amp;quot;, ou mesmo de concentrar no seu próprio terreiro um grande número de Praiás, que comporiam um mesmo &amp;quot;batalhão&amp;quot;, tão mais factível quanto maior o número de parentes que permanecem ligados ao núcleo original. Além disso, tais famílias, ao manterem laços mais extensos e constantes sob a influência de uma casa principal, mantêm também uma interação cotidiana mais intensa, com a possibilidade de compartilhar da distribuição de gêneros e insumos agrícolas, da disciplina dos jovens e das crianças etc., passando a servir como referência para a administração do posto indígena, onde o &amp;quot;pai&amp;quot; da casa principal serve de interlocutor privilegiado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse modelo de distribuição espacial das famílias em núcleos residenciais não difere muito daquele que é corrente entre a população regional, mas ao ser aplicado ao contexto Pankararu, produz efeitos particulares em termos de organização política e ritual que estão na origem do formato aldeia: unidades político-administrativas de uso mais comum tanto pela população quanto pelo posto indígena, sendo também a base de referência dos censos feitos na área, além de ser, teoricamente, a unidade básica de onde saem as &amp;quot;lideranças&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As unidades que hoje são designadas como aldeias não se distinguem tanto em função de fronteiras territoriais quanto a partir de uma série de laços de respeito e lealdades, a princípio bastante discretos, que as aproximam mais da imagem de áreas de gravidade de núcleos relativamente móveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As famílias e grupos de residência reunidos nos arruamentos ao longo da estrada que leva à igreja do Brejo e dela ao Posto Indígena e à “fonte da nascente” tendem à (ou manifestam a) fragmentação de uma urbanização seminal e à individualização das famílias nucleares, voltadas mais para um espaço público que para um espaço familial e ritual. Nesses casos, há uma divisão sócio-espacial das atividades, onde a morada, a roça e o círculo ritual não mais se sobrepõem no espaço. É nesta região que se encontram os “índios sem terras” que trabalham nas terras de outros índios, de posseiros ou fora da área, como rendeiros, “meeiros” ou diaristas. É aí que estão concentrados também aqueles que largaram ou complementam o trabalho na roça com trabalhos nas cidades próximas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De outro lado, o formato do arruamento não facilita que um núcleo familiar se desenvolva como núcleo residencial e é comum que os filhos dessas famílias se desloquem com relação à casa dos pais, avançando junto com o avanço das ruas, sendo absorvidos em núcleos residenciais fora do Brejo por meio do casamento ou ainda saindo da área indígena, em suas buscas de emprego nas cidades próximas, em São Paulo [ver item A grande árvore e os Pankararu em São Paulo) ou em outras áreas indígenas, às quais têm acesso via parentesco ou via empregos na Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Organização política ===&lt;br /&gt;
A primeira e mais evidente conseqüência desta mudança na organização espacial das residências e na sua concentração no Brejo é a mudança que traz com relação aos arranjos de autoridade anteriores. Deixa de existir o tipo de autoridade que atua sobre uma família extensa reunida no mesmo núcleo residencial, ou sobre um círculo mais ou menos largo de respeito ligado ao exercício do Toré, e a autoridade do chefe de posto emerge como centralizadora da regulação moral. Isso cria forte dependência com relação à intervenção direta do chefe de posto na resolução de conflitos entre vizinhos, na mediação com agentes externos ou na distribuição de gêneros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A proximidade, mas também essa diferença de organização social faz com que a maior parte do tempo de serviço do chefe de posto seja dedicada à tentativa de resolução desses pequenos conflitos gerados dentro do próprio Brejo, envolvendo disputas de quintal, bebida, ofensas etc., ao contrário do que ocorre com as outras seções, onde disputas menores são mediadas pelas autoridades formais ou informais de base familiar ou ritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não há vestígios de que a organização social e política dos Pankararu apresentasse, no momento em que se dá o contato com o SPI, uma chefia centralizada que englobasse seus diferentes núcleos familiares. As unidades familiares, que tenderam a constituir grupos de residência, ou grupos vicinais, parecem ter tendido a respeitar um tipo de autoridade que emergia da figura de patriarcas dotados de qualidades especiais, geralmente associadas a uma combinação variável de poder mágico, valor moral e outras variáveis, como a capacidade de criação de lealdades rituais, da agregação do maior número de pessoas através de laços familiares e, ou, de trabalho e de crédito, tão importantes nos períodos de seca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, porém, registro de uma designação especial que indicaria o desempenho de um papel de autoridade destacado dos demais. No passado, o sarapó representava a autoridade moral de base religiosa, mas não parece ter exercido outros poderes que os de influência moral e religiosa interna à comunidade. Sua função precípua era a de zelar pelo principal Encantado da aldeia, o Índio Xupunhum, ou, como também é conhecido, o Índio Mestre Guia. Este é o único Encantado a ter uma festa especial em sua homenagem, realizada em seqüência à festa do umbú, que marca o início do calendário agrícola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acompanhando essa função de destaque, o sarapó concentrava também a guarda do maior “batalhão de Praiás” da aldeia, concentrando com isso, na sua casa e no seu terreiro, o principal da vida ritual local. Mas mesmo o sarapó, que parece fornecer um lugar estruturalmente diferenciado nesse arranjo de autoridades Pankararu, não parece ter exercido qualquer papel de poder repressivo, de decisão ou governativo sobre o conjunto das outras autoridades estruturalmente indiferenciadas. A primeira novidade neste arranjo, de que temos notícia, foi o surgimento dos mediadores entre a comunidade e as autoridades extralocais que temos chamado de lideranças peregrinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As lideranças peregrinas passaram a realizar, desde a década anterior à chegada do SPI, viagens para os lugares de poder, em busca dos “direitos”. Elas se transformarão em referências políticas para a população Pankararu e serão também a via de entrada e de controle das novas formas de autoridade estatutárias, moldadas segundo a repartição de poderes estatal. [ver item História]&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ACIOLI, Moab Duarte. O processo de alcoolização entre os Pankararu : um estudo em etnoepidemiologia. Campinas : Unicamp, 2002. 341 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARRUTI, José Maurício de Paiva Andion. O reencantamento do mundo : trama histórica e arranjos territoriais Pankararu. Rio de Janeiro : Museu Nacional-UFRJ, 1996. (Dissertação de Mestrado), 249p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Morte e vida do Nordeste indígena : a emergência étnica como fenômeno histórico regional”. Estudos Históricos n.15, janeiro/junho. Rio de Janeiro : CPDOC/FGV, 1995, p.57-94.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. “A emergência dos remanescentes: notas para o diálogo entre indígenas e quilombolas”. Mana - estudos de antropologia social, n.3/2, outubro, 1997, p.7-38.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CUNHA, Maximiliano Carneiro da. A música encantada Pankararu. Recife : UFPE, 1999. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FONTBONNE, Annick et al. Fatores de risco para poliparasitismo intestinal em uma comunidade indígena de Pernambuco, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Fiocruz, v. 17, n. 2, p. 367-74, mar./abr. 2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MARTINS, Sílvia Aguiar Carneiro. Os Pankararu. Recife : UFPE, 1983. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA FILHO, João Pacheco de (Org.). A viagem de volta : etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. Rio de Janeiro : Contra Capa, 1999. 350 p. (Territórios Sociais, 2)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PREZIA, Benedito Antônio Genofre. Indígenas em São Paulo, ontem e hoje : subsídios didáticos para o ensino fundamental. São Paulo : Paulinas, 2001. 47 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIBEIRO, Rosemary Machado. O mundo encantado Pankararu. Recife : UFPE, 1992. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVEIRA, Maria Luiza dos Santos. Identidade em mulheres índias : um processo sobre processos de transformação. São Paulo : USP-IP, 2001. 377 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOUZA, Fernando J. Carneiro de. Os Pankararu : aspectos culturais e lingüísticos. Terra Indígena, Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, v. 10, n. 66, p. 20-32, jan./mar. 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Maurício Arrutti|José Maurício Arrutti]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;huzzazWrapper&amp;quot; style=&amp;quot;width:100%; height: 1700px; margin: 0 auto;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; allowtransparency=&amp;quot;true&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;100%&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://huzzaz.com/embed/pankararu?vpp=12&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;100%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Pankararu}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:José Maurício Arrutti}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas em São Paulo]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Pernambuco]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Pankar%C3%A1&amp;diff=6285</id>
		<title>Povo:Pankará</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Pankar%C3%A1&amp;diff=6285"/>
		<updated>2018-08-10T21:04:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
No tempo dos nossos antepassados chamavam Pakará e não Pankará, porque quando os Encantos de Luz chegavam, eles davam viva aos Pakará. Isso é porque os índios plantavam muito fumo e quando era no Toré o fumo tinha o nome de Paká, e trazia na sacola chamada Ará pra gente fumar no quaqui.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Ciço Domingos, Pankará&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Crianças Pankará na plantação de andu, aldeia Enjeitado.&lt;br /&gt;
Foto: Caroline Mendonça, 2003.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226095-1/pankara_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até dezembro de 2002, os índios que habitam a Serra do Arapuá utilizavam várias categorias identitárias e metafóricas para reafirmar sua distintividade étnica, como “caboclo”, “caboclo-índio”, “braiado”, “pego a dente de cachorro”, “tronco velho” etc. Ao deflagrarem seu processo de reorganização social e étnica, no início de 2003, passaram a adotar o etnônimo Pankará da Serra do Arapuá, através do movimento de consulta aos “encantados” no complexo ritual do toré. Aparecem no cenário nacional com essa denominação durante o I Encontro Nacional de Povos em Luta pelo Reconhecimento Étnico e Territorial, promovido pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), em maio de 2003 no município de Olinda, Pernambuco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como os demais povos indígenas na região, à exceção dos Fulni-ô, os Pankará são falantes do Português. Contudo, no seu universo lingüístico apresentam uma série de discursos, palavras e metáforas, que constituem o universo semântico do português falado na Serra do Arapuá. No geral não difere do discurso étnico encontrado entre os demais povos indígenas no Nordeste.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Caroline Mendonça|Caroline Mendonça]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e contexto ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Serra do Arapuá. Foto: Caroline Mendonça, 2003.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226102-1/pankara_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Serra do Arapuá está localizada no município de Carnaubeira da Penha, sertão do semi-árido pernambucano, na meso-região do São Francisco, pertencendo a micro-região de Itaparica. Os principais municípios são Belém do São Francisco (oeste), Carnaubeira da Penha (norte), Itacuruba (sudoeste), Floresta, Petrolândia e Tacaratu (sudeste). Outras referências importantes são a Serra Umã (noroeste) e o Rio São Francisco (sul).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma altitude aproximada de 900 metros, a Serra do Arapuá possuia em 2005 47 núcleos populacionais denominados pelos indígenas de “aldeias”, entre eles a Serra da Cacaria, que geograficamente se distingue dos demais por ser um relevo independente. As aldeias são habitadas tanto pelos Pankará, como por pequenos agricultores não-índios e algumas fazendas de médio porte pertencentes à elite local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Pankará estão em processo de territorialização, portanto, a auto-identificação como indígena para muitas famílias que habitam a Serra é um processo que está em curso, dinamizado em todos os aspectos da vida social, política e cultural do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Serra do Arapuá apresenta uma vegetação variada de acordo com a altitude. Nas áreas baixas, denominadas pela população local como “sertão”, predominam os cactos: coroa de frade, facheiro, mandacaru, xiquexique; as bromeliáceas: caroá, macambira; pequenos arbustos: catingueira, faveleira, imbuzeiro, jurema, quixabeira; e poucas árvores: craibeira, aroeira, baraúna, isto para citar apenas algumas. São áreas de pasto e alguns açudes privados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas áreas de maior altitude (a serra propriamente dita), como, por exemplo, nas aldeias Enjeitado (890m), Lagoa (860m) e Cacaria (814m), a caatinga convive com árvores e plantas frutíferas como a pinha, manga, mamão, banana, acerola etc. Os catolezeiros predominam nessa região chamada de agreste e que visualmente se diferencia também pelo verde.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O acesso à Serra é dado pela rodovia federal BR 231, seguida da estadual PE 360 até Floresta, e mais 30 quilômetros de estrada de terra batida, somando um percurso aproximado de 500 quilômetros da capital Recife. A estrada de chão em meio à caatinga é a via principal usada pelo tráfico da maconha no circuito Carnaubeira da Penha–Floresta, com várias ocorrências de assaltos. Por essa estrada também circulam, diariamente, os estudantes e demais habitantes da área pelo meio de transporte mais comum na região: o caminhão “pau de arara”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O município de Floresta é a zona urbana de referência para os índios e demais habitantes da Serra do Arapuá, e a ela recorrem para atendimento médico e hospitalar, participam da feira (comércio e consumo), vão aos bancos para receber a aposentadoria rural, freqüentam a escola de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e uma minoria, o ensino médio. No tempo da seca se empregam como pedreiros, serventes e empregados domésticos [dados de 2005].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2004, as escolas da primeira etapa do ensino fundamental dentro da área indígena passaram a ser mantidas pelo Estado. Foram reconhecidas como escolas indígenas em atendimento à reivindicação dos Pankará e da Comissão de Professores Indígenas em Pernambuco (Copipe), conforme Resolução 003/99 do Conselho Nacional de Educação. Em 2005, eram 18 escolas com aproximadamente 10 anexos, 62 professores/as indígenas, atendendo em média 450 alunos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No campo da saúde, em 2004 passaram a integrar o Conselho Distrital de Saúde Indígena da Funasa. Possuem duas equipes atuando na área com agentes de saúde e auxiliares de enfermagem indígenas. O pólo base fica localizado em Carnaubeira da Penha. Enfrentam sérios problemas com a prefeitura municipal, que resiste à contratação dos indígenas indicados pela comunidade e lideranças para as referidas funções, segundo denúncia das lideranças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A eletrificação foi instalada no ano de 1990, sendo a única área não eletrificada a serra da Cacaria. O meio de comunicação mais comum era o rádio e havia em 2005 apenas um aparelho de telefone público.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A região também é caracterizada pela antiga presença da mão-de-obra escrava, como nas fazendas Água Branca e Água Grande, e pela resistência negra como na Cacaria. Os negros foram trazidos à região para trabalhar como escravos nas fazendas do Pajeú e São Francisco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma outra característica da Serra do Arapuá é a presença de um sítio arqueológico, onde são encontrados fragmentos de cerâmica e de artefatos de pedra. Há cachimbos de cerâmica e material lítico. A Serra da Cacaria é uma das áreas de maior concentração desse material e segundo a versão dos índios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“lá na Serra da Cacaria, que chama Serra da Cacaria porque quando botaram os índios de lá pra correr, que eles correram tudo, que ficou cachimbo, pote, panela, essas coisas de barro lá, eles quebraram tudo, deixaram lá só a cacaria, aí ficaram chamando Serra da Cacaria”.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Caroline Mendonça|Caroline Mendonça]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Artefato indígena encontrado em sítio arqueológico na Serra do Arapuá. Foto: Caroline Mendonça, 2003.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226105-1/pankara_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O povo Pankará, semelhante a outros povos situados na região Nordeste, passou por um processo histórico não linear, caracterizado pelo fluxo constante de grupos indígenas nos sertões do Pajeú e adjacências como conseqüência do esbulho de suas terras por tradicionais invasores presentes no cenário político desde o período colonial, retratando, de certo modo, o contexto de dominação política e econômica presente nessa região até os dias atuais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todo o período do século XVII até início do século XVIII foi marcado pela expansão da pecuária nos Vales do Pajeú e São Francisco promovida pela Casa da Torre, comandada pelos Garcia D’Ávila. Neste período, descendentes de fundadores da Casa da Torre concederam a familiares dotes de terras por todo o riacho do Pajeú, estabelecendo-se as primeiras fazendas sob o controle de famílias de coronéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em decorrência, durante todo o século XVIII é comum encontrar referências sobre os índios dessa região como “revoltados”, “dispersos”, “ladrões de gado”, “bárbaros”. As perseguições e guerras contra os índios se estenderam até o século XIX. Neste período também se legaliza o domínio territorial das famílias tradicionais através do Registro de Terras – Lei Imperial de 1850, para garantir a propriedade imobiliária; as do atual município de Floresta foram registradas, pela primeira vez, em 1858 (Ferraz,1999).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a Lei do Registro de Terras, o Estado Brasileiro favoreceu os grandes proprietários que eram também os chefes políticos locais. Pressionado pelas Câmaras Municipais, reduto do coronelismo no Sertão pernambucano, o Governo Imperial decreta oficialmente a extinção dos aldeamentos em Pernambuco entre os anos de 1860 e 1880, sob o argumento da “ausência da pureza racial”. Neste século os índios desta região eram tidos como “misturados”, caboclos”, “confundidos” com a população local. Em fins do século XIX, muda o discurso nos documentos da época, de índios bárbaros a “descendentes”, “criminosos” e até mesmo a total negação da identidade desses povos (Silva,1996:17).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante desse contexto, as estratégias encontradas pelos indígenas eram continuar se deslocando para locais de difícil acesso e trabalhar como agricultores, pagando a renda para os “proprietários” das terras ou altos impostos à prefeitura municipal, a exemplo das Serras Umã e Arapuá, uma vez que todo pedaço do território no Sertão do Pajeú já estava de posse dos grandes latifundiários, os mesmos que exercem hoje o domínio político e econômico na região.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Caroline Mendonça|Caroline Mendonça]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etnogênese ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Pedro Limeira, pajé Pankará. Foto: Caroline Mendonça, 2003.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226110-1/pankara_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se ao final do século XIX os povos indígenas em Pernambuco eram tidos como extintos ou incorporados à sociedade nacional, endossando o contingente de trabalhadores rurais, no século XX reaparecem no cenário político da região reivindicando direitos ao Serviço de Proteção ao Índio (SPI), entre eles, na década de 1940, um grupo que se auto denominava pelo etnônimo “Atikum” (Grünewald,1993), formado por “caboclos” das Serras Umã, Arapuá e adjacências. Assim começa a se delinear a (re)construção histórica dos Pankará, dando feições ao grupo como o percebemos hoje, visualizada em três fases:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira fase compreende o período anterior a etnogênese do grupo Atikum, quando vários grupos indígenas se estabeleceram nas serras, interagindo com camponeses e negros quilombolas, dando visibilidade às unidades étnicas que vieram a emergir. Na Serra do Arapuá, uma rede de relações sociais já era movimentada em torno da dança do toré:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eles trouxeram de lá da Serra Negra, o começo que eles vieram pra treinar na Serra do Arapuá, o toré era de Serra Negra. E uma descendência velha que tinha na Cacaria também, que já sabia o que era brincar o toré, tinha um terreirinho deles lá que eles brincavam, só eles mesmos, não saiam pra canto nenhum. Era dos Limeira. Pedro Limeira, o bisavô de Pedro Limeira, aí os Limeira lá se encontraram com os Amansos e com os Rosa aí rendeu mais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Antonio Amanso, liderança Atikum na Serra Umã&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, a maior parte do território já estava ocupada pelas “famílias tradicionais” de Floresta e os índios continuavam sujeitos aos conflitos com os fazendeiros que proibiam a prática do toré:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
E aqui teve muitos problemas pesados pra gente, porque o civilizado nunca gostou desse tipo de trabalho, num gosta mesmo. Então teve uma ocasião aí, nós batemos aqui em três lugares e expulsaram. E teve ocasião que nós perdemos tudo, e dançando, não parava não, botaram até fogo na casa, só ficamos com a roupa do corpo, ficamos sem nada, mas dançando, não parava não (risos), a gente gosta do trabalho, né? &amp;lt;small&amp;gt;Pedro Limeira, Pankará&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda fase da reconstrução histórica dos Pankará é expressa por um movimento que pode ser compreendido como políticas de aliança e ruptura, cuja base de cooperação resultou na constituição do povo indígena Atikum Umã, segundo a versão dos Pankará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1940, os “caboclos da Serra Umã”, representados por Manoel Bezerra, com o apoio de Maria Antonia, Pedro Dama e outros, recorrem ao SPI no Recife, por orientação dos índios Pankararu de Brejo dos Padres, para solicitar providências em relação aos conflitos com os fazendeiros que soltavam o gado em suas roças e em relação à prefeitura de Floresta que cobrava altos impostos. Ouvidas as insatisfações, Dr.Raimundo Dantas Carneiro da Inspetoria do SPI no Recife se compromete em enviar funcionários para a comprovação de uma identidade indígena na Serra Umã. Desta forma, solicitou aos índios que ao retornarem “se organizassem no toré” (Grünewald,1993). Contudo, apenas alguns conheciam a dança, então convidaram os índios Tuxá de Rodelas, os caboclos da Serra do Arapuá e Cacaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aí Joaquim Amanso sabia do nosso trabalho aqui e mandou buscar, nós fomos pra Serra do Umã (...) Era Zé Brasileiro, Sampaio e Dr.Tuba, eram três que tinha. Entramos no terreiro e entramos dançando na batida do pé: pam, pam, pam. Pedro Dama mais Mané Bezerra disseram: ói caboco é desse jeito aí, podem tirar a cela do animal. Eu sei que foi três dias; de noite teve o oculto lá e aí fundaram Serra do Umã.”&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Pedro Limeira,Pankará&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A princípio essa política de alianças entre os grupos da Serra Umã e da Serra do Arapuá, favoreceu a ambos: aos Atikum foi garantido o direito sobre 18.000 ha, a criação do Posto Indígena em 1949 e outros benefícios, como o açude, escola, casa de farinha etc. (Grünewald; 1993: 49), quanto aos índios que habitavam na Serra do Arapuá, afirmam que passaram a receber assistência de Zé Brasileiro, o chefe do Posto Indígena, pois “sabia ele que nós tinha o direito em Serra Umã” (Pedro Limeira, Pankará). Através da história oral, é possível apreender que durante algum tempo os dois grupos mantiveram uma relação marcada pelas visitas do toré, com registros de “noites de fuga” quando viajavam de uma serra a outra, “escondidos dos brancos” para dançarem juntos o toré, e a assistência do SPI que alinhavava a unidade entre os dois grupos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deflagrado o processo de territorialização dos Atikum, parte da família Amanso, Rosa e Cacheado se estabeleceu na Serra Umã incorporando-se ao sistema político e cultural Atikum; outra parte permaneceu na Serra do Arapuá. Na década de 1950, com a saída de Zé Brasileiro do Posto Indígena se deu início a ruptura em um processo social que se estende até o início deste século. Com a ruptura processual, os índios que habitavam a Serra do Arapuá passaram a se mobilizar internamente acionando um sistema político próprio através do toré. Durante os anos 50 até fins dos 80 do século XX, existem registros orais sobre mobilização dos núcleos populacionais na Serra do Arapuá em torno dos rituais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Fui muito na Lagoa, era lá em Maria Cacheado e Valente. Eles dançavam, eu dancei muito na década de 70, usando o maracá. Como eu era professora da localidade, eles achavam que eu era muito importante e me davam o maracá e eu ficava atrás do primeiro da fila, com todo respeito, tomava da jurema e partilhava tudo, até hoje é a religião deles” (M.G, não-índia, pequena proprietária no sítio Lages / Serra do Arapuá).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final da década de 1980, aproximadamente, pessoas importantes na condução dos rituais responsáveis pelos terreiros foram morrendo e muitos terreiros ficaram parados, a exemplo da aldeia Lagoa. Por outro lado, na Serra Umã, o narcotráfico já estava estabelecido dentro da área indígena e havia uma acirrada disputa interna pelo poder na Serra, que culminou com o assassinato do líder Abdon Leonardo da Silva em 1991. Esse contexto favoreceu o afastamento processual que já vinha ocorrendo entre os dois grupos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, por fim, a ruptura tomou forma quando no ano de 1989 foi instaurada uma ação administrativa por parte da Funai para a demarcação do território Atikum. Neste processo, os índios localizados na Serra do Arapuá foram excluídos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Antigamente a área de Atikum era muito maior. Fazia parte o Brejo do Gama, o Poço da Clara, a Serra da Raposa, a Serra do Arapuá e a Cacaria. Mas no tempo de Gomes, que era o administrador da Funai na época da demarcação, mais ou menos em 94 e 95, tudo isso ficou de fora, porque ele achou que ia ser muito difícil, podia haver muito conflito, e aí ele fez reunião de conchavo para que aceitassem a diminuição” (liderança Atikum).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 5 de janeiro de 1996, foi publicada no Diário Oficial a demarcação administrativa da Terra Indígena Atikum com uma superfície de 16.290.1893 ha. Em 1999, alguns representantes da Serra do Arapuá, aldeia Enjeitado, foram até a aldeia-sede, onde está situado o Posto Indígena, pedir para serem reconhecidos pelas lideranças Atikum, mas “ao chegarem no terreiro para dançar o Toré foram expulsos”. Este foi um primeiro movimento de retorno à Serra Umã de que se tem conhecimento desde o período de fundação do Posto Indígena na década de 1940.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir deste episódio, percebe-se algumas nuances de mobilização deste grupo para serem reconhecidos indicando uma terceira fase desse processo de reconstrução. No ano de 2001, os índios “da Serra do Arapuá” ressurgem no cenário político indigenista, identificados pela Funasa sob a categoria “desaldeados”. O programa governamental de saúde implementado pela Funasa na forma de Distrito Sanitário Indígena (DSEI), que já atuava na área Atikum desde 1999, realiza um cadastro na Serra do Arapuá de 55 famílias, como “desaldeados da etnia Atikum” gerando conflitos entre os dois grupos, pois as lideranças Atikum, munidas de autonomia e controle social sobre as políticas públicas, impediram a Funasa de realizar atendimento na Serra do Arapuá, sob o argumento da escassez de recursos, que estava comprometendo a qualidade do atendimento na Serra Umã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, por reconhecerem que, de fato, a Serra do Arapuá é “área de caboco”, autorizaram que estes fossem atendidos na sede do Pólo Base em Carnaubeira da Penha, o que praticamente não aconteceu, segundo informações das funcionárias do Pólo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes últimos (ou penúltimos) acontecimentos fortaleceram as alianças internas entre as lideranças indígenas da Serra do Arapuá, que retomaram uma série de articulações que estavam em suspenso, como os encontros para o toré.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após dois anos desses episódios, a dinâmica muda de configuração e os “índios da Serra do Arapuá” recebem uma proposta de aliança dos Atikum através de um convite para o “Recadastramento dos Indígenas da Serra do Arapuá”. Junto ao convite veio a cópia de um ofício, enviado à Funasa, na qual as lideranças da Serra Umã afirmam que as “aldeias” Cacaria, Lagoa e Enjeitado são de “descendentes Atikum”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, depois das constantes investidas desses índios, observadas nos últimos três anos, na possibilidade de transpor as fronteiras e se incorporarem ao grupo Atikum, responderam: “Tem que ser descendente de onde nós somos, não emprestado” (Pedro Limeira, Cacaria)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este depoimento de Sr. Pedro Limeira demonstra o caráter dinâmico dessa realidade, na qual os índios se colocam como sujeitos ativos de sua história, reafirmando a crença na descendência de povos pré-colombianos, reatualizando-a no presente sob o viés de uma identidade indígena que se mantém viva na Serra do Arapuá. Sendo este o território escolhido pelo grupo para a sua existência enquanto coletividade. Desta forma, a etnicidade dos índios que hoje se identificam como Pankará, pode ser vista como uma construção social da pertença, situacionalmente determinada pelos atores, no sentido de organizar significativamente o seu mundo social:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Mas que eu acho que o pau quando ele nasce assim ele tem gaia pra todo canto(...) eu sei que tem gaia pra lá, tem gaia pra Serra do Umã (...) Agora o tronco, nem ele sabe onde é, nem eu sei também e sei mais ou menos(...) vai ter que nascer é um pé de pau aqui mesmo”(Pedro Limeira, Pankará)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As situações acima descritas fazem parte de um processo histórico que vem se desenrolando durante todo o século XX e que impulsionou uma outra dinâmica na organização social dos Pankará. É no conjunto desse sistema pluriétnico e dessa dinâmica social que esses índios estabelecem suas fronteiras e deflagram um processo de territorialização se constituindo como o grupo étnico Pankará.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Caroline Mendonça|Caroline Mendonça]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Religiosidade e rituais ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Cruzeiro do terreiro de toré da Serra da Cacaria. Foto: Caroline Mendonça, 2003.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226113-1/pankara_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aspecto ritual é uma das questões-chave na manutenção da identidade indígena na Serra do Arapuá e os fios através dos quais tecem uma rede de relações internas. A partir dos rituais, é possível apreender o sistema simbólico que rege a cosmologia dos Pankará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A “ciência”, o “trabalho” ou a “brincadeira” do índio, como chamam, é uma das formas de expressão da cosmologia do grupo, manifestada em três tipos: Terreiro, Gentio e Reinado. É importante salientar que esta divisão é apenas analítica, o grupo não a percebe desta forma, mas como um todo integrado e interdependente representado pelo toré, no qual o simbólico e o concreto se confundem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Terreiro corresponde a um local de ritual marcado por um cruzeiro, em cuja base são colocados artefatos sagrados como imagens de santos, peças encontradas nos sítios arqueológicos e a jurema. Podem estar localizados bem próximos às casas, como no Enjeitado e Lagoa, ou mais próximo às matas, como na Cacaria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Gentio são pequenos abrigos, geralmente em taipa, construídos próximos das residências, com um cruzeiro semelhante ao do terreiro posicionado ao centro. É o local da “ciência oculta” com uma participação restrita da comunidade, sendo proibida a presença de não-índios. O Gentio é, ao mesmo tempo, o lugar e o encanto, como explica e canta Senhora - Pankará:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“A gente pôs Gentio porque quando ele chegou, que ele baixou, aí ele deu o nome de Gentio, aí ficou o Gentio. E tem a linha do Gentio:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gentio chegou na aldeia, o que foi que ele veio buscar. Ele veio trazer ciência pra os índios trabalhar. O reina reina roa, o reina, reina rá&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já tem outra linha também do Gentio, aqui quando ele chegava que aqui falava com a gente dizia:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | Ô meu Gentio, ô meu Gentio&amp;lt;br/&amp;gt;&lt;br /&gt;
eu quero força do meu bravio&amp;lt;br/&amp;gt;&lt;br /&gt;
Ô meu Gentio, ô meu Gentio&amp;lt;br/&amp;gt;&lt;br /&gt;
eu quero força pra nós trabalhar&amp;lt;br/&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu quero força do meu Gentio&amp;lt;br/&amp;gt;&lt;br /&gt;
eu quero força do meu bravio”&amp;lt;br/&amp;gt;&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Serra do Arapuá, apenas no Enjeitado tem Gentio. Este é também um espaço onde se realizam curas, principalmente de doenças mentais. O processo de cura é acompanhado pelo uso do defumador e remédios naturais que chamam de “garrafada das montanhas” e também medicação alopática. A receita é definida pelo “mestre”. Pode durar dias e até meses; contam que a cura mais demorada durou um período de nove meses. O paciente fica hospedado nas casas da comunidade e são pessoas de lugares variados da região do sertão do São Francisco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Reinados são pedras em locais de difícil acesso e também são destinados a “ciência oculta”. São freqüentados durante o dia e é proibida a presença de crianças, por afirmarem ser um “trabalho muito forte” além da dificuldade de acesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses rituais são atos religiosos nos quais os índios louvam e se comunicam com os antepassados que estão sob a forma de “encantados” e “mestres”. A comunicação se dá através da possessão mediúnica, evocando-os através do canto (linha ou toante), da música sonorizada pelo maracá, da dança (circular), e da ingestão da bebida que consideram sagrada a jurema (Mimosa hostilis benth).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por serem ritos sagrados, envolvem toda uma mística que, no caso do Terreiro e do Gentio, compreende a escolha do local, a posição do cruzeiro, até o preparo da jurema. Já os Reinados sempre existiram e a localização destes aos índios é anunciada através de sonhos ou durante os “ocultos”. Todo esse movimento é definido pelos mestres e encantos, os verdadeiros “chefes” do ritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ritual do toré tem uma estrutura básica: abertura, louvação, distribuição da jurema, chamamento das divindades, recebimento das “instruções” e o fechamento. Tem dias determinados que são a quarta-feira e o sábado, e é composto por uma hierarquia que em escala decrescente de superioridade começa no campo espiritual. A principal autoridade é um encanto ou um mestre que nomeia o lugar-ritual, seguido da liderança religiosa que é o responsável pela manutenção, mobilização e condução dos trabalhos. Depois vem o caboclo mestre e a cabocla mestra e mais dois contramestres, mantendo a divisão de gênero; este quarteto é responsável pela “linha de frente” e durante a dança do toré vai ao centro representar o sinal do cruzeiro e, por último, os demais membros da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A condução e o tempo do ritual varia de acordo com o líder e o tipo de trabalho (Gentio, Terreiro, Reinado), mas, seja qual for, o mais significativo é que o toré opera como um agente articulador interno e promove o fluxo entre as aldeias. Essa relação religiosa é que determina uma rede social na Serra do Arapuá e fomenta a manutenção da identidade dos Pankará.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Caroline Mendonça|Caroline Mendonça]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização política ==&lt;br /&gt;
Após deflagrarem o movimento para o reconhecimento oficial, os Pankará, a partir de uma necessidade que surge do contato com a agência indigenista oficial – Funai e outros órgãos governamentais, como a Funasa, estão vivendo um processo de redefinição da sua organização política. Elegeram uma cacique: Maria das Dores Limeira, conhecida por Dorinha, um vice-cacique: Osmar da família Amanso e quatro pajés: Pedro Limeira, Manoel Cacheado, João Miguel e Pedro Leite – sendo estes lideranças antigas instituídas através do sagrado –, um corpo de representantes por aldeia, um Conselho de Saúde Local (exigência da Funasa); dois representante na Copipe (Comissão de Professores Indígenas em Pernambuco) e dois representantes na Articulação dos Povos Indígenas Nordeste,Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Historicamente, ritual e autoridade estiveram estritamente ligados e constituem a dinâmica política entre os Pankará. Cada pajé possui um círculo de relacionamentos mais próximos, dentro da própria família, que consolida e legitima a autoridade de cada um. No caso de Sr.Pedro Limeira, sua autoridade político-religiosa é mais estável por ser também o patriarca. São muito recentes as mobilizações conjuntas para a resolução dos problemas comuns, embora sempre tenha existido uma articulação permanente que gira em torno do ritual, sendo este o espaço principal dos encontros e socialização das informações.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Caroline Mendonça|Caroline Mendonça]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Menina com artefato pankará. Foto: Caroline Mendonça, 2003.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226120-1/pankara_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A organização social dos Pankará caracteriza-se por famílias extensas com base na filiação cognática. Não há regra de residência preestabelecida, mas é comum a residência bilocal, o que caracteriza os núcleos populacionais que residem em núcleos familiares, sendo os de maior concentração familiar a Cacaria, o Enjeitado e a Lagoa, sendo que cada um destes resguarda certa distintividade em relação ao outro pela consangüinidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, em razão das alianças com os locais, tanto de matrimônio como de compadrio, se estabelecem por diversas outras aldeias, de forma que estão presentes por quase toda a Serra. Outro aspecto diz respeito ao fato de serem um grupo predominantemente de agricultores, daí a ocupação e distribuição territorial ocorrer também em função da necessidade de terra, estando ele sujeito à disponibilidade destas, uma vez que grande parte do território está nas mãos de fazendeiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de considerarem o duplo parentesco, cada família recebe a nomeação de um ancestral que crê ser originário da Serra Negra. São eles Amanso, Limeira, Cacheado, Rosa e Mergeli. A partir do quadro de genealogia, observamos que até os últimos 20 anos, havia uma predominância no matrimônio entre primos cruzados. Os Limeira admitem casamento entre primos paralelos, já entre os Amansos este tipo de aliança é proibido: “os primos se casam, agora os legítimo não” (Ciço Domingo, Pankará). Os casamentos interétnicos eram proibidos, mas ocorriam com certa freqüência através dos “furtos”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À geração atual de jovens entre 15 e 25 anos é permitido esse tipo de aliança matrimonial, não sendo mais necessário o advento dos “furtos”; agregando muitos moradores locais às famílias consideradas indígenas. Este tipo de casamento interétnico permite que o agregado participe tanto do ritual, adquirindo assim um status de indígena, como do usufruto da terra, seja esta arrendada ou de domínio próprio da família.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Caroline Mendonça|Caroline Mendonça]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Situação territorial ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Gentio da aldeia Enjeitado. Foto: Caroline Mendonça, 2003.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/226123-1/pankara_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até maio de 2005, a Funai não havia tomado providências quanto ao reconhecimento territorial dos Pankará, tampouco havia registro de qualquer procedimento administrativo em curso. Contudo, os indígenas utilizam-se dos locais sagrados espalhados por toda a Serra para a manutenção da sua identidade e para demarcar seu território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São os Terreiros de toré, os Gentios, os Reinados, presentes por todo o território assim como toda a mobilização em torno desses rituais, somada à qualidade de agricultores que desempenham no processo produtivo, que os índios Pankará expressam simbólica e objetivamente a posse sobre a terra tradicional face ao contexto de violência e opressão no qual estão inseridos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, a Serra do Arapuá como elemento geográfico e político é parte de um sistema mais amplo e heterogêneo de relações. Existe um poder econômico e político na região que se sobrepõe ao poder simbólico que os índios exercem sobre a terra que tradicionalmente ocupam. Os Pankará estão permanentemente pressionados pelo poder público municipal que tenta interferir na sua organização interna e por fazendeiros que os proíbem de ter acesso à terra e aos recursos naturais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Caroline Mendonça|Caroline Mendonça]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sistema produtivo ==&lt;br /&gt;
Os índios compõem o segmento da população de baixa renda na Serra do Arapuá. Desprovidos do recurso básico, a terra, não possuem qualquer controle sobre os recursos ambientais. São obrigados a trabalhar como rendeiros, com um pagamento estimado entre 10% e 30% da produção, como meeiros, e os que se apropriam de pequenos lotes de terras sem título, mas pagam um valor ao Incra. A produção é familiar e de subsistência. Raramente conseguem produzir excedente, por vários fatores:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
a) os melhores trechos de terra estão sob o controle dos fazendeiros;&lt;br /&gt;
b) técnicas agrícolas rudimentares e conseqüente desgaste do solo;&lt;br /&gt;
c) falta de recursos para a compra de sementes;&lt;br /&gt;
d) dificuldades de financiamento;&lt;br /&gt;
e) presença de plantio de maconha. Isto para citar os principais problemas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, com exceção da Cacaria, a Serra do Arapuá não apresenta graves problemas com água, o que é muito raro nessa região e ameniza as maiores dificuldades, possibilitando a manutenção dos pomares que incrementam a alimentação. As principais culturas são feijão de arranca, batata, abóbora, jerimum, macaxeira, fava, andu, mandioca, milho, banana, mamão, caju, pinha, goiaba, abacate, jaca, graviola e manga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O andu e a fava também são plantados, mas não tem época certa. Quando há excedente, comercializam na feira de Floresta. Na Cacaria, durante o inverno, resistem com a água das cacimbas e os caldeirões. Possuem pequenos criatórios de bode, porco e galinha e criam vaca, em pequena quantidade, cerca de seis cabeças. No Enjeitado, há uma pequena produção artesanal com a palha e o talo do catolezeiro: vassouras, cestos, esteiras, caçoás, aribés. Todos dominam a técnica, homens, mulheres e crianças, mas o retorno financeiro não corresponde ao valor agregado da mercadoria, sendo comercializada a baixo custo ou usada como moeda de troca entre vizinhos. Aliás, é através das trocas que os jovens estabelecem relações entre si. Geralmente ajudam a família na roça e não possuem nenhum tipo de renda, assim é comum trocarem roupas e acessórios e, ao mesmo tempo que diversificam seus objetos pessoais, começam a exercer um tipo de autonomia em relação aos pais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As feiras nas cidades mais próximas são um espaço importante de encontros e socialização. Em Carnaubeira, é na segunda-feira e em Floresta, na sexta e sábado. Os Pankará freqüentam mais o município de Floresta, onde compram os suprimentos que não produzem como arroz, fósforos, macarrão, óleo comestível, vestimentas e remédios. Por serem filiados ao sindicato dos trabalhadores rurais, contam ainda com alguns benefícios como aposentadoria e auxílio maternidade. Mas os que não possuem o registro da terra, enfrentam dificuldades com a previdência social.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As dificuldades típicas das camadas empobrecidas do sertão fazem com que os indígenas, apesar da forte ligação cultural e religiosa com o seu território, migrem para Floresta ou grandes centros como Recife e São Paulo em busca de oportunidade de trabalho. A baixa escolaridade e a falta de qualificação profissional os colocam em desvantagem no mercado de trabalho com um destino já conhecido: as periferias urbanas ou retorno à Serra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existe uma forte unidade cooperativa nos núcleos familiares, toda a produção é compartilhada entre as famílias e mesmo na Cacaria, cuja posse é dominial, percebem a propriedade como local de retorno para os que estão distantes: “pode vir caboco de todo canto, que o local tem para trabalhar” (Sr. Pedro Limeira).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Caroline Mendonça|Caroline Mendonça]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERRAZ, Carlos Antonio de Souza. História Municipal de Floresta – os vales, o povo, a evolução sociocultural e econômica. Prefeitura Municipal de Floresta: FIDEM, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GRUNEWALD, Rodrigo de Azeredo. ‘Regime de Índio’ e faccionalismo: os Atikum da Serra Umã. Rio de Janeiro, 1993. Dissertação de Mestrado em Antropologia. Museu Nacional, UFRJ .&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, João Pacheco (Org.). A Viagem da volta – Etnicidade, política e reelaboração cultural no nordeste indígena. Rio de Janeiro:Contra Capa Livraria, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROSA. Hildo Leal. A Serra Negra: refúgio dos últimos “bárbaros” do sertão de Pernambuco. Recife, 1998. Monografia do bacharelado em História. Centro de Filosofia e Ciências Humanas, UFPE.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Édson. Confundidos com a massa da população: o esbulho das terras indígenas no Nordeste no século XIX. Revista do Arquivo público, Recife, n. 46, Vol. 42, 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Caroline Mendonça|Caroline Mendonça]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Pankará}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Caroline Mendonça}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=68090782487cd7970be24.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=44921}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Caroline Mendonça, 2003}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2005-06-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=escuro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=376}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Pernambuco]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Pankaiuk%C3%A1&amp;diff=6283</id>
		<title>Povo:Pankaiuká</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Pankaiuk%C3%A1&amp;diff=6283"/>
		<updated>2018-08-10T21:04:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
No segundo semestre de 2003 foi constituído pela FUNAI um GT (Portaria N° 977/PRES, de 14/10/2003) que executou estudos de Identificação para este núcleo de remanescentes [[Povo:Pankararu | Pankararu]], que posteriormente assumiu o etnônimo Pankaiucá. O trabalho não foi concluído e em 2008 a Funai instituiu um novo GT com a finalidade de realizar estudos complementares e necessários para demarcação de terras para os Pankaiuká. Os índios haviam ocupado um imóvel rural no ano de 1999, denominada Fazenda Cristo Rei, área que está inserida na proposta atual para demarcação. (FUNAI 2010)&amp;quot; (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.ufpe.br/remdipe/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=414&amp;amp;amp;Itemid=247&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Verbete Pankaiuká, Remdipe&amp;lt;/htmltag&amp;gt;)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Esboço}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.ufpe.br/remdipe/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=414&amp;amp;amp;Itemid=247&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Verbete Pankaiuká&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Rede de Monitoramento de Direitos Indígenas em Pernambuco (REMDIPE), Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade (NEPE)/UFPE&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Pankaiuká}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=1343553174529ce4cbc189f.png}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=6557}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2013-12-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=escuro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=385}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Pernambuco]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kapinawa&amp;diff=6282</id>
		<title>Povo:Kapinawa</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kapinawa&amp;diff=6282"/>
		<updated>2018-08-10T21:04:27Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O povo Kapinawá se reconhece como “a rama nova, isto é, descendentes diretos, de índios que foram aldeados na Serra do Macaco ainda no século XVIII.” &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Até o começo dos anos 80 não eram reconhecidos oficialmente como índios, ocupando de forma livre e tradicional as terras que se estendem entre os municípios de Buíque, Tupanatinga e Ibimirim, na área de transição entre o Agreste e o Sertão de Pernambuco, no Vale do Ipanema, no sertão do Moxotó” (Palitot, 2002). Em fins dos anos setenta, os Kapinawá “começam a ser pressionados pelo avanço de uma frente latifundiária e procuram, então, se organizar para conseguir a regularização de suas terras (...) O reconhecimento do grupo foi longo e marcado por vários conflitos, tanto com posseiros e fazendeiros, como entre os próprios índios que vivenciaram um doloroso processo de faccionalismo. (...) Resultado desses conflitos foi a demarcação da área, que contemplou apenas uma parte do seu território tradicional.” (Palitot, 2002)&lt;br /&gt;
=== Festas e religiosidade ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Palitot (2002) afirma que “a representação do sagrado é feita principalmente através das furnas, onde os Kapinawá crêem que residam os seus antepassados. Como a maioria dos povos indígenas na região Nordeste, os Kapinawá expressam sua religiosidade nos rituais do toré  onde costumam beber o Anjucá, o vinho da Jurema, e receber os espíritos de seus antepassados. Também são adeptos sinceros do catolicismo, festejando o seu padroeiro, São Sebastião, no final de janeiro, com novena, missa, zabumba, pífanos, e samba-de-coco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O catolicismo dos Kapinawá é aquele popular, místico, amante das novenas e festas, não fazendo conta da burocracia da igreja, comprometido com o santo padroeiro através das promessas e profundamente familiar e íntimo no trato com o sagrado. A relação com o divino é vista como mais um elemento do cotidiano e um espaço/tempo do lúdico e do desprendimento coletivo do que como uma obrigação ou um ato de contrição e expiação de culpas. É assim que o samba-de-coco é uma brincadeira sagrada, realizada tanto dentro da igreja, em festas de santos, como na &amp;quot;taipagem&amp;quot; das casas.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Esboço}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PALITOT, Estevão Martins &amp;amp;amp; ALBUQUERQUE, Marcos Alexandre dos Santos. ''Relatório de viagem – Índios do Nordeste (AL, PE, PB)''. LACED/UFRJ. 2002. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;huzzazWrapper&amp;quot; style=&amp;quot;width:100%; height: 1700px; margin: 0 auto;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; allowtransparency=&amp;quot;true&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;100%&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://huzzaz.com/embed/kapinawa?vpp=12&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;100%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Kapinawa}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=1279022945294e40891b1f.png}}&lt;br /&gt;
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{{#set:Data verbete=2013-11-18}}&lt;br /&gt;
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{{#set:Povo Id=59}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Pernambuco]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kambiw%C3%A1&amp;diff=6281</id>
		<title>Povo:Kambiwá</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kambiw%C3%A1&amp;diff=6281"/>
		<updated>2018-08-10T21:04:17Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A história dos Kambiwá se confunde com a de uma série de outros índios que habitam, ainda hoje, os sertões pernambucanos. Desde o século XVII, grupos indígenas cujos remanescentes constituem hoje os Kambiwá foram expropriados para a implementação de fazendas de gado, se refugiando nos brejos ou no alto de serras da região. Segundo esses índios, o termo Kambiwá significa “retorno à &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kambiwa/2320&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Serra Negra&amp;lt;/htmltag&amp;gt;”, e este representa hoje o principal objetivo desse grupo, que busca ampliar suas terras de modo a incorporar a Serra Negra, área &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://uc.socioambiental.org/pt-br/uc/596392&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;convertida em Reserva Biológica&amp;lt;/htmltag&amp;gt; na década de 1970.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3715&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena (TI) Kambiwá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; está localizada nos municípios de Inajá, Ibimirim e Floresta, no Estado de Pernambuco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo dados da Funasa cedidos pelas lideranças da comunidade, atualmente, os Kambiwá estão distribuídos em oito aldeamentos principais: Pereiros, Nazário, Serra do Periquito, Tear, Garapão, Americano, Faveleira e Baixa da Índia Alexandra, a aldeia principal, onde se encontra o Posto Indígena Kambiwá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Wallace de Deus Barbosa|Wallace de Deus Barbosa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua e escola ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kambiwá há muito usam o Português como língua corrente. Mas se referem a uma língua, falada pelos seus antepassados, da qual, hoje, ainda persistem algumas palavras. A seguir apresentamos uma amostra desse vocabulário:&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul style=&amp;quot;columns: 2;&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Quaqui'' ou ''guia'': Cachimbo confeccionado com raiz da juremeira&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Matricó'': Cachimbo reto de cerâmica&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Guaipú'': Veado&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Jarita'': Cangambá&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Papú'': Tatú&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Urupá'': Peba &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Pediu'': Tamanduá &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Foiaça'': Raposa &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Caniquin'': Tatú-Bola &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Maci'': Onça &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Tupichaná'': Alecrim-de-caboclo &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Cateobá'': Saiote confeccionado com fibra de caroá &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Coité'': Maraca confeccionado com cabaças &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Urucu'': Caboclo &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Cituru'': Cabocla &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Canomim'': Criança &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Tacajupe'': Negro &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Porrú'': Fumo (tabaco) &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Toe'': Fogo &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Jehuá'': Água &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Geriaci'' ou ''Iraci'': Lua &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Uaraci'': Sol &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Educação escolar ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em parceria com o Centro de Cultura Luiz Freire, os Kambiwá vem buscando implementar um projeto político-pedagógico em suas escolas que esteja voltado para a necessidade de uma educação específica, diferenciada e intercultural de qualidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje existem quatro escolas Kambiwá: Aimberê, localizada na Baixa da Alexandra e com um anexo na área de Retomada; São Francisco de Assis, em Pereiros; Pedro Ferreira de Queiróz, na Aldeia Nazário; Joseno Vieira, na Serra do Periquito. Estas escolas ainda não foram reconhecidas como indígenas. Para que assim sejam, duas estratégias foram desenvolvidas pela comunidade: a implantação do Projeto Escola de Índios e a criação da Comissão de Professores Indígenas em Pernambuco (Copipe), em 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde então, muitas foram vitórias foram alcançadas, como a formação de um quadro de professores em sua maioria índios, a criação de um calendário letivo que respeita as atividades sócio-culturais deste povo e a criação de material didático pelos próprios professores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Wallace de Deus Barbosa|Wallace de Deus Barbosa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XVI, a costa atlântica foi palco dos choques iniciais entre os índios do litoral e o colonizador europeu, quando este – após o furor extrativista do pau-brasil – apropria-se das terras dos índios para fazer suas lavouras de cana-de-açúcar e escravizar nativos. Ainda nesse século o gado é introduzido no continente, a fim de alimentar a população escrava e mover os engenhos da Bahia e Pernambuco, cujos sertões forneciam as pastagens naturais mais acessíveis, no limite das quais irá se desenhar a fronteira de expansão econômica, caracteristicamente pastoril. Contudo, é apenas a partir do século seguinte que a &amp;quot;frente pastoril&amp;quot; irá encontrar os índios do sertão; contingente humano indesejável para o criador expansionista, que os dispensava como mão-de-obra e desejava suas terras. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa modalidade de expansionismo econômico, ao mesmo tempo em que necessitava de grandes extensões de terra, visava a ocupação efetiva do território em questão, fazendo com que os diversos grupos indígenas da região opusessem resistência ao empreendimento pastoril ou buscassem &amp;quot;áreas de refúgio&amp;quot; nos brejos ou altos de serras próximas, tal como hoje se verifica entre os [[Povo:Atikum | Atikum]] (Serra do Umã), [[Povo:Pankararu | Pankararu]] (Brejo dos Padres) e Kambiwá (Serra Negra). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O século seguinte marca presença dos holandeses no Brasil através da Companhia das Índias Ocidentais. Em Pernambuco, os batavos permaneceram por tempo suficiente para estabelecer alianças valiosas com os grupos indígenas locais contra os portugueses, sobretudo com os assim chamados &amp;quot;Tapuia&amp;quot; do sertão, tais como os Otxukayana, Paiakú, Ikó etc. A maior parte desses grupos foram perseguidos na época da Restauração, quando os portugueses resolveram reorganizar a administração das tribos locais, até então relegadas a um segundo plano. Tais perseguições foram levadas a cabo através da ação de bandeirantes paulistas, como Domingos Jorge Velho, e culminaram com um grande e duradouro embate entre os índios que se refugiaram na Serra de Ibiapaba (Província do Ceará) e os neo-brasileiros, que ficou conhecido como “Confederação dos Cariris&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados dos séculos XVIII e XIX, produzem-se relatos importantes sobre os grupos da região, encontrados em Caldas (1759), Vilhena (1802), Casal (1817), entre outros, todos unânimes em afirmar a &amp;quot;decadência&amp;quot; ou &amp;quot;atraso&amp;quot; das recém-criadas vilas de &amp;quot;índios mansos&amp;quot; ou &amp;quot;caboclos&amp;quot;. É dessa época o último relato conhecido a respeito da redução de índios, em que se encontra a referência mais antiga relativa aos Kambiwá. Trata-se de carta endereçada a D. Jozé, Bispo de Olinda, pelo missionário capuchinho italiano Frei Vital de Frescarolo em 1802, publicada somente em 1882. Nesta, o missionário presta conta da tarefa para qual fora incumbido, fornecendo minucioso relato de sua aproximação com os &amp;quot;gentios bravos&amp;quot; do lugar chamado Jacaré, no vale Rio Moxotó. Eis parte de seu principal relato, em que os índios escolhem o lugar ideal para serem aldeados, denotando conhecimento prévio do território em questão e assegurando o caráter imemorial de ocupação daqueles sítios: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A cabo de dez dias, vendo que já estavão contentes e pacíficos, tratei com elles onde haviamos de fazer aldêias, e todos juntos responderam que querião este lugar do Jacaré, porque há muito mel e bixo para comer, e plantariam mandioca na serra do Periquito. distante deste jacaré tres leguas bôas, e já perto da Serra Negra (...)&amp;quot; (:109). &lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta ocasião, o capuchinho italiano afirma ter aldeado nada menos que 114 índios da nação Pipipão &amp;quot;que andavam embreados no sertão da Serra Negra&amp;quot;, e envia à sua alteza Real exemplares das armas e vestes que esses índios tributavam à Coroa, &amp;quot;em sinal de sua obediência e fidelidade&amp;quot;. Segundo seu relato, tais índios compunham uma das quatros remanescentes “nações bárbaras”, junto com os Xocó, Vouê e Umão (:110), estes últimos sendo mencionados, juntos com os Pipipão, como os principais habitantes da Serra Negra, embora Albuquerque (1889), inclua ainda os Aricobés ou Avis neste contingente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apenas do reduzido número de nações indígenas noticiadas por estes relatos, Nimuendaju (1946) menciona nada menos que oitenta diferentes etnias ocupando a área situada entre o sertão propriamente dito – a caatinga – e suas faixas de transição para a mata costeira, o agreste, e para o cerrado – os cocais –, com amplas concentração no curso do baixo e sub-médio São Francisco. Dessa maneira, com o avanço dos pecuaristas só restou aos índios do Sertão a miscigenação e a busca das já mencionadas &amp;quot;áreas de refúgio&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este fato já era de conhecimento do Bispo de Olinda, D. Jozé (:104-5), ao incumbir Frescarolo de estabelecer o referido aldeamento: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Aquelles índios (...) conservando-se na sua rebelião entre serras e brenhas incultas, serão de terríveis consequências para o estado, por isso que elles facilmente fogem, levando consigo armas e bagagem, quando encontrão maior força; e tornão de repente sobre seus inimigos descuidados, (...)&amp;quot; &lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E prossegue: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
(...) aqueles indios serião o ponto de ajuntamento dos negros fugidos, e ainda dos brancos descontentes, si elles existissem por muito tempo na sua rebelião.&amp;quot; &lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hohenthal (1960) faz também diversas menções aos &amp;quot;bandos nômades de Serra Negra&amp;quot; e sugere que decréscimo do contingente humano, registrado entre 1855 e 1861 na Aldeia de Assunção, deveu-se provavelmente ao hábito recorrente que alguns desses grupos mantinham de abandonar suas aldeias para se juntarem aos primeiros. Segundo esse autor (:55), várias foram as tentativas de aldear em Brejo dos Padres – junto dos Pankararu, com quem sempre mantiveram estreitas relações – os assim chamados &amp;quot; índios arredios de Serra Negra&amp;quot;, os quais foram perseguidos por elementos da sociedade nacional, especialmente entre 1824 a 1858. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na verdade, não é possível precisar ao certo quantos e quais eram exatamente os antigos habitantes da Serra Negra, embora haja uma certa unanimidade na crença de que eram os Pipipã que formavam o contigente majoritário. Albuquerque (1989) parece concordar com esta estimativa, ao descrever uma das diversas ocasiões em que estes índios foram alijados de seu sítio: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1823, José Francisco da Silva e Cipriano Nunes da Silva expeliram à mão armada os índios Pipipãs que habitavam a Serra Negra, situaram uma fazenda pastoril, construíram casas e currais, fizeram grandes plantações, abriram estradas, e para sua garantia mantinham gente armada, prevenindo qualquer investida dos índios espoliados de suas terras (...) &amp;quot; (:133). &lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Ma. Milagres Leite Cerqueira (1981), responsável pelo levantamento dos grupos indígenas atuais do Estado de Pernambuco para o Condepe (Instituto de Desenvolvimento de Pernambuco), esses índios fazem parte de grupos que, possivelmente com outros nomes, vagaram muito tempo pela Serra Negra até serem de lá expulsos. Durante sua pesquisa colheu relatos dos &amp;quot;caboclos&amp;quot; que afirmam ter sido expulsos da Serra durante as perseguições à Lampião e seu bando, entre 1922 e 1928. Eis o seu relato: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A polícia os fustigava da serra, na suposição de que eram 'coiteiros' do bando. Em 1950, vivendo próximo a atual reserva, suas roças foram queimadas pelos fazendeiros locais, sendo induzidos pelo Juiz de Direito a vendê-las por preços ínfimos, ficando a vagar pela região até serem aldeados&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lowie (1963) também refere-se, de forma breve, aos &amp;quot;índios de Serra Negra&amp;quot;, classificando-os na designação genérica de &amp;quot;Tapuia&amp;quot;, afirmando contudo – ao contrário de Estevão Pinto (1953) quando faz menção a estes índios – tratar-se de um grupo cuja filiação lingüística o colocaria em &amp;quot;tronco&amp;quot; distinto dos Jê. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nimuendajú (1937) menciona os &amp;quot;índios de Serra Negra&amp;quot; por ocasião de sua passagem pelo interior de Pernambuco, quando esteve entre os [[Povo:Xukuru | Xukuru]] em Cimbres e os Pankararu em Brejo dos Padres. Entre estes últimos chegou a registrar um vocabulário com 25 itens, atribuídos pelos informantes aos seus patrícios de Serra Negra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A menção mais antiga que podemos encontrar a estes índios como designação atual de Kambiwá vem de Hohenthal Jr. (1954 : 98), a qual descrevemos na íntegra: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
No que concerne à sua desaparição, simplesmente não sabemos a resposta. Eles [os Kambiwá] podem ter perdido sua identidade tribal sendo absorvido por outros grupos indígenas, refugiando-se na Serra Negra e sertão circunvizinho, escondendo-se durante um intenso período de perseguição ativa (1824/1858) pelos sertanejos locais. Nesta mesma linha alguns poucos sobreviventes da tribo chamada Kambicá, não registrada em documentos históricos, até onde se sabe, continuam sobrevivendo precariamente na parte ocidental na Serra Negra, uns poucos indivíduos do grupo casaram e vivem entre os índios Pankararu de Brejo dos Padres, Tacaratú, Pernambuco.(...) Com muitos deste pequenos bandos de índios perambulando através do sertão, compreensivelmente temerosos de sua descoberta pelos perseguidores brancos, não é de todo estranho que o nome tribal destes remanescentes tenha sido esquecido, e que os pequenos bandos tenham sido absorvidos por grupos maiores, com a consequente perda dos históricos nomes tribais&amp;quot; (trad. nossa). &lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1968 são empreendidas duas pesquisas lingüísticas, quase que simultâneas, nas quais os Kambiwá são rapidamente mencionados. A primeira, empreendida pelo lingüista tcheco Cestimir Loukotka (1968), faz referência ao grupo como antigos habitantes da Serra Negra mas não apresenta nada de conclusivo sobre seu idioma, que ainda persiste através da utilização esparsa de alguns vocábulos, principalmente em ocasiões cerimoniais. A segunda é levada a cabo através de Dale W. Kietzman do &amp;quot;Summer Intitute of Linguistics&amp;quot; (atualmente designada no Brasil por Sociedade Internacional de Lingüística). Eis o seu relato sobre os Kambiwá: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Cerca de 200 famílias estão espalhadas pela região central de Pernambuco, a maior concentração, que consiste de cerca de 20 famílias, está em São Serafim, perto de Serra Talhada. Todos os Kambiwá foram afastados da Serra Negra num passado recente por fazendeiros invasores. Eles nunca mais se reagruparam e de um modo geral estão vivendo em circunstâncias paupérrimas&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em nosso entender, boa parte da história dos atuais Kambiwá ainda se encontra passível de registro através da coleta dos relatos de índios e regionais – principalmente aqueles de idade mais elevada –, os quais detêm na memória elementos de grande valia no sentido de se recuperar um pouco do poderíamos chamar de &amp;quot; tradição oral&amp;quot; do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Reivindicação territorial ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No âmbito do órgão de assistência oficial dos índios, a reivindicação pelo reconhecimento dos Kambiwá e de seu território começa a ser registrado no ano de 1968 com uma carta endereçada ao Sr. Diretor da Fundação Nacional do Índio - Brasília, assinada por diversos &amp;quot;descendentes&amp;quot; dos índios da tribo do aldeamento no lugar Serra Negra e suas adjacentes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1971 foi criado um Posto Indígena Kambiwá (PP No. 13 de 14.06.1971), considerando que &amp;quot;as populações da Baixa da Índia Alexandra são remanescentes de índios Kambiwá&amp;quot; e &amp;quot;que essas populações, juntamente com as de Faveleira, inveja e Serra do Periquito também remanescentes indígenas, somam 2.122 indivíduos&amp;quot; (proc. 1.268/fls.51). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, somente no ano de 1978 a área indígena Kambiwá foi demarcada. Este procedimento teve como subsídio preliminar apenas um levantamento topográfico, não cumprindo as exigências do decreto No. 76999 de 08.01.76, nem os itens do levantamento antropológico constantes na portaria 517/11 de 03.08.78. A demarcação foi assim realizada por um engenheiro agrônomo e um auxiliar técnico de topografia, totalizando 16.085 ha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo sendo referenciada como área demarcada, o fato de não ter seguido o processo normal de definição de uma área indígena fazia com que fosse freqüentemente questionada, o que a tornava passiva a revisões. Os Kambiwá, insatisfeitos, não cessaram de reivindicar seu território, pois continuavam sentindo-se explorados. [ver desdobramentos desse processo no item Os Kambiwá e a Serra Negra]&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Wallace de Deus Barbosa|Wallace de Deus Barbosa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social e subgrupos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Kambiwá, cada aldeamento possui um representante que serve de intermediário entre o cacique e a comunidade. Existe ainda um &amp;quot;conselho&amp;quot;, com cerca de dez integrantes, que tem a responsabilidade de se reunir para definir questões comuns a todos. A unidade do grupo indígena é mantida através do conselho, como também das autoridades do cacique e do pajé. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao cacique compete decidir sobre questões internas ao grupo, convocar o conselho e servir de porta-voz entre este e a Funai, ou qualquer outro envolvido em questões com os Kambiwá, além de promover eventos, inclusive de cunho religioso. O pajé, seu Neco, com a saúde debilitada, está afastado da função, a qual é exercida pelo vice-pajé Ivan. Esta autoridade, na atualidade, possui como uma das funções principais o assessoramento constante ao cacique nas decisões que se referem à comunidade Kambiwá. Há também um íntima relação entre a figura do pajé e a prática do curandeirismo, através de rezas e utilização de ervas medicinais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As aldeias são constituídas pela aglutinação de famílias nucleares, vivendo cada uma em sua habitação, que é, geralmente, uma precária construção de taipa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O espaço físico parece estar organizado de acordo com a descendência de algumas famílias específicas, como por exemplo: o terreiro dos &amp;quot;Roseno&amp;quot;, do &amp;quot;Fulô&amp;quot;, ou ainda o território dos &amp;quot;Panta&amp;quot; e dos &amp;quot;Pelonha&amp;quot;, na aldeia Pereiros. &lt;br /&gt;
== Divisões internas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O nome ''Kambiwá'' constitui uma designação genérica através da qual os diversos grupos indígenas remanescentes de antigos moradores da Serra se reorganizaram no sentido de afirmar sua identidade indígena e desta forma fazer valer, junto à sociedade nacional, seus direitos étnicos. Na verdade, o grupo indígena Kambiwá é composto por dois grandes sub-grupos, a saber: &amp;quot; os Caboclos da Barra&amp;quot; e os parentes de “João Cabeça-de-Pena&amp;quot;. Os primeiros sendo originários da região conhecida como &amp;quot;Ribeira&amp;quot;, situada na região do vale do Rio Moxotó (antigo &amp;quot;Olho D'água da Gameleira&amp;quot;), enquanto estes últimos seriam antigos moradores da Serra Negra. Consideram-se, ainda, descendentes dos Pipipã e &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/atikum/158&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Umã&amp;lt;/htmltag&amp;gt;; grupos que habitavam ainda – principalmente os primeiros – a Serra do Periquito, Poço do Ferro, Faveleira e Realengo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes dois grandes sub-grupos que constituem o grupo indígena Kambiwá, por sua vez, subdividem-se em vários sub-grupos, da forma a seguir: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Caboclos-da-Barra''': Romana, Pereira, Lima, Pelonha, Anelino e os Ricardos &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Parentes de João Cabeça-de-Pena''': Flor, Bela, Camisinha, Roseno e Viana &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas divisões internas são relativas ao processo de reorganização étnica, a partir dos dois principais grupos formadores. É provável que, entre 1939 e1940, ocasião em que já tinham sido definitivamente desalojados da Serra, &amp;quot;Cabeça-de-Pena&amp;quot; e seu grupo tentaram retornar à Serra Negra, pedindo apoio ao governo Getúlio Vargas, através do Padre Alfredo Dámaso e recebendo, segundo os relatos, resposta positiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1950, vários segmentos dos dois principais grupos kambiwá acima mencionados ainda se encontravam dispersos nas proximidades da Serra Negra. Por volta desta época, saíram da localidade conhecida por &amp;quot;Barra&amp;quot; (atual &amp;quot;Pereiro&amp;quot;), uma índia kambiwá chamada Tereza e seu marido, um índio kapinawá. Este, por insistência da esposa, aceitou sua idéia de partir na direção de Serra Negra, quando encontraram, já nas imediações da mesma, uma série de pequenos grupos de famílias indígenas, entre as quais os &amp;quot;Amâncio&amp;quot;, os &amp;quot;Pereira&amp;quot; e alguns integrantes da atual família &amp;quot;Lima&amp;quot;. Quando chegaram onde hoje é a sede do PIN Kambiwá encontraram, além destes grupos, alguns parentes de &amp;quot;João Cabeça-de-Pena&amp;quot;, que, alguns anos antes, haviam sido expulsos da Serra Negra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se portanto de um reagrupamento de diversos grupos remanescentes de populações indígenas locais, cujo passado comum de ocupação imemorial da Serra Negra faz com que a reconheçamos como um verdadeiro elemento de sustentação de sua identidade étnica indígena. &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Wallace de Deus Barbosa|Wallace de Deus Barbosa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Economia e ambiente ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A terra Kambiwá está situada no sertão pernambucano, na parte do sub-médio São Francisco, onde predomina clima seco de estepe com chuvas irregulares, provocando constantes períodos de estiagem. De acordo com o levantamento do Condepe (1980) menos de um quarto do território demarcado em 1978 se presta para o plantio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com estas características, adicionadas à falta de assistência técnica, não resta alternativa aos Kambiwá que a agricultura de subsistência. Não existem condições favoráveis para as culturas permanentes, devido ao solo arenoso e à quantidade de formigas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escassez de água é um dos principais problemas para a manutenção econômica dos Kambiwá. Sua obtenção é feita através dos poucos poços existentes, cuja profundidade é sempre superior a 100m. É comum a construção de &amp;quot;barreiros&amp;quot;, ou seja, pequenos lagos artificiais para o armazenamento da água proveniente das chuvas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando há excedentes da agricultura, os produtos são comercializados na feira de Inajá (realizada na segunda-feira) e Ibimirim (realizada no sábado). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à pobreza do seu solo e à escassez da água, os Kambiwá muitas vezes são obrigados a trabalhar em terras (algumas devolutas) fora dos limites demarcados, ou mesmo empregam sua mão-de-obra em fazendas da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A faixa de terra mais produtiva ficou excluída da demarcação realizada em 1978, não garantindo nem mesmo a sobrevivência física do grupo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há na TI um pequeno criatório de caprinos e bovinos, representativos apenas do ponto de vista da economia familiar, ou seja, que não têm expressão comercial, auxiliando apenas na economia doméstica de subsistência. O criatório bovino ocorre, geralmente, em regime de &amp;quot;um quarto&amp;quot;, entre índios e fazendeiros locais. Neste sistema os Kambiwá cuidam do gado até que ele se reproduza. Em cada quatro &amp;quot;cabeças&amp;quot; que nascem, uma é do índio. Esse tipo de acordo apresenta-se bastante desvantajoso para os Kambiwá, considerando que apenas alguns poucos índios conseguiram chegar à quarta cria que lhes garante a &amp;quot;cabeça&amp;quot; de gado. Algum criatório de galinha também existe no quintal das casas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A caça é outra atividade econômica praticada pelos Kambiwá; através dela a dieta da comunidade é complementada. Caçam tatu, peba, veado etc. Porém, esta prática vem sendo prejudicada pelos constantes desmatamentos e invasões de pessoas de outras regiões, que praticam a caça em caráter desportivo e predatório. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A produção artesanal dos Kambiwá está concentrada na confecção de bolsas, esteiras, redes, tapetes, vassouras, cestos e indumentárias de palha de ouricuri (Cocos coronata) e fibra de caroá (Neoglazcovia varregata). Todos estes objetos de maneira geral são destinados ao consumo interno e sua confecção constitui prática eminentemente feminina. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existe também os trabalhos em madeira – esculturas, santos, correntes, carrancas etc. – feitas em imburama-de-cambão (Amburama cearensis), realizados pelos homens e objetivando a comercialização. Do ponto de vista econômico, porém, esta atividade estava se apresentando pouco rentável, considerando que apenas a aldeia Baixa da Alexandra concentrava o papel de comercializar o artesanato. A partir de 2002, a Universidade Federal de Pernambuco, através do projeto Imaginário Pernambucano, interveio na produção artesanal do povo Kambiwá, investindo na qualidade dos produtos e processos produtivos, buscando novas alternativas de geração de renda e promovendo a aproximação dos artesãos com o mercado.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Wallace de Deus Barbosa|Wallace de Deus Barbosa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Manifestações culturais ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kambiwá, como muitos dos grupos indígenas nordestinos, devido ao violento processo de dominação a que foram submetidos até os dias atuais, tiveram muitos de seus aspectos que os diferenciam da sociedade envolvente reprimidos, para garantir sua sobrevivência, evitar discriminações e afastar o pesado estigma de ser &amp;quot;caboclo&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, existe todo um processo de reavivamento de sua identidade étnica, considerando que o &amp;quot;ser diferente&amp;quot; é oficialmente reconhecido e legalmente garantido. O movimento indígena no Brasil, particularmente no Nordeste, vem atuando como suporte para adoção, por parte dos povos indígenas, de uma nova postura, que salienta os elementos que os definem como sociedades diferenciadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias atuais, os Kambiwá apresentam como práticas ritualísticas as danças dos ''Praiá'' e do ''Toré''. Na primeira, participam somente homens, denominados &amp;quot;moços do ''Praiá''&amp;quot; ou &amp;quot;novos&amp;quot;, que formam um tipo de confraria masculina. Trata-se de um ritual de cunho mais reservado, durante o qual são cumpridas &amp;quot;obrigações&amp;quot;. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O praiá, segundo as informações, trata-se de uma prática dispendiosa. Além da alimentação oferecida pelo organizador, é ainda servida a &amp;quot;garapa&amp;quot; (água com açúcar), o ''caxixi'' (aguardente com ervas) e o ''porrú'' (fumo). Nestas ocasiões, os oito &amp;quot;moços&amp;quot; kambiwá, cujas idades variam de 10 a 60 anos, utilizam máscaras, por eles confeccionadas com fibras de caroá. São compostas de cinco peças: o &amp;quot;''tunã''&amp;quot; ou a máscara propriamente dita, que cobre até a altura do pescoço com feixes de fibras que caem sobre os ombros; a &amp;quot;''cateoba''&amp;quot;, um saiote; uma rodela de penas de peru, fixa no eixo superior do &amp;quot;''tunã''&amp;quot;; o penacho, tubo de penas atadas a uma ponta de madeira que se encaixa em um orifício, na parte superior da máscara; e a &amp;quot;cinta&amp;quot;, um pequeno lenço retangular, composto de retalhos de chita. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já o ''Toré'' possui um caráter menos rígido, podendo acontecer nas mais variadas ocasiões. Perguntando sobre quando ocorreria um ''Toré'' que pudéssemos assistir, o cacique Pedro Joaquim respondeu que só dependia do nosso aviso para que se organizassem. O ''Toré'' tem para o grupo função de enfatizar sua identidade indígena. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''toré'' é dançado por indivíduos do sexo masculino e feminino. Utilizam indumentárias compostas de &amp;quot;''cateoba''&amp;quot;, &amp;quot;manto&amp;quot; e &amp;quot;chapéu&amp;quot;. O &amp;quot;manto&amp;quot; se assemelha à cateoba, amarrado na altura dos ombros. Utilizam ainda o &amp;quot;''coité''&amp;quot;, espécie de maracá feito da cabaça nativa cujo chocalhar acompanha o ritmo dos toantes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da religiosidade kambiwá estar intimamente relacionada com a regional, por meio das novenas e celebrações dos dias santos mais tradicionais, possui momentos de completa diferenciação. O ''praiá'' e o ''toré'' têm também esta função, além do consumo da Jurema (ou ''anjucá''), bebida extraída da juremeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Wallace de Deus Barbosa|Wallace de Deus Barbosa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Kambiwá e a Serra Negra ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Situada no chamado &amp;quot;Alto Sertão&amp;quot; pernambucano, a Serra Negra é descrita como uma &amp;quot;ilha&amp;quot; no imenso &amp;quot;mar&amp;quot; da caatinga. Até o momento da criação da Reserva Biológica (Rebio) de Serra Negra, administrada pelo então IBDF (órgão antecessor do Ibama), na década de 1970, a ocupação humana daquele sítio se deu de forma permanente e flutuante, caracterizando um tipo específico de &amp;quot; transumânia &amp;quot;, motivada pela busca de terras para a agricultura. De fato, a Serra Negra não seria uma &amp;quot;ilha&amp;quot; apenas pelo seu micro-clima no meio da semi-aridez da planície, mais também por ser uma ilha de pequena agricultura em volta do oceano do criatório latifundiário e extensivo. Seu quadro natural condiciona uma ocupação dividida em três sítios diversos: a &amp;quot;chã&amp;quot;, a encosta sul e o &amp;quot;pé-de-serra&amp;quot; Norte. Em todos, a paisagem cultural se construiu através e em função do uso da terra para a agricultura, fazendo com que sua geografia seja predominantemente agrária. Este seria o quadro da ocupação recente – anterior à criação da Rebio –, em que os produtos de subsistência, como a mandioca, o feijão e o milho, eram os que mais interessavam aos lavradores (brancos e índios). Além destes, o cultivo do café e a eventual presença de algumas bananeiras complementavam o cenário. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não obstante o fato de ter a Serra Negra todos os atributos necessários à sobrevivência biológica e cultural dos Kambiwá ou, ao menos de boa parte dele, e a despeito da precária situação de subsistência no &amp;quot;Baixo&amp;quot;, o interesse dos Kambiwá pela Serra não é propriamente econômico. Considerada a &amp;quot;mãe&amp;quot; da qual seus filhos foram afastados, a Serra Negra constitui um sustentáculo da identidade étnica dos diversos grupos reunidos sob a designação genérica ''Kambiwá''. Vários são os relatos que dão conta das sucessivas expulsões da Serra a que foram submetido os mais velhos com respectivas famílias, induzido-os a um movimento de diáspora permanente e conseqüente ocultamento da identidade indígena, sujeitos que estavam à repressão de suas práticas rituais (quando se reuniam para brincar o ''Toré'' nos terreiros), inclusive com o apoio de forças policiais do Estado. Esta situação preservou até o momento em que se reuniram os diversos remanescentes no local onde hoje se situa o posto indígena Kambiwá. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O maior interesse dos Kambiwá para com a Serra Negra reside, desta forma, na possibilidade de retornar à mesma, não de maneira definitiva ou para fixar morada – tendo em vista que os próprios índios manifestam receio de que a ocupação da Serra para &amp;quot;botar roça&amp;quot; possa ocorrer de forma desordenada, colocando em risco seu ecossistema), mas quantas vezes for necessário para a preservação e reprodução de sua cultura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1994, os Kambiwá obtiveram autorização, mediante acordo entre Funai e Ibama para visitar a Serra Negra duas vezes por ano no período destinado à suas práticas religiosas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Wallace de Deus Barbosa|Wallace de Deus Barbosa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;BARBOSA, Wallace D.. Um embate de culturas : análise de processos políticos e estratégias sócio-culturais na construção das identidades Kambiwa e Pipia. Rio de Janeiro : Museu Nacional, 2001. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;-------. Pedra do encanto : dilemas culturais e disputas políticas entre os Kambiwa e os Pipipa. Rio de Janeiro : Contra Capa ; Laced, 2003. 199 p. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;CASAL, Manuel A. de. Coreografia brasílica ou relação histórico geográfico do Reino do Brasil. Belo Horizonte : Itatiaia, s/d [1ª ed. 1817]. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CONDEPE (Instituto de Desenvolvimento de Pernambuco). As comunidades indígenas de Pernambuco. Recife : Condepe, 1981. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;NIMUENDAJU, Curt. &amp;quot;Mapa Etno-Histórico&amp;quot;. Rio de Janeiro : IBGE, 1982 [1946]. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;VILHENA, Luis S. A Bahia do Séc. XVIII (Recompilação de notícias soteropolhanas e brasilicas), 3 vols., Salvador, 1969 [1802].&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Vânia Fialho|Vânia Fialho]] e [[Usuário:Wallace de Deus Barbosa|Wallace de Deus Barbosa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Kambiwá}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Vânia Fialho}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Wallace de Deus Barbosa}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=18089498565294e3d9d5f95.png}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=16680}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2006-02-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=escuro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=143}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Pernambuco]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Fulni-%C3%B4&amp;diff=6280</id>
		<title>Povo:Fulni-ô</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Fulni-%C3%B4&amp;diff=6280"/>
		<updated>2018-08-10T21:04:07Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Fulni-ô são o único grupo do Nordeste que conseguiu manter viva e ativa sua própria língua - o Ia-tê - assim como um ritual a que chamam Ouricuri, que atualmente realizam no maior sigilo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na parte central das terras da reserva indígena se encontra assentada a cidade de Águas Belas rodeada totalmente pelo território Fulniô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e língua ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na literatura histórica, e em uma parte da literatura antropológica, os índios de Águas Belas são chamados Carnijós ou Carijós, inclusive Cajaú (Hohenthal, 1960). Não se têm notícias do ano em que foram aldeados; o certo é que, em meados do século XVIII, já eram designados pelo nome de Carnijós. É possível que nesta aldeia tenham se fundido elementos provenientes de vários grupos étnicos que mais tarde se reorganizaram de forma clânica, adotando então o nome do grupo anfitrião: Fulni-ô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Fulni-ô foram durante muito tempo considerados, pelos estudiosos, como os últimos remanescentes dos históricos índios Karirí, cujo hábitat abarcava todo o Nordeste do Brasil (Boudin, 1949). Um exemplo desta posição é a de Mario Melo, que os considerou como o &amp;quot;último rebento dos Cariris que dominaram os nossos sertões&amp;quot; (Melo, 1929). Segundo Boudin (1949), esta confusão ocorreu porque ambos grupos habitavam a mesma região, ou seja o alto e médio São Francisco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A hipótese de que os Fulni-ô foram kariri ficou descartada desde o momento em que uma análise lingüística comparativa concluiu que &amp;quot;a língua dos índios Karnijós difere consideravelmente da dos amerícolas da família kariri&amp;quot; e que o Ia-tê bem pode ser uma língua autônoma, já que &amp;quot;representa as relíquias de uma família lingüística, ainda não computada na relação das línguas americanas do Brasil ou liga-se a alguma família que não tem representantes no nosso território, pelo menos devidamente conhecidos&amp;quot; (Sobrinho, 1935: 49). Recentemente, o lingüista Aryon Dall'Igna Rodrigues (1986) classificou tanto a família kariri como a língua ia-tê como integrantes do tronco macro-jê, embora sem incluir esta língua em uma família particular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente todos os índios em Águas Belas falam português; em Ia-tê se comunicam principalmente os adultos e idosos; os mais jovens e as crianças usam com mais freqüência o português. Apesar de que o Ia-tê possa estar perdendo terreno para o português, tem ou cumpre um importante papel dentro da sociedade indígena.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Hernández Díaz|Jorge Hernández Díaz]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Memélia Moreira&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210445-1/fulnio_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Fulni-ô atualmente habitam o município de Águas Belas, situado na zona fisiográfica do Sertão, a 273 quilômetros da capital do estado de Pernambuco. O município está compreendido no chamado polígono das secas. A região de Águas Belas é cortada de norte a sul pelo rio Ipanema, que desemboca no São Francisco. Em 1980, a população do município era de 37.057 habitantes, dos quais  11.714 viviam na área urbana, e 25.343 na área rural. Esta última cifra inclui a aldeia indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida dos Fulni-ô transcorre em duas aldeias. Uma delas se localiza junto à cidade de Águas Belas. É nesta aldeia que se encontram as instalações do Posto Indígena da Fundação Nacional do Índio (FUNAI); a outra é o lugar sagrado do ritual do Ouricuri, onde se estabelecem nos meses de setembro a outubro.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Hernández Díaz|Jorge Hernández Díaz]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Informação demográfica ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Jorge Hernández Díaz, 1983&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210448-1/fulnio_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dados mais antigos sobre a população Fulni-ô remontam a 1749, quando, segundo registro da &amp;quot;Informação Geral da Capitania de Pernambuco&amp;quot; (1906), na aldeia da Ribeira do Panema, viviam 323 pessoas pertencentes a este grupo. Estêvão Pinto, citando como fonte relatórios da Diretoria dos Índios, diz que em 1855 a população ascendia a 738; já em 1861 esta cifra havia caído quase pela metade, pois só restavam 382 pessoas, que compunham 90 famílias (Pinto, 1956:25). Comenta o autor citado que a causa da diminuição da população pode ter sido uma epidemia de cólera que atacou a aldeia em 1856. Em 1873 o número de indígenas Fulni-ô se reduziu a pouco menos de uma centena (Costa Júnior, 1942:11; Pinto, 1956: 26).&lt;br /&gt;
Pouco a pouco a população foi se recuperando; em 1922 a aldeia contava com aproximadamente 500 índios &amp;quot;...distribuídos por cento e cincoenta choças, quase todas de palha&amp;quot; (Pinto, 1956: 26). Deduzimos que já para 1937 deva ter aumentado consideravelmente o número de indígenas Fulni-ô, pois, em um artigo escrito naquela época, Carlos Estêvão de Oliveira, ao referir-se a este grupo, comenta que havia um milhar de pessoas que falavam a língua Ia-tê (1942: 171).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível que a cifra dada por Carlos Estêvão de Oliveira seja um pouco otimista, já que, segundo os relatórios da IVa. Inspetoria Regional correspondentes a 1945 e 1948, a aldeia contava com 823 e 1.263 indígenas respectivamente (Pinto, 1956: 26). Em 1982 residiam na aldeia 2.668; esta cifra havia aumentado para 2.788 em 1989, segundo registros da FUNAI (Povos Indígenas no Brasil 1991/1996, ISA, 1996).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Hernández Díaz|Jorge Hernández Díaz]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Antecedentes históricos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No território da Capitania de Pernambuco viviam numerosos grupos tribais que falavam a língua Tupi. Os índios que não falavam tupi eram conhecidos como &amp;quot;Tapuios&amp;quot; ou &amp;quot;Tupuyaa&amp;quot;. Na época colonial, os índios que habitavam o litoral foram empurrados para o interior, dando lugar a novas populações. Assim, por exemplo, o povoamento de boa parte do vale do São Francisco se deve aos indígenas e à obra catequista dos sacerdotes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também teve muito que ver na conformação de uma nova distribuição demográfica a luta que, em meados do século XVII, sustentaram portugueses e holandeses na disputa pelo território brasileiro. Depois que os holandeses foram expulsos de Pernambuco, os portugueses decidiram reorganizar a administração dos grupos indígenas da região. É possível que, tendo em vista essa reorganização administrativa, a coroa portuguesa tenha decidido reunir em aldeias os indígenas, para manter melhor controle sobre eles. Assim se explica sua insistência em dotar os índios de &amp;quot;uma légua de terra em quadra&amp;quot; para que aí fossem concentrados pelo menos 100 casais indígenas. Supomos que foi aproximadamente nessa época que os Fulni-ô foram aldeados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Hernández Díaz|Jorge Hernández Díaz]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O ritual do Ouricuri ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os preparativos para a mudança para a aldeia do Ouricuri se iniciam nas últimas semanas do mês de agosto. Todos os Fulni-ô que trabalham fora de Águas Belas, como funcionários, professores, policiais, durante a primeira semana do ritual pedem licença para se ausentarem do trabalho e se concentrarem na aldeia do Ouricuri; os que podem aí permanecem sem sair durante todo o ritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os Fulni-ô têm como norma a proibição de falar do ritual. Os anciãos asseguram que aqueles que infringiram esta norma tiveram morte estranha. Sem dúvida esta é uma advertência para evitar a quebra do sigilo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma parte do que acontece na aldeia do Ouricuri é de domínio público. Sabemos assim que existem áreas onde as mulheres não podem entrar, embora elas tenham conhecimento das atividades que se realizam nesses lugares. Durante a noite os homens dormem separados das mulheres, estas nas casas e aqueles nos galpões. Durante os meses do ritual está proibido manter relações sexuais dentro da aldeia do Ouricuri. Embora não se pratique uma abstinência sexual absoluta, respeita-se o lugar sagrado do ritual, mantendo este tipo de relações fora da aldeia. Está proibido também tomar bebidas alcoólicas, escutar música, e inclusive assobiar. Quando um Fulni-ô na cidade ou na aldeia do Posto Indígena toma alguma bebida alcoólica, não pode ir à aldeia do Ouricuri. Por esse motivo nesta época evitam tomar qualquer bebida embriagante. No dizer de alguns anciãos no ritual rezam e oram pelo bem de todos, pois asseguram que sua religião é bastante parecida com a religião católica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ritual do Ouricuri, o Ia-tê desempenha um papel fundamental, já que é a língua preferencialmente falada durante as suas quatorze semanas de duração. É aí que se socializam os membros mais jovens pelo ensino de um código simbólico diferente daquele utilizado pela sociedade envolvente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos eventos de maior importância no ritual é a eleição de suas autoridades, ou seja o Pajé, o Cacique e a Liderança. No ritual do Ouricuri, tanto o Cacique como o Pajé são figuras centrais. Não sabemos quais são suas atribuições nem tampouco os limites de sua autoridade. Quando perguntamos qual dos dois tinha mais autoridade fora do ritual, obtivemos respostas que se contradiziam. Assim, enquanto uns diziam que era o Cacique, outros diziam que era o Pajé. Mas parece haver um consenso de que, ao se abordar qualquer assunto que incumba ao grupo como um todo, os dois devem atuar de comum acordo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigamente a aldeia ritual se erigia com casas de palma de ouricuri. Cada ano, ao aproximar-se a abertura do ritual, os índios levantavam suas respectivas casas, a quais desmontavam ao fim do mesmo. Atualmente as casas são permanentes, embora construídas com materiais de qualidade inferior ao daquelas existentes na aldeia do Posto Indígena. As condições sanitárias são também mais precárias do que nesta última. Até 1981, os Fulni-ô se abasteciam, durante os meses do ritual, da água depositada durante o período das chuvas em dois grandes poços; geralmente a água se esgotava antes da conclusão do ritual; então tinham que buscá-la na cidade, ou nos rios da serra distantes seis ou sete quilômetros, transportando-a em carroças puxadas por mulas. Com a falta de água, as condições sanitárias pioravam ainda mais, e o número de mortes causadas por infecções intestinais era alarmante. Afortunadamente, em 1982, conseguiram que a empresa que provê de água a cidade de Águas Belas fizesse uma extensão de suas instalações até a aldeia do Ouricuri; em troca os indígenas permitiriam que esta empresa (COMPESA) explorasse um dos rios que existem em suas terras para abastecer a cidade de Águas Belas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Hernández Díaz|Jorge Hernández Díaz]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os matrimônios interétnicos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Fulni-ô, numericamente falando, as uniões interétnicas são proporcionalmente importantes. Assim, com base em dados encontrados no Posto Indígena, entre 1940 e 1970 se registraram na aldeia 173 destas uniões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos requisitos indispensáveis para poder participar do ritual do Ouricuri é a exigência de ser filho de pai e/ou mãe Fulni-ô. Além desse, existe outro requisito: o de assistir ao ritual do Ouricuri desde a mais tenra idade. Quem não o faz perde o direito de participar mais tarde e, portanto, deixa de ser considerado índio Fulni-ô. Assim, todos aqueles filhos de uniões interétnicas que participam do ritual se identificam como índios Fulni-ô e são assim reconhecidos (na maioria dos casos) pelos &amp;quot;brancos&amp;quot; ou &amp;quot;civilizados&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que tange aos filhos de uniões interétnicas que não assistem ao ritual, podemos dizer que alguns deles se auto-identificam como índios e exigem ser reconhecidos como tais, com o que os Fulni-ô não concordam. Geralmente os filhos de uniões interétnicas, embora não assistam ao ritual, mantêm estreitas relações com os Fulni-ô e vivem dentro da Terra Indígena ou inclusive na própria aldeia do Posto. Os filhos de uniões interétnicas enfrentam problemas devido, como dizia um ancião, estarem &amp;quot;entre duas nações&amp;quot;: por um lado os índios legítimos os discriminam chamando-os de &amp;quot;grogojó&amp;quot;, por outro os &amp;quot;civilizados&amp;quot; lhes negam seu status de índios, mas sem aceitá-los totalmente como parte da comunidade &amp;quot;branca&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, apesar de ambas as sociedades não aceitarem totalmente os matrimônios interétnicos, estes continuam a se realizar. Quando algum jovem indígena pretende casar-se com uma &amp;quot;civilizada&amp;quot;, os anciãos tentam dissuadi-lo. Os &amp;quot;civilizados&amp;quot; tampouco têm simpatia por este tipo de união.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Remanescentes e descendentes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Existem duas categorias sociais em que os Fulni-ô classificam seus descendentes, mas sem considerá-los parte do grupo. A primeira está formada por aquelas pessoas que vivem nas terras da reserva e que, por possuírem parte delas, a FUNAI as reconhece como índios; a elas chamam remanescentes. A segunda é constituída por aqueles indivíduos que são filhos de uniões interétnicas, mas que não participam no ritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Terra Indígena viviam em 1982 aproximadamente setenta famílias que possuiam terrenos dentro da mesma. Para a FUNAI estas famílias são indígenas, mas para os Fulni-ô não são. A origem deste grupo é um tanto incerta. O mais provável é que se trata de descendentes de uniões interétnicas que deixaram de assistir ao Ouricuri.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Fulni-ô justificam a exclusão dos remanescentes de seu grupo, argumentando que não são índios, pois não assistem ao ritual do Ouricuri, não falam Ia-tê e vivem fora da aldeia. A maioria destes remanescentes tampouco se identifica como índios, embora reconheça que descende de pais indígenas. O único vínculo que atualmente parece existir entre os Fulni-ô e os remanescentes é a possessão da terra e é para mantê-la que os segundos manipulam sua identidade, de modo a alegar direitos sobre as propriedades que possuem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à segunda categoria, existem dois grupos: aqueles que se identificam com os índios e que se fazem assim chamar, mas não são reconhecidos como tais; a sociedade Fulni-ô não os rechaça mas tampouco os aceita no ritual. De outro lado estão aqueles que definitivamente foram socializados como brancos e estão totalmente integrados na sociedade regional; a estes os Fulni-ô chamam descendentes quando conhecem sua origem.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Hernández Díaz|Jorge Hernández Díaz]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A luta pela terra ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde sua fundação, há mais de duzentos anos, o atual assentamento dos Fulniô esteve ligado à história da cidade de Águas Belas e seus habitantes não-índios.&lt;br /&gt;
Segundo a tradição, foi um homem branco, chamado João Rodrigues Cardoso, tomou as primeiras iniciativas que deram origem ao povoado de Ipanema, que anos mais tarde se transformaria na cidade de Águas Belas. Mario Melo (1929) diz que o fundador, com a ajuda dos Fulni-ô, erigiu a capela de Nossa Senhora da Conceição, obtendo também do governo a nomeação de seu amigo, Lourenço Bezerra Cavalcanti, para diretor dos aldeados, cargo que havia sido criado em 1757.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Lei Imperial de Terras de 1850 entregava às províncias a posse dos aldeamentos indígenas extintos. Conseqüentemente, as províncias nordestinas tiveram pressa em declarar os índios de seus aldeamentos como extintos. Foi por isso que em 1875 o presidente da província de Pernambuco, pelo ato do 4 de maio de 1875, considerou extintos diversos aldeamentos, entre eles o de Ipanema ou Águas Belas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao se extinguirem os aldeamentos, os &amp;quot;civilizados&amp;quot; ansiosos por expandir suas possessões empreenderam furiosas investidas contra os Fulni-ô, empurrando-os para a caatinga e tomando-lhes os terrenos cultivados, apropriando-se assim ilegalmente das terras que por direito pertenciam aos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Possivelmente os Fulni-ô tiveram mais sorte que outros grupos indígenas, pois o governo provincial, tendo em vista as invasões das terras indígenas pelos &amp;quot;civilizados&amp;quot;, acudiu os índios, mandando demarcar as terras doadas aos Fulniô por cartas régias e alvarás. Em 1875, a terra foi demarcada e entregue aos Fulni-ô (Cerqueira Vianna, 1966; Pinto, 1956; Melo, 1929). Esta demarcação respeitou a doação anteriormente feita à capela de Nossa Senhora da Conceição, cuja superfície era de 759.664 m2 (Pinto. 1956:14).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta intervenção do governo provincial em favor dos indígenas, ainda que tenha ajudado a frear os interesses da população &amp;quot;civilizada&amp;quot;, não a deteve do todo, pois anos mais tarde novamente começou a pressionar os indígenas a abandonarem as terras que legitimamente lhes pertenciam. Assim, em 1886, a Câmara de Vereadores considerou irregular a demarcação e pediu ao governo &amp;quot;a creação no termo de ... um juizo comissario&amp;quot;, com a finalidade de legalizar as terras ocupadas por todos os invasores (posseiros).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XX, os Fulni-ô continuaram com sua velha contenda pela terra. Em 1904, com a mudança de governo, os &amp;quot;civilizados&amp;quot;, incentivados pelas novas leis que o regime republicano estabelecia, procuravam novas formas (ou formas legais) para se apropriarem dos bens indígenas. Em 1908, as terras da aldeia foram arrendadas a Nicolau Cavalcanti de Siqueira, por um prazo de seis anos. Determinava-se que, ao finalizar esse contrato, os imóveis voltariam ao domínio estadual (Vasconcelos 1962:36; Pinto, 1956:16).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao terminar o contrato, o Prefeito Cezar Montezuma de Oliveira, baseando-se na Lei Orgânica dos Municípios, que determinava que as terras devolutas passavam ao poder dos municípios, convidou, por meio de um edital, todos os moradores das terras para providenciarem o respectivo arrendamento. Entretanto, isso não se efetivou, passando as terras novamente ao domínio dos índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1928 esta área foi dividida por representantes do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, que então incluia o Serviço de Proteção aos Índios. Da divisão resultaram 400 lotes de 550x550 metros (30,25 hectares) e mais outros 27 lotes de menor extensão com dimensões irregulares. Em 14 de maio de 1929 os Fulni-ô receberam títulos individuais da terra que possuiam, de caráter provisório, expedidos pelo mesmo Ministério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora em 1929 cada família Fulni-ô tenha recebido um lote, na atualidade algumas carecem de terra.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Hernández Díaz|Jorge Hernández Díaz]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Arrendamento da terra ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 1929, os Fulni-ô começaram a arrendar suas terras aos habitantes não-índios do Município de Águas Belas. Muitos dos &amp;quot;civilizados&amp;quot; que cultivavam estas terras de maneira irregular, começaram a pagar uma quota anual aos índios donos dos lotes, mediante um contrato firmado no Posto do SPI; desde então muitos &amp;quot;civilizados&amp;quot; cultivam as terras pertencentes aos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1982, os registros do Posto indicavam que, dos 427 lotes em que está dividida a Terra Indígena, 275 tinham arrendatários que em sua maioria eram pessoas com poucos recursos econômicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra modalidade de arrendamento é aquela a que chamam de &amp;quot;chão de casa&amp;quot;. Devido à peculiar situação da cidade de Águas Belas, a partir da década de 1950, a solução encontrada pelas famílias brancas sem casa foi a construção de moradas dentro da Terra Indígena. Para que um branco possa construir uma casa nesta situação, é necessário que conte com a permissão do respectivo dono e do chefe do Posto. Em 1980, o total de casas era de 485, e estavam situadas em 11 lotes. Um relatório de 1986 menciona 800 casas nesta situação (Povos Indígenas no Brasil 1985-1986, CEDI, 1986).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Hernández Díaz|Jorge Hernández Díaz]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Economia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na atualidade a maioria dos Fulni-ô cultiva suas roças, em média de dois a três hectares, utilizando unicamente a força de trabalho disponível da família. Geralmente, vendem uma parte da totalidade de sua produção agrícola. Produzem a forragem e o algodão principalmente com a intenção comercializá-los em sua totalidade. Já o feijão, o milho e a mandioca são cultivados tanto para venda como para consumo pela unidade doméstica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A atividade remunerada na qual a unidade doméstica emprega preferencialmente mão-de-obra feminina é a confecção de artefatos de palma. São os homens os que se ocupam de procurar, cortar e transportar a palma da serra para a aldeia. Quando uma família carece de homens, então as mulheres se vêem obrigadas a realizar essa extenuante tarefa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os produtos que se elaboram com maior freqüência são bolsas, esteiras, escovas, chapéus, e abanos. Outros artigos, como sandálias, se fazem sob encomenda. Alguns desses produtos são decorados com fibras pintadas com tinta; dizem os anciãos que seus antepassados usavam corantes que eles mesmos fabricavam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses artefatos se confeccionam preferencialmente nos meses de setembro a dezembro, época em que o trabalho nas roças está terminado, quando é mais fácil conseguir a matéria-prima e elaborar os artigos, pois a palma seca rapidamente, o que não ocorre na época das chuvas, quando os Fulni-ô também têm que se ocupar de seus cultivos. Os meses de maior produção coincidem com a época do ritual do Ouricuri; é também neste período que aumenta a demanda desses produtos, embora caiba esclarecer que são fabricados durante todo o ano.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Os Fulni-ô no mundo dos brancos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Fulni-ô participam em várias atividades fora de sua aldeia, alguns como estudantes, outros como trabalhadores. Em 1982, por exemplo, 80 jovens estudavam nas escolas da cidade de Águas Belas. Muitos outros trabalhavam fora da Terra Indígena, alguns como funcionários da FUNAI, em postos que não o de Águas Belas. Alguns eram professores nessa cidade; outros, trabalhadores da construção civil em distintas cidades dos estados de Pernambuco, Alagoas, Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A participação dos índios na vida política da municipalidade tem sido também muito ativa; e também muito significativa, já que sob determinadas circunstâncias podem decidir a eleição em favor de um ou outro candidato, pois proporcionalmente o número de eleitores índios é alto. Em 1982, o número de votos dos Fulni-ô era suficiente para eleger dois vereadores. Se quisessem, poderiam manter uma representação na câmara municipal. Entretanto, nas eleições de 1982 tal situação não foi possível porque o voto indígena esteve bastante dividido. Nas observações realizadas naquela ocasião, o comportamento político dos Fulni-ô foi bastante heterogêneo: alguns votaram considerando o programa de um partido; outros, seus vínculos pessoais com certos candidatos; e outros, suas relações de clientela com líderes políticos regionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para terminar, vale fazer alusão à opinião que os Fulni-ô deram a Jorge Hernández sobre os livros escritos sobre eles, em particular sobre os assuntos referentes ao ritual do Ouricuri e à organização clânica tratada na obra de Estêvão Pinto. Como são temas zelosamente guardados, um ancião disse que o livro não se baseava numa boa recopilação da informação e que seu conteúdo era uma interpretação do autor: &amp;quot;Foi o civilizado que escreveram isso, de acordo o entendimento deles. Não foi nós nem nossos chefes índios, não foi o índio que escreveu isso. Foi os civilizados que estudaram e interpretaram.&amp;quot; Espera-se que em breve sejam os próprios Fulni-ô que escrevam e interpretem sua história para nós.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Hernández Díaz|Jorge Hernández Díaz]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira elaboração das informações históricas e etnográficas sobre os Fulni-ô data de 1929, quando Mario Melo publicou os resultados de sua investigação. Outras fontes com informação desta natureza são os textos escritos por Max Boudin e Estêvão Pinto a quem se deve a maior parte da informação etnográfica disponível, sobretudo a referente à organização clânica e ao ritual do Ouricuri. Esta informação foi colhida entre os Fulni-ô na década de 40, quando o ritual começava a resguardar-se com segredo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dados sobre a fundação da cidade de Águas Belas se encontram na obra de Mario Melo, Estêvão Pinto e num livro escrito por Sanelva de Vasconcelos especificamente sobre esse tema.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que se refere à estrutura do Ia-tê, a língua dos Fulni-ô, pode-se consultar o livro de Geraldo Lapenda. Outro texto com alguma informação desta natureza é o Lemos Barbosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sobre as condições de vida existentes na aldeia Fulni-ô nos anos 60 existe um relatório escrito por Mabel Cerqueira Vianna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As dissertações de mestrado de Jorge Hernández Díaz, de 1983, e a de Miguel Vicente Foti, de 1991, ambas defendidas na Universidade de Brasília, contêm informação sobre as novas condições em que se desenvolve o ritual do Ouricuri. Sobre o arrendamento das terras podem-se consultar a dissertação de Hernández Díaz e a de Sidnei Clemente Peres, esta última defendida no Museu Nacional, da UFRJ, em 1992. Há também relatórios mais recentes de Ivson José Ferreira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Hernández Díaz|Jorge Hernández Díaz]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
* AMORIN, Paulo Marcos de.  Acamponesamento e proletarização das populações indígenas do Nordeste brasileiro.  Boletim do Museu do Índio, Rio de Janeiro : Museu do Índio, n. 2, 1975.&lt;br /&gt;
* ANAI-BA.  Os povos indígenas na Bahia.  Salvador : Anai, 1981.&lt;br /&gt;
* BARBOSA, Eurípedes.  Aspectos fonológicos da língua Yatê.  Brasília : UnB, 1991.  (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
* BOUDIN, Max Henry.  Aspectos da vida tribal dos índios Fulniô.  Cultura, Rio de Janeiro : Ministério de Educação e Saúde, v. 1, n. 3, 1949.&lt;br /&gt;
* CONDEPE.  Os Fulni-Ô.  In: --------.  As comunidades indígenas de Pernambuco.  Recife : PER-Condepe, 1981.  p.71-81.&lt;br /&gt;
* COSTA, Januacele da.  Bilingüismo e atitudes lingüísticas interétnicas : aspectos do contato português-ya:the.  Recife : UFPE, 1993.  (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
* --------.  Ya:the, a última língua nativa no Nordeste do Brasil : aspectos morfo-fonológicos e morfo-sintáticos.  Recife : UFPE, 1999.  (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
* COSTA JÚNIOR, Olímpio.  Extintos aldeiamentos de índios de Pernambuco.  Rev. do Norte,  Recife : s.ed., 1942.&lt;br /&gt;
* COUTINHO JÚNIOR, Walter; MELO, Juliana Gonçalves.  Reflexões sobre a questão fundiária Fulni-Ô.  In: ESPIRITO SANTO, Marco Antonio do (Org.).  Política indigenista : Leste e Nordeste brasileiros.  Brasília : Funai, 2000.  p. 55-64.&lt;br /&gt;
* DANTAS, Sérgio Neves.  Sou Fulni-ô, meu branco.  São Paulo : PUC, 2002.  269 p.  (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
* FERREIRA, Ivosn J.  Ruptura e conflito : a prática indigenista e a questão da terra entre os Fulni-Ô.  In: ESPÍRITO SANTO, Marco Antônio do (Org.).  Política indigenista : Leste e Nordeste brasileiros.  Brasília : Funai, 2000.  p. 41-54.&lt;br /&gt;
* FOTI, Miguel Vicente.  Uma etnografia para um caso de resistência : o ético e o étnico.  In: ESPIRITO SANTO, Marco Antonio do (Org.).  Política indigenista : Leste e Nordeste brasileiros.  Brasília : Funai, 2000.  p. 73-8.&lt;br /&gt;
* --------.  Resistência e segredo : relato de uma experiência de antropólogo com os Fulniô.  Brasília : UnB, 1991.  126 p.  (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
* HERNÁNDEZ DIAZ, Jorge.  La constituición de la identidad étnica entre los Fulnios del nordeste brasileño.  Montalban, Caracas : Univ. Catolica Andres Bello, n. 25, p. 99-127, 1993.&lt;br /&gt;
* --------.  Os Fulniô : relações interétnicas e de classe em Águas Belas.  Brasília : UnB, 1983.  311 p.  (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
* HOHENTHAL JÚNIOR, W. D.  As tribos indígenas do Médio e Baixo São Francisco.  Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, v. 12, n.s., 1960.&lt;br /&gt;
* INSTITUTO LINGÜÍSTICO DE VERANO.  Grupos indígenas do Nordeste.  Brasília : Inst. Ling. Verano, 1981.&lt;br /&gt;
