De Povos Indígenas no Brasil
The printable version is no longer supported and may have rendering errors. Please update your browser bookmarks and please use the default browser print function instead.
Notícias
"O agro mata": lideranças Guarani denunciam impactos do agronegócio em terras indígenas
13/11/2025
Fonte: yvyrupa - https://www.yvyrupa.org.br
Durante painel internacional, lideranças Avá-Guarani do Oeste do Paraná alertam para a contaminação por agrotóxicos e reforçam a demarcação como solução para conter o desmatamento e proteger as comunidades.
Lideranças indígenas Avá-Guarani do oeste do Paraná denunciaram a grave situação de contaminação por agrotóxicos e a violência do agronegócio em seus territórios durante o painel "Das raízes florestais à ação global: alianças populares e jovens por um futuro sem desmatamento", realizado nesta quarta-feira (13) no UK Government Pavilion, na Zona Azul.
O povo Avá-Guarani enfrenta uma realidade marcada pela presença constante do agronegócio em territórios não demarcados, o que expõe as comunidades à insegurança e a constantes conflitos. Essa disputa territorial tem resultado em situações de enfrentamento direto, inclusive com o uso de armas de fogo.
Agrotóxicos como arma química
Para Ilson Soares, cacique da Tekoa Y'hovy, o agronegócio utiliza o uso intensivo e proposital de agrotóxicos como uma forma de violência, uma "arma química" que contamina o ambiente e ameaça a vida nas aldeias. A pulverização do veneno atinge diretamente as comunidades, destruindo ervas medicinais e contaminando o solo e as águas com substâncias tóxicas, como o glifosato.
Vilma Rios, liderança da Terra Indígena (TI) Tekoha Guasu Guavirá, apresentou dados alarmantes sobre a contaminação nas terras indígenas do Paraná. "Fizemos um trabalho dentro da terra indígena, e foi comprovado que o solo - mesmo o que está mais afastado da lavoura - está contaminado pelo veneno glifosato. As águas que consumimos, que vêm da torneira, também foram comprovadamente contaminadas. Então, todos os dias, estamos consumindo veneno", relatou.
"Quando falamos da soja, falamos de sofrimento e resistência. Dizem que o agro é pop, mas o agro mata. O solo e as águas que consumimos estão contaminados por glifosato. Isso causa doenças, câncer e depressão nas nossas mulheres e jovens", denunciou Rios. "O veneno enfraquece o corpo e também a alma."
O Paraná é um dos principais produtores de soja do Brasil, e a região Oeste insere-se nesse contexto. Municípios como Guaíra e Terra Roxa participam da cadeia da carne sobretudo como fornecedores de soja e milho para ração. A hegemonia da soja nessas localidades faz com que o cultivo corresponda a 60% (Guaíra) e quase 70% (Terra Roxa) da área total agricultável.
Demarcação como solução
Durante o debate, as lideranças reforçaram a urgência da demarcação de seus territórios como medida fundamental para garantir a segurança territorial e alimentar das comunidades, além de contribuir para o enfrentamento da crise climática e conter o avanço do desmatamento. "A única forma de conter o avanço do agronegócio é a demarcação das terras indígenas. Não é só uma luta pela terra, mas pela vida, pela saúde e pela espiritualidade do nosso povo", afirmou Ilson Soares.
Vilma Rios também ressaltou que os povos indígenas são os verdadeiros guardiões do equilíbrio climático e que a falta de demarcação ameaça não apenas as comunidades, mas o planeta inteiro. "Quando falamos da questão climática, todo mundo se mostra preocupado - mas, ao mesmo tempo, ninguém se preocupa em demarcar as terras indígenas. E é justamente essa a única forma de mudar a situação climática e conter o aumento da temperatura da Terra", afirma.
As lideranças Guarani ressaltaram ainda que, mesmo sem a demarcação de seus territórios, é o modo de vida tradicional e o conhecimento ancestral do povo que asseguram a conservação da biodiversidade e a continuidade das florestas. "Mesmo que nossos territórios ainda não sejam demarcados, temos o conhecimento da preservação do ambiente e da proteção das vidas. Nossos espaços são cultivados com diversidade: sementes tradicionais, ervas medicinais e alimentos que garantem a sobrevivência de cada família", destacou Soares.
