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	<title>Povos Indígenas no Brasil - Contribuições do(a) usuário(a) [pt-br]</title>
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	<updated>2026-04-04T08:18:04Z</updated>
	<subtitle>Contribuições do(a) usuário(a)</subtitle>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kano%C3%AA&amp;diff=6611</id>
		<title>Povo:Kanoê</title>
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		<updated>2019-06-17T16:57:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Os Kanoê do Rio Omerê */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os kanoê encontram-se relativamente dispersos na região sul do Estado de Rondônia, próxima à fronteira com a Bolívia. É possível, contudo, reconhecer duas situações diferenciadas de contato com a sociedade envolvente entre os grupos dessa etnia. A grande maioria mora ao longo das margens do Rio Guaporé e caracteriza-se por uma antiga inserção no mundo dos “brancos”; em contraste com uma única família composta por três membros que habita o Rio Omerê, afluente do Corumbiara, que foi contatada pela Funai apenas em 1995, quando eram em cinco, e tem se mantido em relativo isolamento. Esses grupos kanoê, cada qual a seu modo, são marcados por histórias trágicas que resultaram numa significativa redução populacional. Hoje lutam por sua sobrevivência física e cultural numa região vastamente ocupada por madeireiros, grileiros e outros agentes que não raro ameaçam a integridade e o usufruto exclusivo de suas terras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(atualizado em abril de 2003)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Kanoê do Rio Guaporé ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê que habitam ao longo das margens do Rio Guaporé caracterizam-se por uma intensa inserção no modus vivendi da sociedade brasileira. Grande parte está casada com membros de outras etnias ou com não índios e apenas três indivíduos conhecem a língua nativa. Entretanto, de acordo com a liderança José Augusto Kanoê, têm consciência de que constituem um povo indígena unido por uma origem comum e por vínculos de parentesco, razão pela qual pretendem desenvolver projetos para reavivar sua identidade etnocultural e lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê convivem com outras etnias nas Terras Indígenas Rio Branco e Rio Guaporé (antigo P.I. Ricardo Franco), bem como no município de Guajará-Mirim. Há ainda uma família na Terra Indígena Pacaás-Novas (P.I. Deolinda) e outras famílias na TI Sagarana, ambas habitadas pelos Wari. Segundo o depoimento do kanoê Munuzinho (que mora no P.I. Deolinda) em Janeiro de 1997, possivelmente ainda existam outros de seus parentes mais distantes vivendo em outras regiões de Rondônia, dos quais há muito não se tem notícias.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato no Guaporé ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na região sul do Estado de Rondônia habitam numerosos povos indígenas falantes de diferentes línguas, mas que compartilham muitas características culturais. A semelhança cultural entre os grupos falantes de línguas Tupi e Jabuti oriundos da margem direita do Rio Guaporé e seus afluentes fez com que fossem identificados como partes de um “complexo cultural Marico”, nome das cestas de vários tamanhos de fibras de tucum, com pontos pequenos e médios, só confeccionadas por essas etnias (Cf. Maldi 1991:210-11). Já a região entre as cabeceiras dos afluentes do Médio Guaporé e os afluentes da margem esquerda do Rio Pimenta Bueno foi habitat de grupos distintos, a maioria não estudada e de classificação lingüística desconhecida, mas que compartilha aspectos culturais característicos de toda região, como o consumo cerimonial da chicha de milho. Os kanoê fazem parte deste grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período colonial, a região banhada pelos afluentes e tributários ocidentais do Guaporé e do Mamoré – atualmente território boliviano – foi por cerca de cem anos o maior complexo missionário da América meridional: a Província de Mojos, que acabava atuando também como guarda da fronteira do Rei de Castela. As sociedades que habitavam a região foram cooptadas (e em grande medida dissolvidas) para a defesa dos interesses da Espanha. De modo diverso, toda a ocupação da margem portuguesa do Guaporé passou a ser direcionada para a manutenção da posse e a destruição das missões. Mas a política indigenista (refletindo o interesse dos estadistas coloniais) tomou como estratégia não cooptar os índios, e sim mantê-los em seus territórios próprios para que lá atuassem como guardiões da fronteira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do século XVIII, quando os movimentos de independência nas Américas começaram a se definir e os limites coloniais perderam a importância, a região esvaziou-se rapidamente. A partir da segunda metade do século XIX, contudo, voltou a ser ocupada em razão do ciclo da borracha. Nesse período, os povos indígenas remanescentes das antigas missões de Mojos – que já haviam passado por processos de desagregação cultural e miscigenação populacional – foram rapidamente incorporados como mão-de-obra. Já os contingentes indígenas do lado brasileiro da fronteira se mantiveram isolados em sua maioria, habitando áreas menos acessíveis. Estes grupos permaneceram em relativo isolamento da sociedade regional até o início do século XX. A maioria deles, entre os quais os Kanoê, foi contatada quando o General Rondon atravessou a região dos rios Pimenta Bueno e Corumbiara em 1909.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse quadro foi alterado nas primeiras décadas do século XX, quando foram erguidos numerosos “barracões” para a exploração de borracha e caucho na margem direita do Guaporé, mas cujos proprietários eram em sua maioria bolivianos. Sobretudo a partir da década de 1930, quando a demanda por borracha aumentou no contexto da II Guerra Mundial, o contato se intensificou e muitos povos tiveram suas aldeias invadidas, sofreram epidemias e não raro foram obrigados a abandonar seus territórios para se instalar nos “barracões”, onde ocorreram vários casamentos entre membros de etnias diferentes, colaborando para a dissolução dos grupos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê habitavam a margem do Rio Pimenta Bueno (provavelmente migrados do Corumbiara para o leste), quando, em 1940, foram em grande parte levados para o Guaporé, sendo estabelecidos no antigo Posto Indígena Ricardo Branco (hoje P.I. Guaporé), junto com outras etnias, a mando do SPI (Serviço de Proteção aos Índios, antigo órgão indigenista) e do governador do território do Guaporé (que veio a ser o território e depois o estado de Rondônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Denise Maldi (1984:110), os índios transferidos foram dispostos para o trabalho servil nos seringais para suprir a mão-de-obra indígena perdida em decorrência de epidemias. O P.I., porém, não tinha infra-estrutura para atender aos recém-chegados. Não havia roças e os índios precisavam empregar todo o seu tempo na coleta da borracha, alimentando-se de gêneros fornecidos pelos seringalistas: charque, feijão e farinha. Pouco depois, contraíram sarampo. A mortalidade foi tamanha que os Kanoê quase foram exterminados. Desde então, durante toda a segunda metade do século XX o processo de ocupação do Rio Guaporé contou com vários massacres de índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas décadas de 60 e 70, particularmente no período da ditadura militar, na maioria dos casos beneficiados por “certidões negativas” da Funai, fazendeiros rapidamente derrubavam as matas, plantavam pastos e edificavam benfeitorias para “provarem” a ocupação e uso de tais terras, não raro valendo-se de trabalho escravo ou semi-escravo de índios e não índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto adverso, a cultura de muitos grupos indígenas do sul de Rondônia permanece com esparsa documentação até os dias de hoje e seu destino, como atesta o antropólogo Luiz Fernando Machado de Souza (responsável pelo relatório de identificação da TI Omerê), encontra-se ameaçado, sobretudo pelas invasões madeireiras em terras de ocupação tradicional indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por ocasião das sessões de trabalho de campo realizado pelo lingüista Laércio Nora Bacelar em 1991 e 1997, a história kanoê foi resgatada por meio dos depoimentos de Munuzinho Kanoê e Maria Atiminaké. De acordo com estes informantes, os Kanoê ou Kapixanã habitavam malocas extensas às margens do igarapé Kauruá, na região dos rios Carvão e Machado, no sul de Rondônia. Munuzinho informou que, até sua infância, viviam nus, praticavam a agricultura de milho, algodão, taioba, amendoim e fava, entre outras, além da caça e da pesca. Eram considerados &amp;quot;bravos” e foram se &amp;quot;amansando&amp;quot; no contato com os brancos por ação dos missionários, sobretudo depois da morte do último tuxaua (cacique), quando o grupo se dispersou de vez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contato com os brancos lhes trouxe a morte por doenças. Munuzinho Kanoê, por exemplo, perdeu um dos seus oito filhos vitimado pela coqueluche, dois por sarampo, um por &amp;quot;bicho na barriga&amp;quot; e uma de suas filhas desapareceu em Porto Velho, sem notícias se estava viva ou morta. A esposa de Munuzinho faleceu depois do último parto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da morte por doenças &amp;quot;de branco&amp;quot;, para as quais não tinham defesa em sua medicina tradicional ou nas &amp;quot;pajelanças&amp;quot;, o contato lhes trouxe também a morte pelas armas de fogo, sobretudo em conflitos com madeireiros, jagunços, garimpeiros, entre outros. Somem-se a isto os atritos com outros grupos indígenas regionais pela posse da terra, na medida em que esses povos perdiam seus territórios para os brancos. Assim, chegou-se a um momento em que o número de mulheres era muito superior aos homens e, na estrutura social dos Kanoê, já não havia mais como realizar os casamentos. As mulheres passaram então a se casar com homens de outras etnias (Aikaná, Jabuti, Mekém, Makurap, Cujubim etc.) e seguir seus maridos. A desintegração final do grupo se deu por ocasião da morte do último tuxaua, pai de Teresa Piraguê, pois já não havia um homem habilitado, de acordo com as tradições kanoê, para ocupar o posto do falecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem precisar datas e narrado com lapsos de memória e digressões, Munuzinho lembrou-se de um período, provavelmente no final dos anos 50 e início dos 60, em que ele e outros de seu povo foram trabalhar numa fazenda, na qual foram submetidos a um processo brutal de exploração, sendo escravizados e vigiados por jagunços. Nessa fazenda, um menino kanoê, de 11 anos, teria sido estuprado por dois jagunços e, com isso, os Kanoê se revoltaram contra a atrocidade praticada contra o menino. Um dos jagunços estupradores e alguns Kanoê morreram. O outro estuprador teria conseguido fugir para Porto Velho e o pai do menino o perseguiu até lá. No entanto, não mais voltou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas últimas três décadas, dado o intenso processo de expansão agropecuária de Rondônia, muitos dos povos indígenas do Guaporé (Kanoê, Arikapu, Jabuti, Puruborá, Kwaza, Mekém etc.) estão reduzidos a alguns sobreviventes, com a conseqüente perda gradual de suas respectivas identidades lingüísticas e de suas tradições culturais. Entretanto, como apontou Maldi, nesse cenário desalentador emerge uma nova realidade social, a partir da intensificação das relações interétnicas. Na TI Guaporé, por exemplo, alguns aspectos culturais atuam como mecanismos de solidariedade entre os grupos distintos, como o consumo da chicha de milho, intercalando hóspedes e anfitriões, e o xamanismo, com a atuação conjunta de indivíduos de etnias diferentes na aspiração do pó de angico e nas cerimônias de cura.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Kanoê do Rio Omerê ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste com os habitantes das margens do Guaporé, este grupo kanoê está enquadrado na categoria de “índios isolados” da Funai, tendo sido contatado pelo órgão apenas em 1995, depois de dez anos de tentativas por parte da Frente de Contato (hoje chamada Frente de Proteção Etnoambiental). Trata-se de uma única família, então constituída pela mãe, Tutuá, de aproximadamente 50 anos; uma filha, Txinamanty, de estimados 30 anos; um filho, Purá, aparentando 25 anos; e dois netos, um dos quais chamado Operá, cujo pai é Kunibu, o cacique dos Akuntsu, outro reduzidíssimo grupo indígena “isolado” no Omerê. A outra criança nasceu no início de 2002. No início de 2003, contraíram malária e faleceram a velha Tutuá e o menino Operá, então com sete anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa família é monolíngüe em Kanoê e, refugiando-se numa reserva de floresta de uma fazenda, conseguiu sobreviver apartada do contato direto com o homem branco, a despeito de possíveis massacres terem resultado na quase dissolução do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1943 foi registrado no relatório de Estanislau Zack à Comissão Rondon que havia índios Kanoê localizados na margem esquerda do Rio Omerê, afluente da margem esquerda do Corumbiara (Cf. Maldi, 1991:263). Muito tempo depois, em meados da década de 70, a Funai foi informada sobre a possível presença de grupos indígenas isolados na região de Corumbiara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1984, relatos apontaram a existência de índios nas reservas de mata de áreas que estavam sendo desmatadas para o comércio de madeira e formação de fazendas agropastoris, embora fazendeiros locais garantissem não haver mais indígenas na região. Em 1985 foi criada a Frente de Contato que iniciou oficialmente os trabalhos e, em 86, foi interditada uma área com 63.900 ha de superfície e 103 km de perímetro para fins de atração dos isolados. Desde então, não cessaram as tentativas de destruição dos vestígios indígenas por derrubadas, construção de estradas e investidas com trator e esteira a mando dos fazendeiros. Entretanto, por meio de incursões aéreas e por terra, a equipe encontrou várias evidências, tais como roças, estradas, armadilhas, habitações e indumentária indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os indigenistas ainda recolheram vários depoimentos de índios e trabalhadores das fazendas. Alguns peões afirmaram haver pistoleiros matando os índios por tentarem impedir as derrubadas. Uma índia sabanê (ramo nambiquara) relatou a visita de três índios desconhecidos: um velho, uma velha e uma garota de aproximadamente 13 anos, armados de arco e flecha e carregando um balaio mamaindê (nambiquara), que encontraram na beira do rio, uma cabaça com mel e outra com colares de contas pretas. Carregavam também uma pedra e um pau com artefatos para fazer fogo. Disseram estar em busca dos companheiros que haviam se dispersado fazia mais de uma semana, quando, numa noite, foram colocados para fora de casa por um trator que derrubou as casas e passou no meio das roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em maio de 1986, o Juiz federal de Porto Velho deferiu Mandato de Segurança, impetrado pelos fazendeiros da área interditada, ordenando a suspensão da Portaria do Presidente da Funai. Mas o órgão indigenista recorreu e a interdição foi mantida. O sertanista Sidney Possuelo foi então nomeado para coordenar os trabalhos de localização dos índios. Em seu relatório, alegou que a área encontrava-se intensamente recortada por estradas para retirada de madeira em todas as direções, com grande movimentação de caminhões, centenas de trabalhadores, aviões sobrevoando a região o tempo todo e derrubadas de mais de 30 km de comprimento. Possuelo concluiu então que a área onde havia mais vestígios indígenas fora totalmente devastada, mas que até recentemente fora habitada por um reduzido grupo indígena que possivelmente abandonara a região, premido pelas circunstâncias. Dessa maneira, em dezembro desse mesmo ano, a área foi desinterditada, havendo a reintegração de posse pelos fazendeiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, os indigenistas da Frente de Contato, Marcelo dos Santos e Altair Algayer, não desistiram das investigações. Extra-oficialmente, nos anos seguintes continuaram procurando, reunindo evidências, montando hipóteses e driblando os obstáculos de madeireiros, grileiros e agropecuaristas. Em 1993, os indigenistas passaram a contar com um valioso recurso: imagens de satélite recentes possibilitaram cruzar com precisão as evidências acumuladas sobre a presença de índios com as manchas de mata remanescentes das derrubadas das fazendas. Começou então um trabalho sistemático de rastreamento dessas regiões de floresta. Nas duas primeiras expedições nada encontraram. Partiram para uma terceira e as evidências reapareceram. Por fim, localizaram em uma imagem de satélite um ponto vermelho (sinal de desmatamento) do tamanho de uma cabeça de alfinete, no meio de uma mancha de mato de seis por quatro quilômetros. Marcaram as coordenadas e a equipe confirmou a localização da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um mês depois, em setembro de 1995, prepararam uma nova expedição, certos do contato. Chamaram jornalistas e, auxiliados por uma bússola, encontraram a aldeia quatro dias depois. Os primeiros contatos foram amplamente divulgados pela imprensa, em especial pelo jornal O Estado de São Paulo, pela revista Veja e pelo programa Fantástico da TV Globo, com imagens produzidas por Vincent Carelli, antropólogo e cinegrafista do CTI (Centro de Trabalho Indigenista/SP) que acompanhava o caso desde os anos 80.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relato de Pablo Pereira, jornalista de O Estado presente na ocasião, no alto de um barranco surgiram dois índios cobertos de adornos. Pareciam acuados. Ele, com cerca de 1,60 m de altura. Ela, mais baixa, pele escura, pés descalços, carregando arcos e flechas. Eles conversavam em voz alta em uma língua desconhecida. Por meio de gestos, os membros da Frente de Contato tentavam demonstrar que a visita era pacífica. Os primeiros passos do casal foram receosos. A mulher iniciou uma cerimônia em que parecia pegar no ar os maus espíritos e assoprar para dentro da mata. Ao se aproximarem, tocaram braços e mãos dos brancos. A mulher tremia. O homem balbuciava um som ininteligível. Num segundo momento, todos sorriram. Os índios indicaram a presença de outro grupo na mesma área, aos quais se referiam como “Akuntsu”. Com efeito, um mês depois, conseguiu-se o contato com os Akuntsu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de comprovado o contato, a área foi novamente interditada, uma década após a primeira interdição. Os fazendeiros reagiram imediatamente, tentando difundir uma versão de que o contato anunciado pela Funai era uma farsa, montada com índios atores. Foram até a aldeia dos recém-contatados, acompanhados de índios cinta-larga, gravar uma contraprova em vídeo. Depois disso, solicitaram um parecer a respeito da veracidade de ambas as fitas aos irmãos Villas-Bôas, acompanhadas de um vídeo cassete novo de “presente”. Os indigenistas preferiram assistir as fitas em seu antigo vídeo cassete e atestaram a veracidade do material de Carelli, assim como a fraude das imagens capturadas a mando dos fazendeiros, com perguntas e reações induzidas. Em seguida, o “presente” foi devolvido intacto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois desse episódio, a Polícia Federal em Rondônia abriu inquérito para investigar denúncia de tentativa de genocídio contra os índios, sob alegação de que os fazendeiros levaram índios cinta-larga gripados a entrar em contato com os Kanoê, que ainda não haviam sido imunizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde então, o contato da equipe da Funai com os índios passou a ser mais freqüente, porém restava identificá-los etnolingüisticamente. Na ocasião do primeiro contato, a Funai não dispunha de intérpretes indígenas. A partir de gravações feitas por Vincent Carelli, foram testados intérpretes da língua mequém, outro povo cujos sobreviventes vivem em áreas indígenas localizadas em Rondônia, sem resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A indigenista Inês Hargreaves coletou uma lista de 123 palavras por meio do contato com duas índias do grupo, que permitiu ao lingüista do Museu Goeldi de Belém, Nilson Gabas Jr., identificar uma grande proximidade com a língua kanoê. Rapidamente, foi localizado na TI Guaporé um senhor de aproximadarnente 70 anos que falava com fluência o kanoê, língua considerada praticamente extinta pelos lingüistas. Com o bom entendimento que seu Munuzinho Kanoê teve das gravações, e com as respostas dos índios ao contato com ele, os índios foram identificados como Kanoê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi erguido um acampamento da Funai na entrada de uma das reservas de florestas, às margens de um pequeno igarapé afluente do Omerê. Uma equipe médica e outra odontológica passaram a fazer visitas mensais regulares à aldeia e uma assistente de enfermagem, apta a primeiros socorros, faz plantão no acampamento durante três semanas mensais contínuas. Há ainda um funcionário para proteger os índios, na ausência da chefia, de eventuais interferências de curiosos ou intrusos (como vaqueiros, madeireiros e palmiteiros), bem como para vigiar o acampamento de possíveis retaliações dos interesses dos latifundiários e madeireiros contrariados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórias de antes do contato oficial ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à história específica dos Kanoê do Omerê, no começo de 96, funcionários da Frente de Contato, Marcelo do Santos e Altair Algayer, tendo Munuzinho Kanoê como intérprete, colheram os primeiros depoimentos do grupo. A seguir, um resumo da história que conta parcialmente o porquê de restar tão somente a família de Tutuá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grupo contava então com aproximadamente 50 pessoas, das quais a maioria eram mulheres e algumas crianças. Certo dia, os homens se reuniram e decidiram que partiriam todos em expedição à procura de outros povos, com os quais pudessem negociar alguns casamentos. Todos os homens Kanoê, dos idosos aos meninos mais crescidos, partiram. As mulheres ficaram apenas com suas crianças. Mas os dias se passaram e os homens não voltavam. A aflição entre as mulheres aumentava a cada dia e duas delas resolveram partir à procura dos homens. Três ou quatro dias depois, voltaram com a trágica notícia: seus maridos e filhos tinham sido assassinados. As mulheres entraram em pânico e, sem perspectivas, decidiram pelo suicídio coletivo. Prepararam um veneno, deram-no de beber a suas crianças e se envenenaram. Tutuá, porém, mal começou a ingerir o veneno, ainda encontrou forças para lutar pela vida e vomitou o que havia ingerido. Também conseguiu fazer com que seus filhos – Txinamanty e Purá –, sua irmã e sua sobrinha (Aimoró) se salvassem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê do Omerê ficaram então reduzidos a duas mulheres adultas e três crianças. Mas a irmã de Tutuá já não era a mesma. Enlouquecida, não acreditando que os homens estavam mortos, entregou a filha Aimoró aos cuidados de Tutuá e partiu sozinha à procura de seu marido e de seus filhos homens. Tutuá ainda tentou impedir que ela fizesse isso, mas foi em vão: sua irmã partiu e dela não se teve mais notícias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tutuá, sozinha, criou seus filhos e a sobrinha, refugiando-se na floresta. Porém, tão logo travou contato com os Akuntsu, passou a tentar aproximar-se deles, na esperança de encontrar uma possibilidade de casamento para seus filhos. Mas a relação entre os dois grupos indígenas isolados nem sempre foi amistosa, não só pela barreira lingüística, mas também pelas acentuadas diferenças culturais entre os mesmos. Pelo que Marcelo dos Santos pôde resgatar, através de Munuzinho Kanoê como intérprete, Tutuá Kanoê sempre procurou aproximar seus filhos dos Akuntsu, na esperança de que Kunibu, o cacique, cedesse ou venha a ceder uma das moças para esposa de seu filho Purá. Ao mesmo tempo, Tutuá esperava que sua filha Txinamanty e sua sobrinha Aimoró ficassem grávidas de Pupaki, um rapaz Akuntsu, ou do próprio cacique Kunibu. Mas as tentativas eram sempre frustradas. Toda vez que se aproximavam, acabavam surgindo atritos e ameaças de morte aos Kanoê, o que acabou se concretizando. Por ser mais nervosa e agressiva com eles, Aimoró foi assassinada pelos Akuntsu. Essa morte abalou ainda mais as relações entre ambos grupos. Apesar da instabilidade da convivência, porém, Txinamanty Kanoê ficou grávida do cacique Kunibu e, em outubro de 1996, nasceu um menino. O rapaz kanoê cedeu seu nome, que era Operá (“onça”) para o recém-nascido e adotou o nome de Purá (“cigarra”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Aimoró, os Kanoê tornaram-se relativamente mais tristes do que já eram, pois, além de ser a pajé do grupo, Aimoró ainda tinha um espírito mais alegre, mais festivo. Era ela quem organizava alguns rituais que os Kanoê ainda mantinham. A família kanoê continuou insistindo em aproximar-se dos Akuntsu, mas as desavenças prosseguiram. Para minimizar o problema, os indigenistas intervieram e sugeriram aos Kanoê que mudassem sua aldeia para a outra reserva de floresta, às margens do igarapé Omerê, a aproximadamente três km do acampamento da Funai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Mulher kanoê com seu filho. Foto: Ineke Holtwijk, 2003.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/212674-1/kanoe_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua Kanoê, também referida como Kapixaná (Kapishana) ou Kapixanã, é falada atualmente por apenas cinco pessoas. Na região sul de Rondônia ainda sobrevivem 40 línguas indígenas, em sua maioria relacionadas a oito macrofamílias, e várias línguas “isoladas”, ou seja, línguas para as quais ainda não foram descobertas evidencias consistentes de parentesco com outra língua ou família lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dos sete falantes de Kanoê, três idosos habitam a região às margens do Rio Guaporé, caracterizada, como dito, por um antigo e intenso contato com a população regional, sendo que os demais membros da etnia (cerca de 87 pessoas em 2002) falam apenas o português. Já o grupo do Omerê, contactado em 1995, está reduzido a uma única família de quatro pessoas monolíngües em Kanoê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua Kanoê tem sido classificada como “isolada” (vide Rodrigues: 1986 e Adelaar: 1991), embora Greenberg (1990: 34, 49,55) busque relacioná-la ao Kunsa, e Price (1978) suponha ser uma das línguas da família Nambiquara. Com efeito, Greenberg (1997: 94-98) apresenta algumas poucas evidências de que o Kanoê possa pertencer ao tronco Macro-Tucano, mas que são insuficientes para assegurar tal classificação. Do ponto de vista tipológico, o Kanoê é uma língua morfologicamente aglutinante, de modo que as palavras – principalmente os verbos – são formadas por seqüências de partículas significativas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/kanoe/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Kanoê @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Perfeccionismo e hospitalidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua compleição física, os Kanoê não são corpulentos, tendo uma estatura de mais ou menos 1,70 m. O grupo do Omerê usa os cabelos aparados bem curtos, razão pela qual Munuzinho Kanoê afirmou que esses seus parentes eram conhecidos como “Cabeça Seca”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora atualmente vivam relativamente tristes em decorrência das condições materiais de vida e da falta de perspectivas, os Kanoê são gentis e receptivos. O grupo do Omerê caracteriza-se por um acurado perfeccionismo, que pode ser observado em sua cultura material e na manutenção da aldeia, que tem o pátio sempre muito limpo e varrido, inclusive o caminho que dá acesso ao igarapé. O caminho que leva à aldeia também é mantido limpo e destocado para que os funcionários da Funai ou membros das equipes médica e odontológica que lhes prestam assistência regular possam chegar de motocicleta. Para tanto, Purá sempre que pode parece estar desobstruindo o caminho, destocando-o, aplainando-o e queimando gradualmente uma árvore grossa, tombada na transversal, a qual impedia o acesso do veículo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em frente à maloca central onde dormem, sob a cobertura que lhes serve de cozinha, cada um parece ter seu local marcado. Nas visitas à aldeia, quando estavam todos presentes e reunidos, sentavam-se sempre nas mesmas posições: a mãe, Tutuá, sempre ao lado esquerdo do fogão; Txinamanty, cuidando de seu filho Operá ou alimentando-o, sempre numa das extremidades da área da cozinha, frontal à posição de sua mãe; Purá, na outra metade da cozinha, onde também amarram os porcos para serem alimentados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê relevam-se hospitaleiros e corteses com seus visitantes. Tão logo se chega, oferecem ao visitante uma farta caneca de chicha (uma espécie de suco) de milho, fria e refrescante, levemente adocicada. Depois do contato com a Funai, só bebem água filtrada e preparam suas chichas e outros alimentos com água também tratada em filtros de barro com velas de argila porosa, típicos nas casas brasileiras, pois o acampamento lhes doou um desses aparelhos para protegê-los de possíveis doenças advindas da contaminação das águas do igarapé Omerê. Quando se deixa a aldeia, na despedida procuram sempre ofertar alguma coisa, sobretudo bananas. Do mesmo modo, quando visitam o acampamento da Funai, sempre que podem levam algum agrado, como um peixe, um pedaço de caça ou algumas frutas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê são agricultores, caçadores, pescadores e coletores. Criam galinhas e porcos-do-mato (queixadas), fazem roças de mandioca, cana-de-açúcar, milho, cará, batata-doce, amendoim e fumo. Cultivam ainda bananas, mamões-papaia e abacaxi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para a confecção de suas roças, o local é caprichosamente desmatado, queimado, destocado e capinado. As plantações parecem organizadas em setores específicos: cana-de-açúcar aqui, mandioca ali, amendoim acolá. O mesmo capricho revelam no trato dos animais que criam: as galinhas têm um galinheiro para protegê-las. Os porcos também têm duas casas cujas paredes foram feitas de toras de madeira fincadas lado a lado e cobertas por folhas de palmeira trançadas. As portas, feitas de tábuas de madeira lascada, têm um sistema de travas que lhes permite prender os porcos-do-mato em segurança e protegidos de outros animais carnívoros, sobretudo onças, durante a noite. Também fazem uso das roças do acampamento da Funai, onde arrancam mandiocas e carás, colhem mamões e cachos de coco, sempre que suas roças estão desprovidas. Pelo que pôde ser observado, os Kanoê mantêm uma relação de amizade e cortesia mútua com o pessoal do acampamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro traço que os caracteriza é a disposição para o trabalho. A velha Tutuá acorda sempre muito cedo e, munida de um facão, de seu arco e suas flechas e de um grande cesto dorsal, sai à procura de cachos de coco, sobretudo na área do acampamento onde há muitas palmeiras. Depois de colhê-los, arranca cada fruto dos cachos, acomoda-os no cesto e volta à aldeia. O peso é grande, mas ela caminha cerca de três quilômetros atenta às possibilidades de encontrar uma caça. De volta à maloca, torra os cocos, aos punhados, nas brasas do fogão. Depois, quadra-os um a um e, com uma faca, retira-lhes a polpa cozida e, à medida que faz isso, vai jogando as porções de massa para os porcos se alimentarem. É uma tarefa diária, repetitiva, que no entanto ela parece fazer sempre bem disposta.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Cultura material ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde antes do primeiro contato com a Frente de Contato, os Kanoê do Omerê usam vários colares multicoloridos feitos com material plástico. Também usam um chapéu típico, de mesmo formato do chapéu do homem branco, porém confeccionado com talas vegetais de palmeira entrelaçadas e, na aba, fitas de lona plástica preta. Além disso, por ocasião do contato já usavam algumas peças de roupas em tecido industrial (proveniente de sacos de juta), as quais eles mesmos confeccionaram. Ademais, na aldeia, foram encontrados alguns utensílios, tais como garfos e facas de metal, vasilhame de alumínio e embalagens plásticas de produtos diversos. Esses materiais eram recolhidos pelos Kanoê nas incursões pela floresta, provavelmente deixados nos acampamentos de madeireiros, seringueiros e palmiteiros no interior das florestas ou nos pastos. Após a visita de Munuzinho Kanoê, pediram peças de roupas e calçados, no que foram atendidos. Somente a velha Tutuá anda com o busto nu, mas parcialmente encoberto por uma boa quantidade de colares sobrepostos, uns de material plástico, outros de conchas e sementes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os colares de material plástico são compostos de peças trapezoidais ou circulares unidas por linhas enceradas feitas de fios de tucum ou de algodão. Essas peças parecem ser recortadas de baldes de plástico velhos, deixados pelas incursões de madeireiros e palmiteiros nas reservas florestais ou pastos. Os colares atestam o caráter perfeccionista dos Kanoê, pois as peças têm exatamente a mesma forma e desenho e, além disso, são parcialmente sobrepostas monocromaticamente ou com alternância de cores, em que predominam o laranja e o branco, o que torna o efeito visual belo. Acompanham os colares brincos com pingentes de peças do mesmo material plástico, de mesma forma geométrica e tamanho. As mulheres, Tutuá e Txinamanty, usam brincos brancos e Purá, o rapaz, brincos laranja-avermelhados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Completam-lhes a indumentária uma longa grinalda de fibras de buriti soltas; braceletes diversos, alguns dos quais similares aos colares; caneleiras e tornozeleiras de palha trançada ou de tecido. Esses adereços são usados pelos mais jovens sobre a camisa. Além disso, os Kanoê usam eventualmente duas longas penas vermelhas de arara, que são encaixadas num pequeno botoque feito em osso de tucum, colocado num furo entre as narinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua aldeia, nem sempre estão usando todos esses adereços, mas parecem não abrir mão de seus colares, braceletes e da grinalda de fibra de buriti. Tão logo alguém se aproxima, os Kanoê procuram imediatamente colocar o chapéu ou, no mínimo, um gorro. Por outro lado, quando visitam o acampamento da Funai, na maioria das vezes se paramentam, usando todos seus adereços, inclusive as penas de arara transversais no nariz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O chapéu é confeccionado de duas maneiras. O primeiro tipo é inteiriço, feito de um trançado de palha de talo de folha de palmeira, especialmente de buriti, de aba fixa. O outro tipo de chapéu tem o mesmo modelo, mas é composto de duas peças independentes. A primeira peça é um gorro em forma de meia esfera, feito em gomos triangulares de couro de animal ou de tecido, unidos entre si por costura feita à mão, com acentuado perfeccionismo. A segunda peça é uma aba circular solta, na medida da cabeça do usuário, trançada em talos finos de taquara envoltas por estreitas fitas de lona plástica preta, unidos por palha de buriti, de tal forma que formam um desenho regular. No arremate final, as pontas de taquara são unidas por uma amarra feita com fibras de palha da folha de buriti. Nesse ponto de arremate, encaixam longas penas de arara, sobretudo vermelhas. Essa aba solta é encaixada na cabeça, após vestirem o gorro, dando a impressão de um chapéu inteiriço. Assim, quando estão em sua aldeia, muitas vezes usam apenas o gorro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perfeccionismo dos Kanoê reflete-se ainda na confecção de suas flechas e adereços. Purá possui uma bolsa de couro, na qual guarda todo o material de que necessita para a confecção de arcos e flechas. As penas de aves são cuidadosamente separadas em conjuntos por tipo e cor, e presas por linhas enceradas de fibras de tucum. Na mesma bolsa, Purá guarda os estoques de linhas vegetais ou de material plástico desfiado, cuidadosamente enroladas, bem como os tufos de cera de abelha com os quais impermeabiliza das linhas e as ataduras das penas e do bico da flecha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aldeia kanoê no Omerê possui cinco habitações desprovidas de divisões internas e janelas, apenas com uma porta à frente e outra atrás. O teto é composto de duas águas e estende-se até o chão, sendo a estrutura de sustentação composta de troncos. As malocas são cobertas de açaí (Euterpe oleracea) ou inajá (Pindarea concinna). O chão é cuidadosamente batido e nivelado no interior e arredores das casas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito aos rituais, os Kanoê do Omerê fazem numerosas pajelanças e cerimônias, quando se cheira rapé de angico. Segundo Maldi, é característico entre os povos indígenas dessa região a atuação do xamã por meio desse alucinógeno: as sementes de angico são maceradas até virarem pó e misturadas com um tipo especial de fumo, cultivado para esse fim. Os xamãs também usam um léxico especial, aparentemente ininteligível aos não iniciados, e recitam durante o processo de cura. A xamã do grupo do Omerê é Txinamanty, que realiza trabalhos de cura e trata de intercorrências cotidianas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BACELAR, Laércio N. Fonologia preliminar da língua kanoê. Brasília : UnB, 1992. 119 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Fonologia segmental da língua Kanoê : uma análise preliminar. Signótica: Revista do Mestrado em Letras e Lingüística, Goiânia : UFGO, n.6, p.59-72, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BACELAR, Laércio N.; SILVA JÚNIOR, Augusto R. A negação e a litotes na língua Kanoê. Signótica: Revista do Mestrado em Letras e Lingüística, Goiânia : UFGO, n.9, 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MALDI, Denise. O complexo cultural do Marico : sociedades indigenas dos rios Branco, Colorado e Mequens, afluentes do Médio Guaporé. Boletim do MPEG: Antropologia, Belém : MPEG, v.7, n.2, p.209-69, dez. 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Populações indígenas e a ocupação histórica de Rondônia. Cuiabá : UFMT, 1984. 149 p. (Monografia Curso de Especialização)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MINDLIN, Betty. Antologia de mitos dos povos Ajuru, Arara, Arikapu, Aruá, Kanoe, Jabuti e Makurap. São Paulo : Iamá, 1995. 67 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SAKAMOTO, Leonardo. O último sobrevivente : equipe da Funai tenta contatar indígena que vive sozinho. Problemas Brasileiros, São Paulo : SESC, n. 338, p.18-20, mar./abr. 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS, Marcelo dos. Índios acossados em Rondônia. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p.550-3.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VALADÃO, Virgínia. Os índios ilhados do Igarapé Omerê. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p.545-9.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;huzzazWrapper&amp;quot; style=&amp;quot;width:100%; height: 1700px; margin: 0 auto;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; allowtransparency=&amp;quot;true&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;100%&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://huzzaz.com/embed/kano?vpp=12&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;100%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Kanoê}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Laércio Nora Bacelar}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=1623450051487b6fb9823e9.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=69266}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Adelino de Lucena Mendes, 2002}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2002-11-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=escuro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=50}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Rondônia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%C3%93rg%C3%A3o_Indigenista_Oficial&amp;diff=6610</id>
		<title>Órgão Indigenista Oficial</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%C3%93rg%C3%A3o_Indigenista_Oficial&amp;diff=6610"/>
		<updated>2019-06-14T18:02:24Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Galeria dos presidentes da Funai */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Órgão indigenista oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2010 o indigenismo oficial no Brasil completou cem anos. Apesar da longa e dramática história da colônia e do império, apenas em 1910, vinte anos após a promulgação da República, foram criados mecanismos jurídicos e administrativos específicos, em âmbito federal, para conduzir as relações junto aos [[Quem são | povos indígenas]]. Antes disso, como destacou a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha (1992), houve um verdadeiro ‘vazio legislativo’. Os índios sequer foram mencionados nas Constituições de 1824 e 1889. A ausência, entretanto, tinha justificativas: cada província poderia legislar e atuar livremente para promover a “catequese e civilização dos índios”, o que acabou por trazer trágicas consequências para os mais diversos povos. As políticas iniciadas em 1910 abriram um novo período, a partir do qual a União passou a se responsabilizar e a se envolver diretamente com a questão indígena, retirando das províncias e líderes locais suas prerrogativas anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano do centenário diversos novos desafios se apresentam ao indigenismo de Estado. Um novo [[Estatuto do Índio | Estatuto dos Povos Indígenas]], que pretende substituir o de 1973, aguarda votação no Congresso. Em dezembro de 2009, o governo iniciou um amplo projeto de reestruturação da [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio (Funai)]], que promete modernizar, aparelhar e aproximar dos índios o atual órgão indigenista oficial, tido por muitos como um dos mais sucateados e ineficazes da Nação. Neste contexto, apresentamos aqui um breve panorama destes cem anos, com o objetivo de situar e refletir sobre o momento atual. O foco é observar o processo, seus avanços e impasses, de modo a que as tragédias do passado não continuem a se repetir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Fundação Nacional do Índio (Funai)==&lt;br /&gt;
Desde 1967, a Fundação Nacional do Índio (Funai) é o órgão indigenista oficial responsável pela promoção e proteção aos direitos dos povos indígenas de todo o território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A criação da Funai no contexto da ditadura militar===&lt;br /&gt;
Embora projetada pelos intelectuais do CNPI para superar os antigos impasses do [[Serviço de Proteção aos Índios (SPI)]], a Funai acabou por reproduzi-los. Sua criação foi inserida no plano mais abrangente da ditadura militar (1964-1985), que pretendia reformar a estrutura administrativa do Estado e promover a expansão político-econômica para o interior do País, sobretudo para a região amazônica. As [[O que é política indigenista | políticas indigenistas]] foram integralmente subordinadas aos planos de defesa nacional, construção de estradas e hidrelétricas, expansão de fazendas e extração de minérios. Sua atuação foi mantida em plena afinidade com os aparelhos responsáveis por implementar essas políticas: Conselho de Segurança Nacional (CSN), Plano de Integração Nacional (PIN), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ação da Funai durante a ditadura foi fortemente marcada pela perspectiva assimilacionista. O Estatuto do Índio (Lei nº 6.001) aprovado em 1973, e ainda vigente, reafirmou as premissas de integração que permearam a história do SPI. Por um lado, pretendia-se agregar os índios em torno de pontos de atração, como batalhões de fronteira, aeroportos, colônias, postos indígenas e [[Igrejas e Missões religiosas | missões religiosas]]. Por outro, o foco era isolá-los e afastá-los das áreas de interesse estratégico. Para realizar este projeto, os militares aprofundaram o monopólio tutelar: centralizaram os projetos de assistência, [[Saúde Indígena | saúde]], [[A educação escolar indígena no Brasil | educação]], alimentação e habitação; cooptaram lideranças e facções indígenas para obter consentimento; e limitaram o acesso de pesquisadores, organizações de apoio e setores da Igreja às áreas indígenas (M. Santilli, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A estrutura do órgão===&lt;br /&gt;
O órgão foi concebido em bases semelhantes às do SPI. Até 1991 se manteve vinculado ao extinto Ministério do Interior, que sempre exerceu grande ingerência sobre suas ações. Os presidentes nomeados entre as décadas de 1970 e 1980 eram, em grande maioria, militares ou políticos de carreira pouco ou nada comprometidos, e até mesmo contrários aos interesses indígenas. A administração foi centralizada em Brasília. Os postos indígenas foram mantidos e as inspetorias transformadas em delegacias regionais. Outras instâncias – ajudâncias, superintendências, administrações executivas, núcleos locais de apoio – foram criadas e extintas ao longo do tempo. A despeito destas modificações, a Funai se estruturou aos moldes do SPI, de modo mais ou menos centralizado, com grande rigidez burocrática, em três níveis espaciais: nacional, regional e local (Souza Lima, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das irregularidades que levaram à extinção do SPI, seu quadro funcional foi transferido para a Funai. Com recursos escassos e mal contabilizados, a Funai continuou a operar, assim como o SPI, com profissionais pouco qualificados. Não se concretizou a proposta de se realizar planejamentos antropologicamente orientados, conduzidos por profissionais de formação sólida, bem pagos e comprometidos com o futuro dos povos indígenas. O órgão foi permeado, em todos os níveis, por redes de relações pessoais, clientelistas e corporativas, que remetem ao paternalismo e ao voluntarismo que dominaram o velho SPI. A criação da Funai foi marcada pela ineficiência, desinteresse e dificuldade de operação, o que levou o órgão a limitar sua intervenção a favor dos índios a situações altamente críticas, conflituosas e emergenciais, consequentes dos planos de colonização e exploração econômica que chegavam aos extremos do país (Oliveira, 2006; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A emergência da questão indígena no cenário nacional===&lt;br /&gt;
Neste contexto desfavorável, a questão indígena começou a emergir no cenário político nacional. A maior parte das organizações de apoio aos índios se estruturou na década de 1970. Entre elas destaca-se: as comissões pró-índio (CPIs), as associações nacionais de apoio ao índio (ANAIs), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI). Estas duas últimas se juntaram para fundar o atual &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Instituto Socioambiental (ISA)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Criadas por intelectuais e clérigos envolvidos com a questão indígena, estas entidades passaram a realizar importantes trabalhos como: o questionamento fundamentado às políticas oficiais, a interlocução entre índios e Funai, bem como a formulação de alternativas concretas para o indigenismo brasileiro (M. Santilli, 1991; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1980, diversas manifestações indígenas passaram a ganhar visibilidade nacional. Também neste período começaram a se estruturar suas primeiras organizações formais de base comunitária ou regional. Em âmbito nacional foi criada a União das Nações Indígenas (UNI), que já não existe mais. [[Organizações indígenas | Conheça as organizações indígenas]] compiladas pelo ISA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os povos indígenas e o marco jurídico atual===&lt;br /&gt;
Com as mobilizações indígenas e das organizações de apoio, a [[Constituição | Constituição de 1988]] acabou por conferir um tratamento inédito aos povos indígenas. Pela primeira vez foi reconhecido seu [[Constituição | direito à diferença (Art. 231)]], rompendo com a tradição assimilacionista que prevaleceu até então. Foi garantido o [[Constituição | usufruto exclusivo de seus territórios]] tradicionalmente ocupados, definidos a partir de seus usos, costumes e tradições (Art. 231). A União foi instituída definitivamente como instância privilegiada das relações entre os índios e a sociedade nacional. Através do artigo 232, os indígenas e suas organizações foram reconhecidos como partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos, o que incentivou a expansão e a consolidação de suas associações. Para isso, foram definidos canais diretos de comunicação entre os índios, o Ministério Público e o Congresso Nacional. Com estas medidas, o conceito de “capacidade relativa dos silvícolas” (Código Civil, 1917), e a consequente necessidade do “poder de tutela” perderam validade e atualidade. Estas vitórias constitucionais precisariam, entretanto, ser regulamentadas e consolidadas politicamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1991, uma Comissão Especial foi instaurada para rever o [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (1973)]] a partir do enfoque inovador da Carta de 1988. Foram abordados temas como: a situação jurídica dos índios e as responsabilidades assistenciais da Funai; os direitos de autoria e a propriedade intelectual; a proteção ambiental e a regulamentação do uso e exploração de recursos naturais; os procedimentos de demarcação de terras indígenas. A tramitação do projeto, entretanto, foi paralisada em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A descentralização do indigenismo oficial===&lt;br /&gt;
No início da década de 1990, houve amplos debates acerca do papel do órgão indigenista oficial a partir do novo marco jurídico. O Ministério do Interior foi extinto e a Funai  foi transferida ao Ministério da Justiça. Blocos parlamentares anti-indígenas propunham fechá-la, sem substituí-la por nada novo, o que provocaria um grande vazio administrativo. Mobilizações indígenas e organizações de apoio defendiam que a reestruturação do órgão fosse feita concomitantemente à aprovação do texto do Estatuto. Em 1991, o governo Collor realizou, por meio de decretos, uma ampla reforma das atribuições da Funai. As responsabilidades sobre saúde, educação, desenvolvimento rural e meio ambiente foram descentralizadas, e passaram a ser exercidas pelos Ministérios da Saúde, Educação, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente. As ações extra-Funai decretadas por Collor tomaram rumos distintos e impactaram de modos diferenciados os povos indígenas do Brasil. Durante os anos FHC estas políticas passaram a adquirir contornos administrativos mais precisos. Algumas ONGs e associações indígenas passaram a participar ativamente do processo de implementação das políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os decretos de 1991, a Funai, esvaziada em suas atribuições, passou a se concentrar nas políticas de regularização fundiária. Em 1996, o governo FHC modificou as regras para a [[O que são Terras Indígenas? | demarcação de Terras Indígenas]] visando destacar a necessidade da participação indígena e o direito a contestação das partes afetadas (Decreto 1775/96, Portaria 14/96).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desenvolvimento dos projetos participativos===&lt;br /&gt;
Também em 1996 passou a operar o Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL), resultado da parceria entre a Funai e o Programa Piloto para a Conservação das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7. Embora direcionado à demarcação de terras, o PPTAL se propôs a criar alternativas concretas e de longo prazo ao modelo tutelar. Sua proposta se baseou no estímulo ao controle social e à atuação indígena qualificada na estrutura da Funai e do Estado de modo mais abrangente. Em seu âmbito, a partir da experiência dos [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]] do Amapá, foi criado o modelo de “demarcação participativa”, que tem como premissa básica a parceria e a co-responsabilidade dos povos indígenas na formulação das políticas que lhes afetam diretamente. Neste modelo, a própria demarcação é tomada como apenas uma das etapa do processo mais abrangente de gestão sustentável das Terras Indígenas. Trata-se de uma proposta baseada no diálogo intercultural, que apenas se realiza enquanto política pública com o pleno envolvimento e concordância dos povos interessados (Mendes, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A experiência inovadora do PPTAL estimulou a criação em 2001 do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI), desenvolvido no âmbito do Ministério do Meio Ambiente em parceria com o PP-G7. Este projeto é voltado ao financiamento de iniciativas de valorização cultural e desenvolvimento sustentável elaborados e geridos pelas populações indígenas e seus parceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A Funai e as novas demandas por reconhecimento indígena===&lt;br /&gt;
Em 2002, a ratificação pelo governo brasileiro da [[Convenção OIT sobre Povos Indígenas e Tribais em países independentes nº. 169 | Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre “Sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes” (1989)]] aprofundou a sustentação jurídica às demandas de povos antes tomados por aculturados e integrados, que atualmente reivindicam, em diversas regiões do Brasil, seus direitos indígenas diferenciados. Cada vez mais numerosas, estas reivindicações trazem novos desafios à atuação da Funai, responsável pela demarcação das Terras Indígenas no país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A valorização dos conhecimentos tradicionais===&lt;br /&gt;
Na virada do milênio, [[Conhecimentos tradicionais: &amp;quot;Novos rumos e alternativas de proteção&amp;quot; | os conhecimentos indígenas e tradicionais]] passaram a ganhar destaque na agenda nacional e internacional. As discussões se concentram na criação e aprimoramento de mecanismos legais que impeçam que estas populações sejam expropriadas de seu rico patrimônio intelectual, produzido ao longo de gerações. O problema é evidente no caso dos conhecimentos associados à biodiversidade que têm sido alvo de inúmeros casos de biopirataria. Embora acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Biológica e a Agenda 21, criadas no contexto da Eco-92, tenham destacado a urgência do problema, apenas em 2002 o Brasil iniciou, através de decreto presidencial (nº 4.339, de 22 de agosto de 2002), uma política nacional de biodiversidade, que, entretanto, precisa ser aprimorada em diversos aspectos (J. Santilli, 2000, 2002).  Também neste âmbito e neste período, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vinculado ao Ministério da Cultura, passou a realizar ações de proteção, valorização e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial de povos indígenas e tradicionais. Estas ações decorrem do esforço de regulamentação da Constituição de 88, que em seus artigos 215 e 216 formaliza o valor imaterial dos bens culturais. No ano 2000 o decreto 3.551 instituiu os mecanismos oficiais de valorização e proteção do patrimônio cultural no Brasil. Estes instrumentos, entretanto, se encontram em fase inicial de consolidação e são alvo de pesquisas e debates entre especialistas. Até mesmo no campo internacional as propostas neste sentido são recentes. Data de 2003 a Convenção da UNESCO para a “Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desafio da consolidação do paradigma participativo===&lt;br /&gt;
Desde a Constituição de 1988 o indigenismo oficial passou por diversas e significativas mudanças, voltadas, de modo geral, ao reconhecimento e à valorização da diferença cultural. As políticas públicas direcionadas aos povos indígenas têm se tornado cada vez mais descentralizadas e realizadas no âmbito de diversos ministérios que atuam em parceria com agências de cooperação internacional e organizações não-governamentais. A premissa elementar do conjunto das ações é o estímulo à participação e à co-responsabilidade indígena na gestão das políticas destinadas a eles. Entretanto, o sucesso destas políticas depende de sua plena consolidação jurídica e institucional em todos níveis, do local ao governo central. Afinal, o poder tutelar, o assistencialismo e o assimilacionismo ainda são uma realidade fortemente enraizada em diversas práticas do relacionamento entre o Estado e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à consolidação jurídica deste novo momento, é notável que o Estatuto do Índio de 1973, de bases integracionistas, ainda esteja vigente. Entre 1991 e 1994, foi apresentada uma proposta de substituição ao texto que jamais foi votada pelo congresso. Em março de 2006, o governo federal criou a Comissão Nacional de Política Indígenista (CNPI). Em sua agenda, foi estabelecida a prioridade da atualização do Estatuto, com vistas a apresentar uma regulamentação integrada dos diversos temas da agenda dos povos indígenas: o patrimônio e os conhecimentos tradicionais, a proteção e a gestão territorial e ambiental, as atividades sustentáveis e o uso de recursos renováveis, o aproveitamento de recursos minerais e hídricos, a assistência social, a educação escolar e o atendimento à saúde diferenciados. Em julho de 2009, a proposta - construída com a participação de representantes indígenas – foi apresentada ao Congresso Nacional e aguarda votação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto, o atual CNPI e a Funai tem a tarefa de articular e integrar o conjunto das ações estatais de defesa dos direitos indígenas, com vistas a promover o paradigma participativo e superar definitivamente seu papel tutelar. Com este objetivo, o órgão indigenista oficial têm realizado esforços para atualizar suas práticas e modos de funcionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Reestruturação da Funai===&lt;br /&gt;
Em fins de 2009, o governo Lula anunciou, por meio de decreto presidencial (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7056.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nº 7.056, 28/12&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), um amplo plano de reestruturação da Funai, que pretende oferecer maior capacidade de atuação onde vivem os povos indígenas. As Administrações Executivas Regionais (AERs) e Postos Indígenas (PIs) foram substituídos por Coordenações Técnicas Locais e Regionais, formadas por técnicos qualificados, que passarão a desenvolver ações participativas junto aos povos indígenas envolvidos. Nesta estrutura, está planejada a criação de Conselhos Consultivos, nos quais os indígenas e as organizações parceiras participam diretamente na formulação, implantação e gestão das políticas públicas a eles destinadas. Além disso, está prevista a criação de 3,1 mil cargos a serem preenchidos até 2012. Esta nova estrutura pretende, conforme sua direção, superar os impasses históricos do órgão indigenista oficial. Apreensivos, diversos povos se posicionaram contra as mudanças e reclamaram de falta de consulta prévia prevista na Convenção nº 169 da OIT.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria dos presidentes da Funai ==&lt;br /&gt;
A história do controvertido órgão indigenista oficial, a [[Órgão Indigenista Oficial | Funai (Fundação Nacional do Índio)]], pode ser contada através da sucessão de seus 41 presidentes ao longo de 52 anos, de 1967 a 2019.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Presidentes da Funai (1967-2018)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidentes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Quem é | O que fez&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan.2019 - jun.2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O militar da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas retornou à Presidência da Funai após a exoneração de Wallace Moreira Bastos, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de janeiro de 2019. O presidente, na verdade, foi o antecessor de Wallace, entre maio de 2017 e abril de 2018. No período, aprovou os estudos da Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha (PE).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de pouco mais de 10 meses no cargo, Franklimberg foi exonerado e sua gestão não agradou a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O general, nomeado durante o governo Bolsonaro, foi formalmente reapresentado à Presidência no mesmo dia da saída de Wallace Moreira Bastos do cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prestes a completar 5 meses em sua segunda passagem pelo cargo, Franklimberg foi demitido pelo mesmo motivo de sua gestão anterior: os ruralistas não concordaram com sua atuação a favor dos direitos indígenas, que aliás é a obrigação do presidente da Funai. O que pensar então? Que o próximo presidente do órgão tem que ser contrário aos direitos indígenas e favorável aos ruralistas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Wallace Moreira Bastos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2018 - jan. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Wallace Moreira Bastos foi nomeado para exercer o cargo de Presidente da Funai no mesmo Diário Oficial da União, de 24 de abril, em que foi publicado o pedido de demissão de Franklinberg, que alegou estar sofrendo forte pressão dos ruralistas para deixar o cargo. No dia 16 de janeiro de 2019, foi publicado o pedido de exoneração de Wallace Moreira Bastos da presidência da Funai, após nove meses de ocupação no cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em nota da Funai, Wallace disse que conseguiu trazer para a Fundação mais 203 servidores concursados, que já estão atuando em todas as regiões do país. E que conseguiu, junto ao Governo Federal, que o orçamento da Funai passasse de R$ 109 milhões para R$ 175 milhões, o que permitirá ao órgão avançar ainda mais no que diz respeito às demandas das comunidades indígenas. Mas no período em que esteve na presidência da Funai não aprovou nenhum estudo de identificação de Terra Indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa indicação não foi vista com bons olhos no meio indígena e indigenista porque Wallace não tem, em seu currículo, nenhuma experiência relacionada aos povos indígenas. Foi sócio-proprietário e gestor, entre 2002 e 2008, das empresas Giraffas, Casa do Pão De Queijo, Montana Grill e Café Cancun e, antes, analista de Vendas da Ambev. Concursado na ANAC, é membro do Conselho de Administração da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) e antes da indicação para a Funai ocupava o cargo de subsecretário do Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil. É a terceira indicação do PSC para a Fundação em pouco mais de um ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 2017 - abr. 2018]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O general do exército Franklimberg Ribeiro de Freitas assumiu interinamente a presidência da Funai após a exoneração de Antônio Costa. Em julho de 2017, foi plenamente empossado. Franklimberg é militar da reserva, tendo ingressado nas Forças Armadas em 1976, e antes de ser nomeado para a Funai exercia o cargo de assessor de relações institucionais do CMA (Comando Militar da Amazônia), sediado em Manaus (AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assume a presidência da Funai poucos dias após um massacre realizado contra índios Gamela, no Maranhão e em meio à uma intensa crise política desencadeada por investigações de corrupção no governo Temer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua gestão não agradou à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), composta por 252 parlamentares, entre deputados e senadores, que esperavam ações que atendessem os interesses dos ruralistas. A FPA enviou um ofício ao presidente Temer com a assinatura de mais de 170 lideranças indígenas que não queriam a permanência de Franklimberg, e pediram sua demissão. Permaneceu no cargo por pouco mais de 10 meses.&lt;br /&gt;
Ele é o segundo presidente que o PSC indica (o anterior, Antonio Fernandes Toninho Costa, também fora indicação do partido) e é demitido por não atender interesses contrários aos direitos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franklimberg, antes de deixar o cargo, aprovou os estudos da TI Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Antonio Fernandes Toninho Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan. de 2017 a mai. de 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dentista e pastor evangélico de Luiziânia (GO), já atuou como assessor parlamentar. Interessante notar o contexto da decisão de sua nomeação como novo presidente da Funai. Segundo a reportagem da Globo News, o presidente da República, Michel Temer, em reunião com ministros sobre obras de infraestrutura, foi informado sobre impasses e conflitos com índios, que estariam impedindo a continuidade das obras, e que a Funai estava com um presidente interino. Ele então solicitou ao ministro da Justiça que resolvesse a questão – provavelmente com a expectativa de conseguir a aprovação da Funai para as obras paralisadas. Dentro da lógica de loteamento à base aliada, Temer aceitou a indicação do Partido Social Cristão (PSC), cujo presidente é o Pastor Everaldo e que é integrado por Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano. Costa já trabalhou com povos indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e na Missão Evangélica Caiuá – antiga missão que prestava assistência aos Guarani em Mato Grosso do Sul e hoje atua em diversos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (DSEIs) através de convênio com a Sesai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Agostinho do Nascimento Netto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 2016 a jan. 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assessor especial do Ministério da Justiça desde junho de 2016, desconhecido do movimento indígena e indigenista, foi nomeado Presidente substituto da Funai em setembro do mesmo ano. Durante sua curta gestão, ele aprovou a TI Pindoty/Araça-Mirim, no Vale do Ribeira (SP), no dia 29 de dezembro de 2016, com 1.030 hectares.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2016 a set. 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes assumiu a presidência dó órgão em substituição a João Pedro Gonçalves, exonerado pelo governo interino de Michel Temer. Artur Nobre Mendes já fora presidente da Funai entre 2002 e 2003 e no momento ocupava o cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. (Veja mais abaixo informações sobre o seu primeiro mandato)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2016, permaneceu no cargo de presidente substituto por aproximadamente 4 meses. Em sua curta interinidade, Artur publicou, em agosto de 2016, a identificação de três TIs Guarani no estado de São Paulo: Djaiko-aty com 1,216 ha, Ka'aguy Mirim com 1.190, e a Ambá Porã com 7.204 ha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi exonerado em Setembro, poucos dias após a Funai criticar a organização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 por terem afirmado, na apresentação da menina Igani Suruwaha, que a menina e a mãe tiveram que deixar a comunidade onde viviam para “evitar o infanticídio indígena”. Em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/3932-nota-jogos-paralimpicos&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota de repúdio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a Funai disse que a informação do Comitê Organizador dos Jogos promove “''ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil, referindo-se ao 'infanticídio ou homicídio, abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulneráveis e violência doméstica' como 'práticas tradicionais' indígenas. A Funai entende que tal posicionamento revela uma total incompreensão sobre a realidade indígena no país, refletindo uma visão preconceituosa e discriminatória sobre esses povos, suas culturas e seus modos de vida.''”&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Pedro Gonçalves da Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2015 a jun. de 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi deputado estadual, vereador e senador suplente do estado do Amazonas. Também trabalhou como superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária no Amazonas Assumiu a presidência da Funai no lugar de Flavio Chiarelli Vicenti de Azevedo, que foi presidente interino durante 8 meses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://acritica.uol.com.br/blogs/blog_do_sim_-_nao/funai_7_1375732414.html&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota d'A Crítica&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (14/06/15), sua indicação ''&amp;quot;foi uma costura de parlamentares petistas do Norte com o argumento de que o Governo Dilma precisa dar mais espaços a políticos da Amazônia assim como Lula fez quando pôs Marcus Barros no Ibama, e Marina Silva, no Ministério do Meio Ambiente.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu mandato coincidiu com os últimos meses antes de a Presidente Dilma Roussef ser afastada do cargo e nesse curto período buscaram reverter a paralisia de demarcações que até então marcara esse governo. Durante seu mandato foram aprovados pela Funai os estudos das terras: Cobra Grande (PA) dos povos Arapiuns, Jaraqui e Tapajó; Kaxuyana-Tunayana (AM/PA), dos Kaxuyana, Tunayana e outros; Jurubaxi-Téa (AM), dos Baré, Tukano, Baniwa e outros; Sawré/Muybu (PA), dos Munduruku; Sambaqui (PR), Pakurity (MS), Peguaoty (MS) e Cerco Grande (PR), dos Guarani Mbya; Ypoi-Triunfo (MS), dos Guarani Ñandeva; Dourados Amambaipeguá I, dos Kaiowáa e Ñandeva; e Mato Castelhano-FÁg TY KA (RS), dos Kaingang.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 2014 a jun. de 2015]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi chefe da Procuradoria Federal Especializada da Funai. Assumiu a Presidência interinamente, em substituição à também interina Maria Augusta Assirati.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu os 8 meses de sua gestão como presidente interino. Nesse período apesar das determinações do governo de paralisar o reconhecimento das Terras Indígenas (TIs) - conseguiu aprovar e publicar no DOU em janeiro de 2015, os estudos de identificação e delimitação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4056&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Riozinho&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, dos índios [[Povo:Ticuna | Ticuna]] e [[Povo:Kokama | Kokama]] com 362.495 hectares, nos municípios de Juruá e Jutai no Amazonas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criou três Grupos Tecnicos (GTs) para estudos de novas TIs: uma para os Ticuna, em Fonte Nova/Amazonas, outra em Paraty no Rio de Janeiro para os [[Povo:Guarani | Guarani]], e a pela primeira vez a Funai criou um GT para reconhecer uma TI no no Rio Grande do Norte, no município de Baía Formosa: a Sagi/Trabanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 2015, com a nomeação do novo presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, Flávio Chiarelli foi nomeado assessor especial do Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Segundo ele, o governo tem um olhar não-indígena para os povos tradicionais, 'achando que eles são os causadores de problemas. Quando, na verdade, a gente deveria parar para olhar o lado deles e enfrentar a real causa do problema&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Governo-nomeia-novo-presidente-da-Funai/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Greenpeace&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Jun/15&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Maria Augusta Boulitreau Assirati'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2013 a out. de 2014]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Advogada, dirigiu o Departamento de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai e assumiu a Presidência interinamente, com a exoneração de Marta Maria Azevedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo mantida em interinidade durante um ano e quatro meses, em um governo que primou pela paralisia das demarcações de Terras Indígenas, ela conseguiu aprovar e publicar três estudos de identificação das TIs: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3864&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 5.838 hectares, no Ceará; da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4142&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 2.686 hectares, no Paraná; e a ampliação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/5399&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Xakriabá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 43.357 em Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Augusta pediu demissão por conta de um curso de doutorado em Portugal, mas segundo o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://oglobo.globo.com/brasil/presidente-da-funai-deixa-cargo-em-meio-disputa-do-orgao-com-ministerio-da-justica-14050662#ixzz3ENbCfygi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;jornal O Globo, de 25 de setembro de 2014&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, alguns dos motivos principais seriam as divergências envolvendo a construção de hidrelétricas e a disputa enfrentada pela própria Funai, no interior do governo, para realizar sua tarefa primordial: a demarcação de terras indígenas. A interferência política do governo sobre a atuação da Funai foi apontada pela ex-presidente em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://apublica.org/2015/01/a-funai-esta-sendo-desvalorizada-e-sua-autonomia-totalmente-desconsiderada-diz-ex-presidente/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;entrevista na Agência Pública, de janeiro de 2015&amp;lt;/htmltag&amp;gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A orientação é no sentido de que nenhum processo de demarcação em nenhum estágio, delimitação, declaração, ou homologação, tramite sem a avaliação do Ministério da Justiça e da Casa Civil. Isso é, nada mais, nesse momento, “depende apenas da Funai”.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;APública, Jan/2015&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marta Maria Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2012 a jun. de 2013]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marta Maria do Amaral Azevedo é antropóloga, demógrafa, e autora de um dos primeiros trabalhos de pesquisa sobre demografia dos povos indígena. Nascida em São Paulo, formou-se em Ciências Sociais em 1978 pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1980 integrou o grupo de Educação Indígena da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) e atuou como colaboradora do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Também foi colaboradora do ISA, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo – onde ajudou a fundar o Grupo Mari de Educação Indígena – e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), no início da década de 1990. Participou da equipe de demógrafos que, em conjunto com o IBGE, Funai e especialistas de várias e diferentes instituições, aprimorou a coleta das informações sobre os povos indígenas para o censo brasileiro de 2010. Suas investigações envolvem temas como educação indígena, segurança alimentar e saúde das mulheres indígenas, os quais contam com o comprometimento de Marta em sua gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um ano e dois meses no cargo, Marta aprovou os estudos de identificação de 14 Terras Indígenas. Destacamos algumas: a TI Iguatemipeguá I com mais de 41 mil hectares, para os Kaiowá, localizada em região de intensos conflitos com fazendeiros, no Mato Grosso Sul; também aprovou os reestudos de duas terras guarani em S.Paulo, a Jaraguá (com 532 ha, na capital) e a Boa Vista do Sertão Pró-Mirim (no município de Ubatuba com 5.520 ha); seis terras mura tiveram seus estudos de identificação aprovados nos municípios de Borba, Autazes, Carreiro da Várzea, Manaquiri e Careiro, todos no estado do Amazonas, somando 72.631 ha. A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, exonerou, a pedido, Marta Maria do Amaral Azevedo da presidência da Funai em Junho de 2013.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Meira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. 2007 a abr. 2012]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Formado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com mestrado em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), o atual Presidente da Funai pesquisou os povos Warekena, da região do rio Xié, um dos afluentes do rio Negro, no Amazonas, no início dos anos 1990. É o autor da tese &amp;quot;No tempo dos Patrões&amp;quot;, sobre o regime de aviamento que ainda vigora nas relações entre extrativistas e comerciantes no interior da Amazônia. Sua atuação com os povos indígenas, porém, é anterior e data desde sua participação na luta pelos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. Foi também responsável pelo GT da Funai de identificação das Terras Indígenas do Médio Rio Negro, localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. Meira foi um dos interlocutores das organizações indígenas na equipe de transição do governo Lula, em 2002. Sua gestão foi responsável pelo processo de reestruturação da Funai, que renovou o quadro funcional (com 425 novas contratações) e a estrutura administrativa do órgão. Também foi resposável pela inauguração do Centro de Formação em Política Indigenista em Sobradinho/DF. Apesar de ter priorizado a participação do movimento indígena e de ter implantado a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), ao final da gestão Meira ocorreu um rompimento da bancada indigenista com a comissão, no qual entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a CNPI. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Mércio Pereira Gomes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. 2003 a março de 2007]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dirigiu o IPARJ (Instituto de Pesquisas Antropológicas do Rio de Janeiro) e participou da política carioca quando do governo de Leonel Brizola (1991-95), na condição de subsecretário de Cultura e Projetos Especiais. Foi também assessor de projetos especiais da cidade de Petrópolis. Depois de Roque Laraia e Artur Nobre Mendes, Mércio Gomes é o terceiro antropólogo a assumir a presidência da Funai. Foi professor de antropologia na Unicamp, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Macalestes (EUA) e na UFF (Universidade Federal Fluminense). Membro efetivo do Diretório Estadual do PPS, partido da base aliada do governo Lula, Mércio Gomes já era cotado para a presidência da Funai na campanha eleitoral de 2002 em um eventual governo Ciro Gomes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Eduardo Aguiar de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. de 2003 a ago. de 2003]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Primeiro presidente da Funai do governo Lula, Eduardo Aguiar de Almeida ficou apenas seis meses no cargo, tendo sido exonerado em 15 de agosto de 2003, por meio de portaria da Casa Civil. O ministro da justiça declarou-se insatisfeito com o seu trabalho à frente da Funai em mais de uma ocasião, em que observava a &amp;quot;falta de sintonia&amp;quot; de Almeida com os interesses do Ministério. Os rumores sobre a sua substituição começaram a circular há pelos menos 2 meses desde que ele assumiu a pasta. Em entrevista à imprensa, Almeida atribuiu sua demissão à forte pressões oriundas dos setores anti-indígenas da política nacional, citando diretamente os nomes dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Romero Jucá (PMDB-PR) e dos governadores Blairo Maggi (PPS-MT), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Almeida tomou posse oficialmente no cargo mais de um mês após o início da nova gestão do governo brasileiro, em 03/02/2003. É natural do Rio de Janeiro, jornalista e membro fundador da Sociedade Brasileira de Indigenistas (SBI). Já trabalhou na Funai como assessor da presidência entre janeiro e agosto de 2000. Desde janeiro de 2002, atuava como consultor do Ministério do Meio Ambiente. Em sua gestão, Almeida concentrou parte de seus esforços na preparação da Conferência Nacional de Política Indigenista, um dos ítens mais relevantes na pauta petista para a questão indígena – já expresso no documento de campanha de Lula à presidência, intitulado Compromisso com os Povos Indígenas – e cujo objetivo é o de criar uma instância de articulação entre os setores governamentais que têm responsabilidades para com as demandas indígenas, representantes dos índios e outros setores da sociedade civil. No âmbito das reivindicações territoriais, Almeida criou Grupos de Trabalho (Gts) para identificar 17 novas Terras Indígenas e reestudar os limites de outras dez. Uma decisão inovadora da gestão de Eduardo Aguiar de Almeida foi a determinação do critério da &amp;quot;auto-identificação&amp;quot; como instrumento fundamental para que se reconheça como indígenas os grupos que reivindiquem esta condição, adequando as ações do Estado brasileiro à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 2002 a jan. de 2003]''''''&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes foi o nono presidente do órgão indigenista em oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Na Funai desde 1983, Mendes sempre havia atuado na área fundiária. Foi chefe do Departamento de Identificação e Delimitação (Deid), coordenador de Projetos Especiais e coordenador técnico do Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal - o PPTAL, que, ligado ao Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicias do Brasil (PPG7), tem por objetivo demarcar 160 terras indígenas. No momento em que assumiu a presidência da casa, ocupava a diretoria do Departamento de Assuntos Fundiários (DAF), posto em que estava desde a gestão de Glênio da Costa Alvarez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artur Nobre Mendes foi formalmente apresentado no novo cargo em 31/07/2002, juntamente com a equipe recém-constituída por Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, o oitavo ministro da Justiça a assumir a pasta ao longo das duas gestões FHC. Mendes permaneceu à frente da Funai até janeiro de 2003, quando, já então no primeiro mês do governo de Luís Inácio Lula da Silva, pediu demissão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otacílio Antunes Reis Filho'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. a jul. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
A saída de Glênio Alvarez levou à presidência da Funai Otacílio Antunes Reis Filho, antigo funcionário do órgão, então no cargo de diretor de Artesanato. Reis Filho, que já havia sido diretor de Planejamento na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, dirigiu a Fundação por 46 dias, entre junho e julho de 2002.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Glênio Alvarez'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. 2000 a jun. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O geólogo Glênio Alvarez, funcionário da Funai há 14 anos, é o 27º presidente do orgão indigenista oficial desde sua fundação, em 1967. Foi administrador regional do órgão em Boa Vista (RR), em 1994, período de demarcação da TI Yanomami.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha de Alvarez, gaúcho de Santa Maria, encerrou a interinidade do antropólogo Roque de Barros Laraia, que ocupou o cargo desde a saída de Carlos Frederico Marés. Alvarez assumiu dizendo pretender implantar programas conjuntos com governos estaduais. Seu principal desafio seria contornar a falta de verbas para desenvolver os programas previstos para 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início de junho de 2002, a publicação no Diário Oficial da União da exoneração de Glênio Alvarez pegou a todos de surpresa. Ele, inclusive, que não quis se manifestar logo após o ocorrido. Por meio de seu assessor de imprensa, declarou que &amp;quot;havia feito seu trabalho corretamente a favor dos índios no Brasil&amp;quot;. A queda de Alvarez aconteceu dois dias depois que o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, deputado Pinheiro Landim, retirou de pauta o Projeto de Lei da Mineração em Terras Indígenas. A Funai havia se manifestado contrária à aprovação do projeto, de autoria do senador Romero Jucá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Roque de Barros Laraia'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a mai. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com a demissão de Marés, o então presidente substituto, o antropólogo Roque de Barros Laraia, assumiu a presidência da Funai em regime interino. Foram 29 dias até que Glênio Alvarez fosse nomeado presidente pelo ministro José Gregori.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laraia é formado em história, mas optou pela antropologia. Foi parte do corpo docente do Museu Nacional (UFRJ) e, a partir de 1968, da UnB. É integrante do Conselho Indigenista desde que foi criado, em 1967. À época, esse conselho representava o poder máximo no órgão. O antropólogo tem experiência de pesquisa com os Terena e os Suruí do Pará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a gestão de Marés, Roque Laraia foi o responsável pela Diretoria de Assuntos Fundiários. Em entrevista exclusiva ao Isa, confessou que os maiores problemas por ele enfrentados em sua curta gestão na presidência, foram o esvaziamento dos quadros profissionais, a escassez de recursos e a pressão constante de grupos indígenas, como os Xavante e os Fulniô. Segundo ele, &amp;quot;não é possível administrar a Funai com os Xavante do jeito que estão&amp;quot;. Para ele, a maioria dos índios continua desassistida, ao passo que uma etnia acaba consumindo o tempo da administração e tomando a maioria dos recursos parcamente disponíveis.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Carlos Frederico Marés'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1999 a abr. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nascido em União da Vitória (PR), Carlos Frederico Marés de Souza Filho é professor de Direito Agrário e Ambiental da PUC-PR. Foi procurador do estado do Paraná entre 1991 e 1994, e secretário da Cultura do município de Curitiba, entre 1983 e 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaborou, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), na formulação do Capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;, e foi um dos coordenadores da campanha &amp;quot;Povos Indígenas na Constituinte&amp;quot;. Em 1989, fundou o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI), e, em 1994, o Instituto Socioambiental, do qual foi presidente e conselheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés é também autor de seis livros, o último deles - &amp;quot;O renascer dos povos indígenas para o Direito&amp;quot; - é resultado de sua dissertação de doutoramento apresentada, em 1988, à UFPR.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés foi indicado para a presidência da Funai pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, que advogou em seu favor, providenciando a regularização de sua situação no Brasil, quando de seu retorno depois de nove anos de exílio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de assumir o cargo, Marés apresentou 13 propostas para o ministro como condição para poder assumir a presidência da Funai (ver artigo Descascando o &amp;quot;abacaxi&amp;quot;, nos &amp;quot;500 anos&amp;quot; do Brasil). Entre elas, estava a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O curto período em que Marés esteve na Funai foi marcado por atos polêmicos. Logo no início de 2000, declarou publicamente que não haveria o que comemorar no dia 22 de abril, aniversário de 500 anos do &amp;quot;descobrimento&amp;quot; do Brasil. &amp;quot;É uma festa da chegada das caravelas, festa dos brancos. A maior parte dos índios brasileiros tem contato com a civilização branca há bem menos de 500 anos&amp;quot;, disse ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Marés foi marcada pela negociação em torno da apresentação da nova proposta para o &amp;quot;Estatuto do Índio&amp;quot;. Em 17 de abril de 2000, Marés apresentou a proposta do governo &amp;quot;Estatuto do índio e das comunidades indígenas&amp;quot; às lideranças indígenas que se reuniam em Monte Pascoal, em ocasião da marcha de protesto contra as comemorações dos 500 anos. Isso se deu antes mesmo da proposta ser submetida ao Legislativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 22 de abril, após presenciar uma ação da polícia contra a marcha dos índios que iam de Coroa Vermelha a Porto Seguro para protestar contra as comemorações dos 500 anos, Marés anunciou que pediria demissão. &amp;quot;Não posso permanecer num governo que faz agressão física ao movimento indígena organizado&amp;quot;, afirmou após ter decidido, em caráter irrevogável, apresentar sua demissão ao ministro da Justiça José Gregori.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Lacerda'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. a nov. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
José Márcio Panoff de Lacerda tomou posse na Presidência da Funai em 22 de fevereiro de 1999. Foi deputado, senador e vice-governador do Mato Grosso. Em seu discurso de posse, prometeu investir na aprovação de um novo Estatuto do Índio, &amp;quot;que reflita uma política realista, voltada para proporcionar às sociedades indígenas o legítimo direito de explorar em bases racionais os recursos naturais existentes em suas terras&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua atuação foi marcada pela defesa de parcerias entre o estado e os municípios para melhorar os atendimentos às sociedades indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 31 de maio, Lacerda foi retirado à força do prédio da Funai por 51 guerreiros xavante, que se revoltaram devido ao afastamento do diretor da AER de Nova Xavantina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Lacerda teve de enfrentar, a partir de maio de 1999, os inquéritos por ocasião da CPI da Funai, promovida por parlamentares que visavam investigar o relacionamento do órgão federal com ONGs, admissão de antropólogos e aplicação de recursos. Nesse período, tornou-se cada vez mais público o caos orçamentário da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro, por pressões dos índios, de várias instituições e de ONGs, colocou o cargo à disposição. Na ocasião, ele admitiu que enfrentou conflitos internos, principalmente com o médico Oswaldo Cid Nunes da Cunha, exonerado da chefia do Departamento de Saúde na Funai em Brasília, que classificou Lacerda de &amp;quot;incompetente&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lacerda acusou o médico de deslealdade ao condenar publicamente a decisão do governo de transferir a área de saúde indígena para a Fundação Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sulivan Silvestr'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1997 a fev. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sulivan Silvestre, paranaense, funcionário do Ministério Público de Goiás, tomou posse em 22 de agosto de 1997. Formado em Direito pela PUC de Goiás, Silvestre era especialista em meio ambiente. Desconhecido entre índios e indigenistas, seu nome surpreendeu, já que estavam cotados para ocupar o cargo antropólogos e funcionários da Funai conhecidos pela comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua nomeação comprovou o poder de fogo do ministro Íris Rezende, que conseguiu colocar no comando um apadrinhado político sem nenhuma experiência com a política indigenista. A indicação política desagradou o funcionalismo da Funai, que torcia pela nomeação de um técnico dos quadros da Fundação e algumas organizações não-governamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu discurso de posse, Silvestre afirmou ser a demarcação de terras a prioridade de sua gestão. Além disso, enfatizou a necessidade de uma aproximação entre a Funai, os índios e as demais entidades de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Procurou estruturar o Conselho Deliberativo e Participativo das Lideranças Indígenas, promovendo o diálogo entre a Funai, os representantes indígenas, as ONGs, o Cimi e o Capoib, sempre em defesa da descentralização do órgão indigenista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1 de fevereiro de 1999, Silvestre morreu em um acidente de avião. O bimotor Sêneca, que o levaria de Brasília até uma reunião com os índios Fulni-ô e Pankararu, caiu a poucos minutos da pista do aeroporto de Goiânia. O acidente ocorreu por volta das 21h30. Pouco depois da queda, o aparelho foi consumido pelo fogo. Renan Calheiros, ministro da Justiça na época, afirmou que iria acompanhar as investigações sobre o acidente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Júlio Gaiger'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1996 a jul. de 1997]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O advogado gaúcho Júlio Gaiger foi nomeado presidente da Funai em 12 de março de 1996, ocupando o lugar de Márcio Santilli. Ligado à questão indígena desde 1977, quando dirigiu a Associação Nacional de Apoio ao Índio em Porto Alegre, Gaiger foi assessor jurídico do Cimi até 1991 e trabalhou como assessor na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi indicado pelo ministro Nelson Jobim, com quem trabalhava desde meados de 1995 na formulação do polêmico Decreto 1775, que prevê a revisão de áreas indígenas ainda não registradas. Essa indicação causou imediatos protestos de organizações indígenas e de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1997, apesar dos apelos dos Xavante pela saída imediata de Gaiger, o novo ministro da Justiça, Íris Rezende, bancou a sua permanência. Mas, em 17 de julho, Gaiger entregou o cargo, alegando que o governo não teria se empenhado na implementação da política indigenista e que lhe teria faltado apoio político para levar adiante a reformulação administrativa do órgão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Ressinto-me, na Funai, da ausência de decisões estratégicas que escapam do nosso alcance&amp;quot;, escreveu em sua carta de demissão. Em entrevista, disse que vinha sofrendo pressões dos Xavante, de funcionários da Funai e de grupos políticos vinculados aos índios e aos servidores que, na sua opinião, tencionavam desestabilizá-lo para que não reformulasse o órgão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio José Brando Santilli'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1995 a mar. de 1996]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Indicado por FHC, um dia depois de uma reunião ocorrida no palácio da alvorada em 03/08/95 entre o presidente, o ministro da justiça e um grupo de antropólogos, Santilli não era o preferido de Jobim. Então secretário executivo do Instituto Socioambiental em Brasília, Santilli demorou um mês para aceitar a indicação, período em que indicou outros nomes ao ministro Jobim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consultou previamente várias ONGs do campo indigenista sobre a oportunidade de encarar o desafio de administrar uma Funai sucateada e enfrentar um novo decreto sobre demarcação de terras indígenas, medida já decidida pelo presidente FHC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formado em filosofia, Santilli foi deputado pelo PMDB de SP (1982-86) e integrante do grupo político do atual presidente FHC. Durante seu mandato parlamentar, foi membro da Comissão de Relações Exteriores e da Comissão do índio, na Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1987 e 88, foi pessoa-chave na ligação entre a Coordenação Nacional dos Povos lndígenas na Constituinte - que reunia índios e organizações civis de apoio - e o Congresso Nacional. Em 1989, juntamente com um grupo de índios, antropólogos e juristas, fundou e dirigiu o NDI, uma ONG com sede em Brasília, que teve destacado papel na aplicação prática dos direitos coletivos dos índios, através de demandas judiciais paradigmáticas. Em 1994, foi um dos fundadores do Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Cimi considerou a sua nomeação como &amp;quot;uma tentativa do governo para criar condições políticas favoráveis para mudar o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas&amp;quot;. Além da Igreja Católica, Santilli ganhou muitos inimigos internos com a demissão de funcionários corruptos das Áreas Kayapó e Xavante, o corte de diárias de caciques xavante em Brasília, o fechamento de Administrações Regionais, e o anúncio de uma grande reforma administrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfrentou várias rebeliões regionais e seqüestros de funcionários por índios articulados com segmentos de máfias funcionais e o seu próprio gabinete em Brasília foi invadido por um grupo de Xavante, acompanhado da Rede Globo de TV. Santilli pediu demissão alegando falta de apoio do Ministério da Justiça, que não buscava ampliar as verbas da Funai e retinha os recursos que ele conseguira diretamente do Tesouro Nacional, além de não garantir a investigação policial a respeito das máfias funcionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Dinarte Nobre Madeiro'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1993 a set. de 1995]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dinarte assumiu interinamente a presidência da Funai, no dia 03/09/93, e acabou permanecendo dois anos à frente do órgão. Há 23 anos funcionário da Funai, ao assumir o cargo era assessor da Presidência do órgão para a região Norte e Nordeste, e estava em Boa Vista coordenando a retirada dos garimpeiros da AI Yanomami. Defendeu a necessidade do órgão retomar o poder de polícia para ter mais autonomia e mobilidade no combate aos garimpeiros que invadem terras indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Madeiro foi mantido no cargo com a mudança de governo e, no conjunto, teve uma gestão discreta, sem denúncias de improbidades administrativas. Apesar disso, Dinarte foi publicamente desprestigiado pelo ministro da Justiça Nélson Jobim e pelo próprio presidente FHC. Chegou a pedir demissão alegando suas divergências com o secretário-executivo do Ministério, Milton Selligman, na questão das demarcações das terras indígenas, principalmente sobre a área dos Xavante, a Suiá-Missu. O ministro não aceitou a demissão. Afastado das deliberações sobre os rumos da política indigenista oficial, colocou seu cargo à disposição mais de uma vez e manifestou sucessivamente seu apoio à manutenção dos procedimentos administrativos constantes no Decreto 22/91.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Cláudio dos Santos Romero'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Claudio Romero ocupava o cargo de Diretor Geral de Assistência da Funai, quando foi nomeado para presidir o órgão em 20/05/93. Funcionário de carreira do órgão,desde meados da década de setenta, coordenou o Projeto Xavante que tinha como principal objetivo a demarcação do território xavante ocupado pela frente colonizadora, além de projetos de educação e desenvolvimento comunitário. Foi diretor do Parque Indígena do Xingu, quando entre outras coisas apoiou os Kayapó Metuktire na demarcação da AI Capoto/Jarina. Tomou posse do cargo de presidente do órgão prometendo que não haveria qualquer ruptura na continuidade dos trabalhos da gestão de Sidney Possuelo. Nos quase quatro meses que esteve à frente da Funai, Romero teve uma gestão controvertida. Disse que o presidente Itamar Franco não tinha vontade política para cumprir o prazo constitucional de 05/10 para regularizar a demarcação das terras indígenas no país e foi obrigado a reparar o comentário, publicamente. Em agosto de 93, foi acusado, por um dossiê interno, de ter delatado em 83 à Assessoria de Segurança e Informação -o SNI da Funai -uma conspiração de funcionários contra o então presidente do órgão, coronel Paulo Leal. Ele admitiu que escreveu um relatório denunciando servidores do órgão, mas negou ser &amp;quot;araponga&amp;quot; do regime militar. Romero diz que os servidores denunciados planejavam invadir a sede da Funai, articulados pelo então deputado Mário Juruna e pelo então vice-governador do Rio, Darcy Ribeiro. Na época, diretor do Parque Indígena do Xingu, Romero disse que estava interessado em obter da direção da Funai a demarcação das terras indígenas na região e, por isso, foi contra o movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi demitido no dia 03/09/93, em meio a informações contraditórias sobre a chamada chacina dos Yanomami em Haximu, sobre a qual divulgou números sucessivamente desmentidos pela imprensa. Discutiu com parlamentares em Roraima ameaçando proibi-los de entrar na AI Yanomami, ao mesmo tempo autorizou a visita de diplomatas estrangeiros sem consultar o Itamaraty, além de ter criado um confronto ao declarar que não se subordinaria às orientações do novo ministro extraordinário para a Amazônia, Rubens Ricúpero.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sidney Ferreira Possuelo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1991 a mai. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O sertanista Sidney Ferreira Possuelo chefiava a Coordenadoria de Índios Isolados da Funai quando foi nomeado no dia 28/06/91 pelo presidente Collor, em substituição a Cantídio Guimrães, demitido no dia 21/06. Possuelo recebeu carta branca para fazer alterações administrativas e afirmou como prioridades o caso Yanomami e a demarcação de 266 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, chefe da Frente de Atração dos Arara(PA), na década de 80, Possuelo reivindicou permanentemente ao presidente Collor a revogação dos Decretos 23, 24, 25 e 26 (de 04/02/91), que tiraram da Funai as responsabilidades pela educação, saúde, projetos produtivos e meio ambiente em áreas indígenas, transferindo-as a outros ministérios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizou uma reforma administrativa, iniciada em 20/01/92, quando exonerou seu superintendente geral, Edívio Batistelli. Desapareceram do organograma não só esse cargo, mas todas as Superintendências Regionais. Todas as atividades, desde o planejamento geral da Funai até o atendimento aos mais remotos Postos Indígenas passaram a se vincular diretamente à Presidência do órgão. As Superintendências passaram à categoria de Administrações Regionais -que somam 46, sem autonomia administrativa ou orçamentária, ligados à Diretoria Geral de Assistência, em Brasília. Foram criadas também as Diretorias Fundiária e de Administração. Em sua gestão, Possuelo distendeu a relação do Órgão com entidades não-governamentais. Ao criar o CDDI, convocou representantes de ONGs para compô-lo e assinou quatro convênios de parceria com essas entidades no âmbito da demarcação de terras indígenas (ver mais detalhes no capítulo Terras indígenas) .Sofreu forte oposição interna por isso. O principal feito da sua gestão foi a demarcação física da terra Yanomami de forma contínua, facilitada pela disposição política do presidente Collor para encaminhar processos de reconhecimento oficial dos direitos territoriais indígenas, com vistas à ECO-92 ( ver Cronologia de um Genocídio Documentado, no capítulo Roraima Mata).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Possuelo acabou demitido no dia 19/05/93, pelo ministro da Justiça Maurício Corrêa, por ordem do presidente Itamar Franco. Na versão do próprio Possuelo, sua cabeça rolou devido a três motivos: conflito aberto com o ministro Henrique Hargreaves, do Gabinete Civil- que fizera indicações para postos de chefia da Funai no Acre e em Goiânia; pressão de militares inconformados com as demarcações de terras na fronteira; e pressão de segmentos econômicos contrariados, como as mineradoras.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sargento Cantídio Guerreiro Guimarães'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1990 a jul. de 1991]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sub-oficial da reserva da Aeronáutica (onde serviu como Sargento do quadro de manutenção e reparo de aeronaves), amigo pessoal do ex-presidente Romero Jucá, foi superintendente regional da Funai em Cuiabá de 86 a 87. Corre contra os dois um processo no Supremo Tribunal de Justiça por autorização de extração ilegal de madeira na AI Uru-Eu-Wau-Wau. Era assessor do ex-presidente Íris Pedro de Oliveira e foi Chefe de Gabinete do Consultor Geral da República, Clóvis Ferro Costa. Nesta função fez um parecer - aprovado por Ferro - que autorizava o uso da rodovia de 38 km dentro da AI Waimiri-Atroari. Antes de ser nomeado presidente da Funai, era funcionário da representação do estado do Amapá em Brasília.Foi afastado do cargo em meio a acusações dos índios do Xingu -e tornadas públicas pela imprensa - de estar fotografando índias nuas e &amp;quot;molestar moças e adolescentes&amp;quot; do Parque do Xingu (MT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Coronel Airton Alcântara'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a ago. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Entrou na Funai para substituir o Coronel Carneiro, do CSN, que havia sido nomeado Superintendente Geral da Funai na gestão Íris Pedro, mas acabou morrendo no dia da posse.Alcântara tornou-se presidente, respondendo pelo cargo na fase de transição imposta pelo novo presidente da República Fernando Collor de Mello, recém empossado e que, dentre outras medidas, incorporou a Funai ao Ministério da Justiça depois de liquidar o Ministério do Interior. Para se firmar no cargo e tentar sua permanência no órgão, teve alguns gestos simpáticos aos indigenistas e antropólogos, assinando decretos de reintegração das áreas Uru-Eu-Wau-Wau e Kaiabi Gleba Sul. Por outro lado, elaborou uma lista de 880 servidores a serem colocados em disponibilidade, aproveitando o argumento do enxugarnento administrativo para proceder a uma nova &amp;quot;caça às bruxas&amp;quot;, incluindo antropólogos e indigenistas entre os &amp;quot;disponíveis&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Íris Pedro de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1988 a mar. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, entre 1980 e 1983 foi presidente do Grupo de Terras do Araguaia/ Tocantins (Getat), visto como um órgão de repressão e policiamento. Pragmático, apregoava soluções técnicas e operacionais para caracterizar os territórios indígenas: estabelecer áreas a partir de limites naturais, transferir grupos indígenas para &amp;quot;evitar conflitos&amp;quot; com colonos etc. Em 1980, grileiros aceleravam a invasão de terras indígenas dos Xikrirn do Cateté, em Marabá; em 82, o Getat, a Eletronorte e a Funai optaram pela recomposição da área indígena dos Parakanã, &amp;quot;para evitar contatos indiscriminados&amp;quot; entre as famílias que seriam atingidas direta ou indiretamente pelas águas da UHE e estavam sendo reassentadas na variante da Transamazônica&amp;quot;. Sua nomeação confirmaria a vinculação da Funai aos desígnios do CSN. Denúncias da própria Funai indicam que utilizava-se das aeronaves do órgão para visitar uma fazenda de sua propriedade em Imperatriz (MA), onde há uma administração regional da Funai; esta, tomou-se recordista em receber visitas de um presidente do órgão no período do mandato do presidente Íris. Renovou o convênio com o Instituto Lingüístico de Verão (SIL) para atuarem em todo território nacional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Romero Jucá Fº.'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 1986 a set. de 1988]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista, pernambucano, indicado pelo ministro Marco Maciel, seu conterrâneo e chefe da Casa Civil, dirigia o Projeto Rondon.Implantou a descentralização da FUNAI e retirou os índios de Brasília. Tecnocrata modernizador, assinou inúmeros convênios técnicos e de assistência com outros Ministérios. Promulgou um novo regimento interno no órgão. Nos cinco primeiros meses de sua gestão, o quadro de funcionários havia passado de 3.300 funcionários para 4.200. Somente em Recife, sua terra natal, o escritório da FUNAI chegou a ter 400 funcionários vinculados.Tentou tirar a crise do órgão das páginas de jornais, mas acabou sofrendo intervenção do TCU devido às irregularidades financeiras do órgão. Defendia a linha “pragmática” de exploração dos recursos naturais das terras indígenas, e foi acusado de promover inúmeros contratos com madeireiras.Manifestava-se contra a presença de garimpeiros nas áreas indígenas e assinou, em 1987, o convênio Funai/DNPM para exploração mineral empresarial em área indígena. Em maio de 88, assinou portaria criando um GT para avaliar o grau de aculturação dos índios. Saiu da FUNAI para ser governador nomeado de Roraima, carregando consigo um processo no Supremo Tribunal de Justiça por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena. Já fora da FUNAI, como governador de Roraima, passou a defender a permanência dos garimpeiros invasores do território Yanomami.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Apoena Meirelles'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1985 a mai. de 1986]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sertanista, nasceu numa aldeia Xavante em Pimentel Barbosa, filho do também sertanista Francisco Meirelles (funcionário do antigo SPI), desde cedo acompanhava o pai nas frentes de atração e trabalho nas aldeias.Autor de um projeto de descentralização da FUNAI, ocupou a presidência com o apoio do Ministro do Interior, Costa Couto, para implantá-lo e esvaziar a crise do órgão.Em maio de 1986, veio o decreto alterando o Estatuto da FUNAI, criando seis superintendências regionais.Apoena despachou durante boa parte do mandato fora de seu gabinete na FUNAI - preferindo uma sala no Ministério ou as delegacias regionais -, evitando assim o confronto com o movimento dos índios em Brasília, que continuava intenso.Distribuiu muitos recursos para contentar o lobby Xavante e reprimiu os índios hospedados em Brasília , cancelando o contrato de hospedagem com os hotéis das cidades satélites.Apoena saiu da presidência do órgão alegando não concordar com a ingerência do Ministro do Interior na indicação de nomes para a superintendência de terras e dos 6 superintendentes regionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Álvaro Villas Boas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. a nov. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Indigenista, irmão de Cláudio e Orlando Villas Boas, trabalhou durante anos como delegado da funai em Bauru (SP).Sua indicação teve grande repercussão (negativa) entre os índios que se encontravam em Brasília (mais de 300). Mas Raoni, por exemplo, liderança Kayapó, reuniu um grupo de índios para apóiá-lo.A delegacia de Londrina, fechada por ele, foi ocupada por 120 índios que exigiam sua demissão. Fechou a delegacia de Salvador, que fora ocupada por índios que queriam ver suas terras demarcadas.Demitiu, logo ao início de sua gestão, os indigenistas empossados em cargos de confiança por Jurandy M. da Fonseca.Em seu curto mandato, reuniu contra si os funcionários demitidos que tinham influência sobre algumas lideranças indígenas e sua atitude de não negociar sob pressão com os índios levou-o a ser demitido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Gerson da Silva Alves'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a set. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assumiu interinamente a presidência da FUNAI e, em meados de maio, foi empossado oficialmente no cargo, apoiado pelos Xavante e pelo deputado Mario Juruna em meio à “enchente indígena” em Brasília.Sargento reformado do exército, contador, trabalhava na FUNAI havia 14 anos, em funções burocráticas. Como delegado regional do órgão em Campo Grande e Cuiabá, e diretor do DGO, na sede, em Brasília, acumulou relações de clientela com os Xavantes, que contribuíram para sua indicação ao cargo, em meio à crise sucessória que marcou o período.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ayrton Carneiro de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Aquele que foi sem nunca ter sido. Ex-diretor do INCRA, foi indicado para presidir interinamente a FUNAI pelo Ministro Costa Couto, mas impedido de tomar posse por um conjunto de índios e funcionários que fizeram uma barreira na entrada do prédio.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Nelson Marabuto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1984 a abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Policial de carreira, antes de assumir a presidência da FUNAI havia sido chefe da assessoria de segurança e informação do órgão e também o superintendente da Polícia Federal em São Paulo.Permaneceu no cargo durante o período de transição do governo Figueiredo para o governo Sarney, prolongado pela agonia de Tancredo Neves, no qual houve uma intensa disputa pelo cargo entre varias facções do indigenismo, cada qual mobilizando índios em Brasília.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Jurandy Marcos da Fonseca'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, foi chefe de gabinete da FUNAI nas gestões Bandeira Mello e Ismarth Araújo de Oliveira. O “release” de sua posse informava que havia nascido numa aldeia indígena e que seu pai participara da Comissão Rondon e trabalhara no SPI.Na sua gestão, inaugura a nomeação de índios para cargos de chefia na Funai: Marcos Terena para chefe de gabinete e Megaron (Kayapó) para diretor do Parque do Xingu. Readmitiu muitos dos indigenistas e antropólogos, excluídos por Nobre da Veiga, alguns deles como seus assessores diretos e em cargos de direção.Em julho de 84, demite o sertanista Álvaro Villas Boas, delegado da 12a. DR, causando grande tumulto entre os índios do interior de São Paulo e Paraná, que exigiam sua readmissão invadindo e ocupando por duas semanas a delegacia de Bauru, com grande repercussão na imprensa. Vários artigos em jornais comentavam que era o fim da velha política indigenistas, que começava uma nova mentalidade, uma maneira nova de agir e tratar os problemas indígenas e, principalmente, que se percebia que os índios já não eram mais os mesmos, o que exigia formas diferentes de relacionamento com eles. Era o “sopro de esperança na FUNAI”.Jurandy foi demitido em setembro de 1984. Declarou: ”fui demitido porque não assinei a portaria para regulamentar o decreto 88.985” (autorizando a mineração em terras indígenas). Saiu como herói – mas, uma semana depois, foi acusado pelo Procurador Geral da FUNAI, Irineu de Oliveira, de ter beneficiado 85 fazendeiros no Mato Grosso do Sul, com contratos de arrendamento das terras dos Kadiweu, e embolsado os Cr$ 150 milhões referentes aos contratos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otávio Ferreira Lima'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1983 a abr. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista funcionário do MInistério do Interior, logo que assumiu a presidência da FUNAI convocou as Polícias Militar e Federal para impedir o acesso de lideranças indígenas ao seu gabinete, e suspendeu as entrevistas à imprensa. Demitiu quatro coronéis em cargos de direção (entre eles, o Cel. Hausen).Na sua gestão, foi promulgado o polêmico decreto 88.985, de novembro de 1983, autorizando a entrada de empresas de mineração em terras indígenas.Em dezembro do mesmo ano, assinou um convênio (No. 028/83) com o SIL (Summer Institute of Linguistics), para um período de dois anos, sujeito a prorrogação.Durante uma crise na parte norte do Parque do Xingu - quando os Txucarramãe interditaram a BR-080 e fizerem alguns funcionários como reféns para obtenção de uma faixa de terra adicional -, Ferreira é demitido pelo seu desempenho desastroso como negociador.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Paulo Moreira Leal'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 1981 a jul. de 1983]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da Aeronáutica, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional (CSN). Assumiu a presidência da FUNAI falando em reestruturação administrativa; solicitou ao Ministério do Interior a contratação de 4 mil novos funcionários e afirmou que sua grande aspiração era ver o maior número possível de índios ocupando cargos de direção da Fundação.Demitiu alguns militares assessores do órgão sob pressão dos Xavantes.Assinou um convênio com o Projeto Rondon, para atendimento nas áreas de saúde educação e com a Petrobrás, estabelecendo normas gerais a serem observadas nos trabalhos de pesquisa e lavra mineral em terras indígenas.Encomendou estudos a funcionários do órgão, visando emancipação dos Guarani (da região sul do País) e Tembé (PA/ MA), com base em “critérios de indianidade”.No final de sua gestão, um decreto interministerial (No. 88.118, de 23.02.83) criou o chamado “Grupão”, para a regularização das terras indígenas, retirando tal atribuição do âmbito decisório da FUNAI e alçando-a formalmente ao nível ministerial e do CSN.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Carlos Nobre da Veiga'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1979 a out. de 1981]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da reserva, assume o cargo falando em “disciplina” e demitindo 39 indigenistas e antropólogos, porque haviam encaminhado carta ao Ministro do Interior com criticas à política da FUNAI. Incrementa o projeto de emancipação compulsória, criando os famosos “critérios de indianidade” e declarando que “o índio estará emancipado em cinco gerações”; mas recua e não encaminha o processo ao Ministério do Interior (MINTER).Reestrutura a FUNAI para fortalecer as unidades regionais. Numa reunião da SUDAM, afirma que ”há reservas demais”. A 15/12/1980, sai uma Portaria Interministerial (MINTER/ Min. das Minas e Energia) facilitando a exploração mineral em terras indígenas por empresas estatais. Com base no parecer do Conselho Indigenista da FUNAI, o Ministro do Interior, Mario Andreazza, proíbe Mário Juruna, liderança indígena do povo Xavante, de participar do Tribunal Russel, na Holanda.Juruna lidera 40 índios que, na sede da FUNAI em Brasília, exigem a demissão do Presidente da FUNAI e mais dois coronéis da direção: Ivan Zanoni Hausen (DGPC) e Jose Rodriges Godinho (DGO).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Adhemar Ribeiro da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a nov. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Engenheiro de profissão, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), na sua curta gestão extinguiu a COAMA (Coordenação da Amazônia) e concedeu alvarás de pesquisa mineral na AI Waimiri-Atroari (AM).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ismarth Araújo de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1974 a mar. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, antes de ser nomeado presidente havia sido superintendente da FUNAI. Na sua posse, o Ministro do Interior, Rangel Reis, anunciou “a política de integração em ritmo acelerado”, o que viria a desembocar no projeto de emancipação dos índios, contra o qual ele se opôs publicamente. Mas incrementa os chamados “projetos de desenvolvimento comunitário”, dentro de uma política de “espíritos desarmados” com antropólogos, indigenistas e missionários. Na sua gestão, aumentam substancialmente as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Oscar Jeronymo Bandeira de Mello'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 1970 a mar. de 1974]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, ex-chefe da Divisão de Segurança e informação da FUNAI e ex-agente do SNI, participou do inquérito que extinguiu o SPI. Na sua gestão, consolidou-se a política da FUNAI atrelada ao binômio “segurança e desenvolvimento”, que marcou o período mais duro do regime autoritário - o governo Médici. Seu lema era: “Integrar os índios rapidamente”, sobretudo para que não obstaculizassem a ocupação e colonização da Amazônia, em consonância com o Ministro do Interior, Costa Cavalcante, que anunciou o “boi como grande bandeirante da década”. No bojo do Plano de Integração Nacional, lançado em 1970, estabeleceu um convenio com a SUDAM “para pacificar 30 grupos arredios” ao longo da Transamazônica. Participou de um churrasco com fazendeiros na abertura da BR-080, rodovia que cortou o norte do Parque do Xingu e excluiu boa parte do território dos índios Txukarramãe (sub-grupo Kayapó).Durante sua gestão, foi promulgado o Estatuto do Índio, aprovado pelo Congresso Nacional, e criada, na FUNAI, a Divisão de Desenvolvimento Comunitário (subordinada à Coordenação de Programas de Desenvolvimento de Comunidades, do Ministério do Interior). Relacionada a essa divisão desenvolvimentista e integracionista das populações indígenas, reintroduziu a chamada “renda indígena”, conceito chave para viabilizar o projeto de “emancipação econômica” dos grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''José de Queiroz Campos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[dez. de 1967 a jun. de 1970]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coordenou a implantação do órgão, tendo que se defrontar – juntamente com o Ministro do Interior, Gal. Albuquerque Lima – com a avalanche de denúncias de genocídio contra o governo no exterior, sobretudo a partir da divulgação do Relatório Jader Figueiredo (março de 1968), que trazia os resultados de uma devassa no SPI (Serviço de Proteção aos Índios, órgão governamental antecessor à FUNAI).Na sua gestão, foram ampliada a área do Parque do Xingu e criados outros três parques indígenas. Criou a GRIN, Guarda Rural Indígena, transformando índios em policiais nas suas próprias aldeias. Assinou convênio com o SIL (Summer Institute of Linguistics) em 1969 e, no mesmo ano, realizou o 1o. Simpósio FUNAI - Missões Religiosas.Jornalista de profissão, escreveu livros a respeito de fatos ocorridos na sua gestão (como a famosa expedição do Pe. Calleri, chacinada durante as tentativas de contatar os Waimiri–Atroari, no Amazonas), mas que nunca chegou a publicar, por recomendação dos órgãos de segurança.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ações ministeriais==&lt;br /&gt;
O início da década de 1990 marcou decididamente uma mudança radical na [[Órgão Indigenista Oficial | política indigenista oficial brasileira]]: até então, todas as ações relativas aos povos indígenas estavam sob a gestão exclusiva do Ministério da Justiça, via a [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio]]. A partir de 4 decretos presidenciais promulgados no ano de 1991 - conforme tabela abaixo -  a maioria das ações da Funai foi absorvida total ou parcialmente por outros ministérios e órgãos federais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Decreto | Data&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Objeto do decreto&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;No 23 - 4/02/1991 (saúde)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as condições para a prestação de assistência à '''saúde das populações indígenas: '''Art. 5º '''A Fundação Serviços de Saúde Pública - FSESP''', enquanto não for instituída a Fundação Nacional de Saúde, de que trata o artigo 11 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, encarregar-se-á da coordenação dos projetos, tanto na fase de elaboração, quanto na de execução. &amp;lt;br/&amp;gt;OBS. Em 16 de abril de 1991, o Decreto Presidencial nº 100 instituiu a '''Fundação Nacional de Saúde (FNS)''' que incorporou a Fundação Serviços de Saúde Pública e, por seu turno, o atendimento à saúde das populações indígenas.   &lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 24 – 4/02/1991 (meio ambiente)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as ações visando à proteção do '''meio ambiente em terras indígenas'''.  Art. 4º A coordenação dos projetos mencionados no art 2º caberá à Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, e sua elaboração e execução serão realizadas pelo '''Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis''' e pelo órgão federal de assistência ao índio&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 25 – 4/02/1991 (auto-sutentação econômica)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre programas e projetos para assegurar '''a auto-sustentação dos povos indígenas'''. Art. 5º Compete ao '''Ministério da Agricultura e Reforma Agrária''', por intermédio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRAPA, e ao '''Ministério da Justiça''', por intermédio do órgão federal de assistência ao índio, a coordenação das ações decorrentes deste Decreto&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 26 – 4/02/1991 (educação)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre a '''Educação Indígena no Brasil.''' Art. 1º Fica atribuída ao '''Ministério da Educação''' a competência para coordenar as ações referentes à Educação Indígena, em todos os níveis e modalidades de ensino, ouvida a FUNAI&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais medidas de cunho legal, retirando da Funai grande parte de suas principais atribuições, produziram uma situação na qual as políticas públicas para os povos indígenas  até os dias de hoje vêm sendo conduzidas e executadas de maneira: a) fragmentada: já que pulverizadas em diversos órgãos de distintos ministérios federais e, portanto, sem a falta de uma coordenação geral; b) sobreposta: pois mesmo com essa pulverização, a Funai continua tanto a executar parte de algumas das ações previstas para outros ministérios ([[A educação escolar indígena no Brasil | educação indígena]] e atividades econômicas), como , em muitos casos, a não cumprir com suas atribuições de suporte e parceria junto aos mesmos ministérios, exigidas em todos os decretos citados;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer desse período – 1991 aos dias atuais -, foram diversas as ações desencadeadas pelos diversos ministérios que passaram a cuidar da política indigenista oficial, para além daquelas que continuaram a ser promovidas pela Fundação Nacional do Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma descrição mais pormenorizada sobre os tema da saúde (Ministério da Saúde) e da educação (Ministério da Educação), ver as subseções específicas que compõem este site.  &lt;br /&gt;
Quanto às ações desencadeadas pelos demais ministérios, não há espaço aqui para apresentá-las em sua totalidade e com o nível de detalhamento requerido. Assim, apresentamos abaixo apenas algumas destas iniciativas ministeriais para que se possa ter uma idéia geral do atual quadro da política indigenista oficial atual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ministérios&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ações&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Meio Ambiente (MMA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI)&lt;br /&gt;
* Gestão Ambiental em Terras Indígenas&lt;br /&gt;
* Conservação e Recuperação da Biodiversidade em T.I.s&lt;br /&gt;
* Ação de fomento à Gestão Ambiental em T.I.s&lt;br /&gt;
* Fortalecimento social e econômico via Coordenadoria do Agroextrativismo  &lt;br /&gt;
* “Carteira Indígena”: Segurança Alimentar associada à Recuperação de Degradação Ambiental&lt;br /&gt;
* PNGATI - Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ATER Indígena: Valorização da Agroecologia&lt;br /&gt;
* PRONAF: financiamento de projetos de capacitação de lideranças indígenas comunitárias; de etnodesenvolvimento etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Social  (MDS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Doação de recursos financeiros para o projeto “Carteira Indígena”, sob gestão do MMA&lt;br /&gt;
* Bolsa-Família para os povos indígenas&lt;br /&gt;
* “Fome Zero Indígena” &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Cultura (MinC)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Prêmio Culturas Indígenas&lt;br /&gt;
* Pontos de Cultura para povos indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Saúde (MS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada em outubro de 2010.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Veja também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências externas ==&lt;br /&gt;
===Sites===&lt;br /&gt;
====Funai====&lt;br /&gt;
* Página oficial da Funai- &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Blog da FUNAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Técnica Local Nova Xavantina - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Madeira - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://crmadeira.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://crmadeira.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Litoral Sul - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional do Sul da Bahia - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Macéio - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Fortaleza - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Cacoal - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaiceara.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaiceara.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura=24&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura;=24&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  MEC. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=290&amp;amp;amp;Itemid=815&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view;=article&amp;amp;amp;id;=290&amp;amp;amp;Itemid;=815&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (MN/UFRJ) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Centro de Trabalho Indigenista - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====Ministérios====&lt;br /&gt;
* Ministério do Meio Ambiente - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mds.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mds.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Agrário - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Cultura - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Saúde - SESAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Bibliografia===&lt;br /&gt;
* ARRUTI, José Maurício. 2006. “Etnogêneses Indígenas”. In: RICARDO, Beto; RICARDO, Fany (Editores). Povos Indígenas no Brasil: 2001-2005. São Paulo: Instituto Socioambiental.  &lt;br /&gt;
* CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (Org.). 1987. Os Direitos do Índio: ensaios e documentos. São Paulo: Editora Brasiliense. &lt;br /&gt;
