De Povos Indígenas no Brasil
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Notícias
Liderança Guarani leva à COP 30 denúncia sobre impactos da construção de Itaipu
11/11/2025
Fonte: Yvyrupa - https://www.yvyrupa.org.br
Leonardo Werá Tupã destacou destruição de aldeias, cemitérios e locais sagrados do povo Guarani durante painel sobre danos espirituais.
O coordenador da Comissão Guarani Yvyrupa, Leonardo Werá Tupã, participou nesta terça-feira (11) do painel "Danos Espirituais de Empreendimentos e Outros Eventos à Saúde e à Vida dos Povos Indígenas", realizado no Pavilhão do Círculo dos Povos, na Zona Verde da COP30. Durante sua fala, a liderança destacou a violência imensurável sofrida pelo povo Guarani com a construção da Usina de Itaipu, na década de 1970, que submergiu aldeias, cemitérios e locais sagrados para o povo Guarani.
"Toda a violência que houve na região é imensurável. Não dá pra medir a tamanha crueldade, a tamanha violência que aconteceu ali. Não é fácil falar sobre isso. Foi um momento muito cruel. Muitos Guarani pereceram, muitas aldeias foram destruídas. E além da questão ambiental, há também a dimensão espiritual. Muitas casas de reza foram destruídas, muitos locais sagrados desapareceram", denunciou Leonardo.
As obras começaram oficialmente em 1975, durante o período da ditadura militar. Apresentado como símbolo de progresso nacional, o projeto provocou graves violações contra o povo Avá-Guarani, que foi removido à força de seus territórios e teve suas terras e lugares sagrados submersos. "Muitos Guarani pereceram, muitas aldeias foram destruídas. Além da questão ambiental, há também a dimensão espiritual", afirmou.
Leonardo explicou que, para o povo Guarani e demais povos indígenas, os locais sagrados são aqueles preservados, onde há água, floresta, pássaros e vida. "É aquele que está intacto, onde o ser humano ainda não destruiu, onde não houve violência. Esses são os espaços sagrados para nós", destacou.
Até hoje, os povos indígenas sofrem com as consequências da construção da usina. De acordo com a Defensoria Pública, 90% dos indígenas Avá-Guarani estão em situação de insegurança alimentar, no Oeste do Paraná, região atingida pela construção de Itaipu. Eles também sofrem violações resultantes da expansão da monocultura da soja e do uso intensivo de agrotóxicos, especialmente na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá e na Terra Indígena Tekoha Guasu Okoy Jakutinga, nos municípios de Guaíra, Terra Roxa, Santa Helena, Itaipulândia, São Miguel do Iguaçu, Diamante D'Oeste e Foz do Iguaçu.
"Não é só o povo Guarani - todos os povos indígenas sofrem as consequências da colonização e desse chamado progresso. Por isso, é importante refletir sobre isso. Quando se fala em crise climática, abundância ou escassez, nós, povos indígenas, sempre tivemos a sabedoria de venerar a natureza, porque sabemos que sem ela o ser humano não sobrevive".
O painel, mediado pela deputada federal Célia Xakriabá (Povo Xakriabá), abordou o aspecto intangível e imaterial dos impactos ambientais e conectou-se ao Projeto de Lei 3799/2025, de autoria da parlamentar. O PL propõe o reconhecimento legal dos danos espirituais e a criação de mecanismos de compensação diante de atividades econômicas que afetem a espiritualidade e o modo de vida dos povos originários.
Além de Leonardo Werá Tupã, o painel contou com a participação de Megaron Txucarramãe, liderança do povo Mebengôkre-Kayapó; Clara Opoxina, enfermeira do DSEI Yanomami; Lucimara Patté, indígena do povo Xokleng, cofundadora da ANMIGA e assessora técnica da SESAI/MS; Lileia Kunhã Poty Rendy'ju Mirim Kaiowá, liderança do povo Kaiowá; e Ricardo Terena, coordenador do Departamento Jurídico da APIB.
Para além das violações, o debate também ressaltou a profunda relação dos povos indígenas com a natureza e a importância da preservação ambiental para a sobrevivência da humanidade. Leonardo reforçou que os povos indígenas sempre tiveram a sabedoria de venerar a natureza, porque sabem que sem ela o ser humano não sobrevive.