* LAPENDA, Geraldo.  Estrutura da lingua Iatê.  Recife : UFPE, 1968.&lt;br /&gt;
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* --------.  Arrendamento em terras indígenas : análise de alguns modelos de ação indigenista no Nordeste (1910-1960).  Rio de Janeiro : UFRJ, 1992.  269 p.  (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
* PINTO, Estevão.  Etnologia brasileira : Fulniô os últimos Tapuias.  São Paulo : Companhia Editora Nacional, 1956.&lt;br /&gt;
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* VIANNA, Mabel de Cerqueira.  Aspectos sócio-econômicos e sanitários dos Fulni-Ô de Águas Belas - Pernambuco.  Recife : Sudene, 1966. 50 p.&lt;br /&gt;
* Os Fulni-Ô.  Dir.: Cláudia Menezes. Vídeo cor, Hi-8/VHS, 45 min., 1993. Prod.: Cepaveh.&lt;br /&gt;
* Aos guerreiros do silêncio.  Dir.: César Paes. Vídeo Cor, Betacam, 54 min., 1992. Prod.: Laterit Producions.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas em Pernambuco]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
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		<title>Povo:Terena</title>
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		<updated>2018-08-10T20:55:04Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;O Mato Grosso do Sul abriga uma das maiores populações indígenas do país. Os Terena, por contarem com uma população bastante numerosa e manterem um contato intenso com a população regional, são o povo indígena cuja presença no estado se revela de forma mais explícita, seja através das mulheres vendedoras nas ruas de Campo Grande ou das legiões de cortadores de cana-de-açúcar que periodicamente se deslocam às destilarias para changa, o trabalho temporário nas fazendas e usinas de açúcar e álcool. Essa intensa participação no cotidiano sul-matogrossense favorece a atribuição aos Terena de estereótipos tais como “aculturados” e “índios urbanos”. Tais declarações servem para mascarar a resistência de um povo que, através dos séculos, luta para manter viva sua cultura, sabendo positivar situações adversas ligadas ao antigo contato, além de mudanças bruscas na paisagem, ecológica e social, que o poder colonial e, em seguida, o Estado brasileiro os reservou. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Contato direto ===&lt;br /&gt;
No Facebook: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.facebook.com/ResistenciaDoPovoTerena&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Resistência do Povo Terena&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
Com uma população estimada em 16 mil pessoas em 2001, os Terena, povo de língua Aruák, vivem atualmente em um território descontínuo, fragmentado em pequenas “ilhas” cercadas por fazendas e espalhadas por sete municípios sul-matogrossenses: Miranda, Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Sidrolândia, Nioaque e Rochedo. Também há famílias terena vivendo em Porto Murtinho (na Terra Indígena Kadiweu), Dourados (TI Guarani) e no estado de São Paulo (TI Araribá). Nestas duas últimas localidades, famílias terena foram levadas pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) para servirem de &amp;quot;exemplo&amp;quot; aos índios locais (exempo de afinco nas práticas agrícolas e também de &amp;quot;obediência&amp;quot; ao sistema de controle imposto pelos funcionáros daquele extinto órgão público...).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As Terras Indígenas Terena atuais foram “requeridas” ao Estado do Mato Grosso pelo SPI nas décadas de 1920 e 1930; duas delas porém (Cachoeirinha e Taunay/Ipegue) foram “concedidas” pelo governo estadual no início do século XX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do total da população terena, dados da Funasa de 2001 estimam que 13.629 indivíduos habitam as TIs acima relacionadas, ou cerca de 2.400 famílias.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Elisa Ladeira|Maria Elisa Ladeira]] e [[Usuário:Gilberto Azanha|Gilberto Azanha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
Da família Aruak, a língua terena é falada pela maioria das pessoas que se reconhecem, hoje, como Terena. Mas o seu uso - e freqüência - é desigual nas várias aldeias e Terras Indígenas. Por exemplo, em Buriti e Nioaque, são pouquíssimas pessoas que a utilizam. Em, outras, como Cachoeirinha, tem casos de jovens que dominam mal o português.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De um modo geral, podemos definir os Terena como um povo estritamente bilíngüe - entendendo por isso uma realidade social em que a distinção entre uma língua &amp;quot;mãe&amp;quot; (por suposto, indígena) e uma língua &amp;quot;de contato&amp;quot; ou &amp;quot;de adoção&amp;quot; (o português, no caso) não tem sentido sociológico. A língua 'materna' para os terena não tem importância socializadora, no sentido de integrar o indivíduo em um mundo próprio, conceitualmente diferente do 'mundo dos brancos'. Podemos afirmar que seu uso está ligado a uma socialidade apenas afetiva. Em outras palavras, a língua terena não é usada nestas sociedades enquanto sinal diacrítico para afirmar sua diferença frente aos &amp;quot;brancos&amp;quot;. Na verdade (...) os Terena têm orgulho de dominarem, inclusive por meio do uso da língua do purutuya, a situação de contato com a sociedade nacional, e é este domínio que lhes permite continuar existindo enquanto um povo política e administrativamente autônomo (Ladeira, 2001:130-2).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Elisa Ladeira|Maria Elisa Ladeira]] e [[Usuário:Gilberto Azanha|Gilberto Azanha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Fazendo arreio; Aldeia do Bananal. Foto: acervo do Museu do Índio, 1922.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/234999-1/terena_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Últimos remanescentes da nação Guaná no Brasil, os Terena falam uma língua Aruak e possuem características culturais essencialmente chaquenhas (de povos provenientes da região do Chaco). O domínio dos grupos de língua Aruak entre os diversos povos indígenas do Chaco, todos caçadores e coletores, deveu-se ao fato daqueles grupos serem, de longa data, predominantemente agricultores – e sobre esta base econômica se organizarem socialmente em grupos locais (aldeias) mais populosos, expansionistas e guerreiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os estudiosos dos povos chaquenhos afirmam que os Chané ou Guaná dispunham de uma base social muito mais sofisticada do que seus vizinhos Mbayá. Estavam estratificados em camadas hierárquicas: os &amp;quot;nobres&amp;quot; ou &amp;quot;capitães&amp;quot; (os ''Naati ''ou &amp;quot;os que mandam&amp;quot;) e a &amp;quot;plebe&amp;quot; ou &amp;quot;soldados&amp;quot; (''Wahêrê-xané'', ou &amp;quot;os que obedecem&amp;quot;). As relações de aliança Guaná-Mbayá estavam alicerçadas no casamento: os chefes Guaná cediam mulheres da sua casta para casar-se com os &amp;quot;maiorais&amp;quot; Mbayá. As relações entre os dois grupos, por essa via, consolidariam ao longo do tempo uma estrutura social complexa: de um lado, um segmento social autônomo na posição de fornecedor de mulheres e alimentos; de outro, uma casta guerreira tomadora de mulheres e responsável pela segurança dos grupos locais e supridores de instrumentos de ferro e cavalos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1760, a pressão crescente dos espanhóis sobre os territórios Mbayá localizados nas margens ocidentais do Paraguai, somada a disputas internas por prestígio guerreiro, forçariam a migração de inúmeros subgrupos Mbayá e Guaná para o lado oriental do rio. Essa migração provavelmente se estendeu até as primeiras décadas do século XIX. Os subgrupos Guaná – Terena, Echoaladi, Layana e Kinikinau – que se estabeleceram ao leste do Chaco, mantiveram contudo no novo território a forma tradicional de organização em metades e estratos sociais endógamos, suas roças e também a aliança com os Mbayá-Guaykuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Terena atuais ainda guardam a memória desta migração e da travessia do rio Paraguai:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Eu tenho a história comigo, história do meu pai. Aqui na Cachoeirinha não havia ninguém... Meu pai é daqui mesmo. O bisavô dele veio do Eêxiwa [região compreendida entre a margem direita do rio Paraguai e a chamada “morraria” de Albuquerque – hoje Corumbá – na margem esquerda do mesmo rio], meu pai contava. Eles tinham sido atacados por outros índios diferentes lá do Eêxiwa. Aí eles vieram de lá, atravessaram o rio Paraguai até Porto Esperança, atraz da morraria... Ficaram um pouco perto de Corumbá e depois fizeram aldeia aqui, em Miranda... Naquele tempo não tinha ''purutuyé'' [brancos, portugueses], só mesmo índio Terena, Laiana, Kiniquinao, Echoaladi, Caduveo... (Felix, ancião morador da aldeia Cachoeirinha).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro ainda descreve o modo como foi feita a travessia do rio Paraguai:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Minha avó, meu avô vieram do Eêxiwa. Eles usaram uma taquara bem grande para atravessar o rio... Eles trançaram cipó (hymomó) para fazer canoa para atravessar o huveonókaxionó (&amp;quot;rio dos paraguaios&amp;quot;)... (João Martins, ancião morador da aldeia Cachoeirinha).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A resistência dos Mbayá-Guaykuru diante do avanço dos paulistas que se dirigiam à região de Cuiabá manteve os Guaná distantes de relações com europeus. Essa situação se manteve até a última década do século XVIII, quando, em 1791, é assinado o tratado de paz entre Portugal e os Mbayá-Guaicuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse tratado permitiu a fixação portuguesa, ainda que incipiente, na margem direita do Paraguai, ao mesmo tempo em que propiciaria o desgaste da aliança Guaná-Mbayá. Um dos sustentáculos dessa aliança, como vimos, era o fornecimento de instrumentos de ferro aos Guaná pelos Mbayá – e que os primeiros começariam a obter independentemente, através do comércio com os portugueses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Novos parceiros: os purutuyé ===&lt;br /&gt;
Afastada a ameaça dos constantes ataques dos “índios cavaleiros”, pequenos núcleos populacionais portugueses/paulistas começariam a se estabelecer em torno das fortificações avançadas que vinham sendo construídas na região nas duas décadas que antecederam a assinatura do tratado, em função da disputa de limites com a Espanha: Forte Coimbra (1775), Forte de Príncipe da Beira (1776) e Presídio de Miranda (1778).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas relações de amizade entre os ''purutuyé ''(portugueses) e Guanás seriam reforçadas pelos agentes da Coroa: em 1797, um dos principais chefes Guaná recebeu uma carta patente do Governador Geral das Capitanias do Mato Grosso, em troca da sua fidelidade e vassalagem à Coroa portuguesa. O documento recomenda aos agentes oficiais portugueses que (ao “capitão” e “a todos os seus”) “...tratem e auxiliem com todas as demonstrações de amigos e de vassalos da Coroa Portuguesa, deixando-os gozar de todas as liberdades, privilégios e isenções de que gozam os demais vassalos da mesma Coroa...” (documento original depositado no Arquivo Público do Estado do Mato Grosso, in Carvalho &amp;amp;amp; Carvalho, 1998).&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Costurando à maquina, Aldeia Cachoeirinha. Foto: acervo do Museu do Índio, 1922.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235007-1/terena_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações com os portugueses e brasileiros, após 1791, tiveram variações entre os diversos subgrupos Guaná. Hercules Florence descreveu, na década de 1820, um grupo ao qual denominou “guanás” – provavelmente os Echoaladi, cuja aldeia era “um pouco acima de Miranda” – da seguinte maneira:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“De quantas tribo tem o [rio] Paraguai, é esta que mais em contato está com os brasileiros. Lavradores, cultivam o milho, o aipim e mandioca, a cana-de-açúcar, o algodão, o tabaco e outras plantas do país. Fabricantes, possuem alguns engenhos de moer cana e fazem grandes peças de pano de algodão com que se vestem, além de redes e cintas. Industriais, vão, em canoas suas ou nas dos brasileiros, até Cuiabá para venderem suas peças de roupa, cintas, suspensórios, cilhas de selim e tabaco”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A guerra do Paraguai e a perda dos territórios ===&lt;br /&gt;
A eclosão do conflito entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, no final de 1864, viria a mudar de forma dramática a vida de toda a nação Guaná, inaugurando um novo tempo. Um dos palcos do conflito foi justamente em território destes povos que, aliado dos brasileiros, sofreram ataques e represálias por parte das tropas invasoras. É certo que todas as aldeias então existentes na região dos rios Miranda e Aquidauana se dispersaram, com seus habitantes buscando refúgio em matos inacessíveis na região (como o lugar chamado ''Pulôwô'uti'', para aonde foram os moradores de Cachoeirinha) ou nas serras de Maracajú (onde Taunay esteve em 1866, perto do córrego Piranhinha e utilizada como refúgio pelos Kiniquinau).&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Terena que lutaram na guerra do Paraguai. Foto: acervo da Comissão Rondon, s/d.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235002-1/terena_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No relatório sobre o &amp;quot;estado da catequese&amp;quot; em 1866, o Diretor de Índios informava que &amp;quot;...nada posso informar a V.Exª sobre o estado das aldeias... em consequência de achar-se aquela parte da província ocupada pelos paraguaios desde janeiro do ano passado...&amp;quot;. Em 1870, o mesmo Diretor noticiava ao Presidente da Província que o diretor das aldeias de Miranda, Frei Mariano, havia sido capturado e feito prisioneiro pelas forças invasoras. A aldeia do Ipegue foi destruída pelas tropas invasoras em 1866.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da intensa participação dos Guaná em favor das forças imperiais e na defesa de suas terras – cujos episódios desta participação foram descritos por Alfredo Taunay (nas obras &amp;quot;Entre os Nossos Índios&amp;quot; e &amp;quot;A Retirada da Laguna&amp;quot;) – o governo do Império não reconheceria estes esforços, não consignando um palmo sequer de terras para os Guaná – como o faria, em 1880, para os Kadiweu na concessão de cerca de 500 mil hectares de terras na região do Nabileque/Bodoquena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os impactos do pós-guerra: &amp;quot;tempos de servidão&amp;quot; ===&lt;br /&gt;
Findo o conflito com o Paraguai, o antigo território das aldeias já era disputado por novos &amp;quot;proprietários&amp;quot;, em geral oficiais desmobilizados do exército brasileiro e comerciantes que lucraram com a guerra e permaneceram na região. Nas memórias de Taunay (1931:35), fica evidente o modo como ocorreu este processo de &amp;quot;fixação dos desmobilizados&amp;quot; e o processo de expropriação das suas terras e sua agregação como peões nas fazendas que começariam a se implantar da região:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Nos diversos acampamentos da serra [de Maracaju] construíram-se ranchos vastos e cômodos e, pouco a pouco, regularizou-se o modo de viver daquelas colônias híbridas de brasileiros civilizados [sic] e índios, sobretudo kiniquinaus, a que se haviam agregado guanás, terênas e laianos&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De fato, o conflito com o Paraguai acarretou uma mudança radical no modus vivendi dos Guaná com a população brasileira local. Se antes a relação era de mútua dependência, alicerçada na troca recíproca entre os índios e as tropas regulares que formavam a população dominante nos “presídios” de Miranda e Albuquerque, depois da guerra as populações indígenas passaram a se relacionar com um grupo humano heterogêneo e oportunista – e que passaria a receber apoio oficial para a “colonização” da região conflagrada. Nesses novos tempos, a antiga relação de respeito e solidariedade seria alterada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os recém-chegados, desmobilizados de uma tropa que participou de uma guerra violenta e quase sem comando (Taunay, 1935) eram em geral pessoas aventureiras e ambiciosas, prontas a lutar para iniciar a ocupação de uma região devastada do ponto de vista político e social – como indica o documento oficial acima citado. Esses novos colonizadores – a maioria chegada de regiões do Brasil onde a relação com os índios era fundada na prepotência e no desprezo ao “bugre” – desconheciam completamente qual havia sido o papel dos Guaná na conquista e manutenção da região em mãos brasileiras. E os índios se surpreenderam com o caráter eminentemente predador destes novos porutuya, recorrendo como podiam às autoridades de Cuiabá – que antes os tratavam com o respeito devido a aliados – para defenderem suas terras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A respeito dessa situação, assim se pronunciava o Diretor Geral dos Índios, em novembro de 1871: &amp;quot;Acerca do índio da Tribo Terena, de nome José Caetano, de quem trata o ofício de V.Exª de 7 do corrente, cujo recebimento tenho a honra de acusar, o que sei e posso afirmar é que o dito índio com mais alguns da sua tribo, em número de 17 [e] Pedro Tavares, capitão da aldeia do Ipegue, no distrito de Miranda [contaram] que na ocasião da invasão paraguaia não só sua tribo como todas as outras, e mais habitantes do distrito, abandonaram os seus lares e retiraram-se para os montes e bosques, onde permaneceram por seis anos; que ultimamente voltando seus moradores a reocuparem seus domicílios, esses Terenas encontraram sua aldeia do Ipegue ocupada por Simplicio Tavares, por sua autonomásia Piché, o qual lhes obsta a repovoarem e lavrarem suas antigas terras e de seus antepassados; pelo que vinham pedir providências para não serem esbulhados de suas propriedades das quais não podiam desprender-se. Um outro índio da mesma tribo, de nome Victorino, que farda-se como alferes, e pertence à aldeia do Nachedache, distante da Ipegue uma légua, fez-me igual reclamação&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Logo em seguida, no mesmo documento, esse funcionário considerava – tendo em vista a ausência de um missionário para dirigir as aldeias de Miranda e que ali havia se estabelecido um &amp;quot;corpo de tropas&amp;quot; – ser &amp;quot;...conveniente que V.Exª recomende ao comandante militar e às autoridades do local toda proteção aos índios e que os mantenham em suas terras, visto que serão precisos ainda anos para que Miranda volte ao seu antigo estado e tenha autoridades próprias de uma Vila&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1871 era nomeado o tenente coronel José Vicente Vieira Couto como diretor das aldeias e nesta qualidade, segundo relatório do Diretor Geral datado de 02 de Maio de 1872, &amp;quot;...conseguiu concentrar grande número de índios em seus antigos aldeamentos...&amp;quot;. Porém, a situação de pressão sobre as terras das aldeias já era grande.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este tempo do pós-guerra é conhecido pelos Terena como o tempo da servidão. Dispersos em razão do conflito, os vários sub-grupos Guaná começariam a recompor suas antigas aldeias, agora pedindo &amp;quot;licença&amp;quot; aos novos ocupantes. É a época em que se intensifica a abertura dos estabelecimentos pecuários e do &amp;quot;fechamento&amp;quot; dos pastos, com apoio das autoridades do Império, que pretendia consolidar a ocupação brasileira na área recém conflagrada. E todos estes empreendimentos só foram possíveis graças à &amp;quot;liberação&amp;quot; das terras e o uso intensivo da mão-de-obra indígenas, agora disponíveis. Os relatos dos velhos Terena sobre este período são eloqüentes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O pessoal daquela época tinha medo porque ainda se lembrava do patrão que os chicoteava na fazenda. Quem se atrasava para tomar chá de manhã era surrado...foi o finado meu avô quem me contou. Como castigo o pessoal tinha que arrancar mato com a mão. Quando a comida estava pronta, eles mediam toda a sua tarefa. Eram quinze braças de tarefa e, mesmo não terminando a tarefa do dia, de manhã mediam outra tarefa, que acumulava&amp;quot; (João Martins Menootó, ancião de Cachoeirinha).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O advento da República – e as concessões político-administrativas descentralizadoras feitas aos Estados federados e, conseqüentemente, aos chefes políticos regionais – só fez agravar a situação dos Terena. Neste sentido, os depoimentos de Rondon são esclarecedores:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;São comumente explorados pelos fazendeiros. É difícil encontrar um camarada Terena que não deva ao seu patrão os cabelos da cabeça...Nenhum 'camarada de conta' poderá deixar o seu patrão sem que o novo senhor se responsabilize. E, se tem ousadia de fugir, corre quase sempre o perigo de sofrer vexames, pancadas e não raras vezes a morte, em tudo figurando a polícia como co-participante de tais atentados&amp;quot; (1949: 83-84).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os Terena e o SPI ===&lt;br /&gt;
Nas décadas de 1910 e 1920, dois fatos significativos marcariam a história Terena: a criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e a construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), esta última responsável direto pelo aumento da população não-indígena da região sulmatogrossense em cinco vezes ao longo de duas décadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O SPI instalaria seus postos na década de 1920, com o objetivo de levar aos Terena os objetivos da &amp;quot;proteção fraternal&amp;quot; preconizada por Rondon – o quê, ao menos nos primeiros anos, foi de fato tentado. Mas logo essa &amp;quot;proteção&amp;quot;, que deveria ser de direitos, foi sendo gradualmente transformada em imposição ideológica, culminando na perda do que ainda restava da autonomia política dos Terena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &amp;quot;encarregado do posto&amp;quot;, em pouco tempo, passaria a interferir em praticamente todos os aspectos da vida social Terena: da mediação de conflitos internos entre famílias à lavratura – e guarda dos registros – das ocorrências civis (nascimento, casamento e óbitos) até a gestão dos contratos de trabalho e estabelecimento de uma &amp;quot;guarda indígena&amp;quot; para a manutençao da &amp;quot;ordem&amp;quot;: em cada detalhe e momento, ficava marcado que os Terena, ali, viviam por concessão. Como veremos adiante, no caso de Buriti, um chefe do posto – na década de 1920 – foi o responsável direto pela &amp;quot;autorização&amp;quot; para que um fazendeiro vizinho se apropriasse de uma gleba de terras dos índios, contribuindo ainda para a expulsão da aldeia ali estabelecida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente subalterno local de um sistema verdadeiramente colonial de poder, este funcionário passaria a decidir o futuro do povo Terena. E esse futuro, agora &amp;quot;orientado legitimamente&amp;quot; por um purutuyé, se direcionaria a marcar todas as reservas Terena como reservas de mão-de-obra para as empresas agropecuárias da região – e ele, o gerente deste estoque. Na história oral dos Terena, são poucos os funcionários do SPI (ou da Funai, posteriormente) lembrados por tentar realizar uma gestão que privilegiasse o trabalho interno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lugar de uma estrutura de poder colonial, o &amp;quot;posto&amp;quot; se impunha para imobilizar a força de trabalho interna com vistas a torná-la disponível externamente. De fato, já nos anos 1950 os dados colhidos por Cardoso de Oliveira em Cachoeirinha impressionavam: dos 127 grupos domésticos que constituíam a aldeia em 1957, apenas 19 (17%) viviam exclusivamente da agricultura interna e do artesanato, enquanto 46% viviam exclusivamente do trabalho externo e outros 37% combinavam o trabalho em suas roças com o trabalho esporádico externo. A população na época era de cerca 900 pessoas (Cardoso de Oliveira, 1968).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses números não se alteraram nos anos seguintes; com a implantação de usinas de açúcar e álcool na região, no final dos anos 70, os números, em termos absolutos, com certeza aumentaram – assim como a população indígena residente nas &amp;quot;reservas&amp;quot; Terena, que ultrapassaria os dez mil em meados da década de 1980.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fenômeno da urbanização de indivíduos Terena nos centros regionais (sobretudo Campo Grande e, em menor medida, Aquidauana e Dourados), crescente a partir do final dos anos 50, estaria diretamente ligado à superpopulação das &amp;quot;reservas&amp;quot; e pouca perspectiva de futuro que apresentavam (Cardoso de Oliveira, 1968). Em 1960, este autor registrou 418 indivíduos Terena morando em Campo Grande; hoje certamente esse número passa dos 2 mil indivíduos – grande parte mantendo ainda vínculos com as suas aldeias de origem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria desses migrantes saiu da &amp;quot;reserva&amp;quot; de Taunay/Ipegue e sobrevive como prestadores de serviços (empregados domésticos, fornecedores de mão-de-obra para serviços gerais, donos de pequeno comércio, funcionários públicos ou da antiga NOB etc.). As razões alegadas pela primeira geração de migrantes urbanos para deixarem as reservas foram os conflitos internos (por diferenças sobretudo religiosas, quando da chegada dos missionários protestantes às duas reservas citadas). Comparativamente às outras reservas, são poucos os Terena urbanizados egressos de Cachoeirinha (os quais ainda mantêm laços permanentes com suas famílias de origem na reserva).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos inferir das análises de Cardoso de Oliveira (1968 e 1976) que as condições adversas que foram impostas aos Terena pela sociedade regional dominante, nas quatro décadas imediatas ao fim da guerra do Paraguai, foram sendo, naquele período de tempo, positivadas sociologicamente pelos Terena. Assim, a situação de confinamento na Reserva, ao mesmo tempo em que acarretou a perda da autonomia política das aldeias – dado que submeteu os índios à dependência política do chefe branco do posto do SPI/Funai – foi transformada pelos Terena na base territorial necessária para a atualização e manutenção do ethos tribal; a sua integração à estrutura econômica compensou de certa forma a perda da auto-suficiência econômica; e, finalmente, a urbanização crescente de parte de sua população foi a resposta encontrada pelos Terena às limitações políticas, sociais e econômicas, reinantes na situação de Reserva. Portanto, poderíamos compreender as novas pautas sociais engendradas pelos Terena “modernos” como derivadas da estratégia de um povo na busca de novos espaços para o exercício da sua sobrevivência, espaços estes onde a pressão para a negação da identidade indígena fosse minimizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As reservas indígenas Terena, consolidadas a partir da década de 1920, serviriam de ponto de apoio vital para o reagrupamento das famílias dispersas pela guerra e que ainda se encontravam sob a servidão nos barracões das fazendas. Passaram a representar, para os Terena, não só o espaço necessário para a reafirmação do ethos tribal, mas também de uma certa liberdade. Para os moradores das reservas, o trabalho externo voltaria a ganhar sua característica de trabalho facultativo, readquirindo a liberdade de escolher o tipo de serviço e até o patrão. Esse período de relativa liberdade, ao que parece, duraria pouco tempo, exatamente até o SPI alterar sua política nas reservas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia a necessidade da imposição dos limites das Reservas porque, na verdade, os Terena não os respeitavam, isto é, continuaram usando e ocupando as áreas vizinhas para as suas necessidades, caçando, pescando e coletando suas ervas medicinais ou mel, sempre e quando lhes aprouvesse. E é somente a partir de 1960 que os Terena começariam a ser perseguidos e reprimidos, pelos fazendeiros e pelos encarregados do SPI, nessas suas expedições. E mesmo depois, quando se configurou uma situação de verdadeira clandestinidade, jamais interromperam suas incursões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Do SPI à Funai ===&lt;br /&gt;
Pouco mudaria nesta estrutura de poder com a substituição do SPI pela Funai: o chefe do posto deste novo órgão herdaria do seu antecessor do SPI as mesmas prerrogativas de poder. Contudo, o aumento da procura em &amp;quot;escala&amp;quot; da mão-de-obra para as usinas de cana daria motivo para que aquele funcionário público (com o beneplácito do &amp;quot;capitão&amp;quot; e autorização de Campo Grande), passasse a cobrar uma taxa, por índio contratado, dos intermediários (&amp;quot;gatos&amp;quot;) das usinas. O dinheiro assim arrecadado deveria ser utilizado na &amp;quot;manutenção&amp;quot; de algumas atividades do posto. Este recurso passaria a ser, nos anos 80, o principal atrativo para a disputa da &amp;quot;capitania&amp;quot;... e fonte importante de ganhos para o Posto Indígena – cuja prestação de contas é em geral um segredo, apenas partilhado pelo chefe do PI e o &amp;quot;capitão&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A administração da changa (como é chamado regionalmente o trabalho temporário nas fazendas e hoje nas usinas de açúcar e álcool) passaria a ser um dos principais – senão o principal – papel desempenhado pelo núcleo de poder na reserva (chefe PI, capitão e membros privilegiados do Conselho). Assim, para sustentar a posição de poder, atualmente, aquele núcleo é responsável pela indicação exclusiva dos &amp;quot;cabeçantes&amp;quot; – figuras da aldeia, necessariamente alfabetizadas, que são os encarregadas das &amp;quot;turmas&amp;quot; de trabalhadores contratadas pelo empreiteiro das usinas. Estes &amp;quot;cabeçantes&amp;quot; recebem um salário diferenciado e se responsabilizam integralmente pela &amp;quot;sua&amp;quot; turma (composta por 20/30 trabalhadores) distribuindo (e anotando) as tarefas realizadas no dia-a-dia do corte de cana. A escolha destes indivíduos é basicamente determinada pelas relações de parentela e – sobretudo – pelo aliciamento de lealdades, que ocorrem durante o processo eleitoral, feita pelos canditados a &amp;quot;capitão&amp;quot;. Um bom &amp;quot;cabeçante&amp;quot; traz dividendos políticos para o seu &amp;quot;padrinho&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fora da changa, portanto, as opções são poucas – e o próprio sistema de poder não favoreceria alternativas para além de consentir, por exemplo em Cachoeirinha, nos anos 30 e 50, a operação de um extrativismo individual, também taxado pelo PI (de casca de angico para os cortumes regionais e lenha para as cerâmicas/olarias locais e para uma caieira que existiu num povoado vizinho a Cachoeirinha até 1960). Porém esse extrativismo, nos anos 70, extinguiu-se devido ao fechamento dos cortumes e por oposição das lideranças locais, preocupadas com a predação das matas da Reserva. Houve também o estímulo de um chefe de posto para o plantio de café, de início com bons resultados; mas, sem acompanhamneto técnico adequado, foram sendo atacados por pragas até serem totalmente erradicados 8/10 anos depois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À exceção deste surto extrativista e de tentativa de implantação de culturas comerciais permanentes, outra iniciativa visando contemplar o trabalho interno nas aldeias teve lugar nos fins dos anos 1970 e início dos 80. Favorecida por um orçamento pródigo administrado pelos militares-presidentes, a Funai de então, durante cinco anos, beneficiou os poucos produtores locais de Cachoeirinha por meio de &amp;quot;projetos de desenvolvimento comunitário&amp;quot;. Na realidade, tais projetos (aos quais eram destinados anualmente verbas orçamentárias, fora daquelas enviadas com a rubrica &amp;quot;manutenção do PI&amp;quot;) serviram como uma espécie de capital inicial gratuito para a introdução da &amp;quot;revolução verde&amp;quot; no universo das Reservas Terena. Os efeitos sobre o ambiente natural deste processo de &amp;quot;modernização&amp;quot; do trabalho agrícola serão analisados adiante. Mas é a partir deste surto modernizante que novas áreas de roças seriam abertas nas &amp;quot;reservas&amp;quot; Terena, privilegiando culturas não mais de mera subsistência, mas claramente buscando a geração de excedentes comercializáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto durou a fartura dos recursos a fundo perdido da Funai, de fato alguns produtores locais foram beneficiados, trazendo alguma esperança para os que viviam exclusivamente das roças. Foram adquiridos pequenos tratores, máquinas de beneficiamento, além do fornecimento de adubos e sementes selecionadas e do óleo para o preparo e plantio – às vezes o PI cobrando a restituição da semente e do óleo, outras não, dependendo do acerto com o &amp;quot;capitão&amp;quot; e do caixa do PI. E também trazendo invasoras resistentes, compactação do solo e o estímulo à abertura de novas áreas. Foram contratados técnicos agrícolas e agrônomos para dar suporte à agricultura comercial Terena. A chefia do PI passou a gerenciar então, além da changa, um empreendimento agrícola mais sofisticado – e de pouca duração.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Elisa Ladeira|Maria Elisa Ladeira]] e [[Usuário:Gilberto Azanha|Gilberto Azanha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aldeias e território ==&lt;br /&gt;
O padrão de localização das aldeias (oneó) Guaná ou Chané se alterou ao longo dos anos em função da limitação territorial imposta a estes grupos após a guerra com o Paraguai. Antes da guerra, quando a disponibilidade de terras era ainda grande, a distribuição das aldeias Guaná não diferia muito do padrão, digamos &amp;quot;clássico&amp;quot;, descrito por Sanches Labrador (El Paraguai Catolico: 275-276). Esse padrão combinava – como já indicavam os primeiros cronistas, ainda no século XVII, para os Guaná do Chaco meridional – uma agricultura bem desenvolvida com a caça, a pesca e, já no Brasil, a criação de gado vacum e cavalar – com os quais aprenderam a lidar no longo período de convivência que mantiveram com os Mbayá-Guaicuru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este modo de ocupação – com a fixação da aldeia em um ponto privilegiado do território – exigia uma área de extensão considerável, posto que as roças (cawané), pertecentes a um mesmo grupo de parentesco (liderado por um &amp;quot;capitão&amp;quot; ou chefe da família extensa), iam se distribuindo em matas de &amp;quot;galeria&amp;quot; contíguas, ao longo dos anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Historicamente, aldeias Guaná possuíam, em média, de 30 a 40 casas (ovocuti) e, segundo Sanches Labrador, cada casa media &amp;quot;de 16 a 20 jardas de comprimento por 8 de largura&amp;quot; e na qual viviam um &amp;quot;capitão... junto com seus irmãos e seus parentes...[e] cada casa tem cinco portas&amp;quot;. Se considerarmos que casas nestas dimensões (15 x 7 metros no mínimo!) abrigariam entre 20-30 pessoas (cinco grupos domésticos, delimitados pelas suas &amp;quot;portas&amp;quot;), então podemos estimar a população das aldeias no Eêxiva em cerca de 600 a 1.200 pessoas – cifras que, como vimos no tópico anterior, se manteriam no Brasil até a primeira metade do século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos domésticos (compostos por marido, mulher, filhos, genros e, eventualmente, cativos de outros grupos indígenas, os chamados cauti) de cada casa possuíam áreas contíguas de roças. Nenhum dos cronistas, do Chaco ou do Brasil, menciona as dimensões das roças Terena antes da guerra do Paraguai. Porém, os Terena atuais afirmam que as roças &amp;quot;de toco&amp;quot; de seus avós possuíam, em média, seis &amp;quot;tarefas&amp;quot; (uma &amp;quot;tarefa&amp;quot; é igual a 30 &amp;quot;braças&amp;quot; quadradas ou cerca de 3.600 m²) por grupo doméstico (ou seja, cerca de 2,16 ha). Esta cifra é perfeitamente compatível com os instrumentos então utilizados pelos Guaná para suas lides agrícolas – equipamentos bem mais desenvolvidos do que, por exemplo, aqueles utilizados pelos Guarani, seus vizinhos meridionais e também dependentes da agricultura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha do local para o estabelecimento das aldeias Guaná deveria levar em conta a disponibilidade de matas que denunciavam solos propícios para a formação das roças e áreas de caça, coleta e pesca (lagoas ou rios de porte), necessários para o período de seca (e de entressafa dos produtos cultivados). Ao lado disso, o território desse grupo deve possuir área necessária para a criação de bois e cavalos em regime extensivo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dados estes critérios – e limitações impostas pelas condições ecológicas do planalto pré-pantaneiro brasileiro –, a única região propícia ao estabelecimento das aldeias Guaná seria aquela do interflúvio Miranda-Aquidauana-Taquari. Ademais, barreiras e limites sociais impuseram a fixação da maioria dos grupos Guaná naquela região. Ao sul (nas cabeceiras do Miranda e serra de Maracajú) e a leste (os chamados “campos de Vacaria”, além Aquidauana), os limites para expansão dos Guaná seriam dados, de um lado, pelos índios “Coroados” (Ofayé-Xavante) e, de outro lado, pelos Kaiowá-Guarani (interflúvio Brilhante-Dourados-Apa). Ao norte, a barreira era dada pelo Pantanal e os índios Guató, inimigos históricos dos Guaná – como mencionam vários cronistas (por exemplo, Castelnau, 1949) e estudiosos clássicos (como Metraux,1946).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Elisa Ladeira|Maria Elisa Ladeira]] e [[Usuário:Gilberto Azanha|Gilberto Azanha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Tecelã terena. Foto: Harold Schultz, 1942.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235017-1/terena_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em todas as terras Terena, hoje, o “setor” (como os próprios índios chamam e é sinônimo de &amp;quot;aldeia&amp;quot;) é a unidade social mais inclusiva, dotado de autonomia política própria, ou seja, possui um &amp;quot;cacique&amp;quot; e um &amp;quot;conselho tribal&amp;quot; que responde pelas relações políticas de cada setor. Menos em Cachoeirinha, onde a figura do &amp;quot;cacique geral&amp;quot; ainda permanece em vigor. Vinculado estritamente à aldeia sede (do Posto Indígena), portanto, o controle político da Reserva passa ainda pelas lideranças desta aldeia; nos demais setores, o &amp;quot;cacique geral&amp;quot; administra a eleição e processo de escolha do &amp;quot;cacique&amp;quot; local. Este arranjo político ainda é fonte de muitas disputas e tensões entre os setores e o &amp;quot;cacique geral&amp;quot; (e o Posto Indígena da Funai, conseqüentemente). Em suma, contrariamente ao que se passa na maioria das outras Reservas, na de Cachoeirinha os setores têm uma autonomia político-administrativa apenas relativa (aos interesses estritos das suas áreas jurisdicionadas e seus habitantes).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada setor ou aldeia resolve, dentro de certos marcos normativos, as pendências jurídico-políticas entre seus membros. Assuntos que dizem respeito ao conjunto dos setores da Reserva são tratados em reuniões grandes, com a presença necessária de todas as lideranças dos setores. Em Cachoeirinha, estas reuniões têm lugar em uma área nas vizinhanças da sede do Posto Indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aldeia (ou setor) é composta por um conjunto de residências situadas dentro dos seus limites, estabelecidos por certos &amp;quot;marcos&amp;quot; (acidentes geográficos, estradas, açudes etc.) e depois de discutidos com as lideranças do conjunto da Reserva no contexto do processo de concessão da autonomia de determinada aldeia, já que as aldeias foram estabelecidas ao longo da história da Reserva. Os interesses comuns, e que constituem a sua unidade, são estritamente políticos: não está em jogo aqui o acesso a lotes para roças (veremos adiante que esta questão está ligada à parentela agnática); o que se cobra do morador de determinado setor é o respeito a certas regras de conduta. Existe uma certa dose de liberdade para o estabelecimento de residência em qualquer setor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este quadro de liberdade é condicionado pela própria situação de Reserva: pois, dada a exigüidade territorial, seu espaço não se constitui em uma base indispensável e exclusiva para a produção que possibilite a geração de renda e a subsistência para todos os seus moradores; antes e sobretudo, a Reserva de Cachoeirinha é, para a maioria dos seus moradores, o lugar da moradia e de referência para a atualização da identidade Terena (Cardoso de Oliveira, 1968).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se vive da Reserva, mas na Reserva: em Cachoeirinha por exemplo, das 484 famílias nucleares (pai-mãe-filhos menores) recenseadas por nós em 1999, cerca de 87 viviam exclusivamente do trabalho interno nas roças (cerca de 18%); outras 268 combinavam o trabalho nas roças e o trabalho externo eventual (55%); as restantes 129 (cerca de 27%) portanto viviam somente do trabalho externo. Daí a constatação feita por Cardoso de Oliveira, já nos anos 1950, de que &amp;quot;a Reserva Indígena, na área Terena, tem uma significação definida na consciência regional: ela representa uma reserva natural de mão-de-obra&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portanto, as Reservas Terena não se afiguram como um território indígena, na acepção que este termo adquire quando, por exemplo, nos referimos aos grupos indígenas amazônicos, isto é, como locus fundamental para a reprodução social de uma sociedade, em sentido amplo. Ao contrário, a situação de Reserva foi determinante para o processo de integração dos terena à economia regional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Casas ===&lt;br /&gt;
As residências se estabelecem em determinado setor tendo por foco aglutinador as parentelas agnáticas (''ienõchapá'', ou “meus parentes”) – que se constituem na unidade social de maior densidade, política e social, na sociedade Terena contemporânea, seja em situação de Reserva ou de cidade. Essa parentela é constituída por grupos domésticos ligados por laços agnáticos (linha de germanos masculinos), suas famílias de procriação (esposas, filhos e netos) e seus agregados eventuais (filhos adotivos, &amp;quot;primos&amp;quot;, ou &amp;quot;tios&amp;quot;), centrado (e organizado) na figura de um chefe – o pai ou (com a morte deste) o irmão mais velho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As casas destes grupos de irmãos, em geral, localizam-se próximas umas das outras. Seus lotes de roças são contíguos, havendo cooperação econômica e partilha de alimentos entre as casas, constituindo, portanto, uma unidade de produção real que se sobrepõe aos grupos domésticos que a compõe. O apoio mútuo, inclusive político, é a regra – o que não quer dizer que não ocorram problemas e cisões. Aparentemente, o que garante a unidade, o crescimento e o peso político da parentela agnática é a capacidade de liderança e aglutinação do seu chefe – ou seja, sua capacidade de ampliar e manter solidário o grupo de irmãos. Ressalta-se no entanto que, enquanto a composição da parentela agnática é dada genealogicamente (daí seu &amp;quot;fechamento&amp;quot;), a sua unidade é construída pela capacidade do seu líder em efetivar a solidariedade política e a cooperação econômica entre os irmãos (e suas respectivas famílias conjugais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A residência, por outro lado, abriga o grupo doméstico, composto no seu limite mínimo por duas gerações (pai e filhos) – e, no limite máximo, por quatro (avô, pai, filhos e netos). Do ponto de vista técnico, o grupo doméstico pode ser constituído por uma família nuclear (composta pelo casal e seus filhos solteiros) ou por uma família extensa (pais e filho(s) e nora(s) ou filha(s) e genro(s); ou ainda por dois irmãos e suas esposas ou duas irmãs e seus maridos, caso bem raro no universo Terena). Na Reserva de Cachoeirinha por exemplo, cerca de 13% dos domicílios abrigam famílias elementares; os restantes 87% das casas abrigam famílias extensas, variáveis na sua composição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A regra geral na sociedade Terena para a residência pós-matrimônio é a patrilocalidade (ou seja, a jovem esposa indo morar na casa do sogro) – pelo menos durante os primeiros anos do casamento, até sua consolidação com o nascimento do(s) filho(s), quando o casal estabelece uma nova residência. Esta nova casa pode ser levantada no grupo de vizinhança do sogro ou de seus irmãos, dependendo do papel mais ou menos aglutinador desempenhado pela parentela agnática. Por outro lado, o número de casos de uxorilocalidade (o jovem esposo indo residir na casa da esposa, que em geral é a casa do pai desta) verificados é alto – e é o fator que &amp;quot;apressa&amp;quot; a construção de uma nova casa pelo marido, via de regra junto ao grupo de vizinhança agnático de onde vem – posto que, em uma sociedade marcadamente patrilinear e que não impõe a obrigação social ou moral de prestar serviços ao sogro – o jovem esposo sente-se desconfortável em ali permanecer por muito tempo (cf. Cardoso de Oliveira, 1968).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, a localização das aldeias é determinada pela distribuição destes grupos de vizinhança, cuja unidade, vimos, é decorrência do processo de constituição da parentela agnática. Mas este aparente equilíbrio na situação social e política nas Reservas é mantido sobretudo graças às regras de solidariedade do grupo de irmãos, que se encontram, hoje, perturbadas pela divisão entre &amp;quot;católicos&amp;quot; e &amp;quot;crentes&amp;quot; (e, nestes, entre as diversas igrejas hoje presentes nas Reservas). Esta divisão &amp;quot;ideológica&amp;quot;, no passado recente, chegou a contaminar o próprio núcleo de poder nas Reservas (Cf. Altenfelder para Taunay-Ipegue e Cardoso de Oliveira [1968] para Cachoeirinha).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A distribuição das residências nas Reservas e nos respectivos setores, junto com a localização dos lotes de roças, de pastagens e a cobertura vegetal remanescente, ilustram bem que o espaço para a instalação de novos grupos domésticos nas Reservas chegou, há anos, ao seu limite crítico. Constata-se na situação de Reserva um processo onde, cada vez mais ao longo do tempo, determinadas condicionantes externas impõem as condições de vida ali reinantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deste quadro resulta a necessária procura pelo trabalho externo. E a sua contrapartida perversa, que é a relativamente alta oferta de mão-de-obra e o conseqüente aviltamento da sua remuneração. Por isso não interessa às elites regionais exploradoras desta mão-de-obra a alteração desse status quo – pois são raras, na região, fazendas que não contaram (ou contam) com os braços (baratos) dos Terena para sua abertura e/ou manutenção. Para qualquer observador isento, é patente, hoje, o elo causal entre a situação de Reserva (falta de condições de vida mais dignas, traduzidas na alta taxa de ocupação e na migração), as dificuldades de obter condições de vida melhores no meio urbano e a emergência de ações reivindicatórias inusitadas na história Terena recente: a ocupação de terras contíguas às Reservas, o que aconteceu recentemente no Buriti.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, as alterações nos padrões históricos da ocupação Terena ao longo dos anos e no modo de produção tradicional foram determinados fundamentalmente pela situação de confinamento em Reservas. Está claro que não se pode esperar um retorno idílico e totalmente irreal às bases socioculturais de antes da guerra com o Paraguai; mas é bem possível esperar que as áreas eventualmente recuperadas pelos Terena no Mato Grosso do Sul serão ocupadas segundo seus usos, costumes e tradições – considerando alguns conceitos mais ou menos óbvios para qualquer antropólogo: que os padrões socioculturais são dinâmicos e que se alteram necessariamente frente às vicissitudes da história e que “tradição” aqui (isto é, do ponto de vista antropológico) não quer dizer “salvaguarda de relíquias” e muito menos “resgate cultural” (pois os Terena permanecerão Terena em qualquer situação).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com isso queremos dizer que, ampliadas as Reservas, é muito provável que se desenvolvam, a partir daí, uma série de novos eventos que alterarão irremediavelmente a paisagem daquelas áreas – tais como a volta da cobertura arbórea nas áreas de pastagens; a reestruturação das matas secundárias hoje existentes; a abertura de novas áreas de roças que aliviarão a pressão sobre os remanescentes vegetais nas áreas atualmente ocupadas; o surgimento de pontos de coleta e uma recomposição da fauna – tornando-a indígena pelo seu modo de uso e apropriação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Grupos estratificados e metades ===&lt;br /&gt;
Outrora (mas em certas aldeias e dadas certas circunstâncias isso prevelece ainda hoje) a sociedade Terena dividia seus membros em &amp;quot;camadas&amp;quot;, segundo a expressão de Cardoso de Oliveira (1976) e cuja filiação era (e se dá ainda) pela linha paterna. Estas camadas são denominadas naati (&amp;quot;gente de chefes&amp;quot;), wahêrê (&amp;quot;gente que pede&amp;quot; ou &amp;quot;guerreiros&amp;quot;, ou ainda modernamente &amp;quot;soldados&amp;quot;) e cauti (corruptela de &amp;quot;cativo&amp;quot;, outrora aplicada a indivíduos de outras etnias capturados nas guerras e incorporados na sociedade terena como trabalhadores e serviçais). Apesar da condição filiativa patrilinear, o segundo podia (ou pode) aceder à primeira condição dependendo do seu desempenho, outrora basicamente guerreiro. São camadas endogâmicas e ainda hoje (em Cachoeirinha, pelo menos) classificam um casamento como &amp;quot;bom&amp;quot; (aquele que respeitou a regra endogâmica) ou &amp;quot;ruim&amp;quot; (que não observou a regra).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além desta estratificação em camadas, os indivíduos terena estão divididos em duas metades, cuja filiação também é dada patrilinearmente: as metades sukirikionó (&amp;quot;sérios&amp;quot; e &amp;quot;mansos&amp;quot;) e xumonó (&amp;quot;gozadores&amp;quot; e &amp;quot;bravos&amp;quot;). Apesar de seu status apenas cerimonial, esse par de metades é levemente desigual, com os Terena emprestando um valor mais positivo aos membros da primeira em relação à segunda (Cardoso de Oliveira, 1976: 49).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Elisa Ladeira|Maria Elisa Ladeira]] e [[Usuário:Gilberto Azanha|Gilberto Azanha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia e xamanismo ==&lt;br /&gt;
Apesar do longo tempo de contato, os Terena, sobretudo aqueles residentes nas aldeias mais &amp;quot;tradicionais&amp;quot;, como Cachoeirinha e Bananal, utilizam os poderes dos seus &amp;quot;porangueiros&amp;quot;, como dizem, ou curadores (xamãs, em terena: ''koixomuneti''). Recorrem a estes para a cura de doenças, interpretadas como &amp;quot;males do espírito&amp;quot; que afetam o corpo do indivíduo (não há separação entre o corpo e o espírito na concepção dos curadores terena). Também possuem o poder de descobrir feitiço que terceiros podem ter colocado no doente, causando sua morte. Estas acusações são uma constante fonte de fuxicos, que geram crises políticas internas nas aldeias de Cachoeirinha, por exemplo. O ''koixomuneti ''age por meio de um &amp;quot;espírito companheiro&amp;quot; (koipihapati) que na verdade é quem &amp;quot;descobre&amp;quot; as coisas encobertas e lhe orienta na cura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em Cachoeirinha, no mês de maio, quando as plêiades voltam a aparecer no horizonte, realizam uma festa (''oheokoti'') em que os vários ''koixomuneti'', paramentados e pintados, utilizando seus instrumentos básicos de trabalho (o &amp;quot;porango&amp;quot; ou maracá - ''itaaká ''e um tufo de penas de ema - ''kipahê'') passam a noite cantando em invocação dos seus &amp;quot;espíritos guia&amp;quot; para que tragam boas colheitas, abundância e para livrar a aldeia dos &amp;quot;feitiços&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mito de origem do povo Terena, um longo relato de como o herói civilizador duplo (tem uma parte &amp;quot;gêmea&amp;quot; que age como um anti-herói) ''Yurikoyuvakái ''tirou-os de debaixo da terra e ensinou-lhes o uso do fogo e das ferramentas agrícolas, é ainda passado de geração a geração, pelo menos em Cachoeirinha. É essa dupla face do herói que fundamenta o comportamento dos membros das metades ''xumonó'' (gozadores, &amp;quot;bravos&amp;quot;) e ''sukirikionó ''(sérios, &amp;quot;mansos&amp;quot;), ainda presentes em muitos aspectos da vida social e cerimonial Terena.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Elisa Ladeira|Maria Elisa Ladeira]] e [[Usuário:Gilberto Azanha|Gilberto Azanha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
=== Agricultura ===&lt;br /&gt;
A agricultura hoje praticada pelos Terena é diferente da que se praticava antes da Guerra do Paraguai. Anteriormente possuíam um território suficiente para desenvolver uma agricultura itinerante, de corte e queima e posterior pousio, por tempo suficiente para a regeneração da fertilidade natural do solo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, confinados nas Reservas – fator fundamental para as transformações ocorridas em sua agricultura tradicional – os Terena possuem campos de cultivo permanentes, utilizando-se da mecanização (tratores) para gradagem, preparo da terra para plantio e eventualmente para a abertura de novas áreas permanentes de cultivo. As práticas atualmente utilizadas são adaptações posteriores a esta &amp;quot;modernização&amp;quot; forçada. Das atividades produtivas praticadas pelos Terena nas Reservas, a agricultura continua sendo a sua principal atividade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano agrícola em todas as Reservas Terena inicia-se em agosto, tendo seu término em março/abril, com o plantio de feijão da &amp;quot;seca&amp;quot;. A produção agrícola obtida nas áreas de roça Terena é destinada e para o consumo familiar e, quando possível, para a venda – o que é cada vez mais raro, devido ao aviltamento dos preços agrícolas. Na Reserva Buriti, o arroz, o feijão, a mandioca e o milho são os principais produtos plantados para o consumo. Cultivam ainda para a subsistência o feijão &amp;quot;miúdo&amp;quot;, a abóbora, a melancia, o maxixe, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As roças, regra geral, pertencem ao grupo doméstico (que engloba eventualmente mais de uma família elementar). Devido à dinâmica de sucessão pela linha paterna, os terrenos já desbravados por uma parentela agnática tendem a ficar no domínio de irmãos consangüíneos, acentuando a patrilinearidade do sistema de parentesco Terena – e a virilocalidade da residência pós-matrimonial (a esposa vai à casa do marido, que é a do pai dele ou muito próxima ao grupo de vizinhança do mesmo). Por força desta composição, as roças de um mesmo grupo de irmãos se distribuem em áreas contíguas. Este grupo – com a autoridade do mais velho – decide sobre quando e o quê plantar e trabalham coletivamente no seu &amp;quot;trecho&amp;quot;, apesar do reconhecimento da propriedade individual de cada integrante para cada &amp;quot;trecho&amp;quot;. Esta descrição serve para os grupos mais velhos da Reserva, descendentes dos formadores das aldeias ou dos primeiros migrantes. Os migrantes – sem base ou apoio na parentela – tendem a abrir (e foi assim no passado) roças novas em áreas concedidas pela chefia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o fato de que as Reservas possuem áreas nitidamente delimitadas e insuficientes para assegurar a segurança alimentar mínima de toda a sua população, a prática da agricultura se dá em terrenos já abertos, e com trator. Até o início dos anos 1990, ainda ocorria um pequeno avanço para as áreas de &amp;quot;capoeirão&amp;quot; (vegetação em estágio de regeneração de 15 a 20 anos) presentes no entorno das roças abertas, através de uma técnica denominada “destoca”: a partir de uma área já aberta, eles adentram a capoeira retirando os troncos mais grossos, de forma que restem os troncos finos e os tocos das árvores. Após o corte das árvores com machado é efetuado a desgalha, retirando os galhos mais grossos para serem aproveitados como lenha. Efetuada a limpeza dos troncos, estes são removidos do interior das áreas de roça e destinados aos mais variados tipos de uso: confecção de caibros, mourões e mesmo venda (madeira nobre com valor comercial). O material restante nas áreas de roça (lenhoso e não lenhoso) era agregado junto aos cepos arbóreos e queimados. Essa &amp;quot;destoca&amp;quot; gradual pode ainda ser hoje utilizada, dependendo da disponibilidade de insumos (óleo, trator e dinheiro para o tratorista).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As áreas novas para agricultura, recém-preparadas, são destinadas basicamente para as roças de milho, arroz (este nas poucas áreas naturalmente irrigadas e de terra preta) e feijão. As áreas destinadas para o plantio destes cereais exigem uma condição de fertilidade de solo diferenciado de outros cultivos. Junto às roças de milho e feijão (nas áreas mais altas) é observada uma grande diversidade de cultivos consorciados, como abóbora, melancia, batata-doce, maxixe, entre outros. Estes cultivos secundários têm a função de cobrir as áreas de solo entre os pés da cultura principal, reduzindo assim o &amp;quot;praguejamento&amp;quot; da roça. Quando a produtividade dos gêneros principais começa a diminuir nas áreas de roça, estas mesmas áreas, no ano seguinte, são destinadas ao plantio dos tubérculos (mandioca, batata-doce, maxixe) e demais cultivos menos exigentes em fertilidade do solo - por um certo período, até a recuperação de parte da fertilidade do solo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As famílias Terena que vivem da agricultura não conseguem auferir dela a renda mínima necessária para manter, durante todo o ano, seu grupo doméstico. Para que as roças sejam bem sucedidas, as lideranças devem garantir junto aos órgãos governamentais (prefeituras, órgãos estaduais e Funai, nesta ordem) o suprimento necessário de diesel e sementes e contar ainda com que os tratores estejam em perfeitas condições de uso. Porém, esta situação coloca os lavouristas Terena das Reservas na dependência quase absoluta dos insumos externos (óleo e sementes) – dependência esta que acaba por submeter as lideranças indígenas ao mais deslavado &amp;quot;clientelismo&amp;quot;, sobretudo por parte das autoridades municipais, ávidas dos votos indígenas. Dado este quadro, os lavouristas indígenas apenas têm o controle sobre &amp;quot;o quê plantar&amp;quot;, mas não sobre &amp;quot;o quanto e o quando plantar&amp;quot;. Daí as diferenças, ano a ano, verificadas nas áreas efetivamente plantadas nas Reservas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro ponto que merece ser destacado, é a constatação que a desigualdade na distribuição dos lotes de roças, somada às diferenças no desempenho dos líderes das parentelas agnáticas, reflete-se na existência de grupos domésticos mais bem &amp;quot;sucedidos&amp;quot; que outros, em termos de sua &amp;quot;condição de vida&amp;quot; (e os equipamentos domésticos e as roupas são o sinal exterior destas diferenças).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Pecuária ===&lt;br /&gt;
A despeito da “vocação” Terena para a agricultura, este povo jamais deixou de exercer a atividade de criação de gado, vacum e cavalar, ocupação que herdaram, para depois assumirem como própria, na sua prolongada convivência com os Mbayá-Guaicuru. Este conhecimento foi fundamental nos anos subseqüentes à guerra com o Paraguai, para a inserção de muitos Terena como colonos e peões preferenciais das fazendas da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outrora, o acesso às reses parecia estar restrito aos naati – chefes de grupos locais que tinham a prerrogativa de receber, através da troca de suas mulheres com os &amp;quot;maiorais&amp;quot; Mbayá, bois e cavalos. Hoje, este acesso restringe-se aos Terena &amp;quot;bem sucedidos&amp;quot;, isto é, que conseguiram dinheiro suficiente para comprar algumas reses, seja através dos longos anos despendidos na changa ou seja por meio de outro emprego qualquer no mundo dos purutuyé. Mas a criação é ainda sinal de status elevado dentro das reservas Terena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a criação de gado – dada as limitações das Reservas – tornou-se uma das principais fontes de conflitos internos. E já o era também em tempos passados, visto a divisão proposta pelo então major Rondon quando da delimitação das Reservas de Cachoeirinha e Taunay-Ipegue, entre as áreas de roça e aquelas destinadas à criação. O &amp;quot;fechamento&amp;quot; das áreas de pastagem no interior das Reservas foi sempre causa de problemas políticos, pois subtrai da área comum uma parcela maior que aquelas requeridas pelas roças – e para fins estritamente particulares, já que os rebanhos da &amp;quot;comunidade&amp;quot; introduzidos pelo SPI foram extintos há muitos anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas famílias ainda criam porcos confinados. E praticamente todas mantêm uma pequena criação de galinhas, que, junto com a carne de alguma caça e peixe, são as principais fontes próprias (isto é, não adquiridas externamente) de proteína de origem animal nas Reservas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apenas em Cachoeirinha e Taunay-Ipegue observamos que o artesanato desempenha papel significativo enquanto atividade econômica – e é uma das fontes de renda das mulheres, além da cerâmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Trabalhos temporários ===&lt;br /&gt;
A modalidade de trabalho externo temporário mais antiga entre os Terena é a &amp;quot;empreitada&amp;quot; nas fazendas vizinhas. Na região do antigo território Terena, é muito difícil encontrar uma propriedade rural que não tenha contado com os braços Terena para &amp;quot;abri-la&amp;quot; (isto é, substituir a mata nativa pelas pastagens) ou mantê-la. E suas modalidades (permanente ou temporário) variaram ao longo na história Terena do pós-guerra (do Paraguai): a história Terena registra a passagem do &amp;quot;permanente compulsório&amp;quot; (ou &amp;quot;tempo da servidão&amp;quot;, na definição dos Terena de Cachoeirinha), ao &amp;quot;temporário autônomo&amp;quot;, passando pela &amp;quot;situação de colônia&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje a modalidade dominante (e quase exclusiva) do trabalho indígena nas fazendas é aquela que chamamos de &amp;quot;temporário autônomo&amp;quot;. Em geral, a mão-de-obra indígena é requisitada &amp;quot;voluntariamente&amp;quot; para os serviços instalação de cercas, corte de postes, carpina em pastagens e no auxílio ao aparte de bezerros e na colheita do feijão. Para este tipo de trabalho são preferencialmente aceitos os índios mais velhos (faixa etária dos 35-50 anos) – e sua contratação depende em grande parte das relações de amizade que cultivam, ou cultivavam, com os capatazes destas fazendas. De modo geral, os homens maduros que exercem eventualmente este tipo de trabalho externo já têm sua fazenda &amp;quot;preferencial&amp;quot; (ou seu “patrão”, como dizem).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a administração da changa, como hoje é chamado, regionalmente, o trabalho temporário nas fazendas e hoje nas usinas de açúcar e álcool, passaria a ser um dos principais – senão o principal – papel desempenhado pelo núcleo de poder nas Reservas: chefe do PI, capitão e membros privilegiados do &amp;quot;Conselho&amp;quot;. Assim, para sustentar a posição de poder, atualmente aquele núcleo é responsável pela indicação exclusiva dos &amp;quot;cabeçantes&amp;quot; – moradores da Reserva, necessariamente alfabetizados e que são os encarregados das &amp;quot;turmas&amp;quot; de trabalhadores contratadas pelo empreiteiro das usinas. Estes &amp;quot;cabeçantes&amp;quot; recebem um salário diferenciado e se responsabilizam integralmente pela &amp;quot;sua&amp;quot; turma (composta por 40 a 60 trabalhadores) distribuindo (e anotando) as tarefas realizadas no dia a dia do corte de cana. A escolha destes indivíduos é basicamente determinada pelas relações de parentela e – sobretudo – pelo aliciamento de lealdades, que ocorrem durante o processo eleitoral, feita pelos candidatos a &amp;quot;capitão&amp;quot;. Um bom &amp;quot;cabeçante&amp;quot; traz dividendos políticos para o seu &amp;quot;padrinho”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito ao trabalho no meio urbano, a partir do final dos anos 1950, a crescente urbanização de grupos familiais Terena está ligada à superpopulação das Reservas e à ausência de perspectiva nelas. Cardoso de Oliveira, que analisou exaustivamente este fenômeno (1968, capítulo VI) registraria, já em 1960, 418 indivíduos Terena morando em Campo Grande. Por essa época, as profissões &amp;quot;liberais&amp;quot; (pedreiro, servente, auxiliar de escritório etc.) e o emprego fixo na extinta NOB (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil) eram as principais atividades exercidas pelos Terena no meio urbano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não inventariamos exaustivamente qual o tipo de trabalho que os Terena egressos das Reservas estão exercendo nos núcleos urbanos. Nas entrevistas realizadas, as mencionadas com maior freqüência são a de &amp;quot;empregada doméstica&amp;quot;, &amp;quot;segurança&amp;quot; e &amp;quot;vendedor&amp;quot;. Os Terena &amp;quot;em situação de cidade&amp;quot; se concentram principalmente em Campo Grande. Entretanto, a maior parte desses índios ainda mantem fortes vínculos com as Reservas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Caça, pesca e coleta ===&lt;br /&gt;
Essas atividades têm ainda uma importância fundamental para a subsistência de muitos grupos domésticos, particularmente para aqueles mais &amp;quot;pobres&amp;quot; – e que têm poucos recursos para adquirirem proteína animal nos açougues dos purutuyé. Mas estas atividades, por serem clandestinas (as áreas de caça e pesca ainda disponíveis ficam hoje em fazendas vizinhas), não podem &amp;quot;aparecer&amp;quot; (nas caçadas, a arma é sempre escondida e o animal abatido é retalhado e &amp;quot;disfarçado&amp;quot; em um saco, com material vegetal) – nem mesmo para os demais &amp;quot;patrícios&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estas atividades foram exercidas com mais intensidade até meados dos anos 1970, quando as florestas e matas de galeria da região ainda eram abundantes. Nos cerrados e pantanais (vazantes) vizinhos às Reservas, ainda é abundante a oferta de caitetus, antas, cervos e veados (mateiro e catingueiro). Como os fazendeiros nunca permaneciam (ou permanecem) nas fazendas, e como eram patrícios ou conhecidos os &amp;quot;encarregados&amp;quot; por elas, a permissão para as caçadas estava garantida. Com a &amp;quot;abertura&amp;quot; de áreas contínuas para a formação de pastagens artificiais, nas áreas vizinhas à Reserva – intensificadas a partir dos anos 1970 – reduziram-se ao mesmo tempo as áreas de caça e aumentaram a repressão e vigilância dos “proprietários”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A caça nas fazendas da região fora reprimida desde a época do SPI, inclusive com castigos sendo reservados aos índios que caçassem nessas fazendas. Por ser clandestina, esta atividade envolve um alto risco – e recursos, como a espingarda e a munição, além de uma disposição para arcar com as conseqüências, pois se flagrado por um funcionário da fazenda, terá sua arma e a peça de caça apreendidos, além da possível admoestação por parte do agente federal da Funai, sem contudo deixarem de exercê-la. Atualmente as áreas mais buscadas são aquelas onde a vigilância dos gerentes é mais frouxa. A utilização de cachorros nestas incursões é vital – mas acarreta um risco a mais. Os detentores atuais dos imóveis vizinhos reclamam que essas expedições assustam o gado, pondo em risco a “integridade” das suas reses (sic).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesca hoje é outra atividade que os Terena praticam ou procuram praticar com afinco, apesar de acarretar quase os mesmos riscos da caça. Nos tempos de seca, nas Reservas de Cachoeirinha, Taunay-Ipegue e Buriti, essa atividade envolve um número surpreendentemente grande de índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coleta de mel e frutas, bastante importante no passado recente, já não tem a mesma significação – e parece estar restrita como brincadeira das crianças. Outras atividades extrativistas dignas de nota ainda presentes nas Reservas de Cachoeirinha e Taunay-Ipegue hoje são a lenha (para a cozinha e também para a o cozimento da cerâmica) e as plantas medicinais. A dependência de muitas famílias da madeira como fonte de energia (coisa que já não ocorre, por exemplo, na Reserva Buriti) é, além da cerâmica, a responsável pela manutenção do montante de matas significativas nas Reservas citadas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Elisa Ladeira|Maria Elisa Ladeira]] e [[Usuário:Gilberto Azanha|Gilberto Azanha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
Maria Elisa Ladeira, antropóloga do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), realizou sua tese de doutoramento sobre esse grupo, com o título ''Análise sociolingüística'' em um grupo Terena, pelo Programa de Antropologia Social da USP, em 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gilberto Azanha, também antropólogo do CTI, é o coordenador do GT 1155/Funai, cujos relatórios definiram novas áreas para as TIs Buriti, Cachoeirinha e Taunay-Ipegue, propostas estas já reconhecidas e publicadas pela Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Terena foram ainda estudados pelo antropólogo Roberto Cardoso de Oliveira, cuja obra é referência para o estudo sobre esse povo. Seus principais livros sobre o grupo são: ''Urbanização e Tribalismo: a integração dos índios Terena numa sociedade de classes'' (Zahar Editores, 1968) e ''Do Índio ao Bugre: o processo de assimilação dos Terena'' (2ª ed. Francisco Alves, 1976).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Elisa Ladeira|Maria Elisa Ladeira]] e [[Usuário:Gilberto Azanha|Gilberto Azanha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ABREU JÚNIOR, Alaor Dias de. Percepção do risco a contaminação pela AIDS em índios Terena desaldeados, no bairro Guanandi, em Campo Grande-MS : uma proposta para educação sanitária. Campo Grande : s.ed., 1993. 63 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ACCOLINI, Graziele. Terena : adoção de um novo mito. São Paulo : PUC, 1996. 97 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;AGUIAR, José Ivan. Enfermidades degenerativas entre os Terena de Mato Grosso do Sul : uma abordagem de aspectos ligados ao diabetes tipo II e fatores correlacionados. In: In: SEMINÁRIO SOBRE ALCOOLISMO E DST/AIDS ENTRE OS POVOS INDÍGENAS DA MACRORREGIÃO SUL, SUDESTE E MATO GROSSO DO SUL. Anais. Brasília : Ministério da Saúde, 2001. p. 77-82. (Seminários e Congressos, 4)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;ALVES, Gildney Maria dos Santos. Estado nutricional, absorção e tolerância à lactose e sobre crescimento bacteriano no intestino delgado de crianças índias Terena - Mato Grosso do Sul. São Paulo : Unifesp/EPM, 1998. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;AZARA, Felix. Voyages dans l'Amerique depuis 1781 jusqu'en 1801. Paris : C.A. Walckenarer, 1809.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Relatório circunstanciado com vistas ao reestudo dos limites das AIs Cachoeirinha, Taunay-Ipegue e Buriti. São Paulo : Funai, abr. 2000. 95 p.&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;BALDUS, Herbert. Lendas dos índios Terena. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, v. IV, n.s., 1950.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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--------. A sucessão hereditária do chefe entre os Tereno. In: --------. Ensaios de etnologia brasileira. São Paulo : Ed. Nacional ; Brasília : INL, 1979. p. 34-43. (Brasiliana, 101)&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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--------. Víhikaxovope yúhoikopea ûti vemó'u - Cartilha para aprender a ler em nossa língua. Cuiabá : SIL, 1994. 69 p. (Cartilha de Transição do Português para Terena). Circulação restrita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Vukápanavo 1, 2, 3 - Vamos para frente 1, 2, 3. Cuiabá : SIL, 1995. 36, 48 e 56 p. (Livros de Apoio na Língua Terena). Circulação restrita.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ELLIOT, J. H. Itinerário das viagens exploradoras emprehendidas pelo senhor Barão de Antonina para descobrir uma via de comunicação ... . Rev. Trimestral de História e Geografia, Rio de Janeiro : s.ed., v.10, 1848.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERNANDES JÚNIOR, José Resina. Da aldeia do campo para a aldeia da cidade : implicações socioeconomicas e educacionais no êxodo dos índios Terena para o perímetro urbano de Campo Grande, MS. Campo Grande : Universidade Católica Dom Bosco, 1997. 113 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERREIRA, Andrey Cordeiro. Mudança cultural e afirmação identitária : a antropologia, os Terena e o debate sobre aculturação. Rio de Janeiro : Museu Nacional, 2002. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERREIRA, Mariana Kawall Leal. Conhecimentos matemáticos de povos indígenas de São Paulo. In: SILVA, Aracy Lopes da; FERREIRA, Mariana Kawall Leal, orgs. Praticas pedagógicas na escola indígena. São Paulo : Global, 2001. p.211-35. (Antropologia e Educação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FLORENCE, H. Viagem fluvial, do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829. São Paulo : Edusp/Cultrix, 1977.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FRANCISCO, Celio dos Santos; FRANCISCO, Marta Alexandre. Pequeno dicionário da língua Terena Vemo'U : dicionário aruak-português para I e II graus. Campo Grande : Ruy Barbosa, 1997. 36 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GALAN, Maria Cristina da Silveira. As Terena. São Paulo : PUC-SP, 1994. 148 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GUTMAN, César Roberto Soares. O índio Terena urbanizado : as diferenças culturais e as questões de saúde bucal - uma proposta diferenciada. Campo Grande : s.ed., 1993. 69 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;KÁLIHUNOE exetínati - Pequenas estórias. Campo Grande : Funai ; SIL, 1993. 48 p. (Livro de Leitura Terena). Circulação restrita.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LACERDA, M. Linhares de. Tratado das terras do Brasil. v. 4. São Paulo : Alba, 1962.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LADEIRA, Maria Elisa Martins. Língua e história : análise sociolingüística em um grupo Terena. São Paulo : USP, 2001. 179 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
-------- (Coord.). A terra dos Terena : manual de educação ambiental para a Terra Indígena de Cachoeirinha. São Paulo : CTI, 1999. 37 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-------- et al. Uma radiografia da língua Terena no município de Miranda : uma análise sociolinguística. São Paulo : CTI, 1998.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LEVERGER, A. Roteiro da navegação do rio Paraguay desde a foz do São Lourenço até o Paraná. Rev. Trimestral do Inst. Histórico, Geográfico e Ethnográfico do Brasil, Rio de Janeiro, v.25, ns. 211-284, 1862.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LIMA, Marilana Geimba de et al. Fatores de risco para câncer de mama em mulheres indígenas Terena de área rural, estado do Mato Grosso do Sul, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Fiocruz, v. 17, n. 6, p. 1537-44, nov./dez. 2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LOPES, Marta Maria; SILVA, Robson Felipe Viegas da. Formação de pesquisadores índios e método histórico : uma experiência no Icatu. In: SILVA, Aracy Lopes da; FERREIRA, Mariana Kawall Leal, orgs. Praticas pedagógicas na escola indígena. São Paulo : Global, 2001. p.161-184. (Antropologia e Educação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MANGOLIN, Olívio. Da escola que o branco faz à escola que o índio necessita e quer, uma educação indígena de qualidade. Campo Grande : Univers. Católica Dom Bosco, 1998. 155 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Povos indígenas no Mato Grosso do Sul : viveremos por mais 500 anos. Campo Grande : Cimi-MS, 1993. 120 p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NILSSON, Maurice Tomioka; REZENDE, Rogério. A terra dos Terena : manual de educação ambiental para a Terra Indígena de Cachoeirinha. São Paulo : CTI, 1999. 37 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NORDER, Luiz Antonio Cabello. Os Aruák no Mato Grosso : trabalho e conflito (1848-1873). Terra Indígena, Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, v. 11, n. 70, p. 26-31, jan./mar. 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OBERG, Kalervo. The Terêna and the Caduveo of Southern Mato Grosso, Brazil. Washington : Smithsonian Institution, 1949. (Institute of Social Anthropology, Publication, 9).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. Aspectos demográficos e ecológicos de uma comunidade Terena. Boletim do Museu Nacional, Rio de Janeiro : Museu Nacional, v.18, 25 p., set. 1958.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Do índio ao bugre. Rio de Janeiro : Francisco Alves Ed., 1976. (Ciências Sociais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Dualismo Terêna. In: OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. Enigmas e soluções : exercícios de etnologia e de crítica. Rio de Janeiro : Tempo Brasileiro ; Fortaleza : UFCE, 1983. p. 76-83. (Biblioteca Tempo Universitário, 68)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Matrimônio e solidariedade tribal Terêna. In: --------. Enigmas e soluções : exercícios de etnologia e de crítica. Rio de Janeiro : Tempo Brasileiro ; Fortaleza : UFCE, 1983. p. 31-53. (Biblioteca Tempo Universitário, 68)&lt;br /&gt;
Publicado também em Revista de Antropologia, São Paulo : USP, v.7, n.1/2, 1959.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. O processo de assimilação dos Terena. Rio de Janeiro : Francisco Alves Ed., 1976. 152 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Urbanização e tribalismo : a integração dos Terena numa sociedade de classes. Rio de Janeiro : Zahar, 1968. 237 p. (Apresentado originalmente como Tese de Doutorado. 1966, USP)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PRADO, F. Rodrigues do. História dos índios cavaleiros ou da nação Guaicuru. Rev. do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, v. II, 1840.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RANGEL, Lúcia Helena Vitalli. Vida em reserva : três comunidades indígenas de São Paulo. São Paulo : PUC-SP, 1979. 93 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;REIMÃO, Rubens; SOUZA, José Carlos. Sono do indígena Terena. Campo Grande : Universidade Católica Dom Bosco, 2000. 60 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIBAS, Dulce Lopes Barboza. Saúde e nutrição de criança indígena Terena, Mato Grosso do Sul, Brasil. São Paulo : USP, 2001. 201 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
-------- et al. Nutrição e saúde infantil em uma comunidade indígena Terena, Mato Grosso do Sul, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Fiocruz, v. 17, n. 2, p. 323-32, mar./abr. 2001.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIBAS, Dulce Lopes Barboza; PHILIPPI, Sonia Tucunduva. Aspectos alimentares e nutricionais de mães e crianças indígenas Terena, Mato Grosso do Sul. In: COIMBRA JÚNIOR; SANTOS, Ricardo Ventura; ESCOBAR, Ana Lúcia (Orgs.). Epidemiologia e saúde dos povos indígenas no Brasil. Rio de Janeiro : Fiocruz/Abrasco, 2003. p.73-88.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SÁNCHES LABRADOR, J. El Paraguay Catolico. Buenos Aires : Ed. Hermanos, 1910.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCHMIDEL, U. Viaje al Rio de la Plata. Buenos Aires : Emecé Editores, 1945.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SEMINÁRIO SOBRE ALCOOLISMO E DST/AIDS ENTRE OS POVOS INDÍGENAS DA MACRORREGIÃO SUL, SUDESTE E MATO GROSSO DO SUL. Anais. Brasília : Ministério da Saúde, 2001. 200 p. (Seminários e Congressos, 4)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SERRA, R. F. Almeida. Parecer sobre o aldeamento dos índios Uaicurus e Guanás, com a descrição dos seus usos, religião, estabilidade e costumes. Rev. do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, v. 7, 1845.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Fernando Altenfelder. Mudança cultural dos Terena. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, v. 3, n.s., p. 271-380, separata, 1949.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Religião Terena. In: SCHADEN, Egon. Leituras de etnologia brasileira. São Paulo : Companhia Editôra Nacional, 1976. p. 268-76.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOUZA, Juberty Antônio de. Percepções sobre saúde, doença e suas implicações na implantação em projetos de prevenção : o caso Terena. In: SEMINÁRIO SOBRE CULTURA, SAÚDE E DOENÇA (2003:Londrina, PR). Anais. Londrina : Funasa, 2003. p.66-75.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------; AGUIAR, José Ivan. Alcoolismo em população Terena no estado de Mato Grosso do Sul : impacto da sociedade envolvente. In: SEMINÁRIO SOBRE ALCOOLISMO E DST/AIDS ENTRE OS POVOS INDÍGENAS DA MACRORREGIÃO SUL, SUDESTE E MATO GROSSO DO SUL. Anais. Brasília : Ministério da Saúde, 2001. p. 149-66. (Seminários e Congressos, 4)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOUZA, Sandra Cristina. Mulheres Terena : história e cotidiano. São Paulo : PUC, 2000. 87 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Elisa Ladeira|Maria Elisa Ladeira]] e [[Usuário:Gilberto Azanha|Gilberto Azanha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
=== Cultura do Povo Terena, narrada por Isac Dias, ancião Terena. ===&lt;br /&gt;
Aldeia Limão Verde em Aquiaudana – MS&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Produzido pela indígena Naine Terena &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fonte: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.youtube.com/watch?v=KcfabKwVvY4&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.youtube.com/watch?v=KcfabKwVvY4&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;315&amp;quot; src=&amp;quot;http://www.youtube.com/embed/KcfabKwVvY4&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; width=&amp;quot;420&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
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{{#set:Tem autor=Usuário:Maria Elisa Ladeira}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{#set:Counter=93580}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Museu do Índio, S/d.}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2004-11-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=270}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em São Paulo]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Mato Grosso]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Mato Grosso do Sul]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Ofai%C3%A9&amp;diff=6276</id>
		<title>Povo:Ofaié</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Ofai%C3%A9&amp;diff=6276"/>
		<updated>2018-08-10T20:54:54Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Até o início do século XX, os Ofaié eram milhares e habitavam a margem direita do rio Paraná, desde a foz do Sucuriú até as nascentes do Vacaria e Ivinhema. Sempre em pequenos grupos, viviam em constantes deslocamentos ao longo dessa região. Seu território foi ocupado por fazendas de pecuária e apenas na década de 1990, quando só restavam algumas dezenas de sobreviventes, conseguiram recuperar uma pequena porção de suas terras, as quais até hoje não foram homologadas pela presidência da República.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome e língua ==&lt;br /&gt;
Opaié ou Ofaié, pronunciado com uma consoante imprecisa entre o “f” e o “p”, é o nome que estes indígenas dão a si mesmos, e Xavante é o nome que receberam dos não-indígenas que, durante os primeiros séculos da colonização, exploraram o Centro-Oeste do Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Ofaié foram chamados e tiveram seus nomes grafados de diferentes modos: Opayé, Opaié, Ofaiê, Faiá, Faié, Fae, Faiá, Kukura, Xavante, Chavante, Shavante, Chavante-Ofaié, Chavante-Opaié, Guaxi, entre outros. Foram chamados de “Xavante” por viverem numa região de vegetação do tipo savana (''šhavante'', os que vivem nas savanas), com predomínio de vegetação rasteira e árvores de pequeno e médio porte, características do cerrado sul-matogrossense.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Ofaié nada têm em comum com seus homônimos Xavante, do rio das Mortes (os Xavante ''Akwen'') e com os extintos Xavante de Campos Novos, do estado de São Paulo (os Xavante Oti).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Summer Institute of Linguistics (SIL, hoje também chamada Sociedade Internacional de Lingüística), em 1958, num trabalho de análise fonêmica e morfológica realizado junto a um grupo Ofaié no Mato Grosso do Sul, enquadrou-os no tronco Jê. A língua Ofaié também foi pesquisada por Meiremárcia Guedes (1989), que pesquisou o grupo de Brasilândia (MS). O trabalho teve continuidade com a pesquisa de Marlene Carolina de Souza, ''O povo Ofaié: uma breve abordagem lingüística'' (1991), resultando na produção de uma cartilha organizada por esta última autora. Estudos mais recentes sobre a língua desse povo podem ser encontrados em trabalhos realizados por Lúcia Helena Tozzi da Silva (2002) e Maria das Dores de Oliveira (2004), cuja pesquisa ainda se encontra em curso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, a maioria dos adultos fala a língua Ofaié. Freqüentam a Escola Municipal Ofaié-E-Iniecheki, que funciona na própria aldeia, com uma professora não-indígena que atende uma turma multi-seriada, de cerca de 15 alunos. Até 2004 havia um professor indígena. A cartilha utilizada é a da rede municipal de ensino não-indígena (1ª a 4ª séries).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Carlos Alberto dos Santos Dutra|Carlos Alberto dos Santos Dutra]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
A Terra Indígena Ofaié-Xavante, situada no município de Brasilândia (MS), foi declarada de posse permanente dos índios em 1992. Contudo, a área estava ocupada por fazendas e foi contestada por seus proprietários. Os Ofaié tiveram então que ficar provisoriamente em outro terreno, que anos depois seria inundado para a formação da represa da Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (ex-Porto-Primavera). Somente em 1996 as contestações à Terra Indígena foram julgadas improcedentes em despacho do Ministro da Justiça, mas até hoje a TI não foi homologada por decreto presidencial. Saiba mais sobre esse processo no item &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ofaie/1969&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Histórico do contato&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo os dados de Carlos Alberto dos Santos Dutra, em 2001, a população da TI Ofaié-Xavante era de 58 pessoas. Abaixo segue um censo realizado pelo pesquisador em 30/06/2001.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nº&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome não-indígena&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Família nº&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome Indígena&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Parentesco&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Etnia&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Data Nascimento&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Voldinei Souza&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Esposa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ofaié (*)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Márcio da Silva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Arlindo de Souza&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Oti-chô&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Titular&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ofaié (*)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Ofaié&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Lídia Siqueira Manari&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Titular&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Filho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;32&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Patrícia Coimbra Pereira&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Cha-râ-a&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Filha&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Jorge Coimbra Pereira&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Filho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Tatiane Rodrigues Almeida&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Filho&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ofaié (*)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;02.08.78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;João Pereira&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Titular&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ofaié (*)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Francisca da Silva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;He-gueí&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Esposa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ofaié (*)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Kaiowá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;57&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Vanízia Fernandes de Souza&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Esposa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kaiowá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;07.09.86&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Simeire Fernandes de Souza&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Carlos Alberto dos Santos Dutra|Carlos Alberto dos Santos Dutra]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
A primeira referência aos Ofaié data de 1617, quando foram apontados na margem direita do rio Paraná (atualmente MS), segundo levantamento do indigenista João Américo Peret.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os anos de 1716 e 1748 foi registrada a presença de grupos indígenas nos rios Tietê, Paraná, Pardo e Inhanduí até o rio Aquidauana pelas várias expedições realizadas durante o ciclo do ouro na América portuguesa. Os Ofaié localizavam-se então entre a Serra do Maracaju e o alto curso do rio Paraná.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do século XIX, com a ocupação econômica do tipo pastoril na região, Joaquim Francisco Lopes (encarregado da exploração das vias de comunicação entre as províncias de SP e MT), registra a ocupação dos Ofaié nas cabeceiras dos afluentes do Paraguai (rios Negro, Taboco e Aquidauana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1864, cinco aldeias ofaié eram conhecidas nas duas margens do rio Paraná, nas barras do rio Tietê e Sucuriju – região vizinha à terras Guarani-Kaiowá, com quem as relações não eram amistosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de meados de 1880, os fazendeiros de Miranda deslocaram-se para a Reserva de Maracaju e se estabeleceram nas vertentes do Paraná e dos campos de Vacaria. A intensidade da ocupação obrigou os Ofaié a abandonarem suas terras, indo para o sul do estado, junto ao rio Samambaia, enquanto um grupo menor refugiou-se nos brejos do rio Taboco, afluente do rio Aquidauana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Curt Nimuendaju, os campos de Vacaria “eram justamente o centro da tribo, que daí se estendia até a divisa, seguindo pelos rios Brilhantes e Dourados. A uns 60 km da barra deste rio, a divisa subia o espigão divisor entre ele e o Santa Maria”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consta que os Ofaié dividiam, ao norte, terras com os Kayapó habitantes do chamado Sertão do Camapuã, no alto rio Inhanduí, além dos rios Pardo e Verde. Era comum atravessarem o Paraná, na barra do rio Santo Anastácio, para caçadas. O rio Paraná separava os territórios daqueles índios e dos Kaingang, seus inimigos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Primeiros habitantes de Vacaria (hoje município de Brilhante), os Ofaié viveram, durante a Guerra do Paraguai, uma “trégua” em relação às perseguições e violência dos não-indígenas. Em 1886, foram novamente expulsos e se deslocaram para o leste. Passam a ocupar a Zona da Mata ao longo dos rios Samambaia, Três Barras e Equiteroy. Na divisa dos rios Inhanduí e Ivinhema passam a ser novamente perseguidos e são expulsos das terras por fazendeiros instalados em vastas áreas com pastos cercados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do século XIX , os Ofaié são engajados como peões na economia regional de MS. Em 1903, o Gen. Rondon realizou contato pacífico com o grupo, então localizado nos campos do rio Negro e somando aproximadamente 2 mil índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1907, a Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo fez referência à presença dos Ofaié e outros grupos, em expedição ao rio dos Peixes, afluente da margem esquerda do alto Paraná.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1911, o SPI (Serviço de Proteção aos Índios) registrava a necessidade de “catequizar os Xavante” (como eram chamados os Ofaié pelos não-índios) localizados na bacia do rio Paraná e pretendia regularizar duas áreas de campo para aldeá-los entre os rios Taquarussu e Pardo e/ou entre os rios Taquarussu e Verde. No ano seguinte, a ordem dos Capuchinhos solicitou ao Congresso Estadual de São Paulo a cessão de uma área à margem esquerda do rio Paraná, no Vale do Ribeirão das Marrecas, com 14.400 ha, objetivando a “catequização” dos Ofaié e dos Kaiowá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1913, Nimuendaju relatou a presença desse grupo na Barra do Rio Verde, próximo ao sítio dos Capuchinhos, comentando que a maioria estava com malária. O etnólogo desce o rio Verde pela margem direita do Paraná a fim de contatar os Ofaié, mas não os encontra lá e sim às margens do Ivipiranga. Descendo o Paraná, encontrou vestígios de aldeamentos do grupo, cuja população foi estimada em 250 índios. A região encontrava-se invadida por fazendas de pecuária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nimuendaju observou ainda que no alto Paraná, em local conhecido por Boa Esperança (barra do Taquarussu), os Ofaié apareciam em uma fazenda de pecuária da empresa norte-americana Brazil Land Castle and Packing C.O. (conhecida como firma inglesa da marca Argola, que originou a atual cidade de Brasilândia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em atendimento ao SPI, o governo do Mato Grosso (decreto 683, de 24/11/1924) reserva duas áreas de terras devolutas de 3.600 ha cada, uma para os Ofaié e uma para os Kaiowá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até a década de 1950, os Ofaié remanescentes dos rios Samambaia e Ivinhema (com o fechamento dos Postos do Peixinho e Laranjalzinho em 1924), estreitam contato com o grupo que vivia no rio Verde (afluente da margem direita do Paraná) desde 1901. Fixam-se em área que se transformou na Fazenda Boa Esperança e de onde foram expulsos por fazendeiros paulistas em 1952. As terras pertenciam ao estado do Mato Grosso e foram arrendadas à Boa Esperança Comércio, Terras e Pecuária S.A (COTERP). Vencido o contrato, as terras Ofaié foram arrematadas pelo fazendeiro Arthur Hoffig, que, por sua vez, deslocou os índios para a beira do rio Verde, mas os Ofaié não se adaptaram às condições do local.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Voltaram para a região da Fazenda Boa Esperança e se alojam nos fundos do terreno. Os fazendeiros haviam colocado gado na área e plantado capim braquiaria. Com a morte de Arthur Hoffig, “dono” das terras Ofaié, os 190 mil ha foram desmembrados por seus herdeiros; a área que compreendia a aldeia principal dos índios foi comprada por terceiros, que reconhecem a presença anterior dos Ofaié na área, mas não no local que havia comprado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No dia 6 de agosto de 1976, o jornal O Estado de São Paulo publica notícia sobre um grupo de 24 Ofaié em estado calamitoso, doentes e desterrados. A matéria atentava que a Funai jamais tinha visitado a aldeia, “constituída de seis casebres, precariamente construídos numa clareira da Fazenda Boa Esperança”, a 5 Km da estrada que liga Brasilândia ao antigo distrito de Xavantina (hoje município de Santa Rita do Pardo-MS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1978 os Ofaié são transferidos para a Reserva Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho-MS. Em 1983, estouram conflitos na região da serra da Bodoquena entre posseiros, fazendeiros, índios Terena e os Kadiwéu, em função dos contratos de arrendamento praticados pelos proprietários rurais. Novamente os Ofaié foram obrigados a se mudar. Em 1986, o grupo que fora transferido para a Reserva Kadiwéu retorna para Brasilândia e tenta fixar-se em sua área de origem, mas são novamente expulsos. Provisoriamente, são instalados à beira do rio Paraná pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que lhe prestou assistência com distribuição de alimentos e sementes para o plantio de feijão. Foi um período de doenças e mortes devido à insalubridade do lugar. Viviam em barracos de lona na beira da estrada, na margem do rio Paraná. Viveram por seis anos, nas palavras so ex-cacique Ataíde Xehitâ-ha, como ¨forasteiros na sua própria terra¨, trabalhando em fazendas e dispersos, havendo remanescentes deste povo espalhados ainda em Bodoquena, Brasilândia, Brilhante e Bataiporã, Nova Andradina e regiões do Ivinhema e Bataguassu e Campo Grande.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== História recente ===&lt;br /&gt;
Em 1987 teve início a campanha “Ofaié Xavante – ainda estamos vivos” (liderada pelo cacique Ataíde Francisco, Cimi, UFMS, CPT, PT-MS, UNI-MS, entre outros) em prol da demarcação de suas terras, que culminou na identificação de uma área de quase 2 mil ha em 1991, a qual, no entanto, estava tomada por fazendeiros. As denúncias sobre as más condições de vida dos Ofaié (que incluíam até trabalho escravo em algumas fazendas) levaram a que vereadores de Brasilândia-MS e alguns municípios do Oeste paulista também enviassem moções de apoio aos Ofaié, pedindo à Funai uma solução para o desterro dos Ofaié. A Funai de Campo Grande-MS, em parceria com o Cimi, conseguiu então da parte do Sr. Luiggi Cantoni, proprietário da Fazenda Olympia, do Grupo Cisalpina, o arrendamento em regime de comodato de 110 hectares dentro das terras da fazenda Cisalpina para que o grupo, que nessa época contabilizava 70 pessoas, se reunisse. No entanto, em alguns anos essa área seria inundada para a formação da represa da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (ex-Porto Primavera), de propriedade da Companhia Energética de São Paulo (CESP).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão da inundação da área ocupada pelo Ofaié, a Cesp, a título de indenização aos indígenas e com a intermediaçäo do Cimi, firmou convênio com a Funai e comprometeu-se a financiar a demarcação da Terra Indígena Ofaié, incluindo a retirada dos fazendeiros, e empreender outras medidas compensatórias, entre as quais a recuperação ambiental da área identificada, que estava num estado avançado de degradação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1994, os Ofaié receberam 484 ha de área de mata nativa adquirida pela Cesp, em razão da área identificada pela Funai como Terra Indígena Ofaié, de 1937 hectares, encontrar-se sub judice (contestada por fazendeiros) e a Cesp impedida de poder avançar nas negociações com os fazendeiros que a ocupavam. Os Ofaié só foram efetivamente transferidos em março de 1997. Na área adquirida pela Cesp, que é contígua ao território imemorial dos Ofaié identificado pela Funai, foram perfurados um poço semi-artesiano de água, além da construção de um posto de saúde, uma escola, um barracão comunitário, e passaram a ser fornecidas cestas básicas durante um ano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém a área, devido à ausência de córregos, deixou os Ofaié bastante insatisfeitos com a medida, e durante meses pressionaram a Funai para que assinasse o convênio que permitisse a demarcação física de suas terras, o que até hoje não ocorreu. O solo é impróprio para qualquer tipo de lavoura e por nove anos os índios dependeram do fornecimento de cestas básicas para sobreviver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de nove anos de impasse, com apoio do Ministério Público Federal, a comunidade Ofaié pôde se valer da indenização paga pela Cesp, no valor de de R$ 1.641.500, para adquirir 605 hectares correspondente a área de sete pequenas fazendas, cujos proprietários contestavam na Justiça a posse indígena, e que receberam esse valor altíssimo pelas benfeitorias feitas na área, concordando em desistirem das ações na justiça. Passaram então a ter acesso aos córregos do Sete e São Paulo. No entanto, isso corresponde a menos de 1/3 de suas terras. A maior fazenda, com 1.332 hectares, de propriedade da família Hoffig, ainda continua contestando judicialmente a posse indígena, o que pode adiar ainda por muitos anos a posse integral do território indentificado pela Funai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Carlos Alberto dos Santos Dutra|Carlos Alberto dos Santos Dutra]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos culturais ==&lt;br /&gt;
Antigamente os Ofaié viviam da caça, pesca e coleta de frutas e mel. Construíam seus acampamentos à beira dos rios, ocupando uma grande área, que ia do rio Sucuriú até as nascentes dos rios Vacaria e Ivinhema, no atual estado do Mato Grosso do Sul.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre moraram em pequenos grupos, o que facilitava os deslocamentos. Suas casas eram construídas com troncos de árvores e cobertas com folhas de palmeira ou sapé. Não havia paredes, mas o telhado quase chegava ao chão. Configurando um círculo, as casas formavam no centro da aldeia um pátio, onde ocorriam os rituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época do frio, dormiam em buracos cavados no chão, forrados de capim e envoltos em peles de animais. No centro da casa também acendiam uma fogueira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a seca, os rios ficavam com pouca água, o que facilitava a pesca. Nesse período, os Ofaié mudavam-se para a beira dos rios. Com a fartura de peixe, eles realizavam grandes festas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a chegada da chuva, aparecem os frutos e os animais atraídos por elas. Era portanto a época das caçadas. Nessa ocasião também se colhia o mel. Como ficavam fora da aldeia por vários dias, eles construíam abrigos provisórios para passar a noite.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje essa atividade é apenas uma lembrança para os mais antigos, pois as longas distâncias que antes percorriam, e os rios fartos de peixe que freqüentavam – rios Verde, Paraná, Taquaruçu, Boa Esperança, Ivinhema, Samambaia, entre tantos –, hoje correspondem a propriedades privadas. Hoje a atividade se resume na coleta do mel, ainda disponível em colméias criadas pelos próprios indígenas em feições modernas, com acompanhamento técnico do órgão governamental e de alunos de Universidades que de quando em vez visitam a aldeia e desenvolvem algum projeto experimental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho na aldeia é repartido entre os homens e as mulheres. Entre os homens, os jovens se encarregavam da caça e os demais cortavam e traziam a lenha do mato, faziam as casas, os arcos e as flechas. As mulheres, mesmo as meninas, realizam os trabalhos caseiros, colhem frutos e mel. Também preparavam as fibras para as cordas dos arcos. Outra atividade feminina é a preparação do cauim, que é uma bebida feita com milho fermentado e muito utilizada nas festas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à música, seus instrumentos preferidos eram a flauta e um pequeno chocalho. O canto era formado por um coro de várias vozes, em rituais que incluíam danças e consumo de cauim. Nos dias atuais, os Ofaié não dedicam mais o seu tempo à música. As constantes mudanças de lugar a que foram forçados a praticar, certamente, não lhes deu outra alternativa nem motivos para comemorar. Uma gravação recolhida em 1981 junto a um grupo de 23 indígenas Ofaié que se encontrava na região do Tarumã (pertencente ao município de Porto Murtinho, na região oeste do Estado) pelo historiador Antonio Jacob Brand, confirma essa hipótese. O canto configura-se, sem dúvida, uma raridade: em tom de lamento, o canto traduz e externa o que pode ser chamado de perdas e o sentimento de dor vivido por um diminuto grupo vivendo distante de seu antigo território (DUTRA, 1996: 50-59).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma gravação desse canto foi utilizada na abertura da entrevista ''O último canto dos Ofaié,'' realizada pela jornalista Patrícia Moribe e incluído no ''Compact Disk duplo Pantanal e Amazônia'', produzido pela Rádio Nederland, Holanda, em 2003. Também faz parte da abertura e enceramento do vídeo experimental Ofaié, dirigido por Udovaldo Lacava e Geraldo Anhaia Mello, para a Companhia Energética de São Paulo(CESP), em 1992.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A religião sempre se manifestou na reverência a um ser criador. O “Paí”, uma espécie de sacerdote, é mencionado por alguns autores, como Nimuendajú entre os Ofaié. A experiência pessoal do pesquisador Carlos Alberto Dutra há 18 anos junto aos Ofaié revela que eles demonstram reverenciar algumas vezes (raramente na presença de estranhos), o “Agachô“ (Deus criador). Este pesquisador também presenciou, após o falecimento de uma indígena, deitarem fogo sobre sua antiga casa e queimarem todos os seus pertences.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Carlos Alberto dos Santos Dutra|Carlos Alberto dos Santos Dutra]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Mitologia ==&lt;br /&gt;
Um dos mitos Ofaié refere-se ao povoamento do mundo. Há muito tempo o Sol andava sempre de intriga com sua irmã gêmea, a Lua. Tudo era gente naquele tempo. O Sol sabia tudo. Ele era o chefe dos homens, mas era ruim. A Lua, ao contrário, era aliada dos homens contra o Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse tempo, não havia caça nenhuma. Os homens corriam pelo mato e não encontravam nada. Estava tudo bem ruim para eles. Por isso queriam matar o Sol. Chegaram no mato seco, rodearam o Sol e tocaram fogo no mato. Mas o Sol fez uma lagoa aparecer ao seu lado e mergulhou na água. Saiu rápido e entrou na aldeia antes dos homens, que ficaram bravos quando retornaram e o viram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele queria que os homens virassem bichos, mas a Lua não deixava. Certa vez, o Sol chamou os homens e disse que o mato estava cheio de frutas boas. Eles estavam famintos e lá se foram. Acharam uma jabuticabeira e nela subiram para apanhar as frutas. O Sol, que estava no chão, pegou um pedaço de pau e começou a balançar a árvore, fazendo uma ventania. Os homens pegaram uma corda e se amarraram nos galhos da árvore para não caírem. Então o Sol fez com que cada homem virasse um bicho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que virou anta era muito pesado, caiu e saiu correndo. Outros que caíam foram virando quati, cotia... Os que não despencaram viraram macaco e, para não cair, pularam nas outras árvores. O último virou bugio. Ele começou a puxar os paus do mato e os fizeram crescer. Apareceram então as perobas e os altos cedros. Com os paus, o bugio trançou a copa das árvores, fechando o mato.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passado algum tempo, o Sol chamou os homens para caçar outra vez e disse: “meus filhos, agora vocês podem caçar”. Os homens estavam com medo, pois o mato tinha crescido demais. Mas tinha muita caça, bandos de macacos... O Sol atraía o macaco, que chegava perto e então o Sol o flechava para ensinar os homens a caçar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A origem do mel ===&lt;br /&gt;
No começo do mundo o lobo guará era o dono do mel. Todos os dias seus filhotes amanheciam com o peito lambuzado de mel. Apenas ele e seus filhotes conheciam o mel e ninguém mais podia provar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os animais iam pedir mel para o lobo, mas ele não dava. Quando as crianças pediam mel, o guará dava a fruta do araticum do campo, dizendo que era mel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dia o jaboti disse que ia conseguir trazer o mel para todos. Foi até a toca do guará e disse: “Eu vim buscar o mel que você tem”. O guará respondeu: “Não tenho mel nenhum. Onde é que você ouvir falar isso?”. Mas o jaboti insistiu e o guará lhe disse: “Tá bom. Então deita debaixo dessa poruga e chupa o mel dela. Quando o guará viu o jaboti deitado, pediu aos filhotes que trouxessem lenha. “Agora vamos comer esse bichinho assado.” Tocaram fogo e o jaboti continuou chupando mel, sem ligar para o fogo. Depois o jaboti disse: “Agora que já provei o mel, você tem que dar o mel para meus companheiros”. O guará saiu correndo e o jaboti foi atrás dele, juntamente com outros animais dispostos a pegá-lo. O lobo foi parar num capinzal, o preá tocou fogo no capim e o fogo começou a apertar. Um dos bichos disse então: “Ora, não tem lobo nenhum, o que saiu voando foi uma perdiz”. Mas o jaboti sabia que era o guará que tinha virado perdiz, e ficou observando onde ela iria pousar. Chamou os outros animais para irem até o pau em que ela estava, mas tiveram que andar muito tempo até chegar lá. O pau ficava bem na frente da casa das abelhas, onde estava um marimbondo de cupim, que não deixava ninguém se aproximar. Os passarinhos que iam experimentar o mel eram atacados pelos marimbondos. Mas então o beija-flor disse: “Agora o mato está cheio de mel. Podem tirar quanto quiserem.”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O tatu parente ===&lt;br /&gt;
Por fim, é interessante ouvir o relato do que se passou com o etnógrafo Curt Nimuendajú: “O caso se passou comigo entre os Ofaié Chavante. A caminho para o seu acampamento, encontrei um tatu que derrubei com um golpe do verso do facão no focinho do animal, levando-o para bom assado à fogueira do acampamento. Após a euforia inicial dos índios, um deles notou de repente que o tatu tinha uma orelha furada. Consternação geral! O animal era um companheiro de tribo, pois os Ofaié também têm as orelhas furadas. Entrementes, o tatu, que apenas ficara atordoado com o golpe, começou a se mover novamente; e foi deveras comovedor ver como esses caçadores, que jamais consideram necessário dar golpe de misericórdia numa caça, colocavam o bicho em pé e procuravam fazê-lo fugir. Tiveram, literalmente, que o ajudar a se embrenhar nos protetores arbustos circunvizinhos.”&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Carlos Alberto dos Santos Dutra|Carlos Alberto dos Santos Dutra]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BALDUS, Herbert. “Introdução. Opaié”. In : FREUNDT, Erich. Índios de Mato Grosso. São Paulo : Edições Melhoramentos, 1947.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CECCATO, Ana Cláudia. (Org). Hoje e antigamente. Cói aprende a escrever sobre sua gente. (Texto e ilustrações de José de Souza, Ofaié). Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, UNESP, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CIMI-MS. Ofaié : o povo do mel. Campo Grande : Cimi-MS, 1991. 32 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DUTRA, Carlos Alberto dos Santos. Ofaié : morte e vida de um povo. Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, Campo Grande-MS, 1996. 291 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O território Ofaié pelos caminhos da história: reencontro e trajetória de um povo. Dourados-MS : UFMS, 2004. 289 p. (Dissertação de Mestrado).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. O território Ofaié pelos caminhos da história. Reencontro e trajetória de um povo. Dourados : UFMS, 2004. Dissertação de Mestrado em História. 290 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Ofayé Xavante: ainda estamos vivos. Caderno do CEAS, Salvador : Centro de Estudos e Ação Social, nº 121, Mai/Jun. 1989, p. 31-40.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Relatório Ofaié Xavante. Etnohistória e Identificação da Área Indígena Ofaié Xavante. Campo Grande : CIMI-MS, mai., 1987. 92 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GUDSCHINSKY, Sarah C. Fragmentos de Ofaié: a descrição de uma língua extinta. Brasília : Summer Institute of Linguistics (Tradução de Miriam Lemle), Série Lingüística nº 3, 1974.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Ofaié-Xavante, a Jê Language. Estudos sobre línguas e culturas indígenas. Brasília : Summer Institute of Linguistics, Edição Especial, 1971.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GUEDES, Meiremárcia. IIº Encontro de Indigenismo. Araraquara : IBILCE/UNESP, Departamento de Lingüística, 1989.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MAGALHÃES, Major Amílcar Botelho de. Impressões da Comissão Rondon. Episódios inéditos e pouco vulgarizados ocorridos durante as explorações e nos acampamentos da Comissão Rondon. Rio de Janeiro : CNPI, Comissão Rondon, Publicação nº 24, 1921.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MANGOLIM, Olívio. Povos indígenas no Mato Grosso do Sul : viveremos por mais 500 anos. Campo Grande : Cimi-MS, 1993. 120 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NIMUENDAJÚ, Curt. Etnografia e indigenismo : sobre os Kaingang, os Ofaié-Xavante e os índios do Pará. Campinas : Unicamp, 1993. 160 p. (Coleção Repertórios)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Relatório sobre os indígenas &amp;quot;Chavantes&amp;quot; do Mato Grosso, 1913 (mimeo).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PERET. João Américo. “Mapa etnográfico do Brasil. Índios do passado”. In Populações Indígenas do Brasil. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira; Brasília : Funai, 1975.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;PREZIA, Benedito. Ofaié, à procura dos espíritos perdidos. Brasília : Porantim, ano XXI, n. 218, p. 10, set. 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;RIBEIRO, Darcy. Notícia dos Ofaié-Chavante. Revista do Museu Paulista. Nova Série., v. V., São Paulo, 1951.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RODRIGUES, Ataíde Francisco. O povo Ofaye. Terra Indígena, Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, v. 8, n. 58, p. 29-38, jan./mar. 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Lúcia Helena Tozzi da. Descrição fonológica do sistema vocálico da língua Ofaié. Inter Atividade. Revista Multidisciplinar de Pesquisas e Estudos Acadêmicos. Adradina : Faculdades Integradas Rui Barbosa, v. 2, nº 1, jan-jun. 2002, p. 100-114.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOUZA, Marlene Carolina de. O povo Ofaié: uma abordagem lingüística. Terra Indígena. Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, FCL/UNESP, Ano VIII., nº 58, Jan-Mar. 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Carlos Alberto dos Santos Dutra|Carlos Alberto dos Santos Dutra]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Ofaié}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Carlos Alberto dos Santos Dutra}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=872962071487cc02d14704.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=42920}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Lima Filho, 1998}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2005-07-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=202}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Mato Grosso do Sul]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kinikinau&amp;diff=6275</id>
		<title>Povo:Kinikinau</title>
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		<updated>2018-08-10T20:54:34Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Houve tempo que ninguém mais falava em nossa existência, mas entre nós sempre soubemos de nossa origem.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obrigados a renunciarem a uma identidade Kinikinau e convencidos pelo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/introducao&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;órgão indigenista oficial&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, por muito tempo, a se autodeclararem índios [[Povo:Terena | Terena]], com os quais possuem estreitos vínculos históricos e culturais, nos últimos anos os Kinikinau vêm reivindicando o reconhecimento de sua singularidade étnica e a reconquista de parte de seu território tradicional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Grupo Kinikinau na pousada do encontro Povo Kinikinawa: persistindo a resistência, em Bonito (MS). Foto: José Luiz de Souza, 2004.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/213659-1/kinikinau_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os indígenas Kinikinau ou Kinikinawa vivem atualmente espalhados por algumas aldeias da porção ocidental do Estado de Mato Grosso do Sul. A maior concentração do grupo habita a aldeia São João, ao sudeste da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3712&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Reserva Indígena (RI) Kadiwéu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, município de Porto Murtinho. Há notícias de membros desse grupo residindo também em aldeias terena, nos municípios sul-mato-grossenses de Aquidauana (Bananal e Limão Verde), Miranda (Cachoeirinha e Lalima) e Nioaque (Água Branca e Brejão).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1998, o censo empreendido na RI Kadiwéu, realizado pela Prefeitura de Porto Murtinho, revelou a presença de 58 indígenas que se autodeclararam Kinikinau em um universo de 195 índios recenseados na aldeia São João, dentre os quais [[Povo:Terena | Terena]], [[Povo:Kadiwéu | Kadiwéu]] e [[Povo:Guarani Kaiowá | Guarani-Kaiowá]]. Mais recentemente, em 2003, foram apontados cerca de 180 indivíduos Kinikinau vivendo na aldeia São João. A diferença entre os números se deve ao fato de que em 1998 muitos deles ainda temiam declarar serem Kinikinau. Estima-se que, juntos, os Kinikinau dispersos em aldeias Terena e aqueles que estão na aldeia São João cheguem a aproximadamente 250 indivíduos em 2005.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Luiz de Souza|José Luiz de Souza]] e [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Desenho: João Moreira Anastácio Kinikinau, 2000&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/213690-1/kinikinau_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guaná estão entre os grupos que representam a migração meridional dos Aruak pela Bacia do rio Paraguai. Os territórios tradicionalmente ocupados pelos grupos Guaná localizavam-se em áreas distintas, que iam desde a margem esquerda do baixo rio Apa até a área ao norte do rio Negro. Após a chegada dos ibéricos à região, as migrações do grupo se deram no sentido leste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As primeiras informações sobre os Guaná referem-se ao alto desenvolvimento da agricultura e da enorme quantidade de roças de milho que plantavam. Através da leitura de textos produzidos por cronistas e exploradores do período colonial brasileiro, infere-se que quatro foram os subgrupos Guaná a atravessarem o rio Paraguai, passando para suas margens orientais: Exoaladi, [[Povo:Terena | Terena]], Layana e Kinikinau. Destes, apenas os primeiros não apresentam, até o momento, remanescentes no atual território sul-mato-grossense. Esses grupos teriam atravessado o rio Paraguai em ondas sucessivas a partir da segunda metade do século XVIII, instalando-se na região banhada pelo rio Miranda, onde foram encontrados pelos viajantes do século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os escritos de João Henrique Elliot e Augusto Leverger, produzidos na década de 1840, revelam o expressivo papel desempenhado pelos Layana, os Exoaladi (também chamados de Guaná, o que gera certa confusão) e os Kinikinau na economia regional do sul de Mato Grosso. No Relatório da Diretoria Geral dos Índios de 1872, Francisco José Cardoso Júnior revelou que existiam cerca de mil indígenas Kinikinau dispersos por Albuquerque e Miranda, cujas características eram a de serem exímios agricultores e de alugarem seus serviços aos não-índios (''apud'' Vasconcelos, 1999: 96-97).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora imprecisos, os dados fornecidos pelo diretor revelam o grupo Kinikinau numericamente significativo mesmo após a Guerra do Paraguai. Enquanto os Layana viviam agregados em fazendas, os Exoaladi e os Kinikinau abasteciam de víveres a população da região. Os três subgrupos Guaná tiveram, segundo o Visconde de Taunay, participação na Guerra do Paraguai:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