* * __________. 1992. Legislação Indigenista no século XIX: uma compilação, 1808-1889. São Paulo: Edusp; CPI-SP.&lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, João Pacheco (Org.). 1998. Indigenismo e Territorialização: poderes, rotinas e saberes coloniais no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Contra Capa. &lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, João Pacheco &amp;amp;amp; Rocha Freire, Carlos Augusto da. 2006. A Presença Indígena na Formação do Brasil. Brasília: SECAD/MEC; UNESCO; LACED/UFRJ. Disponível online: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* RIBEIRO, Darcy. 1979 [1977]. Os Índios e a Civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno. Petrópolis: Vozes. &lt;br /&gt;
* SANTILLI, Juliana. 2000. “Biodiversidade e Conhecimentos Tradicionais: formas jurídicas de proteção”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 95-98. &lt;br /&gt;
* SANTILLI, Márcio. 1991. “Os direitos indígenas na Constituição brasileira”. In: Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI. Pp: 11-14.&lt;br /&gt;
* __________. 1996. “O Estatuto das Sociedades Indígenas”. In: RICARDO, Beto (Editor). Povos Indígenas no Brasil: 1991-1995. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp.: 2-5. &lt;br /&gt;
* __________. 2000. “Estatuto da Alforria”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 93-94. &lt;br /&gt;
* Equipe de Redação do Aconteceu CEDI. 1991. “Campanha difamatória procura implodir direitos indígenas na Constituição” .In: Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI. Pp: 48-50. &lt;br /&gt;
* __________. 2000. “Propostas para uma Nova Política Indigenista”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 118-121. &lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de. 1987. &amp;quot;Sobre indigenismo, autoritarismo e nacionalidade: considerações sobre a constituição do discurso e da prática da proteção fraternal no Brasil&amp;quot;. In: Oliveira, J. P. (Org.). Sociedades indígenas e indigenismo no Brasil . 1a ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: UFRJ/Marco Zero. Pp: 149-214. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
* __________. 1989. &amp;quot;Os museus de história natural e a construção do indigenismo no Brasil: notas para uma sociologia das relações entre campo intelectual e campo político no Brasil&amp;quot;. Comunicações do PPGAS , v. 13. Pp: 1-85. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
* __________. 1991. &amp;quot;O Santo Soldado&amp;quot;. Comunicações do PPGAS , v. 21, p. 1-80. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* __________. 1992. “O governo dos índios sob a gestão do SPI”. In: CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras: SMC/SP: FAPESP. Pp: 155-172.&lt;br /&gt;
* __________. 1995. Um grande cerco de paz: poder tutelar, indianidade e formação do Estado no Brasil. Petrópolis: Vozes. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* __________. 2001. “Fundação Nacional do Índio (FUNAI)”. In: A breu, Alzira Alves de (coord.). Dicionário histórico-biográfico brasileiro: pós-30. Rio de Janeiro: FGV. Pp: 2426-2432.&lt;br /&gt;
* __________. 2002. &amp;quot;Diversidade Cultural e Política Indigenista&amp;quot;. Tellus (UCDB), Campo Grande - MT, v. 3. Pp: 11-31. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antônio Carlos de; BARROSO-HOFFMANN, Maria (Orgs.). 2002. Etnodesenvolvimento e políticas públicas: bases para uma nova política indigenista. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
* __________. (Orgs.). 2002b. Estado e povos indígenas: bases para uma nova política indigenista II. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
* __________. (Orgs). 2002c. Além da Tutela: bases para uma nova política indigenista III. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED.  &lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de; BARROSO-HOFFMAN, M.; IGLESIAS, Marcelo M. P.; GARNELO, Luiza; PACHECO DE OLIVEIRA, J. 2004. “A administração pública e os povos indígenas”. In: INESC. (Org.). A era FHC e o Governo Lula: transição? . 1 ed. Brasília: Instituto de Estudos Socioeconômicos. Pp: 293-326. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{DISPLAYTITLE:Órgão Indigenista Oficial}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
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		<author><name>Vic</name></author>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%C3%93rg%C3%A3o_Indigenista_Oficial&amp;diff=6609</id>
		<title>Órgão Indigenista Oficial</title>
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		<updated>2019-06-14T18:01:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Galeria dos presidentes da Funai */ atualização franklimberg&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Órgão indigenista oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2010 o indigenismo oficial no Brasil completou cem anos. Apesar da longa e dramática história da colônia e do império, apenas em 1910, vinte anos após a promulgação da República, foram criados mecanismos jurídicos e administrativos específicos, em âmbito federal, para conduzir as relações junto aos [[Quem são | povos indígenas]]. Antes disso, como destacou a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha (1992), houve um verdadeiro ‘vazio legislativo’. Os índios sequer foram mencionados nas Constituições de 1824 e 1889. A ausência, entretanto, tinha justificativas: cada província poderia legislar e atuar livremente para promover a “catequese e civilização dos índios”, o que acabou por trazer trágicas consequências para os mais diversos povos. As políticas iniciadas em 1910 abriram um novo período, a partir do qual a União passou a se responsabilizar e a se envolver diretamente com a questão indígena, retirando das províncias e líderes locais suas prerrogativas anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano do centenário diversos novos desafios se apresentam ao indigenismo de Estado. Um novo [[Estatuto do Índio | Estatuto dos Povos Indígenas]], que pretende substituir o de 1973, aguarda votação no Congresso. Em dezembro de 2009, o governo iniciou um amplo projeto de reestruturação da [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio (Funai)]], que promete modernizar, aparelhar e aproximar dos índios o atual órgão indigenista oficial, tido por muitos como um dos mais sucateados e ineficazes da Nação. Neste contexto, apresentamos aqui um breve panorama destes cem anos, com o objetivo de situar e refletir sobre o momento atual. O foco é observar o processo, seus avanços e impasses, de modo a que as tragédias do passado não continuem a se repetir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Fundação Nacional do Índio (Funai)==&lt;br /&gt;
Desde 1967, a Fundação Nacional do Índio (Funai) é o órgão indigenista oficial responsável pela promoção e proteção aos direitos dos povos indígenas de todo o território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A criação da Funai no contexto da ditadura militar===&lt;br /&gt;
Embora projetada pelos intelectuais do CNPI para superar os antigos impasses do [[Serviço de Proteção aos Índios (SPI)]], a Funai acabou por reproduzi-los. Sua criação foi inserida no plano mais abrangente da ditadura militar (1964-1985), que pretendia reformar a estrutura administrativa do Estado e promover a expansão político-econômica para o interior do País, sobretudo para a região amazônica. As [[O que é política indigenista | políticas indigenistas]] foram integralmente subordinadas aos planos de defesa nacional, construção de estradas e hidrelétricas, expansão de fazendas e extração de minérios. Sua atuação foi mantida em plena afinidade com os aparelhos responsáveis por implementar essas políticas: Conselho de Segurança Nacional (CSN), Plano de Integração Nacional (PIN), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ação da Funai durante a ditadura foi fortemente marcada pela perspectiva assimilacionista. O Estatuto do Índio (Lei nº 6.001) aprovado em 1973, e ainda vigente, reafirmou as premissas de integração que permearam a história do SPI. Por um lado, pretendia-se agregar os índios em torno de pontos de atração, como batalhões de fronteira, aeroportos, colônias, postos indígenas e [[Igrejas e Missões religiosas | missões religiosas]]. Por outro, o foco era isolá-los e afastá-los das áreas de interesse estratégico. Para realizar este projeto, os militares aprofundaram o monopólio tutelar: centralizaram os projetos de assistência, [[Saúde Indígena | saúde]], [[A educação escolar indígena no Brasil | educação]], alimentação e habitação; cooptaram lideranças e facções indígenas para obter consentimento; e limitaram o acesso de pesquisadores, organizações de apoio e setores da Igreja às áreas indígenas (M. Santilli, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A estrutura do órgão===&lt;br /&gt;
O órgão foi concebido em bases semelhantes às do SPI. Até 1991 se manteve vinculado ao extinto Ministério do Interior, que sempre exerceu grande ingerência sobre suas ações. Os presidentes nomeados entre as décadas de 1970 e 1980 eram, em grande maioria, militares ou políticos de carreira pouco ou nada comprometidos, e até mesmo contrários aos interesses indígenas. A administração foi centralizada em Brasília. Os postos indígenas foram mantidos e as inspetorias transformadas em delegacias regionais. Outras instâncias – ajudâncias, superintendências, administrações executivas, núcleos locais de apoio – foram criadas e extintas ao longo do tempo. A despeito destas modificações, a Funai se estruturou aos moldes do SPI, de modo mais ou menos centralizado, com grande rigidez burocrática, em três níveis espaciais: nacional, regional e local (Souza Lima, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das irregularidades que levaram à extinção do SPI, seu quadro funcional foi transferido para a Funai. Com recursos escassos e mal contabilizados, a Funai continuou a operar, assim como o SPI, com profissionais pouco qualificados. Não se concretizou a proposta de se realizar planejamentos antropologicamente orientados, conduzidos por profissionais de formação sólida, bem pagos e comprometidos com o futuro dos povos indígenas. O órgão foi permeado, em todos os níveis, por redes de relações pessoais, clientelistas e corporativas, que remetem ao paternalismo e ao voluntarismo que dominaram o velho SPI. A criação da Funai foi marcada pela ineficiência, desinteresse e dificuldade de operação, o que levou o órgão a limitar sua intervenção a favor dos índios a situações altamente críticas, conflituosas e emergenciais, consequentes dos planos de colonização e exploração econômica que chegavam aos extremos do país (Oliveira, 2006; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A emergência da questão indígena no cenário nacional===&lt;br /&gt;
Neste contexto desfavorável, a questão indígena começou a emergir no cenário político nacional. A maior parte das organizações de apoio aos índios se estruturou na década de 1970. Entre elas destaca-se: as comissões pró-índio (CPIs), as associações nacionais de apoio ao índio (ANAIs), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI). Estas duas últimas se juntaram para fundar o atual &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Instituto Socioambiental (ISA)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Criadas por intelectuais e clérigos envolvidos com a questão indígena, estas entidades passaram a realizar importantes trabalhos como: o questionamento fundamentado às políticas oficiais, a interlocução entre índios e Funai, bem como a formulação de alternativas concretas para o indigenismo brasileiro (M. Santilli, 1991; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1980, diversas manifestações indígenas passaram a ganhar visibilidade nacional. Também neste período começaram a se estruturar suas primeiras organizações formais de base comunitária ou regional. Em âmbito nacional foi criada a União das Nações Indígenas (UNI), que já não existe mais. [[Organizações indígenas | Conheça as organizações indígenas]] compiladas pelo ISA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os povos indígenas e o marco jurídico atual===&lt;br /&gt;
Com as mobilizações indígenas e das organizações de apoio, a [[Constituição | Constituição de 1988]] acabou por conferir um tratamento inédito aos povos indígenas. Pela primeira vez foi reconhecido seu [[Constituição | direito à diferença (Art. 231)]], rompendo com a tradição assimilacionista que prevaleceu até então. Foi garantido o [[Constituição | usufruto exclusivo de seus territórios]] tradicionalmente ocupados, definidos a partir de seus usos, costumes e tradições (Art. 231). A União foi instituída definitivamente como instância privilegiada das relações entre os índios e a sociedade nacional. Através do artigo 232, os indígenas e suas organizações foram reconhecidos como partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos, o que incentivou a expansão e a consolidação de suas associações. Para isso, foram definidos canais diretos de comunicação entre os índios, o Ministério Público e o Congresso Nacional. Com estas medidas, o conceito de “capacidade relativa dos silvícolas” (Código Civil, 1917), e a consequente necessidade do “poder de tutela” perderam validade e atualidade. Estas vitórias constitucionais precisariam, entretanto, ser regulamentadas e consolidadas politicamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1991, uma Comissão Especial foi instaurada para rever o [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (1973)]] a partir do enfoque inovador da Carta de 1988. Foram abordados temas como: a situação jurídica dos índios e as responsabilidades assistenciais da Funai; os direitos de autoria e a propriedade intelectual; a proteção ambiental e a regulamentação do uso e exploração de recursos naturais; os procedimentos de demarcação de terras indígenas. A tramitação do projeto, entretanto, foi paralisada em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A descentralização do indigenismo oficial===&lt;br /&gt;
No início da década de 1990, houve amplos debates acerca do papel do órgão indigenista oficial a partir do novo marco jurídico. O Ministério do Interior foi extinto e a Funai  foi transferida ao Ministério da Justiça. Blocos parlamentares anti-indígenas propunham fechá-la, sem substituí-la por nada novo, o que provocaria um grande vazio administrativo. Mobilizações indígenas e organizações de apoio defendiam que a reestruturação do órgão fosse feita concomitantemente à aprovação do texto do Estatuto. Em 1991, o governo Collor realizou, por meio de decretos, uma ampla reforma das atribuições da Funai. As responsabilidades sobre saúde, educação, desenvolvimento rural e meio ambiente foram descentralizadas, e passaram a ser exercidas pelos Ministérios da Saúde, Educação, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente. As ações extra-Funai decretadas por Collor tomaram rumos distintos e impactaram de modos diferenciados os povos indígenas do Brasil. Durante os anos FHC estas políticas passaram a adquirir contornos administrativos mais precisos. Algumas ONGs e associações indígenas passaram a participar ativamente do processo de implementação das políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os decretos de 1991, a Funai, esvaziada em suas atribuições, passou a se concentrar nas políticas de regularização fundiária. Em 1996, o governo FHC modificou as regras para a [[O que são Terras Indígenas? | demarcação de Terras Indígenas]] visando destacar a necessidade da participação indígena e o direito a contestação das partes afetadas (Decreto 1775/96, Portaria 14/96).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desenvolvimento dos projetos participativos===&lt;br /&gt;
Também em 1996 passou a operar o Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL), resultado da parceria entre a Funai e o Programa Piloto para a Conservação das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7. Embora direcionado à demarcação de terras, o PPTAL se propôs a criar alternativas concretas e de longo prazo ao modelo tutelar. Sua proposta se baseou no estímulo ao controle social e à atuação indígena qualificada na estrutura da Funai e do Estado de modo mais abrangente. Em seu âmbito, a partir da experiência dos [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]] do Amapá, foi criado o modelo de “demarcação participativa”, que tem como premissa básica a parceria e a co-responsabilidade dos povos indígenas na formulação das políticas que lhes afetam diretamente. Neste modelo, a própria demarcação é tomada como apenas uma das etapa do processo mais abrangente de gestão sustentável das Terras Indígenas. Trata-se de uma proposta baseada no diálogo intercultural, que apenas se realiza enquanto política pública com o pleno envolvimento e concordância dos povos interessados (Mendes, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A experiência inovadora do PPTAL estimulou a criação em 2001 do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI), desenvolvido no âmbito do Ministério do Meio Ambiente em parceria com o PP-G7. Este projeto é voltado ao financiamento de iniciativas de valorização cultural e desenvolvimento sustentável elaborados e geridos pelas populações indígenas e seus parceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A Funai e as novas demandas por reconhecimento indígena===&lt;br /&gt;
Em 2002, a ratificação pelo governo brasileiro da [[Convenção OIT sobre Povos Indígenas e Tribais em países independentes nº. 169 | Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre “Sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes” (1989)]] aprofundou a sustentação jurídica às demandas de povos antes tomados por aculturados e integrados, que atualmente reivindicam, em diversas regiões do Brasil, seus direitos indígenas diferenciados. Cada vez mais numerosas, estas reivindicações trazem novos desafios à atuação da Funai, responsável pela demarcação das Terras Indígenas no país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A valorização dos conhecimentos tradicionais===&lt;br /&gt;
Na virada do milênio, [[Conhecimentos tradicionais: &amp;quot;Novos rumos e alternativas de proteção&amp;quot; | os conhecimentos indígenas e tradicionais]] passaram a ganhar destaque na agenda nacional e internacional. As discussões se concentram na criação e aprimoramento de mecanismos legais que impeçam que estas populações sejam expropriadas de seu rico patrimônio intelectual, produzido ao longo de gerações. O problema é evidente no caso dos conhecimentos associados à biodiversidade que têm sido alvo de inúmeros casos de biopirataria. Embora acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Biológica e a Agenda 21, criadas no contexto da Eco-92, tenham destacado a urgência do problema, apenas em 2002 o Brasil iniciou, através de decreto presidencial (nº 4.339, de 22 de agosto de 2002), uma política nacional de biodiversidade, que, entretanto, precisa ser aprimorada em diversos aspectos (J. Santilli, 2000, 2002).  Também neste âmbito e neste período, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vinculado ao Ministério da Cultura, passou a realizar ações de proteção, valorização e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial de povos indígenas e tradicionais. Estas ações decorrem do esforço de regulamentação da Constituição de 88, que em seus artigos 215 e 216 formaliza o valor imaterial dos bens culturais. No ano 2000 o decreto 3.551 instituiu os mecanismos oficiais de valorização e proteção do patrimônio cultural no Brasil. Estes instrumentos, entretanto, se encontram em fase inicial de consolidação e são alvo de pesquisas e debates entre especialistas. Até mesmo no campo internacional as propostas neste sentido são recentes. Data de 2003 a Convenção da UNESCO para a “Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desafio da consolidação do paradigma participativo===&lt;br /&gt;
Desde a Constituição de 1988 o indigenismo oficial passou por diversas e significativas mudanças, voltadas, de modo geral, ao reconhecimento e à valorização da diferença cultural. As políticas públicas direcionadas aos povos indígenas têm se tornado cada vez mais descentralizadas e realizadas no âmbito de diversos ministérios que atuam em parceria com agências de cooperação internacional e organizações não-governamentais. A premissa elementar do conjunto das ações é o estímulo à participação e à co-responsabilidade indígena na gestão das políticas destinadas a eles. Entretanto, o sucesso destas políticas depende de sua plena consolidação jurídica e institucional em todos níveis, do local ao governo central. Afinal, o poder tutelar, o assistencialismo e o assimilacionismo ainda são uma realidade fortemente enraizada em diversas práticas do relacionamento entre o Estado e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à consolidação jurídica deste novo momento, é notável que o Estatuto do Índio de 1973, de bases integracionistas, ainda esteja vigente. Entre 1991 e 1994, foi apresentada uma proposta de substituição ao texto que jamais foi votada pelo congresso. Em março de 2006, o governo federal criou a Comissão Nacional de Política Indígenista (CNPI). Em sua agenda, foi estabelecida a prioridade da atualização do Estatuto, com vistas a apresentar uma regulamentação integrada dos diversos temas da agenda dos povos indígenas: o patrimônio e os conhecimentos tradicionais, a proteção e a gestão territorial e ambiental, as atividades sustentáveis e o uso de recursos renováveis, o aproveitamento de recursos minerais e hídricos, a assistência social, a educação escolar e o atendimento à saúde diferenciados. Em julho de 2009, a proposta - construída com a participação de representantes indígenas – foi apresentada ao Congresso Nacional e aguarda votação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto, o atual CNPI e a Funai tem a tarefa de articular e integrar o conjunto das ações estatais de defesa dos direitos indígenas, com vistas a promover o paradigma participativo e superar definitivamente seu papel tutelar. Com este objetivo, o órgão indigenista oficial têm realizado esforços para atualizar suas práticas e modos de funcionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Reestruturação da Funai===&lt;br /&gt;
Em fins de 2009, o governo Lula anunciou, por meio de decreto presidencial (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7056.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nº 7.056, 28/12&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), um amplo plano de reestruturação da Funai, que pretende oferecer maior capacidade de atuação onde vivem os povos indígenas. As Administrações Executivas Regionais (AERs) e Postos Indígenas (PIs) foram substituídos por Coordenações Técnicas Locais e Regionais, formadas por técnicos qualificados, que passarão a desenvolver ações participativas junto aos povos indígenas envolvidos. Nesta estrutura, está planejada a criação de Conselhos Consultivos, nos quais os indígenas e as organizações parceiras participam diretamente na formulação, implantação e gestão das políticas públicas a eles destinadas. Além disso, está prevista a criação de 3,1 mil cargos a serem preenchidos até 2012. Esta nova estrutura pretende, conforme sua direção, superar os impasses históricos do órgão indigenista oficial. Apreensivos, diversos povos se posicionaram contra as mudanças e reclamaram de falta de consulta prévia prevista na Convenção nº 169 da OIT.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria dos presidentes da Funai ==&lt;br /&gt;
A história do controvertido órgão indigenista oficial, a [[Órgão Indigenista Oficial | Funai (Fundação Nacional do Índio)]], pode ser contada através da sucessão de seus 41 presidentes ao longo de 52 anos, de 1967 a 2019.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Presidentes da Funai (1967-2018)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidentes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Quem é | O que fez&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan.2019 - jun.2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O militar da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas retornou à Presidência da Funai após a exoneração de Wallace Moreira Bastos, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de janeiro de 2019. O presidente, na verdade, foi o antecessor de Wallace, entre maio de 2017 e abril de 2018. No período, aprovou os estudos da Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha (PE).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de pouco mais de 10 meses no cargo, Franklimberg foi exonerado e sua gestão não agradou a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O general, nomeado durante o governo Bolsonaro, foi formalmente reapresentado à Presidência no mesmo dia da saída de Wallace Moreira Bastos do cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Prestes a completar 5 meses no em sua segunda passagem pelo cargo, Franklimberg foi demitido pelo mesmo motivo de sua gestão anterior: os ruralistas não concordaram com sua atuação a favor dos direitos indígenas, que aliás é a obrigação do presidente da Funai. O que pensar então? Que o próximo presidente do órgão tem que ser contrário aos direitos indígenas e favorável aos ruralistas?&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Wallace Moreira Bastos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2018 - jan. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Wallace Moreira Bastos foi nomeado para exercer o cargo de Presidente da Funai no mesmo Diário Oficial da União, de 24 de abril, em que foi publicado o pedido de demissão de Franklinberg, que alegou estar sofrendo forte pressão dos ruralistas para deixar o cargo. No dia 16 de janeiro de 2019, foi publicado o pedido de exoneração de Wallace Moreira Bastos da presidência da Funai, após nove meses de ocupação no cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em nota da Funai, Wallace disse que conseguiu trazer para a Fundação mais 203 servidores concursados, que já estão atuando em todas as regiões do país. E que conseguiu, junto ao Governo Federal, que o orçamento da Funai passasse de R$ 109 milhões para R$ 175 milhões, o que permitirá ao órgão avançar ainda mais no que diz respeito às demandas das comunidades indígenas. Mas no período em que esteve na presidência da Funai não aprovou nenhum estudo de identificação de Terra Indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa indicação não foi vista com bons olhos no meio indígena e indigenista porque Wallace não tem, em seu currículo, nenhuma experiência relacionada aos povos indígenas. Foi sócio-proprietário e gestor, entre 2002 e 2008, das empresas Giraffas, Casa do Pão De Queijo, Montana Grill e Café Cancun e, antes, analista de Vendas da Ambev. Concursado na ANAC, é membro do Conselho de Administração da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) e antes da indicação para a Funai ocupava o cargo de subsecretário do Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil. É a terceira indicação do PSC para a Fundação em pouco mais de um ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 2017 - abr. 2018]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O general do exército Franklimberg Ribeiro de Freitas assumiu interinamente a presidência da Funai após a exoneração de Antônio Costa. Em julho de 2017, foi plenamente empossado. Franklimberg é militar da reserva, tendo ingressado nas Forças Armadas em 1976, e antes de ser nomeado para a Funai exercia o cargo de assessor de relações institucionais do CMA (Comando Militar da Amazônia), sediado em Manaus (AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assume a presidência da Funai poucos dias após um massacre realizado contra índios Gamela, no Maranhão e em meio à uma intensa crise política desencadeada por investigações de corrupção no governo Temer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua gestão não agradou à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), composta por 252 parlamentares, entre deputados e senadores, que esperavam ações que atendessem os interesses dos ruralistas. A FPA enviou um ofício ao presidente Temer com a assinatura de mais de 170 lideranças indígenas que não queriam a permanência de Franklimberg, e pediram sua demissão. Permaneceu no cargo por pouco mais de 10 meses.&lt;br /&gt;
Ele é o segundo presidente que o PSC indica (o anterior, Antonio Fernandes Toninho Costa, também fora indicação do partido) e é demitido por não atender interesses contrários aos direitos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franklimberg, antes de deixar o cargo, aprovou os estudos da TI Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Antonio Fernandes Toninho Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan. de 2017 a mai. de 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dentista e pastor evangélico de Luiziânia (GO), já atuou como assessor parlamentar. Interessante notar o contexto da decisão de sua nomeação como novo presidente da Funai. Segundo a reportagem da Globo News, o presidente da República, Michel Temer, em reunião com ministros sobre obras de infraestrutura, foi informado sobre impasses e conflitos com índios, que estariam impedindo a continuidade das obras, e que a Funai estava com um presidente interino. Ele então solicitou ao ministro da Justiça que resolvesse a questão – provavelmente com a expectativa de conseguir a aprovação da Funai para as obras paralisadas. Dentro da lógica de loteamento à base aliada, Temer aceitou a indicação do Partido Social Cristão (PSC), cujo presidente é o Pastor Everaldo e que é integrado por Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano. Costa já trabalhou com povos indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e na Missão Evangélica Caiuá – antiga missão que prestava assistência aos Guarani em Mato Grosso do Sul e hoje atua em diversos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (DSEIs) através de convênio com a Sesai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Agostinho do Nascimento Netto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 2016 a jan. 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assessor especial do Ministério da Justiça desde junho de 2016, desconhecido do movimento indígena e indigenista, foi nomeado Presidente substituto da Funai em setembro do mesmo ano. Durante sua curta gestão, ele aprovou a TI Pindoty/Araça-Mirim, no Vale do Ribeira (SP), no dia 29 de dezembro de 2016, com 1.030 hectares.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2016 a set. 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes assumiu a presidência dó órgão em substituição a João Pedro Gonçalves, exonerado pelo governo interino de Michel Temer. Artur Nobre Mendes já fora presidente da Funai entre 2002 e 2003 e no momento ocupava o cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. (Veja mais abaixo informações sobre o seu primeiro mandato)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2016, permaneceu no cargo de presidente substituto por aproximadamente 4 meses. Em sua curta interinidade, Artur publicou, em agosto de 2016, a identificação de três TIs Guarani no estado de São Paulo: Djaiko-aty com 1,216 ha, Ka'aguy Mirim com 1.190, e a Ambá Porã com 7.204 ha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi exonerado em Setembro, poucos dias após a Funai criticar a organização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 por terem afirmado, na apresentação da menina Igani Suruwaha, que a menina e a mãe tiveram que deixar a comunidade onde viviam para “evitar o infanticídio indígena”. Em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/3932-nota-jogos-paralimpicos&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota de repúdio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a Funai disse que a informação do Comitê Organizador dos Jogos promove “''ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil, referindo-se ao 'infanticídio ou homicídio, abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulneráveis e violência doméstica' como 'práticas tradicionais' indígenas. A Funai entende que tal posicionamento revela uma total incompreensão sobre a realidade indígena no país, refletindo uma visão preconceituosa e discriminatória sobre esses povos, suas culturas e seus modos de vida.''”&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Pedro Gonçalves da Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2015 a jun. de 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi deputado estadual, vereador e senador suplente do estado do Amazonas. Também trabalhou como superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária no Amazonas Assumiu a presidência da Funai no lugar de Flavio Chiarelli Vicenti de Azevedo, que foi presidente interino durante 8 meses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://acritica.uol.com.br/blogs/blog_do_sim_-_nao/funai_7_1375732414.html&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota d'A Crítica&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (14/06/15), sua indicação ''&amp;quot;foi uma costura de parlamentares petistas do Norte com o argumento de que o Governo Dilma precisa dar mais espaços a políticos da Amazônia assim como Lula fez quando pôs Marcus Barros no Ibama, e Marina Silva, no Ministério do Meio Ambiente.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu mandato coincidiu com os últimos meses antes de a Presidente Dilma Roussef ser afastada do cargo e nesse curto período buscaram reverter a paralisia de demarcações que até então marcara esse governo. Durante seu mandato foram aprovados pela Funai os estudos das terras: Cobra Grande (PA) dos povos Arapiuns, Jaraqui e Tapajó; Kaxuyana-Tunayana (AM/PA), dos Kaxuyana, Tunayana e outros; Jurubaxi-Téa (AM), dos Baré, Tukano, Baniwa e outros; Sawré/Muybu (PA), dos Munduruku; Sambaqui (PR), Pakurity (MS), Peguaoty (MS) e Cerco Grande (PR), dos Guarani Mbya; Ypoi-Triunfo (MS), dos Guarani Ñandeva; Dourados Amambaipeguá I, dos Kaiowáa e Ñandeva; e Mato Castelhano-FÁg TY KA (RS), dos Kaingang.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 2014 a jun. de 2015]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi chefe da Procuradoria Federal Especializada da Funai. Assumiu a Presidência interinamente, em substituição à também interina Maria Augusta Assirati.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu os 8 meses de sua gestão como presidente interino. Nesse período apesar das determinações do governo de paralisar o reconhecimento das Terras Indígenas (TIs) - conseguiu aprovar e publicar no DOU em janeiro de 2015, os estudos de identificação e delimitação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4056&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Riozinho&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, dos índios [[Povo:Ticuna | Ticuna]] e [[Povo:Kokama | Kokama]] com 362.495 hectares, nos municípios de Juruá e Jutai no Amazonas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criou três Grupos Tecnicos (GTs) para estudos de novas TIs: uma para os Ticuna, em Fonte Nova/Amazonas, outra em Paraty no Rio de Janeiro para os [[Povo:Guarani | Guarani]], e a pela primeira vez a Funai criou um GT para reconhecer uma TI no no Rio Grande do Norte, no município de Baía Formosa: a Sagi/Trabanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 2015, com a nomeação do novo presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, Flávio Chiarelli foi nomeado assessor especial do Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Segundo ele, o governo tem um olhar não-indígena para os povos tradicionais, 'achando que eles são os causadores de problemas. Quando, na verdade, a gente deveria parar para olhar o lado deles e enfrentar a real causa do problema&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Governo-nomeia-novo-presidente-da-Funai/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Greenpeace&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Jun/15&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Maria Augusta Boulitreau Assirati'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2013 a out. de 2014]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Advogada, dirigiu o Departamento de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai e assumiu a Presidência interinamente, com a exoneração de Marta Maria Azevedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo mantida em interinidade durante um ano e quatro meses, em um governo que primou pela paralisia das demarcações de Terras Indígenas, ela conseguiu aprovar e publicar três estudos de identificação das TIs: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3864&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 5.838 hectares, no Ceará; da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4142&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 2.686 hectares, no Paraná; e a ampliação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/5399&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Xakriabá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 43.357 em Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Augusta pediu demissão por conta de um curso de doutorado em Portugal, mas segundo o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://oglobo.globo.com/brasil/presidente-da-funai-deixa-cargo-em-meio-disputa-do-orgao-com-ministerio-da-justica-14050662#ixzz3ENbCfygi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;jornal O Globo, de 25 de setembro de 2014&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, alguns dos motivos principais seriam as divergências envolvendo a construção de hidrelétricas e a disputa enfrentada pela própria Funai, no interior do governo, para realizar sua tarefa primordial: a demarcação de terras indígenas. A interferência política do governo sobre a atuação da Funai foi apontada pela ex-presidente em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://apublica.org/2015/01/a-funai-esta-sendo-desvalorizada-e-sua-autonomia-totalmente-desconsiderada-diz-ex-presidente/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;entrevista na Agência Pública, de janeiro de 2015&amp;lt;/htmltag&amp;gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A orientação é no sentido de que nenhum processo de demarcação em nenhum estágio, delimitação, declaração, ou homologação, tramite sem a avaliação do Ministério da Justiça e da Casa Civil. Isso é, nada mais, nesse momento, “depende apenas da Funai”.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;APública, Jan/2015&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marta Maria Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2012 a jun. de 2013]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marta Maria do Amaral Azevedo é antropóloga, demógrafa, e autora de um dos primeiros trabalhos de pesquisa sobre demografia dos povos indígena. Nascida em São Paulo, formou-se em Ciências Sociais em 1978 pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1980 integrou o grupo de Educação Indígena da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) e atuou como colaboradora do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Também foi colaboradora do ISA, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo – onde ajudou a fundar o Grupo Mari de Educação Indígena – e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), no início da década de 1990. Participou da equipe de demógrafos que, em conjunto com o IBGE, Funai e especialistas de várias e diferentes instituições, aprimorou a coleta das informações sobre os povos indígenas para o censo brasileiro de 2010. Suas investigações envolvem temas como educação indígena, segurança alimentar e saúde das mulheres indígenas, os quais contam com o comprometimento de Marta em sua gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um ano e dois meses no cargo, Marta aprovou os estudos de identificação de 14 Terras Indígenas. Destacamos algumas: a TI Iguatemipeguá I com mais de 41 mil hectares, para os Kaiowá, localizada em região de intensos conflitos com fazendeiros, no Mato Grosso Sul; também aprovou os reestudos de duas terras guarani em S.Paulo, a Jaraguá (com 532 ha, na capital) e a Boa Vista do Sertão Pró-Mirim (no município de Ubatuba com 5.520 ha); seis terras mura tiveram seus estudos de identificação aprovados nos municípios de Borba, Autazes, Carreiro da Várzea, Manaquiri e Careiro, todos no estado do Amazonas, somando 72.631 ha. A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, exonerou, a pedido, Marta Maria do Amaral Azevedo da presidência da Funai em Junho de 2013.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Meira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. 2007 a abr. 2012]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Formado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com mestrado em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), o atual Presidente da Funai pesquisou os povos Warekena, da região do rio Xié, um dos afluentes do rio Negro, no Amazonas, no início dos anos 1990. É o autor da tese &amp;quot;No tempo dos Patrões&amp;quot;, sobre o regime de aviamento que ainda vigora nas relações entre extrativistas e comerciantes no interior da Amazônia. Sua atuação com os povos indígenas, porém, é anterior e data desde sua participação na luta pelos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. Foi também responsável pelo GT da Funai de identificação das Terras Indígenas do Médio Rio Negro, localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. Meira foi um dos interlocutores das organizações indígenas na equipe de transição do governo Lula, em 2002. Sua gestão foi responsável pelo processo de reestruturação da Funai, que renovou o quadro funcional (com 425 novas contratações) e a estrutura administrativa do órgão. Também foi resposável pela inauguração do Centro de Formação em Política Indigenista em Sobradinho/DF. Apesar de ter priorizado a participação do movimento indígena e de ter implantado a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), ao final da gestão Meira ocorreu um rompimento da bancada indigenista com a comissão, no qual entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a CNPI. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Mércio Pereira Gomes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. 2003 a março de 2007]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dirigiu o IPARJ (Instituto de Pesquisas Antropológicas do Rio de Janeiro) e participou da política carioca quando do governo de Leonel Brizola (1991-95), na condição de subsecretário de Cultura e Projetos Especiais. Foi também assessor de projetos especiais da cidade de Petrópolis. Depois de Roque Laraia e Artur Nobre Mendes, Mércio Gomes é o terceiro antropólogo a assumir a presidência da Funai. Foi professor de antropologia na Unicamp, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Macalestes (EUA) e na UFF (Universidade Federal Fluminense). Membro efetivo do Diretório Estadual do PPS, partido da base aliada do governo Lula, Mércio Gomes já era cotado para a presidência da Funai na campanha eleitoral de 2002 em um eventual governo Ciro Gomes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Eduardo Aguiar de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. de 2003 a ago. de 2003]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Primeiro presidente da Funai do governo Lula, Eduardo Aguiar de Almeida ficou apenas seis meses no cargo, tendo sido exonerado em 15 de agosto de 2003, por meio de portaria da Casa Civil. O ministro da justiça declarou-se insatisfeito com o seu trabalho à frente da Funai em mais de uma ocasião, em que observava a &amp;quot;falta de sintonia&amp;quot; de Almeida com os interesses do Ministério. Os rumores sobre a sua substituição começaram a circular há pelos menos 2 meses desde que ele assumiu a pasta. Em entrevista à imprensa, Almeida atribuiu sua demissão à forte pressões oriundas dos setores anti-indígenas da política nacional, citando diretamente os nomes dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Romero Jucá (PMDB-PR) e dos governadores Blairo Maggi (PPS-MT), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Almeida tomou posse oficialmente no cargo mais de um mês após o início da nova gestão do governo brasileiro, em 03/02/2003. É natural do Rio de Janeiro, jornalista e membro fundador da Sociedade Brasileira de Indigenistas (SBI). Já trabalhou na Funai como assessor da presidência entre janeiro e agosto de 2000. Desde janeiro de 2002, atuava como consultor do Ministério do Meio Ambiente. Em sua gestão, Almeida concentrou parte de seus esforços na preparação da Conferência Nacional de Política Indigenista, um dos ítens mais relevantes na pauta petista para a questão indígena – já expresso no documento de campanha de Lula à presidência, intitulado Compromisso com os Povos Indígenas – e cujo objetivo é o de criar uma instância de articulação entre os setores governamentais que têm responsabilidades para com as demandas indígenas, representantes dos índios e outros setores da sociedade civil. No âmbito das reivindicações territoriais, Almeida criou Grupos de Trabalho (Gts) para identificar 17 novas Terras Indígenas e reestudar os limites de outras dez. Uma decisão inovadora da gestão de Eduardo Aguiar de Almeida foi a determinação do critério da &amp;quot;auto-identificação&amp;quot; como instrumento fundamental para que se reconheça como indígenas os grupos que reivindiquem esta condição, adequando as ações do Estado brasileiro à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 2002 a jan. de 2003]''''''&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes foi o nono presidente do órgão indigenista em oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Na Funai desde 1983, Mendes sempre havia atuado na área fundiária. Foi chefe do Departamento de Identificação e Delimitação (Deid), coordenador de Projetos Especiais e coordenador técnico do Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal - o PPTAL, que, ligado ao Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicias do Brasil (PPG7), tem por objetivo demarcar 160 terras indígenas. No momento em que assumiu a presidência da casa, ocupava a diretoria do Departamento de Assuntos Fundiários (DAF), posto em que estava desde a gestão de Glênio da Costa Alvarez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artur Nobre Mendes foi formalmente apresentado no novo cargo em 31/07/2002, juntamente com a equipe recém-constituída por Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, o oitavo ministro da Justiça a assumir a pasta ao longo das duas gestões FHC. Mendes permaneceu à frente da Funai até janeiro de 2003, quando, já então no primeiro mês do governo de Luís Inácio Lula da Silva, pediu demissão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otacílio Antunes Reis Filho'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. a jul. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
A saída de Glênio Alvarez levou à presidência da Funai Otacílio Antunes Reis Filho, antigo funcionário do órgão, então no cargo de diretor de Artesanato. Reis Filho, que já havia sido diretor de Planejamento na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, dirigiu a Fundação por 46 dias, entre junho e julho de 2002.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Glênio Alvarez'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. 2000 a jun. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O geólogo Glênio Alvarez, funcionário da Funai há 14 anos, é o 27º presidente do orgão indigenista oficial desde sua fundação, em 1967. Foi administrador regional do órgão em Boa Vista (RR), em 1994, período de demarcação da TI Yanomami.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha de Alvarez, gaúcho de Santa Maria, encerrou a interinidade do antropólogo Roque de Barros Laraia, que ocupou o cargo desde a saída de Carlos Frederico Marés. Alvarez assumiu dizendo pretender implantar programas conjuntos com governos estaduais. Seu principal desafio seria contornar a falta de verbas para desenvolver os programas previstos para 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início de junho de 2002, a publicação no Diário Oficial da União da exoneração de Glênio Alvarez pegou a todos de surpresa. Ele, inclusive, que não quis se manifestar logo após o ocorrido. Por meio de seu assessor de imprensa, declarou que &amp;quot;havia feito seu trabalho corretamente a favor dos índios no Brasil&amp;quot;. A queda de Alvarez aconteceu dois dias depois que o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, deputado Pinheiro Landim, retirou de pauta o Projeto de Lei da Mineração em Terras Indígenas. A Funai havia se manifestado contrária à aprovação do projeto, de autoria do senador Romero Jucá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Roque de Barros Laraia'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a mai. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com a demissão de Marés, o então presidente substituto, o antropólogo Roque de Barros Laraia, assumiu a presidência da Funai em regime interino. Foram 29 dias até que Glênio Alvarez fosse nomeado presidente pelo ministro José Gregori.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laraia é formado em história, mas optou pela antropologia. Foi parte do corpo docente do Museu Nacional (UFRJ) e, a partir de 1968, da UnB. É integrante do Conselho Indigenista desde que foi criado, em 1967. À época, esse conselho representava o poder máximo no órgão. O antropólogo tem experiência de pesquisa com os Terena e os Suruí do Pará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a gestão de Marés, Roque Laraia foi o responsável pela Diretoria de Assuntos Fundiários. Em entrevista exclusiva ao Isa, confessou que os maiores problemas por ele enfrentados em sua curta gestão na presidência, foram o esvaziamento dos quadros profissionais, a escassez de recursos e a pressão constante de grupos indígenas, como os Xavante e os Fulniô. Segundo ele, &amp;quot;não é possível administrar a Funai com os Xavante do jeito que estão&amp;quot;. Para ele, a maioria dos índios continua desassistida, ao passo que uma etnia acaba consumindo o tempo da administração e tomando a maioria dos recursos parcamente disponíveis.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Carlos Frederico Marés'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1999 a abr. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nascido em União da Vitória (PR), Carlos Frederico Marés de Souza Filho é professor de Direito Agrário e Ambiental da PUC-PR. Foi procurador do estado do Paraná entre 1991 e 1994, e secretário da Cultura do município de Curitiba, entre 1983 e 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaborou, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), na formulação do Capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;, e foi um dos coordenadores da campanha &amp;quot;Povos Indígenas na Constituinte&amp;quot;. Em 1989, fundou o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI), e, em 1994, o Instituto Socioambiental, do qual foi presidente e conselheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés é também autor de seis livros, o último deles - &amp;quot;O renascer dos povos indígenas para o Direito&amp;quot; - é resultado de sua dissertação de doutoramento apresentada, em 1988, à UFPR.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés foi indicado para a presidência da Funai pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, que advogou em seu favor, providenciando a regularização de sua situação no Brasil, quando de seu retorno depois de nove anos de exílio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de assumir o cargo, Marés apresentou 13 propostas para o ministro como condição para poder assumir a presidência da Funai (ver artigo Descascando o &amp;quot;abacaxi&amp;quot;, nos &amp;quot;500 anos&amp;quot; do Brasil). Entre elas, estava a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O curto período em que Marés esteve na Funai foi marcado por atos polêmicos. Logo no início de 2000, declarou publicamente que não haveria o que comemorar no dia 22 de abril, aniversário de 500 anos do &amp;quot;descobrimento&amp;quot; do Brasil. &amp;quot;É uma festa da chegada das caravelas, festa dos brancos. A maior parte dos índios brasileiros tem contato com a civilização branca há bem menos de 500 anos&amp;quot;, disse ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Marés foi marcada pela negociação em torno da apresentação da nova proposta para o &amp;quot;Estatuto do Índio&amp;quot;. Em 17 de abril de 2000, Marés apresentou a proposta do governo &amp;quot;Estatuto do índio e das comunidades indígenas&amp;quot; às lideranças indígenas que se reuniam em Monte Pascoal, em ocasião da marcha de protesto contra as comemorações dos 500 anos. Isso se deu antes mesmo da proposta ser submetida ao Legislativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 22 de abril, após presenciar uma ação da polícia contra a marcha dos índios que iam de Coroa Vermelha a Porto Seguro para protestar contra as comemorações dos 500 anos, Marés anunciou que pediria demissão. &amp;quot;Não posso permanecer num governo que faz agressão física ao movimento indígena organizado&amp;quot;, afirmou após ter decidido, em caráter irrevogável, apresentar sua demissão ao ministro da Justiça José Gregori.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Lacerda'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. a nov. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
José Márcio Panoff de Lacerda tomou posse na Presidência da Funai em 22 de fevereiro de 1999. Foi deputado, senador e vice-governador do Mato Grosso. Em seu discurso de posse, prometeu investir na aprovação de um novo Estatuto do Índio, &amp;quot;que reflita uma política realista, voltada para proporcionar às sociedades indígenas o legítimo direito de explorar em bases racionais os recursos naturais existentes em suas terras&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua atuação foi marcada pela defesa de parcerias entre o estado e os municípios para melhorar os atendimentos às sociedades indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 31 de maio, Lacerda foi retirado à força do prédio da Funai por 51 guerreiros xavante, que se revoltaram devido ao afastamento do diretor da AER de Nova Xavantina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Lacerda teve de enfrentar, a partir de maio de 1999, os inquéritos por ocasião da CPI da Funai, promovida por parlamentares que visavam investigar o relacionamento do órgão federal com ONGs, admissão de antropólogos e aplicação de recursos. Nesse período, tornou-se cada vez mais público o caos orçamentário da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro, por pressões dos índios, de várias instituições e de ONGs, colocou o cargo à disposição. Na ocasião, ele admitiu que enfrentou conflitos internos, principalmente com o médico Oswaldo Cid Nunes da Cunha, exonerado da chefia do Departamento de Saúde na Funai em Brasília, que classificou Lacerda de &amp;quot;incompetente&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lacerda acusou o médico de deslealdade ao condenar publicamente a decisão do governo de transferir a área de saúde indígena para a Fundação Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sulivan Silvestr'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1997 a fev. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sulivan Silvestre, paranaense, funcionário do Ministério Público de Goiás, tomou posse em 22 de agosto de 1997. Formado em Direito pela PUC de Goiás, Silvestre era especialista em meio ambiente. Desconhecido entre índios e indigenistas, seu nome surpreendeu, já que estavam cotados para ocupar o cargo antropólogos e funcionários da Funai conhecidos pela comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua nomeação comprovou o poder de fogo do ministro Íris Rezende, que conseguiu colocar no comando um apadrinhado político sem nenhuma experiência com a política indigenista. A indicação política desagradou o funcionalismo da Funai, que torcia pela nomeação de um técnico dos quadros da Fundação e algumas organizações não-governamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu discurso de posse, Silvestre afirmou ser a demarcação de terras a prioridade de sua gestão. Além disso, enfatizou a necessidade de uma aproximação entre a Funai, os índios e as demais entidades de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Procurou estruturar o Conselho Deliberativo e Participativo das Lideranças Indígenas, promovendo o diálogo entre a Funai, os representantes indígenas, as ONGs, o Cimi e o Capoib, sempre em defesa da descentralização do órgão indigenista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1 de fevereiro de 1999, Silvestre morreu em um acidente de avião. O bimotor Sêneca, que o levaria de Brasília até uma reunião com os índios Fulni-ô e Pankararu, caiu a poucos minutos da pista do aeroporto de Goiânia. O acidente ocorreu por volta das 21h30. Pouco depois da queda, o aparelho foi consumido pelo fogo. Renan Calheiros, ministro da Justiça na época, afirmou que iria acompanhar as investigações sobre o acidente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Júlio Gaiger'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1996 a jul. de 1997]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O advogado gaúcho Júlio Gaiger foi nomeado presidente da Funai em 12 de março de 1996, ocupando o lugar de Márcio Santilli. Ligado à questão indígena desde 1977, quando dirigiu a Associação Nacional de Apoio ao Índio em Porto Alegre, Gaiger foi assessor jurídico do Cimi até 1991 e trabalhou como assessor na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi indicado pelo ministro Nelson Jobim, com quem trabalhava desde meados de 1995 na formulação do polêmico Decreto 1775, que prevê a revisão de áreas indígenas ainda não registradas. Essa indicação causou imediatos protestos de organizações indígenas e de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1997, apesar dos apelos dos Xavante pela saída imediata de Gaiger, o novo ministro da Justiça, Íris Rezende, bancou a sua permanência. Mas, em 17 de julho, Gaiger entregou o cargo, alegando que o governo não teria se empenhado na implementação da política indigenista e que lhe teria faltado apoio político para levar adiante a reformulação administrativa do órgão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Ressinto-me, na Funai, da ausência de decisões estratégicas que escapam do nosso alcance&amp;quot;, escreveu em sua carta de demissão. Em entrevista, disse que vinha sofrendo pressões dos Xavante, de funcionários da Funai e de grupos políticos vinculados aos índios e aos servidores que, na sua opinião, tencionavam desestabilizá-lo para que não reformulasse o órgão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio José Brando Santilli'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1995 a mar. de 1996]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Indicado por FHC, um dia depois de uma reunião ocorrida no palácio da alvorada em 03/08/95 entre o presidente, o ministro da justiça e um grupo de antropólogos, Santilli não era o preferido de Jobim. Então secretário executivo do Instituto Socioambiental em Brasília, Santilli demorou um mês para aceitar a indicação, período em que indicou outros nomes ao ministro Jobim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consultou previamente várias ONGs do campo indigenista sobre a oportunidade de encarar o desafio de administrar uma Funai sucateada e enfrentar um novo decreto sobre demarcação de terras indígenas, medida já decidida pelo presidente FHC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formado em filosofia, Santilli foi deputado pelo PMDB de SP (1982-86) e integrante do grupo político do atual presidente FHC. Durante seu mandato parlamentar, foi membro da Comissão de Relações Exteriores e da Comissão do índio, na Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1987 e 88, foi pessoa-chave na ligação entre a Coordenação Nacional dos Povos lndígenas na Constituinte - que reunia índios e organizações civis de apoio - e o Congresso Nacional. Em 1989, juntamente com um grupo de índios, antropólogos e juristas, fundou e dirigiu o NDI, uma ONG com sede em Brasília, que teve destacado papel na aplicação prática dos direitos coletivos dos índios, através de demandas judiciais paradigmáticas. Em 1994, foi um dos fundadores do Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Cimi considerou a sua nomeação como &amp;quot;uma tentativa do governo para criar condições políticas favoráveis para mudar o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas&amp;quot;. Além da Igreja Católica, Santilli ganhou muitos inimigos internos com a demissão de funcionários corruptos das Áreas Kayapó e Xavante, o corte de diárias de caciques xavante em Brasília, o fechamento de Administrações Regionais, e o anúncio de uma grande reforma administrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfrentou várias rebeliões regionais e seqüestros de funcionários por índios articulados com segmentos de máfias funcionais e o seu próprio gabinete em Brasília foi invadido por um grupo de Xavante, acompanhado da Rede Globo de TV. Santilli pediu demissão alegando falta de apoio do Ministério da Justiça, que não buscava ampliar as verbas da Funai e retinha os recursos que ele conseguira diretamente do Tesouro Nacional, além de não garantir a investigação policial a respeito das máfias funcionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Dinarte Nobre Madeiro'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1993 a set. de 1995]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dinarte assumiu interinamente a presidência da Funai, no dia 03/09/93, e acabou permanecendo dois anos à frente do órgão. Há 23 anos funcionário da Funai, ao assumir o cargo era assessor da Presidência do órgão para a região Norte e Nordeste, e estava em Boa Vista coordenando a retirada dos garimpeiros da AI Yanomami. Defendeu a necessidade do órgão retomar o poder de polícia para ter mais autonomia e mobilidade no combate aos garimpeiros que invadem terras indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Madeiro foi mantido no cargo com a mudança de governo e, no conjunto, teve uma gestão discreta, sem denúncias de improbidades administrativas. Apesar disso, Dinarte foi publicamente desprestigiado pelo ministro da Justiça Nélson Jobim e pelo próprio presidente FHC. Chegou a pedir demissão alegando suas divergências com o secretário-executivo do Ministério, Milton Selligman, na questão das demarcações das terras indígenas, principalmente sobre a área dos Xavante, a Suiá-Missu. O ministro não aceitou a demissão. Afastado das deliberações sobre os rumos da política indigenista oficial, colocou seu cargo à disposição mais de uma vez e manifestou sucessivamente seu apoio à manutenção dos procedimentos administrativos constantes no Decreto 22/91.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Cláudio dos Santos Romero'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Claudio Romero ocupava o cargo de Diretor Geral de Assistência da Funai, quando foi nomeado para presidir o órgão em 20/05/93. Funcionário de carreira do órgão,desde meados da década de setenta, coordenou o Projeto Xavante que tinha como principal objetivo a demarcação do território xavante ocupado pela frente colonizadora, além de projetos de educação e desenvolvimento comunitário. Foi diretor do Parque Indígena do Xingu, quando entre outras coisas apoiou os Kayapó Metuktire na demarcação da AI Capoto/Jarina. Tomou posse do cargo de presidente do órgão prometendo que não haveria qualquer ruptura na continuidade dos trabalhos da gestão de Sidney Possuelo. Nos quase quatro meses que esteve à frente da Funai, Romero teve uma gestão controvertida. Disse que o presidente Itamar Franco não tinha vontade política para cumprir o prazo constitucional de 05/10 para regularizar a demarcação das terras indígenas no país e foi obrigado a reparar o comentário, publicamente. Em agosto de 93, foi acusado, por um dossiê interno, de ter delatado em 83 à Assessoria de Segurança e Informação -o SNI da Funai -uma conspiração de funcionários contra o então presidente do órgão, coronel Paulo Leal. Ele admitiu que escreveu um relatório denunciando servidores do órgão, mas negou ser &amp;quot;araponga&amp;quot; do regime militar. Romero diz que os servidores denunciados planejavam invadir a sede da Funai, articulados pelo então deputado Mário Juruna e pelo então vice-governador do Rio, Darcy Ribeiro. Na época, diretor do Parque Indígena do Xingu, Romero disse que estava interessado em obter da direção da Funai a demarcação das terras indígenas na região e, por isso, foi contra o movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi demitido no dia 03/09/93, em meio a informações contraditórias sobre a chamada chacina dos Yanomami em Haximu, sobre a qual divulgou números sucessivamente desmentidos pela imprensa. Discutiu com parlamentares em Roraima ameaçando proibi-los de entrar na AI Yanomami, ao mesmo tempo autorizou a visita de diplomatas estrangeiros sem consultar o Itamaraty, além de ter criado um confronto ao declarar que não se subordinaria às orientações do novo ministro extraordinário para a Amazônia, Rubens Ricúpero.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sidney Ferreira Possuelo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1991 a mai. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O sertanista Sidney Ferreira Possuelo chefiava a Coordenadoria de Índios Isolados da Funai quando foi nomeado no dia 28/06/91 pelo presidente Collor, em substituição a Cantídio Guimrães, demitido no dia 21/06. Possuelo recebeu carta branca para fazer alterações administrativas e afirmou como prioridades o caso Yanomami e a demarcação de 266 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, chefe da Frente de Atração dos Arara(PA), na década de 80, Possuelo reivindicou permanentemente ao presidente Collor a revogação dos Decretos 23, 24, 25 e 26 (de 04/02/91), que tiraram da Funai as responsabilidades pela educação, saúde, projetos produtivos e meio ambiente em áreas indígenas, transferindo-as a outros ministérios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizou uma reforma administrativa, iniciada em 20/01/92, quando exonerou seu superintendente geral, Edívio Batistelli. Desapareceram do organograma não só esse cargo, mas todas as Superintendências Regionais. Todas as atividades, desde o planejamento geral da Funai até o atendimento aos mais remotos Postos Indígenas passaram a se vincular diretamente à Presidência do órgão. As Superintendências passaram à categoria de Administrações Regionais -que somam 46, sem autonomia administrativa ou orçamentária, ligados à Diretoria Geral de Assistência, em Brasília. Foram criadas também as Diretorias Fundiária e de Administração. Em sua gestão, Possuelo distendeu a relação do Órgão com entidades não-governamentais. Ao criar o CDDI, convocou representantes de ONGs para compô-lo e assinou quatro convênios de parceria com essas entidades no âmbito da demarcação de terras indígenas (ver mais detalhes no capítulo Terras indígenas) .Sofreu forte oposição interna por isso. O principal feito da sua gestão foi a demarcação física da terra Yanomami de forma contínua, facilitada pela disposição política do presidente Collor para encaminhar processos de reconhecimento oficial dos direitos territoriais indígenas, com vistas à ECO-92 ( ver Cronologia de um Genocídio Documentado, no capítulo Roraima Mata).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Possuelo acabou demitido no dia 19/05/93, pelo ministro da Justiça Maurício Corrêa, por ordem do presidente Itamar Franco. Na versão do próprio Possuelo, sua cabeça rolou devido a três motivos: conflito aberto com o ministro Henrique Hargreaves, do Gabinete Civil- que fizera indicações para postos de chefia da Funai no Acre e em Goiânia; pressão de militares inconformados com as demarcações de terras na fronteira; e pressão de segmentos econômicos contrariados, como as mineradoras.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sargento Cantídio Guerreiro Guimarães'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1990 a jul. de 1991]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sub-oficial da reserva da Aeronáutica (onde serviu como Sargento do quadro de manutenção e reparo de aeronaves), amigo pessoal do ex-presidente Romero Jucá, foi superintendente regional da Funai em Cuiabá de 86 a 87. Corre contra os dois um processo no Supremo Tribunal de Justiça por autorização de extração ilegal de madeira na AI Uru-Eu-Wau-Wau. Era assessor do ex-presidente Íris Pedro de Oliveira e foi Chefe de Gabinete do Consultor Geral da República, Clóvis Ferro Costa. Nesta função fez um parecer - aprovado por Ferro - que autorizava o uso da rodovia de 38 km dentro da AI Waimiri-Atroari. Antes de ser nomeado presidente da Funai, era funcionário da representação do estado do Amapá em Brasília.Foi afastado do cargo em meio a acusações dos índios do Xingu -e tornadas públicas pela imprensa - de estar fotografando índias nuas e &amp;quot;molestar moças e adolescentes&amp;quot; do Parque do Xingu (MT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Coronel Airton Alcântara'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a ago. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Entrou na Funai para substituir o Coronel Carneiro, do CSN, que havia sido nomeado Superintendente Geral da Funai na gestão Íris Pedro, mas acabou morrendo no dia da posse.Alcântara tornou-se presidente, respondendo pelo cargo na fase de transição imposta pelo novo presidente da República Fernando Collor de Mello, recém empossado e que, dentre outras medidas, incorporou a Funai ao Ministério da Justiça depois de liquidar o Ministério do Interior. Para se firmar no cargo e tentar sua permanência no órgão, teve alguns gestos simpáticos aos indigenistas e antropólogos, assinando decretos de reintegração das áreas Uru-Eu-Wau-Wau e Kaiabi Gleba Sul. Por outro lado, elaborou uma lista de 880 servidores a serem colocados em disponibilidade, aproveitando o argumento do enxugarnento administrativo para proceder a uma nova &amp;quot;caça às bruxas&amp;quot;, incluindo antropólogos e indigenistas entre os &amp;quot;disponíveis&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Íris Pedro de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1988 a mar. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, entre 1980 e 1983 foi presidente do Grupo de Terras do Araguaia/ Tocantins (Getat), visto como um órgão de repressão e policiamento. Pragmático, apregoava soluções técnicas e operacionais para caracterizar os territórios indígenas: estabelecer áreas a partir de limites naturais, transferir grupos indígenas para &amp;quot;evitar conflitos&amp;quot; com colonos etc. Em 1980, grileiros aceleravam a invasão de terras indígenas dos Xikrirn do Cateté, em Marabá; em 82, o Getat, a Eletronorte e a Funai optaram pela recomposição da área indígena dos Parakanã, &amp;quot;para evitar contatos indiscriminados&amp;quot; entre as famílias que seriam atingidas direta ou indiretamente pelas águas da UHE e estavam sendo reassentadas na variante da Transamazônica&amp;quot;. Sua nomeação confirmaria a vinculação da Funai aos desígnios do CSN. Denúncias da própria Funai indicam que utilizava-se das aeronaves do órgão para visitar uma fazenda de sua propriedade em Imperatriz (MA), onde há uma administração regional da Funai; esta, tomou-se recordista em receber visitas de um presidente do órgão no período do mandato do presidente Íris. Renovou o convênio com o Instituto Lingüístico de Verão (SIL) para atuarem em todo território nacional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Romero Jucá Fº.'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 1986 a set. de 1988]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista, pernambucano, indicado pelo ministro Marco Maciel, seu conterrâneo e chefe da Casa Civil, dirigia o Projeto Rondon.Implantou a descentralização da FUNAI e retirou os índios de Brasília. Tecnocrata modernizador, assinou inúmeros convênios técnicos e de assistência com outros Ministérios. Promulgou um novo regimento interno no órgão. Nos cinco primeiros meses de sua gestão, o quadro de funcionários havia passado de 3.300 funcionários para 4.200. Somente em Recife, sua terra natal, o escritório da FUNAI chegou a ter 400 funcionários vinculados.Tentou tirar a crise do órgão das páginas de jornais, mas acabou sofrendo intervenção do TCU devido às irregularidades financeiras do órgão. Defendia a linha “pragmática” de exploração dos recursos naturais das terras indígenas, e foi acusado de promover inúmeros contratos com madeireiras.Manifestava-se contra a presença de garimpeiros nas áreas indígenas e assinou, em 1987, o convênio Funai/DNPM para exploração mineral empresarial em área indígena. Em maio de 88, assinou portaria criando um GT para avaliar o grau de aculturação dos índios. Saiu da FUNAI para ser governador nomeado de Roraima, carregando consigo um processo no Supremo Tribunal de Justiça por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena. Já fora da FUNAI, como governador de Roraima, passou a defender a permanência dos garimpeiros invasores do território Yanomami.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Apoena Meirelles'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1985 a mai. de 1986]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sertanista, nasceu numa aldeia Xavante em Pimentel Barbosa, filho do também sertanista Francisco Meirelles (funcionário do antigo SPI), desde cedo acompanhava o pai nas frentes de atração e trabalho nas aldeias.Autor de um projeto de descentralização da FUNAI, ocupou a presidência com o apoio do Ministro do Interior, Costa Couto, para implantá-lo e esvaziar a crise do órgão.Em maio de 1986, veio o decreto alterando o Estatuto da FUNAI, criando seis superintendências regionais.Apoena despachou durante boa parte do mandato fora de seu gabinete na FUNAI - preferindo uma sala no Ministério ou as delegacias regionais -, evitando assim o confronto com o movimento dos índios em Brasília, que continuava intenso.Distribuiu muitos recursos para contentar o lobby Xavante e reprimiu os índios hospedados em Brasília , cancelando o contrato de hospedagem com os hotéis das cidades satélites.Apoena saiu da presidência do órgão alegando não concordar com a ingerência do Ministro do Interior na indicação de nomes para a superintendência de terras e dos 6 superintendentes regionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Álvaro Villas Boas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. a nov. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Indigenista, irmão de Cláudio e Orlando Villas Boas, trabalhou durante anos como delegado da funai em Bauru (SP).Sua indicação teve grande repercussão (negativa) entre os índios que se encontravam em Brasília (mais de 300). Mas Raoni, por exemplo, liderança Kayapó, reuniu um grupo de índios para apóiá-lo.A delegacia de Londrina, fechada por ele, foi ocupada por 120 índios que exigiam sua demissão. Fechou a delegacia de Salvador, que fora ocupada por índios que queriam ver suas terras demarcadas.Demitiu, logo ao início de sua gestão, os indigenistas empossados em cargos de confiança por Jurandy M. da Fonseca.Em seu curto mandato, reuniu contra si os funcionários demitidos que tinham influência sobre algumas lideranças indígenas e sua atitude de não negociar sob pressão com os índios levou-o a ser demitido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Gerson da Silva Alves'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a set. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assumiu interinamente a presidência da FUNAI e, em meados de maio, foi empossado oficialmente no cargo, apoiado pelos Xavante e pelo deputado Mario Juruna em meio à “enchente indígena” em Brasília.Sargento reformado do exército, contador, trabalhava na FUNAI havia 14 anos, em funções burocráticas. Como delegado regional do órgão em Campo Grande e Cuiabá, e diretor do DGO, na sede, em Brasília, acumulou relações de clientela com os Xavantes, que contribuíram para sua indicação ao cargo, em meio à crise sucessória que marcou o período.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ayrton Carneiro de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Aquele que foi sem nunca ter sido. Ex-diretor do INCRA, foi indicado para presidir interinamente a FUNAI pelo Ministro Costa Couto, mas impedido de tomar posse por um conjunto de índios e funcionários que fizeram uma barreira na entrada do prédio.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Nelson Marabuto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1984 a abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Policial de carreira, antes de assumir a presidência da FUNAI havia sido chefe da assessoria de segurança e informação do órgão e também o superintendente da Polícia Federal em São Paulo.Permaneceu no cargo durante o período de transição do governo Figueiredo para o governo Sarney, prolongado pela agonia de Tancredo Neves, no qual houve uma intensa disputa pelo cargo entre varias facções do indigenismo, cada qual mobilizando índios em Brasília.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Jurandy Marcos da Fonseca'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, foi chefe de gabinete da FUNAI nas gestões Bandeira Mello e Ismarth Araújo de Oliveira. O “release” de sua posse informava que havia nascido numa aldeia indígena e que seu pai participara da Comissão Rondon e trabalhara no SPI.Na sua gestão, inaugura a nomeação de índios para cargos de chefia na Funai: Marcos Terena para chefe de gabinete e Megaron (Kayapó) para diretor do Parque do Xingu. Readmitiu muitos dos indigenistas e antropólogos, excluídos por Nobre da Veiga, alguns deles como seus assessores diretos e em cargos de direção.Em julho de 84, demite o sertanista Álvaro Villas Boas, delegado da 12a. DR, causando grande tumulto entre os índios do interior de São Paulo e Paraná, que exigiam sua readmissão invadindo e ocupando por duas semanas a delegacia de Bauru, com grande repercussão na imprensa. Vários artigos em jornais comentavam que era o fim da velha política indigenistas, que começava uma nova mentalidade, uma maneira nova de agir e tratar os problemas indígenas e, principalmente, que se percebia que os índios já não eram mais os mesmos, o que exigia formas diferentes de relacionamento com eles. Era o “sopro de esperança na FUNAI”.Jurandy foi demitido em setembro de 1984. Declarou: ”fui demitido porque não assinei a portaria para regulamentar o decreto 88.985” (autorizando a mineração em terras indígenas). Saiu como herói – mas, uma semana depois, foi acusado pelo Procurador Geral da FUNAI, Irineu de Oliveira, de ter beneficiado 85 fazendeiros no Mato Grosso do Sul, com contratos de arrendamento das terras dos Kadiweu, e embolsado os Cr$ 150 milhões referentes aos contratos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otávio Ferreira Lima'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1983 a abr. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista funcionário do MInistério do Interior, logo que assumiu a presidência da FUNAI convocou as Polícias Militar e Federal para impedir o acesso de lideranças indígenas ao seu gabinete, e suspendeu as entrevistas à imprensa. Demitiu quatro coronéis em cargos de direção (entre eles, o Cel. Hausen).Na sua gestão, foi promulgado o polêmico decreto 88.985, de novembro de 1983, autorizando a entrada de empresas de mineração em terras indígenas.Em dezembro do mesmo ano, assinou um convênio (No. 028/83) com o SIL (Summer Institute of Linguistics), para um período de dois anos, sujeito a prorrogação.Durante uma crise na parte norte do Parque do Xingu - quando os Txucarramãe interditaram a BR-080 e fizerem alguns funcionários como reféns para obtenção de uma faixa de terra adicional -, Ferreira é demitido pelo seu desempenho desastroso como negociador.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Paulo Moreira Leal'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 1981 a jul. de 1983]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da Aeronáutica, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional (CSN). Assumiu a presidência da FUNAI falando em reestruturação administrativa; solicitou ao Ministério do Interior a contratação de 4 mil novos funcionários e afirmou que sua grande aspiração era ver o maior número possível de índios ocupando cargos de direção da Fundação.Demitiu alguns militares assessores do órgão sob pressão dos Xavantes.Assinou um convênio com o Projeto Rondon, para atendimento nas áreas de saúde educação e com a Petrobrás, estabelecendo normas gerais a serem observadas nos trabalhos de pesquisa e lavra mineral em terras indígenas.Encomendou estudos a funcionários do órgão, visando emancipação dos Guarani (da região sul do País) e Tembé (PA/ MA), com base em “critérios de indianidade”.No final de sua gestão, um decreto interministerial (No. 88.118, de 23.02.83) criou o chamado “Grupão”, para a regularização das terras indígenas, retirando tal atribuição do âmbito decisório da FUNAI e alçando-a formalmente ao nível ministerial e do CSN.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Carlos Nobre da Veiga'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1979 a out. de 1981]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da reserva, assume o cargo falando em “disciplina” e demitindo 39 indigenistas e antropólogos, porque haviam encaminhado carta ao Ministro do Interior com criticas à política da FUNAI. Incrementa o projeto de emancipação compulsória, criando os famosos “critérios de indianidade” e declarando que “o índio estará emancipado em cinco gerações”; mas recua e não encaminha o processo ao Ministério do Interior (MINTER).Reestrutura a FUNAI para fortalecer as unidades regionais. Numa reunião da SUDAM, afirma que ”há reservas demais”. A 15/12/1980, sai uma Portaria Interministerial (MINTER/ Min. das Minas e Energia) facilitando a exploração mineral em terras indígenas por empresas estatais. Com base no parecer do Conselho Indigenista da FUNAI, o Ministro do Interior, Mario Andreazza, proíbe Mário Juruna, liderança indígena do povo Xavante, de participar do Tribunal Russel, na Holanda.Juruna lidera 40 índios que, na sede da FUNAI em Brasília, exigem a demissão do Presidente da FUNAI e mais dois coronéis da direção: Ivan Zanoni Hausen (DGPC) e Jose Rodriges Godinho (DGO).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Adhemar Ribeiro da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a nov. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Engenheiro de profissão, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), na sua curta gestão extinguiu a COAMA (Coordenação da Amazônia) e concedeu alvarás de pesquisa mineral na AI Waimiri-Atroari (AM).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ismarth Araújo de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1974 a mar. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, antes de ser nomeado presidente havia sido superintendente da FUNAI. Na sua posse, o Ministro do Interior, Rangel Reis, anunciou “a política de integração em ritmo acelerado”, o que viria a desembocar no projeto de emancipação dos índios, contra o qual ele se opôs publicamente. Mas incrementa os chamados “projetos de desenvolvimento comunitário”, dentro de uma política de “espíritos desarmados” com antropólogos, indigenistas e missionários. Na sua gestão, aumentam substancialmente as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Oscar Jeronymo Bandeira de Mello'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 1970 a mar. de 1974]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, ex-chefe da Divisão de Segurança e informação da FUNAI e ex-agente do SNI, participou do inquérito que extinguiu o SPI. Na sua gestão, consolidou-se a política da FUNAI atrelada ao binômio “segurança e desenvolvimento”, que marcou o período mais duro do regime autoritário - o governo Médici. Seu lema era: “Integrar os índios rapidamente”, sobretudo para que não obstaculizassem a ocupação e colonização da Amazônia, em consonância com o Ministro do Interior, Costa Cavalcante, que anunciou o “boi como grande bandeirante da década”. No bojo do Plano de Integração Nacional, lançado em 1970, estabeleceu um convenio com a SUDAM “para pacificar 30 grupos arredios” ao longo da Transamazônica. Participou de um churrasco com fazendeiros na abertura da BR-080, rodovia que cortou o norte do Parque do Xingu e excluiu boa parte do território dos índios Txukarramãe (sub-grupo Kayapó).Durante sua gestão, foi promulgado o Estatuto do Índio, aprovado pelo Congresso Nacional, e criada, na FUNAI, a Divisão de Desenvolvimento Comunitário (subordinada à Coordenação de Programas de Desenvolvimento de Comunidades, do Ministério do Interior). Relacionada a essa divisão desenvolvimentista e integracionista das populações indígenas, reintroduziu a chamada “renda indígena”, conceito chave para viabilizar o projeto de “emancipação econômica” dos grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''José de Queiroz Campos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[dez. de 1967 a jun. de 1970]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coordenou a implantação do órgão, tendo que se defrontar – juntamente com o Ministro do Interior, Gal. Albuquerque Lima – com a avalanche de denúncias de genocídio contra o governo no exterior, sobretudo a partir da divulgação do Relatório Jader Figueiredo (março de 1968), que trazia os resultados de uma devassa no SPI (Serviço de Proteção aos Índios, órgão governamental antecessor à FUNAI).Na sua gestão, foram ampliada a área do Parque do Xingu e criados outros três parques indígenas. Criou a GRIN, Guarda Rural Indígena, transformando índios em policiais nas suas próprias aldeias. Assinou convênio com o SIL (Summer Institute of Linguistics) em 1969 e, no mesmo ano, realizou o 1o. Simpósio FUNAI - Missões Religiosas.Jornalista de profissão, escreveu livros a respeito de fatos ocorridos na sua gestão (como a famosa expedição do Pe. Calleri, chacinada durante as tentativas de contatar os Waimiri–Atroari, no Amazonas), mas que nunca chegou a publicar, por recomendação dos órgãos de segurança.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ações ministeriais==&lt;br /&gt;
O início da década de 1990 marcou decididamente uma mudança radical na [[Órgão Indigenista Oficial | política indigenista oficial brasileira]]: até então, todas as ações relativas aos povos indígenas estavam sob a gestão exclusiva do Ministério da Justiça, via a [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio]]. A partir de 4 decretos presidenciais promulgados no ano de 1991 - conforme tabela abaixo -  a maioria das ações da Funai foi absorvida total ou parcialmente por outros ministérios e órgãos federais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Decreto | Data&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Objeto do decreto&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;No 23 - 4/02/1991 (saúde)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as condições para a prestação de assistência à '''saúde das populações indígenas: '''Art. 5º '''A Fundação Serviços de Saúde Pública - FSESP''', enquanto não for instituída a Fundação Nacional de Saúde, de que trata o artigo 11 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, encarregar-se-á da coordenação dos projetos, tanto na fase de elaboração, quanto na de execução. &amp;lt;br/&amp;gt;OBS. Em 16 de abril de 1991, o Decreto Presidencial nº 100 instituiu a '''Fundação Nacional de Saúde (FNS)''' que incorporou a Fundação Serviços de Saúde Pública e, por seu turno, o atendimento à saúde das populações indígenas.   &lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 24 – 4/02/1991 (meio ambiente)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as ações visando à proteção do '''meio ambiente em terras indígenas'''.  Art. 4º A coordenação dos projetos mencionados no art 2º caberá à Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, e sua elaboração e execução serão realizadas pelo '''Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis''' e pelo órgão federal de assistência ao índio&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 25 – 4/02/1991 (auto-sutentação econômica)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre programas e projetos para assegurar '''a auto-sustentação dos povos indígenas'''. Art. 5º Compete ao '''Ministério da Agricultura e Reforma Agrária''', por intermédio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRAPA, e ao '''Ministério da Justiça''', por intermédio do órgão federal de assistência ao índio, a coordenação das ações decorrentes deste Decreto&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 26 – 4/02/1991 (educação)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre a '''Educação Indígena no Brasil.''' Art. 1º Fica atribuída ao '''Ministério da Educação''' a competência para coordenar as ações referentes à Educação Indígena, em todos os níveis e modalidades de ensino, ouvida a FUNAI&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais medidas de cunho legal, retirando da Funai grande parte de suas principais atribuições, produziram uma situação na qual as políticas públicas para os povos indígenas  até os dias de hoje vêm sendo conduzidas e executadas de maneira: a) fragmentada: já que pulverizadas em diversos órgãos de distintos ministérios federais e, portanto, sem a falta de uma coordenação geral; b) sobreposta: pois mesmo com essa pulverização, a Funai continua tanto a executar parte de algumas das ações previstas para outros ministérios ([[A educação escolar indígena no Brasil | educação indígena]] e atividades econômicas), como , em muitos casos, a não cumprir com suas atribuições de suporte e parceria junto aos mesmos ministérios, exigidas em todos os decretos citados;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer desse período – 1991 aos dias atuais -, foram diversas as ações desencadeadas pelos diversos ministérios que passaram a cuidar da política indigenista oficial, para além daquelas que continuaram a ser promovidas pela Fundação Nacional do Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma descrição mais pormenorizada sobre os tema da saúde (Ministério da Saúde) e da educação (Ministério da Educação), ver as subseções específicas que compõem este site.  &lt;br /&gt;
Quanto às ações desencadeadas pelos demais ministérios, não há espaço aqui para apresentá-las em sua totalidade e com o nível de detalhamento requerido. Assim, apresentamos abaixo apenas algumas destas iniciativas ministeriais para que se possa ter uma idéia geral do atual quadro da política indigenista oficial atual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ministérios&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ações&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Meio Ambiente (MMA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI)&lt;br /&gt;
* Gestão Ambiental em Terras Indígenas&lt;br /&gt;
* Conservação e Recuperação da Biodiversidade em T.I.s&lt;br /&gt;
* Ação de fomento à Gestão Ambiental em T.I.s&lt;br /&gt;
* Fortalecimento social e econômico via Coordenadoria do Agroextrativismo  &lt;br /&gt;
* “Carteira Indígena”: Segurança Alimentar associada à Recuperação de Degradação Ambiental&lt;br /&gt;
* PNGATI - Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ATER Indígena: Valorização da Agroecologia&lt;br /&gt;
* PRONAF: financiamento de projetos de capacitação de lideranças indígenas comunitárias; de etnodesenvolvimento etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Social  (MDS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Doação de recursos financeiros para o projeto “Carteira Indígena”, sob gestão do MMA&lt;br /&gt;
* Bolsa-Família para os povos indígenas&lt;br /&gt;
* “Fome Zero Indígena” &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Cultura (MinC)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Prêmio Culturas Indígenas&lt;br /&gt;
* Pontos de Cultura para povos indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Saúde (MS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada em outubro de 2010.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Veja também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências externas ==&lt;br /&gt;
===Sites===&lt;br /&gt;
====Funai====&lt;br /&gt;
* Página oficial da Funai- &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Blog da FUNAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Técnica Local Nova Xavantina - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Madeira - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://crmadeira.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://crmadeira.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Litoral Sul - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional do Sul da Bahia - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Macéio - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Fortaleza - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Cacoal - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaiceara.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaiceara.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura=24&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura;=24&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  MEC. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=290&amp;amp;amp;Itemid=815&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view;=article&amp;amp;amp;id;=290&amp;amp;amp;Itemid;=815&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (MN/UFRJ) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Centro de Trabalho Indigenista - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====Ministérios====&lt;br /&gt;
* Ministério do Meio Ambiente - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mds.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mds.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Agrário - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Cultura - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Saúde - SESAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{DISPLAYTITLE:Órgão Indigenista Oficial}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Narrativas_Ind%C3%ADgenas&amp;diff=6608</id>
		<title>Narrativas Indígenas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Narrativas_Ind%C3%ADgenas&amp;diff=6608"/>
		<updated>2019-06-13T14:34:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Novas narrativas, ameaças antigas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Narrativas indígenas}}&lt;br /&gt;
== Novas narrativas, velhas ameaças ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[https://pib.socioambiental.org/pt/Dizem_que_a_Terra_Yanomami_é_muito_grande &amp;quot;O ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;]&lt;br /&gt;
|por '''Davi Kopenawa'''&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). Foto: Azul Serra/ISA.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As lutas Guarani pela terra ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;A gente existia antes&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Leila Lopes'''&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/4/4/6_fc019a5a53fb417/446scr_57dd2f5389c92f2.jpg|Leila Lopes posa para retrato no Acampamento Terra Livre 2017. Foto: Luiza Calagian/ISA, 2017.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Nós queremos não só morar, mas preservar&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Thiago Henrique Karai Djekupe'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088984-4/MVI_8517+002_lzn.jpg|Thiago Henrique Karaí, liderança guarani da Terra Indígena Jaraguá, no município de São Paulo (SP). Foto: Luzia Calagian, 2017. &lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;A violência contra os indígenas é o legado que a gente traz nas veias&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Kerexu Yxapyry'''&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/3/1/4_3b2890ce98c1dec/314scr_c6ad0293e0c1862.jpg|Kerexu posa para retrato no Acampamento Terra Livre de 2017, em Brasília (DF). Foto: Luiza Calagian. &lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Comunicadores indígenas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[“Nossos parentes estão acompanhando e realmente é muito bom ver que eles estão por dentro”]]&lt;br /&gt;
|por '''Janete Figueiredo Alves'''&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/1/3/8/1/6_d69d98b0fd28e44/13816scr_ce90fa930774eb6.jpg|Janete Figueredo Alves, desana da Terra Indígena Alto Rio Negro (AM), durante o Acampamento Terra Livre de 2018, em Brasília (DF). Foto: Mario Brunoro/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[“A desinformação faz grande parte do racismo”]]&lt;br /&gt;
|por '''Cristian Wariú'''&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/1/3/8/0/8_01632bdca0c3c07/13808scr_00016b1874106a5.jpg|Tseremeywa, youtuber xavante da aldeia Três Marias, da Terra Indígena Parabubure (MT), durante o Acampamento Terra Livre de 2018, em Brasília (DF). Foto: Isadora Favero/ISA, 2018. &lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[“Desde quando eu fazia faculdade, eu tive uma ideia: como eu poderia dar um retorno para a minha aldeia”]]&lt;br /&gt;
|por '''Erisvan Bone Guajajara'''&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/1/3/8/1/5_072b9fcf8859d54/13815scr_140d84e75cf13f4.jpg|Erisvan Bone de Sousa Guajajara, da aldeia Lagoa Quieta, da Terra Indígena Arariboia (MA), durante o Acampamento Terra Livre de 2018, em Brasília (DF). Foto: Mario Brunoro/ISA, 2018.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Uma foto, uma história ==&lt;br /&gt;
{{:Uma foto, uma história}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Entre a aldeia, a cidade e o cosmos ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Cuidar da saúde não é só tomar remédio, é também cuidar da terra&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Mairawê Kaiabi'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/762274-4/mairawe_02edit.jpg|Mairawê Kaiabi. Foto: Rosely Alvim Sanches/ISA, 2002&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Em vez de desenvolvimento, envolvimento&amp;quot;]] &lt;br /&gt;
|por '''Timóteo Verá Popyguá&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/762276-2/timoteo_DSC01028edit.jpg|Timóteo verá Popyguá. Foto: Valéria Macedo/ISA, 2006.}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;É tudo pensamento de pajé&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Lauro Brasil Kene Marubo'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/762270-4/lauro+kene+maruboedit.jpg|Lauro Brasil Kene Marubo. Foto: Pedro Cesarino, 2006&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;É preciso fortalecer e avaliar a tradição&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''André Baniwa'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/762279-3/andr__+fernando+baniwaedit.jpg|André Baniwa. Foto: Délio Firmo Alves/Foirn, 2006.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os cincos líderes indígenas – Yanomami, Baniwa, Kaiabi, Guarani e Marubo – que falaram ao ISA têm em comum o desafio de promover condições adequadas para a interlocução com a sociedade nacional e o mundo globalizado. É assim que eles se revelam como tradutores ou mesmo intérpretes: buscam encontrar sentido local para práticas e instituições dos brancos ao mesmo tempo em que lutam para dar visibilidade, num plano mais amplo, a reivindicações, potencialidades e saberes de seus povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Imersos num trânsito constante por entre mundos, eles jamais deixam de lado a prudência quando se põem a meditar sobre o futuro: a convivência com os brancos pode ser positiva desde que não se perca de vista a qualidade e a singularidade inscritas nas formas de ocupação do território, na transmissão de conhecimentos e no xamanismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O abandono do cotidiano nas aldeias para tentar a sorte nas cidades é motivo de lamento nas falas da maior parte desses líderes. Lauro Marubo, atual chefe da aldeia Alegria e pajé rezador, adverte aos jovens que morar na cidade é perigoso, pois lá abundam espíritos maléficos que causam doenças e morte. Além do mais, morrer na cidade, não é aconselhável para os Marubo, pois suas almas não conseguiriam encontrar o caminho de volta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
André Baniwa, embora tenha se instalado há alguns anos com sua família em São Gabriel da Cachoeira (AM), onde atua como vice-presidente da Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), diz ter saudades da vida na comunidade do alto Içana. Para ele, viver na cidade e ocupar uma posição de liderança – falar em nome de índios de diferentes origens e assumir uma agenda apertada de viagens e reuniões – representam apenas um momento provisório de sua vida. Mais importante é garantir que seus filhos continuem a falar a língua paterna e a seguir as regras de conduta baniwa, de modo que, no futuro, possam voltar a viver na aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Mairawê Kaiabi, falando para aqueles que permanecem na aldeia, lamenta o fato de os jovens estarem se distanciando de práticas como o cultivo, a caça e a pesca para consumirem cada vez mais produtos vindos das cidades. Para ele, esse fato, que pode levar a um estado de subnutrição das crianças, não pode ser dissociado do desmatamento das cabeceiras do rio Xingu e, por conseguinte, da má qualidade das águas dos rios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Timóteo Verá Popyguá construiu sua própria aldeia, Tenondé Porã, nos limites de uma grande metrópole, São Paulo. O seu maior problema tornou-se então garantir ali um espaço para viver, o que exige o envolvimento na luta pela preservação ambiental ameaçada pelo processo de expansão urbana. Timóteo pensa que o futuro dos Guarani nas redondezas de São Paulo passa, ademais, pela afirmação e divulgação de sua singularidade cultural. Isso justifica seus esforços de divulgar em CDs e espetáculos os cantos guarani, além de estimular os mais velhos a rememorá-los e ensiná-los aos mais jovens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esforço algo semelhante é o de André Baniwa, que tem buscado um diálogo entre velhos pajés e líderes religiosos e os mais jovens. Segundo ele, para além da escola diferenciada e dos projetos de piscicultura, é preciso incluir projetos para discutir a cultura e a religião baniwa. Isso implicaria um movimento de recuperação de certas narrativas, rituais e práticas, então “demonizadas” pelos missionários protestantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A necessidade de fazer com que os jovens voltem a se interessar pelo que dizem os velhos xamãs aparece fortemente nas falas de Lauro Marubo e Davi Yanomani, ainda que ambos não atribuam ao xamanismo o rótulo “cultura”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante da sedução dos objetos da cidade, Lauro Marubo alega que todos eles têm doenças; os relógios causam febre e o papel provoca tontura. Ora, quem criou tudo isso não foram os brancos, mas sim os antigos pajés, que até hoje podem identificar a potência predatória das coisas e convencer os mais jovens a permanecerem nas aldeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Davi Yanomami, de sua parte, incita os jovens a se interessarem mais pelo xamanismo, pois só assim lhes será possível defender a floresta e garantir uma boa saúde para todos. Isso significa interagir com os espíritos ''xapiripë'' por meio da inalação de uma substância alucinógena, o ''yãkoana''. Ao se distanciarem dos ''xapiripë'', os jovens tornam o seu pensamento obstruído, esquecem dos ensinamentos dos antigos. Ao se interessarem em demasia pelas coisas dos brancos, perdem o acesso não apenas a um modo singular de viver, mas sobretudo a um modo singular de ver o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Por''' Renato Sztutman''', antropólogo. Professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, pesquisador do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo/NHII-USP e colaborador do ISA. Texto publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/loja/detalhe_produto.html?id_prd=10278&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;''Povos Indígenas no Brasil 2001-2005''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A cosmopolítica das mudanças (climáticas e outras) ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Toda essa destruição não é nossa marca, é a pegada dos brancos, o rastro de vocês na terra&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Davi Kopenawa Yanomami'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763499-2/tcardeal_0897edit.jpg|Davi Kopenawa Yanomami. Foto: Tatiana Cardeal, 2009.&lt;br /&gt;
}} &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Os lugares sagrados são uma parte nossa&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Maximiliano Garcia Makuna'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763495-2/IMG_8928edit.jpg|Maximiliano Garcia Makuna. Foto: Laise Lopes Diniz/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Quase não tem mais taquara no mato&amp;quot;]] &lt;br /&gt;
|por '''Papá Miri Poty'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763501-2/T_PapaPotyMirimedit.jpg|Papá Miri Poty (Carlos Guarani Fernandes). Foto: Bruno Schultze.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Nhanderu já acha que o mundo está muito velho e quer limpar a terra&amp;quot;]] &lt;br /&gt;
|por '''Kunhã Tatá'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763511-3/T_CunhaTata.jpg|Kunhã Tatá (Doralice Fernandes). Foto: Bruno Schultze.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;O rio Xingu antigamente era fundo... Está ficando raso&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Awajatu Aweti'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763497-2/F28_15edit.jpg|Awajatu Aweti. Foto: Camila Gauditano, 2002.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;O tempo vai mudar, por isso chove muito. Nosso dono vai trocar a terra&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Seremete Wajãpi'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763503-2/seremeteedit.jpg|Seremete Wajãpi. Foto: Joana Cabral de Oliveira, 2010.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;O vento está forte, a chuva é muita... talvez o dilúvio nos alcance&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Muru Wajãpi'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763505-2/DSC03445edit.jpg|Muru Wajãpi. Foto: Joana Cabral de Oliveira, 2008.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Muito antigamente, a gente andava muito no cerrado... como se a gente dividisse o espaço com os bichos&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Wautomoaba Xavante'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763509-2/xavanteedit.jpg|Wautomoaba Xavante. Foto: Camila Gauditano, 2008.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Hoje tem muita doença porque a população está grande e tem muita coisa complicada: fumaça de pneu, plástico&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Osmarino Corrêa'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763493-2/arapiuns1edit.jpg|Osmarino Corrêa. Foto: Leandro Mahalem de Lima.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Tem uma traíra que é a mãe do igarapé... por isso eu sempre digo para essas mocinhas: respeitem!&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Raimunda Tapajós'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763507-2/arapiuns2edit.jpg|Raimunda Tapajós. Foto: Leandro Mahalem de Lima.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Populações indígenas têm ouvido dos brancos sobre o aquecimento crescente da terra e suas possíveis consequências, podendo vir a derreter geleiras, submergir cidades e desertificar florestas. Para muitas dessas populações, tais prognósticos, mesmo que preocupantes, não trazem grande novidade, seja porque o uso predatório dos recursos pelos brancos não poderia dar em outro resultado, seja porque a terra já foi destruída e renovada outras vezes. Os depoimentos que se seguem expressam percepções, reflexões e receios em relação a mudanças no regime de chuvas e rios, no ciclo reprodutivo de plantas e animais, dentre outras alterações que, longe de estarem circunscritas ao domínio do que os brancos chamam de “Natureza”, participam de uma cosmopolítica agenciada por humanos e não humanos, ou extra-humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Donos (extra-humanos) de diferentes seres e lugares são reconhecidos como protagonistas de mudanças em vários desses depoimentos, não raro como reação ao uso abusivo de seu domínio. Segundo conta Awajatu Aweti, por exemplo, os donos do braço de rio próximo de sua aldeia eram ''ta’e watu'', uma panela-monstruosa, e ''kaminu’umyt'', um menino pequeno todo enfeitado de colares de caramujo. Eles ficaram desgostosos com a poluição das águas e foram embora, fazendo com que o braço de rio secasse. Outro exemplo está presente no relato de Davi Yanomami, segundo o qual as chuvas estão começando a cair de um modo estranho em represália do demiurgo Omama a xawara, a fumaça-epidemia que sai das máquinas dos brancos. Ainda, podemos citar as falas de Seremete e Muru Wajãpi, que se perguntam por que o tempo de hoje se transformou, a chuva não para e é difícil queimar o terreno para a roça. Sua hipótese é que o dono da terra e o dono das árvores estejam furiosos porque os não índios estão acabando com a floresta. Nessa direção, o relato de Osmarino Corrêa, do Baixo Arapiuns, menciona um espírito que é a mãe do lugar onde vive e que passou a atacar após a proliferação de fumaça de pneu, novos barulhos e derrubada de mata.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Florestas, animais, águas, pedras e outros seres e lugares são assim criações/materializações/extensões desses donos, fazendo com que o manejo de seus recursos implique uma tradução do que dizem e o que querem por meio de suas ações (chuvas, secas, escassez ou abundância de caça, pesca, frutos do mato, infortúnios, encontros etc.). Esse exercício de tradução também se faz necessário nas relações com os brancos. O que chamam de “mudança climática”, a exemplo do que disse Davi Yanomami, “não vem do nosso rastro”. Mas, em alguma medida, as mudanças climáticas vêm promovendo mudanças de pensamento nos brancos, mostrando que o que chamam de “Natureza” não é inerte e está reagindo aos seus abusos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoas, lugares e coisas estão enredados uns nos outros como uma “internet espiritual”, na expressão de Maximiliano Makuna. Sua preocupação é que essa rede esteja se esgarçando, sendo as mudanças climáticas apenas uma de suas manifestações. Os ''sabedores'' são os ''nós'' dessa rede, e o avanço dos brancos tem feito definhar não só os chamados recursos naturais, mas os conhecimentos e os conhecedores. Em seu depoimento, Osmarino Corrêa também comenta que antes os velhos curavam mais, no tempo em que não existia plástico, fumaça de pneu nem comércio, quando os remédios vinham do mato e as doenças tinham outros nomes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O manejo do mundo é também o manejo do conhecimento, segundo Maximiliano Makuna. Nesse mesmo sentido, Carlos Guarani, ou Papa Poty Miri, comenta a escassez de taquara onde vive porque o clima da terra está mudando muito e houve extração abusiva para fazer artesanato no período em que as sementes se espalhariam. Os jovens de hoje ignoram o ciclo reprodutivo da taquara, ou o desconsideram em razão das demandas do comércio. E já na Primeira Terra, Takua, uma das filhas do demiurgo, foi transformada em palha de taquara pelos abusos de seu esposo e sua desconsideração ao sogro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Raimunda Tapajós também destaca o desrespeito que vem do desconhecimento de muitos jovens de hoje. Ela conta que no Baixo Arapiuns tem uma traíra que é a mãe do igarapé, e as moças passam lá sem respeitar os resguardos do período menstrual ou da menarca. Então ficam doentes, se transformam. Já no depoimento de Wautomoaba Xavante, a preocupação com o definhamento dos saberes é expressa quando ela conta que as pessoas antes conheciam mais as frutas do cerrado, pois faziam expedições para lugares que hoje são cidades, num tempo em que se andava mais e se aprendia mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um mundo sem conhecedores é um mundo sem tradutores, dificultando a política cósmica entre agentes providos de diferentes corpos, linguagens, interesses e efeitos. É um mundo em que as pessoas estão cada vez mais sujeitas a transformações e cada vez menos são sujeitos das transformações. O prognóstico de Seremete Wajãpi é que ''Janejarã'' (Nosso Dono) vai trocar a terra, acabando com esta na água ou no fogo. Para Doralice Kunhã Tatá, do povo Mbya Guarani, ''Nhanderu'' (Nosso pai) considera que o mundo já está muito velho e quer limpar a terra, destruindo tudo com barro de fogo e depois limpando com água. “Aí pode começar de novo”. No rastro de suas palavras e dos outros autores nos depoimentos que se seguem, podemos, quem sabe, buscar um recomeço antes desse fim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''Valéria Macedo''' – Antropóloga, professora na Unifesp e pesquisadora associada ao NHII-USP''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A chegada dos brancos ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[O eterno retorno do encontro]]&lt;br /&gt;
|por '''Ailton Krenak'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763739-2/fof0004_edit.jpg|Ailton Krenak. Foto: J. R. Ripper, 1989.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Nós não eramos índios&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Bráz de Oliveira França'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763737-2/br__z_oliveira_edit.jpg|Bráz de Oliveira França. Foto: Beto Ricardo/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[Sonho das origens/Descobrindo os Brancos]]&lt;br /&gt;
|por '''Davi Kopenawa Yanomami'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763727-2/DSC_3328_edit.JPG|Davi Kopenawa Yanomami. Foto: Milton Guran.&lt;br /&gt;
}} &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[Uruhe'i e Maripyaipok]]&lt;br /&gt;
|por '''Dona Maria Trindade Lopes'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763731-2/DSC_3331_edit.JPG|Dona Maria Trindade Lopes. Foto: Alba L. G. Figueroa.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[Jipohan é gente como você]]&lt;br /&gt;
|por '''Jurusi uhu''', '''Pa'hi''' e '''Tatitu'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763735-2/DSC_3332_edit.JPG|Foto: Dominique Gallois.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Nosso saber não está nos livros!&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Luiz Gomes Lana'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763733-2/00194_02_edit.jpg|Luiz Gomes Lana. Foto: Beto Ricardo/ISA, 1995.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[O irmão de Eva]]&lt;br /&gt;
|por '''Vidal'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763729-2/DSC_3330_edit.JPG|Vidal. Foto: Alba L. G. Figueroa.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[O aparecimento dos caraíba]]&lt;br /&gt;
|por '''Chefe Atahulu''' (hoje Kujame)&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[O imperador era índio]]&lt;br /&gt;
|por '''Alfredo Barbosa'''&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Não havia brancos aqui, nem lá em Georgetown&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''José Antônio'''&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Digo apenas simplesmente o que vi com meus olhos&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Chefe Momboré-Uaçu''' (1612)&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Lead|O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro (sócio-fundador do ISA) apresenta e analisa as narrativas [[Povo:Krenak | Krenak]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré-Mawé]], Tupinambá, [[Povo:Kuikuro | Kuikuro]], [[Povo:Desana | Desana]], [[Povo:Zo'é | Zo'é]], [[Povo:Baré | Baré]]  e &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapishana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | A história em outros termos}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As narrativas indígenas aqui publicadas dispensariam qualquer apresentação - quanto mais uma assinada por um branco -, não fosse o fato de que seu destinatário somos precisamente nós, os brancos. É apenas por isso que não me parece impróprio introduzi-las, fazendo votos de que elas nos possam abrir os ouvidos, e reavivar a memória. Escutemos pois o que dizem os Desana, os Baré, os Mawé, todos esses que viemos a chamar, por esquecimento, “índios”, como quem diz os outros, quando fomos nós que nos tornamos outros. Os que foram esquecidos não esqueceram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que se lê aqui é a história destes quinhentos anos, uma história que pensamos conhecer - mas contada em outros termos. Não é, para começar, uma história (dos índios) contada pelos brancos, mas uma história (dos brancos) contada pelos índios. Uma história, ou melhor dizendo, várias. Pois estas histórias impressionam pela diversidade: diversidade das posições enunciativas, dos contextos discursivos, dos gêneros de fala, dos recursos semânticos, dos registros epistêmicos, dos processos de textualização. Fala-se aqui do passado “imemorial”, mas também do ontem e do amanhã; falam vozes muito distantes, outras muito próximas; falam povos com experiência secular dos brancos, outros cujo “contato” conosco é coextensivo ao tempo de vida do narrador; contam-se o que chamaríamos 'mitos', como se contam memórias pessoais, inscrevem-se fragmentos de conversas, e depoimentos formais, e entrevistas, e conferências; diz-se o que se diz há muito, e diz-se o que nunca foi dito; conta-se muito do que contamos, mas de modo bem diferente. Conta-se, em suma; mas também explica-se, critica-se, lamenta-se, justifica-se, reivindica-se, pergunta-se. Há muito o que dizer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal impressão de heterogeneidade emerge não apenas da relação entre as narrativas, mas de muitas delas em si mesmas, em particular daquelas que buscam o fio que liga o presente ou o passado recente às condições gerais de possibilidade do mundo. Os personagens “históricos” (isto é, que figuram em nossos mitos históricos) coexistem sem solução de continuidade ontológica com personagens “míticos”; temas clássicos da tradição indígena pan-americana refletem, absorvem e transformam motivos igualmente clássicos da mitologia do Velho Mundo; juízos etnográficos profundos sobre a sociedade dos brancos buscam sua justificação em amplas caracterizações antropológicas e cosmológicas. Há, dir-se-ia, de tudo. Exatamente como na história que conhecemos, aliás, cuja heterogeneidade é apenas menos sensível a nossos olhos e ouvidos, acostumados que estão às nossas próprias convenções narrativas, onde coabitam escalas temporais incomensuráveis, e aos nossos saltos “naturais” entre múltiplos registros discursivos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não é difícil perceber, entretanto, a presença de um grande tema que atravessa muitos dos textos a seguir. Pois a diversidade aparente reflete, ou antes, refrata uma convicção fundamental. Esta diz: os índios são anteriores aos brancos, na ordem do parentesco e na ordem do território. Os brancos não chegaram aqui, eles saíram daqui; não descobriram os índios, mas encobriram a si mesmos, até voltarem para o que pensaram ser um encontro com o desconhecido, mas que não foi senão um reencontro com o olvidado. Somos, recordam-nos os Desana, seus irmãos mais moços. Abandonamos nossos maiores no princípio dos tempos, e muito mais tarde (apenas quinhentos anos atrás), acreditamos tê-los descoberto. Os que vieram a ser chamados índios são aquele fragmento da humanidade originária que decidiu, para o melhor ou para o pior, não seguir conosco. O retorno dos brancos era esperado - estava previsto -, mas se esperava, talvez, um pouco mais deles: que se comportassem como parentes que retornam, não como algozes; que partilhassem o que haviam aprendido lá aonde foram morar, não que voltassem para tomar o pouco que aos índios coubera; que seu engenho não tivesse sido adquirido às custas da sabedoria, que sua arte não lhes houvesse embaralhado o entendimento, que sua escrita não fosse usada para calar a voz dos que ficaram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que dizem, então, estas narrativas, é que a relação com os brancos sempre existiu. Não houve nem há “contato” que não fosse ou seja uma atualização - por mais que desastrosa - de uma virtualidade traçada no discurso das origens. Ailton Krenak observa agudamente que &amp;quot;o encontro e o contato entre nossas culturas e nossos povos, ele nem começou ainda e às vezes parece que ele já terminou&amp;quot;. Mas vale também, e pelas mesmas razões, o inverso: ele jamais começou, pois ele estava lá antes do começo. No começo foi o desencontro, e este ainda não terminou, quinhentos anos passados.&lt;br /&gt;
Mas quinhentos anos não é nada, conclui Ailton. É verdade. Sobretudo para quem tem boa memória, para aqueles cujo pensamento não está, como fulmina Davi Kopenawa, cheio de vertigem e de esquecimento. Possamos ao menos lembrar daqui para a frente, nós que somos verdadeiramente “muito esquecidos”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''' [Outubro, 2000]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== &amp;quot;Nós, mulheres indígenas&amp;quot; ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Se não tiver mais reza, o mundo vai acabar&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Estela Verá'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/985745-2/estelavera_guaraniMS.png|Estela Vera, Tekoha Potrero Guasu. Foto: Lauriene Seraguza, 2016. &lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Conversamos com o que a gente cultiva&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Ajãreaty Wajãpi'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088940-2/700pxajareatywajapi_dominiquegallois-2012.jpg|Ajãreaty Wajãpi. Foto:Dominique Gallois, 2012 &lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Antes do contato a terra era tão aberta...&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Wisio Kawaiwete'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088921-2/700pxwisiokawaiwete3_isabelharari-2016_JPG.jpg|Wisio Kawaiweté. Foto: Isabel Harari, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;A gente aprende observando as nossas mães&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Aracy Xavante'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088937-2/700pxaracyxavante_camilagauditano.jpg|Aracy Xavante. Foto: Camila Gauditano, S/d.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Minhas filhas estão me chamando de semente&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Magaró Ikpeng'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088972-1/miniatura_129pxmagaroikpeng_isabelharari-2016.jpg|Magaró Ikpeng. Foto: Isabel Harari, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Todo mundo tem que ser yarang&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Koré Ikpeng'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088964-1/miniatura_700pxcoreikpeng-magaroikpeng_isabelharari-2016.jpg|Koré Ikpeng. Foto: Isabel Harari, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-lg&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;É hora de seguirmos construindo esses laços de poder entre as mulheres&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Josiane Tutchiauna'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088928-2/700pxjosianeticuna.jpg|Josiane Tutchiauna. Foto: Patrícia C. Rosa, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Nós temos muito valor e conhecimento&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Orcinda Ïpüna'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088925-2/700pxorcinaticuna.jpg|Orcinda Ïpüna. Foto: Patrícia C. Rosa, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;As meninas aprendem sentando perto das mais velhas&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Fátima Iauanique''' e '''Denise Ianairu'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088960-1/miniatura_129pxfatima-denisebakairi3_valeriamacedo-2016.jpg|Fátima Iauanique. Foto: Valéria Macedo, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Eu sempre sonho com a aldeia&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Fátima Iauanique''' e '''Denise Ianairu'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088958-1/miniatura_129pxfatima-denisebakairi3_valeriamacedo-2016_2_.jpg|Denise Ianairu. Foto: Valéria Macedo, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Tinham muitas práticas boas, os antigos&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Catarina Pedrosa'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088946-2/700px004.jpg|Catarina Pedrosa, Comunidade Cunuri, Rio Tiquié, TI Alto Rio Negro, AM. Abril de 2013. / Melissa Santana de Oliveira&lt;br /&gt;
}} &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Agora vivemos na mistura&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Fátima Paumari'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088943-4/700pxIMG_4802.jpg|Fátima Paumari, com a neta pamela, aldeia Crispim, TI Paumari do Lago Marahã (AM), setembro de 2016 / Oiara Bonilla&lt;br /&gt;
}} &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo das últimas três edições da série Povos Indígenas no Brasil, esta seção apresentou, sob a forma de depoimentos temáticos comentados por antropólogos, pensamentos de 25 lideranças indígenas de diferentes povos: [[Povo:Kaiabi | Kaiabi]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Marubo | Marubo]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], [[Povo:Krenak | Krenak]], [[Povo:Wapichana | Wapichana]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/tupinamba&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Tupinambá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, entre outros. Nesses 17 anos, entretanto, apenas quatro mulheres tiveram suas palavras destacadas aqui: Dona Maria Trindade Lopes, do povo [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]]; Wautomoaba Xavante; Raimunda Tapajós, do povo Arapiuns; e Kunhã Tatá, a Doralice Fernandes, do povo [[Povo:Guarani Mbya | Guarani Mbya]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta edição decidimos inverter a balança convidando dez antropólogas para apresentar os pensamentos de doze mulheres indígenas. Esse movimento foi iniciado em abril de 2016, quando conectamos propositalmente oito mulheres indígenas por meio de um aplicativo de mensagens instantâneas e, a partir das audiocartas e diálogos travados por elas, preparamos o site &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://conexoes.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;&amp;quot;Conexões Mulheres Indígenas&amp;quot;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre lideranças e xamãs, professoras e universitárias, idosas e jovens, este novo conjunto de depoimentos reúne mulheres dos povos [[Povo:Guarani | Guarani]], [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Bakairi | Bakairi]], [[Povo:Tukano | Tukano]], [[Povo:Paumari | Paumari]], [[Povo:Ikpeng | Ikpeng]] e [[Povo:Kaiabi | Kawaiwete]]. Trata-se de solucionar um problema de representatividade e também de tornar conhecidas as trajetórias, memórias e perspectivas de algumas mulheres indígenas e, por meio delas, entrever as formas como povos e comunidades diferentes produzem conhecimentos, corpos, arte, alimento, política, diversidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde muito aprendemos com os povos indígenas que chefia - ou liderança - não é uma prerrogativa masculina. Exemplo disso está nas palavras de Wisió Kawaiwete, uma das mais prestigiosas lideranças do [[Povo:Xingu | Território Indígena do Xingu]] (MT), que nos fala da caminhada pioneira, ao lado de seu esposo, nos espaços da política xinguana e das relações com os brancos. Catarina Tukano aborda outros espaços e relações, não menos importantes: ao descrever diferentes etapas do preparo dos alimentos, entre a roça, a casa-cozinha, a preparação das festas, ela mostra como as mulheres, em seus domínios, trabalham junto com os homens para a produção da pessoa tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Transformações tematizam quase todas as falas. Estela Vera, a rezadora ava-guarani que puxa essa rede de mulheres, indica que o desaparecimento das rezas/cantos, pela alteração do tempo e pela falta de interesse dos mais jovens em se tornarem também rezadores, coloca em risco esta terra. A perspectiva sobre o fim do mundo que ela nos apresenta tem eco no depoimento de Wisió Kawaiwete sobre o tempo em que a terra &amp;quot;era aberta&amp;quot; e sobre as transformações que evidenciam não só um problema territorial, mas também o distanciamento entre as mulheres mais velhas e suas filhas e netas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aracy Xavante compartilha a angústia de não saber como as jovens vão perpetuar os conhecimentos das mulheres xavante, e ressalta que aprendeu tudo o que sabe - da coleta de alimentos a como enfrentar as dores do parto - com sua mãe e suas tias. Já Ajãreaty Wajãpi lembra dos ensinamentos dos antigos Wajãpi para revelar que a proximidade com o modo de vida dos ''karai kõ'' [não indígenas], seus alimentos e roupas têm tido muitos efeitos sobre os corpos dos jovens. É preciso falar com as plantas e seus donos, como ensinaram os antigos, para ter bons cultivos e boa comida, lembra ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Os não indígenas já têm espaços demais entre nós, em nossas aldeias&amp;quot;, testemunha Fátima Paumari, falecida em outubro de 2016. Ela, que se alegrava em ouvir sua língua ser falada pelos jovens e queria fazer viver os cantos paumari, era uma das grandes apoiadoras de iniciativas de valorização cultural e linguística. É também de iniciativas de valorização que nos falam as experiências de Koré e Magaró Ikpeng, duas das mais de 40 mulheres coletoras de sementes deste povo. Ser ''yarang'', elas nos contam, é ter sensibilidade para conhecer e cuidar das sementes - segundo elas, uma qualidade cultivada pelas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aparente descompasso entre gerações que algumas falas reforçam é balanceado por depoimentos de jovens, como Fátima Iauanique e Denise Ianairu, do povo Bakairi - que falam de seus próprios corpos e do que aprenderam no convívio com as mulheres mais velhas, mesmo passando longas temporadas longe de suas aldeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De forma parecida, Josiane Tutchiauna e sua mãe Orcinda Ïpüna enfatizam as ferramentas de luta pelos seus direitos, nos lembrando de que a conquista de novos espaços pelas mulheres indígenas não ocorre em prejuízo dos conhecimentos específicos que elas manejam e possuem. Entre os novos espaços estão, por exemplo, as associações de mulheres indígenas, que cresceram em número no último período. Ïpüna reitera: &amp;quot;Nós, mulheres ticuna, somos uma autoridade; só precisamos de mais oportunidades para mostrarmos isso&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falando de si mesmas, não raro algumas delas remetem, como Ïpüna, aos coletivos de mulheres de seu povo e de outras mulheres indígenas, uma forma, talvez, de reconhecer os problemas comuns enfrentados em seus territórios, de lembrar a importância e vitalidade de seus conhecimentos, e de compartilhar, umas com as outras, a luta contra o preconceito e a violência. Esperamos que essas falas feitas em papel deixem rastro para novos laços de poder entre mulheres indígenas - e entre mulheres indígenas e não indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''Marília Senlle''' – Cientista social, ISA &amp;lt;br/&amp;gt;'''Tatiane Klein''' – Antropóloga, ISA, doutoranda no PPGAS/USP''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria: Narrativas indígenas]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Narrativas Indígenas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Narrativas_Ind%C3%ADgenas&amp;diff=6607</id>