"A nossa Comissão tem o nome 'Yvyrupa'"', que significa '"'sustentação da terra'"'. E o que sustenta a terra é a natureza, a água, a floresta, tudo que existe sobre ela. Se esses elementos forem destruídos, as consequências virão para toda a humanidade. A natureza sempre encontra um jeito de sobreviver, mas nós, seres humanos, só temos esta terra. Precisamos cuidar muito bem dela. E uma das formas mais importantes de preservar é garantir a demarcação das terras indígenas", finalizou.
https://www.yvyrupa.org.br/2025/11/11/lideranca-guarani-denuncia-na-cop-30-violencias-causadas-pela-construcao-de-itaipu/
O coordenador da Comissão Guarani Yvyrupa, Leonardo Werá Tupã, participou nesta terça-feira (11) do painel "Danos Espirituais de Empreendimentos e Outros Eventos à Saúde e à Vida dos Povos Indígenas", realizado no Pavilhão do Círculo dos Povos, na Zona Verde da COP30. Durante sua fala, a liderança destacou a violência imensurável sofrida pelo povo Guarani com a construção da Usina de Itaipu, na década de 1970, que submergiu aldeias, cemitérios e locais sagrados para o povo Guarani.
"Toda a violência que houve na região é imensurável. Não dá pra medir a tamanha crueldade, a tamanha violência que aconteceu ali. Não é fácil falar sobre isso. Foi um momento muito cruel. Muitos Guarani pereceram, muitas aldeias foram destruídas. E além da questão ambiental, há também a dimensão espiritual. Muitas casas de reza foram destruídas, muitos locais sagrados desapareceram", denunciou Leonardo.
As obras começaram oficialmente em 1975, durante o período da ditadura militar. Apresentado como símbolo de progresso nacional, o projeto provocou graves violações contra o povo Avá-Guarani, que foi removido à força de seus territórios e teve suas terras e lugares sagrados submersos. "Muitos Guarani pereceram, muitas aldeias foram destruídas. Além da questão ambiental, há também a dimensão espiritual", afirmou.
Leonardo explicou que, para o povo Guarani e demais povos indígenas, os locais sagrados são aqueles preservados, onde há água, floresta, pássaros e vida. "É aquele que está intacto, onde o ser humano ainda não destruiu, onde não houve violência. Esses são os espaços sagrados para nós", destacou.
Até hoje, os povos indígenas sofrem com as consequências da construção da usina. De acordo com a Defensoria Pública, 90% dos indígenas Avá-Guarani estão em situação de insegurança alimentar, no Oeste do Paraná, região atingida pela construção de Itaipu. Eles também sofrem violações resultantes da expansão da monocultura da soja e do uso intensivo de agrotóxicos, especialmente na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá e na Terra Indígena Tekoha Guasu Okoy Jakutinga, nos municípios de Guaíra, Terra Roxa, Santa Helena, Itaipulândia, São Miguel do Iguaçu, Diamante D'Oeste e Foz do Iguaçu.
"Não é só o povo Guarani - todos os povos indígenas sofrem as consequências da colonização e desse chamado progresso. Por isso, é importante refletir sobre isso. Quando se fala em crise climática, abundância ou escassez, nós, povos indígenas, sempre tivemos a sabedoria de venerar a natureza, porque sabemos que sem ela o ser humano não sobrevive".
O painel, mediado pela deputada federal Célia Xakriabá (Povo Xakriabá), abordou o aspecto intangível e imaterial dos impactos ambientais e conectou-se ao Projeto de Lei 3799/2025, de autoria da parlamentar. O PL propõe o reconhecimento legal dos danos espirituais e a criação de mecanismos de compensação diante de atividades econômicas que afetem a espiritualidade e o modo de vida dos povos originários.
Além de Leonardo Werá Tupã, o painel contou com a participação de Megaron Txucarramãe, liderança do povo Mebengôkre-Kayapó; Clara Opoxina, enfermeira do DSEI Yanomami; Lucimara Patté, indígena do povo Xokleng, cofundadora da ANMIGA e assessora técnica da SESAI/MS; Lileia Kunhã Poty Rendy'ju Mirim Kaiowá, liderança do povo Kaiowá; e Ricardo Terena, coordenador do Departamento Jurídico da APIB.
Para além das violações, o debate também ressaltou a profunda relação dos povos indígenas com a natureza e a importância da preservação ambiental para a sobrevivência da humanidade. Leonardo reforçou que os povos indígenas sempre tiveram a sabedoria de venerar a natureza, porque sabem que sem ela o ser humano não sobrevive.
"A nossa Comissão tem o nome 'Yvyrupa'"', que significa '"'sustentação da terra'"'. E o que sustenta a terra é a natureza, a água, a floresta, tudo que existe sobre ela. Se esses elementos forem destruídos, as consequências virão para toda a humanidade. A natureza sempre encontra um jeito de sobreviver, mas nós, seres humanos, só temos esta terra. Precisamos cuidar muito bem dela. E uma das formas mais importantes de preservar é garantir a demarcação das terras indígenas", finalizou.
https://www.yvyrupa.org.br/2025/11/11/lideranca-guarani-denuncia-na-cop-30-violencias-causadas-pela-construcao-de-itaipu/
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