[...] guanás, kinikináus e layanos ultimamente se uniram com a população fugitiva (de Miranda, rumo à Serra do Maracaju); [...]. Foram os kinikináus os primeiros que subiram a serra do Maracaju, pelo lado aliás mais íngreme e se estabeleceram na belíssima chapada que coroa aquela serra... (Taunay, 1948: 268)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Exoaladi, segundo Cardoso de Oliveira, teriam desaparecido por ocasião da Guerra do Paraguai. Os Terena compõem o grupo de maior expressão dentre os remanescentes dos antigos Guaná na atualidade. Os Layana vivem dispersos em aldeias Terena dos municípios de Aquidauana e Miranda. Já os Kinikinau, além de viverem em algumas aldeias Terena do Mato Grosso do Sul, concentram-se na aldeia São João. Contudo, os Kinikinau teriam ficado “ocultos” em meio ao grupo majoritário Terena, sendo pouco mencionados em livros e documentos entre o final do século XIX e o início do século XX. Tornou-se comum referir-se a eles como um subgrupo Terena, especialmente após a destruição do último aldeamento reconhecidamente pertencente ao grupo, localizado próximo à região do rio Miranda. A questão do desaparecimento dos Kinikinau, ainda no século XX, remonta aos trabalhos do antropólogo Roberto Cardoso de Oliveira, em seus clássicos estudos sobre os Terena:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dentre as inúmeras tribos ou subtribos a desaparecerem ainda no presente século [XX], podemos apontar os Kinikináu (Guaná) e os Ofaié-Xavante. Os primeiros mantinham ainda uma aldeia, junto ao rio Agaxi, de onde se dispersaram, expulsos de suas terras por um civilizado que as teria comprado do Estado do Mato Grosso; seus remanescentes são encontrados hoje em algumas aldeias Terena (Cardoso de Oliveira, 1976: 27).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com depoimento do ancião Leôncio Anastácio – concedido ao professor Rosaldo de Albuquerque Souza no final de 2003 –, após a Guerra do Paraguai, os índios Terena e Kinikinau, entre outros, sofreram sérias perseguições por parte de fazendeiros, posseiros e invasores. O grupo dos Kinikinau foi disperso, mas algumas famílias estabeleceram-se em Agaxi, próximo à Miranda. Os invasores de terra novamente os perseguiram, obrigando-os a procurar outro lugar. Ficaram sabendo que no local chamado Corvelo havia terras devolutas e para lá partiram. Nesse tempo, já estavam recebendo orientações de um chefe do &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/o-servico-de-protecao-aos-indios-(spi)&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;SPI&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, conhecido como Nicolau Horta Barbosa. Chegando ao Corvelo, fizeram suas casas, a terra era boa, então começaram a plantar, mas não demorou muito para aparecer um suposto “dono das terras”. O grupo comunicou o fato ao SPI e este os orientou a procurar o Campo dos Kadiwéu. Foi o que os homens fizeram. No dia 13 de junho de 1940, duas famílias chegaram à aldeia São João, que na época era desabitada. O Coronel Nicolau os acompanhou e determinou onde deveriam construir suas casas. O transporte que usavam era o carretão, uma espécie de carro de boi com rodas e eixo de madeira. O grupo que chegou à aldeia era de aproximadamente 12 pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Documentos do antigo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Fundação Nacional do Índio (Funai)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; pouco revelam sobre a presença dos Kinikinau na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3712&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Reserva Indígena Kadiwéu&amp;lt;/htmltag&amp;gt; no decorrer do século XX. O que se sabe, ao certo, é que na década de 1940 foi criado pelo SPI o Posto Indígena de Alfabetização e Tratamento São João do Aquidavão, vinculado à Inspetoria Regional 5. Com os [[Povo:Kadiwéu | Kadiwéu]], os Kinikinau teriam estabelecido relações intersocietárias em que os primeiros, essencialmente caçadores e coletores, exigiam dos últimos, agricultores por excelência, tributos em troca da proteção e da permanência em seu território. A esse respeito, o líder Martinho da Silva Kadiwéu, em depoimento ao antropólogo Jaime Garcia Siqueira Jr., comentou que:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
[...] na época que abriu o SPI [...] então eles acharam um meio de que botasse alguns colonizadores, no caso dos Terenas, Sabe? Os Terenas começaram, os patrícios usaram os Terenas para poder ser assim um ponto de auxílio para eles. Eles plantaram, os Terenas toda vida gosta de agricultura, eles plantam mandioca, arroz, feijão, milho, isso aí, eles não eram, não são verdadeiros donos, mas cuidavam para os patrícios Kadiwéu, enquanto eles vigiavam essa enorme área que nós temos aqui. [...] Esse São João, aldeia de São João, já vem há muito tempo essa história aí.Esses Terenas vem sendo aliado com os Kadiwéu, sempre vivendo subordinado, os Kinikinau subordinados aos Kadiwéu. Não podia fugir porque eles tinham uma tarefa a fazer com ele, então trouxeram eles. Eles escolheram um lugar como de agricultura e coisa e tal. O único, o recurso mais próximo que eles mesmo acharam de tocar um recurso de agricultura, no caso, uma lavourinha que eles fazem, é aqui para o lado do PI São João, porque fica perto de Três Morros [...]. Então eles, os patrícios disseram: - Então vocês ficam aqui [...] aqui é o canto da nossa área, aqui qualquer coisa, qualquer irregularidade que vocês vêem, procuram nos localizar, nos avisar o que está acontecendo. Agora vocês têm obrigação, planta milho, arroz, feijão, tudo o que se dá aqui vocês planta, e nós vamos comercializar entre nós mesmos, lá pelo rio Paraguai, por aí, tudo o que nós conseguirmos entregamos aqui [...] Nós vamos negociando, isso aí, vocês ficam como vigilante nosso, como ponto de segurança nosso. Aí toparam, onde existe o PI São João. (Siqueira Jr., 1993: 130-131)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O líder Kadiwéu, como se percebe pelo trecho do depoimento reproduzido acima, não faz clara distinção entre os Kinikinau e os Terena. A proximidade lingüística dos dois grupos e o fato de serem ambos descendentes dos Guaná os tornou “iguais” aos olhos dos Kadiwéu e da maioria da sociedade não-indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações entre os Kinikinau e os Kadiwéu nem sempre foram amistosas razão pela qual os Kinikinau têm reivindicado sua própria terra:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Como vivemos em terra alheia, sempre ameaçados por algumas famílias de outra etnia, não queremos mais esta vida sem liberdade. Por isso, pedimos a volta para o nosso território de origem Kinikinau, onde possamos viver em liberdade, garantindo um futuro mais feliz para as nossas crianças, para que não esqueçamos nossas tradições e que todos nos reconheçam e nos respeitem como povo Kinikinau (Seminário Povos Resistentes, 2004.)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Luiz de Souza|José Luiz de Souza]] e [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos culturais ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Dança do Bate-Pau. Foto: José Luiz de Souza, 2004.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/213695-1/kinikinau_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kinikinau vivem, sobretudo, da atividade agrícola, falam correntemente uma língua filiada à família lingüística Aruak, assim como os [[Povo:Terena | Terena]], e também se comunicam em Língua Portuguesa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Dança do Bate-Pau, também existente entre os Terena, é realizada atualmente em importantes eventos para os Kinikinau (Festa do Dia do Índio e outras comemorações). Relembrando a participação do grupo na Guerra do Paraguai (1864-1870), a dança é executada por homens e mulheres de várias idades, de crianças a idosos. Toca-se flauta e tambor, para dar ritmo aos passos dos dançarinos. As cores rituais são a vermelha, a azul e a branca. As vestes, de penas de ema e de palha, são especialmente preparadas para a dança ritual. Os homens e as mulheres carregam longas taquaras nas mãos e com elas desenvolvem uma coreografia, ora batendo as taquaras com as de outros dançarinos, ora batendo-as no chão. O final da dança é marcado pela reunião dos dançarinos em círculo e a união das taquaras, sobre as quais é colocado um guerreiro, que é então erguido e ovacionado. Na versão dos Terena, apenas homens dançam o Bate-Pau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como entre os Terena e os Layana (outros subgrupos Guaná), entre os Kinikinau também havia curandeiros denominados ''Koixomunetí''. Esses curandeiros realizavam rituais nos quais utilizavam um chocalho e um penacho de penas de ema, elementos comuns a curandeiros de outros grupos de origem chaquenha, como os Mbayá-Guakuru, ancestrais dos [[Povo:Kadiwéu | Kadiwéu]]. Atualmente, ao que se sabe, não há mais ''Koixomunetí'' entre os Kinikinau. Muitos, hoje, são adeptos de religiões cristãs, principalmente de orientação protestante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à cultura material, a cerâmica elaborada pelas mulheres Kinikinau dá continuidade a uma antiga tradição cultural Guaná. Escolhida, além de outros, como símbolo de diferenciação do grupo em relação aos Kadiwéu – a despeito de ser inspirada nos desenhos da cerâmica Kadiwéu – e outros indígenas, a cerâmica Kinikinau desempenha um importante papel como sinal diacrítico. O material tem sido comercializado, sobretudo, na cidade de Bonito.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Luiz de Souza|José Luiz de Souza]] e [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALVES, M. M. Os Kinikinau: dados históricos e vocabulares. Três Lagoas: CPTL/ UFMS, 2003. 8 p. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BENCINI, R. Escola de índio, professor índio. Finalmente! Revista Nova Escola, São Paulo, edição 171, abril de 2004.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CARDOSO DE OLIVEIRA, R. Do índio ao bugre: o processo de assimilação dos Terena. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976 [2. ed].&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ELLIOT, J. H. Itinerário das viagens exploradoras... descriptas pelo Sr. João Henrique Elliot. Revista Trimestral de História e Geografia ou Jornal do I.H.G.B., Rio de Janeiro, vol. X, (1848), 2. ed.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FONSECA, J. S. da. Viagem ao redor do Brasil: 1875-1878. Rio de Janeiro: [s.e.], 1880-81.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;JOSÉ DA SILVA, G. A construção física, social e simbólica da Reserva Indígena Kadiwéu (1899-1984): memória, identidade e história. Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), 2004. (Dissertação de Mestrado em História).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Dias melhores virão: educação escolar entre os Kadiwéu, Kinikinawa e Terena na Reserva Indígena Kadiwéu, município de Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul. Jahui – Revista do Museu do Índio da Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 1999.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-------- &amp;amp;amp; SOUZA, J. L. O despertar da fênix: a educação escolar como espaço de afirmação da identidade étnica Kinikinau em Mato Grosso do Sul. Sociedade e cultura, Goiânia, v. 06, n. 02, p. 149-156, 2005.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LEVERGER, A. Roteiro da navegação do rio Paraguay desde a foz do São Lourenço até o Paraná. In: Revista Trimestral do Instituto Histórico, Geográfico e Ethnográfico do Brasil, XXV, Rio de Janeiro. [184-]&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO MURTINHO. Censo Kadiwéu 1998. 63 p. Mimeografado.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SEMINÁRIO POVOS RESISTENTES: A PRESENÇA INDÍGENA EM MS. Corumbá, 2003.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SEMINÁRIO POVO KINIKINAWA: PERSISTINDO A RESISTÊNCIA. Bonito, 2004.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SIQUEIRA JR., J. G. “Esse campo custou o sangue dos nossos avós”: a construção do tempo e espaço Kadiwéu. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), 1993. (Dissertação de Mestrado em Antropologia Social).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TAUNAY, A. E. Memórias do Visconde de Taunay. São Paulo: IPE, 1948.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Entre os nossos indios: chanés, terenas, kinikinaus, guanás, laianas, guatós, guaycurus, caingangs. São Paulo: Melhoramentos, 1931.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VASCONCELOS, C. A. de. A questão indígena na província de Mato Grosso: conflito, trama e continuidade. Campo Grande: UFMS, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:José Luiz de Souza|José Luiz de Souza]] e [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Kinikinau}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:José Luiz de Souza}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Giovani José da Silva}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=1361352419487b7fa01d372.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=36585}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=José Luiz de Souza, 2004.}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2005-05-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=47}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Mato Grosso do Sul]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1&amp;diff=6274</id>
		<title>Povo:Guarani Kaiowá</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Guarani_Kaiow%C3%A1&amp;diff=6274"/>
		<updated>2018-08-10T20:54:24Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Três aspectos da vida guarani expressam uma identidade que dá especificidade, forma e cria um &amp;quot;modo de ser guarani&amp;quot;: a) o ''ava ñe'ë'' (''ava'': homem, pessoa guarani; ''ñe'ë: ''palavra que se confunde com &amp;quot;alma&amp;quot;) ou fala, linguagem, que define identidade na comunicação verbal; b) o ''tamõi ''(avô) ou ancestrais míticos comuns e c) o ''ava'' ''reko ''(''teko'': &amp;quot;ser, estado de vida, condição, estar, costume, lei, hábito&amp;quot;) ou comportamento em sociedade, sustentado em arsenal mítico e ideológico. Estes aspectos informam ao ''ava'' (homem guarani) como entender as situações vividas e o mundo que o cerca, fornecendo pautas e referências para sua conduta social (Susnik, 1980: 12).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, contudo, entre os subgrupos [[Povo:Guarani Ñandeva | guarani-ñandeva]], guarani-kaiowa e [[Povo:Guarani Mbya | guarani-mbya]] existentes no Brasil, diferenças nas formas linguísticas, costumes, práticas rituais, organização política e social, orientação religiosa, assim como formas específicas de interpretar a realidade vivida e de interagir segundo as situações em sua história e em sua atualidade. Esta seção privilegia informações sobre os grupos ñandeva e kaiowa. Há uma seção específica dedicada aos Mbya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Família guarani kaiowa. Foto: acervo Museu do Índio, 1943.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210603-1/guarani_kaiowa_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Investigações arqueológicas mostram que a cultura guarani tem origem nas florestas tropicais das bacias do Alto Paraná, do Alto Uruguai e extremidades do planalto meridional brasileiro (Schmitz: 1979,57). No século V (anos 400 d.C.) esta cultura já teria se diferenciado da tupi e estaria estruturada com características observáveis no século XVI, bem como nos dias de hoje. Os mesmos arqueólogos sugerem que sua gestação seria de aproximadamente um milênio. As populações &amp;quot;proto-guarani&amp;quot;, que deram origem aos Guarani da época da conquista (1500) e de hoje (Susnik: 1975), têm uma história marcada por intensos movimentos de traslados dentro dos espaços por eles considerados apropriados como territórios de ocupação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na chegada do europeu as populações que ficaram conhecidas como guarani ocupavam extensa região litorânea que ia de Cananéia (SP) até o Rio Grande do Sul, infiltrando-se pelo interior nas bacias dos rios Paraná, Uruguai e Paraguai. Da confluência dos rios Paraná e Paraguai espalhavam-se pela margem oriental deste último e nas duas margens do Paraná. O Rio Tietê, ao norte, e o Paraguai a oeste, fechavam seus territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os estudos arqueológicos indicam ainda que nos anos 1000/1200 d.C., expandindo-se ao sul, a partir de regiões hoje localizadas no oeste brasileiro (cabeceiras dos rios Araguaia, Xingu, Arinos, Paraguai), grupos de cultura guarani ocuparam territórios compreendidos pelo atual sul do Brasil, norte da Argentina e a Região Oriental do Paraguai (Cf. Smith, 1978; 1975; 1979-80).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da chegada de portugueses e espanhóis no XVI e até o XVIII a história dos Guarani será marcada pela presença missionária jesuítica que os queria catequizar, e pelo assédio de &amp;quot;''encomenderos''&amp;quot; – a “''encomienda''”, no sistema colonial espanhol, permitia que o colonizador escravizasse os indígenas sob o disfarce oficial de proteção – espanhóis e bandeirantes portugueses que pretendiam escravizá-los.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os europeus, os territórios guarani tornaram-se palco de disputas; tratava-se de região de importância estratégica e relevância geopolítica para aquela situação histórica. Para os espanhóis eram via de acesso entre Assunção e Europa; seu controle, além disso, propiciaria defesa contra o avanço paulista. Para portugueses representava área de expansão ao interior da colônia e acesso a supostas riquezas minerais. Delimitada por um incipiente Tratado de Tordesilhas, permitia interpretações variadas sobre limites de fronteiras. Vale dizer, por outro lado, que o espaço entre Assunção e São Paulo/São Vicente não oferecia as riquezas minerais idealizadas pelos ibéricos no mito do Eldorado; a única riqueza nessa parte da América era a força de trabalho indígena guarani.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1603 o governador do Paraguai solicita a presença de padres da Companhia de Jesus para o trabalho de catequese. Assim, parte da população guarani foi &amp;quot;reduzida&amp;quot; (forçosamente concentrada) nos &amp;quot;aldeamentos&amp;quot; ou missões implantadas e administradas pelos jesuítas. A iniciativa de &amp;quot;reduzir” os índios pretendia, dentro do modelo pensado pelo colonizador, arregimentá-los em espaços específicos conhecidos como “reduções” ou “missões”, cristianizá-los e, desta forma, facilitar o acesso à força de trabalho indígena pelos ''encomenderos'' de Assunção. Os padres jesuítas contrariaram, porém esse modelo econômico, pois não permitiram que seus catecúmenos fossem escravizados nas ''encomiendas'', minando desta forma &amp;quot;a base sobre a qual se estruturava a economia colonial e [colocando] em risco o futuro dos colonos&amp;quot;. (cf. Thomaz de Almeida, 1991; Gadelha, 1980; MCA, 1951). De 1608 a 1768 se formaram dezenas de &amp;quot;reduções jesuíticas&amp;quot; nas então Províncias paraguaias do Guairá (parte do Paraguai, São Paulo e Paraná atuais), Itatin (parte do atual Mato Grosso do Sul e Paraguai oriental), Paraná (parte do Paraná e de Santa Catarina) e Tapes (parte de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraguai, norte da Argentina).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já no segundo quartel do século XVII os paulistas &amp;quot;inquietavam-se com os ''encomenderos'' que chegavam às proximidades da vila (de São Paulo) para se servirem de índios&amp;quot; (Belmonte, 1948: 151), e se estruturam em expedições – as ''bandeiras'' – com o intuito de avançar para oeste em busca de índios guarani para preação, mister no qual foram involuntariamente auxiliados pelas reduções jesuítas que serviram como depositários de indígenas facilitando seu trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dados sobre o número de índios apresados pelas bandeiras apresentam cifras díspares, mas revelam quantidades consideráveis. Em 1557 eram aproximadamente &amp;quot;40 mil fogos&amp;quot; ou perto de 200 mil indivíduos apenas na província paraguaia do Guairá (cf. Perasso, 16:1987); as reduções de San Ignacio e Nossa Senhora de Loreto às margens dos Rios Paranapanema e Tibagi, também no Guairá, abrigavam, juntas, perto de 10 mil ava em 1614 (cf. Gadelha, 1980). Ellis Jr. (1946: 60-70) calcula em 356.720 o número de índios tornados escravos nos séculos XVI e XVII. Raciocina com base na necessidade de braços escravos no Nordeste, relacionando isso com a utilização do africano. Para Simonsen (1937), aproximadamente 520 mil escravos teriam sido absorvidos pela produção açucareira durante o século XVII; destes, 350 mil seriam negros e 170 mil índios. No século XVIII, raciocinando sobre dados da produção de açúcar por arrobas, afirma Simonsen que o total de escravos seria da ordem da 1.300.000; uma quarta parte índios, isto é, perto de 320 mil. No período colonial, para Meliá (1986: 61-2), haveria um número estimado de 60 mil Guarani na província de Tape, atuais Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná. Sobre o Guairá este autor divide-lhe a história em três ciclos: “''encomenderos''”, quando teriam sido apresados de 200 mil a um milhão de indivíduos Guarani; “jesuítico”, perto de 50 mil almas; “bandeirante”, perto de 60 mil. Segundo Gadelha (1980: 175), informando sobre dados demográficos do Itatim, em 1688 seriam 9.925 os indivíduos que teriam restado naquela província depois de incursão bandeirante. Taunay (1951: I, 61), a respeito do Guairá, informa que “o número de índios escravizados pelos paulistas já excederia (...) 200.000. Só o assalto de 1629 teria custado a liberdade de mais de 50.000”. Em 1625, ainda segundo este autor, a província do Itatim contaria com “mais de 4.000 índios aldeados e 150 colonos espanhóis”. Destaca que o termo “índio” pode ser entendido como “índio de flecha”, isto é, correspondente a uma família média de quatro pessoas, totalizando assim perto de 20 mil indivíduos. Holanda (1945: 29), também sobre o Guairá, informa que “nada menos de setecentas ‘balsas’, sem falar nas canoas isoladas, levando mais de doze mil indivíduos, teriam descido então o Paraná por ordem do padre Montoya”, para fugir ao assalto bandeirante. Cassiano Ricardo (1970: 93-4) informa que o cálculo dos historiadores chega à cifra de “cem mil os índios do Guairá (...). Varnhagen calcula em nada menos de trezentos mil índios aprisionados pelos bandeirantes entre 1614 e 1639”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Padres e índios “reduzidos” tentaram, em vão, resistir aos atropelos dos bandeirantes que destruíram vilas paraguaias e atacaram duramente as “reduções guarani” que se haviam formado nas bacias do Paranapanema, Tibagi, Ivaí, Piquiri e Iguaçu. Vindos de São Paulo pelos Rios Tietê e Paranapanema, os bandeirantes seguiam, a partir da confluência com o Paraná, ao sul, em busca de índios Guarani reduzidos nas missões do Guairá e Tapes. Depois de verem as missões das Províncias do Guairá, Paraná e Tapes assoladas pelos bandeirantes entre 1628 e 1632, os jesuítas fundaram a missão do Itatin, de vida efêmera, localizada entre os Rios Mbotetey, atual Miranda e o Apa (ver Melià et Alii 1976; Susnik 1979-80; Thomaz de Almeida 1991). A presença bandeirante provocou um rearranjo na ocupação espacial da época, obrigando índios e padres a traslados forçados e em fuga para lugares distanciados do avanço paulista. Diante da persistência da ameaça bandeirante, padres e índios do Itatin – que viriam a ser reconhecidos, posteriormente, como o atual subgrupo Guarani Kaiowa ou Paĩ-Tavyterã – se trasladam para o sul, cruzando, na segunda metade do século XVII o Rio Apa (MS), passando a ocupar o atual sul do Mato Grosso do Sul até os dias de hoje. A &amp;quot;Província del Guairá&amp;quot; localizava-se entre &amp;quot;os rios Paranapanema, Paraná, Iguaçu e a indeterminada linha demarcatória que dividia as terras portuguesas e espanholas, imposta pelo Tratado de Tordesilhas, correspondendo, em área, aproximadamente, 85% do atual território ocupado pelo Estado do Paraná&amp;quot; (Blasi, 1977: 150).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A expulsão dos jesuítas da região no início do século XVII foi relevante para a população guarani porque mobilizou os índios “reduzidos”, o que teria refletido também naqueles que não haviam estado sob a orientação dos padres, provocando, assim, um redimensionamento na realidade colonial. Faz algum sentido trabalhar com a hipótese de que, em função de seus territórios atuais, os paĩ-tavyterã ou kaiowa teriam seus ascendentes nos antigos povos guarani do Itatin; os ñandeva atuais seriam oriundos dos povos das províncias do Paraná e Guairá (V. Meliá: 1976; Almeida: 1991) e que por circunstâncias históricas vieram a assentar-se, a partir do século XVII, no atual sul do Mato Grosso do Sul.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o Tratado de Madrid (1750) e a demarcação da fronteira entre Brasil e Paraguai em 1752, os Guarani ressurgirão em informações genéricas dos diários das expedições demarcatórias. Subindo o Rio Iguatemi (MS), informam que &amp;quot;da nação que se conhece habitante por aqui, são os ''monteces'', (''monte'', floresta ou selva em espanhol) é gente a pé, vivem em os bosques, não duvidamos, que seria sua habitação esta montanha, e assim não tínhamos suspeita deles senão quando se entrava entre os arvoredos&amp;quot; (Fonseca, 1937: 358). Estes ''monteces'' ou ''caaguá'', assim, são aqueles índios que politicamente não foram ‘reduzidos’, categoria pertinente a uma situação histórica específica e que serve para “designar um modo de vida como contraposto ao modo de vida que a colônia tinha vindo instaurar” (Melià et alli, 1976: 169).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de então e até o final do século XIX não há informações sobre estes indígenas. É de se supor que parte da população que havia sido reduzida teria se incorporado à sociedade paraguaia e, em parte, à brasileira regional; outro contingente dos Guairá e Itatin coloniais teria, com a expulsão dos jesuítas, se reincorporado aos parentes não &amp;quot;cristianizados&amp;quot;. Serão descendentes desses Guarani que encontraremos na atualidade e que se mantiveram embrenhados nas matas de seus territórios até o final do século XIX. Sua localização nas matas e seu procedimento fugidio e discreto distanciaram os Guarani das fronteiras ocidentais que se expandiam e que, progressivamente, tornaram-se constantes, maiores e sempre ameaçadoras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sudoeste sul mato-grossense e o Paraguai oriental, que se confundem, hoje, com territórios Kaiowa e Ñandeva, estiveram isentos de processos colonizadores intensos até o começo do século XX e teria sido um “refúgio” para as populações Guarani aqui em pauta. A partir da última década do século XIX e até as duas primeiras do século XX, grande parte dos territórios guarani será alvo de mobilização exploratória, e não colonizadora, da erva mate, promovida por empresas detentoras do monopólio desse produto em região que abarca os atuais Paraná, Mato Grosso do Sul, norte da Argentina e o Paraguai oriental. Com poderes para obstruir a entrada e permanência de colonos ou concorrentes (cf. Thomaz de Almeida, 1991), o arrendamento contribuirá para manter as áreas sob o controle destas empresas, livres de colonos até os anos 1920/30. Conservaram-se em grande medida as matas e nelas se mantiveram os Guarani.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir dos anos 1920 e mais intensamente a partir dos anos 1960, tem início uma colonização sistemática e efetiva dos territórios guarani, desencadeando-se um processo de sistemática desapropriação de suas terras pelos colonos brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a vigência do &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/o-servico-de-protecao-aos-indios-(spi)&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;SPI&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, em 1913, nas imediações de Bauru (interior de SP), são criadas reservas indígenas à serviço da frente de atração liderada por Curt Nimuendaju para atrair os [[Povo:Kaingang | Kaingang]] e [[Povo:Terena | Terena ]]e conter os movimentos migratórios dos Guarani em direção à costa Atlântica. Depois de uma grande epidemia que dizimou muitas famílias indígenas em Araribá, e sem conseguir atrair as famílias Ñandeva já instaladas no litoral nem impedir totalmente os movimentos Guarani em direção ao mar, foram criados o  Posto Indígena Padre Anchieta na aldeia de Itariri e o PI Peruibe na aldeia do Bananal, ambos no litoral sul de São Paulo. No Paraná também são criadas reservas indígenas  Kaingang e Guarani, que impõem um modelo de agricultura, trabalho e desenvolvimento totalmente avesso ao modo de ser indígena, baseado na política vigente de integrar os índios à sociedade envolvente. Atualmente, nas regiões sul e sudeste várias administrações regionais da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt; abrangem administrativamente as Terras dos  Guarani e de outras etnias. &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Artesã guarani kaiowa. Foto: Egon Shaden, 1949.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210607-1/guarani_kaiowa_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nomenclatura referente aos Guarani, a exemplo de outros aspectos de sua tradição de conhecimento, é tema de difícil abordagem dada a variedade de nomes que podem assumir. Viajantes dos séculos XVI e XVII os classificaram de modo genérico como “índios de la generación de los guarani” (Cabeza de Vaca 1971; Azara 1969; MCA, 1952) e apresentaram uma enorme lista de nomes utilizados para designar os povos dessa “nação&amp;quot;, que se agrupavam, segundo descrição desses primeiros colonizadores, em pequenos grupos ou divisões que tomavam o nome do líder político-religioso local ou, ainda, o nome do lugar por ele ocupado. Sob uma mesma denominação podiam ser identificadas diferentes “comunidades” que viviam ao longo de um rio ou próximo de fontes de água e mato, assumindo, cada uma delas, denominação particular, razão pela qual há uma diversidade muito grande de nomes dados aos Guarani pelos conquistadores, tais como ''mbiguas, caracara, timbus, tucagues, calchaguis, quiloazaz, carios, itatines, tarcis, bombois, curupaitis, curumais, caaiguas, guaranies, tapes, ciriguanas'' (cf. Azara, 1969:203).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Koenigswald ao falar deles no início do século passado (1908) corrobora informações de diferentes momentos e diferentes fontes com respeito à atitude arredia de “esconder-se” nas matas e lugares de difícil acesso, distanciando-se do branco e evitando o contato. É interessante o depoimento de Koenigswald a respeito dos nomes que genericamente eram então aplicados, sem distinção subgrupal, a esses indígenas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Cayua de Caa = mato e Awa = Homem. Encontramos na literatura em todas as grafias possíveis, como Cayua, Caygua, Caaygua, Cayagua, Cagoa, Cayoa, Caygoa, Cayowa, Caingua, Caa-owa, Cahahyba, Cahuahiva, Cabaiva e Ubayha. Poucos viajantes entraram em contato mais próximo com os ariscos Cayuas. Com o afastamento dos jesuítas (...) povos inteiros desapareceram, assim deles sabemos pouco mais do que os nomes (...) Somente nas regiões situadas muito no interior, de acesso difícil, encontramos tribos, que sempre se conservaram separadas dos brancos (...) obedecendo aos seus costumes antigos. (...)  O modo hostil e a desconfiança destas hordas contra tudo o que é estranho dificultou muito um estudo profundo do seu modo de viver (...)”. &amp;lt;small&amp;gt;(Koenigswald, 1908: 1-2-3).&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudos etnográficos realizados por Nimuendaju (1912/1954, 1978, 1987), Métraux (1927), Watson (1952) e Schaden (1952/1974) ampliaram o conhecimento sobre estes povos. Serão identificadas, a partir destes estudos, as especificidades subgrupais referidas, as peculiaridades lingüísticas e as particularidades na organização social, política, econômica, religiosa e cultura material.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Os Guarani na América ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bolívia: '''guarayos, chiriguanos e izozeños&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Paraguai''': mbya, ñandeva, paï-tavyterã (kaiowa), ache (guayaki*),guarani-ñandeva (tapieté*)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Argentina''': mbya&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Brasil''': mbya, ñandeva, paï-tavyetrã (kaiowa) *Denominações depreciativas&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A população não indígena paraguaia, que fala a língua guarani, refere-se aos Guarani pelo termo ava (homem Guarani), também utilizado pelos subgrupos Guarani que vivem no país. No Brasil os termos “paisano” ou “patrício” também são utilizados pelos indígenas no discurso com o branco, ao referir-se a outros guarani.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Mato Grosso do Sul e em toda a região sul do país estes e outros grupos étnicos são genérica e depreciativamente chamados de “bugres”, termo que deve ser evitado por carregar concepção racista.&lt;br /&gt;
=== Autodenominação ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O guarani-kaiowa, como são conhecidos na literatura antropológica brasileira, de bom grado, como informa Cadogan (1959), aceitariam a designação de ''paĩ'', título empregado pelos deuses habitantes do paraíso ao dirigir-lhes a palavra, mas o nome que melhor lhes corresponde é o de ''tavyterã'' ou ''paĩ-tavyterã'',que significa &amp;quot;habitante do povo [aldeia] da verdadeira terra futura &amp;quot; (''távy-yvy-ete-rã''). Os ñandeva referem-se a estes ''paĩ-kaiowa'' como ''tembekuára'' (orifício labial) por seu costume de perfurar o lábio inferior dos homens jovens onde se insere pequeno bodoque de resina em cerimônia de iniciação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O nome Kaiowa deve decorrer do termo ''KA’A O GUA'', ou seja, os que pertencem à floresta alta,densa, o que é indicado pelo sufixo “o” (grande), referindo-se aos atuais Guarani-Kaiowa ou''' '''paĩ-tavyterã. Haveria, desta forma, uma diferenciação em relação ao termo ''KA’A GUA'', os que são da floresta sem,necessariamente, que seja densa ou alta, categoria em que se incluiriam os atuais Guarani-Mbya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Ñandeva conformam subgrupo Guarani denominado também ''Ava-Chiripa'' ou ''Ava-Guarani'' (ver Schaden, 1974; Nimuendaju, 1978) ou, ainda, ''ava-katu-ete'' (Bartolomé, 1991). Ñandeva é, segundo Schaden:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
“a autodenominação de todos os Guarani. Gostam de usar expressões como ''ñandevaekuere'' (nossa gente),''ñandeva ete'' (é mesmo nossa gente). ''Txe Nhandeva ete'' (eu sou mesmo Guarani, um dos nossos) e outras semelhantes. Mas é a única autodenominação usada pelas comunidades que falam o dialeto registrado, por Nimuendaju,com o nome Apapukuva e que parece ter sido falado também pelos Tañigua e algumas outras hordas mencionadas por aquele autor. Proponho, por isso, que se reserve o nome Ñandeva para essa subdivisão” &amp;lt;small&amp;gt;(1974: 2)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O termo ''ñandeva'' significa “nós”, “todos nós”. É, contudo, a única forma usada por aqueles que falam o dialeto que o etnógrafo Curt Nimuendaju levantou com o nome de Apapukuva (cf. Schaden, 1974, 1974:2;) Chase-Sardi et alli, 1990; Nimuendaju, 1978), denominação que, parece, se aplicaria a um subconjunto ñandeva pesquisado por Nimuendaju no início do século XX, e do qual não há notícias na atualidade. Os Ñandeva são apelidados pelos Mbya de ''Txiripa’i'', “os Txiripazinhos”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na literatura etnográfica estes Ñandeva são denominados Chiripa por Metraux (1948); Susnik (1961 refere-se a esse subgrupo como Chiripa Guarani ou ''Ava-Katu-Ete'' (“homens verdadeiramente autênticos”), este último também usado por Bartolomé (1977); Ava Guarani (homem guarani), segundo Cadogan (1959), é a autodenominação utilizada por eles. No MS são conhecidos como Guarani''' '''e no Paraguai como Chiripa, em referência à vestimenta de sua tradição ritual que lhes é típica. Para efeitos de reconhecimento da especificidade deste subgrupo que fala uma língua guarani, parece ser recomendável designá-los pelo termo ñandeva, que é o que utilizam quando falam sua língua, permitindo também que se fortaleça sua identidade como tal.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua guarani é falada por diferentes povos e de diferentes modos. De acordo com o lingüista Aryon Dall'Igna Rodrigues, os Ñandeva, Kaiowa e Mbya falam dialetos do idioma guarani que se inclui na família lingüística Tupi-Guarani, do tronco lingüístico Tupi. Neste rol se incluiriam também os povos chiriguano, guarani-ñandeva (Chaco paraguaio), ache, guarayos e izozeños, habitantes da Bolívia e Paraguai. Uma variante do guarani é falada pela população (provavelmente 90%) não indígena do Paraguai, país bilíngüe guarani/espanhol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levando-se em conta as longas distâncias entre os diferentes subgrupos guarani, são relativamente pequenas as diferenças entre suas línguas. Em situações territoriais limítrofes, onde ocorre contato entre subgrupos guarani (como o caso de Ocoy e Tekoha Añetete, no Paraná entre Mbya e Ñandeva), ou em situações compulsórias de relações de grupos macro familiares (famílias extensas) de subgrupos diversos numa mesma área (como Kaiowa e Ñandeva de Dourados, Caarapó ou Amambai no MS; ou como Chiripa e Mbya no Ocoy, PR), se observam atenuantes nas diferenças dialetais ou o surgimento de um léxico específico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os três subgrupos revelam vigorosa energia em manter sua língua viva e nada indica que isto tenda a arrefecer, mesmo em situações de alto grau de escolarização e de relações interétnicas. A língua, ou, melhor, a ''palavra'', para os Guarani da atualidade assume relevância cosmológica e religiosa, representando importante elemento na elaboração da identidade étnica.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e ''Tekoha'' ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Habitando a região sul do Mato Grosso do Sul, os Kaiowa distribuem suas aldeias por uma área que se estende até os rios Apa, Dourados e Ivinhema, ao norte, indo, rumo sul, até a serra de Mbarakaju e os afluentes do rio Jejui, no Paraguai, alcançando aproximadamente 100 Km em sua extensão leste-oeste, indo também a cerca de 100 Km de ambos os lados da cordilheira do Amambaí (que compõe a linha fronteiriça Paraguai-Brasil), inclusive todos os afluentes dos rios Apa, Dourados, Ivinhema, Amambai e a margem esquerda do Rio Iguatemi, que limita o sul do território Kaiowa e o norte do território Ñandeva, além dos rios Aquidabán (Mberyvo), Ypane, Arroyo, Guasu, Aguaray e Itanarã do lado Paraguaio, alcançando perto de 40 mil Km2. O território Kaiowa ao norte faz fronteira com os Terena, e ao leste e sul com os Guarani Mbya e com os Guarani Ñandeva (v. Meliá, 1986: 218). Algumas famílias kaiowa também vivem, atualmente, em aldeias próximas às Mbya no litoral do Espírito Santo e Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O território Ñandeva atual toma parte dos estados do Mato Grosso do Sul e Paraná, estendendo-se também ao Paraguai oriental. Migrações ñandeva do início do século XX oriundas do Paraguai cristalizaram assentamentos no estado de São Paulo, interior e litoral, assim como em Santa Catarina, no interior do Paraná e do Rio Grande do Sul. No Paraguai, concentram-se na região compreendida entre os rios Jejui Guasu, Corrientes e Acaray, tendo por vizinhos ao sul os mbya , ao norte os paï-kaiowa e a leste os Aché. O território atual dos Ñandeva compreende os rios Jejui Guasu, Corrientes e Acaray, no Paraguai, e, no Brasil, o Rio Iguatemi e seus afluentes, sendo encontrados também nas proximidades da junção deste com o Paraná. Bartolomé (1977) fala de um &amp;quot;habitat histórico&amp;quot; localizado ao sul do Jejui Guasu, ao longo do Alto Paraná e ao sul do Iguasu. Há também assentamentos Ñandeva no interior do Paraná e de São Paulo, e no litoral deste último.&lt;br /&gt;
=== Tekoha: a territorialidade guarani ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guarani hoje em dia denominam os lugares que ocupam de ''tekoha''. O ''tekoha ''é, assim, o lugar físico – terra, mato, campo, águas, animais, plantas, remédios etc. – onde se realiza o ''teko'', o “modo de ser”, o estado de vida guarani. Engloba a efetivação de relações sociais de grupos macro familiares que vivem e se relacionam em um espaço físico determinado. Idealmente este espaço deve incluir, necessariamente, o ''ka’aguy'' (mato), elemento apreciado e de grande importância na vida desses indígenas como fonte para coleta de alimentos, matéria-prima para construção de casas, produção de utensílios, lenha para fogo, remédios etc. O ''ka’aguy'' é também importante elemento na construção da cosmologia, sendo palco de narrações mitológicas e morada de inúmeros espíritos. Indispensáveis no espaço guarani são as áreas para plantio da roça familiar ou coletiva e a construção de suas habitações e lugares para atividades religiosas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deve ser um lugar que reúna condições físicas (geográficas e ecológicas) e estratégicas que permitam compor, a partir da relação entre famílias extensas, uma unidade político-religiosa-territorial. Idealmente um ''tekoha ''deve conter, em seus limites, equilíbrio populacional, oferecer água boa, terras agricultáveis para o cultivo de roçados, áreas para a construção de casas e criação de animais. Deve conter, antes de tudo, matas (''ka'aguy'') e todo o ecossistema que representa, como animais para caça, águas piscosas, matéria-prima para casas e artefatos, frutos para coleta, plantas medicinais etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Necessário considerar devidamente as condições históricas nas quais os índios constroem suas categorias, incluindo-se à de ''tekoha''. A situação dos diferentes subgrupos nos últimos 40 anos em relação à terra evidencia a necessidade de negociação de espaços a serem demarcados. As reduzidas terras legalizadas estão ligadas às dificuldades de suplantar obstáculos gerados pela sociedade não indígena. Em comparação aos territórios ocupados no passado, verifica-se drástica redução em relação à própria morfologia social dos grupos, com terras exíguas e desproporções na relação famílias/espaço disponível. Na constituição de um tekoha e na sua conceituação nativa, os fatores históricos de intervenção neocolonial são fundamentais, pois interrompem a continuidade territorial com a qual os índios estavam acostumados a lidar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A situação histórica imposta pelo contato tipificam as relações entre os índios e os brancos a partir das primeiras décadas do século XX, quando há esforços por parte do Estado em territorializar (Oliveira 1998) índios, constrangendo-os a espaços limitados e em fronteiras fixas. A imposição de regras de acesso e posse territorial por parte do Estado brasileiro, alheias às especificidades da territorialidade dos índios, teve conseqüências significativas na organização espacial guarani, em suas elaborações culturais e no gerenciamento das políticas de relacionamento interétnico. Segundo Oliveira, entre os fatores mais significativos decorrentes de processos de territorialização, temos, entre os indígenas, o estabelecimento de papéis formais permanentes de mediação com o Estado e a re-elaboração da memória do passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No caso específico dos Guarani, o intento de aldeá-los levou à formação de mecanismos de controle e de exercícios de poder que exacerbaram a importância dos mburuvixa como líderes políticos, papel ao qual foi superposto o de “capitão”, autoridade reconhecida pelo órgão tutelar como mediador entre a comunidade indígena e o Estado. Com estas mudanças, as famílias extensas pertencentes a um determinado espaço territorial, embora mantendo os mesmos mecanismos de reciprocidade, encontraram-se impossibilitados de regular os conflitos uma vez que não podem deslocar-se livremente pelo território, permanecendo encapsuladas em locais que não consideram imutáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dadas as condições de ocupação de seu território até então, e em função da característica de se referirem aos lugares por seus acidentes geográficos ou pelo nome dos que ali residiam, não havia a necessidade dos Guarani refletirem sobre distâncias e fronteiras precisas para delimitar o lugar de número determinado de famílias extensas. Não era, até a chegada do branco, necessário exprimir medidas; simplesmente vivia-se com base no próprio costume; respeitava-se e fomentava-se as regras do ''teko ''(modo de ser guarani).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como decorrência da presença do colonizador, os Guarani passam fixar atenção nas regras do branco e a considerar espaços com superfície definida, o que é expresso pela categoria tekoha. Com efeito, esta categoria nativa conotando um espaço territorial aparece em tempos relativamente recentes na literatura antropológica, exatamente no início dos anos 1970 no Paraguai. Desde então a categoria tekoha adquiriu grande relevância na organização social desses indígenas, de modo tal que é corrente e difusamente utilizada pelos subgrupos. Assim sendo, é inoportuno e limitativo procurar entender esta importante categoria nativa como uma mera projeção de uma unidade político-religiosa num determinado espaço geográfico, ou pensá-lo como categoria a-histórica cuja “essência” remontaria a um período pré-colombiano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''tekoha ''deve ser considerado em face da realidade contemporânea que conduziu os índios a valorizá-lo e concebê-lo da forma como o fazem, com a consciência de que a recuperação plena do território do passado é uma empreitada inatingível. Portanto, mais do que ver os aspectos político-religiosos como externos às condições históricas de sua articulação, nos parece oportuno ver o tekoha como resultado e não como determinante, como um processo continuado de ajustamento situacional em torno da determinação de uma relação territorial entre índios e brancos. Assim sendo o tekoha seria uma unidade política, religiosa e territorial, que deve ser definida em virtude das características efetivas – materiais e imateriais – de acessibilidade ao espaço geográfico por parte dos Guarani.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vista sob este prisma, a relação entre os Guarani e a terra ganha outro significado, inscrito na tradição cosmológica e na historicidade. Enfatizando-se a noção de tekoha enquanto espaço que garantiria as condições ideais para efetuar essa relação, os índios procuram reconquistar e reconstruir espaços territoriais étnica e religiosamente exclusivos a partir da relação umbilical que mantêm com a terra, ao passo que flexibilizam e diversificam a organização das famílias extensas, podendo assim manter uma relação articulada e dinâmica com o território mais ampliado, neste caso como espaço contínuo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabe salientar o fato de que o vínculo osmótico entre os índios e a terra não é genérico, não existindo, portanto, uma relação abstrata entre Guarani indiferenciados e lugar também indiferenciado; ao contrário, o que se estabelece é uma relação entre famílias extensas específicas que se vinculam historicamente a lugares precisos, e que, a interrupção da continuidade ocupacional provoca exaltação da noção de origem antiga (''ymaguare''), baseada no sentimento de autoctonia, e a produção (quando as condições o permitem) de um efeito circulação, quando procuram se manter o mais próximo possível dos lugares de seus antepassados, deslocando-se circularmente ao redor deles sempre que são expulsos ou importunados pelo branco. A circulação ao redor de lugares dos quais por alguma razão foram afastados, permite aos Guarani dar continuidade à manutenção do equilíbrio cósmico, embora muitas vezes de modo fragmentário, o que permite minimamente a relação telúrica com o mundo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Terras indígenas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Aldeia kaiowa. Foto: Egon Shaden, 1949.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210609-1/guarani_kaiowa_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) em 1910, que em 1967 se transforma em Fundação Nacional do Índio (Funai), o Estado brasileiro passa a ter um organismo específico para executar sua política frente às populações indígenas do país. Uma das principais medidas do SPI foi transferir a 5a. Inspetoria Regional, originariamente em Bauru, para Campo Grande (hoje MS), objetivando assim atender “uma quantidade imensa de indivíduos Caiuás&amp;quot; (noção genérica para designar tanto os Kaiowa quanto os Ñandeva), que viviam &amp;quot;espalhados pelos ervais, sem residência fixa”, como escreve um funcionário (Estigarribia, 1927).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Orientado pela perspectiva de “integrar” as populações indígenas ao mundo ocidental, o SPI cria oito “reservas” destinadas aos Kaiowa e Ñandeva do Mato Grosso do Sul. Serão criadas reservas ñandeva também em São Paulo e Paraná.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os “aldeamentos”, conhecidos já no século XVI e agora temperados por uma visão positivista, tornaram-se, no século XX, em Postos Indígenas, destinados a educar e orientar os índios ao trabalho. Estes, como se pensava, progressivamente “evoluiriam” até a incorporação e assimilação total ao mundo ocidental. Os critérios e a escolha das áreas onde seriam implantados os PIs para os Guarani no MS foram definidos por funcionários do SPI já que a ótica fundiária do organismo indigenista não respeitou nem considerou padrões étnicos de ocupação do habitat tradicional nem as concepções territoriais dos indígenas. A “aldeia” torna-se uma unidade administrativa, sob controle de funcionários federais (Cf. Relatório de Inspetoria, SPI, 1924).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os resultados não se fizeram esperar. Um dos primeiros Diretores do SPI já em 1913, ponderava que &amp;quot;a prostituição que se nota em tão alta escala nas aldeias fundadas por nós, é a conseqüência forçosa do aldeamento, que (traz) à vida sedentária (...) homens que não têm as artes necessárias para viver nela&amp;quot; (Magalhães, 1913:142).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oito áreas foram demarcadas para os Kaiowa e Ñandeva do atual MS. Apesar de já diminutas (cf. Correia Filho, 1924), pois cada uma foi decretada (entre 1915 e 1928) com 3.600 ha., já no ato de demarcação sofreriam reduções, algumas drásticas, em função de arranjos entre agentes de governo e interesses regionais: a área guarani-ñandeva do PI Pirajuy, definida pelo Decreto No. 835, de 14.11.1928 com 3.600 ha, foi demarcada, em 1930, com 2.000 ha.; sua localização foi definida por funcionário do SPI em 1927 que escolheu uma outra área &amp;quot;na região de Ypehü”, duas ou três léguas de Pirajuy, destinada aos mais de 500 “caiuás, sem residência ou não aldeados” (cf. Estigarribia, 1927). A comunidade ñandeva deste lugar, autodenominada Potrero Guasu, ali permaneceu até os anos 1960; foram então impingidas a se “aldearem” no PI Pirajuy e só retomaram aquelas terras em 1998 depois de sua identificação em 1997.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, desde meados da década de 1920 se processa uma contínua desapropriação de terras guarani. Nas décadas seguintes e até poucos anos atrás a existência dos Guarani se materializa com a derrubada de matas para implantação de empresas agropecuárias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando descobertos, ou eram expulsos imediatamente ou após a utilização de sua força de trabalho na formação da fazenda. A expulsão podia vir precedida de avisos e ameaças de uso de força; se ineficazes, visitas sinistras de homens armados com eventuais espancamentos e humilhações, atestavam a veracidade das intenções. Em caso de resistência procedia-se à expulsão: indivíduos não raro armados, constrangiam e forçavam homens, mulheres e crianças aos caminhões que os despejariam nas proximidades de algum PI ou na beira de estradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Mato Grosso do Sul, não obstante a prática de constrição em espaços estabelecidos pelo Estado, inúmeros grupos macro familiares envidaram esforços para permanecerem nas áreas de florestas – não raro nos fundos de fazendas que toleram sua presença. O desmatamento dos anos 1970 levou os indígenas fora das reservas, considerados pelo organismo indigenista oficial como “desaldeados”, a se deslocarem continuamente, fugindo de áreas ecologicamente descaracterizadas e da hostilidade do branco. Em fins dessa década, já com exíguas matas onde pudessem manter-se isolados, não foi mais possível evitar conflitos frontais com os brancos que os queriam expulsar para as áreas de Postos Indígenas, o que levou Ñandeva e Kaiowa a se organizarem e reivindicar espaços territoriais perdidos. Isso tudo teria levado os Guarani do MS a uma reflexão inexorável sobre as condições territoriais e se empenharem em elaborar culturalmente as condições do presente no sentido de construir relações com o passado através da organização da memória dos vários grupos macro-familiares e da percepção dos espaços por estes ocupados no correr do tempo, reforçando o próprio sentimento de autoctonia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Daí decorrem as reivindicações fundiárias que os Guarani do MS com grande ênfase vão manifestando nestas últimas décadas. São reivindicações precisas no tocante à vinculação direta entre as famílias extensas e espaços territoriais específicos. Neste sentido, pode-se dizer que em primeiro lugar os tekoha reivindicados representam a soma de espaços de ocupação tradicional sob jurisdição de determinadas famílias extensas onde serão estabelecidas relações políticas comunitárias e a partir dos quais se determinarão laços intercomunitários numa região mais ampliada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, de 1977 para cá constata-se uma disposição pertinaz dos Paï-kaiowa e Ñandeva do MS em garantir suas terras, não só relutando em sair dos lugares tradicionais onde estão, como mobilizando-se, a partir de onde estão, para recuperar terras compulsoriamente abandonadas no passado. Nem todas as áreas ocupadas estão em sua totalidade nem todas estão definitivamente legalizadas; há muitas pendências judiciais, algumas que se desenrolam há anos. Até 2003, 16 tekoha foram recuperados, totalizando 24 áreas ocupadas por Guarani, superando os oito Postos Indígenas que até então existiam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de um processo de luta renhida, que tem exigido inúmeras e rebuscadas articulações entre comunidades, gestões e pressões junto ao governo federal, expulsões e retomadas de terras, inúmeros processos judiciais e muita perseverança, paciência, habilidade política e diplomacia por parte dos indígenas que têm, contudo, avançado consideravelmente em suas formas de organizar-se para garantir terras a que têm direito. Com a abertura destas novas áreas, observa-se impactos positivos, com a diminuição no número de famílias em alguns Postos Indígenas antes densamente povoadas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== População ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guarani jamais se organizaram no espaço territorial de forma homogênea, estruturados em “aldeias” redondas, semicirculares ou em fileiras de casas como concebido no imaginário do homem ocidental. Os ''ava'' contemporâneos estão, como sempre estiveram, assentados em núcleos comunitários constituídos – idealmente – por 3-5 grupamentos macro familiares que conformam divisões autônomas por eles denominadas, hoje em dia, de ''tekoha''. Há no Brasil perto de 85 áreas guarani oficialmente reconhecidas, afora dezenas de outras com maior ou menor informação. Os Guarani no Brasil enfrentam, como será visto adiante, graves problemas fundiários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre estes ''tekoha'' e por todo o território guarani, processam-se as mais variadas formas de efervescente movimento de traslados orientados por relações familiares. Esse constante caminhar (''oguata'') pode representar visitas, mudanças, passagem, casamentos, etc., e por sua constância e dinâmica, dificulta grandemente a realização de censo aplicado com metodologia não específica, e que possa oferecer dados efetivamente confiáveis sobre o número da população guarani (seria uma tarefa de grandes dimensões). Assim, dados totais sobre as populações guarani serão sempre aproximados. Esta movimentação, contudo, não deve ser confundida com migração ou “nomadismo”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar da ausência de recenseamentos ou pesquisas demográficas mais acuradas, há indícios, por amostragem de áreas onde foi possível censo bem aplicado, de que os Guarani apresentem, de um modo geral, altas taxas de fecundidade e crescimento populacional. No Brasil, tomando-se por base, sempre, cálculos aproximados, haveria, segundo os dados da Funasa e Funai em 2008, aproximadamente 51.000 indivíduos, sendo 31.000 Kaiowa, entre 13.000 Ñandeva e 7.000 Mbya, localizados principalmente no Mato Grosso do Sul. Na Argentina a população guarani é quase exclusivamente Mbya e concentra-se na província de Misiones em torno de 5.500 pessoas. A população Ñandeva na Argentina é estimada em cerca de 1000 pessoas. (CTI/G. Grünberg, 2008). A população Mbya atual estaria, segundo essas projeções, em torno de 27.380 pessoas. Cada subgrupo e cada região dentro dos territórios guarani apresentarão, no entanto, especificidades quanto a sua situação demográfica ou na relação entre espaço disponível a uma determinada comunidade e a extensão de terra existente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos oito Postos Indígenas guarani no Mato Grosso do Sul, que conformam um conjunto de oito áreas demarcadas entre 1915 e 1928 pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI, órgão indigenista oficial, que atuou de 1910 a 1967), apresentam altíssimos índices de densidade demográfica, que caracterizam ostensivamente situações de superpopulação com conseqüências nefastas para os índios. O significativo aumento – não crescimento relativo a nascimentos – populacional observado nessas áreas deve-se fundamentalmente às sistemáticas restrições territoriais praticadas pelas frentes coloniais com anuência de uma política indigenista oficial calcada na “integração dos índios à sociedade brasileira” (a esse respeito, ver item “território”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1910 e 2000 a intervenção do Estado brasileiro voltou-se para a criação de “aldeamentos” (à imagem e semelhança doa aldeamentos missionários dos séculos XVII e XVIII) ou diminutas áreas reservadas para a população guarani considerada como “dispersa”, com o que se desconsiderou por completo os padrões étnicos de ocupação territorial. Dados do SPI/Funai indicam que entre 1924 e 1984 a população dessas unidades administrativas aumentou por impulsos; em momentos  determinados nesse período, contingentes de famílias são compulsoriamente levados para as reservas. Constata-se, concomitantemente, maior incidência de despejos e expulsões de famílias guarani de suas terras por colonos brancos que passam a ocupá-las e a erigirem fazendas. Na maioria dos casos estas ações não foram, contudo, bem sucedidas, já que os Ñandeva e Kaiowa persistiram em suas características de distribuição espacial e mobilidade territorial, mesmo obrigados a considerar os limites impostos pela intervenção colonial.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Liderança guarani ñandeva com Ailton Krenak na Terra Indígena Itariri (Serra do Itatins). Foto: acervo do ISA (sem autor), 1984.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210615-1/guarani_kaiowa_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guarani têm como base de sua organização social, econômica e política, a família extensa, isto é, grupos macro familiares que detêm formas de organização da ocupação espacial dentro dos tekoha determinada por relações de afinidade e consangüinidade. É composta pelo casal, filhos, genros, netos, irmãos e constitui uma unidade de produção e consumo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cada família extensa corresponderá, como condição para sua existência, uma liderança, em geral um homem que denominam ''Tamõi ''(avô), não sendo raro, contudo, a existência de líder de família extensa mulher, que denominam ''Jari ''(avó) – neste caso, a incidência é maior entre os Ñandeva. O líder familiar aglutina parentes e os orienta política e religiosamente. Cabe-lhe também as decisões sobre o espaço que seu grupo ocupa no tekoha e onde as famílias nucleares (pais e filhos) pertencentes a seu grupo familiar distribuem suas habitações, plantam suas roças e utilizam os recursos naturais disponíveis. As famílias nucleares hoje em dia vivem em habitações isoladas e dispersas pela área disponível no tekoha, referidas, porém, à casa e presença do ''tamõi ''ou ''jari''. Sua casa é um local centralizador e ao redor da qual movimenta-se toda a família, onde as pessoas se reúnem e onde haverá um altar (mba’e marangatu) para os jeroky, que são rituais sagrados praticados no cotidiano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os homens casam-se entre 16 e 18 anos, enquanto as mulheres podem casar-se a partir da segunda ou terceira menstruação, em geral entre 14 e 17 anos. Na primeira menstruação as meninas têm seu cabelo cortado e mantêm resguardo dentro de suas casas, onde recebem alimentos e de onde raramente saem por algumas semanas. Não há ritual específico nos casamentos, cabendo aos pais do rapaz, na pauta tradicional guarani, a iniciativa de falar com os pais da moça sobre o matrimônio. Espera-se, contudo, que os noivos estejam aptos a construir e manter casa e filhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há nítida divisão sexual dos trabalhos e das funções econômicas na dinâmica cotidiana dos Guarani, sendo efetivamente muito raro encontrar homem ou mulher incapaci­tados de desempenhar funções produtivas nesse dia-a-dia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há uma tendência na tradição desses indígenas de que os novos casais venham a constituir moradia uxorilocalmente, isto é, que seguem um padrão de residência no qual após o casamento os cônjuges passam a viver na localidade do pai da mulher, incluíndo-se o esposo como apoio político e econômico de seu sogro, absorvido pelo grupo macro familiar. Atualmente contribui para a escolha do lugar de um novo casal o peso político e econômico das famílias envolvidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os cônjuges devem pertencer a diferentes famílias extensas, uma vez que há regras explícitas de proibição de casamento dentro do que consideram ser a mesma família, o que caracteriza regras exogâmicas, mas não há regras prescritivas sobre com quem deve se dar o casamento. Uma união ilícita – incesto – tem implicações no campo mítico, pois causa ''Mbora'u'' (mau agouro). No mesmo sentido, os Kaiowa referem-se à poligamia, insistindo na sua proibição, diferentemente dos Ñandeva, onde se verifica maior incidência de homens casados com mais de uma mulher.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O parentesco guarani é um sistema de linhagens de descendência cognática, isto é, há um ascendente comum, o ''tamõi ''(avô) ou a ''jari ''(avó), que é a referência das relações familiares e dos quais consideram-se descendentes. A importância das redes de parentesco é realçada em qualquer situação guarani. Mesmo separações físicas não provocam a perda de vínculos dos que estão longe, sempre lembrados nas conversas do cotidiano, afora padrões de visitação (oguata ou caminhar) e comunicação que mantêm os parentes constantemente informados entre si.&lt;br /&gt;
=== Política ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guarani são extremamente hábeis na condução política de seus interesses. Cada ''tekoha ''é liderado por um chefe, “capitão” ou “cacique”, categorias não indígenas para designar aquele que irá dirigir a ordem política da comunidade nas relações com o mundo ocidental, principalmente o Estado brasileiro – no discurso tradicional o termo usado é ''tamõi'', já comentado, ou, para designar o chefe político, mboruvixa. Sua função, com efeito, é compreendida pelos grupos familiares que lidera como de representação política nesse âmbito, sendo relativo seu poder frente à autonomia das famílias extensas. Não há um poder centralizado e totalizador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dada a grande autonomia dos grupos macro familiares, apenas em momentos específicos, quando o grupo enfrenta problemas que atingem a todos, que o tekoha guarani revela-se uma totalidade e exige-se a atuação do &amp;quot;capitão&amp;quot;. Dependendo, no entanto, da situação local ou regional, ou mesmo do subgrupo, a organização política da comunidade (''tekoha'') poderá variar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nestes termos, variadas composições políticas, próprias a cada localidade, se estabelecem, na medida em que os agentes se inter-relacionam com forças políticas locais, como grupos familiares, líderes, pessoas de prestígio etc.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Mitologia e rituais ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Festa Avati Kyry -&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210617-1/guarani_kaiowa_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guarani contam que o processo de criação do mundo teve início com Ñane Ramõi Jusu Papa ou “Nosso Grande Avô Eterno”, que se constituiu a si próprio do Jasuka, uma substância originária, vital e com qualidades criadoras. Foi quem criou os outros seres divinos e sua esposa, Ñande Jari ou “Nossa Avó”, foi alçada do centro de seu jeguaka (espécie de diadema que perpassa, como ornamento, testa e cabeça), o adorno ritual. Criou também a terra que então tinha o formato de uma rodela, estendendo-a até a forma atual; levantou também o céu e as matas. Viveu sobre a terra por pouco tempo, antes que fosse ocupada pelos homens, deixando-a, sem morrer, por um desentendimento com a mulher. Tomado de profunda raiva causada por ciúmes, quase chegou a destruir sua própria criação que foi a terra, sendo impedido, contudo, por Ñande Jari com a entoação do primeiro canto sagrado realizado sobre a terra, tomando como acompanhamento o takuapu: instrumento feminino, feito de taquara, com aproximadamente 1,10m, que é golpeado no solo produzindo um som surdo que acompanha os Mbaraka masculinos, espécie de chocalho de cabaça e sementes específicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O filho de'' Ñane Ramõi,'' isto é,'' Ñande Ru Paven'' (“Nosso Pai de Todos”) e sua esposa ''Ñande Sy'' (“Nossa Mãe”), ficaram responsáveis pela divisão política da terra e o assentamento dos diferentes povos em seus respectivos territórios, criando montanhas para delimitar o território guarani. Ñande Ru Paven roubou o fogo dos corvos e o entregou aos homens; criou a flauta sagrada (m''imby apyka'') e o tabaco (''petÿ'') para os rituais e foi o primeiro que morreu na terra. Da mesma forma que seu pai, decidiu abandonar a terra em função de um desentendimento com sua esposa que estava grávida de gêmeos. O mito dos gêmeos é um dos mais contados e difundidos pela América do Sul. ''Pa’i Kuara'' é neto de ''Ñane Ramõi''. A ele, depois de muitas aventuras na terra, foi atribuída a responsabilidade de cuidar do Sol, assim como de seu irmão, Jacy, a quem caberia o cuidado da Lua.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Festa Avati Kyry -&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210619-1/guarani_kaiowa_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim,'' Ñande Sy ''saiu em busca de seu marido e com freqüência perguntava ao filho, que ainda não havia nascido, qual o caminho a ser seguido. Pa’i Kuara chegou a indicar caminho errado para sua mãe que lhe havia negado uma flor que queria para brincar durante o percurso. Ñande Sy chegou à morada dos Jaguarete ou “os verdadeiramente selvagens” (que são as onças). O avô destes seres ferozes tentou em vão salvar a vida da mulher. Seus filhos, ao voltarem famintos pelo fracasso da caça, mataram Ñande Sy, deixando vivos apenas os pequenos gêmeos. Estes, depois de grandes, encontraram com o “papagaio do bom falar” (parakau ''ñe’ëngatu'') que lhes contou da morte da mãe. Resolveram vingá-la. ''Pa’i Kuara'' e seu irmão menor ''Jasy'' prepararam armadilha na qual morreram todos os jaguarete, menos uma que estava grávida, razão pela qual os jaguarete (onças) permaneceram no mundo.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Festa Avati Kyry -&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210622-1/guarani_kaiowa_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Pa'i Kuara'' e ''Jasy'' viveram inúmeras aventuras sobre a terra até que o primeiro decidiu ir para os céus à procura de seu pai. Sua preparação para isto consistiu em jejuar, dançar e rezar até sentir-se suficientemente leve de modo a poder subir.  Lançou então uma seqüência de flechas, umas sobre as outras, até construir um caminho que o levou aos céus, onde entrou através da abertura feita por suas flechas. Seu pai ''Ñande Ru Pavë'' o reconheceu como filho autêntico, entregando-lhe o Sol para que dele cuidar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ''Paï'' se consideram descendentes diretos, como netos, de ''Pa’i Kuara'', o ser divino mais referido em seus mitos e a quem recorrem mais sistematicamente em momentos de penúria ou doença.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fora da mitologia clássica e considerando a criação do mundo até a chegada de ''Pa’i Kuara'' ao céu, os Guarani possuem um número interminável de contos e mitos cujos heróis são animais. Criaram também uma mitologia onde são narrados acontecimentos identificáveis nos últimos 200 anos.  Os mitos de'' Kasíke Guaira'' e ''Kasíke Paragua'', por exemplo, narram interpretações de conflitos e guerras com brasileiros e paraguaios ocupantes de seus territórios.&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://img.socioambiental.org/d/210627-1/guarani_kaiowa_11.jpg&amp;quot; rel=&amp;quot;lightbox[g2image]&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; title=&amp;quot;Kaiowa entre instrumentos tradicionais guarani e uma cruz do cristianismo. Foto: Egon Shaden, 1949. &amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Cerimônia religiosa entre os Kaiowa. Foto: Egon Shaden, 1949.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210624-1/guarani_kaiowa_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros personagens divinos importantes são os quatro “cuidadores das almas dos homens”, localizados em um dos sete céus e nas quatro direções; há ainda seres que cuidam das águas, dos animais, das plantas e outros, cabendo destaque a Jakaira, responsável pela fertilidade das roças.&lt;br /&gt;
=== Rituais ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São assíduas e freqüentes as atividades religiosas guarani, com práticas de cânticos, rezas e danças que, dependendo da localidade, da situação ou das circunstâncias, são realizados cotidianamente, iniciando-se ao cair da noite e prolongando-se por várias horas. Os rituais são conduzidos pelos ''ñanderu ''que são líderes e orientadores religiosos; contemplam necessidades corriqueiras como colheita da roça, ausência ou excesso de chuva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os kaiowa, duas cerimônias têm destaque: a do ''avati kyry'' (milho novo, verde) e do ''mitã pepy'' ou ''kunumi pepy'' (realizada em várias comunidades no Paraguai; no Brasil apenas uma comunidade a mantém). A primeira é celebrada em época de plantas novas (fevereiro, março) e tem no ''avati morotĩ ''(milho branco), planta sagrada que rege seu calendário agrícola e religioso, a referência principal. Semanas de trabalho e envolvimento de muitas famílias para preparar o ''kãguy ''ou chicha e o lugar da cerimônia, antecedem sua realização. O ''kãguy ''é uma bebida fermentada, feita, nestas cerimônias, com o milho branco (mas também de mandioca, batata doce ou cana de açúcar) e preparada pelas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A cerimônia em si, dirigida por um líder religioso, tem início ao cair do sol e finda na aurora do dia seguinte. Este xamã deve conhecer o mborahéi ''puku ''ou “canto comprido”, cujos versos, que não se repetem, não podem ser interrompidos depois de iniciada a cerimônia. A cada verso entoado pelo ñanderu a comunidade o repete, sempre acompanhados pelos mbaraka confeccionado e usado por homens e os ''takuapu ''usados por mulheres. Ao amanhecer, terminado o mborahéi ''puku ''(canto comprido), há o batismo da colheita (mandioca, cana, abóbora, batata doce, milho etc.), que permaneceu depositada no altar. Na noite seguinte a cerimônia do ''avati kyry'' continua com cantos e danças mais profanos, os ''kotyhu ''e os ''guahu'', por toda a comunidade e por muitas visitas que participam da cerimônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além desses rituais, há ainda as cerimônias do mitãmongarai, ocasião em que sacerdotes reúnem crianças para o batismo, quando recebem o ''tera ka’aguy ''(nome de mato) ou nome guarani.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Missões ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Kaiowa entre instrumentos tradicionais guarani e uma cruz do cristianismo. Foto: Egon Shaden, 1949.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210627-1/guarani_kaiowa_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É também no Mato Grosso do Sul, entre os guarani-kaiowa e guarani-ñandeva, onde recai com maior incidência o trabalho missionário, uma prática tradicional junto aos índios brasileiros. Há missões evangélicas protestantes (desde 1928), metodistas (1978), fundamentalistas alemães (1968), todas com um viés evangélico tradicional. Mais recentemente têm proliferado denominações pentecostais carismáticas em muitas áreas guarani naquele estado. A igreja católica atua na área através do Conselho Indigenista Missionário (1978).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Mulher kaiowa fiando algodão. Foto: Egon Shaden, 1949.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/210630-1/guarani_kaiowa_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A agricultura é a principal atividade econômica guarani, mas apreciam a caça e a pesca,  praticando-as sempre que possível. Realizam uma economia de subsistência, marcada pela distribuição e redistribuição dos bens produzidos e na qual relações de produção econômica, seja qual for a atividade, são pautadas por vínculos sociais definidos pelo parentesco. A “propriedade” (uso exclusivo) das roças e o consumo dos produtos é da família elementar, depois do nascimento dos filhos do casal, o que não exclui distribuição de bens produzidos ou adquiridos, serviços nas roças do sogro e a realização de mutirões dentro dos grupos macro familiares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As dimensões dessas roças são relativamente reduzidas. Não superam 1,5 a 6 ha por unidade familiar. Nela, todos os familiares participam – segundo uma divisão sexual do trabalho – com encargos e atividades próprias a um e a outro. Plantam milho (''avati morotĩ e avati tupi''), mandioca (''mandi’o''), batata doce (''jety''), cana-de-açúcar (''takuare’e''), abóbora, (''andai''), mamão, laranja, banana (''pakova''), amendoim (''manduvi''), urucu (''yruku''), vários tipos de feijão de árvore (''kumanda''), arroz, feijão e outros produtos destinados à alimentação da família e espécies utilizadas como remédios (''pohã ñana''). A sobrevivência guarani tem sido garantida por esses roçados, base de sua economia, mesmo com as possibilidades de mudanças motivadas pelo contato, seja em relação à “changa”, seja em relação ao acesso à tecnologia moderna. Apenas uma variedade de milho, o avati tupi (milho amarelo) é plantado para comercialização. Esta variedade se diferencia do ''avati morotĩ'' (milho branco), considerada planta sagrada que não deve ser utilizada para comércio, mas que é elemento determinante nas cerimônias anuais do ''avati kyry,'' que é o batismo do milho e das plantas novas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cabe às mulheres a tarefa de pilar o milho e preparar a chicha, fazer a chipa, uma espécie de bolo de milho. A variedade de tipos e formas de preparação do milho é grande: ''produzem avatiku’i'' (farinha de milho), ''hu’ikyra'' (farinha de milho com banha), ''hu’i rovaja'' (farinha de milho com mandioca, cozida na panela sem folha de plantas), ''chipa mbixi'' (feita no fogo, embrulhada em folha de plantas, em geral bananeira), ''mbeju ''(farinha de milho amassada na panela), ''avati mbixi'' (milho verde assado), ''chipa kukui'' (do milho branco, chipa guasu), ''chipa perõ'' (milho assado feito bolo com a mão que depois vai para água quente), ''chipa jetyiru'' (milho misturado com batata doce, como chipa perõ), ''mbaipy ''(mingau de milho), ''kãguyjy miri'' (milho ralado e levado ao fogo com água), ''avati pororo'' (pipoca). O mesmo acontece com a mandioca, que apesar de não ser uma planta sagrada é também bastante apreciada pelos Guarani e que tem presença garantida em sua alimentação. Preparam a mandioca de diferentes formas como ''pirekai ''(mandioca assada), ''pireti ''(mandioca assada sem casca), ''mandi’o mimoi'' (mandioca cozida), ''karaku ''(chicha de mandioca). Além disso, a batata doce (''jety'') e a cana-de-açúcar (''takuare’e'') também são apresentadas sob vários aspectos; os quatro produtos são muito apreciados no preparo do kãguy ou chicha, uma bebida fermentada muito apreciada por estes indígenas e que são consumidas em grande quantidade em suas festas profanas e cerimoniais religiosos.&lt;br /&gt;
=== Manejo de recursos naturais ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conhecimentos tradicionais dotam os Guarani de aguçada sapiência no trato com os espaços disponíveis, mesmo em condições adversas como são os casos dos acampamentos que reivindicam a ocupação plena de seus tekoha como visto acima, de modo a usufruir ao máximo da área disponível. Praticam o que os agrônomos acidentais denominam de sistema agroflorestal, no qual combinam atividades de caça, pesca, coleta e agricultura de forma interligada e vinculada; relacionada a essa técnica, realizam o pousio (período de descanso da terra). Segundo o Manual Agroflorestal para Amazônia (1996:18), o Sistema Agroflorestal é uma “forma de uso e manejo da terra, no qual árvores ou arbustos são utilizados em associação com cultivos agrícolas e/ou com animais, numa mesma área, de maneira simultânea ou numa seqüência temporal”. Um outro aspecto observado e ressaltado com ênfase por agrônomos que entram em contato com estes indígenas é sua capacidade de cuidar e manter sementes nativas. Contam, a rigor, “com um banco de germoplasma vivo” (Spyer, 1996:19), o que contribui em grande medida para a manutenção da diversidade. Nesse sentido, possuem, para cada planta de seu conhecimento, sementes de diferentes variedades como o milho, a mandioca, o feijão, a batata doce e outras tantas, o que torna indispensável a introdução e o fomento de espécies híbridas. As sementes tradicionais, onde se incluem as plantas medicinais para confecção de utensílios, são, assim, sempre encontradas. Os índios conhecem as pessoas que possuem as sementes desejadas, sabem onde estão e a elas recorrem quando necessitam de sementes ou mudas. Com efeito, a troca de sementes, plantas, mudas, remédios faz parte do cotidiano e é tema freqüente de conversas sobre o assunto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a proximidade do contato e as variadas situações de exigüidade de terras disponíveis face à superpopulação de algumas áreas, os Ñandeva e Kaiowa são obrigados a trabalhar no mercado regional. Se até alguns anos atrás havia demanda para o trabalho dos índios nas fazendas que se estavam formando, hoje em dia esta atividade arrefeceu sobremaneira na medida em que as fazendas foram implantadas e hoje utilizam mecanização no plantio ou, de outro lado, os espaços foram transformado em terras que têm diminuído a oferta de trabalho em decorrência da mecanização, o que ocorre principalmente no MS, onde o problema é mais grave. Ultimamente os Kaiowa e os Ñandeva têm sido contratados por usinas de álcool distantes de suas comunidades, onde os homens permanecem por semanas trabalhando longe de sua família.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contato direto ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://atyguasu.blogspot.com.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Blog da Aty Guasu&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Grande Assembléia) Guarani Kaiowá&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Página da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.facebook.com/aty.guasu&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;''Aty Guasu''&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (Grande Assembléia) Guarani Kaiowá no Facebook&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da campanha guarani '''Povo Guarani, Grande Povo - Terra, Vida e Futuro''' - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.campanhaguarani.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.campanhaguarani.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site bilíngue e colaborativo '''''Teko Arandu'''''''' -''' &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.tekoarandu.org/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.tekoarandu.org/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Site da '''Associação de Jovens Indígenas de Dourados (AJIndo)''' - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.jovensindigenas.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.jovensindigenas.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Outras leituras ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.icsoh.unsa.edu.ar/mapa-continental-guarani-reta/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Mapa Continental &amp;quot;Guarani Retã&amp;quot; (2016)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;''Guarani Retã 2008: Povos Guarani na Fronteira. Argentina, Brasil e paraguai (''&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_institucional/caderno_guarani_%20portugues.pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Em Português&amp;lt;/htmltag&amp;gt; | &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_institucional/caderno_guarani_espanhol.pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Em Espanhol&amp;lt;/htmltag&amp;gt; | &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_institucional/mapa_guarani_final.pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Mapa&amp;lt;/htmltag&amp;gt;)&lt;br /&gt;
     &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Elaborada em 2008 por inúmeras organizações, esta publicação é uma introdução ao mundo dos Guarani que vivem hoje na região das fronteiras entre Brasil, Argentina e Paraguai. Os Guarani constituem uma das populações indígenas de maior presença territorial no continente sul-americano. A publicação acompanha um mapa com diversas informações sobre as comunidades guarani.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ABOU, Selim. La &amp;quot;Republique&amp;quot; jesuite des Guaranis (1609-1768) et son heritage. s.l. : Libraire Academique Perrin/Unesco, 1995. 160 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Retour au Paraná : chronique de deux villages Guaranis. Paris : Hachette, 1993. 379 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALCARAZ LOPEZ, Gloria Margarita. A fecundidade entre os Guarani : um legado de Kunhankarai. Rio de Janeiro : ENSP, 2000. 217 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALMEIDA, Rubem Ferreira Thomaz de. O caso Guarani : o que dizem os vivos sobre os que se matam? In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 725-8.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Do desenvolvimento comunitário a mobilização política : o Projeto Kaiowa-Ñandeva como experiência antropológica. Rio de Janeiro : Contra Capa, 2001. 240 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O fortalecimento dos Aty Guasu. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 544-8. (Aconteceu Especial, 18)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O Projeto Kaiowá-Ñandeva : uma experiência de etnodesenvolvimento junto aos Guarani-Kaiowá e Guarani-Ñandeva contemporâneos do Mato Grosso do Sul. Rio de Janeiro : UFRJ-Museu Nacional, 1991. 441 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;AMOROSO, Marta Rosa. Catequese e evasão : etnografia do aldeamento indígena São Pedro de Alcântara, Paraná (1855-1895). São Paulo : USP, 1998. 282 p. (Tese de Doutorado). &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARAÚJO LEITÃO, Ana Valéria Nascimento (Org.). A defesa dos direitos indígenas no judiciário : ações propostas pelo Núcleo de Direitos Indígenas. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1995. 544 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Indigenous peoples in Brazil, the Guaraní : a case for the U.N. Cultural Survival Quarterly, Cambridge : Cultural Survival, v. 18, n. 1, p. 48-50, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARRUDA, Roseli. A morte sistemática de um povo, uma questão de direitos humanos? Dossiê Guarani. Dourados : UEMS, 1996. 58 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE APOIO AO ÍNDIO/PR. Índios do Paraná : Texto base para o ensino do primeiro e segundo graus. Curitiba : Anai-PR, 1983. 64 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;AZEVEDO, Frederico Ming. A questão indígena e a urbanização. São Paulo : USP, 2000. (Monografia) &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;AZEVEDO, Marta Maria. O programa de alfabetização do projeto Kaiowá-Ñandeva. In: SILVA, Aracy Lopes da (Coord.). A questão da educação indígena. São Paulo : Brasiliense, 1981. p.107-11.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; CIMI. O suicídio entre os Guarani Kaiowá. Terra Indígena, Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, v. 8, n. 58, p. 6-28, jan./mar. 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BARBOSA, Carla Gonçalves Antunha. Trazidos... Por Tupã : a luta pelo território Guarani em São Paulo. São Paulo : USP, 1994. 190 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BARBOSA, Marco Antônio. Índios Guarani defendem suas terras na justiça. In: MONTEIRO, John Manuel et al (Orgs.). Índios no estado de São Paulo : resistência e transfiguração. São Paulo : Yankatu ; CPI, 1984. p. 145-8.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BASTOS, Augusto Roa (Org.). Las culturas condenadas. México : Siglo Veintiuno, 1978. 350 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BELLO, Samuel Edmondo Lopez. Educação matemática indígena : um estudo etno-matemático com os índios Guaraní-Kaiová do Mato Grosso do Sul. Curitiba : UFPR, 1995. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Etnomatemática no contexto guarani-kaiowá : reflexões para a educação matemática. In: FERREIRA, Mariana Kawall Leal (Org.). Idéias matemáticas de povos culturalmente distintos. São Paulo : Global ; Mari/USP, 2002. p. 297-325. (Antropologia e Educação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BERNARDES, Margarida Gennari (Coord.). Javy'a jalee-vy - Lendo com alegria. Brasília : Missão Evangélica Caiuá/SIL, 1992. 53 p. (Livro de Primeiras Leituras Kaiwá). Circulação restrita.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BEZERRA, Marcos Otávio. Panambi : um caso de criação de uma terra indígena Kayowá. Niterói : Eduff, 1994. 149 p. (Cadernos de Graduação, 5)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BIASE, Helena de. A contribuição da pedagogia Freinet na construção de escola indígena diferenciada na grande metrópole. In: SILVA, Aracy Lopes da; FERREIRA, Mariana Kawall Leal (Orgs.). Práticas pedagógicas na escola indígena. São Paulo : Global, 2001. p.87-106. (Antropologia e Educação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BORGES, Luiz Carlos. Fala instituinte do discurso mítico Guarani Mbya. Campinas : Unicamp, 1998. 336 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BORGES, Paulo Humberto Porto. Ymã, ano mil e quinhentos : escolarização e historicidade Guarani M'Bya na aldeia de Sapukai. Campinas : Unicamp, 1998. 125 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Ymã, ano mil e quinhentos : relatos e memórias indígenas sobre a conquista. Cascavel : Unipar ; Campinas : Mercado de Letras, 2000. 168 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BRAND, Antônio. O confinamento e seu impacto sobre los Pai-Kaiowa. Porto Alegre : PUC-RS, 1993. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O impacto da perda da terra sobre a tradição Kaiowa/Guarani : os difíceis caminhos da palavra. Porto Alegre : PUC-RS, 1997. 390 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Programa Kaiowa/Guarani : um trabalho de parceria em favor dos Kaiowa/Guarani. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 4, p. 45-67, out. 1997.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Quando chegou esses que são nossos contrários : a ocupação espacial e o processo de confinamento dos Kaiowa/Guarani no Mato Grosso do Sul. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 21-51, nov. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; VIETTA, Katya. Programa Kaiowa-Guarani : uma proposta de pesquisa e intervenção. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 8, p. 191-209, fev. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Os Guarani - índios do sul : religião, resistência e adaptação. São Paulo : USP, 1990. 72 p. (Estudos de Sociologia, 1).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Somos as águas puras. Campinas : Papirus, 1994. 317 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BRESIL : Arts prehistoriques, la conquete portugaise et l'art baroque, cultures indiennes, de l'esclavage a l'ere industrielle. Paris : SFBD Archeologia, 1992. 77 p. (Dossiers d'Archeologie, 169)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BRIDGEMAN, Loraine Irene (Org.). Kwatia mitãygwe-pe gwarã (ABCDário em Kaiwá). Brasília : Missão Evangélica Caiuá/SIL, 1991. 40 p. Circulação restrita.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Manual para o escritor Kaiwá. Dourados : Missão Evangélica Caiuá, 1991. 8 p. Circulação restrita.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O parágrafo na fala dos Kaiwá-Guaraní. Brasília : SIL, 1981. 132 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BRIGHENTI, Clóvis Antônio. Integração e desintegração : análise do tratamento dispensado pelos Estados brasileiros e argentino ao povo Guarani de Santa Catarina e da província de Misiones. São Paulo : USP, 2001. 214 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BRUNO, Cayetano. Las reducciones jesuiticas de indios Guaranies (1609-1818). Rosário : Didascalia, 1991. 178 p. (Obras para la Evangelización y la Catequesis, 32)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BURRI, Stefanie. La situación económica de la etnias guaraniés en el Paraguay Oriental. En particular de la etnia Mbya : la tierra-base de su supervivencia económica, política y social. Anuário Indigenista, México : Instituto Indigenista Interamericano, n. 35, p. 43-68, dez. 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CABEZA DE VACA, A. N. Naufrágios &amp;amp;amp; comentários :A pé, de Santa Catarina ao Paraguai. São Paulo : L&amp;amp;amp;PM; Eds., 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CADOGAN, Leon. Ayvu rapyta : textos míticos de los Mbyá-Guaraní del Guairá. São Paulo : USP, 1959. 218 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Ayvu Rapyta : textos míticos de los Mbyaguarani del Guaira. Rev. Paraguaya de Sociologia, Assunção : Centro Paraguayo de Estudos Sociológicos, v. 29, n. 85, p. 188-9, set./dez. 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Publicado originalmente no Boletim n.227, Antropologia n.5, FFCL/USP, São Paulo, 1959.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Diccionario Mbya-Guarani-Castellano. Assunção : Fundación Leon Cadogan, 1992. 211 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. La encarnación y la concepción : la muerte y la resurrección en la poesia sagrada “esotérica” de los jeguakáva-Tenondé Porã-Gué (mbya-Guarani) del Guairá, Paraguay. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, v. 4, 1952.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Leon Cadogan : extranjero, campesino y cientifico - Memórias. Assunção : Fundación Leon Cadogan : Centro de Estudios Antropológicos, 1990. 218 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Las reducciones del Tarumã y la destrucción de la organización social de los Mbyá-Guaranies del Guairá (Ka’ygua o Monteses). In: ESTUDIOS antropológicos publicados em homenaje al Doctor Manuel Gambio. México : s.ed., 1956.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CAMY, Fernando Franco Serrou. O direito consuetudinário Kaiowa/Guarani frente ao nosso direito positivo. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 96-9, nov. 1998. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CARBONELL DE MASY, Rafael; BLUMERS, Teresa. Estratégias de desarrollo rural en los pueblos guaranies (1609-1767). Barcelona : A.Bosch, 1992. 534 p. (Monografias Economia Quinto Centenário)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CARDOSO, Andrey Moreira. Prevalência de doenças cronico-degenerativas na população Guarani-Mbya do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro : ENSP, 2000. 87 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; MATTOS, Inês E.; KOIFMAN, Rosalina J. Prevalência de fatores de risco para doenças cardiovasculares na população Guarani-Mbya do Estado do Rio de Janeiro. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Fiocruz, v. 17, n. 2, p. 345-54, mar./abr. 2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CARVALHO, Maria Janete Albuquerque de. Povos tradicionais em Unidades de Conservação e Uso Indireto : identidade e fronteiras étnicas dos Guarani-Mbya na Estação Ecológica Juréia-Itatins. Brasília : UnB/DAN, 2003. (Monografia de Graduação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CARVALHO, Nerini Pires de. O índio Guarani e sua aculturação. São Paulo : ESP, 1978. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CHAMORRO-ARGUELLO, Cândida Graciela. Arete : as festas ou o tempo verdadeiro dos Guarani. Cadernos Comin, São Leopoldo : Comin, n. 5, 38 p., abr. 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Os efeitos do universo no dizer Kaiowá. In: ZWETSCH, Roberto (Org.). 500 anos de invasão - 500 anos de resistência. São Paulo : Cedi ; Paulinas, 1992. p.17-28.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. A espiritualidade Guarani : uma teologia ameríndia da palavra. São Leopoldo : Sinodal, 1998. 234 p. (Teses e Dissertações, 10)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Os Guarani : sua trajetória e seu modo de ser. Cadernos Comin, São Leopoldo : Comin, n. 8, 30 p., ago. 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Kurusu ñe'ëngatu : palabras que la historia no podría olvidar. São Leopoldo : Instituto Ecuménico de Posgrado ; Assunção : Centro de Estudios Antropológicos, 1995. 250 p. (Biblioteca Paraguaya de Antropología, 25)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O rito de nominação numa aldeia Mbya-Guarani do Paraná. Diálogos, Maringá : s.ed., v. 2, n. 2, p. 201-15, 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CHASE-SARDI, M.; BRUN, Augusto; ENCIO, Miguel A. Situación sociocultural, economica, juridico-politica actual de las comunidades indigenas en el Paraguay. Assunção : Universidad Católica/Centro Interdiciplinario de Derecho Social y Economia POlítica, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CHEROBIM, Mauro. Os Guaraní do litoral do Estado de São Paulo : estudo antropológico de uma situação de contato. São Paulo : USP, 1981. 172 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CICCARONE, Celeste. Drama e sensibilidade : migração, xamanismo e mulheres M'Bya Guarani. São Paulo : PUC, 2001. 352 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CIMI; COMISSÃO DE ARTICULAÇÃO TUPINIKIM E GUARANI. Campanha internacional pela ampliação e demarcação das terras indígenas Tupinikim e Guarani. Aracruz : Cimi, 1996. 42 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CIMI; CPI-SP; PROCURADORIA REGIONAL DA REPÚBLICA DA 3a. REGIÃO (Orgs.). Conflitos de direitos sobre as terras Guarani Kaiowá no estado do Mato Grosso do Sul. São Paulo : Palas Athena, 2001. 487 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CLASTRES, Pierre. A fala sagrada : mitos e cantos sagrados dos índios Guaraní. Campinas : Papirus, 1990. 144 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Terra sem mal : o profetismo Tupi-Guarani. São Paulo : Brasiliense, 1978.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COIMBRA, Maria Célia Crepschi. O grito sufocado de morte dos Kaiowá e o conceito psicanalítico de pulsão. São Paulo : PUC/Cogeae, 1997. 60 p. (Monografia)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COMISSÃO PRÓ-ÍNDIO. A Reserva Kayowá e a fazenda Paraguaçu. Cadernos da CPI/SP, São Paulo : CPI-SP ; São Paulo : Global, n.2, p.155-6, 1981.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COSTA, Carlos Roberto Zibel. Desenho cultural da arquitetura Guarani. Rev. do Progr. de Pos-Graduação em Arq. e Urb. da FAU-USP, São Paulo : USP/FAU, n. 4, p. 113-30, dez. 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; SETTI, Kilza; LADEIRA, Maria Inês Martins. The Guarani tribe build a village in the urban context of greater São Paulo. Tradional Dwellings and Settlements: Working Papers Series, s.l. : s.ed., v. 50, s.n., p. 71-105, 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COSTA, Consuelo de Paiva Godinho. Nhandewa aywu. Campinas : Unicamp, 2003. 131 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COUTINHO, Maria Inês. A resistência pelo estético : imaginário Guarani en las Misiones Jesuiticas del Brasil. Porto Alegre : PUC-RS, 1996. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DALCIN, Ignácio. Em busca de uma &amp;quot;terra sem males&amp;quot; : as reduções jesuíticas guaranis, evangelização e catequese nos sete povos das missões. Porto Alegre : EST/Palmarinca, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DALLANHOL, Karia Maria Bianchini. Jeroky e Jerojy : por uma antropologia da música entre os Mbya-Guarani do Morro dos Cavalos. Florianópolis : UFSC, 2002. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DARRAULT-HARRIS, Ivan. Psicossemiótica na construção da identidade infantil : um estudo da produção artística de crianças Guarani/Kaiowa. São Paulo : Casa do Psicólogo, 2001. 266 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DAVALOS-MISSLITZ, Ana Clara Marque. Polimorfismo da proteína GC em indígenas brasileiros. Ribeirão Preto : USP/FMRP, 1992. 96 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DINIZ, Edson Soares. Uma reserva indígena no Centro-Oeste paulista. : aspectos das relações interétnicas e intertribais. São Paulo : Museu Paulista, 1978. 158 p. (Coleção Museu Paulista, Série de Etnologia, 3)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DOOLEY, Robert A. Apontamentos preliminares sobre Nhandeva Guarani contemporâneo. Brasília : SIL, 1991. 85 p. (Arquivo Lingüístico, 197)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Períodos Guarani. Brasília : SIL, 1977. 72 p. (Arquivo Lingüístico, 34).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Vocabulário do Guaraní : vocabulário basico do Guaraní contemporâneo (dialeto Mbüá do Brasil). Brasília : SIL, 1982. 322 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; FLORENTINO, Nelson (Comps.). Histórias dos Nhandéva do norte do Paraná (vários autores indígenas). Brasília : SIL, 1991. 54 p. Circulação restrita.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DORETO, Givaldo. A educação e os conflitos econômicos e políticos : a luta para a preservação cultural do povo Guarani. Campo Grande : Univers. Católica Dom Bosco, 1997. 150 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FATTAH JUNIOR, Said Mahmoud Abdul. O conflito processório nas terras Kaiowá/Guarani no Estado de Mato Grosso do Sul. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 87-95, nov. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FELIPIM, Adriana Perez. O sistema agrícola Guarani M'Bya e seus cultivares de milho : um estudo de caso na aldeia Guarani da Ilha do Cardoso, município de Cananéia, SP. Piracicaba : Esalq, 2001. 120 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERREIRA, Luciane Ouriques. Maba-e Achy : a concepção cosmológica da doença entre os Mbya-Guarani num contexto de relações interétnicas. Porto Alegre : UFRGS, 2001. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERREIRA, Mariana Kwall Leal. Conhecimentos matemáticos de povos indígenas de São Paulo. In: SILVA, Aracy Lopes da; FERREIRA, Mariana Kawall Leal (Orgs.). Práticas pedagógicas na escola indígena. São Paulo : Global, 2001. p.211-35. (Antropologia e Educação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Divina abundância : fome, miséria e a Terra-Sem-Mal de crianças Guarani. In: SILVA, Aracy Lopes da; MACEDO, Ana Vera Lopes da Silva; NUNES, Ângela (Orgs.). Crianças indígenas : ensaios antropológicos. São Paulo : Global ; Mari-USP, 2002. p. 150-67. (Antropologia e Educação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; SUHRBIER, Mona Birgit. A poética da fome na arte Guarani. Rev. do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo : USP/MAE, n. 10, p. 211-29, 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERREIRA NETO, Waldemar. Os índios e a alfabetização : aspectos da educação escolar entre os Guarani de Ribeirão Silveira. São Paulo : USP, 1994. 110 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GADELHA, Regina Maria A. F. (Ed.). Missões Guarani : impacto na sociedade contemporânea. São Paulo : Educ, 1999. 391 p. (Edições Comemorativas)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GALVÃO, Eduardo. Diários Kaioá (1943). In: GONÇALVES, Marco Antônio Teixeira (Org.). Diários de campo de Eduardo Galvão : Tenetehara, Kaioa e índios do Xingu. Rio de Janeiro : UFRJ, 1996. p.175-247. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GARCIA, Wilson Galhego. Introdução ao universo botânico dos Kayová de Amambaí : descrição e análise de um sistema classificatório. São Paulo : USP, 1985. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Plantas medicinais entre os índios Kayovas. Terra Indígena, Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, v. 13, n. 77/78, p. 13-94, mar. 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GARLET, Ivori José. Mobilidade Mbya : história e significação. Porto Alegre : PUCRS, 1997. 229 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; ASSIS, Valéria S. de. Diagnóstico da população Mbya-Guarani no sul do Brasil. Cadernos do Comin, São Leopoldo : Comin, n. 7, 84 p., dez. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GARLET, Ivori José; SOARES, André Luis Ramos. Cachimbos Mbya-Guarani : aportes etnográficos para uma arqueologia Guarani. In: FUNARI, Pedro Paulo Abreu (Org.). Cultura material e arqueologia histórica. Campinas : Unicamp, 1998. p. 251-74.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GODOY, Marília G. Ghizzi. Misticismo e etnicidade Guarani, radicalismo cultural no Estado de S. Paulo. Terra Indígena, Araraquara : Centro de Estudos Indígenas, v. 8, n. 60, p. 22-38, jul./set. 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Teko axy : o misticismo Guarani M'Bya na era do sofrimento e da imperfeição. São Paulo : PUC, 1995. 330 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GOLIN, Tau. A guerra guaranitica : como os exércitos de Portugal e Espanha destruíram os sete povos dos jesuítas e índios Guaranis no Rio Grande do Sul. Passo Fundo : EDIUPF ; Porto Alegre : UFRS, 1998. 623 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GOMES, Sarah Iurkiv. Sob o domínio da tradição : um estudo sobre as manifestações do poder nas lideranças políticas Guarani (1534-1579). Porto Alegre : PUC-RS, 1996. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GONZALEZ, Rodolfo. Los guaranies en la formación de nuestra sociedad. Hoy Es História, s.l. : s.ed., v. 9, n. 50, p. 58-62, mar./abr. 1992. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GRÜNBERG, Georg G. Por que os Guarani Kaiowá estão se matando? Tempo e Presença, Rio de Janeiro : Cedi, v. 13, n. 258, p. 32-7, jul./ago. 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Publicado também no Boletín IWGIA n. 2, set./out. 1991, p. 21-4.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. La violencia del estigma : “blancos” y Tupí-Guaraní. In: LEÓN-PORTILLA, Miguel et al (Eds.). De palabra y obra en el nuevo mundo. v. 1: Imágenes interétnicas. México : Siglo XXI, 1992. p.293-310.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GUEDES, Marymarcia. Subsídios para uma análise fonológica do mbia. Campinas : Unicamp., 1983. 47 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Subsídios para uma análise fonológica do mbya. Campinas : Editora da Unicamp, 1991. 63 p. (Línguas Indígenas)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GUIMARÃES, Silvia Maria Ferreira. Através da Terra sem mal : uma possível abordagem de um grupo Guarani. Rev. Brasiliense de Pós-Graduação em Ci. Soc., Brasília : UnB, v. 3, n. 1, p. 7-21, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Os Guarani-Mbya e a superação da condição humana. Brasília : UnB, 2001. 151 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Oguata Porã : experiências de um grupo Guarani-Mbya no mundo. Brasília : UnB, 1998. (Monografia de Graduação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HARTMANN, Thekla. Artefatos Guarani de 1994. Rev. do Museu de Arqueol. e Etnol., São Paulo : USP-MAE, n. 3, p. 187-96, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HELM, Cecília Maria Vieira. Direitos territoriais indígenas : disputa judicial entre Kaingang, Guarani e madeireiros pela Terra Indígena Mangueirinha, Paraná, Brasil. Curitiba : Design Estudio Gráfico, 1997. 35 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Estudo antropológico sobre os povos indígenas da bacia do rio Tibagi. Curitiba : HF, 1999. 38 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------- (Coord.). A implantação de usinas hidrelétricas e os indígenas no Sul do Brasil. Curitiba : IAP/GTZ, 1998. 119 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Laudo antropológico povos indígenas da Bacia do rio Tibagi - Kaingang e Guarani - e os projetos das Usinas Hidrelétricas Cebolão e São Jeronimo. Curitiba : Copel/Cnia, 1998. 76 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Povos indígenas e projetos hidrelétricos no estado do Paraná. Curitiba : HP, 1998. 25 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; TELES, Ivani Aparecida Garcia (Orgs.). Venh Rog, Rio Tibagi. Curitiba : Grupo MIG, 1998. 36 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;IAPECHINO, Mari Noeli Kiel. O discurso da criação na cultura Guarani e o processo de constituição da brasilidade. São Paulo : PUC, 1999. 158 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;IBANHES, Brigido. Che ru (Chiru) : contos mestiços as margens do Rio Apa. Campo Grande : Alvorada, 1991. 87 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Kyvy Mirim : o índio mago e a lenda do pé de tarumã. Curitiba : s.ed., 1997. 32 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;JOSÉ FILHO, Antônio. Bilingüismo e educação bilingüe Kaiowá/Guarani, L1 - português, L2 na Reserva Indígena de Caarapo/MS. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 176-93, nov. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;JULIÃO, Lubianca Galleano. Origens e efeitos históricos da venda de mão-de-obra Kaiowá/Guarani as usinas de álcool, na região da grande Dourados, durante os últimos 20 anos. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 79-86, nov. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;KERN, Arno Alvarez. Aspirações utópicas da sociedade missioneira. Biblos: Rev. do Depto de Biblioteconomia e História, Rio Grande : FURG, v. 5, p. 85-95, n.esp., 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Cultura européia e indígena no Rio da Prata nos séculos XVI-XVIII. Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre : PUCRS, v. 19, n. 2, p. 5-18, dez. 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;KOK, Maria da Glória Porto. Os vivos e os mortos na América portuguesa da antropofagia a água do batismo. Campinas : EdUnicamp, 2001. 183 p. (Originalmente Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;KWAXIA para, Jesus remimbo'ekewéry ojapo va'ekwe : atos dos apóstolos na língua Guaraní. Rio de Janeiro : SIL, s.d.. 198 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LADEIRA, Maria Inês Martins. Aldeias livres Guarani do litoral de São Paulo e da periferia da capital. In: MONTEIRO, John Manuel et al (Orgs.). Índios no estado de São Paulo : resistência e transfiguração. São Paulo : Yankatu ; CPI, 1984. p. 123-44.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Atividades da escola da aldeia Guarani da Barragem, São Paulo. In: SILVA, Aracy Lopes da (Coord.). A questão da educação indígena. São Paulo : Brasiliense, 1981. p.112-22.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. &amp;quot;O caminhar sob a luz&amp;quot; : o território Mbyá a beira do oceano. São Paulo : PUC, 1992. 199 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Espaço geográfico Guarani-Mbya : significado, constituição e uso. São Paulo : USP, 2001. 235 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Os Guarani na Mata Atlântica. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 773-80.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Os índios Guarani/Mbya e o complexo lagunar estuarino de Iguape-Paranaguá : parecer para a Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo. São Paulo : CTI, 1994. 43 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Material para alfabetização em português : índios Guarani. São Paulo : CTI, 1977. 88 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Mbya Tekoa : o nosso lugar. São Paulo em Perspectiva, São Paulo : Seade, v.3, n.4, 1989.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Migrações Guarani M'Bya. Travessia, São Paulo : CEM, v. 9, n. 24, p. 21-4, jan./abr. 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Necessidade de novas políticas para o reconhecimento do território Guarani. (Apresentado no 49º. Congresso Internacional de Americanistas, 1997).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Relatório circunstanciado de identificação e delimitação da AI Morro dos Cavalos. São Paulo, 2002.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. YY Pau ou Yva Pau - Espaço Mbya entre as águas ou o caminho aos céus : os índios Guarani e as ilhas do Paraná. Curitiba : CTI, 1990.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; AZANHA, Gilberto. Os índios da Serra do Mar : a presença Mbyá-Guaraní em São Paulo. São Paulo : Nova Stella, 1988. 70 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Relatório antropológico sobre as comunidades Guarani do “litoral” do estado de São Paulo. São Paulo : CTI, 1986. 124 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LANDA, Beatriz dos Santos. A mulher Guarani : atividades e cultura material. Porto Alegre : PUC-RS, 1995. (Dissertação de Mestrado) &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LEHNER, Beate. Relaciones históricas y actuales de los pueblos guaranies del Paraguay Oriental con el pueblo paraguayo. In: GUGENBERGER, Eva (Ed.). Comunicación intercultural en América Latina : ?Del conflicto ao dialogo?. Frankfurt : Peter Lang, 2003. p. 209-24.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LEVCOVITZ, Sérgio. Kandire : o paraíso terreal - o suicídio entre índios Guarani do Brasil. Belo Horizonte : Te Cora Ed. ; Rio de Janeiro : Espaço e Tempo, 1998. 263 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LITAIFF, Aldo. As divinas palavras : representações étnicas dos Guarani-Mbya. Florianópolis : UFSC, 1991. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Les fils du soleil : mythes et pratiques des indiens Mbya-Guarani du littoral du Bresil. Montreal : Université de Montreal, 1999. (Tese PhD)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LOPES, Andréia Aparecida Ferreira. Corpo e saúde entre os Guarani. Campinas : Unicamp, 2001. 233 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LOPEZ BREARD, Miguel Raul. Mitos guaranies. Assunção : Intercontinental, 1994. 91 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MACIEL, Gisele Teresinha. O Guarani : uma experiência de guerra. Porto Alegre : PUC-RS, 1996. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MAGNANI, Maria da Graça. Imaginário Arariba : a pratica pedagógica a serviço da reconstrução de valores. Marilia : Unesp, 2000. 180 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MAHER, Terezinha de Jesus Machado. Já que é preciso falar com os doutores de Brasília... : subsídios para um curso de português oral em contexto indígena. Campinas : Unicamp, 1990. 161 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MANFROI, José. Qual a função da escola indígena diferenciada na construção do futuro do povo Kaiowá/Guarani? Um estudo a partir das lideranças, rezadores, pais e professores indígenas. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 162-75, nov. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MANGOLIM, Olívio. Povos indígenas no Mato Grosso do Sul : viveremos por mais 500 anos. Campo Grande : Cimi-MS, 1993. 120 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MARTIN, Nicolas. Guarani : as missões do século XVIII. São Paulo : s.ed., 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MARTÍNEZ, Noemí Díaz. La migración Mbya (Guarani). In: JORNA, P.; MALAVER, L.; OOSTRA, M., coords. Etnohistoria del Amazonas. Quito : Abya-Yala ; Roma : MLAL, 1991. p. 133-52. (Colección 500 Años, 36)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MARTINS, Maria Cristina Bohn. O Guarani e a economia de reciprocidade. São Leopoldo : Unisinos, 1991. 386 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MARZAL, Manuel M. (Coord.). El rostro índio de dios. Lima : Pontificia Univ. Católica del Peru, 1991. 450 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MASY, R. C. Estratégias de desarrollo rural en los pueblos Guaranis (1609-1767). Barcelona : Antônio Broch, 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MAZZOLENI, Gilberto. Evangelização e tradições indígenas : o caso Guarani. Rev. Brasil. de Ci. Soc., São Paulo : Anpocs, v. 9, n. 26, p. 66-71, out. 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;McGEAGH, Robert. Thomas Fields and the precursor of the Guarani &amp;quot;reducciones&amp;quot;. Colonial Latin American Historical Review, s.l. : s.ed., v. 2, n. 1, p. 35-55, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MEDEIROS, Rogério. Nas margens do Piraque-Açu : o encontro das tribos Guarani e Tpiniquim, gravado por Versus. Versus, São Paulo : Versus, n.9, p.25-6, abr. 1977.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Canto de morte Kaiowá : história oral de vida. São Paulo : Loyola, 1991. 303 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. A morte como apelo para a vida : o suicídio Kaiowá. In: SANTOS, Ricardo Ventura; COIMBRA JÚNIOR, Carlos E. A. (Orgs.). Saúde e povos indígenas. Rio de Janeiro : Fiocruz, 1994. p. 243-51.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Suicídio Kaiowá. Carta, Brasília : Gab. Sen. Darcy Ribeiro, n. 9, p. 53-60, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MELATTI, Julio Cezar. Índios do Brasil. São Paulo : Hucitec ; Brasília : UnB, 1987. 222 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MELIÁ, Bartomeu. El guaraní : esperiencia religiosa. Assunção : Ceaduc/Cepag, 1991. 128 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. El Guaraní conquistado y reducido : ensayos de etnohistoria. Assunção : Universidad Católica, 1986. 302 p. (Biblioteca Paraguaya de Antropología, 5)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O índio no Rio Grande do Sul : quem foi, quem é, o que espera. Frederico Westphalen : Interdiocesano Norte, 1984. 31 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Los indios y lenguas guarani del Paraguay. Quito : Abya-Yala, 1995. 300 p. (Pueblos y Lenguas Indígenas, 11)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Invenção e construção do Guarani. Ciência Hoje, Rio de Janeiro : SBPC, v. 15, n. 86, p. 57-61, nov./dez. 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Lengua Guarani del Paraguay : historia, sociedade y literatura. Madrid : Mapfre, 1992. 338 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. La muerte que vivimos. Accion, Assunção : Cepag, n.144, p.29-32, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Una nación, dos culturas. Assunção : Cepag, 1993. 132 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Son los Guaranies potencialmente suicidas? Accion, Assunção : Cepag, n.145, p.30-3, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. La tierra sin mal de los Guarani : economia y professia. s.l. : s.ed., 1987.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Pueblos indígenas en el Paraguay. Assunção : Fernando de la Mora Ediciones, 1997.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------- et al. La agonía de los aché-guayaki : historia y cantos. Asunção : Centro de Estudios Antropológicos Universidad Católica &amp;quot;Nuestra Señora de la Asunción&amp;quot;, 1973. 172 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; FARRÉ, Luis; PÉREZ, Alfonso. El guaraní a su alcance : un método para aprender la lengua guaraní del Paraguay. Assunção : Cepag, 1992. 250 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; GRÜNBERG, Georg; GRÜNBERG, Friedl. Los Pai-Tavyterã : etnografia Guarani del Paraguay contemporaneo. Suplemento Antropológico, Assunção : Universidad Católica “Nuestra Señora de la Asunción”, v.11, n.1/2, p.151-295, 1976.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; NAGEL, Liane Maria. Guaraníes y jesuitas, en tiempo de las misiones : una bibliografía didáctica. Santo Ângelo : URI ; Asunção : Cepag, 1995. 305 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; SAUL, Marcos Vinicios de Almeida; MURARO, Valmir Francisco. O Guarani : uma bibliografia etnológica. Santo Angelo : Fundames, 1987. 448 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MELLO, Flávia Cristina de. Aata tape rupy, seguindo pela estrada : uma investigação dos deslocamentos territoriais de famílias Mbya-Guarani do Sul do Brasil. Florianópolis : UFSC, 2001. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MELO E SILA, José de. Fronteiras Guaranís (com um estudo sôbre o idioma Guaraní ou avane-e). São Paulo : Imprensa Metodista, 1939. 336 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MENEGASSI, José Lino. A morte na vida Guarani. São Paulo : PUC, 1993. 197 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MESSIAS, Iara Taborda de. Variability of complement factor B and complement component C3 among Guarani indians from southern Brazil. Rev. Bras. de Genética, São Bernardo do Campo : s.ed., v. 16, n. 3, p. 803-9, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MISSÃO EVANGÉLICA CAIUÁ; SIL. Te'yi remimombe'ukwe 1, 2, 3, 4, 5 (Fábulas Kaiwá 1, 2, 3, 4, 5). Cuiabá : SIL, 1994. 16, 15, 20, 16 e 28 p. Circulação restrita.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MONTARDO, Deise Lucy Oliveira. Através do Mbaraka : música e xamanismo Guarani. São Paulo : USP, 2002. 276 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O fazer-se de um belo guerreiro : música e dança no jeroky guarani. Sexta Feira: Antropologia, Artes e Humanidades, São Paulo : Pletora, n. 7, p. A67-A73, 2003.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MONTEIRO, John Manuel. Os Guarani e a história do Brasil meridional : séculos XVI-XVII. In: CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo : Cia. das Letras ; Fapesp ; SMC, 1992. p.475-500.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MONTICELLI, Gislene. Vasilhas cerâmicas Guarani : um resgate da memória entre os Mbya. Porto Alegre : PUC-RS, 1995. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MONTOYA, Antônio Ruiz de. Arte de la lengua Guarani. Assunção : Cepag, 1993. 308 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Conquista espiritual : feita pelos religiosos da Companhia de Jesus nas Províncias do Paraguai, Paraná, Uruguai e Tape. Porto Alegre : Martins Livreiro Ed., 1985. 262 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Tesoro de la lengua Guarani. Viena ; Paris : Faesy y Frick - Maisonneuve, 1876.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MORGADO, Anastácio F. Epidemia de suicídio entre os Guarani-Kaiowá : indagando suas causas e avançando a hipótese do recuo impossível. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro : Fiocruz, v. 7, n. 4, p. 585-98, out./dez. 1991. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MORRIS, Christine Ballengee. Decolonialization, art education, and one Guarani nation of Brazil. Studies in Art Education, Virginia : s.ed., v. 41, n. 2, p. 100-13, 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MOTA, Clarice Novaes da. La obscuridad y el mar : comienzo y fin de los Guarani. In: CIPOLLETTI, Maria Susana; LANGDON, E. Jean, coords. La muerte y el mas alla en las culturas indígenas Latinoamericanas. Quito : Abya-Yala ; Roma : MLAL, 1992. p. 51-76. (Colección 500 Años, 58)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MOTA, Lúcio Tadeu. O aço, a cruz e a terra : índios e brancos no Paraná provincial 1853-1889. Assis : Unesp, 1998. 530 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------- (Org.). As cidades e os povos indígenas : mitologias e visões. Maringá : Eduem, 2000. 47 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MUGRABI, Edivanda (Org.). Os Tupinikim e Guarani na luta pela terra. Brasília : MEC, 2001. 104 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MÜLLER, Salvio Alexandre. Efeitos desagregadores da construção da barragem de Ibirama sobre a comunidade indígena. Florianópolis : UFSC, 1985. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MURA, Fábio. Habitações Kaiowá : formas, propriedades, técnicas e organização social. Rio de Janeiro : UFRJ-Museu Nacional, 2000. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NACKE, Anelise. O índio e a terra : a luta pela sobrevivência no Posto Indígena Xapeco-SC. Florianópolis : UFSC, 1983. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NECKER, Louis. Indios Guaraníes y chamanes franciscanos : las primeras reducciones del Paraguay (1580-1800). Assunção : Universidad Católica, 1990. 284 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NIMUENDAJÚ, Curt. Apontamentos sobre os Guarani. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, n.s., v.8, p.9-34, 1954.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. As lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocúva-Guaraní. São Paulo : Hucitec ; Edusp, 1987. 156 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NOELLI, Francisco Silva. Aportes históricos e etnológicos para o reconhecimento da classificação Guarani de comunidades vegetais no século XVII. Fronteiras, Campo Grande : s.ed., v. 2, n. 4, p. 275-96, 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Múltiplos usos de espécies vegetais pela farmacologia Guarani através de informações históricas. Diálogos, Maringá : s.ed., v. 2, n. 2, p. 177-99, 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Sem Tekohá não há Tekó (Em busca de um modelo etnoarqueológico da aldeia e da subsistência Guarani e sua aplicação a uma área de domínio no delta do rio Jacuí - RS). Porto Alegre : PUC, 1993. 3 v. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Cleane S. de; LOTUFO NETO, Francisco. Suicídio entre povos indígenas : um panorama estatístico brasileiro. Rev. de Psiquiatria Clínica, São Paulo : USP/IP, v.30, n.1, 2003.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Getúlio de. Mokõi Kovoe - Os dois Jaós. Cuiabá : Missão Evangélica Caiuá/SIL, 1993. (Livro de Leitura Kaiwá). Circulação restrita.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Solange Nunes de. A arqueologia Guarani : construção e desconstrução da identidade indígena. Campinas : Unicamp, 2002. 135 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Sônia Grubits Gonçalves de; BRAND, Antônio; GUIMARÃES, Liliana A. M. Vida e morte na cultura Guarani/Kaiowá. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 8, p. 227-39, fev. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ORTIZ, Diego et al. Hablemos el Guaraní : curso completo en cuatro niveles para extranjeros. 4 v. Assunção : Cepag, 1990.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PACHECO, Eliezer. O povo condenado. São Paulo : Artenova, 1977. 226 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PADRON FAVRE, Oscar. Tres documentos de los siete pueblos orientales 1828/1829. Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre : PUCRS, v. 17, n. 2, p. 17-29, dez. 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Brasil. Artesanato indígena : Guarani e Kaingang. Curitiba : SEE, 2002. 16 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PAULETTI, Maucir; SCHNEIDER, Nereu; MANGOLIM, Olivio. Por que os Guarani e Kaiová se suicidam? Campo Grande : CIMI, 1997. 52 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PEDERSEN, Kennet. Jaguaren og biskoppens forvandlinger : fire sma skitser om omvendinger og omvendelser i forbindelse med tupiguaranisk religion. Tidsskriftet Antropologi, Copenhagen : s.ed., v. 23, p. 99-111, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PERASSO, José A. Ayvukue Rape (el camino de las almas) : etnografia ava-kue-chiripa y tymaka-chiriguano. San Lorenzo : Museo &amp;quot;Guido Boggiani&amp;quot;, 1992. 120 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; VERA, Jorge. La cultura Guaraní en el Paraguay contemporaneo (etnografía ava-kue-chiripa). Assunção : RP, 1987. 272 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PEREIRA, João José de Felix. Morro da saudade : a arte Ñandeva de fazer e tocar flauta de bambu. São Paulo : PUC, 1995. 220 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PEREIRA, Levi Marques. No mundo dos parentes : a socialização das crianças adotadas entre os Kaiowá. In: SILVA, Aracy Lopes da; MACEDO, Ana Vera Lopes da Silva; NUNES, Ângela (Orgs.). Crianças indígenas : ensaios antropológicos. São Paulo : Global ; Mari-USP, 2002. p. 168-87. (Antropologia e Educação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Parentesco e organização social Kaiowá. Campinas : Unicamp, 1999. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PEREIRA, Maria Aparecida da Costa. Uma rebelião cultural silenciosa : investigação sobre os suicídios entre os Guarani (Nhandeva e Kaiowá) do Mato Grosso do Sul. Brasília : Funai, 1995. 55 p. (Índios do Brasil, 3)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PEREZ, Ouriel; NAVET, Eric Navet. L'Anthropophagie des Tupi-Guarani : du sujet bon a penser a l'objet bon a manger. Bulletin de la Soc. Suisse des Americanistes, Geneve : Soc. Suisse des Americanistes, n. 66/67, p. 101-12, 2002/2003.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PIEDADE, Silvia Cristina; SOARES, André Luis R. Considerações sobre um enterramento Guarani : alterações e hipóteses etno-históricas. Rev. do Museu de Arqueol. e Etnol., São Paulo : MAE, n. 10, p. 31-68, 2000&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PIRES, Maria Ligia Moura. Guaraní e Kaingang no Paraná : um estudo de relações intertribais. Brasília : UnB, 1975. 167 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PICOLI, Renata Paloopoli. A fonética e a fonologia na educação bilingüe, guarani e português, nas escolas indígenas Kaiowá/Guarani da Reserva de Caarapo, região da Grande Dourados/MS. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 194-7, nov. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PIMENTEL, Spensy. O mistério dos suicídios : ninguém sabe com certeza por que tantos caiovás se matam. Problemas Brasileiros, São Paulo : Senac, v. 38, n.338, p.14-7, mar./abr. 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PREZIA, Benedito Antônio Genofre. Indígenas em São Paulo, ontem e hoje : subsídios didáticos para o ensino fundamental. São Paulo : Paulinas, 2001. 47 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PROGRAMA KAIOWA GUARANI. Censo escolar Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul. Campo Grande : PKG, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PROJETO ARA VERA. Nembohoky ne'e tesai rehehape - Mbo'ehara kuera kaiowa ha guarani : livro de receitas tradicionais de remédios. Campo Grande : Seduc, 2002. 42 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Nemombe'u je'upy rehegua - Mbo'ehara kuera kaiowa ha guarani : receitas tradicionais de comidas e bebidas. Campo Grande : Seduc, 2002. 26 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Te'yi rembiapo - Mbo'ehara kuera kaiowa ha guarani : receitas tradicionais de artefatos. Campo Grande : Seduc, 2002. 40 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;QUEVEDO, Júlio. Guerreiros e jesuítas na utopia do Prata. Bauru : Edusc, 2000. 249 p. (História)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. As missões : crise e redefinição. São Paulo : Ática, 1993. 104 p. (Princípios, 229)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RAMOS, Alcida Rita. Bugre ou índio : Guarani e Kaingang no Paraná. In: --------. Hierarquia e simbiose : relações intertribais no Brasil. São Paulo : Hucitec, 1980. p. 183-246.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RAMOS, Lorenzo; RAMOS, Benito; MARTINEZ, Antonio. El canto resplandeciente - Ayvu rendy vera : plegarias de los Mbyá-Guaraní de Misiones. Buenos Aires : Ed. del Sol, 1984. 142 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RANGEL, Lúcia Helena Vitalli. Vida em reserva : três comunidades indígenas de São Paulo. São Paulo : PUC-SP, 1979. 93 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;REED, Richard K. Medicine, land loss, and the Guarani. Anthropological Quarterly, Washington : Catholic University of America, v. 69, n. 3, p. 158-61, jul. 1996&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Prophets of agroforestry : Guaraní communities and commercial gathering. Austin : Univ. of Texas Press, 1995. 269 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RESENDE, Maria Leonia Chaves de. Visões da conquista : verso e reverso (as missões jesuítas nos séculos XVI/XVII. Campinas : Unicamp, 1993. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIESTER, Jürgen; ZOLEZZI, Graciela (Eds.). Identidad cultura y lengua : la experiencia Guaraní en Bolivia. Quito : Abya-Yala, 1989. 280 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIOS, Aurélio Virgílio Veiga. Legal aspects of the presence of traditional peoples on protected áreas (the Guarany/Mbya case). Brasília : MPF, 1997. 72 p. (Dissertação de Mestrado Univ. of Bristol)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROBERTO, Maria Fátima. Salvemos nossos índios. Campinas : Unicamp, 1983. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROCHA, Elaine Pereira. Ava-Guarani... Presente! Xanxerê : Cimi-Sul, 1991. 70 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RODRIGUES, Danielle Marcelle Grannier. Fonologia do guaraní antigo. Campinas : Unicamp, 1974. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RODRIGUES, Robson Antônio. Cenários da ocupação Guarani na calha do alto Paraná : um estudo etnoarqueológico. São Paulo : USP, 2001. 170 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RODRIGUEZ, José Exequiel Basini. Estratégias econômicas, políticas e religiosas na mito-praxis mbya-guarani. Porto Alegre : UFRS, 1999. 240 p. (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