		<title>Narrativas Indígenas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Narrativas_Ind%C3%ADgenas&amp;diff=6607"/>
		<updated>2019-06-13T14:34:20Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: inserção narrativa davi&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Narrativas indígenas}}&lt;br /&gt;
== Novas narrativas, ameaças antigas ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[https://pib.socioambiental.org/pt/Dizem_que_a_Terra_Yanomami_é_muito_grande &amp;quot;O ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;]&lt;br /&gt;
|por '''Davi Kopenawa'''&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). Foto: Azul Serra/ISA.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== As lutas Guarani pela terra ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;A gente existia antes&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Leila Lopes'''&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/4/4/6_fc019a5a53fb417/446scr_57dd2f5389c92f2.jpg|Leila Lopes posa para retrato no Acampamento Terra Livre 2017. Foto: Luiza Calagian/ISA, 2017.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Nós queremos não só morar, mas preservar&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Thiago Henrique Karai Djekupe'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088984-4/MVI_8517+002_lzn.jpg|Thiago Henrique Karaí, liderança guarani da Terra Indígena Jaraguá, no município de São Paulo (SP). Foto: Luzia Calagian, 2017. &lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;A violência contra os indígenas é o legado que a gente traz nas veias&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Kerexu Yxapyry'''&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/3/1/4_3b2890ce98c1dec/314scr_c6ad0293e0c1862.jpg|Kerexu posa para retrato no Acampamento Terra Livre de 2017, em Brasília (DF). Foto: Luiza Calagian. &lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Comunicadores indígenas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[“Nossos parentes estão acompanhando e realmente é muito bom ver que eles estão por dentro”]]&lt;br /&gt;
|por '''Janete Figueiredo Alves'''&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/1/3/8/1/6_d69d98b0fd28e44/13816scr_ce90fa930774eb6.jpg|Janete Figueredo Alves, desana da Terra Indígena Alto Rio Negro (AM), durante o Acampamento Terra Livre de 2018, em Brasília (DF). Foto: Mario Brunoro/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[“A desinformação faz grande parte do racismo”]]&lt;br /&gt;
|por '''Cristian Wariú'''&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/1/3/8/0/8_01632bdca0c3c07/13808scr_00016b1874106a5.jpg|Tseremeywa, youtuber xavante da aldeia Três Marias, da Terra Indígena Parabubure (MT), durante o Acampamento Terra Livre de 2018, em Brasília (DF). Foto: Isadora Favero/ISA, 2018. &lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[“Desde quando eu fazia faculdade, eu tive uma ideia: como eu poderia dar um retorno para a minha aldeia”]]&lt;br /&gt;
|por '''Erisvan Bone Guajajara'''&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/1/3/8/1/5_072b9fcf8859d54/13815scr_140d84e75cf13f4.jpg|Erisvan Bone de Sousa Guajajara, da aldeia Lagoa Quieta, da Terra Indígena Arariboia (MA), durante o Acampamento Terra Livre de 2018, em Brasília (DF). Foto: Mario Brunoro/ISA, 2018.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Uma foto, uma história ==&lt;br /&gt;
{{:Uma foto, uma história}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Entre a aldeia, a cidade e o cosmos ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Cuidar da saúde não é só tomar remédio, é também cuidar da terra&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Mairawê Kaiabi'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/762274-4/mairawe_02edit.jpg|Mairawê Kaiabi. Foto: Rosely Alvim Sanches/ISA, 2002&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Em vez de desenvolvimento, envolvimento&amp;quot;]] &lt;br /&gt;
|por '''Timóteo Verá Popyguá&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/762276-2/timoteo_DSC01028edit.jpg|Timóteo verá Popyguá. Foto: Valéria Macedo/ISA, 2006.}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;É tudo pensamento de pajé&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Lauro Brasil Kene Marubo'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/762270-4/lauro+kene+maruboedit.jpg|Lauro Brasil Kene Marubo. Foto: Pedro Cesarino, 2006&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;É preciso fortalecer e avaliar a tradição&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''André Baniwa'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/762279-3/andr__+fernando+baniwaedit.jpg|André Baniwa. Foto: Délio Firmo Alves/Foirn, 2006.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os cincos líderes indígenas – Yanomami, Baniwa, Kaiabi, Guarani e Marubo – que falaram ao ISA têm em comum o desafio de promover condições adequadas para a interlocução com a sociedade nacional e o mundo globalizado. É assim que eles se revelam como tradutores ou mesmo intérpretes: buscam encontrar sentido local para práticas e instituições dos brancos ao mesmo tempo em que lutam para dar visibilidade, num plano mais amplo, a reivindicações, potencialidades e saberes de seus povos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Imersos num trânsito constante por entre mundos, eles jamais deixam de lado a prudência quando se põem a meditar sobre o futuro: a convivência com os brancos pode ser positiva desde que não se perca de vista a qualidade e a singularidade inscritas nas formas de ocupação do território, na transmissão de conhecimentos e no xamanismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O abandono do cotidiano nas aldeias para tentar a sorte nas cidades é motivo de lamento nas falas da maior parte desses líderes. Lauro Marubo, atual chefe da aldeia Alegria e pajé rezador, adverte aos jovens que morar na cidade é perigoso, pois lá abundam espíritos maléficos que causam doenças e morte. Além do mais, morrer na cidade, não é aconselhável para os Marubo, pois suas almas não conseguiriam encontrar o caminho de volta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
André Baniwa, embora tenha se instalado há alguns anos com sua família em São Gabriel da Cachoeira (AM), onde atua como vice-presidente da Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), diz ter saudades da vida na comunidade do alto Içana. Para ele, viver na cidade e ocupar uma posição de liderança – falar em nome de índios de diferentes origens e assumir uma agenda apertada de viagens e reuniões – representam apenas um momento provisório de sua vida. Mais importante é garantir que seus filhos continuem a falar a língua paterna e a seguir as regras de conduta baniwa, de modo que, no futuro, possam voltar a viver na aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já Mairawê Kaiabi, falando para aqueles que permanecem na aldeia, lamenta o fato de os jovens estarem se distanciando de práticas como o cultivo, a caça e a pesca para consumirem cada vez mais produtos vindos das cidades. Para ele, esse fato, que pode levar a um estado de subnutrição das crianças, não pode ser dissociado do desmatamento das cabeceiras do rio Xingu e, por conseguinte, da má qualidade das águas dos rios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Timóteo Verá Popyguá construiu sua própria aldeia, Tenondé Porã, nos limites de uma grande metrópole, São Paulo. O seu maior problema tornou-se então garantir ali um espaço para viver, o que exige o envolvimento na luta pela preservação ambiental ameaçada pelo processo de expansão urbana. Timóteo pensa que o futuro dos Guarani nas redondezas de São Paulo passa, ademais, pela afirmação e divulgação de sua singularidade cultural. Isso justifica seus esforços de divulgar em CDs e espetáculos os cantos guarani, além de estimular os mais velhos a rememorá-los e ensiná-los aos mais jovens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esforço algo semelhante é o de André Baniwa, que tem buscado um diálogo entre velhos pajés e líderes religiosos e os mais jovens. Segundo ele, para além da escola diferenciada e dos projetos de piscicultura, é preciso incluir projetos para discutir a cultura e a religião baniwa. Isso implicaria um movimento de recuperação de certas narrativas, rituais e práticas, então “demonizadas” pelos missionários protestantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A necessidade de fazer com que os jovens voltem a se interessar pelo que dizem os velhos xamãs aparece fortemente nas falas de Lauro Marubo e Davi Yanomani, ainda que ambos não atribuam ao xamanismo o rótulo “cultura”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diante da sedução dos objetos da cidade, Lauro Marubo alega que todos eles têm doenças; os relógios causam febre e o papel provoca tontura. Ora, quem criou tudo isso não foram os brancos, mas sim os antigos pajés, que até hoje podem identificar a potência predatória das coisas e convencer os mais jovens a permanecerem nas aldeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Davi Yanomami, de sua parte, incita os jovens a se interessarem mais pelo xamanismo, pois só assim lhes será possível defender a floresta e garantir uma boa saúde para todos. Isso significa interagir com os espíritos ''xapiripë'' por meio da inalação de uma substância alucinógena, o ''yãkoana''. Ao se distanciarem dos ''xapiripë'', os jovens tornam o seu pensamento obstruído, esquecem dos ensinamentos dos antigos. Ao se interessarem em demasia pelas coisas dos brancos, perdem o acesso não apenas a um modo singular de viver, mas sobretudo a um modo singular de ver o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Por''' Renato Sztutman''', antropólogo. Professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, pesquisador do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo/NHII-USP e colaborador do ISA. Texto publicado originalmente no livro &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/loja/detalhe_produto.html?id_prd=10278&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;''Povos Indígenas no Brasil 2001-2005''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A cosmopolítica das mudanças (climáticas e outras) ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Toda essa destruição não é nossa marca, é a pegada dos brancos, o rastro de vocês na terra&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Davi Kopenawa Yanomami'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763499-2/tcardeal_0897edit.jpg|Davi Kopenawa Yanomami. Foto: Tatiana Cardeal, 2009.&lt;br /&gt;
}} &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Os lugares sagrados são uma parte nossa&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Maximiliano Garcia Makuna'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763495-2/IMG_8928edit.jpg|Maximiliano Garcia Makuna. Foto: Laise Lopes Diniz/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Quase não tem mais taquara no mato&amp;quot;]] &lt;br /&gt;
|por '''Papá Miri Poty'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763501-2/T_PapaPotyMirimedit.jpg|Papá Miri Poty (Carlos Guarani Fernandes). Foto: Bruno Schultze.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Nhanderu já acha que o mundo está muito velho e quer limpar a terra&amp;quot;]] &lt;br /&gt;
|por '''Kunhã Tatá'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763511-3/T_CunhaTata.jpg|Kunhã Tatá (Doralice Fernandes). Foto: Bruno Schultze.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;O rio Xingu antigamente era fundo... Está ficando raso&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Awajatu Aweti'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763497-2/F28_15edit.jpg|Awajatu Aweti. Foto: Camila Gauditano, 2002.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;O tempo vai mudar, por isso chove muito. Nosso dono vai trocar a terra&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Seremete Wajãpi'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763503-2/seremeteedit.jpg|Seremete Wajãpi. Foto: Joana Cabral de Oliveira, 2010.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;O vento está forte, a chuva é muita... talvez o dilúvio nos alcance&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Muru Wajãpi'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763505-2/DSC03445edit.jpg|Muru Wajãpi. Foto: Joana Cabral de Oliveira, 2008.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Muito antigamente, a gente andava muito no cerrado... como se a gente dividisse o espaço com os bichos&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Wautomoaba Xavante'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763509-2/xavanteedit.jpg|Wautomoaba Xavante. Foto: Camila Gauditano, 2008.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Hoje tem muita doença porque a população está grande e tem muita coisa complicada: fumaça de pneu, plástico&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Osmarino Corrêa'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763493-2/arapiuns1edit.jpg|Osmarino Corrêa. Foto: Leandro Mahalem de Lima.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Tem uma traíra que é a mãe do igarapé... por isso eu sempre digo para essas mocinhas: respeitem!&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Raimunda Tapajós'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763507-2/arapiuns2edit.jpg|Raimunda Tapajós. Foto: Leandro Mahalem de Lima.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Populações indígenas têm ouvido dos brancos sobre o aquecimento crescente da terra e suas possíveis consequências, podendo vir a derreter geleiras, submergir cidades e desertificar florestas. Para muitas dessas populações, tais prognósticos, mesmo que preocupantes, não trazem grande novidade, seja porque o uso predatório dos recursos pelos brancos não poderia dar em outro resultado, seja porque a terra já foi destruída e renovada outras vezes. Os depoimentos que se seguem expressam percepções, reflexões e receios em relação a mudanças no regime de chuvas e rios, no ciclo reprodutivo de plantas e animais, dentre outras alterações que, longe de estarem circunscritas ao domínio do que os brancos chamam de “Natureza”, participam de uma cosmopolítica agenciada por humanos e não humanos, ou extra-humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Donos (extra-humanos) de diferentes seres e lugares são reconhecidos como protagonistas de mudanças em vários desses depoimentos, não raro como reação ao uso abusivo de seu domínio. Segundo conta Awajatu Aweti, por exemplo, os donos do braço de rio próximo de sua aldeia eram ''ta’e watu'', uma panela-monstruosa, e ''kaminu’umyt'', um menino pequeno todo enfeitado de colares de caramujo. Eles ficaram desgostosos com a poluição das águas e foram embora, fazendo com que o braço de rio secasse. Outro exemplo está presente no relato de Davi Yanomami, segundo o qual as chuvas estão começando a cair de um modo estranho em represália do demiurgo Omama a xawara, a fumaça-epidemia que sai das máquinas dos brancos. Ainda, podemos citar as falas de Seremete e Muru Wajãpi, que se perguntam por que o tempo de hoje se transformou, a chuva não para e é difícil queimar o terreno para a roça. Sua hipótese é que o dono da terra e o dono das árvores estejam furiosos porque os não índios estão acabando com a floresta. Nessa direção, o relato de Osmarino Corrêa, do Baixo Arapiuns, menciona um espírito que é a mãe do lugar onde vive e que passou a atacar após a proliferação de fumaça de pneu, novos barulhos e derrubada de mata.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Florestas, animais, águas, pedras e outros seres e lugares são assim criações/materializações/extensões desses donos, fazendo com que o manejo de seus recursos implique uma tradução do que dizem e o que querem por meio de suas ações (chuvas, secas, escassez ou abundância de caça, pesca, frutos do mato, infortúnios, encontros etc.). Esse exercício de tradução também se faz necessário nas relações com os brancos. O que chamam de “mudança climática”, a exemplo do que disse Davi Yanomami, “não vem do nosso rastro”. Mas, em alguma medida, as mudanças climáticas vêm promovendo mudanças de pensamento nos brancos, mostrando que o que chamam de “Natureza” não é inerte e está reagindo aos seus abusos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pessoas, lugares e coisas estão enredados uns nos outros como uma “internet espiritual”, na expressão de Maximiliano Makuna. Sua preocupação é que essa rede esteja se esgarçando, sendo as mudanças climáticas apenas uma de suas manifestações. Os ''sabedores'' são os ''nós'' dessa rede, e o avanço dos brancos tem feito definhar não só os chamados recursos naturais, mas os conhecimentos e os conhecedores. Em seu depoimento, Osmarino Corrêa também comenta que antes os velhos curavam mais, no tempo em que não existia plástico, fumaça de pneu nem comércio, quando os remédios vinham do mato e as doenças tinham outros nomes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O manejo do mundo é também o manejo do conhecimento, segundo Maximiliano Makuna. Nesse mesmo sentido, Carlos Guarani, ou Papa Poty Miri, comenta a escassez de taquara onde vive porque o clima da terra está mudando muito e houve extração abusiva para fazer artesanato no período em que as sementes se espalhariam. Os jovens de hoje ignoram o ciclo reprodutivo da taquara, ou o desconsideram em razão das demandas do comércio. E já na Primeira Terra, Takua, uma das filhas do demiurgo, foi transformada em palha de taquara pelos abusos de seu esposo e sua desconsideração ao sogro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Raimunda Tapajós também destaca o desrespeito que vem do desconhecimento de muitos jovens de hoje. Ela conta que no Baixo Arapiuns tem uma traíra que é a mãe do igarapé, e as moças passam lá sem respeitar os resguardos do período menstrual ou da menarca. Então ficam doentes, se transformam. Já no depoimento de Wautomoaba Xavante, a preocupação com o definhamento dos saberes é expressa quando ela conta que as pessoas antes conheciam mais as frutas do cerrado, pois faziam expedições para lugares que hoje são cidades, num tempo em que se andava mais e se aprendia mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um mundo sem conhecedores é um mundo sem tradutores, dificultando a política cósmica entre agentes providos de diferentes corpos, linguagens, interesses e efeitos. É um mundo em que as pessoas estão cada vez mais sujeitas a transformações e cada vez menos são sujeitos das transformações. O prognóstico de Seremete Wajãpi é que ''Janejarã'' (Nosso Dono) vai trocar a terra, acabando com esta na água ou no fogo. Para Doralice Kunhã Tatá, do povo Mbya Guarani, ''Nhanderu'' (Nosso pai) considera que o mundo já está muito velho e quer limpar a terra, destruindo tudo com barro de fogo e depois limpando com água. “Aí pode começar de novo”. No rastro de suas palavras e dos outros autores nos depoimentos que se seguem, podemos, quem sabe, buscar um recomeço antes desse fim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''Valéria Macedo''' – Antropóloga, professora na Unifesp e pesquisadora associada ao NHII-USP''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A chegada dos brancos ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[O eterno retorno do encontro]]&lt;br /&gt;
|por '''Ailton Krenak'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763739-2/fof0004_edit.jpg|Ailton Krenak. Foto: J. R. Ripper, 1989.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Nós não eramos índios&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Bráz de Oliveira França'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763737-2/br__z_oliveira_edit.jpg|Bráz de Oliveira França. Foto: Beto Ricardo/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[Sonho das origens/Descobrindo os Brancos]]&lt;br /&gt;
|por '''Davi Kopenawa Yanomami'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763727-2/DSC_3328_edit.JPG|Davi Kopenawa Yanomami. Foto: Milton Guran.&lt;br /&gt;
}} &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[Uruhe'i e Maripyaipok]]&lt;br /&gt;
|por '''Dona Maria Trindade Lopes'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763731-2/DSC_3331_edit.JPG|Dona Maria Trindade Lopes. Foto: Alba L. G. Figueroa.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[Jipohan é gente como você]]&lt;br /&gt;
|por '''Jurusi uhu''', '''Pa'hi''' e '''Tatitu'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763735-2/DSC_3332_edit.JPG|Foto: Dominique Gallois.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Nosso saber não está nos livros!&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Luiz Gomes Lana'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763733-2/00194_02_edit.jpg|Luiz Gomes Lana. Foto: Beto Ricardo/ISA, 1995.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[O irmão de Eva]]&lt;br /&gt;
|por '''Vidal'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/763729-2/DSC_3330_edit.JPG|Vidal. Foto: Alba L. G. Figueroa.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[O aparecimento dos caraíba]]&lt;br /&gt;
|por '''Chefe Atahulu''' (hoje Kujame)&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[O imperador era índio]]&lt;br /&gt;
|por '''Alfredo Barbosa'''&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Não havia brancos aqui, nem lá em Georgetown&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''José Antônio'''&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Digo apenas simplesmente o que vi com meus olhos&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Chefe Momboré-Uaçu''' (1612)&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Lead|O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro (sócio-fundador do ISA) apresenta e analisa as narrativas [[Povo:Krenak | Krenak]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], [[Povo:Sateré Mawé | Sateré-Mawé]], Tupinambá, [[Povo:Kuikuro | Kuikuro]], [[Povo:Desana | Desana]], [[Povo:Zo'é | Zo'é]], [[Povo:Baré | Baré]]  e &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://pib.socioambiental.org/pt/povo/wapishana&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_self&amp;quot;&amp;gt;Wapixana&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | A história em outros termos}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As narrativas indígenas aqui publicadas dispensariam qualquer apresentação - quanto mais uma assinada por um branco -, não fosse o fato de que seu destinatário somos precisamente nós, os brancos. É apenas por isso que não me parece impróprio introduzi-las, fazendo votos de que elas nos possam abrir os ouvidos, e reavivar a memória. Escutemos pois o que dizem os Desana, os Baré, os Mawé, todos esses que viemos a chamar, por esquecimento, “índios”, como quem diz os outros, quando fomos nós que nos tornamos outros. Os que foram esquecidos não esqueceram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que se lê aqui é a história destes quinhentos anos, uma história que pensamos conhecer - mas contada em outros termos. Não é, para começar, uma história (dos índios) contada pelos brancos, mas uma história (dos brancos) contada pelos índios. Uma história, ou melhor dizendo, várias. Pois estas histórias impressionam pela diversidade: diversidade das posições enunciativas, dos contextos discursivos, dos gêneros de fala, dos recursos semânticos, dos registros epistêmicos, dos processos de textualização. Fala-se aqui do passado “imemorial”, mas também do ontem e do amanhã; falam vozes muito distantes, outras muito próximas; falam povos com experiência secular dos brancos, outros cujo “contato” conosco é coextensivo ao tempo de vida do narrador; contam-se o que chamaríamos 'mitos', como se contam memórias pessoais, inscrevem-se fragmentos de conversas, e depoimentos formais, e entrevistas, e conferências; diz-se o que se diz há muito, e diz-se o que nunca foi dito; conta-se muito do que contamos, mas de modo bem diferente. Conta-se, em suma; mas também explica-se, critica-se, lamenta-se, justifica-se, reivindica-se, pergunta-se. Há muito o que dizer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tal impressão de heterogeneidade emerge não apenas da relação entre as narrativas, mas de muitas delas em si mesmas, em particular daquelas que buscam o fio que liga o presente ou o passado recente às condições gerais de possibilidade do mundo. Os personagens “históricos” (isto é, que figuram em nossos mitos históricos) coexistem sem solução de continuidade ontológica com personagens “míticos”; temas clássicos da tradição indígena pan-americana refletem, absorvem e transformam motivos igualmente clássicos da mitologia do Velho Mundo; juízos etnográficos profundos sobre a sociedade dos brancos buscam sua justificação em amplas caracterizações antropológicas e cosmológicas. Há, dir-se-ia, de tudo. Exatamente como na história que conhecemos, aliás, cuja heterogeneidade é apenas menos sensível a nossos olhos e ouvidos, acostumados que estão às nossas próprias convenções narrativas, onde coabitam escalas temporais incomensuráveis, e aos nossos saltos “naturais” entre múltiplos registros discursivos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não é difícil perceber, entretanto, a presença de um grande tema que atravessa muitos dos textos a seguir. Pois a diversidade aparente reflete, ou antes, refrata uma convicção fundamental. Esta diz: os índios são anteriores aos brancos, na ordem do parentesco e na ordem do território. Os brancos não chegaram aqui, eles saíram daqui; não descobriram os índios, mas encobriram a si mesmos, até voltarem para o que pensaram ser um encontro com o desconhecido, mas que não foi senão um reencontro com o olvidado. Somos, recordam-nos os Desana, seus irmãos mais moços. Abandonamos nossos maiores no princípio dos tempos, e muito mais tarde (apenas quinhentos anos atrás), acreditamos tê-los descoberto. Os que vieram a ser chamados índios são aquele fragmento da humanidade originária que decidiu, para o melhor ou para o pior, não seguir conosco. O retorno dos brancos era esperado - estava previsto -, mas se esperava, talvez, um pouco mais deles: que se comportassem como parentes que retornam, não como algozes; que partilhassem o que haviam aprendido lá aonde foram morar, não que voltassem para tomar o pouco que aos índios coubera; que seu engenho não tivesse sido adquirido às custas da sabedoria, que sua arte não lhes houvesse embaralhado o entendimento, que sua escrita não fosse usada para calar a voz dos que ficaram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que dizem, então, estas narrativas, é que a relação com os brancos sempre existiu. Não houve nem há “contato” que não fosse ou seja uma atualização - por mais que desastrosa - de uma virtualidade traçada no discurso das origens. Ailton Krenak observa agudamente que &amp;quot;o encontro e o contato entre nossas culturas e nossos povos, ele nem começou ainda e às vezes parece que ele já terminou&amp;quot;. Mas vale também, e pelas mesmas razões, o inverso: ele jamais começou, pois ele estava lá antes do começo. No começo foi o desencontro, e este ainda não terminou, quinhentos anos passados.&lt;br /&gt;
Mas quinhentos anos não é nada, conclui Ailton. É verdade. Sobretudo para quem tem boa memória, para aqueles cujo pensamento não está, como fulmina Davi Kopenawa, cheio de vertigem e de esquecimento. Possamos ao menos lembrar daqui para a frente, nós que somos verdadeiramente “muito esquecidos”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''' [Outubro, 2000]'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== &amp;quot;Nós, mulheres indígenas&amp;quot; ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;list-group pull-left&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Se não tiver mais reza, o mundo vai acabar&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Estela Verá'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/985745-2/estelavera_guaraniMS.png|Estela Vera, Tekoha Potrero Guasu. Foto: Lauriene Seraguza, 2016. &lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Conversamos com o que a gente cultiva&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Ajãreaty Wajãpi'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088940-2/700pxajareatywajapi_dominiquegallois-2012.jpg|Ajãreaty Wajãpi. Foto:Dominique Gallois, 2012 &lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt; &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Antes do contato a terra era tão aberta...&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Wisio Kawaiwete'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088921-2/700pxwisiokawaiwete3_isabelharari-2016_JPG.jpg|Wisio Kawaiweté. Foto: Isabel Harari, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;A gente aprende observando as nossas mães&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Aracy Xavante'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088937-2/700pxaracyxavante_camilagauditano.jpg|Aracy Xavante. Foto: Camila Gauditano, S/d.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Minhas filhas estão me chamando de semente&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Magaró Ikpeng'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088972-1/miniatura_129pxmagaroikpeng_isabelharari-2016.jpg|Magaró Ikpeng. Foto: Isabel Harari, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Todo mundo tem que ser yarang&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Koré Ikpeng'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088964-1/miniatura_700pxcoreikpeng-magaroikpeng_isabelharari-2016.jpg|Koré Ikpeng. Foto: Isabel Harari, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-sm&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix visible-lg&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;É hora de seguirmos construindo esses laços de poder entre as mulheres&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Josiane Tutchiauna'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088928-2/700pxjosianeticuna.jpg|Josiane Tutchiauna. Foto: Patrícia C. Rosa, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Nós temos muito valor e conhecimento&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Orcinda Ïpüna'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088925-2/700pxorcinaticuna.jpg|Orcinda Ïpüna. Foto: Patrícia C. Rosa, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;As meninas aprendem sentando perto das mais velhas&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Fátima Iauanique''' e '''Denise Ianairu'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088960-1/miniatura_129pxfatima-denisebakairi3_valeriamacedo-2016.jpg|Fátima Iauanique. Foto: Valéria Macedo, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Eu sempre sonho com a aldeia&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Fátima Iauanique''' e '''Denise Ianairu'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088958-1/miniatura_129pxfatima-denisebakairi3_valeriamacedo-2016_2_.jpg|Denise Ianairu. Foto: Valéria Macedo, 2016.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;clearfix&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Tinham muitas práticas boas, os antigos&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Catarina Pedrosa'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088946-2/700px004.jpg|Catarina Pedrosa, Comunidade Cunuri, Rio Tiquié, TI Alto Rio Negro, AM. Abril de 2013. / Melissa Santana de Oliveira&lt;br /&gt;
}} &lt;br /&gt;
{{Info-link&lt;br /&gt;
|[[&amp;quot;Agora vivemos na mistura&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
|por '''Fátima Paumari'''&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088943-4/700pxIMG_4802.jpg|Fátima Paumari, com a neta pamela, aldeia Crispim, TI Paumari do Lago Marahã (AM), setembro de 2016 / Oiara Bonilla&lt;br /&gt;
}} &lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo das últimas três edições da série Povos Indígenas no Brasil, esta seção apresentou, sob a forma de depoimentos temáticos comentados por antropólogos, pensamentos de 25 lideranças indígenas de diferentes povos: [[Povo:Kaiabi | Kaiabi]], [[Povo:Baniwa | Baniwa]], [[Povo:Marubo | Marubo]], [[Povo:Yanomami | Yanomami]], [[Povo:Krenak | Krenak]], [[Povo:Wapichana | Wapichana]], &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://pib.socioambiental.org/pt/povo/tupinamba&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Tupinambá&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, entre outros. Nesses 17 anos, entretanto, apenas quatro mulheres tiveram suas palavras destacadas aqui: Dona Maria Trindade Lopes, do povo [[Povo:Sateré Mawé | Sateré Mawé]]; Wautomoaba Xavante; Raimunda Tapajós, do povo Arapiuns; e Kunhã Tatá, a Doralice Fernandes, do povo [[Povo:Guarani Mbya | Guarani Mbya]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesta edição decidimos inverter a balança convidando dez antropólogas para apresentar os pensamentos de doze mulheres indígenas. Esse movimento foi iniciado em abril de 2016, quando conectamos propositalmente oito mulheres indígenas por meio de um aplicativo de mensagens instantâneas e, a partir das audiocartas e diálogos travados por elas, preparamos o site &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://conexoes.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;&amp;quot;Conexões Mulheres Indígenas&amp;quot;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre lideranças e xamãs, professoras e universitárias, idosas e jovens, este novo conjunto de depoimentos reúne mulheres dos povos [[Povo:Guarani | Guarani]], [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]], [[Povo:Xavante | Xavante]], [[Povo:Ticuna | Ticuna]], [[Povo:Bakairi | Bakairi]], [[Povo:Tukano | Tukano]], [[Povo:Paumari | Paumari]], [[Povo:Ikpeng | Ikpeng]] e [[Povo:Kaiabi | Kawaiwete]]. Trata-se de solucionar um problema de representatividade e também de tornar conhecidas as trajetórias, memórias e perspectivas de algumas mulheres indígenas e, por meio delas, entrever as formas como povos e comunidades diferentes produzem conhecimentos, corpos, arte, alimento, política, diversidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde muito aprendemos com os povos indígenas que chefia - ou liderança - não é uma prerrogativa masculina. Exemplo disso está nas palavras de Wisió Kawaiwete, uma das mais prestigiosas lideranças do [[Povo:Xingu | Território Indígena do Xingu]] (MT), que nos fala da caminhada pioneira, ao lado de seu esposo, nos espaços da política xinguana e das relações com os brancos. Catarina Tukano aborda outros espaços e relações, não menos importantes: ao descrever diferentes etapas do preparo dos alimentos, entre a roça, a casa-cozinha, a preparação das festas, ela mostra como as mulheres, em seus domínios, trabalham junto com os homens para a produção da pessoa tukano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Transformações tematizam quase todas as falas. Estela Vera, a rezadora ava-guarani que puxa essa rede de mulheres, indica que o desaparecimento das rezas/cantos, pela alteração do tempo e pela falta de interesse dos mais jovens em se tornarem também rezadores, coloca em risco esta terra. A perspectiva sobre o fim do mundo que ela nos apresenta tem eco no depoimento de Wisió Kawaiwete sobre o tempo em que a terra &amp;quot;era aberta&amp;quot; e sobre as transformações que evidenciam não só um problema territorial, mas também o distanciamento entre as mulheres mais velhas e suas filhas e netas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aracy Xavante compartilha a angústia de não saber como as jovens vão perpetuar os conhecimentos das mulheres xavante, e ressalta que aprendeu tudo o que sabe - da coleta de alimentos a como enfrentar as dores do parto - com sua mãe e suas tias. Já Ajãreaty Wajãpi lembra dos ensinamentos dos antigos Wajãpi para revelar que a proximidade com o modo de vida dos ''karai kõ'' [não indígenas], seus alimentos e roupas têm tido muitos efeitos sobre os corpos dos jovens. É preciso falar com as plantas e seus donos, como ensinaram os antigos, para ter bons cultivos e boa comida, lembra ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Os não indígenas já têm espaços demais entre nós, em nossas aldeias&amp;quot;, testemunha Fátima Paumari, falecida em outubro de 2016. Ela, que se alegrava em ouvir sua língua ser falada pelos jovens e queria fazer viver os cantos paumari, era uma das grandes apoiadoras de iniciativas de valorização cultural e linguística. É também de iniciativas de valorização que nos falam as experiências de Koré e Magaró Ikpeng, duas das mais de 40 mulheres coletoras de sementes deste povo. Ser ''yarang'', elas nos contam, é ter sensibilidade para conhecer e cuidar das sementes - segundo elas, uma qualidade cultivada pelas mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O aparente descompasso entre gerações que algumas falas reforçam é balanceado por depoimentos de jovens, como Fátima Iauanique e Denise Ianairu, do povo Bakairi - que falam de seus próprios corpos e do que aprenderam no convívio com as mulheres mais velhas, mesmo passando longas temporadas longe de suas aldeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De forma parecida, Josiane Tutchiauna e sua mãe Orcinda Ïpüna enfatizam as ferramentas de luta pelos seus direitos, nos lembrando de que a conquista de novos espaços pelas mulheres indígenas não ocorre em prejuízo dos conhecimentos específicos que elas manejam e possuem. Entre os novos espaços estão, por exemplo, as associações de mulheres indígenas, que cresceram em número no último período. Ïpüna reitera: &amp;quot;Nós, mulheres ticuna, somos uma autoridade; só precisamos de mais oportunidades para mostrarmos isso&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falando de si mesmas, não raro algumas delas remetem, como Ïpüna, aos coletivos de mulheres de seu povo e de outras mulheres indígenas, uma forma, talvez, de reconhecer os problemas comuns enfrentados em seus territórios, de lembrar a importância e vitalidade de seus conhecimentos, e de compartilhar, umas com as outras, a luta contra o preconceito e a violência. Esperamos que essas falas feitas em papel deixem rastro para novos laços de poder entre mulheres indígenas - e entre mulheres indígenas e não indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''''Marília Senlle''' – Cientista social, ISA &amp;lt;br/&amp;gt;'''Tatiane Klein''' – Antropóloga, ISA, doutoranda no PPGAS/USP''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria: Narrativas indígenas]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Narrativas Indígenas}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Dizem_que_a_Terra_Yanomami_%C3%A9_muito_grande&amp;diff=6606</id>
		<title>Dizem que a Terra Yanomami é muito grande</title>
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		<updated>2019-06-04T13:11:57Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' destaca as ameaças à Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). Foto: Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Também não sou “índio”, sou Yanomami. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas '''não reconhecem''' a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tivesse vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta — muita luta, bem forte mesmo! — para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os ''napë'' estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2019, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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		<title>Dizem que a Terra Yanomami é muito grande</title>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' destaca as ameaças à Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). Foto: Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas '''não reconhecem''' a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tivesse vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta — muita luta, bem forte mesmo! — para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os ''napë'' estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2019, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' reforça os sujeitos que ameaçam a Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). Foto: Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas '''não reconhecem''' a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tivesse vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta — muita luta, bem forte mesmo! — para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os ''napë'' estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2019, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Dizem_que_a_Terra_Yanomami_%C3%A9_muito_grande&amp;diff=6603</id>
		<title>Dizem que a Terra Yanomami é muito grande</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Dizem_que_a_Terra_Yanomami_%C3%A9_muito_grande&amp;diff=6603"/>
		<updated>2019-05-24T19:20:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' reforça os sujeitos que ameaçam a Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). | Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas '''não reconhecem''' a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tivesse vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta — muita luta, bem forte mesmo! — para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os ''napë'' estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2019, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>Dizem que a Terra Yanomami é muito grande</title>
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		<updated>2019-05-24T19:18:09Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' reforça os sujeitos que ameaçam a Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). | Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas '''não reconhecem''' a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tivesse vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta — muita luta, bem forte mesmo! — para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os napë estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2019, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Dizem_que_a_Terra_Yanomami_%C3%A9_muito_grande&amp;diff=6601</id>
		<title>Dizem que a Terra Yanomami é muito grande</title>
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		<updated>2019-05-24T19:15:57Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' reforça os sujeitos que ameaçam a Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). | Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas '''não reconhecem''' a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tivesse vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta (muita luta, bem forte mesmo!) para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os napë estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2019, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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		<title>Dizem que a Terra Yanomami é muito grande</title>
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		<updated>2019-05-24T19:14:14Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' reforça os sujeitos que ameaçam a Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). | Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas '''não reconhecem''' a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tivesse vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta (muita luta, bem forte mesmo!) para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os napë estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2013, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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		<updated>2019-05-24T19:12:42Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' reforça os sujeitos que ameaçam a Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). | Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas '''não reconhecem''' a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tivesse vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi, [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta (muita luta, bem forte mesmo!) para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os napë estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2013, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Dizem_que_a_Terra_Yanomami_%C3%A9_muito_grande&amp;diff=6598</id>
		<title>Dizem que a Terra Yanomami é muito grande</title>
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		<updated>2019-05-24T19:11:26Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' reforça os sujeitos que ameaçam a Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). | Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas '''não reconhecem''' a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tiver vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi, [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta (muita luta, bem forte mesmo!) para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os napë estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2013, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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		<title>Dizem que a Terra Yanomami é muito grande</title>
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		<updated>2019-05-24T19:03:36Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' reforça os sujeitos que ameaçam a Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|http://i63.tinypic.com/ddyg08.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). | Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas não reconhecem a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tiver vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi, [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta (muita luta, bem forte mesmo!) para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os napë estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2013, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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	<entry>
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		<title>Dizem que a Terra Yanomami é muito grande</title>
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		<updated>2019-05-24T19:01:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' reforça os sujeitos que ameaçam a Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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|12&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/3/5/4/7/8_4acb91b187b4ffa/35478scr_wm_100a988a280c7c6.jpg?v=2019-05-10+13%3A41%3A02.jpg&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). | Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas não reconhecem a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tiver vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi, [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta (muita luta, bem forte mesmo!) para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os napë estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2013, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Dizem_que_a_Terra_Yanomami_%C3%A9_muito_grande&amp;diff=6595</id>
		<title>Dizem que a Terra Yanomami é muito grande</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Dizem_que_a_Terra_Yanomami_%C3%A9_muito_grande&amp;diff=6595"/>
		<updated>2019-05-24T18:57:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: Criou página com '{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}  {{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' re...'&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |&amp;quot;Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o ‘pouco índio’ está protegendo todo o planeta&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead | O xamã '''Davi Kopenawa''' reforça os sujeitos que ameaçam a Terra Indígena Yanomami (AM/RR) e fala sobre a importância da floresta em pé aos brancos, o “povo-mercadoria”}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|12&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/3/5/4/7/8_4acb91b187b4ffa/35478pre_wm_a84b841732d83d7.jpg?v=2019-05-10+13%3A41%3A02&lt;br /&gt;
|Davi Kopenawa, liderança política e xamã yanomami, durante filmagens da campanha do ISA #PovosDaFloresta (2019). | Azul Serra/ISA&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vou primeiro apresentar quem eu sou: não sou caboclo, sou Yanomami. Também não sou “índio”, sou [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Yanomami Yanomami]. Moro '''dentro''' da Amazônia. Sou nascido e crescido lá. Conheço tudo da floresta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês entendem minha língua? É por isso que vocês não conhecem meu povo. Não conhecem os povos indígenas no Brasil. Porque o governo não indígena, ele não se considera amigo do “índio”. E então vocês não conhecem a nossa língua, a nossa fala. Só por nome. Agora a raíz… Até hoje vocês não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se é problema do político, da capital, conhecem. Mas o povo da cidade — gente grande, mulher, estudante, criança — não conhece a floresta. Até gente grande não conhece a Amazônia! Amazônia '''real''' eles não conhecem. Só o nome — eles estão longe, mas todo mundo conhece o nome da Amazônia. Conhecem, mas não reconhecem a Amazônia na ponta do Brasil. Na base. As poucas pessoas que andam por aqui no Brasil, que andam pela Amazônia, que pesquisam, estudam... Eles, sim, conhecem. Mas a maioria, povo da cidade, não conhece. Um grupo que gosta de defender a natureza, que ama a alma da terra, eles conhecem. Mas outros, como deputado, senador, governador, Governo Federal... Não conhecem. Só o mapa. Tem o mapa, mas tem a realidade, com gente, com tudo. Essa eles não conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos ficam de olho na Amazônia. Muita gente quer pegar, meter a mão nela e arrancar a riqueza da terra. Assim como a floresta, tem a saúde do meu povo. Vou contar para você: a saúde dos povos indígenas no Brasil, a saúde do povo yanomami e [https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Ye'kwana ye’kwana], está tudo contaminado. Faz tempo que estamos contaminados. Em parte, estamos protegidos com a vacina. Se não tiver vacina, nós, povos da terra, já teríamos morrido fazia tempo. Se eu contar toda a história, acho que vocês vão ficar muito tristes. Então falo uma parte, para ficarmos juntos, defendendo a floresta amazônica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para mim, é muito importante divulgar os problemas da nossa terra destruída. Eu tenho uma mensagem para vocês, sobre a terra invadida. Nosso Brasil é tão grande — muito grande! — e '''uma''' pessoa só quer '''todo''' o Brasil para ficar poderoso. Para todo mundo gostar dele. Os invasores e garimpeiros não têm terra. Garimpeiro não tem emprego para plantar, cuidar dos filhos, criar os filhos. Como eles não têm emprego, eles invadem as nossas Terras Indígenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os madeireiros, que gostam de desmatamento para fazer dinheiro, derrubam a floresta para vender. Ou para fazer uma mesa, fazer uma casa, fazer isso aqui [aponta para cadeira de madeira]. Outro: o fazendeiro. Os fazendeiros — um ou dois homens — querem '''toda''' a terra para eles. Só dois homens ricos [são] os fazendeiros. E os pobres ficam tomando conta das casas, dos sítios, para cuidar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desmatamento: quem é que está desmatando a floresta amazônica? O boi. O boi manda. Porque boi precisa se alimentar. O boi precisa de capim. Então é por isso que fazendeiro desmata a floresta amazônica. Aqui, ao redor de Brasília, está tudo pelado. Onde eu ando, estou enxergando tudo. Não tem nenhuma floresta em pé; está tudo pelado. Pouco boi, [já significa] muito desmatamento. Mas outras pessoas têm muito boi. E eles continuam a desmatar. Porque boi precisa de campo grande para comer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mineração... O nosso povo yanomami e ye’kwana, povo indígena do Brasil, nunca viu a '''grande''' mineração. Aquela pesada, que derruba as árvores, vai empurrando tudo, tirando a pele da terra. Colocam a grande máquina para fazer buraco. Nós, povos indígenas, não conhecemos isso. Para nós índios, que não estamos preparados para aceitar a mineração em Terra Indígena, vai estragar tudo. Vai estragar nossos rios, matar peixe, poluir. Assim aumentam os problemas, as brigas. Bebida, droga, prostituição, doença… A mineração não vai trazer benefício para os povos indígenas no Brasil. E a barragem? Eles fecham a água e matam milhares de árvores. Milhares de árvores ficam podres. Árvore morre afogada porque não tem respiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vocês não são índios. Vocês são ''napë'' [não yanomami, estrangeiro, &amp;quot;branco&amp;quot;], criados na cidade, criados no capital, na cidade iluminada... Cheia de ar condicionado, de água gelada. Isso é bom '''para vocês'''. É melhor '''para vocês'''. E para nós? Será que a mineração vai trazer melhoria para nós? Não. Vai trazer só problemas, morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa energia, que está aqui, vem de longe. Eles colocam lá na terra dos índios. Do Xingu... Belo Monte. Será que Belo Monte está fazendo bem para os parentes? Não. Não está ajudando não. Será que parente está feliz? Não. Eles não estão felizes não. Se nós, Yanomami e Ye’kwana, aceitarmos essa grande mineração, ela vai matar todo o meu povo. Vai matar todas as florestas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A floresta morre, como nós. Ela não vai nascer mais, a terra vai ficar pelada. Não podemos deixar isso acontecer porque não precisa. Nós precisamos é de saúde. Saúde é número um. Não sou só eu, mas todo o povo yanomami e ye’kwana. E nós todos também. Viver bem, todos de barriga cheia, banho na água limpa... Esse que é o trabalho de qualidade. Os povos da terra precisam de saúde. Todos! Esse caminho os brancos não conseguem enxergar. Nele, não conseguem andar. Só conseguem ter olhos para o caminho sujo: destruição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu conto tudo o que precisa ser protegido, preservado e respeitado. Porque para mim, desde pequeno encontrei a beleza da nossa ecologia. Eu cresci junto com ela. Cresci, fiquei grande, me criei comendo as frutas — buriti, açaí... —, peixe, caça, mel de abelha… Tudo isso vale para nós. Ajuda na nossa energia, cuida de nós. Então vamos conservar o coração da terra, vamos realmente cuidar. Não é para ficar falando mentira. Vamos cuidar como se cuida da nossa família, como se cuida das nossas crianças, dos nossos filhos. A floresta, ela é ligada a nós como irmão, como família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/4016 Terra Yanomami] (AM/RR) já está reconhecida, no Brasil e fora. A Terra Yanomami está homologada e registrada como uma criança, como criança que nasce de uma mulher. A Terra, nossa floresta, não nasceu. Ela foi criada com a natureza. A natureza se chama Omama. Vocês chamam de “Deus”. “Deus” já criou a terra bem feita. E agora? Vem o capitalista, para não querer que a floresta fique viva, em pé. Para acabar com tudo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A nossa terra já foi homologada, registrada e assinada pelo Governo Federal, era o presidente [Fernando] Collor de Mello (1990-1992). A ONU (Organização das Nações Unidas) já reconheceu o trabalho, a luta (muita luta, bem forte mesmo!) para conseguir isso. Agora Bolsonaro quer diminuir a Terra Yanomami… A [https://terrasindigenas.org.br/pt-br/terras-indigenas/3835 Raposa Serra do Sol] (RR) também. Dizem que a Terra Yanomami é muito grande e tem pouco índio. Mas o “pouco índio” está protegendo todo o planeta. O “pouco índio” não é como o Governo. Ele é filho da floresta; o Governo não. O Governo não quer a floresta em pé, não quer água limpa. Precisa de desenvolvimento. Desenvolvimento, para ele, é só gado, salada, feijão, arroz, petróleo, luz… É o '''povo-mercadoria'''. Não podemos deixar esse povo mexer com a Terra Yanomami. Que ela seja respeitada! Porque Yanomami é gente, Yanomami sabe falar, Yanomami sabe '''cuidar'''. O povo antigo já cuidou fazia tempo. O branco chega lá, só quer arrancar a riqueza da terra para negociar com outro país.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você tem que aprender com nós, Yanonami, ''awei'' [entendeu]? Tem gente passando fome na rua, e o homem branco não está preocupado. Só está preocupado com sua '''própria família''', com '''sua''' mãe, '''seu''' pai. Para nós não é assim. Estamos preocupados com todos. Vocês têm que aprender com a gente. O ''napë'' demorou muito para nos ouvir… “Olha, ''napë'', vamos cuidar nosso pulmão”. “''Napë'', vamos cuidar do rio, dos animais, da caça, das plantas da floresta, açaí, castanha, mel de abelha…”. Tudo isso é muito importante, já falamos. Você agora precisa passar para frente. Porque os napë estão surdos. Olham só para o brilho da terra. O brilho da floresta… Não a floresta profunda. Sem a floresta ele vai sofrer. Ele vai se arrepender. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''*O depoimento acima foi coletado e editado por Victoria Franco, no dia 13 de maio de 2013, em Brasília (DF).''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kano%C3%AA&amp;diff=6594</id>
		<title>Povo:Kanoê</title>
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		<updated>2019-04-10T15:40:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Língua */  atualização número de falantes da língua&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os kanoê encontram-se relativamente dispersos na região sul do Estado de Rondônia, próxima à fronteira com a Bolívia. É possível, contudo, reconhecer duas situações diferenciadas de contato com a sociedade envolvente entre os grupos dessa etnia. A grande maioria mora ao longo das margens do Rio Guaporé e caracteriza-se por uma antiga inserção no mundo dos “brancos”; em contraste com uma única família composta por três membros que habita o Rio Omerê, afluente do Corumbiara, que foi contatada pela Funai apenas em 1995, quando eram em cinco, e tem se mantido em relativo isolamento. Esses grupos kanoê, cada qual a seu modo, são marcados por histórias trágicas que resultaram numa significativa redução populacional. Hoje lutam por sua sobrevivência física e cultural numa região vastamente ocupada por madeireiros, grileiros e outros agentes que não raro ameaçam a integridade e o usufruto exclusivo de suas terras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''(atualizado em abril de 2003)'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Kanoê do Rio Guaporé ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê que habitam ao longo das margens do Rio Guaporé caracterizam-se por uma intensa inserção no modus vivendi da sociedade brasileira. Grande parte está casada com membros de outras etnias ou com não índios e apenas três indivíduos conhecem a língua nativa. Entretanto, de acordo com a liderança José Augusto Kanoê, têm consciência de que constituem um povo indígena unido por uma origem comum e por vínculos de parentesco, razão pela qual pretendem desenvolver projetos para reavivar sua identidade etnocultural e lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê convivem com outras etnias nas Terras Indígenas Rio Branco e Rio Guaporé (antigo P.I. Ricardo Franco), bem como no município de Guajará-Mirim. Há ainda uma família na Terra Indígena Pacaás-Novas (P.I. Deolinda) e outras famílias na TI Sagarana, ambas habitadas pelos Wari. Segundo o depoimento do kanoê Munuzinho (que mora no P.I. Deolinda) em Janeiro de 1997, possivelmente ainda existam outros de seus parentes mais distantes vivendo em outras regiões de Rondônia, dos quais há muito não se tem notícias.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato no Guaporé ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na região sul do Estado de Rondônia habitam numerosos povos indígenas falantes de diferentes línguas, mas que compartilham muitas características culturais. A semelhança cultural entre os grupos falantes de línguas Tupi e Jabuti oriundos da margem direita do Rio Guaporé e seus afluentes fez com que fossem identificados como partes de um “complexo cultural Marico”, nome das cestas de vários tamanhos de fibras de tucum, com pontos pequenos e médios, só confeccionadas por essas etnias (Cf. Maldi 1991:210-11). Já a região entre as cabeceiras dos afluentes do Médio Guaporé e os afluentes da margem esquerda do Rio Pimenta Bueno foi habitat de grupos distintos, a maioria não estudada e de classificação lingüística desconhecida, mas que compartilha aspectos culturais característicos de toda região, como o consumo cerimonial da chicha de milho. Os kanoê fazem parte deste grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período colonial, a região banhada pelos afluentes e tributários ocidentais do Guaporé e do Mamoré – atualmente território boliviano – foi por cerca de cem anos o maior complexo missionário da América meridional: a Província de Mojos, que acabava atuando também como guarda da fronteira do Rei de Castela. As sociedades que habitavam a região foram cooptadas (e em grande medida dissolvidas) para a defesa dos interesses da Espanha. De modo diverso, toda a ocupação da margem portuguesa do Guaporé passou a ser direcionada para a manutenção da posse e a destruição das missões. Mas a política indigenista (refletindo o interesse dos estadistas coloniais) tomou como estratégia não cooptar os índios, e sim mantê-los em seus territórios próprios para que lá atuassem como guardiões da fronteira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao final do século XVIII, quando os movimentos de independência nas Américas começaram a se definir e os limites coloniais perderam a importância, a região esvaziou-se rapidamente. A partir da segunda metade do século XIX, contudo, voltou a ser ocupada em razão do ciclo da borracha. Nesse período, os povos indígenas remanescentes das antigas missões de Mojos – que já haviam passado por processos de desagregação cultural e miscigenação populacional – foram rapidamente incorporados como mão-de-obra. Já os contingentes indígenas do lado brasileiro da fronteira se mantiveram isolados em sua maioria, habitando áreas menos acessíveis. Estes grupos permaneceram em relativo isolamento da sociedade regional até o início do século XX. A maioria deles, entre os quais os Kanoê, foi contatada quando o General Rondon atravessou a região dos rios Pimenta Bueno e Corumbiara em 1909.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse quadro foi alterado nas primeiras décadas do século XX, quando foram erguidos numerosos “barracões” para a exploração de borracha e caucho na margem direita do Guaporé, mas cujos proprietários eram em sua maioria bolivianos. Sobretudo a partir da década de 1930, quando a demanda por borracha aumentou no contexto da II Guerra Mundial, o contato se intensificou e muitos povos tiveram suas aldeias invadidas, sofreram epidemias e não raro foram obrigados a abandonar seus territórios para se instalar nos “barracões”, onde ocorreram vários casamentos entre membros de etnias diferentes, colaborando para a dissolução dos grupos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê habitavam a margem do Rio Pimenta Bueno (provavelmente migrados do Corumbiara para o leste), quando, em 1940, foram em grande parte levados para o Guaporé, sendo estabelecidos no antigo Posto Indígena Ricardo Branco (hoje P.I. Guaporé), junto com outras etnias, a mando do SPI (Serviço de Proteção aos Índios, antigo órgão indigenista) e do governador do território do Guaporé (que veio a ser o território e depois o estado de Rondônia).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo Denise Maldi (1984:110), os índios transferidos foram dispostos para o trabalho servil nos seringais para suprir a mão-de-obra indígena perdida em decorrência de epidemias. O P.I., porém, não tinha infra-estrutura para atender aos recém-chegados. Não havia roças e os índios precisavam empregar todo o seu tempo na coleta da borracha, alimentando-se de gêneros fornecidos pelos seringalistas: charque, feijão e farinha. Pouco depois, contraíram sarampo. A mortalidade foi tamanha que os Kanoê quase foram exterminados. Desde então, durante toda a segunda metade do século XX o processo de ocupação do Rio Guaporé contou com vários massacres de índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas décadas de 60 e 70, particularmente no período da ditadura militar, na maioria dos casos beneficiados por “certidões negativas” da Funai, fazendeiros rapidamente derrubavam as matas, plantavam pastos e edificavam benfeitorias para “provarem” a ocupação e uso de tais terras, não raro valendo-se de trabalho escravo ou semi-escravo de índios e não índios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse contexto adverso, a cultura de muitos grupos indígenas do sul de Rondônia permanece com esparsa documentação até os dias de hoje e seu destino, como atesta o antropólogo Luiz Fernando Machado de Souza (responsável pelo relatório de identificação da TI Omerê), encontra-se ameaçado, sobretudo pelas invasões madeireiras em terras de ocupação tradicional indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por ocasião das sessões de trabalho de campo realizado pelo lingüista Laércio Nora Bacelar em 1991 e 1997, a história kanoê foi resgatada por meio dos depoimentos de Munuzinho Kanoê e Maria Atiminaké. De acordo com estes informantes, os Kanoê ou Kapixanã habitavam malocas extensas às margens do igarapé Kauruá, na região dos rios Carvão e Machado, no sul de Rondônia. Munuzinho informou que, até sua infância, viviam nus, praticavam a agricultura de milho, algodão, taioba, amendoim e fava, entre outras, além da caça e da pesca. Eram considerados &amp;quot;bravos” e foram se &amp;quot;amansando&amp;quot; no contato com os brancos por ação dos missionários, sobretudo depois da morte do último tuxaua (cacique), quando o grupo se dispersou de vez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contato com os brancos lhes trouxe a morte por doenças. Munuzinho Kanoê, por exemplo, perdeu um dos seus oito filhos vitimado pela coqueluche, dois por sarampo, um por &amp;quot;bicho na barriga&amp;quot; e uma de suas filhas desapareceu em Porto Velho, sem notícias se estava viva ou morta. A esposa de Munuzinho faleceu depois do último parto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além da morte por doenças &amp;quot;de branco&amp;quot;, para as quais não tinham defesa em sua medicina tradicional ou nas &amp;quot;pajelanças&amp;quot;, o contato lhes trouxe também a morte pelas armas de fogo, sobretudo em conflitos com madeireiros, jagunços, garimpeiros, entre outros. Somem-se a isto os atritos com outros grupos indígenas regionais pela posse da terra, na medida em que esses povos perdiam seus territórios para os brancos. Assim, chegou-se a um momento em que o número de mulheres era muito superior aos homens e, na estrutura social dos Kanoê, já não havia mais como realizar os casamentos. As mulheres passaram então a se casar com homens de outras etnias (Aikaná, Jabuti, Mekém, Makurap, Cujubim etc.) e seguir seus maridos. A desintegração final do grupo se deu por ocasião da morte do último tuxaua, pai de Teresa Piraguê, pois já não havia um homem habilitado, de acordo com as tradições kanoê, para ocupar o posto do falecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem precisar datas e narrado com lapsos de memória e digressões, Munuzinho lembrou-se de um período, provavelmente no final dos anos 50 e início dos 60, em que ele e outros de seu povo foram trabalhar numa fazenda, na qual foram submetidos a um processo brutal de exploração, sendo escravizados e vigiados por jagunços. Nessa fazenda, um menino kanoê, de 11 anos, teria sido estuprado por dois jagunços e, com isso, os Kanoê se revoltaram contra a atrocidade praticada contra o menino. Um dos jagunços estupradores e alguns Kanoê morreram. O outro estuprador teria conseguido fugir para Porto Velho e o pai do menino o perseguiu até lá. No entanto, não mais voltou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas últimas três décadas, dado o intenso processo de expansão agropecuária de Rondônia, muitos dos povos indígenas do Guaporé (Kanoê, Arikapu, Jabuti, Puruborá, Kwaza, Mekém etc.) estão reduzidos a alguns sobreviventes, com a conseqüente perda gradual de suas respectivas identidades lingüísticas e de suas tradições culturais. Entretanto, como apontou Maldi, nesse cenário desalentador emerge uma nova realidade social, a partir da intensificação das relações interétnicas. Na TI Guaporé, por exemplo, alguns aspectos culturais atuam como mecanismos de solidariedade entre os grupos distintos, como o consumo da chicha de milho, intercalando hóspedes e anfitriões, e o xamanismo, com a atuação conjunta de indivíduos de etnias diferentes na aspiração do pó de angico e nas cerimônias de cura.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Os Kanoê do Rio Omerê ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em contraste com os habitantes das margens do Guaporé, este grupo kanoê está enquadrado na categoria de “índios isolados” da Funai, tendo sido contatado pelo órgão apenas em 1995, depois de dez anos de tentativas por parte da Frente de Contato (hoje chamada Frente de Proteção Etnoambiental). Trata-se de uma única família, então constituída pela mãe, Tutuá, de aproximadamente 50 anos; uma filha, Txinamanty, de estimados 30 anos; um filho,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Purá, aparentando 25 anos; e dois netos, um dos quais chamado Operá, cujo pai é Kunibu, o cacique dos Akuntsu, outro reduzidíssimo grupo indígena “isolado” no Omerê. A outra criança nasceu no início de 2002. No início de 2003, contraíram malária e faleceram a velha Tutuá e o menino Operá, então com sete anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa família é monolíngüe em Kanoê e, refugiando-se numa reserva de floresta de uma fazenda, conseguiu sobreviver apartada do contato direto com o homem branco, a despeito de possíveis massacres terem resultado na quase dissolução do grupo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já em 1943 foi registrado no relatório de Estanislau Zack à Comissão Rondon que havia índios Kanoê localizados na margem esquerda do Rio Omerê, afluente da margem esquerda do Corumbiara (Cf. Maldi, 1991:263). Muito tempo depois, em meados da década de 70, a Funai foi informada sobre a possível presença de grupos indígenas isolados na região de Corumbiara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1984, relatos apontaram a existência de índios nas reservas de mata de áreas que estavam sendo desmatadas para o comércio de madeira e formação de fazendas agropastoris, embora fazendeiros locais garantissem não haver mais indígenas na região. Em 1985 foi criada a Frente de Contato que iniciou oficialmente os trabalhos e, em 86, foi interditada uma área com 63.900 ha de superfície e 103 km de perímetro para fins de atração dos isolados. Desde então, não cessaram as tentativas de destruição dos vestígios indígenas por derrubadas, construção de estradas e investidas com trator e esteira a mando dos fazendeiros. Entretanto, por meio de incursões aéreas e por terra, a equipe encontrou várias evidências, tais como roças, estradas, armadilhas, habitações e indumentária indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os indigenistas ainda recolheram vários depoimentos de índios e trabalhadores das fazendas. Alguns peões afirmaram haver pistoleiros matando os índios por tentarem impedir as derrubadas. Uma índia sabanê (ramo nambiquara) relatou a visita de três índios desconhecidos: um velho, uma velha e uma garota de aproximadamente 13 anos, armados de arco e flecha e carregando um balaio mamaindê (nambiquara), que encontraram na beira do rio, uma cabaça com mel e outra com colares de contas pretas. Carregavam também uma pedra e um pau com artefatos para fazer fogo. Disseram estar em busca dos companheiros que haviam se dispersado fazia mais de uma semana, quando, numa noite, foram colocados para fora de casa por um trator que derrubou as casas e passou no meio das roças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em maio de 1986, o Juiz federal de Porto Velho deferiu Mandato de Segurança, impetrado pelos fazendeiros da área interditada, ordenando a suspensão da Portaria do Presidente da Funai. Mas o órgão indigenista recorreu e a interdição foi mantida. O sertanista Sidney Possuelo foi então nomeado para coordenar os trabalhos de localização dos índios. Em seu relatório, alegou que a área encontrava-se intensamente recortada por estradas para retirada de madeira em todas as direções, com grande movimentação de caminhões, centenas de trabalhadores, aviões sobrevoando a região o tempo todo e derrubadas de mais de 30 km de comprimento. Possuelo concluiu então que a área onde havia mais vestígios indígenas fora totalmente devastada, mas que até recentemente fora habitada por um reduzido grupo indígena que possivelmente abandonara a região, premido pelas circunstâncias. Dessa maneira, em dezembro desse mesmo ano, a área foi desinterditada, havendo a reintegração de posse pelos fazendeiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, os indigenistas da Frente de Contato, Marcelo dos Santos e Altair Algayer, não desistiram das investigações. Extra-oficialmente, nos anos seguintes continuaram procurando, reunindo evidências, montando hipóteses e driblando os obstáculos de madeireiros, grileiros e agropecuaristas. Em 1993, os indigenistas passaram a contar com um valioso recurso: imagens de satélite recentes possibilitaram cruzar com precisão as evidências acumuladas sobre a presença de índios com as manchas de mata remanescentes das derrubadas das fazendas. Começou então um trabalho sistemático de rastreamento dessas regiões de floresta. Nas duas primeiras expedições nada encontraram. Partiram para uma terceira e as evidências reapareceram. Por fim, localizaram em uma imagem de satélite um ponto vermelho (sinal de desmatamento) do tamanho de uma cabeça de alfinete, no meio de uma mancha de mato de seis por quatro quilômetros. Marcaram as coordenadas e a equipe confirmou a localização da aldeia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um mês depois, em setembro de 1995, prepararam uma nova expedição, certos do contato. Chamaram jornalistas e, auxiliados por uma bússola, encontraram a aldeia quatro dias depois. Os primeiros contatos foram amplamente divulgados pela imprensa, em especial pelo jornal O Estado de São Paulo, pela revista Veja e pelo programa Fantástico da TV Globo, com imagens produzidas por Vincent Carelli, antropólogo e cinegrafista do CTI (Centro de Trabalho Indigenista/SP) que acompanhava o caso desde os anos 80.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo relato de Pablo Pereira, jornalista de O Estado presente na ocasião, no alto de um barranco surgiram dois índios cobertos de adornos. Pareciam acuados. Ele, com cerca de 1,60 m de altura. Ela, mais baixa, pele escura, pés descalços, carregando arcos e flechas. Eles conversavam em voz alta em uma língua desconhecida. Por meio de gestos, os membros da Frente de Contato tentavam demonstrar que a visita era pacífica. Os primeiros passos do casal foram receosos. A mulher iniciou uma cerimônia em que parecia pegar no ar os maus espíritos e assoprar para dentro da mata. Ao se aproximarem, tocaram braços e mãos dos brancos. A mulher tremia. O homem balbuciava um som ininteligível. Num segundo momento, todos sorriram. Os índios indicaram a presença de outro grupo na mesma área, aos quais se referiam como “Akuntsu”. Com efeito, um mês depois, conseguiu-se o contato com os Akuntsu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de comprovado o contato, a área foi novamente interditada, uma década após a primeira interdição. Os fazendeiros reagiram imediatamente, tentando difundir uma versão de que o contato anunciado pela Funai era uma farsa, montada com índios atores. Foram até a aldeia dos recém-contatados, acompanhados de índios cinta-larga, gravar uma contraprova em vídeo. Depois disso, solicitaram um parecer a respeito da veracidade de ambas as fitas aos irmãos Villas-Bôas, acompanhadas de um vídeo cassete novo de “presente”. Os indigenistas preferiram assistir as fitas em seu antigo vídeo cassete e atestaram a veracidade do material de Carelli, assim como a fraude das imagens capturadas a mando dos fazendeiros, com perguntas e reações induzidas. Em seguida, o “presente” foi devolvido intacto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois desse episódio, a Polícia Federal em Rondônia abriu inquérito para investigar denúncia de tentativa de genocídio contra os índios, sob alegação de que os fazendeiros levaram índios cinta-larga gripados a entrar em contato com os Kanoê, que ainda não haviam sido imunizados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde então, o contato da equipe da Funai com os índios passou a ser mais freqüente, porém restava identificá-los etnolingüisticamente. Na ocasião do primeiro contato, a Funai não dispunha de intérpretes indígenas. A partir de gravações feitas por Vincent Carelli, foram testados intérpretes da língua mequém, outro povo cujos sobreviventes vivem em áreas indígenas localizadas em Rondônia, sem resultados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A indigenista Inês Hargreaves coletou uma lista de 123 palavras por meio do contato com duas índias do grupo, que permitiu ao lingüista do Museu Goeldi de Belém, Nilson Gabas Jr., identificar uma grande proximidade com a língua kanoê. Rapidamente, foi localizado na TI Guaporé um senhor de aproximadarnente 70 anos que falava com fluência o kanoê, língua considerada praticamente extinta pelos lingüistas. Com o bom entendimento que seu Munuzinho Kanoê teve das gravações, e com as respostas dos índios ao contato com ele, os índios foram identificados como Kanoê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi erguido um acampamento da Funai na entrada de uma das reservas de florestas, às margens de um pequeno igarapé afluente do Omerê. Uma equipe médica e outra odontológica passaram a fazer visitas mensais regulares à aldeia e uma assistente de enfermagem, apta a primeiros socorros, faz plantão no acampamento durante três semanas mensais contínuas. Há ainda um funcionário para proteger os índios, na ausência da chefia, de eventuais interferências de curiosos ou intrusos (como vaqueiros, madeireiros e palmiteiros), bem como para vigiar o acampamento de possíveis retaliações dos interesses dos latifundiários e madeireiros contrariados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórias de antes do contato oficial ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à história específica dos Kanoê do Omerê, no começo de 96, funcionários da Frente de Contato, Marcelo do Santos e Altair Algayer, tendo Munuzinho Kanoê como intérprete, colheram os primeiros depoimentos do grupo. A seguir, um resumo da história que conta parcialmente o porquê de restar tão somente a família de Tutuá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grupo contava então com aproximadamente 50 pessoas, das quais a maioria eram mulheres e algumas crianças. Certo dia, os homens se reuniram e decidiram que partiriam todos em expedição à procura de outros povos, com os quais pudessem negociar alguns casamentos. Todos os homens Kanoê, dos idosos aos meninos mais crescidos, partiram. As mulheres ficaram apenas com suas crianças. Mas os dias se passaram e os homens não voltavam. A aflição entre as mulheres aumentava a cada dia e duas delas resolveram partir à procura dos homens. Três ou quatro dias depois, voltaram com a trágica notícia: seus maridos e filhos tinham sido assassinados. As mulheres entraram em pânico e, sem perspectivas, decidiram pelo suicídio coletivo. Prepararam um veneno, deram-no de beber a suas crianças e se envenenaram. Tutuá, porém, mal começou a ingerir o veneno, ainda encontrou forças para lutar pela vida e vomitou o que havia ingerido. Também conseguiu fazer com que seus filhos – Txinamanty e Purá –, sua irmã e sua sobrinha (Aimoró) se salvassem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê do Omerê ficaram então reduzidos a duas mulheres adultas e três crianças. Mas a irmã de Tutuá já não era a mesma. Enlouquecida, não acreditando que os homens estavam mortos, entregou a filha Aimoró aos cuidados de Tutuá e partiu sozinha à procura de seu marido e de seus filhos homens. Tutuá ainda tentou impedir que ela fizesse isso, mas foi em vão: sua irmã partiu e dela não se teve mais notícias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tutuá, sozinha, criou seus filhos e a sobrinha, refugiando-se na floresta. Porém, tão logo travou contato com os Akuntsu, passou a tentar aproximar-se deles, na esperança de encontrar uma possibilidade de casamento para seus filhos. Mas a relação entre os dois grupos indígenas isolados nem sempre foi amistosa, não só pela barreira lingüística, mas também pelas acentuadas diferenças culturais entre os mesmos. Pelo que Marcelo dos Santos pôde resgatar, através de Munuzinho Kanoê como intérprete, Tutuá Kanoê sempre procurou aproximar seus filhos dos Akuntsu, na esperança de que Kunibu, o cacique, cedesse ou venha a ceder uma das moças para esposa de seu filho Purá. Ao mesmo tempo, Tutuá esperava que sua filha Txinamanty e sua sobrinha Aimoró ficassem grávidas de Pupaki, um rapaz Akuntsu, ou do próprio cacique Kunibu. Mas as tentativas eram sempre frustradas. Toda vez que se aproximavam, acabavam surgindo atritos e ameaças de morte aos Kanoê, o que acabou se concretizando. Por ser mais nervosa e agressiva com eles, Aimoró foi assassinada pelos Akuntsu. Essa morte abalou ainda mais as relações entre ambos grupos. Apesar da instabilidade da convivência, porém, Txinamanty Kanoê ficou grávida do cacique Kunibu e, em outubro de 1996, nasceu um menino. O rapaz kanoê cedeu seu nome, que era Operá (“onça”) para o recém-nascido e adotou o nome de Purá (“cigarra”).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Aimoró, os Kanoê tornaram-se relativamente mais tristes do que já eram, pois, além de ser a pajé do grupo, Aimoró ainda tinha um espírito mais alegre, mais festivo. Era ela quem organizava alguns rituais que os Kanoê ainda mantinham. A família kanoê continuou insistindo em aproximar-se dos Akuntsu, mas as desavenças prosseguiram. Para minimizar o problema, os indigenistas intervieram e sugeriram aos Kanoê que mudassem sua aldeia para a outra reserva de floresta, às margens do igarapé Omerê, a aproximadamente três km do acampamento da Funai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: right&lt;br /&gt;
|Mulher kanoê com seu filho. Foto: Ineke Holtwijk, 2003.&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/212674-1/kanoe_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua Kanoê, também referida como Kapixaná (Kapishana) ou Kapixanã, é falada atualmente por apenas cinco pessoas. Na região sul de Rondônia ainda sobrevivem 40 línguas indígenas, em sua maioria relacionadas a oito macrofamílias, e várias línguas “isoladas”, ou seja, línguas para as quais ainda não foram descobertas evidencias consistentes de parentesco com outra língua ou família lingüística.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dos sete falantes de Kanoê, três idosos habitam a região às margens do Rio Guaporé, caracterizada, como dito, por um antigo e intenso contato com a população regional, sendo que os demais membros da etnia (cerca de 87 pessoas em 2002) falam apenas o português. Já o grupo do Omerê, contactado em 1995, está reduzido a uma única família de quatro pessoas monolíngües em Kanoê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A língua Kanoê tem sido classificada como “isolada” (vide Rodrigues: 1986 e Adelaar: 1991), embora Greenberg (1990: 34, 49,55) busque relacioná-la ao Kunsa, e Price (1978) suponha ser uma das línguas da família Nambiquara. Com efeito, Greenberg (1997: 94-98) apresenta algumas poucas evidências de que o Kanoê possa pertencer ao tronco Macro-Tucano, mas que são insuficientes para assegurar tal classificação. Do ponto de vista tipológico, o Kanoê é uma língua morfologicamente aglutinante, de modo que as palavras – principalmente os verbos – são formadas por seqüências de partículas significativas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Saiba mais ===&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://prodoclin.museudoindio.gov.br/index.php/etnias/kanoe/lingua&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Língua Kanoê @ Museu do Índio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Perfeccionismo e hospitalidade ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua compleição física, os Kanoê não são corpulentos, tendo uma estatura de mais ou menos 1,70 m. O grupo do Omerê usa os cabelos aparados bem curtos, razão pela qual Munuzinho Kanoê afirmou que esses seus parentes eram conhecidos como “Cabeça Seca”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Embora atualmente vivam relativamente tristes em decorrência das condições materiais de vida e da falta de perspectivas, os Kanoê são gentis e receptivos. O grupo do Omerê caracteriza-se por um acurado perfeccionismo, que pode ser observado em sua cultura material e na manutenção da aldeia, que tem o pátio sempre muito limpo e varrido, inclusive o caminho que dá acesso ao igarapé. O caminho que leva à aldeia também é mantido limpo e destocado para que os funcionários da Funai ou membros das equipes médica e odontológica que lhes prestam assistência regular possam chegar de motocicleta. Para tanto, Purá sempre que pode parece estar desobstruindo o caminho, destocando-o, aplainando-o e queimando gradualmente uma árvore grossa, tombada na transversal, a qual impedia o acesso do veículo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em frente à maloca central onde dormem, sob a cobertura que lhes serve de cozinha, cada um parece ter seu local marcado. Nas visitas à aldeia, quando estavam todos presentes e reunidos, sentavam-se sempre nas mesmas posições: a mãe, Tutuá, sempre ao lado esquerdo do fogão; Txinamanty, cuidando de seu filho Operá ou alimentando-o, sempre numa das extremidades da área da cozinha, frontal à posição de sua mãe; Purá, na outra metade da cozinha, onde também amarram os porcos para serem alimentados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê relevam-se hospitaleiros e corteses com seus visitantes. Tão logo se chega, oferecem ao visitante uma farta caneca de chicha (uma espécie de suco) de milho, fria e refrescante, levemente adocicada. Depois do contato com a Funai, só bebem água filtrada e preparam suas chichas e outros alimentos com água também tratada em filtros de barro com velas de argila porosa, típicos nas casas brasileiras, pois o acampamento lhes doou um desses aparelhos para protegê-los de possíveis doenças advindas da contaminação das águas do igarapé Omerê. Quando se deixa a aldeia, na despedida procuram sempre ofertar alguma coisa, sobretudo bananas. Do mesmo modo, quando visitam o acampamento da Funai, sempre que podem levam algum agrado, como um peixe, um pedaço de caça ou algumas frutas.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Atividades produtivas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kanoê são agricultores, caçadores, pescadores e coletores. Criam galinhas e porcos-do-mato (queixadas), fazem roças de mandioca, cana-de-açúcar, milho, cará, batata-doce, amendoim e fumo. Cultivam ainda bananas, mamões-papaia e abacaxi.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para a confecção de suas roças, o local é caprichosamente desmatado, queimado, destocado e capinado. As plantações parecem organizadas em setores específicos: cana-de-açúcar aqui, mandioca ali, amendoim acolá. O mesmo capricho revelam no trato dos animais que criam: as galinhas têm um galinheiro para protegê-las. Os porcos também têm duas casas cujas paredes foram feitas de toras de madeira fincadas lado a lado e cobertas por folhas de palmeira trançadas. As portas, feitas de tábuas de madeira lascada, têm um sistema de travas que lhes permite prender os porcos-do-mato em segurança e protegidos de outros animais carnívoros, sobretudo onças, durante a noite. Também fazem uso das roças do acampamento da Funai, onde arrancam mandiocas e carás, colhem mamões e cachos de coco, sempre que suas roças estão desprovidas. Pelo que pôde ser observado, os Kanoê mantêm uma relação de amizade e cortesia mútua com o pessoal do acampamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro traço que os caracteriza é a disposição para o trabalho. A velha Tutuá acorda sempre muito cedo e, munida de um facão, de seu arco e suas flechas e de um grande cesto dorsal, sai à procura de cachos de coco, sobretudo na área do acampamento onde há muitas palmeiras. Depois de colhê-los, arranca cada fruto dos cachos, acomoda-os no cesto e volta à aldeia. O peso é grande, mas ela caminha cerca de três quilômetros atenta às possibilidades de encontrar uma caça. De volta à maloca, torra os cocos, aos punhados, nas brasas do fogão. Depois, quadra-os um a um e, com uma faca, retira-lhes a polpa cozida e, à medida que faz isso, vai jogando as porções de massa para os porcos se alimentarem. É uma tarefa diária, repetitiva, que no entanto ela parece fazer sempre bem disposta.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Cultura material ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde antes do primeiro contato com a Frente de Contato, os Kanoê do Omerê usam vários colares multicoloridos feitos com material plástico. Também usam um chapéu típico, de mesmo formato do chapéu do homem branco, porém confeccionado com talas vegetais de palmeira entrelaçadas e, na aba, fitas de lona plástica preta. Além disso, por ocasião do contato já usavam algumas peças de roupas em tecido industrial (proveniente de sacos de juta), as quais eles mesmos confeccionaram. Ademais, na aldeia, foram encontrados alguns utensílios, tais como garfos e facas de metal, vasilhame de alumínio e embalagens plásticas de produtos diversos. Esses materiais eram recolhidos pelos Kanoê nas incursões pela floresta, provavelmente deixados nos acampamentos de madeireiros, seringueiros e palmiteiros no interior das florestas ou nos pastos. Após a visita de Munuzinho Kanoê, pediram peças de roupas e calçados, no que foram atendidos. Somente a velha Tutuá anda com o busto nu, mas parcialmente encoberto por uma boa quantidade de colares sobrepostos, uns de material plástico, outros de conchas e sementes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os colares de material plástico são compostos de peças trapezoidais ou circulares unidas por linhas enceradas feitas de fios de tucum ou de algodão. Essas peças parecem ser recortadas de baldes de plástico velhos, deixados pelas incursões de madeireiros e palmiteiros nas reservas florestais ou pastos. Os colares atestam o caráter perfeccionista dos Kanoê, pois as peças têm exatamente a mesma forma e desenho e, além disso, são parcialmente sobrepostas monocromaticamente ou com alternância de cores, em que predominam o laranja e o branco, o que torna o efeito visual belo. Acompanham os colares brincos com pingentes de peças do mesmo material plástico, de mesma forma geométrica e tamanho. As mulheres, Tutuá e Txinamanty, usam brincos brancos e Purá, o rapaz, brincos laranja-avermelhados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Completam-lhes a indumentária uma longa grinalda de fibras de buriti soltas; braceletes diversos, alguns dos quais similares aos colares; caneleiras e tornozeleiras de palha trançada ou de tecido. Esses adereços são usados pelos mais jovens sobre a camisa. Além disso, os Kanoê usam eventualmente duas longas penas vermelhas de arara, que são encaixadas num pequeno botoque feito em osso de tucum, colocado num furo entre as narinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em sua aldeia, nem sempre estão usando todos esses adereços, mas parecem não abrir mão de seus colares, braceletes e da grinalda de fibra de buriti. Tão logo alguém se aproxima, os Kanoê procuram imediatamente colocar o chapéu ou, no mínimo, um gorro. Por outro lado, quando visitam o acampamento da Funai, na maioria das vezes se paramentam, usando todos seus adereços, inclusive as penas de arara transversais no nariz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O chapéu é confeccionado de duas maneiras. O primeiro tipo é inteiriço, feito de um trançado de palha de talo de folha de palmeira, especialmente de buriti, de aba fixa. O outro tipo de chapéu tem o mesmo modelo, mas é composto de duas peças independentes. A primeira peça é um gorro em forma de meia esfera, feito em gomos triangulares de couro de animal ou de tecido, unidos entre si por costura feita à mão, com acentuado perfeccionismo. A segunda peça é uma aba circular solta, na medida da cabeça do usuário, trançada em talos finos de taquara envoltas por estreitas fitas de lona plástica preta, unidos por palha de buriti, de tal forma que formam um desenho regular. No arremate final, as pontas de taquara são unidas por uma amarra feita com fibras de palha da folha de buriti. Nesse ponto de arremate, encaixam longas penas de arara, sobretudo vermelhas. Essa aba solta é encaixada na cabeça, após vestirem o gorro, dando a impressão de um chapéu inteiriço. Assim, quando estão em sua aldeia, muitas vezes usam apenas o gorro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O perfeccionismo dos Kanoê reflete-se ainda na confecção de suas flechas e adereços. Purá possui uma bolsa de couro, na qual guarda todo o material de que necessita para a confecção de arcos e flechas. As penas de aves são cuidadosamente separadas em conjuntos por tipo e cor, e presas por linhas enceradas de fibras de tucum. Na mesma bolsa, Purá guarda os estoques de linhas vegetais ou de material plástico desfiado, cuidadosamente enroladas, bem como os tufos de cera de abelha com os quais impermeabiliza das linhas e as ataduras das penas e do bico da flecha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A aldeia kanoê no Omerê possui cinco habitações desprovidas de divisões internas e janelas, apenas com uma porta à frente e outra atrás. O teto é composto de duas águas e estende-se até o chão, sendo a estrutura de sustentação composta de troncos. As malocas são cobertas de açaí (Euterpe oleracea) ou inajá (Pindarea concinna). O chão é cuidadosamente batido e nivelado no interior e arredores das casas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No que diz respeito aos rituais, os Kanoê do Omerê fazem numerosas pajelanças e cerimônias, quando se cheira rapé de angico. Segundo Maldi, é característico entre os povos indígenas dessa região a atuação do xamã por meio desse alucinógeno: as sementes de angico são maceradas até virarem pó e misturadas com um tipo especial de fumo, cultivado para esse fim. Os xamãs também usam um léxico especial, aparentemente ininteligível aos não iniciados, e recitam durante o processo de cura. A xamã do grupo do Omerê é Txinamanty, que realiza trabalhos de cura e trata de intercorrências cotidianas.&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BACELAR, Laércio N. Fonologia preliminar da língua kanoê. Brasília : UnB, 1992. 119 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Fonologia segmental da língua Kanoê : uma análise preliminar. Signótica: Revista do Mestrado em Letras e Lingüística, Goiânia : UFGO, n.6, p.59-72, 1994.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------; PEREIRA, Cleiton dos S. Aspectos morfossintáticos da língua Kanoê. Signótica: Revista do Mestrado em Letras e Lingüística, Goiânia : UFGO, n.8, p.45-55, 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BACELAR, Laércio N.; SILVA JÚNIOR, Augusto R. A negação e a litotes na língua Kanoê. Signótica: Revista do Mestrado em Letras e Lingüística, Goiânia : UFGO, n.9, 1998.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MALDI, Denise. O complexo cultural do Marico : sociedades indigenas dos rios Branco, Colorado e Mequens, afluentes do Médio Guaporé. Boletim do MPEG: Antropologia, Belém : MPEG, v.7, n.2, p.209-69, dez. 1991.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
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&amp;lt;li&amp;gt;--------. Populações indígenas e a ocupação histórica de Rondônia. Cuiabá : UFMT, 1984. 149 p. (Monografia Curso de Especialização)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MINDLIN, Betty. Antologia de mitos dos povos Ajuru, Arara, Arikapu, Aruá, Kanoe, Jabuti e Makurap. São Paulo : Iamá, 1995. 67 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SAKAMOTO, Leonardo. O último sobrevivente : equipe da Funai tenta contatar indígena que vive sozinho. Problemas Brasileiros, São Paulo : SESC, n. 338, p.18-20, mar./abr. 2000.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SANTOS, Marcelo dos. Índios acossados em Rondônia. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p.550-3.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Os “isolados” de Rondônia. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1996/2000. São Paulo : Instituto Socioambiental, 2001. p.594-5.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VALADÃO, Virgínia. Os índios ilhados do Igarapé Omerê. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1991/1995. São Paulo : Instituto Socioambiental, 1996. p.545-9.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Laércio Nora Bacelar|Laércio Nora Bacelar]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== VÍDEOS ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;huzzazWrapper&amp;quot; style=&amp;quot;width:100%; height: 1700px; margin: 0 auto;&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;htmltag allowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; allowtransparency=&amp;quot;true&amp;quot; frameborder=&amp;quot;0&amp;quot; height=&amp;quot;100%&amp;quot; mozallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; src=&amp;quot;https://huzzaz.com/embed/kano?vpp=12&amp;quot; tagname=&amp;quot;iframe&amp;quot; webkitallowfullscreen=&amp;quot;&amp;quot; width=&amp;quot;100%&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil|Equipe de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Kanoê}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Laércio Nora Bacelar}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{#set:Crédito capa=Adelino de Lucena Mendes, 2002}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=2002-11-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=escuro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=50}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas em Rondônia]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%22Conversamos_com_o_que_a_gente_cultiva%22&amp;diff=6593</id>
		<title>&quot;Conversamos com o que a gente cultiva&quot;</title>
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		<updated>2019-03-27T18:16:55Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Transformações nas relações: mudanças nos corpos e no padrão alimentar dos Wajãpi */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título|&amp;quot;Conversamos com o que a gente cultiva&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
{{Lead|por '''Ajãreaty Wajãpi'''. Publicado originalmente no livro ''Povos Indígenas no Brasil 2011/2016''.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088940-2/700pxajareatywajapi_dominiquegallois-2012.jpg&lt;br /&gt;
|Ajãreaty Wajãpi. Foto:Dominique Gallois, 2012.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
Quando a gente vai plantar banana, a gente tem que conversar com ela para plantar, disseram os nossos avós antigamente. É assim que a gente fala: &amp;quot;Você faz seu cacho igual ninho de caba, bem comprido (''kavu poko pẽ sikõ ne 'anee'')&amp;quot;. É assim que a gente diz para plantar banana e daí ela dá cacho bem comprido. Quando vamos plantar cará tem que falar: &amp;quot;Você tem que crescer igual ''panaku'' fechado, para depois a gente fazer de você bebida (''panakuruvãkãsãsã'' ''eu amẽ tẽ a'i ty romo eu ene eu'')&amp;quot;. É assim que a gente diz para o cará, antigamente minha mãe falou para mim. Eu sei hoje o caminho de como cultivar essas plantas. Quando a gente vai plantar abacaxi, tem que também conversar com ela: &amp;quot;Você tem que crescer da altura do meu pescoço, vocês todas abacaxi, bem baixo, perto da terra, para dar rápido (''earypy poko pe sikõ ene nanã kõ yvyu vyu gã i'a se'e se'e je i'a'')&amp;quot;. Antigamente minha mãe conversou comigo, por isso que hoje eu sei cultivar essas plantas. Também quando planta maniva, a gente não planta de qualquer jeito, explicava minha mãe, tem que conversar com ela e depois enfiar na terra. &amp;quot;Tem que dar bem a raiz para fazer caxiri (''neraposikene kasiri romõ eu ene'')&amp;quot;, falamos para a maniva, aí a maniva fica alegre e as plantas vão crescer bem. É o que me disse minha mãe, antigamente. É assim que vai dar grandes raízes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para tudo que cultivamos nós falamos: cará, batata, banana, maniva, milho, pimenta... Antigamente, os antepassados diziam para a batata multiplicar bem (''jity pe eu po'a po'a po'a po'a eu''). Este ensinamento veio de antigamente, o dono da batata que falou com os nossos antepassados e nós até hoje não esquecemos esse jeito de plantar. E então a batata se multiplica para dar muitas batatas. Tem que dar também igual pedra que fica em cima da terra. &amp;quot;Assim que vai dar bem batata&amp;quot;: disseram nossos antepassados e até hoje não perdemos esse jeito de plantar. Para pimenta falamos também: &amp;quot;Você dá como se fosse fruta ''maruka''&amp;quot; (fruta doce e vermelha que dá em árvores altas em determinadas regiões, ao pé de montanhas). Ela fica feliz e dá muita pimenta. Para algodão a gente diz: &amp;quot;Você dá bem igual a algodão de ''pirisi'' (periquito)&amp;quot;, e aí que algodão vai dar. Conversamos com o algodão, com o que a gente cultiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que minha mãe me ensinou antigamente eu não esqueci. Para a pupunha a gente fala: &amp;quot;dá igual fruta de ''maraja'y''&amp;quot; (fruta doce que dá em grande quantidade em uma árvore que nasce na beira dos igarapés). É assim que vai dar bem o que a gente planta, falou minha mãe antigamente. Nosso dono fez as plantas cultivadas, deu a fala para elas e elas falaram para os nossos antepassados: &amp;quot;Vocês têm que conversar com a gente quando vai plantar&amp;quot;. E cada planta ensinou o que falar para o nosso antepassado. E com eles nós aprendemos e até hoje não esquecemos esse conhecimento. Eu mesma estou usando o que eu aprendi, mas não sei se outras pessoas usam. Eu não sei se outros pais repassam esses conhecimentos para seus filhos. Para plantar urucum, temos que dizer: &amp;quot;Você tem que dar igual ''urukurana''&amp;quot; (planta nativa que tem folha e fruto parecido com o urucum e dá muito no mato) e aí que urucum vai dar muito fruto. Quando falamos isso, todos os urucum vão ficar felizes e vão dar frutos para a gente se pintar. Tem os donos das plantas cultivadas, eles escutam nossa fala e ficam felizes e falam para plantas darem bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigamente a casa falava, o fogo falava, a cerâmica falava. E aí nosso dono tirou a fala deles, por isso não ouvimos mais. Por isso que hoje em dia as plantas, as casas, o machado, a panela, a massa de mandioca, a nossa comida não conversam mais. Acho que nossas comidas e nossas plantas falaram alguma coisa que o nosso dono não gostou e então ele tirou a fala deles. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As caças também falavam, todos falavam. A floresta também falava antigamente. Se a gente vai derrubar a árvore, ela grita: &amp;quot;Ai!&amp;quot;. Se a gente vai matar a caça, ela grita também: &amp;quot;Ai, não me mata!&amp;quot;. Por isso que eu acho que o dono deles falou para ''Janejara'' (nosso dono) retirar a fala deles. Eu acho que foi assim, mas não tenho certeza. Até mandioca também gritava antigamente. Quando a gente vai arrancar ela da terra, aí ela grita: &amp;quot;Aaaai!&amp;quot; É por isso que hoje em dia, antes de arrancar a mandioca, temos que conversar com ela para poder puxar: &amp;quot;Cuidado, eu vou te arrancar&amp;quot;. Aí que ela vai saber que a gente vai arrancar, minha mãe sempre falou. Todas as plantas que estão em uma roça nova a gente tem que conversar com elas antes de tirar, para elas não ficarem chateadas, porque têm seus donos [e eles também podem ficar chateados].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigamente, eu acho que pajé que sabia dos donos e depois falou para a gente. Minha mãe falou para mim que todos têm dono. É sobre esse caminho que eu estou falando: não errei o que minha mãe me ensinou. Se matamos caça, vai fazer mal para a criança pequena, porque tem os donos das caças. Quando nós temos filho pequeno não podemos pegar água e muitas outras coisas, porque tem donos que podem até matar a criança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje em dia não sei se os jovens respeitam estas palavras, não sei se estão sabendo sobre isso. Nós falamos, mas hoje em dia os jovens não obedecem a nossa fala. Eu não sei por que os jovens estão assim. Depois do contato com os ''karai kõ'' (não índios), os nossos jovens não ouvem mais a gente: tomam banho no rio como se não tivesse dono do rio. Nós falamos que tem ''moju'', tem a dono do rio que pode matar rápido a pessoa, mas eles não escutam, não sei por quê. Eles dizem: &amp;quot;Não tem dono, sucuriju não mata a pessoa&amp;quot;. Mas tem dono! Dono das plantas cultivadas, da maniva... tem dono. Nós falamos para elas (as jovens) que quando elas têm filho pequeno não podem arrancar mandioca, mas elas não escutam. E elas perguntam: &amp;quot;O que é isso (donos das plantas cultivadas)&amp;quot;?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu converso com as minhas netas que quando estão menstruadas não podem ir no rio, não podem arrancar mandioca, não podem pegar na terra; assim explicou minha mãe antigamente para mim. E é por isso que hoje em dia eu não sinto dor nos braços, também eu não desmaio, nem falo assim: &amp;quot;Eu estou com dor de cabeça&amp;quot;. Somente quando eu pego gripe e malária eu sinto dor de cabeça. Eu acho que hoje em dia os jovens não escutam mais essas coisas e ficam falando: &amp;quot;Eu estou sentindo dor de cabeça e tontura também&amp;quot;. &amp;quot;Eu não sei o que é isso&amp;quot;, falei para eles. &amp;quot;Parece que vocês estão comendo muita comida de ''karai kõ''. E os ''karai kõ'' mesmo estão falando que a comida deles faz mal&amp;quot;. Nós não misturamos nosso alimento. Nós bebemos ''kasiri miti'' (bebida pouco fermentada de mandioca), bebida de batata damos para as crianças e também ''kasiri miti'' doce. Os adultos bebem ''kasiri wasu'', bebida forte, bem fermentada. Aqueles que são muito jovens não deveriam tomar ''kasiri'' forte, mas hoje em dia os rapazes tomam. Nós pedimos para eles não tomarem, mas assim mesmo eles tomam. &amp;quot;''Kasiri'' não faz mal&amp;quot;, eles dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não sei por que está acontecendo isso hoje em dia, os jovens não escutam nossas palavras. Não escutam de jeito nenhum. Eles bebem também bebida de não índio. Esses jovens não sabem andar no mato, não têm flecha e não fazem utensílios. Por isso hoje em dia nós falamos para eles fazerem utensílios. Os jovens da minha aldeia fazem bem utensílios, fazem peneira, tipiti, tipoia, plantam e fiam algodão. Do ''kasiri'' a gente não vai esquecer, até no futuro. As festas, eles deixaram de fazer. Eles não fazem nenhuma festa para eu ver. Eu falo para eles fazerem festa, mas eles não fazem. Festa dá alegria para nós, eu falo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Kasiri'' também dá alegria para gente. Eles não ouvem. &amp;quot;Toca flauta para eu escutar&amp;quot;; só que eles não tocam. De vez em quando eles tocam. Essa flauta que dá alegria para o ''kasiri'', falaram nossos antepassados. Muitas vezes os jovens tomam kasiri grande, mas não fazem festa. E as donas do ''kasiri'' falam para eles fazerem festa, mas eles não fazem. Também para os velhos conhecedores nós falamos para fazer festa, mas eles respondem: &amp;quot;Nós estamos velhos para fazer&amp;quot;. Nós falamos para os jovens aproveitarem, pois os velhos conhecedores estão ainda hoje conosco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Transformações nas relações: mudanças nos corpos e no padrão alimentar dos Wajãpi===&lt;br /&gt;
por '''Dominique Tilkin Gallois e Juliana Rosalen''', antropólogas, professora e doutoranda no Departamento de Antropologia da FFLCH-USP, respectivamente&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando pensa nos alimentos e nas roças, Ajãreaty lembra das palavras, gestos e ensinamentos de sua mãe. Com ela, aprendeu que as plantas cultivadas são pessoas, que têm suas falas, seus pensamentos, seus donos. Para produzirem bem, as plantas precisam estar felizes. Assim, quando cuidam e colhem produtos de suas roças, os Wajãpi alimentam relações com essas diferentes gente-planta, como no começo dos tempos, quando todos eram parte de uma mesma humanidade. A fala de Ajãreaty remete a esse tempo, quando todos se comunicavam. A proximidade excessiva e comportamentos inadequados entre tantas gentes acabaram provocando a raiva de Janejarã [nosso dono], que distanciou as espécies, que vivem e se reproduzem sob o cuidado de seus respectivos donos. Os Wajãpi conhecem a maneira correta de se relacionar com as plantas que cultivam, para alegrar seus donos. É assim que se gera abundância nas roças e, consequentemente, abundância de alimentos para as famílias wajãpi. Atualmente, os jovens têm se interessado pouco em aprender como se cuida bem das plantações. O crescente consumo de alimentos dos não índios e o desinteresse dos jovens pelos trabalhos agrícolas está mudando os corpos dos Wajãpi, assinalando um desequilíbrio que afeta muito além da saúde, mas impacta todo seu modo de existência, que depende da continuidade dos saberes e das práticas de que nos fala Ajãreaty.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os depoimentos foram registrados em Wajãpi, em junho de 2016, na aldeia Kwapo’ywyry, e traduzidos por Asurui Wajãpi e Juliana Rosalen, em agosto de 2016.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:&amp;quot;Nós, mulheres indígenas&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Narrativas wajãpi]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%22Conversamos_com_o_que_a_gente_cultiva%22&amp;diff=6592</id>
		<title>&quot;Conversamos com o que a gente cultiva&quot;</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%22Conversamos_com_o_que_a_gente_cultiva%22&amp;diff=6592"/>
		<updated>2019-03-27T18:16:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: correção box&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título|&amp;quot;Conversamos com o que a gente cultiva&amp;quot;}}&lt;br /&gt;
{{Lead|por '''Ajãreaty Wajãpi'''. Publicado originalmente no livro ''Povos Indígenas no Brasil 2011/2016''.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|6&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/1088940-2/700pxajareatywajapi_dominiquegallois-2012.jpg&lt;br /&gt;
|Ajãreaty Wajãpi. Foto:Dominique Gallois, 2012.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
Quando a gente vai plantar banana, a gente tem que conversar com ela para plantar, disseram os nossos avós antigamente. É assim que a gente fala: &amp;quot;Você faz seu cacho igual ninho de caba, bem comprido (''kavu poko pẽ sikõ ne 'anee'')&amp;quot;. É assim que a gente diz para plantar banana e daí ela dá cacho bem comprido. Quando vamos plantar cará tem que falar: &amp;quot;Você tem que crescer igual ''panaku'' fechado, para depois a gente fazer de você bebida (''panakuruvãkãsãsã'' ''eu amẽ tẽ a'i ty romo eu ene eu'')&amp;quot;. É assim que a gente diz para o cará, antigamente minha mãe falou para mim. Eu sei hoje o caminho de como cultivar essas plantas. Quando a gente vai plantar abacaxi, tem que também conversar com ela: &amp;quot;Você tem que crescer da altura do meu pescoço, vocês todas abacaxi, bem baixo, perto da terra, para dar rápido (''earypy poko pe sikõ ene nanã kõ yvyu vyu gã i'a se'e se'e je i'a'')&amp;quot;. Antigamente minha mãe conversou comigo, por isso que hoje eu sei cultivar essas plantas. Também quando planta maniva, a gente não planta de qualquer jeito, explicava minha mãe, tem que conversar com ela e depois enfiar na terra. &amp;quot;Tem que dar bem a raiz para fazer caxiri (''neraposikene kasiri romõ eu ene'')&amp;quot;, falamos para a maniva, aí a maniva fica alegre e as plantas vão crescer bem. É o que me disse minha mãe, antigamente. É assim que vai dar grandes raízes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para tudo que cultivamos nós falamos: cará, batata, banana, maniva, milho, pimenta... Antigamente, os antepassados diziam para a batata multiplicar bem (''jity pe eu po'a po'a po'a po'a eu''). Este ensinamento veio de antigamente, o dono da batata que falou com os nossos antepassados e nós até hoje não esquecemos esse jeito de plantar. E então a batata se multiplica para dar muitas batatas. Tem que dar também igual pedra que fica em cima da terra. &amp;quot;Assim que vai dar bem batata&amp;quot;: disseram nossos antepassados e até hoje não perdemos esse jeito de plantar. Para pimenta falamos também: &amp;quot;Você dá como se fosse fruta ''maruka''&amp;quot; (fruta doce e vermelha que dá em árvores altas em determinadas regiões, ao pé de montanhas). Ela fica feliz e dá muita pimenta. Para algodão a gente diz: &amp;quot;Você dá bem igual a algodão de ''pirisi'' (periquito)&amp;quot;, e aí que algodão vai dar. Conversamos com o algodão, com o que a gente cultiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que minha mãe me ensinou antigamente eu não esqueci. Para a pupunha a gente fala: &amp;quot;dá igual fruta de ''maraja'y''&amp;quot; (fruta doce que dá em grande quantidade em uma árvore que nasce na beira dos igarapés). É assim que vai dar bem o que a gente planta, falou minha mãe antigamente. Nosso dono fez as plantas cultivadas, deu a fala para elas e elas falaram para os nossos antepassados: &amp;quot;Vocês têm que conversar com a gente quando vai plantar&amp;quot;. E cada planta ensinou o que falar para o nosso antepassado. E com eles nós aprendemos e até hoje não esquecemos esse conhecimento. Eu mesma estou usando o que eu aprendi, mas não sei se outras pessoas usam. Eu não sei se outros pais repassam esses conhecimentos para seus filhos. Para plantar urucum, temos que dizer: &amp;quot;Você tem que dar igual ''urukurana''&amp;quot; (planta nativa que tem folha e fruto parecido com o urucum e dá muito no mato) e aí que urucum vai dar muito fruto. Quando falamos isso, todos os urucum vão ficar felizes e vão dar frutos para a gente se pintar. Tem os donos das plantas cultivadas, eles escutam nossa fala e ficam felizes e falam para plantas darem bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigamente a casa falava, o fogo falava, a cerâmica falava. E aí nosso dono tirou a fala deles, por isso não ouvimos mais. Por isso que hoje em dia as plantas, as casas, o machado, a panela, a massa de mandioca, a nossa comida não conversam mais. Acho que nossas comidas e nossas plantas falaram alguma coisa que o nosso dono não gostou e então ele tirou a fala deles. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As caças também falavam, todos falavam. A floresta também falava antigamente. Se a gente vai derrubar a árvore, ela grita: &amp;quot;Ai!&amp;quot;. Se a gente vai matar a caça, ela grita também: &amp;quot;Ai, não me mata!&amp;quot;. Por isso que eu acho que o dono deles falou para ''Janejara'' (nosso dono) retirar a fala deles. Eu acho que foi assim, mas não tenho certeza. Até mandioca também gritava antigamente. Quando a gente vai arrancar ela da terra, aí ela grita: &amp;quot;Aaaai!&amp;quot; É por isso que hoje em dia, antes de arrancar a mandioca, temos que conversar com ela para poder puxar: &amp;quot;Cuidado, eu vou te arrancar&amp;quot;. Aí que ela vai saber que a gente vai arrancar, minha mãe sempre falou. Todas as plantas que estão em uma roça nova a gente tem que conversar com elas antes de tirar, para elas não ficarem chateadas, porque têm seus donos [e eles também podem ficar chateados].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antigamente, eu acho que pajé que sabia dos donos e depois falou para a gente. Minha mãe falou para mim que todos têm dono. É sobre esse caminho que eu estou falando: não errei o que minha mãe me ensinou. Se matamos caça, vai fazer mal para a criança pequena, porque tem os donos das caças. Quando nós temos filho pequeno não podemos pegar água e muitas outras coisas, porque tem donos que podem até matar a criança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje em dia não sei se os jovens respeitam estas palavras, não sei se estão sabendo sobre isso. Nós falamos, mas hoje em dia os jovens não obedecem a nossa fala. Eu não sei por que os jovens estão assim. Depois do contato com os ''karai kõ'' (não índios), os nossos jovens não ouvem mais a gente: tomam banho no rio como se não tivesse dono do rio. Nós falamos que tem ''moju'', tem a dono do rio que pode matar rápido a pessoa, mas eles não escutam, não sei por quê. Eles dizem: &amp;quot;Não tem dono, sucuriju não mata a pessoa&amp;quot;. Mas tem dono! Dono das plantas cultivadas, da maniva... tem dono. Nós falamos para elas (as jovens) que quando elas têm filho pequeno não podem arrancar mandioca, mas elas não escutam. E elas perguntam: &amp;quot;O que é isso (donos das plantas cultivadas)&amp;quot;?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu converso com as minhas netas que quando estão menstruadas não podem ir no rio, não podem arrancar mandioca, não podem pegar na terra; assim explicou minha mãe antigamente para mim. E é por isso que hoje em dia eu não sinto dor nos braços, também eu não desmaio, nem falo assim: &amp;quot;Eu estou com dor de cabeça&amp;quot;. Somente quando eu pego gripe e malária eu sinto dor de cabeça. Eu acho que hoje em dia os jovens não escutam mais essas coisas e ficam falando: &amp;quot;Eu estou sentindo dor de cabeça e tontura também&amp;quot;. &amp;quot;Eu não sei o que é isso&amp;quot;, falei para eles. &amp;quot;Parece que vocês estão comendo muita comida de ''karai kõ''. E os ''karai kõ'' mesmo estão falando que a comida deles faz mal&amp;quot;. Nós não misturamos nosso alimento. Nós bebemos ''kasiri miti'' (bebida pouco fermentada de mandioca), bebida de batata damos para as crianças e também ''kasiri miti'' doce. Os adultos bebem ''kasiri wasu'', bebida forte, bem fermentada. Aqueles que são muito jovens não deveriam tomar ''kasiri'' forte, mas hoje em dia os rapazes tomam. Nós pedimos para eles não tomarem, mas assim mesmo eles tomam. &amp;quot;''Kasiri'' não faz mal&amp;quot;, eles dizem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não sei por que está acontecendo isso hoje em dia, os jovens não escutam nossas palavras. Não escutam de jeito nenhum. Eles bebem também bebida de não índio. Esses jovens não sabem andar no mato, não têm flecha e não fazem utensílios. Por isso hoje em dia nós falamos para eles fazerem utensílios. Os jovens da minha aldeia fazem bem utensílios, fazem peneira, tipiti, tipoia, plantam e fiam algodão. Do ''kasiri'' a gente não vai esquecer, até no futuro. As festas, eles deixaram de fazer. Eles não fazem nenhuma festa para eu ver. Eu falo para eles fazerem festa, mas eles não fazem. Festa dá alegria para nós, eu falo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Kasiri'' também dá alegria para gente. Eles não ouvem. &amp;quot;Toca flauta para eu escutar&amp;quot;; só que eles não tocam. De vez em quando eles tocam. Essa flauta que dá alegria para o ''kasiri'', falaram nossos antepassados. Muitas vezes os jovens tomam kasiri grande, mas não fazem festa. E as donas do ''kasiri'' falam para eles fazerem festa, mas eles não fazem. Também para os velhos conhecedores nós falamos para fazer festa, mas eles respondem: &amp;quot;Nós estamos velhos para fazer&amp;quot;. Nós falamos para os jovens aproveitarem, pois os velhos conhecedores estão ainda hoje conosco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
===Transformações nas relações: mudanças nos corpos e no padrão alimentar dos Wajãpi===&lt;br /&gt;
por '''Dominique Tilkin Gallois e Juliana Rosalen'''&lt;br /&gt;
Antropólogas, professora e doutoranda no Departamento de Antropologia da FFLCH-USP, respectivamente&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando pensa nos alimentos e nas roças, Ajãreaty lembra das palavras, gestos e ensinamentos de sua mãe. Com ela, aprendeu que as plantas cultivadas são pessoas, que têm suas falas, seus pensamentos, seus donos. Para produzirem bem, as plantas precisam estar felizes. Assim, quando cuidam e colhem produtos de suas roças, os Wajãpi alimentam relações com essas diferentes gente-planta, como no começo dos tempos, quando todos eram parte de uma mesma humanidade. A fala de Ajãreaty remete a esse tempo, quando todos se comunicavam. A proximidade excessiva e comportamentos inadequados entre tantas gentes acabaram provocando a raiva de Janejarã [nosso dono], que distanciou as espécies, que vivem e se reproduzem sob o cuidado de seus respectivos donos. Os Wajãpi conhecem a maneira correta de se relacionar com as plantas que cultivam, para alegrar seus donos. É assim que se gera abundância nas roças e, consequentemente, abundância de alimentos para as famílias wajãpi. Atualmente, os jovens têm se interessado pouco em aprender como se cuida bem das plantações. O crescente consumo de alimentos dos não índios e o desinteresse dos jovens pelos trabalhos agrícolas está mudando os corpos dos Wajãpi, assinalando um desequilíbrio que afeta muito além da saúde, mas impacta todo seu modo de existência, que depende da continuidade dos saberes e das práticas de que nos fala Ajãreaty.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os depoimentos foram registrados em Wajãpi, em junho de 2016, na aldeia Kwapo’ywyry, e traduzidos por Asurui Wajãpi e Juliana Rosalen, em agosto de 2016.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:&amp;quot;Nós, mulheres indígenas&amp;quot;]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Narrativas wajãpi]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Localiza%C3%A7%C3%A3o_e_extens%C3%A3o_das_TIs&amp;diff=6591</id>
		<title>Localização e extensão das TIs</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Localiza%C3%A7%C3%A3o_e_extens%C3%A3o_das_TIs&amp;diff=6591"/>
		<updated>2019-02-21T19:38:44Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: atualização número TIs na amazônia + hectares&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |Localização e extensão das TIs}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As [[O que são Terras Indígenas? | terras indígenas]] (TIs) somam {{#total_area_ti: total}} áreas, ocupando uma extensão total de {{#total_area_ti: area | ha}} hectares ({{#total_area_ti: area | km}} km&amp;lt;sup&amp;gt;2&amp;lt;/sup&amp;gt;). Assim, {{#total_area_ti: porcentagem}}% das terras do país são reservados aos povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 424 áreas, 115.344.445 hectares, representando 23% do território amazônico e 98.25% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.75% , espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|https://img.socioambiental.org/d/922082-1/mapa_TI_brasil_2015_A4_2.jpg|&lt;br /&gt;
|Terras Indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental, 2015.&lt;br /&gt;
}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa situação de flagrante contraste pode ser explicada pelo fato de a colonização do Brasil ter sido iniciada pelo litoral, o que levou a embates diretos contra as populações indígenas que aí viviam, causando enorme depopulação e desocupação das terras, que hoje estão em mãos da propriedade privada. Aos índios restaram terras diminutas, conquistadas a duras penas. Por exemplo, em São Paulo, a terra Guarani Aldeia Jaraguá tem apenas dois hectares de extensão, o que impossibilita que vivam da terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há vozes dissonantes em relação ao tamanho das TIs na Amazônia, alegando que haveria &amp;quot;muita terra para poucos índios&amp;quot;. Esses críticos se esquecem de que os índios têm que tirar todo seu sustento da terra. Muitas vezes, as TIs têm grandes partes não agricultáveis, e sofrem ou sofreram diversos tipos de impactos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;tablesorter table&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Terras Indígenas por Estado na Amazônia Legal*&lt;br /&gt;
    (em 22/10/ 2014)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;área da UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;Terra indígena&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th class=&amp;quot;header&amp;quot;&amp;gt;% sobre a UF&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Acre&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;16.491.871&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;2.459.834&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;14,92%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Amapá&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;14.781.700&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;1.191.343&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;8,06%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Amazonas&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;158.478.203&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;45.232.159&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;28,54%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Maranhão**&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;26.468.894&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;2.285.329&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;8,63%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Mato Grosso&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;90.677.065&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;15.022.842&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;16,57%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Pará&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;125.328.651&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;28.687.362&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;22,89%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Rondônia&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;23.855.693&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;5.022.789&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;21,05%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Roraima&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;22.445.068&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;10.370.676&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;46,20%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Tocantins&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;27.842.280&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;2.597.580&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;9,33%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Total&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;506.369.425&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;112.869.914&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;22,29%&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;* áreas calculadas pelo SIG/ISA, utilizando os limites das TIs lançados sobre a base 1:250.000 e os limites de Estado do IBGE/Sivam na escala 1:250.000&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Veja também==&lt;br /&gt;
* [[Situação jurídica das TIs no Brasil hoje]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências externas ==&lt;br /&gt;
* &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;https://terrasindigenas.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; De Olho nas Terras Indígenas no Brasil&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - mapas, dados, notícias e mais&lt;br /&gt;
* &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;/files/file/PIB_institucional/dgallois-1.pdf&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;''Terras ocupadas? Territórios? Territorialidades?''&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, por Dominique Tilkin Gallois,  antropóloga, docente do Departamento de Antropologia Social da FFLCH-USP e coordenadora do NHII-USP (Núcleo de História Indígena e do Indigenismo)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Terras Indígenas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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		<title>MediaWiki:Disclaimer</title>