O evento, promovido pela organização Size of Wales, também contou com a participação de representantes da Nação Wampís, da Amazônia peruana.
https://www.yvyrupa.org.br/2025/11/13/o-agro-mata-liderancas-guarani-denunciam-impactos-do-agronegocio-em-terras-indigenas/
Lideranças indígenas Avá-Guarani do oeste do Paraná denunciaram a grave situação de contaminação por agrotóxicos e a violência do agronegócio em seus territórios durante o painel "Das raízes florestais à ação global: alianças populares e jovens por um futuro sem desmatamento", realizado nesta quarta-feira (13) no UK Government Pavilion, na Zona Azul.
O povo Avá-Guarani enfrenta uma realidade marcada pela presença constante do agronegócio em territórios não demarcados, o que expõe as comunidades à insegurança e a constantes conflitos. Essa disputa territorial tem resultado em situações de enfrentamento direto, inclusive com o uso de armas de fogo.
Agrotóxicos como arma química
Para Ilson Soares, cacique da Tekoa Y'hovy, o agronegócio utiliza o uso intensivo e proposital de agrotóxicos como uma forma de violência, uma "arma química" que contamina o ambiente e ameaça a vida nas aldeias. A pulverização do veneno atinge diretamente as comunidades, destruindo ervas medicinais e contaminando o solo e as águas com substâncias tóxicas, como o glifosato.
Vilma Rios, liderança da Terra Indígena (TI) Tekoha Guasu Guavirá, apresentou dados alarmantes sobre a contaminação nas terras indígenas do Paraná. "Fizemos um trabalho dentro da terra indígena, e foi comprovado que o solo - mesmo o que está mais afastado da lavoura - está contaminado pelo veneno glifosato. As águas que consumimos, que vêm da torneira, também foram comprovadamente contaminadas. Então, todos os dias, estamos consumindo veneno", relatou.
"Quando falamos da soja, falamos de sofrimento e resistência. Dizem que o agro é pop, mas o agro mata. O solo e as águas que consumimos estão contaminados por glifosato. Isso causa doenças, câncer e depressão nas nossas mulheres e jovens", denunciou Rios. "O veneno enfraquece o corpo e também a alma."
O Paraná é um dos principais produtores de soja do Brasil, e a região Oeste insere-se nesse contexto. Municípios como Guaíra e Terra Roxa participam da cadeia da carne sobretudo como fornecedores de soja e milho para ração. A hegemonia da soja nessas localidades faz com que o cultivo corresponda a 60% (Guaíra) e quase 70% (Terra Roxa) da área total agricultável.
Demarcação como solução
Durante o debate, as lideranças reforçaram a urgência da demarcação de seus territórios como medida fundamental para garantir a segurança territorial e alimentar das comunidades, além de contribuir para o enfrentamento da crise climática e conter o avanço do desmatamento. "A única forma de conter o avanço do agronegócio é a demarcação das terras indígenas. Não é só uma luta pela terra, mas pela vida, pela saúde e pela espiritualidade do nosso povo", afirmou Ilson Soares.
Vilma Rios também ressaltou que os povos indígenas são os verdadeiros guardiões do equilíbrio climático e que a falta de demarcação ameaça não apenas as comunidades, mas o planeta inteiro. "Quando falamos da questão climática, todo mundo se mostra preocupado - mas, ao mesmo tempo, ninguém se preocupa em demarcar as terras indígenas. E é justamente essa a única forma de mudar a situação climática e conter o aumento da temperatura da Terra", afirma.
As lideranças Guarani ressaltaram ainda que, mesmo sem a demarcação de seus territórios, é o modo de vida tradicional e o conhecimento ancestral do povo que asseguram a conservação da biodiversidade e a continuidade das florestas. "Mesmo que nossos territórios ainda não sejam demarcados, temos o conhecimento da preservação do ambiente e da proteção das vidas. Nossos espaços são cultivados com diversidade: sementes tradicionais, ervas medicinais e alimentos que garantem a sobrevivência de cada família", destacou Soares.
O evento, promovido pela organização Size of Wales, também contou com a participação de representantes da Nação Wampís, da Amazônia peruana.
https://www.yvyrupa.org.br/2025/11/13/o-agro-mata-liderancas-guarani-denunciam-impactos-do-agronegocio-em-terras-indigenas/
As notícias publicadas no site Povos Indígenas no Brasil são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos .Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.