     &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROJAS, Guillermo. Un sacerdote guarani se dirige al rey de España. Boletín de Antropologia Americana, México : Instituto Panamericano de Geografia e Historia, n. 25, p. 173-8, jul. 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROSA, Marcelo Caetano de Cernev. Notas sobre a presença Guarani no estado do Paraná : elementos de cosmologia e historia. Rev. Mediações, Londrina : UEL, v. 4, n. 1, p. 33-46, jan./jun. 1999.&lt;br /&gt;
     &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROSSATO, Veronice Lovato. A luta pela educação escolar diferenciada entre os Kaiowá/Guarani de Mato Grosso do Sul. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 147-61, nov. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RUSCHEL, Ruy Ruben. O direito de propriedade dos índios missioneiros. Veritas, Porto Alegre : PUCRS, v. 39, n. 153, p. 103-16, mar. 1994.&lt;br /&gt;
     &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SAGUIER, Ruben Bareiro (Org.). Literatura Guaraní del Paraguai. Caracas : Ayacucho, 1980.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SALLES, Ayr Trevisanelli et al. Monitoramento da cobertura vegetal e do uso do solo da reserva indígena Caarapo-MS, através de técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 100-32, nov. 1998.&lt;br /&gt;
     &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS, Ana Cristina Ribas dos. Como se dão as relações sociais na família da comunidade Kaiowá/Guarani da Reserva de Caarapoto na região da grande Dourados no Mato Grosso do Sul. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 74-8, nov. 1998&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS, Ana Maria do Perpétuo Socorro dos. O forte do Iguatemi : atalaia do império colonial e trincheira da memória dos índios Kaiowa da Paraguassu. Campinas : Unicamp, 2002. 159 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS, Maria Cristina dos. Desenvolvimento do potencial de integração Guarani na segunda metade do século XVIII. Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre : s.ed., v. 21, n. 2, p. 155-71, dez. 1995.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS, Silvio Coelho dos. Lideranças indígenas, indigenismo oficial e destruição florestal ; o caso do Iberama. Anuário Antropológico, Rio de Janeiro : Tempo Brasileiro, n. 92, p. 89-104, 1994&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS KUNHA NIMBOPYRUA, Catarina Delfina dos et al. Nhandewa-Rupi - nhande aywu agwa : para falarmos na nossa língua. Campinas : NCEI-ALB, 2002. 27 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCATAMACCHIA, Maria Cristina Mineiro. Etnohistória e interpretação arqueológica : a documentação textual para o estudo dos grupos Tupi e Guarani. Rev. de Arqueologia Americana, México : s.ed., n. 11, p. 79-102, jul./dez. 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCHADEN, Egon. Aspectos fundamentais da cultura Guaraní. São Paulo : EPU ; Edusp, 1974. 208 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Originalmente Tese de Livre Docência, São Paulo : USP, 1954.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Fases da aculturação religiosa dos Guaraní. In: --------. Aculturação indígena : ensaio sobre fatores e tendências da mudança cultural de tribos índias em contacto com o mundo dos brancos. São Paulo : Edusp, 1969. p. 103-44.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. A origem e a posse do fogo na mitologia Guaraní. In: --------. Leituras de etnologia brasileira. São Paulo : Companhia Editora Nacional, 1976. p. 306-14.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCHMITZ, Pedro Ignácio. El Guaraní en Rio Grande do Sul : la colonización del Monte y los frentes de expansión. Estudos Leopoldenses, São Leopoldo : Unisinos, v.18, n.64, p.185-206, 1982.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SEMINÁRIO &amp;quot;PRÁTICAS DE SUBSISTENCIA E CONDIÇÕES DE SUSTENTABILIDADE DAS COMUNIDADES GUARANI NA MATA ATLÂNTICA&amp;quot; (1998). Relatório. São Paulo : CTI, 1998. 110 p. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SERAFIM, Maria das Graças. Hábitos alimentares e nível de hemoglobina em crianças indígenas Guarani, menores de 5 anos, dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. São Paulo : EPM, 1997. 85 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Joana Aparecida F. Os Kaiowá e a ideologia dos projetos econômicos. Campinas : Unicamp, 1982. 141 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Márcio. Educação e linguagem segundo os Guarani-Mbyá. Cadernos de Estudos Lingüísticos, Campinas, Unicamp, n.4, p.143-54, jun. 1983.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Marina. O drama Kaiowá : uma outra descoberta do Brasil. Brasília : Senado Federal, 1999. 30 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Sérgio Baptista da. O sítio arqueológico da praia da Tapera : um assentamento Xarare e Tupiguarani. Porto Alegre : UFRGS, 1989. (Dissertação de Mestrado) &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SIMONIAN, Ligia Terezinha Lopes (Org.). Arquivo Kaingang, Guaraní e Xetá. Ijuí : Fidene, 1981. 114 p. (Cadernos do Museu, 10)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O círculo vicioso da violência na Área Indígena Guarita e os possíveis limites das ações judiciais. s.l. : s.ed., 1991. 61 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Kaingang e Guarani no Rio Grande do Sul. Ijuí : Fidene, 1982. 39 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Laudo antropológico sobre &amp;quot;O círculo vicioso da violência na Área Indígena Guarita e os possíveis limites das ações judiciais&amp;quot;. s.l. : Procuradoria da República/RS, 1991. 61 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Visualização : Estado expropria e domina povo Guarani e Kaingang. Cadernos do Museu, Ijuí : Fidene/Museu Antropológico, n.9, 44 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOARES, André Luís Ramos. Guarani : organização social e arqueologia. Porto Alegre : EdiPUCRS, 1997. 256 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Organização socio-política Guarani : aportes para a investigação arqueológica. Porto Alegre : PUC-RS, 1996. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SORENSEN, Dorthe Nyland. Paradisloftet : Jesuitter hos tupiguarani. Tidsskriftet Antropologi, Copenhagen : s.ed., v. 23, p. 89-98, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SURVIVAL INTERNATIONAL. Deserdados : os índios do Brasil. Londres : Survival International, 2000. 96 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SUSNIK, Branislava. Los aborigenes del Paraguay. V. 2: Etnohistoria de los Guaranies. Assunção : Museo Etnográfico “Andres Barbeiro”, 1982.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TANGERINO, Celeste Ciccarone (Org.). Revelações sobre a terra : a memória viva dos Guarani. Vitória : UFES, 1996. 88 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TEODORO, Antônio José. Diagnóstico realizado na Reserva Indígena de Caarapo e aldeia Jarara : relatório. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 4, p. 86-108, out. 1997.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Investigação, caracterização e avaliação da situação ambiental do entorno da Reserva Indígena de Caarapo-MS : estudo preliminar. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 133-46, nov. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TOCCHETTO, Fernanda Bordin. A cultura material do Guarani missioneiro como símbolo de identidade étnica. Florianópolis : UFSC, 1991. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Possibilidades de interpretação do conteúdo simbólico da arte gráfica Guarani. Rev. do Museu de Arqueol. e Etnol., São Paulo : USP-MAE, n. 6, p. 33-46, 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TORRES, Luiz Henrique. Historiografia sul-riograndense : o lugar das Missões Jesuítico-Guaranis na formação histórica do Rio Grande do Sul (1819-1975). Porto Alegre : PUC-RS, 1997. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;UTIYAMA, Shirley Ramos da Rosa; GUARDIANO, Joel; PETZL-ERLER, Maria Luiza. Perfil de auto-anticorpos em índios das tribos Kaingang e Guarani do Sul do Brasil. Rev. Panamericana de Salud Publica, Washington : s.ed., v. 7, n. 6, p. 371-6, jun. 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VIETTA, Katya. Os homens e os deuses : a construção Mbya do conceito de sociedade. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 3, p. 76-96, mai. 1997.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Mbya : Guarani de verdade. Porto Alegre : UFRGS, 1992. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Não tem quem orienta, a pessoa sozinha, que nem uma folha que vai com o vento : analise sobre alguns impasses presentes entre os Kaiowá/Guarani. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 12, p. 52-73, nov. 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Programa Kaiowá/Guarani : algumas reflexões sobre antropologia e praticas indigenistas. Multitemas, Campo Grande : s.ed., n. 4, p. 68-85, out. 1997.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VILLALBA, Daniel Rojas. La religion en la cultura Guaraní. In: BOTTASSO, Juan (Coord.). Religiones amerindias : 500 años después. Quito : Abya-Yala ; Roma : Mlal, 1992. p. 127-40. (Colección 500 Años, 56)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;WENCESLAU, Marina Evaristo. Índio Kaiowá : suicídio pelo tekoha. São Paulo : USP, 1994. 485 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Caminos de Abya-Yala. Dir.: Jaime Mariqueo; Cláudia Menezes. Vídeo cor, S-VHS, 45 min., 1993. Prod.: Grupo de Estudio y Comunicacion Indígena &amp;quot;Lulul Mawidha; Cepaveh.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Guaraní. Dir.: Barrie Machín. Vídeo cor, Hi-8/VHS, 10 min., 1992. Prod.: Arara Films de Australia; Cepaveh.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Os Guaraní de Bracuí. Dir.: Maria Goretti Moreira.. Vídeo cor, VHS, 13 min., 1991. Prod.: Museu do Índio.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Jandira. Dir.: Luiz Bargman. Vídeo cor, U-Matic/NTSC, 18 min., 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Jaraguá. Dir.: Fernanda Melfi Braga Silveira D'Avila. Vídeo cor, VHS/NTSC+TCC, 14 min., 1999. Prod.: USP/ECA&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Percorrendo a trilha Guarani. Dir. Ariane Rodolpho. Vídeo Cor, VHS, 13 min., 1991. Prod.: Rossanna Prado.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Tatantin-Roa-Ete. Dir.: Rogério Medeiros. Vídeo cor, VHS, 16 min., 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Visita a aldeia Guaraní de Bracuí. Dir.: Kuhkrá. Vídeo cor, VHS, 50 min., 1993. Prod.: Cláudia Menezes.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Guarani Roguata &amp;amp;lt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.guarani.roguata.com&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.guarani.roguata.com&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;amp;gt;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida|Rubem Ferreira Thomaz de Almeida]] e [[Usuário:Fabio Mura|Fabio Mura]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;huzzazWrapper&amp;quot; style=&amp;quot;width:100%; height: 1700px; margin: 0 auto;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; allowtransparency=&amp;quot;true&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;100%&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;http://huzzaz.com/embed/guarani-kaiow?vpp=12&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;100%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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{{DISPLAYTITLE:Guarani Kaiowá}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Fabio Mura}}&lt;br /&gt;
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{{#set:Crédito capa=Wilson Dias/ABr, 2011}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2003-10-01}}&lt;br /&gt;
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{{#set:Povo Id=78}}&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Mato Grosso do Sul]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kadiw%C3%A9u&amp;diff=6273</id>
		<title>Povo:Kadiwéu</title>
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		<updated>2018-08-10T20:54:14Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Kadiwéu, conhecidos como &amp;quot;índios cavaleiros&amp;quot;, por sua destreza na montaria, guardam em sua mitologia, na arte e em seus rituais o modo de ser de uma sociedade hierarquizada entre senhores e cativos. Guerreiros, lutaram pelo Brasil na Guerra do Paraguai, razão pela qual, como contam, tiveram suas terras reconhecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A sociedade ancestral ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Desenho: J. B. Debret, 1834&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211576-1/kadiweu_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também conhecidos como &amp;quot;índios cavaleiros&amp;quot;, integrantes da única &amp;quot;horda&amp;quot; sobrevivente dos Mbayá, um ramo dos Guaikurú, guardam a lembrança de um glorioso passado. Organizados numa sociedade que tinha num extremo os nobres e no outro os cativos, viveram do saque e do tributo sobre seus vizinhos, dos quais faziam depender sua própria reprodução biológica, uma vez que suas mulheres não geravam filhos ou permitiam a sobrevivência de apenas um, quando já estavam no final de seu período fértil. Estas mulheres dedicavam-se à pintura corporal e facial, cuja especial disposição dos elementos geométricos Lévi-Strauss considerou como característica das sociedades hierárquicas. Desenhos que impressionam pela riqueza de suas formas e detalhes, a que temos fácil acesso através da vasta coleção recolhida por Darcy Ribeiro, reproduzida no livro que publicou sobre os Kadiwéu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os capturados em guerra no passado, preferencialmente crianças e mulheres, eram incluídas nesta sociedade sob uma categoria específica, a de &amp;quot;cativos&amp;quot;, ou ''gootagi'' (nossos cativos), no dizer Kadiwéu. Os Guaikurú-Mbayá fizeram cativos de diversos outros povos indígenas, sobretudo aos Xamakôko, habitantes de território paraguaio, sua mais importante fonte. Também fizeram cativos aos brancos, portugueses ou espanhóis, brasileiros ou paraguaios, conforme registrou a crônica histórica e a memória Kadiwéu.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Museu do Índio, 1948&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211579-1/kadiweu_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Mbayá mantiveram ainda uma outra qualidade de relação, aquela que estabeleceram com os Terena (um subgrupo dos então chamados Guaná ou Txané), sociedade também dividida em estratos. Consentiam o casamento entre seus nobres e as mulheres de alta estirpe Terena, adquirindo, por meio deste, o direito sobre as prestações de serviço, sobretudo produtos agrícolas, advindos da produção deste último povo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Guerra do Paraguai, escolheram lutar pelo Brasil, razão pela qual tiveram suas terras reconhecidas, embora até hoje não estejam inteiramente garantidas. A adoção de um vestuário &amp;quot;country&amp;quot; pelos homens Kadiwéu da atualidade revela seu apego a um modo de vida apoiado no uso e criação de cavalos, de que ainda mantêm rebanhos, embora bem menores que os do passado.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Ceramista kadiwéu. Foto: Mônica Pechincha, 1992&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211585-1/kadiweu_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kadiwéu pertencem à família lingüística Guaikurú, na qual se incluem outros povos do Chaco, que são os Toba (Paraguai e Argentina), os Emók, ou Toba-Mirí (Paraguai), os Mocoví (Argentina), os Abipón (extintos) e os Payaguá (extintos). Dentre estes grupos Guaikurú, os Kadiwéu são os mais setentrionais e o único localizado a leste do rio Paraguai, no Brasil. Alguns velhos, mulheres e sobretudo as crianças falam apenas o Kadiwéu. Um bom número dentre os Kadiwéu, contudo, se comunica com facilidade em português. Há, na língua Kadiwéu, muitas diferenças entre as falas masculina e feminina. É interessante notar que os descendentes de Terena que vivem entre os Kadiwéu usam apenas o português para se comunicar na aldeia (não usam a língua Terena nem entre si). Entretanto, mesmo que não falem, entendem perfeitamente o Kadiwéu, pois é nesta última língua que são interpelados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os espanhóis colonizadores chamaram de Mbayá (termo provavelmente de origem Tupi) aos Guaikurú (nome também de origem Tupi) dos quais descendem os Kadiwéu. Com origem no lado ocidental do rio Paraguai, parte dos Mbayá atravessou, no século XVII, para a banda oriental. Com a pressão das frentes colonizadoras, deslocaram-se mais para o norte e os que ainda não tinham migrado para leste do rio o fizeram no final do século XVIII. Nessa época, o seu território estendia-se das serras que separam os rios Paraná e Paraguai até mais além da latitude de 18° sul.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Mbayá dividiam-se em diversas hordas, cada uma com um nome específico que se associava a acidentes naturais dos locais que habitavam. Uma delas, a dos Cadiguegodis, tinha, no século XVIII, o seu território banhado por um riacho que os índios chamavam de Cadigugi. Tudo indica que esta última horda seja a dos ancestrais dos Kadiwéu atuais. A horda dos Kadiwéu foi a última a migrar para o lado oriental do rio Paraguai, e era a única sobrevivente já na segunda metade do século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kadiwéu, que a literatura histórica uma vez chamou de &amp;quot;''os índios cavaleiros''&amp;quot;, por sua condição de possuidores de um vasto rebanho eqüino e sua admirável destreza na montaria, vivem hoje em território localizado no Estado do Mato Grosso do Sul, em terras em parte incidentes no Pantanal matogrossense. O seu território tem como limites naturais a oeste os rios Paraguai e Nabileque, a leste a Serra da Bodoquena, ao norte o rio Naitaca e ao sul o rio Aquidaban. Dentro deste território, a população Kadiwéu se divide entre quatro aldeias. A aldeia maior, Bodoquena, localiza-se no nordeste da Terra Indígena, ao pé da Serra da Bodoquena, vizinha à aldeia Campina, que fica já no alto daquela serra. A aldeia Tomázia localiza-se no sul da Terra Indígena. Também no sul encontra-se a aldeia São João. Habitam esta última aldeia principalmente índios Terêna e remanescentes de Kinikináo. Algumas famílias Kadiwéu vivem ainda em pequenos grupos, em localidades no interior da Terra Indígena mais afastadas das aldeias principais, onde criam pequeno gado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra Indígena Kadiwéu está no município de Porto Murtinho. Bodoquena é a cidade mais próxima da aldeia maior (60 km), seguida de Miranda e Aquidauana. Campo Grande (310 km) é o centro urbano de maior importância estratégico-administrativa para os Kadiwéu. Ali está sediada a administração da FUNAI que os jurisdiciona, a associação dos fazendeiros arrendatários (ACRIVAN - Associação dos Criadores do Vale do Aquidaban e Nabileque) e a ACIRK (Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dados da Funai apontam como sendo, em 1999, de 1.041 o total da população Kadiwéu sob a jurisdição do Posto Indígena Bodoquena (que abrange as aldeias Bodoquena e Campina), sediado na aldeia de mesmo nome. A população referente ao Posto Indígena São João, que abrange as aldeias São João e Tomázia, seria de 551, segundo a mesma fonte e data. Cabe notar que, como já foi aludido acima, na aldeia São João vivem principalmente índios Terena e Kinikináo. Por conseguinte, a população total de 1.592 em 1999 corresponde aos índios destas três etnias que habitam a Terra Indígena Kadiwéu e inclui também os Kadiwéu que moram fora dela, de proveniência daquelas aldeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não contávamos, até essa data, com outro censo atual da população Kadiwéu que não este da FUNAI, que, entretanto, não relacionava em separado as etnias habitantes do Posto Indígena São João, o que impossibilitava o cálculo total da população Kadiwéu. Segundo dados da Funasa mais atuais, em 2006 os Kadiwéu somavam 1.629 pessoas. Em 1992, época da pesquisa de Mônica Thereza Pechincha, viviam 633 Kadiwéu na aldeia Bodoquena, 39 na aldeia Campina, 60 na aldeia Tomázia e 67 em outras localidades no interior da Terra Indígena, além da aldeia São João, que, na época, contava com 170 habitantes. Para fins de observação do crescimento demográfico, apresento ainda dados de 1995, recolhidos na Administração Regional de Campo Grande, da FUNAI, que indicam como sendo 951 o número da população do Posto Indígena Bodoquena, e 388 o do Posto Indígena São João.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira notícia que se tem dos Guaikurú data do século XVI, proveniente de uma expedição européia que adentrou a região chaquenha à procura de metais preciosos no interior do continente. Muitos grupos Mbayá estiveram sob a influência de reduções missionárias a partir do século XVIII. No mesmo século e no início do seguinte, o contato com as frentes colonizadoras se intensificou com o estabelecimento de fortes militares estabelecidos pelo curso do rio Paraguai, seja de portugueses ou espanhóis, que se debatiam pela definição de fronteiras. As cidades fundadas na região fizeram parte do cenário de sua história, muitas vezes de conflito. Ou de acordo, como o celebrado em 1779 entre os Mbayá e os espanhóis, e o firmado em 1791, com os portugueses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um marco de peso na história do contato com a sociedade nacional, recordado com orgulho e insistência, foi a participação dos Kadiwéu na Guerra do Paraguai. Esta participação rendeu o seu registro em inúmeras narrativas históricas que lembram detalhes do evento e um desempenho heróico guardado com cuidado. Contam os Kadiwéu sua fundamental participação naquela guerra, quando lutaram em favor dos brasileiros e ganharam como recompensa o território que habitavam e onde até hoje habitam. É aí que buscam o argumento mais eficaz de sua posse incontestável, mas sempre ameaçada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra Indígena Kadiwéu esteve sujeita a um primeiro reconhecimento oficial no início do século, por ato do Governo do Estado do Mato Grosso. Houve demarcação em 1900 e expedição de decreto em 1903, que já estabelecia como limites naturais os mesmos atuais acima mencionados. Em 9 de abril de 1931, o decreto n° 54 ratificou estes limites. Mas os problemas fundiários foram uma constante em sua história e os Kadiwéu não apagaram de sua memória as tentativas de invasão e conflitos ocorridos desde o início do século. Mais recentemente, a demarcação de suas terras, concluída em 1981, cercou-se de muita tensão com invasores e deixou inclusive de fora de seu perímetro uma aldeia Kadiwéu de nome Xatelôdo, localizada na serra da Bodoquena. Em 1983 eram em número de 1.868 os posseiros que ocupavam aquela Terra Indígena. Os conflitos gerados, notadamente nos anos de 1982 e 1983, foram amplamente divulgados pela imprensa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta história marcou-se também por inevitáveis conflitos com fazendeiros arrendatários. Os pecuaristas começaram a adentrar o território Kadiwéu há quase cinco décadas, havendo notícias de que o primeiro o teria feito em 1952. Desde o final da década de 50 começaram, de outra forma, a ocupar este território com autorização oficial do Serviço de Proteção ao Índio (SPI, órgão que antecedeu a atual FUNAI). Em 1961, já haviam sido efetivados 61 contratos individuais com arrendatários. Esta ocupação alterou significativamente a utilização pelos índios de seu território. No início da década de 90, eram 89 as fazendas arrendadas no interior da Terra Kadiwéu, as quais se estendiam pelo território quase que na sua inteireza, de forma a ficarem os índios espremidos nas suas aldeias.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social e política ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No passado, as hordas Mbayá se dividiam em &amp;quot;tolderias&amp;quot;. A tolderia, onde havia uma casa coletiva, era a menor unidade política e econômica, que reunia a parentela de um &amp;quot;capitão&amp;quot; e os seus cativos. As famílias de &amp;quot;capitães&amp;quot; compunham-se dos Mbayá de nascimento, que hoje são recordados como famílias de Kadiwéu &amp;quot;puros&amp;quot;, conforme a elas se referem, ou os ''goniwtagodepodi ejiwajigi'' (&amp;quot;nossos senhores Kadiwéu&amp;quot;), sendo ''ejiwajigi ''a sua auto-denominação. ''Goniwtagodi'', ou ''goniwaagodi'', conforme as falas masculina e feminina, respectivamente (há distinção lingüística entre as duas), é um termo de tratamento que os Kadiwéu usam para qualquer pessoa do sexo masculino, inclusive estrangeiros. As mulheres, da mesma maneira, são interpeladas pelos termos ''goniwtagodo ''(na fala masculina) ou ''goniwaagodo ''(na fala feminina). Também abordam as crianças por estes termos, que traduzem como senhor e senhora (''goniwtagodi ''= nosso senhor, ''iniwtagodi ''= meu senhor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os capitães eram todos os descendentes de capitães, em qualquer linha ou grau, inclusive os de sexo feminino (as &amp;quot;capitãs&amp;quot;). Uma vez que o núcleo de Kadiwéu &amp;quot;puros&amp;quot; era diminuto em virtude da baixa natalidade, certamente alguns cativos a ele deveriam se incorporar, possivelmente via casamento, que não era o preferencial. Pois os Kadiwéu afirmam que os senhores não se casavam, antes, com os seus cativos, regra hoje não verificável. Ainda permanece naquela sociedade a distinção hierárquica entre aqueles que se consideram Kadiwéu &amp;quot;puros&amp;quot; e os descendentes de cativos. Atualmente apenas duas famílias reivindicam o status de senhores na aldeia Bodoquena. Ambas disputam a hegemonia política no grupo. A relação de &amp;quot;cativeiro&amp;quot; se faz notar melhor nas práticas rituais. Por exemplo, quando há alguma atividade em que rapazes e moças participam pela primeira vez, precisam ser representados naquele momento por um cativo seu. De forma geral, no que diz respeito às atividades cotidianas, as famílias, qualquer uma delas, desenvolvem-nas de forma autônoma e enquanto unidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1992, os Kadiwéu da aldeia Bodoquena se distribuíam entre 110 casas, que abrigam mais freqüentemente famílias nucleares, dispostas em geral por grupos de parentes e obedecendo preferencialmente uma regra matrilocal. São muito freqüentes os casamentos com os Terena. Nessa época, apenas na aldeia Bodoquena, em 28 famílias nucleares um dos cônjuges era Terena. Isto sem mencionar os que têm ancestrais desta última etnia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As decisões políticas e de interesse geral do grupo estão fortemente centralizadas na figura do capitão e seus assessores. O direito de chefia é hereditário. Hoje, tal direito é reconhecido como &amp;quot;naturalmente&amp;quot; pertencente ao bisneto primogênito do Capitãozinho, um venerável líder do passado. Contudo, as regras se flexibilizaram no sentido do sufrágio, no que diz respeito à chefia. Os capitães, termo com que se referem ao chefe ou &amp;quot;cacique&amp;quot;, atualmente são escolhidos dentro do grupo e, no transcurso da sua história recente, vários capitães se sucederam em curtos períodos. Estes nem sempre pertencem a &amp;quot;famílias de capitães&amp;quot; e, quando não pertencem, sua posição política não altera seu status social. O capitão é assessorado por um conselho, composto sobretudo por homens mais velhos e experientes. Cabe notar, entretanto, que é igualmente forte o papel político de líderes jovens, que alcançaram prestígio sobretudo devido ao seu grau de instrução (alguns deles possuem até o 2° grau escolar) e seu domínio da língua portuguesa, muito útil nas negociações externas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Arte ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Claude Lévi-Strauss, 1935&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211638-1/kadiweu_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os finos desenhos corporais realizados pelos Kadiwéu constituem-se em uma forma notável da expressão de sua arte. Hábeis desenhistas estampam rostos com desenhos minuciosos e simétricos, traçados com a tinta obtida da mistura de suco de jenipapo com pó de carvão, aplicada com uma fina lasca de madeira ou taquara. No passado, a pintura corporal marcava a diferença entre nobres, guerreiros e cativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres Kadiwéu produzem, igualmente, belas peças de cerâmica: vasos de diversos tamanho e formato, pratos também de diversos tamanhos e profundidade, animais, enfeites de parede, entre outras peças criativas. Decoram-nas com padrões que lhes são distintos, que segue a um repertório rico, mas fixo, de formas preenchidas com variadas cores. A matéria-prima de seu trabalho encontram-na em barreiros especiais, que contêm o barro da consistência e tonalidade ideais para a cerâmica durável. Os pigmentos para sua pintura são conseguidos de areias dos mais variados tons, alguns dos detalhes sendo envernizados com a resina do pau-santo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos também ver a arte Kadiwéu expressa nos cânticos das mulheres velhas, nas músicas dos tocadores de flauta e tambor, e nas danças coletivas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Narrativas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Desenhos publicados em VIDAL, Lux (org.). Grafismo Indígena. Studio Nobel, Fapesp, Edusp, SP, 1992&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211644-1/kadiweu_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sociedade Kadiwéu teve na guerra de captura o fundamento de sua organização. A memória da guerra é bastante presente e acionada sempre nos discursos de auto-definição, bem como fonte de recursos a serem usados na sua relação atual com a sociedade nacional. O ideal do guerreiro é fonte de valores que ainda norteiam as suas práticas. Vários mitos Kadiwéu fazem menção aos ''Godapoagenigi'', aqueles guerreiros que se sobressaíam por sua coragem e força física. Dentre as narrativas que ouvi de seu rico repertório, os Kadiwéu distinguem pelo menos duas classes. A uma delas chamam de &amp;quot;histórias de admirar&amp;quot;, ou &amp;quot;histórias que fazem milagres&amp;quot;, &amp;quot;histórias sagradas&amp;quot;, mais próximas da categoria de mitos propriamente ditos. Outra classe seria a das &amp;quot;histórias que aconteceram mesmo&amp;quot;, que se apresentam como &amp;quot;descrição histórica&amp;quot; de eventos tais como as guerras do passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É nas &amp;quot;histórias de admirar&amp;quot; que os Kadiwéu vão buscar seus nomes pessoais -chamei-as &amp;quot;mitos de nominação&amp;quot;. Muitos destes mitos são de propriedade de famílias de capitães, e os nomes pessoais que deles advêm podem ser usados por seus descendentes e cativos. Em muitas destas histórias, os protagonistas são ancestrais mitológicos de famílias de capitães.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas outras contam também com personagens míticos ancestrais de cativos, cujos descendentes lhes usam os nomes. Nestes mitos estão contidos ensinamentos, conselhos e prescrições. Cada um vem a explicar e a prescrever um costume: o ato da guerra de captura de crianças, a iniciação feminina, o uso da bebida feita do mel, determinados remédios, tabus alimentares. O mito de criação, também incluído nesta categoria, fala do início da sociedade Kadiwéu e daquilo que a distingue das demais sociedades com que mantêm ou mantiveram contato, tecendo comentários sobre as mesmas e sobre esta relação.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Bobos, ritual do navio. Foto: Mônica Pechincha, 1992&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211654-3/kadiweu_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O indivíduo Kadiwéu recebe um nome por ocasião de seu nascimento e quando da morte de um parente. Durante os ritos funerários, os parentes do morto têm seus cabelos cortados. Aquele que corta o cabelo em sinal de luto é chamado ''okojege''. As mulheres velhas, conhecedoras destes ritos, se reúnem durante o funeral para decidir o nome mais adequado para o enlutado. Quando se perde um parente próximo é também possível adotar alguma outra pessoa (independentemente da idade, do sexo e do grau ou mesmo da existência de parentesco) para preencher a falta do morto. Um parente adotado nestas circunstâncias é chamado ''godokogenigi''. A este também se dá um novo nome e se lhe corta os cabelos. Há ainda uma outra forma de se estabelecer um parentesco &amp;quot;de consideração&amp;quot;. É através da relação entre ''imedi'' (ou ''imeeti'', no caso das mulheres, palavra traduzida como &amp;quot;amigo/a&amp;quot;). Duas famílias podem acertar fazer ''imedi'' um filho de cada uma, os quais estabeleceriam entre si uma relação de irmãos e as atitudes que lhes são peculiares. Os descendentes de dois ''imedi'' seriam ''imedi'' entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de ritos funerários, praticam também o que chamam de &amp;quot;Festa da Moça&amp;quot;. Ritual de iniciação feminina, submete a menina que passa pela menarca a uma reclusão de dois dias e a uma dieta rigorosa. Não pode pisar o chão e nem olhar para animais. No clímax do ritual, esta menina é &amp;quot;abanada&amp;quot; com um pano vermelho bordado com miçangas e penduricalhos nas pontas (o &amp;quot;abanico&amp;quot;, ''wajuide'') e, deitada de bruços, será pressionada na altura dos rins por uma mulher da aldeia cuidadosamente escolhida por seus familiares, pois suas características serão assimiladas pela menina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Navio, ou ''Etogo'', é o ritual que os Kadiwéu consideram a expressão mais visível de sua alteridade, pois, como dizem, é o que melhor mostra que eles são &amp;quot;índios mesmo&amp;quot;. Realizado em 1992, havia pelo menos cinqüenta anos que não vinha sendo encenado e não voltou a ser repetido após essa data. A motivação imediata para a sua realização foi a necessidade de mostrar a brancos, seus convidados, o ritual mais expressivo de sua identidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Navio é um longo ritual. Faz referência à Guerra do Paraguai, notada, entre outros aspectos, pela afixação, a cada lado da entrada do navio de tabocas que construíram para ser o espaço ritual, de bandeiras estilizadas do Brasil e do Paraguai. O Navio mimetiza um navio de guerra, tal como os que os Kadiwéu dizem ter visto, no passado, a percorrer o rio Paraguai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O chefe do Navio é o personagem chamado ''Maxiotagi'', ou o &amp;quot;Macho&amp;quot;. ''Maxiotagi'' é um personagem Xamakôko (embora o ator seja Kadiwéu), da etnia que foi a principal fonte de cativos no passado. A sua função no ritual é ditar as ordens que condicionam as cenas do seu desenvolvimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Maxiotagi'', que é cego, tem seus companheiros, Ligecoge, &amp;quot;os Olhos do Macho&amp;quot;, e ''Lionigawanigi'' (Pequeno), que o auxiliam em suas atividades. Estes personagens se adornam com paramentos engraçados. No Navio também há o Delegado, o Sargento (''Jajentege''), os cabos e os escrivães (''Nidikuna''). E também ''Ixotece Gonibedona Gonibegi'', ou &amp;quot;Dedo-no-Cu&amp;quot;, que se encarrega da &amp;quot;ronda&amp;quot;. A regra máxima no Navio é não poder rir, sob pena de ser preso e/ou pagar uma &amp;quot;fiança&amp;quot;, cobrada, geralmente, em forma de gado a ser abatido na hora, abastecendo o churrasco coletivo dos vários dias deste ritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período ritual, a rotina da aldeia é totalmente modificada e todos se comportam como se estivessem sob voz de comando, só agindo conforme as ordens do chefe. Durante o Navio, todos os homens da aldeia são chamados de &amp;quot;soldados&amp;quot; e todas as mulheres, de paraguaias (gaxianaxe), e representam presas de guerra. Há também um papel particular para as mulheres velhas, que são no grupo quem guarda os cânticos sagrados. Essas mulheres, conhecedoras únicas da linguagem dos cânticos, que os jovens não sabem traduzir, cantam à maneira de repente sempre que um acontecimento importante advém ao grupo. Os seus cânticos recordam fatos históricos e guardam a memória dos capitães e seus grandes feitos, além de comentar, com base em sua história e cosmologia, os fatos atuais. As mulheres velhas cantam (ou &amp;quot;rezam&amp;quot;) no Navio para livrar os presos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O momento ritual é preenchido também por danças masculinas (nabacenaganaga, ou &amp;quot;bate-pau&amp;quot;) e femininas, pela música entoada por seus instrumentos típicos, a flauta (natena) e o tambor (goge), por brincadeiras e jogos (sobretudo os que demonstram o desempenho físico dos homens, lembrando os godapoagenigi), e pela apresentação dos &amp;quot;bobos&amp;quot; (bobotegi). Estes são personagens que não figuram só no Navio. Apresentam-se mascarados, o corpo também dissimulado, irreconhecíveis, dançando suas &amp;quot;polcas&amp;quot; específicas, assustando as crianças a quem pedem prendas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há também um Padre no Navio, que batiza como os padres dos cristãos e simula ritos de cura, como o do nijienigi (o xamã Kadiwéu). O nijienigi é capaz de prever, com a ajuda das entidades espirituais que o guiam, os acontecimentos vindouros. Por isso, no passado seu papel foi fundamental nas estratégias guerreiras. Os nijienigi também curam e na aldeia ainda são chamados a intervir em casos de doenças.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mais importante referência histórica sobre os Kadiwéu (ou os Guaikurú-Mbayá) encontra-se na obra do Pe. José Sanchez-Labrador intitulada ''El Paraguay Católico'', considerada uma das melhores etnografias escritas no século XVIII. Vários cronistas no século XIX registraram, com mais ou menos detalhes, as suas impressões sobre estes índios, sua localização, modo de vida e relações com os colonizadores. Dentre eles, destacam-se Ricardo Franco de Almeida Serra, Francisco Rodrigues do Prado, Alexandre Rodrigues Ferreira, Francis Castelnau, Alfred d'Escragnole Taunay (que narrou episódios da participação indígena na Guerra do Paraguai) e, notadamente, Guido Boggiani. Este último autor viveu alguns meses entre os Kadiwéu no final do século passado e nos legou, entre outros escritos, o seu rico diário de campo referente àquela visita, publicado com o nome de Os Caduveos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Boggiani recolheu um vasto material representativo da arte e artefatos Kadiwéu, cuja mais significativa coleção encontra-se hoje conservada pelo museu &amp;quot;Luigi Pigorini&amp;quot;, em Roma. Pode-se obter igualmente informações históricas em relatórios de Presidentes da Província do Mato Grosso guardados pelo Arquivo Nacional. Quanto a trabalhos antropológicos propriamente ditos, Alfred Métraux nos oferece estudos etnológicos sobre os índios do Grã Chaco, sobretudo no que tange à religião. Claude Lévi-Strauss esteve entre os Kadiwéu em 1937 e escreveu sobre sua arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Darcy Ribeiro procedeu pesquisa de campo entre os Kadiwéu no final da década de 1940 e seus trabalhos mais importantes sobre os mesmos estão reunidos no volume ''Kadiwéu: Ensaios Etnológicos sobre o Saber, o Azar e a Beleza'' que, como já indica o título, trata de mitologia, xamanismo e arte. Escreveu também um artigo sobre &amp;quot;O sistema familial Kadiwéu&amp;quot; (1948). Mais recentemente foram defendidas duas teses de mestrado: a de Jaime Siqueira Jr. (USP, 1993), que trata da construção do tempo e espaço Kadiwéu; e a de Mônica Thereza Pechincha, intitulada ''Histórias de Admirar: Mito, Rito e História Kadiwéu'' (UnB, 1994). A língua Kadiwéu foi estudada por Silvia L.B. Braggio (1981). Quanto a relatórios técnicos, cabe mencionar os produzidos por Alain Moreau, que há vários anos freqüenta e acompanha a sociedade Kadiwéu e tem lhe prestado, mediante iniciativa pessoal, valiosa assessoria jurídica, sobretudo na condução do processo de substituição do regime de arrendamento.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BEHR, Miguel von. Os Cadiueu. In: BEHR, Miguel von. Serra da Bodoquena : história, cultura, natureza. Campo Grande : Free, 2001. p. 53-61.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BOGGIANI, G. Os Caduveos. Belo Horizonte : Itatiaia, 1975.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BRAGGIO, Silvia Lúcia Bigonjal. Aspectos fonológicos e morfológicos do kadiwéu. Campinas : Unicamp, 1981. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CACERES, Luiz d’Albuquerque de Mello Pereira e. Exploração do Rio Paraguay e Primeiras Práticas com os índios Guaikurús. Rev. Trimensal do Instituto Histórico Geográfico e Ethnographico do Brasil, s.l. : IHGEB, v. 28, p. 70-117, 1865.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CASTELNAU, Francis. Expedição às Regiões Centrais da América do Sul. v. 2. São Paulo : Cia. Ed. Nacional, 1949.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;D’ALINCOURT, Luiz. Reflexões sobre o systema que se deve adoptar na fronteira do Paraguay, em conseqüência da revolta e dos insultos praticados ultimamente pela nação dos Índios Guaicurus ou cavalleiros. Rev. Inst. Hist. Geogr. Bras., s.l. : IHGB, v. 20, p. 360-5, 1857.&lt;br /&gt;
     &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Viagem Filosófica pelas Capitanias do Grão Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Rio de Janeiro : Conselho Federal de Cultura, 1974. 162 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. A Gruta do Inferno. Rev. Trim. Hist. Geogr., s.l. : s.ed., n. 4, p. 360-5, 1842&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FRIC, Pavel; FRICOVA, Yvonna (Orgs.). Guido Boggiani Fotógrafo. Praga : Nakladatelstvi Titanic, 1997. 139 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GENTILE, Brigidena (1984). I Caduvei tra mito e stória : la conservazione di un modello di comportamento da parte di una popolazione del Mato Grosso del Sud, Brasile. Roma : Universitá degli Studi, 1984. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GRIFFTHS, Glyn. Gramática Pedagógica Kadiwéu. Brasília : SIL, 1986&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;KOLLER LECZNIESKI, Lisiane - 2005. Estranhos Laços: predação e cuidado entre os Kadiwéu, Tese de doutoramento em antropologia social, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LÉVI-STRAUSS, Claude . Saudades do Brasil. São Paulo : Companhia das Letras, 1994. 227 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Tristes Trópicos. São Paulo : Companhia das Letras, 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MANGOLIM, Olívio. Povos indígenas no Mato Grosso do Sul : viveremos por mais 500 anos. Campo Grande : Cimi-MS, 1993. 120 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MÉTRAUX, Alfred. Ethnografy of the Chaco. In: STEWARD, Julian H. (Ed.). Handbook of South American Indians. v. 1. New York : Cooper Square Publishers, 1963. p. 197-370.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OBERG, Kalervo. The Terena and the Caduveo of Southern Mato Grosso, Brazil. Washington : Smithsonian Institution, 1949. (Institute of Social Anthropology, Publication, 9).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. Do Índio ao Bugre. Rio de Janeiro : Francisco Alves, 1976.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PADILHA, Solange. A arte como trama do mundo : corpo, grafismo e cerâmica Kadiweu. São Paulo : PUC, 1996. 218 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PECHINCHA, Mônica Thereza Soares. Histórias de admirar : mito, rito e história Kadiwéu. Brasília : UnB, 1994. 148 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PRADO, Francisco Rodrigues do. História dos índios Cavalleiros ou da Nação Guaycurú, Rev. Inst. Hist. Geogr. Brasil., s.l. : IHGB, v. 1, p. 25-57, 1939.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIBEIRO, Darcy. A arte dos índios Kadiwéu. Rev. Cultura, s.l. : Min. da Ed. e Saude, s.n., p. 147-90, s.d.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Kadiwéu : ensaios etnológicos sobre o saber, o azar e a beleza. Petrópolis : Vozes, 1980.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Religião e mitologia Kadiwéu. Rio de Janeiro : SPI, 1950. 237 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Sistema familial Kadiwéu. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, v. 2, n.s., p. 175-92, 1948.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIBEIRO, José Hamilton. A vingança do índio cavaleiro. São Paulo : Moderna, 1995. 72 p. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIVASSAU, Emílio. A Vida dos Índios Guaycurús, São Paulo : Cia. Ed. Nacional, 1936.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROHAN, Henrique de Beaupaire. De Cuiabá ao Rio de Janeiro pelo Paraguai, Corrientes, Rio grande do Sul e Santa Catarina, Rev. Inst. Hist. Geogr. Brasil., s.l. : IHGB, v. 9, p. 376-97, 1869.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANCHEZ-LABRADOR, José. El Paraguay Católico. 2 v. Buenos Aires : Imprenta de Coni Hermanos, 1910.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANDALO, Filomena. A grammar of Kadiweu : with special reference to the polysynthesis parameter. Cambridge : MTIWP, 1997. 137 p. (MIT Occasional Papers in Linguistics, 11)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCHMÍDEL, U. Viaje al Rio de La Plata. Buenos Aires : Cabaut y Cia. Ed., 1903.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SERRA, Ricardo Franco de Almeida. Parecer sobre o aldeamento dos índios Uaicurus e Guanás com a descripção dos seus usos, religião, estabilidade e costumes. Rev. Inst. Hist. Geogr. Brasil., s.l. : IHGB, v. 7, p. 204-18, 1845.&lt;br /&gt;
    --------. Continuação do parecer sobre os índios Uaicurús e Guanás. Rev. Inst. Hist. Geogr. Brasil., s.l. : IHGB, v. 13, p. 348-95, 1850.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SIQUEIRA JÚNIOR, Jaime Garcia. Arte e técnicas Kadiwéu. São Paulo : Secretaria Municipal de Cultura, 1992. 125 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. “Esse campo custou o sangue dos nossos avós” : a construção do tempo e espaço Kadiwéu. São Paulo : USP, 1993. 290 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Kadiwéu : as dificuldades da gestão direta dos arrendamentos. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 538-42. (Aconteceu Especial, 18)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TAUNAY, Alfred d’Escragnole. Entre Nossos Índios. São Paulo : Melhoramentos, 1923.&lt;br /&gt;
    --------. A Retirada da Laguna. São Paulo : Melhoramentos, 1963.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VINHA, Marina. Memórias do guerreiro, sonhos do atleta : jogos tradicionais e esporte entre jovens Kadiwéu. Campinas : Unicamp, 1999. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;WILBERT, Johannes; SIMONEAU, Karin (Eds.). Folk literature of the Caduveo indians. Los Angeles : Univ. of California, 1987. 214 p. (Ucla Latin American Studies, 71)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;A propos de tristes tropiques. Dir.: Jorge Bodansky; Patrick Menget. Vídeo Cor, U-Matic, 50 min., 1991. Prod.: Yves Billon; Les Filmes du Village&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Kadiwéu}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=1339458257487b6315b217c.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=126470}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Agência O Globo, 1985}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=1999-03-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=124}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Mato Grosso do Sul]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Guat%C3%B3&amp;diff=6272</id>
		<title>Povo:Guató</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Guat%C3%B3&amp;diff=6272"/>
		<updated>2018-08-10T20:54:04Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Jovem Guató, atravessando de canoa a baía Uberaba. Foto: Suki Ozaki, 2006&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/312016-1/Guat__+013.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guató, considerados o povo do Pantanal por excelência, ocupavam praticamente toda a região sudoeste do Mato Grosso, abarcando terras que hoje pertencem àquele estado, ao estado de Mato Grosso do Sul e à Bolívia. Podiam ser encontrados nas ilhas e ao longo das margens do rio Paraguai, desde as proximidades de Cáceres até a região do Caracará, passando pelas lagoas Gaíba e Uberaba e, na direção leste, às margens do rio São Lourenço. No interior deste vasto território sua presença foi registrada desde o século XVI por viajantes e cronistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi entre 1940 e 1950 que se iniciou de modo mais intenso a expulsão dos Guató de seus territórios tradicionais. O gado dos fazendeiros invadia as roças dos índios e os comerciantes de peles dificultavam a permanência dos Guató na ilha Ínsua e arredores. Acuados, migraram para outros pontos do Pantanal ou se dirigiram para as periferias de cidades, como Corumbá, Ladário, Aquidauana, Poconé e Cáceres etc. Foram poucas as famílias que permaneceram na ilha Ínsua. A partir da década de 50, os Guató foram considerados extintos pelo órgão indigenista oficial e assim, foram excluídos de quaisquer políticas de assistência. Foi somente em 1976 que missionários identificaram índios Guató vivendo na periferia de Corumbá. Aos poucos o grupo começou a se reorganizar e a lutar pelo seu reconhecimento étnico. Hoje, são os últimos canoeiros de todos os povos indígenas que ocuparam as terras baixas do Pantanal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
Até a década de 1960, a língua Guató permaneceu classificada como língua isolada. Em 1970, o lingüista Aryon D. Rodrigues publicou o texto ''Línguas ameríndias'' propondo, pela primeira vez até então, sua filiação no grande e altamente hipotético tronco lingüístico Macro-Jê. Anos depois, a lingüista Adair P. Palácio concluiu e divulgou novos estudos fazendo referência à tese de Rodrigues (1970), que tratou novamente do assunto em ''Línguas Brasileiras'' (1986). Antes deles, no entanto, a língua havia sido registrada por vários cronistas e etnógrafos. Max Schmidt (1942) fez o registro mais denso antes da tese de doutorado de Palácio (1984).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de estar filiada ao tronco Macro-Jê, a língua Guató não pertence, ao menos segundo consta na literatura, a nenhuma família lingüística a ele relacionada, inclusive a família Jê. Esta situação por certo é fruto da ausência de maiores estudos sobre o parentesco das línguas indígenas no Brasil. Entretanto, levando em conta as propostas apresentadas por Montserrat (1994), acredito que a língua Guató pode ser alternativamente considerada como uma família lingüística de um só membro, pertencendo ao tronco Macro-Jê, de acordo com o esquema que segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Tronco Macro-Jê&lt;br /&gt;
** Família Guató&lt;br /&gt;
*** Língua Guató&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas se hoje em dia a família lingüística Guató possui apenas um único membro, no passado talvez tivesse tido mais representantes. Esta avaliação leva em conta o fato de ter havido muitos povos indígenas na região do Pantanal, ao menos até o período colonial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A caracterização geral da língua Guató pode ser compreendida da seguinte maneira:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
“É uma língua tonal (ou seja, o tom alto ou baixo de uma vogal modifica o significado das palavras), predominantemente aglutinante com respeito à formação das palavras, apresenta marcas de ergatividade (os marcadores de sujeito dos verbos transitivos e intransitivos são diferentes) e é do tipo VSO (a ordem predominante é verbo-sujeito-objeto). Um sistema numeral de base quinária até o número 20 e decimal para os demais é uma das características que a distingue da maioria das línguas indígenas brasileiras” &amp;lt;small&amp;gt;(Palácio, 1987: 75)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos dias de hoje, a língua Guató está praticamente extinta. Até o começo de 2008, havia 5 falantes no núcleo de Corumbá, mas com o falecimento de Francolina, que tinha mais de 100 anos de idade, o número ficou reduzido a quatro. Existe mais um único falante do Guató na região de São Lourenço/ Cuiabá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, em toda a região pantaneira, apenas 5 falantes da língua indígena. Apesar desse triste quadro, existem hoje tentativas de revitalizar a língua e estimular o seu uso na escola indígena.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]] e [[Usuário:Jorge Eremites de Oliveira|Jorge Eremites de Oliveira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nomes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O vocábulo ''guató'' apareceu grafado pela primeira vez nos ''Commentarios'' do espanhol Alvar Núñez Cabeza de Vaca, escrito na primeira metade do século XVI. Daquele momento em diante, a palavra guató foi gravada de várias formas em fontes textuais primárias: “''guataes, guatás, guathós, guatos, guatòs, goatos, guattos'' e ''guatues''” (Oliveira, 1996).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1901, Schmidt registrou a palavra ''maguaato'', usada para denominar uma ave conhecida como frango d´água, por ele grafada de maneira semelhante à auto-denominação étnica. Por conta disso, Susnik (1978) afirmou que o termo ''guató'' corresponderia a ''maguaato''. Atualmente, há dúvidas com relação a essa associação, pois a grafia que aparece nas versões modernas dos ''Commentarios'' não parece ter sido uma auto-identificação, mas um apelativo guarani, assim como os demais nomes étnicos de povos não-guarani ali registrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível, por exemplo, que ''guató'' seja uma derivação de ''guatá'', verbo que em Guarani significa andar, caminhar, circular, viajar e transitar, anotado dessa maneira no início da conquista Ibérica para indicar um povo canoeiro com grande mobilidade espacial. No decorrer dos anos, ''guatá'' acabou sendo pronunciado e escrito como guató, incorporado como denominação e autodenominação étnica em um contexto sociolingüístico marcado por intensos contatos interétnicos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Eremites de Oliveira|Jorge Eremites de Oliveira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Entrada da aldeia Uberaba, com a casa do líder Guató, Severo Ferreira e igreja local (prédio azul). Foto: Suki Ozaki, 2006&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/298503-1/Guato_097.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ocupação guató, limitada exclusivamente à região pantaneira, permaneceu relativamente inalterada até meados do século XIX, quando se intensificou o processo de ocupação da região do alto Paraguai, especialmente após a Guerra do Paraguai (1864-1870), com a presença de ex-soldados, militares e fazendeiros. A historiografia a respeito dos Guató não deixa dúvidas quanto à extensa área que outrora ocupavam, onde os índios encontravam-se dispersos em pequenos núcleos familiares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na primeira metade do século XX, Monoyer (1905) e Schmidt (1942) buscaram delimitar com maior precisão a área ocupada pelos Guató. Durante os anos de 1900, 1901 e 1902, Monoyer, francês com conhecimento em etnografia, esteve em Mato Grosso e observou os Guató nos rios Paraguai e São Lourenço, numa área pantanosa que margeia os rios. Em 1901, Schmidt (1942) realizou sua primeira expedição etnológica aos Guató, contatando várias famílias que habitavam a Morraria dos Dourados, a Serra do Amolar, o Canal D. Pedro II (Ilha Ínsua) e as lagoas Gaíba e Uberaba. Também obteve informações sobre a existência de alguns Guató no rio Caracará, um leito do rio Paraguai, e além disso constatou que o território Guató totalizava uma área de 72.600 quilômetros quadrados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Anos mais tarde, em 1910, Schmidt fez sua segunda expedição à área Guató. Seu objetivo principal era estudar os Guató que moravam no rio Caracará e seus respectivos aterros. Em 1928, Schmidt empreendeu sua terceira e última expedição etnológica aos Guató. Contatou algumas famílias que moravam às margens do rio Paraguai desde a localidade de Descalvado até abaixo da lagoa Gaíba, no rio Alegre, braço do rio Cuiabá e no Canal D. Pedro II (Ilha Ínsua).&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Aspecto do Pantanal que rodeia a Ilha Ínsua, Terra Indígena Guató. Foto: Suki Ozaki, 2006&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/312022-1/Guat__+112.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota-se que a maioria dos relatos, descrições etnográficas e estudos etnológicos produzidos ao longo do século XIX até a primeira metade do século XX, apontam os Guató como o único grupo a ocupar a área compreendida entre os paralelos de 16º 30’a 19º 00 de latitude Sul e os meridianos de 56º 30’a 58º 00’de longitude Oeste de Greenwich.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, a área de ocupação guató situa-se inteiramente na região pantaneira, a maior parte em território brasileiro, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, havendo ainda uma porção inclusa em terras bolivianas. Destacam-se dessa área as seguintes extensões ocupadas por esse povo: curso principal do rio Paraguai, rio Paraguai-Mirim, rio Alegre, região do Caracará, rio São Lourenço, parte do rio Cuiabá, Canal D. Pedro II, lagoas Uberaba e Gaíba, Morraria dos Dourados, Serra do Amolar e Ilha Ínsua. Outras grandes lagoas, como a Mandioré, Vermelha e Cáceres, também devem ter sido ocupadas pelo grupo. Trata-se de extensões que ainda não foram investigadas pelos pesquisadores (Oliveira, 1996).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, existem três núcleos guató, um deles em Mato Grosso do Sul (aldeia Uberaba, Ilha Ínsua) e dois em Mato Grosso, nos municípios de Barão de Melgaço e Poconé. Nestes, encontra-se a Terra Indígena Baía dos Guató (aldeias Aterradinho do Bananal e Aterro São Benedito), juntos aos rios Perigara e Cuiabá. O terceiro núcleo, em Mato Grosso, fica próximo à Cáceres, no entanto ainda são necessários estudos antropológicos para identificar a população guató que ali reside e delimitar o território por eles ocupado [dados de 2008].&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== População ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A população guató que residia em 2008 em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso é de 175 e de 195, respectivamente (Funasa, 2008).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar dos vários encontros de viajantes e cronistas com a população guató, os dados numéricos registrados nessas expedições abrangeram sempre apenas parte da população indígena. Isso ocorreu em função da dispersão do grupo pela região pantaneira. Antes da Guerra do Paraguai, Florence, em 1825, calculou em cerca de 300 pessoas o total da população guató na região do alto Paraguai, não tendo acesso, contudo, à população da lagoa Gaíba que, segundo relatos de moradores das redondezas, era bastante numerosa e poderia chegar a 2 mil índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1848, o Diretor Geral dos Índios da Província de Mato Grosso, Joaquim Alves Ferreira, em relatório enviado ao Ministério dos Negócios do Império, registrou 500 Guató em todo o alto Paraguai, incluindo as lagoas Gaíba e Uberaba, a região do rio São Lourenço e do rio Paraguai-Mirim, até o Descalvado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período posterior à Guerra, Koslowsky, que permaneceu três semanas no núcleo guató de alto Paraguai, em 1894, encontrou 29 índios na região. Já Schmidt, em 1901, registrou 46 Guató residindo na Ilha Ínsua, também conhecida como Bela Vista do Norte. A provável causa da diminuição da população indígena foi a própria Guerra do Paraguai, que os atingiu direta e indiretamente. Além das epidemias que grassaram as áreas atingidas pelo conflito, sobretudo as de varíola, iniciou-se a fase mais intensa de ocupação de não-indígenas do alto Paraguai, colaborando também para a expulsão dos índios de seus territórios tradicionais e a dispersão dos agrupamentos guató existentes na área.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tabela abaixo ilustra a situação demográfica dos Guató nos dois últimos séculos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ano'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Região'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''População'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Fonte'''&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1809&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Lagoa a Oeste do rio Paraguai aos 19º 12' de latitude&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;30&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Azara&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1825/ 1829&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Alto Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;300&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Florece&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1847&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rio Paraguai, desde a boca da Uberaba e no São Lourenço desde a barra do Cuiabá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;400&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Leverger&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1848&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Alto Paraguai, Ilha Ínsua, Paraguai-Mirim e São Lourenço&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;500&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ferreira&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1894&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Alto Paraguai&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;29&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Koslowsky&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1901&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ilha Ínsua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;46&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Schmidt&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1978&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Corumbá, Ilha Ínsua&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;220&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Cruvinel&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1984&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Corumbá,  Ilha Ínsua, Bolívia,Rios São Lourenço, Pirigara e Vermelho, Miranda e Campo Grande&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;383&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Cardoso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1995&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ilha Ínsua, Corumbá, Cáceres, fazendas e vilarejos da região pantaneira&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;700&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;FUNAI/PCBAP&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;2000&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rios São Lourenço/ Perigara  e Cuiabá*&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;72&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;José da Silva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;2008&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mato Grosso do Sul&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;175&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fusana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;2008&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mato Grosso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;195&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Funasa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;* Não estão inclusos os Guató residentes em Poconé e Cuiabá (MT), registrados por Paula &amp;amp;amp; Costa (2000).&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Capitão Fernandez (Chico), com a família, Alto Paraguay, Terra Indígena Guató, Mato Grosso do Sul.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/298505-2/GHF0001.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira referência que se conhece na literatura é de Alvar Nuñes Cabeza de Vaca, que cita os índios Guató em passagens de seus ''Commentarios'' (1542), sobre uma expedição feita ao Mar de Xaraés no século XVI. Outros autores, como Guzman e Hervas y Azara, citaram os Guató em seus escritos ainda nesse século.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1633, os Guató são mencionados entre as nações de “índios infiéis” a serem submetidos às pregações dos padres da Companhia de Jesus. Em ''El Paraguay Catolico'', o padre Sánchez Labrador (1903) relata que alguns Mbayá-Guaikuru haviam lhe falado, em 1767, sobre os Guató, indígenas que cultivavam milho, abóbora, batatas e algodão em pequenas roças plantadas sobre “aterrados” – terrenos elevados artificialmente com conchas e areia para não serem inundados pelas enchentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Felix de Azara (1742-1821) narrou seu encontro com alguns Guató, habitantes de uma lagoa do lado ocidental do rio Paraguai. Este e outros viajantes, como Domingo Martinez de Irala (1509-1556) deixaram importantes registros históricos sobre esses índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As melhores imagens que se têm dos Guató do século XIX foram elaboradas por Hercules Florence (1941). Desenhista auxiliar da Expedição Langsdorff,  identificou os Guató vivendo às margens dos rios Paraguai e São Lourenço. Vinte anos depois, em 1845, outro francês, o naturalista Castelnau, visitou a mesma região e complementou as observações feitas por Florence.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Num documento, datado de 1848, intitulado ''Noticia sobre os índios de Matto Grosso'', publicado no ''Album Graphico de Matto Grosso'' (1914), Joaquim Alves Ferreira localizou os Guató nos rios Paraguai e São Lourenço e nas lagoas Gaíba e Uberaba.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os alemães Von Martius e Karl von den Steinen referem-se também aos Guató, em obras publicadas em 1867 e 1872, respectivamente. Couto Magalhães, presidente da Província de Mato Grosso durante a Guerra do Paraguai registrou, em 1876, a colaboração dos Guató ao Exército Brasileiro. Em 1889, Julio Koslowsky conviveu durante três semanas entre os Guató do alto Paraguai, publicando os resultados desta expedição em 1896 na ''Revista de Museo de la Plata''. Em 1900, Henry Bolland  comandou uma expedição de medição de terras às regiões do alto Paraguai e das lagoas e baías, contribuindo decisivamente para o conhecimento geográfico do território guató.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia Guató da família do Capitão Fernandez (Chico), Alto Paraguay, Terra Indígena Guató, Mato Grosso do Sul.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/298507-2/GHF0002.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É do início do século XX a mais completa expedição etnográfica realizada sobre os Guató. O alemão Max Schmidt ao longo de três viagens (1901, 1910 e 1928) estudou a história, os costumes dessa etnia e fez um vocabulário da língua Guató.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre o final dos anos 1940 e início da década de 1950, teve início um processo gradual de expulsão dos Guató de seus territórios tradicionais. O gado dos fazendeiros invadia as roças dos índios e os comerciantes de peles dificultavam a permanência dos Guató na ilha Ínsua e adjacências. Acuados, migraram para outros pontos do Pantanal ou se dirigiram para as periferias de cidades, tais como Corumbá e Dourados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guató foram considerados extintos pelo SPI (Serviço de Proteção aos Índios) até que no início dos anos 1970, missionários da equipe indigenista de Corumbá, atual Mato Grosso do Sul, identificaram alguns desses índios vivendo na periferia daquela cidade. Através deles foram localizados outros, vivendo em parte nos seus territórios tradicionais e ainda fazendo uso cotidiano da língua Guató. A Funai, então, deu início ao processo de identificação dos Guató, chegando a visitar os indígenas do rio São Lourenço/ Perigara, em Mato Grosso, contabilizando um total de vinte e dois indivíduos naquela localidade à época e no geral 243 indígenas. Desde as primeiras notícias que se têm (viajantes espanhóis que percorreram o alto Paraguai) foram mencionados como um grupo pacífico e, ao mesmo tempo, arredio aos contatos com não-indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira expedição da Equipe Indigenista Missionária de Corumbá esteve entre os Guató do Núcleo Ilha Ínsua, em outubro de 1977. A segunda ocorreu meses depois, chefiada pelo auxiliar técnico de indigenismo, Jamiro Batista Arantes. A terceira, e mais importante do ponto de vista etnográfico até aquele momento, foi chefiada pelo servidor da Funai, o antropólogo Noraldino Vieira Cruvinel e durou dez dias (março de 1978).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Desterritorialização e reterritorialização dos Guató ==&lt;br /&gt;
=== Intensificação dos contatos ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início dos primeiros contatos entre índios e europeus no Pantanal, que ocorreram na primeira metade do século XVI, os Guató já estavam estabelecidos na região. Através de uma análise de documentos é possível constatar que além dos Guató havia outros grupos canoeiros na região, a exemplo daqueles que ficaram conhecidos na historiografia e na literatura etnológica como Guaxarapo e Payaguá. No entanto, muitos desses grupos, canoeiros ou não, gradualmente deixaram de ser citados na documentação histórica produzida a partir da segunda metade do século XVIII. Este é o caso dos Xaray contatados pelos espanhóis e paulistas na primeira metade do século XVI e na primeira do XVIII, respectivamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por conta dos contatos entre índios e espanhóis não terem sido muito freqüentes no século XVI, ao menos na região do Pantanal, a documentação existente sobre isso também não é abundante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente a partir da segunda metade daquele século, quando ocorreu um certo desânimo por parte dos conquistadores em relação à procura de metais preciosos na região, os contatos com os indígenas tornaram-se mais intensos e os índios passaram a ser alvos das ''encomiendas'', ou seja, da captura de índios para mão-de-obra escrava na América Espanhola.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A documentação existente sobre o século XVII diz respeito, sobretudo, a fontes textuais produzidas por padres da Companhia de Jesus que atuaram em missões constituídas para o trabalho de catequese entre povos indígenas no Pantanal. Nessas fontes, muito pouco se encontrou sobre os Guató.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para o século seguinte, visto que no início dos oitocentos os bandeirantes atingiram a porção setentrional da bacia do alto Paraguai, onde o Pantanal está inserido, e ali descobriram ouro no vale dos rios Coxipó e Cuiabá, os Guató passaram a ser citados em um número maior de documentos, desta vez não mais hispano-americanos, mas luso-brasileiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Juntamente com os conquistadores de São Paulo, os contatos interétnicos se tornaram mais intensos. Com eles, vieram doenças como varíola, catapora e sarampo, entre outras. Essas doenças foram responsáveis pela diminuição da população guató e de outros grupos que habitavam a região. A partir desses novos contatos teve início não apenas um processo de depopulação causado pela ação de agentes patogênicos de além-mar, mas também um gradual processo de desterritorialização do grupo. Mas o fato é que os Guató conseguiram resistir a diversas epidemias e também aos ataques dos bandeirantes e até mesmo de alguns grupos inimigos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma das formas de resistência consistiu na manutenção de sua própria organização social, baseada em famílias nucleares e poligâmicas que entre si mantinham relações de parentesco, aliança e reciprocidade. Muitas dessas famílias constituíram parentelas que se deslocaram para locais menos acessíveis de seu imenso território, evitando assim os contatos mais duradouros com os não-índios, sobretudo evitando os conflitos bélicos com os paulistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Frentes de expansão econômica e espoliação das terras guató ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já no século XIX, iniciou-se a tomada e ocupação de seu território por não-índios, principalmente com a finalidade da criação de gado que estava se alastrando pela região. Os órgãos governamentais pregavam a existência de grandes vazios demográficos no Pantanal, ignorando a presença dos povos indígenas, na tentativa de atrair mais fazendeiros para o devassamento da bacia do alto Paraguai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse momento, as terras ocupadas pelos Guató se tornaram bastantes atrativas para a criação de gado, principalmente aquelas compostas de grandes campos nativos. Nesses campos, provavelmente os aterros indígenas passaram a ser os locais escolhidos para a construção de sedes de fazenda e currais de gado, por exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1864 e 1870, ocorreu a guerra entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, durante a qual o antigo sul de Mato Grosso, que corresponde ''grosso modo'' ao atual Estado de Mato Grosso do Sul, foi uma das mais regiões mais afetadas. Essa região foi a primeira a ser invadida pelos paraguaios, em fins de 1864. Nesse episódio, diversos grupos étnicos, como os Guató, passaram a manter um contato intenso com os soldados brasileiros, chegando inclusive a lutar e a servir como guias durante a guerra. A partir desse conflito, o grupo sofreu nova deflação populacional devido ao alastramento de varíola. Com essa depopulação foi mais fácil concluir a espoliação de territórios indígenas para transformá-los em fazendas de gado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após o termino da guerra, uma nova frente de ocupação econômica da sociedade nacional atingiu a região. Esta frente estava constituída de soldados, tanto brasileiros como paraguaios, que não retornaram a sua região de origem. Também ocorreu a volta de muitos fazendeiros que haviam fugido das tropas invasoras e depois retornaram para a região. Via de regra, essa frente teve na pecuária sua atividade econômica mais importante. Dessa forma, mais uma vez os Guató passaram a ter suas terras espoliadas por não-índios&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Ilha Ínsua, o último refúgio? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A solução encontrada por muitas famílias indígenas foi procurar refúgio em áreas de difícil acesso para os criadores de gado. Uma dessas áreas foi a Ilha Ínsua ou Bela Vista. Outras famílias permaneceram em seus territórios, resistindo de diversas maneiras, inclusive trabalhando nas fazendas de gado com a finalidade, também, de continuar mantendo vínculos tradicionais com seu território.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, no limiar do século XX, a Ilha Ínsua também passou a ser alvo de invasões por parte de novos fazendeiros, os quais soltavam o gado para destruir as plantações das famílias indígenas, assim como muitos dos recursos naturais ali disponíveis. Nessa época, a mobilidade espacial dos Guató parece ter sofrido alguma diminuição, pois eles já não mais dispunham de um imenso território para nele se locomover e viver de acordo com seus usos, costumes e tradições. Também a agricultura paulatinamente parece que passou a ter mais importância na economia do grupo, embora atividades ligadas à coleta, à caça e à pesca ainda fossem de grande relevância no que se refere à subsistência das famílias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Anos mais tarde veio a proibição, por parte do governo brasileiro, da caça e da pesca no Pantanal, cuja fiscalização ficou por conta do antigo INAMB. Essa fiscalização muitas vezes confundiu os Guató com ''coureiros'', isto é, com caçadores clandestinos de animais e vendedores de peles. Por conta disso, muitos índios acabavam presos e castigados como criminosos, pois os fiscais ignoravam que animais como o jacaré e a capivara, por exemplo, faziam parte da alimentação tradicional do grupo e, na maioria dos casos, não eram abatidos para fins comerciais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Ilha Ínsua, muitos Guató que não aceitaram trabalhar para os fazendeiros foram ameaçados de morte e expulsos do lugar. Muitos se viram obrigados a migrar para as cidades em busca de uma vida melhor, sendo posteriormente declarados como extintos. Além disso,  cidades como Corumbá acabaram exercendo certa atração para famílias que então estavam sendo expulsas de seus territórios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Desterritorialização ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir 1957, os Guató passaram a ser considerados extintos e foram ignorados por parte dos órgãos governamentais. Muitas famílias foram viver na periferia de cidades como Corumbá, Ladário, Aquidauana, Poconé e Cáceres, dentre outras. Foram poucas as famílias que continuaram a viver na Ilha Ínsua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas famílias permaneceram na ilha por conta da intervenção do Ministério do Exército no sentido de instalar uma base militar na área, o que ocorreu em fins da década de 1950. Posteriormente, o Exército entrou com uma demanda judicial requerendo a posse da ilha na Justiça Federal. Como o fazendeiro instalado na região não possuía nenhum documento que comprovasse ser proprietário da área, a Justiça Federal concebeu ao Exército a posse regularizada do lugar. Porém, como o Destacamento de Porto Índio só ocupava parte da ilha, a outra ficou arrendada ao fazendeiro que continuou a criação de gado iniciada pelo seu sogro, ao mesmo tempo em que algumas famílias seguiam instaladas na localidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto isso, os Guató continuavam em seu estado de ''extinção ''até o ano de 1976, quando a irmã salesiana Ada Gambarotto encontrou, em Corumbá, com a dona Josefina, filha de uma Guató com um não-índio. Irmã Ada Gambarotto, juntamente com a Pastoral Indigenista e outras entidades de apoio à causa indígena, comprovaram a existência dos Guató; organizaram excursões e descobriram que eles estavam em maior número do que se imaginava. Somou-se a esse grupo de apoio a lingüística Adair Pimentel Barbosa, quem passou não apenas a estudar a língua guató, mas a atuar em defesa dos direitos do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, o grupo começou a se reorganizar, a realizar reuniões e atividades para levar até sociedade civil organizada os problemas por eles vividos. Os Guató passaram a lutar pelo seu reconhecimento étnico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Luta por reconhecimento étnico e reterritorialização ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto, a atuação da Funai iniciou-se no ano de 1977, com a comprovação da existência dos Guató. A partir daí, algumas expedições foram organizadas pelo órgão indigenista oficial e pela Pastoral Missionária Indigenista, culminando com o reconhecimento da área como terra de ocupação tradicional indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Começou, então, a luta pela Ilha Ínsua, visto que o local pertencia ao Exército e, se fosse declarada como área indígena, nenhum não-índio poderia habitar o local, nem mesmo o Exército, que alegava tratar-se de uma área de segurança nacional, pois a ilha está localizada na fronteira Brasil-Bolívia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa disputa judicial, entre o Ministério do Exército e a Funai, perdurou durante anos, até o momento em que ambos acertaram um acordo. Por meio desse acordo ficou acertado que Exército permaneceria em uma parte da ilha e os Guató em outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que os Guató conseguiram de volta uma parte de seu território de ocupação  tradicional. A partir daí eles seguiram reorganizando sua cultura no contexto de um complexo processo de reterritorialização, o qual ainda está em curso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Marilene da Silva Ribeiro|Marilene da Silva Ribeiro]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Processo de demarcação da TI Guató ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A “redescoberta” dos Guató deu início a uma luta pela recuperação do território tradicional desse povo, especialmente da ilha Ínsua, situada entre as baías Gaíba e Uberaba. Várias viagens foram feitas por servidores da Funai à região habitada pelos Guató, tendo sido produzidos significativos relatórios datados de 1977, 1978 e 1984. Este último objetivou o estudo de Identificação e Levantamento Ocupacional, a fim de delimitar a Área Indígena Guató. Neste relatório, foram apresentados dados sobre toda a região do Pantanal, incluindo os que habitavam as cidades de Corumbá, Miranda e Campo Grande, na localidade boliviana de Campo de Mayo e várias localidades situadas nos Rios Paraguai, Cuiabá, São Lourenço, Vermelho e Pirigara. Os descritos no último local são os mesmos moradores da área localizada no Aterro São Benedito (São Lourenço/ Perigara).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de identificação da TI Guató teve, porém, o interesse explícito de reunir na ilha Ínsua todos os grupos familiares espalhados pelo Pantanal, motivo pelo qual nunca foi levada em conta a situação fundiária dos outros núcleos conhecidos. Efetivamente, havia o interesse de alguns grupos de se transferirem para a ilha Ínsua, especialmente aqueles que se encontravam desaldeados em Corumbá (todos originários de lá) e que viviam em situação de miséria na periferia da cidade. Contudo, os relatórios de identificação reconhecem a existência tradicional de três grupos locais distintos entre os Guató: o grupo que vive nas margens do alto Paraguai, aquele que habita a região das lagoas Gaíba e Uberaba e o que reside no baixo rio São Lourenço (Schmidt, 1942). Informações históricas indicam que a relação entre esses grupos nem sempre foi amistosa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A “intenção de aglutinação” na ilha Ínsua, embora se constitua como um fenômeno necessário à sobrevivência (como é o caso do grupo dos rios São Lourenço/ Perigara e Cuiabá), deve ser considerado dentro dos limites das relações de parentesco e de distanciamento histórico e geográfico. Assim, ainda que os Guató dos rios São Lourenço/ Perigara e Cuiabá tenham conhecimento da existência de outros Guató na região do Caracará, com eles não tiveram muito contato e afirmam não terem a intenção de sair da área onde vivem hoje. Os Guató sempre ocuparam uma extensa faixa de terras pantaneiras, englobando as bacias dos rios Paraguai, São Lourenço e Cuiabá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Família do Sr. Rosauro Guató, em frente à casa, na aldeia Uberaba. Foto: Suki Ozaki, 2006&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/298509-1/Guato_030.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As famílias guató viviam de forma autônoma, isoladas umas das outras. Dentro da família, havia a distribuição de tarefas: cabia ao homem a confecção de equipamentos de caça e pesca, a realização da coleta, da pesca e da caça e também a preparação dos alimentos; à mulher cabia fazer panelas e outros utensílios de barro, levar as canoas pelos rios e tecer. Os trançados eram feitos por ambos os sexos e as crianças, conforme o sexo, ficavam a serviço dos pais. A organização social era patrilinear e a residência dos recém-casados, patrilocal. Em geral, os Guató eram polígamos e cada onça caçada poderia dar ao homem o direito à uma esposa, sendo este um ritual de passagem da adolescência para a vida adulta.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Família de Dona Verônica Guató. Foto: Suki Ozaki, 2006&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/312018-1/Guat__+036.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Guató, matar onças, especialmente onças-pintadas ou mepago, significava derrotar um animal muito mais forte que o homem, demonstrar coragem, domesticar as paisagens, obter troféus de caça, conquistar prestígio no interior do grupo, além de provar ser capaz de defender e trabalhar para o sustento de sua futura família. Por isso mesmo, em alguns assentamentos guató foram encontrados vários crânios de felinos amontoados na parte da frente das casas, assim estando como troféus expostos aos visitantes (Oliveira, 2002).&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Verônica Guató. Foto: Suki Ozaki, 2006&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/312026-1/Guat__+133.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contato entre os diferentes grupos locais (alto Paraguai, São Lourenço e Ilha Ínsua) se dava fundamentalmente por meio das alianças matrimoniais que se realizavam durante o período das cheias – as festas da chicha de acuri –, provavelmente na Ilha Ínsua, considerada o centro do universo, portanto, território sagrado. Dessa forma, fortaleciam a união e a identidade social do grupo. Ainda sobre a organização social registrada pelos primeiros viajantes, além da referência aos três grupos locais citados, destacava-se a existência de uma chefia em cada uma dessas unidades, a partir de uma linha de germanos do sexo masculino, prevalecendo a liderança do irmão mais velho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guató são típicos representantes de grupos canoeiros que se estabeleceram nas áreas inundáveis do Pantanal mato-grossense. As estratégias de ocupação desse espaço estão relacionadas a fatores culturais e ecológicos importantes para a subsistência do grupo, sendo que cada família depende da sua capacidade de obter autonomamente os recursos necessários para sua sobrevivência. Por outro lado, a diversidade biológica que caracteriza a área guató favorece a exploração de uma gama de recursos faunísticos e florísticos, através das atividades de caça, pesca, coleta e cultivo. Ainda nesse aspecto, cabe ressaltar a importância dos aterros para a agricultura e para a própria identidade étnica do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Maria Vasques, artesã Guató. Foto: Giovani José da Silva e Giani Ramona da Silva&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/312031-1/Guat__+147.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oliveira aponta os aterros “como os principais vestígios materiais das manifestações culturais que ocorrem nas áreas inundáveis da região. São testemunhos materiais de um tipo de estratégia de sobrevivência característica dos grupos canoeiros que ocuparam o Pantanal” (1996: 150).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Assentamentos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com os próprios Guató, eles possuem três tipos básicos de assentamentos, sendo todos relacionados a áreas ecológicas próximas a cursos d'água: “aterro” ou marrabóró, “beira de rio” ou ''modidjécum ''e “beira de morraria” ou ''macaírapó''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ocupação desses assentamentos está diretamente relacionada a três fatores cultural e ecologicamente importantes para a subsistência desse grupo, essencialmente canoeiro: 1) sazonalidade (períodos de seca e cheia); 2) forma de organização social (famílias autônomas); 3) grande mobilidade espacial (fluvial).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os assentamentos ''marrabóró ''podem ocorrer nas matas ciliares, nos campos limpos, sob forma de capões-de-mato ou cordilheiras, e também nas margens de baías, banhados e rios. Os aterros, marrabóró, são os mais importantes para as famílias e são ocupados principalmente no período da cheia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os assentamentos ''modidjécum ''estão relacionados com a vegetação da mata ciliar. Normalmente são ocupados na seca, podendo ficar parcial ou totalmente inundados durante a cheia e em alguns casos podem corresponder arqueologicamente a aterros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já os assentamentos ''macaírapó'', apesar de serem os mais protegidos das inundações, e talvez os mais aptos para o cultivo, normalmente são ocupados na seca. Isto porque durante o período da cheia, quando os campos são inundados, aumenta a mobilidade dos Guató, tornando possível a maior exploração de outras áreas ecologicamente mais aptas para a subsistência. É nesse período que também ocorre a confraternização com outras famílias que habitam locais mais distantes, revitalizando assim os laços que mantém a união e a identidade social do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na documentação histórica e na literatura etnológica há várias informações que comprovam a existência de assentamentos sazonais dos Guató. Fica evidente que esses índios canoeiros possuíam, ao menos, dois tipos de assentamentos relacionados à sazonalidade do ambiente: 1) nas margens dos rios durante a seca; 2) em outras áreas protegidas das inundações, durante a cheia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rondon (1949) manteve contato com os Guató entre 1900 e 1906, durante os trabalhos da “Comissão de Linhas Telegráficas do Estado de Mato Grosso”. Esteve num aterro parcialmente destruído pela ação das águas, conhecido como “Aterradinho do Bananal”, situado à margem direita do rio São Lourenço, a duzentos metros para dentro, que servia de sede a um retiro da Fazenda Rio Novo. Apesar de sua localização ser pouco precisa, Rondon explica que o aterro deve ter sido erguido pelos Guató no intuito de se protegerem das cheias. Mas Rondon não é o único a apresentar este tipo de informação. Florence (1948), antes mesmo de Rondon, relata que no dia 8 de janeiro de 1827 a expedição Langsdorff atingiu o citado aterro, também conhecido simplesmente como “Bananal” devido à grande quantidade de bananeiras plantadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Rondon define os “aterrados” guató como: “um monchão artificial, onde escasseavam os firmes, no Pantanal, os Guatós faziam aterrados, amontoando, no ponto escolhido, a terra que tiravam dos arredores” (1938: 259).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos trabalhos de Schmidt há maiores esclarecimentos sobre os assentamentos guató, em especial sobre os ''marrabóró ''[aterros]. Em 1901, Schmidt verificou que os ''marrabóró ''são semelhantes a sambaquis, porque apresentam grande quantidade de moluscos aquáticos. Posteriormente, o autor encontrou vários aterros ao longo do curso do rio Caracará, e se refere a eles como “lugares de descanso”, isto é, assentamentos temporários, às vezes por uma única noite, utilizados durante o período da cheia, quando os Guató abandonam os locais onde permanecem estabelecidos na seca. Explica que os aterros são facilmente reconhecíveis, pois possuem forma elíptica e uma densa vegetação que os destaca no ambiente (Schmidt, 1912).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guató disseram a Schmidt que os Matschubehe ou Matsubehe foram os responsáveis pela construção dos aterros, e também pelas plantações de banana que neles são encontradas. Mas foram expulsos da região pelos próprios Guató.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi possível constatar que na mitologia guató os ''Tchubé ''aparecem como o grupo que lhes&lt;br /&gt;
ensinou a técnica de construir aterros, mas que, em contrapartida, também aprendeu com os Guató a utilizar a canoa nos pantanais. Dessa maneira, nem todos os aterros ocupados recentemente pelos Guató foram construídos por eles, uma vez que há alguns que foram construídos e ocupados anteriormente pelos Tchubé, seus aliados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fato é que os Guató explicam os aterros como resultado da ação antrópica, de um trabalho coletivo sob a coordenação do chefe. Toda vez que um jovem guató se casava e não dispunha de um aterro para morar, o chefe se encarregava de organizar as pessoas e coordenar os trabalhos para a construção de um novo marrabóró. Em tempos recentes, havia aterros suficientes para todos, por causa da diminuição da população.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os aterros eram construídos durante o período da seca, através do transporte, em cestos cargueiros, de sedimentos, conchas de gastrópodes aquáticos e de bivalves, de pontos mais baixos para locais naturalmente elevados - que podem ser elevações de origem aluvial. As conchas são importantes porque, além de dar maior volume, firmam a terra contra a ação das águas. Os Guató explicam que grande parte das conchas encontradas nos extratos dos seus aterros constitui material de construção ou foram ali depositados pela ação de animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para melhor proteção contra a ação das águas, plantavam nas bordas dos aterros ''acuris ''ou ''mudjí'' (''Scheelea phalerata''), espécie de palmácea de grande valor para a subsistência dos Guató. No decorrer da ocupação dos aterros, normalmente durante a cheia, ali são depositados os seus lixos, como cacos de vasilhas cerâmicas que quebraram e ossos de diversos animais que serviram como alimento. Também poderiam servir de locais para sepultar os mortos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada aterro ocupado pertence a uma determinada família e é conhecido pelo nome de seu patriarca: “aterro do capitão Fernandes”, “aterro do João Quirino”, “aterro do Joaquim” etc. Na morte do patriarca, o aterro passava a pertencer a seus descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais de uma família poderia ocupar, eventualmente, um mesmo aterro por um certo tempo, comumente respaldadas pela consangüinidade. Por outro lado, caso o aterro não estivesse sendo ocupado durante um determinado período devido à mobilidade sazonal das famílias, poderia ser momentaneamente ocupado por outras famílias, às vezes por uma única noite de descanso no decorrer de uma longa viagem. Dessa forma, nota-se a existência de uma continuidade das ocupações dos marrabóró.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em suma, os três tipos de assentamentos guató - ''marrabóró'', ''modidjécum ''e ''macaírapó ''- refletem uma adaptação sazonal relacionada à ocupação de áreas inundáveis que, por sua vez, implica, entre outros fatores, na maior exploração de determinados recursos naturais durante períodos distintos, seca e cheia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto à origem dos aterros, a explicação mais pertinente é a de que eles realmente foram formados por um conjunto de fatores de ordem natural e antrópica, como bem explicam os próprios Guató. Atestam uma forma de manejo do ambiente relacionado à subsistência, ao assentamento e à demografia do grupo. São ocupados, principalmente, durante a cheia.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Eremites de Oliveira|Jorge Eremites de Oliveira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estruturas de habitação ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Casa tradicional Guató. Foto: Suki Ozaki, 2006&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/312028-1/Guat__+135.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao contrário de outros grupos, os Guató não possui casa-aldeia, mas habitações que podem ser classificadas como abrigos provisórios e casas permanentes, que servem basicamente para abrigar as famílias diante de fatores climáticos, como a chuva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os abrigos provisórios e as casas permanentes podem ter um mesmo padrão de estrutura, que pode ser interpretado como o da casa tradicional guató, chamada movír (Schmidt, 1942).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As habitações foram descritas, geralmente de maneira simplificada, por vários viajantes e cronistas, a partir da primeira metade do século XIX. Em sua maioria, apresentam semelhantes considerações, tais como: “cabanas mal construídas” (Macerata, 1843); “tosco barracão” (Castelnau, 1949); “pequenos ranchos de ramagens, que fazem a pressa quando os ameaça a chuva” (Beurepaire-Rohan, 1869); “pequenos ranchos em que dormem abrigados do tempo” (Leverger, 1862); pequenos e baixos ranchos construídos de galhos, paus e folhas de palmeiras, que são “apenas suficientes para abrigá-los do sol e da chuva” (Ferreira, 1993); pequenas cabanas com ramos de árvores e folhas de palmeiras, somente para protegerem-se do sol e da chuva (Moure, 1862); habitações muito rudimentares, um simples pára-vento com teto de folhas de palmeiras sobre quatro esteios (Monoyer, 1905).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O abrigo provisório apresenta uma construção de estruturas improvisadas, basicamente com equipamentos de uso doméstico e de subsistência. É menos elaborado que a casa tradicional e possui pequenas dimensões. Serve para uma família passar a noite ou descansar por alguns poucos dias. Quando os Guató mudam de lugar, este tipo de abrigo é desfeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A duração da casa tradicional guató varia conforme o tipo de madeira utilizada, podendo durar vários anos. São construídas com madeiras encontradas no próprio local do assentamento ou nas proximidades. As casas permanentes duram mais tempo e são construídas com madeiras de melhor qualidade, ou seja, aquelas mais resistentes à ação do tempo, como a de aroeira, sendo necessário substituir com mais freqüência a cobertura feita de palmas de acuri e os enlaces feitos com vários tipos de cipós, como o imbê. As casas tradicionais que funcionam como abrigos provisórios, podem ser construídas com madeira de qualidade inferior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número de casas num dado local de assentamento está relacionado com o tamanho da família, e as evidências de suas estruturas podem ser detectadas em escavações arqueológicas. Em decorrência do contato com a sociedade nacional, os Guató também passaram a construir casas com outros tipos de estruturas, como a de pau-a-pique.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Jorge Eremites de Oliveira|Jorge Eremites de Oliveira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Mirian Guató, cozinhando na Bolívia. Foto: Suki Ozaki, 2006&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/312020-1/Guat__+057.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guató viviam tradicionalmente da pesca, da caça, da coleta e da agricultura. Como ocupavam uma grande área, conseguiam tirar o seu sustento dentro dos limites de suas próprias terras. A pesca era realizada na canoa durante o ano inteiro e por todos os membros da família. Usavam o arco e a flecha e preferiam o pacu. A caça era realizada com arco e flecha, armadilhas, bodoques e zagaias e as presas eram as mais variadas espécies de animais, sendo a mais apreciada o jacaré. A coleta era diversificada, destacando-se a do arroz-do-pantanal ou arroz-bravo, espécie nativa colhida nos períodos de cheias. Muitas frutas eram apreciadas, especialmente acuri, forno d’água e sitobá (situpá).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A palmácea acuri era essencial, pois era explorada de várias maneiras: retiravam chicha confeccionavam utensílios, além de aproveitarem o fruto na alimentação. Hoje serve, sobretudo, para a cobertura das casas dos Guató.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora, na documentação histórica, muitos autores afirmem categoricamente que o cultivo teve pouca relevância como atividade de subsistência entre os Guató, sabe-se muito pouco sobre o cultivo entre esses índios e por isso não é possível afirmar de antemão que seja uma atividade menos importante que a pesca, a caça e a coleta. Sabe-se da existência do cultivo de milho, cará, mandioca, abóbora, banana, cana-de-açúcar, algodão e fumo. O cultivo poderia ser feito no início do período chuvoso, antes das famílias abandonarem temporariamente seus assentamentos mais fixos, com a chegada da cheia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto às atividades produtivas da atualidade, os Guató pescam, caçam, coletam e praticam a agricultura, ainda que essa última seja incipiente. Fazem uso de espingarda na caça, mas utilizam o arco e a flecha tanto para caçar, quanto para pescar. Em Mato Grosso, não havia, no exíguo espaço em que habitavam, madeira para a confecção destes utensílios e muito menos para fabricação de canoas, remos ou zingas. No período em que não estão pescando, fazem a coleta de iscas, que são guardadas em depósitos (valas). As mulheres também apanham iscas e ajudam no cultivo. As pousadas procuram pelos índios para a pilotagem de barcos nos rios e corixos da região do São Lourenço/ Perigara, Cuiabá, São Benedito, Mascate, Três Irmãos, Ichuzinho e para a coleta de iscas. Os índios Guató afirmam que a situação fica difícil quando a temporada de pesca está fechada. Nesse período (de novembro a março), cuidam das roças, com a ajuda das mulheres, que além de cuidarem da casa e das crianças, fazem cerâmica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No tempo das águas (cheia), a principal atividade é a pesca e no tempo da seca, a agricultura e a criação de iscas. Há problemas com a polícia ambiental, que não permite a pesca e nem a criação de iscas fora de temporada. Na piracema, a pesca tem que ser feita nos barrancos e não nos barcos e o limite diário é de cinco quilos por pessoa. A coleta do mel é realizada para a venda, sendo este um produto bastante procurado por turistas. O período bom para a atividade, segundo os índios, é a partir de outubro, durante o tempo das águas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A percepção guató de tempo e espaço está intimamente relacionada aos ciclos de seca (de junho a novembro) e de águas (de dezembro a maio). O ciclo lunar é respeitado, havendo “luas boas” para a pesca. Os ventos também são observados, especialmente na época da caça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na seca, fica mais fácil coletar iscas e a caça é realizada indistintamente, tanto no período seco quanto na época das águas. O tempo das águas é bom para pescar e também quando há muitas frutas madurando (marmelo, roncador, goiabinha etc.). Sinais deixados ou emitidos por animais, tais como o jacaré, a capivara e o quá (espécie de pássaro) são interpretados como mudanças de clima, de direção dos ventos etc. – revelando a intensa relação desses índios com o ambiente que os circundam. As crianças, desde a mais tenra idade, já estão absolutamente familiarizadas com as canoas e, não raro, estão a conduzi-las pelos rios, baías e corixos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material ==&lt;br /&gt;
A cultura material guató compreende basicamente equipamentos de subsistência (arcos, flechas, bodoques, zagaias, canoas, remos e zingas, artefatos líticos, armadilhas para caçar, pau de cavouco, porrete para pesca) e equipamentos domésticos e de trabalho - objetos em madeira, em conchas de moluscos, em cerâmica, em couros, trançados e tecelagem. Parte dessa cultura material é produzida nos dias de hoje, ainda com dificuldades, tanto pelo grupo que reside no Mato Grosso quanto pelos Guató que vivem no Mato Grosso do Sul.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Giovani José da Silva)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Canoas ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Canoa Guató à beira da baía Uberaba, Ilha Ínsua, Terra Indígena Guató. Foto: Suki Ozaki, 2006&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/312033-1/Guat__+152.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A canoa ''manum ''é o principal meio de transporte dos Guató, especialmente na cheia, a tal ponto que as pernas dos homens são pouco desenvolvidas e arqueadas para dentro, enquanto o tronco permanece notadamente mais desenvolvido por causa da atividade de remar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Moure (1862) relata que muitas vezes as famílias passam a noite em suas próprias canoas, que são fabricadas com uma rara perfeição, e possuem notável elegância e rapidez. A mulher é responsável por governá-la, permanecendo na popa. Quando toda a família está embarcada, a borda da canoa fica alguns centímetros acima d'água, o que não impede o uso do arco e flecha para pescar e caçar (Florence, 1948).&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Sr. Bartolomeu Guató na canoa. Foto: Suki Ozaki, 2006&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/298382-1/Guat__024.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O processo de fabricação da canoa implica na escolha da madeira apropriada, que deve ser&lt;br /&gt;
mole, leve e flutuante, geralmente cambará. A proa ou ''eopígagá ''possui forma cônica e a popa ou hihe é mais larga para servir de assento (Schmidt, 1942).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma melhor conservação da canoa contra a ação da água ou de brocas (insetos), quando necessário, deve-se retirá-la da água, erguê-la em estruturas de madeira para, em seguida, atear fogo por baixo, retirando a água que penetra nos poros da madeira. A impermeabilização era feita através do processo de defumação da canoa, lubrificando-a concomitantemente com gordura animal, geralmente retirada de capivara ou jacaré.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os remos ou ''macum ''normalmente são feitos de caneleira, também conhecida na região pela sinonímia de “loro”. Koslowsly (1895) menciona que o tamanho dos remos pode variar, mas os mais usados possuem pás lanceoladas que medem 70 centímetros de comprimento por 26,5 centímetros de largura. Schmidt (1942) menciona remos grandes com 2,5 metros e remos infantis com 84 centímetros de comprimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A zinga ou madyuada, por sua vez, é uma vara comprida usada na propulsão da canoa em lugares pouco profundos, feita de caneleira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Cerâmica ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A respeito do estilo cerâmico guató, a produção de vasilhas deixou de existir mais ou menos entre 1960 e 1970, dependendo do grupo doméstico e da região ocupada, momento em que as panelas de ferro e de alumínio definitivamente substituíram as tradicionais de barro. Hoje em dia apenas cachimbos de barro são feitos por alguns homens e mulheres da ilha Ínsua e do baixo São Lourenço, sendo esta uma tradição não mantida pelos jovens.&lt;br /&gt;
Com base nos dados etnográficos e  nas informações orais, é possível afirmar que o vasilhame guató, cuja produção era uma atividade exclusiva de mães e filhas durante todo o ano, caracteriza-se por ser essencialmente de uso doméstico, destinado a preparar, armazenar e servir alimentos sólidos e líquidos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A argila, de cor escura, era retirada das margens de rios e lagoas, geralmente com o auxílio de uma pá de remo ou de outro artefato apropriado, depositada no interior das canoas e levada para os assentamentos, onde era trabalhada do lado de fora das casas: as mulheres retiravam todas as impurezas do barro, principalmente pequenas raízes de plantas, e adicionavam como tempero cacos moídos e peneirados e às vezes conchas trituradas de caramujos e bivalves; a argila era amassada em barrigadas ou couraças de jacarés sob forma de gamela ou sobre esteiras de fibras vegetais até adquirir homogeneidade e consistência; depois eram feitos cordões da pasta preparada, colocados uns sobre os outros e gradativamente manipulados com as mãos até atingir a forma e o tamanho desejados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O alisamento interno e externo em geral era feito com o auxílio de uma concha de bivalve ou, menos freqüentemente, com algum seixo rolado; a secagem do vasilhame era feita à sombra para posteriormente levá-lo à queima, a qual quase sempre era processada pela colocação de algumas vasilhas juntas e cobertas com lenha; havia um controle para evitar a entrada de ar e a diminuição da temperatura, através da colocação de mais madeira ao redor e sobre as vasilhas, caso necessário; depois de pronta, a cerâmica adquiria uma coloração inicial avermelhada e, ao ser levada ao fogo para o preparo de alimentos, gradativamente passava a ter uma cor mais escura, entre tons de cinza e preto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Três tipos básicos de vasilhas eram tradicionalmente produzidos: panelas pequenas ou ''mudikô´vaí, ''tigelas/pratos ou ''muchá/muchá´tum'' e bilhas d´água ou ''matum/matum´ve''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Trançado ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trançado guató é uma atividade masculina. Os Guató utilizam basicamente a palha da palmeira acuri (Scheelea phalerata) em seus trançados, sendo que o dos cestos é geralmente do tipo xadrezado, enquanto que o das esteiras pode ser do tipo sarjado. Fabricam, principalmente para uso e conforto doméstico, esteiras de dormir feitas de acuri, denominadas mádaakúts'i, e feitas de taboa (Typha dominguensis) chamadas de miró, além de abanos para fogo ou tiakanatá. Como meio de transporte de carga fabricam cestos ou mu(n)dá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através da tecelagem os Guató fabricam, com fibra de tucum (Bactris glaucescens) e para o conforto pessoal, abano de mosquito ou mapara e, de maneira mais apurada, seguindo a técnica do entretorcido, mosquiteiro ou mageetó - que também foi descrito por Silva (1930). Ambos são indispensáveis para a região devido à quantidade de mosquitos que ocorrem em certas épocas do ano. Com algodão fabricam abano de mosquito ou mapara e ligadura para pulso ou mavaerúta.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Jorge Eremites de Oliveira)&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]] e [[Usuário:Jorge Eremites de Oliveira|Jorge Eremites de Oliveira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rituais ==&lt;br /&gt;
=== Ritos funerários ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Guató geralmente sepultavam seus mortos em locais específicos e protegidos das cheias, mas não muito próximos dos assentamentos mais fixos, aqueles utilizados na seca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os mortos eram enterrados em valas estendidos sobre uma esteira. Quando morria um Guató, havia apenas o seu enterramento e o lamentar de sua perda. O luto era restrito às mulheres, que deixavam o cabelo muito curto quando perdiam o marido. Quando morria um filho, a mãe cortava seu cabelo pela metade do comprimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Jorge Eremites de Oliveira)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Festas ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas festas, consumia-se o vinho da palmeira acuri também conhecido como chicha e realizavam o cururu: faziam uma roda e dançavam durante várias horas ao som da viola de cocho e do caracaxá (ganzá). Ainda hoje, a viola de cocho (sendo que antigamente era utilizada corda de tripa de bugio na viola) e o caracaxá (ganzá) acompanham e animam as festas guató.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Giovani José da Silva)&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]] e [[Usuário:Jorge Eremites de Oliveira|Jorge Eremites de Oliveira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É do início do século XX a mais completa expedição etnográfica realizada sobre os Guató. O alemão Max Schmidt ao longo de três viagens (1901, 1910 e 1928) estudou a história, os costumes dessa etnia e fez um vocabulário da língua Guató. Além disso, descreveu detalhadamente os objetos que compunham a cultura material desses índios (cerâmica, trançados, cordões e tecidos, adornos, instrumentos musicais, armas e utensílios domésticos) Seus estudos foram publicados em livros e revistas especializadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posteriormente, o polonês Estanislao Pryjemski, taxidermista colaborador do Museu Nacional do Rio de Janeiro, do Instituto Manguinhos e do Instituto Butantã, conviveu com os Guató entre as décadas de 1930 e 1950. Os registros deixados por este pesquisador ainda não foram devidamente estudados e parte de suas memórias encontra-se num artigo de autoria do jornalista Mário Ramires, publicado pela revista MS Cultura (1987).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há, até o momento, poucas pesquisas em Antropologia sobre os Guató. No entanto, existem os trabalhos desenvolvidos pelo arqueólogo Jorge Eremites de Oliveira (1995; 2002), que pesquisou sobre os assentamentos e a subsistência dos Guató e sua cultura material e, posteriormente, realizou uma pesquisa sobre o antigo processo de ocupação indígena das terras baixas do Pantanal. Em 2005, a historiadora Marilene da Silva Ribeiro defendeu na Universidade Federal de Dourados sua dissertação de mestrado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na área de lingüística, há o estudo de doutorado de Rosângela Aparecida Ferreira Lima, Dando a palavra aos Guatós: alguns aspectos sociolingüísticos (2002). O trabalho de maior consistência sobre o referido idioma é a tese de doutorado da professora da Universidade Federal de Pernambuco, Adair Pimentel Palácio, defendida na Universidade Estadual de Campinas em 1984.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além destes, há pelo menos dois trabalhos em andamento, um de autoria da pesquisadora Margareth Araújo e Silva sobre a Educação Escolar entre os Guató (doutorado em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e outro, de Adriana Viana Postigo sobre a fonologia da língua Guató (mestrado em Letras da UFMS).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pesquisa antropológica mais recente sobre os Guató é de Giovani José da Silva que, entre 2000 e 2003, esteve envolvido no processo de identificação e delimitação da TI Baía dos Guató, realizado pela Funai. Atualmente, o pesquisador é consultor da escola estadual indígena “João Quirino de Carvalho” – Toghopanãa.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Giovani José da Silva|Giovani José da Silva]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