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		<updated>2019-02-20T17:21:38Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: atualização link do formulário&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Todos os direitos reservados. A reprodução sem fins lucrativos de &amp;lt;b&amp;gt;trechos&amp;lt;/b&amp;gt; de textos é permitida, sendo necessário citar o autor (quando houver), o site Povos Indígenas no Brasil e o Instituto Socioambiental (ISA). Em sites, incluir também um link para a página original. &amp;lt;br/&amp;gt;A reprodução de fotos e ilustrações não é permitida. Para licenciamento de conteúdos, clique &amp;lt;a href=&amp;quot;https://docs.google.com/forms/d/1LuihXucBdXxJtTqpA2qOUHWZzmbFBaGd8Hm6vhi_Nd8/&amp;quot;&amp;gt;aqui&amp;lt;/a&amp;gt;.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%C3%93rg%C3%A3o_Indigenista_Oficial&amp;diff=6589</id>
		<title>Órgão Indigenista Oficial</title>
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		<updated>2019-02-04T18:23:11Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Galeria dos presidentes da Funai */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Órgão indigenista oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2010 o indigenismo oficial no Brasil completou cem anos. Apesar da longa e dramática história da colônia e do império, apenas em 1910, vinte anos após a promulgação da República, foram criados mecanismos jurídicos e administrativos específicos, em âmbito federal, para conduzir as relações junto aos [[Quem são | povos indígenas]]. Antes disso, como destacou a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha (1992), houve um verdadeiro ‘vazio legislativo’. Os índios sequer foram mencionados nas Constituições de 1824 e 1889. A ausência, entretanto, tinha justificativas: cada província poderia legislar e atuar livremente para promover a “catequese e civilização dos índios”, o que acabou por trazer trágicas consequências para os mais diversos povos. As políticas iniciadas em 1910 abriram um novo período, a partir do qual a União passou a se responsabilizar e a se envolver diretamente com a questão indígena, retirando das províncias e líderes locais suas prerrogativas anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano do centenário diversos novos desafios se apresentam ao indigenismo de Estado. Um novo [[Estatuto do Índio | Estatuto dos Povos Indígenas]], que pretende substituir o de 1973, aguarda votação no Congresso. Em dezembro de 2009, o governo iniciou um amplo projeto de reestruturação da [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio (Funai)]], que promete modernizar, aparelhar e aproximar dos índios o atual órgão indigenista oficial, tido por muitos como um dos mais sucateados e ineficazes da Nação. Neste contexto, apresentamos aqui um breve panorama destes cem anos, com o objetivo de situar e refletir sobre o momento atual. O foco é observar o processo, seus avanços e impasses, de modo a que as tragédias do passado não continuem a se repetir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Fundação Nacional do Índio (Funai)==&lt;br /&gt;
Desde 1967, a Fundação Nacional do Índio (Funai) é o órgão indigenista oficial responsável pela promoção e proteção aos direitos dos povos indígenas de todo o território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A criação da Funai no contexto da ditadura militar===&lt;br /&gt;
Embora projetada pelos intelectuais do CNPI para superar os antigos impasses do [[Serviço de Proteção aos Índios (SPI)]], a Funai acabou por reproduzi-los. Sua criação foi inserida no plano mais abrangente da ditadura militar (1964-1985), que pretendia reformar a estrutura administrativa do Estado e promover a expansão político-econômica para o interior do País, sobretudo para a região amazônica. As [[O que é política indigenista | políticas indigenistas]] foram integralmente subordinadas aos planos de defesa nacional, construção de estradas e hidrelétricas, expansão de fazendas e extração de minérios. Sua atuação foi mantida em plena afinidade com os aparelhos responsáveis por implementar essas políticas: Conselho de Segurança Nacional (CSN), Plano de Integração Nacional (PIN), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ação da Funai durante a ditadura foi fortemente marcada pela perspectiva assimilacionista. O Estatuto do Índio (Lei nº 6.001) aprovado em 1973, e ainda vigente, reafirmou as premissas de integração que permearam a história do SPI. Por um lado, pretendia-se agregar os índios em torno de pontos de atração, como batalhões de fronteira, aeroportos, colônias, postos indígenas e [[Igrejas e Missões religiosas | missões religiosas]]. Por outro, o foco era isolá-los e afastá-los das áreas de interesse estratégico. Para realizar este projeto, os militares aprofundaram o monopólio tutelar: centralizaram os projetos de assistência, [[Saúde Indígena | saúde]], [[A educação escolar indígena no Brasil | educação]], alimentação e habitação; cooptaram lideranças e facções indígenas para obter consentimento; e limitaram o acesso de pesquisadores, organizações de apoio e setores da Igreja às áreas indígenas (M. Santilli, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A estrutura do órgão===&lt;br /&gt;
O órgão foi concebido em bases semelhantes às do SPI. Até 1991 se manteve vinculado ao extinto Ministério do Interior, que sempre exerceu grande ingerência sobre suas ações. Os presidentes nomeados entre as décadas de 1970 e 1980 eram, em grande maioria, militares ou políticos de carreira pouco ou nada comprometidos, e até mesmo contrários aos interesses indígenas. A administração foi centralizada em Brasília. Os postos indígenas foram mantidos e as inspetorias transformadas em delegacias regionais. Outras instâncias – ajudâncias, superintendências, administrações executivas, núcleos locais de apoio – foram criadas e extintas ao longo do tempo. A despeito destas modificações, a Funai se estruturou aos moldes do SPI, de modo mais ou menos centralizado, com grande rigidez burocrática, em três níveis espaciais: nacional, regional e local (Souza Lima, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das irregularidades que levaram à extinção do SPI, seu quadro funcional foi transferido para a Funai. Com recursos escassos e mal contabilizados, a Funai continuou a operar, assim como o SPI, com profissionais pouco qualificados. Não se concretizou a proposta de se realizar planejamentos antropologicamente orientados, conduzidos por profissionais de formação sólida, bem pagos e comprometidos com o futuro dos povos indígenas. O órgão foi permeado, em todos os níveis, por redes de relações pessoais, clientelistas e corporativas, que remetem ao paternalismo e ao voluntarismo que dominaram o velho SPI. A criação da Funai foi marcada pela ineficiência, desinteresse e dificuldade de operação, o que levou o órgão a limitar sua intervenção a favor dos índios a situações altamente críticas, conflituosas e emergenciais, consequentes dos planos de colonização e exploração econômica que chegavam aos extremos do país (Oliveira, 2006; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A emergência da questão indígena no cenário nacional===&lt;br /&gt;
Neste contexto desfavorável, a questão indígena começou a emergir no cenário político nacional. A maior parte das organizações de apoio aos índios se estruturou na década de 1970. Entre elas destaca-se: as comissões pró-índio (CPIs), as associações nacionais de apoio ao índio (ANAIs), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI). Estas duas últimas se juntaram para fundar o atual &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Instituto Socioambiental (ISA)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Criadas por intelectuais e clérigos envolvidos com a questão indígena, estas entidades passaram a realizar importantes trabalhos como: o questionamento fundamentado às políticas oficiais, a interlocução entre índios e Funai, bem como a formulação de alternativas concretas para o indigenismo brasileiro (M. Santilli, 1991; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1980, diversas manifestações indígenas passaram a ganhar visibilidade nacional. Também neste período começaram a se estruturar suas primeiras organizações formais de base comunitária ou regional. Em âmbito nacional foi criada a União das Nações Indígenas (UNI), que já não existe mais. [[Organizações indígenas | Conheça as organizações indígenas]] compiladas pelo ISA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os povos indígenas e o marco jurídico atual===&lt;br /&gt;
Com as mobilizações indígenas e das organizações de apoio, a [[Constituição | Constituição de 1988]] acabou por conferir um tratamento inédito aos povos indígenas. Pela primeira vez foi reconhecido seu [[Constituição | direito à diferença (Art. 231)]], rompendo com a tradição assimilacionista que prevaleceu até então. Foi garantido o [[Constituição | usufruto exclusivo de seus territórios]] tradicionalmente ocupados, definidos a partir de seus usos, costumes e tradições (Art. 231). A União foi instituída definitivamente como instância privilegiada das relações entre os índios e a sociedade nacional. Através do artigo 232, os indígenas e suas organizações foram reconhecidos como partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos, o que incentivou a expansão e a consolidação de suas associações. Para isso, foram definidos canais diretos de comunicação entre os índios, o Ministério Público e o Congresso Nacional. Com estas medidas, o conceito de “capacidade relativa dos silvícolas” (Código Civil, 1917), e a consequente necessidade do “poder de tutela” perderam validade e atualidade. Estas vitórias constitucionais precisariam, entretanto, ser regulamentadas e consolidadas politicamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1991, uma Comissão Especial foi instaurada para rever o [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (1973)]] a partir do enfoque inovador da Carta de 1988. Foram abordados temas como: a situação jurídica dos índios e as responsabilidades assistenciais da Funai; os direitos de autoria e a propriedade intelectual; a proteção ambiental e a regulamentação do uso e exploração de recursos naturais; os procedimentos de demarcação de terras indígenas. A tramitação do projeto, entretanto, foi paralisada em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A descentralização do indigenismo oficial===&lt;br /&gt;
No início da década de 1990, houve amplos debates acerca do papel do órgão indigenista oficial a partir do novo marco jurídico. O Ministério do Interior foi extinto e a Funai  foi transferida ao Ministério da Justiça. Blocos parlamentares anti-indígenas propunham fechá-la, sem substituí-la por nada novo, o que provocaria um grande vazio administrativo. Mobilizações indígenas e organizações de apoio defendiam que a reestruturação do órgão fosse feita concomitantemente à aprovação do texto do Estatuto. Em 1991, o governo Collor realizou, por meio de decretos, uma ampla reforma das atribuições da Funai. As responsabilidades sobre saúde, educação, desenvolvimento rural e meio ambiente foram descentralizadas, e passaram a ser exercidas pelos Ministérios da Saúde, Educação, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente. As ações extra-Funai decretadas por Collor tomaram rumos distintos e impactaram de modos diferenciados os povos indígenas do Brasil. Durante os anos FHC estas políticas passaram a adquirir contornos administrativos mais precisos. Algumas ONGs e associações indígenas passaram a participar ativamente do processo de implementação das políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os decretos de 1991, a Funai, esvaziada em suas atribuições, passou a se concentrar nas políticas de regularização fundiária. Em 1996, o governo FHC modificou as regras para a [[O que são Terras Indígenas? | demarcação de Terras Indígenas]] visando destacar a necessidade da participação indígena e o direito a contestação das partes afetadas (Decreto 1775/96, Portaria 14/96).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desenvolvimento dos projetos participativos===&lt;br /&gt;
Também em 1996 passou a operar o Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL), resultado da parceria entre a Funai e o Programa Piloto para a Conservação das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7. Embora direcionado à demarcação de terras, o PPTAL se propôs a criar alternativas concretas e de longo prazo ao modelo tutelar. Sua proposta se baseou no estímulo ao controle social e à atuação indígena qualificada na estrutura da Funai e do Estado de modo mais abrangente. Em seu âmbito, a partir da experiência dos [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]] do Amapá, foi criado o modelo de “demarcação participativa”, que tem como premissa básica a parceria e a co-responsabilidade dos povos indígenas na formulação das políticas que lhes afetam diretamente. Neste modelo, a própria demarcação é tomada como apenas uma das etapa do processo mais abrangente de gestão sustentável das Terras Indígenas. Trata-se de uma proposta baseada no diálogo intercultural, que apenas se realiza enquanto política pública com o pleno envolvimento e concordância dos povos interessados (Mendes, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A experiência inovadora do PPTAL estimulou a criação em 2001 do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI), desenvolvido no âmbito do Ministério do Meio Ambiente em parceria com o PP-G7. Este projeto é voltado ao financiamento de iniciativas de valorização cultural e desenvolvimento sustentável elaborados e geridos pelas populações indígenas e seus parceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A Funai e as novas demandas por reconhecimento indígena===&lt;br /&gt;
Em 2002, a ratificação pelo governo brasileiro da [[Convenção OIT sobre Povos Indígenas e Tribais em países independentes nº. 169 | Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre “Sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes” (1989)]] aprofundou a sustentação jurídica às demandas de povos antes tomados por aculturados e integrados, que atualmente reivindicam, em diversas regiões do Brasil, seus direitos indígenas diferenciados. Cada vez mais numerosas, estas reivindicações trazem novos desafios à atuação da Funai, responsável pela demarcação das Terras Indígenas no país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A valorização dos conhecimentos tradicionais===&lt;br /&gt;
Na virada do milênio, [[Conhecimentos tradicionais: &amp;quot;Novos rumos e alternativas de proteção&amp;quot; | os conhecimentos indígenas e tradicionais]] passaram a ganhar destaque na agenda nacional e internacional. As discussões se concentram na criação e aprimoramento de mecanismos legais que impeçam que estas populações sejam expropriadas de seu rico patrimônio intelectual, produzido ao longo de gerações. O problema é evidente no caso dos conhecimentos associados à biodiversidade que têm sido alvo de inúmeros casos de biopirataria. Embora acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Biológica e a Agenda 21, criadas no contexto da Eco-92, tenham destacado a urgência do problema, apenas em 2002 o Brasil iniciou, através de decreto presidencial (nº 4.339, de 22 de agosto de 2002), uma política nacional de biodiversidade, que, entretanto, precisa ser aprimorada em diversos aspectos (J. Santilli, 2000, 2002).  Também neste âmbito e neste período, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vinculado ao Ministério da Cultura, passou a realizar ações de proteção, valorização e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial de povos indígenas e tradicionais. Estas ações decorrem do esforço de regulamentação da Constituição de 88, que em seus artigos 215 e 216 formaliza o valor imaterial dos bens culturais. No ano 2000 o decreto 3.551 instituiu os mecanismos oficiais de valorização e proteção do patrimônio cultural no Brasil. Estes instrumentos, entretanto, se encontram em fase inicial de consolidação e são alvo de pesquisas e debates entre especialistas. Até mesmo no campo internacional as propostas neste sentido são recentes. Data de 2003 a Convenção da UNESCO para a “Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desafio da consolidação do paradigma participativo===&lt;br /&gt;
Desde a Constituição de 1988 o indigenismo oficial passou por diversas e significativas mudanças, voltadas, de modo geral, ao reconhecimento e à valorização da diferença cultural. As políticas públicas direcionadas aos povos indígenas têm se tornado cada vez mais descentralizadas e realizadas no âmbito de diversos ministérios que atuam em parceria com agências de cooperação internacional e organizações não-governamentais. A premissa elementar do conjunto das ações é o estímulo à participação e à co-responsabilidade indígena na gestão das políticas destinadas a eles. Entretanto, o sucesso destas políticas depende de sua plena consolidação jurídica e institucional em todos níveis, do local ao governo central. Afinal, o poder tutelar, o assistencialismo e o assimilacionismo ainda são uma realidade fortemente enraizada em diversas práticas do relacionamento entre o Estado e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à consolidação jurídica deste novo momento, é notável que o Estatuto do Índio de 1973, de bases integracionistas, ainda esteja vigente. Entre 1991 e 1994, foi apresentada uma proposta de substituição ao texto que jamais foi votada pelo congresso. Em março de 2006, o governo federal criou a Comissão Nacional de Política Indígenista (CNPI). Em sua agenda, foi estabelecida a prioridade da atualização do Estatuto, com vistas a apresentar uma regulamentação integrada dos diversos temas da agenda dos povos indígenas: o patrimônio e os conhecimentos tradicionais, a proteção e a gestão territorial e ambiental, as atividades sustentáveis e o uso de recursos renováveis, o aproveitamento de recursos minerais e hídricos, a assistência social, a educação escolar e o atendimento à saúde diferenciados. Em julho de 2009, a proposta - construída com a participação de representantes indígenas – foi apresentada ao Congresso Nacional e aguarda votação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto, o atual CNPI e a Funai tem a tarefa de articular e integrar o conjunto das ações estatais de defesa dos direitos indígenas, com vistas a promover o paradigma participativo e superar definitivamente seu papel tutelar. Com este objetivo, o órgão indigenista oficial têm realizado esforços para atualizar suas práticas e modos de funcionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Reestruturação da Funai===&lt;br /&gt;
Em fins de 2009, o governo Lula anunciou, por meio de decreto presidencial (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7056.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nº 7.056, 28/12&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), um amplo plano de reestruturação da Funai, que pretende oferecer maior capacidade de atuação onde vivem os povos indígenas. As Administrações Executivas Regionais (AERs) e Postos Indígenas (PIs) foram substituídos por Coordenações Técnicas Locais e Regionais, formadas por técnicos qualificados, que passarão a desenvolver ações participativas junto aos povos indígenas envolvidos. Nesta estrutura, está planejada a criação de Conselhos Consultivos, nos quais os indígenas e as organizações parceiras participam diretamente na formulação, implantação e gestão das políticas públicas a eles destinadas. Além disso, está prevista a criação de 3,1 mil cargos a serem preenchidos até 2012. Esta nova estrutura pretende, conforme sua direção, superar os impasses históricos do órgão indigenista oficial. Apreensivos, diversos povos se posicionaram contra as mudanças e reclamaram de falta de consulta prévia prevista na Convenção nº 169 da OIT.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria dos presidentes da Funai ==&lt;br /&gt;
A história do controvertido órgão indigenista oficial, a [[Órgão Indigenista Oficial | Funai (Fundação Nacional do Índio)]], pode ser contada através da sucessão de seus 41 presidentes ao longo de 52 anos, de 1967 a 2019.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Presidentes da Funai (1967-2018)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidentes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Quem é | O que fez&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan.2019 - atual]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O militar da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas retorna à Presidência da Funai após a exoneração de Wallace Moreira Bastos, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de janeiro de 2019. O novo presidente, na verdade, foi o antecessor de Wallace, entre maio de 2017 e abril de 2018. No período, aprovou os estudos da Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha (PE).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de pouco mais de 10 meses no cargo, Franklimberg foi exonerado e sua gestão não agradou a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O general, nomeado durante o governo Bolsonaro, foi formalmente reapresentado à Presidência no mesmo dia da saída de Wallace Moreira Bastos do cargo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Wallace Moreira Bastos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2018 - jan. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Wallace Moreira Bastos foi nomeado para exercer o cargo de Presidente da Funai no mesmo Diário Oficial da União, de 24 de abril, em que foi publicado o pedido de demissão de Franklinberg, que alegou estar sofrendo forte pressão dos ruralistas para deixar o cargo. No dia 16 de janeiro de 2019, foi publicado o pedido de exoneração de Wallace Moreira Bastos da presidência da Funai, após nove meses de ocupação no cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em nota da Funai, Wallace disse que conseguiu trazer para a Fundação mais 203 servidores concursados, que já estão atuando em todas as regiões do país. E que conseguiu, junto ao Governo Federal, que o orçamento da Funai passasse de R$ 109 milhões para R$ 175 milhões, o que permitirá ao órgão avançar ainda mais no que diz respeito às demandas das comunidades indígenas. Mas no período em que esteve na presidência da Funai não aprovou nenhum estudo de identificação de Terra Indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa indicação não foi vista com bons olhos no meio indígena e indigenista porque Wallace não tem, em seu currículo, nenhuma experiência relacionada aos povos indígenas. Foi sócio-proprietário e gestor, entre 2002 e 2008, das empresas Giraffas, Casa do Pão De Queijo, Montana Grill e Café Cancun e, antes, analista de Vendas da Ambev. Concursado na ANAC, é membro do Conselho de Administração da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) e antes da indicação para a Funai ocupava o cargo de subsecretário do Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil. É a terceira indicação do PSC para a Fundação em pouco mais de um ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 2017 - abr. 2018]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O general do exército Franklimberg Ribeiro de Freitas assumiu interinamente a presidência da Funai após a exoneração de Antônio Costa. Em julho de 2017, foi plenamente empossado. Franklimberg é militar da reserva, tendo ingressado nas Forças Armadas em 1976, e antes de ser nomeado para a Funai exercia o cargo de assessor de relações institucionais do CMA (Comando Militar da Amazônia), sediado em Manaus (AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assume a presidência da Funai poucos dias após um massacre realizado contra índios Gamela, no Maranhão e em meio à uma intensa crise política desencadeada por investigações de corrupção no governo Temer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua gestão não agradou à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), composta por 252 parlamentares, entre deputados e senadores, que esperavam ações que atendessem os interesses dos ruralistas. A FPA enviou um ofício ao presidente Temer com a assinatura de mais de 170 lideranças indígenas que não queriam a permanência de Franklimberg, e pediram sua demissão. Permaneceu no cargo por pouco mais de 10 meses.&lt;br /&gt;
Ele é o segundo presidente que o PSC indica (o anterior, Antonio Fernandes Toninho Costa, também fora indicação do partido) e é demitido por não atender interesses contrários aos direitos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franklimberg, antes de deixar o cargo, aprovou os estudos da TI Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Antonio Fernandes Toninho Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan. de 2017 a mai. de 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dentista e pastor evangélico de Luiziânia (GO), já atuou como assessor parlamentar. Interessante notar o contexto da decisão de sua nomeação como novo presidente da Funai. Segundo a reportagem da Globo News, o presidente da República, Michel Temer, em reunião com ministros sobre obras de infraestrutura, foi informado sobre impasses e conflitos com índios, que estariam impedindo a continuidade das obras, e que a Funai estava com um presidente interino. Ele então solicitou ao ministro da Justiça que resolvesse a questão – provavelmente com a expectativa de conseguir a aprovação da Funai para as obras paralisadas. Dentro da lógica de loteamento à base aliada, Temer aceitou a indicação do Partido Social Cristão (PSC), cujo presidente é o Pastor Everaldo e que é integrado por Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano. Costa já trabalhou com povos indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e na Missão Evangélica Caiuá – antiga missão que prestava assistência aos Guarani em Mato Grosso do Sul e hoje atua em diversos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (DSEIs) através de convênio com a Sesai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Agostinho do Nascimento Netto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 2016 a jan. 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assessor especial do Ministério da Justiça desde junho de 2016, desconhecido do movimento indígena e indigenista, foi nomeado Presidente substituto da Funai em setembro do mesmo ano. Durante sua curta gestão, ele aprovou a TI Pindoty/Araça-Mirim, no Vale do Ribeira (SP), no dia 29 de dezembro de 2016, com 1.030 hectares.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2016 a set. 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes assumiu a presidência dó órgão em substituição a João Pedro Gonçalves, exonerado pelo governo interino de Michel Temer. Artur Nobre Mendes já fora presidente da Funai entre 2002 e 2003 e no momento ocupava o cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. (Veja mais abaixo informações sobre o seu primeiro mandato)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2016, permaneceu no cargo de presidente substituto por aproximadamente 4 meses. Em sua curta interinidade, Artur publicou, em agosto de 2016, a identificação de três TIs Guarani no estado de São Paulo: Djaiko-aty com 1,216 ha, Ka'aguy Mirim com 1.190, e a Ambá Porã com 7.204 ha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi exonerado em Setembro, poucos dias após a Funai criticar a organização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 por terem afirmado, na apresentação da menina Igani Suruwaha, que a menina e a mãe tiveram que deixar a comunidade onde viviam para “evitar o infanticídio indígena”. Em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/3932-nota-jogos-paralimpicos&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota de repúdio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a Funai disse que a informação do Comitê Organizador dos Jogos promove “''ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil, referindo-se ao 'infanticídio ou homicídio, abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulneráveis e violência doméstica' como 'práticas tradicionais' indígenas. A Funai entende que tal posicionamento revela uma total incompreensão sobre a realidade indígena no país, refletindo uma visão preconceituosa e discriminatória sobre esses povos, suas culturas e seus modos de vida.''”&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Pedro Gonçalves da Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2015 a jun. de 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi deputado estadual, vereador e senador suplente do estado do Amazonas. Também trabalhou como superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária no Amazonas Assumiu a presidência da Funai no lugar de Flavio Chiarelli Vicenti de Azevedo, que foi presidente interino durante 8 meses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://acritica.uol.com.br/blogs/blog_do_sim_-_nao/funai_7_1375732414.html&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota d'A Crítica&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (14/06/15), sua indicação ''&amp;quot;foi uma costura de parlamentares petistas do Norte com o argumento de que o Governo Dilma precisa dar mais espaços a políticos da Amazônia assim como Lula fez quando pôs Marcus Barros no Ibama, e Marina Silva, no Ministério do Meio Ambiente.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu mandato coincidiu com os últimos meses antes de a Presidente Dilma Roussef ser afastada do cargo e nesse curto período buscaram reverter a paralisia de demarcações que até então marcara esse governo. Durante seu mandato foram aprovados pela Funai os estudos das terras: Cobra Grande (PA) dos povos Arapiuns, Jaraqui e Tapajó; Kaxuyana-Tunayana (AM/PA), dos Kaxuyana, Tunayana e outros; Jurubaxi-Téa (AM), dos Baré, Tukano, Baniwa e outros; Sawré/Muybu (PA), dos Munduruku; Sambaqui (PR), Pakurity (MS), Peguaoty (MS) e Cerco Grande (PR), dos Guarani Mbya; Ypoi-Triunfo (MS), dos Guarani Ñandeva; Dourados Amambaipeguá I, dos Kaiowáa e Ñandeva; e Mato Castelhano-FÁg TY KA (RS), dos Kaingang.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 2014 a jun. de 2015]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi chefe da Procuradoria Federal Especializada da Funai. Assumiu a Presidência interinamente, em substituição à também interina Maria Augusta Assirati.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu os 8 meses de sua gestão como presidente interino. Nesse período apesar das determinações do governo de paralisar o reconhecimento das Terras Indígenas (TIs) - conseguiu aprovar e publicar no DOU em janeiro de 2015, os estudos de identificação e delimitação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4056&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Riozinho&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, dos índios [[Povo:Ticuna | Ticuna]] e [[Povo:Kokama | Kokama]] com 362.495 hectares, nos municípios de Juruá e Jutai no Amazonas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criou três Grupos Tecnicos (GTs) para estudos de novas TIs: uma para os Ticuna, em Fonte Nova/Amazonas, outra em Paraty no Rio de Janeiro para os [[Povo:Guarani | Guarani]], e a pela primeira vez a Funai criou um GT para reconhecer uma TI no no Rio Grande do Norte, no município de Baía Formosa: a Sagi/Trabanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 2015, com a nomeação do novo presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, Flávio Chiarelli foi nomeado assessor especial do Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Segundo ele, o governo tem um olhar não-indígena para os povos tradicionais, 'achando que eles são os causadores de problemas. Quando, na verdade, a gente deveria parar para olhar o lado deles e enfrentar a real causa do problema&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Governo-nomeia-novo-presidente-da-Funai/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Greenpeace&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Jun/15&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Maria Augusta Boulitreau Assirati'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2013 a out. de 2014]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Advogada, dirigiu o Departamento de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai e assumiu a Presidência interinamente, com a exoneração de Marta Maria Azevedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo mantida em interinidade durante um ano e quatro meses, em um governo que primou pela paralisia das demarcações de Terras Indígenas, ela conseguiu aprovar e publicar três estudos de identificação das TIs: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3864&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 5.838 hectares, no Ceará; da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4142&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 2.686 hectares, no Paraná; e a ampliação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/5399&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Xakriabá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 43.357 em Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Augusta pediu demissão por conta de um curso de doutorado em Portugal, mas segundo o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://oglobo.globo.com/brasil/presidente-da-funai-deixa-cargo-em-meio-disputa-do-orgao-com-ministerio-da-justica-14050662#ixzz3ENbCfygi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;jornal O Globo, de 25 de setembro de 2014&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, alguns dos motivos principais seriam as divergências envolvendo a construção de hidrelétricas e a disputa enfrentada pela própria Funai, no interior do governo, para realizar sua tarefa primordial: a demarcação de terras indígenas. A interferência política do governo sobre a atuação da Funai foi apontada pela ex-presidente em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://apublica.org/2015/01/a-funai-esta-sendo-desvalorizada-e-sua-autonomia-totalmente-desconsiderada-diz-ex-presidente/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;entrevista na Agência Pública, de janeiro de 2015&amp;lt;/htmltag&amp;gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A orientação é no sentido de que nenhum processo de demarcação em nenhum estágio, delimitação, declaração, ou homologação, tramite sem a avaliação do Ministério da Justiça e da Casa Civil. Isso é, nada mais, nesse momento, “depende apenas da Funai”.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;APública, Jan/2015&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marta Maria Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2012 a jun. de 2013]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marta Maria do Amaral Azevedo é antropóloga, demógrafa, e autora de um dos primeiros trabalhos de pesquisa sobre demografia dos povos indígena. Nascida em São Paulo, formou-se em Ciências Sociais em 1978 pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1980 integrou o grupo de Educação Indígena da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) e atuou como colaboradora do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Também foi colaboradora do ISA, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo – onde ajudou a fundar o Grupo Mari de Educação Indígena – e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), no início da década de 1990. Participou da equipe de demógrafos que, em conjunto com o IBGE, Funai e especialistas de várias e diferentes instituições, aprimorou a coleta das informações sobre os povos indígenas para o censo brasileiro de 2010. Suas investigações envolvem temas como educação indígena, segurança alimentar e saúde das mulheres indígenas, os quais contam com o comprometimento de Marta em sua gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um ano e dois meses no cargo, Marta aprovou os estudos de identificação de 14 Terras Indígenas. Destacamos algumas: a TI Iguatemipeguá I com mais de 41 mil hectares, para os Kaiowá, localizada em região de intensos conflitos com fazendeiros, no Mato Grosso Sul; também aprovou os reestudos de duas terras guarani em S.Paulo, a Jaraguá (com 532 ha, na capital) e a Boa Vista do Sertão Pró-Mirim (no município de Ubatuba com 5.520 ha); seis terras mura tiveram seus estudos de identificação aprovados nos municípios de Borba, Autazes, Carreiro da Várzea, Manaquiri e Careiro, todos no estado do Amazonas, somando 72.631 ha. A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, exonerou, a pedido, Marta Maria do Amaral Azevedo da presidência da Funai em Junho de 2013.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Meira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. 2007 a abr. 2012]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Formado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com mestrado em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), o atual Presidente da Funai pesquisou os povos Warekena, da região do rio Xié, um dos afluentes do rio Negro, no Amazonas, no início dos anos 1990. É o autor da tese &amp;quot;No tempo dos Patrões&amp;quot;, sobre o regime de aviamento que ainda vigora nas relações entre extrativistas e comerciantes no interior da Amazônia. Sua atuação com os povos indígenas, porém, é anterior e data desde sua participação na luta pelos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. Foi também responsável pelo GT da Funai de identificação das Terras Indígenas do Médio Rio Negro, localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. Meira foi um dos interlocutores das organizações indígenas na equipe de transição do governo Lula, em 2002. Sua gestão foi responsável pelo processo de reestruturação da Funai, que renovou o quadro funcional (com 425 novas contratações) e a estrutura administrativa do órgão. Também foi resposável pela inauguração do Centro de Formação em Política Indigenista em Sobradinho/DF. Apesar de ter priorizado a participação do movimento indígena e de ter implantado a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), ao final da gestão Meira ocorreu um rompimento da bancada indigenista com a comissão, no qual entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a CNPI. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Mércio Pereira Gomes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. 2003 a março de 2007]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dirigiu o IPARJ (Instituto de Pesquisas Antropológicas do Rio de Janeiro) e participou da política carioca quando do governo de Leonel Brizola (1991-95), na condição de subsecretário de Cultura e Projetos Especiais. Foi também assessor de projetos especiais da cidade de Petrópolis. Depois de Roque Laraia e Artur Nobre Mendes, Mércio Gomes é o terceiro antropólogo a assumir a presidência da Funai. Foi professor de antropologia na Unicamp, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Macalestes (EUA) e na UFF (Universidade Federal Fluminense). Membro efetivo do Diretório Estadual do PPS, partido da base aliada do governo Lula, Mércio Gomes já era cotado para a presidência da Funai na campanha eleitoral de 2002 em um eventual governo Ciro Gomes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Eduardo Aguiar de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. de 2003 a ago. de 2003]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Primeiro presidente da Funai do governo Lula, Eduardo Aguiar de Almeida ficou apenas seis meses no cargo, tendo sido exonerado em 15 de agosto de 2003, por meio de portaria da Casa Civil. O ministro da justiça declarou-se insatisfeito com o seu trabalho à frente da Funai em mais de uma ocasião, em que observava a &amp;quot;falta de sintonia&amp;quot; de Almeida com os interesses do Ministério. Os rumores sobre a sua substituição começaram a circular há pelos menos 2 meses desde que ele assumiu a pasta. Em entrevista à imprensa, Almeida atribuiu sua demissão à forte pressões oriundas dos setores anti-indígenas da política nacional, citando diretamente os nomes dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Romero Jucá (PMDB-PR) e dos governadores Blairo Maggi (PPS-MT), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Almeida tomou posse oficialmente no cargo mais de um mês após o início da nova gestão do governo brasileiro, em 03/02/2003. É natural do Rio de Janeiro, jornalista e membro fundador da Sociedade Brasileira de Indigenistas (SBI). Já trabalhou na Funai como assessor da presidência entre janeiro e agosto de 2000. Desde janeiro de 2002, atuava como consultor do Ministério do Meio Ambiente. Em sua gestão, Almeida concentrou parte de seus esforços na preparação da Conferência Nacional de Política Indigenista, um dos ítens mais relevantes na pauta petista para a questão indígena – já expresso no documento de campanha de Lula à presidência, intitulado Compromisso com os Povos Indígenas – e cujo objetivo é o de criar uma instância de articulação entre os setores governamentais que têm responsabilidades para com as demandas indígenas, representantes dos índios e outros setores da sociedade civil. No âmbito das reivindicações territoriais, Almeida criou Grupos de Trabalho (Gts) para identificar 17 novas Terras Indígenas e reestudar os limites de outras dez. Uma decisão inovadora da gestão de Eduardo Aguiar de Almeida foi a determinação do critério da &amp;quot;auto-identificação&amp;quot; como instrumento fundamental para que se reconheça como indígenas os grupos que reivindiquem esta condição, adequando as ações do Estado brasileiro à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 2002 a jan. de 2003]''''''&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes foi o nono presidente do órgão indigenista em oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Na Funai desde 1983, Mendes sempre havia atuado na área fundiária. Foi chefe do Departamento de Identificação e Delimitação (Deid), coordenador de Projetos Especiais e coordenador técnico do Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal - o PPTAL, que, ligado ao Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicias do Brasil (PPG7), tem por objetivo demarcar 160 terras indígenas. No momento em que assumiu a presidência da casa, ocupava a diretoria do Departamento de Assuntos Fundiários (DAF), posto em que estava desde a gestão de Glênio da Costa Alvarez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artur Nobre Mendes foi formalmente apresentado no novo cargo em 31/07/2002, juntamente com a equipe recém-constituída por Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, o oitavo ministro da Justiça a assumir a pasta ao longo das duas gestões FHC. Mendes permaneceu à frente da Funai até janeiro de 2003, quando, já então no primeiro mês do governo de Luís Inácio Lula da Silva, pediu demissão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otacílio Antunes Reis Filho'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. a jul. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
A saída de Glênio Alvarez levou à presidência da Funai Otacílio Antunes Reis Filho, antigo funcionário do órgão, então no cargo de diretor de Artesanato. Reis Filho, que já havia sido diretor de Planejamento na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, dirigiu a Fundação por 46 dias, entre junho e julho de 2002.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Glênio Alvarez'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. 2000 a jun. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O geólogo Glênio Alvarez, funcionário da Funai há 14 anos, é o 27º presidente do orgão indigenista oficial desde sua fundação, em 1967. Foi administrador regional do órgão em Boa Vista (RR), em 1994, período de demarcação da TI Yanomami.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha de Alvarez, gaúcho de Santa Maria, encerrou a interinidade do antropólogo Roque de Barros Laraia, que ocupou o cargo desde a saída de Carlos Frederico Marés. Alvarez assumiu dizendo pretender implantar programas conjuntos com governos estaduais. Seu principal desafio seria contornar a falta de verbas para desenvolver os programas previstos para 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início de junho de 2002, a publicação no Diário Oficial da União da exoneração de Glênio Alvarez pegou a todos de surpresa. Ele, inclusive, que não quis se manifestar logo após o ocorrido. Por meio de seu assessor de imprensa, declarou que &amp;quot;havia feito seu trabalho corretamente a favor dos índios no Brasil&amp;quot;. A queda de Alvarez aconteceu dois dias depois que o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, deputado Pinheiro Landim, retirou de pauta o Projeto de Lei da Mineração em Terras Indígenas. A Funai havia se manifestado contrária à aprovação do projeto, de autoria do senador Romero Jucá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Roque de Barros Laraia'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a mai. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com a demissão de Marés, o então presidente substituto, o antropólogo Roque de Barros Laraia, assumiu a presidência da Funai em regime interino. Foram 29 dias até que Glênio Alvarez fosse nomeado presidente pelo ministro José Gregori.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laraia é formado em história, mas optou pela antropologia. Foi parte do corpo docente do Museu Nacional (UFRJ) e, a partir de 1968, da UnB. É integrante do Conselho Indigenista desde que foi criado, em 1967. À época, esse conselho representava o poder máximo no órgão. O antropólogo tem experiência de pesquisa com os Terena e os Suruí do Pará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a gestão de Marés, Roque Laraia foi o responsável pela Diretoria de Assuntos Fundiários. Em entrevista exclusiva ao Isa, confessou que os maiores problemas por ele enfrentados em sua curta gestão na presidência, foram o esvaziamento dos quadros profissionais, a escassez de recursos e a pressão constante de grupos indígenas, como os Xavante e os Fulniô. Segundo ele, &amp;quot;não é possível administrar a Funai com os Xavante do jeito que estão&amp;quot;. Para ele, a maioria dos índios continua desassistida, ao passo que uma etnia acaba consumindo o tempo da administração e tomando a maioria dos recursos parcamente disponíveis.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Carlos Frederico Marés'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1999 a abr. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nascido em União da Vitória (PR), Carlos Frederico Marés de Souza Filho é professor de Direito Agrário e Ambiental da PUC-PR. Foi procurador do estado do Paraná entre 1991 e 1994, e secretário da Cultura do município de Curitiba, entre 1983 e 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaborou, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), na formulação do Capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;, e foi um dos coordenadores da campanha &amp;quot;Povos Indígenas na Constituinte&amp;quot;. Em 1989, fundou o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI), e, em 1994, o Instituto Socioambiental, do qual foi presidente e conselheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés é também autor de seis livros, o último deles - &amp;quot;O renascer dos povos indígenas para o Direito&amp;quot; - é resultado de sua dissertação de doutoramento apresentada, em 1988, à UFPR.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés foi indicado para a presidência da Funai pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, que advogou em seu favor, providenciando a regularização de sua situação no Brasil, quando de seu retorno depois de nove anos de exílio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de assumir o cargo, Marés apresentou 13 propostas para o ministro como condição para poder assumir a presidência da Funai (ver artigo Descascando o &amp;quot;abacaxi&amp;quot;, nos &amp;quot;500 anos&amp;quot; do Brasil). Entre elas, estava a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O curto período em que Marés esteve na Funai foi marcado por atos polêmicos. Logo no início de 2000, declarou publicamente que não haveria o que comemorar no dia 22 de abril, aniversário de 500 anos do &amp;quot;descobrimento&amp;quot; do Brasil. &amp;quot;É uma festa da chegada das caravelas, festa dos brancos. A maior parte dos índios brasileiros tem contato com a civilização branca há bem menos de 500 anos&amp;quot;, disse ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Marés foi marcada pela negociação em torno da apresentação da nova proposta para o &amp;quot;Estatuto do Índio&amp;quot;. Em 17 de abril de 2000, Marés apresentou a proposta do governo &amp;quot;Estatuto do índio e das comunidades indígenas&amp;quot; às lideranças indígenas que se reuniam em Monte Pascoal, em ocasião da marcha de protesto contra as comemorações dos 500 anos. Isso se deu antes mesmo da proposta ser submetida ao Legislativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 22 de abril, após presenciar uma ação da polícia contra a marcha dos índios que iam de Coroa Vermelha a Porto Seguro para protestar contra as comemorações dos 500 anos, Marés anunciou que pediria demissão. &amp;quot;Não posso permanecer num governo que faz agressão física ao movimento indígena organizado&amp;quot;, afirmou após ter decidido, em caráter irrevogável, apresentar sua demissão ao ministro da Justiça José Gregori.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Lacerda'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. a nov. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
José Márcio Panoff de Lacerda tomou posse na Presidência da Funai em 22 de fevereiro de 1999. Foi deputado, senador e vice-governador do Mato Grosso. Em seu discurso de posse, prometeu investir na aprovação de um novo Estatuto do Índio, &amp;quot;que reflita uma política realista, voltada para proporcionar às sociedades indígenas o legítimo direito de explorar em bases racionais os recursos naturais existentes em suas terras&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua atuação foi marcada pela defesa de parcerias entre o estado e os municípios para melhorar os atendimentos às sociedades indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 31 de maio, Lacerda foi retirado à força do prédio da Funai por 51 guerreiros xavante, que se revoltaram devido ao afastamento do diretor da AER de Nova Xavantina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Lacerda teve de enfrentar, a partir de maio de 1999, os inquéritos por ocasião da CPI da Funai, promovida por parlamentares que visavam investigar o relacionamento do órgão federal com ONGs, admissão de antropólogos e aplicação de recursos. Nesse período, tornou-se cada vez mais público o caos orçamentário da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro, por pressões dos índios, de várias instituições e de ONGs, colocou o cargo à disposição. Na ocasião, ele admitiu que enfrentou conflitos internos, principalmente com o médico Oswaldo Cid Nunes da Cunha, exonerado da chefia do Departamento de Saúde na Funai em Brasília, que classificou Lacerda de &amp;quot;incompetente&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lacerda acusou o médico de deslealdade ao condenar publicamente a decisão do governo de transferir a área de saúde indígena para a Fundação Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sulivan Silvestr'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1997 a fev. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sulivan Silvestre, paranaense, funcionário do Ministério Público de Goiás, tomou posse em 22 de agosto de 1997. Formado em Direito pela PUC de Goiás, Silvestre era especialista em meio ambiente. Desconhecido entre índios e indigenistas, seu nome surpreendeu, já que estavam cotados para ocupar o cargo antropólogos e funcionários da Funai conhecidos pela comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua nomeação comprovou o poder de fogo do ministro Íris Rezende, que conseguiu colocar no comando um apadrinhado político sem nenhuma experiência com a política indigenista. A indicação política desagradou o funcionalismo da Funai, que torcia pela nomeação de um técnico dos quadros da Fundação e algumas organizações não-governamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu discurso de posse, Silvestre afirmou ser a demarcação de terras a prioridade de sua gestão. Além disso, enfatizou a necessidade de uma aproximação entre a Funai, os índios e as demais entidades de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Procurou estruturar o Conselho Deliberativo e Participativo das Lideranças Indígenas, promovendo o diálogo entre a Funai, os representantes indígenas, as ONGs, o Cimi e o Capoib, sempre em defesa da descentralização do órgão indigenista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1 de fevereiro de 1999, Silvestre morreu em um acidente de avião. O bimotor Sêneca, que o levaria de Brasília até uma reunião com os índios Fulni-ô e Pankararu, caiu a poucos minutos da pista do aeroporto de Goiânia. O acidente ocorreu por volta das 21h30. Pouco depois da queda, o aparelho foi consumido pelo fogo. Renan Calheiros, ministro da Justiça na época, afirmou que iria acompanhar as investigações sobre o acidente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Júlio Gaiger'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1996 a jul. de 1997]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O advogado gaúcho Júlio Gaiger foi nomeado presidente da Funai em 12 de março de 1996, ocupando o lugar de Márcio Santilli. Ligado à questão indígena desde 1977, quando dirigiu a Associação Nacional de Apoio ao Índio em Porto Alegre, Gaiger foi assessor jurídico do Cimi até 1991 e trabalhou como assessor na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi indicado pelo ministro Nelson Jobim, com quem trabalhava desde meados de 1995 na formulação do polêmico Decreto 1775, que prevê a revisão de áreas indígenas ainda não registradas. Essa indicação causou imediatos protestos de organizações indígenas e de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1997, apesar dos apelos dos Xavante pela saída imediata de Gaiger, o novo ministro da Justiça, Íris Rezende, bancou a sua permanência. Mas, em 17 de julho, Gaiger entregou o cargo, alegando que o governo não teria se empenhado na implementação da política indigenista e que lhe teria faltado apoio político para levar adiante a reformulação administrativa do órgão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Ressinto-me, na Funai, da ausência de decisões estratégicas que escapam do nosso alcance&amp;quot;, escreveu em sua carta de demissão. Em entrevista, disse que vinha sofrendo pressões dos Xavante, de funcionários da Funai e de grupos políticos vinculados aos índios e aos servidores que, na sua opinião, tencionavam desestabilizá-lo para que não reformulasse o órgão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio José Brando Santilli'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1995 a mar. de 1996]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Indicado por FHC, um dia depois de uma reunião ocorrida no palácio da alvorada em 03/08/95 entre o presidente, o ministro da justiça e um grupo de antropólogos, Santilli não era o preferido de Jobim. Então secretário executivo do Instituto Socioambiental em Brasília, Santilli demorou um mês para aceitar a indicação, período em que indicou outros nomes ao ministro Jobim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consultou previamente várias ONGs do campo indigenista sobre a oportunidade de encarar o desafio de administrar uma Funai sucateada e enfrentar um novo decreto sobre demarcação de terras indígenas, medida já decidida pelo presidente FHC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formado em filosofia, Santilli foi deputado pelo PMDB de SP (1982-86) e integrante do grupo político do atual presidente FHC. Durante seu mandato parlamentar, foi membro da Comissão de Relações Exteriores e da Comissão do índio, na Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1987 e 88, foi pessoa-chave na ligação entre a Coordenação Nacional dos Povos lndígenas na Constituinte - que reunia índios e organizações civis de apoio - e o Congresso Nacional. Em 1989, juntamente com um grupo de índios, antropólogos e juristas, fundou e dirigiu o NDI, uma ONG com sede em Brasília, que teve destacado papel na aplicação prática dos direitos coletivos dos índios, através de demandas judiciais paradigmáticas. Em 1994, foi um dos fundadores do Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Cimi considerou a sua nomeação como &amp;quot;uma tentativa do governo para criar condições políticas favoráveis para mudar o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas&amp;quot;. Além da Igreja Católica, Santilli ganhou muitos inimigos internos com a demissão de funcionários corruptos das Áreas Kayapó e Xavante, o corte de diárias de caciques xavante em Brasília, o fechamento de Administrações Regionais, e o anúncio de uma grande reforma administrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfrentou várias rebeliões regionais e seqüestros de funcionários por índios articulados com segmentos de máfias funcionais e o seu próprio gabinete em Brasília foi invadido por um grupo de Xavante, acompanhado da Rede Globo de TV. Santilli pediu demissão alegando falta de apoio do Ministério da Justiça, que não buscava ampliar as verbas da Funai e retinha os recursos que ele conseguira diretamente do Tesouro Nacional, além de não garantir a investigação policial a respeito das máfias funcionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Dinarte Nobre Madeiro'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1993 a set. de 1995]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dinarte assumiu interinamente a presidência da Funai, no dia 03/09/93, e acabou permanecendo dois anos à frente do órgão. Há 23 anos funcionário da Funai, ao assumir o cargo era assessor da Presidência do órgão para a região Norte e Nordeste, e estava em Boa Vista coordenando a retirada dos garimpeiros da AI Yanomami. Defendeu a necessidade do órgão retomar o poder de polícia para ter mais autonomia e mobilidade no combate aos garimpeiros que invadem terras indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Madeiro foi mantido no cargo com a mudança de governo e, no conjunto, teve uma gestão discreta, sem denúncias de improbidades administrativas. Apesar disso, Dinarte foi publicamente desprestigiado pelo ministro da Justiça Nélson Jobim e pelo próprio presidente FHC. Chegou a pedir demissão alegando suas divergências com o secretário-executivo do Ministério, Milton Selligman, na questão das demarcações das terras indígenas, principalmente sobre a área dos Xavante, a Suiá-Missu. O ministro não aceitou a demissão. Afastado das deliberações sobre os rumos da política indigenista oficial, colocou seu cargo à disposição mais de uma vez e manifestou sucessivamente seu apoio à manutenção dos procedimentos administrativos constantes no Decreto 22/91.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Cláudio dos Santos Romero'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Claudio Romero ocupava o cargo de Diretor Geral de Assistência da Funai, quando foi nomeado para presidir o órgão em 20/05/93. Funcionário de carreira do órgão,desde meados da década de setenta, coordenou o Projeto Xavante que tinha como principal objetivo a demarcação do território xavante ocupado pela frente colonizadora, além de projetos de educação e desenvolvimento comunitário. Foi diretor do Parque Indígena do Xingu, quando entre outras coisas apoiou os Kayapó Metuktire na demarcação da AI Capoto/Jarina. Tomou posse do cargo de presidente do órgão prometendo que não haveria qualquer ruptura na continuidade dos trabalhos da gestão de Sidney Possuelo. Nos quase quatro meses que esteve à frente da Funai, Romero teve uma gestão controvertida. Disse que o presidente Itamar Franco não tinha vontade política para cumprir o prazo constitucional de 05/10 para regularizar a demarcação das terras indígenas no país e foi obrigado a reparar o comentário, publicamente. Em agosto de 93, foi acusado, por um dossiê interno, de ter delatado em 83 à Assessoria de Segurança e Informação -o SNI da Funai -uma conspiração de funcionários contra o então presidente do órgão, coronel Paulo Leal. Ele admitiu que escreveu um relatório denunciando servidores do órgão, mas negou ser &amp;quot;araponga&amp;quot; do regime militar. Romero diz que os servidores denunciados planejavam invadir a sede da Funai, articulados pelo então deputado Mário Juruna e pelo então vice-governador do Rio, Darcy Ribeiro. Na época, diretor do Parque Indígena do Xingu, Romero disse que estava interessado em obter da direção da Funai a demarcação das terras indígenas na região e, por isso, foi contra o movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi demitido no dia 03/09/93, em meio a informações contraditórias sobre a chamada chacina dos Yanomami em Haximu, sobre a qual divulgou números sucessivamente desmentidos pela imprensa. Discutiu com parlamentares em Roraima ameaçando proibi-los de entrar na AI Yanomami, ao mesmo tempo autorizou a visita de diplomatas estrangeiros sem consultar o Itamaraty, além de ter criado um confronto ao declarar que não se subordinaria às orientações do novo ministro extraordinário para a Amazônia, Rubens Ricúpero.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sidney Ferreira Possuelo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1991 a mai. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O sertanista Sidney Ferreira Possuelo chefiava a Coordenadoria de Índios Isolados da Funai quando foi nomeado no dia 28/06/91 pelo presidente Collor, em substituição a Cantídio Guimrães, demitido no dia 21/06. Possuelo recebeu carta branca para fazer alterações administrativas e afirmou como prioridades o caso Yanomami e a demarcação de 266 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, chefe da Frente de Atração dos Arara(PA), na década de 80, Possuelo reivindicou permanentemente ao presidente Collor a revogação dos Decretos 23, 24, 25 e 26 (de 04/02/91), que tiraram da Funai as responsabilidades pela educação, saúde, projetos produtivos e meio ambiente em áreas indígenas, transferindo-as a outros ministérios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizou uma reforma administrativa, iniciada em 20/01/92, quando exonerou seu superintendente geral, Edívio Batistelli. Desapareceram do organograma não só esse cargo, mas todas as Superintendências Regionais. Todas as atividades, desde o planejamento geral da Funai até o atendimento aos mais remotos Postos Indígenas passaram a se vincular diretamente à Presidência do órgão. As Superintendências passaram à categoria de Administrações Regionais -que somam 46, sem autonomia administrativa ou orçamentária, ligados à Diretoria Geral de Assistência, em Brasília. Foram criadas também as Diretorias Fundiária e de Administração. Em sua gestão, Possuelo distendeu a relação do Órgão com entidades não-governamentais. Ao criar o CDDI, convocou representantes de ONGs para compô-lo e assinou quatro convênios de parceria com essas entidades no âmbito da demarcação de terras indígenas (ver mais detalhes no capítulo Terras indígenas) .Sofreu forte oposição interna por isso. O principal feito da sua gestão foi a demarcação física da terra Yanomami de forma contínua, facilitada pela disposição política do presidente Collor para encaminhar processos de reconhecimento oficial dos direitos territoriais indígenas, com vistas à ECO-92 ( ver Cronologia de um Genocídio Documentado, no capítulo Roraima Mata).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Possuelo acabou demitido no dia 19/05/93, pelo ministro da Justiça Maurício Corrêa, por ordem do presidente Itamar Franco. Na versão do próprio Possuelo, sua cabeça rolou devido a três motivos: conflito aberto com o ministro Henrique Hargreaves, do Gabinete Civil- que fizera indicações para postos de chefia da Funai no Acre e em Goiânia; pressão de militares inconformados com as demarcações de terras na fronteira; e pressão de segmentos econômicos contrariados, como as mineradoras.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sargento Cantídio Guerreiro Guimarães'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1990 a jul. de 1991]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sub-oficial da reserva da Aeronáutica (onde serviu como Sargento do quadro de manutenção e reparo de aeronaves), amigo pessoal do ex-presidente Romero Jucá, foi superintendente regional da Funai em Cuiabá de 86 a 87. Corre contra os dois um processo no Supremo Tribunal de Justiça por autorização de extração ilegal de madeira na AI Uru-Eu-Wau-Wau. Era assessor do ex-presidente Íris Pedro de Oliveira e foi Chefe de Gabinete do Consultor Geral da República, Clóvis Ferro Costa. Nesta função fez um parecer - aprovado por Ferro - que autorizava o uso da rodovia de 38 km dentro da AI Waimiri-Atroari. Antes de ser nomeado presidente da Funai, era funcionário da representação do estado do Amapá em Brasília.Foi afastado do cargo em meio a acusações dos índios do Xingu -e tornadas públicas pela imprensa - de estar fotografando índias nuas e &amp;quot;molestar moças e adolescentes&amp;quot; do Parque do Xingu (MT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Coronel Airton Alcântara'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a ago. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Entrou na Funai para substituir o Coronel Carneiro, do CSN, que havia sido nomeado Superintendente Geral da Funai na gestão Íris Pedro, mas acabou morrendo no dia da posse.Alcântara tornou-se presidente, respondendo pelo cargo na fase de transição imposta pelo novo presidente da República Fernando Collor de Mello, recém empossado e que, dentre outras medidas, incorporou a Funai ao Ministério da Justiça depois de liquidar o Ministério do Interior. Para se firmar no cargo e tentar sua permanência no órgão, teve alguns gestos simpáticos aos indigenistas e antropólogos, assinando decretos de reintegração das áreas Uru-Eu-Wau-Wau e Kaiabi Gleba Sul. Por outro lado, elaborou uma lista de 880 servidores a serem colocados em disponibilidade, aproveitando o argumento do enxugarnento administrativo para proceder a uma nova &amp;quot;caça às bruxas&amp;quot;, incluindo antropólogos e indigenistas entre os &amp;quot;disponíveis&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Íris Pedro de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1988 a mar. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, entre 1980 e 1983 foi presidente do Grupo de Terras do Araguaia/ Tocantins (Getat), visto como um órgão de repressão e policiamento. Pragmático, apregoava soluções técnicas e operacionais para caracterizar os territórios indígenas: estabelecer áreas a partir de limites naturais, transferir grupos indígenas para &amp;quot;evitar conflitos&amp;quot; com colonos etc. Em 1980, grileiros aceleravam a invasão de terras indígenas dos Xikrirn do Cateté, em Marabá; em 82, o Getat, a Eletronorte e a Funai optaram pela recomposição da área indígena dos Parakanã, &amp;quot;para evitar contatos indiscriminados&amp;quot; entre as famílias que seriam atingidas direta ou indiretamente pelas águas da UHE e estavam sendo reassentadas na variante da Transamazônica&amp;quot;. Sua nomeação confirmaria a vinculação da Funai aos desígnios do CSN. Denúncias da própria Funai indicam que utilizava-se das aeronaves do órgão para visitar uma fazenda de sua propriedade em Imperatriz (MA), onde há uma administração regional da Funai; esta, tomou-se recordista em receber visitas de um presidente do órgão no período do mandato do presidente Íris. Renovou o convênio com o Instituto Lingüístico de Verão (SIL) para atuarem em todo território nacional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Romero Jucá Fº.'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 1986 a set. de 1988]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista, pernambucano, indicado pelo ministro Marco Maciel, seu conterrâneo e chefe da Casa Civil, dirigia o Projeto Rondon.Implantou a descentralização da FUNAI e retirou os índios de Brasília. Tecnocrata modernizador, assinou inúmeros convênios técnicos e de assistência com outros Ministérios. Promulgou um novo regimento interno no órgão. Nos cinco primeiros meses de sua gestão, o quadro de funcionários havia passado de 3.300 funcionários para 4.200. Somente em Recife, sua terra natal, o escritório da FUNAI chegou a ter 400 funcionários vinculados.Tentou tirar a crise do órgão das páginas de jornais, mas acabou sofrendo intervenção do TCU devido às irregularidades financeiras do órgão. Defendia a linha “pragmática” de exploração dos recursos naturais das terras indígenas, e foi acusado de promover inúmeros contratos com madeireiras.Manifestava-se contra a presença de garimpeiros nas áreas indígenas e assinou, em 1987, o convênio Funai/DNPM para exploração mineral empresarial em área indígena. Em maio de 88, assinou portaria criando um GT para avaliar o grau de aculturação dos índios. Saiu da FUNAI para ser governador nomeado de Roraima, carregando consigo um processo no Supremo Tribunal de Justiça por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena. Já fora da FUNAI, como governador de Roraima, passou a defender a permanência dos garimpeiros invasores do território Yanomami.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Apoena Meirelles'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1985 a mai. de 1986]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sertanista, nasceu numa aldeia Xavante em Pimentel Barbosa, filho do também sertanista Francisco Meirelles (funcionário do antigo SPI), desde cedo acompanhava o pai nas frentes de atração e trabalho nas aldeias.Autor de um projeto de descentralização da FUNAI, ocupou a presidência com o apoio do Ministro do Interior, Costa Couto, para implantá-lo e esvaziar a crise do órgão.Em maio de 1986, veio o decreto alterando o Estatuto da FUNAI, criando seis superintendências regionais.Apoena despachou durante boa parte do mandato fora de seu gabinete na FUNAI - preferindo uma sala no Ministério ou as delegacias regionais -, evitando assim o confronto com o movimento dos índios em Brasília, que continuava intenso.Distribuiu muitos recursos para contentar o lobby Xavante e reprimiu os índios hospedados em Brasília , cancelando o contrato de hospedagem com os hotéis das cidades satélites.Apoena saiu da presidência do órgão alegando não concordar com a ingerência do Ministro do Interior na indicação de nomes para a superintendência de terras e dos 6 superintendentes regionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Álvaro Villas Boas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. a nov. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Indigenista, irmão de Cláudio e Orlando Villas Boas, trabalhou durante anos como delegado da funai em Bauru (SP).Sua indicação teve grande repercussão (negativa) entre os índios que se encontravam em Brasília (mais de 300). Mas Raoni, por exemplo, liderança Kayapó, reuniu um grupo de índios para apóiá-lo.A delegacia de Londrina, fechada por ele, foi ocupada por 120 índios que exigiam sua demissão. Fechou a delegacia de Salvador, que fora ocupada por índios que queriam ver suas terras demarcadas.Demitiu, logo ao início de sua gestão, os indigenistas empossados em cargos de confiança por Jurandy M. da Fonseca.Em seu curto mandato, reuniu contra si os funcionários demitidos que tinham influência sobre algumas lideranças indígenas e sua atitude de não negociar sob pressão com os índios levou-o a ser demitido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Gerson da Silva Alves'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a set. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assumiu interinamente a presidência da FUNAI e, em meados de maio, foi empossado oficialmente no cargo, apoiado pelos Xavante e pelo deputado Mario Juruna em meio à “enchente indígena” em Brasília.Sargento reformado do exército, contador, trabalhava na FUNAI havia 14 anos, em funções burocráticas. Como delegado regional do órgão em Campo Grande e Cuiabá, e diretor do DGO, na sede, em Brasília, acumulou relações de clientela com os Xavantes, que contribuíram para sua indicação ao cargo, em meio à crise sucessória que marcou o período.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ayrton Carneiro de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Aquele que foi sem nunca ter sido. Ex-diretor do INCRA, foi indicado para presidir interinamente a FUNAI pelo Ministro Costa Couto, mas impedido de tomar posse por um conjunto de índios e funcionários que fizeram uma barreira na entrada do prédio.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Nelson Marabuto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1984 a abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Policial de carreira, antes de assumir a presidência da FUNAI havia sido chefe da assessoria de segurança e informação do órgão e também o superintendente da Polícia Federal em São Paulo.Permaneceu no cargo durante o período de transição do governo Figueiredo para o governo Sarney, prolongado pela agonia de Tancredo Neves, no qual houve uma intensa disputa pelo cargo entre varias facções do indigenismo, cada qual mobilizando índios em Brasília.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Jurandy Marcos da Fonseca'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, foi chefe de gabinete da FUNAI nas gestões Bandeira Mello e Ismarth Araújo de Oliveira. O “release” de sua posse informava que havia nascido numa aldeia indígena e que seu pai participara da Comissão Rondon e trabalhara no SPI.Na sua gestão, inaugura a nomeação de índios para cargos de chefia na Funai: Marcos Terena para chefe de gabinete e Megaron (Kayapó) para diretor do Parque do Xingu. Readmitiu muitos dos indigenistas e antropólogos, excluídos por Nobre da Veiga, alguns deles como seus assessores diretos e em cargos de direção.Em julho de 84, demite o sertanista Álvaro Villas Boas, delegado da 12a. DR, causando grande tumulto entre os índios do interior de São Paulo e Paraná, que exigiam sua readmissão invadindo e ocupando por duas semanas a delegacia de Bauru, com grande repercussão na imprensa. Vários artigos em jornais comentavam que era o fim da velha política indigenistas, que começava uma nova mentalidade, uma maneira nova de agir e tratar os problemas indígenas e, principalmente, que se percebia que os índios já não eram mais os mesmos, o que exigia formas diferentes de relacionamento com eles. Era o “sopro de esperança na FUNAI”.Jurandy foi demitido em setembro de 1984. Declarou: ”fui demitido porque não assinei a portaria para regulamentar o decreto 88.985” (autorizando a mineração em terras indígenas). Saiu como herói – mas, uma semana depois, foi acusado pelo Procurador Geral da FUNAI, Irineu de Oliveira, de ter beneficiado 85 fazendeiros no Mato Grosso do Sul, com contratos de arrendamento das terras dos Kadiweu, e embolsado os Cr$ 150 milhões referentes aos contratos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otávio Ferreira Lima'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1983 a abr. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista funcionário do MInistério do Interior, logo que assumiu a presidência da FUNAI convocou as Polícias Militar e Federal para impedir o acesso de lideranças indígenas ao seu gabinete, e suspendeu as entrevistas à imprensa. Demitiu quatro coronéis em cargos de direção (entre eles, o Cel. Hausen).Na sua gestão, foi promulgado o polêmico decreto 88.985, de novembro de 1983, autorizando a entrada de empresas de mineração em terras indígenas.Em dezembro do mesmo ano, assinou um convênio (No. 028/83) com o SIL (Summer Institute of Linguistics), para um período de dois anos, sujeito a prorrogação.Durante uma crise na parte norte do Parque do Xingu - quando os Txucarramãe interditaram a BR-080 e fizerem alguns funcionários como reféns para obtenção de uma faixa de terra adicional -, Ferreira é demitido pelo seu desempenho desastroso como negociador.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Paulo Moreira Leal'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 1981 a jul. de 1983]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da Aeronáutica, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional (CSN). Assumiu a presidência da FUNAI falando em reestruturação administrativa; solicitou ao Ministério do Interior a contratação de 4 mil novos funcionários e afirmou que sua grande aspiração era ver o maior número possível de índios ocupando cargos de direção da Fundação.Demitiu alguns militares assessores do órgão sob pressão dos Xavantes.Assinou um convênio com o Projeto Rondon, para atendimento nas áreas de saúde educação e com a Petrobrás, estabelecendo normas gerais a serem observadas nos trabalhos de pesquisa e lavra mineral em terras indígenas.Encomendou estudos a funcionários do órgão, visando emancipação dos Guarani (da região sul do País) e Tembé (PA/ MA), com base em “critérios de indianidade”.No final de sua gestão, um decreto interministerial (No. 88.118, de 23.02.83) criou o chamado “Grupão”, para a regularização das terras indígenas, retirando tal atribuição do âmbito decisório da FUNAI e alçando-a formalmente ao nível ministerial e do CSN.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Carlos Nobre da Veiga'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1979 a out. de 1981]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da reserva, assume o cargo falando em “disciplina” e demitindo 39 indigenistas e antropólogos, porque haviam encaminhado carta ao Ministro do Interior com criticas à política da FUNAI. Incrementa o projeto de emancipação compulsória, criando os famosos “critérios de indianidade” e declarando que “o índio estará emancipado em cinco gerações”; mas recua e não encaminha o processo ao Ministério do Interior (MINTER).Reestrutura a FUNAI para fortalecer as unidades regionais. Numa reunião da SUDAM, afirma que ”há reservas demais”. A 15/12/1980, sai uma Portaria Interministerial (MINTER/ Min. das Minas e Energia) facilitando a exploração mineral em terras indígenas por empresas estatais. Com base no parecer do Conselho Indigenista da FUNAI, o Ministro do Interior, Mario Andreazza, proíbe Mário Juruna, liderança indígena do povo Xavante, de participar do Tribunal Russel, na Holanda.Juruna lidera 40 índios que, na sede da FUNAI em Brasília, exigem a demissão do Presidente da FUNAI e mais dois coronéis da direção: Ivan Zanoni Hausen (DGPC) e Jose Rodriges Godinho (DGO).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Adhemar Ribeiro da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a nov. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Engenheiro de profissão, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), na sua curta gestão extinguiu a COAMA (Coordenação da Amazônia) e concedeu alvarás de pesquisa mineral na AI Waimiri-Atroari (AM).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ismarth Araújo de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1974 a mar. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, antes de ser nomeado presidente havia sido superintendente da FUNAI. Na sua posse, o Ministro do Interior, Rangel Reis, anunciou “a política de integração em ritmo acelerado”, o que viria a desembocar no projeto de emancipação dos índios, contra o qual ele se opôs publicamente. Mas incrementa os chamados “projetos de desenvolvimento comunitário”, dentro de uma política de “espíritos desarmados” com antropólogos, indigenistas e missionários. Na sua gestão, aumentam substancialmente as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Oscar Jeronymo Bandeira de Mello'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 1970 a mar. de 1974]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, ex-chefe da Divisão de Segurança e informação da FUNAI e ex-agente do SNI, participou do inquérito que extinguiu o SPI. Na sua gestão, consolidou-se a política da FUNAI atrelada ao binômio “segurança e desenvolvimento”, que marcou o período mais duro do regime autoritário - o governo Médici. Seu lema era: “Integrar os índios rapidamente”, sobretudo para que não obstaculizassem a ocupação e colonização da Amazônia, em consonância com o Ministro do Interior, Costa Cavalcante, que anunciou o “boi como grande bandeirante da década”. No bojo do Plano de Integração Nacional, lançado em 1970, estabeleceu um convenio com a SUDAM “para pacificar 30 grupos arredios” ao longo da Transamazônica. Participou de um churrasco com fazendeiros na abertura da BR-080, rodovia que cortou o norte do Parque do Xingu e excluiu boa parte do território dos índios Txukarramãe (sub-grupo Kayapó).Durante sua gestão, foi promulgado o Estatuto do Índio, aprovado pelo Congresso Nacional, e criada, na FUNAI, a Divisão de Desenvolvimento Comunitário (subordinada à Coordenação de Programas de Desenvolvimento de Comunidades, do Ministério do Interior). Relacionada a essa divisão desenvolvimentista e integracionista das populações indígenas, reintroduziu a chamada “renda indígena”, conceito chave para viabilizar o projeto de “emancipação econômica” dos grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''José de Queiroz Campos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[dez. de 1967 a jun. de 1970]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coordenou a implantação do órgão, tendo que se defrontar – juntamente com o Ministro do Interior, Gal. Albuquerque Lima – com a avalanche de denúncias de genocídio contra o governo no exterior, sobretudo a partir da divulgação do Relatório Jader Figueiredo (março de 1968), que trazia os resultados de uma devassa no SPI (Serviço de Proteção aos Índios, órgão governamental antecessor à FUNAI).Na sua gestão, foram ampliada a área do Parque do Xingu e criados outros três parques indígenas. Criou a GRIN, Guarda Rural Indígena, transformando índios em policiais nas suas próprias aldeias. Assinou convênio com o SIL (Summer Institute of Linguistics) em 1969 e, no mesmo ano, realizou o 1o. Simpósio FUNAI - Missões Religiosas.Jornalista de profissão, escreveu livros a respeito de fatos ocorridos na sua gestão (como a famosa expedição do Pe. Calleri, chacinada durante as tentativas de contatar os Waimiri–Atroari, no Amazonas), mas que nunca chegou a publicar, por recomendação dos órgãos de segurança.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ações ministeriais==&lt;br /&gt;
O início da década de 1990 marcou decididamente uma mudança radical na [[Órgão Indigenista Oficial | política indigenista oficial brasileira]]: até então, todas as ações relativas aos povos indígenas estavam sob a gestão exclusiva do Ministério da Justiça, via a [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio]]. A partir de 4 decretos presidenciais promulgados no ano de 1991 - conforme tabela abaixo -  a maioria das ações da Funai foi absorvida total ou parcialmente por outros ministérios e órgãos federais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Decreto | Data&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Objeto do decreto&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;No 23 - 4/02/1991 (saúde)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as condições para a prestação de assistência à '''saúde das populações indígenas: '''Art. 5º '''A Fundação Serviços de Saúde Pública - FSESP''', enquanto não for instituída a Fundação Nacional de Saúde, de que trata o artigo 11 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, encarregar-se-á da coordenação dos projetos, tanto na fase de elaboração, quanto na de execução. &amp;lt;br/&amp;gt;OBS. Em 16 de abril de 1991, o Decreto Presidencial nº 100 instituiu a '''Fundação Nacional de Saúde (FNS)''' que incorporou a Fundação Serviços de Saúde Pública e, por seu turno, o atendimento à saúde das populações indígenas.   &lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 24 – 4/02/1991 (meio ambiente)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as ações visando à proteção do '''meio ambiente em terras indígenas'''.  Art. 4º A coordenação dos projetos mencionados no art 2º caberá à Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, e sua elaboração e execução serão realizadas pelo '''Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis''' e pelo órgão federal de assistência ao índio&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 25 – 4/02/1991 (auto-sutentação econômica)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre programas e projetos para assegurar '''a auto-sustentação dos povos indígenas'''. Art. 5º Compete ao '''Ministério da Agricultura e Reforma Agrária''', por intermédio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRAPA, e ao '''Ministério da Justiça''', por intermédio do órgão federal de assistência ao índio, a coordenação das ações decorrentes deste Decreto&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 26 – 4/02/1991 (educação)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre a '''Educação Indígena no Brasil.''' Art. 1º Fica atribuída ao '''Ministério da Educação''' a competência para coordenar as ações referentes à Educação Indígena, em todos os níveis e modalidades de ensino, ouvida a FUNAI&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais medidas de cunho legal, retirando da Funai grande parte de suas principais atribuições, produziram uma situação na qual as políticas públicas para os povos indígenas  até os dias de hoje vêm sendo conduzidas e executadas de maneira: a) fragmentada: já que pulverizadas em diversos órgãos de distintos ministérios federais e, portanto, sem a falta de uma coordenação geral; b) sobreposta: pois mesmo com essa pulverização, a Funai continua tanto a executar parte de algumas das ações previstas para outros ministérios ([[A educação escolar indígena no Brasil | educação indígena]] e atividades econômicas), como , em muitos casos, a não cumprir com suas atribuições de suporte e parceria junto aos mesmos ministérios, exigidas em todos os decretos citados;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer desse período – 1991 aos dias atuais -, foram diversas as ações desencadeadas pelos diversos ministérios que passaram a cuidar da política indigenista oficial, para além daquelas que continuaram a ser promovidas pela Fundação Nacional do Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma descrição mais pormenorizada sobre os tema da saúde (Ministério da Saúde) e da educação (Ministério da Educação), ver as subseções específicas que compõem este site.  &lt;br /&gt;
Quanto às ações desencadeadas pelos demais ministérios, não há espaço aqui para apresentá-las em sua totalidade e com o nível de detalhamento requerido. Assim, apresentamos abaixo apenas algumas destas iniciativas ministeriais para que se possa ter uma idéia geral do atual quadro da política indigenista oficial atual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ministérios&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ações&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Meio Ambiente (MMA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI)&lt;br /&gt;
* Gestão Ambiental em Terras Indígenas&lt;br /&gt;
* Conservação e Recuperação da Biodiversidade em T.I.s&lt;br /&gt;
* Ação de fomento à Gestão Ambiental em T.I.s&lt;br /&gt;
* Fortalecimento social e econômico via Coordenadoria do Agroextrativismo  &lt;br /&gt;
* “Carteira Indígena”: Segurança Alimentar associada à Recuperação de Degradação Ambiental&lt;br /&gt;
* PNGATI - Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ATER Indígena: Valorização da Agroecologia&lt;br /&gt;
* PRONAF: financiamento de projetos de capacitação de lideranças indígenas comunitárias; de etnodesenvolvimento etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Social  (MDS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Doação de recursos financeiros para o projeto “Carteira Indígena”, sob gestão do MMA&lt;br /&gt;
* Bolsa-Família para os povos indígenas&lt;br /&gt;
* “Fome Zero Indígena” &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Cultura (MinC)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Prêmio Culturas Indígenas&lt;br /&gt;
* Pontos de Cultura para povos indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Saúde (MS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada em outubro de 2010.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Veja também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências externas ==&lt;br /&gt;
===Sites===&lt;br /&gt;
====Funai====&lt;br /&gt;
* Página oficial da Funai- &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Blog da FUNAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Técnica Local Nova Xavantina - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Madeira - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://crmadeira.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://crmadeira.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Litoral Sul - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional do Sul da Bahia - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Macéio - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Fortaleza - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Cacoal - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaiceara.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaiceara.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura=24&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura;=24&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  MEC. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=290&amp;amp;amp;Itemid=815&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view;=article&amp;amp;amp;id;=290&amp;amp;amp;Itemid;=815&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (MN/UFRJ) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Centro de Trabalho Indigenista - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====Ministérios====&lt;br /&gt;
* Ministério do Meio Ambiente - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mds.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mds.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Agrário - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Cultura - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Saúde - SESAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Bibliografia===&lt;br /&gt;
* ARRUTI, José Maurício. 2006. “Etnogêneses Indígenas”. In: RICARDO, Beto; RICARDO, Fany (Editores). Povos Indígenas no Brasil: 2001-2005. São Paulo: Instituto Socioambiental.  &lt;br /&gt;
* CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (Org.). 1987. Os Direitos do Índio: ensaios e documentos. São Paulo: Editora Brasiliense. &lt;br /&gt;
* * __________. 1992. Legislação Indigenista no século XIX: uma compilação, 1808-1889. São Paulo: Edusp; CPI-SP.&lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, João Pacheco (Org.). 1998. Indigenismo e Territorialização: poderes, rotinas e saberes coloniais no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Contra Capa. &lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, João Pacheco &amp;amp;amp; Rocha Freire, Carlos Augusto da. 2006. A Presença Indígena na Formação do Brasil. Brasília: SECAD/MEC; UNESCO; LACED/UFRJ. Disponível online: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* RIBEIRO, Darcy. 1979 [1977]. Os Índios e a Civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno. Petrópolis: Vozes. &lt;br /&gt;
* SANTILLI, Juliana. 2000. “Biodiversidade e Conhecimentos Tradicionais: formas jurídicas de proteção”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 95-98. &lt;br /&gt;
* SANTILLI, Márcio. 1991. “Os direitos indígenas na Constituição brasileira”. In: Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI. Pp: 11-14.&lt;br /&gt;
* __________. 1996. “O Estatuto das Sociedades Indígenas”. In: RICARDO, Beto (Editor). Povos Indígenas no Brasil: 1991-1995. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp.: 2-5. &lt;br /&gt;
* __________. 2000. “Estatuto da Alforria”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 93-94. &lt;br /&gt;
* Equipe de Redação do Aconteceu CEDI. 1991. “Campanha difamatória procura implodir direitos indígenas na Constituição” .In: Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI. Pp: 48-50. &lt;br /&gt;
* __________. 2000. “Propostas para uma Nova Política Indigenista”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 118-121. &lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de. 1987. &amp;quot;Sobre indigenismo, autoritarismo e nacionalidade: considerações sobre a constituição do discurso e da prática da proteção fraternal no Brasil&amp;quot;. In: Oliveira, J. P. (Org.). Sociedades indígenas e indigenismo no Brasil . 1a ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: UFRJ/Marco Zero. Pp: 149-214. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
* __________. 1989. &amp;quot;Os museus de história natural e a construção do indigenismo no Brasil: notas para uma sociologia das relações entre campo intelectual e campo político no Brasil&amp;quot;. Comunicações do PPGAS , v. 13. Pp: 1-85. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
* __________. 1991. &amp;quot;O Santo Soldado&amp;quot;. Comunicações do PPGAS , v. 21, p. 1-80. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* __________. 1992. “O governo dos índios sob a gestão do SPI”. In: CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras: SMC/SP: FAPESP. Pp: 155-172.&lt;br /&gt;
* __________. 1995. Um grande cerco de paz: poder tutelar, indianidade e formação do Estado no Brasil. Petrópolis: Vozes. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* __________. 2001. “Fundação Nacional do Índio (FUNAI)”. In: A breu, Alzira Alves de (coord.). Dicionário histórico-biográfico brasileiro: pós-30. Rio de Janeiro: FGV. Pp: 2426-2432.&lt;br /&gt;
* __________. 2002. &amp;quot;Diversidade Cultural e Política Indigenista&amp;quot;. Tellus (UCDB), Campo Grande - MT, v. 3. Pp: 11-31. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antônio Carlos de; BARROSO-HOFFMANN, Maria (Orgs.). 2002. Etnodesenvolvimento e políticas públicas: bases para uma nova política indigenista. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
* __________. (Orgs.). 2002b. Estado e povos indígenas: bases para uma nova política indigenista II. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
* __________. (Orgs). 2002c. Além da Tutela: bases para uma nova política indigenista III. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED.  &lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de; BARROSO-HOFFMAN, M.; IGLESIAS, Marcelo M. P.; GARNELO, Luiza; PACHECO DE OLIVEIRA, J. 2004. “A administração pública e os povos indígenas”. In: INESC. (Org.). A era FHC e o Governo Lula: transição? . 1 ed. Brasília: Instituto de Estudos Socioeconômicos. Pp: 293-326. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{DISPLAYTITLE:Órgão Indigenista Oficial}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
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		<author><name>Vic</name></author>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%C3%93rg%C3%A3o_Indigenista_Oficial&amp;diff=6588</id>
		<title>Órgão Indigenista Oficial</title>
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		<updated>2019-02-04T18:21:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Galeria dos presidentes da Funai */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Órgão indigenista oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2010 o indigenismo oficial no Brasil completou cem anos. Apesar da longa e dramática história da colônia e do império, apenas em 1910, vinte anos após a promulgação da República, foram criados mecanismos jurídicos e administrativos específicos, em âmbito federal, para conduzir as relações junto aos [[Quem são | povos indígenas]]. Antes disso, como destacou a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha (1992), houve um verdadeiro ‘vazio legislativo’. Os índios sequer foram mencionados nas Constituições de 1824 e 1889. A ausência, entretanto, tinha justificativas: cada província poderia legislar e atuar livremente para promover a “catequese e civilização dos índios”, o que acabou por trazer trágicas consequências para os mais diversos povos. As políticas iniciadas em 1910 abriram um novo período, a partir do qual a União passou a se responsabilizar e a se envolver diretamente com a questão indígena, retirando das províncias e líderes locais suas prerrogativas anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano do centenário diversos novos desafios se apresentam ao indigenismo de Estado. Um novo [[Estatuto do Índio | Estatuto dos Povos Indígenas]], que pretende substituir o de 1973, aguarda votação no Congresso. Em dezembro de 2009, o governo iniciou um amplo projeto de reestruturação da [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio (Funai)]], que promete modernizar, aparelhar e aproximar dos índios o atual órgão indigenista oficial, tido por muitos como um dos mais sucateados e ineficazes da Nação. Neste contexto, apresentamos aqui um breve panorama destes cem anos, com o objetivo de situar e refletir sobre o momento atual. O foco é observar o processo, seus avanços e impasses, de modo a que as tragédias do passado não continuem a se repetir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Fundação Nacional do Índio (Funai)==&lt;br /&gt;
Desde 1967, a Fundação Nacional do Índio (Funai) é o órgão indigenista oficial responsável pela promoção e proteção aos direitos dos povos indígenas de todo o território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A criação da Funai no contexto da ditadura militar===&lt;br /&gt;
Embora projetada pelos intelectuais do CNPI para superar os antigos impasses do [[Serviço de Proteção aos Índios (SPI)]], a Funai acabou por reproduzi-los. Sua criação foi inserida no plano mais abrangente da ditadura militar (1964-1985), que pretendia reformar a estrutura administrativa do Estado e promover a expansão político-econômica para o interior do País, sobretudo para a região amazônica. As [[O que é política indigenista | políticas indigenistas]] foram integralmente subordinadas aos planos de defesa nacional, construção de estradas e hidrelétricas, expansão de fazendas e extração de minérios. Sua atuação foi mantida em plena afinidade com os aparelhos responsáveis por implementar essas políticas: Conselho de Segurança Nacional (CSN), Plano de Integração Nacional (PIN), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ação da Funai durante a ditadura foi fortemente marcada pela perspectiva assimilacionista. O Estatuto do Índio (Lei nº 6.001) aprovado em 1973, e ainda vigente, reafirmou as premissas de integração que permearam a história do SPI. Por um lado, pretendia-se agregar os índios em torno de pontos de atração, como batalhões de fronteira, aeroportos, colônias, postos indígenas e [[Igrejas e Missões religiosas | missões religiosas]]. Por outro, o foco era isolá-los e afastá-los das áreas de interesse estratégico. Para realizar este projeto, os militares aprofundaram o monopólio tutelar: centralizaram os projetos de assistência, [[Saúde Indígena | saúde]], [[A educação escolar indígena no Brasil | educação]], alimentação e habitação; cooptaram lideranças e facções indígenas para obter consentimento; e limitaram o acesso de pesquisadores, organizações de apoio e setores da Igreja às áreas indígenas (M. Santilli, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A estrutura do órgão===&lt;br /&gt;
O órgão foi concebido em bases semelhantes às do SPI. Até 1991 se manteve vinculado ao extinto Ministério do Interior, que sempre exerceu grande ingerência sobre suas ações. Os presidentes nomeados entre as décadas de 1970 e 1980 eram, em grande maioria, militares ou políticos de carreira pouco ou nada comprometidos, e até mesmo contrários aos interesses indígenas. A administração foi centralizada em Brasília. Os postos indígenas foram mantidos e as inspetorias transformadas em delegacias regionais. Outras instâncias – ajudâncias, superintendências, administrações executivas, núcleos locais de apoio – foram criadas e extintas ao longo do tempo. A despeito destas modificações, a Funai se estruturou aos moldes do SPI, de modo mais ou menos centralizado, com grande rigidez burocrática, em três níveis espaciais: nacional, regional e local (Souza Lima, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das irregularidades que levaram à extinção do SPI, seu quadro funcional foi transferido para a Funai. Com recursos escassos e mal contabilizados, a Funai continuou a operar, assim como o SPI, com profissionais pouco qualificados. Não se concretizou a proposta de se realizar planejamentos antropologicamente orientados, conduzidos por profissionais de formação sólida, bem pagos e comprometidos com o futuro dos povos indígenas. O órgão foi permeado, em todos os níveis, por redes de relações pessoais, clientelistas e corporativas, que remetem ao paternalismo e ao voluntarismo que dominaram o velho SPI. A criação da Funai foi marcada pela ineficiência, desinteresse e dificuldade de operação, o que levou o órgão a limitar sua intervenção a favor dos índios a situações altamente críticas, conflituosas e emergenciais, consequentes dos planos de colonização e exploração econômica que chegavam aos extremos do país (Oliveira, 2006; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A emergência da questão indígena no cenário nacional===&lt;br /&gt;
Neste contexto desfavorável, a questão indígena começou a emergir no cenário político nacional. A maior parte das organizações de apoio aos índios se estruturou na década de 1970. Entre elas destaca-se: as comissões pró-índio (CPIs), as associações nacionais de apoio ao índio (ANAIs), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI). Estas duas últimas se juntaram para fundar o atual &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Instituto Socioambiental (ISA)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Criadas por intelectuais e clérigos envolvidos com a questão indígena, estas entidades passaram a realizar importantes trabalhos como: o questionamento fundamentado às políticas oficiais, a interlocução entre índios e Funai, bem como a formulação de alternativas concretas para o indigenismo brasileiro (M. Santilli, 1991; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1980, diversas manifestações indígenas passaram a ganhar visibilidade nacional. Também neste período começaram a se estruturar suas primeiras organizações formais de base comunitária ou regional. Em âmbito nacional foi criada a União das Nações Indígenas (UNI), que já não existe mais. [[Organizações indígenas | Conheça as organizações indígenas]] compiladas pelo ISA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os povos indígenas e o marco jurídico atual===&lt;br /&gt;
Com as mobilizações indígenas e das organizações de apoio, a [[Constituição | Constituição de 1988]] acabou por conferir um tratamento inédito aos povos indígenas. Pela primeira vez foi reconhecido seu [[Constituição | direito à diferença (Art. 231)]], rompendo com a tradição assimilacionista que prevaleceu até então. Foi garantido o [[Constituição | usufruto exclusivo de seus territórios]] tradicionalmente ocupados, definidos a partir de seus usos, costumes e tradições (Art. 231). A União foi instituída definitivamente como instância privilegiada das relações entre os índios e a sociedade nacional. Através do artigo 232, os indígenas e suas organizações foram reconhecidos como partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos, o que incentivou a expansão e a consolidação de suas associações. Para isso, foram definidos canais diretos de comunicação entre os índios, o Ministério Público e o Congresso Nacional. Com estas medidas, o conceito de “capacidade relativa dos silvícolas” (Código Civil, 1917), e a consequente necessidade do “poder de tutela” perderam validade e atualidade. Estas vitórias constitucionais precisariam, entretanto, ser regulamentadas e consolidadas politicamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1991, uma Comissão Especial foi instaurada para rever o [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (1973)]] a partir do enfoque inovador da Carta de 1988. Foram abordados temas como: a situação jurídica dos índios e as responsabilidades assistenciais da Funai; os direitos de autoria e a propriedade intelectual; a proteção ambiental e a regulamentação do uso e exploração de recursos naturais; os procedimentos de demarcação de terras indígenas. A tramitação do projeto, entretanto, foi paralisada em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A descentralização do indigenismo oficial===&lt;br /&gt;
No início da década de 1990, houve amplos debates acerca do papel do órgão indigenista oficial a partir do novo marco jurídico. O Ministério do Interior foi extinto e a Funai  foi transferida ao Ministério da Justiça. Blocos parlamentares anti-indígenas propunham fechá-la, sem substituí-la por nada novo, o que provocaria um grande vazio administrativo. Mobilizações indígenas e organizações de apoio defendiam que a reestruturação do órgão fosse feita concomitantemente à aprovação do texto do Estatuto. Em 1991, o governo Collor realizou, por meio de decretos, uma ampla reforma das atribuições da Funai. As responsabilidades sobre saúde, educação, desenvolvimento rural e meio ambiente foram descentralizadas, e passaram a ser exercidas pelos Ministérios da Saúde, Educação, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente. As ações extra-Funai decretadas por Collor tomaram rumos distintos e impactaram de modos diferenciados os povos indígenas do Brasil. Durante os anos FHC estas políticas passaram a adquirir contornos administrativos mais precisos. Algumas ONGs e associações indígenas passaram a participar ativamente do processo de implementação das políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os decretos de 1991, a Funai, esvaziada em suas atribuições, passou a se concentrar nas políticas de regularização fundiária. Em 1996, o governo FHC modificou as regras para a [[O que são Terras Indígenas? | demarcação de Terras Indígenas]] visando destacar a necessidade da participação indígena e o direito a contestação das partes afetadas (Decreto 1775/96, Portaria 14/96).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desenvolvimento dos projetos participativos===&lt;br /&gt;
Também em 1996 passou a operar o Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL), resultado da parceria entre a Funai e o Programa Piloto para a Conservação das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7. Embora direcionado à demarcação de terras, o PPTAL se propôs a criar alternativas concretas e de longo prazo ao modelo tutelar. Sua proposta se baseou no estímulo ao controle social e à atuação indígena qualificada na estrutura da Funai e do Estado de modo mais abrangente. Em seu âmbito, a partir da experiência dos [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]] do Amapá, foi criado o modelo de “demarcação participativa”, que tem como premissa básica a parceria e a co-responsabilidade dos povos indígenas na formulação das políticas que lhes afetam diretamente. Neste modelo, a própria demarcação é tomada como apenas uma das etapa do processo mais abrangente de gestão sustentável das Terras Indígenas. Trata-se de uma proposta baseada no diálogo intercultural, que apenas se realiza enquanto política pública com o pleno envolvimento e concordância dos povos interessados (Mendes, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A experiência inovadora do PPTAL estimulou a criação em 2001 do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI), desenvolvido no âmbito do Ministério do Meio Ambiente em parceria com o PP-G7. Este projeto é voltado ao financiamento de iniciativas de valorização cultural e desenvolvimento sustentável elaborados e geridos pelas populações indígenas e seus parceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A Funai e as novas demandas por reconhecimento indígena===&lt;br /&gt;
Em 2002, a ratificação pelo governo brasileiro da [[Convenção OIT sobre Povos Indígenas e Tribais em países independentes nº. 169 | Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre “Sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes” (1989)]] aprofundou a sustentação jurídica às demandas de povos antes tomados por aculturados e integrados, que atualmente reivindicam, em diversas regiões do Brasil, seus direitos indígenas diferenciados. Cada vez mais numerosas, estas reivindicações trazem novos desafios à atuação da Funai, responsável pela demarcação das Terras Indígenas no país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A valorização dos conhecimentos tradicionais===&lt;br /&gt;
Na virada do milênio, [[Conhecimentos tradicionais: &amp;quot;Novos rumos e alternativas de proteção&amp;quot; | os conhecimentos indígenas e tradicionais]] passaram a ganhar destaque na agenda nacional e internacional. As discussões se concentram na criação e aprimoramento de mecanismos legais que impeçam que estas populações sejam expropriadas de seu rico patrimônio intelectual, produzido ao longo de gerações. O problema é evidente no caso dos conhecimentos associados à biodiversidade que têm sido alvo de inúmeros casos de biopirataria. Embora acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Biológica e a Agenda 21, criadas no contexto da Eco-92, tenham destacado a urgência do problema, apenas em 2002 o Brasil iniciou, através de decreto presidencial (nº 4.339, de 22 de agosto de 2002), uma política nacional de biodiversidade, que, entretanto, precisa ser aprimorada em diversos aspectos (J. Santilli, 2000, 2002).  Também neste âmbito e neste período, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vinculado ao Ministério da Cultura, passou a realizar ações de proteção, valorização e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial de povos indígenas e tradicionais. Estas ações decorrem do esforço de regulamentação da Constituição de 88, que em seus artigos 215 e 216 formaliza o valor imaterial dos bens culturais. No ano 2000 o decreto 3.551 instituiu os mecanismos oficiais de valorização e proteção do patrimônio cultural no Brasil. Estes instrumentos, entretanto, se encontram em fase inicial de consolidação e são alvo de pesquisas e debates entre especialistas. Até mesmo no campo internacional as propostas neste sentido são recentes. Data de 2003 a Convenção da UNESCO para a “Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desafio da consolidação do paradigma participativo===&lt;br /&gt;
Desde a Constituição de 1988 o indigenismo oficial passou por diversas e significativas mudanças, voltadas, de modo geral, ao reconhecimento e à valorização da diferença cultural. As políticas públicas direcionadas aos povos indígenas têm se tornado cada vez mais descentralizadas e realizadas no âmbito de diversos ministérios que atuam em parceria com agências de cooperação internacional e organizações não-governamentais. A premissa elementar do conjunto das ações é o estímulo à participação e à co-responsabilidade indígena na gestão das políticas destinadas a eles. Entretanto, o sucesso destas políticas depende de sua plena consolidação jurídica e institucional em todos níveis, do local ao governo central. Afinal, o poder tutelar, o assistencialismo e o assimilacionismo ainda são uma realidade fortemente enraizada em diversas práticas do relacionamento entre o Estado e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à consolidação jurídica deste novo momento, é notável que o Estatuto do Índio de 1973, de bases integracionistas, ainda esteja vigente. Entre 1991 e 1994, foi apresentada uma proposta de substituição ao texto que jamais foi votada pelo congresso. Em março de 2006, o governo federal criou a Comissão Nacional de Política Indígenista (CNPI). Em sua agenda, foi estabelecida a prioridade da atualização do Estatuto, com vistas a apresentar uma regulamentação integrada dos diversos temas da agenda dos povos indígenas: o patrimônio e os conhecimentos tradicionais, a proteção e a gestão territorial e ambiental, as atividades sustentáveis e o uso de recursos renováveis, o aproveitamento de recursos minerais e hídricos, a assistência social, a educação escolar e o atendimento à saúde diferenciados. Em julho de 2009, a proposta - construída com a participação de representantes indígenas – foi apresentada ao Congresso Nacional e aguarda votação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto, o atual CNPI e a Funai tem a tarefa de articular e integrar o conjunto das ações estatais de defesa dos direitos indígenas, com vistas a promover o paradigma participativo e superar definitivamente seu papel tutelar. Com este objetivo, o órgão indigenista oficial têm realizado esforços para atualizar suas práticas e modos de funcionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Reestruturação da Funai===&lt;br /&gt;
Em fins de 2009, o governo Lula anunciou, por meio de decreto presidencial (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7056.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nº 7.056, 28/12&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), um amplo plano de reestruturação da Funai, que pretende oferecer maior capacidade de atuação onde vivem os povos indígenas. As Administrações Executivas Regionais (AERs) e Postos Indígenas (PIs) foram substituídos por Coordenações Técnicas Locais e Regionais, formadas por técnicos qualificados, que passarão a desenvolver ações participativas junto aos povos indígenas envolvidos. Nesta estrutura, está planejada a criação de Conselhos Consultivos, nos quais os indígenas e as organizações parceiras participam diretamente na formulação, implantação e gestão das políticas públicas a eles destinadas. Além disso, está prevista a criação de 3,1 mil cargos a serem preenchidos até 2012. Esta nova estrutura pretende, conforme sua direção, superar os impasses históricos do órgão indigenista oficial. Apreensivos, diversos povos se posicionaram contra as mudanças e reclamaram de falta de consulta prévia prevista na Convenção nº 169 da OIT.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria dos presidentes da Funai ==&lt;br /&gt;
A história do controvertido órgão indigenista oficial, a [[Órgão Indigenista Oficial | Funai (Fundação Nacional do Índio)]], pode ser contada através da sucessão de seus 41 presidentes ao longo de 51 anos, de 1967 a 2019.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Presidentes da Funai (1967-2018)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidentes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Quem é | O que fez&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan.2019 - atual]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O militar da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas retorna à Presidência da Funai após a exoneração de Wallace Moreira Bastos, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de janeiro de 2019. O novo presidente, na verdade, foi o antecessor de Wallace, entre maio de 2017 e abril de 2018. No período, aprovou os estudos da Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha (PE).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de pouco mais de 10 meses no cargo, Franklimberg foi exonerado e sua gestão não agradou a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O general, nomeado durante o governo Bolsonaro, foi formalmente reapresentado à Presidência no mesmo dia da saída de Wallace Moreira Bastos do cargo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Wallace Moreira Bastos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2018 - jan. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Wallace Moreira Bastos foi nomeado para exercer o cargo de Presidente da Funai no mesmo Diário Oficial da União, de 24 de abril, em que foi publicado o pedido de demissão de Franklinberg, que alegou estar sofrendo forte pressão dos ruralistas para deixar o cargo. No dia 16 de janeiro de 2019, foi publicado o pedido de exoneração de Wallace Moreira Bastos da presidência da Funai, após nove meses de ocupação no cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em nota da Funai, Wallace disse que conseguiu trazer para a Fundação mais 203 servidores concursados, que já estão atuando em todas as regiões do país. E que conseguiu, junto ao Governo Federal, que o orçamento da Funai passasse de R$ 109 milhões para R$ 175 milhões, o que permitirá ao órgão avançar ainda mais no que diz respeito às demandas das comunidades indígenas. Mas no período em que esteve na presidência da Funai não aprovou nenhum estudo de identificação de Terra Indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa indicação não foi vista com bons olhos no meio indígena e indigenista porque Wallace não tem, em seu currículo, nenhuma experiência relacionada aos povos indígenas. Foi sócio-proprietário e gestor, entre 2002 e 2008, das empresas Giraffas, Casa do Pão De Queijo, Montana Grill e Café Cancun e, antes, analista de Vendas da Ambev. Concursado na ANAC, é membro do Conselho de Administração da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) e antes da indicação para a Funai ocupava o cargo de subsecretário do Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil. É a terceira indicação do PSC para a Fundação em pouco mais de um ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 2017 - abr. 2018]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O general do exército Franklimberg Ribeiro de Freitas assumiu interinamente a presidência da Funai após a exoneração de Antônio Costa. Em julho de 2017, foi plenamente empossado. Franklimberg é militar da reserva, tendo ingressado nas Forças Armadas em 1976, e antes de ser nomeado para a Funai exercia o cargo de assessor de relações institucionais do CMA (Comando Militar da Amazônia), sediado em Manaus (AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assume a presidência da Funai poucos dias após um massacre realizado contra índios Gamela, no Maranhão e em meio à uma intensa crise política desencadeada por investigações de corrupção no governo Temer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua gestão não agradou à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), composta por 252 parlamentares, entre deputados e senadores, que esperavam ações que atendessem os interesses dos ruralistas. A FPA enviou um ofício ao presidente Temer com a assinatura de mais de 170 lideranças indígenas que não queriam a permanência de Franklimberg, e pediram sua demissão. Permaneceu no cargo por pouco mais de 10 meses.&lt;br /&gt;
Ele é o segundo presidente que o PSC indica (o anterior, Antonio Fernandes Toninho Costa, também fora indicação do partido) e é demitido por não atender interesses contrários aos direitos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franklimberg, antes de deixar o cargo, aprovou os estudos da TI Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Antonio Fernandes Toninho Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan. de 2017 a mai. de 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dentista e pastor evangélico de Luiziânia (GO), já atuou como assessor parlamentar. Interessante notar o contexto da decisão de sua nomeação como novo presidente da Funai. Segundo a reportagem da Globo News, o presidente da República, Michel Temer, em reunião com ministros sobre obras de infraestrutura, foi informado sobre impasses e conflitos com índios, que estariam impedindo a continuidade das obras, e que a Funai estava com um presidente interino. Ele então solicitou ao ministro da Justiça que resolvesse a questão – provavelmente com a expectativa de conseguir a aprovação da Funai para as obras paralisadas. Dentro da lógica de loteamento à base aliada, Temer aceitou a indicação do Partido Social Cristão (PSC), cujo presidente é o Pastor Everaldo e que é integrado por Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano. Costa já trabalhou com povos indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e na Missão Evangélica Caiuá – antiga missão que prestava assistência aos Guarani em Mato Grosso do Sul e hoje atua em diversos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (DSEIs) através de convênio com a Sesai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Agostinho do Nascimento Netto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 2016 a jan. 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assessor especial do Ministério da Justiça desde junho de 2016, desconhecido do movimento indígena e indigenista, foi nomeado Presidente substituto da Funai em setembro do mesmo ano. Durante sua curta gestão, ele aprovou a TI Pindoty/Araça-Mirim, no Vale do Ribeira (SP), no dia 29 de dezembro de 2016, com 1.030 hectares.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2016 a set. 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes assumiu a presidência dó órgão em substituição a João Pedro Gonçalves, exonerado pelo governo interino de Michel Temer. Artur Nobre Mendes já fora presidente da Funai entre 2002 e 2003 e no momento ocupava o cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. (Veja mais abaixo informações sobre o seu primeiro mandato)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2016, permaneceu no cargo de presidente substituto por aproximadamente 4 meses. Em sua curta interinidade, Artur publicou, em agosto de 2016, a identificação de três TIs Guarani no estado de São Paulo: Djaiko-aty com 1,216 ha, Ka'aguy Mirim com 1.190, e a Ambá Porã com 7.204 ha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi exonerado em Setembro, poucos dias após a Funai criticar a organização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 por terem afirmado, na apresentação da menina Igani Suruwaha, que a menina e a mãe tiveram que deixar a comunidade onde viviam para “evitar o infanticídio indígena”. Em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/3932-nota-jogos-paralimpicos&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota de repúdio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a Funai disse que a informação do Comitê Organizador dos Jogos promove “''ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil, referindo-se ao 'infanticídio ou homicídio, abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulneráveis e violência doméstica' como 'práticas tradicionais' indígenas. A Funai entende que tal posicionamento revela uma total incompreensão sobre a realidade indígena no país, refletindo uma visão preconceituosa e discriminatória sobre esses povos, suas culturas e seus modos de vida.''”&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Pedro Gonçalves da Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2015 a jun. de 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi deputado estadual, vereador e senador suplente do estado do Amazonas. Também trabalhou como superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária no Amazonas Assumiu a presidência da Funai no lugar de Flavio Chiarelli Vicenti de Azevedo, que foi presidente interino durante 8 meses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://acritica.uol.com.br/blogs/blog_do_sim_-_nao/funai_7_1375732414.html&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota d'A Crítica&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (14/06/15), sua indicação ''&amp;quot;foi uma costura de parlamentares petistas do Norte com o argumento de que o Governo Dilma precisa dar mais espaços a políticos da Amazônia assim como Lula fez quando pôs Marcus Barros no Ibama, e Marina Silva, no Ministério do Meio Ambiente.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu mandato coincidiu com os últimos meses antes de a Presidente Dilma Roussef ser afastada do cargo e nesse curto período buscaram reverter a paralisia de demarcações que até então marcara esse governo. Durante seu mandato foram aprovados pela Funai os estudos das terras: Cobra Grande (PA) dos povos Arapiuns, Jaraqui e Tapajó; Kaxuyana-Tunayana (AM/PA), dos Kaxuyana, Tunayana e outros; Jurubaxi-Téa (AM), dos Baré, Tukano, Baniwa e outros; Sawré/Muybu (PA), dos Munduruku; Sambaqui (PR), Pakurity (MS), Peguaoty (MS) e Cerco Grande (PR), dos Guarani Mbya; Ypoi-Triunfo (MS), dos Guarani Ñandeva; Dourados Amambaipeguá I, dos Kaiowáa e Ñandeva; e Mato Castelhano-FÁg TY KA (RS), dos Kaingang.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 2014 a jun. de 2015]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi chefe da Procuradoria Federal Especializada da Funai. Assumiu a Presidência interinamente, em substituição à também interina Maria Augusta Assirati.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu os 8 meses de sua gestão como presidente interino. Nesse período apesar das determinações do governo de paralisar o reconhecimento das Terras Indígenas (TIs) - conseguiu aprovar e publicar no DOU em janeiro de 2015, os estudos de identificação e delimitação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4056&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Riozinho&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, dos índios [[Povo:Ticuna | Ticuna]] e [[Povo:Kokama | Kokama]] com 362.495 hectares, nos municípios de Juruá e Jutai no Amazonas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criou três Grupos Tecnicos (GTs) para estudos de novas TIs: uma para os Ticuna, em Fonte Nova/Amazonas, outra em Paraty no Rio de Janeiro para os [[Povo:Guarani | Guarani]], e a pela primeira vez a Funai criou um GT para reconhecer uma TI no no Rio Grande do Norte, no município de Baía Formosa: a Sagi/Trabanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 2015, com a nomeação do novo presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, Flávio Chiarelli foi nomeado assessor especial do Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Segundo ele, o governo tem um olhar não-indígena para os povos tradicionais, 'achando que eles são os causadores de problemas. Quando, na verdade, a gente deveria parar para olhar o lado deles e enfrentar a real causa do problema&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Governo-nomeia-novo-presidente-da-Funai/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Greenpeace&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Jun/15&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Maria Augusta Boulitreau Assirati'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2013 a out. de 2014]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Advogada, dirigiu o Departamento de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai e assumiu a Presidência interinamente, com a exoneração de Marta Maria Azevedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo mantida em interinidade durante um ano e quatro meses, em um governo que primou pela paralisia das demarcações de Terras Indígenas, ela conseguiu aprovar e publicar três estudos de identificação das TIs: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3864&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 5.838 hectares, no Ceará; da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4142&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 2.686 hectares, no Paraná; e a ampliação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/5399&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Xakriabá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 43.357 em Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Augusta pediu demissão por conta de um curso de doutorado em Portugal, mas segundo o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://oglobo.globo.com/brasil/presidente-da-funai-deixa-cargo-em-meio-disputa-do-orgao-com-ministerio-da-justica-14050662#ixzz3ENbCfygi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;jornal O Globo, de 25 de setembro de 2014&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, alguns dos motivos principais seriam as divergências envolvendo a construção de hidrelétricas e a disputa enfrentada pela própria Funai, no interior do governo, para realizar sua tarefa primordial: a demarcação de terras indígenas. A interferência política do governo sobre a atuação da Funai foi apontada pela ex-presidente em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://apublica.org/2015/01/a-funai-esta-sendo-desvalorizada-e-sua-autonomia-totalmente-desconsiderada-diz-ex-presidente/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;entrevista na Agência Pública, de janeiro de 2015&amp;lt;/htmltag&amp;gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A orientação é no sentido de que nenhum processo de demarcação em nenhum estágio, delimitação, declaração, ou homologação, tramite sem a avaliação do Ministério da Justiça e da Casa Civil. Isso é, nada mais, nesse momento, “depende apenas da Funai”.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;APública, Jan/2015&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marta Maria Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2012 a jun. de 2013]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marta Maria do Amaral Azevedo é antropóloga, demógrafa, e autora de um dos primeiros trabalhos de pesquisa sobre demografia dos povos indígena. Nascida em São Paulo, formou-se em Ciências Sociais em 1978 pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1980 integrou o grupo de Educação Indígena da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) e atuou como colaboradora do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Também foi colaboradora do ISA, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo – onde ajudou a fundar o Grupo Mari de Educação Indígena – e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), no início da década de 1990. Participou da equipe de demógrafos que, em conjunto com o IBGE, Funai e especialistas de várias e diferentes instituições, aprimorou a coleta das informações sobre os povos indígenas para o censo brasileiro de 2010. Suas investigações envolvem temas como educação indígena, segurança alimentar e saúde das mulheres indígenas, os quais contam com o comprometimento de Marta em sua gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um ano e dois meses no cargo, Marta aprovou os estudos de identificação de 14 Terras Indígenas. Destacamos algumas: a TI Iguatemipeguá I com mais de 41 mil hectares, para os Kaiowá, localizada em região de intensos conflitos com fazendeiros, no Mato Grosso Sul; também aprovou os reestudos de duas terras guarani em S.Paulo, a Jaraguá (com 532 ha, na capital) e a Boa Vista do Sertão Pró-Mirim (no município de Ubatuba com 5.520 ha); seis terras mura tiveram seus estudos de identificação aprovados nos municípios de Borba, Autazes, Carreiro da Várzea, Manaquiri e Careiro, todos no estado do Amazonas, somando 72.631 ha. A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, exonerou, a pedido, Marta Maria do Amaral Azevedo da presidência da Funai em Junho de 2013.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Meira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. 2007 a abr. 2012]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Formado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com mestrado em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), o atual Presidente da Funai pesquisou os povos Warekena, da região do rio Xié, um dos afluentes do rio Negro, no Amazonas, no início dos anos 1990. É o autor da tese &amp;quot;No tempo dos Patrões&amp;quot;, sobre o regime de aviamento que ainda vigora nas relações entre extrativistas e comerciantes no interior da Amazônia. Sua atuação com os povos indígenas, porém, é anterior e data desde sua participação na luta pelos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. Foi também responsável pelo GT da Funai de identificação das Terras Indígenas do Médio Rio Negro, localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. Meira foi um dos interlocutores das organizações indígenas na equipe de transição do governo Lula, em 2002. Sua gestão foi responsável pelo processo de reestruturação da Funai, que renovou o quadro funcional (com 425 novas contratações) e a estrutura administrativa do órgão. Também foi resposável pela inauguração do Centro de Formação em Política Indigenista em Sobradinho/DF. Apesar de ter priorizado a participação do movimento indígena e de ter implantado a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), ao final da gestão Meira ocorreu um rompimento da bancada indigenista com a comissão, no qual entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a CNPI. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Mércio Pereira Gomes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. 2003 a março de 2007]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dirigiu o IPARJ (Instituto de Pesquisas Antropológicas do Rio de Janeiro) e participou da política carioca quando do governo de Leonel Brizola (1991-95), na condição de subsecretário de Cultura e Projetos Especiais. Foi também assessor de projetos especiais da cidade de Petrópolis. Depois de Roque Laraia e Artur Nobre Mendes, Mércio Gomes é o terceiro antropólogo a assumir a presidência da Funai. Foi professor de antropologia na Unicamp, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Macalestes (EUA) e na UFF (Universidade Federal Fluminense). Membro efetivo do Diretório Estadual do PPS, partido da base aliada do governo Lula, Mércio Gomes já era cotado para a presidência da Funai na campanha eleitoral de 2002 em um eventual governo Ciro Gomes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Eduardo Aguiar de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. de 2003 a ago. de 2003]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Primeiro presidente da Funai do governo Lula, Eduardo Aguiar de Almeida ficou apenas seis meses no cargo, tendo sido exonerado em 15 de agosto de 2003, por meio de portaria da Casa Civil. O ministro da justiça declarou-se insatisfeito com o seu trabalho à frente da Funai em mais de uma ocasião, em que observava a &amp;quot;falta de sintonia&amp;quot; de Almeida com os interesses do Ministério. Os rumores sobre a sua substituição começaram a circular há pelos menos 2 meses desde que ele assumiu a pasta. Em entrevista à imprensa, Almeida atribuiu sua demissão à forte pressões oriundas dos setores anti-indígenas da política nacional, citando diretamente os nomes dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Romero Jucá (PMDB-PR) e dos governadores Blairo Maggi (PPS-MT), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Almeida tomou posse oficialmente no cargo mais de um mês após o início da nova gestão do governo brasileiro, em 03/02/2003. É natural do Rio de Janeiro, jornalista e membro fundador da Sociedade Brasileira de Indigenistas (SBI). Já trabalhou na Funai como assessor da presidência entre janeiro e agosto de 2000. Desde janeiro de 2002, atuava como consultor do Ministério do Meio Ambiente. Em sua gestão, Almeida concentrou parte de seus esforços na preparação da Conferência Nacional de Política Indigenista, um dos ítens mais relevantes na pauta petista para a questão indígena – já expresso no documento de campanha de Lula à presidência, intitulado Compromisso com os Povos Indígenas – e cujo objetivo é o de criar uma instância de articulação entre os setores governamentais que têm responsabilidades para com as demandas indígenas, representantes dos índios e outros setores da sociedade civil. No âmbito das reivindicações territoriais, Almeida criou Grupos de Trabalho (Gts) para identificar 17 novas Terras Indígenas e reestudar os limites de outras dez. Uma decisão inovadora da gestão de Eduardo Aguiar de Almeida foi a determinação do critério da &amp;quot;auto-identificação&amp;quot; como instrumento fundamental para que se reconheça como indígenas os grupos que reivindiquem esta condição, adequando as ações do Estado brasileiro à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 2002 a jan. de 2003]''''''&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes foi o nono presidente do órgão indigenista em oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Na Funai desde 1983, Mendes sempre havia atuado na área fundiária. Foi chefe do Departamento de Identificação e Delimitação (Deid), coordenador de Projetos Especiais e coordenador técnico do Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal - o PPTAL, que, ligado ao Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicias do Brasil (PPG7), tem por objetivo demarcar 160 terras indígenas. No momento em que assumiu a presidência da casa, ocupava a diretoria do Departamento de Assuntos Fundiários (DAF), posto em que estava desde a gestão de Glênio da Costa Alvarez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artur Nobre Mendes foi formalmente apresentado no novo cargo em 31/07/2002, juntamente com a equipe recém-constituída por Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, o oitavo ministro da Justiça a assumir a pasta ao longo das duas gestões FHC. Mendes permaneceu à frente da Funai até janeiro de 2003, quando, já então no primeiro mês do governo de Luís Inácio Lula da Silva, pediu demissão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otacílio Antunes Reis Filho'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. a jul. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
A saída de Glênio Alvarez levou à presidência da Funai Otacílio Antunes Reis Filho, antigo funcionário do órgão, então no cargo de diretor de Artesanato. Reis Filho, que já havia sido diretor de Planejamento na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, dirigiu a Fundação por 46 dias, entre junho e julho de 2002.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Glênio Alvarez'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. 2000 a jun. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O geólogo Glênio Alvarez, funcionário da Funai há 14 anos, é o 27º presidente do orgão indigenista oficial desde sua fundação, em 1967. Foi administrador regional do órgão em Boa Vista (RR), em 1994, período de demarcação da TI Yanomami.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha de Alvarez, gaúcho de Santa Maria, encerrou a interinidade do antropólogo Roque de Barros Laraia, que ocupou o cargo desde a saída de Carlos Frederico Marés. Alvarez assumiu dizendo pretender implantar programas conjuntos com governos estaduais. Seu principal desafio seria contornar a falta de verbas para desenvolver os programas previstos para 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início de junho de 2002, a publicação no Diário Oficial da União da exoneração de Glênio Alvarez pegou a todos de surpresa. Ele, inclusive, que não quis se manifestar logo após o ocorrido. Por meio de seu assessor de imprensa, declarou que &amp;quot;havia feito seu trabalho corretamente a favor dos índios no Brasil&amp;quot;. A queda de Alvarez aconteceu dois dias depois que o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, deputado Pinheiro Landim, retirou de pauta o Projeto de Lei da Mineração em Terras Indígenas. A Funai havia se manifestado contrária à aprovação do projeto, de autoria do senador Romero Jucá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Roque de Barros Laraia'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a mai. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com a demissão de Marés, o então presidente substituto, o antropólogo Roque de Barros Laraia, assumiu a presidência da Funai em regime interino. Foram 29 dias até que Glênio Alvarez fosse nomeado presidente pelo ministro José Gregori.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laraia é formado em história, mas optou pela antropologia. Foi parte do corpo docente do Museu Nacional (UFRJ) e, a partir de 1968, da UnB. É integrante do Conselho Indigenista desde que foi criado, em 1967. À época, esse conselho representava o poder máximo no órgão. O antropólogo tem experiência de pesquisa com os Terena e os Suruí do Pará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a gestão de Marés, Roque Laraia foi o responsável pela Diretoria de Assuntos Fundiários. Em entrevista exclusiva ao Isa, confessou que os maiores problemas por ele enfrentados em sua curta gestão na presidência, foram o esvaziamento dos quadros profissionais, a escassez de recursos e a pressão constante de grupos indígenas, como os Xavante e os Fulniô. Segundo ele, &amp;quot;não é possível administrar a Funai com os Xavante do jeito que estão&amp;quot;. Para ele, a maioria dos índios continua desassistida, ao passo que uma etnia acaba consumindo o tempo da administração e tomando a maioria dos recursos parcamente disponíveis.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Carlos Frederico Marés'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1999 a abr. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nascido em União da Vitória (PR), Carlos Frederico Marés de Souza Filho é professor de Direito Agrário e Ambiental da PUC-PR. Foi procurador do estado do Paraná entre 1991 e 1994, e secretário da Cultura do município de Curitiba, entre 1983 e 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaborou, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), na formulação do Capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;, e foi um dos coordenadores da campanha &amp;quot;Povos Indígenas na Constituinte&amp;quot;. Em 1989, fundou o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI), e, em 1994, o Instituto Socioambiental, do qual foi presidente e conselheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés é também autor de seis livros, o último deles - &amp;quot;O renascer dos povos indígenas para o Direito&amp;quot; - é resultado de sua dissertação de doutoramento apresentada, em 1988, à UFPR.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés foi indicado para a presidência da Funai pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, que advogou em seu favor, providenciando a regularização de sua situação no Brasil, quando de seu retorno depois de nove anos de exílio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de assumir o cargo, Marés apresentou 13 propostas para o ministro como condição para poder assumir a presidência da Funai (ver artigo Descascando o &amp;quot;abacaxi&amp;quot;, nos &amp;quot;500 anos&amp;quot; do Brasil). Entre elas, estava a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O curto período em que Marés esteve na Funai foi marcado por atos polêmicos. Logo no início de 2000, declarou publicamente que não haveria o que comemorar no dia 22 de abril, aniversário de 500 anos do &amp;quot;descobrimento&amp;quot; do Brasil. &amp;quot;É uma festa da chegada das caravelas, festa dos brancos. A maior parte dos índios brasileiros tem contato com a civilização branca há bem menos de 500 anos&amp;quot;, disse ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Marés foi marcada pela negociação em torno da apresentação da nova proposta para o &amp;quot;Estatuto do Índio&amp;quot;. Em 17 de abril de 2000, Marés apresentou a proposta do governo &amp;quot;Estatuto do índio e das comunidades indígenas&amp;quot; às lideranças indígenas que se reuniam em Monte Pascoal, em ocasião da marcha de protesto contra as comemorações dos 500 anos. Isso se deu antes mesmo da proposta ser submetida ao Legislativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 22 de abril, após presenciar uma ação da polícia contra a marcha dos índios que iam de Coroa Vermelha a Porto Seguro para protestar contra as comemorações dos 500 anos, Marés anunciou que pediria demissão. &amp;quot;Não posso permanecer num governo que faz agressão física ao movimento indígena organizado&amp;quot;, afirmou após ter decidido, em caráter irrevogável, apresentar sua demissão ao ministro da Justiça José Gregori.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Lacerda'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. a nov. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
José Márcio Panoff de Lacerda tomou posse na Presidência da Funai em 22 de fevereiro de 1999. Foi deputado, senador e vice-governador do Mato Grosso. Em seu discurso de posse, prometeu investir na aprovação de um novo Estatuto do Índio, &amp;quot;que reflita uma política realista, voltada para proporcionar às sociedades indígenas o legítimo direito de explorar em bases racionais os recursos naturais existentes em suas terras&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua atuação foi marcada pela defesa de parcerias entre o estado e os municípios para melhorar os atendimentos às sociedades indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 31 de maio, Lacerda foi retirado à força do prédio da Funai por 51 guerreiros xavante, que se revoltaram devido ao afastamento do diretor da AER de Nova Xavantina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Lacerda teve de enfrentar, a partir de maio de 1999, os inquéritos por ocasião da CPI da Funai, promovida por parlamentares que visavam investigar o relacionamento do órgão federal com ONGs, admissão de antropólogos e aplicação de recursos. Nesse período, tornou-se cada vez mais público o caos orçamentário da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro, por pressões dos índios, de várias instituições e de ONGs, colocou o cargo à disposição. Na ocasião, ele admitiu que enfrentou conflitos internos, principalmente com o médico Oswaldo Cid Nunes da Cunha, exonerado da chefia do Departamento de Saúde na Funai em Brasília, que classificou Lacerda de &amp;quot;incompetente&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lacerda acusou o médico de deslealdade ao condenar publicamente a decisão do governo de transferir a área de saúde indígena para a Fundação Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sulivan Silvestr'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1997 a fev. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sulivan Silvestre, paranaense, funcionário do Ministério Público de Goiás, tomou posse em 22 de agosto de 1997. Formado em Direito pela PUC de Goiás, Silvestre era especialista em meio ambiente. Desconhecido entre índios e indigenistas, seu nome surpreendeu, já que estavam cotados para ocupar o cargo antropólogos e funcionários da Funai conhecidos pela comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua nomeação comprovou o poder de fogo do ministro Íris Rezende, que conseguiu colocar no comando um apadrinhado político sem nenhuma experiência com a política indigenista. A indicação política desagradou o funcionalismo da Funai, que torcia pela nomeação de um técnico dos quadros da Fundação e algumas organizações não-governamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu discurso de posse, Silvestre afirmou ser a demarcação de terras a prioridade de sua gestão. Além disso, enfatizou a necessidade de uma aproximação entre a Funai, os índios e as demais entidades de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Procurou estruturar o Conselho Deliberativo e Participativo das Lideranças Indígenas, promovendo o diálogo entre a Funai, os representantes indígenas, as ONGs, o Cimi e o Capoib, sempre em defesa da descentralização do órgão indigenista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1 de fevereiro de 1999, Silvestre morreu em um acidente de avião. O bimotor Sêneca, que o levaria de Brasília até uma reunião com os índios Fulni-ô e Pankararu, caiu a poucos minutos da pista do aeroporto de Goiânia. O acidente ocorreu por volta das 21h30. Pouco depois da queda, o aparelho foi consumido pelo fogo. Renan Calheiros, ministro da Justiça na época, afirmou que iria acompanhar as investigações sobre o acidente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Júlio Gaiger'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1996 a jul. de 1997]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O advogado gaúcho Júlio Gaiger foi nomeado presidente da Funai em 12 de março de 1996, ocupando o lugar de Márcio Santilli. Ligado à questão indígena desde 1977, quando dirigiu a Associação Nacional de Apoio ao Índio em Porto Alegre, Gaiger foi assessor jurídico do Cimi até 1991 e trabalhou como assessor na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi indicado pelo ministro Nelson Jobim, com quem trabalhava desde meados de 1995 na formulação do polêmico Decreto 1775, que prevê a revisão de áreas indígenas ainda não registradas. Essa indicação causou imediatos protestos de organizações indígenas e de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1997, apesar dos apelos dos Xavante pela saída imediata de Gaiger, o novo ministro da Justiça, Íris Rezende, bancou a sua permanência. Mas, em 17 de julho, Gaiger entregou o cargo, alegando que o governo não teria se empenhado na implementação da política indigenista e que lhe teria faltado apoio político para levar adiante a reformulação administrativa do órgão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Ressinto-me, na Funai, da ausência de decisões estratégicas que escapam do nosso alcance&amp;quot;, escreveu em sua carta de demissão. Em entrevista, disse que vinha sofrendo pressões dos Xavante, de funcionários da Funai e de grupos políticos vinculados aos índios e aos servidores que, na sua opinião, tencionavam desestabilizá-lo para que não reformulasse o órgão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio José Brando Santilli'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1995 a mar. de 1996]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Indicado por FHC, um dia depois de uma reunião ocorrida no palácio da alvorada em 03/08/95 entre o presidente, o ministro da justiça e um grupo de antropólogos, Santilli não era o preferido de Jobim. Então secretário executivo do Instituto Socioambiental em Brasília, Santilli demorou um mês para aceitar a indicação, período em que indicou outros nomes ao ministro Jobim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consultou previamente várias ONGs do campo indigenista sobre a oportunidade de encarar o desafio de administrar uma Funai sucateada e enfrentar um novo decreto sobre demarcação de terras indígenas, medida já decidida pelo presidente FHC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formado em filosofia, Santilli foi deputado pelo PMDB de SP (1982-86) e integrante do grupo político do atual presidente FHC. Durante seu mandato parlamentar, foi membro da Comissão de Relações Exteriores e da Comissão do índio, na Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1987 e 88, foi pessoa-chave na ligação entre a Coordenação Nacional dos Povos lndígenas na Constituinte - que reunia índios e organizações civis de apoio - e o Congresso Nacional. Em 1989, juntamente com um grupo de índios, antropólogos e juristas, fundou e dirigiu o NDI, uma ONG com sede em Brasília, que teve destacado papel na aplicação prática dos direitos coletivos dos índios, através de demandas judiciais paradigmáticas. Em 1994, foi um dos fundadores do Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Cimi considerou a sua nomeação como &amp;quot;uma tentativa do governo para criar condições políticas favoráveis para mudar o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas&amp;quot;. Além da Igreja Católica, Santilli ganhou muitos inimigos internos com a demissão de funcionários corruptos das Áreas Kayapó e Xavante, o corte de diárias de caciques xavante em Brasília, o fechamento de Administrações Regionais, e o anúncio de uma grande reforma administrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfrentou várias rebeliões regionais e seqüestros de funcionários por índios articulados com segmentos de máfias funcionais e o seu próprio gabinete em Brasília foi invadido por um grupo de Xavante, acompanhado da Rede Globo de TV. Santilli pediu demissão alegando falta de apoio do Ministério da Justiça, que não buscava ampliar as verbas da Funai e retinha os recursos que ele conseguira diretamente do Tesouro Nacional, além de não garantir a investigação policial a respeito das máfias funcionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Dinarte Nobre Madeiro'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1993 a set. de 1995]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dinarte assumiu interinamente a presidência da Funai, no dia 03/09/93, e acabou permanecendo dois anos à frente do órgão. Há 23 anos funcionário da Funai, ao assumir o cargo era assessor da Presidência do órgão para a região Norte e Nordeste, e estava em Boa Vista coordenando a retirada dos garimpeiros da AI Yanomami. Defendeu a necessidade do órgão retomar o poder de polícia para ter mais autonomia e mobilidade no combate aos garimpeiros que invadem terras indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Madeiro foi mantido no cargo com a mudança de governo e, no conjunto, teve uma gestão discreta, sem denúncias de improbidades administrativas. Apesar disso, Dinarte foi publicamente desprestigiado pelo ministro da Justiça Nélson Jobim e pelo próprio presidente FHC. Chegou a pedir demissão alegando suas divergências com o secretário-executivo do Ministério, Milton Selligman, na questão das demarcações das terras indígenas, principalmente sobre a área dos Xavante, a Suiá-Missu. O ministro não aceitou a demissão. Afastado das deliberações sobre os rumos da política indigenista oficial, colocou seu cargo à disposição mais de uma vez e manifestou sucessivamente seu apoio à manutenção dos procedimentos administrativos constantes no Decreto 22/91.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Cláudio dos Santos Romero'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Claudio Romero ocupava o cargo de Diretor Geral de Assistência da Funai, quando foi nomeado para presidir o órgão em 20/05/93. Funcionário de carreira do órgão,desde meados da década de setenta, coordenou o Projeto Xavante que tinha como principal objetivo a demarcação do território xavante ocupado pela frente colonizadora, além de projetos de educação e desenvolvimento comunitário. Foi diretor do Parque Indígena do Xingu, quando entre outras coisas apoiou os Kayapó Metuktire na demarcação da AI Capoto/Jarina. Tomou posse do cargo de presidente do órgão prometendo que não haveria qualquer ruptura na continuidade dos trabalhos da gestão de Sidney Possuelo. Nos quase quatro meses que esteve à frente da Funai, Romero teve uma gestão controvertida. Disse que o presidente Itamar Franco não tinha vontade política para cumprir o prazo constitucional de 05/10 para regularizar a demarcação das terras indígenas no país e foi obrigado a reparar o comentário, publicamente. Em agosto de 93, foi acusado, por um dossiê interno, de ter delatado em 83 à Assessoria de Segurança e Informação -o SNI da Funai -uma conspiração de funcionários contra o então presidente do órgão, coronel Paulo Leal. Ele admitiu que escreveu um relatório denunciando servidores do órgão, mas negou ser &amp;quot;araponga&amp;quot; do regime militar. Romero diz que os servidores denunciados planejavam invadir a sede da Funai, articulados pelo então deputado Mário Juruna e pelo então vice-governador do Rio, Darcy Ribeiro. Na época, diretor do Parque Indígena do Xingu, Romero disse que estava interessado em obter da direção da Funai a demarcação das terras indígenas na região e, por isso, foi contra o movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi demitido no dia 03/09/93, em meio a informações contraditórias sobre a chamada chacina dos Yanomami em Haximu, sobre a qual divulgou números sucessivamente desmentidos pela imprensa. Discutiu com parlamentares em Roraima ameaçando proibi-los de entrar na AI Yanomami, ao mesmo tempo autorizou a visita de diplomatas estrangeiros sem consultar o Itamaraty, além de ter criado um confronto ao declarar que não se subordinaria às orientações do novo ministro extraordinário para a Amazônia, Rubens Ricúpero.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sidney Ferreira Possuelo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1991 a mai. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O sertanista Sidney Ferreira Possuelo chefiava a Coordenadoria de Índios Isolados da Funai quando foi nomeado no dia 28/06/91 pelo presidente Collor, em substituição a Cantídio Guimrães, demitido no dia 21/06. Possuelo recebeu carta branca para fazer alterações administrativas e afirmou como prioridades o caso Yanomami e a demarcação de 266 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, chefe da Frente de Atração dos Arara(PA), na década de 80, Possuelo reivindicou permanentemente ao presidente Collor a revogação dos Decretos 23, 24, 25 e 26 (de 04/02/91), que tiraram da Funai as responsabilidades pela educação, saúde, projetos produtivos e meio ambiente em áreas indígenas, transferindo-as a outros ministérios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizou uma reforma administrativa, iniciada em 20/01/92, quando exonerou seu superintendente geral, Edívio Batistelli. Desapareceram do organograma não só esse cargo, mas todas as Superintendências Regionais. Todas as atividades, desde o planejamento geral da Funai até o atendimento aos mais remotos Postos Indígenas passaram a se vincular diretamente à Presidência do órgão. As Superintendências passaram à categoria de Administrações Regionais -que somam 46, sem autonomia administrativa ou orçamentária, ligados à Diretoria Geral de Assistência, em Brasília. Foram criadas também as Diretorias Fundiária e de Administração. Em sua gestão, Possuelo distendeu a relação do Órgão com entidades não-governamentais. Ao criar o CDDI, convocou representantes de ONGs para compô-lo e assinou quatro convênios de parceria com essas entidades no âmbito da demarcação de terras indígenas (ver mais detalhes no capítulo Terras indígenas) .Sofreu forte oposição interna por isso. O principal feito da sua gestão foi a demarcação física da terra Yanomami de forma contínua, facilitada pela disposição política do presidente Collor para encaminhar processos de reconhecimento oficial dos direitos territoriais indígenas, com vistas à ECO-92 ( ver Cronologia de um Genocídio Documentado, no capítulo Roraima Mata).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Possuelo acabou demitido no dia 19/05/93, pelo ministro da Justiça Maurício Corrêa, por ordem do presidente Itamar Franco. Na versão do próprio Possuelo, sua cabeça rolou devido a três motivos: conflito aberto com o ministro Henrique Hargreaves, do Gabinete Civil- que fizera indicações para postos de chefia da Funai no Acre e em Goiânia; pressão de militares inconformados com as demarcações de terras na fronteira; e pressão de segmentos econômicos contrariados, como as mineradoras.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sargento Cantídio Guerreiro Guimarães'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1990 a jul. de 1991]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sub-oficial da reserva da Aeronáutica (onde serviu como Sargento do quadro de manutenção e reparo de aeronaves), amigo pessoal do ex-presidente Romero Jucá, foi superintendente regional da Funai em Cuiabá de 86 a 87. Corre contra os dois um processo no Supremo Tribunal de Justiça por autorização de extração ilegal de madeira na AI Uru-Eu-Wau-Wau. Era assessor do ex-presidente Íris Pedro de Oliveira e foi Chefe de Gabinete do Consultor Geral da República, Clóvis Ferro Costa. Nesta função fez um parecer - aprovado por Ferro - que autorizava o uso da rodovia de 38 km dentro da AI Waimiri-Atroari. Antes de ser nomeado presidente da Funai, era funcionário da representação do estado do Amapá em Brasília.Foi afastado do cargo em meio a acusações dos índios do Xingu -e tornadas públicas pela imprensa - de estar fotografando índias nuas e &amp;quot;molestar moças e adolescentes&amp;quot; do Parque do Xingu (MT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Coronel Airton Alcântara'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a ago. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Entrou na Funai para substituir o Coronel Carneiro, do CSN, que havia sido nomeado Superintendente Geral da Funai na gestão Íris Pedro, mas acabou morrendo no dia da posse.Alcântara tornou-se presidente, respondendo pelo cargo na fase de transição imposta pelo novo presidente da República Fernando Collor de Mello, recém empossado e que, dentre outras medidas, incorporou a Funai ao Ministério da Justiça depois de liquidar o Ministério do Interior. Para se firmar no cargo e tentar sua permanência no órgão, teve alguns gestos simpáticos aos indigenistas e antropólogos, assinando decretos de reintegração das áreas Uru-Eu-Wau-Wau e Kaiabi Gleba Sul. Por outro lado, elaborou uma lista de 880 servidores a serem colocados em disponibilidade, aproveitando o argumento do enxugarnento administrativo para proceder a uma nova &amp;quot;caça às bruxas&amp;quot;, incluindo antropólogos e indigenistas entre os &amp;quot;disponíveis&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Íris Pedro de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1988 a mar. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, entre 1980 e 1983 foi presidente do Grupo de Terras do Araguaia/ Tocantins (Getat), visto como um órgão de repressão e policiamento. Pragmático, apregoava soluções técnicas e operacionais para caracterizar os territórios indígenas: estabelecer áreas a partir de limites naturais, transferir grupos indígenas para &amp;quot;evitar conflitos&amp;quot; com colonos etc. Em 1980, grileiros aceleravam a invasão de terras indígenas dos Xikrirn do Cateté, em Marabá; em 82, o Getat, a Eletronorte e a Funai optaram pela recomposição da área indígena dos Parakanã, &amp;quot;para evitar contatos indiscriminados&amp;quot; entre as famílias que seriam atingidas direta ou indiretamente pelas águas da UHE e estavam sendo reassentadas na variante da Transamazônica&amp;quot;. Sua nomeação confirmaria a vinculação da Funai aos desígnios do CSN. Denúncias da própria Funai indicam que utilizava-se das aeronaves do órgão para visitar uma fazenda de sua propriedade em Imperatriz (MA), onde há uma administração regional da Funai; esta, tomou-se recordista em receber visitas de um presidente do órgão no período do mandato do presidente Íris. Renovou o convênio com o Instituto Lingüístico de Verão (SIL) para atuarem em todo território nacional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Romero Jucá Fº.'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 1986 a set. de 1988]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista, pernambucano, indicado pelo ministro Marco Maciel, seu conterrâneo e chefe da Casa Civil, dirigia o Projeto Rondon.Implantou a descentralização da FUNAI e retirou os índios de Brasília. Tecnocrata modernizador, assinou inúmeros convênios técnicos e de assistência com outros Ministérios. Promulgou um novo regimento interno no órgão. Nos cinco primeiros meses de sua gestão, o quadro de funcionários havia passado de 3.300 funcionários para 4.200. Somente em Recife, sua terra natal, o escritório da FUNAI chegou a ter 400 funcionários vinculados.Tentou tirar a crise do órgão das páginas de jornais, mas acabou sofrendo intervenção do TCU devido às irregularidades financeiras do órgão. Defendia a linha “pragmática” de exploração dos recursos naturais das terras indígenas, e foi acusado de promover inúmeros contratos com madeireiras.Manifestava-se contra a presença de garimpeiros nas áreas indígenas e assinou, em 1987, o convênio Funai/DNPM para exploração mineral empresarial em área indígena. Em maio de 88, assinou portaria criando um GT para avaliar o grau de aculturação dos índios. Saiu da FUNAI para ser governador nomeado de Roraima, carregando consigo um processo no Supremo Tribunal de Justiça por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena. Já fora da FUNAI, como governador de Roraima, passou a defender a permanência dos garimpeiros invasores do território Yanomami.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Apoena Meirelles'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1985 a mai. de 1986]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sertanista, nasceu numa aldeia Xavante em Pimentel Barbosa, filho do também sertanista Francisco Meirelles (funcionário do antigo SPI), desde cedo acompanhava o pai nas frentes de atração e trabalho nas aldeias.Autor de um projeto de descentralização da FUNAI, ocupou a presidência com o apoio do Ministro do Interior, Costa Couto, para implantá-lo e esvaziar a crise do órgão.Em maio de 1986, veio o decreto alterando o Estatuto da FUNAI, criando seis superintendências regionais.Apoena despachou durante boa parte do mandato fora de seu gabinete na FUNAI - preferindo uma sala no Ministério ou as delegacias regionais -, evitando assim o confronto com o movimento dos índios em Brasília, que continuava intenso.Distribuiu muitos recursos para contentar o lobby Xavante e reprimiu os índios hospedados em Brasília , cancelando o contrato de hospedagem com os hotéis das cidades satélites.Apoena saiu da presidência do órgão alegando não concordar com a ingerência do Ministro do Interior na indicação de nomes para a superintendência de terras e dos 6 superintendentes regionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Álvaro Villas Boas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. a nov. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Indigenista, irmão de Cláudio e Orlando Villas Boas, trabalhou durante anos como delegado da funai em Bauru (SP).Sua indicação teve grande repercussão (negativa) entre os índios que se encontravam em Brasília (mais de 300). Mas Raoni, por exemplo, liderança Kayapó, reuniu um grupo de índios para apóiá-lo.A delegacia de Londrina, fechada por ele, foi ocupada por 120 índios que exigiam sua demissão. Fechou a delegacia de Salvador, que fora ocupada por índios que queriam ver suas terras demarcadas.Demitiu, logo ao início de sua gestão, os indigenistas empossados em cargos de confiança por Jurandy M. da Fonseca.Em seu curto mandato, reuniu contra si os funcionários demitidos que tinham influência sobre algumas lideranças indígenas e sua atitude de não negociar sob pressão com os índios levou-o a ser demitido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Gerson da Silva Alves'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a set. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assumiu interinamente a presidência da FUNAI e, em meados de maio, foi empossado oficialmente no cargo, apoiado pelos Xavante e pelo deputado Mario Juruna em meio à “enchente indígena” em Brasília.Sargento reformado do exército, contador, trabalhava na FUNAI havia 14 anos, em funções burocráticas. Como delegado regional do órgão em Campo Grande e Cuiabá, e diretor do DGO, na sede, em Brasília, acumulou relações de clientela com os Xavantes, que contribuíram para sua indicação ao cargo, em meio à crise sucessória que marcou o período.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ayrton Carneiro de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Aquele que foi sem nunca ter sido. Ex-diretor do INCRA, foi indicado para presidir interinamente a FUNAI pelo Ministro Costa Couto, mas impedido de tomar posse por um conjunto de índios e funcionários que fizeram uma barreira na entrada do prédio.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Nelson Marabuto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1984 a abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Policial de carreira, antes de assumir a presidência da FUNAI havia sido chefe da assessoria de segurança e informação do órgão e também o superintendente da Polícia Federal em São Paulo.Permaneceu no cargo durante o período de transição do governo Figueiredo para o governo Sarney, prolongado pela agonia de Tancredo Neves, no qual houve uma intensa disputa pelo cargo entre varias facções do indigenismo, cada qual mobilizando índios em Brasília.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Jurandy Marcos da Fonseca'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, foi chefe de gabinete da FUNAI nas gestões Bandeira Mello e Ismarth Araújo de Oliveira. O “release” de sua posse informava que havia nascido numa aldeia indígena e que seu pai participara da Comissão Rondon e trabalhara no SPI.Na sua gestão, inaugura a nomeação de índios para cargos de chefia na Funai: Marcos Terena para chefe de gabinete e Megaron (Kayapó) para diretor do Parque do Xingu. Readmitiu muitos dos indigenistas e antropólogos, excluídos por Nobre da Veiga, alguns deles como seus assessores diretos e em cargos de direção.Em julho de 84, demite o sertanista Álvaro Villas Boas, delegado da 12a. DR, causando grande tumulto entre os índios do interior de São Paulo e Paraná, que exigiam sua readmissão invadindo e ocupando por duas semanas a delegacia de Bauru, com grande repercussão na imprensa. Vários artigos em jornais comentavam que era o fim da velha política indigenistas, que começava uma nova mentalidade, uma maneira nova de agir e tratar os problemas indígenas e, principalmente, que se percebia que os índios já não eram mais os mesmos, o que exigia formas diferentes de relacionamento com eles. Era o “sopro de esperança na FUNAI”.Jurandy foi demitido em setembro de 1984. Declarou: ”fui demitido porque não assinei a portaria para regulamentar o decreto 88.985” (autorizando a mineração em terras indígenas). Saiu como herói – mas, uma semana depois, foi acusado pelo Procurador Geral da FUNAI, Irineu de Oliveira, de ter beneficiado 85 fazendeiros no Mato Grosso do Sul, com contratos de arrendamento das terras dos Kadiweu, e embolsado os Cr$ 150 milhões referentes aos contratos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otávio Ferreira Lima'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1983 a abr. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista funcionário do MInistério do Interior, logo que assumiu a presidência da FUNAI convocou as Polícias Militar e Federal para impedir o acesso de lideranças indígenas ao seu gabinete, e suspendeu as entrevistas à imprensa. Demitiu quatro coronéis em cargos de direção (entre eles, o Cel. Hausen).Na sua gestão, foi promulgado o polêmico decreto 88.985, de novembro de 1983, autorizando a entrada de empresas de mineração em terras indígenas.Em dezembro do mesmo ano, assinou um convênio (No. 028/83) com o SIL (Summer Institute of Linguistics), para um período de dois anos, sujeito a prorrogação.Durante uma crise na parte norte do Parque do Xingu - quando os Txucarramãe interditaram a BR-080 e fizerem alguns funcionários como reféns para obtenção de uma faixa de terra adicional -, Ferreira é demitido pelo seu desempenho desastroso como negociador.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Paulo Moreira Leal'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 1981 a jul. de 1983]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da Aeronáutica, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional (CSN). Assumiu a presidência da FUNAI falando em reestruturação administrativa; solicitou ao Ministério do Interior a contratação de 4 mil novos funcionários e afirmou que sua grande aspiração era ver o maior número possível de índios ocupando cargos de direção da Fundação.Demitiu alguns militares assessores do órgão sob pressão dos Xavantes.Assinou um convênio com o Projeto Rondon, para atendimento nas áreas de saúde educação e com a Petrobrás, estabelecendo normas gerais a serem observadas nos trabalhos de pesquisa e lavra mineral em terras indígenas.Encomendou estudos a funcionários do órgão, visando emancipação dos Guarani (da região sul do País) e Tembé (PA/ MA), com base em “critérios de indianidade”.No final de sua gestão, um decreto interministerial (No. 88.118, de 23.02.83) criou o chamado “Grupão”, para a regularização das terras indígenas, retirando tal atribuição do âmbito decisório da FUNAI e alçando-a formalmente ao nível ministerial e do CSN.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Carlos Nobre da Veiga'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1979 a out. de 1981]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da reserva, assume o cargo falando em “disciplina” e demitindo 39 indigenistas e antropólogos, porque haviam encaminhado carta ao Ministro do Interior com criticas à política da FUNAI. Incrementa o projeto de emancipação compulsória, criando os famosos “critérios de indianidade” e declarando que “o índio estará emancipado em cinco gerações”; mas recua e não encaminha o processo ao Ministério do Interior (MINTER).Reestrutura a FUNAI para fortalecer as unidades regionais. Numa reunião da SUDAM, afirma que ”há reservas demais”. A 15/12/1980, sai uma Portaria Interministerial (MINTER/ Min. das Minas e Energia) facilitando a exploração mineral em terras indígenas por empresas estatais. Com base no parecer do Conselho Indigenista da FUNAI, o Ministro do Interior, Mario Andreazza, proíbe Mário Juruna, liderança indígena do povo Xavante, de participar do Tribunal Russel, na Holanda.Juruna lidera 40 índios que, na sede da FUNAI em Brasília, exigem a demissão do Presidente da FUNAI e mais dois coronéis da direção: Ivan Zanoni Hausen (DGPC) e Jose Rodriges Godinho (DGO).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Adhemar Ribeiro da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a nov. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Engenheiro de profissão, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), na sua curta gestão extinguiu a COAMA (Coordenação da Amazônia) e concedeu alvarás de pesquisa mineral na AI Waimiri-Atroari (AM).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ismarth Araújo de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1974 a mar. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, antes de ser nomeado presidente havia sido superintendente da FUNAI. Na sua posse, o Ministro do Interior, Rangel Reis, anunciou “a política de integração em ritmo acelerado”, o que viria a desembocar no projeto de emancipação dos índios, contra o qual ele se opôs publicamente. Mas incrementa os chamados “projetos de desenvolvimento comunitário”, dentro de uma política de “espíritos desarmados” com antropólogos, indigenistas e missionários. Na sua gestão, aumentam substancialmente as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Oscar Jeronymo Bandeira de Mello'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 1970 a mar. de 1974]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, ex-chefe da Divisão de Segurança e informação da FUNAI e ex-agente do SNI, participou do inquérito que extinguiu o SPI. Na sua gestão, consolidou-se a política da FUNAI atrelada ao binômio “segurança e desenvolvimento”, que marcou o período mais duro do regime autoritário - o governo Médici. Seu lema era: “Integrar os índios rapidamente”, sobretudo para que não obstaculizassem a ocupação e colonização da Amazônia, em consonância com o Ministro do Interior, Costa Cavalcante, que anunciou o “boi como grande bandeirante da década”. No bojo do Plano de Integração Nacional, lançado em 1970, estabeleceu um convenio com a SUDAM “para pacificar 30 grupos arredios” ao longo da Transamazônica. Participou de um churrasco com fazendeiros na abertura da BR-080, rodovia que cortou o norte do Parque do Xingu e excluiu boa parte do território dos índios Txukarramãe (sub-grupo Kayapó).Durante sua gestão, foi promulgado o Estatuto do Índio, aprovado pelo Congresso Nacional, e criada, na FUNAI, a Divisão de Desenvolvimento Comunitário (subordinada à Coordenação de Programas de Desenvolvimento de Comunidades, do Ministério do Interior). Relacionada a essa divisão desenvolvimentista e integracionista das populações indígenas, reintroduziu a chamada “renda indígena”, conceito chave para viabilizar o projeto de “emancipação econômica” dos grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''José de Queiroz Campos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[dez. de 1967 a jun. de 1970]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coordenou a implantação do órgão, tendo que se defrontar – juntamente com o Ministro do Interior, Gal. Albuquerque Lima – com a avalanche de denúncias de genocídio contra o governo no exterior, sobretudo a partir da divulgação do Relatório Jader Figueiredo (março de 1968), que trazia os resultados de uma devassa no SPI (Serviço de Proteção aos Índios, órgão governamental antecessor à FUNAI).Na sua gestão, foram ampliada a área do Parque do Xingu e criados outros três parques indígenas. Criou a GRIN, Guarda Rural Indígena, transformando índios em policiais nas suas próprias aldeias. Assinou convênio com o SIL (Summer Institute of Linguistics) em 1969 e, no mesmo ano, realizou o 1o. Simpósio FUNAI - Missões Religiosas.Jornalista de profissão, escreveu livros a respeito de fatos ocorridos na sua gestão (como a famosa expedição do Pe. Calleri, chacinada durante as tentativas de contatar os Waimiri–Atroari, no Amazonas), mas que nunca chegou a publicar, por recomendação dos órgãos de segurança.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ações ministeriais==&lt;br /&gt;
O início da década de 1990 marcou decididamente uma mudança radical na [[Órgão Indigenista Oficial | política indigenista oficial brasileira]]: até então, todas as ações relativas aos povos indígenas estavam sob a gestão exclusiva do Ministério da Justiça, via a [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio]]. A partir de 4 decretos presidenciais promulgados no ano de 1991 - conforme tabela abaixo -  a maioria das ações da Funai foi absorvida total ou parcialmente por outros ministérios e órgãos federais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Decreto | Data&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Objeto do decreto&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;No 23 - 4/02/1991 (saúde)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as condições para a prestação de assistência à '''saúde das populações indígenas: '''Art. 5º '''A Fundação Serviços de Saúde Pública - FSESP''', enquanto não for instituída a Fundação Nacional de Saúde, de que trata o artigo 11 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, encarregar-se-á da coordenação dos projetos, tanto na fase de elaboração, quanto na de execução. &amp;lt;br/&amp;gt;OBS. Em 16 de abril de 1991, o Decreto Presidencial nº 100 instituiu a '''Fundação Nacional de Saúde (FNS)''' que incorporou a Fundação Serviços de Saúde Pública e, por seu turno, o atendimento à saúde das populações indígenas.   &lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 24 – 4/02/1991 (meio ambiente)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as ações visando à proteção do '''meio ambiente em terras indígenas'''.  Art. 4º A coordenação dos projetos mencionados no art 2º caberá à Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, e sua elaboração e execução serão realizadas pelo '''Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis''' e pelo órgão federal de assistência ao índio&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 25 – 4/02/1991 (auto-sutentação econômica)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre programas e projetos para assegurar '''a auto-sustentação dos povos indígenas'''. Art. 5º Compete ao '''Ministério da Agricultura e Reforma Agrária''', por intermédio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRAPA, e ao '''Ministério da Justiça''', por intermédio do órgão federal de assistência ao índio, a coordenação das ações decorrentes deste Decreto&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 26 – 4/02/1991 (educação)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre a '''Educação Indígena no Brasil.''' Art. 1º Fica atribuída ao '''Ministério da Educação''' a competência para coordenar as ações referentes à Educação Indígena, em todos os níveis e modalidades de ensino, ouvida a FUNAI&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais medidas de cunho legal, retirando da Funai grande parte de suas principais atribuições, produziram uma situação na qual as políticas públicas para os povos indígenas  até os dias de hoje vêm sendo conduzidas e executadas de maneira: a) fragmentada: já que pulverizadas em diversos órgãos de distintos ministérios federais e, portanto, sem a falta de uma coordenação geral; b) sobreposta: pois mesmo com essa pulverização, a Funai continua tanto a executar parte de algumas das ações previstas para outros ministérios ([[A educação escolar indígena no Brasil | educação indígena]] e atividades econômicas), como , em muitos casos, a não cumprir com suas atribuições de suporte e parceria junto aos mesmos ministérios, exigidas em todos os decretos citados;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer desse período – 1991 aos dias atuais -, foram diversas as ações desencadeadas pelos diversos ministérios que passaram a cuidar da política indigenista oficial, para além daquelas que continuaram a ser promovidas pela Fundação Nacional do Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma descrição mais pormenorizada sobre os tema da saúde (Ministério da Saúde) e da educação (Ministério da Educação), ver as subseções específicas que compõem este site.  &lt;br /&gt;
Quanto às ações desencadeadas pelos demais ministérios, não há espaço aqui para apresentá-las em sua totalidade e com o nível de detalhamento requerido. Assim, apresentamos abaixo apenas algumas destas iniciativas ministeriais para que se possa ter uma idéia geral do atual quadro da política indigenista oficial atual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ministérios&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ações&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Meio Ambiente (MMA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI)&lt;br /&gt;
* Gestão Ambiental em Terras Indígenas&lt;br /&gt;
* Conservação e Recuperação da Biodiversidade em T.I.s&lt;br /&gt;
* Ação de fomento à Gestão Ambiental em T.I.s&lt;br /&gt;
* Fortalecimento social e econômico via Coordenadoria do Agroextrativismo  &lt;br /&gt;
* “Carteira Indígena”: Segurança Alimentar associada à Recuperação de Degradação Ambiental&lt;br /&gt;
* PNGATI - Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ATER Indígena: Valorização da Agroecologia&lt;br /&gt;
* PRONAF: financiamento de projetos de capacitação de lideranças indígenas comunitárias; de etnodesenvolvimento etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Social  (MDS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Doação de recursos financeiros para o projeto “Carteira Indígena”, sob gestão do MMA&lt;br /&gt;
* Bolsa-Família para os povos indígenas&lt;br /&gt;
* “Fome Zero Indígena” &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Cultura (MinC)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Prêmio Culturas Indígenas&lt;br /&gt;
* Pontos de Cultura para povos indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Saúde (MS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada em outubro de 2010.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Veja também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências externas ==&lt;br /&gt;
===Sites===&lt;br /&gt;
====Funai====&lt;br /&gt;
* Página oficial da Funai- &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Blog da FUNAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Técnica Local Nova Xavantina - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Madeira - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://crmadeira.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://crmadeira.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Litoral Sul - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional do Sul da Bahia - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Macéio - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Fortaleza - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Cacoal - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaiceara.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaiceara.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura=24&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura;=24&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  MEC. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=290&amp;amp;amp;Itemid=815&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view;=article&amp;amp;amp;id;=290&amp;amp;amp;Itemid;=815&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (MN/UFRJ) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Centro de Trabalho Indigenista - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====Ministérios====&lt;br /&gt;
* Ministério do Meio Ambiente - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mds.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mds.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Agrário - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Cultura - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Saúde - SESAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Bibliografia===&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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{{DISPLAYTITLE:Órgão Indigenista Oficial}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kadiw%C3%A9u&amp;diff=6587</id>
		<title>Povo:Kadiwéu</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Povo:Kadiw%C3%A9u&amp;diff=6587"/>
		<updated>2019-02-04T15:45:37Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* A sociedade ancestral */ tirar que terras não garantidas&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Os Kadiwéu, conhecidos como &amp;quot;índios cavaleiros&amp;quot;, por sua destreza na montaria, guardam em sua mitologia, na arte e em seus rituais o modo de ser de uma sociedade hierarquizada entre senhores e cativos. Guerreiros, lutaram pelo Brasil na Guerra do Paraguai, razão pela qual, como contam, tiveram suas terras reconhecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A sociedade ancestral ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Desenho: J. B. Debret, 1834&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211576-1/kadiweu_2.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também conhecidos como &amp;quot;índios cavaleiros&amp;quot;, integrantes da única &amp;quot;horda&amp;quot; sobrevivente dos Mbayá, um ramo dos Guaikurú, guardam a lembrança de um glorioso passado. Organizados numa sociedade que tinha num extremo os nobres e no outro os cativos, viveram do saque e do tributo sobre seus vizinhos, dos quais faziam depender sua própria reprodução biológica, uma vez que suas mulheres não geravam filhos ou permitiam a sobrevivência de apenas um, quando já estavam no final de seu período fértil. Estas mulheres dedicavam-se à pintura corporal e facial, cuja especial disposição dos elementos geométricos Lévi-Strauss considerou como característica das sociedades hierárquicas. Desenhos que impressionam pela riqueza de suas formas e detalhes, a que temos fácil acesso através da vasta coleção recolhida por Darcy Ribeiro, reproduzida no livro que publicou sobre os Kadiwéu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os capturados em guerra no passado, preferencialmente crianças e mulheres, eram incluídas nesta sociedade sob uma categoria específica, a de &amp;quot;cativos&amp;quot;, ou ''gootagi'' (nossos cativos), no dizer Kadiwéu. Os Guaikurú-Mbayá fizeram cativos de diversos outros povos indígenas, sobretudo aos Xamakôko, habitantes de território paraguaio, sua mais importante fonte. Também fizeram cativos aos brancos, portugueses ou espanhóis, brasileiros ou paraguaios, conforme registrou a crônica histórica e a memória Kadiwéu.&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Museu do Índio, 1948&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211579-1/kadiweu_3.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Mbayá mantiveram ainda uma outra qualidade de relação, aquela que estabeleceram com os Terena (um subgrupo dos então chamados Guaná ou Txané), sociedade também dividida em estratos. Consentiam o casamento entre seus nobres e as mulheres de alta estirpe Terena, adquirindo, por meio deste, o direito sobre as prestações de serviço, sobretudo produtos agrícolas, advindos da produção deste último povo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Guerra do Paraguai, escolheram lutar pelo Brasil e tiveram suas terras reconhecidas. A adoção de um vestuário &amp;quot;country&amp;quot; pelos homens Kadiwéu da atualidade revela seu apego a um modo de vida apoiado no uso e criação de cavalos, de que ainda mantêm rebanhos, embora bem menores que os do passado.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Língua ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Ceramista kadiwéu. Foto: Mônica Pechincha, 1992&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211585-1/kadiweu_5.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kadiwéu pertencem à família lingüística Guaikurú, na qual se incluem outros povos do Chaco, que são os Toba (Paraguai e Argentina), os Emók, ou Toba-Mirí (Paraguai), os Mocoví (Argentina), os Abipón (extintos) e os Payaguá (extintos). Dentre estes grupos Guaikurú, os Kadiwéu são os mais setentrionais e o único localizado a leste do rio Paraguai, no Brasil. Alguns velhos, mulheres e sobretudo as crianças falam apenas o Kadiwéu. Um bom número dentre os Kadiwéu, contudo, se comunica com facilidade em português. Há, na língua Kadiwéu, muitas diferenças entre as falas masculina e feminina. É interessante notar que os descendentes de Terena que vivem entre os Kadiwéu usam apenas o português para se comunicar na aldeia (não usam a língua Terena nem entre si). Entretanto, mesmo que não falem, entendem perfeitamente o Kadiwéu, pois é nesta última língua que são interpelados.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Localização ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os espanhóis colonizadores chamaram de Mbayá (termo provavelmente de origem Tupi) aos Guaikurú (nome também de origem Tupi) dos quais descendem os Kadiwéu. Com origem no lado ocidental do rio Paraguai, parte dos Mbayá atravessou, no século XVII, para a banda oriental. Com a pressão das frentes colonizadoras, deslocaram-se mais para o norte e os que ainda não tinham migrado para leste do rio o fizeram no final do século XVIII. Nessa época, o seu território estendia-se das serras que separam os rios Paraná e Paraguai até mais além da latitude de 18° sul.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Mbayá dividiam-se em diversas hordas, cada uma com um nome específico que se associava a acidentes naturais dos locais que habitavam. Uma delas, a dos Cadiguegodis, tinha, no século XVIII, o seu território banhado por um riacho que os índios chamavam de Cadigugi. Tudo indica que esta última horda seja a dos ancestrais dos Kadiwéu atuais. A horda dos Kadiwéu foi a última a migrar para o lado oriental do rio Paraguai, e era a única sobrevivente já na segunda metade do século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os Kadiwéu, que a literatura histórica uma vez chamou de &amp;quot;''os índios cavaleiros''&amp;quot;, por sua condição de possuidores de um vasto rebanho eqüino e sua admirável destreza na montaria, vivem hoje em território localizado no Estado do Mato Grosso do Sul, em terras em parte incidentes no Pantanal matogrossense. O seu território tem como limites naturais a oeste os rios Paraguai e Nabileque, a leste a Serra da Bodoquena, ao norte o rio Naitaca e ao sul o rio Aquidaban. Dentro deste território, a população Kadiwéu se divide entre quatro aldeias. A aldeia maior, Bodoquena, localiza-se no nordeste da Terra Indígena, ao pé da Serra da Bodoquena, vizinha à aldeia Campina, que fica já no alto daquela serra. A aldeia Tomázia localiza-se no sul da Terra Indígena. Também no sul encontra-se a aldeia São João. Habitam esta última aldeia principalmente índios Terêna e remanescentes de Kinikináo. Algumas famílias Kadiwéu vivem ainda em pequenos grupos, em localidades no interior da Terra Indígena mais afastadas das aldeias principais, onde criam pequeno gado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra Indígena Kadiwéu está no município de Porto Murtinho. Bodoquena é a cidade mais próxima da aldeia maior (60 km), seguida de Miranda e Aquidauana. Campo Grande (310 km) é o centro urbano de maior importância estratégico-administrativa para os Kadiwéu. Ali está sediada a administração da FUNAI que os jurisdiciona, a associação dos fazendeiros arrendatários (ACRIVAN - Associação dos Criadores do Vale do Aquidaban e Nabileque) e a ACIRK (Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu).&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Demografia ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os dados da Funai apontam como sendo, em 1999, de 1.041 o total da população Kadiwéu sob a jurisdição do Posto Indígena Bodoquena (que abrange as aldeias Bodoquena e Campina), sediado na aldeia de mesmo nome. A população referente ao Posto Indígena São João, que abrange as aldeias São João e Tomázia, seria de 551, segundo a mesma fonte e data. Cabe notar que, como já foi aludido acima, na aldeia São João vivem principalmente índios Terena e Kinikináo. Por conseguinte, a população total de 1.592 em 1999 corresponde aos índios destas três etnias que habitam a Terra Indígena Kadiwéu e inclui também os Kadiwéu que moram fora dela, de proveniência daquelas aldeias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não contávamos, até essa data, com outro censo atual da população Kadiwéu que não este da FUNAI, que, entretanto, não relacionava em separado as etnias habitantes do Posto Indígena São João, o que impossibilitava o cálculo total da população Kadiwéu. Segundo dados da Funasa mais atuais, em 2006 os Kadiwéu somavam 1.629 pessoas. Em 1992, época da pesquisa de Mônica Thereza Pechincha, viviam 633 Kadiwéu na aldeia Bodoquena, 39 na aldeia Campina, 60 na aldeia Tomázia e 67 em outras localidades no interior da Terra Indígena, além da aldeia São João, que, na época, contava com 170 habitantes. Para fins de observação do crescimento demográfico, apresento ainda dados de 1995, recolhidos na Administração Regional de Campo Grande, da FUNAI, que indicam como sendo 951 o número da população do Posto Indígena Bodoquena, e 388 o do Posto Indígena São João.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Histórico do contato ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira notícia que se tem dos Guaikurú data do século XVI, proveniente de uma expedição européia que adentrou a região chaquenha à procura de metais preciosos no interior do continente. Muitos grupos Mbayá estiveram sob a influência de reduções missionárias a partir do século XVIII. No mesmo século e no início do seguinte, o contato com as frentes colonizadoras se intensificou com o estabelecimento de fortes militares estabelecidos pelo curso do rio Paraguai, seja de portugueses ou espanhóis, que se debatiam pela definição de fronteiras. As cidades fundadas na região fizeram parte do cenário de sua história, muitas vezes de conflito. Ou de acordo, como o celebrado em 1779 entre os Mbayá e os espanhóis, e o firmado em 1791, com os portugueses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um marco de peso na história do contato com a sociedade nacional, recordado com orgulho e insistência, foi a participação dos Kadiwéu na Guerra do Paraguai. Esta participação rendeu o seu registro em inúmeras narrativas históricas que lembram detalhes do evento e um desempenho heróico guardado com cuidado. Contam os Kadiwéu sua fundamental participação naquela guerra, quando lutaram em favor dos brasileiros e ganharam como recompensa o território que habitavam e onde até hoje habitam. É aí que buscam o argumento mais eficaz de sua posse incontestável, mas sempre ameaçada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Terra Indígena Kadiwéu esteve sujeita a um primeiro reconhecimento oficial no início do século, por ato do Governo do Estado do Mato Grosso. Houve demarcação em 1900 e expedição de decreto em 1903, que já estabelecia como limites naturais os mesmos atuais acima mencionados. Em 9 de abril de 1931, o decreto n° 54 ratificou estes limites. Mas os problemas fundiários foram uma constante em sua história e os Kadiwéu não apagaram de sua memória as tentativas de invasão e conflitos ocorridos desde o início do século. Mais recentemente, a demarcação de suas terras, concluída em 1981, cercou-se de muita tensão com invasores e deixou inclusive de fora de seu perímetro uma aldeia Kadiwéu de nome Xatelôdo, localizada na serra da Bodoquena. Em 1983 eram em número de 1.868 os posseiros que ocupavam aquela Terra Indígena. Os conflitos gerados, notadamente nos anos de 1982 e 1983, foram amplamente divulgados pela imprensa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta história marcou-se também por inevitáveis conflitos com fazendeiros arrendatários. Os pecuaristas começaram a adentrar o território Kadiwéu há quase cinco décadas, havendo notícias de que o primeiro o teria feito em 1952. Desde o final da década de 50 começaram, de outra forma, a ocupar este território com autorização oficial do Serviço de Proteção ao Índio (SPI, órgão que antecedeu a atual FUNAI). Em 1961, já haviam sido efetivados 61 contratos individuais com arrendatários. Esta ocupação alterou significativamente a utilização pelos índios de seu território. No início da década de 90, eram 89 as fazendas arrendadas no interior da Terra Kadiwéu, as quais se estendiam pelo território quase que na sua inteireza, de forma a ficarem os índios espremidos nas suas aldeias.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Organização social e política ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No passado, as hordas Mbayá se dividiam em &amp;quot;tolderias&amp;quot;. A tolderia, onde havia uma casa coletiva, era a menor unidade política e econômica, que reunia a parentela de um &amp;quot;capitão&amp;quot; e os seus cativos. As famílias de &amp;quot;capitães&amp;quot; compunham-se dos Mbayá de nascimento, que hoje são recordados como famílias de Kadiwéu &amp;quot;puros&amp;quot;, conforme a elas se referem, ou os ''goniwtagodepodi ejiwajigi'' (&amp;quot;nossos senhores Kadiwéu&amp;quot;), sendo ''ejiwajigi ''a sua auto-denominação. ''Goniwtagodi'', ou ''goniwaagodi'', conforme as falas masculina e feminina, respectivamente (há distinção lingüística entre as duas), é um termo de tratamento que os Kadiwéu usam para qualquer pessoa do sexo masculino, inclusive estrangeiros. As mulheres, da mesma maneira, são interpeladas pelos termos ''goniwtagodo ''(na fala masculina) ou ''goniwaagodo ''(na fala feminina). Também abordam as crianças por estes termos, que traduzem como senhor e senhora (''goniwtagodi ''= nosso senhor, ''iniwtagodi ''= meu senhor).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os capitães eram todos os descendentes de capitães, em qualquer linha ou grau, inclusive os de sexo feminino (as &amp;quot;capitãs&amp;quot;). Uma vez que o núcleo de Kadiwéu &amp;quot;puros&amp;quot; era diminuto em virtude da baixa natalidade, certamente alguns cativos a ele deveriam se incorporar, possivelmente via casamento, que não era o preferencial. Pois os Kadiwéu afirmam que os senhores não se casavam, antes, com os seus cativos, regra hoje não verificável. Ainda permanece naquela sociedade a distinção hierárquica entre aqueles que se consideram Kadiwéu &amp;quot;puros&amp;quot; e os descendentes de cativos. Atualmente apenas duas famílias reivindicam o status de senhores na aldeia Bodoquena. Ambas disputam a hegemonia política no grupo. A relação de &amp;quot;cativeiro&amp;quot; se faz notar melhor nas práticas rituais. Por exemplo, quando há alguma atividade em que rapazes e moças participam pela primeira vez, precisam ser representados naquele momento por um cativo seu. De forma geral, no que diz respeito às atividades cotidianas, as famílias, qualquer uma delas, desenvolvem-nas de forma autônoma e enquanto unidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1992, os Kadiwéu da aldeia Bodoquena se distribuíam entre 110 casas, que abrigam mais freqüentemente famílias nucleares, dispostas em geral por grupos de parentes e obedecendo preferencialmente uma regra matrilocal. São muito freqüentes os casamentos com os Terena. Nessa época, apenas na aldeia Bodoquena, em 28 famílias nucleares um dos cônjuges era Terena. Isto sem mencionar os que têm ancestrais desta última etnia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As decisões políticas e de interesse geral do grupo estão fortemente centralizadas na figura do capitão e seus assessores. O direito de chefia é hereditário. Hoje, tal direito é reconhecido como &amp;quot;naturalmente&amp;quot; pertencente ao bisneto primogênito do Capitãozinho, um venerável líder do passado. Contudo, as regras se flexibilizaram no sentido do sufrágio, no que diz respeito à chefia. Os capitães, termo com que se referem ao chefe ou &amp;quot;cacique&amp;quot;, atualmente são escolhidos dentro do grupo e, no transcurso da sua história recente, vários capitães se sucederam em curtos períodos. Estes nem sempre pertencem a &amp;quot;famílias de capitães&amp;quot; e, quando não pertencem, sua posição política não altera seu status social. O capitão é assessorado por um conselho, composto sobretudo por homens mais velhos e experientes. Cabe notar, entretanto, que é igualmente forte o papel político de líderes jovens, que alcançaram prestígio sobretudo devido ao seu grau de instrução (alguns deles possuem até o 2° grau escolar) e seu domínio da língua portuguesa, muito útil nas negociações externas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Arte ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Foto: Claude Lévi-Strauss, 1935&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211638-1/kadiweu_10.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os finos desenhos corporais realizados pelos Kadiwéu constituem-se em uma forma notável da expressão de sua arte. Hábeis desenhistas estampam rostos com desenhos minuciosos e simétricos, traçados com a tinta obtida da mistura de suco de jenipapo com pó de carvão, aplicada com uma fina lasca de madeira ou taquara. No passado, a pintura corporal marcava a diferença entre nobres, guerreiros e cativos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As mulheres Kadiwéu produzem, igualmente, belas peças de cerâmica: vasos de diversos tamanho e formato, pratos também de diversos tamanhos e profundidade, animais, enfeites de parede, entre outras peças criativas. Decoram-nas com padrões que lhes são distintos, que segue a um repertório rico, mas fixo, de formas preenchidas com variadas cores. A matéria-prima de seu trabalho encontram-na em barreiros especiais, que contêm o barro da consistência e tonalidade ideais para a cerâmica durável. Os pigmentos para sua pintura são conseguidos de areias dos mais variados tons, alguns dos detalhes sendo envernizados com a resina do pau-santo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Podemos também ver a arte Kadiwéu expressa nos cânticos das mulheres velhas, nas músicas dos tocadores de flauta e tambor, e nas danças coletivas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Narrativas ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Desenhos publicados em VIDAL, Lux (org.). Grafismo Indígena. Studio Nobel, Fapesp, Edusp, SP, 1992&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211644-1/kadiweu_12.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sociedade Kadiwéu teve na guerra de captura o fundamento de sua organização. A memória da guerra é bastante presente e acionada sempre nos discursos de auto-definição, bem como fonte de recursos a serem usados na sua relação atual com a sociedade nacional. O ideal do guerreiro é fonte de valores que ainda norteiam as suas práticas. Vários mitos Kadiwéu fazem menção aos ''Godapoagenigi'', aqueles guerreiros que se sobressaíam por sua coragem e força física. Dentre as narrativas que ouvi de seu rico repertório, os Kadiwéu distinguem pelo menos duas classes. A uma delas chamam de &amp;quot;histórias de admirar&amp;quot;, ou &amp;quot;histórias que fazem milagres&amp;quot;, &amp;quot;histórias sagradas&amp;quot;, mais próximas da categoria de mitos propriamente ditos. Outra classe seria a das &amp;quot;histórias que aconteceram mesmo&amp;quot;, que se apresentam como &amp;quot;descrição histórica&amp;quot; de eventos tais como as guerras do passado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É nas &amp;quot;histórias de admirar&amp;quot; que os Kadiwéu vão buscar seus nomes pessoais -chamei-as &amp;quot;mitos de nominação&amp;quot;. Muitos destes mitos são de propriedade de famílias de capitães, e os nomes pessoais que deles advêm podem ser usados por seus descendentes e cativos. Em muitas destas histórias, os protagonistas são ancestrais mitológicos de famílias de capitães.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Algumas outras contam também com personagens míticos ancestrais de cativos, cujos descendentes lhes usam os nomes. Nestes mitos estão contidos ensinamentos, conselhos e prescrições. Cada um vem a explicar e a prescrever um costume: o ato da guerra de captura de crianças, a iniciação feminina, o uso da bebida feita do mel, determinados remédios, tabus alimentares. O mito de criação, também incluído nesta categoria, fala do início da sociedade Kadiwéu e daquilo que a distingue das demais sociedades com que mantêm ou mantiveram contato, tecendo comentários sobre as mesmas e sobre esta relação.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritos ==&lt;br /&gt;
{{#miniatura: left&lt;br /&gt;
|Bobos, ritual do navio. Foto: Mônica Pechincha, 1992&lt;br /&gt;
|http://img.socioambiental.org/d/211654-3/kadiweu_15.jpg&lt;br /&gt;
 }}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O indivíduo Kadiwéu recebe um nome por ocasião de seu nascimento e quando da morte de um parente. Durante os ritos funerários, os parentes do morto têm seus cabelos cortados. Aquele que corta o cabelo em sinal de luto é chamado ''okojege''. As mulheres velhas, conhecedoras destes ritos, se reúnem durante o funeral para decidir o nome mais adequado para o enlutado. Quando se perde um parente próximo é também possível adotar alguma outra pessoa (independentemente da idade, do sexo e do grau ou mesmo da existência de parentesco) para preencher a falta do morto. Um parente adotado nestas circunstâncias é chamado ''godokogenigi''. A este também se dá um novo nome e se lhe corta os cabelos. Há ainda uma outra forma de se estabelecer um parentesco &amp;quot;de consideração&amp;quot;. É através da relação entre ''imedi'' (ou ''imeeti'', no caso das mulheres, palavra traduzida como &amp;quot;amigo/a&amp;quot;). Duas famílias podem acertar fazer ''imedi'' um filho de cada uma, os quais estabeleceriam entre si uma relação de irmãos e as atitudes que lhes são peculiares. Os descendentes de dois ''imedi'' seriam ''imedi'' entre si.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além de ritos funerários, praticam também o que chamam de &amp;quot;Festa da Moça&amp;quot;. Ritual de iniciação feminina, submete a menina que passa pela menarca a uma reclusão de dois dias e a uma dieta rigorosa. Não pode pisar o chão e nem olhar para animais. No clímax do ritual, esta menina é &amp;quot;abanada&amp;quot; com um pano vermelho bordado com miçangas e penduricalhos nas pontas (o &amp;quot;abanico&amp;quot;, ''wajuide'') e, deitada de bruços, será pressionada na altura dos rins por uma mulher da aldeia cuidadosamente escolhida por seus familiares, pois suas características serão assimiladas pela menina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Navio, ou ''Etogo'', é o ritual que os Kadiwéu consideram a expressão mais visível de sua alteridade, pois, como dizem, é o que melhor mostra que eles são &amp;quot;índios mesmo&amp;quot;. Realizado em 1992, havia pelo menos cinqüenta anos que não vinha sendo encenado e não voltou a ser repetido após essa data. A motivação imediata para a sua realização foi a necessidade de mostrar a brancos, seus convidados, o ritual mais expressivo de sua identidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Navio é um longo ritual. Faz referência à Guerra do Paraguai, notada, entre outros aspectos, pela afixação, a cada lado da entrada do navio de tabocas que construíram para ser o espaço ritual, de bandeiras estilizadas do Brasil e do Paraguai. O Navio mimetiza um navio de guerra, tal como os que os Kadiwéu dizem ter visto, no passado, a percorrer o rio Paraguai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O chefe do Navio é o personagem chamado ''Maxiotagi'', ou o &amp;quot;Macho&amp;quot;. ''Maxiotagi'' é um personagem Xamakôko (embora o ator seja Kadiwéu), da etnia que foi a principal fonte de cativos no passado. A sua função no ritual é ditar as ordens que condicionam as cenas do seu desenvolvimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Maxiotagi'', que é cego, tem seus companheiros, Ligecoge, &amp;quot;os Olhos do Macho&amp;quot;, e ''Lionigawanigi'' (Pequeno), que o auxiliam em suas atividades. Estes personagens se adornam com paramentos engraçados. No Navio também há o Delegado, o Sargento (''Jajentege''), os cabos e os escrivães (''Nidikuna''). E também ''Ixotece Gonibedona Gonibegi'', ou &amp;quot;Dedo-no-Cu&amp;quot;, que se encarrega da &amp;quot;ronda&amp;quot;. A regra máxima no Navio é não poder rir, sob pena de ser preso e/ou pagar uma &amp;quot;fiança&amp;quot;, cobrada, geralmente, em forma de gado a ser abatido na hora, abastecendo o churrasco coletivo dos vários dias deste ritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No período ritual, a rotina da aldeia é totalmente modificada e todos se comportam como se estivessem sob voz de comando, só agindo conforme as ordens do chefe. Durante o Navio, todos os homens da aldeia são chamados de &amp;quot;soldados&amp;quot; e todas as mulheres, de paraguaias (gaxianaxe), e representam presas de guerra. Há também um papel particular para as mulheres velhas, que são no grupo quem guarda os cânticos sagrados. Essas mulheres, conhecedoras únicas da linguagem dos cânticos, que os jovens não sabem traduzir, cantam à maneira de repente sempre que um acontecimento importante advém ao grupo. Os seus cânticos recordam fatos históricos e guardam a memória dos capitães e seus grandes feitos, além de comentar, com base em sua história e cosmologia, os fatos atuais. As mulheres velhas cantam (ou &amp;quot;rezam&amp;quot;) no Navio para livrar os presos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O momento ritual é preenchido também por danças masculinas (nabacenaganaga, ou &amp;quot;bate-pau&amp;quot;) e femininas, pela música entoada por seus instrumentos típicos, a flauta (natena) e o tambor (goge), por brincadeiras e jogos (sobretudo os que demonstram o desempenho físico dos homens, lembrando os godapoagenigi), e pela apresentação dos &amp;quot;bobos&amp;quot; (bobotegi). Estes são personagens que não figuram só no Navio. Apresentam-se mascarados, o corpo também dissimulado, irreconhecíveis, dançando suas &amp;quot;polcas&amp;quot; específicas, assustando as crianças a quem pedem prendas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há também um Padre no Navio, que batiza como os padres dos cristãos e simula ritos de cura, como o do nijienigi (o xamã Kadiwéu). O nijienigi é capaz de prever, com a ajuda das entidades espirituais que o guiam, os acontecimentos vindouros. Por isso, no passado seu papel foi fundamental nas estratégias guerreiras. Os nijienigi também curam e na aldeia ainda são chamados a intervir em casos de doenças.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Nota sobre as fontes ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A mais importante referência histórica sobre os Kadiwéu (ou os Guaikurú-Mbayá) encontra-se na obra do Pe. José Sanchez-Labrador intitulada ''El Paraguay Católico'', considerada uma das melhores etnografias escritas no século XVIII. Vários cronistas no século XIX registraram, com mais ou menos detalhes, as suas impressões sobre estes índios, sua localização, modo de vida e relações com os colonizadores. Dentre eles, destacam-se Ricardo Franco de Almeida Serra, Francisco Rodrigues do Prado, Alexandre Rodrigues Ferreira, Francis Castelnau, Alfred d'Escragnole Taunay (que narrou episódios da participação indígena na Guerra do Paraguai) e, notadamente, Guido Boggiani. Este último autor viveu alguns meses entre os Kadiwéu no final do século passado e nos legou, entre outros escritos, o seu rico diário de campo referente àquela visita, publicado com o nome de Os Caduveos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Boggiani recolheu um vasto material representativo da arte e artefatos Kadiwéu, cuja mais significativa coleção encontra-se hoje conservada pelo museu &amp;quot;Luigi Pigorini&amp;quot;, em Roma. Pode-se obter igualmente informações históricas em relatórios de Presidentes da Província do Mato Grosso guardados pelo Arquivo Nacional. Quanto a trabalhos antropológicos propriamente ditos, Alfred Métraux nos oferece estudos etnológicos sobre os índios do Grã Chaco, sobretudo no que tange à religião. Claude Lévi-Strauss esteve entre os Kadiwéu em 1937 e escreveu sobre sua arte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Darcy Ribeiro procedeu pesquisa de campo entre os Kadiwéu no final da década de 1940 e seus trabalhos mais importantes sobre os mesmos estão reunidos no volume ''Kadiwéu: Ensaios Etnológicos sobre o Saber, o Azar e a Beleza'' que, como já indica o título, trata de mitologia, xamanismo e arte. Escreveu também um artigo sobre &amp;quot;O sistema familial Kadiwéu&amp;quot; (1948). Mais recentemente foram defendidas duas teses de mestrado: a de Jaime Siqueira Jr. (USP, 1993), que trata da construção do tempo e espaço Kadiwéu; e a de Mônica Thereza Pechincha, intitulada ''Histórias de Admirar: Mito, Rito e História Kadiwéu'' (UnB, 1994). A língua Kadiwéu foi estudada por Silvia L.B. Braggio (1981). Quanto a relatórios técnicos, cabe mencionar os produzidos por Alain Moreau, que há vários anos freqüenta e acompanha a sociedade Kadiwéu e tem lhe prestado, mediante iniciativa pessoal, valiosa assessoria jurídica, sobretudo na condução do processo de substituição do regime de arrendamento.&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes de informação ==&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BEHR, Miguel von. Os Cadiueu. In: BEHR, Miguel von. Serra da Bodoquena : história, cultura, natureza. Campo Grande : Free, 2001. p. 53-61.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BOGGIANI, G. Os Caduveos. Belo Horizonte : Itatiaia, 1975.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;BRAGGIO, Silvia Lúcia Bigonjal. Aspectos fonológicos e morfológicos do kadiwéu. Campinas : Unicamp, 1981. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CACERES, Luiz d’Albuquerque de Mello Pereira e. Exploração do Rio Paraguay e Primeiras Práticas com os índios Guaikurús. Rev. Trimensal do Instituto Histórico Geográfico e Ethnographico do Brasil, s.l. : IHGEB, v. 28, p. 70-117, 1865.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;CASTELNAU, Francis. Expedição às Regiões Centrais da América do Sul. v. 2. São Paulo : Cia. Ed. Nacional, 1949.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;D’ALINCOURT, Luiz. Reflexões sobre o systema que se deve adoptar na fronteira do Paraguay, em conseqüência da revolta e dos insultos praticados ultimamente pela nação dos Índios Guaicurus ou cavalleiros. Rev. Inst. Hist. Geogr. Bras., s.l. : IHGB, v. 20, p. 360-5, 1857.&lt;br /&gt;
     &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Viagem Filosófica pelas Capitanias do Grão Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Rio de Janeiro : Conselho Federal de Cultura, 1974. 162 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. A Gruta do Inferno. Rev. Trim. Hist. Geogr., s.l. : s.ed., n. 4, p. 360-5, 1842&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;GRIFFTHS, Glyn. Gramática Pedagógica Kadiwéu. Brasília : SIL, 1986&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;KOLLER LECZNIESKI, Lisiane - 2005. Estranhos Laços: predação e cuidado entre os Kadiwéu, Tese de doutoramento em antropologia social, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;LÉVI-STRAUSS, Claude . Saudades do Brasil. São Paulo : Companhia das Letras, 1994. 227 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Tristes Trópicos. São Paulo : Companhia das Letras, 1996.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;MANGOLIM, Olívio. Povos indígenas no Mato Grosso do Sul : viveremos por mais 500 anos. Campo Grande : Cimi-MS, 1993. 120 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SCHMÍDEL, U. Viaje al Rio de La Plata. Buenos Aires : Cabaut y Cia. Ed., 1903.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SERRA, Ricardo Franco de Almeida. Parecer sobre o aldeamento dos índios Uaicurus e Guanás com a descripção dos seus usos, religião, estabilidade e costumes. Rev. Inst. Hist. Geogr. Brasil., s.l. : IHGB, v. 7, p. 204-18, 1845.&lt;br /&gt;
    --------. Continuação do parecer sobre os índios Uaicurús e Guanás. Rev. Inst. Hist. Geogr. Brasil., s.l. : IHGB, v. 13, p. 348-95, 1850.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;SIQUEIRA JÚNIOR, Jaime Garcia. Arte e técnicas Kadiwéu. São Paulo : Secretaria Municipal de Cultura, 1992. 125 p.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. “Esse campo custou o sangue dos nossos avós” : a construção do tempo e espaço Kadiwéu. São Paulo : USP, 1993. 290 p. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;--------. Kadiwéu : as dificuldades da gestão direta dos arrendamentos. In: RICARDO, Carlos Alberto (Ed.). Povos Indígenas no Brasil : 1987/88/89/90. São Paulo : Cedi, 1991. p. 538-42. (Aconteceu Especial, 18)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;TAUNAY, Alfred d’Escragnole. Entre Nossos Índios. São Paulo : Melhoramentos, 1923.&lt;br /&gt;
    --------. A Retirada da Laguna. São Paulo : Melhoramentos, 1963.&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;VINHA, Marina. Memórias do guerreiro, sonhos do atleta : jogos tradicionais e esporte entre jovens Kadiwéu. Campinas : Unicamp, 1999. (Dissertação de Mestrado)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;WILBERT, Johannes; SIMONEAU, Karin (Eds.). Folk literature of the Caduveo indians. Los Angeles : Univ. of California, 1987. 214 p. (Ucla Latin American Studies, 71)&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;A propos de tristes tropiques. Dir.: Jorge Bodansky; Patrick Menget. Vídeo Cor, U-Matic, 50 min., 1991. Prod.: Yves Billon; Les Filmes du Village&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!-- Seção escrita por [[Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha|Mônica Thereza Soares Pechincha]]. --&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Kadiwéu}}&lt;br /&gt;
{{#set:Tem autor=Usuário:Mônica Thereza Soares Pechincha}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{#set:Ativo=1}}&lt;br /&gt;
{{#set:Capa=1339458257487b6315b217c.jpg}}&lt;br /&gt;
{{#set:Counter=126470}}&lt;br /&gt;
{{#set:Crédito capa=Agência O Globo, 1985}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data verbete=1999-03-01}}&lt;br /&gt;
{{#set:Estilo=claro}}&lt;br /&gt;
{{#set:Povo Id=124}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
[[Categoria:Povos indígenas no Mato Grosso do Sul]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Lista_de_organiza%C3%A7%C3%B5es_de_apoio_aos_povos_ind%C3%ADgenas&amp;diff=6586</id>
		<title>Lista de organizações de apoio aos povos indígenas</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Lista_de_organiza%C3%A7%C3%B5es_de_apoio_aos_povos_ind%C3%ADgenas&amp;diff=6586"/>
		<updated>2019-01-31T16:37:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: atualização comin&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |Lista de organizações de apoio aos povos indígenas}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Lead |Segue uma lista de entidade de apoio aos povos indígenas, com um breve resumo de suas atividades e seus respectivos links.}}&lt;br /&gt;
Às entidades que não estiverem na lista, por favor enviem um breve resumo das suas ações e seu link para o e-mail: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;mailto:fany@socioambiental.org?subject=%20&amp;amp;amp;body=%20&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;fany@socioambiental.org&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
;ANAI – Associação Nacional de Ação Indigenista&lt;br /&gt;
:A ANAI faz indigenismo aplicado na região Nordeste-Leste, a mesma área compreendida pelos estados &amp;quot;representados&amp;quot; pela organização indígena  Apoinme – Articulação dos Povos Indígenas no Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo. Seus ativistas intervêm em políticas públicas direcionadas para os povos indígenas da região nas áreas fundiária, de educação, saúde, sustentabilidade etc. Assessoram a Apoinme e organizações indígenas de caráter local na região, em especial na Bahia, em ações de formação política, de direitos indígenas e outros temas. Possui uma rede de disseminação de notícias sobre povos indígenas denominada ANAIND. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.anai.org.br &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;www.anai.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;CEstA - Centro de Estudos Ameríndios&lt;br /&gt;
:O Centro de Estudos Ameríndios (CEstA) é um Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP), vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Tem como objetivo produzir, aprofundar, sistematizar e divulgar conhecimentos sobre os povos indígenas das Américas. Sua equipe é composta por pesquisadores de diferentes áreas, contando com especialistas reconhecidos no Brasil e no exterior, vinculados à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (Departamentos de Antropologia e História), Museu de Arqueologia e Etnologia, Instituto de Estudos Brasileiros e Instituto de Matemática e Estatística (Departamento de Ciência da Computação).&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.usp.br/cesta/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.usp.br/cesta/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;CIMI – Conselho Indigenista Missionário&lt;br /&gt;
:O Cimi é um organismo vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que, em sua atuação missionária, conferiu um novo sentido ao trabalho da igreja católica junto aos povos indígenas. Impulsionados(as) por nossa fé no Evangelho da vida, justiça e  solidariedade e frente às agressões do modelo neoliberal, decidimos intensificar a presença e apoio junto às comunidades, povos e organizações indígenas e intervir na sociedade brasileira como aliados (as) dos povos indígenas, fortalecendo o processo de autonomia desses povos na construção de um projeto alternativos, pluriétnico, popular e democrático.” &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cimi.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;www.cimi.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;COMIN – Conselho de Missão entre Povos Indígenas&lt;br /&gt;
:O Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN) é um órgão que assessora e coordena trabalhos junto aos povos indígenas. Criado em 1982, tem como compromisso apoiar as prioridades colocadas pelos povos e comunidades indígenas, respeitando seu jeito de ser e sua cultura, trabalhando com eles e não por eles. Para isso, atua criando parcerias e dando apoio nas áreas de educação, saúde, terra, organização, sustentabilidade e defesa de direitos. O COMIN é vinculado à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e, atualmente, é um dos programas da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), a partir da sua incorporação, em 2018. Os trabalhos do COMIN são realizados por uma equipe interdisciplinar dividida em quatro campos de trabalho: Acre e sul do Amazonas, Rondônia, leste e norte de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O órgão atua também através do PROFORDI, o Programa de Formação e Diálogo Intercultural e Inter-religioso, que tem o objetivo de mostrar a realidade dos povos indígenas aos não indígenas para que possam respeitá-la e valorizá-la. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.comin.org.br &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.comin.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;CPI-AC (Comissão Pró-Índio do Acre)&lt;br /&gt;
:A Comissão Pró-Índio do Acre (CPI – AC) é uma organização não-governamental, indigenista, criada em 19 de fevereiro de 1979. Presente em 11 municípios, conta com três coordenações: educação, saúde, meio ambiente/agricultura.  Desenvolve cursos de formação, assessora as aldeias, providencia documentação e publicação didática para 9 etnias, em 20 terras indígenas (Ashaninka, Kaxinawá, Arara, Manchineri, Apurinã, Jaminawa, Yawanawá, Kulina e Katukina). Além dessas atividades, realizadas no Acre, a CPI assessora programas voltados para as populações indígenas de outros estados. &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cpiacre.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cpiacre.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;CPI-SP (Comissão Pró-Índio de São Paulo)&lt;br /&gt;
:A organização não-governamental Comissão Pró-Índio de São Paulo foi fundada em 1978 por um grupo de antropólogos, advogados, médicos, jornalistas e estudantes para defender os direitos dos povos indígenas frente às crescentes ameaças do regime ditatorial vigente naquela época. Nos seus 30 anos de existência, Comissão Pró-Índio de São Paulo tem atuado junto com índios e quilombolas para garantir seus direitos territoriais, culturais e políticos, procurando contribuir com o fortalecimento da democracia e o reconhecimento dos direitos das minorias étnicas. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cpisp.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cpisp.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;CTI  (Centro de Trabalho Indigenista)&lt;br /&gt;
:Fundado em 1979, o Centro de Trabalho Indigenista por meio dos programas atua diretamente com as comunidades indígenas – Guarani, Timbira, Terena, Vale do javari -, repassando recursos e assessoria técnica. Cada programa foi elaborado a partir de demandas locais identificadas em conjunto com os índios. O objetivo do trabalho é que as comunidades reduzam a dependência em relação ao Estado e a outras agências assistenciais, assumindo o controle de toda e quaisquer intervenções em seus territórios. Os programas significam ações continuadas e perfazem uma ou mais linhas temáticas, organizadas e viabilizadas por meio de projetos inter-complementares. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br/default.asp&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br/default.asp&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;Greenpeace&lt;br /&gt;
:O Greenpeace é &amp;quot;uma organização global cuja missão é proteger o meio ambiente, promover a paz e inspirar mudanças de atitudes que garantam um futuro mais verde e limpo para esta e para as futuras gerações.&amp;quot;&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;IEB - Instituto Internacional de Educação do Brasil&lt;br /&gt;
:O Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) é uma instituição brasileira do terceiro setor dedicada a formar e capacitar pessoas, bem como fortalecer organizações nas áreas de manejo dos recursos naturais, gestão ambiental e territorial e outros temas relacionados à sustentabilidade. O IEB atua em rede, busca parcerias e promove situações de interação e intercâmbio entre organizações da sociedade civil, associações comunitárias, instâncias de governo e do setor privado. Como uma organização de ações educativas, incorpora os saberes de parceiros, as diferentes culturas e as técnicas populares.&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.iieb.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.iieb.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
;Iepé (Instituto de Formação e Pesquisa em Educação Indígena)&lt;br /&gt;
:O objetivo central do Iepé é contribuir para o fortalecimento cultural e político e para o desenvolvimento sustentável das comunidades indígenas que vivem no Amapá e norte do Pará, proporcionando-lhes assessoria especializada e capacitação técnica diversificada para que se organizem e possam enfrentar de forma articulada os desafios crescentes que se colocam hoje às suas comunidades e organizações, para a defesa de seus interesses. Partimos do pressuposto de que a consolidação de um movimento de articulação entre os grupos indígenas da região, em torno de questões de interesse coletivo, é também a melhor maneira de fortalecer suas organizações representativas frente aos seus interlocutores externos.  &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.institutoiepe.org.br/iepe.html   &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.institutoiepe.org.br/iepe.html &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;Índio é Nós&lt;br /&gt;
:Neste portal estão disponíveis as atividades da campanha Índio é nós, bem como textos e vídeos sobre as questões indígenas no Brasil, manifestações artísticas, material para baixar da campanha e ligações para outros sítios relevantes na internet.&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.indio-eh-nos.eco.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.indio-eh-nos.eco.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;INESC - O Instituto de Estudos Socioeconômicos&lt;br /&gt;
:É uma organização não governamental, sem fins lucrativos, não partidária e com finalidade pública. Tem por missão: &amp;quot;Contribuir para o aprimoramento da democracia representativa e participativa visando à garantia dos direitos humanos, mediante a articulação e o fortalecimento da sociedade civil para influenciar os espaços de governança nacional e internacional&amp;quot;. Criado em 1979, o Inesc atua, em todos os seus projetos, com duas principais linhas de ação: o fortalecimento da sociedade civil e a ampliação da participação social em espaços de deliberação de políticas públicas. Um de seus públicos-alvo são as populações indígenas situadas no Brasil.  &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.inesc.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.inesc.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Fundado em 22 de abril de 1994, o ISA incorporou o patrimônio material e imaterial de 15 anos de experiência do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (PIB/CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI) de Brasília. Ambas organizações de atuação reconhecida nas questões dos direitos indígenas no Brasil. O Atualmente  o ISA possui quatro programas envolvidos diretamente com a defesa e a garantia dos povos indígenas situados no Brasil, bem como em projetos de formação e intervenção social em diversas áreas. Veja a seguir o resumo de cada um deles.   Para maiores informações e detalhes de cada programa, entre nos links indicados.  &lt;br /&gt;
:'''Programa Monitoramento de Áreas Protegidas''' - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/monitoramento-de-areas-protegidas&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/monitoramento-de-areas-protegidas&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
:'''Programa Política e Direito Socioambiental''' - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/politica-e-direito-socioambiental&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/politica-e-direito-socioambiental&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
:'''Programa Rio Negro''' - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/rio-negro&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/rio-negro&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
:'''Programa Parque Indígena do Xingu''' - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/xingu&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://www.socioambiental.org/pt-br/o-isa/programas/xingu&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;KANINDÉ (Associação de Defesa Etnoambiental)&lt;br /&gt;
:A Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP, sem fins lucrativos, fundada em 15 de novembro de 1992, por um grupo de pessoas que trabalhavam com o povo indígena Uru-eu-wau-wau e na defesa do meio ambiente, em Rondônia. Entre as principais atividades desenvolvidas, desde a sua criação, destaca-se as ações de vigilância e fiscalização da Terra Indígena Uru-eu-wau-wau e do Parque Nacional de Pacaás Novos, a assessoria às organizações indígenas, laudos de impacto ambiental, Diagnóstico Etnoambiental Participativo em Terras Indígenas, avaliações ecológicas rápidas, educação ambiental, elaboração de projetos e acompanhamento de políticas públicas. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.kaninde.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.kaninde.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;OPAN (Operação Amazônia Nativa)&lt;br /&gt;
:O apoio da ONG Operação Amazônia Nativa (Opan) aos Enawenê-Nawê tem como objetivo promover ações indigenistas nas áreas de saúde, educação, economia e controle do território. Em 1995, teve início um processo de alfabetização na língua nativa, que tem como marca diferencial não ser acompanhado da criação de um espaço escolar definido. Mais recentemente, por solicitação expressa dos Enawenê-Nawê e levando-se em conta o processo de intensificação do contato, foi iniciado o ensino da língua portuguesa e de aritmética, além do trabalho sistemático de discussão sobre aspectos políticos, econômicos e epidemiológicos da região e do País. Para a defesa de suas terras, a Opan desenvolve, junto com os Enawenê-Nawê, um programa de fiscalização dos limites do território e o monitoramento do entorno. No campo da economia, buscou-se ampliar a produção interna por meio do plantio de castanheiras e da introdução de outros cultivares. Em parceria com o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e sob a direção da antropóloga Virgínia Valadão, a Opan viabilizou a realização do vídeo Yãkwa, o banquete dos espíritos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;PORTAL KAINGANG&lt;br /&gt;
:É um espaço de divulgação da cultura e dos direitos do povo Kaingang que se encontram espalhados em todos os estados da região sul e sudeste no Brasil. Foi criado e é mantido pelos indigenistas e pesquisadores  Juracilda Veiga e Wilmar da Rocha D'Angelis.   &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.portalkaingang.org/index_quem.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.portalkaingang.org/index_quem.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;Projeto Vídeo nas Aldeias&lt;br /&gt;
:O Projeto Vídeo nas Aldeias promove, há 14 anos, o encontro do índio com sua imagem. A proposta é tornar o vídeo um instrumento de expressão das identidades indígenas, refletindo suas visões sobre si mesmos e sobre o mundo.  Ao equipar as comunidades indígenas com aparelhos de vídeo, o projeto estimulou o intercâmbio de imagens e informações entre os povos. A formação de documentaristas  indígenas foi feita, inicialmente, de aldeia em aldeia, produzindo registros para uso interno. Hoje, através de oficinas nacionais e regionais, eles aprendem e discutem juntos como falar de sua realidade para o seu povo e para o mundo. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.videonasaldeias.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.videonasaldeias.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;Uma Gota no Oceano&lt;br /&gt;
:Organização que busca 'fornecer conteúdo consistente, independente e envolvente para engajar a  sociedade nas questões essenciais para a construção de um futuro  sustentável.&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://umagotanooceano.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://umagotanooceano.org&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Outro sites ligados a temática indígena==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;BAY – Universidade Indígena&lt;br /&gt;
:&amp;quot;Desde 1996, a Universidade Federal de Minas Gerais tem sido parceira das comunidades indígenas na criação de espaços que propiciem a elaboração e a transformação de seus saberes tradicionais em prol de suas escolas e aldeias.  Como um espaço de experimentação artístico-literárias, a BAY acolhe e divulga as textualidades indígenas.” &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.letras.ufmg.br/bay/?etnia=9&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.letras.ufmg.br/bay/?etnia=9&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;LACED – Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento&lt;br /&gt;
:Órgão de pesquisa vinculado ao Setor de Etnologia e Etnografia do Departamento de Antropologia do Museu Nacional/UFRJ, o LACED é um laboratório interdisciplinar de pesquisas e intervenção que reúne pesquisadores trabalhando em contextos urbanos e rurais, junto a grupos sociais e dispositivos de Estado variados – desde povos indígenas e populações ribeirinhas, grupos étnicos de origem imigrante e quilombolas, até as políticas públicas e reflexões intelectuais a eles referidas – enfatizando o papel político-cultural das construções de identidade e as relações sociais que as sustentam. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;MUSEU DO ÍNDIO&lt;br /&gt;
:Site do Museu do Índio, órgão vinculado a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e localizado no estado do Rio de Janeiro. Ali se encontram inúmeras informações sobre os povos indígenas brasileiros.&lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.museudoindio.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.museudoindio.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;NÚCLEO DE HISTÓRIA INDÍGENA E DO INDIGENISMO - NHII/USP&lt;br /&gt;
:O NHII é um centro de pesquisa e de assessoria especializado, dedicado à investigação de temas ligados à história dos índios no Brasil, bem como às relações dos diversos povos indígenas brasileiros entre si e com a chamada sociedade envolvente, do período colonial até o presente. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.usp.br/nhii/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.usp.br/nhii/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;PÁGINA DO MELLATI&lt;br /&gt;
:Site do Professor de Antropologia Social da Universidade de Brasília, Julio César Mellati, na qual podem ser encontradas inúmeras informações sobre os povos indígenas situados no Brasil (língua, costumes, localizações geográficas etc).      &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.juliomelatti.pro.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.juliomelatti.pro.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;PROJETO TRILHAS DE CONHECIMENTOS: ENSINO SUPERIOR INDÍGENA&lt;br /&gt;
:O Projeto Trilhas de Conhecimentos - o ensino superior de indígenas no Brasil, teve início em fevereiro de 2004 e visa dar suporte ao etnodesenvolvimento dos povos indígenas no Brasil, através de sua formação no ensino superior.   &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trilhasdeconhecimentos.etc.br/projeto/index.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trilhasdeconhecimentos.etc.br/projeto/index.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;PROGRAMA PARAKANÃ - PROPKN&lt;br /&gt;
:É uma ação indigenista junto aos índios Parakanã – Awaete (autodenominação) desenvolvida através de um convênio firmado entre a ELETRONORTE e FUNAI como forma mitigadora dos impactos ambientais e sociais provocados pela instalação da Usina Hidrelétrica de Tucuruí pertencente a CENTRAIS ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S/A – ELETRONORTE. Com a formação do lago, devido a construção da barragem, parte da Terra Indígena Parakanã ficou submersa. O PROPKN foi elaborado por uma equipe multidisciplinar, com participação da FUNAI e ELETRONORTE, com os objetivos abaixo descritos e com previsão de duração por 25 anos a partir de 1988. &lt;br /&gt;
:Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.parakana.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.parakana.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
;PROGRAMA WAIMIRI-ATROARI&lt;br /&gt;
:Sob a denominação de Programa Waimiri Atroari iniciou-se, em 1988, uma ação indigenista junto à comunidade indígena conhecida como Waimiri Atroari - habitante ao norte do Amazonas e sul de Roraima -, com o objetivo de oferecer-lhes condições de melhor enfrentar as dificuldades do relacionamento com a sociedade brasileira e atenuar os impactos dos empreendimentos econômicos que atingem o seu território tradicional. Coube à Eletronorte propor esta ação indigenista, como forma de atenuar os impactos provocados pela interferência do reservatório da UHE Balbina nas terras dos Waimiri Atroari, e que objetiva mitigar grande parte dos problemas provocados pela ação do Estado e de empresas privadas na vida dos Waimiri Atroari. &lt;br /&gt;
Mais informações: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.waimiriatroari.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.waimiriatroari.org.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;h2&amp;gt;Blogs&amp;lt;/h2&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://altino.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://altino.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.sitesindigenas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.sitesindigenas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Listas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Quem_somos&amp;diff=6585</id>
		<title>Quem somos</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Quem_somos&amp;diff=6585"/>
		<updated>2019-01-29T12:48:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Equipe (histórico) */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Quem somos?}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O '''programa Povos Indígenas no Brasil''' é a herança mais sólida que o ISA recebeu do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação). A conformação desse trabalho remonta ao início dos anos 70. No auge da ditadura militar, o lançamento do Plano de Integração Nacional pelo governo brasileiro implicou a implantação de projetos econômicos e estradas na Amazônia, assolando territórios de povos indígenas ainda isolados da sociedade nacional. Naquela época, a situação dos índios era desconhecida por parte da opinião pública, do Estado implementador de políticas públicas e da própria antropologia, cujos especialistas dispunham de informações desatualizadas, parciais e desiguais sobre um arco reduzido de povos indígenas da Amazônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse contexto que começou a se consolidar uma extensa rede de colaboradores, voluntários, não só para “colocar os índios no mapa do Brasil”, mas também para apoiá-los em seus projetos. São pesquisadores, indigenistas, missionários, índios, médicos, jornalistas, fotógrafos, entre outros, que seguem apoiando o ISA nas atividades para dar visibilidade aos povos indígenas por meio de informações qualificadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2012, o site Povos Indígenas no Brasil - parte do portal do Instituto Socioambiental (ISA) - com informações sobre os povos e a temática indígena, completou 15 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criado com o propósito de reunir verbetes com informações e análises de todos os povos indígenas que habitam o território nacional, além de textos, tabelas, gráficos, mapas, listas, fotografias e notícias sobre a realidade desses povos e seus territórios, este site vem sendo, no decorrer destes anos, repensado e aprimorado por diferentes parceiros e colaboradores do programa Povos Indígenas no Brasil. Com apoio da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.noruega.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Embaixada da Noruega&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cafod.org.uk&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;CAFOD&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, este site foi desenvolvido e é mantido por:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Equipe atual==&lt;br /&gt;
; Editora responsável&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
: Victoria Franco Martins Barreira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Silvio Carlos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Equipe (histórico) ==&lt;br /&gt;
; Editora responsável&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Ana Cecilia Venci Bueno&lt;br /&gt;
: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Carlos Alberto (Beto) Ricardo&lt;br /&gt;
: Fernando Fedola L. B. Vianna&lt;br /&gt;
: Julia Trujillo Miras Costa&lt;br /&gt;
: Júlio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
: Marta Amoroso&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Valéria Macedo&lt;br /&gt;
: Leandro Mahalem de Lima&lt;br /&gt;
: Luis Roberto de Paula&lt;br /&gt;
: Luisa Setton&lt;br /&gt;
: Majoí Fávero Gongora&lt;br /&gt;
: Marcos Pereira Rufino&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Rogério do Pateo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Alex Piaz&lt;br /&gt;
: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Eduardo Ultima&lt;br /&gt;
: Gabriella Contoli [produção e edição web]&lt;br /&gt;
: João Ricardo Rampinelli Alves&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autores e colaboradores dos verbetes ==&lt;br /&gt;
:Adelino de Lucena Mendes&lt;br /&gt;
:Aisanain Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Alexandre Herbetta&lt;br /&gt;
:Aloisio Cabalzar&lt;br /&gt;
:Ana Vilacy Galucio&lt;br /&gt;
:Ananda Conde&lt;br /&gt;
:André Ramos&lt;br /&gt;
:André Toral&lt;br /&gt;
:André Villas-Bôas&lt;br /&gt;
:Anthony Seeger&lt;br /&gt;
:Antonio Brito&lt;br /&gt;
:Aparecida Villaça&lt;br /&gt;
:Aristóteles Barcelos Neto&lt;br /&gt;
:Artionka Capiberibe&lt;br /&gt;
:Beatriz de Almeida Matos&lt;br /&gt;
:Benedito Maciel&lt;br /&gt;
:Beth Conklin&lt;br /&gt;
:Betty Mindlin&lt;br /&gt;
:Bruce Albert&lt;br /&gt;
:Bruna Franchetto&lt;br /&gt;
:Carlos Alberto dos Santos Dutra&lt;br /&gt;
:Carlos Augusto da Rocha Freire&lt;br /&gt;
:Carlos Fausto&lt;br /&gt;
:Carlos Guilherme do Valle&lt;br /&gt;
:Carmen Junqueira&lt;br /&gt;
:Carmen Lucia da Silva&lt;br /&gt;
:Caroline Mendonça&lt;br /&gt;
:Cesar Gordon&lt;br /&gt;
:Cloude de Souza Correia&lt;br /&gt;
:Cácio Silva&lt;br /&gt;
:Debra S. Picchi&lt;br /&gt;
:Denise Fajardo Grupioni&lt;br /&gt;
:Domingos Bueno da Silva&lt;br /&gt;
:Dominique T. Gallois&lt;br /&gt;
:Edilene Coffaci de Lima&lt;br /&gt;
:Edir Pina de Barros&lt;br /&gt;
:Edmundo Antonio Peggion&lt;br /&gt;
:Eduardo Viveiros de Castro&lt;br /&gt;
:Elaine Moreira-Lauriola&lt;br /&gt;
:Elisabeth Forseth&lt;br /&gt;
:Ellen Basso&lt;br /&gt;
:Elsje Maria Lagrou&lt;br /&gt;
:Ely Souza Estrela&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Eric Macedo&lt;br /&gt;
:Evelyn Schuler Zea&lt;br /&gt;
:Fabiana Maizza&lt;br /&gt;
:Fabio Mura&lt;br /&gt;
:Fabíola Andréa Silva&lt;br /&gt;
:Felipe Ferreira Vander Velden&lt;br /&gt;
:Flavio Braune Wiik&lt;br /&gt;
:Gabriel Coutinho Barbosa&lt;br /&gt;
:Geraldo Andrello&lt;br /&gt;
:Gilberto Azanha&lt;br /&gt;
:Gilton Mendes dos Santos&lt;br /&gt;
:Giovana Acácia Tempesta&lt;br /&gt;
:Giovani José da Silva&lt;br /&gt;
:Gustaaf Verswijver&lt;br /&gt;
:Hein van der Voort&lt;br /&gt;
:Henyo Trindade Barretto Filho&lt;br /&gt;
:Hilton Nascimento&lt;br /&gt;
:Iara Ferraz&lt;br /&gt;
:Ione Vasconcelos&lt;br /&gt;
:Isabelle Vidal Giannini&lt;br /&gt;
:Jeremy Deturche&lt;br /&gt;
:Joana Aparecida Fernandes Silva&lt;br /&gt;
:Joana Miller&lt;br /&gt;
:Joceny de Deus Pinheiro&lt;br /&gt;
:Jorge Eremites de Oliveira&lt;br /&gt;
:Jorge Hernández Díaz&lt;br /&gt;
:Jorge Pozzobon (1955-2001)&lt;br /&gt;
:Joshua Birchall&lt;br /&gt;
:José Eduardo Moreira da Costa&lt;br /&gt;
:José Glebson Vieira&lt;br /&gt;
:José Luiz de Souza&lt;br /&gt;
:José Maurício Arrutti&lt;br /&gt;
:José Pimenta&lt;br /&gt;
:João Dal Poz&lt;br /&gt;
:Juliana Schiel&lt;br /&gt;
:Julio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
:Jurema Machado de Andrade Souza&lt;br /&gt;
:Kanawayuri Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental&lt;br /&gt;
:Karin Maria Véras&lt;br /&gt;
:Kimiye Tommasino&lt;br /&gt;
:Klinton Senra&lt;br /&gt;
:Kênia Gonçalves Itacaramby&lt;br /&gt;
:Lars Lovold&lt;br /&gt;
:Laura Graham&lt;br /&gt;
:Laura Pérez Gil&lt;br /&gt;
:Laércio Nora Bacelar&lt;br /&gt;
:Louis Carlos Forline&lt;br /&gt;
:Luciana Storto&lt;br /&gt;
:Luciene Pohl&lt;br /&gt;
:Luiz Costa&lt;br /&gt;
:Lux Vidal&lt;br /&gt;
:Luís Roberto de Paula&lt;br /&gt;
:Lúcia Andrade&lt;br /&gt;
:Manuel Ferreira Lima Filho&lt;br /&gt;
:Marcela Coelho de Souza&lt;br /&gt;
:Marcelo Simão Mercante&lt;br /&gt;
:Marco Antonio Gonçalves&lt;br /&gt;
:Maria Auxiliadora Cruz De Sá Leão&lt;br /&gt;
:Maria Carmen R. Do Vale&lt;br /&gt;
:Maria Cristina Troncarelli&lt;br /&gt;
:Maria Elisa Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Hilda Baqueiro Paraiso&lt;br /&gt;
:Maria Inês Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Odileiz Sousa Cruz&lt;br /&gt;
:Maria Rosário Carvalho&lt;br /&gt;
:Maria Sylvia Porto Alegre&lt;br /&gt;
:Mariana Ciavatta Pantoja&lt;br /&gt;
:Marilene da Silva Ribeiro&lt;br /&gt;
:Marlinda Melo Patrício&lt;br /&gt;
:Marta Amoroso&lt;br /&gt;
:Marília Facó Soares&lt;br /&gt;
:Miguel Carid Naveira&lt;br /&gt;
:Márcio Meira&lt;br /&gt;
:Márnio Teixeira-Pinto&lt;br /&gt;
:Mônica Thereza Soares Pechincha&lt;br /&gt;
:Nicole Soares Pinto&lt;br /&gt;
:Nilson Gabas Jr.&lt;br /&gt;
:Oiara Bonilla&lt;br /&gt;
:Organização Metareilá do Povo Indígena Paiter&lt;br /&gt;
:Oscar Calavia Sáez&lt;br /&gt;
:Patrick Menget&lt;br /&gt;
:Patrícia de Mendonça Rodrigues&lt;br /&gt;
:Paula Morgado&lt;br /&gt;
:Paulo Santilli&lt;br /&gt;
:Paulo Serpa&lt;br /&gt;
:Pedro Lolli&lt;br /&gt;
:Peter Schröder&lt;br /&gt;
:Priscila Faulhaber&lt;br /&gt;
:Raquel Guirardello&lt;br /&gt;
:Regina Polo Müller&lt;br /&gt;
:Ricardo Burg Mlynarz&lt;br /&gt;
:Ricardo Cid Fernandes&lt;br /&gt;
:Rinaldo S.V. Arruda&lt;br /&gt;
:Rita Heloísa de Almeida&lt;br /&gt;
:Rita de Cássia M. Neves&lt;br /&gt;
:Robin Wright&lt;br /&gt;
:Rodrigo Padua Rodrigues Chaves&lt;br /&gt;
:Rodrigo de Azeredo Grünewald&lt;br /&gt;
:Roque de Barros Laraia&lt;br /&gt;
:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida&lt;br /&gt;
:Ruben Caixeta de Queiroz&lt;br /&gt;
:Samuel Cruz&lt;br /&gt;
:Sarah Miranda&lt;br /&gt;
:Sebastian Drude&lt;br /&gt;
:Sheila Brasileiro&lt;br /&gt;
:Stela Azevedo de Abreu&lt;br /&gt;
:Stephen Hugh-Jones&lt;br /&gt;
:Susana de Matos Viegas&lt;br /&gt;
:Sônia da Silva Lorenz&lt;br /&gt;
:Tarsila dos Reis Menezes&lt;br /&gt;
:Thomas Gregor&lt;br /&gt;
:Tânia Stolze Lima&lt;br /&gt;
:Ugo Maia Andrade&lt;br /&gt;
:Vanessa Caldeira&lt;br /&gt;
:Vera Lúcia Calheiros Mata&lt;br /&gt;
:Virgínia Valadão (1952-1998)&lt;br /&gt;
:Vânia Fialho&lt;br /&gt;
:Wallace de Deus Barbosa&lt;br /&gt;
:Waud Kracke&lt;br /&gt;
:William Balée&lt;br /&gt;
:William H. Crocker&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Quem somos}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-10-06}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Quem_somos&amp;diff=6584</id>
		<title>Quem somos</title>
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		<updated>2019-01-29T12:47:04Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Colaboradores dos verbetes */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Quem somos?}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O '''programa Povos Indígenas no Brasil''' é a herança mais sólida que o ISA recebeu do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação). A conformação desse trabalho remonta ao início dos anos 70. No auge da ditadura militar, o lançamento do Plano de Integração Nacional pelo governo brasileiro implicou a implantação de projetos econômicos e estradas na Amazônia, assolando territórios de povos indígenas ainda isolados da sociedade nacional. Naquela época, a situação dos índios era desconhecida por parte da opinião pública, do Estado implementador de políticas públicas e da própria antropologia, cujos especialistas dispunham de informações desatualizadas, parciais e desiguais sobre um arco reduzido de povos indígenas da Amazônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse contexto que começou a se consolidar uma extensa rede de colaboradores, voluntários, não só para “colocar os índios no mapa do Brasil”, mas também para apoiá-los em seus projetos. São pesquisadores, indigenistas, missionários, índios, médicos, jornalistas, fotógrafos, entre outros, que seguem apoiando o ISA nas atividades para dar visibilidade aos povos indígenas por meio de informações qualificadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2012, o site Povos Indígenas no Brasil - parte do portal do Instituto Socioambiental (ISA) - com informações sobre os povos e a temática indígena, completou 15 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criado com o propósito de reunir verbetes com informações e análises de todos os povos indígenas que habitam o território nacional, além de textos, tabelas, gráficos, mapas, listas, fotografias e notícias sobre a realidade desses povos e seus territórios, este site vem sendo, no decorrer destes anos, repensado e aprimorado por diferentes parceiros e colaboradores do programa Povos Indígenas no Brasil. Com apoio da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.noruega.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Embaixada da Noruega&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cafod.org.uk&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;CAFOD&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, este site foi desenvolvido e é mantido por:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Equipe atual==&lt;br /&gt;
; Editora responsável&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
: Victoria Franco Martins Barreira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Silvio Carlos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Equipe (histórico) ==&lt;br /&gt;
; Coordenação Geral&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
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: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Carlos Alberto (Beto) Ricardo&lt;br /&gt;
: Fernando Fedola L. B. Vianna&lt;br /&gt;
: Julia Trujillo Miras Costa&lt;br /&gt;
: Júlio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
: Marta Amoroso&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Valéria Macedo&lt;br /&gt;
: Leandro Mahalem de Lima&lt;br /&gt;
: Luis Roberto de Paula&lt;br /&gt;
: Luisa Setton&lt;br /&gt;
: Majoí Fávero Gongora&lt;br /&gt;
: Marcos Pereira Rufino&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Rogério do Pateo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Alex Piaz&lt;br /&gt;
: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Eduardo Ultima&lt;br /&gt;
: Gabriella Contoli [produção e edição web]&lt;br /&gt;
: João Ricardo Rampinelli Alves&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Autores e colaboradores dos verbetes ==&lt;br /&gt;
:Adelino de Lucena Mendes&lt;br /&gt;
:Aisanain Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Alexandre Herbetta&lt;br /&gt;
:Aloisio Cabalzar&lt;br /&gt;
:Ana Vilacy Galucio&lt;br /&gt;
:Ananda Conde&lt;br /&gt;
:André Ramos&lt;br /&gt;
:André Toral&lt;br /&gt;
:André Villas-Bôas&lt;br /&gt;
:Anthony Seeger&lt;br /&gt;
:Antonio Brito&lt;br /&gt;
:Aparecida Villaça&lt;br /&gt;
:Aristóteles Barcelos Neto&lt;br /&gt;
:Artionka Capiberibe&lt;br /&gt;
:Beatriz de Almeida Matos&lt;br /&gt;
:Benedito Maciel&lt;br /&gt;
:Beth Conklin&lt;br /&gt;
:Betty Mindlin&lt;br /&gt;
:Bruce Albert&lt;br /&gt;
:Bruna Franchetto&lt;br /&gt;
:Carlos Alberto dos Santos Dutra&lt;br /&gt;
:Carlos Augusto da Rocha Freire&lt;br /&gt;
:Carlos Fausto&lt;br /&gt;
:Carlos Guilherme do Valle&lt;br /&gt;
:Carmen Junqueira&lt;br /&gt;
:Carmen Lucia da Silva&lt;br /&gt;
:Caroline Mendonça&lt;br /&gt;
:Cesar Gordon&lt;br /&gt;
:Cloude de Souza Correia&lt;br /&gt;
:Cácio Silva&lt;br /&gt;
:Debra S. Picchi&lt;br /&gt;
:Denise Fajardo Grupioni&lt;br /&gt;
:Domingos Bueno da Silva&lt;br /&gt;
:Dominique T. Gallois&lt;br /&gt;
:Edilene Coffaci de Lima&lt;br /&gt;
:Edir Pina de Barros&lt;br /&gt;
:Edmundo Antonio Peggion&lt;br /&gt;
:Eduardo Viveiros de Castro&lt;br /&gt;
:Elaine Moreira-Lauriola&lt;br /&gt;
:Elisabeth Forseth&lt;br /&gt;
:Ellen Basso&lt;br /&gt;
:Elsje Maria Lagrou&lt;br /&gt;
:Ely Souza Estrela&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Eric Macedo&lt;br /&gt;
:Evelyn Schuler Zea&lt;br /&gt;
:Fabiana Maizza&lt;br /&gt;
:Fabio Mura&lt;br /&gt;
:Fabíola Andréa Silva&lt;br /&gt;
:Felipe Ferreira Vander Velden&lt;br /&gt;
:Flavio Braune Wiik&lt;br /&gt;
:Gabriel Coutinho Barbosa&lt;br /&gt;
:Geraldo Andrello&lt;br /&gt;
:Gilberto Azanha&lt;br /&gt;
:Gilton Mendes dos Santos&lt;br /&gt;
:Giovana Acácia Tempesta&lt;br /&gt;
:Giovani José da Silva&lt;br /&gt;
:Gustaaf Verswijver&lt;br /&gt;
:Hein van der Voort&lt;br /&gt;
:Henyo Trindade Barretto Filho&lt;br /&gt;
:Hilton Nascimento&lt;br /&gt;
:Iara Ferraz&lt;br /&gt;
:Ione Vasconcelos&lt;br /&gt;
:Isabelle Vidal Giannini&lt;br /&gt;
:Jeremy Deturche&lt;br /&gt;
:Joana Aparecida Fernandes Silva&lt;br /&gt;
:Joana Miller&lt;br /&gt;
:Joceny de Deus Pinheiro&lt;br /&gt;
:Jorge Eremites de Oliveira&lt;br /&gt;
:Jorge Hernández Díaz&lt;br /&gt;
:Jorge Pozzobon (1955-2001)&lt;br /&gt;
:Joshua Birchall&lt;br /&gt;
:José Eduardo Moreira da Costa&lt;br /&gt;
:José Glebson Vieira&lt;br /&gt;
:José Luiz de Souza&lt;br /&gt;
:José Maurício Arrutti&lt;br /&gt;
:José Pimenta&lt;br /&gt;
:João Dal Poz&lt;br /&gt;
:Juliana Schiel&lt;br /&gt;
:Julio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
:Jurema Machado de Andrade Souza&lt;br /&gt;
:Kanawayuri Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental&lt;br /&gt;
:Karin Maria Véras&lt;br /&gt;
:Kimiye Tommasino&lt;br /&gt;
:Klinton Senra&lt;br /&gt;
:Kênia Gonçalves Itacaramby&lt;br /&gt;
:Lars Lovold&lt;br /&gt;
:Laura Graham&lt;br /&gt;
:Laura Pérez Gil&lt;br /&gt;
:Laércio Nora Bacelar&lt;br /&gt;
:Louis Carlos Forline&lt;br /&gt;
:Luciana Storto&lt;br /&gt;
:Luciene Pohl&lt;br /&gt;
:Luiz Costa&lt;br /&gt;
:Lux Vidal&lt;br /&gt;
:Luís Roberto de Paula&lt;br /&gt;
:Lúcia Andrade&lt;br /&gt;
:Manuel Ferreira Lima Filho&lt;br /&gt;
:Marcela Coelho de Souza&lt;br /&gt;
:Marcelo Simão Mercante&lt;br /&gt;
:Marco Antonio Gonçalves&lt;br /&gt;
:Maria Auxiliadora Cruz De Sá Leão&lt;br /&gt;
:Maria Carmen R. Do Vale&lt;br /&gt;
:Maria Cristina Troncarelli&lt;br /&gt;
:Maria Elisa Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Hilda Baqueiro Paraiso&lt;br /&gt;
:Maria Inês Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Odileiz Sousa Cruz&lt;br /&gt;
:Maria Rosário Carvalho&lt;br /&gt;
:Maria Sylvia Porto Alegre&lt;br /&gt;
:Mariana Ciavatta Pantoja&lt;br /&gt;
:Marilene da Silva Ribeiro&lt;br /&gt;
:Marlinda Melo Patrício&lt;br /&gt;
:Marta Amoroso&lt;br /&gt;
:Marília Facó Soares&lt;br /&gt;
:Miguel Carid Naveira&lt;br /&gt;
:Márcio Meira&lt;br /&gt;
:Márnio Teixeira-Pinto&lt;br /&gt;
:Mônica Thereza Soares Pechincha&lt;br /&gt;
:Nicole Soares Pinto&lt;br /&gt;
:Nilson Gabas Jr.&lt;br /&gt;
:Oiara Bonilla&lt;br /&gt;
:Organização Metareilá do Povo Indígena Paiter&lt;br /&gt;
:Oscar Calavia Sáez&lt;br /&gt;
:Patrick Menget&lt;br /&gt;
:Patrícia de Mendonça Rodrigues&lt;br /&gt;
:Paula Morgado&lt;br /&gt;
:Paulo Santilli&lt;br /&gt;
:Paulo Serpa&lt;br /&gt;
:Pedro Lolli&lt;br /&gt;
:Peter Schröder&lt;br /&gt;
:Priscila Faulhaber&lt;br /&gt;
:Raquel Guirardello&lt;br /&gt;
:Regina Polo Müller&lt;br /&gt;
:Ricardo Burg Mlynarz&lt;br /&gt;
:Ricardo Cid Fernandes&lt;br /&gt;
:Rinaldo S.V. Arruda&lt;br /&gt;
:Rita Heloísa de Almeida&lt;br /&gt;
:Rita de Cássia M. Neves&lt;br /&gt;
:Robin Wright&lt;br /&gt;
:Rodrigo Padua Rodrigues Chaves&lt;br /&gt;
:Rodrigo de Azeredo Grünewald&lt;br /&gt;
:Roque de Barros Laraia&lt;br /&gt;
:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida&lt;br /&gt;
:Ruben Caixeta de Queiroz&lt;br /&gt;
:Samuel Cruz&lt;br /&gt;
:Sarah Miranda&lt;br /&gt;
:Sebastian Drude&lt;br /&gt;
:Sheila Brasileiro&lt;br /&gt;
:Stela Azevedo de Abreu&lt;br /&gt;
:Stephen Hugh-Jones&lt;br /&gt;
:Susana de Matos Viegas&lt;br /&gt;
:Sônia da Silva Lorenz&lt;br /&gt;
:Tarsila dos Reis Menezes&lt;br /&gt;
:Thomas Gregor&lt;br /&gt;
:Tânia Stolze Lima&lt;br /&gt;
:Ugo Maia Andrade&lt;br /&gt;
:Vanessa Caldeira&lt;br /&gt;
:Vera Lúcia Calheiros Mata&lt;br /&gt;
:Virgínia Valadão (1952-1998)&lt;br /&gt;
:Vânia Fialho&lt;br /&gt;
:Wallace de Deus Barbosa&lt;br /&gt;
:Waud Kracke&lt;br /&gt;
:William Balée&lt;br /&gt;
:William H. Crocker&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Quem somos}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-10-06}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Quem_somos&amp;diff=6583</id>
		<title>Quem somos</title>
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		<updated>2019-01-29T12:46:35Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Quem somos?}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O '''programa Povos Indígenas no Brasil''' é a herança mais sólida que o ISA recebeu do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação). A conformação desse trabalho remonta ao início dos anos 70. No auge da ditadura militar, o lançamento do Plano de Integração Nacional pelo governo brasileiro implicou a implantação de projetos econômicos e estradas na Amazônia, assolando territórios de povos indígenas ainda isolados da sociedade nacional. Naquela época, a situação dos índios era desconhecida por parte da opinião pública, do Estado implementador de políticas públicas e da própria antropologia, cujos especialistas dispunham de informações desatualizadas, parciais e desiguais sobre um arco reduzido de povos indígenas da Amazônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse contexto que começou a se consolidar uma extensa rede de colaboradores, voluntários, não só para “colocar os índios no mapa do Brasil”, mas também para apoiá-los em seus projetos. São pesquisadores, indigenistas, missionários, índios, médicos, jornalistas, fotógrafos, entre outros, que seguem apoiando o ISA nas atividades para dar visibilidade aos povos indígenas por meio de informações qualificadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2012, o site Povos Indígenas no Brasil - parte do portal do Instituto Socioambiental (ISA) - com informações sobre os povos e a temática indígena, completou 15 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criado com o propósito de reunir verbetes com informações e análises de todos os povos indígenas que habitam o território nacional, além de textos, tabelas, gráficos, mapas, listas, fotografias e notícias sobre a realidade desses povos e seus territórios, este site vem sendo, no decorrer destes anos, repensado e aprimorado por diferentes parceiros e colaboradores do programa Povos Indígenas no Brasil. Com apoio da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.noruega.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Embaixada da Noruega&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cafod.org.uk&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;CAFOD&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, este site foi desenvolvido e é mantido por:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Equipe atual==&lt;br /&gt;