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* CALDAS, João Augusto. Memoria historica sobre os indigenas da Provincia de Matto-Grosso. Rio de Janeiro: Moraes &amp;amp;amp; Filhos, 1887.&lt;br /&gt;
* CARDOSO, Paulo Alves. Área Indígena Guató. Brasília, FUNAI, 1985 (relatório de viagem)&lt;br /&gt;
* CASTELNAU, Francis. Expedição às regiões centrais da América do Sul. São Paulo: Nacional, 1949 [1840].&lt;br /&gt;
* FERREIRA, Joaquim A. Noticia sobre os indios de Matto-Grosso dada em officio de 2 de dezembro de 1848 ao ministro e secretário d'Estado dos Negócios do Imperio, pelo director geral dos indios da então Provincia. O Archivo. Revista destinada à vulgarização de documentos geographicos e historicos do Estado de Matto-Grosso. Cuiabá: [s. n.], a. 3, v. 2, 1905. p. 79-96. Edição fac-similar completa 1904-1906. Várzea Grande: Fundação Júlio Campos, 1993. (Coleção Memórias Históricas, 3).&lt;br /&gt;
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* GUZMÁN, Ruy Díaz de. Anales del descubrimiento, población y conquista del río de la Plata. Assunção: Comuneros, 1980.&lt;br /&gt;
* IRALA, Domingo Martinez de. Relação de Domingo Martinez de Irala, sobre os descobrimentos que ia fazendo quando foi navegando Rio Paraguai acima por ordem do Governador Cabeza de Vaca, desde o dia 18 de dezembro de 1542. Cuiabá: IHGMT. Publicações Avulsas nº. 12, 1998.&lt;br /&gt;
* JOSÉ DA SILVA, Giovani et al. Os Guató. Aquidauana: CEUA/ UFMS, 1998. 8 p. (Trabalho acadêmico não publicado).&lt;br /&gt;
* KOSLOWSKY, Julio. KOSLOWSKY, Julio. Tres semanas entre los indios Guatós. Excursión efectuada en 1894. La Plata: Talleres de Publicaciones del Museo, 1895. 30 p. Separata de la Revista del Museo de La Plata. t. 6.&lt;br /&gt;
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* LIMA, Rosângela Aparecida Ferreira. Dando a palavra aos Guatós: alguns aspectos sociolingüísticos. Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, 2002. (Tese de doutorado)&lt;br /&gt;
* MACERATA, José Maria de. Relatório de frei José Maria de Macerata ao sr. Zefirino Pimentel Moreira Freire, onde descreve as diversas nações de índios que residem em diversos lugares da Província de Mato Grosso (Cuiabá, 5 de dezembro de 1843). Transcrição de Alfredo Sganzerla. Cuiabá, 1843. 9 p. (não publicado).&lt;br /&gt;
* MAGALHÃES, José V. C. de. Ensaio de anthropologia: região e raças selvagens. RIHGB, Rio de Janeiro, 1873, pp. 359 - 508.&lt;br /&gt;
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* SILVA, Antonio Carlos Simoens da. Cartas Mattogrossenses (Viagens do Rio de Janeiro a Porto Esperança – Vida agrária e pastoril – Caça e pesca – População indígena do Estado – Cidade de Cuyabá – Industrias extractivas (herva – mate) – Curiosidades e peculiaridades do Estado.). Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1927.&lt;br /&gt;
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* WILSON, James. Guato words list. Brasília: SIL, 1959.&lt;br /&gt;
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		<title>Povo:Chamacoco</title>
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		<updated>2018-08-10T20:53:44Z</updated>

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{{#set:Estilo=escuro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=43}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Mato Grosso do Sul]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Yuhupdeh&amp;diff=6270</id>
		<title>Povo:Yuhupdeh</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Yuhupdeh&amp;diff=6270"/>
		<updated>2018-08-01T20:02:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Yuhupdeh vivem na região do Noroeste Amazônico e são grandes conhecedores dos caminhos, das técnicas para caçar e fazer veneno. São visto como nômades, poderosos feiticeiros e moradores dos interflúvios dos grandes rios. São chamados de Maku ou índios do mato, em contraposição aos Tukano e Aruak, denominados de índios do rio. A despeito desta oposição, os Yuhupdeh integram o sistema social do Noroeste Amazônico. Assim como a maioria dos povos da região, realizam os rituais de dabucuri e do Jurupari e também compartilham dos dois ciclos mitológicos mais difundidos: o da viagem da canoa da transformação (''yãh baah hóh'') e o do aparecimento das flautas Jurupari (''Ti’''). Devido a um contato mais recente eles têm se destacado por manter a prática desses rituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome ==&lt;br /&gt;
O nome Yuhupdeh é usado como autodenominação de um conjunto de grupos que vivem na região do Noroeste Amazônico e quer dizer &amp;quot;gente&amp;quot; na língua yuhup. Na literatura etnográfica e linguística também aparecem registrados outras grafias para o nome: ''yuhup'', ''yohop'', ''yahup'', ''yahúbde'', ''juhupde'' (Ospina 2008). É somente a partir da metade do século XX que estes nome aparecem como um etnônimo para se referir a um conjunto de grupos da região do rio Tiquié e do rio Apapóris. Antes disso, tais grupos eram reconhecidos genericamente sob o nome Maku. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos etimológicos, a hipótese mais aceita é que a palavra Maku é de origem origem Aruak – ''ma'': partícula privativa, ''aku'': fala – e significa &amp;quot;desprovido de fala&amp;quot;. Outro sentido etimológico atribuído ao nome é &amp;quot;sem parente&amp;quot;, pois em algumas línguas aruak ''ku'' significa &amp;quot;tio&amp;quot;. Entretanto, há uma longa história em torno do nome Maku que pode ser remontada a partir de escritos do século XVIII.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo do tempo foram se associando ao termo vários significados. Nos registros dos séculos XVIII e XIX, o nome Maku é atribuído a órfãos capturados e depois comercializados com brancos como escravos. Os viajantes do século XIX também associaram o nome Maku a grupos que vagueavam sem residência fixa e de natureza nômade e caçadora. Caracterizações como &amp;quot;uma espécie miserável de humanidade&amp;quot; (Spruce 1908: 344), grupos &amp;quot;de pessoas pequenas e escuras, universalmente consideradas e tratadas como servas&amp;quot; (Whiffen 1915: 60). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se, por um lado, os estudos etnográficos sobre os Maku ao longo do século XX praticamente reitere a associação do nome Maku a grupos de índios da floresta: nômades, caçadores, rudimentares e servos; por outro, começam a problematizar a homogeneidade dos grupos em torno do nome, na medida em que os próprios grupos reivindicam outros etnônimos para se auto-definirem. Desse modo, diversos nomes são trazidos à tona revelando a heterogeneidade dos grupos encoberta sob o rótulo de Maku. É nesse contexto que Yuhupdeh surge como o nome escolhido por um conjunto de grupos como auto-denominação. Os mesmos grupos reivindicam que se abandone a denominação Maku em vista de sua carga pejorativa.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
A língua yuhup é classificada como pertencente à família linguística Maku. Entretanto, a unidade em torno da composição de tal família nunca foi ponto pacífico dos estudos linguísticos empreendidos e recentemente novas composições foram propostas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A existência da família linguística Maku foi postulada por estudos linguísticos realizados nas primeiras décadas do século XX {{#Koch-Grunberg (1906), Tastevin (1923), Rivet et Tastevin (1920), Rivet, Kok et Tastevin (1925):}}. Estes estudos são também aqueles que estabelecem um parentesco com a língua ''puinave''. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de meados do século XX, novos estudos linguísticos classificaram como parte da família linguística Maku as línguas ''nukak'', ''yuhup'', ''hupdah'', ''kakua'', ''dâw'', ''nadeb'', ''hödi'' e ''puinave''. Entretanto, não há consenso geral quanto a essa composição. O pertencimento das línguas ''hödi'' e ''puinave'' à família é o mais contestado devido à falta de dados detalhados que sustentem a aproximação. Quanto às outras línguas há maior concordância, embora haja controvérsias quanto às proximidades. Alguns estudos entendem que a língua ''nadeb'' se distancia mais das línguas ''nukak'', ''yuhup'', ''hupdah'', ''kakua'', ''dâw'' (Martins et Martins, 1999 : 255). Outros incluem o ''nadeb'' e excluem as línguas ''nukak'' e ''kakua'' da família linguística (Epps 2005: 8-9). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível, entretanto, afirmar que a língua ''yuhup'' possui um grau de parentesco maior com a língua ''hupdah'' e em seguida com a língua ''dâw'', e em menor grau com as línguas ''nadeb'', ''kakua'' e ''nukak''. Em relação às línguas ''hödi'' e ''puinave'' não existem estudos comparativos aprofundados que permitam estabelecer o grau de parentesco com alguma segurança. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mais recentemente, além da composição da família Maku, também discute-se o nome próprio da família. O termo ''Maku'' tem uma forte carga pejorativa e é rejeitado pela maior parte dos grupos assim denominado. Diante disso, tem-se procurado por outro nome. Epps (2005) propõe o nome Nadahup, cuja família é composta por ''nadeb'', ''yuhup'', ''hupdah'' e ''dâw''. Ramirez (2001) propõe Negro-Japurá ou Uaupés-Japurá, cuja família é composta por ''yuhup'', ''hupdah'', ''kakua'', ''dâw'' e ''nadeb''. Entretanto, não há consenso geral entre os estudiosos em relação a qual nome utilizar. Portanto, além de Maku, a família linguística a que a língua'' yuhup'' pertence é também conhecida como Nadahup e Negro-Japurá ou Uaupés-Japurá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora a situação sociolinguística dos falantes da língua yuhup varie conforme o local, ela manifesta o caráter multilinguístico da região do Noroeste Amazônico. Isto é, não existe um indivíduo que seja completamente monolíngue. Todos tem algum grau de conhecimento de pelo menos uma outra língua, ainda que seja um bilinguismo passivo – o indivíduo compreende, mas não é capaz de se exprimir na língua. Alguns possuem competência linguística em mais de duas línguas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Yuhupdeh que vivem na região do rio Apapóris, por exemplo, compreendem e/ou falam predominantemente a língua Makuna e o espanhol. Aqueles que vivem na região do rio Tiquié falam e/ou compreendem predominantemente a língua tukano e o português. É possível encontrar indivíduos que além dessas línguas conhecem outras línguas. Mais recentemente, observa-se cada vez mais uma aumento na competência das línguas espanhola e portuguesa, consequência de uma intensificação da relação com os estados nacionais colombiano e brasileiro. O bilinguismo ativo e o multilinguismo é mais comum entre os homens. Embora entre as mulheres há um número maior de bilinguismo passivo, sobretudo em relação às línguas portuguesa e espanhola, observa-se mais recentemente um aumento significativo de mulheres adquirindo competência nessas línguas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
O território dos Yuhupdeh se estende entre as áreas dos rios Tiquié e Apapóris numa zona de fronteira entre a Colômbia e o Brasil que pode ser divididas em sete áreas:&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;A primeira localiza-se na região do Apapóris, entre a foz do igarapé Ugá e as corredeiras de La Libertad e Sucre, onde estabelecem relações com [[Povo:Makuna | Makuna]], Tanimuka e [[Povo:Tukano | Tukano]].&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;A segunda na região entre os igarapés Jotabeyá, Alsacia – afluentes do rio Apapóris – e os igarapés Umuña e Toacá – afluentes do rio Pirá-Paraná. Nessa área convivem com Makuna, Tanimuka e Letuama.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;A terceira na região da desembocadura da foz do rio Apaporis no rio Caquetá, cuja vizinhança é formada por agrupamentos Tanimuka e [[Povo:Tuyuka | Tuyuka]]. Eles vivem na comunidade de San Pablo, margem esquerda do baixo Caquetá.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;A quarta na região do rio Traíra, próximo a foz do rio Apapóris. Eles vivem na comunidade de São José do Rio Apapóris em território brasileiro e que é formada por vários povos da região.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas quatro áreas constituem uma zona regional na medida em que os grupos yuhup mantêm uma rede de visitações constante e encontram-se localizada no resguardo indígena Yaigojé Apaporis em território colombiano pertencentes aos departamentos Amazona y Vaupés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de outros povos indígenas, desde meados do século XX, a zona é ocupada também por exploradores de borracha, por comerciantes de pele de onça, por garimpeiros de minério e pelo exército brasileiro. Vila Bittencourt, que se encontra na foz do Apapóris com o Caquetá, é a localidade de maior concentração populacional do lado brasileiro e onde se encontra instalado o 3º Pelotão Especial de Fronteira. A partir da década de 1980 vários grupos yuhup se mudaram para as imediações da comunidade, sobretudo na comunidade de São José, localizada no rio Apapóris. Em meados da década de 1990 alguns grupos decidiram retornar à área da foz do igarapé Ugá e do igarapé Jotabeyá, cuja ocupação remonta a tempos muito antigos e é considerado um território tradicional (Ospina 2008: 29). Do lado colombiano, os grupos yuhup que vivem no igarapé Ugá costumam se dirigir para La Pedrera quando querem fazer negócios no comércio ou quando necessitam utilizar o serviço do hospital.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;A quinta área se localiza na região entre o igarapé Castanha e o igarapé Cucura, que desaguam no médio rio Tiquié, onde os Yuhupdeh convivem com Tukano, Tuyuka, Makuna, [[Povo:Desana | Desana]]. Duas comunidades encontram-se no igarapé Castanha: São Joaquim e Santa Rosa (os Yuhupdeh vivem numa comunidade Desana). Uma comunidade encontra-se no igarapé Cucura: Cucura São João.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa área constitui outra zona regional onde grupos yuhup estabelecem uma rede de troca constante e está localizada na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4068&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Alto Rio Negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Parte desses grupos são oriundos da região do igarapé  Ugá e do Jotabeyá e começaram a migrar para essa zona em meados do século XX com a intensificação da ocupação estatal na região. Cada vez mais foram se aproximando do rio Tiquié atraídos primeiramente pela missão salesiana construída em Pari-Cachoeira – entre as décadas de 1960 e 1970 – e anos mais tarde pela descoberta de ouro na serra do Traíra – na década de 1980. Inicialmente se instalaram na região da foz do igarapé Tapuru com o igarapé Peneira. Após epidemia de sarampo ocorrida na década de 1970 houve outra migração. Parte das pessoas resolveram retornar para a região do Apapóris e parte se mudou para o igarapé Castanha, aproximando-se mais ainda do rio Tiquié. Posteriormente, outros grupos decidiram se mudar para o igarapé Cucura.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;A sexta na região da desembocadura da foz do igarapé Samaúma no rio Tiquié onde convivem sobretudo com Tukano. Eles se encontram na comunidade Santa Rosa.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;A sétima na região entre o igarapé Ira e o igarapé Cunuri, que desaguam na parte do baixo rio Tiquié, onde convivem com Tukano, Tuyuka, [[Povo:Mirity-tapuya | Miriti-Tapuya]]. Três comunidades encontram-se no igarapé Cunuri: São Martinho, São Felipe, São Domingos Sávio. Uma comunidade encontra-se no igarapé Ira: Guadalupe.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas duas áreas constituem uma terceira zona regional e está localizada na TI Alto Rio Negro. Cogita-se que tenha sido formada por uma primeira onda de migração de grupos yuhup provindos da região do Apapóris. Tais grupos teriam subido o rio Traíra e atravessado por caminho dentro da floresta até o igarapé Ira. Deste local, alguns grupos se deslocaram para o igarapé Cunuri e mais tarde para o Igarapé Samaúma. Desde a década de 1980 observa-se que as comunidades dessa zona regional tem se aproximado cada vez mais da foz desses igarapés, ficando mais próximas da foz do próprio rio Tiquié que desemboca no rio Uaupés.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== População ==&lt;br /&gt;
Segundo levantamentos realizados na primeira década de 2000, a população dos Yuhupdeh pode ser estimada em torno de 1000 indivíduos. Destes são contabilizados 754 indivíduos em território brasileiro (Silva 2010: 3) e 250 indivíduos em território colombiano. (Mahecha et al. 2000: 195). No entanto, as estimas dos parâmetros demográficos do povo Yuhupdeh devem ser consideradas com algumas ressalvas. Os fatos de tal população estar distribuída por uma vasta área geográfica em zonas interfluviais, muitas delas de difícil acesso, e apresentar um alto padrão de mobilidade impedem que se possa realizar uma estimativa global da dinâmica populacional. Com isso, não é possível estipular taxas confiáveis de natalidade, de mortalidade, de crescimento, de casamento interétnico para a população Yuhupdeh. Contudo se levarmos em conta estudos realizados na década de 1980 e 1990 (Pozzobon) e os comparamos com os mais recentes é possível inferir que há uma tendência de crescimento populacional. Embora os casamentos interétnicos sejam mencionado na maior parte dos estudos sobre os Yuhupdeh, as referências não deixam de destacar que tais casamentos são minoritários.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
A menção aos Yuhupdeh nos registros não ocorre até meados do século XX quando estudos etnográficos começam a utilizar esse nome para se referir a um conjunto de grupos falantes de uma mesma língua. Antes disso, tais grupos eram designados como Maku. Levando em consideração a localização atual dos grupos Yuhupdeh e a memória dos mais velhos em relação ao local onde viviam seus avós, é possível supor que as primeiras referências a eles encontram-se no trabalho de Koch-Grünberg que transitou pela região entre o Tiquié e o Japurá no ano de 1904. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse período inicial do século XX a região ficou marcada pelo impacto da exploração da borracha, mas os Yuhupdeh conseguiram se manter à margem dos efeitos nefastos desse primeiro ciclo da borracha devido à sua propensão em habitar zonas interfluviais de difícil acesso. Situação que se modificou drasticamente a partir de meados do século XX quando um segundo ciclo de exploração da borracha se instaurou na região do Noroeste Amazônico. Contribuiu também para a intensificação do contato a chegada de comerciantes de pele de onça e a instalação da missão salesiana em Pari-Cachoeira. Tal conjuntura marca o início de um ciclo migratório de grupos yuhupde que progressivamente se afastam de seus territórios tradicionais e se dispersam em busca de áreas mais favoráveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Grande parte deste fluxo se dirige ao baixo rio Apapóris no início da década de 60. Nesse período, os grupos yuhup intensificam seu contato com o mundo dos brancos, mas ainda através da intermediação de outros grupos indígenas, sobretudo dos grupos Yauna que detinham o monopólio das mercadorias dos brancos por terem sido os primeiros parceiros de troca destes (Ospina 2008: 27). Além dos Yauna, os Yuhupdeh travaram contato com os [[Povo:Tukano | Tukano]], [[Povo:Tuyuka | Tuyuka]], Yukuna, Tanimuka A migração logo provou ser desastrosa. Os Yuhupdeh continuaram sendo explorados tanto por indígenas quanto por brancos. Além disso, também foram vítimas de várias epidemias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora algumas pessoas tenham se mantido na área do rio Apapóris, ocorreram novas ondas migratórias. Alguns grupos retornaram às proximidades dos territórios ditos tradicionais. Outros se dirigiram a região do rio Tiquié atraídos pela missão salesiana e por uma suposta relação mais pacífica com os brancos. Destes grupos uma parcela seguiu até os igarapés Ira e Cunuri, afluentes do baixo Tiquié, nas proximidades da missão de Taracuá e outra até a região do igarapé Castanha, afluente do médio Tiquié, nas proximidades da missão de Pari-Cachoeira. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns grupos que foram para a região do igarapé Castanha saíram do igarapé Espinho (Jotabeyá). No início da década de 70, por influência de um padre salesiano, três comunidades se juntaram na foz do igarapé Tapuru com o igarapé Peneira. Uma epidemia acarretou uma nova dispersão. Alguns grupos decidiram retornar para a área do rio Apapóris, enquanto outros se aproximaram ainda mais do rio Tiquié e fundou-se uma nova comunidade no igarapé Castanha. No final da década de 1970 os missionários salesianos resolveram sistematizar a escolarização dos Yuhupdeh com a construção de escolas nos igarapés Ira, Cunuri e Castanha. Alguns anos mais tarde, grupos Yuhupdeh fundaram uma comunidade no igarapé Cucura. A última comunidade a se instalar na área do rio Tiquié foi Samaúma. Desde então um processo intermitente de escolarização tem sido levado a cabo junto ao povo Yuhupdeh. Uma das consequências deste processo foi a retirada dos enfeites e instrumentos musicais por parte dos missionários salesianos. Do mesmo modo que os rituais de iniciação masculina foram fortemente proibidos. Mesmo assim, devido ao caráter esporádico do trabalho missionário nessas áreas, os grupos Yuhupdeh continuaram a realizar tais rituais e a confeccionar alguns instrumentos, como os trompetes e flautas Jurupari. Também o convívio conflituoso com grupos tukano nos internatos impediram que muitos Yuhupdeh permanecessem nas missões por períodos prolongados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O estabelecimento desses grupos Yuhupdeh na área do Tiquié fez com que travassem contato com outros grupos Tukano Oriental e os [[Povo:Hupda | Hupdah]]. No caso do igarapé Castanha e Cucura, os contatos foram sobretudo com os [[Povo:Desana | Desana]], Tuyuka, [[Povo:Makuna | Makuna]] e Tukano. No caso do igarapé Ira, Cunuri e Samaúma, os contatos foram com os Tukano, [[Povo:Mirity-tapuya | Miriti-Tapuya]], Tuyuka e Hupdah. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1980 a região voltou a sofrer uma ocupação intensa na medida em que foi descoberto ouro na serra do Traíra. Tanto o igarapé Ira quanto o Castanha se estabeleceram como rota de garimpeiros, empresas de mineração e de outros indígenas em busca de riqueza. Os Yuhupdeh nesse período trabalharam de carregadores de carga e de guias. Os grupos da região do Apapóris também foram fortemente afetados pela extração do ouro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O início da década de 1990 é marcado por novas transformações: a extração do ouro ficou extremamente reduzida devido ao esgotamento do minério. A estagnação da corrida do ouro desacelerou o trânsito de pessoas na região, mas trouxe consequências como uma menor mobilidade dos grupos Yuhupdeh (Ospina 2008) e uma continuidade maior no processo de escolarização. Com isso as comunidades se tornaram mais estáveis e menos móveis.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social e política ==&lt;br /&gt;
As comunidades yuhup apresentam variações quanto a sua formação social que vão desde uma composição completamente matrilocal quanto patrilocal, sendo o mais comum uma composição mista, onde encontram-se tanto uma parentela materna quanto paterna. Tais comunidades são definidas como grupos locais que são formados por um ou mais grupos domésticos. Cada grupo doméstico é formado por um casal com seus filhos(as) solteiros (as), filhos (as) recém-casados, quando residentes do mesmo grupo local, e eventualmente parentes próximos, normalmente órfãos e/ou viúvos(as). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos grupos locais, portanto, podem residir tanto filhos quanto genros de um homem mais velho que é a liderança de referência. Pode-se dizer que os grupos locais são multi-clânicos e estruturados por um grupo consanguíneo em torno do qual se estabelecem um núcleo de relações de afinidade através de matrimônios. A composição cognática das comunidades yuhup também se diferencia do ideal Tukano Oriental e Aruak de comunidade onde os moradores masculinos são ágnatos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora os grupos locais predominantemente tenham uma composição cognática, a formação de um grupo local é orientada pela princípio de descendência agnática. Os grupos regionais são formados por um conjunto de grupos locais que possuem uma intensa relação de troca matrimonial, ritual e de bens. Há uma evidente tendência dessas trocas se restringirem no interior dos grupos regionais, mas não há nenhum impedimento para que grupos regionais mantenham relações de troca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As escolhas matrimoniais são também realizadas a partir do princípio de descendência na medida em que os clãs agnáticos constituem as unidades elementares exogâmicas da organização social yuhup e são organizadas hierarquicamente. Algo que se evidencia quando há uma fissão entre as pessoas de uma comunidade: as relações de afinidade são as que se rompem mais facilmente. Cada clã possui um conjunto próprio de nomes, instrumentos musicais, mitos, danças e cantos que o diferencia dos outros clãs e cuja transmissão se dá por meio da descendência patrilinear.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal sistema de clãs patrilineares exogâmicos está vinculado a um vocabulário de parentesco dravidiano na medida em que a mesma distinção terminológica usada para designar primos paralelos e os primos cruzados, também é usada para diferenciar os clãs entre si. O casamento preferencial ocorre entre primos cruzados bilaterais da mesma geração. A maior parte dos casamentos são linguisticamente endogâmicos, isto é, marido e esposa falam a mesma língua. Característica que permite definir os Yuhupdeh como parte de um conjunto maior abrangido pelo nome Maku. Diferentemente da maior parte dos grupos do Alto Rio Negro que praticam a exogamia linguística e são encapsulados pelos nomes Tukano Orientais e Aruak. A unidade exogâmica de casamento entre os Yuhupdeh – como entre os Maku em geral – tem o clã como limite e não a língua. É muito comum os clãs yuhup apresentarem subdivisões ordenadas por relações hierárquicas de agnação. Em contraste com as relações igualitárias de afinidade que prevalecem entre os clãs yuhup.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Yuhupdeh não se diferenciam dos Tukano e Aruak somente pela composição cognática e linguisticamente endogâmica de suas comunidades, mas também por apresentar um padrão de mobilidade mais intenso. Em muitas ocasiões grupos domésticos deixam a comunidade na qual possuem uma casa e passam temporadas ou acampados no mato ou visitando outros grupos conhecidos. A alta movimentação dos grupos yuhup, assim como a de outros grupos Maku, está associada a um vasto conhecimento dos caminhos e das paisagens e também a uma habilidade notável na caça e na coleta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os acampamentos se caracterizam por apresentar um número reduzido de grupos domésticos, podendo ser apenas um, que se destacam temporariamente da comunidade. Durante os acampamentos as atividades de caça, coleta e pesca são mais frequentes e os cuidados da roça ficam interrompidos. As visitas podem ser tanto para parentes consanguíneos quanto afins. Também é comum um grupo doméstico se deslocar para prestar serviço em comunidades de grupos Tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas essas características da organização social dos grupos yuhup contribuiu para que os Yuhupdeh, enquanto Maku, se destacassem da paisagem sociológica do Noroeste Amazônico como índio do mato – igualitário, nômade, endogâmico, caçador, coletor, moradores do interior da floresta – em oposição à figura do índio do rio – hierárquico, sedentário, exogâmico, horticultor, morador dos grandes rios – representada pelos Tukano e Aruak. Mas se tais diferenças existem e são notáveis não se trata de considerá-las como uma oposição absoluta, mas através de um gradiente de transformações (Jackson 1983).  &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cosmologia e mitologia ==&lt;br /&gt;
O cosmos yuhup recebe o nome de ''wag'' e pode ser distinguido em múltiplos planos e que tem como principais orientações: a terra dos mortais (''yuhup-bö-saah'') onde vivem os Yuhupdeh atualmente, a terra do rio umari (''péj-dëh-saah'') que se localiza no mundo subterrâneo, a casa de trovão (''pẽy mõy'') que se localiza no mundo de cima, o caminho do sol (''weró-tíw'') que indica a sua direção poente e nascente. Vários ciclos míticos contam sobre as formações desses planos cosmológicos e seus desdobramentos em outros planos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mitologia yuhup tem muitas narrativas que são compartilhadas com muitos outros grupos da região, incluindo Tukano e Aruak. As mais difundidas sendo as versões do aparecimento das flautas Jurupari (''Ti’'') e da viagem da canoa da transformação (''yãh baah hóh''). Tais narrativas constituem um gênero da arte verbal yuhup designado de ''big ni dih'', literalmente histórias de antigamente, cuja característica principal é a descrição das diversas gêneses do universo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O plano mítico, nesse sentido, é uma associação de uma multiplicidade de gêneses heterogêneas que vão se diferenciando ao longo do tempo e dando origem a uma diversidade de planos. Um aspecto fundamental dessas gêneses, e já muito notado na literatura antropológica, é que todas as gêneses se referem ao processo de aparecimento da condição de pessoa. Tanto seres humanos quanto animais, rios, serra, etc. aparecem inicialmente sob essa condição e vão se transformando e se diferenciando a partir daí. Os mitos contam que num determinado momento, no caso dos seres humanos, as transformações resultaram na ‘gente verdadeira’; no caso dos animais, das plantas, dos rios, transformações divergentes teriam resultado em 'gentes' diversas. Gentes que, do ponto de vista dos humanos, não aparecem, de modo geral, como pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O principal mito que conta a transformação em ‘gente verdadeira’ é o da viagem da canoa de transformação e têm como personagem yuhup Sah Säw. Ele é quem conduz a canoa e, segundo a perspectiva dos Yuhupdeh, seria o comandante da viagem, decidindo aonde ir e onde parar. Posição que contraria a visão dos povos Tukano e Aruak cujas versões entendem que os Maku – inclusive os Yuhupdeh – são marinheiros da canoa que estariam à serviço deles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da viagem da canoa de transformação, há várias narrativas míticas que têm como protagonista Sah Säw e que se estendem num período anterior e posterior à viagem. Tal ciclo mítico se caracteriza por contar como o universo passou a se organizar da forma como é atualmente. Antes da viagem Sah Säw é o encarregado de aprender as principais noções culturais e depois da viagem é o responsável em ensiná-las a seu neto Dö’-Saa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As histórias envolvendo este neto constituem um novo ciclo mítico na medida em que a partir daí o universo começa a ser nomeado dentro da aparência atual para os Yuhupdeh. Por exemplo, no mundo de Sah Säw a pimenta era chamada de ''pun tat'', a partir do nascimento Dö’-Saa passou a ser denominada de ''kow''; o breu o avô chamava de ''teg duw dew'' e o neto de ''wo’'', etc. Tais ciclos míticos também são fonte fundamental para as práticas rituais e para as ações xamânicas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual e xamanismo ==&lt;br /&gt;
O xamanismo e as práticas rituais yuhup se enfraqueceram ao longo dos últimos cinquenta anos e xamãs poderosos tornaram-se raros. Situação compartilhada com todos os grupos que vivem na região do Alto Rio Negro. Tal enfraquecimento está associado às missões salesianas que se instalaram na região por volta da década de 1940 e passaram a combater as práticas xamânicas. Os padres impediram a realização de rituais, tomaram os instrumentos rituais, proibiram a execução de benzimentos e de procedimentos de cura onde se extrai a doença. Outra estratégia utilizada pelos salesianos foi recrutar as crianças para os colégios internos a fim de civilizá-los e impedi-los que participassem dos rituais de iniciação com as flautas Jurupari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora os Yuhupdeh tenham sido menos afetado pelo contato com os missionários – eram minoria nos internatos das missões, por exemplo – as consequências foram muito similares àquelas sofridas pelos outros grupos que prevaleciam nas missões. Tanto que os grupos yuhupdeh que vivem na região do igarapé Castanha, do Ira e do Cunuri, se referem a um enfraquecimento dos pajés e benzedores e o associam à tomada dos instrumentos e ornamentos por parte dos missionários salesianos e à proibição de realização de rituais de iniciação, de cura e de dança. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua yuhup tem duas palavras para se referir ao xamã que são as palavras ''säw'' e ''mihdiid säw'', traduzidas geralmente como pajé e benzedor, respectivamente. Algo que a língua yuhup compartilha com as línguas Tukano Oriental e Aruak, que também possuem dois termos para xamã. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A principal diferença entre pajé e benzedor, conforme dito alguns benzedores yuhup, é que o pajé tem a capacidade de se transformar em gente onça e negociar com essa gente. Outra diferença diz respeito aos procedimentos terapêuticos empregados para fazer a cura. O pajé consegue extrair a doença da pessoa e a partir disso identifica a doença. Uma das técnicas relatadas foi a cura com água. O pajé põe um recipiente com água no chão em frente ao doente e começa a banhá-lo até que em determinado momento a doença cai sob o recipiente na forma de um objeto. Ele possui uma pedra de quartzo, que normalmente mantém pendurada ao pescoço. Ele tem a capacidade de viajar através dos sonhos para os diversos planos do mundo e o conhecimento sobre fórmulas verbais que enviam doença para algum inimigo. Durante o aprendizado dessas habilidades, é necessário obedecer rigorosamente restrições alimentares e sexuais e consumir tabaco, ipadu, caapi, paricá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do benzedor não conseguir se transformar em onça, tampouco aplica a técnica de extrair a doença da pessoa. O seu procedimento terapêutico se concentra na execução de fórmulas verbais. Os indígenas da região usam a palavra benzimento para se referirem a essas fórmulas. É comum também aparecerem traduzidas como reza. Parte da bibliografia se refere a essas fórmulas como encantação. Os benzimentos podem se diferenciar em três tipos: os de nominação, os de cura e os de proteção. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O benzedor é o responsável por conduzir os rituais de iniciação masculina com o uso de flautas Jurupari (''Tí’''). Esses rituais com flautas são disseminados por toda a região do alto rio Negro e é um dos fatores que permite concebê-la como um sistema integrado. Além das próprias flautas, os povos da região compartilham versões sobre a origem dessas flautas. A invariante que conecta todas as versões é a retomada por parte dos homens dessas flautas, que foram inapropriadamente tomadas pelas mulheres. Durante esse período em que os iniciantes e os homens veem as flautas Jurupari (''Tí’''), eles obedecem restrições alimentares e sexuais e os iniciantes aprendem a consumir tabaco, ipadu, paricá e caapi. O benzedor que coordena o ritual, conta mitos e benzimentos para os jovens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do ritual de iniciação masculina, existem outro rituais de danças que podem ser distinguidos entre as danças cariço e ''caapiwaya''. A dança cariço é denominada em yuhup como ''be’'' e frequentemente executada nos rituais de troca de alimentos, comumente conhecido na região do Alto Rio Negro como dabucuri. A dança ''caapiwaya'', também pode estar ligada a um dabucuri, e são executadas em ciclos que duram um dia e meio, onde homens enfeitados com ornamentos dançam sob a condução do mestre de dança e cantam uma música de língua incompreensível que remonta ao tempo da gênese das primeiras geração de pessoas. Os mestres de dança que conduzem tais rituais são chamados na língua yuhup de ''yãm säw''.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos contemporâneos ==&lt;br /&gt;
Em linhas gerais os aspectos contemporâneos (2014) dos grupos Yuhupdeh podem ser compreendidos em dois contextos distintos que estão intimamente vinculados à realidade das políticas nacionais das quais fazem parte. Os grupos da região do Apapóris encontram-se em território colombiano, enquanto os da região do Tiquié em território brasileiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os indígenas da região do Apapóris viveram uma importante transformação política a partir da constituição colombiana de 1991 na qual os territórios indígenas, como todos os Resguardos, adquiriram o estatuto de Entidades Territoriais e autonomia política e administrativa em relação ao funcionamento da educação, da saúde, dos serviços públicos, da justiça, etc. Com isso o resguardo Yaigojé Apaporis estabelecido em 1988 através da parceria entre as comunidades indígenas e a Fundação Gaia Amazonas, tornou-se uma Entidade Territorial, trazendo uma nova configuração política para a região. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conquanto desde o início da década de 1990 tenha se intensificado a participação local nos processos políticos, somente a partir de 1995 os grupos yuhup foram convidados para participar ativamente da ACIYA (Asociación de Capitanes del Resguardo Yaigojé Apaporis), organização criada para conduzir as negociações com o estado colombiano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1997, diante da possibilidade de ampliação do Resguardo Yaigojé Apaporis, os grupos yuhup se organizaram para que seu território tradicional fosse incluído nessa Entidade Territorial. (Ospina 71-72). A consolidação do território tradicional foi muito importante para fortalecer a posição dos Yuhupdeh frente às politicas públicas colombianas e abriu caminho para que novos projetos em parceria com a Fundação Gaia fossem levados à cabo através da ACIYA. É o caso da criação de uma escola yuhup cujo processo se iniciou no mesmo ano de 1997. Se é inegável que os Yuhupdeh que vivem na região do Apapóris vem se inserindo cada vez mais nas organizações indígenas e nos programas de política pública, é também inconteste que sua participação ainda é marginalizada e questionada por outros grupos indígenas da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora o contexto em que os grupos yuhup da região do Tiquié estão inseridos seja diferente da situação vivida pelos grupos do Apapóris, é possível estabelecer alguns paralelos. Em 1988 o movimento indígena em geral teve uma importante conquista política ao ser inserido na constituição nacional uma legislação específica para assegurar o respeito à sua cultura e o direito originário sobre as terras que tradicionalmente ocupam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O movimento indígena do Alto Rio Negro teve papel importante nessa luta política. Ainda em 1987 foi fundada na região a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.foirn.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; formada por mais de 50 associações. Assim com um quadro político mais favorável, foi possível durante a década de 1990 o desenvolvimento de inúmeros projetos de educação, de saúde e de cultura. Grande parte deles empreendidos pelas associações através da FOIRN com o apoio de ONGs, órgãos financiadores internacionais e o estado brasileiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final da década de 1990, o esforço coletivo culminou com a legalização da demarcação de terras no Alto Rio Negro. Os grupos yuhup participaram ativamente na demarcação das TIs Alto Rio Negro e Rio Apapóris, sobretudo entre o rio Tiquié e rio Marié. Por serem reconhecidamente os moradores mais antigos dessa área e aqueles que melhor a conhecem pode-se legitimar o pedido de demarcação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal participação fortaleceu os grupos yuhup em relação à ampliação de representatividade nas associações e no esforço em desenvolver projetos culturais, educacionais e de saúde específicos para suas comunidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos yuhup que vivem na área do igarapé Castanha participam e acompanham o trabalho realizado pela ACIRC (Associação das Comunidades Indígenas do Rio Castanha), mas, até meados da década de 2010, nunca ocuparam um cargo administrativo dentro da associação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, desde 2000, os grupos yuhup dessa região vem construindo um projeto de escola que seja conduzido por eles próprios e não por outros grupos Tukano e Aruak, nem pelo Estado brasileiro. A escola existente no igarapé Castanha voltou a funcionar em 2009 com um professor yuhup. Ainda em 2006, as escolas das comunidades do igarapé Ira e Cunuri já tinha conseguido a contratação de professores yuhup. Em 2010 foi criada a AECIPY (Associação das Escolas e Comunidades Indígenas do Povo Yuhupdeh) no intuito de aumentar a autonomia dos grupos yuhup em relação as políticas públicas de educação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos impactos de tal processo foi o aumento significativo de pessoas que obtiveram documentos com o objetivo de acessar os diversos benefícios oferecidos pelo governo do Brasil: aposentadoria, bolsa família, auxílio maternidade, etc. Situação que traz novos desafios para os Yuhupdeh na medida em que isso os levou a visitas frequentes na sede do município de São Gabriel da Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
Os trabalhos mais completos sobre a língua yuhup foram realizados mais recentemente. O primeiro a ser publicado foi o de Ana Maria Ospina Bozzi (1995, 2002) que analisa principalmente a morfologia e a sintaxe da língua yuhup. O segundo foi o de Cácio Silva &amp;amp;amp; Elisângela Silva (2012) que além de análises morfológicas e sintáticas também procurou estabelecer um dicionário para a língua yuhup. Existem três outros trabalhos específicos sobre a língua yuhup, mas de cunho mais pontuais. São eles o de Daniel Jore &amp;amp;amp; Cheryl Jore (1980) que trata de uma análise preliminar da língua, o de Dalva Del Vigna (1990) sobre segmentos complexos e o de Brandão Lopes &amp;amp;amp; Parker (1999) sobre fonologia. Outros estudos linguísticos também fazem menção a língua yuhup, mas em relação à discussão sobre a família linguística Maku. É o caso do trabalho de Loukotka (1968), de Reina (1986), de Silvana Martins &amp;amp;amp; Valteir Martins (1999), Landaburu (2000), de Ramirez (2001a), Aihenvald (2002). Existem estudos mais antigos que tratam da família linguística Maku, mas nos quais não é possível identificar se se trata da língua yuhup. São principalmente os estudos de Koch-Grunberg (1906) e os de Tastevin (1923)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;span class=&amp;quot;Apple-tab-span&amp;quot; style=&amp;quot;white-space:pre&amp;quot;&amp;gt; &amp;lt;/span&amp;gt;Em relação às fontes etnográficas relacionadas aos Yuhupdeh existem poucos trabalhos. O primeiro trabalho a fazer uma menção destacada sobre os Yuhupdeh é o de Pozzobon (1984, 1992) que se dedicou ao estudo da organização social dos Maku através da relação entre parentesco e demografia, estabelecendo um modelo sócio-estrutural geral para os Bara, Hupda e Yuhupdeh. Outros trabalhos que tratam especificamente dos Yuhupdeh e dizem respeito a questões de organização social e história são o de Gabriel Cabrera Becerra, Carlos Eduardo Franky Calvo &amp;amp;amp; Dany Mahecha Rubio (1997, 2000), Carlos Eduardo Franky Calvo &amp;amp;amp; Dany Mahecha Rubio (1997), Dany Mahecha (2000) e Gabriel Cabrera Becerra (2005). Mais recentemente foi publicado o trabalho de Lolli (2010) sobre o sistema ritual e xamânicos dos Yuhupdeh.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;ASSIS, Lenita de Paula Souza. Quando o fim é o começo: identidade e estigma na história do povo Dâw no alto rio negro. Manaus: UFAM, 2006 (dissertação de mestrado).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;CABRERA BECERRA, Gabriel, FRANKY CALVO, Carlos Eduardo y MAHECHA RUBIO,Dany. LosNikak:nómadas de la Amazonia colombiana. Santafe de Bogota: Universidad Nacional de Colombia/Fundación Gaia Amazonas, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;RAMIREZ, Henri. Família Makú ou família Uaupés-Japura? Belém: Encontro da ANPOLL, 2001a.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RAMOS, Alcida Rita. Hierarquia e simbiose: relações intertribais no Brasil. São Paulo: Hucitec/INL/MEC, 1980.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RAMOS, Danilo Paiva. Círculos de coca e fumaça Encontros noturnos e caminhos vividos pelos Hupd’äh (Maku). São Paulo: Universidade de São Paulo, 2013 (tese de doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;REID, Howard. Some aspects of movement, growth and change among the Hupdu Maku indians of Brazil. Cambridge: University of Cambridge, 1979 (tese de doutorado).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;REID, H. Some Aspects of Movement, Growth and Change among the Hupdu Makú Indians of Brazil. 406p. Th (Ph D) : Ethnologie. Cambridge University. 1979.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;REINA, L. Análisis fonológico lengua makú - Amazonas. Th (Master) : Etnolinguistique. Bogotá. Universidad de los Andes. 1986.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;REINA, L. Los macúes, lengua \Ôu'hupdE\ Aspectos de la fonología. In : Lenguas Indígenas de Colombia. Una visión descriptiva. Ed. par González de Pérez, M.S.; Rodrígez de Montes, M.L. Bogotá : Instituto Caro y Cuervo, 2000. pp 537-546&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIVET, Paul &amp;amp;amp; TASTEVIN, Constant. Afinités du Makú et du Puinave. Journal de La Société des Américanistes, Vol. XII:69-82, 1920.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;RIVET, P.; KOK P.; TASTEVIN, C. Nouvelle Contribution a l'étude de la Langue Makú Rev. International Journal of American Linguistics : 1925, 3, 2-4, pp 133-192.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SALAMAND, C. Répresentations de la hiérarchie dans le Nord-Ouest amazonien: le cas des Indiens Makú. 82p. Mémoire de DEA, École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris, 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Cácio &amp;amp;amp; SILVA, Elisângela 2012 A língua dos Yuhupdeh, São Gabriel da Cachoeira, &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVERWOOD-COPE, Peter Lachlan. Os Maku: povo caçador do Noroeste da Amazônia. Brasília: UnB, 1990 [1972].&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Spruce, R. 1908. Notes of a botanist on the Amazon and Andes. London: MacMillan and Co.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Tastevin, P.C. 1923. Les Makú du Japurá, Journal de la Société del Américanistes de Paris 15:99–108.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Terribilini, Mario and Michel Terribilini. 1961. Enquéte chez des Indiens Maku du Vaupés. Bulletin de la Société Suisse des Américanistes, 21: 2-10.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;WALLACE, Alfred Russel. Viagens pelo Amazonas e Rio Negro. Brasília: Senado Federal, 2004 [1853].&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Whiffen, T. 1915. The North-West Amazons: Notes of some months spent among cannibal tribes. New York: Duffield and Company.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Pedro Lolli|Pedro Lolli]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Yuhupdeh}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Pedro Lolli}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=2242498805436a7d4c4c98.JPG}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=51633}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Pedro Lolli, 2013.}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2014-10-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=color:#eee!important}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=67}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Yanomami&amp;diff=6269</id>
		<title>Povo:Yanomami</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Yanomami&amp;diff=6269"/>
		<updated>2018-08-01T20:02:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Lead |''Kami Yamaki Urihipë'', Nossa Terra-Floresta}}&lt;br /&gt;
Para os Yanomami, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/581&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;''urihi'', a terra-floresta&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, não é um mero espaço inerte de exploração econômica (o que chamamos de “natureza”) Trata-se de uma entidade viva, inserida numa complexa dinâmica cosmológica de intercâmbios entre humanos e não-humanos. Como tal, se encontra hoje ameaçada pela predação cega dos brancos. Na visão do líder Davi Kopenawa Yanomami:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A terra-floresta só pode morrer se for destruída pelos brancos. Então, os riachos sumirão, a terra ficará friável, as árvores secarão e as pedras das montanhas racharão com o calor. Os espíritos xapiripë, que moram nas serras e ficam brincando na floresta, acabarão fugindo. Seus pais, os xamãs, não poderão mais chamá-los para nos proteger. A terra-floresta se tornará seca e vazia. Os xamãs não poderão mais deter as fumaças-epidemias e os seres maléficos que nos adoecem. Assim, todos morrerão.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Vista aérea da aldeia Demini do povo Yanomami, Amazonas. Foto: Marcos Wesley/CCPY, 2005&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/373336-3/demini.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Yanomami formam uma sociedade de caçadores-agricultores da floresta tropical do Norte da Amazônia cujo contato com a sociedade nacional é, na maior parte do seu território, relativamente recente. Seu território cobre, aproximadamente, 192.000 km², situados em ambos os lados da fronteira Brasil-Venezuela na região do interflúvio Orinoco - Amazonas (afluentes da margem direita do rio Branco e esquerda do rio Negro). Constituem um conjunto cultural e linguístico composto de, pelo menos, quatro subgrupos adjacentes que falam línguas da mesma família (''Yanomae, Yanõmami, Sanima'' e ''Ninam''). A população total dos Yanomami, no Brasil e na Venezuela, era estimada em cerca de 35.000 pessoas no ano de 2011.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Detalhe da maloca Balaú (AM). Foto: Carlo Zacquini, 1994&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/239226-1/yanomami_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, a população yanomami era de 19.338 pessoas, repartidas em 228 comunidades (Sesai, 2011). A &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/caracterizacao.php?id_arp=4016&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Yanomami&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que cobre 9.664.975 hectares (96.650 km²) de floresta tropical é reconhecida por sua alta relevância em termo de proteção da biodiversidade amazônica e foi homologada por um decreto presidencial em 25 de maio de 1992.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome ==&lt;br /&gt;
O etnônimo &amp;quot;Yanomami&amp;quot; foi produzido pelos antropólogos a partir da palavra ''yanõmami ''que, na expressão ''yanõmami thëpë'', significa &amp;quot;seres humanos&amp;quot;. Essa expressão se opõe às categorias ''yaro ''(animais de caça) e ''yai ''(seres invisíveis ou sem nome), mas também a ''napë ''(inimigo, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;). Os Yanomami remetem sua origem à copulação do demiurgo ''Omama ''com a filha do monstro aquático ''Tëpërësiki'', dono das plantas cultivadas. A ''Omama ''é atribuída a origem das regras da sociedade e da cultura yanomami atual, bem como a criação dos espíritos auxiliares dos pajés: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/582&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;os ''xapiripë ''(ou ''hekurapë'')&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. O filho de ''Omama ''foi o primeiro xamã. O irmão ciumento e malvado de ''Omama'', ''Yoasi'', é a origem da morte e dos males do mundo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os brancos: ''napëpë'' ==&lt;br /&gt;
Uma narrativa mítica ensina que os estrangeiros devem também sua existência aos poderes demiúrgicos de ''Omama''. Conta-se que foram criados a partir da espuma do sangue de um grupo de ancestrais Yanomami levado por uma enchente após a quebra de um resguardo menstrual e devorado por jacarés e ariranhas. A língua &amp;quot;emaranhada&amp;quot; dos forasteiros lhes foi transmitida pelo zumbido de Remori, o antepassado mítico do marimbondo comum nas praias dos grandes rios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para chegar a esta inclusão dos brancos numa humanidade comum, ainda que oriunda de uma criação &amp;quot;de segunda mão&amp;quot;, os antigos Yanomami tiveram que viver um longo tempo de encontros perigosos e tensos com esses estranhos, que passaram a chamar de ''napëpë ''(“estrangeiros, inimigos”). De fato, a primeira visão que tiveram dos brancos foi de um grupo de fantasmas vindo de suas moradias nas &amp;quot;costas do céu&amp;quot; com o escandaloso propósito de voltar a morar no mundo dos vivos (a volta dos mortos é um tema mítico e ritual particularmente importante para os Yanomami).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os antigos Yanomami ==&lt;br /&gt;
Por não possuírem afinidade genética, antropométrica ou lingüística com os seus vizinhos atuais, como os &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yekuana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Ye'kuana&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (de língua karíb), geneticistas e lingüistas que os estudaram deduziram que os Yanomami seriam descendentes de um grupo indígena que permaneceu relativamente isolado desde uma época remota. Uma vez estabelecido enquanto conjunto lingüístico, os antigos Yanomami teriam ocupado a área das cabeceiras do Orinoco e Parima há um milênio, e ali iniciado o seu processo de diferenciação interna (há 700 anos) para acabar desenvolvendo suas línguas atuais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo a tradição oral yanomami e os documentos mais antigos que mencionam este grupo indígena, o centro histórico do seu habitat situa-se na Serra Parima, divisor de águas entre o alto Orinoco e os afluentes da margem direita do rio Branco. Essa é ainda a área mais densamente povoada do seu território. O movimento de dispersão do povoamento yanomami a partir da Serra Parima em direção às terras baixas circunvizinhas começou, provavelmente, na primeira metade do século XIX, após a penetração colonial nas regiões do alto Orinoco e dos rios Negro e Branco, na segunda metade do século XVIII. A configuração contemporânea das terras yanomami tem sua origem neste antigo movimento migratório.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal expansão geográfica dos Yanomami foi possível, a partir do século XIX e até o começo do século XX, por um importante crescimento demográfico. Vários antropólogos consideram que essa expansão populacional foi causada por transformações econômicas induzidas pela aquisição de novas plantas de cultivo e de ferramentas metálicas através de trocas e guerras com grupos indígenas vizinhos (Karib, ao norte e a leste; Arawak, ao sul e ao oeste), que, por sua vez, mantinham um contato direto com a fronteira branca. O esvaziamento progressivo do território desses grupos, dizimados pelo contato com a sociedade regional por todo o século XIX, acabou favorecendo também o processo de expansão yanomami.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Primeiros contatos ==&lt;br /&gt;
Até o fim do século XIX, os Yanomami mantinham contato apenas com outros grupos indígenas vizinhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, os primeiros encontros diretos de grupos yanomami com representantes da fronteira extrativista local (balateiros, piaçabeiros, caçadores), bem como com soldados da Comissão de Limites e funcionários do &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/o-servico-de-protecao-aos-indios-(spi)&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;SPI&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ou viajantes estrangeiros, ocorreram nas décadas de 1910 a 1940.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os anos 1940 e meados dos anos 1960, a abertura de alguns postos do SPI e, sobretudo, de várias missões católicas e evangélicas, estabeleceu os primeiros pontos de contato permanente no seu território. Estes postos constituíram uma rede de pólos de sedentarização, fonte regular de objetos manufaturados e de alguma assistência sanitária, mas também, muitas vezes, origem de graves surtos epidêmicos (sarampo, gripe e coqueluche).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O tempo do desenvolvimento ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Abertura da Assembléia Geral Yanomami. À direita, o líder Davi Kopenawa (com Raimundo Yanomami). Aldeia Demini, 11/12/2000. Foto: Hervé Chandès.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/239229-1/yanomami_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas décadas de 1970 e 1980, os projetos de desenvolvimento do Estado começaram a submeter os Yanomami a formas de contato maciço com a fronteira econômica regional em expansão, principalmente no oeste de Roraima: estradas, projetos de colonização, fazendas, serrarias, canteiros de obras e primeiros garimpos. Esses contatos provocaram um choque epidemiológico de grande magnitude, causando altas perdas demográficas, uma degradação sanitária generalizada e, em algumas áreas, graves fenômenos de desestruturação social.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A estrada Perimetral Norte ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índios Yanomami na rodovia federal BR-210, também conhecida como Perimetral Norte, Terra Indígena Yanomami. Foto: Bruce Albert, 1976&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/373339-3/YAF00061.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As duas principais formas de contato inicialmente conhecidas pelos Yanomami - primeiro, com a fronteira extrativista e, depois, com a fronteira missionária - coexistiram até o início dos anos 1970 como uma associação dominante no seu território. Entretanto, os anos 1970 foram marcados (especialmente em Roraima) pela implantação de projetos de desenvolvimento no âmbito do “Plano de Integração Nacional” lançado pelos governos militares da época. Tratava-se, essencialmente, da abertura de um trecho da estrada Perimetral Norte (1973-76) e de programas de colonização pública (1978-79) que invadiram o sudeste das terras yanomami. Nesse mesmo período, o projeto de levantamento dos recursos amazônicos RADAM (1975) detectou a existência de importantes jazidas minerais na região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A publicidade dada ao potencial mineral do território yanomami desencadeou um movimento progressivo de invasão garimpeira, que acabou agravando-se no final dos anos 1980 e tomou a forma, a partir de 1987, de uma verdadeira corrida do ouro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
Veja &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/caracterizacao.php?id_arp=4016&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;aqui&amp;lt;/htmltag&amp;gt; o mapa e caracterização socioambiental da Terra Indígena Yanomami&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A corrida do ouro ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Yanomami com as cinzas dos parentes vitimados no Massacre de Haximu. Foto: Carlo Zacquini, 1993&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/239269-1/yanomami_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma centena de pistas clandestinas de garimpo foi aberta no curso superior dos principais afluentes do Rio Branco entre 1987 e 1990. O número de garimpeiros na área yanomami de Roraima foi, então, estimado em 30 a 40.000, cerca de cinco vezes a população indígena ali residente. Embora a intensidade dessa corrida do ouro tenha diminuído muito a partir do começo dos anos 1990, até hoje núcleos de garimpagem continuam encravados na terra yanomami, de onde seguem espalhando violência e graves problemas sanitários e sociais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ameaças futuras? ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Pista de pouso para aviões do garimpo Chimarrão, região do Alto Rio Mucajaí/ RR. Foto: Charles Vincent, Arquivo ISA/1990.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/239247-2/yanomami_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A frente de expansão garimpeira tendeu, no fim da década de 1980, a suplantar as formas anteriores de contato dos Yanomami com a sociedade envolvente e até a relegar a segundo plano a fronteira dos projetos de desenvolvimento surgida nos anos 1970. Isto não significa, no entanto, que outras atividades econômicas (agricultura comercial, empreendimentos madeireiros e agropecuários, mineração industrial), ainda incipientes ou inexistentes, não possam constituir, no futuro, uma nova ameaça à integridade das terras yanomami, apesar de sua demarcação e homologação.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Piloto de helicóptero da Força Aérea Brasileira&lt;br /&gt;
socorre Yanomami doente da maloca Hemosh. Foto: Charles Vincent, Arquivo ISA/1990.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/239252-1/yanomami_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, além do persistente interesse garimpeiro sobre a região, deve-se notar que quase 60% do território yanomami está coberto por requerimentos e títulos minerários registrados no Departamento Nacional de Produção Mineral por empresas de mineração públicas e privadas, nacionais e multinacionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Piloto de helicóptero da Força Aérea Brasileira na remoção de mulher Yanomami doente da maloca Hemosh para o posto médico de Surucucus. Foto: Charles Vincent, Arquivo ISA/1990. &lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/239256-1/yanomami_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, os projetos de colonização implementados nas décadas de 1970 e 1980 no leste e sudeste das terras yanomami criaram uma frente de povoamento que tende a expandir-se para dentro da área indígena (regiões de Ajarani e Apiaú) devido ao fluxo migratório direcionado para Roraima - tendência que poderá ser ampliada no futuro em conseqüência do apagamento dos limites da demarcação por um mega-incêndio que atingiu Roraima (1998).&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/239256-1/yanomami_9.jpg&amp;quot; rel=&amp;quot;lightbox[g2image]&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; title=&amp;quot;Piloto de helicóptero da Força Aérea Brasileira na remoção de mulher Yanomami doente da maloca Hemosh para o posto médico de Surucucus. Foto: Charles Vincent, Arquivo ISA/1990. &amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Maloca do Hemosh, região do Alto Rio Mucajaí (RR). Foto: Charles Vincent, Arquivo ISA/1990. &lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/239249-1/yanomami_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfim, três bases militares do “Projeto Calha Norte” foram implementadas na Terra Yanomami desde 1985 (Pelotões Especiais de Fronteira/ PEF de Maturacá, Surucucus e Auaris, um quarto está previsto na região de Ericó), induzindo graves problemas sociais (prostituição) nas população locais, o que já suscitou protestos de lideranças yanomami de Roraima.&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://img.socioambiental.org/d/239256-1/yanomami_9.jpg&amp;quot; rel=&amp;quot;lightbox[g2image]&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; title=&amp;quot;Piloto de helicóptero da Força Aérea Brasileira na remoção de mulher Yanomami doente da maloca Hemosh para o posto médico de Surucucus. Foto: Charles Vincent, Arquivo ISA/1990. &amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A casa, a aldeia ==&lt;br /&gt;
Os grupos locais yanomami são geralmente constituídos por uma casa plurifamiliar em forma de cone ou de cone truncado chamado yano ou ''xapono ''(Yanomami orientais e ocidentais), ou por aldeias compostas de casas de tipos retangulares (Yanomami do norte e nordeste).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Maloca Yanomami e a pupunha para a festa, aldeia Demini, Terra Indígena Yanomami, Amazonas. Foto: Kristian Bengtson, 2003&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/373230-1/maloca.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada casa coletiva ou aldeia considera-se como uma entidade econômica e política autônoma (''kami theri yamaki'', &amp;quot;nós co-residentes&amp;quot;) e seus membros preferem, idealmente, casar-se nesta comunidade de parentes com um(a) primo(a) &amp;quot;cruzado(a)&amp;quot;, ou seja, o(a) filho(a) de um tio materno e uma tia paterna. Esse tipo de casamento é reproduzido o quanto possível entre as famílias numa geração e de geração em geração, fazendo da casa coletiva ou aldeia yanomami um denso e confortável emaranhado de laços de consangüinidade e afinidade.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O espaço social inter-aldeão ==&lt;br /&gt;
Porém, apesar desse ideal autárquico, todos grupos locais mantêm uma rede de relações de troca matrimonial, cerimonial e econômica com vários grupos vizinhos, considerados aliados frente aos outros conjuntos multicomunitários da mesma natureza. Esses conjuntos superpõem-se parcialmente para formar uma malha sócio-política complexa, que liga a totalidade das casas coletivas e aldeias yanomami de um lado ao outro do território indígena&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O espaço social fora da casa coletiva ou da aldeia, consideradas como mônadas de parentesco próximo, é tido com desconfiança como o universo perigoso dos &amp;quot;outros&amp;quot; (''yaiyo thëpë''): visitantes (''hwamapë''), que, nas grandes cerimônias funerárias e de aliança intercomunitária reahu, podem causar doenças usando de feitiçaria para se vingar de insultos, avareza ou ciúme sexual; inimigos (''napë thëpë''), que podem matar, atacando a aldeia como guerreiros (''waipë'') ou feiticeiros (''okapë''); gente desconhecida e longínqua (t''anomai thëpë''), que pode provocar doenças letais mandando espíritos xamânicos predadores ou caçar o duplo animal rixi das pessoas (os rixi vivem nas matas remotas, longe de seu duplo humano); enfim, os &amp;quot;brancos&amp;quot; (''napëpë''), categoria paradoxal de estrangeiros (inimigos potenciais) próximos, diante dos quais temem-se as epidemias (''xawara'') associadas às fumaças produzidas por suas &amp;quot;máquinas&amp;quot; (maquinários de garimpo, motores de aviões e helicópteros) e à queima de suas possessões (mercúrio e ouro, papéis, lonas e lixo).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O uso dos recursos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Trabalho diário de mulher yanomami/Maloca Toototobi (RR).&lt;br /&gt;
Foto: Michel Pellanders, 1996.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/239267-1/yanomami_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O espaço de floresta usado por cada casa-aldeia yanomami pode ser descrito esquematicamente como uma série de círculos concêntricos. Esses círculos delimitam áreas de uso de modos e intensidade distintos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro círculo, num raio de cinco quilômetros, circunscreve a área de uso imediato da comunidade: pequena coleta feminina, pesca individual ou, no verão, pesca coletiva com timbó, caça ocasional de curta duração (ao amanhecer ou ao entardecer) e atividades agrícolas. O segundo círculo, num raio de cinco a dez quilômetros, é a área de caça individual (''rama huu'') e da coleta familiar do dia-a-dia.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Preparando a pupunha para festa, aldeia Demini, Terra Indígena Yanomami, Amazonas. Foto: Kristian Bengtson, 2003&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/373345-1/103_0302.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O terceiro círculo, num raio de dez a vinte quilômetros, é a área das expedições de caça coletivas (''henimou'') de uma a duas semanas que antecedem os rituais funerários (cremações dos ossos, enterros ou ingestões de cinzas nas cerimônias intercomunitárias reahu), bem como das longas expedições plurifamiliares de coleta e caça (três a seis semanas) durante a fase de maturação das novas roças (''waima huu''). Encontram-se também nesse &amp;quot;terceiro círculo&amp;quot; tanto as roças novas quanto as antigas, junto às quais se acampa esporadicamente – para cultivar nas primeiras, colher nas segundas – e em cujos arredores a caça é abundante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Yanomami costumavam passar entre um terço e quase a metade do ano acampados em abrigos provisórios (''naa nahipë'') em diferentes locais dessa área de floresta mais afastada da sua casa coletiva ou aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse tempo de vida na floresta tende a diminuir quando se estabelecem relações de contato regular com os brancos, dos quais os Yanomami ficam dependentes para ter acesso a remédios e mercadorias.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Urihi'', a terra-floresta ==&lt;br /&gt;
A palavra yanomami ''urihi ''designa a floresta e seu chão. Significa também território: i''pa urihi,'' &amp;quot;minha terra&amp;quot;, pode referir-se à região de nascimento ou à região de moradia atual do enunciador; ''yanomae thëpë'' ''urihipë'', &amp;quot;a floresta dos seres humanos&amp;quot;, é a mata que Omama deu para os Yanomami viverem de geração em geração; seria, em nossas palavras, &amp;quot;a terra yanomami&amp;quot;. ''Urihi ''pode ser, também, o nome do mundo: ''urihi a pree'', &amp;quot;a grande terra-floresta&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fonte de recursos, ''urihi'', a terra-floresta, não é, para os Yanomami, um simples cenário inerte submetido à vontade dos seres humanos. Entidade viva, ela tem uma imagem essencial (''urihinari''), um sopro (''wixia''), bem como um princípio imaterial de fertilidade (''në rope'').&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os animais (''yaropë'') que abriga são vistos como avatares dos antepassados míticos homens/animais da primeira humanidade (''yaroripë'') que acabaram assumindo a condição animal em razão do seu comportamento descontrolado, inversão das regras sociais atuais. Nas profundezas emaranhadas da urihi, nas suas colinas e nos seus rios, escondem-se inúmeros seres maléficos (''në waripë''), que ferem ou matam os Yanomami como se fossem caça, provocando doenças e mortes. No topo das montanhas, moram as imagens (''utupë'') dos ancestrais-animais transformadas em espíritos xamânicos xapiripë.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ''xapiripë'' foram deixados por ''Omama ''para que cuidassem dos humanos. Toda a extensão de ''urihi ''é coberta pelos seus espelhos onde brincam e dançam sem fim. No fundo das águas, esconde-se a casa do monstro ''Tëpërësik«'', sogro de ''Omama'', onde moram também os espíritos ''yawarioma'', cujas irmãs seduzem e enlouquecem os jovens caçadores yanomami, dando-lhes, assim, acesso à carreira xamânica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Outras leituras ===&lt;br /&gt;
O livro ''Urihi: A Terra-Floresta Yanomami'', recém lançado pelo ISA em parceria com o Institut de Recherche pour le Développement (IRD), apresenta uma visão geral sobre o conhecimento florístico dos Yanomami com base em dados coletados em diferentes partes de seu território e em diferentes períodos. &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/loja/detalhe_produto.html?id_prd=10354&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Esta publicação está à venda na Loja Virtual do ISA&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os espíritos ''xapiripë'' ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Sessão de inalação do pó alucinógeno yãkõana/Maloca Toototobi. Foto: Milton Guran, 1991&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/239294-1/yanomami_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A iniciação dos pajés é dolorosa e extática. Ao longo dela, inalando por muitos dias o pó alucinógeno ''yãkõana ''(resina ou fragmentos da casca interna da árvore Virola sp. secados e pulverizados) sob a condução dos mais antigos, aprendem a &amp;quot;ver/ conhecer&amp;quot; os espíritos ''xapiripë ''e a &amp;quot;responder&amp;quot; a seus cantos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ''xapiripë ''são vistos sob a forma de miniaturas humanóides enfeitadas de ornamentos cerimoniais coloridos e brilhantes. Sua dança de apresentação é comparada à ruidosa e alegre chegada de grupos convidados, ricamente adornados, numa festa intercomunitária ''reahu''. São, sobretudo, &amp;quot;imagens&amp;quot; xamânicas (''utupë'') de entes da floresta. Existem ''xapiripë ''de mamíferos, pássaros, peixes, batráquios, répteis, lagartos, quelônios, crustáceos e insetos. Existem espíritos de diversas árvores, espíritos das folhas, espíritos dos cipós, dos méis silvestres, da água, das pedras, das cachoeiras… Muitos são também &amp;quot;imagens&amp;quot; de entidades cósmicas (lua, sol, tempestade, trovão, relâmpago) e de personagens mitológicas. Existem também humildes ''xapiripë ''caseiros, como o espírito do cachorro, o espírito do fogo ou da panela de barro. Existem, enfim, espíritos dos &amp;quot;brancos&amp;quot; (os ''napënapëripë'', mobilizados, por homeopatia simbólica, para combater as epidemias) e de seus animais domésticos (galinha, boi, cavalo).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O trabalho dos pajés ==&lt;br /&gt;
Uma vez iniciados, os pajés yanomami podem chamar até si os ''xapiripë'', para que estes atuem como espíritos auxiliares. Esse poder de conhecimento/ visão e de comunicação com o mundo das “imagens/essencias vitais” (''utupë'') faz dos pajés os pilares da sociedade yanomami. Escudo contra os poderes maléficos oriundos dos humanos e dos não-humanos que ameaçam a vida dos membros de suas comunidades, eles são também incansáveis negociadores e guerreiros do invisível, dedicados a domar as entidades e as forças que movem a ordem cosmológica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Controlam a fúria dos trovões e dos ventos de tempestade, a regularidade da alternância do dia e da noite, da seca e das chuvas, a abundância da caça, a fertilidade das plantações, sustentam a abóbada do céu para impedir sua queda (a terra atual é um antigo céu caído), afastam os predadores sobrenaturais da floresta, contra-atacam as investidas de espíritos agressivos de pajés inimigos e, principalmente, curam os doentes, vítimas da malevolência humana (feitiçarias, xamanismo agressivo, agressões ao duplo animal) ou não-humana (advinda dos seres maléficos në waripë).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assista ao &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/yanomami/2060#2&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;vídeo realizado durante o Encontro de Xamãs Yanomami&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ver os espíritos ''xapiripë'' ==&lt;br /&gt;
Para desenvolver suas sessões, os pajés inalam o pó ''yãkõana'', considerado como a comida dos espíritos. Sob seu efeito, dizem &amp;quot;morrer&amp;quot;: entram num estado de transe visionário durante o qual &amp;quot;chamam&amp;quot; a si e &amp;quot;fazem descer&amp;quot; vários espíritos auxiliares, com os quais acabam identificando-se, imitando as coreografias e cantos de cada um em função da sua mobilização na pajelança (denignam-se os pajés como ''xapiri thëpë'', &amp;quot;gente espírito&amp;quot;; o fazer pajelança diz-se xapirimu, &amp;quot;agir enquanto espírito&amp;quot;). Assim, quando &amp;quot;seus olhos morrem&amp;quot;, os pajés adquirem uma visão/ poder que, ao contrário da percepção ilusória da &amp;quot;gente comum&amp;quot; (''kua përa thëpë''), lhes dá acesso à essência dos fenômenos e ao tempo de suas origens, portanto, à capacidade de modificar seu curso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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* VUUREN, Chris van. To fight over women and to lose your land : violence in anthropological writing and the Yanomamo of Amazonia. Unisa Latin American Report, Pretoria : Univ. of South Africa, v. 10, n. 2, p. 10-20, 1994.&lt;br /&gt;
* WEIDMANN, Karl; BOADAS, Antônio; LIZOT, Jacques; PEREZ, Antônio. La Amazonía Venezolana. Caracas : Fundación Polar, 1981. 116 p.&lt;br /&gt;
* WILBERT, Johannes; SIMONEAU, Karin (Eds.). Folk literature of the Yanomami indians. Los Angeles : Univ. of California, 1990. 826 p. (Ucla Latin American Studies, 73)&lt;br /&gt;
* YANOMAMI, Davi Kopenawa. Fièvres de l'or. Ethnies, Paris : Survival International, v. 7, n. 14, p. 39-44, 1993.* -------. Xawara : o ouro canibal e a queda do céu - Entrevista. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 169-71. (Aconteceu Especial, 18)&lt;br /&gt;
* Apocalypse now. Dir.: Campos Ribeiro; Darrell Posey; Palmerio Dora. Vídeo cor, 12 min., 1991. Prod.: Campos Produções Ltda&lt;br /&gt;
* Boca do ouro. Dir.: César P. Mendes. Vídeo Cor, HI-8 e U-Matic, 26 min., 1992. Prod.: CPCE&lt;br /&gt;
* El cielo caera sobre la tierra. Dir.: Ricardo Franco; José Lozano. Filme cor, 16 mm, 55 min., 1992. Prod.: Ricardo G. Arroyo; Felix Tusell.&lt;br /&gt;
* David contra Golias : Brasil Caim. Dir.: Aurélio Michiles. Vídeo Cor, VHS/NTSC, 10 min., 1993. Prod.: Cedi/PIB&lt;br /&gt;
* La maison et la foret. Dir.: Volkmar Ziegler. Filme cor, 16 mm, 58 min., 1993. Prod.: Volkmar Ziegler; Pierrette Birraux.&lt;br /&gt;
* Moon, jungle, fire and earth. Dir.: Pier Brinkman. Vídeo cor, U-Matic/NTSC, 20 min., 1992. Prod.: Humaniste League.&lt;br /&gt;
* Ouro em Roraima : a extinção dos Yanomami. Vídeo cor, PAL-M, 42 min., 1995. Prod.: Wolfang Brog&lt;br /&gt;
* Pau-Brasil. Dir.: André Luís. Vídeo Cor, HI-8 e U-Matic, 5 min., 1992. Prod.: CPCE&lt;br /&gt;
* Pintura corporal : uma pele social. Dir.: Delvair Montagner. Vídeo Cor, HI-8/Betacam SP, 20 min., 1994. Prod.: CPCE&lt;br /&gt;
* Povo da lua, povo do sangue. Dir.: Marcelo Tássara. Filme cor, 27 min., 1983. Prod.: Marcelo Tássara; Funarte.&lt;br /&gt;
* Yanomami : extermínio e morte. Dir.: Delvair Montagner. Vídeo Cor, HI-8 e U-Matic, 30 seg., 1993. Prod.: CPCE; Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas&lt;br /&gt;
* Yanomami : keepers of the flame. Dir.: Adolfo Rudy Vargas. Vídeo cor, VHS, 58 min., 1992. Prod.: California State Polythechnic University&lt;br /&gt;
* Yanomami : povo sem futuro. Dir.: Delvair Montagner. Vídeo Cor, HI-8 e U-Matic, 30 seg., 1993. Prod.: CPCE; Fórum em Defesa dos Direitos Indígenas&lt;br /&gt;
* Mekarõn : amazone indianen. Amsterdam : Awí Productions, 1992. (CD)&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Bruce Albert|Bruce Albert]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Bruce Albert entrevista Davi Kopenawa ==&lt;br /&gt;
=== Xawara - O ouro canibal e a queda do céu ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em entrevista concedida ao Cedi, em Brasília, no dia 09 de março de 1990, Davi Kopenawa Yanomami respondeu na própria língua às perguntas do antropólogo Bruce Albert, revelando a visão do jovem pajé da aldeia Demini sobre o drama vivido atualmente pelo o seu povo.&lt;br /&gt;
'''Bruce - Gostaria que você contasse o que os Yanomami falam das epidemias que assolam o seu território por causa da invasão garimpeira.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Davi - '''Vou te dizer o que nós pensamos. Nós chamamos estas epidemias de ''xawara''. A ''xawara'' que mata os Yanomami. É assim que nós chamamos epidemia. Agora sabemos da origem da ''xawara''. No começo, nós pensávamos que ela se propagava sozinha, sem causa. Agora ela está crescendo muito e se alastrando em toda parte. O que chamamos de ''xawara'', há muito tempo nossos antepassados mantinham isto escondido. ''Omamë'' [o criador da humanidade yanomami e de suas regras culturais]&lt;br /&gt;
mantinha a xawara escondida. Ele a mantinha escondida e não queria que os Yanomami mexessem com isto. Ele dizia: &amp;quot;não ! não toquem nisso!&amp;quot; Por isso ele a escondeu nas profundezas da terra. Ele dizia também: &amp;quot;Se isso fica na superfície da terra, todos Yanomami vão começar a morrer à toa!&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo falado isso, ele a enterrou bem profundo. Mas hoje os ''nabëbë'', os brancos, depois de terem descoberto nossa floresta, foram tomados por um desejo frenético de tirar esta xawara do fundo da terra onde ''Omamë'' a tinha guardado. Xawara é também o nome do que chamamos ''booshikë'', a substância do metal, que vocês chamam &amp;quot;minério&amp;quot;. Disso temos medo. A ''xawara'' do minério é inimiga dos Yanomami, de vocês também. Ela quer nos matar. Assim, se você começa a ficar doente, depois ela mata você. Por&lt;br /&gt;
causa disso, nós, Yanomami, estamos muitos inquietos. Quando o ouro fica no frio das profundezas da terra, aí tudo está bem. Tudo está realmente bem. Ele não é perigoso. Quando os brancos tiram o ouro da terra, eles o queimam, mexem com ele em cima do fogo como se fosse farinha. Isto faz sair fumaça dele. Assim se cria a ''xawara'', que é esta fumaça do ouro. Depois, esta ''xawara wakëxi'', esta &amp;quot;epidemia-fumaça&amp;quot;, vaise alastrando na floresta, lá onde moram os Yanomami, mas também na terra dos brancos, em todo lugar. É por isso que estamos morrendo. Por causa desta fumaça. Ela se torna fumaça de sarampo. Ela se torna agressiva e quando isso acontece ela acaba com os Yanomami.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando os brancos guardam o ouro dentro de latas, ele também deixa escapar um tipo de fumaça. É o que dizem os mais velhos, os verdadeiros anciãos que são grandes pajés. Quando os brancos secam o ouro dentro de latas com tampas bem fechadas e deixam estas latas expostas à quentura do sol, começa a sair uma fumaça, uma fumaça que não se vê e que se alastra e começa a matar os Yanomami. Ela faz também morrer os brancos, da mesma maneira. Não são só os Yanomami que morrem. Os brancos podem ser muito numerosos, eles acabarão morrendo todos também. É isto que os Yanomami falam entre eles.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando esta fumaça chega no peito do céu [para os Yanomami, o céu tem &amp;quot;costas&amp;quot;(onde moram os fantasmas, o trovão e diversas criaturas sobrenaturais) e um &amp;quot;peito&amp;quot;, que é a abóbada celeste vista pelos humanos], ele começa também a ficar muito doente, ele começa também a ser atingido pela ''xawara''. A terra também fica doente. E mesmo os ''hekurabë'', os espíritos auxiliares dos pajés [espíritos descritos como humanóides miniaturas e que são manipulados pelos pajés ( considerados seus &amp;quot;pais&amp;quot;) para curar, agredir, influir sobre fenômenos e entidades cosmológicas etc.], ficam muito doente. Mesmo Omamë está atingido. ''Deosimë'' (Deus) também. É por isso que estamos agora muito preocupados.&lt;br /&gt;
&amp;quot;Os pajés que já morreram vão querer se vingar, vão querer cortar o céu em pedaços para que ele desabe em cima da terra. Nós queremos contar tudo isso para os brancos, mas eles não escutam.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem também a fumaça das fábricas. Vocês pensam que ''Deomisë'' pode afugentar esta ''xawara'', mas ele não pode repelir está fumaça. Ele também vai ficar morrendo disso. Mesmo sendo um ser sobrenatural, ele vai ficar muito doente. Nós sabemos que as coisas andam assim, por isso estamos passando estas palavras para vocês. Mas os brancos não dão atenção. Eles não entendem isso e pensam simplesmente: &amp;quot;esta gente está mentindo&amp;quot;. Não há pajés entre os brancos, é por isso . Nós Yanomami temos pajés que inalam o pó de ''yakõana'' [pó tirado da resina da árvore Virola elongata, que tem propriedades alucinógenas], que é muito potente, e assim sabemos da xawara e ficamos muito inquietos. Não queremos morrer. Nós queremos ficar numerosos. Mas agora que os garimpeiros nos viram e se aproximaram de nós, apesar do fato de que ''Omamë'' tem guardado o ouro embaixo da terra, eles estão retirando grandes quantidades dele, cavando o chão da floresta. Por isso, agora, ''xawara'' cresceu muito. Ela está muito alta no céu, alastrou-se muito longe. Não são só os Yanomami que morrem. Todos vamos morrer juntos. Quando a fumaça encher o peito do céu, ele vai ficar também morrendo, como um Yanomami. Por isso, quando ficar doente, o trovão vai-se fazer ouvir sem parar. O trovão vai ficar doente também e vai gritar de raiva, sem parar, sob o efeito do calor. Assim, o céu vai acabar rachando. Os pajés yanomami que morreram já são muitos, e vão querer se vingar... Quando os pajés morrem, os seus ''hekurabë'', seus espíritos auxiliares, ficam muitos zangados. Eles vêem que os brancos fazem morrer os pajés, seus &amp;quot;pais&amp;quot;. Os ''hekurabë'' vão querer se vingar, vão querer cortar o céu em pedaços para que ele desabe em cima da terra; também vão fazer cair o sol, e, quando o sol cair, tudo vai escurecer. Quando as estrelas e a lua também caírem, o céu vai fica escuro. Nós queremos contar tudo isso para os brancos, mas eles não escutam. Eles são outra gente, e não entendem. Eu acho que eles não querem prestar atenção. Eles pensam: &amp;quot;esta gente está simplesmente mentindo&amp;quot;. É assim&lt;br /&gt;
que eles pensam. Mas nós não mentimos Eles não sabem destas coisas. É por isso que eles pensam assim. Os brancos parecem aumentar muito, mas, mais tarde, os Yanomami acabarão tendo a sua vingança. Isso porque os ''hekurabë'' estão aqui conosco e o céu também está, bem como o espírito de ''Omamë'', que nos diz &amp;quot;não! Não ficam desesperados! Mais tarde nós vamos Ter nossa vingança!&lt;br /&gt;
Os garimpeiros, o governo, estes brancos que não gostam de nós... eles são outra gente, por isso eles querem nos fazer morrer. Mas nós teremos nossa vingança, eles também acabarão morrendo&amp;quot;... É assim também que pensam os ''hekurabë'': &amp;quot;sim! teremos nossa vingança!&amp;quot;. Nós, os pajés, também trabalhamos para vocês, os brancos. Por isso, quando os pajés todos estiverem mortos, vocês não conseguirão livrar-se dos perigos que eles sabem repelir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês ficarão sozinhos na terra e acabarão morrendo também. Quando o céu ficar realmente muito doente, não se terá mais pajés para segurá-lo com os seus ''hekurabë''. Os brancos não sabem segurar o céu no seu lugar. Eles só ouvem a voz dos pajés, mas pensam, sem saber das coisas: &amp;quot;eles estão falando à toa, é só mentira!&amp;quot;. Quando os pajés ainda estão vivos, o céu pode estar muito doente, mas eles vão conseguir impedir que ele caia. Sim, ainda que ele queira cair, que ele comece a querer desabar em direção à terra, os pajés seguram ele no lugar. Isso porque nós, os Yanomami, nós ainda estamos existindo. Quando não houver mais Yanomami, aí o céu vai cair de vez. São os hekurabë dos pajés que seguram o céu. Ele pode começar a rachar com muito barulho, mas eles conseguem consertá-lo e o fazem ficar silencioso de novo. Quando nós, os Yanomami, morrermos todos, os ''hekurabë'' cortarão os espíritos da noite, que cairão. O sol também acabará assim. Nos primeiros tempos, o céu já caiu, quando ele estava ainda frágil [antes desta queda do céu, morava na terra uma humanidade Yanomami que foi precipitada no mundo subterrâneo, onde se transformou num povo de monstros canibais]. Agora, ele está solidificado, mas, apesar disso, os ''hekurabë'' vão querer quebrá-lo. Eles também vão querer rasgar a terra. Um pedaço rasgar-se-á por aqui, outro por aí, outro ainda numa outra direção. Tudo isso também cairá, todos cairão do outro lado da terra e todos morrerão juntos. É assim que serão as coisas, por isso estamos ficando muito inquietos. Mas os grandes pajés, os mais velhos, dizem-nos: &amp;quot;não! Não fiquem inquietos! Mais tarde, teremos nossa vingança! Da mesma maneira que eles estão-nos fazendo morrer, nós também provocaremos sua morte!&amp;quot; É assim que os pajés falam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ''hekurabë'' são muito valentes. Quando seus &amp;quot;pais&amp;quot;, os velhos pajés, morrem, eles ficam com uma raiva-de-luto muito grande. Eles querem muito vingar-se. Aí, eles começam a cortar o peito do céu. Mas outros ''hekurabë'', que pertencem aos pajés que ficaram vivos, seguram-nos, dizendo: &amp;quot;Não! Não façam isso! Ainda há outros pajés vivos! Os pajés mais jovens estão ficando no lugar dos mais velhos!&amp;quot;... Falando assim, eles conseguem impedir a queda do céu. &amp;quot;Os espíritos da xawara, os xawararibë, estão aumentando muito... Eles são tão numerosos quanto os garimpeiros, tão numerosos quanto os brancos. Por isso não conseguimos juntar-nos o suficiente para lutar&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bruce - Os pajés e seus hekurabë estão tentando lutar contra a ''xawara''. Como é esta luta?'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Davi -''' Nós queremos acabar com a xawara. Mas ela é muito resistente. Ela é toda enrugada e elástica... como borracha. Os ''hekurabë'' não conseguem cortá-la com suas armas e ela acaba segurando-os quando a atacam. Quando ela consegue, assim, apoderar-se dos ''hekurabë'', seus &amp;quot;pais&amp;quot;, os pajés, morrem. Só mandando muitos outros ''hekurabë'', consegue-se arrancar os ''hekurabë'' que ela mantém presos. Aí, o pajé volta de novo à vida. Os espíritos da ''xawara'', os ''xawararibë'', estão aumentando muito. Por isso a fumaça da ''xawara'' é muito alta no céu. Eles são tão numerosos quanto os garimpeiros, tão numerosos quanto os brancos. Por isso não conseguimos juntar-nos o suficiente para lutar. Os brancos não se juntam a nós contra a ''xawara''. Os seus ouvidos são surdos às palavras dos pajés. Somente você, que é outro, entende esta língua. Os brancos não pensam: &amp;quot;o céu vai desabar&amp;quot;. Eles não se dizem: &amp;quot;a ''xawara'' está nos devorando&amp;quot;. Por isso ela está comendo também um monte das suas crianças, ela acaba com elas, as devora sem parar, as mata e moqueia como se fossem macacos que ela anda caçando. Ela amontoa, assim, um monte de crianças moqueadas. Todos Yanomami que ela mata são moqueados e juntados, assim, pela xawara. Só quando tem o bastante é que ela pára. Ela mata um bocado de crianças de uma primeira vez e, um tempo depois ataca um outro tanto. É assim... ''xawara'' tem muita fome de carne humana; não quer caça nem peixes, ela só quer a carne do Yanomami, porque ela é uma criatura sobrenatural. Quando os pajés tentam afugentar a fumaça da xawara que está no céu com chuva, também não dá... Ela está muito alta, fica fora de alcance e não pode ser afugentada. É assim que falamos destas coisas entre nós. No começo, eu não sabia de nada disso. Foram os grandes pajés, os mais velhos, que me ensinaram a pensar direito... Não sabia, mas agora aprendi. Está bom assim? Se você me perguntar outra coisa, te darei outras palavras minhas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bruce - Se os garimpeiros não forem retirados das suas terras, o que você pensa que vai acontecer para o povo Yanomami? &amp;quot;Outros Yanomami não vão ser criados depois de nós. Quando os garimpeiros acabarem com os Yanomami, outros não vão surgir de novo assim...&amp;quot;'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Davi - '''Se os garimpeiros continuam a andar em nossa floresta, se eles não voltam para o lugar deles, os Yanomami vão morrer, eles vão verdadeiramente acabar. Não vai haver pessoas para nos curar. Os brancos que nos curam, médicos e enfermeiras são poucos. Por isso, se os garimpeiros continuarem trabalhando em nossa mata, nós vamos realmente morrer, nós vamos acabar, só vai sobreviver um pequeno grupo de nós. Já morreu muita gente, e eu não queria que se deixasse morrer toda esta gente. Mas os garimpeiros não gostam de nós, nós somos outra gente e por isso eles querem que nós morramos. Eles querem ficar sozinhos trabalhando. Eles querem ficar sozinhos com nossa floresta. Por isso estamos muito assustados. Outros Yanomami não vão ser criados depois de nós. Quando os garimpeiros acabarem com os Yanomami, outros não vão surgir de novo assim...não vão, não. Omamë já foi embora deste mundo para muito longe e não vai criar outros Yanomami... não vai não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Bruce - Você quer que eu traduza mais alguma coisa?'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Davi - '''Agora você vai dar para os outros brancos as palavras que eu dei para você, e diga mais alguma coisa, você. Diga que, no começo, quando você morava lá... conte como a gente era, com boa saúde... Como a gente não morria à toa, a gente não tinha malária. Diga como a gente era realmente feliz. Como a gente caçava, como a gente fazia festas, como a gente era feliz. Você viu isto. Nós fazíamos pajelanças para curar. Hoje, os Yanomami nem fazem sua grandes malocas, que chamamos yano, só moram em pequenas tapiris no mato, embaixo de lona de plástico. Não fazem nem roça, nem vão caçar mais, porque eles ficam doentes o tempo todo. É isto.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_verbetes/yanomami/foi_genocidio.pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Foi genocídio!&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, por Luciano Mariz Maia&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Yanomami discutem seus problemas em Assembléia, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_verbetes/yanomami/carta_yanomami.pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;carta aberta redigida pela comunidade Watoriki (Demini)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, sob liderança de Davi Kopenawa Yanomami&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_verbetes/yanomami/descobrindo_os_brancos.pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Descobrindo os Brancos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;; &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_verbetes/yanomami/os_pes_do_sol_pisaram_a_floresta.pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Os pés do sol pisaram a floresta&amp;lt;/htmltag&amp;gt;; &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_verbetes/yanomami/sonhos_das_origens.pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Sonhos das origens&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, por Davi Kopenawa Yanomami&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_verbetes/yanomami/xawara.pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Xawara - O ouro canibal e a queda do céu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, entrevista com Davi Kopenawa Yanomami&lt;br /&gt;
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Witoto&amp;diff=6268</id>
		<title>Povo:Witoto</title>
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		<updated>2018-08-01T20:02:05Z</updated>

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		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Warekena&amp;diff=6267</id>
		<title>Povo:Warekena</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Warekena&amp;diff=6267"/>
		<updated>2018-08-01T20:01:55Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios Baré e Werekena (ou Warekena) vivem principalmente ao longo do Rio Xié e alto curso do Rio Negro, para onde grande parte deles migrou compulsoriamente em razão do contato com os não-índios, cuja história foi marcada pela violência e a exploração do trabalho extrativista. Oriundos da família lingüística aruak, hoje falam uma língua franca, o ''nheengatu'', difundida pelos carmelitas no período colonial. Integram a área cultural conhecida como Noroeste Amazônico.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Outras leituras ===&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Rio Xié. Foto: Paulo Santos/Interfoto, 2000.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/278733-1/xie_1.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A área formada pelo Rio Xié e alto curso do Rio Negro, acima da foz do Uaupés, é ocupada principalmente pelos índios Baré e Werekena, sendo que mais de 60% dos índios do Xié se identifica como Werekena. São aproximadamente 140 sítios e povoados, onde residem cerca de 3.200 pessoas. A maioria da população vive em “comunidades”, como são chamados esses povoados na região, que geralmente compõe-se de um conjunto de casas de pau-a-pique construídas em torno de um amplo espaço de areia limpa; uma capela (católica ou protestante); uma escolinha; e, eventualmente, um posto médico. Há, porém, comunidades que não possuem nada além das casas de moradia. Os principais povoados são Cucuí, Vila Nova e Cué-Cué.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Xié existem hoje nove comunidades: Vila Nova, Campinas, Yoco, Nazaré, Cumati, Tunu, Umarituba, Tucano e Anamuim. As comunidades situadas à montante da cachoeira de Cumati são: Tunu, Umarituba, Tucano e Anamuim. No caso de Tunu, localizada numa ilha, sua população vive majoritariamente em sítios pequenos, tais como Macuxixiri ou Cuati, indo para a comunidade apenas na época das festas de santo, em junho.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Às margens do Rio Xié. Foto: Paulo Santos/Interfoto, 2000.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/278737-1/xie_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acima de Cucuí, o Rio Negro deixa o Brasil, passando a ser o limite entre Venezuela e Colômbia. À montante do canal do Casiquiari, que liga ao Orinoco, na Venezuela, o Rio Negro é denominado de Guaínia. O curso do Rio Negro entre a foz do Uaupés até a cidade de Santa Isabel é a área que atualmente concentra o maior contingente populacional de todo o noroeste amazônico. As cidades de Santa Isabel e, sobretudo, São Gabriel da Cachoeira atuam como pólos de atração de populações que antes viviam mais no interior, nas margens dos formadores do Rio Negro. O fluxo populacional das comunidades do interior do município em direção à cidade de São Gabriel se caracteriza pela busca de complementação do estudo escolar, trabalho remunerado, serviço militar e proximidade do comércio com preços mais acessíveis que os praticados pelos regatões e barcos de comerciantes que se deslocam pelos rios.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Márcio Meira|Márcio Meira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto: Paulo Santos/Interfoto, 2000.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/278741-1/xie_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Baré e os Werekena falavam línguas da família Aruak. Mas com o contato com missionários e a colonização adotaram a Língua Geral ou nheengatu e, atualmente, esta língua representa uma marca de sua identidade cultural. Ainda assim, algumas comunidades do Alto Xié falam Werekena, utilizando-a situacionalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''nheengatu ''é uma forma simplificada do Tupi antigo, falado em grande parte do Brasil nos primeiros séculos da colonização portuguesa, e que foi adaptado e amplamente difundido pelos missionários jesuítas. Com o tempo e o predomínio do português como língua nacional, o nheengatu foi perdendo terreno. Porém, continua vivo e muito usado na calha do Rio Negro, em seu curso médio e alto, inclusive em São Gabriel, e em alguns de seus afluentes, como no Baixo Içana e no Rio Xié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Márcio Meira|Márcio Meira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
Os Werekena entraram em contato com o “homem branco ” provavelmente no início do século XVIII, havendo várias referências a este povo em relatos e documentos desse século. Em 1753, o Padre Jesuíta Ignácio Szentmatonyi (ver Wright 1981:603-608) noticiava que os “Verikenas” habitavam o Rio “Issié” (Xié), falando sua própria língua, muito parecida com a dos Mallivenas. Indicava também que o chefe deles havia sido “convidado” dois anos antes para “descer” o rio e adotar o cristianismo. Outras fontes (Caulin 1841: 70-75; Cuervo 1893, t. III: 244, 322-323, 325, 327; Arellano Moreno 1964:389) indicam a presença de aldeias Werekena em 1758-60 nos rios Guainía (acima da foz do Cassiquiari), Tiriquin, Itiniwini (atual São Miguel e seus afluentes Ichani, Ikeven ou Equeguani e Mee), Atacavi, Alto Atabapo e Caflo Maruapo (afluente do Cassiquiari), região onde ainda hoje vivem os Werekena, na Venezuela. Estas mesmas fontes indicam a presença desses índios, em 1767, na confluência do Cassiquiari com o Guainía e na boca deste canal com o Orinoco, trazidos pelos colonizadores do Itiniwini e do Caño Muruapo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Padre José Monteiro de Noronha ([1768] 1856: 79-80), indica a presença dos “Uerequena” em 1768, no Rio Xié, convivendo com outros povos: “Baniba” (Baniwa), Lhapueno (?), Mendó (?) e outros. Viveriam também no Rio Içana, juntamente com os Baniba, Tumayari (?), Turimari (?), Deçana, Puetana (?) e outros. Para este padre, os Uerequena “chamados comumente, por corrupção do vocábulo, Ariquena, tem por distintivo hum furo mui largo entre a cartilagem, e a extremidade inferior das orelhas em que metem molhos de palha. Entre eles se acharam muitos, que antecedentemente a comunicação e conhecimento dos brancos, tinham nomes hebraicos, huns puros e outros com pouca corrupção, como: Joab, Jacob, Yacobi, Thome, Thomequi, Davidu, Joanau e Marianau”. Estas informações sobre os Werekena serão repetidas ao longo do século XVIII, com algumas modificações e acréscimos, pelos viajantes da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos anos de 1774-1775, grupos de “Uariquena” estariam morando em Barcelos, provavelmente “descidos” em anos anteriores pelos colonos portugueses, conforme o relato de Francisco Xavier Ribeiro de Sampaio (1825: 104-114). Este militar português também fez referência à presença de “Uerequena” no Rio Içana, enquanto que no Xié informou que viviam os “Assauinaui” (provavelmente trata-se de uma fratria Baniwa, os Dzauinai). Dos “Uerequena”, afirmou novamente que são “célebres pela comunicação, que antecedentemente tiveram com os brancos, e usarem os nomes hebraicos, como são: Joab, Jacobi, Thome, Thomequi, Davidu, Joanau, e Marianau. He esta nação antropófoga é célebre por usar de escrita de cordões, na forma dos quipos dos antigos peruvianos, com o que transmitem os seus pensamentos a pessoas distantes, que entendem, e sabem decifrar aqueles nós, e cordões, que também lhe servem para uso aritmético”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1784, Manoel da Gama Lobo d’Almada, militar português, não aponta ter avistado qualquer indígena nas margens do Rio Xié, mas dá sinais de que havia muitos – embora não os nomeie – entre as cabeceiras deste rio e o Tomo, afluente da margem direita do Guainia:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“entrei pelo rio Xié e naveguei por ele aguas acima até a um braço oriental dele, chamado Uheuaupuiy [provavelmente igarapé Teuapuri], pelo qual subi até dar em um torrão de terra baixa aonde achei por entre matos a trilha de um caminho estreito e fundo mas bem seguido. (...) hera preciza toda a boa ordem na marcha porque havia muita gentilidade, a quem estávamos ouvindo todas as madrugadas tocarem os seus trocanos, espécie de tambores. Duas vezes nos saíram espias deles armados de Curabis que são umas pequenas flechas ervadas com que nos atiravam; mas com alguns tiros de vanguarda os fizemos retirar e seguimos pacificamente a nossa marcha”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alexandre Rodrigues Ferreira ([1885-88] 1983:253-254) viajou pelos rios Xié e Içana em 1785, informando-nos que foi advertido no Xié pelo índio piloto de que o “gentio Uerequena as tinha [sentinelas] sempre avançadas neste passo [cachoeira], para ser informado das canoas que chegavam, e segundo as forças que nelas reconheciam, e de que davam parte às espias, assim se resolviam a abalroá-las ou não”. Interessante observar que o naturalista, chegado à cachoeira de Cumati, anota no seu diário que “d’ella para cima ha bastante piassaba”, anunciando desde já o interesse econômico pelos mananciais desse rio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Içana, Alexandre Rodrigues Ferreira indica também a presença dos “Uerequena”, juntamente com os Banibas, Termaisaris, Turimaris, Duanaes, Puitenas e outros. Dos Uerequena, apesar de não tê-los visto pessoalmente, repete as afirmações de Monteiro de Noronha sobre a comunicação por cordões e seus nomes hebraicos, e diz fazerem um largo furo entre a cartilagem e a extremidade inferior das orelhas para nele introduzirem molhos de palha” (ibid: 249). Numa memória escrita posteriormente, em 1787 (1974: 69-73), o naturalista revela uma série de características dos Uerequena, certamente advindas de informações fornecidas por terceiros, tais como os que acompanharam a “tropa” chefiada por Miguel de Sequeira Chaves realizada em 1757, para reprimir um “ataque” de índios rebelados (provavelmente no Baixo Rio Negro), na qual havia alguns “Warekena domesticados”. Dentre essas características, pode-se destacar, além do furo na orelha, o fato de que eram “antropófagos”, de que costumavam praticar a eutanásia com velhos e enfermos irremediáveis e de que possuíam “currais” de prisioneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XIX, o cônego André Fernandes de Souza ([c.1822] 1848: 411ss.) repetia as informações sobre os Werekena advindas de Monteiro de Noronha e Alexandre Rodrigues Ferreira: “os índios da nação Uerequena são antropófagos e tem o distintivo de trazerem as orelhas furadas nas cartilagens inferiores, em que metem pedaços roliços de pau, de modo que alguns já lhe chegam as orelhas aos ombros a força do uso dos paus”. Habitantes do Rio Içana, os Uerequena conviveriam com os Baniu, Tumayari, Turimari, Deçana e Puetana. Não nos fornece nenhuma referência aos habitantes do Rio Xié. Refere-se também a Marcelino Cordeiro, o qual teria feito incursões contra os índios, capturando-os à força como prisioneiros, tendo havido reações por parte dos índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos esses relatos, apesar de serem algo duvidosos quanto à precisão da descrição física e cultural dos Werekena, pois revelam que são majoritariamente informações de terceiros sobre esse povo, parecem deixar claro, porém, que tinham uma população razoavelmente grande, apesar dos descimentos e epidemias terem provocado baixas e intensas migrações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os relatos também apontam que deviam ocupar um território entre o Içana, o Xié e o Guainía, mantendo estreitas relações (inclusive guerras) com seus vizinhos, pelo menos até meados do século XIX, período em que as informações históricas são muito precárias sobre aquela região. A partir deste período voltam a surgir algumas referências a respeito dos Werekena em textos de natureza diversa, que apontam para uma diminuição populacional do grupo, na medida em que os brancos aumentam sua presença na região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A longa história de contato entre comerciantes de produtos extrativos e os índios do Rio Negro também foi iniciada no século XIX. Comprova-no um ofício enviado pelo Presidente da Província do Pará ao Ouvidor do Rio Negro em 1821, a respeito da “civilização e aldeamento dos índios”, no qual invoca-lhe “punir severamente os comandantes e autoridades que maltratarem os gentios, e aqueles mercadores que os enganarem em suas permutações, desacreditando assim a moral que se lhes pretende insinuar”. Ou seja, o chefe de Estado procurava, já em 1821, coibir os excessos contra os índios feitos pelos “mercadores” e também pelas autoridades civis e militares. Muitas vezes na história daquela região ficaria difícil distinguir comerciantes de autoridades, pois todos constituíam as duas faces da mesma moeda, que era a exploração violenta e abusiva do trabalho indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto do lado brasileiro como venezuelano, a partir do início do século XIX, muitos índios foram envolvidos na exploração extrativa do cacau, da salsaparilha, da piaçaba, do puxuri, da balata e depois da borracha, entre outros produtos, sendo submetidos a trabalhos compulsórios pelos comerciantes. Isto deu início a migrações forçadas e fugas de vários índios que foram transportados pelos comerciantes para trabalharem nos diversos mananciais de produtos extrativos (Cf. Wright, 1992:263-266).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Viajando pelo Rio Negro em 1848-50, o naturalista inglês Alfred Russel Wallace fornece outras indicações. Em seu relato de viagem ([1853] 1979:149; 308), informa que os “Ariquenas” estariam estabelecidos no Rio Içana, juntamente com os Baniua, Bauatanas, Ciuci, Quatis, Juruparis, Ipecas, Papunauas, que correspondem a fratrias baniwa. Quanto ao Rio Xié, afirma que “os indígenas que habitam suas margens são pouco conhecidos e selvagens” e “desenvolve-se nele um incipiente comércio”. Entretanto, nenhuma observação sobre quem e como seriam esses “indígenas selvagens” do Xié, e qual seria esse comércio incipiente, que poderia ser de piaçava, cuja produção era já significativa nessa época e encontrada nas páginas de seu relato. Aos “Ariquena” habitantes do Içana, reporta apenas que “do mesmo modo que os cobeuas, atacam as outras tribos para capturarem prisioneiros. Seus conceitos religiosos e superstições assemelham-se bastante aos dos Uaupés”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Poucos anos depois de Wallace, entre 1852 e 1854 aproximadamente, o Frei Gregório José Maria de Bene, padre capuchinho, e o Diretor dos Índios Jesuino Cordeiro, comerciante no Alto Rio Negro, segundo os documentos registrados por B. F. Tenreiro Aranha na Revista do Arquivo do Amazonas (1906: 67-68), apontavam os “Uriquena” como habitantes do Rio Içana, juntamente com os Baniua, Piuns, Cadauapuritaua, Murureni, lurupari, Siussi, Quaty, Ipeca, Tapibira, Tatutapia, Caetitu, lujudeni, Uaripareri (todas fratrias baniwa). Segundo Tenreiro Aranha, o citado Diretor dos Índios conhecia também o Xié, mas o historiador amazonense não fornece, à luz dos documentos que apresenta, nenhum dado referente à população que ali residia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1857, o capitão de artilharia Joaquim Firmino Xavier (apud Avé-Lallement, [1860] 1961: 1 22ss.), vem assumir no Alto Rio Negro a tarefa de “domiciliar índios na fronteira”, ou seja, “colonizar com índios (...) o Rio Içana (...) e o Xié (...)”, índios com quem se encontrou pessoalmente, o que talvez permita inferir quem sejam aqueles “selvagens pouco conhecidos” de Wallace e visitados por Jesuino Cordeiro no Xié. Outra testemunha desse século é o conde italiano Ermano Stradelli, que desceu o Rio Negro, desde Cucuí, em 1881. Segundo ele, o Xié estava quase deserto. É possível que a população indígena estivesse vivendo nas cabeceiras e em pequenos igarapés, justamente para evitar o contato destrutivo com os brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A leitura dessas fontes parece indicar que os Werekena viajariam, ou manteriam uma vida itinerante entre o Içana, Xié e o Gualala, provavelmente pelo Rio Tomo e diversos “varadores”, itinerância ativada ainda mais pelas pressões da penetração dos brancos, tanto do lado venezuelano quanto brasileiro. Tal hipótese talvez possa explicar as referências que se fazem a esse povo, em épocas distintas, no Içana, no Xié e no Guainía. Quanto aos movimentos migratórios referidos neste documento, porém, seriam causados em grande parte – como evidencia não só o relato de Firmino Xavier, mas o do próprio Avé-Lallement – pela repressão que os militares vinham fazendo contra os movimentos messiânicos surgidos naquela época entre os índios do Içana e Xié (a esse respeito ver o item “histórico do contato” da página “Etnias do Içana”), como também pela obrigatoriedade desses índios trabalharem nas obras da fortaleza de Cucuí. Certamente, em anos imediatamente anteriores a 1857, os militares tenham provocado muita violência contra os índios, inclusive aos Werekena, pois nada mais poderia explicar o temor que haviam adquirido em relação aos oficiais, provocando tamanha evasão populacional, que implicou o abandono de casas recém-construídas, roçados e áreas de caça, pesca e coleta, enfim, fatores essenciais a sua existência física e cultural (ver Wright, 1981: 289ss).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Longas migrações foram levadas a cabo pelos índios devido às fugas, certamente relacionadas, entre outros motivos, à superexploração dos comerciantes. O que parece certo é que houve baixas populacionais em todos os grupos do Içana e Xié nesse período, grassando entre os índios, de forma profunda e duradoura, o pavor de avistar qualquer homem branco se aproximando de suas aldeias. Nesse sentido, esses relatos reforçam a hipótese de que violências de ambos os lados da fronteira provocavam a diminuição não só da população indígena, mas sua migração compulsória ora para o Brasil ora para a Venezuela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos desses aspectos da história no século XIX desdobraram-se no século XX. A presença dos comerciantes intensificou-se e a exploração do trabalho indígena nos seringais, piaçabais e balatais atingiu em cheio os índios do Rio Negro. Um velho Baré, por exemplo, conta que seu pai, nascido em 1888, trabalhou com o comerciante português Antonio Castanheira Fontes, que no início deste século era “o maior comerciante do Baixo Rio Negro”, e “chegou a ver na casa do comerciante português um toco de pau-brasil com correntes para amarrar os fregueses e surrá-los com chicote”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Outras leituras ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/narrativas-indigenas/narrativa-do-bare&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Relato do baré Braz de Oliveira França&amp;lt;/htmltag&amp;gt; sobre a história do contato com a sociedade não indígena.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir do início do século XX, muitas famílias que haviam debandado para a Venezuela retornaram para o lado brasileiro, motivadas não só pelas revoluções que ocorriam lá, mas também pela violência de comerciantes que exploravam a produção extrativa dos índios no Guainia e Casiquiari. Uma vez no Brasil, os índios novamente tiveram que enfrentar a exploração dos comerciantes, em busca de piaçava, de borracha e de sorva, além dos militares de Cucuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sanitarista Oswaldo Cruz, num relatório que escreveu sobre o vale do Amazonas no início do século XX, menciona a migração forçada de índios oriundos do Alto Rio Negro para o “Baixo Rio Negro”, pois afirma que “quando os proprietários de seringais do Rio Negro têm necessidade de novos fregueses vão procurá-los muitas vezes além de S. Gabriel, no Rio Caiairi (Uaupés), muito habitado, e além, nos limites da Venezuela (1913:106). Esta migração, neste período e posteriormente, passou também a ter, em parte, um conteúdo voluntário, pois muitos índios vieram provavelmente ao “Baixo Rio Negro” em busca de seus parentes escravizados ou seus descendentes que permaneceram na área. Muitas famílias também conseguiram fugir dos patrões e retornar às suas regiões, sobretudo as que escaparam das epidemias que grassavam nessas zonas de exploração, como a malária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Curt Nimuendajú, no seu relatório de viagem pelo Alto Rio Negro feito para o SPI (Serviço de Proteção aos Índios), em 1927, faz um relato sobre os comerciantes e suas relações com os índios que, com as devidas proporções, poderia ser perfeitamente aplicado à situação atual da região:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Todos os que negociam com índios sabem perfeitamente que, salvos raras exceções, nenhum deles paga voluntariamente o que deve, mas só debaixo de maior ou menor pressão exercida pelo credor. Em vez porém de lhe negar a vista, o comerciante, pelo contrário, trata de arrumar quanto antes uma dívida nas costas do índio, já calculando de adquirir desta forma o “direito” de cativar o devedor e de obrigá-lo ao pagamento da maneira como o negociante bem entender, ficando o índio assim muitas vezes em condições piores que as do cativeiro, legal, pois não representa para o seu senhor um objeto de valor intrínseco que faz parte de sua fortuna, senão somente o valor da dívida” ([1927] 1982:183).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na mesma direção, o cientista José Cândido de Melo Carvalho dá esse depoimento em 1949, quando viajou por toda região do Alto Rio Negro: “Todos com quem conversei neste trecho (Médio Rio Negro) são unânimes em afirmar que certos brancos desta região exploram demasiadamente os índios, obrigando-os a levarem uma vida de verdadeira escravidão” (1952:23). A tradição oral indígena não oferece qualquer contestação a essas histórias narradas por viajantes e pesquisadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ocorreu também que muitos comerciantes brancos, como Germano Garrido, casavam na região com mulheres indígenas, muitas do povo Baré, provocando grande miscigenação na área do Rio Negro, e criando vínculos de parentesco e compadrio entre os comerciantes brancos e os índios, abrindo assim espaço para alguns “cunhados” indígenas que atuavam com pequenos intermediários entre eles e os fregueses.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Márcio Meira|Márcio Meira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vida religiosa ==&lt;br /&gt;