; Editora responsável&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
: Victoria Franco Martins Barreira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Silvio Carlos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Equipe (histórico) ==&lt;br /&gt;
; Coordenação Geral&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Ana Cecilia Venci Bueno&lt;br /&gt;
: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Carlos Alberto (Beto) Ricardo&lt;br /&gt;
: Fernando Fedola L. B. Vianna&lt;br /&gt;
: Julia Trujillo Miras Costa&lt;br /&gt;
: Júlio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
: Marta Amoroso&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Valéria Macedo&lt;br /&gt;
: Leandro Mahalem de Lima&lt;br /&gt;
: Luis Roberto de Paula&lt;br /&gt;
: Luisa Setton&lt;br /&gt;
: Majoí Fávero Gongora&lt;br /&gt;
: Marcos Pereira Rufino&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Rogério do Pateo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Alex Piaz&lt;br /&gt;
: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Eduardo Ultima&lt;br /&gt;
: Gabriella Contoli [produção e edição web]&lt;br /&gt;
: João Ricardo Rampinelli Alves&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Colaboradores dos verbetes ==&lt;br /&gt;
:Adelino de Lucena Mendes&lt;br /&gt;
:Aisanain Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Alexandre Herbetta&lt;br /&gt;
:Aloisio Cabalzar&lt;br /&gt;
:Ana Vilacy Galucio&lt;br /&gt;
:Ananda Conde&lt;br /&gt;
:André Ramos&lt;br /&gt;
:André Toral&lt;br /&gt;
:André Villas-Bôas&lt;br /&gt;
:Anthony Seeger&lt;br /&gt;
:Antonio Brito&lt;br /&gt;
:Aparecida Villaça&lt;br /&gt;
:Aristóteles Barcelos Neto&lt;br /&gt;
:Artionka Capiberibe&lt;br /&gt;
:Beatriz de Almeida Matos&lt;br /&gt;
:Benedito Maciel&lt;br /&gt;
:Beth Conklin&lt;br /&gt;
:Betty Mindlin&lt;br /&gt;
:Bruce Albert&lt;br /&gt;
:Bruna Franchetto&lt;br /&gt;
:Carlos Alberto dos Santos Dutra&lt;br /&gt;
:Carlos Augusto da Rocha Freire&lt;br /&gt;
:Carlos Fausto&lt;br /&gt;
:Carlos Guilherme do Valle&lt;br /&gt;
:Carmen Junqueira&lt;br /&gt;
:Carmen Lucia da Silva&lt;br /&gt;
:Caroline Mendonça&lt;br /&gt;
:Cesar Gordon&lt;br /&gt;
:Cloude de Souza Correia&lt;br /&gt;
:Cácio Silva&lt;br /&gt;
:Debra S. Picchi&lt;br /&gt;
:Denise Fajardo Grupioni&lt;br /&gt;
:Domingos Bueno da Silva&lt;br /&gt;
:Dominique T. Gallois&lt;br /&gt;
:Edilene Coffaci de Lima&lt;br /&gt;
:Edir Pina de Barros&lt;br /&gt;
:Edmundo Antonio Peggion&lt;br /&gt;
:Eduardo Viveiros de Castro&lt;br /&gt;
:Elaine Moreira-Lauriola&lt;br /&gt;
:Elisabeth Forseth&lt;br /&gt;
:Ellen Basso&lt;br /&gt;
:Elsje Maria Lagrou&lt;br /&gt;
:Ely Souza Estrela&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Eric Macedo&lt;br /&gt;
:Evelyn Schuler Zea&lt;br /&gt;
:Fabiana Maizza&lt;br /&gt;
:Fabio Mura&lt;br /&gt;
:Fabíola Andréa Silva&lt;br /&gt;
:Felipe Ferreira Vander Velden&lt;br /&gt;
:Flavio Braune Wiik&lt;br /&gt;
:Gabriel Coutinho Barbosa&lt;br /&gt;
:Geraldo Andrello&lt;br /&gt;
:Gilberto Azanha&lt;br /&gt;
:Gilton Mendes dos Santos&lt;br /&gt;
:Giovana Acácia Tempesta&lt;br /&gt;
:Giovani José da Silva&lt;br /&gt;
:Gustaaf Verswijver&lt;br /&gt;
:Hein van der Voort&lt;br /&gt;
:Henyo Trindade Barretto Filho&lt;br /&gt;
:Hilton Nascimento&lt;br /&gt;
:Iara Ferraz&lt;br /&gt;
:Ione Vasconcelos&lt;br /&gt;
:Isabelle Vidal Giannini&lt;br /&gt;
:Jeremy Deturche&lt;br /&gt;
:Joana Aparecida Fernandes Silva&lt;br /&gt;
:Joana Miller&lt;br /&gt;
:Joceny de Deus Pinheiro&lt;br /&gt;
:Jorge Eremites de Oliveira&lt;br /&gt;
:Jorge Hernández Díaz&lt;br /&gt;
:Jorge Pozzobon (1955-2001)&lt;br /&gt;
:Joshua Birchall&lt;br /&gt;
:José Eduardo Moreira da Costa&lt;br /&gt;
:José Glebson Vieira&lt;br /&gt;
:José Luiz de Souza&lt;br /&gt;
:José Maurício Arrutti&lt;br /&gt;
:José Pimenta&lt;br /&gt;
:João Dal Poz&lt;br /&gt;
:Juliana Schiel&lt;br /&gt;
:Julio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
:Jurema Machado de Andrade Souza&lt;br /&gt;
:Kanawayuri Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental&lt;br /&gt;
:Karin Maria Véras&lt;br /&gt;
:Kimiye Tommasino&lt;br /&gt;
:Klinton Senra&lt;br /&gt;
:Kênia Gonçalves Itacaramby&lt;br /&gt;
:Lars Lovold&lt;br /&gt;
:Laura Graham&lt;br /&gt;
:Laura Pérez Gil&lt;br /&gt;
:Laércio Nora Bacelar&lt;br /&gt;
:Louis Carlos Forline&lt;br /&gt;
:Luciana Storto&lt;br /&gt;
:Luciene Pohl&lt;br /&gt;
:Luiz Costa&lt;br /&gt;
:Lux Vidal&lt;br /&gt;
:Luís Roberto de Paula&lt;br /&gt;
:Lúcia Andrade&lt;br /&gt;
:Manuel Ferreira Lima Filho&lt;br /&gt;
:Marcela Coelho de Souza&lt;br /&gt;
:Marcelo Simão Mercante&lt;br /&gt;
:Marco Antonio Gonçalves&lt;br /&gt;
:Maria Auxiliadora Cruz De Sá Leão&lt;br /&gt;
:Maria Carmen R. Do Vale&lt;br /&gt;
:Maria Cristina Troncarelli&lt;br /&gt;
:Maria Elisa Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Hilda Baqueiro Paraiso&lt;br /&gt;
:Maria Inês Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Odileiz Sousa Cruz&lt;br /&gt;
:Maria Rosário Carvalho&lt;br /&gt;
:Maria Sylvia Porto Alegre&lt;br /&gt;
:Mariana Ciavatta Pantoja&lt;br /&gt;
:Marilene da Silva Ribeiro&lt;br /&gt;
:Marlinda Melo Patrício&lt;br /&gt;
:Marta Amoroso&lt;br /&gt;
:Marília Facó Soares&lt;br /&gt;
:Miguel Carid Naveira&lt;br /&gt;
:Márcio Meira&lt;br /&gt;
:Márnio Teixeira-Pinto&lt;br /&gt;
:Mônica Thereza Soares Pechincha&lt;br /&gt;
:Nicole Soares Pinto&lt;br /&gt;
:Nilson Gabas Jr.&lt;br /&gt;
:Oiara Bonilla&lt;br /&gt;
:Organização Metareilá do Povo Indígena Paiter&lt;br /&gt;
:Oscar Calavia Sáez&lt;br /&gt;
:Patrick Menget&lt;br /&gt;
:Patrícia de Mendonça Rodrigues&lt;br /&gt;
:Paula Morgado&lt;br /&gt;
:Paulo Santilli&lt;br /&gt;
:Paulo Serpa&lt;br /&gt;
:Pedro Lolli&lt;br /&gt;
:Peter Schröder&lt;br /&gt;
:Priscila Faulhaber&lt;br /&gt;
:Raquel Guirardello&lt;br /&gt;
:Regina Polo Müller&lt;br /&gt;
:Ricardo Burg Mlynarz&lt;br /&gt;
:Ricardo Cid Fernandes&lt;br /&gt;
:Rinaldo S.V. Arruda&lt;br /&gt;
:Rita Heloísa de Almeida&lt;br /&gt;
:Rita de Cássia M. Neves&lt;br /&gt;
:Robin Wright&lt;br /&gt;
:Rodrigo Padua Rodrigues Chaves&lt;br /&gt;
:Rodrigo de Azeredo Grünewald&lt;br /&gt;
:Roque de Barros Laraia&lt;br /&gt;
:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida&lt;br /&gt;
:Ruben Caixeta de Queiroz&lt;br /&gt;
:Samuel Cruz&lt;br /&gt;
:Sarah Miranda&lt;br /&gt;
:Sebastian Drude&lt;br /&gt;
:Sheila Brasileiro&lt;br /&gt;
:Stela Azevedo de Abreu&lt;br /&gt;
:Stephen Hugh-Jones&lt;br /&gt;
:Susana de Matos Viegas&lt;br /&gt;
:Sônia da Silva Lorenz&lt;br /&gt;
:Tarsila dos Reis Menezes&lt;br /&gt;
:Thomas Gregor&lt;br /&gt;
:Tânia Stolze Lima&lt;br /&gt;
:Ugo Maia Andrade&lt;br /&gt;
:Vanessa Caldeira&lt;br /&gt;
:Vera Lúcia Calheiros Mata&lt;br /&gt;
:Virgínia Valadão (1952-1998)&lt;br /&gt;
:Vânia Fialho&lt;br /&gt;
:Wallace de Deus Barbosa&lt;br /&gt;
:Waud Kracke&lt;br /&gt;
:William Balée&lt;br /&gt;
:William H. Crocker&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Quem somos}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-10-06}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Quem_somos&amp;diff=6582</id>
		<title>Quem somos</title>
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		<updated>2019-01-29T12:45:53Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Equipe (histórico) */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Quem somos?}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O '''programa Povos Indígenas no Brasil''' é a herança mais sólida que o ISA recebeu do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação). A conformação desse trabalho remonta ao início dos anos 70. No auge da ditadura militar, o lançamento do Plano de Integração Nacional pelo governo brasileiro implicou a implantação de projetos econômicos e estradas na Amazônia, assolando territórios de povos indígenas ainda isolados da sociedade nacional. Naquela época, a situação dos índios era desconhecida por parte da opinião pública, do Estado implementador de políticas públicas e da própria antropologia, cujos especialistas dispunham de informações desatualizadas, parciais e desiguais sobre um arco reduzido de povos indígenas da Amazônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse contexto que começou a se consolidar uma extensa rede de colaboradores, voluntários, não só para “colocar os índios no mapa do Brasil”, mas também para apoiá-los em seus projetos. São pesquisadores, indigenistas, missionários, índios, médicos, jornalistas, fotógrafos, entre outros, que seguem apoiando o ISA nas atividades para dar visibilidade aos povos indígenas por meio de informações qualificadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2012, o site Povos Indígenas no Brasil - parte do portal do Instituto Socioambiental (ISA) - com informações sobre os povos e a temática indígena, completou 15 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criado com o propósito de reunir verbetes com informações e análises de todos os povos indígenas que habitam o território nacional, além de textos, tabelas, gráficos, mapas, listas, fotografias e notícias sobre a realidade desses povos e seus territórios, este site vem sendo, no decorrer destes anos, repensado e aprimorado por diferentes parceiros e colaboradores do programa Povos Indígenas no Brasil. Com apoio da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.noruega.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Embaixada da Noruega&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cafod.org.uk&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;CAFOD&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, este site foi desenvolvido e é mantido por:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Equipe atual==&lt;br /&gt;
; Editora responsável&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
: Victoria Franco Martins Barreira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Silvio Carlos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Colaboradores dos verbetes ==&lt;br /&gt;
:Adelino de Lucena Mendes&lt;br /&gt;
:Aisanain Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Alexandre Herbetta&lt;br /&gt;
:Aloisio Cabalzar&lt;br /&gt;
:Ana Vilacy Galucio&lt;br /&gt;
:Ananda Conde&lt;br /&gt;
:André Ramos&lt;br /&gt;
:André Toral&lt;br /&gt;
:André Villas-Bôas&lt;br /&gt;
:Anthony Seeger&lt;br /&gt;
:Antonio Brito&lt;br /&gt;
:Aparecida Villaça&lt;br /&gt;
:Aristóteles Barcelos Neto&lt;br /&gt;
:Artionka Capiberibe&lt;br /&gt;
:Beatriz de Almeida Matos&lt;br /&gt;
:Benedito Maciel&lt;br /&gt;
:Beth Conklin&lt;br /&gt;
:Betty Mindlin&lt;br /&gt;
:Bruce Albert&lt;br /&gt;
:Bruna Franchetto&lt;br /&gt;
:Carlos Alberto dos Santos Dutra&lt;br /&gt;
:Carlos Augusto da Rocha Freire&lt;br /&gt;
:Carlos Fausto&lt;br /&gt;
:Carlos Guilherme do Valle&lt;br /&gt;
:Carmen Junqueira&lt;br /&gt;
:Carmen Lucia da Silva&lt;br /&gt;
:Caroline Mendonça&lt;br /&gt;
:Cesar Gordon&lt;br /&gt;
:Cloude de Souza Correia&lt;br /&gt;
:Cácio Silva&lt;br /&gt;
:Debra S. Picchi&lt;br /&gt;
:Denise Fajardo Grupioni&lt;br /&gt;
:Domingos Bueno da Silva&lt;br /&gt;
:Dominique T. Gallois&lt;br /&gt;
:Edilene Coffaci de Lima&lt;br /&gt;
:Edir Pina de Barros&lt;br /&gt;
:Edmundo Antonio Peggion&lt;br /&gt;
:Eduardo Viveiros de Castro&lt;br /&gt;
:Elaine Moreira-Lauriola&lt;br /&gt;
:Elisabeth Forseth&lt;br /&gt;
:Ellen Basso&lt;br /&gt;
:Elsje Maria Lagrou&lt;br /&gt;
:Ely Souza Estrela&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Eric Macedo&lt;br /&gt;
:Evelyn Schuler Zea&lt;br /&gt;
:Fabiana Maizza&lt;br /&gt;
:Fabio Mura&lt;br /&gt;
:Fabíola Andréa Silva&lt;br /&gt;
:Felipe Ferreira Vander Velden&lt;br /&gt;
:Flavio Braune Wiik&lt;br /&gt;
:Gabriel Coutinho Barbosa&lt;br /&gt;
:Geraldo Andrello&lt;br /&gt;
:Gilberto Azanha&lt;br /&gt;
:Gilton Mendes dos Santos&lt;br /&gt;
:Giovana Acácia Tempesta&lt;br /&gt;
:Giovani José da Silva&lt;br /&gt;
:Gustaaf Verswijver&lt;br /&gt;
:Hein van der Voort&lt;br /&gt;
:Henyo Trindade Barretto Filho&lt;br /&gt;
:Hilton Nascimento&lt;br /&gt;
:Iara Ferraz&lt;br /&gt;
:Ione Vasconcelos&lt;br /&gt;
:Isabelle Vidal Giannini&lt;br /&gt;
:Jeremy Deturche&lt;br /&gt;
:Joana Aparecida Fernandes Silva&lt;br /&gt;
:Joana Miller&lt;br /&gt;
:Joceny de Deus Pinheiro&lt;br /&gt;
:Jorge Eremites de Oliveira&lt;br /&gt;
:Jorge Hernández Díaz&lt;br /&gt;
:Jorge Pozzobon (1955-2001)&lt;br /&gt;
:Joshua Birchall&lt;br /&gt;
:José Eduardo Moreira da Costa&lt;br /&gt;
:José Glebson Vieira&lt;br /&gt;
:José Luiz de Souza&lt;br /&gt;
:José Maurício Arrutti&lt;br /&gt;
:José Pimenta&lt;br /&gt;
:João Dal Poz&lt;br /&gt;
:Juliana Schiel&lt;br /&gt;
:Julio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
:Jurema Machado de Andrade Souza&lt;br /&gt;
:Kanawayuri Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental&lt;br /&gt;
:Karin Maria Véras&lt;br /&gt;
:Kimiye Tommasino&lt;br /&gt;
:Klinton Senra&lt;br /&gt;
:Kênia Gonçalves Itacaramby&lt;br /&gt;
:Lars Lovold&lt;br /&gt;
:Laura Graham&lt;br /&gt;
:Laura Pérez Gil&lt;br /&gt;
:Laércio Nora Bacelar&lt;br /&gt;
:Louis Carlos Forline&lt;br /&gt;
:Luciana Storto&lt;br /&gt;
:Luciene Pohl&lt;br /&gt;
:Luiz Costa&lt;br /&gt;
:Lux Vidal&lt;br /&gt;
:Luís Roberto de Paula&lt;br /&gt;
:Lúcia Andrade&lt;br /&gt;
:Manuel Ferreira Lima Filho&lt;br /&gt;
:Marcela Coelho de Souza&lt;br /&gt;
:Marcelo Simão Mercante&lt;br /&gt;
:Marco Antonio Gonçalves&lt;br /&gt;
:Maria Auxiliadora Cruz De Sá Leão&lt;br /&gt;
:Maria Carmen R. Do Vale&lt;br /&gt;
:Maria Cristina Troncarelli&lt;br /&gt;
:Maria Elisa Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Hilda Baqueiro Paraiso&lt;br /&gt;
:Maria Inês Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Odileiz Sousa Cruz&lt;br /&gt;
:Maria Rosário Carvalho&lt;br /&gt;
:Maria Sylvia Porto Alegre&lt;br /&gt;
:Mariana Ciavatta Pantoja&lt;br /&gt;
:Marilene da Silva Ribeiro&lt;br /&gt;
:Marlinda Melo Patrício&lt;br /&gt;
:Marta Amoroso&lt;br /&gt;
:Marília Facó Soares&lt;br /&gt;
:Miguel Carid Naveira&lt;br /&gt;
:Márcio Meira&lt;br /&gt;
:Márnio Teixeira-Pinto&lt;br /&gt;
:Mônica Thereza Soares Pechincha&lt;br /&gt;
:Nicole Soares Pinto&lt;br /&gt;
:Nilson Gabas Jr.&lt;br /&gt;
:Oiara Bonilla&lt;br /&gt;
:Organização Metareilá do Povo Indígena Paiter&lt;br /&gt;
:Oscar Calavia Sáez&lt;br /&gt;
:Patrick Menget&lt;br /&gt;
:Patrícia de Mendonça Rodrigues&lt;br /&gt;
:Paula Morgado&lt;br /&gt;
:Paulo Santilli&lt;br /&gt;
:Paulo Serpa&lt;br /&gt;
:Pedro Lolli&lt;br /&gt;
:Peter Schröder&lt;br /&gt;
:Priscila Faulhaber&lt;br /&gt;
:Raquel Guirardello&lt;br /&gt;
:Regina Polo Müller&lt;br /&gt;
:Ricardo Burg Mlynarz&lt;br /&gt;
:Ricardo Cid Fernandes&lt;br /&gt;
:Rinaldo S.V. Arruda&lt;br /&gt;
:Rita Heloísa de Almeida&lt;br /&gt;
:Rita de Cássia M. Neves&lt;br /&gt;
:Robin Wright&lt;br /&gt;
:Rodrigo Padua Rodrigues Chaves&lt;br /&gt;
:Rodrigo de Azeredo Grünewald&lt;br /&gt;
:Roque de Barros Laraia&lt;br /&gt;
:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida&lt;br /&gt;
:Ruben Caixeta de Queiroz&lt;br /&gt;
:Samuel Cruz&lt;br /&gt;
:Sarah Miranda&lt;br /&gt;
:Sebastian Drude&lt;br /&gt;
:Sheila Brasileiro&lt;br /&gt;
:Stela Azevedo de Abreu&lt;br /&gt;
:Stephen Hugh-Jones&lt;br /&gt;
:Susana de Matos Viegas&lt;br /&gt;
:Sônia da Silva Lorenz&lt;br /&gt;
:Tarsila dos Reis Menezes&lt;br /&gt;
:Thomas Gregor&lt;br /&gt;
:Tânia Stolze Lima&lt;br /&gt;
:Ugo Maia Andrade&lt;br /&gt;
:Vanessa Caldeira&lt;br /&gt;
:Vera Lúcia Calheiros Mata&lt;br /&gt;
:Virgínia Valadão (1952-1998)&lt;br /&gt;
:Vânia Fialho&lt;br /&gt;
:Wallace de Deus Barbosa&lt;br /&gt;
:Waud Kracke&lt;br /&gt;
:William Balée&lt;br /&gt;
:William H. Crocker&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Equipe (histórico) ==&lt;br /&gt;
; Coordenação Geral&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Ana Cecilia Venci Bueno&lt;br /&gt;
: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Carlos Alberto (Beto) Ricardo&lt;br /&gt;
: Fernando Fedola L. B. Vianna&lt;br /&gt;
: Julia Trujillo Miras Costa&lt;br /&gt;
: Júlio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
: Marta Amoroso&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Valéria Macedo&lt;br /&gt;
: Leandro Mahalem de Lima&lt;br /&gt;
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: Luisa Setton&lt;br /&gt;
: Majoí Fávero Gongora&lt;br /&gt;
: Marcos Pereira Rufino&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Rogério do Pateo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Alex Piaz&lt;br /&gt;
: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Eduardo Ultima&lt;br /&gt;
: Gabriella Contoli [produção e edição web]&lt;br /&gt;
: João Ricardo Rampinelli Alves&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Quem somos}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-10-06}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Quem_somos&amp;diff=6581</id>
		<title>Quem somos</title>
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		<updated>2019-01-29T12:44:52Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Equipe atual */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Quem somos?}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O '''programa Povos Indígenas no Brasil''' é a herança mais sólida que o ISA recebeu do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação). A conformação desse trabalho remonta ao início dos anos 70. No auge da ditadura militar, o lançamento do Plano de Integração Nacional pelo governo brasileiro implicou a implantação de projetos econômicos e estradas na Amazônia, assolando territórios de povos indígenas ainda isolados da sociedade nacional. Naquela época, a situação dos índios era desconhecida por parte da opinião pública, do Estado implementador de políticas públicas e da própria antropologia, cujos especialistas dispunham de informações desatualizadas, parciais e desiguais sobre um arco reduzido de povos indígenas da Amazônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse contexto que começou a se consolidar uma extensa rede de colaboradores, voluntários, não só para “colocar os índios no mapa do Brasil”, mas também para apoiá-los em seus projetos. São pesquisadores, indigenistas, missionários, índios, médicos, jornalistas, fotógrafos, entre outros, que seguem apoiando o ISA nas atividades para dar visibilidade aos povos indígenas por meio de informações qualificadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2012, o site Povos Indígenas no Brasil - parte do portal do Instituto Socioambiental (ISA) - com informações sobre os povos e a temática indígena, completou 15 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criado com o propósito de reunir verbetes com informações e análises de todos os povos indígenas que habitam o território nacional, além de textos, tabelas, gráficos, mapas, listas, fotografias e notícias sobre a realidade desses povos e seus territórios, este site vem sendo, no decorrer destes anos, repensado e aprimorado por diferentes parceiros e colaboradores do programa Povos Indígenas no Brasil. Com apoio da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.noruega.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Embaixada da Noruega&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cafod.org.uk&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;CAFOD&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, este site foi desenvolvido e é mantido por:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Equipe atual==&lt;br /&gt;
; Editora responsável&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
: Victoria Franco Martins Barreira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Silvio Carlos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Colaboradores dos verbetes ==&lt;br /&gt;
:Adelino de Lucena Mendes&lt;br /&gt;
:Aisanain Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Alexandre Herbetta&lt;br /&gt;
:Aloisio Cabalzar&lt;br /&gt;
:Ana Vilacy Galucio&lt;br /&gt;
:Ananda Conde&lt;br /&gt;
:André Ramos&lt;br /&gt;
:André Toral&lt;br /&gt;
:André Villas-Bôas&lt;br /&gt;
:Anthony Seeger&lt;br /&gt;
:Antonio Brito&lt;br /&gt;
:Aparecida Villaça&lt;br /&gt;
:Aristóteles Barcelos Neto&lt;br /&gt;
:Artionka Capiberibe&lt;br /&gt;
:Beatriz de Almeida Matos&lt;br /&gt;
:Benedito Maciel&lt;br /&gt;
:Beth Conklin&lt;br /&gt;
:Betty Mindlin&lt;br /&gt;
:Bruce Albert&lt;br /&gt;
:Bruna Franchetto&lt;br /&gt;
:Carlos Alberto dos Santos Dutra&lt;br /&gt;
:Carlos Augusto da Rocha Freire&lt;br /&gt;
:Carlos Fausto&lt;br /&gt;
:Carlos Guilherme do Valle&lt;br /&gt;
:Carmen Junqueira&lt;br /&gt;
:Carmen Lucia da Silva&lt;br /&gt;
:Caroline Mendonça&lt;br /&gt;
:Cesar Gordon&lt;br /&gt;
:Cloude de Souza Correia&lt;br /&gt;
:Cácio Silva&lt;br /&gt;
:Debra S. Picchi&lt;br /&gt;
:Denise Fajardo Grupioni&lt;br /&gt;
:Domingos Bueno da Silva&lt;br /&gt;
:Dominique T. Gallois&lt;br /&gt;
:Edilene Coffaci de Lima&lt;br /&gt;
:Edir Pina de Barros&lt;br /&gt;
:Edmundo Antonio Peggion&lt;br /&gt;
:Eduardo Viveiros de Castro&lt;br /&gt;
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:Elisabeth Forseth&lt;br /&gt;
:Ellen Basso&lt;br /&gt;
:Elsje Maria Lagrou&lt;br /&gt;
:Ely Souza Estrela&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Eric Macedo&lt;br /&gt;
:Evelyn Schuler Zea&lt;br /&gt;
:Fabiana Maizza&lt;br /&gt;
:Fabio Mura&lt;br /&gt;
:Fabíola Andréa Silva&lt;br /&gt;
:Felipe Ferreira Vander Velden&lt;br /&gt;
:Flavio Braune Wiik&lt;br /&gt;
:Gabriel Coutinho Barbosa&lt;br /&gt;
:Geraldo Andrello&lt;br /&gt;
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:Giovana Acácia Tempesta&lt;br /&gt;
:Giovani José da Silva&lt;br /&gt;
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:Hein van der Voort&lt;br /&gt;
:Henyo Trindade Barretto Filho&lt;br /&gt;
:Hilton Nascimento&lt;br /&gt;
:Iara Ferraz&lt;br /&gt;
:Ione Vasconcelos&lt;br /&gt;
:Isabelle Vidal Giannini&lt;br /&gt;
:Jeremy Deturche&lt;br /&gt;
:Joana Aparecida Fernandes Silva&lt;br /&gt;
:Joana Miller&lt;br /&gt;
:Joceny de Deus Pinheiro&lt;br /&gt;
:Jorge Eremites de Oliveira&lt;br /&gt;
:Jorge Hernández Díaz&lt;br /&gt;
:Jorge Pozzobon (1955-2001)&lt;br /&gt;
:Joshua Birchall&lt;br /&gt;
:José Eduardo Moreira da Costa&lt;br /&gt;
:José Glebson Vieira&lt;br /&gt;
:José Luiz de Souza&lt;br /&gt;
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:Sônia da Silva Lorenz&lt;br /&gt;
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:Virgínia Valadão (1952-1998)&lt;br /&gt;
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Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
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Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
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		<author><name>Vic</name></author>
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		<updated>2019-01-29T12:44:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Equipe atual */&lt;/p&gt;
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&lt;br /&gt;
O '''programa Povos Indígenas no Brasil''' é a herança mais sólida que o ISA recebeu do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação). A conformação desse trabalho remonta ao início dos anos 70. No auge da ditadura militar, o lançamento do Plano de Integração Nacional pelo governo brasileiro implicou a implantação de projetos econômicos e estradas na Amazônia, assolando territórios de povos indígenas ainda isolados da sociedade nacional. Naquela época, a situação dos índios era desconhecida por parte da opinião pública, do Estado implementador de políticas públicas e da própria antropologia, cujos especialistas dispunham de informações desatualizadas, parciais e desiguais sobre um arco reduzido de povos indígenas da Amazônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse contexto que começou a se consolidar uma extensa rede de colaboradores, voluntários, não só para “colocar os índios no mapa do Brasil”, mas também para apoiá-los em seus projetos. São pesquisadores, indigenistas, missionários, índios, médicos, jornalistas, fotógrafos, entre outros, que seguem apoiando o ISA nas atividades para dar visibilidade aos povos indígenas por meio de informações qualificadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2012, o site Povos Indígenas no Brasil - parte do portal do Instituto Socioambiental (ISA) - com informações sobre os povos e a temática indígena, completou 15 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criado com o propósito de reunir verbetes com informações e análises de todos os povos indígenas que habitam o território nacional, além de textos, tabelas, gráficos, mapas, listas, fotografias e notícias sobre a realidade desses povos e seus territórios, este site vem sendo, no decorrer destes anos, repensado e aprimorado por diferentes parceiros e colaboradores do programa Povos Indígenas no Brasil. Com apoio da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.noruega.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Embaixada da Noruega&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cafod.org.uk&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;CAFOD&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, este site foi desenvolvido e é mantido por:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Equipe atual==&lt;br /&gt;
; Editora responsável&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
== Colaboradores dos verbetes ==&lt;br /&gt;
:Adelino de Lucena Mendes&lt;br /&gt;
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:Aloisio Cabalzar&lt;br /&gt;
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:Beth Conklin&lt;br /&gt;
:Betty Mindlin&lt;br /&gt;
:Bruce Albert&lt;br /&gt;
:Bruna Franchetto&lt;br /&gt;
:Carlos Alberto dos Santos Dutra&lt;br /&gt;
:Carlos Augusto da Rocha Freire&lt;br /&gt;
:Carlos Fausto&lt;br /&gt;
:Carlos Guilherme do Valle&lt;br /&gt;
:Carmen Junqueira&lt;br /&gt;
:Carmen Lucia da Silva&lt;br /&gt;
:Caroline Mendonça&lt;br /&gt;
:Cesar Gordon&lt;br /&gt;
:Cloude de Souza Correia&lt;br /&gt;
:Cácio Silva&lt;br /&gt;
:Debra S. Picchi&lt;br /&gt;
:Denise Fajardo Grupioni&lt;br /&gt;
:Domingos Bueno da Silva&lt;br /&gt;
:Dominique T. Gallois&lt;br /&gt;
:Edilene Coffaci de Lima&lt;br /&gt;
:Edir Pina de Barros&lt;br /&gt;
:Edmundo Antonio Peggion&lt;br /&gt;
:Eduardo Viveiros de Castro&lt;br /&gt;
:Elaine Moreira-Lauriola&lt;br /&gt;
:Elisabeth Forseth&lt;br /&gt;
:Ellen Basso&lt;br /&gt;
:Elsje Maria Lagrou&lt;br /&gt;
:Ely Souza Estrela&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Eric Macedo&lt;br /&gt;
:Evelyn Schuler Zea&lt;br /&gt;
:Fabiana Maizza&lt;br /&gt;
:Fabio Mura&lt;br /&gt;
:Fabíola Andréa Silva&lt;br /&gt;
:Felipe Ferreira Vander Velden&lt;br /&gt;
:Flavio Braune Wiik&lt;br /&gt;
:Gabriel Coutinho Barbosa&lt;br /&gt;
:Geraldo Andrello&lt;br /&gt;
:Gilberto Azanha&lt;br /&gt;
:Gilton Mendes dos Santos&lt;br /&gt;
:Giovana Acácia Tempesta&lt;br /&gt;
:Giovani José da Silva&lt;br /&gt;
:Gustaaf Verswijver&lt;br /&gt;
:Hein van der Voort&lt;br /&gt;
:Henyo Trindade Barretto Filho&lt;br /&gt;
:Hilton Nascimento&lt;br /&gt;
:Iara Ferraz&lt;br /&gt;
:Ione Vasconcelos&lt;br /&gt;
:Isabelle Vidal Giannini&lt;br /&gt;
:Jeremy Deturche&lt;br /&gt;
:Joana Aparecida Fernandes Silva&lt;br /&gt;
:Joana Miller&lt;br /&gt;
:Joceny de Deus Pinheiro&lt;br /&gt;
:Jorge Eremites de Oliveira&lt;br /&gt;
:Jorge Hernández Díaz&lt;br /&gt;
:Jorge Pozzobon (1955-2001)&lt;br /&gt;
:Joshua Birchall&lt;br /&gt;
:José Eduardo Moreira da Costa&lt;br /&gt;
:José Glebson Vieira&lt;br /&gt;
:José Luiz de Souza&lt;br /&gt;
:José Maurício Arrutti&lt;br /&gt;
:José Pimenta&lt;br /&gt;
:João Dal Poz&lt;br /&gt;
:Juliana Schiel&lt;br /&gt;
:Julio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
:Jurema Machado de Andrade Souza&lt;br /&gt;
:Kanawayuri Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental&lt;br /&gt;
:Karin Maria Véras&lt;br /&gt;
:Kimiye Tommasino&lt;br /&gt;
:Klinton Senra&lt;br /&gt;
:Kênia Gonçalves Itacaramby&lt;br /&gt;
:Lars Lovold&lt;br /&gt;
:Laura Graham&lt;br /&gt;
:Laura Pérez Gil&lt;br /&gt;
:Laércio Nora Bacelar&lt;br /&gt;
:Louis Carlos Forline&lt;br /&gt;
:Luciana Storto&lt;br /&gt;
:Luciene Pohl&lt;br /&gt;
:Luiz Costa&lt;br /&gt;
:Lux Vidal&lt;br /&gt;
:Luís Roberto de Paula&lt;br /&gt;
:Lúcia Andrade&lt;br /&gt;
:Manuel Ferreira Lima Filho&lt;br /&gt;
:Marcela Coelho de Souza&lt;br /&gt;
:Marcelo Simão Mercante&lt;br /&gt;
:Marco Antonio Gonçalves&lt;br /&gt;
:Maria Auxiliadora Cruz De Sá Leão&lt;br /&gt;
:Maria Carmen R. Do Vale&lt;br /&gt;
:Maria Cristina Troncarelli&lt;br /&gt;
:Maria Elisa Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Hilda Baqueiro Paraiso&lt;br /&gt;
:Maria Inês Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Odileiz Sousa Cruz&lt;br /&gt;
:Maria Rosário Carvalho&lt;br /&gt;
:Maria Sylvia Porto Alegre&lt;br /&gt;
:Mariana Ciavatta Pantoja&lt;br /&gt;
:Marilene da Silva Ribeiro&lt;br /&gt;
:Marlinda Melo Patrício&lt;br /&gt;
:Marta Amoroso&lt;br /&gt;
:Marília Facó Soares&lt;br /&gt;
:Miguel Carid Naveira&lt;br /&gt;
:Márcio Meira&lt;br /&gt;
:Márnio Teixeira-Pinto&lt;br /&gt;
:Mônica Thereza Soares Pechincha&lt;br /&gt;
:Nicole Soares Pinto&lt;br /&gt;
:Nilson Gabas Jr.&lt;br /&gt;
:Oiara Bonilla&lt;br /&gt;
:Organização Metareilá do Povo Indígena Paiter&lt;br /&gt;
:Oscar Calavia Sáez&lt;br /&gt;
:Patrick Menget&lt;br /&gt;
:Patrícia de Mendonça Rodrigues&lt;br /&gt;
:Paula Morgado&lt;br /&gt;
:Paulo Santilli&lt;br /&gt;
:Paulo Serpa&lt;br /&gt;
:Pedro Lolli&lt;br /&gt;
:Peter Schröder&lt;br /&gt;
:Priscila Faulhaber&lt;br /&gt;
:Raquel Guirardello&lt;br /&gt;
:Regina Polo Müller&lt;br /&gt;
:Ricardo Burg Mlynarz&lt;br /&gt;
:Ricardo Cid Fernandes&lt;br /&gt;
:Rinaldo S.V. Arruda&lt;br /&gt;
:Rita Heloísa de Almeida&lt;br /&gt;
:Rita de Cássia M. Neves&lt;br /&gt;
:Robin Wright&lt;br /&gt;
:Rodrigo Padua Rodrigues Chaves&lt;br /&gt;
:Rodrigo de Azeredo Grünewald&lt;br /&gt;
:Roque de Barros Laraia&lt;br /&gt;
:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida&lt;br /&gt;
:Ruben Caixeta de Queiroz&lt;br /&gt;
:Samuel Cruz&lt;br /&gt;
:Sarah Miranda&lt;br /&gt;
:Sebastian Drude&lt;br /&gt;
:Sheila Brasileiro&lt;br /&gt;
:Stela Azevedo de Abreu&lt;br /&gt;
:Stephen Hugh-Jones&lt;br /&gt;
:Susana de Matos Viegas&lt;br /&gt;
:Sônia da Silva Lorenz&lt;br /&gt;
:Tarsila dos Reis Menezes&lt;br /&gt;
:Thomas Gregor&lt;br /&gt;
:Tânia Stolze Lima&lt;br /&gt;
:Ugo Maia Andrade&lt;br /&gt;
:Vanessa Caldeira&lt;br /&gt;
:Vera Lúcia Calheiros Mata&lt;br /&gt;
:Virgínia Valadão (1952-1998)&lt;br /&gt;
:Vânia Fialho&lt;br /&gt;
:Wallace de Deus Barbosa&lt;br /&gt;
:Waud Kracke&lt;br /&gt;
:William Balée&lt;br /&gt;
:William H. Crocker&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Equipe (histórico) ==&lt;br /&gt;
; Coordenação Geral&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Ana Cecilia Venci Bueno&lt;br /&gt;
: Carlos Alberto (Beto) Ricardo&lt;br /&gt;
: Fernando Fedola L. B. Vianna&lt;br /&gt;
: Julia Trujillo Miras Costa&lt;br /&gt;
: Júlio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
: Marta Amoroso&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Valéria Macedo&lt;br /&gt;
: Leandro Mahalem de Lima&lt;br /&gt;
: Luis Roberto de Paula&lt;br /&gt;
: Luisa Setton&lt;br /&gt;
: Majoí Fávero Gongora&lt;br /&gt;
: Marcos Pereira Rufino&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Rogério do Pateo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Alex Piaz &lt;br /&gt;
: Eduardo Ultima&lt;br /&gt;
: Gabriella Contoli [produção e edição web]&lt;br /&gt;
: João Ricardo Rampinelli Alves&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Quem somos}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-10-06}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Quem_somos&amp;diff=6579</id>
		<title>Quem somos</title>
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		<updated>2019-01-29T12:44:10Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Equipe atual */ atualização equipe&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Quem somos?}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O '''programa Povos Indígenas no Brasil''' é a herança mais sólida que o ISA recebeu do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação). A conformação desse trabalho remonta ao início dos anos 70. No auge da ditadura militar, o lançamento do Plano de Integração Nacional pelo governo brasileiro implicou a implantação de projetos econômicos e estradas na Amazônia, assolando territórios de povos indígenas ainda isolados da sociedade nacional. Naquela época, a situação dos índios era desconhecida por parte da opinião pública, do Estado implementador de políticas públicas e da própria antropologia, cujos especialistas dispunham de informações desatualizadas, parciais e desiguais sobre um arco reduzido de povos indígenas da Amazônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi nesse contexto que começou a se consolidar uma extensa rede de colaboradores, voluntários, não só para “colocar os índios no mapa do Brasil”, mas também para apoiá-los em seus projetos. São pesquisadores, indigenistas, missionários, índios, médicos, jornalistas, fotógrafos, entre outros, que seguem apoiando o ISA nas atividades para dar visibilidade aos povos indígenas por meio de informações qualificadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2012, o site Povos Indígenas no Brasil - parte do portal do Instituto Socioambiental (ISA) - com informações sobre os povos e a temática indígena, completou 15 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criado com o propósito de reunir verbetes com informações e análises de todos os povos indígenas que habitam o território nacional, além de textos, tabelas, gráficos, mapas, listas, fotografias e notícias sobre a realidade desses povos e seus territórios, este site vem sendo, no decorrer destes anos, repensado e aprimorado por diferentes parceiros e colaboradores do programa Povos Indígenas no Brasil. Com apoio da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.noruega.org.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Embaixada da Noruega&amp;lt;/htmltag&amp;gt; e da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cafod.org.uk&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;CAFOD&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, este site foi desenvolvido e é mantido por:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Equipe atual==&lt;br /&gt;
; Coordenação Geral&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Organização e edição de conteúdo&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo&lt;br /&gt;
: Victoria Franco Martins Barreira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
; Desenvolvimento e produção&lt;br /&gt;
: Bruno Bevilacqua Aguiar&lt;br /&gt;
: Silvio Carlos&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Colaboradores dos verbetes ==&lt;br /&gt;
:Adelino de Lucena Mendes&lt;br /&gt;
:Aisanain Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Alexandre Herbetta&lt;br /&gt;
:Aloisio Cabalzar&lt;br /&gt;
:Ana Vilacy Galucio&lt;br /&gt;
:Ananda Conde&lt;br /&gt;
:André Ramos&lt;br /&gt;
:André Toral&lt;br /&gt;
:André Villas-Bôas&lt;br /&gt;
:Anthony Seeger&lt;br /&gt;
:Antonio Brito&lt;br /&gt;
:Aparecida Villaça&lt;br /&gt;
:Aristóteles Barcelos Neto&lt;br /&gt;
:Artionka Capiberibe&lt;br /&gt;
:Beatriz de Almeida Matos&lt;br /&gt;
:Benedito Maciel&lt;br /&gt;
:Beth Conklin&lt;br /&gt;
:Betty Mindlin&lt;br /&gt;
:Bruce Albert&lt;br /&gt;
:Bruna Franchetto&lt;br /&gt;
:Carlos Alberto dos Santos Dutra&lt;br /&gt;
:Carlos Augusto da Rocha Freire&lt;br /&gt;
:Carlos Fausto&lt;br /&gt;
:Carlos Guilherme do Valle&lt;br /&gt;
:Carmen Junqueira&lt;br /&gt;
:Carmen Lucia da Silva&lt;br /&gt;
:Caroline Mendonça&lt;br /&gt;
:Cesar Gordon&lt;br /&gt;
:Cloude de Souza Correia&lt;br /&gt;
:Cácio Silva&lt;br /&gt;
:Debra S. Picchi&lt;br /&gt;
:Denise Fajardo Grupioni&lt;br /&gt;
:Domingos Bueno da Silva&lt;br /&gt;
:Dominique T. Gallois&lt;br /&gt;
:Edilene Coffaci de Lima&lt;br /&gt;
:Edir Pina de Barros&lt;br /&gt;
:Edmundo Antonio Peggion&lt;br /&gt;
:Eduardo Viveiros de Castro&lt;br /&gt;
:Elaine Moreira-Lauriola&lt;br /&gt;
:Elisabeth Forseth&lt;br /&gt;
:Ellen Basso&lt;br /&gt;
:Elsje Maria Lagrou&lt;br /&gt;
:Ely Souza Estrela&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Equipe do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA)&lt;br /&gt;
:Eric Macedo&lt;br /&gt;
:Evelyn Schuler Zea&lt;br /&gt;
:Fabiana Maizza&lt;br /&gt;
:Fabio Mura&lt;br /&gt;
:Fabíola Andréa Silva&lt;br /&gt;
:Felipe Ferreira Vander Velden&lt;br /&gt;
:Flavio Braune Wiik&lt;br /&gt;
:Gabriel Coutinho Barbosa&lt;br /&gt;
:Geraldo Andrello&lt;br /&gt;
:Gilberto Azanha&lt;br /&gt;
:Gilton Mendes dos Santos&lt;br /&gt;
:Giovana Acácia Tempesta&lt;br /&gt;
:Giovani José da Silva&lt;br /&gt;
:Gustaaf Verswijver&lt;br /&gt;
:Hein van der Voort&lt;br /&gt;
:Henyo Trindade Barretto Filho&lt;br /&gt;
:Hilton Nascimento&lt;br /&gt;
:Iara Ferraz&lt;br /&gt;
:Ione Vasconcelos&lt;br /&gt;
:Isabelle Vidal Giannini&lt;br /&gt;
:Jeremy Deturche&lt;br /&gt;
:Joana Aparecida Fernandes Silva&lt;br /&gt;
:Joana Miller&lt;br /&gt;
:Joceny de Deus Pinheiro&lt;br /&gt;
:Jorge Eremites de Oliveira&lt;br /&gt;
:Jorge Hernández Díaz&lt;br /&gt;
:Jorge Pozzobon (1955-2001)&lt;br /&gt;
:Joshua Birchall&lt;br /&gt;
:José Eduardo Moreira da Costa&lt;br /&gt;
:José Glebson Vieira&lt;br /&gt;
:José Luiz de Souza&lt;br /&gt;
:José Maurício Arrutti&lt;br /&gt;
:José Pimenta&lt;br /&gt;
:João Dal Poz&lt;br /&gt;
:Juliana Schiel&lt;br /&gt;
:Julio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
:Jurema Machado de Andrade Souza&lt;br /&gt;
:Kanawayuri Kamaiurá&lt;br /&gt;
:Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental&lt;br /&gt;
:Karin Maria Véras&lt;br /&gt;
:Kimiye Tommasino&lt;br /&gt;
:Klinton Senra&lt;br /&gt;
:Kênia Gonçalves Itacaramby&lt;br /&gt;
:Lars Lovold&lt;br /&gt;
:Laura Graham&lt;br /&gt;
:Laura Pérez Gil&lt;br /&gt;
:Laércio Nora Bacelar&lt;br /&gt;
:Louis Carlos Forline&lt;br /&gt;
:Luciana Storto&lt;br /&gt;
:Luciene Pohl&lt;br /&gt;
:Luiz Costa&lt;br /&gt;
:Lux Vidal&lt;br /&gt;
:Luís Roberto de Paula&lt;br /&gt;
:Lúcia Andrade&lt;br /&gt;
:Manuel Ferreira Lima Filho&lt;br /&gt;
:Marcela Coelho de Souza&lt;br /&gt;
:Marcelo Simão Mercante&lt;br /&gt;
:Marco Antonio Gonçalves&lt;br /&gt;
:Maria Auxiliadora Cruz De Sá Leão&lt;br /&gt;
:Maria Carmen R. Do Vale&lt;br /&gt;
:Maria Cristina Troncarelli&lt;br /&gt;
:Maria Elisa Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Hilda Baqueiro Paraiso&lt;br /&gt;
:Maria Inês Ladeira&lt;br /&gt;
:Maria Odileiz Sousa Cruz&lt;br /&gt;
:Maria Rosário Carvalho&lt;br /&gt;
:Maria Sylvia Porto Alegre&lt;br /&gt;
:Mariana Ciavatta Pantoja&lt;br /&gt;
:Marilene da Silva Ribeiro&lt;br /&gt;
:Marlinda Melo Patrício&lt;br /&gt;
:Marta Amoroso&lt;br /&gt;
:Marília Facó Soares&lt;br /&gt;
:Miguel Carid Naveira&lt;br /&gt;
:Márcio Meira&lt;br /&gt;
:Márnio Teixeira-Pinto&lt;br /&gt;
:Mônica Thereza Soares Pechincha&lt;br /&gt;
:Nicole Soares Pinto&lt;br /&gt;
:Nilson Gabas Jr.&lt;br /&gt;
:Oiara Bonilla&lt;br /&gt;
:Organização Metareilá do Povo Indígena Paiter&lt;br /&gt;
:Oscar Calavia Sáez&lt;br /&gt;
:Patrick Menget&lt;br /&gt;
:Patrícia de Mendonça Rodrigues&lt;br /&gt;
:Paula Morgado&lt;br /&gt;
:Paulo Santilli&lt;br /&gt;
:Paulo Serpa&lt;br /&gt;
:Pedro Lolli&lt;br /&gt;
:Peter Schröder&lt;br /&gt;
:Priscila Faulhaber&lt;br /&gt;
:Raquel Guirardello&lt;br /&gt;
:Regina Polo Müller&lt;br /&gt;
:Ricardo Burg Mlynarz&lt;br /&gt;
:Ricardo Cid Fernandes&lt;br /&gt;
:Rinaldo S.V. Arruda&lt;br /&gt;
:Rita Heloísa de Almeida&lt;br /&gt;
:Rita de Cássia M. Neves&lt;br /&gt;
:Robin Wright&lt;br /&gt;
:Rodrigo Padua Rodrigues Chaves&lt;br /&gt;
:Rodrigo de Azeredo Grünewald&lt;br /&gt;
:Roque de Barros Laraia&lt;br /&gt;
:Rubem Ferreira Thomaz de Almeida&lt;br /&gt;
:Ruben Caixeta de Queiroz&lt;br /&gt;
:Samuel Cruz&lt;br /&gt;
:Sarah Miranda&lt;br /&gt;
:Sebastian Drude&lt;br /&gt;
:Sheila Brasileiro&lt;br /&gt;
:Stela Azevedo de Abreu&lt;br /&gt;
:Stephen Hugh-Jones&lt;br /&gt;
:Susana de Matos Viegas&lt;br /&gt;
:Sônia da Silva Lorenz&lt;br /&gt;
:Tarsila dos Reis Menezes&lt;br /&gt;
:Thomas Gregor&lt;br /&gt;
:Tânia Stolze Lima&lt;br /&gt;
:Ugo Maia Andrade&lt;br /&gt;
:Vanessa Caldeira&lt;br /&gt;
:Vera Lúcia Calheiros Mata&lt;br /&gt;
:Virgínia Valadão (1952-1998)&lt;br /&gt;
:Vânia Fialho&lt;br /&gt;
:Wallace de Deus Barbosa&lt;br /&gt;
:Waud Kracke&lt;br /&gt;
:William Balée&lt;br /&gt;
:William H. Crocker&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Equipe (histórico) ==&lt;br /&gt;
; Coordenação Geral&lt;br /&gt;
: Fany Pantaleoni Ricardo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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: Ana Cecilia Venci Bueno&lt;br /&gt;
: Carlos Alberto (Beto) Ricardo&lt;br /&gt;
: Fernando Fedola L. B. Vianna&lt;br /&gt;
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: Júlio Cezar Melatti&lt;br /&gt;
: Marta Amoroso&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Valéria Macedo&lt;br /&gt;
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: Luisa Setton&lt;br /&gt;
: Majoí Fávero Gongora&lt;br /&gt;
: Marcos Pereira Rufino&lt;br /&gt;
: Renato Sztutman&lt;br /&gt;
: Rogério do Pateo &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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: Alex Piaz &lt;br /&gt;
: Eduardo Ultima&lt;br /&gt;
: Gabriella Contoli [produção e edição web]&lt;br /&gt;
: João Ricardo Rampinelli Alves&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
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&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Quem somos}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-10-06}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%C3%93rg%C3%A3o_Indigenista_Oficial&amp;diff=6578</id>
		<title>Órgão Indigenista Oficial</title>
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		<updated>2019-01-17T14:35:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: /* Galeria dos presidentes da Funai */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Órgão indigenista oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2010 o indigenismo oficial no Brasil completou cem anos. Apesar da longa e dramática história da colônia e do império, apenas em 1910, vinte anos após a promulgação da República, foram criados mecanismos jurídicos e administrativos específicos, em âmbito federal, para conduzir as relações junto aos [[Quem são | povos indígenas]]. Antes disso, como destacou a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha (1992), houve um verdadeiro ‘vazio legislativo’. Os índios sequer foram mencionados nas Constituições de 1824 e 1889. A ausência, entretanto, tinha justificativas: cada província poderia legislar e atuar livremente para promover a “catequese e civilização dos índios”, o que acabou por trazer trágicas consequências para os mais diversos povos. As políticas iniciadas em 1910 abriram um novo período, a partir do qual a União passou a se responsabilizar e a se envolver diretamente com a questão indígena, retirando das províncias e líderes locais suas prerrogativas anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano do centenário diversos novos desafios se apresentam ao indigenismo de Estado. Um novo [[Estatuto do Índio | Estatuto dos Povos Indígenas]], que pretende substituir o de 1973, aguarda votação no Congresso. Em dezembro de 2009, o governo iniciou um amplo projeto de reestruturação da [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio (Funai)]], que promete modernizar, aparelhar e aproximar dos índios o atual órgão indigenista oficial, tido por muitos como um dos mais sucateados e ineficazes da Nação. Neste contexto, apresentamos aqui um breve panorama destes cem anos, com o objetivo de situar e refletir sobre o momento atual. O foco é observar o processo, seus avanços e impasses, de modo a que as tragédias do passado não continuem a se repetir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Fundação Nacional do Índio (Funai)==&lt;br /&gt;
Desde 1967, a Fundação Nacional do Índio (Funai) é o órgão indigenista oficial responsável pela promoção e proteção aos direitos dos povos indígenas de todo o território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A criação da Funai no contexto da ditadura militar===&lt;br /&gt;
Embora projetada pelos intelectuais do CNPI para superar os antigos impasses do [[Serviço de Proteção aos Índios (SPI)]], a Funai acabou por reproduzi-los. Sua criação foi inserida no plano mais abrangente da ditadura militar (1964-1985), que pretendia reformar a estrutura administrativa do Estado e promover a expansão político-econômica para o interior do País, sobretudo para a região amazônica. As [[O que é política indigenista | políticas indigenistas]] foram integralmente subordinadas aos planos de defesa nacional, construção de estradas e hidrelétricas, expansão de fazendas e extração de minérios. Sua atuação foi mantida em plena afinidade com os aparelhos responsáveis por implementar essas políticas: Conselho de Segurança Nacional (CSN), Plano de Integração Nacional (PIN), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ação da Funai durante a ditadura foi fortemente marcada pela perspectiva assimilacionista. O Estatuto do Índio (Lei nº 6.001) aprovado em 1973, e ainda vigente, reafirmou as premissas de integração que permearam a história do SPI. Por um lado, pretendia-se agregar os índios em torno de pontos de atração, como batalhões de fronteira, aeroportos, colônias, postos indígenas e [[Igrejas e Missões religiosas | missões religiosas]]. Por outro, o foco era isolá-los e afastá-los das áreas de interesse estratégico. Para realizar este projeto, os militares aprofundaram o monopólio tutelar: centralizaram os projetos de assistência, [[Saúde Indígena | saúde]], [[A educação escolar indígena no Brasil | educação]], alimentação e habitação; cooptaram lideranças e facções indígenas para obter consentimento; e limitaram o acesso de pesquisadores, organizações de apoio e setores da Igreja às áreas indígenas (M. Santilli, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A estrutura do órgão===&lt;br /&gt;
O órgão foi concebido em bases semelhantes às do SPI. Até 1991 se manteve vinculado ao extinto Ministério do Interior, que sempre exerceu grande ingerência sobre suas ações. Os presidentes nomeados entre as décadas de 1970 e 1980 eram, em grande maioria, militares ou políticos de carreira pouco ou nada comprometidos, e até mesmo contrários aos interesses indígenas. A administração foi centralizada em Brasília. Os postos indígenas foram mantidos e as inspetorias transformadas em delegacias regionais. Outras instâncias – ajudâncias, superintendências, administrações executivas, núcleos locais de apoio – foram criadas e extintas ao longo do tempo. A despeito destas modificações, a Funai se estruturou aos moldes do SPI, de modo mais ou menos centralizado, com grande rigidez burocrática, em três níveis espaciais: nacional, regional e local (Souza Lima, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das irregularidades que levaram à extinção do SPI, seu quadro funcional foi transferido para a Funai. Com recursos escassos e mal contabilizados, a Funai continuou a operar, assim como o SPI, com profissionais pouco qualificados. Não se concretizou a proposta de se realizar planejamentos antropologicamente orientados, conduzidos por profissionais de formação sólida, bem pagos e comprometidos com o futuro dos povos indígenas. O órgão foi permeado, em todos os níveis, por redes de relações pessoais, clientelistas e corporativas, que remetem ao paternalismo e ao voluntarismo que dominaram o velho SPI. A criação da Funai foi marcada pela ineficiência, desinteresse e dificuldade de operação, o que levou o órgão a limitar sua intervenção a favor dos índios a situações altamente críticas, conflituosas e emergenciais, consequentes dos planos de colonização e exploração econômica que chegavam aos extremos do país (Oliveira, 2006; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A emergência da questão indígena no cenário nacional===&lt;br /&gt;
Neste contexto desfavorável, a questão indígena começou a emergir no cenário político nacional. A maior parte das organizações de apoio aos índios se estruturou na década de 1970. Entre elas destaca-se: as comissões pró-índio (CPIs), as associações nacionais de apoio ao índio (ANAIs), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI). Estas duas últimas se juntaram para fundar o atual &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Instituto Socioambiental (ISA)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Criadas por intelectuais e clérigos envolvidos com a questão indígena, estas entidades passaram a realizar importantes trabalhos como: o questionamento fundamentado às políticas oficiais, a interlocução entre índios e Funai, bem como a formulação de alternativas concretas para o indigenismo brasileiro (M. Santilli, 1991; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1980, diversas manifestações indígenas passaram a ganhar visibilidade nacional. Também neste período começaram a se estruturar suas primeiras organizações formais de base comunitária ou regional. Em âmbito nacional foi criada a União das Nações Indígenas (UNI), que já não existe mais. [[Organizações indígenas | Conheça as organizações indígenas]] compiladas pelo ISA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os povos indígenas e o marco jurídico atual===&lt;br /&gt;
Com as mobilizações indígenas e das organizações de apoio, a [[Constituição | Constituição de 1988]] acabou por conferir um tratamento inédito aos povos indígenas. Pela primeira vez foi reconhecido seu [[Constituição | direito à diferença (Art. 231)]], rompendo com a tradição assimilacionista que prevaleceu até então. Foi garantido o [[Constituição | usufruto exclusivo de seus territórios]] tradicionalmente ocupados, definidos a partir de seus usos, costumes e tradições (Art. 231). A União foi instituída definitivamente como instância privilegiada das relações entre os índios e a sociedade nacional. Através do artigo 232, os indígenas e suas organizações foram reconhecidos como partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos, o que incentivou a expansão e a consolidação de suas associações. Para isso, foram definidos canais diretos de comunicação entre os índios, o Ministério Público e o Congresso Nacional. Com estas medidas, o conceito de “capacidade relativa dos silvícolas” (Código Civil, 1917), e a consequente necessidade do “poder de tutela” perderam validade e atualidade. Estas vitórias constitucionais precisariam, entretanto, ser regulamentadas e consolidadas politicamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1991, uma Comissão Especial foi instaurada para rever o [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (1973)]] a partir do enfoque inovador da Carta de 1988. Foram abordados temas como: a situação jurídica dos índios e as responsabilidades assistenciais da Funai; os direitos de autoria e a propriedade intelectual; a proteção ambiental e a regulamentação do uso e exploração de recursos naturais; os procedimentos de demarcação de terras indígenas. A tramitação do projeto, entretanto, foi paralisada em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A descentralização do indigenismo oficial===&lt;br /&gt;
No início da década de 1990, houve amplos debates acerca do papel do órgão indigenista oficial a partir do novo marco jurídico. O Ministério do Interior foi extinto e a Funai  foi transferida ao Ministério da Justiça. Blocos parlamentares anti-indígenas propunham fechá-la, sem substituí-la por nada novo, o que provocaria um grande vazio administrativo. Mobilizações indígenas e organizações de apoio defendiam que a reestruturação do órgão fosse feita concomitantemente à aprovação do texto do Estatuto. Em 1991, o governo Collor realizou, por meio de decretos, uma ampla reforma das atribuições da Funai. As responsabilidades sobre saúde, educação, desenvolvimento rural e meio ambiente foram descentralizadas, e passaram a ser exercidas pelos Ministérios da Saúde, Educação, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente. As ações extra-Funai decretadas por Collor tomaram rumos distintos e impactaram de modos diferenciados os povos indígenas do Brasil. Durante os anos FHC estas políticas passaram a adquirir contornos administrativos mais precisos. Algumas ONGs e associações indígenas passaram a participar ativamente do processo de implementação das políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os decretos de 1991, a Funai, esvaziada em suas atribuições, passou a se concentrar nas políticas de regularização fundiária. Em 1996, o governo FHC modificou as regras para a [[O que são Terras Indígenas? | demarcação de Terras Indígenas]] visando destacar a necessidade da participação indígena e o direito a contestação das partes afetadas (Decreto 1775/96, Portaria 14/96).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desenvolvimento dos projetos participativos===&lt;br /&gt;
Também em 1996 passou a operar o Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL), resultado da parceria entre a Funai e o Programa Piloto para a Conservação das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7. Embora direcionado à demarcação de terras, o PPTAL se propôs a criar alternativas concretas e de longo prazo ao modelo tutelar. Sua proposta se baseou no estímulo ao controle social e à atuação indígena qualificada na estrutura da Funai e do Estado de modo mais abrangente. Em seu âmbito, a partir da experiência dos [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]] do Amapá, foi criado o modelo de “demarcação participativa”, que tem como premissa básica a parceria e a co-responsabilidade dos povos indígenas na formulação das políticas que lhes afetam diretamente. Neste modelo, a própria demarcação é tomada como apenas uma das etapa do processo mais abrangente de gestão sustentável das Terras Indígenas. Trata-se de uma proposta baseada no diálogo intercultural, que apenas se realiza enquanto política pública com o pleno envolvimento e concordância dos povos interessados (Mendes, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A experiência inovadora do PPTAL estimulou a criação em 2001 do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI), desenvolvido no âmbito do Ministério do Meio Ambiente em parceria com o PP-G7. Este projeto é voltado ao financiamento de iniciativas de valorização cultural e desenvolvimento sustentável elaborados e geridos pelas populações indígenas e seus parceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A Funai e as novas demandas por reconhecimento indígena===&lt;br /&gt;
Em 2002, a ratificação pelo governo brasileiro da [[Convenção OIT sobre Povos Indígenas e Tribais em países independentes nº. 169 | Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre “Sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes” (1989)]] aprofundou a sustentação jurídica às demandas de povos antes tomados por aculturados e integrados, que atualmente reivindicam, em diversas regiões do Brasil, seus direitos indígenas diferenciados. Cada vez mais numerosas, estas reivindicações trazem novos desafios à atuação da Funai, responsável pela demarcação das Terras Indígenas no país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A valorização dos conhecimentos tradicionais===&lt;br /&gt;
Na virada do milênio, [[Conhecimentos tradicionais: &amp;quot;Novos rumos e alternativas de proteção&amp;quot; | os conhecimentos indígenas e tradicionais]] passaram a ganhar destaque na agenda nacional e internacional. As discussões se concentram na criação e aprimoramento de mecanismos legais que impeçam que estas populações sejam expropriadas de seu rico patrimônio intelectual, produzido ao longo de gerações. O problema é evidente no caso dos conhecimentos associados à biodiversidade que têm sido alvo de inúmeros casos de biopirataria. Embora acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Biológica e a Agenda 21, criadas no contexto da Eco-92, tenham destacado a urgência do problema, apenas em 2002 o Brasil iniciou, através de decreto presidencial (nº 4.339, de 22 de agosto de 2002), uma política nacional de biodiversidade, que, entretanto, precisa ser aprimorada em diversos aspectos (J. Santilli, 2000, 2002).  Também neste âmbito e neste período, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vinculado ao Ministério da Cultura, passou a realizar ações de proteção, valorização e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial de povos indígenas e tradicionais. Estas ações decorrem do esforço de regulamentação da Constituição de 88, que em seus artigos 215 e 216 formaliza o valor imaterial dos bens culturais. No ano 2000 o decreto 3.551 instituiu os mecanismos oficiais de valorização e proteção do patrimônio cultural no Brasil. Estes instrumentos, entretanto, se encontram em fase inicial de consolidação e são alvo de pesquisas e debates entre especialistas. Até mesmo no campo internacional as propostas neste sentido são recentes. Data de 2003 a Convenção da UNESCO para a “Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desafio da consolidação do paradigma participativo===&lt;br /&gt;
Desde a Constituição de 1988 o indigenismo oficial passou por diversas e significativas mudanças, voltadas, de modo geral, ao reconhecimento e à valorização da diferença cultural. As políticas públicas direcionadas aos povos indígenas têm se tornado cada vez mais descentralizadas e realizadas no âmbito de diversos ministérios que atuam em parceria com agências de cooperação internacional e organizações não-governamentais. A premissa elementar do conjunto das ações é o estímulo à participação e à co-responsabilidade indígena na gestão das políticas destinadas a eles. Entretanto, o sucesso destas políticas depende de sua plena consolidação jurídica e institucional em todos níveis, do local ao governo central. Afinal, o poder tutelar, o assistencialismo e o assimilacionismo ainda são uma realidade fortemente enraizada em diversas práticas do relacionamento entre o Estado e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à consolidação jurídica deste novo momento, é notável que o Estatuto do Índio de 1973, de bases integracionistas, ainda esteja vigente. Entre 1991 e 1994, foi apresentada uma proposta de substituição ao texto que jamais foi votada pelo congresso. Em março de 2006, o governo federal criou a Comissão Nacional de Política Indígenista (CNPI). Em sua agenda, foi estabelecida a prioridade da atualização do Estatuto, com vistas a apresentar uma regulamentação integrada dos diversos temas da agenda dos povos indígenas: o patrimônio e os conhecimentos tradicionais, a proteção e a gestão territorial e ambiental, as atividades sustentáveis e o uso de recursos renováveis, o aproveitamento de recursos minerais e hídricos, a assistência social, a educação escolar e o atendimento à saúde diferenciados. Em julho de 2009, a proposta - construída com a participação de representantes indígenas – foi apresentada ao Congresso Nacional e aguarda votação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto, o atual CNPI e a Funai tem a tarefa de articular e integrar o conjunto das ações estatais de defesa dos direitos indígenas, com vistas a promover o paradigma participativo e superar definitivamente seu papel tutelar. Com este objetivo, o órgão indigenista oficial têm realizado esforços para atualizar suas práticas e modos de funcionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Reestruturação da Funai===&lt;br /&gt;
Em fins de 2009, o governo Lula anunciou, por meio de decreto presidencial (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7056.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nº 7.056, 28/12&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), um amplo plano de reestruturação da Funai, que pretende oferecer maior capacidade de atuação onde vivem os povos indígenas. As Administrações Executivas Regionais (AERs) e Postos Indígenas (PIs) foram substituídos por Coordenações Técnicas Locais e Regionais, formadas por técnicos qualificados, que passarão a desenvolver ações participativas junto aos povos indígenas envolvidos. Nesta estrutura, está planejada a criação de Conselhos Consultivos, nos quais os indígenas e as organizações parceiras participam diretamente na formulação, implantação e gestão das políticas públicas a eles destinadas. Além disso, está prevista a criação de 3,1 mil cargos a serem preenchidos até 2012. Esta nova estrutura pretende, conforme sua direção, superar os impasses históricos do órgão indigenista oficial. Apreensivos, diversos povos se posicionaram contra as mudanças e reclamaram de falta de consulta prévia prevista na Convenção nº 169 da OIT.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria dos presidentes da Funai ==&lt;br /&gt;
A história do controvertido órgão indigenista oficial, a [[Órgão Indigenista Oficial | Funai (Fundação Nacional do Índio)]], pode ser contada através da sucessão de seus 41 presidentes ao longo de 51 anos, de 1967 a 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Presidentes da Funai (1967-2018)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidentes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Quem é | O que fez&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan.2019 - atual]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O militar da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas retorna à Presidência da Funai após a exoneração de Wallace Moreira Bastos, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de janeiro de 2019. O novo presidente, na verdade, foi o antecessor de Wallace, entre maio de 2017 e abril de 2018. No período, aprovou os estudos da Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha (PE).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de pouco mais de 10 meses no cargo, Franklimberg foi exonerado e sua gestão não agradou a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O general, nomeado durante o governo Bolsonaro, foi formalmente reapresentado à Presidência no mesmo dia da saída de Wallace Moreira Bastos do cargo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Wallace Moreira Bastos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2018 - jan. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Wallace Moreira Bastos foi nomeado para exercer o cargo de Presidente da Funai no mesmo Diário Oficial da União, de 24 de abril, em que foi publicado o pedido de demissão de Franklinberg, que alegou estar sofrendo forte pressão dos ruralistas para deixar o cargo. No dia 16 de janeiro de 2019, foi publicado o pedido de exoneração de Wallace Moreira Bastos da presidência da Funai, após nove meses de ocupação no cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em nota da Funai, Wallace disse que conseguiu trazer para a Fundação mais 203 servidores concursados, que já estão atuando em todas as regiões do país. E que conseguiu, junto ao Governo Federal, que o orçamento da Funai passasse de R$ 109 milhões para R$ 175 milhões, o que permitirá ao órgão avançar ainda mais no que diz respeito às demandas das comunidades indígenas. Mas no período em que esteve na presidência da Funai não aprovou nenhum estudo de identificação de Terra Indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa indicação não foi vista com bons olhos no meio indígena e indigenista porque Wallace não tem, em seu currículo, nenhuma experiência relacionada aos povos indígenas. Foi sócio-proprietário e gestor, entre 2002 e 2008, das empresas Giraffas, Casa do Pão De Queijo, Montana Grill e Café Cancun e, antes, analista de Vendas da Ambev. Concursado na ANAC, é membro do Conselho de Administração da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) e antes da indicação para a Funai ocupava o cargo de subsecretário do Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil. É a terceira indicação do PSC para a Fundação em pouco mais de um ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 2017 - abr. 2018]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O general do exército Franklimberg Ribeiro de Freitas assumiu interinamente a presidência da Funai após a exoneração de Antônio Costa. Em julho de 2017, foi plenamente empossado. Franklimberg é militar da reserva, tendo ingressado nas Forças Armadas em 1976, e antes de ser nomeado para a Funai exercia o cargo de assessor de relações institucionais do CMA (Comando Militar da Amazônia), sediado em Manaus (AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assume a presidência da Funai poucos dias após um massacre realizado contra índios Gamela, no Maranhão e em meio à uma intensa crise política desencadeada por investigações de corrupção no governo Temer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua gestão não agradou à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), composta por 252 parlamentares, entre deputados e senadores, que esperavam ações que atendessem os interesses dos ruralistas. A FPA enviou um ofício ao presidente Temer com a assinatura de mais de 170 lideranças indígenas que não queriam a permanência de Franklimberg, e pediram sua demissão. Permaneceu no cargo por pouco mais de 10 meses.&lt;br /&gt;
Ele é o segundo presidente que o PSC indica (o anterior, Antonio Fernandes Toninho Costa, também fora indicação do partido) e é demitido por não atender interesses contrários aos direitos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franklimberg, antes de deixar o cargo, aprovou os estudos da TI Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Antonio Fernandes Toninho Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan. de 2017 a mai. de 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dentista e pastor evangélico de Luiziânia (GO), já atuou como assessor parlamentar. Interessante notar o contexto da decisão de sua nomeação como novo presidente da Funai. Segundo a reportagem da Globo News, o presidente da República, Michel Temer, em reunião com ministros sobre obras de infraestrutura, foi informado sobre impasses e conflitos com índios, que estariam impedindo a continuidade das obras, e que a Funai estava com um presidente interino. Ele então solicitou ao ministro da Justiça que resolvesse a questão – provavelmente com a expectativa de conseguir a aprovação da Funai para as obras paralisadas. Dentro da lógica de loteamento à base aliada, Temer aceitou a indicação do Partido Social Cristão (PSC), cujo presidente é o Pastor Everaldo e que é integrado por Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano. Costa já trabalhou com povos indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e na Missão Evangélica Caiuá – antiga missão que prestava assistência aos Guarani em Mato Grosso do Sul e hoje atua em diversos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (DSEIs) através de convênio com a Sesai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Agostinho do Nascimento Netto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 2016 a jan. 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assessor especial do Ministério da Justiça desde junho de 2016, desconhecido do movimento indígena e indigenista, foi nomeado Presidente substituto da Funai em setembro do mesmo ano. Durante sua curta gestão, ele aprovou a TI Pindoty/Araça-Mirim, no Vale do Ribeira (SP), no dia 29 de dezembro de 2016, com 1.030 hectares.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2016 a set. 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes assumiu a presidência dó órgão em substituição a João Pedro Gonçalves, exonerado pelo governo interino de Michel Temer. Artur Nobre Mendes já fora presidente da Funai entre 2002 e 2003 e no momento ocupava o cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. (Veja mais abaixo informações sobre o seu primeiro mandato)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2016, permaneceu no cargo de presidente substituto por aproximadamente 4 meses. Em sua curta interinidade, Artur publicou, em agosto de 2016, a identificação de três TIs Guarani no estado de São Paulo: Djaiko-aty com 1,216 ha, Ka'aguy Mirim com 1.190, e a Ambá Porã com 7.204 ha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi exonerado em Setembro, poucos dias após a Funai criticar a organização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 por terem afirmado, na apresentação da menina Igani Suruwaha, que a menina e a mãe tiveram que deixar a comunidade onde viviam para “evitar o infanticídio indígena”. Em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/3932-nota-jogos-paralimpicos&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota de repúdio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a Funai disse que a informação do Comitê Organizador dos Jogos promove “''ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil, referindo-se ao 'infanticídio ou homicídio, abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulneráveis e violência doméstica' como 'práticas tradicionais' indígenas. A Funai entende que tal posicionamento revela uma total incompreensão sobre a realidade indígena no país, refletindo uma visão preconceituosa e discriminatória sobre esses povos, suas culturas e seus modos de vida.''”&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Pedro Gonçalves da Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2015 a jun. de 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi deputado estadual, vereador e senador suplente do estado do Amazonas. Também trabalhou como superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária no Amazonas Assumiu a presidência da Funai no lugar de Flavio Chiarelli Vicenti de Azevedo, que foi presidente interino durante 8 meses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://acritica.uol.com.br/blogs/blog_do_sim_-_nao/funai_7_1375732414.html&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota d'A Crítica&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (14/06/15), sua indicação ''&amp;quot;foi uma costura de parlamentares petistas do Norte com o argumento de que o Governo Dilma precisa dar mais espaços a políticos da Amazônia assim como Lula fez quando pôs Marcus Barros no Ibama, e Marina Silva, no Ministério do Meio Ambiente.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu mandato coincidiu com os últimos meses antes de a Presidente Dilma Roussef ser afastada do cargo e nesse curto período buscaram reverter a paralisia de demarcações que até então marcara esse governo. Durante seu mandato foram aprovados pela Funai os estudos das terras: Cobra Grande (PA) dos povos Arapiuns, Jaraqui e Tapajó; Kaxuyana-Tunayana (AM/PA), dos Kaxuyana, Tunayana e outros; Jurubaxi-Téa (AM), dos Baré, Tukano, Baniwa e outros; Sawré/Muybu (PA), dos Munduruku; Sambaqui (PR), Pakurity (MS), Peguaoty (MS) e Cerco Grande (PR), dos Guarani Mbya; Ypoi-Triunfo (MS), dos Guarani Ñandeva; Dourados Amambaipeguá I, dos Kaiowáa e Ñandeva; e Mato Castelhano-FÁg TY KA (RS), dos Kaingang.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 2014 a jun. de 2015]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi chefe da Procuradoria Federal Especializada da Funai. Assumiu a Presidência interinamente, em substituição à também interina Maria Augusta Assirati.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu os 8 meses de sua gestão como presidente interino. Nesse período apesar das determinações do governo de paralisar o reconhecimento das Terras Indígenas (TIs) - conseguiu aprovar e publicar no DOU em janeiro de 2015, os estudos de identificação e delimitação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4056&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Riozinho&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, dos índios [[Povo:Ticuna | Ticuna]] e [[Povo:Kokama | Kokama]] com 362.495 hectares, nos municípios de Juruá e Jutai no Amazonas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criou três Grupos Tecnicos (GTs) para estudos de novas TIs: uma para os Ticuna, em Fonte Nova/Amazonas, outra em Paraty no Rio de Janeiro para os [[Povo:Guarani | Guarani]], e a pela primeira vez a Funai criou um GT para reconhecer uma TI no no Rio Grande do Norte, no município de Baía Formosa: a Sagi/Trabanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 2015, com a nomeação do novo presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, Flávio Chiarelli foi nomeado assessor especial do Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Segundo ele, o governo tem um olhar não-indígena para os povos tradicionais, 'achando que eles são os causadores de problemas. Quando, na verdade, a gente deveria parar para olhar o lado deles e enfrentar a real causa do problema&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Governo-nomeia-novo-presidente-da-Funai/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Greenpeace&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Jun/15&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Maria Augusta Boulitreau Assirati'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2013 a out. de 2014]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Advogada, dirigiu o Departamento de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai e assumiu a Presidência interinamente, com a exoneração de Marta Maria Azevedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo mantida em interinidade durante um ano e quatro meses, em um governo que primou pela paralisia das demarcações de Terras Indígenas, ela conseguiu aprovar e publicar três estudos de identificação das TIs: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3864&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 5.838 hectares, no Ceará; da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4142&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 2.686 hectares, no Paraná; e a ampliação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/5399&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Xakriabá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 43.357 em Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Augusta pediu demissão por conta de um curso de doutorado em Portugal, mas segundo o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://oglobo.globo.com/brasil/presidente-da-funai-deixa-cargo-em-meio-disputa-do-orgao-com-ministerio-da-justica-14050662#ixzz3ENbCfygi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;jornal O Globo, de 25 de setembro de 2014&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, alguns dos motivos principais seriam as divergências envolvendo a construção de hidrelétricas e a disputa enfrentada pela própria Funai, no interior do governo, para realizar sua tarefa primordial: a demarcação de terras indígenas. A interferência política do governo sobre a atuação da Funai foi apontada pela ex-presidente em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://apublica.org/2015/01/a-funai-esta-sendo-desvalorizada-e-sua-autonomia-totalmente-desconsiderada-diz-ex-presidente/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;entrevista na Agência Pública, de janeiro de 2015&amp;lt;/htmltag&amp;gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A orientação é no sentido de que nenhum processo de demarcação em nenhum estágio, delimitação, declaração, ou homologação, tramite sem a avaliação do Ministério da Justiça e da Casa Civil. Isso é, nada mais, nesse momento, “depende apenas da Funai”.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;APública, Jan/2015&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marta Maria Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2012 a jun. de 2013]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marta Maria do Amaral Azevedo é antropóloga, demógrafa, e autora de um dos primeiros trabalhos de pesquisa sobre demografia dos povos indígena. Nascida em São Paulo, formou-se em Ciências Sociais em 1978 pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1980 integrou o grupo de Educação Indígena da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) e atuou como colaboradora do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Também foi colaboradora do ISA, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo – onde ajudou a fundar o Grupo Mari de Educação Indígena – e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), no início da década de 1990. Participou da equipe de demógrafos que, em conjunto com o IBGE, Funai e especialistas de várias e diferentes instituições, aprimorou a coleta das informações sobre os povos indígenas para o censo brasileiro de 2010. Suas investigações envolvem temas como educação indígena, segurança alimentar e saúde das mulheres indígenas, os quais contam com o comprometimento de Marta em sua gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um ano e dois meses no cargo, Marta aprovou os estudos de identificação de 14 Terras Indígenas. Destacamos algumas: a TI Iguatemipeguá I com mais de 41 mil hectares, para os Kaiowá, localizada em região de intensos conflitos com fazendeiros, no Mato Grosso Sul; também aprovou os reestudos de duas terras guarani em S.Paulo, a Jaraguá (com 532 ha, na capital) e a Boa Vista do Sertão Pró-Mirim (no município de Ubatuba com 5.520 ha); seis terras mura tiveram seus estudos de identificação aprovados nos municípios de Borba, Autazes, Carreiro da Várzea, Manaquiri e Careiro, todos no estado do Amazonas, somando 72.631 ha. A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, exonerou, a pedido, Marta Maria do Amaral Azevedo da presidência da Funai em Junho de 2013.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Meira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. 2007 a abr. 2012]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Formado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com mestrado em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), o atual Presidente da Funai pesquisou os povos Warekena, da região do rio Xié, um dos afluentes do rio Negro, no Amazonas, no início dos anos 1990. É o autor da tese &amp;quot;No tempo dos Patrões&amp;quot;, sobre o regime de aviamento que ainda vigora nas relações entre extrativistas e comerciantes no interior da Amazônia. Sua atuação com os povos indígenas, porém, é anterior e data desde sua participação na luta pelos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. Foi também responsável pelo GT da Funai de identificação das Terras Indígenas do Médio Rio Negro, localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. Meira foi um dos interlocutores das organizações indígenas na equipe de transição do governo Lula, em 2002. Sua gestão foi responsável pelo processo de reestruturação da Funai, que renovou o quadro funcional (com 425 novas contratações) e a estrutura administrativa do órgão. Também foi resposável pela inauguração do Centro de Formação em Política Indigenista em Sobradinho/DF. Apesar de ter priorizado a participação do movimento indígena e de ter implantado a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), ao final da gestão Meira ocorreu um rompimento da bancada indigenista com a comissão, no qual entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a CNPI. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Mércio Pereira Gomes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. 2003 a março de 2007]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dirigiu o IPARJ (Instituto de Pesquisas Antropológicas do Rio de Janeiro) e participou da política carioca quando do governo de Leonel Brizola (1991-95), na condição de subsecretário de Cultura e Projetos Especiais. Foi também assessor de projetos especiais da cidade de Petrópolis. Depois de Roque Laraia e Artur Nobre Mendes, Mércio Gomes é o terceiro antropólogo a assumir a presidência da Funai. Foi professor de antropologia na Unicamp, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Macalestes (EUA) e na UFF (Universidade Federal Fluminense). Membro efetivo do Diretório Estadual do PPS, partido da base aliada do governo Lula, Mércio Gomes já era cotado para a presidência da Funai na campanha eleitoral de 2002 em um eventual governo Ciro Gomes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Eduardo Aguiar de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. de 2003 a ago. de 2003]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Primeiro presidente da Funai do governo Lula, Eduardo Aguiar de Almeida ficou apenas seis meses no cargo, tendo sido exonerado em 15 de agosto de 2003, por meio de portaria da Casa Civil. O ministro da justiça declarou-se insatisfeito com o seu trabalho à frente da Funai em mais de uma ocasião, em que observava a &amp;quot;falta de sintonia&amp;quot; de Almeida com os interesses do Ministério. Os rumores sobre a sua substituição começaram a circular há pelos menos 2 meses desde que ele assumiu a pasta. Em entrevista à imprensa, Almeida atribuiu sua demissão à forte pressões oriundas dos setores anti-indígenas da política nacional, citando diretamente os nomes dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Romero Jucá (PMDB-PR) e dos governadores Blairo Maggi (PPS-MT), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Almeida tomou posse oficialmente no cargo mais de um mês após o início da nova gestão do governo brasileiro, em 03/02/2003. É natural do Rio de Janeiro, jornalista e membro fundador da Sociedade Brasileira de Indigenistas (SBI). Já trabalhou na Funai como assessor da presidência entre janeiro e agosto de 2000. Desde janeiro de 2002, atuava como consultor do Ministério do Meio Ambiente. Em sua gestão, Almeida concentrou parte de seus esforços na preparação da Conferência Nacional de Política Indigenista, um dos ítens mais relevantes na pauta petista para a questão indígena – já expresso no documento de campanha de Lula à presidência, intitulado Compromisso com os Povos Indígenas – e cujo objetivo é o de criar uma instância de articulação entre os setores governamentais que têm responsabilidades para com as demandas indígenas, representantes dos índios e outros setores da sociedade civil. No âmbito das reivindicações territoriais, Almeida criou Grupos de Trabalho (Gts) para identificar 17 novas Terras Indígenas e reestudar os limites de outras dez. Uma decisão inovadora da gestão de Eduardo Aguiar de Almeida foi a determinação do critério da &amp;quot;auto-identificação&amp;quot; como instrumento fundamental para que se reconheça como indígenas os grupos que reivindiquem esta condição, adequando as ações do Estado brasileiro à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 2002 a jan. de 2003]''''''&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes foi o nono presidente do órgão indigenista em oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Na Funai desde 1983, Mendes sempre havia atuado na área fundiária. Foi chefe do Departamento de Identificação e Delimitação (Deid), coordenador de Projetos Especiais e coordenador técnico do Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal - o PPTAL, que, ligado ao Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicias do Brasil (PPG7), tem por objetivo demarcar 160 terras indígenas. No momento em que assumiu a presidência da casa, ocupava a diretoria do Departamento de Assuntos Fundiários (DAF), posto em que estava desde a gestão de Glênio da Costa Alvarez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artur Nobre Mendes foi formalmente apresentado no novo cargo em 31/07/2002, juntamente com a equipe recém-constituída por Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, o oitavo ministro da Justiça a assumir a pasta ao longo das duas gestões FHC. Mendes permaneceu à frente da Funai até janeiro de 2003, quando, já então no primeiro mês do governo de Luís Inácio Lula da Silva, pediu demissão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otacílio Antunes Reis Filho'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. a jul. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
A saída de Glênio Alvarez levou à presidência da Funai Otacílio Antunes Reis Filho, antigo funcionário do órgão, então no cargo de diretor de Artesanato. Reis Filho, que já havia sido diretor de Planejamento na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, dirigiu a Fundação por 46 dias, entre junho e julho de 2002.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Glênio Alvarez'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. 2000 a jun. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O geólogo Glênio Alvarez, funcionário da Funai há 14 anos, é o 27º presidente do orgão indigenista oficial desde sua fundação, em 1967. Foi administrador regional do órgão em Boa Vista (RR), em 1994, período de demarcação da TI Yanomami.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha de Alvarez, gaúcho de Santa Maria, encerrou a interinidade do antropólogo Roque de Barros Laraia, que ocupou o cargo desde a saída de Carlos Frederico Marés. Alvarez assumiu dizendo pretender implantar programas conjuntos com governos estaduais. Seu principal desafio seria contornar a falta de verbas para desenvolver os programas previstos para 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início de junho de 2002, a publicação no Diário Oficial da União da exoneração de Glênio Alvarez pegou a todos de surpresa. Ele, inclusive, que não quis se manifestar logo após o ocorrido. Por meio de seu assessor de imprensa, declarou que &amp;quot;havia feito seu trabalho corretamente a favor dos índios no Brasil&amp;quot;. A queda de Alvarez aconteceu dois dias depois que o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, deputado Pinheiro Landim, retirou de pauta o Projeto de Lei da Mineração em Terras Indígenas. A Funai havia se manifestado contrária à aprovação do projeto, de autoria do senador Romero Jucá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Roque de Barros Laraia'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a mai. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com a demissão de Marés, o então presidente substituto, o antropólogo Roque de Barros Laraia, assumiu a presidência da Funai em regime interino. Foram 29 dias até que Glênio Alvarez fosse nomeado presidente pelo ministro José Gregori.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laraia é formado em história, mas optou pela antropologia. Foi parte do corpo docente do Museu Nacional (UFRJ) e, a partir de 1968, da UnB. É integrante do Conselho Indigenista desde que foi criado, em 1967. À época, esse conselho representava o poder máximo no órgão. O antropólogo tem experiência de pesquisa com os Terena e os Suruí do Pará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a gestão de Marés, Roque Laraia foi o responsável pela Diretoria de Assuntos Fundiários. Em entrevista exclusiva ao Isa, confessou que os maiores problemas por ele enfrentados em sua curta gestão na presidência, foram o esvaziamento dos quadros profissionais, a escassez de recursos e a pressão constante de grupos indígenas, como os Xavante e os Fulniô. Segundo ele, &amp;quot;não é possível administrar a Funai com os Xavante do jeito que estão&amp;quot;. Para ele, a maioria dos índios continua desassistida, ao passo que uma etnia acaba consumindo o tempo da administração e tomando a maioria dos recursos parcamente disponíveis.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Carlos Frederico Marés'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1999 a abr. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nascido em União da Vitória (PR), Carlos Frederico Marés de Souza Filho é professor de Direito Agrário e Ambiental da PUC-PR. Foi procurador do estado do Paraná entre 1991 e 1994, e secretário da Cultura do município de Curitiba, entre 1983 e 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaborou, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), na formulação do Capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;, e foi um dos coordenadores da campanha &amp;quot;Povos Indígenas na Constituinte&amp;quot;. Em 1989, fundou o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI), e, em 1994, o Instituto Socioambiental, do qual foi presidente e conselheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés é também autor de seis livros, o último deles - &amp;quot;O renascer dos povos indígenas para o Direito&amp;quot; - é resultado de sua dissertação de doutoramento apresentada, em 1988, à UFPR.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés foi indicado para a presidência da Funai pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, que advogou em seu favor, providenciando a regularização de sua situação no Brasil, quando de seu retorno depois de nove anos de exílio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de assumir o cargo, Marés apresentou 13 propostas para o ministro como condição para poder assumir a presidência da Funai (ver artigo Descascando o &amp;quot;abacaxi&amp;quot;, nos &amp;quot;500 anos&amp;quot; do Brasil). Entre elas, estava a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O curto período em que Marés esteve na Funai foi marcado por atos polêmicos. Logo no início de 2000, declarou publicamente que não haveria o que comemorar no dia 22 de abril, aniversário de 500 anos do &amp;quot;descobrimento&amp;quot; do Brasil. &amp;quot;É uma festa da chegada das caravelas, festa dos brancos. A maior parte dos índios brasileiros tem contato com a civilização branca há bem menos de 500 anos&amp;quot;, disse ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Marés foi marcada pela negociação em torno da apresentação da nova proposta para o &amp;quot;Estatuto do Índio&amp;quot;. Em 17 de abril de 2000, Marés apresentou a proposta do governo &amp;quot;Estatuto do índio e das comunidades indígenas&amp;quot; às lideranças indígenas que se reuniam em Monte Pascoal, em ocasião da marcha de protesto contra as comemorações dos 500 anos. Isso se deu antes mesmo da proposta ser submetida ao Legislativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 22 de abril, após presenciar uma ação da polícia contra a marcha dos índios que iam de Coroa Vermelha a Porto Seguro para protestar contra as comemorações dos 500 anos, Marés anunciou que pediria demissão. &amp;quot;Não posso permanecer num governo que faz agressão física ao movimento indígena organizado&amp;quot;, afirmou após ter decidido, em caráter irrevogável, apresentar sua demissão ao ministro da Justiça José Gregori.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Lacerda'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. a nov. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
José Márcio Panoff de Lacerda tomou posse na Presidência da Funai em 22 de fevereiro de 1999. Foi deputado, senador e vice-governador do Mato Grosso. Em seu discurso de posse, prometeu investir na aprovação de um novo Estatuto do Índio, &amp;quot;que reflita uma política realista, voltada para proporcionar às sociedades indígenas o legítimo direito de explorar em bases racionais os recursos naturais existentes em suas terras&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua atuação foi marcada pela defesa de parcerias entre o estado e os municípios para melhorar os atendimentos às sociedades indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 31 de maio, Lacerda foi retirado à força do prédio da Funai por 51 guerreiros xavante, que se revoltaram devido ao afastamento do diretor da AER de Nova Xavantina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Lacerda teve de enfrentar, a partir de maio de 1999, os inquéritos por ocasião da CPI da Funai, promovida por parlamentares que visavam investigar o relacionamento do órgão federal com ONGs, admissão de antropólogos e aplicação de recursos. Nesse período, tornou-se cada vez mais público o caos orçamentário da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro, por pressões dos índios, de várias instituições e de ONGs, colocou o cargo à disposição. Na ocasião, ele admitiu que enfrentou conflitos internos, principalmente com o médico Oswaldo Cid Nunes da Cunha, exonerado da chefia do Departamento de Saúde na Funai em Brasília, que classificou Lacerda de &amp;quot;incompetente&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lacerda acusou o médico de deslealdade ao condenar publicamente a decisão do governo de transferir a área de saúde indígena para a Fundação Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sulivan Silvestr'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1997 a fev. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sulivan Silvestre, paranaense, funcionário do Ministério Público de Goiás, tomou posse em 22 de agosto de 1997. Formado em Direito pela PUC de Goiás, Silvestre era especialista em meio ambiente. Desconhecido entre índios e indigenistas, seu nome surpreendeu, já que estavam cotados para ocupar o cargo antropólogos e funcionários da Funai conhecidos pela comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua nomeação comprovou o poder de fogo do ministro Íris Rezende, que conseguiu colocar no comando um apadrinhado político sem nenhuma experiência com a política indigenista. A indicação política desagradou o funcionalismo da Funai, que torcia pela nomeação de um técnico dos quadros da Fundação e algumas organizações não-governamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu discurso de posse, Silvestre afirmou ser a demarcação de terras a prioridade de sua gestão. Além disso, enfatizou a necessidade de uma aproximação entre a Funai, os índios e as demais entidades de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Procurou estruturar o Conselho Deliberativo e Participativo das Lideranças Indígenas, promovendo o diálogo entre a Funai, os representantes indígenas, as ONGs, o Cimi e o Capoib, sempre em defesa da descentralização do órgão indigenista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1 de fevereiro de 1999, Silvestre morreu em um acidente de avião. O bimotor Sêneca, que o levaria de Brasília até uma reunião com os índios Fulni-ô e Pankararu, caiu a poucos minutos da pista do aeroporto de Goiânia. O acidente ocorreu por volta das 21h30. Pouco depois da queda, o aparelho foi consumido pelo fogo. Renan Calheiros, ministro da Justiça na época, afirmou que iria acompanhar as investigações sobre o acidente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Júlio Gaiger'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1996 a jul. de 1997]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O advogado gaúcho Júlio Gaiger foi nomeado presidente da Funai em 12 de março de 1996, ocupando o lugar de Márcio Santilli. Ligado à questão indígena desde 1977, quando dirigiu a Associação Nacional de Apoio ao Índio em Porto Alegre, Gaiger foi assessor jurídico do Cimi até 1991 e trabalhou como assessor na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi indicado pelo ministro Nelson Jobim, com quem trabalhava desde meados de 1995 na formulação do polêmico Decreto 1775, que prevê a revisão de áreas indígenas ainda não registradas. Essa indicação causou imediatos protestos de organizações indígenas e de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1997, apesar dos apelos dos Xavante pela saída imediata de Gaiger, o novo ministro da Justiça, Íris Rezende, bancou a sua permanência. Mas, em 17 de julho, Gaiger entregou o cargo, alegando que o governo não teria se empenhado na implementação da política indigenista e que lhe teria faltado apoio político para levar adiante a reformulação administrativa do órgão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Ressinto-me, na Funai, da ausência de decisões estratégicas que escapam do nosso alcance&amp;quot;, escreveu em sua carta de demissão. Em entrevista, disse que vinha sofrendo pressões dos Xavante, de funcionários da Funai e de grupos políticos vinculados aos índios e aos servidores que, na sua opinião, tencionavam desestabilizá-lo para que não reformulasse o órgão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio José Brando Santilli'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1995 a mar. de 1996]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Indicado por FHC, um dia depois de uma reunião ocorrida no palácio da alvorada em 03/08/95 entre o presidente, o ministro da justiça e um grupo de antropólogos, Santilli não era o preferido de Jobim. Então secretário executivo do Instituto Socioambiental em Brasília, Santilli demorou um mês para aceitar a indicação, período em que indicou outros nomes ao ministro Jobim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consultou previamente várias ONGs do campo indigenista sobre a oportunidade de encarar o desafio de administrar uma Funai sucateada e enfrentar um novo decreto sobre demarcação de terras indígenas, medida já decidida pelo presidente FHC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formado em filosofia, Santilli foi deputado pelo PMDB de SP (1982-86) e integrante do grupo político do atual presidente FHC. Durante seu mandato parlamentar, foi membro da Comissão de Relações Exteriores e da Comissão do índio, na Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1987 e 88, foi pessoa-chave na ligação entre a Coordenação Nacional dos Povos lndígenas na Constituinte - que reunia índios e organizações civis de apoio - e o Congresso Nacional. Em 1989, juntamente com um grupo de índios, antropólogos e juristas, fundou e dirigiu o NDI, uma ONG com sede em Brasília, que teve destacado papel na aplicação prática dos direitos coletivos dos índios, através de demandas judiciais paradigmáticas. Em 1994, foi um dos fundadores do Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Cimi considerou a sua nomeação como &amp;quot;uma tentativa do governo para criar condições políticas favoráveis para mudar o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas&amp;quot;. Além da Igreja Católica, Santilli ganhou muitos inimigos internos com a demissão de funcionários corruptos das Áreas Kayapó e Xavante, o corte de diárias de caciques xavante em Brasília, o fechamento de Administrações Regionais, e o anúncio de uma grande reforma administrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfrentou várias rebeliões regionais e seqüestros de funcionários por índios articulados com segmentos de máfias funcionais e o seu próprio gabinete em Brasília foi invadido por um grupo de Xavante, acompanhado da Rede Globo de TV. Santilli pediu demissão alegando falta de apoio do Ministério da Justiça, que não buscava ampliar as verbas da Funai e retinha os recursos que ele conseguira diretamente do Tesouro Nacional, além de não garantir a investigação policial a respeito das máfias funcionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Dinarte Nobre Madeiro'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1993 a set. de 1995]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dinarte assumiu interinamente a presidência da Funai, no dia 03/09/93, e acabou permanecendo dois anos à frente do órgão. Há 23 anos funcionário da Funai, ao assumir o cargo era assessor da Presidência do órgão para a região Norte e Nordeste, e estava em Boa Vista coordenando a retirada dos garimpeiros da AI Yanomami. Defendeu a necessidade do órgão retomar o poder de polícia para ter mais autonomia e mobilidade no combate aos garimpeiros que invadem terras indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Madeiro foi mantido no cargo com a mudança de governo e, no conjunto, teve uma gestão discreta, sem denúncias de improbidades administrativas. Apesar disso, Dinarte foi publicamente desprestigiado pelo ministro da Justiça Nélson Jobim e pelo próprio presidente FHC. Chegou a pedir demissão alegando suas divergências com o secretário-executivo do Ministério, Milton Selligman, na questão das demarcações das terras indígenas, principalmente sobre a área dos Xavante, a Suiá-Missu. O ministro não aceitou a demissão. Afastado das deliberações sobre os rumos da política indigenista oficial, colocou seu cargo à disposição mais de uma vez e manifestou sucessivamente seu apoio à manutenção dos procedimentos administrativos constantes no Decreto 22/91.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Cláudio dos Santos Romero'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Claudio Romero ocupava o cargo de Diretor Geral de Assistência da Funai, quando foi nomeado para presidir o órgão em 20/05/93. Funcionário de carreira do órgão,desde meados da década de setenta, coordenou o Projeto Xavante que tinha como principal objetivo a demarcação do território xavante ocupado pela frente colonizadora, além de projetos de educação e desenvolvimento comunitário. Foi diretor do Parque Indígena do Xingu, quando entre outras coisas apoiou os Kayapó Metuktire na demarcação da AI Capoto/Jarina. Tomou posse do cargo de presidente do órgão prometendo que não haveria qualquer ruptura na continuidade dos trabalhos da gestão de Sidney Possuelo. Nos quase quatro meses que esteve à frente da Funai, Romero teve uma gestão controvertida. Disse que o presidente Itamar Franco não tinha vontade política para cumprir o prazo constitucional de 05/10 para regularizar a demarcação das terras indígenas no país e foi obrigado a reparar o comentário, publicamente. Em agosto de 93, foi acusado, por um dossiê interno, de ter delatado em 83 à Assessoria de Segurança e Informação -o SNI da Funai -uma conspiração de funcionários contra o então presidente do órgão, coronel Paulo Leal. Ele admitiu que escreveu um relatório denunciando servidores do órgão, mas negou ser &amp;quot;araponga&amp;quot; do regime militar. Romero diz que os servidores denunciados planejavam invadir a sede da Funai, articulados pelo então deputado Mário Juruna e pelo então vice-governador do Rio, Darcy Ribeiro. Na época, diretor do Parque Indígena do Xingu, Romero disse que estava interessado em obter da direção da Funai a demarcação das terras indígenas na região e, por isso, foi contra o movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi demitido no dia 03/09/93, em meio a informações contraditórias sobre a chamada chacina dos Yanomami em Haximu, sobre a qual divulgou números sucessivamente desmentidos pela imprensa. Discutiu com parlamentares em Roraima ameaçando proibi-los de entrar na AI Yanomami, ao mesmo tempo autorizou a visita de diplomatas estrangeiros sem consultar o Itamaraty, além de ter criado um confronto ao declarar que não se subordinaria às orientações do novo ministro extraordinário para a Amazônia, Rubens Ricúpero.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sidney Ferreira Possuelo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1991 a mai. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O sertanista Sidney Ferreira Possuelo chefiava a Coordenadoria de Índios Isolados da Funai quando foi nomeado no dia 28/06/91 pelo presidente Collor, em substituição a Cantídio Guimrães, demitido no dia 21/06. Possuelo recebeu carta branca para fazer alterações administrativas e afirmou como prioridades o caso Yanomami e a demarcação de 266 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, chefe da Frente de Atração dos Arara(PA), na década de 80, Possuelo reivindicou permanentemente ao presidente Collor a revogação dos Decretos 23, 24, 25 e 26 (de 04/02/91), que tiraram da Funai as responsabilidades pela educação, saúde, projetos produtivos e meio ambiente em áreas indígenas, transferindo-as a outros ministérios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizou uma reforma administrativa, iniciada em 20/01/92, quando exonerou seu superintendente geral, Edívio Batistelli. Desapareceram do organograma não só esse cargo, mas todas as Superintendências Regionais. Todas as atividades, desde o planejamento geral da Funai até o atendimento aos mais remotos Postos Indígenas passaram a se vincular diretamente à Presidência do órgão. As Superintendências passaram à categoria de Administrações Regionais -que somam 46, sem autonomia administrativa ou orçamentária, ligados à Diretoria Geral de Assistência, em Brasília. Foram criadas também as Diretorias Fundiária e de Administração. Em sua gestão, Possuelo distendeu a relação do Órgão com entidades não-governamentais. Ao criar o CDDI, convocou representantes de ONGs para compô-lo e assinou quatro convênios de parceria com essas entidades no âmbito da demarcação de terras indígenas (ver mais detalhes no capítulo Terras indígenas) .Sofreu forte oposição interna por isso. O principal feito da sua gestão foi a demarcação física da terra Yanomami de forma contínua, facilitada pela disposição política do presidente Collor para encaminhar processos de reconhecimento oficial dos direitos territoriais indígenas, com vistas à ECO-92 ( ver Cronologia de um Genocídio Documentado, no capítulo Roraima Mata).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Possuelo acabou demitido no dia 19/05/93, pelo ministro da Justiça Maurício Corrêa, por ordem do presidente Itamar Franco. Na versão do próprio Possuelo, sua cabeça rolou devido a três motivos: conflito aberto com o ministro Henrique Hargreaves, do Gabinete Civil- que fizera indicações para postos de chefia da Funai no Acre e em Goiânia; pressão de militares inconformados com as demarcações de terras na fronteira; e pressão de segmentos econômicos contrariados, como as mineradoras.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sargento Cantídio Guerreiro Guimarães'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1990 a jul. de 1991]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sub-oficial da reserva da Aeronáutica (onde serviu como Sargento do quadro de manutenção e reparo de aeronaves), amigo pessoal do ex-presidente Romero Jucá, foi superintendente regional da Funai em Cuiabá de 86 a 87. Corre contra os dois um processo no Supremo Tribunal de Justiça por autorização de extração ilegal de madeira na AI Uru-Eu-Wau-Wau. Era assessor do ex-presidente Íris Pedro de Oliveira e foi Chefe de Gabinete do Consultor Geral da República, Clóvis Ferro Costa. Nesta função fez um parecer - aprovado por Ferro - que autorizava o uso da rodovia de 38 km dentro da AI Waimiri-Atroari. Antes de ser nomeado presidente da Funai, era funcionário da representação do estado do Amapá em Brasília.Foi afastado do cargo em meio a acusações dos índios do Xingu -e tornadas públicas pela imprensa - de estar fotografando índias nuas e &amp;quot;molestar moças e adolescentes&amp;quot; do Parque do Xingu (MT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Coronel Airton Alcântara'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a ago. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Entrou na Funai para substituir o Coronel Carneiro, do CSN, que havia sido nomeado Superintendente Geral da Funai na gestão Íris Pedro, mas acabou morrendo no dia da posse.Alcântara tornou-se presidente, respondendo pelo cargo na fase de transição imposta pelo novo presidente da República Fernando Collor de Mello, recém empossado e que, dentre outras medidas, incorporou a Funai ao Ministério da Justiça depois de liquidar o Ministério do Interior. Para se firmar no cargo e tentar sua permanência no órgão, teve alguns gestos simpáticos aos indigenistas e antropólogos, assinando decretos de reintegração das áreas Uru-Eu-Wau-Wau e Kaiabi Gleba Sul. Por outro lado, elaborou uma lista de 880 servidores a serem colocados em disponibilidade, aproveitando o argumento do enxugarnento administrativo para proceder a uma nova &amp;quot;caça às bruxas&amp;quot;, incluindo antropólogos e indigenistas entre os &amp;quot;disponíveis&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Íris Pedro de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1988 a mar. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, entre 1980 e 1983 foi presidente do Grupo de Terras do Araguaia/ Tocantins (Getat), visto como um órgão de repressão e policiamento. Pragmático, apregoava soluções técnicas e operacionais para caracterizar os territórios indígenas: estabelecer áreas a partir de limites naturais, transferir grupos indígenas para &amp;quot;evitar conflitos&amp;quot; com colonos etc. Em 1980, grileiros aceleravam a invasão de terras indígenas dos Xikrirn do Cateté, em Marabá; em 82, o Getat, a Eletronorte e a Funai optaram pela recomposição da área indígena dos Parakanã, &amp;quot;para evitar contatos indiscriminados&amp;quot; entre as famílias que seriam atingidas direta ou indiretamente pelas águas da UHE e estavam sendo reassentadas na variante da Transamazônica&amp;quot;. Sua nomeação confirmaria a vinculação da Funai aos desígnios do CSN. Denúncias da própria Funai indicam que utilizava-se das aeronaves do órgão para visitar uma fazenda de sua propriedade em Imperatriz (MA), onde há uma administração regional da Funai; esta, tomou-se recordista em receber visitas de um presidente do órgão no período do mandato do presidente Íris. Renovou o convênio com o Instituto Lingüístico de Verão (SIL) para atuarem em todo território nacional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Romero Jucá Fº.'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 1986 a set. de 1988]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista, pernambucano, indicado pelo ministro Marco Maciel, seu conterrâneo e chefe da Casa Civil, dirigia o Projeto Rondon.Implantou a descentralização da FUNAI e retirou os índios de Brasília. Tecnocrata modernizador, assinou inúmeros convênios técnicos e de assistência com outros Ministérios. Promulgou um novo regimento interno no órgão. Nos cinco primeiros meses de sua gestão, o quadro de funcionários havia passado de 3.300 funcionários para 4.200. Somente em Recife, sua terra natal, o escritório da FUNAI chegou a ter 400 funcionários vinculados.Tentou tirar a crise do órgão das páginas de jornais, mas acabou sofrendo intervenção do TCU devido às irregularidades financeiras do órgão. Defendia a linha “pragmática” de exploração dos recursos naturais das terras indígenas, e foi acusado de promover inúmeros contratos com madeireiras.Manifestava-se contra a presença de garimpeiros nas áreas indígenas e assinou, em 1987, o convênio Funai/DNPM para exploração mineral empresarial em área indígena. Em maio de 88, assinou portaria criando um GT para avaliar o grau de aculturação dos índios. Saiu da FUNAI para ser governador nomeado de Roraima, carregando consigo um processo no Supremo Tribunal de Justiça por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena. Já fora da FUNAI, como governador de Roraima, passou a defender a permanência dos garimpeiros invasores do território Yanomami.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Apoena Meirelles'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1985 a mai. de 1986]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sertanista, nasceu numa aldeia Xavante em Pimentel Barbosa, filho do também sertanista Francisco Meirelles (funcionário do antigo SPI), desde cedo acompanhava o pai nas frentes de atração e trabalho nas aldeias.Autor de um projeto de descentralização da FUNAI, ocupou a presidência com o apoio do Ministro do Interior, Costa Couto, para implantá-lo e esvaziar a crise do órgão.Em maio de 1986, veio o decreto alterando o Estatuto da FUNAI, criando seis superintendências regionais.Apoena despachou durante boa parte do mandato fora de seu gabinete na FUNAI - preferindo uma sala no Ministério ou as delegacias regionais -, evitando assim o confronto com o movimento dos índios em Brasília, que continuava intenso.Distribuiu muitos recursos para contentar o lobby Xavante e reprimiu os índios hospedados em Brasília , cancelando o contrato de hospedagem com os hotéis das cidades satélites.Apoena saiu da presidência do órgão alegando não concordar com a ingerência do Ministro do Interior na indicação de nomes para a superintendência de terras e dos 6 superintendentes regionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Álvaro Villas Boas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. a nov. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Indigenista, irmão de Cláudio e Orlando Villas Boas, trabalhou durante anos como delegado da funai em Bauru (SP).Sua indicação teve grande repercussão (negativa) entre os índios que se encontravam em Brasília (mais de 300). Mas Raoni, por exemplo, liderança Kayapó, reuniu um grupo de índios para apóiá-lo.A delegacia de Londrina, fechada por ele, foi ocupada por 120 índios que exigiam sua demissão. Fechou a delegacia de Salvador, que fora ocupada por índios que queriam ver suas terras demarcadas.Demitiu, logo ao início de sua gestão, os indigenistas empossados em cargos de confiança por Jurandy M. da Fonseca.Em seu curto mandato, reuniu contra si os funcionários demitidos que tinham influência sobre algumas lideranças indígenas e sua atitude de não negociar sob pressão com os índios levou-o a ser demitido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Gerson da Silva Alves'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a set. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assumiu interinamente a presidência da FUNAI e, em meados de maio, foi empossado oficialmente no cargo, apoiado pelos Xavante e pelo deputado Mario Juruna em meio à “enchente indígena” em Brasília.Sargento reformado do exército, contador, trabalhava na FUNAI havia 14 anos, em funções burocráticas. Como delegado regional do órgão em Campo Grande e Cuiabá, e diretor do DGO, na sede, em Brasília, acumulou relações de clientela com os Xavantes, que contribuíram para sua indicação ao cargo, em meio à crise sucessória que marcou o período.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ayrton Carneiro de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Aquele que foi sem nunca ter sido. Ex-diretor do INCRA, foi indicado para presidir interinamente a FUNAI pelo Ministro Costa Couto, mas impedido de tomar posse por um conjunto de índios e funcionários que fizeram uma barreira na entrada do prédio.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Nelson Marabuto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1984 a abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Policial de carreira, antes de assumir a presidência da FUNAI havia sido chefe da assessoria de segurança e informação do órgão e também o superintendente da Polícia Federal em São Paulo.Permaneceu no cargo durante o período de transição do governo Figueiredo para o governo Sarney, prolongado pela agonia de Tancredo Neves, no qual houve uma intensa disputa pelo cargo entre varias facções do indigenismo, cada qual mobilizando índios em Brasília.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Jurandy Marcos da Fonseca'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, foi chefe de gabinete da FUNAI nas gestões Bandeira Mello e Ismarth Araújo de Oliveira. O “release” de sua posse informava que havia nascido numa aldeia indígena e que seu pai participara da Comissão Rondon e trabalhara no SPI.Na sua gestão, inaugura a nomeação de índios para cargos de chefia na Funai: Marcos Terena para chefe de gabinete e Megaron (Kayapó) para diretor do Parque do Xingu. Readmitiu muitos dos indigenistas e antropólogos, excluídos por Nobre da Veiga, alguns deles como seus assessores diretos e em cargos de direção.Em julho de 84, demite o sertanista Álvaro Villas Boas, delegado da 12a. DR, causando grande tumulto entre os índios do interior de São Paulo e Paraná, que exigiam sua readmissão invadindo e ocupando por duas semanas a delegacia de Bauru, com grande repercussão na imprensa. Vários artigos em jornais comentavam que era o fim da velha política indigenistas, que começava uma nova mentalidade, uma maneira nova de agir e tratar os problemas indígenas e, principalmente, que se percebia que os índios já não eram mais os mesmos, o que exigia formas diferentes de relacionamento com eles. Era o “sopro de esperança na FUNAI”.Jurandy foi demitido em setembro de 1984. Declarou: ”fui demitido porque não assinei a portaria para regulamentar o decreto 88.985” (autorizando a mineração em terras indígenas). Saiu como herói – mas, uma semana depois, foi acusado pelo Procurador Geral da FUNAI, Irineu de Oliveira, de ter beneficiado 85 fazendeiros no Mato Grosso do Sul, com contratos de arrendamento das terras dos Kadiweu, e embolsado os Cr$ 150 milhões referentes aos contratos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otávio Ferreira Lima'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1983 a abr. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista funcionário do MInistério do Interior, logo que assumiu a presidência da FUNAI convocou as Polícias Militar e Federal para impedir o acesso de lideranças indígenas ao seu gabinete, e suspendeu as entrevistas à imprensa. Demitiu quatro coronéis em cargos de direção (entre eles, o Cel. Hausen).Na sua gestão, foi promulgado o polêmico decreto 88.985, de novembro de 1983, autorizando a entrada de empresas de mineração em terras indígenas.Em dezembro do mesmo ano, assinou um convênio (No. 028/83) com o SIL (Summer Institute of Linguistics), para um período de dois anos, sujeito a prorrogação.Durante uma crise na parte norte do Parque do Xingu - quando os Txucarramãe interditaram a BR-080 e fizerem alguns funcionários como reféns para obtenção de uma faixa de terra adicional -, Ferreira é demitido pelo seu desempenho desastroso como negociador.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Paulo Moreira Leal'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 1981 a jul. de 1983]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da Aeronáutica, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional (CSN). Assumiu a presidência da FUNAI falando em reestruturação administrativa; solicitou ao Ministério do Interior a contratação de 4 mil novos funcionários e afirmou que sua grande aspiração era ver o maior número possível de índios ocupando cargos de direção da Fundação.Demitiu alguns militares assessores do órgão sob pressão dos Xavantes.Assinou um convênio com o Projeto Rondon, para atendimento nas áreas de saúde educação e com a Petrobrás, estabelecendo normas gerais a serem observadas nos trabalhos de pesquisa e lavra mineral em terras indígenas.Encomendou estudos a funcionários do órgão, visando emancipação dos Guarani (da região sul do País) e Tembé (PA/ MA), com base em “critérios de indianidade”.No final de sua gestão, um decreto interministerial (No. 88.118, de 23.02.83) criou o chamado “Grupão”, para a regularização das terras indígenas, retirando tal atribuição do âmbito decisório da FUNAI e alçando-a formalmente ao nível ministerial e do CSN.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Carlos Nobre da Veiga'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1979 a out. de 1981]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da reserva, assume o cargo falando em “disciplina” e demitindo 39 indigenistas e antropólogos, porque haviam encaminhado carta ao Ministro do Interior com criticas à política da FUNAI. Incrementa o projeto de emancipação compulsória, criando os famosos “critérios de indianidade” e declarando que “o índio estará emancipado em cinco gerações”; mas recua e não encaminha o processo ao Ministério do Interior (MINTER).Reestrutura a FUNAI para fortalecer as unidades regionais. Numa reunião da SUDAM, afirma que ”há reservas demais”. A 15/12/1980, sai uma Portaria Interministerial (MINTER/ Min. das Minas e Energia) facilitando a exploração mineral em terras indígenas por empresas estatais. Com base no parecer do Conselho Indigenista da FUNAI, o Ministro do Interior, Mario Andreazza, proíbe Mário Juruna, liderança indígena do povo Xavante, de participar do Tribunal Russel, na Holanda.Juruna lidera 40 índios que, na sede da FUNAI em Brasília, exigem a demissão do Presidente da FUNAI e mais dois coronéis da direção: Ivan Zanoni Hausen (DGPC) e Jose Rodriges Godinho (DGO).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Adhemar Ribeiro da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a nov. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Engenheiro de profissão, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), na sua curta gestão extinguiu a COAMA (Coordenação da Amazônia) e concedeu alvarás de pesquisa mineral na AI Waimiri-Atroari (AM).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ismarth Araújo de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1974 a mar. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, antes de ser nomeado presidente havia sido superintendente da FUNAI. Na sua posse, o Ministro do Interior, Rangel Reis, anunciou “a política de integração em ritmo acelerado”, o que viria a desembocar no projeto de emancipação dos índios, contra o qual ele se opôs publicamente. Mas incrementa os chamados “projetos de desenvolvimento comunitário”, dentro de uma política de “espíritos desarmados” com antropólogos, indigenistas e missionários. Na sua gestão, aumentam substancialmente as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Oscar Jeronymo Bandeira de Mello'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 1970 a mar. de 1974]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, ex-chefe da Divisão de Segurança e informação da FUNAI e ex-agente do SNI, participou do inquérito que extinguiu o SPI. Na sua gestão, consolidou-se a política da FUNAI atrelada ao binômio “segurança e desenvolvimento”, que marcou o período mais duro do regime autoritário - o governo Médici. Seu lema era: “Integrar os índios rapidamente”, sobretudo para que não obstaculizassem a ocupação e colonização da Amazônia, em consonância com o Ministro do Interior, Costa Cavalcante, que anunciou o “boi como grande bandeirante da década”. No bojo do Plano de Integração Nacional, lançado em 1970, estabeleceu um convenio com a SUDAM “para pacificar 30 grupos arredios” ao longo da Transamazônica. Participou de um churrasco com fazendeiros na abertura da BR-080, rodovia que cortou o norte do Parque do Xingu e excluiu boa parte do território dos índios Txukarramãe (sub-grupo Kayapó).Durante sua gestão, foi promulgado o Estatuto do Índio, aprovado pelo Congresso Nacional, e criada, na FUNAI, a Divisão de Desenvolvimento Comunitário (subordinada à Coordenação de Programas de Desenvolvimento de Comunidades, do Ministério do Interior). Relacionada a essa divisão desenvolvimentista e integracionista das populações indígenas, reintroduziu a chamada “renda indígena”, conceito chave para viabilizar o projeto de “emancipação econômica” dos grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''José de Queiroz Campos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[dez. de 1967 a jun. de 1970]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coordenou a implantação do órgão, tendo que se defrontar – juntamente com o Ministro do Interior, Gal. Albuquerque Lima – com a avalanche de denúncias de genocídio contra o governo no exterior, sobretudo a partir da divulgação do Relatório Jader Figueiredo (março de 1968), que trazia os resultados de uma devassa no SPI (Serviço de Proteção aos Índios, órgão governamental antecessor à FUNAI).Na sua gestão, foram ampliada a área do Parque do Xingu e criados outros três parques indígenas. Criou a GRIN, Guarda Rural Indígena, transformando índios em policiais nas suas próprias aldeias. Assinou convênio com o SIL (Summer Institute of Linguistics) em 1969 e, no mesmo ano, realizou o 1o. Simpósio FUNAI - Missões Religiosas.Jornalista de profissão, escreveu livros a respeito de fatos ocorridos na sua gestão (como a famosa expedição do Pe. Calleri, chacinada durante as tentativas de contatar os Waimiri–Atroari, no Amazonas), mas que nunca chegou a publicar, por recomendação dos órgãos de segurança.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ações ministeriais==&lt;br /&gt;
O início da década de 1990 marcou decididamente uma mudança radical na [[Órgão Indigenista Oficial | política indigenista oficial brasileira]]: até então, todas as ações relativas aos povos indígenas estavam sob a gestão exclusiva do Ministério da Justiça, via a [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio]]. A partir de 4 decretos presidenciais promulgados no ano de 1991 - conforme tabela abaixo -  a maioria das ações da Funai foi absorvida total ou parcialmente por outros ministérios e órgãos federais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Decreto | Data&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Objeto do decreto&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;No 23 - 4/02/1991 (saúde)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as condições para a prestação de assistência à '''saúde das populações indígenas: '''Art. 5º '''A Fundação Serviços de Saúde Pública - FSESP''', enquanto não for instituída a Fundação Nacional de Saúde, de que trata o artigo 11 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, encarregar-se-á da coordenação dos projetos, tanto na fase de elaboração, quanto na de execução. &amp;lt;br/&amp;gt;OBS. Em 16 de abril de 1991, o Decreto Presidencial nº 100 instituiu a '''Fundação Nacional de Saúde (FNS)''' que incorporou a Fundação Serviços de Saúde Pública e, por seu turno, o atendimento à saúde das populações indígenas.   &lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 24 – 4/02/1991 (meio ambiente)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as ações visando à proteção do '''meio ambiente em terras indígenas'''.  Art. 4º A coordenação dos projetos mencionados no art 2º caberá à Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, e sua elaboração e execução serão realizadas pelo '''Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis''' e pelo órgão federal de assistência ao índio&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 25 – 4/02/1991 (auto-sutentação econômica)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre programas e projetos para assegurar '''a auto-sustentação dos povos indígenas'''. Art. 5º Compete ao '''Ministério da Agricultura e Reforma Agrária''', por intermédio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRAPA, e ao '''Ministério da Justiça''', por intermédio do órgão federal de assistência ao índio, a coordenação das ações decorrentes deste Decreto&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 26 – 4/02/1991 (educação)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre a '''Educação Indígena no Brasil.''' Art. 1º Fica atribuída ao '''Ministério da Educação''' a competência para coordenar as ações referentes à Educação Indígena, em todos os níveis e modalidades de ensino, ouvida a FUNAI&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais medidas de cunho legal, retirando da Funai grande parte de suas principais atribuições, produziram uma situação na qual as políticas públicas para os povos indígenas  até os dias de hoje vêm sendo conduzidas e executadas de maneira: a) fragmentada: já que pulverizadas em diversos órgãos de distintos ministérios federais e, portanto, sem a falta de uma coordenação geral; b) sobreposta: pois mesmo com essa pulverização, a Funai continua tanto a executar parte de algumas das ações previstas para outros ministérios ([[A educação escolar indígena no Brasil | educação indígena]] e atividades econômicas), como , em muitos casos, a não cumprir com suas atribuições de suporte e parceria junto aos mesmos ministérios, exigidas em todos os decretos citados;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer desse período – 1991 aos dias atuais -, foram diversas as ações desencadeadas pelos diversos ministérios que passaram a cuidar da política indigenista oficial, para além daquelas que continuaram a ser promovidas pela Fundação Nacional do Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma descrição mais pormenorizada sobre os tema da saúde (Ministério da Saúde) e da educação (Ministério da Educação), ver as subseções específicas que compõem este site.  &lt;br /&gt;
Quanto às ações desencadeadas pelos demais ministérios, não há espaço aqui para apresentá-las em sua totalidade e com o nível de detalhamento requerido. Assim, apresentamos abaixo apenas algumas destas iniciativas ministeriais para que se possa ter uma idéia geral do atual quadro da política indigenista oficial atual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ministérios&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ações&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Meio Ambiente (MMA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI)&lt;br /&gt;
* Gestão Ambiental em Terras Indígenas&lt;br /&gt;
* Conservação e Recuperação da Biodiversidade em T.I.s&lt;br /&gt;
* Ação de fomento à Gestão Ambiental em T.I.s&lt;br /&gt;
* Fortalecimento social e econômico via Coordenadoria do Agroextrativismo  &lt;br /&gt;
* “Carteira Indígena”: Segurança Alimentar associada à Recuperação de Degradação Ambiental&lt;br /&gt;
* PNGATI - Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ATER Indígena: Valorização da Agroecologia&lt;br /&gt;
* PRONAF: financiamento de projetos de capacitação de lideranças indígenas comunitárias; de etnodesenvolvimento etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Social  (MDS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Doação de recursos financeiros para o projeto “Carteira Indígena”, sob gestão do MMA&lt;br /&gt;
* Bolsa-Família para os povos indígenas&lt;br /&gt;
* “Fome Zero Indígena” &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Cultura (MinC)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Prêmio Culturas Indígenas&lt;br /&gt;
* Pontos de Cultura para povos indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Saúde (MS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada em outubro de 2010.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Veja também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências externas ==&lt;br /&gt;
===Sites===&lt;br /&gt;
====Funai====&lt;br /&gt;