As comunidades localizadas à jusante da cachoeira de Cumati – Nazaré, Yoco, Campinas e Vila Nova – têm uma população majoritariamente protestante, sob a influência da Missão Novas Tribos do Brasil, que possui uma sede próxima à Vila Nova, quase na desembocadura do Rio Xié, com um contingente de quatro missionários permanentes.Esta sede instalou-se no Xié no início dos anos 1980, mas o trabalho missionário já era coordenado desde antes pela Missão localizada na foz do Rio Içana. Nestas comunidades, ao menos publicamente, não se bebe nem fuma, o que significa dizer que não fazem mais “festas de caxiri” nem dabucuris, nas quais a bebida e o tabaco são essenciais. Ali se realizam “Conferências”, que são as reuniões dos “crentes”. Entretanto, a maioria de seus habitantes, quando doentes, costuma procurar os pajés e benzedores das comunidades católicas, que ainda utilizam os recursos tradicionais como o tabaco, o paricá e as “rezas” (cantos), proibidos pelos missionários, para as atividades de cura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As comunidades situadas à montante da cachoeira de Cumati – Tunu, Umarituba, Tucano e Anamuim – são católicas. Nas festas de santo, em junho, há grande abundância de bebida, comida, dança e rezas, por vários dias seguidos. As ladainhas são cantadas em latim, mantidas pela tradição oral desde os séculos XVIII ou XIX. Mas essa população também resguardou as tradições anteriores ao contato com os católicos, tais como a mitologia e os conhecimentos dos pajés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Igreja Católica nunca construiu uma Missão no Rio Xié, tal como existe em Assunção (Içana) e Taracuá, Iauaretê e Pari Cachoeira (Uaupés). Entretanto, os salesianos fazem sucessivas “visitas” ao Xié. Em 1992, quando perguntado ao morador mais idoso do rio, senhor Viriato Cândido, 97, qual teria sido o primeiro padre que ele avistou nesse rio, ele respondeu: “padre Lourenço”, ou seja, Lourenço Giordano, um dos que implantou a Missão Salesiana no Rio Negro em 1914; mas é bastante provável que a presença do catolicismo na região seja anterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A divisão religiosa do rio em duas partes coincide também com uma divisão geográfica representada pela cachoeira de Cumati. No entanto, há casamentos entre pessoas “de cima” e “de baixo” da cachoeira e as relações sociais são geralmente amistosas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Márcio Meira|Márcio Meira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Atividades econômicas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Carregando a fibra de piaçava. Foto: Paulo Santos/Interfoto, 2000.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/278747-1/xie_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A população indígena do Rio Xié costuma trabalhar na extração da fibra da piaçabeira. Normalmente, a partir do mês de outubro até fevereiro do ano seguinte, os índios iniciam um período preparatório, que se confunde com a época do ano em que as famílias permanecem nas comunidades ou sítios, dedicando a maior parte do tempo de trabalho às atividades agrícolas, de caça, pesca e coleta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seguida, há o deslocamento para as barracas de piaçava, situadas a montante, período que pode durar até dois meses, dependendo da distância entre a comunidade e o ponto da barraca. Nos meses da cheia, de maio a setembro, há o corte e o processamento da piaçava, posteriormente entregue ao patrão como pagamento de dívidas contraídas anteriormente. Trata-se, portanto, de um ciclo anual, em que a atividade extrativa não está dissociada das demais atividades cotidianas da vida Werekena e Baré, tais como as tarefas domésticas, a caça, a pesca, a coleta, o trabalho na agricultura e a confecção de objetos de trabalho. Desse modo, a atividade extrativa não está isolada, mas “encaixada” em um sistema maior de produção da vida econômica e social da população local.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Trabalhando a fibra de piaçava. Foto: Paulo Santos/Interfoto, 2000.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/278750-1/xie_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma rede de pequenos, médios e grandes comerciantes foi responsável em grande parte pelo deslocamento compulsório de populações indígenas de suas regiões de origem para as áreas de exploração extrativista. Entretanto, quando do final do “fabrico” ou após a crise de certo produto, como foi o caso da borracha e da balata no século XIX, muitas famílias ou indivíduos retornavam a suas regiões. É nesse sentido que a exploração do trabalho extrativo pelos comerciantes é um dos componentes fundamentais para se compreender, hoje, as sociedades indígenas do Alto Rio Negro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista econômico e político, tal atividade mantêm-se com destaque entre os índios do Rio Xié, na medida em que a piaçava representa, juntamente com o cipó, o principal recurso natural cuja comercialização permite o acesso daquela população a alguns itens industrializados de que necessitam, estes adquiridos de comerciantes intermediários. Este é um fator que leva à continuidade dessa atividade na região e que lhe confere uma relevância social.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Fazendo vassoura de piaçava. Foto: Paulo Santos/Interfoto, 2000.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/278753-1/xie_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde a década de 70, principalmente devido ao decréscimo da atividade extrativa na região, provocada sobretudo por fatores externos, a categoria do “grande comerciante” deixou de existir na região, mantendo-se apenas, com poder reduzido, o “pequeno” e o “médio”, sendo o último responsável pela conexão com outros mercados. A maioria dos pequenos comerciantes é indígena e negocia com seus “patrões” mestiços ou brancos. Há porém muitos médios comerciantes, como os que atuam no Rio Xié, que mantém seu vínculo diretamente com os fregueses, sem o intermédio do pequeno comerciante. A tendência atual deste é ser independente, ou seja, vender o produto direto em São Gabriel da Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Márcio Meira|Márcio Meira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FREIRE, José Ribamar Bessa.  Barés, Manaos e Turumãs.  Amazônia em Cadernos, Manaus : Museu Amazônico, v. 2, n. 2/3, p. 159-78, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MEIRA, Márcio.  Laudo antropológico Área Indígena Baixo Rio Negro.  Belém : MPEG, 1991.  183 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------.  O tempo dos patrões : extrativismo da piaçava entre os índios do rio Xié (Alto Rio Negro).  Campinas : Unicamp, 1993.  128 p.  (Dissertação de Mestrado)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------.  O tempo dos patrões : extrativismo, comerciantes e história indígena no noroeste da Amazônia.  Belém : MPEG, 1994.  27 p.  (Cadernos Ciências Humanas, 2)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Ana Gita de.  O mundo transformado : um estudo da &amp;quot;cultura de fronteira&amp;quot; no Alto Rio Negro.  Brasília : UnB-ICH, 1992.  286 p.  (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta tese foi publicada no final de 1995 pelo MPEG de Belém dentro da Coleção Eduardo Galvão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Christiane Cunha de.  Uma descrição do baré (arawak) : aspectos fonológicos e gramaticais.  Florianópolis : UFSC, 1993.  104 p.  (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------.  Dupla negação em Bare : uma explicação diacrônica.  Rev. do Museu Antropológico, Goiânia : UFGO, v. 3/4, n. 1, p. 105-20, jan./dez.99/00.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Lúcia Alberta Andrade de.  Os Baré e as práticas ocidentais de saúde.  Manaus : UFAM, 2001.  96 p.  (Monografia)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS, Antônio Maria de Souza.  Etnia e urbanização no Alto Rio Negro : São Gabriel da Cachoeira-AM.  Porto Alegre : UFRS, 1983.  154 p.  (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VIDAL, Silvia M.  Al chamanismo de los Arawakos de Rio Negro : su influencia en la política local y regional en le Amazonas de Venezuela.  Brasília : UnB, 2002.  20 p.  (Série Antropologia, 313)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------.  Liderazgo y confederaciones multietnicas amerindias en la Amazonía luso-hispana del siglo XVIII.  Antropológica, Caracas : Fundación La Salle, n. 87, p. 19-45, 1997.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------.  Reconstrucción de los processos de etnogenesis y reproducción social entre los Baré del Rio Negro (Siglos XVI-XVII).  Caracas : CEA-IVIC, 1993.  (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Márcio Meira|Márcio Meira]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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{{DISPLAYTITLE:Warekena}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Márcio Meira}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Waiwai&amp;diff=6266</id>
		<title>Povo:Waiwai</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Waiwai&amp;diff=6266"/>
		<updated>2018-08-01T20:01:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios que se identificam e são identificados como Waiwai encontram-se dispersos em extensas partes da região das Guianas. São falantes, em sua maioria, da família lingüística Karib. Constituíram-se a partir de processos seculares de troca e de redes de relações na região. Em tal rede, são historicamente reconhecidos como especialistas no fornecimento de sofisticados raladores de mandioca, papagaios falantes e cães de caça. Têm fama até os dias de hoje de grandes viajantes em suas expedições em busca de “povos não vistos” (''enîhnî komo'').&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nomes e co-residentes ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Interior de uma casa waiwai. Foto: Evelyn Schuler, 2002&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236778-1/waiwai_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A etnogênese Waiwai constitui – conforme a bibliografia etnográfica da região das Guianas e tal como ocorre também com vários outros etnônimos ameríndios – um complexo de relações entre visões sobre estas comunidades indígenas que se chamam Waiwai e visões destas comunidades sobre si e sobre outros. Usa-se aqui o nome “Waiwai” no sentido que lhe dão os índios que se identificam e são identificados atualmente por ele, ou seja, sabendo-se que ele não corresponde a uma única unidade étnica substancial que exista em si, mas sim a uma invenção motivada tanto por projetos políticos quanto intelectuais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos índios que vivem atualmente nas comunidades Waiwai se reconhecem e são reconhecidos por denominações menos englobantes, como é o caso dos Hixkaryana, Mawayana, Karapawyana, Katuenayana e Xerewyana (''yana'' designa &amp;quot;coletivo&amp;quot;), entre outros. Foram (e seguem sendo) as famosas expedições dos Waiwai em busca de “povos não vistos” (''enîhni komo'') que permitiram (e seguem permitindo) uma intensa troca com outros povos numa ampla rede regional. É desta rede que surgiram (e seguem surgindo) diversos casamentos e convites para famílias inteiras viverem nas comunidades Waiwai, como foi o caso dos índios acima citados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de 1950, quando os Waiwai permitiram a instalação da UFM (Unenvangelized Field Mission) – em trabalho conjunto atualmente com a MEVA (Missão Evangélica da Amazônia) – estas expedições passaram a contar com o apoio material (como a disponibilização de motores de popa e até mesmo esporadicamente do avião da missão) e imaterial (como o discurso da salvação evangélica) desta missão. Um dos frutos do contato permanente com a missão – e, aos poucos, com outros agentes não-indígenas, como a Funai e a Funasa, além de contatos esporádicos com pesquisadores e a população ribeirinha, entre outros – foi o uso do termo “Waiwai” para designar não apenas a língua Karib predominantemente falada entre eles, mas também para referir-se ao coletivo como um todo, que eles passaram a chamar de “comunidades Waiwai” (ou Wai-Wai) de tal ou tal lugar.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Evelyn Schuler Zea|Evelyn Schuler Zea]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto: Célio Horst, 1979. &lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236791-1/waiwai_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua Waiwai, que pertence à família lingüística Karib, constitui o idioma principal utilizado pelos habitantes das comunidades Waiwai. Até o início dos anos 2000, havia várias outras línguas também faladas nestas comunidades, cada uma por parentelas de outros índios que se intercasaram com os Waiwai ou que migraram em massa para conviver com os Waiwai durante a fase de sua centralização em grandes aldeias entre 1950 e 80.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1980, além desta língua predominante (que todos aprenderam), havia parentelas falando outras línguas Karib (Katuena, Hixkaryana, Xerew, Karapayana) ou línguas da família lingüística Arawak (Mawayana, Wapixana). Havia também indivíduos de línguas maternas que se extinguiram ou foram quase esquecidas (Parukoto, Taruma, Cikyana), além de algumas pessoas de povos vizinhos, que vieram morar com seus esposos Waiwai, falando outras línguas (Makuxi, Tiriyó, Atroari). Hoje a maioria dos jovens que nasceu nas comunidades Waiwai fala somente esta língua dominante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir da década de 1990, algumas comunidades Waiwai (como por exemplo, a de Mapuera), grandes demais para sustentar a população devido à escassez de recursos, começaram a passar por uma fase de descentralização. Desde então, muitos dos povos que moraram entre os Waiwai estão voltando para suas áreas originárias e fundando novas aldeias onde a sua própria língua é dominante. Esse é o caso dos Hixkaryana, Karapayana, Katuena e Xerew. Os Mawayana, reduzidos a uma meia-dúzia de sobreviventes que ainda sabem falar a sua língua materna, continuam a conviver entre os Waiwai e os Tiriyó.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais processos de centralização e descentralização ajudam a esclarecer porque a língua Waiwai se transformou em língua franca na região, sendo aquela predominantemente falada nas Assembléias Gerais na região, que começaram a ser organizadas a partir de 2003.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Missão e escrita ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Alfabetização em língua waiwai, no malocão e escola indígena da aldeia Anauá. Foto: Selma Gomes/ISA, 2014.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/919107-4/IMG_0690.JPG&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde a sua chegada em 1949, os irmãos Hawkins, missionários-lingüistas norte-americanos da Unevangelized Fields Mission (UFM), aprenderam a língua Waiwai, publicaram artigos analisando a sua estrutura e desenvolveram uma ortografia para ensinar aos Waiwai (e aos outros povos que a eles se juntaram) a ler e escrever. Robert Hawkins escreveu lições sobre a língua para outros missionários e traduziu a Bíblia para o Waiwai [ver item Relações atuais com não-índios]. Até meados dos anos 80, missionárias-professoras ensinaram a forma escrita de Waiwai (e um pouco da língua portuguesa) para as crianças nas escolas, e treinaram os alunos mais interessados em serem monitores. Hoje há somente uma missionária que ainda ensina (no Mapuera), mas alguns dos monitores que ela treinou agora são professores nas suas próprias comunidades. Em outras comunidades, os professores são Makuxi ou neo-brasileiros, que falam e ensinam somente o português; e em ainda outras, por falta de escolas, as crianças não estão aprendendo nenhuma língua escrita.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Cartaz com versículo em língua waiwai no malocão da aldeia Xaary. Foto: Selma Gomes/ISA, 2014.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/919101-4/IMG_0596.JPG&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os primeiros Waiwai a serem treinados para o magistério pelos estados de Roraima e Pará estão começando a ensinar a língua indígena em algumas comunidades, mas, além da literatura religiosa, faltam materiais escritos em Waiwai. A maioria dos homens fala um pouco de português (que aprendem mais durante visitas às cidades do que nas escolas), alguns fluentemente, enquanto a maioria das mulheres somente entende um pouco (ou nada), situação essa que lentamente está mudando.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Evelyn Schuler Zea|Evelyn Schuler Zea]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização e população ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Umana (casa coletiva) da comunidade Waiwai do Jatapuzinho (RR). Foto: Evelyn Schuler, 2002. &lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236942-1/waiwai_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O movimento de centralização e descentralização marca tanto a ocupação territorial – que se baseia fortemente na autonomia dos grupos locais, mas também em jogos políticos na conjuntura atual, que envolve o contato e a negociação permanente com não-índios [ver item Relações atuais com não-índios] – quanto a concentração e a dispersão da população em diferentes momentos históricos na região que abrange o Rio Essequibo na Guiana [ver box: Waiwai na Guiana], os Rios Anauá e Jatapuzinho em Roraima, os Rios Jatapu e Nhamundá no Amazonas, e o Rio Mapuera no Pará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A bibliografia atesta que nos últimos 50 anos o convívio constante com não-índios – inicialmente com missionários norte-americanos da Unevangelized Fields Mission (UFM), posteriormente com a Missão Evangélica da Amazônia (MEVA) e com agentes da Funai, Funasa, além de contatos esporádicos com pesquisadores e a população ribeirinha, entre outros – inaugurou um processo de concentração das casas coletivas que outrora estavam dispersas entre os dois lados da Serra do Acarai, divisa do Brasil com a Guiana. Mas o surgimento de novos padrões de assentamento implantados pelos missionários – que resultaram em grandes aldeias como, por exemplo, a de Mapuera – não significa que a importância da autonomia dos grupos locais tenha deixado de existir ou de fazer sentido, muito pelo contrário. Ao que tudo indica, esse processo de centralização está atualmente sendo seguido por outro de re-dispersão, como demonstram a migração e criação de novas comunidades waiwai, como as de Catual, Soma, Samaúma, para citar apenas alguns entre muitos outros exemplos.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Malocão da aldeia Anauá. Foto: Selma Gomes/ISA, 2014.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/919110-3/IMG_0693.JPG&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O espaço oficialmente reconhecido consiste em Terras Indígenas que abrangem parte dos Estados do Amazonas, Pará e Roraima:&lt;br /&gt;
* TI Nhamundá-Mapuera (PA), com 2.218 pessoas em 2005;&lt;br /&gt;
* TI Trombetas/Mapuera (AM/RR/PA), com 500 pessoas em 2005;&lt;br /&gt;
* TI Wai-Wai (RR), com 196 pessoas em 2005.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Os Waiwai na Guiana ===&lt;br /&gt;
{{Lead |por '''Stephanie Weparu Alemán''', Antropóloga, Iowa State University}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A população waiwai na Guiana ocupa duas aldeias na região sul do país [em 2006]. A primeira delas é a aldeia de Masakinyari (“lugar do Mosquito”), localizada mais ao sul, no alto curso do rio Essequibo. O número de seus habitantes varia entre 130 e 170, variação que depende da estação do ano, das extensas visitas inter-aldeias e do número de famílias wapixana, que flutua constantemente. Os moradores de Masakinyarï mantêm contato constante com comunidades waiwai no Brasil localizadas do outro lado da Serra de Acaraí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até a década de 1950 havia muitas pequenas aldeias waiwai e de outros grupos ao longo do alto Essequibo. A junção de algumas delas formando aldeias maiores se devia em parte à presença da Unevangelized Fields Mission, responsável pela fundação da aldeia de Konashenay (“Deus ama você aqui”). Essa aldeia cresceu ao ponto de chegar a ter 500 habitantes, até que sua população voltou a se dividir em grupos menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aldeia de Masakinyarï conta com membros da aldeia de Sheparyimo (aldeia do “Cachorro Grande”), que existiu do início dos anos 1970 até meados dos 1980, e da população remanescente da aldeia de Akotopono (aldeia da “Velha Arma Grande”), que existiu da década de 1980 até a criação da nova aldeia de Masakinyarï, em 2000. Pouco antes da criação da nova aldeia, muitas famílias e quase todos os Wapixana que ali moravam se mudaram para um lugar no rio Kuyuwini, perto de um local conhecido como pista Parabara. Uma trilha dessa pista para as savanas de Rupununi ao norte permite um maior acesso a aldeias Wapixana e Makuxi, assim como para as cidades de Lethem e Bon Fim, e, no Brasil, para a cidade de Boa Vista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa aldeia em Parabara contava com aproximadamente 70 habitantes em 2006, metade dos quais eram Wapixana. Contudo, a aldeia possui um nome waiwai, ''Erepoimo'' (aldeia do “Grande Assador de Potes”), que era como chamava um pequeno acampamento waiwai no alto Essequibo nas décadas de 1940 e 1950.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ambas as aldeias possuem vínculos familiares com membros de aldeias waiwai no Brasil, razão pela qual há pouca diferença cultural entre essas aldeias nos dois lados da fronteira, a não ser as diferentes relações com os respectivos estados da Guiana e do Brasil. Os guianeses da costa geralmente se referem às aldeias waiwai no extremo sul do país como “Gunn’s Strip” (Pista de Gunn) em referência a uma pista de pouso localizada em uma pequena savana desta região, ou como “Konashen” (or Kanashen), em referência à antiga aldeia missionária.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Evelyn Schuler Zea|Evelyn Schuler Zea]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto: Yves Billon,1971. &lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236965-1/waiwai_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A dificuldade em determinar quais são efetivamente as primeiras notícias a respeito dos grupos que mais tarde vieram a compor as atuais comunidades Waiwai reside no fato, recorrente na Amazônia Indígena, de que os etnônimos atribuídos a diferentes coletivos indígenas variaram muito no decorrer dos anos. Uma das primeiras informações, ainda que simples referência, data do século XVII (R. Harcourt 1603 [1928]) e outra do século XVIII (Sanders 1721 in Ijzermann 1911 citado em Bos 1985).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No século XIX três viajantes fizeram relatos sobre os Waiwai. O primeiro foi o geógrafo inglês Robert Hermann Schomburgk, que realiza suas viagens entre os anos 1835 e 1839, e depois novamente em 1843, na Guiana Inglesa e na região do rio Orenoco. Ele encontra os Waiwai nos dois lados da fronteira Brasil / Guiana Inglesa, delimitada pela Serra Acaraí, com duas aldeias ao sul no rio Mapuera e uma ao norte no rio Essequibo, separadas por distância correspondente a dois dias de caminhada. O viajante avalia a população destas três aldeias em 150 pessoas. Nos relatos de Schomburgk se encontram vários dados que indicam a existência de uma ampla rede de relações de troca entre os diferentes grupos desta região. Infelizmente os dados diretos em relação aos Waiwai são poucos, mas indiretamente lhe é contado, pelos grupos vizinhos (como os índios Mawayana e Taruma, por exemplo), que os Waiwai eram conhecidos na região por suas habilidades no plantio de algodão e na caça e, especialmente, pelos seus cães de caça, além de seus cobiçados raladores de mandioca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próximo viajante, o geólogo britânico Barrington Brown (1876, 1878), encontra em novembro de 1870 os índios Taruma, Wapixana e Mawayana voltando de uma expedição comercial com os Waiwai, que, sem contato com os brancos, obtinham mercadorias – como ferramentas, panos e miçangas – trocando-as por seus raladores de mandioca e cães de caça com esses grupos vizinhos. Por esta via indireta, Brown recebe a informação de que os Waiwai estão naquele momento somente ao sul da serra Acaraí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1884, o terceiro viajante, o geógrafo francês Henri Coudreau (1899), encontra os Waiwai no Mapuera, perto da região ao sul da serra Acaraí, enquanto a área ao norte da serra era ocupada somente pelos Taruma. Coudreau avaliou a população dos “Ouayeoue” (Waiwai) em três ou quatro mil pessoas, aproximadamente, sendo sete aldeias de 300 habitantes, mas este número é considerado exagerado (por Fock 1963, por exemplo). Como já nos relatos de Schomburgk, também Coudreau aponta para a existência de uma ampla rede de trocas dos Waiwai com vários outros grupos desta região, relatando relações comerciais dos Waiwai ao norte com os Wapixana, os Atorai e os Taruma, no leste com os Pianokoto (Tiriyó), e nos rios Trombetas-Mapuera com os Mawayana e os Xerew, entre outros. Depois de sua morte, sua esposa, Olga Coudreau (1900), deu seguimento às expedições. Ao contrario do marido, que escreveu que os Waiwai e os Mawayana não possuíam bens europeus, ela descreve suas habilidades de troca por estes cobiçados artigos, como miçangas, espelhos, facões, pentes e machados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século XIX, os Waiwai continuavam em contato com os índios Taruma, estabelecendo também relações pacíficas com os Tiriyó do Trombetas-Paru de Oeste, enquanto estavam em guerra com os povos habitantes do médio Mapuera, do grupo Parukoto (Fock 1963: 5). A área de ocupação waiwai correspondia, portanto, à zona de cabeceiras do Mapuera, limitada ao norte pela serra Acaraí. Ao sul de seu território, habitavam outros povos, hoje integrados aos Waiwai e que subiram progressivamente para o norte, repelidos pelo avanço das frentes extrativistas na bacia do Trombetas. De norte a sul, eram os seguintes povos: Tutumo, Mawayana, Xerew e Katwena (Yde 1965: 319, mapa).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como o caminho das viagens de reconhecimento nesta área se dava geralmente de norte para o sul, com os viajantes saindo da Guiana e não do Brasil, as informações se referem apenas aos índios da região fronteiriça. Por serem mais acessíveis a estas expedições, que transmitiam doenças, assim como pelos contatos comerciais com os Taruma e Wapixana, os Waiwai sofreram, por volta de 1890, um forte abalo demográfico, devido à propagação de doenças antes desconhecidas entre eles. Isto provocou um aumento dos casamentos intertribais. Antes deste período já ocorriam freqüentemente casamentos entre Waiwai e outros povos e depois, no final do século, os Waiwai intensificaram este processo com os índios Parukoto (principalmente os Xerew e os Mawayana) ao sul, e com os Taruma, ao norte (Fock 1963: 267).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== No século XX ===&lt;br /&gt;
No início do século XX, os Waiwai se dividiam em duas áreas: ao norte, na serra Acaraí, e, a leste, o grupo do alto Mapuera. A primeira década é marcada por conflitos intertribais, que realçaram a separação dos dois subgrupos e que, ao mesmo tempo, provocaram forte diminuição da população. Os conflitos ocorreram entre os Waiwai e os Parukoto. Já em dezembro de 1913, quando Farabee visitou os Waiwai, as guerras haviam cessado e os antigos inimigos Parukoto eram integrados a eles, sendo, porém, os Parukoto em maior número (cf. Howard 2001: 234-235).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos anos 1919, 1922 e 1923 o missionário Fr. Cuthbert Cary-Elwes S.J. visitou os Waiwai e também fala da proeminência de suas atividades comerciais com os Taruma e os Wapixana (cf. Colson e Morton 1982). Os Waiwai e os Parukoto, do norte e leste, continuavam habitando a região montanhosa, mas o grupo do norte começava a ocupar também o alto Essequibo, na Guiana Inglesa, onde são mencionados por Walter E. Roth no início de 1925. Antes que Roth pudesse ir encontrar os Waiwai, como planejado em sua viagem, os Waiwai foram ao seu encontro, tendo corrido a notícia de um viajante que estava na área com mercadorias como sal, anzóis e machados. As relações comerciais com os Taruma haviam cessado, pois, como afirma esse autor, os Taruma dessa área estavam praticamente extintos e os remanescentes integrados aos Waiwai (Roth 1929: IX, X).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De 1925 a 1950, aproximadamente, inicia-se um movimento de migração dos Waiwai rumo ao alto Essequibo. Abandonam a região de serra e cabeceiras para viver à margem de rios maiores. A comissão de limites anglo-brasileira, em 1935, confirma este movimento: a maioria dos índios Waiwai estava no Essequibo, Guiana Inglesa, enquanto o Mapuera era habitado por outros povos (Xerew, Mawayana etc.) do grupo Parukoto, misturados com alguns Waiwai. Com efeito, Waiwai e Parukoto tinham uma língua e modos de viver parecidos. Os Parukoto, procedentes do médio Mapuera, tinham introduzido entre os Waiwai por exemplo o uso de canoas, característico dos grupos amazônicos (Fock 1963: 8-9).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até 1950 a situação dos Waiwai não sofreu grandes modificações a não ser territoriais, conforme puderam constatar vários visitantes de missões etnográficas e oficiais: em 1938, a expedição Terry-Holden, do American Museum of Natural History (ver Aguiar 1942); e em 1947, Peberdy, representante do governo da Guiana (Peberdy 1948).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Presença missionária ===&lt;br /&gt;
No início de 1950, ocorreram grandes transformações na vida dos Waiwai com a intervenção de uma “frente missionária” no alto Essequibo: a Unenvangelized Fields Mission / UFM (Cruzada de Evangelização Mundial), atraindo para a Guiana Inglesa a grande maioria da população do Mapuera e do Nhamundá. O repórter evangélico Homer E. Dowdy relata em seu livro Christ’s Witchdoctor: From Savage Sorcerer to Jungle Missionary que no início deste empreendimento estão os missionários Neill, Rader e Robert Hawkins, três irmãos do Texas cujo objetivo era instalar-se nas regiões indígenas não evangelizadas para, em nome de sua missão, salvar as almas para Cristo, trazendo-lhes o evangelho. Antes de fazer o contato com os Waiwai, os dois irmãos mais velhos, Neill e Rader, conviveram 10 anos com os Macuxi à beira do Rio Branco no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1948, quando quiseram contatar os Waiwai, os Hawkins não receberam autorização do governo brasileiro e por esta razão resolveram viajar para a Guiana Inglesa, onde também lhes foi negada primeiramente a autorização (Dowdy 1963: 33). Apenas no ano seguinte, em janeiro de 1949, quando o agente então responsável fora transferido, seu sucessor lhes concedeu a autorização para visitar os Waiwai no Essequibo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A “Missão entre os Waiwai” foi fundada por vários missionários, e em 1949 poucos Waiwai viviam no lado inglês. Mas no lado brasileiro, na região fronteiriça, a população indígena era considerável. Desde o início o interesse dos missionários consistia em fazer incursões em território brasileiro (baixando o Mapuera e avançando até o rio Nhamundá) e atrair várias centenas de índios para a missão no território da então Guiana Inglesa (Frikel 1970: 29-30). Para atrair os índios, os missionários enviaram mensageiros indígenas para oferecer-lhes itens muito apreciados como anzóis, espelhos, facas e miçangas, bem como para contar-lhes que “o mundo acabaria numa enorme fogueira e que poderiam mostrar o caminho para a salvação de uma vida melhor” (Almeida 1981). Com esta atração, a população desta área aumentou de 80 pessoas para mais de 250, em apenas três anos, formando um conglomerado de grupos, incluindo os Waiwai, os Mouyennas (Mawayena), os Xerew, Piskaryenna e os Hixkaryana (Yde 1960: 83, e 1965: 1 e 9). A concentração rapidamente resultou em uma única aglomeração, Kanashen ou Konashenay aldeia artificial criada pela Missão, cujo nome deveria traduzir a idéia de que “Deus ama você aqui” para a atrair os índios a irem viver neste lugar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Corre uma série de relatos e versões sobre a assim chamada “conversão” dos índios Waiwai, exemplificada de maneira paradigmática pela trajetória de Ewka, um xamã e líder carismático que se tornou uma referência importante tanto para os índios quanto para os não-índios, como demonstram diferentes experiências etnográficas e fontes que datam de distintos tempos. Segundo Dowdy, que dá a Ewka (e a seu livro) o título de Pajé de Cristo, trata-se da trajetória de um xamã selvagem que virou um missionário da selva, marcando a história dos índios Waiwai, que junto com seu líder teriam trocado o medo dos espíritos kworokyam pela fé em Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dowdy relata as primeiras relações de Ewka com kworokyam – “o centro da vida espiritual dos Waiwai” (1963: 23) – que se manifestou para o jovem xamã em um sonho com os porcos do mato. Sob a guia do(s) espírito(s) do porco do mato, Ewka se iniciou nos conhecimentos xamânicos, assumindo o pacto de não comer a carne deste animal em troca de sua ampla ajuda, por exemplo, nas curas e na caça. Quando os missionários chegaram, Ewka prontificou-se a ensinar-lhes o idioma waiwai e, nas inúmeras horas de ensino da língua, ouviu as descrições do Deus dos missionários e de Seu Filho Jesus. Aos olhos dos missionários, que estudaram os modos e jeitos Waiwai (incluindo sua língua) para catequizá-los e fazê-los seguir o caminho de Deus (que traduziram por “Kaan yesamarî”), não passou despercebida a importância da troca de ekatî- alma e, em particular, a troca de yekatî yewru, alma-olho - para os Waiwai e por isso traduziram o Espírito Santo por “Kiriwan Yekatî”, ou seja, o “Espírito Bom” de Deus. Pregavam que tinham que estar em constante processo de troca com este para não serem punidos no purgatório e poder, ao contrário, subir para o céu. Com prestigiosos presentes como, por exemplo, motores de popa e shorts vermelhos, os missionários consideravam que poderiam conquistar Ewka especialmente se ele pudesse ver que Jesus era o espírito bom, infinitamente maior que os espíritos ruins que segundo os missionários eram representados por kworokyam e que eles traduziram por Diabo. Desta consideração dos missionários surgiu a proposta feita à Ewka de que ele não apenas matasse um porco do mato, mas também comesse a sua carne, pois assim poderia provar para si e para todos que os espíritos nada podiam com alguém que estava protegido por Deus. Assim ocorreu, dando início, segundo Dowdy, a conversão primeiramente de Ewka e depois dos grupos que o seguiram. Já em 1956, quase cada semana havia uma confissão pública da nova fé em Cristo durante as reuniões e cultos semanais instituídos em Kanashen nas quartas, sextas e aos domingos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações que os Waiwai travaram com os missionários se deram em diversos âmbitos e por isso este processo não deveria ser simplesmente chamado de “conversão” ao Cristianismo, mas visto no contexto de uma complexa rede de relações com potências exteriores, fundamentais para a aquisição da própria cultura. Cabe relembrar aqui que, desde os primeiro viajantes, os relatos apontam para um especial interesse dos Waiwai em travar relações com grupos alheios e para a existência de uma ampla rede de trocas com vários outros grupos desta região, como os Wapixana, os Tiriyó, os Mawayana e os Xerew, entre muitos outros. Neste contexto se situa seu acentuado interesse em estabelecer relações com os missionários e seu entusiasmo em aceitar a proposta missionária de atuar como mensageiros indígenas fazendo contato com outros grupos indígenas como, por exemplo: os Xerew do Baixo Mapuera em 1954, os Mawayana do Alto Mapuera em 1955-56, os Tiriyó e Wayana no Suriname em 1957, os Kaxuyana no Rio Cachorro e os Hixkaryana no Rio Nhamundá em 1957-58, dois grupos Yanomami (Xirixana e Waika) em 1958-59 e 1960-62, vários grupos do Tumucumaque (como Tunayana, Wajãpi, Wayana e Kaxuyana) em 1963-65, os Katwena e Cikyana do Trombetas em 1966-67 e os Waimiri-Atroari do Rio Alalaú em 1969-70 (cf. Howard 2001: 285-286). Trata-se de algo que já vinham fazendo antes do contato com os missionários e que, após o contato, puderam fazer com um apoio especial, tendo-se em vista as ferramentas materiais e imateriais da missão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1971, a missão Kanashen é expulsa da Guiana pelo governo do país, de tendência socialista. Os índios dispersam-se, ficando apenas algumas famílias na área. Uma pequena parte migra para o Suriname, na Missão Araraparu, enquanto a maior parte volta para o Brasil. Os líderes e pastores indígenas Kiripaka e Yakuta, irmão de Ewka, organizaram neste mesmo ano a mudança de 15 famílias para o rio Anauá, no Estado de Roraima. Os demais, chefiados por Ewka, voltam em 1974 ao Mapuera, local de origem. Os missionários expulsos da Guiana se dividiram e passaram a acompanhar o movimento dos índios no lado brasileiro. Uma parte deles se fixou com os Waiwai em Roraima e se integrou à organização missionária MEVA. Outra parte, em 1976, estabeleceu-se no Mapuera, como integrante da MICEB (Missão Cristã Evangélica do Brasil). Nesta época, as expedições de contato em busca de outros grupos indígenas seguem sendo realizadas, inclusive fundando novos lugares de moradia, como é o caso da expedição de contato em busca dos Karapawyana do Rio Jatapu em 1974-1980, fundando quatro anos mais tarde a nova comunidade Waiwai do Jatapuzinho, seu afluente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Evelyn Schuler Zea|Evelyn Schuler Zea]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Relações atuais com os não-índios ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Oficina de video na comunidade Waiwai do Jatapuzinho (RR).&lt;br /&gt;
Foto: Evelyn Schuler, 2002.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236970-1/waiwai_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O interesse dos Waiwai em travar relações com diferentes Outros não se limita ao mundo indígena, nem ao mundo não-indígena (ao qual foi se abrindo e tendo cada vez mais contato nos últimos 50 anos), e tampouco se limita ao mundo humano. No que concerne a suas relações atuais com não-índios, há de se mencionar os missionários (sobretudo evangélicos, mas também católicos em Anauá, na TI Wai Wai), os agentes da Funai, Funasa, do MEC, políticos e autoridades locais, ribeirinhos, comerciantes, pesquisadores, além de fazendeiros, garimpeiros, madeireiros e posseiros, dentre os quais alguns são considerados agentes de ameaça e/ou pressão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde sua instalação entre os Waiwai no início dos anos 1950, os missionários introduziram o ensino da escrita como forma de cumprir sua meta de catequese. Consideram este um meio privilegiado para difundir a Bíblia, que eles traduziram na integra (o Novo e o Velho Testamento). Em 2001, a UFM International (Pennsylvania/EUA) publica-a em colaboração com a MEVA (Boa Vista/RR) sob o título “Kaan Karitan – A Bíblia Sagrada na língua Uaiuai”, que brilha com letras douradas em cada exemplar de capa dura negra, com mais de 600 páginas (em uma primeira tiragem de 4.000 cópias).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A introdução da escrita certamente constitui um instrumento poderoso para introduzir o Evangelho, mas será que com isso os Waiwai estão efetivamente abandonando sua tradição de transmissão oral dos conhecimentos e suas práticas e concepções cosmológicas? Não há de se perder de vista que, no contexto atual, são os Waiwai (assim como vários povos indígenas) que reivindicam o acesso à escrita e à educação escolar como condição fundamental para sua autonomia. Esse instrumento de comunicação permite aos Waiwai produzirem sua cultura em formato acessível aos não-índios: escrita de projetos, de diversos documentos, nos quais eles são os autores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As experiências entre as diferentes comunidades Waiwai nas três TIs variam bastante em relação às escolas existentes (ou não) nas comunidades e o acesso de seus professores ao magistério indígena. No Pará, por exemplo, desde 1997 a equipe do Núcleo de Educação Escolar Indígena vem atuando junto a professores da aldeia Mapuera, que conta com 60% da população em idade escolar. Em Roraima, este processo é mais recente, mas já existem diálogos e cooperações entre os Waiwai e o CIR (Conselho Indígena de Roraima) e organizações como a OPIR (Organização dos Professores Indígenas de Roraima), e de mulheres Waiwai com a OMIR (Organização das Mulheres Indígenas de Roraima).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação aos agentes da Funai e da Funasa, as experiências também variam. No Pará, por exemplo, já existe um Waiwai que trabalha na Funai com certa constância, enquanto a mudança de chefes de postos em Roraima é freqüente. Em sua maioria, os programas de saúde estão acoplados ao trabalho conjunto da Funasa com ONGs. Assim, em Roraima, por exemplo, é o CIR que atua junto com a Funasa na área de saúde. Conjuntamente promovem também cursos e especializações para capacitar agentes de saúde waiwai no Jatapuzinho e no Anauá, onde recebem salários para controlar os medicamentos enviados mensalmente e a coleta de lâminas para o controle de malária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São diversos os programas e projetos desenvolvidos entre os Waiwai. Ao lado de programas de formação de agentes indígenas de saúde e de professores indígenas, há projetos de extração e coleta de produtos florestais (como, por exemplo, a castanha), de criação de animais aquáticos e terrestres (como, por exemplo, o gado), de gerenciamento e processamento de produtos para renda (como, por exemplo, o artesanato), de proteção e vigilância territorial (alguns em parceria com outros agentes indígenas, como por exemplo, os Waimiri-Atroari), entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há também os projetos com conseqüências indesejáveis, como o planejamento das Usinas Hidrelétricas de Cachoeira Porteira, de Carona e de Nhamundá, além da Usina Hidrelétrica já construída no Jatapu no final dos anos 1980 e que trouxe agravantes para os Waiwai. Para aliviar as conseqüências desta construção, o governo concedeu aos Waiwai do Jatapuzinho um gerador de luz e uma cota mensal de óleo diesel que retiram na Usina. No mais, o prefeito do Caroebe também fornece uma cota mensal (150 a 200L) de gasolina para a comunidade. E, ainda no Jatapuzinho, existem alguns aposentados que recebem um salário mínimo da Previdência.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Evelyn Schuler Zea|Evelyn Schuler Zea]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Práticas socioambientais e atividades econômicas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto:  Célio Horst, 1979. &lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236977-1/waiwai_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo anual waiwai se alterna entre a época seca e a época chuvosa, sendo a primeira farta em comida e vida coletiva, e a segunda, ao contrário, marcada pelos recursos mais escassos, fazendo com que as famílias waiwai se dispersem em roças mais distantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em função deste ciclo, mas também pelos problemas decorrentes das grandes concentrações populacionais, as roças se dividem em dois tipos: aquelas situadas perto da aldeia e as mais distantes. Nestas últimas, muitas famílias passam boa parte da época chuvosa, assim como recorrem a elas quando os recursos perto da aldeia não são suficientes para todos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As roças são preparadas (abrindo-se o espaço pela derrubada, queima e limpa) entre agosto e setembro, quando acaba o período das chuvas, e o plantio é feito entre janeiro e março, em trabalho realizado de forma comunitária. As principais espécies plantadas são: algodão, abacaxi, banana (diversas espécies), cana-de-açúcar, mamão, tubérculos como cará e batatas (diferentes tipos) e, sobretudo, a mandioca brava, da qual fazem, após extrair a toxina, o beiju, farinha e bebidas de tapioca (goma).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da agricultura de coivara, suas atividades de subsistência se baseiam na caça, na pesca e na coleta de produtos silvestres. Os principais produtos da caça são: anta, veado, porco do mato, macaco (coatá, guariba, prego), mutum, jacamim, cutia, paca, tatu, jabuti, tucano, araras etc. As aves são também caçadas por sua plumária, pois as penas são utilizadas no artesanato. Desde os anos 1950, os homens waiwai se acostumaram a caçar com espingardas, mas, quando falta munição, seguem usando arcos e flechas, estes também na pesca. Os peixes mais comuns são: trairão (aimara), surubim, pacu, piranha, etc. A coleta traz importante complemento na alimentação, em que se destacam: cajus silvestres, açaí, buriti, pupunha e nozes, principalmente, a castanha-do-pará. A castanha é coletada principalmente para ser comercializada, assim como são a farinha de mandioca, canoas e produtos de artesanato. Com o dinheiro destes produtos vendidos, os itens mais comprados são: motores de popa, roupas, anzóis, linha, munição, sabonete, sal e redes industrializadas.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Transporte da castanha do Brasil no rio Anauá. Foto: Selma Gomes/ISA, 2014.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/919119-3/IMG_1206.JPG&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A produção de artesanato tem aumentado bastante, sobretudo quando os Waiwai desejam adquirir itens industrializados. As mulheres fazem cerâmica, raladores de mandioca, tangas e colares de sementes, entre outros; os homens fazem cestos, pentes, adornos de plumária, arcos e flechas etc. Boa parte do artesanato é levada para ser vendida em Boa Vista, mas também em Manaus, e, nos últimos anos, alguns jovens têm vendido artesanato durante a Festa do Boi em Parintins. Os Waiwai, sobretudo os jovens, também obtêm dinheiro ou mercadorias trabalhando, esporadicamente, nas vilas ribeirinhas, como, por exemplo, em Entre Rios e Caroebe.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Evelyn Schuler Zea|Evelyn Schuler Zea]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Parentesco e organização sociopolítica ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Lidia Waiwai, da Aldeia Cobra, e sua filha, na aldeia Xaary. Foto: Tiago Moreira/ISA, 2013.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/919113-2/IMG_1058.JPG&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O parentesco waiwai está estreitamente interligado à sua organização sociopolítica, que se baseia na complementaridade entre os sexos, na cooperação entre vizinhanças, nas obrigações do genro em relação ao seu sogro, nas alianças entre irmãos e no reconhecimento de alguns homens como especialmente influentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Inexistem clãs, linhagens, metades, classes sociais ou distinções por ordem de riqueza econômica. A consangüinidade e a afinidade são definidas bilateralmente e a terminologia do parentesco se baseia em diferentes critérios, entre os quais: relações de gênero e geração, relações cruzadas versus relações paralelas e idade relativa de irmãos. Do ponto de vista de um indivíduo adulto, são feitas as seguintes distinções: ''epeka komo'' (vizinhanças constituídas pelos irmãos e suas famílias), ''woxin komo'' (as famílias da parentela do esposo/a que constituem os afins) e ''tooto makî ''(pessoas com as quais o sujeito não cultiva relações).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jovens se casam geralmente entre 16 e 24 anos. A aliança tida como ideal é aquela entre primos cruzados atuais e classificatórios. O genro assume uma série de deveres em relação ao seu sogro (morar perto de sua família, construir uma casa, preparar uma roça, compartilhar alimentos obtidos na caça e pesca etc.). Apenas gradativamente o genro ganha mais independência ou quando se torna sogro, com o direito de exigir os mesmos deveres. Líderes procuram manter tanto seus filhos quanto seus genros perto de si. Eles necessitam uma esposa e caso ela morra, devem casar-se novamente ou abandonar a posição de liderança.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto: Yves Billon,1971. &lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236982-1/waiwai_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até a chegada dos missionários era comum cada Waiwai ter vários esposos e esposas ao longo de sua vida (mais freqüente era a monogamia serial, mas poliginia e poliandria ocorriam de vez em quando, mas geralmente eram apenas temporários). Sob influência missionária, novas normas foram instituídas: celibato pré-casamento, monogamia duradoura e ausência de divórcio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada “comunidade Waiwai” constitui uma unidade efetiva da organização política. Inexiste uma organização “étnica”, “tribal” ou regional, apesar das relações entre as diferentes “comunidades Waiwai” serem complexas e significativas, bem como terem surgido Associações (como, por exemplo, a AITA TROMA em Mapuera) em função das novas demandas advindas do contato também complexo com não-índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dificilmente pode-se imaginar um líder de uma comunidade sem certas capacidades de persuasão, pois estas são necessárias para conseguir mobilizar seguidores dispostos a construir uma nova aldeia, novas roças e realizar preparativos necessários para as festas. Mais freqüente que o termo waiwai kayaritomo para designar um líder de uma aldeia, hoje em dia, após o contato mais permanente tanto com outros índios da região quanto com não-índios, passou a ser o termo regional tuxawa. A ele cabe coordenar relações tanto com não-índios quanto internamente, o que faz nomeando líderes de trabalho (antomañe komo) e pastores (Kaan mîn yenîñe komo), que conjuntamente são (re)conhecidos como enîñe komo, aqueles que vêem e cuidam da comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O controle social nunca se dá por força física, mas por persuasão, pressão da opinião pública e, de modo significativo, por fofoca. Qualquer desacordo é mediado por sofisticados meios de negociação – como, exemplarmente, o diálogo ritual que conhecido por ''Oho ''(que impressionou pesquisadores como Fock nos anos 1950) e outras medidas indiretas. O medo de feitiçaria sempre serviu como meio de controle e atualmente os pastores chamam a atenção para o castigo de Deus em caso de conduta considerada inadequada. Em casos sérios o conselho formado pelos líderes (''tuxawas'', líderes de trabalho e pastores) promove longos encontros com todos os envolvidos em busca de soluções. Algumas disputas chegam a ser discutidas publicamente na igreja ou na umana, a grande casa cerimonial onde também se celebra festividades conjuntamente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Evelyn Schuler Zea|Evelyn Schuler Zea]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Rituais e transformações ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Ritual Shodewika. Foto: Jeus Yde, 1955. &lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236985-1/waiwai_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As duas grandes festividades coletivas entre os Waiwai eram, antes da chegada dos missionários, os festivais ''shodewika ''(festas nas quais uma aldeia ia visitar a outra) e os rituais ''yamo ''(quando espíritos da fertilidade, invocados por dançarinos com máscaras, moravam na aldeia por vários meses). Nas festas sempre havia fartura de bebidas fermentadas, danças e brincadeiras. Depois de vários anos de presença e insistência dos missionários, os Waiwai aceitaram aos poucos trocar as bebidas fermentadas por bebidas de buriti, uma das transformações ainda introduzida pelo carismático líder Ewka na época em que moravam no alto Essequibo (Guiana).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje em dia, seguem sendo celebradas duas grandes festas que passaram a ser chamadas, com os missionários, ''Kresmus ''(uma pronúncia waiwai da palavra inglesa ''Christmas'') ou Festa de Natal, comemorada no fim de ano, e, em abril, a Festa de Páscoa, na qual ocorrem frequentemente batismos. Como seus nomes e suas datas indicam, estas festas incorporaram certas referências cristãs, mas cabe lembrar que a Festa de Natal cai exatamente na época da seca e a Festa de Páscoa coincide com o fim desta época, períodos em que já aconteciam rituais festivos antes da chegada dos missionários. Cabe questionar também se os diversos setores envolvidos na evangelização conseguiram efetivamente substituir as concepções cosmológicas e/ou as filosofias waiwai. Ao que muito indica a lógica da substituição não parece fazer sentido, mas sim uma lógica de transformação e seleção.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Aldeia Xaary - Brincadeira de natal. Foto: Raul Noro Xeerin Waiwai, 2013.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/919122-1/P1040101.JPG&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma transformação relevante diz respeito ao papel dos visitantes nestas festas: este não é mais cumprido por moradores de uma aldeia que vão visitar uma outra, mas por caçadores waiwai ao retornarem para a própria aldeia após uma prolongada caça provedora da comida para a festa. Este retorno é marcado ritualmente por duas chegadas/entradas: na primeira, os caçadores aparecem como “visitantes” devidamente decorados com penas de gavião grande e pequeno (''yaimo ''e ''wikoko'') e carregam toda carne fresca de sua caça ao redor de seus corpos para a grande casa cerimonial chamada ''umana''. Lá atiram flechas em animais (principalmente aves) feitas de madeira e penduradas no alto da ''umana ''para este fim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após voltarem para suas canoas, os caçadores/visitantes encenam ritualmente a segunda chegada/entrada na ''umana ''tocando flautas e carregando desta vez a carne moqueada em grandes ''awci ''(um tipo de mochila confeccionado com folhas de bananeira). Na ''umana'', as anfitriãs, que neste contexto são chamadas de donas do suco (''yîmîtîn''), oferecem aos caçadores/visitantes suco de buriti (you yukun) e beiju, recebendo em troca as carnes frescas e moqueadas para serem preparadas para a comida coletiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante todos os dias de festa as refeições são coletivas e vários cultos são organizados com uma série de canções, muitas delas compostas especialmente para a festa, que também acompanham danças e um grande número de jogos e brincadeiras, entre as quais figuram tanto referências indígenas mais antigas (p.ex.: as danças dos animais), como também novidades advindas do contato com não-índios (p.ex.: o futebol).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada qual a sua maneira, estas danças, jogos e brincadeiras configuram rituais pelos quais os Waiwai traduzem forças e recursos exteriores, como por exemplo: sua relação com os animais e seus poderes (de acordo com suas diferentes posições cosmológicas) através das danças dos animais; forças celestes através da arte plumária; potências espirituais (indígenas e cristãs) através de músicas e invocações; e, entre outras, também sua relação com outros índios e não-índios através do ritual dos visitantes conhecido por pawana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Xamanismo ===&lt;br /&gt;
Atualmente nenhum Waiwai se declara mais xamã, mas como o xamanismo não pode ser definido de forma reducionista pela presença de xamãs isto não significa que modos de pensar e agir xamanicamente não continuam operantes. Eles se manifestam, por exemplo, sob a forma de acusação de feitiçarias, quase sempre atribuídas aos Waiwai de outra comunidade ou a índios de outros lugares. Assim, nenhuma morte é tida simplesmente como um acontecimento natural, mas sempre em relação a acontecimentos de outra ordem, como é o caso, também, de diferentes experiências e concepções oníricas. Não cabe aqui uma tentativa de desvelar estes domínios que circulam em âmbitos velados. Os Waiwai dizem, neste sentido, que é escondido, que ninguém fala, mas todo mundo sabe e que estas trocas de feitiçarias não voltam para trás não, vão longe.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Evelyn Schuler Zea|Evelyn Schuler Zea]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto: Pastor da aldeia de Kaxmi, Rio Novo, P.I. Anauá&lt;br /&gt;
Célio Horst,1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236992-1/waiwai_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As fontes de informações sobre os Waiwai podem ser divididas fazendo as seguintes distinções: obras ou relatos de historiadores, viajantes ou missionários, textos de lingüística, livros, teses e artigos acadêmicos e documentos e relatórios da Funai, Funasa e MEC. É importante chamar a atenção que após a instalação da missão entre os Waiwai, os missionários acabaram assumindo um papel de mediadores e tradutores para diversos pesquisadores e viajantes que realizaram suas pesquisas de campo e viagens especialmente nos movidos anos 1950, entre os quais há de se mencionar: os arqueólogos Betty Meggers e Charles Evans (cf. Evans e Meggers 1955, 1960, 1964, 1979, Meggers 1971), o botânico inglês Nicholas Guppy (1954, 1958), o viajante polonês Arkady Fiedler (1968) e os antropólogos dinamarqueses Niels Fock e Jens Yde na primeira expedição etnográfica do Museu Nacional da Dinamarca, em 1954-55, e a segunda, em 1958. Estas expedições resultaram na publicação de uma monografia importante sobre a religião e sociedade waiwai (Fock 1963) e um amplo estudo da cultura material waiwai (Yde 1965).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguem múltiplas as fontes de informações em relação Waiwai no final do século passado e no início deste século XXI. Algumas delas assumem papéis mais permanentes, como é o caso do contato com alguns missionários e também com alguns antropólogos, entre os quais podemos destacar: George Mentore, que escreveu seu doutorado na University of Sussex sobre a economia política na aldeia Waiwai Shepariymo baseando-se em sua pesquisa de campo entre os Waiwai da Guiana (cf. Mentore 1983-84, 1984, 1987, 1993, 2005); Peter Roe e Peter Siegel, que também fizeram pesquisa de campo em Shepariymo em 1985 (cf. Roe 1989, 1990 e Siegel 1985, 1987); Catherine Howard, que realizou sua pesquisa de campo de abril 1984 até novembro de 1986 em Kaxmi (Roraima) para seu doutorado na University of Chicago sobre as expedições de contato (cf. Howard 1986, 1991, 1993, 1994, 2001); Ruben Caixeta de Queiroz, que fez pesquisa de campo durante os dois primeiros meses de 1991 e os últimos cinco meses de 1994 no Mapuera (Pará) para o seu doutorado na Université de Paris I et Paris X sobre o encontro intercultural “en anthropologie filmique”, realizou alguns filmes etnográficos e foi o antropólogo coordenador do relatório de identificação e delimitação da Terra Indígena Trombetas/Mapuera (cf. Caixeta de Queiroz 1999, 2004); Jorge Manuel Costa e Souza, que realizou pesquisa de campo em 1997 para seu mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina no Jatapuzinho sobre a relação dos Waiwai com a “modernidade” (cf. Costa e Souza 1998); Stephanie Weparu Aleman, que realizou pesquisas de campo de três a cinco meses anualmente entre 1997-2002 para o seu doutorado na University of Wisconsin (Aleman 2006); e, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo (NHII/USP), os pesquisadores Carlos Machado Dias Junior, que realizou suas pesquisas de campo entre 1997 e 1999 e novamente de setembro 2003 até junho de 2004 em diferentes comunidades Waiwai em Roraima, Pará e Amazonas (cf. Dias Junior 2000, 2006), além de minha pesquisa de campo realizada, por enquanto, de dezembro de 2001 até abril de 2002 e de dezembro de 2002 até janeiro de 2003 no Jatapuzinho (cf. Schuler Zea 2006).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Evelyn Schuler Zea|Evelyn Schuler Zea]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;AGUIAR, Braz Dias de. Trabalhos de comissão brasileira demarcadora de limites – primeira divisão – nas fronteiras de Venezuela e Guianas Britânica e Neerlandesa, 1930-1934. In: Annais do IX Congresso Brasileiro de Geografia, vol. 2. Rio de Janeiro: Conselho Nacional de Geografia.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALMEIDA, Maria da Penha de. Relatório de eleição e delimitação das áreas dos Pls Nhamundá e Mapuera (divisa dos Estados do Amazonas e Pará). Brasília : Processo FUNAI 2989/80, 1981.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BOS, G. “Atorai, Trio, Tunayana, and Waiwai in Early Eighteenth Century Records”. Folk: 5-15, 1985.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BROWN, Charles Barrington. Camp and Canoe life in British Guiana. London, 1876.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BROWN, Charles Barrington, e William Lidstone. Fifteen thousand miles on the Amazon and its tributaries with map and wood engravings. London : Stanford, 1878.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CAIXETA DE QUEIROZ, Ruben. Les Waiwai du Nord de L’amazonie (Brésil) et la rencontre interculturelle: Un Essay d’anthropologie filmique. Paris-Naterra : Université de Paris X, 1998. Tese de doutoramento.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. “A saga de Ewka: Epidemias e evangelização entre os Waiwai”. In: Robert Wright (ed.): Transformando os deuses. Os múltiplos sentidos da conversão entre os povos indígenas no Brasil. Campinas : Editora da Unicamp, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Relatório de Identificação e Delimitação: Terra Indígena Trombetas/Mapuera. Brasília : Funai, 2004.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COLSON, Audrey Butt. “Waiwai: religion and society of an amazonian tribe american (Book review)”. Anthropologist 66: 683-684, 1964.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. “Material culture of the Waiwai (Book review)”. Man 1: 271, 1966.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;------- &amp;amp;amp; John Morton. “Early missionary work among the Taruma and Waiwai of Southem Guiana – the visits of Fr. Cuthbert Cary-Elwes, S. J. In 1919, 1922 and 1923”. Folk 24: 203-261, 1982.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COSTA E SOUZA, Jorge Manoel. Os Waiwai de Jatapuzinho. Um irresistível apelo à modernidade. Florianópolis : Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COUDREAU, Henry. La France Équinoxiale, vols 1-2 (vol. I: Études sur les Guyanes et l’Amazonie; vol 2: Voyages à travers les Guyanes et l’Amazonie). Paris.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Voyage au Yamunda (21 janvier 1899 – 27 juin 1899). Paris, A.Lahure, 1899.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COUDREAU, Olga. Voyage au Trombetas (7 août 1899 – 25 novembre 1899). Paris, A. Lahure, 1900.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Voyage à la Mapuera (21 avril 1901 – 24 decemvre 1901). Paris, A. Lahure, 1903.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DIAS JR., Carlos Machado. Próximos e distantes. Estudo de um processo de descentralização e (re)construção de relações sociais na região sudeste da Guiana. São Paulo: Dissertação de Mestrado, USP, 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Entrelinhas de uma rede. Entre linhas Waiwai. São Paulo: Tese de Doutorado, USP, 2006.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DERBYSHIRE, Desmond. Textos hixkaryana. Publicações avulsas do Museu Paraense Emilio Goeldi no. 3. Belém: Museu Paraense Emilio Goeldi. 1965.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Discourse redundancy in Hixkaryana. International journal of american linguistics 43: 176-1 88, 1977.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Another kind of “Hearsay Particle” in Hixkaryana (Brazil). Notes on Translation 70: 8-13. 1978.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. A diachronic explanation for the origin of OVS in some Carib languages. Work papers of the Summer Institute of Linguistics 3:35-46. University of North Dakota Session : Summer Institute of Linguistics, 1979.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DOWDY, Homer. Christ’s witchdoctor. London : Hodder &amp;amp;amp; Soughton, 1963.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Christ’s jungle. Oregon : Vision House, 1995.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;EVANS, Clifford e MEGGERS, Betty. “Life among the Waiwai Indians.” In : National geographic magazine 107, 1955.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. “Archaelogical investigations in British Guiana”. In : Bureau of american ethnology bulletin 177. Washington. D.C. : Smithsonian Institution.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FARABEE, William Curtis &amp;amp;amp; University of Pennsylvania University Museum. The Central Karibs. Oosterhout : Anthropological publications, 1967.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FIEDLER, Arkady. Bei Arawak und Waiwai. Ich lebte unter den Indianern Guayanas. Leipzig : Brockhaus, 1968.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FOCK. Niels. Waiwai religion and society of an Amazonian tribe. Copenhagen : National Museum, 1963.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Authority – its magico-religious, political and legal agencies – among caribs in northern south america. Sonderdruck aus den Verhandlungen des XXXVIII. Internationalen Amerikanistenkongresses. Stuttgart-München: 12. bis 18. August, 1968.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FREITAS, C.P de. On the frontier of british Guiana and Brazil. Timehri 26: 123-145, 1944.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FRIKEL, Protasio. Zur Linguistisch-Etnologischen Gliederung der Indianerstämme Von Nord-Pará (Brasilien) Und Den Anliegenden Gebieten. Anthropos (Freiburg) 52: 509-631, 1957.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Os Kaxuyana: notas etnohistóricas. Belém : Museu Paraense Emilio Goeldi (Publicações Avulsas 14), 1970.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GUPPY, Nicholas. Wai-Wai. Through the forests north of the Amazon. Harmondsworth : Penguin Books, 1961.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HARCOURT, Robert. A relation of a voyage to Guiana – 1603. London, The Hayklet Society, 1928. 203 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HAWKINS, Neill W. A Fonologia da Língua Uaiuai. Boletim etnografia e tupiguarani: 1-49. 1952.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. A Morfologia do Substantivo na Língua Uaiuai. Publicações avulsas do Museu Nacional, 1962.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HAWKINS, Robert E. The winning of a Waiwai witchdoctor: from fear to faith. Dallas : Bible Fellowships, Inc., 1956.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Aprendendo a Falar Uaiuai. Boa Vista : MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), 1976.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Waiwai Translation. The Bible Translator : 164-171. 1962.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Dicionário Uaiuai-Português. Boa Vista : MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), 2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Gramática da Língua Uaiuai : MEVA (Missão Evangélica da Amazônia), s/d.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HOWARD, Catherine Vaughan. “A domesticação das mercadorias : estratégias Waiwai”. In: ALBERT, Bruce; RAMOS, Alcida Rita (Orgs.). Pacificando o branco : cosmologias do contato no Norte-Amazônico. São Paulo : Unesp, 2002. p. 25-60.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. “Pawana : a farsa dos visitantes entre os Waiwai da Amazônia”. In: VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo; CUNHA, Manuela Carneiro da (Orgs.). Amazônia : etnologia e história indígena. São Paulo : USP-NHII ; Fapesp, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Wrought identities : the Waiwai expeditions in search of the &amp;quot;unseen tribes&amp;quot; of Northern Amazonia. Chicago : Univers. of Chicago, 2001. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. &amp;quot;Fragments of the Heavens: Feathers as Ornaments among the Waiwai. In : Ruben E. Reina and Kenneth M. Kensinger (ed.). The Gift of Birds. Philadelphia : University Museum, University of Pennsylvania, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MENTORE, George P. Wai-Wai Labour Relations in the Production of Cassava. Antropologica (Caracas) 59-62: 199-221. 1983-84.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Shepariymo. The political economy of a Waiwai village. [Ph.D. dissertation, University of Sussex]. 1984.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Waiwai Women. The Basis of Wealth and Power. Man 22: 511-527, 1987.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Tempering the Social Self: Body Adornment, Vital Substance, and Knowledge among the Waiwai. Journal of Archeology and Anthropology 9: 22-23. 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Of Passionate Curves and Desirable Cadences. Themes on Waiwai Social Being. Lincoln and London : University of Nebraska Press, 1995.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MIGLIAZZA, Ernest C. Grupos lingüísticos do Território Federal de Roraima. Actas do simpósio sobre a biota amazônica (antropologia) (Belém) 2: 153-1 73, 1967.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. “Languages of the Orinoco-Amazon basin current states”. In : Klein, H. E. M und L. R. Stark (eds.). South american indian languages : retrospect and prospect. Austin : University of Texas Press, 1985.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MORTON, John: Women as Values, signs and power: aspects of the politics of ritual among the Waiwai. Antropologica (Caracas) 59-62: 223-261. 1983-84.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OGILVIE, John. Creation Myths of the Wapisiana and Taruma, British Guiana. Folklore (London) 5: 64-72. 1940.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PEBERDY, P.S. Report of a survey on amerindian affairs in the remote interior. Colonial Development and Welfare British Guiana, 1948.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROE, Peter Of Rainbow Dragons and the Origins of Designs. The Waiwai Uruperi and the Shipibo Ronin Ehua. Latin American Indian Literatures Journal 5: 1-67. 1989.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. “The language of the plumes: “Implicit mythology” in Shipibo, Cashinahua and Waiwai feather adornments. In: Mary H. Preuss (ed.): Selected papers from the VLL International Symposium On Latin American Indian Literatures. Culver City, Calif.: Labyrinthos (105- 135), 1990.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ROTH, Walter E. An introductory study of the arts, craft, and customs of the Guiana indians. Smithsonian Institution, 1924.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Additional studies of the arts, craft, and customs of the Guiana indians, with special reference to those of southern british Guiana. Smithsonian Institution, 1929.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. “Trade and barter among the Guiana indians”. In: Lyons, Patricia J. (ed.). Native South Americans. Boston : Little, Brown &amp;amp;amp; Co., 1974.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SALZANO, Francisco Mauro et al. The Wai Wai indians of South America: history and genetic. Annals of Human Biology, Londres : s.ed., v. 23, n. 3, p. 189-201, 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCHOMBURGK, Richard. Reisen in Britisch-Guiana in Den Jahren 1840-44 Nebst Einer Fauna Und Flora Guiana's Nach Vorlagen Von Johannes Müller, Ehrenberg, Erichson, Klotzsch, Troschel, Cabanis Und Andern. Leipzig: J. J. Weber. 1847.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. “Report of the third expedition into the interior of Guayana, comprising the journey to the sources of the Essequibo to Fort San Joaquim, on the Rio Branco”. Journal of the Royal Geographical Society of London 10 (part 2: 159-267), 1840-41.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SIEGEL, Peter. Ethnoarchaeological study of a Waiwai village in the Tropical Forest of Southern Guyana. Paper presented at the XI Congreso Internacional de Arqueologia del Caribe, San Juan, Puerto Rico, 1985.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Small village demographic and architectural organization: an example from the Tropical Lowlands. Paper presented at 52&amp;quot;d Annual Meeting of the Society for American Archaeology, Toronto, 1987.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;UFM (Unenvangelized Field Mission) Kaan karitan: A Bíblia Sagrada na língua Uaiuai. Pennsylvania : UFM International (e Boa Vista: MEVA), 2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VITORINO, Marinalva M. Dicionário bilíngüe Wai-Wai/Português, Português/Wai-Wai. Boa Vista : Missão Evangélica da Amazônia, 1991. 41 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;YDE, Jens. Material culture of the Waiwái. Copenhagen : National Museum of Denmark (Ethnographic Series, 10), 1965.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas em Roraima]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Pará]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Waimiri_Atroari&amp;diff=6265</id>
		<title>Povo:Waimiri Atroari</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Waimiri_Atroari&amp;diff=6265"/>
		<updated>2018-08-01T20:01:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Waimiri Atroari, durante muito tempo, estiveram presentes no imaginário do povo brasileiro como um povo guerreiro, que enfrentava e matava a todos que tentavam entrar em seu território. Essa imagem contribuiu para que autoridades governamentais transferissem a incumbência das obras da rodovia BR 174 (Manaus-Boa Vista) ao Exército Brasileiro, que utilizou de forças militares repressivas para conter os indígenas. Esse enfrentamento culminou na quase extinção do povo kinja (autodenominação waimiri atroari). A interferência em suas terras ainda foi agravada devido a instalação de uma empresa mineradora e o alagamento de parte de seu território pela construção de uma hidrelétrica. Mas os Waimiri Atroari enfrentaram a situação, negociaram com os brancos e hoje têm assegurados os limites de sua terra, o vigor de sua cultura e o crescimento de sua gente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Waimiri Atroari, o povo ''Kinja'' ==&lt;br /&gt;
Contam os Waimiri Atroari que antigamente existiam dois grupos denominados Iky e Wehmiri. Os Iky viviam na cabeceira do rio e tinham a pele ''sakra ''(mais clara) e os Wehmiri moravam próximo à foz e tinham a pele ''tapyryma ''(mais escura que os Iky). Esses grupos habitavam tanto o fundo do rio, pois eram parentes do Xiriminja (entidade mitológica que mora nas águas), quanto na terra firme.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Mulher preparando bebida feita de açaí. Desenho: Mepeni, 1999.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236666-1/waimiri_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi a filha dos Iky quem deu o pênis para ''kinja emymy'' (kinja sem pênis) e a partir daí teria começado uma das histórias sobre a origem desse povo. Os Waimiri Atroari se denominam ''kinja ''(gente verdadeira) em oposição a ''kaminja ''(não indígena), ''makyma ''(canhoto) e a ''irikwa ''(morto-vivo). O nome Waimiri Atroari, como são conhecidos na atualidade, data do início do século XX, na época do SPI (Serviço de Proteção aos Índios). No entanto essa denominação composta representa somente um povo: o povo kinja.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Carmen R. Do Vale|Maria Carmen R. Do Vale]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Tahkome'' e ''Nysakome'', os ancestrais Waimiri Atroari e os domínios da terra, do ar e da água ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Menino com arco. Foto: Sergio Bloch, 2000.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236672-1/waimiri_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o povo kinja (autodenominação Waimiri Atroari), antigamente todos os seres mitológicos e animais que habitavam a Terra eram gente e viviam no meio de kinja. Um dia &amp;quot;choveu&amp;quot; muita pedra e todos pensaram que o mundo iria acabar, no entanto havia uma casa cujo esteio central era de piria (pau d'arco), madeira muito dura que agüentou as pancadas das pedras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa maloca moravam várias famílias e a partir delas surgiram os ascendentes dos atuais Waimiri Atroari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua gênese é portanto assinalada pelo marco antes e depois da &amp;quot;chuva&amp;quot; de pedras. Atualmente dizem que são descendentes (segunda geração) desse povo que sobreviveu protegido pelo piria dentro da maloca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os antigos Waimiri Atroari são chamados de tahkome (masculino) e nysakome (feminino). Tahkome é um termo que também pode se referir a um passado muito distante (ao tempo que existiam os tahkome), onde todos conviviam em igualdade de condições, eram todos humanos, apesar de alguns terem poderes sobrenaturais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |O weiepe, conhecido também por jamaxi, é um dos artefatos tradicionais dos Waimiri Atroari, confeccionado pelos homens e usado pelas mulheres para transportar produtos da roça. Fotos: Sérgio Cleto, 1999.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236678-1/waimiri_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse tempo passado não havia os animais e as pessoas viviam das frutas e tubérculos existentes na natureza. Mawa, que também era gente, vivia na terra e fornecia à kinja todas a provisões necessárias. Foi Mawa um dos responsáveis por transformar gente (que transgredia regras) em animais e por alguns produtos cultivados em seus roçados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dia, cansado da convivência na Terra e para impedir o céu de cair, Mawa pediu ao jaboti para flechar o céu para que se formasse uma escada e assim se tivesse acesso a esse lugar. Através da corda de sucessivas flechas, que ligou a terra ao céu, Mawa conseguiu chegar ao espaço superior, estabelecendo nesse local sua moradia. Algumas pessoas tentaram subir também, no entanto Mawa cortou a corda e derrubou todos. Os que ficaram pendurados nas árvores transformaram-se nas diversas espécies de macacos. Mawa é o regulador das forças da natureza, por isso está presente em várias narrativas sobre o dia e a noite, o surgimento do trovão e o dilúvio.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Mulher com tanga tradicional utilizada na época dos primeiros contatos com os brancos. Desenho: Iarymaky, 1999.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236681-1/waimiri_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na terra vive kinja, que escolhe lugares onde edifica sua moradia. Ao redor de sua casa planta o roçado e, após o roçado, existe a floresta. A floresta é o espaço da caça, no entanto é um lugar perigoso para os Waimiri Atroari, sendo evitado por crianças e mulheres desacompanhadas. É onde moram os Irikwa (mortos-vivos), os Iamai (entidade parecida com um morcego) e os Ianana. Todos seres terríveis que se alimentam do sangue e da carne de kinja. Irikwa e Iamai não podem ser vistos pelos humanos. Caso aconteça, a pessoa virá a perecer, sentindo suas energias vitais se esvaindo lentamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ianana mora no tronco de angelim. Matava e comia kinja. Um dia kinja descobre sua moradia e a incendeia. Seu filho sobrevive, é levado para a aldeia e criado como um kinja. Ele tinha muita sorte na caça causando grande curiosidade em todos. Contava como caçava, mas muitos não acreditavam. Andando pela floresta, desacreditado, encontra com sua avó, que lhe conta toda sua história, fazendo com que ele retorne para a floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No mundo aquático encontram-se os peixes, outra fonte de proteína importante para os Waimiri Atroari. Nesse domínio vivem os xiriminja, entidades semi-humanas que habitam o fundo dos rios e lagos. Xiriminja ofereceu suas filhas em casamento aos kinja. Nessa época os homens não tinham pênis, foi a filha do xiriminja quem ofereceu esse órgão aos kinja. O estreitamento das relações entre esses dois povos trouxe como benefício o enriquecimento da cultura material e imaterial dos Waimiri Atroari. Xiriminja ensinou a cestaria (com seus vários desenhos), alguns cantos e danças do maryba de iniciação masculina e a plantar as mudas de diversas plantas comestíveis que ofertou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ocuparem espaços distintos, os seres mitológicos e humanos mantêm estreita relação entre si. Os domínios se interpenetram, constituindo o Todo do universo waimiri atroari.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Carmen R. Do Vale|Maria Carmen R. Do Vale]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Mydy taha'', as aldeias ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Aldeia waimiri atroari. Foto: Homero Martins, 2001.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236687-1/waimiri_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Mydy taha'' (&amp;quot;grande casa&amp;quot;) é a denominação dada ao espaço que constitui a aldeia, a moradia e todo seu entorno, inclusive o roçado. ''Mydy taha'' é também a denominação da maloca comunal em formato circular, onde habita a maioria das pessoas da aldeia. A ''Mydy taha'' é um espaço importante para os Waimiri Atroari, porque, além de moradia, serve como espaço ritual durante suas festividades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
São formadas de acordo com as necessidades da comunidade, como aumento de população, esgotamento do solo para plantio e escassez de caça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As ''mydy taha'' são localizadas perto de igarapés e grandes rios. Cada aldeia dispõe de autonomia econômica e política, não havendo poder centralizado. A formação de uma nova aldeia dá-se de maneira gradual e depende de uma pessoa de prestígio - mydy iapremy (&amp;quot;dono da aldeia&amp;quot;) - para mobilizar um conjunto de grupos domésticos na construção do novo espaço. Primeiramente escolhe-se o local, dentro da região destinada àquele aglomerado, e iniciam-se os trabalhos de roçado. Com o roçado produzindo, começam a construção de uma grande moradia comunal em formato circular - a ''mydy taha''. Na maloca comunal habitam vários grupos locais constituídos por parentes afins e cognatos, tendo cada família seu fogo e lugar especificado.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Cabe às mulheres providendiar lenha. Foto: Henrique Cavalleiro, 1999.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236699-1/waimiri_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As atividades econômicas de uma aldeia estão baseadas na caça, pesca, coleta de frutos silvestres e na agricultura. As caçadas são realizadas por homens e podem ser feitas no período noturno e diurno. As pescarias são atividades permitidas a ambos os sexos e é comum toda a família sair para pescar. Outra atividade que conta com a participação de toda a família é a coleta de frutos silvestres. Na agricultura percebe-se maior separação de trabalho, cabendo aos homens o desmatamento, a queimada e a limpeza. O plantio é coletivo e todas as famílias participam dessa atividade dividindo coletivamente a sua produção, sendo a coleta uma atividade feminina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além dos produtos produzidos no roçado (mandioca brava, macaxeira, vários tipos de batatas doce, cará e algumas frutas) e dos peixes fazem parte do cardápio animais como a antas, macacos (guariba e coatá), paca, porcos do mato, mutum, jacamim entre outros. Nem todos os animais e peixes são permitidos no dia a dia dos Waimiri Atroari. Há várias restrições alimentares que estão condicionadas a alguns acontecimentos marcantes na vida dos Waimiri Atroari como nascimento, ritos de passagem, primeira menstruação e purificação antes e pós-guerra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O casamento preferencial é entre primos cruzados e traz um novo status para o casal, que, além da &amp;quot;cidadania plena&amp;quot;, passa a constituir um novo grupo doméstico dentro do grupo local. Com o casamento acentuam-se os compromissos familiares: ao homem cabe a manutenção do roçado e o provimento de alimentos para sua família; e a mulher assume a cozinha e cuidados com os filhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A divisão de tarefas varia de acordo com o sexo, a idade e o estado civil. As tarefas aumentam com a idade, diminuindo, no entanto, com a velhice. Ainda assim é comum ver os homens auxiliando as mulheres no trato da caça e da pesca, no cuidado com os filhos e na preparação de farinha para consumo do grupo doméstico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/236706-1/waimiri_14.jpg|Aldeia waimiri atroari. Foto: Henrique Cavalleiro, 1999.&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A formação de um Waimiri Atroari varia de acordo com o sexo. Os meninos e meninas até aproximadamente quatro anos ficam aos cuidados das mães e são estimulados a repetir/imitar tarefas relacionadas a seu gênero. Nessa idade os meninos passam por um ritual de iniciação, tendo uma festa específica onde se comemora essa passagem. A partir dessa faixa etária passam a ter atividades associadas tradicionalmente ao seu gênero.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra atividade constante no cotidiano de uma aldeia é a confecção dos artefatos. Os Waimiri Atroari são exímios tecelãos. Toda a cestaria é confeccionada pelos homens, que ensinam o ofício aos jovens em idade de se casar. São eles que produzem os objetos para o trabalho das mulheres, como o wyiepe (cesto cargueiro), o matepi (tipiti), matyty (cesto com tecido duplo) e o wyre (abano). Os homens fazem também o pakra (cesto com tampa para guardar os materiais para confecção de flechas) de uso pessoal, o arco e as flechas que utilizam nas caçadas e pescarias. A maioria da cestaria dos Waimiri Atroari é ilustrada por desenhos que eles herdaram de algumas entidades mitológicas e também de seus antepassados. O aprendiz de artesão inicia os trançados começando por um desenho &amp;quot;simples&amp;quot;, de acordo com sua idade, até obter habilidade e consentimento para tecer as ilustrações mais complexas e permitidas somente aos homens mais velhos.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Casa sendo construída. Foto: Henrique Cavalleiro, 1999.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/291500-1/waimiri_30.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres recebem os artefatos que utilizam de seus esposos ou sogros. Também tecem as redes de fibra de buriti utilizadas nos partos, as pulseiras, os colares e os abanos para o fogo. Antigamente modelavam as panelas e os fornos de barro, hoje substituídas pelas de alumínio e ferro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É comum na aldeia ver-se vários objetos que antes não faziam parte da vida dos Waimiri Atroari. Os primeiros foram sem dúvida os objetos cortantes e a vestimenta. Num passado recente, um pouco mais de 30 anos, era comum ver homens vestidos de cipó titica, que constituía o cinturão peniano. As mulheres confeccionavam as tangas com fibra de tucum enfeitadas com sementes de bacaba. Essa era a indumentária tradicional dos kinja. Hoje em dia é comum ver os homens de calção e as mulheres com saia.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Carmen R. Do Vale|Maria Carmen R. Do Vale]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Maryba'', a origem das festas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto: Sérgio Bloch, 2000.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236713-1/waimiri_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante vários períodos do ano, os Waimiri Atroari interrompem suas atividades cotidianas para realizarem suas festas. Não há um calendário específico para os maryba e as datas são definidas com os eremy (cantores), ocorrendo geralmente nos períodos de pouco trabalho comunitário, como preparo e plantio de roçados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maryba pode ser traduzido como festa, canto, dança. É um momento ritual e também um momento festivo, onde há suspensão do cotidiano para se transportar para um outro tempo e espaço. As festas têm um significado especial na vida dos Waimiri Atroari é onde vários grupos locais se reúnem para estabelecer e reafirmar alianças entre eles e os diversos aglomerados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas histórias são referências para explicar o surgimento dos maryba. As mais conhecidas são as seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época de tahkome, kinja não fazia festa, não sabia cantar nem dançar. Xiriminja, que cedeu esposas aos tahkome, ensinou um maryba para ser cantado na ocasião em que foi visitar seu neto. Enviou recado pedindo para que ninguém chegasse perto de seu descendente, pois queria certificar-se que ele tinha os traços do povo d'água: os dedos ligados por uma membrana. Chegando na aldeia, com todo seu séquito de cobras grandes e outros xiriminja, assustou a todos. Porém, logo que saíram das águas os habitantes da aldeia já escutavam seus cantos e puderam ver sua dança. Dançaram e cantaram junto com kinja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro da maloca, uma criança panaxi (muito curiosa e travessa) quis observar a criança neta de Xiriminja e, quando viu a mão parecida com um pé de pato, esticou os dedos e rasgou a membrana. Xiriminja, muito irado, retornou para sua moradia. Dessa maneira, somente um pouco dos cantos pode ser aprendido. Esses cantos e danças são executados no maryba de iniciação masculina, mas não pode haver nenhuma mulher gestante participando, pois Xiriminja pode pensar ser aquele o seu neto.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto: Henrique Cavalleiro, 1998&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236721-1/waimiri_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Num outro momento, kinja tahkome estava caçando e parou para dormir um pouco. Um pingo de água caiu em seus cílios e, ao abrir os olhos, observou que havia uma mulher diante dele. Tratava-se de weriri kyrwaky, a filha do papagaio. Kinja ia flechar essa mulher, no entanto seu pai interviu e prometeu a filha em casamento. Esse kinja casa-se com a mulher papagaio e a leva para a aldeia. Lá, weriri kyrwaky ensina vários cantos e danças para os Waimiri Atroari. Passado muito tempo, weriri kyrwaky sente saudades de seu pai e começa a cantar no roçado para chamar atenção de seu genitor. O esposo desconfiado da artimanha de sua cônjuge mata-a para não deixá-la fugir. Desde de então, até hoje, kinja passou a cantar e dançar todos os maryba que aprendeu com seus antepassados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Carmen R. Do Vale|Maria Carmen R. Do Vale]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Algumas Maryba ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto: Twadja Joanico, 1998.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236725-1/waimiri_19.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante vários meses, os Waimiri Atroari se preparam para a festa de iniciação masculina. Essa festa acontece quando crianças atingem a idade de três a quatro anos. Os pais das crianças de um mesmo grupo local se reúnem com os'' eremy'' para definirem quando será a festa. Decidida a data, o pai da criança tece um calendário feito com várias taquaras cortadas em lascas e ligadas umas as outras com uma fina corda de cipó titica. Essas lascas de taquara representam os dias que faltam para os convidados chegarem ao local dos festejos. Nesse calendário também há uma marca, feita com faca, identificando o dia da coleta da banana para madurar e poder preparar-se o mingau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Terminado o calendário, os pais saem de sua aldeia para convidar seus paxira (parentes mais distantes que moram em aglomerados distintos do grupo que promove a festa). Os parentes do mesmo aglomerado se deslocam para a aldeia onde haverá a festa para auxiliar nos preparativos.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Foto: Carmen Do Vale, 2000.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236733-1/waimiri_20.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres cuidam de toda a culinária festiva, sendo que as mães e as avós (materna e paterna) organizam as atividades da cozinha. Os homens se ocupam da confecção dos artefatos: flechas e cestos. As flechas serão oferecidas aos eremy como &amp;quot;pagamento&amp;quot; por seus serviços e aos paxira em agradecimento pelo seu comparecimento. Os cestos servem para ofertar os alimentos, em especial as carnes moqueadas, e também, quando colocados na cabeça do menino, para solicitar que eles sonhem bastante e sejam muito maty (bom caçador e pescador).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os pais das crianças dividem-se entre as diversas comunidades que irão convidar, permanecendo nessas até a data de deslocar-se em direção à aldeia anfitriã. Expedições, com todos os habitantes das diversas aldeias, são organizadas pelas trilhas que interligam os diversos grupos locais. Durante o período de caminhada pela floresta, os homens vão caçando, moqueando e guardando a carne para a festa. No acampamento, somente frutas silvestres e os pedaços menos nobres das carnes são consumidos. Cestos cargueiros, confeccionados de palmeiras patauá, vão sendo enchidos de carne e esses são carregados pelos pais dos meninos até a chegada na maloca da festa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Chegando próximo à ''mydy taha'', os paxira armam acampamento para aguardar a chegada da alvorada do dia da festa, geralmente o dia seguinte. Próximo do amanhecer, os ''eremy'' começam a cantar e a acordar todos. Flautas e cantos são ouvidos de longe e todos na ''mydy taha'' põem-se em estado de alerta para aguardar os seus convidados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os meninos a serem iniciados são conduzidos para fora da maloca e sentados em um banco confeccionado especialmente para a ocasião. Algumas vezes suas irmãs adolescentes e solteiras os acompanham nessa recepção. Todos os paxira adentram o espaço da aldeia cantando, sendo que o pai e os ''eremy'' vêm à frente liderando a multidão. Festejam circulando os meninos, entregam a caça para os anfitriões e se dirigem ao espaço interior da maloca, onde serão recepcionados com beijus e mingau de buriti.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Desenho: Iarymaky, 1999. &lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236737-1/waimiri_21.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A festa não pode ser organizada sem a presença do ''eremy''. É ele quem define, juntamente com o pai da criança, o período em que se realizará a festa e é, também, quem irá conduzir todos os trabalhos durante o ritual. Para ser ''eremy'' não é necessário somente querer. É necessário estar disposto a passar por um longo período de aprendizado com um cantor mais experiente, ter disciplina e uma boa memória. Essa atividade é exercida por ambos os sexos. São eles quem evocarão os cantos ligando o universo festivo ao cosmogônico. Suas cantigas falam dos animais, alimentos, heróis míticos e mitológicos, sendo cantadas em uma língua que não é mais falada atualmente. Seu conhecimento também contempla a fitoterapia, o uso de remédios, cuidados com doentes e acompanhamento nos partos junto com os familiares.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há também outros tipos de festas, como o ritual dos mortos-vivos e inauguração de moradia. O ''Irikwa maryba'' (ritual dos mortos-vivos) é realizado quando algum espírito maligno está se aproximando da aldeia com o objetivo de acalmá-lo e afastá-lo; ou quando da morte de algum parente, para que sua alma não fique vagando pelo mundo dos vivos. ''Irikwa ''é uma entidade que não traz bons agouros. Vive na floresta e o kinja que a avistar é fadado a definhar até perecer, não havendo tratamento para esse tipo de contágio. O ''irikwa maryba'' é feito sempre que necessário, de maneira que não há uma periodicidade em sua realização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ''mydy maryba'' (festa da casa nova) acontece quando o grupo local termina os trabalhos de cobrir e fechar as laterais da maloca. Participam dessa festa os diversos grupos domésticos e locais que foram convidados pelos mydy iapremy a auxiliarem nos trabalhos de construção da nova maloca. Essa festa é realizada para solicitar bons fluidos para a nova moradia, para que ''irikwa ''não chegue perto, e também para que o material utilizado em sua execução tenha longa durabilidade.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Carmen R. Do Vale|Maria Carmen R. Do Vale]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Meninos pintados e enfeitados para o ritual do Maryba. Foto: Henrique Cavallero, 1999.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236744-1/waimiri_23.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua Waimiri Atroari, o kinja iara (língua de gente), pertence a família lingüística karib. O kinja iara é falado por todos os Waimiri Atroari, sendo essa a língua referência na comunicação entre eles e para a alfabetização. O português é tido como língua do contato e sua utilização é restrita à escola, nas aulas de ensino de segunda língua, e nas relações interétnicas. O grau de bilingüísmo é relativamente baixo, chegando a 20% da população, sendo a maioria desses falantes homens (jovens e adultos) que atuam como intermediários nas relações entre a sociedade Waimiri Atroari e outras sociedades indígenas e não indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Carmen R. Do Vale|Maria Carmen R. Do Vale]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O contato ==&lt;br /&gt;
A história do contato dos Waimiri Atroari com as sociedades não indígenas na região onde habitavam e habitam remete ao século XVII, com a expansão mercantilista e extrativista das coroas portuguesas e espanholas interessadas em delimitar seus espaços geopolíticos. Porém a história oficial do contato dos Waimiri Atroari inicia-se no final do século XVIIII (1884), com João Barbosa Rodrigues, que se intitula o primeiro pacificador desse povo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Foto: Paul Lambert, 1970&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236746-1/waimiri_24.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Barbosa Rodrigues percorreu diversas vilas próximas do território indígena com intenção de arregimentar guias, coletar registros e relatos sobre aquele povo. Ele os denominou Crichanás, justificando de essa era a etnia encontrada no período de suas expedições e que os &amp;quot;terríveis e traiçoeiros&amp;quot; indígenas que ali habitavam não mais existiam. Essa nova denominação era justificada pelo fato de que o pacificador queria construir uma nova imagem dos indígenas daquela região. Isso facilitaria a sua missão e, assim, poderia manter um contato mais amistoso entre os índios e não índios, que na época travavam relações de extrema hostilidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX (1911), Alípio Bandeira, representante do Serviço de Proteção ao Índio (SPI, , extinto em dezembro de 1967) percorreu a região onde se localiza o rio Jauaperi, quando ocorreram novos contatos amistosos com esses indígenas, agora denominados de Uaimirys. Alípio Bandeira encontra, guardadas as devidas proporções e momento histórico, a mesma situação de hostilidade entre indígenas e não indígenas. Em 1912 instalou o primeiro posto de atração aos índios no rio Jauaperi. A partir dessa data, o SPI passa a coordenar os trabalhos e a política indigenista na região. Isso teoricamente, pois esse órgão governamental pouca autonomia teve para impor as políticas indigenistas vigentes nessa época.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Waimiri Atroari viam seu território ser invadido por exploradores de recursos naturais (peles de animais, castanha, balata, pau rosa, entre outros) e, contra esses invasores, armavam-se de arco e flecha. A fama de valentia desse povo chegava até a capital da província do Amazonas e expedições militares eram organizadas para tentar retaliar toda a comunidade indígena. Nessa tentativa de afastar os invasores de seu território, muito mais perdas, segundo os relatos e documentos, sofreram os Waimiri Atroari que os não indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O governo estadual, nesse período, tinha sua economia alicerçada nos produtos extrativistas. Dessa maneira, a população indígena tornava-se um incômodo para os coletores das &amp;quot;drogas do sertão&amp;quot;, que viam nas terras indígenas um grande depósito desses produtos. Invasões em áreas ocupadas por indígenas eram incitadas e denúncias dessas invasões eram tidas como calúnias contra os coletores, feitas por pessoas que impediam o crescimento da economia estadual. Como aconteceu no final do século passado, quando os indígenas reagiram contra a invasão de seu espaço territorial agredindo e matando não índios, represálias eram organizadas para vingar os mortos e punir seus malfeitores. Essas represálias eram sempre desproporcionais para os índios. Eram combates desiguais a começar pelo armamento: de um lado arma de fogo de outro arco e flecha. De um lado 300 não indígenas contra um número bem menor de indígenas, de acordo com os relatos das baixas em ambas as partes. Era uma guerra injusta e desigual, um se defendia enquanto o outro atacava. Devido ao reduzido número de combatentes, a posição dos Waimiri Atroari era mais de defesa do território, da honra, da comunidade. Aldeias inteiras eram dizimadas em ataques-surpresa, mesmo assim os índios combatiam com extrema habilidade guerreira. Assim a reputação atribuída aos Waimiri Atroari de valentes, guerreiros, bravos, arredios ao contato, foi crescendo contribuindo para gerar um mito em torno da sua identidade societária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final da década de 1960, os governos do estado do Amazonas e do território federal de Roraima iniciaram as obras de construção da rodovia Manaus/Caracaraí, que ligaria por terra esses dois municípios. Tendo conhecimento das histórias envolvendo a sociedade Waimiri Atroari e a sociedade não indígena, o Departamento de Estradas e Rodagens do Amazonas (DER-AM) solicitou ao SPI que pacificasse os indígenas no menor tempo possível para evitar possíveis confrontos com os trabalhadores da estrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atendendo ao pedido do DER-AM, a Fundação Nacional do Índio (Funai, sucessora do SPI), intensificou as atividades da Frente de Atração Waimiri Atroari (FAWA), sob a responsabilidade do sertanista Gilberto Pinto Figueiredo, para liderar os trabalhos de pacificação. Gilberto encaminhava os contatos seguindo a política indigenista da Funai. Visitava as aldeias, conversava gesticulando com os indígenas e trocava &amp;quot;brindes&amp;quot; (panelas, facas, terçados, machados, talheres, roupas) por objetos confeccionados pelos Waimiri Atroari. Criou vários postos de atração em lugares estratégicos para atingir o seu objetivo de atrair os índios para lugares distantes do traçado da estrada. O esforço do sertanista foi considerado moroso para o DER-AM, responsável pelas obras da Manaus/Caracaraí, que tinha urgência em concluir os trabalhos devido às pressões políticas estaduais (AM/RR) e federal. Dessa maneira foi solicitada sua substituição a Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o afastamento de Gilberto Pinto Figueiredo, assume a responsabilidade pela atração dos indígenas o padre italiano Giovanni Calleri da prelazia de Roraima. A Expedição Calleri era composta por oito homens e duas mulheres. Pela primeira vez mulheres participavam desse tipo de trabalho e a presença feminina era justificada para dar um caráter &amp;quot;normal&amp;quot;, familiar, à expedição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A estratégia seria seguir através dos cursos d'água, que eram vistos pelo padre como território neutro respeitado pelos índios. Pe. Calleri acreditava ser mais fácil o contato com os índios cuja aldeia estivesse mais afastada das frentes de trabalho da estrada, visto que esses, ainda, &amp;quot;não haviam pressentido a chegada dos brancos&amp;quot;. A intenção de começar as atividades via rio Alalaú, onde estariam localizadas as aldeias mais distantes, foi desfeita, tendo a expedição de modificar a trajetória e iniciar os contatos pelo rio Santo Antonio do Abonari. A mudança do plano foi justificada pela necessidade de amenizar os conflitos entre os Waimiri Atroari e os trabalhadores. A expedição durou cinco dias em área indígena e conseguiu manter contato com a comunidade de uma maloca, no entanto no final do quinto dia quase todos estavam mortos, sobrando apenas um mateiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o extermínio da equipe do Pe. Calleri, retorna aos trabalhos Gilberto Pinto Figueiredo e a responsabilidade pela construção da estrada é transferida do DER-AM para o Departamento de Estradas e Rodagens (DNER), que amplia o projeto inicial para uma rodovia federal - a BR 174 (Manaus a Boa Vista). O DNER incumbe ao Exército Brasileiro, até então sem tradição na construção civil, a missão de coordenar e executar as obras. Dessa maneira as obras da estrada são retomadas pelo 20 Grupamento de Engenharia e Construção - 60 Batalhão de Engenharia e Construção (60 BEC).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações entre funcionários da Funai e Exército mantiveram-se tensas durante o período de obras. De um lado a Funai estabelecia normas de conduta em terra indígena para todos que estivesse desenvolvendo trabalhos na estrada; de outro lado o exército transgredia essas normas e conduzia as operações de engenharia segundo seus critérios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A urgência em concluir as obras intensificou as divergências entre essas duas instituições e atropelou as ações indigenistas até então desenvolvidas. Em decorrência desses desentendimentos, em 1974 morre Gilberto Pinto Figueiredo e todos que se encontravam no posto de atração. O 60 BEC intensifica as obras e conclui a rodovia cumprindo as metas dos governos federal e estaduais. Para garantir o tráfego e a segurança dos transeuntes contra ataques dos Waimiri Atroari, no trecho de estrada ao longo da terra indígena, o 60 BEC instalou guaritas de controle de entrada e saída de veículos nos limites norte e sul da área indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os planos desenvolvimentistas do governo federal para a Amazônia continuaram a atingir as terras Waimiri Atroari. Na década de 1970 o Projeto Radam constata a existência de cassiterita na área indígena. No início da década de 1980 a empresa Paranapanema demonstra interesse em explorar esse minério. Com o auxílio da Funai e do Ministério das Minas e Energia, através do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), consegue articular um processo que veio a culminar na extinção da Reserva Indígena Waimiri Atroari (criada em 13/07/71), transformando-a em Área Interditada Temporariamente para Fins de Atração e Pacificação dos Índios Waimiri Atroari (23/11/81) e excluindo, no novo decreto presidencial, a região da terra indígena onde se encontravam as jazidas. Ainda na década de 80, outro grande projeto atingiu as terras Waimiri Atroari. Tratava-se da construção da usina hidrelétrica de Balbina, pela Eletronorte, cujo lago atingiu 30 mil ha. na área indígena.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Carmen R. Do Vale|Maria Carmen R. Do Vale]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os atuais Waimiri Atroari ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Entre as ações do programa Waimiri Atroari, destaca-se a assistência à saúde, que conseguiu reduzir o alto índice de mortalidade causado pelas doenças introduzidas pelo contato com a sociedade envolvente. Foto: Nádia Barboza, 1999.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236755-1/waimiri_27.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra Indígena Waimiri Atroari está localizada na Amazônia brasileira, entre o norte do estado do Amazonas e sul do estado de Roraima. Habitam a região situada à margem esquerda do baixo rio Negro, nas bacias dos rios Jauaperi e Camanaú e seus afluentes os rios Alalaú, Curiaú, Pardo e Santo Antonio do Abonari. Há muito tempo esse território, ''kinja itxiri ''(terra de kinja), era mais extenso, abrangendo os rios Urubu, Uatumã e Anauá.Dados censitários, no final do século XIX e início do XX, estimaram que a população Waimiri Atroari era de 2000 e 6000 pessoas respectivamente. Na década de 1970 a estimativa da Funai era de 500 a 1000 pessoas. No entanto, todos esses dados eram baseados em estimativas e não em um censo aplicado. O fato é que, devido ao seu processo histórico, os Waimiri Atroari sofreram uma baixa por causa das guerras e doenças introduzidas, chegando a população a 374 em 1988. Em dezembro de 2001, essa população era de 913 pessoas, divididas em 19 grupos locais que compõe os três aglomerados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1987, um projeto de mitigação aos impactos ambientais causados pela Usina Hidrelétrica de Balbina (UHE Balbina) foi elaborado e proposto aos Waimiri Atroari, a Eletronorte e a Funai. Tratava-se do &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.waimiriatroari.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Programa Waimiri Atroari&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, que previa ações nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, apoio à produção, vigilância dos limites, documentação e memória. Aceita a proposta pelas partes interessadas, foi firmado um acordo entre as instituições Funai e Eletronorte, sendo a primeira executora e a segunda financiadora do projeto. A partir desse convênio, a área foi demarcada e homologada em 1989.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |A educação no Programa Waimiri Atroari é voltada para valorizar a cultura indígena e ao mesmo tempo preparar os Waimiri Atroari para o contato com o mundo dos brancos. Foto: Nádia Barboza, 1999.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/236761-1/waimiri_29.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Waimiri Atroari têm acesso à educação escolar diferenciada, onde eles mesmos pensam e conduzem o processo de escolarização, ao atendimento médico e odontológico e a taxa de crescimento vegetativo varia em uma média de 5,68% ao ano. Têm procurado administrar as novas demandas decorridas do processo de encontro de culturas e utilizam os vários produtos industrializados em benefício da melhoria das condições de trabalho e na redução entre distâncias a serem percorridas. A melhoria na qualidade de vida pode ser observada no cotidiano dos ''kinja'', que mais tempo têm para se dedicar às atividades sócio-economicas-culturais e no aumento da natalidade, que pode ser expressa pela quantidade de meninos a serem iniciados nos maryba, mais freqüentes e imprescindíveis na agenda cultural dos Waimiri Atroari.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Maria Carmen R. Do Vale|Maria Carmen R. Do Vale]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BAINES, Stephen Grant. Anthropology and commerce in Brazilian Amazonian : research with the Waimiri-Atroari banned. Critique of Anthropology, Londres : Sage, v. 11, n. 4, p. 396-401, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Censuras e memórias da pacificação Waimiri-Atroari. Brasília : UnB, 1993. (Série Antropologia, 148)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. &amp;quot;É a Funai que sabe&amp;quot; : a Frente de Atração Waimiri-Atroari. Belém : MPEG, 1991. 362 p. (Originalmente Tese de Doutorado defendida em 1988 na UnB).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Epidemics, the Waimiri-Atroari indians and the politics of demography. Brasília : UnB, 1994. 38 p. (Série Antropologia, 162)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Imagens de liderança indigena e o Programa Waimiri-Atroari : índios e Usinas Hidrelétricas na Amazônia. Brasília : UnB, 1999. 16 p. (Série Antropologia, 246)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. A política governamental e os Waimiri-Atroari : administrações indigenistas, mineração de estanho e a construção da &amp;quot;autodeterminação&amp;quot; indígena dirigida. Brasília : UnB, 1992. (Série Antropologia, 126) Publicado também na Série Antropologia da UnB n. 152 de 1993 e na Rev. de Antropologia da USP, v. 36, 1993, p. 207-37.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Política indigenista governamental no território dos Waimiri-Atroari e pesquisa etnográfica. Brasília : UnB, 1997. 12 p. (Série Antropologia, 225)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;-------. Raison politique de l'ignorance ou l'ethnologie interdite chez les Waimiri Atroaris. Recherches Am. au Quebec, Montreal : Soc. de Recherches Amer. au Quebec, v. 22, n. 1, p. 65-79, 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. A resistência Waimiri-Atroari frente ao &amp;quot;indigenismo de resistência&amp;quot;. Brasília : UnB, 1996. 15 p. (Série Antropologia, 211)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O território dos Waimiri-Atroari e o indigenismo empresarial. Brasília : UnB, 1993. (Série Antropologia, 138)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. A usina hidrelétrica de Balbina e o deslocamento compulsório dos Waimiri-Atroari. Brasília : UnB, 1994. 14 p. (Série Antropologia, 166)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. The Waimiri-Atroari and the Paranapanema Company. Critique of Anthropology, Londres : Sage, v. 11, n. 2, p. 143-53, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Os Waimiri-Atroari e a invenção social da etnicidade pelo indigenismo empresarial. Anuário Antropológico, Rio de Janeiro : Tempo Brasileiro, n. 94, p. 127-60, 1995. Publicado também na Série Antropologia da UnB n. 179, 1995.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. O xamanismo como história : censuras e memórias da pacificação Waimiri-Atroari. In: ALBERT, Bruce; RAMOS, Alcida Rita (Orgs.). Pacificando o branco : cosmologias do contato no Norte-Amazônico. São Paulo : Unesp, 2002. p. 311-46.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BELTRÃO, Luiz. Os Waimiri Atroari : terra, gente e luta. In: BELTRÃO, Luiz. O índio um mito brasileiro. Petrópolis : Vozes, 1977. p.255-98.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CARVALHO, José Porfírio F. de. Poluição do projeto Pitinga na Área Indígena Waimiri Atroari. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 247-8.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Projeto Waimiri-Atroari - Eletronorte. In: LIMA, Antônio Carlos de Souza; BARROSO-HOFFMANN, Maria (Orgs.). Etnodesenvolvimento e políticas públicas : bases para uma nova política indigenista. Rio de Janeiro : Contra Capa Livraria, 2002. p. 127-31.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Waimiri-Atroari : agora, a poluição dos rios. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 194-9. (Aconteceu Especial, 18)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Waimiri Atroari : a história que ainda não foi contada. Brasília : s.ed., 1982. 154 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CAVALLEIRO, Henrique Santos. Geografia - Itxiri ikaa - Primeiro Livro. Rio de Janeiro : PWA, 1995. 43 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ELETRONORTE. Ambiente, desenvolvimento, comunidades indígenas. Brasília : Eletronorte, 1994. 24 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;EMIRI, Loretta; MONSERRAT, Ruth. Waimiri Atroari. In: --------. A conquista da escrita. São Paulo : Iluminuras ; Cuiabá : Opan, 1989. p.139-50.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ESPÍNOLA, Cláudia Voigt. O sistema médico Waimiri-Atroari : concepções e práticas. Florianópolis : UFSC, 1995. 251 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LACERDA, Edith M. N. Waimiri-Atroari : observações lingüísticas. Brasília : Eletronorte ; Funai, 1991. 25 p. (Programa Waimiri Atroari, Subprograma de Educação)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MAZUREK, Roselis Remor de Souza. Kinja txi taka nukwa myrykwase. Chicago : Univers. of Illinois, 2001. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MILLIKEN, William et al. The ethnobotany of the Waimiri Atroari indians of Brazil. Londres : Royal Botanic Gardens, 1992. 155 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MONTE, Paulo Pinto. Etno-história Waimiri-Atroari (1663-1962). São Paulo : PUC, 1992. 167 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, José Aldemir de. Waimiri-Atroari : invasão e fragmentação do território indígena. Travessia, São Paulo : CEM, v. 9, n. 24, p. 39-43, jan./abr. 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, Wagner de. Os Waimiri Atroari. Manaus : Programa Waimiri Atroari, 1999. 14 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PEREIRA, Verenilde Santos; BAINES, Stephen Grant. Funai e Paranapanema tomam conta dos Waimiri-Atroari. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 200-2. (Aconteceu Especial, 18)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;PROGRAMA WAIMIRI ATROARI. Cólera Ika. Manaus : PWA, 1991. 10 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Ira myry paryry mydy ne? Você conhece minha aldeia? Manaus : PWA, 1992. 14 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Plano de proteção ambiental e vigilância na Área Indígena Waimiri Atroari : relatório de atividades ano 1997. Manaus : PWA, 1998. 70 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Relatório de Atividades 1998. Brasília : Eletronorte, 1999.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Márcio Ferreira da. O parentesco Waimiri-Atroari : algumas observações. In: VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo; CUNHA, Manuela Carneiro da (Orgs.). Amazônia : etnologia e história indígena. São Paulo : USP-NHII ; Fapesp, 1993. p. 211-28. (Estudos)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Romance de primas e primos : uma etnografia do parentesco Waimiri-Atroari. Rio de Janeiro : UFRJ-Museu Nacional, 1993. 400 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Sistemas dravidianos na Amazônia : o caso Waimiri-Atroari. In: VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo (Org.). Antropologia do parentesco : estudos ameríndios. Rio de Janeiro : UFRJ, 1995. p. 25-60. (Universidade)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOUZA-MAZUREK, Roselis Remor de et al. Subsistence hunting among the Waimiri Atroari indians in central Amazonia, Brazil. Biodiversity and Conservation, Amesterdan : Kluwer Academic Publishers, n.9, p.579-96, 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;THE TRAUMA of contact. Survival: Newsletter, Londres : Survival International, n. 29, p. 8-9, 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;UNIVERSIDADE DO AMAZONAS. Núcleo de Estudos Etnolingüísticos. Tytyosen benry - caderno de matemática. Manaus : UA, 1995. 69 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Nossa história - A'a Ikaa. Vídeo Cor, VHS NTSC, 35 min., s.d. Prod.: Programa Waimiri Atroari&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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{{#set:Data verbete=2002-02-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=escuro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=299}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Roraima]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Tuyuka&amp;diff=6264</id>
		<title>Povo:Tuyuka</title>
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		<updated>2018-08-01T20:01:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Tuyuka são gente da transformação, pois se originam da Cobra da Transformação. Única no início da viagem ancestral, a cobra, depois de alcançar o alto curso do rio de Leite (o Negro), se reproduz em várias outras, que tomam rumos distintos, seguindo pelos afluentes dos rios Negro e Uaupés. Os Tuyuka são os Filhos da Cobra de Pedra. No decorrer da viagem ancestral, esses povos e suas línguas se diferenciaram, alguns permaneceram como parentes entre si, enquanto outros se tornaram aliados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tuyuka são um dos povos da família linguística Tukano Oriental do Noroeste Amazônico, habitando a fronteira entre o Brasil e Colômbia. &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Outras leituras ===&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nomes ==&lt;br /&gt;
Os Tuyuka autodenominam-se ''Ʉtapinopona'' ou “Filhos da Cobra de Pedra”. Este nome é usado em momentos cerimoniais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há um outro que é empregado coloquialmente: ''Dokapuara'', cujo significado literal é “aqueles que socam e tingüijam” [este último verbo faz referência à utilização do timbó, veneno de pesca].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os [[Povo:Tukano | Tukano]] os chamam de ''Diikana'' ou ''Diikara'' (“gente argila”), de onde deriva a designação em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/linguas-gerais&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Nheengatu&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (língua geral amazônica): Tuyuka.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
=== Língua tuyuka ===&lt;br /&gt;
O tuyuka é a lingua dominante nas comunidades desse grupo do alto rio Tiquié e alto rio Papuri, usada nas reuniões comunitárias pelos homens e jovens, língua padrão para transmissão dos conhecimentos do grupo, o que restringe aos homens o acesso a certos conhecimentos e a certas formas de comunicação, próprias do seu grupo linguístico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas o grupo local é também lugar de uma pluralidade de línguas faladas pelas mulheres que se casam com os homens tuyuka. No âmbito doméstico, a criança tuyuka fala pelo menos duas línguas, a do pai (tuyuka) e a da mãe (tukano, bará, dentre outras), tendo mais intimidade, inicialmente, com a língua da mãe.  Esse fato garante a persistência do &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/linguas/multilinguismo&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;multilinguismo&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Na socialização da criança deve-se levá-la a compreender que há mais de uma subcomunidade lingüística no seu campo social. E a, progressivamente, substituir a língua da mãe, pela do pai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Multilinguismo na região do alto Tiquié ===&lt;br /&gt;
O &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro/1524&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;multilinguismo característico do Alto Rio Negro e Uaupés&amp;lt;/htmltag&amp;gt; combina, na região do alto rio Tiquié, falantes sobretudo das línguas tuyuka, tukano, bara, yebamasa, além do português e espanhol, conforme o grupo local se situe do lado brasileiro ou colombiano da fronteira, e do hupda (população Maku ou Nadahup). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No censo lingüístico realizado no ano 2000 no alto rio Tiquié observou-se comunidades onde são faladas cinco línguas, até comunidades onde são faladas doze línguas diferentes, resultado principalmente da exogamia linguística (regra que exige que os cônjuges sejam de diferentes grupos de descendência e, portanto, linguístico).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Tendências de tukanização e política linguística entre os tuyuka do alto Tiquié ===&lt;br /&gt;
Enquanto existe, na região do Uaupes como um todo, cerca de 20 mil falantes da língua tukano, as outras línguas desta família – tukano oriental - são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas, como é o caso da língua tuyuka.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em algumas comunidades ou grupos locais tuyuka localizados em território de ocupação tukano, crianças tuyuka começaram a deixar de falar sua própria língua, usando mais o tukano.  Os Tuyuka do igarapé Onça, assim como os do Cabari, estavam abandonando o uso da própria língua, substituída pelo Tukano. No caso do igarapé Onça, o processo começou a ser revertido com a participação dos moradores da comunidade na Escola Tuyuka, onde foram matriculados crianças e jovens. Já os Tuyuka dos igarapés Cunuri e do Pirá (na Colômbia) sempre mantiveram sua língua, embora habitando em áreas de predomínio da língua makuna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo nas comunidades tuyuka mais centrais, devido à proximidade e influência da língua tukano, os jovens vinham usando mais a língua tukano entre eles. Quando alunos tuyuka frequentavam a escola de Pari-Cachoeira para cursar a segunda parte do ensino fundamental ou o ensino médio, antes oferecido apenas naquele local, voltavam para casa com essa forte preferência de usar o tukano entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante algumas oficinas de política linguística no início na Escola Tuyuka (que surgiu no final dos anos 1990) os Tuyuka observaram outros aspectos que revelavam a diferença de poder entre as línguas tuyuka e tukano. No encontro entre três crianças tuyuka com uma tukano, as tuyuka tendiam falar tukano. Observaram claramente também como o plurilinguismo é muito mais comum nas gerações mais velhas do que nas mais jovens.  O que pode ter relação com a tendência de tukanização e também com a influência forte do português em comunidades mais próximas dos centros missionários ou urbanos. É importante notar que processos de deslocamento lingüístico são bastante comuns na região, e já haviam relatos similares antes da atuação mais intensiva das missões e da escolarização (ver, por exemplo, Koch-Grünberg, [1909] 1967).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caso as tendências de tukanização continuassem muito fortes, poderiam levar ao desaparecimento do tuyuka, como já aconteceu com muitas línguas indígenas no mundo. E também já aconteceu em alguns grupos locais tuyuka que se afastaram dos territórios de seus avós.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos dez anos, os tuyuka do alto rio Tiquié estão conduzindo um processo de planificação lingüística, com diagnósticos comunitários freqüentes da situação da língua tuyuka em relação às demais línguas Tukano Orientais e ao português, e ordenando ações no campo da oralidade e da escrita, fora e dentro das escolas. Assumiram, no âmbito das comunidades do alto Tiquié e da escola Tuyuka, a política de estimular novamente a língua (em casa, na comunidade, em escolas etc.).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
Os Tuyuka consideram a região da cachoeira Yurupari (localizada no alto rio Uaupés, na Colômbia) o seu  território tradicional, pois foi ali que se deu a sua transformação primordial. Ainda hoje, em suas cerimônias, referem-se a essa área como fonte de vida e poder, como sua casa, de onde trazem os nomes para seus filhos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A região ocupada hoje pelos Tuyuka compreende um trecho do alto rio Tiquié, uma área de interflúvio dos rios Tiquié e Papuri, que é drenada pelos igarapés Abiu (afluente do Tiquié) e Inambu (afluente do Papuri), e uma outra área de interflúvio do Tiquié com o igarapé Machado (''Komeya'' em Tuyuka). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rios Tiquié e Papuri, por sua vez, são afluentes do Uaupés, um dos grandes formadores do rio Negro. A foz do Uaupés fica a montante da cidade de São Gabriel da Cachoeira, principal centro urbano da bacia do rio Negro depois de Manaus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de ocuparem um território geograficamente contínuo, os Tuyuka dividem-se em dois subgrupos principais, separados por razões histórico-sociais específicas, entre os quais se verifica pouca proximidade social: o grupo do igarapé Inambu e o grupo do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Dados populacionais ==&lt;br /&gt;
Em revisão feita em 2008 (Cabalzar, 2009), considerando as fontes mais confiáveis, os Tuyuka estavam distribuídos em 19 grupos locais, cuja população variava entre 7 e 149 pessoas. A população total de dezoito desses subgrupos somava 988 pessoas, mas o número seguramente ultrapassava 1.200 pessoas, considerando os Tuyuka de Vila Nova (baixo Tiquié) e de povoados de outros grupos de descendência, onde há Tuyuka como aliados, em moradias mais ou menos permanentes (como Bela Vista, Pari-Cachoeira, São Paulo do Tiquié e San José del Timiya), sem contar aqueles que vivem em cidades - em São Gabriel, segundo levantamento (Lasmar et al., 2005), há 71 tuyuka.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente (2014), com programas do governo federal que desfavorecem a permanência das famílias indígenas em suas comunidades, como é o caso do Programa Bolsa Família (que exige que as mesmas façam deslocamentos de vários dias para acessar os recursos da bolsa), é possível que essa população esteja mais dispersa e a população tuyuka em seus próprios territórios tenha decrescido, principalmente no lado brasileiro. Esse levantamento está por ser feito. O que é certo é que há uma maior mobilidade das famílias entre suas comunidades, por mais distantes que sejam, e a cidade de São Gabriel da Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Contexto regional ==&lt;br /&gt;
Os povos Tukano Orientais estão representados, além dos Tuyuka, por &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro/1524&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;dezoito grupos linguísticos&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A [[Povo:Etnias do Rio Negro | região do Noroeste Amazônico]], como um todo, assume o aspecto de um vasto sistema social formado por vários grupos lingüísticos inter-relacionados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tuyuka mantêm relações diversas com os outros povos Tukano: com alguns, estabelecem intensas trocas matrimoniais (principalmente com os [[Povo:Tukano | Tukano]], [[Povo:Bará | Bará]] e [[Povo:Makuna | Yebamasa]]); com outros, esse tipo de união é vetado, pois são concebidos como irmãos que se separaram geograficamente no passado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, os Tuyuka habitam uma região distante de onde estão os povos Aruak, como os [[Povo:Baniwa | Baniwa]] do Içana e os [[Povo:Baré | Baré]] do rio Negro. Relações diretas com os Baniwa e &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/coripaco&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Kuripako&amp;lt;/htmltag&amp;gt; ocorreram no passado, quando os Tuyuka moravam no alto Uaupés. Guerras entre esses grupos, que também envolviam os [[Povo:Kubeo | Kubeo]], determinaram o afastamento geográfico, com os Tuyuka retirando-se mais para o sul. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, as relações ocorrem tanto nos encontros na cidade de São Gabriel da Cachoeira, centro político-comercial e regional comum de serviços, quanto no âmbito do movimento indígena, ou seja, nos intercâmbios entre as escolas indígenas, nas reuniões e assembleias da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.foirn.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN)&amp;lt;/htmltag&amp;gt; etc.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
=== Os ''sibs'' tuyuka ===&lt;br /&gt;
Os Tuyuka, assim como todos os outros grupos indígenas da região do alto rio Negro (incluindo os Maku e os Aruak da bacia do rio Içana-Ayari e do rio Xié) e do rio Pirá-paraná, são constituídos por grupos de descendência patrilinear nomeados e hierarquizados (os ''sibs'' ou clãs). O que mantém a estrutura é a noção de uma ancestralidade comum. Partindo do âmbito do grupo linguístico para seu interior, essa noção é permanentemente atualizada por meio de procedimentos rituais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Organização social dos grupos Tukano ===&lt;br /&gt;
{{Lead | por '''Stephen Hugh-Jones''', King´s College - Universidade de Cambridge. 2003.}}&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs [N.E: também chamados ''sibs''] hierarquicamente ordenados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido. Hoje, no lado brasileiro, as malocas geralmente não são usadas mais como residência, mas como casa de festa, de encontros e refeições comunitárias e cerimonial.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tuyuka distribuem-se atualmente em quinze sibs. Alguns, não mencionados no quadro abaixo, ainda são lembrados por seu nome e por suas relações com outros sibs, mas estão provavelmente extintos. À pergunta “''mʉ yabu wame''?” (“qual é o nome de seu ''sib''?”), os Tuyuka respondem, de fato, o nome do correspondente ''sib''; o termo ''yabu'' é o que melhor se aproxima, em tuyuka, da noção de ''sib''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Habitações de ontem e de hoje ===&lt;br /&gt;
Os grupos locais tuyuka de hoje não se inscrevem mais nas fronteiras de uma maloca. Até 1970, ainda era comum no lado brasileiro (caso de São Pedro, Puniya e Ilha, acima de Cachoeira Comprida) a construção da maloca, usada tanto como residência por parte do grupo - geralmente de seu chefe e a respectiva família, com os filhos casados e alguns agregados - quanto como centro da vida local (em certos casos, supralocal) e em torno da qual orbitavam eventuais casas e sítios menores. Durante as cerimônias mais importantes do ciclo ritual anual, a maloca recebia pessoas de vários lugares, entre parentes da mesma língua e aliados. Para obter mais informações sobre essas cerimônias, ver Ritual (na seção Etnias do Rio Uaupés).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos atribuir as mudanças que se processaram entre os vários povos da região, em certa medida, à intervenção contundente dos missionários salesianos, por exemplo na insistência dos padres no abandono da maloca. Entretanto, essa interferência não se deu por igual. Nos povoados tuyuka localizados na Colômbia, as malocas continuaram a ser construídas, uma vez que a presença de salesianos era ínfima e a atuação dos missionários javerianos foi tardia e branda, iniciada na década de 1970. Mas mesmo lá se verificou o advento do “povoado”, isto é, a ruptura da maloca como moradia comum a todo o grupo de parentes (patridescendentes) co-residentes e sua dispersão em casas familiares. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As malocas foram e continuam sendo construídas por trabalho comunitário e nelas se realizam os rituais e cerimônias do grupo local (caxiris, dabucuris etc.). Entre os Tuyuka que vivem no Brasil, a ausência da maloca gerou dificuldades, uma vez que as práticas rituais, que nela tinham seu espaço por excelência, continuaram sendo realizadas. Foi preciso construir outros tipos de casa, que preservassem algumas estruturas necessárias para a prática das danças rituais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passado o período mais intenso da atuação missionária, as malocas voltaram a ser construídas, agora como centro de rituais e de convivência do grupo local, com a realização de refeições comunitárias, reuniões e assembléias das associações, encontros e hospedagem, além das festas tradicionais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1995, foi feita uma maloca em Cachoeira Comprida, que passou a ser o centro ritual dos Tuyuka por vários anos. Em São Pedro antigo, ''Pikõroaburo'', havia uma palhoça que depois foi adaptada para maloca. Uma outra foi construída posteriormente, em ''Mõpoea'' ou São Pedro novo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje no Tiquié, em ambos os lados das fronteiras nacionais, os grupos locais são formados por vilas de casas, com uma casa comunitária e algumas outras benfeitorias, como prédio da escola, posto de saúde e capela. No alto Tiquié, as malocas estão presentes em todos eles, sendo algumas habitadas no lado colombiano, mas junto com outras casas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Subgrupos e grupos locais ==&lt;br /&gt;
Os Tuyuka vivem hoje em quatro subgrupos/territórios. Separados por razões histórico-sociais específicas, cada subgrupo ocupa hoje um território ou trecho de rio diferente. Entre esses diferentes subgrupos não existem relações permanentes ou estreitas, porque estão afastados geograficamente. Internamente a cada um destes subgrupos prevalecem os parentes tuyuka, com intercâmbios rituais e predomínio da própria língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 1. Subgrupo do igarapé Inambu, rio Papuri ===&lt;br /&gt;
Nessa área localizam-se os sibs tuyuka de mais alto nível hierárquico (ver item abaixo sibs tuyuka). Ao longo do processo migratório tuyuka, eles permaneceram na região do alto rio Papuri, enquanto outros se deslocaram para o rio Tiquié. (Ver narrativa mitohistorica)  São oito povoados, sendo que seis deles estão no Inambu (igarapé da margem direita do alto Papuri), um povoado no rio Papuri propriamente dito, e o último no Tiquié (atual missão de Trinidad na Colombia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome regional&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome tuyuka&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Localização&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Los Angeles&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Umuyapito&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Papuri (Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Acima de Santa Rita&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;?&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (alto, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Abaixo de Santa Rita&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yepupuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (alto, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Belém&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Apʉratʉdi&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (alto, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;-&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sʉperotʉdi&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (médio, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;-&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ñariñápito&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (médio, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;-&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Numuña&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (médio, Colômbia)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Santa Cruz&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ñokõatʉdi&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Inambu (baixo, Brasil)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Trinidad&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Miñoburo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Alto Tiquié&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 2.  Subgrupo do alto rio Tiquié, entre Caruru Cachoeira e o igarapé Abiu ===&lt;br /&gt;
O subgrupo que hoje habita o curso principal do Tiquié se distribui nos povoados entre a cachoeira de Caruru e o povoado de Pupunha, já em território colombiano, e um povoado no igarapé Abiu, afluente da margem esquerda do alto rio Tiquié. Todos esses grupos locais são liderados por homens de segmentos do sib Opaya, o de mais alta hierarquia do Tiquié (à exceção do sib de Trinidad) e o mais numeroso entre os sibs tuyuka. Distribuem-se em cinco povoados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome regional&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome tuyuka&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Localização&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População (2006)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;São Pedro&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mopoea&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rio Tiquié (Br)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;115&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Cachoeira Comprida&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yoariwa&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rio Tiquié (Br)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;78&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fronteira&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kairataro&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rio Tiquié (Br)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;22&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pupunha&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ʉnekumuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rio Tiquié (Col)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;62&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bellavista&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Buepesariburo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Igarapé Abiu (Col)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;149&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Total&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;426&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 3. Subgrupo do Cabari ===&lt;br /&gt;
Fazem parte de um conjunto de quatro sibs, sendo um deles o líder ver item complementaridade entre os sibs. Eles chegaram no rio Tiquié por outro caminho. Enquanto os grupos locais do alto rio Tiquié vieram pelos igarapés Inambu e Abiu liderados pelo sib tuyuka Opaya, o pessoal do Cabari veio diretamente do Papuri, sem passar pelo igarapé Abiu. Vieram com seus afins tukano do sib Bosoapora e habitaram primeiro o igarapé Umari-Norte. Mais tarde desceram até a foz deste igarapé, ocupando localidades do próprio rio Tiquié entre a foz deste afluente e a cachoeira Caruru. Justamente esse trecho, que foi abandonado posteriormente pelo pessoal do Cabari, é hoje ocupado pelos Opaya do subgrupo do alto Tiquié, especialmente pela comunidade de São Pedro ou Mõpoea.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== 4. Subgrupo da área entre o Onça, o alto Castanha e o Komeya ===&lt;br /&gt;
Todos os Tuyuka que habitam os igarapés Onça, Castanha e Cunuri (afluente do Komeya, ou igarapé Machado) e a foz do próprio Komeya, são do sib tuyuka Dasia, da mais baixa hierarquia e o mais disperso geograficamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome regional&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nome tuyuka&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Localização&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População (2006)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assunção&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yaiñiriya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;55&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Guadalupe&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Watĩyʉde&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Castanha&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;25&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Morro de Acutivaia, Maloca de Domingos&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bosoburo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Cunuri&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;22&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Maloca de Hugo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Cunuri&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;12&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;San Luis&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Komeyapito&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pirá-paraná&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;40&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Total&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;154&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para além dessas áreas, existem grupos locais tuyuka em outras regiões: no baixo Tiquié (especialmente na comunidade de Vila Nova); em outros povoados não tuyuka; ou que migraram para centros urbanos regionais, como São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Manaus, no Brasil, ou Mitú e San Jose de Guaviare, na Colômbia.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Atividades produtivas e a divisão do trabalho ==&lt;br /&gt;
A mandioca brava é o principal cultivo, ocupando entre 80 e 90% da área das roças. Nas roças feitas em mata virgem tem mais espaço o plantio de frutas e palmeiras, como cucura, pupunha, umari, banana, pimentas, abiu e vários outros tipos de tubérculos e batatas, inclusive mandioca macaxera. Nos roçados de capoeira, a mandioca engorda mais rápido e as frutas não crescem tão bem, por isso são menos cultivadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada família tem entre três e cinco roças, algumas de capoeira e outras de mata virgem, abertas e plantadas em anos subseqüentes, conforme as diferentes fases de crescimento e manejo. Por isso, no trabalho diário, a mulher pode planejar extrair mandioca de uma das roças, preparar mudas em outra, e colher abacaxi ou outra fruta madura em uma terceira. Isso é possível quando as roças estão próximas umas das outras, ou ocupam uma mesma área, caminho ou rota pelo rio. Áreas que já foram muito usadas são deixadas para descansar por mais tempo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A indústria da mandioca é muito desenvolvida entre os povos Tukano, sendo a base de uma dieta muito calórica e que se mantém regular durante todo o ano, já que o tubérculo tem produção contínua e fica armazenado no próprio solo. A venda de farinha é comum na região, sobretudo para o povoado-missão de Pari-Cachoeira, comerciantes que aí chegam e, cada vez mais, levada até a cidade de São Gabriel da Cachoeira, onde tem encontrado preços ascendentes nos últimos anos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A farinha utilizada é feita com mandioca-puba (deixada amolecer dentro d’água por um período de três a cinco dias). Em geral, uma grande produção de farinha só é possível quando há cooperação entre as mulheres do grupo doméstico. Coloca-se para pubar uma grande quantidade de mandioca (entre 50 e 100 quilos), que é carregada com ajuda do marido e, se possível, das filhas jovens. Depois de a mandioca ser ralada e espremida no tipiti, adicionam uma parte de massa de mandioca espremida no cumatá [instrumento circular trançado de arumã fechado para lavar a massa de mandioca] e torram no forno. Hoje são comuns os fornos de ferro, com diâmetro de aproximadamente 120 centímetros, mas antigamente usavam-se os de argila, ainda bastante comuns na Colômbia. O mesmo forno é usado para fazer beiju e torrar folhas de coca para o ipadu (um pó feito da mistura das folhas queimadas da coca e da embaúba). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A produção de tapioca em grande quantidade é quase diária, pois garante a produção do beiju de tapioca (''sidariro'') todos os dias. Esse trabalho é das mulheres e toma boa parte de seu tempo, uma vez que também demanda ir buscar água e lenha, esta usada tanto para assar o beiju no forno quanto para o preparo da manicuera, bebida adocicada que resulta do longo cozimento do tucupi. O longo tempo reservado ao processamento da mandioca, para a produção de tapioca, ingrediente principal do beiju e da manicuera, é o diferencial da indústria da mandioca na região do alto rio Negro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres também são responsáveis por produzir caxiri, trabalho bastante dispendioso. Há batatas cultivadas com a finalidade principal de servir de tempero ao caxiri, que é feito com beiju queimado e dissolvido com manicuera. Ao caxiri, acrescentam a batata mastigada e deixam o caldo fermentar dentro de um cocho de madeira escavada ou camoti (pote de cerâmica para fermetação de caxiri), que é tampado com folhas de bananeira ou com um pedaço de plástico ou lona. Na véspera do consumo, durante a madrugada, as mulheres coam o caldo. Quando se deseja um teor alcoólico mais elevado, adiciona-se caldo de cana ou, mais recentemente, de açúcar. Os homens ajudam a carregar e rachar a lenha e a espremer a cana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como diz Rezende (2007), “os Tuyuka dão muita atenção para a especificação de atividades do homem e da mulher”, havendo uma clara divisão do trabalho. Os homens muito raramente, só por necessidade, sabem desempenhar as atividades femininas. A grande maioria não sabe fazer mingau ou beiju, por exemplo, tampouco todas as etapas prévias de produção desses alimentos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As atividades rotineiras dos homens são pesca, caça, coleta de frutos na floresta, fabricação de utensílios domésticos (com exceção da cerâmica) e ferramentas de trabalho, construção e manutenção das edificações, além de preparar (roçar e derrubar) novas áreas para roça. Alguns vão quase todos os dias às roças com sua mulher, ajudando no manejo e no transporte de mandioca e lenha para casa. Outros são mais dedicados às pescarias e caçadas, saindo com frequência à noite ou em viagens mais longas, de alguns dias, em direção a lugares menos frequentados, como o alto curso dos igarapés maiores ou os bebedouros de anta. Nessas ocasiões, levam os filhos maiores ou vão em dupla com outro homem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma forma de caçar paca muito praticada na região é fachear à beira do rio, à noite, com lanterna a pilha; quando focalizada, a paca fica estática, e é alvejada com espingarda de cartucho. Esse tipo de caçada só dá resultado com o rio mais baixo e a paca precisa chegar a ele para beber água. Usam lanterna também para fachear peixes, fisgados com zagaia. A pesca requer um bom conhecimento do rio, dos hábitos dos peixes e das técnicas de pescaria. No alto Tiquié, onde é maior a escassez de pescado, é fundamental um bom domínio desses conhecimentos e técnicas, caso contrário pouca coisa se consegue. Há muitos instrumentos de pesca disponíveis, empregados de acordo com o horário do dia ou o nível do rio (Cabalzar (org.), 2005). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para obter outras informações sobre os modos de vida dos povos do alto rio Negro, &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/etnias-do-rio-negro/1534&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;ver Cotidiano dos índios do rio, na seção Noroeste Amazônico&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Calendário anual ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Calendário anual tuyuka&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/875378-1/calendarioanual_e.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O calendário tuyuka é baseado na observação astronômica, da passagem das diversas constelações, como descritas e nomeadas pelos tuyuka. A este ciclo anual está associado o regime de chuvas e estiagens e a variação do nível das águas dos rios. As alternâncias neste regime são denominadas de acordo com a posição das constelações. Os Tuyuka assinalam a existência de treze enchentes e oito estiagens. A designação da maior parte delas combina o nome e a palavra “verão” (''k¡ma'') ou “inverno” (''pue''). A duração de cada uma delas é variável, sendo que uma ou outra pode mesmo deixar de ocorrer em determinado ano, conforme o verão seja mais forte ou as chuvas mais prolongadas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente os Tuyuka usam tanto o seu calendário astronômico quanto o ocidental e católico para organizar suas atividades anuais, buscando correspondências. No final de junho, por exemplo, foi adotado o “verão de São João”, chamado em tuyuka ''sã ñu k¡ma''. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na narrativa do ciclo anual feita pelos conhecedores indígenas, os eventos e as atividades de subsistência destacados são os períodos de floração e frutificação das palmeiras e outras árvores frutíferas; os períodos de revoadas de diferentes espécies de formigas e cupins; o período das piracemas de aracu, jandiá e piabas e de desova de traíra, do aparecimento das rãs grandes e das pequenas; as melhores épocas para derrubar a mata e a capoeira e para fazer a queima e plantar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A região que os Tuyuka habitam no alto Tiquié está situada a montante de algumas cachoeiras grande, que impedem a subida das espécies maiores de peixe. Nessa altura o rio já é de menor porte e, portanto, mais restrito em pescados. Seu nível varia mais com as chuvas e estiagens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ano é definido pelo ciclo da constelação ''Ñokõatero'' (Plêides). Quando ela aponta no nascente pela madrugada é sinal de novo ano. Neste período é comum as madrugadas aparecerem com um nevoeiro frio (''¡s¡aré''), é quando faziam a iniciação masculina (coincide aproximadamente com os meses de maio e junho, tempo da iniciação).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando ''Ñokõatero'' aparece ao anoitecer, mais no centro do céu, é tempo para fazer roçado. Neste tempo fazem festa para ''y¡k¡'' masa (“gente das árvores” ou “espírito das árvores”), para amansá-los e não causarem doenças (''diarige upioro b¡reko'', “dia de proteção contra doenças”). Coincide aproximadamente aos meses entre dezembro e fevereiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os verões mais fortes ocorrem quando, ao anoitecer, ''Ñokõatero'' está na posição da três horas da tarde (do sol) no céu. Quando, ao anoitecer, aparece em posição das quatro horas (do sol), já começa a chover mais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fazem uma festa para queimar bem e cantam ''Yuabasá''; neste ritual lembram-se dos ''karayaíwa'', um sib tuyuka já extinto há muito, servo de todos os outros, mas que tinha os pajés mais fortes. Eles começaram a confeccionar os adornos de cabeça (''mapoari'') e precisavam secá-los bem, por isso pediram verão forte nesta época. Foi assim que também fez Yarigebo (o personagem mítico que dá origem às roças e cultivos) quando foi queimar a roça para suas duas esposas, filhas de Wariro. Ele se enfeitou bem para queimar tudo, por isso falou com as mulheres para não irem lá enquanto queimava. No passado, os rezadores, para queimar bem, incorporavam todos os ornamentos na roça a ser queimada; hoje não fazem mais porque as mulheres não poderiam ir menstruadas na roça, prática proibida antigamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O inverno, período das chuvas, é genericamente chamado puriro. Começa com outra festa, para pedir aos ''wai masa'' (literalmente “gente peixe”, mas que designa um conjunto mais amplo de seres “espirituais”, mal traduzindo) para dar mais fartura na piracema (''waitunire''). ''Wai masãre sañunire añuro tuniarõ'' (que façam boa piracema). Neste ritual eles preparam os coxos deles, limpam a casa, oferecem caxiri, ipadu, para que os peixes façam um bom dabucuri. Dançam ''wai basa''. Corresponde ao período de final de março, começo de abril. A reza é como se fosse um ''dabucuri'' de ''wai masa'': e no rito eles preparam caxiri, caapi, etc para as próprias famílias. &lt;br /&gt;
''(texto produzido a partir de conhecimentos de Guilherme e Higino Tenório)''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
=== O benzedor e o mestre-de-cerimônias ===&lt;br /&gt;
Alguns homens desempenham atividades especializadas, como a de benzedor (''kumu'') e mestre-de-cerimônias (''baya''). Os primeiros são homens mais velhos, procurados para fazer os benzimentos que acompanham o ciclo de vida de uma pessoa (nascimento, primeira menstruação etc.) ou que atuam em casos de doenças. Os ''bayaroa'' [plural de ''baya''] são aqueles que cantam e dançam nos grande rituais, vestidos com os ornamentos cerimoniais.  &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, as grandes cerimônias do ciclo anual são menos frequentes, sobretudo aquelas com participação intercomunitária. Os Tuyuka vivem em posição intermediária, entre os Tukano, rio abaixo, que abandonaram as práticas rituais tradicionais, e os Bará do alto Tiquié e os grupos do Pirá-paraná, entre os quais esses ciclos ainda se realizam. Os ''bayaroa'' tuyuka estão mais concentrados no lado colombiano, algumas vezes são convidados para dançar nos povoados tuyuka do lado brasileiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Especialistas religiosos nas etnias do Rio Uaupés ===&lt;br /&gt;
{{Lead | por '''Stephen Hugh-Jones''', King´s College - Universidade de Cambridge. 2003.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ciclo ritual ==&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Ciclo ritual tuyuka&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/875381-1/ciclo+ritual.png&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Escola Indígena Tuyuka-Utapinopona ==&lt;br /&gt;
Sob a atuação dos salesianos, que buscavam as crianças em seus povoados e as levavam para as missões, os Tukano incorporaram a educação escolar. A partir dos anos 1980, a educação básica (da 1ª à 4ª série) passou a ser oferecida pela rede municipal de escolas rurais, espalhadas por um bom número de povoados. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As freiras Filhas de Maria Auxiliadora, no entanto, continuaram, até os anos 1990, orientando os professores indígenas da região, que tinham em geral o primeiro grau completo. Não havia nenhuma especificidade no material didático e a ênfase no ensino religioso se mantinha. Ao concluir a 4ª série, a maioria das crianças, especialmente os meninos, era encaminhada ao colégio mais próximo (correspondendo aos antigos internatos dos missionários salesianos) para continuar os estudos até a 8ª série. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como consequência de tal rotina, sobrevinha certo esvaziamento dos povoados durante o período letivo. Alguns grupos domésticos deslocavam-se inteiros para o centro missionário, onde mantinham uma casa. Nem todos, porém, constituíam roças aí, continuando a voltar ao povoado de origem para fazer farinha e buscar outros alimentos. Em alguns casos, uma família cuidava de meninos de diferentes famílias. A estada dos jovens nesses povoados/missões prolongava-se além do período de estudo, já que preferiam ficar ali com os companheiros da mesma faixa etária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Tiquié e no Pirá-paraná colombiano, o processo de escolarização em poucos centros - também construídos por padres católicos, mas de outras congregações - foi mais tardio, com início na década de 1970. Também nessa região há o esquema de afastar as crianças cada vez mais de seus povoados, à medida que avançam no estudo, até chegar a Mitú, capital do departamento de Vaupés. No país vizinho, ainda hoje existem internatos, a maioria são laicos. No Brasil, o fim do internato foi visto com insatisfação pelos índios, porque não haveria mais uma instituição para cuidar da alimentação e de outras necessidades dos jovens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 1998, um projeto de escola indígena deflagrou importantes mudanças nas comunidades tuyuka do alto Tiquié, sobretudo no lado brasileiro. O contexto era o da crise entre os missionários católicos gerada pelo impasse quanto ao seu modelo de educação, à desestabilização socioeconômica resultante da corrida ao ouro da serra do Traíra, ao rápido esgotamento desse recurso e à emergência das organizações indígenas (em paralelo, à recente demarcação das terras do alto e médio rio Negro). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em parceria com a &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://www.foirn.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;FOIRN&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e com o ISA (Instituto Socioambiental), apoiados pela Rainforest Foundation da Noruega (RFN), quatro comunidades tuyuka do Brasil (São Pedro, Cachoeira Comprida, Igarapé Onça e Fronteira), com participação de comunidades colombianas vizinhas, juntaram-se e assumiram a tarefa de criar uma escola indígena autônoma e condizente com os projetos e decisões das comunidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Escola Utapinopona-Tuyuka adotou a própria língua na alfabetização, e como língua de instrução nos diversos ciclos. A partir de 2001, estenderam o ensino para além da 4ª série (até então o ensino fundamental completo só estava disponível em Pari-Cachoeira). Em consequência do intenso movimento político liderado liderado a partir da comunidade de São Pedro, quase todas as famílias que mantinham os filhos em Pari-Cachoeira retornaram e aderiram à Escola Tuyuka. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim teve início um período de relações mais ativas e constantes entre os povoados tuyuka, com frequentes encontros, reuniões, oficinas temáticas e assembleias relacionadas com a escola, contatos diários através de radiofonias recém-instaladas, maior facilidade de transporte com os motores e a gasolina do projeto. Participaram ativamente os moradores do igarapé Onça, que até então mantinham poucos contatos com os Tuyuka de Caruru acima. Esse grupo passava por um processo de tukanização lingüística (i. e. usam mais a língua Tukano que a própria língua), já que, há três gerações, habitava uma área de predomínio tukano próxima de Pari-Cachoeira e São Domingos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em boa medida, a Escola Tuyuka inverteu os princípios da escola missionária. Isso se deu a partir do momento em que fez uma série de escolhas: adotou a língua indígena; para incentivar a transmissão das tradições, aproximou crianças e jovens dos mais velhos, em contraposição ao afastamento, geográfico mesmo, entre as diferentes gerações; e passou a tratar de assuntos e temas locais, de interesse das diversas comunidades, em contraste com o currículo missionário completamente exótico aos índios do Tiquié. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Oito anos após o seu início, o movimento político dos Tuyuka vai além da escola. Um dos efeitos da Escola foi conferir visibilidade aos Tuyuka no âmbito regional (alto rio Negro). São Pedro, a principal comunidade tuyuka do lado brasileiro, passou a sediar importantes encontros, com a participação de pessoas de regiões como Içana, Pirá-paraná e São Gabriel. Os Tuyuka também começaram a viajar mais e a participar de reuniões e encontros em outras localidades. Enfim, vivenciaram uma abertura maior para o exterior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente a Escola passa por novas mudanças, a região é agitadas por outros movimentos, há maior mobilidade das famílias, outras transformações... &lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Cabalzar, Aloisio (2009) Filhos da Cobra de Pedra. Organização e Trajetórias Tuyuka no Rio Tiquié. São Paulo: Editora da Unesp/ISA/Nutti.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Dias Cabalzar, Flora (2011) Até Manaus, até Bogotá. Os Tuyuka vestem seus nomes como ornamentos. São Paulo: Tese de doutorado, PPGAS/USP.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Dutra, Israel Fontes (2010) Xamanismo Utãpinõponã-Tuyuka. Princípios dos rituais de pajelança e do ser pajé Tuyuka. São Paulo: Dissertação Mestrado, PUC-SP.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Rezende, Justino Sarmento (2005) Escola indígena municipal Utãpinopona – Tuyuka e a construção da identidade tuyuka. Campo Grande: Dissertação Mestrado, Universidade Católica Dom Bosco. &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Rezende, Justino Sarmento (2010) Educação na visão de um Tuyuka. Manaus: Faculdade Salesiana Dom Bosco.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Pará]]&lt;br /&gt;
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		<title>Povo:Tukano</title>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os índios que vivem às margens do Rio Uaupés e seus afluentes – Tiquié, Papuri, Querari e outros menores – integram atualmente 17 etnias, muitas das quais vivem também na Colômbia, na mesma bacia fluvial e na bacia do Rio Apapóris (tributário do Japurá), cujo principal afluente é o Rio Pira-Paraná. Esses grupos indígenas falam línguas da família Tukano Oriental (apenas os Tariana têm origem Aruak) e participam de uma ampla rede de trocas, que incluem casamentos, rituais e comércio, compondo um conjunto sócio-cultural definido, comumente chamado de “sistema social do Uaupés/Pira-Paraná”. Este, por sua vez, faz parte de uma área cultural mais ampla, abarcando populações de língua Aruak e Maku. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos '''Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yurut'''i (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para saber mais informações sobre o Noroeste Amazônico [[Povo:Etnias do Rio Negro | acesse o verbete especial sobre a região]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Línguas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Crianças tuyuka. Foto: Aloisio Cabalzar, 2002.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209266-1/uaupes_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A família lingüística Tukano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tukano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tukano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tukano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em alguns contextos, o Tukano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua tukano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tukano. Já as línguas classificadas como tukano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tukano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/desano/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Desana @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Fonte: Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209269-1/uaupes_3.gif&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel. Iaraueté, além de ser um centro de ocupação tradicional dos Tariana, abriga também uma grande missão dos salesianos e um pelotão de fronteira do exército. Existem ainda outras duas missões salesianas na bacia do Uaupés, uma em Taracuá (na confluência desse rio com o Tiquié) e outra no Alto Tiquié, chamada Pari-Cachoeira. Também há um destacamento do Exército na confluência do Querari com o Uaupés e outro em Pari-Cachoeira.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Etnias e demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas etnias também estão presentes nas cidades da região, sobretudo em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. As etnias presentes na bacia do Uaupés são as seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1) [[Povo:Arapaso | Arapaso]]: Etnia de origem tukano oriental que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2 ) [[Povo:Bará | Bará]]: Autodenominam-se Waípinõmakã. Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié, acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia; o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri) e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná). Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes de um ancestral comum que não podem casar entre si). São especialistas no preparo do aturá de turi, muito usado onde não são disponíveis os aturás de cipó maku. Também fabricam o carajuru. São hábeis ainda na confecção de canoas. Atualmente são os principais especialistas na fabricação dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3) [[Povo: Barasana | Barasana]]: Autodenominam-se Hanera. Vivem nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná, em território colombiano. Também encontram-se dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se 36 subdivisões nomeadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
4) [[Povo:Desana | Desana]]: Autodenominam-se Umukomasã. Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu; além de trechos do Rio Uaupés e Negro (inclusive cidades da região). Existem aproximadamente 30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas em certos tipos de cestos trançados, como apás grandes (balaios com aros internos de cipó) e cumatás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
5) [[Povo:Karapanã | Karapanã]]: Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí (afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
6) [[Povo:Kubeo | Kubeo]]: Autodenominam-se Kubéwa ou Pamíwa. Possuem uma língua bem particular da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande maioria, se encontram residindo em território colombiano, na região do Alto Uaupés, incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón. No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés e estão em pequeno número no Alto Aiari. Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados. Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três fratrias não nomeadas que funcionam como unidades para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma língua. São especializados na fabricação das máscaras de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
7) [[Povo: Makuna | Makuna]]: Autodenominam-se Yeba-masã. Vivem principalmente no território vizinho da Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya, afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes, os igarapés Castanha e Onça. Estão divididos em cerca de 12 sibs. São especializados em zarabatanas e curare, são também hábeis fabricantes de canoas, além de fornecerem remos leves e muito bem acabados aos índios do Alto Tiquié.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
8) [[Povo: Miriti-tapuya | Miriti-tapuya ou Buia-tapuya]]: Atualmente falam apenas a língua tukano. São habitantes tradicionais do Baixo e Médio Tiquié, destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé, Vila Nova e Micura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
9) [[Povo: Pira-tapuya | Pira-tapuya]]: Autodenominam-se Waíkana. Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem também em localidades do Rio Negro e em São Gabriel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
10) [[Povo: Siriano | Siriano]]: Autodenominam-se Siria-masã. Moram no Caño Paca e Caño Viña, afluentes do Alto Papuri, em território colombiano. No Brasil são encontrados dispersos em rios da bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações referentes a 27 sibs siriano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
11) Taiwano, Eduria ou Erulia: Autodenominam-se Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu, afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari, afluente do Apapóris. Todas estas áreas estão situadas em território colombiano. Há informações que dão conta de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
12) [[Povo: Tariana | Tariana]]: Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam outrora uma língua pertencente à família Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras de Iauareté e Periquito. São especializados em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
13) [[Povo: Tatuyo]]: Autodenominam-se Umerekopinõ. Habitam uma área situada na Colômbia: o Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño Japu. No Brasil, são representados sobretudo por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem cerca de oito subdivisões internas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
14) [[Povo: Tukano | Tukano]]: Autodenominam-se Ye’pâ-masa ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família lingüística Tukano Oriental. Concentram-se principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés; mas também estão morando no Rio Negro, a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade de São Gabriel. É possível que existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano, cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões ocorridas nos últimos séculos, as posições hierárquicas são razão de polêmicas e versões variadas. Os Tukano são fabricantes tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva) e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos semelhantes àqueles dos trançados. É um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores) e bayá (chefes de cerimônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
15) [[Povo: Tuyuka | Tuyuka]]: Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná. Estão concentrados principalmente no Alto Rio Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes também no trecho do Rio Papuri próximo à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São exímios construtores de canoas e, antigamente, eram especialistas na confecção de redes feitas de fibras de buriti. Também são especializados na confecção do cesto urupema, trançado de finíssimas talas de arumã, usado para coar sumo de frutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
16) [[Povo: Kotiria | Kotiria]]: Autodenominam-se Kótiria. Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá (do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos; acima daí, convivem em território onde a maioria é Kubeo. Há informações de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua especialidade no âmbito das relações de troca interétnica é o preparo do carajuru, um pó corante feito com as folhas de um cipó, muito usado na confecção de artefatos rituais e na pintura do banco tukano, bem como para a pintura corporal. Também são hábeis cesteiros e produtores de objetos de tururi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17) [[Povo: Yuruti | Yuruti]]: Autodenominam-se Yutabopinõ. Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde estes igarapés desaguam (em território colombiano). Há informações que possuem nove sibs.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A seguir, é apresentada uma tabela com a estimativa populacional de cada etnia:&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Etnia&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;População no Brasil&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Arapaso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;328&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Bará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Barasana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt; 61&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Desana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.531&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Karapanã&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;42&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kotiria&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Kubeo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;287&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Makuna&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;168&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mirity-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;95&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pira-tapuya&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.004&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Siriano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;17&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Taiwano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tariana&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tatuyo&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tukano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;4.604&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tuyuca&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;593&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Yuruti&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;0&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;TOTAL&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;11.130&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)|Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Identidade e diferença ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Maloca na região do Uaupés. Foto: Acervo Museu do Índio, 1931.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209272-1/uaupes_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Junto com seus vizinhos aruak, os Tukano - que serão tratados nesta seção como povos tukano, de modo que o grupo Tukano será diferenciado com letra inicial maiúscula- compõem um sistema sócio-político flexível, cuja integração se dá através de redes de intercâmbio recíproco envolvendo visitas, trocas, casamentos e rituais. A dinâmica desse sistema regional implica a articulação entre semelhança e diferença, entre um repertório comum que confere aos grupos que o compõem alguma medida de identidade e aquilo que os diferenciam uns dos outros, possibilitando a interdependência entre eles. Comecemos com as semelhanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índio Bara com seu filho no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209275-1/uaupes_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano compartilham uma área geográfica contínua e um mesmo modo de vida básico, que inclui a caça e coleta, mas no qual predomina a pesca e a agricultura de coivara, sendo a &amp;quot;mandioca brava&amp;quot; o principal produto. No passado, todos moravam em casas comunais (ou malocas) de estilo relativamente uniforme: uma grande construção retangular com teto maciço de forma triangular e portas em cada ponta. Falam línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Também compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas. Esses povos têm ainda estilos de ornamentação corporal semelhantes e, embora as palavras e melodias possam ser diferentes, usam os mesmos instrumentos musicais e a sua música, danças e cantos têm uma base comum. Tais convenções relativas ao modo-de-vida, organização espacial, língua, fala, adornos, música e dança integram o sistema comum de comunicação verbal e não-verbal dos povos do Uaupés, que se expressa mais plenamente nos rituais inter-comunitários.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Pedro Garcia, da etnia Tariano. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209278-1/uaupes_6.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem as suas próprias histórias, mas também compartilham um ''corpus'' mitológico comum. Os mitos explicam as origens do cosmos, descrevendo um mundo perigoso e indiferenciado, sem limites precisos de tempo e espaço, sem diferença entre gente e animal. As narrativas míticas explicam como os feitos dos primeiros seres geraram as feições da paisagem e como o mundo se tornou paulatinamente seguro para a emergência dos verdadeiros seres humanos. Há um mito de origem chave nesse repertório que explica como uma Anaconda-ancestral penetrou o universo/casa através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no leste e subiu os rios Negro e Uaupés com os ancestrais de toda humanidade dentro de seu corpo. Inicialmente, esses ancestrais-espíritos tiveram a forma de ornamentos de pena, mas foram transformados em seres humanos no curso da sua viagem. Quando alcançaram a cachoeira de Ipanoré, o centro do universo, eles emergiram de um buraco nas rochas e se deslocaram para os seus respectivos territórios. Essas narrativas compartilhadas entre os povos do Uaupés expressam uma compreensão comum do cosmos, do lugar dos seres humanos nele e das relações que deveriam existir entre diferentes povos, bem como entre eles e outros seres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contrapartida, cada grupo tem uma identidade singular e um lugar específico dentro do sistema. A população divide-se em aproximadamente 17 grupos exogâmicos, cada qual com direitos sobre um território específico ou trecho de rio com características e potenciais diferentes. Somado a esses fatores ecológicos de diferenciação, cada grupo é tradicionalmente associado à produção de artefatos específicos; assim, os Tukano fabricam banquinhos, os Desana cestos, os Tuyuka canoas etc. Essa produção especializada constitui um aspecto da identidade grupal e mobiliza os cerimoniais de troca (ou ''dabukuris'') que são um dos principais componentes das atividades rituais características da região. Em tais festas, os diferentes grupos se reúnem para dançar, beber caxiri, exibir os seus ornamentos de penas, recitar as linhagens de seus antepassados e trocar os seus produtos (banquinhos por canoas, peixe por carne de caça etc.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo tem a sua própria língua, o seu conjunto particular de nomes pessoais, os seus específicos cantos de dança e as suas próprias genealogias e narrativas de origem. Cada um tem um ancestral originário da Anaconda que trouxe o povo para o seu território particular. O corpo dessa Anaconda é replicado no trecho do rio onde esse grupo mora, nas malocas em que habitam e na composição dos grupos. A língua, os nomes próprios, os cantos, as histórias e outras formas de discurso operam como emblemas de identidade, afirmam direitos territoriais e privilégios rituais, assim como manifestam aspectos da vida, alma e espírito do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada grupo também possui um ou mais conjuntos de ''Yurupari ''- flautas e trombetes sagrados feitos do tronco da palmeira paxiúba -, que são os ossos de seu ancestral e que incorporam o seu sopro e canto. Junto com as festas e trocas cerimoniais, os rituais envolvendo esses instrumentos musicais - símbolos condensados da identidade, espírito e poder grupal - formam o outro grande componente da vida ritual dos Tukano. Enquanto a troca cerimonial enfatiza a equivalência e interdependência mútua entre grupos diferentes, os rituais de ''Yurupari ''realçam a identidade singular de cada um.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''[fevereiro de 2003] '''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Piutr Jaxa, antigo habitante de Pari-Cachoeira, no Uaupés, e que atualmente vive na Terra Indígena Balaio.&lt;br /&gt;
Foto: Piort Jaxa, 1993.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209281-1/uaupes_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos Tukano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas. Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs hierarquicamente ordenados. Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados &amp;quot;irmãos maiores&amp;quot; para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios. A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as &amp;quot;cabeças da Anaconda&amp;quot;, são &amp;quot;chefes&amp;quot; que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os ''Yurupari''; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a &amp;quot;cauda da Anaconda&amp;quot;, que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Wanana. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209284-1/uaupes_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa hierarquia de papéis especializados e privilégios rituais fica muito evidente durante os rituais coletivos em que se recitam as genealogias e enfatizam-se as relações hierárquicas e de respeito. De modo mais sutil, essa hierarquia reflete-se também na vida cotidiana. Os habitantes de uma maloca comumente correspondem a um grupo de homens estreitamente aparentados, como os filhos do mesmo pai ou de dois ou mais irmãos, que vivem juntos com as suas esposas e filhos. Quando uma mulher se casa, ela deixa a sua maloca natal e vai morar junto com seu marido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simbolicamente, a maloca reproduz em miniatura o universo e seus habitantes constituem tanto uma réplica quanto um precursor do ideal de organização clânica acima descrita. Assim, o pai da comunidade que habita a maloca seria o ancestral-Anaconda do grupo inteiro e seus filhos seriam os ancestrais dos clãs que dela se originaram. Seguindo essa lógica, o filho mais velho e irmão maior é geralmente o chefe da maloca, e não raro os seus irmãos menores são dançarinos, cantadores ou xamãs, cujos papéis costumam corresponder à ordem de nascimento. Mas poder e posição social dependem de energia e iniciativas pessoais, que não se baseiam apenas em organização formal, parentesco ou ordem de nascimento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Confecção de banco tukano. Foto: Rosa Gauditano, 2002&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209287-1/uaupes_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria dos rituais e da vida religiosa tukano está centrada em objetos (como ornamentos plumários e as flautas ''Yurupari'') e substâncias sagradas - como a pintura vermelha carayuru, cera de abelha, cera de breu (resina vegetal), epadu (feito com variedades de coca), tabaco e ayahuasca -, assim como em bens menos tangíveis, na forma de nomes, cerimoniais, encantações e cantos. Tais itens são propriedade do grupo e constituem expressões de seus poderes espirituais. Em um nível coletivo e estrutural, os rituais que envolvem tais itens podem ser vistos como expressões formais da identidade do grupo e das relações inter-grupais. Ao mesmo tempo, esses rituais constituem expressões das relações políticas em dada conjuntura. Assim, malocas vizinhas são interligadas por intermédio de líderes carismáticos, que comandam a organização de festas e coordenam o trabalho coletivo para a construção de casas maiores que funcionam como centros cerimoniais. Esses líderes são indivíduos que possuem um grande conhecimento esotérico e se mobilizam para manter e aumentar os bens sagrados de sua maloca, podendo disponibilizar os recursos necessários para patrocinar os rituais. Tais capacidades rituais prestam-se a fortalecer sua posição política.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Tukano e os Maku ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os povos das famílias lingüísticas Tukano Oriental e Maku convivem mais intensamente na região de interflúvio entre os rios Tiquié e Papuri e, em menor escala, entre o Papuri e o Médio Uaupés (trecho entre Iauareté e a foz do Querari). Nesta área, desenvolveram uma estratégia de complementaridade, uma vez que tradicionalmente ocupam espaços distintos e adotam práticas de manejo do meio ambiente específicas. Distintamente dos Tukano, que vivem nos rios maiores, os Maku preferem os igarapés menores, mais no centro da floresta. São bons caçadores, coletores de frutas silvestres e conhecem muito bem os caminhos na mata. Os Tukano, por sua vez, são agricultores dedicados e pescadores; mesmo quando caçam, preferem fazê-lo de canoa, surpreendendo pacas e antas que vão até a beira do rio beber água.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do ponto de vista dos Tukano, os Maku formam uma categoria sui generis, na medida em que se diferenciam tanto dos afins quanto dos parentes de mesma descendência, pois não são casáveis e não são assimilados a eles através da terminologia de parentesco. Os Maku representam uma referência central no sistema conceitual tukano, estando associados às categorias hierárquicas mais baixas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku mantêm com os Tukano relações de troca e colaboração intermitentes. Em geral, grupos domésticos maku tomam a iniciativa de se associar a grupos domésticos tukano, sendo também eles que decidem quando devem ir embora para seus sítios ou mudar de &amp;quot;patrão&amp;quot; tukano. Eles podem permanecer apenas uma semana ou vários meses com os Tukano, mas existem casos em que a relação é mais estável e certos Maku se acostumam a prestar serviços para grupos domésticos tukano específicos, mantendo a colaboração através de gerações. Mesmo nestes casos, a convivência é interrompida quando os Maku resolvem cuidar de suas próprias casas e roças ou viajar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Maku procuram trabalho quando estão passando por momentos de maior privação (suas roças são em geral insuficientes e há períodos pouco propícios para a caça). Nestas situações, oferecem seus serviços aos Tukano: as mulheres trabalham nas roças e no processamento da mandioca e os homens caçam, fazem ipadu ou pegam alguma empreitada (troca da cobertura de uma casa, derrubada da mata para roça etc.). Em troca, os Tukano pagam com parte da produção da cozinha (farinha, beiju etc.), os homens recebem ipadu e fumo e ainda roupas usadas, ferramentas, redes, entre outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando a família maku é muito grande e o custo, em termos de exploração da roça, é alto para a grupo doméstico tukano que os recebeu, este pode expulsá-los. Mais freqüente, porém, é que os próprios Maku se sintam fartos e desfavorecidos, retirando-se para seu assentamento por conta própria e levando consigo um suprimento de farinha e tapioca. Nesses casos, os Tukano reclamam de que eles saem sem dizer nada, de uma hora para outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que mais marca a relação entre estes dois grupos é a grande autonomia dos Maku, que os Tukano não podem violar. Os Maku procuram os Tukano visando suprir necessidades imediatas de alimentos; os Tukano aceitam os Maku e lhes encarregam de vários serviços. Algumas vezes os Maku também participam dos multirões para derrubar ou plantar roça promovidos pelos Tukano, quando é oferecido caxiri. Mas nessas ocasiões as relações são distantes e frias, não envolvendo intimidade. De modo geral, os Maku quase nunca comem junto com os Tukano ou se sentam próximos, a não ser nas manhãs em que há refeição comunitária e alguns Maku estão presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A distância social é marcada pelas atitudes. Quando um Tukano conversa com um Maku, este se posiciona a certa distância, olhando para outro lado. Em outro exemplo, ao devolver um cigarro que um Tukano pediu para “rezar” (para cortar alguma dor que um filho ou a própria pessoa está sentido), o homem Maku, ao invés de entregá-lo na mão, agacha-se próximo e joga o cigarro no chão, perto daquele que o solicitou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre os Tukano e os Maku é celebrada em grandes dabucuris (rituais de oferecimento), realizados na época de coleta de certas frutas do mato (como ingá, cunuri, buriti e açaí silvestre). Nestas ocasiões, os Tukano preparam muito caxiri e ipadu para receber os Maku, que chegam ainda de madrugada, antes do alvorecer, tocando trompetes, pequenos tambores e fazendo muito barulho. Trazem grandes quantidades de frutas que, inicialmente, deixam na beira do rio, para depois conduzi-las para dentro da casa de festa, no momento propício do ritual (quando há um diálogo cerimonial entre um par de homens Tukano e outro Maku). Conjuntos de tocadores de flautas pã maku se revezam ao longo da festa com conjuntos formados por homens e rapazes tukano. Eles formam pares de dança com as mulheres, sejam elas tukano ou maku, indistintamente. A mesma cerimônia também pode ser feita com o oferecimento de carne de caça moqueada; os papéis também podem ser invertidos, passando os Tukano a oferecer beiju e farinha aos Maku. Em geral a festa ocorre no povoado tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O distanciamento que caracteriza a relação entre os Tukano e os Maku é derivado da forma como os Maku são concebidos. Os Tukano os descrevem como diferentes, estranhos e, em certo sentido, inferiores. Alguns aspectos para os quais os Tukano chamam a atenção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;moram em pequenos tapiris improvisados, como os que se faz em viagens na floresta e na roça;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;nunca se acomodam em um lugar, estando sempre indo e vindo, inquietos;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são agricultores displicentes e, além disto, não sabem manejar o cultivo, não esperam o tempo mais produtivo da mandioca, arrancando logo tudo para fazer caxiri; os homens fazem o mesmo com os pés de coca, desfolham sem controle e acabam tendo que apelar para os Tukano para conseguir ipadu (que é uma necessidade diária);&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;são vistos com desconfiança, não raro acusados de saquearem as roças tukano e ainda disfarçarem o roubo fincando a haste da maniva no solo depois de arrancar o tubérculo; também lhes são atribuídos o sumiço de ferramentas, roupas e outros;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;a endogamia local e a constante transformação na constituição dos grupos locais são mau vistos pelos Tukano, que ainda enfatizam certos casamentos incestuosos, como se não houvesse regras definidas de casamento;&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;os Tukano também dizem que eles não têm higiene, não se limpam nem penteiam o cabelo e andam maltrapilhos, com roupas velhas e encardidas.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta visão dos Maku tem alguns desdobramentos práticos, por exemplo, o casamento com eles é expressamente proibido e uma pessoa que tenha alguma ascendência maku (seja por parte do pai ou da mãe) é estigmatizada. Contudo, o casamento de um homem tukano com uma mulher maku é mais aceitável do que o casamento de um homem maku com uma tukano, que é impraticável. Com o contato, representado pela intensificação do comércio, da catequização e da educação escolar, ocorreram mudanças na relação entre esses povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tukano passaram a intermediar a entrada e troca de mercadorias industrializadas. Ao passo que os Tukano aderiram à prática, hoje muito valorizada e difundida, de mandar seus filhos para a escola até o final do ensino fundamental e, menos freqüentemente, para o ensino médio na cidade, os Maku jamais se adaptaram ao sistema escolar e as tentativas promovidas pelos missionários foram todas fracassadas. Mesmo as escolas criadas nos povoados Maku, com professores tukano, raramente dão bons resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente, a intensa migração dos Tukano para os centros missionários ou urbanos, como as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel, tem levado a um processo de esvaziamento de algumas áreas. Isto tem propiciado o estabelecimento de povoados maku no curso principal dos rios, como é o caso do Tiquié.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Aloisio Cabalzar|Aloisio Cabalzar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Aspectos cosmológicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Márcio Meira, 1990.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209289-1/uaupes_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como princípio básico, a cosmologia tukano combina perspectiva móvel, replicação da organização social em diferentes escalas da existência - corpo, communidade, casa e cosmos, e organização análoga entre níveis diferentes da experiência. O universo é feito de três camadas básicas: céu, terra e &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. Cada camada é um mundo em si, com seus seres específicos e podendo ser entendidos tanto em termos abstratos como concretos. Em contextos diferentes, o &amp;quot;céu&amp;quot; pode ser o mundo do sol, da lua e das estrelas, ou o mundo dos pássaros que voam alto, ou os topos achatados dos tepuis (topos achatados das montanhas) dos quais descem as águas ou o mundo dos topos das árvores da floresta, ou mesmo uma cabeça enfeitada com um cocar de penas vermelhas e amarelas de arara, que são as cores do sol. Do mesmo modo, o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; pode ser o Rio dos Mortos debaixo da terra, o barro amarelo debaixo da camada do solo onde enterram-se os mortos, ou o mundo aquático dos rios subterrâneos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De toda forma, o que define o &amp;quot;céu&amp;quot; ou o &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; depende não somente da escala e do contexto, mas também da perspectiva: à noite o sol, o céu e o dia ficam debaixo da terra e o escuro mundo inferior fica acima. Há uma história sobre um homem que encontra o cadáver de uma mulher-estrela que caiu na terra quando fora enterrada por sua família no céu: para seus parentes ela está morta no mundo inferior; para o homem, ela está viva na terra. O homem casa com a mulher-estrela e vai com ela visitar sua família no céu. Para o homem, as estrelas são os espíritos dos mortos que vivem à noite; para as estrelas, ele que é um espírito, e o dia para ele corresponde à noite para elas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os diferentes grupos tukano também participam desse esquema. Assim, por exemplo, os Bará são Povo de Peixe (ou da Água), os Barasana são Povo da Terra e os Tatuyo estão na categoria de Povo do Céu. Cada um desses grupos tem um ancestral-Anaconda, mas anacondas na água são outra versão de jaguares na terra ou de harpias no céu (harpy-eagles?) - em um mundo transformacional e perspectivista, os maiores predadores do céu, da terra e da água são equivalentes e complementares. Assim como pessoas que estão na mesma &amp;quot;camada&amp;quot; são do mesmo tipo (from the same level are of the same kind) e não podem casar entre si, os casamentos entre diferentes grupos exogâmicos possuem dimensões cósmicas. Os Barasana, por exemplo, tendem a casar-se com os Bará, e estes também costumam casar-se com os Tatuyo. É possível vislumbrar esse sistema em um mito barasana que tematiza sua origem. Yeba, ou &amp;quot;Terra&amp;quot;, o ancestral Barasana em forma de jaguar, casa-se com ''Yawira'', uma mulher -peixe guaracu, filha da Anaconda Peixe, o ancestral dos Bará. ''Yawira ''então abandona seu marido ''Yeba ''e foge com ''Yuka'', o urubu-rei que é uma manifestação do ancestral Tatuyo, que é também a Anaconda do Céu e Jaguar (Eagle-Jaguar). Outros grupos tukano têm diferentes versões para esse mito, nas quais os nomes dos personagens podem mudar, mas a lógica é a mesma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em termos simbólicos, a maloca é o universo e o universo é uma maloca. O teto de palha é o céu, os esteios de suporte são as montanhas, as paredes são as cadeias de serras que parecem cercar a paisagem visível na beira do mundo, e sob o chão corre o Rio dos Mortos. A maloca tem duas portas: uma no leste que é a dos homens, ou a &amp;quot;porta da água&amp;quot;; outra das mulheres a oeste, com uma longa cumeeira que corre ao longo do teto da casa entre as duas portas, que é &amp;quot;o caminho do Sol&amp;quot;. Nessa região equatorial, os rios subterrâneos correm do oeste para o leste, ou da porta das mulheres para a porta dos homens; completando um circuito fechado da água, o Rio dos Mortos corre do leste para o oeste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maloca tanto é o universo, como também é um corpo, ao mesmo tempo o &amp;quot;corpo canoa&amp;quot; do ancestral-Anaconda e os corpos de seus filhos nele contidos. Esses filhos são os habitantes da casa, réplicas do ancestral original, receptáculos de futuras gerações e, eles mesmos, futuros ancestrais. Mas, se a maloca é um corpo humano, sua feição também é uma questão de perspectiva. Do ponto de vista masculino, a frente pintada da maloca é um rosto de homem, a &amp;quot;porta dos homens&amp;quot; é sua boca, a viga mestra e as laterais são a sua coluna e costelas, o centro da casa é seu coração, e a porta das mulheres o seu ânus. Do ponto de vista das mulheres, a coluna, as costelas e o coração permanecem os mesmos, mas o resto do corpo é invertido: a porta das mulheres é a sua boca, a porta dos homens a sua vagina e o interior da casa o seu ventre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De tais princípios de replicação e transformação dão-se uma série desdobramentos. Se os rios correm através da casa-universo e o corpo é uma espécie de casa, segue-se que as tripas e os genitais humanos são &amp;quot;rios&amp;quot;; e, ainda, que os vermes parasitas são &amp;quot;anacondas&amp;quot;. Há uma história divertida que descreve o universo do ponto de vista de um verme: quando o seu hospedeiro humano bebe caxiri (cerveja de mandioca), a chuva fica grossa e pegajosa; quando ele ingere farinha, chove pedras; e quando ele come beiju, chove grandes rochas. Essa narrativa ilustra um ponto importante: por vezes os mitos explicitam a cosmologia, mas com mais freqüência a cosmologia simplesmente está subentendida ou implícita e as pessoas devem pô-las em prática por conta própria. Especialistas religiosos são aqueles que possuem maior habilidade para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas.'''&lt;br /&gt;
'''&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://books.google.com.br/books?id=7Kh-BgAAQBAJ&amp;amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;amp;q&amp;amp;amp;f=false&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;''Antes o mundo não existia: Mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, coletânea de narrativas míticas desana, por Tõrãmũ Kêhíri e Umusí Pãrõkumu&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O ciclo da vida ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índia Tuyuka com seu filho em um evento cultural em São Paulo. Foto: Miguel Chaves, 1998.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209292-1/uaupes_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo em mente os princípios cosmológicos sintetizados no item anterior, podemos começar a perceber como alguns processos vitais são elaborados em termos cosmológicos e como se relacionam a práticas rituais associadas ao ciclo de vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A digestão, evacuação, decomposição e morte envolvem um fluxo passivo do alto para o baixo, de rio acima para rio abaixo, do Oeste para o Leste. A vida em si é um movimento, às vezes uma luta, de acordo com esse fluxo: as plantas crescem em direção ao sol e as pessoas devem crescer para cima enquanto amadurecem. O Sol, ou ''Yeba Hakü'' (na língua barasana), o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, fonte de luz e da vida, move-se constantemente contra a corrente, subindo os rios da terra do Leste para o Oeste durante o dia e subindo o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; durante a noite, para aparecer de novo no Leste. O ancestral-Anaconda que trouxe a humanidade para o mundo também viajou como o Sol, no sentido Leste para o Oeste, parando quando alcançou o meio do universo. Esse mesmo movimento de Leste a Oeste foi também uma ascensão da água para a terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ancestal-Anaconda, um ser aquático, é o próprio rio no qual ele viajou, e os seres em seu interior somente assumiram a forma humana quando emergiram na terra firme; antes disso, eram &amp;quot;gente peixe&amp;quot;, espíritos na forma de ornamentos de penas. Os animais são chamados ''wai-bükürã'', &amp;quot;peixes maduros&amp;quot;; e, logicamente, entre eles estão os seres humanos, seres que estão a meio-caminho entre os &amp;quot;peixes-espíritos&amp;quot; que eram antes e os &amp;quot;espíritos-pássaros&amp;quot; que se tornarão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história do ancestral-Anaconda é uma narrativa sagrada sobre os primórdios e, provavelmente, uma versão das migrações históricas dos povos Tukano. Também pode ser entendida como uma história sobre a ecologia, sobre as migrações anuais rio acima de peixes amazônicos que vêm desovar nas cabeceiras; e uma história sobre a reprodução humana, que também envolve uma penetração ascendente, no sentido &amp;quot;Leste-Oeste&amp;quot;, rumo a uma &amp;quot;porta da água&amp;quot;, num fluxo ascendente de sêmen, e uma passagem do mundo aquático do ventre para o mundo seco da existência humana na terra. Não é de se admirar então que &amp;quot;nascer&amp;quot; é ''hoe-hea'' (em barasana), que significa &amp;quot;atravessar rumo a um nível mais alto&amp;quot;. Mas o nascimento também envolve um movimento de descida pelo canal do corpo feminino - cosmologicamente um movimento do Oeste para o Leste e, em termos sociais, um movimento da mãe para o pai ou das mulheres para os homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para entender esses movimentos, porém, é preciso começar pela morte. Alguns índios do Uaupés, os Kubeo em particular, encenam rituais elaborados de luto em que dançarinos com máscaras pintadas e feitas de casca de árvore se tornam peixes, animais, e outros seres da floresta para dar boas-vindas à alma do morto no mundo dos espíritos. Mas o enterro tukano em si é um evento simples: a cova é o chão da maloca e o caixão uma canoa cortada ao meio. Esse sepultamento simples é o prelúdio para um futuro nascimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tukano compartilham uma noção de reencarnação segundo a qual, quando uma pessoa morre, um aspecto de sua alma volta para a &amp;quot;casa de transformação&amp;quot;, local de origem do grupo. Depois, a alma volta ao mundo dos vivos encarnada em um recém-nascido que recebe o seu nome. As pessoas recebem o nome de um parente recentemente falecido do lado paterno, o avô paterno para um menino ou a avó paterna para uma menina. Cada grupo possui um conjunto limitado de nomes pessoais que vão sendo retransmitidos a cada geração. O aspecto visível dessas &amp;quot;almas-nomes&amp;quot; são os cocares de penas usados pelos dançarinos, que também são enterrados com os mortos. O rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot; é descrito como repleto de ornamentos, assim como na história de origem os espíritos dentro da canoa-Anaconda tiveram a forma de ornamentos de dança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sepultadas em canoas, as almas dos mortos caem para o rio do &amp;quot;mundo inferior&amp;quot;. De lá, são levadas pela correnteza do rio subterrâneo para o Oeste e às regiões rio acima deste mundo. As mulheres não dão à luz na maloca, mas numa roça no interior da floresta, rio acima e atrás da casa - também ao Oeste. O recém-nascido é primeiramente lavado no rio e depois levado para dentro da maloca pela porta traseira, a &amp;quot;porta das mulheres&amp;quot;. Confinado dentro da casa por cerca de uma semana com seu pai e mãe, ele é então banhado de novo no rio e recebe um nome. Assim, em termos cosmológicos, os bebês de fato vêm das mulheres, da água, do Oeste.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Pessoas, animais e objetos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um componente crucial das idéias religiosas tukano são as relações entre os seres humanos, os animais e a floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índio Tukano no Rio Uaupés. Foto: Acervo Museu do ìndio, 1928.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209294-1/uaupes_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Masa'' (em barasana), a palavra para &amp;quot;gente&amp;quot;, é um conceito relativo. Pode se referir a um grupo em contraposição a outro, a todos os tukano em contraste a seus vizinhos, a índios ''versus ''brancos, a seres humanos ''versus ''animais e, finalmente, a coisas vivas, inclusive árvores, ''versus ''objetos inanimados. Em discursos míticos e xamânicos, os animais são gente e habitam mundos aparentemente semelhantes ao mundo dos seres humanos: vivem em comunidades organizadas em malocas, plantam roças, caçam e pescam, bebem caxiri, usam ornamentos, participam de festas inter-comunitárias e tocam seus próprios Yurupari (flautas sagradas que representam os primeiros ancestrais).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas as criaturas que podem ver e ouvir, que se comunicam com os do seu grupo e que agem intencionalmente são &amp;quot;gente&amp;quot; - mas gente de espécies diferentes. São diferentes porque têm corpos, costumes e comportamentos diferentes e vêem as coisas de perspectivas corporais distintas. Assim como as estrelas vêem os humanos como espíritos mortos, os animais vêem themselves as humans and see os humanos como animais. Aos olhos do urubu, quando os humanos vão pescar, eles pescam cadáveres apodrecendo e fisgam tapuru (conhecido como &amp;quot;bicho de pau&amp;quot;); aos olhos do jaguar, os humanos são predadores perigosos que bebem sangue como se fosse caxiri; para os peixes, para quem a água é seu &amp;quot;ar&amp;quot;, é impressionante que os humanos não saibam respirar &amp;quot;debaixo da água&amp;quot;. Os humanos, por sua vez, logicamente vêem as coisas de outra perspectiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209296-1/uaupes_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o denominador comum de todas essas &amp;quot;gentes&amp;quot; é a sua subjetividade e para elas, na condição de sujeitos, seu próprio modo de vida é aquele da cultura humana, as diferenças entre tais &amp;quot;gentes&amp;quot; repousam em seus diferentes corpos: em sua forma, cor, sons, hábitos corporais e dieta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas diferenças estão culturalmente representadas em diferentes gêneros alimentícios de uso ritual, tais como coca, tabaco e a ayahuasca, bem como tintas corporais distintas, ornamentos e roupas, ou como diferentes armas e equipamento ritual. Os índios se referem a todos esses itens como ''küni-oka'', &amp;quot;armas ou escudos&amp;quot;, idéia que faz lembrar os uniformes de exército com seus brasões - ao mesmo tempo identidade, vestimenta e arma de defesa. Nessa lógica, as diferenças entre os grupos humanos são representadas como naturais e inerentes. Conceitualmente, os vários grupos tukano constituem tantas &amp;quot;espécies&amp;quot; diferentes quanto as múltiplas espécies animais são &amp;quot;povos&amp;quot; diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na vida cotidiana, as pessoas enfatizam sua diferença dos animais, mas no mundo dos espíritos, ao qual se tem acesso pelos rituais, pelo xamanismo, pelos sonhos e pelas visões de ayahuasca, as perspectivas se fundem, as diferenças são abolidas, o passado é presente, e pessoas e animais voltam a ser um. Isto tem importantes repercussões práticas, pois, onde os animais são pessoas, caçá-los e ingerir sua carne é equivalente à guerra e canibalismo. Muitas doenças são assim diagnosticadas como a vingança dos animais que os humanos matam e comem. O risco advindo dos animais é proporcional a seu tamanho e habitat: as antas são mais perigosas do que os macacos, os animais terrestres são mais perigosos do que os peixes, e peixes grandes mais perigosos do que os pequenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perigo também está relacionado ao contato com o domínio metafísico. Um nascimento neste mundo provoca ressentimento entre os espíritos-animais - para eles, representa uma morte. Os bebês humanos, recém-migrantes do mundo dos espíritos, não estão ainda firmemente ancorados a seus corpos e, portanto, precisam ser protegidos das antas ciumentas que ameaçam ingeri-los através de seus ânus - um nascimento ao avesso. Enquanto visitantes do mundo dos espíritos, as mulheres menstruadas e os homens que tomam parte nos rituais ganham temporariamente ''status ''de criança e devem restringir sua dieta, evitando alimentos perigosos. Para cozinhar o peixe ou a carne com segurança, um xamã deve primeiro soprar encantações para remover os seus &amp;quot;escudos de proteção&amp;quot; ou &amp;quot;armas&amp;quot; (tintas, peles, dentes, espinhos, escamas e outros atributos corporais identificados aos animais ou peixes) que podem comprometer a identidade especificamente humana do consumidor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As qualidades de personificação, subjetividade e intencionalidade que os índios aplicam aos animais e os peixes também se estendem ao cosmos como um todo. Os mitos dos povos do Uaupés também são mitos sobre a paisagem, cujos traços distintivos - as serras e montanhas, os rios, as rochas e cachoeiras -, têm nomes que evocam as histórias de sua criação ancestral. Viajar por terra ou canoa é seguir essas histórias e compartilhar os atos de criação descritos por elas. Muitas histórias contam sobre as antigas migrações, atribuindo à paisagem uma dupla dimensão - a dos atos primordiais de criação e a dos atos mais recentes, como a construção de casas e abertura de roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os poderes de criação ancestral incutidos na paisagem se estendem às plantas, peixes, animais e seres humanos que a habitam e também aos objetos confeccionados a partir dos materiais que dela provêm. Nos mitos, os objetos cotidianos tais como canoas, bancos, cestos e potes, emergem como seres animados e autônomos - como visto, do mesmo modo que os animais podem ser gente, as malocas podem ser os corpos dos ancestrais ou daqueles que as construíram. Os objetos confeccionados condensam dois tipos de potência: os poderes de sua matéria-prima e as habilidades e intenções de seus fabricantes. Conseqüentemente, o processo de fabricação dos objetos tem uma importante dimensão religiosa. Durante os ritos de iniciação, os homens e mulheres jovens são sistematicamente treinados na confecção de artesanato, um treinamento que é a um só tempo intelectual, espiritual e técnico. Fazer artesanato é concomitantemente confeccionar a si mesmo e o mundo, numa forma de meditação que traz à tona as interconexões entre objetos, corpos, casas, e o universo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Especialistas religiosos ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre os Tukano, a religião não é concebida como um domínio discreto, mas sim como uma dimensão de todo conhecimento, experiência e prática. Isso também se explica porque a vida numa paisagem impregnada de poderes ancestrais e onde a vida cotidiana tem uma dimensão extraordinária e metafísica é potencialmente perigosa. Para sobreviver e prosperar, bem como assegurar o bem-estar de si e de sua família, todos os adultos precisam de alguma habilidade para manejar e controlar as forças de criação e destruição que os cercam. Os conhecimentos técnicos e metafísicos não possuem fronteiras precisas. Os homens adultos devem conhecer tanto os recursos naturais do território quanto suas propriedades espirituais, combinando afazeres rotineiros com procedimentos rituais, com competência tanto para caçar e pescar quanto para fazer encantações para que a carne e o peixe possam ser comidos com segurança. De modo semelhante, as mulheres, &amp;quot;mães da alimentação&amp;quot; cujos tubérculos de mandioca são &amp;quot;filhos&amp;quot;, devem controlar a esfera material e espiritual de produção e reprodução de suas roças, cozinhas e corpos, como uma totalidade integrada.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209298-1/uaupes_14.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Amazônia, freqüentemente se referem aos especialistas rituais com poderes especiais e acesso a conhecimentos esotéricos como &amp;quot;xamãs&amp;quot;, rótulo que pode tanto confundir como revelar. Como indicado, para agir com êxito todos os homens adultos devem ser em alguma medida xamãs. Aqueles que são reconhecidos publicamente como tal têm maior conhecimento ritual e uma habilidade especial para &amp;quot;ler&amp;quot; o que está por trás das narrativas sagradas, optando por desenvolver habilidades e conhecimento em favor dos outros, sendo reconhecidos como especialistas. Assim, os &amp;quot;xamãs&amp;quot; são aqueles que se destacam dos demais - mas sempre há outros esperando nos bastidores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um segundo aspecto está relacionado ao gênero. Com raras exceções, os especialistas rituais são homens - mas a capacidade das mulheres de menstruar e gerar filhos é considerada como o equivalente feminino ao poder dos homens sobre os ornamentos de penas e os ''Yurupari''. Assim, é possível dizer que se os homens adquiram as suas habilidades xamânicas através da cultura, as mulheres já são &amp;quot;xamãs&amp;quot; por natureza. Não é de se admirar então que, na mitologia tukano, o Povo do Universo, os heróis ancestrais que abrem o caminho para a criação da humanidade, sejam gerados por uma divindade feminina que os Barasana chamam de ''Romi Kumu'' ou &amp;quot;Mulher Xamã&amp;quot;; conhecida como &amp;quot;A Velha da Terra&amp;quot; (''Ye'pa Büküo, Yeba Büro'') em Tukano e Desana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, o rótulo &amp;quot;xamã&amp;quot; nubla uma distinção importante entre dois especialistas rituais, os ''yai ''e os ''kumu''. Os ''yai ''correspondem ao xamã típico da Amazônia ou o pajé. Suas principais tarefas envolvem lidar com as pessoas e o mundo dos animais e da floresta. Ele desempenha um papel importante na caça por soltar os espíritos dos animais das suas casas nas serras, atividade potencialmente perigosa, que pode demandar compensações no mundo humano como a conversão da vida em morte. O pajé é um especialista na cura de moléstias causadas pela feitiçaria de criaturas vingativas e seres humanos ciumentos, doenças que tipicamente se manifestam como espinhos, cabelo, e outros objetos alojados no corpo. A cura se dá jogando água sobre o corpo do paciente ou soprando-lhe fumaça de tabaco e depois manipulando-o com as mãos, mas sempre envolvendo a sucção de objetos ou substâncias do corpo do paciente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Yai ''significa &amp;quot;jaguar&amp;quot;, termo que dá alguma indicação do status do pajé na sociedade tukano. O Jaguar é um animal poderoso e potencialmente perigoso, assim como aqueles que têm poder e conhecimento para agir contra a feitiçaria podem também praticá-la. Um pajé é considerado &amp;quot;bom&amp;quot; ou &amp;quot;mal&amp;quot; dependendo se ele é um parente ou vizinho de confiança. O termo ''yai ''também tem conotação de selvageria e descontrole, que alude à posição marginal de muitos pajés e ao caráter individual e idiossincrático de seus poderes, freqüentemente associados ao uso de alucinógenos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora tanto o ''yai ''como o ''kumu ''sejam especialistas, o ''kumu ''é mais um sábio e sacerdote do que propriamente um xamã. Seus poderes e autoridade são baseados no conhecimento exaustivo da mitologia e dos procedimentos rituais, resultado de anos de treinamento e prática. Conseqüentemente, aqueles que são reconhecidos como ''kumu ''geralmente são homens mais velhos, cujos pais ou tios paternos muitas vezes tinham o mesmo status.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como homem experiente e sábio, o ''kumu ''comumente é também um líder político de sua comunidade e com autoridade considerável sobre uma área mais ampla. Comparados ao yai, figura por vezes moralmente ambígua, o ''kumu ''goza de um status mais alto e um maior grau de confiança, fundamentada em seu papel ritual proeminente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ''kumu ''desempenha um papel importante na prevenção de doenças e infortúnio. Ele é um especialista na arte de soprar encantações sobre a carne de peixe e animais para converter a sua substância em uma forma similar ao vegetal. Tem papel proeminente nos ritos de passagem, realiza as principais cerimônias por ocasião do nascimento, iniciação e morte, transições que asseguram a socialização do indivíduo e a passagem das gerações, assim como ordena as relações entre os ancestrais e seus descendentes vivos. É o ''kumu ''que nomeia os bebês recém-nascidos e é ele que conduz os ritos de iniciação, públicos e coletivos, para os jovens e os ritos mais individuais e privados realizados quando moças atingem a idade de puberdade. Tais transições envolvem um contato necessário e potencialmente benéfico entre os vivos, os espíritos e os mortos. Esse contato pode ser perigoso e é o ''kumu ''que assume a responsabilidade de proteger as pessoas. Para aqueles que gozaram da proteção de um ''kumu ''durante o seu nascimento ou iniciação, ele é seu guu ou &amp;quot;tartaruga&amp;quot;, em alusão à carapaça dura e protetora desse animal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A outra importante função do ''kumu ''é presidir as festas de dança, as festas de caxiri e intercâmbios cerimoniais, e de conduzir e supervisionar os rituais em que se tocam os instrumentos de ''Yurupari'', rituais que envolvem um contato direto com os ancestrais mortos. Aqueles que participam desses rituais colocam as suas vidas nas mãos do ''kumu ''e é somente os mais sabidos e respeitados que são encarregados desse papel. Do mesmo modo, patrocinar tais rituais significa reivindicar reconhecimento como ''kumu''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como &amp;quot;gente&amp;quot; e parte integrante de um cosmo vivo, os seres humanos, os animais, as plantas e os peixes participam de um mesmo sistema, que é engajado e revitalizado durante os rituais de ''Yurupari''. Esses rituais fomentam a reprodução das plantas e dos animais, asseguram o ordenamento normal das estações e a fertilidade contínua da natureza. Ao supervisionar e promover esses rituais, os ''kumus'' mais importantes chegam a incorporar os poderes e identidades de Yeba Hakü, o &amp;quot;Pai do Universo&amp;quot;, de ''Romi Kumu'', &amp;quot;''Kumu ''Mulher&amp;quot; e de ''Yurupari'', fonte e espírito da vida vegetal. Como mestres do ritual, eles mesmos se tornam criadores.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritual ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ciclo anual é pontuado por uma série de festas coletivas, cada uma com seus cantos, danças e instrumentos musicais apropriados, que marcam eventos importantes do mundo humano e natural - nascimentos, iniciações, casamentos e mortes, a derrubada e o plantio de roças e a construção de casas, as migrações dos peixes e pássaros, e a disponibilidade de frutas silvestres e outros alimentos colhidos. Essas assembléias rituais são denominadas &amp;quot;casas&amp;quot;, termo que significa ao mesmo tempo um evento ritual, um grupo de pessoas e um mundo simbólico.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Tukano. Foto: Curt Nimuendaju, década de 1930.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209301-1/uaupes_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As festas assumem três formas básicas: caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de ''Yurupari ''envolvendo flautas e trombetes sagrados. Os caxiris são fundamentalmente ocasiões sociais quando uma comunidade convida os seus vizinhos a dançar e beber caxiri, às vezes como um agradecimento pela sua ajuda na abertura de uma roça ou na construção de uma casa nova, às vezes para marcar a nomeação de uma criança, o casamento de uma mulher, ou a etapa final de iniciação dos meninos, e às vezes somente por divertimento e reforço dos laços sociais. Os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com cocares de penas e outros ornamentos, os dançarinos dançam a noite inteira em volta do recipiente (cuja forma é semelhante a uma canoa) de caxiri, que constitui o foco central da celebração; é uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã. Há dois tipos de danças, ou relativamente lentas, no caso de danças formais em que os homens se dispõem em uma linha entrecruzada por mulheres, ou danças mais rápidas e menos formais em que cada dançarino dança sozinho, tocando um conjunto de flautas de pã como parte de um coro, e competindo com os outros para atrair a parceira de sua escolha. Entre essas sessões de dança, os anfitriões e convidados se sentam frente a frente e trocam presentes como coca e charutos, enquanto recitam as suas genealogias em cânticos coletivos conduzidos por um especialista. O kumu se senta à parte, soprando encantações sobre cuias de coca, tabaco e ayahuasca; então as oferece aos participantes para protegê-los e permitir aos dançarinos que vejam e experimentem em suas danças as viagens dos primeiros ancestrais e os eventos míticos que os seus cantos e cântico relatam.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209304-1/uaupes_16.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os caxiris podem envolver comunidades de irmãos e cunhados, já os dabukuris são, sobretudo, ocasiões que celebram e reforçam os laços de matrimônio e afinidade. As dádivas são dadas em nome de um homem para seu cunhado ou sogro: no mito barasana da origem do dabukuri, cujos personagens são Yeba Yamira (ver item &amp;quot;Aspectos cosmológicos&amp;quot;), a dádiva era do Yeba para seu sogro Anaconda Peixe. O ritual começa com a chegada dos convidados ao anoitecer. Tratados como estranhos e inimigos potenciais pelos seus anfitriões, eles não entram na maloca, dançando e cantando por iniciativa própria do lado de fora. De manhã, eles desfilam dentro da maloca vestidos com elegância e soprando trombetes de cerâmica ou embaúba. Apresentam suas dádivas aos seus anfitriões e então iniciam uma dança que continuará o dia inteiro e a noite também. Os anfitriões se mantém distantes, continuam lhes servindo caxiri, mas enquanto o dia vai se passando, eles se misturam cada vez mais com os convidados, dançando e cantando junto com eles, quebrando assim as barreiras que foram estabelecidas, de forma dramática, no começo do ritual. Pela manhã, quando a dança termina, convidados e anfitriões comem em uma enorme refeição comunal, como se fossem uma comunidade única e integrada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esses intercâmbios têm uma dupla lógica e movimento: a curto prazo, os convidados dançam e oferecem peixe ou carne em troca do caxiri fornecido pelos anfitriões; a longo prazo, as comunidades trocam um tipo de produto por outro - peixe por carne ou carne por peixe - e alternam os papéis de anfitrião e convidado. Ambos os casos estão relacionados a matrimônio, o primeiro refletindo a troca de carne ou peixe por produtos de mandioca (o beiju e o caxiri) entre marido e mulher; o segundo refletindo a troca de diferentes tipos de mulheres entre os grupos ligados por inter-casamentos. Em termos cosmológicos, essas trocas estão intimamente ligadas aos ciclos de procriação e à disponibilidade sazonal de espécies de peixes e animais. As danças remetem não apenas às dramatizações e movimentos relativos a peixes e pássaros migrantes, como garantem a fertilidade continuada da natureza e a disponibilidade de espécies das quais dependem.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Dabukuri entre os tukano. Foto: Renato Aguirre, 1988.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209307-1/uaupes_17.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais envolvendo os instrumentos musicais sagrados de ''Yurupari ''são a expressão mais plena da vida religiosa dos índios, pois englobam e sintetizam vários temas-chave: ancestralidade, descendência e identidade grupal, sexo e reprodução, relações entre homens e mulheres, crescimento e amadurecimento, morte, regeneração e integração do ciclo de vida humano com o tempo cósmico. Em relação de complementariedade com os dabukuris, esses rituais são concernentes à identidade masculina e às relações intra-grupais em oposição ao casamento e às relações inter-grupais; do mesmo modo, dizem respeito à fertilidade das árvores e plantas em oposição aos ciclos de vida dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As flautas e os trombetes de tronco de palmeira pertencentes a cada grupo são uma entidade ao mesmo tempo única e múltipla: o ancestral do grupo e seus ossos aos pares, que são também seus filhos; e os ancestrais dos clãs componentes do grupo. Quando os instrumentos estão juntos e são tocados, o ancestral volta à vida, de modo que aqueles que os tocam assumem as identidades dos ancestrais clânicos e entram em contato direto com seus respectivos pais (originários). Esse processo anula a separação vigente entre passado e presente, mortos e vivos, ancestrais e descendentes, restabelecendo a ordem primordial dos mitos de origem. Os ritos normalmente envolvem um clã ou o segmento de um clã, que age como um grupo isolado e assim pode estabelecer a sua identidade enquanto unidade coletiva indiferenciada em contraposição ao mundo de fora, mas segmentada internamente por uma hierarquia ordenada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos ''Yurupari ''somente podem ser vistos e manuseados pelos homens adultos. De acordo com os mitos, originalmente eram as mulheres quem possuíram as flautas enquanto os homens se encarregavam do processamento da mandioca e outras tarefas femininas. Os mitos acrescentam outro detalhe importante: quando as mulheres tinham a posse das flautas, os homens menstruavam e, quando tiraram as flautas delas, fizeram com que as mulheres menstruassem. Esses mitos, e os rituais que os dramatizam, podem ser entendidos como um discurso complexo e ambíguo sobre os respectivos poderes e capacidades de homens e mulheres, tal como aquele que se refere aos poderes xamânicos femininos, já mencionados. Isso implica que os órgãos reprodutivos e as capacidades reprodutivas complementares de homens e mulheres, isto é: as suas &amp;quot;flautas&amp;quot;, são simultaneamente idênticas e opostas, iguais e desiguais, invertidas e equivalentes.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Índios Bara no Alto Papuri. Foto: Jean Jackson, 1969.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/209310-1/uaupes_18.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há dois tipos de ritual de ''Yurupari'', um evento anual mais sacralizado e elaborado que marca o começo do ano, e o outro realizado periodicamente durante o ano para marcar a maturação de diferentes espécies de frutos de árvores. No segundo, os homens de uma comunidade presenteiam os de uma outra - geralmente os seus irmãos - com grandes quantidades de frutos silvestres, trazendo-os para o interior da casa acompanhados dos sons berrantes dos trombetes enquanto as mulheres e crianças permanecem atrás de telas nos fundos. Ao anoitecer, as telas são removidas e as mulheres voltam a se juntar aos homens. Eles dançam a noite inteira até amanhecer e então distribuem os frutos entre os presentes.Os mais grandiosos ritos de ''Yurupari'', quando instrumentos diferentes e mais sacralizados são tocados, estão vinculados aos movimentos do sol e da constelação de Plêiades, realizando-se no final do verão e começo da estação chuvosa, que é a época em que abundam os frutos do mato. Eles elaboram ainda mais os temas de crescimento, maturação e periodicidade, bem como a integração entre os ciclos temporais humanos e cósmicos, mas aqui o enfoque imediato está no crescimento e amadurecimento de jovens que passam por um processo de iniciação que os conduz a sua integração como adultos no grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo do ritual, os meninos são apartados de suas mães e trazidos para a extremidade masculina da casa, longe da vista das suas mães, que são confinadas na parte traseira. Sob o cuidado de guardiões rituais e um kumu oficiante, recebem ayahuasca para beber e são-lhes mostrados os instrumentos ''Yurupari ''pela primeira vez, enquanto eles ficam sentados imóveis e agachados como fetos no chão. À medida que os instrumentos são tocados sobre as suas cabeças, corpos e genitais, os rapazes são chicoteados pelos kumu nos seus corpos e pernas, ações que transmitem a vitalidade e as forças espirituais dos ancestrais e fazem com que os meninos cresçam resistentes, fortes e viris. Os homens dão então um banho nos meninos junto com os instrumentos no rio, despejando água das flautas sobre as cabeças dos iniciados. Essa ação alude ao ancestral Anaconda vomitando as primeiras pessoas da sua boca - e também ao primeiro banho dos bebês depois de nascer, como descrito anteriormente. Mas dessa vez o nascimento é um renascimento orquestrado pelos homens mais velhos e, como o ancestral Anaconda que entrou no mundo através da &amp;quot;porta da água&amp;quot; no Leste, os iniciandos renascidos agora entram na casa pela porta dos homens. No final do ritual, os iniciandos permanecem em reclusão por um mês em um compartimento especial longe da vista das mulheres. Rigidamente supervisionados pelo kumu, eles tomam banho todos os dias, observam uma dieta rigorosa e aprendem a fazer cestos. A reclusão termina com uma grande dança. Como sinal de que estão prontos para se tornarem maridos e pais, os iniciandos presenteiam com os seus cestos as suas parceiras femininas, que pintam os corpos deles com tinta vermelha em retribuição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como muitos ritos de iniciação, este é repleto de símbolos de morte, renascimento e regeneração. No começo do ritual, os meninos são pintados de preto e ritualmente &amp;quot;mortos&amp;quot; com doses de rapé de tabaco; após seu renascimento no rio, são mantidos em reclusão como bebês recém-nascidos, então emergem para serem pintados de vermelho. No mito associado ao ritual, ''Yurupari'', na forma de anaconda, engole os iniciandos, os digere dentro de sua barriga (cujo equivalente no ritual é o período de reclusão), então os devolve a seus pais, vomitando-os como ossos. Para puni-lo, os pais incendeiam ''Yurupari ''para que ele morra. Mas ele não morre: sua alma sobe ao céu e de suas cinzas nasce uma palmeira, protótipo das frutas da floresta e matéria-prima dos instrumentos ''Yurupari''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como na agricultura de coivara, na qual a fertilidade e a vida humana vêm da queima anual da floresta, esse conjunto de mito e ritual significa que vida e morte se sucedem como as estações, que os humanos mortais alcançam a imortalidade através de seus filhos, que a periodicidade das mulheres é como a das estações, que o crescimento dos homens e das árvores resultam de um único processo, e que, no final das contas, a fertilidade dos seres humanos e do cosmos estão interligadas em um grande sistema. Ao expandir a maloca a proporções cósmicas, ao abolir as separações entre os seres humanos e o mundo dos espíritos, e ao articular as capacidades reprodutivas de homens e mulheres, os rituais de ''Yurupari ''englobam e colocam em movimento boa parte da cosmologia acima esboçada.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Missionários, colonos e a modernidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história de contato dos povos do Uaupés com os não indígenas é muita antiga, bem anterior ao grande auge da borracha na virada do século XX, remetendo às incursões maciças dos portugueses em busca de escravos na primeira metade do século XVIII. Embora o impacto desses raptores e o contato traumático e duradouro com os seringalistas, esses comerciantes estavam mais interessados nos corpos dos índios do que nas suas almas; em termos religiosos, e talvez em termos sociais também, foram os missionários que provocaram as maiores transformações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A penetração efetiva dos missionários começou ao final do século XIX, com a chegada dos Franciscanos. Estes, e os Salesianos que os seguiram, viram a cultura dos povos do Uaupés através das lentes de suas próprias categorias religiosas: as malocas dos índios eram consideradas &amp;quot;antros licenciosos e promíscuos&amp;quot;, as suas festas de dança ocasiões de &amp;quot;indecência e embriaguez&amp;quot;, os pajés eram &amp;quot;charlatões&amp;quot; que aliciavam o povo, e o culto de ''Yurupari ''nada mais era do que o &amp;quot;culto ao Diabo&amp;quot; em pessoa. Sem conhecer e sem a mínima intenção de saber o quê essas coisas realmente significavam, os missionários começaram a destruir uma civilização em nome de outra, queimando as malocas dos índios, destruindo os seus ornamentos de penas, quebrando seus recipientes de caxiri, perseguindo os pajés e expondo os ''Yurupari ''às mulheres e crianças reunidas na igreja.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto os padres atacavam os fundamentos da cultura indígena, transformaram as suas sociedades, encurralando as pessoas em vilas com casas rigidamente ordenadas, uma para cada família, e removendo à força seus filhos para serem educados nas escolas ou internatos. Sob o regime estrito dos internatos, as crianças foram ensinadas a rejeitar os valores e os modos de vida dos seus pais, incentivadas a casar-se dentro de seus próprios grupos, e proibidas de falar as línguas que lhes conferiam identidades múltiplas e interligadas. Para os missionários, somente uma identidade importava, a identidade indígena genérica, que impedia o progresso da &amp;quot;civilização&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reação inicial contra a exploração pelos comerciantes, as pressões dos missionários e as epidemias que dizimaram a população indígena, irrompeu uma série de movimentos milenaristas na região do Uaupés durante a segunda metade do século XIX. Vestindo-se de padres e identificando-se com Cristo e os santos, os pajés-profetas conduziram o povo na &amp;quot;Dança da Cruz&amp;quot;, uma fusão dos rituais de caxiri e dabukuri tradicionais com elementos do catolicismo, que prometiam a libertação da opressão dos brancos e o alívio dos &amp;quot;pecados&amp;quot; que acreditavam ser a causa das epidemias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os missionários foram rechaçados por seus ataques contra a cultura indígena, também foram bem recebidos como fonte de bens manufaturados, como defensores dos índios contra os piores abusos dos seringalistas e como provedores da educação que as crianças indígenas precisariam para se sair bem nas novas circunstâncias. Dos anos 1920 em diante, os Salesianos estabeleceram uma cadeia de missões pela região no lado brasileiro da fronteira, alcançando o alto Tiquié no começo dos anos 40 e destruindo a última maloca nos anos 60. Hoje, a despeito do número crescente de evangélicos, a maioria dos índios do Uaupés se considera católico. Enquanto aumenta cada vez mais o número de pessoas que estão deixando suas aldeias para ir a São Gabriel em busca de educação e emprego, a vida nas malocas e a rica diversidade ritual que a acompanhava persiste agora somente na memória dos mais velhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos povoados, um centro comunitário substituiu a maloca como foco de atividades coletivas. O centro serve ao mesmo tempo para as orações matutinas conduzidas por um Capitão e catequista, e para as refeições comunitárias, caxiris e dabukuris que marcam eventos importantes nas vidas dos aldeões: expedições de pesca, trabalho coletivo em projetos comunitários, os dias de santo do calendário católico, formaturas escolares, eventos esportivos, reuniões políticas etc. Transformações das antigas festas, esses caxiris e dabukuris de hoje em dia ainda incluem danças e bebidas - mas as danças não são mais acompanhadas pela música nativa e as flautas de pã, mas sim pelo forró e, ao invés da relativa moderação do passado, a cachaça é livremente consumida e seu freqüentemente consumo leva a discussões e brigas. Com níveis crescentes de alcoolismo, a embriaguez que os missionários imaginavam ver nas festas tradicionais hoje tem se tornado uma realidade cruel da civilização que os missionários trouxeram consigo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No lado colombiano, sob o regime dos Monfortianos, o policiamento e a inserção dos missionários foram muito parecidos às dos Salesianos mas, no final dos anos 50, os Monfortianos foram substituídos pelos mais liberais Javerianos. Estes eram identificados com a nova Teologia da Libertação, que pregava a tolerância com a cultura indígena e acomodação com seus valores e crenças; isto, junto com o isolamento da região, explica porque os habitantes do Pira-Paraná ainda conseguem conservar boa parte da sua religião tradicional e do seu modo de vida. No lado brasileiro, a mudança foi mais lenta, mas, depois que a os Salesianos foram denunciados no Tribunal Russell em 1980 pelo crime de etnocídio, eles finalmente começaram a adotar uma linha mais liberal e progressista.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Stephen Hugh-Jones|Stephen Hugh-Jones]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
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	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Tsohom-dyapa&amp;diff=6261</id>
		<title>Povo:Tsohom-dyapa</title>
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		<updated>2018-08-01T20:00:55Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Tsohom-dyapa vivem na região entre os rios Jutaí e Jandiatuba na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3895&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena do Vale do Javari&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Apesar de se saber muito pouco sobre eles, é certo que falam uma língua da família Katukina, muito parecida com as línguas dos [[Povo:Kanamari | Kanamari]] e dos [[Povo:Katukina do Rio Biá | Katukina do rio Biá]]. O nome ''Tsohom-dyapa'' pode ser traduzido como “povo-tucano” e é uma autodesignação típica dos subgrupos kanamari. Tudo leva a crer que os Tsohom-dyapa são um dos subgrupos que se manteve mais afastado, habitando uma região entre duas concentrações dos Kanamari, no alto curso dos rios Jutaí e Itaqui, com os quais mantém contatos intermitentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar dos Tsohom-dyapa serem considerados isolados pela &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, parte deles tem mantido contato com os Kanamari e, esporadicamente, com vizinhos regionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nome ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Tsohom Djapá, aldeia Caranã, Rio Jutaí, Terra Indígena Vale do Javari, Amazonas. Foto: Egon Heck, 1980&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/768059-3/tsohom_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O nome ''Tsohom-dyapa'' significa “povo-tucano” na língua kanamari. ''Tsohom'' designa “tucano” e -dyapa, uma coletividade geralmente constituída por um grupo de famílias extensas. A palavra para “tucano” em Kanamari varia de acordo com o dialeto do falante. Assim, por exemplo, os [[Povo:Kanamari | Kanamari]] do alto Itaquaí referem-se a este povo tanto por ''Tsohom-dyapa'', bem como, e mais frequentemente, por ''Tsohonwak-dyapa'', ambos querendo dizer “povo-tucano”. Os Kanamari que falam Português referem-se aos Tsohom-dyapa simplesmente por Tucano, e é dessa forma que estes são conhecidos pelos não-indígenas da região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além das duas variantes acima, existem ainda outras grafias possíveis, que talvez correspondam a diferenças entre os dialetos das línguas katukina e/ou a diferentes maneiras de escrever as palavras “tucano” e “gente”. Assim, os linguistas Francisco Queixalós e Zoraide dos Anjos (2007) preferem grafar ''Tyohon dyapa'', baseando-se, muito provavelmente, na pronúncia dos [[Povo:Katukina do Rio Biá | Katukina do rio Biá]]. Algumas outras variações frequentemente encontradas na literatura incluem: ''Txunhuân djapá'' (Melatti, 1981); ''Tukún Djapá ''ou ''Tukano Djapá ''(Metraux, 1948).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Tsohom-dyapa'' é um nome tipicamente kanamari. Os Kanamari chamam todos os falantes de línguas katukina – incluindo os Tsohom-dyapa – de ''tukuna'', termo que significa “gente”. No entanto, os Kanamari se dividem em um sem-número de subgrupos, que recebem sempre o nome de um animal seguido pela palavra –''dyapa'' (as vezes grafada ''djapa'', ''djapá'', ''dyapá'', ''diapa'', com ou sem hífen). Estendem essa classificação para outros povos de língua katukina (e às vezes para falantes de outras línguas), como os Katukina do rio Biá, que os Kanamari chamam de ''Pidah-dyapa'', “povo-jaguar”. Estas coletividades são geralmente chamadas de “subgrupos” (Reesink, 1993), embora já tenham sido chamadas de “clãs” (Tastevin, s/d.), e representam grupos de famílias extensas que residem em um mesmo local. A maior parte destes subgrupos mantém algum contato entre si, o que no passado poderia se caracterizar por reuniões rituais e hoje está marcado por relações de matrimônio. Assim, para os Kanamari,'' Tsohom-dyapa'' seria apenas mais um destes subgrupos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora esta seja a visão dos Kanamari, não há como afirmar com certeza se é este o caso. Tampouco se pode saber ao certo se os Tsohom-dyapa se identificam de alguma forma com essa denominação, ou se representa somente uma classificação kanamari para uma pequena constelação de povos que falam uma língua parecida com a deles. É possível, por exemplo, que o povo conhecido como Tsohom-dyapa se reconheça como sendo de um outro subgrupo ''-dyapa'', ou, ainda, que se divida em mais de um subgrupo deste tipo. Por outro lado, também é possível que, devido ao isolamento, os nomes ''-dyapa'' tenham caído em desuso entre eles e que poderiam se reconhecer apenas como ''tukuna'', “gente”. Isso parece ter acontecido com os Katukina do rio Biá, povo que se mantém mais ou menos afastado dos Kanamari e para quem os nomes acrescidos por –dyapa parecem existir sobretudo como marcadores de diferenças no passado, sendo mais uma lembrança de um sistema social antigo do que uma forma de traçar relações entre coletividades no presente (Deturche, 2007).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, o sistema social dos povos kanamari e katukina representa uma gama de possibilidades – de variações sobre certos temas recorrentes. O que é certo é que ''Tsohom-dyapa'' é um nome dado pelos Kanamari, e que diz respeito à maneira como os Kanamari nomeiam as divisões internas à categoria de “gente” (''tukuna''), que também abrange os chamado Tsohom-dyapa.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Luiz Costa|Luiz Costa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
Os Tsohom-dyapa e os [[Povo:Kanamari | Kanamari]] são os únicos povos na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3895&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Vale do Javari&amp;lt;/htmltag&amp;gt; que falam línguas da família katukina (Rivet, 1920). Os demais povos desta região, incluindo, provavelmente, aqueles considerados isolados ou autônomos, falam línguas da família pano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para tratar da língua dos Tsohom-dyapa, é necessário situá-la em relação às demais línguas katukina sobre as quais há alguma informação e alguns estudos lingüísticos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudos recentes sugerem que todas as línguas da família katukina ainda existentes, incluindo as variações de kanamari e o [[Povo:Katukina do Rio Biá | katukina do rio Biá]], são dialetos de uma mesma língua, que tem sido chamada simplesmente de “Katukina”, ou então de “Kanamari-Katukina” (Queixalós e dos Anjos, 2007). Estas línguas seriam hoje as únicas representantes da família katukina, que outrora se espalhou por toda a calha do rio Juruá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanamari afirmam que esta é a única língua falada pelos Tsohom-dyapa, pois eles, ao contrário da maioria dos Kanamari, não têm conhecimento do Português.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Luiz Costa|Luiz Costa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== População e localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Tsohom Djapá, aldeia Caranã, Rio Jutaí, Terra Indígena Vale do Javari, Amazonas. Foto: Egon Heck, 1980&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/657488-1/tsohom_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1981, a população dos Tsohom-dyapa era estimada em 100 pessoas. Vivem exclusivamente na &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/#!/terras-indigenas/3895&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Vale do Javari&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, área situada no extremo oeste do estado do Amazonas e habitada por diversos povos indígenas, dentre os quais estão os [[Povo:Kanamari | Kanamari]], os [[Povo:Marubo | Marubo]], os [[Povo:Matis | Matis]], os [[Povo:Matsés | Matsés]] (também chamados de Mayoruna), os Kulina-Pano e os [[Povo:Korubo | Korubo]]. Há ainda um grande número de povos considerados isolados pela &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e os Tsohom-dyapa estão incluídos nesse caso, mesmo que hoje eles (ou parte dessa etnia) mantenham um contato regular com os Kanamari, habitantes do rio Jutaí, no leste da TI Vale do Javari.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Luiz Costa|Luiz Costa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