* Página oficial da Funai- &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Blog da FUNAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Técnica Local Nova Xavantina - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Madeira - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://crmadeira.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://crmadeira.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Litoral Sul - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional do Sul da Bahia - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Macéio - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Fortaleza - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Cacoal - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaiceara.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaiceara.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura=24&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura;=24&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  MEC. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=290&amp;amp;amp;Itemid=815&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view;=article&amp;amp;amp;id;=290&amp;amp;amp;Itemid;=815&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (MN/UFRJ) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Centro de Trabalho Indigenista - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====Ministérios====&lt;br /&gt;
* Ministério do Meio Ambiente - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mds.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mds.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Agrário - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Cultura - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Saúde - SESAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Bibliografia===&lt;br /&gt;
* ARRUTI, José Maurício. 2006. “Etnogêneses Indígenas”. In: RICARDO, Beto; RICARDO, Fany (Editores). Povos Indígenas no Brasil: 2001-2005. São Paulo: Instituto Socioambiental.  &lt;br /&gt;
* CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (Org.). 1987. Os Direitos do Índio: ensaios e documentos. São Paulo: Editora Brasiliense. &lt;br /&gt;
* * __________. 1992. Legislação Indigenista no século XIX: uma compilação, 1808-1889. São Paulo: Edusp; CPI-SP.&lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, João Pacheco (Org.). 1998. Indigenismo e Territorialização: poderes, rotinas e saberes coloniais no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Contra Capa. &lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, João Pacheco &amp;amp;amp; Rocha Freire, Carlos Augusto da. 2006. A Presença Indígena na Formação do Brasil. Brasília: SECAD/MEC; UNESCO; LACED/UFRJ. Disponível online: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* RIBEIRO, Darcy. 1979 [1977]. Os Índios e a Civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno. Petrópolis: Vozes. &lt;br /&gt;
* SANTILLI, Juliana. 2000. “Biodiversidade e Conhecimentos Tradicionais: formas jurídicas de proteção”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 95-98. &lt;br /&gt;
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* __________. 2000. “Estatuto da Alforria”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 93-94. &lt;br /&gt;
* Equipe de Redação do Aconteceu CEDI. 1991. “Campanha difamatória procura implodir direitos indígenas na Constituição” .In: Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI. Pp: 48-50. &lt;br /&gt;
* __________. 2000. “Propostas para uma Nova Política Indigenista”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 118-121. &lt;br /&gt;
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* SOUZA LIMA, Antônio Carlos de; BARROSO-HOFFMANN, Maria (Orgs.). 2002. Etnodesenvolvimento e políticas públicas: bases para uma nova política indigenista. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
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* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de; BARROSO-HOFFMAN, M.; IGLESIAS, Marcelo M. P.; GARNELO, Luiza; PACHECO DE OLIVEIRA, J. 2004. “A administração pública e os povos indígenas”. In: INESC. (Org.). A era FHC e o Governo Lula: transição? . 1 ed. Brasília: Instituto de Estudos Socioeconômicos. Pp: 293-326. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
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{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
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		<author><name>Vic</name></author>
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		<title>Órgão Indigenista Oficial</title>
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		<updated>2019-01-17T14:35:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: atualização presidente da funai (nomeação franklimberg)&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Órgão indigenista oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2010 o indigenismo oficial no Brasil completou cem anos. Apesar da longa e dramática história da colônia e do império, apenas em 1910, vinte anos após a promulgação da República, foram criados mecanismos jurídicos e administrativos específicos, em âmbito federal, para conduzir as relações junto aos [[Quem são | povos indígenas]]. Antes disso, como destacou a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha (1992), houve um verdadeiro ‘vazio legislativo’. Os índios sequer foram mencionados nas Constituições de 1824 e 1889. A ausência, entretanto, tinha justificativas: cada província poderia legislar e atuar livremente para promover a “catequese e civilização dos índios”, o que acabou por trazer trágicas consequências para os mais diversos povos. As políticas iniciadas em 1910 abriram um novo período, a partir do qual a União passou a se responsabilizar e a se envolver diretamente com a questão indígena, retirando das províncias e líderes locais suas prerrogativas anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano do centenário diversos novos desafios se apresentam ao indigenismo de Estado. Um novo [[Estatuto do Índio | Estatuto dos Povos Indígenas]], que pretende substituir o de 1973, aguarda votação no Congresso. Em dezembro de 2009, o governo iniciou um amplo projeto de reestruturação da [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio (Funai)]], que promete modernizar, aparelhar e aproximar dos índios o atual órgão indigenista oficial, tido por muitos como um dos mais sucateados e ineficazes da Nação. Neste contexto, apresentamos aqui um breve panorama destes cem anos, com o objetivo de situar e refletir sobre o momento atual. O foco é observar o processo, seus avanços e impasses, de modo a que as tragédias do passado não continuem a se repetir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Fundação Nacional do Índio (Funai)==&lt;br /&gt;
Desde 1967, a Fundação Nacional do Índio (Funai) é o órgão indigenista oficial responsável pela promoção e proteção aos direitos dos povos indígenas de todo o território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A criação da Funai no contexto da ditadura militar===&lt;br /&gt;
Embora projetada pelos intelectuais do CNPI para superar os antigos impasses do [[Serviço de Proteção aos Índios (SPI)]], a Funai acabou por reproduzi-los. Sua criação foi inserida no plano mais abrangente da ditadura militar (1964-1985), que pretendia reformar a estrutura administrativa do Estado e promover a expansão político-econômica para o interior do País, sobretudo para a região amazônica. As [[O que é política indigenista | políticas indigenistas]] foram integralmente subordinadas aos planos de defesa nacional, construção de estradas e hidrelétricas, expansão de fazendas e extração de minérios. Sua atuação foi mantida em plena afinidade com os aparelhos responsáveis por implementar essas políticas: Conselho de Segurança Nacional (CSN), Plano de Integração Nacional (PIN), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ação da Funai durante a ditadura foi fortemente marcada pela perspectiva assimilacionista. O Estatuto do Índio (Lei nº 6.001) aprovado em 1973, e ainda vigente, reafirmou as premissas de integração que permearam a história do SPI. Por um lado, pretendia-se agregar os índios em torno de pontos de atração, como batalhões de fronteira, aeroportos, colônias, postos indígenas e [[Igrejas e Missões religiosas | missões religiosas]]. Por outro, o foco era isolá-los e afastá-los das áreas de interesse estratégico. Para realizar este projeto, os militares aprofundaram o monopólio tutelar: centralizaram os projetos de assistência, [[Saúde Indígena | saúde]], [[A educação escolar indígena no Brasil | educação]], alimentação e habitação; cooptaram lideranças e facções indígenas para obter consentimento; e limitaram o acesso de pesquisadores, organizações de apoio e setores da Igreja às áreas indígenas (M. Santilli, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A estrutura do órgão===&lt;br /&gt;
O órgão foi concebido em bases semelhantes às do SPI. Até 1991 se manteve vinculado ao extinto Ministério do Interior, que sempre exerceu grande ingerência sobre suas ações. Os presidentes nomeados entre as décadas de 1970 e 1980 eram, em grande maioria, militares ou políticos de carreira pouco ou nada comprometidos, e até mesmo contrários aos interesses indígenas. A administração foi centralizada em Brasília. Os postos indígenas foram mantidos e as inspetorias transformadas em delegacias regionais. Outras instâncias – ajudâncias, superintendências, administrações executivas, núcleos locais de apoio – foram criadas e extintas ao longo do tempo. A despeito destas modificações, a Funai se estruturou aos moldes do SPI, de modo mais ou menos centralizado, com grande rigidez burocrática, em três níveis espaciais: nacional, regional e local (Souza Lima, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das irregularidades que levaram à extinção do SPI, seu quadro funcional foi transferido para a Funai. Com recursos escassos e mal contabilizados, a Funai continuou a operar, assim como o SPI, com profissionais pouco qualificados. Não se concretizou a proposta de se realizar planejamentos antropologicamente orientados, conduzidos por profissionais de formação sólida, bem pagos e comprometidos com o futuro dos povos indígenas. O órgão foi permeado, em todos os níveis, por redes de relações pessoais, clientelistas e corporativas, que remetem ao paternalismo e ao voluntarismo que dominaram o velho SPI. A criação da Funai foi marcada pela ineficiência, desinteresse e dificuldade de operação, o que levou o órgão a limitar sua intervenção a favor dos índios a situações altamente críticas, conflituosas e emergenciais, consequentes dos planos de colonização e exploração econômica que chegavam aos extremos do país (Oliveira, 2006; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A emergência da questão indígena no cenário nacional===&lt;br /&gt;
Neste contexto desfavorável, a questão indígena começou a emergir no cenário político nacional. A maior parte das organizações de apoio aos índios se estruturou na década de 1970. Entre elas destaca-se: as comissões pró-índio (CPIs), as associações nacionais de apoio ao índio (ANAIs), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI). Estas duas últimas se juntaram para fundar o atual &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Instituto Socioambiental (ISA)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Criadas por intelectuais e clérigos envolvidos com a questão indígena, estas entidades passaram a realizar importantes trabalhos como: o questionamento fundamentado às políticas oficiais, a interlocução entre índios e Funai, bem como a formulação de alternativas concretas para o indigenismo brasileiro (M. Santilli, 1991; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1980, diversas manifestações indígenas passaram a ganhar visibilidade nacional. Também neste período começaram a se estruturar suas primeiras organizações formais de base comunitária ou regional. Em âmbito nacional foi criada a União das Nações Indígenas (UNI), que já não existe mais. [[Organizações indígenas | Conheça as organizações indígenas]] compiladas pelo ISA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os povos indígenas e o marco jurídico atual===&lt;br /&gt;
Com as mobilizações indígenas e das organizações de apoio, a [[Constituição | Constituição de 1988]] acabou por conferir um tratamento inédito aos povos indígenas. Pela primeira vez foi reconhecido seu [[Constituição | direito à diferença (Art. 231)]], rompendo com a tradição assimilacionista que prevaleceu até então. Foi garantido o [[Constituição | usufruto exclusivo de seus territórios]] tradicionalmente ocupados, definidos a partir de seus usos, costumes e tradições (Art. 231). A União foi instituída definitivamente como instância privilegiada das relações entre os índios e a sociedade nacional. Através do artigo 232, os indígenas e suas organizações foram reconhecidos como partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos, o que incentivou a expansão e a consolidação de suas associações. Para isso, foram definidos canais diretos de comunicação entre os índios, o Ministério Público e o Congresso Nacional. Com estas medidas, o conceito de “capacidade relativa dos silvícolas” (Código Civil, 1917), e a consequente necessidade do “poder de tutela” perderam validade e atualidade. Estas vitórias constitucionais precisariam, entretanto, ser regulamentadas e consolidadas politicamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1991, uma Comissão Especial foi instaurada para rever o [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (1973)]] a partir do enfoque inovador da Carta de 1988. Foram abordados temas como: a situação jurídica dos índios e as responsabilidades assistenciais da Funai; os direitos de autoria e a propriedade intelectual; a proteção ambiental e a regulamentação do uso e exploração de recursos naturais; os procedimentos de demarcação de terras indígenas. A tramitação do projeto, entretanto, foi paralisada em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A descentralização do indigenismo oficial===&lt;br /&gt;
No início da década de 1990, houve amplos debates acerca do papel do órgão indigenista oficial a partir do novo marco jurídico. O Ministério do Interior foi extinto e a Funai  foi transferida ao Ministério da Justiça. Blocos parlamentares anti-indígenas propunham fechá-la, sem substituí-la por nada novo, o que provocaria um grande vazio administrativo. Mobilizações indígenas e organizações de apoio defendiam que a reestruturação do órgão fosse feita concomitantemente à aprovação do texto do Estatuto. Em 1991, o governo Collor realizou, por meio de decretos, uma ampla reforma das atribuições da Funai. As responsabilidades sobre saúde, educação, desenvolvimento rural e meio ambiente foram descentralizadas, e passaram a ser exercidas pelos Ministérios da Saúde, Educação, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente. As ações extra-Funai decretadas por Collor tomaram rumos distintos e impactaram de modos diferenciados os povos indígenas do Brasil. Durante os anos FHC estas políticas passaram a adquirir contornos administrativos mais precisos. Algumas ONGs e associações indígenas passaram a participar ativamente do processo de implementação das políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os decretos de 1991, a Funai, esvaziada em suas atribuições, passou a se concentrar nas políticas de regularização fundiária. Em 1996, o governo FHC modificou as regras para a [[O que são Terras Indígenas? | demarcação de Terras Indígenas]] visando destacar a necessidade da participação indígena e o direito a contestação das partes afetadas (Decreto 1775/96, Portaria 14/96).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desenvolvimento dos projetos participativos===&lt;br /&gt;
Também em 1996 passou a operar o Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL), resultado da parceria entre a Funai e o Programa Piloto para a Conservação das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7. Embora direcionado à demarcação de terras, o PPTAL se propôs a criar alternativas concretas e de longo prazo ao modelo tutelar. Sua proposta se baseou no estímulo ao controle social e à atuação indígena qualificada na estrutura da Funai e do Estado de modo mais abrangente. Em seu âmbito, a partir da experiência dos [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]] do Amapá, foi criado o modelo de “demarcação participativa”, que tem como premissa básica a parceria e a co-responsabilidade dos povos indígenas na formulação das políticas que lhes afetam diretamente. Neste modelo, a própria demarcação é tomada como apenas uma das etapa do processo mais abrangente de gestão sustentável das Terras Indígenas. Trata-se de uma proposta baseada no diálogo intercultural, que apenas se realiza enquanto política pública com o pleno envolvimento e concordância dos povos interessados (Mendes, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A experiência inovadora do PPTAL estimulou a criação em 2001 do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI), desenvolvido no âmbito do Ministério do Meio Ambiente em parceria com o PP-G7. Este projeto é voltado ao financiamento de iniciativas de valorização cultural e desenvolvimento sustentável elaborados e geridos pelas populações indígenas e seus parceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A Funai e as novas demandas por reconhecimento indígena===&lt;br /&gt;
Em 2002, a ratificação pelo governo brasileiro da [[Convenção OIT sobre Povos Indígenas e Tribais em países independentes nº. 169 | Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre “Sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes” (1989)]] aprofundou a sustentação jurídica às demandas de povos antes tomados por aculturados e integrados, que atualmente reivindicam, em diversas regiões do Brasil, seus direitos indígenas diferenciados. Cada vez mais numerosas, estas reivindicações trazem novos desafios à atuação da Funai, responsável pela demarcação das Terras Indígenas no país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A valorização dos conhecimentos tradicionais===&lt;br /&gt;
Na virada do milênio, [[Conhecimentos tradicionais: &amp;quot;Novos rumos e alternativas de proteção&amp;quot; | os conhecimentos indígenas e tradicionais]] passaram a ganhar destaque na agenda nacional e internacional. As discussões se concentram na criação e aprimoramento de mecanismos legais que impeçam que estas populações sejam expropriadas de seu rico patrimônio intelectual, produzido ao longo de gerações. O problema é evidente no caso dos conhecimentos associados à biodiversidade que têm sido alvo de inúmeros casos de biopirataria. Embora acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Biológica e a Agenda 21, criadas no contexto da Eco-92, tenham destacado a urgência do problema, apenas em 2002 o Brasil iniciou, através de decreto presidencial (nº 4.339, de 22 de agosto de 2002), uma política nacional de biodiversidade, que, entretanto, precisa ser aprimorada em diversos aspectos (J. Santilli, 2000, 2002).  Também neste âmbito e neste período, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vinculado ao Ministério da Cultura, passou a realizar ações de proteção, valorização e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial de povos indígenas e tradicionais. Estas ações decorrem do esforço de regulamentação da Constituição de 88, que em seus artigos 215 e 216 formaliza o valor imaterial dos bens culturais. No ano 2000 o decreto 3.551 instituiu os mecanismos oficiais de valorização e proteção do patrimônio cultural no Brasil. Estes instrumentos, entretanto, se encontram em fase inicial de consolidação e são alvo de pesquisas e debates entre especialistas. Até mesmo no campo internacional as propostas neste sentido são recentes. Data de 2003 a Convenção da UNESCO para a “Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desafio da consolidação do paradigma participativo===&lt;br /&gt;
Desde a Constituição de 1988 o indigenismo oficial passou por diversas e significativas mudanças, voltadas, de modo geral, ao reconhecimento e à valorização da diferença cultural. As políticas públicas direcionadas aos povos indígenas têm se tornado cada vez mais descentralizadas e realizadas no âmbito de diversos ministérios que atuam em parceria com agências de cooperação internacional e organizações não-governamentais. A premissa elementar do conjunto das ações é o estímulo à participação e à co-responsabilidade indígena na gestão das políticas destinadas a eles. Entretanto, o sucesso destas políticas depende de sua plena consolidação jurídica e institucional em todos níveis, do local ao governo central. Afinal, o poder tutelar, o assistencialismo e o assimilacionismo ainda são uma realidade fortemente enraizada em diversas práticas do relacionamento entre o Estado e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à consolidação jurídica deste novo momento, é notável que o Estatuto do Índio de 1973, de bases integracionistas, ainda esteja vigente. Entre 1991 e 1994, foi apresentada uma proposta de substituição ao texto que jamais foi votada pelo congresso. Em março de 2006, o governo federal criou a Comissão Nacional de Política Indígenista (CNPI). Em sua agenda, foi estabelecida a prioridade da atualização do Estatuto, com vistas a apresentar uma regulamentação integrada dos diversos temas da agenda dos povos indígenas: o patrimônio e os conhecimentos tradicionais, a proteção e a gestão territorial e ambiental, as atividades sustentáveis e o uso de recursos renováveis, o aproveitamento de recursos minerais e hídricos, a assistência social, a educação escolar e o atendimento à saúde diferenciados. Em julho de 2009, a proposta - construída com a participação de representantes indígenas – foi apresentada ao Congresso Nacional e aguarda votação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto, o atual CNPI e a Funai tem a tarefa de articular e integrar o conjunto das ações estatais de defesa dos direitos indígenas, com vistas a promover o paradigma participativo e superar definitivamente seu papel tutelar. Com este objetivo, o órgão indigenista oficial têm realizado esforços para atualizar suas práticas e modos de funcionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Reestruturação da Funai===&lt;br /&gt;
Em fins de 2009, o governo Lula anunciou, por meio de decreto presidencial (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7056.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nº 7.056, 28/12&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), um amplo plano de reestruturação da Funai, que pretende oferecer maior capacidade de atuação onde vivem os povos indígenas. As Administrações Executivas Regionais (AERs) e Postos Indígenas (PIs) foram substituídos por Coordenações Técnicas Locais e Regionais, formadas por técnicos qualificados, que passarão a desenvolver ações participativas junto aos povos indígenas envolvidos. Nesta estrutura, está planejada a criação de Conselhos Consultivos, nos quais os indígenas e as organizações parceiras participam diretamente na formulação, implantação e gestão das políticas públicas a eles destinadas. Além disso, está prevista a criação de 3,1 mil cargos a serem preenchidos até 2012. Esta nova estrutura pretende, conforme sua direção, superar os impasses históricos do órgão indigenista oficial. Apreensivos, diversos povos se posicionaram contra as mudanças e reclamaram de falta de consulta prévia prevista na Convenção nº 169 da OIT.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria dos presidentes da Funai ==&lt;br /&gt;
A história do controvertido órgão indigenista oficial, a [[Órgão Indigenista Oficial | Funai (Fundação Nacional do Índio)]], pode ser contada através da sucessão de seus 41 presidentes ao longo de 51 anos, de 1967 a 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Presidentes da Funai (1967-2018)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidentes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Quem é | O que fez&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan.2019 - atual]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O militar da reserva Franklimberg Ribeiro de Freitas retorna à Presidência da Funai após a exoneração de Wallace Moreira Bastos, publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 16 de janeiro de 2019. O novo presidente, na verdade, foi o antecessor de Wallace, entre maio de 2017 e abril de 2018. No período, aprovou os estudos da Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha (PE).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de pouco mais de 10 meses no cargo, Franklimberg foi exonerado e sua gestão não agradou Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O general, nomeado durante o governo Bolsonaro, foi formalmente reapresentado à Presidência no mesmo dia da saída de Wallace Moreira Bastos do cargo.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Wallace Moreira Bastos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2018 - jan. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Wallace Moreira Bastos foi nomeado para exercer o cargo de Presidente da Funai no mesmo Diário Oficial da União, de 24 de abril, em que foi publicado o pedido de demissão de Franklinberg, que alegou estar sofrendo forte pressão dos ruralistas para deixar o cargo. No dia 16 de janeiro de 2019, foi publicado o pedido de exoneração de Wallace Moreira Bastos da presidência da Funai, após nove meses de ocupação no cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em nota da Funai, Wallace disse que conseguiu trazer para a Fundação mais 203 servidores concursados, que já estão atuando em todas as regiões do país. E que conseguiu, junto ao Governo Federal, que o orçamento da Funai passasse de R$ 109 milhões para R$ 175 milhões, o que permitirá ao órgão avançar ainda mais no que diz respeito às demandas das comunidades indígenas. Mas no período em que esteve na presidência da Funai não aprovou nenhum estudo de identificação de Terra Indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa indicação não foi vista com bons olhos no meio indígena e indigenista porque Wallace não tem, em seu currículo, nenhuma experiência relacionada aos povos indígenas. Foi sócio-proprietário e gestor, entre 2002 e 2008, das empresas Giraffas, Casa do Pão De Queijo, Montana Grill e Café Cancun e, antes, analista de Vendas da Ambev. Concursado na ANAC, é membro do Conselho de Administração da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) e antes da indicação para a Funai ocupava o cargo de subsecretário do Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil. É a terceira indicação do PSC para a Fundação em pouco mais de um ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 2017 - abr. 2018]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O general do exército Franklimberg Ribeiro de Freitas assumiu interinamente a presidência da Funai após a exoneração de Antônio Costa. Em julho de 2017, foi plenamente empossado. Franklimberg é militar da reserva, tendo ingressado nas Forças Armadas em 1976, e antes de ser nomeado para a Funai exercia o cargo de assessor de relações institucionais do CMA (Comando Militar da Amazônia), sediado em Manaus (AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assume a presidência da Funai poucos dias após um massacre realizado contra índios Gamela, no Maranhão e em meio à uma intensa crise política desencadeada por investigações de corrupção no governo Temer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua gestão não agradou à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), composta por 252 parlamentares, entre deputados e senadores, que esperavam ações que atendessem os interesses dos ruralistas. A FPA enviou um ofício ao presidente Temer com a assinatura de mais de 170 lideranças indígenas que não queriam a permanência de Franklimberg, e pediram sua demissão. Permaneceu no cargo por pouco mais de 10 meses.&lt;br /&gt;
Ele é o segundo presidente que o PSC indica (o anterior, Antonio Fernandes Toninho Costa, também fora indicação do partido) e é demitido por não atender interesses contrários aos direitos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franklimberg, antes de deixar o cargo, aprovou os estudos da TI Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Antonio Fernandes Toninho Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan. de 2017 a mai. de 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dentista e pastor evangélico de Luiziânia (GO), já atuou como assessor parlamentar. Interessante notar o contexto da decisão de sua nomeação como novo presidente da Funai. Segundo a reportagem da Globo News, o presidente da República, Michel Temer, em reunião com ministros sobre obras de infraestrutura, foi informado sobre impasses e conflitos com índios, que estariam impedindo a continuidade das obras, e que a Funai estava com um presidente interino. Ele então solicitou ao ministro da Justiça que resolvesse a questão – provavelmente com a expectativa de conseguir a aprovação da Funai para as obras paralisadas. Dentro da lógica de loteamento à base aliada, Temer aceitou a indicação do Partido Social Cristão (PSC), cujo presidente é o Pastor Everaldo e que é integrado por Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano. Costa já trabalhou com povos indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e na Missão Evangélica Caiuá – antiga missão que prestava assistência aos Guarani em Mato Grosso do Sul e hoje atua em diversos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (DSEIs) através de convênio com a Sesai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Agostinho do Nascimento Netto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 2016 a jan. 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assessor especial do Ministério da Justiça desde junho de 2016, desconhecido do movimento indígena e indigenista, foi nomeado Presidente substituto da Funai em setembro do mesmo ano. Durante sua curta gestão, ele aprovou a TI Pindoty/Araça-Mirim, no Vale do Ribeira (SP), no dia 29 de dezembro de 2016, com 1.030 hectares.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2016 a set. 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes assumiu a presidência dó órgão em substituição a João Pedro Gonçalves, exonerado pelo governo interino de Michel Temer. Artur Nobre Mendes já fora presidente da Funai entre 2002 e 2003 e no momento ocupava o cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. (Veja mais abaixo informações sobre o seu primeiro mandato)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2016, permaneceu no cargo de presidente substituto por aproximadamente 4 meses. Em sua curta interinidade, Artur publicou, em agosto de 2016, a identificação de três TIs Guarani no estado de São Paulo: Djaiko-aty com 1,216 ha, Ka'aguy Mirim com 1.190, e a Ambá Porã com 7.204 ha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi exonerado em Setembro, poucos dias após a Funai criticar a organização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 por terem afirmado, na apresentação da menina Igani Suruwaha, que a menina e a mãe tiveram que deixar a comunidade onde viviam para “evitar o infanticídio indígena”. Em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/3932-nota-jogos-paralimpicos&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota de repúdio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a Funai disse que a informação do Comitê Organizador dos Jogos promove “''ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil, referindo-se ao 'infanticídio ou homicídio, abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulneráveis e violência doméstica' como 'práticas tradicionais' indígenas. A Funai entende que tal posicionamento revela uma total incompreensão sobre a realidade indígena no país, refletindo uma visão preconceituosa e discriminatória sobre esses povos, suas culturas e seus modos de vida.''”&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Pedro Gonçalves da Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2015 a jun. de 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi deputado estadual, vereador e senador suplente do estado do Amazonas. Também trabalhou como superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária no Amazonas Assumiu a presidência da Funai no lugar de Flavio Chiarelli Vicenti de Azevedo, que foi presidente interino durante 8 meses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://acritica.uol.com.br/blogs/blog_do_sim_-_nao/funai_7_1375732414.html&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota d'A Crítica&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (14/06/15), sua indicação ''&amp;quot;foi uma costura de parlamentares petistas do Norte com o argumento de que o Governo Dilma precisa dar mais espaços a políticos da Amazônia assim como Lula fez quando pôs Marcus Barros no Ibama, e Marina Silva, no Ministério do Meio Ambiente.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu mandato coincidiu com os últimos meses antes de a Presidente Dilma Roussef ser afastada do cargo e nesse curto período buscaram reverter a paralisia de demarcações que até então marcara esse governo. Durante seu mandato foram aprovados pela Funai os estudos das terras: Cobra Grande (PA) dos povos Arapiuns, Jaraqui e Tapajó; Kaxuyana-Tunayana (AM/PA), dos Kaxuyana, Tunayana e outros; Jurubaxi-Téa (AM), dos Baré, Tukano, Baniwa e outros; Sawré/Muybu (PA), dos Munduruku; Sambaqui (PR), Pakurity (MS), Peguaoty (MS) e Cerco Grande (PR), dos Guarani Mbya; Ypoi-Triunfo (MS), dos Guarani Ñandeva; Dourados Amambaipeguá I, dos Kaiowáa e Ñandeva; e Mato Castelhano-FÁg TY KA (RS), dos Kaingang.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 2014 a jun. de 2015]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi chefe da Procuradoria Federal Especializada da Funai. Assumiu a Presidência interinamente, em substituição à também interina Maria Augusta Assirati.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu os 8 meses de sua gestão como presidente interino. Nesse período apesar das determinações do governo de paralisar o reconhecimento das Terras Indígenas (TIs) - conseguiu aprovar e publicar no DOU em janeiro de 2015, os estudos de identificação e delimitação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4056&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Riozinho&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, dos índios [[Povo:Ticuna | Ticuna]] e [[Povo:Kokama | Kokama]] com 362.495 hectares, nos municípios de Juruá e Jutai no Amazonas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criou três Grupos Tecnicos (GTs) para estudos de novas TIs: uma para os Ticuna, em Fonte Nova/Amazonas, outra em Paraty no Rio de Janeiro para os [[Povo:Guarani | Guarani]], e a pela primeira vez a Funai criou um GT para reconhecer uma TI no no Rio Grande do Norte, no município de Baía Formosa: a Sagi/Trabanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 2015, com a nomeação do novo presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, Flávio Chiarelli foi nomeado assessor especial do Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Segundo ele, o governo tem um olhar não-indígena para os povos tradicionais, 'achando que eles são os causadores de problemas. Quando, na verdade, a gente deveria parar para olhar o lado deles e enfrentar a real causa do problema&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Governo-nomeia-novo-presidente-da-Funai/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Greenpeace&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Jun/15&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Maria Augusta Boulitreau Assirati'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2013 a out. de 2014]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Advogada, dirigiu o Departamento de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai e assumiu a Presidência interinamente, com a exoneração de Marta Maria Azevedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo mantida em interinidade durante um ano e quatro meses, em um governo que primou pela paralisia das demarcações de Terras Indígenas, ela conseguiu aprovar e publicar três estudos de identificação das TIs: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3864&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 5.838 hectares, no Ceará; da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4142&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 2.686 hectares, no Paraná; e a ampliação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/5399&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Xakriabá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 43.357 em Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Augusta pediu demissão por conta de um curso de doutorado em Portugal, mas segundo o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://oglobo.globo.com/brasil/presidente-da-funai-deixa-cargo-em-meio-disputa-do-orgao-com-ministerio-da-justica-14050662#ixzz3ENbCfygi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;jornal O Globo, de 25 de setembro de 2014&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, alguns dos motivos principais seriam as divergências envolvendo a construção de hidrelétricas e a disputa enfrentada pela própria Funai, no interior do governo, para realizar sua tarefa primordial: a demarcação de terras indígenas. A interferência política do governo sobre a atuação da Funai foi apontada pela ex-presidente em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://apublica.org/2015/01/a-funai-esta-sendo-desvalorizada-e-sua-autonomia-totalmente-desconsiderada-diz-ex-presidente/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;entrevista na Agência Pública, de janeiro de 2015&amp;lt;/htmltag&amp;gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A orientação é no sentido de que nenhum processo de demarcação em nenhum estágio, delimitação, declaração, ou homologação, tramite sem a avaliação do Ministério da Justiça e da Casa Civil. Isso é, nada mais, nesse momento, “depende apenas da Funai”.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;APública, Jan/2015&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marta Maria Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2012 a jun. de 2013]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marta Maria do Amaral Azevedo é antropóloga, demógrafa, e autora de um dos primeiros trabalhos de pesquisa sobre demografia dos povos indígena. Nascida em São Paulo, formou-se em Ciências Sociais em 1978 pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1980 integrou o grupo de Educação Indígena da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) e atuou como colaboradora do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Também foi colaboradora do ISA, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo – onde ajudou a fundar o Grupo Mari de Educação Indígena – e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), no início da década de 1990. Participou da equipe de demógrafos que, em conjunto com o IBGE, Funai e especialistas de várias e diferentes instituições, aprimorou a coleta das informações sobre os povos indígenas para o censo brasileiro de 2010. Suas investigações envolvem temas como educação indígena, segurança alimentar e saúde das mulheres indígenas, os quais contam com o comprometimento de Marta em sua gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um ano e dois meses no cargo, Marta aprovou os estudos de identificação de 14 Terras Indígenas. Destacamos algumas: a TI Iguatemipeguá I com mais de 41 mil hectares, para os Kaiowá, localizada em região de intensos conflitos com fazendeiros, no Mato Grosso Sul; também aprovou os reestudos de duas terras guarani em S.Paulo, a Jaraguá (com 532 ha, na capital) e a Boa Vista do Sertão Pró-Mirim (no município de Ubatuba com 5.520 ha); seis terras mura tiveram seus estudos de identificação aprovados nos municípios de Borba, Autazes, Carreiro da Várzea, Manaquiri e Careiro, todos no estado do Amazonas, somando 72.631 ha. A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, exonerou, a pedido, Marta Maria do Amaral Azevedo da presidência da Funai em Junho de 2013.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Meira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. 2007 a abr. 2012]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Formado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com mestrado em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), o atual Presidente da Funai pesquisou os povos Warekena, da região do rio Xié, um dos afluentes do rio Negro, no Amazonas, no início dos anos 1990. É o autor da tese &amp;quot;No tempo dos Patrões&amp;quot;, sobre o regime de aviamento que ainda vigora nas relações entre extrativistas e comerciantes no interior da Amazônia. Sua atuação com os povos indígenas, porém, é anterior e data desde sua participação na luta pelos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. Foi também responsável pelo GT da Funai de identificação das Terras Indígenas do Médio Rio Negro, localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. Meira foi um dos interlocutores das organizações indígenas na equipe de transição do governo Lula, em 2002. Sua gestão foi responsável pelo processo de reestruturação da Funai, que renovou o quadro funcional (com 425 novas contratações) e a estrutura administrativa do órgão. Também foi resposável pela inauguração do Centro de Formação em Política Indigenista em Sobradinho/DF. Apesar de ter priorizado a participação do movimento indígena e de ter implantado a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), ao final da gestão Meira ocorreu um rompimento da bancada indigenista com a comissão, no qual entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a CNPI. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Mércio Pereira Gomes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. 2003 a março de 2007]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dirigiu o IPARJ (Instituto de Pesquisas Antropológicas do Rio de Janeiro) e participou da política carioca quando do governo de Leonel Brizola (1991-95), na condição de subsecretário de Cultura e Projetos Especiais. Foi também assessor de projetos especiais da cidade de Petrópolis. Depois de Roque Laraia e Artur Nobre Mendes, Mércio Gomes é o terceiro antropólogo a assumir a presidência da Funai. Foi professor de antropologia na Unicamp, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Macalestes (EUA) e na UFF (Universidade Federal Fluminense). Membro efetivo do Diretório Estadual do PPS, partido da base aliada do governo Lula, Mércio Gomes já era cotado para a presidência da Funai na campanha eleitoral de 2002 em um eventual governo Ciro Gomes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Eduardo Aguiar de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. de 2003 a ago. de 2003]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Primeiro presidente da Funai do governo Lula, Eduardo Aguiar de Almeida ficou apenas seis meses no cargo, tendo sido exonerado em 15 de agosto de 2003, por meio de portaria da Casa Civil. O ministro da justiça declarou-se insatisfeito com o seu trabalho à frente da Funai em mais de uma ocasião, em que observava a &amp;quot;falta de sintonia&amp;quot; de Almeida com os interesses do Ministério. Os rumores sobre a sua substituição começaram a circular há pelos menos 2 meses desde que ele assumiu a pasta. Em entrevista à imprensa, Almeida atribuiu sua demissão à forte pressões oriundas dos setores anti-indígenas da política nacional, citando diretamente os nomes dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Romero Jucá (PMDB-PR) e dos governadores Blairo Maggi (PPS-MT), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Almeida tomou posse oficialmente no cargo mais de um mês após o início da nova gestão do governo brasileiro, em 03/02/2003. É natural do Rio de Janeiro, jornalista e membro fundador da Sociedade Brasileira de Indigenistas (SBI). Já trabalhou na Funai como assessor da presidência entre janeiro e agosto de 2000. Desde janeiro de 2002, atuava como consultor do Ministério do Meio Ambiente. Em sua gestão, Almeida concentrou parte de seus esforços na preparação da Conferência Nacional de Política Indigenista, um dos ítens mais relevantes na pauta petista para a questão indígena – já expresso no documento de campanha de Lula à presidência, intitulado Compromisso com os Povos Indígenas – e cujo objetivo é o de criar uma instância de articulação entre os setores governamentais que têm responsabilidades para com as demandas indígenas, representantes dos índios e outros setores da sociedade civil. No âmbito das reivindicações territoriais, Almeida criou Grupos de Trabalho (Gts) para identificar 17 novas Terras Indígenas e reestudar os limites de outras dez. Uma decisão inovadora da gestão de Eduardo Aguiar de Almeida foi a determinação do critério da &amp;quot;auto-identificação&amp;quot; como instrumento fundamental para que se reconheça como indígenas os grupos que reivindiquem esta condição, adequando as ações do Estado brasileiro à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 2002 a jan. de 2003]''''''&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes foi o nono presidente do órgão indigenista em oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Na Funai desde 1983, Mendes sempre havia atuado na área fundiária. Foi chefe do Departamento de Identificação e Delimitação (Deid), coordenador de Projetos Especiais e coordenador técnico do Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal - o PPTAL, que, ligado ao Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicias do Brasil (PPG7), tem por objetivo demarcar 160 terras indígenas. No momento em que assumiu a presidência da casa, ocupava a diretoria do Departamento de Assuntos Fundiários (DAF), posto em que estava desde a gestão de Glênio da Costa Alvarez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artur Nobre Mendes foi formalmente apresentado no novo cargo em 31/07/2002, juntamente com a equipe recém-constituída por Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, o oitavo ministro da Justiça a assumir a pasta ao longo das duas gestões FHC. Mendes permaneceu à frente da Funai até janeiro de 2003, quando, já então no primeiro mês do governo de Luís Inácio Lula da Silva, pediu demissão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otacílio Antunes Reis Filho'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. a jul. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
A saída de Glênio Alvarez levou à presidência da Funai Otacílio Antunes Reis Filho, antigo funcionário do órgão, então no cargo de diretor de Artesanato. Reis Filho, que já havia sido diretor de Planejamento na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, dirigiu a Fundação por 46 dias, entre junho e julho de 2002.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Glênio Alvarez'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. 2000 a jun. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O geólogo Glênio Alvarez, funcionário da Funai há 14 anos, é o 27º presidente do orgão indigenista oficial desde sua fundação, em 1967. Foi administrador regional do órgão em Boa Vista (RR), em 1994, período de demarcação da TI Yanomami.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha de Alvarez, gaúcho de Santa Maria, encerrou a interinidade do antropólogo Roque de Barros Laraia, que ocupou o cargo desde a saída de Carlos Frederico Marés. Alvarez assumiu dizendo pretender implantar programas conjuntos com governos estaduais. Seu principal desafio seria contornar a falta de verbas para desenvolver os programas previstos para 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início de junho de 2002, a publicação no Diário Oficial da União da exoneração de Glênio Alvarez pegou a todos de surpresa. Ele, inclusive, que não quis se manifestar logo após o ocorrido. Por meio de seu assessor de imprensa, declarou que &amp;quot;havia feito seu trabalho corretamente a favor dos índios no Brasil&amp;quot;. A queda de Alvarez aconteceu dois dias depois que o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, deputado Pinheiro Landim, retirou de pauta o Projeto de Lei da Mineração em Terras Indígenas. A Funai havia se manifestado contrária à aprovação do projeto, de autoria do senador Romero Jucá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Roque de Barros Laraia'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a mai. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com a demissão de Marés, o então presidente substituto, o antropólogo Roque de Barros Laraia, assumiu a presidência da Funai em regime interino. Foram 29 dias até que Glênio Alvarez fosse nomeado presidente pelo ministro José Gregori.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laraia é formado em história, mas optou pela antropologia. Foi parte do corpo docente do Museu Nacional (UFRJ) e, a partir de 1968, da UnB. É integrante do Conselho Indigenista desde que foi criado, em 1967. À época, esse conselho representava o poder máximo no órgão. O antropólogo tem experiência de pesquisa com os Terena e os Suruí do Pará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a gestão de Marés, Roque Laraia foi o responsável pela Diretoria de Assuntos Fundiários. Em entrevista exclusiva ao Isa, confessou que os maiores problemas por ele enfrentados em sua curta gestão na presidência, foram o esvaziamento dos quadros profissionais, a escassez de recursos e a pressão constante de grupos indígenas, como os Xavante e os Fulniô. Segundo ele, &amp;quot;não é possível administrar a Funai com os Xavante do jeito que estão&amp;quot;. Para ele, a maioria dos índios continua desassistida, ao passo que uma etnia acaba consumindo o tempo da administração e tomando a maioria dos recursos parcamente disponíveis.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Carlos Frederico Marés'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1999 a abr. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nascido em União da Vitória (PR), Carlos Frederico Marés de Souza Filho é professor de Direito Agrário e Ambiental da PUC-PR. Foi procurador do estado do Paraná entre 1991 e 1994, e secretário da Cultura do município de Curitiba, entre 1983 e 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaborou, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), na formulação do Capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;, e foi um dos coordenadores da campanha &amp;quot;Povos Indígenas na Constituinte&amp;quot;. Em 1989, fundou o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI), e, em 1994, o Instituto Socioambiental, do qual foi presidente e conselheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés é também autor de seis livros, o último deles - &amp;quot;O renascer dos povos indígenas para o Direito&amp;quot; - é resultado de sua dissertação de doutoramento apresentada, em 1988, à UFPR.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés foi indicado para a presidência da Funai pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, que advogou em seu favor, providenciando a regularização de sua situação no Brasil, quando de seu retorno depois de nove anos de exílio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de assumir o cargo, Marés apresentou 13 propostas para o ministro como condição para poder assumir a presidência da Funai (ver artigo Descascando o &amp;quot;abacaxi&amp;quot;, nos &amp;quot;500 anos&amp;quot; do Brasil). Entre elas, estava a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O curto período em que Marés esteve na Funai foi marcado por atos polêmicos. Logo no início de 2000, declarou publicamente que não haveria o que comemorar no dia 22 de abril, aniversário de 500 anos do &amp;quot;descobrimento&amp;quot; do Brasil. &amp;quot;É uma festa da chegada das caravelas, festa dos brancos. A maior parte dos índios brasileiros tem contato com a civilização branca há bem menos de 500 anos&amp;quot;, disse ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Marés foi marcada pela negociação em torno da apresentação da nova proposta para o &amp;quot;Estatuto do Índio&amp;quot;. Em 17 de abril de 2000, Marés apresentou a proposta do governo &amp;quot;Estatuto do índio e das comunidades indígenas&amp;quot; às lideranças indígenas que se reuniam em Monte Pascoal, em ocasião da marcha de protesto contra as comemorações dos 500 anos. Isso se deu antes mesmo da proposta ser submetida ao Legislativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 22 de abril, após presenciar uma ação da polícia contra a marcha dos índios que iam de Coroa Vermelha a Porto Seguro para protestar contra as comemorações dos 500 anos, Marés anunciou que pediria demissão. &amp;quot;Não posso permanecer num governo que faz agressão física ao movimento indígena organizado&amp;quot;, afirmou após ter decidido, em caráter irrevogável, apresentar sua demissão ao ministro da Justiça José Gregori.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Lacerda'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. a nov. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
José Márcio Panoff de Lacerda tomou posse na Presidência da Funai em 22 de fevereiro de 1999. Foi deputado, senador e vice-governador do Mato Grosso. Em seu discurso de posse, prometeu investir na aprovação de um novo Estatuto do Índio, &amp;quot;que reflita uma política realista, voltada para proporcionar às sociedades indígenas o legítimo direito de explorar em bases racionais os recursos naturais existentes em suas terras&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua atuação foi marcada pela defesa de parcerias entre o estado e os municípios para melhorar os atendimentos às sociedades indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 31 de maio, Lacerda foi retirado à força do prédio da Funai por 51 guerreiros xavante, que se revoltaram devido ao afastamento do diretor da AER de Nova Xavantina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Lacerda teve de enfrentar, a partir de maio de 1999, os inquéritos por ocasião da CPI da Funai, promovida por parlamentares que visavam investigar o relacionamento do órgão federal com ONGs, admissão de antropólogos e aplicação de recursos. Nesse período, tornou-se cada vez mais público o caos orçamentário da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro, por pressões dos índios, de várias instituições e de ONGs, colocou o cargo à disposição. Na ocasião, ele admitiu que enfrentou conflitos internos, principalmente com o médico Oswaldo Cid Nunes da Cunha, exonerado da chefia do Departamento de Saúde na Funai em Brasília, que classificou Lacerda de &amp;quot;incompetente&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lacerda acusou o médico de deslealdade ao condenar publicamente a decisão do governo de transferir a área de saúde indígena para a Fundação Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sulivan Silvestr'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1997 a fev. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sulivan Silvestre, paranaense, funcionário do Ministério Público de Goiás, tomou posse em 22 de agosto de 1997. Formado em Direito pela PUC de Goiás, Silvestre era especialista em meio ambiente. Desconhecido entre índios e indigenistas, seu nome surpreendeu, já que estavam cotados para ocupar o cargo antropólogos e funcionários da Funai conhecidos pela comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua nomeação comprovou o poder de fogo do ministro Íris Rezende, que conseguiu colocar no comando um apadrinhado político sem nenhuma experiência com a política indigenista. A indicação política desagradou o funcionalismo da Funai, que torcia pela nomeação de um técnico dos quadros da Fundação e algumas organizações não-governamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu discurso de posse, Silvestre afirmou ser a demarcação de terras a prioridade de sua gestão. Além disso, enfatizou a necessidade de uma aproximação entre a Funai, os índios e as demais entidades de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Procurou estruturar o Conselho Deliberativo e Participativo das Lideranças Indígenas, promovendo o diálogo entre a Funai, os representantes indígenas, as ONGs, o Cimi e o Capoib, sempre em defesa da descentralização do órgão indigenista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1 de fevereiro de 1999, Silvestre morreu em um acidente de avião. O bimotor Sêneca, que o levaria de Brasília até uma reunião com os índios Fulni-ô e Pankararu, caiu a poucos minutos da pista do aeroporto de Goiânia. O acidente ocorreu por volta das 21h30. Pouco depois da queda, o aparelho foi consumido pelo fogo. Renan Calheiros, ministro da Justiça na época, afirmou que iria acompanhar as investigações sobre o acidente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Júlio Gaiger'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1996 a jul. de 1997]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O advogado gaúcho Júlio Gaiger foi nomeado presidente da Funai em 12 de março de 1996, ocupando o lugar de Márcio Santilli. Ligado à questão indígena desde 1977, quando dirigiu a Associação Nacional de Apoio ao Índio em Porto Alegre, Gaiger foi assessor jurídico do Cimi até 1991 e trabalhou como assessor na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi indicado pelo ministro Nelson Jobim, com quem trabalhava desde meados de 1995 na formulação do polêmico Decreto 1775, que prevê a revisão de áreas indígenas ainda não registradas. Essa indicação causou imediatos protestos de organizações indígenas e de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1997, apesar dos apelos dos Xavante pela saída imediata de Gaiger, o novo ministro da Justiça, Íris Rezende, bancou a sua permanência. Mas, em 17 de julho, Gaiger entregou o cargo, alegando que o governo não teria se empenhado na implementação da política indigenista e que lhe teria faltado apoio político para levar adiante a reformulação administrativa do órgão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Ressinto-me, na Funai, da ausência de decisões estratégicas que escapam do nosso alcance&amp;quot;, escreveu em sua carta de demissão. Em entrevista, disse que vinha sofrendo pressões dos Xavante, de funcionários da Funai e de grupos políticos vinculados aos índios e aos servidores que, na sua opinião, tencionavam desestabilizá-lo para que não reformulasse o órgão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio José Brando Santilli'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1995 a mar. de 1996]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Indicado por FHC, um dia depois de uma reunião ocorrida no palácio da alvorada em 03/08/95 entre o presidente, o ministro da justiça e um grupo de antropólogos, Santilli não era o preferido de Jobim. Então secretário executivo do Instituto Socioambiental em Brasília, Santilli demorou um mês para aceitar a indicação, período em que indicou outros nomes ao ministro Jobim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consultou previamente várias ONGs do campo indigenista sobre a oportunidade de encarar o desafio de administrar uma Funai sucateada e enfrentar um novo decreto sobre demarcação de terras indígenas, medida já decidida pelo presidente FHC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formado em filosofia, Santilli foi deputado pelo PMDB de SP (1982-86) e integrante do grupo político do atual presidente FHC. Durante seu mandato parlamentar, foi membro da Comissão de Relações Exteriores e da Comissão do índio, na Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1987 e 88, foi pessoa-chave na ligação entre a Coordenação Nacional dos Povos lndígenas na Constituinte - que reunia índios e organizações civis de apoio - e o Congresso Nacional. Em 1989, juntamente com um grupo de índios, antropólogos e juristas, fundou e dirigiu o NDI, uma ONG com sede em Brasília, que teve destacado papel na aplicação prática dos direitos coletivos dos índios, através de demandas judiciais paradigmáticas. Em 1994, foi um dos fundadores do Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Cimi considerou a sua nomeação como &amp;quot;uma tentativa do governo para criar condições políticas favoráveis para mudar o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas&amp;quot;. Além da Igreja Católica, Santilli ganhou muitos inimigos internos com a demissão de funcionários corruptos das Áreas Kayapó e Xavante, o corte de diárias de caciques xavante em Brasília, o fechamento de Administrações Regionais, e o anúncio de uma grande reforma administrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfrentou várias rebeliões regionais e seqüestros de funcionários por índios articulados com segmentos de máfias funcionais e o seu próprio gabinete em Brasília foi invadido por um grupo de Xavante, acompanhado da Rede Globo de TV. Santilli pediu demissão alegando falta de apoio do Ministério da Justiça, que não buscava ampliar as verbas da Funai e retinha os recursos que ele conseguira diretamente do Tesouro Nacional, além de não garantir a investigação policial a respeito das máfias funcionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Dinarte Nobre Madeiro'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1993 a set. de 1995]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dinarte assumiu interinamente a presidência da Funai, no dia 03/09/93, e acabou permanecendo dois anos à frente do órgão. Há 23 anos funcionário da Funai, ao assumir o cargo era assessor da Presidência do órgão para a região Norte e Nordeste, e estava em Boa Vista coordenando a retirada dos garimpeiros da AI Yanomami. Defendeu a necessidade do órgão retomar o poder de polícia para ter mais autonomia e mobilidade no combate aos garimpeiros que invadem terras indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Madeiro foi mantido no cargo com a mudança de governo e, no conjunto, teve uma gestão discreta, sem denúncias de improbidades administrativas. Apesar disso, Dinarte foi publicamente desprestigiado pelo ministro da Justiça Nélson Jobim e pelo próprio presidente FHC. Chegou a pedir demissão alegando suas divergências com o secretário-executivo do Ministério, Milton Selligman, na questão das demarcações das terras indígenas, principalmente sobre a área dos Xavante, a Suiá-Missu. O ministro não aceitou a demissão. Afastado das deliberações sobre os rumos da política indigenista oficial, colocou seu cargo à disposição mais de uma vez e manifestou sucessivamente seu apoio à manutenção dos procedimentos administrativos constantes no Decreto 22/91.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Cláudio dos Santos Romero'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Claudio Romero ocupava o cargo de Diretor Geral de Assistência da Funai, quando foi nomeado para presidir o órgão em 20/05/93. Funcionário de carreira do órgão,desde meados da década de setenta, coordenou o Projeto Xavante que tinha como principal objetivo a demarcação do território xavante ocupado pela frente colonizadora, além de projetos de educação e desenvolvimento comunitário. Foi diretor do Parque Indígena do Xingu, quando entre outras coisas apoiou os Kayapó Metuktire na demarcação da AI Capoto/Jarina. Tomou posse do cargo de presidente do órgão prometendo que não haveria qualquer ruptura na continuidade dos trabalhos da gestão de Sidney Possuelo. Nos quase quatro meses que esteve à frente da Funai, Romero teve uma gestão controvertida. Disse que o presidente Itamar Franco não tinha vontade política para cumprir o prazo constitucional de 05/10 para regularizar a demarcação das terras indígenas no país e foi obrigado a reparar o comentário, publicamente. Em agosto de 93, foi acusado, por um dossiê interno, de ter delatado em 83 à Assessoria de Segurança e Informação -o SNI da Funai -uma conspiração de funcionários contra o então presidente do órgão, coronel Paulo Leal. Ele admitiu que escreveu um relatório denunciando servidores do órgão, mas negou ser &amp;quot;araponga&amp;quot; do regime militar. Romero diz que os servidores denunciados planejavam invadir a sede da Funai, articulados pelo então deputado Mário Juruna e pelo então vice-governador do Rio, Darcy Ribeiro. Na época, diretor do Parque Indígena do Xingu, Romero disse que estava interessado em obter da direção da Funai a demarcação das terras indígenas na região e, por isso, foi contra o movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi demitido no dia 03/09/93, em meio a informações contraditórias sobre a chamada chacina dos Yanomami em Haximu, sobre a qual divulgou números sucessivamente desmentidos pela imprensa. Discutiu com parlamentares em Roraima ameaçando proibi-los de entrar na AI Yanomami, ao mesmo tempo autorizou a visita de diplomatas estrangeiros sem consultar o Itamaraty, além de ter criado um confronto ao declarar que não se subordinaria às orientações do novo ministro extraordinário para a Amazônia, Rubens Ricúpero.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sidney Ferreira Possuelo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1991 a mai. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O sertanista Sidney Ferreira Possuelo chefiava a Coordenadoria de Índios Isolados da Funai quando foi nomeado no dia 28/06/91 pelo presidente Collor, em substituição a Cantídio Guimrães, demitido no dia 21/06. Possuelo recebeu carta branca para fazer alterações administrativas e afirmou como prioridades o caso Yanomami e a demarcação de 266 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, chefe da Frente de Atração dos Arara(PA), na década de 80, Possuelo reivindicou permanentemente ao presidente Collor a revogação dos Decretos 23, 24, 25 e 26 (de 04/02/91), que tiraram da Funai as responsabilidades pela educação, saúde, projetos produtivos e meio ambiente em áreas indígenas, transferindo-as a outros ministérios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizou uma reforma administrativa, iniciada em 20/01/92, quando exonerou seu superintendente geral, Edívio Batistelli. Desapareceram do organograma não só esse cargo, mas todas as Superintendências Regionais. Todas as atividades, desde o planejamento geral da Funai até o atendimento aos mais remotos Postos Indígenas passaram a se vincular diretamente à Presidência do órgão. As Superintendências passaram à categoria de Administrações Regionais -que somam 46, sem autonomia administrativa ou orçamentária, ligados à Diretoria Geral de Assistência, em Brasília. Foram criadas também as Diretorias Fundiária e de Administração. Em sua gestão, Possuelo distendeu a relação do Órgão com entidades não-governamentais. Ao criar o CDDI, convocou representantes de ONGs para compô-lo e assinou quatro convênios de parceria com essas entidades no âmbito da demarcação de terras indígenas (ver mais detalhes no capítulo Terras indígenas) .Sofreu forte oposição interna por isso. O principal feito da sua gestão foi a demarcação física da terra Yanomami de forma contínua, facilitada pela disposição política do presidente Collor para encaminhar processos de reconhecimento oficial dos direitos territoriais indígenas, com vistas à ECO-92 ( ver Cronologia de um Genocídio Documentado, no capítulo Roraima Mata).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Possuelo acabou demitido no dia 19/05/93, pelo ministro da Justiça Maurício Corrêa, por ordem do presidente Itamar Franco. Na versão do próprio Possuelo, sua cabeça rolou devido a três motivos: conflito aberto com o ministro Henrique Hargreaves, do Gabinete Civil- que fizera indicações para postos de chefia da Funai no Acre e em Goiânia; pressão de militares inconformados com as demarcações de terras na fronteira; e pressão de segmentos econômicos contrariados, como as mineradoras.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sargento Cantídio Guerreiro Guimarães'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1990 a jul. de 1991]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sub-oficial da reserva da Aeronáutica (onde serviu como Sargento do quadro de manutenção e reparo de aeronaves), amigo pessoal do ex-presidente Romero Jucá, foi superintendente regional da Funai em Cuiabá de 86 a 87. Corre contra os dois um processo no Supremo Tribunal de Justiça por autorização de extração ilegal de madeira na AI Uru-Eu-Wau-Wau. Era assessor do ex-presidente Íris Pedro de Oliveira e foi Chefe de Gabinete do Consultor Geral da República, Clóvis Ferro Costa. Nesta função fez um parecer - aprovado por Ferro - que autorizava o uso da rodovia de 38 km dentro da AI Waimiri-Atroari. Antes de ser nomeado presidente da Funai, era funcionário da representação do estado do Amapá em Brasília.Foi afastado do cargo em meio a acusações dos índios do Xingu -e tornadas públicas pela imprensa - de estar fotografando índias nuas e &amp;quot;molestar moças e adolescentes&amp;quot; do Parque do Xingu (MT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Coronel Airton Alcântara'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a ago. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Entrou na Funai para substituir o Coronel Carneiro, do CSN, que havia sido nomeado Superintendente Geral da Funai na gestão Íris Pedro, mas acabou morrendo no dia da posse.Alcântara tornou-se presidente, respondendo pelo cargo na fase de transição imposta pelo novo presidente da República Fernando Collor de Mello, recém empossado e que, dentre outras medidas, incorporou a Funai ao Ministério da Justiça depois de liquidar o Ministério do Interior. Para se firmar no cargo e tentar sua permanência no órgão, teve alguns gestos simpáticos aos indigenistas e antropólogos, assinando decretos de reintegração das áreas Uru-Eu-Wau-Wau e Kaiabi Gleba Sul. Por outro lado, elaborou uma lista de 880 servidores a serem colocados em disponibilidade, aproveitando o argumento do enxugarnento administrativo para proceder a uma nova &amp;quot;caça às bruxas&amp;quot;, incluindo antropólogos e indigenistas entre os &amp;quot;disponíveis&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Íris Pedro de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1988 a mar. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, entre 1980 e 1983 foi presidente do Grupo de Terras do Araguaia/ Tocantins (Getat), visto como um órgão de repressão e policiamento. Pragmático, apregoava soluções técnicas e operacionais para caracterizar os territórios indígenas: estabelecer áreas a partir de limites naturais, transferir grupos indígenas para &amp;quot;evitar conflitos&amp;quot; com colonos etc. Em 1980, grileiros aceleravam a invasão de terras indígenas dos Xikrirn do Cateté, em Marabá; em 82, o Getat, a Eletronorte e a Funai optaram pela recomposição da área indígena dos Parakanã, &amp;quot;para evitar contatos indiscriminados&amp;quot; entre as famílias que seriam atingidas direta ou indiretamente pelas águas da UHE e estavam sendo reassentadas na variante da Transamazônica&amp;quot;. Sua nomeação confirmaria a vinculação da Funai aos desígnios do CSN. Denúncias da própria Funai indicam que utilizava-se das aeronaves do órgão para visitar uma fazenda de sua propriedade em Imperatriz (MA), onde há uma administração regional da Funai; esta, tomou-se recordista em receber visitas de um presidente do órgão no período do mandato do presidente Íris. Renovou o convênio com o Instituto Lingüístico de Verão (SIL) para atuarem em todo território nacional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Romero Jucá Fº.'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 1986 a set. de 1988]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista, pernambucano, indicado pelo ministro Marco Maciel, seu conterrâneo e chefe da Casa Civil, dirigia o Projeto Rondon.Implantou a descentralização da FUNAI e retirou os índios de Brasília. Tecnocrata modernizador, assinou inúmeros convênios técnicos e de assistência com outros Ministérios. Promulgou um novo regimento interno no órgão. Nos cinco primeiros meses de sua gestão, o quadro de funcionários havia passado de 3.300 funcionários para 4.200. Somente em Recife, sua terra natal, o escritório da FUNAI chegou a ter 400 funcionários vinculados.Tentou tirar a crise do órgão das páginas de jornais, mas acabou sofrendo intervenção do TCU devido às irregularidades financeiras do órgão. Defendia a linha “pragmática” de exploração dos recursos naturais das terras indígenas, e foi acusado de promover inúmeros contratos com madeireiras.Manifestava-se contra a presença de garimpeiros nas áreas indígenas e assinou, em 1987, o convênio Funai/DNPM para exploração mineral empresarial em área indígena. Em maio de 88, assinou portaria criando um GT para avaliar o grau de aculturação dos índios. Saiu da FUNAI para ser governador nomeado de Roraima, carregando consigo um processo no Supremo Tribunal de Justiça por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena. Já fora da FUNAI, como governador de Roraima, passou a defender a permanência dos garimpeiros invasores do território Yanomami.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Apoena Meirelles'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1985 a mai. de 1986]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sertanista, nasceu numa aldeia Xavante em Pimentel Barbosa, filho do também sertanista Francisco Meirelles (funcionário do antigo SPI), desde cedo acompanhava o pai nas frentes de atração e trabalho nas aldeias.Autor de um projeto de descentralização da FUNAI, ocupou a presidência com o apoio do Ministro do Interior, Costa Couto, para implantá-lo e esvaziar a crise do órgão.Em maio de 1986, veio o decreto alterando o Estatuto da FUNAI, criando seis superintendências regionais.Apoena despachou durante boa parte do mandato fora de seu gabinete na FUNAI - preferindo uma sala no Ministério ou as delegacias regionais -, evitando assim o confronto com o movimento dos índios em Brasília, que continuava intenso.Distribuiu muitos recursos para contentar o lobby Xavante e reprimiu os índios hospedados em Brasília , cancelando o contrato de hospedagem com os hotéis das cidades satélites.Apoena saiu da presidência do órgão alegando não concordar com a ingerência do Ministro do Interior na indicação de nomes para a superintendência de terras e dos 6 superintendentes regionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Álvaro Villas Boas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. a nov. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Indigenista, irmão de Cláudio e Orlando Villas Boas, trabalhou durante anos como delegado da funai em Bauru (SP).Sua indicação teve grande repercussão (negativa) entre os índios que se encontravam em Brasília (mais de 300). Mas Raoni, por exemplo, liderança Kayapó, reuniu um grupo de índios para apóiá-lo.A delegacia de Londrina, fechada por ele, foi ocupada por 120 índios que exigiam sua demissão. Fechou a delegacia de Salvador, que fora ocupada por índios que queriam ver suas terras demarcadas.Demitiu, logo ao início de sua gestão, os indigenistas empossados em cargos de confiança por Jurandy M. da Fonseca.Em seu curto mandato, reuniu contra si os funcionários demitidos que tinham influência sobre algumas lideranças indígenas e sua atitude de não negociar sob pressão com os índios levou-o a ser demitido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Gerson da Silva Alves'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a set. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assumiu interinamente a presidência da FUNAI e, em meados de maio, foi empossado oficialmente no cargo, apoiado pelos Xavante e pelo deputado Mario Juruna em meio à “enchente indígena” em Brasília.Sargento reformado do exército, contador, trabalhava na FUNAI havia 14 anos, em funções burocráticas. Como delegado regional do órgão em Campo Grande e Cuiabá, e diretor do DGO, na sede, em Brasília, acumulou relações de clientela com os Xavantes, que contribuíram para sua indicação ao cargo, em meio à crise sucessória que marcou o período.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ayrton Carneiro de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Aquele que foi sem nunca ter sido. Ex-diretor do INCRA, foi indicado para presidir interinamente a FUNAI pelo Ministro Costa Couto, mas impedido de tomar posse por um conjunto de índios e funcionários que fizeram uma barreira na entrada do prédio.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Nelson Marabuto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1984 a abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Policial de carreira, antes de assumir a presidência da FUNAI havia sido chefe da assessoria de segurança e informação do órgão e também o superintendente da Polícia Federal em São Paulo.Permaneceu no cargo durante o período de transição do governo Figueiredo para o governo Sarney, prolongado pela agonia de Tancredo Neves, no qual houve uma intensa disputa pelo cargo entre varias facções do indigenismo, cada qual mobilizando índios em Brasília.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Jurandy Marcos da Fonseca'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, foi chefe de gabinete da FUNAI nas gestões Bandeira Mello e Ismarth Araújo de Oliveira. O “release” de sua posse informava que havia nascido numa aldeia indígena e que seu pai participara da Comissão Rondon e trabalhara no SPI.Na sua gestão, inaugura a nomeação de índios para cargos de chefia na Funai: Marcos Terena para chefe de gabinete e Megaron (Kayapó) para diretor do Parque do Xingu. Readmitiu muitos dos indigenistas e antropólogos, excluídos por Nobre da Veiga, alguns deles como seus assessores diretos e em cargos de direção.Em julho de 84, demite o sertanista Álvaro Villas Boas, delegado da 12a. DR, causando grande tumulto entre os índios do interior de São Paulo e Paraná, que exigiam sua readmissão invadindo e ocupando por duas semanas a delegacia de Bauru, com grande repercussão na imprensa. Vários artigos em jornais comentavam que era o fim da velha política indigenistas, que começava uma nova mentalidade, uma maneira nova de agir e tratar os problemas indígenas e, principalmente, que se percebia que os índios já não eram mais os mesmos, o que exigia formas diferentes de relacionamento com eles. Era o “sopro de esperança na FUNAI”.Jurandy foi demitido em setembro de 1984. Declarou: ”fui demitido porque não assinei a portaria para regulamentar o decreto 88.985” (autorizando a mineração em terras indígenas). Saiu como herói – mas, uma semana depois, foi acusado pelo Procurador Geral da FUNAI, Irineu de Oliveira, de ter beneficiado 85 fazendeiros no Mato Grosso do Sul, com contratos de arrendamento das terras dos Kadiweu, e embolsado os Cr$ 150 milhões referentes aos contratos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otávio Ferreira Lima'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1983 a abr. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista funcionário do MInistério do Interior, logo que assumiu a presidência da FUNAI convocou as Polícias Militar e Federal para impedir o acesso de lideranças indígenas ao seu gabinete, e suspendeu as entrevistas à imprensa. Demitiu quatro coronéis em cargos de direção (entre eles, o Cel. Hausen).Na sua gestão, foi promulgado o polêmico decreto 88.985, de novembro de 1983, autorizando a entrada de empresas de mineração em terras indígenas.Em dezembro do mesmo ano, assinou um convênio (No. 028/83) com o SIL (Summer Institute of Linguistics), para um período de dois anos, sujeito a prorrogação.Durante uma crise na parte norte do Parque do Xingu - quando os Txucarramãe interditaram a BR-080 e fizerem alguns funcionários como reféns para obtenção de uma faixa de terra adicional -, Ferreira é demitido pelo seu desempenho desastroso como negociador.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Paulo Moreira Leal'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 1981 a jul. de 1983]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da Aeronáutica, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional (CSN). Assumiu a presidência da FUNAI falando em reestruturação administrativa; solicitou ao Ministério do Interior a contratação de 4 mil novos funcionários e afirmou que sua grande aspiração era ver o maior número possível de índios ocupando cargos de direção da Fundação.Demitiu alguns militares assessores do órgão sob pressão dos Xavantes.Assinou um convênio com o Projeto Rondon, para atendimento nas áreas de saúde educação e com a Petrobrás, estabelecendo normas gerais a serem observadas nos trabalhos de pesquisa e lavra mineral em terras indígenas.Encomendou estudos a funcionários do órgão, visando emancipação dos Guarani (da região sul do País) e Tembé (PA/ MA), com base em “critérios de indianidade”.No final de sua gestão, um decreto interministerial (No. 88.118, de 23.02.83) criou o chamado “Grupão”, para a regularização das terras indígenas, retirando tal atribuição do âmbito decisório da FUNAI e alçando-a formalmente ao nível ministerial e do CSN.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Carlos Nobre da Veiga'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1979 a out. de 1981]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da reserva, assume o cargo falando em “disciplina” e demitindo 39 indigenistas e antropólogos, porque haviam encaminhado carta ao Ministro do Interior com criticas à política da FUNAI. Incrementa o projeto de emancipação compulsória, criando os famosos “critérios de indianidade” e declarando que “o índio estará emancipado em cinco gerações”; mas recua e não encaminha o processo ao Ministério do Interior (MINTER).Reestrutura a FUNAI para fortalecer as unidades regionais. Numa reunião da SUDAM, afirma que ”há reservas demais”. A 15/12/1980, sai uma Portaria Interministerial (MINTER/ Min. das Minas e Energia) facilitando a exploração mineral em terras indígenas por empresas estatais. Com base no parecer do Conselho Indigenista da FUNAI, o Ministro do Interior, Mario Andreazza, proíbe Mário Juruna, liderança indígena do povo Xavante, de participar do Tribunal Russel, na Holanda.Juruna lidera 40 índios que, na sede da FUNAI em Brasília, exigem a demissão do Presidente da FUNAI e mais dois coronéis da direção: Ivan Zanoni Hausen (DGPC) e Jose Rodriges Godinho (DGO).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Adhemar Ribeiro da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a nov. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Engenheiro de profissão, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), na sua curta gestão extinguiu a COAMA (Coordenação da Amazônia) e concedeu alvarás de pesquisa mineral na AI Waimiri-Atroari (AM).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ismarth Araújo de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1974 a mar. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, antes de ser nomeado presidente havia sido superintendente da FUNAI. Na sua posse, o Ministro do Interior, Rangel Reis, anunciou “a política de integração em ritmo acelerado”, o que viria a desembocar no projeto de emancipação dos índios, contra o qual ele se opôs publicamente. Mas incrementa os chamados “projetos de desenvolvimento comunitário”, dentro de uma política de “espíritos desarmados” com antropólogos, indigenistas e missionários. Na sua gestão, aumentam substancialmente as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Oscar Jeronymo Bandeira de Mello'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 1970 a mar. de 1974]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, ex-chefe da Divisão de Segurança e informação da FUNAI e ex-agente do SNI, participou do inquérito que extinguiu o SPI. Na sua gestão, consolidou-se a política da FUNAI atrelada ao binômio “segurança e desenvolvimento”, que marcou o período mais duro do regime autoritário - o governo Médici. Seu lema era: “Integrar os índios rapidamente”, sobretudo para que não obstaculizassem a ocupação e colonização da Amazônia, em consonância com o Ministro do Interior, Costa Cavalcante, que anunciou o “boi como grande bandeirante da década”. No bojo do Plano de Integração Nacional, lançado em 1970, estabeleceu um convenio com a SUDAM “para pacificar 30 grupos arredios” ao longo da Transamazônica. Participou de um churrasco com fazendeiros na abertura da BR-080, rodovia que cortou o norte do Parque do Xingu e excluiu boa parte do território dos índios Txukarramãe (sub-grupo Kayapó).Durante sua gestão, foi promulgado o Estatuto do Índio, aprovado pelo Congresso Nacional, e criada, na FUNAI, a Divisão de Desenvolvimento Comunitário (subordinada à Coordenação de Programas de Desenvolvimento de Comunidades, do Ministério do Interior). Relacionada a essa divisão desenvolvimentista e integracionista das populações indígenas, reintroduziu a chamada “renda indígena”, conceito chave para viabilizar o projeto de “emancipação econômica” dos grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''José de Queiroz Campos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[dez. de 1967 a jun. de 1970]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coordenou a implantação do órgão, tendo que se defrontar – juntamente com o Ministro do Interior, Gal. Albuquerque Lima – com a avalanche de denúncias de genocídio contra o governo no exterior, sobretudo a partir da divulgação do Relatório Jader Figueiredo (março de 1968), que trazia os resultados de uma devassa no SPI (Serviço de Proteção aos Índios, órgão governamental antecessor à FUNAI).Na sua gestão, foram ampliada a área do Parque do Xingu e criados outros três parques indígenas. Criou a GRIN, Guarda Rural Indígena, transformando índios em policiais nas suas próprias aldeias. Assinou convênio com o SIL (Summer Institute of Linguistics) em 1969 e, no mesmo ano, realizou o 1o. Simpósio FUNAI - Missões Religiosas.Jornalista de profissão, escreveu livros a respeito de fatos ocorridos na sua gestão (como a famosa expedição do Pe. Calleri, chacinada durante as tentativas de contatar os Waimiri–Atroari, no Amazonas), mas que nunca chegou a publicar, por recomendação dos órgãos de segurança.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ações ministeriais==&lt;br /&gt;
O início da década de 1990 marcou decididamente uma mudança radical na [[Órgão Indigenista Oficial | política indigenista oficial brasileira]]: até então, todas as ações relativas aos povos indígenas estavam sob a gestão exclusiva do Ministério da Justiça, via a [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio]]. A partir de 4 decretos presidenciais promulgados no ano de 1991 - conforme tabela abaixo -  a maioria das ações da Funai foi absorvida total ou parcialmente por outros ministérios e órgãos federais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Decreto | Data&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Objeto do decreto&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;No 23 - 4/02/1991 (saúde)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as condições para a prestação de assistência à '''saúde das populações indígenas: '''Art. 5º '''A Fundação Serviços de Saúde Pública - FSESP''', enquanto não for instituída a Fundação Nacional de Saúde, de que trata o artigo 11 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, encarregar-se-á da coordenação dos projetos, tanto na fase de elaboração, quanto na de execução. &amp;lt;br/&amp;gt;OBS. Em 16 de abril de 1991, o Decreto Presidencial nº 100 instituiu a '''Fundação Nacional de Saúde (FNS)''' que incorporou a Fundação Serviços de Saúde Pública e, por seu turno, o atendimento à saúde das populações indígenas.   &lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 24 – 4/02/1991 (meio ambiente)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as ações visando à proteção do '''meio ambiente em terras indígenas'''.  Art. 4º A coordenação dos projetos mencionados no art 2º caberá à Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, e sua elaboração e execução serão realizadas pelo '''Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis''' e pelo órgão federal de assistência ao índio&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 25 – 4/02/1991 (auto-sutentação econômica)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre programas e projetos para assegurar '''a auto-sustentação dos povos indígenas'''. Art. 5º Compete ao '''Ministério da Agricultura e Reforma Agrária''', por intermédio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRAPA, e ao '''Ministério da Justiça''', por intermédio do órgão federal de assistência ao índio, a coordenação das ações decorrentes deste Decreto&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 26 – 4/02/1991 (educação)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre a '''Educação Indígena no Brasil.''' Art. 1º Fica atribuída ao '''Ministério da Educação''' a competência para coordenar as ações referentes à Educação Indígena, em todos os níveis e modalidades de ensino, ouvida a FUNAI&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais medidas de cunho legal, retirando da Funai grande parte de suas principais atribuições, produziram uma situação na qual as políticas públicas para os povos indígenas  até os dias de hoje vêm sendo conduzidas e executadas de maneira: a) fragmentada: já que pulverizadas em diversos órgãos de distintos ministérios federais e, portanto, sem a falta de uma coordenação geral; b) sobreposta: pois mesmo com essa pulverização, a Funai continua tanto a executar parte de algumas das ações previstas para outros ministérios ([[A educação escolar indígena no Brasil | educação indígena]] e atividades econômicas), como , em muitos casos, a não cumprir com suas atribuições de suporte e parceria junto aos mesmos ministérios, exigidas em todos os decretos citados;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer desse período – 1991 aos dias atuais -, foram diversas as ações desencadeadas pelos diversos ministérios que passaram a cuidar da política indigenista oficial, para além daquelas que continuaram a ser promovidas pela Fundação Nacional do Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma descrição mais pormenorizada sobre os tema da saúde (Ministério da Saúde) e da educação (Ministério da Educação), ver as subseções específicas que compõem este site.  &lt;br /&gt;
Quanto às ações desencadeadas pelos demais ministérios, não há espaço aqui para apresentá-las em sua totalidade e com o nível de detalhamento requerido. Assim, apresentamos abaixo apenas algumas destas iniciativas ministeriais para que se possa ter uma idéia geral do atual quadro da política indigenista oficial atual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ministérios&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ações&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Meio Ambiente (MMA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI)&lt;br /&gt;
* Gestão Ambiental em Terras Indígenas&lt;br /&gt;
* Conservação e Recuperação da Biodiversidade em T.I.s&lt;br /&gt;
* Ação de fomento à Gestão Ambiental em T.I.s&lt;br /&gt;
* Fortalecimento social e econômico via Coordenadoria do Agroextrativismo  &lt;br /&gt;
* “Carteira Indígena”: Segurança Alimentar associada à Recuperação de Degradação Ambiental&lt;br /&gt;
* PNGATI - Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ATER Indígena: Valorização da Agroecologia&lt;br /&gt;
* PRONAF: financiamento de projetos de capacitação de lideranças indígenas comunitárias; de etnodesenvolvimento etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Social  (MDS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Doação de recursos financeiros para o projeto “Carteira Indígena”, sob gestão do MMA&lt;br /&gt;
* Bolsa-Família para os povos indígenas&lt;br /&gt;
* “Fome Zero Indígena” &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Cultura (MinC)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Prêmio Culturas Indígenas&lt;br /&gt;
* Pontos de Cultura para povos indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Saúde (MS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada em outubro de 2010.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Veja também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências externas ==&lt;br /&gt;
===Sites===&lt;br /&gt;
====Funai====&lt;br /&gt;
* Página oficial da Funai- &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Blog da FUNAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Técnica Local Nova Xavantina - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Madeira - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://crmadeira.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://crmadeira.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Litoral Sul - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional do Sul da Bahia - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Macéio - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Fortaleza - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Cacoal - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaiceara.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaiceara.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura=24&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura;=24&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  MEC. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=290&amp;amp;amp;Itemid=815&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view;=article&amp;amp;amp;id;=290&amp;amp;amp;Itemid;=815&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (MN/UFRJ) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Centro de Trabalho Indigenista - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====Ministérios====&lt;br /&gt;
* Ministério do Meio Ambiente - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mds.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mds.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Agrário - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Cultura - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Saúde - SESAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Bibliografia===&lt;br /&gt;
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* OLIVEIRA, João Pacheco &amp;amp;amp; Rocha Freire, Carlos Augusto da. 2006. A Presença Indígena na Formação do Brasil. Brasília: SECAD/MEC; UNESCO; LACED/UFRJ. Disponível online: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* RIBEIRO, Darcy. 1979 [1977]. Os Índios e a Civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno. Petrópolis: Vozes. &lt;br /&gt;
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* __________. 2000. “Estatuto da Alforria”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 93-94. &lt;br /&gt;
* Equipe de Redação do Aconteceu CEDI. 1991. “Campanha difamatória procura implodir direitos indígenas na Constituição” .In: Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI. Pp: 48-50. &lt;br /&gt;
* __________. 2000. “Propostas para uma Nova Política Indigenista”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 118-121. &lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de. 1987. &amp;quot;Sobre indigenismo, autoritarismo e nacionalidade: considerações sobre a constituição do discurso e da prática da proteção fraternal no Brasil&amp;quot;. In: Oliveira, J. P. (Org.). Sociedades indígenas e indigenismo no Brasil . 1a ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: UFRJ/Marco Zero. Pp: 149-214. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
* __________. 1989. &amp;quot;Os museus de história natural e a construção do indigenismo no Brasil: notas para uma sociologia das relações entre campo intelectual e campo político no Brasil&amp;quot;. Comunicações do PPGAS , v. 13. Pp: 1-85. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
* __________. 1991. &amp;quot;O Santo Soldado&amp;quot;. Comunicações do PPGAS , v. 21, p. 1-80. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* __________. 1992. “O governo dos índios sob a gestão do SPI”. In: CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras: SMC/SP: FAPESP. Pp: 155-172.&lt;br /&gt;
* __________. 1995. Um grande cerco de paz: poder tutelar, indianidade e formação do Estado no Brasil. Petrópolis: Vozes. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* __________. 2001. “Fundação Nacional do Índio (FUNAI)”. In: A breu, Alzira Alves de (coord.). Dicionário histórico-biográfico brasileiro: pós-30. Rio de Janeiro: FGV. Pp: 2426-2432.&lt;br /&gt;
* __________. 2002. &amp;quot;Diversidade Cultural e Política Indigenista&amp;quot;. Tellus (UCDB), Campo Grande - MT, v. 3. Pp: 11-31. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antônio Carlos de; BARROSO-HOFFMANN, Maria (Orgs.). 2002. Etnodesenvolvimento e políticas públicas: bases para uma nova política indigenista. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
* __________. (Orgs.). 2002b. Estado e povos indígenas: bases para uma nova política indigenista II. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
* __________. (Orgs). 2002c. Além da Tutela: bases para uma nova política indigenista III. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED.  &lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de; BARROSO-HOFFMAN, M.; IGLESIAS, Marcelo M. P.; GARNELO, Luiza; PACHECO DE OLIVEIRA, J. 2004. “A administração pública e os povos indígenas”. In: INESC. (Org.). A era FHC e o Governo Lula: transição? . 1 ed. Brasília: Instituto de Estudos Socioeconômicos. Pp: 293-326. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
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--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Órgão Indigenista Oficial}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%C3%93rg%C3%A3o_Indigenista_Oficial&amp;diff=6576</id>
		<title>Órgão Indigenista Oficial</title>
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		<updated>2019-01-16T16:43:13Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: atualização presidente da funai (exoneração wallace)&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título | Órgão indigenista oficial}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2010 o indigenismo oficial no Brasil completou cem anos. Apesar da longa e dramática história da colônia e do império, apenas em 1910, vinte anos após a promulgação da República, foram criados mecanismos jurídicos e administrativos específicos, em âmbito federal, para conduzir as relações junto aos [[Quem são | povos indígenas]]. Antes disso, como destacou a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha (1992), houve um verdadeiro ‘vazio legislativo’. Os índios sequer foram mencionados nas Constituições de 1824 e 1889. A ausência, entretanto, tinha justificativas: cada província poderia legislar e atuar livremente para promover a “catequese e civilização dos índios”, o que acabou por trazer trágicas consequências para os mais diversos povos. As políticas iniciadas em 1910 abriram um novo período, a partir do qual a União passou a se responsabilizar e a se envolver diretamente com a questão indígena, retirando das províncias e líderes locais suas prerrogativas anteriores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano do centenário diversos novos desafios se apresentam ao indigenismo de Estado. Um novo [[Estatuto do Índio | Estatuto dos Povos Indígenas]], que pretende substituir o de 1973, aguarda votação no Congresso. Em dezembro de 2009, o governo iniciou um amplo projeto de reestruturação da [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio (Funai)]], que promete modernizar, aparelhar e aproximar dos índios o atual órgão indigenista oficial, tido por muitos como um dos mais sucateados e ineficazes da Nação. Neste contexto, apresentamos aqui um breve panorama destes cem anos, com o objetivo de situar e refletir sobre o momento atual. O foco é observar o processo, seus avanços e impasses, de modo a que as tragédias do passado não continuem a se repetir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Fundação Nacional do Índio (Funai)==&lt;br /&gt;
Desde 1967, a Fundação Nacional do Índio (Funai) é o órgão indigenista oficial responsável pela promoção e proteção aos direitos dos povos indígenas de todo o território nacional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A criação da Funai no contexto da ditadura militar===&lt;br /&gt;
Embora projetada pelos intelectuais do CNPI para superar os antigos impasses do [[Serviço de Proteção aos Índios (SPI)]], a Funai acabou por reproduzi-los. Sua criação foi inserida no plano mais abrangente da ditadura militar (1964-1985), que pretendia reformar a estrutura administrativa do Estado e promover a expansão político-econômica para o interior do País, sobretudo para a região amazônica. As [[O que é política indigenista | políticas indigenistas]] foram integralmente subordinadas aos planos de defesa nacional, construção de estradas e hidrelétricas, expansão de fazendas e extração de minérios. Sua atuação foi mantida em plena afinidade com os aparelhos responsáveis por implementar essas políticas: Conselho de Segurança Nacional (CSN), Plano de Integração Nacional (PIN), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ação da Funai durante a ditadura foi fortemente marcada pela perspectiva assimilacionista. O Estatuto do Índio (Lei nº 6.001) aprovado em 1973, e ainda vigente, reafirmou as premissas de integração que permearam a história do SPI. Por um lado, pretendia-se agregar os índios em torno de pontos de atração, como batalhões de fronteira, aeroportos, colônias, postos indígenas e [[Igrejas e Missões religiosas | missões religiosas]]. Por outro, o foco era isolá-los e afastá-los das áreas de interesse estratégico. Para realizar este projeto, os militares aprofundaram o monopólio tutelar: centralizaram os projetos de assistência, [[Saúde Indígena | saúde]], [[A educação escolar indígena no Brasil | educação]], alimentação e habitação; cooptaram lideranças e facções indígenas para obter consentimento; e limitaram o acesso de pesquisadores, organizações de apoio e setores da Igreja às áreas indígenas (M. Santilli, 1991).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A estrutura do órgão===&lt;br /&gt;
O órgão foi concebido em bases semelhantes às do SPI. Até 1991 se manteve vinculado ao extinto Ministério do Interior, que sempre exerceu grande ingerência sobre suas ações. Os presidentes nomeados entre as décadas de 1970 e 1980 eram, em grande maioria, militares ou políticos de carreira pouco ou nada comprometidos, e até mesmo contrários aos interesses indígenas. A administração foi centralizada em Brasília. Os postos indígenas foram mantidos e as inspetorias transformadas em delegacias regionais. Outras instâncias – ajudâncias, superintendências, administrações executivas, núcleos locais de apoio – foram criadas e extintas ao longo do tempo. A despeito destas modificações, a Funai se estruturou aos moldes do SPI, de modo mais ou menos centralizado, com grande rigidez burocrática, em três níveis espaciais: nacional, regional e local (Souza Lima, 2001).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar das irregularidades que levaram à extinção do SPI, seu quadro funcional foi transferido para a Funai. Com recursos escassos e mal contabilizados, a Funai continuou a operar, assim como o SPI, com profissionais pouco qualificados. Não se concretizou a proposta de se realizar planejamentos antropologicamente orientados, conduzidos por profissionais de formação sólida, bem pagos e comprometidos com o futuro dos povos indígenas. O órgão foi permeado, em todos os níveis, por redes de relações pessoais, clientelistas e corporativas, que remetem ao paternalismo e ao voluntarismo que dominaram o velho SPI. A criação da Funai foi marcada pela ineficiência, desinteresse e dificuldade de operação, o que levou o órgão a limitar sua intervenção a favor dos índios a situações altamente críticas, conflituosas e emergenciais, consequentes dos planos de colonização e exploração econômica que chegavam aos extremos do país (Oliveira, 2006; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A emergência da questão indígena no cenário nacional===&lt;br /&gt;
Neste contexto desfavorável, a questão indígena começou a emergir no cenário político nacional. A maior parte das organizações de apoio aos índios se estruturou na década de 1970. Entre elas destaca-se: as comissões pró-índio (CPIs), as associações nacionais de apoio ao índio (ANAIs), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI). Estas duas últimas se juntaram para fundar o atual &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.socioambiental.org&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Instituto Socioambiental (ISA)&amp;lt;/htmltag&amp;gt;. Criadas por intelectuais e clérigos envolvidos com a questão indígena, estas entidades passaram a realizar importantes trabalhos como: o questionamento fundamentado às políticas oficiais, a interlocução entre índios e Funai, bem como a formulação de alternativas concretas para o indigenismo brasileiro (M. Santilli, 1991; Souza Lima, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na década de 1980, diversas manifestações indígenas passaram a ganhar visibilidade nacional. Também neste período começaram a se estruturar suas primeiras organizações formais de base comunitária ou regional. Em âmbito nacional foi criada a União das Nações Indígenas (UNI), que já não existe mais. [[Organizações indígenas | Conheça as organizações indígenas]] compiladas pelo ISA.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os povos indígenas e o marco jurídico atual===&lt;br /&gt;
Com as mobilizações indígenas e das organizações de apoio, a [[Constituição | Constituição de 1988]] acabou por conferir um tratamento inédito aos povos indígenas. Pela primeira vez foi reconhecido seu [[Constituição | direito à diferença (Art. 231)]], rompendo com a tradição assimilacionista que prevaleceu até então. Foi garantido o [[Constituição | usufruto exclusivo de seus territórios]] tradicionalmente ocupados, definidos a partir de seus usos, costumes e tradições (Art. 231). A União foi instituída definitivamente como instância privilegiada das relações entre os índios e a sociedade nacional. Através do artigo 232, os indígenas e suas organizações foram reconhecidos como partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos, o que incentivou a expansão e a consolidação de suas associações. Para isso, foram definidos canais diretos de comunicação entre os índios, o Ministério Público e o Congresso Nacional. Com estas medidas, o conceito de “capacidade relativa dos silvícolas” (Código Civil, 1917), e a consequente necessidade do “poder de tutela” perderam validade e atualidade. Estas vitórias constitucionais precisariam, entretanto, ser regulamentadas e consolidadas politicamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1991, uma Comissão Especial foi instaurada para rever o [[Estatuto do Índio | Estatuto do Índio (1973)]] a partir do enfoque inovador da Carta de 1988. Foram abordados temas como: a situação jurídica dos índios e as responsabilidades assistenciais da Funai; os direitos de autoria e a propriedade intelectual; a proteção ambiental e a regulamentação do uso e exploração de recursos naturais; os procedimentos de demarcação de terras indígenas. A tramitação do projeto, entretanto, foi paralisada em 1994.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A descentralização do indigenismo oficial===&lt;br /&gt;
No início da década de 1990, houve amplos debates acerca do papel do órgão indigenista oficial a partir do novo marco jurídico. O Ministério do Interior foi extinto e a Funai  foi transferida ao Ministério da Justiça. Blocos parlamentares anti-indígenas propunham fechá-la, sem substituí-la por nada novo, o que provocaria um grande vazio administrativo. Mobilizações indígenas e organizações de apoio defendiam que a reestruturação do órgão fosse feita concomitantemente à aprovação do texto do Estatuto. Em 1991, o governo Collor realizou, por meio de decretos, uma ampla reforma das atribuições da Funai. As responsabilidades sobre saúde, educação, desenvolvimento rural e meio ambiente foram descentralizadas, e passaram a ser exercidas pelos Ministérios da Saúde, Educação, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente. As ações extra-Funai decretadas por Collor tomaram rumos distintos e impactaram de modos diferenciados os povos indígenas do Brasil. Durante os anos FHC estas políticas passaram a adquirir contornos administrativos mais precisos. Algumas ONGs e associações indígenas passaram a participar ativamente do processo de implementação das políticas públicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com os decretos de 1991, a Funai, esvaziada em suas atribuições, passou a se concentrar nas políticas de regularização fundiária. Em 1996, o governo FHC modificou as regras para a [[O que são Terras Indígenas? | demarcação de Terras Indígenas]] visando destacar a necessidade da participação indígena e o direito a contestação das partes afetadas (Decreto 1775/96, Portaria 14/96).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desenvolvimento dos projetos participativos===&lt;br /&gt;
Também em 1996 passou a operar o Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal (PPTAL), resultado da parceria entre a Funai e o Programa Piloto para a Conservação das Florestas Tropicais do Brasil – PPG7. Embora direcionado à demarcação de terras, o PPTAL se propôs a criar alternativas concretas e de longo prazo ao modelo tutelar. Sua proposta se baseou no estímulo ao controle social e à atuação indígena qualificada na estrutura da Funai e do Estado de modo mais abrangente. Em seu âmbito, a partir da experiência dos [[Povo:Wajãpi | Wajãpi]] do Amapá, foi criado o modelo de “demarcação participativa”, que tem como premissa básica a parceria e a co-responsabilidade dos povos indígenas na formulação das políticas que lhes afetam diretamente. Neste modelo, a própria demarcação é tomada como apenas uma das etapa do processo mais abrangente de gestão sustentável das Terras Indígenas. Trata-se de uma proposta baseada no diálogo intercultural, que apenas se realiza enquanto política pública com o pleno envolvimento e concordância dos povos interessados (Mendes, 2002).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A experiência inovadora do PPTAL estimulou a criação em 2001 do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI), desenvolvido no âmbito do Ministério do Meio Ambiente em parceria com o PP-G7. Este projeto é voltado ao financiamento de iniciativas de valorização cultural e desenvolvimento sustentável elaborados e geridos pelas populações indígenas e seus parceiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A Funai e as novas demandas por reconhecimento indígena===&lt;br /&gt;
Em 2002, a ratificação pelo governo brasileiro da [[Convenção OIT sobre Povos Indígenas e Tribais em países independentes nº. 169 | Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre “Sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes” (1989)]] aprofundou a sustentação jurídica às demandas de povos antes tomados por aculturados e integrados, que atualmente reivindicam, em diversas regiões do Brasil, seus direitos indígenas diferenciados. Cada vez mais numerosas, estas reivindicações trazem novos desafios à atuação da Funai, responsável pela demarcação das Terras Indígenas no país. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===A valorização dos conhecimentos tradicionais===&lt;br /&gt;
Na virada do milênio, [[Conhecimentos tradicionais: &amp;quot;Novos rumos e alternativas de proteção&amp;quot; | os conhecimentos indígenas e tradicionais]] passaram a ganhar destaque na agenda nacional e internacional. As discussões se concentram na criação e aprimoramento de mecanismos legais que impeçam que estas populações sejam expropriadas de seu rico patrimônio intelectual, produzido ao longo de gerações. O problema é evidente no caso dos conhecimentos associados à biodiversidade que têm sido alvo de inúmeros casos de biopirataria. Embora acordos internacionais como a Convenção da Diversidade Biológica e a Agenda 21, criadas no contexto da Eco-92, tenham destacado a urgência do problema, apenas em 2002 o Brasil iniciou, através de decreto presidencial (nº 4.339, de 22 de agosto de 2002), uma política nacional de biodiversidade, que, entretanto, precisa ser aprimorada em diversos aspectos (J. Santilli, 2000, 2002).  Também neste âmbito e neste período, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), vinculado ao Ministério da Cultura, passou a realizar ações de proteção, valorização e salvaguarda do patrimônio cultural material e imaterial de povos indígenas e tradicionais. Estas ações decorrem do esforço de regulamentação da Constituição de 88, que em seus artigos 215 e 216 formaliza o valor imaterial dos bens culturais. No ano 2000 o decreto 3.551 instituiu os mecanismos oficiais de valorização e proteção do patrimônio cultural no Brasil. Estes instrumentos, entretanto, se encontram em fase inicial de consolidação e são alvo de pesquisas e debates entre especialistas. Até mesmo no campo internacional as propostas neste sentido são recentes. Data de 2003 a Convenção da UNESCO para a “Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===O desafio da consolidação do paradigma participativo===&lt;br /&gt;
Desde a Constituição de 1988 o indigenismo oficial passou por diversas e significativas mudanças, voltadas, de modo geral, ao reconhecimento e à valorização da diferença cultural. As políticas públicas direcionadas aos povos indígenas têm se tornado cada vez mais descentralizadas e realizadas no âmbito de diversos ministérios que atuam em parceria com agências de cooperação internacional e organizações não-governamentais. A premissa elementar do conjunto das ações é o estímulo à participação e à co-responsabilidade indígena na gestão das políticas destinadas a eles. Entretanto, o sucesso destas políticas depende de sua plena consolidação jurídica e institucional em todos níveis, do local ao governo central. Afinal, o poder tutelar, o assistencialismo e o assimilacionismo ainda são uma realidade fortemente enraizada em diversas práticas do relacionamento entre o Estado e os povos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em relação à consolidação jurídica deste novo momento, é notável que o Estatuto do Índio de 1973, de bases integracionistas, ainda esteja vigente. Entre 1991 e 1994, foi apresentada uma proposta de substituição ao texto que jamais foi votada pelo congresso. Em março de 2006, o governo federal criou a Comissão Nacional de Política Indígenista (CNPI). Em sua agenda, foi estabelecida a prioridade da atualização do Estatuto, com vistas a apresentar uma regulamentação integrada dos diversos temas da agenda dos povos indígenas: o patrimônio e os conhecimentos tradicionais, a proteção e a gestão territorial e ambiental, as atividades sustentáveis e o uso de recursos renováveis, o aproveitamento de recursos minerais e hídricos, a assistência social, a educação escolar e o atendimento à saúde diferenciados. Em julho de 2009, a proposta - construída com a participação de representantes indígenas – foi apresentada ao Congresso Nacional e aguarda votação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste contexto, o atual CNPI e a Funai tem a tarefa de articular e integrar o conjunto das ações estatais de defesa dos direitos indígenas, com vistas a promover o paradigma participativo e superar definitivamente seu papel tutelar. Com este objetivo, o órgão indigenista oficial têm realizado esforços para atualizar suas práticas e modos de funcionamento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Reestruturação da Funai===&lt;br /&gt;
Em fins de 2009, o governo Lula anunciou, por meio de decreto presidencial (&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7056.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nº 7.056, 28/12&amp;lt;/htmltag&amp;gt;), um amplo plano de reestruturação da Funai, que pretende oferecer maior capacidade de atuação onde vivem os povos indígenas. As Administrações Executivas Regionais (AERs) e Postos Indígenas (PIs) foram substituídos por Coordenações Técnicas Locais e Regionais, formadas por técnicos qualificados, que passarão a desenvolver ações participativas junto aos povos indígenas envolvidos. Nesta estrutura, está planejada a criação de Conselhos Consultivos, nos quais os indígenas e as organizações parceiras participam diretamente na formulação, implantação e gestão das políticas públicas a eles destinadas. Além disso, está prevista a criação de 3,1 mil cargos a serem preenchidos até 2012. Esta nova estrutura pretende, conforme sua direção, superar os impasses históricos do órgão indigenista oficial. Apreensivos, diversos povos se posicionaram contra as mudanças e reclamaram de falta de consulta prévia prevista na Convenção nº 169 da OIT.'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Galeria dos presidentes da Funai ==&lt;br /&gt;
A história do controvertido órgão indigenista oficial, a [[Órgão Indigenista Oficial | Funai (Fundação Nacional do Índio)]], pode ser contada através da sucessão de seus 41 presidentes ao longo de 51 anos, de 1967 a 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Presidentes da Funai (1967-2018)&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidentes&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Quem é | O que fez&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Wallace Moreira Bastos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2018 - jan. 2019]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Wallace Moreira Bastos foi nomeado para exercer o cargo de Presidente da Funai no mesmo Diário Oficial da União, de 24 de abril, em que foi publicado o pedido de demissão de Franklinberg, que alegou estar sofrendo forte pressão dos ruralistas para deixar o cargo. No dia 16 de janeiro de 2019, foi publicado o pedido de exoneração de Wallace Moreira Bastos da presidência da Funai, após nove meses de ocupação no cargo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em nota da Funai, Wallace disse que conseguiu trazer para a Fundação mais 203 servidores concursados, que já estão atuando em todas as regiões do país. E que conseguiu, junto ao Governo Federal, que o orçamento da Funai passasse de R$ 109 milhões para R$ 175 milhões, o que permitirá ao órgão avançar ainda mais no que diz respeito às demandas das comunidades indígenas. Mas no período em que esteve na presidência da Funai não aprovou nenhum estudo de identificação de Terra Indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa indicação não foi vista com bons olhos no meio indígena e indigenista porque Wallace não tem, em seu currículo, nenhuma experiência relacionada aos povos indígenas. Foi sócio-proprietário e gestor, entre 2002 e 2008, das empresas Giraffas, Casa do Pão De Queijo, Montana Grill e Café Cancun e, antes, analista de Vendas da Ambev. Concursado na ANAC, é membro do Conselho de Administração da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) e antes da indicação para a Funai ocupava o cargo de subsecretário do Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil. É a terceira indicação do PSC para a Fundação em pouco mais de um ano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Franklimberg Ribeiro de Freitas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 2017 - abr. 2018]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O general do exército Franklimberg Ribeiro de Freitas assumiu interinamente a presidência da Funai após a exoneração de Antônio Costa. Em julho de 2017, foi plenamente empossado. Franklimberg é militar da reserva, tendo ingressado nas Forças Armadas em 1976, e antes de ser nomeado para a Funai exercia o cargo de assessor de relações institucionais do CMA (Comando Militar da Amazônia), sediado em Manaus (AM).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assume a presidência da Funai poucos dias após um massacre realizado contra índios Gamela, no Maranhão e em meio à uma intensa crise política desencadeada por investigações de corrupção no governo Temer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua gestão não agradou à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), composta por 252 parlamentares, entre deputados e senadores, que esperavam ações que atendessem os interesses dos ruralistas. A FPA enviou um ofício ao presidente Temer com a assinatura de mais de 170 lideranças indígenas que não queriam a permanência de Franklimberg, e pediram sua demissão. Permaneceu no cargo por pouco mais de 10 meses.&lt;br /&gt;
Ele é o segundo presidente que o PSC indica (o anterior, Antonio Fernandes Toninho Costa, também fora indicação do partido) e é demitido por não atender interesses contrários aos direitos indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Franklimberg, antes de deixar o cargo, aprovou os estudos da TI Pankará da Serra do Arapuá, do povo Pankará, com 15.114 hectares, no município de Carnaubeira da Penha, em Pernambuco.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Antonio Fernandes Toninho Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jan. de 2017 a mai. de 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dentista e pastor evangélico de Luiziânia (GO), já atuou como assessor parlamentar. Interessante notar o contexto da decisão de sua nomeação como novo presidente da Funai. Segundo a reportagem da Globo News, o presidente da República, Michel Temer, em reunião com ministros sobre obras de infraestrutura, foi informado sobre impasses e conflitos com índios, que estariam impedindo a continuidade das obras, e que a Funai estava com um presidente interino. Ele então solicitou ao ministro da Justiça que resolvesse a questão – provavelmente com a expectativa de conseguir a aprovação da Funai para as obras paralisadas. Dentro da lógica de loteamento à base aliada, Temer aceitou a indicação do Partido Social Cristão (PSC), cujo presidente é o Pastor Everaldo e que é integrado por Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano. Costa já trabalhou com povos indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e na Missão Evangélica Caiuá – antiga missão que prestava assistência aos Guarani em Mato Grosso do Sul e hoje atua em diversos Distritos Sanitários Especiais de Saúde Indígena (DSEIs) através de convênio com a Sesai.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Agostinho do Nascimento Netto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 2016 a jan. 2017]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Assessor especial do Ministério da Justiça desde junho de 2016, desconhecido do movimento indígena e indigenista, foi nomeado Presidente substituto da Funai em setembro do mesmo ano. Durante sua curta gestão, ele aprovou a TI Pindoty/Araça-Mirim, no Vale do Ribeira (SP), no dia 29 de dezembro de 2016, com 1.030 hectares.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2016 a set. 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes assumiu a presidência dó órgão em substituição a João Pedro Gonçalves, exonerado pelo governo interino de Michel Temer. Artur Nobre Mendes já fora presidente da Funai entre 2002 e 2003 e no momento ocupava o cargo de diretor de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável. (Veja mais abaixo informações sobre o seu primeiro mandato)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2016, permaneceu no cargo de presidente substituto por aproximadamente 4 meses. Em sua curta interinidade, Artur publicou, em agosto de 2016, a identificação de três TIs Guarani no estado de São Paulo: Djaiko-aty com 1,216 ha, Ka'aguy Mirim com 1.190, e a Ambá Porã com 7.204 ha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi exonerado em Setembro, poucos dias após a Funai criticar a organização dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 por terem afirmado, na apresentação da menina Igani Suruwaha, que a menina e a mãe tiveram que deixar a comunidade onde viviam para “evitar o infanticídio indígena”. Em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/3932-nota-jogos-paralimpicos&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota de repúdio&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, a Funai disse que a informação do Comitê Organizador dos Jogos promove “''ofensa e desrespeito aos povos indígenas do Brasil, referindo-se ao 'infanticídio ou homicídio, abuso sexual, estupro individual ou coletivo, escravidão, tortura, abandono de vulneráveis e violência doméstica' como 'práticas tradicionais' indígenas. A Funai entende que tal posicionamento revela uma total incompreensão sobre a realidade indígena no país, refletindo uma visão preconceituosa e discriminatória sobre esses povos, suas culturas e seus modos de vida.''”&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Pedro Gonçalves da Costa'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2015 a jun. de 2016]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi deputado estadual, vereador e senador suplente do estado do Amazonas. Também trabalhou como superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária no Amazonas Assumiu a presidência da Funai no lugar de Flavio Chiarelli Vicenti de Azevedo, que foi presidente interino durante 8 meses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://acritica.uol.com.br/blogs/blog_do_sim_-_nao/funai_7_1375732414.html&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;nota d'A Crítica&amp;lt;/htmltag&amp;gt; (14/06/15), sua indicação ''&amp;quot;foi uma costura de parlamentares petistas do Norte com o argumento de que o Governo Dilma precisa dar mais espaços a políticos da Amazônia assim como Lula fez quando pôs Marcus Barros no Ibama, e Marina Silva, no Ministério do Meio Ambiente.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu mandato coincidiu com os últimos meses antes de a Presidente Dilma Roussef ser afastada do cargo e nesse curto período buscaram reverter a paralisia de demarcações que até então marcara esse governo. Durante seu mandato foram aprovados pela Funai os estudos das terras: Cobra Grande (PA) dos povos Arapiuns, Jaraqui e Tapajó; Kaxuyana-Tunayana (AM/PA), dos Kaxuyana, Tunayana e outros; Jurubaxi-Téa (AM), dos Baré, Tukano, Baniwa e outros; Sawré/Muybu (PA), dos Munduruku; Sambaqui (PR), Pakurity (MS), Peguaoty (MS) e Cerco Grande (PR), dos Guarani Mbya; Ypoi-Triunfo (MS), dos Guarani Ñandeva; Dourados Amambaipeguá I, dos Kaiowáa e Ñandeva; e Mato Castelhano-FÁg TY KA (RS), dos Kaingang.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 2014 a jun. de 2015]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Foi chefe da Procuradoria Federal Especializada da Funai. Assumiu a Presidência interinamente, em substituição à também interina Maria Augusta Assirati.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Permaneceu os 8 meses de sua gestão como presidente interino. Nesse período apesar das determinações do governo de paralisar o reconhecimento das Terras Indígenas (TIs) - conseguiu aprovar e publicar no DOU em janeiro de 2015, os estudos de identificação e delimitação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4056&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Riozinho&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, dos índios [[Povo:Ticuna | Ticuna]] e [[Povo:Kokama | Kokama]] com 362.495 hectares, nos municípios de Juruá e Jutai no Amazonas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Criou três Grupos Tecnicos (GTs) para estudos de novas TIs: uma para os Ticuna, em Fonte Nova/Amazonas, outra em Paraty no Rio de Janeiro para os [[Povo:Guarani | Guarani]], e a pela primeira vez a Funai criou um GT para reconhecer uma TI no no Rio Grande do Norte, no município de Baía Formosa: a Sagi/Trabanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 2015, com a nomeação do novo presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa, Flávio Chiarelli foi nomeado assessor especial do Ministro da Justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
Segundo ele, o governo tem um olhar não-indígena para os povos tradicionais, 'achando que eles são os causadores de problemas. Quando, na verdade, a gente deveria parar para olhar o lado deles e enfrentar a real causa do problema&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;&amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Governo-nomeia-novo-presidente-da-Funai/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;Greenpeace&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, Jun/15&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Maria Augusta Boulitreau Assirati'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 2013 a out. de 2014]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Advogada, dirigiu o Departamento de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai e assumiu a Presidência interinamente, com a exoneração de Marta Maria Azevedo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo mantida em interinidade durante um ano e quatro meses, em um governo que primou pela paralisia das demarcações de Terras Indígenas, ela conseguiu aprovar e publicar três estudos de identificação das TIs: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/3864&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Tapeba&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 5.838 hectares, no Ceará; da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/4142&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;Herareka Xetá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 2.686 hectares, no Paraná; e a ampliação da &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://ti.socioambiental.org/pt-br/#!/pt-br/terras-indigenas/5399&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;TI Xakriabá&amp;lt;/htmltag&amp;gt; com 43.357 em Minas Gerais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Augusta pediu demissão por conta de um curso de doutorado em Portugal, mas segundo o &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://oglobo.globo.com/brasil/presidente-da-funai-deixa-cargo-em-meio-disputa-do-orgao-com-ministerio-da-justica-14050662#ixzz3ENbCfygi&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;jornal O Globo, de 25 de setembro de 2014&amp;lt;/htmltag&amp;gt;, alguns dos motivos principais seriam as divergências envolvendo a construção de hidrelétricas e a disputa enfrentada pela própria Funai, no interior do governo, para realizar sua tarefa primordial: a demarcação de terras indígenas. A interferência política do governo sobre a atuação da Funai foi apontada pela ex-presidente em &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://apublica.org/2015/01/a-funai-esta-sendo-desvalorizada-e-sua-autonomia-totalmente-desconsiderada-diz-ex-presidente/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;entrevista na Agência Pública, de janeiro de 2015&amp;lt;/htmltag&amp;gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