O ponto de dispersão dos povos katukina é, sem dúvida, o vale do rio Juruá principalmente o seu médio curso (Metraux, 1948; Rivet &amp;amp;amp; Tastevin, 1921). A bacia do Juruá fica ao sul da bacia do Javari, e os afluentes das duas estão separados por um interflúvio de terra firme que, atualmente, fica na divisa das &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3895&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terras Indígenas Vale do Javari&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3595&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Mawetek&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, esta última também habitada pelos [[Povo:Kanamari | Kanamari]]. Os povos de língua katukina que hoje vivem no vale do Javari certamente migraram para esta região no início do século 20. No entanto, seus antepassados que viviam na margem esquerda do médio Juruá conheciam os altos cursos de rios como o Itaquaí, o São Vicente (vale do Javari), o Jutaí e o Jandiatuba (que deságuam no Solimões), onde caçavam e, às vezes, habitavam durante o período de seca. Há três blocos de Kanamari na Terra Indígena Vale do Javari: um no alto Jutaí, composto por pessoas que lá estão desde tempos imemoriais (Carvalho, 2002); outro no Itaquaí, formado por pessoas que migraram, em sua maioria, do Juruá na década de 1930 (Costa, 2007); e um bloco bastante ao norte, no médio rio Javari, constituído por pessoas que migraram, a partir do Itaquaí, na década de 1950.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Tsohom Djapá, aldeia Caranã, Rio Jutaí, Terra Indígena Vale do Javari, Amazonas. Foto: Egon Heck, 1980&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/657485-1/tsohom_1.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pouco se sabe sobre a história do estabelecimento dos Tsohom-dyapa nesta região, mas é provável que tenham se deslocado, a partir do Jutaí, por volta de 1912 (Tastevin, s/d.). No imaginário dos Kanamari, a bacia do Jutaí é tradicionalmente a terra de dois subgrupos: os Kotya-dyapa (“povo-lontra”), muitos dos quais ainda vivem lá, e os Tsohom-dyapa, que teriam migrado para o norte e o oeste (Carvalho, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tsohom-dyapa habitam a região do interflúvio do Jutaí e do Jandiatuba, principalmente no entorno das cabeceiras do rio Curuena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Heck (1979), os Tsohom-dyapa moravam em um afluente do Jandiatuba (denominado ''Ahe Teknin''). Em 1920, aproximadamente, houve um conflito interno que vitimou o tuxaua Txiwi e, por causa disso, parte do grupo, sob a liderança do filho de Txiwi, passou a ocupar com maior intensidade as cabeceiras do igarapé Dávi. A outra parte do grupo, sob a liderança de Aro e lakuna, passou a ocupar a região entre os rios Curuena e o Jutaí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De acordo com Coutinho Junior, foram registradas nos anos de 1950 e 1960 diversas relações dos Tsohom-dyapa com seringueiros ou madeireiros, algumas delas perduraram por alguns anos. Nos relatos que remontam aos anos 50, seringueiros afirmaram que um dos indígenas, talvez o tuxaua, falava razoavelmente bem o Português, língua compreendida em menor grau por outras pessoas do grupo. Alguns moradores não-indígenas contaram a membros da Opan (Operação Amazônia Nativa), no final dos anos 70 e começo dos 80, como muitos desses encontros eram amistosos. Os índios pediam sal, negociavam carne de caça por ferramentas de metal ou comiam tracajás e ovos na casa de alguns ribeirinhos, os quais eram visitados duas vezes por ano. Os índios não roubavam nada quando os ribeirinhos estavam ausentes, mas às vezes ameaçavam para que estes não adentrassem sozinhos na floresta. Dois indígenas, entre eles o “tuxaua”, teriam contraído gripe em uma dessas ocasiões e morrido. O grupo teria então se retraído, por medo de feitiço, mudado para o igarapé Dávi e circulado também na região das cabeceiras do igarapé Maloca, afluente esquerdo do alto rio Jutaí (Coutinho Junior, 1998).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houve também mortes violentas. Um senhor se lembra de quando indígenas mataram três seringueiros, subordinados a um patrão no Jutaí; este, por sua vez, contratou quatro ribeirinhos e um Kanamari para uma emboscada. À noite os homens teriam assaltado e matado cerca de 120 indígenas. Esse Kanamari teria sido morto mais tarde por indígenas identificados como “Tucanos” (idem).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um padre que viajou pelo Jutaí em 1977, afirma ter encontrado índios próximos ao igarapé São Francisco. Era um grupo de “Tucanos” do rio Dávi, formado por cerca de 10 famílias, que não utilizava espingarda, apenas arco e flecha, e viajava para conhecer os vizinhos e, talvez no caso dos solteiros, encontrar uma esposa (Coutinho Junior, 1998).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Coutinho Junior (1998) aponta em seu relatório, que em 1979, a população tukano da maloca Tracoá, localizada nas cabeceiras do Dávi foi estimada em 10 famílias, totalizando 32 pessoas. Estes índios ocupavam o alto curso do igarapé Dávi e seu afluente esquerdo, o igarapé Branco. Em 1985, Funai e Cimi sobrevoaram a região e localizaram três malocas “tukano”, uma estava ocupada, outra abandonada e a última queimada, além disso identificaram um acampamento provisório e dois roçados. A população foi estimada em 40 pessoas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O indigenista Sebastião Amâncio da Costa teria registrado encontros violentos desse grupo tsohom-dyapá com outros povos autônomos, provavelmente do alto Jutaí, os quais resultaram em mortes dos dois lados. Esses episódios teriam provocado certo retraimento geográfico de ribeirinhos e também dos Kanamari, [[Povo:Kulina | Kulina]] e “Tukano” (Coutinho Junior, 1998). Um morador do Curuena afirma ter ido, em 1993, em companhia dos Kanamari da aldeia Queimado, encontrar os “Tukano”, que seriam cerca de 80 pessoas. Dois anos depois, outro morador identificou diversos tapiris entre os igarapés Urucubaca e Jacundá e um varadouro aberto pelos “Tukano” entre o alto Curuena e o Lobo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanamari contam que os “Tukano” consideram o alto Dávi como seu território exclusivo e que também frequentam as cabeceiras do Curuena em busca de taquara ou taboca para suas flechas. Durante suas periódicas visitas à aldeia Queimado para participar de festas ou buscar bens industrializados, os “Tukano do Dávi” batem em sapupemas de árvores como forma de anunciar a sua presença. Ficam pequenos períodos e depois se vão novamente (Coutinho Junior, 1998).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É, no entanto, difícil precisar se esses seriam os mesmos que agora identificamos como Tsohom-Dyapa.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Luiz Costa|Luiz Costa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História do isolamento ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Tsohom Djapá, aldeia Caranã, Rio Jutaí, Terra Indígena Vale do Javari, Amazonas. Foto: Egon Heck, 1980&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/657494-1/tsohom_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Tsohom-dyapa são considerados “isolados” pela &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/c/politicas-indigenistas/orgao-indigenista-oficial/funai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Funai&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e “autônomos” pelo movimento indígena local. Isso significa que hoje eles não mantêm contato regular com o órgão indigenista, situando-se mais ou menos à margem de regiões próximas, como o alto Jutaí e alto Itaquaí, onde a Funai se faz presente. No entanto, isso não significa que eles sempre se mantiveram isolados. É certo que eles participavam da rede de relações que existia entre os povos de língua katukina até os primeiros anos do século 20 e que, com evidentes transformações, ainda existe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pouco se sabe de sua história. Há, porém, pistas fornecidas por dados etnográficos coletados por Constant Tastevin entre 1910 e 1920. Estas pistas complementadas com dados coletados entre os [[Povo:Kanamari | Kanamari]] nos últimos quinze anos podem iluminar um pouco da história dos Tsohom-dyapa e compreender, talvez, as razões de seu isolamento tanto em relação aos seringueiros e madeireiros quanto no que diz respeito aos demais povos de língua katukina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A análise de vários documentos permite dizer que os Tsohom-dyapa passaram não só por um, mas por pelo menos dois “isolamentos”: o primeiro, por volta de 1912, os afastou dos (demais) Kanamari, mas não isolou-os por completo de uma parcela dos Kanamari que viviam (e vivem) no Jutaí; e o segundo, mais recente, que provavelmente ocorreu na década de 1970. Este último “isolamento” cindiu os Tsohom-dyapa em dois grupos: um deles se isolou por completo dos não-índios e dos Kanamari; e outro, aproximou-se ainda mais dos Kanamari do Jutaí e, através deles, dos não-indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um texto manuscrito, inédito e sem data (provavelmente do final da década de 1920), Tastevin fala de um povo cujo nome é grafado ''Tiõwök dyapá'' e que “chama-se também de Tukano dyapá, quando se traduz para o português ou tupi o seu nome totêmico, que é o do tucano”. Este autor situa este povo na bacia do Jutaí, notando ainda que eles se estabelecem “mais ao oeste e sem dúvida também ao sul, nas águas do Itewahy [Itaquaí?], afluente do Jawary [Javari], e do Yandiatuba [Jandiatuba], afluente do Amazonas [Solimões]”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora não o diga explicitamente, Tastevin não parece ter tido contato direto com esses “Tukano dyapá”. Toda a informação que obteve parece ter vindo dos Kanamari que viviam na bacia do Jutaí que eram, em sua maioria, do subgrupo ''kotya-dyapa'' (“povo-lontra”). Tastevin esteve entre os Kotya-dyapa por volta de 1920 e portanto pode-se supor que as informações obtidas sobre os “Tukano dyapá” datam, mais ou menos, deste período. Dos Kotya-dyapa, o autor ouviu que os “Tukano dyapá” têm a reputação de serem excelentes e intrépidos caçadores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A região em que os “Tukano dyapá” viviam situava-se um pouco a oeste da bacia do Jutaí e ficava distante do núcleo de outros subgrupos kanamari (mesmo dos Kotya-dyapa). Segundo Tastevin, este isolamento deve-se a sua fama de exímios caçadores:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Em 1912, os Kuniba [provavelmente um grupo de língua Arúak] do alto Jutaí haviam massacrado seu [dos Kuniba] patrão e sua mulher e raptado ainda quatro meninas brancas na floresta para serem suas esposas. Pouco mais de seis meses depois, eles [os Kuniba] ainda se esquivavam de todas as procuras da polícia brasileira e dos próprios seringueiros. O cunhado do defunto teve a idéia de pedir aos Tukano dyapá para seguir suas pistas. Efetivamente, eles [os Tukano dyapá] chegaram a um lugar onde, dois dias antes, os Kuniba haviam sido mortos em uma emboscada que lhes foi preparada pelos Wadyo Paranim-dyapa [povo-macaco cairara], a pedido dos civilizados. Eles [os Tukano dyapá] seguiram a caça pelo odor e ao menor indício [que a caça deixava] sobre os ramos das árvores ou sobre a terra úmida. Seus vizinhos imediatos ao norte devem, antigamente, ter sido os Tikuna, tribo de língua muito diferente, apesar de seu nome lembrar aquele dos Tokona [tukuna, ‘gente’ na língua Kanamari-Katukina], e que vive hoje na margem esquerda do Amazonas abaixo do Javari, e na direita acima [do Javari]&amp;quot; (Tastevin, s.d..).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta parece ser a única referência que Tastevin faz a um povo que tem o mesmo nome dos Tsohom-dyapa atuais e que habita uma área praticamente idêntica. De fato, tudo leva a crer que estes “''Tukano dyapá''” são os antepassados diretos dos atuais Tsohom-dyapa. Apesar de o pertencimento ao subgrupo ser um dado mais maleável do que Tastevin supunha, e de ser possível as pessoas mudarem de subgrupo ao longo de suas vidas, todos os etnógrafos dos Kanamari já notaram a impressionante semelhança entre os dados coletados por Tastevin acerca dos nomes e da localização dos subgrupos no início do século 20 e a lembrança dos próprios Kanamari de onde e com quem eles viviam na mesma época. O que fica evidente nessa comparação é a associação consistente entre um território e um nome ao longo de quase cem anos, mesmo que a história tenha rompido relações, instaurado outras e diluído a endogamia dos subgrupos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, a história relatada por Tastevin, provavelmente parafraseada de um relato dos Kotya-dyapa, apresenta alguns dados interessantes. Em primeiro lugar, ela permite estabelecer que, antes de 1912, os Tsohom-dyapa mantinham relações com os Kanamari, algumas provavelmente mais intensas (com os Kotya-dyapa) e outras mais esporádicas (com os Wadyo Paranim-dyapa) e também com os seringueiros que viviam no Jutaí. Isso indica, em segundo lugar, que os Tsohom-dyapa já estavam estabelecidos na bacia do Jutaí no início do século 20. De fato, eles são considerados pelos Kanamari como sendo um povo oriundo da bacia do Jutaí, o que sugere que viviam ali há muito mais tempo (Carvalho, 2002). Em terceiro lugar, a citação deixa claro que, apesar das relações entre os Tsohom-dyapa e alguns seringueiros serem aparentemente amigáveis, algumas relações entre índios e seringueiros na região eram violentas. Em quarto lugar, o texto estabelece uma data altamente relevante para o início do isolamento dos Tsohom-dyapa: o ano de 1912, final do período áureo do boom da borracha nesta região (idem). Estes dados são pistas preciosas para se entender a história dos Tsohom-dyapa, pois inserem a questão do isolamento dos Tsohom-dyapa em um contexto muito mais complexo do que a singela história de Tastevin, sobre um grupo de índios que foi caçar e nunca mais voltou, permite entrever.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Carvalho (2002), já em 1907, muitos dos Kanamari do Jutaí estavam concentrados no seringal Restauração. Este seringal se estendia do igarapé Maloca (''Mawetek'', em Kanamari), afluente da margem esquerda do Juruá, até o rio Juruazinho, um afluente do Jutaí. Grande parte da mão de obra indígena deste seringal era composta pelos Kotya-dyapa, acompanhados de alguns indivíduos Wadyo Paranim-dyapa e Tsohom-dyapa (idem). Se, num primeiro período, a convivência no seringal é lembrada como sendo positiva, pois viviam com um patrão que os protegia e os supria de mercadorias, estas lembranças não excluem os atritos que advinham desta nova relação, que eram de dois tipos. Primeiro, a exploração da borracha na região e a forte presença dos seringueiros nos rios ocupados pelos Kanamari, evidentemente, causaram tensões entre índios e invasores, principalmente quando esta presença implicava modificações no estilo de vida kanamari e, sobretudo, na dinâmica dos subgrupos. O caso do povo chamado de “''Kuniba''” na história de Tastevin é um exemplo desses fenômenos violentos que também surgem em relatos kanamari sobre o período.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo tipo de atrito se refere ao período em que os indígenas trabalhavam na extração da seringa.  Foi um processo progressivo de deterioramento das relações com os seringueiros e também com outros grupos kanamari. De fato, os Kanamari tendem a explicar toda essa tensão como sendo consequência da intensificação das relações entre os diversos subgrupos e do enfraquecimento das relações que vigoravam antes da chegada dos seringueiros. Foi durante este período que os subgrupos, que antes viviam em bacias fluviais separadas, começaram a conviver nos seringais, a se casar uns com os outros e a se fragmentar e se dispersar. O resultado disso tudo foi que pessoas que antes só se encontravam em rituais (nos ''Hori'') começaram a co-residir. Assim, uma estrutura que exigia a manutenção de grupos de parentes localizados e diferenciados começou a se transformar em uma rede de relações multi-locais, na qual já não se sabia mais quem era parente e com quem se deveria viver.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resultado dessas relações ambivalentes foi uma proliferação de acusações de feitiçaria: pessoas que antes se julgavam parceiros rituais (-''tawari'') se acusavam mutuamente e, mesmo aqueles que, pouco tempo antes, se consideravam parentes, também se distanciavam por causa da feitiçaria. Dessa forma, o período que começa mais ou menos em 1912 levou diversos Kanamari a se estabelecerem em regiões limítrofes do médio Juruá. O caso mais extremo dessa tendência foi o de um grupo que chegou a trabalhar no seringal Restauração e que, julgando-se vítima de feitiço, desceu o Juruá até a sua foz, atravessou o Solimões e hoje vive no rio Japurá, que deságua na margem esquerda do Solimões (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/#!/terras-indigenas/3961&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TIs Paraná do Paricá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/#!/terras-indigenas/4004&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Marãa/Urubaxi&amp;lt;/htmltag&amp;gt;; Neves, 1996). Os Kanamari do Itaquaí, que foram vítimas mais tardias do ''boom'' da borracha, também chegaram ali fugindo de conflitos semelhantes, de ataques xamânicos que, desde meados da década de 1930, não cessavam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As relações com os seringueiros e com outros grupos kanamari tendiam para conflitos xamânicos e guerra armada e, portanto, a cisão de alguns subgrupos e o isolamento de outros tornaram-se opções não só viáveis, mas às vezes desejáveis. Nesse sentido, os Kanamari teriam razão ao dizer que os Tsohom-dyapa seriam um subgrupo kanamari, que participava da mesma rede de relações que eles e que se isolou dos demais Kanamari à medida que houve a dissolução e reformulação destas redes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Resta perguntar, no entanto, até que ponto os Tsohom-dyapa se mantiveram, de fato, isolados dos outros Kanamari e, principalmente, dos Kotya-dyapa – povo com o qual partilham uma origem comum na bacia do Jutaí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antropólogos que trabalharam com os Kanamari do Jutaí, por outro lado, enfatizam sistematicamente contatos entre os Tsohom-dyapa e os Kotya-dyapa ao longo de quase todo o século 20. Neves (1996), por exemplo, fala do “ciclo nômade” dos Tsohom-dyapa, que os levou, quase que anualmente, “aos ‘seus parentes’ kanamari no alto Jutaí”. Reesink (1993), por sua vez, fala de uma visita que os Tsohom-dyapa fizeram à aldeia Caraná dos Kanamari do Jutaí em 1984, em que construíram um grande “tapiri”. E, no mesmo período, Carvalho (2002) faz referência à ida de alguns Tsohom-dyapa para a mesma aldeia para se tratarem de tuberculose.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao que tudo indica, o contato entre os Tsohom-dyapa e os Kanamari do Jutaí sempre ocorreu, porém a dinâmica deste contato foi completamente alterada durante a segunda metade do século 20. Se todos os Tsohom-dyapa se afastaram, em maior ou menor grau, dos Kanamari e dos não-índios em 1912, um rixa interna aos Tsohom-dyapa resultou em uma cisão do grupo. Esta separação fez com que uma parcela da população mantivesse contatos ainda mais intensos com os Kanamari do Jutaí e a outra cessasse de vez os contatos esporádicos que estabeleciam até então, rompendo, assim, quaisquer relações com os Kanamari e os não-indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Reesink (1993), os Tsohom-dyapa se dividiram em dois grupos. Não se sabe a data desta cisão, mas o resultado foi o deslocamento de uma parcela da população para o sul e o leste, junto dos Kanamari do Jutaí, e o isolamento gradual do restante dos Tsohom-dyapa, que se manteve no mesmo lugar ou se deslocou em direção ao norte e ao oeste. O primeiro grupo hoje vive nas cabeceiras do igarapé Branco, um afluente do igarapé Dávi que, por sua vez, é um tributário do rio Jutaí. Já o outro grupo se manteve na região das cabeceiras do Jandiatuba ou, então, isolou-se mais ainda no rio Curuena, afluente do Jandiatuba (Carvalho, 2002). Isso não significou o surgimento de uma nova unidade –''dyapa'', já que os dois grupos constituem “(…) uma única unidade conceitual quase que exclusivamente endogâmica” (Reesink, 1993).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É impossível saber até que ponto essa cisão poderia ter tido uma reviravolta, levando a novas animosidades ou terminado com a reconciliação destas duas facções. Isto porque, no início da década de 1980, uma nova leva de não-índios veio afastar os Tsohom-dyapa do Curuena-Jandiatuba daqueles do Igarapé Branco e dos Kanamari do Jutaí. Desta feita, foi a Petrobrás – através da Companhia Brasileira de Geologia (CBG) e da LASA Engenharia e Prospecções S.A. – que se instalou na região a procura de petróleo, realizou constantes sobrevôos de helicópteros e incursões às áreas dos Tsohom-dyapa, que fez com que estes se afastassem ainda mais de suas áreas tradicionais de caça e coleta (Neves, 1996; Labiak &amp;amp;amp; Neves, 1985).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Neves:&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
[T]odos os grupos indígenas foram impactados pela presença da Petrobrás no Juruá e regiões limítrofes. […] Violentados, sobretudo, pelas equipes de prospecção sísmica que nos deslocamentos através da mata atingiam aldeias e áreas de ocupação das diferentes etnias, os grupos locais receberam o impacto de um imenso aparato tecnológico que não imaginavam sequer existir e que, ao se instalar em suas áreas, trouxe consigo uma leva enorme de homens […] de todos os níveis funcionais no quadro da empresa” (Neves, 1996).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ninguém sabe qual foi o impacto da ação da Petrobrás sobre os Tsohom-dyapa que se mantêm isolados; também não se sabe o impacto que teve para eles a demarcação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/#!/terras-indigenas/3895&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Terra Indígena Vale do Javari&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, onde vivem hoje. Como se pode notar, sabe-se muito pouco sobre os Tsohom-dyapa.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Luiz Costa|Luiz Costa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Habitações ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Tsohom Djapá, aldeia Caranã, Rio Jutaí, Terra Indígena Vale do Javari, Amazonas. Foto: Egon Heck, 1980&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/657492-1/tsohom_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo indica que os Tsohom-dyapa, assim como faziam os [[Povo:Kanamari | Kanamari]] no passado (Costa, 2007; Tastevin, s/d.), constroem abrigos temporários ao redor de malocas, que são habitações mais permanentes. As malocas estariam situadas nas margens dos pequenos igarapés da região por eles habitada. Apesar de construírem malocas, os Tsohom-dyapa, como muitos Kanamari, estão sempre em deslocamento, fato que levou Neves a caracterizar esse padrão de mobilidade a partir de um “ciclo nômade” (Neves, 1996). Segundo Heck (1979), esse povo pode ser considerado praticamente nômade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não se pode precisar com certeza o local das malocas tsohom-dyapa, nem saber ao certo se as malocas que foram fotografadas em sobrevoos na região são deles. Há um outro grupo isolado, de língua pano, que vive um pouco mais a oeste da região dos Tsohom-dyapa, no alto curso do igarapé São José e arredores (Melatti, 1981). Não se sabe até que ponto as áreas desses grupos se sobrepõem, nem o tipo de contato que existe entre eles. Assim, não se pode afirmar, com base em sobrevôos e fotografias aéreas, se as malocas desta região são dos Tsohom-dyapa ou destes grupos pano. Há indícios de que os Tsohom-dyapa perambulem por uma área mais ampla do que a região da bacia do Jandiatuba, e alguns já foram vistos pelos Kanamari nas margens do alto curso do rio Itaquaí em tempos recentes (Costa, 2007) e mesmo em tempos mais remotos (Tastevin, s/d.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os tapiris dos Tsohom-dyapa são construídos com dois pares de paus fincados a certa distância um do outro, como “V” emborcado, e um outro pau em cima como cumeeira. A cobertura é feita com folhas de paxiubão, palheiro, jarina, jaci ou patauá (Coutinho Junior, 1998).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Luiz Costa|Luiz Costa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
Não existe nenhum trabalho acadêmico, em nenhuma área de conhecimento, que trate especificamente dos Tsohom-dyapa. Este verbete foi construído a partir de textos que falam majoritariamente sobre os [[Povo:Kanamari | Kanamari]], e alguns que falam sobre etnias vizinhas. Os textos utilizados em sua elaboração são citados ao longo do verbete e compõem a bibliografia.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Luiz Costa|Luiz Costa]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de Informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Carvalho, Maria Rosário. ''Os Kanamari da Amazônia Ocidental. História, Mitologia, Ritual e Xamanismo''. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 2002.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Costa, Luiz. “Os outros dos outros. Os Kanamari no Vale do Javari”. In: Beto Ricardo &amp;amp;amp; Fany Ricardo (eds.). ''Povos Indígenas no Brasil 2001/2005''. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2006.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Costa, Luiz. ''As Faces do Jaguar. Parentesco, História e Mitologia entre os Kanamari da Amazônia Ocidental.'' Tese de doutorado, Museu Nacional/UFRJ, 2007.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Deturche, Jeremy. “Katukina do Rio Biá”. In: ''Enciclopédia dos Povos Indígenas'', site do Instituto Socioambiental, 2007.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Erikson, Philippe. “Uma singular pluralidade: a etno-história pano”. In: Manuela Carneiro da Cunha (org). ''História dos Índios no Brasil''. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Erikson, Philippe. ''La Griffe des Aïeux. Marquage du Corps et Démarquages Ethniques chez les Matis d’Amazonie''. Paris: Editions Peeters, 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Heck, Egon D. “Rio Jutaí. População Indígena. Levantamento”. Prelazia de Tefé/CIMI, OPAN, 1979, ms.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Labiak, Araci &amp;amp;amp; Lino João de Oliveira Neves. “A Petrobrás e os Arredios do Itacoaí e Jandiatube: ‘Apocalipse Now’, em silêncio”. In: CEDI (org.) ''Aconteceu: Povos Indígenas no Brasil/84''. São Paulo: CEDI, 1985.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Lima, Deborah e Py-Daniel, Victor. ''Levantamento Etnoecológico das Terras Indígenas do Complexo  Kanamari Biá Kanamari do Rio Juruá e Katukina do Rio Biá. ''Funai/PPTAL/GTZ, Brasília, 2008.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Loukotka, C. “Documents et vocabulaires inédits de langues et de dialectes sud-américaines”. In: ''Journal de la Société des Américanistes,'' 1963, n. 52.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Melatti, Julio Cezar.'' Povos Indígenas no Brasil 5: Javari''. São Paulo: CEDI, 1981.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Metraux, Alfred. “Tribes of the Juruá-Purus Basin”. In: Julien Steward (ed) ''Handbook of South American Indians. ''Washington: Smithsonian Institute, 3 vols, 1948.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Neves, Lino João de Oliveira. 137 ''Anos de Sempre: um Capítulo da História Kanamari do Contato''. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Queixalós, Francisco &amp;amp;amp; Zoraide dos Anjos. ''A língua Katukina-Kanamari.'' 2007, (manuscrito).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Reesink, Edwin. ''Imago Mundi Kanamari''. Tese de doutorado, Museu Nacional/ UFRJ, 1993.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Rivet, Paul. “Les Katukina. Ethude Linguistique”. In: J''ournal de la Société des Américanistes, ''1920, n. 12.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Rivet, Paul &amp;amp;amp; Constant Tastevin. “Les tribus Indiennes des Basins du Purus, du Juruá et des Regions Limitrophes”. In:'' La Geographie,'' 1921, n. 35.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Tastevin, Constant. ''L’Ethnographie du Yuruá''. Archives Générales do PP. du St-Esprit, Archives Privées AP 294-B-II. Arquivo da Prelazia de Tefé – APT 604.3.6. Manuscrito datilografado com anotações (s.d.).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Tastevin, Constant. Vocabulaire Katawixí et Marawa. ''Manuscritos dos Arquivos da Congregação do Santo Espírito, ''Chevilly-Larue, (s.d.).&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Coutinho Junior, Walter. ''Relatório de Identificação e delimitação da Terra Indígena Vale do Javari.'' Funai, Brasília, 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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{{DISPLAYTITLE:Tsohom-dyapa}}&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Tor%C3%A1&amp;diff=6260</id>
		<title>Povo:Torá</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Tor%C3%A1&amp;diff=6260"/>
		<updated>2018-08-01T20:00:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Torá, povo que hoje vive nas proximidades da foz do rio Marmelos (AM), receberam muitas denominações ao longo da história: Torá, Tora, Toré, Torerizes, Turá. Nunca, entretanto, houve na documentação definições precisas sobre elas. Sua língua, considerada como pertencente à família Txapakura, nunca foi estudada. Os Torá perderam-na e falam somente o português. Esta situação deve-se ao fato de os Torá terem sofrido o que se chamava no século XVIII de expedição punitiva. Por tentarem impedir a invasão de seus domínios, foram duramente reprimidos, chegando quase à extinção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Dados históricos ==&lt;br /&gt;
Os primeiros registros acerca dos Torá os situam num espaço territorial que compreende todo o rio Madeira e alguns afluentes. Foi um dos primeiros povos a resistir às tentativas de ocupação desta região, e também um dos primeiros a sofrer significativamente por essas investidas. Mencionados na documentação histórica por atacarem regatões em toda a extensão do rio Madeira, os Torá viram-se obrigados a ocupar apenas uma pequena porção de seu território situada nas proximidades da foz do rio Marmelos, no Estado do Amazonas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1690, o Padre João Betendorf fala da &amp;quot;nação dos Irurizes&amp;quot;, que compreende os Onikoré, Aripuaná, Parapixana e Torerizes, sendo que os últimos ocupavam o norte e o sul da margem direita do rio Madeira (Menéndez, 1981/82: 313). Entretanto, pelas circunstâncias de domínio dos Tapajó e Tupinambá na região, dados sobre os outros povos sempre foram muito escassos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Informações acerca dos Torá vieram à tona, efetivamente, quando uma expedição punitiva foi organizada com o intuito de exterminá-los. Eles atacavam as missões de Canumã e Abacaxis, que ficavam na foz do rio Madeira, mas eram reconhecidos, segundo Nimuendajú ([1925] 1982) como habitantes do rio Marmelos, desde a foz até as cabeceiras, e do rio Machado. Um grupo dos Torá, encontrado no rio Maici, afluente dos Marmelos, foi fortemente atacado e os sobreviventes foram obrigados a transferirem-se para a missão de Abacaxis. A atrocidade cometida contra esse povo foi tão grande que é citada nas mais diversas fontes documentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entretanto, parte do grupo permaneceu isolado, protegido no interior dos igarapés ainda não penetrados pela colonização. Muitos ataques aos Torá seguiram-se, fazendo com que os últimos de seus membros fossem para as missões, para vilas como cativos e como tropas de defesa contra os Mura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do século XIX e início do presente século, os Torá são registrados como sedentários, vivendo da agricultura nas margens do rio Marmelos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por volta da década de 20 do presente século, com a chamada &amp;quot;pacificação&amp;quot; dos Parintintin, a região do Madeira foi sendo gradativamente tomada por seringueiros, caucheiros e extratores de produtos nativos. Neste processo as populações indígenas da região, entre as quais os Torá, foram envolvidas, adotando um sistema semelhante ao da população regional, o chamado sistema de aviamento. Entretanto, garantiram a reprodução de sua organização social e lutaram arduamente pelas suas terras.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Edmundo Antonio Peggion|Edmundo Antonio Peggion]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A castanha e os regatões ==&lt;br /&gt;
Os Torá vivem da caça, da pesca e fundamentalmente da coleta de castanha-do-pará para comercialização. Ponto central das questões econômicas da área, a castanha rege a economia, transformando uma atividade produtiva num sistema complexo, que envolve índios e regionais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando se inicia a safra da castanha, os regatões, comerciantes da região, abastecem os Torá com suprimentos, chamados de &amp;quot;rancho&amp;quot;, compostos de alimentos básicos e industrializados. Neste sentido, os índios começam a trabalhar devendo para o regatão, que protela o pagamento deste primeiro rancho para as primeiras coletas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando começam efetivamente a entregar sua produção ao regatão, já há a necessidade de adquirir novo rancho. Consequentemente, os Torá estão sempre devendo a estes comerciantes, chamados por eles de patrões. Além dos bens básicos, é comum a obtenção de um bem mais caro, que pode levar mais de uma safra de castanha para ser pago.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os patrões, em geral, possuem uma relação ambígua com os Torá. São considerados benfeitores e bons, sendo ruins apenas aqueles com os quais não negociam. Um Torá ou um grupo familiar pode ter relação com mais de um patrão; entretanto, o mais comum é estar relacionado apenas com um patrão. São estas relações que regem a economia deste povo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estes patrões estão presentes também nos momentos rituais do grupo. Quando ocorre uma festa tradicional na aldeia Fortaleza, os regatões estão sempre presentes, fornecendo mercadorias e participando como convidados. O importante é salientar o perfil da festa, onde os agentes na região se reúnem dando às suas diferenças um caráter ritual. Ao contrário de se importar com a solução dos conflitos, o ritual os expia, e ao mesmo tempo os perpetua dentro dos limites do suportável.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Edmundo Antonio Peggion|Edmundo Antonio Peggion]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Compadrio ==&lt;br /&gt;
O parentesco religioso, o compadrio, faz parte da complexa rede de relações regional, estabelecendo um laço entre adultos através dos filhos. Assim, quando alguém quer estreitar vínculos com outrem, convida-o para que seja padrinho de algum filho. Apesar da relação entre padrinho e afilhado, a que importa realmente é aquela entre os compadres. No interior deste sistema é possível encontrar os regatões, os Torá e os [[Povo:Apurinã | Apurinã]], todos se relacionando entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Torá hoje têm reforçado a luta pela demarcação de suas terras e pela formação de profissionais indígenas. Com essa expectativa, organizam-se fazendo cursos de formação com apoio de organizações não governamentais, e tentando trazer de volta para a área os indivíduos que partiram para cidades como Porto Velho, Humaitá e Manicoré. Na visão deste povo, a demarcação efetiva de suas terras e a presença na área de professores e agentes de saúde Torá podem ser fatores determinantes para a sobrevivência das futuras gerações.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Edmundo Antonio Peggion|Edmundo Antonio Peggion]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
Não há, até o presente momento, nenhum estudo mais aprofundado sobre a sociedade Torá. As principais referências estão colocadas na documentação histórica sobre a região do rio Madeira. No século XVIII aparecem como personagens de um grande massacre perpetrado contra eles e, no século XIX, como poucos remanescentes vivendo da agricultura nas margens do rio Marmelos e Madeira. São referidos mais detidamente no artigo de Curt Nimuendajú, &amp;quot;As Tribos do Alto Madeira&amp;quot;, publicado em 1925, e em um capítulo do livro A Cruz Indígena de Alípio Bandeira, de 1926. Em décadas recentes, aparecem no relatório Levantamento das Populações Indígenas do Médio Madeira (1981), de Ezequias Heringer e Ana Lange, e no artigo &amp;quot;Agora todo mundo quer ser caboclo&amp;quot;, de Rosa Cartagenes e João Carlos Lobato, publicado no Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São também objeto de dois relatórios de identificação de Terra Indígena realizados por José Carlos Levinho (1988) e Edmundo Antonio Peggion (1998).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Edmundo Antonio Peggion|Edmundo Antonio Peggion]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BANDEIRA, Alípio. A cruz indígena. porto Alegre : Livraria Globo, 1926.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CARTAGENES, Rosa; LOBATO, João Carlos. Agora todo mundo quer ser caboclo. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 296-8. (Aconteceu Especial, 18)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;COUTINHO, João M. da Silva. Relatório sobre alguns lugares da Província do Amazonas, expecialmente o rio Madeira. Manaus : Codeama/IGHA, [1861], 1986.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;HUGO, Vitor. Desbravadores. 2 v. Humaitá : Missão Salesiana, 1959.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MENÉNDEZ, Miguel A. Contribuição ao estudo das relações tribais na área Tapajós-Madeira. Rev. de Antropologia, São Paulo : USP, n. 27/28, p. 271-86, 1984/1985.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Uma contribuição para a etno-história da área Tapajós-Madeira. Rev. do Museu Paulista, São Paulo : Museu Paulista, n. 28, p. 289-388, 1981/1982.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NIMUENDAJÚ, Curt. As tribos do Alto Madeira. In: --------. Textos Indigenistas. São Paulo : Loyola, 1982. p. 111-22.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Edmundo Antonio Peggion|Edmundo Antonio Peggion]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Torá}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Edmundo Antonio Peggion}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=1350146265487df44042ce6.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=31744}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Raïsa Miriam Nascimento Guerra, 1998}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=1999-02-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=271}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Amazonas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>RoboManutenção</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Ticuna&amp;diff=6259</id>
		<title>Povo:Ticuna</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Ticuna&amp;diff=6259"/>
		<updated>2018-08-01T20:00:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;RoboManutenção: Sou um robo e adicionei uma categoria. Favor verificar.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Ticuna configuram o mais numeroso povo indígena na Amazônia brasileira. Com uma história marcada pela entrada violenta de seringueiros, pescadores e madeireiros na região do rio Solimões, foi somente nos anos 1990 que os Ticuna lograram o reconhecimento oficial da maioria de suas terras. Hoje enfrentam o desafio de garantir sua sustentabilidade econômica e ambiental, bem como qualificar as relações com a sociedade envolvente mantendo viva sua riquíssima cultura. Não por acaso, as máscaras, desenhos e pinturas desse povo ganharam repercussão internacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autodenominação ==&lt;br /&gt;
=== ''Magüta'' ===&lt;br /&gt;
Segundo os registros da tradição oral, foi ''Yo´i'' [um dos principais heróis culturais] que pescou os primeiros Ticuna das águas vermelhas do igarapé ''Eware ''(próximo às nascentes do igarapé São Jerônimo). Estes eram os ''Magüta ''(literalmente, “conjunto de pessoas pescadas com vara”; do verbo magü, “pescar com vara”, e do indicativo de coletivo ''-ta''), que passaram a habitar nas cercanias da casa de ''Yo´i,'' na montanha chamada ''Taiwegine''. Mesmo hoje em dia, este é para os Ticuna um local sagrado, onde residem alguns dos imortais e onde estão os vestígios materiais de suas crenças (como os restos da casa ou a vara de pescar usada por ''Yo´i'').&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Habitação ticuna no Igarapé Belém. Foto: Acervo Museu do Índio, 1930&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235045-1/ticuna_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“De acordo com seus mitos, os Ticuna são originários do igarapé Eware, situado nas nascentes do igarapé São Jerônimo (''Tonatü''), tributário da margem esquerda do rio Solimões, no trecho entre Tabatinga e São Paulo de Olivença. Ainda hoje é essa a área de mais forte concentração de Ticuna, onde estão localizadas 42 das 59 aldeias existentes” (Oliveira, 2002: 280).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse povo vivia no alto dos igarapés afluentes da margem esquerda do rio Solimões, no trecho em que este entra em terras brasileiras até o rio Içá/Putumayo. Houve um intenso processo de deslocamento em direção ao Solimões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início, mantiveram sua tradicional distribuição espacial em malocas clânicas e, na década de 1970, havia mais de cem aldeias. Hoje, essa distribuição das aldeias ticuna se modificou substancialmente. Sabe-se ainda que alguns índios desceram o rio até Tefé e outros municípios do médio Solimões, outros se fixaram no município de Beruri, no baixo curso do Solimões, bastante próximo à cidade de Manaus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No alto Solimões, contudo, os Ticuna são encontrados em todos os seis municípios da região, a saber: Tabatinga, Benjamim Constant, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins. Sua população está distribuída em mais de 20 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
A língua Ticuna é amplamente falada em uma área extensa por numerosos falantes (acima de 30.000) cujas comunidades se distribuem por três países: Brasil, Peru e Colômbia. No lado brasileiro, o número de comunidades ascende a um alto número de aldeias (cerca de 100) contidas em diversas áreas localizadas em vários municípios do estado do Amazonas (entre os quais estão Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antonio do Içá, Jutaí, Fonte Boa, Tonantins, Beruri). A maior parte das aldeias encontra-se ao longo/ nas proximidades do rio Solimões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas aldeias que se encontram do lado brasileiro, o uso intensivo da língua Ticuna não chega a ser ameaçado pela proximidade de cidades (quando é o caso) ou mesmo pela convivência com falantes de outras línguas no interior da própria área Ticuna: nas aldeias, esses outros falantes são minoritários e acabam por se submeter à realidade Ticuna, razão pela qual, talvez, não representem uma ameaça do ponto de vista lingüístico. Exemplificam essa situação os Kaixana (ou Caixana), os Kokama (ou Cocama) e os Kanamari - os dois primeiros presentes em várias aldeias Ticuna e os últimos com presença reportada em um número muito pequeno dessas aldeias. Os Kaixana são falantes de português. Os Kokama que, no lado brasileiro, vivem entre os Ticuna não têm mais o Kokama como sua língua materna, papel majoritariamente desempenhado pelo português; alguns poucos Kokama lembram-se de palavras, seqüências ou frases na língua Kokama, sendo que a maioria tem como meta readquiri-la de algum modo - o que vem sendo feito no âmbito da educação escolar indígena. Com relação aos Kanamari que vivem entre os Ticuna no Brasil, não se tem notícia de que tenham deixado de falar sua própria língua - o Kanamari, pertencente à família Katukina -, nem que essa língua se sobreponha à realidade lingüística Ticuna no interior da própria área Ticuna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cidades de municípios do estado do Amazonas nos quais são encontradas aldeias Ticuna, escuta-se a língua Ticuna sempre que seus falantes, transitando por essas cidades, se dirigem a outros Ticuna igualmente em trânsito ou aí fixados. Com relação ao uso da língua pelos filhos daqueles que, falantes de Ticuna, se fixaram em cidades, é possível observar que esse uso tem, entre suas variáveis mais fortes, a atitude dos pais em relação à própria língua: quando tal atitude é norteada pela valorização da língua Ticuna e pelo que é próprio do universo Ticuna, a língua usada pelos pais com seus filhos é o Ticuna (''casos freqüentes''); quando não, a língua Ticuna deixa de ser usada e cede lugar ao português (''casos raros'').&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com relação aos Ticuna que, por razões diversas, se deslocaram para a capital do estado do Amazonas, Manaus, esses vivem mais dramaticamente a imposição da língua dominante (o português) e de seus veículos - razão pela qual reúnem-se por meio de projetos que têm por meta, entre outras coisas, manter viva sua língua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Ticuna é uma língua tonal. Considerada como geneticamente isolada, é uma língua que apresenta complexidades em sua fonologia e em sua sintaxe.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Outras leituras ===&lt;br /&gt;
 &amp;lt;span style=&amp;quot;text-decoration: underline;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_verbetes/ticuna/lingua_ticuna(1).pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Língua Ticuna (ou Tikuna)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;,&amp;lt;/span&amp;gt; texto da linguista Marília Facó Soares&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Marília Facó Soares|Marília Facó Soares]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
A primeira referência aos Ticuna remonta aos meados do século XVII e se encontra no livro ''Novo Descobrimento do Rio Amazonas'', de Cristobal de Acuña. A referência, abaixo transcrita, está no capítulo LI:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;Mantêm estas tribos, por uma e por outra margem do rio, contínuas guerras com os povos vizinhos que, pelo lado do sul, são, entre outros, os Curina tão numerosos, que não apenas se defendem, pelo lado do rio, da grande quantidade dos Água, como também sustentam armas, ao mesmo tempo, contra as demais nações que por via terrestre os atacam constantemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pelo lado norte os Água têm como inimigos os Tecuna que, de acordo com boas informações, não são inferiores aos Curina nem em número nem em brio, já que também sustentam guerras com os inimigos que têm terra adentro&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também segundo Curt Nimuendajú, o etnólogo alemão que, em 1929, fez sua primeira viagem ao alto Solimões, os Ticuna são citados pela primeira vez como os inimigos dos Omágua, moradores da margem esquerda do rio Solimões. Os Ticuna, que já fugiam das agressões deste povo, refugiando-se nos altos dos igarapés e afluentes da margem esquerda do Solimões, fazem o mesmo com a chegada dos espanhóis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
“Os primeiros contatos com os brancos datam do final do século XVII, quando jesuítas espanhóis, vindos do Peru e liderados pelo Padre Samuel Fritz, criaram diversos aldeamentos missionários às margens do rio Solimões. Essa foi a origem das futuras vilas e cidades da região, como São Paulo de Olivença, Amaturá, Fonte Boa e Tefé. Tais missões foram dirigidas principalmente para os Omágua, que dominavam as margens e as ilhas do Solimões, impressionando fortemente os viajantes e cronistas coloniais pelo seu volume demográfico, potencial militar e pujança econômica. Os registros da época falam em muitos outros povos (como os Miranha ou os Içá, Xumana, Passe, Júri, entre outros, dados como extintos já na primeira metade do século XIX pelos naturalistas viajantes), que foram aldeados juntamente com os Omágua e os Ticuna, dando lugar a uma população ribeirinha mestiça”&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;(Oliveira, 2002: 280).&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde a instalação da missão jesuíta espanhola até a consolidação da posse desta região por Portugal, no século XVIII (com a construção de uma fortaleza em Tabatinga), os espanhóis e os portugueses vinham disputando a hegemonia no alto Solimões. Os temidos Omágua (também conhecidos como &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/backend/pt/povo/kambeba&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Cambeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), de tradição guerreira, quase foram exterminados neste processo, seja por contraírem doenças ou por sua participação na querela entre os dois Estados coloniais. Com o tempo, os europeus não quiseram ou não conseguiram povoar a região antes habitada pelos Omágua, e os Ticuna passam a ocupar esse espaço, descendo dos altos igarapés, onde conseguiram se esquivar do contato mais intenso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas duas últimas décadas do século XIX, com a exploração da borracha, a Amazônia se tornou palco de uma intensa exploração do trabalho seringueiro. O alto Solimões, apesar de não contar com seringais tão produtivos quanto os do Acre, por exemplo, também não ficou de fora da corrida pelo “ouro branco”, como era chamada a borracha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Através da instituição do sistema de barracão, o “patrão” tinha exclusividade no comércio com índios, já que seu armazém era o intermediário comercial obrigatório. A legitimidade dessa empresa era dada por títulos de propriedade conseguidos por poucas famílias, vindas em sua maioria do Nordeste, que incidiam sobre a terra dos Ticuna, os quais passavam a dever obediência aos recém-chegados. Os patrões instalaram-se na boca dos principais igarapés, controlando assim os moradores dali. Para reforçar esse controle, o patrão ainda nomeava um tuxaua que exerceria a liderança entre os índios, cuidando dos seus interesses. Esta liderança nem sempre se baseava em relações tradicionais, mas na subserviência do tuxaua aos patrões seringalistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua habitação tradicional, a maloca, em que viviam juntos membros de um mesmo clã, foi ainda encontrada por Curt Nimuendajú quando de sua primeira viagem ao alto Solimões. Nesse momento, contudo, ela já estava em vias de desaparecimento, devido à atuação dos “patrões da borracha” no sentido de forçar fragmentação das malocas para atender aos objetivos da empresa seringalista. É que a dispersão dos índios ao longo dos igarapés atendia melhor aos interesses da exploração da borracha, visto que a baixa produtividade dos seringais do alto Solimões era otimizada com a dispersão demográfica ao longo da floresta, onde estavam as diversas estradas de seringa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1910, ainda segundo Nimuendajú, uma nova agência de contato se faz presente no alto Solimões. Nessa época, capuchinhos vindos da província da Úmbria, na Itália, instalam a Prefeitura Apostólica do alto Solimões. A presença do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) nessa situação de domínio dos seringalistas era meramente formal, ou seja, restrita a relatórios de um delegado desta repartição a partir de 1917. É somente em 1942 que este órgão da administração federal vai criar um posto na região.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A dominação do órgão tutor seria mais facilmente exercida com a centralização do poder entre os Ticuna. Assim sendo, os funcionários do SPI atuaram de modo a criar uma liderança única dentro da aldeia, já que esta inexistia dentro da tradição ticuna. Havia, contudo, ao nível dos grupos vicinais, lideranças reconhecidas (os ''toeru''), que dentro de um limitado grupo de parentes e vizinhos dispunham de autoridade para convocações para trabalhos coletivos, resolução de pequenas disputas etc. Essa liderança, por seu caráter bastante fragmentado, não satisfazia os interesses da administração regional do órgão tutor. A solução encontrada foi a indicação pelo chefe de posto de um ''capitão'' (Oliveira, 1988:237-8).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma nova situação histórica começa a se delinear em meados da década de 1960: a Amazônia e sua faixa de fronteira vão sendo transformadas em área de segurança nacional para o exército brasileiro. A antiga guarnição militar de Tabatinga cresce em tamanho e importância, transformando-se no Comando de Fronteira do Solimões (CFSOL), com mais autoridade para intervir localmente. Isso faz com que a relação entre patrões e índios seja profundamente alterada. Sem a possibilidade da coerção por castigos físicos, coibida pelo exército, os patrões descobriram outros modos de fazer valer seu controle sobre a população indígena (Oliveira, 1988: 211-3).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A atuação da Igreja Católica - por meio da província apostólica do alto Solimões, inaugurada pelos capuchinhos em 1910 - gerou uma infra-estrutura de saúde e educação pouco desprezível, visto que Belém do Solimões é hoje uma das maiores aldeias ticuna. Durante a década de 1960, também missionários batistas americanos chegam ao alto Solimões com o objetivo de catequizar os índios. Em uma época em que os “patrões” ainda dispunham de autoridade, principalmente por serem considerados os donos da terra onde moravam os Ticuna, utilizaram como uma das estratégias de mobilização da população indígena da região a compra de terras, que disponibilizaram para os que quisessem viver junto, compartilhando os ensinamentos de sua religião. Desta forma, surgiram ainda outros aglomerados que hoje constituem algumas das aldeias Ticuna de maior expressão populacional, como Campo Alegre e Betânia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O número dos que passaram a viver em aldeias, no entanto, só vai sofrer alterações realmente significativas a partir do aparecimento do movimento messiânico da Irmandade da Santa Cruz. Em um contexto de progressiva perda de autoridade sobre os índios, já no princípio da década de 1970, os antigos “patrões” deram apoio à penetração das idéias de um homem chamado José Francisco da Cruz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com alguma correspondência com a tradição ticuna, já que esta admitia a possibilidade de punição divina em momentos de intensa desagregação sócio-cultural, e com o apoio das principais lideranças políticas da região, as idéias de José da Cruz vingaram com extrema facilidade e o movimento religioso por ele fundado se tornou hegemônico em pouco tempo. Converteu, deste modo, índios e não-índios por todo o alto Solimões, e assim as posições de liderança na hierarquia da Irmandade foram sendo rapidamente conquistadas pelos antigos “patrões”. Estes conseguiram contornar a crise de autoridade pela qual passavam, ao instituir uma nova legitimidade moral/religiosa para o controle que exerciam (Oliveira, 1978).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os funcionários da Funai, que nessa época já substituíra o antigo SPI, também perceberam logo a utilidade do movimento da Santa Cruz como catalisador de seu projeto de integração do indígena e passam a apoiar explicitamente aquelas lideranças ligadas ao movimento, incentivando, inclusive, o faccionalismo religioso que até hoje divide aldeias como Umariaçú e Belém do Solimões (Oliveira, 1987).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final de 1981, as principais lideranças ticuna convocaram uma reunião na aldeia de Campo Alegre, onde foi discutida a proposta de demarcação de suas terras, encaminhada à Funai. Nesta reunião foi escolhida também uma comissão para ir até Brasília apresentar ao Presidente a proposta ali debatida. Como resultado dessa pressão dos Ticuna, a Funai mandou, em 1982, um grupo de trabalho com o fim de identificar as áreas ticuna nos municípios de Fonte Boa, Japurá, Maraã, Jutaí, Juruá, Santo Antônio do Içá e São Paulo de Olivença.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também em 1982, os Ticuna criam o Conselho Geral da Tribo Ticuna (CGTT), com a figura do coordenador geral, eleito em assembléias quadrianuais entre todos os capitães de aldeia e com poderes semelhantes aos de um ministro das relações exteriores. Posteriormente, outras organizações indígenas foram criadas: a Organização dos Professores Ticuna Bilíngües (OGPTB), foi fundada em 1986 no intuito de realizar cursos de reciclagem e formação dos professores; a Organização dos Monitores de Saúde do Povo Ticuna (OMSPT); e a Organização de Saúde do Povo Ticuna do Alto Solimões (OSPTAS), em 1990, cuja atuação teve como marco o combate à cólera vinda da Colômbia e do Peru.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda em 1986, foi criado o Centro Magüta - Centro de Documentação e Pesquisa do Alto Solimões, voltado principalmente para as populações ticuna e com o auxílio de pesquisadores que já trabalhavam ali havia pelo menos uma década. Sua principal conquista foi o desenvolvimento do processo de reconhecimento fundiário que culminou com a demarcação, em 1993, de cerca de um milhão de hectares de terras naquela região. O Centro Magüta realizou ainda trabalhos nas áreas de saúde e desenvolvimento. Entre 1996 e 1997, devido a dificuldades com o financiamento de suas ações após o processo de demarcação das principais terras ticuna, o Centro deixou de existir e na sua sede passou a funcionar o CGTT.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Movimentos messiânicos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |José da Cruz, líder religioso Ticuna, Amazonas. Foto: Wolf Gauer , 1980&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235054-1/ticuna_4.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Curt Nimuendaju e Maurício Vinhas de Queiroz foram os primeiros pesquisadores a observar a existência de traços de movimentos messiânicos entre os Ticuna. Segundo eles, houve sete manifestações deste tipo entre estes índios do princípio do século XX até 1961.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro movimento que se aproxima a um movimento messiânico, ocorreu em território peruano, no princípio do século XX, quando uma jovem ticuna começou a ter visões e a profetizar, atraindo em torno de si Ticuna tanto do Peru quanto do Brasil. Como a afluência de índios aumentava sempre mais, Nimuendaju conta que os “civilizados” intervieram, atacando o grupo com armas de fogo, ocasião em que alguns ticuna morreram, outros foram maltratados e a jovem profetisa teve um destino desconhecido (Nimuendaju, 1952: 138).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo movimento ocorreu entre 1930 e 1935 quando um jovem ticuna do lago Cujaru, no rio Jacurapá, chamado Aureliano, começou a ter visões. Os índios lhe construíram uma casa à parte para que recebesse mais facilmente as revelações. Como sua reputação aumentava, reunindo cada vez mais outros índios em torno de si, os “civilizados intervieram novamente e prenderam Aureliano sob o pretexto de que não pagava imposto de uma espécie de violão que fabricava” (Nimuendaju, 1952: 138).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em razão da precariedade dos dados apresentados por Nimuendaju, não é possível saber detalhes sobre o conteúdo das profecias da jovem ticuna e de Aureliano, nem sobre a real situação dos que os seguiram; igualmente, não se sabe ao certo qual era a identidade dos não-índios que acabaram com os ajuntamentos ticuna, mas, sabendo-se que esses movimentos ocorreram numa época em que o regime do barracão já estava implantado na região é lícito supor que tais ataques foram desfechados por ordem dos proprietários regionais que, como se sabe, usavam de todos os expedientes para impedir a evasão da mão-de-obra dos seringais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra manifestação messiânica teve lugar no Auati-Paraná, em torno de 1932. Segundo informações obtidas por Vinhas de Queiroz junto aos não-índios da região, um certo número de Ticuna se reuniu no Auati onde aguardavam a aparição de deus. O movimento acabou em razão de uma epidemia que se propagou na região dizimando a maioria dos seus membros (Queiroz, 1963: 46).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um quarto evento aconteceu entre os anos 1938 e 1939, no igarapé São Jerônimo. Espalhou-se, naquela época, a notícia de que um jaguar teria dito a uma criança ticuna que uma grande enchente inundaria tudo, inclusive a sede do seringal. Diante dessa nova, os índios que habitavam próximos da desembocadura do referido igarapé se reuniram na sua parte superior onde construíram uma grande maloca de estilo tradicional e fizeram grandes plantações. Como a catástrofe anunciada não se produzia, os índios acabaram por retornar para as suas habitações e levaram uma vida normal (idem: 49).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Irmandade da Santa Cruz ===&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Transferência da igreja para outro local da aldeia, Porto Cordeirinho, Terra Indígena Tikuna de Santo Antônio, Município de Benjamin Constant, Amazonas. Foto: Jussara Gruber , 1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235068-1/ticuna_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo indica que os antigos movimentos messiânicos ticuna obtiveram êxito durante um certo momento, isto é, durante o seu período de efervescência. Mas é verdade que seus projetos, suas aspirações e seus desejos não se concretizaram, na maioria dos casos, como vimos, em razão da violência perpetrada pelos “patrões”. Contudo, a esperança continuou a se manifestar e as freqüentes recaídas não desembocaram numa consciência de fracasso. Ao invés de desistirem de encontrar saídas para sua situação pela via messiânica, isto é, por intermédio dos seus heróis e imortais, os Ticuna vão reforçá-la, considerando-se uma população predestinada a receber um Messias que lhes mostrará o caminho da salvação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É por isso que nos últimos meses de 1971, quando chegou ao alto Solimões a notícia de que um Padre Santo, fazedor de milagres, estava descendo o Solimões vindo do Peru, a população ticuna se pôs repentinamente de alerta: os índios mais próximos das cidades da fronteira se encarregaram de espalhar a novidade nos povoados ticuna mais distanciados e mesmo naqueles situados no meio da floresta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À medida que o tempo passava e que a mensagem circulava de grupo em grupo, o seu conteúdo inicial também era ampliado e começava mais um momento de efervescência social. Mesmo se neste momento os sentimentos eram mal definidos e incertos, estavam persuadidos de que acontecia mais uma manifestação dos imortais em suas vidas. Em certas áreas ticuna chegou-se mesmo a comentar que o esperado era o próprio Yo´i (um dos heróis criadores). O grau de excitação aumentava sempre mais e quando souberam da chegada do referido personagem em Rondinha, no Peru, e depois em Marco e em Atalaia do Norte, muitos índios que habitavam nos igarapés, abandonaram suas habitações e se dirigiram aos povoados ticuna situados às margens do Solimões para assistir a sua chegada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nem todos os Ticuna aderiram ao movimento fundado pelo Irmão José, o José Francisco da Cruz. Estes eram principalmente os habitantes das comunidades protestantes batistas, sobretudo de Campo Alegre e de Betânia, totalizando cerca de quatro mil indivíduos, e outro tanto de católicos, um certo número deles de Belém do Solimões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maioria das pessoas que aderiram à Irmandade da Santa Cruz ficou impressionada com os prodígios atribuídos ao Padre Santo que ouviram falar antes mesmo da sua chegada ao alto Solimões. Eis alguns exemplos: como os habitantes de um povoado o tinham expulso e ridicularizado, o Irmão José anunciou um castigo do céu; logo uma forte tempestade varreu as casas e as plantações provocando a morte de pessoas e de animais. Animais e pessoas também morreram em outro povoado por causa de uma seca anunciada pelo Irmão José visto que seus habitantes haviam-lhe negado água para beber. Numa outra ocasião, ele recusou uma galinha que alguém lhe oferecia, dizendo: “devolva a galinha pro dono, tu robô ela”. Isso foi confirmado, acrescentam os informantes. Conta-se também que ele disse a uma senhora: “não se aproxime de mim, tu ta me queimando”. “A mulher tinha matado o filho”, acrescentam os membros da Irmandade. Além disso, comentava-se que o Padre Santo possuía estigmas, que ele não se alimentava e que não precisava dormir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fora os prodígios atribuídos ao fundador no começo da sua missão naquela região do Brasil, é preciso acrescentar que o cenário formado pela caravana messiânica, por ocasião da sua peregrinação na região, também contribui fortemente para o reconhecimento da sua graça carismática. Com efeito, o espetáculo fluvial que teve lugar a partir de maio de 1972 foi triunfal: quase mil pessoas, contando os brasileiros, peruanos, índios e não-índios, sobre canoas e barcos, cantavam e rezavam em voz alta. Eles acompanhavam um homem magro, de barba longa, vestido com batina, que carregava uma Bíblia e uma cruz; o cortejo formava uma verdadeira procissão fluvial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O caráter grandioso do espetáculo, associado à semelhança do Irmão José que viam e escutavam com a imagem que possuíam de Cristo causou um profundo impacto psicológico nos habitantes da região, principalmente entre os Ticuna. A pregação de José da Cruz, fortemente escatológica, também os impressionou que em razão de sua tradição messiânica eram sensíveis a esse tema. O Irmão José anunciava a proximidade do fim dos tempos, convidava todos a despertarem do sono espiritual enquanto houver tempo, e a viverem em comunidades, em torno das cruzes, onde então encontrariam a salvação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim o fundador da Irmandade da Santa Cruz, depois de partir de sua cidade natal (Cristina, Minas Gerais) em 1962 e peregrinar em várias cidades brasileiras e em vários países sul-americanos, alcança em 1972 a calha do rio Solimões. Após um ano de peregrinação nas vilas e povoadas desta região – nas quais sempre erigia uma cruz de mais ou menos cinco metros de altura, celebrava cultos e recebia os doentes – ele atingiu o rio Içá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Instalou-se no meio da floresta, na margem do igarapé Juí, pequeno afluente do rio Içá, num lugar que denominou de Lago Cruzador, distante aproximadamente 250 quilômetros da maioria dos povoados de seus seguidores. Nunca mais deixou esse lugar. Pensava edificar ali a sede espiritual de sua Irmandade e dali comandava os seus fiéis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse local que ele faleceu, no dia 23 de junho de 1982, com a idade de 69 anos. Antes de falecer, teve o cuidado de legitimar o seu sucessor, um descendente de índios Cambeba, denominado Valter Neves. Ao assumir a sua função, este nomeou uma nova diretoria administrativa da Irmandade e levou em frente o projeto do fundador de construir a Vila Espiritual da Irmandade de Santa Cruz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As cruzes bentas e/ou erguidas pelo fundador da Irmandade - ou seus emissários - deram origem seja a uma nova dinâmica social nos povoados já existentes, seja a novos povoados, onde os seus habitantes procuram viver de acordo com a doutrina desse movimento religioso. A mais importante de todas as comunidades é, sem dúvida, aquela em que o Irmão José viveu e começou a edificar a sede da Irmandade, e onde o sucessor, seus discípulos e fiéis continuaram a sua construção: a Vila Alterosa de Jesus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda hoje existem adeptos desse movimento religioso entre os Ticuna.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social ==&lt;br /&gt;
{{Ajustes pendentes}}&lt;br /&gt;
A sociedade ticuna está dividida em metades exogâmicas (só se pode casar com um membro da outra metade) não-nominadas, cada qual composta por clãs. Estes grupos clânicos patrilineares [isto é, o pertencimento ao clã é transmitido de pai para filho] são reconhecidos por um nome que é geral a todos, ''kï''''´a''. Em português, os índios traduziram por nação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O conjunto de clãs ou nações identificadas por nomes de aves forma uma metade, enquanto as demais, identificadas por nomes de plantas, formam a outra. Mesmo os clãs Onça e Saúva (ver quadro a seguir), um mamífero e um inseto, são associados à metade “Planta” por razões descritas na mitologia ticuna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A condição de membro de um clã confere a um indivíduo uma posição social, sem a qual não seria reconhecido como Ticuna. Cada clã ticuna é constituído por outras unidades, os subclãs. Nesse sistema social, cada indivíduo pertence simultânea e necessariamente a várias unidades sociais (metade exogâmica, clã e subclã), uma vez que elas estão contidas umas nas outras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os quadros abaixo ilustram exatamente isso.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Metade plantas&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Clãs&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Subclãs&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;3&amp;quot;&amp;gt;Auaí&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´a-ru: (auaí grande)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;´t&amp;lt;/sup&amp;gt;s´everu: (auaí pequeno)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´ai&amp;lt;sup&amp;gt;t&amp;lt;/sup&amp;gt;s´anari (jenipapo do igapó)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;Buriti&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´tema (buriti)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ny´eni (n) &amp;lt;sup&amp;gt;t&amp;lt;/sup&amp;gt;si (buriti fino)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;3&amp;quot;&amp;gt;Saúva&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´vaira (açaí)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´nai (n) yëë (saúva)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;tëku: (saúva)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;5&amp;quot;&amp;gt;Onça&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ts´i´va (seringarana) &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´na?nï (n) (pau mulato)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;t&amp;lt;/sup&amp;gt;s´e´e (acapu)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´ts´u: (n) a (caranã)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´keture (maracajá)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Metade aves&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Clã&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Subclãs&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;5&amp;quot;&amp;gt;Arara&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&amp;lt;sup&amp;gt;t&amp;lt;/sup&amp;gt;s´a´ra (canindé)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ño´ï (vermelha)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;moru: (maracanã)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;vo´o (maracanã grande)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´a?ta (maracanã pequeno)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;Mutum&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ñu?në (n) (mutum cavalo)&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ai´veru: (urumutum)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;Japu&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;ba´rï (japu)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;kau:re (japihim)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tucano&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´tau: (tucano)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td rowspan=&amp;quot;3&amp;quot;&amp;gt;Manguari&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´ñau: (n) a (manguari)&amp;lt;br/&amp;gt;&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;dyavï´ru: (jaburu)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;tuyo:y´u (tuyuyu)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Galinha&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;o´ta (galinha)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Urubu Rei&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´e?ts´a (urubu-rei)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Gavião Real&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;´da-vï (gavião real)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É notável que as designações em Ticuna se referem aos subclãs, guardando para os clãs nomes regionais (alguns neologismos). Como já foi dito, as metades exogâmicas não são nomeadas, mas aqui neste quadro foram indicadas pelos termos &amp;quot;Plantas&amp;quot; e &amp;quot;Aves&amp;quot;, fazendo alusão a um modo de classificar os clãs a partir de classes botânicas e zoológicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro desse sistema, há um mecanismo de nominação por meio do qual é possível identificar o pertencimento social de cada indivíduo. O nome de um homem, kvai´tats´inï(n)-kï, por exemplo, que significa &amp;quot;arara batendo asas sentada&amp;quot; e que se refere a uma das qualidades da arara (que dá nome ao clã), mais especificamente da arara vermelha (que dá nome ao subclã), faz parte do repertório de nomes próprios que cada grupo clânico dispõe para seus membros. Assim, a simples enunciação de um nome permite classificar seu possuidor como membro de um certo clã e subclã e de uma das metades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É possível notar que por trás do sistema clânico ticuna há o seguinte encadeamento de classes: nome-qualidade do epônimo [o que dá nome ao clã, por exemplo, a arara] ---subclã --- clã --- metade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os epônimos clânicos transformados em signos fornecem uma espécie de código, um plano de referência importante para o comportamento social. Desse modo, ao dizer o nome kvai´tats´inï(n)-kï, como no exemplo dado acima, afirma-se o pertencimento do indivíduo a um certo clã, o que lhe impede de casar-se não só com pessoas do seu próprio clã, mas também com aquelas de sua metade. Em contrapartida, aqueles indivíduos que são classificados como membros da metade oposta passam a ser cônjuges potenciais, daí a exogamia de metades característica dos Ticuna.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos introduzir um comentário elucidativo a respeito dos fundamentos míticos do dualismo ticuna. Nos referimos aqui ao papel de Yo´i como criador da organização clânica. Um dos mitos coletados por Nimuendajú relata que Yo´i e Ipi, os heróis culturais, depois de apanharem um grande número de pessoas no rio (os Ticuna recém-criados), não conseguiam distinguí-las por falta de classificação. &amp;quot;Mas Yo´i separou-as, colocando as suas a leste e as de Ipi a oeste. Então ele ordenou que cozinhassem um jacururu e obrigou todo mundo a provar o caldo. E assim cada um ficou sabendo a que clã pertencia, e Yo´i ordenou aos membros dos dois grupos que se casassem entre si&amp;quot; (Nimuendajú, 1952: 129-30). Como se vê, o mito sublinha a exogamia de metades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''*A grafia aqui reproduzida está de acordo com aquela utilizada pelo autor, no entanto deve-se ressaltar que, hoje em dia, a grafia adotada pelos Ticuna nas escolas é outra'''&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização política ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Antigos papéis políticos: ''tó-ü'' e ''yuücü'' ===&lt;br /&gt;
Nos relatos sobre o passado a guerra e a rivalidade parecem constituir fatos essenciais da existência dos Ticuna. Ainda hoje os índios falam extensamente das guerras entre as diferentes nações, dizendo que eram freqüentes as investidas de um grupo sobre o outro, com muitas mortes de ambos os lados. Os mais velhos procuram mostrar o seu desagrado face àquelas características do passado, confrontando a convivência tranqüila de hoje em dia nas aldeias com o medo e a belicosidade do tempo de seus avós. Cardoso de Oliveira também indica haver ouvido notícia de tais conflitos e guerras entre as nações [grupos clânicos patrilineares] (1970: 59).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Utilizando os relatos atuais, seria possível dizer que dentro de uma maloca todos se subordinavam a um mesmo código de autoridade que estabelecia a existência de somente dois papéis especializados, o ''tó-ü'' e o ''yuücü''. O ''tó-ü'' não era alguém cuja chefia fosse exercida genericamente em muitos contextos. A melhor tradução seria a de um chefe para a guerra. Cada nação tinha um só chefe, que comandava a todos quando se tratava de defender ou atacar a outra nação. O fundamento para o reconhecimento dele - a sua condição de chefe - decorria do fato de que &amp;quot;era ele que defendia os povoados, que defendia dos inimigos&amp;quot;. A esse personagem poderia também ser aplicado o termo daru, além do chamamento usual de ''tó-ü.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devido à sua função especializada e à sua força excessiva, o ''tó-ü ''não podia trabalhar na roça ou pescar: &amp;quot;não podia gastar a força dele assim à toa, com o que qualquer um podia fazer (...) os outros que faziam tudo para ele&amp;quot;. Tão grande era a sua força, que nenhuma atividade comum dava certo: &amp;quot;pegava um terçado para cortar um mato e batia com tanta força que quebrava o terçado&amp;quot;. A própria palavra'' tó-ü'' usada para designar esse chefe militar, é utilizada para referir-se ao macaco caiarara, animal muito admirado pelos Ticuna devido à sua grande agilidade, sendo muito difícil de se deixar apanhar ou surpreender por outro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os informantes distinguem também o'' tó-ü,'' como um elemento de sua própria tradição, de outros títulos que o branco utiliza para estabelecer chefes entre quaisquer índios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;quot;O ''tó-ü'' era o chefe de Ticuna mesmo, verdadeiro... O ''tuxaua'' não era próprio dos Ticuna. Era um chefe dos índios, assim como Mayoruna ou outros também têm&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras descrições a caracterização do ''tó-ü'' como o protetor das pessoas de sua nação se sobressai fortemente, evidenciando que a sua função não se exerce apenas na guerra, mas também no cotidiano de malocas isoladas na floresta, mantendo rivalidades com outras nações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por sua atuação em momentos cruciais à defesa ou afirmação do grupo, o'' tó-ü ''deveria ser bastante identificado com a sua nação, sendo um símbolo e um fator importante dessa unidade. Já o ''yuücü'' (atualmente os termos empregados são ''yuücü'' para o feiticeiro e ngetacü para o xamã) exercia funções estritamente privadas e pessoais, não se identificando ao grupo com a mesma intensidade que o ''tó-ü''. Além disso podia haver mais de um xamã ou feiticeiro por cada nação, cada um dispondo de um prestígio diferente e lhe sendo atribuído graus diversos de eficiência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De qualquer modo os pajés também participavam dessas guerras e conflitos. Geralmente a transferência de um grupo de um local para outro é explicada pela busca de &amp;quot;um lugar bonito para viver&amp;quot;, estando associada ao medo de doenças enviadas pelo ''yuücü'', bem como pela necessidade de fugir de epidemias e inundações. Nimuendajú conta que um bom xamã pode afastar de seu grupo, através de um tratamento mágico, as epidemias, anunciadas por meio de uma auréola esverdeada no sol (1952: 105).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não havia igualmente uma correlação estabelecida de modo rígido entre uma dada nação e um certo território. Os terrenos de caça, pesca e coleta eram mantidos sempre com oscilações, dependendo das pressões exercidas por outros clãs sobre essas mesmas áreas. Existem, no entanto, alguns locais que não eram ocupados ou reivindicados por qualquer uma das nações, embora fossem (e sejam) reconhecidos unanimemente como ponto de origem de todos os Ticuna. É esse o caso da montanha do Taiwegüne e do igarapé do Eware, ambos situados no alto do igarapé São Jerônimo. Usualmente, no entanto, os direitos de uma nação a um certo território eram sempre vinculados à existência de uma ocupação real (e mutável), derivando de uma necessidade de utilização efetiva, bem como do empenho e da capacidade militar em manter tais limites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== No tempo dos patrões ===&lt;br /&gt;
Com a dissolução das malocas clânicas (desde as décadas de 1910 e 1920) e o fim das guerras entre as nações, o papel do chefe militar, o ''tó-ü'', perdeu toda significação e não foi mais preenchido. Os patrões [seringalistas] criaram um novo papel político, o de ''tuxaua'' ou tuxawa, cuja definição nada tinha a ver com os limites da tradição tribal, pretendendo se constituir em um instrumento de reforço e favorecimento da dominação sobre os índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A caracterização mais freqüente usada pelos informantes deixa claro que o tuxawa era visto pelos índios como um representante do patrão: &amp;quot;o tuxawa era assim como um capataz, um chefe. Ele dizia para todo pessoal as ordens do patrão... quando tinha que fazer algum trabalho, ele chamava, convidava... era como um comandante&amp;quot;. O termo capataz foi usado diversas vezes por informantes para definir o ''tuxaua'', indicando dessa forma que o cargo e a sua investidura eram de responsabilidade exclusiva do patrão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As diferenças entre o ''tó-ü'' e o ''tuxaua'' eram grandes demais para que um elemento que ocupasse o primeiro cargo pudesse ser utilizado no segundo. Em geral, os que foram escolhidos pelos patrões como ''tuxaua'' eram índios que dispunham de uma certa liderança sobre alguns grupos familiares, e que embora tivessem influência sobre os outros, não possuíam qualquer título, nome ou mandato específico que não decorresse de sua vinculação com os brancos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A área de atuação do ''tuxaua'' era usualmente um rio ou igarapé, mas podia ser mais ampla para englobar toda a propriedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os suportes para o ''tuxaua'' eram externos à tradição tribal e os seus limites eram desconhecidos (incompreensíveis e ilegítimos) para os próprios índios. A força efetiva que possuía, a capacidade de coerção e retaliação de que dispunha, era apenas parte do poder real do seringalista, de seu potencial de intimidação. O tuxaua servia como um veículo direto dessa dominação e o seu procedimento refletia essa condição de submissão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Novos papéis políticos - o líder do grupo vicinal e o capitão ===&lt;br /&gt;
Os grupos vicinais não são unidades estruturais,no sentido de decorrerem da aplicação direta de princípios organizativos gerais (como seria o caso das nações que decorrem do princípio de patrilinearidade). São, ao contrário, unidades circunstanciais e políticas, que resultam de escolhas individuais praticadas por seus integrantes. A constituição e a continuidade de um grupo vicinal não podem ser deduzidas da operação automática de regras preferenciais de casamento, de residência, ou de descendência. Em certo sentido correspondem a criações independentes de alguns indivíduos que, por capacidades reconhecidas, conseguem polarizar em torno de si os seus parentes mais próximos, para isso manipulando com as regras de residência e incentivando certas escolhas matrimoniais. A formação de um grupo vicinal exige o encontro dessas habilidades e interesses por parte de um (ou mais) líder(es), com a sua aceitação pelos demais. Implica ainda na cristalização de uma preferência dos seus membros pela vida em grupo e com atividades de cooperativas, por contraste à condição de uma família isolada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em princípio qualquer chefe de família dentro de um grupo vicinal pode abandoná-lo no momento que quiser, indo estabelecer-se com os seus em outra localidade ou mudando-se para outro lugar dentro da mesma área. A sua permanência é, de fato, um ato de escolha, que implica uma avaliação positiva da cooperação nas atividades de subsistência, de estratégias econômicas acionadas, de um relacionamento harmonioso, da partilha de costumes, predileções e crenças. O sustentáculo dessa unidade é dado pela existência de um líder que consegue elaborar fins comuns, mobilizar os meios adequados, e dar um certo nível de satisfação aos componentes do grupo, evitando o surgimento de antagonismos insuperáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grupo vicinal não possui uma marca específica que o visualize, nem foi encontrada na língua Ticuna uma expressão que caracterize especificamente essas unidades sociais, não tendo notícia igualmente de algum título usado por esse chefe de grupo vicinal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A função do líder do grupo vicinal é tanto a de comunicar-se com estranhos e civilizados (não-índios), representando os membros de seu grupo perante qualquer autoridade (capitão, chefe de posto, militares, comerciantes, professores, missionários, etc), quanto a de organizar a cooperação entre os vários grupos domésticos que habitam próximos uns dos outros. Isso se manifesta, por exemplo, nas atividades econômicas, religiosas e em algumas tarefas comunitárias, como nos ajuri.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fonte de autoridade do líder de grupo vicinal é o fato de agir de acordo com o consenso do grupo, de pôr em execução medidas e decisões que os outros julguem acertadas. Agindo sem o apoio do grupo, porém, ele não dispõe de poder algum para coagir qualquer indivíduo, exceto suas qualidades pessoais. Dentro do grupo, e mesmo contanto com o seu apoio, ele não possui um poder coercitivo singular e especializado. Se um indivíduo do grupo apresenta conduta desviante e reputada como errônea, o máximo que o líder do grupo local pode fazer por si só é procurar aconselhá-lo e demovê-lo de manter suas atitudes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante perceber que a existência de um líder para o grupo vicinal não implica na negação da autoridade por parte do chefe de cada segmento familiar. Dentro de cada casa e nas questões relativas aos membros de sua família, esse chefe de família tem reconhecida uma enorme autonomia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O papel do capitão tem seus precursores, como já anotava Nimuendaju (1952:65), no ''tuxaua'' no Brasil e no curaca no Peru. Hoje em dia esse último termo é quase inteiramente desconhecido no Brasil. Os poucos que o utilizam, o fazem com uma tradução bastante ambígua para o português algumas vezes como capitão, outras como capataz. Nos últimos anos também o termo ''tuxaua'' caiu em desuso, o significado mais freqüente que lhe é dado é o de capataz e está sempre associado à idéia de um preposto do patrão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ponto de distinção entre ''tuxaua'' e capitão parece estar ligado ao seguinte aspecto: o primeiro representa diretamente o patrão seringalista, enquanto o segundo recebe um reconhecimento por parte do governo brasileiro. O uso da farda nesse sentido é um fator básico de separação, marcando a conexão do capitão com um outro poder, diferente daquele diretamente emanado dos seringalistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para tentar uma compreensão do papel de capitão é necessário fazer referência a um outro papel também presente nos esquemas administrativos de atuação do órgão tutelar: o de inspetor, encarregado ou chefe de Posto. O capitão é um instrumento de comunicação e controle acionado pelos funcionários do antigo SPI (Serviço de Proteção aos Índios).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fonte última do poder do capitão é sempre o representante local do órgão, que reitera ou retira o seu apoio ao capitão, de acordo com a avaliação que tem de seu desempenho no cargo. Quem escolhe o capitão é de fato o chefe do Posto e assim esse indivíduo fica geralmente encarregado de transmitir aos índios as exigências, proibições ou propostas emanadas dos civilizados que o empossaram e titularam. Uma de suas funções é assim se constituir em fator da comunicação regular entre civilizados e índios: ele procede como um tradutor e mensageiro, ouvindo o discurso dos primeiros, traduzindo-o para o universos dos costumes e da língua nativa, divulgando-o entre os índios. Para os índios (e para o próprio capitão) a mensagem do capitão expressa necessariamente o ponto de vista da administração, concorde ou não a mensagem com as idéias pessoais do capitão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O capitão, porém, não somente transmite a mensagem, mas também procura executar as determinações nela contidas; para isso atua normalmente na aldeia como árbitro para os conflitos, estabelecendo punições e prêmios, alocando responsabilidades entre seus liderados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade para a ótica dos índios uma mensagem impositiva, perante a qual não existe possibilidade de rejeição ou de reformulação, é identificada através do meio pelo qual ela é expressa, anunciada formalmente pelo capitão e proveniente dos civilizados. Toda mensagem que satisfaça a essa praxe é classificada e dita como uma ordem, sendo tomado como implícito que o capitão não está somente comunicando algo, mas ainda compelindo a aceitar algo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
Os Ticuna praticavam o cultivo de espécies nativas como a macaxeira, o cará, uma espécie de cana-de-açúcar e outros tubérculos. Antigamente, com uma alimentação baseada na carne de caça, a pesca tinha uma importância mínima e era praticada com uma tecnologia de cercados e envenenamento dos peixes com o sumo do timbó (Oliveira, 1988). Essa situação, no entanto, se inverteu a partir da ocupação das várzeas do Solimões. Hoje, a pesca é uma das atividades produtivas mais importantes para os Ticuna.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |A caminho da roça. Foto: Jussara Gruber, 1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235100-1/ticuna_7.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cada família ticuna possui sua roça e a considera de sua propriedade. Mas não se trata de propriedade da terra, nem mesmo de propriedade coletiva. Nas roças da família trabalham, em geral, o pai, sua esposa e os filhos mais velhos que ainda não são casados. No entanto, os filhos homens, maiores e solteiros, poderão ter uma roça própria quando casarem. Os mais idosos têm também roças independentes de seus filhos e genros, mesmo quando moram na mesma casa. Quando mais de uma família vivem em uma mesma casa, elas costumam trabalhar separadas, cada uma em sua respectiva roça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da mão-de-obra familiar, os Ticuna contam com uma outra ajuda na agricultura por parte de parentes e amigos. São os ajuri, estruturados sobre os grupos vicinais, que são realizados com freqüência em todas as aldeias. Em um ajuri, o dono da roça é responsável pela comida e bebida dos seus convidados. Ele prepara o pajuaru, bebida fermentada feita de mandioca ou macaxeira, e providencia peixe e farinha para todos os participantes. Ao terminar o serviço, os participantes vão à casa do dono do ajuri, onde passam a noite em cantos e danças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ajuri pode ser realizado em qualquer etapa da produção, bastando que o dono da roça necessite da ajuda dos integrantes de seu grupo vicinal. Existem, portanto, o ajuri da derrubada, o da colheita, o da palha (em que os convidados levam a palha e a trançam para a cobertura da casa do dono do ajuri), o da canoa etc. O trabalho que aquela família demoraria vários dias para fazer é terminado em uma manhã de trabalho conjunto dos parentes e vizinhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os instrumentos agrícolas utilizados pelos Ticuna são basicamente o terçado, o machado, a enxada e o forno de torrar farinha. Os instrumentos de trabalho utilizados no seu cotidiano são comprados por meio dos regatões ou nas cidades vizinhas, principalmente em Letícia, na Colômbia. Alguns machados e fornos de farinha foram ganhos da Funai. Pequenos comércios, instalados na própria aldeia por moradores com mais recursos, e que vão mais vezes à cidade, também fornecem os instrumentos necessários à produção, principalmente o terçado, que é aquele de maior demanda.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índia Ticuna preparando alimento, Belém do Solimões, Terra Indígena Évare I, Amazonas. Foto: Jussara Gruber, 1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235104-1/ticuna_8.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As técnicas agrícolas dos Ticuna não são diferentes daquelas utilizadas em todo o Vale Amazônico, que incluem a derrubada seguida da queima e coivara. As roças de terra firme estão no centro, como eles costumam dizer. Já aquelas da várzea são geralmente cultivadas nas ilhas e florestas alagáveis principalmente pelo Solimões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os produtos mais plantados, em ordem decrescente de importância, são: a macaxeira e a mandioca, a banana, o abacaxi, a cana e o cará, além do milho e da melancia, no período da seca (verão), quando estas roças que são de várzea estão sendo trabalhadas. Alguns desses produtos têm seu excedente comercializado. Além destes, podemos ainda citar algumas frutas como a pupunha, o mapati, o açaí, o abiu e o cupuaçu, que não são, senão raramente, plantadas. Estas frutas estão comumente localizadas nas capoeiras, antigas roças deixadas em pousio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pescaria é um trabalho dos homens. A pesca conjunta é muito rara, mesmo entre moradores da mesma casa. A grande maioria dos Ticuna costuma pescar de caniço e flecha, e os melhores locais para a pesca são geralmente os numerosos lagos que margeiam o rio Solimões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já a caça não é praticada por muitos, apesar de tradicionalmente estar bastante ligada aos Ticuna. Utilizavam uma zarabatana que lançava projéteis envenenados, mas hoje se valem da espingarda. As presas citadas com mais freqüência são: o macaco guariba, o macaco prego, a cutia, o veado, a queixada, o caititu, a anta, o mutum, o jacu, a arara, o macaco parauacu, o macaco barrigudo, a preguiça real, o macaco caiarara e o pinhuri.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A criação de animais entre os Ticuna não costuma ser muito expressiva. A maioria das famílias possui poucas galinhas, mas estas são criadas soltas e apenas para a venda aos regatões e nas cidades, não sendo consumidas, assim como seus subprodutos. Além da galinha, há ainda uma pequena criação de patos, porcos e carneiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A coleta de frutas é realizada por todos da família. As frutas mais comuns nas aldeias ticuna são: mapati (''tchinhã''), umari (''te'tchi''), ingá (''pama''), abiu (''tao''), castanha (''nhoí''), pupunha (''itu''), cupuaçu (''cupu''), sapota (''otere'') e açaí (''waira''). As capoeiras onde os índios vão colher as frutas são, em geral, localizadas nas suas antigas roças, que deixaram em repouso, preservando as árvores frutíferas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Dieta alimentar ===&lt;br /&gt;
A dieta alimentar é composta basicamente de peixe com farinha de mandioca. O preparo do peixe, quase diário, é feito principalmente de duas formas. Os diferentes tipos de peixe são cozidos (o seu caldo é bastante apreciado por todos). Depois de comer o peixe cozido com muita farinha de mandioca, os Ticuna costumam tomar vários pratos do caldo, como se fosse uma sopa. Também é muito comum fazer o peixe assado (moqueado) e comê-lo acompanhado de um pratinho de sal colocado ao lado, onde todos molham o dedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A farinha de mandioca é consumida torrada e muitas vezes misturada ao que eles chamam de vinho de açaí, um suco feito desta fruta. Outro importante componente da alimentação ticuna é a banana. O mingau de banana é bebido como um suco bastante grosso. A banana assada na brasa é também muito utilizada, assim como frita. Devido à pequena expressão da caça na dieta desse povo, não há descrições do preparo de todas as carnes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A carne de queixada, assim como a da anta e a do caititu, costuma ser cozida. A carne de jacaré, também apetitosa, costuma ser preparada do mesmo modo que os peixes. Há ainda dois modos diferentes de se preparar os peixes, não tão comuns quanto aqueles já descritos. São eles a pupeca (uma espécie de trouxinha preparada com a folha de bananeira onde é assado o peixe) e a mujica ou massamoura (uma massa de banana amassada e apimentada com pedaços de peixe desfiados).O artesanato é, em geral, responsabilidade da esposa de uma família ticuna. Quase a totalidade das mulheres sabe fazer o tipiti (instrumento utilizado para espremer a massa de mandioca), o pacará (cesto com tampa), o aturá (cesto cargueiro), a maqueira, a peneira, colares e alguns outros tipos de artesanato. A maioria desses artefatos, entretanto, não é feita para a venda, mas para uso doméstico. As famílias que vendem algum tipo de artesanato o fazem aos regatões ou nas cidades mais próximas, mas isso não ocorre com muita freqüência. Semelhante ao que ocorre com a venda de frutas nas aldeias mais próximas à cidade, a venda de artesanato é mais intensa.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Ticuna não costumam comprar muita variedade de produtos. Algumas famílias chegam a comprar café, bolacha, arroz, feijão, óleo (tudo em pequenas quantidades), e algumas vezes macarrão, cebola etc. A maioria, entretanto, costuma comprar apenas fósforo, sabão, sal, açúcar e algum querosene para suas lamparinas. Muitos não compram nem mesmo o açúcar, e mesmo os que o fazem compram muito pouco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos esses produtos são, em geral, trazidos pelos regatões que passam pelas localidades. Esta transação é feita normalmente a partir da troca da farinha que produzem e das galinhas que criam. Algumas vezes, tais produtos são comprados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As famílias com mais recursos fazem suas compras nas cidades mais próximas. Algumas compram em grandes quantidades para revender mais tarde na aldeia, formando assim casas &amp;quot;armarinhos&amp;quot;, com produtos como pilhas ou linha de costura.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Artes ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Índios Ticuna durante ritual, Belém do Solimões, Terra Indígena Évare I, Amazonas. Foto: Jussara Gruber , 1978&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235106-1/ticuna_9.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A variedade e riqueza da produção artística dos Ticuna expressam uma inegável capacidade de resistência e afirmação de sua identidade. São as máscaras cerimoniais, os bastões de dança esculpidos, a pintura em entrecascas de árvores, as estatuetas zoomorfas, a cestaria, a cerâmica, a tecelagem, os colares com pequenas figuras esculpidas em tucumã, além da música e das tantas histórias que compõem seu acervo literário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um aspecto que merece atenção é o acervo de tintas e corantes. Cerca de quinze espécies de plantas tintórias são empregadas no tingimento de fios para tecer bolsas e redes ou pintar entrecascas, esculturas, cestos, peneiras, instrumentos musicais, remos, cuias e o próprio corpo. Há ainda os pigmentos de origem mineral, que servem para decorar a cerâmica e a “cabeça” de determinadas máscaras cerimoniais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo dos quase quatrocentos anos de contato com a sociedade nacional, os Ticuna mantêm uma arte que os singulariza etnicamente, e as transformações constatadas em alguns itens de sua produção material raramente acontecem em detrimento da qualidade estética ou técnica das peças. Em certos casos, ao contrário, as inovações vieram beneficiar a aparência dos artefatos – especialmente aqueles destinados ao comércio artesanal – tornando-os mais vistosos e com melhor acabamento.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Rapazes ticuna pintando tururi. Foto: Jussara Gruber, 1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235108-1/ticuna_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Ticuna, a raiz matü designa todo o tipo de decoração ou “enfeite” aplicado na superfície dos objetos ou do corpo, bem como as manchas, malhas ou desenhos encontrados na pele ou couro de certos animais. Além de ser adotado para nomear os motivos que resultam do cruzamento de fios ou talas ou os desenhos pintados sobre as entrecascas, papel e outros suportes, esse termo é também usado para designar a escrita introduzida com a escolarização.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como suportes de decoração há, no âmbito do trançado, os cestos com tampa, as peneiras e os tipitis, cuja manufatura cabe às mulheres. Outro conjunto de motivos encontra-se nas redes, tanto nos exemplares fabricados para venda como nos de uso doméstico. São motivos que resultam de uma técnica complexa que exige da tecelã grande conhecimento, experiência e atenção, adquiridos após um longo período de aprendizado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A tecelagem está intimamente ligada à mulher. A fabricação de fios é uma das primeiras tarefas desenvolvidas pelas meninas e na adolescência a importância dessa atividade ganha uma expressão ritual. Durante o período de reclusão a menina moça, worecü, dedica-se a trabalhos em tucum, especialmente à torção de fios, que são enrolados em forma de “flor”, de modo diferente dos novelos circulares vistos usualmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;responsive-embed&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; class=&amp;quot;pull-left margem-right&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;280&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://player.vimeo.com/video/68870830&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;373&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A confecção da cerâmica é tarefa preferencialmente feminina, mas os homens também costumam exercê-la. Outro suporte que possibilita o prazer de desenhar e colorir são os painéis feitos de entrecasca de certas espécies de Ficus ou tururi, como é denominado regionalmente. O tururi, nome dado a esse tipo de painel, é uma invenção recente e surgiu do reaproveitamento de técnicas e matérias- primas tradicionalmente empregadas na manufatura de máscaras. Os tururis são pintados exclusivamente para fins comerciais. Os especialistas reconhecidos na arte de pintar o tururi são os homens, em sua maioria jovens ou de meia-idade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O elenco de figuras desenhadas é infinito. Há uma marcada preferência pela representação de animais (onça, jabuti, cobra, borboleta, anta, jacaré e várias espécies de aves e peixes), que em alguns casos vêm combinados com elementos da flora ou com figuras antropomorfas.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Índio Ticuna durante ritual, Belém do Solimões,&lt;br /&gt;
Terra Indígena Évare I, Amazonas. Foto: Frei Arsênio Sampalmieri, 1979&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235111-1/ticuna_11.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na esfera ritual, os suportes mais representativos da arte gráfica são as máscaras, os escudos, as paredes externas do compartimento de reclusão da moça-nova e o corpo. Na confecção das máscaras, os Ticuna utilizam como matéria-prima básica entrecascas de determinadas árvores e os motivos ornamentais podem estar distribuídos pela vestimenta inteira. Na parte superior ou “cabeça”, a decoração serve para salientar as feições da entidade sobrenatural, mas é nas entrecascas com as quais cobrem o corpo que se observa um maior número de desenhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A confecção e o uso das máscaras são de domínio dos homens, que também se encarregam da feitura de grande parte dos objetos rituais, como alguns adereços da worecü, os instrumentos musicais, o recinto de reclusão, os bastões esculpidos etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A pintura da face, por sua vez, pode ser realizada por ambos os sexos e é empregada hoje em dia apenas durante os rituais, por todos os participantes, inclusive crianças. Essa pintura, feita com jenipapo, já no primeiro dia da festa, tem a função social de identificar o clã ou nação, como dizem os Ticuna, de cada pessoa. É possível detectar em alguns ornamentos faciais uma certa similaridade com a natureza, ou seja, com os animais e as plantas que dão nome aos clãs. Além da função social de especificação do clã, pintar-se na festa é um ato obrigatório. A decoração corporal das jovens e crianças iniciadas, por sua vez, é realizada segundo normas rigidamente estabelecidas.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
 |Ilustração: João do Carmo Ticuna&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235117-1/ticuna_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aptidão e a sensibilidade ticuna para a arte relevam-se agora em novos materiais e formas de expressão plástica e estética, como as pinturas em papel produzidas por um grupo de artistas que formam hoje o Grupo Etüena. Segundo a mitologia ticuna “Etüena é a pintora dos peixes. Ela sentava na beira do rio esperando a piracema passar. Ela então pegava cada peixe e pintava, dando uma cor que ficava para sempre”. Esse grupo nasceu no contexto dos cursos de formação ministrados pela Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües (OGPTB), em que a arte teve um espaço privilegiado no programa curricular.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Educação ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
 |Primeira reunião geral de professores Ticuna, Santa Inês, Amazonas. Foto: Jussara Gruber, 1983&lt;br /&gt;
 |https://img.socioambiental.org/d/235128-1/ticuna_13.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües (OGPTB), criada em dezembro de 1986 e constituída juridicamente em 1994, atua numa extensa área formada pelos municípios de Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins, na região do alto rio Solimões (AM). Ao longo de quase 20 anos, a OGPTB tem sido uma importante referência para os professores ticuna e, mais recentemente, também para os professores de outras etnias que habitam a região, como os Cocama e os Caixana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua importância está relacionada ao desenvolvimento de projetos e programas de educação bilíngüe (Português e Ticuna), com destaque para a titulação de professores no nível médio e a oferta de cursos de especialização em educação indígena, iniciativas que vêm suprindo a falta de ações públicas de formação específica por parte dos órgãos governamentais em todos os níveis. Os cursos são desenvolvidos no Centro de Formação de Professores Ticuna-Torü Nguepataü, na aldeia de Filadélfia (Benjamin Constant), com 481 professores indígenas matriculados nas diferentes modalidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa capacitação tem contribuído para a criação de novos níveis de ensino nas escolas indígenas localizadas na área de atuação da OGPTB e um substancial crescimento do número de alunos, revertendo o quadro de exclusão escolar observado em décadas passadas, reduzindo a necessidade de deslocamento de jovens para as escolas da cidade ou mesmo a interrupção dos estudos. Se tomarmos como referência as escolas ticuna situadas nos cinco primeiros municípios citados, constatamos que, em 1998, havia 7.458 alunos, com apenas 841 nas classes de 5ª a 8ª série, ao passo que em 2005 o censo escolar apresentava um total de 16.100 alunos, dos quais 4.580 encontravam-se nas classes finais do Ensino Fundamental e nos cursos de Ensino Médio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro aspecto importante foi a substituição gradativa dos docentes não-índios por professores ticuna, os quais assumiram todas as classes de 1ª a 4ª séries, atuando também nas séries finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, onde compõem cerca de 50% do quadro docente. As escolas municipais são dirigidas por professores ticuna, que também desempenham em alguns municípios atividades de supervisão e coordenação de pólos. Existem 118 escolas municipais e duas estaduais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A partir de 2002, as iniciativas da OGPTB começaram a ter a participação dos demais grupos étnicos do alto Solimões, principalmente pela inserção dos professores cocama, caixana e cambeba nos cursos de formação e nos encontros que objetivam discutir as políticas educacionais na região. Tendo como referência a mobilização dos Ticuna por uma educação escolar adequada a seus interesses e realidades, esses professores, com apoio de suas respectivas organizações, vêm lutando para implementar uma nova escola em suas comunidades e, ao mesmo tempo, obter o reconhecimento das prefeituras municipais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os Ticuna, assim como para outras etnias, há uma expressiva demanda pelo ensino superior. Existe, de um lado, a necessidade de atender às exigências legais para a formação dos professores e, de outro, a necessidade de atendimento da demanda escolar que se amplia da 5ª a 8ª série e ensino médio. Dessa maneira, a formação específica de nível médio já não era suficiente, o que levou a OGPTB a criar o projeto do curso de licenciatura a partir de um longo processo de discussões com professores e lideranças indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para realização do Curso de Licenciatura para Professores Indígenas do Alto Solimões, a OGPTB buscou a parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e apresentou a primeira versão do projeto em abril de 2004. O projeto foi aprovado no âmbito da UEA em 2005, e em julho de 2006 foi iniciada a primeira etapa. O curso destina-se a 230 professores ticuna, dispondo de 20 vagas para professores cocama, caixana e cambeba.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já foram desenvolvidas quatro das dez etapas previstas no projeto, e as aulas são ministradas no Centro de Formação de Professores Ticunas durante as férias escolares.A atuação da OGPTB tem contribuído para uma maior autonomia dos professores e comunidades na condução do processo educacional em suas escolas e no entendimento da escola como espaço de produção de saberes, de reflexão e ação política, de proteção do território e defesa dos direitos sociais, de promoção da saúde, de valorização da língua materna e do patrimônio cultural.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim como outras organizações indígenas do país, a OGPTB luta pelo reconhecimento e cumprimento da legislação de educação escolar indígena na região do alto Solimões. Embora enfrente dificuldades de toda ordem - reiterada falta de reconhecimento, descaso, discriminação -, a persistência e a incansável mobilização dos membros dessa organização têm permitido superar inúmeros obstáculos e desafios para fazer valer os direitos dos povos indígenas de atuarem com autonomia na condução de seus projetos, de suas escolas e de seus propósitos por melhores condições de vida.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ACUÑA, Cristobal de. Novo Descobrimento do Rio Amazonas. (Edição, tradução e notas de Antonio Esteves). Montevidéu: Oltaver, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALMEIDA, Fabio Vaz R. de. “Desenvolvimento sustentado entre os Ticuna: as escolhas e os rumos de um projeto”. In: Bol. Mus. Para. Emilio Goeldi, ser. Cienc. Hum. abr. 2005, vol.1, no.1, p.45-110.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. “Tatchiüàné: ‘nossa terra de muito tempo’”. Amazônia em cadernos, n. 6. Manaus : Editora da Universidade do Amazonas, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
--------. Desenvolvimento sustentado entre os Ticuna: as escolhas e os rumos de um projeto. Rio de Janeiro: CPDA/UFRRJ, 1996. (Dissertação de mestrado).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Economia Ticuna e monitoramento ambiental. In: SANTOS, Antônio Carlos Magalhães Lourenço (Org.). Sociedades indígenas e transformações ambientais. Belém : UFPA-Numa, 1993. p. 79-112. (Universidade e Meio Ambiente, 6).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------; BRASIL, Deusimar Freire. Desenvolvimento econômico : uma nova preocupação dos Ticuna. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p. 310-2.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ALVIANO, Fr. F. “Notas etnográficas sobre os Ticuna do Alto Solimões&amp;quot;. In: Revista Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 1943, vol. 180-181, pp. 6-33&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARAÚJO, Ubiratã Antônio Moreira de. Máscaras inteiriças Tukuna: possibilidades de estudo de artefatos de museu para o conhecimento do universo indígena. São Paulo: ESP, 1986. (Tese de Láurea)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;ARAÚJO LEITÃO, Ana Valéria Nascimento (Org.). A defesa dos direitos indígenas no judiciário : ações propostas pelo Núcleo de Direitos Indígenas. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1995. 544 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CAMACHO, H. “Rito y cosmogonia entre los Tikuna del Trapecio Amazônico”. In: Letícia, pré-print, 2003, 21 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
--------. Historias de los Abuelos de Muruap. Bogotá, Imprenta National de Colômbia, 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
--------. Nuestras caras de fiesta. Bogotá, Colcoltura, 1996.&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CARDOSO DE OLIVEIRA, Roberto. Viagem ao território Tükúna. In: Os diários e suas margens: viagem aos territórios Terêna e Tükúna. Brasília : Editora Universidade de Brasília; Fundação Biblioteca Nacional, 2002. pp. 271-338.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
-------. O índio e o mundo dos brancos. Campinas : Ed. da Unicamp, 1996 [1ª ed. 1964].&lt;br /&gt;
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-------. Aliança inter-clânica no sociedade Tükúna. In: --------. Enigmas e soluções : exercícios de etnologia e de crítica. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro; Fortaleza: UFCE, 1983. p. 54-75. (Biblioteca Tempo Universitário, 68)&lt;br /&gt;
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--------. Totemismo Tükúna? In: -------- (org.). Mito e linguagem social. Ensaios de antropologia social. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1970, pp. 52-64.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CORREA, Roseli de Alvarenga. A educação matemática na formação de professores indígenas : os professores Ticuna do Alto Solimões. Campinas : Unicamp, 2001. 410 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;DAVALOS-MISSLITZ, Ana Clara Marque. Polimorfismo da proteína GC em indígenas brasileiros. Ribeirão Preto : USP/FMRP, 1992. 96 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GOULARD, Jean-Pierre. “La Cité de Dieu dans la forêt. Une terre immortelle”. In: Socio-Anthropologie, N°10, Religiosités contemporaines, 2001.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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--------. Los Ticuna. In: SANTOS, Fernando; BARCLAY, Frederica (Eds.). Guía etnográfica de la alta Amazonía. v. 1. Quito : Flacso, 1994. p. 309-444. (Colecciones y Documentos)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GRUBER, Jussara Gomes. Projeto educação Ticuna : arte e formação de professores indígenas. Em Aberto, Brasília : Inep/MEC, v. 20, n. 76, p. 130-42, fev. 2003.&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GUIMARÃES, Francisco Alfredo Morais. Vai-Yata-In (União de todos) : uma proposta alternativa no ensino da temática indígena na sala de aula. Salvador : UFBA, 1996. 256 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LEITE, Arlindo Gilberto de Oliveira. Educação indígena Ticuna : livro didático e identidade étnica. Cuiabá : UFMT, 1994. 295 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LOPEZ GARCES, Cláudia Leonor. Ticunas brasileiros, colombianos y peruanos: etnicidad y nacionalidad en las region de fronteras del Alto Amazonas/Solimões. Brasília : UnB, 2000. 324 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MACEDO, Guilherme Martins. Negociando a identidade com os brancos : política e religião em um núcleo urbano Ticuna. Rio de Janeiro : Museu Nacional-UFRJ, 1996. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MASQUERADES and demons: Tukuna bark-cloth printing. Urbana: Board of Trustees of the University of Illinois, 1992. 71 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MENDONÇA, João Martinho de. Os movimentos da imagem da etnografia e reflexão antropológica: experimentos a partir do acervo fotográfico do professor Roberto Cardoso de Oliveira. Campinas: Unicamp, 2000. 228 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;NIMUENDAJÚ, Curt. Os índios Tukuna (1929) In: --------. Textos indigenistas. São Paulo: Loyola, 1982. p. 192-208.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
-------. The Tükuna. Berkeley and Los Angeles: University of California Press, 1952 [1a. ed. 1929). 209p.&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;OLIVEIRA, João Pacheco de. Ação indigenista e utopia milenarista: as múltiplas faces de um processo de territorialização entre os Ticuna. In: ALBERT, Bruce; RAMOS, Alcida Rita (Orgs.). Pacificando o branco: cosmologias do contato no Norte-Amazônico. São Paulo: Unesp, 2002. p. 277-310.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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--------. Ensaios em antropologia histórica. Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ, 1999. 269 p.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-------- (Coord.). Atlas das terras Ticuna. Rio de Janeiro: Museu Nacional; Brasilia: Finep/PP-G6; Benjamin Constant: CGTT, 1998.&lt;br /&gt;
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--------. &amp;quot;O Nosso Governo&amp;quot; : os Ticuna e o regime tutelar. São Paulo : Marco Zero, 1988. 316 p.—&lt;br /&gt;
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--------. O projeto Tükuna : uma experiência de ação indigenista. In: -------- (Org.). Sociedades indígenas e indigenismo no Brasil. Rio de Janeiro : Marco Zero ; UFRJ, 1987. p. 31-42.&lt;br /&gt;
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-------. “A difícil etnografia de uma tribo em mudança”. In: CARDOSO DE OLIVEIRA, R. Anuário Antropológico. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1981, n. 79.&lt;br /&gt;
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--------; IORIS, Edwiges Marta. A expansão do cólera nas áreas Ticuna. Resenha &amp;amp;amp; Debate, Rio de Janeiro : Museu Nacional-Peti, n. 5, p. 18-24, set. 1991.&lt;br /&gt;
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--------; LIMA, Antônio Carlos de Souza. O massacre de São Leopoldo : mais uma investida contra os Ticuna. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo: Cedi, 1991. p. 240-2. (Aconteceu Especial, 18)&lt;br /&gt;
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ORGANIZAÇÃO GERAL DOS PROFESSORES TICUNA BILINGÜES. Ngiã nüna tadaugü i torü naãne - Vamos cuidar da nossa terra. LIMA, Deborah (Org.), OGPTB/ProVárzea-Ibama-MMA, 2006. 216 p.&lt;br /&gt;
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--------. Cururugu tchiga. Benjamin Constant: OGPTB, 2002. 63 p.&lt;br /&gt;
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--------. Livro de saúde bucal. Benjamin Constant: 2002. 64 p.&lt;br /&gt;
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--------. Werigu arü ae. Benjamin Constant : OGPTB, 2002. 48 p.&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;ORO, Ari Pedro. “Messianisme eglise et etat en Amazonie bresilienne”. In: Cahiers du Brésil Contemporain. Paris, 1990, v. 11, pp. 95-120.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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--------. Na Amazônia um messias de índios e brancos: para uma antropologia do messianismo. Petrópolis: Vozes; Porto Alegre: EdiPUCRS, 1989. 208 p.&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;ROSSI, Sanna Barlow. God's city in the jungle. Huntington Beach: Wycliffe Bible Translators, 1975. 158 p.SANTOS, Lenize Maria Wanderley. STRs autossômicos e ligados aos cromossomos y em indígenas brasileiros. Ribeirão Preto: FMRP, 2002. 131 p. (Tese de Doutorado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;SILVA, Orlando Sampaio. Máscaras de dança Tukuna. Rev. do Museu de Arqueol. e Etnol., São Paulo: MAE, n. 10, p. 271-90, 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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--------. Notas sobre algunos pueblos indígenas de la frontera amazónica de Brasil en otros paises de sudamerica. In: JORNA, P.; MALAVER, L.; OOSTRA, M. (Coords.). Etnohistoria del Amazonas. Quito: Abya-Yala; Roma: MLAL, 1991. p. 117-32. (Colección 500 Años, 36)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SOARES, Marília Lopes da Costa Facó. Regulação rítmica e atuação do OCP em Ticuna. Letras de Hoje, Porto Alegre : PUCRS, v. 31, n. 2, p. 7-26, 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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--------.Ordem de palavra: primeiros passos para uma relação entre som, forma e estrutura em Ticuna. Amerindia, Paris: A.E.A., n. 17, 1992.&lt;br /&gt;
--------. O suprassegmental em Ticuna e a teoria fonológica. Campinas: Unicamp, 1992. 648 p. (Tese de Doutorado)&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SULLIVAN, James Lain. The impact of education on Ticuna indian culture, and historical and ethnographic field study. Denton: North Texas States Univ., 1970. 254 p. (Ph.D. Dissertation)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;TICUNA, Índios. Torü Duü’ügü – Nosso Povo. Rio de Janeiro: Museu Nacional-UFRJ, Memórias Futuras Edições; Brasília: SEC/MEC/SEPS/FNDE, 1985. 96 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;UNIVERSIDADE DO AMAZONAS. Os Ticuna hoje. Manaus: Universidade do Amazonas, 1999. 292 p. (Amazônia em Cadernos, 5)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;Rádio Amazonas: a dream come true. Dir.: Odilon Tetu. Vídeo cor, 25 min., 1994. Prod.: Telenews.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
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