A orientação é no sentido de que nenhum processo de demarcação em nenhum estágio, delimitação, declaração, ou homologação, tramite sem a avaliação do Ministério da Justiça e da Casa Civil. Isso é, nada mais, nesse momento, “depende apenas da Funai”.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;APública, Jan/2015&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/blockquote&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Marta Maria Azevedo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 2012 a jun. de 2013]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População (Nepo) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marta Maria do Amaral Azevedo é antropóloga, demógrafa, e autora de um dos primeiros trabalhos de pesquisa sobre demografia dos povos indígena. Nascida em São Paulo, formou-se em Ciências Sociais em 1978 pela Universidade de São Paulo (USP). Em 1980 integrou o grupo de Educação Indígena da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP) e atuou como colaboradora do Programa Povos Indígenas no Brasil do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI). Também foi colaboradora do ISA, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo – onde ajudou a fundar o Grupo Mari de Educação Indígena – e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), no início da década de 1990. Participou da equipe de demógrafos que, em conjunto com o IBGE, Funai e especialistas de várias e diferentes instituições, aprimorou a coleta das informações sobre os povos indígenas para o censo brasileiro de 2010. Suas investigações envolvem temas como educação indígena, segurança alimentar e saúde das mulheres indígenas, os quais contam com o comprometimento de Marta em sua gestão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em um ano e dois meses no cargo, Marta aprovou os estudos de identificação de 14 Terras Indígenas. Destacamos algumas: a TI Iguatemipeguá I com mais de 41 mil hectares, para os Kaiowá, localizada em região de intensos conflitos com fazendeiros, no Mato Grosso Sul; também aprovou os reestudos de duas terras guarani em S.Paulo, a Jaraguá (com 532 ha, na capital) e a Boa Vista do Sertão Pró-Mirim (no município de Ubatuba com 5.520 ha); seis terras mura tiveram seus estudos de identificação aprovados nos municípios de Borba, Autazes, Carreiro da Várzea, Manaquiri e Careiro, todos no estado do Amazonas, somando 72.631 ha. A ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, exonerou, a pedido, Marta Maria do Amaral Azevedo da presidência da Funai em Junho de 2013.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Meira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. 2007 a abr. 2012]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Formado em História pela Universidade Federal do Pará (UFPA), com mestrado em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), o atual Presidente da Funai pesquisou os povos Warekena, da região do rio Xié, um dos afluentes do rio Negro, no Amazonas, no início dos anos 1990. É o autor da tese &amp;quot;No tempo dos Patrões&amp;quot;, sobre o regime de aviamento que ainda vigora nas relações entre extrativistas e comerciantes no interior da Amazônia. Sua atuação com os povos indígenas, porém, é anterior e data desde sua participação na luta pelos direitos indígenas na Constituição Federal de 1988. Foi também responsável pelo GT da Funai de identificação das Terras Indígenas do Médio Rio Negro, localizadas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro. Meira foi um dos interlocutores das organizações indígenas na equipe de transição do governo Lula, em 2002. Sua gestão foi responsável pelo processo de reestruturação da Funai, que renovou o quadro funcional (com 425 novas contratações) e a estrutura administrativa do órgão. Também foi resposável pela inauguração do Centro de Formação em Política Indigenista em Sobradinho/DF. Apesar de ter priorizado a participação do movimento indígena e de ter implantado a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), ao final da gestão Meira ocorreu um rompimento da bancada indigenista com a comissão, no qual entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a CNPI. &lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Mércio Pereira Gomes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. 2003 a março de 2007]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dirigiu o IPARJ (Instituto de Pesquisas Antropológicas do Rio de Janeiro) e participou da política carioca quando do governo de Leonel Brizola (1991-95), na condição de subsecretário de Cultura e Projetos Especiais. Foi também assessor de projetos especiais da cidade de Petrópolis. Depois de Roque Laraia e Artur Nobre Mendes, Mércio Gomes é o terceiro antropólogo a assumir a presidência da Funai. Foi professor de antropologia na Unicamp, UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Macalestes (EUA) e na UFF (Universidade Federal Fluminense). Membro efetivo do Diretório Estadual do PPS, partido da base aliada do governo Lula, Mércio Gomes já era cotado para a presidência da Funai na campanha eleitoral de 2002 em um eventual governo Ciro Gomes.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Eduardo Aguiar de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. de 2003 a ago. de 2003]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Primeiro presidente da Funai do governo Lula, Eduardo Aguiar de Almeida ficou apenas seis meses no cargo, tendo sido exonerado em 15 de agosto de 2003, por meio de portaria da Casa Civil. O ministro da justiça declarou-se insatisfeito com o seu trabalho à frente da Funai em mais de uma ocasião, em que observava a &amp;quot;falta de sintonia&amp;quot; de Almeida com os interesses do Ministério. Os rumores sobre a sua substituição começaram a circular há pelos menos 2 meses desde que ele assumiu a pasta. Em entrevista à imprensa, Almeida atribuiu sua demissão à forte pressões oriundas dos setores anti-indígenas da política nacional, citando diretamente os nomes dos senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Romero Jucá (PMDB-PR) e dos governadores Blairo Maggi (PPS-MT), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Almeida tomou posse oficialmente no cargo mais de um mês após o início da nova gestão do governo brasileiro, em 03/02/2003. É natural do Rio de Janeiro, jornalista e membro fundador da Sociedade Brasileira de Indigenistas (SBI). Já trabalhou na Funai como assessor da presidência entre janeiro e agosto de 2000. Desde janeiro de 2002, atuava como consultor do Ministério do Meio Ambiente. Em sua gestão, Almeida concentrou parte de seus esforços na preparação da Conferência Nacional de Política Indigenista, um dos ítens mais relevantes na pauta petista para a questão indígena – já expresso no documento de campanha de Lula à presidência, intitulado Compromisso com os Povos Indígenas – e cujo objetivo é o de criar uma instância de articulação entre os setores governamentais que têm responsabilidades para com as demandas indígenas, representantes dos índios e outros setores da sociedade civil. No âmbito das reivindicações territoriais, Almeida criou Grupos de Trabalho (Gts) para identificar 17 novas Terras Indígenas e reestudar os limites de outras dez. Uma decisão inovadora da gestão de Eduardo Aguiar de Almeida foi a determinação do critério da &amp;quot;auto-identificação&amp;quot; como instrumento fundamental para que se reconheça como indígenas os grupos que reivindiquem esta condição, adequando as ações do Estado brasileiro à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Artur Nobre Mendes'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 2002 a jan. de 2003]''''''&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, o antropólogo Artur Nobre Mendes foi o nono presidente do órgão indigenista em oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Na Funai desde 1983, Mendes sempre havia atuado na área fundiária. Foi chefe do Departamento de Identificação e Delimitação (Deid), coordenador de Projetos Especiais e coordenador técnico do Projeto Integrado de Proteção às Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal - o PPTAL, que, ligado ao Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicias do Brasil (PPG7), tem por objetivo demarcar 160 terras indígenas. No momento em que assumiu a presidência da casa, ocupava a diretoria do Departamento de Assuntos Fundiários (DAF), posto em que estava desde a gestão de Glênio da Costa Alvarez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artur Nobre Mendes foi formalmente apresentado no novo cargo em 31/07/2002, juntamente com a equipe recém-constituída por Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, o oitavo ministro da Justiça a assumir a pasta ao longo das duas gestões FHC. Mendes permaneceu à frente da Funai até janeiro de 2003, quando, já então no primeiro mês do governo de Luís Inácio Lula da Silva, pediu demissão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otacílio Antunes Reis Filho'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. a jul. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
A saída de Glênio Alvarez levou à presidência da Funai Otacílio Antunes Reis Filho, antigo funcionário do órgão, então no cargo de diretor de Artesanato. Reis Filho, que já havia sido diretor de Planejamento na gestão de Romero Jucá à frente da Funai, dirigiu a Fundação por 46 dias, entre junho e julho de 2002.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Glênio Alvarez'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. 2000 a jun. 2002]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O geólogo Glênio Alvarez, funcionário da Funai há 14 anos, é o 27º presidente do orgão indigenista oficial desde sua fundação, em 1967. Foi administrador regional do órgão em Boa Vista (RR), em 1994, período de demarcação da TI Yanomami.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escolha de Alvarez, gaúcho de Santa Maria, encerrou a interinidade do antropólogo Roque de Barros Laraia, que ocupou o cargo desde a saída de Carlos Frederico Marés. Alvarez assumiu dizendo pretender implantar programas conjuntos com governos estaduais. Seu principal desafio seria contornar a falta de verbas para desenvolver os programas previstos para 2000.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início de junho de 2002, a publicação no Diário Oficial da União da exoneração de Glênio Alvarez pegou a todos de surpresa. Ele, inclusive, que não quis se manifestar logo após o ocorrido. Por meio de seu assessor de imprensa, declarou que &amp;quot;havia feito seu trabalho corretamente a favor dos índios no Brasil&amp;quot;. A queda de Alvarez aconteceu dois dias depois que o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara, deputado Pinheiro Landim, retirou de pauta o Projeto de Lei da Mineração em Terras Indígenas. A Funai havia se manifestado contrária à aprovação do projeto, de autoria do senador Romero Jucá.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Roque de Barros Laraia'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a mai. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Com a demissão de Marés, o então presidente substituto, o antropólogo Roque de Barros Laraia, assumiu a presidência da Funai em regime interino. Foram 29 dias até que Glênio Alvarez fosse nomeado presidente pelo ministro José Gregori.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Laraia é formado em história, mas optou pela antropologia. Foi parte do corpo docente do Museu Nacional (UFRJ) e, a partir de 1968, da UnB. É integrante do Conselho Indigenista desde que foi criado, em 1967. À época, esse conselho representava o poder máximo no órgão. O antropólogo tem experiência de pesquisa com os Terena e os Suruí do Pará.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante a gestão de Marés, Roque Laraia foi o responsável pela Diretoria de Assuntos Fundiários. Em entrevista exclusiva ao Isa, confessou que os maiores problemas por ele enfrentados em sua curta gestão na presidência, foram o esvaziamento dos quadros profissionais, a escassez de recursos e a pressão constante de grupos indígenas, como os Xavante e os Fulniô. Segundo ele, &amp;quot;não é possível administrar a Funai com os Xavante do jeito que estão&amp;quot;. Para ele, a maioria dos índios continua desassistida, ao passo que uma etnia acaba consumindo o tempo da administração e tomando a maioria dos recursos parcamente disponíveis.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Carlos Frederico Marés'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1999 a abr. de 2000]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Nascido em União da Vitória (PR), Carlos Frederico Marés de Souza Filho é professor de Direito Agrário e Ambiental da PUC-PR. Foi procurador do estado do Paraná entre 1991 e 1994, e secretário da Cultura do município de Curitiba, entre 1983 e 1988.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Colaborou, na Assembléia Nacional Constituinte (1987-88), na formulação do Capítulo VIII, &amp;quot;Dos Índios&amp;quot;, e foi um dos coordenadores da campanha &amp;quot;Povos Indígenas na Constituinte&amp;quot;. Em 1989, fundou o Núcleo de Direitos Indígenas (NDI), e, em 1994, o Instituto Socioambiental, do qual foi presidente e conselheiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés é também autor de seis livros, o último deles - &amp;quot;O renascer dos povos indígenas para o Direito&amp;quot; - é resultado de sua dissertação de doutoramento apresentada, em 1988, à UFPR.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Marés foi indicado para a presidência da Funai pelo ministro da Justiça, José Carlos Dias, que advogou em seu favor, providenciando a regularização de sua situação no Brasil, quando de seu retorno depois de nove anos de exílio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de assumir o cargo, Marés apresentou 13 propostas para o ministro como condição para poder assumir a presidência da Funai (ver artigo Descascando o &amp;quot;abacaxi&amp;quot;, nos &amp;quot;500 anos&amp;quot; do Brasil). Entre elas, estava a homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O curto período em que Marés esteve na Funai foi marcado por atos polêmicos. Logo no início de 2000, declarou publicamente que não haveria o que comemorar no dia 22 de abril, aniversário de 500 anos do &amp;quot;descobrimento&amp;quot; do Brasil. &amp;quot;É uma festa da chegada das caravelas, festa dos brancos. A maior parte dos índios brasileiros tem contato com a civilização branca há bem menos de 500 anos&amp;quot;, disse ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Marés foi marcada pela negociação em torno da apresentação da nova proposta para o &amp;quot;Estatuto do Índio&amp;quot;. Em 17 de abril de 2000, Marés apresentou a proposta do governo &amp;quot;Estatuto do índio e das comunidades indígenas&amp;quot; às lideranças indígenas que se reuniam em Monte Pascoal, em ocasião da marcha de protesto contra as comemorações dos 500 anos. Isso se deu antes mesmo da proposta ser submetida ao Legislativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 22 de abril, após presenciar uma ação da polícia contra a marcha dos índios que iam de Coroa Vermelha a Porto Seguro para protestar contra as comemorações dos 500 anos, Marés anunciou que pediria demissão. &amp;quot;Não posso permanecer num governo que faz agressão física ao movimento indígena organizado&amp;quot;, afirmou após ter decidido, em caráter irrevogável, apresentar sua demissão ao ministro da Justiça José Gregori.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio Lacerda'''&amp;lt;br/&amp;gt;[fev. a nov. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
José Márcio Panoff de Lacerda tomou posse na Presidência da Funai em 22 de fevereiro de 1999. Foi deputado, senador e vice-governador do Mato Grosso. Em seu discurso de posse, prometeu investir na aprovação de um novo Estatuto do Índio, &amp;quot;que reflita uma política realista, voltada para proporcionar às sociedades indígenas o legítimo direito de explorar em bases racionais os recursos naturais existentes em suas terras&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua atuação foi marcada pela defesa de parcerias entre o estado e os municípios para melhorar os atendimentos às sociedades indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 31 de maio, Lacerda foi retirado à força do prédio da Funai por 51 guerreiros xavante, que se revoltaram devido ao afastamento do diretor da AER de Nova Xavantina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gestão de Lacerda teve de enfrentar, a partir de maio de 1999, os inquéritos por ocasião da CPI da Funai, promovida por parlamentares que visavam investigar o relacionamento do órgão federal com ONGs, admissão de antropólogos e aplicação de recursos. Nesse período, tornou-se cada vez mais público o caos orçamentário da Funai.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em novembro, por pressões dos índios, de várias instituições e de ONGs, colocou o cargo à disposição. Na ocasião, ele admitiu que enfrentou conflitos internos, principalmente com o médico Oswaldo Cid Nunes da Cunha, exonerado da chefia do Departamento de Saúde na Funai em Brasília, que classificou Lacerda de &amp;quot;incompetente&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lacerda acusou o médico de deslealdade ao condenar publicamente a decisão do governo de transferir a área de saúde indígena para a Fundação Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sulivan Silvestr'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1997 a fev. de 1999]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Sulivan Silvestre, paranaense, funcionário do Ministério Público de Goiás, tomou posse em 22 de agosto de 1997. Formado em Direito pela PUC de Goiás, Silvestre era especialista em meio ambiente. Desconhecido entre índios e indigenistas, seu nome surpreendeu, já que estavam cotados para ocupar o cargo antropólogos e funcionários da Funai conhecidos pela comunidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sua nomeação comprovou o poder de fogo do ministro Íris Rezende, que conseguiu colocar no comando um apadrinhado político sem nenhuma experiência com a política indigenista. A indicação política desagradou o funcionalismo da Funai, que torcia pela nomeação de um técnico dos quadros da Fundação e algumas organizações não-governamentais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu discurso de posse, Silvestre afirmou ser a demarcação de terras a prioridade de sua gestão. Além disso, enfatizou a necessidade de uma aproximação entre a Funai, os índios e as demais entidades de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Procurou estruturar o Conselho Deliberativo e Participativo das Lideranças Indígenas, promovendo o diálogo entre a Funai, os representantes indígenas, as ONGs, o Cimi e o Capoib, sempre em defesa da descentralização do órgão indigenista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1 de fevereiro de 1999, Silvestre morreu em um acidente de avião. O bimotor Sêneca, que o levaria de Brasília até uma reunião com os índios Fulni-ô e Pankararu, caiu a poucos minutos da pista do aeroporto de Goiânia. O acidente ocorreu por volta das 21h30. Pouco depois da queda, o aparelho foi consumido pelo fogo. Renan Calheiros, ministro da Justiça na época, afirmou que iria acompanhar as investigações sobre o acidente.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Júlio Gaiger'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1996 a jul. de 1997]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O advogado gaúcho Júlio Gaiger foi nomeado presidente da Funai em 12 de março de 1996, ocupando o lugar de Márcio Santilli. Ligado à questão indígena desde 1977, quando dirigiu a Associação Nacional de Apoio ao Índio em Porto Alegre, Gaiger foi assessor jurídico do Cimi até 1991 e trabalhou como assessor na Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi indicado pelo ministro Nelson Jobim, com quem trabalhava desde meados de 1995 na formulação do polêmico Decreto 1775, que prevê a revisão de áreas indígenas ainda não registradas. Essa indicação causou imediatos protestos de organizações indígenas e de apoio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em junho de 1997, apesar dos apelos dos Xavante pela saída imediata de Gaiger, o novo ministro da Justiça, Íris Rezende, bancou a sua permanência. Mas, em 17 de julho, Gaiger entregou o cargo, alegando que o governo não teria se empenhado na implementação da política indigenista e que lhe teria faltado apoio político para levar adiante a reformulação administrativa do órgão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Ressinto-me, na Funai, da ausência de decisões estratégicas que escapam do nosso alcance&amp;quot;, escreveu em sua carta de demissão. Em entrevista, disse que vinha sofrendo pressões dos Xavante, de funcionários da Funai e de grupos políticos vinculados aos índios e aos servidores que, na sua opinião, tencionavam desestabilizá-lo para que não reformulasse o órgão.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Márcio José Brando Santilli'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1995 a mar. de 1996]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Indicado por FHC, um dia depois de uma reunião ocorrida no palácio da alvorada em 03/08/95 entre o presidente, o ministro da justiça e um grupo de antropólogos, Santilli não era o preferido de Jobim. Então secretário executivo do Instituto Socioambiental em Brasília, Santilli demorou um mês para aceitar a indicação, período em que indicou outros nomes ao ministro Jobim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consultou previamente várias ONGs do campo indigenista sobre a oportunidade de encarar o desafio de administrar uma Funai sucateada e enfrentar um novo decreto sobre demarcação de terras indígenas, medida já decidida pelo presidente FHC.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Formado em filosofia, Santilli foi deputado pelo PMDB de SP (1982-86) e integrante do grupo político do atual presidente FHC. Durante seu mandato parlamentar, foi membro da Comissão de Relações Exteriores e da Comissão do índio, na Câmara dos Deputados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre 1987 e 88, foi pessoa-chave na ligação entre a Coordenação Nacional dos Povos lndígenas na Constituinte - que reunia índios e organizações civis de apoio - e o Congresso Nacional. Em 1989, juntamente com um grupo de índios, antropólogos e juristas, fundou e dirigiu o NDI, uma ONG com sede em Brasília, que teve destacado papel na aplicação prática dos direitos coletivos dos índios, através de demandas judiciais paradigmáticas. Em 1994, foi um dos fundadores do Instituto Socioambiental.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Cimi considerou a sua nomeação como &amp;quot;uma tentativa do governo para criar condições políticas favoráveis para mudar o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas&amp;quot;. Além da Igreja Católica, Santilli ganhou muitos inimigos internos com a demissão de funcionários corruptos das Áreas Kayapó e Xavante, o corte de diárias de caciques xavante em Brasília, o fechamento de Administrações Regionais, e o anúncio de uma grande reforma administrativa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enfrentou várias rebeliões regionais e seqüestros de funcionários por índios articulados com segmentos de máfias funcionais e o seu próprio gabinete em Brasília foi invadido por um grupo de Xavante, acompanhado da Rede Globo de TV. Santilli pediu demissão alegando falta de apoio do Ministério da Justiça, que não buscava ampliar as verbas da Funai e retinha os recursos que ele conseguira diretamente do Tesouro Nacional, além de não garantir a investigação policial a respeito das máfias funcionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Dinarte Nobre Madeiro'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1993 a set. de 1995]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Dinarte assumiu interinamente a presidência da Funai, no dia 03/09/93, e acabou permanecendo dois anos à frente do órgão. Há 23 anos funcionário da Funai, ao assumir o cargo era assessor da Presidência do órgão para a região Norte e Nordeste, e estava em Boa Vista coordenando a retirada dos garimpeiros da AI Yanomami. Defendeu a necessidade do órgão retomar o poder de polícia para ter mais autonomia e mobilidade no combate aos garimpeiros que invadem terras indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Madeiro foi mantido no cargo com a mudança de governo e, no conjunto, teve uma gestão discreta, sem denúncias de improbidades administrativas. Apesar disso, Dinarte foi publicamente desprestigiado pelo ministro da Justiça Nélson Jobim e pelo próprio presidente FHC. Chegou a pedir demissão alegando suas divergências com o secretário-executivo do Ministério, Milton Selligman, na questão das demarcações das terras indígenas, principalmente sobre a área dos Xavante, a Suiá-Missu. O ministro não aceitou a demissão. Afastado das deliberações sobre os rumos da política indigenista oficial, colocou seu cargo à disposição mais de uma vez e manifestou sucessivamente seu apoio à manutenção dos procedimentos administrativos constantes no Decreto 22/91.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Cláudio dos Santos Romero'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
Claudio Romero ocupava o cargo de Diretor Geral de Assistência da Funai, quando foi nomeado para presidir o órgão em 20/05/93. Funcionário de carreira do órgão,desde meados da década de setenta, coordenou o Projeto Xavante que tinha como principal objetivo a demarcação do território xavante ocupado pela frente colonizadora, além de projetos de educação e desenvolvimento comunitário. Foi diretor do Parque Indígena do Xingu, quando entre outras coisas apoiou os Kayapó Metuktire na demarcação da AI Capoto/Jarina. Tomou posse do cargo de presidente do órgão prometendo que não haveria qualquer ruptura na continuidade dos trabalhos da gestão de Sidney Possuelo. Nos quase quatro meses que esteve à frente da Funai, Romero teve uma gestão controvertida. Disse que o presidente Itamar Franco não tinha vontade política para cumprir o prazo constitucional de 05/10 para regularizar a demarcação das terras indígenas no país e foi obrigado a reparar o comentário, publicamente. Em agosto de 93, foi acusado, por um dossiê interno, de ter delatado em 83 à Assessoria de Segurança e Informação -o SNI da Funai -uma conspiração de funcionários contra o então presidente do órgão, coronel Paulo Leal. Ele admitiu que escreveu um relatório denunciando servidores do órgão, mas negou ser &amp;quot;araponga&amp;quot; do regime militar. Romero diz que os servidores denunciados planejavam invadir a sede da Funai, articulados pelo então deputado Mário Juruna e pelo então vice-governador do Rio, Darcy Ribeiro. Na época, diretor do Parque Indígena do Xingu, Romero disse que estava interessado em obter da direção da Funai a demarcação das terras indígenas na região e, por isso, foi contra o movimento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi demitido no dia 03/09/93, em meio a informações contraditórias sobre a chamada chacina dos Yanomami em Haximu, sobre a qual divulgou números sucessivamente desmentidos pela imprensa. Discutiu com parlamentares em Roraima ameaçando proibi-los de entrar na AI Yanomami, ao mesmo tempo autorizou a visita de diplomatas estrangeiros sem consultar o Itamaraty, além de ter criado um confronto ao declarar que não se subordinaria às orientações do novo ministro extraordinário para a Amazônia, Rubens Ricúpero.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sidney Ferreira Possuelo'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1991 a mai. de 1993]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
O sertanista Sidney Ferreira Possuelo chefiava a Coordenadoria de Índios Isolados da Funai quando foi nomeado no dia 28/06/91 pelo presidente Collor, em substituição a Cantídio Guimrães, demitido no dia 21/06. Possuelo recebeu carta branca para fazer alterações administrativas e afirmou como prioridades o caso Yanomami e a demarcação de 266 Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Funcionário de carreira da Funai, chefe da Frente de Atração dos Arara(PA), na década de 80, Possuelo reivindicou permanentemente ao presidente Collor a revogação dos Decretos 23, 24, 25 e 26 (de 04/02/91), que tiraram da Funai as responsabilidades pela educação, saúde, projetos produtivos e meio ambiente em áreas indígenas, transferindo-as a outros ministérios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Realizou uma reforma administrativa, iniciada em 20/01/92, quando exonerou seu superintendente geral, Edívio Batistelli. Desapareceram do organograma não só esse cargo, mas todas as Superintendências Regionais. Todas as atividades, desde o planejamento geral da Funai até o atendimento aos mais remotos Postos Indígenas passaram a se vincular diretamente à Presidência do órgão. As Superintendências passaram à categoria de Administrações Regionais -que somam 46, sem autonomia administrativa ou orçamentária, ligados à Diretoria Geral de Assistência, em Brasília. Foram criadas também as Diretorias Fundiária e de Administração. Em sua gestão, Possuelo distendeu a relação do Órgão com entidades não-governamentais. Ao criar o CDDI, convocou representantes de ONGs para compô-lo e assinou quatro convênios de parceria com essas entidades no âmbito da demarcação de terras indígenas (ver mais detalhes no capítulo Terras indígenas) .Sofreu forte oposição interna por isso. O principal feito da sua gestão foi a demarcação física da terra Yanomami de forma contínua, facilitada pela disposição política do presidente Collor para encaminhar processos de reconhecimento oficial dos direitos territoriais indígenas, com vistas à ECO-92 ( ver Cronologia de um Genocídio Documentado, no capítulo Roraima Mata).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Possuelo acabou demitido no dia 19/05/93, pelo ministro da Justiça Maurício Corrêa, por ordem do presidente Itamar Franco. Na versão do próprio Possuelo, sua cabeça rolou devido a três motivos: conflito aberto com o ministro Henrique Hargreaves, do Gabinete Civil- que fizera indicações para postos de chefia da Funai no Acre e em Goiânia; pressão de militares inconformados com as demarcações de terras na fronteira; e pressão de segmentos econômicos contrariados, como as mineradoras.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Sargento Cantídio Guerreiro Guimarães'''&amp;lt;br/&amp;gt;[ago. de 1990 a jul. de 1991]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sub-oficial da reserva da Aeronáutica (onde serviu como Sargento do quadro de manutenção e reparo de aeronaves), amigo pessoal do ex-presidente Romero Jucá, foi superintendente regional da Funai em Cuiabá de 86 a 87. Corre contra os dois um processo no Supremo Tribunal de Justiça por autorização de extração ilegal de madeira na AI Uru-Eu-Wau-Wau. Era assessor do ex-presidente Íris Pedro de Oliveira e foi Chefe de Gabinete do Consultor Geral da República, Clóvis Ferro Costa. Nesta função fez um parecer - aprovado por Ferro - que autorizava o uso da rodovia de 38 km dentro da AI Waimiri-Atroari. Antes de ser nomeado presidente da Funai, era funcionário da representação do estado do Amapá em Brasília.Foi afastado do cargo em meio a acusações dos índios do Xingu -e tornadas públicas pela imprensa - de estar fotografando índias nuas e &amp;quot;molestar moças e adolescentes&amp;quot; do Parque do Xingu (MT).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Coronel Airton Alcântara'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a ago. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Entrou na Funai para substituir o Coronel Carneiro, do CSN, que havia sido nomeado Superintendente Geral da Funai na gestão Íris Pedro, mas acabou morrendo no dia da posse.Alcântara tornou-se presidente, respondendo pelo cargo na fase de transição imposta pelo novo presidente da República Fernando Collor de Mello, recém empossado e que, dentre outras medidas, incorporou a Funai ao Ministério da Justiça depois de liquidar o Ministério do Interior. Para se firmar no cargo e tentar sua permanência no órgão, teve alguns gestos simpáticos aos indigenistas e antropólogos, assinando decretos de reintegração das áreas Uru-Eu-Wau-Wau e Kaiabi Gleba Sul. Por outro lado, elaborou uma lista de 880 servidores a serem colocados em disponibilidade, aproveitando o argumento do enxugarnento administrativo para proceder a uma nova &amp;quot;caça às bruxas&amp;quot;, incluindo antropólogos e indigenistas entre os &amp;quot;disponíveis&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Íris Pedro de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1988 a mar. de 1990]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, entre 1980 e 1983 foi presidente do Grupo de Terras do Araguaia/ Tocantins (Getat), visto como um órgão de repressão e policiamento. Pragmático, apregoava soluções técnicas e operacionais para caracterizar os territórios indígenas: estabelecer áreas a partir de limites naturais, transferir grupos indígenas para &amp;quot;evitar conflitos&amp;quot; com colonos etc. Em 1980, grileiros aceleravam a invasão de terras indígenas dos Xikrirn do Cateté, em Marabá; em 82, o Getat, a Eletronorte e a Funai optaram pela recomposição da área indígena dos Parakanã, &amp;quot;para evitar contatos indiscriminados&amp;quot; entre as famílias que seriam atingidas direta ou indiretamente pelas águas da UHE e estavam sendo reassentadas na variante da Transamazônica&amp;quot;. Sua nomeação confirmaria a vinculação da Funai aos desígnios do CSN. Denúncias da própria Funai indicam que utilizava-se das aeronaves do órgão para visitar uma fazenda de sua propriedade em Imperatriz (MA), onde há uma administração regional da Funai; esta, tomou-se recordista em receber visitas de um presidente do órgão no período do mandato do presidente Íris. Renovou o convênio com o Instituto Lingüístico de Verão (SIL) para atuarem em todo território nacional.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Romero Jucá Fº.'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. de 1986 a set. de 1988]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista, pernambucano, indicado pelo ministro Marco Maciel, seu conterrâneo e chefe da Casa Civil, dirigia o Projeto Rondon.Implantou a descentralização da FUNAI e retirou os índios de Brasília. Tecnocrata modernizador, assinou inúmeros convênios técnicos e de assistência com outros Ministérios. Promulgou um novo regimento interno no órgão. Nos cinco primeiros meses de sua gestão, o quadro de funcionários havia passado de 3.300 funcionários para 4.200. Somente em Recife, sua terra natal, o escritório da FUNAI chegou a ter 400 funcionários vinculados.Tentou tirar a crise do órgão das páginas de jornais, mas acabou sofrendo intervenção do TCU devido às irregularidades financeiras do órgão. Defendia a linha “pragmática” de exploração dos recursos naturais das terras indígenas, e foi acusado de promover inúmeros contratos com madeireiras.Manifestava-se contra a presença de garimpeiros nas áreas indígenas e assinou, em 1987, o convênio Funai/DNPM para exploração mineral empresarial em área indígena. Em maio de 88, assinou portaria criando um GT para avaliar o grau de aculturação dos índios. Saiu da FUNAI para ser governador nomeado de Roraima, carregando consigo um processo no Supremo Tribunal de Justiça por ter autorizado ilegalmente a extração de madeira em área indígena. Já fora da FUNAI, como governador de Roraima, passou a defender a permanência dos garimpeiros invasores do território Yanomami.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Apoena Meirelles'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1985 a mai. de 1986]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Sertanista, nasceu numa aldeia Xavante em Pimentel Barbosa, filho do também sertanista Francisco Meirelles (funcionário do antigo SPI), desde cedo acompanhava o pai nas frentes de atração e trabalho nas aldeias.Autor de um projeto de descentralização da FUNAI, ocupou a presidência com o apoio do Ministro do Interior, Costa Couto, para implantá-lo e esvaziar a crise do órgão.Em maio de 1986, veio o decreto alterando o Estatuto da FUNAI, criando seis superintendências regionais.Apoena despachou durante boa parte do mandato fora de seu gabinete na FUNAI - preferindo uma sala no Ministério ou as delegacias regionais -, evitando assim o confronto com o movimento dos índios em Brasília, que continuava intenso.Distribuiu muitos recursos para contentar o lobby Xavante e reprimiu os índios hospedados em Brasília , cancelando o contrato de hospedagem com os hotéis das cidades satélites.Apoena saiu da presidência do órgão alegando não concordar com a ingerência do Ministro do Interior na indicação de nomes para a superintendência de terras e dos 6 superintendentes regionais.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Álvaro Villas Boas'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. a nov. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Indigenista, irmão de Cláudio e Orlando Villas Boas, trabalhou durante anos como delegado da funai em Bauru (SP).Sua indicação teve grande repercussão (negativa) entre os índios que se encontravam em Brasília (mais de 300). Mas Raoni, por exemplo, liderança Kayapó, reuniu um grupo de índios para apóiá-lo.A delegacia de Londrina, fechada por ele, foi ocupada por 120 índios que exigiam sua demissão. Fechou a delegacia de Salvador, que fora ocupada por índios que queriam ver suas terras demarcadas.Demitiu, logo ao início de sua gestão, os indigenistas empossados em cargos de confiança por Jurandy M. da Fonseca.Em seu curto mandato, reuniu contra si os funcionários demitidos que tinham influência sobre algumas lideranças indígenas e sua atitude de não negociar sob pressão com os índios levou-o a ser demitido.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Gerson da Silva Alves'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. a set. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Assumiu interinamente a presidência da FUNAI e, em meados de maio, foi empossado oficialmente no cargo, apoiado pelos Xavante e pelo deputado Mario Juruna em meio à “enchente indígena” em Brasília.Sargento reformado do exército, contador, trabalhava na FUNAI havia 14 anos, em funções burocráticas. Como delegado regional do órgão em Campo Grande e Cuiabá, e diretor do DGO, na sede, em Brasília, acumulou relações de clientela com os Xavantes, que contribuíram para sua indicação ao cargo, em meio à crise sucessória que marcou o período.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ayrton Carneiro de Almeida'''&amp;lt;br/&amp;gt;[abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Aquele que foi sem nunca ter sido. Ex-diretor do INCRA, foi indicado para presidir interinamente a FUNAI pelo Ministro Costa Couto, mas impedido de tomar posse por um conjunto de índios e funcionários que fizeram uma barreira na entrada do prédio.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Nelson Marabuto'''&amp;lt;br/&amp;gt;[set. de 1984 a abr. de 1985]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Policial de carreira, antes de assumir a presidência da FUNAI havia sido chefe da assessoria de segurança e informação do órgão e também o superintendente da Polícia Federal em São Paulo.Permaneceu no cargo durante o período de transição do governo Figueiredo para o governo Sarney, prolongado pela agonia de Tancredo Neves, no qual houve uma intensa disputa pelo cargo entre varias facções do indigenismo, cada qual mobilizando índios em Brasília.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Jurandy Marcos da Fonseca'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mai. a set. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Advogado, foi chefe de gabinete da FUNAI nas gestões Bandeira Mello e Ismarth Araújo de Oliveira. O “release” de sua posse informava que havia nascido numa aldeia indígena e que seu pai participara da Comissão Rondon e trabalhara no SPI.Na sua gestão, inaugura a nomeação de índios para cargos de chefia na Funai: Marcos Terena para chefe de gabinete e Megaron (Kayapó) para diretor do Parque do Xingu. Readmitiu muitos dos indigenistas e antropólogos, excluídos por Nobre da Veiga, alguns deles como seus assessores diretos e em cargos de direção.Em julho de 84, demite o sertanista Álvaro Villas Boas, delegado da 12a. DR, causando grande tumulto entre os índios do interior de São Paulo e Paraná, que exigiam sua readmissão invadindo e ocupando por duas semanas a delegacia de Bauru, com grande repercussão na imprensa. Vários artigos em jornais comentavam que era o fim da velha política indigenistas, que começava uma nova mentalidade, uma maneira nova de agir e tratar os problemas indígenas e, principalmente, que se percebia que os índios já não eram mais os mesmos, o que exigia formas diferentes de relacionamento com eles. Era o “sopro de esperança na FUNAI”.Jurandy foi demitido em setembro de 1984. Declarou: ”fui demitido porque não assinei a portaria para regulamentar o decreto 88.985” (autorizando a mineração em terras indígenas). Saiu como herói – mas, uma semana depois, foi acusado pelo Procurador Geral da FUNAI, Irineu de Oliveira, de ter beneficiado 85 fazendeiros no Mato Grosso do Sul, com contratos de arrendamento das terras dos Kadiweu, e embolsado os Cr$ 150 milhões referentes aos contratos.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Otávio Ferreira Lima'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jul. de 1983 a abr. de 1984]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Economista funcionário do MInistério do Interior, logo que assumiu a presidência da FUNAI convocou as Polícias Militar e Federal para impedir o acesso de lideranças indígenas ao seu gabinete, e suspendeu as entrevistas à imprensa. Demitiu quatro coronéis em cargos de direção (entre eles, o Cel. Hausen).Na sua gestão, foi promulgado o polêmico decreto 88.985, de novembro de 1983, autorizando a entrada de empresas de mineração em terras indígenas.Em dezembro do mesmo ano, assinou um convênio (No. 028/83) com o SIL (Summer Institute of Linguistics), para um período de dois anos, sujeito a prorrogação.Durante uma crise na parte norte do Parque do Xingu - quando os Txucarramãe interditaram a BR-080 e fizerem alguns funcionários como reféns para obtenção de uma faixa de terra adicional -, Ferreira é demitido pelo seu desempenho desastroso como negociador.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Paulo Moreira Leal'''&amp;lt;br/&amp;gt;[out. de 1981 a jul. de 1983]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da Aeronáutica, trabalhou no Conselho de Segurança Nacional (CSN). Assumiu a presidência da FUNAI falando em reestruturação administrativa; solicitou ao Ministério do Interior a contratação de 4 mil novos funcionários e afirmou que sua grande aspiração era ver o maior número possível de índios ocupando cargos de direção da Fundação.Demitiu alguns militares assessores do órgão sob pressão dos Xavantes.Assinou um convênio com o Projeto Rondon, para atendimento nas áreas de saúde educação e com a Petrobrás, estabelecendo normas gerais a serem observadas nos trabalhos de pesquisa e lavra mineral em terras indígenas.Encomendou estudos a funcionários do órgão, visando emancipação dos Guarani (da região sul do País) e Tembé (PA/ MA), com base em “critérios de indianidade”.No final de sua gestão, um decreto interministerial (No. 88.118, de 23.02.83) criou o chamado “Grupão”, para a regularização das terras indígenas, retirando tal atribuição do âmbito decisório da FUNAI e alçando-a formalmente ao nível ministerial e do CSN.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''João Carlos Nobre da Veiga'''&amp;lt;br/&amp;gt;[nov. de 1979 a out. de 1981]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coronel da reserva, assume o cargo falando em “disciplina” e demitindo 39 indigenistas e antropólogos, porque haviam encaminhado carta ao Ministro do Interior com criticas à política da FUNAI. Incrementa o projeto de emancipação compulsória, criando os famosos “critérios de indianidade” e declarando que “o índio estará emancipado em cinco gerações”; mas recua e não encaminha o processo ao Ministério do Interior (MINTER).Reestrutura a FUNAI para fortalecer as unidades regionais. Numa reunião da SUDAM, afirma que ”há reservas demais”. A 15/12/1980, sai uma Portaria Interministerial (MINTER/ Min. das Minas e Energia) facilitando a exploração mineral em terras indígenas por empresas estatais. Com base no parecer do Conselho Indigenista da FUNAI, o Ministro do Interior, Mario Andreazza, proíbe Mário Juruna, liderança indígena do povo Xavante, de participar do Tribunal Russel, na Holanda.Juruna lidera 40 índios que, na sede da FUNAI em Brasília, exigem a demissão do Presidente da FUNAI e mais dois coronéis da direção: Ivan Zanoni Hausen (DGPC) e Jose Rodriges Godinho (DGO).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Adhemar Ribeiro da Silva'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. a nov. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Engenheiro de profissão, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), na sua curta gestão extinguiu a COAMA (Coordenação da Amazônia) e concedeu alvarás de pesquisa mineral na AI Waimiri-Atroari (AM).&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Ismarth Araújo de Oliveira'''&amp;lt;br/&amp;gt;[mar. de 1974 a mar. de 1979]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, antes de ser nomeado presidente havia sido superintendente da FUNAI. Na sua posse, o Ministro do Interior, Rangel Reis, anunciou “a política de integração em ritmo acelerado”, o que viria a desembocar no projeto de emancipação dos índios, contra o qual ele se opôs publicamente. Mas incrementa os chamados “projetos de desenvolvimento comunitário”, dentro de uma política de “espíritos desarmados” com antropólogos, indigenistas e missionários. Na sua gestão, aumentam substancialmente as demarcações de Terras Indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''Oscar Jeronymo Bandeira de Mello'''&amp;lt;br/&amp;gt;[jun. de 1970 a mar. de 1974]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;General da Reserva, ex-chefe da Divisão de Segurança e informação da FUNAI e ex-agente do SNI, participou do inquérito que extinguiu o SPI. Na sua gestão, consolidou-se a política da FUNAI atrelada ao binômio “segurança e desenvolvimento”, que marcou o período mais duro do regime autoritário - o governo Médici. Seu lema era: “Integrar os índios rapidamente”, sobretudo para que não obstaculizassem a ocupação e colonização da Amazônia, em consonância com o Ministro do Interior, Costa Cavalcante, que anunciou o “boi como grande bandeirante da década”. No bojo do Plano de Integração Nacional, lançado em 1970, estabeleceu um convenio com a SUDAM “para pacificar 30 grupos arredios” ao longo da Transamazônica. Participou de um churrasco com fazendeiros na abertura da BR-080, rodovia que cortou o norte do Parque do Xingu e excluiu boa parte do território dos índios Txukarramãe (sub-grupo Kayapó).Durante sua gestão, foi promulgado o Estatuto do Índio, aprovado pelo Congresso Nacional, e criada, na FUNAI, a Divisão de Desenvolvimento Comunitário (subordinada à Coordenação de Programas de Desenvolvimento de Comunidades, do Ministério do Interior). Relacionada a essa divisão desenvolvimentista e integracionista das populações indígenas, reintroduziu a chamada “renda indígena”, conceito chave para viabilizar o projeto de “emancipação econômica” dos grupos indígenas.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;'''José de Queiroz Campos'''&amp;lt;br/&amp;gt;[dez. de 1967 a jun. de 1970]&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Coordenou a implantação do órgão, tendo que se defrontar – juntamente com o Ministro do Interior, Gal. Albuquerque Lima – com a avalanche de denúncias de genocídio contra o governo no exterior, sobretudo a partir da divulgação do Relatório Jader Figueiredo (março de 1968), que trazia os resultados de uma devassa no SPI (Serviço de Proteção aos Índios, órgão governamental antecessor à FUNAI).Na sua gestão, foram ampliada a área do Parque do Xingu e criados outros três parques indígenas. Criou a GRIN, Guarda Rural Indígena, transformando índios em policiais nas suas próprias aldeias. Assinou convênio com o SIL (Summer Institute of Linguistics) em 1969 e, no mesmo ano, realizou o 1o. Simpósio FUNAI - Missões Religiosas.Jornalista de profissão, escreveu livros a respeito de fatos ocorridos na sua gestão (como a famosa expedição do Pe. Calleri, chacinada durante as tentativas de contatar os Waimiri–Atroari, no Amazonas), mas que nunca chegou a publicar, por recomendação dos órgãos de segurança.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ações ministeriais==&lt;br /&gt;
O início da década de 1990 marcou decididamente uma mudança radical na [[Órgão Indigenista Oficial | política indigenista oficial brasileira]]: até então, todas as ações relativas aos povos indígenas estavam sob a gestão exclusiva do Ministério da Justiça, via a [[Órgão Indigenista Oficial | Fundação Nacional do Índio]]. A partir de 4 decretos presidenciais promulgados no ano de 1991 - conforme tabela abaixo -  a maioria das ações da Funai foi absorvida total ou parcialmente por outros ministérios e órgãos federais:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Decreto | Data&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Objeto do decreto&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;No 23 - 4/02/1991 (saúde)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as condições para a prestação de assistência à '''saúde das populações indígenas: '''Art. 5º '''A Fundação Serviços de Saúde Pública - FSESP''', enquanto não for instituída a Fundação Nacional de Saúde, de que trata o artigo 11 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, encarregar-se-á da coordenação dos projetos, tanto na fase de elaboração, quanto na de execução. &amp;lt;br/&amp;gt;OBS. Em 16 de abril de 1991, o Decreto Presidencial nº 100 instituiu a '''Fundação Nacional de Saúde (FNS)''' que incorporou a Fundação Serviços de Saúde Pública e, por seu turno, o atendimento à saúde das populações indígenas.   &lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 24 – 4/02/1991 (meio ambiente)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre as ações visando à proteção do '''meio ambiente em terras indígenas'''.  Art. 4º A coordenação dos projetos mencionados no art 2º caberá à Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, e sua elaboração e execução serão realizadas pelo '''Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis''' e pelo órgão federal de assistência ao índio&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 25 – 4/02/1991 (auto-sutentação econômica)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre programas e projetos para assegurar '''a auto-sustentação dos povos indígenas'''. Art. 5º Compete ao '''Ministério da Agricultura e Reforma Agrária''', por intermédio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRAPA, e ao '''Ministério da Justiça''', por intermédio do órgão federal de assistência ao índio, a coordenação das ações decorrentes deste Decreto&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Nº 26 – 4/02/1991 (educação)&lt;br /&gt;
             &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dispõe sobre a '''Educação Indígena no Brasil.''' Art. 1º Fica atribuída ao '''Ministério da Educação''' a competência para coordenar as ações referentes à Educação Indígena, em todos os níveis e modalidades de ensino, ouvida a FUNAI&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tais medidas de cunho legal, retirando da Funai grande parte de suas principais atribuições, produziram uma situação na qual as políticas públicas para os povos indígenas  até os dias de hoje vêm sendo conduzidas e executadas de maneira: a) fragmentada: já que pulverizadas em diversos órgãos de distintos ministérios federais e, portanto, sem a falta de uma coordenação geral; b) sobreposta: pois mesmo com essa pulverização, a Funai continua tanto a executar parte de algumas das ações previstas para outros ministérios ([[A educação escolar indígena no Brasil | educação indígena]] e atividades econômicas), como , em muitos casos, a não cumprir com suas atribuições de suporte e parceria junto aos mesmos ministérios, exigidas em todos os decretos citados;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer desse período – 1991 aos dias atuais -, foram diversas as ações desencadeadas pelos diversos ministérios que passaram a cuidar da política indigenista oficial, para além daquelas que continuaram a ser promovidas pela Fundação Nacional do Índio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para uma descrição mais pormenorizada sobre os tema da saúde (Ministério da Saúde) e da educação (Ministério da Educação), ver as subseções específicas que compõem este site.  &lt;br /&gt;
Quanto às ações desencadeadas pelos demais ministérios, não há espaço aqui para apresentá-las em sua totalidade e com o nível de detalhamento requerido. Assim, apresentamos abaixo apenas algumas destas iniciativas ministeriais para que se possa ter uma idéia geral do atual quadro da política indigenista oficial atual. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ministérios&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Ações&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Meio Ambiente (MMA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Projetos Demonstrativos dos Povos Indígenas (PDPI)&lt;br /&gt;
* Gestão Ambiental em Terras Indígenas&lt;br /&gt;
* Conservação e Recuperação da Biodiversidade em T.I.s&lt;br /&gt;
* Ação de fomento à Gestão Ambiental em T.I.s&lt;br /&gt;
* Fortalecimento social e econômico via Coordenadoria do Agroextrativismo  &lt;br /&gt;
* “Carteira Indígena”: Segurança Alimentar associada à Recuperação de Degradação Ambiental&lt;br /&gt;
* PNGATI - Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* ATER Indígena: Valorização da Agroecologia&lt;br /&gt;
* PRONAF: financiamento de projetos de capacitação de lideranças indígenas comunitárias; de etnodesenvolvimento etc&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério do Desenvolvimento Social  (MDS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Doação de recursos financeiros para o projeto “Carteira Indígena”, sob gestão do MMA&lt;br /&gt;
* Bolsa-Família para os povos indígenas&lt;br /&gt;
* “Fome Zero Indígena” &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Cultura (MinC)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Prêmio Culturas Indígenas&lt;br /&gt;
* Pontos de Cultura para povos indígenas&lt;br /&gt;
            &amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Ministério da Saúde (MS)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Criada em outubro de 2010.&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;well&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Veja também ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências externas ==&lt;br /&gt;
===Sites===&lt;br /&gt;
====Funai====&lt;br /&gt;
* Página oficial da Funai- &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.funai.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://www.funai.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Blog da FUNAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://blogdafunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Técnica Local Nova Xavantina - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaixavantina.wordpress.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Madeira - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://crmadeira.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://crmadeira.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional Litoral Sul - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://corlisfunai.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional do Sul da Bahia - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaisuldabahia.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Macéio - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaialagoas.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Fortaleza - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaicacoal.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Funai - Coordenação Regional de Cacoal - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://funaiceara.blogspot.com/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt; http://funaiceara.blogspot.com/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura=24&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=conteudo.monta&amp;amp;amp;idEstrutura;=24&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  MEC. Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view=article&amp;amp;amp;id=290&amp;amp;amp;Itemid=815&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;amp;view;=article&amp;amp;amp;id;=290&amp;amp;amp;Itemid;=815&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
*  Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (MN/UFRJ) - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/laced.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; - Centro de Trabalho Indigenista - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.trabalhoindigenista.org.br&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
====Ministérios====&lt;br /&gt;
* Ministério do Meio Ambiente - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mma.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mma.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mds.gov.br/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mds.gov.br/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério do Desenvolvimento Agrário - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.mda.gov.br/portal/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Cultura - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.cultura.gov.br/site/&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* Ministério da Saúde - SESAI - &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot;&amp;gt;http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/conheca-a-secretaria-sesai&amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Bibliografia===&lt;br /&gt;
* ARRUTI, José Maurício. 2006. “Etnogêneses Indígenas”. In: RICARDO, Beto; RICARDO, Fany (Editores). Povos Indígenas no Brasil: 2001-2005. São Paulo: Instituto Socioambiental.  &lt;br /&gt;
* CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (Org.). 1987. Os Direitos do Índio: ensaios e documentos. São Paulo: Editora Brasiliense. &lt;br /&gt;
* * __________. 1992. Legislação Indigenista no século XIX: uma compilação, 1808-1889. São Paulo: Edusp; CPI-SP.&lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, João Pacheco (Org.). 1998. Indigenismo e Territorialização: poderes, rotinas e saberes coloniais no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Contra Capa. &lt;br /&gt;
* OLIVEIRA, João Pacheco &amp;amp;amp; Rocha Freire, Carlos Augusto da. 2006. A Presença Indígena na Formação do Brasil. Brasília: SECAD/MEC; UNESCO; LACED/UFRJ. Disponível online: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004372.pdf &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* RIBEIRO, Darcy. 1979 [1977]. Os Índios e a Civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno. Petrópolis: Vozes. &lt;br /&gt;
* SANTILLI, Juliana. 2000. “Biodiversidade e Conhecimentos Tradicionais: formas jurídicas de proteção”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 95-98. &lt;br /&gt;
* SANTILLI, Márcio. 1991. “Os direitos indígenas na Constituição brasileira”. In: Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI. Pp: 11-14.&lt;br /&gt;
* __________. 1996. “O Estatuto das Sociedades Indígenas”. In: RICARDO, Beto (Editor). Povos Indígenas no Brasil: 1991-1995. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp.: 2-5. &lt;br /&gt;
* __________. 2000. “Estatuto da Alforria”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 93-94. &lt;br /&gt;
* Equipe de Redação do Aconteceu CEDI. 1991. “Campanha difamatória procura implodir direitos indígenas na Constituição” .In: Povos Indígenas no Brasil 1987/88/89/90. São Paulo: CEDI. Pp: 48-50. &lt;br /&gt;
* __________. 2000. “Propostas para uma Nova Política Indigenista”. In: RICARDO, Carlos Alberto (Editor). Povos Indígenas no Brasil, 1996-2000. São Paulo: Instituto Socioambiental. Pp: 118-121. &lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de. 1987. &amp;quot;Sobre indigenismo, autoritarismo e nacionalidade: considerações sobre a constituição do discurso e da prática da proteção fraternal no Brasil&amp;quot;. In: Oliveira, J. P. (Org.). Sociedades indígenas e indigenismo no Brasil . 1a ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: UFRJ/Marco Zero. Pp: 149-214. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
* __________. 1989. &amp;quot;Os museus de história natural e a construção do indigenismo no Brasil: notas para uma sociologia das relações entre campo intelectual e campo político no Brasil&amp;quot;. Comunicações do PPGAS , v. 13. Pp: 1-85. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm&amp;lt;/htmltag&amp;gt; &lt;br /&gt;
* __________. 1991. &amp;quot;O Santo Soldado&amp;quot;. Comunicações do PPGAS , v. 21, p. 1-80. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* __________. 1992. “O governo dos índios sob a gestão do SPI”. In: CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras: SMC/SP: FAPESP. Pp: 155-172.&lt;br /&gt;
* __________. 1995. Um grande cerco de paz: poder tutelar, indianidade e formação do Estado no Brasil. Petrópolis: Vozes. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* __________. 2001. “Fundação Nacional do Índio (FUNAI)”. In: A breu, Alzira Alves de (coord.). Dicionário histórico-biográfico brasileiro: pós-30. Rio de Janeiro: FGV. Pp: 2426-2432.&lt;br /&gt;
* __________. 2002. &amp;quot;Diversidade Cultural e Política Indigenista&amp;quot;. Tellus (UCDB), Campo Grande - MT, v. 3. Pp: 11-31. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antônio Carlos de; BARROSO-HOFFMANN, Maria (Orgs.). 2002. Etnodesenvolvimento e políticas públicas: bases para uma nova política indigenista. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
* __________. (Orgs.). 2002b. Estado e povos indígenas: bases para uma nova política indigenista II. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED. &lt;br /&gt;
* __________. (Orgs). 2002c. Além da Tutela: bases para uma nova política indigenista III. Rio de Janeiro: Contra Capa/LACED.  &lt;br /&gt;
* SOUZA LIMA, Antonio Carlos de; BARROSO-HOFFMAN, M.; IGLESIAS, Marcelo M. P.; GARNELO, Luiza; PACHECO DE OLIVEIRA, J. 2004. “A administração pública e os povos indígenas”. In: INESC. (Org.). A era FHC e o Governo Lula: transição? . 1 ed. Brasília: Instituto de Estudos Socioeconômicos. Pp: 293-326. On-line na íntegra em: &amp;lt;htmltag href=&amp;quot;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;quot; tagname=&amp;quot;a&amp;quot; target=&amp;quot;_blank&amp;quot;&amp;gt;http://www.laced.mn.ufrj.br/textos_online.htm &amp;lt;/htmltag&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Políticas indigenistas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;!--&lt;br /&gt;
Cuidado ao editar esta seção.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bloco &amp;quot;&amp;lt;noinclude&amp;gt;&amp;quot; usado para evitar que propriedades sejam propagadas em páginas transcluídas:&lt;br /&gt;
Detalhes em http://www.mediawiki.org/wiki/Transclusion#Semantic_MediaWiki&lt;br /&gt;
--&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;noinclude&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{DISPLAYTITLE:Órgão Indigenista Oficial}}{{#set:Ativo=t}}&lt;br /&gt;
{{#set:Data cadastro=2008-07-07}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/noinclude&amp;gt;&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Situa%C3%A7%C3%A3o_jur%C3%ADdica_das_TIs_no_Brasil_hoje&amp;diff=6575</id>
		<title>Situação jurídica das TIs no Brasil hoje</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Situa%C3%A7%C3%A3o_jur%C3%ADdica_das_TIs_no_Brasil_hoje&amp;diff=6575"/>
		<updated>2019-01-07T18:13:28Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |Situação jurídica das TIs no Brasil hoje}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja abaixo o quadro-resumo da situação jurídica das [[O que são Terras Indígenas? | Terras Indígenas]] (TIs) no Brasil e, mais abaixo, um recorte específico para a situação das TIs na Amazônia Legal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para facilitar a compreensão dividimos em quatro as várias [[Demarcações | etapas do processo de reconhecimento oficial das TIs]]. Cada linha corresponde a uma situação nesse processo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Última atualização em {{#agora:}}.&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Situação das TIs no Brasil==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;(clique na situação jurídica para ver todas as TIs nessa situação)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{#computo:}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Situação das TIs na Amazônia Legal==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Situação das TIs na Amazônia Legal&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th &amp;gt;Situação&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th &amp;gt;N&amp;lt;sup&amp;gt;o&amp;lt;/sup&amp;gt; TIs&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th &amp;gt;Extensão (hectares)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Em Identificação&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;43&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;3.100&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Com restrição de uso a não índios&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;1.080.740&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Identificada&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;11 (2,59%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;1.662.477 (1,44%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Declarada&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;32 (7,55%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;6.982.470 (6,05%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Reservada/Homologada&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;332 (78,67%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;105.615.658 (91,57%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Total Geral&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;424 (100%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;115.344.445 (100%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
__FORCETOC__&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Demarcações nos últimos sete governos==&lt;br /&gt;
Abaixo, tabela com o reconhecimento de [[O que são Terras Indígenas? | Terras Indígenas]] (TI) no Brasil, nos governos dos presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[Última atualização em 20 de Setembro de 2018. Desde então não houve novos decretos e portarias.]&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Brasil&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas*&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a abr 2018]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.397.569&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;19.216&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;932.665&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.243.549&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.096.007&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;51&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.008.845&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.726.053&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;30&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10.282.816&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;66&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.059.713&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;60&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.033.678&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.699.936&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.922.172&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;114&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31.526.966&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Itamar Franco [out 92 | dez 94]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.241.711&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;16&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5.432.437&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.794.263&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;112&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.405.219&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.786.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Amazônia legal&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a abr 2018]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.917.596&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;52&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;32&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;17.138.447&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;35&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;23.390.618&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;74&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.795.019&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;34&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.009.449&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.452.807&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''*''' Inclui nove (9) terras Reservadas por decreto: um (1) no governo Sarney, três (3) no governo Collor , um (1) no primeiro Mandato de Lula e dois (2) no segundo mandato de Lula.&lt;br /&gt;
'''**''' As colunas &amp;quot;Número de terras&amp;quot; e &amp;quot;Extensão&amp;quot; não devem ser somadas, pois várias terras indígenas homologadas em um governo foram redefinidas e novamente homologadas. &lt;br /&gt;
(Por exemplo, a TI Baú que já havia sido declarada no governo FHC com 1.850.000 hectares, e no governo Lula foi reduzida para 1.543.460 hectares. Também a TI Raposa Serra do Sol, que já tinha sido declarada em 1998 no gov. FHC , foi posteriormente declarada por Lula, com a mesma extensão. Nesses casos a extensão foi contabilizada duas vezes, o que impede a simples somatória dos campos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Terras Indígenas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Situa%C3%A7%C3%A3o_jur%C3%ADdica_das_TIs_no_Brasil_hoje&amp;diff=6574</id>
		<title>Situação jurídica das TIs no Brasil hoje</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=Situa%C3%A7%C3%A3o_jur%C3%ADdica_das_TIs_no_Brasil_hoje&amp;diff=6574"/>
		<updated>2019-01-07T18:12:53Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |Situação jurídica das TIs no Brasil hoje}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Veja abaixo o quadro-resumo da situação jurídica das [[O que são Terras Indígenas? | Terras Indígenas]] (TIs) no Brasil e, mais abaixo, um recorte específico para a situação das TIs na Amazônia Legal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para facilitar a compreensão dividimos em quatro as várias [[Demarcações | etapas do processo de reconhecimento oficial das TIs]]. Cada linha corresponde a uma situação nesse processo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;Última atualização em {{#agora:}}.&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Situação das TIs no Brasil==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;(clique na situação jurídica para ver todas as TIs nessa situação)&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
{{#computo:}}&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Situação das TIs na Amazônia Legal==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Situação das TIs na Amazônia Legal&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th &amp;gt;Situação&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th &amp;gt;N&amp;lt;sup&amp;gt;o&amp;lt;/sup&amp;gt; TIs&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th &amp;gt;Extensão (hectares)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Em Identificação&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;43&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;3.100&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Com restrição de uso a não índios&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;6&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;1.080.740&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Identificada&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;11 (2,59%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;1.662.477 (1,44%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Declarada&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;32 (7,55%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;6.982.470 (6,05%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Reservada/Homologada&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;332 (78,67%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;105.615.658 (91,57%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Total Geral&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;424 (100%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td align=&amp;quot;right&amp;quot;&amp;gt;115.344.445 (100%)&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
__FORCETOC__&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Demarcações nos últimos sete governos==&lt;br /&gt;
Abaixo, tabela com o reconhecimento de [[O que são Terras Indígenas? | Terras Indígenas]] (TI) no Brasil, nos governos dos presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;[Última atualização em 20 de Setembro de 2018. Desde então não houve novos decretos e portarias.]&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Brasil&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas*&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (Ha)**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a abr 2018]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.397.569&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;19.216&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;15&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;932.665&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.243.549&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.096.007&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;51&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.008.845&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;21&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.726.053&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2003 a dez 2006]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;30&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10.282.816&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;66&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11.059.713&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;60&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.033.678&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.699.936&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.922.172&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;114&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;31.526.966&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Itamar Franco [out 92 | dez 94]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;7.241.711&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;16&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5.432.437&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;58&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;25.794.263&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;112&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26.405.219&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;39&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9.786.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;67&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;14.370.486&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;div class=&amp;quot;table-responsive&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;table class=&amp;quot;table table-hover&amp;quot;&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;caption&amp;gt;Demarcações - Amazônia legal&amp;lt;/caption&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt; &amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Declaradas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th colspan=&amp;quot;2&amp;quot;&amp;gt;TIs Homologadas&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Presidente [período]&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;nº**&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;th&amp;gt;Extensão (ha)&amp;lt;/th&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Michel Temer [mai 2016 a set 2017]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;3.392.275&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;19.216&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2015 a mai 2016]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;10&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;878.462&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;9&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;1.240.776&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Dilma Rousseff [jan 2011 a dez 2014]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;5&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;964.170&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;11&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;2.025.406&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;tr&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td&amp;gt;Luiz Inácio Lula da Silva [jan 2007 a dez 2010]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;td style=&amp;quot;text-align: right;&amp;quot;&amp;gt;26&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1999 a dez 2002]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Henrique Cardoso [jan 1995 a dez 1998]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;Fernando Collor [mar 90 | set 92]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;td&amp;gt;José Sarney [abr 85 | mar 90]&amp;lt;/td&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&amp;lt;/table&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/div&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''*''' Inclui nove (9) terras Reservadas por decreto: um (1) no governo Sarney, três (3) no governo Collor , um (1) no primeiro Mandato de Lula e dois (2) no segundo mandato de Lula.&lt;br /&gt;
'''**''' As colunas &amp;quot;Número de terras&amp;quot; e &amp;quot;Extensão&amp;quot; não devem ser somadas, pois várias terras indígenas homologadas em um governo foram redefinidas e novamente homologadas. &lt;br /&gt;
(Por exemplo, a TI Baú que já havia sido declarada no governo FHC com 1.850.000 hectares, e no governo Lula foi reduzida para 1.543.460 hectares. Também a TI Raposa Serra do Sol, que já tinha sido declarada em 1998 no gov. FHC , foi posteriormente declarada por Lula, com a mesma extensão. Nesses casos a extensão foi contabilizada duas vezes, o que impede a simples somatória dos campos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Terras Indígenas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%E2%80%9CEu_quero_ligar_a_TV_e_ter_ali_um_conte%C3%BAdo_produzido_por_ind%C3%ADgenas%E2%80%9D&amp;diff=6554</id>
		<title>“Eu quero ligar a TV e ter ali um conteúdo produzido por indígenas”</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%E2%80%9CEu_quero_ligar_a_TV_e_ter_ali_um_conte%C3%BAdo_produzido_por_ind%C3%ADgenas%E2%80%9D&amp;diff=6554"/>
		<updated>2018-12-03T17:43:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |“Eu quero ligar a TV e ter ali um conteúdo produzido por indígenas”}}&lt;br /&gt;
{{Lead |'''Renata Machado''', do povo [[Povo:Tupinambá de Olivença | tupinambá]], nasceu em Niterói (RJ) e trabalha como jornalista, roteirista, palestrante e produtora. Ao lado de Anápuáka Tupinambá e Denilson [[Povo: Baniwa | Baniwa]], fundou, em 2013, a primeira rádio indígena online no país: a [http://radioyande.com/ Rádio Yandê], que transmite ao público nacional as realidades e culturas dos povos indígenas no Brasil.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/1/8/7/2/3_7f822c07ac3b3c1/18723scr_428a1d340d9151b.jpg|Renata Tupinambá na sede do ISA, em São Paulo (SP). Foto: Maria Carolina Botinhon/ISA, 2018.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu tenho 28 anos, sou da etnia tupinambá. Eu nasci em Niterói e trabalho com comunicação indígena desde 2008. Minha família sofreu com essa questão de parentes que são obrigados a deixar suas terras. E as famílias vão se perdendo por esse Brasilzão... Mas dentro dessa questão da memória, da narrativa e da comunicação, o que os nossos avós passam para nós, isso fortalece quem nós somos. Então, aos 16 anos, eu comecei a ter contato com os parentes da mesma etnia e isso iniciou também meu processo dentro da comunicação indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2008, eu recebi um convite de uma grande comunicadora. Eu até me tremo em falar dela: Yakuy Tupinambá de Olivença. E, de lá, eu comecei, cada vez mais, a escrever textos, também a ajudar em outros processos, alguns trabalhos voluntários... E fui passando por diferentes projetos do terceiro setor: passei pela [http://www.indiosonline.net Rede Índios Online], como voluntária; passei pelo projeto [http://www.indioeduca.org/ Índio Educa], em 2011 se não me engano, com outros jovens de outras regiões e outras etnias — a Marina Marcos, de Mato Grosso do Sul, a Michele Machado, de Mato Grosso do Sul da etnia [[Povo: Guarani Kaiowá | kaiowá]], Amaré [[Povo: Krahô-Kanela | Krahô-Kanela]], de Tocantins, o Alex [[Povo: Macuxi | Macuxi]], de Roraima, e a Sabrina [[ Povo: Taurepang | Taurepang]], de Roraima. Sempre aprendendo muito com os parentes... E, dentro de todo esse processo, também foi nascendo essa questão da Rádio Yandê. Fui fazendo amizades. O Anápuáka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe já vinha há algum tempo tentando reunir uma equipe que pudesse elaborar um projeto voltado para a questão da comunicação, algo novo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente rompe um processo de silêncio quando busca dar vozes a nós mesmos. Cada um de nós fala por si. E, de certa forma, isso também reflete na nossa etnia, no nosso pensamento, na nossa cultura. Então a gente vem trabalhando na etnomídia porque a comunicação indígena precisa ser trabalhada dentro de uma perspectiva que dá força à sua identidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto eu como o Anápuáka — a família dele é lá de Pau-Brasil, na Bahia —, como o Denilson Baniwa, do Amazonas — lá bem de cima mesmo, do Rio Negro —, todos nós trabalhamos com comunicação há algum tempo, e por meio da Yandê, quando a idealizamos, quando a fundamos, buscamos justamente isso: ser protagonista da nossa história, não mais o objeto dela, em que o outro fala por nós. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente entra nesse processo de comunicação indígena, como outros também já haviam iniciado na década de 1970. Hoje, a gente sabe que um grande comunicador conhecido foi o Ailton [[Povo: Krenak | Krenak]], dentro do Programa de Índio, mas já havia também outros processos anteriores, por meio de algumas organizações indigenistas, que também faziam um jornalzinho indígena. [Como o [https://cimi.org.br/jornal-porantim/ Jornal Porantim], do Conselho Indigenista Missionário.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grande estopim da comunicação indígena foi na década de 1970. E quando a gente olha para esse cenário hoje, o quanto a gente evoluiu ou foi descobrindo de lá pra cá, foi justamente essa questão de você não ter que fazer uma cópia da mídia dos outros,  mas descobrir qual é a sua própria mídia. Eu sou Tupinambá, eu penso de uma forma, eu faço a comunicação de uma forma. Um [[Povo: Xavante | Xavante]] faz a comunicação de outra forma. Um [[Povo: Terena | Terena]] se expressa de outra forma. E é isso que dá força à nossa diversidade. Se a gente trabalha a comunicação copiando o formato jornalístico ou um formato padrão, a gente rompe um pouco com a nossa identidade na hora de comunicar. E é ela que traz a força à nossa comunicação. Então esse conceito de etnomídia que a gente [está] trabalhando na Yandê é justamente [para evitar] isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sou uma das fundadoras e coordenadoras da Rádio Yandê. É a primeira web-rádio indígena do país. A gente queria falar isso com alegria, mas a gente fica triste por ser a primeira. Estamos em 2018 e ainda somos a primeira web-rádio indígena do país. Então a gente sabe que alguma coisa deve estar errada por ainda não haver outra. É um processo muito intenso de colonização, um processo de tutela, e tudo isso que os parentes passaram e ainda passam hoje. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente sabe que até 1988 a gente não era considerado sujeito enquanto indivíduo, não era considerado cidadão. Então esse pensamento tutelar permaneceu em muitos lugares. Em todas as relações que você pode imaginar: às vezes a gente chega na universidade, chega num doutorado, mas é sempre um olhar muito romântico, da grande maioria das pessoas, sobre quem nós somos. E, às vezes, a gente participa de projetos de diferentes coisas e esse olhar permanece. Às vezes a gente também não é visto como profissional, mas como o enfeite do projeto de outros. Então a gente busca cada vez mais essa questão do protagonismo, do fortalecimento da identidade, da autonomia, da autossustentabilidade. Porque a gente não está pedindo nada. Nós somos  capazes e temos consciência da nossa capacidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, como nós, existem também outros grupos no país. Muitas lideranças, muitos educadores que estão na base, na frente da luta, tentando romper com esse pensamento colonialista que prevalece na maioria das relações com o Estado. A gente sabe que só vai conquistar isso quando tiver a nossa autonomia de volta. Nossa real autonomia e independência. Então, hoje, quando as pessoas perguntam para gente &amp;quot;o que é comunicação indígena?&amp;quot;, comunicação indígena é comunicar sem fronteiras geográficas, porque para nossos povos e para nossas culturas nunca existiram essas fronteiras entre os países, entre os estados. Nós sempre migramos, sempre caminhamos. E hoje a gente está restrito a espaços, como campos de concentração. Uma citação aí da Yakuy Tupinambá: “é como se nós vivêssemos em campos de concentração”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre é aquela visão de que o indígena está só na aldeia, mas hoje nós vivemos em contexto urbano também. Temos indígenas aldeados e urbanos. Tem os que já nascem no ambiente urbano. Então acho que tem muitos preconceitos, estereótipos a se vencer. É uma luta, principalmente, por essa questão das pessoas tomarem consciência de quem são os povos indígenas. E cada vez menos entenderem o índio como um personagem criado pelo colonizador. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós temos nossos nomes. Eu sou Tupinambá. Tem parentes que são Baniwa, tem parentes que são [[ Povo: Tukano | Tukano]]. Nós somos os nomes das nossas culturas, o nome das nossas etnias. E a figura do índio é um personagem para nós. É algo que a gente dá risada quando as pessoas imaginam sempre uma fantasia que não existe a respeito de nossas culturas. E isso dificulta muito nosso trabalho, nossas relações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a gente vai caminhando por esse direito à voz, por esse direito ao rosto. E por esse direito também à comunicação e a políticas públicas para a comunicação indígena, que não são discutidas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil está muito atrasado em relação ao que é a comunicação indígena e às nossas necessidades dentro da comunidade. Na América Latina, em países como México, Colômbia e Bolívia, já se fervilha essa questão das políticas públicas para a comunicação indígena, como um direito como qualquer outro direito, como a saúde, como a educação. E aqui no Brasil a gente ainda está num processo um pouco... ainda caminhando, né? Mas cada vez mais vêm muitas redes jovens, muitos jovens com vontade. Criando, cada vez mais, projetos para dar visibilidade às nossas causas, às nossas culturas e, principalmente, ao legado de nossos avós, aqueles que vieram antes de nós. Aqueles que sempre vão estar em nossas vidas. Porque não existe movimento, existe vida. A gente fala em movimento, mas o movimento é a nossa vida. É o nosso dia a dia, é aquilo que a gente vive e sente na pele. A gente sente na pele esses 518 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''ISA: Como começou a Rádio Yandê?''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RT: A Rádio Yandê nasceu em 2013. Ela vem de um processo muito intenso, de nós fundadores: eu, o Anápuáka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe, o Denilson Baniwa. Nós três fundamos a Yandê, dentro desta proposta de sermos protagonistas da nossa história. Buscamos autonomia, buscamos independência para fazer um projeto somado de experiências anteriores que nós tivemos com comunicação indígena. Todos nós, fundadores, já trabalhamos há um bom tempo, há mais de 10 anos, dentro dessa área. E isso também foi fortalecendo a nossa visão das necessidades que a gente via no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De início, a gente pensou em fazer um espaço de comunicação — uma rádio —  que reunisse os conteúdos regionais das rádios comunitárias indígenas de diferentes regiões do país. Mas já nos primeiros anos da Yandê, a gente percebeu que ela foi rompendo fronteiras que a gente não esperava que rompesse. A gente também divulga artistas indígenas, músicos indígenas, que não encontram espaços em outros lugares para divulgar seus trabalhos. Artistas que trabalham músicas dos mais diferentes gêneros. Hip-hop, forró... Em línguas indígenas, em português. Mas por romper as fronteiras, hoje a Rádio Yandê tem um acesso de mais de 70 países diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos nenhum patrocínio, continuamos trabalhando de forma autônoma e independente. E, ao mesmo tempo, sentimos a necessidade de cada vez mais ajudar outros parentes que estão neste processo comunicativo a fundar, não apenas suas rádios, mas seus próprios espaços de comunicação. Hoje a Rádio é acessada, por dia, mais ou menos por 5 mil ouvintes. E isso se alterna dependendo da época e dependendo do número de publicações. Tem dias que chega a 10 mil ouvintes, mas normalmente são 5 mil por dia, mesmo sem novas publicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a gente, cada vez mais, tem buscado apoios. Apoios para a gente contratar profissionais indígenas, tanto da área, quanto de outras áreas. Profissionais que possam estar ali expressando, não apenas a sua identidade, [mas] a sua visão, a sua filosofia. E divulgando, denunciando as situações dentro das suas comunidades, ou fora delas. Mas um espaço também que a gente possa, cada vez mais, mostrar esse empoderamento e essa questão de que existem profissionais indígenas nos diferentes setores, que às vezes não são valorizados. E assim, como primeiro espaço, empresa, de comunicação indígena, isso também é uma coisa que assusta a gente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente quer ver isso fervilhar. A gente quer ver mil rádios, milhões de rádios indígenas pelo país. A gente quer ver espaços de TV indígenas. Eu quero ligar a televisão e ter ali um conteúdo produzido por indígenas. Um desenho animado indígena. Eu quero conteúdo para o público indígena. Não apenas fazer conteúdo para o público não indígena. A Rádio Yandê sempre foi [feita] pensando nessa questão do público indígena, embora a gente atinja outros públicos e acabe ajudando nessa quebra de estereótipo, essa visão romântica do que é ser indígena, esse índio criado pelo colonizador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem sido muito especial, e muito emocionante, estar à frente disso com meus amigos, a Dayara Tukano, o Idjahure [[ Povo: Kadiwéu | Kadiwéu]], e também meu esposo, Valdevino Terena, e vários outros colaboradores da rádio, por diferentes estados. E a gente tem se organizado neste sentido de mostrar que podemos ser a primeira, mas que todos os outros podem criar mais espaços independentes, mais espaços autônomos. Espaços que podem dar cada vez mais voz a todos. Porque nossa voz, ninguém dá a nossa voz à gente. A gente faz nosso canto, a gente solta nosso canto no mundo. E ele ecoa pelas gerações. E ele não para de ecoar, em nossas almas, em nossas cabeças, em nosso sangue. Dessa forma, a comunicação vai sendo transmitida para as próximas gerações, outras culturas, né? A cultura não é estática, ela sofre transformações, mas o que importa para a gente é manter o legado dos nossos anciões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''ISA: Qual recado você daria aos não indígenas?''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RT: Todos os povos do mundo, todos nós indígenas, originários, pessoas vindas também de outros países... Seja europeu, seja norte-americano, seja asiático. Em todo lugar do mundo, a nossa essência e origem sempre foi tradicional e originária. Todos vocês carregam em sua genética o sangue de ancestrais, mas que, de certa forma, a cultura ocidental, nessa ocidentalização, modificou muito da essência de cada povo, de cada grupo cultural. A “racialização” é uma coisa muito... como eu posso dizer para vocês? Não “racializem” muito. Pensem sempre na memória, na identidade. E principalmente em quem vocês são, da onde vocês vieram, quem são suas famílias, como aqui chegaram, quem são aqueles mais antigos. Seja o tataravô, seja muitas gerações atrás. Porque todos os povos do mundo, todas as culturas, e todas as raças — não gosto muito do termo raças —, todas as etnias do mundo vieram de uma tradicionalidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, de certa forma, a gente está unido, e está nesse mundo junto. Então a gente tem que buscar formas de viver bem. Formas de bem viver. Formas de caminhar juntos para algo melhor, porque já não se separa mais o branco do negro, o indígena do branco, as diferentes etnias. A gente sabe o que vem por aí. Nossos avós sempre falaram para gente: &amp;quot;o futuro&amp;quot;, né? Então a gente está se preparando para isso. E a gente sabe que a natureza não é uma coisa que se controla. Não se pode parar a chuva, não se pode parar as tempestades. E por não controlar isso e a gente sabe. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós, povos da floresta, nós, povos indígenas, nosso conhecimento, nosso saber é todo voltado para a terra, para a natureza. Nós temos muito a contribuir com todos, com aquilo que a gente aprendeu. E eu acho que é isso que a gente busca cada vez que a gente fala, cada vez que a gente mostra nosso rosto. União mesmo, porque vivemos, todos, processos muito difíceis no mundo. Seria mentira para vocês dizer que não vivemos uma guerra aqui no Brasil. Ainda vivemos uma guerra em que todos os dias pessoas estão morrendo. Pessoas indígenas, pessoas não indígenas. E no mundo também. Muita coisa está acontecendo. E essas transformações, se a gente não tem uma consciência de que estamos juntos, todos nessa mesma canoa que se chama humanidade, que vocês chamam de Terra, mas que nós temos outros nomes, de acordo com a nossa cultura, acho que vai ser muito difícil para todos nós. Mas eu acredito muito na raiz da qual todos nós viemos. Essa raiz que faz a gente cantar, mesmo quando parece que está morto e extinto no chão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O meu povo, por muito tempo, foi dito como extinto, mas cobertos de sangue e lágrimas a gente renasceu. E a Funai nos reconheceu novamente em 2003. Então a gente entende esse processo. A gente passou por todo esse contato. E a gente viu que a nossa raiz não morreu, e a nossa identidade também não. Então a gente conhece esse processo, e tudo o que a gente deseja é compartilhar com vocês o que a gente aprendeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;''A entrevista acima foi registrada em 2018 na sede do ISA, em São Paulo (SP), por Isadora Fávero, Giovanna Marra e Maria Carolina Botinhon.''&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Narrativas tupinambá]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Comunicadores indígenas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%E2%80%9CEu_quero_ligar_a_TV_e_ter_ali_um_conte%C3%BAdo_produzido_por_ind%C3%ADgenas%E2%80%9D&amp;diff=6553</id>
		<title>“Eu quero ligar a TV e ter ali um conteúdo produzido por indígenas”</title>
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		<updated>2018-12-03T17:43:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |“Eu quero ligar a TV e ter ali um conteúdo produzido por indígenas”}}&lt;br /&gt;
{{Lead |'''Renata Machado''', do povo [[Povo:Tupinambá de Olivença | tupinambá]], nasceu em Niterói (RJ) e trabalha como jornalista, roteirista, palestrante e produtora. Ao lado de Anápuáka Tupinambá e Denilson [[Povo: Baniwa | Baniwa]], fundou, em 2013, a primeira rádio indígena online no país: a [http://radioyande.com/ Rádio Yandê], que transmite ao público nacional as realidades e culturas dos povos indígenas no Brasil.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/1/8/7/2/3_7f822c07ac3b3c1/18723scr_428a1d340d9151b.jpg|Renata Tupinambá na sede do ISA, em São Paulo (SP). Foto: Maria Carolina Botinhon/ISA, 2018.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu tenho 28 anos, sou da etnia tupinambá. Eu nasci em Niterói e trabalho com comunicação indígena desde 2008. Minha família sofreu com essa questão de parentes que são obrigados a deixar suas terras. E as famílias vão se perdendo por esse Brasilzão... Mas dentro dessa questão da memória, da narrativa e da comunicação, o que os nossos avós passam para nós, isso fortalece quem nós somos. Então, aos 16 anos, eu comecei a ter contato com os parentes da mesma etnia e isso iniciou também meu processo dentro da comunicação indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2008, eu recebi um convite de uma grande comunicadora. Eu até me tremo em falar dela: Yakuy Tupinambá de Olivença. E, de lá, eu comecei, cada vez mais, a escrever textos, também a ajudar em outros processos, alguns trabalhos voluntários... E fui passando por diferentes projetos do terceiro setor: passei pela [http://www.indiosonline.net Rede Índios Online], como voluntária; passei pelo projeto [http://www.indioeduca.org/ Índio Educa], em 2011 se não me engano, com outros jovens de outras regiões e outras etnias — a Marina Marcos, de Mato Grosso do Sul, a Michele Machado, de Mato Grosso do Sul da etnia [[Povo: Guarani Kaiowá | kaiowá]], Amaré [[Povo: Krahô-Kanela | Krahô-Kanela]], de Tocantins, o Alex [[Povo: Macuxi | Macuxi]], de Roraima, e a Sabrina [[ Povo: Taurepang | Taurepang]], de Roraima. Sempre aprendendo muito com os parentes... E, dentro de todo esse processo, também foi nascendo essa questão da Rádio Yandê. Fui fazendo amizades. O Anápuáka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe já vinha há algum tempo tentando reunir uma equipe que pudesse elaborar um projeto voltado para a questão da comunicação, algo novo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente rompe um processo de silêncio quando busca dar vozes a nós mesmos. Cada um de nós fala por si. E, de certa forma, isso também reflete na nossa etnia, no nosso pensamento, na nossa cultura. Então a gente vem trabalhando na etnomídia porque a comunicação indígena precisa ser trabalhada dentro de uma perspectiva que dá força à sua identidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto eu como o Anápuáka — a família dele é lá de Pau-Brasil, na Bahia —, como o Denilson Baniwa, do Amazonas — lá bem de cima mesmo, do Rio Negro —, todos nós trabalhamos com comunicação há algum tempo, e por meio da Yandê, quando a idealizamos, quando a fundamos, buscamos justamente isso: ser protagonista da nossa história, não mais o objeto dela, em que o outro fala por nós. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente entra nesse processo de comunicação indígena, como outros também já haviam iniciado na década de 1970. Hoje, a gente sabe que um grande comunicador conhecido foi o Ailton [[Povo: Krenak | Krenak]], dentro do Programa de Índio, mas já havia também outros processos anteriores, por meio de algumas organizações indigenistas, que também faziam um jornalzinho indígena. [Como o [https://cimi.org.br/jornal-porantim/ Jornal Porantim], do Conselho Indigenista Missionário.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grande estopim da comunicação indígena foi na década de 1970. E quando a gente olha para esse cenário hoje, o quanto a gente evoluiu ou foi descobrindo de lá pra cá, foi justamente essa questão de você não ter que fazer uma cópia da mídia dos outros,  mas descobrir qual é a sua própria mídia. Eu sou Tupinambá, eu penso de uma forma, eu faço a comunicação de uma forma. Um [[Povo: Xavante | Xavante]] faz a comunicação de outra forma. Um [[Povo: Terena | Terena]] se expressa de outra forma. E é isso que dá força à nossa diversidade. Se a gente trabalha a comunicação copiando o formato jornalístico ou um formato padrão, a gente rompe um pouco com a nossa identidade na hora de comunicar. E é ela que traz a força à nossa comunicação. Então esse conceito de etnomídia que a gente [está] trabalhando na Yandê é justamente [para evitar] isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sou uma das fundadoras e coordenadoras da Rádio Yandê. É a primeira web-rádio indígena do país. A gente queria falar isso com alegria, mas a gente fica triste por ser a primeira. Estamos em 2018 e ainda somos a primeira web-rádio indígena do país. Então a gente sabe que alguma coisa deve estar errada por ainda não haver outra. É um processo muito intenso de colonização, um processo de tutela, e tudo isso que os parentes passaram e ainda passam hoje. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente sabe que até 1988 a gente não era considerado sujeito enquanto indivíduo, não era considerado cidadão. Então esse pensamento tutelar permaneceu em muitos lugares. Em todas as relações que você pode imaginar: às vezes a gente chega na universidade, chega num doutorado, mas é sempre um olhar muito romântico, da grande maioria das pessoas, sobre quem nós somos. E, às vezes, a gente participa de projetos de diferentes coisas e esse olhar permanece. Às vezes a gente também não é visto como profissional, mas como o enfeite do projeto de outros. Então a gente busca cada vez mais essa questão do protagonismo, do fortalecimento da identidade, da autonomia, da autossustentabilidade. Porque a gente não está pedindo nada. Nós somos  capazes e temos consciência da nossa capacidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, como nós, existem também outros grupos no país. Muitas lideranças, muitos educadores que estão na base, na frente da luta, tentando romper com esse pensamento colonialista que prevalece na maioria das relações com o Estado. A gente sabe que só vai conquistar isso quando tiver a nossa autonomia de volta. Nossa real autonomia e independência. Então, hoje, quando as pessoas perguntam para gente &amp;quot;o que é comunicação indígena?&amp;quot;, comunicação indígena é comunicar sem fronteiras geográficas, porque para nossos povos e para nossas culturas nunca existiram essas fronteiras entre os países, entre os estados. Nós sempre migramos, sempre caminhamos. E hoje a gente está restrito a espaços, como campos de concentração. Uma citação aí da Yakuy Tupinambá: “é como se nós vivêssemos em campos de concentração”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre é aquela visão de que o indígena está só na aldeia, mas hoje nós vivemos em contexto urbano também. Temos indígenas aldeados e urbanos. Tem os que já nascem no ambiente urbano. Então acho que tem muitos preconceitos, estereótipos a se vencer. É uma luta, principalmente, por essa questão das pessoas tomarem consciência de quem são os povos indígenas. E cada vez menos entenderem o índio como um personagem criado pelo colonizador. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós temos nossos nomes. Eu sou Tupinambá. Tem parentes que são Baniwa, tem parentes que são [[ Povo: Tukano | Tukano]]. Nós somos os nomes das nossas culturas, o nome das nossas etnias. E a figura do índio é um personagem para nós. É algo que a gente dá risada quando as pessoas imaginam sempre uma fantasia que não existe a respeito de nossas culturas. E isso dificulta muito nosso trabalho, nossas relações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a gente vai caminhando por esse direito à voz, por esse direito ao rosto. E por esse direito também à comunicação e a políticas públicas para a comunicação indígena, que não são discutidas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil está muito atrasado em relação ao que é a comunicação indígena e às nossas necessidades dentro da comunidade. Na América Latina, em países como México, Colômbia e Bolívia, já se fervilha essa questão das políticas públicas para a comunicação indígena, como um direito como qualquer outro direito, como a saúde, como a educação. E aqui no Brasil a gente ainda está num processo um pouco... ainda caminhando, né? Mas cada vez mais vêm muitas redes jovens, muitos jovens com vontade. Criando, cada vez mais, projetos para dar visibilidade às nossas causas, às nossas culturas e, principalmente, ao legado de nossos avós, aqueles que vieram antes de nós. Aqueles que sempre vão estar em nossas vidas. Porque não existe movimento, existe vida. A gente fala em movimento, mas o movimento é a nossa vida. É o nosso dia a dia, é aquilo que a gente vive e sente na pele. A gente sente na pele esses 518 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''ISA: Como começou a Rádio Yandê?''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RT: A Rádio Yandê nasceu em 2013. Ela vem de um processo muito intenso, de nós fundadores: eu, o Anápuáka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe, o Denilson Baniwa. Nós três fundamos a Yandê, dentro desta proposta de sermos protagonistas da nossa história. Buscamos autonomia, buscamos independência para fazer um projeto somado de experiências anteriores que nós tivemos com comunicação indígena. Todos nós, fundadores, já trabalhamos há um bom tempo, há mais de 10 anos, dentro dessa área. E isso também foi fortalecendo a nossa visão das necessidades que a gente via no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De início, a gente pensou em fazer um espaço de comunicação — uma rádio —  que reunisse os conteúdos regionais das rádios comunitárias indígenas de diferentes regiões do país. Mas já nos primeiros anos da Yandê, a gente percebeu que ela foi rompendo fronteiras que a gente não esperava que rompesse. A gente também divulga artistas indígenas, músicos indígenas, que não encontram espaços em outros lugares para divulgar seus trabalhos. Artistas que trabalham músicas dos mais diferentes gêneros. Hip-hop, forró... Em línguas indígenas, em português. Mas por romper as fronteiras, hoje a Rádio Yandê tem um acesso de mais de 70 países diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos nenhum patrocínio, continuamos trabalhando de forma autônoma e independente. E, ao mesmo tempo, sentimos a necessidade de cada vez mais ajudar outros parentes que estão neste processo comunicativo a fundar, não apenas suas rádios, mas seus próprios espaços de comunicação. Hoje a Rádio é acessada, por dia, mais ou menos por 5 mil ouvintes. E isso se alterna dependendo da época e dependendo do número de publicações. Tem dias que chega a 10 mil ouvintes, mas normalmente são 5 mil por dia, mesmo sem novas publicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a gente, cada vez mais, tem buscado apoios. Apoios para a gente contratar profissionais indígenas, tanto da área, quanto de outras áreas. Profissionais que possam estar ali expressando, não apenas a sua identidade, [mas] a sua visão, a sua filosofia. E divulgando, denunciando as situações dentro das suas comunidades, ou fora delas. Mas um espaço também que a gente possa, cada vez mais, mostrar esse empoderamento e essa questão de que existem profissionais indígenas nos diferentes setores, que às vezes não são valorizados. E assim, como primeiro espaço, empresa, de comunicação indígena, isso também é uma coisa que assusta a gente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente quer ver isso fervilhar. A gente quer ver mil rádios, milhões de rádios indígenas pelo país. A gente quer ver espaços de TV indígenas. Eu quero ligar a televisão e ter ali um conteúdo produzido por indígenas. Um desenho animado indígena. Eu quero conteúdo para o público indígena. Não apenas fazer conteúdo para o público não indígena. A Rádio Yandê sempre foi [feita] pensando nessa questão do público indígena, embora a gente atinja outros públicos e acabe ajudando nessa quebra de estereótipo, essa visão romântica do que é ser indígena, esse índio criado pelo colonizador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem sido muito especial, e muito emocionante, estar à frente disso com meus amigos, a Dayara Tukano, o Idjahure [[ Povo: Kadiwéu | Kadiwéu]]], e também meu esposo, Valdevino Terena, e vários outros colaboradores da rádio, por diferentes estados. E a gente tem se organizado neste sentido de mostrar que podemos ser a primeira, mas que todos os outros podem criar mais espaços independentes, mais espaços autônomos. Espaços que podem dar cada vez mais voz a todos. Porque nossa voz, ninguém dá a nossa voz à gente. A gente faz nosso canto, a gente solta nosso canto no mundo. E ele ecoa pelas gerações. E ele não para de ecoar, em nossas almas, em nossas cabeças, em nosso sangue. Dessa forma, a comunicação vai sendo transmitida para as próximas gerações, outras culturas, né? A cultura não é estática, ela sofre transformações, mas o que importa para a gente é manter o legado dos nossos anciões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''ISA: Qual recado você daria aos não indígenas?''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RT: Todos os povos do mundo, todos nós indígenas, originários, pessoas vindas também de outros países... Seja europeu, seja norte-americano, seja asiático. Em todo lugar do mundo, a nossa essência e origem sempre foi tradicional e originária. Todos vocês carregam em sua genética o sangue de ancestrais, mas que, de certa forma, a cultura ocidental, nessa ocidentalização, modificou muito da essência de cada povo, de cada grupo cultural. A “racialização” é uma coisa muito... como eu posso dizer para vocês? Não “racializem” muito. Pensem sempre na memória, na identidade. E principalmente em quem vocês são, da onde vocês vieram, quem são suas famílias, como aqui chegaram, quem são aqueles mais antigos. Seja o tataravô, seja muitas gerações atrás. Porque todos os povos do mundo, todas as culturas, e todas as raças — não gosto muito do termo raças —, todas as etnias do mundo vieram de uma tradicionalidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, de certa forma, a gente está unido, e está nesse mundo junto. Então a gente tem que buscar formas de viver bem. Formas de bem viver. Formas de caminhar juntos para algo melhor, porque já não se separa mais o branco do negro, o indígena do branco, as diferentes etnias. A gente sabe o que vem por aí. Nossos avós sempre falaram para gente: &amp;quot;o futuro&amp;quot;, né? Então a gente está se preparando para isso. E a gente sabe que a natureza não é uma coisa que se controla. Não se pode parar a chuva, não se pode parar as tempestades. E por não controlar isso e a gente sabe. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós, povos da floresta, nós, povos indígenas, nosso conhecimento, nosso saber é todo voltado para a terra, para a natureza. Nós temos muito a contribuir com todos, com aquilo que a gente aprendeu. E eu acho que é isso que a gente busca cada vez que a gente fala, cada vez que a gente mostra nosso rosto. União mesmo, porque vivemos, todos, processos muito difíceis no mundo. Seria mentira para vocês dizer que não vivemos uma guerra aqui no Brasil. Ainda vivemos uma guerra em que todos os dias pessoas estão morrendo. Pessoas indígenas, pessoas não indígenas. E no mundo também. Muita coisa está acontecendo. E essas transformações, se a gente não tem uma consciência de que estamos juntos, todos nessa mesma canoa que se chama humanidade, que vocês chamam de Terra, mas que nós temos outros nomes, de acordo com a nossa cultura, acho que vai ser muito difícil para todos nós. Mas eu acredito muito na raiz da qual todos nós viemos. Essa raiz que faz a gente cantar, mesmo quando parece que está morto e extinto no chão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O meu povo, por muito tempo, foi dito como extinto, mas cobertos de sangue e lágrimas a gente renasceu. E a Funai nos reconheceu novamente em 2003. Então a gente entende esse processo. A gente passou por todo esse contato. E a gente viu que a nossa raiz não morreu, e a nossa identidade também não. Então a gente conhece esse processo, e tudo o que a gente deseja é compartilhar com vocês o que a gente aprendeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;''A entrevista acima foi registrada em 2018 na sede do ISA, em São Paulo (SP), por Isadora Fávero, Giovanna Marra e Maria Carolina Botinhon.''&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Narrativas tupinambá]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Comunicadores indígenas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%E2%80%9CEu_quero_ligar_a_TV_e_ter_ali_um_conte%C3%BAdo_produzido_por_ind%C3%ADgenas%E2%80%9D&amp;diff=6552</id>
		<title>“Eu quero ligar a TV e ter ali um conteúdo produzido por indígenas”</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://pib.socioambiental.org/pt/index.php?title=%E2%80%9CEu_quero_ligar_a_TV_e_ter_ali_um_conte%C3%BAdo_produzido_por_ind%C3%ADgenas%E2%80%9D&amp;diff=6552"/>
		<updated>2018-12-03T17:41:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Vic: hiperlink no nome dos povos que aparecem levando para os verbetes&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;{{Título |“Eu quero ligar a TV e ter ali um conteúdo produzido por indígenas”}}&lt;br /&gt;
{{Lead |'''Renata Machado''', do povo [[Povo:Tupinambá de Olivença | tupinambá]], nasceu em Niterói (RJ) e trabalha como jornalista, roteirista, palestrante e produtora. Ao lado de Anápuáka Tupinambá e Denilson [[Povo: Baniwa | Baniwa]], fundou, em 2013, a primeira rádio indígena online no país: a [http://radioyande.com/ Rádio Yandê], que transmite ao público nacional as realidades e culturas dos povos indígenas no Brasil.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{{Img&lt;br /&gt;
|&lt;br /&gt;
|https://galeria.socioambiental.org/filestore/1/8/7/2/3_7f822c07ac3b3c1/18723scr_428a1d340d9151b.jpg|Renata Tupinambá na sede do ISA, em São Paulo (SP). Foto: Maria Carolina Botinhon/ISA, 2018.}}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu tenho 28 anos, sou da etnia tupinambá. Eu nasci em Niterói e trabalho com comunicação indígena desde 2008. Minha família sofreu com essa questão de parentes que são obrigados a deixar suas terras. E as famílias vão se perdendo por esse Brasilzão... Mas dentro dessa questão da memória, da narrativa e da comunicação, o que os nossos avós passam para nós, isso fortalece quem nós somos. Então, aos 16 anos, eu comecei a ter contato com os parentes da mesma etnia e isso iniciou também meu processo dentro da comunicação indígena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 2008, eu recebi um convite de uma grande comunicadora. Eu até me tremo em falar dela: Yakuy Tupinambá de Olivença. E, de lá, eu comecei, cada vez mais, a escrever textos, também a ajudar em outros processos, alguns trabalhos voluntários... E fui passando por diferentes projetos do terceiro setor: passei pela [http://www.indiosonline.net Rede Índios Online], como voluntária; passei pelo projeto [http://www.indioeduca.org/ Índio Educa], em 2011 se não me engano, com outros jovens de outras regiões e outras etnias — a Marina Marcos, de Mato Grosso do Sul, a Michele Machado, de Mato Grosso do Sul da etnia [[Povo: Guarani Kaiowá | kaiowá]], Amaré [[Povo: Krahô-Kanela | Krahô-Kanela]], de Tocantins, o Alex [[Povo: Macuxi | Macuxi]], de Roraima, e a Sabrina [[ Povo: Taurepang | Taurepang]], de Roraima. Sempre aprendendo muito com os parentes... E, dentro de todo esse processo, também foi nascendo essa questão da Rádio Yandê. Fui fazendo amizades. O Anápuáka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe já vinha há algum tempo tentando reunir uma equipe que pudesse elaborar um projeto voltado para a questão da comunicação, algo novo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente rompe um processo de silêncio quando busca dar vozes a nós mesmos. Cada um de nós fala por si. E, de certa forma, isso também reflete na nossa etnia, no nosso pensamento, na nossa cultura. Então a gente vem trabalhando na etnomídia porque a comunicação indígena precisa ser trabalhada dentro de uma perspectiva que dá força à sua identidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tanto eu como o Anápuáka — a família dele é lá de Pau-Brasil, na Bahia —, como o Denilson Baniwa, do Amazonas — lá bem de cima mesmo, do Rio Negro —, todos nós trabalhamos com comunicação há algum tempo, e por meio da Yandê, quando a idealizamos, quando a fundamos, buscamos justamente isso: ser protagonista da nossa história, não mais o objeto dela, em que o outro fala por nós. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente entra nesse processo de comunicação indígena, como outros também já haviam iniciado na década de 1970. Hoje, a gente sabe que um grande comunicador conhecido foi o Ailton [[Povo: Krenak | Krenak]], dentro do Programa de Índio, mas já havia também outros processos anteriores, por meio de algumas organizações indigenistas, que também faziam um jornalzinho indígena. [Como o [https://cimi.org.br/jornal-porantim/ Jornal Porantim], do Conselho Indigenista Missionário.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O grande estopim da comunicação indígena foi na década de 1970. E quando a gente olha para esse cenário hoje, o quanto a gente evoluiu ou foi descobrindo de lá pra cá, foi justamente essa questão de você não ter que fazer uma cópia da mídia dos outros,  mas descobrir qual é a sua própria mídia. Eu sou Tupinambá, eu penso de uma forma, eu faço a comunicação de uma forma. Um [[Povo: Xavante | Xavante]] faz a comunicação de outra forma. Um [[Povo: Terena | Terena]] se expressa de outra forma. E é isso que dá força à nossa diversidade. Se a gente trabalha a comunicação copiando o formato jornalístico ou um formato padrão, a gente rompe um pouco com a nossa identidade na hora de comunicar. E é ela que traz a força à nossa comunicação. Então esse conceito de etnomídia que a gente [está] trabalhando na Yandê é justamente [para evitar] isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu sou uma das fundadoras e coordenadoras da Rádio Yandê. É a primeira web-rádio indígena do país. A gente queria falar isso com alegria, mas a gente fica triste por ser a primeira. Estamos em 2018 e ainda somos a primeira web-rádio indígena do país. Então a gente sabe que alguma coisa deve estar errada por ainda não haver outra. É um processo muito intenso de colonização, um processo de tutela, e tudo isso que os parentes passaram e ainda passam hoje. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente sabe que até 1988 a gente não era considerado sujeito enquanto indivíduo, não era considerado cidadão. Então esse pensamento tutelar permaneceu em muitos lugares. Em todas as relações que você pode imaginar: às vezes a gente chega na universidade, chega num doutorado, mas é sempre um olhar muito romântico, da grande maioria das pessoas, sobre quem nós somos. E, às vezes, a gente participa de projetos de diferentes coisas e esse olhar permanece. Às vezes a gente também não é visto como profissional, mas como o enfeite do projeto de outros. Então a gente busca cada vez mais essa questão do protagonismo, do fortalecimento da identidade, da autonomia, da autossustentabilidade. Porque a gente não está pedindo nada. Nós somos  capazes e temos consciência da nossa capacidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, como nós, existem também outros grupos no país. Muitas lideranças, muitos educadores que estão na base, na frente da luta, tentando romper com esse pensamento colonialista que prevalece na maioria das relações com o Estado. A gente sabe que só vai conquistar isso quando tiver a nossa autonomia de volta. Nossa real autonomia e independência. Então, hoje, quando as pessoas perguntam para gente &amp;quot;o que é comunicação indígena?&amp;quot;, comunicação indígena é comunicar sem fronteiras geográficas, porque para nossos povos e para nossas culturas nunca existiram essas fronteiras entre os países, entre os estados. Nós sempre migramos, sempre caminhamos. E hoje a gente está restrito a espaços, como campos de concentração. Uma citação aí da Yakuy Tupinambá: “é como se nós vivêssemos em campos de concentração”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sempre é aquela visão de que o indígena está só na aldeia, mas hoje nós vivemos em contexto urbano também. Temos indígenas aldeados e urbanos. Tem os que já nascem no ambiente urbano. Então acho que tem muitos preconceitos, estereótipos a se vencer. É uma luta, principalmente, por essa questão das pessoas tomarem consciência de quem são os povos indígenas. E cada vez menos entenderem o índio como um personagem criado pelo colonizador. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós temos nossos nomes. Eu sou Tupinambá. Tem parentes que são Baniwa, tem parentes que são [[ Povo: Tukano | Tukano]]. Nós somos os nomes das nossas culturas, o nome das nossas etnias. E a figura do índio é um personagem para nós. É algo que a gente dá risada quando as pessoas imaginam sempre uma fantasia que não existe a respeito de nossas culturas. E isso dificulta muito nosso trabalho, nossas relações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas a gente vai caminhando por esse direito à voz, por esse direito ao rosto. E por esse direito também à comunicação e a políticas públicas para a comunicação indígena, que não são discutidas no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Brasil está muito atrasado em relação ao que é a comunicação indígena e às nossas necessidades dentro da comunidade. Na América Latina, em países como México, Colômbia e Bolívia, já se fervilha essa questão das políticas públicas para a comunicação indígena, como um direito como qualquer outro direito, como a saúde, como a educação. E aqui no Brasil a gente ainda está num processo um pouco... ainda caminhando, né? Mas cada vez mais vêm muitas redes jovens, muitos jovens com vontade. Criando, cada vez mais, projetos para dar visibilidade às nossas causas, às nossas culturas e, principalmente, ao legado de nossos avós, aqueles que vieram antes de nós. Aqueles que sempre vão estar em nossas vidas. Porque não existe movimento, existe vida. A gente fala em movimento, mas o movimento é a nossa vida. É o nosso dia a dia, é aquilo que a gente vive e sente na pele. A gente sente na pele esses 518 anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''ISA: Como começou a Rádio Yandê?''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RT: A Rádio Yandê nasceu em 2013. Ela vem de um processo muito intenso, de nós fundadores: eu, o Anápuáka Muniz Tupinambá Hã-hã-hãe, o Denilson Baniwa. Nós três fundamos a Yandê, dentro desta proposta de sermos protagonistas da nossa história. Buscamos autonomia, buscamos independência para fazer um projeto somado de experiências anteriores que nós tivemos com comunicação indígena. Todos nós, fundadores, já trabalhamos há um bom tempo, há mais de 10 anos, dentro dessa área. E isso também foi fortalecendo a nossa visão das necessidades que a gente via no Brasil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De início, a gente pensou em fazer um espaço de comunicação — uma rádio —  que reunisse os conteúdos regionais das rádios comunitárias indígenas de diferentes regiões do país. Mas já nos primeiros anos da Yandê, a gente percebeu que ela foi rompendo fronteiras que a gente não esperava que rompesse. A gente também divulga artistas indígenas, músicos indígenas, que não encontram espaços em outros lugares para divulgar seus trabalhos. Artistas que trabalham músicas dos mais diferentes gêneros. Hip-hop, forró... Em línguas indígenas, em português. Mas por romper as fronteiras, hoje a Rádio Yandê tem um acesso de mais de 70 países diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não temos nenhum patrocínio, continuamos trabalhando de forma autônoma e independente. E, ao mesmo tempo, sentimos a necessidade de cada vez mais ajudar outros parentes que estão neste processo comunicativo a fundar, não apenas suas rádios, mas seus próprios espaços de comunicação. Hoje a Rádio é acessada, por dia, mais ou menos por 5 mil ouvintes. E isso se alterna dependendo da época e dependendo do número de publicações. Tem dias que chega a 10 mil ouvintes, mas normalmente são 5 mil por dia, mesmo sem novas publicações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a gente, cada vez mais, tem buscado apoios. Apoios para a gente contratar profissionais indígenas, tanto da área, quanto de outras áreas. Profissionais que possam estar ali expressando, não apenas a sua identidade, [mas] a sua visão, a sua filosofia. E divulgando, denunciando as situações dentro das suas comunidades, ou fora delas. Mas um espaço também que a gente possa, cada vez mais, mostrar esse empoderamento e essa questão de que existem profissionais indígenas nos diferentes setores, que às vezes não são valorizados. E assim, como primeiro espaço, empresa, de comunicação indígena, isso também é uma coisa que assusta a gente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A gente quer ver isso fervilhar. A gente quer ver mil rádios, milhões de rádios indígenas pelo país. A gente quer ver espaços de TV indígenas. Eu quero ligar a televisão e ter ali um conteúdo produzido por indígenas. Um desenho animado indígena. Eu quero conteúdo para o público indígena. Não apenas fazer conteúdo para o público não indígena. A Rádio Yandê sempre foi [feita] pensando nessa questão do público indígena, embora a gente atinja outros públicos e acabe ajudando nessa quebra de estereótipo, essa visão romântica do que é ser indígena, esse índio criado pelo colonizador.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem sido muito especial, e muito emocionante, estar à frente disso com meus amigos, a Dayara Tukano, o Idjahure [[ Povo: Kadiweu | Kadiweu]]], e também meu esposo, Valdevino Terena, e vários outros colaboradores da rádio, por diferentes estados. E a gente tem se organizado neste sentido de mostrar que podemos ser a primeira, mas que todos os outros podem criar mais espaços independentes, mais espaços autônomos. Espaços que podem dar cada vez mais voz a todos. Porque nossa voz, ninguém dá a nossa voz à gente. A gente faz nosso canto, a gente solta nosso canto no mundo. E ele ecoa pelas gerações. E ele não para de ecoar, em nossas almas, em nossas cabeças, em nosso sangue. Dessa forma, a comunicação vai sendo transmitida para as próximas gerações, outras culturas, né? A cultura não é estática, ela sofre transformações, mas o que importa para a gente é manter o legado dos nossos anciões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''ISA: Qual recado você daria aos não indígenas?''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
RT: Todos os povos do mundo, todos nós indígenas, originários, pessoas vindas também de outros países... Seja europeu, seja norte-americano, seja asiático. Em todo lugar do mundo, a nossa essência e origem sempre foi tradicional e originária. Todos vocês carregam em sua genética o sangue de ancestrais, mas que, de certa forma, a cultura ocidental, nessa ocidentalização, modificou muito da essência de cada povo, de cada grupo cultural. A “racialização” é uma coisa muito... como eu posso dizer para vocês? Não “racializem” muito. Pensem sempre na memória, na identidade. E principalmente em quem vocês são, da onde vocês vieram, quem são suas famílias, como aqui chegaram, quem são aqueles mais antigos. Seja o tataravô, seja muitas gerações atrás. Porque todos os povos do mundo, todas as culturas, e todas as raças — não gosto muito do termo raças —, todas as etnias do mundo vieram de uma tradicionalidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, de certa forma, a gente está unido, e está nesse mundo junto. Então a gente tem que buscar formas de viver bem. Formas de bem viver. Formas de caminhar juntos para algo melhor, porque já não se separa mais o branco do negro, o indígena do branco, as diferentes etnias. A gente sabe o que vem por aí. Nossos avós sempre falaram para gente: &amp;quot;o futuro&amp;quot;, né? Então a gente está se preparando para isso. E a gente sabe que a natureza não é uma coisa que se controla. Não se pode parar a chuva, não se pode parar as tempestades. E por não controlar isso e a gente sabe. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nós, povos da floresta, nós, povos indígenas, nosso conhecimento, nosso saber é todo voltado para a terra, para a natureza. Nós temos muito a contribuir com todos, com aquilo que a gente aprendeu. E eu acho que é isso que a gente busca cada vez que a gente fala, cada vez que a gente mostra nosso rosto. União mesmo, porque vivemos, todos, processos muito difíceis no mundo. Seria mentira para vocês dizer que não vivemos uma guerra aqui no Brasil. Ainda vivemos uma guerra em que todos os dias pessoas estão morrendo. Pessoas indígenas, pessoas não indígenas. E no mundo também. Muita coisa está acontecendo. E essas transformações, se a gente não tem uma consciência de que estamos juntos, todos nessa mesma canoa que se chama humanidade, que vocês chamam de Terra, mas que nós temos outros nomes, de acordo com a nossa cultura, acho que vai ser muito difícil para todos nós. Mas eu acredito muito na raiz da qual todos nós viemos. Essa raiz que faz a gente cantar, mesmo quando parece que está morto e extinto no chão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O meu povo, por muito tempo, foi dito como extinto, mas cobertos de sangue e lágrimas a gente renasceu. E a Funai nos reconheceu novamente em 2003. Então a gente entende esse processo. A gente passou por todo esse contato. E a gente viu que a nossa raiz não morreu, e a nossa identidade também não. Então a gente conhece esse processo, e tudo o que a gente deseja é compartilhar com vocês o que a gente aprendeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;small&amp;gt;''A entrevista acima foi registrada em 2018 na sede do ISA, em São Paulo (SP), por Isadora Fávero, Giovanna Marra e Maria Carolina Botinhon.''&amp;lt;/small&amp;gt;&lt;br /&gt;
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[[Categoria:Narrativas tupinambá]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Comunicadores indígenas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Vic</name></author>
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